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Textos e Fotografias Aline Alves e Agência FolhaPress redacao@letradeforma.com Diagramação Gabriel Torres e Paulo Assis publicidade@letradeforma.com

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Sergio Zacchi /Folha Imagem

viverbem

Jornalista Responsável Paulo Assis MG 07169JP paulo@letradeforma.com

Comportamento

Impaciência

IARA BIDERMAN Qualquer coisa e tudo desafiam a paciência: a página da internet, carregando há eternos 60 segundos; o trânsito; as pessoas que andam, falam ou pensam devagar. Essa pressa “normal” está flertando com a intolerância, observa o sociólogo Dario Caldas: “A cultura digital e a vida urbana nos trouxeram esse imediatismo. Tudo tem que ser resolvido de forma instantânea. A margem de tolerância é inversamente proporcional à eficiência tecnológica”, diz. “Ainda não ponho a cabeça para fora do carro, mas reclamo sozinho, como um louco. Não tenho mais paciência com as pessoas que cometem erros o tempo todo. Se levado às últimas consequências, isso pode virar intolerância”, preocupa-se Caldas, que é diretor da agência de pesquisas de tendências Observatório de Sinais. Muita gente se identifica com essa impaciência generalizada. “Acompanhar a rapidez das mudanças é um desgaste mental e emocional imenso. Não temos mais recursos emocionais para entender as diferenças”, diz o psiquiatra Elko Perissinotti, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Ter pavio curto é perceber suas impotências e não suportar a frustração de ser assim e viver num mundo assim”, resume Perissinotti. Pior, a falta de paciência pode virar uma

doença. A fase patológica do pavio curto pode ser detonada pela repetição de reações de impaciência. Essa repetição “programa” os circuitos cerebrais para reagirem automaticamente sempre da mesma forma: com grosseria, agressividade. Em alguns casos, as origens do problema são fisiológicas. As mais comuns são as disfunções hormonais, ligadas ao funcionamento da glândula tireoide ou das suprarrenais. A ação desequilibrada dos hormônios faz com que a pessoa não tenha controle de suas reações, por mais que queira. Há pouco mais de dois anos, o produtor cultural Marcos Soares de Azevedo, 48, estava com um grau de irritação que fazia de um simples trajeto de carro algo perigoso. “Todo dia eu xingava alguém no trânsito.” No começo, acreditou que não passava de uma impaciência dentro dos padrões gerais. “Se você não é de outro planeta, sempre vai se irritar com uma coisa ou outra”, avalia. Mas, mesmo neste planeta e no trânsito caótico de São Paulo, a impaciência de Marcos estava alguns tons acima. A mulher e os amigos começaram a comentar. A ficha só caiu quando ele foi procurar um médico e recebeu o diagnóstico de hipertireoidismo. O desequilíbrio no funcionamento da glândula tireoide aumenta a produção de hormônios que aceleram vá-

rios processos metabólicos, como digestão, batimentos cardíacos ou sudorese. A irritabilidade descontrolada também é um sintoma típico. “Com hipertireoidismo, até um zen budista vira pitt bull”, aprendeu Marcos. A medicação para reduzir a produção de hormônios tireoidianos fez efeito. “Não dou chineladas nos meus cachorros há mais de um ano.” As cobranças do mundo do trabalho e as dificuldades do cotidiano estão invadindo a vida íntima, as pessoas estão exigentes demais com seus familiares. “Você tem paciência quando tem tempo, quando pode refletir sobre as coisas e estar disponível para a família. A situação, hoje, é o contrário disso. Ninguém tem tempo, ninguém está disponível. As pessoas não gostam de estar assim, mas acabam ficando”, afirma Magdalena Ramos, terapeuta de famílias e casais. Assim, os conflitos familiares acabam aumentando, e as crianças se sentem pouco atendidas pelos pais. “As crianças acabam maltratadas mesmo, no sentido cru da expressão. Os pais tentam encobrir isso enchendo os filhos de atividades. Mas não é disso que eles precisam”, afirma a terapeuta. Para a terapeuta familiar Sandra Fedullo Colombo, os filhos estão sendo “atropelados” pela impaciência dos pais. “Atropelamos as crianças e ainda esperamos resulta-

dos”, diz. Ela afirma que esse processo pode levar ao desenvolvimento de distúrbios de atenção. “Muito disso vem da falta de disponibilidade da família.” A chamada respiração abdominal ou diafragmática é, para José Roberto Leite, coordenador da Unidade de Medicina Comportamental da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) uma das técnicas mais rápidas e fáceis para controlar os impulsos, diminuir a ansiedade e manter a paciência. Ela consiste em, na inspiração, projetar o abdômen para fora, fazendo o diafragma se contrair e movimentar as costelas para os lados, expandindo a caixa torácica. Esse movimento desacelera os batimentos cardíacos, baixa a pressão e emite ao cérebro sinais de que não há perigo nenhum a enfrentar. Portanto, pode relaxar. “Fazer de três a quatro minutos dessa respiração por dia já é suficiente [para obter os efeitos]”, afirma Leite. O terapeuta também recomenda a prática regular da meditação. Nesse caso, os resultados só podem ser sentidos após um tempo de experiência, segundo ele. “A meditação diária transforma o metabolismo, leva o organismo a um estado em que o limiar de disparo das reações metabólicas ao estresse aumenta bastante. Portanto, fica muito mais fácil manter a calma por mais tempo”, diz. Colaborou: Debora Missiotti


Massagem relaxa, modela e atenua dores

MAIORIA DAS PESSOAS PODE FAZER MASSAGEM, INCLUSIVE IDOSOS, GESTANTES E BEBÊS, MAS O IDEAL É QUE O PACIENTE CONSULTE UM MÉDICO ANTES.

Acabar com a dor nas costas, modelar o corpo e relaxar são os motivos mais comuns que levam alguém a fazer massagem, mas essa prática tem muitas outras utilidades, como tratamento auxiliar para problemas de saúde, melhorar a circulação sanguínea e atenuar dores em diversas partes do corpo. Secas ou com óleos, feita com as pontas dos dedos, com os braços, a quatro mãos, com bambus, com frutas ou com pedras quentes, feita com o paciente sentado ou deitado. Dezenas de técnicas de massagem são hoje conhecidas e aplicadas pelos profissionais, e a escolha depende da finalidade a ser alcançada. ‘A massagem ajuda a alcançar o equilíbrio corporal e também das emoções. Um profissional, quando oferece o serviço, deve orientar o paciente para os benefícios que podem ser alcançados’, diz Patrícia Pirozzi, diretora do Centro de Bem-Estar Khora. Segundo ela, entre esses benefícios estão relaxamento, tonificação muscular, estímulo do fluxo sanguíneo e incentivo ao fluxo linfático. ‘A drenagem, por exemplo, é indicada para quem tem problemas de inchaço. Já para quem lida com níveis altos de estresse, é indicada uma massagem relaxante. Além de aliviar a tensão, ainda ajuda a pessoa a conhecer o próprio corpo, pois estimula as sensações’, conta. Patrícia afirma que uma massagem só deve ser aplicada por um fisioterapeuta ou por um massoterapeuta, e quase todas as pessoas podem procurar um profissional para se beneficiar dos efeitos dessa prática, inclusive gestantes e crianças. ‘Há uma técnica especial para as grávidas, com o uso de travesseiros para o apoio. Após o parto, a prática também é indicada. Mas gestantes só devem fazer com a indicação do médico’, alerta a diretora. Aliás, a recomendação é que, a menos

que a massagem tenha a finalidade de relaxar, o paciente sempre procure um médico antes de se entregar às mãos de um massoterapeuta. Isso porque o especialista irá avaliar se a massagem é apropriada à condição do paciente e até indicar as áreas que devem ser trabalhadas. Além disso, algumas pessoas não devem se submeter a essa técnica. ‘Para quem tem feridas, contusões, varizes, febre ou inchaço não diagnosticado por um médico, há contraindicação.’ (Daniela Ortega) Verdades Massagens podem ser feitas com o objetivo de aliviar problemas de saúde. Verdade. Nesse caso, porém, elas devem ser indicadas por um médico, que irá avaliar se o paciente pode se submeter a essa prática e até recomendar a melhor técnica para cada caso. Existem contraindicações para a massagem. Verdade. Especialistas dizem que alguns problemas impedem o paciente de receber a massagem, como a presença de varizes, algumas lesões e febre. Mentiras As massagens são sempre feitas da mesma forma. Mentira. Especialistas afirmam que existem diversos tipos de massagem. A forma como é realizada pode variar, assim como os complementos usados, como óleos, luvas, esfoliantes, etc. Qualquer pessoa pode fazer massagem. Mentira. Apenas profissionais habilitados, fisioterapeutas ou massoterapeutas, podem aplicar massagem profissionalmente. As técnicas, quando mal aplicadas, podem prejudicar o corpo.

RECEITA

Rocambole de chocolate Caio Guimarães/ Simbolo Imagens

Ingredientes Para a massa 6 ovos 1/2 xícaras (chá) de açúcar 3/4 de xícara (chá) de farinha de trigo 25 g de emulsificante Para a musse 500 ml de creme de leite fresco 250 g de chocolate meio amargo picado Para montar Raspas de chocolate meio amargo Açúcar de confeiteiro para polvilhar Modo de preparo massa: misture todos os ingredientes e trabalhe na batedeira até obter uma massa leve e fofa. Coloque-a em uma assadeira forrada com papelmanteiga. Leve ao forno médio (180

ºC), preaquecido, e asse durante 15 minutos. Deixe esfriar e reserve. Musse: trabalhe o creme de leite na batedeira até o ponto de chantilly. À parte, derreta o chocolate picado em banho-maria. Misture-o vigorosamente com um batedor de arame até que fique homogêneo. Deixe esfriar. Incorpore delicadamente o chocolate ao chantilly, mexendo com uma colher Monte: espalhe, com uma espátula, 2/3 da musse de chocolate sobre a massa já fria. Enrole com cuidado. Cubra com a musse restante e com raspas de chocolate. Polvilhe com açúcar de confeiteiro e leve para gelar Crédito da receita: chef confeiteiro Rafael Barros, do Ópera Ganache

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interação VALE DO AÇO | DOMINGO | 11 /04/ 2010 www.flickr.com/letradeforma www.twitter.com/letradeforma escritoemletradeforma.blogspot.com l...

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