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Junho /2010 – Nº 2 • Há 28 anos fazendo escola

Venha construir a História Junina da Vivendo !! Chegou o mês de junho e com ele, além do frio, a festa junina da Vivendo e Aprendendo. Preparem-se todos(as) que, dia 19 de junho, a partir das 16h, vamos ter no grande quintal da nossa Associação as bandeirinhas e argolas que enfeitam todo o nosso ambiente junto com as brincadeiras, os deliciosos quitutes que cada criança traz, a música animada da sanfona e a bela decoração feita pelas crianças. Isto tudo nos mostra apenas a “ponta do icebergue”! Estamos desde o dia 01 de junho na reunião pedagógica, que acontece semanalmente às terças feiras com os(as) professores(as), conversando e refletindo porque fazemos festa junina na Vivendo. As conversas acontecem desde, como envolvemos as crianças para uma festa onde comemoramos a colheita e nossas raízes rurais e não os Santos, Antônio, João e Pedro, até a importância de associativamente nós nos reunirmos todos(as) para celebrarmos com as crianças e adultos(as) uma das festas da cultura brasileira, que festeja o homem e a mulher do campo e traz estes como pessoas ligadas às raízes, a terra, àquele que semeia planta e colhe. Pessoas fortes que nos relembram que este país já foi um país mais rural que urbano.

Então para que tenhamos coerência pedagógica começamos a conversar com as crianças e a inserir brincadeiras típicas de festa junina, culinárias, pesquisas e as atividades plásticas como desenhos de milhos gigantes, bandeirinhas, etc nos planejamentos, não apenas um dia antes da festa, mas pelo menos 15 dias antes, para que as crianças percebam que elas são parte ativa de todo o processo da construção da festa e para transformar a escola em um grande arraiá! É neste clima de festa que fazemos desde o ano passado mais sistematicamente, a nossa campanha de matrícula para o segundo semestre, por tanto, é um ótimo momento para convidar famílias com crianças em idade pré escolar para vir conhecer a Vivendo. Pais e mães, fiquem à vontade para vir construir conosco a festa junina, as bandeirinhas no galpão são só uma parte de tudo que precisa ser feito!!! Quem quiser pode vir se apresentar (tocar zabumba, triângulo ou sanfona), quem quiser pode ajudar nas escalas das brincadeiras ou na organização da comida, quem quiser pode entrar na quadrilha que sempre acontece sem ensaios ou vir acender à fogueira e ajudar a esquentar, construir e refletir todas estas idéias conosco!! Até lá então. Carolina Velho | Coordenação Pedagógica


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Porque Pedro não é do Ciclo 3,

e sim da Vivendo*

Quando os pais ou responsáveis de uma criança chegam para conhecer a Vivendo, eles atravessam o portão, caminham pela estradinha amarela e passam pelo parque e pracinha, se deparando com muitas coisas diferentes do que vemos numa escola tradicional. Na conversa com quem os recebe e no passeio que fazem pela escola, conhecendo o espaço físico e um pouco do que existe em cada sala, estão entrando em contato com o fazer e a prática que costumamos ter em nosso trabalho pedagógico, que surpreende por se distinguir da proposta de outras escolas. Então, no momento que escolhem ingressar, de fato, na Vivendo, matriculando seu/sua filho/filha, percebem que estão se associando, e não somente matriculando. E quando pagam a mensalidade, esta não é somente uma mensalidade, mas sim a cota associativa.


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Assim acontece também com quem chega para trabalhar. Os(as) candidatos(as) observam em sala, refletem sobre o que viram, e se deparam com uma atuação do(a) educador(a) que é diferente do que se vê em outros contextos escolares. Ao serem selecionados, experimentam construir o trabalho pedagógico de maneira diferenciada, mas também percebem que a organização da escola compreende o trabalho associativo. Mas o que tudo isso significa? No que isso interfere dentro da nossa comunidade escolar? Defendo que todos nós que aqui estamos na Vivendo devemos compreender que nossa responsabilidade com a associação ultrapassa o estar aqui apenas quando é chamado. Quem faz nossa associação são as pessoas desse espaço, e é por isso que precisamos pensar na maneira como nos relacionamos com as pessoas de nosso convívio, que aqui passam, aqui ficam, aqui trabalham, aqui brincam, aqui estão, aqui são. E principalmente devemos voltar nosso olhar com muito mais cuidado para as pessoas que são nossa principal razão de existir: as crianças. Cada uma das crianças que aqui está não é só filha(o) de Maria ou de João. Tão somente é aluno/a do/a professor/a Joana, da sala verde, do ciclo 3. As crianças que estão aqui na Vivendo são nossas, de todos nós, de cada um de nós. Voltar nosso olhar para as crianças é compreender que cada uma delas é uma pessoa que carrega uma história de vida, sua cultura, seus desejos, sonhos, sentimentos, e principalmen-

te, suas necessidades específicas. Cada criança é única e, portanto, especial. Se estamos propondo uma maneira diferente de fazer acontecer a educação, caminhando lado a lado com uma proposta diferente de se organizar em comunidade, é porque queremos transmitir às crianças uma nova maneira de se relacionar com o mundo ao nosso redor. E o sentido maior de nosso projeto está na valorização do que cada um traz para contribuir com o coletivo. Nós, adultos, pais, mães, educadores(as), responsáveis por estarmos aqui, ajudando na construção e elaboração da formação da criança, temos que nos preocupar em como podemos atender as necessidades específicas de cada uma das crianças. Para isso, precisamos voltar o olhar para a criança que está do lado, que é tão minha quanto é de seu pai e sua mãe ou de seu/sua professor/a. A criança da Vivendo é nossa, e é nossa a responsabilidade, tanto pela criança, quanto pela Vivendo. Aqui, o que é meu é seu também. Mais do que isso: é nosso! Joana Goes | professora do ciclo 1 vespertino

* para evitar mal-entendidos, não estou falando de nenhuma criança em específico, mas estou falando da especificidade de cada criança.

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A flor do lado de Outro dia estava lendo um texto e me deparei com um dizer de Cecília Meireles que me fez pensar sobre meu papel de educador. A frase anunciava uma máxima: “Tudo, em suma, é sempre uma questão de educação”. Essa frase me fez pensar no quão é grande a responsabilidade do professor ou professora de Educação Infantil, o quanto que cada gesto, expressão, sorriso, olhar e postura influenciam na formação desse individuo que esboça os seus primeiros passos de vida. A criança, barro virgem, se modela e é modelada pela cultura a sua volta, aprendendo a amar, a pensar, a cair, a levantar, a sonhar e a voar, e é nessa relação do indivíduo com o meio que se constrói o sujeito, aquele ou aquela que brincará e numa mágica biológico-cultural se tornará adulto(a), ajudando a edificar com seu barro a sociedade que sonhamos. Se nós educadores ou educadoras sonhamos em construir uma sociedade consciente, crítica, ativa, igualitária e libertária, devemos começar desde já, olhando para nós mesmos, refletindo sobre nossa postura, pois o exemplo é o melhor dos conselhos. Para mim o maior mecanismo de transformação é o amor, aquele

que ao ver o erro, primeiro acolhe, fazendo do erro, como Paulo Freire sempre sonhou, um potencial de experiência construtiva. A criança ao sentir-se acolhida por seu professor ou professora, transita pelos caminhos da aprendizagem de forma mais leve, podendo observar seus erros, ajudada por aquela ou aquele que se mostra sua ou seu companheiro(a). Muitas vezes, ao vermos duas crianças em conflito e percebemos que uma está batendo na outra, acabamos nos identificando com a dor daquela que sofre e colocamos uma carga de violência naquela que supostamente está agredindo. Não pensamos que são crianças, que estão aprendendo a lidar com o mundo, com as frustrações, com suas ansiedades e com as dificuldades de comunicação em uma época onde tão logo aprenderam a falar. Tanto a criança que chora, quanto a que bate, merecem ser acolhidas em suas necessidades e mesmo a postura mais séria e firme, que às vezes se mostra necessária, deve conter em sua essência o olhar de compaixão, de berço, aquele que ajuda a encontrar o caminho e dá o colo para acalentar as dificuldades. Não devemos esquecer que somos adultos e a relação com a violência, que


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lá construímos nesses anos de maturidade, não deve ser transferida para a criança. A essência da educação está aí e sem diminuirmos sua importância, não adianta apenas estudarmos, aprendermos técnicas, teorias e metodologias, devemos lidar com cada experiência vivenciada pela criança com o mesmo carinho que o oleiro molda um jarro do barro mais fino e delicado, pois este vai ser preenchido aos poucos com a água da vida. Esse aspecto fundamental que devemos ter não se encontra em livros, não se escreve com tinta, bate no peito. Como educadores(as), profissão que deve estar repleta de ideais, devemos refletir profundamente, sobre quais os valores que queremos semear e cultivar, pois, educar, em suma, diria eu a Cecília Meireles, é uma prática de amor . Pablo Martins Carneiro | Professor do ciclo 5-A Matutino

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Notas Associativas 1 - Assembléia Em nossa última Assembléia Ordinária, tivemos a prestação de contas da gestão 20092010 e a eleição da nova Diretoria, do FAAP, dos Conselhos Pedagógico e Fiscal. Foi um momento muito importante para todos(as) os(as) associados(as): repleto de informações e novidades. Houve relatos emocionantes sobre as intenções da gestão anterior e os resultados do que se conseguiu fazer, com muito trabalho. Além disso, as ‘planilhas’ mostraram como conseguimos sanear antigas dívidas e explicar a necessidade de aumento de mensalidade, fundamental para honrar os compromissos trabalhistas, o cotidiano da escola e elevar os proventos dos(as) professores(as) e funcionários(as). Ficou clara a distinção entre os nossos desejos e anseios em relação a Vivendo e Aprendendo e o trabalho real para viabilizar a materialização do que se quer. Assim, nesse contexto de pluralidade de valores e de ideias, conseguimos reunir uma nova equipe para iniciar a transição para a gestão2010, tendo em mente não apenas o ambiente colaborativo, tolerante e democrático, mas também os resultados atingidos até agora e a necessidade de construir/ repactuar um conjunto enxuto de metas administrativas e conceituais.

Por aclamação, as novas instâncias foram eleitas pelos presentes: Composição:

Gestão 2010 / 2011 Diretoria Rodrigo Koblitz Carla Autuori Tatiana Maranhão Janara Assunção Fátima Vidal Paulo Vinícius

Conselho Pedagógico Fátima Vidal Christiano Gatti Luseni Aquino Paulo Vinícius Oliveira Masanori Ohashy Beronicy Farias Wilma Dutra lino Daniele Santiago Nazaré Picanço Alessandra Zacharias Tamine Rodrigues


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FAAP Janara Assunção Walbia Pessoa Luana Vilar Maia Desiderato Sandra Leão Moraes

Conselho Fiscal André Viana Antônio de Castro Gustvo Cavalcante Melissa Bueno

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Soltando a Língua f

Davi, ciclo 4 mat. Um visitante esteve na sala do ciclo 4 matutino para falar sobre antenas e uma das suas falas foi a seguinte: “nas nossas cabeças tem antenas”. O Davi Retrucou: “Não, o nosso cérebro é uma bola cheia de memória dentro!”

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Pedro Coelho, ciclo 4 mat. A Wilma, professora do ciclo 4 vespertino, entrou na sala do ciclo 4 matutino e Pedro Coelho perguntou: “Wilma, você mandou comprir o seu cabelo?”. A Wilma respondeu: “Meu cabelo tá comprido?”. Pedro Coelho: “É!”

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Cora e Tati No fim da manhã de sexta-feira, dia em que aconteceu a vertical da horta, Tati pergunta para a Cora: “O que você fez na escola hoje?”. E Cora responde: “Plantei garrafa!”

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Renato, ciclo 2A vesp. Nazaré perguntou: “Renato, o que você acha de trazer tomate cereja para a culinária?”. Renato: “Eu quero trazer só a cereja”

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Otávio (ciclo 3 matutino) e Janara (educadora ciclo 2 matutino) Janara está no banheiro da sala amarela auxiliando algumas crianças na escovação e escuta alguem chamando no banheiro da sala azul: “Janara, ô Janara!” Janara: Oi, quem é que tá falando aí desse lado? Otávio: é o Otávio! Janara: Oi Otávio, tudo bem por aí? Otávio: Eu tô fazendo cocô! Janara: A é? Que bom Otávio! Otávio: Um cocô bem fedido! Janara: Tô sentindo daqui...

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Marcos (ciclo 2 matutino), Janara e Tamine (educadoras do ciclo 2 matutino): Na roda de história, Tamine fala para Marcos jogar o band-aid fora. Janara, colocando os bilhetes na mochila, vê Marcos tentando arremessar um band-aid pela janela e diz: Janara: Marcos, joga lá no lixo! Marcos: Mas a Tamine disse para eu jogar fora!

Pequenas Notas N° 02 – Junho / 2010 • Coordenação Geral: Janara Assunção • Revisão Geral: Joana Goes • Diagramação: Marina Mendes da Rocha • Capa – Responsável: Adriana Pereira • Avaliação de Eventos – Responsável: Carolina Velho • Notas Associativas – Responsável: Diretoria • Coluna Livre – Responsáveis: Alessandra Zacharias, Clara Villar e Luana Villar • Soltando a Língua – Responsável: Carla Autuori

Associação Pró-Educação Vivendo e Aprendendo

Via L3 Norte quadra 604 (atrás do Clube Unidade de Vizinhança) CEP 70.840-040

(61) 3321 35 81 www.vivendoeaprendendo.org.br


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