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Fiquemos atentos para não nos iludirmos com a nova política da produção verde. É linda nos papéis, até gera certo benefício, que como sempre, é para uma minoria que envergonha e mantém a mediocridade que chamam de raça humana.

UMA DÉCADA PERDIDA PARA O PUNK NA GRANDE SP Por Treva Antes de qualquer coisa gostaria de dizer que esse texto não é uma tese ou algo do tipo, tampouco deve ser tomado como verdade absoluta. São conversas, observações e vivências (minhas e de outras pessoas) no punk durante esses anos e que serviram de inspiração para esse texto. É apenas o meu ponto de vista com base em lembranças desenterradas do fundo da memória e, por isso, plenamente não confiáveis. É sobre uma época do Movimento Punk na Grande SP e de como ele foi influenciado positiva e negativamente por questões extra rolê, influências que deixaram suas marcas até os dias de hoje. Para muita gente, a década de noventa até início dos dois mil foi marcada como “a volta do punk”. Desculpa decepcioná-los, mas esse papo me lembra da conversa do “gigante acordou”. Acordou para quem vivia de viagem, achando que isso aqui é uma democracia com padrão de vida norueguês, porque para quem sempre teve que lutar e resistir, o tal gigante nunca dormiu. A mesma lógica vale para o punk, já que ele nunca morreu nem desapareceu, sempre esteve nas ruas, nas quebradas, resistindo e existindo. Quem abraçou a ideia de “volta” foi a juventude mtv classe mé(r)dia que durante alguns meses quis ser rebelde, esquecendo que rebeldia e por consequência, rebelião, são sentimentos e atitudes que estão no sangue, que não são compradas em shopping center e pagas com cartão de crédito da mamãe ou do papai. E não podemos esquecer dxs oportunistas de plantão, que abraçaram a ideia para ter uma chance de faturar uns trocados em cima dessa nova galera. A virada da década de noventa para os dois mil foi marcada pelo início de uma intensa atividade política e contracultural. Extra rolê (extra rolê numas, porque política e ativismo estão intrinsecamente ligados ao punk), foi uma época de manifestações antiglobalização, dias de ação global, surgimento dxs primeirxs envolvidxs com o black bloc, ativismo, coletivos, ocupas, internet e no rolê, a vinda de bandas gringas para tocar no país, eventos todos os finais de semana, uma incrível quantidade de bandas surgindo, gravadoras, distros, coletivos, fanzines, ocupas e por aí vai. A soma de tudo isso fazia parecer que xs punks procuravam criar uma base sólida para um movimento realmente estruturado e político, nos moldes do que era visto/lido/ouvido falar sobre o movimento na gringa, mas que pouquíssimas pessoas tiveram a oportunidade de comprovar in loco. Mas a confusão começou uns anos antes. Com o sucesso que muitas bandas estadunidenses fizeram na primeira metade da década de noventa, uma leva de pessoas passou a curtir bandas punks, mas sem interesse no que elas cantavam ou no que representava o punk enquanto movimento político e contracultural. Para essas pessoas, a grande maioria oriunda da classe mé(r)dia, era apenas a música da moda, a chance de serem rebeldes sem causa. Como ainda não havia espaços para eventos em bairros centrais ou em horários aceitáveis para seus pais, essa juventude passou a fazer rolê em shopping center, principalmente em um muito conhecido na região central da cidade de São Paulo, para alegria de lojistas. Foi justamente nessa época que alguns vícios sociais que até então pouco conseguiram afetar o punk, tornaram-se presentes. Antes, quem se envolvia com o punk era porque detestava o mundo, as regras socialmente aceitas, as instituições, o sistema, a vida bovina que sempre foi oferecida como correta e única a ser vivida. Ser punk e viver o punk eram uma escolha, ainda

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Vivência Punk N° 3  

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