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Revista gratuita trimestral, dezembro 2015

AF_Orelha_VIVA_JA_ABRIU_35x35_MATOSINH 02/11/15

MUSEUS DO PORTO As novas ‘jóias’ da oferta cultural

VIAJAR NO TEMPO

À boleia dos transportes portuenses

JOANATELES Lutar com o coração


E D I T O R I A L

Museu da Indústria com luz verde Depois de muitos anos de indefinição, e a viver em péssimas condições em casa alugada num pavilhão da rua Engenheiro Ferreira Dias, na Zona Industrial do Porto, o Museu da Indústria do Porto vai, finalmente, conhecer uma nova morada. Por decisão da autarquia, recentemente divulgada, a estrutura vai ocupar o edifício do ex-matadouro, na rua de São Roque da Lameira, em Campanhã, que, para o efeito, vai receber profundas obras de recuperação. Aquele espaço museológico trocou as antigas instalações das Moagens Harmonia - para permitir a construção da Pousada do Freixo pelo grupo Pestana - por um armazém na zona industrial do Porto, pagando a Câmara do Porto, desde 2009, uma renda mensal de 9.000 euros. Rui Moreira acentuou que esta decisão – que ainda demorará um par de anos a ser concretizada - faz parte de um projeto mais amplo que visa a requalificação da zona onde se localiza o antigo matadouro, que se encontra devoluto. Está já também acordado que a associação gestora do Museu da Indústria, criada em 2011, doará os equipamentos ao Município do Porto, depois de notificar todos os proprietários. O projeto do Museu, inicialmente denominado Museu da Ciência e Indústria, surgiu em 1993, na sequência do trabalho de Inventário do Património Industrial do Porto, proposto pelo professor da Universidade do Minho José Manuel Lopes Cordeiro, perito em História Industrial. Já no decurso desse trabalho de Inventário, chegou-se à conclusão que o património e a memória industriais do Porto estavam a desaparecer aceleradamente e que era necessário criar uma estrutura permanente que resolvesse esse problema, nomeadamente um museu, tanto mais que a cidade do Porto tinha (e tem) poucos museus. A Associação Industrial Portuense foi convidada pela Câmara Municipal do Porto para integrar o projeto de criação do Museu da Ciência e Indústria. O convite foi aceite e iniciou-se o processo de constituição da Associação para o Museu da Ciência e Indústria (AMCI), fundada pela então AIP e a CMP. Escritura Notarial em 26 de maio de 1993 e publicação dos seus Estatutos no Diário da República a 2 de julho de 1993. Efetuou-se uma seleção e análise dos edifícios industriais da cidade em situação de serem classificados, preservados ou musealizados. Feita a apresentação de cinco edifícios diferentes, foi selecionado o das antigas instalações da Companhia de Moagens Harmonia para localizar aí o museu. Aquando da concessão do Palácio do Freixo ao Grupo Pestana para a instalação da Pousada, a AMCI foi desalojada das Moagens Harmonia para instalações provisórias na zona de Ramalde, num armazém situado na Rua Eng. Ferreira Dias, onde hoje se encontra. Agora, a cidade, que tem uma enorme história industrial, vai finalmente dispor de um local onde o seu valioso espólio poderá ser apreciado por nacionais e estrangeiros.

José Alberto Magalhães Diretor de Informação REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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PERFIL JOANA TELES

L E N DA S PRAÇA DA BATALHA

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M ÁQ U I N A D O T E M P O À BOLEIA DOS TRANSPORTES PORTUENSES

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CCDR-N SABORES DE TODOS OS TEMPOS

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D E S TA Q U E AS NOVAS ‘J ÓIAS’ DA OFERTA CULTURAL PORTUENSE

FCPORTO AS METAS DO CAPITÃO

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DESCOBRIR A ALMA DE UM CASTELO FORRADO DE LIVROS

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T RA D I ÇÃO ANTIGOS CAFÉS DO PORTO


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ÍNDICE Revista gratuita trimestral, dezembro 2015

003 EDITORIAL 036 PERLIM 040 EDP GÁS 044 PORTO E NORTE 048 PORTFÓLIO 070 PORTO CANAL 074 NOITE 080 À MESA COM... 082 PRIMEIRO PLANO 086 MÚSICA 088 M E T R O P O L I S - M AT O S I N H O S 092 METROPOLIS - SANTO TIRSO 094 METROPOLIS - UF ALDOAR/ FOZ/NEVOGILDE 096 M E T R O P O L I S - PA R A N H O S 098 HORÓSCOPO

FICHA TÉCNICA Propriedade de: ADVICE - Comunicação e Imagem Unipessoal, Lda. Sede de redação: Rua do Almada, 152 - 2.º - 4050-031 Porto NIPC: 504245732 Tel: 22 339 47 50 - Fax: 22 339 47 54 advice@viva-porto.pt adviceredacao@viva-porto.pt www.viva-porto.pt Diretor Eduardo Pinto Diretor de Informação José Alberto Magalhães Redação Mariana Albuquerque Raquel Andrade Bastos Fotografia Rui Oliveira Marketing e Publicidade Eduardo João Pinto advicecomercial@viva-porto.pt Célia Teixeira Produção Gráfica Diogo Oliveira Impressão, Acabamentos e Embalagem Multiponto, S.A. R.D. João IV, 691-700 4000-299 Porto Distribuição Mediapost Tiragem Global 120.000 exemplares Registado no ICS com o nº 124969 Depósito Legal nº 250158/06 Direitos reservados

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Lutar com o

coração

PODIA TER SEGUIDO OUTRO PERCURSO QUALQUER. CONTUDO, NUMA ALTURA EM QUE ESTAVA PRESTES A TORNAR-SE ENFERMEIRA, FOI UM DOS DEZ ROSTOS ESCOLHIDOS – DE UM TOTAL DE CINCO MIL – PARA TRABALHAR NA RTP. É POR ISSO QUE, HOJE, JOANA TELES, APRESENTADORA DO “AQUI PORTUGAL”, NÃO TEM DÚVIDAS: HÁ QUE SABER TIRAR PARTIDO DAS ENCRUZILHADAS DA VIDA PORQUE, QUANDO NOS DEIXAMOS GUIAR PELO CORAÇÃO, O IMPOSSÍVEL ACONTECE. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Rui Oliveira

Descalça os sapatos, num acesso Hélder Reis. E, na verdade, o “privilegiada”. “Tenho a sorte de de rapidez, e desata a correr, a episódio nem pode ser conside- ter um trabalho de sonho. E digo todo o gás, entre os cidadãos rado um imprevisto. Joana Teles isto com propriedade. Sei o que que se deslocaram ao Museu do está habituada a um dia a dia é acordar cedo para trabalhar Vinho da Bairrada, em Anadia, programado quase ao minuto. A numa área que não apreciamos, para assistirem, na primeira fila, apresentadora de televisão (da sei o que é apanhar um autoao “Aqui Portugal”. O alinhamen- RTP), mãe, esposa e responsá- carro apinhado logo às 7h00, to do programa parecia dar-lhe vel pela marca de roupa para chegar tarde a casa e trabalhar mais alguns minutos antes de grávidas ‘BBme by Joana Teles’ fins de semanas consecutivos. estar novamente ‘no ar’, mas as trabalha seis dias por semana e Trabalho desde os 17 anos. Já indicações que recebe, através fala com aqueles que a abordam fiz muitas coisas. Todas elas fido auricular, dizem-lhe que não. com a paixão de quem gosta, zeram de mim o que sou hoje, Afinal, voltará a entrar em direto simplesmente, de viver. principalmente o facto de ser (na casa dos portugueses) em Aos 33 anos, é uma figura bem muito terra a terra e de saber, ‘três, dois, um... agora’. E assim foi. conhecida do pequeno ecrã profundamente, que sou uma Depois de percorrer, em ritmo (neste momento, é possível vê- privilegiada”, defendeu. A imde corrida, todo o corredor do -la no “Aqui Portugal” e “Agora previsibilidade do seu percurso espaço museológico, era vê-la, já Nós”, mas já passou por muitos profissional – que a levou a fazercalçada e de cabelo composto, a outros programas, nomeada- -se à estrada, rumo a Lisboa, com conduzir a emissão com toda a mente o “Só Visto!”) e é com o Porto na alma e no coração – naturalidade, ao lado do colega humildade que se assume uma fê-la crescer, mostrando-lhe que,


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“Reportagens e diretos perdi-lhes a conta. Mas os programas mais marcantes têm sido o ‘Verão Total’ e o ‘Aqui Portugal’. Estamos ali, lado a lado com as pessoas, na sua terra. Não há barreiras nem filtros. Percebemos logo se gostam ou não. O retorno é imediato. Para mim, televisão é isto. Estar próxima das pessoas no país real.” em determinadas alturas da vida, de lembranças “simples”, que não há outro remédio se não ‘dar são, também, “as mais bonitas”. o corpo às balas’ em nome de “Ver o meu avô a construir coisas um bem maior. É por isso que o do nada (gosto de pensar que seu maior lema de vida estará o meu gosto pela bricolage deeternamente refletido na expres- riva dele), ouvir a minha avó a são “querer é poder”. De resto, cantar e a dançar pela casa, ao “no meio de uma imensidão de mesmo tempo que, com uma defeitos”, reconhece ser uma infinita paciência, me respondia pessoa “trabalhadora, honesta, a tudo quanto lhe perguntava...”, esforçada e leal”. enumerou, acrescentando que da comunicação, mas “sempre é impossível esquecer ainda as muito realista” e segura de que O poder de um sonho guardado brincadeiras no seu “pequeno “entrar na televisão era só para numa gaveta entreaberta canto de terra” em casa dos quem tinha conhecimentos”, Joana Teles viveu na cidade do avós. “Vivi ali histórias incríveis. não hesitou em guardar o soPorto até aos 25 anos, por isso, Brincava com caracóis e bichos- nho “numa gaveta” e apostar sabe que ‘não há volta a dar’: será -de-conta! Inventava fábulas que noutro caminho que sempre a “sempre” uma mulher do Norte. só na minha cabeça faziam sen- fascinou: o das ciências. Desta “Está-me no sangue!”, constatou. tido. Mas também tinha o lado forma, tentou entrar, por duas Estudou na escola primária da de menina que brincava com as vezes, em Medicina, mas, como Lomba, na Ramalho Ortigão e, Barbies e seus vestidos de prin- ficou a cinco e três décimas de mais tarde, na secundária Ale- cesa. Tinha tempo para brincar o conseguir, decidiu optar por xandre Herculano e recorda com e crescer”, frisou. Enfermagem. “Entendi, depois, saudade os tempos de menina. Chegado o momento de ingres- que acabava por pôr em prática “Tive uma infância maravilhosa!”, sar no ensino superior, a portuen- o meu sentido de comunicar com afirmou, contando que guarda, se optou pelo que lhe pareceu os pacientes, paralelamente aos carinhosamente, uma mão cheia mais lógico. Atraída pela área cuidados clínicos. Nos estágios,


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falava imenso com eles! Foi aí que percebi que, para muitos, a doença maior era a solidão”, contou. Ainda assim, “apesar de ser feliz no curso” escolhido, “a gaveta com o sonho continuava presente”. Aliás, não só presente como “aberta”. “Ia para o último ano de Enfermagem quando a RTP anunciou um casting para futuros apresentadores. Estávamos em 2006 e decidi concorrer. Fiz provas e mais provas, num casting que durou um ano. Fomos cinco mil”, revelou. No dia 6 de março de 2007, recebeu um telefonema que viria a mudar,

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por completo, a sua vida: soube tilha experiências como repórter, que foi selecionada como um mulher e mãe. Aceitou o desafio, dos dez novos rostos da estação sem histerismos, e limitou-se pública e que seria apresentada “a absorver tudo quanto podia” como tal já no dia seguinte, du- para que nada falhasse no seu rante a Gala dos 50 anos da RTP. primeiro projeto televisivo. Entretanto, nesse mesmo ano, durante um normal almoço de “O carro ia cheio... eu é que não” sábado com a família, recebeu Em janeiro de 2008 – após cinco outra chamada que hoje recorda meses a fazer as reportagens com especial carinho: era Daniel que aconteciam pelo norte do Oliveira a convidá-la a integrar país – Daniel desafiou Joana Tea equipa do “Só Visto!”. Esse é, les a ir para a capital. “A equipa aliás, um dos momentos desven- do norte ia terminar e, a querer dados, recentemente, pela apre- continuar no programa, teria sentadora, no seu blog - http:// de ir viver para Lisboa. Aceitei”, www.bastidores.pt/ - onde par- contou, recordando que ainda REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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tem bem presente na memória o dia em que se fez à estrada em direção a uma nova vida. O carro, esse, “ia cheio”, com “edredões, panelas e pratos, roupa e almofadas, tudo quanto cabia”. “Eu é que não”, confessou. “Apesar de nunca ter criado expectativa nenhuma em relação ao meu futuro na televisão – o que encaro como uma enorme vantagem – viajei para Lisboa cheia de vontade de trabalhar mas sem saber muito bem para o que é que ia. Para trás ficava a família, o curso [abandonado a um ano do fim] e os amigos de sempre. Foi uma viagem rumo

ao absoluto desconhecido”, descreveu a apresentadora. Só uma semana depois de ter chegado à nova cidade é que conseguiu arranjar casa e, entre momentos divertidíssimos de trabalho e aprendizagem com os colegas e períodos menos bons, em que as saudades da família lhe gritavam, ao ouvido, para desistir, fez-se profissional. O percurso pelo “Só Visto!” prolongou-se durante oito anos, mas, segundo a portuense, os ensinamentos sugados ao longo da experiência ficarão para sempre. “Não tenho curso de Comunicação Social, fiz-me com a prática, a obser-

vação, a humildade e o espírito de aventura. (...) Aprendi a calar, engolir, vergar, mas nunca cair”, sublinhou. Em simultâneo, Joana Teles teve oportunidade de alinhar em muitas outras aventuras: apresentou galas, programas especiais e passou, por exemplo, pelo “Jogo Duplo”, um programa de horário nobre que “muito gosto” lhe deu fazer. “Reportagens e diretos perdi-lhes a conta. Mas os programas mais marcantes têm sido o ‘Verão Total’ e o ‘Aqui Portugal’. Estamos ali, lado a lado com as pessoas, na sua terra. Não há barreiras nem filtros. Percebemos logo se gostam ou não. O retorno é imediato. Para mim, televisão é isto. Estar próxima das pessoas no país real”, defendeu. Sinceridade, naturalidade e esforço para fazer mais e melhor são as características valorizadas pela profissional no trabalho em TV. E há dois grandes ensinamentos retirados ao longo dos últimos anos: “a importância de sermos nós próprios e a volatilidade de tudo isto”. Imprevistos e momentos caricatos, esses, também não faltam e são superados com um sorriso no rosto. Num deles, a portuense estava, tranquilamente, a apresentar uma gala e só se apercebeu que havia algo de errado com o fecho do vestido quando viu um assistente, muito aflito, a levar-lhe um casaco. “Felizmente saí logo de cena e chorei a rir!”, confessou. De espírito agitado, Joana nunca se fechou a novos projetos. Um dos mais recentes, com apenas sete meses, é a marca de roupa para grávidas “BBme by Joana Teles”. Segundo explicou a mamã

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no momento que achei ser o mais adequado, a marca nasceu. E não abdiquei da máxima qualidade e de produzir tudo em Portugal”, contou. Até agora, o balanço não podia ser mais positivo. “A BBme tem-se imposto como uma marca de roupa para grávidas com modelos exclusivos, de edição limitada, com muita qualidade mas a um preço acessível, e com uma imagem que a define”, acrescentou. “O PORTO E OS PORTUENSES NÃO SE DESCREVEM... SENTEM-SE” Com tantos projetos e assuntos a tratar, os tempos livres acabam por ser “muito escassos”. “Trabalho seis dias por semana e tenho (de um casal), o projeto nasceu tudo organizado quase ao minuto. da necessidade sentida ao longo Só assim consigo fazer o que predo período de gestação, durante ciso”, notou. As idas à terra natal o qual não encontrava roupa gira são, por isso, menos frequentes e confortável. “Num dia, por im- e as saudades, essas, gigantes, pulso, fiz uns desenhos de roupa “sobretudo dos portuenses, da sua que gostaria de usar (ainda hoje genuinidade e transparência, da os tenho comigo!). O projeto naturalidade com que vivem e se hibernou durante dois anos, mas, mostram aos outros”. “Mas tam-

bém sinto falta da baixa da cidade, dos lanches pela Foz, das visitas aos jardins, de ouvir o adorável sotaque do Porto e até dos dias mais cinzentos. Sinto falta da minha terra, muitas vezes”, garantiu. O centro histórico, que a apresentadora percorreu, “a pé, vezes sem conta”, é dos seus sítios de eleição. Mas toda a cidade continua a encantá-la. No fundo, continua a ser sua. “Há um equilíbrio perfeito entre o antigo e o moderno, a tradição e a inovação, o abrir as portas ao mundo sem perder a essência, o saber receber por vontade e não por interesse. É uma cidade linda, feita de gente maravilhosa. Ninguém fica indiferente ao Porto! A história respira-se nas ruas, mas o futuro cosmopolita espreita logo ao virar da esquina. O Porto e os portuenses não se descrevem. Sentem-se. E o que eu sinto é bom. É ótimo!”, resumiu. Entre as mil e uma tarefas do dia a dia, ainda há espaço para fazer planos. Viajar é, definitivamente, um deles. “Acho que é a única coisa em que gastamos dinheiro mas de onde voltamos mais ricos”, sublinhou, revelando que a viagem da sua vida será “a volta ao mundo”. Não sei quando. Tenho tempo. Até lá, faço outras ‘viagens’”, frisou. Na verdade, para Joana Teles, o importante é mesmo desafiar o espírito a nunca parar. E o que é que ainda lhe falta fazer? “Tudo”, garantiu. “Sou uma ‘monkey mind’, estou sempre a pensar, a criar, a fazer. Sou irrequieta por natureza e se me virem parada é mau sinal! A acontecer, deve ser fraqueza... Nada que uma bela francesinha não resolva!”, apontou, com o à vontade de quem desafia, constantemente, o que, à partida, parece impossível.


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À BOLEIA DOS TRANSPORTES PORTUENSES ESTÃO TÃO PRESENTES NO DIA A DIA DOS CIDADÃOS QUE, POR VEZES, É DIFÍCIL RECUAR NO TEMPO E IMAGINAR A VIDA SEM ELES. APERTE O CINTO E JUNTE-SE À VIVA! NUMA VIAGEM PELA EVOLUÇÃO DOS TRANSPORTES NA CIDADE DO PORTO. Texto: Mariana Albuquerque Fotos atuais: Rui Oliveira

“As primeiras recordações que guardo dessas viagens são anteriores aos meus dez anos”, afirmou, saudosa. Hoje, a faltarem apenas dois para chegar aos 80, Carolina Silva não tem dúvidas: alguns dos momentos mais divertidos da sua infância e adolescência foram acompanhados pelos passeios de elétrico, que lhe permitiam voltar a casa, em Lordelo do Ouro. “Com 22 tostões fazia tudo: pagava as viagens de ida e volta e a entrada no Palácio de Cristal, para a Feira Popular”, apontou a portuense, com um sorriso maroto. Atualmente, tem de andar de autocarro, o que, às vezes, “é uma chatice”.

As intermináveis esperas nas paragens prejudicam-lhe os passeios de domingo com as amigas, mas não há nada a fazer porque o tradicional barulho do carro elétrico já não se faz ouvir lá pelas suas ‘bandas’. Ainda assim, ficam as memórias dos simpáticos guarda-freios, de calça e casaco castanhos e boné “estilo polícia ou carteiro da época”. E se, em 2015, em condições normais (fora dos períodos de greve dos trabalhadores que têm afetado o setor), é possível chegar facilmente a qualquer local da cidade – há autocarros e camionetas que cobrem todo o território, metros em

circulação com uma frequência de meia dúzia de minutos, confortáveis comboios, táxis para as emergências e até TukTuks (triciclos elétricos) para passeios relaxados em família – a verdade é que, no tempo em que a cidade se circunscrevia às ruas estreitas que se escondiam no interior das muralhas, a população não tinha, praticamente, necessidade de


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utilizar transportes intramuros. E para o exterior, os burros e cavalos eram o modo de locomoção favorito do portuense da altura. O transporte de carga com destino às terras durienses (e, em sentido inverso, para o Porto) era feito nos barcos rabelos. Via terrestre, o vaivém de mercadorias era feito em vulgares carros de bois que, como refere Guido de

Monterey, na obra “O Porto – origem, evolução e transportes”, se juntavam “às centenas, entre a Ribeira e a Alfândega”. Em 1894, por exemplo, “houve uma movimentação de 248 370 carros de bois pela cidade, em sucessivos carretos”. Mas como é tão vasta a história dos transportes na cidade até aos nossos dias, interessa-nos

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reter o essencial. “Para além do cavalo, o portuense utilizou, durante séculos, como modo de locomoção, a cadeirinha, a liteira, a sege e o coche. No final do século XVIII, aparece a mala-posta e, já no século XIX, o carroção, o ónibus, o charabã, o carro americano, a máquina a vapor e o carro elétrico”, resumiu o autor. Conseguiu decorar? REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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Sege, desenho de Roque Gameiro (Gravura de “O Tripeiro”)

ESTAÇÃO DE S. BENTO INAUGURADA EM 1916 Para substituir a mala-posta, começou a pensar-se na montagem de uma rede de caminhos de ferro, à semelhança do que acontecia no estrangeiro. Em julho de 1864, abre ao público a estação das Devesas, sendo inaugurada a Linha do Norte (Lisboa/Gaia), cujo trajeto demorava 14 horas. Entretanto, em 1875, arranca a construção da via de ligação a Campanhã. Mas como a referida estação estava longe do centro, optou-se pela criação de uma Estação Central (S. Bento) no Convento da Ave-Maria, que começou a ser demolido em 1900. O atual edifício foi inaugurado em outubro de 1916.

REGRESSAR ÀS ORIGENS Em 1669, a cidade Invicta contava não mais de dez cadeirinhas, três coches e inúmeros cavalos de aluger. A cadeirinha (individual) e a liteira (já com capacidade para quatro pessoas) são as mais primitivas formas de transporte. Ambas apresentavam um camarim, tapado por cortinas, com um varal de cada lado. A primeira delas, usada sobretudo para transportar senhoras doentes, era conduzida por dois lacaios; a segunda por um animal, guiado pelo liteireiro. Mais evoluídas eram a sege, o

coche e a mala-posta: recorriam já à utilização da roda e de parelhas de cavalos. Tal como recorda Monterey, “a sege, sempre aos solavancos, uma vez que não possuía molas, era guiada pelo boleeiro, encarrapitado em cima de um dos cavalos da parelha”. Não será, por isso, difícil de imaginar que, no século XVIII, as viagens Porto-Lisboa feitas em seges puxadas por mulas demorassem, na melhor das hipóteses, sete dias. No final do século XVIII, a mala-posta veio revolucionar o sistema de transportes de

longo curso no país. E a primeira carruagem (pintada de amarelo, com capacidade para sete passageiros) vinda de Lisboa chegou ao Alto da Bandeira, em Vila Nova de Gaia, em maio de 1859. Só dois anos mais tarde, com a conclusão da estrada de ligação à Ponte Pênsil, é que o meio de transporte conseguiu chegar ao Porto, com término no extinto convento das Carmelitas. A partir de meados do século XIX, com o desenvolvimento da mala-posta, iniciam-se ligações entre a cidade Invicta e várias localidades do norte do país, nomeadamente Braga, Guimarães, Régua, Vila da Feira e Santo Tirso. Estas viagens só viriam a entrar em declínio com o advento dos caminhos de ferro. Mas ao longo desse século, quando os portuenses começam a afluir às praias do Carneiro, na Foz do Douro, (hoje praia Nossa Senhora da Luz), o célebre carroção – com quatro rodas, puxado por uma junta de bois – entra no serviço de


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Carro americano no Passeio Alegre – reconstituição do Museu do Carro Elétrico.

transporte público da cidade, alargando, depois, a sua ação a outras localidades. Descrito como “uma casa ambulante com oito janelas e uma porta, que transportava famílias inteiras às romarias de Matosinhos e aos banhos da Foz”, o carroção notabilizou-se como o primitivo alicerce dos transportes coletivos portuenses. Seguiram-se o ónibus e os charabãs, estes últimos com uma carruagem mais evoluída, puxada a cavalos e aberta dos lados. Entretanto, em março de 1881, Antoine Ripert, de nacionalidade francesa, obteve uma patente de invenção, por 12 anos, do chamado Ripert, que não passava de uma variante do charabã. Ainda assim, segundo recordou o cronista Germano Silva, estes veículos causaram dores de cabeça à administração da Companhia Carris porque a distância entre eixos era igual à dos americanos que, entretanto, começaram a circular. Os Ripert aproveitaram, assim, os trilhos da Carris, alegando que o que está

na via pública podia ser usado por todos. O conflito resultou na substituição dos carris por outros em aço, bem mais resistentes e que não se ajustavam ao rodado dos Ripert, que viriam a desaparecer em 1910. DO AMERICANO AO ELÉTRICO A verdadeira revolução nos transportes deu-se com o carro americano, que, puxado por uma ou mais parelhas de cavalos, se movimentava em carris, servindo para o transporte

de pessoas e mercadorias. Em 1858, Albino Francisco de Paiva tentou obter a autorização do Governo português para estabelecer o transporte entre o Porto e a Foz, mas o despacho favorável surgiria apenas 12 anos mais tarde, solicitado pelo Barão da Trovisqueira. Em 1872 estabeleceu-se a primeira linha da Marginal, cuja concessão passou para as mãos de José de Melo e António Tavares Basto, que formaram a Companhia Carril de Ferro Americano. No ano seguinte surgiu a Companhia REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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Troleicarros

Carris de Ferro do Porto (CCFP), pelas mãos de Vieira de Castro e Evaristo Pinto. A primeira centrava os percursos na marginal; a Carris mantinha os americanos em circulação no centro da cidade. Mais tarde, fundiram-se. Em 1895, as linhas de carros americanos de tração animal vão sendo substituídas pela moderna tração elétrica. E o novo sistema tinha várias vantagens: os horários poderiam ser mais regulares, facilitava-se a multiplicação de unidades de transporte visto não estarem dependentes de animais e melhorava-se, assim, a circulação nas ruas de declive mais acentuado. A primeira linha de carros elétricos (1895) ia do Carmo à Arrábida, estendendo-se, depois, até à Foz e Matosinhos. A partir daí, as linhas expandiram-se pelos concelhos vizinhos, sendo este o transporte mais importante até

aos anos 60 do século XX. O mais importante e o mais especial, pelo menos para Carolina Silva, que muitas vezes viajou com a mãe até à Foz. Os bilhetes, esses, de um “cartão duro e de formato retangular ”, eram sempre comprados com antecedência. E os jovens mais atrevidotes faziam habilidades para viajarem de graça: penduravam-se na parte de trás dos elétricos (como se vê, hoje, no metro) na esperança de não serem apanhados. Germano Silva também guarda várias

memórias desta época, ou não tivesse o seu pai trabalhado na Companhia Carris de Ferro do Porto. “Começou como agulheiro e depois é que foi para guarda-freio e condutor”, contou, referindo que muitas foram as vezes em que seguiram, juntos, no 3, em direção à Baixa portuense. E de acordo com o cronista, os cidadãos aproveitavam o percurso para pôr a leitura em dia. “É vulgar comprar um livro num alfarrabista e encontrar lá no


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meio um bilhete antigo porque as pessoas liam nos elétricos”, realçou, acrescentando que ainda hoje guarda, com carinho, o alicate que o pai utilizava para obliterar os bilhetes. DE AUTOCARRO RUMO À ATUALIDADE Em 1946 arranca uma nova era nos transportes públicos. Após 73 anos de atuação, a CCFP dá lugar ao STCP (Serviço de Transportes Coletivos do Porto), liderado pela Câmara Municipal

do Porto, que se apressa a traçar prioridades para os próximos anos. O primeiro serviço de autocarros surge logo em 1948. Os véiculos aparecem, então, pintados de amarelo, tal como os carros elétricos. Onze anos mais tarde, outra novidade: os troleicarros, de tração elétrica, que evitam a poluição atmosférica e se revelam economicamente mais rentáveis. Elegantes e cómodos, de cor vermelha e tejadilho cinza, surgem com um ou dois pisos

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pelas ruas da cidade. Em 1967, com o plano de remodelação da empresa, o autocarro torna-se, efetivamente, o protagonista dos transportes públicos da cidade e nunca mais deixou de se expandir. Os elétricos, esses, continuam a circular mas numa vertente puramente turística. Após a entrada em funcionamento do Metro, em 2003, a STCP remodelou a sua rede, redefinindo os percursos consoante as mais recentes necessidades da população. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


SABORES DE TODOS OS TEMPOS CRIADA HÁ 141 ANOS, A FÁBRICA DE BISCOITOS E BOLACHAS PAUPÉRIO AINDA NÃO PAROU DE CONQUISTAR ADEPTOS EM PORTUGAL E NO MUNDO. SEGUNDO GARANTEM OS HERDEIROS DO NEGÓCIO FAMILIAR – DESENVOLVIDO EM VALONGO – O SUCESSO DA EMPRESA NASCE DA PAIXÃO COM QUE AS ANTIGAS RECEITAS SÃO ESCRUPULOSAMENTE CONCRETIZADAS. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Paupério

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ão sabores que adoçam o paladar (e o coração) dos miúdos e graúdos e que juntam, em receitas com quase século e meio de existência, grandes doses de experiência, “carinho e ternura”. Quem por lá passa não tem dúvidas. Na zona antiga de Valongo, junto à Igreja Matriz, cheira bem, cheira a Paupério – conhecida fábrica de biscoitos e bolachas tradicionais que co-

meçou a escrever a sua história em 1874. O negócio foi lançado por dois amigos valonguenses (António de Sousa Malta Paupério e Joaquim Carlos Figueira), centrando-se, inicialmente, na moagem e comercialização de cereais e no fabrico de pão. Mais tarde, no arranque do século XX, especializou-se no fabrico de bolachas e biscoitos. Hoje, poucos são os que resistem ao pão de ló, bolo-rei, marmelada, geleia

de marmelo e às cerca de 50 variedades de biscoitos produzidos ‘como manda a tradição’. “PORQUE A TRADIÇÃO AINDA É O QUE ERA” A Paupério é gerida, atualmente, pela 6.ª geração da família Figueira, que assumiu o compromisso de manter o saber-fazer e os segredos desde sempre ligados à fábrica. É por isso que os famosos biscoitos são moldados


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em máquinas antigas (não só em modernas) e maioritariamente embalados manualmente. “O meu preferido é o de milho”, confessou Eduardo Sousa (trineto de um dos fundadores). “Além de resultar de uma receita muito antiga, do início do século XIX, era também o favorito de Camilo Castelo Branco”, anunciou o representante da 5.ª geração da família. Mas há opções para todos os gostos: baunilhados (ideais para acompanhar um chá), de araruta (ideais para diabéticos), conventuais, fidalguinhos (com sabor a canela), limonados (com aroma a limão), enfim, delícias para ‘aconchegar’ o estômago a qualquer hora. E a verdade é que, 141 anos depois, a Paupério continua a conquistar novos mercados. Na Área Metropolitana do Porto, os seus produtos podem ser encontrados não só na loja da fábrica, em Valongo, e na de Rio Tinto, mas também no renovado Mercado do Bom Sucesso e em várias mercearias antigas, lojas gourmet e de produtos típicos nacionais (Casa Januário, Vida

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UMA TOSTA REAL D. Maria Amélia de Orleães (futura rainha D. Amélia), que chegou a Portugal (vinda de França) em maio de 1886, serviu de inspiração à criação de uma tosta doce fabricada até aos nossos dias. Nesse mesmo mês, D. Amélia e o Príncipe Real D. Carlos, Duque de Bragança, casaram-se na Igreja de S. Domingos, em Lisboa, e mudaram-se para a sua nova residência, o Palácio de Belém, onde mais tarde nasceriam os dois filhos: D. Luís Filipe e o futuro D. Manuel II de Portugal. Numa das visitas do casal ao Porto, foi solicitado à Paupério que produzisse uma tosta doce para presentear a princesa. E assim foi: no final de 1886 nasceu a requintada Tosta Doce, com características ideais para o acompanhamento de doces e compotas. Mais tarde, em outubro de 1889, com a morte do Rei D. Luis I, D. Carlos I subiu ao trono e D. Amélia, então com apenas vinte e quatro anos, tornou-se Rainha de Portugal. A fábrica de Valongo decidiu, assim, passar a designar a Tosta Doce de Tosta Rainha, nome que ainda hoje preserva. Portuguesa, Confeitaria do Bolhão e Saborícia, por exemplo). Mas os sabores da famosa fábrica chegam a todo o país e arrebatam corações além-fronteiras: em França, Inglaterra, EUA, Japão, China, Timor e Angola. Aumentar as exportações e o volume de negócios é um dos objetivos da empresa, cuja filosofia de trabalho assenta nos ideais da qualidade, diversidade e tradição. Neste sentido, a Paupério adquiriu, nos últimos tempos, uma máquina de

embalamento vertical, equipamento de preparação de massas, uma depositadora e um túnel de refrigeração de chocolate, num REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


Escritório da Paupério (1957)

investimento superior a 189 mil euros (comparticipado em mais de 123 mil por fundos europeus provenientes do ON.2 - O Novo Norte). SANGUE NOVO TROUXE APOSTA REVIVALISTA Há cerca de quatro anos, na altura do natal, as filhas de Eduardo - Ana Sofia Sousa e Sara Carolina Sousa – constataram que talvez fosse interessante recuperar as antigas latas onde os biscoitos eram vendidos e lançar uma série

de caixas de sortido revivalistas. O proprietário da empresa confiou na intuição das jovens e os compradores aplaudiram a ideia. O design retro das latas surge, assim, combinado com pequenas tentações fabricadas de acordo com um antigo livro de receitas. Sim, o manual existe mesmo, tem cerca de oito décadas e está guardado no Arquivo Municipal de Valongo (juntamente com outro acervo histórico da Paupério), que pode ser consultado mediante autorização prévia.

Segundo reconheceu Eduardo Sousa, além do natural aumento de vendas, a fábrica pretende ainda abrir ao público um núcleo museológico nas suas próprias instalações, com documentos e equipamentos antigos ligados à história da empresa, que, como referem os próprios herdeiros, assumiu o desafio de adoçar o dia a dia dos cidadãos.


MOST E I R O D E S. J OÃO D’A R GA

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CELEBRAR A ESSÊNCIA DO ALTO MINHO RECENTEMENTE REQUALIFICADO, O MOSTEIRO DE S. JOÃO D’ARGA CONTINUA A ATRAIR MILHARES DE PESSOAS A UMA DAS ROMARIAS MAIS APRECIADAS DO CONCELHO DE CAMINHA. REALIZADA EM AGOSTO, A FESTIVIDADE – IRREMEDIAVELMENTE ASSOCIADA AO SOM DAS CONCERTINAS E À TÃO APRECIADA AGUARDENTE COM MEL – É UM DOS SEGREDOS MAIS BEM GUARDADOS DO ALTO MINHO. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Luís Valadares

Situado em pleno coração da Serra d’Arga – e palco da mais genuína romaria do concelho de Caminha – o Mosteiro de S. João d’Arga, recentemente reabilitado, é, por excelência, um local de história e tradição. De origem muito remota – na

verdade, não se sabe ao certo a data em que foi fundado – continua a ser um dos espaços que mais romeiros atrai às terras do Alto Minho, particularmente nos dias em que a imagem do milagroso S. João d’Arga é venerada: a 24 de junho e a 28

e 29 de agosto. E ainda hoje se cumprem, a preceito, os costumes imemoriais associados à festividade: nesses dias (o auge é nas referidas datas de agosto), os peregrinos e devotos (que pernoitam, muitas vezes, no recinto), dão três voltas à capela e fazem oferendas a S. João Batista, advogado das doenças. Para que as entidades do mal não se ‘ofendam’, concede-se, igualmente, uma esmola ao diabo, tradição que surge na sequência do medo que o camponês do Alto-Minho sempre teve dos poderes da escuridão.

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Mesmo a tempo da edição deste ano da romaria, o mosteiro foi alvo de uma empreitada de requalificação orçada em quase 600 mil euros (financiada em 85% pelo ON.2 – O Novo Norte e, no restante, pelo município de Caminha). Segundo defenderam os responsáveis da câmara, tratou-se de uma intervenção “de grande importância para a potenciação turística da Serra d’Arga e para todo o concelho”. O processo de reabilitação envolveu trabalhos de conservação e de beneficiação na capela, nos albergues e espaços exteriores, nos sanitários públicos, no edifício de apoio ao Santuário e ainda o melhoramento e execução de algumas

infraestruturas. A cerimónia de abertura ao público do renovado Mosteiro foi testemunhada, a 24 de agosto deste ano, pelo então Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier. A ROMARIA DE TODAS AS GERAÇÕES Entre danças, cantares e gargalhadas de pessoas de todas as idades, a romaria vive da alegria de milhares de cidadãos que não prescindem de subir a serra para cumprir a tradição. Além do edifício religioso, há, na envolvente, algumas construções – os quartéis – que servem para albergar os peregrinos de mais longe, de 28 para 29 de agosto.

De acordo com as páginas amareladas da História, no passado, o grosso dos romeiros era formado por inúmeras pessoas que, “calcorreando sendas e caminhos, de noite e de dia, vinham de quase todas as freguesias dos concelhos limítrofes da serra, atraídas pelo Santo Milagreiro, advogado de todos os males”. Alguns conseguiam ter a sorte de encontrar lugar nos quartéis, dormindo, parte da noite, enrolados numa manta, sobre palha espalhada no chão. “Fatigados da viagem e dos bailaricos que, pela noite fora, se desenrolam nas imediações da capela, ao som estrídulo das concertinas, conseguiam,


assim, retomar forças para, no dia seguinte, participar nos atos religiosos e regressar a casa”, recordou a autarquia local. Os menos afortunados, esses, pernoitavam no chão, encostados às paredes ou na concavidade de alguma rocha. No dia da festa, assistiam à missa cantada, com um sermão feito por um orador reconhecido, e cumpriam as voltas em redor da capela, de pé ou de joelhos, conforme a promessa feita, levando na mão um terço ou uma vela. No percurso de regresso a casa, paravam algumas vezes, não só para saborear o merendeiro, mas também para ‘dar ao pé’, uma vez que, defendiam, “a vida não é só rezar”. O ar fresco da serra, as tradições centenárias, os cantares ao desafio, os petiscos e a afamada aguardente com mel são alguns dos ingredientes que continuam a conquistar adeptos da romaria, reveladora da verdadeira essência das gentes do Alto Minho.

MONUMENTO ENVOLTO EM MISTÉRIO Sabe-se muito pouco sobre a origem histórica do Mosteiro de S. João d’Arga. De acordo com o sacerdote António Carvalho da Costa – que decidiu compilar o maior número possível de notícias sobre as várias localidades portuguesas na obra “Corografia Portuguesa”, publicada entre 1706 e 1712 – o santuário terá sido erguido, no ano 661, por ordem de S. Frutuoso, bispo de Braga. No entanto, a primeira referência histórica ao monumento data

de 1258, encontrando-se já nessa altura dedicado a S. João Batista. Além disso, sabe-se também que, em 1364, ainda albergava monges beneditinos. Mais tarde, em 1515, quando passou para as mãos da Ordem de Cristo, já estava despovoado. Terá entrado, então, em decadência e ruína. Contudo, face à crescente popularidade que as romarias registaram no século XVIII, efetuaram-se obras de reforma na capela e construíram-se, posteriormente, dois albergues de apoio aos romeiros.


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AS NOVAS ‘JÓIAS’ DA OFERTA CULTURAL PORTUENSE SÃO ESPAÇOS CARREGADOS DE CONHECIMENTO, QUE DESAFIAM OS VISITANTES A RESPIRAR FUNDO E A ALINHAR NUMA MARATONA PELAS EMOCIONANTES PÁGINAS HISTÓRICAS DA CIDADE INVICTA. JÁ TEVE OPORTUNIDADE DE CONHECER O MUSEU JUDAICO E O MUSEU DA MISERICÓRDIA DO PORTO?

Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Rui Oliveira

A MULTISSECULAR PRESENÇA DOS JUDEUS NO PORTO Feixes de luz vencem o vidro de uma ou outra janela, criando um ambiente místico num espaço totalmente dominado pelas memórias da Comunidade Israelita do Porto. Na ala central do museu, uma placa com cerca de 900 nomes brinda os visitantes com um desconcertante arrepio. É uma homenagem aos judeus vitimados pela Inquisição no Porto: homens e mulheres, dos 10 aos 100 anos, que padeceram por praticarem o judaísmo após a sua proibição em Portugal, no final do século XV. Mas há bastante mais para ver no Museu Judaico, recentemente i n a u g u ra d o n a S i n a g o g a

Kadoorie Mekor Haim, a maior da Península Ibérica. O templo, de influência hispano-árabe, em estilo art-déco, situado na rua de Guerra Junqueiro, está aberto à curiosidade do público em geral, sendo que, em 2014, foi visitado por dez mil pessoas. “Este ano, até dezembro, vamos, com toda a certeza, duplicar o valor”, assegurou Hugo Vaz, responsável do departamento de Turismo da Sinagoga, destacando o caráter “invulgar” de se encontrar uma casa de culto ativa, onde “as pessoas podem fazer as perguntas que quiserem”. Mas esta abertura plena aos cidadãos representa exatamente o desafio assumido pela Comunidade Israelita do

Porto, face à inexistência, na cidade, de outro local onde fosse possível viajar pelas suas memórias. “Ainda paira um desconhecimento muito grande sobre a cultura judaica e, portanto, para nós, é quase uma missão manter as portas abertas”, notou. Sabia, por exemplo, que, até à ordem de expulsão dos judeus do país, em 1496, a comunidade judaica representava 20% da população portuense? Pois bem, antes da interdição do judaísmo em Portugal, judeus e cristãos conviviam, harmoniosamente, nas ruas da Invicta. A sinagoga, inaugurada em 1938, surge, assim, para homenagear os primeiros judeus


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que regressaram a território nacional, no final do século XIX. O nome atribuído ao templo também revela importantes pistas históricas: Kadoorie é o apelido da família de judeus, de Hong Kong, que doou a verba necessária à finalização das obras no edifício. O nome hebraico “Mekor Haim”, que significa “Fonte de Vida”, vem mostrar que é possível um povo fazer coisas maravilhosas mesmo nas épocas de adversidade. A prová-lo está o facto de a sinagoga ter sido inaugurada “num ano terrível para os judeus”, marcado pelos atos de violência praticados em diversos locais da Alemanha e da Áustria, então sob o domínio nazi, na

noite de 9 de novembro de 1938. O episódio viria a ficar conhecido como “Noite de Cristal”, durante a qual se destruíram sinagogas, lojas e habitações de judeus. Um dos primeiros locais visitados no templo é a sala de culto, que apresenta, no teto, a mais antiga cúpula em betão armado feita no norte do país, com a forma de um quipá (chapéu utilizado pelos judeus). O livro sagrado da comunidade (a Torá), guardado no interior da Arca (Ehal), só pode ser lido num serviço público religioso mediante a presença de dez homens judeus maiores de 13 anos. Escrita em formato de pergaminho, em hebraico, a Torá incide na primeira parte do Antigo Testamento e não pode

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conter erros nem imperfeições, demorando, assim, cerca de dois anos a ser concluída. Rigores de um povo que celebrou, em setembro, a entrada no ano 5776 (reavivando a esperança na chegada do Messias, “que possibilitará a paz em todo o mundo”). A visita prossegue entre diversas relíquias do mundo judaico, e, noutra sala, não há como não reparar na mostra de memórias do capitão Arthur Barros Basto, fundador da Comunidade Israelita do Porto, em 1923, “e herói da I Guerra Mundial”. Homem de olhar simpático (pelo retrato presente no espaço), o militar foi o impulsionador da chamada “Obra do Resgate”, REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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Barros Basto morreu, em 1961, “sem dinheiro e sem glória”, tendo sido moralmente reabilitado 50 anos depois, por decisão unânime do Parlamento português. A neta do militar é, hoje, vice-presidente da Comunidade Israelita do Porto. associada à tentativa de recuperar os cidadãos que viviam o judaísmo, em segredo, sobretudo em Trás-os-Montes e nas Beiras. “Na altura da expulsão [da comunidade judaica], o que aconteceu foi, no fundo, uma conversão forçada: as famílias ricas conseguiram fugir; as mais pobres ficaram e foram obrigadas a converter-se. Esses cidadãos chegaram ao século XX a frenquentar a igreja,

mostrando-se bons católicos, mas, em casa, continuavam a praticar os rituais judaicos”, resumiu o responsável, acrescentando que a função de Barros Basto era a de informar os cidadãos que, “desde a nova Constituição republicana, o judaísmo era permitido em Portugal”. Claro que tudo correu bem até à implantação do Estado Novo, muito ligado à Igreja Católica. Em 1937, o capitão

acabou mesmo por ser expulso do Exército (por participar em circuncisões, prática comum entre judeus). Ainda assim, um ano depois, “teve forças” para inaugurar a Sinagoga Kadoorie Mekor Haim. E é impossível não sublinhar um dado curioso: o facto de o templo ter sido erguido mesmo ao lado do Colégio Alemão do Porto. Não há, contudo, registo de qualquer incidente. Conta-se apenas que


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as autoridades portuguesas s e a p re ss a ra m a p l a nt a r grandes árvores entre as duas instituições, que ficaram, assim, simbolicamente separadas. O espólio do museu reúne ainda documentação original sobre os refugiados acolhidos no Porto durante a II Guerra Mundial. Aliás, em 2013, a comunidade assinou um protocolo com o Museu do Holocausto, em Washington, para o estudo conjunto destes documentos. E entre objetos ‘de outras vidas’ (como a máquina de escrever do capitão e os característicos candelabros de sete braços) há informação sobre os irmãos Kadoorie (que cederam verbas para a construção da sinagoga em homenagem à mãe, descendente de portugueses), uma biblioteca e uma sala que recorda a escola judaica (yeshivah) que funcionou, no edifício, entre 1929 e 1935. Um espaço que, com as típicas mesas escolares da época e mapas de uma Europa bastante diferente, fazem as delícias de miúdos e graúdos. Recantos para descobrir (todos os dias entre as 09h30 e as 17h30, exceto aos sábados e feriados judaicos), com a dedicação de quem analisa, cuidadosamente, a história centenária de uma comunidade que reúne, neste momento, uma centena de judeus no Porto. MUSEU DA MISERICÓRDIA: REALIZAR UM SONHO COM MAIS DE 100 ANOS Em plena Baixa portuense, na movimentada Rua das Flores, a Santa Casa da Misericórdia inaugurou também, no passado

mês de julho, um museu dedicado à memória da instituição, cuja história (de mais de 500 anos) está presente no ADN da própria cidade. Em diferentes salas

espalhadas pelos quatro pisos do edifício, os visitantes têm oportunidade de alinhar numa viagem às origens da Instituição Particular de Solidariedade REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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Social, que assume, desde a sua fundação, em 1499, um papel ativo na resposta às necessidades sociais da região. A visita começa no Piso 3, numa sala onde, junto a uma das janelas, um elemento visual contemporâneo direciona o olhar dos cidadãos para a zona da Sé Catedral, onde ficou instalada a primeira sede da Misericórdia do Porto. E, a partir daí, dá-se, então, início ao percurso (que é possível efetuar, todos os dias, entre as 10h00 e as 17h30). Este primeiro espaço visa dar a conhecer as diferentes áreas de atuação da Santa Casa, começando pela saúde, já que a entidade gere hospitais há mais de cinco séculos. Entre curiosas peças (o microscópio utilizado pelo psiquiatra Magalhães de Lemos, por exemplo) que fazem viajar no

tempo, há documentação diversa sobre as primeiras casas de acolhimento (como o HospitalAlbergaria de Roque Amador e o Hospital D. Lopo de Almeida) e os incontornáveis hospitais de Santo António, Conde Ferreira, Rodrigues Semide e da Prelada. Seguem-se zonas expositivas voltadas para a prestação de cuidados aos presos, a área de assistência e acolhimento (na qual é possível ver objetos deixados, ao longo do tempo, pelos utentes dos lares da instituição) e ainda o ensino. No final do percurso, um vídeo de cinco minutos faz uma espécie de ponte ‘passado-presente’, revelando a dinâmica diária da entidade, hoje com 1500 funcionários. A aventura prossegue numa sala inteiramente dedicada aos

Benfeitores, cujos retratos serão renovados regularmente, já que, como notou Paula Aleixo, da direção do museu, a dinâmica dada ao espaço será sempre um fator decisivo. “Os museus dependem muito da vida que têm e, por isso, deve haver uma constante renovação dos motivos de interesse. Na Sala dos Benfeitores, por exemplo, estão cerca de 20 retratos de um total de quase 500, pelo que poderemos fazer essa alteração periodicamente”, frisou. As doações anónimas, essas, também não foram esquecidas: do ouro proveniente de um conjunto de alianças e outros adereços encontrados, no cofre, sem identificação, nasceu o Cálice da Confiança. A peça, feita há dois anos, serve, assim, para homenagear todos aqueles que não hesitaram em conceder os seus pertences à Misericórdia portuense. E depois da visita ao Piso 2 (onde se encontram as salas dedicadas à Pintura e Escultura e à Ourivesaria e Paramentaria, muito influenciadas pela arte sacra), os visitantes são convidados a percorrer um espaço que fornece interessantes pistas sobre a Igreja da Misericórdia, construção do século XVI que sofreu uma


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grande intervenção, no século XVIII, protagonizada por Nicolau Nasoni. O desenho original da fachada do edifício, apresentado, na altura, pelo arquiteto italiano, é uma das grandes atrações do local. É por isso que, para a responsável, não faltam “razões que justiquem uma deslocação ao museu, tanto para as pessoas que se interessam mais pela componente artística, como para as que privilegiam o

caráter histórico” das peças e documentos disponibilizados. A ‘jóia da coroa’ – cuja importância se reflete, desde logo, no facto de merecer todo o espaço de uma sala (no Piso 1) – é a pintura Fons Vitae, do início do século XVI, que desperta o interesse de especialistas de todo o mundo. No enorme painel (que terá sido encomendado para o retábulo da primitiva capela da confraria, situada na Sé Catedral), D. Manuel

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e D. Maria surgem junto a um Cristo crucificado, cujo sangue ‘rendentor’ enche a fonte da vida. Perto do quadro, uma peça escultórica assinada por Rui Chafes (intitulada “O Meu Sangue é o Vosso Sangue”), faz a ligação simbólica da pintura flamenga à cidade, atravessando a parede da sala até ao exterior do edifício. O elemento artístico é, segundo Paula Aleixo, a prova de que, apesar do vasto espólio artístico resultante de mais de cinco séculos de ação, a Santa Casa pretende, igualmente, afirmar o seu cunho contemporâneo. Interessa ainda referir a existência de uma Sala Imersiva, na qual é possível ‘viajar’ ao Porto do século XVIII. Apostar na renovação das peças da exposição permanente do museu, criar mostras temporárias e expandir as visitas a outros locais da instituição (criando roteiros artística e historicamente relevantes na cidade) são, assim, os grandes objetivos traçados pela responsável para os próximos tempos. De resto, percorrer os vários recantos do equipamento é suficiente para ter a certeza de que, realmente, ‘o sonho comanda a vida’, ou não tivesse o projeto sido idealizado, há 125 anos, pelo Conde de Samodães, então provedor da Misericórdia. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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PERLIM ABRE AS PORTAS À MAGIA DO NATAL

O MAIOR PARQUE TEMÁTICO DO NORTE DO PAÍS PROMETE PINTAR O NATAL DE MAGIA. ATÉ AO DIA 3 DE JANEIRO DE 2016, HAVERÁ COWBOYS, UM CASTELO ONDE VIVE O PAI NATAL E FANTÁSTICOS SUPER-HERÓIS PARA DESCOBRIR EM PERLIM.

De 5 de dezembro de 2015 a 3 de janeiro de 2016, Perlim volta a ganhar vida num lugar único de Santa Maria da Feira – a Quinta do Castelo. Em 2014, foram 80 mil os visitantes que por lá passaram, naquele que é o Maior

Parque Temático de Natal do Norte do País. Nesta edição, a organização assume um novo desafio e lança um convite a todos os cidadãos: “venham sonhar connosco!” O evento abrirá portas para encantar um público cada vez mais exigente e que busca conteúdos diferenciadores, originais e inéditos, na expetativa de viver momentos inesquecíveis. Em Perlim, há uma Quinta de Sonhos a ser descoberta. Há espetáculos de grande formato em que a alegria, a musicalidade e a excelência dos cenários são o ponto de ordem.


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Todos os dias, haverá um espetáculo que conta a história de Perlim e dos seus habitantes, ao som do tema musical “Era uma vez em Perlinês”, que terá como pano de fundo o mais extraordinário dos cenários da Quinta

do Castelo – o lago, a gruta e a encosta da Árvore do Amor, onde Perlim viverá. UMA MÃO CHEIA DE AVENTURAS E aqui ficam mais algumas su-

gestões mágicas. No espetáculo musical “ÓPERAção P”, há um mundo de sons coloridos à espera dos visitantes. Com a magia de árias de Ópera de Mozart a Verdi, o espectador embarca numa aventura pela busca do Príncipe Perfeito, juntamente com as personagens principais deste espetáculo original. Na reinterpretação de um dos mais emblemáticos contos do imaginário infantil, surge, algures em Perlim, uma aldeia muito pequenina onde vive o João e onde, num dia como outro qualquer, surge um gigante Pé de Feijão! E que aventuras se seguirão? Ovos de ouro, um mundo de gigantes e uma lição inesquecível em “João e o Pé de Feijão! “Era uma vez… Perlim” acontece no encantador cenário da gruta, do lago e da ponte! Com muito brilho à mistura, as mascotes REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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de Perlim contam a sua história ao som da música “Era uma vez em Perlinês”, numa dança que “agarra” miúdos e graúdos, a cada segundo. Quem não se lembra dos Cowboys de Perlim? Este ano, há uma grande aventura pela frente – descobrimos – “Há Ouro em Perlim!”. Os dias passam serenamente, ao som do vento, no velho Oeste de Perlim! Os cowboys e as bailarinas vão animando os dias calmos, mas surge a notícia de que a velha mina abandonada está repleta de… ouro! Em breve, a calma deixa o Oeste de Perlim

e os bandidos rondam a cidade! Pancho e os seus companheiros estão a postos para as aventuras hilariantes que os esperam e contam com a animação dos visitantes para acompanharem estas peripécias. E será que já conhece a “Alice no País das Águas”? Pois bem, está na hora de ir até Perlim e aprender que a água é um bem precioso para todos, um verdadeiro tesouro, que serve para beber e para viver! Neste País das Águas, o visitante vai encontrar exploradores fantásticos, que, gota a gota, ensinarão tudo

sobre este bem precioso, do estado sólido ao estado líquido! Num mundo como Perlim, não faltam os heróis da nossa imaginação e os que só existem na Quinta do Castelo. Por isso, o visitante deve estar pronto para entrar numa magnífica história aos quadradinhos e para um encontro mirabolante com o fantástico “Capitão Meia”. Ganhe poderes com este super-herói, num misto de fantasia, ação, musicalidade, humor e muita magia (capaz de salvar o próprio Natal). Perlim é, por si só, “O Lugar de


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todas as Histórias”. No entanto, o evento prova que o tempo também pode ser um lugar repleto de encanto, onde as histórias viajam, de lá para cá, do passado para o futuro, passando pelo presente! Será que estes lugares existem? Tudo dependerá da imaginação de cada visitante. E será que “O Super Natal” pode ser mais um super-herói de Perlim? Sim, numa história de marionetas, num lugar distante chamado “Gastónia”! Os seus habitantes, amaldiçoados por um vilão maléfico, compram milhares de coisas por dia! O

público poderá, assim, visitar a “Gastónia” para conhecer “O Super Natal” e ver como terminará a aventura! Claro que outra paragem obrigatória é, como não poderia deixar de ser, o “mundo” do Pai Natal – a Lapónia! No Castelo de Santa Maria da Feira, ex-libris da cidade, estarão o velhinho de barbas brancas, os

elfos, duendes, renas e todos os habitantes deste espaço singular. Fica a promessa de que a Casa do Pai Natal deixará memórias inesquecíveis às famílias que por lá passarem! De resto, pais e filhos poderão partilhar sorrisos em várias diversões, nomeadamente no slide, no arvorismo, na escalada e na pista de gelo. Tudo o resto será pura magia!

INFORMAÇÕES/RESERVAS: em www.perlim.pt 256 370 241 | 915220811 reservas@perlim.pt REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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EDP GÁS DISTRIBUIÇÃO: MOBILIDADE A GÁS NATURAL A CONCESSIONÁRIA DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS NATURAL NOS DISTRITOS DE PORTO, BRAGA E VIANA DO CASTELO TEM ATUALMENTE A MAIOR FROTA NACIONAL DE VEÍCULOS LIGEIROS MOVIDOS A GÁS NATURAL. UTILITÁRIOS, CARRINHAS E VEÍCULOS FAMILIARES SUPORTAM A TOTALIDADE DAS ATIVIDADES DA CADEIA DE VALOR DA EMPRESA.

O gás natural é um produto que apresenta inúmeras vantagens, nomeadamente económicas e ambientais. É muito versátil pois possibilita diversas utilizações, sendo as mais comuns as domésticas e dos setores terciário e industrial. Com maior acutilância na Europa, o setor dos transportes tem vindo a ser desafiado a garantir soluções que permitam menores emissões para o meio ambiente, uma vez que o setor representa uma parcela relevante das emissões. Deste modo, pelas suas características intrínsecas, o gás natural tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante

no setor dos transportes, não só na componente rodoviária, mas também nas componentes marítima e fluvial. A EDP Gás Distribuição, alinhada com este objetivo europeu de promoção e divulgação da mobilidade rodoviária a gás natural, iniciou a renovação da sua frota em agosto de 2013. Atualmente constituída por 26 veículos a gás natural (utilitários, carrinhas e familiares), a frota – a maior desta tipologia de veículos no país – suporta a totalidade das atividades que compõem a cadeia de valor da empresa: prospeção de mercado, contratação, projeto, construção,


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exploração, manutenção e serviço de emergência gás (24/24, 365 dias ano). No final de 2016, a renovação da frota operacional ficará praticamente completa. As exigências de mobilidade e a economia da solução são vetores essenciais ao desenvolvimento da EDP Gás Distribuição, uma vez que a taxa média de crescimento anual da infraestrutura e dos pontos de abastecimento é significativa: 10% nos últimos oito anos. Atualmente, estão em exploração 4800 km de redes de distribuição e 325 mil pontos de consumo. A simples substituição de combustível - por exemplo o diesel, por gás natural – permite uma significativa redução das emissões: os veículos a gás natural têm baixas emissões de substâncias tóxicas, quase emissões zero de partículas, reduzidas emissões de NOx (óxidos de azoto), especialmente

o NO2 (dióxido de azoto) e uma forte redução (superior a 20%) de CO2 (dióxido de c a r b o n o) p o r q u i l ó m e t ro p e rco r r i d o. O u t ro a s p e to relevante, nomeadamente em determinados contextos (por exemplo a recolha de Resíduos Sólidos Urbanos, normalmente efetuada em contextos noturnos), é a redução de ruído

de 4 dB (-50% da perceção de ruído face ao diesel). Para o nosso país, o desenvolvimento do gás natural nos transportes proporciona uma maior diversificação da matriz energética, para além da enorme contribuição ambiental e económica que esta solução vem proporcionar, nomeadamente às empresas e autarquias.


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DELICIOSA VIAGEM PELOS SABORES DO PORTO E NORTE ATÉ AO DIA 29 DE MAIO DE 2016, MAIS DE MIL RESTAURANTES DE 75 MUNICÍPIOS DO PORTO E NORTE DE PORTUGAL ESTÃO A DESAFIAR O PÚBLICO A DESFRUTAR DOS MAIS TÍPICOS PRATOS, SOBREMESAS E VINHOS DA REGIÃO, NUMA JORNADA QUE PROMETE FAZER CRESCER ÁGUA NA BOCA. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: TPNP

O desafio é simples: apure os cinco sentidos e parta à descoberta dos mais característicos sabores do Porto e Norte de Portugal. A edição de 2015/16 dos Fins de Semana Gastronómicos já arrancou, no início de novembro, e, até ao dia 29 de maio de 2016, promete continuar a fazer as delícias de quem não resiste a uma verdadeira viagem pelo universo das sensações. A iniciativa, promovida pela Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), convida o público a desfrutar da região através da gastronomia e dos vinhos, num périplo que abrange 75 municípios, mais de mil restaurantes e mais de 500 empreendimentos turísticos. E

claro que o convite endereçado aos cidadãos/turistas não se esgota nas aliciantes propostas de degustação. Tal como referiu Melchior Moreira, presidente da TPNP, “aproveite para conhecer uma região que preserva a sua herança gastronómica e cultural, prolongue a sua estadia num dos muitos locais à escolha e a preços convidativos, usufruindo de uma oferta diversificada que lhe abrirá o gosto a um mundo de sensações no Porto e Norte, destino de férias cada vez mais apetecível e que tem sempre muito mais para descobrir ao longo de todo o ano”. Nesta edição, o périplo pelos diferentes concelhos surge com um programa reforçado: há um acréscimo de 6% no número de

restaurantes participantes e o dobro dos estabelecimentos turísticos do ano anterior. É por isso que, segundo o responsável da entidade regional, os Fins de Semana Gastronómicos “representam, hoje, um dos eventos que mais dinâmica provoca no mercado de proximidade”. “A adesão dos parceiros públicos e privados tem aumentado de edição para edição numa clara resposta à procura crescente de um destino que tem na sua gastronomia e vinhos um potencial fantástico”, sublinhou.


TURI SM O DO PORTO E N ORTE DE PORTU GAL

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Santa Maria de Penaguião, Vimioso, Alfândega da Fé, Celorico de Basto, Lamego, Mesão Frio e Vila Verde).

GASTRONOMIA, CULTURA E ANIMAÇÃO DE MÃOS DADAS Uma das mais-valias da iniciativa – assente na criação das melhores condições de prova de produtos de altíssima qualidade – é o facto de contribuir, de forma decisiva, para a dinamização da atividade económica no subsetor da restauração. E claro que, interrelacionando a Gastronomia com a Cultura, alavanca o território como um palco da melhor animação turística e cultural, pelos usos, costumes e tradições alicerçados nos pra-

tos servidos pelos diferentes restaurantes. A descoberta das apreciadas receitas típicas surge combinada com visitas gratuitas a monumentos de reconhecida importância nos vários municípios, provas de vinhos e atuações das mais diversas coletividades, entre outras sugestões. O programa completo pode ser consultado em http://www.portoenorte.pt/gastronomia/, mas interessa fazer um breve percurso pelas próximas paragens do evento (que já esteve em Alijó, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar,

PROPOSTAS PARA TODOS OS GOSTOS No primeiro fim de semana de dezembro (dias 4,5 e 6), Baião (com o seu famoso Arroz de Favas, destacado por Eça de Queirós na obra “A Cidade e as Serras”) e Póvoa de Varzim (com o tão apreciado Peixe à Proa, que junta três tesouros do mar: pescada, robalo e polvo) serão os concelhos em destaque. Na semana seguinte (11, 12 e 13 de dezembro), o chamado Capão à Freamunde será a grande estrela desvendada da lista de segredos do património gastronómico de Paços de Ferreira. Acompanhado com grelos e batata assada, o prato arrebatou igualmente o paladar de vários autores como Gil Vicente e Camilo Castelo Branco. E já ouviu falar da Feijoada à Moda de Gaia? Pois bem, nos dias 8, 9 e 10 de janeiro de 2016, o prato promete conquistar o público naquele concelho. A aventura prosseguirá (a 15, 16 e 17 do mesmo mês) no Marco de Canaveses (conhecido pelo Anho Assado com Arroz de Forno e pelas tentadoras Fatias e Cavacas do Freixo); em Montalegre (sugerindo-se o Cozido à Barrosã) e em Tabuaço (com o REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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típico Bife de Lombo com Molho de Vinho do Porto). No fim de semana seguinte (22, 23 e 24) Espinho apresentará a sua famosa Caldeirada (utilizando o peixe apanhado nas redes da tradicional Arte Xávega) e Vizela brindará os visitantes com Frango à Merendeiro e Bolinhol. A encerrar o calendário de janeiro (dias 29, 30 e 31), o programa do evento chegará a Amares (com as irresistíveis Papas de Sarrabulho), Macedo de Cavaleiros (que sugere Javali no Pote e Pudim de Castanha) e Ponte de Lima (onde o Arroz de Sarrabulho é o rei da mesa). Em fevereiro de 2016, o roteiro dos Fins de Semana Gastronómicos passará, nos dias 5, 6 e 7, por Bragança (que propõe o tão típico Butelo com Casulas), Cabeceiras de Basto (cujos festejos do Entrudo são acompanhados com iguarias como a Orelheira) e Melgaço (conhecido pelo Cabrito do Monte Assado no Forno e pelo Bucho Doce). Na sexta-feira,

sábado e domingo seguintes (19, 20 e 21), os apreciadores da boa mesa e das tradições do Porto e Norte poderão desfrutar da Carne da Cachena com Arroz de Feijão Tarrestre de Arcos de Valdevez, do famoso Arroz de Lampreia de Penafiel e ainda do Bacalhau à S. Teotónio saboreado em Valença. O segundo mês do ano não terminará sem passagens por Caminha (que apresentará o seu Robalo Escalado do Mar da Ínsua) e Monção (que tem como ex-libris gastronómico o Arroz de Lampreia), nos dias 26, 27 e 28. PARAGENS SEGUINTES No mês de março, também haverá sugestões para todos os gostos, com paragens em Barcelos (com destaque para o Galo Assado), Esposende (já experimentou as Clarinhas de Fão?), Mirandela (com a incontornável Alheira), Ribeira de Pena (onde os milhos, cozinhados de forma tão tradicional, continuam

a conquistar miúdos e graúdos), Torre de Moncorvo (concelho conhecido pelo Borrego Terrincho), Vale de Cambra (onde a Carne de Vitela de Raça Arouquesa faz crescer água na boca) e Vieira do Minho (que encontra na Vitela da Região o seu expoente máximo), no primeiro fim de semana. De seguida, nos dias 11, 12 e 13, o périplo gastronómico da TPNP apresentará o Cozido à Portuguesa de Lousada, o Arroz de Ossos da Suã e as Rabanadas de Pão de Ul de Oliveira de Azeméis e, por fim, o Cozido e a Pera Bêbeda em Vinho do Porto de S. João da Pesqueira. No penúltimo fim de semana de março, a iniciativa passará por Braga (onde estará em destaque, como não poderia deixar de ser, o Pudim Abade de Priscos); Felgueiras (com o Cabrito Assado no Forno entre os pratos de eleição); Guimarães (que convidará os cidadãos a conhecer o seu Arroz de Pato e o Toucinho-do-céu); Póvoa de


TURI SM O DO PORTO E N ORTE DE PORTU GAL

Lanhoso (já provou o Cabrito à S. José?); Terras de Bouro (onde é famoso o Cozido de Couves com Feijão); Viana do Castelo (município desde sempre ligado ao Bacalhau) e Vila Real (com o prato Reca d’Aléu). Na agenda de março (especificamente nos dias 25, 26 e 27), sugere-se ainda a deslocação a Carrazeda de Ansiães (para provar o Cabrito Assado no Forno), Gondomar (conhece o Bolo Mino D’Ouro?), Matosinhos (terra do Peixe Grelhado e Marisco) e Miranda do Douro (onde não há quem resista à famosa Posta à Mirandesa). Mas há mais datas para anotar na agenda! No arranque de abril (dias 1, 2 e 3), a iniciativa chegará a Paredes (sugerindo o Cabrito Assado em Forno de Lenha) e a Santo Tirso (associado aos Rojões e aos Jesuítas), continuando, depois, a 8, 9 e 10, em Ponte da Barca (com a típica Posta Barrosã) e, mais tarde (no fim de semana de 22, 23 e 24), em Armamar (onde o protagonista

será o Cabrito), Cinfães (com Arroz de Aba e Bolos de Manteiga), Moimenta da Beira (cuja proposta passará pelo Cabrito), Mondim de Basto (não há como resistir à Posta Maronesa e ao pão-de-ló húmido), Peso da Régua (com um prato de Tripas com arroz branco), Mogadouro (município sempre associado à sua Posta, servida com batata cozida, assada, a murro ou frita) e Valongo (onde o protagonista será o Bacalhau com Broa). MAIS SURPRESAS GASTRONÓMICAS Só de pensar já sente ‘água na boca’? Então respire fundo e saiba que, no fim de semana de 29, 30 de abril e 1 de maio, a deliciosa viagem prosseguirá em Arouca (onde haverá, por exemplo, Postinha de Arouquesa Grelhada) e em Vila Nova de Cerveira (que desafiará os cidadãos a provarem o Galo de Cabidela). Entretanto, a 6, 7 e 8 de maio, o Cabrito Assado de Amarante, o

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Cozido à Portuguesa de Murça e o Cozido à Moda de Paredes de Coura estarão entre os principais destaques. Antes de encerrar, o calendário gastronómico incluirá ainda passagens por Fafe (terra da Vitela Assada) e pela Maia (onde será sugerido o Bacalhau à Lidador), nos dias 13, 14 e 15. Na semana seguinte (20, 21 e 22), todos os caminhos vão dar a Resende (com as suas deliciosas Cavacas) e a S. João da Madeira (local conhecido pelas gastroformas), antes das derradeiras experiências do evento, celebradas, a 27, 28 e 29, em Boticas (onde a Truta é um ex-libris), Castelo de Paiva (com Arroz de Cabidela e Pudim de Laranja), Sabrosa (ninguém resiste às Favas Guisadas com Enchidos), Trofa (cidade conhecida pelo Cabrito Assado) e Vila do Conde (com a sua Petinga à Moda das Caxinas). Está preparado para se deixar levar pelos mais saborosos ingredientes do Porto e Norte de Portugal? REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


Miguel Nogueira / CM Porto

P O R T F Ó L I O

“O sonho, mesmo que não se concretize, é o motor secreto da mudança. Um mundo sem sonho é um mundo condenado à sua previsibilidade e anomia. Sonhar é preciso e é preciso perseguir o sonho, por mais inconcretizável que pareça.” Paulo Cunha e Silva (1962-2015) (em entrevista ao Jornal de Negócios)


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BRAVURA E FÉ DÃO NOME À PRAÇA DA BATALHA CURIOSAMENTE, SERVIU DE PALCO A MUITOS EPISÓDIOS BÉLICOS E MILITARES (POR EXEMPLO EM 1927, NA PRIMEIRA GRANDE TENTATIVA PARA DERRUBAR MILITARMENTE O ESTADO NOVO). AINDA ASSIM, AQUELE PLANALTO, SITUADO, OUTRORA, ÀS PORTAS DA CIDADE – E AO QUAL CHAMAMOS BATALHA – TERÁ ENTRADO PARA A HISTÓRIA DO PAÍS BASTANTE MAIS CEDO, NO TEMPO DOS CONFRONTOS ENTRE MOUROS E CRISTÃOS. QUER CONHECER OS PORMENORES DESTE EPISÓDIO LENDÁRIO TRANSMITIDO ENTRE GERAÇÕES?

Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Sérgio Jacques (Lendas do Porto III) e Rui Oliveira

É um espaço bem conhecido dos portuenses onde, em tempos, se encontrava uma das principais portas da velha muralha medieval do Porto: a de Cimo de Vila. Algum palpite? Sim, falamos da zona da Batalha (junto ao Teatro Nacional São João e à Igreja de Santo Ildefonso, para ajudar os mais confusos). Mas alguma vez pensou na origem do nome atribuído à famosa praça? Nas proximidades daquela porta da Muralha Fernandina (uma das mais emblemáticas construções do século XIV)

existiu, até ao século XVI, um nicho no qual se venerava uma imagem da Virgem, de invocação a Nossa Senhora da Batalha. Todo aquele vasto terreno ficou, assim, associado ao topónimo. Mas a explicação não se esgota aqui. Tal como revela o historiador Joel Cleto na obra “Lendas do Porto”, a tradição diz-nos que a referida área geográfica foi palco “de um dos muitos combates entre mouros e cristãos de que a história e as estórias do Porto estão repletas”. “Um terreno que, até aos inícios do século

XX, continuaria a ser caracterizado por repetidos confrontos militares. Uma verdadeira Praça da(s) Batalha(s)”, notou. QUANDO A MELHOR DEFESA É O ATAQUE O episódio, contado de geração em geração, ocorreu às portas do Porto, algures entre 716 e a primeira metade do século XI. Na verdade, a referência temporal exata perde importância, se considerarmos que interessa apenas associar o acontecimento ao período dos confrontos entre mouros e cristãos.


BATA LH A

E naquele preciso momento, as tropas muçulmanas avançavam, com firmeza, em direção à cidade. “Os extenuados mensageiros que chegavam ao Porto, dando conta da avançada mourisca por entre as terras banhadas pelo Douro, traziam novas cada vez mais esclarecedoras e preocupantes sobre a intenção dos árabes”, contou Joel Cleto. Com o passar do tempo, a população começou a inquietar-se: mais do que uma simples incursão (como era habitual), parecia avizinhar-se um verdadeiro ataque, “algo

perigoso, ambicioso e perene”. Aliás, o mais recente mensageiro, acabado de chegar, garantia até que os mouros estariam a menos de um dia de distância e que nada os tinha conseguido travar até agora. Mais do que nunca, era urgente agir. Assim, enquanto uns tentavam trazer para o burgo o máximo de mantimentos – face à possibilidade de um cerco prolongado – outros procuravam fortalecer a velha muralha que cercava a cidade. “À força de braços, roldanas e com a ajuda de animais – e de muitos

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berros e impropérios – içavam-se pedras tombadas, reparavam-se brechas…” e, no interior da Capela de Nossa Senhora da Batalha, “as rezas dos velhos e das mulheres extravasavam as paredes e ecoavam pelo exterior”. Por sua vez, os guerreiros e todos os homens disponíveis para lutar preparavam-se para o embate, revendo exaustivamente as armas que tinham à sua disposição. Apesar dos esforços, todos sabiam que a situação era preocupante: os muros arruinados da cerca não mostravam qualquer

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L E N D A S

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possibilidade de resistência a um assalto mouro. Logo, “poucos minutos de explicação bastaram” para provar aos líderes militares que a estratégia de defesa a partir do interior da muralha talvez não fosse a mais indicada. Só havia uma solução: “ir ao encontro dos mouros e enfrentá-los no exterior da cidade”, ignorando os sucessivos avisos dos mensageiros, que defendiam tratar-se de um

ato suicida, face ao elevado número de soldados árabes. “Não havia, no entanto, outra hipótese. Nem tempo. E, por isso mesmo, não havia sequer qualquer possibilidade de travar os muçulmanos longe do Porto. Teria que ser às suas portas. E o local foi eleito, a poucas centenas de metros da velha muralha, o planalto que se estendia do lado nascente do burgo, de onde partiam os

antigos caminhos que se dirigiam para leste, para as terras do Alto Douro”, relatou o historiador. O embate seria ali mesmo: “à vista da cidade, com o coração nos seus habitantes e o espírito inspirado na cruz que encimava a torre da igreja”. A REVIRAVOLTA Após uma noite de nervosismo, aos primeiros raios de sol, já todo o exército se encontrava


BATA LH A

no campo de batalha. Em pouco tempo apareceram os batedores mouros, entusiasmados pela sua superioridade numérica. “Durante breves minutos, ambas as forças se contemplaram, mediram-se e injuriaram-se. Depois, invocaram a proteção divina. De um lado Alá e Maomé. Do outro Cristo, S. Jorge e Nossa Senhora. E foi a esta última que, de um modo muito especial, os cristãos se apega-

ram antes de se entregarem ao que viria a ser a refrega, mortífera e sanguinária, que se seguiu”, contou Joel Cleto. Num primeiro momento, tudo parecia a favor dos muçulmanos. Contudo, a verdade é que os cristãos resistiram ao primeiro embate e não recuaram. Aos poucos – entre gritos de devoção a Nossa Senhora – foram repelindo o inimigo, fazendo-o retroceder, quase

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milagrosamente. O combate durou praticamente todo o dia e o planalto foi-se enchendo de corpos ensanguentados e mutilados. A fé parecia ser a força dos cristãos, que, com valentia, expulsaram definitivamente o exército inimigo. “A cidade do Porto permaneceria sob domínio cristão e, para sempre, o planalto deste embate ficaria associado a uma Batalha”, concluiu o historiador. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


F C P O R T O


MAICON

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AS METAS DO CAPITÃO JÁ CONQUISTOU TRÊS LIGAS, DUAS TAÇAS DE PORTUGAL, TRÊS SUPERTAÇAS E UMA LIGA EUROPA. TUDO COM O ‘DRAGÃO’ AO PEITO. NO ENTANTO, MAICON ROQUE, CENTRAL DO FC PORTO E CAPITÃO DE EQUIPA, AINDA NÃO ESTÁ SATISFEITO. DE ACORDO COM O JOGADOR, A ‘SEDE DE VITÓRIA’ AZUL E BRANCA RENOVA-SE A CADA DESAFIO, SENDO ESSE, ALIÁS, O GRANDE SEGREDO DA “BRILHANTE HISTÓRIA” DO CLUBE. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Rui Oliveira e FC Porto/adoptarfama

Nos tempos de miúdo, passava dias e noites entretido, pelas ruas, a jogar futebol, talvez com a descontração de quem está longe de acreditar num futuro traçado dentro das quatro linhas. Hoje, aos 27 anos, descreve o atual momento da sua carreira com a objetividade de quem sabe que vai marcar golo. “Estou em casa, sou feliz e é isto que quero para mim”, sublinhou, sem rodeios, o central portista Maicon. E a casa de que fala não se esgota nas paredes do local onde reside, em Vila Nova de Gaia. Mais do que isso, é o clube que lhe deu “tudo”: o FC Porto. Um ano em território português, ao serviço do Nacional da Madeira (por empréstimo dos brasileiros do Cruzeiro), foi suficiente para que os azuis e brancos vissem em Maicon Roque um jogador digno de aposta. Contratado pelo FC Porto em junho de 2009, o

atleta mostrou ser aquilo que os entendidos descrevem como uma “verdadeira torre de controlo defensiva”, que acumula ainda a capacidade de chegar ao golo, quer de cabeça, quer na marcação de livres diretos. E se, na primeira época com as cores do Dragão, alinhou apenas em quatro jogos da Liga, na temporada seguinte já cumpriu 21, a provar que o caminho (tal como a confiança) se faz caminhando. MAIS DO QUE UM CLUBE, “UMA FAMÍLIA” O apoio dado pela estrutura portista em todos os momentos, bons e maus, é uma das grandes mais-valias que o brasileiro reconhece aos ‘dragões’. “O que nos distingue é o facto de, mais do que um clube, sermos uma família”, garantiu. “Esta é a minha sétima época no FC Porto e adoro estar nesta cidade, que me acolheu

como um filho. É aqui que me vejo nos próximos anos”, acrescentou o jogador, natural de São Paulo. A paixão pelo futebol – que vem do tempo das tais ‘peladinhas’ em solo brasileiro – é o ingrediente que o motiva na luta contra o adversário mais temido de todos os jogadores: a lesão. “Nos primeiros dias, andamos sempre um pouco tristes, mas sabemos que, infelizmente, as lesões acontecem e já estamos mentalmente preparados. Não podemos desanimar porque, se deixarmos que isso aconteça, a recuperação torna-se ainda mais lenta”, afirmou o defesa-central, já praticamente recuperado de uma rotura muscular na face posterior da coxa esquerda (contraída no início de outubro, num jogo frente ao Belenenses), que o afastou dos relvados durante algumas semanas. Contratempos à parte, a verdade é que, para Maicon, acordar de REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


F C P O R T O

manhã cedo para ir treinar, com o dragão ao peito, é, mais do que um “prazer”, um “orgulho”, assumido com a boa disposição que caracteriza o jogador. “Amo o que faço e, por isso, acordar e saber que vou jogar neste clube é brutal”, confessou, com o mesmo entusiasmo que lhe valeu, entretanto, um “voto de confiança”: a conquista da braçadeira de capitão. “SERIA MARAVILHOSO REPRESENTAR PORTUGAL” Desde que se tornou ‘dragão’, o futebolista já assegurou vários títulos: três Ligas, duas Taças de Portugal, três Supertaças e uma Liga Europa. O próximo objetivo? “Conquistar a Liga dos Campeões”, respondeu prontamente. “O FC Porto já conseguiu esse título duas vezes. Para muitos pode parecer impossível, mas nós procuramos não pensar dessa forma”, sublinhou, acrescentando que a diferença está na atitude com que o grupo liderado por Julen Lopetegui encara qualquer desafio: de olhos postos na

vitória. “Apesar de haver equipas fortíssimas na Liga dos Campeões, a nossa motivação é exatamente a mesma: entramos para ganhar”, garantiu. Claro que a confiança surge combinada com uma boa dose de respeito pelos adversários. Em relação ao campeonato português, por exemplo, Maicon não espera facilidades. “Há muitos jogos pela frente, mas a equipa está forte e, no final, espero levantar a taça”, referiu. Representar as cores da bandeira nacional também não está fora de hipótese. O central portista está prestes a conseguir a nacionalidade portuguesa e admite que “seria maravilhoso” alinhar pela seleção das quinas. De resto, a sua carreira soma uma mão cheia de momentos marcantes. Um deles, como não poderia deixar de ser, foi o golo que protagonizou no Estádio da Luz, em 2011/12, assegurando a vitória azul e branca, por 3-2. Um tento importante que permitiu ao clube ultrapassar o Benfica na liderança do campeo-

nato e que se revelou decisivo para a conquista do primeiro título do então treinador Vítor Pereira. “Foi, sem dúvida, especial para mim, não só pela vitória, mas também pelo rival e pela importância da partida”, confessou. Recentemente, noutro jogo emotivo, teve oportunidade de defrontar a equipa onde joga um dos irmãos, Maurides Roque Júnior, avançado do Arouca. O desafio terminou com o triunfo azul e branco, por 3-1, mas o golo da equipa da casa foi precisamente da autoria do familiar direto de Maicon. Será que, no final, houve um ajuste de contas entre irmãos? “Não, nada disso. Foi inesquecível para os dois”, sustentou, de sorriso estampado no rosto. Na verdade, o talento futebolístico é bem capaz de ser uma questão de genética na família Roque, ou não houvesse um terceiro irmão a jogar em Portugal, no Gondomar.


MAICON

A PROXIMIDADE A PINTO DA COSTA Para o capitão, o maior segredo do clube – com “uma brilhantíssima história” de 122 anos – talvez seja mesmo o ambiente de companheirismo vivido entre todos os profissionais. Nesta equação, Jorge Nuno Pinto da Costa assume um papel fundamental. “O nosso presidente é espetacular. Cumprimenta-nos, vem falar connosco, está sempre lá”, frisou, defendendo que “não é muito habitual” ver um dirigente “tão próximo dos jogadores”. “E essa é a grande diferença do FC Porto. A equipa é muito acompanhada não só pelo treinador mas por Pinto da Costa. Só assim é possível fazer história”, acrescentou. É por isso que, para o brasileiro, o sucesso azul e branco não conhece fronteiras. “Já ouvi muitos atletas que estavam de saída a

dizer que, realmente, este é o melhor clube do mundo”, apontou, frisando que é impossível não sentir a responsabilidade de vestir, todos os dias, a camisola com o símbolo do dragão. Fora dos relvados, a adrenalina do jogo mantém-se, mas dentro do pequeno ecrã – o defesa brasileiro não prescinde dos momentos passados a jogar consola com os irmãos. E as partidas de bilhar, essas, também são “sagradas”, merecendo um destaque especial na agenda do futebolista. “Todas as segundas-feiras combino ir jogar bilhar com os meus amigos. A minha esposa já sabe que nem vale a pena ligar-me”, contou, entre gargalhadas, confessando que, de resto, é nos passeios com os filhos, nas idas ao cinema e nos jantares com a esposa que encontra o que precisa para ser feliz, numa cidade que ainda não

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parou de o surpreender. Mas além da boa disposição, há outras características que os adeptos talvez não conheçam. “Sou amável, estou disposto a ajudar qualquer um, seja jogador de futebol ou não. Sou um pai de família bastante dedicado e um bom filho (segundo a minha mãe!)”, brincou. Assim se explica o facto de não ter arredado pé da plateia do Portugal Fashion (no terceiro dia da última edição) para assistir ao momento em que a sua menina, de quatro anos, desfilou, na sequência de um convite endereçado por Miguel Vieira. “Ela queria muito ir, mas, quando começou a ver tanta gente ficou envergonhada, a pedir para ir dormir”, contou, garantindo que, superado o nervosismo inicial, o desempenho da pequena ‘modelo’ foi um sucesso. Palavra de pai babado. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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A ALMA DE UM CASTELO FORRADO DE LIVROS Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Rui Oliveira

FUNDADA EM 1912, A LIVRARIA ACADÉMICA É, AINDA HOJE, O VERDADEIRO LOCAL DE CULTO DOS AMANTES DA LITERATURA. PERCEBER A SUA HISTÓRIA É CONHECER DE PERTO A VIDA DE GUEDES DA SILVA (FUNDADOR DO ESTABELECIMENTO) E DE NUNO CANAVEZ, QUE SOUBE IMPOR AS SUAS QUALIDADES NA COMUNIDADE LIVREIRA, FAZENDO-SE RESPEITAR PELA EXPERIÊNCIA, SABEDORIA E CAPACIDADE DE ARRISCAR.

“O ‘Crepúsculo dos Ídolos’, de Nietzsche? Não, não tenho minha senhora”, respondeu em meia dúzia de segundos. O rosto da cliente inundou-se de admiração. Afinal de contas, tinha aguardado longos momentos nas livrarias visitadas anteriormente – enquanto os funcionários tentavam perceber, com a ajuda do sistema informático, se teriam a obra e qual o seu paradeiro – e ali, na Livraria Académica, a questão ficaria resolvida em breves instantes. “Não há melhor computador do que essa cabecinha, pois não?”, questionou, quase com ternura, enquanto abria a porta do estabelecimento. O livreiro, de 80 anos, limitou-se a sorrir. “Vá com Deus... se é que o há”, concretizou Nuno Canavez, alma e coração do número 10


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da portuense Rua Mártires da Liberdade. E é com o típico à vontade de quem se sente em casa (ou não trabalhasse lá há já 67 anos) que o atual proprietário da Livraria Académica, fundada em 1912, se movimenta entre estantes e estantes carregadas de histórias e memórias centenárias. Sabe – quase de cor – o que tem para vender e as preciosidades que já vendeu (entre elas, uma primeira edição de “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões, e manuscritos de livros como “O Crime do Padre Amaro”, de Eça de Queirós, ou “A Mensagem”, de Fernando Pessoa) e mantém a paixão pela descoberta de novos livros que possam fazer as delícias de colecionadores e leitores comuns. Noventa e nove por cento dos manuais que dão vida ao es-

paço são usados, provenientes de coleções privadas. Mas o seu proprietário também permanece atento a leilões e catálogos. E a clientela, essa, como descreve o livreiro, “é compatível com o que se vende”. A notáveis amantes dos livros antigos, entre eles Mário Soares (que, na qualidade de Presidente da República, agraciou Canavez com a comenda da Ordem de Mérito Cultural), Jorge Sampaio, Marcelo Rebelo de Sousa, António Barreto, Valente de Oliveira e Mariano Gago, juntam-se professores, historiadores, jornalistas e simples curiosos, que não resistem a entrar naquele verdadeiro castelo forrado de livros. O negócio já não é o que era – na verdade, “as vendas caíram quase na vertical” – mas, enquanto espera “por melhores

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dias”, é com boa disposição e franqueza que Nuno recebe os visitantes. O ANÚNCIO PUBLICADO NO JORNAL DE DOMINGO Natural da pequena aldeia do Vale do Juncal (concelho de Mirandela), o transmontano mudou-se para o Porto em 1948, com apenas 13 anos, para trabalhar de dia, talvez numa drogaria, e estudar de noite, na Escola Comercial Oliveira Martins. Por ‘obra do destino’, uma semana depois de chegar à nova cidade, um anúncio publicado no Jornal de Notícias (JN) viria a mostrar-lhe o caminho a seguir: estavam à procura de um funcionário para a Livraria Académica. Sem nada a perder, decidiu tentar a sua sorte e, no dia seguinte (11 de outubro), lá estava ele, na REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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fila de rapazes que esperavam para falar com Guedes da Silva, fundador do estabelecimento. “Recordo-me como se fosse hoje. O senhor Silva perguntou-me se eu gostava de ler e respondi que sim, mas que não tinha tido grande oportunidade de o fazer”, contou. “Lá na aldeia nem livros havia, como é que eu poderia ler?”, notou. Ainda assim, a resposta dada pelo jovem não condicionou a avaliação feita pelo dono da Académica. Aliás, depois da conversa com o transmontano, a decisão estava tomada: os restantes miúdos podiam ir embora porque o lugar pertencia ao pequeno Canavez. “Mais tarde, interroguei-me sobre o porquê de ter sido escolhido. Fiquei por ser um indivíduo que vinha da aldeia, sem vícios. Guedes da Silva deve ter pensado assim: ‘este calhau está em bruto e nós vamos lapidá-lo à nossa feição’”, afirmou o alfarrabista. “Lá fiquei e em muito boa hora. Tive a felicidade de cair numa profissão que é muito bonita, em contacto permanente com a cultura”, defendeu. E o anúncio do JN – que foi o passaporte para a sua mudança de vida – está lá na livraria, ofere-

cido, muitos anos depois, por um dos clientes habituais: José Manuel Martins Ferreira, vice-reitor da Universidade do Porto. “NUNCA PASSES PELOS LIVROS DE UMA FORMA INDIFERENTE” Nuno Canavez começou a trabalhar no espaço portuense como marçano, das 7h00 às 12h00 e entre as 14h00 e as 21h00. Quando – talvez um pouco a medo – disse ao dono da livraria que gostava de estudar, teve liberdade total para adaptar o seu horário laboral. “Naquele tempo, a reação dos patrões era diferente. Pensavam logo ‘olha o morcão, vem lá da aldeia e agora diz que quer ir formar-se doutor’. Mas o senhor Silva disse-me que achava bem”, recordou. “Pôs-me à vontade e nunca me deixou pagar os livros de estudo. Foi uma pessoa excecional”, referiu. Hoje, à distância do tempo, não tem dúvidas: Guedes da Silva foi e será sempre o seu mestre. “Dizia-me assim: ‘ó rapaz, tu nunca passes pelos livros de uma forma indiferente. Quando achares que já viste tudo o que temos aqui, volta a olhar com atenção, porque, mais dia me-

nos dia, vou perguntar-te por uma determinada obra e vais conseguir localizá-la’. Ensinou-me muito”, reconheceu. Apesar de ter apenas a quarta classe, o então proprietário da Académica encarava os livros como filhos, numa lógica de que, se alguém os produziu, temos a obrigação de os respeitar. E quando lhe chegava às mãos um manual mal tratado, não hesitava em perder um bom par de horas a consertá-lo. “Tinha um respeito muito especial pelo livro. E foi neste ambiente que eu me fui fazendo [profissional]”, apontou Nuno Canavez. Depois de regressar da vida militar, foi desencaminhado, “no bom sentido”, por um cliente a criar uma livraria na Rua de Cedofeita. Esteve lá quatro anos, mas, numa altura em que o genro de Guedes da Silva se encontrava doente, voltou para a Académica, com a oportunidade de ditar as suas próprias condições. “Disse que queria 1500 escudos por mês


LI V RA R I A ACA D É M I CA

e 10% das vendas”, recordou, contando que o patrão fez questão de o alertar que, infelizmente, se vendia muito pouco. Ainda assim, Nuno (então com 24 anos) não se preocupou. Tinha adquirido experiência a elaborar catálogos (foi, aliás, o primeiro livreiro-alfarrabista a fazê-los) com um stock bastante mais pequeno do que o daquela livraria e agora até podia concretizá-los de um modo mais moderno. Estava certo. Um ano depois de voltar à Rua Mártires da Liberdade já ganhava “cerca de cinco contos por mês”. E mais tarde, quando se tornou sócio da ‘casa’, a quantia mensal arrecadada atingia os 30 contos. No fundo, perdeu-se de amor pelos livros, muito por influência do ‘mestre’. Elaborou mais de 200 catálogos e dinamizou exposições temáticas de livros, revistas e manuscritos dedicadas, por exemplo, às Guerras Liberais, a Camões, ao 25 de Abril, ao Jornalismo Portuense, a Camilo Castelo Branco e à Queda

da Monarquia. Quando Guedes da Silva faleceu, o livreiro fez questão que a viúva do fundador do espaço recebesse exatamente o mesmo valor que o transmontano recebia a cada mês. “Era a minha obrigação moral. Dois anos depois, ela doou-me a sua cota. É por isso que eu digo: semeando o bem, colhem-se sempre frutos”, constatou. TERTÚLIAS TRANSFORMADAS EM EMOCIONANTES BUSCAS NO ARMAZÉM Claro que, neste momento, as vendas estão longe do que eram. “Estamos a ultrapassar o pior período destes 67 anos”, confessou. Para o livreiro, a crise e os computadores deram uma “machadada monumental na maior parte dos livros”. E é com tristeza que testemunha a existência de uma nova geração completamente “afastada” da Literatura. “Antigamente, os alunos vinham cá recomendados

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pelos professores. Hoje, chegam e pedem-me, por exemplo, ‘Os Maias’. Eu mostro-lhes a obra e dizem-me logo ‘não tem um resumo? Isso é cá um calhamaço’”, contou. Mas há algo que é impossível não referir. A Académica é a única livraria cuja tertúlia cultural ainda mexe no Porto. Nas manhãs de sábado, ainda há “quatro ou cinco pessoas” que não prescindem de se encontrar no estabelecimento para conversar sobre os novos livros adquiridos. E acabam sempre por não resistir à tentação de subir os elevados degraus de acesso ao primeiro andar para se perderem no armazém, em busca de surpresas. “Um deles é precisamente o vice-reitor da Universidade do Porto”, frisou. No passado, as tertúlias da Académica juntavam “uma dezena” de cidadãos que discutiam autores e épocas, deliciando-se com as histórias que o alfarrabista tinha para contar, muitas vezes da experiência adquirida atrás do balcão. Hoje, embora “não seja a mesma coisa”, o amor e o respeito pelas obras literárias dos que preservam a tradição é exatamente o mesmo. É por isso que o alfarrabista acredita que o negócio poderá vir a ter melhores dias. “Se eles não aparecerem eu também já estou na fila de embarque para o lado de lá”, brincou, imediatamente interrompido por um cliente: “não diga isso, não diga isso, Nuno!”. E foi então que Canavez voltou, simplesmente, a sorrir, com o ar maroto de quem adora lançar os seus bitaites para poder apreciar, atentamente, a reação das pessoas. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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CAFÉS DO PORTO:

Cimbalino com muita tradição CORRIA O SÉCULO XIX QUANDO OS CAFÉS, NO PASSADO APELIDADOS DE “BOTEQUINS”, COMEÇARAM A SURGIR, PRIMEIRO NA CAPITAL, EM LISBOA, E, POUCO TEMPO DEPOIS, NO PORTO. NA INVICTA, IMPUSERAM-SE COMO UM LOCAL DE ENCONTRO ENTRE GRANDES PERSONAGENS DAS LETRAS, DA POLÍTICA E DAS ARTES. O CAFÉ, COMO LOCAL DE ENCONTRO E TERTÚLIA, NASCEU COMO UMA INSTITUIÇÃO PARA OS PORTUENSES, TORNANDO-SE PARTE DA IDENTIDADE DA CIDADE ATÉ AOS DIAS DE HOJE. Texto: Raquel Andrade Bastos

“Arrufa-se, discute-se, conspira-se. Fazem-se e desfazem-se governos com a mesma facilidade com que se começam namoros.”, é assim descrito o ambiente de um café no livro “Porto”, do historiador Hélder Pacheco. Hoje, muitos destes cafés que estão no imaginário de alguns desapareceram, não resistindo à pressão dos tempos mais competitivos. Outros ainda permanecem na cidade, diferentes do que eram no passado, agora com uma nova missão e um aspeto renovado. Ao longo do tempo, as particularidades destes locais foram-se diluindo, com a perda das especificidades dos clientes e, consequentemente, com o desaparecimento da capacidade dos antigos botequins de serem um centro de discussão para intelectuais e de fórum político. As tertúlias, as orquestras, as conversas e os jogos de bilhar deram lugar ao pão quente e à torrada. Os hábitos sociais mudaram e os antigos estabelecimentos tiveram que se adaptar, perdendo-se (não completamente, é certo) a tradição do “café”. Os chamados “cafés”, enquanto locais e não como bebida, eram


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peculiares e diferenciavam-se de outro tipo de estabelecimentos – salões de chá ou tascas – porque eram, de facto, um local onde se privilegiava a diversão e o convívio, o encontro de pessoas, as tertúlias, os debates e a circulação de notícias. Nos cafés debatiam-se as notícias que chegavam da capital e do regime, dando asas ao pensamento sobre algumas das revoltas da época. Nos cafés, pode dizer-se, fez-se história. Através das sucessivas gerações, e desde o início do século passado, estes espaços emblemáticos deram asas à evolução e ao desenvolvimento da cidade, contribuindo para aquilo que ela é nos dias que correm. Prova da perda da identidade e unicidade que os cafés tinham no passado, foi também o grande aumento do número de estabelecimentos. Em 1938 havia no Porto, apenas, 43 cafés, cinquenta anos depois o número era já de 358. Estes espaços eram na sua maioria frequentados por homens, só mais tarde as mulheres começaram a marcar presença, e mesmo assim de maneira diferente. O cronista Germano Silva conta que apareceu um café, na atual rua 31 de janeiro, que começou a comercializar um tipo de gelados, o que chamou a clientela feminina. As proximidades da Praça da Liberdade, no coração da cidade, eram o


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ponto onde se concentravam a maior parte destes espaços, a grande parte dos estabelecimentos já desaparecidos. Os edifícios deram lugar aos grandes bancos ou até mesmo a cadeias de restaurantes internacionais, como é o caso do desaparecido Imperial, onde outrora os portuenses paravam para admirar a sua icónica fachada. Nos tempos modernos, pode assistir-se à vulgarização dos cafés no dia a dia dos cidadãos, assumindo um caráter mais impessoal. Deixaram de ser, por excelência, lugares de amena cavaqueira e de discussão para passarem a ser um lugar de passagem (habitual é certo), no entanto apenas para se tomar o cimbalino, que marca a rápida pausa no trabalho, a espera pelos transportes ou o alívio do estômago, embora, às vezes, com algumas conversas sobre política e futebol no meio. AQUELES QUE FICARAM NO PASSADO O Imperial, o Chaves, o Primavera, o Guichard, o Suísso, o Palladium, o Rialto, entre muitos outros fundados no século XIX e inícios do século XX, são exemplos de cafés que foram verdadeiros marcos na vida social portuense, mas que não sobreviveram ao avanço dos tempos. Todos estes com características diferentes, uns com uma clientela mais distinta e seleta, outros nem tanto, uns com uma decoração mais requintada do que outros. Mas todos com um ponto semelhante: reuniam à volta de uma chávena de café, homens que queriam conviver e discutir. Quem passa pela rua de Sá da Bandeira consegue ainda admirar a bela fachada do edifício que, em tempos, albergou A Brasileira. Este café, fundado em 1903, manteve-se ainda até ao nosso século, mas, no futuro, albergará um hotel com um passado cheio de história. Aqui serviu-se aquele que foi considerado o “melhor café” da cidade. Aliás, o seu prestígio levou à abertura de um segundo estabelecimento apenas para a venda do produto. Com um lado arquitetónico admirável, A Brasileira juntava do lado esquerdo da sala, os homens de esquerda, e no lado direito, aqueles que pertenciam à direita política. Na obra “Uma Família Inglesa”, de Júlio Dinis, o escritor menciona o antigo Águia d’Ouro, mostrando o verdadeiro valor do café para a sociedade. “Alguma coisa havia também naquele Águia d’Ouro, a anciã das nossas casas de pasto, a velha confidente de quase todos os segredos políticos, particulares e artísticos desta terra”, pode ler-se. Este estabelecimento funcionou na praça da Batalha, fundado no século XIX, e teve como clientes figuras como Antero de Quental e Teófilo de Braga. O desaparecido Suísso, que abriu portas em 1853 com o nome de Lusitano, situava-se num edifício na esquina da rua de Sá da Bandeira, e possuía duas portas que davam acesso à atual Praça da Liberdade. Este espaço, tido como um dos que possuía os salões mais luxuosos e grandiosos da cidade, reunia uma clientela muito diferenciada. Nestes salões parava a elite das artes, da literatura e da política portuense, sobretudo à noite. Os homens de negócios eram clientes habituais durante o dia. No Suísso personalidades como Júlio Dinis e Guilherme Braga reuniamREVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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-se para discussão e diversão. Neste espaço foram também delineados vários artigos para uma revista literária da época, “A Grinalda”. Com o passar dos tempos este café começou a reunir os clientes para concertos ao vivo e para grandes torneios de bilhar. Nas salas recheadas de espelhos e candelabros começou a existir também um local destinado às senhoras, onde podiam apreciar o seu sorvete e conversar. O Suísso, que encerrou em 1958, ficou conhecido como o mais cosmopolita de todos os cafés do Porto. RELÍQUIAS QUE PERDURAM Mas, a verdade é que nem tudo se perdeu com a chegada de um novo século e exemplo disso é o Âncora D’Ouro, ou o “Piolho”, como é mais conhecido. Este local, fundado em 1909, tem sido há mais de cem anos o ponto de encontro de todos os estudantes da cidade do Porto. E prova disso é a grande quantidade de placas com mensagens dos vários estudantes de diferentes cursos e faculdades, na maioria de medicina, que o interior tem como ornamento. Segundo Hélder Pacheco, este local “era um café académico, de divertimento, mas também de alguma conspiração contra a ditadura”. Também o proprietário do “Piolho” há mais de três décadas, José Martins, afirma que “os estudantes olham para o local como uma segunda casa”. Por este espaço de grande importância na vida académica da cidade passaram figuras como Ramalho Eanes e Sérgio Godinho. O café Majestic, que abriu portas em 1921, impressionou e continua a impressionar aqueles que admiram o salão espelhado e o luxo incomparável. Em plena rua de Santa Catarina, este é agora um café com lugar garantido em listas dos cafés mais belos do mundo e já considerado pelo Ministério da Cultura como de utilidade pública. O Majestic é um exemplo de sucesso ao longo dos tempos, embora que, com a crescente competição tivesse que adaptar a sua estratégia à atividade turística. Do mesmo proprietário do Majestic é o “antigo café dos músicos”, o Guarany, na Avenida dos Aliados. Este local, com um grandioso e requintado salão, é agora frequentado, maioritariamente, por clientes estrangeiros. No seu interior, que outrora teve uma orquestra residente, pode verse uma estrutura de alto-relevo em mármore, do escultor Henrique Moreira, com a cara de um índio, o Guarany, em alusão ao Brasil do século passado, como primeiro produtor mundial de café. Vindos também do passado, e a mostrar grande resistência à mudança, estão locais como o Progresso, conhecido como o café dos professores, que durante anos teve a fama de servir o melhor café do Porto, ou o Ceuta, que reunia muitos jovens ativistas na época do regime.


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NA HISTÓRIA DO CANAL DESDE O PRIMEIRO SEGUNDO ASSINOU “CENTENAS DE REPORTAGENS”, TRABALHOU NA PRODUÇÃO E EDIÇÃO DE PROGRAMAS, DEU CARTAS NA APRESENTAÇÃO, FOI DIRETORA DE INFORMAÇÃO E, ATUALMENTE, DESEMPENHA O CARGO DE CHEFE DE REDAÇÃO DO PORTO CANAL. PARA VANDA BALIEIRO, HÁ QUE AGARRAR OS DESAFIOS ‘COM UNHAS E DENTES’ PORQUE, NA VERDADE, ESTAMOS SEMPRE A APRENDER. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Rui Oliveira

Despachada e sorridente, movimenta-se pela redação com a segurança de quem conhece bem os cantos à casa, ou não fosse uma das pessoas envolvidas, desde o primeiro minuto, na criação do Porto Canal. Natural de Viana do Castelo, onde, aliás, ainda vive, assume ter uma “personalidade muito forte” e ser uma eterna insatisfeita. “Acho que posso sempre fazer melhor e estou sempre a aprender. Sou muito teimosa, mas adoro uma boa discussão. Para mim, não há apenas uma verdade, mas sim vários pontos de vista. Sou curiosa e observadora. Detesto a rotina e estou

sempre à espreita de novos desafios”, reconheceu Vanda Balieiro, chefe de redação da estação televisiva. A jornalista, de 39 anos, já trabalhou na produção e edição de programas, bem como na apresentação, e exerceu ainda o cargo de diretora de Informação do canal. Hoje, é com boa disposição que descreve o seu dia a dia. “Costumo dizer que sou como os médicos e os polícias... estou sempre ‘de serviço’! É impossível ‘desligar’”, sublinhou, realçando que o trabalho como chefe de redação “é, por vezes, ingrato”. “Parte daquilo que faço é invisível. No

entanto, fundamental para o funcionamento de uma redação. É preciso coordenar equipas, organizar a agenda de serviços, orientar jornalistas, orientar estagiários, apoiar a Direção de Informação, planear os jornais e sugerir convidados. Mas o bom de se trabalhar no Porto Canal é que nunca estamos sozinhos. Formamos uma boa equipa”, defendeu. O PODER DE UM GRAVADOR A paixão de Vanda pelo jornalismo transformou-se, logo em criança, num caso sério. E um presente especial recebido na infância pode bem ter


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“Somos uma equipa jovem e com muita ambição. Gostamos de fazer diferente. Temos uma produção totalmente nacional e decidimos arriscar em alguns conteúdos. Mostrámos, nestes anos, que é possível fazer televisão a partir do Porto”.

contribuído para a definição do seu percurso profissional. “Em miúda, os meus pais decidiram oferecer – a mim e à minha irmã gémea, a Sónia Balieiro, que também trabalha no Porto Canal – um gravador com um microfone. Passámos, então, a ‘entrevistar’ os pais, os primos, os tios... Fazíamos as nossas próprias reportagens e imitávamos as pivots daquela altura. Sempre disse que ia ser jornalista”, contou. Assim foi. Em 1994 ingressou no curso de Jornalismo e Comunicação da Escola Superior de Educação de Portalegre e, no final do primeiro ano, achou

que estava na hora de começar a ‘fazer pela vida’. Decidiu, por isso, bater à porta da Rádio GEICE, uma rádio local de Viana do Castelo, e pedir para fazer um estágio durante as férias de verão. Conquistou a confiança dos profissionais do projeto e, ao fim de um mês, estava a apresentar noticiários. “Retomei os estudos no final do estágio, mas regressava sempre à rádio nas férias ou quando havia emissões especiais, como Eleições Autárquicas ou a Romaria da Senhora da Agonia”, contou. Numa altura em que não tinha dúvidas de que a rádio era,

efetivamente, a sua praia, outra oportunidade profissional viria a desvendar-lhe um novo amor: a televisão. Fez os castings para a NTV (que daria lugar à RTPN) e foi escolhida, acompanhando, assim, a fundação da estação televisiva, em 2000. Nesse momento, teve a perceção de que o seu futuro estaria ali mesmo, na pequena caixa mágica. “A NTV foi uma escola. Introduzimos o conceito de ‘Jornalista Multimédia’. Além de jornalistas, tínhamos de filmar e editar as próprias reportagens. O conceito não vingou, mas permitiu-nos crescer bastante enquanto profissionais. Formámos uma equipa forte e unida. Ainda hoje, no dia 15 de outubro, data da inauguração da NTV, recordamos o momento”, revelou. A imediatez das notícias, o contacto direto com as pessoas e a possibilidade constante de criar e inovar foram as características que mais a cativaram no trabalho em TV. “É uma das maiores invenções do planeta, mas cabe-nos a nós não torná-la numa das piores coisas do mundo”, sublinhou, afirmando que não abre mão de ver o que é feito no estrangeiro. “Um dos meus passatempos preferidos é ver como que se faz televisão noutros países... Como editam REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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notícias, como apresentam, que relevância dão aos assuntos. É um exercício que me faz pensar e aprender muito”, garantiu. AS 19H00 DO DIA 29 DE SETEMBRO DE 2006 Entretanto, a convite de Bruno Carvalho e Juan Figueroa, que haviam estado ligados à formação da NTV, Vanda aceitou o desafio de alinhar num projeto novo: o do Porto Canal. E ainda hoje recorda, com carinho, a primeira semana à boleia desta nova aventura, “o trabalho intenso e a cumplicidade de toda a equipa”. “Era preciso garantir que o canal arrancasse bem. A 29 de setembro de 2006, dia da inauguração da nossa emissão, estávamos todos reunidos numa sala à espera das 19h00… a hora do arranque. Foi um momento emocionante que ainda hoje me provoca um ‘friozinho’

na barriga”, confessou. Desde então, perdeu a conta às reportagens assinadas e aos momentos vividos ao lado dos profissionais da estação. “Trabalhei como produtora e editora no ‘Porto de Abrigo’ e ‘Tribuna Livre’. Como jornalista, participei em todos os blocos informativos e programas como o ‘De Olho na Câmara’ e ‘PSI – Porto Sob Investigação’. Como apresentadora, fui rosto do ‘PSI’, ‘Primeiro Plano’, ‘Domínio Público’, ‘Especial Informação’ e ‘Especial Debate’”, enumerou. A certa altura foi desafiada a assumir o cargo de diretora de Informação, tarefa que desempenhou ao longo de 24 meses. “Foram dois anos de intenso trabalho porque, além da continuidade do que vinha a ser feito até ali, quisemos também lançar novos rostos, novos jornalistas, novos comentadores.

Mas o nosso grande projeto foi o lançamento das delegações regionais”, sublinhou. Hoje, ao olhar para trás, é com facilidade que traça a evolução do projeto, ou não tivesse marcado presença em todos os seus momentos. “Relativamente à Informação, o Porto Canal teve uma aposta inicial na informação de interesse específico para os concelhos que integram o Grande Porto. Ao fim de quatro anos, e tendo como grande aposta a informação de proximidade, alargou a sua intervenção a outras áreas territoriais do Norte, captando a atenção de uma audiência mais vasta. Para isso, muito contribuiu um processo de descentralização informativa, com a inauguração, a 1 de julho de 2010, das primeiras três delegações regionais. De resto, este foi apenas o primeiro passo


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Irmãs Balieiro num aniversário do Porto Canal

para a abertura de uma rede de delegações, incluindo Lisboa, com as quais o canal procurou dar maior visibilidade às principais comunidades urbanas”, explicou, argumentando que os principais objetivos passaram por “dar voz a territórios menos mediáticos, promover o conhecimento do país e discutir problemas que, habitualmente, não têm cobertura informativa”. “AS NOSSAS MAIS-VALIAS SÃO AS PESSOAS” Para Vanda Balieiro, a capacidade de entrega da equipa de profissionais que, todos os

dias, trabalha para satisfazer as necessidades do público é um dos aspetos que mais contribui para o crescimento do canal. “As nossas mais-valias são as pessoas. Somos uma equipa jovem e com muita ambição. Gostamos de fazer diferente. Temos uma produção totalmente nacional e decidimos arriscar em alguns conteúdos. Mostrámos, nestes anos, que é possível fazer televisão a partir do Porto”, sublinhou. De resto, o segredo parece estar numa generosa dose diária de boa disposição. Os episódios caricatos, esses, são inúmeros.

Um deles? O momento em que, apenas ao fim de seis meses de convívio, uma colega descobriu a existência de duas Balieiro, quando estava totalmente convencida de que havia apenas uma – a Sónia – que, para o desempenho das suas funções de jornalista, trocava de roupa várias vezes ao dia. Mas há mais. “Lembro-me, por exemplo, de um momento aflitivo, do qual agora já consigo rir. Numa Emissão Especial Eleições, em que eu era co-apresentadora, tinha de dar os resultados da votação dos partidos. O problema é que o monitor do qual eu estava a ler era tão pequeno que nem sequer conseguia ver o nome dos partidos. Só via números. Então, passei alguns minutos a dizer: ‘este partido, que eu não consigo identificar, obteve 10% dos votos... O partido seguinte conseguiu 9,5%’. No intervalo da emissão, um técnico teve de aproximar o monitor para eu conseguir ver”, recordou Vanda, com a experiência de quem aprendeu a transformar os imprevistos em espontâneos momentos de televisão. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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NOITES DE DIVERSÃO E GLAMOUR A pouco tempo de assinalar o seu terceiro aniversário, o Eskada Porto continua a ser considerado uma referência nas noites portuenses, inspirando-se nas mais recentes tendências da movida das grandes metrópoles internacionais. Com uma imagem de marca baseada no requinte, está aberto cinco noites por semana, apostando na crescente proximidade ao cliente e na apresentação de espaços com ambientes distintos, especialmente pensados para os mais diversos públicos. Às segundas-feiras, a animação dirige-se, em especial, à comunidade académica. Depois, as noites de quarta-feira também surgem direcionadas a um escalão mais jovem, mas segundo o mote de animação “Biba Boyfriends Out” (numa fusão dos antigos conceitos “Biba a Baixa” e “My Boyfriend is Out of Town”, bem conhecidos na cidade). As quintas-feiras merecem serões diversificados, seguindo a tendência da “música MTV”, sendo que, ao fim de semana, o divertimento não conhece idades. Uma vez por mês, ao sábado, das 23h00 às 02h00, o Eskada Porto lança a “Salsa Party”, uma tendência indiscutivelmente na moda. E para a passagem de ano que se aproxima, o espaço (que disponibiliza estacionamento gratuito), preparou uma mão cheia de surpresas para que 2016 possa arrancar da melhor forma possível. Em janeiro, as novidades prosseguem, estando prevista uma remodelação completa do layout do Eskada. Curioso?

ESKADA PORTO Rua da Alegria, 611 www.eskadaporto.com.pt www.facebook.com/eskadaporto Instagram: eskadaporto_oficial INFORMAÇÕES E RESERVAS: grupoeskada@gmail.com


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ESKADA PORTO Rua da Alegria, 611 www.eskadaporto.com.pt www.facebook.com/ eskadaporto Instagram: eskadaporto_oficial INFORMAÇÕES E RESERVAS: GRUPOESKADA@GMAIL.COM


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SABOREAR O NATAL EM BREVES INSTANTES, DEIXOU DE SER UMA SIMPLES SUGESTÃO NATALÍCIA PARA GANHAR UM LUGAR DE DESTAQUE NA CARTA DO RESTAURANTE DOP, ORIENTADO PELO CHEFE RUI PAULA. AOS VERDADEIROS APAIXONADOS PELOS SABORES DA ÉPOCA LANÇA-SE UM DESAFIO: CONSEGUIRIAM RESISTIR A UM LOMBO DE BACALHAU ASSADO SERVIDO COM CREME DE GRÃO-DE-BICO? Fotos: Rui Oliveira


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o verdadeiro ‘rei’ da mesa de natal dos portugueses e há quem diga até que, nesta época do ano, adquire um sabor especial, tal é a magia com que é confecionado. Falamos, obviamente, do tão apreciado bacalhau, que pode ser cozinhado de mil e uma formas, consoante as preferências de cada um. Na verdade, tal como defendeu o chefe Rui Paula – adepto da cozinha das nossas memórias e dos pratos de tradição lusitana – “um natal português sem bacalhau é o equivalente a ir a Roma e não ver o Papa”. E é assim, com boa disposição, que ultima o empratamento da sua sugestão natalícia: bacalhau com puré de grão-de-bico. Os ingredientes começam a surgir, no prato, de uma forma elegante – primeiro o creme de grão, depois as línguas de bacalhau confitadas, um molho igualmente feito com este tipo de peixe, novamente grão-de-bico (desta vez inteiro) e um pequeno lombo de bacalhau assado como grande protagonista – e eis que o chefe responsável pelo DOP (situado no Palácio das Artes, na zona histórica do Porto) tem uma ideia. “É exatamente este o prato de natal que vamos incluir na carta do restaurante”, afirmou, apresentando-o aos seus funcionários. Uma crosta de ervas com pão dá o toque final ao petisco, pronto a desafiar os paladares mais exigentes.

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O PRAGMATISMO DE UM “GAJO QUE ESCREVE CENAS”


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A LISTA É LONGA: ASSINOU CRÓNICAS, ROMANCES, CONTOS, GUIÕES, LETRAS DE MÚSICA, TEXTOS PUBLICITÁRIOS “E OUTRAS IMBECILIDADES”. NO ENTANTO, CONTINUA INSATISFEITO. PEDRO CHAGAS FREITAS NÃO É ESCRITOR. PREFERE SER ENCARADO COMO UM “GAJO QUE ESCREVE CENAS”, LONGE DAS AMARRAS DOS TEXTOS CRIADOS SIMPLESMENTE PARA AGRADAR. ESCREVE PORQUE SENTE. ESCREVE PORQUE VIVE. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: ©Direitos reservados/Rui Oliveira

Senta-se, relaxadamente, numa rocha, pousa os cotovelos nos joelhos e diz-nos, com o olhar, que está preparado para tudo. Afinal de contas, é um “gajo normal”. Escreve lamechices? Sim. Aliás, é o próprio a admitir que “a Lamechalândia é o país perfeito”. E desenganem-se os que pensam que os romances de Pedro Chagas Freitas só arrancam suspiros ao público feminino. Na verdade, como reconhece Bárbara (esposa e, se quisermos, ‘musa inspiradora’ do autor), há muitos homens que enviam mensagens a revelar que um determinado livro do vimaranense foi o ingrediente-chave da reconciliação com a cara-metade. Apesar de ter descoberto o prazer da escrita há muito tempo – tentou escrever o seu primeiro livro “aos 7, 8 anos”, tarefa que lhe pareceu “impossível” – foi com o romance “Prometo Falhar” que entrou, em 2014, para a lista dos autores mais vendidos em Portugal. O objetivo de venda definido inicialmente – 10 mil

livros – foi atingido em apenas duas semanas. Hoje, já com mais de 100 mil exemplares vendidos, o romance (principal culpado de muitos finais felizes) continua a mostrar a sua força nas redes sociais, desde logo pelo elevado número de excertos partilhados. Independentemente dos gostos e das sensibilidades, a verdade é que, neste livro – segundo o qual “é possível sair ileso de tudo… menos do amor” – parece haver sempre um pensamento que atinge o leitor diretamente no coração, como se de uma flecha se tratasse. A LIBERDADE DE ESCREVER O QUE SENTE Natural de Guimarães, Pedro Chagas Freitas estudou Linguística (em Lisboa) e, durante o curso, não quis abandonar uma das suas paixões: o futebol. Por isso, decidiu enviar “uma carta toda maluca” ao diretor do jornal desportivo “A Bola” a sugerir uma colaboração. Funcionou. “Fiquei em part-time porque estava a

estudar”, contou, referindo que, antes disso, aos 18 anos, foi chefe de redação de uma revista, em Guimarães, experiência “interessante” que recorda a sorrir. Entretanto, trabalhou na área da Publicidade, que lhe permitiu, enquanto criativo, exercitar a capacidade de “eliminar problemas e apresentar soluções”. “Grande parte do meu trabalho passava por inventar slogans, pedaços de texto que ficassem no ouvido”, explicou, reconhecendo a importância dessa capacidade na hora de escolher o título adequado a uma obra. “Um título também é isso, conseguirmos criar, em poucas palavras, algo que seduza”, notou. “Mata-me”, “O Evangelho da Alucinação”, “Porque Ris Sabendo que Vais Morrer”, “Só os Feios é Que São Fiéis”, “Eu Sou Deus”, “Ou é Tudo ou Não Vale Nada” e “In Sexus Veritas” são alguns dos 21 livros lançados pelo escritor, que gosta, essencialmente, de contar histórias. E a sede de “vencer o romance” – de o terminar – é tão incontrolável que,

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depois de “Prometo Falhar”, o vimaranense, de 36 anos, lançou “Queres Casar Comigo Todos os Dias, Bárbara?” e tem já duas obras ‘em lista de espera’ para publicação: “666” e outra ainda sem título definitivo. Sem contar, claro, com as restantes dezenas de livros (mais de 100) que foi escrevendo e guardando na bagagem. “Se lançasse um livro por ano, já não precisava de escrever mais nenhuma obra”, confessou, entre gargalhadas. No entanto, poucos minutos de conversa são suficientes para perceber que Pedro Chagas Freitas não é pessoa de meios-termos nem de lentidões. Só assim se explica o facto de, dos 21 livros publicados, dez terem surgido num só ano, em 2010. Como cidadão irrequieto por natureza, soma ainda uma mão cheia de experiências laborais de verão: foi nadador-salvador, operário fabril, barman e porteiro de uma discoteca. Evita estar parado, gosta pouco de ideias feitas (se não acreditar nelas) e adora poder criar, diariamente, algo de novo: seja o capítulo de um livro, um jogo didático que levará os mais novos a escrever quase por

brincadeira ou simplesmente uma estratégia diferente para os cursos de escrita criativa que orienta. Na liberdade extrema que vive enquanto dá corpo aos seus romances, preocupa-se em respeitar apenas uma regra: escrever o que sente. “Quando escrevemos com o objetivo de ouvir o outro dizer que está muito bom, já não estamos a escrever coisa nenhuma”, notou. E é por ser assim – um ‘gajo resolvido’ – que não tem quaisquer problemas em ‘viver’ na Lamechalândia, o “sítio onde a emoção está acima de tudo”. “Às vezes, colocámos muitas coisas à frente do lado da emoção e acabamos por desprezar o que realmente interessa”, frisou, sublinhando que é importante haver um equilíbrio entre as realidades interior e exterior. ACABAR COM O “ILUMINADO QUE ESCREVE” E O “MISERÁVEL QUE LÊ” Paciência, teimosia, força de vontade e uma boa dose de irreverência foram alguns dos ingredientes sempre presentes no percurso do escritor, que assumiu, desde logo, o desejo de conquistar um número crescente

de leitores. “Um livro que está na gaveta e que nunca foi lido pode ter muito valor, mas, se não tiver leitores, não existe. Se Kafka não tivesse publicado as suas obras, ninguém o conheceria”, defendeu. Na ânsia de evoluir, nunca hesitou em procurar opiniões sobre o que ia escrevendo junto de figuras da área (e não só), através de endereços eletrónicos encontrados na Internet. A certa altura, após concluir mais um livro, decidiu enviá-lo a uma pessoa a quem já tinha mandado um trabalho. Para não se tornar maçador, optou, então, por apresentar-se com um nome fictício, momento que recorda, agora, com boa diposição. “Percebeu logo que era eu e respondeu-me ‘olá Pedro, tudo bem?’”, contou. A sessão de lançamento de “Mata-me” (primeiro livro publicado), realizada numa FNAC, em Lisboa, há dez anos, foi um episódio de aprendizagem. “Estavam lá quatro pessoas, duas


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prová-lo, decidiu escrever um dos seus livros em direto, em espaços públicos, para mostrar às pessoas que se trata de um trabalho “normalíssimo”.

delas eram os meus pais. Tive um choque de realidade e senti que, de facto, tinha de ir à procura dos meus leitores”, confessou. Decidiu, assim, criar um blog e apostar mais na divulgação do seu trabalho, estratégia que, aliás, mantém. Apesar de ser uma tarefa que exige algum tempo, não lhe pareceu ‘nada de outro mundo’, sobretudo porque nunca acreditou na existência de uma barreira entre autor e leitor. “Há esta mania de criar um fosso entre o iluminado que escreve e o desgraçado que lê. Mas não existe nenhuma fronteira, são pessoas normais”, afirmou. Para

DISCIPLINA E MÉTODO PARA VENCER O ROMANCE Não será, portanto, de estranhar que Pedro Chagas Freitas rejeite totalmente a ideia romântica do autor que só escreve “em frente ao mar”. “Quando estamos a escrever, o nosso cenário é sempre o mesmo: nós e o monitor de um computador ou nós e uma folha de papel. Não acredito noutros rituais”, referiu, desvalorizando por completo as questões da inspiração. “Acredito mais no método”, confessou, acrescentando que define prazos para tudo o que escreve. “Não há outra hipótese. O romance é uma maratona”, notou. A título de exemplo, na elaboração de “In Sexus Veritas”, que tem 1500 páginas, o vimaranense assumiu o desafio de escrever dez páginas por dia, independentemente do tempo que tivesse de dedicar à tarefa. Nas sessões de autógrafos, também há espaço para inovar. É

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por isso que, “para não estar ali só a replicar mensagens”, o escritor aposta, uma vez mais, na interação com o leitor, dando-lhe a oportunidade de escolher a palavra que iniciará a dedicatória. Num dos casos, “bacalhau” foi a expressão eleita. “E essa pessoa ficou, certamente, com a dedicatória mais exclusiva do mundo”, brincou. Semear o gosto pela escrita junto de quem o lê é uma das grandes metas do autor. “Há uma frase de Lou Reed que diz qualquer coisa como ‘eu meço o sucesso de um concerto pelo número de bandas que lá nascem’. Eu meço um livro do mesmo modo. As grandes obras foram aquelas que me fizeram escrever”, reconheceu, colocando “O Estrangeiro”, de Albert Camus, e “A Metamorfose”, de Kafka, no topo das preferências. Não esquece ainda a “revelação” sentida ao ler Herberto Hélder e a “inventividade” de José Saramago. Todos eles lhe despertam “aquela inveja positiva”, que apenas contribui para espicaçar (ainda mais) a necessidade de contar histórias. Enfim… ideias de um “gajo que escreve”. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


M Ú S I C A

CASTELLO BRANCO DESVENDA “SERVIÇO” E NOVAS CANÇÕES NO PASSOS MANUEL No dia 10 de dezembro, o cantor e compositor brasileiro Castello Branco, considerado um dos maiores talentos da sua geração, regressará a Portugal, tendo encontro marcado com o público pelas 22h00, no Passos Manuel. No disco de estreia, “Serviço”, editado em 2014, o artista assinou um conjunto de canções em que parte dos ensinamentos da música tradicional brasileira para obter algo apenas seu, com um olhar necessariamente espiritual e curioso. A pouco tempo de lançar o segundo trabalho, Castello Branco apresentará o primeiro álbum em território nacional, com a promessa de desvendar também algumas das suas novas canções. O concerto tem o carimbo da Bodyspace. Os bilhetes custam sete euros (se comprados antecipadamente na Matéria Prima e no Passos Manuel) e oito euros no dia do evento.

PEDRO ABRUNHOSA DÁ AS BOAS-VINDAS AO NOVO ANO NOS ALIADOS A contagem decrescente para 2016 será feita, no coração da cidade do Porto, pelo cantor e compositor Pedro Abrunhosa. O músico portuense regressará aos grandes concertos no espaço público com uma atuação especial agendada para o dia 31 de dezembro, em plena Avenida dos Aliados. A festa incluirá, como é habitual, um espetáculo de fogo de artifício. Abrunhosa assinalou, em 2014, os 20 anos do lançamento do seu disco de estreia, “Viagens”, com a reedição do trabalho, que conquistou, na altura, a marca da tripla platina (com vendas superiores a 240 mil unidades). Em 2013, lançou “Contramão”, sétimo disco de estúdio. Tal como explicou, na altura, em declarações à Lusa, as canções nasceram “da observação da realidade” portuguesa, com a influência de incontornáveis temas como a emigração e a crise. Gravado no Porto, este último trabalho conta com participações do fadista Camané, do cantor catalão Duquende, do Saint Dominic Choir e do Quarteto de Cordas de Matosinhos.


87 DAVID BOWIE LANÇA “BLACKSTAR” EM JANEIRO DE 2016 O músico inglês David Bowie vai lançar um novo álbum no dia 8 de janeiro de 2016, data em que celebra os seus 69 anos. “Blackstar” – o 25.º disco do artista – sucederá, assim, a “The Next Day”, editado em 2013 (após uma década de silêncio). Bowie é considerado uma das figuras mais vanguardistas e influentes da música pop rock, sendo, ainda assim, um dos mais discretos artistas do panorama musical, com raras aparições públicas e raríssimas atuações. Em 2014, o “Camaleão do Rock” – como é frequentemente conhecido – lançou “Nothing has changed”, uma coletânea que percorre toda a carreira do criador do alter ego Ziggy Stardust, desde 1964 até à atualidade. Este ano, avançou com “David Bowie: Five Years 1969 - 1973”, a primeira de uma série de caixas que percorrerão toda a sua carreira.

UM SERÃO NO COLISEU AO SOM DE MACHINE HEAD A banda de metal Machine Head passará por Portugal em fevereiro de 2016, para dois concertos nos coliseus do Porto e de Lisboa. Na cidade Invicta, a atuação está agendada para dia 7, a partir das 21h00. O grupo, liderado por Robb Flynn, subirá ao palco portuense (e da capital) no âmbito da digressão europeia “An Evening With Machine Head”. Os espetáculos terão a duração de duas horas, enriquecidas com os principais hinos dos músicos e ainda temas menos conhecidos. Não haverá banda de abertura. “Estamos realmente entusiasmados por tocar longos sets e recuperar alguns dos temas mais esquecidos, com um concerto que é só nosso. Fizemos isto nos EUA e na Europa Oriental e foi absolutamente incrível”, confessou o vocalista. O preço dos bilhetes varia entre 32 e 37 euros.

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MOBILIDADE AO SERVIÇO DOS CIDADÃOS O OBJETIVO É SIMPLES: TRANSFORMAR O CENTRO HISTÓRICO DE MATOSINHOS NUM ESPAÇO CADA VEZ MAIS APETECÍVEL E SEGURO, GARANTINDO A COEXISTÊNCIA DE PEÕES E AUTOMÓVEIS. O PLANO DE MOBILIDADE DEFINIDO PELA AUTARQUIA JÁ ESTÁ NO TERRENO E PROMETE NOVIDADES PARA O PRÓXIMO ANO: MAIS CICLOVIAS, INTERVENÇÕES DESTINADAS A ASSEGURAR UMA MAIOR FLUIDEZ DE TRÂNSITO (NOMEADAMENTE NA AVENIDA SERPA PINTO E NA RUA HERÓIS DE FRANÇA) E UMA POLÍTICA DE ESTACIONAMENTO FAVORÁVEL AO COMÉRCIO LOCAL. Fotos: Francisco Teixeira (CMM)

CRIAR UM MAPA CICLÁVEL NO CONCELHO Numa altura em que os centros históricos das cidades enfrentam grandes desafios em termos de circulação automóvel e de estacionamento – face à

crescente atração de público com vista à dinamização do comércio local – o município de Matosinhos já definiu novas estratégias de atuação para 2016. Tal como explicou José Pedro Rodrigues, vereador da CDU

da autarquia, o plano traçado pelo executivo pretende colocar a mobilidade “ao serviço da economia do concelho e da qualidade de vida das pessoas”. As intervenções projetadas (muitas já no terreno), surgem, aliás, em resposta às próprias solicitações dos cidadãos, auscultados pela câmara. A criação de um mapa ciclável que cubra todo o território municipal é um dos objetivos assumidos pelo vereador com a pasta dos transportes e mobilidade. “Matosinhos já tem entre dez e doze quilómetros de percursos cicláveis nas marginais. Mas foram pensados, desenhados e entrarão em


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execução ainda este ano mais dez quilómetros de ciclovias em contexto urbano”, revelou, sublinhando que, futuramente, será possível pedalar “quase ininterruptamente de Vila Nova de Gaia até Vila do Conde”. UMA BAIXA QUE ‘CONVIDA A FICAR’ Enquanto as ruas são repavimentadas, os parques infantis arranjados e os bairros sociais requalificados, há uma série

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de intervenções em curso para garantir uma maior fluidez de trânsito e eliminar “pontos de conflito e de sinistralidade rodoviária”. “Têm vindo a ser adotadas lógicas de intervenção que passam por um programa de substituição de semáforos e introdução de rotundas ou de cruzamentos sobrelevados”, exemplificou José Pedro Rodrigues, referindo que a Avenida Serpa Pinto e a Rua Heróis de França são duas das artérias em profunda transformação. Segundo esclareceu, no âmbito das “medidas de acalmia” pensadas para o centro da cidade, estão a ser definidas as chamadas “Zonas 20”, áreas com potencial de coexistência segura de peões e automóveis e cujo limite de velocidade se fixará nos 20 km/h. Convidar os cidadãos a desfrutarem do território, usufruindo calmamente da sua gastronomia, esplanadas

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e locais de convívio, é a grande meta do programa. De referir ainda que a autarquia de Matosinhos e o CEIIA — Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel vão promover um estudo de mobilidade com vista à definição do perfil dos veículos que utilizam o centro da cidade, tendo em conta as diferentes vias de acesso ao município. De acordo com o vereador, trata-se de uma forma de avaliar as necessidades de estacionamento e de circulação na via pública, assim como de “estudar intervenções adaptadas à melhoria do sistema de transportes públicos”. E como não poderia deixar de ser – acrescentou o vereador – o projeto de intervenção na Estrada da Circunvalação, à qual se pretende “devolver o perfil de avenida, recuperando o gosto pela sua utilização”, continua a ser conduzido no plano metropolitano, representando uma das grandes priori-

dades de Matosinhos. POLÍTICA DE ESTACIONAMENTO AMIGA DOS PEÕES E DOS COMERCIANTES De referir igualmente que a autarquia aprovou, recentemente, a instalação de parcómetros em 1100 lugares de estacionamento do concelho, revelando que 25% das receitas serão canalizadas para a implementação de medidas na área da mobilidade e acessibilidades. De acordo com José Pedro Rodrigues, a aposta nos parcómetros será fundamental para “motivar a rotatividade” do estacionamento, apoiando o pequeno comércio e a indústria da restauração. Para que os cidadãos possam resolver pequenos assuntos do dia a dia de uma forma tranquila, os primeiros 15 minutos de estacionamento serão totalmente gratuitos. “Creio que, em Portugal, Matosinhos será o primeiro município a adotar

uma medida desta natureza”, notou, frisando que será, assim, possível contrariar um dos grandes problemas das artérias do concelho: o estacionamento em segunda fila. Os lugares pagos ficarão espalhados pela via pública e por dois parques (na Avenida de General Norton de Matos, em frente à praia de Matosinhos, e em S. Mamede de Infesta), com o valor máximo diário de um euro. Nos meses de verão, o aparcamento na marginal, com capacidade para acolher 240 viaturas, custará dois euros. A medida visa, segundo explicou


M ATOSI N H OS

o responsável, canalizar o estacionamento de longa duração do centro para os referidos parques, respondendo, assim, às solicitações dos comerciantes e industriais, “cujos clientes se queixam, recorrentemente, da falta de estacionamento”. José Pedro Rodrigues salvaguardou, no entanto, que as ruas com características maioritariamente residenciais não ficarão sujeitas à ação dos parcómetros. “Um aspeto a ter em conta é o facto de, no regulamento municipal de estacionamento na via pública, os residentes terem acesso

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ao cartão de estacionamento dução da sinistralidade. O ilimitado em condições fran- vereador da CDU ressalvou camente mais vantajosas do ainda que a empresa venceque as anteriores: deixarão dora da exploração, manutende pagar 269 euros por ano ção e fiscalização dos lugares para pagarem 65 euros por de estacionamento irá pagar ano”, realçou. “uma renda fixa trimestral de O sistema deverá entrar em 17.500 euros e entregar 65% funcionamento no início do das receitas variáveis”. próximo ano, sendo que, 25% Nos planos da câmara para o da sua receita será aplicada próximo ano está também a num fundo de mobilidade preparação, juntamente com municipal para implementar a Faculdade de Engenharia do medidas inovadoras no âmbito Porto (FEUP), de um estudo da mobilidade e acessibilida- de tráfego automóvel destinades, potenciando ações de do a identificar os problemas sensibilização dos peões e e os desafios do setor da mocondutores com vista à re- bilidade no município. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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A MAGIA DO “Natal na Praça” NUMA ALTURA EM QUE A MAGIA DO NATAL JÁ SE COMEÇA A SENTIR, A CÂMARA DE SANTO TIRSO PREPARA-SE PARA ASSINALAR A QUADRA COM ATIVIDADES GRATUITAS QUE PROMETEM FAZER AS DELÍCIAS DE MIÚDOS E GRAÚDOS. ENTRE 18 E 30 DE DEZEMBRO, O “NATAL NA PRAÇA” LEVARÁ AO CORAÇÃO DA CIDADE (À PRAÇA 25 DE ABRIL) INICIATIVAS PARA TODOS OS GOSTOS. E A AUTARQUIA TIRSENSE DEIXA O AVISO: “ESTÃO GARANTIDOS GRANDES MOMENTOS DE PARTILHA E DIVERSÃO NA COMPANHIA DO PAI NATAL”. Fotos: CM Santo Tirso

ABRAÇAR O PAI NATAL E PROVAR OS DOCES DA ÉPOCA A abertura do evento, dinamizado em colaboração com diversas instituições do concelho, está agendada para as 16h00 do dia 18 de dezembro. Uma das grandes atrações será a Casa do Pai Natal.

Neste espaço, repleto de sorrisos, haverá postais fictícios e histórias de encantar que ganham vida ao serem lidas pelo tão característico senhor de barbas brancas. Já imaginou a alegria das crianças ao entrarem neste verdadeiro mundo de sonho?

E como ninguém resiste a um belo petisco natalício, a Cozinha da Maria será outra paragem obrigatória da aventura. Quem não se lembra de ir a casa da avó petiscar os mais diversos doces de natal? Pois bem, as típicas bolachas e brigadeiros da época estarão em destaque na ementa do espaço, com workshops que prometem arrancar inúmeras gargalhadas do público. PISTA DE GELO, TEATRO E BRINCADEIRAS AO AR LIVRE Mas haverá mais para descobrir! No Cantinho do Baltasar, a originalidade dos mais novos será colocada à prova. A agenda de atividades abrange não só a sétima arte, mas também teatro, dança e fantoches. Outra grande atração deste ano será a Pista de Gelo, que estará em funcionamento, entre 21 e 30 de dezembro, no “Natal na Praça”. Um espaço que não depende das condições


SA N TO T I RSO

climatéricas e que promete atrair públicos de todas as idades. A provar que a quadra natalícia vive das memórias em família, no Pátio do Melchior, as crianças serão desafiadas a deixarem-se levar pelas brincadeiras de infância dos seus pais, descobrindo jogos transmitidos de geração em geração. Os momentos de alegria passarão ainda pelo Jardim do Gaspar, local que completa, assim, a homenagem às três figuras bíblicas que terão visitado Jesus logo após o seu nascimento. Os exercícios de criatividade continuarão na Oficina de S. José. O espaço, inspirado no engenho e arte do pai de Jesus que, como é sabido, se dedicava à carpintaria, desafiará os miúdos a utilizarem o poder da imaginação para a concretização dos mais diversos projetos. Haverá igualmente uma zona de Recreio especialmente pensada para as correrias, saltos

e acrobacias dos visitantes. Além dos apreciados insufláveis, uma escalada desafiará os mais corajosos a verem a estrela de natal bem mais de perto. Passear de charrete à boleia do comércio local Os cidadãos que fizerem compras no comércio local terão oportunidade de alinhar num passeio de charrete pelas artérias centrais da cidade. Tal como explicou o presidente da autarquia tirsense, Joaquim Couto, os bilhetes para a aventura “não se compram, ganham-se” enquanto se fazem compras natalícias no município, numa iniciativa desenvolvida em parceria com a Associação Comercial de Santo Tirso. Durante a semana, os percursos serão efetuados entre as 14h00 e as 18h00. Aos fins de semana, realizar-se-ão das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 18h00. Exceções feitas nos dias

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HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO No dia do arranque do “Natal na Praça”, será possível visitar a Casa do Pai Natal, a Cozinha da Maria, o Cantinho do Baltasar, o Pátio do Melchior, o Jardim do Gaspar e o Recreio até às 18h00. Depois, de 19 a 23 e de 26 a 29 de dezembro, os locais mágicos funcionarão das 10h00 às 18h00, sendo que, nos dias 24 e 30, permanecerão disponíveis apenas entre as 10h00 e as 13h00. 21, 22 e 23, durante os quais será possível passear de charrete das 14h00 às 20h00 e, depois, a 24 e 30 de dezembro, datas em que a atividade decorrerá apenas da parte da manhã, entre as 10h00 e as 12h00.

EXPOSIÇÃO DE PRESÉPIOS A par do “Natal na Praça”, a autarquia tirsense tem ainda preparada uma feira e exposição sobre presépios, numa iniciativa em parceria com a Confraria do Caco. Até dia 3 de janeiro, é possível visitar a X Exposição Internacional de Presépios de Santo Tirso. A mostra reúne 70 presépios em cerâmica das coleções pessoais de 12 dos maiores artesãos portugueses, alguns deles já falecidos como Domingo Mistério e Rosa Ramalho. A Exposição Internacional de Presépios pode ser visitada, nos Paços do Concelho, de segunda a sexta-feira, das 09h00 às 23h00, e, aos fins de semana, das 10h00 às 23h00.

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ESPAÇO DO CIDADÃO DE PORTAS ABERTAS A FUNCIONAR DE SEGUNDA A SEXTA-FEIRA, ENTRE AS 8H30 E AS 17H30, NO MERCADO DA FOZ, O ESPAÇO DO CIDADÃO CONGREGA 13 IMPORTANTES SERVIÇOS DESTINADOS A FACILITAR A VIDA DOS CIDADÃOS QUE PRECISAM, POR EXEMPLO, DE REVALIDAR A SUA CARTA DE CONDUÇÃO OU DE EFETUAR UMA ALTERAÇÃO DE MORADA NO CARTÃO DE CIDADÃO. Foto: Rui Oliveira

Numa altura de balanço dos dois primeiros anos de mandato, o presidente da União das Freguesias (UF) de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, Nuno Ortigão, reconheceu que a abertura do Espaço do Cidadão e simultânea requalificação do Mercado da Foz foi uma das maiores metas alcançadas ao longo dos últimos 24 meses de trabalho. De portas abertas aos cidadãos desde o passado dia 13 de outubro, o equipamento representa o ‘cartão-de-visita’ do mercado, sendo o espelho do que acontecerá também nas restantes lojas, que ganharão nova vida. Tal como constatou o autarca, a abertura do Espaço do Cidadão possibilitou “três aspetos fundamentais”: exigiu


U F AL DOAR , FOZ DO D OU R O E N EVO G I LD E

DESTAQUES CULTURAIS A 2 de dezembro, às 18h30, no Forte S. João, o Ciclo Foz Literária debruçar-se-á sobre Bento Quarqueja, com uma conferência proferida por José Augusto Maia Marques e uma exposição na qual se apresentará o seu espólio com textos originais, correspondência e fotografias. No dia seguinte, às 21h30, arrancarão as “Lendas do Porto e da Costa Atlântica”, com a lenda da Fonte da Moura, contada por Joel Cleto, no Teatro da Vilarinha. E no dia 4 do mesmo mês, haverá “Poesia no Castelo”, às 18h30, no Forte de S. João, com os declamadores Isabel Ponce Leão, Miguel Pereira Leite, Fernando Campos de Castro, Cuca Sarmento e Manuel Campos Costa. De sublinhar, por fim, que estão abertas as inscrições para o projeto “Teatro Junto de nós”, através do qual a UF oferece aos cidadãos interessados (com mais de 18 anos) a oportunidade de representarem com atores profissionais (além de receberem formação profissional em Interpretação, Voz, Movimento e Canto), com o objetivo de levar a palco um espetáculo em maio de 2016. As inscrições devem ser feitas através do 226180513.

a requalificação arquitetónica do próprio mercado (que, aliás, também tem sido alvo de uma aposta na área da animação musical), contribuiu para a formação profissional dos funcionários da UF que estão presentes no equipamento e permitiu deslocar o atendimento geral feito no edifício da Junta da Foz para as suas instalações (sendo que, neste momento, só os assuntos ligados aos cemitérios continuam a ser resolvidos onde funcionava a extinta junta de freguesia). “É a concretização de algo que sempre defendemos desde que tomámos posse: a necessidade de investir nos serviços de proximidade”, referiu Nuno Ortigão, destacando que, neste

momento, os cidadãos da União das Freguesias já não têm de se deslocar a outras zonas do Porto para tratarem dos seus assuntos mais prementes, aspeto bastante positivo sobretudo numa área ocidental “onde os transportes públicos ainda são tão deficitários”. “Continuamos a ser o único espaço geográfico que não tem metro”, lamentou. Além da requalificação do Mercado da Foz (alvo de uma profunda intervenção que incluiu a renovação das casas de banho e o reforço da segurança), a dinamização social e cultural do Passeio Alegre e da Praça de Liége está também na lista de conquistas da UF, a meio do mandato autárquico. Ainda em análise – por dependerem de um

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trabalho articulado com a Câmara do Porto – estão os projetos de construção de um novo lar da terceira idade (que sirva as zonas da Foz e Nevogilde) e de dois parques infantis (um na Foz e outro em Aldoar). ADSE E IMT ENTRE AS VALÊNCIAS MAIS PROCURADAS Mas interessa centrar atenções nas mais-valias do novo Espaço do Cidadão. Aberto de segunda a sexta-feira, entre as 8h30 e as 17h30, o equipamento disponibiliza 13 serviços, sendo que, nos primeiros 20 dias de abertura ao público, os mais procurados foram os referentes à ADSE (Direção Geral de Proteção Social aos Funcionários e Agentes da Administração Pública), ao IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes), ISS (Instituto de Segurança Social) e AMA (Agência para a Modernização Administrativa), que responde, por exemplo, aos pedidos de alteração de morada e de certidões de registo civil. O equipamento contempla, ainda assim, muitas outras valências, nomeadamente nas áreas dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), Caixa Geral de Aposentações (CGA), Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), Serviço de Estrangeiros e Fronteira (SEF), Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), Direção Geral do Consumidor (DGC), Instituto de Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), Direção Geral do Livro dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) e Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC). REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


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“OS PARANHENSES

EM PRIMEIRO” NUMA ALTURA DE BALANÇO DA AÇÃO DESENVOLVIDA AO LONGO DOS DOIS PRIMEIROS ANOS DO SEU SEGUNDO MANDATO AUTÁRQUICO, O PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE PARANHOS, ALBERTO MACHADO, AFIRMA JÁ TER CERCA DE 80% DO SEU PROGRAMA ELEITORAL CUMPRIDO, GARANTINDO QUE CONTINUARÁ A TRABALHAR EM PROL DOS CIDADÃOS. Foto: JF Paranhos

VIVA! - Quais foram os maiores desafios enfrentados nos últimos dois anos? Alberto Machado - O grande desafio era manter o ritmo de inovação e de qualidade no trabalho que desenvolvemos ao serviço das pessoas. Manter o enfoque da Junta no cuidado com os idosos, na atenção às crianças. É o que estamos a fazer. Por outro lado, o mandato começou com uma novidade: pela primeira vez na história do poder local, a Freguesia de Paranhos não é liderada pelo mesmo partido que a CMP. Não foi difícil ultrapassar, com responsabilidade e sentido de missão por parte de todos, este desafio. Ao longo dos 14 anos que lideramos a Freguesia, tem sido essa a nossa postura: colocar sempre os Paranhenses em primeiro. Qual o balanço que faz do trabalho desenvolvido? Muito positivo. A meio do mandato já temos perto de 80% do programa eleitoral cumprido. Va-

mos, uma vez mais, conseguir cumprir todos os compromissos assumidos e acredito que, até 2017, conseguiremos ir um pouco mais longe. Quais os compromissos concretizados? Na área da Educação, conseguimos alargar o número de escolas com ATL. A Junta promove a abertura das escolas às 8h00 e o seu encerramento às 19h30, quer em período de aulas, quer nas férias escolares, tendo um programa de animação e acompanhamento baseado em atividades diversas que garantem às nossas crianças momentos únicos. Instituímos também um prémio anual para os melhores alunos da Freguesia. Na área da Cultura, temos desenvolvido vários projetos. Dou como exemplo a iniciativa “um café, um livro”, que leva a mais de 30 cafés aderentes uma caixa com livros da Biblioteca da Freguesia, para que os seus clientes possam desfrutar de um livro ou

até mesmo levá-lo para casa. Criámos ainda um Orfeão, com mais de 40 elementos e várias atuações realizadas com sucesso. A Junta de Paranhos tem tido uma aposta forte no empreendedorismo, na inovação social e na formação profissional dos desempregados. Neste mandato, avançámos com uma parceria, numa candidatura ao Programa Cidadania Ativa, gerida pela Fundação Calouste Gulbenkian. O projeto foi aprovado e estamos a trabalhar no CoWork Social – Promoção do Empreendedorismo de Inovação Social, para jovens desempregados. Também na área da segurança tínhamos um compromisso: articular a ação da Junta com a das Forças de Segurança e Instituições da Freguesia. Objetivo cumprido através do estabelecimento de um protocolo com o Modelo Integrado de Policiamento de Proximidade (MIPP) da PSP – esquadra do Bom Pastor, que promove o contacto direto com idosos e comerciantes. A arti-


PA RA N H OS

culação contínua das entidades da Comissão Social de Freguesia com as Forças de Segurança é também uma realidade. Em termos de ação social quais foram, até agora, as maiores conquistas? Logo no início do mandato, reafirmámos a aposta na Ação Social com a manutenção deste Pelouro sob a alçada do Presidente da Junta. É muito importante dar este “peso institucional” ao Pelouro. Com o trabalho desenvolvido na Loja Social, no Gabinete de Serviço Social, nos atendimentos do presidente à população e com a contínua articulação das Instituições integrantes da Comissão Social de Freguesia - da “rede social” – temos trabalhado de forma organizada, tendo sempre em vista a resolução dos problemas dos cidadãos. Avançámos também com a criação do projeto ZERO Desperdício, que permite a utilização dos excedentes alimentares de cantinas, restauran-

tes e superfícies comerciais, em formato take-away (que permite a distribuição de alimentos com mais dignidade e discrição), pelos agregados familiares mais carenciados. Alguma obra de relevo que já esteja concretizada? Sim. Inaugurámos em março deste ano o crematório de Paranhos. Este investimento, suportado na totalidade pela Junta, foi uma aposta para a resolução do problema da falta de equipamentos do género face à procura crescente do serviço. Era frequente existirem tempos de espera de cremação excessivos, o que fazia com que as famílias tivessem de esperar vários dias para que o corpo do familiar fosse cremado. É um serviço que a Junta presta no sentido de facilitar o processo de luto. Quais os objetivos para os próximos dois anos? Bom, temos um compromisso que, penso, estará quase cumpri-

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do. Desde 2009 que a Junta vem solicitando à CMP a construção de um Parque Infantil na zona da Areosa. Face ao crescimento populacional desta área, principalmente com famílias novas, é um equipamento que faz muita falta. Penso que estamos no bom caminho para que, mal chegue o bom tempo, as nossas crianças já possam brincar no novo espaço. É, também, fundamental que a Câmara Municipal possa criar infraestruturas de apoio à formação de jovens, apoiando o trabalho que as Associações e as Coletividades têm vindo a desenvolver quase sempre só com apoio da Junta de Freguesia. Continuaremos a exercer a nossa “pressão positiva”. Na dependência exclusiva da Junta, está ainda por realizar a aquisição de uma carrinha para transporte de doentes/idosos às consultas, criando, em simultâneo, um novo serviço de apoio e assistência ao domicílio para pequenas reparações. Espero que ainda seja possível durante o ano de 2016. Qual o feedback que tem recebido dos paranhenses? Aqui, os resultados das últimas eleições autárquicas dizem tudo. Foi com grande satisfação e sentido de responsabilidade que percebi o carinho e a confiança que os cidadãos da Freguesia têm por mim e pelo nosso trabalho. Mesmo nas alturas mais difíceis, no dia a dia, a atenção e o cuidado das pessoas fazem-me sentir muito bem. É essa “força” diária que me faz sentir total empenho para continuar a trabalhar pela minha e pela nossa Freguesia. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2015


H

O R Ó S C O P O

Carneiro

Touro

21/03 a 20/04

21/04 a 20/05

Instale a campainha de uma bicicleta Compre candeeiros de teto. num saco de batatas e use-o todas as Besunte-se com banha de porco antes terças-feiras para ir para o trabalho. Nem de se ir deitar e experimente o que é pense em comer grão-de-bico. dormir nas nuvens.

Gémeos 21/05 a 20/06

Vá a uma loja de animais e pergunte ao dono quanto é que ele custa e o que come. Faça iogurtes de maionese e ananás e venda-os na feira.

Caranguejo

Leão

21/06 a 22/07

23/07 a 22/08

23/08 a 22/09

Palite os dentes com cenoura ralada. Azar no jogo da moedinha. Tenha atenção aos gatos malhados.

Faça arroz de milho enquanto usa um vestido de noiva. Ande mais de patins. Comece a colecionar caricas vermelhas.

Compre 54 balões. Pisque os olhos o mais rápido que conseguir e faça suspiros. Esvazie um extintor na sala e tente encontrar o comando em dez segundos. Repita até conseguir.

Balança

Escorpião

Sagitário

23/09 a 22/10 23/10 a 21/11 Lave os dentes com uma escova de Encha a banheira com coca-cola cabelo e gel de banho. Tente fazer e óleo de fritar e tome um banho bolhinhas com a boca, filme e publique revigorante. Dê sempre um beijinho ao nas redes sociais. taxista no fim da viagem.

Virgem

22/11 a 21/12 Roube e conduza um autocarro até Aveiro, mascarado de libelinha. Fotografe todos os carros com luzinhas.

Capricórnio

Aquário

22/12 a 19/01

20/01 a 18/02

Peixes 19/02 a 20/03

Coloque 154 gramas de creme na cara e não espalhe. Use mais as escadas rolantes. Inscreva-se na Marinha.

Faça uma tatuagem nas costas. A VIVA! sugere um amendoim ou um taco de golfe usado. Use relógio de bolso.

Vá ao teatro e peça pipocas. Ouça jazz numa grafonola. Ponha fita-cola na boca tente fumar de palhinha.


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