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ANO 4 | EDIÇÃO 14 | DEZ 2012/JAN/FEV 2013

Mar Fonte inesgotável de boas energias e saúde

CASAMENTO Existe receita para uma relação saudável e duradoura? MEDICINA DO VIAJANTE Previna-se antes do embarque ENTREVISTA Márcio Atalla mostra os caminhos para a medida certa


Transforme seu quarto na parte mais prazerosa da sua casa.

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editorial

Giovanna Reis

Expediente

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Edição nº 14 | dez 12/jan/fev 13

E 2012, hein? Acredito que, em virtude das previsões de que este seria o ano em que o mundo iria acabar, 2012 foi diferente. Foi um ano intenso, cheio de desafios e muitos aprendizados. Por mais que algumas pessoas não acreditem nessa teoria do fim do mundo, a energia de renovação, de limpeza e conclusão de ciclos se fez presente no inconsciente coletivo. Basta observar as pessoas ao seu redor e perceber as mudanças mais evidentes na vida de cada uma delas. A impressão é que muitas pessoas conseguiram sair de cima do muro e tomaram decisões que impactaram suas vidas. Algumas delas nem precisaram decidir nada. A própria vida se encarregou de mudar a trajetória e colocá-las em um novo caminho. Para quem sentiu na pele essas mudanças, nada melhor que agradecer e acolher esse novo ciclo com o coração tranquilo e desarmado. Acredite que o melhor está por vir e confie na abundância do universo. Os temas dessa edição da Viver Bem em Revista foram escolhidos dentro desse contexto que envolveu 2012. Os casamentos, por exemplo, enfrentaram grandes desafios e os que não estavam blindados pelo di-

álogo e companheirismo, não resistiram. Falamos sobre os medos infantis, com o cuidado de orientar os pais sobre o papel que eles exercem para que os filhos cresçam com bons níveis de autoconfiança e autoestima. Na entrevista especial, o educador físico Márcio Atalla alerta para a necessidade urgente de uma mudança de hábitos da população. Em clima de ano novo, a reportagem de capa faz um convite aos nossos leitores para mergulharem na imensidão do mar e desfrutar todos os benefícios que a água salgada proporciona. As vantagens vão muito além de questões exotéricas, o mar é um grande aliado da saúde e do bem estar. Para quem passou por 2012 ileso a qualquer desvio de rota (se é que alguém conseguiu), aproveite esses últimos dias para identificar o que precisa ser descartado, renovado ou transformado em sua vida. Somos os únicos responsáveis pelas nossas escolhas e, pelas consequências delas também. Feliz 2013! Juliana Garcia juliana@guiaviverbem.com.br @jufariasgarcia

Direção geral Juliana Garcia e Patrícia Guedeville Coordenação editorial Juliana Garcia Textos Eugênio Bezerra e Taciana Chiquetti Revisão Márcia Melo Fotos Ramón Vasconcelos Projeto Gráfico Carlos Soares Diagramação GR Design Editorial www.grdesigneditorial.com.br Comercial GGTec Produções Impressão Impressão Gráfica Tiragem 10.000 exemplares Fale conosco 84 3213.8592 viverbememrevista@ggtec.com.br


maturidade

equilíbrio

meio ambiente

saúde

comportamento

entrevista

infância

qualidade de vida

alimentação

beleza

índice 8

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ANO 4 | EDIÇÃO 14 | DEZ 2012/JAN/FEV 2013

26 CAPA Modelo: Mary Land Brito Foto: Ramón Vasconcelos

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INFÂNCIA Aprenda a lidar com os medos infantis MATURIDADE O que fazer quando o metabolismo desacelera


Não será apenas o sol que irá brilhar neste verão

-Preparo Instantâneo -Sem adição de açucar -Adoçado com sucralose -Com colágeno hidrolisado


viver bem 10

13 resoluções para Viver Bem em 2013

Quando um novo ano vai começar as promessas de mudanças de hábitos para conquistar mais saúde e qualidade de vida se tornam ainda mais frequentes. Sabemos que viver bem é uma decisão diária. Não existem fórmulas mágicas. Fique atento as suas escolhas. Atitudes simples, como essas que listamos, vão fazer diferença na sua vida. Que venha 2013, o ano perfeito pra você VIVER BEM!

2.

1.

Abrace três pessoas por dia Valorize uma alegria. Sorria!

Faça novos amigos

4. 6.

9.

Saiba perdoar a si e aos outros

Mantenha seus problemas longe do travesseiro. Durma bem!

7.

3. 5.

Organize seu tempo

Respeite todas as coisas vivas Dê o melhor de si no seu trabalho

Transforme a leitura num hábito diário

11.

Respire

Consuma alimentos saudáveis

12.

10. 13.

8.

Comemore suas vitórias, mesmo quando forem pequenas

Pratique atividade física regularmente


Fotos: Valter Molina

SUA OPINIÃO “Bom saber que é possível superar a timidez. Sinto como se essa revista fosse feita exclusivamente pra mim. Parabéns. Vocês acertam sempre nos temas escolhidos.” Rita de Cássia, por email

Seis mil atletas participaram da prova

A corrida da saúde A quarta edição da Meia Maratona de Natal, realizada no dia 10 de novembro, foi ainda mais especial para o Viver Bem. Além da participação da equipe do programa, que marca presença na prova desde a sua primeira edição, pudemos acompanhar a estreia dos colaboradores do Instituto de Radiologia de Natal nas provas de corrida de rua. Este ano, o IRN iniciou um programa de incentivo à corrida para os seus colaboradores. O Viver Bem acompanhou cada fase desse processo. Por isso, a satisfação de ver que a semente plantada já está dando bons frutos.

“Muito inspiradora a reportagem no Butão. Que bom seria se aqui no Brasil existisse esse cuidado com a felicidade de todos. Estou certo de que um povo feliz é mais saudável, não sofre tanto com a violência, nem muito menos com a falta de amor. Fiquei com vontade de conhecer o Butão.” Carlos Hilton, por email “Boas dicas sobre a importância de fazer rodízio de pães. Aqui na minha casa, comíamos pão francês todos os dias. Agora, fazemos o rodízio e todos, inclusive meus filhos pequenos, se adaptaram facilmente a essa mudança.” Fernanda Froes, por email “Parabéns por mais uma edição rica em conteúdo e qualidade gráfica. Só quatro revistas por ano é pouco. Quero receber a Viver Bem todo mês na minha casa.” Jessica Dantas, por email “Parabéns a equipe que faz a revista Viver Bem. Muito bons os assuntos. A entrevista com Elizabeth Monteiro me deu muitas dicas de como ser uma mãe mais presente.” Clara Maria Siqueira, por email

Juliana Garcia e Patrícia Guedeville, representantes da equipe Viver Bem

“Adorei a reportagem do tempo para malhar. Realmente, é tudo o que falta na minha vida, tempo. Mas agora , vou tentar me organizar.” Julia Campos, por email

PROGRAMA VIVER BEM - SÁBADO, 9H - TV PONTA NEGRA SITE: WWW.GUIAVIVERBEM.COM.BR TWITTER: @PROG_VIVERBEM FACEBOOK: WWW.FACEBOOK.COM/GUIAVIVERBEM Equipe Natal Runner e colaboradores do IRN prontos para correr

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Arquivo pessoal

Sexo nada frágil

artigo

Por Luciana Goes - goeslp@hotmail.com

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O avanço social e a igualdade dos sexos discutidos no século X produziram, com certa distorção, a mulher alfa e o homem beta. Ele, desde os primórdios, cumpriu sua função de caçador, acasalador, protetor e senhor de seu clã. O tal sexo forte na essência e plenitude, um ser racional e prático. Ela, submissa de carteirinha, além de reprodutora ficou responsável pelos afazeres domésticos e aceitou a condição de zeladora dos filhos, cuidadora do marido e mantenedora, mesmo que a duras penas, da estrutura familiar tão admirada na época. E lá se foram os séculos, os faraós, a idade média, a queda da bastilha, a revolução industrial, guerras, movimentos sociais e...? a tal famosa queima dos sutiãs em 1968. Iniciou-se então a liberdade feminina e o movimento pela igualdade de ambos. Aquelas mulheres, que usavam anáguas por debaixo das saias, aos poucos tiveram acesso aos estudos e de amélias foram promovidas a professoras e bancárias, um passo a frente e lá estavam elas... médicas, advogadas, engenheiras e outras profissionais... abriu-se um horizonte e finalmente fizeram valer os seus direitos. Saímos dos bobs nos cabelos e das unhas pintadas de bege rumo ao botox. Trocamos as calcinhas da tataravó, que mais pareciam fraldas

EM REVISTA

tamanho GG, por algo mais digno de nossas curvas, conquistamos independência financeira e sexual e hoje temos dupla e até tripla jornada de trabalho. O companheiro, que até então acreditava na necessidade de ser impávido e indestrutível, aceitou a máxima de que não era mais necessário matar um mamute a unha e trazê-lo desossado para o jantar. Já conseguíamos fazer o nosso próprio churrasco.... Acordamos cedo, nos produzi-

Saímos dos bobs nos cabelos e das unhas pintadas de bege rumo ao botox mos, organizamos a casa, encaminhamos os filhos para a escola e ainda sorrimos ao vizinho mesmo tendo dormido apenas 5 horas na noite... aposentamos as pantufas de crochê, adotamos a tríade salto alto, chapinha e barriga de tanquinho (porque para algumas isso é sinal de força e obstinação), adentramos no mercado competitivo antes ocupado apenas por eles - e buscamos a tão sonhada ascensão pessoal e profissional. Foi praticamente o MBA da ruptura feminina.

Agora eu vos pergunto: alguém aí tem dúvidas do sucesso do sexo “frágil”? Os resultados estão à prova, porque além de sermos multifuncionais com excelência, nos aperfeiçoamos em cumprir inúmeras funções em apenas 24 horas e ainda apitamos futebol, assistimos ao UFC, abrimos potes difíceis, consertamos a descarga, estacionamos em lugares impossíveis, carregamos as compras e matamos barata. É muito opcional para uma máquina só! Não questiono a importância masculina para nossa evolução, já que foram eles que nos deram suporte e estrutura, estiveram a frente na subsistência e na concepção de força que moveu por milhares de anos a humanidade; nos deram crédito e nos encorajaram a sermos cada vez melhores. São imprescindíveis, admiráveis e isso é inquestionável, mas vale lembrar aos extintos e quase erradicados machões, que supostamente sobreviveram à evolução dos tempos, que o revés daquela que “era mulher de verdade” não quer mais ser escolhida apenas como moça para casar. Queremos, acima de tudo, um homem que nos queira para admirar e amar.... e se puder trocar um pneu vez ou outra, agradecemos também (não custa nada, vai!).


Pergunte ao personal 14

1. tive bebê há 6 meses. engordei 20kg e ainda não emagreci nada. eu sempre fui sedentária e gostaria de saber qual o melhor exercício para eu começar a mudar minha rotina? Camila Hikari – por email Você deve começar com exercícios simples. Como você está acima do peso e não faz atividades físicas, a caminhada já trará modificações. É importante lembrar que é necessário, sobretudo, regularidade. A atividade física deve ser repetida, no mínimo, três vezes por semana por em média 30 minutos. A disciplina e a dedicação certamente trarão melhorias ao seu condicionamento físico geral. 2. Vejo muitas pessoas trocando a musculação pelo treinamento funcional. Qual a diferença entre eles? Rodrigo Silveira – por email O treinamento funcional é uma abordagem diferente, em que trabalhamos com o peso do corpo em movimento, sendo ele o principal equipamento da ação. É verdade também que se utilizam acessórios como elástico, bolas e discos de equilíbrio, entretanto não são exercícios localizados e sim uma preparação para execução de movimentos eficientes como empurrar, puxar, arremessar, agachar, levantar, etc. O treinamento funcional usa tarefas que envolvem mais músculos, trabalhando o corpo como um todo, onde o corpo fica equilibrado, forte e veloz. Na musculação, o uso da carga e o aumento dela associada a repetições são pontos fundamentais para o alcance dos objetivos.

Educadora física, com especializações em treinamento desportivo e fisiologia do exercício. Atua como personal trainner há 11 anos e é coordenadora de evento da academia Platinum Prime.

3. É verdade que quem tem dificuldade para dormir não pode malhar à noite? José Thiago – por email A dificuldade pode existir. Quando fazemos atividades físicas o corpo libera hormônios como adrenalina e endorfina, por exemplo, e esses hormônios além de cumprir seus objetivos, também permitem que o corpo fique desperto e em alerta por um tempo maior. Sendo assim, malhar à noite não será uma prática viável para quem sofre de insônia. 4. Meu filho de 13 anos quer fazer musculação a todo custo. sempre ouvi que não faz bem. O que faço? Letícia Silva – por email Até pouco tempo, os especialistas proibiriam a musculação durante a puberdade. Hoje, os médicos têm substituído a proibição por recomendações. O Coordenador do Grupo de Medicina Esportiva da Sociedade Brasileira de Pediatria, Ricardo Barros, nos diz: “a musculação pode sim ser feita na adolescência, desde que bem supervisionada e sem intenção de ganhar musculatura”. Sendo assim, podemos entender que a musculação nessa fase deve ser feita para evitar o sedentarismo ou até mesmo para melhorar o condicionamento físico em geral. O aumento de massa muscular, entretanto, só pode se tornar finalidade após o pico de estirão de crescimento, isto é, quando o corpo deixa para trás as feições infantis e ganha característica adulta. Nas meninas, entre 12 e 14 anos. Nos meninos, entre 14 e 16 anos. Nessa fase, a prática da musculação pode ser feita acompanhada de um profissional da educação física.

Foto: Arquivo pessoal

Maria Luiza Cerqueira


Sua confiança nos transformou em referência. A Prontoclínica de Olhos acaba de adquirir sua nova plataforma cirúrgica, a mais moderna do Norte-Nordeste, para correção de miopia, hipermetropia ou astigmatismo. Ela é composta pelo alegretto de última geração para correção de ametropias e do laser de femtossegundo que é usado para execução do flap, o que torna a cirurgia totalmente realizada por laser e aumenta a sua precisão.


Arquivo pessoal

consciência 16

Como vai você? Não, por favor, sem respostas socialmente corretas. Minha sugestão é de que seja uma resposta honesta, verdadeira. Para ela acontecer exige-se um certo requinte operacional... reserve quinze minutos de seu tempo, no mínimo. Vá para um lugar tranquilo, pegue um espelho e olhe-se nos olhos intensamente. Respire profundamente, feche os olhos e vá para o seu coração. Acolha o que vier, sem julgamentos. Saia do piloto automático e observe o que você tem feito de sua linda oportunidade de viver. O que você tem feito por você? Quais as atitudes de autorrespeito que tem adotado em seu dia a dia? Se está caminhando nessa direção, ótimo! Se não, sempre há tempo de começar. Olhe lá fora: tem um sol maravilhoso que sempre nos honra com sua luz curadora, que troca de turno com a escuridão introspectiva da noite, prenunciando horas incríveis de novas experiências, de excitantes aventuras! Todo santo dia... Permita-se. Aceite ajuda. Este exercício simples de olhar

para você pode desativar muitas bombas emocionais que detonam com todas as suas saúdes - a física, a psíquica e a espiritual. Uma autodestruição que não se restringe a quatro paredes, ela cresce na progressão que vimos testemunhando através dos meios de comunicação. A violência tem um berço confortável em cada um de nós, sem exceção. Quando você dá espaço consciente para ela mostrar suas garras, poderá se surpreender com o acúmulo de raiva, frustração, rejeição, medo que tem cultivado com esmero em seu interior. Vamos esvaziar a violência desse mundo que escolhemos para processar nossa evolução espiritual, começando com esta simples intervenção: observar-se. O dia em que os conflitos acabarem dentro de cada um de nós, não haverá mais guerra no mundo. O que acontece fora de você é um mero reflexo do que acontece em seu interior. Quando se incomoda com alguém, é porque esse incômodo existe dentro de você; se um fato lhe provoca in-

quietação, significa que você está inquieto dentro de si. Assim, se entrar fundo nesta questão, chegará à conclusão de que não há diferença entre o que está dentro e fora. É uma coisa só. Quando se chega a este espaço, não há perturbação com os seus conflitos. Você se acalma e a paz floresce. Apenas porque você passa a ter certeza de que você é o mestre absoluto da construção de seus humores. Estamos urgentemente necessitados dessa bandeira branca tremulando em nossos corações. Élcia Luz amalaluz@gmail.com


beleza

1. Você segue algum ritual para manter a beleza da pele e dos cabelos? Com relação à pele, cuido basicamente com protetor solar durante o dia e, à noite, hidratantes recomendados pela dermatologista. Mas faço disso sim um ritual, desde meus vinte e poucos anos. Quanto ao cabelo, tento hidratar semanalmente e evito essas químicas fortes. Nunca fumei, bebo bastante água e certamente isso ajuda na manutenção da saúde como um todo. 2. Como é sua alimentação diária? Tento sempre optar por alimentos saudáveis, como grãos integrais, saladas, peixes e carnes grelhadas. Evito frituras, doces e há vários anos não bebo refrigerantes. Bebo sempre chás verde ou branco no lugar do café e de erva-doce e camomila antes de dormir.

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3. Qual sua atividade física preferida? Durante a adolescência fiz voleyball e natação, mas hoje só consigo fazer o treino de musculação com corrida em academia.

Cibele Benevides Procuradora da Republica, Cibele Benevides considera a maternidade a melhor coisa que aconteceu na sua vida. Maitê (2 anos) e Marina (8 meses) são frutos do seu casamento com o médico Raphael Sodré. Laureada no curso de direito, na UFRN, na vida profissional ela coleciona muitas aprovações em primeiro lugar, inclusive no concurso nacional de procurador da republica. Nessa edição , ela revela o que a faz viver bem.

4. O que gosta de fazer nas horas livres? Gosto muito de estar em família. Brincar com minhas filhas, ir ao cinema e sair pra jantar com o meu marido, almoçar com minha irmã e meus sobrinhos e jogar conversa fora com minha mãe. 5. Como será a Cibele daqui a 20 anos? Eu me espelho em minha mãe, Vera Benevides, que tem 62 anos e exala vitalidade, alto astral e é um poço de saúde. Quero seguir seus passos para, daqui a vinte anos, estar pelo menos parecida com ela: feliz, amada, cercada pela família e com muita saúde! 6. O que é viver bem pra você? Ter saúde e paz de espírito. Nada compra isso.


alimentação 20

Por Eugênio Bezerra

Congelado ou fresco? As duas opções podem ser saudáveis ou não. Você só precisa aprender a diferenciá-las

A pergunta é simples e direta. É melhor consumir alimentos frescos ou congelados? Errou feio quem apostou que alimentos frescos comprados numa feira livre, por exemplo, são mais saudáveis. “Congelar é também preservar”, garante a nutricionista Graça Moraes. Resfriados a menos de 18° C, que é a temperatura do freezer ou geladeira, os micro-organismos param de se desenvolver e não estragam o alimento. “O congelamento, na verdade, mantém o alimento mais próximo do seu estado natural”, diz a especialista em nutrição clínica e funcional. É comum relacionar o alimento fresco à comida de qualidade, mais saudável. Até aí, nada de mais.

O problema é que os vegetais ficam mais pobres em nutrientes a partir do momento em que são colhidos, pois sofrem a influência de fatores climáticos, das condições de transporte, armazenamento e distribuição. E o simples ato de prepará-los para a refeição também contribui para que vitaminas e sais minerais sejam perdidos. “O congelamento freia esse processo, porque faz diminuir a velocidade de muitas das reações enzimáticas que oxidam o alimento, alterando a cor, o sabor, a textura e os nutrientes”, explica dra. Graça. O congelamento mantém o alimento mais próximo do seu estado natural, porque ajuda a preservar seus nutrientes.


• Antes de congelar os alimentos, organize-os de acordo com a previsão de consumo e distribua-os em vasilhas de vidro acondicionadas em sacos de plástico para evitar que grudem no gelo, o que vai facilitar a retirada do alimento do freezer ou congelador. • Congele porções que serão usadas de uma só vez. Depois de descongeladas, não poderão voltar ao freezer ou congelador. E atenção: carnes, aves e peixes já descongelados só poderão voltar ao freezer depois de preparados (cozidos). • Não deixe espaço entre o alimento e a tampa do recipiente em que o alimento será congelado. Isso dificulta a entrada de ar, que leva à oxidação, prejudica o congelamento e altera o sabor dos alimentos. No caso dos líquidos e semilíquidos é preciso deixar um espaço de pelo menos 10%, em função da expansão provocada

Ramón Vasconcelos

Dicas para um congelamento mais saudável pelo processo de congelamento. • Só congele alimentos frescos e limpos. A nutricionista Graça Moraes afirma que a maioria dos alimentos pode ser congelada, com exceção do ovo e algumas folhas que se deterioram com facilidade e cita como exemplo a alface. O congelamento possibilita o consumo de frutas mais nutritivas que podem ser consumidas a qualquer época. “Os alimentos têm períodos de melhor colheita, com mais qualidade e o congelamento vai permitir que mesmo fora de época tenhamos frutas com mais nutrientes”, explica a nutricionista. Outra vantagem do consumo de alimentos congelados seria a economia. “Alimentos produzidos no período de safra são mais baratos”, diz dra. Graça.

“O congelamento, na verdade, mantém o alimento mais próximo do seu estado natural” Graça Moraes, nutricionista

CUIDADOS COM OS ALIMENTOS Na hora de levar os alimentos ao freezer ou geladeira, tome cuidados que ajudam a preservar os nutrientes. 1. Retire os alimentos das sacolas e leve à geladeira ou freezer por, no mínimo, duas horas; 2. Inicie o processo de limpeza removendo toda terra e partes danificadas; 3. Faça a higienização adequada. Lave bem e mergulhe numa mistura de hipoclorito de sódio (água sanitária). Uma colher de sopa de hipoclorito para cada litro de água ou você pode usar uma solução de peróxido de hidrogênio ou ainda pode usar Hidrosteril para esterili-

zar os alimentos; 4. Escalde-os, mergulhando pequenas porções de cada vez com o auxílio de uma peneira. Deixe-os na água fervente de um a quatro minutos, dependendo da consistência; 5. Resfrie rapidamente, passando-os em água fria e, em seguida, mergulhando-os em água gelada. Pronto: eles já podem ser congelados; 6. Na geladeira, armazene alimentos proteicos como carne, leite e derivados na parte superior. Alimentos cozidos ficam na parte central e frutas/ legumes nos gavetões.

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qualidade de vida 22

Vamos malhar?

Por Eugênio Bezerra

Saiba porque a musculação é o elixir da juventude, beleza e saúde


A musculação é uma das atividades mais recomendadas para quem quer emagrecer, aumentar ou definir a musculatura e também para evitar e até tratar lesões. Com a prática desse exercício, além de ficar “sarado” e com um corpo forte, você ficará saudável e mais bonito. Para o professor de educação física, José Fernandes, com mais de 30 anos de experiência em avaliação e prescrição de treinamento desportivo, a musculação é recomendada para todas as pessoas já a partir dos 14 anos de idade. “Todo treinamento resistido com sobrecarga ajuda a tonificar os músculos e é recomendado principalmente para as pessoas com mais idade, tendo em vista a perda de massa óssea”, explica o professor. A musculação rejuvenesce e mantém você jovem. A partir dos 30 anos, começamos a perder massa muscular e podemos chegar a perder 30% de massa magra até os 80 anos. Todos nós envelhecemos, mas quem faz musculação retarda este envelhecimento. A perda muscular é amenizada para quem faz exercícios com peso. A musculação ajuda a emagrecer. A longo prazo, os exercícios com peso apresentam o que seu corpo precisa para funcionar em repouso. Essa a mulherada vai adorar saber. A musculação ameniza, e muito, a celulite, pois aumentando a massa muscular sua pele (sobre do músculo) fica mais lisa. A redução da gordura não melhora a aparência da pele. Ela pode ficar flácida e cheia de furinhos, mas se você fizer exercícios com peso evitará a flacidez e definirá os músculos, minimizando a celulite.

“Todo treinamento resistido com sobrecarga ajuda a tonificar os músculos e é recomendado principalmente para as pessoas com mais idade tendo em vista a perda de massa óssea” José Fernandes, educador físico

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Mitos X Verdade

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Durante o treino é comum que apareçam algumas dúvidas sobre a melhor forma de conseguir um bom resultado com os exercícios. Ter dúvidas é normal, principalmente para iniciantes. O problema é que na busca por informações, as pessoas podem prejudicar o treinamento se acreditarem em alguns mitos que circulam pelas academias, na internet e até em revistas. Para ajudá-lo a não cair nos erros mais comuns que rondam as salas de musculação, o professor de educação física, José Fernandes, que é graduado pela UCB de Brasília com especialização em avaliação e prescrição de treinamento desportivo, esclarece os cinco principais mitos que rondam as conversas entre os alunos. aBdOMInaIs eXterMInaM a GOrdura da BarrIGa Exercitar o músculo dessa região não fará com que a gordura seja eliminada, mas sim que enrijeça e defina o músculo que está em baixo dessa gordura. Para combater o excesso de peso e eliminar de vez a “pochete” o mais indicado são os exercícios aeróbicos (esteira e bicicleta, por exemplo). “Os abdominais ajudam a dar mais estabilidade para a coluna. Os contornos

da barriga também ficam mais firmes e definidos, mas a queima calórica é muito pequena. Como não é possível perder gordura apenas em um local do corpo, para ter uma barriga de tanquinho é preciso combinar exercícios abdominais, treinamento aeróbico e musculação”, diz o professor. treInar eM JeJuM eMaGreCe MaIs Nunca malhe em jejum. Pode ocorrer vertigem e até desmaios. A dica é fazer uma refeição bem leve antes de treinar. Da mesma forma não se deve praticar atividade física após ter se alimentado demais. O recomendado é esperar pelo menos 2 horas para que a digestão dos alimentos ocorra no organismo. E tem mais: pesquisas confirmam a importância de se incluir o café da manhã na rotina. Publicado na revista científica “American Journal of Epidemiology”, estudo norte-americano sugere que as pessoas que não tomam café da manhã são quatro vezes mais propensas a desenvolver obesidade do que aquelas fazem a refeição todos os dias. Os cientistas explicam que quem pula a primeira refeição do dia tende a consumir mais calorias ao longo do dia.

FaZer eXerCÍCIOs COM aGasalHOs Muita gente acredita que ao treinar superagasalhado vai suar mais, vai perder mais calorias e, consequentemente, vai emagrecer. Isso é um grande mito! O exercício realizado nessas condições somente promove a elevação da temperatura corporal e leva o praticante da atividade a um quadro de desidratação, que acelera ainda mais o processo de fadiga. O Ideal É MalHar tOdOs Os dIas O corpo precisa tanto da atividade física quanto do descanso. A recuperação é de extrema importância para que os resultados sejam melhores, além de evitar lesões pelo esforço repetitivo. se Parar de MalHar, seus MÚsCulOs VIraM GOrdura São dois tecidos diferentes. Essa transformação é impossível. O que acontece é a perda muscular (causada pelo intervalo na atividade física) e o incremento na gordura (causado pelos excessos de alimentação). As pessoas que deixam de praticar exercícios devem diminuir as calorias ingeridas. Se não fizerem isso, engordam.

MUSCULAÇÃO OU REMÉDIO? Com a prática regular da musculação você pode evitar doenças, entre elas: OSTEOPOROSE - A musculação estimula a produção de células ósseas, fixando cálcio e aumentando a densidade óssea.

ARTROSE (desgaste das articulações) - Quando os músculos são fortalecidos, propiciam maior estabilidade às articulações, promovendo menor desgaste entre os ossos. DIABETES - Quanto maior é a massa muscular, mais o organismo queima

glicose (substância que em excesso no sangue causa a diabetes). ATENÇÃO! Intercale os dias de exercícios com peso, com exercícios aeróbicos como correr ou simplesmente caminhar e faça alongamentos antes e depois das atividades.


Vale a pena contratar um personal trainer? Sim, vale a pena. Se você pode pagar pelo serviço de um, contrate. Lembrando que contratar um treinador pessoal não é barato. Apesar disso, se você tiver disciplina, seguir à risca as orientações do professor e, principalmente, não faltar às aulas, terá, com certeza, ótimos resultados. Assim, a motivação, o acompanhamento (visando segurança e eficiência), treinos personalizados (adequados a cada aluno), horários compatíveis com a sua rotina e a possibilidade de fazer aulas em vários lugares e até mesmo em casa são as grandes vantagens de contratar um personal trainner.

Pagando de 50 até 130 reais a hora (dependendo do currículo do profissional), você tem um especialista vigiando e, o melhor, corrigindo cada movimento seu. A relações públicas Christiane Potter malha com a orientação de um personal e se sente mais segura para fazer os exercícios, além de perceber os resultados do treinamento com mais rapidez. “Quando malhava sozinha, acho que fazia os movimentos de forma errada e agora percebo que estou melhor a cada dia. Meu personal propõe um novo desafio a cada treino e me sinto motivada com isso”, revela.

“Meu personal propõe um novo desafio a cada treino e me sinto motivada com isso” Christiane Potter, relações públicas

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infância

Medo X Fantasia

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Por Taciana Chiquetti

Aprender a lidar com os medos infantis é essencial para o desenvolvimento saudável do seu filho

Bicho-papão, cuca, ladrão, fantasmas e até mesmo polícia povoam o imaginário das crianças quando elas se deparam com a mais básica das emoções humanas: o medo. Reação natural das pessoas, trata-se de um sentimento comum a todos, com características desagradáveis, porém importante para ativar os sinais de alerta do corpo, permitindo a autoproteção. É na infância, especialmente até os cinco anos de idade, que uma série de temores aflora de maneira mais intensa. O pequeno João Gabriel Azevedo (5 anos), filho único da turismóloga Lidiane Sáskia, está vivendo exatamente esta fase. Sente medo de ficar sozinho no escuro, o que não acontecia até bem pouco tempo. Além disso, relata constantemente o medo de perder. “Ele questiona se algo acontecer comigo, como ele iria ficar. E diz que a morte não era para existir. Para evitar esse sentimento, converso bastante com ele. Explico que a morte faz parte

da vida e que isso só vai ocorrer quando eu for bem velhinha”, conta Lidiane. Segundo ela, o constante diálogo ajuda a não agravar o medo de seu filho. Depois de um bom papo, os olhinhos angustiados voltam ao normal e o sorriso estampa o rosto de Gabriel. “Na criança, o medo real ou imaginário a leva a um estado de alerta onde ela normalmente paralisa diante da ‘situação de perigo’ e busca ajuda para sentir-se protegida”, explica a psicóloga Luciana Figueiredo, que descreve os medos mais comuns na infância: medo do escuro, ou seja, medo de sentir-se só e desprotegida, situações desconhecidas ou traumáticas, medo de injeção, medo de ficar sozinho em casa e o medo de se perder dos pais. “Quando já sofreu a perda pela morte de um dos pais, a criança tem seu mundo presumido abalado e passa a sentir medo da morte, podendo mostrar-se insegura diante de qualquer mudança em sua rotina”, diz.


“Ele questiona se algo acontecer comigo, como ele iria ficar. E diz que a morte não era para existir. Para evitar esse sentimento, converso bastante com ele” Lidiane Sáskia, turismóloga

Toda criança apresenta algum tipo de medo em algum momento da sua infância, embora haja crianças mais medrosas do que outras. Normalmente, os bebês são muito sensíveis a estímulos intensos e se assustam facilmente diante de barulho estranho ou luz intensa e usam o choro para sinalizar seu desconforto. Por volta do oitavo mês, o bebê pode assustar-se diante de um estranho. Nesta fase, o desconhecido é percebido como perigoso. Mais tarde, entre os dois e quatro anos, a criança pode apresentar medo de cachorro ou outro animal, palhaço, monstros. Nesta fase, os pesadelos podem ocorrer com mais frequência, sendo comum as crianças apresentarem o medo de dormir sozinhas. Por volta dos seis aos oito anos, é comum o medo de ladrão, de fantasmas, do invisível. É a fase em que a criança passa a ter maior consciência de situações de perigo, percebendo a morte como algo irreversível. Dos nove aos doze anos, surge o medo de tirar nota baixa nas atividades da escola, medo da escola chamar os pais para falar do seu mau comportamento, medo de não conseguir um bom de-

sempenho nas competições, medo de desapontar os amigos e perder a amizade. Outro medo comum em crianças que vivenciam brigas conjugais é o de que os pais se separem. Mesmo considerada normal e importante para o desenvolvimento de cada criança, é preciso observar quando esta emoção básica e necessária passa a interferir no cotidiano, levando-a a um estado de intenso sofrimento. Mais do que observar, é preciso não contribuir para abastecer o imaginário infantil tão vasto,

imprimindo novos ou intensificando medos nos pequenos. De acordo com a psicóloga, são comuns situações em que os pais utilizam o medo da criança na tentativa de fazê-la obedecer a uma ordem ou ficar quieta. Medo não pode ser moeda de troca. “Esta prática aparentemente inofensiva pode provocar na criança um alto grau de insegurança, ansiedade, estresse e até provocar situações traumáticas. Ao invés de conversar com a criança, levando-a a entender que pode ser perigoso afastar-se dos pais,

MEDOS COMUNS POR IDADE 0 A 18 MESES Barulhos estranhos ou altos, luzes intensas, pessoas estranhas e riscos de quedas. O bebê chora ou fica irritadiço e agitado. 18 A 36 MESES Água, pessoas mascaradas (papai noel, palhaços), escola e tudo o que for estranho a sua rotina. É importante saber que a zona de conforto do bebê está ligada à

ordem. 3 A 5 ANOS Fantasias assustadoras, como monstros e fantasmas. É a fase da imaginação fértil, que pode se intensificar na hora de dormir. A PARTIR DOS 6 ANOS Medos mais vinculados à realidade, como o de ladrões e o de acidentes em geral.

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estes muitas vezes optam por situações aparentemente mais práticas e rápidas e inadequadas dizendo: ‘fique aqui, se não o bicho-papão vai vir te pegar’”, relata. Uma explicação mal elaborada pode levar a uma interpretação ainda mais confusa por parte da criança. “Por exemplo, a notícia da morte da mãe: ‘sua mãe estava muito doente e agora descansou’. Essa afirmação pode levar a criança a pensar que, se a pessoa dormir e descansar, poderá voltar ou ainda gerar na criança o medo de dormir. A dificuldade de pronunciar a palavra morte é do adulto. Pais e outros adultos não devem excluir a criança de uma experiência de perda como forma

de poupá-la, essa atitude poderá bloquear o processo de luto”, esclarece Luciana. Se mal trabalhados, esses medos podem gerar consequências por toda a vida, gerando comportamentos de fuga e esquiva. Ser honesto com seu filho e manter um diálogo como fazem Lidiane e Gabriel ainda é o mais indicado para que esse recurso saudável de proteção não se transforme em um estado patológico, podendo gerar, no futuro, fobias ou transtorno de pânico e impossibilitando que a pessoa tenha um cotidiano normal e que esteja preparada para enfrentar os desafios da vida com segurança e confiança em si mesma e nos outros.

Lidando com o medo infantil 28

• Os pais devem brincar, dar atenção, questionar e estimular sua criança a vencer o seu medo. Os contos de fadas são uma boa opção para ajudar a criança a estimular suas fantasias e encontrar sozinha uma solução saudável para enfrentar e superar os seus medos. As crianças costumam expressar seus medos de forma lúdica, desta forma é possível ajudá-la, por exemplo, a enfrentar o medo de hospital durante a brincadeira de médico. Ela irá representar o sentimento real do seu medo de adoecer e ir ao hospital, passando a vivenciar este medo de uma forma mais segura e protegida durante esta brincadeira. • Evitar falar demasiadamente do medo que a criança está apresentando. Isso irá evitar que ela fique ansiosa e angustiada. • Falar sempre a verdade sobre os medos reais é também uma forma saudável para ajudar a criança a perceber situações de perigo e aprender a lidar com o medo. • Oferecer segurança à criança, não usar o medo como

meio de poder, evitando que ameaças desagradáveis venham a reforçar o medo. • Nunca utilizar os medos como forma de coibir uma atitude reprovável. • Respeitar o limite e o tempo da criança na construção de uma forma saudável de enfrentamento do seu medo. Os pais devem utilizar o diálogo, ser afetuosos, compreensivos e acolhedores nos momentos em que a criança está falando do seu medo. Estas intervenções irão ajudar a criança a sentir-se segura e autoconfiante diante de situações que provoquem medo.

“Os contos de fadas são uma boa opção para ajudar a criança a estimular suas fantasias e encontrar sozinha uma solução saudável para enfrentar e superar os seus medos” Luciana Figueiredo, psicóloga


Fotos: Divulgação

entrevista 30

Cuidando do Emagrecer rapidamente significa engordar com o dobro da velocidade depois


Por Taciana Chiquetti

Quem não aceitaria umas boas dicas do educador físico Márcio Atalla para ficar na “medida certa”, especialmente neste verão?

Viver Bem em revista - Fim de ano, as pessoas querem correr atrás do prejuízo e emagrecer para o verão. O que você recomenda para quem resolve perder peso rapidamente? Márcio atalla - Não fazer isso. Emagrecer rapidamente significa engordar com o dobro da velocidade depois. Nesses momentos, de “pressa”, a saúde sempre fica em último lugar. É o “vale-tudo” de remédios, dietas extremamente restritivas, atividade física em excesso, ou seja, o descontrole total. VBr - Quais os principais benefícios da atividade física, além do condicionamento, em uma visão global para o indivíduo? Ma – Todos que se possa imaginar. O exercício faz muito bem para a saúde, prevenindo uma série de doenças. Eu ousaria dizer que cerca de 90% das complicações podem ser tratadas ou prevenidas com a atividade física. Faz

o corpo funcionar melhor, de forma equilibrada. Promove um enorme bem para a cabeça, melhorando a autoestima, o humor e a qualidade do sono. Também, com a atividade física regular, se consegue prolongar a força e, como consequência, a autonomia nas idades mais avançadas. Enfim, feito com regularidade e cuidados, o exercício físico é o melhor remédio para quase tudo na vida. VBr - Qual a sua visão sobre popularização da cirurgia bariátrica? E quanto aos grupos de apoio, como Meta Real e Vigilantes do Peso? Ma – A cirurgia bariátrica deve ser feita em casos extremos, com indicação médica. Acho que antes de banalizarmos uma cirurgia tão séria e perigosa, o governo deveria se preocupar em fazer campanhas educacionais sobre a importância da atividade física e de se ter uma alimentação mais equilibrada.

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“bem maior” Formado pela renomada Universidade de São Paulo (USP), desde a época de estudante, ele já planejava levar sua filosofia de vida de cuidar da saúde para os outros. Sempre acreditou que o corpo é nosso maior bem. Continuou os estudos, se especializando em treinamento para atletas de alto nível. Fez pós-graduação em nutrição aplicada à atividade física e às doenças crônicas, também pela USP, o que agregou imenso valor a sua formação e ao seu propósito profissional. Atalla se tornou mais conhecido com o quadro “Me-

dida Certa”, no Fantástico, cujo desafio atual é fazer Ronaldo Fenômeno entrar em forma, despertando-o para o atleta que ele sempre foi. Também é colunista da revista Época, da Rádio CBN e ministra palestras em diversos eventos. Márcio - que nos brinda, neste fim de ano, com seus preciosos conselhos ao longo da entrevista a seguir - faz da comunicação sua principal ferramenta para mostrar aos brasileiros que é possível vencer desafios, especialmente visando viver bem. EM REVISTA


VBr - Você acredita que todos conseguem emagrecer da maneira tradicional (dieta e atividade física)? Ma – Sim, salvo raríssimas exceções que tenham problemas hormonais ou outras complicações mais sérias. VBr - O acompanhamento psicológico é tão importante quanto o físico no processo de emagrecimento?

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Se uma pessoa passou 30, 40 anos engordando, sem cuidar da saúde e do corpo, não pode querer perder tudo e ficar perfeita, saudável e com corpo esculpido em três meses...

Ma – Em casos de obesidade, sim. É bem importante. Em casos mais simples, a própria atividade física já dá conta de melhorar a autoconfiança e fazer a pessoa gostar e querer fazer cada vez mais. O problema é o imediatismo. Se uma pessoa passou 30, 40 anos engordando, sem cuidar da saúde e do corpo, não pode querer perder tudo e ficar perfeita, saudável e com corpo esculpido em três meses... VBr - Como vencer a preguiça para encarar a atividade física? Qual a sua dica para gostar de malhar? Ma – Querer. Ter vontade. A dica é essa. E não desistir logo. Proponha ao seu corpo e a sua cabeça fazer, no mínimo, três meses de atividade física regular para então fazer uma nova análise sobre todas as mudanças e benefícios que foram alcançados. VBr - Quais as modalidades mais completas para o corpo? Como escolher a modalidade certa, evitando a

desistência da prática? Ma – A escolha do que fazer depende muito do que se gosta. A atividade física deve sempre estar associada ao prazer. É interessante tentar sempre combinar atividades aeróbicas (corrida, caminhada, natação, ciclismo, etc.) com exercícios de força (ginástica, musculação, Pilates, etc.) VBr - Sempre surgem novidades no mercado do fitness. Qual a sua opinião sobre elas e quais dessas modalidades você considera que vieram para ficar? Ma – As novidades são sempre positivas, porque servem de estímulos novos para os alunos. Importante é ter cuidado e pensar sempre na saúde em primeiro lugar. VBr - O Brasil, nos próximos anos, pode se tornar um país de obesos? Ma – Sim. Já somos 50% de brasileiros obesos ou com sobrepeso. Apenas 7% da população é considerada fisicamente ativa. VBr - Conte sobre seu trabalho na TV. Qual seu objetivo com o Medida Certa, por exemplo? Ma – Levar informação para a população para tentarmos sair do caminho que, até agora, parece inevitável: a obesidade se tornar um problema de saúde pública.

Apenas 7% da população é considerada fisicamente ativa


T Tentáculo

Se alimentar corretamente também é treinar. A Natural Way sabe que uma dieta balanceada é fundamental na preparação dos esportistas de elite. Por isso estamos lançando o Cardápio Fitness, especialmente desenvolvido para atletas de alto rendimento. Além de melhorar seus resultados, você ganha mais tempo. Se dedique aos treinos e pode deixar sua alimentação com a gente.


comportamento 34

Por Taciana Chiquetti

Casamento por um fio

Rotina, insatisfação com a vida sexual, falta de diálogo e disposição para investir na relação são alguns dos motivos que levam cada vez mais casais a optar pelo divórcio


“Hoje, temos a ideologia do descartável e do imediatismo. As pessoas já se casam pensando que, se não der certo, se separarão”

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Cristina Hahn, psicóloga

Quem observa o círculo de amizades ou os membros da família, facilmente percebe um movimento intenso tanto de casamentos quanto de separações. São os assuntos preferidos quando se junta mais de uma pessoa para contar “a última”. E as pesquisas comprovam o que o senso comum já constatou: pessoas estão se divorciando mais, mas também não param de casar. Nos últimos dez anos, o número de divórcios no Brasil quase dobrou, passando de 1,7%, em 2000, para 3,1%, em 2010, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As estatísticas também são taxativas ao revelar que 70% dos pombinhos permanecerão juntos, na maior parte dos casos, somente por até dez anos. Após a separação, ele terá 37 anos de idade e ela, 34. Paralelamente, o número de uniões consensuais, aquelas em que não há cerimônia no civil nem no religioso, também aumentou no país. Os números detalham que a maior parte dos casamentos registrados envolveu solteiros, sendo 81,7%, porém o recasamento deu um salto crescente na última década, somando 8,3%. Ou seja: os brasileiros realmente não desistem! Na contramão das estatísticas, de olho nas quantidades, psicólogos falam sobre qualidade nos relacionamentos, observando a demanda em seus consultórios que também é crescente. “As pessoas casam tanto quanto se separam. Hoje, temos a ideologia do descartável e do imediatismo. As pessoas já se casam pensando que, se não der certo, se

separarão. A capacidade de se frustrar está cada vez mais frágil. O casamento se fragilizou e temos uniões instáveis”, observa a psicóloga e sexóloga Cristina Hahn. Em uma palavra, ela define “desencontro” como a principal característica das relações atuais. Não é à toa que os problemas sexuais mais comuns relatados são, do lado masculino, a insatisfação com a quantidade de sexo com sua parceira e, do lado feminino, ausência de orgasmo com a penetração. Em uma sociedade hedonista, que só visa o prazer, as relações amorosas não estão conseguindo refletir companheirismo, que requer renúncias de ambos os lados. “A imaturidade emocional é muito comum e pode gerar relações de poder em que se precisa despertar a insegurança no outro, gerando uma relação angustiante. Em meu consultório, pego o dia seguinte das festas de pompa. Por isso, sei que insatisfação não tem nada a ver com falta”, diz. Não confundir “intimidade” com “invasão”, “mistura” é outro desafio dos casais. Para Cristina, o respeito à individualidade é fundamental assim como a conquista diária do parceiro, já que o desleixo parece tomar conta quanto mais a relação avança no tempo. “A rotina faz com que a gente não perceba isso. Casar é uma arte diária de ficar alerta para não cometer os mesmos erros”, define. Talvez, as pessoas não estejam sabendo dosar liberdade com responsabilidade, compromisso e códigos éticos e morais. Individualismo, egoísmo e descompromisso não sustentam uma relação social saudável.


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Discutindo a relação E para quem já entrou na contagem dos casados do IBGE e não quer constar na lista dos divórcios, existem diversas formas para obter esse resultado, além das psicoterapias. Uma delas é o encontro Retrouvaille (Redescobrir), programa voltado para casais que querem melhorar o seu relacionamento, tendo como principal ferramenta a comunicação. O Retrouvaille, que faz parte da Pastoral Familiar, da Igreja Católica, surgiu em Quebec, no Canadá, em 1977, e chegou ao Brasil em 2000, na cidade

de Curitiba; em 2001, em Recife, e em 2009, em Natal – únicas localidades do país a promover este evento, que, embora católico, acolhe pessoas de qualquer religião. O encontro consiste em vivenciar um final de semana, em local de retiro, recebendo palestras com casais que já passaram pelo processo e com o orientador espiritual (o padre) e, em um segundo momento, passar por três meses de acompanhamento – o pós FDS, “Seguindo a Aiante”. O médico Ruy Medeiros de Oliveira e sua

esposa, Luciene, vivenciaram, há dez anos, o Retrouvaille e, além de terem transformado positivamente seu casamento, passaram a contribuir para que outros casais vivessem a mesma experiência. Foram eles que trouxeram a novidade para as terras potiguares. “No encontro, partilhamos experiências, fazemos orações e principalmente mostramos que o diálogo pode ser melhorado. As pessoas percebem que não estão sós, ou seja, outras pessoas também têm o mesmo problema. Eu

“Muitos vivem vida de solteiro estando casados e criam máscaras que atrapalham uma comunhão completa” Ruy Medeiros, pediatra


“No encontro, partilhamos experiências, fazemos orações e principalmente mostramos que o diálogo pode ser melhorado. As pessoas percebem que não estão sós, ou seja, outras pessoas também têm o mesmo problema”

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Ruy Medeiros, pediatra

O CICLO DO MATRIMÔNIO O quadro reúne dados colhidos em pesquisas a respeito do casamento no Brasil e no mundo

achava que meu casamento era perfeito, mas depois do Retrouvaille percebi o quanto ele melhorou”, relata Ruy. A tônica do encontro é que o amor é uma decisão e, quando ambos decidem, é possível viver uma união plena. Ruy também comunga da mesma opinião da psicóloga Cristina Hahn: falta intimidade verdadeira aos casais de hoje (não aquela de usar roupa velha na frente do outro ou de ficar descabelado). “Muitos vivem vida de solteiro estando casados e criam máscaras que atrapalham uma comunhão completa”, diz o médico. Em um contexto em que os papéis femininos e masculinos ainda estão se delineando, ainda vale a máxima de começar pelo começo. “As pessoas querem adiantar muito as coisas e acabam não se estruturando. É tudo muito fugaz e os casais não têm tempo para se conhecerem. Isso que estou falando não é da ordem da moral, é da ordem da ordem”, conclui Cristina. Obedecer ao tempo, viver cada fase, uma por vez, ajuda a estabelecer o vínculo necessário para a vida a dois. A natureza sabe bem disso... Qualquer jardim pode provar a sabedoria de esperar o tempo das coisas.

AS PESSOAS QUEREM SE CASAR Cerca de 90% dos jovens consideram um casamento feliz mais importante do que construir uma carreira ou ter filhos HÁ UMA DIFERENÇA DE IDADE ENTRE OS NOIVOS As mulheres se casam aos 24 anos, em média, com homens um pouco mais velhos, 27 OS HOMENS RECASAM COM UMA MULHER NOVA Oito de cada dez homens separados se juntam a mulheres solteiras em média nove anos mais jovens que eles OS CASAMENTOS ACABAM ANTES DO ESPERADO Sete em cada dez matrimônios registrados no Brasil terminam em até dez anos JÁ AS EX COM FILHOS DEMORAM A ENCONTRAR PARCEIROS Uma mulher com menos de 30 anos e sem filhos volta a se casar três anos depois da separação. Se tem crianças, o tempo de espera para um novo casamento é muito maior: chega a quatro anos e meio Fontes: IBGE, USP e livro O Primeiro Casamento e o Futuro do Matrimônio, de Pamela Paul


saúde 38

Viagem saudável Por Taciana Chiquetti

Antes do famoso “portas em automático”, é preciso tomar alguns cuidados com a saúde para que a tão esperada viagem não se torne uma peregrinação por hospitais e o seguro saúde permaneça na condição de prevenção

A medicina do viajante, ainda pouco conhecida no Brasil e principalmente em Natal, surgiu como campo de atuação a partir da década de 1980, principalmente nos países desenvolvidos, quando clínicos passaram a receber um número crescente de doentes que retornavam de países tropicais. Com o aumento das viagens internacionais, observado nos últimos anos, elevou-se a exposição desses viajantes a riscos, o que mostra a necessidade de orientá-los quanto às medidas preventivas necessárias para esses deslocamentos. O brasileiro está viajando mais. Estudo do Ministério do Turismo revela que 58,9 milhões de pessoas fizeram, pelo menos, uma viagem doméstica no último ano. Na edição anterior do levantamento, em 2007, eram 49,7 milhões de viajantes. O crescimento registrado foi de 18,5%, impulsionado pela inclusão do turismo na cesta de consumo da população de baixa renda, faixa que responde pelo maior salto: 21%. O crescimento na movimentação internacional é ainda mais expressivo. Em 2007, apenas 2,7% das famílias havia feito viagens internacionais. Na última edição, o percentual subiu para 4,3%, um salto de 57%. A empresária Adriana Keller (45) faz parte desses números e já acumula uma boa experiência em fazer as malas. Já morou no Japão, Portugal e Dinamarca e já visitou Marrocos, Grécia, assim como diversos países da Europa e quase todos os estados brasileiros. “Eu não costumo levar a famosa “farmacinha” na bagagem, prefiro contar


“Sempre levo uma ‘farmacinha’ com remédios que já estou acostumada para dor de cabeça, enjoo, antiácido, antialérgico, sempre em comprimidos. Também costumo levar as prescrições médicas” Karla Larissa, jornalista

com a medicina local e nunca adoeci numa viagem. Mesmo assim, eu não descuido. Para a Índia, por exemplo, meu próximo destino, sei que é preciso tomar cuidado com a água”, conta. Ela embarca em janeiro para a Índia e já está com as providências da saúde organizadas. Já a jornalista Karla Larissa, também apaixonada por colocar o “pé na estrada”, não teve a mesma sorte. Já adoeceu quando visitou a Europa e, por isso, prima pela prevenção. “Viajar, para mim, é um aprendiza-

do. Sempre volto uma pessoa diferente. Por isso, tomo todas as providências antes de embarcar para que os momentos sejam ótimos: sempre contrato um seguro-saúde, faço um check-up em um clínico geral, pesquiso sobre as vacinas necessárias em cada localidade e sempre levo uma ‘farmacinha’ com remédios que já estou acostumada para dor de cabeça, enjoo, antiácido, antialérgico, sempre em comprimidos. Também costumo levar as prescrições médicas”, relata ela, que programa a Grécia e a Tailân-

dia como suas próximas paradas. O médico infectologista Luis Marinho já foi cogitado pelo poder público para auxiliar na instalação de um serviço de medicina do viajante em Natal, que, por questões políticas, não prosperou. Mesmo assim, ele acredita que tal trabalho seria muito importante para a cidade e para o Estado, uma vez que são polos turísticos. No mundo todo, há serviços como esse, que oferecem informações, de acordo com cada época do ano, sobre condições climáticas, vacinas, epidemias,

“Eu não costumo levar a famosa “farmacinha” na bagagem, prefiro contar com a medicina local e nunca adoeci numa viagem. Mesmo assim, eu não descuido” Adriana Keller, empresária

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“A importância da medicina do viajante é diminuir as doenças de quem vai viajar e de quem chega à Natal” Luis Marinho, infectologista

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surtos, alimentação para quem vem e vai, e estão constantemente atualizados. “A importância da medicina do viajante é diminuir as doenças de quem vai viajar e de quem chega à Natal. As pessoas ainda não se cuidam para isso. Suas providências são ainda muito superficiais”, avalia. De modo geral, a medicina do viajante divide a prevenção das doenças em grupos: aquelas transmitidas por água e alimentos (como diarreia e hepatite A); as transmitidas por vetores (como malária e dengue); doenças de transmissão sexual (como HPV, HIV e hepatite B); as transmitidas por acidentes ou animais (como raiva e tétano); doenças transmitidas por via aérea (como gripe, meningite e tuberculose); e aquelas causadas pelo meio ambiente (como insolação e doença da altitude). As doenças que o paciente já possui (como diabetes) também são contempladas com orientações. Outra doença comum em quem viaja é a “síndrome da classe econômica”, que consiste na ocorrência de trombose, por se estar por longo período em uma mesma posição e sem espaço para se locomover. A trombose acontece quando uma veia fica obstruída total ou parcialmente por um coágulo sanguíneo, células mortas e rompidas e proteínas fibrosas, que é o chamado “trombo”. Um estudo canadense mostrou que até 10% dos passageiros de voos de mais de quatro horas de duração estão sujeitos à trombose das veias profundas da perna sem nenhum sintoma e 0,25% estão sujeitos à trombose com sintomas. Para prevenir este problema, que pode levar à morte, em caso de embolia pulmonar, é preciso, durante o voo, aproveitar cada chance que tiver de movimentar as pernas. Recomenda-se dar uma voltinha na cabine a cada hora, em média. Se o espaço for suficiente, também é importante estender e contrair as pernas. Evite pressionar a parte de trás do joelho com a borda do assento. Outra dica é sempre tomar muito líquido, como suco, água, e evitar bebidas alcoólicas e café. EM REVISTA

continentes e vacinas AMÉRICA LATINA

Tríplice viral Hepatite A Gripe Meningocócica Febre tifóide Pneumocócica

Tríplice bacteriana Hepatite B Varicela Febre Amarela Diarreia do viajante HPV

AMÉRICA DO NORTE

Tríplice viral Hepatite A Gripe Meningocócica HPV

Tríplice bacteriana Hepatite B Varicela Pneumocócica

EUROPA

Tríplice viral Hepatite A Gripe Meningocócica HPV

Tríplice bacteriana Hepatite B Varicela Pneumocócica

ÁSIA

Tríplice viral Hepatite A Gripe Meningocócica Febre tifóide Pneumocócica Poliomielite

Tríplice bacteriana Hepatite B Varicela Febre Amarela Diarreia do viajante HPV Encefalite japonesa

ÁFRICA

Tríplice viral Hepatite A Gripe Meningocócica Febre tifóide Pneumocócica Poliomielite

Tríplice bacteriana Hepatite B Varicela Febre Amarela Diarreia do viajante HPV

Tríplice viral Hepatite A Gripe Meningocócica Febre tifóide Pneumocócica Encefalite japonesa

Tríplice bacteriana Hepatite B Varicela Febre Amarela Diarreia do viajante HPV

OCEANIA


Segundo a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Abremar), o Brasil é o quinto maior mercado consumidor de cruzeiros no mundo. Pessoas de diversas localidades, portos em várias cidades e até mesmo países, diferentes padrões de saúde pública (saneamento, controle de doenças, qualidade de vida, etc) favorecem a exposição a diversos riscos e facilitam a introdução de doenças transmissíveis pelos passageiros e tripulação, assim como por meio de superfícies, água ou alimentos contaminados. Nas últimas décadas, foram notificados os surtos de sarampo, rubéola, catapora, meningite meningocócica, hepatite A, legionelose, doenças respiratórias e gastrointestinais entre os passageiros de navios. Os recentes

Divulgação

Cruzeiro saudável

surtos do vírus da gripe (influenza) e norovírus (um dos principais causadores de diarreia em cruzeiros) representam desafios para a saúde pública e para as navegações. Um navio de cruzeiro transporta cerca de três mil passageiros e mil tripulantes e o período médio de permanência é de 7,3 dias por pessoa embarcada. O Centro Brasileiro de Medicina do Viajante (www. cbmevi.com.br) oferece, pela internet, cartilhas completas de como se cuidar antes de embarcar em um cruzeiro.

aliviar náuseas • Evitar as situações já conhecidas como desencadeadoras dos sintomas, como odores fortes, luz, sabores, etc. • Priorizar as cabines localizadas na região central do navio para hospedagem. • Tentar alimentar-se antes do início dos sintomas. Esta medida acelera o esvaziamento gástrico, contudo, em algumas pessoas, pode agravar o enjoo. Estude o seu caso. • Reduzir estímulos sensoriais. Por exemplo: deite-se; olhe para um ponto fixo (pode ser o horizonte) ou mantenha os olhos fechados. Descubra como se sente melhor. • Alguns odores trazem alívio para algumas pessoas, como os de hortelã, de lavanda e de gengibre. • Outro recurso que você pode experimentar é o consumo de balas ou pastilhas ácidas e refrescantes. Fonte: CBMEVI

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desenvolvimento 42

Inteligência que vai além Mais sensíveis por natureza, as mulheres especialmente sabem que a inteligência vai muito além da competência profissional ou de ser capaz de desenvolver os diversos papéis sociais que lhes são sugeridos. Saber lidar com as emoções, muitas vezes, contribui mais efetivamente para o sucesso e traz qualidade de vida. Pensando no potencial humano do público feminino, a filósofa e master coaching Auri Fernandes inicia, em Natal, o Instituto CrerSer – Inteligência Emocional, localizado no auditório da livraria Nobel, na avenida Salgado Filho. “Escolhi o público feminino, porque eu percebi que o medo é um sentimento comum nas mulheres. Eu mesma já me deparei com ele várias vezes, especialmente por causa de nossas multifunções, e resolvi mudar isso em minha vida. As mulheres se doam mais, por isso cons-

tantemente têm uma sensação de incapacidade. Agora, pretendo passar a ajudá-las a conquistar o equilíbrio e a autoestima”, explica. O Instituto CrerSer tem por missão facilitar, preparar e orientar mulheres, através de treinamentos, palestras e vivências, para assumirem a responsabilidade por suas vidas com equilíbrio nos relacionamentos pessoais e profissionais, saúde emocional e uma autoestima elevada para o alcance de uma vida mais feliz. Para conseguir esses resultados, são utilizadas diversas técnicas. “Os nossos treinamentos usam ferramentas advindas da PNL, Hipnose Eriksoniana, Processo Hoffman, Método CIS, Psicologia Positivista e Experiential Learning”, diz Auri. Além disso, o coaching - uma metodologia que busca atingir metas, solucionar problemas e desenvolver novas


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habilidades – também é utilizado. O coaching vem ganhando cada vez mais espaço como técnica que promove inteligência emocional e foca em planos de ação práticos para a obtenção de resultados, que podem ser aplicados nas diversas áreas da vida. Em doze sessões, com frequência semanal, a técnica trabalha impedimentos emocionais e organiza as metas das pessoas. Outro item que faz parte constantemente da programação do CrerSer são as sessões de relaxamento - oportunas para o cotidiano movimentado das natalenses. Mesmo colocando as mulheres em primeiro lugar, no Instituto CrerSer também existe programação para os homens. São palestras e treinamentos de liderança, mapas mentais no trabalho, excelência em vendas, biossegurança, entre outros.

“As mulheres se doam mais, por isso constantemente têm uma sensação de incapacidade. Agora, pretendo passar a ajudá-las a conquistar o equilíbrio e a autoestima” Auri Fernandes, filósofa e master coaching

Instituto CrerSer Fones: 84 3322-2501 / 9687-4403 Facebook: institutocrerser.ie


meio ambiente 44

o ã ç a c u d E l a t n e i b Am escola a n e rend p a e s vação r e s e r to e p i e p s e R

Por Eugênio Bezerra


A educação ambiental já não é novidade nas salas de aula. Foi proposta em 1999 no Brasil e sua principal função é conscientizar sobre a preservação do meio ambiente e a utilização dos recursos de forma sustentável. Pode ser incluído como uma disciplina, mas, na maioria das escolas, o tema é tratado de forma transversal, ou seja, todas as disciplinas trabalham e englobam o assunto em algum momento do processo de ensino-aprendizagem. No IECE – Instituto de Ensino Casa Escola –, a educação ambiental é trabalhada com os alunos desde o início dos anos 90, muito antes da questão se tornar obrigatória nas escolas através da lei N° 9.795, Lei da Educação Ambiental, que em seu Art. 2° afirma: “A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal”. A diretora do IECE, Ana Priscila Griner, coloca que as atividades cotidianas em sala de aula ajudam a consolidar os conceitos de preservação e desenvolvimento sustentável. “A educação ambiental é a prática

pedagógica de cunho ético, pela qual nós, educadores, promovemos ações, discussões e trocas de saberes voltados à construção de conhecimento e ao posicionamento mais sensível ao humano perante o mundo. Isto ocorre através do tipo de relações que os homens estabelecem entre si e com a natureza, dos problemas derivados destas relações e de suas causas. Educar através de uma prática que vincula o aluno com a comunidade, valores e ações direcionadas à transformação superadora da realidade, tanto em seus aspectos naturais como sociais. Nesse enfoque, acreditamos ser possível desenvolver, no estudante, não só a consciência, mas também as ações necessárias”, explica a diretora. Segundo Ana Priscila, “a escola é o espaço social e o local onde o aluno dá sequência ao seu processo de socialização, iniciado em casa, com seus familiares”. Assim, é evidente a importância da escola no processo de formação dos seus alunos. Comportamentos devem ser assimilados desde cedo pelas crianças e devem fazer parte do seu dia a dia a partir do convívio no ambiente escolar. Trabalhar a educação ambiental é um grande desafio para qualquer esco-

“Se a gente trabalha as ferramentas de forma clara, os conceitos vão ser assimilados e a consciência vai sendo construída.” Ana Priscila Griner, pedagoga

la e o IECE tem alcançado excelentes resultados. “A gente trabalha de forma reflexiva, de modo que é possível reconstruir alguns conceitos e práticas do cotidiano que podem melhorar. Por exemplo: para que serve o sinal amarelo? Serve pra passar rapidinho? Ou serve para se tomar um cuidado maior? Quando o assunto passa pelo debate, reflexão e vivência, os alunos questionam a concepção desviada, discutem e devolvem isso para as famílias”, exemplifica a diretora. A preservação da natureza e do homem pelo próprio homem diz respeito ao mundo das crianças desde muito cedo e a escola aproveita essa identificação natural para atuar por diferentes caminhos pedagógicos: “Com a ajuda do mundo imaginário através da literatura e da sistematização dos conteúdos curriculares das disciplinas, iniciamos, desde cedo, um trabalho com as crianças menores. Se a gente trabalha as ferramentas de forma clara, os conceitos passam a ser atos e a consciência se aprimora em direção ao coletivo. O resultado é que eles (alunos) vão se tornar cidadãos mais conscientes, participativos e defensores das espécies e do planeta. A aposta é que os alunos se tornarão adultos e profissionais capazes de trazer soluções para os problemas de forma sustentável”, defende Priscila. O professor de Ciências do IECE, Jorge Raminielli, reforça esse conceito. Para ele, “a criança que desenvolve esse pensamento, quando se tornar um profissional, vai buscar o aperfeiçoamento. Teremos engenheiros, por exemplo, que vão se preocupar em desenvolver projetos que utilizam a luz solar como fonte de energia, que reaproveitem a água, que separem o lixo, tudo em prol do meio ambiente e do próprio homem”.

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Para fortalecer o trabalho, os estudantes são levados a buscar soluções para problemas dentro do próprio ambiente escolar. Foi assim com o copo descartável. “Eles se sentiam incomodados com aquela pilha de copos no lixo e por isso foi adotada a garrafinha. Cada aluno traz uma de sua casa e, com isso, deixamos de jogar fora quase 18 mil copos por mês. Foi uma solução construída por todos e por isso tem dado certo”, afirma

a diretora. O resultado também é percebido em casa. Priscila conta que muitos são os relatos dos pais sobre a mudança de comportamento dos filhos. “Os pais aprendem com os meninos. Temos muitos depoimentos do tipo: meu filho estava com um palito de picolé na praia e ele não soltou até encontrar uma lixeira. A gente consegue terminar festas na escola sem nenhum papel no chão”, comemora.

Cientec 2012 46

De 23 a 30 de outubro, o estande 137 da Cientec – Semana de Ciência, Tecnologia e Cultura da UFRN recebeu o Instituto Educacional Casa Escola (IECE). O espaço foi um dos mais visitados da feira, localizado no Pavilhão Integração era também um

dos mais alegres e coloridos. Os estudantes da escola desenvolveram junto à equipe pedagógica projetos voltados para a sustentabilidade, um dos temas da Cientec 2012. As crianças que recebiam os visitantes para mostrar de um jeito todo especial e “fofo” o trabalho feito por elas. O público ficava encantado ao ver e ouvir tanta desenvoltura de mentes tão promissoras. Chamou atenção a exposição de fotos que mostrou os contrastes entre a riqueza e a pobreza. O empenho das crianças rendeu imagens de grande expressividade nas quais se percebia que o assunto foi bem trabalhado e proporcionou momentos de reflexão. Outro projeto dos estudantes, que conquistou o público visitante da Cientec, foi a ideia de fabricar tijolos ecologicamente corretos, reutilizando materiais que costumam ser descartados no lixo. Com ajuda dos professores, os alunos montaram uma “mini-fábrica de tijolos”. “É bem simples de se fazer. Mostramos isso aqui no estande. Usamos gesso, cimento, raspas de isopor reaproveitado e garrafinhas plásticas. Aproveitamos materiais reutilizáveis e o legal é que este tijolo se adapta às condições cli-

máticas, não esquentando muito no calor. É uma solução de baixo custo e, ao contrário dos tijolos tradicionais, tem baixo impacto ambiental,” explicou com naturalidade e empolgação o aluno Arlan Geocarde, 12 anos. Isadora de Carvalho, do 6º ano, exibia com orgulho no estande da escola o puff que ajudou a confeccionar. Usou pneus, quadro branco velho, retalho de tecido e tinta. “Com a educação ambiental aprendi a preservar o meio ambiente com o reaproveitamento de materiais como pneus e latinhas. Nós pintamos os pneus velhos com tinta óleo e spray e ficou bonito”. Isadora também participou de outro projeto com a amiga Beatriz. Elas desenvolveram o papa pilhas para fazer o descarte adequado do material que oferece riscos se for colocado junto ao lixo comum. “Todos temos que cuidar do planeta e começar a partir de agora”, alerta Isadora. Instituto Educacional Casa Escola Rua João Alves Flor, 3711 Parque das Colinas - Candelária Natal/RN. Fone: 84 3207.2183 www.iece.com.br


equilíbrio 48

“Estar no mar, esperar as ondas, me faz refletir e me conecta com Deus” Mary Land Brito, jornalista

Tomar banho de mar faz bem ao corpo e a mente. Aproveite para mergulhar nessa fonte inesgotável de boas energias e muita saúde


Refúgio de água salgada

Por Taciana Chiquetti

Há quem diga que a representação psicológica do mar é o útero materno. Faz sentido. Água e vida são praticamente sinônimas quando se trata dessa longa extensão de água salgada conectada a um oceano. A beleza do mar, em qualquer contexto geográfico do planeta, também reafirma essa associação na mente. Beleza, vida, abundância, paz... Não é à toa que há tantos apaixonados pelo mar, começando pelas diversas formas de vida que nele habitam.

Quem nunca se imaginou fazer da praia o escritório, beber da fonte de inspiração de tantos artistas, que não deixam as inúmeras metáforas do mar “passarem batidas”? Impossível pensar na jornalista Mary Land Brito sem se lembrar do mar... Ou pensar no mar sem lembrar-se dela. O mar que inicia seu nome tornou-se o refúgio mais procurado em qualquer situação de sua vida. Aos sete anos, ela queria ser sereia. Sem sucesso, aos 16, adaptou seu sonho e virou surfista. Sempre pensando em estar junto do mar. Estímulos não faltaram: do útero materno, teve o primeiro contato com a água salobra apenas quatro meses depois do seu nascimento, na paisagem de Pipa e, desde então, a praia mais famosa de Tibau do Sul se tornou o seu local favorito no mundo. “Nunca tive medo do mar. Respeito sua imponência, mas não tenho medo. Estar no mar, esperar as ondas, me faz refletir e me conecta com Deus. A Terra é feita basicamente de água, então, do mar recebemos energia limpa - a energia primeira”, explica ela, que, como jornalista, homenageou seu refúgio com o videodocumentário “Pipa: praia em poesia”, que fez parte do “Revelando Brasis”, do Ministério da Cultura, em

2004 - projeto de incentivo às produções audiovisuais. Suas memórias afetivas associadas ao mar vão desde as ótimas ondas no surf, a tranquilidade de um mergulho, o veraneio com a família a uma espécie de gratidão quando aconteceu um acidente com seu pai e o mar teve papel fundamental. “Ele teve um aneurisma enquanto caminhava na praia e veio a falecer. Só pudemos saber o que havia acontecido porque o mar trouxe seu corpo de volta. Caso contrário, nunca teríamos sabido o que houve e seria uma angústia interminável. Sou muito grata ao mar”, conta Mary Land. Quando morou no interior de São Paulo, na cidade de Campinas, por quatro anos, estar longe do mar era sua principal frustração, em um estado onde são necessárias algumas horas de carro para estar em uma praia, ver o balanço característico, sentir o cheiro, a brisa e um dos sons mais tranquilizantes da natureza. “Um banho de mar renova e retira qualquer mazela. Gosto de ficar muito tempo imersa e é o que faço quando estou em Pipa. A água me ajuda a pensar, me acalma. Já cheguei a passar oito horas, por dia, na água quando visitei a Venezuela, em uma pequena ilha do local”, relata sobre sua “terapia”.

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Água que cura

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Atualmente, diversas terapias foram desenvolvidas a partir das propriedades da água do mar, como a talassoterapia e balneoterapia. O francês René Quinton (1866-1925) foi o primeiro estudioso a divulgar alicerces científicos que provavam os bons efeitos da talassoterapia. Em seu trabalho, o fisiologista mostrou que as células dos seres humanos são banhadas por um meio fisiológico idêntico ao marinho. Por conta dessa relação, pregava Quinton, a água do mar é capaz de trazer inúmeras vantagens à saúde, pois fornece nutrientes necessários ao corpo. Por meio de banhos de imersão, os sais marinhos promovem a regeneração do sangue, das glândulas, dos nervos e até dos ossos. A palavra thalasso é de origem grega, que significa mar. Portanto, a talassoterapia é o tratamento que se baseia no uso de ativos marinhos com fins terapêuticos, com o objetivo de reequilibrar o processo osmótico, estimular fenômenos enzimáticos e intervir no intercâmbio dos líquidos

dos tecidos intersticiais, com benefícios para os tratamentos no combate à celulite, perda de centímetros, desintoxicação e no combate à flacidez. A talassoterapia também intensifica o metabolismo humano, atua como anti-inflamatório natural, bactericida e laxativo, proporcionando um efeito desintoxicante no organismo. Os resultados da “terapia do mar” são, principalmente, preventivos, embora também seja eficaz no tratamento de diversas enfermidades, como osteoporose, problemas vasculares (artrites), adiposidade, gordura localizada, excesso de peso, celulite, algumas depressões, insônia, esgotamento nervoso, problemas respiratórios, doenças de pele, artroses, reumatismos inflamatórios, problemas metabólicos e muitos outros. Na fibromialgia – síndrome que se caracteriza com dores generalizadas e crônicas e que engloba uma série de manifestações clínicas como fadiga, indisposição, distúrbios do sono -, segundo estudos, também há eficácia. “Embora não se tenha conclusão defi-

nitiva sobre a real eficácia da talassoterapia e da balneoterapia, essa abordagem terapêutica tem sido utilizada frequentemente e com benefícios na fibromialgia em vários países”, afirmam os fisioterapeutas Sandra Cristina de Andrade, Ranulfo Fiel Pereira Pessoa de Carvalho, Aluizio Silvio Soares e Maria José Vilar, no artigo científico “Benefícios da Talassoterapia e Balneoterapia na Fibromialgia”. Com tantos “prós” fica fácil entender porque os costumes e rituais, especialmente para o início de um novo ano, envolvem o mar, como a tradição africana que se incorporou ao umbandismo e ao candomblé de pular sete ondas na virada do ano para afastar “coisas ruins”. Mar também significa movimento e renovação – metáforas muito propícias para iniciar um novo período. A exemplo do que faz sutilmente com tantas pessoas, para Mary Land, o mar a recorda que é preciso se permitir, pois é assim que a vida flui. Na permissão, a existência ganha movimento e, na gratidão, se multiplica.

“A água me ajuda a pensar, me acalma. Já cheguei a passar oito horas, por dia, na água quando visitei a Venezuela, em uma pequena ilha do local” Mary Land Brito, jornalista


maturidade 52

Por Taciana Chiquetti

O metabolismo desacelera com o passar dos anos. Entenda quais os efeitos disso para o seu organismo

Em c창mera lenta


“Essa mudança corporal com menos massa magra e aumento de massa gorda é própria do envelhecimento normal, mas precisa ser cuidada” Amanda Aranha, geriatra

Processo complexo e fundamental para a vida, o passar do tempo torna o metabolismo mais lento. A queda começa aos 30 anos, mas acontece de forma mais acentuada aos 40 anos, com uma mudança corporal geral. Na terceira idade, os efeitos desse processo são sentidos mais fortemente, principalmente em algumas funções glandulares (ovários, testículos e tireoide). Trata-se da soma de todas as reações químicas que ocorrem na célula viva com a finalidade de produzir energia e também formar os seus componentes. O que marca a diminuição do metabolismo especialmente é que as pessoas ficam com menos musculatura e mais gordura, inclusive dentro dos órgãos. “O metabolismo da gordura é mais baixo que o dos músculos e ocorre queda também nos hormônios. Essa mudança corporal com menos massa magra e aumento de massa gorda é própria do envelhecimento normal, mas precisa ser cuidada”, explica a geriatra e especialista em gerontologia, Amanda Aranha. Perder músculo significa perder força e perder força geralmente significa perder autonomia. “A locomoção fica comprometida e, consequentemente, a independência. Os

idosos passam a tomar banho com ajuda, por exemplo”, diz a médica. Como não há como evitar, o mais indicado é prevenir. Atividades físicas resistidas, como a musculação, é o melhor caminho para ganhar força, mesmo se tratando do público mais maduro. A musculação deve ser combinada com exercícios aeróbicos (como caminhada, natação), que ajudam na queima de gordura. A atividade física regular em idosos também pode ajudar a manter a saúde do cérebro, que influenciará também na qualidade de vida. Pessoas da terceira idade que se exercitam podem evitar o encolhimento do cérebro e outros sinais associados à demência, de acordo com um estudo recente, feito pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, e publicado na revista “Neurology”. A pesquisa analisou dados de 638 pessoas com 70 anos, submetidas a exames cerebrais. Os resultados mostraram que aqueles que eram fisicamente mais ativos tiveram uma menor retração do cérebro do que os indivíduos que não se exercitavam. A atividade física também foi associada a um aumento no volume de massa cinzenta. Essa é a parte do cérebro onde se originam as emoções e percepções.

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O papel da alimentação

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Na queda do metabolismo, mais atenção deve ser dada também para a alimentação. As necessidades calóricas de um idoso maior de 70 anos são menores do que a de um adulto. O metabolismo no idoso de 50 a 70 anos é diminuído em cerca de 7,5% e cai em 10% após a idade de 70 a 80 anos. “Os idosos passam a apresentar sensação acentuada de saciedade, alteração e perda de paladar, alteração de arcada dentária, além disso os efeitos das medicações interferem também na alimentação. Eles passam a comer mal”, informa Amanda. A dificuldade de emagrecer, nesta fase da vida, ocorre porque gasta-se pouca energia em uma situação que se tem menos músculos. Outro agravante para o ganho de massa gorda é que eles não têm mais o mesmo vigor para fazerem atividade física como anteriormente. “Por isso, é importante diminuir o consumo de carboidratos e aumentar a quantidade de proteínas. Mas geralmente eles ficam muito mais propensos a comer carboidratos, como pão com café e leite, papa, sopa e, assim, a dieta fica mais pobre. A perda de peso deve ser

acompanhada de atividade física para manter o músculo”, alerta. Em diversos casos, é preciso, além de exercício físico e dieta específica, suplementos alimentares e reposição de vitaminas, mas somente após se avaliar se existe realmente a necessidade. A deficiência de vitamina D é a que mais compromete, pois ela é importante para fixar o cálcio nos ossos. “Osso também é massa magra, portanto, aumentar o consumo de cálcio, geralmente encontrados em laticínios e sardinha, por exemplo, é fundamental para mantê-lo saudável”. Prevenindo e atuando para minimizar os efeitos desse fenômeno natural do organismo, é possível obter também outros tipos de ganho, que vão além do corpo físico. Interação social, novas amizades e a sensação de vitalidade certamente farão a diferença para uma velhice mais feliz. Vale lembrar que a atividade física é um antidepressivo natural. Portanto, se movimentar e comer adequadamente constituem a “receita da vovó”, há muito tempo testada e aprovada, para se viver bem em todos os momentos da vida.

“Os idosos passam a apresentar sensação acentuada de saciedade, alteração e perda de paladar, alteração de arcada dentária, além disso os efeitos das medicações interferem também na alimentação. Eles passam a comer mal” Amanda Aranha, geriatra

METABOLISMO Alimentos metabolismo:

que

aceleram

o

PROTEÍNAS: queijo ricota, ovo, carnes magras, entre outras, são exemplos fundamentais para qualquer tipo de dieta que queira acelerar o metabolismo. Quase 20% do valor calórico da proteína é gasto pelo organismo só para digeri-la. Estudos também mostram que a saciedade da proteína se dá de forma mais rápida do que carboidrato e gordura; GENGIBRE: acelera em até 20% o metabolismo. Este efeito acontece por alguns de seus compostos, como o citral, borneol e zingerona, que são antioxidantes e termogênicos; PIMENTAS VERMELHAS: aumenta a circulação e a temperatura corporal, além de aumentar a secreção de adrenalina, favorecendo a lipólise (substância queimadora de gordura); CAFÉ E CHÁ VERDE: apresentam alto teor de cafeína, que é estimulante direto da lipólise (mobilização de gorduras de seus estoques para a corrente sanguínea), favorecendo a utilização das gorduras como fonte de energia; CANELA EM termogênico;

PÓ:

tem

efeito

ÔMEGA 3: ácidos graxos ômega 3 são aliados na perda de gordura permanente, por manter níveis saudáveis de açúcar no sangue, inibindo o armazenamento de calorias como gordura e aumentando a produção de calor.


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A verdadeira essência de uma vida saudável sob todos os aspectos passa, em minha opinião, pela compreensão interior do que realmente causa felicidade. Sidarta Gautama, o Buda, apesar de ter nascido num berço de ouro, ser herdeiro de um império e de ter toda a materialidade a lhe cercar, ao ver um doente, um velho e um mendigo decidiu descobrir a causa dos sofrimentos e percebeu, depois de períodos de meditação e de recolhimento, que o eterno desejar do homem o conduz a sua própria miséria. Diante desta constatação, podemos deduzir que, para fugir do eterno desejar negativo, precisamos iluminar nosso intelecto e fugir da escuridão da mente, que através de pensamentos diversos conduz nosso ser para as regiões umbralinas da existência, nos tornando egoístas, materialistas e nos afastando da verdadeira felicidade. Viver bem, então, é perceber nas coisas naturais da vida o prazer e retirar dos atos cotidianos o perfume do contato, a visão do sorriso e o néctar do amor. Ao acordar, cumprimente os seres de todos os reinos com

Fotos: Divulgação

eu vivo bem

O bem que faz bem

Toda a família empenhada na causa social

alegria. Ao caminhar, abra o sorriso e verbalize boas maneiras e, ao trabalhar, produza corretamente o seu serviço, sempre com a perspectiva da construção de uma existência digna e de um planeta melhor. Outros mestres iluminados também nos alertaram para a lei da ação e da reação, divulgando que cada ação corresponde a uma reação, então esta preciosa lei, provada até cientificamente, nos convoca a todos para emanar amor, exalar boa vontade para que também possamos ser ajudados e agir em prol do coletivo para sermos igualmente beneficiados. Remover a ignorância de nossa existência, entrando em consonância com as leis que nos conduzem naturalmente ao bem viver, é a chave para os portais da harmonia, portanto, ao estar num engarrafamento e ver carros em dificuldade querendo entrar em sua via, ceda. Ao perceber o sinal

fechando não avance travando assim o livre fluir dos carros que estão esperando, seja cooperativo, ajude as organizações sérias que trabalham pelo semelhante, doe sangue, doe órgãos, seja simpático, amoroso, dialogue com seus filhos, busque nas religiões seus aspectos positivos e veja os demais como irmãos. A vida está nos brindando diariamente com oportunidades para nossa felicidade, abrace estas ocasiões e viva bem. O seu sorriso não terá profundidade se o irmão chora, não temos como resolver tudo e tornar a vida de todos melhor, mas podemos cooperar. Isso torna nossa vida bem melhor e, pessoalmente, vivo bem ajudando os demais a também viverem felizes. Flávio Rezende Escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN escritorflaviorezende@gmail.com


Fotos: Dalianny Galvão

coisas da vida 58

Filhos, que coisa louca, que coisa boa Outro dia fui numa loja de roupas com meu filho Gabriel, de 5 anos, e a vendedora, logo após me cumprimentar, olhou pra ele e disse: “oi, bebê, como você é lindo!” E ele, com uma expressão de total desaprovação, respondeu: “EU NÃO SOU MAIS BEBÊ”. A vendedora logo se desculpou, sem conseguir esconder o susto com aquela reação do meu pequeno. Eu passei o resto do dia pensando no que tinha ouvido dentro daquela loja e aquilo ficou ecoando na minha cabeça por alguns dias. Tenho certeza que qualquer mãe que estiver lendo esse texto vai concordar comigo: não é fácil perceber que os filhos estão crescendo. Mais ainda, não é fácil perceber que aquele ser que foi gerado através de você, aos poucos, vai adquirindo sua própria personalidade, seus anseios e muitas vezes não sabemos como lidar, porque acreditamos que deveriam ter vindo com um manu-

al de instruções. Mas eu me pergunto: qual seria a graça de criar um filho com manual, sem o prazer de todas aquelas sensações que eles nos causam lá dentro da alma, como os primeiros passos ou a primeira palavra dita? Criar um filho é uma descoberta diária de emoções, desejos, vontades e também das nossas fraquezas, dúvidas, medos, mas é principalmente uma fantástica viagem que não termina nunca. Como é bom conviver com uma criança em casa e poder exercitar a nossa criança interna, poder brincar, ser livre, chorar quando temos que chorar, rir quando se tem vontade, olhar as pessoas nos olhos, ser verdadeiro nos sentimentos, intenso nas reações. Aliás, deveríamos aprender com as crianças, muito mais do que ensinar! E como é extremamente enriquecedor perceber sim que o filho está crescendo no caminho para se tornar

um ser humano feliz e consciente. Meu desejo é que ele seja o autor da própria vida e que eu possa ser útil na construção do seu caráter, dos valores, do respeito às pessoas e ao mundo que nos cerca. Bem vindo a mais uma etapa da sua vida, meu filho. Crescer é o caminho natural, mas que não se perca jamais as virtudes e a leveza de uma criança. Com certeza, meu filho não é mais um bebê e daqui a pouco não será mais uma criança, mas com certeza eu serei a mesma mãe, aprendendo a cada dia a mais importante das lições desse presente que é a maternidade: ter filho é exercitar o amor de verdade, dar e receber esse que é o mais nobre e bonito dos sentimentos – o amor! Patrícia Guedeville Publicitária, diretora comercial do Viver Bem e mãe de Gabriel, 5 anos patricia@guiaviverbem.com.br


Viver Bem 14  

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