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THOMAS SCHMITT Cônsul-Geral da Alemanha em São Paulo

Consul General of Germany in São Paulo

IRENE GINER-REICHL Embaixadora da Áustria no Brasil

Austrian Ambassador in Brazil

VIDI 07 | Ano/ Year 02 Jan/ 21 | R$ 50,00

SERGEY POGÓSSOVITCH AKOPOV

NABIL ADGHOGUI

Embaixador do Marrocos no Brasil

Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Federação da Rússia no Brasil

Moroccan Ambassador in Brazil

Ambassador Extraordinary and Plenipotentiary of the Russian Federation in Brazil

FRANCISCO REZEK

O momento que estamos vivendo é atípico, e não permite otimismo no curto prazo The moment we are living in is atypical, and does not allow optimism in the short term

DINAMARCA NA LINHA DE FRENTE AMBIENTAL Denmark in the green front line


Publishers Agostinho Turbian e|and Tathiana Hardt Souto Turbian Conselho Editorial | Editorial Board Jorge Pinheiro Machado (Presidente | President ) Patrícia Iglecias, Agostinho Turbian e|and Elmano Nigri Diretor e Editor Operacional | Operational Director and Editor Eng. Gilberto da Silva Direção de Arte | Art Direction Purim Comunicação Visual Tradução | Translation Fox Tradução VIDI é uma publicação de responsabilidade do Grupo Innsbruck de Comunicação e Eventos Os textos assinados pelos articulistas não refletem, necessariamente, a opinião da revista VIDI Atenção: pessoas não mencionadas em nosso expediente não têm autorização para fazer reportagens, vender anúncios ou pronunciar-se em nome da VIDI VIDI is a publication of Innsbruck Communication and Events Group. The articles signed by specific writers do not necessarily reflect VIDI magazine’s opinion. Attention: people not mentioned on the personnel list above are neither authorized to write articles, interviews, sell advertisements nor speak in behalf of VIDI.

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Presidente | President Agostinho Turbian CEO Tathiana Hardt Souto Turbian Diretor de Mercado | Market Director Gilberto da Silva Departamento Comercial (publicidade, suplementos e edições especiais) | Commercial Department (advertising, supplements and especial editions) Gilberto da Silva | +55 11 98179.9973 | gilbertosilva@gcsm.online Av. Angélica, 688, conj. 704 | 688 Angélica Ave., room 704 - São Paulo - SP - Brasil - Atlanta Business Tower - 01228-000 +55 11 3663.2242

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Sumário|Index

34 Artigo | Article

Desafios globais Global challenges

38 Artigo | Article

Sputnik russo em meio à pandemia Russianputnik amid pandemic

68 Artigo | Article

Nossa responsabilidade com o planeta como uma empresa orientada por propósitos Our responsibility with the planet as a purpose-driven company

72 Artigo | Article

A Nova Revolução dos Bancos The New Banking Revolution

44 Especial | Special

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Green Pages|

Francisco Rezek O momento que estamos vivendo é atípico, e não permite otimismo no curto prazo The moment we are living in is atypical, and does not allow optimism in the short term

14 Editorial | 26 Artigo | Article

RSE 4.0 - Promoção dos direitos humanos ao longo das cadeias de abastecimento nacionais e globais CSR 4.0 – promoting human rights along national and global supply chains

30 Artigo | Article

Dinamarca na linha de frente ambiental Denmark in the green front line

12 | VIDI

Chile e a proteção ao Meio Ambiente Chile and environmental protection

52 Artigo | Article

Por que precisamos empoderar as mulheres em 2021? Why do we need to empower women in 2021?

56 Desenvolvimento | Development

Portugal e Brasil: uma relação intemporal Portugal and Brazil: a timeless relationship

64 Tecnologia | Technology

Um trabalho para o presente A work for the present

78 Artigo | Article

O protagonismo do Brasil na sustentabilidade do agronegócio Brazil’s leading role in agribusiness sustainability

82 Artigo | Article

Para onde vai a Propaganda? Where is advertising heading to?

86 Experiência | Experience

A força da cana de açúcar em uma matriz energética sustentável The Power of Sugarcane as a Sustainable Matrix

94 Artigo | Article

O sabor do café brasileiro conquista o mundo! The taste of Brazilian coffee conquers the world!

100 Sustentabilidade | Sustainability

Exército e sustentabilidade: garantia de segurança Army and sustainability: safety assurance


Editorial|

Por um mundo melhor O caminho é literalmente ardente no Meio Ambiente. A boa notícia é que o mundo está, seguramente, atento e, pelo menos sintonizado, num turbilhão de movimentos, que passam pelas sábias escolhas de novos hábitos de vida, consumo, comportamento, diretrizes empresariais, na busca do melhor para todos. Não é uma tarefa simples, tão pouco fácil. Exige assimilação cultural, principalmente no mundo político. 14 | VIDI

O resultado: alentador. Ao buscar pelo equilíbrio, a Sustentabilidade, entre o suprimento das necessidades humanas e preservação dos recursos naturais, nos garante o não comprometer as próximas gerações com o pagamento pelo sofrimento de um mundo irrespirável. O princípio da busca e equilíbrio, entre a disponibilidade dos recursos naturais e a exploração deles por parte da

sociedade a Sustentabilidade, se impõe no mundo como uma matriz a ser singular nos novos modelos. O que garante seus três principais pilares: social, econômico e ambiental. Um exemplo disso é o Banco do Brasil, eleito pelo Global 100, da Corporate Knights, a nona posição do disputado ranking mundial. Com uma diferença de apenas 3,48 pontos do primeiro colocado, a gigante Dinamarquesa Orsted A/S,


O Banco do Brasil investiu muito em economia verde, redução da emissão de carbono e inclusão social: conscientizou e fez a sua parte

For a better world The path is literally burning in the environment. The good news is that the world is certainly aware or at least tuned in to a whirlwind of movements, which go through the wise choices of new habits of life, consumption, behavior, business guidelines, in the search for the best for all. It’s not a simple nor an easy task. It requires cultural assimilation, especially in the political world. The result: a silver lining. By seeking balance, sustainability between the supply of human needs and the preservation of natural resources guarantees our commitment in safeguarding the next generations from suffering in an

Wholesale Power, (85.20%) e, a frente de nada menores gigantes mundiais como: Algonquin Power & Utilities Corp Electric Utilities Canada, Osram Licht AG Electrical Equipment and Power Systems Germany, Sekisui Chemical Co Ltd Other Materials Japan, Hewlett Packard Enterprise Co Computer Hardware United States , American Water Water Utilities United States, Iberdrola SA Wholesale Power Spain, Outotec Oyj Machinery Manufacturing Finland,

CEMIG Electric Utilities Brazil, dentre muitas outras. O Banco do Brasil investiu muito em economia verde, redução da emissão de carbono e inclusão social: conscientizou e fez a sua parte. Para se ter uma ideia disso, a Natura Cosmeticos SA Personal Care and Cleaning Products Brazil, ficou na posição 30 deste ranking, o que nos remete a refletir: o investimento em marketing com foco no sustentável para vender mais, faz sentido?

unbreathable world. The principle of search and balance between the availability of natural resources and the exploitation of them by society’s sustainable approach is imposed in the world as a singular matrix in its new models. This is supported by three main pillars: social, economic and environmental. An example is Banco do Brasil, ranked 9 by the Global 100 Corporate Knights in a disputed world rank. With a difference of just 3.48 points from the top placed, Danish giant Orsted A/S, Wholesale Power, (85.20%) and, ahead of nothing smaller global giants like: Algonquin Power & Utilities Corp Electric Utilities Canada, Osram Licht AG Electrical Equipment and Power Sys-

tems Germany, Sekisui Chemical Co Ltd Other Materials Japan, Hewlett Packard Enterprise Co Computer Hardware United States , American Water Water Utilities United States, Iberdrola SA Wholesale Power Spain, Outotec Oyj Machinery Manufacturing Finland, CEMIG Electric Utilities Brazil, among many others. Banco do Brasil has invested a lot in the green economy, carbon reduction and social inclusion: it became aware and did its part. Giving a broader context of what that means, Natura Cosmeticos SA Personal Care and Cleaning Products Brazil ranked 30th, reminding us of the following: the investment in marketing focused on sustainability sells more, does that make sense?   

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Green Pages|

Por|By Patricia Iglesias Presidente da CETESB| President of CETESB

DIVULGAÇÃO

Francisco Rezek

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O momento que estamos vivendo é atípico, e não permite otimismo no curto prazo VIDI – Considerando sua trajetória, com tantos anos de serviços prestados ao Brasil numa das pastas mais sensíveis para os países bem estruturados e que prezam por sua boa imagem internacional, que momento o senhor acompanhou e destaca como estratégico para o país?

Francisco Rezek – O ano de 1990 desencadeou mudanças importantes no cenário global, e no Brasil em particular. Lá fora

The moment we are living in is atypical, and does not allow optimism in the short term VIDI – Considering your trajectory, with so many years of services rendered to Brazil in one of the most sensitive agendas for well-structured countries that value their good international image, what moments did you follow and highlight as strategic for the country? Francisco Rezek – The 1990´s triggered important changes in the global scenario, and in Brazil in particular. We witnessed the collapse of real socialism abroad and the restoration of nationality as the foundation of sovereign States. Here, we are no

assistimos ao colapso do socialismo real e à restauração da nacionalidade como fundamento do Estado soberano. Aqui, deixamos de ser um país fechado ao exterior e teve início uma era de intensa comunicação e intercâmbio em todas as vertentes. A diplomacia brasileira da época celebrou a nova tendência global e executou com rigor a diretriz política da abertura. Poucos momentos na his-

longer a country closed to foreigners and an era of intense communication and exchange has begun in all aspects. Brazilian diplomacy at the time celebrated a new global trend and rigorously implemented a guideline of political openness. Few moments in history were as significant in the evolution of human society as that of the 1990s. VIDI – You participated in the Gabcíkovo-Nagymaros (Hungary v. Slovakia) trial, the first contentious lawsuit about the environment in an International Court of Justice, concerning the conflict between, on the one side, the precautionary principle in environ-

tória foram tão significativos da evolução da sociedade humana quanto aquele romper dos anos 90. VIDI – O senhor participou do julgamento do caso Gabcíkovo-Nagymaros (Hungria vs. Eslováquia), primeira atuação contenciosa da Corte Internacional de Justiça em esfera ambiental, referente ao conflito entre, de um lado, o princípio da precaução

mental law and, on the other, the pacta sunt servanda, a principle applied to the treaty in force between two countries, which supported the building of locks and dams on the Danube River. What is your opinion on the Court’s decision of the case? FR – In the decision-making part of its judgment, the Court sought to be practical and, more than defining reasons and faults, sought to refer the conflict between the two central European nations in a minimally satisfactory way for both. If it were up to me, Hungary and its environmental argument would have gained greater advantage. Most understood, in fact, that it was important

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Green Pages|

A maioria entendeu, de fato, que era importante valorizar acima de tudo o princípio pacta sunt servanda, a sacralidade do tratado bilateral, ainda que com algum sacrifício dos valores ambientais defendidos pela Hungria no direito ambiental e, de outro, o princípio pacta sunt servanda aplicado ao tratado vigente entre os dois países, que previa a instalação de um sistema de eclusas e barragens sobre o rio Danúbio. Qual a sua opinião sobre a decisão da Corte no caso?

FR – Na parte decisória de seu acórdão a Corte procurou ser prática e, mais que definir razões e culpas, buscou encaminhar o conflito entre as duas nações da Europa central de modo minimamente satisfatório para ambas. No que dependesse de mim, a Hungria e seu argumento preservativo do meio ambiente teriam obtido maior satisfação. A maioria entendeu, de fato, que era importante valorizar acima de tudo o princípio pacta sunt servanda, a sacralidade do tratado bilateral, ainda que com algum sacrifício dos valores ambientais defendidos pela Hungria. VIDI – O senhor participou do julgamento de outros casos ambientais durante o seu mandato

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de Juiz da Corte Internacional de Justiça? Quais foram as decisões da Corte?

FR – Não. Até o final de meu mandato, em fevereiro de 2006, a Corte não voltou a enfrentar casos de algum modo relacionados com a temática ambiental. Mas logo em seguida veio à sua barra o caso chamado das “Papeleras”, opondo a Argentina ao Uruguai, depois que este último autorizou a construção de fábricas de celulose no estuário do Prata. É sugestivo que a Argentina tenha descartado a alternativa de resolver o conflito no âmbito do Mercosul, e tenha preferido buscar o foro judiciário global da Corte da Haia. Pareceu-lhe, certamente, que a Corte acolheria de melhor grado seu argumento de cautela ambiental que o foro preferencialmente econômico do Mercosul. O acórdão da Haia em 2010 mostrou que a Argentina tinha razão. No mérito, e também, instrumentalmente, na escolha do foro.

VIDI – Na sua opinião, por que a Corte Internacional de Justiça tem uma atuação contenciosa em esfera ambiental reduzida a poucos casos? O senhor vislumbra uma mudança nessa tendência?

FR – Parece-me que a razão principal é o fato de se encontrar, para dissídios dessa natureza, uma solução política, diplomática, menos aparatosa e menos dispendiosa que a solução judiciária. É bom que assim seja, e que a Corte só tenha de resolver em foro contencioso aquilo que terá sido impossível resolver com entendimento direto e diplomacia competente, numa época em que todos prestigiam, ou pelo menos querem parecer prestigiar, a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável. VIDI – Com sua experiência como Ministro de Estado das Relações Exteriores como o senhor enxerga o posicionamento do país no cenário internacional hoje?

FR – É um momento de crise, produto da visão obtusa do governo que temos, e do eclipse temporário do Itamaraty. Comprometeu-se, nos últimos dois anos, uma imagem de racionalidade e lucidez que o Brasil preservara durante tantos anos, mesmo na alternância entre a direita e esquerda no exercício do poder. Mais, entretanto, que o desvario, o que manchou nossa imagem nesse período foi a subserviência a um governante estrangeiro in-


consequente. Mas isto, para o bem de todos, vai acabar dentro de algumas semanas. VIDI – Como chanceler brasileiro o senhor participou de reuniões preparatórias de conferências das Nações Unidas sobre meio ambiente e desenvolvimento em 1991 e 1992, portanto, às vésperas da Rio 92. Vendo o posicionamento do Brasil à época em comparação com o quadro atual, na sua visão, como podemos resgatar o protagonismo brasileiro na agenda internacional do meio ambiente?

FR – Cinco anos depois da Rio 92, o cenário geral retrata-

to value above all the pacta sunt servanda principle, the sacredness of the bilateral treaty, albeit with some sacrifice to environmental values defended by Hungary. VIDI – Did you participate in the trial of other environmental cases during your term as Judge of the International Court of Justice? What were the Court’s decisions? FR – No. Until the end of my term in office, February 2006, the Court did not have any lawsuits in any way related to environmental issues. But soon after there was a dispute called the “Papeleras”, opposing Argentina to Uruguay, after the latter authorized the construction of pulp mills in the Prata Estuary. It is believed that Argentina has ruled out the alternative of resolving the conflict through Mercosur, and preferred to seek the international court of justice in Hague. It certainly seemed that this court would better welcome a case for environmental caution than the Mercosur court, geared

to economic issues. The Hague ruling in 2010 showed that Argentina was right. On merit, and also, instrumentally, court choice. VIDI – In your opinion, why does the International Court of Justice have a contentious action in the environmental sphere reduced to a few cases? Do you see a change in this trend? FR – It seems to me that the main reason is that, for matters of such nature, a political, diplomatic solution is less complicated and less expensive than a judicial resolution. It is good that this is the case, and that the court only has to resolve in litigation what has been impossible to resolve with direct understanding and competent diplomacy, at a time when everyone is honoring, or at least wanting to signal environmental protection and sustainable development. VIDI – Considering your background as a Minister of State for Foreign Affairs how do you see

the country’s position on the international stage today? FR – It is a time of crisis, due to an administration’s obtuse view we currently have, and the temporary eclipse of Itamaraty. In the last two years, Brazil´s longstanding image of rationality and lucidity has been undermined, even with the alternation of power between right and left. However, beyond the raving, tarnishing our image in this period, we see the subservience to an inconsequential foreign ruler. But this, for everyone’s sake, will be over in a few weeks. VIDI – As a Brazilian Chancellor you participated in preparatory meetings for the United Nations conferences on environment and development in 1991 and 1992, therefore, on the eve of Rio 92. Seeing Brazil’s position at the time compared to the current picture, in your view, how can we rescue the Brazilian leading role in the international agenda of the environment?

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va já alguma decepção com os desdobramentos da Conferência e com as perspectivas da Agenda XXI. Mas houve episódios importantes e positivos, como os acordos de Kyoto. Quanto ao resgate do protagonismo brasileiro nesse domínio, creio que ele não virá tão cedo.

Joe Biden foi um grande acontecimento. E todas as perspectivas, não apenas no domínio ambiental, passam a ser melhores. Até porque a vassalagem do governo brasileiro à administração Trump não nos rendeu qualquer benefício, sequer no terreno estritamente comercial.

VIDI – A eleição de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos deve contribuir para um reposicionamento brasileiro em relação ao cumprimento dos compromissos brasileiros junto ao Acordo de Paris? Qual o legado ou o passivo da era Trump na diplomacia comercial? Como ficará o Brasil nesse cenário ambiental e econômico?

VIDI – Estamos em período pós-eleições municipais no país, iniciando uma nova legislatura. Ban Ki-Moon, então Secretário-Geral da ONU, no lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em 2015, afirmou que “os desafios da agenda ambiental serão vencidos ou perdidos nas cidades”. Como o senhor avalia o papel dos governos subnacionais no cumprimento da agenda climática?

FR – De Donald Trump não ficará nada, exceto uma patética lembrança. Para o Brasil, como para os Estados Unidos e para o mundo, a vitória do democrata

FR – Foi profética a afirmação de Ban Ki-Moon. A descentralização das ideias, e

dos debates, e dos projetos, e das escolhas, é algo que propende a crescer mesmo nos regimes unitários, mais ainda nas federações. É irônico que a vocação desagregadora do atual presidente do Brasil tenha esse efeito colateral altamente positivo: o de fomentar rebeldias e favorecer a emergência de lideranças tanto no plano dos estados federados quanto, até mesmo, no de bom número de municipalidades no Brasil contemporâneo. VIDI – Nesse sentido, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos pela ONU, trazem uma agenda ambiciosa, que deve ser buscada pelos países até 2030. Como o senhor analisa o posicionamento brasileiro para o cumprimento dessa agenda que envolve questões como redução da pobreza, geração de emprego, igualdade de gênero, prevenção das mudanças climáticas, produção e consumo responsáveis?

FR – Prefiro dizer apenas que este não é um momento promissor. Mas tenho a certeza de que, até 2030, o Brasil terá podido honrar os compromissos da agenda das Nações Unidas. VIDI – Os desafios da agenda climática envolvem ações de adaptação e de mitigação climática. Como o Brasil pode avançar nessa agenda, em especial em relação aos dados de desmatamento da Amazônia?

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FR – Insisto em que o momento que estamos vivendo é atípico, e não permite otimismo no curto prazo. Cada palavra que pronunciam alguns dentre nossos atuais governantes parece ser a outorga de uma carta branca a essa organização criminosa heterogênea que assola o norte do país, seja no garimpo, no desmatamento, no contrabando, na corrupção e contaminação das comunidades indígenas, na sonegação crônica, no atentado permanente à ordem jurídica republicana. VIDI – Na esfera econômica, investidores e empresas têm assumido a agenda ESG – traduzida para o português com foco nos

FR – Five years after Rio 92, the general scenario already portrayed some disappointment with the Conference developments and the prospects of the XXI Agenda. But there have been important and positive episodes, such as the Kyoto agreement. As for the rescue of Brazilian protagonism in this field, I don’t think it will come anytime soon. VIDI – Should the election of Joe Biden as President of the United States contribute to a Brazilian repositioning of the fulfillment of Brazilian commitments to the Paris Agreement? What is the legacy or liabilities of the Trump era in trade diplomacy? How will Brazil look in this environmental and economic scenario? FR – Donald Trump’s will be nothing but a pathetic memory. For Brazil, as for the United States and the world, Democrat Joe Biden’s victory was a major event. And all perspec-

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aspectos ambiental, social e de governança como referência de atuação hoje. Como o senhor enxerga o futuro das empresas brasileiras nesse cenário?

FR – Pelo meado da primeira década deste século, nossos observadores mais atentos e interessados, lá fora, diziam que o governo brasileiro havia mergulhado numa crise brutal, mas que o Brasil não estava em crise. Os agentes econômicos, o setor privado, a imprensa, a academia, a justiça, tudo isso representava uma fortaleza infinitamente maior que o governo, e respondia pela vitalidade do país em hora difícil para os governantes, e só para eles.

tives, not just in the environmental field, become better. Not least because the Brazilian government’s vassal to the Trump administration has not yielded any benefit, even on the strictly commercial ground. VIDI – We are in post-municipal elections in the country, starting a new legislature. Ban Ki-Moon, former UN Secretary-General, at the launch of the Sustainable Development Goals in 2015 said that “the challenges of the environmental agenda will be overcome or lost in cities.” How do you assess the role of subnational governments in meeting the climate agenda? FR – Ban Ki-Moon’s statement was prophetic. The decentralization of ideas, debates, and projects, and choices, is something that is about to grow even in unitary regimes, especially in federations. It is ironic that the disaggregating

Pelo meado da primeira década deste século, nossos observadores mais atentos e interessados, lá fora, diziam que o governo brasileiro havia mergulhado numa crise brutal, mas que o Brasil não estava em crise vocation of the current President of Brazil has this highly positive side effect: that of fomenting rebellions and favoring the emergence of leaders both at the level of the federated states and even in the good number of municipalities in contemporary Brazil. VIDI – In this sense, the Sustainable Development Goals established by the UN bring an ambitious agenda, which should be sought by countries by 2030. How do you analyze the Brazilian position for the fulfillment of this agenda that involves issues such as poverty reduction, job creation, gender equality, prevention of climate change, responsible production and consumption? FR – I´d only prefer to say only that this is not a promising time. But I am sure that by 2030, Brazil will have been able to honor the commitments of the United Nations agenda.


Green Pages|

Sempre acreditei que esses valores da sociedade civil brasileira, que o empresariado propende a representar com fidelidade crescente, são a nossa âncora, aquela que nos imuniza contra os efeitos da falência da classe política. Não tenho, hoje, razão nenhuma para duvidar disso. VIDI – Estamos num momento dramático com uma pandemia colossal a ser combatida. Alguns países dando sinais de fragilidade institucional, ideológica, o que torna mais difícil esse enfrentamento, com desafios pela frente que o século XX não conheceu. Quais os impactos

VIDI – The challenges of the climate agenda involve adaptation and climate mitigation actions. How can Brazil advance this agenda, especially in relation to deforestation data from the Amazon? FR – I insist that the moment we are currently living in is atypical, and does not allow for optimism in the short term. Every word that some of our current rulers utter seems to be the granting of a carte blanche to this heterogeneous criminal organization that plagues the north of the country, i.e. mining, deforestation, smuggling, corruption and contamination of indigenous communities, chronic evasion and the permanent attack on the republican legal order. VIDI – In the economic sphere, investors and companies have assumed the ESG agenda – translated into Portuguese as a focus on environmental, social and governance aspects as a reference of

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desse momento para o multilateralismo, tão arduamente construído após as grandes guerras do século XX?

FR – No cenário geral da crise sanitária as nações identificam melhor a qualidade de seus governantes, o talento de alguns, a inoperância de outros, a insensatez de outros tantos. A pandemia será, ao fim e ao cabo, um duro processo de aprendizado

today´s action. How do you see the future of Brazilian companies in this scenario? FR – By midcentury, our most attentive and interested observers out there would say that the Brazilian government had plunged into a brutal crisis, but also that Brazil was not in crisis. Economic agents, the private sector, the press, academia, justice, all represented an infinitely greater fortress than the government, and accounted for the vitality of the country at a difficult time for the rulers, and only for them. I have always believed that these Brazilian civil society values, which the business community is able to represent with increasing fidelity, are our anchor, the one that immunizes us against the effects of the bankruptcy of the political class. I have no reason today to doubt that. VIDI – We are in a dramatic moment with a colossal pandemic

do multilateralismo construtivo: de sua preservação em período tempestuoso, e de sua consolidação. Talvez a caricatura que foi a administração de Donald Trump no país que por tanto tempo liderou o Ocidente tenha sido a marca inspiradora de um novo tempo, de uma nova realidade, onde ninguém mais duvidará de que fora do multilateralismo não há salvação.

being fought. Some countries showing signs of institutional and ideological fragility, which makes this confrontation more difficult, with challenges ahead that the twentieth century did not know. What are the impacts of this moment on multilateralism, so hard built after the great wars of the 20th century? FR – In a health crisis scenario, nations better identify the quality of their rulers, the talent of some, the inoperability of others, the folly of so many others. The pandemic will ultimately be a hard process of learning constructive multilateralism: its preservation in troubles times, and its consolidation. Perhaps Donald Trump’s travesty of administration of a nation, that for so long led the West, was the inspiring milestone of a new time, of a new reality, where no one else will doubt that outside multilateralism there is no salvation.


Artigo|Article

GILBERTO SOARES

Por|By Thomas Schmitt *

RSE 4.0 - Promoção dos direitos humanos ao longo das cadeias de abastecimento nacionais e globais A quarta revolução industrial - Indústria 4.0 -, a ligação e integração digital superinteligente de máquinas e processos na indústria e em outras áreas, é conhecida por todos atualmente, sendo de grande interesse na política e nos negócios em todo 26 | VIDI

o mundo pois, paralelamente a alguns desafios bastante significativos, oferece sobretudo enormes oportunidades para produzir com muito mais capacidade, eficiência e sustentabilidade, nacional e globalmente. Ao mesmo tempo - e isso tam-

bém é o mais importante - a Indústria 4.0 tem o potencial de contribuir em escala altamente nova para a melhoria da qualidade de trabalho e de vida das pessoas e de todos nós. No que diz respeito à indústria no sentido mais amplo,


“4.0” é sinônimo de um mundo verdadeiramente novo e melhor e que queremos descobrir e vivenciar com grande entusiasmo em nossos países e internacionalmente. Portanto, faz sentido incluir o positivamente promissor “4.0” em outras áreas de nossa vida nacional e global de maneira marcante, a fim de usar força adicional para acelerar a efetivação do progresso para benefício de todos nós neste planeta. Especificamente, quero destacar um tema essencial para o qual um ambicioso “4.0” deveria ser a nossa pretensão e nossa meta: a proteção dos direitos humanos nacional e globalmente e, em particular, o papel da economia e das empresas individualmente nesse contexto.

É claro que a defesa dos direitos humanos é basicamente uma responsabilidade do Estado. No entanto, as empresas, especialmente aquelas que atuam internacionalmente, também têm a grande responsabilidade de se comprometer com a proteção dos direitos humanos ao longo de toda a sua cadeia de abastecimento, ou seja, de produção, comércio e serviços como parte de suas atividades obrigatórias.

CSR 4.0 – promoting human rights along national and global supply chains

In terms of industry in a broader sense, “4.0” is, thus, synonymous with a completely new and better world. This is the world that we want to tap into and to experience with great enthusiasm both in our countries and internationally. It therefore makes sense for “4.0”, which has such positive connotations, to be made use of also in other areas of our national and global lives, in order to seize its momentum and accelerate the pace of progress for the benefit of all. I am specifically, referring to an essential issue for which an ambitious “4.0” should be our benchmark: to the protection of human rights on a national and global level. This is particularly true for the expectations of our societies concerning individual companies and

Today, the fourth industrial revolution – Industry  4.0  –, the superintelligent digital networking of machines and processes in industry and other sectors, is rightly on everyone’s lips. The subject is of immense interest to politicians and businesspeople all over the world. In addition to numerous substantial challenges, it offers enormous opportunities to increase productivity, efficiency and sustainability of national and global production. At the same time  – and most importantly – Industry 4.0 has the potential to contribute in entirely new dimensions towards improving the quality of work and life for all of us.

A boa notícia é que, nas últimas duas décadas, houve avanços significativos em termos da devida diligência corporativa, tanto normativamente quanto na prática, nacional e internacionalmente. Em 2021, os “Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos” das Nações Unidas celebrarão o seu décimo aniversário. Diante desses princípios ninguém pode voltar atrás se não quiser

Faz sentido incluir o positivamente promissor “4.0” em outras áreas de nossa vida nacional e global de maneira marcante, a fim de usar força adicional para acelerar a efetivação do progresso para benefício de todos nós neste planeta the business sector as a whole. We all know that guaranteeing human rights is primarily the responsibility of the state. However, companies, especially those that operate on an international scale, also bear a responsibility to apply due diligence considerations when protecting human rights across their supply chains. The good news is that with regard to corporate responsibility, significant progress has been made in the past two decades. This is true on a national as well as on the international level. The UN’s Guiding Principles on Business and Human Rights will celebrate their tenth anniversary in 2021. No one who aspires to be taken seriously in national and international politics today can afford to disregard these

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Artigo|Article

A Alemanha quer dar um exemplo positivo nesta importante questão e, para tanto, aprovou um “Plano de Ação Nacional para Empresas e Direitos Humanos” em 2016 se colocar fora do jogo no que diz respeito à política nacional e internacional. As Diretrizes da OCDE para Empresas Multinacionais, que também contêm recomendações para a área de direitos humanos, são de importância global e não somente os 34 Estados membros

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da OCDE, mas também 11 não membros se comprometeram com elas até o momento, incluindo o Brasil. As empresas, por sua vez, principalmente as que atuam internacionalmente, felizmente estão mais conscientes de sua “Responsabilidade Social Corporativa” (RSE), ou seja, de sua ampla atribuição para com nossa sociedade, e sabem que o compromisso apropriado de RSE é essencial para seu sucesso econômico a longo prazo. Muitas boas notícias! Então, onde está o problema? Os acertos dos últimos anos não podem esconder o fato de que, em primeiro lugar, muitas empresas ainda não estão, ou ao menos não adequadamente, cumprindo suas obrigações

de atuação nacionalmente ou ao longo das cadeias de abastecimento globais. Com que frequência empresas, incluído europeias, ainda estão nas manchetes por conta de práticas de exploração no exterior ou porque aceitam ou toleram que fornecedores nas suas cadeias de abastecimento internacionais desrespeitem os direitos humanos, começando com as miseráveis condições de trabalho para seus trabalhadores? Com que frequência a negligência com a devida atuação corporativa ainda faz com que muitas pessoas sejam prejudicadas ou até mesmo levadas à morte, além de amiúde sérios danos ambientais? Em segundo lugar, deve-se questionar se as empresas não poderiam aprimorar seu potencial de atores para mudanças positivas mais fortemente do que o “normal”. Não existe mais potencial ainda para promover a diversidade na empresa? A RSE se limita ao portão da sua própria fábrica ou você deveria, por exemplo, articular-se em redes com outras empresas, também publicamente, no caso de problemas de direitos humanos lá fora? A Alemanha quer dar um exemplo positivo nesta importante questão e, para tanto, aprovou um “Plano de Ação Nacional para Empresas e Direitos Humanos” em 2016. Todas as empresas alemãs com mais de 500 funcionários são


obrigadas a criar mecanismos adequados que permitam uma análise constante relativa às ameaças aos direitos humanos de suas próprias atividades empresariais ao longo de toda sua cadeia de abastecimento (especialmente em relação a filiais no exterior) e que garantam, acima de tudo, o monitoramento incessante e a correção de eventuais deficiências. Até agora, as empresas têm participado de forma voluntária, mas uma legislação específica para regulamentações obrigatórias não está descartada no futuro, também no âm-

bito da União Europeia. Uma coisa é certa: precisamos, a nível nacional dos países e internacionalmente, de muito mais comprometimento de governos e empresas ainda para que as cadeias de abastecimento nacionais e globais não sejam manchadas por violações de direitos humanos e para que nós, como consumidores e cidadãos, possamos comprar e usar produtos e serviços em todos sentidos limpos com prazer e consciência tranquila. Portanto, eu clamo pela Responsabilidade Social Corporativa 4.0!

principles. Of similar importance are the OECD Guidelines for Multinational Enterprises, which contain recommendations, inter alia in the area of human rights. Not only the 34 OECD member states, but also 11  non-member states, including Brazil, have pledged to observe them to date. Fortunately, companies, especially those doing business internationally, are more aware than ever today of their corporate social responsibility (CSR), i.e. their wide-ranging responsibility vis-à-vis our societies. They know that appropriate commitment to CSR is essential for their long-term economic success. These are really good news. But where is the problem? Firstly, the recent successes cannot disguise the fact that many companies are not yet or not adequately fulfilling their due diligence obligations, either nationally or along global supply chains. European companies are way too often in the news headlines, either because they engaged in exploitative prac-

tices abroad or because they tacitly accepted the fact that suppliers disregarded human rights in their international supply chains, starting with insufficient working conditions for their employees. How often does neglecting corporate due diligence still lead to many people being harmed or even killed, as well as to severe environmental damage being caused? Secondly, the question arises as to whether companies could not sometimes go beyond “the legal norm” and demonstrate their own potential as catalysts for positive change. Isn’t there further potential for promoting diversity within companies? Does CSR stop at your own factory gate or supply chain, or should you also express your views in public, e.g. in networks with others, when human rights problems are out there? Germany wanted to set a positive example on this important issue, adopting a National Action Plan on Business and Human Rights in 2016. All German companies with more

* Thomas Schmitt Cônsul-Geral da Alemanha em São Paulo | Consul General of Germany in São Paulo

than 500 employees are now called upon to establish suitable mechanisms that facilitate an ongoing analysis of human rights risks stemming from their own business activities along their supply chains (especially with regard to locations abroad). Above all, they have to ensure continuous monitoring and the elimination of potential shortcomings. To date, participation by companies has been voluntary, although legally binding regulations for the future have not been ruled out, including in the framework of the European Union. One fact is certain, however: we do need a greater commitment on the part of governments and companies both nationally and internationally. International supply chains must not be tainted by shortcomings in the area of human rights. All consumers and citizens must be able to buy and to use clean products and services with pleasure and with a clear conscience. I  therefore wholeheartedly support CSR 4.0!

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Artigo|Article

Por|By Nicolai Prytz *

Dinamarca

na linha de frente ambiental O ano de 2020 foi chocante para o mundo inteiro. A pandemia de COVID-19 mostrou como os desafios globais podem paralisar nossas sociedades e economias em questão de semanas. De muitas maneiras, a pandemia revelou muitos problemas sociais, econômicos e ecológicos profundamente interligados, nos forçando a re30 | VIDI

pensar e reimaginar como proteger a prosperidade e resiliência econômica no futuro. A boa notícia é que a humanidade sempre teve a capacidade de projetar seu futuro com base em lições aprendidas. O mundo precisará usar muitas dessas lições para enfrentar outro desafio global urgente, já que as mudanças climáticas

continuarão a afetar profundamente nossas sociedades e a trazer à tona problemas complexos e desafiadores muito depois do mundo ter saído desta pandemia. Com isso em mente, pode-se esperar também que 2020 fique marcado na história como o ano das ambições climáticas renovadas e ampliadas. Temos


DIVULGAÇÃO – STATE OF GREEN

Denmark in the green front line 2020 has been a shocking year for the entire world. The new coronavirus pandemic showed how global challenges can forcefully grind our societies and economies to a virtual halt in a matter of weeks. In many ways, the pandemic laid bare many deeply intertwined social, economic and ecological issues, forcing all of us to rethink and reimagine how to safeguard economic prosperity and resilience in the future. The good news is that humankind always has had the capacity to design its own future based upon

uma grande chance de definir um caminho ousado em direção à sustentabilidade, adotando uma visão holística para reconstruir nossas economias para que sejam muito mais resilientes, inclusivas e verdes. Com uma nova estratégia de longo prazo para o esforço climático global, a Dinamarca quer ser uma líder verde para inspirar e encorajar outros países a apresentarem ações ambiciosas e concretas para lutar contra as mudanças climáticas. Como muitos, a Dinamarca já foi totalmente dependente de petróleo importado e outros combustíveis fósseis. A meta nacional da Dinamarca

é reduzir os gases de efeito estufa em 70% até 2030 (em comparação com os níveis de 1990) e alcançar a neutralidade climática até 2050. Olhando para nossa história, podemos dizer com segurança que estamos bem avançados no caminho para um futuro mais verde – mesmo que ainda não estejamos lá.

the lessons of what we have gone through. The world will need to use many of these lessons to tackle yet another pressing global challenge, as climate change will continue to deeply affect our societies and bring out complex and challenging problems long after the world has emerged from this pandemic. With that in mind, one can hope that 2020 will also be marked in history as the year of renewed and revamped climate ambitions. We now have a great chance to set a bold path towards sustainability, taking a holistic approach to rebuild our economies to be much more resilient, inclusive and greener. With a new long-term strategy for global climate effort, Denmark wants to be a green frontrunner to inspire and encourage other countries into bringing out ambitious and result-oriented actions to fight against climate change.

Like many, Denmark was once entirely dependent on imported oil and other fossil fuels. Denmark’s national goal is to reduce greenhouse gases by 70 per cent by 2030 (compared to 1990 levels) and to reach and climate neutrality by 2050. Looking back at Danish history, we can confidently say we are well on our way to a greener future – even though we are not there yet.

História verde da Dinamarca Podemos olhar para trás em busca de experiências e inspiração para nosso caminho. A história recente da Dinamarca mostra que a transição para uma sociedade mais verde não é apenas viável, mas um cami-

Danish green history We should look back for experiences and inspiration on our way forward. Denmark’s recent history shows that the transition to a greener society is not only doable, but a pathway to greater prosperity following a global crisis. Denmark’s green transition was triggered by the 1970s energy crisis, when the world faced substantial oil shortages. Facing the vision of a bleak

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DIVULGAÇÃO – EMBAIXADA DA DINAMARCA

Artigo|Article

* Nicolai Prytz Embaixador da Dinamarca Ambassador of Denmark

nho para maior prosperidade após uma crise global. A transição verde da Dinamarca foi desencadeada pela crise de energia dos anos 1970, quando o mundo enfrentou escassez substancial de petróleo. Frente a visão de um futuro sombrio, a Dinamarca decidiu se afastar dos combustíveis fósseis importados. Por meio de esforços sustentados, acordos políticos amplamente aceitos e planejamento de longo prazo, a Dinamarca conseguiu investir fortemente em eficiência energética e energia renovável. Os resultados são em grande parte fruto dos esforços coletivos e visão da sociedade dinamarquesa – a população, tomadores de decisão e empresas. O modelo de parceria público-privada foi – e continua sendo – um 32 | VIDI

fator chave no desenvolvimento de novas soluções e na garantia de mudanças duradouras na mentalidade da sociedade dinamarquesa. A inovação foi uma parte essencial desta transição, bem como força motriz para o desenvolvimento econômico, pois os investimentos em energia verde criaram novas oportunidades de mercado e empregos altamente qualificados. Hoje, a Dinamarca é líder europeia na exportação de tecnologias e equipamentos de energia, com mais de 10 bilhões de euros em exportações anuais. Como resultado, desde 1980, o PIB dinamarquês aumentou 100%, mas nosso consumo de energia aumentou apenas 6% e o consumo de água diminuiu 40%. A experiência dinamarquesa nos últimos 40 anos é evidência de que investir em energia renovável, otimização de recursos e eficiência energética faz sentido do ponto de vista econômico. Mostramos que o crescimento econômico e a transição verde podem andar de mãos dadas. Ambições ambientais renovadas Décadas de trabalho dedicado permitiram que a Dinamarca tivesse uma economia mais verde hoje, mas não podemos nos acomodar. Ainda temos uma grande tarefa pela frente para alcançar o objetivo

de 1,5ºC do Acordo de Paris. O cumprimento de nossa visão nacional de 2050 exigirá uma mudança genuína de paradigma na sociedade dinamarquesa, incluindo mudanças em transporte, aquecimento, educação, impostos e muitos outros aspectos. Além disso, a Dinamarca só pode ser inspiração para outros se continuar a mostrar que é possível dar passos concretos na sua transição verde, garantindo ao mesmo tempo o crescimento, a competitividade e o emprego. A inovação continuará a ser um fator impulsionador para cumprirmos nossas metas para 2030 e 2050 – na verdade, algumas das políticas e soluções necessárias para um futuro verde ainda nem existem. No entanto, seguimos dando passos concretos. A Dinamarca eliminará o carvão para produção de energia até 2030 e recentemente se tornou o primeiro grande produtor de petróleo do mundo a anunciar que encerrará toda a produção de petróleo e gás existente até 2050. No entanto, a Dinamarca é responsável por apenas 0,1% das emissões globais – não importa quão ambiciosos sejam nossos objetivos, não podemos fazer muito. O desafio do clima só pode ser resolvido com soluções globais comuns, trabalhando em conjunto para identificar e buscar soluções de forma eficiente em parcerias entre governos,


future, Denmark decided to start a shift away from imported fossil fuels. Through sustained efforts, broadly accepted political agreements and long-term planning, Denmark was able to invest heavily in energy efficiency and renewable energy. The results are largely due to the collective efforts and vision of the Danish society – the population, decision makers and businesses. The public-private partnership model was – and remains – a key factor in developing new solutions and ensuring long lasting changes in the Danish society’s mind-sets. Innovation was a key part of the green transition, as well as a driving force for economic development, as green energy investments created new market opportunities and high-skilled jobs. Today, Denmark is a European leader in the export of energy technology and equipment, with over 10 billion euros in exports every year. As a result, since 1980, Danish GDP has increased by 100 per cent, but our energy consumption has only increased by 6 per cent and water consumption has decreased by 40 per cent.

DIVULGAÇÃO – STATE OF GREEN

organizações internacionais, grupos da sociedade civil e o setor privado. É por isso que a Dinamarca fortalecerá seus esforços em todos os fóruns disponíveis, com a esperança de influenciar e inspirar. A Dinamarca apoiará os parceiros interessados e colocará sua experiência e competências combinadas em transição verde em bom uso em todo o mundo, ajudando a impulsionar nossa corrida global em direção à neutralidade climática.

The Danish experience over the past 40 years is evidence that investing in renewable energy, resource optimisation and energy efficiency also makes good economic sense. We have shown that economic growth and green transition can go hand in hand. Renewed green ambitions Decades of dedicated work allowed Denmark to have a greener economy today, yet we cannot rest on our laurels. We still face a big task ahead to reach the Paris Agreement’s 1.5°C objective. Fulfilling our national 2050-vision will require a genuine paradigm shift in Danish society, including changes in transportation, heating, education, taxes and many other aspects. Moreover, Denmark can only be a pioneer and an inspiration for others if it continues to show that it is possible to take concrete steps on its green transition while ensuring growth, competitiveness and employment. Innovation will continue to be a driving factor to fulfilling our 2030 and 2050 targets – truthfully, some of the policies and solutions nec-

essary for a green future are not in place today; some of them do not even exist yet. Nevertheless, we are taking concrete steps forward. Denmark will phase out coal for power production by 2030 and recently became the first major oil-producing country in the world to announce that it will end all existing oil and gas production by 2050. However, Denmark only accounts for 0.1% of global emissions – no matter how ambitious our goals are, we can only do so much. The climate challenge can only be solved with common global solutions, working jointly to identify and pursue solutions efficiently in partnerships between governments, international organizations, civil society groups, and the private sector. That is why Denmark will strengthen its efforts in all available fora, with the hope to influence and inspire. Denmark will support interested partners and put its combined experience and competencies in green transition to good use around the world, helping to push forward our global race towards climate neutrality.

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Artigo|Article

Por|By Nabil Adghogui *

Desafios globais 34 | VIDI


A organização, há quatro anos, pelo Marrocos da COP22, em novembro de 2016, refletiu certamente o compromisso constante do Marrocos com a agenda multilateral para enfrentar os desafios globais. Mas, muito além disso, ao sediar este grande evento internacional, o Marrocos visou acima de tudo alcançar, em nível interno, uma mobilização, um engajamento e uma visão para a “causa” do meio ambiente. Um compromisso internacional destinado a mobilizar atores institucionais, empresas, autoridades locais e ONGs em favor de uma ação global, concertada e inclusiva em prol do clima. Tal foi o objetivo que o Marrocos estabeleceu quando sediou a COP22, e que agora está cumprindo com sucesso.

Global challenges The four-year-old organization of COP22 Morocco in November 2016 certainly reflected Morocco’s constant commitment to the multilateral agenda to address global challenges. But beyond that, by hosting this great international event, Morocco aimed above all to achieve, at the internal level, a mobilization, an engagement, and a vision for the “cause” of the environment. An international commitment to mobilize institutional actors, businesses, local authorities, and NGOs in favor of global, concerted and inclusive climate action. Such was the goal that Morocco set when it hosted COP22, and which is now successfully fulfilling.

Para alcançar este grande objetivo, o Marrocos adotou, sob a liderança ativa de Sua Majestade o Rei Mohammed VI, uma estratégia holística para o desenvolvimento sustentável que articula dois princípios fundamentais: 1. A apropriação por todos os atores nacionais da dimensão da sustentabilidade em suas políticas públicas, em seus business plan, em suas estratégias territoriais e em suas atuações dentro da sociedade. 2. A abertura a parcerias internacionais, para assegurar a

viabilidade econômica dos projetos empreendidos pelo país. Sobre este último ponto, Marrocos está constantemente registrando “success stories”, sendo a última é da empresa americana Soluna Technologies, que planeja investir 2,5 bilhões de dólares na construção de um parque eólico de 900 MW em Dakhla em uma área de 11.000 hectares, para fornecer servidores dedicados à tecnologia Blockchain. Além disso, o Marrocos concluiu um Memorando de En-

Marrocos visou acima de tudo alcançar, em nível interno, uma mobilização, um engajamento e uma visão para a “causa” do meio ambiente To achieve this great goal, Morocco has adopted, under the active leadership of His Majesty King Mohammed VI, a holistic strategy for sustainable development that articulates two fundamental principles: 1. The appropriation by all national actors of the dimension of sustainability in their public policies, in their business plans, in their territorial strategies and in their actions within society. 2. The opening to international partnerships, to ensure the economic viability of the projects undertaken by the country. On this last point, Morocco is constantly recording “success stories”, the last being from the American company Soluna Technologies, which plans to invest 2.5 billion dollars in the construction of a 900 MW

wind farm in Dakhla in an area of 11,000 hectares, to provide servers dedicated to Blockchain technology. In addition, Morocco concluded a Memorandum of Understanding with Germany in November 2020 to promote the production of Power2X technology in Morocco and to build the first green hydrogen production plant in Africa. In addition, the German company Siemens installed an industrial unit in Tangier to produce blades for wind turbines, with an investment of US$120 million. Such attractiveness would have been impossible without a legal framework that would provide foreign investors with legal certainty and financial profitability. This is how Morocco established a panoply of legislative, regulatory,

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Artigo|Article

tendimento com a Alemanha em novembro de 2020 para promover a produção da tecnologia Power2X no Marrocos e para construir a primeira unidade de produção de hidrogênio verde na África. Além disso, a empresa alemã Siemens instalou uma unidade industrial em Tânger para a produção de lâminas para turbinas eólicas, com um investimento de 120 milhões de dólares. Tal atratividade teria sido impossível sem um marco legal que proporcionasse ao investidor estrangeiro segurança jurídica e rentabilidade financeira. Foi assim que o Marrocos estabeleceu uma panóplia de disposições legislativas, regulamentares e institucionais que incorporam as “melhores práticas” a nível internacional e, particularmente, as da OCDE, com quem o Marrocos está engajado em uma parceria-país muito ambiciosa. A dimensão Sul-Sul também figura de forma proeminente

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nesta estratégia de abertura. A Iniciativa de Adaptação da Agricultura Africana (AAA) já está começando a dar frutos. O grupo marroquino OCP (o maior exportador mundial de adubos e fertilizantes) lançará, antes de 2024, fábricas de fertilizantes no Gabão e na Nigéria, cada uma com uma capacidade de produção de 1 milhão de toneladas de fertilizantes por ano, bem como na Etiópia com uma capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas por ano. Da mesma forma, através de seus bem sucedidos planos de energia solar e eólica, o Marrocos está apoiando seus parceiros africanos na realização de parcerias público-privado (PPP) no setor das energias renováveis. Internamente, o compromisso do Marrocos com a transição energética resultou particularmente na implementação da Estratégia Nacional para o Desenvolvimento Sustentável (SNDD). Já em 2009, o Marrocos havia anunciado uma meta de

52% de energia renovável para o fornecimento de eletricidade até 2030. Para atingir esta meta, foram lançados programas integrados visando a instalação de 6.000 MW de fontes renováveis (2000 MW para energia eólica; 2000 MW para energia solar e 2000 MW para energia hidrelétrica). Como tal, o complexo Noor Ouarzazate, a maior central de energia solar do mundo com uma área de 3.000 ha e uma capacidade instalada de 580 MW, é composto por quatro usinas que utilizam diferentes tecnologias : Espelho parabólico; usina de energia solar torre; e usina de energia fotovoltaica. A segunda prioridade da agenda climática do Reino é a biodiversidade, dada a diversidade de ecossistemas do país, com mais de 36 ecossistemas, incluindo o Argan, uma espécie única que foi reconhecida como reserva da biosfera pela UNESCO e reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade. Além disso, Marrocos ocupa a 12ª posição no mundo em exportação de plantas aromáticas e medicinais. Em fevereiro de 2020, o Marrocos lançou duas novas estratégias chamadas “Geração Verde 2020-2030” e “Florestas do Marrocos”, destinadas principalmente a preservar a biodiversidade, em particular através de um projeto emblemático de plantio de 10.000 ha


de árvores de Argan, com um orçamento total de 50 milhões de dólares, co-financiado pelo Reino de Marrocos e pelo Fundo Clima Verde. Marrocos também pretende submeter à Assembléia Geral das Nações Unidas uma resolução para proclamar um Dia Internacional de Argan como símbolo de sua biodiversidade ancestral. Em conclusão, o Marrocos tomou a plena medida do surgimento do conceito de economia verde como um novo paradigma com enorme poten-

cial de crescimento econômico. Está igualmente consciente da vulnerabilidade do modelo atual, devido à degradação ambiental, à escassez de recursos hídricos, à desertificação e aos outros riscos ambientais. Todas as ações e iniciativas que o país empreende estão de acordo com esta visão e permitem ao Marrocos emergir hoje como um país atuante na chamada Green Diplomacy e uma economia atrativa para investimentos nas áreas de energias renováveis.

and institutional provisions incorporating “best practices” at international level, and particularly those of the OECD, with which Morocco is engaged in a very ambitious country partnership. The South-South dimension also figures prominently in this opening strategy. The African Agriculture Adaptation Initiative (AAA) is already beginning to bear fruit. The Moroccan group OCP (the world’s largest exporter of fertilizers) will launch fertilizer plants in Gabon and Nigeria before 2024, each with a production capacity of 1 million tons of fertilizer per year, as well as in Ethiopia with a production capacity of2.5 million tons per year. Similarly, through its successful solar and wind energy plans, Morocco is supporting its African partners in public-private partnerships (PPP) in the renewable energy sector. Internally, Morocco’s commitment to the energy transition has particularly resulted in the implementation of the National Strategy for Sustainable Development (SNDD).

As early as 2009, Morocco had announced a target of 52% renewable energy for electricity supply by 2030. To achieve this goal, integrated programs were launched to install 6,000 MW of renewable sources (2000 MW for wind energy; 2000 MW for solar energy and 2000 MW for hydroelectric power). As such, the Noor Ouarzazate complex, the largest solar power plant in the world with an area of 3,000 ha and an installed capacity of 580 MW, consists of four plants using different technologies: Parabolic Mirror; solar tower power plant; photovoltaic power plant. The second priority of the Kingdom’s climate agenda is biodiversity, given the country’s diversity of ecosystems, with more than 36 ecosystems, including Argan, a unique species that has been recognized as a biosphere reserve by UNESCO and recognized as a World Heritage Site. In addition, Morocco ranks 12th in the world in exports of aromatic and medicinal plants. In February 2020, Morocco launched two new strategies called

* Nabil Adghogui Embaixador do Marrocos no Brasil Moroccan Ambassador in Brazil

“Green Generation 2020-2030” and “Forests of Morocco”, mainly aimed at preserving biodiversity, through an emblematic project to plant 10,000 ha of Argan trees, with a total budget of US$50 million, co-financed by the Kingdom of Morocco and the Green Climate Fund. Morocco also intends to submit to the United Nations General Assembly a resolution to proclaim an International Argan Day as a symbol of its ancestral biodiversity. In conclusion, Morocco took full measure of the emergence of the concept of green economy as a new paradigm with enormous potential for economic growth. It is also aware of the vulnerability of the current model due to environmental degradation, scarcity of water resources, desertification, and other environmental risks. All the actions and initiatives that the country undertaken are in accordance with this vision and allow Morocco to emerge today as a country active in the so-called Green Diplomacy and an attractive economy for investments in renewable energy areas. VIDI | 37


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Por|By Sergey Pogóssovitch Akopov *

Sputnik russo em meio à pandemia A questão das vacinas vem gerando discussões desde o início da pandemia, quando todo o mundo parou na quarentena colocando as suas aspirações nos cientistas em busca da solução do problema. E a solução chegou, ou, para ser mais exato, chegaram várias soluções, porque são muitas as vacinas que já foram apresentadas no palco internacional. De acordo com a Organização Mundial da

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Saúde, até o momento, mais de 50 vacinas contra a COVID-19 estão sendo testadas no âmbito de ensaios clínicos, 13 dos quais já estão na terceira fase de testes. Tudo isso aconteceu em menos de um ano, o que representa uma das maiores acelerações de pesquisa científica mundial na área de farmacêutica e imunologia da história da humanidade. A vacina russa, desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa

em Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, se tornou a primeira vacina registrada no mundo, incentivando assim a pesquisa nos outros países e criando um paralelo histórico com o lançamento do primeiro satélite espacial Sputnik-1, em 1957, que provocou um incremento mundial da investigação do espaço exterior. Foi esse evento histórico que inspirou o nome da vacina, que foi denominada “Sputnik V”.


Não foi por acaso que o Instituto Gamaleya e o Fundo de Investimentos Diretos da Rússia (RDIF, o fundo soberano da Federação da Rússia), responsáveis pelo desenvolvimento e produção da “Sputnik V”, conseguiram criar o imunizante tão rapidamente. Isso resultou de uma longa experiência nesse domínio inclusive aquela adquirida durante o desenvolvimento da vacina contra a Ebola (baseada na mesma tecnologia, registrada em 2015 e patenteada a nível internacional em 2018). Com base nesse histórico de pesquisa, o Instituto Gamaleya desenvolveu a vacina “Sputnik

V” na plataforma bem-estudada e comprovada de vetores adenovirais humanos. Trata-se de adenovírus humano que viveu na população por dezenas de milhares de anos. As vantagens importantes dessa plataforma são sua segurança, eficácia e ausência de consequências negativas de longo prazo, confirmadas em mais de 250 estudos clínicos conduzidos no mundo ao longo de duas décadas, com um histórico de uso de adenovírus humanos em vacinas desde 1953. Mais de 100.000 pessoas foram vacinadas com medicamentos aprovados e registrados com

Russianputnik amid pandemic

Gamaleya, became the first vaccine recorded in the world, thus encouraging research in other countries, and creating a historical parallel with the launch of the first Space Satellite Sputnik-1 in 1957, which led to a worldwide increase in research from outer space. It was this historic event that inspired the name of the vaccine, which was called “Sputnik V”. It was no accident that the Gamaleya Institute and the Russian Direct Investment Fund (RDIF, the sovereign wealth fund of the Russian Federation), responsible for the development and production of “Sputnik V”, were able to create the immunization so quickly. This resulted from a long experience in this field including that acquired during the development of the Ebola vaccine (based on the same technology, registered in 2015 and patented internationally in 2018). Based on this research history, the Gamaleya Institute developed the vaccine “Sputnik V” in the well-

The issue of vaccines has been generating discussions since the beginning of the pandemic, when everyone stopped in quarantine putting their aspirations on scientists in search of solving the problem. And the solution has arrived, or, to be more accurate, several solutions have arrived, because there are many vaccines that have already been presented on the international stage. According to The World Health Organization, so far more than 50 vaccines against COVID-19 are being tested in clinical trials, 13 of which are already in the third phase of testing. All this happened in less than a year, which represents one of the largest accelerations of scientific research worldwide in the field of pharmaceuticals and immunology in the history of mankind. The Russian vaccine, developed by the National Center for Research in Epidemiology and Microbiology

* Sergey Pogóssovitch Akopov Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Federação da Rússia no Brasil | Ambassador Extraordinary and Plenipotentiary of the Russian Federation in Brazil

studied and proven platform of human adenoviral vectors. It is a human adenovirus that has lived in the population for tens of thousands of years. The important advantages of this platform are safety, efficacy and absence of long-term negative consequences, confirmed in more than 250 clinical studies conducted worldwide over two decades, with a history of human adenovirus use in vaccines since 1953. More than 100,000 people were vaccinated with approved drugs and registered based on human adenoviral vectors. Thus, Russian scientists are already working with third or fourth generation of immunizers of this type. The “Sputnik V” developers themselves were the first to test it voluntarily in March and obtained protective antibodies. Under the procedure required in June and July the vaccine passed the necessary tests completing Phases I and II, Phase III in progress

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base em vetores adenovirais humanos. Assim, os cientistas russos estão trabalhando já com terceira ou quarta geração dos imunizantes desse tipo. Os próprios desenvolvedores da “Sputnik V” foram os primeiros a testá-la voluntariamente ainda em março e conseguiram anticorpos protetores. No âmbito do procedimento exigido em junho e julho a vacina passou pelos testes necessários completando as Fases I e II, a Fase III em andamento conta com 40000 voluntários. Em 11 de agosto, a vacina recebeu o certificado de registro do Ministério da Saúde da Rússia, tornando-se a primeira vacina contra o novo coronavírus registrada no mundo. Agora, outros produtores das vacinas, mesmo tendo criticado a Rússia pelo registro rápido, seguiram o mesmo caminho pedindo a aprova-

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Os próprios desenvolvedores da “Sputnik V” foram os primeiros a testá-la voluntariamente ainda em março e conseguiram anticorpos protetores ção dos seus imunizantes antes da conclusão dos resultados da Fase III. No momento atual vários países já avaliam a possibilidade de lançar a vacinação em massa, pelas razões de emergência sanitária, mesmo antes da conclusão de testes, enquanto outros, inclusive a Rússia, China, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido, já começaram a imunização da população para conter o avanço da pandemia. Mais de 50 países já solicitaram a compra de mais de 1,2 bilhões de doses da vacina “Sputnik V”. Para os mercados externos, essa será produzida pelos parceiros internacionais

do RDIF no Brasil, na Índia, na China, na Coreia do Sul e em outros países. De acordo com a estimativa do RDIF, o preço de cada uma das doses da “Sputnik V” (o imunizante é administrado em duas injeções) no mercado internacional será inferior a 10 dólares, ou seja, significativamente menor do que o das vacinas de mRNA com um nível de eficácia comparável. Agora, o nosso objetivo é disponibilizar essa vacina para o mundo, cumprindo todas as exigências dos órgãos regulatórios nacionais. Ao mesmo tempo, a Rússia continua trabalhando ativamente para desenvolver outros imunizantes contra a COVID-19. Em 14 de outubro foi registrada a “EpiVacCorona”, segunda vacina russa, baseada na tecnologia peptídio, desenvolvida pelo Instituto Vector da cidade de Novosibirsk. Espera-se também a terceira vacina, desenvolvida pelo Centro Chumakov da Academia de Ciências da Rússia, que se baseia em vírus inativado. Trata-se, dessa maneira, de uma variedade de tecnologias utilizadas pelos nossos cientistas para achar uma solução ao maior desafio sanitário das últimas décadas. Ninguém sabe quanto tempo essa situação vai durar, mas as


primeiras lições da pandemia já foram tiradas, tornou-se óbvia a necessidade de agir juntos, de desenvolver a educação, a ciência, a medicina, de construir um forte sistema de saúde com assistência médica acessível para todos. Foi a pandemia que nos despertou do sono, da vida bem estabelecida que parecia bastante clara e abastecida, que nos impulsionou a virar ao saber científico realmente capaz de ser uma fonte de resolução adequada. O vírus nos relembrou a importância de investir em futuro da humanidade o maior patrimônio do qual é um homem saudável, de boa formação, pensador e criador responsável. Fonte: | Source: sputnikvaccine.com

has 40,000 volunteers. Andon August 11, the vaccine received the registration certificate from the Russian Ministry of Health, making it the first vaccine against the new coronavirus registered in the world. Now, other vaccine producers, even though they criticized Russia for its rapid registration, followed suit asking for the approval of its immunizers before the completion of Phase III results. At the present time, several countries are already evaluating the possibility of launching mass vaccination, for reasons of health emergency, even before the conclusion of tests, while others, including Russia, China, United Arab Emirates and the United Kingdom, have already started immunizing the population to contain the advance of the pandemic. More than 50 countries have already requested the purchase of more than 1.2 billion doses of the

“Sputnik V” vaccine. For foreign markets, this will be produced by RDIF’s international partners in Brazil, India, China, South Korea and other countries. According to the RDIF estimate, the price of each dose of “Sputnik V” (the immunizer is administered in two injections) on the international market will be less than $ 10, that is, significantly less than that of mRNA vaccines with a comparable level of effectiveness. Now, our goal is to make this vaccine available to the world, fulfilling all the requirements of national regulatory bodies. At the same time, Russia continues to work actively to develop other immunizers against COVID-19. On October 14, the “EpiVacCorona” was registered, the second Russian vaccine, based on peptide technology, developed by the Vector Institute of the city of Novosibirsk. The third vaccine, developed by the Chumakov Center of the Russian Academy

of Sciences, is also expected, which is based on inactivated viruses. In this way, it is a variety of technologies used by our scientists to find a solution to the greatest health challenge of recent decades. No one knows how long this situation will last, but the first lessons of the pandemic have already been taken, it has become obvious the need to act together, to develop education, science, medicine, to build a strong health system with affordable health care for all. It was the pandemic that awakened us from sleep, from well-established life that seemed quite clear and fueled, which spurred us to turn to scientific knowledge capable of being an adequate source of resolution. The virus reminded us of the importance of investing in the future of humanity the greatest patrimony of which is a healthy man, of good training, thinker and responsible creator.

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Especial|Special

Chile e a proteção ao Meio Ambiente

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Por|By Fernando Schmidt *

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Especial|Special

No Chile a mudança climática é um fato real e palpável. Tem um impacto direto no aumento da temperatura na Antártica, encolhimento dos glaciais milenares na Patagônia e na diminuição das chuvas na região central, entre outros. Para nós, o aquecimento global não é algo que se discute apenas em círculos acadêmicos, mas sim um assunto de vital importância. No final das contas, a Cordilheira dos Andes é um reservatório natural de água doce para a população. Com menos chuva e sem gran-

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de acúmulo de neve, experimentamos uma situação cada vez mais complexa. O Chile sediou a COP21 com um fato histórico. A adoção do Acordo de Paris foi um marco nos esforços coletivos de combate as mudanças climáticas e a adoção a seus efeitos, que constituem uma ameaça existencial para a humanidade. Paralelamente, o Chile incorporou a proteção ambiental como um elemento central de sua política exterior. Isso se empresa em ações concretas, a mais recente sendo a Presidên-

cia da COP25, desafio assumido também pelo compromisso do país com o multilateralismo. Do nosso ponto de vista, é necessário passar da discussão à implementação dos acordos climáticos. E não apenas isso: a ação climática deve ter nível mais alto de ambição. Por isso o Chile atualizou sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) no inicio deste ano, comprometendo-se com a neutralidade do carbono até 2050. A Presidência do Chile na COP25 tem reiterado incansavelmente essa ideia da ambi-


ção, enquanto a ciência nos diz que os compromissos assumidos nas NDCs podem não ser suficientes. O Chile também assumiu a liderança internacional na proteção dos oceanos. É um dos fundadores da Declaração “Because the Ocean”, a que realizou um importante trabalho na promoção do combate aos efeitos das alterações climáticas no oceano, ressaltando o papel fundamental que este ocupa como sumidouro de carbono e na absorção do excesso de calor na atmosfera. Além disso, fomos pioneiros na inclusão do oceano na Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que permitiu o desenvolvimento de um diálogo entre

Chile and environmental protection In Chile, climate change is a real and tangible fact. It has a direct impact on the increase in temperature in Antarctica, shrinking of the millenary glaciers in Patagonia and the decrease in rainfall in the central region, among others. For us, global warming is not something that is discussed only in academic circles, but rather a matter of vital importance. In the end, the Andes Mountains is a natural freshwater reservoir for the population. With less rain and no large accumulation of snow, we experienced an increasingly complex situation. Chile hosted COP21 with a historical fact. The adoption of the Paris Agreement was a milestone in collec-

Dentre seus esforços como Presidência da COP25, buscou destacar a importância do oceano como parte integrante do sistema climático, procurando contribuir para a integralidade dos ecossistemas marinhos e costeiros os membros e Observadores com o proposito de identificar oportunidades para desenvolver a ambição, tanto na adaptação como na mitigação. O Chile incluiu em 2016 uma apresentação voluntaria sobre este tema ante a Convenção Marco sobre Mudança Climática. Hoje, 43% do nosso oceano estão cobertos

por Áreas Marinhas Protegidas, pelo que a superfície total destas áreas é maior que a do Chile continental. Dentre seus esforços como Presidência da COP25, buscou destacar a importância do oceano como parte integrante do sistema climático, procurando contribuir para a integralidade dos ecossistemas marinhos e

tive efforts to combat climate change and adoption to its effects, which pose an existential threat to humanity. At the same time, Chile has incorporated environmental protection as a central element of its foreign policy. This is a company in concrete actions, the most recent being the Presidency of COP25, a challenge also assumed by the country’s commitment to multilateralism. From our point of view, we need to move from discussion to implementation of climate agreements. And not just that: climate action should have a higher level of ambition. That’s why Chile updated its Nationally Determined Contribution (NDC) earlier this year, committing to carbon neutrality by 2050. The Presidency of Chile at COP25 has tirelessly reiterated this ambi-

tious idea, while science tells us that the commitments made in the NDCs may not be enough. Chile has also taken the international lead in protecting the oceans. He is one of the founders of the “Because the Ocean” Declaration, which has done an important job in promoting the fight against the effects of climate change on the ocean, highlighting the fundamental role it plays as a carbon sink and in absorbing excess heat into the atmosphere. In addition, we pioneered the inclusion of the ocean in the United Nations Framework Convention on Climate Change, which allowed the development of a dialogue between members and Observers with the purpose of identifying opportunities to develop ambition, both in adaptation and mitigation.

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Especial|Special

costeiros. Nesse sentido, Chile e Brasil se complementam em termos da política brasileira da Amazônia Azul, um território que é maior em área que a Amazônia Legal. Ao lado do compromisso com a ambição e a proteção dos oceanos, destaca-se a participação ativa do Chile no Sistema do Tratado da Antártida e sua vinculação com a proteção do meio ambiente. Outro aspecto importante é a caracterização do Chile como um país florestal. Nesta condição tem promovido metas concretas de recuperação de suas florestas como sumidouros de carbono, implementação de uma Estratégia Nacional de Mudança Climática e Recursos Vegetais, além de incorporar 48 | VIDI

um componente de integração florestal no NDC. No futuro, o Chile continua comprometido com uma ambiciosa agenda internacional de proteção ambiental. Promovendo de forma objetiva a meta de que até 2030, 30% dos ecossistemas terrestre e marítimos estejam sob proteção. Esta negociação ocorre no âmbito da Convenção de Diversidade Biológica, cuja COP15 deveria adotar no ano 2021 em Kumming, China, um marco para a proteção da biodiversidade pós-2020. Além disso, continuamos exercendo a Presidência da COP25 para mudanças climáticas e, nesta função, trabalhamos em estreita colaboração com o Reino Unido, as Nações

Unidas e outros países, para liderar o trabalho rumo a uma COP26 bem-sucedida. Todas estas grandes iniciativas em nível global são acompanhadas por desenvolvimentos muito relevantes em nossa legislação nacional. Por exemplo, a Lei marco sobre mudanças climáticas; a Reforma tributária que permite mais flexibilidade na cobrança do imposto verde, criando um sistema de compensação para projetos de redução de gases do efeito estufa; a Lei que cria o Serviço Nacional para Biodiversidade e Áreas Protegidas; etc. No entanto, principal impulso para enfrentar a verdadeira crise ambiental que temos por diante vem dos próprios cidadãos. Vemos não só uma


Especial|Special

excelente recepção às leis aprovadas sobre a matéria, por exemplo, a que proibiu as sacolas plásticas, mas também uma mudança nos hábitos das pessoas, orientada para uma maior utilização dos meios de transportes sustentáveis, ou a preferencia pelas energias limpas e renováveis, a massificação da reciclagem e a preferência por materiais sustentáveis. Assim, os cidadãos, que mudaram seus hábitos, pedem o mesmo às autoridades. Por isso Santiago hoje tem a maior frota

de ônibus elétricos da região, com a meta de atingir uma frota total de zero emissões em 2035. Por outro lado, parcerias público-privadas estão realizando investimentos significativos em Hidrogênio Verde hoje, que pode se converter no combustível do futuro. Espera-se então, que no processo constituinte iniciado no Chile, o componente ambiental e de mudanças climáticas seja discutido com avidez, indicando o rumo que o país deve seguir nos próximos anos.

Chile included in 2016 a voluntary presentation on this topic before the Framework Convention on Climate Change. Today, 43% of our ocean is covered by Marine Protected Areas, so the total surface of these areas is larger than that of mainland Chile. Among his efforts as COP25 Presidency, he sought to highlight the importance of the ocean as an integral part of the climate system, seeking to contribute to the integrality of marine and coastal ecosystems. In this sense, Chile and Brazil complement each other in terms of the Brazilian policy of the Blue Amazon, a territory that is larger in an area than the Legal Amazon. Alongside the commitment to the ambition and protection of the oceans, chile’s active participation in the Antarctic Treaty System and its link with the protection of the environment stand out. Another important aspect is the characterization of Chile as a forest country. In this condition it has promoted concrete goals of recovery of its forests as carbon sinks, implementation of a National Strategy for Climate Change and Plant Re-

sources, in addition to incorporating a component of forest integration in the NDC. In the future, Chile remains committed to an ambitious international environmental protection agenda. Objectively promoting the goal that by 2030, 30% of land and sea ecosystems are under protection. This negotiation takes place under the Convention on Biological Diversity, which COP15 was due to adopt in 2021 in Kumming, China, a milestone for the protection of biodiversity post-2020. In addition, we continue to chair COP25 on climate change and in this role we work closely with the UK, the United Nations and other countries to lead the work towards a successful COP26. All these major initiatives at the global level are accompanied by truly relevant developments in our national legislation. For example, the Landmark Law on Climate Change; (a) tax reform that allows more flexibility in the collection of green tax, creating a compensation system for greenhouse gas reduction projects; the Law establishing the National

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* Fernando Schmidt Embaixador do Chile Ambassador of Chile

Service for Biodiversity and Protected Areas; Etc. However, the main impetus to face the real environmental crisis that we have ahead comes from the citizens themselves. We see not only an excellent reception of the laws passed on the subject, for example, to which it has banned plastic bags, but also a change in people’s habits, aimed at greater use of sustainable means of transport, or preference for clean and renewable energies, the massification of recycling and the preference for sustainable materials. So citizens, who have changed their habits, ask the authorities for the same. That’s why Santiago now has the largest fleet of electric buses in the region, with the goal of reaching a total fleet of zero emissions in 2035. On the other hand, public-private partnerships are making significant investments in Green Hydrogen today, which can become the fuel of the future. It is then expected that in the constituent process initiated in Chile, the environmental and climate change component will be discussed, indicating the direction that the country should take in the coming years.


Artigo|Article

UNIC RIO

Por|By Irene Giner-Reichl *

Campanha Mundial da ONU de Oposição à Violência contra as Mulheres - “Pinte o Mundo de Laranja” World-Wide Campaign of the UN to Oppose Violence against Women - Orange the World

Por que precisamos empoderar as mulheres em 2021? Quase exatamente 25 anos atrás, em minha função de vice-presidente da Comissão das Nações Unidas sobre o Status da Mulher, conduzi a última reunião preparatória em Nova York para a Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher em Pequim, em setembro de 1995. Nossa tarefa era chegar a acordo por consenso sobre o maior número possível de formulações para o programa de ação a ser adotado em Pequim. As negociações foram difíceis. Havia profundas lacunas entre as posições dos países que queriam fazer progressos significativos em direção à igualdade de gênero, com 52 | VIDI

base na universalidade dos direitos humanos, e aqueles que se apegavam aos valores tradicionais que fomentam o patriarcado. Era necessário encontrar pontes para conectar as diferentes preocupações e desenvolver a Plataforma de Ação de Pequim em um contexto equilibrado. Finalmente chegamos a um consenso em Pequim. Paridade econômica de gênero, de acordo com Davos, apenas em 257 anos 25 anos depois, no entanto, ainda estamos longe de garantir a igualdade entre mulheres

e homens em todos os aspectos da vida pública e privada, conforme preconizado pelo documento final de Pequim e consagrado no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 5 das Nações Unidas sobre Igualdade de Gênero e Empoderamento Todas as Mulheres e Meninas. Aqui estão alguns exemplos de um relatório publicado recentemente pela ONU Mulheres: • As mulheres ocupam apenas uma em cada quatro cadeiras nos parlamentos nacionais, ou uma em cada quatro secretarias em nível de gestão nas empresas.


ainda é inaceitavelmente alta (na Áustria, ocorrem 4 mortes por 100.000 nascimentos). Para melhorar a situação, a ONU Mulheres recomenda quatro linhas de ação: • Apoiar movimentos de mulheres e liderança de mulheres.

Why do we need to empower women in 2021?

a balanced text. Finally we reached consensus in Beijing.

A little more than 25 years ago, in my then function as Vice-President of the United Nations Commission on the Status of Women, I led the last preparatory meeting in New York for the Fourth World Conference on Women in Beijing in September 1995. Our task was to agree by consensus on as many formulations as possible for the action programme to be adopted in Beijing. The negotiations were tough. There were deep gaps between the positions of countries that wanted to make significant progress towards gender equality, based on the universality of human rights, and those that stuck with traditional values that foster patriarchy. It was necessary to find bridges to connect the different concerns and to develop the Beijing Platform for Action into

Economic gender parity according to Davos only in 257 years 25 years later, however, we are still far away from securing equality between women and men in all aspects of public and private life, as advocated by the Beijing outcome document and as enshrined in the UN Sustainable Development Goal number 5 on Gender Equality and Empowering All Women and Girls. Here are a few examples from a recently published report by UN Women: • Women hold only one out of four seats in national parliaments, or one out of four desks on the management level in companies. • Women carry out an average of 4.1 hours of unpaid work per day in household and family while men contribute only 1.7 hours.

• Usar inovações tecnológicas para justiça de gênero. • Não deixar ninguém para trás. • Alocar recursos financeiros para sustentar as declarações políticas de compromisso. Se as tendências atuais simplesmente continuarem, o FóJULIA SALLES, ONU MULHERES

• As mulheres realizam em média 4,1 horas de trabalho não remunerado por dia em casa e na família, enquanto os homens contribuem com apenas 1,7 horas. • 31 por cento das mulheres jovens (15 a 24 anos) não frequentaram a escola, não receberam qualquer educação nem estavam empregadas em 2019 (a porcentagem é duas vezes superior à dos rapazes). • 190 milhões de mulheres (15 a 49 anos), que queriam evitar a gravidez em 2019, não tinham acesso a métodos de planejamento familiar. • Com 211 mortes por 100.000 nascidos vivos, a taxa global de mortalidade materna

Célia Xakriabá em oficina para educadores na Semana de Arte ElesPorElas Célia Xakriabá in a workshop for educators at the ElesPorElas Art Week Event

• 31 per cent of the young women (15 to 24 years) did not attend school, did not receive any education nor were in employment in 2019 (the percentage is twice as high as for young men). • 190 million women (15 to 49 years), who wanted to avoid pregnancy in 2019, had no access to family planning methods. • With 211 deaths per 100.000 live births, the global maternal mortality rate is still unacceptably high (in Austria there are 4 deaths per 100.000 births). To improve the situation, UN Women recommends four lines of action: • Support women’s movements and leadership of women. • Use technological innovations for gender justice. • Leave no one behind. • Allocate finances to underpin political declarations of commitment.

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Artigo|Article

PETER LECHNER

rum Econômico Mundial em Davos calcula que levará centenas de anos antes que a paridade de gênero seja alcançada em todo o mundo. A situação é particularmente ruim no que diz respeito ao acesso das mulheres à participação econômica: de acordo com Davos, a paridade econômica de gênero ainda está prevista para daqui a 257 anos. E isso apesar do fato de que agora é geralmente reconhecido que a participação das mulheres na economia é boa para os negócios, economias e sociedades como um todo, como o Relatório Gender Gap mais uma vez enfatiza explicitamente: “A paridade de gênero tem um impacto fundamental sobre se economias e sociedades se desenvolvem positivamente ou não. É importante para o crescimento, a competitividade e a sustentabilidade das economias e negócios em todo o mundo STEFAN LEITNER

Burgtheater (Teatro Histórico da Corte) em Viena, Áustria Burgtheater (HistoricTheater of the Court) in Vienna, Austria

A Torre do Relógio, monumento bem conhecido em Graz, Áustria Uhrturm, the well-known site in Graz, Austria

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que os talentos da metade da humanidade sejam desenvolvidos e usados”. Lembremo-nos de que a discriminação das mulheres na esfera econômica abre a porta para outras formas de discriminação mais severa, incluindo abuso sexual, estupro e feminicídio. Aproximadamente um terço de todas as mulheres adultas foram expostas a alguma forma de abuso ou violência sexual de acordo com a OMS - e essa porcentagem é uniformemente válida para quase todos os países do mundo. Todos nós - mulheres e homens precisamos nos unir e agir juntos para erradicar a violência contra mulheres e meninas.

Building Back Better após a Covid 19 A pandemia Covid19 traz o sentimento de urgência. De muitas maneiras, as mulheres estão na linha de frente na batalha contra o vírus - como médicas, enfermeiras e cuidadoras. As mulheres são afetadas

de forma diferente pela pandemia do que os homens. As estatísticas mostram que uma porcentagem maior de mulheres foi dispensada de empregos formais do que homens. Situações de teletrabalho e a necessidade de educar os filhos em casa devido ao encerramento prolongado das escolas gera mais estresse nas mulheres. Isso é especialmente grave em áreas desfavorecidas e em situações de habitação precárias. Muitos países estão implementando planos de recuperação pós-Covid19. Esses planos oferecem a possibilidade de uma reconstrução melhor. E eu gostaria de enfatizar duas áreas em que essa reconstrução é necessária e pode ser um suporte mútuo: mudança climática e igualdade entre mulheres e homens. Internacionalmente, muitos planos de recuperação econômica contêm disposições para lidar com as mudanças climáticas e promover transições para sistemas de energia de baixo


carbono. Isso é muito bem-vindo, dado que as mudanças climáticas continuarão a impactar negativamente o meio ambiente global e a subsistência de mulheres e homens em todos os lugares, muito depois de o vírus ter sido combatido. A transição para o sistema de energia de baixo carbono, entretanto, é mais do que mudar de um combustível fóssil poluente para um renovável limpo. Isso acarreta mudanças profundas na sociedade. Para navegar por essas mudanças

com sucesso, todas as sociedades precisarão mobilizar todos os talentos disponíveis, o talento das mulheres e dos homens. Portanto, deve-se ter cuidado especial para incluir disposições nas estratégias de recuperação pós-Covid19 que promovam a participação plena e igualitária das mulheres nas áreas da vida pública e privada. Em minha visão, as transições de energia também podem abrir caminho para sociedades mais inclusivas, diversificadas e preparadas para o futuro.

If current trends are simply continued, the World Economic Forum in Davos calculates that it will take hundreds of years before gender parity is achieved worldwide. The situation is particularly bad with regard to access for women to economic participation: According to Davos, economic gender parity is still 257 years away. And this despite the fact that it is now generally acknowledged that the participation of women in the economy is good for businesses, economies and societies as a whole, as the Gender Gap Report once again explicitly emphasizes: “Gender parity has a fundamental impact on whether economies and societies develop positively or not. It is important for growth, competitiveness and sustainability of economies and businesses around the world that the talents of one half of humanity will be developed and used.” Let us remind ourselves, that discrimination of women in the economic sphere opens the door for other forms of more severe discrimination, including sexual abuse, rape and feminicide. Roughly a third of all

adult women are exposed to some form of sexual abuse or violence according to the WHO – and this percentage is uniformly valid for almost all countries in the world. We all – women and men – need to stand together and act together to eradicate violence against women and girls. Building Back Better after Covid19 The Covid19 pandemic adds urgency. In many ways, women are at the very frontlines in the battle against the virus – as doctors, nurses and care-givers. Women are impacted differently by the pandemic as men. Statistics show that a higher percentage of women were laid off from formal jobs than men. Home office situations and the need to home-school kids because of prolonged school closures put added stress on women. This is especially severe in under-privileged areas and cramped housing situations. Many countries are now putting in place post-Covid19 recovery plans. These plans offer the possibility to build back better. And I would like to emphasize two areas where

* Irene Giner-Reichl Embaixadora da Áustria no Brasil Austrian Ambassador in Brazil

this building back better is needed and can be mutually supportive: climate change and equality between women and men. Internationally, many economic recovery plans contain provisions to address climate change and to promote transitions to low-carbon energy systems. This is very welcome, because climate change will continue to negatively impact the global environment and the livelihood of women and men everywhere long after the virus has been defeated. The transition to low-carbon energy system, however, is more than shifting from one polluting fossil fuel to a clean renewable one. It entails deep societal changes. In order to navigate these changes successfully all societies will need to mobilize all available talent, the talent of women and of men. Special care should therefore be taken to include provisions in post-Covid19 recovery strategies that promote the full and equal participation of women in areas of public and private life. In my vision, energy transitions could thus also pave the way to more inclusive, diverse and future-ready societies.

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Desenvolvimento|Development

Portugal e Brasil: uma relação intemporal

Casa da Música

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Por|By Jorge Cabral *


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DIVULGAÇÃO


TURISMO ALENTEJO

Desenvolvimento|Development

Évora, Giraldo square

Nos quatro em que servi como Embaixador de Portugal no Brasil, fui por diversas vezes abordado por brasileiros curiosos por conhecer um pouco mais de Portugal, país com o qual o Brasil partilha fortíssimos laços históricos. Assim é: a História une os nossos países e está gravada na nossa cultura identitária. Pelo passado comum, estaremos sempre ligados. Com maior ou menor intensidade, mas sempre ligados. Mas não é apenas de passado que é construída a nossa sólida relação. O nosso presente é particularmente rico e intenso.

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Em primeiro lugar, pelas pessoas, pois não há nada que aproxime mais dois países do que as pessoas. São cerca de 150.000 os brasileiros em Portugal e pelo menos sete vezes mais os portugueses e luso-descendentes registados no Brasil. Serão possivelmente muitos mais. Estes números expressam bem o fluxo humano existente, que nem mesmo nos momentos mais preocupantes da pandemia parou. São muitas as famílias que se dividem entre o Brasil e Portugal. Para não falar dos 15.000 estudantes brasileiros que escolheram as Universidades portuguesas para prossegui-

rem os seus estudos. Ou dos empresários, com negócios cá e lá, que muito fazem em prol do desenvolvimento económico de Portugal e do Brasil. Mas não ficamos por aqui. No ano passado, 1 milhão e 300.000 turistas brasileiros visitaram Portugal e redescobrindo um país moderno e competitivo. Quem vai, quer voltar. E leva consigo amigos e familiares. Existe, assim, uma ligação afetiva, mas também uma relação baseada no investimento pessoal e profissional, com comprovado retorno. Uma relação de descoberta e redescoberta, de efeito multiplicador.


Depois, há a língua e a cultura. A língua portuguesa que amamos, com os seus múltiplos sotaques. A língua da nossa vida, feita de encontros e reencontros, como dizia Vinícius de Morais. É uma língua viva, tanto mais rica quanto os países que a falam se apropriem dela, construindo a sua diversidade. A língua que consubstancia um inestimável valor estratégico cultural, economico e geopolítico. Fio que entretece a teia de ligações e que aproxima Portugal e o Brasil e toda a família da CPLP. A língua que é também música, literatura, teatro e cinema. E ainda as telenovelas, que marcaram gerações de portugueses. Para não falar de momentos como o da vitória, o ano passado, na Copa dos Liberta-

Portugal and Brazil: a timeless relationship In my four years as the Ambassador of Portugal in Brazil, I was approached several times by Brazilians curious to know a little more about Portugal, a country with which Brazil shares very strong historical ties. This is the way it is: history unites our countries and it is engraved in our identity culture. By a common past, we shall always be connected, with greater or lesser intensity, but always connected. But it is not only due to our past that our solid relationship is built. Our present is particularly rich and intense. First and for most, the people, because there is nothing that brings two countries closer than people. There are about 150,000 Brazilians

A língua que consubstancia um inestimável valor estratégico cultural, economico e geopolítico. Fio que entretece a teia de ligações e que aproxima Portugal e o Brasil e toda a família da CPLP dores, de um clube carioca cujo treinador era português. De entre as inúmeras ações em que participei ativamente na área cultural, valerá a pena realçar o ciclo comemorativo do bicentenário da independência do Brasil, iniciado em 2018 e que culminará em 2022, com um amplo e diversificado conjunto de atividades e iniciativas desenvolvidas em estreita

articulação com entidades públicas e privadas brasileiras. Por fim, também a economia. Não é por acaso que o número de Câmaras portuguesas de Comércio tem vindo a crescer. Só durante o meu mandato aumentaram de 13, para 18. As nossas relações tradicionais têm-se baseado, essencialmente, nos produtos agrícolas, como o vinho e o azeite. Mas

in Portugal and at least seven times more Portuguese and Portuguesedescendants registered in Brazil. Possibly there are many more. These figures are well expressed in the existing human flow, which not even in the most worrying moments of the pandemic has stopped. There are many families that are divided between Brazil and Portugal. Not to mention the 15,000 Brazilian students who have chosen Portuguese universities to continue their studies, or entrepreneurs, with businesses here and there, who do much for the economic development of Portugal and Brazil. But there is more. Last year, 1.3 million Brazilian tourists visited Portugal and rediscovered a modern and competitive country. Whoever visits, wishes to be

back and return home having made familiar friends. Thus there is an affective connection, but also a relationship based on personal and professional investment, with proven return. A relationship of discovery and rediscovery, of multiplier effects. And there’s language and culture. The Portuguese language we love, with its multiple accents. The language of our life, made up of meetings and get-togethers, as Vinícius de Morais once said. It is a living language, as rich as the countries that speak it and appropriate it, building its diversity. Language constitutes an invaluable cultural, economic and geopolitical strategic value. It is the thread of a fabric that connects Portugal and Brazil and the whole CPLP family.

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RUI CUNHA

Desenvolvimento|Development

Sintra

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Ali encontram negócios inovadores, comprometidos com um desenvolvimento sustentável, que promovem uma frutuosa união entre as necessidades dos mercados e a excelência académica dos investigadores e cientistas portugueses, cujo talento é cada vez mais valorizado internacionalmente. E tanto falamos de microproces-

TURISMO ALENTEJO

a relação tem vindo a evoluir. Portugal tem sido olhado, com crescente interesse, como um bom destino para investidores brasileiros. Nomeadamente em novas áreas e setores económicos, fruto, também, da evolução do próprio mercado português. Com efeito, Portugal começa a colher os frutos dos investimentos feitos na educação, na formação especializada, investigação científica e tecnológica, em áreas tão diversificadas como a biotecnologia, têxteis técnicos, soluções de e-government, energias renováveis, entre outras. O atual ecossistema empresarial português e as políticas de incentivo do governo, tornaram Portugal num dos maiores hubs de tecnologia, inovação e empreendedorismo da Europa. Motivo porque muitos dos investimentos brasileiros procuram start ups portuguesas.

sadores, como de Indústria 4.0. Lembremos a Web Summit Lisboa, o maior evento tecnológico do mundo, que reuniu neste ano, em modo virtual, mais de cem mil participantes. A delegação do Brasil a este evento vem aumentando de ano para ano. Em 2019, foram mais de 3.500 participantes brasileiros. Mas mesmo em sectores mais tradicionais, como os têxteis, a moda, a arquitetura ou o design, o salto qualitativo foi enorme. Poucos saberão, por exemplo, que Portugal foi, em 2019, o maior fabricante de bicicletas da Europa. Os investidores brasileiros sentem-se atraídos pelo dinamismo, pela qualidade e credibilidade que encontram, mas também pela estabilidade política e económica do país. Sobretudo, sentem-se confortáveis em Portugal. Sentem-se em casa. Enfim, com uma herança partilhada, consubstanciada

Comporta beach


Desenvolvimento|Development

Os investidores brasileiros sentem-se atraídos pelo dinamismo, pela qualidade e credibilidade que encontram, mas também pela estabilidade política e económica do país

numa cultura muito próxima, Portugal e o Brasil foram construindo um bom e sólido relacionamento, que se vai aprofundando e reforçando, sempre em busca da excelência, através de novas áreas de cooperação e do reforço de projetos antigos. É uma relação que vale bem o investimento, que tem provas dadas e beneficia ambos os países. Só temos a ganhar em continuar Não poderia, afinal, ser de outra maneira entre países e povos irmãos.

Language is also music, literature, theater and cinema. Telenovelas have also had a meaningful impact in generations of Portuguese people. Not to mention moments of victory, like last year in the Copa dos Libertadores, won by a football club from Rio whose coach is a Portuguese national. Among the numerous actions in which I actively participated in the cultural arena, it is worth highlighting the bicentenary of Brazil’s independence celebrations, which began in 2018 and will culminate in 2022, with a broad and diverse set of activities and initiatives developed in close coordination with Brazilian public and private entities. Finally, the economy. It is not by chance that the number of Portuguese Chambers of Commerce has been growing. Only during my term, they went from 13 to 18. Our traditional relationships have essentially been based on agricultural products such as wine and olive oil. But the relationship has been evolving. Portugal has been caught the growing interest of Brazilian investors in new areas and economic

sectors, as a result of the Portuguese market evolution. In fact, Portugal is beginning to reap the rewards of investments made in education, specialized training, scientific and technological research, in areas as diverse as biotechnology, technical textiles, e-government solutions, renewable energies, among others. The current Portuguese business ecosystem and government incentive policies have made Portugal one of the largest technology hubs, fostering innovation and entrepreneurship in Europe, driving many Brazilian investors to peruse Portuguese start-ups. In Portugal they find innovative businesses, committed to sustainable development that promotes a fruitful union between the needs of markets and the academic excellence of Portuguese researchers and scientists, whose talent is increasingly valued internationally. There is also specific attention to microprocessors as well as Industry 4.0. The Web Summit Lisboa, the largest technological event in the world, gathered online this year more than one hundred thousand visitors. Brazil’s delegation to

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* Jorge Cabral Embaixador de Portugal no Brasil Ambassador of Portugal in Brazil

this event has been increasing every year. In 2019, there were more than 3,500 Brazilian visitors. But even in more traditional sectors such as textiles, fashion, architecture or design, the qualitative leap was huge. Few will know, for example, that Portugal was in 2019 the largest bicycle manufacturer in Europe. Brazilian investors are attracted by the dynamism, quality and credibility they find, but also by the country´s political and economic stability. Above all, they feel comfortable in Portugal, genuinely at home. Finally, with a shared heritage, embodied in a very close culture, Portugal and Brazil have been building a good and solid relationship, which deepens and reinforces with its search for excellence, through new areas of cooperation and the strengthening of old projects. It is a relationship that is well worth the investment, with proven benefits for both countries. It is a win-win to keep it up. After all, it could not be any different between two fraternal nations.


Tecnologia|Technology

Por|By Altair Rossato *

Um trabalho para o presente A capacitação para o futuro do trabalho deverá seguir a aceleração da transformação digital e preparar os profissionais para agir num mundo de incertezas intensas bre os modos de trabalhar – o que influencia, também, outro tema que não está mais tão distante: o futuro do trabalho. Parte importante dessa discussão vem de impactos originados pela Covid-19. A pandemia levou pessoas do mundo

todo ao distanciamento social e acelerou, ainda mais, a transformação digital das empresas – do trabalho remoto à virtualização de diversas relações com o mercado, além da intensificação do uso de ferramentas como a análise de dados para a GETTYIMAGES

O ano de 2020 será visto, no futuro, como um ponto de transformação, especialmente em aspectos sociais e econômicos. Combinando estas esferas, e por uma ótica de mercado, há mudanças que já podem ser percebidas. Por exemplo: so-

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tomada de decisões Essa evolução, porém, já toma forma há muito mais tempo – e o impulso que ganhou agora só adianta seus efeitos. Não é a primeira vez que a sociedade se vê questionando o impacto da tecnologia no trabalho. Em 1955, o uso da automação na indústria ganhou uma ampla reportagem nas páginas do The New York Times. Leio este mesmo texto, 65 anos depois de escrito, em uma versão digitalizada do mesmo jornal distribuído nas ruas. Naquele mês de dezembro, os leitores encontraram, “como um novo tipo de mágica industrial”, detalhes inquietantes sobre o processo que “cortava o homem do processo produtivo”. A automação estaria ainda

A work for the present Training for the future of work should follow the acceleration of digital transformation and prepare professionals to act in a world of intense uncertainty The year 2020 will be seen in the future as a point of transformation, especially in social and economic aspects. Combining these spheres, and from a market perspective, there are changes that can already be perceived. For example: on ways of working – which also influences another theme that is no longer so far away: the future of work. An important part of this discussion comes from impacts originated by Covid-19. The pandemic has led people from all over the world to social distancing and further ac-

Não é a primeira vez que a sociedade se vê questionando o impacto da tecnologia no trabalho. Em 1955, o uso da automação na indústria ganhou uma ampla reportagem nas páginas do The New York Times em sua infância – escreve o então repórter –, mas já tomava as mais variadas fábricas e escritórios dos Estados Unidos. Pode-se considerar que o mundo transitava entre a consolidação da segunda revolução industrial para o nascimento dos fatores que levaram à terceira revolução industrial. As previsões de futuro do trabalho, que certamente preocuparam muitas pessoas naquela época, se

concretizaram. Não pretendo entrar em detalhes, mas, hoje, sabemos que as pessoas continuaram fazendo parte do processo produtivo. Muitas funções sumiram, outras tantas surgiram ou evoluíram – e as vagas e as pessoas, também. Agora, frente à quarta revolução industrial, o desenvolvimento estonteante da transformação digital traz a mesma pergunta e, novamente, preocupa o mercado.

celerated the digital transformation of companies – from remote work to the virtualization of various relationships with the market, in addition to the intensification of the use of tools such as data analysis for decision-making This evolution, however, has been in shape for much longer – and the momentum that has now gained only advances its effects. This is not the first-time society has been questioning the impact of technology on work. In 1955, the use of automation in the industry gained a wide-ranging report in the pages of The New York Times. I read this same text, 65 years after writing, in a digitized version of the same newspaper distributed on the streets. That December, readers found, “as a new kind of industrial

magic,” disturbing details about the process that “cut man out of the production process.” Automation would still be in its infancy – writes the reporter then – but it already took over the most varied factories and offices in the United States. It can be considered that the world transitioned between the consolidation of the second industrial revolution to the birth of the factors that led to the third industrial revolution. The predictions of the future of work, which certainly worried many people at that time, came to fruition. I do not intend to go into details, but today we know that people have continued to be part of the production process. Many functions are gone, so many have emerged or evolved – and vacancies and people, too. Now, in

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Muitos postos serão perdidos. Para que as pessoas possam acompanhar a transformação, será inevitável criar grandes esforços de formação técnica digital. É muito claro que a solução deste problema envolve a atuação ampla de governos e outras instituições, como as organizações internacionais. Mas, evidentemente, dependerá de forma maciça, também, do compromisso da iniciativa privada. A Deloitte está comprometida globalmente a ajudar a capacitar 50 milhões de pessoas até 2030. É uma corrida contra o relógio: que ajudará a definir não só o futuro do trabalho, mas o futuro da empregabilidade. Agora, a discussão recebeu um item adicional, além da tecnologia: a aceleração das incertezas. Tomarei emprestada uma conclusão do estudo global 2021 Global Human Capital Trends da Deloitte. “O ambiente atual de dinamismo extremo exige um nível de coragem, julgamento e flexibilidade que apenas humanos e equipes

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FOTOS: GETTYIMAGES

Tecnologia|Technology

conduzidas por humanos são capazes de entregar”, diz o relatório, indo além: “Um mundo previsível poderia ser gerido por algoritmos e equações. Um mundo turbulento, não, mesmo na era de máquinas exponencialmente inteligentes.” São conclusões como essas que me fazem ver, cada vez mais nitidamente, que, independentemente de quais funções existirão no futuro – e quais desaparecerão –, há qualidades que o profissional precisará desenvolver. Acredito que, em suma, ele será “ambidestro”.

Hoje, essa é uma das características mais exigidas dos líderes, e será essencial para a maior parte das posições. As pessoas deverão ser capazes de pensar curto e longo prazos simultaneamente. Deverão provocar a inovação ao mesmo tempo em que se comprometem com a eficiência operacional. O profissional precisará desmistificar a burocracia das organizações e, ao mesmo tempo, observar, com rigor, a conformidade regulatória. Precisará, também, estar apto a tomar decisões rápidas, mas resguardadas pela estratégia e pela governança corporativa. E gerir a complexidade de tudo isso sem perder a fluidez. Neste cenário, há um papel importantíssimo da educação, de seus níveis básicos à academia, e uma responsabilidade das empresas na formação das pessoas. As organizações já percebem isso. Esta foi uma das conclusões da pesquisa


Agenda 2021, da Deloitte, que traz as perspectivas de representantes de 663 empresas para a recuperação e a sustentação de seus negócio em 2021, no Brasil. Segundo o estudo, para acompanhar as transformações digital e de negócios, os empresários elegeram como prioridade investir em qualificar pessoas (84%), com criação ou ampliação de treinamentos. A capacitação precisará ser contínua e integrada à rotina do trabalho. Listo alguns caminhos: ensinar com experiências; utilizar

a tecnologia para personalizar treinamentos; aproximar quem tem a ensinar e quem precisa aprender. Com diferentes gerações dentro de uma mesma organização, cria-se uma oportunidade preciosa: três ou quatro gerações trocando aprendizados, de diferentes tipos e por diferentes vias. A pessoa aberta a aprender novas competências, quando preciso, será, sim, mais bem-vinda. Isso tem a ver com formar pessoas aptas ao aprendizado contínuo – e oferecer esse aprendizado.

the face of the fourth industrial revolution, the stunning development of digital transformation brings the same question and, again, worries the market. Many posts will be lost. In order for people to be able to keep up with the transformation, it will be inevitable to create major efforts of digital technical training. It is noticeably clear that the solution to this problem involves the broad action of governments and other institutions, such as international organizations. But, of course, it will also depend massively on the commitment of private initiative. Deloitte is committed globally to helping empower 50 million people by 2030. It is a race against the clock: it will help define not only the future of work, but the future of employability. Now, the discussion has received an additional item, in addition to technology: the acceleration of uncertainties. I’ll borrow a conclusion from Deloitte’s Global Human Capital Trends 2021 study. “Today’s environment of extreme dynamism requires a level of courage, judgment, and flexibility that only humans and human-led teams are able to deliver,”

the report says, going further: “A predictable world could be managed by algorithms and equations. A turbulent world, no, even in the age of exponentially intelligent machines.” It is conclusions such as these that make me see, increasingly clearly, that regardless of which functions will exist in the future – and which will disappear – there are qualities that the professional will need to develop. I believe that, in the meantime, he will be ambidextrous. Today, this is one of the most demanded characteristics of leaders and will be essential for most positions. People should be able to think short and long term simultaneously. They should lead to innovation while comparing to operational efficiency. The professional will need to demystify the bureaucracy of organizations and, at the same time, strictly observe regulatory compliance. You will also need to be able to make quick decisions but guarded by strategy and corporate governance. And manage the complexity of it all without losing fluidity. In this scenario, there is a particularly important role of education,

* Altair Rossato CEO da Deloitte Brasil CEO of Deloitte Brazil

from its basic levels to academia, and a responsibility of companies in the formation of people. Organizations already realize that. This was one of the conclusions of Deloitte’s Agenda 2021 survey, which brings the perspectives of representatives of 663 companies for the recovery and support of their business in 2021in Brazil. According to the study, to monitor digital and business transformations, entrepreneurs have chosen as a priority to invest in qualifying people (84%), with creation or expansion of training. The training will need to be continuous and integrated into the work routine. I list some paths: teaching with experiences; use technology to customize training; bring together who must teach and who needs to learn. With different generations within the same organization, a precious opportunity is created: three or four generations exchanging learning, of different types and by different means. The person open to learning new skills, when necessary, will be more welcome. This is about training people who are fit for continuous learning – and offering that learning. VIDI | 67


Artigo|Article

Por|By Daniel Servitje*

Nossa responsabilidade com o planeta como uma empresa orientada por propósitos Sempre fui inspirado pelo poder da natureza e como seus ecossistemas biodiversos nos sustentam. Como Presidente e CEO de um negócio que depende da natureza, os desafios que o meio ambiente enfrenta estão muito próximos de mim. Estou cada vez mais preocupado com o rápido ritmo de

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mudança que estamos vivenciando. Há dois anos, o secretário-geral da ONU declarou que a mudança climática era a”questão definitiva do nosso tempo”. Concordo plenamente. Os desafios ambientais mudaram de uma preocupação séria para alguns, para uma plataforma em chamas para muitos.

A Greve Global pelo Clima de 2019 viu mais de 6 milhões de pessoas irem às ruas para exigir ações climáticas dos líderes. A maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, colocou a Governança Ambiental e Social (ESG) no centro de sua estratégia de investimento. A partir de junho de 2020, 20 países


e regiões, incluindo a China e a UE, estabeleceram metas líquidas de carbono zero. As expectativas dos consumidores também estão mudando. Eles estão exigindo mais das empresas que compram com 80% dizendo que a capacidade de confiar em uma marca para fazer a coisa certa pode ser uma quebra de acordo. A questão é: como os negócios responderão? Desde 1945, o Grupo Bimbo alimenta geração após geração. Continuamos fazendo produtos assados de alta qualidade que são acessíveis e acessíveis diariamente. Começamos pequenos, oferecendo pão e panquecas no México. Agora, fazemos o mesmo para famílias em 33 países. Ao longo de nossa jornada, to-

Our responsibility with the planet as a purpose-driven company I have always been inspired by the power of nature and how its biodiverse ecosystems sustain us. As Chairman and CEO of a business that relies on nature, the challenges facing the environment are very close to me. I am increasingly concerned by the rapid pace of change we are experiencing. Two years ago, the UN’s Secretary-General declared that climate change was the ‘defining issue of our time’. I completely agree. Environmental challenges have shifted from a serious concern to some, to a burning platform for many. The 2019 Global Climate Strike saw over 6 million people take to the streets

Desde 1945, o Grupo Bimbo alimenta geração após geração. Continuamos fazendo produtos assados de alta qualidade que são acessíveis e acessíveis diariamente mamos medidas para causar um melhor impacto no mundo e nas comunidades que atendemos. Estamos comprometidos em impulsionar a eficiência energética e escalar as renováveis. Começamos avaliando economias potenciais com uma cadeia de energia renovável. Contratamos um provedor externo de longo prazo e montamos nosso suprimento em todas as fábricas mexicanas. Fizemos isso na época em que os primeiros parques eólicos estavam sendo introduzidos no

país. Hoje, 80% da eletricidade em nossas usinas em todo o mundo vem de renováveis. Até 2025, estamos mirando 100%. Em 2012 começamos a trabalhar com a Moldex para eletrificar nossa frota de veículos. Nossa meta é ter 4.000 veículos elétricos distribuindo nossos produtos pelo México nos próximos quatro anos. Podemos conseguir muito através de nossas operações, mas, como a maior empresa de panificação do mundo, temos uma enorme esfera de influência em nossa

to demand climate action from leaders. The world’s largest asset manager, BlackRock, has put Environmental and Social Governance (ESG) at the heart of its investment strategy. As of June 2020, 20 countries and regions, including China and the EU, have set net-zero carbon targets. Consumers expectations are shifting too. They are demanding more from the companies they buy from with 80% saying that the ability to trust a brand to do the right thing can be a deal-breaker. The question is: how will business respond? Since 1945, Grupo Bimbo has nourished generation after generation. We keep making high-quality, baked goods that are accessible and affordable on a daily basis. We started small, offering bread and

pancakes in Mexico. Now, we do the same for families in 33 countries. Throughout our journey, we have taken steps to make a better impact on the world and the communities we serve. We are committed to drive energy efficiency and scale renewables. We started by assessing potential savings with a renewable energy chain. We contracted a long-term external provider and set up our supply across all Mexican plants. We did this at the time when the first wind farms were being introduced to the country. Today, 80% of the electricity at our plants worldwide comes from renewables. By 2025, we are aiming for a 100%. In 2012 we began working with Moldex to electrify our vehicle fleet. Our goal is to have 4,000 electric

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Artigo|Article

* Daniel Servitje Presidente e CEO do Grupo Bimbo President and CEO of Grupo Bimbo

cadeia de valor. Então, convidamos nossos fornecedores para participar do Projeto de Divulgação de Carbono. Tenho o prazer de dizer que 88% dos nossos fornecedores o fizeram, superando a média para a América Latina, e mais da metade de nossos fornecedores embarcaram em iniciativas de redução de emissões e mitigação climática. Para nossos produtos, temos focado em reduzir a quantidade de plástico que colocamos no mundo. Nos últimos 12 anos, reduzimos o uso de plástico em 3,3 milhões de quilos e introduzimos a primeira embalagem de pão biodegradável para a América Latina. Também lideramos projetos comunitários que beneficiam mais de 260 mil pessoas. O programa Nosso Vizinho Bom (Our Good Neighbor) promove projetos que promovem atividade física, educação, 70 | VIDI

bem-estar e segurança em comunidades locais em 156 municípios de 22 países. Estou orgulhoso de nossas conquistas, e agora é a hora de ir mais longe. Uma empresa de alimentos pode não ser capaz de mudar o mundo sozinha, mas podemos estrategicamente concentrar nossos esforços de sustentabilidade e inspirar outras pessoas em nossa cadeia de valor a fazer o mesmo. Quando olho para o nosso mundo em rápida mudança, costumava ver desafios e também enormes facilitadores do progresso, incluindo energia renovável, economia circular e, o mais importante, o próprio sistema alimentar. Nosso sistema alimentar pode fornecer um trabalho seguro e digno que permite que as comunidades prosperem, e a agricultura pode proteger os solos e restaurar a natureza em vez de degradá-la. Para realizar essas oportunidades, devemos re-

pensar e reimaginar nosso sistema alimentar. É por isso que estamos no processo de desenvolver uma estratégia renovada de sustentabilidade vinculada ao nosso Propósito: Nutrir um Mundo Melhor. Para alcançar nossas ambições, precisaremos aproveitar o poder de toda a nossa cadeia de valor e convidar todos os atores do sistema alimentar a se comprometerem com a agenda de desenvolvimento sustentável. Para mudar tudo, precisamos de todos. Estou otimista de que mais líderes empresariais estejam fazendo desenvolvimento sustentável e adotando-o no setor privado. A urgência de resolver desafios ambientais e sociais é clara, e os benefícios para isso são ainda mais claros. Sustentabilidade é uma oportunidade de negócios emarca. É uma maneira de melhor atender às necessidades dos consumidores e garantir a resiliência do planeta e das comunidades das 13h.


Então, eu encorajo as empresas a aproveitar essa oportunidade e começar a questionar: o que posso fazer? Como posso ser mais transparente? Como posso aproveitar a escala dos negócios para sempre? E que legado deixarei para as gerações futuras? Quando nós do Grupo Bimbo nos perguntamos essas perguntas, isso abriu novas possibilidades para enfrentar os desafios de um mundo em rápida mudança e permitir que nossos negócios prosperem. Espero que se junte a nós nesta emocionante jornada.

vehicles distributing our products around Mexico in the next four years. We can achieve a lot through our operations but, as the world’s largest baking company, we have a huge sphere of influence in our value chain. So, we invited our suppliers to join the Carbon Disclosure Project. I am pleased to say that 88% of our suppliers did so, surpassing the average for Latin America, and more than half of our suppliers have embarked on emissions reduction and climate mitigation initiatives. For our products, we have focused on reducing the amount of plastic we put into the world. Over the last 12 years, we have reduced plastic use by 3.3 million kilograms and introduced the first biodegradable bread packaging to Latin America. We have also led community projects benefiting more than 260,000 people. Our Good Neighbor program fosters projects that promote physical activity, education, wellness and safety in local communities in 156 municipalities in 22 countries.

I am proud of our achievements, and now is the time to go further. One food company may not be able to change the world by itself, but we can strategically focus our sustainability efforts and inspire others in our value chain to do the same. When I look at our rapidly changing world, I used to see challenges and also huge enablers of progress including renewable power, circular economy and, most importantly, the food system itself. Our food system can provide safe, dignified work that enables communities to thrive, and farming can protect soils and restore nature instead of degrading it. To realize these opportunities, we must rethink and reimagine our food system. That is why, we are in the process of developing a renewed Sustainability Strategy linked to our Purpose: Nourishing a Better World. To achieve our ambitions, we will need to leverage the power of our entire value chain and invite all of the players in the food system to

commit to the sustainable development agenda. To change everything, we need everyone. I am optimistic that more business leaders are making sustainable development and adopting it in the private sector. The urgency to solve environmental and social challenges is clear, and the benefits for doing so are even clearer. Sustainability is a business and brand opportunity. It is a way to better meet consumer needs and secure the resilience of the planet and communities that we depend on. So, I encourage businesses to seize this opportunity and start questioning: what can I do? How can I be more transparent? How can I leverage the scale of business for good? And what legacy will I leave for future generations? When we at Grupo Bimbo asked ourselves these questions, it opened up new possibilities for meeting the challenges of a rapidly changing world and enabling our business to thrive. I hope you join us on this exciting journey.

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Artigo|Article

Por|By Isaac Sidney *

A Nova Revolução dos Bancos Foi no ano de 1406, durante o Renascentismo, que se sentiu a necessidade de se criar as primeiras atividades bancárias, proporcionando a criação do Banco di San Giorgio, em Florença, com a principal atividade de trocar as moedas que eram utilizadas em um próspero comércio que se iniciara com o Oriente. Desde então, o sistema bancário atravessou diversos momentos disruptivos, começando, ainda no Séc. XVI, com a

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abertura das rotas de comércio marítimo com o Oriente como consequência dos conflitos com os mercadores que controlavam o tráfego pelo Oriente Médio. Nos séculos seguintes, a sociedade presenciou diversas rupturas com modelos clássicos, permitindo que diversos setores se aprimorassem, trazendo oportunidades, inclusive para o setor financeiro. Nesta evolução da sociedade, o setor bancário observou ou participou de muitas destas

rupturas mas, predominantemente nos últimos 100 anos, as mudanças na sociedade se tornaram mais profundas, incluindo 2 guerras mundiais, crises econômicas, energéticas e ambientais e, mais recentemente, a chegada de outras inovações tecnológicas disruptivas, o que acabou por oferecer novos desafios e oportunidades ao setor bancário. Foi com foco nestas oportunidades que, já em 1962, um banco brasileiro foi a primeira


empresa da América Latina a comprar um computador para controlar operações financeiras, um IBM 1401, com apenas 4K de memória, mas sendo um dos mais modernos da época. No final da década de 80, começamos a notar a chegada da internet e, com ela, as primeiras transações de comércio eletrônico no Brasil e no mundo. Ali, uma vez mais, estavam os bancos brasileiros, viabilizando o acesso eletrônico dos clientes às suas contas e propiciando algumas movimentações financeiras. Os passos seguintes foram naturais, com a oferta de produtos e serviços bancários diretamente ao cliente nos anos seguintes. A partir daquele momento, as rupturas se tornaram parte

do cotidiano dos bancos, que se mantiveram à frente do seu tempo graças aos investimentos realizados e equipes prontas para reinventar o setor a cada novo movimento, em especial no Brasil, onde temos uma enorme capacidade de nos adaptarmos rapidamente a novos ambientes e ecossistemas. Todas estas frequentes rupturas propiciaram que o setor bancário no Brasil tivesse um parque tecnológico completo, moderno e voltado para o cliente. Avançamos, e avançamos muito nas últimas décadas, desde a oferta de produtos e serviços de ponta, como o Sistema de Pagamentos Brasileiro, adoção de canais tecnológicos, como, pioneiramente,

Foi com foco nestas oportunidades que, já em 1962, um banco brasileiro foi a primeira empresa da América Latina a comprar um computador para controlar operações financeiras, um IBM 1401, com apenas 4K de memória, mas sendo um dos mais modernos da época

The New Banking Revolution

In this societal evolution, the banking sector has observed or participated in many of these ruptures, but predominantly in the last 100 years, changes in society have become deeper, with 2 world wars, economic, energy and environmental crises and, more recently, the arrival of other disruptive technological innovations, which eventually offered new challenges and opportunities to the banking sector. It was with a focus on these opportunities that, already in 1962, a Brazilian bank was the first company in Latin America to buy a computer to control financial operations, an IBM 1401, with only 4K memory, but being one of the most modern of the time. At the end of the 1980s, Internet started spreading and with it the first e-commerce transactions in

Brazil and worldwide. Once again, Brazilian banks were at the forefront, enabling electronic customer access to their accounts and providing some financial transactions. The following steps were natural, with banking products and services being offered directly to customers in the years that followed. From that moment on, the disruptions became part of banks´ daily life, and they remained ahead of their time thanks to investments made and teams ready to reinvent the sector with each new movement, especially in Brazil, where we have an enormous capacity to adapt quickly to new environments and ecosystems. All these frequent disruptions led to the banking sector in Brazil having a complete, modern and customer-oriented technology park.

It was in 1406, during the Renaissance, that the need to create the first banking activities emerged, leading to the creation of Banco di San Giorgio in Florence, having as its main activity the exchange of coins used in the prosperous trade that had begun with the East. Since then, the banking system has gone through several disruptive moments, starting in the 16th century, with the opening of maritime trade routes with the East as a result of conflicts with the markets that controlled traffic through the Middle East. In the following centuries, society witnessed several ruptures of classical models, enabling various sectors to improve, bringing opportunities, including to the financial sector.

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Artigo|Article

Podemos também falar do Blockhain, que se apresentou em um primeiro momento como grande risco à indústria financeira na medida em que permitiria uma total disrupção de diversas atividades bancárias o Internet Banking, ATMs e Mobile Banking, tudo dentro de um ambiente de segurança de ponta, com uso de chips, tokens e biometria. Todo este movimento ocorreu sem nos esquecermos do papel fundamental do banco, que é emprestar dinheiro e recuperá-lo, de forma a remunerar o investidor. Para tanto, não descuidamos da saúde financeira da sociedade, mantendo todos os esforços necessários para aprendermos com nosso passado e não nos esquecermos dos custos de uma crise financeira, como a que ocorreu em 2008 na Europa e EUA. Naquele momento, mais uma vez, nossas instituições aqui no Brasil se mostraram robustas e resilientes, possibilitando que tivéssemos um efeito mitigado destas crises por aqui. Mais recentemente, novas tecnologias e inovações disruptivas estão surgindo e, com elas, os estudos sobre viabilidade, escalabilidade e segurança, sendo este último o pilar fun-

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damental da atividade bancária pois, sem ela, não há confiança. No âmbito de canais de comunicação, os celulares ganharam protagonismo com o surgimento de maior capacidade de processamento, aplicativos mais intuitivos e uso de biometria para autenticação de aplicativos. Com isso, os bancos puderam oferecer ainda mais serviços e maior segurança no uso dos seus aplicativos, consolidando a estratégia de estar sempre ao alcance do cliente, a todo o momento. Aqui vale destacar que ainda mais interessante é acompanhar a instantaneidade que os celulares oferecem para realizar pagamentos e transferências com o lançamento do Pix, iniciado no último dia 16 de novembro. Podemos também falar do Blockhain, que se apresentou

em um primeiro momento como grande risco à indústria financeira na medida em que permitiria uma total disrupção de diversas atividades bancárias. No entanto, ao longo do tempo, o setor compreendeu as oportunidades do Blockchain e o aplicou em diversos problemas do dia a dia, permitindo sua utilização em funcionalidades específicas. Mais recentemente tivemos o surgimento das APIs – Application Programming Interface – que permitem a comunicação de dados entre aplicativos de forma segura e eficiente, o que viabilizou o surgimento do Open Banking, uma iniciativa que trará maior conveniência e novos serviços aos clientes por meio do compartilhamento de seus dados. O Open Banking será um passo importante no processo de relacionamento com o cliente, na medida que se permitirá que o cliente, que é o dono das suas informações, possa decidir com quem compartilhar suas informações. Este movimento, uma vez consolidado, irá gerar uma quantidade inimaginável de dados e diversas possibilidades para melhor conhecer os hábitos, cultura e expectativas dos clientes que decidirem trabalhar com tais plataformas. Este volume de dados abrirá oportunidades para novas tecnologias, como processamento e análise de dados brutos, Inte-


We have made headway, and advanced a lot in recent decades, from the offer of state-of-the-art products and services, such as the Brazilian Payment System, to the adoption of technological channels, pioneering Internet Banking, ATMs and Mobile Banking, all within a state-of-the-art security environment, with the use of chips, tokens and biometrics. All this movement occurred minding banks´ fundamental role, which is to lend money and recover it, in order to reward investors. To this end, we do not neglect the financial health of society, maintaining all efforts necessary to learn from our past and not forget the costs of a financial crisis, such as that which

occurred in 2008 in Europe and the USA. At that moment, once again, our institutions here in Brazil proved to be robust and resilient, enabling us to have a mitigated effect of all crises here. More recently, new technologies and disruptive innovations are emerging and, with them, studies on feasibility, scalability and security, the latter being the fundamental pillar of banking activity because, without it, there is no trust. Communication channels and mobile phones have gained prominence with the emergence of greater processing capacity, more intuitive applications and the use of biometrics for application authen-

tication. As a consequence, banks were able to offer even more services and greater security in the use of their applications, consolidating the strategy of always being available to customers, at all times. It is worth mentioning how interesting it is to whiteness mobile phones offering to make payments and transfers instantaneity through Pix, that began on November 16th 2020. We can also mention Blockhain, which presented itself at first as a great risk to the financial industry since it would allow a total disruption of various banking activities. However, over time, the industry understood blockchain opportunities and applied it to various day-

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Artigo|Article

* Isaac Sidney Presidente FEBRABAN | Federação Brasileira de Bancos FEBRABAN President | Brazilian Federation of Banks

ligência Artificial, Bots, novos algoritmos e modelos preditivos de comportamento do cliente. Poderemos ter uma enorme mudança na forma como vamos nos relacionar com os

to-day problems, allowing its use in specific features. More recently we have had the emergence of APIs - Application Programming Interface - that enable the communication of data between applications in a safe and efficient way, which in turn enabled the emergence of Open Banking, an initiative that will bring greater convenience and new services to customers through the sharing of their data. Open Banking will be an important step in the customer relationship process, as it will allow customers, who are own their own information, to decide who to share their information with. This movement, once consolidated, will generate an unimaginable amount

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clientes, superando suas expectativas e oferecendo interfaces modernas e personalizadas. O canal de relacionamento poderá se tornar muito mais relevante do que os produtos que estarão sendo oferecidos, os quais poderão experimentar uma padronização nas suas funcionalidades. A única certeza que podemos ter é que estas rupturas serão parte do nosso cotidiano, da mesma forma como já foram nos últimos 100 anos. O que temos em comum com todos estes ciclos é que precisaremos estar abertos a reinventar as formas como vamos nos relacionar com os clientes, a forma como

vamos nos relacionar com nossos colaboradores e estarmos abertos para lidar com novas tecnologia e diferentes ofertas de produtos e serviços. A nova revolução dos bancos não é no âmbito de novas tecnologias disruptivas ou mesmo de enfrentamento de crises e desafios, mas sim estarmos sempre atentos e abertos às oportunidades que surgem à frente, realizando os investimentos adequados e colhendo os resultados destas iniciativas. Certo é que o setor bancário no Brasil está muito preparado para essa nova era. Podem confiar.

Certo é que o setor bancário no Brasil está muito preparado para essa nova era of data and various possibilities to better understand customers´ habits, culture and expectations working from such platforms. This volume of data will open opportunities for new technologies such as raw data processing and analysis, Artificial Intelligence, Bots, new algorithms, and predictive models of customer behavior. We can have a huge change in the way we relate to customers, exceeding their expectations and offering modern and personalized interfaces. The relationship channel may become much more relevant than the products being offered, which may experience standardization in its functionality. The only certainty we can have is that these ruptures will be part

of our daily lives, just as they have been in the last 100 years. What we have in common with all these cycles is that we will need to be open to reinventing the ways we relate to customers, how we will relate to our employees and be open to dealing with new technology and different product and service offerings. The new revolution of banks is not in the context of new disruptive technologies or even of coping with crises and challenges, but in being attentive and open to the opportunities that rise ahead, making the appropriate investments and reaping the results of such initiatives. It is certain that the banking sector in Brazil is very prepared for this new era. You can trust that.


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Por|By Kleber De Paulo * e|and Giovana Araújo **

O protagonismo do Brasil na sustentabilidade do agronegócio O Brasil figura como principal exportador líquido de alimentos do mundo, com superávit da balança comercial de 71,5 bilhões de dólares, de acordo com dados recentes da Organização Mundial do Comércio (OMC). Esse saldo positivo contrasta com o resultado de apenas US$ 7 bilhões registrados pelo país em 1995. Este valor, tão sonhado por grandes economias, foi construído pelo setor de ao longo dos últimos vinte anos, período em que a China se consolidou como principal país importador líquido de alimentos.

O crescimento do setor do agronegócio no Brasil tem sido pautado pela sustentabilidade, particularmente, na dimensão ambiental, e no que tange ao uso responsável da terra e dos efeitos da emissão de gás carbônico. Para ter uma amplitude maior sobre assunto, nos últimos vinte anos, o Brasil triplicou a produção de grãos, sendo 65% desse crescimento realizado através de ganhos de produtividade. Vale ressaltar que, se o país não tivesse mantido um crescimento de produtividade médio de quase

3% nessas duas décadas, a área plantada com grãos teria que ser quase duas vezes superior à atual. Dessa forma, considerando-se apenas a ótica da produção de grãos, o país eliminou a necessidade de plantio adicional de uma área de 50 milhões de hectares, equivalente a quase a uma França inteira. Sabe-se também que os ganhos de produtividade na pecuária brasileira e os impactos positivos no ganho do uso da terra são ainda mais contundentes. O recorte dos últimos 15 anos mostra um aumento

Brazil’s leading role in agribusiness sustainability

sustainability, particularly in the environmental dimension, and with regard to responsible land use and the effects of carbon dioxide emissions. To have a greater breadth on the subject, it is important to note that in the last twenty years, Brazil has tripled its grain yields, with 65% of this growth being due to productivity improvement. It is noteworthy that if the country had not maintained an average productivity growth at nearly 3% in the two past decades, the areas planted with grains would have to be almost twice as large as the current ones. Thus, considering

only the perspective of grain production, the country eliminated the need for additional planting area estimated at 50 million hectares, which is equivalent to the size of France. It is also known that productivity gains in Brazilian livestock and the positive impacts on land use gains are even more striking. The last 15 years show an increase in livestock production in the country at 62%, this represents about 25 million tons, considering the production of meat, milk and eggs between 2008 and 2015. If the productivity of the pasture areas had not grown by 55% in this period, an additional 65

Brazil is the world’s leading net exporter of food, with a trade surplus of US$71.5 billion, according to recent data from the World Trade Organization (WTO). This positive balance contrasts with the result of only US$ 7 billion recorded by the country in 1995. This figure, wished by major economies, has been built by the sector over the last twenty years, a period in which China has consolidated itself as the main net food importer country. The growth of the agribusiness sector in Brazil has been based on

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da produção pecuária no país de 62%, isso representa cerca de 25 milhões de toneladas, considerando a produção de carne, leite e ovos, entre 2008 e 2015. Caso a produtividade das áreas de pastagens não tivesse crescido 55% nesse período, seriam necessários 65 milhões de hectares adicionais para garantir o mesmo aumento de produção, o que equivale à área agrícola cultivada não somente no país francês, mas na Espanha e Alemanha juntas. Além disso, a sustentabilidade ambiental do agronegócio brasileiro pode ser evidenciada nas estatísticas de logística reversa que impactam, diretamente, na emissão de gases do efeito estufa. Diante disso, cerca de 94% das embalagens plásticas colocadas no mercado brasileiro, no ano passado, foram recicladas, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagem 80 | VIDI

Diante desse cenário, em que se busca um alicerce básico para o desenvolvimento sustentável da agropecuária, foi criado o grupo “Agrifood 5 Alliance”. Trata-se de um projeto que reúne as cinco principais universidades de agricultura do mundo e, entre elas, está a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo (USP). Este grupo tem como objetivo expandir as atividades de pesquisa colaborativa, educar, treinar e entregar sistemas alimentares sustentáveis para a próxima geração de especialistas e líderes em agricultura; desenvolver um think tank (uma espécie de laboratório de ideias de natureza investigativa e reflexiva) globalmente reconhecido, independente e imparcial, e por fim, defender o papel e posição das universidades no debate público. Outra questão que é aprimorada e discutida por essa aliança diz respeito à transformação sustentável do sistema alimentar. Ela passa pela criação de uma plataforma GETTYIMAGES

* Kleber De Paulo Sócio-diretor da KPMG KPMG managing partner

Vazias (inpEV), tornando o país campeão mundial de logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas. Já o programa intitulado “Sistema Campo Limpo”, que está relacionado ao processo de reutilização de resíduos sólidos, como embalagens vazias e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas, contabilizou mais de 595 mil toneladas de invólucros vazios destinadas adequadamente desde o início das operações no período entre março de 2002 até novembro deste ano. Apenas em 2019, foram 45,5 mil toneladas de embalagens vazias recicladas e a previsão é que este ano feche como mais 49 mil toneladas. O trabalho do Sistema Campo Limpo também evitou a emissão de 752 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO²eq), que correspondem a mais de 14 mil viagens de caminhão em torno da Terra. Este programa também impediu o consumo de 33 bilhões de megajoules de energia, o suficiente para abastecer 4,7 milhões de residências durante um ano.


de investigação para facilitar e potencializar a colaboração entre as instituições de ensino pertencentes ao grupo com a participação de outras universidades, além da produção de livros para apresentar novas perspectivas sobre a produção sustentável para estimular a transformação do sistema. Quando se combinam as três esferas da sustentabilidade - as dimensões ambiental, social e econômica - fundamenta-se a construção de sistemas agroalimentares sustentáveis e o

implantado no Brasil é considerado um dos mais robustos do mundo. Isso é o resultado do trabalho consciente dos agricultores brasileiros que veem o resultado do profissionalismo no crescimento dos negócios que lideram. É fundamental que o agronegócio no Brasil promova mais visibilidade sobre diferentes dimensões de sustentabilidade de suas operações, de forma a fortalecer a relação nos mercados em que vendem produtos, através da percepção de valor dos consumidores finais.

million hectares would have been needed to ensure the same increase in production, meaning the agricultural area cultivated would need more than a France in size, but also a Spain and a Germany. In addition, the environmental sustainability of Brazilian agribusiness can be evidenced in reverse logistics statistics that directly impact greenhouse gas emissions. Therefore, about 94% of the plastic packaging placed in the Brazilian market last year was recycled, according to a survey by the National Institute of Empty Packaging Processing (inpEV), making the country the world champion in reverse logistics of agricultural pesticide packaging. The program entitled “Clean Fields System” (Sistema Campo Limpo), which is related to the process of solid waste reuse, such as empty agricultural pesticides packaging and postconsumption leftovers, accounted for more than 595,000 tons of empty packaging properly disposed of since the beginning of its operations between March 2002 and November this year. In 2019 alone, there were 45,500 tons of recycled

empty packaging and this year a 49,000-ton increase is expected. The Clean Fields System work has also prevented 752,000 tons of carbon dioxide equivalent (CO²eq), corresponding to more than 14,000 truck trips around the Earth. This program also prevented the consumption of 33 billion mega joules of energy, enough to power 4.7 million households for an entire year. Given this scenario, where a basic foundation for the sustainable development of agriculture is sought, the group “Agrifood 5 Alliance” was created. It is a project that brings together the five main agricultural universities in the world and, among them, is the Luiz de Queiroz School of Agriculture (ESALQ), University of São Paulo (USP). This group aims to expand collaborative research activities, educate, train and deliver sustainable food systems to the next generation of experts and leaders in agriculture; develop a globally recognized, independent and impartial think tank (a kind of laboratory of ideas of an investigative and reflective nature) and ultimately defend the role and position of universities

** Giovana Araújo Sócia-líder de agronegócio da KPMG KPMG ‘s leading agribusiness partner

in public debate. Another issue that is improved and discussed by this alliance concerns the food system sustainable transformation. It involves the creation of a research platform to facilitate and enhance collaboration between educational institutions belonging to the group, with the participation of other universities, in addition to the production of books to present new perspectives on sustainable production to stimulate the system´s transformation. When the three spheres of sustainability are combined - the environmental, social and economic dimensions - the construction of sustainable agri-food systems is consolidated, and the one implemented in Brazil is considered one of the most robust in the world. This is the result of conscientious Brazilian farmers who see the result of professionalism in the growth of the businesses they lead. It is essential that Brazil´s agribusiness promotes more visibility of its sustainable operations in different ways in order to strengthen the relationship in the markets where their goods are sold, and final consumers perceive value. VIDI | 81


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Por|By Marcello Serpa *

Para onde vai a Propaganda?

O futuro digital chegou. E já derruba dogmas, teorias econômicas, sociais e de comunicação. Indústrias balançam nos seus alicerces e muitas foram ao chão sem perceber o que as atropelaram. A propaganda foi uma delas. Zonza, anda a procura um novo significado num mundo que insiste em mudar numa velocidade mais rápida do que sua capacidade de se reinventar. 82 | VIDI

No passado a propaganda também teve o seu momento disruptivo. Alguns talentosos criativos em Nova Iorque começavam a trazer literatura, arte e fotografia para dentro das agências de publicidade. Ela deixava de ser apenas um instrumento de venda, onde sorrisos Colgate bastavam para vender produtos, e se tornava mais inteligente, divertida e provocativa. Deixava de ser pa-

pel de parede e se tornava parte da cultura popular. Esse boom de criatividade chegou no Brasil e foi responsável pelas décadas de ouro da nossa publicidade. Um mercado de mídia forte, estável e prospero veiculando propagandas criativas que até hoje fazem parte da nossa memória afetiva. Mas o tempo passava e essa arma de distribuição em massa


de mensagens publicitárias começava a ser contestada pelos anunciantes. “Será que metade da minha verba está sendo desperdiçada? E se está, qual metade? “A mídia está muito cara, há muita dispersão”. A sociedade começa a sua transformação. A Internet baixava por aqui prometendo transformar a maneira das pessoas consumirem informação e entretenimento. Mudança turbinada pelo celular, que rapidamente se transforma no controle remoto de nossas vidas. Saímos do consumo de massa para a customização. “O que quero, quando, onde e como

As métricas das mídias digitais prometem a quem anuncia a sensação de segurança de precisar gastar toda a sua verba numa mídia de massa que não consegue mais provar sua eficiência eu quero.” Virou o mantra que engoliu o varejo, a indústria e a mídia tradicional. Com as novas mídias sociais, todos ganham voz. A maioria e as minorias, até então silenciosas, encontraram um megafone digital para expressar suas opiniões, suas crenças e descrenças, alegria e rancor. Esse “empoderamento”, palavra estranha que parece definir toda uma época, do individuo mudou a maneira de

consumir informação, produtos e serviços. E na propaganda começa a fragmentação dos meios de comunicação tradicionais. As métricas das mídias digitais prometem a quem anuncia a sensação de segurança de precisar gastar toda a sua verba numa mídia de massa que não consegue mais provar sua eficiência. Caem aos poucos os gigantes da mídia impressa e eletrô-

Where is advertising heading to?

golden decades of our advertising. A strong, stable, and thriving media market running creative advertisements that to this day are part of our affective memory. But time passed and this weapon of mass distribution of advertising messages began to be challenged by advertisers. “Is half my money being wasted? And if it is, which half? “The media is very expensive, there is a lot of dispersion.” Society begins its transformation. The Internet was getting here promising to transform people’s way of consuming information and entertainment. Change turbocharged by cell phones, which quickly turns into the remote control of our lives. We left mass consumption for customization. “What I want, when, where and how I want.” It became the mantra that swallowed up retail, industry, and traditional media. With new social media, everyone gets a

voice. Most and then silent minorities found a digital megaphone to express their opinions, beliefs and disbelief, joy, and resentment. This “empowerment”, a strange word that seems to define an entire era, of the individual has changed the way of consuming information, products, and services. And in advertising begins the fragmentation of the traditional media. Digital media metrics promise those who advertise the sense of security to need to spend all their money on mass media that can no longer prove their efficiency. The giants of print and electronic media gradually fall, losing viewers to Netflix, Facebook, Huffington Post and so many other content sources. Everything inside cell phones that puts in our hands the power to define what, where and when to watch. Digital and social media bring the possibility for people to group ac-

The digital future has arrived. And it already brings down dogmas, economic, social and communication theories. Industries sway on their foundations and many have gone to the ground without realizing what hit them. The advertisement was one of them. Zonza is looking for a new meaning in a world that insists on changing at a faster rate than its ability to reinvent itself. In the past advertising has also had its disruptive moment. Some talented creatives in New York began to bring literature, art, and photography into advertising agencies. It was no longer just a selling tool, where Colgate smiles were enough to sell products, and became smarter, fun and more provocative. It ceased to be wallpaper and became part of popular culture. This boom of creativity arrived in Brazil and was responsible for the

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Artigo|Article

nica, perdendo audiência para Netflix, Facebook, HuffingtonPost e tantas outras fontes de conteúdo. Tudo dentro de celulares que nos põe nas mãos o poder de definir o que, onde e quando assistir. O digital e as mídias sociais trazem a possibilidade das pessoas se agruparem de acordo com as suas afinidades e escolherem as fontes de informação que confiam. Esses grupos agrupados por crenças e opiniões tornam-se cada vez mais refratários ao dissenso. Onde todos concordam não há espaço para o contraditório. As verdades da bolha tendem a se

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tornar dogmas rígidos e fatos só são aceitos se corresponderem à visão de mundo do grupo. Fatos dissonantes que os anticorpos dessas células transformam em Fake News. Tudo isso alimentado por quem tem em mãos o futuro da comunicação e, por tabela, o futuro da sociedade: algoritmos e inteligência artificial. Eles determinam quem é exposto a que conteúdo, de acordo com métricas guardadas a sete chaves pelos gigantes da tecnologia e baseadas numa quantidade gigantesca de dados pessoais extraídos de quem navega pela rede.

O digital e as mídias sociais trazem a possibilidade das pessoas se agruparem de acordo com as suas afinidades e escolherem as fontes de informação que confiam Nossos hábitos, desejos, emoções e instintos mais profundos são a fonte de riqueza e poder do nosso tempo. Se o petróleo foi a matéria prima do século passado, nossos dados são a do futuro. Vale do Silício é a nova Arábia Saudita. A ilusão do “empoderamento” do individuo do início da revolução digital se desfaz. Imaginamos estar no controle, mas são os Algoritmos, alimentados pelo volume gigante de dados que fornecemos sem perceber, que ajudam a definir eleições, o que consumimos, o que pensamos sobre alguém, o que é real ou falso, se tomamos vacina ou cloroquina, se a terra é plana ou não. E como fica a responsabilidade e a credibilidade das marcas quando anunciam em um ambiente onde nada mais parece ser o que é. Faz sentido algumas das grandes marcas do mundo se juntaram num boicote ao Facebook exigindo uma mudança na sua política de responsabilidade. Não é aceitável uma empresa de comunicação, por mais que o Facebook negue


ser, lucrar tanto com conteúdos duvidosos. Marcas exigindo veracidade e integridade do canal onde elas se apresentam não deixa de ser irônico. A propaganda já foi acusada de ser tendenciosa, manipulativa e às vezes mentirosa. Mas sempre foi percebida como um direito do anunciante de vender seu produto ou serviço. As regras do jogo eram claras. Só não valia vender gato por lebre, todo o resto era aceito como prosa de um bom vendedor de feira. Mas a cobrança de uma sociedade em transformação obri-

ga a propaganda a mudar seu discurso. Enquanto o Jornalismo segue intoxicado pelas Fake News, a Propaganda vai ter que buscar a verdade para ser relevante e abraçar propósitos que a sociedade, pelo menos parte dela, considera importantes. E assim mais marcas começam a abraçar novas causas: antirracismo, direitos LGBTI, feminismo, diversidade, sustentabilidade, inclusão, e tantas outras. É propaganda saindo da sua irreverente e divertida adolescência e se tornando adulta, com muito mais responsabilidade e novos propósitos.

cording to their affinities and choose the sources of information they trust. These groups grouped by beliefs and opinions become increasingly refractory to dissent. Where everyone agrees there is no room for contradictory. Bubble truths tend to become rigid dogmas and facts are only accepted if they correspond to the group’s worldview. Dissonant facts that the antibodies of these cells turn into Fake News. All this powered by those who have in hand the future of communication and, naturally, the future of society: algorithms and artificial intelligence. They determine who is exposed to what content, according to metrics stored in seven keys by the tech giants and based on a gigantic amount of personal data extracted from those who browse the network. Our habits, desires, emotions, and deeper instincts are the source of wealth and power of our time. If oil was the raw material of the last century, our data is that

of the future. Silicon Valley is the new Saudi Arabia. The illusion of the “empowerment” of the individual at the beginning of the digital revolution is undone. We imagine we’re in control, but it’s the Algorithms, powered by the giant volume of data we provide without realizing it, that help define elections, what we consume, what we think about someone, what’s real or false, whether we take vaccine or chloroquine, whether the earth is flat or not. And how is the responsibility and credibility of brands when they advertise in an environment where nothing else seems to be what it is. It makes sense some of the world’s big brands have joined in a boycott of Facebook demanding a change in their responsibility policy. It is not acceptable for a communications company, as much as Facebook denies it to be, to profit so much from dubious content. Brands demanding veracity and integrity of the

* Marcello Serpa Diretor de arte mais premiado do Brasil e ganhador de mais de 160 Leões. | Most awarded art director in Brazil and winner of more than 160 Cannes Lions

channel where they present themselves are ironic. Advertising has been accused of being biased, manipulative and sometimes a liar. But it has always been perceived as an advertiser’s right to sell its product or service. The rules of the game were clear. Deceit only was not worth it, everything else was accepted as the prose of a good fair seller. But a changing society forces adverstising to change its discourse. While Journalism remains intoxicated by fake news, advertising will have to seek the truth to be relevant and embrace purposes that society, at least part of it, considers important. And so more brands begin to embrace new causes: anti-racism, LGBTI rights, feminism, diversity, sustainability, inclusion, and so many others. It is advertising coming out of its irreverent and fun adolescence and becoming an adult, with much more responsibility and new purposes.

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Experiência|Experience

Por|By Luis Henrique Guimarães * e|and Paula Kovarsky **

A força da cana de açúcar em uma matriz energética sustentável 86 | VIDI


RICARDO TELES

Vivemos um momento de grandes incertezas e disrupções, e a crise oriunda desta pandemia é só a ponta de um iceberg. Se formos ver abaixo da superfície, o que nos aguarda é uma crise ambiental e climática sem precedentes. Precisamos agir rápido. Do contrário, as consequências do aquecimento global serão muito maiores. Não queremos e não podemos aceitar que outro evento paralise o mundo como agora. Empresas e nações precisam se comprometer cada vez mais com a redução das emissões de gases de efeito estufa. A procura por fontes mais limpas de energia e o uso mais racional dos recursos naturais devem nortear nossas ações. De acordo com um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) divulgado no início de dezembro, políticas direcionadas a uma recuperação verde pós-pandemia poderiam cortar até 25% das emissões de gases de efeito estufa previstas para 2030. Isso aproximaria o mundo do alcance da meta de 2°C do Acordo de Paris sobre Mudança Climática. VIDI | 87


DIVULGAÇÃO

PAULO ALTAFIN

Experiência|Experience

O Brasil, com sua matriz energética diversificada, tem tudo para ser um dos grandes players nesta retomada. Hoje, 45% da produção de energia do nosso país é proveniente de fontes renováveis, enquanto no mundo a participação não passa de 14%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Quando se trata da matriz elétrica brasileira, a participação das renováveis sobe para 83%, aponta a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Somos uma verdadeira potência energética verde, com escalabilidade para ampliar ainda mais. Somente considerando o “ecossistema” da cana-de-açúcar, temos capacidade 88 | VIDI

de multiplicar esses números. A Raízen, nossa empresa integrada de energia e referência em biocombustíveis, é hoje a maior produtora de etanol de cana-de-açúcar do Brasil, comercializando para diferentes mercados, do pequeno ao grande negócio. Um produto que, quando utilizado como combustível, emite 90% menos gases causadores de efeito estufa (GEE) em comparação à gasolina. De março de 2003, com o lançamento da tecno-

logia flex, até maio de 2020, o consumo de etanol (anidro e hidratado) evitou a emissão de mais de 515 milhões de toneladas de GEE, de acordo com um estudo da UNICA. Mas esse potencial pode ir além. Na busca por maneiras mais eficientes de otimizar a produção de etanol e da prática de Economia Circular, nós mudamos a forma de enxergar o subproduto da cana. Palha e bagaço de cana-de-açúcar, antes considerados re-

A Raízen, nossa empresa integrada de energia e referência em biocombustíveis, é hoje a maior produtora de etanol de cana-de-açúcar do Brasil, comercializando para diferentes mercados, do pequeno ao grande negócio


Today, we live in a time of uncertainty amid societal disruptions created by Covid-19. This statement only touches the tip of the iceberg tough. Beneath the surfacethere is an unparalleled environmental and climate crisis underway. We need to act quickly, otherwise, the consequences of global warming will only increase. We do not want and cannot accept another event such as the Coronavirus to put the world on hold mode. Corporations and nations need to increasingly commit themselves to reduce greenhouse gas emissions. Our actions must be guided by the pursuit of cleaner sources of energy and the rational use of natural resources. According to a new report issued by the United Nations Environment Program (UNEP) released in early December, post-pandemic green recovery policies could cut 25% of

greenhouse gas emissions by 2030. Thus, the world could potentially reach the Paris Agreement’s climate change target of 2°C. Brazil with its diversified energy matrix is well positioned to become one of the largest players in the green recovery. Today, 45% of Brazil’s energy production comes from renewable sources, whilst globally, this percentage does not exceed 14%, according to data from the Brazilian Agency of Oil, Natural Gas, and Biofuels (ANP). When it comes to the Brazilian energy matrix renewables share is even greater accounting for 83% as pointed out by the Brazilian Agency of Electricity (ANEEL). Brazil is a green energy powerhouse with greater potential for growth. Considering only the sugarcane ecosystem, we can definitely multiply these figures. Our integrated energy company Raízen, a benchmark in the biofuel sector, is Brazil’s largest sugarcane ethanol producer today. Raízen

VALDEMIR CUNHA

VALDEMIR CUNHA

The Power of Sugarcane as a Sustainable Matrix

sells to different markets ranging from small to large businesses. Biofuel products emit 90% fewer greenhouse gases (GHG) when compared to gasoline. According to UNICA study, from March 2003 to May 2020, as a result of the launch of flex technology, the consumption of anhydrous and hydrous ethanol avoided emissions of 515 million tons of GHG. That potential goes beyond. In the pursuit of more efficient ways to optimize ethanol production, practicing the circular economy, it changed the way we see sugarcane byproducts. Sugarcane bagasse, considered debris in the past, undergoes a new treatment now. A highly technological process of hydrolysis and double-fermentation to produce the second-generation ethanol (E2G). E2G contains the same chemical composition as first-generation ethanol (E1G), and therefore applies to the same usage. Because of this innovative process our productivity soared by 50% and thanks to an in-

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Experiência|Experience

Se todos os resíduos fossem aproveitados nas usinas do Estado de São Paulo, o potencial de geração de eletricidade com biogás atingiria quase 32 mil GWh, o suficiente para abastecer 16% da demanda energética do Brasil

* Luis Henrique Guimarães Presidente da Cosan Cosan’s CEO

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síduos, agora passam por um novo tratamento, um processo altamente tecnológico de hidrólise e dupla fermentação, que dá origem ao chamado Etanol de Segunda Geração (E2G). O E2G contém a mesma composição química do etanol comum, de Primeira Geração (E1G), e, portanto, se aplica aos mesmos usos. Por meio dessa inovação, aumentamos nossa produtividade em 50% e, graças a uma unidade integrada e uma logística que trabalha a favor da redução de custos e

do impacto ambiental, diminuímos em 35% a pegada de carbono comparado ao E1G do mercado brasileiro. Outro avanço na área de biocombustível é o gás extraído da vinhaça e torta de filtro, também subprodutos da cana. A Raízen inaugurou em outubro na cidade de Guariba (SP), uma das maiores plantas de biogás do mundo, energia que pode ser produzida durante o ano inteiro, promovendo estabilidade energética. Dos 138 mil MWh por ano de capacidade instalada, 96 mil MWh serão vendidos dentro de um contrato negociado em leilão, e o valor excedente poderá ser negociado no mercado livre ou outros contratos. Se todos os resíduos fossem aproveitados nas usinas do Estado de São Paulo, o potencial de geração de eletricidade com biogás atingiria quase 32 mil GWh, o suficiente para abastecer 16%


Experiência|Experience

da demanda energética do Brasil (Research Centre for Gas Innovation – RCGI). Outra frente de energia verde é a produção de biomassa a partir do bagaço e da palha. A Raízen é a maior produtora de energia elétrica a partir desta matéria orgânica: temos capacidade de abastecer uma cidade como a do Rio de Janeiro por um ano, por meio de uma fonte constante e previsível, que tem seu pico de produção justamente no período mais seco, quando a matriz hídrica fica mais pressionada. E ao transformá-lo em pellets, há ainda a oportunidade de se criar um enorme mercado para exportação. Recentemente, anunciamos que a Raízen fechou seus primeiros contratos de venda

para geradoras de energia do exterior em escala comercial, chegando a cerca de 90 mil toneladas de pellets. Uma fonte de energia que tem potencial de substituir o carvão – combustível mais poluente – na geração termoelétrica, principalmente nos mercados europeus e asiáticos, e de contribuir significativamente para uma matriz mundial de baixo carbono. Com um horizonte de estabilidade regulatória, todos esses avanços podem ser ainda maiores. O potencial que temos nessa indústria de energia verde poderá estimular a geração de milhares de empregos e muitos negócios. Nós temos uma oportunidade única, os recursos e o conhecimento para dar escala às boas

práticas. Mais do que isso, de planejar estrategicamente o futuro sustentável do nosso país. E também de contribuir para um mundo mais verde.

tegrated unit, with logistics addressing cost-savings, and environmental impact, we reduced our carbon footprint by 35% compared to the Brazilian market’s E1G. Another advance in the biofuel sector is the gas extracted from sugarcane byproducts, more specifically vinasses and filter cakes. In October, Raízen inaugurated one of the world’s largest biogas plants in the city of Guariba (SP). Energy can be produced throughout the entire year at this plant and ultimately promotes energy stability. Out of 138,000 MWh/year of installed capacity, 96,000 MWh will be sold according to a contract negotiated at an auction. The surplus can be negotiated on the free market or through other contracts. Should all residue be used

at the plants in the state of São Paulo, the potential of generating electricity with biogas would reach nearly 32,000 GWh: a sufficient amount of fuel equivalent to 16% of Brazil’s energy demand (Research Centre for Gas Innovation – RCGI). Another source of green energy is the production of biomass from sugarcane, known as bagasse. Raízen is the largest electricity producer using this organic matter. We have the capacity to fuel a large city such as Rio de Janeiro for one year using a continuous and predictable source. The peak production occurs during the drier period, when the water-based matrix squeezes and converts sugarcane waste into pellets. There is still room to create a greater export market. Recently, we announced that

Raízen signed its first sales agreements for international energy generators on a commercial scale, reaching nearly 90,000 tons of pellets, a source of energy with the potential to replace coal (a much greater polluting fuel) in thermal power generation, especially for the European and Asian markets, significantly contributing to a global low-carbon matrix. With prospective regulatory stability, advances can be even greater. Our potential in the green energy industry can promote the generation of thousands of jobs and businesses. We have a unique opportunity with the resources and expertise to scale up better practices. More than that, to strategically plan the sustainable future of our country and contribute to a greener world for all.

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** Paula Kovarsky Head do escritório de Nova Iorque, ESG e de Relações com Investidores da Cosan | Cosan’s head of the New York office, ESG and Investor Relations


Artigo|Article

Por|By Marcos Matos *

O sabor do café brasileiro conquista o mundo! O café brasileiro é representado pelos segmentos da produção, indústria e exportação, tendo-se como alicerce a pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica. Sem dúvida, o café motivo de orgulho nacional, tanto no mercado interno quanto no mundial. A eficiência e organização de toda a cadeia produtiva permitiram que o café brasileiro seja 94 | VIDI

exportado para cerca de 130 países do mundo, com uma participação global de cerca de 40%, conforme se pode observar a evolução das exportações brasileiras de café, entre os anos de 1970 e 2019 na Figura 1. Em 1952, por meio da Lei nº 1.779, foi criado o Instituto Brasileiro do Café (IBC) com vistas a apoiar o mercado de café. O IBC tinha por objetivo definir a

política para o setor, bem como controlar e coordenar sua estratégia, desde a produção até a comercialização interna e externa. Boa parte do tempo em que o IBC existiu, vigorou as cláusulas econômicas do Acordo Internacional do Café no âmbito da Organização Internacional do Café. Este acordo foi aprovado em 1962 e, a partir de 1989, foram suspensas as cláusulas econô-


The taste of Brazilian coffee conquers the world! Brazilian coffee is represented by the segments of production, industry and export, based on research, development and technological innovation. Without a doubt, coffee is a source of national pride, both in the domestic and global market. The efficiency and organization of the entire production chain allowed Brazilian coffee to be exported to about 130 countries worldwide, with a global participation of about 40%, as can be seen the evolution of Brazilian coffee exports between 1970 and 2019 in Figure 1. In 1952, through Law No. 1,779, the Brazilian Coffee Institute (IBC) was created to support the coffee

magnitude da eficiência no uso Somado a isso, de acordo com dos recursos naturais na cafeios dados preliminares do Censo cultura brasileira, se mantidas as Agropecuário de 2017, apresenbases tecnológicas dos anos 60, tados recentemente pelo IBGE seriam necessários cerca de 10 (Instituto Brasileiro de Geografia milhões de hectares para a atual e Estatística), ser um cafeicultor Histórico das Exportações Brasileiras de Café produção brasileira de café.   brasileiro é também um bom Fonte: IBC/FEBEC/CECAFÉ

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micas do acordo. Já no ano seguinte, foi iniciado o processo de extinção do IBC. Dessa forma, com base na livre iniciativa, o Brasil saltou de 17 milhões de sacas exportadas em 1990 para 40,7 milhões de sacas em 2019, um crescimento de 140%. Em 2020, o país apresentará novo recorde, podendo ultrapassar 43 milhões de sacas de café exportadas. E todo esse crescimento foi alicerçado na sustentabilidade, eficiência e tecnologia. Vale destacar que hoje a área cultivada é 51% menor em comparação a 1960, considerando-se o atual parque cafeeiro de 2,2 milhões de hectares. Nesse período, a produtividade média dos cafezais brasileiros saltou de 6,4 sacas por hectare para 33 sacas na safra 2020/21, um incremento superior a 415%. Para se ter a exata

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Figura 1 – Exportações brasileiras de café no período entre 1970 e 2019 Figure 1: Brazilian coffee exports from 1970 to 2019 Fonte: Cecafé, 2020 | Source: Cecafé, 2020

market. The IBC aimed to define the policy for the sector, as well as to control and coordinate its strategy, from production to internal and foreign trade. Much of the time the IBC existed, the economic clauses of the International Coffee Agreement within the Framework of the International Coffee Organization were in force. This agreement was approved in 1962 and, from 1989, the economic clauses of the agreement were suspended. Already the following year, the process of extinction of the IBC was initiated. Thus, based on free initiative, Brazil jumped from 17 million bags exported in 1990 to 40.7 million bags in 2019, an increase of 140%. In 2020, the country will present a new record, which could exceed 43 million bags of coffee exported.

And all this growth has been grounded in sustainability, efficiency, and technology. Vale highlight that today the cultivated area is 51% smaller compared to 1960, considering the current coffee park of 2.2 million hectares. During this period, the average productivity of Brazilian coffee companies jumped from 6.4 bags per hectare to 33 bags in the 20-20/21 crop, an increase of more than 415%. In order to have the exact magnitude of the efficiency in the use of natural resources in Brazilian coffee, if it is the technological bases of the 1960s, it would take about 10 million hectares for the current Brazilian coffee production.   Added to this, according to preliminary data from the 2017 Agricultural Census, recently presented by

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Artigo|Article

nal. Toda a produção nacional ocorre em 7,6% do país. Quanto ao agronegócio café, as principais regiões produtoras situam-se em estados onde as propriedades rurais possuem, em média, uma porcentagem da área dedicada à preservação da vegetação nativa acima do mínimo estabelecido pelo Código Florestal. Em Minas Gerais, o valor é de 34%; no Espírito Santo, 33%; São Paulo, FOTOS: DEPOSITPHOTOS

negócio. A cafeicultura é predominantemente familiar, sendo que no total de 264,9 mil produtores, 33% deles estão abaixo de 5 hectares produtivas e 72%, abaixo de 20 hectares. Além disso, o Brasil é o país que repassa o maior preço FOB – Free on Board (valor negociado para a saca de café embarcada) aos cafeicultores. De acordo com a metodologia do IPEP (Índice de Preços Externos Pagos ao Produtor), o Brasil repassa aproximadamente 81,4% dos preços. Esse nível mostra eficiência logística e transparência na cadeia produtiva do café. Dados da Embrapa Territorial – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – mostram que a área total destinada à preservação, manutenção e proteção da vegetação nativa no Brasil ocupa 66,3% do território nacio-

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22%, e na Bahia, 45% das áreas dedicadas à preservação. O Brasil possui ainda grande desafio. O consumo da bebida tem crescido cerca de 2% nas últimas décadas. Mesmo com os impactos da pandemia da Covid19, o consumo se mostrou inelástico, com provável manutenção ou pequena retração em 2020, em relação ao ano anterior. Há ainda a evolução do consumo nos novos mercados que estão despontando na Ásia, como a China e a Índia, entre outros, uma vez que o sabor do café brasileiro vem conquistando cada vez mais o paladar da população desses países. Diante de tais projeções é certo que o país fortalecerá a produção, qualidade e sustentabilidade, ampliando os volumes produzidos para atender a demanda nos próxima década que se inicia em 2021. Para encarar esses desafios, o Brasil possui praticamente tudo que é necessário: eficiência de produção, terras aptas ao cultivo, pesquisa e tecnologia avançada, transparência e ras-


treabilidade a em toda a cadeia produtiva e a competência do segmento de exportação. Diante do contexto, o CECAFÉ – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, como representante do setor exportador de café brasileiro, reconhece e investe em ações voltadas à sustentabilidade, que engloba os aspectos sociais, ambientais e econômicos de toda a cadeia produtiva. O CECAFÉ tem atuado para fortalecer as ações nas regiões cafeeiras, com base nos Programas Criança do Café na Escola, Produtor Informado e Café

Seguro, com importantes resultados que fortalecem a sustentabilidade de todos os seguimentos da cadeia produtiva. Em 2016 foi elaborado o Código de Ética e Conduta do setor Exportador, assumido pelos associados do CECAFÉ, que busca ampliar para toda a cadeia de fornecimento os preceitos da ética e compromisso com as normas legais vigentes no país. O CECAFÉ também criou o Selo de Sustentabilidade, que está sendo utilizado pelos associados, seguindo os princípios estabelecidos no Código.

IBGE (Brazilian Institute of Geography and Statistics), being a Brazilian coffee grower is also a good business. Coffee is predominantly a family business, with a total of 264,900 producers, 33% of them are below 5 productive hectares and 72% below 20 hectares. In addition, Brazil is the country that passes on the highest FOB – Free on Board price (negotiated value for the bag of coffee) to coffee growers. According to the IPEP (Index of External Prices Paid to The Producer), Brazil passes on approximately 81.4% of the prices. This level shows logistics efficiency and transparency in the coffee production chain. Data from Embrapa Territorial – Brazilian Agricultural Research Company – show that the total area destined for the preservation, maintenance, and protection of native vegetation in Brazil occupies 66.3% of the national territory. All national production occurs in 7.6% of the country. As for agribusiness coffee, the main producing regions are in states where rural properties have, on average, a percentage of the area dedicated to the preservation of na-

tive vegetation above the minimum established by the Forest Code. In Minas Gerais, the value is 34%; in Espírito Santo, 33%; São Paulo, 22%, and in Bahia, 45% of the areas dedicated to preservation. Brazil still has a great challenge. Drinking coffee has grown by about 2% in recent decades. Even with the impacts of the Covid pandemic19, consumption was inelastic, with probable maintenance or small retraction in 2020, compared to the previous year. There is also the evolution of consumption in the new markets that are emerging in Asia, such as China and India, among others since the taste of Brazilian coffee is increasingly conquering the taste of the population of these countries. Given these projections, it is certain that the country will strengthen production, quality and sustainability, expanding the volumes produced to meet demand in the next decade that begins in 2021. To face these challenges, Brazil has virtually everything that is needed: production efficiency, land suitable for cultivation, research and

* Marcos Matos Diretor Geral do CECAFÉ CECAFÉ’s Managing Director

advanced technology, transparency and traceability throughout the production chain and the competence of the export segment. Given the context, CECAFÉ – Council of Coffee Exporters of Brazil, as a representative of the Brazilian coffee exporting sector, recognizes and invests in actions focused on sustainability, which encompasses the social, environmental, and economic aspects of the entire production chain. CECAFÉ has been working to strengthen actions in coffee regions, based on the Programs Child Coffee in School, Informed Producer and Safe Coffee, with important results that strengthen the sustainability of all segments of the production chain. In 2016, the Code of Ethics and Conduct of the Exporting sector was elaborated, assumed by cecafé members, which seeks to expand the precepts of ethics and commitment to the legal norms in force in the country for the entire supply chain. CECAFÉ also created the Sustainability Seal, which is being used by members, following the principles established in the Code.

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Sustentabilidade|Sustainability

Exército e sustentabilidade: garantia de segurança Não é por acaso que as cores das fardas são as mesmas das nossas matas, da caatinga e dos demais biomas. Integrar-se ao meio ambiente e nele camuflar-se e sobreviver para operar segundo a fisionomia da área em que se está inserido é a essência do próprio Exército. Existe uma relação profunda entre a questão ambiental e a Força. Outrossim, em um esforço constante para aprimorar a cooperação com a sociedade, o Plano Estratégico do Exército

(2020-2023) preconiza, entre seus objetivos, a sustentabilidade como um dos conceitos fundamentais para o planejamento e a tomada de decisões. A relação do Exército Brasileiro com a preservação do meio ambiente não é recente. Já em 1920, muito antes de o tema tornar-se pauta mundial, o decreto que regulamentou o Campo de Instrução de Gericinó, no Rio de Janeiro, de forma pioneira, trazia em seu texto noções de preocupação e de com-

General de Exército Júlio Cesar de Arruda – Chefe do Departamento de Engenharia e Construção | Army General Júlio Cesar de Arruda - Head of the Department of Engineering and Construction

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promisso com os recursos naturais. No artigo 5º, o documento determinava que “o aspecto natural do terreno deveria ser conservado por todos os meios”, proibindo o corte de árvores e instituindo o replantio como procedimento obrigatório. Desde então, a preocupação com o meio ambiente só se aprofundou e, para institucionalizar a missão de contribuir com o desenvolvimento sustentável do país, o Exército passou a dispor de um órgão específico para lidar com esse assunto: a Diretoria de Patrimônio Imobiliário e Meio Ambiente (DPIMA), subordinada ao Departamento de Engenharia e Construção (DEC). Além da administração patrimonial imobiliária da Força, essa Diretoria também coordena e realiza ações voltadas para a conservação ambiental por meio do Sistema de Gestão Ambiental do Exército Brasileiro (SIGAEB), auxiliando o Comando do Exército no processamento e na adoção de boas práticas voltadas para a sustentabilidade. Atualmente, as organizações militares (OM) do Exército ocupam e administram diretamente uma área de mais de 12 mil quilômetros quadrados, sendo


O Campo de Instrução Marechal Newton Cavalvanti, maior área contínua de Mata Atlântica ao norte do Rio São Francisco, é um exemplo de convivência harmônica entre o preparo operacional do Exército e a preservação ambiental | The Marechal Newton Cavalvanti Training Camp, the largest continuous area of the Atlantic Forest north of the São Francisco River, is an example of harmonious coexistence between the Army’s operational preparation and environmental preservation

a maior parte formada por vastas áreas de vegetação nativa. Se fosse um país, tal território ainda seria maior que o de vários países ao redor do mundo. Na atual realidade da Força, cada organização militar tem

obrigações em relação à preservação do meio ambiente nas áreas sob sua responsabilidade. Mesmo com os exercícios praticados nos campos de instrução do Exército, observa-se que, justamente nessas áreas,

ocorre um processo de recuperação e de conservação dos ecossistemas, por encontrarem-se protegidos pelas normas, diretrizes e ações voltadas para assuntos ambientais. Assim, por apresentarem proces-

Army and sustainability: safety assurance

the environment is not recent. As early as 1920, long before the theme got to world agenda, the decree that regulated the Training Field of Gericinó based in Rio de Janeiro, in a pioneering way, brought in its text ideas of concern and commitment to natural resources. In Article 5, the document determined that “the natural aspects of all land should be preserved by all means”, prohibiting the cutting of trees and instituting replanting as a mandatory procedure. Since then, the concern with the environment has only deepened and, to institutionalize the mission of contributing to the sustainable development of the country, the Army has had a specific body to deal with this issue: the Directorate of Real Estate Heritage and Environment, subordinated to the

Department of Engineering and Construction (DEC). In addition to the Real Estate Management of the Force, this Board also coordinates and carries out actions aimed at environmental conservation through the Environmental Management System of the Brazilian Army (SIGAEB), assisting the Army Command in the processing and in the adoption of good practices focused on sustainability. Currently, the Army’s military organizations (OM) occupy and directly manage an area larger than 12,000 square kilometers, most of which are made up of vast areas of native vegetation. If it were a country, such territory would still be larger than that of several countries around the world. In the current reality of the Force, each military orga-

It is not by chance that the colors of the uniforms are the same as those of our forests, the caatinga and the other biomes. Integrating with the environment, blending in with camouflage and surviving to operate according to the physiognomy of an area is at the Army´s core. The relationship between environmental issues and the Force run deep. Moreover, in a constant effort to improve cooperation with society, the Army Strategic Plan (20202023) advocates, among its objectives, sustainability as one of the fundamental concepts for planning and decision-making. The relationship of the Brazilian Army with the preservation of

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Sustentabilidade|Sustainability

Selo Verde-Oliva de Sustentabilidade | Olive Seal of Sustainability

sos de degradação ambiental reduzidos, têm-se configurado em oásis de biodiversidade e em locais de renovação de recursos naturais. Em todos os quartéis, há um Plano de Gestão Ambiental e um oficial encarregado de realizar a medição do índice de conformidade ambiental, aferindo as boas práticas de conservação ambiental. As OM destacadas são reconhecidas por meio da outorga do Selo Verde-Oliva de Sustentabilidade, instituído em 2018. A Conformidade Ambiental não é exatamente uma certificação, ou mesmo uma auditoria; é um instrumento de controle interno com constantes avaliações de procedimentos, possibilitando a retroalimentação e o aperfeiçoamento do SIGAEB. O Selo Verde-Oliva é um incentivo às boas práticas,

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tornando-se uma valiosa conquista em um tema de grande complexidade e valor junto à sociedade brasileira. O principal incentivo para posturas e procedimentos responsáveis no trato com o meio ambiente é a educação ambiental, pois ela permite a conciliação do preparo operacional com a preservação, por meio do comprometimento dos recursos humanos, financeiros e tecnológicos da Força Terrestre. O Exército promove a educação ambiental para o seu pessoal desde a formação básica do soldado até os cursos dos mais altos escalões. Todos os níveis de instrução da Força têm, entre suas bases, o entendimento de que o desenvolvimento sustentável é uma responsabilidade institucional. Além disso, devido à crescente necessidade de dissemi-

nação de informação ambiental, foi implantado o Ambiente Virtual da DPIMA (AVPIMA) para proporcionar o incremento do conhecimento sobre o meio ambiente. Além disso, um variado material didático é disponibilizado e diversas atividades de ensino são realizadas por meio de um programa especial de capacitação que é desenvolvido, tanto presencialmente quanto a distância. Em 2019, as atividades incluíram 17 estágios, uma disciplina eletiva na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e 11 atividades de instrução nas escolas de formação e seminários, todas com abordagens que vão de aspectos legais da

Caderno de Orientações para as Práticas Ambientais do Exército Brasileiro em Missões sob a Égide de Organismos Internacionais | Guidebook for Environmental Practices of the Brazilian Army in Missions under the Aegis of International Organizations


temática ambiental à disseminação de práticas e ao fomento de pesquisas. Esse processo de divulgação e de construção de conhecimento só tem sido ampliado, de forma que, de 2019 para 2020, houve um acréscimo superior a 25% no número de capacitações realizadas, alcançando mais de 2.100 militares e civis, apenas pelo ambiente virtual. Se, no aspecto ambiental da sustentabilidade, o Exército presta sua contribuição como detentor de grandes áreas naturais recuperadas no território brasileiro, é na execução de

Essas iniciativas compreendem, entre outras, obras de engenharia de melhoria de infraestrutura de transportes, de distribuição de água, de acolhimento de refugiados e melhoria dos projetos de construção de obras militares ações subsidiárias que os aspectos socioeconômicos, além dos ambientais, tornam a presença verde-oliva mais evidente aos olhos da sociedade. Essas iniciativas compreendem, entre outras, obras de engenharia de melhoria de infraestrutura de transportes, de distribuição de água, de acolhimento de refu-

giados e melhoria dos projetos de construção de obras militares. Como exemplo, cita-se a participação do Sistema de Obras de Cooperação (SOC) do Exército no Projeto de Integração do Rio São Francisco, por meio da construção de canais de aproximação e vias de acesso de duas estações de bombeamento,

nization has obligations in relation to the environment preservation in areas under their responsibility. Even with the exercises practiced in the army’s training fields, it is observed that, precisely in these areas, there is a recovery and conservation process of ecosystems, because they are protected by standards, guidelines and actions geared to environmental issues. Thus, because they present reduced environmental degradation processes, they have been set in an oasis of biodiversity and in places of natural resources renewal. In all barracks, there is an Environmental Management Plan and an officer in charge of measuring the environmental compliance index, measuring good environmental conservation practices. The one OM that stands out is recognized and presented with the Olive Green Sustainability Seal, established in 2018. Environmental Compliance is not exactly a certification, or even an audit; it is an internal control instrument with constant procedure eval-

uations, enabling SIGAEB´s improvement through feedback. The Olive Seal is an incentive to good practices, becoming a valuable achievement in a theme of great complexity and value to Brazilian society. The main incentive for responsible actions and procedures in dealing with the environment is environmental education, as it allows the reconciliation of operational preparation with preservation, through the commitment of the human, financial and technological resources of the ground Forces. The Army promotes environmental education for its personnel from basic soldier training to higher-ranking courses. All levels of the Force education have in their core the understanding that sustainable development is an institutional responsibility. In addition, due to the growing need for environmental information dissemination, the DPIMA Virtual Environment (AVPIMA) was implemented to provide increased knowledge about the environment.

Furthermore, wide-ranging teaching materials are made available and various teaching activities are carried out through a special training program that takes place both in person and at a distance. In 2019, activities comprised 17 internships, an elective discipline at the Officers School of Improvement and 11 instructional activities in training schools and seminars, all with approaches ranging from legal aspects of the environmental theme to the dissemination of practices and the fostering of research. This process of dissemination and construction of knowledge has been expanding, so much so that from 2019 to 2020, there was an increase of more than 25% in the number of online trainings being carried out, reaching more than 2,100 military and civilian personnel. If, in the environmental aspect of sustainability, the Army makes its contribution as the holder of large natural areas recovered in The Brazilian territory, it is through subsidiary

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Sustentabilidade|Sustainability

O meio ambiente sempre suscitou debates produtivos no âmbito da Força, o que foi reafirmado com a realização do I Simpósio de Sustentabilidade do Exército Brasileiro em novembro de 2020 serviços complementares na Barragem de Tucutu (Cabrobó/ PE), revitalização das margens do rio e construção de dez vilas rurais para realocação de moradores. A obra levou água a muitas cidades, possibilitando uma agricultura mais profissional, o

desenvolvimento da região e a melhoria nas condições sociais da população. Outra importante participação do SOC materializou-se na pavimentação de trechos da BR163/PA, importante corredor de escoamento da safra de grãos

Exército Brasileiro: garantia de sustentabilidade para as gerações futuras Brazilian Army: sustainability for future generations guarantee

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produzidos no Mato Grosso pelo porto de Miritituba (Itaituba/PA), proporcionando a diminuição do custo Brasil, por meio de impacto positivo na cadeia logística nacional e no agronegócio. Além disso, possibilitou ainda mais conforto e segurança aos usuários da rodovia e facilidades para o fluxo de bens e serviços. Esse compromisso com a sustentabilidade abrange, ainda, o uso racional da água, potencializado pelo reuso da água no 3º Regimento de Carros de Combate de Ponta Grossa (PR), pelo uso racional da energia na produção de energia fotovoltaica no Hospital Militar de Campo Grande (MS), bem como na implantação desse sistema no Quartel-General do Exército em Brasília (DF). O meio ambiente sempre suscitou debates produtivos no âmbito da Força, o que foi reafirmado com a realização do I Simpósio de Sustentabilidade do Exército Brasileiro em novembro de 2020, evento que contou com a participação de representantes de instituições como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (PNUD Brasil), o IBAMA e o BNDES, entre outras. Como principal resultado do simpósio, tomando-se por base as contribuições colhidas no evento, foi confeccionada uma proposta de Política de Sustentabilidade do Exército Brasileiro, atualmente em análise pelo Estado-Maior do Exército.


Sustentabilidade|Sustainability

O protagonismo do Exército em ações de sustentabilidade é vislumbrado não apenas por sua antiga relação com o tema, mas principalmente pelas

ações, pelos programas, pelos projetos e pela postura de seus integrantes. Se a preservação do meio ambiente está na essência de sua ativi-

dade, fazer jus ao verde dos uniformes camuflados é, sobretudo, para o Exército Brasileiro, respeitar o verde que nos cerca. É encerrar sólido valor e garantia de segurança para as gerações futuras ao receberem um mundo com o meio ambiente preservado e o desenvolvimento socioeconômico equilibrado. Cumprindo sua missão constitucional, a Força Terrestre, historicamente, tem assegurado o respeito devido ao meio ambiente que lhe é confiado e assim o fará da melhor forma possível, garantindo uma relação sustentavelmente harmônica entre suas atividades e a sociedade brasileira.

actions that socioeconomic aspects, in addition to environmental aspects, make the olive presence more evident in the eyes of society. These initiatives include, among others, engineering works to improve transport infrastructure, water distribution, refugee reception and military construction projects improvement. As an example, we have the participation of the Army’s Cooperation Works System (SOC) in the São Francisco River Integration Project, through the construction of channels and access routes connecting two pumping stations, enabling complementary services to the Tucutu Dam (Cabrobó/PE), revitalizing the riverbanks, and building ten rural villages for local residents’ relocation. The project delivery brought water to many cities, enabling more professional farming, the region´s development and a major improvement for the population overall social conditions.

Another key SOC involvement is evident with the paving of BR163/PA stretches, an important grain road route that connects Mato Grosso´s farmlands to the port of Miritituba (Itaituba/PA), providing the reduction of what is known as the “Brazil cost”, having a positive impact on the national logistics chain and agribusiness. In addition, it has provided more comfort, facilities and safety to highway users travelling with goods and services. This commitment to sustainability also includes the rational use of water, enhanced by the reuse of water in the 3rd Regiment of Combat Cars of Ponta Grossa (PR), by the rational use of energy in the production of photovoltaic energy in the Military Hospital of Campo Grande (MS), as well as in the implementation of this system in the Army Headquarters in Brasilia (DF).

The environment has always raised productive debates in the Force, which was reaffirmed with the realization of the 1st Sustainability Symposium of the Brazilian Army in November 2020, an event that had the participation of institutions representatives such as the United Nations Development Program in Brazil (UNDP Brazil), IBAMA and BNDES, among others. As the main result of the symposium, based on the contributions collected at the event, a proposal for a Sustainability Policy of the Brazilian Army was made, currently under analysis by the Army General Staff. By fulfilling its constitutional mission, the Ground Forces have historically ensured respect for the environment entrusted to them and will do so in the best possible way, ensuring a sustainably harmonious relationship between its activities and Brazilian society.

I Simpósio de Sustentabilidade do Exército Brasileiro I Sustainability Symposium of the Brazilian Army

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Profile for Vivian Silva

O momento que estamos vivendo é atípico, e não permite otimismo no curto prazo  

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