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W W W.V I VA - P O R T O . P T

Revista gratuita trimestral, março 2014

ANTÓNIO FERREIRA

Discreto líder do Norte

CIEXSS

Equipas explosivas

NOITE DO PORTO Baixa animada


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E D I T O R I A L

Boas notícias

A votação online no Porto para melhor destino europeu cilindrou a concorrência, onde se destacavam as principais cidades europeias, nomeadamente Paris, Roma e Madrid. Com 14,8% dos votos, a cidade do Porto ficou muito à frente da segunda classificada, a croata Zagrebe (10,2% ), de Viena de Áustria (10,1%), Nicósia (7,3%), Budapeste (7,1%), Madeira, (6,9%), Milão, (6,6%), Madrid,(6,4%), Berlim,(6,3%) e Roma,(6,1%). É a segunda vez que o Porto vence a competição European Best Destinations (EBD) promovida pela European Consumers Choice, organização sem fins lucrativos de consumidores e especialistas, sediada em Bruxelas. O Porto sucede a Istambul, vencedor da 4.ª edição do troféu, em que Lisboa ficou classificada em 2.º lugar. A capital portuguesa venceu em 2010, o primeiro ano em que se realizou a votação, seguindo-se Copenhaga, em 2011, e o Porto em 2012. Segundo as regras, o destino vencedor num ano não entra na competição no ano seguinte. O troféu oficial de European Best Destination 2014, obtido pelo Porto, para além da promoção inerente à utilização da chancela no site oficial dos EBD, traz à cidade o direito a um guia online atualizado (com versões em inglês e francês). Mário Ferreira, o dinâmico empresário turístico portuense, continua a dar cartas. Agora, voltou-se para o miolo da cidade de que tanto gosta e comprou a antiga Pensão Monumental, na Avenida dos Aliados, para a transformar, em data próxima mas ainda não totalmente definida, no Monumental Palace Hotel, instalando ainda no seu piso térreo um “café de luxo”, forma de devolver o espaço às suas antigas funções. A Ryanair anunciou que vai passar a ligar Lisboa e Porto, com dez voos semanais, a partir de 2 de abril, com cinco voos em cada sentido de manhã (dois por dia), não excluindo aumentar a frequência se tal se justificar. A empresa low-cost lançou um preço promocional de 19,99 euros, embora no futuro os preços dos bilhetes possam atingir os 48 euros. A expectativa da companhia é a de atingir os 70 mil passageiros no primeiro ano a operar a ligação Lisboa-Porto-Lisboa. A companhia aérea vai investir 85 a 90 milhões de euros na aquisição de 175 aviões para reforçar a frota e substituir outras aeronaves. José Aberto Magalhães Editor

REVISTA VIVA, MARÇO 2014


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S U M Á R I O

008 António Ferreira PERFIL

014 Saltos para o Douro DESTAQUE

020 Surf spots À DESCOBERTA

024 Novos projetos CCDR-N

030 Equipas explosivas UM DIA COM...

040 Tradição fez magia no Dragão FC PORTO

052 Leixões: de rochedo a gigante portuário MÁQUINA DO TEMPO

058 O que fazer hoje à noite? BAIXA

064 Abril traz novidades PORTO CANAL

068 Ourigo de outros tempos MEMÓRIAS


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Revista gratuita trimestral, março 2014

ÍNDICE

FICHA TÉCNICA Propriedade de: ADVICE - Comunicação e Imagem Unipessoal, Lda. Sede de redação: Rua do Almada, 152 - 2.º - 4050-031 Porto NIPC: 504245732 Tel: 22 339 47 50 - Fax: 22 339 47 54 adviceporto@mail.telepac.pt adviceredaccao@mail.telepac.pt www.viva-porto.pt Diretor Eduardo Pinto Editor José Alberto Magalhães Redação Marta Almeida Carvalho Mariana Albuquerque Fotografia Virgínia Ferreira Marketing e Publicidade Eduardo João Pinto Célia Teixeira Produção Gráfica Diogo Oliveira Impressão, Acabamentos e Embalagem Multiponto, S.A. R.D. João IV, 691-700 4000-299 Porto Distribuição Mediapost Tiragem Global 140.000 exemplares

003 EDITORIAL 036 EDP GÁS 046 ATUALIDADE 050 CIN 070 MÚSICA 072 PORTO D’ARTE 076 METROPOLIS - MATOSINHOS 082 METROPOLIS - GONDOMAR 086 METROPOLIS - GAIA 091 PORTOFÓLIO 092 METROPOLIS - SANTO TIRSO 094 METROPOLIS - PARANHOS 096 HUMOR 098 CRÓNICA

Registado no ICS com o nº 124969 Membro da APCT Depósito Legal nº 250158/06 Direitos reservados

REVISTA VIVA, MARÇO 2014


P E R F I L


ANTÓ N I O F E R R E I RA

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líder Discreto

do

Norte Texto: Mariana Albuquerque | Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira

Sustentabilidade é, para o presidente do Conselho de Administração do CHSJ, António Ferreira, a palavra chave de um sistema de saúde “que não nos podemos dar ao luxo de perder”. Para o bem e para o mal, o médico gere, diariamente, uma equipa de 5700 pessoas, procurando mobilizá-las em torno do “orgulho de ser São João”. “Rápido, vem aí a Guarda [Republicana]!”, gritava um deles, aflito, e todos voavam, que nem “pardais à solta”, em busca do melhor esconderijo. Não havia tempo a perder: andar na rua sem sapatos era proibido e a adrenalina das correrias acabava sempre por se misturar com o medo de que a brincadeira resultasse numa multa endereçada aos pais. O certo é que as travessuras vividas em Cete - uma aldeia situada no concelho de Paredes, a 30 km do Porto – tinham um saborzinho especial. Hoje, à distância de cinco décadas, é quase com o mesmo olhar traquina que António Ferreira, médico de formação e de coração, recorda os seus primeiros anos de vida. Os banhos tomados nas levadas e as engenhosas invenções de

brinquedos deram, entretanto, lugar a outras tarefas que desempenha com a mesma dedicação. Sentado na cadeira da presidência do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de São João (CHSJ) desde março de 2007, coloca o estatuto de “líder” para segundo plano e prefere ser encarado como mais um dos que “vestiu a camisola” com o objetivo de defender as cores do hospital mais eficiente do país, pelo terceiro ano consecutivo. Os resultados obtidos pela unidade hospitalar nos últimos tempos valeram-lhe a conquista da categoria de administração pública dos Best Leader Awards 2013, atribuídos pela Leadership Business Consulting, mas, para o responsável, de 54 anos, o que interessa mesmo “é que o conceito de liderança esteja ao serviço do corpo REVISTA VIVA, MARÇO 2014


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do hospital”. “Há uma diferença muito grande entre ser um chefe com estatuto ou ser mais um de todos os que estão mobilizados e com vontade de fazer alguma coisa positiva numa organização”, defendeu. Mobilizar a equipa com paixão e fervor, procurando ser um exemplo e mostrando lealdade e confiança no trabalho desenvolvido, é, por isso, a função assumida, dia após dia, por António Ferreira.

UM HOSPITAL QUE RECUPEROU O “AMOR PRÓPRIO”

devido a uma solução tecnológica desenvolvida para promover a segurança dos doentes internados. O sistema premiado mundialmente – intitulado VITAL (VIgilância, MoniTorização e ALerta) – permite analisar e correlacionar uma quantidade maciça de dados relativos ao estado clínico de cada paciente, que estão dispersos por dezenas de sistemas de informação do centro hospitalar, procurando identificar, categorizar e alertar precocemente as equipas clínicas para pacientes que estejam em risco. Desta forma, a instituição é capaz de “antecipar as entradas em Unidades de Cuidados Intensivos nos sete dias antes de o evento ocorrer”. A capacidade de medir e interligar informações é o segredo mágico utilizado. “Sem medir e sem sabermos exatamente o que estamos a fazer não é possível gerir”, garantiu o médico. Outras alterações tiveram de ser promovidas para que bons resultados e sustentabilidade pudessem andar de mãos dadas. A organização do hospital em estruturas intermédias, dotadas de alguma autonomia de gestão, foi uma das estratégias implementadas pelo conselho de administração. Para além disso, foi necessário promover “um conjunto enorme de mudanças nas áreas de apoio à atividade clínica”, mais concretamente no modo como se compram, armazenam e distribuem os produtos na unidade hospitalar, e ainda na gestão integrada dos seus equipamentos.

As alterações que têm vindo a ser introduzidas no modelo de funcionamento do CHSJ surgem, segundo o responsável, de uma revolução maior, operada na atitude dos próprios profissionais. “A grande conquista que o hospital fez foi passar a ter amor próprio. O HSJ era tratado como algo ingovernável e eu acho que os nossos profissionais se envolveram e recuperaram o orgulho em ser São João”, sublinhou, defendendo que a instituição conseguiu “algumas coisas verdadeiramente inovadoras em Portugal”, nomeadamente no que diz respeito aos sistemas de informação, que permitem ter acesso a todos os dados relativos ao que se está a passar no hospital, a cada momento. “Conseguimos saber como estão a funcionar as salas do bloco [operatório], quando é que começou uma cirurgia, quando terminou a ação do cirurgião, o momento em que o doente saiu da sala, enfim, tudo. E, monitorizando, em tempo real, detetamos aquilo que foge ao que é esperado”, explicou. “FAZER MAIS COM MENOS” Aliás, graças a esta capacidade de gerir e interligar As medidas que afetam a área dos recursos os dados, o CHSJ foi recentemente distinguido humanos são, como não poderia deixar de ser, com um prémio mundial de Inovação em Saúde, as mais “custosas”. Ainda assim, António Ferreira


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não tem dúvida de que existe um “elevado grau de desperdício” no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e, em particular, no CHSJ. “Isto é algo que nós somos obrigados, do ponto de vista ético e cívico, a combater porque é a maneira de, com menos recursos, continuarmos a servir o melhor possível a nossa população”, apontou. “Sem este sistema os portugueses ficarão quase órfãos no que diz respeito à saúde porque nenhum de nós teria condições para pagar estes cuidados se não houvesse o conceito de estado social”, alertou, garantindo que “é possível fazer mais com menos”, se forem introduzidas as reformas necessárias. “Tenho a convicção de que se tivermos profissionais, de todos os grupos, aos quais se dê uma opção – ou trabalham só no sistema público ou no privado, não podendo acumular – conseguiríamos, seguramente, desde que fossemos capazes de implementar sistemas de remuneração baseados numa parte fixa e noutra que dependesse da produtividade e qualidade, ter pessoas mais motivadas”, defendeu. Para o médico, o risco iminente de insustentabilidade do setor de saúde público está a ameaçar uma das “maiores conquistas” de sempre dos cidadãos. “O facto de podermos dizer que o acesso aos cuidados de saúde não depende do potencial económico de cada um é algo que não podemos dar-nos ao luxo de perder”, avisou. Na verdade, o mal estar social gerado pelas difi-

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culdades económicas sentidas pelos portugueses nos últimos tempos tem vindo a afetar a sua perceção da saúde. Tal como notou António Ferreira, os relatórios internacionais da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) sobre os resultados em saúde, nomeadamente no que diz respeito aos graus de satisfação das pessoas, revelam aspetos “interessantes”. “Os indicadores de saúde em Portugal, comparados com a média da OCDE são, de facto, excelentes”, afirmou, referindo-se, por exemplo, à taxa de mortalidade infantil e por cancro, aos planos de vacinação e à percentagem de pessoas rastreadas em cancro. “Estamos ao nível dos melhores, mas quando vamos comparar a maneira como os cidadãos qualificam o seu estado de saúde, só 49% dos portugueses é que dizem que é bom ou muito bom, comparativamente com quase 90% de irlandeses. Também somos daqueles que se dizem menos satisfeitos com os cuidados de saúde prestados”, informou, revelando que, no entanto, Portugal é, depois, dos países onde as diferenças no acesso à saúde entre os mais e menos ricos são menores. O presidente do conselho de administração do CHSJ acabou por identificar um fator que poderá estar na origem destes dados: o Produto Interno Bruto (PIB) de cada país. “Quanto maior é o PIB per capita mais satisfeitas estão as pessoas com o seu estado de saúde”, concluiu. O responsável considera que a insatisfação dos portugueses também está associada à prática de um sistema de saúde focado nos profissionais e não inteiramente nos doentes. Aliás, essa é uma das transformações que considera fundamental no momento de pensar o hospital do futuro.

HOSPITAL PEDIÁTRICO INTEGRADO PODERÁ TER “AVANÇOS SIGNIFICATIVOS” ESTE ANO

Na estratégia de preparação de um centro hospitalar absolutamente focado num bom serviço ao cliente destaca-se um projeto que o HSJ agarrou “com unhas e dentes” e que, segundo António Ferreira, poderá conhecer “avanços significativos” ainda este ano. Em causa está a construção do Hospital Pediátrico Integrado, que mais não é do REVISTA VIVA, MARÇO 2014


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que uma ala pediátrica “com condições dignas para as crianças, os adolescentes e suas famílias”. Nesse sentido, a instituição decidiu “envolver a sociedade civil, como se faz, frequentemente, em Inglaterra”, e lançar a já bem conhecida campanha de recolha de fundos “Um lugar pró Joãozinho”, que tem contado com o apoio de figuras públicas das mais diversas áreas, desde a política ao futebol. O conceito de hospital pediátrico integrado surge da ideia de que “a pediatria e a medicina da adolescência” precisam de um “ambiente próprio”. “Não é a criança que tem de ir para o sítio onde está a especialidade; são as especialidades que têm de ir ao local onde existe o ambiente propício para as crianças”, esclareceu o médico, ressalvando que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, esta ala não será independente do hospital geral. Outro projeto em execução é o da aposta numa abordagem integrada dos edifícios do Hospital de São João e do Hospital de Nossa Senhora da Conceição, em Valongo, no mesmo centro hospitalar. Para evitar a duplicação de serviços, o pólo de Valongo passou a acolher toda a cirurgia de ambulatório. Além disso, será equipado com um centro de hemodiálise capaz de cobrir uma grande área geográfica que necessita desse tipo de cuidados. Até ao momento, os cerca de cem milhões de euros investidos nas duas unidades desde 2005 resultaram da utilização do capital social e de dois projetos: o PORN (Plano Operacional da

Região Norte) e Saúde XXI, sendo que o restante foi assegurado por autofinanciamento. “Feitas as contas, este centro hospitalar é credor de uma quantidade de dinheiro que seria suficiente para continuar este projeto sem haver necessidade de pedir subsídios e investimentos adicionais do Estado”, garantiu. “Isto é tanto mais verdade quanto o Estado, ao longo dos anos, ter passado o tempo a fazer orçamentos retificativos, na área da saúde, para cobrir resultados deficitários de uma parte muito significativa de hospitais, sendo que isto é particularmente verdade para a região de Lisboa e Vale do Tejo”, acrescentou o médico, defendendo tratar-se “de uma injustiça regional inaceitável”.

“CHEGOU O MOMENTO DE O PORTO PASSAR A SER A METRÓPOLE” DA REGIÃO

Apesar de passar muito do seu tempo em Ponte de Lima – num terreno carinhosamente partilhado com diversos animais – a cidade do Porto começou a fazer parte da vida de António Ferreira aos cinco anos. Foi com essa idade que, juntamente com os pais (um profissional de seguros e uma dona de casa) e os irmãos, se mudou para o Viso para poder estudar. “Lembro-me que já na quarta classe dizia que queria ser médico. Os meus amigos pegavam comigo, diziam que eu queria era dar injeções nas meninas”, brincou, reconhecendo que nunca ponderou outra profissão. E assim foi. Durante a


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sua formação passou por estabelecimentos como a Escola dos Quatro Caminhos, na Senhora da Hora, a Escola dos Elétricos, o antigo Liceu D. Manuel II e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), onde se licenciou, doutorou e assumiu o cargo de docente. A vocação para a área médica é de tal modo intensa que António Ferreira não se imagina a desempenhar outras funções, nomeadamente na esfera política. “Nunca fui convidado para exercer um cargo político. Não sou militante de nenhum partido e não tenho perfil para cargos governativos pelo facto de, em Portugal, não se apresentarem à população projetos políticos claros, transparentes e inequívocos”, afirmou, com convicção. Há oito anos, quando assumiu a presidência do conselho de administração do centro hospitalar, o especialista em Medicina Interna entendeu que não poderia continuar a fazer clínica nem a lecionar na faculdade. Hoje, ambiciona voltar a vestir a bata branca para poder desfrutar de dois dos seus maiores fascínios: o da relação com o paciente e o do diagnóstico. “Ao longo da minha carreira tive experiências de retorno dos doentes para comigo que premeiam muito mais do que o dinheiro que ganhava”, salientou, recordando, por exemplo, o episódio de um paciente que, sabendo que uma irmã do médico (que sofria de paralisia cerebral) se encontrava internada, se disponibilizou a doar sangue e até mesmo um rim, caso fosse necessário. Em 2016, altura em que termina o mandato do

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atual conselho de administração, António Ferreira poderá estar de regresso à medicina. “Ficar sempre no mesmo cargo acaba por ser mau para a própria instituição, há que dar lugar a outras pessoas”, defendeu. A Invicta foi a “casa” onde o médico cresceu como pessoa e como profissional. E é por conhecê-la tão bem que António Ferreira sente que “chegou o momento de o Porto passar a ser a metrópole” da região. “Sem perder a sua essência cultural, a sua maneira de ser, a cidade está a tornar-se cosmopolita”. Adepto “total e completo” do FC Porto, o responsável é apaixonado pela “cidade antiga”, reconhecendo uma beleza inigualável à zona da Ribeira e da Batalha. Mas há uma imagem que lhe ficará para sempre na memória: o nevoeiro que, em certos dias, pinta de “alma” a ponte D. Luís e “todo aquele casario”. Aos portuenses reconhece “nobreza de caráter”, defendendo que é necessário deixar de “gastar energias” com “inimigos externos, virtuais ou imaginários”. “O Porto deve afirmar-se pelo caráter nobre que lhe é inato e pela sua enorme capacidade de trabalhar e de correr riscos”, sustentou. Apaixonado pela aventura de conhecer o mundo, o médico admite conviver com a “mágoa” de não ter filhos, canalizando todo o amor paternal para os sobrinhos. Homem “de uma só paixão”, entrega-se de corpo e alma ao que faz. Planos para o futuro? Não, nunca os fez, garantiu, demonstrando que o gosto maior é ver que o caminho se faz caminhando. REVISTA VIVA, MARÇO 2014


D E S T A Q U E

Sem medo DO DOURO Inserida no Centro Histórico do Porto, Património Mundial da UNESCO, a zona ribeirinha da cidade serve de palco, todos os verões, às famosas acrobacias dos mais novos, que, sob o olhar atento de familiares e turistas, se lançam do tabuleiro inferior da Ponte Luís I para mergulhar no rio Douro. Mais de 70 anos depois de ser retratada em filme, a tradição, que arranca aplausos a uns e arrepios a outros, voltou a conquistar a sétima arte. Texto: Mariana Albuquerque | Marta Almeida Carvalho Fotos atuais: Rui Oliveira

“Os daqui, da Ribeira, não podem ter medo! Se tiverem vão à água na mesma até o perderem”, assegurou, bem disposta, Rita Bastos, de 65 anos. A vendedora, de banquinha montada em frente aos restaurantes, com o rio Douro, imponente, mesmo ao lado, cresceu a mergulhar naquelas águas – saltando da proa dos barcos – e ainda hoje não se deixa intimidar pelas correntes. “Aprendi a nadar aqui e ainda salto, todos os anos. Sabe o que é? Filho de peixe sabe nadar”, constatou. Com apenas quatro aninhos, já há miúdos a saltarem do muro para o rio, com boias coloridas à cintura. Quanto mais cedo começarem

a testar as suas capacidades físicas, mais rápido chegará o dia em que, empoleirados no tabuleiro inferior da Ponte Luís I – com uma panorâmica quase estonteante da verdadeira alma portuense – mostram a sua “raça”, saltando, de peito aberto, para as palpitantes águas do Douro. São autênticos voos, de 25 metros, consumados em segundos de pura felicidade. “Não dá para explicar, só quem salta é que sabe o que se sente”, assegurou Nuno Santos, de 17 anos, habituado a praticar estas acrobacias desde os nove. E, de facto, para os habitantes da Ribeira do Porto, estranho é se, durante o verão, não se ouvirem,

ao longe, as gargalhadas destemidas das crianças a caírem, literalmente, “como peixes na água”. “Eu não me atiro porque, infelizmente, nunca aprendi a nadar. Hoje, tenho muita pena. Mas este verão hei-de ir, nem que seja de boia”, garantiu Laura Pinto, a vender na mesma barraquinha de Rita Santos, confidenciando que o seu marido, já falecido, era conhecido por atirar toda a gente ao rio. “Ninguém podia ter medo!”, referiu, saudosa, mostrando que, no coração do Porto, a coragem pode, efetivamente, ser um músculo que se treina. A tradição secular dos saltos acrobáticos da ponte D. Luís


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(como é popularmente conhecida), já arrebatou portugueses e turistas – impressionados com tamanha destreza de movimentos – e conquistou novamente o mundo da sétima arte. Depois de surgirem representados, em 1942, no conhecido filme “Aniki Bóbó”, de Manoel de Oliveira, os famosos saltos voltaram a estar, recentemente, na mira das objetivas, desta vez para a curta-metragem “Meninos do Rio”, do realizador espanhol Javier Macipe Costa, que deverá ser apresentada em Portugal entre os meses de maio e junho. Eurico Garcês, de 14 anos, é uma das destemidas personagens da história, ou não fosse neto de

Rita Bastos, que, orgulhosamente, o ensinou a nadar. “E o filme já ganhou um prémio, sabia?”, questionou a portuense, referindo-se à conquista do festival “El Corto del Año”. Distinguida entre mais de 600 candidatos, nomeadamente de Espanha e da América Latina, a curta-metragem vai ter a oportunidade de participar em mais de mil festivais de cinema em todo o mundo.

UM TURISTA QUE NÃO RESISTIU AOS ENCANTOS DO DOURO

De visita ao Porto no verão de 2012, o que mais surpreendeu Javier Macipe Costa foi a espontaneidade e a confiança com que os miúdos se lançavam ao rio. “Fiquei impressionado com aquela imagem, sobretudo pela coragem que é preciso ter para saltar daquela altura, ainda por cima escalando os ferros da ponte. Além disso, intrigaramme os motivos que os levariam a saltar, entre os quais parecia estar um certo desejo de impressionar os turistas e as REVISTA VIVA, MARÇO 2014


D E S T A Q U E

restantes crianças do grupo”, afirmou o jovem. Encantado com todo o ambiente da cidade, o realizador espanhol sentiu que era chegado o momento de lançar mãos à obra. “Soube, de imediato, que teria de gravar um filme ali. Quando vi aquelas crianças a saltarem da ponte, percebi que essa poderia ser uma história adequada”, referiu, admitindo que precisava de uma desculpa para viver uns tempos na cidade do Porto. Entretanto, o destino deu uma ajudinha. O jovem ganhou um prémio na sua cidade, em Saragoça, e as produtoras “Teatro del temple” e “Riot Films” decidiram apostar no projeto. Num misto de documentário e ficção, a curta “Meninos do Rio” conta a história de um rapaz que, ao contrário dos amigos da menina por quem se apaixona, não tem coragem de saltar para o rio. “As filmagens foram difíceis e intensas porque gravar na ponte em pleno agosto traz muitas complicações. Os carros, os turistas e os barcos faziam com que fosse difícil controlar tudo de modo a conseguir os planos que tinha imaginado. Ainda assim, o resultado foi muito bom e os miúdos, apesar de não serem atores, trabalharam de uma forma muito profissional. Graças ao desempenho da equipa e ao apoio das pessoas da Ribeira conseguimos fazer um filme grande partindo de um pressuposto pequeno”, sublinhou. O trabalho obrigou o realizador a passar todo o verão de 2013 no Porto, período durante o qual acabou de escre-

ver o argumento, privou com as pessoas, conhecendo as suas histórias, e aprendeu português. “Foi como um curso intensivo de história e cultura da cidade do Porto”, realçou, acrescentando que adorou a experiência vivida com os protagonistas na construção de personagens que se aproximassem da realidade. A forma como a Ribeira acolheu, de braços abertos, toda a equipa técnica espanhola foi uma surpresa para Javier Macipe Costa. “Descobri que são pessoas muito valentes, que dizem o que pensam e que são capazes de fazer qualquer coisa para defender a sua família”, observou. “Também me pareceram muito generosas,

dispostas a ajudar em tudo o que fosse necessário”, acrescentou, sublinhando que muitas famílias abriram prontamente a porta das suas casas para as filmagens. A mesma Ribeira que viu nascer estes “Meninos do Rio” foi palco, há mais de 70 anos, das filmagens da primeira longa-metragem de Manoel de Oliveira, intitulada “Aniki-Bóbó”. Baseado no conto “Os Meninos Milionários”, da autoria de João Rodrigues de Freitas, o filme retrata as aventuras e os amores das crianças de baixa condição social da cidade, sendo o primeiro trabalho cinematográfico a eternizar os saltos para o Douro. “Manoel de Oliveira é um dos maiores realizadores


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Fernanda Matos, a “Teresinha” de Aniki-Bóbó.

da atualidade, revelando grande inteligência e sensibilidade na tarefa de mostrar o comportamento humano, sobretudo na sua dimensão psicológica. É admirável que continue a trabalhar na sua idade [105 anos], o que mostra a grande paixão que nutre pelo cinema e pela vida”, notou Javier Macipe Silva, reconhecendo que teria todo o orgulho em conhecer a opinião do cineasta português em relação à sua curta-metragem.

“ANIKI-BÓBÓ”: DA FICÇÃO À REALIDADE

Carlitos, o sonhador, Eduardo, o “chefe do bando”, e a bela Teresinha são os protagonistas da obra

de Manoel de Oliveira. Ambos apaixonados pela sua pequena donzela, os dois miúdos acabam por se tornar rivais, sendo que a tensão aumenta quando, por acidente, Eduardo escorrega para debaixo de um comboio em andamento, com todas as suspeitas a voltarem-se para Carlitos. Hoje, Nelson Palavrinhas, Nuno Santos e Anabela Moreira são três dos jovens que, conhecendo a Ribeira como a palma da mão, sabem bem o que é crescer em aventuras constantes vividas pelas ruas estreitas daquela zona portuense. Além disso, fazem parte do grupo de aventureiros que se diverte a saltar para as águas do rio, bem ao jeito de

Eduardo, em “Aniki Bóbó”. “Isto é quase uma coisa que nos está no sangue. Com o tempo, 99% das pessoas que vão ao banho, na Ribeira, vão à ponte”, contou Nelson, de 16 anos. A técnica, essa, é simples: “temos de fechar os braços a chegar à água, se não aleijamo-nos”. Ainda assim, exigem-se elevadas doses de coragem, sobretudo no início. Nuno Santos recorda bem o seu primeiro salto porque foi aquele em que teve mais medo. No entanto, incentivado pelos amigos e tendo bem presente o exemplo do pai, que também saltava, sem receios, decidiu avançar. Hoje, a certeza é apenas uma: no final de maio ou início de junho, lá estará ele, empoleirado na ponte, apto a lançar-se em novas aventuras. Os sustos que já viveu – uma vez escorregou e caiu ao rio, de costas – não foram suficientes para aniquilar a adrenalina que sente em cada “voo”. Nelson Palavrinhas também já esteve envolvido num ou noutro episódio assustador. A diversão, por vezes, é tanta, que, um dia, saltaram cinco ao mesmo tempo e iam caindo uns por cima dos outros. No final de contas, o balanço é sempre positivo. “Não há palavras para descrever o salto, é como se nunca mais chegássemos à água”, confessou o jovem. Mas as famosas acrobacias não são só para meninos. Que o diga Anabela Moreira, de 15 anos, que alinha neste desafio desde os sete. Na primeira vez que enfrentou o rio, a 25 metros de altura, também teve algum medo, mas acabou por ser incentivada peREVISTA VIVA, MARÇO 2014


D E S T A Q U E Em jeito de homenagem a Manoel de Oliveira e ao seu primeiro filme, foram lançados, no dia do 105.º aniversário do realizador, dois produtos denominados de “Aniki-Bóbó”: uma tisana (Mùi Concept) e um bule (Vista Alegre). A peça de porcelana, no âmbito da Coleção 1+1=1, é uma criação inspirada no filme homónimo do realizador mais velho do mundo, da autoria do filho, Manuel Casimiro. E foi através do bule que se começou a desenhar a aventura de criar uma fusão para Manoel de Oliveira. “Propus fazer a tisana e a Vista Alegre gostou da ideia”, explicou Thuy Tien, responsável pela loja de chás e artesanato no Centro Comercial Bombarda e pela marca de chá e tisanas da Mùi Concept.

los próprios turistas. “Estava na ponte com um bocado de receio, mas os turistas batiam palmas e até davam dinheiro. Assim, ganhei coragem para saltar e foi uma adrenalina muito boa”, contou. Apanhados de surpresa com tamanhas proezas, alguns visitantes da cidade preferem pagar aos jovens para que não saltem, completamente alheios a uma tradição que já faz parte do ADN da Ribeira. Fã incondicional desta zona portuense, que considera “a coroa do Porto”, é, também, a Teresinha do filme de Manoel de Oliveira. Atualmente com 83 anos, Fernanda Matos deu vida àquela personagem com apenas 11. Hoje, ainda é tratada, carinhosamente, pelo realizador português como “a minha menina”. Com uma aptidão natural para a leitura e a declamação de récitas, identificada, desde logo, pela professora da escola infantil onde andou – que era muito amiga da família do cineasta – a por-

O realizador Manoel de Oliveira durante as filmagens de Aniki-Bóbó

tuense acabou por ser convidada para entrar na longa-metragem. Não teve outras experiências na sétima arte, tendo enveredado pela área da enfermagem, mas guarda com saudade as experiências vividas ao lado de António Santos (Eduardinho) e Horácio Silva (Carlitos), que lhe chamava “narizinho empinado”. “Não sei se era ou não, mas ele dizia que sim e eu acredito”, afirmou, entre gargalhadas. Entretanto, já perdeu a conta aos momentos que passou com os netos, em frente à televisão, a rever o filme. “Os miúdos pedem-me sempre para ver e sabem tudo de cor, os diálogos e as canções”, sublinhou, provando que a paixão

pelos segredos da Ribeira pode, tal como a adrenalina dos saltos para o Douro, ser transmitida de geração em geração.


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BPI é Marca de Confiança na Banca em 2014.

BPI

40%

2014 20%

2013

O BPI foi reconhecido como Marca de Confiança na

2º Banco

Banca*, depois de 13 anos em que um outro Banco

2014

27%

foi sempre o distinguido. O nível de confiança do BPI subiu de 20% para 40%, registando

33%

2013

a única subida de todo o sistema financeiro

3º Banco

português. O BPI agradece este voto de confiança

2014

9%

e tudo fará para continuar a merecê-lo.

2013

* Estudo organizado pelas Selecções do Reader's Digest há 14 anos em 10 países.

13%

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“A

s praias de Matosinhos e Leça têm excelentes condições para a prática de surf e bodyboard, justificando-se, já, um maior apoio institucional relativamente a estas modalidades desportivas, na região Norte”. Quem o afirma é Manuel Centeno, portuense que já se tornou numa referência incontornável do bodyboard de alta competição, sendo um dos atletas mais premiados a nível nacional e internacional. De acordo com o bodyborder, esse apoio poderia traduzir-se de várias formas, desde logo pela realização mais frequente de campeonatos locais ou mesmo por etapas dos campeonatos nacionais, e pela regulamentação da ação da modalidade. “Muito do que se vai fazendo parte, quase sempre, da iniciativa privada, sem apoios, destinando-se, essencialmente a ofertas específicas para turistas, o que acaba por desvirtuar a essência do surf”, refere. As praias de Matosinhos apresentam-se como grandes ‘surf sports’ de toda uma área costeira que tem excelentes condições para a prática de desportos aquáticos, daí que estejam a surgir cada vez mais estruturas, no concelho, cujo ‘core business’ está intimamente ligado a estes desportos. As escolas de surf estão em grande atividade e são cada vez mais os praticantes e aprendizes, embora haja

maior adesão com sol e calor. “Pode-se surfar em qualquer época do ano, no entanto o número de praticantes duplica ou mesmo triplica durante os meses de primavera e verão”, explica João Rebolho, da ‘Fish Surf School’. Praticante de surf há mais de duas décadas, o treinador lembra que, apesar de se tratar, em Portugal, de “um desporto relativamente recente”, comparativamente a outros países, tem-se vindo a verificar “um aumento significativo de praticantes nos últimos anos”. A exibição de programas televisivos dedicados ao surf e bodyboard, na década de 90, permitiu uma maior visibilidade ao desporto que, desta forma, chegou ao conhecimento do público em geral.

SURF O ANO INTEIRO

As potencialidades das praias de Matosinhos estão a destacar-se no panorama do surf. “O facto de termos praias «surfáveis» durante todo o ano é excelente quer para iniciados, intermédios ou surfistas mais experientes”, garante o treinador. Gonçalo Menezes (Guzo), é surfista praticante desde há cerca de duas décadas. Para além de ‘apanhar ondas’, dedica-se ao fabrico de pranchas, sendo detentor da marca com o mesmo nome, que tem vindo a destacar-se no mercado. “A marca ainda é recente mas, em média, faço umas cinco

Michele Costa

À D E S C O B E R T A


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‘Surf spots’ Apesar de ainda não ter a expressão desejada, já são muitos os turistas que procuram o Porto para a prática de surf e bodyboard. As oportunidades de negócio que giram em torno das modalidades têm vindo a crescer, nos últimos anos, e o ‘boom’ na oferta de serviços dedicados ao tema está já instalado

a seis pranchas por mês”, refere. Cada prancha é personalizada e feita por encomenda, tendo em conta idade, constituição física e experiência de cada surfista. O shapper tem assistido ao crescimento dos praticantes de “todos os desportos marítimos” e à diversidade de gerações. “Já tenho feito pranchas para famílias inteiras”, conta, salientando, no entanto, que as faixas etárias que mais se dedicam à prática da modalidade se situam entre os 20 e os 30 anos. A experiência de João Rebolho diz-lhe que as faixas etárias que mais procuram as aulas de surf são as “dos 15 aos 35” embora seja cada vez mais frequente “encontrar alunos entre os 8 e os 15 anos, bem como os acima dos 45”. Atualmente, e por ser ainda ‘época baixa’, o treinador dá uma média de 15 aulas por mês, contando com cerca de 30 alunos regulares. Quando chega o bom tempo, e na ‘época alta’ tem aulas diárias, chegando a dar entre três a quatro aulas por dia. “Os estrangeiros costumam procurar-nos na época alta, sendo um mercado que tem vindo a crescer”, garante, apostando que 2014 “será um ano bem melhor uma vez que os prémios e as recomendações de turismo na cidade do Porto são crescentes”. Para o shapper, os turistas que vêm a primeira vez ao Porto por causa do surf ainda não são muitos, sendo que os que regressam por causa da modalidade já são mais.

um pouco por toda a parte. Escolas, surf camps, hostels, lojas de venda de equipamento e reparações, e até mesmo bares temáticos, têm vindo a proliferar numa região que conhece cada vez mais adeptos, mas onde as modalidades aguardam por maiores incentivos. Texto: Marta Almeida Carvalho

Michele Costa

na mira turística

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Manuel Centeno é um dos Bodyboarders mais premiados no país e estrangeiro

Guzo

Virgínia Ferreira

À D E S C O B E R T A

“Tenho uma encomenda de um austríaco que vem de férias para cá para surfar”, conta. “O volume de turistas que procura o Porto exclusivamente como destino de surf ainda não é muito expressivo”, admite o treinador, salientando que isso se deve à “pouca divulgação do surf no norte do pais”. Assim, para o técnico, os “projetos profissionais e bem estruturados, são sempre bem vindos”. E foi com o mesmo propósito que Michele Costa, também ligada à escola de surf e bodyboard, resolveu criar uma plataforma online dedicada às modalidades e a tudo o que se relacione diretamente com elas, no sentido de as divulgar a nível nacional e internacional. “Os turistas que queiram vir ao Porto, ou ao país, com o objetivo de surfar têm de procurar informações em locais diversos pois não existe um sítio que disponibilize uma diversidade de temas úteis para quem viaje”, refere a mentora do ‘Oporto Surf Guide’, a plataforma que pretende ser um ‘surf report’ que, ao mesmo tempo que projeta o país para a internacionalização, disponibilize, ainda, os serviços que os turistas necessitem: alojamento,

passeio, aulas, visitas. “O sítio vai conter todas as informações, desde horários de voos, alojamentos, escolas de surf e lojas de venda ou reparação de equipamentos, passando por informações sobre praias, campeonatos, surfistas, bodyboarders, condições metereológicas e claro, a organização das estadias e lazer dos turistas”, garante, salientando, ainda, a existência de um portal que permita uma busca de empresas ligadas à indústria do surf. A plataforma, que já tem página de Facebook e blog, irá começar a funcionar ainda durante o ano de 2014. A autora do projeto empenhou-se numa constante procura de parcerias, que resultaram já em apoios institucionais e em projetos como Tours de surf (Oporto Surf Tours) ou estadias de surf para viver a dois (Oporto City and Surf Romance).

DIVERSÃO E ESTADIAS

O Oporto Excentric Surf Design Hostel, também em Matosinhos, apresenta um conceito inovador, num espaço temático onde se misturam estilos, que resulta numa nova experiência de residência


Surf ’ in Monkeys

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HUDI Surf bar

Oporto Excentric Design Hostel

urbana para um público à procura de uma estadia diferente. O hostel destina-se essencialmente a turistas jovens, com interesse na prática desportiva, existindo divisões para guardar pranchas e fatos de surf. De acordo com Inêz Borges, responsável pelo espaço, a indústria do surf “apresenta-se como um mercado em evolução” que traz já cerca de 400 hóspedes por ano, entre abril e outubro, especificamente, para a prática da modalidade. “Cada vez mais somos procurados por sermos um surf hostel”, salienta. O Excentric oferece diversas atividades como surfcamps, aulas de surf e de kitesurf e surftrips, tendo aberto, recentemente uma loja de artigos direcionados para as modalidades – a Surf’ in Monkeys, um conceito inovador de Sports Center multi-desportos, que disponibiliza, entre outros, a comercialização de equipamentos e serviços (aluguer de bicicletas, motos, passeios turísticos); equipamentos para demonstração; serviços de manutenção, reparação e upgrade de equipamentos, vouchers e cheques prenda. O hostel conta, também, com uma equipa de profissionais

para ajudar na aprendizagem e estadia dos seus hóspedes. O bar ‘Hudi’ foi concebido para juntar “a malta do surf” que se costuma reunir, em Leça, para “apanhar umas ondas”. De acordo com Diogo Oliveira, um dos proprietários, este é uma área emergente em que viu potencial para investir. “O bar está situado numa zona nobre de Leça, cujas praias são muito procuradas para a prática destas modalidades”, lembra, salientando que o espaço pretende vir a ser uma ‘âncora’ de atração para os momentos de lazer, ou intervalos, de praticantes, residentes e turistas. O turismo ligado à prática de surf está em crescimento e a realização de provas nacionais estão cada vez mais presentes nas praias do Norte: a 3.a etapa do Circuito de Bodyboard do Norte realiza-se a 19 e 20 abril (Matosinhos – Sacor), sendo que a 4.ª etapa vai ter lugar na praia de Leça entre 3 e 4 de maio. Fica, também, o apontamento para o Circuito Nacional de Surf – Esperanças, constituído por seis etapas, cuja 3.ª se realiza-se no Porto, a 25 e 26 maio. REVISTA VIVA, MARÇO 2014


CCDR-N

ON.2 apoia novos projetos a executar até junho de 2015

Com a maior dotação financeira global dos programas operacionais regionais, o “ON.2 – O Novo Norte” (Programa Operacional Regional do Norte 2007-2013), financiado na totalidade pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e gerido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), aprovou recentemente mais um conjunto de projetos, que deverão ser executados até junho de 2015. São dos últimos apoios concedidos em matéria de promoção de micro e pequenas empresas e de valorização do património cultural da região norte. Texto: Mariana Albuquerque

52 MILHÕES DE EUROS PARA QUALIFICAR, INTERNACIONALIZAR E DINAMIZAR PME

Entre as novidades registadas no âmbito do “ON.2 - O Novo Norte” está a aprovação de um incentivo de 52 milhões de euros para projetos apresentados por 482 micro e pequenas empresas (PME) da região norte, avaliadas num investimento de 120 milhões de euros. Contribuir para o reforço da capacidade produtiva das instituições e apoiar a sua qualificação e internacionalização são as grandes metas dos concursos, voltados para a promoção da competitividade das empresas. Um dos projetos aprovados foi o da Quinta do Granjal – Sociedade Agrícola, Lda, empresa familiar de Vila Flor que se dedica à produção de azeite e vinhos de qualidade, pretendendo ser reconhecida no mercado como uma marca de referência para os setores com maior poder de compra. Através de um investimento total de quase 145 mil euros, comparticipado em mais de 80 mil euros pelo ON.2, a entidade pretende, agora, lançar-se no mercado internacional, marcando presença em


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– Metalúrgica do Vale do Caima, S.A., dedicada ao fabrico, instalação e assistência pós-venda de equipamentos em aço inoxidável e aço carbono. Localizada em Arouca, a empresa vai, agora, lançarse nos mercados externos, nomeadamente em Angola, Congo (República Democrática), Marrocos, Zimbabwe, Arábia Saudita, Egito e Moçambique, num investimento de 145 mil euros, comparticipado em mais de 80 mil pelo FEDER. O plano de investimentos centra-se na realização de ações de prospeção aos mercados selecionados, privilegiando também a formação em negociação em mercados

diversas feiras e concursos, realizando ações de prospeção em vários mercados e desenvolvendo um novo website. Entre os novos mercados alvo da sociedade agrícola estão países como o Brasil e a Polónia, nos quais a procura de azeite e vinhos de alta qualidade tem vindo a aumentar. A empresa pretende, assim, posicionar-se num mercado onde a

procura já existe e os consumidores têm uma maior apetência para identificar a qualidade dos produtos. Outro exemplo apoiado é o caso da Metalocaima

internacionais nas línguas inglesa e francesa. A investir na internacionalização está, também, a Cotex, empresa de Vila Nova de Gaia que se dedica ao fabrico de renda em peça ou em tira, desenvolvendo o design e escolhendo todos os materiais, concebidos, depois, por um parceiro espanhol. No âmbito do “ON.2 - O Novo Norte”, a instituição vai expandir a sua atividade aos mercados da Alemanha, França e Marrocos, participando em eventos como a feira “Bread & Butter” (Alemanha), “Moda & Textile” (Marrocos), “Premiere Vision” e “Mode City” (França) e “Unica” (Itália). O projeto da Cotex – que representa um investimento superior a 169 mil euros, 98 mil dos quais provenientes de verbas europeias – prevê a conceção de material promocional, a aquisição de hardware e software específico e a criação de uma nova coleção para apresentação nas feiras. Contemplada no sistema de incentivos às PME está a REVISTA VIVA, MARÇO 2014


CCDR-N

Cotex

R6 Living, Engenharia de Construção e Reabilitação, Lda., empresa situada na Maia que se dedica à prestação de serviços de construção com derivados de madeira. Através de um projeto orçado em cerca de 388 mil euros (com 208 mil de comparticipação europeia), a instituição está empenhada em reforçar o seu processo de internacionalização, chegando a seis novos mercados: Bélgica, Luxemburgo, Angola, Marrocos, Moçambique e Cabo Verde. No plano de atividades da R6 Living constam, assim, ações de prospeção em todos os mercados-alvo, participações em feiras internacionais e conceção de material promocional. De salientar, ainda, o caso da Lambda & Omega, Lda, que comercializa calçado de golfe fabricado em Portugal através da sua marca própria – Lambda. Localizada em Lousada, a empresa decidiu investir mais de 655 mil euros (comparticipados em 343 mil pelo FEDER) na intensificação das vendas para os seus mercados habituais – o Japão, a China, a Coreia do Sul, os Emirados Árabes Unidos e Luxemburgo – procurando, de igual modo, abordar novos destinos, como a Turquia, o Brasil, o México e o Chile. Entre as estratégias definidas estão a participação em 20 feiras internacionais no setor do golf, 36 ações de prospeção e a organização de dez showrooms. A Vangmob – Indústria de Mobiliário, SA, especializada na conceção, criação, desenvolvimento, produção e comercialização de mobiliário doméstico de design contemporâneo também está a apostar na internacionalização. Num investimento global de 476 mil euros (financiado em 268 mil euros por fundos comunitários), a empresa, situada em Paredes, vai marcar presença em dez certames internacionais – “Maison et objet”, em França, Feira

Internacional de Mobiliário, na Bélgica, “Imm Cologne”, na Alemanha, “Interiors UK”, no Reino Unido, entre outros – e avançar com o desenvolvimento do seu website.

Vangmob

17 MILHÕES DE EUROS PARA REQUALIFICAR PATRIMÓNIO CULTURAL O ON.2 aprovou, igualmente, 26 projetos de requalificação na área do Património Cultural, apresentados por diferentes instituições de vários concelhos da região norte. As intervenções, no valor de mais de 17 milhões de euros, com um cofinanciamento europeu superior a 13 milhões, incidem sobretudo na conservação, restauro e reabilitação de património classificado e de centros interpretativos. A Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira, foi um dos imóveis que viu aprovada a sua candidatura, estando previsto o restauro integral dos espaços públicos do edifício, acompanhado de uma intervenção na zona de serviços. O projeto de requalificação da obra do arquiteto Siza Vieira, orçado em quase 577 mil euros (490 dos quais provenientes de verbas europeias), integra ainda a criação de um Centro Interpretativo, um local com vitrines e painéis que explanará a história do imóvel e apresentará alguns documentos originais relacionados com a conceção do projeto arquitetónico. A Casa das Artes e a Casa Allen, no Porto, também vão ser requalificadas, de modo a possibilitar a


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sua abertura ao público. Promovido pela Direção Regional de Cultura do Norte, o projeto, que representa um investimento de 768 mil euros, cofinanciado pelo FEDER em 653 mil euros, prevê, para a Casa Allen, obras urgentes de reabilitação estrutural e de conservação, especialmente no Palacete do Visconde de Vilar de Állen, da autoria do arquiteto Marques da Silva.

Outro ícone portuense presente na lista de intervenções aprovadas pelo ON.2 é o Palácio da Bolsa. A obra, orçada em quase 302 mil euros, incidirá sobretudo em duas áreas prioritárias: o Pátio das Nações e a Sala do Tribunal. A preservação de peças de património que correm, neste momento, um risco de degradação irreversível, é o grande objetivo do projeto, idealizado pela Associação Comercial do Porto. De realçar também a instalação do Centro Interpretativo de Memórias de Vila do Conde no centro histórico, fruto de um investimento total superior a dois milhões de euros, e a criação do Centro Interpretativo das Memórias da Misericórdia de Braga no Palácio do Raio, num investimento de 4,2 milhões, comparticipado em cerca de três

milhões. As obras de beneficiação de um conjunto alargado de monumentos religiosos da região norte (orçadas em 1,6 milhões); a valorização e dinamização do Centro Cultural Solar dos Condes de Vinhais (aposta de 275 mil euros); a instalação, no município da Póvoa de Lanhoso, do Centro Interpretativo da Maria da Fonte, nos edifícios contíguos ao Theatro Club (que representa um

Fotos Virgínia Ferreira

investimento de 1,5 milhões, cofinanciado pelo FEDER em 1,3 milhões) e a construção de uma estrutura de acolhimento, centro de informação e serviço de apoio ao visitante do núcleo da Quintandona, em Penafiel, são outros projetos que receberam luz verde do Programa Operacional Regional do Norte. REVISTA VIVA, MARÇO 2014


CCDR-N

UPTEC: NOVA SEDE, NOVOS RUMOS

O Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC) acaba de dar mais um passo no sentido de alcançar o objetivo traçado no início do projeto: o de ser, em 2020, um equipamento de referência mundial, capaz de impulsionar a mudança e reinventar a economia da região e de Portugal. Apoiada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional desde o período de programação 2000-2006 e atualmente cofinanciada pelo “ON.2 – O Novo Norte” em 15,4 milhões de euros, a incubadora vai inaugurar, brevemente, o seu edifício central, situado no Pólo da Asprela, junto à Faculdade de Psicologia. Com uma forte aposta na valorização contínua do tecido socioeconómico da região e proporcionando um ambiente favorável à inovação e à criação de novas empresas, o UPTEC acolheu, no ano passado, 165 projetos empresariais e graduou 22 empresas (que se deslocaram para instalações próprias, já dotadas de capacidades para se desenvolverem autonomamente no mercado). De realçar que estes projetos permitiram a criação de 1193 postos de trabalho altamente qualificados. Além disso, de acordo com um estudo elaborado pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, o impacto económico das empresas do parque tecnológico no Produto Interno Bruto (PIB) é “inquestionável”,

Fotos UPTEC

tendo chegado, em 2012, aos 31,85 milhões de euros. No mesmo ano, as entidades exportaram para mais de 120 países, sendo que cerca de 47% do seu volume de negócios é referente a vendas feitas no exterior. Em 2013, o UPTEC foi o grande vencedor do Prémio Europeu RegioStars, na categoria “Crescimento Inteligente”, tendo sido considerado uma das melhores incubadoras-aceleradoras da Europa nos Prémios London Web Summit People’s Choice.


PORTO DE LEIXÕES

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EQUIPAS ‘EXPLOSIVAS’ Sob um rigoroso controlo de emoções e forte domínio do nervosismo, as Equipas de Inativação de Engenhos Explosivos e Segurança no Subsolo (EIEXSS), da Polícia de Segurança Pública (PSP), enfrentam, no âmbito da sua vertente operacional, situações de elevada perigosidade, controladas, com grande rigor e segurança, por todos os meios técnicos e humanos da subunidade que compõe a Força Destacada da Unidade Especial de Polícia (FDUEP) no Porto. Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira/ CIEXSS

“Nós somos autênticos ‘MacGyvers’”, referem com humor, enquanto preparam o material num cenário de destruição de engenhos explosivos, devidamente autorizado pelas entidades competentes. “Depois de determinada pelas instâncias superiores, procedemos à destruição das peças apreendidas”, refere o chefe José Marinha, do Centro de Inativação de Explosivos e Segurança em Subsolo (CIEXSS). A subunidade da PSP, que integra a Unidade Especial de Polícia, é um grupo operacional cuja atividade se estende à deteção e inativação de engenhos explosivos até ao nível do subsolo. Constituída por 14 elementos (10 agentes e quatro chefes), de forma a assegurar 24 horas de serviço permanente, o âmbito geográfico da atuação

da equipa, sediada no Porto, abrange a faixa litoral norte entre Melgaço e Aveiro, onde se encontra maior concentração de fábricas de material pirotécnico. Para se tornarem elementos do CIEXSS, os agentes passam por um curso de especialização intenso, para além das provas anuais e upgrades periódicos, sendo que as características fundamentais ao exercício das suas funções não se prendem exclusivamente com os conhecimentos técnicos adquiridos mas também com valências específicas de cada um e até mesmo traços de personalidade. Todos têm de ter o mesmo grau de conhecimentos e a atuação técnica não depende de hierarquias, tendo os


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elementos que lideram as equipas autonomia para decidir. “Este fator confere uma grande cumplicidade entre todos”, refere Paulo Carvalho, elemento da equipa.

ÂMBITO DE AÇÃO

Aquando de ameaças ou suspeitas da presença de materiais explosivos, as equipas são imediatamente acionadas, depois da triagem feita por elementos policiais, habitualmente do Núcleo de Armas e Explosivos, unidade que procede à fiscalização de material explosivo e pirotécnico. A proteção de pessoas e o reconhecimento da perigosidade de cada situação são os primeiros fatores a ter em conta, nunca descurando a segurança dos agentes. É, então, montado um cuidado perímetro de segurança que pode envolver a presença de outras forças da UEP, como o Corpo de Intervenção ou o Grupo Operacional Cinotécnico. Deste último contam,

muitas vezes, com a colaboração dos cãespolícia, especializados na busca de explosivos, para a localização de matérias danosas. “Há locais onde iniciamos as buscas com o cão, que pode ser uma boa ajuda na deteção”, referem, salientando, no entanto, que há sítios onde os cães não devem ser usados. Para isso têm o seu próprio material, tecnologia de ponta, que os ajuda diariamente. Seja uma mala suspeita no aeroporto, ou um rastreio pormenorizado à sala VIP daquela estrutura – por vezes são solicitados aquando da chegada, por meio aéreo, de personalidades de destaque – passando por ameaças de bomba em locais públicos, suspeitas de material pirotécnico não certificado ou buscas com ou sem ameaça, as equipas do CIEXSS atuam num conjunto de situações bastante alargado. O subsolo faz parte, de igual forma, do âmbito


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de atuação das equipas – que aqui trabalham em grupos de cinco elementos - onde a deteção de material suspeito ativa a sua presença. A pesquisa é, assim, feita num plano inferior ao normal e também acarreta riscos. “Lá em baixo as coisas não são fáceis”, garante Paulo Gonçalves, salientando que, para além de não saberem o que vão encontrar em termos de explosivo também têm de estar preparados para atuar num ‘cenário hostil’, que requer uma confirmação prévia do nível de gases e da composição do solo. Os eventos de grande envergadura, e dependendo do grau de ameaça aos intervenientes, exigem um rastreio intensivo no subsolo. “Aquando da visita do Papa ao Porto, toda a área do subsolo que contemplava o percurso à superfície de Bento XVI foi passada a pente fino”, explicam, salientando que todas as tampas de saneamento e de outras estruturas foram abertas e inspecionadas durante a madrugada que precedeu a visita do Santo Padre. É assim o procedimento habitual nas visitas de grandes figuras, ou em reuniões que envolvem a presença de individualidades internacionais, como na Cimeira Ibero-Americana, realizada na Alfândega do Porto em 1998, que contou com a presença de Fidel Castro e de outros 21 Chefes de Estado e de Governo de países Ibero-Americanos. Com o surto de gripe aviária que se viveu há alguns anos atrás, esta área passou, igualmente, a fazer parte do raio de ação do CIEXSS, que é acionado em caso de suspeitas de animais infetados pelo H5N1 ou outros vírus. Depois de recolhidos, os animais são colocados num contentor especial de conservação e transportados para análise. De forma a garantir a segurança dos agentes, as ações de inativação de engenhos são realizadas por equipas de dois elementos, as de subsolo por equipas de cinco, na destruição de materiais

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NÃO MEXER!

Lidar com o stress faz parte do quotidiano dos elementos do CIEXSS e a concentração tem de ser absoluta. Em algumas situações, o medo também faz parte da sua atividade diária, mas há que saber lidar com ele de igual forma. “Sem a noção de medo o ser humano arrisca mais. Ainda bem que o temos, é uma questão de saber dominálo”, refere Paulo Carvalho. Para José Marinha, são muitos os riscos implícitos nesta atividade “que têm de ser assumidos e minimizados” já que “não há lugar a imprevistos”. A segurança dos agentes é fundamental, sendo que uma das prioridades é, também, garantir a do cidadão. Em qualquer situação o lema é só um: não mexer! estão sempre presentes oito elementos equanto que nas buscas de grandes eventos, o serviço é assegurado por todos.

SEGURANÇA DOS AGENTES

Todos os elementos que constituem as equipas do CIEXSS possuem elevados conhecimentos de eletrónica e de química e têm de perceber, antecipadamente, com que tipo de matérias estão a lidar. “Cortar o fio azul ou vermelho é só nos filmes”, refere Paulo Carvalho, salientando que, para inativar o engenho, ou têm certeza absoluta dos materiais com que estão a lidar ou, quando não têm, é para destruir. Ao processo de análise das matérias chamam de ‘diagnóstico’ - a valência de maior risco - seguindo-se a inativação (quando o engenho deixa de representar perigo, o que não implica a sua destruição) e ao procedimento de aniquilação ‘ataque’. A fase de diagnóstico baseia-se nos conhecimentos técnicos dos agentes, complementados por modernos aparelhos de alta tecnologia, nomeadamente sofisticados equipamentos de raio-X portátil ou inibidores de frequência. O REVISTA VIVA, MARÇO 2014


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elemento que se desloca junto dos engenhos tem de ser protegido. Para essa finalidade, e dependendo do grau de ameaça, contam com três fatos de NRBQ (uma nova valência que designa os níveis Nuclear, Radiológico, Biológico e Químico) específicos para proteção individual, de elevada segurança: classe A (azul), B (castanho) e C (cinzento) por ordem decrescente de leveza e de autonomia. Para além dos três, existe ainda o EOD que protege do calor e dos estilhaços, tem boa ventilação e refrigeração, sendo constituído por placas de titânio para proteção das zonas abdominal e pélvica. Apesar de ser fundamental para a segurança dos agentes, esta indumentária, habitual no seu ‘guarda-roupa’, pesa cerca de 70 quilos e dificulta os movimentos. O uso deste fato requer um período de descompressão antes de ser retirado. A perigosidade vem, sobretudo, dos materiais pirotécnicos, muitas vezes feitos de forma artesanal e sem cumprir diretivas da legislação europeia. “Nunca sabemos o que vamos encontrar dentro de um engenho, até porque cada pirotécnico tem o seu método, e qualquer alteração nas quantidades ou a junção de vários materiais pode desencadear uma reação desconhecida e o efeito pode ser bastante nocivo para nós”, explica Sérgio Dinis, outro chefe da equipa. Assim, quando se desconhece os materiais

As Brigadas de Minas e Armadilhas, embrião do atual CIEXSS, remontam a 1961, ano em que foi recebida, por elementos da PSP, a primeira formação em Portugal, para inativação de explosivos e cuja evolução levou à formação desta subunidade, capacitada nos domínios da inativação de engenhos explosivos, da segurança em subsolo e NRBQ. que constituem o engenho, que pode ser comercial ou improvisado, opta-se de imediato pela destruição no local - o que engloba medidas de segurança imediatas, garantidas desde logo, por todos os elementos – ou, no caso de apreensão, em sítios específicos para a aniquilação, como pedreiras em locais isolados, o que envolve um planeamento ao nível logístico bem como cuidados no transporte e manuseamento destes materiais. No âmbito da atuação em casos de suspeita de gripe aviária, os agentes também têm de estar devidamente protegidos, usando, para as aproximações a animais com suspeita de infeção, um fato descartável, de material fino e muito resistente, denominado de Tyvec. Para além de todo o material que têm ao dispor para o exercício da sua atividade em segurança, o CIEXSS conta ainda com um contentor-bomba, para transporte de materiais perigosos, que é único no país, estando sediado em Lisboa.


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EDP GÁS

EDP PARTICIPA NA CRIAÇÃO DE PLATAFORMA EUROPEIA DE REGISTO DE INFRAESTRUTURAS

PROJETO INOVADOR de cadastro do subsolo

A EDP Gás Distribuição participa no projeto VIRGO (Virtual Registry of the under – above – on Ground Infrastructures), uma plataforma inovadora que pretende reunir toda a informação cadastral de infraestruturas do subsolo e aéreas a nível europeu. A empresa é uma das 12 participantes, juntamente com a EDP Distribuição e a Câmara Municipal do Porto, bem como outras entidades europeias.


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Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira

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desafio para participar num projeto que desenvolvesse um registo virtual de infraestruturas existentes em vários países europeus, com sistema padronizado para armazenar e gerir dados de forma integrada, foi lançado em Portugal pela Ericsson e bem acolhido pela EDP Gás Distribuição. A

empresa, operadora da rede de distribuição de gás natural da generalidade dos concelhos dos distritos de Porto, Braga e Viana do Castelo, é um dos parceiros nacionais envolvidos no projeto - a par da EDP Distribuição e da Câmara do Porto - tendo respondido com prontidão e agilidade ao repto para a criação de uma plataforma europeia inovadora de registo

de infraestruturas que possa servir clientes particulares e empresas. Denominado VIRGO (Virtual Registry of the under – above – on Ground Infrastructures ou, em português, Registo Virtual de Infraestruturas de subsolo e aéreas), este é um projeto financiado no âmbito da “Competitividade e Inovação Programa-Quadro 2007-2013” REVISTA VIVA, MARÇO 2014


EDP GÁS

Rui Bessa, responsável de Engenharia e Gestão de Energia da EDP Gás Distribuição

(CIP), cujo orçamento ronda os 6,3 milhões de euros (sendo comparticipado em 50% pela UE). Iniciado a 1 de janeiro de 2014, o VIRGO deverá estar concluído a 31 de dezembro de 2016, prevendo-se que o projeto-piloto esteja disponível em meados desse ano.

CADASTRO DIGITAL DO SUBSOLO EDP GÁS

O consórcio liderado pela Infratel Itália conta coma participação de 12 parceiros de vários países europeus como Portugal, Itália, Roménia, Áustria e Luxemburgo - envol-

vendo diversas instituições, nomeadamente empresas de serviços dos setores de Telecomunicações, Eletricidade e Gás, universidades e entidades municipais - tem como objetivo a realização de um registo virtual de infraestruturas existentes em vários países europeus, com um sistema padronizado de forma a armazenar e gerir dados de forma integrada. A EDP Gás Distribuição já dispõe de sistemas que lhe permitem a realização de desenhos de cadastro online no terreno e a sua disponibilização imediata, na plataforma informática, com acesso amplo através da web.

PLATAFORMA PIONEIRA

De acordo com Rui Bessa, responsável pela área de Engenharia e Gestão de Energia da EDP Gás Distribuição, o projeto VIRGO conseguiu captar novos fundos europeus diretamente de Bruxelas, para além dos que são atribuídos ao Estado português em programas-quadro. “A inovação de reunir, numa só plataforma, todas as informações indispens��veis sobre redes e infraestruturas presentes em cada área geográfica é, por si só, pioneira de um tipo de serviço que, até agora, não era


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Arlindo Santos, Técnico Superior de Gestão de Energia da empresa

disponibilizado”, exemplificando que “atualmente, qualquer pessoa ou empresa que pretenda obter informações sobre as infraestruturas presentes em determinado local, como condutas de gás, água, eletricidade, televisão por cabo ou banda larga tem de dirigir-se às várias entidades fornecedoras dos serviços. Com o VIRGO, todas essas informações estão à distância de um clique”. Os acessos podem ser livres ou registados, sendo que o sistema emite uma prova, a todos os utilizadores, sobre as pesquisas de informação efetuadas no portal. Dos acessos livres aos

de empresas, existirão perfis de utilizadores, com níveis diferentes de informação. “As informações detalhadas que possam ser procuradas por empresas, como por exemplo, sobre infraestruturas na via pública, não interessarão, no mesmo grau de importância, aos clientes particulares”, ilustra. Para Arlindo Santos, Técnico Superior de Gestão de Energia da empresa, esta plataforma vem, ainda, contribuir para uma poupança na gestão de construção e manutenção de infraestruturas, a nível europeu, bem como para um aumento da fiabilidade e segurança da

informação prestada. Já em execução, o VIRGO encontrase, atualmente, na fase de definição de requisitos, sendo que o próximo passo se prende com o desenvolvimento e integração do projeto, que pretende otimizar o registo virtual com os resultados de três iniciativas-piloto em Portugal, Itália e Roménia, disseminando o sistema e os resultados em toda a Europa.

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F C P O R T O

10 MIL ADEPTOS NO TREINO DE ANO NOVO

TRADIÇÃO FEZ MAGIA NO DRAGÃO

Conforme vem sendo habitual desde 2009, o FC Porto voltou a abrir as portas do Estádio do Dragão aos adeptos, no primeiro dia do ano, para um treino que já se tornou numa tradição azul e branca. Desta vez foram cerca de 10 mil os associados que assistiram à primeira performance da equipa, no Ano Novo. Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: adoptarfama/nunolopes/fcporto


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Com assistências sempre na ordem dos milhares - o recorde foi batido em 2013 com cerca de 14 mil adeptos - a sessão de trabalho deste ano motivou nova enchente, com mais de 10 mil adeptos a marcarem presença, apesar da chuva intensa e do vento forte que se fizeram sentir na cidade do Porto. Para além da oportunidade de marcar presença num treino tão especial, os adeptos têm reforçado, assim, o seu incentivo à equipa, cuja crescente ambição ganhadora também se mantém de ano para ano. A garantia foi dada, desde logo, pelo presidente Jorge Nuno Pinto da Costa. “Em 2014, como sempre, vamos estar unidos”. O

guarda-redes Helton sublinhou a importância da presença dos adeptos. “É sempre bom poder tê-los por perto”, garantiu o capitão. Lucho González já não faz parte do plantel mas ainda marcou presença neste treino especial, salientando que é gratificante contar com o apoio do público. “Desejo tudo de bom em termos desportivos para o FC Porto”, afirmou o ex-sub-capitão. Os mais jovens também sentem a importância da forte relação entre a equipa e a massa associativa. Josué garante que todos trabalham, diariamente, para dar “alegrias aos adeptos”, com “grandes vitórias” e “grandes golos”. “É nisso que nos

vamos concentrar e trabalhar para que volte a acontecer”.

INOVAÇÃO ALIA-SE À TRADIÇÃO

O FC Porto aproveitou o primeiro dia do ano para aliar inovação e tradição. Numa iniciativa inédita em Portugal, o clube utilizou pela primeira vez a tecnologia GoPro (cedida pela empresa D’Maker), a mais versátil do mundo na recolha de imagens de ação, para “transportar” os adeptos para o relvado, fazendoos sentir a emoção de treinar com os campeões. Durante o treino, dez jogadores estiveram equipados com câmaras de vídeo “GoPro HERO 3 + Black Edition”, o que permitiu captar REVISTA VIVA, MARÇO 2014


F C P O R T O

diversos planos de ângulos nunca vistos, aumentando a emoção e criando uma maior proximidade e interação com a equipa. A iniciativa correu mundo, numa intensa ação mediática, provocando enorme curiosidade na imprensa internacional, nomeadamente em Inglaterra, Espanha, Brasil, Colômbia, México, Venezuela ou Peru, sendo que o vídeo deste treino invulgar, publicado no YouTube, rapidamente se tornou no quinto mais visto de sempre, com mais de 165 mil visualizações (http:// w w w. y o u t u b e . c o m / u s e r / f c p o r t o / videos?flow=grid&view=0&sort=p) Paralelamente, o Museu do FC Porto by BMG apresentou música ao vivo, ao longo desse dia, no hall de entrada, aberto ao público em geral e não apenas aos detentores de bilhete, contando com vários figurantes a animar o percurso, que também representaram algumas das mais importantes figuras da história do FC Porto, como o seu fundador, António Nicolau d’Almeida. Todas as iniciativas foram acompanhadas em permanência pelo Porto Canal, numa emissão com intervenções em direto do Museu do FC Porto by BMG, ao longo do dia.


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SURPRESAS E QUARESMA

O primeiro dia do ano ficou, assim, marcado por várias atividades e diversas surpresas, nomeadamente a apresentação de Ricardo Quaresma, internacional português que regressou ao FC Porto após saída para Milão, onde representou o Inter durante quatro décadas e meia. De Dragão ao peito, Quaresma já venceu uma Taça Intercontinental, três Ligas portuguesas, duas Supertaças Cândido de Oliveira e uma Taça de Portugal. “Estou feliz e muito orgulhoso por estar de volta a uma casa que conheço bem e onde sempre senti o carinho dos adeptos”, salientou o jogador, afirmando-se “preparado” para “ajudar a equipa, o clube e os adeptos a ganhar mais títulos”. Quaresma garante ter recuperado “a alegria de jogar futebol”, graças à confiança em si depositada pela estrutura do clube. Sobre o jogador, Jorge Nuno Pinto da Costa ressalvou que veio para o FC Porto “porque se entendeu que havia a necessidade de contratar um extremo e a prioridade recaiu sobre ele”. Também os colegas esperam tempos muito positivos com a ajuda extra de Ricardo Quaresma. “É muito bom tê-lo de volta”, afirmou o capitão Helton, salientando que, juntos, vão conseguir “ainda mais vitórias e êxitos”. Pouco antes de partir para o Qatar, Lucho González elogiou o regresso do extremo. “Todos sabemos o que Quaresma já representou para o clube, é o tipo de jogador que é sempre bemvindo”, garantiu o argentino, sublinhando que o extremo vai ajudar o clube como já o fez no passado.

A Bancada Moche, a nascente, encheu para ver Ricardo Quaresma, e houve até adeptos que assistiram ao treino na Tribuna VIP, do lado poente, muito perto do presidente Jorge Nuno Pinto da Costa. O privilégio deveu-se a uma campanha promovida pelo Museu do FC Porto by BMG, que nesse dia ofereceu aos seus visitantes a possibilidade de acompanharem o treino aberto num dos espaços reservados do Estádio do Dragão.

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O F T A L C O N D E

Oftalconde

Diretor Clínico - Dr. Eduardo Conde Localização e contactos: Ed. Passeio da Boavista, Av. Boavista 2121, SL 211 4100-133 Porto Tel. +351 225 430 080 | Tlm. +351 918 245 909 oftalconde@oftalconde.com www.oftalconde.com | www.facebook.com/Oftalconde Coordenadas GPS N 41º09’38’’ W 8º38’53’’ Autocarros STCP 201 • 203 • 502 •503 Metro do Porto Casa da Música • Francos (estações mais próximas) Todas as subespecialidades de Oftalmologia! Convenções com as principais seguradoras e subsistemas de saúde!


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O que é o olho seco? Sempre que piscamos os olhos, os mesmos são humedecidos por lágrimas fabricadas especificamente para essa função. Interessa esclarecer que as lágrimas são responsáveis pela clareza e nitidez da nossa visão, pois mantêm os olhos limpos e lubrificados. Contudo, algumas pessoas não produzem lágrimas suficientes e outras produzem lágrimas de pouco poder lubrificante. Trata-se da chamada doença de Olho Seco.

CAUSAS E SINTOMAS DO OLHO SECO

EVITAR SINTOMAS E COMPLICAÇÕES

O Olho Seco pode ocorrer tanto em homens como em mulheres, em qualquer idade, embora seja mais frequente nas mulheres após a menopausa. Existem outros fatores que poderão estar associados, tais como: a diminuição da produção de lágrimas relacionada com a idade; problemas de artrite; boca seca; administração de alguns medicamentos, como retinóides, antihistamínicos, antidepressivos, entre outros; tratamento pós-menopausa; hipertensão e doença da margem palpebral - inflamação comum e persistente das pálpebras (Blefarite). De acordo com o Dr. Faria Correia, Oftalmologista responsável da Consulta do Olho Seco na Oftalconde, os sintomas mais comuns incluem: desconforto ocular em picada ou ardor nos olhos; prurido ocular; muco dentro ou em redor dos olhos; desconforto ou irritação ocular pelo fumo, vento, uso excessivo de lentes de contacto ou de eyeliner e excesso de tempo diante de um monitor e ainda excesso de lágrimas. De referir que a doença do Olho Seco afeta 30 a 40% da população, sendo caracterizada pela sua cronicidade e intermitência de sintomas.

O teste de Schirmer é usado para quantificar a produção de lágrimas, sendo a análise mais comum no estudo desta patologia. O diagnóstico realizado por um oftalmologista é fundamental. Após o diagnóstico, dependendo de cada caso, o tratamento pode passar por uma boa higiene palpebral; pela substituição de lágrimas naturais por artificiais; prescrição de medicação tópica de corticosteróides e/ ou antibióticos, nos casos de inflamação; suplementação nutricional de Omega-3 e preservação das lágrimas na superfície ocular. As lágrimas são drenadas por um pequeno orifício existente em cada uma das pálpebras para a cavidade nasal. Estes canais de escoamento podem ser fechados cirurgicamente recorrendo a tampões lacrimais (plugs), impedindo desta forma um escoamento rápido das lágrimas, o que permitirá uma humidificação mais prolongada do olho. Trata-se de um procedimento indolor.

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A T U A L I D A D E

MODTISSIMO / PORTO FASHION WEEK

“Uma edição de Luxo” Mais de 5000 compradores nacionais e internacionais e 300 coleções divididas entre fabricantes de tecidos e acessórios, clube dos confecionadores e têxteis inovadores fizeram do MODtissimo / Porto Fashion Week um sucesso, não só devido aos compradores, que não quiseram deixar de acompanhar o que de melhor se faz ao nível da fileira têxtil em Portugal, mas também devido à qualidade das coleções em exposição - desde os tecidos e acessórios, ao clube dos confecionadores (adulto e criança), passando, ainda, por têxteis inovadores que estiveram em exposição, em fevereiro, no Sheraton Porto, a nova “casa” temporária do evento. Segundo Paulo Vaz, diretor da Associação Selectiva Moda, o Modtissimo, cujo tema foi uma “edição de luxo”, cumpriu não apenas os seus objetivos, como os ultrapassou largamente, a ponto de poder afirmar que foi “um luxo de edição”. A mudança para o Sheraton Porto constituiu uma aposta de valor, promovendo uma saudável mudança de cenário e desafiando todos os participantes a uma nova abordagem sobre o Salão que completa 22 anos de interrupta realização, agora integrado no Porto Fashion Week. A experiência do CITEVE na organização e dinamização do iTechstyle Innovation Business Forum® transmite que esta foi uma edição diferente e animada. De acordo com Helder Rosendo, Coordenador do iTechStyle, o “número de visitantes ao espaço, bem como o de interações, foi, aparentemente, superior. Todas as sessões da tertúlia tiveram uma boa adesão. Creio que o balanço é positivo”. A empresa Paula Borges, da área de confeção adianta que recebeu compradores de mais qualidade e, segundo o seu

FOTOGRAFIA DE UM ‘PORTO NA MODA’ A 1.ª edição de 2014 da Porto Fashion Week (PFW), promovida pela Selectiva Moda, foi o mote de lançamento de um concurso que reforça o Porto como cidade de Moda. O concurso de fotografia - Fashion People, Captar Tendências pela Cidade está aberto a fotógrafos profissionais e amadores, com mais de 18 anos e olhos atentos para captar a essência de uma cidade moderna, cosmopolita e fashion, que atrai cada vez mais visitantes e admiradores. Esta iniciativa pretende aliar a cidade – dos lugares às gentes, dos eventos à movida noturna – a uma semana em que a moda é a palavra chave e o Porto o palco principal. As fotografias podem ser submetidas até 31 de maio. As imagens vencedoras estarão em exposição em setembro, durante a 2.ª edição da Porto Fashion Week 2014 e pretendem ser mais uma das atrações dessa semana de moda do Porto. “A Porto Fashion Week preocupa-se muito com a imagem”, defende Manuel Serrão, salientando que é igualmente “importante que os melhores profissionais da imagem se preocupem com a Porto Fashion Week”. diretor comercial, Paulo Faria, a empresa teve, a nível internacional, “vários contactos”, nomeadamente “do Japão e da Rússia” O programa da Porto Fashion Week contou ainda com o Fórum de Tecidos e dos novos Talentos, altamente elogiados pelos compradores e expositores. De notar ainda o programa de conferências onde as apresentações de Tendências pela mão da prestigiada WGSN/CITEVE deram a conhecer as tendências Primavera/Verão 2015 e estiveram sempre lotadas. A próxima edição do MODtissimo / Porto Fashion Week vai decorrer nos dias 24 e 25 de setembro de 2014 e desta vez de volta ao Edifício da Alfândega do Porto.


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FIGURAS PÚBLICAS E MUITO CINEMA EM NOITE DE ÓSCARES O Parque Nascente respondeu, uma vez mais, com sucesso à expectativa de nova edição da noite dos óscares 2014. Milhares de pessoas marcaram presença, no dia 2 de março, naquela que é já a 7ª edição da Noite dos Óscares do Parque Nascente em parceria com a ZON Lusomundo. Numa noite dedicada aos prémios mais importantes do cinema, foram várias as figuras públicas portuguesas que desfilaram na passadeira vermelha do Centro Comercial Parque Nascente, fazendo desta, uma das noites mais aguardadas do Norte do país. Pedro Lima, Pedro Teixeira, Andreia Dinis, Lourenço Ortigão, Rita Andrade, Cláudia Jacques, Max, Manuel Serrão, Carla Ascenção, entre muitas outras figuras públicas distribuíram simpatia e registaram esta noite com os milhares de fãs que os acompanharam ao longo da noite. Este ano, os super-heróis mais conhecidos do cinema, juntaram-se aos super-heróis da televisão nacional e inspiraram os mais famosos prémios do cinema, oferecendo uma noite divertida e cheia de glamour.

Pedro Teixeira

Max e Cláudia Jacques

Rita Andrade

Max, Cláudia Jacques, Lourenço Ortigão, Rita Andrade, Andreia Dinis, Pedro Lima e Pedro Teixeira

Lourenço Ortigão

Carla Ascenção

Pedro Lima e Pedro Teixeira Cláudia Arrepia (CC Parque Nascente), Lourenço Ortigão, Rita Andrade, Pedro Teixeira, Andreia Dinis, Jorge Tavares (Diretor-Geral CC Parque Nascente), Raquel Cruz (Responsável de Mkt CC Parque Nascente), Pedro Lima, Cláudia Jacques e Max

As cortinas do Centro Comercial Parque Nascente abriram às 20.30h para um cocktail de boas vindas, seguida da exibição dos vários filmes nomeados para os Óscares nas salas do cinema ZON Lusomundo. Para os mais resistentes, a noite terminou com a transmissão em directo da Gala dos Óscares, a partir do Teatro Dolby em Los Angeles.

Andreia Dinis

Pedro Teixeira e Lourenço Ortigão

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A T U A L I D A D E

Descobrir o iTechtStyle Innovation Business Fórum Helder Rosendo, do CITEVE e coordenador do iTechStyle, fez o balanço das três edições do projeto – destinado a promover a inovação nos setores têxtil e do vestuário – e explicou às empresas o que necessitam de fazer para marcar presença no iTechStyle Business Forum. Em que consiste o projeto iTechstyle Business Fórum, parte integrante do Portuguese Fashion News (PFN)? Helder Rosendo: O iTechtStyle Innovation Business Fórum® é uma iniciativa destinada a promover a inovação na fileira têxtil e vestuário, não apenas através da promoção e destaque de produtos e ideias inovadoras, mas também através do estímulo do empreendedorismo. O iTechtStyle Innovation Business Fórum® foca-se no fomento do networking entre agentes do setor Têxtil, do Vestuário e dos Têxteis Técnicos e de setores correlacionados, sempre numa lógica de aproximar detentores de ideias e conceitos inovadores a potenciais investidores/tomadores. Há quanto tempo têm este projeto implementado? HR: Como iTechStyle leva já três edições, sendo que a primeira teve lugar em fevereiro de 2013. Contudo, não podemos esquecer o facto de tratarse de uma evolução do anterior formato (Fórum

Têxteis do Futuro), que contou com 10 anos de edições continuadas no quadro do Modtíssimo. Quais as inovações que destaca ao longo destas edições? HR: É sempre ingrato destacar algumas das inovações apresentadas ao longo destas três edições, mas acho que só por si, o facto de termos reunido em três edições cerca de 71 tecidos técnicos e inovadores, 35 produtos inovadores, 26 projetos de I&DI e pelo menos 12 prémios internacionais de inovação, assinala bem o caráter dinâmico da iniciativa! Para além da exposição de produtos inovadores, o iTechstyle apresenta também um espaço de tertúlia com vários especialistas. Qual o feedback sobre este espaço de partilha? HR: Temos procurado dar algum dinamismo ao espaço através das tertúlias. O feedback é muito positivo e creio que ao fim de três edições os visitantes já interiorizaram que existe um espaço de grande informalidade, onde acontecem comunicações de grande interesse que giram sempre em torno da inovação no produto, da


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inovação nos processos e mesmo na apresentação de conceitos e ideias novas por parte de quem está a tentar afirmar a sua ideia empreendedora! De que forma as empresas portuguesas podem marcar presença no iTechStyle Business Forum? HR: As empresas devem candidatar as suas propostas aos três principais fóruns de exposição: Ao Fórum de Tecidos Técnicos e Inovadores, ao Showcase de produtos técnicos e inovadores e ao showcase de projetos/conceitos. Podem também propor tópicos para comunicações na tertúlia. A informação está em permanência no nosso site e no período que antecede cada edição fazemos a divulgação do período de apresentação de propostas através dos nossos canais habituais de comunicação. Qual a real importância dos têxteis técnicos no setor atualmente? HR: Continuam a ser produtos com elevado interesse pois destacam-se mais pela função e pela performance do que pela componente estética. Mesmo nos produtos moda ou no segmento urbanwear ou sportswear, é notória a preocupação global por incorporar cada vez mais tecnicidade nos produtos. O consumidor está cada vez mais bem informado e valoriza a multifuncionalidade e o detalhe técnico do produto. Por outro lado, são vários os setores industriais que têm encontrado nos materiais têxteis os melhores compromissos performance/preço para substituir componentes plásticos ou metálicos, só

para citar dois exemplos. Sabemos que é difícil ter dados estatísticos objetivos sobre o mercado dos têxteis técnicos pois é o mercado de aplicação que define se se trata de um produto técnico (saúde, automóvel, etc) e não a sua composição ou a sua classificação pautal. Contudo, há um dado que é notório: o número de empresas portuguesas que participam como expositoras em feiras de produtos eminentemente técnicos, como a Techtextil ou a ISPO, tem aumentado consideravelmente na última década. Nesse sentido estou convencido que temos cada vez mais produção nacional neste segmento. Qual tem sido o feedback dos compradores, principalmente dos estrangeiros? HR: Como sempre, ficam positivamente impressionados com a capacidade inovadora e com a qualidade e profissionalismo da oferta portuguesa. Um bom indicador desta imagem é a opinião dos oradores internacionais que participam no espaço tertúlia, que sistematicamente elogiam a qualidade do certame e o profissionalismo com que é apresentado. Portugal é visto como um país inovador, no setor têxtil, a nível internacional? HR: A competência e a criatividade da oferta nacional são reconhecidas há muito a nível internacional. Grandes marcas internacionais na área do desporto de alta competição, citando apenas um exemplo de aplicação, encontraram em Portugal a resposta para os seus desafios técnicos mais exigentes e inovadores. As principais plataformas petrolíferas do mundo estão amarradas com cordas (cabos) portugueses e o interior de automóveis topo de gama de grande marcas mundiais combinam soluções compósitas de têxteis + polímeros, com engenharia e produção nacional. Isto é reconhecido internacionalmente. REVISTA VIVA, MARÇO 2014


D E C O R A Ç Ã O

“Colour Living” A CIN apresentou, recentemente, as tendências de cor para 2014 no novo Catálogo de Tendências da marca, inspirado no tema “Colour Living”. Composto por quatro coleções – “True Living”, “Vital Living”, “Stylish Living” e “Hyper Living” – que representam quatro formas de viver a casa, o novo catálogo de 28 cores exclusivas marca a moda no que se refere à decoração da habitação. “2014 é um ano para renovar a casa e dar-lhe um novo ar, em coerência com o nosso estado de espírito, em perpétua evolução”, sublinhou Céline de Azevedo, Designer de Cor da CIN.

TENDÊNCIAS DE COR 2014

Das 28 cores apresentadas no catálogo destaca-se a Orange Boost como “cor do

dita a moda na decoração da casa

ano”, transmitindo alegria, positivismo, energia e arrojo. A recordar elementos vitaminados e a energia em estado puro, a tonalidade desafia-nos a arriscar, para que os dias sejam plenos de vitalidade. Composta por cores suaves, a “True Living” traz a harmonia e a serenidade aos espaços, transformando-os em locais acolhedores e confortáveis, ideais para momentos de relaxamento e paz mental. A decoração tem aqui um toque claramente feminino, suave e caloroso. As cores oscilam entre tradição, nostalgia e modernidade. A “Vital Living”, por sua vez, traz a natureza a todos os recantos do lar, com uma nova energia e uma vitalidade perpétua. A casa é verde e sustentável, privilegiando tons que transmitem pureza e bem-estar.

As cores sofisticadas são a base da coleção “Stylish Living”, onde reinam as tendências de ‘altacostura’, tornando o espaço o centro de todos os olhares: uma passarela onde desfilam o desenho e a exclusividade. O requinte das nuances de clarosescuros domina o espaço, não havendo lugar para desacertos. A “Hyper Living” traz a rebeldia das cores fortes, desafiando as normas e os preconceitos. Com uma liberdade total de cor, esta coleção conjuga tons vivos com nuances pastel, criando assim contrastes impensáveis e sensações explosivas, num convite a uma vida ativa e sem limites. PARA MAIS INFORMAÇÕES: www.cin.pt www.facebook.com/TintasCIN www.cindecor.cin.pt.


CIN

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DE ROCHEDO A GIGANTE PORTUÁRIO É a maior infraestrutura portuária da região Norte, e uma das mais importantes do país. O porto de Leixões, implementado no concelho de Matosinhos, foi construído nos finais do século XIX – entre 1884 e 1892 - e tem vindo a ser sucessivamente alargado e melhorado. Aqui circulam cerca de 14 milhões de toneladas de mercadorias por ano, contribuindo largamente para o crescimento económico da região. Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: APDL

S

endo um dos portos mais competitivos e polivalentes do país, Leixões dispõe de boas acessibilidades marítimas, rodoviárias e ferroviárias, bem como de modernos equipamentos e avançados sistemas informáticos de gestão de navios. Representando 25% do comércio internacional português, a infraestrutura movimenta cerca de 14 milhões de toneladas de mercadorias por ano e mais de três mil navios

com todo o tipo de cargas. Beneficiando da localização estratégica, rica em indústria e comércio, o porto de Leixões tem uma posição privilegiada no contexto do sistema portuário europeu. Opera 365 dias por ano, com altos níveis de produtividade e com reduzido tempo de permanência dos navios no cais, usufruindo de uma barra permanentemente aberta ao tráfego portuário, sem restrições de acesso por efeito das marés.

«… porque estando (…) metidos ao mar huns escabrosos penhascos, a que chama Leixoens (…) por mais que as tempestades embravecidas ostentem nelles com encapellada inchação e horrorosos deliquios, nunca nelles se vio haver naufragio, antes sim seguro asylo a toda a embarcação, que de proposito encaminha o rumo a este surgidouro admiravel, para salvar-se de todo, o que de outra sorte seria infallivel estrago, e notorio perigo, conseguindo deste modo bonança na mais furiosa tormenta.» António Cerqueira Pinto, História da Prodigiosa Image, 1737


PORTO DE LEIXÕES

OS ROCHEDOS DE LEIXÕES

De acordo com Joel Cleto, na sua obra «Leixões, Pequena História de um Grande Porto» a meio quarto de légua da costa, na foz do rio Leça, erigia-se um conjunto de rochedos - a que deram o nome de «Leixões» constituído por penedos como «Espinheiro», «Alagadiça», «Leixão», «Lada», «Tringalé»,

«Galinheiro», «Cavalo de Leixão», «Quilha», «Baixa do Moço» entre outros, que descreviam um semícirculo no mar, formando como que um porto natural. Numa ‘costa negra’, constantemente fustigada por tempestades e nevoeiros, que constituíam um perigo real acrescido à existência de abundantes grupos rochosos traiçoeiros, só visíveis na baixa-

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mar, a enseada dos Leixões apresentava-se como um refúgio natural que não escapou à perspicácia humana. O rio Leça, navegável para montante, mostrou-se, também, como uma peça fundamental para a notoriedade do local como porto de abrigo, já que “próximo da sua embocadura, numa elevação da margem esquerda, que hoje se designa por Monte Castêlo, REVISTA VIVA, MARÇO 2014


surgiu um importante povoado da Idade do Ferro: o Castro de Guifões, habitado por brácaros galaicos”. Segundo o autor, na base do morro, junto ao rio, passou a desenvolver-se uma incipiente estrutura portuária, cujos achados arqueológicos vêm atestando a chegada de produtos originários de paragens longínquas, por via marítima. A partir do século I A.C., com a colonização romana, o Castro de Guifões passou a pertencer ao vasto espaço económico e comercial do Império, onde as embarcações faziam chegar produções agrícolas do sul da Península, conservas de peixe do estuário do Sado, cerâmicas e outras expressões da cultura material de Itália, sul de França, norte de África e oriente mediterrânico. Assim, Leixões transformou-se, há já dois mil anos, num importante interface portuário e comercial da região, onde os povoados se iam fixando, junto à bacia do rio

ou nas imediações, cujo impacto perdurou até à atualidade, com as devidas transformações.

«PORTO DE ABRIGO DO FILHO DE HÉRCULES»

Matosinhos surge, em documentos datados do século X, redigidos em latim, designado por Matesinus. De acordo com Joel Cleto, e subdividindo a palavra surgem interessantes indícios explicativos da origem do topónimo. “’Sinus’ significava em latim, recorte no litoral, concavidade na costa, porto de abrigo natural, algo que se adaptava perfeitamente à realidade geo-topográfica que os romanos encontraram, devido à existência dos Leixões”. Meia palavra está decifrada, a outra meia – Mate – é atribuída a ‘Amato’, nome de um filho de Hércules, já que os romanos “tinham por hábito baptizar com o nome de divindades, imperadores, heróis ou figuras retiradas da

mitologia as principais cidades, portos e outros locais de interesse geo-estratégico que fundavam ou conquistavam”. Assim, é encontrada uma possível e curiosa interpretação sobre a origem do topónimo – Matosinhos deriva de Matesinus que por sua vez teve origem em Amatosinus: o porto de abrigo do filho de Hércules. De porto de abrigo a comercial De porto de abrigo natural à grandiosa estrutura portuária artificial que é hoje passaramse dois milénios, tendo o final do século XIX marcado determinantemente a transformação de Leixões, com a construção de um interface que se viria a tornar num dos mais importantes do país. A vontade de realização desta obra vinha já do século XVI e, aos pedidos constantes para a construção do porto, juntaram-se os perigos de entrar na Barra do Douro para aceder aos diversos cais situados na margem direita, junto


PORTO DE LEIXÕES

às zonas ribeirinha e histórica do Porto – Cantareira, Ouro, Bicalho e Ribeira – devido à sua difícil navegabilidade em determinadas alturas do ano, em que a barra era “encerrada por semanas e meses” a fio, fatores que viriam a acentuar essa necessidade crescente, expressa num projeto de 1775, defendido por Jozé Gomes da Cruz, piloto de Naus de Guerra. «(…) defronte da dita villa (Matosinhos) se reprezenta a grande pedra de Leixões, que pode servir para asento de hum castello, à sombra do qual tenhão abrigo os navios que não poderem entrar na Barra da dita Cidade do Porto (…)». Mas a burguesia não estava preparada para abdicar do porto do Douro e a prova está no contínuo protelar da construção do interposto em Matosinhos, traduzindo total surdez relativamente às propostas que apontavam Leixões como uma alternativa segura ao Douro. Ao longo do século XIX, a cidade crescera em íntima relação

com o rio, sendo nas zonas ribeirinhas que se encontravam as principais estruturas económico-comerciais da cidade: alfândega, bolsa, feitoria inglesa, sedes e armazéns das principais empresas comerciais do burgo, bem como a fixação industrial junto aos cais fluviais. Depois de alguns naufrágios e de muitos projetos, estudos de correntes, avaliação de cheias, propostas e destruições de penedias e quebramento de rochas, construção de novos cais e molhes que se realizaram entre1854 e 1971, surgiu, finalmente, em 1883, luz verde para a construção daquela que foi a maior obra de engenharia em Portugal no século XIX. Em 23 de outubro foi aberto o concurso internacional e em fevereiro de 1884, assinado o contrato com os empreiteiros franceses «Dauderni et Duparchy», a única empresa que concorreu. O valor da adjudicação foi de 4.489.000$00 reis e o

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prazo de entrega o ano de 1895. As obras de construção iniciaramse em julho de 1884, dirigidas pelo engenheiro francês Wiriot, sob a fiscalização do governo português que nomeou Nogueira Soares, autor do projeto, que consistia na construção de dois extensos paredões ou molhes, enraizados nas praias adjacentes à foz do Rio Leça, que formavam uma enseada com cerca de 95 hectares, com fundos entre os 7 e os 16 metros de profundidade. A construção de um quebramar prolongava em mais algumas centenas de metros o molhe norte, terminando numa plataforma de onde emergia um farolim.

DIFICULDADES ATÉ AO FINAL DA CONSTRUÇÃO

Embora os prazos de construção tenham sido respeitados, a edificação dos molhes e do porto contou com muitas adversidades, nomeadamente REVISTA VIVA, MARÇO 2014


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com violentos temporais que iam destruindo algumas partes da construção. No entanto, e ainda longe da data definitiva de entrega da obra (fevereiro de 1895) já, em novembro de 1886, entrava, em Leixões, o primeiro vapor. Nos anos que anteciparam a conclusão da empreitada, entraram mais 2.308 navios e embarcaram 30.275 passageiros. Em 1895, foram dados por concluídos os trabalhos de construção do porto de abrigo, ao mesmo tempo que surgiu a necessidade de o transformar num verdadeiro porto comercial, já que o número de navios que entrava cresceu exponencialmente. Note-se que em 1926 o Douro já só movimentava 22% do tráfego do conjunto portuário. Em 1914 iniciaram-se os trabalhos para a transformação de Leixões em porto comercial e a criação de um organismo que passou a gerir a construção e explo¬ração desta estrutura portuária: a Junta Autónoma das Obras Marítimas do Porto do Douro Leixões. Esta estrutura, génese da atual Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL), que um ano depois contraiu um empréstimo de mil contos à Caixa Geral de Depósitos com o objetivo de dar início às obras que só se concluíram em 1930. Dois anos depois foi iniciada a construção da Doca 1, inaugurada em 1940. Depois de um notório crescimento da infraestrutura, no final da década de 60 surge o terminal para petroleiros e o porto de pescado; de 1974 a 1979 foi construído um terminal para contentores,

T E M P O

“O facto de grande número dos implicados na revolta republicana de 31 de Janeiro de 1892, no Porto, ter sido aprisionado e julgado a bordo de navios de guerra fundeados em Leixões, atraiu ainda mais curiosos ao porto em construção e contribuiu decisivamente para a sua fama e divulgação. Por essa altura, aos fins de semana, o exército viu-se obrigado a reforçar os efetivos policiais e militares em Matosinhos e Leça da Palmeira”. Nos jornais da época figuraram alguns títulos exemplificativos: «Nos molhes do porto de Leixões está uma força de cavallaria para evitar a agglomeração do povo que por ali transita para ver os presos»; «N’estes ultimos dias o movimento de povo, pelas ruas de Mattosinhos-Leça, tem sido consideravel, calculandose que 30.000 pessoas teem ido a Leixões para presenciarem o triste espectáculo»; «Nos carros americanos nota-se extraordinario movimento de passageiros».

tendo sido concluído, já na década de 90 um segundo terminal deste tipo; entre 1974 e 1983 construíram-se mais 503 metros de cais na margem direita (Doca 4); em finais de 80 ampliou-se o quebra-mar e na primeira metade da década de 90 foi construída a nova marina para embarcações desportivas e de recreio. Atualmente está em construção o terminal de cruzeiros do porto de Leixões, estrutura de grande importância para a circulação de turistas, cujos lucros estimados para a região Norte se situam nos 11 milhões de euros/ano.

NOVO TERMINAL DE CRUZEIROS DO PORTO DE LEIXÕES

O projeto da APDL, que prevê a construção de um terminal de 360 metros de comprimento com capacidade para navios de cruzeiro até 300 metros de fundo, tem apoios comunitários, sendo comparticipado em 25,5 milhões pelo ON.2, num investimento total de cerca de 50 milhões de euros. A conclusão total das obras do terminal está prevista para o primeiro semestre do ano, entrando em funcionamento em setembro.


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? N O I T E

O que fazer hoje à noite

Um simples passeio noturno pelas ruas que envolvem a Torre dos Clérigos é suficiente para captar a energia contagiante da Baixa do Porto, que respira gente irrequieta em cada uma das suas artérias. Bares, discotecas e festas multiplicam-se, como cogumelos, no renovado coração de uma cidade que foi reeleita como Melhor Destino Europeu. Que o digam os turistas, que deambulam religiosamente pelos diversos quarteirões, ávidos de conhecerem o verdadeiro significado da movida noturna. Entre copos, música a gosto e petiscos, para “enganar o estômago” quando a noite já vai longa, são várias as gerações que se cruzam nas mesmas ruas, encaradas como pontos de encontro espontâneo. Bares temáticos de gin, champanhe, caipirinhas, poncha e cocktails fazem as delícias de locais e estrangeiros, que já não prescindem das animadas conversas tidas ali mesmo, na calçada, ao ar livre e de copo na mão. Mas no roteiro de animação noturna da cidade Invicta, há locais “sagrados”, de paragem obrigatória. A Viva convida-o, de seguida, a visitar alguns deles. Fotos: Virgínia Ferreira


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COMEÇAR A NOITE NO TWIN’S BAIXA Nascida nos anos 70, na Foz do Douro, a discoteca Twin’s foi uma das que não quis deixar de se associar à renovada noite da baixa da cidade, transformando um armazém de tecidos num bar cosmopolita e urbano, que privilegia os antigos elementos do espaço na moderna decoração. Situado na Rua Cândido dos Reis, o Twin’s Baixa é uma boa alternativa para o início da noite, conjugando requinte, boa música e muita animação. De terça-feira a sábado, o espaço abre às 18h00, permitindo aos portuenses desfrutarem de alguns momentos de relaxamento pós-laboral.

O SOM ALTERNATIVO DO PLANO B Na mesma rua, é possível encontrar o vibrante e trendy Plano B, que prima pela decoração e pelo som alternativo. O espaço, que também acolhe exposições, tem várias salas onde decorrem concertos, dj sets e live acts dos melhores e mais badalados nomes da dance scene nacional e internacional. As Noites Vintage estão entre as especialidades do clube noturno.

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N O I T E

COCKTAILS À MODA DO PORTO… TÓNICO Ainda na Rua Cândido dos Reis, uma das mais badaladas da cidade, é possível encontrar o Porto Tónico, um bar que, além de esplanada e pista de dança, oferece uma grande variedade de cocktails. Com uma decoração assinada pelo designer de interiores Paulo Lobo, o espaço é ideal para bons momentos after-work, ao som de música pop e rock, dos anos 70 à atualidade. Num ambiente jovem e descontraído, no qual predominam os tons de verde e dourado, é possível desfrutar de diversas bebidas, que conjugam, na perfeição, os mais variados ingredientes com o produto de marca da cidade: o vinho do Porto. A frescura das limas e da hortelã, conjugada com Offley White, água tónica e açúcar, perfaz uma das combinações mais apreciadas.

QUANDO “O VINHO É O MELHOR LUGAR PARA SE ENCONTRAR COM AMIGOS” Na Rua Galerias de Paris, mesmo nas noites mais frescas, os transeuntes multiplicam-se nos passeios, podendo desfrutar da grande variedade de bares que a artéria portuense oferece. Situado no número 40, o La Bohème entre amis é um wine-bar, que conjuga a irreverência das paredes pretas com estruturas de madeira em tom natural e inúmeras garrafas de vinho expostas. Trata-se do local ideal para apostar numa tapas à portuguesa, acompanhadas de um copo de vinho, ao som de batidas alternativas.


PORTO

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CASA DO LIVRO: ENTRE O CLÁSSICO E O COSMOPOLITA Um pouco mais à frente, no número 85, onde outrora existia uma livaria, está agora a Casa do Livro, um café-bar que convida os visitantes a saborearem um chá, um copo de vinho, um cocktail ou um produto gourmet, entre ritmos suaves. Num ambiente escuro, bem ao jeito de um clube de jazz, os livros são uma constante na decoração do espaço, procurando fazer com que os clientes se sintam em casa.

UMA PARAGEM PELOS SABORES DA MADEIRA Para os apreciadores da bebida típica da Madeira, aconselha-se a passagem pelo É Pra Poncha, bar que, além de servir poncha tradicional, disponibiliza também algumas versões mais modernas, como as de absinto ou vodka preta. Entre as mais procuradas estão as de maracujá e tangerina, mas a oferta é para todos os gostos. O espaço do bar – também localizado na Rua Galeria de Paris – procura marcar a diferença, através de um projeto arquitetónico inspirado numa gruta fluorescente.

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N O I T E

NA COMPANHIA DAS CAIPIRINHAS E no pico da estação quente, a longa lista de caipirinhas servidas na CaipiCompany transforma-se numa verdadeira tentação da noite portuense. Situado na Rua Conde Vizela, o espaço acaba por não funcionar como um bar, mas sim como uma zona de passagem onde se encontram as mais coloridas e divertidas bebidas.

A DESCONTRAÇÃO DO BAIXARIA No número 224 da Rua do Almada, há um local que nada tem a esconder e que se mostra de uma forma transparente e absolutamente descontraída e informal: o Baixaria. A decoração do espaço é marcada por materiais simples de forma a evidenciar a sua riqueza cultural interior. Com uma forte aposta na música eclética, o Baixaria parece estar permanentemente em construção, tendo paredes ora cruas, ora com rabiscos, ora repletas de obras de arte em exposição. Não será, portanto, de estranhar que os bancos e as prateleiras sejam feitas com caixas da fruta e as almofadas substituídas por sacos de serapilheira.


PORTO

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PETISCOS, VINHOS E LIVROS NO FÉ WINE & CLUB Segue-se um espaço que conjuga o conceito de uma casa de vinhos tradicional com a sofisticação de um clube moderno. Inaugurado em junho de 2013, na Praça de D. Filipa de Lencastre, o Fé Wine & Club é um bar de vinhos e petiscos com concertos ao vivo. Quem lá entra é surpreendido com dez toneladas de livros à sua volta, num design assinado por Paulo Lobo.

SURPRESAS DE UM JARDIM ESCONDIDO A fechar o roteiro da noite portuense neste quarteirão está o Rádio Bar, igualmente situado na Praça de D. Filipa de Lencastre. Quem entra no espaço, decorado com vinis nas paredes e rádios antigos nas prateleiras, está longe de imaginar que, naquele exato local, foi julgado Camilo Castelo Branco, quando ali funcionava o Tribunal Criminal do Porto. Para além da pista de dança, muito concorrida até altas horas da madrugada, o jardim situado nas traseiras do edifício, com esplanada, é uma agradável supresa para os visitantes.

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T V

Abril traz novidades ao canal O alargamento do programa “Grandes Manhãs” é uma das novidades que chega até ao final de abril. Ao apresentador, Ricardo Couto, junta-se Maria Cerqueira Gomes, para um novo formato com novo horário e conteúdos. O reforço dos noticiários, bem como dos espaços FC Porto e das sessões cinematográficas passam, também, pelas apostas na programação do canal. Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira


P ORTO CA N A L

A

s manhãs tornamse, efetivamente, maiores, no Porto Canal, com o alargamento do programa “Grandes Manhãs” que vai passar a ser exibido em direto a partir das 9h00. Atualmente apresentado por Ricardo Couto, o novo formato, irá ser alargado, passando a contar, também, com a apresentação de Maria Cerqueira Gomes, um rosto bem conhecido da estação televisiva. Apostando numa maior proximidade com o telespectador, o programa vai ter um novo horário e um incremento nos conteúdos, com mais animação e utilidades. A

grande novidade prende-se com a atribuição de prémios diários e de um sorteio final de um automóvel, a realizar no início do verão. A aposta no reforço dos espaços noticiosos é, também, uma ação para colocar em prática com a chegada da primavera.

DESPORTO EM DESTAQUE

A pouco mais de dois meses do início do Mundial 2014, que se realiza, no Brasil, entre 12 de junho e 13 de julho, o Porto Canal vai exibir uma série de programas de antevisão do evento sendo que a cobertura durante o

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período de realização do mundial está, também, assegurada na estação nortenha. “É um evento desportivo de grande importância e que, como tal, vai ter eco na programação”, refere Domingos de Andrade, diretor de informação e programação. Ainda na primavera, destaque para o regresso da ‘Estação de Serviço”. O programa, de 50 minutos, surge, de novo, no ecrã, com um formato renovado e um refresh nos conteúdos – que o torna mais interativo - passando a contar com a presença, em estúdio, de grandes nomes ligados ao desporto automóvel, nomeadamente Gonçalo Gomes e José Pedro Fontes. REVISTA VIVA, MARÇO 2014


T V

REFORÇO NO ENTRETENIMENTO

A celebração de um acordo com a Pris Audiovisuais, empresa de distribuição de filmes, vídeos e programas de televisão, vai proporcionar um reforço da Sétima Arte na grelha de programação, no espaço já denominado de ‘Cinema Batalha’. A exibição de sessões cinematográficas passa, assim, a ser constante nas noites de domingo. Os animais de companhia vão, também, passar a ter espaço no canal, que dedica um programa aos cuidados de

saúde e bem-estar dos nossos amigos patudos. Já classificado como um sucesso é o espaço de comentário e análise sociopolítico de Luís Filipe Menezes. Conduzido

por Júlio Magalhães, o programa é para manter nos serões de sextafeira, com a promessa de muitos convidados de relevo da política portuguesa.


P ORTO CA N A L

ALARGAMENTO DOS ESPAÇOS FC PORTO 45 MINUTOS À PORTO

Programa semanal, de segunda a sexta-feira, dedicado aos acontecimentos desportivos do fim de semana com imagens e análise. Às segundas tem início às 21h30 prolongando-se até às 22h30. Às terças, quartas e quintas, começa às 21h15 e segue até às 22h00. Para lá da atualidade desportiva, estes três dias destacam-se por programas e rubricas: Cadeira de Sonho, Azul e Branco, Portistas no Mundo, Porto ao Pormenor e Porto com História, fazem parte do alinhamento do programa. Às sextas-feiras, vai para o ar entre as 22h00 e as 22h30 e serve essencialmente para lançar todo o fim de semana desportivo.

FLASH PORTO

Espaço de aproximadamente 12 minutos que vai para o ar de segunda a sextafeira, às 12h45 e às 19h00. Se houver

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conferência de imprensa do treinador da equipa principal, o programa tem início às 12h30. Ao fim de semana o Flash Porto arranca às 23h45.

ESPECIAL FC PORTO Espaço variável, consoante a agenda desportiva, e que é, essencialmente, preenchido com transmissões em direto, normalmente aos sábados e domingos. Os jogos do FC Porto B e da formação, que forem considerados relevantes, bem como os jogos de andebol e de hóquei em patins, costumam ocupar este espaço. No Dragão, os jogos do FC Porto têm acompanhamento em direto no pré e pós match. Nos encontros fora de casa, abre-se também uma janela para a análise e para a transmissão, em direto, da conferência de imprensa do treinador.

SEMANA FC PORTO

Programa com exibição aos sábados, às 14h30, desde que não haja conferência de imprensa do treinador. Serve para destacar o que de mais importante aconteceu durante a semana na perspetiva do FC Porto.

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M E M Ó R I A S

Ourigo de outros tempos A foto é uma imagem antiga que ilustra o gaveto entre as ruas Coronel Raul Peres e Senhora da Luz, situado no lugar denominado de Ourigo. O prédio, em grande plano, já foi uma pastelaria, hoje é um edifício de habitação contemporâneo. Texto: Marta Almeida Carvalho Foto: Virgínia Ferreira

A

s ruas da Senhora da Luz e de Coronel Raul Peres estão integradas numa das zonas mais movimentadas da Foz do Douro – a do Ourigo. De acordo com o historiador Andrea Cunha Freitas, lá existia, num outeiro sobre o rio, denominado de Monte do Rio, uma capela dedicada à Mãe de Deus, uma invocação à Senhora da Luz. Com o decorrer dos anos edificaram-se junto dela, um farol e um forte, identificado na planta das linhas do Porto, do coronel Arbués


FOZ

Moreira (1833). Foi nessa altura que a capela terá sido destruída, na sequência de vários bombardeamentos durante o Cerco do Porto. N’A Vedeta da Liberdade, de 21 de agosto de 1833, anunciava-se que as «imagens da Senhora da Luz e de S. Bartolomeu outrora veneradas na capela da Senhora da Luz, em consequência da ruína desta, foram, transladas para a igreja paroquial da Foz do Douro» onde ainda hoje se venera a velhinha imagem. As explicações sobre a origem do topónimo Ourigo

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são escassas. Para além da zona, o topónimo consta, atualmente, no nome de um bar e de uma praia urbana, constituída por um areal de 134 metros, com Bandeira Azul, onde ainda se mantém a tradição do banho santo, em honra de S. Bartolomeu, que remonta ao século XVI. Os próprios pais, ou os banhistas, pegam nas crianças ao colo e mergulham-nas três vezes nas águas do mar para esconjurar medos e curar maleitas como a gaguez, gota ou epilepsia.

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M Ú S I C A

Concertos, lançamentos, curiosidades JIMMY P: artista portuense revela-se no panorama musical Artista versátil, que funde o r’n’b com hip-hop, reggae e rock, acrescentando-lhe um toque de samba, de dubstep, e até de música africana em alguns dos temas, Jimmy P é um cantor e compositor que apesar de fazer música há mais de uma década, só em 2011 se deu a conhecer ao grande público. O disco de estreia do artista revelação 2013, «#1 (Cardinal 1)», composto por 14 temas, foi lançado recentemente e o single «O Que Vai Ser» é já um sucesso que tem vindo a rodar com grande frequência em diversas rádios nacionais.

HOMEM MAU promove segundo álbum A banda portuense de rock ‘Homem Mau’ continua a promoção do seu mais recente álbum “De um tecto igual a nós”. Depois de um concerto de apresentação do novo registo no Hard Club, a banda, que esteve pré-nomeada para os European Music Awards, da MTV, na categoria de Best Portuguese Act, continua na estrada e já tem planos para um terceiro álbum de originais: regressar a estúdio é um desejo que pode concretizar ainda em 2014. Os álbuns “Pelo Lado de Dentro” (2009) e “De um Tecto Igual a Nós” (2013) encontram-se disponíveis para download gratuito e compra em formato físico através do site www.homemmau.net

O regresso da ‘Resistência’ O coletivo Resistência vai andar na estrada durante o mês de abril, para uma digressão de auditórios denominada “Palavras ao Vento”. A mini-tournée arranca nas Caldas da Rainha, no dia 12, terminando na Figueira da Foz, a 27 do mesmo mês. Pelo meio, há passagens pela Casa da Música, no Porto, (15 de abril), onde irá atuar às 21h00, na sala Suggia.


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KOBALAMINA novas sonoridades ao estilo ‘80 Kobalamina (cobalamina) é um outro nome para a vitamina B12 mas também o de uma banda portuense que iniciou recentemente a sua atividade. Nuno Magalhães e Fábio Pereira (voz e guitarra), Carlos Figueiredo (bateria) e Nuno Andrade (guitarra baixo) constituem o line up da formação que partiu à descoberta de uma nova aventura no panorama musical. O resultado, apesar da ainda “pouca experiência dos elementos”, traduz-se já em diversas atuações ao vivo - entre as quais um concerto no Hard Club do Porto cujo vídeo rendeu já uns milhares de visualizações no youtube – e no seu EP de apresentação - «Kobalamina» - uma produção independente constituído por quatro temas da banda - «Acordar», «A Vida é Bela», «Estamos Aqui» e «A Tal». Com uma sonoridade a roçar os anos 80, a fazer lembrar os míticos «Táxi», as músicas da banda entram facilmente no ouvido e os acordes marcam um ritmo viril, transversal à generalidade dos temas. A título de curiosidade refira-se que «A Vida é Bela» foi escolhido pela Viva! como tema de fundo para os spots da revista no Porto Canal e na Nova Era.

ONE DIRECTION no Dragão Após anunciarem os concertos da digressão mundial de estádios no Reino Unido, Irlanda e América Latina em 2014, os One Direction passam pelo Estádio do Dragão, a 13 de julho. A boy band britânica foi recentemente escolhida como a atração artística musical mais popular de 2013, num prémio que pela primeira vez contabilizou os números de serviços de streaming como Spotify, que conta com cerca de 24 milhões de usuários ativos no mundo, e Deezer, para além das vendas de CDs e downloads. A banda lançou o seu terceiro disco de estúdio, “Midnight Memories”, no ano passado, tornando-se no único grupo a chegar ao topo da tabela norte-americana com os seus três álbuns. REVISTA VIVA, MARÇO 2014


P O R T O

D ´ A R T E

Ao ritmo da primavera Diversidade é a palavra de ordem da agenda cultural do Porto para os próximos tempos. Entre exposições de artistas consagrados e de novos talentos, espetáculos de teatro inspirados em grandes autores portugueses e concertos dedicados à “revolução”, não faltam razões válidas para sair de casa com vontade de viver a cidade. Texto: Mariana Albuquerque

SERRALVES: À DESCOBERTA DE MIRA SCHENDEL Até ao dia 11 de maio, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves está a apresentar ao público “12 Contemporâneos: Estados Presentes”, uma exposição com curadoria de Suzanne Cotter e Bruno Marchand que pretende revelar o trabalho de 12 artistas e coletivos portugueses cujas preocupações estéticas acabaram por marcar a última década. Ana Santos, André Sousa, Carla Filipe, Gabriel Abrantes, Mauro Cerqueira, Nuno da Luz, Pedro Barateiro, Pedro Lagoa, Priscila Fernandes, Sérgio Carronha, Sónia Almeida e !Von Calhau! são os autores das obras que dão corpo ao projeto. Desenvolvida através de um processo de investigação realizado em Portugal, no Reino Unido, na Alemanha e nos Estados Unidos, a mostra reflete sobre as atitudes críticas da arte em Portugal e, de uma forma

mais vasta, sobre as realidades globais contemporâneas. “Criticamente envolvidos numa ampla diversidade de disciplinas que integram pintura, escultura, cinema, música, teatro e performance, os artistas apresentados em “12 Contemporâneos: Estados Presentes” produzem uma variedade de posições singulares que concorrem para a formação de uma imagem relevante e coletiva da contemporaneidade”, explica


EXPOSIÇÕES/ESPETÁCULOS

Serralves. Em destaque até ao dia 24 de junho estará também a primeira grande exposição de Mira Schendel em Portugal, artista plástica contemporânea de Lygia Clark e Helio Oiticica, que contribuiu para redefinir a linguagem do modernismo europeu no Brasil. O público portuense terá, assim, a oportunidade de ver mais de 200 pinturas, esculturas e desenhos de Schendel, que prometem conquistar adeptos pela sua “singularidade” e “vastidão”. Nascida em Zurique em 1919, a artista viveu em Milão e Roma antes de emigrar para o Brasil, em 1949. Quatro anos depois, fixou-se em São Paulo, onde permaneceu até à sua morte (1988). O profundo

TNSJ: DO AMOR AOS FANTASMAS DOS “TEMPOS SOMBRIOS” Com versos de Ruy Belo, o Teatro do Vestido, em coprodução com o TNSJ, vai apresentar, em estreia absoluta, até ao dia 6 de abril, no Palacete Pinto Leite, o espetáculo “Até comprava o teu amor (mas não sei em que moeda se faz esta transação)”, que aborda as possibilidades e impossibilidades do amor num contexto em que tudo o resto parece faltar. “Deslocando-se de divisão em divisão, o espectador imiscui-se na história feita de

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interesse pela história da religião e pela filosofia e as viagens precoces realizadas por diferentes culturas acabaram por marcar, indiscutivelmente, todo o trabalho de Mira Schendel.

Fotos Serralves

confissões, memórias, efabulações e perguntas que cada ator corporiza na intimidade de um quarto”, descreve o TNSJ. Assinados por Joana Craveiro, os seis monólogos da peça perfazem um percurso pela casa, “mas também uma viagem por esse território ambíguo, cheio de possibilidades, entre a autobiografia e a ficção”. Entretanto, de 3 a 13 de abril, o Teatro São João dará a conhecer a exuberância do heterónimo pessoano Álvaro de Campos, através

TUNA-TNSJ REVISTA VIVA, MARÇO 2014


P O R T O

D ´ A R T E

bem conhecida do público, promovendo os Concertos de Páscoa, integrados no ciclo “Morte e ressurreição”. O Coro do equipamento portuense cantará a Missa de Requiem de Duarte Lobo, considerada um dos grandes tesouros do período de ouro da polifonia portuguesa, sob a direção do

Luís Gouveia Monteiro

da sua “Ode Marítima”, poema “que o ator Diogo Infante e o músico João Gil nos dão, agora, a ouvir com os olhos e a ver com os ouvidos”. Um convite para uma viagem “ancorada no imaginário marítimo português”, que sustenta na metáfora de fluxo e refluxo do movimento do mar “a contradição violenta de um homem que tenta unir diferentes sensações de identidade, transformando-se no cais e no destino”. Mais tarde, de 25 de abril a 18 de maio, o TNSJ apresentará “Noite de Guerra no Museu do Prado”, de Rafael Alberti, peça que parte de um episódio da Guerra Civil Espanhola, cruzando-o com a memória da reação à invasão das tropas francesas em 1808, registada em Goya. Agora, no ano em que se comemoram os 40 anos da Revolução dos Cravos, o encenador José Peixoto recupera o texto, reativando-o “para esconjurar os fantasmas de um temido regresso a ‘tempos sombrios’”.

José Frade

“SPRING ON!” NA CASA DA MÚSICA

E numa altura em que a chuva está a dar tréguas, ultimam-se os pormenores das propostas

maestro Simon Carrington. A Orquestra Sinfónica oferecerá um programa exclusivamente instrumental, aflorando temas como o da ressurreição dos

culturais de primavera. De 12 a 17 de abril, a Casa da Música vai cumprir uma tradição já

soldados desconhecidos ou das celebrações pascais na tradição ortodoxa. Num novo momento


EXPOSIÇÕES/ESPETÁCULOS

programático – “Música & Revolução” (de 25 de abril a 1 de maio) – estará em destaque o centenário da Primeira Grande Guerra, num alinhamento que percorrerá momentos determinantes da história mundial. Entre os convidados do ciclo estão a Banda Militar do Porto, herdeira do vasto repertório das bandas militares, com atuação a 27 de abril, e ainda o incontornável músico de Sarajevo Goran Bregovic, que apresentará, a 1 de maio, “Champagne for Gypsies”. Na “Consagração da Primavera” (9 a 18 de maio) a CdM celebrará os valores da juventude, em diferentes estilos musicais. Ao longo do programa “Rising Stars de ECHO”, que reúne propostas de artistas reconhecidos e de talentos emergentes, o público poderá assistir, por exemplo, às performances do pianista János Balázs e dos Quarteto Voce. O jazz será dominante no festival “Spring ON!”, um palco criado propositadamente, no fim de semana de 16 a 18 de maio, para apresentar as novas tendências das músicas urbanas.

DESTAQUES LITERÁRIOS

Entre as novidades da Porto Editora para as próximas semanas está o livro “Amores e saudades de um português arreliado”, de Miguel Esteves Cardoso, com lançamento previsto para o final de abril. Depois de ter conquistado o público com o bestseller “Como é linda a puta da vida”, o jornalista e escritor está de volta para provar que “sem vida, nada feito”. “Viver

não é a melhor coisa que há: é a única coisa. Cada momento da vida não é único. Mas há momentos únicos. A nossa felicidade não é passá-los como quisermos. É dar por ela a aproveitá-los. (…) A única coisa é saber que um dia virá em que nos será tirada a vida. Para sempre. Mas, por sabermos isso, não podemos perder tempo a pensar nisso. (…) A única coisa é estar aqui, agora, a escrever isto. Enquanto posso. Enchendo-me de alegria”, pode ler-se na sinopse da obra. E num momento em que se assinala o 40.º aniversário do 25 de Abril, vão ser conhecidos os testemunhos e as imagens dos homens que estiveram no frente a frente entre forças de Cavalaria no Terreiro do Paço e

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no Carmo, no dia da “revolução dos cravos”. Na obra “Os rapazes dos tanques”, de Alfredo Cunha e Adelino Gomes, “é dada voz a furriéis e cabos que não obedeceram às ordens de fogo do brigadeiro comandante das forças fiéis ao regime”. REVISTA VIVA, MARÇO 2014


M E T R O P O L I S

Ativar a cidadania

Ajudar os cidadãos a superar as dificuldades do dia a dia e criar condições para que Matosinhos possa, cada vez mais, atrair investimentos e turistas são alguns dos objetivos de Guilherme Pinto, defensor acérrimo do conceito de presidência aberta. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Francisco Teixeira (CMM)


M ATOSI N H OS

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nvolver os cidadãos na construção de uma cidade de futuro, verdadeiramente atenta às reais necessidades da população, é uma das metas traçadas pelo presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Guilherme Pinto. O autarca independente tem vindo, por isso, a apostar num programa de ativação da cidadania, que inclui, entre outras estratégias, a realização de périplos pelas diversas fre-

guesias, durante os quais tem oportunidade de conhecer as inquietações dos munícipes. Além disso, o executivo camarário acabou de aprovar a constituição de grupos de cidadãos, escolhidos aleatoriamente, que vão “ajudar a câmara e as juntas de freguesia a gerirem melhor o território, a dinamizá-lo e a conhecê-lo melhor”. A autarquia está, de igual modo, a avançar com a criação de conselhos consultivos, nas mais diversas áreas,

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para reunir “as pessoas que melhor podem pronunciar-se sobre determinados assuntos”. Tal como explicou, trata-se de uma forma de atrair para a política aqueles que, habitualmente, não lhe dedicam grande atenção. “Depois, eu gostaria muito de introduzir, em vários pontos do concelho, espaços de encontro dos cidadãos, uma vez que herdei um urbanismo que não tinha muito essa preocupação”, sublinhou. Aproximar os indivíduos do próREVISTA VIVA, MARÇO 2014


M E T R O P O L I S

prio executivo, provando que é possível apostar num conceito de presidência aberta, é a grande meta do autarca. “E a melhor forma de me encontrar com eles é na rua”, reconheceu. Pela ação desenvolvida no terreno, Guilherme Pinto tem percebido que a falta de habitação e o desemprego são os temas dominantes nas suas conversas. Para tentar responder a essas fragilidades, a câ-

mara continua a apostar num programa de apoio à habitação, que ajuda, atualmente, 700 famílias com menores rendimentos, permitindo-lhes morar em casas condignas. A fixação de instituições e empresas em Matosinhos é outra prioridade estabelecida, com vista à criação de postos de trabalho. A educação é, para o responsável, mais uma forma de ativar a cidadania, pelo que a câmara renovou todo o parque escolar e procurou criar condições para que os alunos pudessem melhorar o seu de-

sempenho letivo. O projeto “A ler vamos”, pioneiro no país, é uma das “armas” utilizadas, procurando detetar e resolver dificuldades de expressão que possam refletir-se, mais tarde, na aprendizagem das crianças. “Este programa tem tido muito sucesso e estamos a fazer o mesmo com a matemática”, informou. Mas os mais velhos também continuam no centro das atenções do executivo, que

CONTRA A REFORMA DO MAPA JUDICIÁRIO

tem vindo a reforçar o serviço de teleassistência domiciliária a idosos. “Já foram feitas mais de 5800 chamadas no âmbito deste projeto, a maior parte delas, felizmente, não por motivos de emergência, mas apenas para quebrar a solidão”, explicou.

acrescentou, sublinhando que a autarquia está, neste momento, a estudar diferentes formas de tentar travar esta reforma. Entretanto, o concelho está a promover a reparação dos danos provocados pelo mau tempo dos últimos meses em escolas, pavilhões e na orla costeira. Em Matosinhos, os prejuízos foram de três milhões

A marcar a agenda de trabalhos da Câmara de Matosinhos está também a luta contra o processo da reforma do mapa judiciário, que retirou valências ao tribunal local. “É imbecil fazer deslocar os cidadãos de Matosinhos a uma autarquia que tem menos população [Vila do Conde] para que os processos-crime sejam tratados lá”, defendeu, lamentando que o Governo não tenha tido “coragem” de encerrar o equipamento vila-condense. “Felizmente, a Associação Nacional de Municípios está a liderar a revolta das autarquias que ficaram sem tribunal, mas o nosso problema não é esse, mas sim o de ver os nossos munícipes a terem de se deslocar para uma terra de menor escala”,


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M E T R O P O L I S

de euros, sendo que o Governo decidiu financiar parte dos gastos. No terreno estão ainda dois programas de reabilitação: um ligado às vias municipais e outro à habitação, áreas nas quais Guilherme Pinto espera gastar 12 milhões de euros nos próximos tempos.

DE OLHOS POSTOS NO DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO

Num momento em que a autarquia de Matosinhos tem em curso vários projetos, quer na área escolar, quer na área do apoio social, o desenvolvimento económico surge como a grande meta a atingir. “Nunca tivemos tanto desemprego e, por isso, a nossa maior preocupação tem de ser a de criar condições para que as empresas se fixem e criem postos de trabalho. Só assim podemos ter esperança no futuro”, afirmou o autarca, destacando a importância dos programas ligados ao turismo e à industrialização que já estão em desenvolvimento. “É uma tarefa de ritmo intenso, mas de resultados mais demorados. Temos projetos

muito interessantes: vamos, por exemplo, recuperar a Real Vinícola para ali instalar a Casa da Arquitetura, que vai ser um elemento-chave na estratégia de atração de turistas ao município”, enunciou. Da mesma forma, está a ser criada no mercado de Matosinhos uma incubadora de empresas de design, cujas obras estão mesmo a terminar. Para Guilherme Pinto, o Centro de Inovação de Matosinhos (CIM), media parque situado no antigo matadouro, começa já a ser um equipamento de assinalável relevância, acolhendo a Impresa

e, brevemente, a Media Lusa. E é exatamente através desta aposta no desenvolvimento económico e no turismo que Guilherme Pinto pretende, juntamente com os autarcas do Porto e de Vila Nova de Gaia, continuar a promover a região. “Estamos a tentar encontrar uma estratégia de publicitação comum do espaço da Frente Atlântica”, revelou, mostrandose confiante em relação aos benefícios que a conquista do título de Melhor Destino Europeu 2014, pela cidade do Porto, poderá trazer à área metropolitana.


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Modernização e proximidade No sentido de romper com “velhas políticas”, o executivo da Câmara de Gondomar tem vindo a dinamizar um conjunto de medidas para promover a “reestruturação” do concelho, imprimindo novas ideias e formas de estar nos diversos setores, ao mesmo tempo que contribui para melhorar a qualidade de vida dos munícipes. Inicia-se, agora, um novo ciclo e uma nova postura de liderança, que aposta na proximidade com os cidadãos. Texto: Marta Almeida Carvalho Foto: CM Gondomar

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os 35 anos, Marco Martins foi eleito presidente da Câmara de Gondomar, tornando-se no segundo autarca mais jovem do país. Desde os 20 que exerce funções autárquicas, tendo sido eleito presidente da Junta de Rio Tinto em 2005, e reeleito em 2009 com a maior votação de sempre a nível nacional. O conhecimento profundo do concelho onde nasceu pode ser útil na liderança de um município com cerca de 170 mil habitantes. E é em torno do bem estar e da qualidade de vida dos gondomarenses que se centra a ação do executivo camarário, cujas principais linhas condutoras se centram na modernização, proximidade com os cidadãos, transparência,

empreendedorismo e incremento da economia do concelho. “Começamos por mudar a imagem do concelho, tornando-o mais apelativo”, referiu o autarca, salientando a criação da nova logomarca. “’Gondomar é D’Ouro’ que reúne, numa só ideia os conceitos base para o incremento económico e turístico pretendidos: D’Ouro porque Gondomar é terra de ourivesaria e de rio Douro”, explicou. Para o autarca, esta imagem representa o início de um novo ciclo para o município, que é, agora, mais moderno, positivo e virado para o futuro. “O desenvolvimento turístico é um dos objetivos principais deste executivo”, garante, sublinhando a importância do rio na economia local de um

concelho que é composto por 35 quilómetros de margem. “Anualmente passam pelo rio cerca de 200 mil turistas e Gondomar tem de saber atrailos para dinamizar a economia local”.

CONCELHO EM MUDANÇA

Nos quatro meses que passaram desde a tomada de posse, Marco Martins destacou algumas medidas já implementadas com sucesso, nomeadamente a aprovação da redução entre 30 a 40% da taxa máxima do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), a reestruturação orgânica camarária – com novas funcionalidades e novos pelouros – a transferência de


G O N D OM A R

competências para juntas e uniões de freguesia com ganhos de eficiência significativos - a otimização dos serviços, rumo à desburocratização, bem como algumas mudanças técnicas e políticas já instauradas. Para o futuro, Marco Martins traça como principais objetivos o desenvolvimento turístico, atração de investimento para o concelho, criação de novas acessibilidades e de um circuito de vias pedonais e cicláveis, reorganização do Plano Diretor Municipal (PDM) e a aposta na mobilidade. “A ligação da linha de metro ao centro de Gondomar é um dos objetivos já desbloqueados”, garante. Apesar das dificuldades orçamentais que se prevêem

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Marco Martins quer um concelho mais apelativo

– o orçamento camarário foi reduzido em 11 milhões de euros, passando dos 79 para os 68 milhões – o autarca sublinhou que os investimentos prioritários, bem como o apoio aos movimentos associativos, culturais, desportivos e recreativos, não foram cortados, sendo que o maior condicionamento financeiro será aplicado na área da construção.

Licenciado em Gestão, está, atualmente, a concluir o mestrado em Administração Pública. Dirigente da ANAFRE – Associação Nacional de Freguesias – Marco Martins tornou-se bombeiro voluntário aos 14 anos, atividade que ainda desempenha como elemento do quadro ativo dos Bombeiros Voluntários da Areosa – Rio Tinto. É também formador da Escola Nacional de Bombeiros. REVISTA VIVA, MARÇO 2014


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TRADIÇÃO EM BUSCA DE “SABOR D’OURO”

No sentido de impulsionar o património gastronómico do concelho, a Câmara de Gondomar, promoveu a 23.ª edição da “Festa do Sável e da Lampreia”. O evento, que se realiza anualmente, pretende ampliar a projeção da gastronomia local ao país, ao mesmo tempo que garante o reconhecimento do concelho como “terra do sável e da lampreia”. De acordo com Marco Martins, o turismo deve de ser encarado como o “braço armado da economia”, sendo que o certame representa um contributo para a afirmação nacional do concelho, valorizando a herança gastronómica de gerações de cozinheiros, que apuraram “com sabedoria os sabores do rio Douro”. Organizada pelo pelouro do Turismo da

GONDOMAR RENOVA IMAGEM

‘Gondomar é D’Ouro’ é a nova logomarca do concelho. A nova imagem, que resulta da ideia apresentada pelo designer João Rocha, pretende realçar o ouro e o Douro, dois dos maiores símbolos do concelho. Para Marco Martins, a nova marca representa “o início de um novo ciclo na imagem do município, que é, agora, moderna, positiva e virada para o futuro”, não descurando dois dos pilares fundamentais para o desenvolvimento económico de Gondomar: o ouro e o rio Douro. “O logótipo desenvolvido para a marca ‘Gondomar é D’Ouro’ pretende construir, junto do público, uma imagem moderna,

autarquia, a edição deste ano contou com a participação de 18 restaurantes no concurso de “Sável Frito” e “Lampreia à Bordalesa”, que teve lugar no auditório municipal de Gondomar. Como é habitual, os participantes apresentaram as suas iguarias a um júri que classificou os pratos apresentados, sendo que todos eles estiveram disponíveis ao público, diariamente, em cada restaurante, ao longo da edição. O “ponto alto” da iniciativa teve lugar com o 10.º Fim de Semana Gastronómico – “Sável e Lampreia, um Sabor D’Ouro”, que

decorreu no Pavilhão Multiusos, entre 7 e 9 de março. Ao longo desse período, os restaurantes aderentes apresentaram nas suas ementas pratos de sável e de lampreia, além de um ou dois alternativos. Para além de poder desfrutar das iguarias, os visitantes foram brindados com um programa de animação durante todo o evento. No âmbito da promoção turística, enquanto estratégia de afirmação do concelho, Carlos Brás, vereador do Turismo, anunciou que a Casa Branca de Gramido será o futuro posto de turismo do concelho.

sofisticada e de aproximação com os munícipes”, garantiu o designer João Rocha, que salientou a escolha da cor dourada para o novo símbolo pelo facto de esta representar a filigrana e o ouro, característicos do concelho, transmitindo, assim, a ideia de “nobreza e elegância”. Para além disso, também se pretende, com este tom, passar a ideia de alegria, vivacidade e acolhimento, adjetivos que assumem grande importância no que diz respeito à nova “visão turística” em desenvolvimento pela autarquia. Quanto à letra “G”, em realce no novo logótipo, representa harmonia na interação com a tipografia do nome e da designação. De acordo com o

criador, este símbolo vai poder assumir várias cores e formas no seu interior, no sentido de representar diversas iniciativas e/ou eventos apresentados, transformando o logótipo institucional em temático, gerando submarcas. “É um logótipo com boa aplicabilidade e multifunções”.


G O N D OM A R

16.ª EDIÇÃO DA OURINDÚSTRIA TROUXE NOVIDADES

A 16.ª edição da Ourindústria, que decorreu no último fim de semana de março, contou, este ano, com algumas novidades. Respeitando o cariz profissional da feira, o evento foi alargado à comunidade, contando com a presença do público, que teve direito, ao longo de dois dias, a entrada gratuita no recinto do Pavilhão Multiusos. De acordo com José Fernando Moreira, vereador dos Eventos Promocionais, o conceito da Ourindústria - certame dedicado a fabricantes e armazenistas de ourivesaria, relojoaria, estofos, comerciantes de máquinas de ourivesaria e designers que vai já na 16.ª edição – foi alterado, já que na opinião do novo executivo traduzia-se numa feira fechada à comunidade. “Embora o cariz profissional da Ourindústria não tenha sido afetado, quisemos introduzir

79 STANDS NESTA EDIÇÃO

Ao longo do certame, os visitantes puderam ainda assistir a uma passagem de modelos – uma parceria entre a câmara e empresas de vestuário e cabeleireiro locais – na qual os expositores tiveram a oportunidade de ceder as suas peças para desfilarem com os manequins. Nesta edição, a Ourindústria contou com a presença de 79 stands entre fabricantes, armazenistas, empresas de venda de estojos, de mobiliário específico para o setor, de máquinas de produção e de seguros para a

algumas mudanças que acreditamos serem benéficas quer para o público quer para expositores”, referiu, salientando que não será muito produtivo fazer uma exposição desta envergadura sem a presença do público que, afinal, é quem compra. “A presença do consumidor direto é, no meu ponto de vista, fundamental para o sucesso desta feira”, garante. Para além da presença do público, o evento contou ainda com outras novidades, como o alargamento de três para quatro dias (entre 27 e 30 de março), a articulação e diálogo com parceiros fundamentais como o Centro de Formação Profissional de Ourivesaria e Relojoaria (CINDOR), a Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP), a Associação Comercial e Industrial

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de Angola (um mercado em ascensão), bem como designers e outros profissionais do setor, a presença de um stand do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) com vista à “institucionalização da feira”, um espaço lounge, constituído por café e bar, que assegurou quer refeições, quer momentos de descontração, de profissionais e visitantes, para além da criação de mais um prémio no concurso final. “O único galardão que existia premiava o melhor stand”, referiu o vereador, salientando que agora, para além desse prémio, foi criado troféu da Originalidade que premeia a peça mais criativa. Ao longo dos quatro dias, os visitantes puderam ainda contar com um espaço cultural que assegurou a animação musical do evento.

José Fernando Moreira, vereador dos Eventos Promocionais, imprimiu algumas novidades na Ourindústria 2014

área da ourivesaria e relojoaria. Um dos objetivos para o futuro passa, ainda, pela internacionalização da

feira, uma ação fundamental para o incremento do setor da ourivesaria e relojoaria.

GONDOMAR EM DESTAQUE NO AEROPORTO DO PORTO

Durante três dias, o concelho de Gondomar esteve representado na Loja Interativa de Turismo do aeroporto Francisco Sá Carneiro. O município foi, pela primeira vez, o tema forte da loja do Turismo do Porto e Norte de Portugal. Sendo o desenvolvimento económico e o combate ao desemprego o primeiro pilar da política municipal, o presidente da autarquia e o vereador do Desenvolvimento Económico e Empreendedorismo, Carlos Brás, sublinharam a importância da presença do concelho neste espaço, por onde circulam, diariamente, cerca de 16 mil pessoas. Na loja promoveu-se o turismo gastronómico, a filigrana e o futuro Parque Tecnológico e de Negócios da Ourivesaria de Gondomar, com destaque para a presença de uma artesã a rendilhar finos fios de prata. REVISTA VIVA, MARÇO 2014


M E T R O P O L I S

Mãos à obra Reorganizar a orla costeira, profundamente afetada pelo mau tempo, e preparar a “prioritária” requalificação do Jardim do Morro, “porta de entrada de Gaia”, são algumas ações que marcam a agenda do município, que, nos próximos tempos, vai convidar os mais novos a viverem a primavera sob o mote do respeito pelo meio ambiente. Texto: Mariana Albuquerque Foto: Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia

REQUALIFICAR A COSTA PARA A ÉPOCA BALNEAR

A fúria do mar e o mau tempo registados nos últimos meses feriram a orla marítima de Gaia, que tem sido distinguida, nos últimos anos, com a bandeira azul, símbolo de qualidade ambiental. Dos 15 quilómetros de frente de mar, nove ficaram afetados, destacando-se a destruição total de cinco quilómetros de passadiços e os danos profundos registados ao longo de outros dois. A praia do Grão d’Areia, no Canidelo, foi uma das que mais sofreu com as intempéries do inverno. Por isso, a Câmara de Vila Nova de Gaia lançou, imediatamente, mãos à obra, mobilizando forças para as ações de limpeza das praias, de forma a procurar ter tudo resolvido até ao arranque da época balnear. De acordo com o presidente da autarquia gaiense, Eduardo Vítor Rodrigues, as obras de

reorganização da costa custarão cerca de dois milhões e meio de euros. Com os restantes municípios do Grande Porto igualmente afetados pelo mau tempo, os responsáveis da Frente Atlântica – constituída pelos concelhos do Porto, Gaia e Matosinhos – apelaram ao Governo que disponibilizasse apoio financeiro às empreitadas, repto que foi acolhido positivamente. Durante um conjunto de visitas realizadas aos concelhos mais abalados pela intempérie, o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, anunciou uma verba adicional de 17 milhões de euros para reparar os estragos provocados em 29 concelhos do litoral. A quantia será paga por fundos comunitários, através do Programa Operacional de Valorização do Território (POVT), e junta-se aos 11 milhões previstos no Plano de Ação para a Valorização e Proteção do Litoral (PAVPL) 2012-2015.

“Tivemos um inverno muito duro que destruiu grande parte dos quilómetros de praia que temos em Vila Nova de Gaia. Não tivemos o mediatismo dos azares porque não houve um mega restaurante atingido, mas temos dez vezes mais território afetado do que outros municípios”, notou. Nas obras de reparação estão contemplados apoios de praia, passadiços e regeneradores dunares, sendo


GA I A

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CIDADE COM NOVO “MIRADOURO” EM 2015

que o autarca está confiante de que a intervenção fique pronta “a tempo da próxima época balnear”. O Regimento de Artilharia da Serra do Pilar e a Águas de Gaia são duas entidades envolvidas na limpeza das praias. A decorrer está também a recuperação dos passadiços, intervenção que conta com a participação do Parque Biológico de Gaia.

Eduardo Vítor Rodrigues também já teve oportunidade de adiantar que a requalificação do Jardim do Morro, orçada em 300 mil euros, avançará em 2015. Numa parceria firmada com a Universidade do Porto – que o autarca considerou “enriquecedora”, expressando o desejo de a repetir – 22 estudantes de Arquitetura construção de um café como Paisagista da Faculdade de “âncora”, canteiros de flores, Ciências tiveram oportunidade áreas de recreio e refeições de apresentar as suas propostas e miradouros, de forma a de requalificação daquele espaço transformar o jardim num local verde, situado na freguesia de de estadia e não de passagem. Santa Marinha. A degradação das estruturas e a Do total de projetos foram existência de vegetação pouco escolhidos três, da autoria de saudável foram os principais Ana Luísa Martins, Sara Costa e problemas identificados pelos Sara Ramos, que passam, agora, estudantes de arquitetura. para análise dos serviços da Durante uma visita realizada autarquia, funcionando como r e c e n t e m e n t e à m o s t r a um ponto de partida para a de trabalhos dos alunos, o intervenção no terreno. O trio p r e s i d e n t e d a a u t a r q u i a de ideias vencedoras propôs a defendeu que o Jardim do Morro REVISTA VIVA, MARÇO 2014


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“é a porta de entrada de Gaia”. “É um verdadeiro interface com o património e com algumas das principais atrações da cidade. O projeto de requalificação terá de ter em linha de conta toda a envolvência, de forma a potenciar-se todo o património daquela zona”, apontou.

VIVER A PRIMAVERA EM VILA NOVA DE GAIA

E numa altura em que o sol primaveril desafia miúdos e graúdos a saírem de casa para viver a cidade, o Parque Biológico de Gaia, o Centro de Educação Ambiental das Ribeiras de Gaia (CEAR) e a Estação Litoral da Aguda id eal iz a ra m u m co nj u n to de atividades vocacionadas sobretudo para a descoberta da natureza. De 7 a 11 e de 14 a 17 de abril, o Parque Biológico vai desafiar crianças e jovens dos 6 aos 14 anos a participarem nas Oficinas de Primavera, que integram diversas experiências ao ar livre, privilegiando o contacto com os animais. Mas antes disso, para sábado, dia 5 de abril, o equipamento de educação ambiental preparou uma mão cheia de atividades especiais para os visitantes, que não terão qualquer custo adicional. Assim, entre as 11h00 e o meio-dia, haverá o atelier “Iniciação à fotografia da natureza”, seguindo-se, já da parte da tarde, às 15h00, a abertura da exposição “Mosaicos de Biodiversidade”, de Albano Soares, na Década

Fotos: Virgínia Ferreira da Biodiversidade lançada pelas Nações Unidas. Até às 17h30, os interessados poderão também visitar o parque, com orientação técnica, e conhecer um percurso ornitológico. A fechar o dia, das 22h00 às 23h00, o público será convidado, literalmente, a ver estrelas, no âmbito das atividades de astronomia dinamizadas no Observatório Astronómico do Parque Biológico de Gaia. De salientar que esta entidade colabora com a Central Nacional de Anilhagem, coordenada pelo Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, num projeto europeu de Estações de Esforço Constante, para monitorização das aves selvagens. No dia 6 de abril, entre as 10h00 e o meio-dia, o equipamento ambiental vai ainda convidar os cidadãos a pegarem nuns binóculos e a deslocarem-se à Baía de S.

Paio, no estuário do rio Douro, do lado de Gaia, para, com a ajuda de um técnico do parque, poderem identificar as aves do Litoral. O CEAR também delineou vários programas de educação ambiental com vista à sensibilização do público para a importância da adoção de hábitos ambientalmente corretos e da preservação dos recursos da natureza. O Programa Pedagógico das


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M E T R O P O L I S

Ribeiras (PPR), por exemplo, é dirigido a crianças dos três aos 10 anos, jardins de infância, escolas EB1 e ATL, contemplando a visualização de um filme alusivo à natureza, passeios ao longo da Ribeira do Espírito Santo, com interpretação da fauna e flora, e visitas à sala dos Aquários do CEAR. A pensar nas crianças do 2.º e 3.º ciclos e graus de ensino seguintes, foi desenvolvido o Programa de Educação Ambiental das Ribeiras (PEAR), que consiste na interpretação do ecossistema ribeirinho e num passeio pedonal ao longo

da referida ribeira, seguido da análise físico-química de amostras de água e da observação dos aquários. Durante o mês de abril, os programas serão realizados com uma atenção especial aos sinais da chegada da primavera, com os participantes a terem a oportunidade de ouvir os pássaros e a água a correr e de sentir o aroma inconfundível das flores. A seguir a mesma estratégia de consciencialização

ambiental e ecológica está a Estação Litoral da Aguda, que dinamiza sessões de contos sobre o mar, com o objetivo de despertar o imaginário das crianças, sessões didáticas sobre ecologia marinha e oceanografia, com visitas a o M u s e u d a s Pe s c a s e Aquário, e ainda atividades de esclarecimento no litoral da praia da Aguda sobre a zonação biológica e a ecologia das espécies representativas da fauna e flora locais.


P O R T O F O L I O

“O Porto é o lugar onde, para mim, começam as maravilhas e todas as angústias.” Sophia de Mello Breyner


M E T R O P O L I S

VIAJAR PELO Mercado Nazareno

Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Câmara de Santo Tirso

Em Santo Tirso, a Páscoa vai ser celebrada a rigor, com recriações históricas protagonizadas por atores profissionais, demonstrações de técnicas de combate, música e pequenos combates entre soldados romanos. Uma viagem no tempo que promete conquistar miúdos e graúdos em torno dos momentos históricos ligados à ressurreição de Cristo. É uma viagem no tempo que promete surpreender a população de Santo Tirso com alguns dos momentos bíblicos mais marcantes da quadra pascal. A Praça 25 de Abril, situada em frente ao edifício da Câmara, vai transformarse, entre os dias 18 e 21 de abril, num verdadeiro mercado nazareno. Numa iniciativa inédita a nível nacional, um grupo de atores, vestidos a rigor, vai recriar, entre outros episódios, os milagres de Cristo,

a última caminhada, com uma processão pelas ruas da cidade, e a crucificação de Cristo. Para além das questões históricas r e f e r e n t e s à Pá s c o a , o mercado contará com artesãos, mercadores e gastrónomos trajados à época, com tendas próprias e decoração adequada, uma área de diversão infantil, uma “aldeia” temática com dramatizações de peripécias da Bíblia, exposição de animais vivos, demonstração de velhos ofícios, um acampamento

romano e um calvário. Ao longo dos quatro dias, os visitantes vão ter oportunidade de assistir a um pouco de tudo: mostras de armamento e utensílios da época, animações de rua, combates entre soldados romanos, jogos infantis e dramatizações de na rra tiv a s por a tores profissionais. A pensar nos mais novos, haverá ainda os tão apreciados passeios de burro e os contadores de histórias religiosas, empenhados em


SA N TO T I RSO

despertar o interesse das crianças para o tema.

RECRIAÇÕES HISTÓRICAS

Logo na abertura do certame, a 18 de abril, o público poderá assistir a quatro recriações históricas. A primeira delas, marcada para as 15h30, está associada aos “Milagres de Jesus Cristo”, que circulará pelo recinto do evento, curando, entre outros, um cego e um leproso. Uma hora e meia depois, às 17h00, haverá “O julgamento”, peça que “conta o episódio do julgamento feito por Pôncio Pilatos, que lava as suas mãos ao dar a escolher entre Barrabás e Jesus ao povo”. Quando o relógio assinalar as

20h00, será tempo da “Última Caminhada”, durante a qual Jesus, condenado e humilhado, carregará a cruz, escoltado pelos implacáveis soldados romanos. Mais tarde, às 21h30, chegado ao calvário, o filho de Maria será pregado à cruz, entre dois ladrões, com o povo a chorar o seu sofrimento. No dia seguinte, sábado, (19 de abril), o Mercado Nazareno abrirá às 15h00, brindando locais e visitantes com o ambiente típico da época, rico em cores, sons e aromas. Pelas 15h30, haverá a “Recolha de Jesus Cristo”, episódio durante o qual os romanos retiram o corpo morto de Cristo da cruz, deixando-o ao cuidado das mulheres que o embrulham em panos brancos,

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fazendo o pranto do luto. “O enterro” acontecerá às 17h00, com Maria e os apóstolos a vigiarem a sepultura durante a noite. A dramatização dos momentos mais marcantes da quadra prossegue no domingo, 20 de abril, pelas 16h00, com a “Revelação do desaparecimento do corpo de Jesus”. Quatro horas depois, às 20h00, “entre uma forte luz e nevoeiro”, Cristo aparece, deixando a sua última mensagem ao povo. No dia do encerramento da iniciativa (21 de abril), os apóstolos Pedro, João e Tomé percorrerão o recinto para apregoar os ensinamentos de Jesus, apostando na interação com o público.

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M E T R O P O L I S

Novos projetos da Freguesia A junta de Paranhos está, neste momento, a avançar com a concretização de dois projetos que, no prazo de um ano, trarão dois novos equipamentos à freguesia: um refeitório social, com capacidade para servir 160 refeições por dia aos mais carenciados, e um crematório, situado ao lado do cemitério. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Junta de Paranhos

Está já em andamento o projeto da cantina social de Paranhos, que nasce de uma parceria entre a Junta de Freguesia de Paranhos, a Congregação das Irmãs do Bom Pastor e a ANAP (Associação Nacional de Ajuda aos Pobres). Esta parceria tripartida permite que cada uma das três Instituições envolvidas contribua de certa forma para este projeto. A Congregação cederá as instalações, a IPSS [Instituição Particular de Solidariedade Social] estará responsável pelo trabalho e gestão do dia-a-dia e por parte do financiamento e a Junta contribuirá financeiramente e ficará também responsável pela indicação dos beneficiários do serviço, através do estudo social desenvolvido pelos técnicos

da freguesia. O refeitório social ficará situado na rua do Vale Formoso, ao lado da esquadra da polícia do Bom Pastor. Segundo adiantou Alberto Machado, presidente da junta de Paranhos, o serviço apoiará 160 pessoas carenciadas, através de uma sala de refeições com 80 lugares, em funcionamento por dois turnos. “Para além do almoço está previsto também que possam ser servidos jantares e alguns pequenos almoços”, informou, acrescentando que o projeto foi premiado com 15 mil euros pela Missão Sorriso. A junta está, neste momento, em parceria com a ANAP, a promover Rui Oliveira

RUA DO VALE FORMOSO ACOLHE NOVA CANTINA SOCIAL

uma campanha para sensibilizar as pessoas no sentido de doarem 0,5% do seu IRS à IPSS, contribuindo, assim, para que essa percentagem possa ser utilizada neste projeto. Até ao verão, a junta de freguesia de Paranhos espera conseguir reunir a verba necessária ao projeto, orçado em 50 mil euros.


PA RA N H OS

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DAR RESPOSTA À ELEVADA PROCURA DOS SERVIÇOS DE CREMAÇÃO

Dentro de um ano, a junta de freguesia de Paranhos deverá ter em funcionamento o seu novo crematório. O equipamento, cuja construção irá avançar brevemente, surge na sequência de um projeto maior – o do Tanatório de Paranhos – que, por questões orçamentais, teve de ser reformulado. De acordo com o presidente da junta, Alberto Machado, a ideia é, assim, a de avançar, neste momento, com um edifício de serviços técnicos correspondente ao funcionamento do crematório e, numa fase posterior, consoante as disponibilidades financeiras da freguesia, prosseguir com a instalação dos restantes espaços previstos no complexo funerário.

“O Tanatório custar-nos-ia cerca de 600 mil euros e a junta não dispõe dessa quantia”, explicou, esclarecendo que, na prática, a diferença entre os dois equipamentos reside nas zonas destinadas aos serviços associados (capelas de velação, florista, marmorista e secretaria). O autarca decidiu, assim, apostar, no imediato, na construção do crematório, “já que há uma procura cada vez

maior das cremações” e o único equipamento existente no Porto “não consegue responder a todos os pedidos”, chegando a haver períodos em que a espera atinge uma semana. A nova valência, orçada em 250 mil euros, ficará situada num terreno da junta, ao lado do cemitério de Paranhos, na esquina entre as ruas Dr. Manuel Pereira da Silva e Dr. Roberto Frias. REVISTA VIVA, MARÇO 2014


H U M O R

Carneiro

Touro

21/03 a 20/04

21/04 a 20/05

Gémeos 21/05 a 20/06

Bom momento na saúde. Evite comer ervilhas. Peça um descafeinado e não dê gorjeta. Ande de patins em linha à hora de almoço.

Azar na ida à pesca. Regue a horta do vizinho. Apanhe sol entre as 18h00 e as 18h15 todos os dias 19 de cada mês.

Compre uma camisola de gola alta amarela. Faça uma fogueira de tamanho médio na casa de banho. Ponha a camisola de gola alta a arder e publique nas redes sociais.

Caranguejo

Leão

Virgem

21/06 a 22/07

23/07 a 22/08

23/08 a 22/09

Ande de bicicleta com cestinho. Arranje uma pala de pirata e um papagaio fêmea e ofereça-se para cantar fado na paragem de autocarro.

Não dê importância a pormenores. Beba 1,2 litros de água por dia. Rape o cabelo e assista à televisão de boné. Acenda e apague a luz 17 vezes ao deitar.

Use uma meia de cada cor no dia 23 de março. Vá a uma esplanada e diga ao empregado que se chama Alberto. Peça uma torrada pouco torrada por gestos.

Balança

Escorpião

Sagitário

23/09 a 22/10 Monte e desmonte uma boneca russa 7 vezes todos os dias ao acordar. Beba sumo de laranja e limão pela palhinha em copo redondo.

23/10 a 21/11 Vá menos vezes ao ginásio. Coma espargos verdes, brancos nem pensar. Cuidado com gaivotas, mochos e papa formigas.

22/11 a 21/12 Salte à corda pelo menos 2 horas por dia. Adote um gato e encomende 5 pizzas com fiambre, cogumelos e grão de bico. Use mais o agrafador.

Capricórnio

Aquário

Peixes

22/12 a 19/01

20/01 a 18/02

19/02 a 20/03

Inscreve-se num reality show e deixe crescer o bigode. Fume cachimbo e telefone a todos os Paulos que conhecer.

Vá à loja dos trezentos mais perto de sua casa e compre uma gaiola de grilo. Cuidado com as constipações. Tire ou renove a sua carta de pesado de mercadorias.

Faça 34 abdominais totalmente nu. Rape as sobrancelhas e cante tirolês. Compre cerejas e faça empadão de atum.


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C R Ó N I C A

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Processos e estratégias do envelhecimento em meio urbano Cláudia Moura

Professora universitária

A vida na velhice é um acto de liberdade e de escolha, num quadro determinado por coordenadas. Deixo-vos a pensar… a sociedade actual é confrontada perante o paradoxo do fenómeno do envelhecimento - se o desenvolvimento tecnológico da humanidade, avanço da medicina e da ciência, facilita o aumento da longevidade, também instala a questão: mas, o que fazer com este tempo? Daí a urgência em transformar tempo em razão e, por conseguinte, em emoção. A crescente longevidade circunscreve a introdução de novas fases nas idades da vida, a vida necessita, portanto, de ser reinventada. O envelhecimento impõe assim uma reorganização global da vida quotidiana, afinal, nesta fase da vida o idoso é rodeado por alguma ambivalência. Aqui, a atividade social representa o espelho para a construção da identidade e auto-estima. É nesta fase da vida que surge a emergência da intervenção junto do idoso em prol da reforma da identidade, reconstruindo o percurso de vida. Envelhecer resulta da relação estabelecida entre o estilo de vida que se tem ou se deseja ter e a capacidade para o usufruir. É possível dizer que se presencia uma mudança profunda na vida humana, originando a emergência de estratégias através das quais se torna possível reinventar o percurso de vida. Ora, se as estratégias são o

produto de habitus, então, importa compreender, em que medida e como os habitus do idoso em meio urbano podem funcionar enquanto instância de mediação entre as estruturas sociais a que estão sujeitos e as práticas quotidianas que desenvolvem. De modo a responder a estas alterações a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou o projecto Cidade Amiga das Pessoas Idosas, que preconiza a adaptação das estruturas e serviços para que estes sejam acessíveis e promovam a inclusão dos cidadãos idosos. Afinal a representação deste projecto retrata uma nova cultura urbana, onde é permitido às pessoas idosas a participação cívica na sociedade. Tal como iniciamos esta reflexão, os avanços da ciência e da medicina trouxeram o acréscimo dos anos de vida, porém, cabe a cada um a procura pelo desenvolvimento. Tendo a cidade do Porto essa preocupação na presente imagem positiva da velhice, possui características de uma cidade amiga das pessoas idosas através da excelência dos serviços prestados nas diferentes freguesias da cidade. Assim, parece importante referir que cada indivíduo é único e envelhece da forma como viveu.

*Este texto não foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico


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VIVA! março 2014