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Jornalista Responsável Paulo Assis MG 07169JP paulo@letradeforma.com Textos e Fotografias Aline Alves e Agência FolhaPress redacao@letradeforma.com Diagramação Gabriel Torres e Paulo Assis publicidade@letradeforma.com

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Comportamento

Eu tenho a força Entenda o que pensam os jovens que praticam bullying e aterrorizam os colegas mais fracos

TARSO ARAUJO Mariana, 21, tinha 15 anos quando maltratou sistematicamente, e sem dó, uma colega de escola, nova em sua turma. Ela se tornou a protagonista de uma perseguição preconceituosa em relação à origem da menina, recém-chegada da região Norte. ‘A gente fazia várias piadinhas sobre o Estado dela, falávamos para ela voltar para lá, fazíamos desenhos dela na lousa com uma faixa de Miss Rondônia’, diz. A vítima ia para o banheiro chorar e pedia aos pais, por telefone, para voltar para casa. Toda essa perseguição porque, segundo Mariana, a menina era ‘puxa-saco’ de uma professora que todos odiavam. ‘Para mim, [persegui-la] era um mecanismo de defesa. ‘

O motivo apontado pela estudante é apenas um entre os vários que levam jovens a praticar bullying, segundo especialistas e os próprios agressores. Outras causas comuns são a inveja e o medo de perder popularidade, que fizeram Nathalia, 14, viver seu momento de vilã. ‘Eu me achava a última bolacha do pacote. Aí entrou uma menina no colégio, alta, com corpo bonito e olhos claros. Os meninos olhavam para ela. Eu me senti ameaçada.’ Primeiro, Nathalia criou um perfil de Orkut para espalhar boatos sobre a vida sexual da menina, dizendo que ela era ‘uma biscate’. Logo depois começaram as agressões verbais, na própria escola. ‘Ela começou a mostrar tristeza, abaixava a cabeça quando passava. Aí é que a

gente ria mesmo’, diz Nathalia, que considera a adesão dos colegas rindo outra causa importante de bullying. ‘Se as pessoas não rissem a gente não faria, porque fazemos para aparecer.’ Cena de cinema Por exemplo: Marcos, 15, e alguns amigos partiram para o bullying violento depois que a turma se divertiu por meses com eles zoando um colega, apelidado (por eles) de ‘Caquinha’, em plena sala de aula. ‘Nem todo o mundo fazia [o bullying], mas todo mundo participava rindo’, diz. O filme ‘Tropa de Elite’, diz Marcos, inspirou o grupo a ser mais agressivo. O colega agredido parou de sair da sala na hora do recreio, depois de ser alvejado com pedaços de melancia no pátio.

Marcos e os amigos iam atrás do menino sozinho na sala, cobriam sua cabeça com um saco de supermercado e lhe davam tapas no rosto e na cabeça. ‘Uma vez ele chorou muito e repensei um pouquinho o que fazia: passei a dar só na cabeça.’ Hoje, dois anos depois, ele considera esse comportamento ‘imbecil e vergonhoso’. E diz que não pratica mais o bullying. ‘Quando a gente envelhece, perde um pouco a graça’, diz. Nathalia trilhou o mesmo caminho após a escola dar uma aula sobre bullying. ‘Achava graça em fazer mal aos outros, me rebaixava tentando mostrar superioridade. Eu era ridícula. Só pensava na minha alegria, nunca na dos outros.’ (Folha Press)


RECEITA

Transplante de pele é alternativa Muffins de

para pessoas com vitiligo Técnica usa células saudáveis do próprio doente; estudo mostrou cerca de 60% de repigmentação das manchas

gergelim Ingredientes

1 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo 2 colheres (chá) de fermento em pó 2 xícaras (chá) de queijo parmesão ralado Sal a gosto 1 pitada de açúcar 1 pitada de pimenta-de-caiena 1 pitada de pimenta-calabresa 1 ovo 1 xícara (chá) de leite Gergelim preto para finalizar Modo de preparo Misture todos os ingredientes secos, exceto o gergelim. Separadamente, misture os ingredientes líquidos. Depois, junte essas duas misturas e mexa bem com uma colher até formar uma massa. Disponha-a em forminhas untadas e salpique o gergelim. Coloque as forminhas em uma assadeira e leve ao forno até a massa estar firme (Folha Press) GRAVIDEZ

FERNANDA BASSETTE Pacientes com vitiligo que estão com a doença estabilizada e têm manchas pequenas e localizadas têm uma alternativa segura e eficaz de tratamento: o transplante de células saudáveis de pele para os locais afetados. A conclusão é de um estudo apresentado em março na reunião da “American Academy of Dermatology” (EUA). Vitiligo é uma doença autoimune, caracterizada pelo surgimento de manchas brancas pelo corpo. Elas são causadas pela destruição ou inatividade dos melanócitos -células produtoras de melanina, responsável pela pigmentação da pele. Atinge com mais frequência as extremidades e o rosto. Pesquisadores do Hospital Henry Ford (Detroit) fizeram o transplante de células da pele em 32 pacientes. Depois de seis meses, constataram a repigmentação, que variou de 52% a 74% da cor natural da pele. Os pacientes negros, com vitiligo em apenas um lado do corpo, apresentam os melhores benefícios com a técnica. O transplante de pele para pacientes com vitiligo é feito no Brasil, mas por poucos dermatologistas. Carlos Machado, coordenador do Centro de Estudos do Vitiligo da Faculdade de Medicina do ABC, é um dos principais especialistas na área e reúne 500 casos de pacientes transplantados com

sucesso. A média de repigmentação que ele observou é a mesma da pesquisa americana -cerca de 60% da área atingida. “O transplante é uma das poucas técnicas que proporcionam índice de resultado acima de 60%. Nenhum tratamento clínico atinge esse índice de recuperação.” Machado acrescenta, entretanto, que o transplante é um complemento ao tratamento clínico e não deve ser

Procedimento já é feito no Brasil, mas só é indicado para casos em que a doença está estabilizada e restrita a pequenas áreas do corpo usado como método isolado. “Quem faz o transplante precisa continuar tomando os medicamentos, para que a doença não volte a se manifestar”, afirmou. Como é a cirurgia O procedimento é feito com anestesia local. Engloba o transplante de melanócitos e queratinócitos (responsáveis pela síntese de queratina, formando 80% da epiderme). “As células

sadias são “plantadas” na pele branca. Com o tempo, invadem essa pele e se multiplicam, colorindo o local. No fim do primeiro mês já dá para ver resultados”, diz Machado. Nem todo paciente com vitiligo pode fazer o transplante. Alguns critérios básicos como estar com a doença inativa, não ter respondido ao tratamento clínico convencional e ter o vitiligo localizado (restrito a uma área pequena) precisam ser respeitados pelos médicos antes de indicar a cirurgia. Segundo o dermatologista Celso Lopes, do ambulatório de vitiligo da Unifesp, todo paciente com vitiligo precisa começar pelo tratamento clínico padrão. “Isso inclui uso de corticoides, uso de suplementos que combatem os radicais-livres, fototerapia e aplicação de laser”, enumera. Fatores que limitam os transplantes, diz Lopes, são o diagnóstico tardio e a ausência de técnicas modernas na rede pública. “O paciente chega com manchas por todo o corpo, quando o transplante não é mais eficaz. E a fila para fototerapia é de mais de um ano”, diz. Luiz Gonzaga de Castro, dermatologista da Universidade Federal de Pernambuco, concorda. “O transplante não é o tratamento de primeira escolha e não deverá se tornar padrão tão cedo”, avalia. (Folha Press)

Suplemento de zinco reduz risco de o bebê ter diarréia Suplementos de zinco durante a gravidez ajudam a reduzir a diarréia nos bebês, diz estudo feito com 400 mulheres. Os resultados foram publicados no “Journal of Pediatrics”. A deficiência de zinco diminui as defesas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a ingestão de suplementos de zinco para o tratamento de diarréia aguda, mas pouco se sabe sobre o uso preventivo. As mulheres foram divididas em dois grupos: um que recebeu o suplemento e outro que não. Ao acompanhar os bebês, os pesquisadores constataram que aqueles cujas mães tinham tomado zinco tiveram menos dias de diarréia e tinham 34% menos risco de sofrerem um episódio de diarréia que durasse mais de uma semana. (Folha Press)

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interação gente ria mesmo’, diz Nathalia, que consi- dera a adesão dos colegas rindo outra causa importante de bullying. ‘Se as pessoas não...