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Matéria de Capa João Felipe Cândido

Divulgação

De pai para filho Moradores da região relatam a lição que aprenderam com seus pais e que pretendem deixar a seus filhos

P

ara o médico-psiquiatra, palestrante, escritor e colunista da revista Viva S/A Roberto Shinyashiki, muitas vezes os nossos pais têm um jeito diferente de dizer “eu te amo”. “O meu, por exemplo, dizia ‘eu te amo’ fazendo com que a família não passasse necessidades, como ele passou na sua infância. Outros pais dizem ‘eu te amo’ exigindo que os filhos sejam muito educados”, diz. Apresentamos um pequeno (e lindo) trecho do livro Pais & Filhos, Companheiros de Viagem (Editora Gente), escrito por Roberto Shinyashiki, sobre o nosso grande herói e amigo.

Há pouco tempo meu pai deixou o trem e, com sua partida, a dor mudou a maneira de fazermos a viagem. Mas o trem continuou. Quando juntos, cada um dos companheiros de viagem faz suas descobertas e procura passá-las para os outros, sabendo que a riqueza da luz se amplia quando é compartilhada. Pais e filhos, somente companheiros. Nem guias, nem professores, muito menos proprietários. Pais e filhos, o maior e mais belo encontro da vida, cúmplices no aprender a desvendar os mistérios de cada um; amigos nas transformações, pois este é um dos grandes segredos da vida: quase tudo é provisório!

Companheiros de viagem

Legado de um pai

Às vezes, imagino a vida como uma viagem de trem, feita com companheiros que a compartilham em determinados trechos. Quando nasci, entrei no trem em que estavam meus pais; eles já conheciam algumas coisas sobre a viagem e sobre o trem. Certamente parte de seus conhecimentos correspondia à verdade e outra parte não passava de ilusões. No meio da minha viagem nasceram meus filhos. A esta altura eu também já conhecia algumas coisas a respeito da viagem e do trem; igualmente, parte era verdadeira e parte não.

“Independentemente do jeito de seu pai amar você, pode ter certeza de que ele deseja o melhor para sua vida. Por isto, no próximo Dia dos Pais (11/8), olhe o seu velho bem firme nos olhos e abra o seu coração. E, se o seu pai não estiver mais nesta dimensão, separe alguns momentos para se lembrar dele e o agradeça em uma oração”, ressalta Shinyashiki. Convidamos alguns pais de nossa região para compartilharem conosco a lição que aprenderam com seus “heróis” e que agora ensinam aos seus filhos.

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Arquivo pessoal

“Sem dúvida alguma, o alicerce familiar foi o grande legado deixado pelo meu pai Durval Bacellar. Sempre transmiti aos meus filhos os valores que aprendi com ele, que são baseados em respeito e cumplicidade. Certamente são esses os ingredientes que fazem com que tenhamos sucesso em nossa empresa familiar. Trabalho junto com meus filhos e, durante o expediente, nada de ‘pai’ ou apelidos carinhosos; tratamo-nos pelo nome. Muitas vezes, fazemos nossa reunião de trabalho de pijama, à mesa do café-da-manhã de domingo, porém, todos procuram separar o trabalho de suas vidas pessoais. Toda a compreensão e harmonia que existem na vida em família são levadas ao trabalho. Família que trabalha unida permanece unida”. Alexandre Bacellar, proprietário da Bendita Hora Pai de Gustavo, Andrea e Gabriel

Augusto Galiano (Gutho), proprietário da GNG Engenharia e Lunare Iluminação Pai de Gabriel e Letícia

Arquivo pessoal

“Desde cedo aprendi com meu pai, Raphael Galiano, a ter caráter, personalidade, ser honesto, amar e dar valor à família e amigos, respeitando a todos; a buscar sempre fazer o bem e manter-me distante de drogas, brigas e confusões. Não abro mão de chegar em casa, abraçar e beijar meus filhos, de ter uma família unida. Deitar a cabeça no travesseiro e poder dormir de consciência limpa não tem preço. Os mesmos princípios aplico em meu trabalho, e por isto amo o que faço. Passo todos os fins de semana ao lado de meus filhos, esposa, família e amigos. Viajamos cerca de dez dias, duas vezes ao ano, e curtimos intensamente esse tempo. Procuro transmitir aos meus filhos as mesmas lições que aprendi com meus pais. O maior legado que posso deixar a eles é

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Arquivo pessoal

“Meu querido pai Heitor Pisati sempre me passou o conceito de família e da importância da união para a formação de cada filho. São exatamente estes mesmos valores que recebi dele e busco ensinar aos meus filhos. Com o Enzo, procuro determinar no meu dia o horário de saída do trabalho, para que possamos conviver no período da noite e jantarmos juntos. E também me empenho em estar presente em suas atividades. Já com o Luis Augusto, hoje casado, temos um contato de grande amizade e, sempre que possível, nos encontramos e trocamos experiências. Quero que ambos saibam a importância de uma família unida e que a felicidade está presente em pequenas coisas. Realmente, vale lutar pelo que amamos e desejamos”.

“A humildade, a honestidade e a dignidade foram os grandes valores deixados pelo meu pai, Célio de Moraes, que não está mais entre nós. Mesmo com uma agenda repleta de compromissos, sempre estive presente na vida dos meus filhos e nunca deixei de passear, viajar e participar de seu dia-a-dia. Comparecia às reuniões de pais e mestres e, na hora da bronca, era a minha vez de ir à escola (risos). Algumas pessoas ainda não sabem, mas eu já sou avô. Meu filho Wellington é pai de Yasmin, de 8 meses; minha filha Michele está grávida de meu neto Gabriel, que deve nascer no mês de setembro. Além de ser pai e agora avô, sempre serei amigo e irmão dos meus filhos. Quero que eles saibam da importância de ter as portas abertas em qualquer lugar e que andem sempre de cabeça erguida”. Cafu (Marcos Evangelista de Moraes), ex-jogador de futebol Pai de Michele, Danilo e Wellington

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Victor Silva

Augusto Pisati, pediatra Pai de Luiz Augusto e Enzo


César Filho, jornalista e apresentador de TV Pai de Luma e Luigi

Celso Portiolli, apresentador de TV Pai de Laura, Pedro Henrique e Luana

Elaine Mickely

Arquivo pessoal

“Um radialista de grande sucesso nos anos 1950 e 1960, assim foi marcada a vida de meu pai Reinaldo César. De infância muito humilde, ele não terminou sequer o primário. Cresceu em todos os sentidos da vida: escreveu um livro, radionovelas e programas de rádio. Foi meu grande ídolo e me deixou a lição de que nascemos com muitos talentos e virtudes. Independentemente de sua condição social, você pode aprender e evoluir sempre. Convivo o máximo possível cada fase dos meus filhos. Nas férias fazemos o roteiro juntos e transformamos esses dias em momentos únicos. Sempre rezo com eles antes de dormir e acredito que melhor do que falar é dar exemplos. Não é fácil. Tento ser exemplo para que eles, assim como aconteceu comigo, possam ter sempre os valores que aprendi e lhes ensino. Quero ter orgulho deles, e da mesma forma desejo que eles se orgulhem de mim. Sou um pai que os ama incondicionalmente e que vive para tentar fazê-los felizes. Nossos filhos serão nossos espelhos no futuro”.

“Meu pai, Hercílio Portiolli, foi um grande batalhador. Começou a trabalhar cedo como balconista e morreu sendo pecuarista e empresário. Com inúmeras dificuldades, educou e sustentou 12 filhos e nunca nos faltou nada. Aos 70 anos confessou que, depois de ajudar os filhos mais jovens, aproveitaria mais a vida; porém, não teve tempo. Por isto, faço questão de organizar minha agenda e compromissos priorizando a minha presença ao lado dos meus filhos. Meu pai deixou como lição a honestidade e a perseverança. A melhor parte do meu dia é chegar a casa e estar com a minha família. As mesmas lições que aprendi com o meu pai ensino aos meus filhos. Quero que cada um deles tenha uma meta, um objetivo e busque os seus sonhos. Eles acompanham minha luta, sabem que não é uma carreira fácil e que continuo batalhando. Quero que também lutem para conquistar aquilo que desejam e, para isso, precisarão ter muita força de vontade, determinação, foco e objetivo”.

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Arquivo pessoal

“A grande lição que meu pai Júlio deixou foi a bondade com todos, a liberdade e a confiança que depositou nos filhos. Entre os valores e lições que eu transmito aos meus filhos estão humildade, honestidade, senso de justiça e companheirismo. É importante resolver os problemas com calma e paciência. De segunda a sexta, preparo o café da manhã e o lanche, depois os levo para escola, sempre com uma saudação de boa aula e ‘te amo’. Quero que meus filhos sejam dedicados em tudo: nos estudos, na profissão, na família e que eles estejam sempre preparados para ajudar o próximo”.   Fábio Kohatsu, proprietário do Jankenpô Pai de Viviane Naomi e Fabricio Kenzo

Arquivo pessoal

“Por incrível que pareça, meu pai se chamava Sherlock Holmes Braz. Papai era surdo e, pode parecer ironia, nunca ouviu minha voz. Aprendi com ele a ser amigo dos amigos, pregar a humildade e seguir o nosso Pai maior, Deus! Com os meus filhos, quando trabalhava no Rio de Janeiro, morava num apartamento bem próximo ao deles. Estávamos sempre juntos. Hoje, morando em São Paulo, fica mais difícil. Mesmo em várias viagens, cobrindo Copas e Olimpíadas, eles estavam comigo. Na infância, na adolescência, fazia questão de levar e buscar nas festinhas. Bons tempos. Quero que eles sejam, antes de tudo, companheiros para todas as horas e bons profissionais, cada um em sua área. Nada de soberba, ao contrário, muita humildade, e saber dar a volta por cima, pois a vida é feita de altos e baixos. Lutar sempre para que sejam respeitados como pessoas e profissionais”.

Victor Silva

Fernando Vanucci, jornalista e apresentador de TV Pai de Fernando, Júlia e Frederico

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“Não tem como não ficar emocionado quando meu filho João Pedro afirma que sou um homem muito batalhador e seu grande exemplo. Procuro sempre tê-lo comigo, até mesmo nos momentos de trabalho. Há três meses ele me acompanhou numa reportagem em Jerusalém e, quando possível, vai ao estúdio durante as gravações. Moramos só eu e ele e nos damos muito bem. O maior ensinamento que vou deixar para meu filho consiste em demonstrar que o amor às pessoas deve valer mais que dinheiro, e que a prática da caridade o fará um homem do bem. Deixarei para ele o legado de que tudo é possível quando você faz da sua vida uma história de luta. Não quero deixar-lhe uma herança financeira. Essa é consequência. Vou deixar um baú lotado de boas lembranças dos nossos melhores momentos”. Geraldo Luís, jornalista e apresentador de TV Pai de João Pedro


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“Comecei a trabalhar aos 14 anos de idade e, desde então, meu pai, Sylvio Ramos Ribeiro, foi um exemplo de como tornar a vida uma escola. Ele era um homem que fazia de tudo um pouco, por isto aprendi muito com ele. Meu pai me ensinava sobre aquilo que eu não deveria fazer. Seus exemplos foram sempre práticos. Tudo o que aprendi com ele passei para minhas filhas. Elas aprenderam que aquilo que elas não poderiam me contar não estaria certo. Sabem que, por meio da família, da sabedoria, da amizade e do amor, podemos enfrentar qualquer dificuldade que possa surgir em nossas vidas. Acredito em um mundo melhor, onde seja possível perseverar da maneira mais correta possível. Quero apenas que elas estejam preparadas para não perderem nenhuma oportunidade na vida”. José Henrique Ramos Ribeiro, diretor do Fran’s Café Pai de Ana Gabriela e Bruna Maria

Arquivo pessoal

“O senhor Lásaro do Carmo, meu pai, sempre teve compromisso com o trabalho e dizia que ninguém chega a lugar algum sem a dedicação de uma vida toda. Aprendi com ele que ninguém é melhor que ninguém. A vaidade é o pecado mais comum entre os humanos e devemos ter cuidado com ela. Como os meus dois filhos são pequenos, muitos ensinamentos ainda serão transmitidos a eles, pois são verdades em que acredito muito: ética, respeito ao próximo, amor à família e muita dedicação a um objetivo de vida, que sempre deve terminar em ser feliz. O único objetivo realmente prazeroso que eles devem buscar na vida é a felicidade, independentemente dos laços financeiros. Quero deixar um legado para meus filhos baseado em educação, exemplo de respeito ao próximo, muita disciplina e dedicação em todas as causas que abraçarem, sejam elas profissionais ou pessoais. Que eles tenham consciência de que, na vida, sempre é melhor ajudar do que ser ajudado”. Lásaro do Carmo Jr., VP do Grupo Silvio Santos e CEO da Jequiti Cosméticos Pai de João Paulo e Lásaro Netto

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“Meu pai, conhecido como Sr. Baito, apelido de Benedito, era fumante e, um dia, meu irmão do meio (Acrísio), na época com uns 8 anos de idade, pegou um cigarro e levou à boca. Meu pai tirou o cigarro de sua mão e disse que fazia mal. Meu irmão perguntou: - ‘Se faz mal, por que você fuma?’ E meu sábio pai, daquele dia em diante, jamais colocou outro cigarro na boca. Por meio de atitudes e exemplos, ensino aos meus filhos as lições que aprendi com meu pai. É importante que eles saibam janconquistar amigos. Todos os dias tomamos o café da manhã e jan tamos juntos e, quando possível, almoçamos também. Sempre os levo para as aulas de tênis, inglês e, nos fins de semana, viajamos ou saímos juntos. Somos muito ligados, um não vive sem o outro. Meu verdadeiro desejo é que meus filhos sejam simples em atos, atitudes e que contemplem a vida. Para mim, este é o segredo do sucesso e da felicidade”.    

Victor Silva

Marco Camargo, apresentador de TV e produtor musical Pai de Theo, Enzo e Yann

“A maior lição que recebi de meu pai, Milton Meyer, foi lutar pelos ideais com correção, honestidade, valorizando sempre a harmonia no convívio familiar. Os valores que ele me deixou hoje são transmitidos às minhas filhas. Quero que elas possam ser felizes diante de suas escolhas e que construam a sua própria independência, valorizando sempre o amor e a educação”.

Arquivo pessoal

Milton Meyer Filho, VP da MPD Engenharia Pai de Mariana e Carolina

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Arquivo pessoal

“O meu pai João Martins me deixou uma grande lição: ser um homem de honra. E é exatamente isto que sempre ensinei aos meus três filhos, além de honestidade, educação e respeito pelo próximo. Atualmente, não tenho estado tanto ao lado de Ana e Nuno Filipe, que moram em São Paulo e que têm uma rotina muito complicada em seus trabalhos e viagens. Tentamos compensar nos fins de semana, almoçando ou jantando sempre juntos. Acredito que já lhes tenha legado o mais importante: os valores que mencionei. Não tenho dúvida de que os meus filhos são educados, honrados, honestos, trabalhadores e respeitadores. Estou tranquilo quanto a isto. Este é um tesouro que herdei do meu pai e sei que já passei a eles”.

“Do meu pai Oswaldo Emílio Grassi, vou levar a imagem do homem trabalhador que batalhou para construir uma vida ao lado de sua esposa e seus três filhos, e que fez de tudo pela felicidade da família sem medir esforços. Tenho certeza de que o caráter e a honestidade são a base de todo relacionamento. Ao chegar a casa, procuro brincar com meus filhos o máximo que o tempo nos permitir. Hoje, com a idade deles, posso conversar sobre diversos assuntos, ouvir suas his-tórias, e jantar juntos. Os fins de semana na praia são valiosos e é um privilégio poder desfrutar desses momentos. Além de ensinar o que aprendi com meu pai, sempre irei ressaltar a importância do estudo e do trabalho, o respeito pela família e proporcionar a eles oportunidades para conquistarem seu espaço. Nossos filhos são nossas vidas, e por eles temos que zelar sempre”. Sérgio Marcos de Souza Grassi, proprietário da HVille Pai de Rafael e Gabriel

Arquivo pessoal

Nuno Mindelis, músico Pai de Ana Carolina, Nuno Filipe e André Bernardo

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146 | Revista Viva S/A | Julho 2013