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1/4 Sobreposições e Percursos Campinas.SP

O Lugar

Pré - existências

A escolha da área de intervenção para o desenvolvimento do projeto, o Pátio Ferroviário Central de Campinas, deu-se principalmente pela situação da malha urbana a sua volta, cuja conformação está intrinsecamente ligada à existência do pátio , este lugar configura, portanto uma situação única, ele registra um momento importante na história da cidade já que é remanescente dos primeiros estágios da formação urbana. O vazio existente não é gratuito, ele foi mantido justamente pela importância que apresenta como patrimônio e momento chave no traçado da cidade. Tais características possibilitam trabalhar de maneira clara a idéia das pré-existências e do contexto enquanto mapas operativos para a atividade projetual.

O Antigo pátio de manobras das Companhias Paulista e Mogiana apresenta vários imóveis tombados pelo patrimônio histórico municipal. A maioria deles em desuso.

Além dessas questões relativas ao contexto como pretexto para a exploração formal, esse lugar permite a coexistência, de diferentes escalas, desde a local até a Regional - Territorial.

Contexto Urbano O entorno da área de intervenção abrange distintas situações urbanas, o pátio ferroviário funciona como uma barreira entre o Centro da cidade e a Vila Industrial, locais com dinâmicas muito diferentes, o Centro apresenta intenso fluxo de pedestres e automóveis, cabe citar a proximidade ao terminal multimodal Ramos de Azevedo e à Rua Treze de Maio (Rua do comércio), A Vila Industrial conserva suas características de bairro residencial e dinâmica local.

Barreiras O Pátio Ferroviário encontra -se isolado de seu entorno urbano por uma série de barreiras, a proposta de projeto visa eliminar tais barreiras com a demolição dos muros e transposição dos desníveis.

Implantação Geral do projeto

É possível basear o projeto no contexto sem, contudo, perder a autonomia da intervenção. É necessário desvincular totalmente o novo do pré- existente para atingir uma linguagem própria?

Centro

Rua Lidgerwood

Rodoviária

O conceito utilizado de Arqueologia da cidade, sobrepõe momentos distintos na conformação da malha urbana, são resgatados momentos passados que se justapõe com instantes futuros, revelando a cidade existente e aquela que poderia ter sido. A arquitetura revela sua antiga condição de permanência ao tempo e assume a alteração como possibilidade de repensar o existente.

Av A n

Av. João Jorge

Fábrica da Lidgerwood

Rua Treze de Maio

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Av Lix da Cunha

Viaduto Cury

Muro

Viaduto e Arrimo

Av J

Muro e Arrimo

Linha do trem de carga

Rua

Muro

O projeto procura mostrar que apesar de ser baseada no contexto, a malha resultante do cruzamento das linhas de força provenientes do entorno é abstrata e não corresponde a nenhuma função específica, cria-se então algo novo, um pretexto para a exploração formal, conferindo ao projeto uma linguagem autônoma. A ação de revelar o que estava antes imperceptível norteia o projeto, pela coexistência e sucessão de camadas distintas, neste caso não apenas temporais, mas também do próprio funcionamento da cidade.

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Propriedades Privadas Muro e talude

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Rua Dr. Sales de Oliveira Rua Cel. Antonio Manoel Casas antigas

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Mapa de Campinas em 1878, mostrando a ferroviária, o traçado urbano ainda não chegou na estação, o pátio se coloca como uma barreira que irá reconfigurar a situação urbana.

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Rua

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VILA INDUSTRIAL Fa Av

Muro

R. A

É na lógica de percepção contemporânea que entra a idéia dos percursos como possibilidade de apreensão do todo. No cenário atual já não é possível visualizar tudo a um único olhar, o tempo do caminhar torna-se, portanto fundamental para a junção mental dos fragmentos e a visão de conjunto

Terminal Metropolitano Av. Lix da Cunha

aio

Por meio das datas de construção dos edifícios históricos e da análise de mapas antigos foi possível ter idéia do crescimento da cidade, e recuperar a Arqueologia Urbana pretendida no projeto.

M

O interesse deste trabalho foi a princípio o de tratar das camadas temporais presentes na cidade. Esse interesse surgiu por meio de questionamentos na fase do Universo Projetual, tais como:

de

Mapas

Ru aT re ze

Conceito

Rua Francisco Teodoro

Av. João Jorge

Estação Cultura


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Percursos como modo de apreensão do todo Com o parque urbano e a transposição das barreiras, a área do pátio ferroviário deixa de ser um elemento de divisão na cidade e passa a conectar as várias situações urbanas presentes. Embora cada área do parque apresente uma particularidade, a lógica comum de conformação do todo permite que a partir dos percursos, e da junção mental das partes, o usuário possa compreendê-lo como unidade.

Corte AA

Corte BB

Cortes do Parque

A

AV JOÃO JORGE

B

A

O Processo O processo inicia-se, segundo o conceito de Arqueologia da cidade, pelo prolongamento para o interior da pátio Ferroviário das linhas do traçado viário do entorno, mesclando a cidade real com a que poderia ter sido. A malha abstrata resultante deste prolongamento é utilizada como uma base operacional para a atividade projetual. Após a definição da malha foram determinados grandes campos, levando em consideração a coloração e materialidade, e também uma trama principal de circulação. Aqui ainda trabalhando com a macro-escala. A fim de atingir um desenho perceptível ao usuário foi feito uma trabalho de decomposição e intersecção entre os campos, as linhas utilizadas nesse processo surgem a partir das primeiras linhas definidas.

Corte AA - Mostra o estacionamento da estação e o hotel Escala 1:750 Corte BB - Rampa que liga a Rua Lidgerwood à Avenida João Jorge (Viaduto), (transposição do arrimo) - Escala 1:750

RUA FRANCISCO TEODORO

B

Tanto a Arborização quanto a iluminação do Parque são pensadas dentro da mesmo lógica de conformação do plano de piso, ou seja considerando a base geométrica resultante do processo. Na arborização são consideradas também questões de sombreamento e visuais.

O Programa Atividade Existente Atividade Proposta

A cobertura que abriga as caixas de acesso à plataforma é também uma memória da linearidade do trem subterrâneo. As marquises marcam a intervenção em todo o parque e transpõe a idéia de dentro fora. O aço corten é um material comum às adições propostas: rampas, passarelas, marquises e a nova fachada da estação.

Viaduto Cury Ceprocamp

Serviços de Apoio/ Bombeiro/ Taxi/ Aluguel de automóveis Rodoviária

Estação Cultura Quadras

Terminal Metropolitano

Escola de dança

Edifício aberto/ uso livre

Acessos à plataforma

Apoio Atividades esportivas

Estação Ferroviária Feira Popular Escritórios

Administração e Centro de convenções enfermaria Livraria/mediateca/café Galerias Comerciais Edifício aberto/ uso livre

Sanitário público e depósito de Jardinagem

Exposição

Hotel

Casa do Hip hop


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Estação Ferroviária

Passarela ligando a Estação à Rodoviária

Dentro do programa proposto, o edifício escolhido para projeto foi o da estação do trem de alta velocidade (TAV), no projeto todas as adições são recuadas em relação à estrutura pré - existente a fim de revelá-la, o vazio central é mantido exceto por uma torre de serviços. A preservação do vazio favorece muito a vista do edifício a partir da passarela.

A Passarela que conecta a estação à Rodoviária funciona como símbolo da estação como nó. Mas é também um lugar que permite apreciar o parque de outros ângulos de visão e conserva portanto a lógica de percursos pretendida.

1 - Conexão da passarela proposta à passarela pré - existente que liga os dois terminais rodoviários. 2 - Vista Aérea da Passarela. 3 - Descida da Rampa no parque, a marcação no piso funciona como um prolongamento da passarela e ligação com o bairro. 4 - Momento em que a passarela corta e adentra o edifício, marca o choque entre o novo e o antigo. 5 - Corte em escala 1:1000, mostra a passarela proposta, que conecta a Rodoviária à estação ferroviária e ao parque. A passarela é também símbolo da transposição da barreira representada pelo pátio ferroviário.

A plataforma de embarque do TAV é subterrânea, no subsolo à frente da estação passa também o trem de carga, o qual começa a subir envaletado depois dessa área. A estação possui estacionamento subterrâneo.

1

Fast Food Acesso Passarela

Embarque

Lojas Restaurantes

Espera Acesso à Internet Bilheterias GuardaBagagem

Sanitários

2

3

4 Corte da Estação Ferroviária - Escala 1:1000

Detalhe

5 Plataforma de Estacionamento da estação Embarque do TAV

Detalhe mostrando a estrutura da passarela com pilares tubulares ramificados e viga treliçada em aço corten. Escala 1:125

A estação como lugar

A estação como nó

A estação como nó e lugar

Este trabalho considera o projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV), o qual ligará Campinas ao Rio de Janeiro, e que prevê a instalação de uma das estações nesta área. A estação ferroviária traz consigo novas camadas, no que diz respeito à escala de abrangência no transporte de passageiros, em conjunto com os terminais rodoviários. A estação estabelece também questões relativas a sua dupla característica de nó e lugar. Passagem e Permanência.

A proposta prevê a inserção na área de dois novos edifícios, um de escritórios e outro do hotel. Esses visam suprir a nova demanda que chega com a estação ferroviária, além da demanda já existente por esse tipo de serviço na área central. Os dois edifícios mantém o solo livre para circulação. A linguagem utilizada nos edifícios faz com que na sobreposição com as pré-existências exista o contraste entre o novo e o antigo

Fachada do Hotel

Fachada do Edifício de Escritórios


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Sobreposições e Percursos, explora camadas desde o início, com o processo de cruzamento de linhas do entorno e portanto de camadas temporais urbanas. Passando pela relação com as pré - existências, uma relação de contraste como forma de revelar, de chamar atenção para o que passa desapercebido. Soma-se a isso as camadas relativas aos usos, ou à escala de abrangência dos terminais de transporte e das demais atividades. E a coexistência dessas atividades em uma mesma área. O fato da área de intervenção se relacionar com situações urbanas tão distintas, e do papel fundamental dessas relações no projeto, faz com que diferentes cenários sejam tratados no trabalho. As imagens ao lado recuperam essa dinâmica e diversidade do projeto. Seja no contraste entre um edifício do século XIX e a plataforma para o Trem de Alta Velocidade, ou em uma visão inusitada da Paisagem, possibilitada pela passarela. Abaixo fotografias da área de intervenção, como se encontra hoje e rua interna do Terminal Metropolitano de ônibus.


painéis TGI II