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Esta obra está sob uma licença Creative Commons. *** Este e-book é liberado para download gratuito. Porém, caso goste do livro, considere uma pequena doação ao autor. Toda forma de apoio é bem-vinda e sua atitude incentivará a continuidade deste projeto literário único no Brasil. *** Sobre mim-eu-mesmo: “Moa Sipriano produz exclusivamente literatura adulta que aborda todos os meandros do universo gay masculino. Seus artigos realistas, contos polêmicos e romances homoeróticos remetem à reflexão e promovem momentos excitantes de surpreendentes descobertas.” *** Entre em contato com o autor: Facebook | Twitter | email

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Chuva & Frio Moa Sipriano 2011

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Meu homem, Certas coisas que ocorrem em nossas vidas têm o poder de praticamente “pirar” nossa lógica falha. O interesse de dois seres em compartilhar corpos, mentes e almas. O anseio em ser feliz, liberto, pleno. A esperança de um recomeço concreto, por mais intrigante e sufocante (medo do desconhecido) que isso sempre representa a cada mudança necessária de turnos. O tempo passou, os contatos tornaram-se corriqueiro, intensos, absurdamente aguardados na primeira hora da madrugada. O terceiro coração – pobre coração! – foge alucinado além do peito arfante, pimpando no ar, de um lado para o outro, alegre e faceiro no bombear constante da real felicidade. A descoberta das afinidades, o desabafo emocionado em linhas nervosamente digitadas pipocando na tela dos notes; nossos olhares castanhos e azuis em brilho máximo, lacrimejando discretamente a ansiedade do namoro, dessa união muito além do virtual. “Virtual”... palavra incorreta. Não acredito que nosso engate se manteve nem por um segundo nessa tal de virtualidade. Não, não mesmo. Tudo é tão palpável. Tudo é tão denso de emoções e sentidos mesclados na amarras marcantes da Afinidade. Essa capacidade de fechar os olhos e sentir o cheiro adocicado do outro, a textura suave da pele do outro, o calor e aconchego do abraço do outro, o sexo rígido e alucinado a agredir todas as variantes da libido, doido para cuspir seu puro néctar em nossas bocarras, em nossos rabos, sobre nossos peitos flamejantes, fartos em pelos espocados feitos fogos de artifício em setembro. Medos e dúvidas assolam nossa trajetória, mesclados com essa ansiedade, esse tesão imenso a envolver nossos fracos espíritos atribulados. Sentimos aquela vontade demente de gritar, de teletransportar nossas mãos amornadas através das telas, e assim tocarmos nossos rostos afogueados, enxugando nossas lágrimas gélidas de palpitações e glórias. “Lágrimas”... bela palavra que revela o mistério do Amor. Já perdi a conta do quanto chorei por você. Já não me envergonho em afirmar que no derradeiro e tão esperado encontro físico, sinto que as palavras ficarão obsoletas em oitavo plano, pois duas lágrimas e duzentos soluços irão revelar o quanto amo você, o quanto desejo você, o quanto foi necessário o meu navegar solitário durante séculos e séculos de saudades e ausências forçadas até adquirir o direito de compartilhar o mesmo plano que você, sabendo que esta – aleluia! – não será a última vez. Durmo e acordo com sua presença. Suas imagens em praias, sofás e festas de formatura pipocam nas minhas telas e assim viajo no seu sorriso tímido, na extensão dessas coxas e braços memoráveis. Sonho acordado em ser agarrado com toda pegada por essas mãos celestiais, viris e sensíveis repletas de insanos desejos. 4


Excito-me só de vislumbrar a maravilha do seu sexo envolto em brasas, bailando entre meus lábios e minha língua astuta. Meu corpo liquefaz os ossos, enquanto imagino você todo inserido em mim-eu-mesmo, estocando a fundo seu pau e bolas no meu rabo guloso, ao mesmo tempo que lambe minha nuca, que aperta meus bagos, que me prende e me cola em seu corpo, como se nunca mais fosse possível uma separação de pelos e pele e suor e porras. Nessa gloriosa tarde de chuva e frio, viajo na realidade de um instante perfeito com meu homem: deixando a farra do tempo lá fora embalar nosso amor, enquanto nos roçamos debaixo das cobertas. Quantos beijos gulosos quero roubar dos seus lábios finos, quantas línguas densas quero esquadrinhar pelo seu corpo transparente, sentindo você gemer e urrar a cada passagem da minha boca perspicaz, do meu cavanhaque macio e desgrenhado, dos meus dedos rústicos a tatear todos os seus poros, dobras, orifícios e costas largas. Viajo na projeção de “N” tardes de chuva e frio, onde cada um se concentra em sua arte, viajando em cores, texturas ou parágrafos e romances; onde do meu canto, enquanto direciono meus personagens para o Amor ou para a Dor e brinco de deus, posso esticar meu olhar lascivo e apreciar meu macho do outro lado da sala, focando pinceladas difusas em mais uma tela não virgem, dando-lhe vida, cor e revelação do Oculto. Sorrio satisfeito e sorrateiro, enquanto imagino o desdobramento de futuros “uaus” a mais uma certeira obra-prima. Nós dois somos obras inacabadas no aguardo de um encontro que fundirá dois destinos no sorriso de uma Monalisa. Só eu posso decifrar você em palavras e poesia. Só você pode recuperar meu sorriso através de pinceladas repletas de cor e alegrias. Sinto na minha pele morena todas as manhãs de sol e ventos vindouros, enquanto vejo nós dois caminhando de mãos dadas pelas praias desertas de Lovland; eu a dirigir seus exercícios matinais, auxiliando-o em mais uma etapa agradável de bem-estar e saúde e superação. Sou o guardião do seu segundo coração. Rio ao sentir todas as noites futuras de filmes e pipocas, onde me divirto em retirar as legendas dos vídeos, forçando você a decifrar outras línguas. Emociono-me ao constatar seu surpreendente progresso (sempre fui um bom mestre), presenteando sua fronte com mais um selo merecido, seguido de longos abraços e afagos a cada acerto seu na língua de Colin Firth, tesão dos nossos devaneios. Quero amar você em português, inglês e amorês! ***

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Dias de trabalho e arte. Dias de descanso e namoros. Pegar Picanto e sair sem rumos além das areias e mar sereno, admirando a criação divina do lado de lá das janelas abertas, vento na cara e sorrisos brilhosos revelados atrás de “raibãs”, tudo embalado ao som de All India Radio. Sinto o vibrar do seu corpo sulista ao sentir minha mão loveana a invadir sua coxa direita, como a dizer-lhe: “estou aqui, bem do seu lado, a lhe proteger para sempre... meu divino!” Uma vida simples, porém recheada de descobertas a cada minuto, onde a rotina perde espaço, sendo jogada para debaixo das dunas de abril, esquecida, superada. Uma vida renovada, repleta de aprendizado diário, repleta de atenção e cuidados, repleta de amor-companheiro. Meu homem, meu amado... nossa, quanto sonho em domar sua dualidade! Quanto preciso de você e desse seu sorriso tímido. Quanta coisa guardada aqui dentro ainda tenho para compartilhar em amor, amizade e companhia... com você e com todo Universo! As palavras se apagam, mas o coração peludo aqui do outro lado urra de felicidade. Por outro lado, foda-se, eu choro. Copiosamente! Amo você como jamais amei outro homem. Quero você como nunca desejei alguém com tamanha intensidade, durante todas as passagens pelas quais vaguei em solidão, dor, aprendizado e renúncias. Feche os olhos e sinta a umidade trêmula dos meus lábios fartos nos seus lábios discretos. Busque a ponta da minha língua robusta com a extensão da sua língua miúda. Mordisque meu queixo, faça-me um louco, sinta minhas mãos prendendo seu corpo compacto junto ao meu corpo estendido em prazer e calorescência. Beije-me com violência e sinta o poder da minha mão esquerda a massagear seu sexo estúpido. Isso, agarre minhas massas peludas, desbravando com esses dedos túrgidos o caminho do nosso prazer. Deixe-me roçar meu caralho latejante no seu pau espumante, enquanto nossos sacos se acarinham por debaixo de tudo. Deixe-me rodopiar seu corpo másculo e viajar com minhas mãos toda extensão das suas costas divinas. Deixe-me morder suas nádegas de leite e lamber seu cu rosado e permitir seu saco rígido a caber por completo no centro da minha boca. Deixe-me retirar o lacre intocado, elevando seu rabo empalado pelo meu báculo esculpido em carvalho. Deixe-me lamber as dobras das suas pernas além dos fios dourados, causando cócegas e tesão renovado. Sinta o peso do meu corpo, onde meus fartos pelos ralham das partes nuas da sua pele tímida, inquieta, radiante. Faça amor comigo, lentamente. Faça sexo comigo, com a fúria de um titã. Realize tudo, tudo 6


ao mesmo tempo longe do tempo incrustado no Tempo. Goze na minha pele, goze no meu rabo, goze na minha boca. Quero sua porra dentro do meu ser. Exijo sua essência guardada para sempre no meu jardim secreto. Exijo minha essência a escorrer sôfrega pela sua garganta dilacerada. Quero você por inteiro, meu homem, meu amado. Mereço você para todo sempre... … nessa longa tarde de chuva e frio! FIM

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2011 moasipriano livro chuva frio