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POISON-BOOKS DISPONIBILIZAÇÃO-MERLIN CAT TRADUÇÃO-NEFERTITI REVISÃO INICIAL-ISIS

REVISÃO FINAL E FORMATAÇÃO-CIRCE LEITURA FINAL-LAGERTHA


O que um sorvete e Sadie Montgomery têm em comum? Ambos são frios, mas uma só lambida nunca é suficiente. Eu queria que fossemos amigos - eu teria me estabelecido para ela me ver como algo mais que um nerd - mas não tinha como isso acontecer. Então, assim como qualquer cabeça-dura de sangue quente lá fora, eu decidi: Eu faria minha colega de trabalho se apaixonar por mim. Gostaria de dizer que foi fácil, mas como todas as outras histórias de amor épicas, precisei de uma noite embriagada e muita coragem para pegar a garota. Por um momento, pelo menos. Se envolver com uma colega de trabalho nunca é fácil, especialmente porque Sadie está tentando nos manter debaixo dos panos. Sem mencionar seu exnamorado persistente que não a deixa em paz. Mas eu nunca fui bom em desistir, e não planejo começar agora. A verdade é que a coisa toda é uma receita para a desgraça. Mas eu pretendo ir até o final, não importa o quão difícil seja.


ATENÇÃO CONTÉM-GARGALHADA

DE HIENA

Risadas incontroláveis podem surgir repentinamente. Recomenda-se não ler em locais públicos.


DE-DICATÓRIA P a r a to da s a s Whi t ne y Po i n te r s da mi n ha v i da . O b ri g a da p o r m e e n si na re m o q ue é a v e r da de i ra a m i z a de . E u a m o to da s vocês.


CAPÍTULO-UM ANDREW

— Por que você tem uma caixa de “calculadoras”? — Jimmy pergunta, colocando minha preciosa caixa sobre o colchão listrado no meio do meu quarto minúsculo. Chutando o colchão para o lado, eu digo, — Eu pedi que você olhasse as caixas? Basta movê-las. — Por favor, me diga que “calculadoras” é, na verdade, um código para pornografia. Há pornografia nesta caixa, certo, Andrew? Se eu abrir, vou encontrar uma série de seios rolando na palha em celeiros e minúsculas camisetas dos Jerseys1 cobrindo parcialmente peitos siliconados, correto? Rolando meus olhos, rasgo a fita da caixa, enfio a mão dentro e pego a calculadora gráfica TI-84 EZ Sport, ganhando um olhar severamente desapontado de meu irmão. — Cara… Empurro meus óculos de aro grosso em meu nariz e digo: — Quem precisa de uma caixa de pornografia quando se consegue o mesmo praticamente de graça na Internet? Expirando grosseiramente, meu irmão acena com a cabeça. — Fico feliz em ouvir que existe algum homem em você. Por um momento eu pensei que você estava dormindo com suas calculadoras. Só quando estou fazendo lição de casa tarde da noite e estou sozinho, mas Jimmy não precisa saber disso. Acordar com a 1

Time de futebol americano.


marca do botão da SEN COS em minha bochecha significa que a noite foi ocupada e longa. — Eu penso que ele está prestes a fazer exatamente isso — diz Mae, a namorada peculiar de meu irmão, escovando as mãos em suas calças cáqui. Ela é uma menina bonita, com pernas longas e um enorme amor por Star Trek. Como meu irmão a encontrou - e a mantém - eu não tenho ideia, mas ele é um cara de sorte. — Você quer que eu pendure suas cortinas para você? Dado o tamanho do meu pequeno quarto na casa de seis quartos, estou chocado por ter duas janelas que vão do chão ao teto. No minuto em que Mae as viu, ela comprou cortinas azul marinho para combinar com meu pôster em tamanho real de Derek Jeter. É isso mesmo, calculadoras e Derek Jeter. Eu sou um homem de interesses estranhos. Mas note, eu não sou apaixonado por Derek Jeter. Eu sou apenas um grande fã dos Yankees: nascido e criado. Desde que meu avô se perdeu no vestiário dos Yankees anos atrás, quando crianças andando em campos de beisebol eram aceitáveis, nossa família jurou amar e elogiar os Yankees todos os anos, mesmo durante os tempos difíceis... como nos anos 80. Foi um período terrível para os Pinstripes2. — Claro, pendure as cortinas. — Mae começa a trabalhar enquanto eu tento decidir como organizar meu quarto. — Mamãe e papai estão a caminho — diz Jimmy, com os braços cruzados sobre o peito e encostado à porta, dando-me mais espaço para mover minha cama, cômoda e escrivaninha, os únicos móveis do meu quarto. Suspirando, respondo: — Eu sei. — Eles vão tentar convencê-lo a mudar para casa. — Eu sei. — Eles não estão muito felizes por você estar vivendo a duas horas de distância depois de tudo que você passou. — Eu sei — acenei, não querendo ouvir Jimmy repetir o que tenho escutado nos últimos meses. Tentando tranquilizar meu irmão, eu o olho nos olhos e digo, — Eu não vou mudar de 2

Como se chamam os torcedores do New York Yankees.


ideia. — Tem certeza? — Sim. — Olá? — A voz do meu pai viaja pela escada, fazendo-me estremecer. Jimmy segura meu ombro. — Seja forte. — Então ele chama das escadas, — Aqui em cima, papai. Do outro lado da minha fina parede as escadas rangem, indicando a aproximação de meus pais. Eu tenho temido este momento por um longo tempo, desde que tomei a decisão exaustiva de ir contra os desejos dos meus pais e voltar para a escola depois “da provação”. Fazer a transferência para a Universidade de Binghamton foi fácil, dado o meu GPA3 e as honras que ganhei, mas ter meus pais a bordo era outra história. Sendo o mais jovem da minha família e aquele com um “cérebro sensível”, meus pais queriam que eu parasse por um semestre, voltasse para casa e me recuperasse. Mas eu tinha outros planos. Eu não queria me esconder, eu queria ir em frente com a minha educação. Foi por isso que me transferi para Binghamton, a linda axila de Nova York, me matriculei na escola de engenharia da Universidade de Binghamton e encontrei um emprego de verão até as aulas começarem. — Oh, essas escadas são mortais — meu pai reclama, fazendo seu caminho para o topo, onde abre a porta, empurrando Jimmy para o lado. Seus olhos varrem meu quarto - o que leva cerca de dois segundos, devido ao tamanho. Suspirando, ele murmura: — Isso definitivamente não vai dar certo. Onde estão seus colegas? Você precisa mudar de quarto. — Pai, eu não posso mudar de quarto. Esse é o que me foi dado. Minha mãe se junta à festa e dá uma olhada ao redor também. — Bela moldura, — ela grunhe, colocando as mãos nos bolsos. Sons de aprovação vêm dela. Ela não diz muito, mas a mulher conhece artesanato quando se depara com ele. — E você vai se contentar com o que lhe foi dado? Como Grade Point Average, ou média de notas, é usada nos EUA para medir o desempenho nos estudos. 3


é que isso é justo? — Antes que eu possa pará-lo, meu pai anda em torno do segundo andar, onde três outras portas estão fechadas, e começa a abri-las, revelando quartos muito maiores. — Isso é absurdo. Olhe para o tamanho desses quartos. — Virando-se com as mãos na cintura, ele pergunta: — Você está pagando o mesmo valor de aluguel que todos os outros? — Sim, pai, — eu suspiro, sabendo que essa conversa não chegará ao fim tão cedo. — Mas eu não pago só pelo meu quarto, pago pelas áreas comuns também. Foi o único lugar que eu pude encontrar em tão pouco tempo. E as garotas são muito legais — acrescento. — Garotas? — A sobrancelha do meu pai levanta. Uh, será que me esqueci de mencionar essa parte? Pelo olhar no rosto do meu pai, assim como no de Jimmy e Mae, acho que sim. Minha mãe, por outro lado, não está nem um pouco perturbada. Ela está mais interessada na textura lisa da moldura de madeira maciça dos anos 20 do que no meu pequeno anúncio sobre morar com cinco mulheres. Sim, cinco. E eu sei o que você está querendo saber: quantos banheiros? Para quem posso se interessar, são dois... Dois… Oh merda, estou fodido. Visões de canos entupidos com ninhos de rato feitos de cabelo começam a dançar em minha cabeça. Um horror! Engolindo com dificuldade, aceno com a cabeça, — Sim, papai, garotas. — Que tipo de garotas? — Jimmy começa a rir, o que lhe garante uma palmada na parte de trás da cabeça, cortesia de papai. — Não é uma irmandade, pai. — Então o que é? — Ele pergunta, os braços cruzados sobre sua conservadora camisa de botões. Eu sei o que você está pensando: que eu estou me escondendo em uma irmandade. Que eu sou o cara que passou


por uma “provação” e decidiu se esconder dentro de um labirinto de fêmeas e seus ninhos de cabelo, cheio de tapetes impregnados de perfume e horríveis hormônios que convergem todos juntos, garantindo uma semana com a qual apenas a ira do diabo poderia competir. Isso não poderia estar mais longe da verdade, porém. A razão de eu estar vivendo com um grupo de mulheres é porque essa era realmente a única opção de habitação. Minhas escolhas eram: ou viver com cinco mulheres, o que vai contra as maneiras conservadoras do meu pai de ver o mundo (homens e mulheres vivem juntos quando estão casados... pode revirar os olhos), ou passar o próximo ano coabitando com quem eu só posso descrever como um Gollum bêbado e jogador de pinball, também conhecido como meu tio. Mas graduar-me com honras é importante para mim, e tio Gollum não parecia o tipo de cara que me deixaria em paz, especialmente considerando o tempo que ele gastou circulando seu umbigo com seu dedo médio enquanto me dava uma turnê por suas habitações. Logo, cinco meninas seriam uma distração menor. Pelo menos eu esperava que sim. — Bem? — Meu pai pergunta, aguardando uma resposta. Suspirando, eu digo: — Não é uma irmandade. É a formação inicial para a equipe feminina de basquete em Binghamton. Veja bem, eu sou um homem alto (1,82m), mas essas garotas ou combinam com minha altura ou são um pouco mais altas que eu. Quando as conheci, fiquei intimidado, mas então elas começaram a falar com pesados sotaques europeus, e eu fiquei intrigado. Duas das meninas são da Finlândia, uma da Latvia e uma de França. A quinta garota, a única outra americana na casa, disse que estavam procurando outro americano para ocupar o sexto quarto, porque as garotas queriam melhorar seu inglês. As sobrancelhas do meu pai testam os limites de sua testa. — Basquete. — Ele se inclina para trás e pensa cuidadosamente sobre sua próxima frase, com as mãos em seus bolsos agora. — Basquete, — ele repete, e depois se inclina para frente. — Você acha que elas poderiam nos dar entradas grátis


para os jogos? Rolando os olhos, volto a desempacotar minhas caixas. — Os jogos são de graça de qualquer maneira, pai, mas fico contente em saber onde está sua cabeça. — Você não está romanticamente envolvido com nenhuma dessas garotas, não é? — Não, — respondo rapidamente, evitando contato visual com ele. Eu não quero ver aquele olhar em seu rosto, o olhar do tipo você não deveria estar namorando agora. — Porque se você estivesse… — Eu vou parar você aqui mesmo, — digo, segurando meus cadernos de espiral novos, a pouco comprados para o semestre de outono. — Eu vim para Binghamton por uma razão: para terminar minha graduação e perseguir meu mestrado em engenharia de informática. Não tenho a menor intenção de brincar com as amazonas do mundo esportivo de Binghamton. — Eu não perguntei sobre brincar, filho. Perguntei se você planeja fazer sexo com elas. Levantando o dedo, Jimmy interrompe: — Tecnicamente você perguntou se ele estava romanticamente envolvido com qualquer uma delas. Sexo nunca foi parte da equação, mas agora que você falou sobre isso, você pretende fodê-las, Andrew? Outro tapa na parte de trás da cabeça de Jimmy. — Não diga foder, — Mae diz enquanto ajeita minhas cortinas recentemente penduradas. — Andrew claramente não é do tipo foder. — Um sorriso espreita em sua boca. — Eu sou! Embora minha foda seja limitada. Muito limitada. Ultimamente, foder tem se resumido a minha mão, e sinceramente já não se parece mais como uma foda – parece mais como automutilação, especialmente quando não tenho loção. E vamos ser honestos, cuspir na mão realmente não funciona. Pode ser um substituto aceitável para algumas pessoas, mas eu não tenho excesso de saliva a ponto de fornecer


lubrificação suficiente para evitar fricção. — Quem você fodeu? — Meu pai pergunta. Minha mãe está agora no chão, verificando os pisos de madeira originais. Eu mencionei que ela gosta de madeira? E eu sei para onde sua cabeça foi agora: a madeira é dura igual a um pênis. Ha ha, minha mãe gosta de pau. — Eu não vou falar sobre minha vida sexual com minha família. Podemos simplesmente desembalar as caixas e depois pedir algumas Nirchis Pizza? — Estou pronta para pizza. — Minha mãe se levanta e bate suas mãos, olhando ao redor para ver quem está com ela. Sim, madeira e pizza. Os interesses de minha mãe são amplos e variados. Balançando a cabeça, meu pai abre uma caixa e começa a desembalar minhas roupas, as colocando em gavetas. — Eu só não entendo por que você precisava vir aqui tão cedo. Você poderia ter passado o verão conosco em Middleburgh e ajudado na loja. Teríamos pagado a você. — Pagar as pessoas com beijos não é pagar as pessoas, pai, — eu digo, quase morrendo. — Eu disse que pagaria você em beijos E abraços. — Oh inferno. — Jimmy se levanta e ergue a mão. — Eu não sabia que os abraços estavam envolvidos. Merda, me inscreva. Esqueça a Sears, me abrace. — Não seja um espertinho. — Meu pai vai dar outro golpe na parte de trás da cabeça de Jimmy, mas ele pula fora do caminho e passa os braços em torno de Mae para se proteger. Jimmy vem trabalhando na Sears e pagando seus estudos desde sempre. Ele levou algum tempo para começar a faculdade, e poupa cada centavo que tem, mas está determinado a pagar sua graduação. Ele está cursando o último ano do mestrado em Educação Especial. Ele pode ver o fim se aproximando. Mas eu fico feliz por poder passar um ano na mesma cidade que ele antes que ele se forme. — Você recebeu uma resposta sobre o trabalho? — Mae


pergunta, mudando de assunto. — Sim. Consegui. — Eu estufo um pouco meu peito. Meu primeiro emprego. Isso mesmo, eu vou ser um júnior na faculdade, e finalmente terei meu primeiro emprego. Não me julgue. Você ouviu a parte sobre ser pago com beijos e abraços? Desde que me lembro eu trabalhei na loja dos meus pais, mediante pagamentos financiáveis. Era hora de me aventurar no mundo real e aprender sobre a força de trabalho. Então, quando ouvi de Stuart, o gerente do Friendly's, que eles me queriam em tempo integral como sorveteiro durante o verão, eu aceitei na hora. Esse garoto estaria ganhando um salário que não consistiria em manteiga, açúcar e sabores divertidos. — Isso é ótimo. — Mae aplaude. Meu pai bufa, e minha mãe retorna ao chão, examinando os rodapés ao perceber que o tempo de pizza não será num futuro próximo. — Carvalho, — ela murmura, batendo na madeira com seu dedo médio. — Agradável. — Você conseguiu o emprego, hein? — Meu pai pergunta. Uma coisa que você precisa saber sobre meu pai: ele adora repetir frases... e limpar sua garganta. Senhor Jesus, se eu limpar minha garganta tanto quanto meu pai, por favor, me acerte com um raio na hora. — Sim, pai, eu consegui o emprego. — Ouço o aborrecimento em minha voz. — Hmm. — *Limpa a garganta* Meus dentes rangem, e estou quase certo que um grunhido fraco foge de mim. Estou prestes a explodir. — O que você vai fazer lá? Trabalhar na churrasqueira? — Servir sorvete. Como eu disse, estarei trabalhando na sorveteria, — respondo, tirando o resto de meus suprimentos escolares e colocando-os em perfeita ordem sob a minha mesa. — Você vai ser a... menina do sorvete? — O nível de desgosto na voz de meu pai é francamente ofensivo. — Menino do sorvete, pai. Menino. Eu tenho um pau.


Lembra-se daquela conversa? — Você vai ter que usar um daqueles aventais de babados com franjas? Jesus. — Não. — Não agrida seu pai. Repito, não o agrida. — Os tempos mudaram, pai. Eu tenho uma camisa vermelha, um avental preto sem franjas ou laços e um boné de beisebol. — Boné de beisebol, hein? — Mais uma vez, ele balança os calcanhares, põe as mãos nos bolsos e faz uma pausa antes de perguntar: — Acha que podemos conseguir sorvete grátis com você? Exalando fortemente, olho para o teto e imploro por paciência. Já deu para perceber que meu pai é um bastardo pão-duro? — Oh, boa pergunta. — Jimmy se vira para mim. — Vamos ganhar sorvete grátis? Desistindo de desembalar, passo por minhas caixas e digo: — Ok, hora da pizza, e depois vocês podem ir. Então poderei terminar de desembalar em silêncio. Bem, talvez não em silêncio - eu poderia assistir ao jogo enquanto desembalo. As Amazonas não voltarão para casa até agosto, então eu terei a casa para mim durante o verão a desculpa perfeita para assistir aos jogos e me pavonear por aí em nada além de cuecas. Meu pai, Jimmy e Mae discutem, mas eu não os escuto e, em vez disso, enrolo meu braço em torno dos ombros da minha mãe e guio-a pelas escadas. — Lindo lugar, Andrew querido. Uma base estável para você começar uma nova vida. — Minha mãe entende. Ela me entende. — Eu não poderia pedir um conjunto melhor de rodapés para o meu filho. Ou talvez não.


CAPÍTULO-DOIS SADIE

Eu estaciono meu carro em meu lugar habitual e apoio a cabeça no volante. Quatro anos. Quatro longos anos neste buraco, e Stuart ainda me coloca para treinar os novatos da sorveteria. Você poderia pensar que depois de quatro anos trabalhando para ele, e do fato de meu tio ser seu melhor amigo, Stuart NUNCA me colocaria na sorveteria. Ou que ele entenderia meu ódio pelo treinamento dos novatos. Mas não. Ele gosta de me torturar. — Você consegue fazer isso. É apenas por hoje, e então você estará de volta ao primeiro andar acumulando gorjetas. — Eu me preparo mentalmente, mas o pavor ainda se agiganta em meu estômago. Estagiários. Deus, eles são os piores. Colocando meus óculos aviadores, tiro minhas chaves da ignição, jogo-as em minha bolsa dos Yankees feita à mão por Smilly e começo a sair do meu carro. Isso é quando meu telefone toca. Falando no diabo. — O que está acontecendo? — Eu atendo, girando as tiras de tecido com meus dedos. Eu não sou o tipo de garota que usa bolsa, mas minha melhor amiga fez essa para mim, então eu a uso. — Ei, Maaaaaaaãezinha, — ela grita no telefone. Sim, ela me chama de mãezinha. — Quando você sai do trabalho mesmo?


— Oito. Você vai parar por aqui, certo? — Sim. Estou parando no DG para comprar Doritos e deixar o seu xarope para a tosse. E Saddlemire vai busca-la mais tarde. Para aqueles que não falam Smilly, DG é o Dollar General e Saddlemire é o namorado dela. — Sasquatch vem me buscar? Não posso prometer que não ficarei tentada a apalpar a coxa do seu homem durante a viagem para a casa da sua mãe. — Ei, faça o que tiver que fazer. — Ouço ruídos no outro lado do telefone e, em seguida, tudo que posso ouvir é Smilly gritando ao fundo. — Monroe! Não cavoque aí! — Monroe, o pit bull da mãe de Smilly. — Smilly, eu tenho que ir ou vou chegar atrasada. — Ok, mãezinha. Passo aí mais tarde. Eu desligo e caminho para a parte da frente do restaurante, escondendo meu rosto sob a aba do chapéu para evitar contato visual com todos. Sou um pouco antissocial? Não. Na verdade, sou uma pessoa muito sociável, mas apenas com o meu pessoal. E o pessoal do trabalho não é o meu pessoal. Como cresci em uma cidade pequena, acabei formando um círculo limitado de humanos nos quais eu sabia que podia confiar. Pessoas em que posso confiar. Confiar é a palavra-chave. O engraçado é que, quando se é jovem e vulnerável, deveríamos ter duas pessoas nas quais confiar: nossos pais. Eles são as pessoas em quem deveríamos confiar, as pessoas que supostamente servem para abrigar-nos da tempestade incansável que chamamos de mundo. Mas quando um deles destrói todos os aspectos da sua infância, é difícil confiar em outra pessoa. É difícil deixar outras pessoas entrarem quando seu coração está endurecido para o mundo exterior. Por que você faria algo assim? Por que se tornaria tão vulnerável novamente? As pessoas que estavam ao meu lado quando eu era uma menina, vestindo camisetas Elmo na escola secundária – sim, escola secundária – e ostentando um corte de cabelo tigelinha e


um coração negro, essas são as pessoas das quais eu me cerquei, porque elas nunca deixaram o meu lado, e elas nunca tentaram ferrar com a minha confiança. Não há mais vagas para o meu pequeno círculo. Nenhuma. — Assistiu ao jogo ontem à noite, Sadie? — Pergunta David, da churrasqueira, enquanto eu passo. Ok, pode não haver vagas abertas no meu pequeno mundo, mas eu sei me comportar quando necessário. Eu não sou uma cadela terrivelmente miserável. — Sim, Yanks explodiu no nono. As novas crianças precisam juntar sua merda, — eu respondo por cima do meu ombro enquanto caminho para a parte de trás do restaurante, onde deixo minha bolsa em um armário e coloco meu avental completo. É então que Denise entra. — Sorveteria hoje? Denise é a mãe galinha das garçonetes. Se eu tivesse que dizer que tinha um amigo no restaurante, essa seria Denise, porque ela me entende. Há um pouco de escuridão em seu grande coração. Eu posso ver isso em seus olhos endurecidos e pedregosos. Ela já é parte do Friendly’s, enquanto esse emprego é apenas um trampolim para mim... pelo menos é assim que deveria ser. — Sim. Stuart ainda não entendeu. — Ajustando meu boné, resmungo para Denise, — Eu odeio usar esses chapéus, pelo amor de Deus. Meus cabelos ficam grudados no velcro na parte de trás. — Eu tento novamente ajustar meu cabelo loiro e bagunçado, mas não adianta. Hoje estarei arrancando os cabelos novamente. Outra vantagem de ser uma garçonete – e não a garota do sorvete - é que você pode usar seu cabelo como bem entender, e evolui para um meio avental, em vez de um completo. — É apenas por hoje. Terá acabado antes que você perceba. — Ela agarra seu caderno de pedidos e o põe na frente de seu avental.


Apontando para mim, ela diz: — Mas se você deixar o novato fazer qualquer sorvete para os meus clientes, vou matá-la. Rindo enquanto envolvo as cordas do avental em torno da minha cintura, eu digo: — Não vai acontecer. Eu não planejo ficar até tarde para limpar o derramamento de sangue se isso ocorrer. Pode ficar tranquila, Dennis. — Não me chame assim. Sorrio para mim mesma enquanto faço meu caminho, passando pela estação de limpeza de louça e chegando à sorveteria, onde começo a avaliar as coberturas para ver se alguma necessidade de recarga. Eu me inclino sobre os freezers de sorvete e olho em cada compartimento de cobertura4, mentalmente tomando notas sobre o que preciso reabastecer. É rotina. Antes de me tornar garçonete, trabalhei na sorveteria por um ano, e até participei das Olimpíadas dos Sorveteiros, quando todos os funcionários de sorveteria dos três estados mais próximos se uniram para ver quem faz os melhores sundaes. Um momento no tempo que eu realmente desejo poder apagar da minha memória. — Ei Sadie, — Michelle chama do balcão que separa a principal área de jantar da área de sorveteria. — Você viu o novo cara? Ele acabou de chegar e está lá atrás com o Stuart. Ele é gostoso. Michelle. Ela nasceu para fofocar sobre qualquer coisa que flutue em seus ouvidos. Mesmo se for somente sobre alguém que quebrou uma unha do pé no freezer, ela precisa contar a história. Ela tem a minha idade, frequenta a Universidade Binghamton durante o ano letivo, ama fumar, tem seios falsos e “ama festas”. Ela diz isso frequentemente, constantemente à procura de um convite meu. Ela ainda não conseguiu um. — Você não tem clientes esperando para que você

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Coberturas no sentido de todas as guloseimas que colocamos em cima do sorvete.


empurre seus seios nos rostos deles? Rindo, ela rodeia o balcão e empurra meu ombro. — Oh, Sadie, você é tão engraçada. Só tenho famílias para atender por agora. E eu não ousaria fazer isso na frente das crianças. — Ela faz uma varredura da área de jantar, então se vira para mim e diz baixinho: — Qualquer festa hoje à noite? Eu estou livre se houver. — Não que eu saiba, — respondo, selando meus lábios sobre a fogueira que Smilly está armando na casa de sua mãe esta noite. Ela balança a cabeça e continua a olhar ao redor. — Bem, você tem o meu número. — Na verdade eu não tenho. — Me mande uma mensagem se ouvir alguma coisa. Estou com vontade de sair sem calcinha esta noite. Tantas coisas erradas. — Ok. — Eu tento esconder meus olhos arregalados. Ups. Mas tenho que admitir, eu meio que gostaria de felicitá-la por ter tanto orgulho de seus modos vergonhosos. Não é muitas vezes que se encontra uma pessoa que é assumidamente uma puta e se promove entusiasticamente como uma também. Ela já pegou todos os rapazes do restaurante - incluindo o motorista de caminhão que traz nossos suprimentos todas as quintas-feiras - e agora está tentando conquistar seu caminho para o meu grupo de amigos. Mas, não. Não vou admitir nada disso. — Michelle, suas mesas estão pedindo por você, — a voz de Stuart aumenta atrás de nós. Virando-me, noto a estatura alta e larga de Stuart na entrada da sorveteria. Eu conheço esse homem há algum tempo, então suas táticas de intimidação não funcionam em mim, mas Michelle está intimidada – mas obviamente não a ponto de esquecer sua vagabunda interior. Estufando o peito para fora e jogando seu cabelo para o lado, ela pisca para Stuart e sai em direção a suas mesas. Ela é impossível. — Sadie, eu gostaria de te apresentar seu estagiário da semana. Semana? Uh, isso é novidade para mim.


Talvez Stuart ainda não tenha definido o resto do calendário da semana... Não. Desgraçado. Como se um inseto estivesse picando minha bunda, eu aperto meus lábios, tentando não xingar o gerente. Uma semana inteira na sorveteria? Isso vai ser um grande sucesso para minha conta bancária. Recuando para o lado, Stuart estende a mão e diz: — Sadie, este é Andrew. Andrew, conheça Sadie, uma das nossas melhores sorveteiras. — Garçonete. — Eu dou um sorriso apertado a Stuart e me viro para Andrew, que fica mais alto que eu em sua camisa de colarinho vermelho e avental preto. Não conseguindo evitar, observo-o atentamente enquanto ele só fica ali, atraentemente vestindo sua calça preta apertada e seus desgastados Chuck Taylors5 pretos. Ele não vai ser capaz de usá-los por muito mais tempo. Movendo meus olhos de volta para cima, noto seus ombros largos, que parecem possuir uma definição decente sob a camisa hedionda que somos obrigados a usar, e sob a aba de seu boné descansam óculos de aro preto, enquadrando um conjunto de olhos avelã. Hmm... talvez ele seja um pouco gostoso. — Prazer em conhecê-la, Sadie, — ele diz, se aproximando e pegando minha mão que estava frouxamente ao meu lado, agitando-a vigorosamente. — Hoje é um belo dia, não é? Uau. Do tipo revigorante então. — Uh, ei, — eu digo, afastando minha mão do brutal terremoto ao qual ele me arrastou. Apertando o ombro de Andrew, Stuart diz: — Sadie vai lhe mostrar todas as técnicas, você estará em boas mãos. Eu estarei nos fundos se você precisar de alguma coisa. — Virando-se para mim, ele diz em voz baixa: — Seja gentil. Antes que ele chegue longe demais, eu persigo-o e digo: — Sobre esta semana... Virando-se, ele me impede de seguir em frente. — Não

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Tenis Converse All-Star.


comece, Sadie. Você estará na sorveteria durante toda a semana. Você sabe que eu preciso de você para treiná-lo. Carla está fora essa semana, e eu não confio em Darleen. Ela mal sabe a diferença entre sorvete de chocolate e baunilha. — E Sherry, ou Blaine? Todos estiveram na sorveteria, — eu resmungo, quebrando meu cérebro para tentar lembrar de quaisquer outros garçons com experiência em sorveteria. — Eles não treinam tão bem como você. Eu acho que esse garoto vai ser bom, e eu gostaria que ele ficasse durante todo o verão. Arrastando meus pés com meus braços cruzados sobre o peito, sentindo a sensação dos olhos de Andrew em minhas costas, eu digo: — Você sabe, e não estou realmente sugerindo qualquer tipo de nepotismo aqui, mas eu poderia ligar para o meu tio... — É um golpe baixo, eu sei, mas estou desesperada aqui. Uma semana inteira na sorveteria significa uma queda significativa na remuneração, o que tornará difícil guardar um dinheiro muito necessário neste verão. Sem se importar, Stuart diz: — Se você ligar para o seu tio, lembre-o que é a vez dele de trazer o molho de queijo para a nossa noite de bilhar na quintafeira. Obrigado, querida. — Com uma piscadela, ele volta para seu escritório. Bem, isso não saiu como planejado. Sequer chegou perto do planejado. E nem no inferno eu vou lembrar meu tio sobre o queijo. Com a cabeça erguida viro-me para a área da sorveteria, onde Andrew está de pé, parecendo um pouco ansioso demais para o meu gosto. Por que ele está tão ansioso para ficar numa pequena área cercada por caixas de sorvete? Suspirando, ando em sua direção e avalio seus sapatos novamente. — Stuart não lhe disse para comprar sapatos pretos antiderrapantes? Nós dois olhamos fixamente para seus sapatos enquanto ele mexe seus dedos dos pés dentro deles. — Eu meio que esqueci, mas vou comprá-los esta noite. Acho que o Walmart poderá ter um par assassino que vá servir. — Claro. — Eu respiro fundo e olho em volta. Isso não vai


dar certo... — Então, devemos… — Posso apenas dizer uma coisa? — Ele está praticamente saltitando em seus pés, enquanto pura alegria exala de seus poros. E eu estou meio que chateada - nunca vi alguém tão feliz de estar no trabalho antes. — Uh, claro. Empurrando os óculos para trás novamente e ostentando um grande sorriso que faz meus joelhos tremerem - apenas um pouco - ele diz: — Este é meu primeiro emprego, e eu estou realmente animado por estar aqui. Quer dizer, eu já trabalhei um pouco antes, mas para os meus pais na loja deles no norte do estado, perto de Albany. Middleburgh na verdade. Você já ouviu falar? — Eu balanço a cabeça, observando sua boca se mover rapidamente com cada palavra que voa para fora dela. — Bem, de qualquer maneira, é uma cidade realmente pequena, apenas um semáforo e tudo. Mas eles têm uma loja e eu já trabalhei lá, embora nunca tenha realmente ganhado alguma coisa, porque meu pai é um grande pão-duro e acredita que abraços são ótimos como pagamento. — Isso soa como tortura. — De qualquer forma, essa não é a questão. Eu só queria dizer que estou super animado e pronto para aprender com a melhor. — Gesticulando para mim, eu seguro a piada que está se formando na parte de trás da minha garganta. Cristo. O cara definitivamente é lindo, mas sua personalidade energizada não vai combinar bem com a minha mentalidade contaminada. Até o final do dia eu vou me trancar no congelador com os dedos de galinha, ou vou tranca-lo lá. Mais provavelmente o último.


CAPÍTULO-TRÊS ANDREW

— E é aqui onde as maçãs ficam. — Lentamente, quase no ritmo de um Comodoro 64, Sadie levanta a concha das maçãs açucaradas e depois a coloca novamente no lugar, como se fosse a coisa mais difícil que ela teve que fazer o dia todo. Uau. Eu meio que quero chegar mais perto e sacudi-la, mesmo sabendo que se eu realmente fizesse isso, ao invés de apenas imaginar, ela poderia de verdade girar rapidamente e me atingir nas bolas, à que eu não teria tempo reagir. — E estes são o restante das coberturas. — Ela gesticula para as outras pequenas caixas negras alinhadas acima dos freezers de sorvete que dividem a nossa parte do balcão. — Todas as instruções sobre como fazer os diferentes sundaes estão ali. — Ela aponta para cima, e meus olhos seguem sua mão até alguns papéis laminados com sundaes coloridos que estão ao nível dos olhos para mim - para ela nem tanto. — Os pedidos virão daquela impressora lá. Alinhe-os aqui e faça-os em ordem. Se houver alguém no balcão de entrega, certifique-se de cuidar dele em primeiro lugar, porque todos os garçons devem saber como fazer seus próprios sundaes, se necessário. — Ok, isso parece um pouco estressante. Com uma mão no quadril e um sorriso de satisfação no rosto - um belo sorriso meio de lado, apenas para constar - ela diz: — Você vai ter que fazer sundaes, Andrew, não há nada estressante nisso. — Assim que ela termina de casualmente me


insultar, a impressora de onde os pedidos vêm começa a trabalhar. — Seu primeiro sundae, melhor começar a aprender agora. Tirando o pedido da impressora, ela o prende na área onde os pedidos devem ficar alinhados e depois se vira para mim, apoiando uma mão no balcão. — É um faça-seu-próprio sundae. Comece. Uhh, eu sei que sou um garoto esperto e que posso programar um computador usando uma língua estrangeira, e que uma vez escrevi um artigo sobre as dez equações matemáticas mais bonitas, mas sorvete não é algo com que estou familiarizado. Não querendo mostrar minha inaptidão, finjo ser corajoso e espio aqueles papeis laminados ali perto. Dup, mora, choc, RPiece, fudge, nenhum creme, cereja, cereja. Ok, não é tão ruim. Eu posso fazer isso. Pensando nas sessões de estudo que conduzi no Friendly durante todas as noites até o meu primeiro dia, o pedido deve ser de uma colher dupla, uma de morango e outra de chocolate, com cobertura de chocolate fudge e Reese's Pieces, mas sem chantilly. Vou assumir também a presença de duas cerejas. Ha! Com arrogância em meus passos, pego uma taça de sundae, abro o freezer, agarro uma colher de sorvete da água e sirvo uma bola de sorvete de morango. Sadie me observa com um brilho em seus olhos. Por que ela está sorrindo? Eu vou perguntar… Hmm... Eu olho para minha taça de sundae, e percebo que a bola de sorvete de morango está presa na metade do vidro. Isso não parece certo. — Você parece estar em uma situação complicada, não é? — Sadie pergunta, agora sorrindo ainda mais que antes. — Não. — Eu aceno. — Só tenho que convencer o sorvete a trabalhar comigo. — Colocando a colher dentro da taça, eu tento empurrar a bola de sorvete para baixo, mas o copo estreita no fundo, tornando impossível fazer com que o sorvete chegue até a base da taça. — Bem, isso parece bom o suficiente, —


digo, mesmo sabendo que parece uma merda. Eu lavo a colher e me inclino para o sorvete de chocolate quando Sadie me para. — Você não pode servir isso. Não só o cliente ficará chateado, porque parece que você estragou um sundae completo, mas a garçonete vai ficar chateada com você porque, por mais que o sorvete pareça simples, vai refletir em suas gorjetas. — Oh, tudo bem. Desculpa. Umm... — Olhando para o sorvete, eu faço a única coisa que me vem à mente. — Deixe-me consertar isso. — Colocando meu dedo enluvado dentro da taça, empurro o creme frio até o fundo, lutando um pouco já que minhas mãos são maiores do que eu esperava. — Aqui, — mas quando sustento a taça, percebo que o sorvete manchou todas as laterais, e que marcas distintas do meu dedo são notáveis através do copo. — Está melhor. Sem emoção, Sadie cruza as mãos sobre o peito e diz: — Você não pode servir isso. — Por que não? Ainda nem terminei. — Por que você enfiou os dedos aí dentro. Eu levanto os dedos e os mexo. — Mas estou usando luvas. Nada assustador vai acompanhar o sundae. Inclinando-se para frente, ela sussurra: — Você molestou aquele sorvete. — O que? Não, não molestei. Eu o massageei para que chegasse até o fundo. — E ele pediu uma massagem? — Ela se inclina para trás agora, me questionando. Completamente confuso, inclino minha cabeça para o lado e pergunto: — Hum, sorvetes tem sentimentos? Porque se for assim, eu realmente gostaria de saber quais são os sabores mais sensíveis, para não irritá-los. — Você está tentando ser engraçado? — Não é esse o ponto? Será que eu chateei o sorvete de novo? Sussurrando novamente para ela, pergunto: — É o de


pistache? Ele é o mais sensível? Sem um pingo de diversão, ela aponta para o sorvete e diz: — Jogue fora. — Jogar fora? No lixo? — Sim, você tem que começar de novo. — Mas, — eu mordo meu lábio inferior, — mas desse jeito ele não vai cumprir seu dever de sorvete. — Oh, pelo amor do fodido Deus, — ela bufa. Tomando a taça de sundae da minha mão, ela despeja o sorvete de volta no pote enquanto uma garçonete caminha até o balcão. — Sadie, meu sundae já está pronto? Olhando por cima do ombro, ela fala para uma loira de meia-idade. — Ainda não. Esse garoto aparentemente tem algum apego quanto ao destino do sorvete. — O quê? — A senhora pergunta, enrugando a testa. Virando-me para ela, tento explicar. — Sorvetes também têm sentimentos, e se nós apenas… — Andrew, — Sadie me bate no ombro, — ela não precisa saber sobre seus problemas com sorvete. Foco. — Virando-se para a garçonete, ela acrescenta: — Cinco minutos, Sherry. Ok, estou começando a desconfiar que Sadie pode não gostar de mim, o que ainda não aconteceu em meu histórico. Isso mesmo: embora possa parecer um pouco improvável, nunca me deparei com uma pessoa que não gostasse de mim. Eu sou um cara simpático e engraçado. Sim, eu posso ter uma coleção de calculadoras no meu armário, e sim, eu tendo a achar computadores e robôs fascinantes, mas nada disso é uma marca negra na minha personalidade , é mais como uma marca Oh ei, você parece ter uma marca interessante. Olhando para Sadie, que anda para cima e para baixo, não posso deixar de notar suas calças pretas justas, nem a maneira como elas se agarram perfeitamente a suas pernas, ou o fato de que a camisa de trabalho que ela está vestindo tem que ser


de uma criança pequena, porque se agarra a ela em todos os lugares certos. E esse cabelo... Vou admitir, eu sou um homem de cabelo. Alguns homens gostam de peitos - bem, todos os homens gostam de peitos - mas alguns gostam mais deles do que outros. Outros homens gostam de bunda, enquanto eu sou do tipo que adora cabelo. E eu sei o que você está pensando: Andrew gosta de púbis e axilas peludas. E você sabe o que? Eu gosto. Você acabou de se encolher? Eu enganei você? Espero que sim. Tire sua mente da sarjeta. Eu gosto do tipo de cabelo que nasce e cresce na cabeça, e pelo que posso dizer, Sadie tem alguns cachos loiros muito longos. Claro que não posso ter certeza, por causa do boné de beisebol que nós temos que usar... — Você está prestando atenção? Você estava assistindo o que eu fiz? Ah Merda. Afasto meus olhos de seu cabelo loiro e concentro minha atenção na taça de sundae, que ostenta bolas perfeitamente rodadas de sorvete fluindo por todo o caminho, chegando até a ponta estreita no fundo. Como diabos ela fez isso? — Uh... — Diga algo inteligente, algo inteligente, diga algo que não vai irritá-la. — Você tem cabelos bonitos. — Seus olhos se estreitam em mim, e eu me encolho. Não, não foi a coisa certa a dizer. — Você estava olhando para o meu cabelo o tempo todo? — Se eu dissesse que sim, você aceitaria isso como um elogio? — Eu dou-lhe meu mais encantador sorriso, juntamente com um empurrão adicional em meus óculos. — Não. Eu acharia que você é estranho. Hmm... realmente não causei uma boa impressão aqui. — Ok, então, uh, eu apaguei por um segundo. Colocando o copo de sundae no balcão, ela repete: — Você apagou por um segundo. — Meu sundae está pronto? — Sherry interrompe. Nem mesmo se preocupando em olhar para trás, Sadie levanta a mão e diz: — Ainda não, Sherry. Inclinando-me para frente, sussurro: — Pensei que não quiséssemos chatear as garçonetes.


Levantando uma sobrancelha, ela pergunta: — Foi nisso que você prestou atenção? Tomando uma respiração profunda, eu tento realmente fazer essa conversa voltar para o curso. — Escute, eu acho que nós começamos com o pé errado. Parece que você está com raiva de mim por algum motivo. — Não com você. Estou brava com a vida. Bem, isso explica as coisas. Antes que eu possa responder algo remotamente empático, ela rola os olhos e diz: — Agora preste atenção. Para servir um bom sundae, você tem que esquentar o sorvete com a colher, até criar uma espécie de saca rolhas para empurrá-lo para baixo, e só então você faz a bola para pôr no topo. Durante as próximas duas horas, fico preso a Sadie, observando sua técnica de esquentar, tentando acompanhar os pedidos e a reposição de coberturas e sorvetes, além de servir pratos e ignorar o fato de que não importa quantas piadas eu faça, não consigo quebrar a parede que ela construiu em torno de si. Jogando um pano na ilha em meio a área da sorveteria, ela diz: — Está calmo agora, então por que você não reabastece o chocolate e, em seguida, limpa os balcões? Eu tomo conta dos fregueses e da máquina de pedidos. — OK. Obedecendo, eu volto para o congelador onde fica o sorvete, ignorando o grill e a estação dos garçons ao lado do local onde as saladas são preparadas e sopas são servidas. Sal está na máquina de lavar louça, ouvindo sua música enquanto sacode a cabeça. Enquanto eu passo, ele me dá um aceno de cabeça, como fez todas as outras vezes, e eu devolvo o gesto. Eu não o conheci formalmente, apenas um aceno de passagem, mas ele parece um bom senhor. Aparentemente ele trabalha na máquina de lavar louça há dez anos. Limpar pratos por dez anos, isso que é dedicação. O freezer está cheio de comida pronta para ser frita e sorvete pronto para ser servido, para não mencionar que é insanamente frio. Felizmente não é um daqueles freezers que se veem em filmes e programas de TV, onde as pessoas ficam presas.


Não, há uma alça em ambas as extremidades, o que é reconfortante, porque assim eu não tenho que me preocupar com alguma iniciação assustadora que consiste em me trancar no cubo frígido. Percorrendo as caixas de sorvete, encontro o de chocolate e volto para a área da sorveteria, acenando para Sal e quase topando com Denise, a garçonete principal que Sadie especificamente me disse para não foder. Eu não sei o que ela acha que estou planejando, mas foder com as pessoas não está na lista dos meus afazeres de trabalho. — Cuidado, querido. Você não quer tropeçar e cair no seu primeiro dia, não é? — Denise pergunta, afastando sua bandeja de mim. Tropeçar e cair no chão escorregadio também não está na minha lista de tarefas. Embora agora eu entenda por que sapatos antiderrapantes são necessários. Fazendo meu caminho de volta para a área da sorveteria, encontro Sadie conversando com uma cliente no balcão. Deixando-a lidar com o pedido, começo a trabalhar em substituir o sorvete de chocolate, o que exige raspar os lados do pote vazio, despejando os restos no pote novo, e levar as caixas para fora. Não parece uma provação, mas é. No meio da raspagem, não posso evitar ouvir a conversa de Sadie com a cliente, que presumo ser uma amiga, considerando o bate-papo casual e o fato de Sadie não estar anotando nenhum pedido. — Obrigada por trazer meu xarope para tosse. Eu precisava disso. — Xarope para tosse? Sadie não parece estar doente. Talvez seja preventivo. — Dia duro? — A menina de cabelo castanho curto e roupas ecléticas pergunta. — Sim. — De onde estou fingindo me ocupar do meu próprio negócio, posso ver Sadie lançar furtivamente um olhar em minha direção e falar baixinho - embora não baixo o bastante. — Eu tenho que treinar aquele cara irritante hoje. Irritante! Quando eu fui irritante hoje? Flashbacks das nossas poucas horas passadas juntos flutuam pela minha mente.


Piadas sobre sorvetes sensíveis. Cara de morsa no sorvete de morango. Meter o dedo no sorvete. Ficarmos presos num espaço limitado - sim, ela não gostava muito disso. Ok, talvez possa ter havido algumas situações irritantes… — Ele é fofo. Qual é o nome dele? Fofo, huh? Eu preferia quente, bonito na maioria das vezes, elegante apenas quando estou no chuveiro, e, claro, sexy quando estou recitando todos os elementos da tabela periódica, mas vou dar um tempo a ela, já que ela ainda não me conhece. — Você tem namorado, — Sadie sussurra. — Eu sei, mas ainda posso olhar. Qual o nome dele? — Eu não sei. Adam? Adam? Isso é insultante. Eu sei o nome dela. Sei qual é o seu sorvete favorito (morango), porque perguntei cinco vezes até que ela me contou. E posso dizer? Eu também sei como seu rosto fica quando ela tem que fazer xixi, porque toda vez que ela teve que correr para o banheiro ela coçou o nariz primeiro. Logo, coçar o rosto é igual a Sadie tem que fazer xixi. E sim, eu sou mais observador que a média, eu sei disso, mas ela deveria pelo menos saber meu nome ao falar sobre mim com sua amiga. Sabendo que provavelmente me arrependerei disso, me levanto do freezer, ainda com o raspador de sorvete na mão, e ando em direção a Sadie - apenas para escorregar sobre algum gelo derretido no chão e cambalear pela sorveteria até bater direto nela. E não foi apenas colidir com Sadie, foi acabar com a cara em seu peito, abraçando seu corpo feminino. É uma almofada satisfatoriamente macia para a minha cabeça, mas considerando sua indignação instantânea, acho que ela não está interessada em permitir que eu use seus seios como travesseiro. — O que diabos você está fazendo? — Ela pergunta, tentando se afastar – o que é bastante difícil já que a tenho presa


contra o balcão. Desastradamente tentando equilibrar meu corpo caindo, e com o raspador de sorvete ainda na mão, balanço minha cabeça entre seus seios6 não de propósito - e abafo um desajeitado: — Me decupe. — Saia de cima de mim. — Estou tentando, — eu digo, finalmente conseguindo apoio no balcão atrás dela e me levantando. Com óculos tortos, boné no chão e um sentimento de sufoco em meu rosto, endireito meu avental e limpo minha garganta. — Minhas desculpas. — A amiga dela está rindo com mão no estômago quando eu empurro meus óculos de volta em meu nariz. — Embora eu esteja grato por seus seios firmes ampararem minha queda. Poderia ter sido uma bagunça, e não tenho certeza se meus óculos teriam resistido ao impacto. — Seios firmes? Merda, Andrew, não diga palavras como seios. E pelo amor de Deus, não diga que uma mulher tem seios FIRMES. Diga palavras como peitos. Peitos são mais viris. — Peitos, — eu murmuro. — Como é? — Sadie ostenta um olhar de puro horror em seu rosto. Porra, eu disse isso em voz alta? — Eu acho que ele disse peitos, Sadie, — sua amiga corta, passando os dedos pelo balcão. Sim, eu disse peitos em voz alta. — Eu o ouvi, Smills, — Sadie murmura em voz baixa. Ela olha para mim procurando uma resposta, mas eu encolho os ombros, porque não tenho nada. Não há nenhuma maneira de me tirar desta. Engraçado como seu cérebro pode literalmente parar de trabalhar no minuto que você mais precisa. Vamos lá, velho amigo, funcione. Formule algo espirituoso, ou algo irritante, ou algo que possa colocar um Band-aid sobre este incidente meio cru e embaraçoso. Mas, merda. Eu acabei de enfiar meu rosto nos peitos dela. Que homem poderia voltar a funcionar rapidamente depois disso? — Bem... — Sadie mantem os braços cruzados sobre os No original a expressão usada é motorboat, que consiste em balançar a cabeça entre os seios e fazer motor de barco. 6


seios, à espera de uma resposta. Não. Seus braços estão cruzados sobre seus peitos. Merda. Merda. Nervosismo puro e simples rasteja até a parte de trás do meu pescoço, inflamando meus ouvidos. Porcaria. Apenas diga qualquer coisa. Limpando minha garganta, dou um tapinha em seu ombro e digo: — Peitos firmes. E eu aqui pensando que não poderia ficar pior... pelo menos minha mão não bateu acidentalmente em seu peito para ver se seus mamilos eram feitos de aço, ou para descobrir se suas auréolas eram engrenagens maravilhosas. Tinha que olhar pelo lado positivo. Inclinando-se para frente, Sadie para há centímetros do meu rosto, e eu sinto uma ligeira sugestão de vodka em sua respiração - hein? — Aproxime sua cabeça dos meus peitos novamente que eu vou usar seu pau como um morango num milkshake. Engolindo, eu pergunto: — Pode ser milkshake de morango quando chegar a hora? Eu prefiro morango. — Ela solta um longo suspiro, e apenas para ter certeza de que estou seguramente enterrado em minha sepultura, eu acrescento: — E parece que seu xarope para tosse contém álcool. — Obrigada, — ela resmunga, passando por mim e batendo em meu ombro no processo. Realmente suave, idiota. O silêncio cai sobre a área da sorveteria, deixando-me só com a amiga de Sadie. Apontando com um morango para mim e, em seguida, colocando-o na boca, ela diz: — Eu gosto de você, Adam. Lançando a bolsa sobre o ombro, ela se dirige para a porta. — É Andrew. — Para mim, eu repito: — É Andrew. Sim, ótimo começo para o seu primeiro dia no seu primeiro emprego. Eu sou um verdadeiro vencedor.


CAPÍTULO-QUATRO SADIE

— Tetas firmes chegou, pessoal! — Smills chama de sua cadeira próxima a fogueira. Caminhando até ela, sento na grama e digo: — Não me chame assim. — Eu não sei, isso realmente faz sentido em minha mente. Tetas firmes combina com você. Eu solto meu cabelo do coque bagunçado no qual esteve preso por todo o dia, e trago meus joelhos para o meu peito, olhando para além das chamas. Que dia louco. — Por que estamos chamando Sadie de tetas firmes? — Saddlemire, o namorado de Smilly pergunta enquanto se senta ao meu lado, com uma cerveja em uma mão e uma tônica na outra para mim. — Oh, ela não lhe contou no caminho até aqui? Por que você o privaria de tal história? Tomando a clássica combinação de Gatorade e vodka, eu digo: — Talvez porque eu não ache que vale a pena mencionar. — Qualquer coisa sobre peitos vale a pena ser mencionado, — responde Saddlemire. Rolando meus olhos e ainda encarando o fogo eu digo: — O garoto novo que eu tive que treinar hoje escorregou e caiu nos meus peitos, e então passou a dizer que eu tinha seios firmes.


Uma explosão de risadas sai de Saddlemire e Smilly. Ainda bem que eu podia divertir todo mundo. — Oh merda, ele realmente fez isso? Eu aceno com a cabeça enquanto Smilly diz: — Sim. Eu estava lá. E quando você saiu, Sadie, eu disse a ele que gostava dele. Você deveria tê-lo convidado para esta noite. Ele parece legal. — Não, — respondo. — Eu não estou no mercado para novos amigos. — Quem está falando sobre amizade? — Smilly pergunta. — Ele é um observador, e tem aquela sensação vibrante nele. Aposto que ele tem os superpoderes de Clark Kent sob seus óculos. Mas você nunca saberá até leválo a uma cabine telefônica e tirar a roupa dele. — Não vai acontecer. Empurrando meu ombro, Saddlemire diz: — Olha, ela está corando. Ela gosta dele. — Não gosto, — respondo. — Oh meu Deus, você gosta. Sadie gosta do Adam. — É Andrew, — corrijo, fazendo Smilly e Saddlemire abrirem a boca em surpresa e rirem. Eles então trocam olhares de conhecimento. Olhares irritantes. — Você está tão na dele. — Eles estão praticamente noivos, — acrescenta Saddlemire. — Eu já vou lhe dizer agora, eu não compro conforme listas de casamento, então não espere que eu escolha seu presente de uma. — Eu compro, — Saddlemire aponta. — Você vai querer o aspirador de pó ou a molheira? — Dando de ombros, ele toma um gole de sua cerveja. — Inferno, acho que vou garantir as toalhas de banho. — Não, escolha os lençóis. Dessa forma podemos aproveitá-los quando cuidarmos da casa para eles. — Pensamento inteligente. — Saddlemire pisca para Smilly,


e então ambos tomam um gole de suas bebidas. Irritada, fico de pé e digo: — Estou saindo. — Aww, vamos, Sadie. Estamos apenas brincando. — Pausando, Smilly sorri. — Eu vou me certificar que Saddlemire compre a molheira. Eu sei o quanto isso é importante para você. Despedindo-me da maneira menos feminina possível, escovo minha bunda e vou para casa, onde sei que encontrarei Emma endireitando e cuidando de todos os bêbados do grupo. Apesar de beber meu “xarope para tosse” no trabalho, estou completamente sóbria. No minuto em que Andrew percebeu que eu estava bebendo no trabalho me senti tão malditamente culpada que parei. Daí a atitude de merda que tenho agora. Andrew. Ugh, por que ele tem que ser tão... tão... irritantemente atraente? Sim, eu admito. Não faz mal aos olhos olhar para ele. Na verdade, é exatamente o oposto. É aquele sorriso maldito dele, tão inocente, tão doce e carinhoso. Nenhum cara deveria ter um sorriso doce e carinhoso desse. Sorrisos devem ser devastadores, quase arrogantes, não doces e atenciosos. E seus olhos. Eles eram gentis, curiosos e interessados em todas as palavras que eu tinha a dizer. Cada palavra que eu tinha a dizer sobre fazer sundaes. FAZER SUNDAES. Quem se importa tanto com sorvete? Era quase como se ele não se preocupasse com o assunto, mas simplesmente gostasse de me ouvir, o que me deixou desconfortável. Não quero que ninguém se importe com o que tenho a dizer. Eu especialmente não quero alguém que não possa ler em meu círculo. Será que ele é realmente inteligente sob toda aquela doçura? Ou tão tímido quanto eu pensei em meu primeiro encontro com ele? Eu já tenho meu pessoal. Qualquer um a mais na mistura apenas tumultuará minha vida. Você deve estar pensando, que cadela, certo? Esta menina tem um cara legal que não fez nada além de agir de forma genuína, e sim, ele pode até ter balançado a cabeça um pouco entre os meus peitos, ou dado aos meus balões um pouco de hélio, mas ele não queria fazer nada disso. Eu entendo, ele é um


cara bom; isso é óbvio. Mas o que eu sei é que… Eu conheço o valor de um relacionamento, platônico e romântico, e não os desprezo. Eu apenas não participo deles por capricho, não vejo o lado positivo. Não posso. Ser queimada faz isso com você. Mulher quebrada, você deve estar se perguntando? Poderia dizer que sim, mas gosto de dizer realista. Eu vi o que um relacionamento pode fazer a uma pessoa. Já vi isso acontecer com meu pai. Vi seu mundo virar de cabeça para baixo por causa da minha mãe. Eu vi uma mulher cortar os laços com todos os seus filhos por causa de uma vida da qual nunca falaremos a respeito. E eu vi isso tudo em primeira mão. Meu pai se enrolou dentro de si mesmo e empurrou minhas irmãs e eu para a terapia em vez de falar conosco. Em vez de ouvir nossos pensamentos. Eu tive o conforto da confiança e do amor rasgados das minhas mãos e do meu coração. Então eu não vivo no céu, sonhando com todas as possibilidades que este mundo tem para me oferecer. Eu sou realista, alguém que vê o mundo como ele é: maçante e cinza, e com potencial limitado. É por isso que guardo as coisas para mim. Tenho meus amigos. Eles conhecem o meu passado, me aceitam por quem eu sou e me deixam ser a menina realista e um pouco excêntrica no canto. Não há necessidade de mudar nada sobre isso. Funciona. Abrindo a porta de tela, caminho para dentro de casa onde chamo o nome de Emma. Eu sei que ela não se importará em me levar até meu carro ainda estacionado no trabalho. Ela normalmente não fica muito nestas festas também. — No banheiro, Sadie, — ela grita. — Posso precisar de sua ajuda. Abandonando minha bebida, eu ando pelo corredor estreito até o banheiro, onde vejo nossa bonita e muito inteligente amiga Amy com a bunda nua no ar, curvada sobre a banheira e bebendo de um canudo. Com uma pequena firula ela diz: — Ei Sadie, entre.


Deixe-me explicar. Amy está estudando para se tornar médica. Ela compartilhou o título de mérito comigo na nossa turma de formandos. Ela é incrivelmente inteligente, muito inteligente mesmo, mas dê-lhe um drinque e ela se torna essa bagunça quente para todos verem. — Amy, o que você está fazendo aí? — Eu pergunto, apoiando meu ombro na porta. Seus lábios curvam-se para o lado em desapontamento e ela diz: — Eu sentei em alguma hera venenosa. — Como você fez isso? Emma afasta a cabeça de baixo do armário da pia e balança uma garrafa de loção de calamina. — Ela viu vagalumes e decidiu capturá-los. Sim, eis sua futura médica. Assustador, não é? — Eles são como fadas. — Há um temor místico em sua voz. — São bichos cujas bundas se iluminam. Vamos, Amy. Encolhendo os ombros, ela continua a beber, sem se preocupar ou se importar com nada agora. Mas ela vai se arrepender de tudo isso amanhã de manhã. Ela sempre se arrepende. E nós ganharemos a desculpa clássica de Amy em breve. Ela pedirá desculpas por agir imaturamente através de mensagem de texto, e depois nos pedirá para não mencionar nada para sua mãe, que poderia assustar a merda de Hitler. E está tudo bem ter uma referência nazista aqui, porque a mãe de Amy é tão assustadora assim. — Você planeja sair logo? — Eu pergunto a Emma, que está muito gentilmente tocando a bunda de Amy. Por que ela acabou com hera venenosa em seu traseiro eu não tenho nenhuma pista. E realmente nem quero saber. — Você não acabou de chegar? — Pergunta Emma. — Sim, mas não estou no clima hoje à noite. Preciso de uma carona de volta ao meu carro. — Você vai embora? — Amy lamenta. — Nós ainda nem


tivemos s'mores7. — Da próxima vez. — Eu finjo um sorriso e então digo: — Eu espero por você no carro, Emma. — Ok, me dê alguns minutos. Passando por copos de plástico, garrafas de Hawaiian Punch, vodka e um barril, eu navego em direção ao Jetta vermelho de Emma, estacionado mais ao lado para que ninguém pudesse bloqueá-la. Sempre era possível contar com Emma para uma carona. — Indo embora tão cedo? — Aquela voz profunda, áspera e rústica. Eu paro em meu caminho. Claro que ele estaria aqui. Por que não estaria? Ele nunca perde uma reunião com nossos amigos. Encostado no tronco de um carvalho com os braços cruzados sobre o peito e uma cerveja em uma mão flexionando seu forte bíceps está Tucker, o único garoto do qual eu não consigo me livrar. — Não estou no clima hoje, — eu digo, caminhando para o carro de Emma na esperança de evitar qualquer interação com Tucker. Mas, considerando o farfalhar da grama atrás de mim, ele está me seguindo de perto. — Precisa de uma carona para casa? — Não de você, — respondo agora apoiada no carro de Emma e emitindo vibrações de “caia-fora”. Contornando o capô do carro, ele se aproxima de mim com tanta arrogância que eu tenho que olhar para a grama para impedir-me de observá-lo fixamente. Facilmente, sem sequer tentar, ele pode me hipnotizar. Ele fez isso mais de uma vez, levando-me, novamente, a outra relação volátil e tóxica. Eu acredito que às vezes duas almas quebradas podem sim se curar, mas no nosso caso, quase nos destruímos. — O que está acontecendo na sua bonita cabeça? — Seu S'more é uma tradicional delícia americana e canadense, tipicamente consumida em volta da fogueira em acampamentos. Os ingredientes são: roasted marshmallow (marshmallow assado, na fogueira mesmo) e uma camada de chocolate entre duas graham crackers. 7


largo corpo está diretamente na minha frente agora, uma mão no bolso e a outra pendurada ao lado, segurando a cerveja. Seu pescoço áspero é destacado sob a luz da lua, e a touca de malha que ele usa só mostra algumas mechas de seu cabelo escuro. Ele dá mais um passo em minha direção. — Apenas um dia longo, — respondo, agora olhando para minhas mãos apertadas. Ele se aproxima ainda mais. Seu corpo está quase tocando o meu, e a mistura das nossas respirações dança entre nós. O perfume afiado de sua colônia cara tempera meu nariz. Estendendo a mão, ele passa seu polegar ao longo da minha bochecha, o que permito apenas por um segundo. — Não, — eu aviso, mas não me afasto, porque minha vontade não é forte. Nunca foi. Mas eu certamente aprendi por agora. Certamente poderei repelir seus encantos… Não escutando, ele se aproxima ainda mais, até que nossos corpos estejam pressionados um contra o outro. — Eu sinto sua falta, Sadie. — Tucker, — eu suspiro, alertando-o. — Vamos, Sadie. — Ele se inclina para frente e corre a ponta do nariz ao longo da minha mandíbula, seu pescoço ocasionalmente coçando minha pele. — Dê-nos outra oportunidade. Sua voz, tão primitiva e carente, me prende diretamente pelo coração. Já passamos por tantas coisas juntos. Ele conhece o meu passado. Sabe o que me assombra. Sabe que botões pressionar para me transformar em desordem. Ele é viciante, mas fatal em todos os sentidos. Pelo menos para mim. — Não, Tucker. — Com cada pingo de força que tenho apoio minhas mãos em seu peito e coloco distância entre nós. Em resposta, ele balança a cabeça e bebe a cerveja, olhando para a fogueira. — Não vai ser tão fácil, Sadie, deixar ir. — Não me diga. — Você é minha melhor amiga. — Não, não sou. Não diga coisas que não quer dizer. — Eu quero dizer isso, — ele responde um pouco de raiva


em sua voz. — Crescendo, você me abrigou me deu um lar. Você foi a minha primeira, e me ensinou o que é o amor. Você é tudo para mim, Sadie. Não é a primeira vez que o ouço dizer essas palavras, e não é a primeira vez que elas cavam um buraco profundo em meu coração. — Nós não somos bons um para o outro, Tucker. Arrastamos um ao outro para baixo, em vez de nos levantar. — É só porque temos história. — Não, é porque somos tóxicos um para o outro. — Você está pronta? — Emma chama, destrancando seu carro e fazendo um sinal sonoro algumas vezes, provavelmente tentando assustar Tucker. Ela não é fã de nós, nunca foi. — Sim, — eu respondo, meus olhos ainda em Tucker. — Nós não terminamos aqui, — ele adverte, tomando outro gole de sua bebida. E inferno, eu queria que não fosse verdade, mas por alguma razão, parece mesmo que a atração entre nós nunca deixará de existir. Sem responder, eu entro no carro e fecho a porta, segurando minha bolsa no colo. Emma, a quase irmã mais velha, começa a cacarejar sua opinião. — Eu não gosto dele com você. Ele é má notícia, Sadie. — Eu sei, — suspiro, olhando pela janela. — Ele sempre foi mau para você, e você merece mais do que isso. Ele só cheira a problemas e divórcio. Rindo, sacudo a cabeça. — Você está sempre pensando em casamento? — É bom ter objetivos de família, você sabe. Grandes árvores passam enquanto Emma conduz pela estrada sinuosa pela qual eu poderia dirigir com meus olhos fechados. — Nem todo mundo está destinado a ter uma família, Emma — respondo-lhe solenemente. — Você não pode ter certeza, — ela corta. — Mas eu tenho, — respondo com um suspiro. Eu tenho


certeza absoluta, na verdade. — Eu não pretendo nunca ter uma família. Não há necessidade de trazer crianças para este mundo fodido. Emma faz uma pausa enquanto para o carro no semáforo. Voltando-se para mim, ela coloca a mão na minha e com olhos bondosos diz: — Você não é sua mãe, Sadie. Você sabe disso, certo? Você nunca faria com sua própria família o que ela fez com vocês. Sentindo minha garganta apertando e ânsia de vômito, decido mudar o assunto, porque não estou pronta para entrar nesta conversa profunda agora. — Que tal se falarmos de outra coisa? Entendendo, Emma volta a dirigir. Com um pouco mais de luz em sua voz, ela diz: — Eu ouvi que você tem um novo apelido, peitos firmes. — Oh meu Deus. — Suavemente batendo minha cabeça contra o apoio de cabeça, tento escapar da implacável, mas amorosa, brincadeira de meus amigos. Claro que Smilly iria contar a todos sobre o episódio ‘peitos firmes’. E claro que todos iriam seguir seu exemplo me chamando assim. Estagiário estúpido. Estúpido e ligeiramente adorável, Adam... Andrew. É tudo culpa dele. Peitos. Firmes.


CAPÍTULO-CINCO ANDREW

Balançando-me para frente e para trás e de um pé para o outro, eu seguro a bolsa perto do meu peito e olho em volta, jurando que alguém me seguiu. Quanto tempo leva para abrir uma maldita porta? Eu bato novamente. Se apresse. Se apresse. Vou bater de novo quando finalmente a porta se abre e Jimmy aparece do outro lado, seus óculos empoleirados em sua cabeça. Não lhe dou tempo para me cumprimentar. Atravessando o batente, empurro a mochila em suas mãos, fecho a porta e pressiono um olho contra o olho mágico, procurando alguém que pudesse ter me seguido do Friendly's. — Ei, psicopata, o que diabos você está fazendo? — Verificando se alguém me seguiu. — Quem inventou o olho mágico? Eles fizeram um trabalho terrível. Deveriam têlos feitos significativamente maiores, porém, para espionar, não apenas espiar. — Você realmente se acha tão importante? — Jimmy pergunta atrás de mim. Olhando para o estacionamento do complexo de apartamentos outra vez - ou talvez duas vezes - declaro o espaço livre e me viro em direção ao meu irmão. — Me chame de paranoico, mas nunca roubei sorvete antes. Eu nunca me senti tão nervoso ou com tanto medo na vida como quando peguei alguns sundaes para levar para o apartamento de Jimmy. Todo mundo faz isso – furta um sundae


de vez em quando - mas fazê-lo na minha primeira semana é muito arriscado. Mas não tive escolha. Eu fui forçado a ouvir Jimmy mendigar e implorar por um pouco de sorvete, então cedi. — Você vai ficar bem, — ele diz condescendentemente, levando os roubados doces gelados para a sala de estar, onde Mae está jogando o Super Mario da Nintendo NES que tem desde o ensino médio. — Você pegou cobertura de manteiga de amendoim extra? — Sim. — Eu rolo meus olhos e me sento em um dos banquinhos no bar da cozinha. — Mundo sete. Bom, Mae, estou impressionado. — Não fale com ela, — diz Jimmy. — Ela me ameaçou com uma faca na garganta mais cedo por atrapalhar sua concentração. Sem tirar os olhos da pequena TV de tubo de treze polegadas, ela diz: — Sempre que você parar na frente da TV e começar a dançar nu com apenas um pano sobre seu pau, eu vou te ameaçar. Rindo, eu digo: — Parece que você mereceu, cara. — Não quando eu estava dando a ela alguns dos meus melhores movimentos. Não é fácil balançar seu pau e ao mesmo tempo impedir que o pano que o cobre caia. Ela deveria ter me elogiado. — Ninguém quer um pau balançando em seu rosto. — Mae pausa o jogo e se vira para mim com um sorriso. — Ei, Andrew, como está a peitos firmes? — Oh, por favor, — eu gemo, minhas mãos esfregando meu rosto. Rindo, Mae vem até mim e me bate no ombro. — Sinto muito, mas estou morrendo de vontade de lhe perguntar isso desde que Jimmy me contou sobre o seu primeiro dia. — Obrigado, Jimmy. Com a boca cheia de sorvete, ele responde: — Ei, eu não escondo nada da minha senhora. — Isso é meu? — Mae pergunta, abrindo um sundae de creme com xarope de chocolate e pedaços de brownie. — Yup, o meu é o de morango com fudge. — Ela me


entrega minha taça e eu como com os dois. — Então, você já teve outros acidentes com a tetas firmes? — Jimmy pergunta. — O nome dela é Sadie, e não. Ela deveria me treinar durante toda a semana, mas de alguma forma mudou de turno, então eu tenho trabalhado com um cara chamado Blaine. Tenho certeza que ele é o presidente do comitê dos idiotas, e infelizmente eu sei que ele está tentando me recrutar. Sim, a mudança de parceiros de treinamento foi uma surpresa para mim, especialmente porque eu sabia que Stuart estava inflexível sobre Sadie me treinando. No dia seguinte, quando vi Blaine na área de sorveteria em vez de Sadie, comecei a suar profusamente. Eu temia que Sadie contasse a Stuart sobre meu pequeno deslize com seus seios, e que por isso eu seria demitido, mas conforme o dia se passou, Stuart não se aproximou de mim. Mesmo depois de quatro dias ele ainda não se aproximou de mim. E não é como se ela tivesse saído. Não, eu a vejo todos os dias trabalhando na área de jantar principal, agindo toda doce e bonita com seus clientes. Pena que eu nunca tive isso de Sadie. Ela é quase tão fria comigo quanto sorvete. Em vez da doçura de Sadie eu ganhei o babaca do Blaine, que prefere me contar histórias intermináveis sobre sua fraternidade do que me ensinar qualquer coisa sobre sorveteria. E eu sei o que você está pensando. Você não tem que fazer os sundaes de Sadie quando eles entram como um pedido? E assim seria. Mas antes que eu possa mesmo pegar o pedido da impressora ela já está puxando o bilhete das minhas mãos e fazendo suas próprias sobremesas. — Você sente falta dela? — Brinca Mae. Dou de ombros. — Na verdade não. Mas eu prefiro seu desprezo aos high fives8 de Blaine. — Imitando sua voz babaca, eu levanto minha mão e digo, — O sorvete do refil está cremoso. É isso aí, mano.

8


Rindo e balançando a cabeça, Jimmy diz: — Sem chances dele fazer high five por causa de sorvete cremoso. Com a boca cheia de sorvete, Mae acrescenta: — Inferno, eu quero um high five agora por causa desse prazer cremoso, então não o culpo. Quero dizer, se Blaine não fosse um chato irritante, eu realmente poderia ter feito high five com entusiasmo, porque eu concordo com Mae: sorvete cremoso é o céu. — Então peitos firmes não está falando com você? — Jimmy pergunta. — Sadie vive em seu próprio mundinho, e honestamente, eu não tenho planos para conhecê-lo. — Isso pode ser uma mentira parcial, já que não posso negar a atração. Está lá com força total toda vez que a vejo, mas Jimmy e Mae não precisam saber disso. — Então, por que você fica falando sobre ela por mensagens de texto? Tudo que eu recebo é Sadie isso e Sadie aquilo. Cara, você tem algo por ela. Eu realmente falo sobre ela tanto assim? Nota para mim mesmo: parar de falar sobre Sadie em torno de Jimmy. — Você sabe que papai vai ter um aneurisma se descobrir que você está tendo muito tesão por alguém. — Eu sei. Mas não preciso ser lembrado, já que eu não planejo namorar com ela ou ficar com tesão por causa dela, como você tão imaturamente colocou. — Suspirando, mexo meu sorvete cuidadosamente, fazendo um pouco de sopa de sorvete. — Eu simplesmente não gosto quando alguém não gosta de mim. Você sabe disso. E está claro como o dia que ela não gosta de mim. É verdade. Tenho uma obsessão doentia a respeito de precisar que todos gostem de mim. Não é nem um pouco saudável, eu sei. Mas estou aqui também para perceber e aceitar minhas falhas então *torço os dedos* como faço para Sadie gostar de mim? — Por que você quer agradar a todos? — Jimmy balança suas sobrancelhas para mim. Rolando meus olhos, me levanto do banquinho e atiro o


resto do meu sorvete na lata de lixo, já que está derretido à merda. — Não há razão para Sadie me odiar. Eu não fiz nada errado. — Ela se tornou sua vítima peituda nas primeiras horas após conhecê-lo, — Jimmy aponta, um sorriso de merda em sua cara. — Ela já me odiava antes disso, idiota. Cair sobre ela foi apenas o prego no meu caixão. — Então por que se importar? — Mae pergunta, lambendo a colher. — Eu digo para se conformar. Mais fácil falar do que fazer. — Porque, — eu suspiro, — há algo escuro em seus olhos, algo que a endureceu até torna-la a pessoa que é hoje. Eu posso ver a dor, e eu não sei porque, só quero descobrir por que ela está tão zangada, porque não pode realmente sorrir para um estranho. E talvez, apenas talvez, eu possa ajudá-la a aprender a sorrir de novo. — Você gosta dela. — Jimmy aponta para mim. — Cristo, eu não posso ser um bom rapaz? — Com sua história, não há nenhuma maneira que você possa apenas ser amigo desta menina. — Ele tem razão, — acrescenta Mae. — Eu te amo, Andrew, mas você nunca foi capaz de ser apenas amigo de uma garota. Você sempre entrega seu coração. — Isso não é verdade. E Stephanie? Ela é minha amiga. — Ela é lésbica, — diz Jimmy. — Portanto ela não conta, já que não há romance florescendo aí, não importa o quanto você acha que é capaz de ajudá-la a voltar a ser hétero. — Não é uma escolha, — castigo meu irmão, levantando minha bandeira arco-íris para a minha amiga. — É o que está em seu coração. — Cara, eu estava brincando. Desça do seu palanque. Jesus. — Jogando seu sorvete no lixo também, ele limpa a boca com um guardanapo. — Tudo que estou dizendo é que não há chance de você não se apaixonar por essa garota. Você deveria ver


seu rosto quando falamos sobre ela. — Só porque ela é nova e interessante. Basta assistir. Não só vou fazê-la sorrir de novo, como também vou me tornar um de seus melhores amigos. Qualquer coisa entre nós será estritamente platônica. Marque minhas palavras.

Merda, por que ela tem que ser tão quente? Amigos. Nós vamos ser amigos. Não a olhe se curvar. Não olhe para ela. Não imagine ela nua. Não, não está acontecendo. Pense em computadores...

computadores.

Computadores,

computadores,

Recitar as sete camadas do modelo OSI. Valendo! Camada física. Camada de ligação de dados. Os olhos de Sadie são bonitos. Camada de rede. Camada de Transporte. Eu me pergunto qual seria a sensação de seus lábios contra os meus. Camada de Sessão. Aposto que a pele dela é macia. Camada de apresentação. Eu realmente gosto daquelas calças nela. E, claro, a camada de aplicação. Ai, eu fiz. — Fez o que? A voz de Sadie quebra meus pensamentos. De pé na minha


frente, colocando um avental da sorveteria, ela me estuda, procurando uma resposta. — Uh, as sete camadas do modelo OSI. Suas sobrancelhas se juntam em confusão. Realmente ganhando pontos aqui, Andrew. Junte suas merdas. — É algo que está na minha lista de coisas nerds. Na verdade, está em todas as listas de coisas nerds, programar todas as sete camadas por si mesmo. Que realização que seria. Inclinando-se para frente e automaticamente trazendo seu aroma feminino mais perto - Deus, ela cheira como um sonho maldito - ela me cheira. — Você está bêbado? Eu perguntei o que precisa ser abastecido, e você começa a balbuciar como se estivesse tendo um derrame. — E você acha isso cativante...? — Eu pergunto, por alguma razão autodepreciativa. Estudando-me por um segundo com um olhar estranho em seu rosto, ela sacode a cabeça. — Nem mesmo um pouco. Merda, lá se foi a ideia de parecer fofo. Concentre-se na amizade. — Uh, o que você está fazendo aqui? Pensei que estava trabalhando na sala de jantar hoje. — Blaine ligou avisando que está doente. E você ainda não me respondeu. — Ela termina de amarrar seu avental e começa a prender seus lindos cachos sob o boné. — Está tudo estocado? — Uh, yup, — eu respondo como um pateta. — Bom. — Ela bufa e olha ao redor. — Eu não sei por que Stuart me coloca na sorveteria quando está assim tão devagar. Indevidamente eu respondo: — Também não sei. O silêncio cai entre nós enquanto permanecemos de pé em meio a sorvetes e coberturas, sem saber o que dizer um ao outro. Literalmente nada me vem à mente agora. Eu nunca tenho este problema, de faltar algo a dizer. Ao contrário, sou sempre a pessoa que não consegue calar a boca. Mas Sadie é tão


diferente. Ela não segue a etiqueta social não escrita que nos obriga a manter pequenas conversas e fingir que estamos gostando. Sadie não fode ao redor, e demonstra todos seus sentimentos em seu rosto. É possível dizer quando ela não quer nada com você. E agora essa é a exata vibração que estou sentindo. Estou prestes a abrir a boca para perguntar como foi sua noite, porque honestamente não consigo pensar em mais nada, quando Stuart entra na área da sorveteria e coloca uma enorme garrafa de alvejante no balcão. Acenando com a cabeça para o canto, ele diz: — Está devagar, limpe a ‘parede do milkshake’. Com horror, Sadie e eu nos viramos para o canto onde os dois misturadores de milkshake repousam contra uma parede de plástico incrustada de leite. E por que há algo chamado ‘parede do milkshake’ no restaurante, você pergunta? Quando a vi pela primeira vez, fui pego de surpresa - talvez um pouco de ressaca – e estava bastante inseguro do por que haveria uma seção na sorveteria que parecia como se pequenos Smurfs tivessem gozado por toda a área. Mas então eu fiz um milkshake pela primeira vez. Há certa técnica para descer o copo ao fazer um milkshake. Não se pode colocar muito leite, e se a intenção for fazer um com sorvete - também conhecido como Fribble9 - é preciso estar preparado para ser espirrado. Eu ainda não consigo não pulverizar leite em todo o lugar ao fazer um. E quando se está ocupado, é fácil esquecer-se de limpar – que é quando o processo de formação de crostas começa. Porque depois dos respingos te atingirem, eles começam a cobrir todas as outras superfícies e a escorrer por elas, até cobrir a coisa toda. — As escovas estão debaixo do balcão. Vá trabalhar. Stuart se afasta, e eu estou prestes a perguntar a Sadie como devemos limpar quando ela coloca a mão no quadril, olha primeiro para mim e então para a garrafa de cloro. 9

Tipo de Milkshake.


Implicando... — Você não espera que eu limpe a parede sozinho, não é? — Escute, eu já tive a minha parcela de dias esfregando essa crosta. Você é o novato, você é quem tem que ganhar seus culhões. Sim, eu poderia ter imaginado que ela diria algo assim. Dura como pregos. Firmando um sorriso no rosto, eu agarro o alvejante e digo: — Sem problema. Quer supervisionar? — Não. —Ok, pode separar os morangos, então? É a única coisa que ainda não fiz. Olhando os morangos, que foram mutiladas para ficarem de tamanhos iguais, ela solta uma respiração longa e acena com a cabeça. Sorte para mim os morangos estão bem ao lado da parede do milk-shake, então poderei tentar manter uma conversa com ela. — Então, planeja beber um pouco de 'xarope para tosse' hoje? — Eu lhe dou um sorriso perverso, deixando-a saber que estou brincando. — Não me tente, — ela responde. — Você sempre bebe no trabalho? Inclinando-se, ela diz: — Você pode falar mais baixo? — Eu não falei alto, mas posso gritar, se você quiser. — Respiro fundo aguardando sua retaliação quando ela cobre minha boca. A sensação de sua mão sobre meus lábios é perfeita, como se eu tivesse resolvido a identidade de Euler10. — Não se atreva. E então a coisa mais maravilhosa acontece. O menor dos sorrisos aparece no canto de sua boca, e quando digo pequeno, quero dizer que um hobbit apareceu, fisgou o canto de sua boca e mal o puxou. Foi minúsculo, breve, mas existiu, e isso

Em matemática, a identidade de Euler é a seguinte equação: Richard P. Feynman, seria a identidade mais bela de toda a Matemática. 10

. Segundo


me dá esperança. Talvez ela não me odeie tanto assim. Ponto para mim. Afastando-me, dou risada. — É melhor vigiar a si mesma, ou vou acabar explodindo sua fachada de fodona. — Eu não ficaria surpresa. Eu me sento no chão para melhor acessar à parede, esfregando no canto enquanto tento encaixar meu corpo grande no espaço limitado, o que está se provando bastante difícil. — Você tem certeza que não quer fazer isso? Eu não quero te tirar o prazer de esfregar leite azedo. — Eu estou bem, — ela responde. — Tudo bem, mas não venha chorar para mim quando... — Eu abro a garrafa de cloro e acidentalmente aperto-a ao mesmo tempo, espirrando água sanitária como uma ejaculação precoce direto em suas calças pretas perfeitamente ajustadas. Não. Fode. Nem sequer se incomodando em olhar para mim, ela pergunta, com os olhos fixos nas calças: — Você acabou de derrubar alvejante nas minhas calças? Veja bem, eu poderia dizer que não, mas em algumas horas ela saberia que é mentira, por causa das manchas que obrigatoriamente vão aparecer em suas calças. — Se eu disser que sim, o que vai acontecer comigo? — Eu me encolho, esperando que ela não tente me levar para o freezer para me castrar. Suspirando, ela enfia a mão no bolso, pega o celular e começa a enviar mensagem para alguém. Endireitando-me, pergunto: — Chamando um assassino? — Não, pedindo para minha amiga trazer mais xarope para tosse. — Com seu telefone, ela se vira e se dirige para o banheiro. Merda.


Sadie: 1. Eu: -50. Melhores amigos... nem tanto. Risque isso. Provavelmente nunca.


CAPÍTULO-SEIS SADIE

Existe algo inerentemente errado comigo? Por que não consigo parar de rir quando penso no rosto de Andrew quando ele me pulverizou com cloro? A devastação absoluta em seus olhos, como se acidentalmente tivesse derramado água benta sobre o diabo. Tão cômico. Sei que tenho sido um pouco dura com ele, mas por uma boa razão. Ele é um daqueles caras que podem facilmente te encantar. Só com aquele sorriso, ele é alguém que você sabe que nunca será capaz de eliminar de seu mundo. Ele cola como supercola, nunca te deixando. Mas mesmo assim... eu gargalho um pouco mais. Deus, ele parecia tão bonito com tal choque absoluto e arrependimento em sua expressão. Sacudindo a memória da minha cabeça, eu pego um saco de chocolate e coloco a cabeça para fora do estoque, onde vejo Andrew falando com os caras na grelha. — Não há nenhuma maneira de Giancarlo Stanton ser melhor que Derek Jeter. Você está louco? — Discute Andrew. — Em primeiro lugar, eles sequer jogam na mesma posição. Você não pode comparar um shortstop11 e um fielder direito12. E somente na percentagem de fielding Derek Jeter já supera Giancarlo. Minhas sobrancelhas se elevam em interesse. Andrew No beisebol, o interbases (SS), ou shortstop, é o jogador que ocupa a posição entre a segunda e terceira bases. 12 Campista direito ou Defesa direito é um defensor externo no beisebol que joga na defesa do campo direito. O campo direito é a área do campo externo à direita de uma pessoa que está do home plate. 11


curte beisebol? Eu nunca teria adivinhado que o nerd quente com antebraços tentadores pudesse gostar de beisebol, muito menos discutir sobre isso. — Beisebol não tem nada a ver com Fielding, — diz David ao lançar um hambúrguer na grelha. — É sobre home runs13, todo mundo sabe disso. É o que atrai a multidão. Visivelmente tremendo, Andrew responde com tanta paixão que eu quase quero dar-lhe um abraço. Quase. — Você está louco? Beisebol não é sobre home runs, a não ser talvez para os caras que mascaram suas falhas atrás de um bastão. O verdadeiro beisebol, o bom tipo de beisebol, é jogado com inteligência, com movimentos bem pensados. É como uma equação: você tem que juntar todas as peças para obter a solução perfeita, uma vitória. Você não pode apenas montar seu time com rebatedores de home-run e acreditar que vai ganhar todos os jogos. Cada jogador é essencial a sua própria maneira, desde os catchers aos rápidos lefthanders14 e os grandes lançadores home-run. Sem cada peça do quebra-cabeça você não vai a lugar algum. Quero dizer, olhe para os Yankees de 96: estava cheia de um monte de desconhecidos, e pode ser indiscutivelmente uma das melhores equipes da história dos Yankees. — Os Yankees de 98, — eu digo, invadindo a conversa e ganhando um olhar surpreso de Andrew. — Os Yankees de 98 são indiscutivelmente a melhor equipe da história. — Ah, aí está minha garota. Eu sabia que você podia sentir o cheiro de uma conversa Yankee de qualquer lugar, — diz David, lançando outro hambúrguer ao fogo. — Você é fã dos Yankees? — Pergunta Andrew um pouco perplexo. — Seria uma idiota se não fosse. — Segurando meu chocolate, volto para a sorveteria com meu coração batendo um

No beisebol, home run (denotado HR) é uma rebatida na qual o rebatedor é capaz de circular todas as bases, terminando na casa base e anotando uma corrida (junto com uma corrida anotada por cada corredor que já estava em base), com nenhum erro cometido pelo time defensivo na jogada que resultou no batedorcorredor avançando bases extras. 14 Catchers e left-handers são outras posições de jogadores de basebol. 13


pouco mais rápido do que o normal. Então ele gosta dos Yankees. Isso não muda nada. Mas por que eu sinto como se estivesse descongelando a parede de gelo que eu mesma construí ao meu redor para evitar qualquer tipo de conversa com ele? E por que eu acabei de pensar que ele tem antebraços tentadores? Seus antebraços são como os de qualquer homem normal. Nada especial sobre eles. Nada. Embora, quando ele serve sorvete, a forma como flexionam... — Você é uma verdadeira fã dos Yankees ou apenas uma poser? Quero dizer, você chorou quando Derek Jeter se aposentou? — Pergunta Andrew, apoiando uma pilha de taças de sundae na ilha central, que é realmente apenas uma mesa de metal. — Que tipo de pergunta é essa? — Estou repondo doce de chocolate na bomba quando respondo a ele. — Considerando que eu sei sobre os Yankees de 98, como pode dizer que não sou uma fã real? — Eu paro por um segundo e depois adiciono: — E se você não chorou, então não há esperança para você na vida. — Eu não sei. — Ele se aproxima de mim com uma postura desafiante e empurrando seus óculos, seus olhos cor de uísque sinceros e belos me encarando. Deus, ele é realmente bonito. — Se eu perguntasse quem era seu jogador favorito dos Yankees de 98, esse seria... — Bernie Williams. Um jogador discreto. Cheio de classe e talento, que levava seu time à vitória pela equipe e não por si mesmo. Foi facilmente ofuscado pelos Core Four15 quando honestamente deveria ter sido parte dele. Com a boca aberta, Andrew olha para mim por um segundo. Ah, aposto que ele não esperava essa resposta. Não teste meu conhecimento sobre os Yankees. Vou matá-lo nesse departamento. Core Four é a formação do New York Yankees composta pelos jogadores Derek Jeter, Andy Pettitte, Jorge Posada e Mariano Rivera. 15


Limpando a garganta, ele diz: — Bernie, hein? Certo. — Balançando a cabeça, ele para, levanta o dedo e diz: — Aposto que você não tem o CD… — The Journey Within16? Eu tenho uma cópia assinada. — Sorrio. Não posso evitar. — Ah, sim. — Com as mãos nos quadris agora, ele pensa por um segundo. — E seu nascimento... — 13 de setembro de 1968, que foi na verdade uma sexta-feira, no caso de você estar se perguntando. — Bem, e sobre Tino... — Você quer dizer Constantino Martinez, nascido em 7 de dezembro de 1967, o primeiro baseman dos Yankees, que jogou entre 1996-2001, até que voltou em 2005? O que tem ele? Bufando de frustração, Andrew arranha a parte superior de seu boné, procurando qualquer outro fato para me testar. —Escute, vou ter que pará-lo antes que vapor comece a escorrer de seus ouvidos. Eu sei tudo o que há para saber sobre os Yankees. Li todos os livros, todas as autobiografias, assisti a cada filme, vi quase todos os jogos desde que me lembro, assino a rede YES e coleciono cartas de beisebol desde os cinco anos. Eu tenho uma mente de aço, que está cheia de fatos de beisebol inúteis. Seu desafio vai acabar te frustrando mais do que a mim. Ele se apoia no balcão e me estuda, seus braços cruzados sobre o peito. Um peito para o qual eu não consigo parar de olhar. Há algo sobre esse cara que é uma contradição flagrante da vibração que ele exala. Seu coração e sua mente depreendem uma vibração em dois sentidos, um com o qual eu não me importo, enquanto o outro vai diretamente contra a minha crença de que o mundo me odeia. E então ele fica ali... me consumindo. Sim, consumindo é a palavra correta. Com óculos grossos emoldurando olhos cor de avelã, e aquele queixo pronunciado, ele é meio devastador na verdade. — Uh, não sendo rude nem nada, mas você está bem? Em tradução literal, A Jornada a Dentro. É o álbum de estreia de Bernie Williams, que no momento do lançamento ainda era jogador dos New York Yankees. 16


Parece que você está tendo um derrame. Seu rosto não está se movendo e sua língua está fazendo coisas estranhas com seus lábios. Você precisa se sentar? O que? Meu Deus, eu estava apenas olhando. E o que minha língua estava fazendo? Sacudindo a cabeça, um rubor de vergonha mancha minhas bochechas, e eu volto para o doce de chocolate para terminar o que estava fazendo. — Estou bem. Apenas pensando em algumas coisas. — No que você estava pensando? — Ele pergunta, se aproximando de mim e me ajudando com a bolsa de doce de chocolate. Imediatamente meu corpo aquece a partir de onde seu ombro escova contra o meu. O que está acontecendo comigo? — Nada, — eu salto, afastando-me dele e dando-nos algum espaço. — Whoa. — Ele levanta as mãos no ar. — Eu estava apenas ajudando. — Eu já despejei doce de chocolate na bomba sozinha antes, — digo, voltando para a bomba novamente para terminar o trabalho. — Oh, eu sei, mas com toda a coisa da língua que você estava fazendo eu pensei que poderia precisar de um pouco de ajuda. Tem certeza que está bem? Espremendo o fundo, eu movo o doce de chocolate cuidadosamente na bomba, me concentrando na tarefa. — Estou bem, ok? Vá guardar os copos. — Ok. — Afastando-se de mim, eu ouço o distinto som dele empilhando os copos novamente. — Sendo bem honesto, é foda você saber tanto sobre beisebol. Acho que nunca conheci ninguém que entendesse dessas coisas. — São apenas fatos inúteis. — Eu não quero aceitar seu elogio, porque se o fizer, a sensação de aquecimento fluindo através de mim vai aumentar ainda mais. Sou realmente tão patética? O cara diz que gosta dos Yankees e de repente eu o vejo como um novo homem? Um homem muito atraente e que eu não me importaria de ver sem camisa, talvez servindo um


sorvete com aqueles antebraços… Não! Oh meu Deus, não. Tire esse pensamento da sua cabeça agora. Mas... os antebraços de Andrew servindo sorvete. — Ainda assim, é muito legal. Você já esteve no estádio para assistir um jogo? Eu não posso evitar rir. De frente para ele agora, eu me inclino contra o balcão e digo: — Todos os anos, no meu aniversário, meus amigos e eu vamos assistir a um jogo. Assentos baratos, é claro, porque quem pode realmente pagar os assentos inferiores? — Sim, especialmente um estudante universitário. Mas sonhar com um dia perfeito, naqueles assentos executivos, esperado as bebidas com os jogadores... Cara, isso seria a porra de um dia incrível. Um calafrio percorre minha espinha. Por que eu gostei quando ele xingou? E aquele ‘porra’ rolou tão facilmente por sua língua que me fez pensar que talvez exista um improvável bad boy em seu interior. Talvez. — Seria. Você já...? — Ei, Mãaae! — A voz de Smilly soa através do balcão de compras, arrancando-me da interessante conversa com Andrew. — Trouxe seu xarope para tosse. Smilly coloca a bebida no balcão quando um pequeno bufo vem de Andrew, que começa a empilhar taças de sundae novamente. Eu jogo o saco de doce de chocolate vazio no lixo e me viro para Smilly, que agora está sentada no balcão. Quando a alcanço, ela me entrega a garrafa Gatorade que eu sei que não está cheia de Gatorade. — Obrigada. Pensei que você não seria capaz de vir. Você não tem que cuidar dos gêmeos? — Sandy chegou cedo. — Olhando para seu carro ela diz: — Uh, você talvez queira ver o que eu tenho no carro. Eu tenho que ir no banheiro. Ela desce do balcão e começa a se afastar quando eu a paro.


— Espere, do que você está falando? — Vá até o meu carro. — Com isso, ela sai em direção ao banheiro, além de evasiva. Eu conheço essa garota desde sempre, então por que eu sempre espero mais dela? Ligeiramente irritada, tiro meu avental e o coloco na ilha de metal, e então digo a Andrew: — Já volto. Se Stuart perguntar, estou no banheiro. — Vai levar seu xarope para tosse com você? — Ele pergunta, um sorriso afetado em meus lábios. — Não, mas sirva-se. Você parece doente, — eu retruco enquanto ando para fora. O calor úmido do estado de Nova York me atinge no minuto em que saio. Estou convencida que a umidade é uma criação do diabo, nos preparando, malditos pecadores, para a vida após a morte. E considerando como os verões têm sido insuportáveis, deve haver muitos pecadores em Nova York. Smilly estacionou seu carro bem ao lado do meu, e antes que possa sequer adivinhar do que ela estava falando eu o vejo. Que diabos ele está fazendo aqui? Vestindo uma t-shirt surrada, jeans desgastados e alguns braceletes de couro, ele se aproxima de mim.

Tucker. Porra. Vou matar Smilly. Não querendo causar uma cena na frente do restaurante, eu o encontro no carro, que está do lado de fora e além da linha de audição. — Ei, linda, — ele me cumprimenta. — Tucker, o que você está fazendo aqui? — É bom te ver também, Sadie. — Sem minha permissão, ele me puxa para um abraço, mas eu não deixo ele me segurar por mais de um segundo.


Me endireitando, pergunto novamente: — O que você está fazendo aqui? — Minha caminhonete está na oficina. Smilly era a única que não estava trabalhando e que poderia me dar uma carona. — Ok, bem, eu não sei porque ela me disse para vir aqui. — Literalmente vou matá-la. — Eu pedi a ela para mandar você para cá. Ouça, — ele respira fundo e me puxa para perto pelos laços das minhas calças. — Eu sei que nosso último rompimento foi duro. Estou trabalhando em algumas coisas, algumas coisas nas quais deveria ter trabalhado há algum tempo. Minha cabeça não estava certa por um tempo, e agora posso ver como isso afetou meu relacionamento com você. Quero que saiba que estou trabalhando nisso. — Tucker, não foi só você. Eu estava lá também. Nós não somos compatíveis. Não a longo prazo, pelo menos. — Você não sabe disso, — diz ele. — Nós nunca mostramos um ao outro o nosso melhor. Deixe-me resolver minha merda, eu vou te mostrar que posso ser o cara que você precisa. — O cara que eu preciso? Como você sabe qual é o tipo de cara que eu preciso quando nem eu como ele é? Inferno, eu não tenho a menor ideia do que eu quero ultimamente. Mas aparentemente excelentes antebraços estão na lista. Puxando-me para mais perto e envolvendo seus braços ao redor da minha cintura, ele pressiona um beijo contra a minha testa, tentando derreter meu exterior frio - e possivelmente meu coração. — Sadie, eu te conheço por quase toda a sua vida. Eu estive lá para você no bom e no ruim, e você acha que eu não sei do que você precisa? Posso lê-la melhor que ninguém. Ele costumava ser capaz de me ler melhor do que ninguém, mas agora não acho que ele seja capaz disso. Eu não sou a mesma pessoa que era no ensino médio. Inferno, eu não sou a mesma pessoa que era há alguns meses. Na verdade, eu nem tenho ideia de quem sou, e sinceramente, isso é o mais


aterrorizante. Ele tenta levantar meu queixo, mas eu me afasto, precisando colocar distância entre o meu passado e eu. — Tucker, eu nem sei mais quem eu sou. Não posso saltar para outro relacionamento com você. — Eu não vou. Seus olhos se suavizam quando ele coloca as mãos nos bolsos. — Você não precisava abandonar Cornell17, Sadie. Poderíamos ter feito dar certo. Merda, eu não quero falar sobre isso, mas pelo olhar em seus olhos, parece que não tenho outra escolha. — Não, não poderíamos. — Eu balanço a cabeça. — Eu estava me matando para conseguir notas decentes antes de engravidar. Não havia nenhuma maneira de eu ter sido capaz de manter minhas notas com um bebê. E todas as despesas... — Eu balanço a cabeça, — Cada centavo que eu tinha estava indo para as aulas. — Eu disse que poderia ter te ajudado. Eu queria te ajudar. Mas você não permitiu. — Porque eu não queria que você tivesse obrigações comigo, — eu grito um pouco mais alto do que pretendia. Então agarro a aba do meu boné, porque preciso fazer algo com minhas mãos para me acalmar. Por que ele é tão persistente? Sim, nós nos conhecemos há anos, mas certamente ele pode ver que precisamos parar este carrossel. — Eu não quero ter essa conversa agora. Tenho que voltar ao trabalho. Quando começo a me afastar, Tucker diz: — O aborto não foi culpa sua, Sadie. Sem me virar, respondo: — Para mim parece como o inferno que foi. A última coisa que eu quero fazer agora é chorar, mas com Tucker aparecendo no trabalho e trazendo um passado que eu quero muito esquecer, meus olhos estão ardendo, cheios de lágrimas. — Merda, — murmuro, voltando para o restaurante. Atravessando as portas da frente eu contorno Smilly, que está Universidade Cornell é uma universidade privada situada em Ithaca, Nova Iorque, e membro da prestigiada Ivy League. 17


falando com Andrew, e vou direto para o estoque, onde tento recuperar o fôlego. Imagens daquela noite horrível piscam em minha mente. Acordar em uma poça de sangue sem saber por que, e sem saber o que fazer, ou a quem chamar. A dor cegante, vivificante me percorrendo. Senti tanto medo. Eu estava tão malditamente assustada. Sim, com certeza parecia minha culpa. Agarro as prateleiras do estoque para me segurar enquanto aperto meus olhos, tentando me livrar das imagens. Deixe ir. Deixe ir. Tomando respirações profundas, eu tento o meu melhor para acalmar meu coração e aliviar a tensão em meus ombros. Por quê? Por que ela passou por aqui com Tucker? Por que ela fez isso comigo? Inspire, expire. Bem desse jeito. — Você está bem, Sadie? — O peito amplo de Andrew aparece na porta do estoque, sua voz cheia de doce preocupação. — Tudo bem. — Eu me afasto para que ele não possa ver meu rosto. Estou à beira das lágrimas, e de jeito nenhum quero que ele veja isso. — Certo. — Ele fica em silêncio por um segundo antes de dizer: — Não querendo ser intrometido ou qualquer coisa, mas você não parecia bem quando entrou aqui. Eu sei como se parece alguém que está bem, e você não me aprecia assim. Esse cara. — Observe o tom, Andrew. Não quero companhia. — Ah, sim, você parece mesmo querer ficar sozinha. Mas vou ser honesto, embora. Eu não gosto de deixar as pessoas chateadas, mas posso ouvir a tensão em sua voz. Eu não quero irritá-la mais, e só que… dói ter que deixá-la sozinha agora. Eu realmente não gosto disso. — Ele não gosta? De onde ele veio para que, apesar da cadela que fui com ele, realmente não gostar de me deixar sozinha? — Eu vou ficar bem. Só me dê um minuto. — Ugh, eu me odeio agora por querer que ele fique. Por que ele tem que ser tão bom? Por que ele não gosta de me ver chateada? Ele é tão confuso.


— Ok. Posso apenas perguntar uma coisa? — O que? Eu o ouço avançar e sussurrar: — Você gostaria que eu trouxesse seu xarope para tosse para você? Parece um bom momento para xarope para tosse. Simultaneamente, um bufo resfolegante sai de mim, uma lágrima escorre pela minha bochecha e um riso borbulha pela minha garganta. Virando-me para ele com minha mão pairando sobre meu rosto, aceno para ele. — O xarope para tosse seria perfeito agora. Seu sorriso se estende de orelha a orelha, causando uma onda quente de afeto em mim. E quando ele pisca e decola em direção a sorveteria, onde meu xarope para tosse espera, é quando me bate. Calma. Sinto-me calma. Como é possível que um dos sorrisos de Andrew possa me fazer sentir um pouco mais à vontade? Serão aqueles olhos gentis dele? Ou a maneira como ele parece entender o que eu preciso no momento, mesmo quando me pressiona mais do que eu teria desejado? Seja lá o que for, é possível que ele já esteja entrando no meu mundo, e não tenho certeza se estou pronta para isso. Não há espaços disponíveis... exatamente como eu quero que seja. Certo?


CAPÍTULO-SETE ANDREW

Sim, eu admito. Eu não deveria estar aqui. Isto é um erro. Um grande erro. Ou talvez eles não percebam que estou aqui. Talvez eu possa rapidamente virar e voltar para o meu carro sem ser notado. Todo mundo parece estar ocupado, não há nenhuma maneira deles me notarem calmamente voltando para o meu carro... — Annnndrew! — Tropeçando até mim, Smilly se aproxima usando um chapéu gigante de zebra, e empunhando o que eu espero ser um sabre falso em uma mão enquanto na outra segura uma lata de cerveja Pabst Blue Ribbon. A operação rota de fuga é assim abortada. — Você veio. Sim, como um idiota, eu vim. Mais cedo, quando Sadie estava lá fora se chateando algo com o qual ainda não estou feliz - Smilly me fez companhia enquanto brincava com os canudos no balcão, aparentemente seu passatempo favorito. A nossa conversa foi um pouco estranha… — Então, você é daqui? — Cresci na Califórnia, na verdade. Meus pais se mudaram para Albany quando me formei no colégio. Eles são originalmente da área.


— Califórnia, hein? Conhece alguma celebridade? — Nenhuma. — Isto é chato. Você surfava? — Você sabe que a Califórnia não é apenas celebridades e surf, certo? — Claro que eu sei disso. — Ela faz uma pausa por um segundo. — Então, passou algum tempo na região vinícola? Rindo, eu balanço a cabeça. — Eu não tinha vinte e um anos na época. Ela se senta direito e me observa. — Quantos anos você tinha quando teve sua primeira bebida? Eu engulo com dificuldade. — Hm, vinte e um. Eu tomei uma cerveja com meu irmão. Mas eu era, na verdade, um dos mais velhos da minha série, então era meio excitante que eu pudesse beber antes de todos os meus colegas. —Oh Andrew. — Smilly sacode a cabeça. — Você sabe que é raro alguém esperar até os vinte e um para beber, certo? Eu posso arriscar que uma percentagem considerável dos seus colegas ficou bêbada ainda na primeira metade da faculdade. — Quantos anos você tinha quando teve sua primeira bebida? — Treze. — Inclinando-se no balcão enquanto olha para longe, ela deve estar relembrando seu primeiro gole. — Foi na casa da Sadie. O pai dela tinha ido para a cama e em vez de irmos dormir, eu abri minha mochila e mostrei para ela o cooler de vinho Bartles & Jaymes que eu tinha roubado do refrigerador especial da minha mãe. Nós o compartilhamos naquela noite, rindo sob um cobertor. Aquele foi o começo do fim. — Parece um inferno de noite. Posso praticamente imaginar a ressaca. Olhando para mim, ela ri e diz: — Huh, então você pode ser sarcástico. Eu gosto disso. O que você vai fazer esta noite? Confuso, pergunto: — Você não tem namorado? — Estranho que você saiba disso, mas não estou te convidando para sair. Nós vamos armar uma fogueira na casa da minha mãe esta noite. Você deveria vir. — Oh, eu não sei...


— Eu não aceito não como resposta, então você tem que vir. Me dê o número do seu celular que eu vou te passar as informações e o meu próprio número, caso você se perca. Dirigir no interior pode ser confuso. E foi assim que eu acabei na casa da mãe de Smilly, lamentando imensamente minha decisão. Que diabos Sadie vai pensar se me vir aqui? Ela sequer vai estar aqui? Por alguma razão, eu realmente espero que não. A ideia de vê-la em seu território me deixa louco. Olhos irritados nem sequer começariam a descrevê-la. — Hey Smilly. — Eu me aproximo dela, as mãos enfiadas nos bolsos tentando não mostrar o quão nervoso estou. — Todo mundo está tão animado para conhecê-lo. Todos? Que merda...? — E eu mal posso esperar para você conhecer Emma. Eu realmente acho que ela seria perfeita para você. — Emma? — Eu pergunto. Ela me arranjou um encontro às cegas? Se assim for, as coisas acabaram de ficar muito mais desconfortáveis. — Sim, minha amiga Emma. Ela é solteira, bonita e está procurando um bom sujeito. Eu acredito que você se encaixa no pré-requisito bom rapaz, você sabe, desde que esperou para beber e tudo. — Você decidiu que eu sou um cara legal apenas considerando a idade em que eu bebi pela primeira vez? Você sabia que alguns assassinos psicóticos nunca tomaram uma bebida sequer em suas vidas, e em vez disso ficam bêbados em matar pessoas? Parando, Smilly gira em minha direção, seu sabre levantado ao céu. — Agora, por que você diria algo assustador assim? Eu vou ter que te vigiar a noite toda? — Não, eu só pensei que você deveria mudar sua maneira de diagnosticar as pessoas. Você deveria considerar criar uma combinação entre um gráfico de pizza e um diagrama Venn para realizar uma avaliação realmente adequada. Com uma escolha de dados ponderada e padrões sociais cuidadosamente escolhidos, você poderia fazer um inferno


de um gráfico. Na verdade, se você estiver interessada em avançar com essa ideia, eu não me importaria de ajudá-la. Eu tenho um grande programa no meu computador que poderia nos ajudar, e com alguns ajustes, um laminador e um perfurador de três furos, poderíamos ter um inferno de um tempo elencando todas as porcarias necessárias para julgar um humano. — Por que ela está sorrindo para mim? Batendo em meu braço, ela diz: — Yeap, eu não tenho nada com que me preocupar. Continue assim, Andrew. Ou devo chamá-lo de Sheldon? — Ah, The Big Bang Theory. Um bom show, embora se eu tivesse que me descrever como um dos personagens, me consideraria mais parecido com Leonard. Ignorando minha oferta bastante generosa, ela me orienta para a fogueira, onde as pessoas estão dançando, conversando, bebendo e jogando beer pong18. — Saddlemire, traga sua bunda aqui. Um homem barbudo e muito corpulento, vestindo um chapéu dos ianques e uma camiseta dos Beatles se aproxima. Ele envolve seu braço em torno da cintura de Smilly e diz: — Este é o cara que você recrutou para o nosso trio? — Me avaliando de cima abaixo, ele acena com a cabeça em aprovação. — Não é ruim. Espero que ele saiba como torcer mamilos. Eu estive louco por um bom hematoma no mamilo causado por um homem nos últimos tempos. Sabe aquele emoji em seu telefone, aquele com os olhos incrivelmente largos e bochechas coradas? Sim, ele me descreveria muito bem agora. Horrorizado. Golpeando seu peito, ela diz: — Não o assuste, ele Beer Pong é um jogo similar ao ping pong que pode ser disputado em uma mesa comum ou numa mesa de ping pong. Em cada canto da mesa, cada dupla dispõe 10 copos com cerveja em forma de triângulo. Cada dupla tem como objetivo acertar a bolinha dentro de um dos copos do adversário. Os arremessos são feitos alternadamente entre os membros das duplas, e quem acertar pode escolher alguem da dupla concorrente para beber, além de ganhar a chance de fazer um arremesso na sequência. Ganha o jogo quem eliminar todos os copos do adversário primeiro. Além disso, o time que perder deve beber todos os copos de cerveja do time que ganhou. 18


acabou de chegar aqui. Diga olá para Andrew como um ser humano normal. Saddlemire estende a mão para um aperto, mas estou um pouco nervoso demais para pegá-la. Será que ele vai esfregar o dorso da minha mão com o polegar, pedindo para eu torcer seus mamilos aqui? — Eu só estou brincando, garoto. Eu só deixo as pessoas que conheço torcerem meus mamilos. Talvez depois de uma semana você possa ter essa sorte. Pegando minha mão, ele a sacode enquanto eu digo: — Só para constar, você me aterroriza. Rindo, ele balança a cabeça. — Gosto da sua honestidade. Quer uma cerveja? — Sim, — eu digo um pouco ansiosamente, precisando relaxar. Começamos a caminhar em direção a casa quando um homem sem camisa e com as letras ‘EUA’ pintadas em seu peito se aproxima de nós. — Quem é este? — Ele está saltando para cima e para baixo, parecendo muito animado - ou mais possivelmente incrivelmente bêbado. Os dois andam de mãos dadas muitas vezes. — John, este é Andrew. Ele trabalha com Sadie. Andrew, conheça John, nosso soldado residente, em casa em licença. — Prazer em conhecer. Antes que eu possa terminar, John me pega em um abraço de urso e me gira ao redor enquanto grita: — Porra, sim, América. Sem me dar a chance de responder, ele me põe no chão e sai em direção ao fogo, onde pega um galho - um galho de árvore real - e começa a bater com ele no fogo, soltando gritos de guerreiro ensurdecedores. Endireitando-me e um pouco desprevenido digo: — Ele parece legal. — John é um bom rapaz. A namorada dele, Cadela, está por aqui em algum lugar. — Cadela? — Quantos amigos de Sadie têm apelidos


estranhos? — Sim. O verdadeiro nome dela é Jennifer, mas nós a chamamos de Cadela. — E ela gosta desse apelido? — Eu realmente espero que sim. — Oh sim. Se eu chamá-la de Jennifer ela vai achar que estou zangada com ela. — Interessante. Por que de repente eu quero um apelido ofensivo? Qual seria meu apelido? Bafo de pênis? Escroto? Babaca pervertido… Sim, acho que vou permanecer com Andrew. Passando a fogueira intensa - graças a John e seu incessante cutucar nós acabamos em um deck traseiro raquítico, de onde entramos em um trailer. A cozinha está mais silenciosa do que lá fora, com apenas algumas pessoas na sala ao lado. A casa está desatualizada com esses tons de marrom em todos os lugares, mas você pode sentir o amor que há ali dentro. — O que você bebe, garoto? — Pergunta Saddlemire, se encostando na geladeira. — Qualquer coisa. — Então vou te dar mijo. — Bom, como eu não sou do tipo que bebe de mijo, deixe-me ver o que você tem aí. Saddlemire se afasta e eu escolho uma Pabst19, o mesmo que Smilly estava bebendo quando cheguei. Eu nunca tomei uma antes, mas pedir uma Bud Light parecia uma escolha arriscada. — E aqui eu pensando que você parecia ser um daqueles caras que gosta de ser mijado durante o sexo. — Saddlemire assente com minha escolha de cerveja. — E como é que alguém assim se parece? — Eu pergunto. 19

Pabst Blue Ribbon, marca de cerveja.


— Porque se for algo possível de ser consertado cosmeticamente eu gostaria de saber. Ser o cara que parece que gosta de uma boa mijada durante o coito não me atrai. Eu abro a lata de cerveja e tomo um gole. Não é ruim. Vou tomar outro gole quando Saddlemire me dá uns tapinhas nas costas, rindo. — Coito. Oh puta merda, eu só vou falar assim agora. Smilly, quer participar de um coito comigo hoje à noite? — Ele inicia um movimento pélvico de vai e vem na direção dela, mas ela segura seu sabre para detê-lo. — Diga coito de novo e veja onde isso te leva. — Quem está falando em coito? — Uma bela morena com olhos azuis se levanta, seu cabelo dançando em seus ombros e apenas tocando as tiras de um vestido xadrez vermelho e branco. — Andrew gosta de fazer xixi durante o coito, — Saddlemire anuncia, colocando outra mancha na minha imagem já suja. Com um olhar de desgosto no rosto, a morena me olha de cima abaixo, e para abaixo assim que Smilly começa a rir. — Ele está brincando. Emma, este é Andrew. — Andrew, por que eu reconheço... — ela para e começa a rir: — você é o peitos firmes? Oh pelo amor da merda. — Sim, o colega de trabalho de Sadie, — Smilly diz. Colocando seu cabelo atrás de suas orelhas, Emma dá um passo à frente, e parecendo exatamente a senhora imaculada que ela é, me oferece sua mão. — Prazer em conhecê-lo, Andrew. Pego sua mão na minha e dou-lhe um sorriso. — Prazer em conhecê-la também, Emma. Sorrindo brilhantemente, ela passa por mim e pega uma cerveja. Ela é linda. E também parece um pouco diferente de todos os que conheci até agora. Um pouco mais refinada, um pouco mais suave e um pouco mais reservada, apesar do uso da


palavra peitos. — Então, o que estamos fazendo aqui? — Ela pergunta, olhando ao redor. — Apenas pegando bebidas. A mesa está posta? Eu quero jogar um round, — diz Smilly. — Eu acho que Tucker está prestes a abater outra equipe. — Virando-se para mim, Emma pergunta: — Você joga beer pong? Eu concordo. — Sim, já joguei algumas vezes. — Você quer ser meu parceiro? Eu não tenho um lance muito preciso, mas sou boa em animar as pessoas. — Eu adoraria. — Awwww, — Smilly arrasta, segurando o braço de Saddlemire. — Olha, eles já estão apaixonados. Ai Jesus. Isto é oficialmente estranho. Como um grupo, vamos para a mesa de beer pong, onde um cara está jogando contra três meninas que já estão muito bêbadas para ficar em seus próprios pés. Estou supondo que é por isso que elas estão todas penduradas umas nas outras. O cara contra o qual elas estão jogando parece intenso. Ele está segurando uma garrafa de cerveja em uma mão e mantendo sua outra mão no bolso, ocasionalmente pegando uma bola de pong que é lançada em sua direção. Mal prestando atenção ele pega uma das bolas e a atira no último copo à esquerda das meninas, terminando o jogo. As meninas choram de desapontamento e empurram umas às outras, transformando seus gritos em risos. Abrindo caminho em direção às meninas bêbadas no chão, Smilly as toca com seu sabre e lhes diz para sair do caminho. — Andrew, Saddlemire e eu vamos jogar contra você e Emma. Você não se importa, não é, Tucker? — Não, eu já terminei, — ele responde. — Fiquem à vontade.


Andando para o lado, eu posso senti-lo ficar de olho em mim enquanto bebe sua cerveja e observa o jogo que estou prestes a participar. — Regras: você pode pedir um reempilhar. Se acertar um lance, você recebe a bola de volta. Nós não bebemos dos copos, apenas das nossas próprias bebidas, então se você precisar de mais cerveja, vamos pausar o jogo para que você possa pegar mais. O perdedor vira sua bebida em um gole só. Saddlemire apanha os copos e eu aceno. — Lá vamos nós, — diz Emma com emoção. — Pedra, papel e tesoura para ver quem começa. Em, você e eu, — Smilly grita. No meio da mesa, as meninas apostam dois jogos de pedra, papel e tesoura antes de Emma ganhar com papel. Garota esperta. — Papel, inteligente, — eu digo a ela. — Eu li um artigo do New York Post que dizia que a pedra é o objeto mais escolhido no jogo, porque é o que tem mais testosterona na competição. — Você está dizendo que eu tenho um pau, Andrew? — Smilly pergunta, apontando seu sabre em minha direção. Nem sequer um pouco ameaçado, respondo: — As probabilidades de você ter um pau estão a seu favor, considerando sua escolha no jogo de pedra, papel e tesoura, sua propensão de erguer seu sabre quando tem a chance e o fato de que seu namorado gosta de ter seu mamilo torcido por homens. — Casualmente eu tomo um gole da minha cerveja enquanto todo mundo ao meu redor estoura em risos, incluindo Smilly. — Você sentiu isso quando eu te abracei, não foi? Você sentiu meu pequeno salame. — Ei, não se desvalorize, eu não senti nada pequeno contra a minha perna. Tamanho médio, na melhor das hipóteses, mas não desista. Tenho certeza que se você continuar puxando a pontinha pode acabar acima da média. — Eu pisco para ela. Voltando-se para Saddlemire, ela pula para cima e para baixo.


— Ele vê tanto potencial em mim, é esmagador. — Pare de agir como se tivesse uma mini salsicha. Jesus, Samantha. — Saddlemire sacode a cabeça e toma um gole gigante de sua cerveja. Samantha? Huh, eu nunca teria adivinhado. — Ótimo, agora peitos firmes sabe meu nome real. Muito obrigada, Sebastian. Sebastian? Se meus olhos pudessem saltar, eles estariam rolando no chão agora. Saddlemire simplesmente não parece um Sebastian. Nem perto disso. — Tudo bem, já tive o suficiente dessa merda. Peitos firmes, sua vez, — Sebastian, quero dizer Saddlemire, me chama. Antes de jogar, porém, eu digo: — Se pudéssemos inventar outro apelido para mim seria fantástico. Peitos firmes não está se acomodando bem. Smilly e Saddlemire ambos olham um para o outro e depois para mim. Juntos, eles dizem: — Sua vez, peitos firmes. Sim, eu não achei realmente que isso fosse funcionar, mas não custava nada tentar. Deixando de lado o apelido ridículo, mas também me sentindo como parte de algo - algo estranho - eu atiro minha primeira bola, afundando-a imediatamente. Saddlemire levanta uma sobrancelha para mim em questionamento. — Não me diga que você é bom no beer pong. — Pode ser. — Eu encolho os ombros e empurro meus óculos de volta em meu nariz. — Ele está calculando a distância de acordo com o vento e considerando a quantidade de álcool que ingeriu. Olhe para as engrenagens trabalhando na cabeça dele. É como assistir um processador de computador. Ele vai acabar conosco, — Smilly lamenta. Ela foi muito precisa em sua avaliação. O que posso dizer? Eu gosto de matemática. Funciona. Emma é a próxima, mas lança sua bola sequer perto da área geral dos copos. Se desculpando ela se vira para mim e diz:


— Hum, parece que a equipe depende de você. Rindo, eu digo: — Ei, você logo pega o jeito. Não desista ainda. Foi só um lançamento de aquecimento. O resto do jogo se desenrola entre as duas equipes, com Emma acertando um copo para nós, o que faz com que ela salte para cima e para baixo em meus braços até que finalmente se afasta e alisa seu vestido. Smilly esmaga um copo da mesa com seu sabre toda vez que falha, até Saddlemire pedir um tempo para ela. O que significa dizer que ele a sentou em uma cadeira ali perto com uma cerveja gigantesca na mão. No final resta um copo para cada, e felizmente eu sou capaz de acertar minha bola antes de Saddlemire, o que faz com que Emma e eu sejamos os vencedores. — Estou impressionado, mamas firmes. Eu não tinha certeza se você ia ser bom, — diz Saddlemire. Sentindo os efeitos da cerveja já começando a me chutar - a versão deles de tomar um gole de sua cerveja quando um ponto é marcado é beber metade da garrafa - eu caminho até Saddlemire e aperto sua mão. — Bom jogo, cara. Com tudo o que falamos sobre torcer mamilos mais cedo, eu pensei que você ia estar muito distraído pelos meus dedos magistrais para conseguir jogar. Mas você foi um bom adversário. — Não se engane, eu sei como resistir à tentação quando necessário. — Sorrindo para mim, ele balança a cabeça e volta para casa para buscar mais cerveja. — Você quer outra? — Pergunta Emma, olhando a cerveja em minha mão. Eu esfrego meu estômago, desejando ter comido mais antes de chegar. — Não, estou bem por agora. Acho que devo desacelerar um pouco depois desse jogo. Inclinando-se para frente, ela diz: — Obrigada por tomar alguns daqueles goles por mim. Eu sou sempre a motorista designada nestas coisas, então prefiro me manter com apenas uma cerveja. — Sempre a motorista da rodada? — Pergunto. — Isso não parece muito divertido.


Ela encolhe os ombros e se balança de um lado para o outro. Seu vestido me lembra um sino de igreja, balançando para frente e para trás. — Eu não me importo. É melhor do que ter uma ressaca perversa na manhã seguinte. Eu aponto para ela. — Você tem um ponto aí. — Observando as festividades em volta, pergunto: — Vocês sempre têm festas como esta? — Durante o verão, sim. Todo mundo está de férias da faculdade, o que significa noites sem fim de uma festa gigante. — Fantástico. Eu cresci na Califórnia, e quando me formei no colégio, meus pais se mudaram para Nova York. Então eu realmente não tenho mais que voltar para a minha cidade natal. É meio incrível que vocês tenham uns aos outros, apesar das diferentes direções que seguiram. — Sim. Eu me sinto muito feliz por ter um grupo tão fiel de amigos, mas acredite em mim, isso tudo vem com sua parte justa de drama. — Ah, sim, como o quê? Emma está prestes a responder quando é interrompida por uma voz profunda vinda da mesa de beer pong. —Ei, peitos firmes, vem jogar comigo. Virando-me para trás, vejo Tucker começando a arrumar os copos junto com outros dois caras. Quando me volto para Emma, ela diz: — Vá em frente. Preciso ir ver Kiera. Normalmente há essa hora ela já está no banheiro chorando sobre como nunca vai encontrar um homem que aprecie seu amor por CrossFit. — Rindo para si mesma, ela me dá um sorriso brilhante e diz: — Drama, nunca termina. — Maravilha. — Eu me encolho. — Divirta-se, e obrigado por ser minha parceira. Com outro sorriso rápido ela sai em direção a casa. Sim, ela é bonitinha. — Deu uma boa olhada? — Tucker pergunta, referindose aos meus olhos errantes avaliando Emma. Limpando minha garganta, caminho até Tucker e estendendo a mão para ele. — Andrew. Se você quer que eu jogue com você, peitos firmes está fora. Sem se mover, apenas olhando para a minha mão por um segundo, ele acena, ignorando meu aperto de mão. — Andrew, há


duas cervejas na grama para você. Certifique-se de não ter que bebê-las. Não gosto de perder. — Um cara extrovertido, prazer em conhecê-lo, — eu digo sarcasticamente quando paro ao lado de Tucker, que parece um pouco intimidante com seu olhar sombrio e pulseiras de couro. Se eu tentasse usar algo como isso com certeza pareceria um idiota total. Óculos e pulseiras em um cara equivalem a acessórios demais. Do outro lado da mesa, alto e com o peito estufado está John, ainda sem camisa - e abençoadamente também sem nenhum galho de árvore. Ao seu lado está um cara muito mais baixo, também sem camisa, mas, em vez de ‘EUA’ há ‘pinguins, Yay!’ pintado em seu peito. Não tenho certeza do que significa isso, mas ok. — Nós começamos, — diz Tucker. — Eu vou primeiro, você joga logo após. — Mal olhando, Tucker lança a bola e afunda-a imediatamente no primeiro copo, estreiando a pirâmide. Ok, esse cara é bom. Quando chega minha vez, lanço minha bola no copo logo atrás do qual ele afundou a primeira bola. E assim, em ordem alternada, eliminamos cada copo sem sequer dar a outra equipe uma chance para tentar marcar algum ponto. — Que porra é essa? — pergunta Penguins. É assim que vou chama-lo até nova ordem, porque não sei qual é o nome dele, e, por alguma razão, esse apelido parece adequado. — Isso não é justo, nem sequer tivemos a chance de jogar. — Vingança! — John grita, tirando uma bandana estampada com a bandeira americana do bolso traseiro. Para minha surpresa, ele a amarra em volta do pescoço com um laço e depois bate palmas. — Vamos. Se apoiando no ombro do amigo, Penguins diz: — Cara, precisamos de mais cerveja. Esvaziando a cerveja, John acena com a cabeça. — Volto logo.


Juntos como num pequeno bro-mance, eles vão até a casa em busca de mais cerveja, deixando-me sozinho com o intimidante Tucker, que agora está virado para mim, segurando a cerveja a meio caminho de sua boca. — Então, você trabalha com a Sadie? Merda, com toda essa diversão, me esqueci da possibilidade de encontrar com Sadie aqui. — Sim. Ela me treinou no meu primeiro dia. Um sorriso de conhecimento cruza os lábios de Tucker. — Ela deve ter amado isso. — Sim, pode-se dizer que ela foi interessante em sua abordagem. — Deixe-me adivinhar, ela já lhe deu o discurso não brinque comigo? Rindo, eu aceno a cabeça e bebo minha cerveja, me sentindo um pouco mais leve após outro gole. — Sim, pode-se dizer isso. E ela também não parecia se importar de falar de mim na frente de Smilly enquanto eu estava a apenas alguns metros de distância. Tucker sacode a cabeça. — Típico dela. Diga-me, Smilly trouxe para Sadie seu xarope para tosse naquele dia? — Não é um dia completo quando Sadie está na sorveteria sem seu xarope para tosse na mão. — Exatamente, porra. - Tucker toma outro gole da bebida e diz: — Ela é uma boa menina, mas recebeu cartas ruins para apostar nessa rodada. Finalmente. Eu queria chegar ao fundo da personalidade de Sadie desde que a conheci. Ela é uma boa menina que recebeu cartas ruins para apostar... O que isso significa? E é aí que John e Pinguins aparecem, segurando uma braçada de cerveja e um saco de Fritos. Pelos olhares decididos em seus rostos, eles acham que tem alguma chance. Tucker troca um olhar comigo. Sim, somos um pouco presunçosos. Eles terão que lutar para nos vencer. Que os jogos comecem.


CAPÍTULO-OITO SADIE

— Aqui está bom, pai. — Eu posso levá-la até a casa. Está tudo bem se seus amigos me virem te dando uma carona. Eles não vão pensar que você é uma perdedora só porque o papai levou você para uma festa. — Não é essa minha preocupação, pai. O caminho é cheio de lama, e eu não quero que você fique preso. — Você é uma mentirosa. — Ele ri, se inclina e puxa minha cabeça em direção a ele, me beijando na testa. — Divirta-se, e não entre em qualquer problema. — Obrigada pelo jantar, pai. — A qualquer hora, querida. Ligue com mais frequência. Eu sinto sua falta. — Eu também. — Com um sorriso triste eu saio do carro, digo adeus e caminho até a calçada, procurando andar na grama para evitar a lama. Jantar com meu pai foi bom porque temos que nos ver às vezes, mas só me faz lembrar o quão distante estamos um do outro e quantas mentiras existem entre nós. Ele não sabe que eu saí da Universidade de Cornell. Não sabe que eu terminei com Tucker, nem que eu nunca vou voltar para ele. Ele também não sabe sobre o bebê, nem que eu não tenho nenhuma intenção de voltar a estudar. Em vez de falar sobre nossos sentimentos reais e o que


realmente está acontecendo em nossas vidas, nós contornamos as coisas importantes e falamos sobre assuntos fáceis, como os Yankees e quais seriados temos assistido. Nós nunca falamos sobre minha mãe, ou sobre minhas irmãs, ou sobre o fato que eu estive pulando de sofá para sofá nos últimos meses, até Smilly finalmente conseguir uma segunda cama em seu apartamento de um quarto para eu dormir. Sim, nós compartilhamos um quarto. É muito elegante, na verdade, e metade do tempo ela está na casa de Saddlemire, de qualquer maneira. Não é um grande negócio. Minhas botas afundam no chão a cada passo. Eu me animo com o cheiro de fogo queimando em frente, com o riso e a confusão dos meus amigos, sem dúvida causando um tumulto na casa da mãe da Smilly. Está sendo bom sair com todos os meus amigos de infância neste verão, especialmente agora que John está de volta, mesmo que por um curto período de tempo. Muito ruim para mim que a festa, a familiaridade e o sentimento de pertencer a algo vai acabar quando o verão terminar e todos retornarem à faculdade e à suas vidas normais, me deixando para trás. O engraçado é que eu sempre pensei que tinha o maior potencial de todos da minha classe. Era eu que deveria ir a outros lugares, que deveria ser alvo de fofoca de cidade pequena conforme conquistava algo para mim mesma. Mas, em vez de me tornar a psicóloga infantil que tinha sonhado ser, eu abandonei a faculdade e arrumei um emprego de garçonete invisível, garantindo um futuro inconsequente para mim. Ainda mais deprimida do que antes, eu passo pelo Jetta de Emma, estacionado em seu lugar habitual, e vou direto para a cozinha, onde pego uma cerveja da geladeira. Depois de abrila, começo a drenar o líquido quando ouço um grito alto vindo de fora. Espiando pela porta de vidro deslizante percebo que quase todo mundo está circulando a mesa de beer pong, torcendo pelas equipes. Isso é estranho. Ninguém no grupo se importa muito com esse jogo estupido. Ainda despreparada para ser bombardeada pelo pessoal e pelo que parece ser o sabre de Smilly, observo a movimentação de dentro da casa, tentando descobrir quem está


jogando. Considerando o grupo de amigos ao redor, John, Kirk, e seus peitos pintados jogam em uma equipe - não estou surpresa – enquanto Tucker joga no outro time. Eu reconheço o traseiro de Tucker facilmente, já que passei minha vida com esse menino. Mas com quem diabos ele está jogando? Quem quer que seja, meus amigos parecem gostar, porque cada vez que ele atira, eles vibram muito alto. E ele não tem um traseiro ruim de olhar, também. — Não se mova, Kiera, eu já volto. — A voz de Emma ecoa pelo corredor enquanto ela se aproxima da cozinha. Quando me vê, sorri brilhantemente. — Hey, Sadie. Puxa, eu pensei que você não vinha esta noite. — Fui jantar com meu pai, e ele me deu uma carona para cá depois. Estremecendo com a menção de meu pai, ela pergunta: — Como foi isso? — Você sabe. — Tomo um gole da minha cerveja. — Foi o mesmo de sempre, nós dois em negação sobre nossas vidas reais. Conversa extremamente saudável, basicamente evitar e omitir mentiras. — Oh perfeito, soa como uma noite esplêndida, sarcasticamente responde enquanto procura algo nas gavetas.

Emma

Olhando para o corredor e vendo que a luz está acesa no banheiro, eu pergunto: — Outro episódio ninguém-entende-meu-amor-por-CrossFit de Kiera? Emma suspira pesadamente, curva os ombros e diz: — E o que mais poderia ser? Eu só não entendo por que ela não esquece a proibição de namorar colegas de academia. Não faria mais sentido? — Provavelmente. — Outro rugido seguido de aplausos irrompe de fora. Olhando para a mesa de jogos novamente, eu pego um vislumbre da parte de trás do cara ao lado de Tucker. Alto, obviamente malhado e com uma bela cabeleira, que parece raspada nas laterais e mais cheia em cima. Hmm, quem é esse cara? — O que está acontecendo lá fora? Segurando uma barra de chocolate, ela diz: — Aha. Eu sabia que a mãe de Smilly tinha chocolate em algum lugar. — Olhando para mim, ela pergunta: — O que você perguntou?


— Lá fora, o que é toda a comoção? Dando uma olhada rápida, ela responde, dando a impressão de ser algo que eu já deveria saber. — John e Kirk estão tentando bater Tucker e o seu amigo. — Meu amigo? — Minha testa enruga. — Que amigo? Assim que Emma está prestes a responder, um canto vindo do lado de fora a interrompe, chamando nossa atenção. — Andrew, Andrew, Andrew. Que diabos! — Por que Andrew está aqui? — Pergunto enquanto observo Tucker torcer por ele. Que diabos está acontecendo? — Oh, você não sabia que ele viria? Voltando-me para a minha amiga, eu aponto para minha cara e pergunto: — Será que este olhar é de uma pessoa que sabe o por que seu colega de trabalho está se intrometendo em seu território? — Você parece um pouco irritada. — Apontou o óbvio, Emma. Abandonando minha cerveja, estou avançando para a porta quando Emma chama: — Ele é muito bom, e todo mundo parece gostar dele. — Ótimo, — eu resmungo, abrindo a porta de vidro deslizante. A torcida é mais alta aqui fora, e no meio de tudo isso está Andrew, claro como o dia, parecendo... Oh Deus. Ele parece tão bom. Vê-lo fora do trabalho e sem seu uniforme do Friendly’s mostra-se bastante prejudicial para a minha resolução de tirá-lo da minha mente. Deus, esse sorriso é devastador. Ele também está usando os óculos, mas em vez de escondidos debaixo de um boné, estão agora enquadrando seus traços fortes perfeitamente. Também há o queixo talhado, e os olhos cheios de risos. E seu cabelo... por que esse corte o faz parecer com Ryan Reynolds? Oh Cristo, é só assim que vou conseguir pensar nele agora. Como


Ryan Reynolds. Músculos, charme e tudo. Merda. Tentando ignorar os hormônios festejando dentro de mim, me movimento entre a mini multidão e vou direto para Andrew, que está balançando seu punho no ar como um idiota. — Hey, — eu estalo perto de seu ouvido. Voltando-se para mim, seu rosto expressa choque, mas, em seguida, seu sorriso cresce ainda mais. Me envolvendo em um abraço gigante, ele me vira e diz: — É Sadie. Pessoal, Sadie está aqui. Mortificação nem sequer começa a descrever como me sinto. Não porque os braços fortes de Andrew estão enrolados em torno de mim, mas porque a cada volta eu vejo o rosto de Tucker, onde posso ler claramente: o que diabos está acontecendo? — Ponha-me para baixo, você oof. Não tão graciosamente ele para de girar, apenas para cair em cima de mim quando tenta me colocar no chão. Escovando o cabelo do meu rosto, ele paira sobre mim e sorri calmamente - o que faz meu estômago torcer em todos os tipos existentes de nós – antes de dizer: — Ei, Sadie. Ele não é bonito. Ele não é bonito. Você é louca. Seja louca. Mas esse sorriso… — O que você está fazendo aqui? — Eu resmungo. — Smilly - ou devo dizer Samantha? - me convidou. — Eu vou matá-la. Embora isso pudesse ter sido evitado se eu a tivesse matado hoje cedo, quando ela me jogou na cara de Tucker. — Você não parece feliz em me ver, não que eu devesse ficar surpreendido. Você nunca está feliz em me ver. — Pelo cheiro de cerveja em seu hálito e o enevoado em seus olhos, pode-se afirmar que ele está bêbado. Ele não parece extremamente bêbado, mas bêbado o suficiente para reduzir seu filtro de bom senso e falar a verdade. Fazendo beicinho, ele pergunta: — Por que você não gosta de mim, Sadie? Todo mundo aqui gosta de mim. — Seus olhos se arregalam e depois sua cabeça abaixa. Ele está tão perto, seu perfume suave e fresco me batendo duro. — Oh, isso é uma daquelas coisas do


ensino fundamental? Você gosta de mim, mas finge que não gosta de mim? — Não, — eu respondo rapidamente, o que o faz sorrir ainda mais... o que achei que nem fosse possível. — Uau, você gosta de mim. Eu posso ver em seus olhos. — Você não está vendo nada. — Eu pressiono a mão contra seu peito para afastá-lo, mas sou pega de surpresa quando sinto o quão forte ele é sob minha palma. Oh, brilhante. — Ok. — Ele pisca para mim e se levanta sem esforço antes de se inclinar com a mão estendida para me puxar para cima. Dirigindo-se à multidão - merda, eu esqueci havia uma multidão - ele diz: — Ela está bem, pessoal. Sadie vai sobreviver. Mais uma vez aplausos irrompem através do ar de fim de noite. Todo mundo está brindando com garrafas de cervejas, causando uma cena alegre, com exceção de uma pessoa. Atrás de um agora dançante Andrew, que surpreendentemente tem movimentos semelhantes a Bruno Mars, está Tucker, os braços cruzados sobre o peito e uma carranca no rosto. Oh merda. — Vamos, Sadie, dança comigo, — diz Andrew. Como 24K Magic de Bruno Mars já ecoa pelo ar do campo, ele toma ambas as minhas mãos nas suas. Meu corpo instantaneamente se aquece a partir do contato, embora ele mantenha espaço entre nós quando começa a mover seus pés numa espécie de moonwalk mágico, torcendo e girando e girando novamente apenas para agarrar minhas mãos. — Put your pinky rings… up to… the moon — Andrew canta e, em seguida, inicia movimentos pélvicos em diferentes direções. Eu não posso fazer nada além de ficar um pouco hipnotizada enquanto ele flutua em torno de mim, me incluindo de vez em quando e cantando fora do ritmo como se estivesse em seu próprio maldito show. Meus amigos desaparecem. Até mesmo Tucker desaparece. Em minha mente, neste momento, Andrew está encantando a merda para fora de mim, e tudo que eu posso fazer é observar como seu carisma cativa meus amigos.


Ele é fascinante. A raiva que me consumia quando cheguei lentamente desaparece, substituída por uma engraçada sensação de formigamento no fundo da minha barriga - uma que eu reconheço e classifico como má notícia, e pela qual nunca me deixo levar, pelo menos não mais. Não é até meu braço ser puxado para o lado que eu volto ao presente. Andrew continua a mostrar seus melhores passos enquanto todos o elogiam, mas parece que meu tempo de dançar acabou. Quem segura minha mão e me puxa para o lado é Tucker, com um olhar não tão feliz em seu rosto. Me arrastando para trás de uma árvore, ele me vira para e pergunta: — Que porra é isso tudo? Me fingindo de idiota - porque, honestamente, não tenho ideia do que dizer - respondo: — Isso tudo o que? — Não brinque comigo, Sadie. Você estava tentando me fazer ciúmes lá atrás? — Ciúmes? — E simples assim aquela raiva profundamente enraizada retorna. — Porque eu iria querer lhe fazer ciúmes? Não tenho nenhuma razão para isso, além de não ser o tipo de pessoa que eu sou. — Eu vi o jeito que você estava olhando para ele. Há algo acontecendo entre vocês dois? Primeiro de tudo, Tucker não tem direito de estar me questionando sobre isso. Nós não estamos mais juntos, quando ele vai entender isso? E em segundo lugar, há algo acontecendo entre Andrew e eu? Ele está insano? — Por que você acha que eu deveria responder essa pergunta? Nós não estamos juntos, Tucker. Eu não entendo por que você não consegue esquecer isso. — Porque nós temos história, Sadie. Porque eu te amo. Porque eu não quero nada mais do que ter você em meus malditos braços novamente. Então, por favor, me perdoe por me importar se há outro cara no qual você poderia estar interessada, porra. Dor exala com cada palavra que sai de sua boca. Minha


coluna endurece por causa de sua confissão, mas meu coração se quebra. Suspirando, eu corto o discurso defensivo e digo: — Eu também te amo, Tucker, mas realmente acho que nós precisamos dar espaço um ao outro. — Espaço é a última coisa da qual precisamos. Se eu lhe der espaço, você vai esquecer o que temos. Apenas me dê a chance de levá-la para um encontro. Por favor, Sadie. Eu mudei. Nós dois mudamos. Seus olhos imploram, sua linguagem corporal suplica, e suas mãos lentamente me puxam para perto. Eu não sei se meu coração pode aguentar muito mais disto. Anos. Nós nos conhecemos há anos. Ele tem estado dentro de mim, tanto física quanto emocionalmente. Mas o nosso tempo acabou. Nós acabamos. Nós dois precisamos superar esse velho de hábito de nos apaixonarmos uma e outra vez. Eu preciso seguir em frente. Sentindo minha hesitação, ele diz: — Pense nisso. Você não tem que me dar uma resposta agora. — Eu aceno, olhando para o chão, mas ele levanta meu queixo e me obriga a encarar seus olhos. — Só me responda uma coisa: você gosta dele? Se eu gosto do Andrew? Deus, eu prefiro ter que responder à pergunta sobre o encontro do que se eu gosto ou não de Andrew. Ao invés de dançar em torno da verdade, porém, eu digo: — Eu não sei como me sinto sobre ele. — A verdade dói um pouco, porque eu estive negando a capacidade que ele parece ter de penetrar minhas paredes. Confrontada com estes pensamentos, é clara a minha tentativa desesperada de manter meu coração seguro e de tentar impedir meu pequeno mundinho de lentamente ruim. A coisa toda é que Andrew está sim fazendo seu caminho para dentro. Concordando, Tucker me puxa para um abraço e beija o topo da minha cabeça, e depois ri. — Não deixe que os movimentos de dança a façam balançar. São muito espalhafatosos. Eu me empurro para longe dele e começo a rir. — Por favor, eu não sou tão facilmente influenciável. Girando no local, ele faz sua própria dancinha e, em seguida, sorri para mim. — Eu discordo. Halloween do tio Tony,


2015. Uma das melhores noites de sexo que eu já tive. Gemendo, eu me afasto, tentando não lembrar o que fiz naquela noite. Antes que eu possa sair do alcance da voz, porém, Tucker grita: — Cuidado, Sadie, e lembre-se, eu estou esperando uma resposta. Implacável. Andrew está descansando contra a cerca do deck quando eu aproximo, uma cerveja na mão e um sorriso gigante no rosto. Com meus braços cruzados sobre o peito eu pergunto: — Como você chegou aqui? — Essa é a maneira correta de cumprimentar alguém que acabou de dar um show com você na pista de dança? Eu escondo o sorriso que quer escapar dos meus lábios: — Você dirige? Se afastando da cerca, ele fecha o espaço entre nós, parecendo muito mais confiante do que o habitual. Tem que ser a cerveja. — Por que você pergunta? Quer ir para casa comigo? Sim, é a cerveja. — Não, mas é hora de você dizer boa noite para os seus amigos e ir embora. — Você está me chutando para fora da festa? — Ele drena o resto de sua cerveja e joga a garrafa no lixo ao lado. Impressionante. — Espero que você esteja planejando me dar uma carona então. — Ele enfia a mão no bolso e tira suas chaves. — Porque eu não bebo e dirijo. Ainda inteligente quando bêbado... Não posso evitar gostar disso sobre esse cara. Pegando as chaves de sua mão, eu começo a andar em direção aos carros. — Qual é o seu? — O Ford Ranger branco. — Ele se aproxima e passa o braço sobre meus ombros. — Obrigado, calças doces. Calças doces? — Não me chame assim, — eu digo, abrindo caminho para o seu caminhão.


E por que eu me sinto como se algo fosse dar errado?

Sim, isso foi um erro. No lado do passageiro da caminhonete de Andrew está o homem do momento, desmaiado, os óculos tortos e a boca aberta. Ele adormeceu logo que saímos do estacionamento, não me dando outra opção além de levá-lo para minha casa, já que não tenho absolutamente nenhuma ideia de onde ele mora. Agora estou estacionada na minha garagem, imaginando que diabos deveria fazer. Será que o deixo no carro, talvez com uma janela aberta, e rezo para que ninguém tente roubá-lo no meio da noite? Ou será que devo leva-lo para dentro do apartamento, onde temos apenas duas cadeiras reclináveis e duas camas? Uma minha e outra de Smilly? Uma parte de mim quer atirar-lhe as chaves e dizer boa noite, mas minha outra parte, a parte boa, sabe o que tenho que fazer. Olhando para o céu eu respiro fundo e saio do veículo, andando para o lado dele. Definitivamente não era assim que eu planejava passar minha noite. Abrindo a porta, tento decidir como acordá-lo. Cutucar parece ser a coisa certa a fazer, então o cutuco no ombro algumas vezes. Nada. Ok, eu cutuco sua cintura desta vez, endurecendo meu dedo e torcendo esperançosamente para que ele sinta como se estivesse apanhando com um remo. Nada. Ficando um pouco irritada, coloco minhas mãos em seus ombros e o sacudo, na esperança de que ele apenas tenha um sono pesado e que não vá precisar de atenção médica. Nada. — Oh, vamos lá, — Eu bufo em frustração. — Olá? — Eu bato em sua cabeça, incerta do que fazer.


Lentamente – basicamente no ritmo de um caracol - um sorriso começa a se formar em seus lábios enquanto ele vira a cabeça para mim. Seus olhos estão preguiçosos quando ele me olha e diz com voz rouca: — Suas habilidades de enfermeira precisam ser aprimoradas. — Oh meu Deus, você estava acordado esse tempo todo? Saindo do carro, ele diz: — Não. Eu acordei com a primeira cutucada que você me deu com esse bastão de baseball que chama de dedo. — Dando uma olhada ao redor, ele pergunta: — Onde estamos? — Minha casa. Ele levanta uma única sobrancelha para mim, e só por causa desse mísero movimento meu interior vibra novamente. — Seu casa, hein? Bem, você é rápida. — Você desmaiou antes que pudesse me passar seu endereço. Apenas seja grato por eu não roubar seu carro e deixá-lo na sarjeta. — Vou até meu apartamento, destranco a porta e entro, com Andrew me seguindo de perto. — Me largar na sarjeta podia ter sido divertido. Tipo um ‘Onde está Wally’ versão bêbada. — Uh, não. Seria mais como uma edição bêbada de ‘Survivor20’. Eu fecho a porta atrás de Andrew e a tranco. Quando me viro, ele já está avaliando o lugar. — Onde é o seu quarto? Hm... — Eu não vou dormir com você. — Não estava pedindo isso, calças doces. Eu quero ir ao banheiro e ir para a cama. — Só para você saber, você não vai dormir na minha cama, mas o banheiro é logo ali. Ele tropeça um pouco em direção ao banheiro e fecha a Survivor é um reality show competitivo popular nos Estados Unidos que já foi produzido em inúmeros outros países. No programa, participantes são isolados em um local remoto onde devem prover para si mesmos comida, água, fogo e um abrigo enquanto competem por recompensas ou imunidade evitando, desta forma, que sejam eliminados da competição. 20


porta. Tentando acalmar meus hormônios que estão saltando em todos os lugares, vou até o meu pequeno armário, pego um par de shorts e uma camiseta e aguardo a minha vez no banheiro. Para um cara que não tem nenhum de seus itens noturnos ele está demorando muito tempo lá dentro. Sentada de pernas cruzadas na minha cama, me pergunto o que ele poderia estar fazendo. Oh Deus, e se ele desmaiou no banheiro? Apagou? O que uma garota deve fazer se esse for o caso? Devo colocar aquilo de volta em suas calças e chutá-lo para o lado? Ninguém quer ter que guardar um pau mole, especialmente um pau mole desconhecido. Mastigando meu lábio enquanto penso se deveria ir bater na porta, fico andando de um lado para o outro. Eu também preciso fazer xixi. Se ele está mesmo desmaiado no banheiro, eu poderia simplesmente ter de chutá-lo para o lado, porque não vou ser capaz segurar toda noite, nem sou do tipo que rega arbustos. Smilly, ela sim poderia conduzir um show de xixi na natureza, mas eu não. Eu preciso sentar em porcelana. — Oh, vamos lá, — Eu resmungo, saindo do quarto e apoiando a cabeça na porta do banheiro. Me inclinando ainda mais perto, ouço água correndo, o que tem que ser um bom sinal. Em seguida, ouço o som inconfundível de alguém cuspindo na pia. Será que ele... escovou os dentes? Estou prestes a bater na porta quando Andrew a abre, sem camisa, sem calça, vestindo nada além de seus óculos e cueca boxer preta. Ele está limpando a boca com a toalha de mão que fica ao lado da pia quando faz contato visual comigo. Aquele sorriso maldito me cumprimenta, mas não prende minha atenção. Oh. Não. Meus olhos passeiam livremente pelo seu corpo, se demorando no que parece ser um verdadeiro homem de academia, com músculos flexionados sob a luz fraca do banheiro e tudo o mais. Oh. Meu. Deus. Andrew, antebraços campeões, Sr. Raio de sol, idiota com óculos quentes, o garoto que não me deixa sozinha no trabalho,


ele é... oh Deus, ele é tudo sob suas roupas. — Se eu não estivesse prestes a desmaiar de exaustão, diria algo espirituoso sobre você olhando para o meu corpo, mas estou muito cansado agora. — Ele coloca a toalha de volta na prateleira, pega suas roupas e para antes de passar por mim. Com um sorriso ele diz: — Obrigado por me emprestar sua escova de dentes, eu simplesmente odeio bafo de cerveja. Antes que eu possa responder ele fecha a porta do banheiro, deixandome corada e com raiva ao mesmo tempo. Por alguma razão, porém, não consigo ficar brava por ele ter usado minha escova de dentes - não depois da visão que ele me deu. Maldito seja. Maldito seja ele e sua vibe nerd-sexy. Superando o momento, começo a me aprontar para a cama, debatendo se devo usar minha escova de dentes ou não. No final a escova vence, porque estou de acordo com Andrew: bafo de cerveja é muito ruim. Ao terminar, dou uma última olhada no espelho e escovo os cabelos antes de sair do banheiro. Quando entro no quarto, porém, me deparo com outra imagem inesperada: Andrew deitado na minha cama - a única cama que tem lençóis (Smilly deve estar fazendo lavanderia) - completamente desmaiado, os óculos sobre a mesa lateral. Caralho. Com meus ombros caídos eu olho para a sala de estar e encaro as poltronas irregulares. Ele está desmaiado, então... quão ruim poderia ser dormirmos na mesma cama? Ele provavelmente não vai acordar até que eu já esteja acordada. Arriscando, largo minha roupa no cesto e deslizo para a cama, certificando-me de ligar meu telefone. No minuto em que encosto em meus travesseiros, tomo uma respiração profunda e afundo no colchão. Eu tenho um nerd quente em minha cama. Não posso dizer que já passei por isso antes. E então eu já não estou mais no meu lado da cama. Um braço bem construído me puxou de encontro a um


corpo forte, me prensando contra o peito. Oh merda. Deus, ele cheira tão bem. Isso é tão bom. Pensando bem, huum. Tanto para ficar cada um do seu lado da cama.


CAPÍTULO-NOVE ANDREW

O que é isso? Meu cérebro está enevoado, minha mente não está processando o que estou segurando. É uma laranja? Não... por que eu estaria dormindo com uma laranja? Além disso, é muito macio para ser uma laranja. Eu aperto um pouco mais, ainda com os olhos fechados, tentando compreender o que diabos estou segurando. Espere, eu sinto algo. Movendo minha palma para baixo para que meus dedos possam explorar, encontro essa pequena protuberância que estava cutucando minha palma, e a aperto entre meu indicador e polegar. O cabinho da laranja? Talvez seja uma laranja podre? Mas não sinto nenhum cheiro cítrico... Precisando descobrir o que está acontecendo em meu cérebro enevoado, dou outro aperto duro, apenas para me assustar com um grito feminino. Que inferno? Sentando-me - meus olhos um borrão, já que estou sem óculos - tento adivinhar onde raios estou. Uma garota - pelo menos eu espero que seja uma garota - se senta ao meu lado, longos cabelos loiros cascateando por seus ombros. — Que diabos você acha que está fazendo? Eu conheço essa voz. Tateio a mesa de cabeceira, onde sinto


meus óculos com gratidão, e empurro-os no meu rosto com as palmas das mãos desajeitadas apenas para o rosto irritado de Sadie aparecer na minha frente. Ah Merda. Tudo vem piscando de volta para mim. Beer pong com Tucker, muitas bebidas, dança com Sadie, eu a chamando de calças doces e desmaiando na cama dela. Vou arriscar um palpite selvagem e dizer que a Equipe Andrew não está indo muito bem agora. — Eu... — limpo minha garganta, engasgando por senti-la extremamente seca. — Eu não sabia que estava, uh, te tocando. — Me encolhendo, continuo: — Você gostou? — Oh meu Deus, o que há de errado com você? — Ela pergunta, me olhando de cima a baixo. — Se eu dissesse que ainda estou bêbado, você acreditaria em mim? — Não, — ela responde firmemente. Tudo bem, isso não está funcionando. É hora de tentar uma nova tática. Aproximando os lençóis do meu peito para cobrir meus mamilos, pergunto: — Oh sim. Bem, e por que eu estou nu? — O quê? — Ela pergunta, completamente confusa. — Lembro-me de usar roupas na noite passada, e agora olhe para mim, todo nu para você ver. Você estava se aproveitando de um homem bêbado? O que houve? — Você é psicótico? Você tirou a roupa ontem à noite, usou minha escova de dentes e desmaiou na minha cama sozinho. Eu dou risada de mim mesmo. Parece certo. — O que há de tão engraçado? — Ela pergunta, seu rosto mais suave. Soltando o lençol, me estico contra a parede e inclino a cabeça em direção a ela. — Você foi vítima do Andrew Alcoolizado. Ele é um cara corajoso que se arrisca a usar as escovas de dentes das pessoas.


— E você tem orgulho disso? Eu encolho os ombros. — Eh, ele se saiu bem. Me trouxe a um lugar confortável para dormir na noite passada, ao lado de uma garota bonita que gosta de uma boa massagem nos peitos de manhã. Olho-a de lado e vejo um rubor profundo subir por suas bochechas. — Eu não gostei do seu pequeno apalpar. Foi injustificado. — Bem, então por que seu mamilo ficou duro? — Pergunta corajosa. Talvez Andrew Alcoolizado ainda esteja por aqui. — Porque você estava beliscando. Não dá para ser estimulada desse jeito e ficar indiferente. Se eu fizesse o mesmo com seus mamilos eles também ficariam duros. — Quer tentar? — Eu estufo meu peito para ela. — Não! — Ela vira a cabeça para o lado, mas não sai da cama. Hmm. Ela também não zombou quando eu disse que a acho bonita. Gostaria de saber o que aconteceria se eu tentasse algo com ela, como puxá-la para o colchão, jogar as coberturas sobre nós dois e beijá-la no escuro. Espera! Não! Eu deveria estar tentando ser amigo dessa mulher, não me imaginar beijando-a. Jimmy estaria tão... Ela lambe seus lábios e olha para o meu peito, seus dedos se retorcendo em seu colo. Oh foda-se. Eu não me importo com o que Jimmy pensa. Esta menina me tem pelas bolas com seus olhos misteriosamente bonitos, suas maneiras ásperas e os pequenos vislumbres de um sorriso que eu pego de vez em quando. Ela é tão linda que é difícil não pensar nela de outra maneira que não romanticamente. Foda-se a promessa que fiz aos meus pais, eu só preciso prová-la uma vez. Inclinando minha cabeça em direção a ela, eu chamo: — Venha aqui, calças doces. — O quê? — Seus olhos finalmente se encaixam nos meus, largos como se ela tivesse sido pega em flagrante. — Não.


— Você sabe que também quer. — Debaixo das cobertas, aproximo minha mão dela. — Não, eu não quero. Eu aproximo minha mão ainda mais. — Sim, você quer. Eu posso ver isso em seus olhos. Agora venha aqui. — Você não pode ver nada. — Ela olha para o colo, mas ainda não sai da cama. Se ela realmente quisesse ficar sozinha, poderia facilmente sair. Mas ela não faz nenhuma tentativa de se afastar. Então eu me inclino para ela e deslizo minha mão ao redor de sua cintura, meus olhos ainda conectados com os dela. Quando começo a puxá-la para mim, suas pupilas se arregalam. — O que você está fazendo? — Dando-lhe uma mão. Agora... venha... aqui, — eu grunho, arrastandoa através do colchão até que ela para bem ao meu lado, ombro a ombro. Endireitando-me, provoco: — Viu, não foi tão ruim. — Isto é ridículo. Por que eu preciso sentar ao seu lado? — Para que então possamos fazer isso. — Debaixo das cobertas, eu pego sua mão na minha e entrelaço nossos dedos. Seus olhos permanecem focados na parede a nossa frente enquanto seus dedos apertam os meus. Parece que ela está agarrando meu coração. Atrevome a avançar? Ouso empurrá-la um pouco mais? Deus, ela cheira tão bem. Como cerejas. Avançar soa ótimo. — Obrigado por cuidar de mim ontem à noite. — Eu apenas dirigi para que você não jogasse seu caminhão numa vala. Brincando, empurro-a com o ombro. — Algo que eu aprecio muito. — Não foi grande coisa. Querendo mais, precisando ver quão longe ela vai, puxo sua mão para força-la a escarranchar meu colo. Tropeçando um pouco ao invés de fazer a transferência tranquila que eu previ, ela


afunda em meu peito antes de se equilibrar de novo. — O que você está fazendo? — Minha mão solta a dela quando eu aperto seus quadris, tentando não ficar muito animado e assustá-la. — Eu queria ver seu rosto. Achei que esta fosse a maneira mais fácil, — respondo casualmente. — E me sentar em seu colo é a melhor maneira de fazer isso? — Para mim é. — Eu sorrio para ela, e a partir desse pequeno sorriso seus ombros caem, a tensão em sua testa aliviando. Hmm, nota para mim: ela parece gostar do meu sorriso. — Você sabe que é meu colega de trabalho, certo? — Estou bem ciente. — Movo minhas mãos ligeiramente acima de seus quadris, de modo que meus polegares escorregam sob seu pijama enquanto acaricio sua macia e sedosa pele. — Eu não me envolvo com colegas de trabalho. — Sério? — Pergunto, movendo minhas mãos apenas um pouco mais para cima. — Isso é uma vergonha, porque sou particularmente a favor do envolvimento entre colegas de trabalho. Na verdade, estava pensando em convidar David para um encontro, mas fiquei nervoso com a resposta dele. — Mordo meu lábio e a observo, batendo os cílios. — Você acha que ele vai dizer sim? Sadie ri, fazendo meu coração se expandir alguns centímetros mais. Ela está se soltando, e saber disso faz meu peito inchar com orgulho. — Bem, considerando que ele tem duas filhinhas e uma esposa, vou arriscar e dizer que você provavelmente vai ter uma rejeição grande e gorda. — Droga. — Eu sacudo a cabeça e olho para ela enquanto movo minhas mãos um pouco mais para cima, agora alcançando sua caixa torácica. — Estou de olho em outra pessoa também, mas esse alguém não tem sido muito acolhedor desde que comecei. Não tenho certeza se devo investir ou não.


Sorrindo e com os olhos brilhando ela diz: — Tenho certeza que se você perguntar, Blaine vai dizer sim. Isso ganha uma gargalhada minha. Maldito Blaine. Por alguma razão, eu acredito em Sadie, já que também acho que Blaine diria que sim. Tenho certeza que ele pensaria que eu seria uma espécie de reforço para que pudesse pegar todas as garotas que passassem por ele. Que porra de pesadelo seria. — Ele é a opção número três. — Ah, sim, e quem é a opção número dois então? Ela vai me fazer trabalhar por isso. Justo. Eu ainda estou completamente espantado com onde estou. Eu. Estou. Na. Cama. Com. Sadie. Ela está no meu colo. Minhas mãos estão tocando sua pele linda. Santa. Merda. Eu não posso mesmo imaginar uma garota como Sadie se entregando assim tão facilmente. Não, Sadie é uma garota por quem você luta, uma garota por quem você coloca seu melhor terno e gravata. — Você conhece a loira de olhos brilhantes, traseiro assassino e atitude ‘infernalmente-atrevida’? — Denise? — Sadie pergunta com um fofo franzir de nariz. Movo minhas mãos para cima mais um pouquinho, meus polegares agora roçando sob seus seios – e com cada esfregar do meu polegar sua respiração falha uma batida. — Não é Denise. — Eu avanço finalmente a última polegada que falta, esperando que ela não me dê uma bofetada. Meus polegares agora tocam seus seios nus – finalmente! - e o suave toque nos faz pigarrear. — Você tem cinco segundos para decidir se quer ou não que eu te beije, porque não vou ser capaz de me segurar por mais tempo. — Por que você está se segurando? — Ela pergunta, se movendo em meu colo. — Hmm, eu não sei, talvez porque você tem sido hostil comigo desde que te conheci. O que, por alguma razão desconhecida, eu gosto. Agora, você vai ficar aí sentada e esfregando seu traseiro perfeito no meu colo ou vai me deixar te beijar?


Ela morde o lábio inferior por um breve segundo antes de sorrir, e esse é todo o incentivo do qual preciso. Em vez de pular sobre ela como quero, porém, eu tiro uma mão de baixo de sua camisa e lentamente a deslizo até a parte de trás de seu pescoço, deleitando-me com a forma como sua pele se sente contra minha palma. E quando coloco minha mão em sua bochecha, sua cabeça se inclina em minha palma tão ligeiramente que eu quase gemo. Ela quer isso. Ela me quer. Mas como? Quando foi que ela mudou de ideia a meu respeito? Mas não vou pensar muito sobre isso agora; eu vou me mimar em vez disso. Suavemente corro meu polegar sobre seus lábios, ligeiramente puxando o inferior antes de voltar minha mão para a parte de trás de seu pescoço. Seu cabelo cai como um cobertor dourado sobre suas costas, as mechas macias adicionando à emoção de segurar esta mulher linda em meus braços. Minha outra mão ainda está debaixo de sua camisa, brincando com a parte inferior de seu peito enquanto eu a aproximo de mim até que nossas bocas estejam apenas a polegadas de distância. Ela se inclina para frente, equilibrando-se em meus ombros, e suas mãos se fecham atrás do meu pescoço, brincando com minhas curtas mechas de cabelo. A sensação envia um formigamento pela minha espinha, despertando meu corpo das pontas dos dedos do pé às pontas do meu cabelo. E você poderia até pensar que é a mulher sentada em meu colo que incendeia todos os meus sentidos, mas na verdade o responsável pelos meus arrepios é o toque dela, e tudo porque essa pequena carícia é voluntária. Ela sente essa força poderosa entre nós tanto quanto eu. — Última chance, calças doces. — Eu a aproximo tanto que há apenas o sussurro de uma respiração entre nós. Nenhum protesto. Luz verde. Fechando esse último pedaço de espaço, eu selo nossas bocas e relaxo no travesseiro atrás de mim, deixando meus lábios fazerem todo o trabalho. Os lábios macios e flexíveis dela se encontram com os meus, explorando no início e então se inflamando com luxúria pura e não filtrada. A parte de trás de seu pescoço repousa em meu forte aperto. Ela não está indo a lugar algum, e eu também não, a julgar pelo aperto de suas mãos em meu cabelo, deixando cada nervo do meu corpo em chamas.


Ela se meche em meu colo novamente, desta vez se esfregando contra minha ereção crescente. Um gemido escapa da minha garganta em função do atrito. Tudo sobre essa mulher é duro como pregos, mas, quando ela está comigo neste pequeno casulo de conforto que formamos, ela é macia, doce e brincalhona, uma pessoa completamente diferente da garota feroz com quem trabalho. Eu gosto deste lado dela. Ela é como um ursinho de pelúcia. Movendo meus lábios sobre os dela não posso deixar de amar seu gosto, a maneira como ela cheira a cerejas ou os pequenos e suaves sons que brotam de sua garganta com cada pressão da minha boca contra a dela. Precisando de mais, separo seus lábios com minha língua, amando como ela se abre facilmente para mim. Porra, sim. Sua língua encontra a minha, e nosso beijo se tornar mais intenso em questão de segundos. Ela já não está hesitante ou reservada. Agora seu corpo inteiro está se esfregando contra o meu, afastando minha mão de seu peito. Eu aguento felizmente o movimento ondulante e involuntário de seus quadris conforme ela esfrega seu centro contra meu pau. — Foda-se, isso é tão bom, — murmuro entre beijos. Com cada impulso, a tensão em meu pescoço cresce. Eu não sou de explodir cedo, mas com Sadie em meu colo, suas mãos percorrendo meu cabelo e sua boca fazendo coisas perversas na minha, eu não ficaria surpreso se me transformasse em um adolescente de merda. Seu ritmo começa a acelerar, sua respiração fica mais pesada contra minha boca e suas mãos cada vez mais apertadas em meus cabelos. Será que ela vai gozar? Porra, seria tão gostoso se ela gozasse. Esperando deixá-la alucinada, deslizo minha mão de volta para acariciar seu seio, desta vez num ritmo mais rápido. — Oh, Deus, — ela geme baixinho, sua testa descansando contra a minha em busca de apoio. Ela está descaradamente se esfregando agora, cavalgando meu pau por cima da boxer, e eu estou adorando cada segundo. Precisando de mais, combino cada esfregar de seu clitóris contra meu pau com um impulso de meus quadris, intencionalmente dirigindo-a para onde eu quero, para que ela


não tenha que fazer todo o trabalho. — Porra, sim, — eu gemo. Merda. Eu vou explodir em minhas boxers, mas isso está tão bom do jeito que está que eu não me importo. Suor cobre nossas peles, as pernas dela deslizando facilmente contra as minhas. Nossas respirações tentam se manter estáveis enquanto nossas mãos começam a vagar descontroladamente. Deus, estou quase lá. — Oh Deus, — ela diz, mais alto desta vez. Ela está se esfregando febrilmente contra mim agora, num ritmo implacável que tem minhas bolas formigando em antecipação. Só mais um pouco... Aproximando minha mão de seu peito, estou há segundos de finalmente agarrá-lo, há segundos de gozar e cair no que pode ser perfeitamente descrito como felicidade matinal, quando a porta da frente de seu pequeno apartamento se abre e depois fecha. E então, como se eu fosse fogo e ela tivesse literalmente queimado seu belo clitóris em mim, ela pula do meu colo e corre para a porta do quarto, a qual rapidamente tranca. Em pânico, ela se vira para mim e aponta para a janela. — Você tem que sair, agora. — O quê? — Eu pergunto, porque vamos combinar. Meu principal órgão em funcionamento neste momento não o que está em meu crânio. O que significa dizer, portanto, que meu pau muito duro ainda está tentando entender o que está acontecendo. Na condição atual, ele não é tão esperto. — Saia agora. Você tem que ir. Ela está falando sério? — O que? Por quê? — Não tenho tempo para perguntas. — Ela joga meu jeans em minha direção e diz: — Você só tem que ir. — Uh. — Olhando para o meu colo, digo: — Eu meio que tenho uma ereção agora.


— Bom para você. — Ela joga minha camisa em mim. Apontando para a janela - sim, a janela - ela diz: — Vá em frente. Saia daqui. — Sadie, você está em casa? — Grita uma voz da sala de estar. Pânico obscurece seus olhos. Smilly. — Você não quer que Smilly me veja aqui? Com uma ereção? — Desta vez, porém, o sorriso que dou a ela não ameniza a situação. Sem sequer pestanejar ela responde: — Não, não quero. Então, se você puder, por favor, ir embora, isso seria ótimo. Segurando minhas roupas sobre o meu ainda duro-como-pedra pau, eu digo: — Não. — Não? — Seus olhos quase saem de sua cabeça. — Como assim não? — Sadie, você está em casa? — Smilly grita. — Eu quero Doritos, será que ainda temos algum? — Fomos interrompidos há segundos de gozar por causa de Doritos? Que diabos? Gritando para a porta, Sadie diz: — Uh yeah, já estou saindo, estou me vestindo. O Doritos está no armário acima da geladeira. Lembra que você mesma o escondeu de Saddlemire? — É isso mesmo, aquele porco fodido. Se apresse. Eu quero assistir Rudy. Aquele pequeno gênio do futebol estrelou meus sonhos na noite passada. Eu preciso ver a coisa real. — Ok, já vou. — Virando-se para mim e basicamente implorando agora, Sadie diz: — Por favor, Andrew. Deus, se ela não fosse tão bonita... — Só se você me prometer uma coisa. — Um acordo: ela quer algo, eu quero algo. Acho que é justo. — O que você quer? — Ela me olha com suspeita. — Um encontro. Esta noite. Nenhum de nós tem que trabalhar hoje, e eu quero um tempo a sós com você. — Um encontro? Smilly gira a fechadura. — Ei, por que você trancou a porta? — Smilly chama do outro lado, batendo na madeira.


— Estou nua. — Sadie entra em pânico, suas mãos repousando em seu rosto vermelho brilhante enquanto olha de mim para a porta. — E daí, não seria a primeira vez que vejo seus piercings. Lembre-se de que os vi quando você os colocou. — Piercings? — Eu pergunto. Não me lembro de ter sentido algo em seu mamilo quando pensei que seu peito fosse uma laranja. Ela levanta uma mão para mim. — Só me dê um segundo, eu já vou. — Ela obviamente prende a respiração, torcendo para que Smilly lhe dê um pouco de espaço. — Oh, Deus, você está se masturbando? — Sadie bate a mão na testa. — Se você está usando a minha coleção de fotos de pau como inspiração pelo menos mantenha suas digitais molhadas bem longe dela. E eu me refiro as duas mãos, Sadie, as duas mãos de merda. Eu bufo, porque honestamente não consigo evitar, o que faz Sadie lançar olhares assassinos em minha direção. — Eu não estou... — Ela suspira. — Só me dê um segundo. — Marchando até meu lado da cama, ela me puxa e começa a me empurrar para a janela. — Hora de ir. — Ei, espere um segundo. — Ela já está abrindo a janela. — Você ainda não me deu uma resposta. Eu não vou embora até que você concorde. — Não seja ridículo. — Eu que estou sendo ridículo? — Aponto para mim mesmo. — Você é quem está me empurrando para fora pela janela, seminu, com uma fodida ereção e descalço. Se você não quiser mesmo sair comigo, eu só vou dizer bom dia para a Smilly e participar da coisa Doritos e Rudy. Com expressão frustrada, Sadie diz: — Tudo bem. Vou sair com você hoje à noite. Sorrindo, eu digo: — Viu, nem foi tão difícil. — Ok, saia. — Ela me empurra para fora da janela, mas eu me seguro no parapeito antes de sair. — O que você está


fazendo? — Ela assobia. — Vou precisar de um beijo de despedida também. Exasperada, ela agarra minha cabeça com força – tanto que temo sofrer uma concussão - e dá um beijo em meus lábios. Nada íntimo ou sexy, apenas um beijo, do tipo que uma tia incrivelmente inapropriada dá. Isso meio que quebra o clima, na verdade. — Pronto, agora saia daqui. — Após um último empurrão eu me encontro do lado de fora da janela, com minhas roupas espalhadas pelo chão ao meu redor e meu pau ainda em pé, atento. — Ei, eu não peguei meus sapatos. — Você vai viver, — ela grita. — E meu pau? Ele ainda quer brincar com você. Observando a tenda erguida em minha cueca, ela sorri para si mesma e sacode a cabeça. — Dá o fora daqui. Com isso, ela fecha a janela, deixando-me nu, excitado e muito feliz por marcar um encontro com ela. Com sapatos ou não, vou fazer com que ela sorria um inferno de muito mais hoje à noite. Sem me importar em me vestir - porque qual é realmente o ponto? — Dirijo-me até meu carro. E esse é o momento em que percebo que estou sentindo falta de uma coisa... Chaves. Merda. Sabendo que não tenho escolha, tento ser o mais indiferente possível enquanto caminho até a porta da frente segurando minhas roupas firmemente na frente do meu pau, já que é consenso que ninguém gosta de ser recebido na porta da frente por uma ereção. Isso é uma merda bem assustadora, na verdade. Respirando fundo, dou um sorriso e bato. — Já vou, — ouço Smilly responder. No momento em que abre a porta, ela me escaneia de cima a baixo e, enquanto me olha nos olhos, diz: — Sadie, acredito que é para você. — O quê? — Sadie sai de trás de Smilly, e no momento em que seus olhos se encontram com os meus, eles se estreitam. Porra, acho que posso dar adeus àquele encontro. — O que diabos você está fazendo? — Ela pergunta entre dentes cerrados.


Inclinando-me para frente, respondo num sussurro: — Uh, você ainda está com as minhas chaves. Seu rosto empalidece quando ela percebe seu erro. Então ela rapidamente se afasta para buscar minhas chaves, enquanto eu me balanço para frente e para trás em meus pés, tentando evitar contato visual com Smilly. Talvez se não nos encararmos ela não vá me notar. Mas, como não sei exatamente onde fixar meus olhos, acabo dando um rápido olhar para Smilly, que ostenta um olhar de conhecimento em seu próprio rosto. Com um movimento brincalhão de seu dedo, ela acena. Não querendo ser rude, aceno para ela também, bem no momento em que Sadie retorna, jogando minhas chaves em meu peito. Ela não parece feliz. Eu pego as chaves e começo a perguntar: — Pego você esta noite...? — quando a porta é batida em meu rosto. — Sim, com certeza, às oito soa incrível. — Eu encolho os ombros casualmente. — Vejo você então. Obrigado pela sessão de amassos, aliás. Você pode trazer meus sapatos mais tarde. Não se preocupe, eu não preciso deles agora. Meio desanimado, faço a caminhada de vergonha até meu caminhão. Bem, poderia ser pior: ela poderia ter me chutado nas bolas depois que jogou as chaves em mim. Creio que essa já é uma pequena vitória.


CAPÍTULO-DEZ SADIE

Eu não quero me virar. Prefiro ficar aqui na frente da porta que acabei de bater na cara de Andrew e lentamente desintegrar no chão. — Então, isso foi interessante, — diz Smilly de uma das poltronas reclináveis. Eu fecho meus olhos, tentando voltar no tempo e me lembrar de dar ao homem suas malditas chaves. Eu estava tão nervosa, não esperava que Smilly chegasse a casa tão cedo. Normalmente quando ela passa a noite na casa de Saddlemire não volta até o meio-dia. Habilmente - pelo menos eu acho que habilmente - evito o comentário de Smilly e sento na poltrona ao lado da dela. — Porque não ficou até mais tarde na casa de Saddlemire hoje? Viu, evitei perfeitamente, não pode ficar melhor do que isso. — Oh, então você quer mesmo ir por esse caminho? Fingir que não esgueirou um cara pela janela do quarto? Ok então. — Hm, talvez eu não tenha sido tão furtiva quanto pensei. — Saddlemire teve que ir ajudar o irmão esta manhã, e como ficar na casa dele sozinha me dá arrepios eu voltei para casa mais cedo. Se eu soubesse que você tinha um convidado especial aqui teria comprado um donut de Boston Kreme na Dunkin primeiro. — Fechando seu punho no braço da poltrona ela continua: — Urgh! Eu deveria ter pego um donut. Agora é tudo o que eu quero. — Ela atira os Doritos para o lado, lambe seus dedos e se levanta da poltrona reclinável. — Vamos,


precisamos ir até a Dunkin. Eu preciso de um donut agora. Não querendo discutir com ela, visto um suéter leve, coloco minhas sandálias e sigo atrás de Smilly para o carro dela. No momento em que ela liga o carro baixa os vidros, Alabama explode de seus alto-falantes. Sim, ela é toda country. — I’m in a hurry to get things done, — ela canta, saindo do estacionamento. Então baixa o volume um pouco para que eu possa ouvi-la melhor. — Você não ama Alabama? Deus, eles me fazem querer dançar toda vez que ouço uma música. — Hum, eu não poderia dizer que sinto vontade de sair dançando, mas gosto da música deles. — Você está fazendo tudo errado se não sente vontade de dançar quando ouve Alabama. Saddlemire e eu gostamos de “Take Me Down”. Há algo sobre essa música que realmente deixa meus mamilos duros. Acontece o mesmo com você? — Uh, não, não tanto. Ligando o pisca ela vira na Front Street, caminho direto para a Dunkin Donuts, e diz: — Acho que preciso de uma dúzia de rosquinhas esta manhã. Você já quis comer tudo como um porco sem se preocupar com as gordurinhas no quadril? Confusa por ela não estar me questionando sobre Andrew, respondo cuidadosamente: — O tempo todo. — Por que nossos corpos não podem processar simplesmente as coisas como nós queremos? Se eu quisesse ser uma porca vegetariana e chupar aipo por toda minha vida, meu corpo deveria ficar bem com isso. Assim como se eu quisesse viver minha vida comendo Doritos no café da manhã, rosquinhas no almoço e torta de maçã no jantar. Meu corpo deveria dizer apenas: obrigado pelos nutrientes. Mas nããão, o pequeno fodido me dá pneus na cintura. Voando para a Dunkin – tenho certeza que o carro estava equilibrado somente em duas rodas quando ela fez a curva para entrar no drive drive-thru – Smilly pede quando chega nossa


vez: — Bolo Blueberry, Boston Kreme com morango congelado, e glacê? — É o nosso pedido habitual. — Parece bom. Peça um café médio para mim também. Smilly faz nosso pedido, requebrando como uma profissional enquanto procura alguns dólares em ambos os nossos bolsos para pagar a conta. Com rosquinhas numa mão e café na outra, Smilly não perde tempo dirigindo até o nosso lugar favorito, de onde podemos observar o rio Chenango. Estacionando perto da curva, mais perto do que o permitido inclusive, ela faz uma manobra rápida e estaciona o carro. — Vamos. — Ela balança a cabeça em direção à parte de trás do carro onde a conheci. Assim como em todas as outras vezes que ficamos apenas olhando o rio, nós subimos na caçamba do carro, colocamos a caixa de donuts entre nós e observamos o pequeno pedaço de natureza que se desdobra na nossa frente. Nós duas pegamos um donut de mirtilo primeiro, como sempre, e damos uma mordida grande. Uma vez Smilly engole, ela diz: — Quer falar sobre isso? Eu sabia que isso estava chegando. Menina esperta: ela me chantageou com donuts. Sabe qual o problema de ter um pequeno e leal grupo de amigos? Eles te conhecem muito bem. Smilly sabe que donuts são a minha fraqueza. Ela sabe. E hoje, ela fez um ataque furtivo... Se eu quero falar sobre isso? Não. — Na verdade, não, — respondo, dando outra mordida. — Que pena. Apenas derrame, garota. E comece a partir de onde sua mente se perdeu para você dormir com Andrew. — Eu não dormi com Andrew, — digo rapidamente. Apenas para constar: Smilly sempre foi uma grande fã de Tucker/Sadie. Não tenho certeza se isso vai mudar algum dia. — Não? — Ela bebe seu café. — Posso ter me enganado, então. Mas pela aparência das coisas esta manhã, você o deixou mergulhar a rosquinha. Rolando os olhos, digo: — Nós não transamos. Nós apenas... — Como posso dizer “fodemos a seco” sem corar? —


Você sabe, fizemos algumas coisas. — Você tocou o pênis dele... com a sua vagina? — Não, — respondo exasperada. — Todas as roupas ficaram no lugar. Nós apenas nos beijamos e fizemos um pouco de, você sabe, fricção. Em meio a um gole, Smilly me olha sobre o copo de café de isopor. — Você fodeu no seco? Deus, por que isso é tão embaraçoso? — Sim, — respondo timidamente. — Sério? — Smilly sacode a cabeça. — No que você estava pensando, Sadie? Você e Tucker não estão saindo? — Não. Nós não estamos juntos. Você deveria saber disso. Ele não vai ao apartamento há meses. Ele te disse algo diferente? Vou chutá-lo nos testículos se o fez. — Calma. — Smilly acaricia minha perna. — Ele só disse que estava tentando voltar com você. Isso é tudo. Não há necessidade de chutar testículos ainda. Mas então, o que isso tudo significa? Você está seguindo em frente? — Eu não sei... — Faço uma pausa. — Mentira, eu sei sim: eu estou seguindo em frente sem Tucker. Nós terminamos. Há apenas muita bagagem entre nós dois, muita história, muitas coisas que não podemos ignorar. Não somos bons um para o outro, Smilly. Ele precisa aceitar isso. Tucker. Como posso sequer explicar esse relacionamento? Destrutivo, isso é o que era, embora nem sempre tenha sido assim. Começou como uma amizade, uma compreensão mútua da dor que estávamos passando quando crianças. Minha mãe destruindo nossa família, a mãe de Tucker negligenciando o fato de que tinha um filho. Nós nos apoiamos, e depois de um tempo, essa amizade floresceu para um relacionamento; um relacionamento que consumiu tudo e por vezes se tornou volátil. Ambos estávamos procurando o amor do qual precisávamos quando crianças, e acabamos nos transformamos em criaturas ciumentas, indivíduos insalubres, confiando demais um no outro, perdendo-nos um no outro. Tucker é dois anos mais velho que eu, e quando eu saí para a faculdade, seu ciúme era tão sufocante que me afastei, incapaz de lidar com as brigas. Quando ele me visitava, tudo parecia diferente, melhor,


mas quando ele saia, nosso relacionamento se tornava tóxico mais uma vez. Era insalubre. Ainda é. Ele é um bom homem, eu sei disso. Mas ele não é o homem certo para mim. Interrompendo meus pensamentos, Smilly diz: — Eu não acho que ele veja dessa maneira. Acho que ele ainda acredita que vocês dois são feitos um para o outro. — Eu sei. Acredite, ele deixou seus pensamentos sobre o assunto bastante claros. Eu simplesmente não posso voltar para ele de novo. — E em vez disso você decidiu brincar com um cara do trabalho? Bebo meu café e respondo, ainda sem olhar para Smilly: — Engraçado, não me lembro de lhe pedir para julgar minha vida pessoal. — Eu não estou te julgando, Sadie. — Smilly suspira e se inclina para trás, suas mãos sustentando-a. — Só estou cuidando de você. Foi a apenas alguns meses que tudo aconteceu, e você não tem sido a mesma ultimamente, o que é assustador. Você mal sorri, e desistiu da escola e de seus objetivos. Eu entendo como é estar perdida, acredite, eu já estive lá, e vejo isso em você agora. Só não quero que você pule em algo quando ainda não está pronta. — Eu não estou pulando em nada. Foi só... — Inferno, eu nem sei o que foi aquilo. Esta manhã eu estava tão fora de mim mas, por alguma razão, não consegui me controlar. Eu o quis desde o momento em que ele começou a me acariciar acidentalmente em seu sono. Chame de hormônios ou do que você quiser, mas minha cabeça estava me dizendo não, enquanto meu corpo estava gritando sim. Claramente meu corpo ganhou. E honestamente, tenho certeza que meu corpo vencerá novamente esta noite. Sim, eu vou sair com ele esta noite. Só espero que ele ainda apareça depois de eu ter batido a porta em sua cara. — Foi o quê? Encolho os ombros e limpo uma migalha da minha perna. — Foi divertido. Ele é... divertido. Não é tão intenso quanto Tucker. É mais fácil, mais feliz. Honestamente, ele é contagiante, Smilly. Isso é bom, e acho que é o tipo de companhia que preciso agora. — A vida tem sido muito tensa por meses, e ele é como uma luz de esperança brilhando em uma


existência muito escura e vazia. Ele me irritou, mas também me rejuvenesceu. De alguma forma. — Eu pensei que você não pudesse suportar o cara. De onde veio essa mudança? Inferno se eu sabia. — Não tenho ideia, honestamente. Aconteceu em algum momento na noite passada, suponho. Ele é diferente, Smilly. E eu já fiquei muito tempo presa no meu passado, na minha cidade natal, em tudo que é familiar. Preciso sair desse molde, me afastar da minha história. Ela está me comendo viva. —Eu entendo isso. — Procurando na caixa, ela separa para ambas os donuts de Boston Kreme, o que significa que vai começar a pegar pesado agora. Os donuts de mirtilo são apenas aquecimento. — E quanto a faculdade? — O que tem ela? — Você vai voltar? — Você sabe que isso não é possível. No momento em que abandonei, perdi tudo. E eu nem poderia me dar ao luxo de voltar para Cornell, mesmo que quisesse. — Então é isso? Você vai apenas desistir? Vai esquecer seus objetivos, largar Tucker, abandonar a escola e só se divertir? Onde está a Sadie com quem fui para a escola? A Sadie que ia se casar com Tucker quando se formasse? A Sadie que ia se tornar psicóloga, para que pudesse ajudar crianças que passaram por coisas semelhantes a ela? Onde está a Sadie que foi laureada em nossa escola, a Sadie espertalhona? — Se foi, — eu sussurro. — Ela se foi, Smilly. Silêncio cai entre nós. O som fraco do tráfego próximo se mistura com o quase silencioso gotejar da água rolando sobre as pedras. É um momento calmo e sereno, contudo, não sinto nada além de angústia e ansiedade. Estou tão cansada de me sentir apática, sem rumo... sozinha, apenas com as mentiras e a desesperança. Inclinando-se para frente novamente, Smilly pergunta: — Ela vai voltar? Porque eu sinto falta dela.


— Espero com todas as forças que sim. — Eu sinto falta dela também. Puxando-me para mais perto, Smilly embala meu ombro com seu braço e descansa sua cabeça na minha. Esta menina é dura como diamantes, honesta, e nunca mente. É uma das razões pelas quais ela é minha melhor amiga. Nós nos amparamos, mesmo que não concordemos necessariamente com o que estamos fazendo. Espero que ela compreenda que não existe mais Tucker e Sadie, porque se há uma coisa que eu tenho cem por cento de certeza é que os sonhos de Tucker e eu nos casarmos estão mortos e enterrados para sempre.

—Ah, sim, não se preocupe comigo. Eu apenas planejo pedir um chinês e assistir Netflix. The Crown21 realmente chamou minha atenção. — Tem certeza? Saddlemire disse que você é mais que bem-vinda para vir jogar poker. — Tenho certeza que ele disse. Mas estou bem em não perder meu dinheiro esta noite. Vá em frente, eu vou ficar bem. Será bom ter uma noite tranquila. Smilly me estuda, e eu tento não demonstrar pânico. Não tenho nenhuma ideia de que horas Andrew vai aparecer – supondo que apareça - e ainda tenho que me arrumar. Preciso que Smilly dê o fora daqui. — Ok, ligue se precisar de alguma coisa. — Sim. — Eu aceno enquanto me aconchego numa poltrona reclinável. — Divirta-se. Com o clique da porta fechando, salto da poltrona e corro para o nosso quarto compartilhado, onde começo a vasculhar minha cômoda. O que vestir, o que vestir? Nada muito vadia que dê a impressão errada, especialmente depois desta manhã e minha pelve entusiástica. Mas também não quero parecer 21

Seriado da Netflix.


uma freira com gola rolê, já que isso também daria a impressão errada. Gola alta é igual a dê o fora daqui, amigo, uma imagem que não quero retratar. O pior é que eu nem sei o que ele planejou. Nós vamos ficar fora? Dentro? Filme? Jantar? Um soco no rosto? Não, não um soco no rosto. Deus, estou nervosa. Escolhendo uma opção segura, visto minha calça jeans skinny de lavagem escura, minhas sandálias de tiras pretas e meu top frente única preto de seda floral. Ele se molda bem ao meu corpo, e mostra meus ombros, um atributo do qual sou bastante orgulhosa. Não sou nenhuma Kiera, a devota do CrossFit, mas também não é um sacrifício ir à academia. No banheiro, verifico minha roupa no espelho e mentalmente me parabenizo. Estou bonita, um pouco sexy... apenas um pouco. Já que meu cabelo já está seco, faço também uma trança francesa do lado direito, criando uma aparência fresca. Não precisando refazer muita coisa no quesito maquiagem, apenas reaplico meu delineador e o batom, e aplico um pouco de bronzer. O rímel ainda está intacto, por isso estou pronta para ir. Olhando para o meu telefone, verifico a hora. Sete e meia. Hmm, eu realmente queria ter o número dele, porque ficar aqui esperando, imaginando se ele vai aparecer ou não será uma tortura. Oh, Deus, e se ele não aparecer? E se ele decidir que fui muito cadela esta manhã e me deixar na mão? Será que sequer se qualifica como ser deixada na mão quando há apenas uma promessa de encontro, nada material? Suor começa a escorrer, e repentinamente preciso de mais ar em meus pulmões. Voltando para o banheiro, pego o secador e, quando estou prestes a ligá-lo, ouço uma batida na porta. Merda, ele chegou. Abandonando a ideia do secador, pego uns lenços da caixa que fica no balcão do banheiro e os coloco debaixo dos braços, na tentativa de remover o suor das minhas axilas. Elegante. Atraente. Oh tão atraente, mas... eficaz. Batendo meus braços como asas para tentar acelerar o processo, me olho no espelho e imediatamente começo a me odiar. Me perdi completamente aqui. Rapidamente removo os lenços e verifico se há restos. Em seguida, aplico um pouco de


desodorante, seguido de um esguicho do meu perfume. Após dar uma última conferida no espelho, corro para a sala de estar, onde empurro meu cabelo para trás sobre meus ombros e atendo a porta. De pé na minha frente está Andrew, vestindo calça jeans, Vans22 pretos e uma camiseta branca lisa. Seu cabelo está perfeitamente penteado para o lado, e seus óculos emolduram seus olhos amáveis. Sim, estou muito feliz por ter concordado com este encontro. — Você veio, — eu digo, soltando um suspiro que nem sabia que estava segurando. Esse sorriso assassino me cumprimenta enquanto ele avança. — Você achou que bater à porta no meu pau duro conseguiria me manter afastado? Vai precisar de algo melhor que isso, Calças Doces. — Ele acaricia a parte de trás do meu pescoço e suavemente me puxa para perto, sem nenhuma arrogância em seus gestos. Baixando a cabeça ele me beija suavemente, mordiscando minha boca algumas vezes antes de me afastar. Quando ele se afasta apenas o mínimo necessário, eu digo, meus olhos ainda nebulosos pelo beijo: — Não me chame de calças doces. — Duvido que consiga evitar, mas você é fofa em pedir. — Atando nossas mãos, ele pergunta: — Pronta? — Sim. — Pego minha bolsa no gancho perto da entrada, tranco a porta e sigo-o até seu carro, que está estacionado em frente. — O que você planejou? — Realmente quer saber? Ou vai me deixar ser encantador e surpreendê-la? — Encantador? É melhor ter pensado em algo bom, porque está aumentando demais as expectativas. — Hmm. — Ele sai do complexo de apartamentos e dirige-se para o centro da cidade. — Suponho que estou. Mas tenho confiança na minha ideia. — Sim... então perdeu um bom tempo planejando tudo? Ele aperta minha mão direita antes de pegar a próxima

22

Tipo de tênis.


saída, mantendo sempre os olhos na estrada. — Gostaria de poder dizer que estive pensando sobre o nosso primeiro encontro desde que coloquei os olhos em você, mas nós dois sabemos que seria uma mentira grande e gorda. — Por quê? Você estava com medo de mim? — Não. Você era apenas uma desagradável mulher endiabrada. Eu não tinha certeza do que fazer com você. Não posso evitar de rir com o apelido. — Desagradável mulher endiabrada? — Sim, e você ainda tem um pouco disso aí dentro. Aparece de vez em quando. — Como quando você esguichou alvejante na minha calça preta? — Aquilo foi um acidente. — Ele ri. — Mas acho que é quando você toma muito daquele xarope para tosse que a diaba sai. — Isso não é verdade, — retruco, realmente apreciando a conversa idiota. — Meu xarope para tosse alivia a tensão em meus ombros. São pessoas muito felizes como você, que fazem perguntas intermináveis depois do fim do meu turno – o que a propósito eu odeio - que encorajam a mulher-diabo a aparecer. Paramos numa sinaleira, e ele se vira em minha direção. — Era a minha primeira semana. O que você queria que eu fizesse? — Seu rosto está cheio de humor. — Poderia ter pedido um instrutor diferente. Sua cabeça cai para trás enquanto ele ri. — Sim, e então ter meu pau cortado. Não, obrigado. — Ele brinca, cutucando minha perna. — Vamos lá, admita: você gostou de me treinar. — Não, não gostei. — Mas a companhia foi boa? — Você falava demais, — respondo com alegria. — E o corpo? Vamos lá, o corpo é bonito de se olhar. Certo, ele me pegou aí. Desde o primeiro dia eu notei o quanto Andrew é quente, quão grandes são seus antebraços. Não


tem como confundir isso. — Ahh. — Ele ri. — Vou tomar esse silêncio como um sim. Então você realmente queria saltar em mim desde o primeiro dia. Eu rolo os olhos e olho pela janela. — Você é ridículo. — Ei, se te faz sentir melhor, eu devo ter olhado para a sua bunda pelo menos uma dúzia de vezes quando nos conhecemos. Toda vez que você se dobrava para servir um sorvete o Pequeno Andy ficava animado. — Oh meu Deus. — Eu rio. — Você acabou de chamar seu pau de Pequeno Andy? — Você tem algum problema com isso? — Apenas com o fato de ser bastante assustador. Ele balança a cabeça e se vira para a Chenango Street. — Ei, eu nunca disse que você tem que chamá-lo assim. Estava apenas comentando. — Muita informação. Ele zomba. — Como se você não estivesse morrendo de vontade de me contar como chama seus peitos. — Eu realmente não estou. — Digo entre risos. Ele estaciona debaixo de uma ponte, com a qual não estou familiarizada, e se vira para mim. —Sabe essa sua risada, essa que você tão irritantemente mantém escondida? Você realmente deve usá-la mais frequentemente, porque ela pode iluminar alguns dos mais escuros dos dias. — Piscando, ele sai do carro, me deixando momentaneamente muda até que abre minha porta. — Pronta? Eu não acho realmente que esteja pronta, mas com sua mão esticada em direção a minha, oferecendo-me proteção durante essa nova aventura, percebo algo incomum. Em algum momento eu comecei a confiar nele, e confiar não é algo que eu faça com muita facilidade. Estou pronta? Devo dar-lhe minha mão e minha confiança? — Sim, estou pronta. De mãos dadas, caminhamos ao longo do cascalho sob a


ponte, passando por um pilar de cimento. As luzes brilhantes iluminam o céu escuro e estrelado. — Você está me levando a um jogo de beisebol? — Eu pergunto, mal escondendo minha excitação. — Onde mais eu a levaria no nosso primeiro encontro? Binghamton, Nova York, é conhecida por algumas coisas: carrosséis, asas de frango, Nirchi’s Pizza, e os Binghamton Rumble Ponies23. Sim, você leu certo, é Rumble Ponies24 mesmo. Eles são o New York Mets Double-A, a equipe de uma liga menor. Formalmente conhecidos como B-Mets, eles mudaram seu nome para Rumble Ponies a pouco tempo atrás, e os fãs tiveram a oportunidade de votar on-line e decidir o nome da nova equipe na época. Eu votei em Stud Muffins, por razões óbvias, e, na minha escala, Timber Jockies ficava em segundo lugar. Mas Rumble Ponies ganhou, provavelmente por causa de toda a coisa dos carrosséis. Nota explicativa: Binghamton declara ser a capital mundial do carrossel. Grande declaração. Andando em direção ao portão de entrada, com minha mão ainda grudada na de Andrew e meu coração batendo descontroladamente, eu brinco: — Você vai me comprar amendoim e biscoitos? — De jeito nenhum. Vamos comer spiedies. — Apenas para informação, spiedies são sanduíches de cubos de frango marinados e grelhados. Parece bruto, mas são realmente bons. — Você é um cara de spiedies? — Spiedies e half-moon cookies25, querida. Era só o que eu comia quando visitava Jimmy, meu irmão. — Você não é daqui?

Os Binghamton Rumble Ponies são uma equipe de beisebol da Minor League (uma espécie de liga secundária) com sede em Binghamton, Nova York. A equipe é afiliada ao Double-A dos Mets, da liga principal de Nova York. Os Rumble Ponies jogam no NYSEG Stadium, em Binghamton. 24 Em tradução literal seria Pôneis Estrondosos. 23

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— Nah, cresci no sul da Califórnia. Mudei para cá com meus pais quando me formei no ensino médio, e depois fui para a faculdade no Maine, onde fiquei até o ano passado, quando pedi transferência para cá. Puxando sua carteira, ele entrega ao senhor no portão nossas entradas. Sua preparação para este encontro é tão bonita. Quando nos deixam entrar no pequeno estádio, ele agarra minha mão novamente e nos leva direto para o quiosque de spiedies, onde uma fila já está formada. — Você cresceu por aqui, certo? — Pergunta Andrew. — Sim, numa pequena cidade chamada Whitney Point. Havia apenas noventa e cinco alunos na minha turma de formandos, então posso dizer que conhecíamos muito bem uns aos outros — Noventa e cinco pessoas? — Pergunta, descrente. — Droga, você devia conhecer todo mundo. Olhando para ele, incrédula, balanço a cabeça. — Sim, professores incluídos. Ele passa o braço em torno do meu ombro, me aproximando de seu corpo, e beija o lado da minha cabeça, demorando-se alguns segundos antes de gentilmente se afastar. A pequena e natural amostra de afeto envia calafrios para cima e para baixo em meu corpo, me iluminando de uma maneira que não sentia há muito tempo, nem mesmo com Tucker. O que há com esse homem que muda cada pensamento que eu já tive sobre relacionamentos? — Diga-me, Sadie, o que faz você rir? Pega um pouco fora de guarda, pergunto: — O que você quer dizer? Tirando sua mão do meu ombro, ele junta nossas mãos novamente, seus dedos se entrelaçando com os meus. Seu polegar esfrega as costas da minha mão, o toque gentil fazendo meu coração bater rapidamente. — Quero saber o que faz você rir, Sadie. Quero saber como conquistar mais facilmente aquele som surpreendentemente bonito e feliz que você me mostrou no carro a caminho daqui. É viciante, e eu sei que você o reserva para ocasiões verdadeiramente especiais, mas ajude o cara


e me diga o que faz você rir. Posso dizer o que quase me faz desmaiar ao invés disso? Porque então a resposta seria tudo isso que está acontecendo aqui, do simples ato de segurar minha mão até me levar a um jogo de beisebol sob o céu noturno de verão e me dizer que quer me ouvir rir. O que é quase decepcionante, porque não é nada do que eu esperava de Andrew quando o conheci, quando apertei sua mão naquele dia na sorveteria. Sua atitude efervescente inicialmente me aborreceu demais, na verdade. Agora, porém, sua transparência é extremamente atraente, especialmente quando é ele quem me convida para sair, ou toma conta no planejamento da noite, ou segura minha mão. — Vamos, me dê uma dica. — Ele pisca. Como diabos suas piscadelas podem ser tão sexys? Olhando para as nossas mãos entrelaçadas, encolho os ombros. — Eu não sei, depende. Eu gosto de brincadeiras bobas e de humor sarcástico. Oh, e sou uma otária para humor negro. — Humor negro, hein? — Eu realmente gosto desse sorriso bobo em seu rosto. — Então, se eu caminhasse até a estação de spidie, tropeçasse e caísse contra a barraca, desmoronando a coisa toda, você riria ou viria me ajudar? — Isso nunca aconteceria, mas se estivéssemos mesmo em seu pequeno mundo imaginário, eu provavelmente iria te ajudar enquanto dava risada. Rindo, ele balança a cabeça. — Eu posso viver com isso. — Endireitando-se, ele pergunta: — Já que você gosta de humor negro, você achou graça no desastre ‘peitos firmes’ ou ainda está com raiva sobre isso? Como eu poderia esquecer o episódio ‘peitos firmes’? Acho que isso nunca vai acontecer. — Quer saber a verdade? — Sempre. — A fila está quase acabando, e resta somente uma pessoa na nossa frente agora. O cheiro de frango grelhado está realmente começando a fazer meu estômago rosnar com fome. — Eu tive que me trancar no depósito para rir disso. Um olhar ferido atravessa seu rosto. — Eu te fiz rir e você


escondeu isso de mim? Isso é fodido, Sadie. — Ele abre um sorriso que toca meu coração. Deus, ele é tão... bonito? Adorável? Sexy? É possível ser tudo isso de uma vez? Eu aperto sua mão na minha e digo: — Você vai ter que superar isso. — Não. — Ele balança a cabeça. — Não será possível me recuperar de tal devastação. Certamente este é o fim para mim. — Muito dramático? — Pergunto, segurando o riso que quer sair. Ele cheira o ar e olha para mim. — Sim, eu posso cheirar minha morte em um futuro próximo. Nunca pensei que partiria de tal maneira. E sem nunca realmente ter visto seus peitos, já que apenas os acariciei com meu rosto e mãos. — Você é ridículo. — Uma tragédia. Nos aproximando do balcão, somos recebidos por um homem enorme com uma caneta atrás da orelha, um cavanhaque cheio enfeitando seu rosto e um boné virado para trás. — O que seria para vocês? Dramaticamente Andrew se inclina no balcão e olha para o homem: — Estou morrendo, cara. Andrew deve ter piscado para o homem, ou eles devem ter algum tipo de código secreto porque, em vez de ser pego desprevenido pelo anúncio de Andrew, ele se inclina para frente e bate no braço de Andrew. — Porra, eu sinto muito ouvir isso. E você parece tão jovem. Bolas azuis? — Ele pergunta. Andrew balança a cabeça, realmente usando o balcão como apoio. — Vê esta linda mulher ao meu lado? O homem me olha de cima a baixo e responde para Andrew. — Ela é muito bonita. Deixe-me adivinhar, ela não quer lhe dar uma rapidinha. Ele levanta nossas mãos juntas para o homem ver. — Oh, ela me deu uma rapidinha, hoje de manhã na verdade. — Andrew! — Murmuro, fazendo o homem rir.


Inclinando-se um pouco mais para frente, ele coloca a mão ao lado da boca e sussurra. — Ok, para ser justo, foi mais como sexo a seco, sem nudez. — Oh meu Deus, — eu gemo de vergonha. — Ah, eu amo uma boa trocken buckel na parte da manhã. — Como nós dois parecemos confusos, o homem esclarece: — É alemão. Balançando a cabeça, Andrew continua: — Vou aderir a esse termo, cara. Se eu não estivesse morrendo, porém, seria capaz de usá-lo mais. — Ah sim, sua morte iminente. O que está te mandando para o caixão mais cedo? — Uh, urna biodegradável, na verdade. Eu gostaria de me tornar uma árvore depois de morrer. — Interessante, nunca imaginei Andrew como um cara de urna/árvore. — Mas esse não é o ponto. Estou morrendo porque esta bela mulher de pé ao meu lado, segurando minha mão, a mesma que se esfregou alucinadamente na minha virilha hoje de manhã, já me negou seu riso. E homem, — Andrew pega o cara pela camisa e o puxa mais para perto em desespero, — ela tem o mais mudador-de-vidas e maravilhoso-além-daimaginação sorriso. É uma espécie de risada onde você jura que vê anjos flutuando para fora da boca dela quando ela acha que algo é engraçado. — Uau. — O homem retrocede alguns passos. — Isso deve ter sido duro, cara. Não posso acreditar que ela foi tão fria. Você sabe o que? Saindo dois spiedies por conta da casa. — Chamando alguém à suas costas, ele diz: — Dois spiedies originais. — Voltando-se para nós, ele pergunta: — Duas CocaColas para acompanhar? — Coca-Cola Zero para mim, e para a senhora... — Andrew me aguarda responder. O que diabos está acontecendo aqui? Estou tão confusa quanto ao porquê deste cara estar sendo tão bom conosco, ou porquê dele estar comprando o drama de Andrew quando há uma fila considerável atrás de nós. — Uh, Sprite. — Uma menina Sprite, — diz o homem, se afastando para


pegar nossas bebidas. Olho para Andrew, que apenas sorri para mim. — Tudo bem, aqui vamos nós: dois spiedies, uma Coca Zero e um Sprite. Divirtam-se. — E olhando para mim, o homem complementa: — E, querida, dê um tempo ao meu garoto Andrew. Mesmo que suas piadas sejam bregas, ria para ele. Gah, eles se conhecem. — Obrigado, Hal. — Andrew aperta a mão de Hal, pega nossa comida e me leva até as arquibancadas. Silencioso por um segundo, Andrew aperta minha mão. — Vamos lá, nem mesmo uma pequena risadinha? — Isso foi um pouco forçado. — Forçado? Eu estava pensando em bajulador. — É assim que você pega alguém? Falando sobre transar a seco na frente de estranhos apenas para ganhar spidies de graça? Isso realmente funciona? — Me diga você. Você é quem ainda está segurando minha mão enquanto bate esses cílios impossíveis para mim. — Não estou batendo meus cílios. Chama-se piscar. — Seja lá o que for, faz minha bunda formigar. — Ele dá um pequeno salto no lugar e treme. Eu rio alto de sua natureza ridícula. Não consigo evitar. Tenho que lhe dar essa. — Foda-se, sim! — Ele sacode nossas mãos dadas. — Droga, Sadie, você acabou de fazer valer minha noite. — Ele levanta novamente nossas mãos e gentilmente beija o dorso da minha enquanto me observa. E o que eu vejo em seus olhos é algo que não acho que já tenha visto antes. Ele não me conhece, mas está se esforçando para mudar isso. Como se o pensamento de não me conhecer fosse intolerável. Ele perguntou o que eu queria, em vez de presumir ou tentar adivinhar. Ele quer se conectar... comigo. Me conhecer. Ah Merda. Meu estômago acabou de virar de cabeça para baixo. Acho que estou realmente em apuros.


CAPÍTULO-ONZE SADIE

— Eu ainda não posso acreditar que você acabou com um olho roxo. — Balanço a cabeça para Andrew, que está segurando uma bolsa de gelo em seu rosto e tentando segurar minha mão enquanto caminhamos para sua caminhonete. — Valeu a pena, querida. — Soltando minha mão, ele pega a bola do jogo no bolso traseiro e a vira em sua mão. — Tropeçar sobre aquele homem de setenta anos para pegar essa bola suja, e acabar batendo meu rosto no braço de cadeira? Valeu muito a pena, porque agora tenho essa garotinha. Mas admito que tive sorte de meus óculos caírem primeiro, antes de eu bater o rosto. — Você ainda poderia ter pego a bola sem tropeçar sobre o velho e derramar meus Cracker Jacks26. — Eu lhe comprei outro pacote. — Sim, ele comprou, o que foi realmente muito doce. — E não havia nenhuma maneira de eu conseguir pegar a bola antes daquele pequeno punk de camisa polo vermelha se não escalasse o velho. Você viu a trajetória e o giro daquela aquela coisa? A forma como ela voou para fora do campo, e o ângulo... nunca teria chegado até os nossos lugares. Seu Cracker Jacks teve que acabar no chão para que eu pudesse ganhar meu prêmio. — Que dia triste para Cracker Jacks - respondo. Conversar com Andrew é tão fácil, tão divertido, tão leve. Eu nunca experimentei essa atmosfera descontraída com outro cara 26

Pipoca e amendoin caramelizados.


antes. Parece quase antinatural, mas certo ao mesmo tempo, se é que isso faz qualquer sentido. Quando chegamos ao estacionamento, ele pega as chaves de seu bolso e destranca a minha porta. Então me ajuda a entrar, como o cavalheiro que é, e me vira de frente para ele no assento do banco, seu corpo entre minhas pernas. Com a mão ainda segurando o saco de gelo em seu olho sob seus óculos, ele pergunta: — Você se divertiu, Sadie? Sim, e apesar do meu nervosismo e reserva iniciais, não estou surpresa por ter aproveitado a noite. Estou aprendendo que o homem é incrível em tudo o que faz, na verdade. Mas estou surpresa com uma coisa: aparentemente sou realmente capaz de deixar um estranho entrar em meu pequeno círculo. Estou surpresa por não tê-lo afastado em todas as chances que tive, e estou incrivelmente espantada por querer sair com ele novamente. — Sim. Obrigada. — Engancho meus dedos nos passadores do cinto em sua cintura e o puxo para mais perto. Deixando cair o bloco de gelo no chão de seu caminhão, ele se apoia no topo da porta, sua camisa subindo em seus bíceps e me dando uma ótima visão de seus braços fortes e cintura fina. Flashes de ontem à noite e desta manhã atravessam minha mente: Andrew sem camisa, Andrew com os cabelos bagunçadamente sexys ao acordar, Andrew e seus antebraços onipotentes me ajudando a me esfregar em sua ereção. Meu corpo se inflama. Eu estou quente para o nerd. Tentando evitar a tentação de enfiar minha mão em suas calças - sim, esse é o rumo que meus hormônios estão tomando agora - estendo a mão e toco delicadamente seu rosto. — Seu olho está bem? Ele encolhe os ombros. — Sim, eu vou ficar bem. A menos que você queira brincar de enfermeira, porque se esse for o caso então ai, meu olho! — Ele apoia a mão sobre o rosto, o que me faz rir. — Você gostaria disso, não é? De me ver esperando por você em minhas mãos e joelhos... — Preferivelmente usando nada! Sim, seria incrível. — Ele mexe suas sobrancelhas para mim. — Não vai acontecer. — Meus dedos ainda estão


enganchados em sua calça jeans enquanto ele apenas me observa, a lâmpada da rua fornecendo nossa única iluminação. — Você está acabando com o sonho de um homem aqui, Sadie. — Acho que você vai sobreviver. Ele se aproxima mais, ainda segurando no batente da porta. — Não tenho certeza. Com o traumatismo craniano que sofri esta noite, e sem ninguém para cuidar de mim... talvez eu tenha que enfrentar a morte num futuro próximo. Meu bem-estar é incerto no momento. — É a segunda vez que você menciona sua morte eminente hoje. Uma de suas mãos serpenteia em volta do meu pescoço e me puxa para mais perto. — Você vê o que faz comigo? Estou à beira da morte a cada segundo que passo perto de você, me perguntando e esperando para ver se você pressionará esses lábios deliciosos contra os meus outra vez, me salvando da escuridão que cobre meus ombros. Eu balanço a cabeça, e uma risada silenciosa escapa. — O que aconteceu com o cara tímido do trabalho? Acho que eu gostava mais de você quando não era tão suave com as palavras. — Sério? — Ele se aproxima ainda mais. — E por quê? — Porque, — seus lábios estão tão perto agora que quase posso proválos, — era mais fácil resistir. — Hmm. Nota para mim mesmo: sempre atuar como um babaca superconfiante em torno de Sadie. Antes que eu tenha chance de responder, seus lábios encontram os meus, consumindo-me, não me dando outra opção senão derreter mediante a sensação de seus lábios acariciando os meus. Não que eu preferisse estar fazendo qualquer outra coisa agora, porque ele tem uma maneira mais que especial de me envolver em seu pequeno mundo, onde parece que nada será capaz de me prejudicar. Exigente - mais exigente do que de manhã - sua língua corre ao longo da emenda dos meus lábios, implorando entrada. Mas eu não me entrego imediatamente. Em vez disso, faço-o se esforçar mais. Aguardo seus lábios conquistarem


entrada. Gemendo ligeiramente ele então movimenta sua boca sobre a minha, tirando máximo proveito de meus lábios fechados, me tentando com beijos quentes até que não consigo mais resistir. E eu tive realmente alguma chance? Quando minha língua toca a dele, ele geme ainda mais alto, e solta o apoio da porta, para que possa segurar meu rosto. Seu delicioso corpo pressiona contra o meu. Quando conheci Andrew, nunca, nem mesmo em meus sonhos mais selvagens eu teria imaginado que ele é o tipo de homem que poderia me colocar de joelhos apenas com um beijo. Mas ele prova – outra vez - que eu estava redondamente errada em meu julgamento, considerando a maneira deliciosa como trabalha sua língua contra a minha, e a maneira como seus lábios se conectam da maneira mais sexy possível com os meus. Não há qualquer dúvida em minha mente agora: ele é perigoso. Seus molhados, exigentes e inflexíveis beijos me envolvem num pequeno casulo, do qual não consigo me imaginar saindo. Ter Andrew envolto em torno de mim, a maneira como seus polegares esfregam minhas bochechas enquanto sua língua mergulha em minha boca, o delicioso roçar de sua metade inferior contra a minha, os pequenos gemidos sensuais que ressoam do fundo de sua garganta... é eufórico. Eu movo meus dedos em sua cintura... e com esse pequeno toque ele dispara para longe de mim, colocando pelo menos um pé de distância entre nós. Visivelmente abalado, ele passa a mão em seu cabelo perfeitamente estilizado e olha fixamente para mim, mantendo apenas um leve sorriso no canto de sua boca. — O que há de errado? — Pergunto, um pouco estupefata por seu movimento abrupto. — Uh, eu estava ficando um pouco excitado demais. Gozar em público, debaixo de uma ponte, onde mendigos deitam para descansar realmente não parece sexy para mim. Rindo, sacudo a cabeça. — Não, não parece. Aproximando-se novamente, ele pega minha mão e beija a parte de trás dela docemente. — Gostaria de ir para casa comigo?


Essa pergunta - a maneira como ele a faz – me destrói. Há uma esperança quase infantil em seus olhos, como se esta fosse a primeira vez que ele convida uma menina para sua casa, o que eu sei que não pode ser verdade, não se considerar os momentos íntimos que tive com ele ate agora. Mesmo assim, há algo tão doce e puro a seu respeito que me encontro acenando afirmativamente. — Sim? — Ele pergunta, aquele sorriso brilhando em seu rosto. — Sim. Mas entre logo no carro e comece a dirigir antes que eu mude de ideia. Posiciono meu corpo corretamente no assento para que Andrew possa fechar a porta, mas antes de qualquer coisa ele desliza seu grande corpo em minha direção outra vez, coloca a mão em concha em meu rosto e me beija duramente, fazendo meu coração voar em um vendaval de luxúria por este homem que não hesita em mostrar carinho. Sequer consigo reagir: tão rápido quanto se inclinou para me beijar, ele agora está fechando minha porta e correndo para o outro lado. Após entrar no caminhão e colocar o cinto de segurança, ele acena para eu me aproximar enquanto acaricia o assento do meio. — Vamos, Calças Doces, venha aqui. — Você quer que eu me sente no banco do meio? — Pergunto, incrédula. — Sim, quero. Agora traga sua bunda perfeita até aqui, para que eu possa dirigir te abraçando. — Puxando meu braço, ele me ajuda a eliminar o espaço entre nós, e após afivelar meu cinto de segurança, deixo que ele me apoie em seu peito. Aninhada contra ele ao som de Standing Outside The Fire27, Andrew nos leva pelas ruas de Binghamton até sua casa, cantarolando baixinho sem se afastar.

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Música de Garth Brooks.


— Você está brincando, certo? — Pergunto, olhando para sua cama. — É uma cama de solteiro. — Sim, — Andrew diz com um sorriso casual, encostado na porta de seu quarto. — Como você cabe aqui? Seus pés devem sobrar no final da cama. Ele encolhe os ombros. — Eh, já me acostumei com isso. Não é tão ruim quanto parece. Girando ao redor, observo o pequeno espaço de seu quarto antes de falar: — Este quarto é minúsculo, mas eu aprecio você ter reservado espaço suficiente para um pôster em tamanho real de Derek Jeter. Isso é dedicação. — Obrigado. — Ele se curva como um idiota, e isso me faz sorrir. — Embora tenha algo que preciso tratar com você. — Sim? — Ele caminha até mim e coloca suas mãos em meus quadris. — Será que tem a ver com o fato de não estamos de pijamas abraçadinhos na minha pequena cama de solteiro? — Não. — Dou risada. — Mas agora eu entendo por que você quis vir para cá. — Você não pode me culpar. Eu acordei esta manhã pensando que seu peito era uma laranja, e desde então estou viciado. E agora simplesmente preciso saber: será que têm gosto de laranja também? — Não. — Eu lhe dou um tapinha, brincando, o que ele toma como sinal verde para se aproximar. — Baby, eu mesmo vou me certificar de descobrir qual o seu gosto muito em breve, mas agora, por favor, me diga sobre o que você quer falar. Deus, o suave timbre de sua voz me faz sentir tão quente, e seus braços parecem tão cômodos quando estou entre eles, que estou surpresa que sua brincadeira suave não me incomoda. De onde ele veio? Limpando minha garganta numa tentativa de não derreter sob seu olhar, eu digo: — Bem, pelo que parece, você


realmente é um nerd. — Como assim? — Ele pergunta, formando uma pequena ruga em sua testa. Eu aponto para a parede. — Tem um cartaz de equações matemáticas na sua parede. Ele se vira para olhar para o referido cartaz, e depois me dá um sorriso de satisfação. — É bom ter uma referência rápida na parede ao calcular as coisas. — E você também tem três computadores naquela mesa ali. — Por que ter só um quando se pode ter três? — Ele dá de ombros casualmente. — E tem quatro Cubos de Rubik28 diferentes na sua cômoda. Ele olha naquela direção. — Já ouviu falar em manter a mente ativa? Eu não quero ser aquele velho que não se lembra de como lavar seu próprio pau. — Ok, eu posso entender isso. Mas você pode me explicar por que tem três quadros com fotos de Albert Einstein, Bill Gates e... — me inclino para dar uma olhada melhor, — Steve Urkel na sua parede? Se encolhendo ligeiramente, ele nem se incomoda em olhar para as fotos das quais estou falando. — Eu gostaria de poder dizer que alguém me deu esses quadros, mas eu mesmo às imprimi. Três homens, todos gênios, todos celebridades por mérito próprio. É bom se inspirar em homens tão fortes, inteligentes e confiantes. Em descrença, digo: — Tudo bem, mas se você começar a usar jeans meia canela com suspensórios, esta pequena coisa que estamos fazendo estará terminada. Fazendo uma pausa, ele pensa sobre a minha declaração antes de acenar afirmativamente. — Posso concordar com isso. Mas você se opõe a óculos de armação vermelha que parecem óculos de proteção29? — Ele pergunta, referindo-se aos óculos

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horrendos de Steve Urkel. — Muito mesmo. Tomando nota, ele diz: — Ok, sem problemas. — Ele me beija na testa rapidamente antes de ir ate sua cômoda, de onde tira uma camiseta - uma tshirt com a estampa de um macaco usando óculos e segurando uma caneta, escrevendo uma equação matemática. Esse cara. — Você pode usar o banheiro primeiro. Com uma piscadela ele me empurra em direção ao banheiro, onde passo alguns minutos me preparando para a cama – importante esclarecer que uso a escova de dente de reposição que ele tem na gaveta. Ele também não perde tempo, e antes que eu saiba nós dois estamos espremidos em sua cama de solteiro, os pés dele sobrando para fora da cama. Encarando um ao outro agora - Andrew vestindo somente um par de boxers e eu em sua camiseta, que chega aos meus joelhos - nós conversamos. É estranho no início, e difícil para mim compreender o quão incrivelmente fácil tudo parece – Andrew e eu nos acariciando, deitados em sua cama, apenas conversando. Eu só passei por isso com outro homem antes, Tucker, e nunca foi tão fácil, tão confortável... tão certo. Me aconchegando ainda mais, deleitando-me com a sensação de seu corpo de encontro ao meu, pergunto: — Como você encontrou este lugar, e onde estão seus companheiros de quarto? — Férias de verão. As meninas estão todas na equipe feminina de basquete, e veem de diferentes países: Letônia, Finlândia e França. Mas uma delas é americana, então não serei o único perdido. Este foi o único lugar decente que consegui encontrar em tão curto prazo. — Você está morando com outras cinco meninas? — Minha mente não consegue conceber tal coisa. — Sim. — Sua mão corre por minha coxa, levantando a camiseta conforme avança ate meu quadril. — Você está com ciúmes? — Sua voz é brincalhona, então eu sei que ele não está falando sério. — Não. Mas estou realmente preocupada. Tem ideia do que


vai ser viver com cinco mulheres? Você vai estar no inferno. — Estou bem ciente do perigo que repousa sobre mim, mas como eu disse, tudo aconteceu no último minuto, e não havia outras opções decentes. — Último minuto? Você continua dizendo isso. O que fez você se transferir tão tarde? Não gostou da antiga faculdade? Sua respiração acelera, e considerando seu breve silêncio, sei que toquei num ponto delicado. Não que eu realmente queira conversar sobre faculdade neste momento, dada a minha situação, mas estou curiosa para saber por que ele demorou tanto para procurar um lugar para morar. O que o atrasou? Porque ele pediu transferência? — Uh, — seu polegar esfrega minha pele enquanto ele tenta encontrar as palavras certas. — Meio que tinha essa coisa acontecendo comigo na minha outra faculdade. Pensei que seria melhor me transferir do que ficar lá. Ainda mais curiosa, pergunto: — Meio que tinha essa coisa acontecendo com você? O que isso quer dizer? — Você não quer entrar nisso, não vale o seu tempo. — Eu realmente quero. Vamos, me conte o que aconteceu. Sua mão continua a deslizar sobre minha pele de uma forma muito sedutora, mas ele não responde, o que me deixa muito mais intrigada. — Foi muito ruim? Ele suspira. Seus olhos se encontram com os meus, e com seus óculos na mesa de cabeceira, tenho uma visão ainda melhor de seus olhos cor de avelã. Sem o cortinado de vidro sobre eles, tenho uma visão sem filtros das lindas manchas de ouro ao redor de suas pupilas. São de parar o coração. — Você sabe como é a faculdade... — Ele levanta a cabeça por um segundo e diz: — Espere, você vai para a faculdade, certo? Pânico toma conta de mim. Das pequenas coisas que vi ao redor de seu quarto à maneira como ele falou sobre programação de computadores, bem como suas referências nerds, é óbvio que faculdade e educação são muito importantes para ele. O que ele vai pensar de mim se souber que sou uma desistente com futuro indefinido? Será que ele continuaria a falar


comigo se soubesse a verdade? Me surpreende o quanto isso me incomoda. Engolindo com força, aceno, sabendo que o que está para sair da minha boca é uma mentira flagrante, mas ainda assim incapaz de dizer a verdade. Eu não posso me imaginar contando a este homem inteligente que abandonei faculdade, especialmente porque fiquei grávida. — Uh, sim. Cornell. A frase parece suja quando sai da minha boca, e o olhar brilhante em seu rosto não faz nada para me fazer sentir melhor. — Cornell? Maldição, garota. — Sua mão desliza para cima em meu corpo, e ele me aperta. — Sexy e inteligente? Você está tentando me matar? De novo? Uma risada falsa escapa da minha boca, um mecanismo de defesa que já usei muitas vezes antes. Querendo mudar de assunto, retorno a conversa para ele. — Então, o que aconteceu? Gemendo de novo, ele diz: — Eu não quero te contar. — Por que não? — Eu não deveria estar pressionando-o, especialmente quando acabei de mentir em sua cara. Jesus, eu sou a maior cadela de todos os tempos. Ele morde o lábio inferior e me olha nos olhos. — Minha família se refere a isso como provação. — Provação? Parece sério. — Eu não diria sério, diria... ridículo. O que poderia ser tão ridículo a ponto de sua família nomear de provação e necessitar de uma transferência de faculdade? Deitando de costas - sua mão se afasta da minha pele, e eu sinto falta do contato imediatamente - ele esfrega o rosto. — Porra, eu realmente vou te contar essa história? Querendo aliviar um pouco de sua tensão, me aproximo dele e coloco a mão em seu peito nu, onde corro meus dedos ao longo dos contornos de seus peitorais. Olhando em minha direção, ele ergue as sobrancelhas em questionamento. — Você está tentando usar suas astúcias femininas em mim?


— Não. — Dou risada. — Só estou tentando fazer você se sentir confortável. — Sério? Porque considerando a maneira como você está me provocando, eu poderia jurar que estava planejando tortura sexual em vez disso. — Homens... — Eu rolo os olhos. Sorrindo para mim, ele diz: — Obrigado. — Não foi um elogio, — replico. — Eu sei, mas escolhi tomar como um. Impeço minha mão errante de dançar em torno de seu peito bem definido. — Você vai me contar? Deixando escapar um longo suspiro, ele diz: — Me beije primeiro, só para que eu possa te provar uma última vez. — Você está sendo tão dramático. — Eu me inclino e pressiono meus lábios suavemente contra os dele, amando a maneira como sua mão começa imediatamente a passear pelas minhas costas, debaixo da minha camisa. Ele não tem problema nenhum em tocar, como se não enjoasse da sensação da minha pele. Eu amo isso. — Mmm, — gemo, segurando seu rosto. Ele tenta mover meu corpo sobre o dele, mas eu resisto. Ele não vai me distrair com mais pegação quando quero ouvir sua história. — Não tão rápido, senhor. — Ugh, tudo bem, — ele reclama. — Mas sendo bem claro, eu avisei. — Que eu saiba, a ideia de contar histórias foi minha. — Ok. — Ele respira fundo e diz: — Eu sempre gostei de três coisas: computadores, matemática e mulheres. — Oh meu Deus. — Eu rio. — Você sabe que essas três coisas não se misturam, certo? — Eu prefiro que você não faça nenhum comentário até que eu tenha terminado, — ele brinca. Eu levanto minhas mãos em defesa. — Peço desculpas. Por favor, prossiga.


— Como eu estava dizendo, — ele limpa a garganta, — computadores, matemática e mulheres. Mas fui para a faculdade com uma coisa em mente, que era me tornar engenheiro de software, conquistar um estágio incrível e batalhar por uma vaga de mestrado que poderia, esperançosamente, ser pago pela empresa onde eu estivesse trabalhando. — Honestamente, eu não conseguia imaginar Andrew querendo nada menos que isso. — Estudar me deixou inquieto, porem, e então me interessei pela ideia de começar a frequentar a academia gratuita para alunos. Só que interesse virou obsessão. — Ah, daí veem os braços pornográficos; ele malha. — Eu nunca fui um cara grande, e nunca serei, mas comecei a notar uma certa diferença no ajuste das minhas camisas. — Segure o bufo, segure-o, Sadie. - E as senhoras começaram a notar também. — Oh Jesus, — murmuro. — Ei, o que eu disse sobre nenhum comentário? — Ele faz cócegas na minha cintura e ri. — Sinto muito. É que é tão engraçado ouvi-lo falar sobre as senhoras que o admiram. Você apenas não é o tipo de cara que sai falando das bucetas que já teve. — Você age como se eu fosse horroroso. Isso me faz inclinar a cabeça para trás e rir. — Oh meu Deus, você é a coisa mais distante possível de horroroso. Você é gostoso, Andrew, não há como negar isso. Mesmo se eu quisesse fingir que essa não é a verdade, eu não poderia. — Bom saber. — Ele estufa o peito, claramente orgulhoso dos meus elogios. — Você só é mais modesto, só isso. — Modesto, eu gosto disso. — Correndo a mão pelas minhas costas novamente, ele apalpa meu traseiro mal coberto por um fio dental. Então, tomando fôlego e pressionando sua palma contra minha pele, ele continua. — Hm, de volta à história. Um dia, quando estava malhando, conheci um cara. Apoiando-me em seu peito, me sento. — Você teve um momento gay. — Mas, mesmo enquanto eu falo, não posso imaginar tal coisa. Andrew é simplesmente muito, muito bom


com mulheres. O estrondo de sua risada sacode minha mão firmemente apoiada em seu peito. — Não, eu não tive um momento gay. E o que eu já falei sobre os comentários? — Sinto muito. Escapou. Continue. — Ele estava no programa de engenharia, e me convidou para uma festa em sua casa de fraternidade. Eu não pensei muito nisso, ate que ele disse que sua fraternidade estava cheia de pessoas como eu. Você sabe, essas pessoas que adoram filmes como Tron e o Guia do Mochileiro das Galáxias e remakes de Star Trek, todos esses filmes incríveis e tal. E quando apareci na casa, fui realmente recebido por um bando de nerds. E estou falando de protetores de bolso, cortes de cabelo tigelinha e camisas xadrez de botão. Fiquei meio surpreso com a quantidade de fator nerd que enchia a casa. — Esfregando minhas costas com os dedos, ele continua: — Até as meninas aparecerem eu nem tinha me dado por conta que estava em apuros. Você vê, a fraternidade tinha uma irmandade feminina dedicada só para amantes de nerds. Antes que eu soubesse, protetores de bolso foram jogados ao vento e havia um monte de... trocken buckel, se você sabe o que quero dizer. Dou risada. Aonde diabos ele vai com essa história? — Só posso imaginar o nível da pegação. — Exatamente. — Ele bate levemente em meu nariz. — Então, é claro que eu fiquei bêbado e comecei a brincar com uma garota chamada Beth. Ela parecia legal e inocente, mas toda essa inocência foi por agua abaixo logo que nós começamos a ficar um pouco mais táteis, que foi quando ela puxou minhas calças para baixo. —Uau, assim, sem aviso? E então ela chupou seu pau? — Me encolho com o pensamento. — Não, — ele ri. — Eu quase sinto que teria sido melhor se esse fosse o caso. Na verdade, ela era uma ávida Snapchatter, e tinha muitos seguidores pela faculdade. Sendo mais jovem e tudo... — Você ainda é jovem, — assinalo. — Eu sei, mas gosto de acreditar que amadureci desde


então. — Eu aceno, dando-lhe o benefício da dúvida. — Ela pensou que seria divertido publicar nosso pequeno encontro no Snapchat, e sendo o idiota bêbado que eu era, me deixei levar - até que ela começou a gravar a si mesma brincando de pirocoptero com meu pau, e com uma legenda que dizia “Cannon Cock do Maine”. Eu fiquei bravo, é claro, mas no snap não dava para ver quem eu era. O problema foi que, um pouco depois, ela postou uma foto minha, me marcando como o Cannon Cock30. — Você está falando sério? — Meu rosto aquece. Ele realmente tem um Cannon Cock? Não olhe para o colo dele, não olhe para baixo. Este é um momento sensível, então dê-lhe o respeito que ele merece. NÃO OLHE PARA BAIXO. — Você quer olhar para o meu pau agora, não quer? — Ele pergunta em meio a gargalhadas. — Não, — respondo rapidamente. — Ok, mas tudo há seu tempo, Calças Doces. — E então, continuando do ponto onde parou, ele fala: — Você pode imaginar o que aconteceu depois que esta garota popular postou sobre um Cannon Cock. — Eu tenho uma ideia, mas, quem sabe? Jamais pensei que esta história fosse se transformar numa narrativa sobre o seu pau. — Poucas pessoas pensariam. Mas, no fim, essa garota acabou destruindo minha capacidade de aprender. Em toda classe que eu ia alguma menina tentava sentar no meu colo para sentir o canhão, como elas chamavam. Algumas até perguntavam se podiam explodir o canhão, e a monitora de um professor realmente escreveu na parte de trás de uma das minhas provas que tinha tirado um print do Cannon Cock e agora o usava como papel de parede do celular. — Que pervertida, — digo com nojo. Quero dizer, eu gosto de pau, mas não o suficiente para admirá-los toda vez que uso meu telefone. Autorrespeito, senhoras! — Sim, e ficou tão ruim que um dia, quando meus pais me visitavam no campus e eu os guiava ate meu dormitório, 30

Em tradução literal significa canhão de pênis.


encontramos uma fila de mulheres alinhadas ao lado de um cartaz colado à minha porta que dizia: “veja o Cannon Cock em seu habitat natural.” Algumas meninas seguravam preservativos, outras revistas e lubrificante. — Você não pode estar falando serio. — Estou gargalhando agora, incapaz de me controlar. — Eu gostaria de estar mentindo. — Impossível que essas meninas tenham realmente te dado lubrificante e revistas. Remexendo sua mesa de cabeceira, ele pega seu telefone e o entrega a mim. — Vá em frente, ligue para os meus pais. Pergunte a eles. Eles estavam lá. Ainda rindo, balanço a cabeça. — Ok, eu acredito em você. Oh meu Deus, o que sua mãe disse? — Bom, ela estava mais preocupada com que tipo de madeira a porta do dormitório era feita. Ela é uma espécie de maluca da madeira. Realmente gosta de um tronco de boa qualidade. — Eu também. — Digo, piscando para ele. Passando a mão sobre meu traseiro nu, ele diz: — É bom que você tenha o Cannon Cock com você na cama então. — Sim, estou corando. Com um sorriso lúdico, ele continua: — Meu pai, por outro lado, não ficou nada feliz. Ele pensou que eu estivesse comandando algum tipo de seita de sexo em meu dormitório. Logo, não seria besteira dizer que fui praticamente obrigado a me transferir. Meu pai não queria, porem, que eu começasse a faculdade imediatamente, e muito menos que eu saísse de casa no verão. Ele pensou que eu tivesse algum tipo de vício em sexo, ou que fosse uma espécie de adorador de buceta. Ele queria ficar de olho em mim para se certificar que eu não corresse atrás de algum rabo de saia. — Porque você realmente tem essa personalidade, — adiciono sarcasticamente. — De acordo com meu pai eu tenho. Ele já tinha todo meu verão planejado: eu iria vender chocolate para senhorinhas e


cortar grama com o velho cortador de pressão. Meus pais possuem mais de um acre de terras. — Isso soa como um pesadelo. Ele se movimenta e arrasta meu corpo para cima do dele, e então suavemente acaricia minha bunda nua, curvando suas mãos sobre minhas nádegas. Quase instantaneamente posso sentir o Cannon Cock acima mencionado começando a fazer uma aparição. — E agora você sabe por que eu rapidamente consegui um emprego e me mudei para cá no verão. Embora meu pai não tenha aceitado essa mudança docilmente. — Ele sabe que você vai morar com cinco mulheres? Andrew acena com a cabeça. — Sim. Foi uma conversa divertida. Minha camiseta está agora completamente erguida, fruto das mãos errantes de Andrew em minhas costas, que me fazem contorcer sobre ele. Apertando minha bunda, ele casualmente me observa, enquanto um inferno ruge dentro de mim. Descansando minha testa contra a dele, pergunto: — Uh, Sr. Cannon Cock, você está me torturando de propósito? Ele balança suas sobrancelhas para mim. — Está funcionando? Meu Deus, sim. Apenas com a sensação de suas mãos sobre minha pele, seu forte peito debaixo de mim e seu pênis crescente pressionando contra meu centro da maneira mais íntima, lembrando-me de tudo que fizemos esta manhã, eu já estou molhada. Merda, foi realmente só esta manhã? Parece uma vida atrás. Virando-me em minhas costas, ele paira sobre mim, a cama de solteiro parecendo cada vez menor devido ao tamanho do corpo forte dele contra o meu. Felizmente ele empurrou a cama contra a parede ao organizar seu quarto, dando-me zero chance de cair. — Como sua respiração continua acelerada, vou apostar que está funcionando.


Incapaz de expressar uma resposta eu simplesmente aceno, esperando. O que ele fará agora? É tão estranho que apenas há vinte e quatro horas eu estava olhando para este homem pela janela da cozinha, vendo-o facilmente conquistar meus amigos - até mesmo Tucker, antes de ele descobrir quem Andrew realmente é. E eu não os culpo. Ele é carismático, mas à sua maneira. Andrew não é um daqueles homens que sobem sua saia no meio de um estacionamento só para comê-la no capô do carro. Não, ele lentamente abre caminho em sua vida, com seu sorriso, sua personalidade maleável e seus olhos bondosos. É difícil ser um idiota com alguém como Andrew - e estou descobrindo rapidamente que também é difícil esquecer alguém como Andrew. Quase impossível, na verdade. Em menos de vinte e quatro horas ele firmemente se colocou na minha vida, bem quando eu acreditava não haver vagas disponíveis. Não só este homem me faz rir, me faz queimar com emoção e me faz querer mais - também me apavora a maneira como ele me faz ter uma repentina e incontrolável vontade de viver. Carisma é uma sentença de morte para qualquer mulher, e eu tenho certeza que estou condenada com cada sorriso sexy e comentário espirituoso que deixa a boca de Andrew.


CAPÍTULO-DOZE ANDREW

Se você me pedisse para explicar cada momento antes deste ponto com Sadie - agora debaixo de mim, suas pernas esfregando nas minhas - eu não teria outra resposta além de pura sorte e coragem bêbada. Esta é uma das primeiras vezes que estou realmente agradecendo aos deuses da cerveja, porque ter Sadie em meus braços é o melhor sentimento que já experimentei. Seu exterior endurecido derreteu, sua risada é mais frequente, e seus olhos, e a maneira como eles olham para mim... Foda-se, é viciante, especialmente quando ela está esperando que eu dê o próximo passo. Porem, apesar da minha ereção crescente, quero levar isto devagar. Esta manhã eu tive um bom gosto do tipo de atrito que poderíamos criar, mas quero mostrar a ela que sou um homem generoso, que o Cannon Cock não é o único no comando. Então, lentamente deslizo meus dedos até a bainha da camiseta que emprestei a ela e começo a movê-la para cima, deixando o tecido esfregar sua pele até chegar ao local bem abaixo de seus seios. Me apoiando melhor sobre ela, observo a maneira como seus olhos me estudam com luxúria e a forma como seu peito começa a subir e descer mais rapidamente. Porra, eu quero dar uma boa olhada em seus peitos, mas agora não é o momento para isso. Eu tenho outra coisa em mente, e não posso me distrair por sua metade superior. Continuando a tirar sua camiseta, não paro até que ela mal esta escondendo a parte superior de seus seios, a metade inferior agora espreitando para eu ver. Porra, ela é tão quente.


Seus braços estão abaixados, então mudo isso rapidamente, levantandoos acima de sua cabeça - o que levanta a camiseta alguns milímetros mais, testando duramente meu controle. Minha boca quer tanto cair sobre essas belezas. — Não mova os braços, — exijo. — Se você me fizer cócegas, vou te chutar nas bolas. — Baby, a última coisa que passa pela minha mente agora é te fazer cócegas. Mantenha seus braços imóveis e espalhe as pernas para mim. Ela abre as pernas. Hm, boa menina. Porra, como eu a quero. Tomando meu tempo, baixo meus lábios para os dela. Mordiscando-os e admirando quão incrivel seu gosto é – como brilho labial de cereja e menta não percebo imediatamente os pequenos movimentos dos meus quadris. Meu pau, apesar dos meus melhores esforços, se esfrega em sua perna até que ela geme e começa a mover seus quadris também. Ouvir seu gemido, sentir sua ânsia debaixo de mim... foda-se, meu pau está se contorcendo. Lentamente, amigo. Vá devagar. Em vez de ceder a seu incessante esfregar eu abrando meus quadris e movo meus lábios ao longo de sua mandíbula, onde belisco e lambo seu pescoço muito suavemente com a ponta da minha língua, chupando suavemente a curva de sua clavícula. Metodicamente pressiono meus lábios ao longo de sua pele, nunca me demorando por muito tempo no mesmo lugar. Minhas mãos pressionam suavemente os ossos de seu quadril, prendendo-a a minha cama. Como se estivesse em sincronia comigo, o corpo dela se move sob o meu, procurando mais, ansiando por mais. É sexy como o inferno senti-la se contorcer. Seu aperto em minhas costas se intensifica com cada movimento de meus lábios - seus braços deveriam estar acima de sua cabeça, mas vou deixar seu deslize passar por agora. Com a camiseta ainda cobrindo seus seios, roço meu nariz sobre o tecido, perto de seus mamilos endurecidos, dando-lhes apenas o mais leve dos arranhões até chegar a sua barriga lisa. Sua pele é tão suave contra minha mandíbula aspera. O pensamento da queimadura da minha barba marcando sua pele


me excita, assim como saber que vou reivindicar esta mulher que parecia tão dura, mas que é tão fodidamente delicada. Nunca pensei que chegaria tão longe com ela. Sim, eu admito que queria, mas realmente não estava convencido de que teria a chance de ser seu amigo, muito menos que teria acesso concedido a sua beleza escondida. Ela é incrível, e eu quero muito mais. Movendo minha língua ao longo de sua pele, e me deleito com o modo como seu estômago se contrai com cada toque, sua respiração acelerando enquanto suas mãos agarram meu cabelo. Puxando os fios como se fossem rédeas, ela tenta me direcionar para onde me quer, mas eu nego. Estou na porra do controle aqui, e ela vai ter que aprender a ter um pouco de paciência. Nem tudo será de acordo com a vontade dela no quarto. As coisas serão no meu tempo, do meu jeito, mas tudo será para ela, todo meu pensamento voltado para como vou fazê-la sentir-se incrível. Em vez de mover minha cabeça para baixo até a junção de suas coxas, onde tão desesperadamente quero estar, movo minha boca de volta até onde a camiseta está dobrada. Querendo provocá-la um pouco mais, corro meu nariz ao longo da parte inferior de seus seios, amando o quão suaves eles são. Imediatamente ela geme pelo contato, seu peito se erguendo da cama, implorando por mais. Removendo as mãos do meu cabelo, ela segura a barra da camiseta, e então eu a paro. — Mãos acima da cabeça, — ordeno. — Tire minha camiseta, — ela responde com a voz tensa. — Sem chance, querida. Minha língua tem em mente um só caminho agora. Contorcendo-se sob mim, ela faz com que a camiseta suba um pouco mais, quase expondo seus malditos mamilos. Eu respiro profundamente, precisando em acalmar. — Não parece. Parece que sua boca só quer me provocar. — Já ouviu falar de preliminares, baby? É quando eu passo meu tempo lambendo, chupando e brincando com o seu corpo até que você esteja tão molhada, tão fodidamente pronta que seu clitóris estará pulsando fora de controle, a ponto de, com um passar da minha língua, você acabar gritando meu nome com toda a força de seus pulmões.


Seus olhos se tornam nebulosos, sua respiração fica ainda mais rápida do que antes, e suas pernas se abrem novamente para mim. — Você sabe, — ela finalmente responde, depois de lamber seus lábios sedutoramente, — lânguidos encontros sexuais podem funcionar em ambos os sentidos. Inclino-me para frente e aperto minha boca contra a dela, mergulhando minha língua em sua boca, saboreando sua essência apenas o suficiente para lhe dar um gosto, e então me afasto. Piscando para ela, eu digo: — Estou ansioso por essa inversão de papéis. Até lá, mantenha suas mãos onde eu possa vê-las e sua camiseta firmemente no lugar. — Então você não é um cara de peitos? — Ela pergunta com um sorriso perverso. — Vou aceitar tudo o que você tem para oferecer, mas agora estou focando em sua buceta. Vislumbrando seu peito quase exposto, engulo fundo e continuo movendo meu corpo até que esteja pairando acima da linha de sua calcinha. Com a língua, contorno o comprimento do tecido fino. Suas pernas abaixo de mim se abrem ainda mais, dando espaço para meus ombros largos. Deus, seu cheiro. Ela já está tão molhada. Meus dentes raspam sua pele, e eu a belisco e provoco antes de segurar a bainha de sua calcinha e arrastá-la para baixo, meu nariz escovando sua buceta nua. Me afastando um pouco, seguro sua calcinha na mão e atiro-a rapidamente no chão. Sem me importar com quaisquer reservas que ela possa estar sentindo, agarro seus joelhos e abro totalmente suas pernas, empurrando-as em direção a seu peito. Porra, ela é flexível. Com os olhos arregalados, ela olha perguntando-se o que tenho reservado para ela.

para

mim,

— Agarre seus joelhos, Sadie, e mantenha-os para cima. Tenho outros planos para minhas mãos, e eles não envolvem segurar suas pernas abertas. Um suspiro sexy escapa de sua boca antes que ela me obedeça, presenteando-me com a visão mais perfeita de sua buceta doce e excitada. Porra.


Lambendo meus lábios, fodidamente excitado por prová-la, enterro minha cabeça entre suas pernas, esquecendo tudo sobre levar as coisas lentamente. No momento em que minha língua atinge seu clitoris, meu pau cresce em resposta. Foda-se, ela tem um gosto tão bom, como maldito mel. Eu adoro uma equação bem pensada, uma descoberta científica, ou ainda uma placa-mãe perfeitamente limpa, mas merda, eu simplesmente amo uma buceta tentadora. A necessidade de mais ultrapassa meus sentidos. Minha mente agora está focada apenas em uma coisa: fazer esta bela mulher gozar na minha língua. Com meus dedos, afasto os lábios de sua boceta e chupo seu clitóris, conquistando um longo e apreciativo gemido dela. Repito o processo outra vez, mais duramente agora, alternando entre chupar e lamber, adicionando alguns beijos aqui e ali, mas mais do que qualquer coisa balançando minha língua através de sua área mais sensível. Suas pernas tremem, suas mãos lentamente afrouxam o aperto em seus joelhos, e seus gemidos saem mais rapidamente. Seu corpo inteiro começa a tremer contra meus ombros. Ela está perto. Olhando para cima, percebo sua beleza. Sua boca aberta em um O sexy como o inferno, seus olhos fechados, os músculos de seu pescoço tensos, a parte inferior de seus seios saltando com os tremores de seu corpo. Querendo levar seu orgasmo um passo adiante, me afasto abruptamente dela, fazendo um gemido escapar de seus lábios. — O-o que... você está fazendo? — Ela está sem fôlego, um olhar torturado em seus olhos. Quando ela relaxa, começo a correr meus dedos em torno de sua boceta, provocando-a implacavelmente, mal tocando sua pele e ocasionalmente acariciando seu clitóris. — Oh Deus, por favor, Andrew, — ela implora, suas pernas tremendo. Aproximando meus dedos de sua boceta, pergunto: — Quanto você quer isso, Sadie? — Muito, — ela chora.


No ritmo de uma preguiça, enfio meus dedos dentro dela, amando a maneira como ela tenta pressionar seus quadris para baixo, insistindo em apressar minha entrada. Ela está tão fodidamente molhada, tão fodidamente apertada, que leva tudo em mim não acatar nossa vontade e apenas devorá-la. Meus dedos, agora mais profundamente dentro dela, curvam-se no lugar certo quando dobro minha cabeça para baixo e pressiono minha língua contra seu clitóris mais uma vez. A simples pressão dos meus dedos e língua empurram-na sobre a borda. — Oh sim, — ela grita. Seus gemidos enchem o pequeno espaço enquanto lhe permito montar minha língua até que restam apenas pequenos tremores de prazer. Satisfeita, ela solta as pernas e apoia ambos os braços sobre o rosto, cobrindo os olhos no que parece ser descrença. E merda, essa é a coisa mais sexy que já testemunhei, ver Sadie tão exposta, tão vulnerável, languidamente entregue para eu tirar proveito. Merda, isso é... inclassificável. Com meu pau absurdamente dolorido apos testemunhar o orgasmo desenfreado de Sadie, apoio meu corpo sobre o dela e começo a salpicar sua mandíbula com pequenos beijos. Minha voz sai roca quando pergunto: — Você está bem? — Sim, — ela suspira, antes de olhar para mim através de seus braços. E quando ela finalmente mostra seu rosto, um sorriso gigante me cumprimenta. Porra, eu gosto dela. Não há como negar esse sentimento, não depois de ela segurar minhas bolas na palma de suas mãos depois de apenas um encontro. — Você me surpreende, Andrew, — ela diz quando finalmente recupera o fôlego. — Sim? Por quê? — Pergunto, beijando seu pescoço. Ela inclina a cabeça para o lado, me dando melhor acesso. — Porque você desprende toda essa vibração inocente quando na verdade é uma aberração suja no quarto. Levanto a cabeça e olho para ela. — Os inocentes geralmente são os mais loucos no quarto.


Se remexendo, ela nos manobra de forma a não me deixar mais totalmente deitado sobre ela. Com um sorriso perverso, ela diz: — Minha vez. — Oh sim? E o que você planejou? — Pergunto, meu pau agora louvando Jesus por seu alivio iminente. — Sente-se e se encoste contra a parede. — É bonito como ela tenta mandar em mim no quarto. Mas essa não é a mesma garota que me domina no trabalho. Ela é mais vulnerável, o que torna suas exigências muito mais adoráveis. Eu fico em posição e espero, meu pau implorando para ser liberado de seus confins. Quando ela olha para o meu colo, seus olhos encaram o flagrante pau duro que estou ostentando. — Não o encare, você vai fazê-lo pensar que ele tem algo preso nos dentes. Olhando para mim, ela responde: — Se seu pau tem dentes, o que eu tenho em mente não vai acontecer. Eu sorrio. — Não se preocupe, ele não morde. — Eu odeio essa conversa. — Ela ri, o som fazendo meu pau saltar ainda mais alto. — Sadie, — eu gemo. — Você não pode rir enquanto eu tenho uma ereção indomável, você sabe o quanto eu amo o som da sua risada. Por favor, você vai ajudar o cara aqui? Tomando um segundo para me avaliar de cima abaixo, ela acena com a cabeça e, bem na minha frente, sem hesitar, tira sua camiseta, revelando seu corpo completamente nu para mim. E santo inferno. Seus peitos são perfeitos. Não muito grandes, nem muito pequenos, com mamilos rosa-escuro franzidos pelo ar noturno. Até o final da noite não há dúvidas em minha mente que minha boca terá provado-os exaustivamente. — Foda-se, Sadie, enlouquecidamente.

murmuro,

observando-a

Ela não diz uma palavra. Não, minha garota apenas para na minha frente – nua - se inclina, com seu rosto pairando sobre meu colo, e então tira meus boxers. Eu me levanto da cama para


ajudá-la, e quando seus olhos encaram meu colo, sua boca se abre. Precisando aliviar um pouco da tensão em meu pau, o acaricio algumas vezes, apoiando minha cabeça na parede atrás de mim. Quando meus olhos voltam para os dela, porem, tudo que vejo é anseio. Pelo olhar em seu rosto, vou supor que ela concorda com o apelido. Eu assisto fascinado como seus olhos se transformam, cheios de luxúria, enquanto suas mãos viajam até minhas coxas. Dobrando-se, seus seios balançando com os movimentos, ela abaixa a cabeça em direção ao meu pau, suavemente agarrando-o em sua mão direita. Um sibilo escapa de meus lábios. Com seus olhos nos meus, ela move sua mão ate a base do meu pau e aperta malditamente forte, fazendo meus quadris pularem para fora da maldita cama. — Cristo. — Eu mordo meu lábio, tentando controlar minha reação. Com a mão ainda segurando meu pau com força, ela escova sua língua ao longo da cabeça, circulando-a, passando-a rapidamente, me chupando e provocando como fiz com ela. A raposinha. Eu nem sei por que esperei algo diferente. Enquanto rola a língua pela ponta do meu pau, passando-a rapidamente na parte de baixo ao longo da veia sensível, explosões de prazer disparam através de mim. Minhas mãos se fecham em punhos em meus lados, minhas bolas apertam, e a pressão de sua mão na base do meu pau, aumentando lentamente, me faz ter certeza que poderia gozar a qualquer momento. — Foda-se, — respiro pesadamente. — Porra, Sadie, você tem que parar. Sua língua dança ao longo da ponta muito levemente enquanto sua outra mão começa suavemente a acariciar minhas bolas, rolando-as habilmente ao longo de seus dedos. Oh merda, oh foda-me. Eu mordo o lado interno da minha bochecha e luto para não explodir aqui e agora.


— Sadie. — Eu a puxo para o meu colo, afastando-a de seu pequeno jogo de tortura. — Pare, baby. — Minha respiração sai em jatos pesados. — Demais? — Ela pergunta, seus dedos agora dançando em meu peito. — Camisinha. Agora. — Minha voz é áspera, exigente. Eu aceno com a cabeça para minha gaveta de cabeceira. Obedecendo, ela se inclina e abre a gaveta - uma gaveta que abasteci quando meus pais NÃO estavam por perto - e rapidamente pega uma camisinha. — Quer que eu coloque? — Ela pergunta com um sorriso insolente. Pegando o pacote, respondo: — Não! Cristo, não, não quero. Ela me dá um segundo para me preparar enquanto rezo para que os deuses do orgasmo não me façam gozar muito cedo. Se eles se importarem comigo, vão impedir que minhas bolas cedam a esta mulher incrível. Camisinha no lugar, ela monta meu colo, minhas costas ainda contra a parede, e eu posiciono meu pau em sua entrada. Foda-se, quando minha ponta esfrega contra sua boceta escaldante, minha mente quase explode com a pequena fricção. Com as mãos em seus quadris, inclino minha cabeça contra a parede. Estou momentaneamente atordoado beleza à minha frente. Ela então se inclina para frente, seus lábios apenas acariciando os meus, seus quadris girando ligeiramente, usando a ponta do meu pau como estimulante. Ela geme em minha boca enquanto sua língua circula em meus lábios. — Porra, monte-me, — digo, não querendo nada mais do que me enterrar nela profundamente. Indo direto ao ponto, ela monta meu pau, empalando-se rapidamente. Não há meio termo. Não há nenhum movimento lento. Não, ela me monta como uma verdadeira vaqueira. Seu grito ecoa pela minha cabeça, me fazendo sentir bêbado e nebuloso, como se tivesse sido nocauteado pelo Capitão Prazer. — Oh Deus, — ela geme, sua cabeça descansando contra meu peito agora, seus quadris movendo-se lentamente em círculos. — Cannon Cock é... — ela respira profundamente, — uma descrição muito precisa.


Isso rende uma risada, que é rapidamente interrompida quando a cabeça dela levanta e seus olhos se encontram com os meus. Cheia de desejo, algo que nunca pensei que veria nessa garota intrigante, ela envolve seus braços em volta do meu pescoço e começa a se mover metodicamente para cima e para baixo. Precisando aumentar a velocidade de seus impulsos, ela aperta as pernas contra as minhas em busca de estabilidade e, neste momento, nossos olhos travam um no outro - e acho que nunca senti algo tão íntimo. Íntimo. Porra, é disso que se trata? Não uma foda rápida, mas intimidade? Será que ela pensa assim também? Eu com certeza espero que sim, já que pretendo mantê-la. Agarrando sua bunda, eu a guio para cima e para baixo também, meus quadris começando a encontrá-la no meio do caminho. Sua testa pressiona contra a minha quando ela olha para onde nossos corpos se conectam, algo que eu sempre achei incrivelmente sexy em uma mulher – aproveitar a experiencia completa. Porra, isso tudo é demais. A maneira como seus peitos saltam contra meu peito, a sensação de sua boceta me apertando, seus gemidos doces e sexys em meu ouvido... Eu vou me perder. Vou gozar antes mesmo de ela ter a chance de visitar a Cidade do Orgasmo. Controle-se. Vovó, pense na vovó. Batom nos dentes, rolos nos cabelos até o meio-dia. As coxas de Sadie batem contra as minhas. Vovó! Enrugada e velha, dentadura no copo. Os mamilos de Sadie esfregam meu peito, e eles estão tão incrivelmente duros. Vovó. Droga! Meias altas até o joelho e sapatos de velcro. — Merda, Andrew. Eu vou gozar. Obrigado, Cristo. Te pago mais tarde, Vó. Eu a fodo ainda mais duro, assumindo o controle da nossa conexão quando suas mãos caem dos meus ombros. Sua cabeça cai para trás, seus mamilos duros me provocam, seus seios saltam e a tensão em seu pescoço...


— Oh Deus! — Ela grita. Seus movimentos estão tão erráticos agora... e finalmente sua vagina começa a apertar ao meu redor. É isso aí. Minha visão fica em branco. Minhas bolas se apertam e com um empurrão final, prazer quente me envolve. Meu orgasmo ruge através de mim, e meu pau se contorce pelo que parecem fodidos dias. Eu me derramo nela, me empurrando até que cada última gota é drenada e eu me sinta como se nunca fosse voltar a respirar. Desacelerando, nossos corpos deslizam juntos numa mistura de suor e respirações ofegantes - a combinação é do caralho. Sim, eu disse isso. DO CARALHO. — Merda, — eu expiro. — Isso foi quente. Rindo, ela levanta a cabeça e beija meus lábios. — Foi algo que nós definitivamente vamos fazer de novo. Sorrindo para ela, me empurro novamente, lembrando-a de nossa conexão. — Eu lhe disse que ele não morde. Afastando-se um pouco, ela começa a bater palmas. — E aqui esta ele, o Andrew que eu conheci no primeiro dia, dizendo as coisas mais estranhas. Gargalhando agora, respondo: — Desculpe, baby, mas não posso ser suave e despreocupado o tempo todo. Tenho que mostrar algumas falhas para a humanidade, ou não seria justo para os homens ao redor. Ela rola os olhos e sai de cima do meu colo. Eu então nos coloco na cama e debaixo das cobertas, e pressiono meu peito contra o dela. — Diz. — Dizer o que? — Diga que você está afim de mim. Inclinando a cabeça para o lado, um olhar brincalhão em seus olhos, ela diz: — Infelizmente, Andrew, eu estou a fim de você. — Infelizmente? — Ha! — Eu ergo meu punho o ar. — Ponto para mim!


CAPÍTULO-TREZE SADIE

— Por que você está andando assim? — Smilly pergunta enquanto enfia a mão num saco de Cheetos. — Assim como? — Pergunto, pegando um Gatorade da geladeira e sentindo um rubor subir pelo meu pescoço. Aproximando a cerveja da boca, Saddlemire acrescenta: — Como se tivesse ficado sentada em um mastro durante cinco horas. Talvez porque foi basicamente isso que aconteceu. Cavalgar o Sr. Cannon Cock não foi a idéia mais inteligente que eu já tive. Eu deveria ter ido mais devagar, ter levado as coisas mais lentamente. Mas nããão, eu tinha que me sentir toda vagabunda e montar o pau de Andrew como se ele fosse meu próprio vibrador pessoal. Minha pobre, pobre vagina. Mas seu fabuloso, fabuloso pau. O engraçado é que, apesar de tudo, eu faria tudo de novo, porque ontem à noite foi... oh Deus, eu sou uma idiota, mas foi incrível. Foi divertido. Calmante até, de certa forma. E definitivamente fácil. Não me senti como se estivesse carregando três malas de bagagem enquanto estava deitada ao lado dele. E a maneira como ele me aconchegou... Oh, querido Jesus. Eu gostaria de dizer que foi alguma magia de cama de solteiro, mas não, foi tudo ele. Ele sabia exatamente onde me abraçar, como me beijar levemente no meio da noite e como me acariciar inocentemente com o polegar. Ele poderia facilmente ser uma daquelas pessoas que é paga somente para abraçar.


Inferno, ele poderia ser uma daquelas pessoas que é paga para dar uns amassos. — Escorreguei no trabalho, — respondo. Eu trabalhei no turno do meiodia, o que foi bom, porque saí mais cedo. Andrew, infelizmente, ficou com o turno posterior, o que, agora que estou pensando melhor, pode ter sido uma coisa boa, você sabe, por causa do andar esquisito e tudo. — Escorregou no trabalho? — Smilly pergunta. — Sim, algum merda derramou sopa no chão. Eu escorreguei e dei um mau jeito, mas não se preocupe, não cai. Consegui me segurar antes de cair completamente. — Estou um pouco aterrorizada com quão fácil essas mentiras estão fluindo de meus lábios. — Idiotas, — Smilly murmura. — Eu reivindicaria os direitos do trabalhador, pedindo uma semana de folga para assistir Netflix e beber. — Inferno, vamos nos machucar no trabalho e fazer isso. — Saddlemire bebe o resto de sua cerveja. — Não me lembro da última vez que tirei uma semana apenas para beber. Virando-se para o namorado, Smilly lhe dá uma bofetada. — Eu lembro. Foi quando os Yankees não ganharam os play-offs. Você alegou estar com mono31 quando, na verdade, quase entrou em coma alcoolico. — Bem, foda-se. Por que eles têm que ir mal agora? Resolva isso, Girardi! — Saddlemire grita para o gerente dos Yankees. — Eu não acho que poderei aguentar mais um ano sem playoffs. Yankees e pós-temporada andam juntos como os fodidos manteiga de amendoim e geléia. Smilly sacode a cabeça. — Eu nunca vou entender essa paixão que você tem por essas coisas insignificantes. — Insignificantes? — Saddlemire e eu perguntamos ao mesmo tempo. — Babe. — Ele se senta, seu rosto serio agora. — Pense sobre quando você faz o biscoito de açucar perfeito, e então transfira essa paixão para os Yankees. É o que sentimos. A mononucleose (doença do beijo) é uma infecção viral que causa febre e dor de garganta. 31


Olhando entre nós, ela solta um suspiro e depois diz: — Nem mesmo comparável. Indignação derrama de Saddlemire. Querendo ficar fora disso, estaciono minha bunda no puff gigante que temos - elegante, eu sei - assim que meu telefone vibra anunciando uma mensagem de texto. Andrew. Meu coração pula em meu peito de excitação. Quão rapidamente este homem invadiu minha mente... Andrew: Denise me beijou na bochecha. Achei válido te avisar que você tem concorrência. Rindo, sacudo a cabeça. Denise, a mãe galinha, é a feliz old lady de um líder MC, então não há a minima chance dela querer alguma coisa com o nerd, porém sexy, Andrew. Sadie: Eh, ela pode te ter. Não vale a pena lutar. Deve ser uma noite calma, porque ele responde imediatamente. Andrew: Preciso lembrá-la sobre a epifania sexual que você teve ontem à noite? Sadie: É assim que você está chamando o que aconteceu? Andrew: Eu imaginei que seria melhor do que orgástico oráculo da profecia do pênis. Meu Deus. — Nós não vamos assistir The House of Steinbrenner de novo, — Smilly reclama, me distraindo do meu telefone. — Vamos assistir Willow, e é isso. — Diga Saddlemire.

que

gosta

dos

Yankees,

chantageia

— Ugh. Os Yankees são incríveis. Rah, rah, rah, vai, pinstripes, — ela torce. — Algo assim. Se a vida fosse assim tão fácil... Voltando ao meu telefone, respondo.


Sadie: Você sabe, é permitido não agir como um idiota e se não gabar sobre seu pau. Andrew: É? Sheesh *limpa o suor da testa* Bom. Posso relaxar agora. Quer falar sobre sua linguagem de computador favorita? Pessoalmente, o JavaScript pode ir para o inferno. Sadie: *Rolar de olhos* Estou chocada que seu pai sequer tenha considerado que você estava realmente envolvido em uma seita de sexo, dado o tipo de coisa que você fala. Andrew: O que eu te disse ontem à noite? Os mais inocentes são frequentemente os mais pervertidos. Mas você estava muito distraida pelo meu pau na noite passada para se lembrar desse pequeno comentário, então eu te perdoo. Sorrio para mim mesma enquanto digito. Sadie: Sendo um idiota outra vez? Quando pressiono enviar, um chinelo bate em mim. — Ei. — Eu esfrego minha cabeça e encaro Saddlemire e Smilly, que estão olhando para mim com uma expressão confusa em seus rostos. — Uh, o que diabos você está fazendo? — Smilly pergunta. Colocando meu telefone de lado, respondo com apatia: — Verificando meu e-mail. — Não, você não estava. — Saddlemire senta direito agora. — Você estava enviando mensagem. Apenas para o registro, o choque deles não é injustificado. Eu realmente não gosto de enviar mensagens para as pessoas. E não me importo com isso. Meus amigos sabem, então eles só me enviam informações que realmente eu preciso. Também não é algo que eu faço apenas como diversão - bem, até Andrew me enviar uma mensagem de texto. — Para quem você estava enviando mensagem? — Smilly pergunta, uma ruga em sua testa. Pense. Para quem diabos posso dizer que estava enviando mensagem? Tucker não é uma opção, já que faz parte do círculo interno que sabe que não deve me escrever. Meu pai ou


irmãs também não servem como exemplo, já que raramente nos falamos. Operador de telemarketing? Eu poderia estar à ponto de marcar um cruzeiro grátis? Não, Smilly estaria sabendo – e participando - de algo assim. — Uh, alguém de Cornell, — rapidamente invento. — Perguntando sobre um professor, e se eu achava que deveria abandonar a classe. Pessoalmente não gostei muito desse professor, porque ele cheirava a beterraba e cuspia quando falava, mas essa é apenas minha opinião pessoal. Algumas pessoas gostam de cuspes, outras de beterraba. Ambos me estudam por mais tempo do que eu gostaria até que Smilly quebra o silêncio e joga um cheetos na boca. — Eu gosto de beterraba. Fodidamente deliciosa quando em conserva. — Você gosta de qualquer coisa em conserva, — Saddlmire responde. Ufa, funcionou. — Se você puder conservar, então eu posso comer. Meu telefone vibra novamente. Quero desesperadamente olhar para ele, mas me controlo, sabendo que se eu continuar enviando mensagens a Andrew, Smylle e Saddlmire vão desconfiar. E eu prefiro manter as coisas tão casuais quanto possível por agora, especialmente depois do papo coração-acoração que tive com Smilly. Juntos, assistimos à cena de abertura de Willow, o filme favorito de Smilly. Pelo menos uma vez por mês somos obrigados a assisti-lo e ouvi-la imitar os personagens. “Fora do caminho, Peck!” é sua fala favorita, e ela a interpreta com uma voz assustadora, às vezes girando os dedos ao mesmo tempo. A gente apenas aceita esse lado dela e segue em frente. Gesticulando para a TV, ela e Saddlemire estão distraídos, então eu secretamente olho para o meu telefone. Andrew: Você tem que admitir, toda garota ama um pouco de idiotisse. Não é verdade, mas não vou iniciar uma discussão sobre esse assunto. Em vez disso, leio as outras mensagens de texto que ignorei.


Andrew: Acabei de fazer um Crowd Pleaser, então agora é oficial: já fiz todos os sorvetes do cardapio. Que tipo de prêmio eu ganho? O Crowd Pleaser é o maior sundae do cardapio do Friendly's. Já fiz alguns no meu tempo de sorveteria e, honestamente, não estou contente quando digo que é divertido de fazer. São doze colheres de sorvete, seis coberturas, muito creme de chocolate e seis cerejas servidos num prato grande. Smilly, Emma, e eu podemos ou não ter encomendado um Crowd Pleaser algumas vezes. Andrew: Michelle não sabe o significado de espaço pessoal. Seus peitos tentaram me ajudar a reabastecer os pratos de sundae. Michelle, aquela prostituta. É claro que ela está esfregando seus peitos falso em Andrew. Estou surpresa por ela ter demorado tanto tempo para isso, inclusive. Ainda assim, saber que Michelle está lá me incomoda, então eu respondo da única maneira que sei: como uma mulher maliciosa. Sadie: Da próxima vez, cutuque os peitos dela com uma agulha. Você vai desinflá-los em segundos. Não estou orgulhosa da minha resposta, mas, por alguma razão, parece necessário contar a Andrew que Michelle não está mostrando as coisas reais. Se estou com ciúmes? Nunca. Irritada? Talvez um pouco. Há uma diferença, você sabe. Rindo, Smilly e Saddlemire realmente participam no filme, me dando uma fuga. Ficando de pé, coloco meu telefone no bolso e anuncio que tenho que usar o banheiro. — Use o spray se for necessário, — Smilly grita quando já estou fechando a porta. Eu suspiro. Não é esse tipo de usar o banheiro. Jesus. Sentando-me, porque é sempre uma boa idéia tentar fazer xixi quando é possivel - infecções da bexiga e tudo - recebo outra mensagem de Andrew. Andrew: Sabe, considerando seu último texto, quase posso dizer que você está com um pouco de ciúme. Mas, quem estamos enganando? Você nunca ficaria com ciúmes, certo?


Certo. Nunca. Porque Andrew nem é o tipo de cara que me faz desmaiar, que me faz repensar cada regra que já estabeleci para me proteger. Ele definitivamente não é o tipo de cara que me faz esquecer a vida estagnada que estou vivendo, nem que me lembra como rir, como me divertir e como apenas viver. Não... não mesmo. Sadie: Qual o significado de ciume mesmo? Mas eu posso lhe dizer exatamente o que significa. É aquela sensação na boca do estômago que eu tenho ao pensar em Michelle a centímetros de Andrew. Ciúme é a tentação de ir ao trabalho com a desculpa de tomar um sorvete só para dar uma espiada nele. O ciúme é feio. O ciúme está esmigalhando cada grama de vontade que eu tinha de manter esse homem longe de mim: o ciúme e a necessidade de esquecer.

Não olhe para a sorveteria novamente. Mantenha os olhos no computador, digite o pedido e, em seguida, verifique as bebidas dos seus clientes. NÃO OLHE PARA A SORVETERIA! A tentação me vence e meus olhos olham para a área da sorveteria, onde Andrew está fazendo um milkshake enquanto conversa com um cliente no balcão, exalando sua personalidade extrovertida. Não o vejo há alguns dias - desde que passei a noite na casa dele, especificamente. Nossos horários não combinam no trabalho, e Smilly passou as últimas noites em nosso apartamento, não me dando outra opção alem de enviar mensagens a Andrew. Ao vê-lo hoje pela primeira vez em dias, ele parece uma pessoa diferente. Agora que o conheço intimamente, estou mais sexualmente consciente de tudo que ele faz. Enquanto ele carrega bandejas por aí, eu observo os músculos de suas costas flexionando sob a pressão do peso. Observo também como ele


sorri para praticamente todos com quem se depara, parecendo tão bonito que dói, sabendo o que descansa debaixo de suas calças cobertas pelo avental... Yup, estou embaraçosamente super exitada. — Você vai terminar de digitar isso? — Michelle pergunta, me tirando de meu estupor. — Uh, sim. Esqueci qual era a opção de sopa de brócolis com cheddar, — minto... terrivelmente. Não, não passa despercebido que nos últimos meses eu tive que mentir mais do que em toda a minha vida. Michelle olha para a tela, especificamente para a opção de sopa brócolis com cheddar, clara como o dia, e então gira na direção que eu estava olhando. — Ahh, — ela diz conscientemente, levantando meus pêlos instantaneamente. — Dando uma boa olhada? Não culpo você. Eu ate convidei-o para sair comigo mais cedo. Minha cabeça se vira para ela. — Sério? E o que ele disse? — Minha voz se torna mais alta a cada sílaba. — Só que já têm planos, que talvez outro dia. Acho que ele é um pouco dificil, mas vou chegar lá. Sempre chego. Isso não é mentira. Ela sempre consegue. Limpando minha garganta, respondo: — Bem, boa sorte com isso. — Eu termino de digitar meus pedidos e fecho a conta de outra mesa, puxando o recibo da impressora e o colocando dentro de uma pasta preta para entregar ao cliente. Ao passar pela recepção, Stuart me chama: — Clientes novos na doze. — OK. A mesa doze fica bem ao lado da sorveteria, e eu tento não ficar muito tonta com a idéia de estar mais perto de Andrew. Eu ainda nem lhe disse oi desde que comecei a trabalhar, pois tenho estado ocupada com os clientes, e nenhum deles pediu sorvete ate agora. Se você vem ao Friendly’s, você deve comer sorvete, essa é a regra. Mas aparentemente ela não está valendo hoje.


Eu entrego a conta na outra mesa primeiro e, puxando meu bloco de pedidos, vou ate a mesa doze, onde Tucker se encontra - ugh o que ele está fazendo aqui?- sozinho, ostentando seu melhor sorriso sexy. Porcaria. — Ei, — ele diz enquanto eu ando até ele. Engolindo com força, aceno para ele, esperando e orando que Andrew esteja muito ocupado para ouvir nossa conversa. — Ei, o que você está fazendo aqui? Ele se inclina para trás em sua cadeira, colocando a mão atrás de seu pescoço em um tom ironico. — Um cara não pode mais desfrutar de uma boa comida americana? — Não quando esse cara é você, — atiro de volta. — Ah, vamos, Sadie, estou apenas me divertindo um pouco e observando a concorrência. Eu sabia que ele não estava aqui para tomar sorvete; ele nunca foi um grande fã de doces. — Isso não é uma competição, — assobio, tentando manter minha voz baixa. — Sério? — Suas sobrancelhas levantam em questionamento. — Então meu garoto Andrew não está mais interessado? O que aconteceu depois da festa na outra noite? Ele vomitou nos seus sapatos? Isso não pode estar acontecendo agora. Não posso realmente estar tendo essa conversa com Tucker enquanto Andrew está a apenas alguns metros de distância. Por que ele não pode simplesmente me deixar em paz? Considerando o olhar bajulador em seu rosto, parece que a presença de Andrew só intensificou sua perseguição. Isso fica bastante evidente na maneira como ele olha para mim, cheio de determinação. — Não, ele não vomitou nos meus sapatos, — sussurro.


— Então, o que? Ele não beija bem? Gosta de comer cebola como se fosse maçã? — Ele se inclina mais perto de mim. — Gosta de usar roupas íntimas femininas? Sem conseguir evitar, dou risada, mas só porque a imagem de Andrew vestindo calcinhas aparece em minha mente. Fica pior quando, por alguma razão muito estranha, percebo que a coisa toda ate poderia funcionar para ele. Sera que é algo com que eu deveria ficar preocupada? — Não, nada disso. — Então, o que é? Ainda gosta de mim? Isso não seria um problema, porque eu estaria mais do que feliz em ajudá-la com isso. Eu balanço a cabeça. — Pare, Tucker. — Nunca, — ele diz sem um pingo de humor em sua voz. Suspirando, seguro minha caneta, pronta para anotar seu pedido. — O que você gostaria? — Um encontro, — ele responde sem vacilar. — O que você gostaria do cardápio? — Mas isso está no cardápio. — Ele aponta seu cardápio para mim, onde escreveu “encontro com Sadie” a lápis. Eu rolo os olhos e o repreendo. — Você não pode escrever nos menus, Tucker. — Certamente que posso. Foi bastante fácil, na verdade. Praticamente tudo escreve sobre plástico laminado. — Não foi isso que eu quis dizer. Olha, você pretende pedir algo para comer? Ou posso voltar às minhas outras mesas? Ele está prestes a abrir a boca para responder quando, da sorveteria, Andrew acena e diz: — Ei, Tucker. É bom te ver, cara. — Oh Andrew, tão inconsciente. Acho que é uma coisa boa, no fim. — Como está o pulso? O meu estava doendo depois da aniquilação no beer pong.


Abrindo um bom sorriso, porque esse é o tipo de cara que Tucker é, ele diz: — Ah, eu jogo há mais tempo. Meu pulso já está bastante acostumado com esse tipo de abuso por agora. — Bom pra você. — Andrew levanta seu pulso e circula-o no ar. — Quando eu acordei, parecia que tinha participado de uma maratona de masturbação. Porra, estava duro como a foda. — Estamos falando sobre seu pulso ou sobre seu pau? — Tucker brinca, me confundindo. Como podem os homens serem tão legais uns com os outros? Eu não entendo. Quando Michelle acena para Andrew com seus seios falsos eu sinto vontade de arrancar os olhos dela imediatamente, mas Tucker vê Andrew como uma ameaça e ainda consegue brincar com ele. Os homens são estranhos. Andrew ri e aponta para Tucker de uma maneira lúdica. — Paus duros são reservados apenas para o quarto e para o estoque. Não dá pra controlar, é realmente muito fácil se exitar com toda aquela cobertura de chocolate. — Sim, eu entendo. Estou ficando duro só de pensar nisso, — Tucker brinca, me confundindo ainda mais. Pau duro e cobertura de chocolate? O que está acontecendo aqui? — Basicamente um paraíso de pau. A gargalhada de Tucker imediatamente me irrita. Era um som que eu adorava ouvir, mas agora, só quero que ele vá embora. — Ei, esqueci-me de perguntar, — Andrew continua — Onde... — Você tem cliente, — eu quase grito, grata aos quatro adolescentes que acabaram de passar pelas portas da sorveteria. Andrew olha para a porta e, com uma expressão triste, diz: — O dever me chama. Falo com você outra hora, cara. Bom te ver. — Você também. — Meio aereo e ainda olhando para Andrew, Tucker diz: — Eu gosto dele. Ele é bom, sólido... — Suspirando, ele olha para mim e continua: — Pena que não


percebe que está apenas perdendo tempo com você. — Que diabos? Não aguentando mais, agarro-o pelo braço e o afasto da mesa. Tucker não está aqui para comer; ele está aqui para me deixar fodidamente louca. Rindo o tempo todo, ele me permite guiá-lo pela porta, e eu não paro até estarmos do lado de fora. — Não volte aqui, — imploro, mesmo sabendo que ele fará o que quiser. Ele sempre faz. Não respondendo imediatamente, ele apenas me estuda, tentando entender o que se passa nas profundezas dos meus olhos. — Huh... — Pensativo, ele esfrega sua mandíbula com barba. — Você gosta dele, não é? — Não é da sua conta. Agora, por favor, saia, antes que eu tenha problemas com Stuart. — Por favor, não é como se ele fosse te demitir. Admita, você gosta do Andrew. — Quer saber, eu não preciso disso. — Me viro em direção à porta, mas ele me agarra pelo braço, impedindo meu progresso. — Saia comigo, Sadie. — Tucker, eu já disse que não. — Por que ele continua insistindo nisso? Ele nunca foi tão implacável. Ou será que eu é que era muito facil? Eu já lhe disse não antes? Alguma unica vez? Sera que eu sempre fui uma coisa certa? Talvez eu apenas nunca tenha sido tão clara em minha recusa. Seu rosto fica mais suave quando seu polegar começa a acariciar a pele sobre o meu lábio superior. — Só uma noite, isso é tudo que estou pedindo. Estritamente platônico. — Sim, com certeza. — Estou falando sério. Eu sinto sua falta, Sadie. Tenho saudades de passar meu tempo com você, só você e eu, ninguém mais para nos distrair. Dê-me esta noite. — Ele engole em seco, seus olhos suaves se tornando tristes em questão de segundos. — Eu, uh, eu não tive uma noite a sós com você desde que perdemos o bebê, e sinto que temos alguns assuntos inacabados. Precisamos de um ponto final.


E aí está. Ele traz o bebê, e eu começo a vacilar, rapidamente. O bebê que eu não queria no início, mas que tão desesperadamente desejava estar segurando agora. Como posso negar-lhe uma última noite se isso é realmente tudo o que ele quer? — Um ponto final? — Pergunto, ainda um pouco cética. — Uma unica noite só nossa, Sadie. É justo. Depois que perdemos o bebê, você se afastou de mim. Eu sei que você estava sofrendo, mas você tem que perceber que eu estava sofrendo também. Porra, eu ainda estou sofrendo. — Ele agarra a parte de trás de seu pescoço e olha para o chão. — Eu perdi meu bebê e o amor da minha vida naquele dia. Só me dê uma noite para nos despedirmos. Mesmo estando do lado de fora, sinto que paredes imaginárias estão se fechando sobre mim, tornando mais difícil respirar a cada segundo que passa. Com última tentativa de me fazer concordar, ele aproxima a mão do meu rosto e gentilmente me acaricia, empurrando um fio de cabelo solto para trás da minha orelha. — Por favor, Sadie. Merda, merda, merda. Eu respiro fundo, dor se fazendo presente em minha garganta. — Ok, — murmuro, sabendo imediatamente que essa é a coisa errada a dizer, sabendo com certeza que passar uma noite conversando com Tucker só vai deixar tudo ainda mais confuso. Tucker deixa escapar um suspiro longo e me puxa contra seu peito, me dando um dos seus famosos abraços, nos quais eu confiava cegamente no passado. — Obrigado, Sadie. Sábado funciona para você? Não conseguindo olhá-lo nos olhos, apenas aceno afirmativamente. — Vou ter que trabalhar no turno da tarde, mas devo estar pronta às cinco. — Perfeito. Vou te pegar por volta das sete. Isso deve dar-lhe tempo suficiente para voltar para casa e se preparar.


— Claro. — Afastando-me, caminho para o restaurante, já me arrependendo de minha decisão. — Isso significa muito para mim, Sadie. Eu apenas olho para ele. Ele está com as mãos nos bolsos, parecendo loucamente agradecido por eu ter aceitado seu convite. Mais uma vez, isso apenas entristesse meu coração. Não importa o quão duro eu tente, esse homem sempre terá uma marca no meu coração. Ele foi o primeiro menino a me beijar, o primeiro a fazer amor comigo, e o primeiro a quebrar meu coração... É impossivel simplesmente apagar essas lembranças; elas sempre estarão comigo. Foram elas que moldaram a mulher que sou hoje, mesmo que ela aparentemente seja uma mulher fraca e muito estúpida. Quando entro no restaurante, nem sequer me preocupo em olhar para Andrew. Ate porque nem consigo olhar para ele, uma vez que o encontro com Tucker parece muitissimo como uma traição, mesmo que eu não tenha a minima intenção de fazer nada remotamente íntimo no sabado. Será que estou comprometida com Andrew? Tivemos uma unica noite juntos, e trocamos algumas mensagens de texto. Isso não nos faz um casal, certo? De qualquer maneira, sábado soa ruim. Talvez seja minha propria força de vontade que se sinta traida. Sim, isso parece mais provável. Eu juro para mim mesma que acabei com Tucker, uma e outra vez, mas então ele aparece, fala sobre a perda do nosso bebê e eu me derreto em uma poça emocional, incapaz de manter minhas decisões. Eu não quero admitir isso, eu nem mesmo quero pensar nisso, mas não posso negar que sábado vai ser um erro gigante, enorme. Posso praticamente sentir o cheiro da besteira que fiz pairando no ar. Muito bem, Sadie. Boa escolha.


CAPÍTULO-QUATORZE ANDREW

Algo está errado. Temos trabalhado juntos nas últimas horas, mas ela ainda não falou comigo. Veja bem, não estou exigindo que ela corra para a sorveteria, rasgue meu boné e lamba minhas sobrancelhas. Mas eu sou um cara bastante extrovertido, então um pequeno olá seria legal. A única vez que ela reconheceu minha presença hoje foi quando Tucker esteve aqui, e ele nem ficou muito tempo. Eu gosto daquele cara. Homem sólido. Mas, mesmo tentando me ignorar, tenho notado os olhares que ela tem me dado. Foram apenas pequenos olhares de canto de olho, mas ah, sim, eu percebi, Sadie. Ela ate tenta ser sutil, mas é terrível em disfarçar seu olhar. Regra número um para olhar para alguém quando não queremos ser pegos: ter um item reserva no qual se concentrar quando for apanhado, para que seja possível casualmente vaguear seus olhos para o item em questão. Por exemplo: olhando, encarando, wup! Pego em flagrante. Olhos desviando para a velha senhora palitando os dentes com uma agulha de tricô. Simples. E caso você escolha algo um pouco fora do comum como item reserva, como a geriátrica Janice tirando carne dos dentes, use a velha tática de olhar para trás da pessoa que você efetivamente estava encarando e apontar para a velha senhora que finge estar observando, e perguntar: — Você está vendo aquilo? — Aversão clássica e inclusão. Funciona sempre. Quanto a mim, eu quero ser pego olhando para Sadie. Eu


quero que ela saiba que estou pensando sobre ela, então, quando ela olha para mim e fazemos contato visual, eu não desvio o olhar como ela faz. Eu mantenho meus olhos treinados nela enquanto ela se agita nervosamente por ter sido pega em flagrante. É bonito vê-la toda nervosa, mas também é frustrante. Eu claramente a afeto, e justamente por isso não iria matá-la para me dar um olá, ou talvez uma bofetada na bunda, ou até mesmo um pequeno tapa nas bolas enquanto eu preparo um sorvete. Todos os homens gostam de um tapa suave nas bolas. Palavra-chave: suave. Lembra-lhes que ‘hey, você é um homem com partes exclusivamente sensíveis também’. Não são apenas as mulheres que têm um botão mágico, sabe? Um pedido começa a ser impresso, distraindo-me da tentativa de pegar outro vislumbre de Sadie. Dando boas vindas ao trabalho num dia lento, espio o nome no topo do pedido. Michelle. Cristo. Essa mulher. Cada pedido impresso indica quem é a garçonete responsável por ele, e sempre que vejo o nome de Michelle no topo da folha estremeço interiormente. Ela não é exatamente insuportável, apenas muito estranha e desconfortável, porque em vez de se ocupar enquanto eu preparo seu pedido, ela gosta de ficar no balcão me assistindo, certificando-se de mostrar seu decote - e mamilos - a cada chance que tem. Veja bem, eu sou super a favor de mamilos, mas os dela me intimidam. Eu não consigo entender como eles podem ser tão pontudos. Quase parece que alguém costurou dois gravetos em seu sutiã. E sim, posso estar exagerando um pouco, mas você entendeu meu ponto. Eu estremeço. Mamilos artificiais, isso é horrível. As chances de ela furar o olho de alguém com aquelas coisas são muito altas neste cenário. — Parece que tenho outro pedido de sorvete, — ela diz, se apoiando no balcão e lambendo os dentes. Hm, não me julgue,


mas minhas bolas acabaram de enrugar. — Sim, parece que sim. — Eu aceno desajeitadamente, meus lábios firmemente pressionados um contra o outro. Concentre-se no sorvete e não na maneira como ela casualmente empurra seus peitos na minha direção ao ritmo de Sign, Sealed, Delivered, que soa dos alto-falantes do restaurante. Esta música nunca mais será a mesma depois de hoje. Stevie Wonder nunca mais vai soar da mesma forma para mim. Duas colheres de chocolate, uma porção de calda de chocolate e uma barra de Heath esmagado. Foco no sundae, Andrew. — Eu tenho uma nova cor de batom que ficaria perfeita na sua bochecha. Devemos testá-lo mais tarde, o que você acha? Olhando para ela, observo a cor vermelho prostituta em seus lábios. Não, merda, obrigado. — Estou brincando. — Ela ri. — É LipSense. Um dos meus autores favoritos recomendou. Não sai... mesmo se eu resolver chupar alguma coisa. — Ela mexe as sobrancelhas sugestivamente enquanto cutuca o lado da bochecha com a língua. Ohhh-Kay! Essa conversa acabou. Virando-me para ela, coloco o sundae no balcão e digo “Prontinho” com um sorriso - porque eu não sou um pau total, não importa o quão desconfortável ela me faça sentir. — Você é tão bom em fazer sundaes, — diz ela, pressionando a mão contra meu peito, onde aperta meus músculos antes de soltar um suspiro audível. — Uh... obrigado. Vou me certificar de informar meus futuros empregadores, quando me formar, que sou realmente habilidoso em manipular prazeres frios e cremosos. Inclinando-se para frente, ela sussurra: — Sou boa em manipular delicias cremosas também. Eu baixo minha cabeça. Idiota. Eu mereci essa. Engolindo com força, aceno com a cabeça: — Bom saber, Michelle.


Piscando, ela pega o sundae e se afasta, balançando os quadris. Quando ela está a uma boa distância, solto um longo suspiro e procuro por Sadie. Vou precisar da ajuda dela para lavar meus ouvidos e olhos com cloro. Considerando que a área da sorveteria ainda está lenta, tiro meu avental, o enrolo sob a caixa registradora e olho para a parte traseira do restaurante, passando os olhos pela estação das garçonetes, pela grelha, pelo local onde os pratos são lavados, pelo estoque, que continua completo, e pelo congelador, que continua gelado. Mas não vejo Sadie. Será que ela saiu mais cedo? — O que você está procurando? — Stuart pergunta, vagando até mim com uma prancheta com folhas aleatórias na mão. — Uh, — tropeço em minhas palavras, sentindo como se tivesse sido pego fazendo algo ruim. — Estava pensando em estocar um pouco de cobertura e balas, já que a demanda está alta hoje. — Mentira. Merda, será que ele seria capaz de dizer que estou mentindo, considerando os pedidos de hoje? Isso é algo que ele faz? — Bom rapaz. — Ele me dá um tapinha nas costas. — É algo inteligente de se fazer, agora que o movimento está mais lento. — Eh, obrigado. — Dou-lhe meu melhor sorriso antes de me virar e caminhar direto para o estoque - onde encontro Sadie. Ela está apoiada numa das prateleiras, seus olhos no chão e uma carga de tensão em seus ombros. Querendo um pouco de privacidade, fecho a porta do deposito e a tranco. Ela olha para cima, surpresa. Quando me vê, porem, o olhar em seu rosto não diz: oh yay, Cannon Cock está aqui. Na verdade, ela estremece. Ela estremece visivelmente. E isso depois de eu lamber sua buceta como um campeão de merda - não que tenha sido uma dificuldade, mas colar a língua numa área desconhecida às vezes pode ser um pouco desanimador. Graças a Deus com ela não foi, já que ela tinha gosto de mel... Foda-se, esse não é o ponto. A coisa é que eu lambi sua vagina! Você não estremece para alguém que pressionou todo o rosto contra a área com a qual você faz xixi. É apenas uma cortesia comum.


Gesticulando em seu rosto, digo: — Você parece ter esquecido como cumprimentar o homem que te fez gozar várias vezes na outra noite. Prefiro os sorrisos, os lábios inchados, os dedos entrelaçados... eu até mesmo aceito gestos lascivos com a língua. Um pequeno sorrido escapa dela. Não é um daqueles sorrisos que atingem seus olhos, mas basta por agora. Avançando, a persigo como se ela fosse minha presa, me aproximando em tempo recorde. Quando estou pressionando-a contra a prateleira, pergunto: — Então, considerando que nós já nos beijamos, tocamos partes imencionáveis, presenciamos a ‘cara de orgasmo’ um do outro e nos beijamos novamente na manhã seguinte – com bafo matinal e tudo, acho que estamos autorizados a nos comunicar verbalmente também, e não só por mensagens de texto, certo? Olhando para baixo, ela diz: — Eu estive ocupada hoje. — Oh, eu sei. A quantidade de vezes que te peguei me checando toma realmente muito tempo. — Eu não estava te checando, — ela protesta. Se ela também tivesse batido o pé juro que teria continuado a provoca-la, só para me divertir observando ate onde a Sadie juvenil nos levaria. — Ok, isso é divertido. Então nós vamos começar a mentir um para o outro agora. — Esfrego minhas mãos. — Hmm, que mentiras posso contar? Quero deixar isso ainda mais emocionante, então me dê um segundo. — Pare. — Ela empurra meu peito de forma brincalhona e sorri para mim. — Ok, eu estava te checando e evitando ao mesmo tempo. — Hey. — Eu abro meus braços. — Olhe só para você, admitindo as coisas. Estou orgulhoso, Sadie. Devemos comemorar este momento fodendo ao lado dos Oreos. Quero dizer, eles já estão acostumados a conviver com creme e tudo mais. — Wow. — Ela balança a cabeça. — Nunca mais vou olhar para um Oreo do mesmo jeito.


— Eu estou traumatizado desde que Jimmy disse que Oreos eram dois biscoitos que tinham feito sexo na posição sessenta e nove sem se limpar. — Eu... não posso com isso. — Ela levanta a mão. — Hmm, estou acabando com o clima, não é? E quanto a isso? — Pergunto, antes de pressionar meu corpo de encontro ao dela. Então eu levanto minha camisa e coloco sua mão em minha pele, enquanto faço o mesmo com a camisa dela. Mas, em vez de mover minha mão para seus peitos perfeitos, a enfio em sua calça, baixo o suficiente para que ela engasgue, seus olhos arregalados e selvagens me encarando. — O que você está fazendo? — Ela pergunta, seu peito começando a se mover muito mais rápido. — Fodendo você com meus dedos, é claro. Não é óbvio? — Eu mexo os dedos dentro de sua calcinha, mal tocando sua vagina. Afastando a mão do meu estômago ela aperta meu antebraço, que está atualmente flexionado conforme avanço em suas calças. — Não podemos fazer isso aqui. Você está louco? — Não, total e mentalmente estável aqui. — Tento abrir as pernas dela, sem sucesso. — Afaste suas pernas para mim, querida, por favor. Prometo fazer todo o trabalho para ver você gozar, mas quanto mais acesso você me der, mais fácil será te fazer gritar. — Nós não podemos fazer isso aqui, — ela repreende, mas não afasta minha mão. No fundo, ela está tão afim quanto eu. Sabendo que preciso lhe dar um impulso extra para convencê-la, com a outra mão, acaricio suavemente seus mamilos endurecidos – não podemos fazer isso, minha bunda – e toco seu rosto, trazendo seus lábios aos meus num apaixonado beijo cheio de calor. Mordendo, lambendo, chupando e dançando com a língua, eu fodo sua boca primeiro, e com cada truque que tenho trabalho minha língua ao longo de seus lábios, mergulhando profundamente, até se tornar impossível avançar mais. E ela acompanha cada um dos meus movimentos. No momento em que ela envolve seus braços ao redor do


meu pescoço, eu sei que ganhei nossa pequena disputa. E já que ainda temos algum tempo antes de alguém tentar entrar aqui para pegar algum item inútil, coloco meu pé entre os dela eu tento novamente abrir suas pernas. Uma vez que conquisto mais espaço, movo meus dedos ao longo de sua boceta, amando a maneira como meus dedos podem facilmente deslizar por ela. Felizmente ela já está fodidamente molhada, o que me dá permissão para pressionar o polegar diretamente em seu clitóris. Ela se assusta com o contato inicial, mas logo em seguida afunda em meu toque, encostando-se às prateleiras e deixando minha boca e meus dedos fazerem todo o trabalho. Merda, ela é tão macia. Tocá-la assim, tão intimamente, tão perigosamente, faz meu pau endurecer ate chegar a níveis desconfortáveis. Sabendo que realmente não temos muito tempo, curvo meus dedos dentro dela, meu polegar agora firmemente esfregando seu clitóris. Com um gemido ofegante, ela inclina a cabeça para trás e diz: — Oh Andrew... oh Deus, aí mesmo. — Eu amo a maneira como ela responde ao meu toque. Todos os pensamentos sobre o mundo exterior desaparecem. Somos só eu e ela... e os Oreos em posição meia nove presenciando um momento intimista e roubado neste pequeno palácio de sorvetes. Tentando bloquear a imagem de ter uma orgia em meio a coberturas de confeitaria, acelero o ritmo. O cheiro de chocolate me invade quando inclino minha cabeça para frente, beijando pescoço de Sadie. Ela é tão doce. Suas mãos agora apertam meus ombros, me usando como uma âncora, e seus quadris rebolam no ritmo da minha mão. — Oh Deus, — ela geme um pouco mais alto. Eu tento lembrá-la que ainda estamos no depósito, mas ela continua a gemer, meu nome pairando no ar. Cristo, eu quero ouvi-la murmurar meu nome quando gozar, mas também não quero ser demitido. Apresse a porra, cara. Meus dedos deslizam em sua boceta enquanto acelero o ritmo mais uma vez, realmente tentando... — Ah, bem aí. — Sua boceta aperta meus dedos e ela enterra sua cabeça em meu ombro enquanto agarra minha camisa


e monta meus dedos. A sensação dela gozando na minha mão é tão maravilhosa quanto à dela gozando em meu pau e língua. Eu quero provar seu orgasmo. Tanto. Quero provar seu rosto, sua suavidade. Tudo sobre essa mulher me enlouquece. Aguardo o fim de seus tremores, ocasionalmente pressiono seu clitóris, lhe proporcionando mais algumas pequenas palpitações que a elevam de volta às alturas, até que ela esteja completamente gasta em meus braços. Ela apoia a cabeça em meu peito enquanto tiro minha mão de suas calças, mas, em seguida, levantando seu queixo, faço-a me observar lambendo os dedos quando provo seu gosto. Foooooooooooda-se. É. Tão. Bom. E sim, isso a excita. Por minha vez, me encontro tão concentrado nela que nem percebo o quanto meu pau dói pela pressão do zíper das minhas calças ate que me afasto um passo dela. Da prateleira atrás de Sadie, pego um pacote de cobertura de chocolate e o seguro na frente da minha virilha. — Você é tão tentadora, mas eu tenho que correr antes que alguém nos pegue. — Me viro para sair, mas falo por cima do ombro: — Não me ignore de novo, Sadie; não me obrigue a ter que te apoiar no caixa da sorveteria e te comer na frente de todos para chamar sua atenção. Entendeu? Com olhos ainda confusos, ela acena com a cabeça. Satisfeito, destranco a porta, feliz por ver que não tem ninguém por perto, e vou direto para nossa câmara fria. Uma vez lá dentro, largo a cobertura de chocolate num balcão fora do alcance da temperatura mais fria, e dou boas-vindas ao ar gelado. Procurando o sorvete menos pedido – baunilha sem açúcar – pressiono o pote em minha virilha e me apoio numa das prateleiras. Sim, estou usando o pote de sorvete para acalmar minha excitação. Julgue-me se quiser, mas não é como se eu tivesse aberto o pote e enfiando meu pau ali dentro, batizando meu próprio sorvete. Embora uma pequena parte minha diga que sorvete sabor Andrew talvez pudesse ser uma novidade interessante para capitalizar. Faço uma anotação mental para monetizar essa ideia mais tarde - afinal, tenho que usar minhas


calculadoras de vez em quando, considerando que tenho uma caixa delas. Estou ali tranquilamente descansando, tentando acalmar meu pênis, quando a porta do freezer se abre. Congelado no lugar - não por causa do frio, mas pelo medo de ser pego - olho para cima e vejo Sadie parada na porta. Quando me vê, ela deixa um ronco escapar de seu nariz antes de cobrir a própria boca. Eu sequer consigo imaginar a cena que estou lhe proporcionando. Ela acena para o pote em minha virilha e pergunta: — Sorvete de pica, edição especial Andrew? Olhando para mim mesmo, dou risada. — Só pensando em novos sabores. Chocolate Chip Gozado, o que você acha? Quer engolir? Um sorriso devastador ilumina seu rosto quando ela fica na ponta dos pés para pegar um saco de sopa de macarrão com frango. Piscando o olho, ela diz: — Eu sempre engulo, Andrew. Sempre. E isso não ajuda em nada a diminuir minha ereção. Levando sua pequena boca suja consigo, Sadie me deixa ali sozinho, garantindo pelo menos mais cinco minutos de freezer para mim depois desse comentário.

— Ele chegou, — Jimmy grita para o quarto. Nenhuma saudação, nada de hey bro, como você está? Não, em vez disso, ele agarra com força o saco de sorvete da minha mão e vai direto para a cozinha. Fuçando na sacola, ele encontra seu pedido. — Cristo, já faz muito tempo. Entro no apartamento atrás dele, certificando-me de fechar a porta, e me sento no banco do balcão. — Fico feliz de ver que seu vício em cobertura de manteiga de amendoim não abrandou. — Abocanhando uma colher do sorvete, ele geme, e eu juro pelo meu pau congelado que seus olhos rolam para a parte de trás de sua cabeça. Será que essa é a sensação de assistir um orgasmo do seu próprio irmão? Mesmo se não for, confesso


que estou me sentindo incrivelmente desconfortável. Devo oferecer-lhe um cigarro quando ele terminar de comer? Parece a coisa mais educada a fazer depois de presenciar tal momento estranhamente orgástico. — Você sabe que eu te amo, cara, mas a forma como você está lambendo esse sorvete está me deixando muito desconfortável. Eu deveria te oferecer um preservativo ou algo assim? Ignorando meus comentários sarcásticos, ele diz: — Eu não tomava um sorvete com esta cobertura há um fodido longo tempo. — Três dias, — esclareço. — Só se passaram três dias, Jimmy. — Sorvete! — Grita Mae, correndo para a cozinha com agulhas de tricô na mão e um novelo de lã debaixo do braço. —Você é o meu favorito. — Acho que ela está falando comigo até que ela beija a tampa do pote de sorvete. Fico feliz em saber qual é o meu lugar nesta casa. — Estou ficando um pouco preocupado, porque parece que vocês estão viciados. — Não tente nos desintoxicar, apenas continue trazendo os deleites, — Jimmy rosna. Rosna. Jesus. Mensagem recebida. Embora esteja um pouco assustado pelo que pode acontecer quando não puder mais ser o fornecedor deles. Será que ainda serei convidado ao apartamento? Me juntando a eles, abro meu próprio pote de sorvete sabor baunilha sem açúcar e com calda de chocolate. Eu sinto que nós nos unimos hoje. — Então, alguma novidade? — Não realmente. Papai ligou para você contando sobre a nova receita que criou? — Torta de lima? Sim. Ele também me disse que ficou tão azeda que quase cuspiu os dentes para fora da boca. Apetitoso, — brinco. Embora o resultado não seja tão diferente daquele esperado para o sabor que eu considerei mais cedo: Chocolate Chip Gozado. A criatividade deve ser um traço da nossa família. Fantástico. — Você sabe que as pessoas vão comer. Eu juro, eles


poderiam defecar chocolate que as pessoas ainda iriam comer. — Por favor, — levanto minha mão, — não use merda e chocolate na mesma frase - a cor e consistências são muito parecidas. Você vai me confundir. — Eu vou ter que concordar com Andrew sobre isso, — Mae comenta. Mudando o assunto, ela pergunta: — Como está indo sua amizade com essa menina do trabalho? Já a conquistou? Amizade? Oh sim. Será que foder minha colega de trabalho com minha língua, pau e dedo nos torna amigos? Se sim, então somos melhores amigos. O tipo de amigos que riem um com o outro e trocam colares de amizade. Limpando a garganta, encolho os ombros. — Não tenho certeza, mas acho que ela está mais receptiva. Sim, receptiva ao meu pau. Ou minha língua. Ou meus dedos. Tosse. Espere, risque isso. Apague esse comentário de caminhoneiro da sua memória. Foi realmente muito babaca. Porra, Blaine deve estar invadindo meu cérebro - sua babaquice está me infectando. Apenas elimine esta parte da sua memória. Obrigado. — Sério? Que abordagem você adotou? — Por que Mae está me olhando assim, como se soubesse de alguma coisa? Com certo receito, digo: — Você sabe, sorrisos e conversas fáceis. Tenho certeza que estou começando a suavizá-la com conversas sobre beisebol. Mae e Jimmy olham um para o outro, trocando olhares conhecedores, e depois direcionam seus olhos de volta para os meus. Por que eu sinto algum tipo de ataque de ninja se formando? — Você fez sexo com ela, — diz Jimmy. — O quê? — Pergunto, completamente confuso. Sim, confuso! — Como, por que... como você soube? — Eu giro em minha cadeira, olhando minhas roupas. — Tem alguma camisinha grudada na minha roupa que eu não estou vendo? Gargalhadas soam de Jimmy e Mae enquanto eles fazem um


high-five. Quando a pequena celebração morre, Jimmy diz: — Cara, nós não tínhamos ideia. Apenas perguntamos para ver o que você diria. — Ele ri um pouco mais. — Droga, eu sabia que você não seria capaz de ser apenas amigo dela, mas daí a já ter dormido com ela, não sei... talvez papai esteja certo. Talvez você tenha algum tipo de dependência sexual. — Eu NÃO sou viciado em sexo. — Minha voz aumenta com cada palavra que pronuncio. Porra, eu deveria saber que era um truque. Jimmy e Mae não são tão observadores. — Não? Ok, então se explique. Esfrego minhas mãos sobre o rosto, minha testa permanentemente enrugada por ter que enfrentar esta conversa. Eu não deveria ter que explicar a Jimmy e Mae o que aconteceu, mas eles também são basicamente meus únicos amigos na área, então não quero queimar essa ponte. — A amiga de Sadie me convidou para uma festa. Eu fui, fiquei um pouco bêbado, e então Sadie dirigiu meu carro ate a casa dela, porque eu desmaiei no banco do carona antes de lhe dar meu endereço. Acabei usando a escova de dente dela sem permissão, e depois dormi em sua cama, onde acordei na manhã seguinte, apalpando seu peito, que achei que fosse uma laranja no inicio. Honestamente, pensei que estivesse tudo acabado depois disso, mas aparentemente ela gostou das minhas habilidades de apertar laranja, e nos começamos a transar a seco. A amiga dela nos interrompeu antes de chegarmos aos finalmente e eu fui forçado a sair pela janela, com meu pau duro acenando no ar mas não antes de garantir um encontro para aquela mesma noite. Então eu a cortejei com um pouco de beisebol, a convidei para passar a noite comigo e nós fizemos sexo. Ok, é isso. — Eu respiro fundo e aguardo as perguntas... Que chegam voando antes que eu sequer comece a pensar como responde-las. — Você usou a escova de dente dela sem pedir? — Você pensou que os peitos dela fossem laranjas? Não, mano. — Transar a seco parece um pouco exagerado após um pequeno apalpar de peito. Que tipo de moral esta menina tem? — Seu pau duro ficou batendo no volante enquanto você


dirigia para casa na manhã seguinte? — Sim, ficou? — De que tipo de sexo estamos falando aqui? Bêbado ou totalmente consciente? — Você a aconchegou durante a noite? — Você achou que os peitos dela fossem toranjas na manhã seguinte à manhã seguinte? — Sim, achou? Eles saltam para cima e para baixo, felizes com suas perguntas, nem mesmo um pouco incomodados por invadirem minha privacidade. Ou a de Sadie. Estes dois estão juntos há muito tempo. Respirando fundo, respondo suas perguntas sucessivamente. — Sim, eu usei a escova de dente dela. Era rosa, no caso de você estar se perguntando. Sim, eu pensei que os peitos dela fossem laranjas. Eu estava de ressaca e não fazia ideia de onde estava ou do que estava tocando. Transar a seco nunca é um pouco exagerado, e Sadie tem uma boa moral, ou pelo menos eu acho que tem. Dirigir de pau duro foi ok. O sexo foi totalmente consciente e fodidamente bom. Eu aconcheguei a merda fora dela durante a noite e quando acordei, não agredi seus peitos pensando que fossem toranjas. — Round um completo. Mas eu conheço estes dois. Sei que haverá uma segunda rodada de perguntas. Próximo round, ok... Respire fundo, Andrew. — Bem, isso é um alívio. — Mae ri. — Garota nenhuma gosta de ser ordenhada inesperadamente. — Nunca pensei que fosse uma experiência agradável para vocês, senhoras. Jimmy se vira para Mae e diz: — Só para constar, eu não me importo que você ordenhe meu pau. Você pode fazer isso a qualquer hora, em qualquer lugar, sempre que quiser. — Por que não estou surpresa com isso? — Mae rola seus olhos e joga seu pote de sundae vazio no lixo. Se aproximando, ela me acaricia no ombro e diz: — Essa coisa de amigo nunca foi para você, Andrew. Só espero que ela veja seu lado bom, apesar


da sua coleção de pedras de estimação. — Elas estão nos meus pais — declaro, querendo deixar bem claro que não as trouxe comigo para a faculdade. Quando Mae sai, Jimmy se inclina sobre o balcão com um sorriso no rosto. — Porra, eu sabia que você nunca seria apenas amigo dessa garota. — Sim, e eu deveria saber disso também. — Suspiro. — Ela é especial demais para sermos apenas amigos. Ela é uma garota única. — Merda. — Jimmy senta. — Você gosta dela. — Sim, gosto, — respondo, sequer tentando esconder isso de Jimmy. Além disso, ele tem Mae, então ele entende. A verdade é que eu gosto de Sadie mais do que acho que deveria. Embora ainda não tenha certeza se isso é uma coisa boa ou ruim...


CAPÍTULO-QUINZE SADIE

— Uau, você poderia ter escolhido um lugar mais obscuro? — Pergunta Andrew, olhando ao redor no Spot Diner, uma jóia escondida na área dos três estados. Eu poderia dizer venho aqui por causa das fenomenais variedades de tortas, ou pelos peculiares e divertidos garçons cantores, mas isso seria uma mentira. Eu escolhi esse lugar porque sabia que ficava fora do caminho do meu grupo de amigos. Além disso, eles ficam abertos até tarde da noite. Da última vez que falei com Smilly sobre Andrew, estávamos compartilhando uma dúzia de donuts em seu carro. Nós acabamos a conversa com ele é divertido, sem nunca entrarmos em detalhes sobre as minhas intenções, ou acerca de eu vê-lo novamente. E agora, toda vez que penso em contar a ela a verdade, minha boca fica seca e uma onda de ansiedade toma conta de mim. Por mais que ela só queira que eu seja feliz, eu sei que ela está torcendo para Tucker e eu acertarmos as coisas. E sequer posso culpá-la por isso. Quando Tucker e eu estávamos juntos, nós fizemos todas as coisas divertidas de casais das quais sempre falam por aí. Tucker e Saddlemire incansavelmente nos provocavam, enquanto nós fazíamos com que eles se desculpassem por suas palavras se quisessem ver nossas roupas no chão novamente. Éramos o quarteto perfeito. Mas Smilly também esteve presente durante os tempos ruins, então muitas vezes me pergunto por que ela só pode ver o lado bom do quarteto incrível. Sabe, nem sempre as coisas foram boas.


E então tudo mudou definitivamente quando eu abandonei a faculdade, deixando nossos mundos adequados de pernas para o ar. Nada tem sido o mesmo desde então. Ate mesmo a amizade de Saddlemire e Tucker tem lutado para sobreviver. Do outro lado da mesa, Andrew ergue meu queixo com dois de seus dedos, forçando-me a encarar seus olhos sinceros. — Ei, onde você foi? Você ouviu minha história sobre o alien? Err, alien? — Uh... Rindo, ele senta direito em sua cadeira, suas mãos descansando sobre a mesa. — Vou tomar isso como um não. Você gostaria que eu repetisse o que acabei de falar ou está aborrecida comigo e gostaria que chamasse táxi agora mesmo, para que possamos evitar o telefonema estranho de Smilly dizendo que ela sofreu um acidente e precisa da sua ajuda? Eu dou risada e balanço a cabeça. — Não estou entediada. Desculpe, estava presa em meus pensamentos. Conte-me tudo sobre esse alienígena. — O que posso pegar pra vocês? — A garçonete pergunta, interrompendo Andrew antes mesmo que ele possa começar. — Café para nós dois, certo, Calças Doces? — Sim, café, — digo à garçonete. — E eu gostaria de uma fatia da torta de mirtilo também. E da de cereja. - Andrew ergue as sobrancelhas com meu pedido. Eu encolho os ombros e provoco: — Você está pagando. — Sério? Bem, nesse caso, vou querer uma fatia do bolo Floresta Negra, do cheesecake sem açúcar e da torta de creme de Boston. — Okay, eu vou preparar o pedido de vocês agora. — A garçonete nos deixa enquanto eu olho para Andrew, perguntas inundando minha cabeça a respeito do seu pedido. — Sem açúcar? — Pergunto. Brincando com sua colher, ele diz casualmente: — Sintome propenso a pedir coisas sem açúcar depois do meu momento indescritível com aquele pote de sorvete. Sinto uma necessidade


incontrolavel de apoiar todos os itens sem açúcar agora. — Tão nobre, — provoco, ainda um pouco confusa sobre como alguém poderia gostar de algo sem açúcar. — Obrigado. — Inclinando-se para frente, ele larga a colher na mesa e esfrega as mãos. — Você está pronta para ouvir minha história alienígena agora? — Claro, — sorrio, — mas gostaria de dizer, apenas para o registro, que não acredito em vida alienigena. Acho que é tudo uma piada. Desperdicio de dinheiro do contribuinte. Um suspiro muito alto e muito desagradável sai da boca de Andrew quando ele se apoia no encosto da cadeira, esfregando a mão em seu peito como se eu o tivesse esbofeteado duas vezes... com uma peça bolorenta de salame. — Blasfêmia! — Ele balança a cabeça. — Você tem que estar fodidamente brincando comigo. Certo? Você está brincando. Você não pode ser uma daquelas pessoas que pensa que o programa espacial é um desperdício de dinheiro. Certo? Me diga que você ama astronautas. Que gosta de estrelas e planetas. Que gostaria de poder pisar na lua por um dia. Por favor, me diga que você está brincando comigo, Sadie. — Sua voz está cheia de desespero. É bem bonito. Cruzo os braços e encolho os ombros. Agarrando a cabeça agora, como se estivesse prestes a explodir, seus olhos ficam selvagens. — Eu acho... — ele faz uma pausa para tomar fôlego, — yup, eu acho que estou tendo um ataque de pânico. Ele não está. Mas o dramatismo é fofo. Me inclino sobre a mesa e afasto suas mãos de sua cabeça. — Oh, pare com isso. Você está bem. — Hmm, talvez eu realmente devesse aprimorar minhas habilidades de enfermeira. — Sadie, — ele faz uma pausa e se recompõe. — Você percebe a quantidade de tecnologia e avanços que tivemos por causa do programa espacial?


— Nós ganhamos dos russos na corrida para a lua. Yippee. — Balanço meu punho em excitação falsa. — Oh, porra! — Ele puxa sua cadeira para frente e empurra os itens da mesa para a extrema esquerda, realmente entrando na conversa. — Para uma garota que estuda em Cornell, você está muito mal educada. — Isso é quase uma facada em meu coração, mas não posso culpá-lo. Ele não sabe a verdade. — Deixe-me perguntar-lhe, você usa diodos emissores de luz? Também conhecidos como LEDs? — Claro. — Bem, imagine sua vida sem eles. — Ok, fácil. — Eu paro para pensar a respeito. — Tenho certeza de que estaria vivendo da mesma forma que agora. Ele aperta as mãos na cabeça para apagar esse exemplo. — Ok, esse foi um mau exemplo. Aparentemente você não se importa com LEDs tanto quanto eu. E quanto aos membros artificiais? Hmm? Termômetros de ouvido, pneus radiais, remoção de minas terrestres, uh, roupas de bombeiro. E não se esqueça dos painéis solares... e dos travesseiros! Pense em todas as pessoas que precisam se aconchegar para dormir bem à noite. E ainda há muito mais. — Percebo que a paixão em sua voz está chegando a novos níveis. Olhando pensativamente para o alto por alguns segundos, aponto meu dedo para o céu e digo: — Eu gosto dos uniformes de bombeiros, especialmente quando o cara está com o peito nu e usando só as calças. — Claro que você pensaria nisso, sua pervertida. — Hey! — Sorrio. Jogando as mãos para cima em rendição, ele acrescenta: — Você foi quem me fodeu como louca. Parecia ate que você estava garantindo o pu da palavra puta. — Ele me brinda com um sorriso divertido. — Bom saber. — Aceno. — Vou me lembrar dessa definição quando você estiver tentando tirar meu sutiã com seus dentes hoje à noite.


Seus olhos se arregalam e ele replica. — Espere, nosso pedido não é sobremesa? Boceta está no cardápio também? Droga, sabia que não deveria ter pedido a fatia de Floresta Negra. Falando do diabo, a garçonete retorna com uma bandeja cheia de sobremesas que nós nunca terminaremos junto com nossos cafés. Nos obrigamos ainda a habilmente mover os itens em torno da mesa, para que ela possa nos servir. Quando terminamos, Andrew pergunta: — É apenas boceta ou tenho direito aos mamilos também? — Ele desdobra seu guardanapo de pano e pendura-o na gola de sua camiseta, antes de empurrar os óculos para trás e segurar o garfo. Ele é o homem mais ridículo que já conheci. Adoravelmente ridículo. — Você tem sorte de eu não enviar um texto para Smilly pedindo por uma distração agora mesmo. — Ouch. — Ele mergulha o garfo em seu cheesecake sem açúcar, e diz: — Batendo num cara onde mais dói, seu ego. — Apenas me conte sua estúpida história alienígena. Com a boca cheia de cheesecake, ele balança a cabeça e diz: — Com esse tipo de atitude, prefiro não contar nada. Rolando os olhos, pego meu telefone e ameaço mandar uma mensagem para Smilly, mas ele é mais rapido e o toma da minha mão, equilibrando-o em seu colo. — Tudo bem, tudo bem. Vou contar minha história. — Graças a Deus. — Tento esconder meu sorriso, mas não adianta, ele me pega toda vez. Sua máscara de indignação se transforma no rosto de um contador de histórias animado. — Você já foi a Pine Bush... oh, hey!! — Saltando de sua cadeira, ele pega meu telefone de seu colo e o segura na mão enquanto ele vibra. — Ele acabou de vibrar no meu pau... e eu gostei. — Olhando para o identificador de chamadas, ele pergunta, desconfiado: — Você pediu para ela ligar para você?


Eu também olho para a tela, onde vejo o nome de Smilly. A explosão de riso que me escapa é inevitável, mesmo enquanto sacudo minha cabeça negativamente. — Oh meu Deus, isso é tão engraçado. Eu realmente não pedi a ela para me ligar. Eu juro, então me deixe atender agora. — Oh, sim, claro, — ele diz. — Eu provavelmente deveria te dar boa noite agora. — Oh, pare. — Eu repouso meu dedo sobre meus labios, pedindo silenciosamente para ele ficar quieto enquanto atendo meu telefone. — Ei, Smilly. O que está acontecendo? — Ele finge chorar por um segundo, mas logo em seguida volta sua atenção para o bolo. — Mamacitaaa! O que você está fazendo? Voltei para casa com um saco de Doritos, mas o apartamento está vazio. Onde você está? Eu preciso de uma bebida. Venha derramar cerveja em minha boca. Engolindo com força, me preparo para a mentira prestes a escorregar dos meus lábios. — Uh, estou ficando de babá para os meninos, — digo, referindome aos meus dois primos mais novos. — Estamos fazendo tartarugas de papel machê agora. De onde diabos isso veio? Andrew franze a testa enquanto gesticula com a boca: — Tartarugas de papel machê? Eu coloco minha mão sobre a boca para segurar minha risada. — Você está brincando com papel-machê sem mim? Isso é fodidamente frio, Sadie. Pare o que estiver fazendo imediatamente, porque estou indo ate ai agora mesmo para brincar com vocês. — Não! — Eu grito um pouco alto demais. Smilly aparecendo na casa dos meus tios com jornal e seu pincel favorito de Modge Podge seria um desastre - especialmente porque eu não estou lá. — Eu, uh... — Pense, Sadie. Isto é o que você ganha por mentir. Apenas pense em algo agora. — Os meninos vão dormir logo. Estamos quase terminando.


— Isso é ainda melhor. Eu posso trabalhar em minhas criações enquanto eles estão dormindo, e você pode me fazer uma pizza. Sei que sua tia as mantém em estoque. Ela o faz. E isso é minha fraqueza quando estou de babá. Claramente a de Smilly também. — Ela está sem pizza. — Mentirosa! — Ok, isso foi realmente uma péssima mentira. — Você quer tudo para si mesma. Não seja uma prostituta suja. Estou indo até ai. — Você não pode, — digo rapidamente. Do outro lado da mesa Andrew mantem os braços cruzados sobre o peito, desfrutando do meu desconforto óbvio. — E porque não? A única razão na qual consigo pensar é porque você está sendo uma prostituta suja que quer comer toda a pizza sozinha. — Eu não estou comendo pizza escondido. Posso lhe comprar pizza, se você quiser. — Não, eu não quero que você me compre pizza. Elas só são boas se roubadas da geladeira da sua tia. Essa é provavelmente a coisa mais estúpida que eu já ouvi, mas continuo assim mesmo. — Eu gostaria muito de ter você aqui, Smilly, mas meus tios deixaram bem claro que queriam que eu ficasse para conversar depois. Um bate-papo sobre... responsabilidades. — Oh merda, eu não quero fazer parte disso. Ok, estou fora. — Eu sabia que isso a afastaria. — Sim, não acho que você gostaria de fazer parte de uma conversa assim. Você vai dormir no Saddlemire como planejou inicialmente? — Não, — ela suspira. — Nós brigamos. Eu disse a ele para depilar seus pés peludos e ele se recusou. Então vou passar a noite assistindo Grey's Anatomy. — Ok, isso parece divertido. — Lá se vão meus planos para sobremesa - boceta e mamilos. — Te encontro quando terminar aqui.


— Parece bom. Coma pizza extra por mim. Nós desligamos, e eu coloco meu telefone sobre a mesa quando Andrew começa a sacudir a cabeça. — Eu não posso acreditar que você a chamou. Pizza era a palavra-chave para abortar a missão? — Eu não queria que ela me ligasse. — Claro, — ele diz. — É gentil da sua parte tentar poupar meus sentimentos. Exasperada, eu digo: — Apenas me conte sua maldita história alienígena. Seu sorriso não é mesmo sorriso vibrante de antes do telefonema. Sera que é porque eu descaradamente menti para a minha amiga a respeito de onde estou? Foi uma coisa de merda a se fazer na frente dele, mas ainda não estou pronta para enfrentar uma avalanche de perguntas sobre Andrew e eu. Isso quer dizer que eu machuquei Andrew no processo, tentando proteger minha própria situação? Ele está bravo? Estou prestes a me explicar quando ele parece se recuperar. Com um pequeno sorriso e sacudindo a cabeça, ele olha para a variedade de sobremesas sobre a mesa antes de voltar ao modo contador de histórias novamente. — Tudo começou com a mancha de um pires, e eu não estou falando sobre um pires onde você apoia uma xícara de chá... Esse homem... merda. Não posso evitar. Estou realmente começando a gostar dele. Com um monte de sobremesas na minha frente, ouço-o falar do encontro extraterrestre de sua bisavó, amando a maneira como seus belos traços mostram emoção ao relatar a história mais absurda que já ouvi. Eu gosto. Eu realmente gosto dele.

— Você pode me deixar aqui, — eu digo quando chegamos à entrada do meu complexo de apartamentos. Culpa


me consome por sugerir isso, especialmente depois da noite maravilhosa que passamos juntos. Nós compartilhamos histórias: Andrew falou de sua infância, e eu falei sobre os meus amigos, porque deixá-lo entrar em minha vida familiar ainda não estava acontecendo. Nós rimos muito, mais do ri há algum tempo, e até mesmo agimos como adolescentes, nos tocando a qualquer chance que tinhamos. Foi maravilhoso... até agora. Ao invés de me obedecer, ele entra no complexo, mas em vez de dirigir em direção ao meu apartamento ele vira à esquerda e encontra uma vaga no estacionamento, ao lado de um lixão. Ele estaciona o carro e suspira, inclinando-se para trás em seu assento. Sem me olhar, ele diz: — Aqui está bom? Longe o suficiente? — As palavras saem duramente. — Você está bravo, — eu declaro, me perguntando o que ele deve pensar sobre minha incapacidade de contar para Smilly o que está acontecendo entre nós. — Com o que? Sobre ser seu pequeno segredo sujo? Virando-me para ele, pressiono minha mão contra sua bochecha. — Você não é meu segredo sujo, Andrew. — Huh, quase me enganei então. — Ele está bravo, mas ele não é realmente bom em estar bravo. Talvez seja porque ele é o cara mais legal que eu já conheci, o que sugere que eu sou a maior cadela do mundo. Afastando minha mão, respondo: — Desculpe, Andrew. As coisas são complicadas. — Percebi. — Ele esfrega a mão sobre o rosto e olha pela janela. — Você é interessante de calcular, Sadie. Você tem uma parede quase impenetrável que torna difícil como o inferno conhecê-la melhor. Mas quando eu quebrei a armadura que você usa, aprendi que você é incrivelmente doce. Você mostra humildade quando está errada, mas também pode ser mais teimosa que uma mula. Você é leal aos seus amigos e os ama incondicionalmente, mas se recusa a deixar qualquer outra pessoa entrar em sua órbita. — Ele se vira para mim, as mãos em seu


colo. — Há algo escuro em seus olhos, e eu quase posso apostar que você esta escondendo alguma coisa, e não importa o quanto eu me abro para você, você garante que nossas conversas a seu respeito sejam leves e mal arranhem a superfície. — Agora apoiando a cabeça na parte de trás de seu assento, eu assisto o movimento de sua garganta enquanto ele diz: — Eu quero te conhecer, Sadie. Cada polegada de você. Mas você tem que me ajudar aqui. Se há algo em sua vida que a impede de contar às pessoas o que quer que seja isso que esta acontecendo entre nós, tudo bem, mas você vai ter que se abrir sobre o resto. Eu não tenho condições de lidar com todos os seus segredos. Me abrir sobre o resto? O que seria isso mesmo? Minha mãe e seus vários estágios na prisão? Ou talvez ele esteja falando sobre como eu abandonei Cornell. Ou que o homem que ele acha incrível na verdade me engravidou. Ou talvez eu deva contar a ele sobre meu aborto. Sim, todos parecem ser otimos tópicos para conversação. Isso não vai funcionar. Ele quer algo de mim que eu não posso dar. Eu queria que isso fosse leve e alegre. Queria que ele me distraísse da dor que tem me dominado. Queria mergulhar em cada centímetro de sua inocente diversão, mas ele quer mais. Ele quer respostas, e eu não posso lhe dar isso. Um sentimento de náusea surge em meu estômago, e minhas mãos começam tremer com o que estou a ponto de dizer. Olhando para ele, e sabendo que preciso fazer contato visual para falar sobre isso, dou-lhe toda a minha atenção. — Eu não posso fazer isso, Andrew. Ele não olha para mim; sua cabeça permanece encostada no apoio de cabeça. — Não pode, Sadie, ou não vai? — Ambos. — Eu me encolho, me odiando. Ele aperta os lábios e acena. — Ok, então o que você quer? Uma foda rápida quando estiver disponível? — Não. — Agora estou torcendo as mãos em meu colo. Por que isso tem que ser tão difícil? — Eu só... — Lágrimas começam a picar meus olhos, mas eu não as deixarei cair. Não chore na frente deste homem. — Eu... — Uma gota solitária escorre pelo meu rosto, e eu me detesto ainda mais. — Eu queria escapar.


Ele deve ter notado a angústia em minha voz, porque se vira em minha direção. As rugas em sua testa são rapidamente substituídas por preocupação quando ele vê as teimosas lágrimas agora escorrendo dos meus olhos. — Cristo, — ele murmura antes de me puxar para mais perto, para que possa envolver seus braços ao meu redor. — Não tem sido um ano facil para mim, — admito. — Mas então eu te conheci, e você me ajudou a esquecer. Eu só quero esquecer, Andrew. — Esquecer o quê, Sadie? Me dê algo para trabalhar aqui. Faça essa coisa entre nós ser mais do que apenas sexo. Fazer isso ser mais do que apenas sexo? É assim que ele se sente? Pode ter começado com uma simples atração, mas já é mais do que isso para mim. Ele é mais do que uma fuga da minha realidade miserável. Eu não quero perdê-lo, não quero perder esta alegria que finalmente voltou para a minha vida, então ofereço-lhe algo... algo pequeno. — Minha mãe. — Minha respiração é pesada enquanto falo, meu nervosismo aumentando. Eu odeio falar sobre isso, mas é a questão menos relevante na minha vida. É obsoleto, embora ainda me afete no dia-a-dia – e se eu for honesta, afeta especialmente meus relacionamentos. — Ela é uma pessoa de merda que destruiu nossa família, colocou uma marca negra em nosso sobrenome e nos transformou na Letra Escarlate em nossa pequena cidade. Não vou aborrecê-lo com detalhes sobre seu tempo na prisão, mas vou lhe dizer que ela é a razão pela qual é tão dificil para mim confiar nas pessoas. Ela é a razão pela qual eu não deixo ninguém novo se aproximar. É por causa dela que estou tão fodida e tendo um inferno de um tempo me comunicando com você. — Mordo o lado da minha bochecha, esperando sua resposta. Eu me sinto tão envergonhada, mas conhecendo Andrew, não acho que ele vai me julgar pelas besteiras dela. — Ok. — Ele pressiona seus lábios contra minha cabeça enquanto uma de suas mãos esfrega minhas costas. — Ok, — ele repete, me acalmando imediatamente. Ele não pede mais detalhes, apenas toma uma respiração profunda – o que, de


alguma forma, me ajuda a respirar melhor também. — Você quer esquecer? Podemos fazer isso, podemos esquecer juntos. — Sério? — Isso parece bom demais para ser verdade. — Sim. Eu entendo sua necessidade de uma distração, então vamos nos distrair. — Você está bem com isso? Está bem em manter as coisas entre nós quietas? — Nao, não estou feliz com isso, mas vou fazê-lo mesmo assim. — O aperto tenso em sua mandíbula confirma suas palavras. — Mas você tem que me prometer uma coisa. — O que? — Pergunto, me preparando para sua condicionante. Não importa o que for, eu deveria aceitar, já que ele está sendo tão compreensivo. — Enquanto você estiver comigo, você está comigo e com ninguém mais. Eu não compartilho. — Rindo um pouco, ele acrescenta: — Eu sei que meu pai pensou que eu fosse algum tipo de gigolo na antiga faculdade, mas ao contrário dos rumores, eu sou um homem de uma só mulher. Eu preciso do mesmo tipo de comprometimento da sua parte, mesmo quando sei que você deveria estar explorando por aí. — Ele diz a última parte como uma brincadeira, mas eu não consigo achar engraçado, já que atualmente tenho planos com Tucker para a noite de sábado. Por que eu concordei em sair com ele mesmo? Vamos sair apenas como amigos. Só vamos conversar, é só isso. — É a única coisa que te peço, Sadie. Você pode me prometer isso? Sabendo que só quero estar com Andrew, aceno com a cabeça. — Eu posso fazer isso. — Bom. — Gentilmente ele coloca um beijo em minha testa e se vira de volta para o volante. Acenando para a porta, ele diz: — Agora saia daqui. Já que a minha segunda sobremesa foi cancelada, eu quero me esbaldar com meu bolo Floresta Negra, e quero fazer isso na privacidade da minha própria casa, vestindo nada além das minhas calças de pijama.


Minhas lágrimas são substituídas por um pequeno sorriso. Como ele faz isso tão facilmente - muda meu humor em questão de segundos, me fazendo querer me aconchegar em seu colo e mantê-lo para sempre? Mas então sou golpeada com autodúvidas. Ele ainda se incomodaria em me fazer rir se conhecesse meu verdadeiro eu? Provavelmente não, mas não vou me preocupar com isso agora, porque agora eu tenho Andrew, mesmo que seja só durante o verão. Eu o tenho por agora. Arriscando-me, me inclino para o seu lado do carro e coloco um beijo gentil em seus lábios. — Obrigada. — E eu falo sério. Realmente quero mostrar a ele como estou grata, mas isso não vai acontecer no interior de sua caminhonete no estacionamento do meu complexo de apartamentos. Com um sorriso lateral cruzando seus lábios, ele se despede e eu saio do carro. Eu não me preocupo em olhar para trás, porque se o fizer, posso correr de volta para os braços dele. E não acho que isso seja apropriado agora. Eu processo a maneira como terminamos a noite depois de uma conversa bastante pesada, e no verdadeiro estilo Andrew, um beijo casto de boa noite parece à maneira perfeita de dizer adeus. Levo alguns segundos para chegar ao apartamento. Quando abro a porta, sou saudada por Smilly, que esta sentada de calcinha e top, acabando com um saco de Doritos e assistindo Grey's Anatomy, exatamente como disse que ia fazer. — Você chegou. — Ela nem sequer se preocupa em olhar para longe da TV. — Engraçado como você fez isso. — Fiz o que? — Pergunto, pendurando minha bolsa perto da porta. — Voltou da casa dos seus tios quando seu carro estava aqui. Oh, porra. Esqueci do carro. Pensando depressa, respondo: — Minha tia passou depois do trabalho para me pegar, e Tio T me deu uma carona de volta. Conveniente para ele, já que está correndo para a loja


de sorvete agora. — Serio, eu preciso parar de mentir. Está se tornando uma segunda natureza para mim. — Oh, isso faz sentido. — A tensão em sua voz some. — Então, sobre o que eles queriam conversar com você? Nem mesmo batendo um cílio, respondo: — Sobre voltar para a faculdade. — Eles já conversaram comigo sobre isso antes. Eles são os únicos além dos meus amigos que sabem sobre o bebê e sobre Cornell. Eles sempre foram bons e estaveis exemplos para mim, então eu sabia que eles iriam me ajudar quando contei tudo a eles. — Tipíco. Ei, pelo menos você teve pizza. — Sim, — suspiro. — Há sempre um lado positivo nas coisas. No meu caso, em vez de pizza, fui capaz de improvisar mais algumas semanas com Andrew. A parte ruim disso tudo? Estar ciente que realmente, realmente não o mereço. — Eu vou me arrumar para a cama. Estou cansada. — Ok, quer que eu vá te aconchegar quando for dormir? — Não. — Sorrio. — Não é necessário. Colocando mais um doritos na boca, ela diz: — Noite, McSteamy! Hey, nao me culpe. McSteamy em seu auge foi um pedaço impressionante de homem. Quando chego ao nosso quarto, sento em minha cama e pego meu telefone. Não consigo controlar a necessidade de escrever para Andrew, para reforçar o vínculo fragil que formamos e pedir desculpas por ser tão evasiva. Sadie: Muito obrigada por esta noite. Acho que me esqueci de dizer isso no meio da nossa conversa. Eu tive um tempo incrível, Andrew. Você sempre sabe como colocar um sorriso em meu rosto. PS: Eu lhe devo uma sobremesa. Não é até que estou descansando na cama, quase dormindo, que recebo um texto dele. Andrew: Eu vou te aceitar da maneira que for agora. Apenas continue sorrindo e rindo, querida. Oh yeah, você me


deve uma sobremesa, com certeza. Boceta à la mode. Eu vou trazer o sorvete, você traz a mercadoria. Noite, linda. Dor ardente se enraíza em meu peito. Noite, linda. Ele é bom demais para mim.


CAPÍTULO-DEZESSEIS ANDREW

Ding, ding, ding, ding. Acordo assustado e me sento na cama, uma mão batendo na parede ao meu lado enquanto olho em volta. Cego como um morcego, tropeço ao alcançar meus óculos enquanto o incessante tocar continua soando. — Que merda? — Murmuro, gemendo e finalmente colocando meus óculos. Encontro meu telefone e vejo a hora. Sete e meia. Esfregando meu rosto, tento entender o que está acontecendo. Ding, ding, ding. — Cristo. — Afasto as cobertas e coloco meus pés no chão de madeira frio. Mesmo no verão esses pisos são frios. Nota para mim mesmo: comprar chinelos para o inverno. Procurando em minha cômoda, que fica bem ao lado da cama, pego um calção e o visto por cima da boxer que estou usando. Levo um segundo para me ajeitar antes de olhar ao redor. De onde vem esse som? Quando saio do quarto, o barulho fica ainda mais forte. A campainha. — Oh, pelo amor da merda. — Descendo as escadas – que rangem - faço promessas a mim mesmo. — Se for um vendedor, juro que vou chutá-lo. Homem ou mulher, vou chutá-lo na porra da virilha. Preparando meu pé, pronto para desencadear um chute épico, eu destranco a porta e a abro, apenas para encontrar Sadie


de pé do outro lado com um dedo empoleirado na campainha, café e uma sacola de padaria na outra mão e um sorriso perverso no rosto. Deixo escapar um longo e torturado suspiro antes de baixar minha cabeça em derrota. Aqui estava eu, prestes a dar-lhe um pontapé na virilha que a faria voar ate a próxima rua. — Bom dia, raio de sol. — Que diabos é essa atitude alegre agora? Será que Mary Poppins rastejou para dentro do seu traseiro no meio da noite e lhe ofereceu uma colherada de açúcar? Eu esfrego minha sobrancelha com a palma da mão, entortando meus óculos um pouco antes de perguntar: — Uh, o que você está fazendo aqui? — Trouxe seu café da manhã. Posso entrar? — Claro, sim. — Eu tropeço ao tentar abrir a porta de tela e segurá-la para ela entrar. Uma vez dentro, ela se vira para mim e pergunta: — Vamos comer no seu quarto ou na sala de jantar? Eu olho para a sala de jantar improvisada, que é composta por uma mesa de beer pong e duas cadeiras dobráveis - eu não vivo com as garotas mais decorativas - e concluo que meu quarto tem que ser uma opção melhor. — Meu quarto. Preciso pegar guardanapos e pratos? — Provavelmente. Encontro você lá em cima. Nós nos separamos: ela vai para a esquerda, eu vou para a direita, mas isso não me impede de observa-la quando ela começa a subir as escadas. Ela está usando shorts jeans curtos o suficiente para me dar água na boca, sandálias marrons e uma regata branca com decote sutil, que apenas me lembra do que tem escondido por baixo. Ninguém deveria parecer tão bem de manhã cedo, especialmente quando aparece com delícias de padaria. Eu sou um fodido afortunado. Balançando a cabeça e dizendo ao meu pau para se controlar e não ficar feliz apenas com a mera visão dela, pego os guardanapos e os pratos e, em seguida, corro até as escadas.


Na verdade, estou surpreso de ver Sadie nesta manhã: não porque ela pareça ser do tipo que não consegue acordar cedo, mas por causa da nossa conversa de ontem à noite. Eu estava a ponto de terminar tudo, de dizer que não valia a pena, mas então olhei novamente para aqueles olhos torturados dela, e não pude me afastar. Não pude deixá-la ir. Mas há algo escuro, quase sombrio em seus olhos, como se ela não tivesse mais esperança. E isso me assusta, porque ela tem muito pela frente ainda, especialmente porque vai para Cornell. E então ela chorou, e foda-se, eu fiquei destruído ao ver suas lágrimas. Era impossivel terminar depois disso. Quando saí do estacionamento e voltei para casa, porem, não tinha expectativas do que iria acontecer a seguir - mas então ela me enviou uma mensagem. Eu vi a mensagem quando já estava na cama, e suas palavas me fizeram adormecer com um pouco de esperança. Agora, com ela em meu quarto com nosso café da manhã na mão, a confiança em nosso futuro está florescendo outra vez. Só espero que ela não saia correndo com medo, porque pelo que pude perceber até agora, eu gosto dela. E eu gosto dela pelo que sou capaz ver nela. Tudo que eu quero conhecer esta mulher ainda mais. Quero saber o que faz seu coração bater mais rapido, o que faz sua pele vibrar com emoção o que a ajuda a avançar a cada dia. Estou desesperado para aprender mais, e esperando ansiosamente que ela me dê a chance de descobrir seu mundo. Quando atravesso a porta do meu quarto, Sadie já arrumou minha cama - isso foi rápido - e está sentada sobre ela com as pernas cruzadas, um café estendido para mim e um sorriso no rosto. E nesse momento percebo que sim, é verdade. Algum personagem da Disney rastejou até seu traseiro e a colocou nesse estado de espírito. Só espero que ela não precise de algum tipo de bibbidi-bobbidi-boo para voltar ao normal. Embora, a possibilidade de uma fantasia soe interessante. — Aqui, pra você, — ela diz, gesticulando para eu pegar o café. Observando-a com ceticismo, retiro a tampa do copo e olho para dentro. — Você está muito ansiosa para que eu beba isso. Você o envenenou? Talvez misturou algum tipo de droga para que possa tirar proveito do Cannon Cock?


Ela revira os olhos. — Por favor, eu não preciso te drogar para fazê-lo tirar as calças. Se eu apenas olhasse para a sua virilha você estaria se despindo mais rapido do que um computador Roadrunner consegue calcular uma equação. Er... O quê? Computador Roadrunner? Ela acabou de se referir ao computador mais rápido do mundo criado pela IBM? Oh, foda-me. Se eu fosse um personagem de desenho animado, meu pau teria acabado de bater na minha cara, de tão duro que seu comentario me deixou. — Surpreso? — Ela levanta uma sobrancelha para mim e casualmente bebe seu café enquanto se inclina para trás em minha cama, se apoiando com a outra mão. Blá blá blá, idiota. Isso é tudo que meu cérebro pode processar. E isto é o que minha língua está tentando dizer: jakdhef, hnnnnng. — Não fique tão surpreso. Eu sei uma coisa ou duas sobre seus amigos preciosos, na presença dos quais você se acaricia à noite. Eu apenas não fico me gabando como você. Ainda atordoado, tento formular algum tipo de frase. — Tron! — Eu grito, assustando-a. Bom trabalho, cara. — Como? — Qual é a sua parte favorita de Tron? Quando ele é sugado para dentro do hardware, e encontrado por homens em trajes de neon preto e laranja? Porque, porra, essa sequência é inesquecível. Se eu pudesse, levaria um dia todo para explorar uma placa-mãe como aquela, de dentro de um computador. Pense em todas as coisas que poderíamos experimentar, estando pessoalmente proximos do funcionamento interno de tudo. Sua boca se abre em confusão e sua testa franze num olhar de onde diabos eu fui me meter.


Rindo nervosamente, aceno com a cabeça para a caixa que ela trouxe. — Uh, o que tem na caixa? Ela balança a cabeça. — Ok, eu vou ignorar essa última parte. Eu nem sei o que é Tron. Meu pau amolece. Como ela não conhece Tron? *Insira o emoji chorão aqui*. Tron é um dos maiores filmes de todos os tempos, logo atrás de Star Wars, Star Trek, qualquer filme da Marvel Comics – sendo Guardiões da Galáxia e ET os mais importantes, porque tem aliens e tal - Avatar e Titanic. Podemos fazer um momento de silêncio pelo Jack? Aquela vagabunda-carade-cavalo da Rose poderia ter ido um pouquinho para o lado para dar espaço para ele. É impossivel não perceber que havia espaço suficiente naquela porta para um Leonardo DiCaprio magro se pendurar. Teria sido ainda melhor, pois eles poderiam ter se aconchegado, criando calor-corporal e salvado um ao outro. Mas não, a puta égua foi muito malditamente egoísta. Focando de novo em Sadie, digo: — Tron é um filme sobre computadores. — Parece horrível. — Estou prestes a expulsá-la do meu quarto quando ela pisca e acaricia a cama ao seu lado. — Venha se sentar antes de sua pressão arterial te fazer decolar. Ela está acariciando a cama com a palma da mão agora. Eu não posso igorar tal sedução, mesmo que ela não saiba o que é Tron. Aliviando o humor, salto na cama ao lado dela, apoio meu corpo contra a parede e saboreio meu café. Deus, eu amo café. — O que você trouxe para o café da manhã? Com um movimento do dedo, ela tira a caixa da sacola e diz: — Rolinhos de canela da Manni's Bakery. — Oh, foda, sim. — Eu nunca fui à Manni's Bakery, mas eu amo um bom rolo de canela. Dou-lhe um prato e depois pego um rolo da caixa. Eles são fodidamente enormes. — Droga, Sadie, você certamente está marcando pontos em meu coração com este tratamento especial. Rindo, ela coloca um rolo em seu prato também. — E eu aqui pensando que meus peitos faziam todo o trabalho.


— Nah. Se eu tiver que eleger um campeão, sou obrigado a votar em sua bunda, porque foi ela que chamou minha atenção primeiro. Seu traseiro e seu cabelo, na verdade. — Porco, — ela brinca, dando uma mordida em seu doce. Juntando-se a mim, ela se apoia na parede ao meu lado, nossos braços se esfregando. — Que horas você vai para o trabalho hoje? — Três, como sempre. E você? — Meio-dia. Stuart tem me colocado muito no turno do almoço ultimamente. Vou ter que falar com ele sobre isso, especialmente se você está ficando com os turnos da noite. — Sério? — Levanto as sobrancelhas, surpreso. — Você quer uma reprise do que aconteceu no deposito? — Não. — Ela ri e balança a cabeça. — Aquilo não pode se repetir. Não acredito que não nos pegaram. — Se você tivesse chupado meu pau, nós definitivamente teríamos sido pegos, porque eu tenho certeza que teria chorado como uma garotinha enquanto você estivesse de joelhos na minha frente. Esses lábios no meu pau? Muito digno de lágrimas. — Se você chorar quando estivermos transando, pode ter certeza que eu nunca mais farei sexo com você. — Sua voz é brincalhona, e me deixa muito feliz ouvi-la fazendo piadas com mais facilidade. — Eu não disse que choro durante o sexo, Calças Doces. Disse que poderia chorar enquanto sou chupado, são coisas completamente diferentes. — Deixe-me perguntar uma coisa. Quando você teve seu primeiro boquete, você chorou? Uma profunda risada rasga meu peito. — Será que uma unica lágrima solitária conta como chorar? — Sim. — Ela balança a cabeça enquanto cobre a boca, tentando não rir. — Para ser justo, — levanto minha mão em defesa — ela estava usando um brilho labial sabor morango, então, quando me chupou, eu tive o prazer de cheirar campos de morangos. Foi


uma... experiência erótica unica. Difícil não chorar quando seu pau se confunde com o odor das frutas. — Essa é a coisa mais triste que já ouvi. — Tanto faz. — Sorrio. — E você? Na primeira vez que chuparam sua boceta, você chorou? Ela balança a cabeça. — Você é um cara tão bom, mas então você fala coisas como essa... — Como eu disse, todo cara tem uma cota de idiotice diária para preencher. Estou apenas começando cedo. Então, você chorou? — Não, não chorei. Eu fiquei mais assustada do que qualquer outra coisa. — Assustada, por quê? — Eu paro por um segundo enquanto minha mente começa a torcer e transformar suas palavras em algo escuro. — Espere, você foi fodidamente forçada? — Não. — Ela aperta a mão em meu antebraço. — Nada disso. — As batidas do meu coração começam a normalizar. Graças à merda, ou então eu teria começado a socar tudo à vista: você ganharia um soco, ele ganharia um soco, todos ganhariam socos! — Eu estava com medo porque não estava muito certa sobre toda a coisa de boca na vagina. Entende? Eu estava nervosa porque talvez não... tivesse preparado o prato bem o suficiente. — Preparado o prato? — Eu mal consigo forçar as palavras para fora da minha boca antes de começar a gargalhar. — Oh, porra. — Enxugando meus olhos, continuo: — Eu nunca ouvi alguem dizer isso antes. Preparar a porra do prato. — Fingindo que minha mão é um bloco de notas, lambo meu dedo e ajo como se estivesse tomando nota: — Oh, não posso me esquecer disso: preparar o prato. — Pare. — Ela brinca, empurrando meu ombro. — É fácil para os caras, vocês tem uma vara que sobe depois de apenas duas esfregadas. As meninas têm fendas, e vales. Temos que ter certeza que tudo está bem limpinho. — Isso é verdade. — Concordo com ela quando termino meu rolo de canela. — Mas vou te dizer uma coisa: você não


precisa se preocupar, porque tem a boceta mais bonita que eu já vi. Seu rosto se ergue interrogativamente. — Você está me dizendo que, de todas as vaginas com as quais você já entrou em contato, a minha é o ‘prato mais bem preparado’? Um sorriso passa pelos meus lábios. — Sem dúvida nenhuma. Colocando nossos pratos de lado, ela rasteja para o meu colo e começa a correr os dedos pelos meus ombros. — E de quantas vaginas estamos falando aqui? Dezenas, centenas, milhares? — Milhares é exagero. — Então centenas? Ela começa a se mover lentamente em meu colo, e imagens da manhã quando acordarmos juntos começam a piscar em minha mente. Ela esta querendo um pouco de atrito. — Centenas parece mais preciso, — brinco. — Ew, sério? — Ela começa a se afastar, mas eu a seguro no lugar pelos quadris. — Não, estou apenas brincando. Honestamente, não estive com muitas mulheres. Não mais do que cinco. Surpreendida, ela balança a cabeça, satisfeita com a minha resposta. — Cinco é um número respeitável para um cara que chamavam de Cannon Cock. — Eu gosto de pensar que sim. — Engolindo com dificuldade e sabendo que eu realmente não deveria perguntar - mas não conseguindo evitar – pergunto: — E você? Quantos paus você já viu? — Vi? Ou transei? — Perturba-me que haja uma diferença, mas vou com quantos você já transou? — Apenas dois. — Ela encolhe os ombros. — Você e outro cara. — Dois? — Agora é a minha vez de ficar surpreso. Apenas um outro cara pode significar duas coisas: que Sadie não gosta de


sexo sem compromisso e é muito exigente quando se trata de paus, ou que ela esteve em um relacionamento sério e comprometido por um longo tempo. Baseado na maneira como ela se atirou em mim na manhã seguinte a festa de Smilly, vou apostar na última opção, o que por si só já me faz suar. Um relacionamento sério, porra. De quão sério estamos falando aqui? — Sim. — Os dedos de Sadie, que estavam dançando ludicamente em meu peito, fazem uma pausa, e uma sombra se enraíza em seus olhos. — Diga-me, foi muito sério? — Estou obrigando-a a se abrir, algo que sei que ela não quer fazer, mas – e podem me chamar de louco por isso - estou realmente muito ciumento. Suspirando, ela balança a cabeça. — Muito. Ding, ding, ding. Você ouviu isso, Andrew? Esse é o som das suas chances de continuar com essa menina lentamente evaporando. — Legal. Eu sou a favor de relacionamentos sérios, você sabe. — Tento finjir que não estou incomodado, nem um pouquinho. — Não há nada que alimente mais meu ego do que assistir relacionamentos sérios se desenvolverem. Todas essas emoções, esses sentimentos profundamente arraigados, as promessas de ‘felizes para sempre’. Sim, eu adoro essas coisas. Você não gostaria que pudéssemos estar todos em um relacionamento gigantesco e megalítico também? Eu sim. Seria praticamente uma grande orgia de compromisso. Em vez de concordar comigo - quero dizer, orgia de compromisso, como você discorda de uma coisa dessas? - ela pressiona seus dedos em meus lábios, para me silenciar. Olhando-me nos olhos, ela absorve o medo que borbulha dentro de mim. — Acabou, Andrew. Completa e definitivamente. Terminou mal, e não há nenhuma possibilidade de reconciliação. Foi muito ruim, e eu quero seguir em frente. Me sentindo um pouco melhor, pergunto: — Preciso dar um soco nele? Porque eu tenho um gancho direito assassino - o esquerdo poderia melhorar um pouco ainda, mas o direito... — soco minha palma. — Eu posso dar um inferno de um soco.


— Por que eu realmente não consigo acreditar nisso? — Ei, eu sou duro, querida. Não deixe que os óculos te enganem. — Não, os óculos estão quentes. — Oh, elá, confissão. Prazer em conhecê-la. Não te vejo você por aqui muito frequentemente — provoco. Voltando a rolar os olhos, algo com o que já estou me acostumando, ela segura a bainha de sua regata e a passa pela cabeça, jogando-a no chão. Como o homem que sou, imediatamente meus olhos voam para os seios deslumbrantes de Sadie, encerrados em um sutiã de renda rosa. Porra, tão quente. Ela é tão gostosa. — Eu não quero mais conversar. — Por mim tudo bem. — Me posiciono melhor na cama, claramente emocionado com os planos dela. Em um movimento rápido, tiro meus óculos e derrubo Sadie no colchão. Sua risada pulsa direto em meu pênis, acendendo minha excitação já despertada. Faço meu caminho até o fim da cama, de onde tiro seus shorts, deixando-os cair no chão perto de sua regata. Deitada à minha frente como um sonho molhado, Sadie apenas sorri para mim. Sua calcinha combina com seu sutiã. Sua excitação combina com seus olhos. Esta pequena raposa planejou tudo isto. Inferno, eu adoro essa ideia. — Você é tão quente, sabia? Ela responde dando um puxão em meu braço, consequentemente me forçando a cair sobre ela. Suas pernas se enrolam em torno da minha cintura, enquanto suas mãos aproximam meu rosto do dela. Com um rápido lamber de lábios, ela começa a me beijar. Não, rique isso. Ela começa a foder minha boca com sua língua. Fale sobre as coisas acontecendo rapidamente. Combinando seu fervor, abro minha boca e imito seus movimentos. Nosso beijo é molhado, escorregadio, desleixado... misturado ainda com alguns gemidos. Não é muito bonito, eu sei. Mas é quente, e cheio de necessidade, cheio de anseio, o que torna tudo muito mais sexy.


Enquanto ela continua tentando controlar minha boca, eu começo a despi-la, porque com cada toque de sua língua contra a minha, meu pau lateja ate alcançar níveis realmente desconfortáveis. Quando avanço por suas costas para tentar desbloquear seu sutiã, ela murmura: — Fecho na frente. Deus, eu adoro fechos frontais, e não porque eles são mais fáceis de abrir, o que sequer deveria importar, inclusive – todos devem ser capazes de abrir um sutiã com uma unica mão e os olhos fechados - mas porque eu adoro assistir os seios de uma mulher se libertando, e um fecho frontal transforma essa imagem numa realidade fodidamente incrível. Deslizo minha mão direita entre nós e encontro o fecho. Com facilidade, abro seu sutiã e aproveito a oportunidade de poder observar seus seios perfeitos se derramando para fora dos laços de cetim. Fodidamente incrível. Querendo prová-los, afasto nossas bocas e sigo meu caminho para baixo, certificando-me sugar e lamber seus peitos perfeitos o tempo inteiro, amando a maneira que seu corpo responde a cada mordida sensual. Descansando minha cabeça em sua clavicula por um momento, apenas aproveito a sensação de suas mãos em meu cabelo. Merda, há algo realmente especial sobre as mãos de uma mulher correndo os dedos pelo meu cabelo, algo que me deixa louco com luxúria. Ou isso acontece apenas com Sadie? Serão as mãos dela? Seu toque, apenas? Amando o modo como suas unhas arranham meu couro cabeludo, me viro para seu seio direito e sugo seu mamilo... duramente. Eu não mostro misericórdia. Assim como ela fez minutos antes com a boca, agora é a minha vez de foder seu mamilo com minha língua. Eu lambo, mordo e chupo tão fodidamente duro que ela arqueia as costas da cama. — Oh meu Deus, sim! — Ela geme de satisfação. Eu solto seu mamilo, mas depois o puxo de novo, desta vez com os dentes. Gemidos de prazer escapam de sua boca enquanto seus dedos puxam quase que dolorosamente meus cabelos. Porra, não vou ser capaz de aguentar isso por muito mais tempo, então me mudo para seu outro seio e lhe dou o mesmo tratamento. Beliscar se torna minha habilidade favorita, porque resulta na reação mais sexy dela.


Com os labios entreabertos, ela ofega conforme seus quadris realmente começam a moer contra os meus. Minha menina está tão pronta. Eu posso senti-la, inclusive, atraves dos meus shorts finos. Com um último beliscão, estalo seu mamilo para fora da minha boca e me afasto um pouco, para que possa baixar meu calção e boxer. Ela apenas observa, fascinada, enquanto eu me movimento ao seu redor em velocidade recorde, rapidamente colocando um preservativo que peguei da mesa de cabeceira. Já com o controle um pouco abalado, vou direto ao ponto: levanto suas pernas e apoio seus tornozelos em meus ombros. Seus olhos ficam selvagens quando absorvam nossa posição, mas amaciam quando eu afasto a tira de tecido cobrindo sua bela boceta e esfrego a ponta do meu pau ao longo do seu calor quente e úmido. Foda-se... sim. Ela está tão pronta. Massageio seu clitoris com meu pau. Uma, duas, três vezes, e então me empurro para dentro dela. O gemido que sai de seus lábios só me estimula mais, tornando a necessidade de fodê-la insuportável. Então eu agarro seus quadris e começo a empurrar, duro. Não afastando meus olhos dos dela, observo como meus golpes balançam seu corpo inteiro. Observo seus olhos embriagados, sua boca entreaberta, sua pele lisa, e a maneira como seus peitos balançam com nossos movimentos. É sexy pra caralho, assim como a maneira como ela aperta em torno de meu pau cada vez que a penetro. Eu a fodo duro, querendo atingir aquele ponto, mas ao mesmo tempo não querendo realmente chegar lá. — Oh Deus, mais forte, Andrew, — ela chora, querendo mais. Eu desço suas pernas dos meus ombros, mudando nossa posição. Ela então as abre para mim, e o som dos nossos corpos batendo ecoa pelo quarto. Mas eu ainda não consigo chegar lá. Sem perder tempo - e já um pouco frustrado - eu saio de dentro dela, apenas para ser saudado por seu protesto. Mas ela não tem chance de resmungar outra vez, porque eu a viro de bruços, posiciono meu travesseiro debaixo de seu estômago e


espalho suas pernas, me dando uma visão perfeita de sua bela e úmida vagina. Com água na boca de tanto emoção, eu a penetro novamente. E se eu ainda não soubesse que Sadie era a parceira de cama perfeita, teria descoberto isso agora, porque ela levanta o traseiro tão fodidamente alto que eu tenho que mudar o ângulo para fodê-la. E isso é tudo que eu preciso. Com uma pequena rotação do meu quadril e mais um impulso, estou finalmente o mais fundo possivel, basicamente no final dela, e fazendo-a gemer uma oitava mais alto. Ela agora agarra os lençóis, mantendo sua cabeça de lado para que eu possa ver a forma como sua boca se abre cada vez que eu entro nela. — Foda-se, toque-se, querida. Esfregue o seu pequeno clitóris. Deixando de lado os lençois, ela move uma mão para baixo e começa a esfregar seu clitóris, o que nos faz arder em chamas. Ela grita meu nome, as paredes de sua boceta me apertam, e ela começa a convulsionar debaixo de mim. Foda-se se eu preciso de algo mais do que isso. Minhas coxas se apertam, meu peito incha, e eu gozo tão fodidamente duro que acho que posso explodir tamanho o êxtase que estou sentindo. Explosões de prazer passam por mim, dos meus dedos dos pés até o topo da minha cabeça. Meu corpo todo está formigando, mas eu continuo fodendo-a até que não consigo mais sentir minhas pernas. Uma vez que meu ritmo cardíaco diminui e meu pau já não lateja, eu saio de dentro de Sadie, cuido rapidamente do preservativo, e me aconchego ao lado dela, onde enterro meu rosto em seu cabelo macio. — Você me faz perder a porra da minha mente, — sussurro. Seus dedos serpenteiam pelas minhas costas. — Você me faz esquecer o mundo que nos rodeia. Não tenho certeza se deveria tomar isso como um elogio ou não, mas, quando ela se aconchega ainda mais perto, percebo que


o que quer que signifique, nĂŁo importa. Neste momento, bem aqui, estou feliz. NĂłs estamos felizes.


CAPÍTULO-DEZESSETE SADIE

— Te vejo mais tarde, calças quentes. Não faça nada estúpido, como queimar o lugar. Eu não tenho seguro, — Smilly fala enquanto pega sua bolsa. — Isso parece estúpido. Você provavelmente deveria pagar por um. — Eh. — Ela dá de ombros. — Por que eu faria isso quando viver perigosamente é muito mais divertido? Vejo você mais tarde. — Ok, divirta-se no seu encontro. Dou-lhe um pequeno aceno enquanto ela fecha a porta do apartamento, deixando tudo em silêncio. Incerta do que fazer, pego meu laptop sob a mesa lateral entre as nossas duas cadeiras reclináveis e ligo-o. Já não ligo meu computador com muita frequência atualmente, porque me lembra do que eu NÃO estou fazendo nos dias de hoje. Eu o mantenho ao redor apenas porque Smilly gosta de entrar no Pinterest e criar milhares de pastas sobre decorações vintages, elefantes dançando a receitas com Doritos. As receitas de Doritos não me importam, na verdade - ela fez algumas boas refeições graças a elas, sendo salmão com crosta de Doritos e endro a minha preferida. Algo sobre o sabor do queijo nacho combinado com salmão realmente funcionou para mim. Demora alguns momentos para que meu computador ganhe vida, mas quando isso acontece, quatro guias aparecem abertas no navegador: Pinterest, Pinterest – elefantes dançando, Pinterest - Vestidos vintage, e grandesegordospaus.com. — Ugh, bruto. — Eu não me incomodo nem em clicar na aba para ver que tipo pênis ela estava cobiçando; só a fecho e, em


seguida, olho seus mais recentes pin. Todos típicos dela. Ao abrir uma nova aba, clico no Facebook e estou digitando minha senha quando meu telefone toca. Merda. Respirando fundo e sem ter certeza se deveria ou não atender, aperto o botão verde e digo: — Ei, Tucker, o que se passa? — Nada de mais. Como você está? — Sua voz rouca filtra através do telefone. Embaraçoso. Veja bem, eu não quero trocar gracejos com Tucker; eu quero chegar logo ao ponto e depois desligar. — Bem. O que está acontecendo? Sua risada profunda ecoa em meu ouvido, e eu tenho que apertar minhas pernas contra o som. Esse riso costumava arrepiar minha pele, mas agora só me faz lembrar do que tínhamos, e do que certamente nunca deveríamos ter feito juntos. — Sem disposição para conversar esta noite, entendi. Como está seu novo brinquedinho de trabalho? — Pare. Não fale sobre Andrew. Agora, ou você pode me dizer por que ligou, ou eu posso desligar. Tenho um pacote minhocas de gelatina para comer e alguém para stalkear no Facebook, o que vou começar a fazer em cerca de cinco minutos. Então se apresse. — Estou atrapalhando sua noite, não é? Desculpe por incomodar. — Ele solta um longo suspiro, e eu posso imaginálo agarrando a parte de trás de sua touca. — Meu chefe me chamou hoje: ele está me enviando para Pittsburg, para um treinamento durante o próximo mês. Parto amanhã. Tucker trabalha numa construtora. Quando ele se formou no ensino médio, em vez de ir para a faculdade, preferiu continuar trabalhando nessa mesma empresa, já que assim continuaria recebendo um salário, e hoje realmente faz um dinheiro muito decente lá. Suponho que este treinamento só vá adicionar experiência ao seu currículo já bastante impressionante. A questão é, por que ele está me contando isso?


— Uh, ok. — Uau, você já se esqueceu? — Ele ri novamente. — Cara, você está tornando isso muito mais difícil do que eu esperava. — Esqueci o quê? Antes de eu poder pensar melhor, ele diz: — Nosso encontro no sábado: vamos ter que adiá-lo. Oh. Oh. — Não é um encontro, Tucker. — Reunião então, ou como diabos você prefira chamar. Eu não vou poder ir. Estou torcendo para ter um fim de semana de folga enquanto estiver lá, mas duvido muito disto. A agenda está lotada. Me sentindo um pouco mais leve por saber que não terei que encontrar Tucker, respondo: — Bem, isso é excitante, embora. Uma boa oportunidade para você. — Sim, mas deveria estar rendendo mais dinheiro, também. Eu aceno desajeitadamente, mesmo que ele não possa me ver. — Ok, bem, tenha uma boa viagem então. — Ei, antes de desligar na minha cara, posso te ligar enquanto estiver lá, apenas para conversar? — A maneira como sua voz muda, ficando mais suave e quebrada me despedaça. — Vai ser solitário pra caralho. Seria bom ouvir uma voz familiar. Diga não. Apenas diga não. Diga-lhe que está satisfeita com a quantidade de telefonemas que recebe e desligue. Mas eu não posso fazer isso. Por tantos anos nossas vidas estiveram entrelaçadas uma com a outra. Tucker sempre será meu primeiro amor. Sempre será o homem para quem eu dei minha virgindade, e aquele para quem sussurrei segredos dolorosos ao verbalizar sobre a minha vida doméstica de merda. Ele sempre será o pai do bebê, mesmo que o nosso bebê não tenha nascido. Tucker nunca desaparecerá completamente da minha vida. Odiando-me, respondo: — Claro. Me ligue quando estiver sozinho.


Vá em frente, comece a levantar os forcados, me diga que eu sou a pior. Amaldiçoe-me por não ser forte o suficiente para afastar o homem que tanto me consumiu e quebrou ao longo dos anos. Está tudo bem me odiar, porque eu também me odeio. Talvez devêssemos começar um grupo Eu Odeio a Sadie no Facebook. Alguém quer ser o administrador? — Obrigado, Sadie, — ele diz ao telefone. — Merda, vou sentir falta de curtir esse verão com nossos amigos. Você vai ter que me manter informado. E não se esqueça de me contar se Kiera resolver sair com alguém do CrossFit. — Não vai acontecer. — Dou risada. — Sim, eu também acho que não. E hey, dê uma mão a Emma de vez em quando. Aquela garota precisa de uma pausa. — Eu vou. Divirta-se em Pittsburgh. — Até mais, linda. Eu desligo, e meu peito se aperta. Linda, disse ele, com aquela voz aveludada. Imediatamente lembranças dele me segurando em sua caminhonete e sussurrando em meu ouvido que tudo ia dar certo começam a inundar meu cérebro, revirando meu estômago. Bloop. Pedido de mensagem. No meu computador? O que? Eu clico no botão de mensagem e vejo um pedido de Andrew. E simples assim se acalmam as lembranças dolorosas. Ele deve ter saído do trabalho mais cedo. Andrew: Te encontrei! Também acabei de pedir para ser seu amigo no Facebook, e agora estou aguardando para stalkear seu perfil. Portanto, prepare-se para rever algumas fotos de 2013 que eu curtir assim que você me aceitar. Porem, se você não é a Sadie Montgomery com o prato mais bem preparado do mundo, por favor, ignore esta mensagem e a solicitação de amizade. Se você nem sequer sabe o que preparar o prato significa, então com certeza não é a Sadie que estou procurando, e eu apreciaria se você esquecesse que


este encontro já aconteceu. Obrigado. Um riso sai da minha boca enquanto eu escrevo de volta. Sadie: Melhor prato ao seu serviço. Ainda bem que você foi corajoso o suficiente para me procurar no Facebook. Esse é um grande passo, você sabe, ficarmos amigos no Facebook. Está mesmo pronto para isto? Andrew: Meus dedos de stalkear/clicar estão prontos. Aceite o meu pedido de amizade para que eu possa começar a bisbilhotar. Fico com pena de Andrew, já que meu perfil no Facebook é sombrio e chato. Eu não deixei as pessoas me marcarem em fotos por causa da seleção da Cornell, e nunca desliguei esse recurso. Haverá provavelmente cerca de cinco fotos para ele olhar. Todas de perfil. E elas são tudo, menos excitantes. Apenas selfies simples, na verdade. No topo, vejo o botão de solicitação de amizade aceso, então aceito seu pedido e, em seguida, digito de volta. Sadie: Não haverá muito para espionar, desculpe. Ele leva um minuto para responder, mas eu sorrio quando ele o faz. Andrew: Bem, que merda. Não tem nada incriminatório em seu perfil. Rapidamente stalkeio o perfil dele, e não posso deixar de sorrir com suas muitas fotos ridículas, principalmente uma em que ele parece todo bobo e estranho. Eu não esperaria nada menos. Sadie: Mas para minha sorte, você tem uma mina de ouro de imagens que poderei usar contra você. Andrew: Sim, aparentemente eu não sou tão esperto quanto você. Mas hey, é preciso viver um pouco. Mas agora tenho que admitir, esta sua foto de biquíni... Estou chocado. Eu pensei que você fosse uma prostituta discreta, e não pública. Claro que ele se fixaria nessa foto. Eu só a postei porque perdi uma aposta para Tucker, quem, felizmente, não tem Facebook. Sadie: Eu seria uma puta publica apensa se também estivesse fazendo bico na foto. Precisa do combo biquíni + bico, entende? Essa é só a foto de uma garota que perdeu uma


aposta. Andrew: Isso ate que faz mais sentido. Aqui também diz que você está em um relacionamento complicado com Smilly. Se importa de me explicar isso? Há tendências lésbicas no seu sangue das quais eu preciso estar ciente? Sadie: LOL, sim, Smilly e eu estamos prometidas uma à outra. Desculpe, mas você é apenas um brinquedo de menina temporário. Andrew: Por que eu estou bem com isso? Sadie: Porque você é homem, e todos os homens são pervertidos quando se trata de ouvir sobre um pouco de ação menina-menina. Andrew: Espere, isso significa que você realmente tem tendências lésbicas? Sadie: NÃO! Deus, você é irritante. Andrew: Você não deve dizer coisas que não quer dizer. Irritante, por exemplo, é uma palavra muito severa. Diga algo como: ‘Deus, eu quero o seu pau na minha boca’. Isso nos descreveria mais fielmente. Sadie: Acabou sua cota de idiotices de hoje? Andrew: Com a sua ajuda. Sadie: Fico feliz em saber que pude ajudar. Andrew: Eu sabia que havia uma razão pela qual mantive você por perto. Mas então, o que você vai fazer esta noite? Dar um tempo com Smilly, talvez assistir Tron? Sadie: Estou sozinha, Smilly saiu num encontro com Saddlemire hoje à noite. Ela trabalha como babá de gêmeos e conseguiu um aumento, por isso eles vão comemorar ficando bêbados e jogando shuffleboard no Legião. Andrew: Whoa, eles sabem ahfjasfnsdfnam asfna smfn sjhenf

como

Hã? Andrew: oh meu akdfnao nafine a ahhh Andrew: Porra, fufahendoaasudgeaw Andrew: meu cabelo, hafajdf me ajude

se

divertir


O que diabos esta acontecendo? Esperando que seja apenas uma piada, pego meu telefone e ligo para ele. Ele nem sequer diz olá quando atende, apenas começa a gritar. — Puta merda... Foda-se, fique longe de mim. — Sua voz soa mais alta do que o normal, como se alguém estivesse puxando suas bolas. Com quem ele está falando? — Andrew, o que está acontecendo? — De repente começo a entrar em pânico. Ele não responde. Em vez disso, continua gritando coisas que não fazem sentido ao telefone, xinga mais um pouco e, em seguida, posso ouvir também uma porta bater. Meu coração acelera enquanto pacientemente espero ouvir sua voz outra vez. Ele está sendo assaltado? Com quem mais ele poderia estar falando? Será que suas colegas voltaram para casa mais cedo? Elas estão tentando tirar proveito dele, com seus modos europeus e sotaques pesados? — Andrew? Você está aí? Por favor, me diga o que está acontecendo. — Sadie? — Sua voz está rouca, desesperada e assustada. — Minha vida acabou de passar diante dos meus olhos. — O que está acontecendo, Andrew? — Ele ainda está lá fora. Eu posso ouvi-lo tentando entrar no meu quarto. — Eu juro por Deus, se você estiver brincando... — Não estou brincando. Eu fui atacado, Sadie. — Por quem? — Estou sentada na beira da cadeira agora, meu computador esquecido sobre a mesa. — Um morcego, — ele sussurra, consternado. Um morcego? Ele admite isso com tanto medo em sua voz que eu não posso fazer nada além de rir, e rir muito. — O que é tão engraçado? Ele estava tentando me agarrar com suas garras infestadas de raiva. — Você foi atacado por um morcego? — Eu continuo a rir.


— Sim! O que é tão engraçado? Você sabe que eles transmitem várias doenças muito graves, não é? — Andrew faz uma pausa por um segundo e depois continua: — Ele tinha olhos vermelhos, Sadie. O que isso quer dizer? Que tipo de pássaro demoníaco tem olhos vermelhos? — Morcegos não são pássaros, são mamíferos. Ele suspira pesadamente no telefone. — Eu fodidamente sei disso. Eles são os únicos mamíferos capazes de voar. Eu estava sendo dramático aqui. — Oh, que gentil da sua parte, sendo todo dramático para mim. Ignorando-me, ele continua: — Eu realmente entrei em pânico, ok? De onde ele veio e para onde diabos foi agora? — Onde você está? — No meu quarto. Ele tentou me bombardear duas vezes, mas eu me escondi debaixo do meu computador e digitei meu SOS para você. Ele me deu uma abertura quando voou para o corredor, que foi quando eu consegui fechar minha porta. Nem no inferno eu deixaria aquele bastardo sádico foder com o meu cabelo de novo. Honestamente, esta tem que ser a conversa mais absurda que eu já tive. — Eu não posso lidar com isso agora. — Sadie, estou falando sério. Ele ainda deve estar lá fora. Quer dizer, para onde ele iria? Porra, não vou conseguir dormir sabendo que ele está lá fora. Talvez eu deva ir no Jimmy. — Oh meu Deus, não vá para o seu irmão. Eu vou te ajudar. — Você vai me salvar? — Não, eu vou te ajudar a encontrar o local onde suas bolas caíram. Você parece tê-las perdido. Desligo o telefone sem me despedir e vou ate o armário do corredor, onde pego a raquete de tênis de Smilly - que ela só usa para jogar tênis bêbado ao invés do esporte real – antes de colocar meus sapatos. Parece que vou ter que caçar morcegos.


Nem sequer me preocupo em bater na porta – apenas entro na casa de Andrew e caminho em direção ao seu quarto. Tudo está escuro, exceto por um pequeno pedaço de luz que aparece por debaixo da porta. Eu ligo algumas luzes pelo caminho e dou uma boa revisada ao redor, especialmente nos tetos e cantos. Não encontro nada. Embora, considerando o tempo que me levou para chegar aqui, o morcego já poderia estar em qualquer lugar por agora. Apenas para ser educada, bato à sua porta e digo: — Olá? Você ainda está vivo, Andrew, ou já se transformou no Drácula? — Não é engraçado, — ele responde de dentro do quarto. — Não fique aí onde a besta pode te pegar, entre. Eu bufo da seriedade que ouço em sua voz, e abro a porta do quarto apenas para encontrá-lo encolhido no canto, segurando uma toalha sobre a cabeça, a qual aperta firmemente abaixo do queixo. Não consigo evitar: começo a rir novamente. Eu bem que gostaria de mostrar um pouco de simpatia, mas estamos falando de um homem crescido aqui, um homem crescido e altamente inteligente, aterrorizado por um morcego que provavelmente não é maior do que uma mão. — O que você está fazendo? — Pergunto a ele. Ele franze as sobrancelhas, irritado. — Protegendo meu cabelo. O que eu poderia estar fazendo? Morcegos adoram ficar enredados nos cabelos das pessoas, e nem no inferno eu serei vítima de tal violência. — Você tem cabelo curto, então isso nunca aconteceria. — Eu tenho cabelos suficientes para um morcego depositar suas larvas em meus folículos. — Eu nem sei o que é isso. — Você pode entrar e fechar a maldita porta, antes que a besta decida começar a segunda rodada? Ainda rindo, sacudo a cabeça e faço como ele pede. — Isto está te fazendo perder muitos pontos fora, você sabe.


— Sim, estou ciente, e não me importo. — Ele olha para a minha raquete de tênis. — O que você vai fazer com isso? — Vou golpeá-lo, tentar batê-lo para fora. Uma raquete de tênis é uma das melhores maneiras de fazer isso. — Então você vai balançar a raquete como se estivesse tentando esmagar uma mega mosca com um mata-moscas gigante? — Ele senta um pouco mais corretamente agora, interessado em meu plano. Coloco minhas chaves, telefone e carteira no criado-mudo, e depois abro a porta do quarto de novo. Dou uma checada no corredor do segundo andar novamente, e como não vejo nada, começo a me aventurar para fora. — Espere, onde você está indo? — Ele pergunta, meio desesperado. — Não tem nada aqui. Vou verificar o andar de baixo. Escorregando atrás de mim – com a toalha ainda firme sobre a cabeça ele diz: — Não me deixe aqui, porra. É isso que o morcego quer: nos dividir e depois nos matar. — Sim, porque há uma gangue de morcegos assassinos atacando nas redondezas. — Eu não ficaria surpreso, — diz ele, com tanta certeza que eu quase acredito. Sério, ele vai ter que fazer algo incrivelmente viril para compensar esta noite. Eu gosto do garoto, mas ver esse lado dele é quase cômico demais. Juntos – Andrew meio que se escondendo atrás de mim e parecendo ridículo com a cabeça coberta por uma toalha começamos a vasculhar a casa. Seus passos seguem os meus tão perfeitamente que parece que estamos encenando algum tipo de ato musical. Tudo o que precisamos é de um palco pequeno e jazz soando ao funcho, porque aparentemente faríamos um show incrível. Nossa sincronia está no ponto. — Espere. — Eu paro abruptamente, fazendo com que ele colida com minhas costas. Colocando a mão na minha orelha, digo: — Você está ouvindo isso? — O que? Ouvindo o que? — Ele começa a se esquivar para


perto de mim, praticamente rastejando em minhas costas. Inacreditável. — Esse som, o que é? — Não estou ouvindo nada!— Sua voz fica histérica. — O morcego está chiando? — Oh, não, eu sei o que é. — Viro minha cabeça e olho nos olhos dele. — É o som das suas bolas tilintando no chão, procurando um novo dono. Seu rosto uma vez preocupado torna-se serio. — Muito engraçado, Sadie. Divirta-se com o pobre cara aterrorizado. Mas tenho certeza que existem coisas das quais você tem medo também. Você acha que eu iria esfrega-las na sua cara como você esta fazendo comigo, porem? Pois saiba que não. — Ele faz uma pausa, e depois sorri para mim. — Eu tentaria te foder sem sentido até que você as esquecesse. Eu dou uma passo para trás e o encaro. — Você é uma anomalia, sabia? — Vou tomar isso como um elogio, — ele responde, satisfeito. Bufando, vasculho o resto da casa procurando pelo morcego assassino enquanto ele se gruda em mim como cola, deixando apenas alguns centímetros de distancia entre nós.

Largo a raquete de tênis no chão do seu quarto antes de sentar em sua mesa, cruzando meus tornozelos. Encarando-o, pergunto: — Se importa de me explicar por que você inventaria tais procedimentos elaborados para me fazer vir aqui quando poderia simplesmente me convidar para passar a noite? — Do que você está falando? — Por alguma razão, ele tira a camisa e joga-a no cesto de roupa suja. Seus abdominais flexionam quando ele anda de um lado para o outro no quarto, suas boxers espiando por cima de seus calções. O que ele está tramando? — Você mentiu sobre o morcego. Nós olhamos em toda parte, e ele não está em nenhuma parte nesta casa.


— Talvez ele tenha voado para fora da janela, — Andrew oferece, agora deitando em sua cama com as mãos apoiadas atrás da cabeça, seus bíceps flexionados. O homem que há apenas alguns segundos estava apertando uma toalha na cabeça, aterrorizado, é agora a imagem absoluta da calma. Como isso é possível? — As janelas estão fechadas. — Claro que estão, eu não sou idiota, — ele diz, sua voz uma oitava mais baixa do que no início da noite. — Eu não quero que algum assassino psicótico e bêbado entre e roube meus computadores. — Ok, então você inventou tudo. Não havia morcego. Ele balança a cabeça, seu peito também se flexionando agora. Ele está fazendo isso de propósito? Se sim, admito que esta funcionando, porque tudo que eu quero é lamber seu peito, do umbigo aos peitorais. — Sem chance de eu inventar aquela fera raivosa. Ele deve ter ido para o sótão através da fenda debaixo da porta. É a única explicação. Por que você acha que eu enfiei a toalha naquela fenda? — Morcegos podem passar por pequenos espaços como aquele? — Sim. Quando eu estava escondido no canto, aproveitei para ler sobre morcegos, para saber com o que estava lidando. Eles podem se espremer através de espaços minúsculos. Aposto que aquele merda está voando no sótão agora, esperando o melhor momento para atacar de novo. — Eu não sei. Ainda parece que você inventou essa historia para que eu viesse ate aqui. — Por favor, — ele zomba. — Se eu quisesse te trazer para cá, não teria me castrado assim. — Oh yeah, e o que você teria feito em vez disso? — Para convencê-la a vir até aqui? Bem, se convida-la carinhosamente não funcionasse, e você precisasse de mais persuasão, eu teria te oferecido uma boa massagem enquanto assistíssemos a um filme da sua escolha. Talvez também um pouco de sorvete no fim da noite, ou a possibilidade de nos deitarmos na grama e olharmos para as estrelas. Você sabe, algo


simples, mas sexy e doce. Meu ritmo cardíaco começa a aumentar. — Nada de enviar fotos do seu pau? Ele ri profundamente. — Não, eu aprendi a lição sobre compartilhar fotos do meu pau. Não faria isso de novo. Além do mais, você não é esse tipo de garota. Você merece respeito, merece ter homens abrindo portas para você, oferecendo-lhe um casaco quando estiver com frio. A seriedade em sua voz me puxa em sua direção. Eu me afasto da mesa, tiro meus sapatos com um pontapé e sem pensar duas vezes subo em sua cama, acomodando-me em seu colo. Sorrindo brilhantemente, suas mãos começam a correr pelas minhas coxas de uma forma reconfortante, nada de foda-se-estou-prestes-a-te-foder. — Diga-me, Sadie, você sempre foi tão corajosa? Eu sorrio fracamente e encolho os ombros. — Aprendi a ser corajosa ainda bem jovem. — Foi uma necessidade. — Percebi. E você também é sábia em sua bravura: isso é sexy como o inferno. — Você acha? — Sim. — Em vez de me beijar, como eu pensei que ele faria, Andrew apenas continua a esfregar minhas coxas. — Você tem irmãos ou irmãs? Pega com a guarda um pouco baixa, eu me acalmo com suas caricias e respondo: — Duas irmãs. Eu sou a do meio. E você? — Dois irmãos. Eu sou o mais novo. — Você tem cara de mais novo, — provoco. — Por quê? Tem bebê escrito na minha testa? — Não, mas mimado está escrito por toda parte. — Mimado? Oh, vamos lá, isso não é verdade. Eu zombo. — Você tem cara de quem sempre consegue o que quer.


Seu sorriso cresce vagarosamente enquanto ele me olha de cima a baixo. — Acredite em mim, querida, eu apenas consigo o que quero porque trabalho por isso. — Pela forma como seus olhos viajam até os meus, eu sei que ele está falando de mim. E ele confirma isso quando diz: — Você não foi uma concha fácil de quebrar. — Eu te disse, eu não quero mais amigos. — Nunca se tem amigos suficientes, Calças Doces. — Mudando assunto, ele pergunta: — Então, o que você está cursando em Cornell? Por sinal, é sexy como a foda você ser tão inteligente. O elogio deveria fazer meu coração gaguejar em meu peito. Em vez disso, me faz sentir desconfortável, e até um pouco enjoada. Devo contar a verdade, deixa-lo saber que sou uma desistente? Leva-me cerca de dois segundos para desistir dessa ideia, porque é óbvio o quanto ele gosta do fato de eu ser inteligente, e de tecnicamente frequentar uma universidade da Ivy League32. — Psicologia, — respondo, não entrando em maiores detalhes. — Sério? Huh, eu nunca teria adivinhado. — Ele realmente está surpreso, é possível ver isso em seu rosto. — Por que não? Gah, Sadie. Não desenvolva esse tema, parece ate você está pedindo para que ele aprofunde essa conversa. — Porque você não é o que alguns chamam de ‘amante das pessoas’. Você sabe, por causa daquele “eu não preciso de mais amigos além dos já tenho”. É difícil imaginar que você realmente queira sentar e ouvir desconhecidos falando sobre seus problemas. Quando ele coloca assim, não posso discordar. Eu realmente não quero sentar e ouvir sobre os problemas das pessoas – isso não me anima nada. —

Psicologia

infantil.

Se

houvesse

a

menor

Um grupo formado por oito das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos: Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Harvard, Princeton, Universidade da Pensilvânia e Yale. 32


possibilidade de eu dar às crianças uma chance de se curar, algo que eu nunca tive quando era mais jovem, então eu me sentiria realizada. Embora seja tarde demais para isso agora. Ele faz um som de conhecimento enquanto seus lábios formam um ‘O’ em entendimento, então ele para e inclina a cabeça para o lado, me estudando. Normalmente seu olhar observador não me incomoda, mas agora me faz sentir crua e exposta, como se eu estivesse nua na frente de milhares de pessoas e elas estivessem estudando o funcionamento interno do meu ser. Eu odeio isso. — Sadie. Levanto a mão para detê-lo. — Não, ok? Não faça mais perguntas. Desapontamento brilha em suas feições. Isso parece tão duro para ele quanto é para mim. — Você pode me dizer apenas uma coisa? — Ele não me espera responder antes de continuar. — Você já foi abusada quando criança? Sacudo a cabeça e descanso minha mão no peito dele, sentindo a batida pesada de seu coração. Ele se preocupa... comigo. — Não, nada disso. Embora às vezes eu me sinta como se tivesse sim sido abusada quando criança, já que meu coração foi metaforicamente e repetidamente chutado pela minha mãe. Ela era indigna de confiança, manipuladora e egoísta. Fez nossa família viver um inferno, adotando seu próprio modo de vida, vendendo drogas e colocando nossa família sob os holofotes somente para ter nossa casa invadida várias vezes por traficantes e policiais. Ela fodeu conosco, dividiu nossa família, arruinou meu pai - transformando-o na sombra do homem que era - e destruiu qualquer chance de seus filhos terem uma infância normal. Não, eu não fui abusada. Mas fui mentalmente e emocionalmente fodida. Se há uma coisa que minha mãe me ensinou com certeza foi que não devo nunca ficar vulnerável ou dar poder sobre mim mesma a outro ser humano. Porque eles podem tentar dizimar a minha vida também. Resignado, Andrew puxa meus braços até que deite em


cima dele, apoiando minha cabeça contra seu ombro. E então ele me abraça até que ambos adormecemos nos braços um do outro.


CAPÍTULO-DEZOITO ANDREW

— O que você está fazendo, garota bonita? — Eu pergunto quando Sadie se aproxima da pequena mesa para duas pessoas em frente ao balcão da sorveteria. Meu ambiente de trabalho é pequeno, mas há espaço suficiente para abrigar duas mesas, caso os clientes queiram sentar e tomar seu sorvete sem ser na área do restaurante. Sadie coloca um prato sobre a mesa, bem como uma bebida, e senta-se. — Estou comendo meu jantar, por quê? Embora tenha passado das cinco, a área da sorveteria está lenta, portanto, me inclino no balcão e falo com minha garota. — Parece que você está se aproximando de mim. Tentando flertar um pouco durante sua pausa. Ela põe um pedaço de brócolis na boca e balança a cabeça enquanto mastiga. — Não, Michelle disse que houve um bom show aqui hoje, então pensei em aproveitar o final. Ate agora, porem, o gostosão está abaixo da média. Minhas sobrancelhas levantam-se em questionamento. — Abaixo da média? — A impressora se ilumina, indicando um pedido. — Baby, não há nada abaixo da média em mim. — E então me viro, dando a ela a melhor visão das minhas costas que consigo. Abaixo da média, minha bunda. Vou dar-lhe algo para lembrar, algo em que continuar pensando durante o resto da noite. Pego o bilhete da impressora e coloco-o no suporte de pedidos. Um sundae clássico de manteiga de amendoim: fácil.


Sabendo que meus braços são como pornôs para Sadie, especialmente meus antebraços, rolo minhas mangas curtas sobre meus ombros para mostrar meus bíceps, e depois agarro as luvas de forma sedutora, certificando-me de exagerar meus movimentos. — Oh meu Deus. — Sadie ri do outro um lado. — Que diabos você está tentando fazer? Eu viro meu boné para trás, assim posso caprichar no meu olhar sexy conforme tento emitir vibrações de bad-boy, e agarro uma colher de sorvete. No fundo, a música clássica My Girl está tocando, me dando uma base boa e lenta para trabalhar em meus movimentos. Realmente querendo dar-lhe um show, eu cruzo meus pés um em frente ao outro e, em seguida, dou um giro no meio da sorveteria. Quando a encaro novamente, a seduzo lindamente, empurrando minha bunda e pélvis em sua direção e segurando a colher perto da minha virilha. Seus olhos se arregalam com cada movimento, e um sorriso afetado enfeita seus lábios. — Você gosta disso? — Pergunto, realmente entrando no clima. — Oh yeah, você está com tudo, garotão. — Eu sei, porra! — Eu apoio meu braço na caixa registradora, para que ela possa vê-lo enquanto finjo fazer flexões com a colher de sorvete. Ainda no ritmo da musica, começo a girar meu pulso, flexionando cada músculo em meu braço com o movimento. Oh yeah, isto está funcionando. Continue Andrew, parece que você está indo realmente bem. Então eu olho para Sadie, mordendo sedutoramente meu lábio, e pergunto: — O que você acha? Quente? Sadie vai responder quando uma voz grossa assusta o caralho fora de mim, fazendo com que eu derrube a colher de sorvete e cubra minhas orelhas. — Andrew, o que diabos você está fazendo? Sirva logo o maldito sorvete. — Stuart entra furioso na área da sorveteria, seus olhos me encarando. Pegando a colher, caminho ate a pia para enxagua-la. — Uh, sim, eu estava apenas me aquecendo. Um bom aquecimento é importante, você sabe, porque não quero machucar meu pulso, — murmuro. — Apenas sirva o maldito sorvete, — ele diz antes de se


afastar novamente. No momento em que ele desaparece, Sadie começa a rir, quase caindo da cadeira. — Sim, ria. — Uma onda de embaraço me envolve, fazendo minhas orelhas parecerem um poço de fogo. — Oh... meu... Deus. — Ela está ofegante agora, e se eu não estivesse tão envergonhado, poderia acha-la quente - mas eu estava além do ponto de ruptura, dado que Stuart mete tanto medo em meu pênis que chega a enrugar meu escroto. Ela enxuga as lágrimas legítimas que escapam de seus olhos. Nem foi tão engraçado. Certificando-me que estamos sozinhos, me inclino sobre o balcão e assobio para ela. — Isso foi fodidamente terrível. Você poderia mostrar pelo menos um pouco de compaixão. Ela balança a cabeça, e mais lágrimas escorrendo pelo seu rosto. — O olhar em seu rosto. — Ela irrompe em risos. — Oh meu Deus, isso ficará marcado para sempre no meu cérebro. — Talvez você devesse ir jantar em outro lugar, — eu sugiro, e depois pego um copo de sundae - o show acabou. — E por que eu faria se posso ficar aqui olhando para a sua bunda pelos próximos vinte minutos? Eu balanço minha cabeça enquanto sirvo sorvete na taça, certificando-me de esquentar o fundo para que a bola se encaixe. — Não tente se redimir agora. Uma vez que servi o sorvete, porem, me inclino perto dela e falo: — Eu tenho que saber, no entanto. Aquilo foi quente, certo? Ver-me flexionar a colher de sorvete assim? O sorriso em seu rosto. Sim, toda a humilhação valeu a pena. Eu sempre fui um brincalhão – por ser o filho mais novo, esse era meu método de sobrevivência. Mas agora? Podendo ver Sadie sorrir e rir tão facilmente? Tão livremente? Valeu a pena. Embora eu talvez tenha que abandonar a flexão de colher de agora em diante. Eu quero manter o meu emprego, afinal. — Eu nunca vi nada tão sexy.


— Sério? — Eu levanto uma sobrancelha para ela. — Sim. Foi como uma inundação na minha calcinha, — ela sussurra com alegria em sua voz. — É isso aí. Sadie Calcinhas Tsunami, eu gosto. Ela acena em minha direção. — Não me chame assim. Eu levanto minhas mãos antes de colocar um pouco de manteiga de amendoim no sundae. — Ei, foi você que disse que praticamente gozou em suas calcinhas durante o horário de trabalho. Estou apenas fazendo soar mais bonito do que ‘lady gozada’. Balançando a cabeça, ela se levanta e pega o prato. — Você estava certo, talvez eu deva ir. — Há um leve sorriso no rosto dela, então eu sei que ela está apenas brincando. Eu termino o sorvete com chantilly e uma cereja, e em seguida o coloco no balcão ao lado do pedido. Então me viro para Sadie e aponto para ela. — Sente esse traseiro magro na cadeira ou eu vou subir em cima desse balcão e fazer pirocoptero de frente para a área do restaurante ate que todos saibam que meu pênis pertence a você. — Por favor, sente-se. Por favor, por favor, sente-se. Cannon Cock era uma coisa. Mas pirocoptero me arruinaria. Bem, a menos que Sadie estivesse me montando... Estudando-me por um segundo, ela começa a se afastar da mesa e diz: — Agora, isso eu tenho que ver. Rindo, aponto para a cadeira e digo: — Apenas sente-se, porra de mulher descarada.

— Ah, você é tão fofo, — diz Sadie enquanto entra em minha casa e para na sala. Eu encolho os ombros e a puxo para um beijo. — Fofo é ok, mas sexy, quente, ou até mesmo bolas duras com pau de paralelepípedo são melhores. — Eu não vou te chamar de bolas duras.


Eu beijo o topo de sua cabeça e rio. — Então, isso significa que eu não posso chamá-la de peitos de sacudir a cama? Ela ri e balança a cabeça. — Não! E de onde veem todos esses nomes com pedra? Você leu algum artigo sobre os escombros da terra ou algo assim? — Formações geológicas, na verdade. A National Geographic fez uma matéria inteira sobre isso. É fascinante, e eu posso te enviar o link, se quiser. Ela coloca a mão no meu peito e sacode a cabeça. — Não vai ser necessário, mas você é doce da sua parte oferecer. — Eu cheiro o ar: sim, isso é sarcasmo em seu melhor. Ela olha ao redor novamente e pergunta: — Aquilo é uma espiga de milho? Pegando a manteiga da mesa de café, eu aceno. — Caseiro, apenas para a minha garota. O olhar de choque em seu rosto aquece meu coração. — Sério? Você fez espigas de milho caseiras? — Não. — Eu rio, e ela bate no meu peito. — Mas foi bonito ver seu rosto espantado. Estavam a venda no Walmart, então comprei um monte. Nada é demais para a minha garota. — Gesticulo para o sofá e nós nos sentamos, e então eu puxo o cooler da mesa de café. — Cerveja? — Por favor. Eu abro o cooler e pego duas cervejas, abrindo ambas antes de lhe entregar uma. — Acho que estamos prontos. — Eu a observo de cima a baixo, focalizando seu uniforme dos Yankees. Droga, ela parece bem. A apertada camiseta risca de giz que ela veste faz todos os tipos de coisas engraçadas para o meu pau, bem como os shorts incrivelmente reveladores que ela está usando. Se eu não estivesse segurando minha cerveja agora, seria obrigado a aplaudir sua roupa em nome de todos os homens do mundo. — Você está linda. — Pelo jeito que sua língua está saindo da sua boca, imagino que sim. — Ela ri para si mesma, o que só faz meu calção ficar mais e mais apertado na virilha. Tentando me distrair da - vamos ser reais aqui, ereção - eu digo: — Nosso primeiro jogo dos Yankees juntos. Não é no


estádio, mas temos Derek Jeter conosco, — eu gesticulo para o pôster em tamanho natural que eu trouxe para baixo apenas para a ocasião. — Temos comida de estádio e assentos de primeira fila para a TV. Além disso, se quisermos tornar esta noite realmente memorável, podemos vendar Derek, nos despir e assistirmos ao jogo nus. Eu ate mesmo tenho um bastão e duas bolas nas minhas calças, e você tem uma luva nas suas, portanto poderíamos ate mesmo disputar nosso próprio pequeno jogo particular. Ela se vira em seu assento. — Você está se referindo à minha vagina como uma luva? — Ela ‘engole’ coisas, não é? Com certeza, se eu pudesse enfiar minha mão nela como em uma marionete, conseguiria agarrar algumas coisas. Luva de vagina. — A cena que estou desenvolvendo em minha cabeça me faz rir para mim mesmo. Luva de vagina. Tudo que posso agora ver são dois lábios vaginais agarrando uma bola. Clássico. — Eu sugiro que você diga algo diferente de ‘luva de vagina’ nos próximos segundos, ou em vou embora desse pequeno encontro que você planejou. Merda, estou perdendo-a. Abortar a luva de vagina. — Err, seu cabelo está bonito. Dando-me um olhar de lado, ela se inclina no sofá e toma um gole de sua cerveja. — Decente, mas ainda pode melhorar. — Não se preocupe, há tempo suficiente para isso. — Eu mexo minhas sobrancelhas para ela, o que me rende um verdadeiro revirar de olhos. Ei, ela ainda está sentada ao meu lado, então tudo bem. Eu me inclino no sofá também e seguro a mão dela. Ela sorri para mim e inclina seu ombro contra o meu. Porra, eu gosto dessa garota. — Obrigada por me convidar. Beijo a lateral de sua cabeça. — O prazer é meu, querida. À medida que os jogadores são apresentados e ouvimos o locutor dos Yankees, Michael Kay, falar sobre a formação inicial, apenas desfrutamos da companhia um do outro, divertidamente


comendo as espigas de milho e Jacks Crackers. É quase nauseante o quão fofo somos juntos, mas certo como a merda que eu não vou reclamar. Lá pela quarta entrada a comida já foi consumida e as cervejas já foram bebidas - e os Yankees estão perdendo por dois. Sadie agora senta no meu colo, apenas um pouco para o lado para que eu possa envolver meu braço em torno de sua cintura e ainda ver a TV. — Gah, sério, tire-o já, Girardi, — Sadie grita para a TV. É estranho sua paixão me excitar? Foda-se, eu não me importo. É raro encontrar alguém tão apaixonado pelos Yankees quanto eu. — Mendez não conseguiria achar a zona de ataque nem se ela estivesse a um passo de distância e ele estivesse tentando colocar o pau dele nela. Ela é tão poética. Eu amo isso. Não acho que já tenha assistido a um jogo de beisebol com outra garota antes - Mae não conta. Sadie parece apenas falar minha língua. Se foi a menina com o coração escurecido, quebrado. Se foi a garota com segredos. O que eu sinto aqui e agora é a verdadeira Sadie. Uma menina vibrante, apaixonada, inteligente e astuta. Ela está completamente confiante neste ambiente. À vontade. E eu realmente gosto disso. Mesmo que ela tenha deixado claro que somos apenas diversão, é impossível negar que o núcleo do meu desejo diz: Eu quero mantê-la. Embora eu realmente não esteja certo de que ela é alguém que pode ser mantida. Oh, que porra foi aquele arremesso? — Por que a melhor equipe na história do beisebol não consegue manter sua merda junta quando se trata de lançar? Eu juro que parece que lutamos na lama ano após ano. Ah, claro, às vezes até temos alguns pesos pesados, mas o arremesso... Cristo. — Eu sei, — Sadie diz, se aconchegando ainda mais. — Brian Cashman deveria ser demitido. Ele tem sido Gerente Geral dos Yankees há tempo demais. Já está mais que na hora de contratar sangue novo. — Você fala a minha língua, baby. — Eu beijo seu ombro exatamente quando Mendez volta para a primeira base. — Oh, pelo amor da merda. — Ela se vira em meu colo, nos deixando de frente um para o outro, e sem aviso prévio começa a


desabotoar sua camisa enquanto seus quadris começam a balançar para frente e para trás. Bem, essa é uma maneira infalível de criar uma ereção em tempo recorde. Com a camisa já completamente aberta, ela estala o fecho dianteiro de seu sutiã, expondo seus peitos e os balançando a polegadas do meu rosto. Foda-se, esta é uma maneira incrível de assistir ao jogo. Pode ate mesmo ser minha maneira favorita a partir de agora. Com finura zero, ela agarra minha cabeça e começa a me beijar, sua língua mergulhando fundo, não mostrando nenhuma piedade de meus lábios em sua raiva contra os Yankees. — Eu odeio quando os Yankees perdem, — ela murmura. Eu fui fã dos Yankees durante toda a minha vida, mas se for isso que vai acontecer comigo quando os Yankees perderem a partir de agora, no que depender de mim eles podem nunca mais ganhar outro jogo de merda novamente. Se ela quiser descontar sua frustação pela derrota em mim, estou mais do que feliz em ser útil. Descanso minhas mãos em seus quadris para ajudá-la a se esfregar, amando como ela não tem nem um pouco de vergonha do que estamos fazendo. — Você não está bravo? — Ela pergunta. Bravo? Ela está montando meu pau agora, então como eu posso estar bravo... Oh, os Yankees, certo. — Demais, — respondo com um suspiro curto, entrando em seu jogo. — Eu também. — Ela beija meu pescoço e começa a se afastar, até que para entre as minhas pernas e desabotoa minha calça. Meu pênis pressiona contra o zíper, implorando para ser solto. Confortavelmente sentado no sofá, assisto em fascínio como Sadie finalmente baixa meu zíper e puxa meu comprimento endurecido. Ela não me dá nenhuma chance de aproveitar o momento, entretanto, pois enfia meu pau tão rápido na boca, e começa a chupá-lo tão forte, que eu quase pulo para fora do sofá.


Santa. Porra. Ela trabalha a boca para cima e para baixo, raspando os dentes ao longo da pele, fazendo-me suar. Com uma mão, ela puxa minhas bolas apenas o suficiente para que eu esteja prestes a gritar por ajuda e implorar por mais, tudo ao mesmo tempo. Implacável. Isso é o que ela é. Ela está me chupando tão fodidamente duro, lambendo, beliscando, raspando, puxando... Ela está fazendo tudo, e antes que eu saiba, meus quadris estão se enfiando em sua boca também, minha mente começando a ficar em branco e meu pau latejando tanto que estou prestes a explodir. Ela corre os dentes ligeiramente ao longo da cabeça do meu pau bem quando pressiona um dedo naquele local especial. Eu simplesmente apago enquanto minhas pernas se apoderam de mim, meus quadris perdendo todo o controle enquanto se empurram em direção ao rosto dela. Jorros quentes saltam livres conforme Sadie continua me acariciando, até que eu esteja completamente gasto. Porra. Porra, inferno, isso foi tão quente. Eu sinto apenas duas coisas: o leve roçar do cabelo dela contra minhas coxas e o latejar residual do meu pau. Sadie lambe vagarosamente meu pau enquanto olha para mim. Ela então se inclina para frente e pressiona um beijo contra meus lábios. — Mmm, me sinto melhor agora. — Enquanto isso, eu ainda estou completamente sem palavras. O que no inferno acabou de acontecer mesmo? Como se não tivesse acabado de quebrar meu mundo ao meio com aquele orgasmo, ela também se senta ao meu lado no sofá e bebe um gole de sua cerveja, com os peitos ainda expostos. Uh... Com as calças abaixadas e o pau de fora, eu simplesmente olho para ela, perplexo com o que aconteceu. Mas, antes que eu possa perguntar, ela olha para sua própria virilha e depois para mim. — Eu preciso implorar? — Ela então abre as pernas, indicando o que espera que aconteça em seguida, e eu não tenho nenhum problema em aceitar ansiosamente o


convite. Banquete na buceta de Sadie, sempre um prazer.

— Eu adoro isso aqui. — Sadie se inclina contra meu peito, meus braços envoltos em torno dela e sua cabeça descansando em meu ombro. — Foi uma boa ideia, querida. Perfeito para o nosso dia de folga, especialmente desde que eu nunca estive aqui. Ela suspira e inspira o ar fresco da baía, abundante no passeio de balsa. — Eu continuo esquecendo que você não é daqui. Meus amigos e eu costumávamos viajar ate às Thousand Islands33 durante o verão, para visitarmos o Boldt Castle34. Smilly e eu costumávamos sempre dizer quão incrível seria casar aqui um dia. — Casar, hein? Você está insinuando uma proposta? — Provoco. Ela me dá uma cotovelada nas costelas e ri. — Não. Mas já que você quer me conhecer, essa é uma pequena informação irrelevante. E graças a Deus por isso. Suas pequenas informações são poucas e distantes entre si, mas quando sou presenteado com uma, eu o absorvo. Querendo mergulhar um pouco mais fundo, pergunto: — Era só você e seus amigos? Ou tinham supervisão? — No começo tivemos. Os pais de Emma nos levavam, mas depois, quando começamos a dirigir, vínhamos sozinhos. — Ela levanta o queixo em direção à brisa e respira fundo. — Em tradução literal, significa Mil Ilhas. São um arquipélago no curso superior do rio São Lourenço, na fronteira entre Estados Unidos e Canadá. Fica a mais ou menos 5 horas de distancia de Nova Iorque. 34 O Boldt Castle é um importante ponto de referência e atração turística na região das Thousand Islands, Nova York. Aberto aos convidados de forma sazonal entre maio e outubro, está localizado na Heart Island, no rio São Lourenço. Heart Island faz parte da cidade de Alexandria, no condado de Jefferson. Originalmente uma mansão privada construída por um milionário americano, George Boldt, hoje é mantida pela Thousand Islands Bridge Authority como atração turística. 33


Algumas das minhas melhores lembranças foram criadas aqui. Alguns dos meus momentos favoritos, dos risos favoritos. — Sim? — Eu beijo a lateral da cabeça dela. — Conte-me sobre um deles. Aconchegando-se mais, Sadie envolve seus braços ao redor dos meus e olha para frente. Há um guia de turismo ao fundo, explicando sobre as ilhas, mas nós o ignoramos e nos concentramos em nosso pequeno mundo. Veja bem, eu já tive algumas namoradas, mas isso parece diferente. Será porque somos mais velhos? Não faço ideia. A coisa é que uma grande parte de mim espera que este dia crie ainda melhores lembranças para ela. — O ano passado foi de longe meu favorito. Smilly tinha acabado de fazer vinte e um, e nós decidimos comemorar sua maioridade. Queríamos sair para beber shots, mas Emma tinha outros planos. Ela organizou um bom jantar para todos, num restaurante chique. No dia, pediram-nos para usar nossa roupa mais fina e agir de modo educado, mas dado o frasco que eu tinha em minha bolsa, do qual Smilly e eu ficamos bebendo, nossa finesse estava longe de ser encontrada. Uma vez que acabou a bebida, começamos a fugir às escondidas para o bar do outro lado da rua, agindo como se tivéssemos de ir ao banheiro. Depois da terceira ida ao banheiro em vinte minutos, porem, Emma começou a suspeitar, e fomos pegas. Nós já estávamos bastante bêbadas então, e passamos o restante da noite tentando desatar o avental do nosso garçom, um jogo que achávamos hilariante. Infelizmente, o pobre garçom não compartilhava desse sentimento. Eu rio, imaginando a coisa toda em minha cabeça. — Por que eu sinto que você foi expulsa do restaurante? — Porque eu fui. — Sadie ri. — Smilly e eu fomos convidadas a nos retirar - mas não antes de pedirmos para que embrulhassem nossas refeições para levarmos. Nós então nos sentamos no meio-fio e comemos lá fora enquanto imitávamos o garçom esnobe. As pessoas pensaram que nós éramos algum tipo de show de rua patético, e nos deram dinheiro enquanto passeavam. Acabamos ganhando um pouco mais de cinco dólares. — Inferno, isso sim é algo para se orgulhar.


— Sim. Acabamos comprando lembrancinhas para os nossos nam... Ela faz uma pausa. — Para quem? — Pergunto, esperando para ver se ela vai continuar ou se vai se fechar. Seu corpo endurece. E qualquer esperança que eu tinha dela continuar compartilhando suas lembranças desaparece quando ela diz: — Não importa. E fácil assim o humor jovial se desvanece enquanto um ar estranho nos rodeia. Ela ia dizer namorados. Eu não sou idiota. Mas eu queria ouvi-la realmente dizer isso, indo além de uma história bêbada e me contando um pouco mais sobre sua vida. Quem era ele? Eu o conheço? Ele foi um idiota com ela? Será que ele compreendia a mulher complexa e bonita que Sadie é? Ele a via do jeito que eu a vejo? Linda, complicada, e a combinação perfeita entre mal-humorada e sexy? Ou será que ele já fazia parte de seu pequeno círculo de amigos, conhecia seus segredos e sabia como ela é de dentro para fora? Eu com certeza espero que não, mas a partir de sua postura dura e de sua resistência até mesmo em dizer a palavra namorado, estou supondo que ele sim. Suspirando, abandono esse tópico e volto nossa conversa para assuntos superficiais que a deixam confortável, odiando que ela mais uma vez me fechou para fora de sua vida. Realmente tento me convencer que, com o tempo, ela vai se abrir comigo. Que vai querer compartilhar coisas comigo. Só vai demorar um pouco, certo? Eu sou um homem paciente... Porra, não, eu era um homem paciente, antes de conhecer Sadie. Agora só espero poder aguentar um pouco mais. Mas... ela quer que eu aguente? Ou prefere que eu desista de uma vez por todas?


CAPÍTULO-DEZENOVE ANDREW

As últimas duas semanas foram divertidas. Sim, é assim que eu as descrevo, divertidas. Não pesadas nem emocionalmente íntimas, apenas... divertidas. Mas hey, eu gosto de diversão. Eu gosto da espontaneidade da diversão. Quem não gosta de foder no chuveiro, no balcão da cozinha, num cobertor no quintal sob as estrelas? Foi realmente muito DIVERTIDO dar ao meu velho P(pênis) uma boa surra de V(vagina). E ainda assim... eu quero mais. Eu quero mais de Sadie, mas ela é irredutível. E isso tudo é tão fodidamente frustrante. Há muito mais sobre ela do que as informações mínimas que ela me deu. Eu sei do que ela gosta e não gosta, o que é ótimo e tudo, mas isso é apenas a merda superficial. Eu sei que a mãe dela fodeu a vida da família toda, e que isso tem algo a ver com ser presa, mas esse é o limite do meu conhecimento. E eu quero mais. Quero conhecer Sadie, a pessoa. Quero saber o que faz seu coração acelerar. Pelo amor de Deus, quero saber por que ela se recusa a me deixar entrar em sua vida. Que merda ela está escondendo? Meu telefone vibra ao meu lado. Sadie. Abro o texto dela e o leio. Sadie: Saindo do trabalho em meia hora. O que está


fazendo? Eu olho para a tela do computador e encaro o código em que tenho trabalhado por toda a noite, desde que sai do trabalho. Estive perdido na tarefa durante as últimas três horas, apenas digitando e ouvindo a trilha sonora de Harry Potter. Só para constar, sou cem por cento Grifinória, mas se tivesse que ser selecionado para outra casa, gostaria de ir para a Lufa-lufa, apenas para poder dizer a palavra Lufa-lufa. Andrew: Trabalhando em algumas coisas de computador para uma aula semestre que vem. Quero estar à frente das coisas quando as aulas começarem. Me inclino para trás em minha cadeira e mexo em meu cabelo. Com toda a honestidade, eu poderia aproveitar uma pausa, já que parece que estou prestes a ficar vesgo. Mas pela minha vida, não consigo forçar meus dedos a digitarem a mensagem convidando-a para vir. Eu culpo a minha frustração – não frustração sexual, mas essa frustração desconhecida que nunca senti antes. O que eu acho que poderia ser algo grande entre Sadie e eu está se transformando apenas num glorioso caso de verão. Ela não quer mais. Talvez eu só precise de algum tempo longe, para conseguir manter as coisas exclusivamente superficiais com ela. Mas eu quero mais. E não é só porque ela está sob minha pele, mas porque eu sinto por ela mais do que já senti por qualquer outra garota. Apesar de sua reticência, nós concordamos em tantas coisas. Eu quero mais piqueniques. Mais do divertimento no trabalho. Apenas... mais. Mas, se ela não quer, vale a pena continuar insistindo? Estou sendo estúpido por tentar? Eu solto um longo suspiro e poio a cabeça em minha mesa enquanto puxo meu cabelo. — Merda, — murmuro justamente quando a porta da frente da casa se abre. Minha cabeça levanta imediatamente ao som de coisas batendo contra a parede e passos pesados. Rapidamente direciono meu olhar para minha porta, medo galgando pela parte de trás do meu pescoço. Com os olhos ainda treinados na porta, procuro qualquer tipo de arma atrás de mim, encontrando apenas uma régua. Segurando-a acima


da cabeça e pronto para esfaquear alguém, caminho para a escada no mesmo segundo em que ouço “Andrew!” - com um sotaque finlandês muito grosso soar do andar de baixo, — Oh Cristo, — murmuro. Jogando a régua de volta na mesa, finjo não estar a segundos de usar a maldita coisa como ferramenta de autodefesa. Quando me tornei tão paranoico e nervoso? Aquele morcego estúpido! É tudo culpa dele. — Andrew, você está em casa? Corro pelas escadas para encontrar Leena e Katja, que estão em pé na sala de estar com suas malas espalhadas pelo chão, ambas vestindo chapéus de beisebol com a bandeira da Finlândia e roupas de ginástica. Acho que elas estão de volta, então. — Ei, senhoras. O que estão fazendo de volta cedo? Elas não respondem; em vez disso, largam tudo que têm nas mãos e me prendem em um abraço. Nós somos todos da mesma altura (em torno de 1,82m), mas enquanto meu cabelo é um sujo e confuso louro, o delas é quase branco. E muito longos. Se não fossem pelos olhos castanhos de Katja em comparação com os azuis de Leena, eu teria jurado que eram gêmeas. — Andrew, — elas dizem juntas enquanto me abraçam, pulando para cima e para baixo. Amigáveis. Eu as vi uma única vez antes, e aqui estão elas agora, criando seu próprio sanduíche de Andrew. Desajeitadamente – isso quer dizer que meus braços estão presos aos lados do meu corpo e que mechas de cabelo loiro estão ficando presas na minha boca - eu digo: — Uh, bom ver vocês também. — Nós sentimos sua falta, — Katja diz, afastando-se e segurando meu rosto. Sem qualquer aviso, ela me beija nos lábios e depois me vira para Leena, que faz o mesmo. — Whoa, hey vocês. — Eu me afasto, endireitando-me. — Cuidado, senhoras. Eu sou comprometido. — Ah, Andrew. Você tem um namorado? Isso é tão excitante. — Leena bate palmas.


— Qual é o nome dele? — Katja pergunta. Espera. O que? Namorado? Elas acham que eu sou gay? — Aposto que ele tem uma bunda tão bonita quanto a sua, — Katja acrescenta, tentando cutucar meu traseiro. — Eu acho que ele namora um daqueles tipo urso. — Leena ergue as mãos imitando garras. — Grrr. — Porque Andrew é... como eles chamam mesmo? Twink35? Twink? Oh, porra não! Se eu fosse adotar algum tipo de personalidade gay, nunca seria rotulado como twink – estou mais para o estereotipo de academia. Musculoso, inteligente e sensual. Ok, não vamos discutir isso. — Esperem, esperem, senhoras. Eu não sou gay. Katja e Leena são pegas um pouco desprevenidas pela declaração. — Você não é gay? — Katja pergunta. — Não. Eu gosto de mulheres. E tenho uma namorada. — Muito bem Andrew, puxando o ‘Cartão Namorada’, mesmo sabendo que Sadie vai te matar se te ouvir dizendo isso. — Oh. — Leena e Katja trocam olhares, e eu me preocupo com elas me chutando para fora da casa, já que pensaram que fossem dividir a casa com um homem gay. Certamente espero que isso não aconteça, já que não quero ir morar com tio Gollum. Preciso impedi-las antes que me peçam para sair. — Espero que saibam que não foi minha intenção enganá-las quando nos conhecemos. — Engulo duramente e continuo: — Não foi minha intenção me passar por homossexual, se é isso que estão pensando. Eu não sou nem metade tão legal quanto eles, inclusive. Eu mal sei como combinar minhas roupas, e realmente gosto do cheiro de uma caixa nova de lápis, não que isso tenha algo a ver com não ser gay, já que tenho certeza que homens gays gostam de cheirar caixas de lápis... — Faço uma pausa por um segundo e penso sobre o que estou falando. — Twink é o termo utilizado para o gay com cara de jovem, geralmente preferido pelos mais velhos. 35


Bem, se vocês trocarem ‘lápis’ por ‘pênis’, então tenho quase certeza que eles gostariam de cheirar uma caixa... Eu sei que eu gostaria de cheirar uma caixa de vaginas, errar... esqueçam que eu disse isso. Eu não sou um cretino. — Balanço minha cabeça e continuo. — O que estou tentando dizer é que não quero me mudar. Eu gosto daqui, e sinto muito se as induzi em erro. Mais uma vez, Katja e Leena trocam olhares - agora olhares bem mais confusos - até que finalmente Katja pergunta, como se não tivesse entendido quase nada da minha explicação. — Caixa de vaginas? — Eh, esquece que eu disse isso. Só quero que vocês saibam que eu gostaria de ficar. — Oh, isso é bom, — diz Leena com uma aceno de sua mão. — Só espero que sua namorada não se importe. — Não, ela é legal. — Então olho para as malas e pergunto: — Vocês precisam de ajuda com as malas? — Por favor, — responde Katja, cujo quarto fica atrás da cozinha. Ela aponta para suas malas, e então eu as levo ate seu quarto, que está vazio de qualquer coisa pessoal. Eu pensei que meninas adoravam esse tipo de coisa. Mas eu tenho dois irmãos, então o que eu sei? De volta à sala, observo Leena digitando algo em seu telefone. Quando começo a levar as malas dela para o quarto em frente ao meu – e três vezes o tamanho do meu, a propósito - pergunto: — Por que chegaram tão cedo? — Nós queremos começar a nos exercitar antes de voltar a treinar. E gostamos da academia aqui. — Isso é legal. — Ambas as meninas me seguem enquanto subo as escadas com as malas de Leena, as colocando em seu quarto. — Você decorou? — Katja pergunta, espiando meu quarto. — Só um pouco. Sem ser convidada, tanto Leena quanto Katja entram no meu quarto, e começam a explorar o pequeno espaço, tocando meu computador e brincando com meu pôster em tamanho


natural de Derek Jeter. — E você diz que não é gay, — brinca Leena, cutucando Derek Jeter na virilha. Hmm, até posso entender como ter um pôster em tamanho natural de outro cara pode incriminar minha masculinidade. — Este quarto é pequeno, — Katja anuncia depois de dar um rápido giro ao redor, tocando em tudo. — Sim, mas funciona. — Não quero ser ingrato. — Ok, terminamos aqui. — Ambas saem falando algo em finlandês, o que imediatamente faz com que minhas bolas se encolham. Eu quero levantar meu dedo e sugeir que devemos sempre falar em Inglês, mas, novamente, não quero ser rotulado como idiota logo de cara. — Joo, — Katja diz a Leena, acenando com a cabeça. — Andrew, vamos abrir a TV agora. — Hã? Vocês têm uma TV nova? — Não. Já temos uma. Nós apenas vamos abri-la agora. Gostamos de assistir Fixer Upper. Abrir a TV? Quer dizer... ligar? — Uh, você está dizendo que vai ligar a TV agora. — Ah, sim, ligar, — diz Leena com seu forte sotaque. — Nós ligaremos a TV agora. Estaremos lá embaixo. — Ok, fico feliz por estarem de volta. — Aceno muito desajeitadamente enquanto elas conversam uma com a outra em finlandês por todo o caminho até o andar de baixo. Realmente espero que elas não estejam falando de mim. Inferno, quem estou querendo enganar? É obvio que elas estão falando de mim. O que mais poderia ser, para que elas não queiram falar em inglês? Vê ate aonde o desespero para encontrar um lugar para morar pode leva-lo? De volta à minha mesa, me sento e pego meus fones de ouvido, para abafar um pouco do ruído de fundo da TV lá embaixo. Preciso me concentrar para resolver esse loop em meu código. Mas o foco me escapa, a lógica se foi, e minha mente


está uma maldita confusão. Sadie. Eu apenas não consigo entendê-la. Sei que ela é reservada e que parece operar muito bem dentro do seu círculo restrito de amigos, mas por que ela nem mesmo quer tentar se abrir comigo? Ela disse que seu ex estava fora de cena... mas e se ele não estiver? E ela ainda estiver tentando descobrir se eles estão ou não realmente acabados? Não. Sadie não é assim. Será que ele a machucou? Será que ele ainda é amigo dos amigos dela, e é por isso que eu tenho que ser seu segredo sujo? Entre os angustiantes pensamentos sobre Sadie e minhas companheiras de quarto falando em finlandês e pensando que sou gay, não vejo esperança para mim aqui, vez que continuo lendo o mesmo código repetidamente, sem fazer nenhum progresso. Parece que terminei de estudar por hoje. Precisando de uma bebida, tiro meus fones de ouvido e desço as escadas, ainda me perguntando se estou sendo idiota por insistir no relacionamento com Sadie. Mas meus pensamentos evaporam completamente no minuto em que chego ao primeiro andar. Que diabos? Ok... Não posso dizer que já encontrei tal cena peculiar em minha sala de estar compartilhada antes. Antes de tudo, porém, preciso explicar que o primeiro andar da antiga casa estilo New England é um pouco estranho. A porta da frente abre diretamente para a sala de estar, que por sua vez se abre para a sala de jantar, criando um espaço um pouco estranho uma vez que as escadas para o segundo andar estão à direita da sala de jantar. Então você pode entender meu choque quando a primeira coisa que vejo ao descer as escadas são dois pares de seios. Seios finlandeses. Seios finlandeses nus. — Uh. — Eu rapidamente protejo meus olhos, sem saber o que fazer. Devo correr de volta para cima e agir como se não


tivesse visto nada, mesmo tendo feito contato visual com Katja? Devo acenar e cumprimentar seus seios nus? Talvez dar-lhes um pequeno ‘bate aqui’ e então mostrar meus próprios mamilos? Tipo mamilo cumprimentando mamilo? Ou devo apenas continuar andando até a cozinha, que não fica a mais de quinze metros de distância? Escolhendo o último, percebo que meus fodidos pés nunca andaram tão rapidamente em minha vida. Chegando lá - e felizmente bloqueando a visão das minhas companheiras de quarto em topless – tenho finalmente a oportunidade de respirar outra vez. Que porra elas estão fazendo? Essa prática é normal entre todas as possuidoras de vagina da terra? Será que todas as mulheres gostam de passar algum tempo de topless? Ou é algum tipo de técnica para crescimento de seios? Será que balança-los ao redor pode realmente fazê-los crescer mais? Seios ainda crescem na faculdade? Porra, por que eu não sei nada sobre seios? Estou tão fora do meu elemento aqui. Não tenho a menor ideia do que diabos deveria fazer. Esta não é uma prática normal. Pelo menos eu não acho que seja. E por que diabos eu continuo pensando em levantar minha camisa e pressionar meus mamilos contra os delas, como se algum tipo de fodida força mágica fosse brilhar entre nós, nos unindo para sempre e sincronizando nosso estrogênio e testosterona em um arco-íris mágico induzido por mamilos? Agora, esse pensamento é fodidamente estranho. Irmãos de mamilo. Tenho quase noventa e nove por cento de certeza que isso não existe. Mas pelo menos agora estou na cozinha, e posso pegar minha bebida. É isso mesmo, pegue uma bebida, Andrew, e depois comece a pensar numa rota de fuga para sair da cozinha. Abro a geladeira e me inclino para pegar um Mountain Dew. Se ao menos eu tivesse um Snickers para acompanhar... Erguendo-me, fecho a porta da geladeira bem a tempo de me deparar com Leena e seus olhos azuis, cabelo loiro e peito


pequeno - mas muito nu. Seus peitos não podem ser maiores que tamanho 34. Eu ficaria chocado se fossem. — Oh, posso pegar um também? — Leena pergunta, saltando para cima e para baixo. Ok, talvez sejam. Há algum movimento ali. Eu não encarando os peitos dela! Estou usando minha habilidade bemafiada de olhar com minha visão periférica. Uma habilidade que todo homem tem, para que não seja pego verificando os peitos das mulheres. Porque, vamos ser honestos aqui. Nós sempre verificamos os peitos das mulheres. São peitos. — Claro, — respondo, sentindo que estou vivendo num estranho paradoxo europeu. Nota: apenas para o registro, eu não acredito que todos os europeus andam por ai de topless. Aparentemente só as minhas companheiras de quarto fazem isso. Certo, continue. Entrego a Leena um refrigerante, e depois decido encarar o elefante gigante que esta na sala. Realmente não há nada mais a fazer senão perguntar. — Então, Leena, não posso deixar de notar que você perdeu sua blusa. — Você não gosta de peitos? — Ela toma um gole de seu refrigerante tão casualmente que me irrita. — Não, eu gosto de peitos, Leena, é só que parece estranho ter vocês andando de topless pela casa, nas áreas comuns compartilhadas. — É terça-feira de topless. Você também pode tirar a camisa se quiser. Ela segura a bainha da minha camiseta, mas eu me afasto e levanto minhas mãos em sinal de defesa, o refrigerante esquecido em uma delas. — Estou bem. Prefiro manter minha camisa, mas obrigado pela oferta. — Limpando a garganta, pergunto: — Você acha que isso vai ser algo que acontecerá todas as terçasfeiras? — Claro.


Eu concordo. — Ok, foi isso que eu imaginei. — Respirando profundamente, pergunto sem emoção: — Há outros dias nus com os quais preciso me preocupar? Ouço uma batida na porta da frente antes de Leena começar a rir. — Ah, Andrew. Você quer mais dias nus? — Não, não, não, não. — Balanço a cabeça. — Nada disso. Só queria ter certeza de estar a par de todos os eventos da casa. Certeza que não há nada como ‘mostrar seus pertences’ aos sábados? — O que é ‘pertences’? — Seu rosto se contorce em confusão. — Deixa pra lá... — Andrew, sua senhora está aqui, — grita Katja da sala de estar. Minha senhora está aqui? O que isso... A batida na porta. Sadie estava saindo do trabalho em breve. Oh, porra. Porra. Por favor, oh, por favor, porra, por favor, faça Katja estar vestida. Passo rapidamente por Leena, que continua repetindo ‘pertence’ uma e outra vez, provavelmente gostando do jeito que soa, e corro para a sala onde Katja está segurando a porta aberta para alguém, ainda com os olhos presos na TV e os seios saltando conforme ela ri e murmura algo sobre Chip Gaines. Foda-se. Com meu estômago se enrolando em pavor, corro para a porta de tela, abrindo-a bem a tempo de ver Sadie ir embora. Porra. Foda-se, foda-se. Me virando para Katja, pergunto: — Deixe-me adivinhar, você abriu a porta assim? — Shhh, — ela acena, — Chip e Joanna. — Me viro para a TV e vejo dois texanos falando sobre demolir o interior de uma


casa que estão reformando para um cliente. Ótimo. Leena entra na sala com os olhos fixos em seu telefone. — O Google me disse que ‘pertences’ é um sinônimo para ‘vagina’. — Olhando por cima da tela do celular, ela faz contato visual comigo antes de soltar: — Você quer ver minha vagina? — Não! Pelo amor de Deus, não! — Deixando minhas companheiras de quarto por conta própria - e fazendo uma anotação mental para falar com elas sobre manter as coisas suaves – subo a escada dois degraus por vez enquanto pego meu telefone. Eu me encolho quando leio as três mensagens de texto de Sadie. Sadie: Saindo um pouco mais cedo. Quer que lhe traga sorvete? Sadie: Você não está respondendo. Vou trazer sorvete de qualquer maneira, mas não será baunilha sem açúcar. Você está viciado nessa coisa, e já está ficando um pouco fora de controle. É a última mensagem de texto que realmente me preocupa, embrulhando meu estomago com cada palavra. Sadie: Agora vejo por que você não estava respondendo. Homem de uma mulher só. Engraçado. Muito engraçado. Ela finaliza a mensagem de texto com um emoji de dedo médio. Porra.


CAPÍTULO-VINTE SADIE

— Homem de uma mulher só. Certo. Só se ela for loura, alta, e nua. — murmuro para mim mesma enquanto luto para escapar dos pequenos confins do meu carro. Quando pego minha bolsa, porem, a alça fica presa na caixa de câmbio. — Solte, seu filho da puta. — Então eu puxo a bolsa, rasgando a alça. — Ah não. Não, — eu suspiro. Lágrimas começam a se formar em meus olhos, meus ombros caem em derrota e eu baixo minha cabeça, segurando a alça resgada entre meus dedos. Digo a mim mesma que a razão pela qual estou à beira das lagrimas é porque usei essa bolsa artesanal por anos. Foi uma das primeiras coisas que Smilly fez para mim. Eu definitivamente não estou chorando porque dei de cara com peitos femininos nus na casa de Andrew. Não, não é nada disso. Uma lágrima silenciosa escorre pelo meu rosto e cai em minha calça preta, a mesma calça que tem vários manchas de cloro. Outra lágrima. É a bolsa. Eu juro que é a bolsa. Eu respiro fundo e me concentro em sair do carro. Com minha bolsa agora destruída, caminho para o apartamento, que agora tem o crânio de um pirata pendurado na porta da frente sem qualquer motivo especial. Smilly deve ter ido para o bazar novamente, e encontrado alguns tesouros. Quando abro a porta, encontro Smilly e Saddlemire


sentados nas poltronas reclináveis, equilibrando uma tigela de tortilha frita e salsa entre eles e assistindo um documentário sobre os Yankees. Smilly deve ter perdido uma aposta. — Ei, Mãe! — Ela cumprimenta pouco antes de colocar uma batata na boca. Dou-lhe o melhor sorriso que posso, o que não deve funcionar, já que ela pausa o documentário, fazendo Saddlemire resmungar. — O que está errado? — Dia longo, — minto. Mas não é bom o suficiente, porque as lágrimas que eu estava segurando começam a rolar pelas minhas bochechas, incontroláveis, gordas e molhadas. Expressões horrorizadas olham para mim. Eu nunca choro, pelo menos não na frente de alguém. Incluindo Smilly. Mas eu chorei na frente de Andrew. Não. Não pense em Andrew. Precisando encontrar uma razão para justificar meu pranto, levanto minha bolsa e digo: — Eu rasguei a alça da minha bolsa. Ligeiramente assustada e definitivamente desconfortável, Smilly lentamente levanta de sua cadeira reclinável e caminha ate mim, pegando a bolsa e se afastando de novo com calma. — Eu posso consertar isso, Sadie. Não é grande coisa. — Mas foi a primeira coisa que você fez para mim, e eu a rasguei. Estou uma bagunça patética. E o engraçado é que Smilly e Saddlemire não tem ideia do que fazer. Eles nunca me viram em tal confusão emocional de lágrimas. Eles já me viram irritada e com tanta raiva que temeram por suas vidas, mas triste... por causa de uma bolsa – bom, podemos afirmar que este é um território novo para eles. Honestamente, este é um território novo para mim também. Mesmo quando eu perdi... Por que ele mentiu para mim? Foi ele quem me perseguiu. Ele me fez sentir linda. Mas por que ele mentiu? Será que sou tão ingênua assim? Ele me disse que sempre foi afim de meninas, e está atualmente vivendo em uma casa cheia delas. Eu sou tão estúpida. Smilly coloca seu braço em volta de mim e pergunta: — Tem certeza que é apenas a bolsa que está te incomodando? — Sim. — E então choro um pouco mais, justo quando soa uma batida na porta. — Pizza! — Saddlemire salta da poltrona reclinável. — Não


se preocupe, Sadie, temos o suficiente para você, então não precisa chorar por causa disso também. O braço de Smilly voa e bate no peito de Saddlemire. — Não seja um idiota insensível. Se ela quiser chorar por causa da pizza, ela com certeza pode chorar por causa da pizza. — Eu não quero chorar por causa da pizza. — Conforme balanço a cabeça, minhas lágrimas se espalham pelo chão. — Não tenha tanta certeza ainda, você não viu os sabores que escolhemos. — Smilly bate em meu ombro e me guia para a cozinha. — Vamos fazer algo para você beber. — Uh, ainda não, meninas, — Saddlemire avisa enquanto abre completamente a porta. E então ele se afasta, e eu posso ver Andrew parado na entrada. O que ele está fazendo aqui? E por que diabos ele tem que ser tão bonito? Ele está vestindo jeans e uma camisa apertada, e seu cabelo está uma bagunça desordenada. E aqueles óculos... eles não fazem nada para esconder seus olhos aflitos. Uma miríade de emoções me atinge imediatamente. Ele veio. O que ele está fazendo aqui? Ele está estragando nosso disfarce. Por que ele tem que ser tão enlouquecidamente atraente? Uma garota de topless abriu a porta da casa dele. Por que eu me importo tanto com isso? Nós não somos um casal serio. Eu não deveria me importar. Mais lágrimas escorrem pelo meu rosto. — Sadie, — ele suspira, avançando - ate que Saddlemire o impede com uma mão em seu peito. Como o sábio que é, Saddlemire diz: — Vou arriscar um palpite selvagem e dizer o verdadeiro motivo pelo qual você está


chorando tem a ver com este cara e com algo estúpido que ele fez, e não com a alça rasgada da bolsa. Eu balanço a cabeça e replico: — Estou realmente chateada com a bolsa. — Sim, estamos todos chateados com a bolsa. — Smilly me dá um abraço e depois caminha ate Andrew, cutucando seu peito com o dedo. — Que diabos você fez? Erguendo as mãos no ar em defesa, ele responde: — Nada! Uma risada sarcástica ecoa na minha garganta, enquanto eu cruzo meus braços sobre meu peito e o encaro: — Isso é engraçado, porque parece que você fez alguma coisa. Tanto Saddlemire quanto Smilly olham para mim, e depois novamente para Andrew. Saddlemire diz: — Uh, eu vou fazer uma suposição aqui e dizer que vocês dois estão saindo em segredo. — Ugh, não diga o óbvio, — Smilly geme. — O que eu quero saber é porque ela não me disse nada sobre isso, especialmente quando é capaz de chorar por causa dele. — Você está chorando? — Andrew pergunta, tentando olhar além de Saddlemire. — Eu não estou... — Respiro profundamente. — Estou chateada por causa da minha bolsa! Me ignorando, Smilly pergunta: — O que você fez para fazê-la chorar? — Nada. — Balançando a cabeça, ele pergunta: — Posso apenas falar com Sadie em particular? — Não. — Smilly está determinada. Com as mãos nos quadris, ela ate parece mais alta, o que seria engraçado se eu não estivesse tão triste, já que Smilly mede em torno de 1,60m. Eu amo a defesa inabalável da minha amiga. Mas a preocupação de Andrew se transforma em frustração e antes que possamos fazer qualquer coisa ele diz “Foda-se isso” e entra no apartamento, passando por Saddlemire, que não gosta nada de ser empurrado para o lado.


A reação dele? Derrubar Andrew assim que se recupera, no melhor estilo segurança particular. Vindo por trás, Saddlemire agarra Andrew em uma chave de braço e começa a arrastá-lo de volta para a porta, mas Andrew não cede. Em vez disso, ele corre de costas até bater Saddlemire na parede, causando um enorme estrondo que reverbera por todo o apartamento. Tanto Smilly quanto eu gritamos quando os quadros nas paredes começam a cair no chão. Usando o cotovelo, Andrew soca Saddlemire no estômago, o que o libera do aperto. Sua agilidade e força me tomam de surpresa. Como ele pode lutar tão bem assim? Então eu compreendo: dois irmãos mais velhos. Enquanto Saddlemire se dobra para recuperar o fôlego, Andrew se afasta. Mas quando Saddlemire olha para cima, vejo raiva em seus olhos. Eu tenho que parar isso antes de Saddlemire usar o rosto de Andrew como saco de pancadas. Correndo entre eles, bloqueio Andrew e digo para Seddlemire: — Pare com isso. — Tire esse merda daqui, Sadie, — ele responde, cuspindo veneno em nossa direção. Eu já o vi zangado antes, mas nunca com tanta raiva. Nervosa, pego Andrew pela mão e tento arrastá-lo até a porta, mas ele não se move. — Eu não vou embora, — ele diz, sua voz inabalável. — Não até falar com você. — Este não é o momento, Andrew. — Porra, claro que é. — Quando olho para ele, ele me encara de volta. — Tenho o direito de falar com você, para explicar o que aconteceu. Suspirando, cruzo meus braços sobre meu peito e me afasto dele. — Ok, então. Explique. Smilly e Saddlemire ficam atrás de mim, formando uma plateia para a ‘explicação do Andrew’. Nos observando, ele simplesmente balança a cabeça. Então faz uma pausa por um momento e verdadeiramente me estuda, fazendo-me sentir crua, mais uma vez. Ele está zangado.


No entanto, ainda pode tocar minha alma e realmente me ver. Como ele tem a capacidade de fazer isso eu nunca vou saber. — Você sabe o que? Qual é a porra do ponto? — Ele finalmente diz. — Não há nenhum ponto em explicar o que aconteceu. — Meu estômago começa a se agitar, e ansiedade flui pelas minhas veias. Ele está se rendendo antes mesmo de começar? — E você sabe por que, Sadie? — Ele balança a cabeça, colocando as mãos nos quadris. — Porque você não vai acreditar em mim. Mesmo que o que eu tenha a lhe dizer seja verdade, não há nenhum ponto. Você esteve procurando um motivo para se afastar desde o início. O que temos entre nós nunca significou nada para você, sempre foi casual. Diversão. — Ele avança e aponta para seu próprio peito. — Mas significou algo para mim, e quando eu disse que sou um homem de uma mulher só, eu fodidamente quis dizer cada palavra. Eu te dei a minha palavra. E você tão rapidamente acreditar exatamente no contrario é como um chute da porra no meu maldito pau. Você nunca se deu completamente a mim, nunca quis realmente estar comigo. Você queria apenas diversão e alguns bons momentos, e conseguiu exatamente isso. Sexo, diversão e bons momentos. Mas eu cansei. Eu não quero ser casual, Sadie. Eu quero toda você, não apenas um pedaço pequeno. — Ele da um passo a frente, chegando perto o suficiente para me envolver em sua colônia masculina, me atraindo e fazendo meu estômago revirar ainda mais. Lágrimas começam a cair novamente dos meus olhos, mas desta vez não me incomodo em culpar a bolsa. — Mas você não quer se entregar a mim. E eu só posso bater minha cabeça contra uma parede de tijolos por um tanto de tempo, Sadie. Agora? Agora vou parar de tentar. — Ele se inclina para frente e segura meu queixo com o polegar e o indicador. — Só para você saber, eu realmente gostei de você. Mas não posso força-la a gostar de mim. Não posso forçá-la a se abrir para mim. E acho uma vergonha você permanecer escondida atrás dessas suas paredes completamente impenetráveis. Ele curva seus lábios em decepção e se dirige para a porta, levado o ar que restava entre nós com ele. Mas quando abre a porta da frente, prestes a sair, se vira para mim outra vez e diz: — Apenas para você saber, a mulher que te cumprimentou na porta era minha colega de quarto. As duas meninas da Finlândia, ambas com zero consciência sobre o que


significa andar vestidas, voltaram para casa mais cedo. Eu estava trabalhando em meu computador, e não tinha ideia de como elas estavam lá embaixo até que desci para pegar algo para beber. Às vezes nem tudo é como parece, Sadie. Isso é algo que você deveria saber muito bem há essa altura. — Quando ele se vira, tenho quase que posso ouvi-lo dizer: — Foda-se isso. Porra. Sem sequer olhar para trás ele fecha a porta e se afasta, deixando o apartamento em silêncio e meu coração em completo tumulto. Eu não digo nada, e sequer olho para Smilly e Saddlemire. Ainda com lágrimas nos olhos, vou direto para o quarto e silenciosamente fecho a porta. Fico tentada a cair no chão ali mesmo, mas em vez disso, visto minha calça de pijama favorita – uma com estampa de peixe laranja - e coloco uma camiseta. Quando estou confortável, escorrego em minha cama, mantendo as luzes apagadas, e descanso minha cabeça em meu travesseiro, onde eu choro. Eu fodidamente choro. “E eu só posso bater minha cabeça contra uma parede de tijolos por um tanto de tempo, Sadie. Agora? Agora vou parar de tentar. Só para você saber, eu realmente gostei de você.” Eu realmente gostei dele também.

Filtros de luz entram no quarto, me acordando do meu sombrio coma induzido. Minhas pálpebras parecem estar coladas, e minha garganta está arranhada e tão seca quanto o Saara. É por isso que eu não choro, porque me sinto como uma merda absoluta, antes, durante e depois. — Sadie? — Smilly pergunta, entrando no quarto com um prato de pizza na mão. — Eu pensei que você talvez pudesse estar com fome. — Do bolso de sua camisola ela puxa uma lata de refrigerante de laranja, colocando-a sobre a mesa de cabeceira que compartilhamos. Quando ela se senta na cama, eu me sento também, apoiando o travesseiro nas minhas costas. Nós olhamos uma para a outra desconfortavelmente por um segundo antes de


Smilly dizer: — Você chorou. — Eu sei. — Por causa de um menino. Não posso deixar de sorrir. — Eu sei. — Um menino que não é Tucker. Desta vez eu suspiro, e começo a escolher a pizza que ela trouxe. — Eu sei. — Quer explicar? — Ela pega um pepperoni de uma fatia e sorri para mim quando dou a ela um olhar brincalhão. — Nem sei como explicar. — Apoio minha cabeça na parede, desejando poder bater um pouco de sentido em mim mesma. — Eu estava apenas me divertindo com ele, Smilly. Não queria transformar a coisa toda num grande negócio porque eu sabia que quando as aulas começassem eu teria que terminar. Mas, em algum lugar ao longo do caminho, comecei a gostar dele. Comecei a me tornar viciada em seu sorriso, em suas provocações, em suas peculiaridades nerds. — Por que você não me disse nada? — Por que... — eu mordisco a crosta, — eu não queria que você soubesse que eu estava namorando alguém além de Tucker, especialmente porque eu sabia que não ia durar. — Foi isso que aconteceu? Namoro? — Foi? Nós saímos em alguns encontros, mas estávamos namorando? — Não faço ideia. Tudo que sei é que ele queria mais, e que eu não consegui lhe dar mais. — Por que não? Sua pergunta é um pouco chocante. Considerando sua preferencia por ‘Sadie e Tucker’, estou surpresa por ela não estar encantada com a desistência de Andrew, ou tentando me empurrar nos braços de Tucker ou ainda relembrando os bons e velhos tempos. — Há um mundo de diferença entre nós, Smilly. Ele valoriza a educação.


— E você também, — diz ela, pegando outro pepperoni. Seu comentário me aborrece. — Meus objetivos são diferentes agora. Eu menti para ele, disse que ainda estava indo para Cornell. Se ele soubesse a verdade, se soubesse que sou uma desistente, não acho que me olharia da mesma maneira. — Você não está lhe dando crédito suficiente agora. Eu mal conheço o cara, mas não acho que ele seja um esnobe. Ele gosta de você por quem você é, não pela faculdade que frequenta. Eu estava lá, Sadie. Eu estava lá quando ele dançou com você na fogueira. A maneira como ele olhou para você... ele parecia tão em êxtase ao vê-la. Definitivamente não foi Cornell que prendeu a atenção dele. — Isso foi há semanas atrás. Ele mal me conhecia então. Ele estava olhando ‘em êxtase’ para mim? — Eu fui uma idiota com ele, Smilly. Desde o início eu fui uma cadela, e mesmo assim ele quis me conhecer, ainda quis sair comigo. E quando eu disse que eu não queria falar sobre nada pessoal, ele aceitou o que eu ofereci. — Balanço a cabeça envergonhada. O que isso diz sobre ele? Sobre mim? — E no primeiro momento que eu tive a chance de me afastar, eu fugi. Ele estava certo. Eu nunca quis me entregar. — Por causa do Tucker? — Ela pergunta, ainda com um pouco de esperança em sua voz. — Não, não foi por causa do Tucker. Foi porque eu tenho vergonha de quem eu sou. — Dou uma mordida grande e deprimente em minha pizza, falando com a boca cheia: — Olhe para mim. Tenho uma mãe que preferiu ficar na prisão ao invés de ser mãe, um pai emocionalmente ausente que negou suas responsabilidades paternas desde que eu tinha oito anos, e duas irmãs com as quais não converso. É isso só a minha família. Além deles, eu ainda desisti da faculdade e não tenho nenhum futuro à minha frente. Não tenho nada do que me orgulhar. — Eu não sou nada. — Você sabe que eu não acredito nisso, — diz Smilly. — Mas se realmente se sente assim, por que não faz algo a respeito? Pego outro pedaço de pizza, esperando terminar de


mastigar para falar. Não posso. Eu não posso fazer nada sobre isso. — Porque eu não tenho mais forças pra lutar, Smilly. E essa é a verdade honesta de Deus. Estive lutando desde que me lembro, e agora não há mais nada dentro de mim. Meu espírito, compaixão e vontade de tentar foram irrevogavelmente quebrados. Estou exausta e pronta para jogar a toalha. Perder Andrew apenas adiciona mais uma decepção à vida de merda que estou vivendo. Mas está acabado. Foi casual, como eu queria. Agora eu só preciso aceitar isso e seguir em frente. Mas então por que dói tanto? “Eu não posso te forçar a gostar de mim”. É tarde demais. Eu já gosto.


CAPÍTULO-VINTE E UM SADIE

Então é assim que o fundo do poço realmente é? Eu pensei que já batido nessa porra de laje quando abandonei a faculdade e perdi meu bebê. Mas não, parece que eu ainda precisava afundar um pouco mais. Tenho que ter finalmente chegado ao fungo agora, porem, porque não sei se posso aguentar mais. De pé a apenas quinze metros de distância está Andrew, parecendo bem como sempre, conversando com Michelle e rindo de uma piada. O que ela poderia estar dizendo de tão engraçado? Eu já tive muitas conversas com ela, e ela nem é muito engraçada - é mais irritante que qualquer coisa. — Se encará-los um pouco mais, vai acabar se entregando, — diz Denise, a mãe galinha, quando para ao meu lado na estação de sopa e salada. — Cinco saladas Caesar, vamos lá, me ajude. Eu nem me preocupo em tentar disfarçar, já que Denise pode ver através de mim, e pode definitivamente dizer quando estou mentindo. — Sou tão fácil de ler? — Ajudando-a a preparar os pedidos, coloco cinco tigelas no balcão e começo a enchê-las de salada. — Não, eu só consigo identificar essa cara de anseio, já que há muitas luas eu mesma ostentei esse olhar. Diga-me, você quebrou o coração dele ou ele quebrou o seu? — Acho que os corações não estavam envolvidos, ainda não pelo menos. Ele queria mais de mim emocionalmente, e eu não estava pronta para dar-lhe o que ele queria. E então eu supus algo horrível a seu respeito, e ele decidiu acabar com as coisas.


Denise acena com a cabeça. — Você sabe que eu te amo, certo? — Não, eu não sabia disso, mas aceno em concordância. — Bom, porque você está sendo estúpida agora. Olhe aquele garoto, Sadie. Ele é gentil, doce, bonito, inteligente, e tem uma boa cabeça sobre os ombros. É um trevo de quatro folhas em um campo de ervas daninhas. Você não deixa homens como aquele escorregarem pelos dedos. — Ela enfeita as saladas com croutons e as empilha em uma bandeja. — Eu sugiro que você conserte o que quebrou, porque vai se arrepender de não lutar por ele mais tarde. Girando em seus calcanhares, ela leva as saladas para as mesas, fazendome me sentir ainda pior do que antes. Assim que estou a ponto de atender outra mesa, Stuart bate em meu ombro e me avisa para fazer minha pausa. Normalmente eu protestaria, querendo reunir tantas gorjetas quanto possível, mas hoje agradeço pelo tempo tão necessário e vou direto para o meu carro. Uma vez acomodada no banco da frente, abro as janelas, baixo o assento e encaro o teto cinzento do meu pequeno veículo. Consertar as coisas. Isso é realmente possível? Ele estava tão zangado quando saiu do meu apartamento no outro dia. Hoje é o terceiro dia que tenho que trabalhar com ele, e cada dia parece pior que o anterior. Vê-lo sorrir quando não é para mim. Observá-lo se mover perfeitamente em torno da sorveteria, só para me lembrar de como ele se moveu em torno de mim na cama. E ouvir aquele riso, aquele que ainda ressoa no meu coração? É tortura. Quando ele se tornou tão arraigado em minha vida? Essencial? Quando começou a me importar tanto? Quando foi que isso se tornou mais do que uma aventura para mim? Porque eu não consigo me lembrar. É como se fosse uma emboscada, que me deixou sem outra opção além de me sentir como uma porcaria total agora que acabou. Maravilhoso. Eu bato a parte de trás do meu crânio contra o apoio de cabeça algumas vezes, desejando que houvesse uma solução fácil para tudo isso. E então meu telefone toca. E por mais estranho que pareça,


eu inconscientemente sinto quem é. Encarando o identificador de chamadas, atendo. — Oi, Tucker. — Sadie, o que há de errado? — Ele me conhece há muito tempo, então não demora muito para perceber meu desânimo. — Nada, apenas cansada do trabalho. Você está bem? Ele faz uma pausa, provavelmente considerando minha mentira, e decidindo não reconhecê-la. — Só verificando a minha garota. Não ouço falar de você há um tempo, e queria ter certeza que está tudo bem. Eu não sou mais a garota dele, mas estou cansada demais para discutir. — Está tudo bem. Apenas trabalhando, nada de novo. — Não se inscreveu para nenhuma aula no outono? — Eu já disse que não posso voltar para a Cornell, Tucker. Primeiro de tudo porque não posso pagar, e em segundo lugar, não acho que eles iriam me admitir de novo. Por que as pessoas continuam insistindo para eu considerar voltar para a faculdade? Está começando a ficar frustrante. — Eu não tinha certeza se você ia cursar alguns créditos de faculdade ou qualquer coisa. — Não. — Minha raiva aumenta. — O que há com todos ficando no meu pé sobre voltar? — Talvez seja porque nós conhecemos seu potencial, e você não o esteja alcançando agora. Eu rio sarcasticamente. — Talvez você devesse ter pensado no meu potencial antes de decidir me engravidar. É um golpe baixo, eu sei, e se ele estivesse aqui pessoalmente estaria esmagando os dentes, sua mandíbula apertada em uma linha dura. — Você sabe que eu não fiz isso de propósito. O preservativo furou, e não havia nada que eu pudesse fazer depois disso. Mas se você tivesse falado comigo antes de sair, nós poderíamos ter feito funcionar. — Não, não poderíamos. — Cristo, — ele grita no telefone. — Você não pode afirmar


isso, Sadie. Você nem sequer nos deu uma fodida chance. Você não me deu nem chance de provar que eu poderia ter sido o cara do qual você precisava. Como isso foi justo para mim? Eu não respondo, porque honestamente não sei o que dizer. Não sei como responder. Eu sinto tanta raiva, tanta dor, tanta decepção quando se trata deste capítulo da minha vida que não sei como superar tudo isso. Mas então... por que eu deveria ter a chance de fazer algo comigo mim mesma quando o bebê que eu carregava dentro de mim morreu? Minha mãe nunca se importou comigo, minhas irmãs mal reconhecem minha existência, e o homem com quem comecei a enxergar um futuro não acha que eu valho a pena. Estou tão perdida. Tão vazia. Tão só. Tucker está certo? Eu não dou chance a nada nem a ninguém? Andrew estava certo? Eu estava mesmo procurando uma saída desde o começo? Suspirando, esfrego meus olhos com a palma da mão. — Eu não quero brigar sobre isso, Tucker. — Esse é o seu problema, Sadie, você não quer brigar. Você nunca quer brigar pelo que é importante. Basta joga tudo que te incomoda numa mesma vala ate cozinhar e fermentar, te tornando tão fodidamente miserável a ponto de você tratar todos ao seu redor como se fossem marginais em comparação a você. Ouch. Suas palavras cortam profundamente, e mesmo que eu queira negá-las, sei que uma parte do que ele diz está correto – e isso dói ainda mais. — Não posso fazer isso agora, Tucker. — Óbvio. Eu nem estou surpreso, você nunca pode. — Ele solta um longo suspiro e continua: — Eu ainda quero me encontrar com você quando voltar. Tenho muito a dizer, e você precisa me ouvir. — Eu sei. — E como sei. É uma conversa que tenho temido desde o primeiro dia. — Ouça, me desculpe por ter me estressado. É só que... você me frustra tanto, Sadie. Estou tentando, droga. Eu quero


fazer as coisas direito, mas você não deixa. — Você quer algo que está morto, Tucker. Nós acabamos. Preciso que você entenda isso. — Não até conversarmos, — responde ele, tão seguro de si mesmo. — Olhe, eu tenho que ir. Falo com você outra hora. Eu te amo, Sadie; isso nunca vai mudar. Com isso ele desliga, virando meu mundo de cabeça para baixo mais uma vez. Há um ano essas mesmas palavras teriam tornado minha vida inteira mais brilhante, mas não agora. Agora minha vida permanece maçante e sem graça. Vazia. A única coisa que iluminou meus dias foi Andrew. Vê-lo. Rir com ele. Ser tocado por ele. Falar com ele. Mas agora nem isso eu tenho. Andrew não mentiu para mim. Eu não tenho ideia do por que suas colegas de quarto estarem em topless naquele dia, mas o conheço melhor do que isso. Ele não mentiria para mim. Mas ele disse que estávamos terminados. Que estava cansado de tentar. Cansado de esperar por mim. Mesmo que a conversa com Tucker tenha sido dolorosa, há uma coisa que ele disse que continua se repetindo uma e outra vez em minha cabeça. Você nunca quer brigar pelo que é importante. Ele tem razão. Eu não consigo me lembrar da última vez que realmente lutei por algo importante para mim. Por alguém. E aqui estou eu novamente, a ponto de deixar esse homem ir, um homem tão diferente e especial. Então percebo que Denise está certa. Eu seria incrivelmente estúpida se jogasse o que temos fora. Acho que é hora de provar que Tucker está errado. Ele e eu estamos acabados. Mas eu vou lutar por Andrew. Vou lutar pelo homem que


gosta de mim. Pelo homem que olha profundamente em meus olhos e vĂŞ minha alma. Por ele, eu vou lutar.


CAPÍTULO-VINTE E DOIS ANDREW

Você já conheceu alguém que se acha tão engraçado a ponto de te obrigar a rir de algo que realmente não é engraçado? Me encontro numa situação dessa agora. Michelle. Foda-se, se essa mulher faltasse um dia de trabalho alegando estar doente, eu lhe negaria toda a canja de galinha do mundo, apenas para que ela se recuperasse mais devagar e perdesse outro dia de trabalho. Esse é um pensamento de merda, eu sei, mas fodido inferno, ela é irritante. Eu queria que houvesse um botão de ‘mudo’ que fazê-la se calar, ou apenas conseguir ser um completo idiota e dizer a ela para fazer algo útil, como sumir - mas eu não sou esse tipo de cara. Não, eu sou o tipo de cara que vai falsamente rir de suas historias sem graça para poupar seus sentimentos. Minha mãe amante de madeira me ensinou a respeitar os outros, mesmo que eles sejam ridículos. — E então meu sutiã abriu e todos viram meus mamilos. — Aqui ela solta uma gargalhada desagradável, seguida por um riso sem graça meu. Eu nem estava prestando atenção, mas ‘todo viram meus mamilos’ é sua linha de conversa noventa e cinco por cento do tempo. Essa mulher e seus mamilos. Ela fala sobre eles sem parar. E agora eu meio que quero vê-los, apenas para confirmar se são tão merda quanto os imagino, ambos esponjosos e tortos. — Você acredita nisso?


— Eu realmente não posso acreditar. — Dou-lhe outro sorriso falso e me viro em direção ao sorvete de chocolate. — Ei, eu tenho que terminar de raspar este pote, ou nunca vou sair daqui. — Oh, um funcionário tão dedicado. — Ela esfrega seus peitos contra meu braço antes de se afastar, me dando uma piscadela. Ela acabou de me marcar como um gato? Você sabe, daquele modo estranho como os gatos se esfregam na sua perna, te marcando como um deles. Foi isso que ela fez? Esfregou suas glândulas mamilares no meu braço, afastando qualquer outro interesse feminino? Eu com certeza espero que não. Mas não é como se isso importasse, de qualquer forma. O interesse feminino que eu gostaria de despertar neste restaurante se foi. Sadie não disse uma palavra desde que saí de seu apartamento no outro dia. Já nem sequer a pego me observando como costumava fazer, e quando tenho que fazer seus sundaes, ela mal olha em minha direção. Ela só os pega no balcão e sai. Fale sobre frieza. Quando a conheci, pensei que ela fosse fria e distante com todos, mas depois de algumas semanas de observação e interação descobri que isso não é verdade. Ela só é fria com pessoas com quem não quer contato, e isso agora me inclui. E eu odeio, porra, estar de volta ao estágio um, assim como em meu primeiro dia de trabalho. Não que eu queira que ela fale comigo. Quero dizer, sim, seria incrível se ela realmente quisesse estar comigo. É claro que seria. Mas isso não vai acontecer. Algo a está segurando, e eu não tenho certeza se ela vai superar o que quer que isso seja algum dia. Então prefiro não ficar por perto tentando fazer com que ela se abra agora, apenas para quebrar meu coração mais tarde. Porque isso é o que ela faria, quebrar meu coração. Mais ou menos do mesmo jeito que o rasgou há poucos dias, sem qualquer consideração sobre como isso faria eu me sentir. Porra. Concentrando-me em minha última tarefa da noite, rapidamente raspo o resto do sorvete de chocolate do pote, lavo as espátulas e colheres, limpo a registradora e verifico se os garçons precisam de alguma ajuda antes de eu sair. Quando Denise me dispensa, vou até o banheiro e troco a


roupa que estou usando pela extra que tenho no armário – útil, já que derramei leite em mim mesmo hoje. Depois de me trocar, jogo meu uniforme de trabalho fedido em um saco do Friendly’s - porque dirigir para casa cheirando a leite não me atrai – e saio do restaurante, me despedindo de todos com um aceno rápido. Já do lado de fora, sou saudado pelo ar fresco da noite de verão, e aprecio os sons dos grilos cantando ao redor. No caminho até meu carro, verifico meu telefone e vejo três mensagens de texto de Katja. Dou risada, me perguntando o que diabos ela tem a dizer. Katja: Você tem uma tonelada de cuecas. Por que tantas? Torço meus lábios; bom saber que elas estão checando minhas coisas enquanto estou no trabalho. Hora de investir em uma fechadura para minha porta. Katja: Precisamos da senha do computador. Queremos assistir pornô. Mais uma vez, outra razão pelo qual preciso de uma nova fechadura. Com a minha sorte, elas provavelmente acessariam um site pornográfico infectado que encheria meu computador de vírus e arruinaria tudo que já criei. Mentalmente recomendando-me a criação de uma nova senha realmente difícil para proteger meu computador, leio a próxima mensagem. Katja: Nós comemos todos os cachorros quentes. Pegue mais dois pacotes no mercado. Bem, isso não vai acontecer, mas é bonito vê-las pensar que seria tão fácil. Aparentemente vou ter que ministrar uma espécie de ‘treinamento para companheiras de quarto’ muito serio para essas senhoras. A parte mais engraçada, porem, é que eu nem sequer gosto de cachorros-quentes. Estou guardando meu telefone no bolso e pegando minhas chaves quando percebo um movimento perto de meu caminhão. Meu coração salta para a minha garganta quando penso que pode ser alguém pronto para pular sobre mim, me amordaçar e me arrastar pelos cabelos pelo estacionamento. Mas quando vejo a figura delgada de Sadie em um vestido amarelo dando um passo adiante, meu coração cai de volta ao


peito e começa a bater rapidamente. Porra. Sob o luar, sua pele brilha, seus cabelos parecem incrivelmente macios e seus olhos... eles perfuravam minha alma. Continuo andando em sua direção, mas fico em silêncio. Ela precisa dar o primeiro passo. Precisa ser quem inicia a conversa. Depois de algumas tentativas desajeitas, ela finalmente diz: — Ei. Não é exatamente o que eu estava esperando, mas respondo: — Ei. O Senhor Falante foi embora; ela precisa fazer isso sozinha. — Uh, posso falar com você? — Claro. — Eu jogo minha bolsa de roupas na cabine da caminhonete e abro a porta traseira, onde rapidamente me sento, indicando à Sadie o espaço ao meu lado. Ela senta também, mantendo uma quantidade decente de espaço entre nós. Mesmo que ela esteja tentando disfarçar, eu posso notar o tremor em suas mãos e a incerteza em seus olhos. Pela primeira vez desde que a conheci, a confiança que chamou minha atenção não está presente. Em vez disso, ela quase parece fraca, e isso faz meu coração bater acelerado em meu peito. Ela sempre foi tão forte. Eu fiz isso com ela? Ela brinca com suas mãos em seu colo por um momento antes de finalmente dizer: — Sinto sua falta, Andrew. Bem, porra! Confesso que o que eu realmente gostaria de fazer nesse momento é saltar para cima e para baixo balançando meu pau em excitação enquanto jogo papéis no ar, mas me contenho. Celebração excessiva pode me colocar na berlinda, mais uma vez. Então fico quieto e a deixo continuar. — Eu tenho dificuldade em confiar nas pessoas, como tenho certeza que você já sabe. Eu também não deixo muitas pessoas entrarem em meu pequeno mundo, por causa de quão fodido ele é. E não estou apenas falando sobre questões básicas como a falta de uma figura paterna, ou no meu caso, materna. Há


coisas em meu passado que me deixam tão envergonhada. Coisas que destruíram, envergonharam e humilharam minha família até chegar ao ponto de vivermos com uma marca negra em nosso sobrenome há anos. Não é fácil para mim falar sobre isso, e essa é uma das maiores razões pelas quais evito fazer novos amigos. Eu não gosto de continuar revivendo meu passado enquanto o explico para as pessoas, então tendo a ficar em torno daqueles que já me conhecem. — Eu posso entender isso, — respondo, minha voz soando mais rouca do que antes. — Obrigada. — Ela respira fundo e continua. — Mas então você apareceu, e jogou toda uma vida de negação pela janela. Você abriu caminho para a minha vida e deixou uma marca. A verdade é que você nunca me deu a chance de te negar, e depois que conseguiu finalmente romper minhas barreiras, se tornou impossível ignorá-lo. E agora eu sei que foi tão difícil te dizer não porque eu sempre quis você. — Ela faz uma pausa e olha diretamente para mim, seus olhos cheios de emoção quase me dividindo ao meio. — Eu ainda quero você, e não apenas o relacionamento superficial e casual que você acha que eu quero. Você, Andrew. Quero todo você, e quero que você tenha tudo de mim. E isso é tudo o que eu queria ouvi-la dizer. — De verdade? Toda você, Sadie? Ela assente com a cabeça. — Tudo de mim. Mas vai levar tempo. Eu não consigo simplesmente derramar minhas entranhas em um piscar de olhos. Há algumas coisas muito pesadas que aconteceram na minha vida, das quais não me sinto confortável falando, então você vai ter que ser paciente comigo. Eu aperto sua bochecha, sua pele quente pressionando contra a minha palma, e digo: — Baby, tudo que eu peço é que você fale comigo. Eu só quero te conhecer, o bom, o mau e o sexy. — Eu pisco para ela, fazendo aquele lindo sorriso aparecer. — Desculpe, Andrew. Me desculpe por não ter vindo até você antes, e desculpe por ter te acusado de algo tão distante do


seu caráter. Lamento ter feito essa coisa entre nós mais difícil do que deveria ser. — Esta coisa entre nós? — Pergunto, erguendo minha sobrancelha. — Querida, se vamos continuar com essa “coisa”, — faço sinal de aspas com as mãos, — vamos ter que rotulá-la. — O que você quer dizer? — Ela pergunta, enrugando o nariz. — Quero dizer que se você vai estar comigo, então vai ser minha namorada. Nada mais de “essa coisa”. Estamos namorando. Rindo, ela diz: — Acho que posso lidar com isso. — Pode mesmo? — Envolvo meu braço em torno de sua cintura e a acomodo em meu colo. — Porque eu sou um namorado muito exigente. Preciso de atenção em todos os momentos, e preciso de presentes, muitos e muitos presentes. — Parece um pouco dramático. Mas deixe-me perguntar: quando você diz presentes, esta se referindo a sexo? Suas mãos envolvem meu pescoço enquanto ela se faz confortável no meu colo. — Sexo e presentes. Não tente mascarar essa boceta doce como um presente. Desde que você é minha namorada agora, sexo e presentes se tornam duas categorias distintas. — Ok... então, o que se qualifica como um presente? Eu esfrego meu queixo, sentindo seus dedos ainda acariciando minha nuca. — Depende do meu humor, mas não tem como errar com um bom sundae de baunilha sem açúcar. — Respondo brincando, o que me garante um rolar de olhos. — Você não tem mais permissão para tomar aquele sorvete. Coma o material real, como uma pessoa normal. — E aqui está ela: Miss Calças Doces voltou. — É um vício do qual não consigo me livrar. Mas tudo bem você ser minha reabilitadora, não vou te impedir. — Ok então. — Baixando a cabeça, ela pressiona sua testa contra a minha, olhando para baixo entre nós. Seu humor muda de descontraído para sério. — Eu realmente sinto muito, Andrew. Nunca quis fazer você se sentir menos do que é, porque


você é tão bom para mim. Muito bom para mim, na verdade. Muito bom para ela? Que diabos? Ela acha que sou bom demais para ela? Como diabos... Oh, minha linda garota. Ela não tem ideia. É preciso tanta força e humildade para se desculpar. Eu não tinha visto isso nela, mas estou fodidamente feliz por como resolvemos as coisas. Muito bom para ela, minha bunda. — Nunca. Somos iguais. — Eu aperto-a firmemente. — Mas, por favor, sempre pergunte, em vez de presumir, e apenas fale comigo, isso é tudo que eu quero. Quando você estiver com duvidas, ou medo, ou assustada com algo que eu poderia pensar diferente de você, o que não vai acontecer eventualmente, por favor, porra, fale comigo ao invés de fugir. Você pode me prometer isso? — Sim, — ela responde, me olhando nos olhos. — Eu posso fazer isso. — Bom. Agora, acredito que temos algum sexo de reconciliação para fazer. Entre no carro, linda. Vou levá-la para casa.

— Ela é tão pequena e bonita, — diz Leena, acariciando o cabelo de Sadie - não alisando, acariciando. Sim, minha colega de quarto está acariciando o cabelo da minha namorada. E pelo que posso perceber, Sadie não está muito feliz com a invasão à sua bolha pessoal. Pessoalmente eu não me importo com um acariciar amigável: contato humano é bom para todos, até mesmo para o bêbado tio Gollum, embora teriam que me pagar uma boa quantia em dinheiro para acariciar aquele homem. Eu nunca, nunca vou entender como pode crescer tanto cabelo na barriga de um homem. — Olhe para essa bunda! — Katja se inclina e bate no traseiro de Sadie. Imediatamente os olhos dela me encontraram, e se pudessem falar, primeiro me machucariam, e depois me mandariam tirar essas mulheres de cima dela. Ok, Calças Doces, aqui vai seu salvador!


— Eh, acho que isso já é o suficiente, meninas. Vocês não vão querer assustá-la. — Eu afasto as mãos delas de Sadie e a aconchego ao meu lado, protegendo-a das duas bombas loiras completamente vestidas - graças a Deus! - em pé na minha frente. — Você é tímida? — Leena pergunta, apoiando a mão no quadril. — Sim, — eu respondo por Sadie. — Minha pequena Calças Doces é um pouco tímida, então, por favor, perdoem-na. Mas talvez possamos desfrutar de uma noite de cinema algum dia... — Ela abraça minha cintura e belisca minhas costelas, indicando que não gosta dessa ideia. — Ou qualquer outra coisa. — Sorrio nervosamente, esperando que as garras de lagosta de Sadie não me ataquem novamente - porque foda, doeu! Vou ficar com um hematoma, com certeza. — Não seja tímida. — Katja estufa o peito e a encara. — Nós não mordemos. Oh, você poderia participar da terça-feira de topless com a gente! — Não, obrigada. — Sadie sorri. — Eu prefiro manter meu sutiã. — Mesmo durante o sexo? — Leena pergunta, um pouco atordoada. — Não, ela tira o sutiã durante o sexo, — respondo sem pensar. — Ela agita os peitos muito bem por trás de portas fechadas. — Uma dor abrasadora toma conta de mim: garras de lagosta! — Filho de um filho da puta! — Eu esfrego minhas costelas e dou-lhe meu olhar lateral mais assustador. Mais um ataque e serei obrigado a jogar ‘vamos fazer-Sadie-esperarum-longo-tempo-até--conseguir-um-orgasmo’. — Vocês vão fazer sexo hoje à noite? — Katja pergunta. — Não. — Sadie sacode a cabeça. — Apenas dormir. Nada de sexo sendo feito aqui. — Mentira, pura mentira. Ela veio me esfregando por todo o caminho do restaurante ate aqui. Nós com certeza vamos fazer sexo. Mas eu me pergunto... será que Sadie será tão vocal quanto normalmente é agora que não estamos mais sozinhos em casa? Hm, só há uma maneira de descobrir. — Isso é triste. Sem ‘pertence36’ para você comer hoje, Aqui ela usa a palavra ‘pertence’ como sinônimo de ‘boceta’, conforme conversa dela com Andrew no dia da briga com a Sadie na primeira ‘terça-feira do topless’. 36


Andrew, — Leena acrescenta. Mesmo que eu possa ouvir o pesar em sua voz o tipo de piedade que nenhum homem quer ouvir, diga-se de passagem tenho que parabenizá-la por usar a gíria americana tão bem. Ela está aprendendo! Tenho certeza de que seu treinador ficaria muito feliz em saber que seu colega de quarto heterossexual, dono de um pôster em tamanho natural de Derek Jeter e formalmente conhecido como Cannon Cock, ensinoulhe uma gíria para vagina – embora tenha absoluta certeza que não era essa a intenção dele quando pediu para que elas escolhessem colegas falantes de inglês para dividir o aluguel. Oh bem, foda-se. Dou um sorriso torto: — Está tudo bem, eu estou cheio, de qualquer maneira. Não estava planejando comer nada hoje à noite. — Você é homem estranho. — Katja me analisa de cima a baixo antes de jogar seu cabelo sobre o ombro. — Nós vamos sair agora. Te vemos amanhã. — OK. Vocês têm as chaves da casa? — Ambas balançam a cabeça. — E instalaram o Lyft37 em seus telefones? — Outro assentimento. — E o que fazemos quando um estranho nos oferece um drinque? — Não aceitamos, porque não queremos tomar nenhum boa noite cinderela. — Certo. Tenham cuidado e divirtam-se. Ambas acenam enquanto saem pela porta da frente, equilibrando-se em seus saltos altos. Eu temo pelos homens que elas vão encontrar esta noite. — Elas são... interessantes, — Sadie diz depois que eu tranco a porta atrás delas. — Elas são legais, apenas não têm qualquer filtro. Acho que é isso que torna tudo tão divertido, embora elas tenham pensado que eu fosse gay. — Oh, sério? E, sim, sentir-se incrivelmente exposto e desconfortável é realmente divertido, — ela ironiza. Com meus olhos fixos nos dela, caminho em sua direção

37

Principal concorrente do Uber.


até ficar apenas a alguns centímetros de distância, e então envolvo meus braços em torno de sua cintura e a dobro sobre a mesa. Uma das minhas mãos segura as dela contra a parte mais baixa de suas costas, imobilizando-a sobre a mesa, enquanto a outra acaricia sua bunda perfeita. — O que você está fazendo? — Ela tenta me afastar, sem qualquer êxito. — Estou tentando... — Finjo estar fazendo um grande esforço. — Porra, mulher, onde está? Já gargalhando, ela pergunta: — Onde está o quê? — O pau que você está escondendo em sua bunda. Cadê? Não estou conseguindo achar, para que possa puxá-lo para fora. Ela para de se balançar debaixo de mim por um segundo, apenas para torcer seu corpo ate me saudar com a linda visão de seus olhos irritados. — E você pretende fazer sexo hoje à noite? Está patinando em gelo fino aqui, Andrew. — Ah, vamos lá. — Eu a puxo para cima e a abraço. — Você gosta de uma boa brincadeira... E gosta ainda mais do meu pau. — Eu dou-lhe um beijo casto e depois a viro em direção às escadas, beijando sua bunda. — Agora suba e fique nua. Preciso pegar algo primeiro, mas já vou te encontrar lá em cima. Nosso sexo de reconciliação vai começar em cinco minutos, calças quentes. Observo-a começar a subir as escadas antes de ir até a cozinha, onde pego alguns acessórios. Em seguida, corro eu mesmo ate meu quarto, subindo as escadas de dois em dois degraus - porque foda-se, estou com tesão e preciso me enterrar profundamente dentro da minha menina. Quando me aproximo da porta do quarto, encontro Sadie de calcinha e sutiã, virada de costas para mim e dando-me uma visão saborosa de seu corpo. Foda-se, ela é tão quente. Suas mãos alcançam o fecho do sutiã, mas eu a interrompo, dizendo: — Não tire ainda. Imperturbável, ela lentamente se vira para mim, com seus cabelos dançando ao redor de seus ombros e seus olhos sedutores – e sua linguagem corporal me dá luz verde de todas as


formas possíveis. Mas, quando vê o que estou segurando, ela praticamente engasga antes de me encarar com suspeita. — Andrew... — Não diga nada, apenas deite na cama. — Você não vai me lambuzar com essa porcaria. — Ela cruza os braços sobre o peito. — Desculpe, querida, mas vale tudo em sexo de reconciliação. — Eu aponto para a cama e repito: — Agora seja uma boa menina e sente sua bundinha bonita na cama. — Ela está prestes a protestar novamente quando eu seguro a parte de trás da minha camisa e a puxo sobre a cabeça, atirando-a para o lado. Ela reserva um momento para observar meu corpo, e eu amo como seus olhos brilham com luxúria. Isso nunca fica velho. Apenas para esquentar o show, flexiono ainda mais meus abdominais para ela antes de limpar minha garganta e acenar outra vez para a cama. — Mexa-se, Sadie. Eu não sou exatamente o homem mais paciente nesse momento. Preciso te provar, então, por favor, deite. — Seus olhos se alargam, as pupilas escurecem, e ela anda obedientemente ate minha cama, onde se deita. Sim, minha menina gosta de um pulso firme. Porra. Sim. Eu coloco os itens que ainda estou segurando sobre a cômoda ao lado da cama e me livro de meus sapatos, meias e calças, deixando apenas a boxer, que não está fazendo nada para conter minha já crescente ereção. Inclinando-me sobre ela, levemente percorro seu corpo com meu dedo, circundando seus mamilos sobre seu sutiã, lentamente desenhando uma linha pelo centro de seu estômago e esticando-a até o topo de seu osso púbico, onde a provoco um pouco antes de acariciar sua fenda. Sua excitação já está começando a molhar sua calcinha. Essa mulher, tão sensual, tão fodidamente excitada para mim. É viciante. — Sente-se. Apoiando-se, ela senta na cama e aguarda meu próximo comando. Mas eu não lhe dou um; eu tomo-a em minhas mãos e desfaço o fecho de seu sutiã. As alças imediatamente começam a


descer sobre seus ombros, e a visão me dá água boca. Ansioso para ver seus seios, agarro o meio do sutiã e o arranco de seu corpo, sendo recompensado pelo salto sutil de seus peitos, decorrente do meu movimento abrupto. Tão perfeito. — Deite-se, - ordeno. Seus cabelos caem ao seu redor conforme ela apoia a cabeça na cama. Agora seus dentes mordem seu lábio inferior, seus olhos estão semiabertos e ela está definitivamente excitada enquanto aguarda minha próxima ordem. Mas eu não lhe dou nada. Eu continuo a me mover por vontade própria, poupando minha atenção para a sua calcinha. Por que ela se preocupa em usar uma está além de mim. O pedaço de tecido que cobre sua boceta é tão pequeno que não tenho dúvidas de que seu único propósito é me provocar. Então eu me livro dele e o jogo no chão, junto com o resto de nossas roupas, deixando-a completamente exposta. — Cristo, Sadie. Você é tão linda. — Sussurro. Movo meus lábios pelo corpo dela, beijando seu estômago, beliscando suas costelas, lambendo as pontas de seus mamilos e sugando a junção entre seu pescoço e ombro, querendo marca-la como minha. Ela se agita debaixo do meu corpo, suas mãos agarrando meu cabelo, arranhando minhas costas e me puxando para mais perto quando a chupo mais duro. É tão fodidamente emocionante senti-la perder o controle, saber que estou deixando-a louca de necessidade, justamente esta mulher com a qual nunca pensei sequer ter uma chance. Mas ela me deu duas chances. Eu sou um bastardo de sorte. Eu afasto meus lábios de Sadie e me viro para a cômoda, onde abro um pote do meu sorvete favorito - baunilha sem açúcar - e pego uma bola com uma colher. Sadie vê o que estou fazendo e balança a cabeça. — Por que sem açúcar? — Apenas aceite, querida. Você só precisa aceitar. Não querendo ouvi-la protestar mais, rapidamente coloco o sorvete entre seus seios e o esfrego ate o centro de seu corpo. Ela se arrepia quando o frio deleite encosta em sua pele, assobiando


um longo suspiro. Imediatamente seus mamilos ficam duros, e eu assisto fascinado toda a cena. Meu pau dói apenas por observa-la, então eu me apresso e continuo a mover o sorvete para baixo, até que esteja pouco acima de sua vagina. Seu peito sobe e desce rapidamente agora, sua respiração falhando a cada pressão da colher fria contra sua pele. Porra, tão sexy. Perdendo um pouco de delicadeza, tropeço sobre mim mesmo, colocando o sorvete de volta na cômoda. Então me posiciono novamente e pairo sobre Sadie, começando a lamber a trilha fria que está começando a derreter em seu corpo quente. Eu começo de cima e sigo meu caminho para baixo. Seus calcanhares pressionam em minhas panturrilhas conforme ela me agarra com as pernas. Suas mãos voltam para o meu cabelo, através do qual ela tenta me controlar, sem sucesso - eu estou no comando agora, e ela vai ter que aprender a respeitar isso. A doçura do sorvete e da pele de Sadie se misturam, criando um sabor inebriante que me eleva a uma névoa de luxúria. Nada em nossa volta se registra em minha mente: nenhum som da rua, ou do colégio do outro lado da casa, nem do pequeno confinamento do meu quarto. Não, eu só posso sentir e ouvir Sadie enquanto lambo o sorvete de seus mamilos, me divertindo com quão duros eles parecem contra minha língua. Pura perfeição. Gemidos suaves saem de sua boca quando mordo seus mamilos e os puxo com os dentes, certificando-me de aplicar apenas pressão suficiente para enlouquecê-la. Minha língua está fria, o que provavelmente está aumentando a sensação dela. Me movo mais para baixo em seu estômago liso, lambendo sua pele por todo o caminho ate chegar à sua boceta, que está brilhando, pronta para mim. Sabendo que minha língua está fria pra caralho, eu a lambo longamente antes de pressionar meus lábios contra seu calor e chupar seu clitóris. — Oh, porra. — A metade superior do seu corpo se levanta da cama, e ela parece surpresa com a sensação. — Oh meu Deus,


sim. — Parece que ela não odeia tanto assim o sorvete de baunilha sem açúcar no final das contas. Animado por sua reação e pela pressão de suas mãos contra minha cabeça, me pedindo mais, eu a como com abandono. Lambo cada pedaço de sorvete derretido, certificando-me de variar os golpes de minha língua. Seu corpo se contorce sob o meu, seu aperto em meu cabelo fica mais forte e seus gemidos antes silenciosos aumentam cada vez mais. Sem para de chupá-la, movo minhas mãos por seu estômago ate chegar aos seus seios, onde brinco com seus mamilos, puxando-os, beliscando-os e apertando-os entre meus dedos. Suas pernas apertam minha cabeça com mais força, e sua voz ecoa em meu pequeno quarto, reverberando contra as paredes, seus gritos de prazer transformando meu pau em pedra. — Sim, oh Deus, sim. — Ela então convulsiona, seu corpo se contorcendo e girando em todas as direções enquanto seu orgasmo escorre pela minha língua. Eu nunca vi nada mais erótico em minha vida, e tenho certeza que nunca serei capaz de superar essa visão. Depois de alguns segundo seus quadris começam a acalmar, sua respiração abranda e o aperto de morte em meu cabelo alivia. E enquanto ela começa a retornar de seu orgasmo, eu começo a me preparar para o meu. Proteção é a minha primeira prioridade, e entrar em Sadie a segunda. Pego um preservativo da minha mesa de cabeceira, tiro a cueca e o coloco. De joelhos, começo a acariciar meu pau, observando a bela mulher em minha cama. Eu não vou durar muito tempo; posso sentir meu corpo já formigando apenas por ouvir os sons que Sadie emite. Ainda em seu coma pós-orgasmo, eu viro Sadie de barriga para baixo e levanto sua bunda para o ar, apenas para correr a ponta do meu pau ao longo de sua boceta. Ainda tão fodidamente molhada. Sua cabeça descansa em meu travesseiro enquanto ela sorri para mim, quase fazendo meu coração parar de bater nesse


mesmo instante. Esse sorriso inocente, sexy, e a maneira como ela está tão facilmente oferecendo seu corpo para mim... meu coração realmente falha uma batida. Eu pensei que já estava completamente enfeitiçado por esta mulher, mas ela acabou de me arruinar definitivamente com esse olhar. Estou perdido. Ela é meu... Meu tudo? Isso é mesmo possível tão cedo? Precisando me conectar com ela da maneira mais íntima possível, mergulho nela, afundando tão profundamente que quase parece que não haver fim. Um gemido baixo borbulha de sua garganta enquanto seu corpo inteiro relaxa em minhas mãos. Seus olhos se fecham e um sorriso preguiçoso toma conta de seu rosto. Este é o seu lugar feliz. Porra, é o meu lugar feliz também. Eu não preferiria estar em nenhum outro lugar agora. Ou em um futuro próximo. Talvez até mesmo depois disso... Começo a me mover deliberadamente lento, sentindo cada centímetro de mim esticá-la. Meus dentes rangem por quão apertada ela está, e pelas pequenas compressões que ela está dando ao meu pau, e… — Puta merda! — Grito, meu corpo chacoalhando. Embaixo de mim, Sadie passa sua mão pelas minhas bolas, as quais está levemente puxando agora, enviando minha mente para um frenesi de merda. Estrelas me cegam, o mundo ao meu redor fica negro, e apenas uma visão telescópica me permite ver o traseiro de Sadie à minha frente. Meus quadris se apertam, meu estômago se enrola, e a cada puxão de Sadie eu gemo um pouco mais alto, até que gozo duro que quase desmaio. Me impulsiono pela ultima vez dentro dela, segurandome ali enquanto esvazio tudo de mim. Puta merda. Puta merda. Após entrar em colapso sobre ela, ficamos ambos ali deitados, recuperando nosso fôlego. Ouvindo-a ofegar e sentindo o pulsar fraco de sua boceta ao meu redor, percebo que ela gozou outra vez, junto comigo. Eu nunca teria imaginado, já que praticamente apaguei quando atingi meu próprio orgasmo. Me dou conta então que toda vez que estou com essa mulher não se trata apenas de atingir o orgasmo, mas da


conexão que criamos, de como ela nunca falha em se enterrar cada vez mais fundo em meu coração, tatuando seu cheiro, seu toque e seu corpo no meu. Empurro seu cabelo para o lado e beijo a parte de trás de seu pescoço. — Porra, eu senti sua falta. Ela suspira. — Eu também senti sua falta, Andrew. Passo os minutos seguintes me limpando, passando um pano quente ao longo do corpo de Sadie para livrá-la dos restos de sorvete pegajoso, e depois levando o sorvete meio derretido novamente para a cozinha. Quando volto, escorrego na cama, nu, e aconchego Sadie em meu peito, brincando com seu cabelo e correndo meus dedos por suas costas. — Me conte algo que ainda não sei sobre você, - sussurro em seu ouvido, sentindo-me sonolento. — Mmm... Acho que estou começando a gostar do seu sorvete. Eu rio com preguiça. — Embora eu aprecie sua admissão, quero saber algo sobre seu passado. Ela leva um segundo para pensar sobre isso, seus dedos acariciando meu peito. — Eu tive um cachorro chamado Corky. Ele era um Corgi, e foi meu melhor amigo até que seus quadris levaram a melhor e tivemos que eutasianálo. Eu costumava dizer que Corky e eu morreríamos juntos, minha mão segurando sua pata. — Bem, mão segurando para soa agradável, mas estou feliz que você ainda esteja por perto. Você vai ter que me mostrar uma foto dele algum dia. — Ok. Você já teve algum animal de estimação? — Uma labradora chocolate chamada Hazel. Ela foi a melhor filhote, adorava brincar, e depois cresceu e se transformou numa foca. — O quê? — Sadie bufa. — O que você quer dizer com ‘foca’? — Ela ficou gorda, o tipo de gorda que parece uma foca e fica procurando lugares para deitar. Quando tentávamos tirar uma foto dela sentada, ela imediatamente começava a escorregar,


sua gordura a puxando para baixo. — Como ela ficou tão gorda? — O humor na voz de Sadie enche meu coração. Isso. É disso que tenho sentido falta. Eu a aperto um pouco mais. — Nós vivíamos no Estado do vinho naquela época, e tínhamos um mini pomar no quintal. Sempre nos perguntávamos por que não éramos capazes de colher muitas uvas até que percebemos que Hazel estava comendo todas elas. Eu vou ser honesto aqui: cocô de uva é repugnante. E então, uma vez que ela já era obesa, foi praticamente impossível fazê-la perder peso, apesar do quão duro nós tentamos. — Pobre menina. Mas você tem que dar créditos a ela por estar tão confortável em sua própria pele. — Nós dois rimos. Acho que, se Sadie visse uma foto de Hazel, realmente seria capaz de apreciar o tamanho do cão. — Conte-me outra coisa. Ela boceja e bate em meu peito. — Acho que já tivemos o suficiente esta noite. A risada que brota de mim sacode seu pequeno corpo. — Você pretende encerrar a noite após responder a uma única pergunta? Isso não vai acontecer, Calças Doces. — Bem, nós podemos conversar, ou fazer isso... — Sua mão desliza para baixo, passando pelo meu estômago e avançando direto para o meu pau, que habilmente começa a acariciar. Com dois golpes eu já estou duro. — Então, falar é superestimado. — Eu a giro para cima de mim e a sento em minhas pernas, minha ereção crescente entre nós. Com ela me olhando de cima, seus cabelos emoldurando seu rosto e seus seios balançando levemente, por um segundo não me imagino tendo mais sorte ao longo da vida do que neste momento - mas então ela pega meu pau e começa a esfregar a ponta ao longo de seu quente calor molhado. Pois aí está, isso certamente caracteriza mais sorte. Um assobio escapa de meus lábios pela sensação do meu


pau esfregando contra sua boceta lisa. Foda-se, é incrível. Ela continua a friccionar contra mim quando eu digo: — Não pense que você me distraiu de fazer mais perguntas. — Eu não acreditaria nisso nem por um segundo. — Ela começa a esfregar meu pau contra seu clitóris ainda mais rápido. — Mas preciso aliviar a dor de sentir sua falta primeiro, para que então possamos conversar. Meu coração incha por sua admissão. — Estou bem com isso. Alivie qualquer dor que quiser, querida.


CAPÍTULO-VINTE E TRÊS SADIE

— Devo picar a bola no chão e então bater, ou só joga-la para cima? — Pergunto do outro lado da rede, segurando uma raquete de tênis em uma mão e uma bola na outra. — Jogue a bola pra cima e bata, como nós praticamos — Andrew grita do outro lado da quadra. Me fazendo de idiota, digo: — Eu não consigo me lembrar. Meu namorado gostoso – aquele com os cabelos bagunçados e sexys e antebraços enormes – corre em minha direção com um belo sorriso no rosto. Eu assisto com fascinação os raios de sol que brilham em sua pele bronzeada, destacando cada tendão musculoso em seu peito. Ele tem a quantidade exata de músculos, nem mais nem menos. — Eu pensei que nós já tivéssemos passado por isso. — Mas eu esqueci. — Sim, eu estou bancando a mulher indefesa, mas como poderia evitar? Eu realmente quero que ele envolva seus braços ao meu redor novamente. — Sim, com certeza. — Ele ri, seu peito roncando atrás de mim enquanto segura meu braço e me mostra como jogar a bola para cima e acertá-la mais uma vez, sua respiração fazendo cócegas no meu ouvido enquanto ele fala. — Assim, lembra? — Seu rosto está pressionado contra o meu, seus lábios estão acariciando minha pele, e a sensação de senti-lo tão perto faz meu corpo inteiro formigar com eletricidade.


Em vez de responder sua pergunta, me viro em seus braços e coloco minhas mãos atrás de seu pescoço. Pressiono meus lábios contra os dele e derreto quando suas mãos pressionam a parte inferior das minhas costas, me puxando para mais perto. Este homem, ele é tão viciante, tão doce, tão enlouquecedor de quente - especialmente quando me prensa contra a parede do chuveiro e me conduz pelo mau caminho. — Sabe, se continuarmos fazendo isso... — ele me dá pequenos beijinhos nos lábios enquanto fala, — nunca vamos terminar nosso exercício. — Eu conheço uma maneira melhor para nos exercitarmos. Ele bate na minha bunda e diz: — Só faremos sexo depois que você experimentar nhoque hoje à noite. Fizemos um acordo. — Não entendo por que fizemos esse acordo. — Eu faço biquinho enquanto ele se afasta e ajusta seus calções. Um pau duro, bem ali, senhoras. — Porque você se recusou a experimentar. Foi por isso que fizemos esse acordo, para fazê-la superar sua estranha aversão a macarrão de batata. — Por que alguém faria macarrão com batata? Bastava chamar a coisa de bolinho de batata italiano e acabar logo com isso. Ele passa a mão sobre o rosto e fala entre dentes cerrados: — Pela centésima vez, não é um bolinho de batata! — É feito de batata no formato de um pequeno cubo. Soa muito parecido a um bolinho de batata para mim. Ele balança a cabeça e volta para o outro lado da quadra. — Eu não posso lidar com você agora. Apenas espere até hoje à noite. Vou lhe mostrar que nhoque não chega nem perto de ser a versão italiana de um bolinho de batata. — Só acredito vendo, — replico. E então eu jogo a bola para cima e a golpeio sobre a rede, colocando-a perfeitamente no canto – e fora do alcance de Andrew. O olhar de puro choque que toma conta de seu rosto é cômico. — Que porra é essa? Você estava fingindo...? Levanto os dedos e digo: — Só um pouco. Endireitando-se, ele me olha de cima a baixo e diz: — Me


sinto tão usado. — Você vai superar. — Puxo outra bola do bolso e digo: — 15-love. Sacando. Rapidamente, ele fica em posição e defende meu saque. Jogamos um pouco antes de ele enviar a bola além do meu alcance, não me dando nenhuma chance de mantê-la em jogo. Bastardo esperto. — Não pense que vou facilitar para você só porque tem seios e uma boceta perfeita. — E quando você já foi fácil comigo, Cannon Cock? — Dou-lhe um olhar aguçado. Um sorriso arrogante atravessa seu rosto. — Verdade. — Alimentando sua quota de idiotice do dia, ele faz um movimento pélvico em minha direção, ganhando um gigante rolar de olhos. — Continue assim e eu nem vou me sentir mal por não comer nhoque. — Sim, mas isso significa que você também não vai se dar bem comigo mais tarde. Eu pego uma bola no chão e digo: — Ok, não é um problema. — Ha! — Ele zomba. — Por favor, baby. Você é viciada em mim, e de jeito nenhum conseguiria ficar longe do meu pai. Mas é bonito que você esteja tentando me convencer do contrario. Ugh, infelizmente ele está certo. Estou realmente viciada nele. Tanto quanto gostaria de dizer que eu não... é impossível negar.

— Admita. Admita agora mesmo. Andrew está de pé na minha frente, vestindo um avental coberto de farinha de trigo e segurando uma colher de madeira na mão, pingando molho marinara. Há um brilho conhecedor em seus olhos, e um sorriso sacana em seus lábios.


— Vamos, querida, eu prometo não titubear. Apenas diga as palavras mágicas. Diga que gosta de nhoque. — Ele cruza os braços sobre seu peito nu, aquele que descansa por baixo do avental que o fiz vestir mais cedo, e espera minha resposta. Não há como mentir, ele vai ver em meus olhos. Especialmente quando eu pedir mais, por que... bem, porque nhoque é a melhor coisa que já coloquei na boca. Meu Deus! Por que evitei come-lo por tanto tempo? Eu devo ser louca. — Bem… Desistindo, coloco uma colherada na boca e respondo enquanto mastigo. — É incrível! Ok? Eu adoro, e quero mais. Quero a panela inteira. Andrew demonstra muitas expressões, e eu tenho que admitir, amo todos elas... exceto quando ele está com raiva. Mas esse olhar de total satisfação e orgulho? É maravilhoso. Mesmo que tenha sido ele quem fez algo incrível, seu rosto mostra felicidade por mim. Ele abaixa e beija minha boca, atualmente cheia de nhoque. — Eu sabia que você ia gostar. Eu te conheço, não conheço? Concordo. — Você me conhece. Ele balança o punho no ar e se vira para a panela no fogão. — Porra, sim! Eu conheço a minha garota. E será que você pode admitir agora que não se parece nada com um bolinho de batata, porque é francamente insultante você ter insinuado tal coisa? — Você está sendo um pouco sensível demais sobre nhoque. É um pouco preocupante, na verdade, — brinco. — Apenas admita. — Com um prato na mão, Andrew senta ao meu lado na pequena mesa no apartamento que compartilho com Smilly. Ele ainda está de avental e sem camisa, portanto posso ver o topo de sua cueca boxer aparecendo na cintura da calça jeans apertada. Mmm, o encontro perfeito. Ele é gostoso e cozinha. Dando-lhe um tempo, digo: — Tudo bem, nhoque não é nem um pouco parecido com bolinhos de batata. Está feliz agora? Sob a mesa, ele aperta a parte superior da minha coxa e


pisca para mim. — Completamente satisfeito. Apreciamos nossa refeição juntos, falando sobre nossos outros pratos italianos favoritos depois do nhoque - a minha é espaguete à bolonhesa com almondegas da Little Venice, um pequeno restaurante no centro de Binghamton, e a de Andrew é berinjela a parmeggiana. — Deixe-me cuidar disso. — Andrew fica de pé e limpa meu prato para mim. — Cozinhar e limpar... que tipo de show você está tentando fazer agora? Ele começa a enxaguar os pratos e colocá-los na máquina de lavar louça enquanto diz: — Tentando ganhar o prêmio de melhor namorado. Você acha que tenho chance? Dirijo-lhe um olhar malicioso e mordo meu lábio inferior. — Definitivamente. O som da porta da frente abrindo perturba nosso pequeno tête-à-tête quando Smilly e Saddlemire entram no apartamento, suas vozes ecoando pelas paredes até que eles veem Andrew sem camisa na cozinha, e eu, sentada muito perto dele. Eles ficam em silêncio enquanto assimilam a única vela acesa sobre a mesa, a música ambiente tocando em meu computador e o homem parcialmente nu na cozinha. — Oh, o que está acontecendo aqui? — Smilly pergunta. A pergunta correta seria: o que eles estão fazendo aqui? Eles deveriam ficar no apartamento de Saddlemire hoje à noite - eu confirmei o plano mais cedo com Smilly. — Jantar, — respondo, minha garganta apertando por algum motivo. Deus, parece que acabei de ser pega no quarto com um menino. Eu permaneço ali parada enquanto Andrew termina a louça, eventualmente perguntando a Smilly: — Por que vocês estão aqui? Você deveria ficar na casa de Saddlemire. — Seus companheiros de quarto estavam dando uma festa esta noite, e ele tem um compromisso de manhã cedo, então viemos para cá. Eu sinto muito. Vocês não podem ir para a casa


do Andrew? Olho de volta para Andrew e balanço a cabeça. — Não, suas companheiras de quarto estão dando uma festa também, e da última vez que ficamos lá durante uma festa, bêbados aleatórios continuaram entrando no quarto no meio da noite para tocar a virilha do pôster de Derek Jeter. — Isso é quase um ritual agora. Pobre Derek. — Então... — Smilly olha ao redor e sorri. — Acho que vamos ter uma grande festa do pijama. —Parece que sim. — Nervosismo toma conta do meu corpo. Esta será a primeira vez que Smilly e Saddlemire passarão um tempo com Andrew. Vai ser interessante.

— Não há como você ter colocado isso. Deixe-me ver seu papel, — digo, escalando o colo de Andrew para pegar seu tabuleiro. — Eu me oponho a ser usado como trepa-trepa. — Ele diz, me mantendo afastada de seu tabuleiro. — A quem você está objetando? — Pergunto, lutando contra sua força. — Saddlemire, é claro. Ele é o juiz deste jogo. O código de irmão deve estar forte esta noite, porque Saddlemire limpa a garganta e diz: — Sadie, sente sua bunda e deixe o homem em paz. Irritada, encontro meu lugar no tapete e levanto a mão. Saddlemire acena com a cabeça para mim, me autorizando a falar. —Exijo ver provas de que ele escreveu “mão de masturbação” em seu papel. É impossível ambos termos escrito a mesma coisa. Se ele quiser contabilizar meus pontos, precisa mostrar a prova. — É um raciocínio justo. —Parecendo mais régio do que


jamais o vi, Saddlemire gesticula para Andrew. — Senhor, por favor, mostrenos “mão de masturbação” em seu papel. O sorriso mais excêntrico se estende por todo o rosto de Andrew enquanto ele vira sua placa em nossa direção e sublinha onde escreveu “mão de masturbação” DIABOS! — Whoa. — Smilly senta-se de encontro à parede, um Twizzler pendurando para fora de sua boca. — Estou impressionada. Quais são as probabilidades dos dois responderem “mão de masturbação” em “coisas que não tocaria”? Quero dizer... — ela olha para seu próprio papel, — eu coloquei sarampo. Mas, “Mão de masturbação”... o que diabos vocês dois têm feito? — Eu estava tentando ser criativa! Nós nos voltamos para Andrew, que apenas dá de ombros, sem se importar: — Eu tenho tentado responder todas as questões com respostas sujas. É um verdadeiro desafio, na verdade. — Não duvide de si mesmo. — Saddlemire aponta para ele. — Sua resposta “peitões” para “algo que se balança” foi bastante genial. — Estou muito orgulhoso disso. Mesmo que eu esteja perdendo - terrivelmente, já que alguém bloqueia quase todas as respostas que escrevo - não posso deixar de me sentir um pouco tonta por dentro ao ver Andrew se dar tão bem com Smilly e Saddlemire. Acho que é simplesmente muito difícil não se dar bem com Andrew, na verdade. Esticando meus braços acima da minha cabeça, eu bocejo e encaro meu namorado. — Estou cansada. Ele me olha de cima a baixo com um brilho conhecedor em seus olhos. — Você está cansada? Ou cansada de perder? — Estou cansada, — digo com convicção. Meus amigos e Andrew trocam olhares e dizem juntos: — Você está cansada de perder. A criança petulante em mim dá as caras quando jogo minhas respostas para o alto e vou ate o banheiro escovar meus


dentes e me preparar para a cama. Mantenho o bom humor, mas provo meu ponto: o jogo acabou. Minha escova de dente está em minha boca quando Andrew aparece atrás de mim e envolve seus braços ao redor da minha cintura, dando um beijo no meu pescoço. — Eu posso ir para casa se você quiser. — O que? Não! — Respondo com a boca cheia de pasta de dentes. — Sadie, vocês só têm um quarto. Não estou prestes a ter uma festa do pijama gigante com Smilly e Saddlemire. Seria estranho. Eu cuspo minha pasta de dentes na pia, enxaguo minha boca e depois me viro em direção a ele. — Vamos dormir na sala de estar. Eu também não quero compartilhar um quarto com eles, especialmente porque eles ficam de mão boba um com o outro à noite. Ele ri e beija o topo da minha cabeça. — Ok. Deixe-me escovar os dentes primeiro que a ajudo a montar nossa cama na sala de estar. Já de pijamas, arranco meu edredom e travesseiros da cama e os levo para a sala de estar. Então pego os sacos de dormir de Smilly, que ela mantem no armário do corredor para quando nossos amigos passam a noite, acomodoos juntos e crio uma espécie de colchão para Andrew e eu dormirmos sem precisarmos deitar diretamente no tapete. — Oh, bom, eu estava me perguntando como isso iria funcionar, — diz Saddlemire, olhando para o meu arranjo enquanto bebe sua cerveja. — Mas, se vocês quiserem compartilhar o quarto, eu adoro estranhezas. — Ele ri e se afasta, pisando em meus travesseiros no processo. — Sebastian! — Grito com ele, ganhando seu atenção e de Smilly. Usar primeiros nomes sempre faz isso acontecer. — O que aconteceu? Por que você está usando esse nome? — Smilly corre ate a sala, olhando ao redor freneticamente. — Ele pisou no meu travesseiro com seu pé de Sasquatch, — me queixo quando Andrew entra, sem camisa. — Eu não queria. Foi um acidente. — Saddlemire olha na direção de Andrew e geme. — Vamos lá, cara. Que porra é essa?


Se você tem abdominais, tem que usar uma camisa. Entendeu? — Saddlemire reclama para Andrew e anda direto para o quarto. Smilly lentamente circula Andrew, observando-o. — Eu não me importo com os abdominais. Nova regra: se você tem abdominais, não está autorizado a usar camisa neste apartamento. — Virando-se para mim, Smilly diz: — Vou pegar uma fronha limpa. Quem sabe que tipo de doenças aquele pé de Sasquatch contem. Volto logo. Andrew observa Smilly se afastar antes de deitar na cama improvisada comigo. — Sobre o que foi tudo isso? — Aquele pé estúpido e peludo pisou num dos nossos travesseiros. — Eu tremo. — Ele tem pés realmente peludos, é assustador. — Aqui! — Smilly joga uma fronha em nossa direção e diz: — Tenham uma boa noite. — Então sacode as sobrancelhas sugestivamente e desaparece. Eu troco a fronha, certificando-me de virar a pisada por Sasquatch pelo avesso antes de jogá-la perto do banheiro - apenas no caso de qualquer pelo ter nascido no processo - e apago as luzes. Andrew já está deitado quando me junto a ele, e instintivamente nós nos enfrentamos. Ele agora está apenas com sua boxer, seus jeans dobrados na poltrona atrás da gente. Seu bafo de menta me invade, bem como aquele sorriso devastadoramente encantador. — Esta noite foi divertida, querida. — Sim. — Eu sorrio... porque ele me faz feliz. — Eu estava um pouco nervosa no início, já que eles gostavam muito do meu último namorado. — Oh, sério? — Ele levanta a sobrancelha me questionando. — Você acha que eu cheguei perto dele? Eu acaricio sua mandíbula, aproximando-me um pouco mais enquanto respondo: — Nem mesmo perto. Você é, de longe, o favorito. — Isto é o que eu gosto de ouvir. Mesmo enquanto minha resposta ainda ecoa em meus ouvidos, eu sei que é a verdade. Andrew não se compara a Tucker. Ambos os homens são incríveis a sua própria maneira.


Tucker é leal, comprometido, intenso e muito cru. Ele conhece cada último centímetro da minha vida, o bom e o mau. Ele simplesmente não era o homem certo para mim. Já Andrew... ele é pateta, engraçado, carinhoso e atencioso. E me faz feliz, enquanto Tucker me lembra de tudo aquilo que quero deixar para trás, tudo que quero esquecer. Quando se trata disso, posso claramente imaginar um futuro com Andrew. — Obrigado por me deixar sair com vocês esta noite. — Você não tem que me agradecer, Andrew. Sua mão começa a viajar pela parte de trás da minha blusa fina, e eu saúdo a sensação de sua forte palma pressionando contra mim, a forma como seus dedos percorrem habilmente minha pele. — Eu sei, mas foi um grande passo para você, então queria te mostrar que aprecio você tentando se abrir para mim. — Você é tão doce. — Mesmo? — Ele me puxa para mais perto e move sua mão para cima. — Algum outro atributo meu que você gostaria de elogiar? — Buscando elogios? — Sempre. — Ele se inclina para frente e pressiona seus lábios suavemente contra os meus. Sua mão pressiona minhas costas, me atraindo assertivamente em sua direção. Sua língua se movimenta entre os meus lábios, suavemente, apenas uma leve pressão de seus lábios. Isso é o Andrew. É sublime. Um leve gemido escapa de meus lábios enquanto me derreto por seu toque, por seus beijos. — Deus, você se encaixa tão perfeitamente em meus braços, Sadie. É como se eu tivesse nascido pra te abraçar. Aperto minha mão contra sua bochecha e o beijo mais profundamente, meus quadris começando a esfregar contra os dele. Não estou surpresa quando, apenas após alguns segundos, sinto sua ereção, ansiosa e pronta. Não mais me puxando em sua direção, sua mão agora viaja ate a parte da frente da minha blusa, onde encontra meu peito. Ele é suave em seus movimentos, e desencadeia uma onda


de arrepios por todo meu corpo quando a almofada de seu polegar acaricia meu mamilo endurecido. Eu me sinto tão pequena contra seu corpo impressionante. Também me sinto sexy sentindo sua ereção ansiosamente esperando por atenção. E me sinto segura, porque sua paciência e força me permitem explorar em meu próprio ritmo. Intensificando um pouco as coisas, ele aprofunda nosso beijo, sua língua carente procurando a minha, seu aperto em meu peito cada vez mais firme, seu polegar agora beliscando em vez de esfregar. É como um tiro certeiro de prazer, deixando meus nervos em chamas. As coisas esquentam rapidamente, mas isso é o que sempre acontece com Andrew. Ele pode estar apenas brincando num segundo, mas no seguinte vai me inclinar sobre a superfície mais próxima e verificar se estou ligada - o que sempre acontece quando estou perto dele. Eu nunca tinha percebido quantas formas de fazer amor podem existir. Divertido, quente, intenso, feliz, duro, forte, gentil... Andrew parece determinado a me fazer experimentar tudo que a vida tem a oferecer, como se me mimar fosse seu único objetivo. É normal sentir-se tão querido? Toda vez? Eu afasto a mão do rosto dele, descendo por seu peito nu e deixando meus dedos se moverem sobre os contornos de seus músculos, passando um pouco mais de tempo ao redor de seus abdominais e amando quão deliciosamente definidos eles são. Minhas unhas raspam sua pele, e eu adoro sentir o quanto sua respiração acelera até eu finalmente chegar à cintura de sua boxer. Seu beijo se intensifica quando eu deslizo meus dedos além do elástico em sua cintura e esfrego a ponta de sua excitação. — Oh merda, — ele murmura contra meus lábios, sua testa caindo contra a minha. — Shh. Não quero que Smilly e Saddlemire nos escutem. Sussurrando em meu ouvido, ele diz: — Você não pode me dizer para ficar quieto quando faz algo assim no meu pau. Inclinando-me em direção ao seu ouvido, respondo: — Se você quer que eu continue a roçar seu pau, vai ter que ficar quieto. Você pode fazer isso?


— Não tenho certeza. — Sua mão solta meu peito e rapidamente abre caminho até meu short, deslizando para baixo do tecido e abrindo minhas pernas. Antes que eu possa sequer recuperar o fôlego seus dedos já estão deslizando para cima e para baixo em minha boceta. — Você pode ficar quieta se eu fizer isso? — Sim, — engasgo. — Tem certeza? — Seus dedos começam a se mover mais rápido, testando minhas forças. — Cem por cento de certeza. — Me concentro em minha respiração e foco minha atenção à minha própria intenção de fazê-lo gritar. — E quanto a isso? — Ele afasta sua mão e mergulha de ponta cabeça para baixo dos lençóis, apoiando as pernas em meu travesseiro. Suas mãos rapidamente seguram minha cintura, tirando meu short e o arrastando por minhas pernas. Como não estou usando qualquer roupa de baixo, Andrew me tem facilmente nua, e pela maneira como seus dedos estão me espalhando, tenho a impressão de que ele está apreciando imensamente a ausência de uma calcinha. Mas então ele sacode a língua sobre meu clitóris, e minhas pernas se apertam automaticamente. Sua risada vibra ao longo da minha boceta, e eu posso praticamente ouvir sua atitude arrogante. Não vai acontecer. Isso é guerra. Como ele está virado de cabeça para baixo, tenho acesso perfeito à sua ereção crescente, e então faço o que qualquer outra namorada competitiva faria: passo minha mão pelo elástico de sua boxer, liberto seu pau e começo a chupá-lo. Seu aperto em mim se intensifica, e sua língua demoníaca paralisa. Contra minha pele, sinto seu gemido de prazer enquanto seus quadris não mostram nenhuma vergonha em seus impulsos mínimos. Aw, o poder da boca de uma mulher... não há como negarOh, porra. Andrew não mostra nenhuma misericórdia uma vez que se recupera de meu ataque, achatando sua língua em minha buceta, lambendo profundamente, languidamente, tão terrivelmente


devagar que parece que tudo está ondulando e ronronando lá embaixo. Ele está sendo um ótimo oponente, mas estou determinada a não deixalo me distrair. Em vez disso, me concentro numa única coisa: seu pênis latejante. Eu começo a lamber e torcer minha boca sobre a cabeça de seu pênis, pressionando a ponta da minha língua no topo e, em seguida, chupando-o profundamente enquanto brinco com suas bolas, puxando-as e rolando-as suavemente apenas para, em seguida, pressionar aquele ponto à direita. Ele balança contra mim, fazendo-me reprimir uma risada. Mas quando penso que o tenho finalmente dominado, ele pressiona dois dedos dentro de mim e chupa meu clitóris, duro. Eu vejo estrelas, estrelas gloriosas, pretas e brancas. Da minha cintura para baixo já não posso sentir nada. Meu clitóris pulsa tão loucamente que esse é o único sentimento no qual posso me concentrar. Estou a ponto de gozar - mais um curvar de seus dedos, mais uma lambida, isso é tudo que preciso. Mas quando acho que ele vai finalmente me fazer perder o jogo, ele se afasta. Minha respiração engasga e meu protesto sai na forma de um gemido baixo que eu sei que somente nós podemos ouvir, embora isso não me impeça de arregalar os olhos, assustada. Ok, então... enquanto ele brinca, eu vou ganhar essa guerra. Com energia renovada, continuo a chupar seu pau enquanto habilmente pressiono seu períneo. Um brilho leve de suor cobre seu corpo, e eu posso sentir que seu fim está próximo pela maneira como seu peito respira e inspira rapidamente contra meu estomago. Recuperando um pouco da compostura, ele começa a mexer meu clitóris com sua língua novamente, e seus dedos trabalham seu caminho profundamente dentro de mim. Estamos literalmente chupando um ao outro ate a morte. Não há qualquer finesse. Pelo contrario: é rápido. É brutal. E é sexy pra caralho. É uma batalha para ver quem consegue fazer o outro alcançar o orgasmo primeiro - uma batalha perigosa que posso sentir-me perdendo, porque com cada pressão de sua língua, minha mente fica cada vez mais em branco. Estou no piloto automático, meu corpo apenas reagindo


aos movimentos de Andrew. Prazer se constrói em meu estômago, enrolando, mexendo, queimando. Logo ali. Eu posso sentir. Meu clitóris bate contra a língua de Andrew. Apenas mais um… Prazer puro estoura através de mim, agitando meus nervos ensandecidamente. Meu estômago contrai, meus dedos se enrolam e minha boca se agarra a Andrew perigosamente, abafando meu gemido. Sentindo a pressão extra em torno de seu pau ele bombeia uma, duas, três vezes, e então rapidamente se afasta e acaricia seu próprio pênis, derramando seu orgasmo em meu estômago nu, seu gemido vibrando contra minha boceta sensível. De debaixo das cobertas posso ouvi-lo murmurar algo, mas não consigo entender. Estou prestes a perguntar o que ele está falando quando a porta do quarto se abre e Smilly sai. — Desculpe, esqueci minha água. Você sabe como eu sempre sufoco em minha própria saliva à noite. Sem minha água, eu... — Parando no meio do caminho para a cozinha, ela olha para mim, registrando eventualmente que estou deitada ao lado das pernas de Andrew. Ela então inclina a cabeça para o lado, tentando entender o que está acontecendo. —Uh! — Não, não estão lá embaixo, — diz Andrew, se endireitando ao meu lado. Quando ele aparece, seus cabelos estão escorregadios de suor e seu rosto está vermelho. Oh Deus, é tão óbvio. Limpando a boca - sim, NEM UM POUCO óbvio - ele sorri para Smilly e diz: — Ela perdeu as meias. Não consegui encontrá-las. — Ah, sim? — Smilly nos observa atentamente e então pergunta: — E você já procurou o suficiente por elas na vagina de Sadie? Ou vai precisar dar uma segunda olhada? Nem sequer pestanejando, Andrew responde: — Poderia ter que verificar novamente uma vez que minha língua descansar. Não bebi bastante água hoje, ela está um pouco ressecada. Bato no braço dele, fazendo-o rir. Por que eu sequer considerei que ele poderia ser discreto? Ele nunca é - e eu acho que essa é uma das muitas coisas que eu gosto tanto nele. Isso e o fato dele me dar orgasmos incríveis. Toda. Vez.


CAPÍTULO-VINTE E QUATRO SADIE

— Você realmente não vai me deixar fazer seus sundaes? — Andrew pergunta, se inclinando para perto de mim enquanto sirvo sorvete numa taça. — Eu não me importo, você sabe. Eu até mesmo tenho cuidado extra com os seus pedidos, para mostrar minhas habilidades de fazer sundae e impressionar minha mentora. — Não é necessário. — Dou risada. — E eu não me importo de preparar meus próprios pedidos quando você está aqui, porque isso me dá a chance de passar um pouco de tempo extra com você. — Whoa. — Ele se afasta, parecendo chocado. Mas em seguida se inclina e sussurra: — Você está flertando comigo? Comigo, o cara de óculos? — Vá em frente, faça um show. Veja onde isso te leva. — Deixe-me adivinhar: sexo no freezer, finalmente. — Não, — zombo. Virando-me para ele, ainda com a colher de sorvete na mão, me apoio contra o balcão e respondo: — Primeiro, eu nunca mais vou fazer algo sequer remotamente parecido com sexo novamente neste estabelecimento. Tivemos sorte por não termos sido pegos. — Abrace seu lado selvagem, baby. — Ele pisca. — Em segundo lugar, — continuo, cortando-o antes que ele possa elaborar uma resposta, — o freezer está cheio de carne. Parece errado realizar atos sexuais em torno da carne. Eu sei que isso parece uma coisa estranha de se dizer, especialmente porque algumas pessoas se referem aos órgãos


sexuais como carne nas gíria de hoje - você sabe, açougue para buceta, salame para pau. Mas não faz qualquer sentido foder num quarto congelado, com quilos de carne balançando ao redor. — Suas sobrancelhas se juntam em questionamento, tentando entender meu raciocínio. Não lhe dou tempo para pensar. Açougue – eaw. — Enfim. Eu só não quero foder ao lado de partes de carne congelada e de asas de frango. Iria parecer que como se estivessem olhando para mim. Além disso, você não estaria preocupado com o frio? Porque não estou disposta a ter relações sexuais com uma uva passa. — Espere: como foi que o Cannon Cock se transformou numa uva passa? Mesmo em seu pior dia, meu pau bate a maioria dos paus. Não o desafie, ou serei obrigado a enfiá-lo num pote de sorvete de baunilha – sem açúcar - agora mesmo e foder você contra a parede de milkshake só para provar um ponto. A impressora apita, anunciando um novo pedido, o que é bom, porque me dá um momento para processar a ameaça de Andrew. Como ele sempre me deixa tão excitada? Mesmo contra a parede nojenta de milkshake. — Hm, sexo contra a parede nojenta de milkshake com um pau coberto de baunilha – sem açúcar – seca! Uau, você realmente sabe como cortejar uma mulher. Onde eu assino? Sua cabeça cai para trás enquanto ele ri, os músculos em sua garganta se movendo para cima e para baixo em uma das risadas mais sexys que eu já vi. Hmm, a parede de milkshake não está parecendo tão ruim agora. — Ei lindo. Recebeu meu pedido? Michelle. A perversa pressionadora de peitos. Toda vez que ela faz um pedido também visita Andrew, para se certificar de que ele recebeu sua ordem. E nesse processo, deixa bem claro o que realmente quer: fodê-lo. Se pudesse, tenho certeza que ela trabalharia em topless, só para chamar a atenção. É irritante, mesmo que Andrew não mostre qualquer sinal de estar sequer minimamente interessado. — Sim, está aqui, — responde Andrew, segurando o bilhete. — Me dê alguns segundos que já vou tê-lo pronto.


— Sem pressa. Vou esperar aqui. Claro que vai. — Você tem treinado mais? Parece tão forte. — Oh meu Deus, será que ela entende o quão desesperada soa? — Quero dizer, seu uniforme parece mais apertado. Andou fazendo flexões extras? Eu dou uma olhada na camisa de Andrew e percebo que realmente parece mais apertada. Ele tem feito flexões extras? Eu sei que ele vai à academia regularmente, mas cera___2 que esta treinando mais que o normal? E como é que eu precisei de Michelle para perceber isso? Eu não deveria saber que os músculos do meu namorado estão ficando maiores? — E suas calças, são novas? Elas estão fazendo sua bunda parecer tão apetitosa. Meus olhos colam no traseiro de Andrew agora. Huh, ela tem razão quanto ao apetitoso. Essas calças são novas? Elas param baixo em seus quadris, e eu sei que se ele levantasse só um pouquinho sua camisa, poderia me proporcionar um vislumbre de sua pele tonificada. — Eh, sim, são novas. — Andrew responde desajeitadamente. Quando ele comprou calças novas? Na verdade, isso nem deveria importar, mas então por que Michelle percebeu? Gah, aposto que ela secretamente tira fotos dele e as coloca no quadro dos ‘homens que ela quer foder’. Aposto inclusive que ela o chama de ‘lista de foda’. E quando finalmente os caça com seus seios falsos, os coloca em um álbum de recortes o qual folheia todas as noites, relembrando de todos os pênis que já rechearam sua vagina. Bem, isso nunca vai acontecer com Andrew. Não vou permitir que ela fique roçando seus mamilos reconstruídos no meu namorado. — Você sabe, eu sonhei com você... — Você pode parar, Michelle? — Irritação flui através de mim enquanto minhas mãos formam punhos em meus lados. — Como? — Michelle pergunta, endireitando-se e se comportando como se estivesse prestes a arrancar suas unhas falsas e entrar numa luta de puxar cabelos. Deus, ela pode ser


aterrorizante às vezes. Respirando profundamente, envolvo meu braço em torno de Andrew, dando um salto de fé e dizendo: — Andrew é meu namorado agora, e eu realmente gostaria que você parasse de lhe perguntar sobre sua rotina de exercícios e se ele esta usando calças novas. Também apreciaria que evitasse lhe contar sobre qualquer sonho quente que teve a seu respeito. Ele é meu, então você precisa recuar. E simples assim parece que o vento derrubou as velas de Michelle, porque sua reação não é o que eu esperava. Ela quase parece ofegante... Hm, ela vai desmaiar? Por favor, Deus, não a deixe desmaiar. Eu não preciso desse tipo de drama em minha vida. Finalmente Michelle aponta um dedo para nós dois e pergunta: — Você está dizendo que vocês estão namorando... exclusivamente? — Sim, — eu digo com orgulho. — Andrew e eu somos exclusivos, então, por favor, se você não se importar, pare de esfregar seus peitos nele. É inapropriado, e honestamente, grosseiramente desesperado. Tenha um pouco de orgulho, Michelle. Ela não responde, apenas nos encara de boca aberta em estado de choque. Para quebrar a tensão, Andrew segura o sundae terminado e diz: — Aqui. Sundae de chocolate quente prontinho para servir. — E finaliza a frase com um sorriso. Sem dizer uma palavra, ela pega o sundae e se afasta, ainda mantendo aquele maldito rebolar. Acho que algumas coisas nunca vão mudar. Inclinando-se para o meu ouvido, Andrew aperta meu quadril e diz: — Eu vou foder você tão duro por isso hoje à noite. Droga, querida. Eu gosto quando você me reivindica. Eu me viro para ele e cutuco seu peito. — Da próxima vez que você comprar novas calças, vai ter que me dizer. Não quero que Michelle perceba antes que a sua namorada. Honestamente, Andrew! Com meu sundae na mão eu saio tempestuosamente da sorveteria, um pequeno sorriso escondido em meus lábios. Sua bunda realmente parece ótima naquelas calças, e eu mal posso


esperar até que ele me foda hoje à noite.

— Passe, Andrew, passe a toranja. — Não é uma bola de basquete, Katja, eu como isso. — Passe a fruta, — ela continua, balançando os braços. Eu observo como Andrew batalha com suas companheiras de quarto, tentando proteger seu café da manhã que elas insistem em usar como bola de basquete. A certa altura todos estão correndo em volta da cozinha, tentando agarrar a toranja dele como se estivessem na quadra, tentando ganhar a posse da bola. E elas o superam em número. — Se você não nos deixa fazer topless na terça-feira, pelo menos passe a fruta. — diz Leena. Topless à terça-feira foi proibido depois de todo o mal-entendido entre Andrew e eu. Ele também fez questão de evitar o ‘mostre-me sua bunda’ aos sábados, algo que Leena continua solicitando. E agora também existem três cartazes com as regras da casa presos com tachinhas na parede da sala de jantar. A primeira regra é: manter suas partes íntimas privadas e cobertas. Há exceções a essa regra, é claro, como: é permitido descobrir as partes intimas para usar o banheiro, para dormir e quando se está no próprio quarto com a porta trancada. Eu considero esse um compromisso justo, pois as meninas ainda podem ter topless à terça-feira, desde que permaneçam em seus quartos. Outras regras são: 01. Bater antes de entrar no quarto de alguém. Isso foi estabelecido depois que Katja entrou no quarto de Andrew e o pegou me fodendo sobre a mesa. Ela disse que eu tinha uma buceta agradável, o que eu tomei como um elogio maravilhoso. Tosse. 02. Você só tem permissão de usar sua própria lâmina, e outras lâminas de barbear estão fora dos limites. Você pode


imaginar por que Andrew escreveu isso. 03. Agarrar a virilha de Andrew como saudação não é uma saudação. Apenas apertos de mão e batidas de punho são permitidos. Uma noite, Leena teve a impressão de que a virilha de Andrew também precisava de um olá. Ela estava errada. E por último: não tocar nos peitos da namorada do Andrew. Eu não sei o que há de errado com essas garotas, mas elas são muito táteis. O primeiro toque de peitos me pegou desprevenida. O segundo, terceiro, quarto e quinto... esses foram apenas inconvenientes. Quase chegou ao ponto de eu entrar na casa e me sentir como se tivesse feito algo errado se nenhuma delas tocasse meus seios. Foi quando Andrew pôs um fim nisso. Ele não queria que eu fosse condicionada a esperar que meus peitos fossem acariciados quando fosse visita-lo. Após a entrada em vigor das regras, consequentemente temos tido grandes momentos coexistindo juntos. Eu particularmente adoro passar a noite na casa de Andrew, porque é sempre fascinante e um pouco assustador ver aonde Leena e Katja vão se meter. As outras três companheiras de quarto supostamente devem chegar durante a próxima semana, já que as aulas e práticas de basquete começam em breve. — Só passe, Andrew, — Katja diz com irritação, o que eu acho engraçado uma vez que ela está se referindo a toranja de Andrew. Desistindo, já que sabe muito bem que nunca vai ganhar quando Katja e Leena tiverem algo em mente, ele joga a toranja para Katja, que faz um passe rápido para Leena, que finge ir para a esquerda e para a direita antes de saltar no ar e passar a toranja através de uma cesta que Katja está segurando. Em câmera lenta, todos nós assistimos a toranja furar a cesta e cair direto para no chão, onde se espalha por toda parte. Derrotado, Andrew apoia as mãos nos quadris enquanto balança a cabeça. — Sim, eu imaginei isso acontecendo. Katja se inclina e olha para a fruta esmagada. — A Toranja está fora do jogo. Talvez você possa fazer vinho com ela agora. — Mas não é... — Andrew suspira e passa a mão pelo rosto.


— Não é uva. Por que eu o acho tão quente quando ele fica louco? Há algo no modo como a raiva vibra por ele que me excita. Isso é estranho? Talvez um pouco, mas, oh, bem. Não posso evitar. — Eu não vou limpar isso. — Andrew pega minhas mãos e me puxa para fora do balcão. — Você quebrou, você limpa. E use materiais de limpeza, ou então o chão vai ficar pegajoso. Vou acrescentar ‘não esmagar frutas no chão’ nas regras. Ele nos leva para fora da cozinha enquanto Leena e Katja dizem ao mesmo tempo: — Sim, Maammo. Eu solto uma pequena risada, o que não deixa Andrew muito feliz já que ele me olha com os olhos franzidos. Muito ruim para ele que seu cenho franzido me excite também. Ele me leva ate seu quarto e fecha a porta, certificando-se de trancá-la. Então se inclina contra a madeira e sopra um longo suspiro. — Essas duas vão ser a minha morte, eu sei disso. Aquela pobre toranja, atacada pela Finlândia sem qualquer chance de defesa. Um crime de ódio vicioso contra um fruto proibido. — Ele balança a cabeça. — Vou acrescentar ‘nenhum ataque às toranjas ou a qualquer outro tipo de fruta’ na lista. Talvez esta tenha morrido para poder salvar suas sucessoras. Eu o estudo, ouvindo o balbuciar sem sentido que sai de sua boca. — Acabou? — Pergunto, alegria atada em minha voz. — Sim. — Ele caminha até sua mesa, onde se senta antes de bater em seu colo me convidando pra sentar também. — Quer me ajudar a encontrar versões baratas dos livros que preciso neste semestre? Finalmente consegui a lista, e quero ver se consigo alguns descontos. Você acredita que as aulas começam em duas semanas? Para onde foi o verão? Eu engulo dolorosamente e finjo um rosto brilhante. — Uh, sim, louco. Culpa me engole inteira enquanto permaneço sentada no colo de Andrew pelo tempo que ele leva para me mostrar sua lista


de livros. Eu não acho que já conheci alguém tão entusiasmado com a graduação. Para ele, o primeiro dia de aula deve parecer o mesmo que o Super Bowl significa para um homem com barriga de cerveja e amante de esportes. Resumindo, ele está em êxtase. — E esse professor de Interfaces de Computador Humano, merda, ele é ótimo. Eu estava morrendo de vontade de entrar na classe dele desde que ouvi sobre a escola de engenharia em Binghamton. E você? A parte de trás do meu pescoço começa a suar. Eu praticamente posso sentir meus nervos entrando em ebulição em meu corpo. — O que tem eu? — Pergunto. — Você está animada com alguma das suas aulas? Eu fiz psicologia no ensino médio, e fiquei fascinado, embora um pouco perdido. Você sabe, não era matemática. Mas tenho certeza que você está aprendendo algumas coisas muito legais. Já realizou algum teste em ratos? Verificou se o cachorro de Pavlov38 é real? — É real, — respondo instintivamente. — Eu sei, só estou brincando. — Ele beija o lado da minha cabeça e suspira. — Inferno, eu nem sequer pensei no que vamos fazer quando a escola começar. Ithaca fica a cerca de uma hora de distância. Não é tão longe, mas sei que não vou conseguir te ver todos os dias como agora. Merda. — Ele passa a mão sobre o rosto. — Você não vai encontrar algum gênio por lá e se apaixonar por ele enquanto quilômetros nos separam, não é? Sua voz é brincalhona, mas seus olhos o entregam. Ele está nervoso, e machuca meu coração vê-lo pensar que existe a possibilidade de encontrar alguém melhor que ele. Porque isso é impossível. Andrew é o melhor homem que eu já conheci. Ele é tão bom para mim. É por isso que preciso contar a verdade. O condicionamento clássico (ou condicionamento pavloviano) é um processo que descreve a gênese e a modificação de alguns comportamentos com base nos efeitos do binômio estímulo-resposta sobre o sistema nervoso central dos seres vivos. O termo condicionamento clássico encontra-se historicamente vinculado à Ivan Pavlov (1849-1936) , a "psicologia da aprendizagem" de John B. Watson (18781958), e Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), também conhecido como sistema de punição e recompensa ou "comportamentalismo" (Behaviorismo). 38


— Seu silêncio está me deixando nervoso, querida, — ele brinca. Nervosamente. Eu pressiono as palmas das minhas mãos contra suas bochechas e o beijo sensualmente enquanto me acomodo em seu colo, de forma a montar seu corpo musculoso. Instintivamente ele agarra meus quadris e me segura no lugar, sua boca se engrenando, moldando e derretendo na minha. Esse beijo deveria ser inocente, mas com um movimento da minha língua Andrew começa a mover suas mãos para baixo da minha camisa, seus polegares acariciando minhas costelas, o calor de suas palmas me iluminando. Eu gemo em sua boca e começo a me balançar em seu colo, amando como posso já sentir sua excitação debaixo de mim. É aqui que eu quero ficar, bem aqui, nos braços de Andrew, o mundo ao nosso redor desaparecendo. É tão seguro aqui. Nada pode me atingir enquanto ele estiver me abraçando. Não as mentiras, não a vergonha embaraçosa e nem a situação desarrumada e não resolvida que eu chamo de vida. Eu me instalo melhor em seu colo, amando o fato dele ser tão ganancioso quanto eu com seus beijos, com a maneira como suas mãos vagueiam pelo meu corpo. Combinando sua exploração, deslizo minhas próprias mãos para baixo de sua camisa, sentindo cada contorno de seu abdômen sob minhas palmas. Ao contrário de outros homens que ostentam seus corpos, os abdominais de Andrew são um segredo inesperado. Ele os mantém escondidos, mas eu tenho a sorte de colocar minhas mãos sobre eles sempre que quero. — Ei, espere, — Andrew diz, afastando-se. Um pouco sem fôlego, pergunto: — O quê? — Você sabe que eu adoro o que estamos fazendo aqui, mas ainda não respondeu minha pergunta. E pode me chamar de louco, mas eu quero saber o que você pretende fazer quando voltar para a faculdade. Nós vamos continuar o que temos? Ou você tem planos de foder outros caras? Esfriada por suas palavras, balanço minha cabeça. — É claro que não, Andrew. — E esse é o momento onde eu lhe conto a verdade. Vá em frente, Sadie. Bote tudo pra fora. Diga a ele que você abandonou Cornell um tempo atrás, e que não tem


planos de voltar para lá ou de voltar a estudar em outro local. Sinto-me tão envergonhada. De mim mesma. Da verdade que eu escondi. Ele pensa mais em mim do que eu mereço. Ele procura algo em meus olhos. Eu o encaro, reunindo a coragem da qual preciso para poder falar sobre algo assim. E então eu abro minha boca, exatamente ao mesmo tempo em que ouvimos batidas na porta lá embaixo, seguidas um monte de gritos. Andrew, como o bom rapaz que é, se levanta rapidamente, me colocando no chão e se dirigindo para a porta do quarto. Antes de sair, ele se vira para mim e diz: — Fique aqui. Então desce as escadas de pés descalços e grita: — O que diabos está...? — Andrew! — Um grupo de mulheres grita. Eu suspiro. Deixe-me adivinhar, as outras companheiras de quarto chegaram. Quando desço lá para baixo, três mulheres muito altas, muito lindas e muito atleticamente construídas me cumprimentam. Sim, todas as companheiras de quarto estão aqui. Sendo o bom namorado que Andrew é, ele envolve seu braço em torno do meu ombro, me apresenta a todas e se certifica de me incluir em suas conversas. Eu sorrio e faço um bom show, mesmo havendo uma sensação grosseiramente perturbadora na boca do meu estômago, comendo-me viva. Eu tive uma chance de colocar todas as castas na mesa, e não o fiz. E esse é exatamente o problema da vergonha. Vergonha não gosta de companhia. Vergonha não gosta de ser compartilhada.

— Me dê um H, — Smilly diz com uma mão no ferro, pressionando letras em uma camisa. — Por que você está fazendo camisas novamente?


Olhando para mim como se eu fosse estúpida, ela balança a cabeça. — Sadie, você realmente esqueceu que eu amo uma boa festa temática? Que eu vou com tudo quando se trata de reunir nossos amigos? E que imagens são importantes para mim? — É verdade. Ela realmente é o tipo de pessoa que gasta todo o salário em uma festa para os amigos. Ela é incrível assim. — Esta vai ser a última festa do verão. E como homenagem a todos os pequenos momentos que passamos juntos neste verão, vou garantir que todos ganhem uma camiseta com seu apelido estampado. Quem sabe quando todos estaremos juntos novamente, com John no Exército e todos voltando para a faculdade? Antes que saibamos todos vão estar formados e começarão a ter empregos reais, e a partir do momento em que se começa a vestir uma gravata, não é mais possível sentar ao redor de fogueiras, queimar a bunda e rir sobre isso mais tarde. Não, você se obriga a carregar uma maleta cheia de responsabilidades. — É isso que você acha que as pessoas fazem quando se formam? Carregam maletas? — Certamente que isso é o que acontece, — diz Smilly com total certeza. — Talvez não seja completamente preciso, mas não quero discutir esse assunto. — Brinco com as letras sobre a mesa e começo a soletrar palavras aleatórias, meu estômago ainda agitado. Me senti constantemente ansiosa durante a última semana, porque sempre que surgia uma oportunidade de conversar com Andrew eu não conseguia pegalo sozinho, ou ficava paralisada de medo, ou nos interrompiam. E pode parecer bobo, mas eu não desejo uma audiência quando finalmente lhe contar toda a verdade. Smilly joga uma caneta em minha direção, me acertando na cabeça. — Hey, — me queixo, esfregando no local atingido. — O que há com você ultimamente? Tem estado super deprimida. Decepcionada comigo mesma timidamente admito: — Eu não contei ao Andrew ainda. O ferro para de se mover para frente e para trás e é levantado da camisa. Com a mão no quadril, Smilly me olha. — Você está brincando comigo, certo? — Eu balanço a cabeça. —


Sadie, as aulas começam em uma semana. O que diabos você acha que vai acontecer quando ele começar em Binghamton e você continuar a trabalhar na Friendly's? — Não sei. — Esfrego minhas mãos sobre meu rosto. — Deus, estou tão envergonhada. E estou envergonhada porque não quero ter nada a ver com a vida que criei, e com certeza não quero contar a Andrew sobre isso. — Bem, ele vai descobrir de qualquer maneira. Não tem como esconder, especialmente porque ele esta planejando visitá-la em Cornell. Inferno, imagine o choque que seria sair de Ithaca só para descobrir que sua namorada já não estuda mais na Cornell. O que você esta esperando, Sadie? — O momento certo. — Eu me encolho, sabendo que isso é uma desculpa. — Não existe momento certo, e você sabe que precisa colocar as cartas na mesa o quanto antes. Ele pelo menos sabe sobre Tucker? Sobre o bebê? — Não. E não precisa saber disso. — Ahh, entendo. — Smilly acena com a cabeça e se afasta da tábua de passar, escolhendo sentar-se no balcão da pequena cozinha em vez disso. — Então você está planejando construir um relacionamento com este cara carinhoso, esse homem doce, com base em um monte de mentiras? É serio isso? Você acha que pode manter um relacionamento a longo prazo com um homem desses, se recusando a lhe contar tudo que aconteceu no seu passado? Porque você sabe que isso nunca vai funcionar, certo? Se você tem certeza sobre ele, se vocês estão realmente sérios, você precisa construir as bases desse namoro com verdades, com confiança. — Olhando-me nos olhos, ela acrescenta: — Sim, eu disse essa palavra, confiança. Você precisa entender que as pessoas com quem você cresceu, aqueles que sabem o que você passou, não são os únicos em quem você pode confiar. Você só vai continuar vivendo uma vida solitária se continuar desse jeito, Sadie. As pessoas vêm e vão, e agora você está estagnada enquanto todo mundo está indo. Você será deixada para trás, solitária, perdida e amarga, assim como seu pai. É isso que você quer? Nem mesmo o mínimo. E eu odeio que ela esteja certa. Meu


pai jogou fora sua confiança no mundo exterior há muito tempo, transformando-se em um homem cético e amargo que escolheu viver em sua bolha, sempre focado no negativo, nunca realmente vivendo. Estou me transformando nele? É realmente isso o que estou fazendo? Fechando-me, excluindo o mundo exterior e me tornando uma ilha? Eu balanço a cabeça, percebendo que estou a apenas alguns passos de me tornar o meu pai, e isso me assusta. Nunca tinha pensado nisso tudo dessa maneira. — Merda, — murmuro, e então passo meus dedos pelo meu cabelo, puxando os fios perto do meu couro cabeludo. — Você tem que deixá-lo entrar, Sadie. Você precisa deixá-lo entrar completamente, ou então tem que deixa-lo ir, porque é cruel mantê-lo apenas neste meio termo, alimentando-o com informações suficientes para mantê-lo satisfeito, mas nunca realmente se abrindo por completo. Isso não é justo para ele, e não é justo para você. — Ela pula do balcão e toma o assento em frente a mim, segurando minha mão e falando sinceramente. — Eu sei que você passou por muita coisa, muito mais do que qualquer pessoa da nossa idade deveria ter que experimentar. Você foi ferida, foi traída pela sua mãe, e perdeu algo extremamente precioso. Você está danificada, perdida e assustada, eu sei, mas eu também estou aqui para lhe dizer que há um homem chamado Andrew que te fez sorrir de novo, que te fez brilhar, que te fez sentir. Ele é bom para você, Sadie, assim como você é boa para ele. Você não pode perder tudo isso por ter medo de falar a verdade. Eu posso ver nos olhos dele, Sadie, que ele ama você. E não importa o que você tem a dizer a ele, ele ainda vai te amar. Mas você realmente precisa conversar com ele; ele merece a verdade. Eu aceno, sabendo o quanto Smilly está certa. Nossa conversa faz com que as engrenagens comecem a girar em meu cérebro. Como faço para revelar as verdades dolorosas do meu passado para Andrew? Apenas o pensamento de iniciar uma conversa dessas faz meus nervos gritarem de ansiedade. — O que você vai fazer? Contar a ele? Mantê-lo? — Smilly pergunta, me incitando a tomar uma decisão. Sabendo que não tenho escolha, aceno afirmativamente. —


Eu vou conversar com ele. Vou contar tudo esta noite. — Denise estava certa: Andrew é um trevo de quatro folhas em um campo de ervas daninhas, um homem que não se deixa escorregar por entre os dedos. Eu não quero que isso aconteça. Não quero que esse homem escorregue pelos meus dedos. — Acho que essa é uma excelente ideia. Acredite, Sadie, você vai se sentir bem mais leve, e talvez ele até mesmo possa ajudá-la a decidir o que fazer a seguir. — Isso se ele não me deixar, considerando que tenho mentido para ele esse tempo todo. — Não vai acontecer. Eu espero mesmo que não.


CAPÍTULO-VINTE E CINCO ANDREW

Sadie é tão sortuda. Eu olho ao meu redor e aproveito: o cheiro da fogueira, a leve brisa da noite fria de verão, os sons de grilos à distância, os flashes dos vaga-lumes no bosque e a sensação de verdadeira amizade tornando a noite perfeita. Mudar da Califórnia para Nova York quando me formei no colégio foi difícil, uma vez que precisei abandonar meu ambiente familiar, me adaptar em um estado diferente e fazer novos amigos. E sequer posso dizer que cumpri com sucesso todas essas etapas adaptativas, na verdade. Quando fui para a faculdade no Maine, por exemplo, meus companheiros de quarto não se tornaram muito mais que companhia. Eles não eram amigos para a vida. Mas Sadie, ela tem amizades que vão durar a vida toda, pessoas que parariam qualquer coisa, inclusive a própria vida, apenas para ajudar uns aos outros. Eles são leais, ligados por uma pequena cidade, pelas memórias de crescerem juntos e pelas experiências compartilhadas ao longo dos anos. Estou com ciúmes, confesso, mas também imensamente agradecido por Sadie ter me introduzido num mundo que sempre desejei. Amizade verdadeira, real. Estes são o tipo de pessoas que eu quero na minha vida. — John, homem, você está se preparando para a implantação? — Pergunto ao soldado alto que está vestindo uma camisa vermelha, branca e azul com uma faixa onde se lê ‘nosso soldado’.


— Dez dias e contando, — ele diz, saudando-me. — O plano é passar os últimos dias com minha garota e tentar beber o máximo de cerveja possível. — Objetivos, eu gosto deles. — Dou risada e bato em suas costas. — Se não nos vermos mais antes de você partir, boa sorte lá fora, homem, e fique seguro. — Sempre estou. — Ele pisca enquanto aproxima a cerveja dos lábios e bebe um longo gole. Em seguida, olhando para um ponto além de sua garrafa, ele vê sua namorada, Bitch - ainda não sei o nome verdadeiro dela - e diz: — Babe, venha sentar no meu colo. Meu pau precisa passar tanto tempo contigo quanto possível. Viro minha cabeça e encontro Sadie, que está falando com Emma junto ao fogo. Envolvo meu braço ao redor de seu ombro, inclino minha cabeça até seu ouvido e digo: — Aqui está sua cerveja, querida. — E então beijo sua bochecha antes de me afastar. Ela me recompensa com um belo sorriso, que apenas me faz cair por ela novamente. — Ugh, vocês dois são tão doces juntos, é quase doentio. Como é que você consegue encontrar os caras bons enquanto eu continuo com os palhaços idiotas com carros de duas cores? Onde estão os homens de verdade? — Talvez se você não gastasse todo seu tempo limpando a bagunça dos seus amigos, conseguiria encontrar alguém, — Sadie oferece. Emma olha para a festa e diz: — Alguém tem que cuidar de vocês, festeiros. Se não fosse por mim, todo lugar onde já tivemos uma fogueira estaria queimado, e metade de vocês já estariam mortos. — Verdade. — Sadie ri. — Mas todo mundo estará voltando às suas vidas normais em breve. Talvez você possa encontrar alguém na faculdade, então. — Talvez. — Emma encolhe os ombros. — Que faculdade você frequenta? — Binghamton. Enfermagem. — Por que não estou surpreso? Emma dará uma enfermeira fantástica. — Eu não sabia que você também ia para Binghamton. A Escola de Enfermagem Decker é um programa ótimo. E difícil.


— Sim, eu sei. Está levando mais tempo do que eu gostaria, inclusive, mas estou fazendo as coisas com calma, me certificando de entender tudo e aproveitando ao máximo minhas aulas. — Eu posso respeitar isso. Deveríamos tomar um café algum dia no campus. Vai ser agradável ver um rosto familiar em um mar de pessoas novas. — Seria divertido. Posso apresentá-lo a alguns dos meus amigos. Estamos todos no programa de enfermagem, mas ainda pode ser bom conhecer outras pessoas. — Eu adoraria, especialmente com Sadie em Cornell, aprendendo a curar mentes. Emma troca um olhar estranho com Sadie, mas rapidamente se distrai quando seu nome é chamado de dentro da casa. Ela suspira e diz: — O dever me chama. Enquanto Emma se afasta, seu pequeno vestido de verão balança com o vento. Essa é a coisa mais difícil de encontrar quando se muda de estado: conexões. Conhecer alguém em Binghamton, além das minhas companheiras de quarto loucas e meu irmão - que não terá tempo para mim quando as aulas começarem – é muito bom. Me sento no chão e puxo Sadie entre minhas pernas, para que ela use meu peito como apoio. Então envolvo meus braços em torno dela e olho por cima de seu ombro, minha cabeça perto da dela, ambos apenas desfrutando a noite que estamos tendo. — Você tem sorte, sabia? — Por quê? — Ela pergunta, sua voz soando ligeiramente distante, talvez um pouco mais branda. Eu acho que faz sentido ela estar se sentindo um pouco subjugada, considerando que terá que se separar de seus amigos na próxima semana. — Olhe a sua volta. Este sistema de apoio que você tem, todas essas pessoas torcendo por você; é incrível. Não se vê um grupo de pessoas como estas muito frequentemente. Um grupo de amigos tão dedicados uns aos outros. É fodidamente incrível, Sadie. Eu gostaria de ter um grupo de amigos assim. Ela apoia a cabeça em meu peito. — Tem seus altos e baixos,


você sabe, não é tudo sobre festejar e beber juntos. Há momentos em que você deseja não estar tão perto de todos, porque todo mundo sabe tudo sobre sua vida, inclusive as coisas que você gostaria de poder esquecer. — Existem coisas que você gostaria de esquecer? — Eu pergunto antes de beijar seu pescoço, amando cada minuto que passo com esta mulher. A realidade do volta às aulas já está pairando sobre mim; com o fim do verão se aproximando a passos largos, a proximidade do momento em que terei que dar um beijo de adeus na minha menina está começando a me comer vivo. — Sim, — Sadie responde, tirando-me de meu devaneio. — Meu histórico familiar, por exemplo. Eu gostaria de poder reescrevê-lo, gostaria de ter outros pais. Isso tornaria a vida mais fácil. — Ela vira a cabeça e me olha nos olhos, um sorriso triste em seus lábios. — Mas não quero falar sobre eles agora. Quero que seja uma noite divertida. — Sim? — Eu movo minhas sobrancelhas para ela. — E o que você tem em mente? Uma pequena escapada para o bosque? — Não. — Ela me enfeitiça com sua bela risada. — Qual é a sua lembrança favorita neste verão? Eu aconchego-a mais perto. — Ah, minha garota quer relembrar. Tudo bem. — Na frente dela, esfrego minhas mãos e as apoio em seus joelhos. O fogo aceso à nossa frente lança um brilho alaranjado no ar, tornando a atmosfera quase mágica. — Minha lembrança favorita deste verão? Hmm, bem, foi quando você me mostrou tão desdenhosamente onde estavam as maçãs; aquele foi um momento especial. Ela ri antes de erguer os braços para abraçar meu pescoço. Brincando, seus dedos fuçam em meus cabelos curtos, e porra, isso é tão bom. — Até hoje não entendo por que você ficou e tentou me conhecer depois daquele primeiro dia de treinamento. Dou outro beijo no pescoço dela e digo: — Eu gosto de um bom desafio, mas a verdade mesmo é que vi algo em seus olhos, e quis ser aquele que afastaria aquela escuridão e te faria sorrir de novo. — Você me fez rir no primeiro dia, — ela admite. — Peitos


firmes: eu não conseguia parar de rir no depósito. — Vamos lá, qual era o problema de rir comigo? — Eu não queria que você ficasse desconfortável, — ela brinca. — Mas sério agora: qual foi seu momento favorito? — Honestamente? Quando nós dançamos na festa que eu invadi, graças ao convite de Smilly. Mesmo estando um pouco bêbado na ocasião, me lembro daquele momento como se estivesse tatuado em minha mente. Aquele seu sorriso... me matou. Foi a primeira vez que você realmente se soltou ao meu redor, a primeira vez que eu consegui ver a verdadeira Sadie. Tão linda. Desmaiem, senhoras, porque isso é a mais pura verdade. Eu já pensava que Sadie era linda, obvio, mas naquele momento eu soube que ela era diferente, que ela iria me empurrar para fora das minhas zonas de conforto. Ela fica em silêncio por um momento, absorvendo minhas palavras, e eu fico nervoso ao pensar que posso ter revelado demais. Mas então ela se inclina para frente e beija meu antebraço. — Eu também amei aquele momento. — Sim? — Eu aconchego-a mais perto, se é que isso é mesmo possível. — Também é o seu momento favorito? Ela balança a cabeça. — Não. Meu momento favorito foi quando você me levou para o nosso primeiro encontro. Você estava nervoso, mas tão bonito, tão doce, tentando tão duro me impressionar. Foi a primeira vez que eu percebi que seria realmente difícil mantê-lo afastado. — Já passamos desse ponto, espero. — Eu posso manter um tom provocante em minha voz, mas uma parte de mim ainda se sente insegura. Ela não quer me manter afastado, certo? Com certeza espero que não. Ela inclina a cabeça para trás e a descansa em meu ombro, seus lábios roçando minha mandíbula enquanto ela diz: — Eu nunca tive a menor chance. Orgulho cresce dentro de mim diante de sua admissão, e eu realmente sinto esperança em nosso futuro. Ir para duas faculdades diferentes vai ser difícil, mas acho que podemos lidar com isso. Não, eu sei que podemos.


Sadie eventualmente se contorce em meus braços, e eu pergunto: — Está tudo bem? Ela suspira e diz: — Eu tenho que fazer xixi, mas estou tão quente e confortável aqui. Não quero levantar. — Eu não vou a lugar algum. Vá para o banheiro e depois traga esse traseiro bonito de volta para cá. Ninguém gosta de uma pessoa que faz xixi nas calças. Não é atraente. — Então você não é do tipo que curte um banho-dourado? — Sua risada é contagiosa. — Não. Agora se apresse. — Quando ela finalmente fica de pé, eu bato em sua bunda e complemento: — Mas não me oponho a uns tapinhas. Ela esfrega o traseiro em choque antes de se virar para mim. — Eu sei, e vou manter isso em mente. — E então ela pisca e sai em direção a casa, deixando-me sozinho com meus pensamentos. Me inclinando para trás em minhas mãos, meus dedos escavam a grama desgrenhada enquanto absorvo a movimentação ao meu redor. Os amigos de Sadie agora se amontoam ao redor do fogo, bebendo, rindo e relembrando seus dias de glória. Me encontro pensando se teríamos sido amigos se tivéssemos frequentado a mesma escola em sua pequena cidade. será que eu também seria uma parte desse grupo? Ou seria uma das pessoas excluídas por ser de fora? Parece que eles conhecem cada pessoa que foi para a escola com eles: as da própria turma, e as das duas turmas mais velhas e duas turmas mais novas. Isso é algo significativo decorrente de crescer em uma cidade pequena, com certeza. Um pouco entediado, puxo meu telefone do bolso e vejo que tenho uma chamada perdida de Jimmy. Ele não é muito falante, então retorno a ligação enquanto espero Sadie voltar. —Andrew, meu homem. Vai trazer sorvete hoje à noite? — O bastardo tornou-se viciado. — Não hoje à noite, desculpe. Sadie e eu estamos em uma festa com os amigos dela.


— Foda-se, — ele choraminga no telefone. — Deus, eu preciso do meu sorvete. — Então vá buscar. Não precisa esperar por mim. Ele suspira no telefone, parecendo irritado. — Cara, você traz o sorvete de graça. Não vou compra-lo quando posso obtê-lo gratuitamente. Onde estaria a lógica nisso? — Você é patético. — Não, — ele responde. — Sou esperto. Só tenho que abafar meu desejo e esperar mais uma noite. — Eu posso ouvi-lo respirar fundo - deve estar realmente desesperado - antes de perguntar: — Então, como estão as coisas com Sadie? Ela está se preparando para Cornell? — Está tudo bem, — respondo, pensando na conversa que acabamos de ter. — As coisas estão realmente boas, na verdade. Vai ser difícil não nos vermos todos os dias como fazemos agora, mas não será impossível. Quer dizer, inferno, é só uma hora de distancia. — Sim, não é tão ruim. Lembra quando eu me mudei para cá? Mae ainda estava na Califórnia, tentando vender o carro e resolver todos os seus assuntos. Do outro lado do país, ISSO é longe. — Você é um verdadeiro pioneiro, — provoco, procurando em volta por Sadie. Ela já deveria ter voltado. — Eu gosto de pensar assim. Sentindo uma certa urgência, dirijo-me ao banheiro, esperando encontrar Sadie no caminho. — Ei, eu vou ao banheiro. Cerveja e tudo mais. — Quebre o selo agora e pague por ele pelo resto da noite, — diz Jimmy, oferecendo conselhos estúpidos. — Não seja um idiota, eu não vou segurar meu mijo. Isso é pedir por uma infecção urinária. Você deve se lembrar que, quando éramos jovens, aprendemos que quando sentíssemos um formigamento, devíamos ir ao banheiro? — Sim, exceto que agora, quando formigamento, não é um banheiro que procuro...

sinto

um


— E eu vou desligar agora. Falo com você mais tarde, mano. Coloco meu telefone no bolso e começo a caminhar em direção a casa. Logo posso ver que Smilly e Saddlemire estão na cozinha, pegando mais cerveja, mas há pessoas que ainda não conheci em torno do barril na sala de estar, para as quais eu aceno antes de andar em direção ao banheiro. Ao me aproximar, vejo que a porta está parcialmente fechada, mas que a luz está acesa. Sadie não pode ainda estar lá, pode? Estou a ponto de bater na porta quando ouço a voz de Sadie. — Tucker, o que você está fazendo? Tucker? Quando ouço a voz de Tucker, ele parece desesperado. Eu só me encontrei com o cara uma vez, mas ele parecia um homem honesto, de palavras curtas. — Eu precisava te ver. Preciso falar com você, Sadie. — Sobre o que? Eu não deveria continuar ouvindo, mas ainda assim, não consigo me afastar. E inferno, eu também não deveria ter que sair, considerando que é a minha garota que está lá dentro. — Sobre tudo o que falamos no telefone. Sobre o nosso futuro, sobre o nosso bebê, e sobre o quanto eu te amo. Errr... como é que é? Bebê? Amor? Futuro? Que bebê? — Tucker... — Sadie suspira. Suspiros fodidos. Afinal, o que eles querem dizer? — Eu sei que você está se divertindo com Andrew neste verão, explorando suas opções e tudo o mais, mas o que você vai fazer quando ele voltar para a faculdade e você continuar compartilhando um quarto com Smilly e trabalhando no


Friendly's? Você vai fingir que voltou para a Cornell, também? — Ouço uma fungada, e então Tucker continua: — Você não precisa fingir comigo, Sadie. Você pode ser real comigo. Pode ser você mesma. Saia comigo no sábado, vamos conversar. Por favor. — Eu não sei, — Sadie responde, insegura de si mesma. Resposta errada, Sadie. Você pode adivinhar o que ela deveria ter dito? Talvez algo como: “Eu tenho um namorado, portanto não posso sair com você.” E que merda é esta sobre Cornell? Ela não vai para Cornell? Por que ela fingiria algo assim? — Apenas me dê uma noite. Eu prometo que não vou mais incomodá-la depois. Mas você me deve uma noite, Sadie. Depois de tudo o que passamos juntos, você me deve uma noite. — Eu sei, — ela diz, quase em um sussurro. — Verei o que posso fazer. — Obrigada, querida. Ouço mais fungadas do lado de dentro antes de me mover para o outro lado da porta, assim, quando ela for aberta, eles não poderão me ver. Ir ao banheiro nunca machucou tanto em minha vida. Tucker é o primeiro a sair, e uma parte de mim quer correr pelo corredor e enfrentar o cara, do qual não gosto mais tanto assim. Ele é um idiota, porque Sadie e eu com certeza compartilhamos um inferno de muito mais do que apenas diversão neste verão. Pelo menos eu acho que sim. O que ela poderia possivelmente lhe dever? Ele está apaixonado por ela? O que diabos está acontecendo aqui? A luz no banheiro se apaga alguns segundos antes de Sadie sair. Ela não olha em minha direção - e nem precisa. Inclinando-me contra a parede com os braços cruzados sobre o peito, pergunto: — Tem planos para o sábado à noite? Seu progresso pelo corredor é imediatamente interrompido quando ela para ao me ver, seus longos cabelos loiros flutuando sobre seus ombros. Um olhar de completo choque e arrependimento cruza seus traços. Pega em flagrante.


— An-Andrew, — ela gagueja. — O que você está fazendo aqui? — Você vê, eu tive que mijar. Mas nunca imaginei que ouviria minha namorada falando com quem vou assumir ser seu ex-namorado... No momento em que as palavras escorregam dos meus lábios, as confissões de Sadie sobre seu relacionamento anterior flutuam em minha cabeça. Porra, Tucker. Meu estômago rola quando me dou por conta da verdade. — Cristo, Sadie. Ele é seu ex-namorado, não é? O cara que tomou sua virgindade? Aquele com o qual você teve um relacionamento praticamente ao longo de toda sua vida adulta. Foi Tucker. Ela morde o lábio inferior, mas não responde. — Porra, responda a pergunta, — resmungo. — Sim, — ela grita. — Foi Tucker. — E existe um bebê? — Existiu, — ela diz, usando o passado. — Você estava planejando me contar alguma coisa sobre isso? Você sequer foi para a Cornell? Ou apenas inventou essa historia para ter algo em comum comigo? — Eu puxo meus cabelos e a olho de cima a baixo. — Porra, alguma coisa foi real? — Sim. — Ela se aproxima. Eu me afasto. — O que? O que foi real, Sadie? Porque agora parece que eu nem te conheço. — Eu ia te contar, — ela implora, tentando se aproximar. — Eu estava apenas tentando encontrar o momento certo. — O momento certo. — Eu rio sarcasticamente. — E qual é o momento certo para contar a alguém que você mentiu o tempo todo? — Não foi... — Ela engasga em um soluço. Eu sequer tinha percebido que ela estava chorando, provavelmente em virtude da raiva cega que me envolve neste momento. — Não foi assim, Andrew. Eu estava envergonhada. — Você deve mesmo se envergonhar, — cuspo de volta para ela. —Não se pode construir um relacionamento a base de


mentiras, Sadie. Como posso confiar em qualquer coisa que você já me disse depois disso? Você nunca dá uma chance a ninguém, nunca confia em qualquer um fora do seu pequeno círculo, mas é, contudo, uma contradição aos seus próprios padrões. Você mente, usa, e se aproveita. Como diabos eu deveria confiar em você agora? — Eu não usei você. — Não? — Levanto uma sobrancelha para ela. — De acordo com seu ex, eu sou apenas um divertimento de verão, algo para ocupar seu tempo. E agora, repassando nosso verão juntos, acho que ele está certo. Conseguir fazêla se abrir é francamente impossível. Eu implorei, implorei para você me deixar conhecê-la melhor, e mesmo tendo me dado algumas migalhas como “eu já tive um corgi”, claramente você deixou de fora todos os segredos importantes. — Eu balanço a cabeça quando começo a andar em direção a ela, esbarrando em seu ombro quando nos cruzamos no corredor e murmurando: — Isso foi cruel, Sadie. — Andrew, espere, — Sadie grita, me seguindo pelo corredor. Mas eu não paro; minha mente me diz para sair daqui o mais rapidamente possível. Enquanto percorro meu caminho através da casa, faço contato visual com Smilly, que parece saber exatamente por que estou fugindo de Sadie agora. Ótimo. Será que eu já fui algo além da piada interna entre Sadie e seus amigos? Pobre Andrew, o estranho, aquele que não sabe nada sobre Sadie e sua boca mentirosa. Ou talvez eles tenham pensado que eu era o flerte de verão, apenas uma distração até ela voltar com Tucker. Porra. — Andrew, por favor. — Pegando minhas chaves no bolso, destranco a porta do carro e entro. Quando vou fechar a porta, porem, Sadie me para, deslizando seu corpo entre a porta e eu. Olhando para frente com as mãos apoiadas no volante, digo: — Afaste-se. — Andrew, por favor, apenas me escute. — Por que, para você poder me dar mais desculpas? — Me viro para ela e pergunto rudemente: — Você mentiu para mim? Ela morde o lábio inferior, seus olhos vagando de um lado


para outro sobre os meus, pensando em sua resposta. Finalmente ela apenas balança a cabeça afirmativamente. — Isso é tudo que preciso saber. — Eu ligo e carro e digo: — Sai da porra do caminho, ou vou partir com você aí mesmo. Abraçando-se, ela se afasta. Eu bato a porta e acelero, me afastando rapidamente. Eu lhe contei sobre o meu passado, sobre a minha humilhação. Eu não escondi coisas dela. Eu não menti. Porra. Tudo bem ficar nervoso com coisas que estão no passado. Ficar constrangido. Ficar envergonhado. Mas nunca minta para mim, porra, fazendo-me sentir como um idiota. Não há desculpa para isso. Eu já banquei o palhaço antes, e me recuso a ser motivo de riso em Binghamton também.


CAPÍTULO-VINTE E SEIS SADIE

Grama me rodeia, pinicando minhas pernas expostas enquanto me sento no quintal da casa da festa, escondendo minha cabeça em minhas mãos e soluçando incontrolavelmente. E não tenho ninguém para culpar além de mim mesma. Quando fui ao banheiro, não tinha ideia de que encontraria Tucker. Eu nem sabia que ele tinha voltado da Pensilvânia. Só aceitei me encontrar com ele no sábado porque seria completamente platônico. Eu realmente não quero começar nada com Tucker. Só quero oferecer-lhe algum tipo de ponto final, a execução da nossa já prolatada sentença. Na verdade, eu só quero que meu passado seja realmente passado. Eu queria começar um futuro com Andrew. O que eu fiz? Como acabei estragando as coisas desse jeito? O olhar em seu rosto, a raiva em seus olhos, sua decepção total... vão marcar permanentemente o meu cérebro, e para sempre deixarão um selo de pesar em meu coração. Eu deveria ter contado a ele. Deveria ter sido honesta. Mas estava tão envergonhada. Estava fugindo de tudo, tentando me distanciar desses capítulos pesarosos da minha vida. Ouço passos suaves atrás de mim antes de um braço quente envolver meus ombros. — Ele foi embora? — Smilly pergunta. Eu aceno, ainda escondendo a cabeça em minhas mãos,


incapaz de articular uma resposta. — Ele descobriu? Eu aceno novamente antes de deixar escapar outro soluço. — Sinto muito, Sadie. — Ela me dá um abraço, mas logo em seguida se afasta, fazendo-me sentir fria e rejeitada. — Mas agora você precisa me ouvir: eu te disse que isso ia acontecer. Eu te amo, mas você não soube como cuidar desse relacionamento. Era apenas uma questão de tempo até que tudo explodisse em seu rosto. — Eu... eu ia contar a ele esta noite, — respondo entre lagrimas e lamentos. — Você deveria ter contado há semanas, Sadie. Quero ficar zangada com ela. Quero gritar e argumentar, mas sei que ela está certa. Eu devia ter contado a ele há semanas. Deveria ter sido sincera e honesta, e nunca deveria ter escondido a verdade. Esse é mais um erro com o qual terei que aprender a conviver. — Eu fodi tudo. — O que está acontecendo aqui? — A voz de Tucker ecoa pela noite agora fria. — Você está chorando? — Ele se ajoelha e levanta meu queixo, sendo plenamente saudado pelas minhas lágrimas. — Que porra é essa? Aquele idiota disse alguma coisa para você? — Não. — Eu choro mais um pouco. — Ele nos ouviu no banheiro. — E o idiota não consegue lidar com uma pequena conversa? Se for esse o caso, ele não é bom o suficiente para você, Sadie. É para… — Pare! — Smilly diz, sua voz assumindo um tom diferente, um que nunca ouvi antes. — Não diga uma palavra a mais, Tucker. Você já causou bastante dano esta noite. — Fique fora disso, Samantha, — Tucker diz, sua voz ameaçadora. — Eu sei que você gosta de se meter nos negócios da Sadie, mas talvez deva manter sua boca fechada desta vez. — Eu apoiei você. — Smilly joga na cara de Tucker. — Eu


era a principal apoiadora do Team Tucker, eu torcia para que vocês ficassem juntos para sempre. Mas ao observá-la com Andrew, tudo ficou claro. Você a deixava para baixo. Você nunca foi bom para Sadie. — Não fui bom para ela? Eu a amo, — grita Tucker, erguendo os braços. — Eu estava pronto para oferecer tudo o que ela precisava, mas ela nem me ouviu. Então não me diga que eu a deixava para baixo. Você realmente acha que eu queria vê-la abandonar Cornell, desistir de tudo? Eu queria estar lá por ela, apoiá-la, ajudá-la a alcançar seus sonhos. Smilly e Tucker continuam a discutir, suas palavras entrando por um dos meus ouvidos e saindo pelo outro, sem nada realmente ser registrado. A única coisa que consigo reconhecer neste momento é o olhar de Andrew. Sua dor. Estou tão sobrecarregada que não percebo o que estou fazendo até que me encontro correndo para dentro da casa e implorando para que Emma me dê as chaves de seu carro. E ela, sendo como é, nem sequer faz perguntas. Procurando em sua bolsa, rapidamente as entrega para mim, sem pestanejar. Ela deve saber... todo mundo já deve saber o que aconteceu. Eu nunca choro, e me presenciar implorando a Andrew para ficar deve ter sido uma visão e tanto para meus amigos. Foi um sentimento novo para mim também, uma agonia que senti somete uma única vez antes: na noite em que abortei. Agradecida, dou um rápido abraço em Emma e corro ate seu carro, com Tucker e Smilly me perseguindo. — Onde você está indo? — Smilly pergunta, sua voz ainda rouca de tanto gritar com Tucker. — Eu preciso vê-lo. Tenho que falar com ele. Não posso continuar assim, sabendo quanta dor lhe causei. — Sadie... — Tucker grita. Eu balanço a cabeça. — Não, Tucker. — Vou lidar com ele mais tarde. Batendo a porta do Jetta de Emma, ligo o carro com apenas um destino em mente: Andrew.


As luzes estão todas acesas, há vários veículos na garagem - incluindo o de Andrew - e a agradável e enorme sensação de arrependimento e tristeza que ecoa pelo ambiente paira sobre mim quando toco a campainha. Me remexo em meus pés, minhas mãos suando incontrolavelmente, minha respiração presa em minha garganta. Por favor, responda, por favor, responda. Passos pesados reverberam pelos pisos de madeira com os quais me familiarizei durante o verão, e o som estridente da porta abrindo ressoa pela noite tranquila na Rua Chestnut. Katja abre à porta vestindo shorts de basquete e uma regata, seu cabelo amarrado em um coque apertado. Ela é alta, feroz e intimidadora pra caralho com suas sobrancelhas afiadas e atitude ‘não FODA comigo’. Eu tenho quase certeza que ela poderia rasgar meus membros e servi-los como aperitivo. — Você, — diz ela com a voz cheia de desdém. — O que você quer? — Ok, então Andrew já contou tudo a elas. Juntando toda minha força interior, respiro fundo e digo: — Eu gostaria de conversar com Andrew. — Que pena que eu não vou deixar. Boa noite. — Ela bate a porta na minha cara, deixando minha boca aberta em choque e fazendo minha mente correr há milhares de quilômetros por minuto tentando descobrir o que aconteceu. Ela me mandou embora, sem sequer me dar uma chance para explicar. Como ela ousa? Uma pequena voz na parte de trás da minha cabeça continua me dizendo para lutar, para não desistir. Então eu estufo meu peito e toco a campainha outra vez. Como ninguém responde, toco de novo, e de novo, e mais uma vez, até que pressiono meu dedo ininterruptamente, fazendo a campainha tocar de forma continua. Eu posso fazer isso por toda a maldita noite se precisar, inclusive. Depois de um minuto de tortura, porem, a porta finalmente se abre. Espero ser saudada por Katja novamente, mas


em vez dela encontro Andrew, seus olhos irritados encarando os meus. Todas as cinco garotas estão atrás dele com os braços cruzados... ou melhor, com os braços musculosos cruzados sobre seus peitos. Elas são extremamente intimidantes, mas não posso me acovardar; quero Andrew de volta. — Aperte a campainha mais uma vez e essas garotas vão rasgar seus dedos e usá-los como colheres de sopa, — diz Andrew. Por trás dele, Katja finge comer sopa de uma tigela, seus olhos focados nos meus. Oh doce Jesus. Limpando minha garganta, pergunto: — Posso falar com você, Andrew? — E olhando por cima de seu ombro mais uma vez, adiciono: — A sós. — Empurre-a escada abaixo, — Katja propõe. — Bata na bunda dela, — Leena acrescenta. Madeline, a menina francesa, sai de trás de Andrew e diz: — Cutuque-a nos olhos. — Ou nos mamilos, — acrescenta Katja. — Não. — Leena bate no braço de Katja. — Provavelmente vai parecer um beliscão sexual. Katja acena com a cabeça e diz: — Não cutuque o mamilo dela! Meus olhos imploram a Andrew. — Por favor. Ele solta um longo suspiro e coça a parte de trás de seu pescoço, fechando a porta atrás de si. O som de desaprovação de suas companheiras de quarto não me passa despercebido. Mas não vou me preocupar com elas agora que finalmente tenho a atenção de Andrew. — O que você quer, Sadie? — Ele parece exausto, como se tivesse lutado cinco batalhas e estivesse a ponto de se entregar. — Preciso me explicar. Ele se inclina contra a parede lateral da casa, cruzando os braços sobre o peito em uma pose defensiva. — É um pouco tarde para isso, não acha? Eu mereço isso. — Eu entendo que você esteja chateado...


— Entende? Entende mesmo, Sadie? Será que você realmente consegue entender o que estou sentindo agora? — Eu tento responder, mas ele continua. — Porque eu não acho que você consiga. Você vê, — ele se afasta da parede e para diretamente na minha frente, invadindo meu espaço, — eu passei todo o verão com essa garota que conheci, minha colega de trabalho, uma garota por quem eu me apaixonei loucamente, apesar de suas reservas. Eu dei a ela o benefício da dúvida, porque podia ver muita dor em seus olhos, o tipo de dor que eu queria curar. — Lágrimas brotam em meus olhos e facilmente se derramam sobre minhas bochechas enquanto ele continua a falar. — Eu dei tudo à ela. Contei-lhe sobre a minha vida, sobre os meus erros, sobre os meus momentos embaraçosos, e em troca, ela deu-me sua risada, seu sorriso, mas nunca seu fodido coração. E você sabe o que mais? Eu pensei: “um dia ela vai confiar em mim”. Ela vai lentamente escalar esses muros protetores e me encontrar no meio do caminho. Se abrir. Deixe-me entrar. Torne-se minha. Andrew puxa seu cabelo em frustração, as veias em seu pescoço começando a pulsar de raiva. — Mas ela nunca o fez. — Ele me olha diretamente nos olhos. — Você nunca o fez. — Eu ia fazer. — Me aproximo. — Esta noite, eu ia te contar tudo. Um riso sádico escapa de seus lábios suaves. — Sério? Você pretendia mesmo me contar tudo? Ia me contar que Tucker foi seu namorado durante toda sua vida adulta? Que aparentemente engravidou dele? Que estava planejando se encontrar com ele sem que eu soubesse? Que na verdade nunca foi para Cornell? — Isso não é verdade. — Balanço a cabeça, sem me preocupar em tentar evitar as lágrimas de tristeza que se espalham pela varanda. — Eu fui para a Cornell, e estava me especializando em Psicologia. Abandonei o curso por causa da gravidez, e foi então que perdi tudo: minha bolsa de estudos, meu futuro, e algumas semanas depois, o bebê. — Coloco minhas mãos sobre meu rosto e choro... copiosamente. — Eu estava com tanta vergonha de te contar, e você estava tão empolgado com a faculdade, e eu só... — Suspiro. — Eu pensei que você pensaria diferente de mim. Olho para cima e encontro-o balançando a cabeça. — Fico


feliz de saber que você tem uma opinião tão alta a meu respeito. Ele se vira para ir embora, mas eu agarro seu braço, impedindo-o. — Não foi assim, Andrew. É só que você apareceu do nada e me arrastou para seu mundo, um mundo do qual eu tanto queria fazer parte, um mundo que me fez esquecer do bebê, do aborto e de tudo aquilo que eu desisti por nada. Pela primeira vez em tanto tempo, você me mostrou como sorrir de novo. Como sentir. Ele olha para mim e, nesse pequeno momento, vejo o entendimento atingir seus olhos enquanto a raiva desvanece. Voltando-se para mim, ele passa o braço em volta dos meus ombros e me pressiona contra seu peito. Lágrimas caem dos meus olhos, mas seu caloroso conforto me envolve. Ele solta um longo suspiro e fala, sua voz profunda ecoando em meus ouvidos. — Sinto muito que você teve que passar por algo tão traumático quanto perder um bebê, Sadie. Não posso imaginar como deve ter sido, especialmente depois de você virar sua vida de cabeça para baixo e deixar a faculdade. — Isso. É disso que eu preciso. Mas então por que eu resisto, negando seu conforto e tranquilidade? Assim que me acomodo em seu abraço, porém, ele se afasta e acaricia meu rosto com uma de suas mãos. — Mas isso não muda nada. — O quê? — O que você quer dizer? — Pergunto, minha voz vacilante. Seus olhos torturados se encontram com os meus quando ele responde: — Eu me apaixonei por você, Sadie. Me apaixonei enlouquecidamente por você. Mas essa mesma garota que virou meu mundo de cabeça para baixo não sabe quem é. Eu me apaixonei por uma garota que está perdida, que se agarra a qualquer coisa que possa ajudá-la a esquecer o passado. E eu não quero ser aquele que te transforma em outra pessoa. Eu quero ser o cara que abraça o incrível ser humano que você é. Dou um passo à frente para segurar sua mão, mas ele se afasta e para novamente a centímetros da porta. Com cada passo que ele dá para longe de mim, minha visão turva ainda mais. — Andrew, por favor. Ele balança a cabeça. — Não, Sadie. Tanto quanto me mata dizer isso, eu não posso estar com você. Não quero estar


com você. Você precisa se encontrar novamente, e se apegar a mim, procurando alguém para protegê-la do mundo real... não é isso que eu quero. Não quero ser esse homem. Eu quero ser o homem que a põe pra cima, que te ajuda a realizar seus objetivos. Não o homem que te esconde. — Ele então inspira profundamente e olha para o céu. — Você mentiu para mim, Sadie, e eu acho que fez isso para se esconder. Até esta noite eu pensava que você tinha seus objetivos e seu futuro planejado, e tinha esperanças que me incluísse em seus planos. Você é esperta. Mas, agora que vejo a coisa toda, é como se você estivesse contente de... simplesmente desistir. Eu sou apenas outra parede atrás da qual você se esconde. — Me olhando direto nos olhos, ele acrescenta: — E foda-se se eu vou ser a parede que bloqueia seu futuro. Antes que eu possa responder, ele abre a porta, entra, e a fecha novamente. Se afastando de mim, e do nosso relacionamento. E então eu percebo: não há esperança. Ele terminou. Nós terminamos Ele fechou a porta para mim, para nós, para o futuro que eu tanto queria com ele. A dor em meu coração se intensifica, e uma dor desconhecida e excruciante me envolve. Ele cansou. De mim. Mais tarde nessa mesma noite, quando enterro minha cabeça em meu travesseiro, sonho com o belo rosto de Andrew e recordo as palavras que ele falou tão assertiva e criticamente. Foda-se se eu vou ser a parede que bloqueia seu futuro. Que futuro? O meu futuro? Neste exato momento, eu não tenho nenhum.


CAPÍTULO-VINTE E SETE ANDREW

Aqui vai um pequeno conselho para você - gratuitamente, porque sou um cara realmente bacana. Se você já teve o desejo ou a inclinação de iniciar um romance com um colega de trabalho... NÃO FAÇA! Eu não me importo se ele tem músculos maravilhosos que ainda podem ser vistos por baixo de três camadas de roupas, ou um sorriso que te faz querer agarra-lo, ou um cabelo maravilhoso e sexy. Fique longe. Feche as portas, abotoe sua camisa, levante sua cabeça e permaneça longe, muito longe. Mas você deve estar se perguntando por que estou falando sobre isso agora, certo? Bem, não é óbvio? Quando a merda atinge o ventilador - termo grosseiro, eu sei - e o relacionamento orgástico que você pensou que tinha escorre pelas pontas dos seus pequenos dedos impertinentes, você acaba com nada além do ambiente de trabalho mais tenso, estranho e incrivelmente incômodo do mundo. Imagine isso: você não presta atenção ao meu conselho, e sucumbe aos encantos de... não sei, Blaine? E então você decide que é isso, que encontrou “o homem”. Você sai com ele, ele corteja você, seduz você, mostra-lhe que seus músculos não são a coisa volumosa em seu corpo, ate que você finalmente se apaixona. Suspiro coletivo: ‘Aw, Volumoso Blaine’. Um homem robusto e bonito com um pau que faz cócegas em seus intestinos. Você mal pode acreditar na pura sorte que teve e na decisão inteligente que tomou quando admitiu em sua vida o pau


gigante desse homem com abdominais que parecem um tanque. Bom trabalho. Toca aqui. É isso aí. Beijo de mamilo-para-mamilo. Você agora passa o tempo no trabalho rabiscando corações em um Postit, o nome dele em negrito, seu nome em letra cursiva, e um coração ao redor dos dois. Você está nas nuvens, e não por causa dos brownies de haxixe que a Helen Sempre-alta trás para o trabalho e esconde no armário secreto na sala de descanso, mas sim em virtude do homem que senta há três cubículos de distancia do seu. Ele é TUDO. E você está tão feliz que quando anda pelos corredores do prédio de escritórios chora cupcakes e espirra granulado em seus colegas de trabalho, e quando vira a cabeça para os lados, corações caem esporadicamente no chão, fazendo parecer que um Cupido bêbado farreou a noite toda e deve estar pagando por isso agora. Felicidade. Ela te consome. Você come, dorme, respira, e rega o cacto para o Único e Volumoso Blaine. A maneira como ele te beija, pressionando seu corpo no seu, a maneira como ele olha para você por cima de seu cubículo, as sugestões sexuais que se agitam naquelas sobrancelhas sedutoras, a maneira como ele secretamente levanta sua saia na sala de descanso, apenas para correr um dedo perto de seu excitado sexo... Parece celestial, certo? Foder nunca foi tão bom quanto daquela vez que vocês aproveitaram a máquina de xerox, certo? As mensagens nunca foram tão impertinentes... Não é isso mesmo, senhoras? Mas eventualmente a bolha cheia de luxúria e preservativos começa a desaparecer, e a verdade finalmente aparece. Blaine está mentindo para você. Não, ele não tem uma identidade secreta. E não, ele não estava fodendo a Tanya rouba-toda-a-fita-e-usa-saltos-de-vadia. É pior, porque ele não estava dizendo a verdade sobre si mesmo. O homem com o pau de ouro que faz ate sua laringe vibrar afirmou o tempo inteiro que é o orgulhoso proprietário de um Mustang Conversível e de uma elegante e moderna residência urbana, cuja qual vocês têm usado para foder desde o inicio, quando na realidade ele apenas tem cuidado da casa de seus pais, que por sua vez estão mochilando pela Europa, batendo os punhos com a rainha e comendo bolinhos direto de sua coroa. OOHHH!


(Lamentável exemplo, eu sei, mas estou tão louco que não consegui pensar em algo melhor. Apenas finja ser uma historia realmente triste para que possamos continuar, por favor.) Gah, quanto horror! E então rapidamente seu mundo se torna sombrio, sua visão turva e você não consegue respirar. A residência urbana na qual você se imaginou criando seus filhos logo será novamente ocupada por Maior, Pior e Volumoso Blaine Sênior, assim como por sua esposa cheia-de-botox, Glinda. Volumoso Blaine, por sua vez, tenta lhe dizer que tinha planos de lhe contar que o balcão de quartzo onde te comeu cinco vezes realmente pertencia a seus pais, e justifica a mentira dizendo apenas que estava procurando pelo momento certo para vocês conversarem. Mas nada mais adianta, pois a ação já foi feita: ele mentiu e traiu você, e você não pode mais imaginar-se tomando banho no chuveiro de cinco peças que explode em seu clitóris e bunda ao mesmo tempo, elevando-a a um limite de iluminação sexual do qual nunca vai esquecer. Finalmente o pior acontece, e você corta relações. Chama o Mentiroso Blaine de bastardo mentiroso, diz que está tudo acabado entre vocês e bate a porta na cara dele - porque vamos ser honestos, você é uma mulher forte, confiante e orgulhosa. Você não admite a merda de qualquer um, mesmo depois de ter gastado trezentos dólares em um artista de Photoshop apenas para ver como seus filhos provavelmente seriam. E agora você está de volta ao trabalho, tremula e inquieta por vêlo. Você se senta no seu cubículo, esperando-o chegar, esperando para ver se ele se parece com a pilha de pepinos apodrecidos que você rezou para ele se transformar na outra noite. Mas não tem sorte. Quando ele passa pela sua mesa, seu perfume atinge seu nariz, lembrando-lhe do tempo que você deixava-o te pegar na escada de emergência enquanto todo mundo estava seguindo o protocolo durante a prática de incêndio. Quando você faz uma pausa para tomar um café, o encontra novamente na pequena cozinha para funcionários, e percebe que a bunda pela qual se apaixonou por algum motivo cruel parece melhor do que nunca. E quando você vai ao banheiro, esperando um pouco de consolo solitário, esbarra nele novamente enquanto ele está recuperando um e-mail, seus olhos parecendo arrependidos e implorando pela chance de uma conversa.


Você quer chorar, e então quer socar a parede do cubículo, na esperança de acertar também o Lenny Respira-Muito-Alto que senta do outro lado. Onde quer que vá, você o encontra. Toda vez que respira, você o cheira. Cada vez que tenta se concentrar no trabalho à sua frente, o rosto dele aparece na sua cabeça. É um pesadelo. Você pode sentir isso? Pode ver onde estou querendo chegar? Agora você entende por que estou prestes a entrar no escritório de Stuart e jogar meu avental em seu rosto enquanto exijo meu último salário? Um pigarrear próximo me afasta de meus pensamentos. Me virando para o balcão, vejo Sadie de pé do outro lado, torcendo nervosamente as mãos à sua frente, seus olhos vermelhos e ombros derrotados. Com a voz fraca, ela pergunta: — Você teve a chance de fazer meu sundae? Olho para a impressora e vejo alguns pedidos à espera. Aparentemente eu estava completamente fora de orbita, totalmente perdido em meus pensamentos. — Não tem problema. — Ela se move para a área da sorveteria, mas eu a impeço, minha mão acidentalmente batendo na dela. Rapidamente eu me afasto e limpo minha garganta. — Eu posso fazer isso. Apenas me dê um segundo. — Pego o pedido da impressora e começo a lê-lo, mas as letras e números se misturam; não faço ideia do que está escrito no papel em minha mão. — Não me importo... — Eu posso fazer isso, basta me dar um segundo. Apoio minhas mãos no balcão e tento respirar fundo. Mas ela está muito perto, seu perfume está me comendo vivo, seus olhos perfuram buracos nas minhas costas. Foco, Andrew, foco. É só um sundae, pelo amor de Deus. — É só um sundae de baunilha com calda de chocolate. — Sua voz treme com cada palavra. Quando me viro para olhar para ela, percebo que aqueles olhos azuis cristalinos estão se enchendo de lágrimas. Tudo que posso ver é sua agonia. Porra.


Foda-se. Está vendo do que estou falando? Não se envolva romanticamente com colegas de trabalho. Repito: não se envolva romanticamente com colegas de trabalho. Mas se você se envolver, saiba disso: colegas de trabalho podem se tornar seu carrasco de uma hora para outra.


CAPÍTULO-VINTE E OITO SADIE

Jogo minha bolsa remendada no chão e caio em uma das poltronas corde-rosa em meu pequeno apartamento de um quarto. Tive um longo dia de merda. As aulas começaram, e já se passaram três semanas desde que vi Andrew pela ultima vez. Ele se demitiu um pouco depois de terminarmos. Eu ouvi atrás da videira quando ele disse a Stuart que precisava se concentrar nos estudos, mas a verdade é que ele não aguentava mais ficar perto de mim. Não o culpo; eu mal consigo ficar perto de mim mesma também. Festa da piedade, entrada grátis para Sadie. Inclino minha cabeça para trás na poltrona e fecho meus olhos, tentando evitar as lágrimas que ameaçam a se derramar sempre que tenho algum tempo livre, ou a qualquer momento em que tenho um segundo para pensar. — Sadie? — Smilly chama da porta do quarto, olhando para onde estou sentada. — Não sabia que ia chegar em casa tão cedo. — Dia lento. Stuart pediu quem gostaria de voltar para casa, e eu me candidatei. Não consigo mais ficar lá além do necessário. — E essa é a mais pura verdade de Deus. Toda vez que olho para a área da sorveteria meu coração dói e meu corpo inteiro vibra em miséria. É insuportável. — Oh, isso é... legal. — Smilly engole e olha em volta. — Por que você está agindo estranho?


Deixando escapar um longo suspiro ela caminha em direção à sala, vestindo uma calça de couro sem bunda39, um sutiã de couro preto e um babador rosa de babados. — Estou esperando Saddlemire. Assimilo sua aparência e, embora provavelmente não queira saber a resposta, pergunto mesmo assim: — Porque o babador? Ela o acaricia, quase reverente. — Mamãe tem muito apetite esta noite, e sabe que vai ser desleixada. — Seu sorriso manhoso diz tudo – e subitamente tenho vontade de vomitar. Aceno minha mão no ar, tentando apagar os últimos segundos de minha mente. — Isso... — Balanço a cabeça em negação. — Não, pelo amor de Deus, nunca mais diga algo assim. Ela ri e senta ao meu lado, sem se importar com o fato de eu poder ver seu traseiro nu. Se Saddlemire vai chegar em breve, tenho que sair rapidamente daqui. — Falei com Emma hoje, — diz Smilly enquanto observa suas unhas. — Ela se encontrou com Andrew, e eles foram tomar um café. Aparentemente conversaram por algum tempo. — Não preciso saber disso. — Aperto minha mandíbula com tanta força que quase não consigo responder, à beira de rachar meus próprios dentes. Veja bem, eu confio em Emma, e sei que Andrew não se encontraria com ela apenas para me machucar. Mas ela é provavelmente tudo aquilo que ele quer em uma mulher. Ela é legal. Ela não está ferrada. E ela não mente. Smilly se remexe dramaticamente em sua cadeira, praticamente sentando em meu colo agora. — Vamos lá, porque você está demorando tanto? Vá buscá-lo! — Ele não quer mais nada comigo. Acredite, ele deixou isso bem claro quando fui até sua casa. — Não, não, não. — Smilly levanta um dedo com autoridade. — Ele disse que não queria te segurar. Que não

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queria ser aquele atrás de quem você se esconde. São coisas completamente diferentes, Sadie. Ele só quer que você se encontre. Todo mundo quer, na verdade. — Quer dizer que você também está palestrando em convenções a meu respeito agora, por acaso? — Sim. — Smilly se inclina para trás em sua cadeira. — E estou cobrando dez dólares por ingresso. Você nem imagina a merda de dinheiro que estou ganhando com a quantidade de pessoas que quer ver você se dar bem. — Ela encolhe os ombros e continua: — E daí que você teve um contratempo? Não deixe que isso te impeça de avançar para sempre. Faça com que seja apenas um redutor de velocidade, Sadie. Você costumava ser tão destemida. — Ou imprudente, — murmuro, apenas segundos antes de Saddlemire escancarar a porta. — Cheguei, baby. — Ele fala para Smilly, e então olha para mim. Seu rosto cai. — Você não deveria estar no trabalho? Nós realmente precisamos elaborar um cronograma. — Então ele olha para o babador de Smilly e diz: — Belo babador, querida. Espero que não fique muito sujo. E como eu sei quando não sou mais bem vinda, me levanto da poltrona e digo: — Ok, chega. Vou trocar de roupa e sair daqui. Levo menos de cinco minutos para substituir a roupa de trabalho por calças de ioga e um moletom com capuz. Por fim, prendo rapidamente meu cabelo em um coque alto e ando em direção à porta, para pegar minha bolsa. Eu sei onde quero ir. É o único lugar onde sei que posso limpar minha mente. — Enviem-me uma mensagem quando eu puder voltar, — peço, procurando minhas chaves na bolsa. Ouço apenas risos atrás de mim, então não me preocupo em esperar por uma resposta. Preciso sair daqui antes deles usarem o babador. Por favor, Deus, faça aquele babador arder em chamas antes de eu voltar. A viagem leva cerca de vinte minutos Quando chego, envio um texto rápido e, em seguida, caminho em direção ao meu local favorito, um tronco quebrado ao lado da costa de Dorchester


Lake. Me sentando, dobro meus pés sob mim, assim meus braços podem descansar em meus joelhos. Baixo meu queixo, de forma a apoia-lo em meus braços, e fico ali apenas observando as ondulações calmas da água. O sol está começando a se pôr, mas tenho que me esforçar para poder realmente apreciar a vista. Há um certo conforto para mim neste lago. Ele já estava presente em minha vida quando eu era apenas uma menina aprendendo a nadar Foi aqui que eu usei meu primeiro biquíni na frente dos meus amigos, onde tomei minha primeira bebida alcoólica, e onde vomitei essa mesma primeira bebida alcoólica - desculpe, lago. Foi para cá que eu vim quando abortei. Este lago, esta água... este lugar tem sido a única coisa constante e confiável em minha vida. Nunca me julgando, nunca me apressando, nunca tentando me tornar alguém que não quero ser. Bem pelo contrario: sempre me ajudou a refletir sobre a pessoa que eu realmente sou. Inclinando-me para frente, olho para a água e observo meu reflexo, encarando a verdade que está à minha frente. Eu não sou a pessoa que gostaria de ser. Estou cansada, deprimida, irritada e frustrada com as bolas curvas que continuo recebendo. Ouço um galho quebrar atrás de mim. Eu ficaria alarmada se achasse que alguém está tentando se esgueirar, mas esse não é o caso. Ele senta ao meu lado, e eu não tenho que me virar para ver quem é. Sua presença é inconfundível. — Noite tranquila, — Tucker diz, mantendo a voz baixa. Eu não o vi ou falei com ele desde a festa, mas dada a nossa história, eu sabia que se lhe enviasse um texto, ele viria. Esse é o tipo de relacionamento que nós temos. — Sim. Muito quieto. Estava esperando encontrar alguns adolescentes aqui, mas me enganei. De canto de olho, vejo-o se encostar no tronco. — Lembra-se da vez que viemos aqui e fumamos nosso primeiro beck juntos? Eu o roubei do meu irmão mais velho, e nós pensamos que fosse a melhor coisa do mundo, até que ele nos pegou e me espancou por assaltar seu esconderijo. — Mas você riu o tempo todo, porque estava chapado. —


Sorrio com a lembrança. — Depois dos dois primeiros socos, ele desistiu e saiu. — Eu nunca fui mais grato por estar chapado. — Ele suspira e diz: — Nos deveríamos ter ido pescar naquele dia. — Sim, mas você apareceu com um beck e sem nenhum equipamento de pesca. Foi justo termos desistido da pescaria depois disso. — A última coisa que eu queria fazer com você era pescar. — Ele cutuca meu ombro com o dele. Na época, a última coisa que eu queria fazer com ele era pescar também. Naquela época, Tucker era o meu tudo. Ele era o destruidor de corações da nossa cidade natal, o cara com quem todas as garotas desejavam ter uma chance Mas ele nunca sequer olhou para elas. Ele só tinha olhos para mim. Aparentemente nada mudou nesse quesito. — Tivemos bons momentos, — digo, começando a sentir a tensão que paira entre nós. Ele se remexe no tronco e se inclina para frente, apoiando os antebraços nas suas coxas enquanto olha para mim. — Nós ainda podemos ter aqueles momentos divertidos, de uma forma mais adulta, — ele diz, e eu posso sentir o tom sério em sua voz. Balançando minha cabeça, respondo: — Nunca funcionaria entre nós. — Por quê? — Ele parece insultado. Por que ele não me entende? Me viro para ele, minhas pernas ainda dobradas de encontro ao meu peito. Vendo-o pela primeira vez esta noite, não posso deixar de observar seu jeans, sua camiseta branca simples e a touca que pendura frouxamente em sua cabeça. É sua assinatura, e a razão pela qual cada menina da vizinhança o quer. Mas não lhe respondo. Em vez disso, faço uma pergunta. — O que você acha que teria acontecido entre nós se eu não tivesse engravidado? Você acha que teríamos ficado juntos? Nós já estávamos começando a nos afastar, as coisas não estavam estáveis. — Só porque eu estava trabalhando mais de cinquenta horas por semana enquanto você estava na escola. Eu estava


tentando fazer algo comigo mesmo, assim, quando você se formasse, poderia se apoiar em mim enquanto iniciava sua própria carreira. Nós podemos fazer qualquer coisa funcionar se quisermos, Sadie. — Mas havia tanta tensão entre nós, tanta raiva... Você não sentia isso? Seja honesto, Tucker. Ele se afasta de mim e olha para a água. Quando fala, sua voz está cheia de mágoa. — Eu sentia que estava perdendo você, Sadie. Não importava o que eu fazia, parecia que com cada beijo você me empurrava para mais longe, que cada telefonema colocava outra milha de distancia entre nós. Foi por isso que eu comecei a trabalhar tanto. Achei que se eu trabalhasse, pelo menos poderia mostrar a você que estava planejando nosso futuro, e te provar que mesmo não estando na faculdade ainda podia prover você. Meu coração afunda com sua admissão. — Você nunca precisou provar nada para mim, Tucker. Eu soube desde o momento em que te conheci que você ia fazer grandes coisas na vida. Não é necessário ir para a faculdade para ser bem sucedido. Espero nunca ter feito você se sentir desse jeito. — Não fez. Mas foi intimidante, porra, namorar uma menina inteligente o suficiente para ir para Cornell. Eu sempre me senti um pouco inadequado para você, como se você fosse boa demais para mim. — Ele olha em minha direção, seus olhos carinhosos. — Você ainda é. — É aí que você está errado, Tucker. Nós sempre fomos iguais, e sempre seremos. Não se diminua. — É difícil evitar, especialmente quando a mulher que eu amo não me dá uma segunda chance. Deve haver algo de errado comigo te impedindo de tentar reaver o que tínhamos. Agora, como posso explicar meus sentimentos em relação a ele sem ferir seus sentimentos? Antes que eu possa pensar em uma maneira, porem, ele diz: — Posso lhe mostrar algo? — Agora? Ele balança a cabeça e segura minha mão. — Agora. Não esperando uma resposta, ele me guia até sua monstruosa caminhonete e me ajuda a subir no lado do passageiro. Quando ele mesmo senta atrás do volante, não perde


tempo e rapidamente volta à estrada, dirigindo para o sul em direção a Binghamton. Eventualmente saindo da rodovia, entramos na Front Street, cruzamos a ponte e continuamos em direção a Chenango Valley High School, percorrendo agora a zona residencial da cidade. Que diabos ele quer me mostrar aqui? Nós passamos casa após casa até chegarmos a uma rua sem saída. Ele então dirige ate a terceira casa à direita, e estaciona na entrada de automóveis. Uma vez ali, ele segura firmemente o volante, olhando para a pequena casa com garagem lateral. Depois de um tempo, eu pergunto: — Onde estamos? Evitando fazer contato visual, ele responde: — Nossa casa, Sadie. Nossa o que? — Comprei quando descobri que você estava grávida. Eu queria um lugar onde poderíamos viver confortavelmente como uma família, em um bairro seguro. Era uma surpresa, mas nunca tive a chance de te mostrar. Precisava de algumas reformas quando a comprei, então comecei a trabalhar nisso, para que ela estivesse pronta quando o bebê nascesse. Mas depois que perdemos nosso filho, acabei parando. Ele comprou uma casa? Não posso... Nem sei como processar isso. Engolindo com dificuldade, ele pergunta: — Você quer vê-la? Na verdade não quero, porque sei que vou quebrar, mas também sei que Tucker realmente quer mostrá-la para mim, então aceno afirmativamente enquanto um nódulo começa a se formar em minha garganta. Juntos e de mãos dadas, ele destranca a porta da frente e me guia para dentro. Entramos diretamente na sala de estar, que tem uma lareira de tijolos brancos à direita, belos pisos de carvalho e um pitoresco arco que conduz a sala de jantar. No canto há uma bonita prateleira embutida, pronta para receber um belo conjunto de pratos. Tucker continua a me levar pela casa, não dizendo muito, apenas me mostrando, me deixando absorver o que estou vendo. A cozinha é perfeita. Toda em offwhite e com botões de vidro vintage azul, tão vividos que realçam ainda mais o branco puro dos armários. À esquerda além da sala


de jantar vejo mais dois quartos de igual tamanho, mais uma porta fechada e um pequeno banheiro. — O que tem ali? — Pergunto, apontando para a porta fechada. — Nada, — ele murmura antes de me conduzir pelas escadas, que levam a um espaço de sótão onde fica o quarto principal, com vários armários, tetos baixos e bonitas prateleiras embutidas. É uma linda casa. Eventualmente ele me leva de volta para baixo e se vira para mim antes de perguntar: — O que você acha? Falo honestamente. — É linda, Tucker. Mal posso acreditar que você a comprou para nós. — Ainda curiosa, ando em direção à porta que está fechada e digo: — Por que não me mostra o que tem aqui? Dor retorce seu rosto. Sem dizer nada, ele simplesmente abre a porta, revelando um pequeno berço branco no meio de um quarto pintado de amarelo. Um quarto de bebê. Imediatamente minha garganta fecha, e minha força começa a se desintegrar a cada passo que dou para dentro do quarto. É bem simples; ele ainda não fez muito além da pintura. Mas o berçobranco, vintage e com fusos trabalhados é mais do que eu desejaria para o meu bebê. É tão doce. Minha visão borra conforme lágrimas caem em cascata pelas minhas bochechas. Perto do berço, eu caio no chão e enterro a cabeça nas mãos enquanto soluços silenciosos sacodem meu corpo. Tucker envolve seu corpo ao redor do meu, segurandome apertado. E assim nós apenas nos sentamos ali, no chão do quarto do nosso bebê, e choramos juntos pela perda que sofremos. E não lamentamos apenas a perda do nosso bebê. Choramos pela relação que um dia compartilhamos. Por tudo que se foi. Desapareceu. É por isso que estamos sofrendo. Tivemos a oportunidade de trazer algo tão precioso a esse mundo, algo tão inocente, mas perdemos nossa chance contra a


nossa vontade. Tristeza enche a sala com cada lágrima que cai de nossos olhos. Eu olho para ele, seus olhos vermelhos, suas bochechas molhadas, sua pele manchada. Ele segura meu rosto e muito gentilmente aproxima seus lábios dos meus lábios, me beijando levemente. Não é sexual. Não há calor nesse beijo. Ele serve apenas para o nosso tão necessário conforto. Eu deixo meus lábios pressionarem contra os dele por alguns segundos antes de me afastar. Com sua mão ainda segurando meu rosto, procuro seus olhos. — Você não me ama mais, não é? — Ele pergunta, me pegando desprevenida. Meu estomago se agita, e minha ansiedade começa a fazer meu corpo tremer. As palavras de Andrew correm pela minha cabeça. Você precisa se encontrar de novo. Ele tem razão, eu cai na rotina. E se algum dia quiser ser feliz novamente, preciso sair dela - e isso começa agora. Pego a mão de Tucker e olho profundamente nos olhos dele. — Eu nunca parei de te amar, Tucker. Mas seu rosto não se enche de esperança. Em vez disso, ele diz: — Apenas não está mais apaixonada por mim. Porque há uma diferença. Amar alguém e estar apaixonado por alguém. Você pode amar qualquer um que tocar sua alma de uma maneira insubstituível. Nunca se esqueça disso. Mas estar apaixonado por alguém... isso é reservado apenas para uma pessoa especial, alguém com quem você se vê passando o resto da vida. Uma vez, o homem à minha frente foi esse alguém para mim. Esse homem com um bom coração, que me amou por muitos anos, já foi meu futuro um dia. Mas agora? Infelizmente ele não é mais o homem com quem quero passar o resto da minha vida. Me odiando por saber que vou machuca-lo profundamente com o que preciso fazer, sacudo negativamente minha cabeça. Ele solta um longo suspiro. — Você está apaixonada pelo Peitos Firmes, não é?


O uso do apelido de Andrew me faz bufar, trazendo de volta as boas lembranças deste verão, quando tudo parecia menos complicado. Estou apaixonada pelo Peitos Firmes? Pelo garoto que saiu do nada, que perturbou minha vida e me fez quebrar minhas próprias regras, que me fez rir e sair da minha zona de conforto, e que me apresentou ao único e incomparável Cannon Cock? Estou apaixonada por ele e por sua paixão estranha por calculadoras, por sua preferencia por filmes nerds e por seu amor incessante por sorvete de baunilha sem açúcar? Não há dúvidas em minha mente. Sim. Estou tão apaixonada por esse homem. O homem que iluminou minha vida escura quando eu não mais vivia, apenas existia. O homem que, apesar dos meus maus modos, minha atitude horrível e minha aparente incapacidade de ser educada, ainda quis me fazer sorrir... porque viu algo escuro em meus olhos. Como eu não poderia estar apaixonada por ele? Encontrando os olhos de Tucker, aceno. — Estou apaixonada por Andrew. Ele se inclina para trás, um suspiro escapando de seu peito. — São os óculos? Porque não me oponho a usar óculos. Rindo, balanço minha cabeça. — Não são os óculos. Ele concorda e olha para o berço, um tom sério novamente se apoderando de sua voz. — Quando foi que eu perdi você, Sadie? — Não tenho certeza, — digo honestamente. — Gostaria de poder te dizer, mas realmente não sei. Ficamos em silêncio olhando ao redor do quarto, pensando no que poderia ter sido, em quão diferentes poderiam ser nossas vidas. Finalmente, após o que parecem horas, Tucker levanta e me ajuda a ficar de pé. À luz fraca do quarto, ele empurra uma mecha de cabelo para trás da minha orelha, seu rosto bonito perto o suficiente para beijar. Com voz suave, ele diz: — Eu nunca vou


parar de te amar, Sadie. Envolvo meus braços ao redor dele e pressiono minha bochecha contra seu peito. — Eu também nunca vou parar de te amar, Tucker. Mas é hora. É hora de nos deixarmos ir, antes de ferirmos ainda mais um ao outro. Ele fica rígido em meus braços, sua respiração presa na garganta. Eu não tenho certeza se Tucker vai realmente seguir em frente, mas tudo que posso fazer é esperar e rezar para que o melhor aconteça. Deste ponto em diante, não vou mais me esconder atrás de ninguém. Vou avançar de uma maneira ou de outra conforme saúdo meu futuro. E o primeiro passo para isso é fechar a porta do passado. Pressiono minhas mãos contra o peito de Tucker e finalmente digo aquilo que demorei tanto tempo para conseguir lhe falar. — Obrigada, Tucker. Não posso sequer expressar o quanto sou grata. Obrigada por ser um dos meus melhores amigos, por me dar um lugar feliz quando minha inocente infância foi tirada de mim. Obrigada por me amar por quem eu sou, peças defeituosas e tudo. Obrigada por ficar ao meu lado, por ser meu apoio, minha rocha, e meu homem quando precisei de você. Você foi tudo para mim por tanto tempo, mas agora eu sei que não posso continuar a me esconder atrás de você e te usar como escudo. Eu tenho que descobrir este mundo sozinha. — Pressiono meus lábios contra a palma de sua mão, tentando tranquilizá-lo de que, não importa o que aconteça, ele nunca deixará meu coração. — Tivemos bons momentos juntos, Tucker. Não tem como negar isso. Mas também tivemos alguns momentos difíceis e dolorosos. Acho que foram justamente essas coisas difíceis que nos uniram - dor, traição e mentira - que acabaram por nos separar. Nós nos tornamos adultos sem realmente aprender como sermos adultos. Nos escondemos atrás de nossos passados sem enfrentar a realidade. Nosso relacionamento se tornou insalubre, tóxico, porque nunca nos ensinaram a nos comportar de maneira diferente. E então a perda do nosso bebê... Eu acho que o universo nos uniu para uma razão, durante alguns dos momentos mais difíceis de nossas vidas, mas também acho que agora é hora de ir, de viver nossas vidas separadas. É hora de crescer, de chegar além do que tivemos e não tivemos, de buscar o que supostamente somos. De entender


quem supostamente fomos. Ele contrai a mandíbula, e os músculos de seu pescoço e ombros tencionam. Apenas por sua reação posso dizer que ele não concorda com o que acabei de dizer, e que vai precisar de mais tempo para alcançar a sensação de calma que eu encontrei hoje. Mas apesar de estar bravo, ele não deixa de absorver minhas palavras. Abraçando-me contra seu peito, ele diz: — Eu realmente espero que você encontre a felicidade, Sadie. Isso é tudo que eu quero para você. — Isso é tudo que eu quero para ele também, mas dói demais dizer isso agora. Ele beija o topo da minha cabeça e me conduz para fora da casa, certificando-se de desligar todas as luzes. Quando estamos no carro, ele diz: — Vou te deixar em casa. Smilly pode ajudá-la a pegar seu carro amanhã. Com essas últimas palavras, ele me leva para casa, me beija na bochecha, diz adeus e se afasta. E parece que ele está deixando minha vida para sempre. Naquela noite, na cama, eu crio um muito necessário plano de ação para colocar minha vida de novo nos eixos. Mas Tucker permanece no fundo da minha mente o tempo todo. Por favor, Deus, deixe-o encontrar a paz. Isso é tudo que eu quero para ele, paz e felicidade. E por favor, me ajude também durante os próximos dias. Por saber que tenho que falar com a pessoa com quem tenho mais dificuldade de conversar, também sei que vou precisar da coragem extra. Vou precisar encontrar a tal força interna que todos aparentemente vêm em mim.


CAPÍTULO-VINTE E NOVE SADIE

O outono em Nova York pode ser de duas maneiras: puro, ensolarado e refrescante, ou envolto numa névoa gelada que lança escuridão cinza sobre o seu dia. Hoje eu mal consigo ver a casa em que cresci através do para-brisa dianteiro do meu carro enquanto estaciono na entrada de automóveis. Nervosismo toma conta do meu corpo, aumentando minha ansiedade a níveis quase incapacitantes. Levou-me uma semana para reunir coragem suficiente para vir até aqui, e mesmo agora não consigo sair do carro e dar os últimos passos. A força que preciso para seguir em frente é inexistente, e a única pessoa que conheço que poderia me tirar desse carro não está mais em minha vida. Pegando meu telefone, leio algumas das últimas mensagens de texto que enviamos um ao outro. Um sorriso repuxa meus lábios pela maneira como ele tão fácil e casualmente gracejava, e como conseguia, com apenas uma frase, colocar um sorriso em meu rosto. Sinto falta dele, terrivelmente. Não, isso não basta. Eu sinto tanta falta dele que parece que uma parte do meu próprio corpo foi decepada, mesmo que agora eu saiba que nunca foi responsabilidade dele me fazer inteira. Esse é o meu trabalho. E se eu tiver muita sorte, talvez ele espere por mim. Meu dedo paira sobre o teclado. Devo enviar uma mensagem para ele? Perguntar como ele está? Ele responderia? Ou imediatamente apagaria minha mensagem de texto e seguiria


em frente? A cada segundo que passa sem que eu tenha noticias dele, sinto-me como se uma picareta de gelo estivesse perfurando meu coração, quebrando partes essenciais em um amargo desmoronar. A necessidade que toma conta de mim é esmagadora, e antes que possa me impedir, mando uma mensagem de texto. Sadie: Ei Andrew. Espero que você esteja bem e curtindo as aulas. No minuto em que envio a mensagem, imediatamente me arrependo. Espero que você esteja indo bem e curtindo as aulas? O que eu sou, sua avó? — Ughhh. — Praticamente escorrendo pelo banco, desejo fervorosamente que a Apple realmente encontre uma maneira de apagar mensagens de texto já enviadas. Já temos veículos autodirigidos, mas ainda não podemos (des)enviar uma mensagem de texto? O que vai fazer a respeito, Vale do Silício40? Está vendo ate onde o desespero pode te levar? Sozinha em seu carro, do lado de fora de sua casa de infância, parecendo uma bagunça patética com nada além deDing. Uma mensagem de texto. Meu coração começa a bater mais rápido, como se estivesse a ponto de estourar em meu peito, minhas palmas suam profusamente, e parece impossível respirar enquanto olho para meu telefone. Mas o nome que aparece na tela desinfla todo o meu corpo, como um balão de hélio que foi solto ao léu. Papai. — Merda. — Desapontamento é a única coisa que sinto ao ler sua mensagem de texto. Papai: Você vai ficar no carro ou vai entrar?

O Vale do Silício (em inglês: Silicon Valley), na Califórnia, Estados Unidos, é uma região na qual está situado um conjunto de empresas implantadas a partir da década de 1950 com o objetivo de gerar inovações científicas e tecnológicas, destacando-se na produção de circuitos eletrônicos, na eletrônica e informática. 40


Eu respondo, mesmo não estando completamente pronta para dar o próximo passo ainda. Sadie: Acabando algumas coisas, sairei em breve. Descanso meu braço no apoio da porta do carro enquanto esfrego minhas têmporas. Que piada cruel! A única vez que meu pai decide me enviar um texto é também o momento mais inoportuno que poderia fazer isso. Respirando profundamente, pego minha bolsa, tiro as chaves da ignição, e saio do carro. Está na hora de acabar com isso. Faço meu caminho em direção à porta dos fundos, onde meu pai me cumprimenta, abrindo a porta de tela para mim. Nós não somos a dupla afetuosa pai-filha padrão, então ele simplesmente me cumprimenta com um olá. Como sempre, penduro minha bolsa no armário de casacos no corredor e caminho para a sala de jantar, sentando-me numa das cadeiras ao redor da mesa. Meu pai se junta a mim segurando duas xícaras de café na mão, visivelmente cansado. As rugas em torno de seus olhos mostram sua idade, e as linhas de riso que anteriormente que emolduram sua boca parecem não ter sido reforçadas em anos. Um homem derrotado e sem vida, isso é o que ele parece. — A que devo a visita surpresa? — Ele pergunta, sentando à minha frente. Enrolo minhas duas mãos ao redor de minha xícara e olho para meu pai. — Tenho algo que preciso te dizer. Algumas coisas sobre as quais temos que conversar. Ele se inclina para trás em sua cadeira, um olhar interessado em seu rosto. — Ok. Você prefere ir direto ao ponto ou vamos bater algum papo furado primeiro, para aliviar o clima? — Vou direto ao assunto. — Então eu respiro fundo e olho para o meu café, incapaz de fazer contato visual com ele. — Eu, uh... Abandonei Cornell, papai. Ele não diz nada, apenas espera que eu continue. Me remexo um pouco em minha cadeira, finalmente encontro


coragem para encará-lo. Ele esta rangendo a mandíbula, seus olhos severos olhando diretamente para mim. Foda-se, porque tem que ser tão difícil? Gostaria que Andrew estivesse aqui agora. Como eu gostaria que ele segurasse minha pequena mão na sua grande, emprestando-me sua força. Tomando outra respiração profunda, continuo. — Eu desisti da faculdade porque Tucker e eu... eu... engravidei. — As palavras parecem laminas escorregando para fora da minha boca. Eu luto arduamente para articular cada uma delas, preocupada e assustada com o que meu pai poderia dizer. — Tínhamos todas as intenções de criar o bebê, mas algumas semanas depois eu tive um aborto. Esse foi o fim para Tucker e eu. Silêncio se estende entre nós. Inquieta, me pergunto o que mais deveria dizer. Mas realmente não tenho outras confissões a fazer. Fui bastante rápida e completamente direta ao ponto. E agora só preciso esperar sua reação. O tamborilar de seus dedos sobre a mesa é a primeira indicação de que ele está prestes a gritar comigo, seguido de um pigarrear e dele se reposicionando na cadeira. — Você não está mais indo para a faculdade? — Eu balanço a cabeça negativamente. Ele bate na mesa com a mão, me assustando. — Porra, Sadie. O que você está fazendo então? Apenas dividindo um apartamento de um quarto com Samantha? Festejando e desperdiçando sua vida? Uma vida que eu trabalhei malditamente duro para prover para você? — Estou trabalhando no Friendly's, pai. — É uma resposta patética, eu sei, mas não tenho nada além disso. Ainda. — Entendo. — Ele balança a cabeça, seu dedo indicador ainda tamborilando firmemente sobre a mesa. — Então é isso? Você pretende ser garçonete pelo resto da vida? A menina de ouro, a mais esperta na área dos três estados está desistindo e virando uma garçonete. — Ele se levanta e se inclina sobre a mesa. — Tudo bem, Sadie. Obrigado por compartilhar. Lave sua caneca antes de sair. Atordoada, apenas observo-o se afastar por um segundo antes de me levantar e chamá-lo. — Isso é tudo que você vai dizer? Tudo bem? Você não vai gritar comigo? Não vai tentar me fazer mudar de ideia?


Ele balança a cabeça. — Você já é maior de idade, Sadie. Deve ser capaz de distinguir o certo do errado por agora. Se está procurando alguém que se compadeça, está olhando para a pessoa errada. Furiosa com meu pai e com sua falta de carinho, replico: — O que aconteceu com você? — Grito. — Você costumava se importar. Costumava nos instigar. Será que a mãe realmente drenou toda sua força? Voltando à cozinha, e com os olhos furiosos agora, ele diz: — Você não tem nem ideia do que eu passei com sua mãe. — Oh, tem certeza? — Pergunto. — Porque eu me lembro com detalhes de tudo que aconteceu, e sabe por quê? Porque você me contou. Você me contou tudo, pai. Contou coisas que eu nunca deveria ter ouvido naquela idade. Ele passa a mão pelo rosto. — Você era a única... — Ele faz uma pausa e solta um longo suspiro. — Você era a única com quem eu podia conversar. — Meu coração se despedaça mais uma vez com sua confissão. — Pai, eu não... — Está no passado, Sadie. — Então olha para mim, um pedido de desculpa não formulado flutuando entre nós. — Você quer que eu te instigue? Bem, então seja a pessoa que eu te criei para ser, a mulher feliz e competente com habilidade de segurar o mundo todo na ponta dos dedos. Não deixe que um revés a impeça de seguir o caminho que estabelecemos para você. — Lágrimas começam a surgir novamente em meus olhos. O que há com todo esse choro ultimamente? — Não posso voltar para Cornell, pai. Perdi minha bolsa de estudos. Ele põe as mãos nos bolsos do jeans e diz: — Felizmente para você, Cornell não é a única faculdade neste planeta. A mim parece que você deveria começar a selecionar outras opções. E esse é o fim da conversa entre nós. Ele apenas caminha ate mim, me beija na testa e sai para seu quarto, onde silenciosamente fecha a porta.


Cornell foi meu sonho desde que me lembro. Eu vivi e respirei aquele futuro. A coisa mais engraçada sobre os sonhos, porem, é muitas vezes eles mudam. Como meu pai pediu, lavo minha caneca antes de sair. Pegando minha bolsa no corredor, dirijo-me ao meu carro, onde checo meu telefone, esperando e rezando. Quando vejo que não tenho mensagens, apenas fecho meus olhos, tentando engolir meu sofrimento. Seja a pessoa que eu te criei para ser, a mulher feliz e competente com habilidade de segurar o mundo todo na ponta dos dedos. Não deixe que um revés a impeça de seguir o caminho que estabelecemos para você. Papai tem razão em estar bravo comigo. Ele não ficou chateado por causa da gravidez, mas por causa de quem eu me tornei, apesar de todos os seus anos de trabalho duro tentando fazer a diferença em minha vida. Eu preciso ser aquela que me instiga. Preciso acreditar em mim de novo, e ser a mulher que meu pai acredita que posso ser. Ser a mulher que eu sei que posso ser. Ainda estou com o coração partido. Ainda sinto dor e anseio pelo homem que amo. Mas desta vez, não vou deixar isso me impedir. Eu tenho algum trabalho a fazer.


CAPÍTULO-TRINTA ANDREW

— Quantas vezes você vai olhar para essa mensagem? — Jimmy pergunta, parando atrás de mim e olhando por cima do meu ombro. Eu rapidamente escondo meu telefone, embora saiba que ele já viu o que estava na minha tela. Sadie me enviou uma mensagem de texto por dia durante as últimas duas semanas. Durante as ÚLTIMAS DUAS SEMANAS. Elas sempre me perguntam como estou e o que tenho feito, e me contam sobre as coisas estranhas que Smilly tem feito no apartamento. Eu nunca respondo. Mas este último esta me tentando absurdamente. Sadie: Saddlemire comprou um anel. Ele vai pedir Smilly em casamento. Estou participando do complô, porque vai ser uma grande surpresa, com truques e tudo mais. Mal posso esperar. Gostaria que você pudesse fazer parte disso. Seus textos ficam mais ousados à medida que os dias passam. Ontem ela me disse o quanto sente minha falta. Bem, foda-se, eu sinto falta dela também, mas eu quis dizer o que disse. Ela precisa se encontrar. Precisa parar de se esconder atrás das pessoas e enfrentar o mundo de uma vez por todas. Descobrir o que vale a pena pra ela. Se ela continuar se escondendo atrás de mim para sempre, vai se ressentir disso no futuro. Vai se ressentir por não se tornar a mulher incrível que nasceu para ser. Eu a amo, e quero que ela seja a melhor versão de si mesma. Eu realmente quero isso para ela. Mesmo que tenha que acontecer sem mim. Ignorando a pergunta de Jimmy, me viro para encará-lo do


banquinho em que estou sentado e pergunto: — Você está pronto? Falando em casamentos... — Porra, estou suando, — ele responde, puxando a gravata. — Ela vai dizer sim, certo? Quero dizer, ela tem que dizer sim, ela se mudou para o outro lado do país por minha causa. Então ela vai dizer sim. Foda-se. — Ele coloca as mãos na cabeça. — E se ela disser não? Eu rio, amando quão inseguro e nervoso meu irmão está agora. Soa como algo horrível de se dizer, eu sei, mas confie em mim, Jimmy pode lidar com algum desconforto de vez em quando. — Não sei, cara, — digo, um pouco desconfortável. — Eu a peguei verificando o entregador de pizza na outra noite. —Porque ele tinha uma marca no rosto, e ela estava preocupada, — conta Jimmy.— Ela não gosta de melanoma. — É nisso que ela quer que você acredite. Jimmy se vira, raiva estampando seu rosto. — Qual é o seu problema, cara? Está tentando foder comigo? — E simples assim gargalhadas incontroláveis borbulham para fora de mim. Merda, isso foi muito fácil. — Não foi engraçado. Estou tão nervoso. Levantando do banquinho no qual estou sentado, agarro os ombros dele e olho em seus olhos. — Ela vai dizer sim, mano. Você não tem nada com o que se preocupar. Eu prometo. — Espero que sim. A porta do quarto se abre e Mae aparece, vestindo um vestido roxo fluido que termina pouco acima de seus tornozelos. Seu cabelo está enrolado e ela está usando o colar de borboletas que Jimmy lhe deu há um ano. Jimmy e eu ficamos lado a lado enquanto ela se aproxima. Então ela dá um pequeno giro e pergunta: — Como estou? — P-perfeita, — Jimmy gagueja, suando mais do que já o vi suar antes. É quase repulsivo - não sei se deveria pegar uma toalha para secá-lo ou tentar hidratá-lo o mais rápido possível.


— Você está bem? — Mae pergunta, se aproximando. — Sim. — Ele puxa seu colarinho e engole com força. Eu juro, ele parece que está prestes a... Antes que eu possa terminar meu pensamento, os olhos de Jimmy rolam para a parte de trás de sua cabeça e ele cai no chão, seu corpo todo se batendo contra o piso acarpetado. Para completar a cena, quando ele bate no chão, a caixa do anel voa para fora de seu bolso e para entre ele e Mae. Bem, suponho que essa é uma maneira de propor também. Atordoada, Mae fica ali parada, sem saber o que fazer. Assim, sendo o bom irmão que eu sou, me ajoelho ao lado de Jimmy, levanto sua cabeça e mantenho a caixa do anel erguida para Mae. Imitando a voz de Jimmy, digo: — Mae, Jimmy quer saber se você gostaria de se casar com ele. Suas mãos voam para sua boca antes de ela se agachar e começar a beijar um Jimmy inconsciente. — Claro que sim. Oh meu Deus, mal posso acreditar. Abro a caixa para ela e ela pega o anel e o coloca no dedo. Olhando fixamente para o diamante, ela se aconchega ao lado do corpo flácido de Jimmy, abraçando-o com força. — Ele estava preocupado com a minha resposta? — Então ela se vira novamente para o meu irmão sem vida e o golpeia pelo ombro. — Homem estúpido. É claro que eu diria sim. Sentindo que já cumpri minha obrigação aqui, parabenizo Mae e peço a ela para me enviar um texto quando Jimmy acordar, para que eu saiba que está tudo bem. Ele deveria propor durante o jantar, mas acho que eles não vão mais sair agora, considerando seu desmaio e tudo o mais. Dirijo-me a meu carro e pego meu telefone. Sinto uma necessidade quase incontrolável de contar a alguém o que acabou de acontecer, e a pessoa que não consigo tirar da cabeça é justamente aquela com quem quero conversar. Dando um salto de fé como meu irmão, envio um texto para Sadie. Andrew: Parabéns a Saddlemire por ter se decidido. :) Meu irmão também acabou de propôs à namorada. Ele desmaiou ao fazê-lo, mas quando acordar vai ver que está noivo,


então de forma geral acho que correu tudo bem. Me sentindo um pouco mais leve, volto para minha casa. As meninas estão todas no treino, então eu tomo um banho rápido e sento em frente ao meu computador para começar a estudar. Olho fixamente para minha tela por alguns segundos e, em seguida, como qualquer estudante universitário, conecto o Facebook e começo a procrastinar. É difícil começar a estudar. Eu tenho que me aquecer primeiro, construir um pouco culpa por enrolar demais antes de realmente me concentrar. Eu estudo melhor quando me sinto culpado por perder tanto tempo com coisas inúteis. Começando pela minha timeline, curto as fotos da maioria dos meus amigos antes de uma mensagem aparecer no canto. Sadie. Meu coração salta uma batida quando vejo sua foto no box de mensagens, seu cabelo louro flutuando sobre seus ombros e seu brilhante sorriso bonito enchendo a tela. Porra, eu sinto tanta falta dela. Sadie: Ei, você. Acabei de receber sua mensagem. Dê meus parabéns ao seu irmão. Devo escrever de volta? Porra, quem estou tentando enganar? Já estou clicando na caixa de texto. Não consigo me controlar. Mas será só uma conversa amigável, só isso. Andrew: Obrigado. Tenho certeza que quando ele acordar ficará muito feliz. Sadie: Ele realmente desmaiou? Andrew: Sim, mal conseguiu falar duas palavras sobre quão bonita sua noiva estava antes de seus olhos rolarem para a parte de trás de sua cabeça e ele desmaiar, a caixa do anel caindo de seu bolso e rolando entre eles. Sadie: OMG, sei que não devo rir, mas é tão engraçado. Andrew: Não se preocupe, eu ri o tempo todo. Ou melhor, depois que perguntei a Mae se ela queria se casar com meu irmão. Sadie: Você é um homem tão louvável.


Andrew: Eu tento. (Esfregando meus suspensórios invisíveis) Sadie: LOL. Você ficaria muito bem usando suspensórios. Apoio minhas costas no encosto da cadeira e esfrego a mão sobre a boca. Porra, sei que provavelmente estou entrando em território perigoso aqui, mas ela está certa, eu ficaria bem de suspensórios. É só um simples elogio, só isso. Andrew: Concordo com você, mas sempre que vejo outros caras usando, fico com a impressão que eles estão com uma espécie macabra de cuecão constante. Não parece muito confortável. Sadie: Você anda observando as calças de outros caras? Faz tanto tempo assim desde que te vi pela ultima vez, a ponto de você estar verificando homens agora? Eu nunca fiz um cara virar gay antes, então não sei se deveria ficar feliz por você ser o meu primeiro, ou nervosa por ter te influenciado tanto. Quero dizer, você sempre foi um pouco metrossexual, então eu posso entender, mas... Entender o que? Oh, porra, não. O que há com essas mulheres pensando que sou gay? Porque se forem os óculos, vou pisar neles agora mesmo. Andrew: Por favor, Cannon Cock só gosta da boceta. Sadie: Preenchendo sua cota diária de idiotice outra vez? Andrew: Não posso permitir que ela seja revogada. As repercussões podem ser catastróficas. Sadie: Sério? O que poderia acontecer? Resignado, já nem disfarço meu sorriso enquanto escrevo de volta. Andrew: Uma vez que a cota de idiotice é revogada, não se tem mais desculpa para agir como um idiota. Isso basicamente... lhe torna um idiota. Sadie: Ah, entendo. Mas você percebe que isso não faz sentido, certo? Andrew: Faz sentido na minha cabeça. Sadie: Acho que isso é tudo o que importa, não é? Andrew: Exatamente.


Depois de outro longo dia de aulas, jogo minha mochila no chão do meu quarto, ligo meu computador e entro no Facebook. Enquanto está tudo carregando, descasco a banana que roubei da cozinha e dou uma mordida gigante. Meus olhos se iluminam quando vejo a caixa de mensagem de Sadie piscando para mim. Por alguma razão, recorremos ao Messenger para manter contato, mas eu me recuso a baixar o aplicativo no telefone, sabendo que será um grande motivo para procrastinar durante as aulas. Porem, certo como o inferno que o verifico quando chego em casa. Sadie: Stuart realmente sente sua falta. Ele disse que você foi o melhor garoto do sorvete que já teve, depois de mim, é claro. Rindo, largo minha banana sobre a minha mesa e digito uma resposta. Andrew: Depois de você? Duvido. Eu sou bom pra caralho quando se trata de sorvete. Sadie: Eu poderia vencê-lo a qualquer momento. Não se esqueça quem foi que te mostrou o caminho. Andrew: Sim, com uma carranca o tempo todo. Sadie: Só porque te peguei olhando para a minha bunda várias vezes naquele dia. Desculpe por não querer ser vista como um objeto sexual no meu local de trabalho. Andrew: Você não reclamou quando te fodi com os dedos no deposito. Aperto enviar e depois me encolho. Cristo, você acabou de cruzar a linha aqui, Andrew! Você não devia estar flertando. Você deveria estar… Diabos, o que eu deveria estar fazendo? Ficando longe? Bloqueando-a? Não estar falando com ela? Bem, isso não vai acontecer. Eu não consigo. Estou atraído por ela. E só porque estamos nos falando não significa que as coisas entre nós mudaram. Estamos apenas conversando. É


isso aí. A pequena bolha aparece outra vez, indicando que ela está digitando, e quando finalmente leio sua mensagem, inclino a cabeça para trás e rio alto. Sadie: Isso me lembra, a baunilha sem açúcar tem estado muito solitária ultimamente. Eu tentei explicar a velha senhora que você seguiu em frente, mas sei que ela ainda tem esperança. Andrew: Ah, baunilha sem açúcar, meu primeiro amor. Diga-lhe que estou com saudades. Sadie: Ela esta com saudades, também... E de repente parece que não estamos mais falando sobre sorvete. Eu sinto tanta falta de Sadie que quase não consigo respirar às vezes.

Sadie: Smilly acha que Saddlemire está traindo-a. Ela está realmente convencida disso, e ate ameaçou cortar o rosto dele de todas as fotos. O som da mensagem de Sadie me afasta dos meus livros. Acolhendo a distração tão necessária, digito de volta. Andrew: Eu não sabia que as pessoas ainda revelavam fotos. Precisando ficar um pouco mais confortável, desplugo o cabo do meu notebook e me sento com ele na cama. Em seguida, posiciono meus travesseiros exatamente do jeito certo e me encosto na parede, apoiando minhas costas. Sadie: Smilly é da velha escola. Ela mantem álbuns de fotos físicas. Andrew: Isso é realmente velha escola. Eu acho que nem sequer meus pais têm álbuns de fotos hoje em dia. Você tentou acalmá-la? Sadie: Sim. Dei-lhe um saco de Doritos e sintonizei The Crown. Ela parece estar mais calma agora.


Andrew: Quando ele vai fazer o pedido? Sadie: Daqui a duas semanas. Ele está fingindo organizar uma festa para comemorar o aniversario de casamento dos pais, quando na verdade vai propor na Ponte Washington Street. Andrew: Cara, duas semanas é muito tempo. É melhor ele se apressar. Ter a cabeça cortada das fotografias parece doloroso. Sadie: Ele está ciente da insanidade dela. Andrew: Bom. Faço uma pausa e mordo o interior da minha bochecha antes de digitar minha próxima mensagem. Andrew: Como você está? Eu vejo Emma toda semana. Encontramo-nos sempre para tomar um café entre uma das nossas aulas, mas nunca falamos sobre Sadie. Nós apenas nos mantemos amigáveis, e conversamos na maior parte do tempo apenas sobre a faculdade. Muitas vezes tive vontade de perguntar-lhe o que Sadie tem feito, mas me segurei. Eu vinha me controlando tão bem até então, mas confesso que estou enfraquecendo com essas mensagens. Ela está me consumindo. Eu tenho que saber, porra. Sadie: Ótima. Estou ótima. Eu encaro sua resposta por um segundo. Nenhum detalhe? Nenhuma novidade em sua vida? Eu tinha esperanças que ela fosse elaborar um pouco mais sua resposta, você sabe, me dar mais informações, e não apenas me dizer que esta bem. Porra, isso é frustrante. Mas é o que é, embora. Ela não estava disposta a me deixar entrar em sua vida quando nos víamos. Por que diabos achei que seria diferente agora? Parece que voltamos para aquele local incerto, no fim das contas. Andrew: Fico feliz em saber que está bem. É oficial, as coisas ficaram estranhas de novo. Sadie: Smilly está tentando cortar as fotos novamente. Tenho que ir. Tenha uma boa noite. Antes que eu possa responder, sua pequena bolha verde no


canto da caixa de mensagens fica cinza, indicando que ela acabou de se desconectar. Droga. Acho que algumas coisas nunca vão mudar. Não sei por que pensei que iriam, na verdade. Esperança é uma droga.


CAPÍTULO-TRINTA E UM SADIE

— Essa foi uma ideia estúpida. Muito estúpida. — Digo, andando de um lado para outro, meu estomago revirando de medo. — Apenas se acalme. — Emma bate em minha mão. — Tudo ficará bem. — Não. Eu não estou pronta. Ele não está pronto. Este não é o momento certo. — Balanço minha cabeça e tento permanecer no banco em que estamos sentadas. — Você me disse ainda ontem que está pronta, e eu não poderia concordar mais. Está na hora, Sadie. — E se ele não quiser me ver? E se ele simplesmente me ignorar? Não posso lidar com isso, Emma. — Ele não vai te ignorar. Pode ate ficar chocado ao vê-la, mas você mesma disse no outro dia que vocês dois estão conversando sem parar. Você precisa lidar com isso agora. Está mais que na hora. — Mas… — Lá está ele. — Emma aponta para a porta traseira de um auditório, por onde um grupo de estudantes está saindo. Você poderia pensar que com a quantidade de estudantes saindo dali seria difícil detectar Andrew, mas não é. Ele é mais alto que a maioria, e francamente inconfundível. Seu cabelo esta penteado para o lado hoje, e os óculos de aro grosso passam uma impressão nerd sexy bastante irresistível, bem como o cardigan que ele está usando sobre a


camiseta... Cristo, meu coração está batendo tão rapidamente que parece que vai saltar do meu peito. — Oh meu Deus, ele parece tão bom. — Acredite, eu sei. Se você não estivesse tão apaixonada por ele eu já teria feito um movimento eu mesma. — Apaixonada? — Pergunto, pega com a guarda baixa. Emma me dá um olhar aguçado. — Por favor, nem tente negar. Eu o observo olhando para o telefone enquanto caminha. — Não vou. — Ótimo. Agora, quando ele chegar aqui, vou dar um jeito de dar a vocês dois um pouco de tempo a sós. — Não, fique. Eu preciso de você como amortecedor. — Imploro, agarrando seu braço em desespero. Ela afasta minha mão e fica de pé enquanto Andrew se aproxima. — Você não precisa de mim. Basta ser você mesma e lhe dizer a verdade. — Ela enfatiza a palavra verdade. Ok, já entendi. Aprendi minha lição da primeira vez. Nós dois observamos enquanto Andrew se aproxima, e quando ele guarda o telefone e olha para cima, meu fôlego fica preso em minha garganta. Ele parece surpreso por um segundo, até que um sorriso brilhante aparece em seu rosto, derretendo-me bem ali, em frente ao café da escola de enfermagem. — Oh Deus, aquele sorriso. Sadie, você é uma garota de sorte. — Ainda não. — Sim, você é. — Emma rapidamente aperta minha mão. — Aquele sorriso foi todo para você. Andrew percorre a distância entre nós rapidamente. Já ao alcance da voz, ele segura a alça de sua mochila e diz: — Ei Emma, quem é sua amiga quente? Uma onda de vertigem toma conta de mim. — Sadie. Ela vai começar a estudar aqui em Binghamton no próximo semestre. Pensei que seria bom mostrar-lhe o campus. —


Emma responde antes de olhar para seu relógio de pulso imaginário e estalar o dedo. — Oh droga, esqueci que tenho hora marcada com um professor. Andrew, você poderia mostrar o campus a ela em meu lugar? Andrew me examina atentamente, e o olhar mais sexy toma conta de seu rosto quando ele morde o lábio inferior e acena com a cabeça. — Claro. Acho que posso lhe mostrar uma coisa ou duas. Me. Fode. — Ok, vou deixar vocês dois sozinhos então. — Emma me dá um abraço, bate no braço de Andrew e sai, deixando-nos sozinhos. Inquieta, mal consigo dizer: — Hey. Seu rosto suaviza imediatamente, e ele não diz uma palavra quando me puxa para um abraço. Seus braços fortes se enrolam ao meu redor, envolvendo-me, espalhando calor por todo meu corpo. Eu inspiro sua colônia, arquivando este momento na memória. É aqui que eu quero estar. É aqui que eu quero ficar. Ele pressiona sua bochecha na minha cabeça e diz: — Senti sua falta, Sadie. Eu prometi a mim mesma que não choraria, mas essas quatro pequenas palavras fazem as lágrimas começarem a rolar pelas minhas bochechas. — Eu senti tanto a sua falta, — murmuro em seu peito. Quando ele se afasta, segura meu rosto nas mãos e enxuga minhas lágrimas com os polegares. — Quer se sentar? Eu aceno, pensando que nos sentaríamos no mesmo banco que Emma e eu ocupamos mais cedo. Entretanto, ele me guia para a biblioteca – sua mão segurando firmemente a minha por todo o caminho - onde nos tranca em uma sala de estudo privada. Jogando a mochila sobre a mesa, ele se vira em minha direção e pergunta: — Então você é um urso41 agora? — Eu tiro

41

É uma referencia ao mascote da Universidade de Binghamton.


meu casaco e mostro a camiseta da Universidade de Binghamton que comprei em minha primeira reunião estudantil. Ele apenas sorri e se senta, guiando-me para a cadeira ao seu lado. Me virando, de forma a ficarmos de frente um para o outro, ele diz: — Conte-me tudo. Este é o momento, a hora de eu finalmente fazer o que ele vem me pedindo durante todo o verão. — No início deste ano, eu desisti de Cornell porque descobri que estava gravida. Tucker e eu já estávamos namorando há muito tempo, e quando descobrimos sobre o bebê, ele pensou que minha gravidez fosse ser a cola que nos uniria para sempre. Mas eu não estava convencida de que um filho poderia corrigir os problemas que estávamos tendo, e por isso, quando abortei, encarei nossa desgraça como um sinal de que não deveríamos continuar juntos. Eu terminei com ele. E então cai em um buraco escuro onde apenas comia, dormia, trabalhava e festejava com meus amigos. Era uma rotina familiar, fácil, exatamente o que eu precisava. Mas então conheci você. — Eu enlaço nossas mãos. — E você mudou tudo. Você me mostrou como sorrir novamente, como rir, como esquecer, e eu fiquei completamente viciada. Fiquei tão viciada, Andrew, que não queria trazer meu passado para o que tínhamos; então simplesmente o escondi. Eu queria manter a felicidade que nos rodeava permanentemente. A verdade nua e crua é que fiquei com muito medo de dizer a verdade, com medo que você me deixasse, ou que pensasse diferente de mim. Acho que posso afirmar com certeza que percebi rapidamente que não podia te perder. — Respiro fundo e encontro seus olhos. — Mas no final te perdi de qualquer maneira, porque não fui nem honesta nem corajosa o suficiente. Eu não o culpo por estar bravo - eu me culpo por isso. Eu fui terrível com você, fui péssima para você, e posso entender se você não quiser estar comigo de novo, mas tenho que dizer... — aproximando-me um pouco mais, dou um salto de fé e digo: — Eu te amo, Andrew. Eu te amo muito. Eu baixo meus olhos e encaro nossas mãos conectadas, com medo de ver sua reação - mas quando ele levanta meu queixo e seus olhos quentes encontram com os meus, tenho que lutar para segurar as lágrimas. Este homem. — Por que diabos você demorou tanto para voltar pra mim?


— Ele pergunta, me puxando para seu colo enquanto mais lágrimas escorrem dos meus olhos para o seu casaco. — Tive que consertar algumas coisas na minha vida primeiro. Eu queria me tornar uma mulher da qual você pudesse se orgulhar, e não alguém que tivesse que esconder. Sua mão envolve meu pescoço quando ele pressiona sua testa contra a minha. — Eu nunca te escondi, querida. Você se escondeu. Suspiro, amando senti-lo contra mim. — Não vou mais me esconder mais, prometo. — Bom. — Então ele pressiona os lábios contra os meus, suavemente, apenas explorando, revisitando. É tão bom, tão confortável, quase celestial. Quando ele finalmente se afasta, me olha nos olhos e diz: — Estou tão apaixonado por você, Sadie, tão apaixonado. Então ele segura novamente a parte de trás do meu pescoço e me beija mais uma vez, firmemente, com toda a paixão reprimida da qual tanto senti falta. Eu correspondo sua intensidade, agradecendo a quem quiser ouvir pela segunda chance que este homem brilhante e gentil está me dando. Este homem que quase me faz desmaiar com um sorriso, com um olhar escondido por trás desses óculos, com sua atitude alegre, e não vamos esquecer, é claro, com seu Cannon Cock. Ele não é o meu tudo, porque eu não preciso mais disso. Eu estou completa agora, e por conta própria. Mas eu sei, do fundo do meu coração, que nós somos melhores juntos. Que eu sou melhor com ele. Ele é o dono do meu coração, e espero que queira mantê-lo para sempre.


EPÍ-LOGO ANDREW

— SURPRESA! — Gritamos a plenos pulmões quando Sadie entra na casa, equilibrando uma pilha de livros contra o peito. Surpreendida, ela acaba derrubando os livros de psicologia no chão quando um grito de choque escapa daquela linda boquinha. — Feliz Aniversário! — Katja balança um punho no ar e sopra uma língua de sogra, sendo rapidamente seguida pelas outras garotas da equipe de basquete. Apoiando a mão em seu peito, Sadie observa a mistura de amigos presentes na combinação sala de estar/jantar em minha casa. Amigos de infância, da escola e das equipes de basquetebol feminino e masculino da Binghamton se espalham pelo pequeno espaço, segurando bebidas nas mãos e saudando-a. Eu ando até ela e envolvo meu braço em torno de sua cintura, puxando-a para perto do meu peito. Beijando o lado de sua cabeça, sussurro: — Feliz aniversário, querida. — Eu não tinha ideia. — Continuando a olhar em volta, ela pergunta: — Como você planejou isso? — Como você acha? — Eu olho para Smilly, que está servindo bebidas de um refrigerador Gatorade que pedimos emprestado, graças aos dedos pegajosos de Leena. Nós o enchemos com uma mistura de vodka, rum e suco, fazendo nosso próprio especial Sadie Cocktail. Sadie observa outra vez o local. As pessoas agora voltaram a


conversar, a brincar e a comer. Decorações caseiras foram espalhadas por todo o espaço, bem como luzes de Natal, proporcionando uma iluminação diferenciada. — Isso tem a assinatura de Smilly em todo lugar. — Você está certa. — Eu a beijo de novo na testa, e depois me abaixo para pegar seus livros. — Mas não se deixe enganar, a ideia foi toda minha. Smilly só ajudou a fazer acontecer. — Tentando ganhar alguns pontos? — Ela pergunta, sorrindo para mim. Eu a puxo para a escada enquanto as pessoas gritam feliz aniversário para ela, e quando nos afastamos um pouco da algazarra, sussurro em seu ouvido: — Estou sempre tentando ganhar pontos com você, querida. Música começa a tocar e a festa esquenta enquanto Sadie e eu subimos ate o segundo andar para deixar seus livros. Quando chegamos ao topo das escadas, porem, em vez de virarmos para a esquerda, viramos para a direita e entramos no maior quarto da casa, onde Sadie e eu dormimos agora. Considerando que Sadie passava quase todas as noites comigo, depois que reatamos, as meninas resolveram dar a ela um espaço permanente na casa. Leena desistiu de seu quarto para nós, mas exigiu uma coisa em troca: uma vez por mês, ela foi autorizada a ter a terça-feira de Topless, enquanto estiver assistindo Fixer Upper. Não é necessário dizer que esses são os dias em que eu fico trancado em meu quarto, tendo minha própria festa de topless com Sadie. É um ganho-ganho para todos. Foram quatro meses esplendidos, regados a incontáveis orgasmos, cortesia do Cannon Cock. E eu adoro acordar com a minha garota. Eu ate mesmo perguntei se ela consideraria reperfurar seus mamilos, porque desde que ouvi Smilly mencionar isso, há muito tempo, nunca consegui esquecer. Sadie tem mamilos incríveis, o que posso fazer? O que eu não vou contar, entretanto, é o que ela queria que eu perfurasse. Porra. Tão quente. Fecho a porta atrás de nós e jogo seus livros no futon sim, nosso quarto tem um futon agora, isso é o quanto espaço extra nós ganhamos. Sadie se vira para mim e envolve seus braços em volta do meu pescoço antes de dizer: — Não posso acreditar que você fez isso. Eu disse que não precisava fazer nada.


— Sim, mas isso nunca ia acontecer. Este é o seu primeiro aniversário como minha namorada, e eu não estava disposto a deixar passar em branco. Procuro sobre a atrás de mim e pego a caixa de presentes que habilmente embrulhei mais cedo - e quando digo habilmente estou me referindo a papel amassado e preso com fita adesiva. — Aqui, abra isto. — Equilibro a caixa entre nós, forçando-a a abri-la. — Você também me comprou um presente? Pensei que os três orgasmos que me deu esta manhã, além dos donuts, fossem meu presente. Encolho meus ombros casualmente. — O que posso dizer, eu gosto de mimar minha garota. — Aceno com a cabeça em direção ao pacote. — Vá em frente, abra. Empolgada, ela rasga o papel, abre a caixa, e... pausa. Então ela levanta uma sobrancelha para mim enquanto pega seu presente, levantando-o no ar e perguntando: — Você está brincando comigo, não é? Contendo o riso que quer sair de mim, respondo: — Quando o vi na vitrine da loja simplesmente sabia que você tinha que tê-lo. — Que tipo de vitrine de merda você estava olhando? — Macy's — respondo sem pestanejar. — Eles têm um novo departamento. Ela empurra meu ombro e ri. — Você é um mentiroso. — Olhando para o presente de novo, ela diz: — Onde diabos você encontrou um vibrador no formato de um cone de sorvete? — Você ficaria surpresa com o que é possível encontrar na Internet. — Tenho até medo de perguntar. Você realmente pesquisou por isso? — O olhar do horror em seu rosto é impagável. Eu passo meu braço em torno de sua cintura, pego o pênis-cone e acaricio sua bochecha com ele. Imediatamente ela se afasta, rindo e beliscando minhas costelas. Ahrg, garras de lagostas. — Não me toque com essa coisa.


— O que? Você não gostou? Ela me empurra levemente para longe e anda ate o nosso armário compartilhado, onde começa a procurar algo entre as roupas. — Eu não quero o pênis-cone em nenhum lugar perto de mim. — Ah, vamos lá. — Eu me aproximo quando ela começa a se despir, até ficar apenas de calcinha. — Eu tenho uma noite inteira planejada com pêniscone e cobertura de chocolate. De pé apenas de sutiã e calcinha, ela apoia uma mão no quadril e diz: — A cobertura de chocolate pode ficar, mas o pênis-cone tem que ir. Mais uma vez, envolvo sua cintura com meus braços e acaricio sua bunda nua, amando a maneira como sua pele se sente contra a minha. — Você vai se arrepender. Pênis-cone estava realmente animado sobre o encontro com a sua vagina hoje à noite. — A provocação em minha voz é recompensada com aquele lindo sorriso dela. — Talvez o pênis-cone esteja mais interessado em curtir o que você tem para oferecer? — Ela levanta sugestivamente as sobrancelhas. Err... ela está se referindo a... o que? Sua risada devolve minha capacidade de raciocínio quando ela se distancia para colocar um vestido, segundos antes da porta do nosso quarto abrir abruptamente. — Você está nua! — Smilly grita, contemplando a cena a sua frente. Entretanto, quando ela percebe que estamos de fato totalmente vestidos, seus ombros encolhem. — Jesus, se vocês dois não estão nus, que diabos estão fazendo? Me viro para Smilly, mostrando-lhe o pênis-cone, e digo: — Estou tentando convencer Sadie a brincar comigo esta noite. Avançando com as mãos estendidas e medo em seus olhos, Smilly pergunta: — Isso é um pênis no formato de um cone de sorvete? Olhando para mim, Sadie acrescenta: — E ele até vibra. — Doces glândulas mamárias, é a coisa mais linda que eu já vi. — Ela o tira das minhas mãos e o examina. — Deus, eu quero colocá-lo em cada orifício do meu corpo. — Ela esta prestes


a colocá-lo em sua boca quando eu a impeço. — Pare, não é um picolé. Isso é para a vagina de Sadie. — Está tudo bem. Nós podemos compartilhar. — Não, não podemos, — Sadie protesta. — Não faça parecer que já compartilhamos um vibrador antes. Smilly revira os olhos. — Tão puritana. Vocês dois vão descer para a festa? Há muitas pessoas esperando por Sadie. — Ela me olha de cima a baixo. — Seria inteligente da sua parte agradá-la, se quiser mesmo usar o pênis-cone hoje à noite. Smilly tem um ponto aqui... Bato palmas e digo: — Ela está certa, nós devemos descer e aproveitar a festa. Sadie ri, apertando meu braço antes de responder para Smilly. — Vamos descer em um segundo. Smilly sai do quarto, mas pouco antes de fechar a porta, acrescenta: — Eu fiz torta de mirtilo, sua favorita, e aquelas amazonas do time de basquete prepararam alguma surpresa também. Então a porta se fecha, deixando-me sozinho com Sadie mais uma vez. Virando-me para ela, flagro-a me encarando, um sorriso doce acariciando seus lábios. — Obrigada por esta noite, Andrew. Você é um homem tão bom. Empurro seu cabelo atrás de suas orelhas, amando que esse olhar de amor completo e absoluto em seu rosto seja para mim, e apenas para mim. — Qualquer coisa para minha Peitos Firmes. — Eu pisco, e então pressiono um beijo casto em sua boca. Quando me afasto, sinceramente digo: — Eu te amo, querida. — Eu te amo, também. — Mas em vez de me beijar novamente, ela me puxa para um abraço e apoia sua bochecha em meu peito. Parece quase irreal que apenas a um ano atrás eu estava em meio a uma transferência para outra faculdade, me perguntando se seria capaz de me livrar do confinamento de meus


pais e de todo o episodio absurdo com o Cannon Cock. Mas então eu consegui um emprego, um trabalho onde nem em um milhão de anos achei que fosse encontrar o amor da minha vida, uma menina que não queria nada comigo, que estava tão fechada a ponto de nem aceitar novos amigos. E, no entanto, aqui estou eu agora, segurando Sadie em meus braços. Mal posso acreditar que a menina dos meus sonhos esteja indo para a escola comigo, vivendo em minha casa, e a cada dia entregando mais e mais de si mesma aos meus cuidados. Eu conheço seu passado, a humilhação que ela sofreu nas mãos de sua família, a amizade e o amor que compartilhou com Tucker, que era tão inestimável na época. Quando conversamos sobre o bebê e o quarto que Tucker tinha preparado, ela chorou. Mas eu não vi mais aquela agonia escura em sua expressão. É como se ela tivesse finalmente aceitado esse episodio de sua vida como parte de sua história, percebendo que, por mais doloroso que tenha sido, não precisa obrigatoriamente determinar seu futuro. E mesmo que ela não tenha dito coisas a respeito de seu pai que me façam ter vontade de conhecer o homem, sou grato a ele por aconselha-la a rever seus planos. Por perceber seu potencial. Ele estava certo: realmente criou uma mulher incrível e competente que tem o poder de segurar o mundo na ponta dos dedos. E eu ganhei a confiança e o coração dessa incrível criatura... Porra, sou um bastardo afortunado. Nosso começo não foi fácil, mas inferno, quem disse que as melhores coisas da vida são fáceis? Sadie Montgomery começou como minha colega de trabalho, cuja fachada às vezes combinava com os sorvetes gelados que servíamos. Então ela se tornou Peitos Firmes, e sim, os dela foram os melhores peitos nos quais já me esfreguei. Mais. Pura. Verdade. Eventualmente meu coração se quebrou quando ela se tornou meu carrasco, e eu pensei que tivesse perdido-a para sempre. Agora? Agora ela é o amor da minha vida, um título que nunca perderá. Embora estejamos brincando com diferentes apelidos, como Peitos Cannon e Cock Firme...

FIM


BÔNUS CO-WRECKER E aí gatinhas, quem achou o Merlin Intruso no livro de hoje? Ele estava até fantasiado de gatinho fofinho, quase um gentleman!! Como no livro anterior, a primeira pessoa que comentar no post de lançamento desse livro lá no Poison (não vale nos outros grupos) respondendo corretamente:

01. O número da página em que está o "bônus" de hoje e; 02. qual o sabor de sorvete preferido do Andrew;

GANHA O PRÓXIMO LANÇAMENTO ANTECIPADO!! Não esqueçam também de marcar a Circe Calderon no comentário, para validar a resposta (se não marcar não vale hein)!

Boa sorte a todas!!

Meghan quinn 01 co wrecker  
Meghan quinn 01 co wrecker  
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