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O ano praticamente terminou e provavelmente não foi o que esperávamos. Depois da rebelião iniciada em junho/2013 até o final da copa, muitos sonhos surgiram e a maioria deles foi destroçada pela mão pesada do estado através do seu aparato repressivo/punitivo, com uso indiscriminado de violência, repressão e supressão de direitos. Ironicamente, no ano que se completam cinquenta anos do golpe militar e da instauração de uma violenta e covarde ditadura que mergulhou o país na escuridão, tivemos a oportunidade de conhecer e entender como funciona um estado autoritário e suas práticas terroristas. A trinca repressão/violência/punição foi o legado deixado para a população. O que muita gente sabia e avisava, mas que a maioria parecia não acreditar ou se importar, mostrou ser real e a democracia que a população acredita existir é nova e frágil, fácil de ser desrespeitada. O estado terrorista rasgou a constituição e sistematicamente violou direitos, amparado por um poder judiciário tendencioso e por forças repressivas preparadas para uma guerra, onde o inimigo era a população (ou parte dela). E a mídia suja fez o papel que lhe compete, distorcendo acontecimentos e criminalizando as diversas lutas populares. Fora isso, teve eleição, uma verdadeira diarreia que muita gente parece ter curtido e mergulhado no mar de matéria fecal líquida que é a política e, porque não dizer, a republiqueta. A fedentina tomou conta de todos os lugares, principalmente da internet, com uma cagação inédita e sem precedentes, onde as pessoas mostraram o que têm de mais nojento, provando que o ser humano é um erro. E os representantes das siglas criminosas políticas (independente de qual seja) continuam mostrando quem são, o que pensam, o que desejam e quem representam. Pior, demostram não se importar e nem temem a opinião pública, até porque sabem que opinião pública sozinha não produz mudança radical e que a dupla estado + mídia corporativa têm uma força incrível, com uma capacidade gigante de promover a lavagem cerebral, mantendo uma parcela da população em um estado de letargia sem fim. 2015 está se aproximando e com ele a possibilidade de novos ventos insurrecionais. E nós, punks, estaremos novamente participando de tudo o que acontecer nas diversas frentes de luta que existirem. E não nos esqueçamos da nossa própria luta, que é por uma existência coerente disso que insistimos em chamar de movimento. Que realmente seja um movimento combativo, inteligente, sensato como deveria ser, deixando de lado rusgas inúteis que só nos atrasam o lado. Paz entre punks, guerra ao estado.

Agradecimentos: Maria José (ser mãe é padecer no padecimento), Tamires, Vinicius Primo, Téu (Para Raio da Desgraça), Romulo “Boca de Anjo” Carlos (o primeiro zine a gente nunca esquece), Plebeus Urbanos, Fran (por ser uma referência de luta na área de assistência social, largar tudo e meter a cara para estudar em Sampa) e às pessoas que ainda acreditam na mudança e que no decorrer do tempo passam desapercebidxs por tantxs e que inspiram outrxs.

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“A única guerra justa é a revolução social.” Revista Frayhayt – NYC, 1918

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