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W W W.V I VA - P O R T O . P T

Revista gratuita trimestral, junho 2015

MARIA MOTA

Excelência científica no feminino

SANTOS POPULARES Festas de alma e tradição

PALÁCIO DA BOLSA

“Jóia” arquitetónica do Porto


E D I T O R I A L

Obras adiadas A má notícia confirmou-se... A Câmara do Porto não vai requalificar o troço da Avenida da Boavista situado entre a rua O Primeiro de Janeiro e o Parque da Cidade, na extensão de 2,3 quilómetros, concluindo apenas a empreitada lançada pelo anterior executivo liderado por Rui Rio. Ou seja, o atual executivo limitou-se a cumprir os planos de Rui Rio para a avenida, com as verbas que o ex-autarca deixou disponíveis, cerca de cinco milhões de euros, deixando mais de metade da via por requalificar. Estão a decorrer as últimas fases das obras adjudicadas, entre as ruas de António Cardoso e O Primeiro de Janeiro, não estando previsto, nos próximos tempos, lançar o concurso que permitiria deixar toda a avenida requalificada. Fica por fazer a obra entre António Aroso [junto ao Parque da Cidade] e João Grave/O Primeiro de Janeiro, não estando previsto qualquer recomeço da obra nos próximos tempos. Com esta decisão, depois dos próximos cinco meses de obra, a mais longa artéria da cidade vai ficar por recuperar em quase metade da sua extensão, numa área intermédia entre a zona nascente e a poente, que abrange o acesso à avenida Marechal Gomes da Costa, junto ao Museu de Serralves. Juntas, as zonas nascente e poente totalizam 2,5 quilómetros, ao passo que a área que vai ficar com obras por fazer abrange 2,3 quilómetros. Quando chegou à autarquia, o atual presidente, Rui Moreira, encontrou adjudicada a obra, de cinco milhões de euros, relativa às seis fases de requalificação do troço nascente, entre a Praça Mouzinho de Albuquerque (conhecida como rotunda da Boavista) e a rua O Primeiro de Janeiro (cerca de 1,1 quilómetros). As obras naquela zona da avenida estavam já em curso e o atual executivo deu-lhes continuidade, tendo terminado, recentemente, a terceira e quarta fases da empreitada, entre as ruas de Agramonte e António Cardoso. Entretanto, o presidente da Câmara do Porto admitiu “completar a requalificação” da avenida da Boavista, se a obra em curso na parte nascente daquela artéria receber fundos comunitários. “Se não houver candidatura aprovada, não prevejo, neste mandato, lançar novas obras na avenida da Boavista”, frisou Rui Moreira, referindo-se aos 2,3 quilómetros daquela artéria (entre o acesso ao estádio do Bessa e o Parque da Cidade) cuja empreitada não foi adjudicada pelo anterior executivo. O autarca explicou ter candidatado a fundos comunitários a obra “de cinco milhões de euros” em execução na parte nascente da avenida, o que pode permitir um reembolso de “cerca de três milhões de euros”. Apenas com este dinheiro Rui Moreira admite avançar para a requalificação do troço em falta, que corresponde a quase metade da artéria e a uma intervenção de “10 milhões de euros”. “Esta parte do projeto não está planeada, a não ser se houver uma porta aberta pelo overbooking. Mas o overbooking é uma lotaria neste momento”, observou, alertando estar em causa “um montante muito significativo no orçamento municipal”. Rui Moreira recorda que, quando chegou à Câmara, em outubro de 2013, “o concurso da empreitada para o troço nascente estava lançado” e a obra “tem sido levada a cabo” de acordo com o que “estava agendado”. “O custo total da empreitada é de cinco milhões de euros, que correspondem ao investimento feito nos últimos 10 anos”, destacou o autarca. Rui Moreira reconhece que “a avenida precisa, toda ela, de ser requalificada”, mas alerta que tal tem de ser feito “em função dos recursos disponíveis”.

José Alberto Magalhães Diretor de Informação REVISTAVIVA, JUNHO 2015


S U M Á R I O

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PERFIL MARIA MANUEL MOTA

C A S A D O I N FA N T E VIAJAR NO TEMPO AO LADO DO NAVEGADOR

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D E S TA Q U E FESTAS DE ALMA E TRADIÇÃO

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L E N DA S CASA DE CHÁ DA BOA NOVA

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A SABER REGIÃO DE ‘PORTAS’ ABERTAS

PRIMEIRO PLANO HELDER GUIMARÃES

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FC PORTO E VÃO SETE!

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DESCOBRIR A FEIRA DO POVO NUM TERRAÇO SOBRE O DOURO


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ÍNDICE 003 EDITORIAL 026 CCDR-N 042 M ÁQ U I N A D O T E M P O 047 PORTOFÓLIO 048 EDP GÁS 057 CIN 066 NOITE & DIA 076 PORTO CANAL 080 MÚSICA 082 À MESA COM... 084 M E T R O P O L I S - M AT O S I N H O S 088 SEBASTIANAS 2015 092 M E T R O P O L I S - U F A L D OA R / FOZ/NEVOGILDE 096 M E T R O P O L I S - PA R A N H O S 098 HUMOR

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Excelência

científica no

feminino

ADORA UMA BOA CONVERSA, VIBRA COM AS REUNIÕES NO LABORATÓRIO E ENCARA O SEU MODO DE VIDA – SER CIENTISTA – COMO UM PRIVILÉGIO, PELO PRAZER DOS MOMENTOS EM QUE, APÓS MESES OU ANOS DE TRABALHO, CONSEGUE RESPONDER ÀS PERGUNTAS QUE LHE INVADEM A MENTE, EM JEITO DE PROVOCAÇÃO. DESPACHADA E RIGOROSA, MARIA MANUEL MOTA VENCEU O PRÉMIO PESSOA 2013 PELA DEDICAÇÃO DE ANOS AO ESTUDO DO PARASITA DA MALÁRIA. MAS A HISTÓRIA DA ESPECIALISTA, NATURAL DE VILA NOVA DE GAIA, NÃO VAI FICAR POR AQUI. HÁ NOVOS DADOS DE INVESTIGAÇÃO A CAMINHO E MUITA VONTADE DE ASSEGURAR A EXCELÊNCIA DE UM SETOR “QUE É DE TODOS E PARA TODOS”. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Rui Oliveira

equipa que orienta e do trabalho Não são precisos mais do que desenvolvido, de corpo e alma, alguns minutos de conversa para perceber que a incontro- com uma paixão que parece renovar-se a cada segundo. lável sede de descoberta talvez tenha sido o passaporte que le- “No fundo, ser cientista é quase uma forma de estar no mundo”, vou Maria Manuel Mota a entrar constatou, reconhecendo que foi para a história do Prémio Pessoa exatamente essa entrega total como a mais jovem vencedora do ao prazer de descobrir que a galardão, em 2013, ainda com 41 anos. Sentada no seu gabinete – conquistou. Dinamismo, proatividade e inquietação são, ascuja porta raramente se fecha – a sim, algumas características que diretora executiva do Instituto de Medicina Molecular (IMM), amigos e professores sempre teimaram em carimbar-lhe no situado no campus da Faculdade currículo. “Sou muito apressada de Medicina da Universidade de em tudo o que faço. Agora, com Lisboa, é considerada uma das 44 anos, estou mais calma, mas maiores autoridades mundiais as pessoas sempre me disseram no estudo da malária e fala da

que parece que a vida é que corre atrás de mim”, confessou. Talvez por isso é que, na festa de aniversário que o marido lhe preparou, aos 40 anos, Maria – que ainda não havia refletido sobre o assunto – tenha percebido, com algum sobressalto, que, na ausência de percalços de maior, o mais provável é que ainda tenha uma ‘corrida’ de aproximadamente quatro décadas pela frente. “Meus Deus, não sei se aguento mais 40 anos!”, afirmou, bem disposta, quase como quem explica que, viver assim, tão dedicada e intensamente, dá algum trabalho.


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Do Porto para o mundo de Sousa, que a então jovem estu- o doutoramento – dedicado ao De sorriso fácil e olhar atento, é dante teve o “privilégio” de lidar estudo do plasmodium, o parasita com pragmatismo que a especia- diariamente com cientistas de da malária. lista em malária reconhece que, todo o mundo, chamados a lecio- Concluído mais um ciclo de fornos tempos da universidade, não nar na universidade ao longo de mação, a cientista considerou que fazia “a mínima ideia” do que era alguns meses. “O entusiasmo de- o “mais natural” seria avançar ser investigadora. Ainda assim, fo- les atraiu-me imenso”, confessou, para um pós-doc (experiência ram alguns momentos vividos du- adiantando que, na sequência de pós-doutoral). “Surgiu uma oferta rante a formação académica, no um dos módulos apresentados – num laboratório de malária fannorte do país, que lhe mostraram dedicado a parasitas e à infeção tástico que eu tinha imensa curioo caminho a seguir. Terminada a – surgiu a oportunidade de passar sidade de conhecer e que vinha licenciatura em Biologia (1992) dois meses em Londres, numa na ‘Nature’. Candidatei-me, fui a pela Faculdade de Ciências da experiência prática ainda inte- uma entrevista e acabei por ficar”, Universidade do Porto, Maria Ma- grada no mestrado. Com 22 anos, contou. Os três anos seguintes nuel Mota, natural de Vila Nova de experienciou, assim, “os melhores foram, então, passados nos EUA, Gaia, aventurou-se num mestrado meses” da sua vida, a trabalhar na New York University Medical em Imunologia, no Instituto de a tempo inteiro num laboratório, Center, na qual também lecionou. Ciências Biomédicas Abel Salazar com todos os momentos de re- E, uma vez mais, a atitude de (ICBAS), deixando-se conquistar flexão, discussão e descoberta Maria voltaria a surpreender os pelo fascínio da ciência. que lhe estão associados. “No colegas, nomeadamente o seu “A minha primeira experiência final, lembro-me perfeitamente mentor, Vitor Nussenzweig, que, laboratorial foi exatamente no de chorar na viagem de avião na altura com 71 anos, confesICBAS, através de uma pergunta de regresso ao Porto porque sa- sou nunca ter tido uma aluna tão muito simples colocada pelos bia que era exatamente aquilo “impressionantemente criativa”, professores Artur Águas e Antó- que queria fazer o resto da vida”, que o ‘bombardeasse’ com “200 nio Sousa Pereira. Foi a primeira contou. A dar provas do incon- ideias”, como se fosse “um foguevez que percebi o conceito de formismo que lhe é reconhecido, te”. A experiência do “pós-doc” colocar uma hipótese e testá-la”, acabou por conquistar uma bolsa viria a marcar irremediavelmente recordou. E foi também durante o e voltar a Londres, onde perma- o percurso da investigadora, que mestrado, coordenado por Maria neceu mais quatro anos, durante testemunhou, nesse período, o


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“No fundo, ser cientista é quase uma forma de estar no mundo”. seu primeiro momento “uau!”, num estudo que agitaria a investigação a nível mundial. A primeira descoberta e as novidades que se avizinham Entre as várias descobertas que teve oportunidade de fazer, há uma que, para Maria Manuel Mota, adquire um destaque especial, por ter aberto um campo de trabalho completamente novo. “Foi quando mostrei, durante o pós-doc, o parasita, que é transmitido pelo mosquito, a atravessar células. Pensava-se que o plasmodium chegava a uma célula e se fixava nela, mas não, ele tem a capacidade de atravessá-las até chegar àquela que pretende”, resumiu, explicando tratar-se de uma “capacidade fantástica”, que lhe permite chegar ao fígado. Com a nova informação, cientistas de todo o mundo alteraram a sua perceção da forma como o parasita se estabelece no ser humano, redirecionando a pesquisa para novos medicamentos. A partir de então, outras questões foram

surgindo no seu dia a dia, mesmo ser humano, aspeto que, notou, depois de voltar a Portugal, em “pode ter implicações na forma 2002, com o marido, profissio- como controlamos a malária”. nal da mesma área. “Já fomos E como ainda não se cansou do para Nova Iorque com a ideia de plasmodium, com o qual mantém regressar, mas obviamente que uma “relação de simbiose”, a resisso não teria acontecido se não ponsável da Unidade de Malária tivéssemos condições cá para do IMM promete mais novidades trabalhar, oferecidas inicialmen- para breve. “Até agora, temos te pelo Instituto Gulbenkian da estudado a forma como o ser Ciência e depois pelo IMM”, referiu. humano responde à presença Entretanto, já em equipa, Maria do parasita. Neste momento, esManuel Mota continuou a dar tamos muito entusiasmados com cartas na investigação. Em 2014, o modo como o ambiente afeta por exemplo, as suas pesquisas tudo isto, porque sabemos que, “acabaram com um dogma que num dia, a pessoa está em sítios havia no campo”: o de que a pre- de calor, noutro dia de frio, às sença do parasita no fígado (fase vezes come mais, outras vezes silenciosa da infeção) não causa menos”, explicou, adiantando que sintomas nem é reconhecida pelo a equipa tem em mãos “uma deshospedeiro. “O que mostrámos, coberta muito interessante”, ainda num artigo publicado na ‘Nature no segredo dos deuses. “Após o Medicine’, é que o parasita é dete- momento ‘uau!’ há vários meses tado, só que tem formas de tentar de confirmações para termos a evitar a resposta que o hospedeiro certeza de que não se trata de monta contra ele”, esclareceu. A um artefacto. Mas posso dizer descoberta levou, então, os inves- que, dependendo daquilo que se tigadores a tentarem descodificar come, provavelmente a infeção a forma como o plasmodium ‘ilu- vai ser diferente”, revelou, com o de’ essas respostas criadas pelo entusiasmo estampado no rosto. REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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“O sucesso de Portugal passa por apostar na educação e na ciência” Apesar de reconhecer que os EUA são o local “onde é mais entusiasmante fazer ciência”, Maria Manuel Mota não deixa de sublinhar que, há 13 anos, quando voltou do continente americano, a ciência vivia “um período fantástico no nosso país”. “Estavam a regressar imensas pessoas da minha geração e começava a haver um ambiente muito jovem e a ideia de alavancar a ciência em Portugal”, ilustrou, explicando ser essa a razão pela qual nunca se arrependeu da decisão tomada, juntamente com o marido. Ainda assim – prosseguiu – se a adrenalina de “criar algo novo” é “extremamente estimulante”, há sempre o lado negativo de um setor “ainda sem alicerces estáveis” e que, em momentos de crise, acaba por “abanar mais

do que seria expectável”. E desenganem-se os que consideram que ser investigador exige apenas uma capacidade de análise brilhante e um laboratório com todos os meios necessários. Há que conseguir financiamento de governantes, instituições e mecenas. O dinheiro dos prémios conquistados – em 2004, por exemplo, Maria foi distinguida internacionalmente com o “European Young Investigator Award”, no valor de um milhão de euros – são lufadas de ar fresco para as equipas, que podem, assim, continuar os seus estudos. Mas há muito trabalho envolvido na preparação de candidaturas a fundos, que obrigam os investigadores a debruçar-se num projeto às vezes ao longo de meses. “Aquilo tem de estar na nossa cabeça dia e noite. É assim a vida de cientista. A perseverança é fundamental”, notou. Pela experiência adquirida

nos últimos anos, a responsável considera que o discurso político português “é muito no sentido de que a ciência é um pilar necessário à sociedade”, quando, “na prática”, tudo é “mais relativo”. “Há restrições em todas as áreas, mas tudo depende das prioridades da sociedade e dos governantes”, notou, defendendo acreditar “profundamente que o sucesso de Portugal passa por apostar na educação e na ciência”. “São dois pilares fundamentais para podermos progredir e sair deste ciclo vicioso, de altos e baixos constantes”, sustentou. Em 2013, um telefonema inesperado de Francisco Pinto Balsemão confrontou a especialista com a conquista do Prémio Pessoa, galardão instituído em 1987 pelo Expresso e pela Caixa Geral de Depósitos para distinguir (com 60 mil euros) uma figura que se tenha destacado na vida científica, artística ou literária. “Pensei logo: ‘tão nova, com 41 anos, o que é que esperam exatamente de mim?’”, afirmou, reconhecendo que o pânico inicial foi dando lugar ao orgulho e à responsabilidade de continuar a lutar pela excelência. Instada pela organização do prémio a manter o sigilo, Maria acordou, no dia seguinte – para o qual estava agendada a festa dos dez anos do IMM, em que assumiria o cargo de diretora executiva – e foi, tranquilamente, ao cabeleireiro. Só duas horas mais tarde, quando reparou nas 22 mensagens que tinha no telemóvel, e, já no laboratório, com os telefones em alvoroço, é que teve a real perceção da distinção assegurada. “A diretora de comunicação veio logo dizer-me ‘Maria, devias ter-me dito logo! Não preparei


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nada!’ e eu só respondi que não achava que isto fosse ser assim”, confessou. Hoje, ao recordar o momento, conclui que o prémio veio apenas intensificar a sua ânsia de chegar mais além. A investigação “fez-me aprender a falhar” Integrada numa equipa de 15 pessoas – entre portugueses e estrangeiros das mais diversas áreas – a especialista não sabe trabalhar sem expressar o seu entusiasmo constante. “[Os investigadores] veem-me tão animada que se convencem de que aquela é a hipótese correta, mas a experiência que fazem no dia seguinte mostra que, afinal, não”, descreve, entre gargalhadas, reconhecendo, contudo, que só assim é possível orientar pessoas que, por vezes, levam anos a arranjar uma explicação para determinada observação. De resto, persistência, rigor e muita criatividade são os ingredientes valorizados pela cientista. “Gosto de ver nos olhos das pessoas o entusiasmo

e a vontade de trabalhar”, realçou. Não será, portanto, de estranhar que esta mulher “foguete” não aprecie particularmente o arrastar de pés, pouco dinâmico, de um ou outro aluno novo do laboratório. Numa espécie de retrospetiva à sua carreira, reconhece que foi aprendendo a ser “mais racional” e “modesta”, ainda que não “falsa modesta”. Além disso, atribui à ciência o facto de ter aprendido a saber falhar. Mãe de duas meninas (de 8 e 12 anos), Maria Manuel Mota sente-se bem no Porto, onde continua a visitar a família, mas não é uma pessoa saudosista. “Já nem sei bem de onde sou. Vivi 21 anos no norte, vivo há 12/13 em Lisboa e passei alguns anos em Londres e Nova Iorque”, contabilizou, apontando a cidade americana como o seu local de eleição. Dos primeiros anos de vida guarda, essencialmente, o convívio com os amigos. “Tive uma educação quase militar e, por isso, não tenho recordações de estar, por exemplo, a brincar na rua, apesar de ter nascido na Madalena. Recordo a

minha escola primária e depois a secundária, que era em Valadares e que adorei. Fiz lá ótimos amigos. Também tenho imensas recordações das férias que passava numa aldeia no Douro, na casa dos meus avós”, enumerou. E no ‘livro das memórias’ constam ainda as conversas tardias e os momentos de diversão passados, por exemplo, na discoteca “17”, em Paços de Ferreira, onde vivia a avó de uma das amigas. Mas talvez por pertencer mais ao mundo do que a algum local em particular não consiga estabelecer diferenças significativas entre pessoas de diferentes países ou cidades. “Para mim, é mais difícil trabalhar com ingleses porque não é fácil perceber o que eles sentem e pensam (…). Mas, no final, quando conhecemos as pessoas, a verdade é que somos parecidos. E, portanto, não acho que lisboetas e portuenses sejam diferentes. Na essência, somos todos pessoas”, defendeu, admitindo que, nas cidades maiores, o distanciamento entre cidadãos é superior. Nos tempos livres, além das saídas com amigos, não prescinde de ler um pouco de tudo, “desde revistas como ‘Vogue’ e ‘Vanity Fair’ a um bom best-seller”, e de ver filmes sobre pessoas “que viveram de uma forma diferente”. Explorar o sudoeste asiático é um dos desejos da cientista, que não teme a morte mas receia “ficar azeda” com a idade. Todavia, pensando bem no jogo de hipóteses da vida, “não é assim tão grande a probabilidade disso acontecer”, arriscou, deixando transparecer, uma vez mais, a esperança que a move a cada dia.


D E S T A Q U E

Festas de e alma tradição RELIGIOSAS OU DE ORIGEM PAGÃ, SALPICAM OS CÉUS DE FOGO DE ARTIFÍCIO E ARRASTAM MULTIDÕES PARA AS RUAS DAS CIDADES, ONDE NINGUÉM CONSEGUE FICAR INDIFERENTE A AROMAS E SABORES. AS FESTAS POPULARES ESTENDEM-SE AO LONGO DO VERÃO, MAS JUNHO É, POR EXCELÊNCIA, O MÊS DOS GRANDES ARRAIAIS, COM A TRADICIONAL FOLIA DAS NOITES DE SANTO ANTÓNIO, SÃO JOÃO E SÃO PEDRO. DEPOIS DE TER ASSINALADO, RECENTEMENTE, AS FESTIVIDADES DO SENHOR DE MATOSINHOS (E ANTES DE A ANIMAÇÃO REGRESSAR, POR EXEMPLO, A S. MAMEDE DE INFESTA, EM SETEMBRO, COM AS FESTAS DE SANTO ANTÓNIO DO TELHEIRO), O CALENDÁRIO DAS ROMARIAS DO NORTE DO PAÍS EVIDENCIA A PROXIMIDADE DE TRÊS DOS SEUS MAIS IMPORTANTES MOMENTOS: O DO SÃO JOÃO, NO PORTO, O DA FESTA DA BUGIADA, NA VILA DE SOBRADO (EM VALONGO), E O DO SÃO PEDRO DA AFURADA, EM VILA NOVA DE GAIA. TUDO ESTÁ, ASSIM, A POSTOS PARA QUE, UMA VEZ MAIS, A TRADIÇÃO SEJA A RAINHA DO ESPÍRITO POPULAR. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Rui Oliveira

RECUPERAR O SÃO JOÃO “DA CIDADE PROFUNDA” Ainda que a Igreja a tenha ‘cristianizado’ – associando-a ao nascimento de São João Batista – o São João é, segundo recordou o cronista Hélder Pacheco, “a grande festa pagã que comemora o solstício de verão”, celebrando a fertilidade e a alegria das colheitas. Mobilizava, tradicionalmente, os vários bairros da cidade, especialmente os da Ribeira, Fontainhas e Miragaia, onde na noite de 23 para 24 de junho não poderiam faltar o

alho-porro, os ramos de cidreira, os balões de ar quente e os manjericos, com as suas quadras amorosas. Hoje, a noite “mais longa do ano” continua a atrair multidões, juntando cerca de 500 mil pessoas nas ruas da cidade, numa celebração que, não sendo “pior nem melhor” do que a de antigamente, é, necessariamente, “diferente”. “Deixou de ser repartida por mil comunidades”, notou o escritor, reconhecendo que, atualmente, a festa “está muito concentrada entre a Ribeira e a Foz”. Diferenças que associa à “morte da cidade profunda, das gentes, dos bairros, das

comunidades, das ilhas, dos largos cheios de gente, dos operários”. “No Campo Pequeno – que os idiotas batizaram de Largo da Maternidade Júlio Dinis – havia um arraial enorme. No Largo Ator Dias estava sempre um mar de gente. Não quero dizer que o passado fosse melhor. Mas a cidade profunda era mais humanizada, era das pessoas”, sublinhou, relembrando, saudoso, os incontornáveis passeios dados com o pai por algumas das cascatas sanjoaninas, nomeadamente a dos antigos armazéns Lã Maria, situados na Rua Formosa, agora em ruínas. Ir às Fontainhas era outro “ritual” de que o portuense não prescindia. E assumindo que aquele bairro é, efetivamente, um dos locais mais associados à vivência genuína


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do São João, a Câmara do Porto decidiu, este ano, transformá-lo no epicentro da festividade, sendo o palco do arranque e da conclusão das festas. Independentemente das diferenças em termos de celebração, a verdade é que este continua a ser “um dos momentos mais importantes do ano”. “É a festa mais emblemática da cidade, onde toda a gente se junta na rua para festejar o Porto. E, para mim, não há nada mais bonito do que isso”, reconheceu Teresa Castro Viana, portuense de 24 anos que não abre mão de se juntar ao espírito da romaria. As memórias mais antigas que guarda da festividade incluem toda a família, mas acredita que o gosto pela festa popular lhe foi transmitido pelo pai. “Gosto

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RUI VELOSO, ZAMBUJO E JOSÉ CID ATUAM NOS ALIADOS Este ano, as Fontainhas vão ter um palco inteiramente dedicado à música popular portuguesa, onde atuará, por exemplo, a Banda Lusa (na noite de São João). De 19 a 23 de junho, às 22h00, estão de regresso aos Aliados os Concertos na Avenida, com um cartaz que inclui os D.A.M.A (dia 19), Rui Veloso (20), Deolinda (21), António Zambujo (22) e José Cid, na grande noite, já depois do tradicional fogo de artifício. Agendado para a tarde de 24 está o Concerto de São João, no Palácio de Cristal, seguido da 31.ª Regata de Barcos Rabelos, com partida no Cabedelo e chegada à ponte Luís I. A encerrar as seis semanas de festa estão as Rusgas de São João, com o desfile a partir do Terreiro da Sé e a seguir em direção às Fontainhas. da alegria das pessoas, de ver toda a gente feliz, a viver a cidade ao máximo. E gosto muito dos bailes, dos comes e bebes e, principalmente, desta facilidade que os portuenses têm de se divertir”, sublinhou, defendendo que é impossível prescindir do martelo, da roupa confortável, das sardinhas, febras, cervejas e, claro, dos amigos. “A festa só fica completa com eles”, garantiu, adiantando que, este ano, está a pensar “seguir a tradição” e terminar o São João na praia, ao

nascer do sol. A comemoração de Hélder Pacheco é já “mais pacata”, mas há um ritual que o cronista não consegue (nem quer!) abandonar: o de comer torradas com café, à meia-noite. Segundo recordou, esse petisco e o cabrito ou anho com batatas (que as donas de casa levavam, de madrugada, para assar nos fornos quentes das padarias) são as verdadeiras tradições gastronómicas da festa, à qual se viriam a juntar, mais tarde, as sardinhas. REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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BUGIADA: UMA TRADIÇÃO PRESENTE NO ADN DE SOBRADO Com o orgulho refletido nas máscaras que preparam com paixão, os habitantes de Sobrado, em Valongo, assinalam o São João com a Festa da Bugiada, Património Cultural de Interesse Municipal. Trata-se de uma das tradições festivas mais antigas do país, transmitida entre gerações e caracterizada, genericamente, pela luta entre o Bem e o Mal, travada por Bugios (cristãos) e Mourisqueiros (mouros). A lenda, bem viva junto daqueles que a testemunham, remonta ao tempo em que os árabes ocuparam parte da Península Ibérica. Na Serra de Santa Justa existia uma tribo moura dedicada à exploração de ouro. Certo dia, a filha do rei mouro (Reimoeiro) adoeceu gravemente, não apresentando melhoras face aos esforços dos curandeiros. Foi então que se ouviu falar de uma tribo cristã (bugios), que habitava lá perto (em Sobrado) e que tinha uma imagem milagrosa

(de São João) que havia curado muitas pessoas. Em desespero, o Reimoeiro decidiu pedir a imagem emprestada aos cristãos, que acederam ao pedido. Já com a princesa moura curada, o rei organizou um grande almoço em honra de São João, mas recusou devolver a imagem do santo. Além disso, em jeito de afronta, ofereceu aos bugios os restos da refeição, gerando um clima de guerra. Trocaram-se ameaças e o Reimoeiro reuniu

o exército e tomou de assalto o castelo cristão, prendendo o Velho (Rei dos Bugios). No dia 24 de junho, várias dezenas de milhares de pessoas afluem, então, à vila de Sobrado para assistir à recriação deste confronto, que acaba com a ‘vitória’ cristã, depois de os bugios terem surgido, entre a multidão, com uma enorme peça de artilharia, assustando os mouros (que libertaram o Velho e entregaram a imagem milagrosa).


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Domingos Marujo, de 55 anos, conhece como ninguém ‘os dois lados da moeda’. Antes de casar, vestia a pele de mourisqueiro (por tradição, rapazes solteiros), tendo passado, depois, a alinhar junto dos bugios. Incutiu nos filhos “o bicho do São João” e é por isso que Carina Marujo, de 28 anos, sabe que só faltou à festa “três anos, por motivos de trabalho”. Celebrar o São João fora de Sobrado é, assim, “impensável”. “O meu irmão vai

de bugio desde tenra idade e eu também já fui alguns anos”, contou a filha de Domingos, explicando que os mourisqueiros envergam algo semelhante a um traje militar (e ainda uma barretina com plumas e um espadachim) e os bugios vestem um fato de veludo com cores garridas, usando chapéu de palha, máscaras e castanholas. Segundo frisou Manuel Pinto, membro da Associação da Casa do Bugio, a festa desenrola-se

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durante todo o dia, mas entre os momentos mais importantes estão o jantar, pelas 9h30, na sede da associação (sim, o jantar é logo pela manhã); a procissão, às 11h30; as Danças de Entrada, às 12h30, e o Combate e Prisão do Velho, às 19 horas. Para Carina e Domingos Marujo, toda a celebração é especial. “Adoro sair de casa de manhã cedo e ouvir os guizos das fardas dos bugios. Acho que há expectativa e muita energia no ar. As ruas REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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enchem-se de gente à procura do melhor lugar para assistir à festa”, contou a jovem. E, segundo Manuel Pinto, além de atrair pessoas dos concelhos limítrofes, a Bugiada e Mouriscada, “pelo seu lado exótico e raro”, desperta enorme curiosidade e interesse, nomeadamente de repórteres e estudiosos nacionais e estrangeiros, que sentem necessidade de regressar a Sobrado para assimilarem melhor esta tradição “tão rica e complexa”. Palavras que Domingos confirma: “quem vem à festa pela primeira vez fica arrebatado e acaba por voltar”. CELEBRAR O REENCONTRO FAMILIAR E AS MARÉS REPLETAS DE PEIXE Dias depois do São João, a 29 de junho, São Pedro da Afurada,


F E STA S P O P U LA R E S

em Vila Nova de Gaia, também sai à rua para homenagear o seu santo padroeiro, numa atmosfera de “hospitalidade e alegria”, pincelada pelo tão típico aroma da sardinha assada e dos pimentos na brasa. “O São Pedro é a festa mais importante para os afuradenses, é o natal deles!”, garantiu Sónia Tavares, de 38 anos, também ela natural da vila piscatória, berço de gente de grande devoção. Só se lembra de ter faltado uma vez à celebração, por razões profissionais, não conseguindo evitar “o vazio” de ter de virar a página do calendário sem a emoção do momento mais esperado do ano. Já por isso é que, agora em 2015, não há margem para erro. “As minhas férias estão marcadas para essa semana”, contou, acrescentando que o

grupo de amigos também já está ‘mobilizado’ para se juntar à animação. A emoção do reencontro familiar é um dos ingredientes especiais da festa. “É nesta altura que a família se reúne e se matam as saudades. Exibe-se a roupa mais bonita, as ruas ficam enfeitadas, as pessoas mais alegres, fazem-se votos... é como se aquela data fosse auspiciosa!”, descreveu, acrescentando tratar-se do momento de agradecer ao santo padroeiro e de renovar o pedido de “boas marés, fartas de peixe, e seguras, que tragam os seus homens sãos e salvos do mar”. Entre episódios de diversão passados nos carrosséis ou a saborear as tão apreciadas farturas, a festa – que segue até ao primeiro domingo de julho – atinge o seu auge com a pro-

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cissão, que reúne cerca de 40 andores. “Para mim, o momento mais marcante é a bênção dos barcos. Após a procissão, há um sermão do padre da paróquia, na praça, com todos os andores virados para o rio e mar. No final, os barcos e o mercado do peixe começam a tocar a sirene. Os morteiros dos foguetes também dão ar de sua graça. Fico toda arrepiada, é inevitável não chorar”, confessou, sublinhando que o fogo-de-artifício é outro ponto alto da festa popular. E é com orgulho que desafia os cidadãos a testemunharem este “reencontro com as raízes e a terra”. “Apareçam e deixem-se contagiar pela magia das pessoas simples, que abrem as portas do seu coração para festejar em honra do santo dos pescadores”, concluiu. REVISTAVIVA, JUNHO 2015


L E N D A S

A MADEIRA “POÉTICA”

da

CASA de CHÁ MONUMENTO NACIONAL DESDE 2011, A CASA DE CHÁ DA BOA NOVA, EM MATOSINHOS, É UM DOS LOCAIS MAIS PROCURADOS PELOS AMANTES DA ARQUITETURA. JÁ CONHECE A LENDA ASSOCIADA AO SEU REVESTIMENTO DE MADEIRA? Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Rui Oliveira

C

oncluída no início dos anos 60 do século XX, a Casa de Chá da Boa Nova, Monumento Nacional desde março de 2011, é, hoje, um exemplar incontornável na história da arquitetura portuguesa. O edifício, construído sobre as rochas, em Leça da Palmeira (Matosinhos), foi uma das primeiras e mais emblemáticas obras do então jovem arquiteto Álvaro Siza Vieira, sendo a prova ‘viva’ de que as lendas continuam a nascer nos nossos dias.

Com efeito, tal como revela o historiador Joel Cleto na obra “Lendas do Porto II”, há uma estória lendária – a propósito das madeiras da Casa de Chá – que continua a ser narrada por vários cidadãos (e até por guias turísticos), convencidos da sua veracidade. Esta é, aliás, a característica que distingue uma lenda de uma mentira: “o facto de ser narrada (ou ter sido durante muito tempo) como algo de verdadeiro”. Alguma vez se questionou sobre a origem da madeira que forra o teto e grande parte das paredes interiores e exteriores do edifício?

Soluções de um jovem arquiteto A ideia da construção de uma casa de chá junto ao Farol de Leça nasceu em 1953, pela autarquia de Matosinhos. Três anos depois, é lançado o concurso para a conceção do projeto, do qual saiu vencedora a proposta apresentada pelo arquiteto Fernando Távora. Segue-se um período dedicado à obtenção de autorizações e ao então “incontornável envolvimento do poder central”,


CASA D E C H Á DA B OA N OVA

sendo que o próprio ditador António de Oliveira Salazar mostrou interesse no edifício, pedindo para ver a sua maquete. Entretanto, uma vez que se encontrava a orientar outros projetos, Távora acabou por entregar a construção da Casa de Chá da Boa Nova ao jovem arquiteto matosinhense Álvaro Siza Vieira. Desagradado com a solução prevista, “nomeadamente porque a casa sobressaía muito das rochas”, Siza sugeriu um

conjunto de alterações à ideia original, pretendendo um edifício diluído na paisagem, tal como hoje o podemos

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encontrar. A obra, entregue à firma Soares da Costa, decorreu com normalidade, sendo que os trabalhos ficaram praticamente REVISTAVIVA, JUNHO 2015


L E N D A S

Com os olhares todos centrados em si, o jovem arquiteto esboçou um leve sorriso: o revestimento a madeira da casa de chá era fundamental para transmitir a comodidade, o conforto e o requinte pretendidos, pelo que não tencionava abrir mão desta solução. Além disso, refere o historiador na sua obra, a utilização de um material nobre de construção como a madeira, aliada à telha portuguesa do edifício, “permitiria um fabuloso diálogo entre o betão contemporâneo e os materiais e técnicas tradicionais de construção”. “Não se preocupe mestre. Verá que não vamos ter problemas. Tudo depende, como sabe tão bem como eu, do tipo de madeira que aqui vamos aplicar. Amanhã de manhã encontre-se comigo junto ao castelo de Leça e vamos juntos ao fornecedor. Vai ver a madeira que eu arranjei”, disse Álvaro Siza Vieira. “Mais vencido do que convencido”, o carpinteiro anuiu.

concluídos no final de 1961. E é exatamente à fase seguinte, de acabamentos e decoração, que se atribui o episódio lendário ainda hoje narrado. Reunidos junto à obra, os velhos carpinteiros entreolharam-se, incrédulos, face à última indicação lançada por Siza Vieira. “O senhor arquiteto desculpe, mas quer-me parecer que não percebi bem o que acaba de nos dizer… Quer forrar a madeira todo o teto, grande parte das paredes interiores e mesmo no exterior?!”, cita Joel Cleto, dando conta de que a explicação do

operário prosseguiu. “É que o senhor arquiteto repare: estamos mesmo junto à água, no meio destes rechedos. E olhe que é muito habitual, no inverno, o mar chegar cá acima! De certeza que haverá ocasiões em que ele até será capaz de entrar por aqui dentro. Já viu o que vai acontecer a essas madeiras todas com a maresia, o sal e a humidade? Não tarda nada estarão todas encarquilhadas, dobradas, modificadas…”, garantiu o carpinteiro, conquistando afirmativos acenos de cabeça da restante equipa.

Um revestimento… especial N o d i a s e g u i n te, à h o ra combinada, o marceneiro deslocou-se ao Forte de Nossa Senhora das Neves e, olhando para todos os lados, interrogou-se sobre o local onde o arquiteto o queria levar já que, nas imediações, não conhecia nenhum armazém de madeiras. Contudo, como se encontrava perto do Porto de Leixões, imaginou que a mercadoria que iam analisar pudesse, eventuamente, ter sido lá descarregada. Os seus pensamentos foram interrompidos com a chegada


CASA D E C H Á DA B OA N OVA

do arquiteto. “Bom dia mestre. Então? Que me diz destas madeiras?”, citou o arqueólogo. “Mas… que madeiras? Não vejo nenhumas…”, respondeu o velho carpinteiro, ‘varrendo’ com os olhos toda a frente marítima para a qual Siza apontava. “As madeiras que vão revestir a Casa de Chá da Boa Nova estão mesmo aí, à sua frente. Aquelas, acolá no estaleiro. São as daqueles velhos barcos que estão para ali abandonados e a desfazer-se! As tábuas dos seus cascos, já com muitos anos e bem batidas pelas águas do

mar, mais do que habituadas à humidade e ao sal, e que já encarquilharam tudo o que tinham para encarquilhar. São aquelas madeiras que, depois de limpas e tratadas, iremos reutilizar e com elas terminar a construção”, explicou Siza Vieira, arrancando um sorriso ao marceneiro, face à genialidade da solução encontrada. A história, dotada de um certo caráter poético, não passa,

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contudo, de uma lenda, já que o revestimento seria feito com madeira “nova” de afizélia. Ainda assim, o episódio tem um fundo de verdade. Algum tempo depois, Siza decidiu u t i l i z a r ma d e i ra d e Ri g a (proveniente da demolição de casas e não de barcos) noutra das suas emblemáticas obras: a “Piscina das Marés”, igualmente implantada na marginal de Leça da Palmeira, sobre os rochedos. REVISTAVIVA, JUNHO 2015


“Paraíso” no Douro à conquista do mundo É UM ESPAÇO QUE CONJUGA A RIQUEZA DOS VINHOS DO PORTO E DOURO COM A DIVERSIDADE DA GASTRONOMIA LOCAL, NUMA ‘VIAGEM’ QUE PROMETE ARRANCAR SUSPIROS DE ADMIRAÇÃO FACE À BELEZA DO CENÁRIO VÍNICO. DEDICADA AO ENOTURISMO, A QUINTA NOVA DE NOSSA SENHORA DO CARMO RECEBE UMA MÉDIA ANUAL DE DEZ MIL VISITANTES E TEM VINDO A SURPREENDER ALÉM-FRONTEIRAS. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo


Q U INTA NOVA DE NOS SA SE N H ORA D O CA R M O

É descrita, sobretudo, como um “projeto de paixão num magnífico recanto do Douro, que acolhe de forma envolvente todos os apaixonados pelo vinho e pela natureza”. Situada no concelho de Sabrosa (e propriedade do grupo Amorim desde 1999), a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo foi distinguida, em 2014, com o Prémio Douro Empreendedor (na categoria Turismo Internacional), numa iniciativa coordenada pela Universidade de Trás-osMontes e Alto Douro (UTAD) e pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), cofinanciada pelo “ON.2 - O Novo Norte”. Vocacionada para o Enoturismo – área explorada desde junho de 2005 – a quinta desfruta de uma história de mais de 250 anos (que remonta aos tempos da Casa Real Portuguesa), apresentando aos visitantes o edifício original da adega, de 1764 (uma das mais antigas da região). Levar as emoções e

experiências do vale do Douro além-fronteiras, pela voz dos que as sentem na pele, é o grande objetivo deste projeto de alojamento dedicado ao vinho e voltado para a preservação e divulgação do património da Região Demarcada. “Por via de uma paisagem deslumbrante, de vinhos reconhecidos e de uma gastronomia que surpreende, qualquer cliente fica rendido e leva consigo memórias da delicadeza do nosso serviço, bem como do sorriso de quem os recebe”, garantiu Paula Sousa, responsável de marketing do empreendimento, que tem vindo a apostar intensamente na inovação. Dez mil pessoas conquistadas pela paisagem duriense a cada ano Cuidadosamente preparada para receber os visitantes, a quinta

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integra uma casa senhorial (a “Luxury Winery House”) com 11 quartos, todos eles voltados para o rio. “As áreas sociais com lareiras, o jardim de inverno e o bar/loja, os terraços sobre a paisagem ou a piscina entre vinhas convidam à prova de um vinho, em paz”, afirmou, acrescentando que o “território secular deixa outras surpresas a descoberto, que podem ser visitadas no circuito pedestre entre vinhas, nomeadamente os pomares, as capelas, um riacho e um miradouro”. “E a adega, de 1764, fecha as visitas, sugerindo um tour que termina novamente numa prova de vinhos”, desvendou. Mas além do hotel (cuja parte inicial da construção beneficiou do Sistema de Incentivos a Produtos Turísticos de Vocação Estratégica – SIVETUR), o projeto empresarial integra REVISTAVIVA, JUNHO 2015


ainda o “Conceitus Winery Restaurant”, espaço onde “o s v i n h o s co m a n d a m a gastronomia”, numa espécie de viagem “pelo que a natureza oferece de melhor em cada época do ano”. “É a chamada ‘local food’, que assume um forte cariz de sustentabilidade e de preservação dos recursos alimentares locais (o peixe do rio, o nosso azeite, chás e doces de fruta, a nossa horta e as frutas da quinta, etc.)”, ilustrou Paula Sousa. Neste apelo “aos sentidos e emoções”, as propostas variam todos os dias e os “clientes nunca conhecem o menu, deixandose guiar pela inspiração do Chefe José Pinto”. A carta de vinhos, essa, oferece igualmente “um leque alargado de opções, entre a prova à mesa de vários vinhos e a degustação das novidades do ano”. “Os clientes são convidados a trazer a sua própria garrafa para partilhar à mesa, sem qualquer custo de serviço de rolha, e o serviço clássico de abertura de Portos a fogo é quase diário”, sublinhou a responsável, assegurando que

“não há quem lhe resista”. A atividade “Enólogo por um dia” – que desafia os visitantes a produzirem o seu próprio vinho, podendo, depois, levá-lo, por exemplo, para um passeio de barco pelo rio –, a compra de vinhos a preços especiais e o seu envio ao domicílio e a recente tour de helicóptero pelo Douro são outros serviços que atraem os visitantes à Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. E são já cerca de dez mil por ano, 70% dos quais estrangeiros, refletindo a clara aposta do projeto no mercado internacional. “Se soubesse…tinha previsto ficar mais tempo” Distinguido em diferentes anos (e categorias) com o Best Wine Tourism Award e outros galardões, o projeto de enoturismo acaba por surpreender os cidadãos tanto pela beleza da paisagem do Douro como pelos sabores mais característicos da região. “Uma expressão que usam imenso é algo como ‘Se eu soubesse que era assim, tinha previsto

ficar mais tempo’”, contou a responsável, realçando que é notório o fascínio dos turistas pelo cenário que encontram na freguesia de Covas do Douro. “As delícias do Conceitus e os vinhos da quinta completam qualquer visita, por mais breve que seja. Mas os clientes cada vez ficam mais tempo. O boca em boca funciona e os imensos artigos na imprensa ajudam”, re co n h e ce u Pa u l a S o u s a , referindo que, se por um lado, os visitantes lamentam que “a riqueza” da região ainda seja um pouco desconhecida, por outro, ‘agradecem’ a paz e o sossego com que podem estar, simplesmente, a saborear um copo de vinho. Nos desafios imediatos do empreendimento está a renovação do cais do Ferrão, “mesmo ‘à porta’ da quinta, que será gerido em parceria com duas quintas vizinhas”. “É um projeto que estava ‘na manga’ há algum tempo e, finalmente, estará operacional para melhor servir toda a frota que navega o Douro e nos quer visitar”, concluiu.


B Í SA R O

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Fumeiro transmontano aplaudido internacionalmente PRESENTES NO SEGMENTO DAS GRANDES SUPERFÍCIES PORTUGUESAS E EM RESTAURANTES DE CONCEITUADOS CHEFES DE COZINHA, OS PRODUTOS BÍSARO TRIUNFAM NOS MAIS DIVERSOS MERCADOS INTERNACIONAIS, CHEGANDO, ATUALMENTE, A FRANÇA, INGLATERRA, ESPANHA, NORUEGA, DINAMARCA, ITÁLIA, ALEMANHA, SUÍÇA, LUXEMBURGO, MACAU, ANGOLA E MOÇAMBIQUE. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Bísaro

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Começou por conquistar Macau e, hoje, leva o fumeiro transmontano aos quatro cantos do mundo. A Bísaro Salsicharia Tradicional, empresa de cariz familiar dedicada à transformação e comercialização de carnes, situada em Gimonde (Bragança), inaugurou, há alguns meses, uma moderna fábrica de transformação de enchidos, que resultou de um investimento total de cerca de dois milhões de euros (comparticipado em 223 mil pelo PRODER – Programa de Desenvolvimento Regional) e que deverá criar pelo menos cinco postos de trabalho nos próximos dois ou três anos. As grandes ‘estrelas’ do projeto empresarial, pertencente ao grupo A.Montesinho (que integra ainda a Quinta das Covas Sociedade Agro-Turística e a A. Montesinho Fumeiro Tradicional), são o presunto de porco bísaro criado em campo (com 24 meses de cura), o cachaço, a alheira, a chouriça e o salpicão. Produtos esses que têm vindo a arrecadar medalhas em diferentes concursos e a arrancar suspiros de satisfação por parte de quem os prova. De Gimonde para o mundo Segundo Alexandrina Fernandes, responsável de marketing e sócia da Bísaro, as primeiras páginas da história do grupo empresarial começaram a ser escritas em 1935, quando os seus avós deixaram Carção e se instalaram em Gimonde, “abrindo uma taberna e um comércio de produtos alimentares”. Os petiscos servidos pelo casal e os enchidos que, en-

tretanto, começaram a produzir não passaram despercebidos, suscitando o interesse dos locais e dos que estavam de passagem e pretendiam “chegar legalmente a Espanha, através da fronteira de Quintanilha, ao concelho de Vimioso e a terras de Miranda e ainda às povoações da Lombada”. Mais tarde, o pai e a tia de Alexandrina continuaram o negócio e, em 1987, dirigiam já a Alberto & Glória, que produzia enchidos. A empresa tinha um matadouro que, alguns anos depois, acabou por ser convertido numa unidade de transformação de carnes, “para dar resposta às solicitações dos clientes”. E foi nessa altura, em 1997, que surgiu a Bísaro Salsicharia Tradicional, uma das entidades da família, detentora de negócios que vão desde a criação de porcos de raça bísara

à transformação e comercialização de enchidos, restauração e turismo. Alexandrina e o irmão também já estão envolvidos na gestão da Salsicharia, que tem crescido mais de 40% nos últimos anos, não conhecendo, assim, o significado da palavra ‘crise’. “As principais estratégias têm sido a aposta na qualidade dos produtos (o porco bísaro, uma raça que esteve praticamente extinta), no estabelecimento de parcerias (como é o caso dos projetos de Investigação e Desenvolvimento em que estamos envolvidos) e num grande esforço de internacionalização”, enumerou, adiantando que, em 2014, o volume de negócios rondou os dois milhões de euros. Com a nova fábrica, o grupo prevê chegar, nos próximos três anos, aos cinco milhões de faturação.


SEjA R ESpONSávE L. B E BA cOM M ODE RAçãO.

MATEUS ROSÉ DISTINGUIDO ENTRE OS M ELHORES DO M UN DO O sabor e estilo únicos de Mateus Rosé foram reconhecidos no reputado Le Mondial du Rosé, em França, com medalha de prata e no International Wine & Spirit Competition, em Londres, com medalha de bronze. Como reforço dos anteriores reconhecimentos, Mateus integrou pelo terceiro ano consecutivo o top das 50 marcas de vinho mais admiradas do mundo, publicado pela prestigiada Drinks International, sendo a única marca portuguesa representada neste ranking. Mateus Rosé é um vinho leve, fresco, jovem e ligeiramente “pétillant”, ideal para acompanhar todos os momentos da vida.


projetos desenvolvidos com a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança.

Mercados conquistados Em Portugal, a Bísaro trabalha com a grande distribuição, o ‘canal HORECA’ (que abrange os estabelecimentos de hotelaria, restauração e cafetaria) e ainda com restaurantes de chefes conceituados, “alguns deles com estrelas Michelin, como é o caso de Leonel Pereira (restaurante São Gabriel, no Algarve), Vítor Matos (Casa da Calçada, Amarante) e Benoit Sinthon (Il Galo d’Oro, na Madeira), entre outros”. A estratégia de internacionalização começou a ser traçada

há mais de uma década e, atualmente, o fumeiro transmontano chega a França, Inglaterra, Espanha, Noruega, Dinamarca, Itália, Alemanha, Suíça, Luxemburgo, Macau, Angola e Moçambique. A conquista de novos mercados externos tem sido uma das prioridades da empresa, nomeadamente através da criação de um portal online e da participação em feiras internacionais (ações também apoiadas por fundos europeus do ON.2). Outra mais-valia reside na vertente de I&D, explorada, por exemplo, em

Presunto “de ouro” em 2015 Vencedora do estatuto ‘PME Líder’ por diversas vezes, a Bísaro viu, este ano, o seu presunto de porco bísaro distinguido com uma Medalha de Ouro no Concurso Nacional de Enchidos, Ensacados e Presuntos Tradicionais Portugueses, que decorreu no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, em Santarém. No Concurso Nacional de Carnes, por sua vez, a carne de porco bísaro produzida pela empresa obteve uma Medalha de Prata. Conquistas que confirmam o percurso de sucesso lançado há exatamente oito décadas e que provam que o futuro passará, segundo frisou a responsável, pela crescente aposta “na criação em campo de porco bísaro e no crescimento das exportações”.


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S A B E R

REGIÃO DE ‘PORTAS’ ABERTAS SÃO DUAS INFRAESTRUTURAS-CHAVE QUE ASSUMEM A DESAFIANTE TAREFA DE RECEBER, EM PRIMEIRA MÃO, OS TURISTAS QUE VISITAM O PORTO E NORTE DE PORTUGAL. E AMBAS COM NOVIDADES: O NOVO TERMINAL DE CRUZEIROS DO PORTO DE LEIXÕES DEVERÁ ESTREAR-SE EM BREVE E O AEROPORTO FRANCISCO SÁ CARNEIRO CONQUISTOU MAIS UM GALARDÃO INTERNACIONAL. Fotos: APDL/ Francisco Teixeira/ Rui Oliveira


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Os números avançados, com frequência, pela Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) falam por si. A região tem vindo a dar importantes passos no reforço das suas potencialidades como destino turístico de excelência e basta passear, tranquilamente, por algumas ruas do Porto, de Vila Nova de Gaia e de Matosinhos para identificar um sem número de visitantes estrangeiros. Os dados referentes ao mês de março – os últimos divulgados – revelam que, face ao período homólogo de 2014, as dormidas aumentaram 17,8%, sendo que, no que diz respeito às dormidas de não residentes, o crescimento foi ainda maior: de 21,4%. Em termos nacionais, depois de Lisboa, este é o destino maioritariamente eleito. Para Melchior Moreira, presidente da TPNP, o crescente interesse que os cidadãos demonstram pela região representa uma inegável “mais-valia para a economia”, num momento em que se continuam a afinar estratégias destinadas a criar mais e melhores condições para os que escolhem o Norte nos seus períodos de férias e de lazer. Seja por mar ou por terra, à chegada à região, registam-se aplausos: o número de escalas de navios de cruzeiro no Porto de Leixões continua a crescer (aliás, em 2015, o equipamento teve o melhor arranque de ano de sempre) e o aeroporto Francisco Sá Carneiro volta a estar no pódio dos melhores da Europa.

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NOVO TERMINAL DE CRUZEIROS DE LEIXÕES PRONTO A SER INAUGURADO É uma obra que, mesmo vista de longe, não deixa de chamar a atenção dos que percorrem a marginal de Matosinhos. O edifício da Estação de Passageiros do Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões já está pronto e tinha inauguração marcada para 20 de maio, mas, entretanto, a cerimónia oficial de abertura do equipamento foi adiada, por indisponibilidade do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, não sendo ainda conhecida a nova data. O novo terminal nasce de um investimento global superior a 50 milhões de euros (comparticipado por fundos comunitários, através do ON.2) e permite o início e o fim de cruzeiros em Matosinhos, aumentando assim o fluxo de navios e de passageiros. Aliás, segundo adiantou a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), estão já previstas, para este ano, mais de 90 escalas de navios de cruzeiro, sendo que a maioria vai mesmo atracar no novo terminal (que recebe, já desde 2011, os grandes paquetes nesta nova fase da vida do porto matosinhense). Isto significa a entrada de, pelo menos, 125 mil visitantes no Porto e região Norte do país. “Localizado na fachada Atlântica, o novo terminal é perfeito para fazer a ligação com os circuitos do Mediterrâneo e Norte da Europa (…) tornando-se um destino ideal quando interligado a outros portos portugueses, da

Península Ibérica ou do Espaço Atlântico”, adiantou a APDL, na altura do anúncio da primeira data de abertura. E antes disso, em janeiro, o presidente da entidade, Brogueira Dias, já havia referido que, após a inauguração oficial, ficará apenas a faltar a ligação direta ao concelho de Matosinhos, projeto já consolidado pelo Porto de Leixões e cuja obra “é indispensável por questões

de segurança”. “Como o edifício também é partilhado pela Universidade do Porto, esse acesso tem que ser garantido”, realçou, sublinhando que são dois nós de ligação os que estarão concluídos até ao primeiro semestre de 2016: um no fim da Avenida da República e outro no fim da Avenida Serpa Pinto, fazendo a articulação com o porto de pesca e com o terminal de cruzeiros.


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ABERTURA DO PORTO DE LEIXÕES À CIDADE: O PROJETO Cais para Cruzeiros Comprimento: 360 m Comprimento máximo dos navios: 300 m atracação Pilotagem obrigatória (para entrada e saída) Sem limites de estadia Certificação conforme ISPS (International Ship and Port Facility Security code) Estação de Passageiros Situada no edifício central do complexo, com diversas valências para navios em escala ou que efetuem embarque/desembarque de passageiros. Sem limite de capacidade para passageiros em trânsito e com capacidade para 2500 passageiros em turnaround (embarque e desembarque) Porto de Recreio Náutico para 170 embarcações e respetivos serviços mínimos de apoio às embarcações, espaços de conveniência e funções de apoio aos tripulantes e navegantes. Estacionamento para autocarros e viaturas ao longo do molhe e estacionamento interior.

DE BRAÇO DADO COM O MAR… E COM A CIDADE Projetada pelo arquiteto Luís Pedro Silva, a Estação de Passageiros faz lembrar um botão de rosa branco que estende os seus quatro ‘braços’ em diferentes direções: ao navio, à curva do molhe, à cidade e ao próprio edifício, que acolhe o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (Ciimar) da Universidade do Porto, também conhecido como Pólo do Mar (atualmente repartido entre o Porto e Matosinhos). Com oito pisos, a estação (que, para alguns, também se assemelha a um ovni), abre-se, ao nível do solo, com um amplo átrio, a partir do qual a estrutura sobe em espiral. Logo acima está a sala de embarque, onde se encontram os normais serviços de check-in, alfândega e fronteira, assim como uma sala de espera. Os visitantes encontram, aqui, acesso direto tanto aos navios como aos autocarros que os esperam no exterior. Depois, o segundo e terceiro andares estão quase integralmente destinados ao Pólo do Mar, preparado para acolher 300 profissionais das mais diversas áreas de investigação. No piso 3 há ainda uma galeria de divulgação científica, um auditório que será partilhado pela U.Porto e pela APDL e um restaurante. No piso mais próximo do fundo do mar está a cave, onde se encontra um aquário com animais e algas do Ciimar. REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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SÁ CARNEIRO ENTRE OS TRÊS MELHORES AEROPORTOS DA EUROPA A despertar atenções está também o Aeroporto do Porto, que renovou o galardão de terceiro melhor da Europa nos Airport Service Quality Awards, atribuídos, anualmente, pela organização Airports Council International (ACI). A distinção diz respeito à atividade de 2014. À frente do Sá Carneiro só os aeroportos de Keflavik e Moscovo. De referir que os prémios se baseiam num inquérito de satisfação dirigido aos passageiros relativamente a 34 indicadores-chave, incluídos em categorias como acessibilidade, check-in, segurança,

instalações, restauração e comércio. “Foi com orgulho que soubemos que, uma vez mais, fomos escolhidos pelos nossos passageiros como um dos três melhores aeroportos da Europa. Este é o nosso oitavo prémio nos últimos nove anos e é particularmente importante para nós, num momento em que o número de passageiros no Aeroporto do Porto se aproxima já dos 7 milhões”, avançou a ANA – Aeroportos de Portugal. O galardão resulta, segundo acrescentou a entidade, de um conjunto de medidas adotadas “no sentido de sensibilizar e mobilizar os seus recursos e os seus prestadores de serviço para a melhoria contínua da qualidade do serviço prestado aos passageiros”. O Airports Council International é a única associação profissional mundial de operadores de aeroportos, representando mais de 450 equipamentos de 45 países e sendo responsável por mais de 90% do tráfego aéreo comercial na Europa.

Número de passageiros próximo dos sete milhões

PORTO: UM DOS 40 DESTINOS ACONSELHADOS PARA 2015 Não restam, portanto, dúvidas da crescente projeção internacional da região. Aliás, para o The Guardian, o Porto é mesmo um dos 40 locais a visitar este ano. “Situado nas margens do Douro, no norte do país, o centro histórico do Porto foi classificado pela UNESCO em 1996 e é uma pitoresca miscelânea de igrejas medievais, ruas de paralelepípedos, bonitas praças, degraus


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íngremes e belas construções debruçadas sobre o rio. O berço do Porto é uma obrigação para os amantes do vinho, e os últimos tempos testemunharam uma espécie de renascimento cultural da cidade com galerias, restaurantes e lojas”, avançou o jornal britânico, realçando igualmente a recente abertura de uma base operacional da EasyJet no Aeroporto do Porto, num investimento de 150 milhões de euros. Na lista de destinos eleitos pela publicação há ainda outro português, o arquipélado dos Açores.


Alexandre Rocchi – Engº civil 91 985 4915 | 22 617 9368 arocchi@italrem.pt www.italrem.pt

CONSTRUÇÃO E REMODELAÇÃO

TESTEMUNHOS DE ALGUNS CLIENTES Gabriela S. - “Em obras, faz toda a diferença interagir com alguém que fala a mesma linguagem, em quem se pode ter confiança total em termos de qualidade, segurança e orçamento. A Italrem cumpriu sempre e recomendo-a vivamente.” Conceição G. e Luis F. - “Sabes que somos fã do teu trabalho. Sempre que sabemos de alguém que precisa de obras, somos os primeiros a dar o teu nome.” R.Q.L. - “Entreguei à Italrem a remodelação do meu consultório e fiquei muitíssimo satisfeita. A resposta ao pedido de orçamento foi rápida, detalhada e rigorosa. O trabalho foi executado no prazo previsto e na altura em que pedi. O pessoal mostrou-se cuidadoso, educado e competente. A vigilância da obra foi exaustiva e o seu andamento verificado ao pormenor. O resultado final superou as minhas expectativas tanto nas soluções encontradas como na perfeição do trabalho. Estes aspetos, aliados a uma honestidade e correção ímpares, levam-me a considerar o trabalho do Eng.º Alexandre Rocchi ao nível da excelência.”


M Á Q U I N A

D O

T E M P O

“JÓIA ARQUITETÓNICA”

DO PORTO SEDE E PROPRIEDADE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO PORTO, O PALÁCIO DA BOLSA, CONSTRUÍDO AO LONGO DE DIFERENTES GERAÇÕES, É UM DOS MONUMENTOS MAIS VISITADOS DO NORTE DE PORTUGAL. DURANTE 45 MINUTOS, PORTUGUESES E ESTRANGEIROS SÃO DESAFIADOS NÃO SÓ A TESTEMUNHAR A ELEGÂNCIA E BELEZA DO SALÃO ÁRABE MAS TAMBÉM A CONHECER UMA MÃO CHEIA DE SURPRESAS ETERNIZADAS NAS PÁGINAS DA HISTÓRIA DA CIDADE. SABIA, POR EXEMPLO, QUE UMA DAS PARAGENS NA VISITA AO ESPAÇO É O GABINETE USADO POR GUSTAVE EIFFEL NO PORTO?

Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Fabrice Demoulin

Não fossem os documentos antigos (reveladores da história da cidade) e talvez ninguém imaginasse que o Palácio da Bolsa, situado na Rua Ferreira Borges, nascera nas ruínas de um convento destruído por um gigantesco incêndio. A prová-lo, dois pormenores bem visíveis: a Igreja de São Francisco, colada ao edifício, que era parte integrante do convento e resistiu às chamas, e a curiosa Escadaria do Infante, no interior do Palácio da Bolsa, cujos degraus, todos diferentes entre eles, também permaneceram intactos. A destruição que, um dia, imperou

naquela zona, bem no centro da cidade, deu, assim, lugar à imponência e requinte de um monumento que, em 2014, foi visitado por mais de 250 mil pessoas. E há duas promessas escondidas em cada visita à sede da Associação Comercial do Porto (ACP): a de que os cidadãos se vão surpreender com a diversidade de materiais (que nem sempre são aquilo que aparentam) e a de que não faltarão expressões de estupefação perante o esplendor de determinadas salas. 68 anos de construção para mostrar que “tudo é possível” O Palácio da Bolsa, de estilo neoclássico, começou a ser


PALÁCIO DA BOLSA

construído em outubro de 1842, num processo que se desenrolou ao longo de quase sete décadas. Seis arquitetos principais, dezenas de mestres entalhadores, estucadores, pintores, douradores, pedreiros e centenas de operários estiveram envolvidos na edificação do monumento, classificado pela UNESCO como património da humanidade e marcado por uma mistura de estilos, desde o neoclássico oitocentista à arquitetura toscana e às influências do neopaladiano inglês. Tal como explicou o coordenador turístico do equipamento, Sérgio Ferreira, o palácio começou a ser construído, sobre as ruínas do

Convento de São Francisco, na sequência do encerramento da Casa da Bolsa do Comércio, que tinha obrigado os comerciantes a discutirem os seus negócios em pleno ar livre, na Rua dos Ingleses. “Durante o Cerco do Porto, um incêndio muito grande destruiu totalmente o convento [na noite de 24 de julho de 1832]. Na altura, esses homens do comércio foram pedir ajuda à rainha D. Maria II porque precisavam de um local apropriado à sua atividade. Foi então que ela doou as ruínas para a construção do edifício, que funcionaria, digamos, como um escritório”, informou. Estariam, assim, lançadas as bases para que se erguesse na cidade um

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monumento capaz de provar que, com poder económico, a exuberância não tem limites. “A principal intenção foi fazer algo completamente diferente em cada sala para demonstrar que, com dinheiro, tudo é possível”, acrescentou o responsável, fazendo referência, por exemplo, às imitações de madeira e de granito, quase impossíveis de detetar. Para assegurar a conclusão da obra, D. Maria II criou um imposto adicional, que revertia a favor da empreitada. E a aventura de 45 minutos pelos recantos do palácio começa no Pátio das Nações (que foi o claustro do convento a céu aberto), onde se encontra a famosa cúpula de ferro e vidro, REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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T E M P O

nunca tinham visto um chão como este. Ver escadas feitas com pedaços de pedra é normal. O que não é comum é que um lanço de escada seja constituído por uma única pedra, tal como acontece”, esclareceu. O percurso segue, entretanto, pela Sala do Tribunal, cuja construção foi uma exigência da rainha, para que as quezílias existentes entre os comerciantes fossem resolvidas internamente. O espaço está decorado com pinturas do artista português Veloso Salgado, que representam diferentes temáticas: o transporte do vinho do Porto nos barcos rabelos, a colheita na região do Douro, cenas de sessões de tribunal dos séculos XIII e XV e ainda artes e ofícios tradicionais portugueses.

da autoria de Tomás Soller, ladeada em todo o seu redor por 20 brasões representativos dos países com os quais Portugal mantinha, então, relações de amizade e de comércio. Neste espaço, tudo o que reluz é ouro, sendo o chão revestido a mosaico cerâmico inspirado nos modelos greco-romanos descobertos em Pompeia. Nos quatro cantos superiores, é possível ver algumas datas importantes na história do equipamento: a da construção do edifício, da fundação da ACP e da criação do Código Comercial de Ferreira Borges e do Tribunal Comercial.

Ao fundo, a Escadaria Nobre talhada em granito conduz os visitantes ao primeiro andar e, mais de um século depois da sua construção, continua a surpreender turistas e elementos da ACP. “Recentemente, fomos visitados por um grupo de arquitetos. Em plena visita, estava a falar-lhes sobre a escadaria e, curiosamente, eles só olhavam para o chão”, contou o coordenador de turismo, confessando que, a dada altura, não resistiu a questioná-los a propósito daquele súbito interesse. “Foi então que explicaram que, apesar de já terem viajado por todo o mundo,

Curiosidades históricas desvendadas em três novos espaços Há cerca de um ano, o palácio abriu três novas salas aos visitantes para dar a conhecer importantes factos históricos ligados à Associação Comercial do Porto e ao próprio país: uma delas inclui fotografias de todos os presidentes da ACP. Um pouco mais à frente surge a Sala do Telegrapho, onde o equipamento, anteriormente localizado no restaurante da instituição, assume, agora, um novo protagonismo. “Fizemos alguma pesquisa e descobrimos que Portugal, com Fontes Pereira de Melo, foi, em 1855, um dos pioneiros na instalação da telegrafia. Mas o mais curioso é que, em 1853, a ACP já usava um telégrafo para comunicar com a Associação Industrial”,


PALÁCIO DA BOLSA

contou Sérgio Ferreira, realçando assim o espírito vanguardista da associação sem fins lucrativos, dedicada, há já 181 anos, à defesa dos projetos e interesses do Porto e da Região Norte. O antigo telégrafo era utilizado para passar informação relativa às mercadorias que entravam na Barra do Douro. Mesmo ao lado, uma recriação que faz as delícias dos turistas franceses: a do gabinete usado pelo engenheiro Gustave Eiffel durante o seu período na cidade, no século XIX. Com uma janela voltada para o jardim do Infante D. Henrique, o espaço apresenta a secretária utilizada pelo francês na ACP, em jeito de homenagem ao artista responsável por obras tão emblemáticas como a ponte D. Maria Pia, a ponte ferroviária de Barcelos e a ponte rodoviária do Pinhão. Os três novos pontos de paragem obrigatória nesta viagem pelo Palácio da Bolsa – cujo bilhete individual custa 7,50 euros – antecedem, assim, a visita à Sala do Presidente (com o chão mais exuberante de todo o edifício, feito com madeiras exóticas

importadas do Brasil e de África), à Sala Dourada (onde se reúne, na primeira segunda-feira de cada mês, a direção da ACP, composta por 15 elementos eleitos e não remunerados), das Assembleias Gerais (na qual tudo parece ser de madeira, mas não é) e à Sala dos Retratos, decorada ao estilo Luís XVI, na qual se conta a história dos últimos seis reis da Dinastia de Bragança. Neste espaço, os visitantes podem admirar uma mesa feita a canivete pelo entalhador português Zeferino José Pinto, que obteve uma menção honrosa na Exposição Universal de Paris de 1867.

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Salão Árabe: “a jóia da coroa” Com as paredes e o teto revestidos a folha de ouro, o Salão Árabe continua a ser, para muitos, o expoente máximo do Palácio da Bolsa. “Normalmente, quando entramos lá com os turistas até esperamos uns minutos, antes de iniciarmos a explicação, para que possam apreciar o espaço”, contou o coordenador turístico, reconhecendo que a expressão de fascínio face à beleza da sala, construída ao longo de 18 anos, é patente no rosto de cada visitante. Com “uma acústica perfeita”, a obra, da autoria do arquiteto Gustavo Adolfo Gonçalves de REVISTAVIVA, JUNHO 2015


M Á Q U I N A

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T E M P O

Visita da Rainha Isabel II de Inglaterra, em 1985

Visita da Rainha Beatriz da Holanda, em 1990

Sousa e feita exclusivamente por artistas portugueses, é palco de vários eventos, nomeadamente concertos de música clássica, jantares de gala e apresentações. Ao longo dos 12 meses de 2014, mais de 253 mil pessoas partiram à descoberta da sede da ACP, num aumento de 15% em relação ao ano anterior. Pela primeira vez, o número de visitantes portugueses (mais de 68 mil) ultrapassou o de franceses (37 mil) e espanhóis (30 mil). Na lista de nacionalidades mais representadas destacam-se ainda a Alemanha (mais de 14 mil), o Brasil (12 mil), Itália (10 mil) e Áustria (mais de 9 mil). De frisar que os números avançados não contabilizam a afluência a congressos, conferências, concertos, feiras e outros eventos. As visitas decorrem diariamente, das 9h00 às 18h00 (horário de verão). Do que é que está à espera?


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O R T O F Ó L I O

“Não escondo que gostaria que [o meu acervo] ficasse no Porto. É a minha cidade. Onde nasci, vivo, e, provavelmente, morrerei. O Porto é uma cidade riquíssima, o que a maior parte das pessoas ignora”. Manoel de Oliveira 1908 - 2015


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Gestão de ocorrências em tempo real OS PROFISSIONAIS DA EDP GÁS DISTRIBUIÇÃO MONITORIZAM PERMANENTEMENTE AS INFRAESTRUTURAS DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS NATURAL, GRAÇAS À APLICAÇÃO SGO - SISTEMA DE GESTÃO DE OCORRÊNCIAS, A FUNCIONAR DESDE 2013, QUE PERMITE A MONITORIZAÇÃO E GESTÃO DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO, EM QUALQUER HORA E A PARTIR DE QUALQUER PARTE DO MUNDO. Nos últimos anos, a EDP Gás Distribuição tem incrementado a monitorização da sua rede, de forma a permitir uma gestão das ocorrências cada vez mais eficaz e eficiente, sejam estas comunicadas pelos clientes finais, sejam alarmes recebidos dos sistemas automáticos de controlo da infraestrutura e, por outro lado, a disponibilização ao cliente de informação mais detalhada, através de plataforma web. O Centro de Despacho da empresa (que funciona numa sala específica, apetrechada de condições logísticas e operacionais de última geração) permite um controlo da gestão de operações em tempo real, em que se garante a rastreabilidade de uma chamada, desde a sua comunicação ao Call Center, registo em sistemas, envio em plataforma de mobilidade para o terreno e seguimento geográfico das mesmas, até ao fecho da ocorrência no terreno através de dispositivos móveis e em tempo real. Com efeito, tal como explicou Pedro Ávila, diretor técnico da EDP Gás Distribuição, o sistema

tem o seu ponto de entrada num call center (a única exceção são os casos de comunicação direta da Proteção Civil), responsável pelo atendimento das chamadas dos clientes. Esta constitui a primeira

filtragem do sistema, sendo que, nesta fase, é resolvida uma parte importante das mesmas. A aposta da EDP Gás Distribuição na formação contínua dos operadores do call center é


Atendimento

808 100 900 Pedidos de ligação à rede Contador ou Instalação Caixa de corte geral ou Infraestruturas Questões relacionadas com o CUI

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fundamental pois garante que estes possuem os conhecimentos adequados às práticas e aos procedimentos estabelecidos. Os casos não solucionados neste primeiro nível de atendimento são encaminhados para o Despacho, onde o SGO-Gás, com base em diversas funcionalidades, garante o encaminhamento e gestão das

de potenciais incidentes e a gestão dinâmica de um incidente, como por exemplo o número e a percentagem de clientes que estão afetados numa rutura, ao longo do tempo. Além disso, o Centro de Despacho controla e gere os alarmes provenientes do SCADA (Supervisory Control

parâmetros normais, como por exemplo a pressão baixa, etc. O Centro de Despacho dispõe ainda da informação, em tempo real, da localização das viaturas afetas a esta tipologia de serviço, pelo que, no caso de uma ocorrência, a assignação ao técnico é efetuada com base na minimização do tempo de chegada ao local. Por

ocorrências para as equipas no terreno. Esta aplicação permite um controlo em tempo real do estado dos incidentes, do número de ocorrências diárias e tempos médios, apresentando a previsão

and Data Acquisition) – sistema de monitorização online das infraestruturas nucleares da rede – nomeadamente quando é detetada alguma configuração que não está de acordo com os

outro lado, existem ainda alarmes provenientes dos sistemas de telecontagem instalados em clientes de grande consumo que permitem a deteção de situações potencialmente anómalas. REVISTAVIVA, JUNHO 2015


E D P

G Á S

Para além da componente de sistemas (back office), a EDP Gás Distribuição participa e promove, de uma forma contínua, ações de formação, em contexto teórico e prático, com as corporações de Bombeiros e Proteção Civil, de forma a garantir, num contexto de cenário real, uma articulação eficaz dos vários intervenientes.

Segurança 24 horas por dia/365 dias por ano Desenvolvida pela EDP Gás Distribuição, em colaboração com a CGI, a aplicação SGO-Gás – também conhecida entre os profissionais da empresa de distribuição de gás natural na região litoral norte do país como “Diamond” – funciona, segundo descreveu Bruno Henrique Santos, responsável pelo Centro de Exploração do Porto, como “um chapéu sobre todos os sistemas informáticos da EDP Gás Distribuição” e, sendo uma aplicação para gerir situações de potencial crise, está prepa-

rada para funcionar em modo de disaster recovery. “Isto quer dizer que, se tivermos todos os sistemas offline, em situação de crise, o SGO-Gás permanece a funcionar”, frisou, explicando que a plataforma agrega a informação geográfica de toda a infraestrutura. Depois de aceder à aplicação, o operador de call center pode efetuar a pesquisa do cliente através de pesquisas simples ou combinadas, nomeadamente através do respetivo nome, morada, NIF, ou mesmo através do contador. A ‘página’ de cada cliente apresenta, de uma forma

sucinta, o histórico das intervenções comerciais efetuadas, como por exemplo a montagem do contador ou uma religação. Como todos os pontos de consumo estão georreferenciados, é possível visualizar geograficamente onde estão situados os utilizadores. Depois, em função do sintoma detetado pelo cliente que efetuou o contacto – anomalia, falha de gás ou cheiro – o “Diamond” apresenta um conjunto de instruções que auxiliam o operador no despiste do problema, aspeto relevante para uniformizar as práticas operacionais. Se não


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for possível a resolução neste primeiro nível, a chamada é reencaminhada para o Despacho que faz o seguimento da mesma até à completa resolução no terreno. A aplicação disponibiliza informação estatística, a localização geográfica das chamadas indicando, por exemplo, as chamadas pendentes e as que já têm uma ocorrência atribuída. “Conseguimos, portanto, ter uma panorâmica global do que está a acontecer na rede”, ilustrou o responsável. De sublinhar que a quase totalidade das ocorrências do tipo ruturas de gás surge devido a obras realizadas na via pública por terceiros, podendo afetar um conjunto alargado de clientes. Uma aplicação ‘inteligente’ De acordo com Bruno Henrique Santos, uma funcionalidade im-

portante do “Diamond” reside no facto de, face à deteção de uma rotura ou avaria na via pública, ser possível realizar simulações e o sistema indicar, antes de a equipa técnica chegar ao local, quais as válvulas que devem ser manobradas para melhor responder à resolução do incidente, minimizando o impacto aos clientes finais. A partir do momento em que é conhecido o universo afetado, os clientes abrangidos podem saber informações sobre o incidente ligando para a linha de emergência ou recorrendo ao site da empresa e introduzindo o respetivo CUI (Código Universal da Instalação). Em funcionamento desde maio de 2013, a aplicação tem contribuído para a redução de custos, nomeadamente em contexto de emergência, já que, com a ajuda das instruções fornecidas se re-

solvem muitas situações sem que seja necessária uma deslocação técnica. De realçar igualmente o caráter ‘inteligente’ do SGO-Gás: se forem registados conjuntos de chamadas numa determinada área geográfica e num determinado período temporal, o próprio sistema alerta para um eventual problema na rede. Quando há uma ocorrência considerável (com várias ruas e ramais afetados), a EDP Gás Distribuição opta por colocar equipas no terreno para fazerem o rearme em cada uma das frações. Neste caso, o “Diamond” faz toda a gestão geográfica de que os profissionais necessitam: fornece-lhes informação sobre o número de equipas no terreno e sobre as pessoas que estão no backoffice a acompanhar o incidente e reparte as zonas geográficas pelos coordenadores REVISTAVIVA, JUNHO 2015


E D P

Linha Emergência Gás 800 215 215

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do Despacho. A aplicação avalia também os melhores trajetos a adotar em cada caso, enviando essa informação para os tablets dos técnicos. Desta forma, é possível um planeamento otimizado dos recursos e rotas, minimizando o tempo de interrupção. Novidades até ao final do ano Numa lógica de melhoria contínua, a empresa já está a trabalhar no desenvolvimento de novas potencialidades da aplicação, mantendo o foco na aproximação aos clientes. “Neste momento, disponibilizamos informação ao cliente, via linha de emergência ou acedendo ao site, sobre o status do seu CUI. No futuro, no caso de uma ocorrência, de uma forma proativa, enviaremos um sms ao cliente, notificando-o que está sem gás devido a um problema na infraestrutura e

DESCODIFICAR O GÁS NATURAL A par das linhas telefónicas de apoio, também o site da EDP Gás Distribuição - http://www.edpgasdistribuicao.pt/ - representa um veículo de informação privilegiado e fundamental para os cidadãos. Tanto na plataforma online como nas deslocações técnicas a casa do cliente, é explicado o ‘modus operandi’ da instalação que permitirá que os clientes se sintam capazes de realizar determinadas tarefas. Interessa esclarecer que, muitas vezes, a falha de gás detetada se deve ao bloqueio do redutor individual, propriedade do cliente, instalado junto ao contador, não por uma questão de avaria ou falha, mas sim porque foi ativado para modo de segurança. Nesse caso, antes de ligar para a Linha Emergência Gás, o cliente pode seguir as instruções fornecidas no site e rearmar o seu redutor individual. Na página online da empresa é ainda possível conhecer as vantagens do gás natural e fazer a simulação de uma fatura anual (para ter a perceção do que se pode poupar), comunicar a leitura do contador e ficar a par do estado de ocorrências nas infraestruturas de distribuição de gás natural. a informar o tempo estimado de resolução”, adiantou Bruno Henrique Santos, reconhecendo tratar-se, efetivamente, de um nível superior de informação aos utilizadores.

Por outro lado, até ao último trimestre de 2015, será lançada uma versão multiplataforma da aplicação para que o acesso possa ser feito, efetivamente, a partir de qualquer dispositivo.


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Viajar no tempo ao lado do Navegador

SITUADA EM PLENO CENTRO HISTÓRICO PORTUENSE, A CASA DO INFANTE, ANTIGA ALFÂNDEGA DA CIDADE E LOCAL ONDE SE JULGA TER NASCIDO O INFANTE D. HENRIQUE, EM 1394, É, ATUALMENTE, MUSEU E SEDE DO ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL. HÁ CERCA DE TRÊS MESES, O ESPAÇO ABRIU AO PÚBLICO UMA NOVA ALA INTERATIVA QUE DESVENDA ALGUNS MISTÉRIOS LIGADOS AO NAVEGADOR E À EXPANSÃO MARÍTIMA PORTUGUESA. Fotos: Miguel Nogueira (CMP)

Nasceu há mais de 600 anos, mas consta em todos os manuais da História de Portugal como a mais importante figura do início da era dos Descobrimentos. O Infante D. Henrique, popularmente conhecido como “O Navegador”, é a personagem principal da nova ala museológica inaugurada, recentemente, na Casa do Infante, edifício classificado como Monumento Nacional, localizado no centro histórico do Porto. Desafiar o público a descobrir um pouco mais sobre o Infante, a Expansão Marítima e a relação de ambos com a cidade é o grande objetivo do espaço. De sublinhar que a abertura do Centro Interpretativo “O Infante D. Henrique e os Novos Mundos” representa a terceira fase de musealização do

equipamento onde terá nascido o príncipe aventureiro. Uma experiência para todas as idades Durante a ‘viagem’ prometem-se surpresas: há peças históricas, elementos que prometem arrancar exclamações aos visitantes, perguntas e respostas sobre a vida do Navegador ao alcance dos ponteiros de um relógio, uma cópia do primeiro Atlas do Brasil, que ganha vida ao toque, uma vitrine com porcelana chinesa do século XVII e XVIII que escurece misteriosamente e a possibilidade de descobrir a fauna e a flora que os portugueses encontraram quando chegaram ao Brasil e à Índia. É por isso que, como frisou o vereador da Cultura da Câmara do Porto, Paulo Cunha

e Silva, o centro é para visitantes dos oito aos 80 anos, combinando harmoniosamente interatividade com outros elementos expositivos mais tradicionais. Obras de quatro artistas plásticos portugueses Em destaque na nova ala estão também quatro obras de vídeo de Albuquerque Mendes, João Onofre, Julião Sarmento e Pedro Tudela, que foram desafiados a apresentar a sua visão contemporânea da figura do Infante. O resultado final encontra no mar o grande elemento em comum, mantendo um certo mistério associado ao Navegador. Os conteúdos multimédia, que permitem ao visitante interagir com diversos materiais educativos


CA SA D O I N FA N T E

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constantes, funcionam como um complemento importante para a compreensão da informação disponibilizada a propósito dos Descobrimentos Portugueses. Cidade “que tem sabido atrair novos mundos” Inaugurado no final de março, o Centro Interpretativo foi criado com o apoio mecenático da Associação para Divulgação da Cultura de Língua Portuguesa (ADCLP) e de fundos comunitários do “ON.2 – O Novo Norte”. Para o presidente da autarquia local, trata-se de mais uma forma de promover a identidade singular do Porto, “cidade que continua, ontem e hoje, intensa de vida e de contrastes e que manteve uma profunda lealdade

às suas origens, e que tem sabido, de forma sábia, atrair sempre novos mundos”. Paulo Cunha e Silva destacou, por sua vez, a relevância da existência de um equipamento destes no centro histórico do Porto, local “que precisa de mais conteúdos culturais que introduzam algum espanto e perplexidade”. Com a

nova valência, a antiga alfândega da cidade pretende alcançar, já em 2015, os 100 mil visitantes. De realçar que os trabalhos na Casa Museu Infante D. Henrique, que arrancaram na década de 90, trouxeram à luz do dia mais de um milhão de objetos que documentam 15 séculos de vida da cidade Invicta. REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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Em 2014, a Casa do Infante recebeu 40 mil visitantes. Este ano, com o novo núcleo museológico, dedicado ao Infante D. Henrique, são esperados 100 mil.

Visitas gratuitas ao fim de semana O serviço educativo do equipamento integra visitas guiadas, workshops temáticos para escolas e atividades para toda a famílias. Quem quiser conhecer o Centro Interpretativo pode fazê-lo de terça-feira a domingo, das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 17h30 (última admissão às 17h00). A visita custa 2,20 euros, sendo gratuita aos fins de semana.


n a e l C l y Vin

UMA TINTA MATE SUPER LAVÁVEL

A CIN acaba de lançar VINYLCLEAN, uma tinta mate super lavável criada especialmente para facilitar a limpeza da casa, permitindo ter paredes que parecem sempre acabadas de pintar, sem brilhos ou marcas. Uma vez mais, a CIN centra esforços e toda a sua capacidade de inovação na criação de um novo produto que satisfaz as necessidades do consumidor e que facilita a sua vida. A avançada fórmula de VINYLCLEAN incorpora partículas micronizadas de última geração que lhe conferem uma super lavabilidade, nunca antes vista numa tinta mate. A remoção de manchas e nódoas é feita com a simples passagem de um pano húmido e detergente. O novo VINYLCLEAN foi sujeito a diversos testes de eficácia e concebido para que os acontecimentos do dia a dia de uma casa, como as brincadeiras de criança ou as traquinices dos animais domésticos, não danifiquem as paredes. Testada segundo as mais exigentes normas europeias, VINYLCLEAN atinge a classificação máxima na resistência à esfrega húmida.


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A MAGIA VIVIDA “A CEM POR CENTO” TRÊS DIAS DEPOIS DE NASCER, EM MIRAGAIA, JÁ LHE TIRAVAM FOTOGRAFIAS COM CARTAS DE UM BARALHO NA MÃO. ENTRETANTO, AOS QUATRO ANOS, BRILHOU, JUNTO DOS AMIGUINHOS DO JARDIM DE INFÂNCIA, POR SER O MENINO “HERÓI” QUE CONSEGUIA FAZER APARECER REBUÇADOS POR MAGIA. EM PORTUGAL TALVEZ POUCOS O CONHEÇAM, MAS NOS EUA – PARA ONDE SE MUDOU EM BUSCA DE OPORTUNIDADES – O MÁGICO HELDER GUIMARÃES AINDA NÃO PAROU DE CONQUISTAR APLAUSOS. DOS ESPETÁCULOS CASEIROS – APLAUDIDOS PELOS PAIS, DESDE SEMPRE APAIXONADOS POR MAGIA – O ESPECIALISTA EM TRUQUES COM CARTAS RAPIDAMENTE PASSOU PARA OS PALCOS INTERNACIONAIS, TIRANDO PARTIDO DOS DOTES TEATRAIS DESENVOLVIDOS NA ESCOLA SUPERIOR DE MÚSICA E ARTES DO ESPETÁCULO (ESMAE). EM 2006, COM 23 ANOS, SAGROU-SE CAMPEÃO MUNDIAL DE MAGIA COM CARTAS, EM ESTOCOLMO, E, DESDE ENTÃO, ESGOTOU ESPETÁCULOS EM LOS ANGELES (ONDE VIVE ATUALMENTE, EM WEST HOLLYWOOD) E NA BROADWAY, EM NOVA IORQUE. BRASIL, ARGENTINA, CHINA, JAPÃO, COREIA DO SUL, AUSTRÁLIA, ALEMANHA, GRÉCIA E DINAMARCA SÃO APENAS ALGUNS DOS PAÍSES ONDE JÁ ATUOU O MÁGICO PORTUENSE, DE 32 ANOS, DISTINGUIDO, EM 2011 E 2012, COM O PRÉMIO DE MÁGICO DO ANO, ATRIBUÍDO PELA ACADEMY OF MAGICAL ARTS DE HOLLYWOOD. UMA AVENTURA PELOS QUATRO CANTOS DO PLANETA À BOLEIA DA MAGIA, ATRAVÉS DA QUAL “TUDO É POSSÍVEL”. Fotos: Brad Fulton/James Davidson

Como descreve a sua relação com as cartas? Íntima. Quando passamos grande parte da nossa vida dedicados a um objeto, ele deixa de ser algo externo e passa a fazer parte da nossa essência. Muitas vezes olho para um baralho de cartas e vejo-o como uma extensão do meu corpo. Acredita que a predisposição para a magia possa ser uma herança genética? Sem dúvida que o facto de o meu pai se dedicar ao ilusionismo me ajudou imenso. Sem ele, não sei se alguma vez me teria interessado

por esta área e, se o fizesse, definitivamente não teria sido tão cedo. Talvez exista algo de genético. Eu e o meu pai somos, sem dúvida, muito parecidos em algumas coisas que são úteis. Que recordações guarda do seu primeiro espetáculo? Tinha quatro anos. Se não existisse um vídeo para me avivar a memória, acho que não me lembraria de todo. A melhor parte foi o facto de estar a atuar no meu jardim de infância, fazendo aparecer rebuçados para os meus colegas de classe. Durante algum tempo fui o herói da turma.

Foi o primeiro e único mágico português a entrar para a lista de Campeões Mundiais de Magia, em 2006. O que mudou com essa conquista? Tudo. Antes disso sonhava ser mágico profissional. Depois, sabia que essa possibilidade existia e estava ao meu alcance. Sempre tive muito apoio da comunidade mágica internacional e, desde o momento em que tive o reconhecimento do meu trabalho, sabia que podia fazer coisas das quais me iria orgulhar.


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“Sabermos para onde queremos ir é a nossa maior arma. Nenhum maratonista corre sem uma meta, é isso que o move.”

REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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Helder Guimarães com três dias de vida.

Que razões ditaram a sua mudança para os EUA? Queria expandir a minha carreira e sabia que teria acesso a oportunidades que, em Portugal, nem sequer existem. Infelizmente, a magia em Portugal não tem a dimensão ou visibilidade que deveria ter, e, quando tem, a qualidade é, muitas vezes, questionável. A quantidade de vezes que vi os meus projetos recusados por instituições públicas levou-me a deixar de acreditar no sistema cultural em Portugal. Resolvi tentar perceber se existiria espaço para eles fora do meu país e compreendi que sim, daí a mudança. Pelo que tem testemunhado, qual é a perceção que os americanos têm de Portugal? Inexistente. Alguns nem sabem onde Portugal fica. O nome mais conhecido acaba por ser o de Cristiano Ronaldo. Depois do Mundial de Futebol, a maioria

deve saber, pelo menos, que Portugal é um país e não uma província de Espanha. Como surgiu a oportunidade de criar “Nothing to Hide”, ao lado de Derek Delgaudio, num espetáculo que conquistou não só o público de Los Angeles como da Broadway, em Nova Iorque? Acidentalmente. Tínhamos de fazer uma atuação e, em vez de atuarmos separadamente, resolvemos criar algo juntos. Daí saíram grandes elogios e contactos. Continuámos a fazer esta atuação e surgiu, depois, a possibilidade de trabalhar com o Neil Patrick Harris [o conhecido Barney Stinson da série “How I Met Your Mother”]. Tudo foi muito orgânico. Na plateia deste espetáculo de magia e humor estiveram figuras como Woody Allen, Barbara Streisand, Steve

Martin e Ryan Gosling. Há algum truque de magia para esconder o nervosismo? Honestamente, acho que o nervosismo não existe quando temos segurança no nosso trabalho. Se existisse algum “truque”, seria esse. Não me lembro de me incomodar saber que alguém está no público para me ver, quando muito fico mais excitado por saber disso. Venceu duas vezes o “Parlour Magician Of The Year” (em 2011 e 2012), atribuído pela Academy of Magical Arts de Hollywood. O que representou cada um deles? O primeiro foi uma completa surpresa. Estava nomeado pela primeira vez, algo que, por si só, já era uma honra. Era o primeiro português a ser nomeado para um destes prémios e, nesse ano, o único não americano. Não esperava ganhar. Quando venci, nem me lembro muito bem do


H E LD E R G U I M A RÃ E S

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“Infelizmente, a magia em Portugal não tem a dimensão ou visibilidade que deveria ter, e, quando tem, a qualidade é, muitas vezes, questionável. A quantidade de vezes que vi os meus projetos recusados por instituições públicas levou-me a deixar de acreditar no sistema cultural em Portugal.” que disse pois não tinha nada preparado. Foi um choque, dos momentos mais surpreendentes que já tive. No segundo ano, a experiência foi distinta porque já existia uma esperança de vencer novamente, o que se confirmou. Pelo menos da segunda vez, já tinha um discurso preparado e acabou por ser mais confortável a experiência global. É possível conjugar a magia com outra profissão? Eu sou profissional de magia a tempo inteiro. É possível conciliar dois trabalhos, mas dificilmente se consegue um nível de excelência. Existem alguns exemplos disso, mas não poderemos considerar ser essa a regra. Qualquer área, para ser executada com o profissionalismo que merece, tem de ser vivida a cem por cento. Em que projetos está a trabalhar atualmente?

Infelizmente, tudo o que estou a fazer neste momento está ainda no segredo dos deuses. Estou sempre a planear novas coisas e, em breve, conto com algumas novidades públicas.

a “Village Voice”. Tive entrevistas no “Wall Street Journal” e “Huffington Post”. Em Portugal pouca gente reconhece o meu nome. Acho que a comunicação social não tem grande interesse no meu trabalho, por isso, não há O que é que falta em Portugal muito que possa fazer. Quando o para que a magia possa, real- vídeo da minha participação na mente, afirmar-se? TED foi colocado online, efetuei Qualidade. Acho que é isso que um press release e recebi alguns faz com que as pessoas queiram emails de publicações a dizer que ver mais magia. Acredito que, em isso não era digno de ser notícia qualquer área, quando se aposta em Portugal. Depois de António em qualidade, as coisas podem Damásio, fui o único português crescer e ganhar uma dimensão a ser convidado como speaker importante, tanto a nível cultural na principal conferência desta como social. Até existir alguém prestigiada organização, em mais que o faça, acho que vão sobre- de 30 anos, e isso não é digno de vivendo os exemplos menos maus. ser notícia. Que posso fazer mais? O reconhecimento sentido a nível internacional é superior ao nacional? Sem dúvida. Aqui [nos EUA] já fui capa de publicações importantes como a “LA Weekly” ou

Ambiciona regressar a Portugal? Um dia, possivelmente. Gostava muito de poder levar um espetáculo a Portugal e fazer uma tour pelos muitos teatros municipais que existem pelo país. REVISTAVIVA, JUNHO 2015


F C P O R T O

E VÃO SE7E! NÃO SE CURVOU PERANTE AS DIFICULDADES E ACREDITOU ATÉ AO FIM. O FC PORTO VITALIS ACABA DE SE SAGRAR HEPTACAMPEÃO, ESCREVENDO UMA NOVA PÁGINA NO ANDEBOL PORTUGUÊS.

Fotos: FC Porto/adoptarfama e Rui Oliveira

Foi um último jogo impróprio para cardíacos que acabou com os atletas azuis e brancos a dedicarem um sem número de vénias aos adeptos, entre os gritos eufóricos de quem torceu, até ao último minuto, com o Dragão ao peito. O FC Porto já havia revolucionado o andebol português – com a conquista de seis campeonatos consecutivos – mas voltou, esta época, a fazer história, arrecadando o troféu

de heptacampeão. Com elevadas doses de adrenalina a correrem-lhes nas veias, os jogadores, a equipa técnica e o público pintaram o pavilhão Dragão Caixa de emoção até a voz lhes faltar. Que o diga o capitão de equipa, Ricardo Moreira, que, depois de uma série de jogos em que soube ‘puxar as orelhas’ e incentivar os colegas mais novos, terminou a última partida quase afónico,

repartindo o mérito por toda a estrutura azul e branca. “Além de sermos um grupo fantástico, estamos num clube muito especial. Acho que merecemos muito este título e fomos mais fortes. Além disso, temos uns adeptos especiais, que nos apoiaram sempre do primeiro ao último jogo do campeonato, tanto na fase regular como no play-off. Estou muito grato por poder fazer parte desta equipa e fazer


A N D E B OL

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Hugo Laurentino, Ricardo Moreira e Gilberto Duarte são os únicos jogadores do plantel que participaram na conquista dos sete títulos.

história neste grande clube e espero que possamos continuar a repetir esta festa, porque o FC Porto merece”, reconheceu. E ao experiente jogador coube também a tarefa de dar um banho de cerveja ao treinador do FC Porto, Ljubomir Obradovic, que, ao longo do derradeiro encontro frente ao Sporting, gritou, resmungou, contestou e, finalmente, sorriu. “Parabéns a todos, aos jogadores, à equipa

técnica, à administração e aos adeptos. E também à equipa do Sporting, pelo que jogou e nos obrigou a jogar, dando mais mérito à nossa vitória. Defrontámos um adversário muito bom, que tem um plantel mais experiente, mas acabámos por ser mais fortes e uns justos vencedores”, defendeu o sérvio, que orientou o conjunto em seis destas sete épocas de hegemonia.

CAMPEONATOS FC Porto - 20 Sporting - 17 ABC - 12 Benfica - 7 Belenenses - 5 Salgueiros - 1 Madeira SAD - 1

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F C P O R T O

Uma ‘negra’ pintada de azul e branco Mas voltemos ao início. O triunfo do FC Porto foi impróprio para cardíacos porque, além de o título só ter ficado decidido no quinto jogo do play-off, foi necessário recorrer a dois prolongamentos para se encontrar o grande vencedor. Assim, só ao fim de 80 minutos é que os portistas conseguiram respirar de alívio,

face ao resultado de 34-32 no marcador. De recordar que a equipa venceu os dois primeiros jogos no Dragão Caixa e perdeu os dois seguintes, no Pavilhão Multiusos de Odivelas, razão pela qual o título de Andebol teve de ser decidido na “negra”. O último jogo (realizado a 23 de maio) esteve equilibrado durante muito tempo, mas há que ressalvar as exibições do guarda-redes

Alfredo Quintana (14 defesas) e de Ricardo Moreira, que marcou dez golos. “É um sinal de que os meus colegas me procuram nestes jogos, que confiam em mim nos momentos decisivos”, afirmou o capitão, que não tremeu ao apontar o último livre de sete metros, que deu origem ao resultado final (34-32) e à quase certeza da vitória. “Foi a final que todos queriam, com emoção. O FC Porto foi a melhor equipa na fase regular e nos play-offs”, acrescentou o ponta-direita, um dos atletas que esteve nos sete títulos arrecadados. Os restantes são o lateral-esquerdo Gilberto Duarte e o guarda-redes Hugo Laurentino, que, encerrada a partida, destacou o triunfo histórico do conjunto. “Talvez nos próximos cem anos nenhuma equipa vá conseguir o hepta”, frisou, orgulhoso.


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OBRADOVIC: O TREINADOR COM MAIS TÍTULOS CONSECUTIVOS NO PAÍS A maratona de vitórias do FC Porto Vitalis começou em 2008/09, com Carlos Resende no comando técnico. Na época seguinte, Ljubomir Obradovic ‘pegou’ na equipa e nunca mais a deixou sair do topo. Com o triunfo assegurado a 23 de maio, o sérvio alcançou um feito notável, transformando-se no treinador que mais campeonatos seguidos ganhou em Portugal. Na época passada, ao assegurar o quinto título, igualou o feito de Matos Moura – técnico responsável pelo penta do Sporting, entre 1968/69 e 1972/73. O hepta dos dragões permitiu, assim, ao treinador azul e branco isolar-se nas contas nacionais. De sublinhar que, com a chegada de Obradovic, o sistema de treinos do FC Porto sofreu uma revolução. A intensidade dos trabalhos diários e a exigência e rigidez do técnico surpreenderam os jogadores, que reconhecem, atualmente, a importância das alterações introduzidas nos últimos anos.

Pé de Quintana mantém FC Porto na luta pelo título Há ainda outro episódio digno de registo nesta batalha entre “dragões” e “leões”. A terminar o primeiro prolongamento (e com o resultado em 30-30), o Sporting teve oportunidade de chegar à vitória na sequência de um livre de nove metros. Ainda assim, Alfredo Quintana esticou o pé ao canto da baliza e conseguiu manter bem viva a esperança azul e branca. Desta forma, para Obradovic, não há dúvida de que a ambição e a capacidade de acreditar até ao fim foram as grandes mais-valias do conjunto. Para o treinador, este foi o mais difícil dos títulos conquistados pelo facto de ter sido alcançado no play-off, sistema que, segundo defende, “só tira mérito à equipa mais regular e competitividade ao andebol português”.

O CLUBE COM MAIS TÍTULOS NACIONAIS DE ANDEBOL Feitas as contas, o histórico heptacampeonato surge como a mais recente conquista de uma série de triunfos que levaram o FC Porto a reforçar a sua posição como o clube português com mais campeonatos nacionais de andebol: 20 no total. Num olhar centrado apenas no período a partir da época 1998/99, em que os azuis e brancos (na altura comandados por José Magalhães, atual diretor-geral da modalidade) deram por terminado um longo jejum (31 anos sem ganhar a principal prova portuguesa), são 21 os troféus conquistados. Ao longo das últimas 17 temporadas, o clube arrecadou sempre pelo menos um título. Assim, olhando para trás, somam-se 11 Campeonatos, cinco Supertaças, três Taças da Liga e duas Taças de Portugal. Números que traduzem a garra do saber jogar “à Porto” de que jogadores e técnicos tanto falam: não reagir com naturalidade às derrotas, dar tudo por tudo em campo e encarar as mais recentes conquistas como algo do passado. É por isso que, agora, a equipa de andebol já só pensa no próximo desafio a conquistar: o do oitavo campeonato. REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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DIVERSÃO CULTURAL E INTERVENTIVA

HÁ BEBIDAS E CONVERSAS, MAS UM POUCO MAIS. NA CIDADE DO PORTO, NÃO FALTAM BARES E CAFÉS COM VALÊNCIAS ARTÍSTICAS: UNS FUNCIONAM, EM SIMULTÂNEO, COMO GALERIAS EXPOSITIVAS, OUTROS ACOLHEM CONCERTOS E SESSÕES DE POESIA.

MAUS HÁBITOS: AS POTENCIALIDADES DE UM 4.º ANDAR “Não tem um palco italiano, mas oferece condições para acolher concertos e peças de teatro. Não é galeria, mas dispõe de espaços apropriados para receber exposições. Não é ateliê, mas desenvolve programas de residências e convivências artísticas. Não é discoteca, mas gosta de festas e copos ao fim da tarde. Não é cozinha tradicional, mas gosta de comer bem, experimentar novos sabores e incentivar certos vícios de mesa”. Situado em frente ao Coliseu, na Rua Passos Manuel, o Maus Hábitos leva os visitantes a entrarem pela garagem e a subirem até ao 4.º andar, apresentando-lhes um bar-café, de ambiente informal, e várias salas onde decorrem eventos em simultâneo: exposições, instalações, dj sets e concertos. E a escolha do nome tem, pois, uma razão de ser. “Maus Hábitos porque a intervenção cultural, para ser socialmente expressiva e fecunda, para que não se esgote na dimensão do meramente decorativo, não pode ser ‘bem comportada’. Deve ser inovadora, subversiva, transgressora”, resume o próprio espaço. Funciona de terça a domingo, abrindo às 12h00 e encerrando entre as 00h00 e as 04h00, consoante a programação. O restaurante serve almoços das 12h00 às 15h00 e jantares das 20h00 às 23h00.


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PETISCAR, BEBER E ‘DAR DUAS DE LETRA’ Situado num prédio oitocentista em frente ao jardim de São Lázaro, o Duas de Letra é uma cafetaria-galeria que convida a relaxar mas também a agir. Pretende ser, acima de tudo, um espaço multifacetado, onde seja possível desfrutar de um almoço, de um brunch ou de uma bebida, ao fim da tarde, entre amigos. Mas também é uma alternativa aos que querem simplesmente aproveitar para ler, estudar ou trabalhar, num ambiente calmo, e apreciar uma exposição ou outro evento cultural.


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Fotos: Paulo Correia e Isabel Leal

PINGUIM: A CASA MÃE DAS SESSÕES DE POESIA É um recanto portuense muito frequentado por pessoas ligadas ao meio artístico, especialmente ao teatro. Situado no número 65 da Rua de Belmonte, o Pinguim Café é conhecido pelas suas sessões de poesia, iniciadas há mais de 25 anos pela mão do poeta e crítico literário Joaquim Castro Caldas (1956-2008). E, desde então, muitos outros dizedores e amantes de poesia se sentaram à mesa do espaço, todo ele em pedra. Daniel Maia-Pinto Rodrigues e Walter Hugo Mãe são apenas dois exemplos. Já depois de o fundador da movida poética do Pinguim se ter mudado para Lisboa, foi o ator Rui Spranger que acabou por agarrar a iniciativa, não a deixando morrer.


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Vandoma, a feira do povo num terraço sobre o Douro HÁ DE TUDO E PARA TODOS OS GOSTOS. CUIDADOSAMENTE ALINHADOS NUM GRANDE TAPETE, EM JEITO DE IMPROVISO, VÁRIOS COMANDOS DE TELEVISÃO BRILHAM AO SOL, VOLTADOS PARA O RIO. UNS METROS À FRENTE, NÃO FALTAM CHAPÉUS AO ESTILO MEXICANO, MÁQUINAS DE COSTURA, BRINQUEDOS, ROUPA E ATÉ LÂMPADAS MÁGICAS, DAQUELAS QUE APETECE TER NO MÓVEL DE CASA PARA VER SE, TAL COMO NO FILME DO ALADINO, EXISTEM, DE FACTO, GÉNIOS DISPOSTOS A CONCRETIZAR DESEJOS. E OS LIVROS DE BANDA DESENHADA, JÁ COM AS PÁGINAS GASTAS E AMARELADAS, TAMBÉM FAZEM VIAJAR NO TEMPO, REVELANDO A VERDADEIRA ESSÊNCIA DA FEIRA DA VANDOMA, QUE, AO NASCER DO SOL DE CADA SÁBADO, SE VAI COMPONDO, NAS FONTAINHAS. POR VOLTA DAS 11H00, ATINGE O SEU AUGE: É QUEM MAIS QUER VENDER E QUEM MAIS QUER COMPRAR E REGATEAR PREÇOS NESTE CERTAME TÃO TÍPICO, DEDICADO À VENDA DE OBJETOS USADOS. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Rui Oliveira

A espontaneidade é, talvez, a marca mais forte da feira, que arrancou nos anos 70 do século passado, nas imediações da Calçada da Vandoma, junto à Sé do Porto, maioritariamente por iniciativa de jovens estudantes que vendiam livros e roupas em segunda mão. Mais tarde, passou a ser regulamentada pela autarquia local. E por estes dias, entre os apelos dirigidos aos fregueses, há desabafos dos vendedores face à possibilidade de terem de abandonar as Fontainhas para

continuarem a fazer as suas vendas. Isto porque, no âmbito de um plano de reorganização das feiras da cidade – que está, neste momento, em discussão pública – a Câmara do Porto está a avaliar a transferência da Vandoma para a Alameda de Cartes, entre o viaduto da rua de S. Roque da Lameira e a denominada rotunda do Cerco, na freguesia de Campanhã. A ideia passará também por levar a Feira dos Passarinhos, que se realiza na Cordoaria, para o Passeio das Fontainhas.

De acordo com a autarquia portuense, o objetivo da alteração é alcançar “ganhos de ocupação”, já que na Alameda de Cartes existe bastante espaço disponível, “fácil de delimitar”. O executivo tem procurado tranquilizar os vendedores – alegando que nada está decidido e que as sucessivas mudanças de espaço nunca prejudicaram a Feira da Vandoma – mas a verdade é que a incerteza do futuro e o facto de ainda não terem conseguido conversar pessoalmente com o presidente


FEIRA DA VA N D OM A

da câmara, Rui Moreira, está a revoltar os comerciantes. “Fazem-se grandes amizades aqui” Maria Fernanda começou a vender na Vandoma pouco antes do 25 de Abril [1974], ainda na Sé, e acompanhou as deslocações do certame – que, das Fontainhas, foi para a Cordoaria, regressando, depois, ao local onde decorre atualmente. “Estou aqui há 41 anos, mas esta feira tem perdido muito valor”, defendeu, recordando

com saudade o tempo em que os jovens “vendiam, lá, as suas coisinhas para juntarem algum dinheiro”. “Agora não se vende tão bem porque há gente a mais”, referiu, frisando que longe vão os sábados em que conseguia voltar a casa com “50 contos” na carteira. Ainda assim, não prescinde de conjugar o seu trabalho semanal com as idas à feira. “Os meus filhos até me dizem que, quando não venho, não me podem aturar”, reconheceu. “E vou-lhe dizer, sempre tive uma

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vida pobre e o que me valeu foi a Vandoma”, acrescentou, contando que já lá fez “grandes amigos”, convivendo com pessoas de vários níveis, “dos mais intelectuais aos mais simples”. Dito isto, interrompe a conversa para falar com uma cliente. “Quanto é que dava por isso [um objeto decorativo]? Três euros? É pouco, amor, mas leve lá que a menina já é da casa. E olhe, também não acha bem que a feira saia daqui pois não?”, questionou Maria Fernanda. Com a surpresa refletida no rosto – e REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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enquanto efetuava o pagamento – a ‘freguesa’ respondeu. “Sair daqui para onde? Campanhã? Nem pensar. Fazemos uma manifestação! Acorrentamo-nos às árvores”, respondeu, frisando que faz questão de ir espreitar a Vandoma sempre que está no Porto. “Vê como aqui há amizade?”, constatou a vendedora, adiantando que há quem se desloque à sua ‘banquinha’ nem que seja só para conversar um pouco. “Não compram nada numa semana, mas compram na seguinte. Isto faz-nos bem”, afirmou, reconhecendo que ainda não sabe se está disposta a acompanhar uma eventual mudança para Campanhã. “Talvez vá experimentar, mas peço a Deus para que a feira não saia daqui. A Vandoma é do coração do Porto, não da periferia. No estrangeiro também há feirinhas destas. A minha filha foi estudar para Londres, eu fui lá várias vezes, e vi muitas, até ao lado de igrejas. Por isso, se a tirarem daqui, estão a roubar-lhe todo o valor”, lamentou.

Vendedores pedem reforço do policiamento Maria da Silva também descobriu a Vandoma ainda antes de ser obrigatório o p a g a m e n to d e u m a t a xa (atualmente de 23 euros mensais). Com a mãe acamada e a precisar de cuidados constantes, falhou, durante uns meses, a liquidação da mensalidade e viu-se a braços com uma dívida de mais de 200 euros. “Como sou de Matosinhos, faz-me diferença ter de vir ao Porto de propósito. Não há mais nenhuma forma de pagamento, tenho de ir lá à Câmara”, referiu, contando que, ainda não se havia refeito desta despesa e já estava a ser confrontada com outra “má notícia”: a possibilidade de a feira mudar de sítio. Ao contrário de Maria Fernanda, que ainda está hesitante, Maria da Silva não tem dúvidas. “Não me dá jeito nenhum ir para Campanhã e nem o meu marido me deixa! Há muita gente aqui a precisar deste dinheiro para

comer. Não sei no que isto vai dar”, realçou. Para a feirante, se o problema apontado à Vandoma se prende com o barulho (que irrita os moradores) e com os que ali se estabelecem a vender sem pagarem as taxas, a solução seria fácil: apostar no reforço do policiamento. “Toda a gente sabe que há aqui muitos que não pagam. Porque é que não há mais polícias? Assim já podiam controlar melhor as pessoas. É o que acontece em qualquer feira, em Custóias, Guifões, Senhora da Hora e Espinho”, referiu. “E nós não temos culpa do barulho que os outros fazem. Que acabem com o barulho! Não precisam é de acabar com a Vandoma”, acrescentou, visivelmente irritada. Maria já chegou até a ir falar com um agente da polícia lá presente a dar conta da venda ilegal, mas garante que nada foi feito. Apesar do descontentamento, é vê-la, no minuto seguinte, de olhar brilhante, a descrever a


FEIRA DA VA N D OM A

feira na qual participa há três décadas. “Isto é uma coisa linda, toda a gente admira muito a Vandoma”, referiu, abrindo os braços como quem apresenta, orgulhosamente, um enorme terraço, com vista para o Douro, onde se encontra de tudo. E o pitoresco do cenário, acrescenta, atrai muitos, muitos turistas. “Ainda há pouco veio cá uma senhora e disse qualquer coisa, mas eu não entendi nadinha”, contou, entre gargalhadas, frisando que os estrangeiros adoram coisas antigas e não saem do Passeio das Fontainhas sem tirar fotografias. Atualmente desempregada, Maria da Silva dedica as manhãs de sábado ao certame na esperança de conseguir arrecadar algum dinheiro. “Já tive dias que renderam 50 euros. É bem bom, já dá para pagar a conta do talho. O meu marido está empregado, tira um ordenado de 500 euros e isto não é fácil. Além disso estou a pagar a casa. O que ainda me ajuda é a reforma da minha mãe”, contou.

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FEIRA INTERROMPIDA DURANTE O SÃO JOÃO De 13 de junho a 6 de julho, a realização da Feira da Vandoma ficará suspensa devido ao regresso dos festejos do São João às Fontainhas. Face aos protestos dos feirantes, que temem que a habitual interrupção (durante as festas da cidade) acabe por ser permanente, fonte oficial da autarquia reiterou que a única decisão tomada até ao momento foi precisamente a de abrir um período de discussão pública, no fim do qual será tomada uma decisão sobre o local do certame. De passatempo a vício Com um semblante sereno e um tom de voz especialmente moderado, Tavares, de 68 anos, é um dos feirantes mais antigos. Atualmente aposentado, foi operador metalúrgico e, há 40 anos, sobraram-lhe “umas coisas lá em casa e ouviu falar da feira, na Sé”. Experimentou e, desde então, nunca mais conseguiu abandonar este passatempo, sobretudo porque nasceu e foi criado nas Fontainhas, razão que o leva a sentir-se em casa. “Isto não é um ganha pão, foi um vício que ganhei e, claro, se conseguir fazer algum dinheiro, tanto melhor”, explicou, calmamente. Para o vendedor (o 184 da lista de cerca de 300 com lugar pago), só quem não passou pela Vandoma de antigamente pode afirmar que a atual está de boa saúde. “A

feira está muito fraca”, garantiu, defendendo, por exemplo, que, face ao pagamento mensal efetuado, os comerciantes deveriam ter melhores condições sanitárias e toldes ou outras proteções que facilitassem o trabalho no inverno. “Nós pagamos e não temos isso. Mas a Feira dos Pássaros, mesmo no centro da cidade, tem todos esses benefícios. Não somos tratados por igual”, sustentou. É por isso que não hesita em comunicar a decisão tomada recentemente. “Se nos obrigarem a ir para o sítio que está proposto vou deixar de dar a minha cotização mensal à Câmara do Porto. Não vou deixar de vender, vou para lá, mas para um lugar não pagante”, avisou. “Se sair daqui acaba-se a Feira da Vandoma por completo”, concluiu. REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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“O PORTO CANAL TEM DE SER

LÍDER”

CONTINUAR A DAR INFORMAÇÃO DE QUALIDADE AOS TELESPECTADORES QUE PROCURAM UMA VISÃO DIFERENTE DA QUE É DADA NAS RESTANTES ESTAÇÕES TELEVISIVAS É A AMBIÇÃO DOS COORDENADORES EXECUTIVOS DO PORTO CANAL. Fotos: Rui Oliveira

Fazem a ‘ponte’ entre a direção e a redação e é com orgulho que se dedicam, “de corpo e alma”, ao projeto que têm visto crescer. Com a entrada de Ana Guedes Rodrigues como diretora de Informação do Porto Canal, Ana Rita Basto e Tiago Girão foram desafiados a assumir o cargo de coordenadores executivos, tarefa que conciliam com a

apresentação do Jornal Diário. Se para a jornalista, natural de Amarante, as rotinas de trabalho permaneceram idênticas, para Tiago – que passou da equipa dos conteúdos FC Porto para a da Informação – a mudança foi significativa. Mas o balanço da experiência, esse, está a ser positivo e os dois coordenadores tê m a s s u a s m et a s b e m delineadas. “Temos de ter ambições na nossa vida e o

Porto Canal tem de ser líder, tem de ser o mais visto no Norte. É para aí que temos que caminhar”, afirmou Girão, defendendo que toda a equipa está preparada para o difícil caminho que tem pela frente. Na estação televisiva há já seis anos, Ana Rita Basto conhece bem os cantos à ‘casa’ e é na redação, entre os jornalistas que coordena, que se sente bem. Ainda que a sua primeira opção nunca tenha sido a televisão – estagiou na TSF e estreou-se no mundo profissional no Rádio Clube Português – chegou ao Porto Canal recetiva a fazer de


tudo, tanto que alinhou, desde logo, como pivô. A Informação é a sua ‘praia’, mas chegou a ser chamada a apresentar outros programas, “pequenas experiências” que encara, de forma saudável, como parte do percurso. A certa altura, foi com “imensa pena” que teve de deixar de fazer reportagem no exterior. “Há momentos em que temos de tomar decisões porque não podemos estar em todo o lado ao mesmo tempo. Durante uma fase ainda consegui conciliar: fazia uma semana de apresentação do jornal e outra de reportagem. Mas, neste momento, só estou REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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com a função de pivô e com a coordenação”, referiu. Entrar para o canal e ser, de imediato, um dos rostos da apresentação foi algo que lhe exigiu um esforço especial. “Eu vinha da rádio e, portanto, como em termos de linguagem e de escrita é tudo muito semelhante, não tive dificuldade nenhuma”, sublinhou, reconhecendo, todavia, que a construção do ‘boneco’ para televisão foi um desafio mais complexo. “Não sou, no dia a dia, uma pessoa extremamente preocupada com a imagem e custou-me a adaptar. Em rádio, quando estamos a falar, não estamos a ser vistos e podemos gesticular mais. Em televisão tudo tem de ser mais contido”, explicou, defendendo que a capacidade de chegar aos telespectadores se alcança “não de uma forma automática”, mas na sequência “de um caminho que se vai percorrendo”. Apesar de já fazer coordenação editorial de jornais, o convite para a coordenação executiva do canal foi recebido com alguma surpresa. “Fiquei um bocado preocupada com

o que isso poderia significar”, confessou, esclarecendo que, depois de perceber que as suas rotinas de trabalho não iriam ser assim tão diferentes, ganhou confiança para aceitar o desafio. “Queria continuar a fazer aquilo que gosto: apresentar o jornal e trabalhar diretamente com os jornalistas e isso não mudou”, afirmou. “Aliás, fisicamente, o meu espaço é cá em baixo à beira deles [jornalistas] porque sempre senti essa necessidade”, acrescentou. De resto, vestir a camisola do Porto Canal há seis anos tem sido uma aventura de “grande orgulho”. “É uma equipa muito jovem, o que também nos traz desafios quase diários, e é com grande satisfação que conseguimos dar voz a pessoas que estão afastadas dos centros de decisão”, sustentou. Com um percurso já mais ligado ao Desporto, Tiago Girão entrou para a estação televisiva há quatro anos, depois de um convite do FC Porto para a produção de conteúdos do clube. Esteve oito anos a trabalhar na SIC, em Lisboa, e não quis desperdiçar

a oportunidade de regressar ao Norte do país. Recentemente, passou a integrar a equipa da Informação e também apresenta o Jornal das 20h00, em alternância com Ana Rita Basto. A mudança foi bastante grande, mas assumida com entusiasmo. “As rotinas ao nível do Desporto são completamente diferentes. Os horários dos programas são distintos e é tudo muito mais tranquilo em termos de ritmo. No Desporto, temos o primeiro bloco informativo às 19h30, ao passo que, na Informação, o primeiro bloco é às 13h00. Logo aí há uma diferença substancial”, ilustrou, garantindo estar, ainda assim, satisfeito com as novas funções e com a entrega da equipa de jornalistas. “Estão sempre disponíveis. Às vezes até tenho necessidade de lhes pedir desculpa pelo número de solicitações que fazemos. Hoje pedi a uma jornalista para fazer três peças, o que não é nada fácil”, realçou, elogiando o “espírito de trabalho e de sacrifício” dos profissionais. Quanto à qualidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos, o coordenador executivo não tem dúvidas. “A evolução tem sido notória. Quando cá cheguei, este era um canal radicalmente diferente a nível de conteúdos, instalações e métodos”, sustentou, lembrando, contudo, que há um longo caminho a percorrer. “O projeto em si é muito valioso para a região, mas acaba por ser dificultado pelo contexto em que vivemos”, frisou, reiterando que só há um caminho a seguir: o da liderança.


P ORTO CA N A L

DÉBORA SÁ: O NOVO ROSTO DO “CONSULTÓRIO” A integrar a equipa do Porto Canal desde março deste ano, Débora Sá é a nova apresentadora do “Consultório”, programa diário sobre saúde e medicina que vai para o ar às 18h00. Com um percurso “sempre ligado à televisão e, de uma forma mais abrangente, à comunicação”, o novo rosto da estação televisiva assume que sempre ambicionou ver o seu nome associado a um projeto destes, “que tem tudo para ser vencedor e que, aliás, já o é”. “Por minha vontade já cá estava há muito tempo. Mas tudo tem um timing certo”, notou, frisando que a especificidade de conteúdos produzidos no canal o transformam numa iniciativa “sem par em Portugal”. Antes de alinhar nesta nova aventura, Débora Sá passou pela RTP Porto e pela TVI, em Lisboa, tendo estado três ou

quatro anos “a trabalhar ao lado de grandes referências televisivas, como Manuel Luís Goucha, Cristina Ferreira e Júlia Pinheiro, nos programas de entretenimento, a fazer apresentações”. Depois disso, durante um ano, foi responsável de comunicação e marketing de uma empresa, onde realizou reportagens, vídeos institucionais e outras tarefas. “Nunca estive, portanto, fora da área e, entretanto, surgiu a oportunidade de vir para o Porto Canal”, contou, assegurando que aceitou o convite no mesmo minuto. Segundo reconheceu a nova apresentadora, a experiência está a ser exigente por dois motivos: pelo facto de se tratar de um programa em direto e por já ter sido conduzido “por algumas das caras mais carismáticas e reconhecidas” da estação. “É um enorme desafio, mas, se assim não fosse, não seria tão

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interessante”, garantiu, bem disposta. De resto, dedicação é o ingrediente que garante utilizar no seu dia a dia, em doses generosas. “Preparo-me exaustivamente para cada programa”, garantiu, justificando que o “Consultório” já conquistou o reconhecimento não só da classe médica, mas de todo o público. “Quero manter a fasquia – que já era elevada – e tentar fazer sempre melhor”, referiu. Os temas abordados, esses, são os mais diversos, procurando-se que mantenham sempre a atualidade. E é com satisfação que tem recebido um feedback “positivo” da direção, dos colegas do canal e dos telespectadores. “Estou muito contente, mas sou exigente e penso que há sempre aspetos a melhorar”, defendeu, assumindo que é já inegável o carinho com que, de segunda a sexta-feira, ‘abre as portas’ do seu “Consultório”. REVISTAVIVA, JUNHO 2015


M Ú S I C A

, s o t r e c n Co , s o t n e m lanсça s e d a d i s o i cur ATUA RAQUEL TAVARES CAIXA RIBEIRA: AÇÕES eira SN ival Caixa Rib NO PÁTIO DAue atuar no fest i de, va s en re es va R Ta l Júlio

como A fadista Raq -se a nomes Khalil e o, juntando nh Rabih Abouju & de ro 13 ei a ib R do das ar ic R obone, izado no Pátio Maria Ana B erto será real nc ina, ol co ar O . C , lix ho a Fé ané, Carmin am Rodrigo Cost C . sa aria ol M B lácio da Guerreiro, Nações do Pa a João, Katia el is no G s a, te ci en ên ra, Flor nomes pres Cidália Morei em s são outros er ue rr rig co od de R a co rtame, da Fé e Mar edição do ce O bilhete da primeira dias 12 e 13. s no o alinhamento rt Po do ra ei é-venda, ib pr R da al custa, em vários locais as do festiv di is do os ros. único para evento, 35 eu , durante o 28 euros, ou

THE BLACK M DO MARÉS VIVAMBA NO PALCO PRINCIP AL AS A 18 DE JU LHO

Depois de terem con quistado, cundário em 2014, do festival o palco se , os The B agora, en lack Mam tre as prin ba figuram cipais ban esta edição , das anunci do Meo Mar adas para és Vivas, q habitualm ue decorrer ente, na pra á, como ia do Cabed Gaia. Com elo, em Vila uma sono Nova de ridade sou marcado co l, o trio tem m o públic encontro o a 18 de ju Ciro Cruz e lho. Pedro Miguel Cas Tatanka, ais aliaram numa aven -se em 2010 tura pelo , partindo universo d “The Black o Blues, Sou Mamba”, o l e Funk. primeiro d editado em isco de ori maio e co ginais, foi nquistou, co portug de imedia uês. Em p to, o públiouco mais que marca de um an a tour de o, naquela estreia, pas Filadélfia, saram por Luanda, M Londres, adrid e Sev no Brasil co ilha, encerr m chave d ando 2013 e ouro. O arrancou co ano seguin m a produ te (2014) ção do se ginais, “D gundo dis irty Little co B de oriro th Produzido er”, editad entre Lisb o em sete oa e Nova mbro. 11 temas q Iorque, o ál ue contam bum reúne com a cola como Aure boração d a, António e artistas Zambujo, S ilk e Orland a Guilande.


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CARMINHO AO

VIVO EM GUIM

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A Plataform a das Artes e da Criativ rães, já es idade, em tá em con tagem dec Guimaum dos no rescente p mes mais re ara receber levantes d Carminho o fado, na subirá ao p atualidade. alco no dia sentar o se 18 de julho u mais rece para aprente disco, com duas “Canto”, q participaç ue conta õ es de peso: C escreveu a aetano Vel letra de “O oso, que Sol, Eu e Tu com quem ”, e Marisa interpreta Monte, , em dueto Natural de , “Chuva Lisboa, a no Mar”. artista estr público ao eo u-se a can s 12 anos, tar em no Coliseu editado o dos Recre seu prime ios, tendo ir o álbum, Seguiu-se “Fado”, e uma digre m 2 0 0 9. ssão de 6 internacio 0 datas n nais e a g acionais e ravação d com Pablo o dueto “P Alborán, q erdoname” ue a transf cantora po , ormou na rtuguesa a primeira atingir o lu espanhol. gar cimeiro Em 2012, la do top nçou o seg que a levo undo álbu u a liderar m, “Alma” a lista nacio e à concreti , nal dos mai zação do so s vendidos nho de gra Milton Nas var com os cimento e brasileiros Chico Buar que.

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“Sardinhas & Broa” A POUCO TEMPO DA NOITE MAIS LONGA DO ANO NO PORTO – A DO SÃO JOÃO – DESAFIÁMOS O CHEFE RICARDO COSTA, DO THE YEATMAN, A DEIXAR-NOS ‘DE ÁGUA NA BOCA’. QUER VER O RESULTADO? Fotos: Rui Oliveira


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um golpe de mestria estão filetadas as sardinhas que prometem fazer as delícias dos que não prescindem dos sabores do São João. A escolha do chefe Ricardo Costa, responsável pelo restaurante do hotel vínico de luxo The Yeatman, situado em Vila Nova de Gaia, não parece ter sido difícil. Nesta altura do ano, com as festas que se avizinham, sardinha, broa e caldo verde são algumas das presenças asseguradas na mesa de arraial da mais emblemática celebração do Porto. E é exatamente da reinterpretação destes sabores que nasce o “Sardinhas & Broa” (prato da carta primaveril do espaço), que pode ser apreciado tendo o rio Douro como pano de fundo. Uma proposta “visualmente diferente”, com um toque contemporâneo, mas que não descarta texturas e aromas obrigatórios. Em menos de cinco minutos – depois de cozinhadas, suavemente, em azeite e alho – as sardinhas já brilham sob o olhar atento do chefe, conjugadas com puré de cebola, batatas, chouriço, ervas, algas e, claro, broa, previamente salteada, triturada e transformada numa espécie de crumble. O toque final? A espuma… a condensar a frescura do mar numa só experiência de sabor.

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Meses de animação A TRABALHAR AFINCADAMENTE NA DEFINIÇÃO DO PROGRAMA DE ATIVIDADES QUE DINAMIZARÁ NO PRÓXIMO ANO, ENQUANTO CAPITAL DA CULTURA DO EIXO ATLÂNTICO, MATOSINHOS PROMETE INTENSIFICAR A SUA OFERTA CULTURAL JÁ ESTE VERÃO, COM UMA MÃO CHEIA DE SUGESTÕES PARA TODOS OS GOSTOS E IDADES. À PROGRAMAÇÃO REGULAR DE JAZZ DO CONCELHO, JUNTAR-SE-ÃO DOIS GRANDES CONCERTOS, UM DELES A REUNIR EM PALCO A ORQUESTRA SINFÓNICA DO PORTO CASA DA MÚSICA E O PREMIADO MÚSICO NORTE-AMERICANO GREGORY PORTER. E DEPOIS DE LEÇA DA PALMEIRA EMBARCAR NA TÃO APRECIADA VIAGEM AO SÉCULO XIV, À ÉPOCA DOS PIRATAS E ALQUIMISTAS LOUCOS, A PRAIA DO ATERRO RECEBERÁ UMA EDIÇÃO REFORÇADA DA BEACH PARTY, CUJA PROJEÇÃO JÁ SUPEROU AS FRONTEIRAS NACIONAIS. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Francisco Teixeira (CMM)


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um momento em que Matosinhos se prepara para acolher, em 2016, a Capital da Cultura do Eixo Atlântico, sucedendo à cidade espanhola de Ourense, diversidade e animação vão ser as palavras-chave da agenda de eventos deste verão, numa espécie de aquecimento para o que aí vem. A forte ligação do concelho ao jazz vai manifestar-se uma vez mais a 13 de junho, com uma proposta que, segundo garantiu o vereador da Cultura da autarquia local, Fernando Rocha, resultará “num dos grandes acontecimentos do ano” ao nível do referido estilo musical. Numa iniciativa gratuita, realizada na Praça Guilhermina Suggia, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música atuará, nesse dia, com Gregory Porter, vencedor do Grammy para Melhor Disco de Jazz de 2014, com “Liquid Spirit”. Descrito pela crítica como o ‘rei’ do jazz – ao lado de Joe Williams, Nat King Cole, Donny Hathaway e Marvin Gaye – o norte-americano é conhecido pelo seu ‘groove’ carregado de emoção, num misto harmonioso de jazz, blues, soul e gospel. Com mais de um milhão de álbuns vendidos e vários discos de ouro, Gregory Porter já deu mais de duas centenas de concertos, tendo partilhado o palco com artistas como Stevie Wonder, Jamie Cullum e Van Morisson. Mais tarde, a 25 de julho, o município brindará o público com “outro grande momento musical, mais voltado para o jazz português”: a Orquestra de Jazz

de Matosinhos subirá ao palco na companhia de Manuela Azevedo, dos Clã. “Continuamos a ter produções próprias” Mas antes disso, a 19 de junho, a cantora portuguesa, natural de Vila do Conde, alinhará com o humorista Bruno Nogueira no espetáculo “Deixem o pimba em paz”, desta vez no Cine-Teatro Constantino Nery. Os dois artistas interpretarão canções do repertório de música

portuguesa, mais brejeira e popular, com novos arranjos musicais assinados pelo pianista Filipe Melo e por Nuno Rafael, conhecido sobretudo no universo do pop rock nacional. Mostrar “o potencial da música pimba, para lá do que as pessoas conhecem” é o grande objetivo da proposta, que poderá, agora, ser vista no Constantino Nery, reaberto em 2008. Segundo Fernando Rocha, o balanço destes sete anos de programação cultural “é REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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altamente positivo”. “O teatro abriu e, de imediato, se instalou a crise. Houve um grande desinvestimento na área da cultura, mas, na Câmara de Matosinhos, felizmente, isso não aconteceu. Temos mantido a programação regular nas diversas áreas e temos uma boa adesão do público, o que é fundamental. Além disso, continuamos a ter produções próprias (algo bastante raro em Portugal), nomeadamente no campo do teatro e em algumas áreas da música, através do Quarteto de Cordas de Matosinhos”, frisou o responsável do pelouro da Cultura. O mesmo se verifica, por exemplo, com a Orquestra de Jazz, envolvida num ciclo, lançado há já dois anos, com vozes emergentes do jazz português e internacional e ainda num encontro, promovido regularmente, com um solista convidado de países da Europa e dos Estados Unidos. “Só posso, portanto, dizer que a programação do cine-teatro tem sido um sucesso, aspeto que, aliás, nos levou à criação, naquele palco, de um festival de teatro 100% dedicado à dramaturgia escrita em português [o Cena Contemporânea de Matosinhos] e que terá este ano a sua segunda edição”, adiantou o vereador. Mas haverá surpresas na programação do próximo ano. No âmbito da estratégia da Frente Atlântica, a dança passará a ser um dos pontos fortes do Constantino Nery, numa parceria com o Rivoli Teatro Municipal. A estreita colaboração entre os municípios de Matosinhos, Porto e Gaia resultará ainda, segundo

acrescentou Fernando Rocha, na realização, a 4 e 5 de julho, da Oporto Open House, iniciativa durante a qual o público poderá visitar, gratuitamente, quatro dezenas de imóveis marcantes da arquitetura das cidades, excecionalmente abertos para o efeito. “São edifícios que as pessoas conhecem e que, agora, vão poder ver por dentro”, referiu. “Os Piratas” regressam a Leça da Palmeira Dias antes do evento inteiramente dedicado à arquitetura, a zona do Forte Nossa Senhora das Neves, em Leça da Palmeira, vai recuar até meados do séculos XIV, na quarta edição da recriação histórica “Os Piratas”. Corsários, escravos e mestiços, turcos e jesuítas, judeus e cristãos-novos, alquimistas loucos, bruxos desastrados, astrónomos, matemáticos e físicos, príncipes e poetas, comerciantes, artesãos, pescadores e nobres serão algumas das personagens

da época que regressarão a Matosinhos de 26 a 28 de junho. “Haverá um mercado e teremos muitas recriações históricas porque existiu, efetivamente, uma intensa atividade de pirataria em Leça da Palmeira e em toda aquela costa”, realçou o responsável. Desde cedo ligado ao mar pela pesca, produção de sal e construção naval, o concelho foi-se afirmando, ao longo dos séculos, como uma terra de marinheiros, pilotos, capitães de navios e, claro, piratas. Para combater os ataques destes saqueadores, tomaram-se medidas de prevenção como a vigilância das praias de dia e de noite e a construção de


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fortificações. Exemplo disso é o Forte Nossa Senhora das Neves, conhecido como Castelo de Leça. Durante o evento – que atrai, regra geral, cerca de 30 mil pessoas – há caça ao tesouro, leilões de escravos, rapto de freiras, julgamentos de piratas, espetáculos de malabares de fogo e pirotecnia, autos-de-fé e outras aventuras que prometem uma mão cheia de “momentos de boa disposição”.

Dois dias de Matosinhos EDP Beach Party Para dar resposta “à elevada adesão do público [português e espanhol] e à grande projeção internacional”, este ano, a Beach Party terá doses extra de animação na Praia do Aterro. “Concluímos que um dia de festival seria pouco e, juntamente com o produtor, resolvemos ampliar para dois dias, com um cartaz onde constam os maiores dj’s do mundo da atualidade”,

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sublinhou Fernando Rocha. Vinai, An21, Third Party, Club Banditz, Digital Milita e Miguel Psi foram as últimas confirmações do evento musical, agendado para os dias 3 e 4 de julho. Estes nomes juntam-se aos já anunciados Dimitri Vegas & Like Mike, Steve Angello, DVBBS, R3hab, Dyro, Ummet Ozcan, Yello Claw e Sunnery James & Ryan Marciano. O preço dos bilhetes varia entre os 15 (ingresso diário) e os 25 euros (passe dois dias). “Como os jovens costumam dizer, serão dois dias a bombar na Beach Party”, referiu o vereador. E a 11 de julho cumprir-se-á outro “clássico” da programação matosinhense: o “Dancem Todos - Festival Escolas de Dança do Concelho”, que junta cerca de duas centenas de alunos numa grande celebração dos mais diversos estilos de dança. As quintas de Santiago e da Conceição e os seus jardins servem de palco à iniciativa, que estreou em 2006, tendo vindo a afirmar-se, nos últimos anos, como um momento de celebração da comunidade ligada à dança em Matosinhos. Numa vertente diferente – a do folclore – Matosinhos celebrará ainda mais uma edição do Festarte (de 24 de julho a 2 de agosto), o único festival português do género com o reconhecimento do CIOFF, entidade da Unesco que classifica eventos de folclore. Mas mais do que levar um grupo a subir ao palco para atuar, o Festarte reúne cor, sons, artesanato e gastronomia de vários países do mundo, numa aventura multicultural que acaba por fugir ao que é tradicional. REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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Folia, cor e arte contagiam Freamunde QUEM LÁ VAI, GARANTE QUE QUER VOLTAR. NA PRIMEIRA QUINZENA DE JULHO, FREAMUNDE CELEBRA MAIS UMA EDIÇÃO DAS FESTAS SEBASTIANAS, QUE ATRAEM, HABITUALMENTE, CERCA DE CEM MIL PESSOAS.

Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Adriano Reis e Ricardo Castelo

A combinação de ingredientes é arrojada e, ao que tudo indica, tem sido mesmo essa a chave do sucesso. Aos que não conhecem as festas Sebastianas – as mais populares de Freamunde, em Paços de Ferreira – lança-se um desafio: o de imaginarem uma festividade que conjuga a vertente religiosa com animação popular ao mais alto nível e com uma ‘vontade artística’ de viver a cidade. O resultado? Doze dias de euforia, numa agenda de eventos onde não faltam a tradicional procissão em honra a São Sebastião, bombos, carrinhos de rolamentos, um concurso de quadras, a célebre marcha alegórica, vacas de

fogo, concertos pensados para todos os gostos musicais e obras de arte de reconhecidos nomes do graffiti. De 3 a 14 de julho, os sete mil habitantes daquela pequena localidade vão, assim, abrir uma vez mais as portas da animação às cerca de cem mil pessoas que já não prescindem de se juntar à festa. Não será, portanto, de estranhar que o mote do evento seja, em tom de convite: “Orienta-te! Todos os caminhos vão dar a Freamunde”. 115 anos de história Com uma tradição secular, a fe st i v i d a d e n a s ce u e m homenagem a São Sebastião,

advogado da “fome, peste e guerra”, acompanhando a própria evolução do país. Nos anos 40 do século passado, em plena Segunda Guerra Mundial, o Bispo do Porto proibiu a Igreja de realizar festas noturnas, alegando que “a noite leva o homem ao pecado”. Depois de ser interrompida em 1944, a celebração foi retomada, em 1954, por um conjunto de freamundenses, num novo formato e com mais dias de animação. A mesma ‘teimosia popular’ está, ainda hoje, na origem de cada edição das Sebastianas. Sem qualquer budget camarário, a organização das


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Uma “Viagem ao Mundo” em dez carros alegóricos O período mais intenso do programa de atividades decorre de 9 a 14 de julho, mas, a partir de dia 3, a festa é garantida. A diversidade musical foi, segundo explicou Pedro Martins, uma das grandes preocupações na definição do alinhamento d e co n ce r to s , j á q u e a s Sebastianas atraem públicos das mais diversas idades. O palco principal do evento situa-se na Praça Primeiro de Maio. Logo na abertura do programa (dia 3, sexta-feira), o rapper Jimmy P (alter ego para Joel Plácido) subirá ao palco para apresentar ao público o seu mais recente trabalho, “Fvmily F1rst”. E estarão, assim, lançadas as bases da diversão. A explorar outras vertentes artísticas, haverá, nos dias seguintes,

festas está nas mãos de uma comissão de jovens, eleita a cada ano, que aceita, de bom grado, ceder parte do seu tempo e muita dedicação a promover uma tradição que já lhes corre no sangue. Tal como explicou Pedro Martins, presidente do núcleo organizador das festas de 2015, as receitas utilizadas resultam “do esforço d a p ró p r i a p o p u l a ç ã o ” e dos vários eventos que a comissão vai promovendo ao longo do ano, nomeadamente jantares-convívio, que conseguem atrair centenas de pessoas. Os cidadãos sabem que é imperativo “apoiar as Sebastianas” e, portanto, não

hesitam em participar nas iniciativas de angariação de fundos. “Enquanto houver este espírito de união sabemos que as festas não se vão perder”, garantiu o jovem.

um concurso de quadras, o Festival Nacional de Folclore, uma atuação da AMAF – Tuna Senior da Banda de Música e um concerto da Banda da Associação Musical de Freamunde. E tal REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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como alertou Pedro Martins, a Noite de Bombos (sexta-feira, dia 10 de julho) é “um dos pontos fortes” das Sebastianas, numa alegre arruada onde participam locais e visitantes. Os espetáculos piromusical e pirotécnico também conquistam muitos aplausos, sendo que, no final de cada noite, como já é tradição, não há quem resista à “Vaca de Fogo”, talvez “a marca mais forte das festas”, que inauguraram o engenho pirotécnico, reproduzido em muitas localidades vizinhas. Na segunda-feira, dia 13, à meia-noite, propõe-se uma “Volta ao Mundo” a bordo da Marcha Alegórica (anteriormente co n h e c i d a co m o “ M a rc h a Luminosa”), que leva 200 pessoas a desfilarem pelas principais artérias da cidade, entre gigantones, cabeçudos, grupos de samba e de artes circeses. Com a temática escolhida para

esta edição, desafiam-se os presentes a “viverem diferentes experiências num mesmo local”, com a representação de dez países em dez carros alegóricos, totalmente concebidos por locais e “amigos das festas”. Segundo o jovem presidente da comissão organizadora, o orgulho com que Freamunde encara a festividade reflete-se de um modo especial na dedicação com que estes carros são construídos, todos

os anos, pela população. De resto, em termos musicais, há outras surpresas preparadas para o público: as atuações de Tiago Bettencourt (dia 9, às 22h30), Gisela João e Banda do Mar (dia 11, pelas 22h00 e 23h30, respetivamente), Aurea (dia 12, 01h00) e Quim Barreiros, na despedida desta edição (pelas 22h30). A diversidade musical é um dos aspetos que mais surpreende os fãs


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das Sebastianas, mas, para Pedro Martins, o que ‘agarra’ efetivamente as pessoas é o dinamismo e a energia que pairam nas ruas da cidade. E, no final de contas, os desafios enfrentados no processo de organização – quer em termos financeiros, quer de logística – a c a b a m p o r e n co n t ra r justificação nas multidões eufóricas que se deslocam à celebração.

Dar novos valores artísticos a espaços devolutos Ainda no âmbito do programa das Sebastianas, Freamunde vai acolher a terceira edição do festival de arte pública PUTRICA, que arranca às 21h00 do dia 8 de julho, numa lógica de sensibilizar a comunidade para a integração da arte no espaço urbano. A iniciativa, cuja sigla se descodifica em “Propostas U r b a n a s Te m p o rá r i a s d e

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Reabilitação de Intervenção Cultural e Artística”, visa intervir e reabilitar espaços devolutos e descaracterizados de identidade, concedendo-lhes novos valores culturais e artísticos. Assim, durante as festividades, um conjunto de artistas da área do graffiti marcará presença na cidade para a realização das intervenções, desafiando os transeuntes a um passeio cultural. O que os visitantes talvez não saibam é que a palavra “putrica” significa, para as gentes de Freamunde, cambalhota, brincadeira e cultura popular. E envolvidos nesta cambalhota artística estiveram, nas duas primeiras edições, artistas como Hazul, Bafo de Peixe, Mais Menos, Mr. Dheo, Mar e Mesk, entre outros. Confirmados para este ano estão, para já, Details, Virus, Caver e Doce12. Curiosos? REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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METAS SUPERADAS A MANUTENÇÃO DO ATL DE ALDOAR, O REFORÇO DA APOSTA NO SEGMENTO SÉNIOR E A PROMOÇÃO OU ENVOLVIMENTO EM MAIS DE MEIA CENTENA DE ATIVIDADES DE CULTURA E LAZER FORAM ALGUMAS DAS CONQUISTAS DO EXECUTIVO DA UF DE ALDOAR, FOZ DO DOURO E NEVOGILDE EM 2014. Fotos: João Figueiredo e Rui Oliveira

Depois de um período de adaptação à nova realidade da União das Freguesias (UF) de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, é com satisfação que o presidente da UF, Nuno Ortigão, encara o trabalho desenvolvido no último ano, ressalvando os benefícios do processo de reorganização administrativa. “O facto de terem alterado a lei revelou-se benéfica porque há sinergias e economias de escala evidentes e a nova dimensão da freguesia permite-nos ganhar mais responsabilidade”, defendeu. “Isto para dizer que, hoje, será difícil conceber uma gestão autárquica em freguesias urbanas destas características de uma forma não profissional”, notou, justificando que os novos núcleos territoriais


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exigem uma “gestão autárquica relevante” e apresentam “um grau de exposição pública significativamente maior”. Em jeito de balanço, o autarca demonstrou igualmente o seu contentamento face à conquista de um equilíbrio financeiro na UF. “Quando assumimos funções, havia uma cultura crónica de despesas superiores a receitas. Percebemos que, em termos correntes, se gastava mais dinheiro do que aquele que se recebia”, adiantou, explicando que as diferenças iam sendo colmatadas com recurso ao saldo da gerência anterior. Estratégia essa que Nuno Ortigão recusou seguir. “Quer nos últimos três meses de 2013, quer em 2014, só gastámos aquilo que ganhámos”, garantiu, sustentando que, apesar de a UF de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde ter herdado um saldo de gerência de 497 mil euros, optou por guardá-lo e trabalhar com vista ao seu crescimento, sendo que, atualmente, o referido saldo já se encontra nos 563 mil euros. As contas de 2014 revelam ainda que a diferença entre o total de receitas e despesas é de cerca de 600 mil euros e

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que a UF obteve um resultado positivo (em termos correntes) de cerca de 70 mil euros. Outro ponto importante registado foi a redução da despesa corrente em mais de 400 mil euros. “Não temos dívidas e, neste momento, o prazo médio de pagamento a fornecedores é de cinco dias”, constatou. A estabilidade a nível funcional foi outra das conquistas asseguradas no ano anterior. “Foi possível concretizar a agregação das três freguesias com um quadro de funcionários estável e sem qualquer rutura de atendimento ao público”, afirmou Nuno Ortigão, reconhecendo que a uniformização dos regulamentos dos cemitérios – ainda a decorrer – também esteve na lista de prioridades.

CARTAZ CULTURAL REFORÇADO E 1.º REFOOD EM FUNCIONAMENTO De acordo com o autarca, outro desafio “interessante” foi a uniformização da imagem da União das Freguesias, processo do qual resultou, aliás, a criação de 12 novas logomarcas, entre as quais a do Mercado da Foz (alvo de obras de saneamento e palco de vários eventos de promoção) e a do São João. A funcionar a todo o gás, numa iniciativa da UF e da autarquia portuense, está também o primeiro Refood na cidade do Porto, situado na Foz, num projeto voltado para a recolha e distribuição de comida cedida por restaurantes e instituições às famílias carenciadas. Em 2014, o executivo da junta REVISTAVIVA, JUNHO 2015


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conseguiu ainda manter o ATL de Aldoar a funcionar (apesar do fim dos apoios financeiros da Segurança Social), apoiar 343 famílias nos Cabazes de Natal das IPSS, promover ou apoiar 50 eventos de cultura e lazer (com particular destaque para o São João, São Bartolomeu e São Martinho de Aldoar) e criar o Ciclo Foz Literária e o Domingo em Liége. De sublinhar, por fim, o apoio concedido aos escalões de formação de três dos clubes mais representativos da UF – Paraíso da Foz (Futsal), Desportivo Operário da Fonte da Moura (Futsal) e União Académica António Aroso (Basquetebol) – e o reforço da aposta no segmento sénior, sobretudo através do projeto Trajetórias, que já conta com 121 cidadãos inscritos, a provar que a velhice é uma mais-valia e não um problema.

DIREITO DE RESPOSTA José Pinto Ferreira, Júlio Manuel Pereira dos Santos, Rui Pedro Ribeiro Teixeira e Eduardo Vasconcelos Macedo, na qualidade de ex-Presidente, Vogal Secretário, Vogal Tesoureiro e Vogal da extinta Junta de Freguesia da Foz do Douro, tendo sido confrontados com a afirmação do Senhor Presidente da União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, constante da pág. 92 da edição da revista VIVA – outubro de 2014 – e que se refere à gestão do executivo de que fizemos parte integrante, vêm, por não terem sido interpelados em momento anterior à publicação, quanto a tal matéria, invocar o Direito de Resposta, ao abrigo do disposto no artº 24º da Lei de Imprensa e nos termos que seguem. “O Presidente da União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde afirmou que foi confrontado com algumas surpresas e que ‘...entre as surpresas desagradáveis que a equipa encontrou...’ estava ‘uma dívida de água referente ao Mercado da Foz’. Sucede que a extinta Junta de Freguesia da Foz do Douro, que fazia a gestão do Mercado da Foz, não deixou nenhuma fatura de água em dívida que tenha sido emitida até à tomada de posse do atual Executivo. De resto, nem sequer era razoável que tal acontecesse, porquanto o executivo cessante deixou para o que lhe sucedeu um saldo líquido de 111 806,98 € (em bancos e saldo de caixa). Caso o atual executivo entenda proceder a contradita, desafia-se o mesmo a evidenciar cópia da fatura ou faturas alegadamente em dívida”. NOTA DA DIREÇÃO: Contactado pela direção da VIVA!, o atual presidente da União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde manteve as suas afirmações e disponibilizou documentação que, apesar de em nome da Câmara do Porto, diz obviamente respeito a contas do Mercado da Foz, o que, em sua opinião, confirma o que disse. Essas faturas encontram-se na posse da direção da VIVA! e serão facultadas a quem as solicitar. Quanto ao diferendo em questão, a VIVA! dá por terminada a sua intervenção neste caso com a publicação do Direito de Resposta e a presente nota da direção.


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“CoWork Social” apoia jovens empreendedores ATÉ 19 DE JUNHO, OS JOVENS DESEMPREGADOS DA ÁREA METROPOLITANA DO PORTO COM IDADES COMPREENDIDAS ENTRE OS 18 E OS 35 ANOS PODEM APRESENTAR AS SUAS CANDIDATURAS AO “COWORK SOCIAL”, PROJETO DESTINADO A ESTIMULAR O NASCIMENTO DE NOVAS IDEIAS DE NEGÓCIO. Texto: Mariana Albuquerque Foto: Rui Oliveira

Paranhos prepara-se para dar mais um passo no reforço da sua capacidade de luta contra o desemprego juvenil, através do estímulo à inovação e criação. Depois de ver aprovada uma candidatura ao Programa Cidadania Ativa (gerido pela Fundação Calouste Gulbenkian), a Junta de Freguesia está a desafiar os jovens desempregados a conhecerem o projeto “CoWork Social”, que nasce de uma parceria com a Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) Engenho & Obra, a Associação Ecos Urbanos, o Coworking de São João da Madeira e a empresa RH Positivo. Dar acompanhamento aos candidatos, fornecendo-lhes as ferramentas necessárias para que possam desenvolver, com sucesso, as suas ideias empresariais, é o grande objetivo da iniciativa, que culminará na seleção das melhores ideias

de negócio. O UP! – Unidade Empresarial de Paranhos e a entidade equivalente de São João da Madeira incubarão, depois, os projetos vencedores, concedendo-lhes todo o apoio necessário. Segundo explicou o presidente da Junta de Freguesia, Alberto Machado, o projeto – que terá a duração de nove meses – destina-se a desempregados dos 18 aos 35 anos, que poderão apresentar as suas candidaturas até ao dia 19 de junho. De sublinhar que a inscrição e participação no “CoWork Social” é inteiramente gratuita, estando aberta a toda a Área Metropolitana do Porto. A iniciativa vai ser executada ao longo de vários momentos, começando com um bloco de 105 horas de formação, durante o qual serão abordados conteúdos relacionados com problemáticas sociais. Haverá, depois, dez dias de integração em atividades

promovidas pela junta e pela Ecos Urbanos, que contribuirão para o reforço da cidadania e democracia ativas. Segue-se um bloco de 70 horas de formação em empreendedorismo, no fim do qual os jovens serão desafiados a apresentar a sua ideia de negócio. Os autores das 20 melhores propostas terão mais 45 horas de formação e ainda a oportunidade de desenvolverem os respetivos projetos nos dois espaços de apoio ao empreendedorismo envolvidos: o UP!, em Paranhos, e o Coworking de São João da Madeira. Tal como resumiu Alberto Machado, haverá o planeamento, implementação e monitorização de um programa integrado que visa capacitar os jovens para a dinamização de projetos empresariais de inovação social, através de um longo período de incubação enriquecido com aconselhamento e orientação.


PA RA N H OS

“PARANHOSORRIDENTE” VENCE PRÉMIO MEXIA DE ALMEIDA 2014 Dinamizado em parceria com a Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP), a iniciativa “ParanhoSorridente” foi novamente distinguida, desta vez pelo “Centro de Estudos do Mundo a Sorrir”. A Organização Não Governamental – que atua junto das comunidades mais desfavorecidas, excluídas e marginalizadas, fazendo com que a saúde oral seja um direito universal – brindou o projeto da Junta de Freguesia com o Prémio Mexia de Almeida 2014, galardão que distingue trabalhos que privilegiam a componente social e comunitária das profissões na área da Saúde. Tal como explicou Alberto Machado, o “ParanhoSorridente” tem tido um papel fundamen-

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tal na promoção da saúde oral dos alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo da freguesia, “através da avaliação da saúde oral, realizada por meio de um exame clínico gratuito, bem como pela deslocação às escolas dos alunos da faculdade para sessões de promoção de cuidados de saúde e higiene oral”. Em cada ano letivo, a iniciativa acompanha entre 500 a 600 crianças, fazendo inclusivamente a análise científica dos dados recolhidos. De salientar que a cada uma delas é atribuído um cartão verde, amarelo ou vermelho para dar a conhecer aos pais a situação oral dos filhos. O verde indica necessidade de vigilância da saúde oral; o amarelo revela necessidade e continuidade de tratamentos dentários e, por fim, o vermelho adverte para a necessidade de intervenção urgente. Graças à parceria firmada com a FMDUP, os alunos podem receber tratamentos dentários nas instalações da faculdade a um preço fixo de 11 euros por consulta. REVISTAVIVA, JUNHO 2015


H U M O R

Um homem comprou um Mercedes e foi dar uma volta numa estrada municipal. A capota estava aberta e o vento soprava levemente no seu cabelo. Decidiu acelerar um pouco. Quando o ponteiro chegou aos 150km reparou numas luzes azuis atrás dele. “Não conseguem apanhar um Mercedes” – pensou e acelerou ainda mais. O ponteiro foi aos 160, 180, 200km/h e sempre com as luzes azuis atrás. De repente, teve um momento de lucidez. “Mas o que é que eu estou a fazer?!”, pensou e encostou o carro. O polícia aproximou-se, pediu-lhe a carta de condução e, sem dizer uma palavra, examinou o carro. - “Eu tive um turno bastante longo e esta é a minha última paragem. Não tenho vontade de tratar de mais papelada, por isso, se me der uma boa justificação para a velocidade a que circulava e se for original eu deixo-o prosseguir viagem”. - “Sr. Agente, na semana passada a minha mulher fugiu de casa com um polícia e eu estava com medo que fosse o mesmo e que a quisesse devolver”. Diz o polícia: - “Tenha uma boa noite!!!”

Dois GNR na berma de uma estrada no distrito de Beja veem passar um carro a mais de 160 km/h. Diz um para o outro: - “Aquele não era o gajo a quem apreendemos a carta, na semana passada, por excesso de velocidade?” - “Era pois!” - respondeu o segundo - “Vamos caçá-lo!” Uns quilómetros à frente, já com o carro parado, um dos GNR aproxima-se e pergunta-lhe: - “A sua carta de condução?” - “Mau!!!!!!!” - responde o alentejano - “Perderam-na?!”

Um caracol ia a atravessar a estrada e foi atropelado por uma tartaruga. Quando acordou, nas urgências do hospital, perguntaram-lhe o que é que lhe tinha acontecido: - “Como é que quer que eu saiba?! Foi tudo tão depressa!”

Pedro e Maria seguem num voo com destino à Austrália para celebrarem o seu 40.º aniversário de casamento. De repente, o comandante anuncia: – “Senhoras e senhores, tenho más notícias. Os nossos motores estão a deixar de funcionar e vamos tentar aterrar de emergência. Por sorte, vejo uma ilha, não catalogada nos mapas, logo abaixo de nós, e, por isso, vamos tentar aterrar na praia.” A aterragem foi feita com êxito, mas o comandante avisou os passageiros: – “Isto aqui é o fim do mundo e é muito provável que não sejamos resgatados e tenhamos que viver nessa ilha para o resto das nossas vidas!” Nesse instante, Pedro pergunta à mulher: – “Maria, entregaste o nosso IRS antes de viajarmos?” – “Ai, perdoa-me Pedro. Esqueci-me completamente!” Pedro, eufórico, agarra a mulher e afinfa-lhe o maior beijão de todos os 40 anos de casamento. Maria não entende e pergunta: – “Pedro! Porque me beijaste desta maneira?” E ele responde: – “Os gajos das Finanças vão encontrar-nos!”


VIVA! junho 2015  

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