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Pastoral Litúrgica 48 | Planejamento Pastoral 50 | Formação Teológica 52 Aconselhamento Pastoral 54 | Pastoral do Dízimo 56 | Exercícios EspirituaisParóquias 58 & CASAS RELIGIOSAS Assine: assinaturas@promocat.com.br

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PASTORAL

LITÚRGICA

EXPERIÊNCIA

MÍSTICA Compreenda que o espaço celebrativo é sinal do mistério pascal de Cristo POR PE. SANDRO FERREIRA

N

a liturgia, o primeiro espaço a ser cuidado, o espaço por excelência, são as pessoas. Quando os cristãos ainda não possuíam locais para as suas celebrações, mas celebravam nas casas, os santos padres faziam questão de lembrar aos fiéis que o templo não são os muros, mas as pessoas. O batismo nos torna templos sagrados. Fomos ungidos e consagrados pelo Espírito para formar um só corpo em Cristo. Essa realidade deve manifestar-se também materialmente no espaço físico ocupado pela comunidade reunida. Na disposição e na organização do espaço, na relação que criamos com o sagrado, entre as pessoas e os vários ministérios desempenhados na celebração, é possível mostrar essa unidade. Nas igrejas, precisamos, portanto, evitar qualquer coisa que sugira separação e isolamento: colunas, tribunas, excesso de degraus, etc. 48 Paróquias & CASAS RELIGIOSAS

FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA

A igreja é o lugar privilegiado da celebração litúrgica dominical e de outras celebrações e ações sacramentais. Assim, esse ambiente deve ser organizado de modo a revelar o mistério aí celebrado. Na Palavra de Deus, encontramos o mandato de Jesus aos seus discípulos para prepararem um lugar para celebrarem a ceia pascal. Jesus os orienta a procurarem um homem que lhes mostraria uma “grande sala arrumada” (Lc 22,7-13). Com a mesma dedicação que os discípulos prepararam o lugar para a ceia, é que somos chamados a preparar e organizar o espaço da celebração.

A PARTICIPAÇÃO DOS FIÉIS

A Constituição Sacrossanctum Concilium, do Concílio do Vaticano II, afirma que as igrejas “devem ser apropriadas às celebrações litúrgicas com a

participação ativa dos fiéis” (n. 124). Nesse ponto, já nos deparamos com um elemento importante para que o espaço esteja ornado de acordo com a celebração: a participação ativa dos fiéis. E a Instrução Geral do Missal Romano diz ainda que toda a celebração deve ser “disposta de tal modo que leve os fiéis à participação consciente, ativa e plena do corpo e do espírito, animada pelo fervor da fé, da esperança e da caridade” (n. 18). Enfim, todo o templo (edifício), no conjunto de seu presbitério e nave, deve favorecer uma experiência com Deus. A posição ocupada pelos diversos membros da comunidade, no espaço celebrativo, não enfatiza condições de dignidade maior ou menor; ao contrário, realça a função e o serviço que cada um é chamado a desempenhar e colabora para que todos se sintam participantes e não meros espectadores de uma ação realizada por alguns. www.revistaparoquias.com.br | maio-junho 2011


A FUNCIONALIDADE DO ESPAÇO LITÚRGICO

“ ”

O espaço celebrativo deve auxiliar os fiéis na compreensão e vivência do mistério pascal de Cristo

O espaço litúrgico precisa ser funcional. E isso não diz respeito a uma questão meramente técnica e prática, mas, sobretudo, teológico-ministerial. A composição do espaço deve pôr-se totalmente a serviço da centralidade do Mistério Pascal de Cristo, expressando-o. E tudo o que, na composição desse espaço, não contribui para esse serviço e apenas distrai do essencial, torna-se supérfluo e, como tal, não tem função litúrgica. Por isso, a funcionalidade do espaço litúrgico deve ser tal que leve os fiéis a uma participação verdadeira nas celebrações litúrgicas, ou seja, que os conduza a uma profunda experiência de aliança (pessoal e comunitária) e de comunhão com e no Mistério celebrado. Isso deve estar representado pela centralidade do altar (espaço da Eucaristia) e do ambão (espaço da Palavra), pelo sóbrio destaque da cadeira da presidência e pela disposição do espaço da assembleia como Povo de Deus irmanado e formando um Corpo em torno do Mistério. A Igreja, enquanto templo deve permanecer como um anúncio da mensagem do Evangelho e conduzir ao Mistério de Deus, do Cristo. Além disso, pode ser um espaço de catequese permanente, acessível a todos. A iconografia, a composição da assembleia, a disposição do presbitério, a localização do batistério, a capela do Santíssimo, o local da reconciliação, o uso criativo da luz natural, podem oferecer recursos didáticos de iniciação, de contemplação, e ajudar, também, na realização das ações litúrgico-sacramentais. O espaço deve, assim, revelar que a Igreja é um corpo, é uma reunião de batizados que querem celebrar e manifestar a sua fé, uma comunidade aberta, não fechada em si mesma, que caminha rumo à Jerusalém celeste. Uma das tendências atuais nas igrejas é a necessidade de se preencher todo o espaço do presbitério. Fruto da sociedaAssine: assinaturas@promocat.com.br

de pragmática em que vivemos, na qual tudo precisa ser preenchido. Isso revela uma deficiência na formação e compreensão litúrgica. Segundo Daniel Cronin, “é necessário oferecer movimento livre no presbitério tanto quanto na assembleia. Necessitamos de espaços abertos para poder ter procissões (não só procissões de entrada, mas também de comunhão, a partir de todos os assentos). Do ponto de vista estético, aplicado à liturgia, temos de procurar formar a capacidade de apreciar a beleza do espaço em si” (CELAM. Manual de Liturgia II. p. 344). 6 critérios para organizar o espaço da celebração

1. Não devemos esquecer que a celebração é comunitária;

2. O espaço deve facilitar a comunicação entre os irmãos e irmãs de modo a se sentirem à vontade e como uma grande família: a família de Deus.;

3. É importante não sobrecarregar o presbitério com muitos objetos;

4. Evitar poluições. Às vezes há tantas coisas (folhagens, cartazes), que se perde o sentido do que realmente é importante;

5. É preciso que o espaço brilhe pela nobre

simplicidade, pois deve ser digno e belo, sinal da beleza de Deus;

6. Vale ressaltar que os objetos devem ser

verdadeiros (por exemplo: não podem ser flores de plástico, vela artificial, etc).

Enfim, o espaço celebrativo deve auxiliar os fiéis na compreensão e vivência do mistério pascal de Cristo. Sua organização deve fazer com que a assembleia se sinta convidada e convocada a participar do banquete do Ressuscitado. “A beleza cativa, educa e nos eleva. Ajuda-nos a mergulhar na realidade invisível do mistério” (Dom Joviano de Lima Júnior). Pe. Sandro Ferreira é Membro do presbitério da Arquidiocese de Maringá - PR e Mestrando em Teologia pela PUC/PR. Contato: sandro1ferreira@yahoo.com.br

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PASTORAL DO

DÍZIMO

SINERGIA DIZIMAL

Encontre na atividade pastoral o caminho para a missão partilhada POR CÔN. EDSON ORIOLO

A

Igreja, comunidade convocada pela Palavra, tem como missão pregar o Evangelho (cf. LG 25). Evangelizar é necessariamente anunciar com alegria a pessoa, o nome, a mensagem, a vida, as promessas, o Reino e o mistério de Jesus Cristo, Filho de Deus (cf. EN 22). A Igreja é essencialmente missionária. Hoje em dia, a rápida urbanização, muito acentuada nas nações jovens que, em grande parte, provém do êxodo rural, gera dolorosa solidão e marginalização das pessoas. As consequências são evidentes: a criminalidade, o alcoolismo, as drogas, o desemprego crescente, a desigual-

dade das condições de trabalho. Além disso, os meios de comunicação constituem uma ameaça para a liberdade individual. É grande o peso de tais realidades que se tornam um novo poder, provocando o escândalo da miséria, do supérfluo, do luxo e o fenômeno da neoproletarização (cf. AO 8). Com esse abismo entre o real anunciado pela Igreja e a realidade vivenciada pelos cristãos leigos surgem novas maneiras de ação evangelizadora que, com grande ardor missionário, lançam as sementes do Verbo em um mundo tão conturbado. Uma delas, foi implementada pela Pastoral do Dízimo da Paróquia Nossa Senhora da Vitória, em Salvador-BA. Sob a orientação de seu pároco, Pe. Luis Simões e da coordenadora, Sra. Emília Navarro, dizimistas e agentes da Pastoral do Dízimo começaram a agir usando os princípios da sinergia dizimal.

unificar e liberar os valores existentes nas pessoas. Os membros da equipe se esforçam para valorizar as diferenças, respeitá-las, ampliar os valores e compensar as fraquezas. Esses esforços, quando coordenados, possibilitam o crescimento das pessoas que passam a realizar com eficácia a missão sonhada. Na paróquia citada, as ações dos dizimistas e agen­tes são interdependentes e coordenadas. Cada membro tem um ministério especifico. Um determinado ministério depende do trabalho dos outros.

EXEMPLO DE ORGANIZAÇÃO

Dá-se sinergia em uma determinada pastoral quando as pessoas resolvem trabalhar em equipe. O trabalho em equipe é um grande desafio. Nesse trabalho todos devem saber catalisar,

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Os membros da equipe se apoiam e se ajudam quanto às ideias, às ações e às questões que estão sendo trabalhadas. Há um verdadeiro comprometimento comum com as metas desafiantes, mas bem planejadas e uma excelente organização. Os agentes da Pastoral do Dízimo estão sempre interagindo com os dizimistas, em um espírito de participação e

de comunhão. São pessoTodo esse trabalho Os membros da equi- de equipe as realmente eficientes é fruto de verque têm a humildade de pe se apoiam e se ajudam dadeira comunhão na reconhecer, de admitir as quanto às ideias, às ações e missão e os resultados limitações da sua percepsão muito satisfatórios. ção e de reconhecer os às questões que estão sendo Que essa experiência de abundantes recursos dis- trabalhadas sinergia dizimal da Paponíveis na interação com róquia Nossa Senhora o coração e a mente de outros irmãos. da Vitória possa nos inspirar para sermos, com as luzes do Espírito Santo, discípulos missionários na Pastoral do 3 ações que beneficiam a comunidade Dízimo em nossas comunidades.

1. Os agentes da Pastoral do Dízimo e os dizimistas, com mentalidade de conversão, mudança e criatividade, devem criar ações com objetivos fortes que valorizam todos, sobretudo, os mais debilitados, desempenhando um grande trabalho em equipe;

2. A ação Pastoral do Dízimo dessa paróquia da capital baiana, com tal sinergia, faz com que os agentes e os dizimistas se aproximem e participem mais da vida da Igreja e dos irmãos mais necessitados;

3. Além das visitas, eles realizam semanalmente, uma tarde recreativa no Abrigo Dom Pedro II, na

Unidade Oncopediátrica do Hospital Aristides Maltez e na Creche Nova Semente, vivenciando a missão de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).

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Côn. Edson Oriolo é Mestre em Filosofia Social, Especialista em Marketing, Gestão Estratégica de Pessoas, Professor na Faculdade Arautos do Evangelho e Pároco da Catedral Metropolitana de Pouso Alegre/MG, faz parte do Conselho de Conteúdo da revista Paróquias & Casas Religiosas. Contato: edsonoriolo@uol.com.br

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Caderno de Pastoral  

Matéria publicada na Revista Paróquias

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