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Revista gratuita trimestral, março 2013

DOWNTOWN NO CORAÇÃO DA CIDADE

GALIZA

REFÚGIOS NATURAIS

MÁRIO FERREIRA

O “SENHOR” DO DOURO


Plano Activação Santander Totta

de crédito para activar os seus projectos Colocamos a nossa solidez e experiência ao serviço da economia portuguesa O Santander Totta tem sido reconhecido como o melhor e mais sólido banco a operar em Portugal. A nossa capacidade e solidez permitem-nos apoiar o país num momento tão importante como este que vivemos. Com a 2.ª fase do Plano Activação Santander Totta, colocamos à disposição 1.500 milhões de euros de crédito para activar o crescimento da economia portuguesa. Por isso, somos o banco de confiança dos portugueses e das empresas nacionais, disponibilizando as soluções mais adequadas para desenvolver os seus projectos, nomeadamente através da linha PME Crescimento. Integrado no Grupo Santander, com mais de 100 milhões de Clientes e 14.000 balcões em todo o mundo, o Santander Totta é também o parceiro ideal para apoiar a expansão da sua empresa e para o estabelecimento de parcerias de dimensão e valor internacional.

Santander Totta, o seu Banco de Confiança


E D I T O R I A L

Casa sem música A máxima de que “a César o que é de César” não se cumpriu minimamente no caso do orçamento, para 2013, da Casa da Música, no Porto, com o Estado central a marimbar-se para os legítimos interesses do Porto e da região Norte e a impor, ditatorialmente, a sua vontade. Sabemos que se vivem tempos de crise, de sofrimento, mas nem tudo é justificável para este estado de exceção. Tinha, a Casa da Música, o seu orçamento para 2013, previamente determinado, em função de compromissos verbais assumidos, em reunião do Conselho de Fundadadores e da Comissão Executiva, pela tutela direta, neste caso a Secretaria de Estado da Cultura, liderada por Francisco José Viegas, em abril de 2012. O novo secretário de Estado, Barreto Xavier, fez tábua rasa das promessas do seu antecessor e impôs, à Casa da Música, um corte orçamental de 30 por cento, mais 10 por cento do que Viegas tinha aceite. Num orçamento de oito milhões é quase um milhão de euros que está em causa, verba vital para sustentar a programação já delineada em 2012 – em função dos compromissos aceites – e que incluía as responsabilidades com a Orquestra Sinfónica Nacional que a infraestrutura absorveu, entretanto, e que, por si só, representava um encargo de cinco milhões de euros anuais para o Orçamento de Estado. Aliás, o Centro Cultural de Belém, por acolher a Fundação Berardo, também só teve um corte orçamental de 20 por cento….Claro, mas o Centro Cultural de Belém, está situado em Lisboa… A prepotência da decisão de Barreto Xavier determinou que a administração da Casa da Música se demitisse em bloco. Com menos um milhão no seu orçamento anual, a Casa da Música anunciou que irá manter a programação prevista para 2013 – com muitas dificuldades como é previsível – mas tudo se irá complicar para 2014, ano que já deveria estar a ser planeado agora, o que não está a acontecer por a instituição não saber com que verbas irá, realmente, contar. Esta decisão governamental é tanto mais inexplicável quanto a Casa da Música do Porto custa cada vez menos ao erário público, nomeadamente a partir de 2006, aquando da criação da Fundação da Casa da Música. Em 2005, a Casa da Música, e a então Orquestra Nacional do Porto, custaram ao Estado 15 milhões, enquanto em 2011, com a orquestra entretanto transformada em Orquestra Sinfónica do Porto, e já plenamente integrada na Casa da Música, a dotação do Estado foi de 8,5 milhões, aos quais acresceram 250 mil euros da transferência anual da Câmara Municipal do Porto. O mecenato representa um pouco mais de dois milhões de euros anuais, 18 por cento do total das receitas. A Casa da Música, que em 2011 programou 1640 eventos, aos quais compareceram 260 mil espectadores – um número que cresce para mais de meio milhão se contabilizarmos todos os que visitam o edifício projetado por Rem Koolhas, emprega 200 pessoas, metade das quais são músicos da Orquestra Sinfónica do Porto. José Alberto Magalhães REVISTA VIVA, MARÇO 2013


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S U M Á R I O

008 Mário Ferreira, o “senhor” do Douro PERFIL

014 33 anos de festival FANTASPORTO

024 Torre dos Clérigos MÁQUINA DO TEMPO

032 Galiza: Refúgios Naturais DESTINOS

036 ASAE UM DIA COM

042 Porto Canal TELEVISÃO

046 Abertura Eskada Porto DOWNTOWN

054 FC Porto Mais um recorde batido DESPORTO

084 SANTA CATARINA, rua de escritores e poetas MEMÓRIA

098 FAZER FLORESTA AMP


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Revista gratuita trimestral, março 2013

FICHA TÉCNICA Propriedade de: ADVICE - Comunicação e Imagem Unipessoal, Lda. Sede de redação: Rua do Almada, 152 - 2.º - 4050-031 Porto NIPC: 504245732 Tel: 22 339 47 50 - Fax: 22 339 47 54 adviceporto@mail.telepac.pt adviceredaccao@mail.telepac.pt www.viva-porto.pt Diretor Eduardo Pinto Editor José Alberto Magalhães Redação Marta Almeida Carvalho Mariana Albuquerque Fotografia Virgínia Ferreira Marketing e Publicidade Eduardo João Pinto Célia Teixeira Produção Gráfica Diogo Oliveira Impressão, Acabamentos e Embalagem Multiponto, S.A. R.D. João IV, 691-700 4000-299 Porto Distribuição Mediapost Tiragem Global 140.000 exemplares Registado no ICS com o nº 124969 Membro da APCT

ÍNDICE 003 EDITORIAL 020 À DESCOBERTA 028 EDP GÁS 046 DOWNTOWN 058 EXTERIORES 060 ATUALIDADE 064 NORTECARE 074 PORTO 080 PORTO VIVO SRU 082 ÁGUAS DO PORTO 086 MÚSICA 088 MATOSINHOS 094 GAIA 102 CARTAZ 104 FREGUESIAS 112 HUMOR 114 CRÓNICA

Depósito Legal nº 250158/06 Direitos reservados

REVISTA VIVA, MARÇO 2013


P E R F I L

O “SENHOR” DO DOURO Sem medo de arregaçar as mangas, o empresário português Mário Ferreira, da Douro Azul, continua empenhado em levar a marca Douro além-fronteiras, ultrapassando, até, os limites espaciais. Com ele, a bordo da Spaceship da Virgin Galactic, vai levar uma garrafa de Vinho do Porto, o expoente máximo da região. Texto: Mariana Albuquerque | Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira


M Á R I O F E R R E I RA

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Descontraidamente sentado num dos sofás do A “ver navios” seu escritório, em Miragaia, é com simplicidade A forte ligação ao mar e ao Porto de Leixões e pragmatismo que Mário Ferreira, CEO da Douro começou a ser sentida ainda em criança, quase Azul, revela aquele que tem sido, até agora, o que a denunciar a estreita relação que viria a ser principal ingrediente para o sucesso do seu ne- desenvolvida anos mais tarde. “Desde pequeno gócio. “Em poucas palavras, sou um homem de que gostava de ouvir as entradas e as saídas dos trabalho. Sem ele, ninguém vai a lado nenhum”, navios. Havia a tradição dos apitos de despedida assegurou, com a experiência de quem já teve de um porto e achava isso interessante”, afirmou, de arriscar muito ao longo da vida profissional. confessando encarar estas recordações com Ultrapassadas as dúvidas naturais de um mi- alguma nostalgia. údo de 16 anos que decide ir trabalhar para o Aos 16 anos, Mário Ferreira começou a escrever estrangeiro, o conhecido empresário, natural as páginas daquele que viria a ser um dos seus de Matosinhos, aprendeu a não estabelecer maiores desafios – sair de Portugal “sozinho, limites e a acreditar que, com “ambição, visão com 50 libras no bolso”, para ir trabalhar em e bons princípios” é possível chegar longe. Tão barcos de cruzeiro. “Sentia uma enorme preslonge como ao espaço, para onde já tem viagem são. A aventura tinha de correr bem porque marcada a bordo da Spaceship da Virgin Galactic. o meu pai me disse que, depois de sair, já não me deixava voltar”, contou, revelando ter assumido as consequências da sua decisão. Depois de quatro anos de trabalho em Londres, REVISTA VIVA, MARÇO 2013


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o português teve a oportunidade de dar a primeira volta ao mundo. De acordo com o empresário, as aventuras vividas ao longo destes primeiros anos foram fundamentais, concedendo-lhe “experiência e bagagem” para o desenvolvimento, já em solo nacional, dos atuais negócios, associados às áreas do turismo, imobiliário e transportes.

Douro Azul

Douro

Azul

O início de um projeto inovador Aos 26 anos, Mário Ferreira bateu o pé às dificuldades e comprou o seu primeiro barco. “Foi um investimento difícil, como todos, em Portugal, para pessoas jovens e desconhecidas. Os bancos não acreditavam”, referiu, realçando que os obstáculos permaneceram na altura da aquisição do segundo e terceiro barcos. “Só a partir do quarto navio é que comecei a ter a confiança da banca nacional, no sentido de acreditarem que o Douro poderia, efetivamente, ser um destino de sucesso”, notou, sublinhando que só 20 anos depois é que conseguiu prová-lo aos bancos internacionais. Ainda assim, após décadas de trabalho, acrescentou, a Douro Azul conseguiu conquistar a confiança da banca estrangeira, aspeto que lhe permite “usufruir de condições que poucas empresas terão em Portugal”. O crescimento da empresa surge, aliás, refletido nos seus próprios números. Em 2012, transportou cerca de 14 mil passageiros de 39 nacionalidades, correspondendo a 100 mil dormidas na região do Douro. A partir do próximo ano, passará a contar com 12 navios-hotel (neste momento tem 10), garantindo 1200 camas. Até 2020, a Douro Azul já tem 160 milhões de euros pré-vendidos a operadores internacionais. Além disso, pretende ainda reforçar a frota com um novo helicóptero, “que está a chegar”.

Douro

Contrariamente ao que se verifica, por exemplo, nas áreas da restauração e dos hotéis, que oferecem serviços aos turistas que visitam o nosso país, a estratégia de negócio da Douro Azul é diferente, passando, em primeiro lugar, pela criação de procura no exterior. “O nosso negócio tem potenciado

Azul

Modelo de negócio baseado na criação de procura


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o crescimento turístico do Porto, já que vamos buscar os clientes ao estrangeiro, trazendo-os para cá”, explicou Mário Ferreira. “Importamos os clientes e exportamos os serviços”, acrescentou, assegurando que a empresa funciona também, neste momento, como uma fonte de atração turística para a cidade. “Os restantes negócios, como os hotéis e os restaurantes vivem das pessoas que cá vêm. Nós criamos a procura e depois oferecemos. Estimulamos, incentivamos e quando as pessoas querem vir ao nosso país, construímos os barcos”, esclareceu. De resto, para o empresário, a beleza da cidade Invicta não carece de grandes explicações. “O Porto é, e sempre foi, bonito”, afirmou, sustentando que os grandes avanços no setor turístico só foram possíveis graças a estruturas como o aeroporto e o novo cais turístico de navios, em Leixões. “São infraestruturas que permitem trazer os turistas à cidade, que está preparada para os receber”, notou. Para o CEO da Douro Azul, a privatização da ANA - Aeroportos de Portugal não vai ameaçar o turismo nacional. “Já estão salvaguardadas as situações necessárias para que, a curto prazo, tudo se mantenha e, a longo prazo, qualquer empresa quer é a rentabilidade do seu investimento”, defendeu, certo de que “ninguém vai investir para perder dinheiro”. O responsável está, portanto, confiante de que os aeroportos não vão perder movimento, uma vez que todas as partes apresentam “os mesmos interesses”. Ainda a propósito do desenvolvimento do turismo na região Norte, o precursor dos cruzeiros no Douro defendeu que o Porto tem de “continuar a ser dinâmico e a criar situações” que o levem a ser falado além-fronteiras. “A cidade está a ser cada vez mais reconhecida, nomeadamente pela ‘National Geographic’ e agora pelo ‘New York Times’ que, entre as 40 cidades a visitar este ano, recomendou o Porto. Todos os anos tem de acontecer alguma coisa”, sublinhou o empresário, destacando a importância da promoção para que a cidade “não adormeça”. “Não tem de ser necessariamente uma promoção publicitária como se fazia antigamente, em que se colocava uma chapa no jornal. Hoje, a promoção das cidades está como a publicidade nos filmes. Tem de ser em estilo ‘soft sponsoring’, feita de forma

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silenciosa”, realçou. As transformações geradas pela introdução do metro na cidade foram, para o empresário, muito positivas. “O serviço acabou com muito do trânsito caótico que vinha para a baixa”, reconheceu, sustentando que o aparecimento de infraestruturas como a Casa da Música e as obras feitas no âmbito da Capital da Cultura, ainda que atrasadas, também contribuíram para a agitação cultural e social do Porto. E de facto, a procura do Douro tem sido de tal forma reforçada que a Douro Azul se viu obrigada a adiar um pouco o processo de internacionalização, previsto, por exemplo, para o Brasil. “A procura é tanta que nos obriga a ter de dar resposta o que, por sua vez, nos leva a construir mais barcos, a fazer mais investimentos e a contratar mais pessoas: estamos a recrutar 222 colaboradores para virem trabalhar para a empresa”, recordou Mário Ferreira, garantindo que não há necessidade de partir para o estrangeiro se ainda há tanto a fazer em território nacional.

O primeiro português a “Caminho das Estrelas” Depois de já ter viajado pelos quatro cantos do globo, o empresário português continua à espera da autorização para efetuar uma viagem ao espaço, a bordo da Spaceship da Virgin Galactic, em resposta a um projeto de Richard Branson, ao qual decidiu, imediatamente, aderir. “A viagem tem sido adiada por uma razão muito simples: a FAA (Federal Aviation Administration) tem que legalizar e certificar a nave”, esclareceu, revelando tratar-se de um processo moroso. Ainda assim, assegurou, a “nave está pronta há muito tempo e já realizou mais de 78 testes”. “A certificação do primeiro modelo do protótipo demora sempre muito tempo. As réplicas, depois, serão rápidas”, salientou, garantindo estar tranquilamente à espera do telefonema da agência americana. Entretanto, o protótipo da garrafa de vinho do Porto que o empresário levará na viagem espacial, em representação do símbolo maior da cidade e da região, já está pronto. De realçar ainda que a primeira empresa europeia especializada em turismo espacial – “Caminho das Estrelas” - criada por Mário Ferreira, já vendeu quatro viagens a REVISTA VIVA, MARÇO 2013


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passageiros portugueses, havendo mais algumas dezenas de interessados que estão à espera do arranque dos voos regulares. “Os que já pagaram [200 mil dólares] ficaram com um lugar dianteiro garantido. Depois, passarão a haver voos regulares com várias naves”, referiu o empresário, informando que a intenção de Richard Branson é a de que haja cinco naves em funcionamento simultâneo. Mas antes de partir para “outros mundos”, Mário Ferreira fez questão de assegurar os elevados níveis de adrenalina com os pés bem assentes no chão. A participação no último Rali Dakar em África – a maior e mais dura prova de automobilismo em todo-o-terreno – foi uma das suas “experiências mais marcantes”. “Na América do Sul passa-se por sítios lindíssimos, mas é tudo mais civilizado. Parte-se uma peça e não falta assistência. Agora em África, é muito mais difícil”, garantiu, destacando ter vivido 15 dias das mais variadas aventuras. Outros dois momentos “inesquecíveis” para o empresário foram relatados no seu livro “Na onda de um sonho”, no qual conta as viagens realizadas aos vinte anos. O primeiro é relativo ao fenómeno do “sol da meia-noite”, na Islândia. “Imaginar é uma coisa, sentir é outra”, assegurou, acrescentando que o segundo momento foi a pior tempestade que atravessou, no Mar do Norte, às primeiras horas da sua primeira viagem. “Para andar no corredor tinha de ser aos saltinhos, em ziguezague. Andei enjoado o dia todo mas, a partir daí, nunca mais enjoei”, mencionou, com boa disposição. Assumidamente apaixonado por fotografia, Mário Ferreira adquiriu todo o espólio da Foto Beleza que conta com um sem número de imagens do Porto, a par de uma vasta coleção de máquinas fotográficas, onde se destacam algumas relíquias.

“Só a partir do quarto navio é que comecei a ter a confiança da banca nacional, no sentido de acreditarem que o Douro poderia, efetivamente, ser um destino de sucesso”

“Spirit of Chartwell”: ideia concebida numa corrida à beira rio Entre dias ocupados com reuniões e momentos de lazer passados em família, Mário Ferreira não prescinde das suas corridas pela marginal. Foi, aliás, num desses percursos que o empresário começou a desenvolver uma ideia voltada para a aposta em cruzeiros de superluxo. “Ia a correr e pensei ‘hoje vou tirar a manhã para ver o que fizeram ao barco da Rainha Isabel II’”, contou, referindo-se ao “Spirit of Chartwell”, utilizado nas comemorações do Jubileu da Rainha, no Tamisa. “E assim foi. Descobri onde estava e fiz uma oferta. Disseram-me logo que não. Passadas duas semanas, marcaram uma entrevista em Londres e fechámos o negócio”, descreveu. De acordo com o responsável, o navio real tem despertado muita curiosidade por parte do público. “Foi totalmente remodelado para o Jubileu e é muito luxuoso”, referiu, acrescentando que o barco apresenta 14 quartos e uma suite. Além de apreciar a beleza do Douro, o empresário identifica também outros pontos fortes característicos da cidade do Porto: o nascer e o pôr do sol e, essencialmente, as pessoas. Aliás, acrescentou, a admiração pelos portuenses refletiu-se até num jantar de Natal para 450 pessoas de Miragaia, que a Douro Azul organizou juntamente com a Alfândega, servido exatamente “pelo pessoal do escritório”. Engenheiros, economistas e outros funcionários assumiram, assim, a tarefa de servir as gentes da cidade, alma da Invicta.


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Texto: Mariana Albuquerque | Marta Almeida Carvalho Fotos: Fantasporto

“Mas por que é que vocês não fazem um festival?”, questionou-o Henrique Alves Costa, co-fundador do Cineclube do Porto. “Eu sei lá como é que se faz um festival!”, respondeu Mário Dorminsky, entre amigos, num momento de amena cavaqueira. O certo é que, mais de três décadas depois de um diálogo que viria a abalar a experiência cinematográfica vivida na cidade Invicta, o Fantasporto acaba de celebrar a sua 33.ª edição, tendo já assegurada uma imagem de sucesso além-fronteiras. O maior evento de cinema português, fundado por Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky (cinéfilos assumidos) e pelo pintor José Manuel Pereira, foi inclusivamente considerado pela revista “Variety” um dos vinte e cinco mais importantes festivais do mundo. Daí que a palavra “sucesso” esteja, de acordo com a diretora do Fantas, intimamente ligada a todo o percurso do festival. “Tivemos, desde logo, muito sucesso, tanto em termos de público como junto

da crítica. Começámos a evoluir e chegámos a um ponto em que obtivemos, de facto, o reconhecimento internacional”, resumiu.

“Sede de cinema” pós-1974

Alguns anos antes da primeira edição do festival, que arrancou em 1981, Dorminsky e Beatriz criaram a revista Cinema Novo, mantendo igualmente uma participação ativa na exibição de filmes, nomeadamente nos Cinemas Lumière. “Era uma altura, em 1974, em que as pessoas aderiam facilmente, tinham necessidade de conhecer o cinema que, no fundo, não tinham visto durante muitos anos”, explicou o diretor do evento, referindo-se aos efeitos da ditadura em Portugal. Assim, na expectativa de tirar partido desta “sede de cinema”, decidiram dedicar uma das edições ao género fantástico, muito por influência de dois filmes, em exibição na altura, que acabaram por marcar irremediavelmente o universo do cinema: “A Guerra das Estrelas”, de George Lucas, e “Encontros imediatos de terceiro grau”, de Steven Spielberg. Aliás, acrescentou o responsável, já nessa altura se comprovou a lógica de que o fantástico


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Carlos Alberto, o espaço “mágico” do Fantasporto

tende a emergir de forma significativa nas salas de cinema quando existe crise económica a nível mundial. “É por isso que hoje, 90% dos filmes que estão a ser exibidos nas salas comerciais são de características fantásticas”, sustentou. Para além do número especial da revista, os dois fundadores do festival decidiram ainda realizar um ciclo de cinema. “Como cinéfilos que sempre fomos, sentimos que estávamos a ter um papel pedagógico. Queríamos transmitir a ideia de que fantástico não é sangue, não são tripas, não é horror. É, sim, o imaginário, tudo aquilo que não é real”, explicou Dorminsky, salientando que, nesse sentido, recorreram ao expressionismo alemão, do período dos anos 20/30, ao cinema português, de características oníricas, e a filmes muito recentes daquilo que era o cinema imaginário. “Nessa altura, já apareceram nomes como David Lynch, com Eraserhead, e David Cronenberg. Assim, o programa reuniu logo um conjunto de nomes que vão marcar o cinema a partir dessa data. Exibimos, inclusivamente, um filme chinês de animação, isto em 1980”, recordou.

Entre 1980 e 81, ficou registada uma mudança nos espaços culturais da cidade. Apesar de serem todos privados, o cinema Carlos Alberto passou a estar sob a alçada da Secretaria de Estado da Cultura, permitindo aos criadores do evento o estabelecimento de um acordo para a programação temporária do espaço. Assim, foi num momento de descontração no portuense café Luso que Beatriz, Dorminsky e José Manuel Pereira começaram a desenvolver as bases do que viria a ser o Festival Internacional de Cinema do Porto. “A ideia era precisamente a de trabalhar o fantástico em termos de imagem”, descreveu Mário Dorminsky, acrescentando que este primeiro ciclo de cinema recebeu cerca de 45 mil pessoas. O trabalho de cobertura jornalística que realizavam para a Cinema Novo acabou por ser também fundamental para a construção do conceito do Fantas. “Fomos fazer a cobertura de um festival de cinema numa vila, perto de Barcelona, chamada Sitges, onde falamos com muita gente, particularmente com duas pessoas ligadas à história do cinema e especializadas na área do fantástico”, contou, realçando que regressaram ao Porto ainda mais convictos de que o fantástico é, realmente, tudo aquilo que não é realista. Ainda assim, na altura da segunda edição do festival, em 1982, uma manchete publicada num dos jornais diários portugueses viria a ditar uma quase eterna associação do Fantasporto ao horror. “Sangue corre nas ruas do Porto” foi a expressão utilizada para anunciar a chegada do evento, que incluía, já nessa altura, convidados e secções competitivas. “Mataram a lógica do festival. As pessoas depois iam à procura do sangue. Por outro lado, teve uma

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vantagem enorme: o nome ficou gravado, nunca mais ninguém esqueceu”, sustentou. É que apesar de, ainda hoje, o evento ser apelidado, por alguns, de “Fantasmaporto”, a verdade é que a expressão surgiu da referência usada nas cartas-ofício. “Escrevia-se ‘Exmo Sr. Fulano de Tal...; Assunto: FantasPorto’. Era foneticamente simples e muito elucidativo”, explicam os diretores, no site oficial do evento de cinema. Os públicos, esses, eram já na altura “completamente transversais à sociedade, desde o estudante ao senhor do talho”, o que surpreendia os organiza-

É por isso que, tal como referiu Mário Dorminsky, o ambiente criado em torno do Fantasporto sempre foi uma das suas grandes mais-valias. “O festival teve sempre a particularidade de reunir as pessoas para falarem de cinema”, realçou. E Gabriela Couto, de 59 anos, confirma. “Lembro-me, principalmente, do ambiente. Toda a gente se juntava, no intervalo, para falar do que se estava a ver”, recorda, defendendo que era quase “moda” marcar presença no evento. Nos últimos anos tem passado, de forma mais esporádica, pelo Rivoli, mas o local de eleição continua a ser o Carlos Alberto. “Toda a magia, as

dores uma vez que, só quando o festival começou a ser realizado no Rivoli, é que os filmes passaram a ser legendados. “A imagem só por si chega, não é preciso mais nada”, era a resposta dada por muitos participantes, que recusavam faltar às sessões. Vítor Barros, de 72 anos, é um dos fiéis que, ainda hoje, não prescinde de ir ao festival. “Lembro-me bem dos primeiros festivais, nos inícios dos anos 80”, recorda, salientando a necessidade que os portugueses tinham de consumir cultura, em estado puro. “As sessões do ‘Fantas’ vieram revolucionar o cinema que, antes do 25 de Abril, era cinzento, apresentando filmes repletos de censura e de cortes ridículos”, descreveu. Para este participante habitual, o Carlos Alberto é o grande ícone do evento. “Lembro-me bem daquelas sessões no Carlos Alberto onde os filmes nem sequer eram legendados, mas onde toda a gente fazia questão de marcar presença”, acrescentou.

origens do festival, estão lá”, refere, salientando que a decoração exterior alusiva ao festival ainda lhe provoca uma certa nostalgia. “Recordo com saudade aquelas imagens caóticas, tão características do festival, que vestiam a fachada do Carlos Alberto bem como os incontornáveis anúncios à marca Super Bock”. Não se recorda do preço dos bilhetes mas “não eram caros”, sobretudo pela “variedade e intensidade dos filmes” que eram exibidos.

“Semana dos Realizadores”: de acessório a núcleo central No final da década de 80, com a dissipação da crise, os fundadores do Fantasporto começaram a sentir que também a criatividade em termos de cinema fantástico tendia a desaparecer. “Dilema monumental: o que vamos fazer? Acaba o Fantasporto? Continua com filmes maus?”, questionaram-se.


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podemos dizer que a Europa começa a ter um peso significativo”, esclareceu. Desta forma, em meados de 90, quando o Fantas chega ao Rivoli, saído do “mítico” Carlos Alberto, integra já uma secção de cinema fantástico, outra de cinema geral – que é a semana dos realizadores – as retrospetivas e outros eventos paralelos ligados, por exemplo, ao teatro, à música, às artes plásticas.

“Oriente Express”, a terceira categoria competitiva

Assim, “para garantir a qualidade do festival”, foi criada a “Semana dos Realizadores”, estratégia destinada a potenciar um público mais amplo. Aliás, a aposta em autores emergentes era já uma das estratégias do festival. “Danny Boyle ganhou o Fantasporto em 1986 com ‘Shallow Grave’, que foi o seu primeiro filme. Michael Haneke também venceu, no início da década de 90”, lembrou Dorminsky, acrescentando que muitos dos realizadores agora conhecidos passaram pelo Fantas com os seus primeiros filmes, o que constitui, para os seus fundadores, um grande motivo de orgulho. Aliás, para Beatriz Pacheco Pereira, “é essa descoberta que faz o público” do evento. A Semana dos Realizadores rapidamente deixou de ser um acessório para se tornar “o núcleo central do festival em termos de qualidade”, uma vez que, como sublinhou Dorminsky, “o fantástico tem muitos altos e baixos”. Além disso, permitiu alterar um pouco a lógica inicialmente instituída. “O grande produtor de cinema fantástico é os Estados Unidos e quando entramos na Semana dos Realizadores

Ainda que não se tenha refletido no número de participantes no festival, a mudança para o Rivoli foi encarada com alguma desconfiança. “As pessoas não entravam com o à-vontade do costume. Vão mudando os públicos e surge uma segunda geração que vai ao Fantas não só pela parte mediática mas também porque a geração anterior lhe diz que é bestial. E nós tínhamos que garanti-lo”, explicou o diretor. Assim, tendo em conta que, em finais dos anos 90, o evento começou a ter demasiados filmes orientais, a organização decidiu que a melhor solução seria a de alargá-lo, criando uma terceira secção competitiva chamada “Oriente Express”. Assim, com a nova categoria introduzida no programa e com a exibição de filmes orientais que já se fazia anteriormente, o Fantasporto introduziu o cinema coreano na Europa.

“Dar ao cinema português a mesma dignidade na seleção de filmes” A introdução de determinadas características inovadoras ao longo do processo de crescimento do Fantasporto transformaram-no, de acordo com Beatriz Pacheco Pereira, num evento único a nível mundial. “Não há nenhum festival no mundo que


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“Somos um país de Turismo e não o trabalhamos”

tenha, por exemplo, os cruzamentos que nós temos com outras artes. Logo na primeira edição tivemos concertos, exposições de artes plásticas, passeios, uma parte cultural muito forte”, descreveu. Além disso, para a escritora, a existência de uma temática anual confere também consistência ao evento. A cinéfila acrescentou ainda que o Fantasporto foi “o primeiro festival a tentar dar ao cinema português a mesma dignidade” em termos de seleção de filmes. “Antigamente, tínhamos o critério de mostrar o cinema português. Mostrávamos tudo. Há dois anos, decidimos que era preciso mostrar o bom cinema português, que só pode ser apresentado quando há uma seleção apertada”, sublinhou. Instituiu-se, assim, o prémio Cinema Português em duas vertentes: na de melhor filme e na de melhor escola de cinema. “A concorrência entre estabelecimentos de ensino faz com que eles se esmerem. Neste aspeto, o Fantas também foi inovador. Não há outro festival que faça uma competição entre escolas de cinema”, sublinhou a fundadora do festival, sustentando que, atualmente, já existem produções aceitáveis que revelam, por exemplo, um cuidado com a fotografia e os efeitos especiais.

Apesar da forte projeção mundial, a concretização do festival, a cada ano que passa, tem-se revelado um desafio, sobretudo numa altura em que, contrariamente ao que acontecia no passado, a maior fatia orçamental é proveniente do Estado. “O facto de, nos últimos anos, o orçamento ser 70% do Estado e 30% de privados é perigosíssimo”, notou Mário Dorminsky. Dificuldades essas que a organização afirma não compreender, tendo em conta as características do evento e do próprio país. “Temos cá órgãos de comunicação social de todo o mundo. Portugal continua a ser cego. Somos um país de turismo e não trabalhamos o turismo. Há um diamante em bruto que é o Fantasporto, que deve ser trabalhado. Nós não podemos é investir mais porque já cumprimos algo importante – dar uma imagem fortíssima de Portugal no estrangeiro”, afirmou, salientando que, por vezes, a perceção do Fantas é melhor no exterior do país devido ao tratamento “ligeiro” que a comunicação social portuguesa dá ao tema. Ainda assim, defendeu, os esforços “valeram, valem e valerão sempre a pena”. “Temos um produto cultural fortíssimo em termos de imagem para a cidade e assumimos, desde logo, que nunca sairíamos do Porto, com guerras ou sem guerras”, assegurou o diretor do festival que, ao fim de 20 anos, continua focado na mesma máxima: a de ver o diamante Fantas - ainda em estado bruto - a ser cuidadosa e inteligentemente polido. REVISTA VIVA, MARÇO 2013


À D E S C O B E R T A

Um prémio de ‘bandeja’ A Fundação da Juventude lançou o desafio. Nuno Mota e Rossana Ribeiro arregaçaram as mangas e puseram mãos à obra. O resultado foi um projeto premiado com o primeiro lugar num concurso nacional de design e de ideias criativas. O objeto, uma bandeja reversível que integra um porta-guardanapos, colheres e açucareiro, é multifacetado e ainda traz um relógio…. Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira


P R OJ E TOS I N OVA D O R E S

O concurso, patrocinado pelas marcas Revigrés e Sical, determinou a opção dos primos pela criação de um objeto multifuncional que fugisse ao estereótipo das tradicionais bandejas de café e que trouxesse uma nova imagem para o setor. “Tentamos fugir ao metal, uma vez que é o material mais usado neste tipo de objeto”, explicou Nuno Mota, arquiteto, que, juntamente com a prima Rossana Ribeiro, estudante finalista do curso de arquitetura, conceberam um projeto inovador, 1.º prémio no concurso de design e de ideias criativas. “Isto nasceu quase por brincadeira, uma vez que não somos designers”, refere Nuno Mota. “Foi um

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desafio interessante que nos permitiu pôr à prova as nossas capacidades de trabalho e de pesquisa”, diz Rossana Ribeiro, salientando a tarefa intensa de estudo de materiais, formas, ergonomia e versatilidade, sem esquecer uma componente importante: a da originalidade.

Versatilidade funcional

Os utensílios de “pontos de venda” - material para espaços onde a marca é comercializada fizeram parte do tema escolhido e o resultado foi uma bandeja reversível, que se desmultiplica em vários objetos que se encaixam numa só peça. REVISTA VIVA, MARÇO 2013


À D E S C O B E R T A

Como conceito regulador da proposta, partiram de um objeto simples e imediato – a chávena de café. “Estabelecemos a silhueta estilizada da chávena como o denominador comum a todas as peças, dotando-as de linhas marcantes e de uma identidade própria e específica”, explicam, salientando que a intenção de pensar o conjunto como um todo, que se veio a refletir no resultado final, funciona muito bem já que os objetos, que “se agrupam como numa peça única”, são dotados de versatilidade funcional, podendo ser utlizados de forma independente e autónoma, sem qualquer prejuízo. A bandeja, construída em borracha termoplástica, um material silencioso, antiderrapante e suave ao toque, destacou-se na competição pelo prémio, sendo um dos quatro objetos pré-selecionados e o que viria a marcar a preferência do júri, pela sua versatilidade e originalidade. A peça principal foi concebida de forma a que todos os elementos que a acompanham se possam encaixar na perfeição, compondo uma só. De um lado serve como bandeja, invertida pode ser usada como um tabuleiro ou uma mesa de suporte.

Aposta ganha

Este foi um prémio importante para a dupla, que se debate com as dificuldades de uma profissão que, como muitas outras, sofre de precárias oportunidades de trabalho. Rossana terminou o curso, estando a realizar a tese de licenciatura que, enquanto não for concluída, não lhe permite realizar o estágio profissional, o que definiu como um “grande contratempo”. Nuno Mota, integrado num gabinete de arquitetura em Ermesinde, finalizou, recentemente, a ilustração de um livro infantil e tem abraçado diversos projetos fora do âmbito da área de formação, nomeadamente a participação numa performance de dança contemporânea, que também ganhou o prémio de Jovens Criadores 2012. Ambos reconhecem a produtividade do trabalho em conjunto e consideram-no “uma aposta ganha”. Daí que a possibilidade de novos projetos em “dupla” seja para manter. A bandeja que “desenharam” irá, a curto prazo, ser fabricada e, para já, a finalidade é a de usá-la nos grandes eventos da marca, podendo, mais tarde, estender-se a outros espaços.


REVISTAVIVA, Janeiro 2012


M Á Q U I N A

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T E M P O

A torre que

desafia a tradição Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira

A Torre dos Clérigos, que, ao longo de 2013, está a comemorar os 250 anos da sua construção, é um dos mais representativos e populares monumentos da cidade do Porto. O que nem todos sabem é que já foi utilizada como relógio e telégrafo, tendo, até, servido como ponto de referência aos navios que se dirigiam ao Douro. Os restos mortais do arquiteto que a concebeu, Nicolau Nasoni, encontram-se sepultados na Igreja dos Clérigos, embora não se saiba onde.


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TORRE DOS CLÉRIGOS

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onsiderada por muitos o ex-libris da cidade do Porto, a Torre dos Clérigos faz parte de um único edifício onde está também integrada a igreja com o mesmo nome, que começou a ser construída em 1732. Da autoria do pintor e arquiteto italiano Nicolau Nasoni, a Igreja dos Clérigos foi uma das suas obras mais imponentes e uma das representações mais marcantes do estilo barroco. Em 1748, embora ainda não estivesse concluída, foi aberta ao culto, sendo que só foi dada como terminada em 1779. Mas o verdadeiro ex-libris da cidade do Porto é a torre sineira que se ergue nas costas da igreja. Do mesmo autor, e com 75 metros de altura, que se sobem através de 197 degraus em espiral estreita, a Torre dos Clérigos foi concluída em 1763, também em estilo barroco, e está classificada pelo IPPAR como Monumento Nacional desde 1910. Embora não se possa precisar, com certeza, a data do final da construção, certo é que em 1763 os sinos foram tocados pela Paz, aquando da assinatura do Tratado de Paris entre o Reino Unido, França, Portugal, Espanha, Prússia e Áustria, que pôs fim à Guerra dos Sete Anos. Na época da sua construção era o edifício mais alto de Portugal. De acordo com o historiador Hélder Pacheco, personalidade convidada pela Irmandade dos Clérigos para escrever o livro comemorativo dos 250 anos da torre, o conjunto dos Clérigos

contou com três fases distintas: a construção da igreja, de um hospital e da torre, embora o primeiro documento sobre a edificação do conjunto – um auto feito aquando da entrega do terreno para a construção da igreja pelos representantes da Câmara Municipal do Porto – mencione já a construção da futura «torre da cidade».

Conjunto dos Clérigos

O conjunto (igreja, hospital e torre) nasceu da iniciativa de três irmandades de clérigos pobres que se fundiram numa só com o mesmo objetivo: o de socorrer os doentes e assistir os moribundos. Nasceu assim a Irmandade da Assunção de Nossa Senhora, S. Pedro e S. Filipe de Nery do Socorro dos Clérigos Pobres da Cidade do Porto que, em 1707, decidiu construir o edifício, inicialmente formado pela igreja, secretaria e enfermaria que deu origem ao extinto Hospital dos Clérigos, que funcionou em instalações anexas à igreja. De acordo com Germano Silva, e mediante um assento de 1780, o hospital “achava-se com a possível decência e com a boa e prompta administração aos doentes” mas “nele não entrará Enfermo algum que padesa moléstia contagioza: porq. Em tal cazo, sendo pobre, será mandado socorrer na caza da sua abitassam…”. Conta-nos o historiador que o primeiro doente entrou neste hospital em março de 1754 e o último em julho de 1828. O local onde o conjunto dos Clérigos foi construído REVISTA VIVA, MARÇO 2013


M Á Q U I N A

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denominava-se, anteriormente, de Cruz da Cassoa, onde se realizava, anualmente uma feira franca.

O projeto de Nasoni A ideia inicial fazia prever a construção de duas torres, o que era habitual nas igrejas portuguesas, e não apenas de uma. Mas a influência toscana de Nasoni levou-o a optar por uma só torre “ainda para mais nas traseiras da igreja o que era inédito na época”, conta-nos Hélder Pacheco. A torre é decorada segundo o estilo barroco, com esculturas de santos, fogaréus, cornijas bem acentuadas e balaustradas. Ao longo dos séculos, teve diversas funções, nomeadamente a de assinalar todas as celebrações coletivas - de júbilo ou de luto - sinalizar a chegada dos paquetes que traziam encomendas e correspondência de Inglaterra, alertando os comerciantes locais da presença dos navios ao largo do Douro, através do hastear de duas bandeiras; sinalizar a hora exata do meio-dia, através do disparo de um pequeno canhão (meridiano solar) que acionava quando o sol atingia a sua posição vertical, altura em que toda a gente acertava os relógios. Durante o século XIX, no feriado do 15 de agosto, a torre era aberta à população para servir de miradouro e “a afluência era tanta que era necessária a constante presença da guarda municipal”, refere Hélder Pacheco. A partir do final do século, os visitantes passam a ser cada vez mais assíduos e começa a ser cobrado um bilhete para subir à torre. O século XX conferiu-lhe uma função mais lúdica tendo começado a ser usada como pano de fundo para escaladas: primeiro pelos escaladores que subiram para colocar as bandeiras aliadas, assinalando a entrada de Portugal na Grande Guerra e depois, em 1917, pela mesma equipa, que projeta um espetáculo ao qual assistiram cerca de 150 mil pessoas. Em meados dos


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TORRE DOS CLÉRIGOS

A Torre dos Clérigos na literatura O ex-libris da cidade do Porto está mencionado em diversas obras literárias, tendo inspirado outras, onde serviu mesmo de protagonista. “A sombra da Torre”, de Carvalhosa Barbosa, é um livro de mistério, editado em 1927, que relata a presença de uma sombra misteriosa que deambulava pela torre e que se pensava ser um fantasma. A alma penada, afinal, revelou-se ser um mendigo que nela buscava abrigo. “O espião da Torre dos Clérigos”, de 1953, uma novela policial de contra-espionagem, da autoria de Martinez de Lima, conta-nos a história de um espião pró-nazi, que utilizava a torre para transmitir sinais aos submarinos alemães que, secretamente, navegavam ao largo da barra do Douro. O herói desta obra, que neutralizou o espião, foi o «famoso» «Fecha Éclair».

anos 20, durante as comemorações do S. João, os «Lussis» desceram da torre, para o Jardim da Cordodaria, presos pelos dentes. Outra das serventias deste monumento, que fazia parte da vida ativa da cidade, era a de assinalar a presença de personalidades importantes através dos toques dos sinos e da iluminação da torre: quando ficava iluminada era sinal de que, ou havia festa ou por cá andava gente importante. Foi assim quando o rei D. Manuel II veio ao Porto e também quando Gago Coutinho e Sacadura Cabral por cá passaram, depois da sua travessia do Atlântico. Mas, entre os meados dos anos 30 - altura em que entra em vigor o regime salazarista – e o 25 de Abril de 1974, a função lúdica e divertida da torre cessou por completo. A razão mais apontada era a de que

o Governo de Salazar não permitia grandes ajuntamentos de pessoas o que dificultava qualquer manifestação cultural de rua. Atualmente, a Torre dos Clérigos é o terceiro edifício mais visitado na cidade do Porto, logo a seguir à Casa da Música e a Serralves.

REVISTA VIVA, MARÇO 2013


I N I C I A T I V A S

Solidária

e próxima da comunidade A EDP Gás tem vindo a desenvolver diversas iniciativas em prol da comunidade, sob os lemas da solidariedade e da responsabilidade social. Desde 2009 que a empresa organiza a ação ‘Todos a andar’, um conjunto de caminhadas cujo custo de inscrição de um euro por pessoa reverte totalmente a favor de diversas instituições de solidariedade. Só no ano de 2012, a iniciativa, realizada em 10 concelhos do Norte do país - nomeadamente em Matosinhos, Póvoa de Varzim, Felgueiras, Paços de Ferreira, Paredes, Penafiel, Vila do Conde, Lousada, Viana do Castelo e Ponte de Lima - contou com a participação de 11.500 pessoas. Considerando, de igual forma, o patrocínio das provas desportivas com cariz social, no ano passado foram entregues 22 mil euros a instituições, resultantes das cerca de 36 mil inscrições nas iniciativas promovidas pela empresa. Em 2013, a EDP Gás renova o compromisso com a comunidade, apoiando causas sociais.


EDP GÁS

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Em 2013, a EDP Gás continua solidária. Participe nas próximas iniciativas e seja-o também!

17 de março:

Corrida do Dia do Pai – Porto, Parque da Cidade 0,50€ de cada inscrição revertem a favor da Associação Bagos de Ouro

7 de abril:

Todos a Andar – Vila do Conde, Av. Brasil Valor da inscrição (1euro/pessoa) reverte a favor da associação No meio do Nada

Instituições apoiadas em 2012

A Associação No Meio do Nada presta serviços de apoio de natureza moral e material a crianças, pais e familiares com vivências em Cuidados Intensivos Neonatais e Pediátricos. Atualmente encontrase a reunir verbas para criar uma Unidade de Cuidados Continuados e Paliativos para crianças com patologia crónica, dos zero aos 16 anos, que permita retirá-las dos hospitais quando já não precisam de se manter nas unidades de saúde, proporcionando-lhes todo o apoio num ambiente acolhedor (Casa Marta Ortigão).Teresa Fraga, presidente da associação, referiu-se à importância do apoio da EDP Gás ao projeto da instituição. “Foi com o apoio da EDP Gás que o projeto Casa Marta Ortigão iniciou o seu financiamento e abriu perspetivas para a sua concretização”, referiu, salientando que, na apresentação do projeto, “houve muita recetividade e sensibilidade por parte da EDP Gás, quando confrontada com as

necessidades das crianças com doença crónica, que merecem a felicidade mesmo quando atingidas pela doença”. “É uma causa de todos nós”, garantiu, agradecendo à EDP Gás por ter sido a primeira empresa a apadrinhar este projeto, pioneiro no país e na Península Ibérica. A Associação Democrática de Defesa dos Interesses e da Igualdade das Mulheres (ADDIM) presta auxílio a mulheres e crianças vítimas de crime ou discriminação. As suas valências englobam o Centro de Atendimento à Vítima, onde se presta apoio jurídico, psicológico e social, e o alojamento temporário gratuito (Casa-Abrigo) para mulheres vítimas de violência doméstica. De acordo com a presidente da instituição, Carla Mansilha Branco, o apoio da EDP Gás à ADDIM foi importante até como “forma de veicular informação sobre as valências do projeto e de dar enfoque e visibilidade ao fenómeno social da Violência Doméstica”, referiu, admitindo que, desta forma também se REVISTA VIVA, MARÇO 2013


I N I C I A T I V A S

sensibiliza, consciencializa e informa a população sobre o problema. “A Violência Doméstica é um crime público e um fenómeno social bastante complexo que deve envolver todos os cidadãos, a sociedade civil” A Europacolon é uma associação de luta contra o Cancro do Intestino, que promove a prevenção do Cancro do Colo-Retal, difundindo o conhecimento da doença e os seus sintomas, e apoia os pacientes, familiares/cuidadores, na área psico-emocional, no esclarecimento dos seus direitos e criando parcerias com a comunidade médica em tudo o que a esta patologia diga respeito. Segundo Vítor Neves, diretor da instituição, “a «Corrida do Dia do Pai» de 2012 deu-nos a oportunidade de aliar a difusão das atividades preventivas a cerca de 13.000 participantes e à população portuguesa, através da participação em ações de média relativas ao lançamento da corrida, à obtenção de recursos financeiros, extremamente úteis e indispensáveis”. “É um privilégio podermos perceber, através das iniciativas da EDP Gás, que existem empresas cuja Responsabilidade Social está disponível para canalizar apoio a Organizações Não Governamentais (ONG)”. A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) é uma das instituições de solidariedade social com maior visibilidade a nível nacional. Vítor Veloso, o presidente do Núcleo Regional do Norte, referiu que “através do patrocínio de diversos eventos”, a EDP Gás proporcionou uma “fonte de receita fundamental para a LPCC”, possibilitando “a prossecução dos programas e atividades que esta diariamente desenvolve em prol do doente oncológico e dos seus familiares”. O responsável garantiu, ainda, que “sem a mobilização e a participação de todos os intervenientes da sociedade civil, nomeadamente, sem a responsabilidade social que a EDP Gás possui, os objetivos da LPCC seriam bastante mais difíceis de alcançar”.


D E S T I N O S

Refúgios naturais galegos O território galego, considerado um “mosaico de paisagens”, apresenta diversos espaços de interesse natural, marcados por grandes contrastes de relevo. Nesta edição, a Viva apresenta-lhe alguns desses “refúgios” da natureza, que oferecem aos visitantes um conjunto de panorâmicas “de cortar a respiração”.

Fotos: Turgalicia


GALIZA

Com uma ampla franja costeira e áreas continentais marcadas por contrastes de relevo e diferentes condições climáticas e ainda por uma vasta história durante a qual homens e mulheres transformaram profundamente o espaço, a Galiza surge como um “mosaico de paisagens”, embelezado por inúmeros lugares de interesse natural. A contraposição litoral/interior é um dos fatores que melhor permite entender a diversidade natural do território galego. A extensão das costas e o seu perfil sinuoso configuram espaços ornamentados por escarpas de diferentes altitudes, praias, lagoas e complexos de dunas em frente dos quais se situam ilhas e ilhotas. Dona de um “espaço natural imenso”, a Galiza desafia, assim, os turistas a fazerem parte deste quadro da natureza, visitando locais de estadia facilitada por um conjunto de serviços.

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Parque Nacional Ilhas Atlânticas A Galiza acolhe, desde o ano 2002, o Parque Nacional Marítimo Terrestre das Ilhas Atlânticas, o décimo de Espanha – que compreende os arquipélagos de Cíes, Ons, Sálvora e a ilha de Cortegada – com 7.138 hectares marítimos e 1.195 terrestres. Em termos individuais, o arquipélago de Sálvora conta com uma área de 2.557 hectares, o de Ons, mais para o sul, ultrapassa os 2600, com as ilhas de Ons e Onza e ilhéus adjacentes; Cortegada tem 43,8 hectares terrestres e o arquipélago de Cíes, por sua vez, juntamente com Montefaro, Monteagudo, São Martinho e ilhéus, apresenta 3.091 hectares de área protegida. O espaço nacional, considerado um reino de aves marinhas – onde podem ser apreciados corvos marinhos de crista,

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D E S T I N O S

gaivotas argênteas de pernas amarelas e araus comuns – alberga um dos bosques de loureiro mais vastos da Europa.

Seis parques naturais protegidos Os visitantes podem ainda desfrutar de passeios turísticos pelos seis parques naturais galegos que contam com uma proteção especial da Comunidade Autónoma: Fragas do Eume, Corrubedo e Lagoas de Carregal e Vixán, na Corunha; Monte do Invernadeiro, Serra da Enciña da Lastra e Baixa Limia-Serra do Gerês; em Ourense, e ainda Monte Aloia, em Pontevedra. O vale do Rio Eume esconde um parque natural de 9.126 hectares que constitui um dos bosques atlânticos mais interessantes da comunidade galega, embelezado por um conjunto de freixos, castanheiros, bétulas, salgueiros, bordos, aveleiras e loureiros. De destacar, nos domínios do parque, o mosteiro medieval de São João de Caaveiro. Com uma extensão de 1000 hectares, o Complexo Dunar de Corrubedo e Lagoas de Carregal e Vixán é essencialmente conhecido pelo seu imenso areal. Ainda que algumas dunas tenham sido colonizadas pela vegetação, a maior parte delas continua a


GALIZA

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funcionar, integrando a chamada “duna viva” - a única que se consegue observar em todo o litoral galaico. Na parte de trás do complexo dunar, é possível encontrar a lagoa do Carregal, virada para o mar, ou a de Vixán, situada a sul. Os Montes do Invernadeiro são encarados como um verdadeiro santuário natural, com altitudes entre os 900 e os 1600 metros e vestígios glaciares bem patentes. O parque, localizado em Ourense, alberga uma grande variedade de flora e fauna, fruto do seu posicionamento nos limites das regiões biogeográficas Eurossiberiana e Mediterrânica e das diferenças de altitude. Veados, lobos, gamos e cervos são alguns dos habitantes do espaço galego. Situado nos municípios de Entrimo, Lobios e Muíños, na província de Ourense, o parque nacional do Baixa Limia-Serra do Gerês tem 20.920 hectares, nos quais se distinguem, por um lado, o vasto vale do rio Limia e seus afluentes e, por outro, a Serra do Gerês. Grande parte do terreno do espaço, que apresenta fontes termais e importantes vestígios da colonização romana, está acima dos 1.000 metros de altitude. O Parque Natural da Serra da Enciña da Lastra, situado no município de Rubiá, Ourense, conta com a particularidade de ter a única paisagem calcária da comunidade galega, integrando ainda o bosque mediterrâneo mais importante da Galiza, com sobreiros, azinheiras, amendoeiras e oliveiras. O terreno calcário do espaço favoreceu a formação de grutas, que chegam às duas dezenas em todo o parque. Com uma altitude máxima de 631 metros e uma superfície de 746 hectares, o Monte Aloia, em Tui, foi o primeiro espaço na Galiza a ser declarado parque natural, escondendo vestígios arqueológicos de grande valor. Com uma vista panorâmica sobre o vale do Minho, o “refúgio” turístico ostenta uma flora composta por pinheiros, ciprestes, lariços, abetos, sobreiros, castanheiros, bétulas e azevinhos. REVISTA VIVA, MARÇO 2013


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No limiar da investigação Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira

Jogo ilícito, contrafação, más condições de higiene alimentar que possam por em causa a saúde pública, fraudes sobre as mercadorias, imitações, abates clandestinos e produtos avariados, são atividades que estão no âmbito da ação da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que iniciou o funcionamento em 2006. O combate ao crime, nas áreas económica e alimentar, é o fator que move os inspetores desta estrutura, considerada um órgão de polícia criminal e de investigação.


A SA E

Nove da manhã. A sala onde é feito o briefing que antecede cada operação já está composta. São os inspetores que se reúnem para dar início a mais uma ação concertada no âmbito do combate ao jogo ilícito. No armazém, em Mondim de Basto, o maquineiro, suspeito de funcionar num espaço ilegal, onde se faz a adaptação de máquinas para jogo ilícito, nem desconfia de que está prestes a ser inspecionado e detido, bem como todos os funcionários, devido à grande quantidade de material ilícito apreendido pela ASAE. “A denúncia foi feita devido à desconfiança que recaiu sobre o armazém, já que funcionava sempre de portas fechadas”, explicou Rute Serra, diretora da ASAE Norte. “Ao todo foram aprendidas cerca de 80 máquinas que continham dispositivos que acionam jogos ilícitos e que, aparentemente, funcionam com jogos «normais»”, refere. A apreensão do material é comunicada ao Ministério Público, que decide abrir «sumário». A ASAE procede, então, à investigação criminal e é solicitada a perícia ao material apreendido por parte da Direção Geral de Jogos. A elaboração do relatório final cabe à ASAE e, nesta fase, o Ministério Público decide se o caso é levado ou não a tribunal.

ASAE Norte com ampla área de cobertura A área de cobertura da ASAE alarga-se a todo o território nacional, estando dividida em cinco direções regionais, na qual se integra a do Norte, cuja ação se estende por 86 concelhos, onde operam cerca de 40 inspetores, divididos entre as especialidades económica e alimentar. Nesta operação, os inspetores foram acompanhados pela Unidade Central de Investigação e Fiscalização (UCIF), uma força especial da ASAE. “A UCIF acompanha-nos sempre que se justifique, em circunstâncias de maior perigosidade das operações, uma vez que os elementos desta força andam armados”, salienta a diretora, adiantando que a UCIF tem uma direção própria, apesar

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de fazer parte integrante daquela estrutura. As grandes dificuldades com que se debatem os elementos operacionais da ASAE prendem-se, essencialmente, com questões de logística. “Os nossos maiores constrangimentos têm a ver diretamente com a falta de alguns meios logísticos e de recursos humanos, sendo que o facto de contarmos com apenas 40 inspetores para cobrir um raio de ação de 86 concelhos, se torna um pouco obsoleto, e todos os esforços têm de ser redobrados”, lamenta.

Prós e contras de uma atividade aliciante A determinação no combate ao crime económico e alimentar, justifica qualquer dificuldade, tornando-a ultrapassável. “Temos de produzir sempre mais com menos recursos”, adianta a diretora. E, tirando as questões logísticas, que REVISTA VIVA, MARÇO 2013


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parecem ser uma preocupação transversal a todos os inspetores, todos parecem satisfeitos com a sua atividade profissional, sendo provenientes das mais diversas áreas de formação. Teresa Coelho, engenheira química, é inspetora na área de segurança e ambiente e chefia uma equipa. Entrou como técnica superior para dar apoio às brigadas, tendo, posteriormente concorrido a inspetora, cargo que desempenha desde 1999. “É uma área muito técnica, especializada, que requer um conhecimento aprofundado e intenso, tornando-se muito exigente, já que trabalhamos com legislação que abrange todos os países da Comunidade Europeia, num vasto conjunto de produtos e de situações”. As taxas de incumprimento, relativamente a infrações sobre bens ou serviços, tendem a diminuir mas nos casos em que a legislação é mais recente, o desconhecimento ainda provoca alguma desordem. “A legislação é cada vez mais rigorosa, e o período para adaptação é curto o que faz com que as taxas de incumprimento, sobre algumas matérias, sejam, ainda elevadas, refere a diretora. A Comunidade Europeia também emite diversos alertas sobre produtos cujos estudos determinam perigosidade e, sobre os quais, os inspetores têm de ter conhecimento. “Todos os dias são dados alertas sobre produtos o que nos obriga a uma atenção minuciosa sobre os mesmos”, refere a inspetora, salientando produtos como brinquedos, perfumes, aparelhos elétricos, objetos que imitam alimentos, sabonetes e todo o género de imitações. Paulo Cunha é formado em Gestão e fazia parte da Inspeção Geral das


A SA E

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Atividades Económicas (IGAE), entidade que foi posteriormente, absorvida pela ASAE, onde entrou diretamente como inspetor. Lidera o setor de Propriedade e Práticas Comerciais, que age no âmbito da contrafação, saldos, direitos de autor, jogo ilegal e transações em feiras, entre muitas outras áreas. A ação destas brigadas, que atuam numa diversidade de áreas, é planeada mediante diretivas que cheguem da direção central ou por denúncias a nível local. “Desde a criação da ASAE que se tem vindo a observar uma diminuição de alguns crimes, nomeadamente ao nível dos produtos contrafeitos, vendidos nas feiras”, refere o inspetor, salientando, no entanto, que, em outras áreas, a tendência é contrária. “No âmbito do jogo ilegal, a tendência é para aumentar uma vez que é um ilícito muito rentável para quem o explora e a legislação não é suficientemente punitiva, o que acaba por compensar quem a ele se dedica”, refere. Desconhecimento e desleixo são algumas das causas apontadas pelo inspetor para o não cumprimento das regras em áreas ligadas a preços, catalogações ou licenciamentos. De acordo com Luísa Mariano, inspetora da área alimentar, que coordena algumas das brigadas da ASAE. o trabalho que desenvolve é aliciante, sentindo-se realizada a nível profissional. “A complexidade desta área atrai-me uma vez que não há monotonia”, garante, sublinhando que os operadores económicos são todos muito diferentes. “Todos os dias surgem coisas novas no nosso caminho e as reinspecções, onde vemos o resultado do nosso trabalho, são gratificantes”. Apesar dessa satisfação, existem “alguns casos de reincidência” mas que, em geral, se encontram “devidamente sinalizados”, refere a inspetora, que já desenvolveu a sua atividade na Direção Regional de Agricultura, onde esteve ligada à área alimentar, tendo também passado pela fiscalização. Também nesta área está Vitor Serra, licenciado em Engenharia Agrícola, tendo chegado à ASAE em virtude das funções exercidas, anteriormente, no Instituto da Vinha e do Vinho. “Devido ao grande volume de trabalho nesta área, os inspetores têm de ter um conhecimento multidisciplinar que lhes permita agir em áreas como as da restauração e bebidas, comércio alimentar, produção agrícola e primária, bem REVISTA VIVA, MARÇO 2013


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Operação conjunta entre PSP e ASAE

PSP

PSP

como de higiene”, refere, salientando o desafio constante desta atividade. A ação da equipa de colheita de amostras faz-se de forma planeada mas aleatória, não tendo conhecimento prévio de uma situação irregular, nunca sabendo o que vão encontrar. A colheita visa inspecionar produtos que possam por em risco a segurança dos consumidores como carnes, peixes, vinhos e azeites, entre outros, e a análise é feita no laboratório da ASAE.

Estabelecimentos de restauração inspecionados Para além do conhecimento detido sobre as diversas áreas de atividade, os elementos das brigadas da ASAE estão obrigados a um conhecimento multidisciplinar entre as vertentes económica e alimentar. “Durante uma operação realizada no âmbito alimentar podem, eventualmente, surgir situações diretamente ligadas à vertente económica e um inspetor tem de saber identificar o problema, mesmo que não esteja diretamente ligado com a sua área de atuação”, refere Vitor Serra, salientando que é comum, em altura de crise económica haver uma tendência para o aumento de algumas infrações, nomeadamente na venda de tabaco e bebidas

ilegais, para fugir à carga de impostos. Apesar de todas as operações se alicerçarem a um planeamento posterior e cuidado, as surpresas acontecem. Surpresa não houve numa inspeção realizada na Baixa do Porto, numa manhã chuvosa de fevereiro, a diversos estabelecimentos de restauração. Tudo o que os elementos das brigadas da ASAE esperavam vir a encontrar, encontraram: ementas onde constavam produtos que não correspondiam aos que, efetivamente, estavam a ser comercializados, cozinhas com restos de sujidade que comprometiam a boa higiene, produtos mal acondicionados e deteriorados. “Acontece muitas vezes, em estabelecimentos de restauração, haver produtos que constam da informação na ementa e que não correspondem à realidade”, refere Rute Serra, dando alguns exemplos como o paloco, vendido muitas vezes por bacalhau, a pota, vendida por polvo, ou uma simples carne de vaca vendida por posta. Naquela manhã, já tão próximo da hora de almoço, os elementos das equipas da ASAE, a deambular entre vários estabelecimentos de restauração e entre uma grande diversidade de pratos culinários, iriam perder o apetite, para só o ganharem de novo já longe, em outras paragens. Assim, por vezes, acontece.


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Porto Canal

alarga horizontes

Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira

Para além de premissas como credibilidade, proximidade e isenção, o Porto Canal tem vindo a apostar no alargamento da área de cobertura, com a criação de novas delegações no sentido de estreitar a relação com o público, solidificando, ao mesmo tempo, as suas raízes nortenhas. A remodelação estrutural da sede está concluída e uma nova dinâmica na programação veio dar novo fôlego ao canal portuense.


P O RTO CA N A L

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omingos de Andrade, diretor de informação e de programação do Porto Canal, não tem dúvidas de que todo o investimento tem valido a pena. “A reestruturação, quer em termos físicos quer editoriais, tem resultado numa maior visibilidade para o canal”, refere, sublinhando que a “abertura de novas delegações na zona centro, a remodelação da sede e o reforço de toda a programação, sobretudo na área informativa”, são as grandes linhas reestruturantes do canal”. Todas estas mudanças, que têm vindo a decorrer desde meados de 2011, altura em que passou para a gestão direta do FC Porto, têm por objetivo a consolidação do canal em termos nacionais, realçando, constantemente, a forte ligação ao Porto e à Região Norte.

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Novos espaços, maior dinâmica

A sala de caracterização, a primeira a ser remodelada, é uma espécie de “ícone” do canal. “Foi naquele espaço que tudo começou”, refere o diretor, salientando a remodelação total e funcional do “antigo cinema”. “O edifício teve de ser todo remodelado, desde a estrutura, para que se adaptasse às necessidades do canal”, ilustra, assegurando que todos os espaços foram pensados ao pormenor. No andar superior encontram-se as salas da direção, bem como a redação, ampla e funcional, com vista para o estúdio e contígua à sala da produção. No plano inferior foi reconstruído o estúdio, dotado de todas as condições técnicas e de insonorização, a par da sala de edição, espaços separados apenas por vidros, permitindo uma visão alargada entre ambos. Para que tudo funcione na perfeição, foi ainda criado um estúdio próprio REVISTA VIVA, MARÇO 2013


T V

“A reestruturação, quer em termos físicos quer editoriais, tem resultado numa maior visibilidade para o canal”

para a transmissão das notícias e dos espaços informativos dedicados ao FC Porto.

Programação diversificada

A consolidação do canal passa, ainda, por um maior incremento da divulgação da região Norte no país, com a extensão de novas delegações à zona centro do país, para além de um reforço na informação e no entretenimento, com mais espaços informativos com a marca azul e branca, em horário nobre, e novos programas com uma forte componente de inovação.


P O RTO CA N A L

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Reestruturação funcional

A ‘revolução’ física do canal, alicerçada numa melhoria das condições de trabalho, junta-se a uma profunda reestruturação técnica e tecnológica, conferindo-lhe grande funcionalidade e colocandoo na vanguarda das técnicas informativas. De acordo com o diretor de informação, todas estas mudanças representam “um investimento sustentado” e, ao mesmo tempo, “consolidado” pela nova dinâmica na programação”, que prevê a reestruturação física, tecnológica e de conte-

údos do canal portuense. A mudança para HD, High-Definition Televison (HDTV), que vai começar a ser implementada, irá, em breve, implicar, igualmente, um esforço financeiro e a presença nas diversas plataformas de comunicação irão conferir uma nova dinâmica ao canal. Todas as mudanças representam uma sólida aposta no futuro do canal portuense.

REVISTA VIVA, MARÇO 2013


D O W N T O W N

Fotos: Helder Nunes

Glamour chegou à noite portuense

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briu a 2 de março, no Porto, o Eskada, um novo espaço que se pretende assumir como uma referência na noite portuense, apostando na relação de proximidade com o cliente e na criação de ambientes distintos, direcionados para várias gerações – às quartas, as noites serão mais direcionadas para o público jovem, enquanto que os fins de semana irão ser do agrado do público em geral. O toque de glamour, uma referência nas casas do grupo, marca, também, lugar neste espaço, situado no coração da Invicta, cujo investimento rondou os 400 mil euros e que vem contribuir para a revitalização de uma maior centralidade urbana, a par da criação de cerca de 50 postos de trabalho. A conceção do projeto acompanhou as tendências internacionais, absorvendo influências de clubes de referência como o LIV, em Miami, Allure, de Abu Dhabi, Mokai, em São Paulo e o VIP Room de Saint-Tropez. Por aqui se combina a simplicidade de tons e a elegância


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do preto, com apontamentos renascentistas que conferem requinte ao espaço, que oferece uma programação diversificada a par de um ambiente musical que abrange diferentes gostos e idades. Num conceito de modernidade, foram criadas cinco pequenas salas, separadas por estruturas iluminadas e paredes perfuradas, surgindo, assim, uma imagem inovadora que promove a criação de pequenos núcleos privados, ideais para o convívio e diversão entre amigos, em detrimento das pistas de dança tradicionais. Uma deslumbrante sala VIP, de acesso restrito e com Dj privado, pode também funcionar como pista de dança alternativa, tendo sido feito, igualmente, o aproveitamento dos espaços exteriores, marcados pela sensualidade dos jardins e dos espelhos de água, perfeitos para um ambiente lounge. Novidade é também a presença, neste espaço, da Eskada The Store, uma loja com produtos personalizados, elaborados em parceria com criadores portugueses, nomeadamente Nuno Gama, Ricardo Dourado, Eugénio Campos ou a marca Eureka. Eskada Porto | Rua da Alegria, 611 www.eskadaporto.com.pt www.facebook.com/EskadaPorto email para info e reservas: grupoeskada@gmail.com REVISTA VIVA, MARÇO 2013


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Segredos Gourmet Nesta edição, a Viva decidiu apresentar alguns espaços comerciais da cidade com propostas capazes de lhe fazer crescer água na boca. Fotos: Virgínia Ferreira


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ituada bem no coração da Invicta há cerca de um ano, a Bombonaria Bonitos, já profundamente integrada na história da cidade do Porto, convida moradores e turistas a alinharem na aventura de uma doce visita. De segunda a sábado, das 10:00 às 19:30 horas, o número 235 da Rua 31 de Janeiro esconde uma panóplia de doces artesanais, oferecendo mais de quarenta variedades de bombons – lisos, com recheio ou frutos secos – bolachas artesanais, compotas, marmeladas e mel de preparação caseira. Num espaço de constante convite à entrada no mundo de prazeres do paladar, é também possível encontrar Vinho do Porto, azeites e vinagres, leguminosas, frutos secos, chás, cafés e até algumas peças de artesanato português. E no ano em que a Torre dos Clérigos celebra os seus 250 anos, a Bombonaria Bonitos Baixa preparou até uma homenagem a um dos maiores ícones da cidade, juntando chocolate e Vinho do Porto.

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Cantinho

Gourmet

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outra conhecida rua portuense, desta vez a de Santa Catarina, está localizado o Cantinho Gourmet, especializado em produtos tradicionais portugueses. Com uma vasta oferta de licores capazes de “aquecer a alma”, como se pode ler no próprio espaço, a loja encontra na ginjinha em copo de chocolate um dos seus grandes pontos fortes. Disponível para venda está também uma das únicas 1500 garrafas de Porto Scion 155 anos (em barril) que circulam pelo mundo. De resto, o público poderá encontrar outros vinhos, azeites, queijos regionais, compotas diversificadas, produtos de charcutaria (como sardinhas em lata e pastas de azeitona) e temperos (como mostarda com ervas aromáticas e picante natural).


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Chocolataria

Equador

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ais do que um negócio”, a Chocolataria Equador pretende ser “uma experiência”. De segunda-feira a sábado, das 10:00 às 19:30, os números 298 da Rua das Flores e 637 da Rua Sá da Bandeira, na Baixa da cidade, apelam “aos sentidos e ao despertar de emoções”, através de um conjunto de propostas feitas com chocolate 100% artesanal de produção nacional. Tabletes de chocolate de Vinho do Porto e com recheio de mirtilo e maracujá, chocolate criollo, trufas de maracujá e chocolate quente são algumas das sugestões do espaço. REVISTA VIVA, MARÇO 2013


D O W N T O W N

Oliva & Co

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é com as boas-vindas ao “mundo da oliveira” que a Oliva & Co recebe os seus visitantes. A primeira loja portuguesa especializada na fileira da oliveira está situada no número 60 da Rua Ferreira Borges, apresentando uma panóplia de produtos, desde azeite virgem extra de várias regiões (Trás-os-Montes e Alto Douro, Beiras, Ribatejo e Alentejo), a conservas

de peixe e vegetais, queijos e enchidos. A oferta do espaço inclui ainda doçaria confecionada com azeite (biscoitos, bolachas, amêndoas, bolos, pudim, chocolate), diferentes tipos de pão simples e com azeite, infusão de oliveira, azeitonas, pastas e patês de azeitona, utensílios em madeira de oliveira, copos para prova, pratos para degustar, bilhas para armazenar o azeite e até cosméticos à base de azeite.


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D E S P O R T O

DRAGÃO CONQUISTA mais um recorde Desengane-se quem pensa que a tradição já não é o que era. No FC Porto, ela está de pedra e cal e os treinos abertos aos adeptos, realizados no dia de Ano Novo, trazem cada vez mais gente ao Dragão, desde há cinco anos e de forma consecutiva. Este ano, foram 14 mil os que fizeram questão de marcar presença e brindar os craques azuis e brancos com os primeiros aplausos do ano. Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: DR FC Porto


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ano de 2009 marcou o começo de uma iniciativa que se tem vindo a revelar num enorme sucesso: o FC Porto resolveu criar uma espécie de «edição especial» do primeiro treino do ano da equipa de futebol, aberto a todos os adeptos, no Estádio do Dragão. A tradição, que se tem vindo a afirmar de forma consecutiva, começou nesse mesmo ano, registando uma assistência de sete mil pessoas, embora um esboço desse sucesso já se tenha começado a desenhar, no ano anterior, no Olival. No dia 1 de janeiro de 2010, a assistência contou com quatro mil adeptos no Dragão e, em 2011 foram cerca de seis mil os que por lá passaram para ver os craques treinar, num dia muito

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especial. No ano passado, o número de adeptos presentes subiu, abruptamente, para os 11.500, registando-se o recorde de 14 mil adeptos nas bancadas, no primeiro treino deste ano.

Proximidade e tradição Este é, seguramente, um número superior a

muitas assistências da I Liga, que demonstra a proximidade entre os adeptos e o FC Porto. Foi essa, aliás, uma das grandes linhas orientadoras do clube para a concretização desta iniciativa. De acordo com Tiago Gouveia, diretor de Marketing do clube azul e branco, a promoção da crescente proximidade com o seu público é um factor a que o clube dá a maior importância. “A presença dos REVISTA VIVA, MARÇO 2013


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adeptos no primeiro treino do ano permite-lhes observar a metodologia de trabalho, num treino sério, mas que não comporta a pressão verificada durante os jogos”. Para o clube é, ainda, essencial promover a interação entre adeptos e jogadores, uma empatia que tem vindo a contribuir para a criação de mais uma tradição. Esta prática, que faz parte da atuação de alguns dos grandes clubes da Penísula Ibérica, tem vindo a demonstrar o sólido vínculo que o FC Porto mantém com os seus adeptos, tendo, este ano, igualado o Barcelona em números. É que, nas bancadas do centro de treinos da equipa catalã, também estiveram 14 mil adeptos no primeiro treino do ano. Por cá, com exceção do FC Porto, o número de assistências, em iniciativas similares, não é muito expressivo, não tendo ido além

“A presença dos adeptos no primeiro treino do ano permite-lhes observar a metodologia de trabalho, num treino sério, mas que não comporta a pressão verificada durante os jogos”.

dos 1.500 adeptos, presentes num treino de Natal do Benfica.

Entrar no novo ano com um velho objetivo

Para os jogadores, esse é também um momento especial. “É sempre bom estar próximo dos adeptos. Sabemos o que significam para nós, estão sempre connosco e isso é muito importante para o grupo”, garantiu Lucho González, salientando que a ambição é crescente. “Queremos renovar o título de ‘campeão’ e ir o mais longe possível na Champions”, assegurou o capitão. Para Helton é sempre bom estar junto dos adeptos e “só é pena que, muitas vezes, eles só tenham esta oportunidade ao longo do ano”. O guardião da equipa azul e banca


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está empenhado na conquista de mais um título, no final da época, admitindo que “se não for para ganhar é melhor nem sequer entrar no campeonato”. Uma vez que o clube azul e branco “vive de títulos”, João Moutinho salientou que o objetivo de todos os jogadores é o de “conseguir conquistar um grande troféu como a Champions”. De acordo com o médio, o clube “vive de títulos” e, por isso, também os jogadores. “Com o nosso trabalho e a nossa união, vamos dar mais vitórias ao FC Porto, tentando retribuir este apoio dos adeptos com triunfos”. Para Jackson Martinez, o goleador do Dragão, o treino de Ano Novo é uma iniciativa para continuar. “É uma tradição do clube”, refere, salientando a “boa sensação” que lhe dá “treinar com tanta gente” e sentir o apoio e o carinho dos adeptos. “Fiquei contente por ter marcado no último jogo de 2012 e espero continuar com essa tendência daqui para a frente”, garantiu o colombiano.

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E X T E R I O R E S

Tinta Thermocin reduz o consumo energético

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anter a temperatura ideal no interior das habitações e locais de trabalho é um dos fatores que mais energia consome. A pensar nas necessidades do consumidor, a CIN, líder ibérico no setor de tintas e vernizes, disponibiliza uma solução verdadeiramente inovadora que vai ao encontro das exigências legais de certificação energética das habitações, quer do ponto de vista económico quer ambiental. Thermocin é uma tinta termorefletora para a pintura de telhados e coberturas que reflete a radiação solar, aumentando, assim, o conforto térmico no interior dos edifícios. Um telhado pintado com Thermocin não aquece tanto como um telhado convencional, evitando a transferência de calor para o interior da habitação. A eficácia de Thermocin foi demonstrada num estudo realizado em parceria com a FEUP, em 2010, segundo o qual ficou provado que a utilização de Thermocin na pintura dos telhados

ajuda a diminuir a temperatura do ar interior até 6ºC, mantendo-se o efeito ano após ano. Desta forma, é possível obter uma poupança energética significativa na climatização dos edifícios e uma consequente redução das emissões de CO2. Para além de se apresentar como uma solução “user friendly”, por ser fácil de aplicar, Thermocin é, ainda, uma tinta amiga do ambiente pois reduz as emissões de CO2 que, por sua vez, ajudam a reduzir o efeito de estufa. Jorge França, gestor do produto, afirma que “a tinta Thermocin representa, para a CIN, mais um passo na senda da inovação. Trata-se de uma solução concretizada a pensar no bem-estar do consumidor e do meio ambiente. Em traços gerais, é um produto inovador e rápido de aplicar, capaz de contribuir para a diminuição da pegada ecológica”, defende. A eficácia de Thermocin e a preferência dos clientes por esta tinta foi mais uma vez comprovada através da sua eleição como Produto do Ano em 2012.


A T U A L I D A D E

E.Life analisa vinho no Twitter

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E.Life, empresa pioneira em monitorização e análise das redes sociais, analisou o buzz gerado pela palavra “vinho” no Twitter, entre 19 de janeiro a 3 de fevereiro. Das 867 publicações espontâneas analisadas no estudo, destacamse os comentários relacionados com o aumento do IVA do vinho para 23% e ainda o consumo de vinho com destaque para o Vinho do Porto e Vinho Verde. Foi em Lisboa e no Porto que se geraram mais tweets e foram os utilizadores do sexo masculino os mais ativos, especialmente aos fins-de-semana. Relativamente à evolução diária de publicações, verificou-se que os temas da subida do IVA e a 10ª edição do Essência do Vinho estiveram nos dois picos do período em análise. O tema mais recorrente na amostra foram os hábitos de consumo com publicações a manifestar o gosto pelos vinhos e “como” e “quando” se bebe. Também os tipos de vinho consumidos foram especificados, com destaque para o Vinho do Porto, com 130 menções, e para o

Vinho Verde com 50 menções. A subida do IVA foi apontada como “desastrosa” e foram recolhidos 53 depoimentos acerca do tema. Foram ainda partilhadas notícias sobre vinhos em geral como o crescimento das exportações para os EUA, registando-se também a referência a algumas piadas e provocações envolvendo o vinho, como «o dinheiro não compra felicidade mas compra vinho». Através deste estudo, a E.Life pretendeu identificar os principais assuntos relacionados com o vinho que são abordados no Twitter em Portugal, bem como os hábitos de consumo e os tipos de vinho e acontecimentos mais mencionados. A E.life nasceu no Brasil em 2004, tendo chegado a Portugal em 2007. Pioneiros em monitorização, análise e relacionamento nas redes sociais, está também presente em Espanha e no México. A empresa acaba de lançar o Buzzmonitor, a sua plataforma de monitorização agora acessível online em www.buzzmonitor.pt. Atualmente, o Grupo E.Life possui cerca de 80 clientes ativos, 15 dos quais em Portugal. Mais informações em www.elifeportugal.com.


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MateriaLab® e Kouros no MUUDA

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onhecida por ser um espaço que reúne várias peças de estilistas e designers das mais variadas áreas, a loja Muuda Porto acaba de receber duas novas marcas – Kouros e MateriaLab®. As marcas, ambas nacionais, chegam agora a este espaço para mostrar a criatividade dos seus produtos que vão desde os acessórios de joalharia, feitos através de materiais industriais ou reciclados, até artigos para dispositivos móveis feitos de pele. A Kouros desenha e produz uma vasta gama de capas e bolsas em pele para smartphones e tablets, sempre com o objetivo de acrescentar valor aos dispositivos móveis. Em termos de matérias-primas, faz questão de selecionar as melhores peles italianas, assim como o melhor aspeto. A designer de joalharia Carla Matos, criou em 2009 a MateriaLab®, um projeto caracterizado pelo uso dos materiais industriais que estão no centro da reinterpretação e na criação de novas peças. A MateriaLab® aposta na criação de peças com valores estéticos e funcionais criadas com materiais pouco comuns na joalharia, como papel de parede, borracha, plástico, aço, acrílico, inox, elástico, carbono e várias outras matérias industriais ou recicladas. A MateriaLab® foi um dos projetos selecionados para representar o design português no MoMA de Nova Iorque e de Tóquio, no evento “Destination: Portugal 2010”, tendo ainda sido selecionada no Bijorhca Paris, um dos eventos de joalharia com maior

relevância a nível internacional, para a seção de talentos Cream, onde são apresentadas as mais inovadoras propostas de joalharia, recebendo, ainda, na edição de junho de 2012, o Prémio de Criação atribuído pelo júri do evento. O MUUDA está situado na Rua do Rosário, integrando o Circuito Cultural de Miguel Bombarda, onde apresenta várias exposições e intervenções de pintura, fotografia, ilustração, escultura, street art e media, promovendo, ativamente, o trabalho de novos artistas participando no calendário das inaugurações coletivas.

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A T U A L I D A D E

Portuguese Fashion News Prioridade à moda nacional

A Associação Selectiva Moda, em conjunto com os seus parceiros ATP, ANIL e CITEVE, tem vindo a promover iniciativas dinamizadoras do setor têxtil, incentivando novos talentos da área da moda e apresentando as criações dos jovens talentos nacionais em diversos palcos, um dos objetivos do concurso Novos Criadores, inserido no projeto Portuguese Fashion News (PFN). À final, que decorreu na Fábrica de Santo Thyrso, chegaram 17 alunos, representando nove escolas de moda nacionais, que surpreenderam pela qualidade, inovação e criatividade das suas criações. Priscila Franco, da UBI, em parceria com a Somelos Tecidos, foi a vencedora do concurso. O segundo lugar coube a Ana Isabel Ribeiro, da Modatex Porto, com tecidos LMA enquanto que Maria João Mano, da ESAD, com tecidos Riopele, arrecadou a terceira posição. Cumprindo a sua missão, o projecto PFN possibilitou a interação entre estes jovens e os fabricantes nacionais

de tecidos e acessórios, que cederam a matéria prima, viabilizando assim esta iniciativa. Estimular a criatividade e inovação, é o objetivo primordial do projeto. Desta forma, o PFN pretende não só mostrar a capacidade criativa destes jovens mas também o que de melhor se produz em Portugal ao nível dos têxteis que combinam moda e tecnologia. Também patente na Fábrica de santo Thyrso, estiveram os fóruns Tendências de Tecidos (identificação de novos materiais, que permitem a execução de têxteis técnicos e inteligentes, e aplicações, não só na área da moda, mas também na casa, design urbano, automóvel ena saúde), Tendências de Confecção (com o objetivo de demonstrar a importância da moda e do design como fatores de competitividade na indústria e a introdução de novas tecnologias e materiais que permitem novas aplicações) e o da Criança, um espaço de divulgação das novas tendências do universo infantil.


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P U B L I R E P O R T A G E M

NORTECARE “sensibilidade e competência” para cuidar Fotos: Virgínia Ferreira

Com novas instalações adaptadas à realização de consultas em diferentes áreas, a NorteCare é uma empresa de cuidados domiciliários adequados às necessidades e ao perfil de cada paciente.

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“a pensar em si e na sua família” que a NorteCare, empresa dedicada ao apoio domiciliário, trabalha diariamente, defendendo, “com unhas e dentes” e de forma personalizada, a qualidade de vida daqueles que precisam de cuidados próximos. A funcionar, atualmente, num espaço renovado, situado no número 325 da Rua Antero de Quental, no Porto, a entidade soma já nove anos de vida, durante os quais conseguiu dar a resposta adequada às necessidades de mais de 400 clientes. Representar uma alternativa segura aos interna-

mentos dos idosos em lares e clínicas é, de acordo com Ilda Góis, assistente social e responsável da direção técnica da empresa, um dos grandes objetivos da NorteCare, uma das instituições de apoio domiciliário “pioneiras no mercado”. “Com os nossos serviços, os pacientes podem fazer a sua recuperação em casa, quer seja de uma forma temporária ou permanente”, explicou, assegurando a execução de um serviço de “qualidade, competência, sensibilidade, confiança e responsabilidade”, colocado em prática não só a pensar no doente mas também na sua família.


NORTECARE

Apoio domiciliário e acompanhamento médico Para que os séniores possam usufruir de um processo de recuperação que não exija quebrar rotinas nem sair de cada para obter cuidados de saúde, a NorteCare disponibiliza uma equipa de profissionais especializada em diversas valências. “Temos vários serviços, desde a simples higiene, com a duração de uma hora, até aos cuidados contínuos”, referiu Ilda Góis. Assim, durante 24 horas por dia, sete dias por semana e 365 dias por ano, a empresa está apta a prestar acompanhamento nas atividades diárias dos pacientes, a cuidar da sua higiene e conforto, a confecionar as refeições no domicílio, a tratar da manutenção e limpeza da habitação, a colaborar nos cuidados de saúde sob supervisão clínica e a acompanhar nas deslocações ao exterior.

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“Temos uma equipa de 30 colaboradores, entre enfermeiros e auxiliares de geriatria, que estão diretamente ligados aos doentes. Tratam da manutenção da casa e do bem estar do paciente, apoiam na medicação e fazem tudo o que é necessário ao seu processo de recuperação”, referiu a assistente social. Além do apoio domiciliário, o doente pode solicitar também apoio médico na própria residência ou nas instalações da NorteCare, nas áreas de enfermagem, fisioterapia, terapia da fala, podologia, terapia ocupacional e psicologia. “Neste momento já temos gabinetes médicos e, por isso, realizamos consultas diversas. Há clientes que preferem deslocar-se ao nosso espaço porque não precisam de apoio domiciliário e há outros que utilizam os dois serviços”, referiu Ilda Góis. O atendimento em podologia é, de acordo com a responsável, um dos mais utilizados pelos idosos. “Há muitos REVISTA VIVA, MARÇO 2013


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“Há muitos clientes que não querem expor a privacidade do seu lar e, então, sabem perfeitamente que podem frequentar a clínica.” clientes que não querem expor a privacidade do seu lar e, então, sabem perfeitamente que podem frequentar a clínica. As primeiras consultas são realizadas nas nossas instalações e, depois, quando se sentem mais à vontade, acabam por pedir um serviço ao domicílio”, explicou, destacando a importância da criação de laços entre os profissionais e os pacientes.

Paixão pela área

Para a assistente social, a experiência vivida, ao longo dos anos, na empresa de cuidados domiciliários tem sido “francamente positiva”. “Na maior parte das vezes, os nossos clientes surgem por indicação de outros, o que nos deixa muito felizes”, revelou, salientando que a mudança para o novo edifício e a organização do espaço clínico foram importantes metas alcançadas. O gosto pela área

NorteCare - Apoio Domiciliário à Família, Lda. R. Antero de Quental n.º 325 4050-057 Porto Tlf:22 502 63 16/7 Tlm: 919053212 http://www.nortecare.com Email - info@nortecare.com

e a apetência para lidar com os idosos são outros dos “segredos” da NorteCare. “É preciso gostar e dedicar muita atenção. Não nos podemos esquecer de que não estamos só a tomar conta do doente. Há sempre a família, que também é preciso gerir”, acrescentou, com a satisfação de fazer parte de uma empresa que trabalha, todos os dias, para proteger a dignidade daqueles que precisam de um maior cuidado.


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Porto d’Arte Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Rui Oliveira | TNSJ | Serralves

Invicta mexe com música, teatro e pintura Com orçamentos mais ou menos apertados, os equipamentos culturais da cidade do Porto continuam a “reinventar as narrativas de programação”, de forma a satisfazer os mais diversos públicos. Exposições de diferentes géneros artísticos, concertos de grandes nomes da música nacional e internacional, homenagens a personalidades da Invicta e performances teatrais de várias temáticas foram algumas das propostas que a Viva registou para os próximos meses. Está preparado para viajar pelo Porto d’Arte?

Casa da Música: em espírito de “revolução” e de homenagem a Helena Sá e Costa Os tempos são “propensos à deriva” – como afirmaram os responsáveis da Casa da Música (CdM) – mas as vontades, essas, conseguem levar a melhor no “braço de ferro” disputado com as dificuldades económicas. E a “excelência artística” continua a ser apontada como um dos principais focos da agenda cultural do equipamento portuense para os próximos meses. Aliás, Itália já invadiu as paredes projetadas pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas, com a promessa de oferecer ao público, ao longo do ano, uma forte aposta nas músicas cénicas, ou não fosse aquele o país berço da ópera. Num momento em que o calendário já assinala a morte e ressurreição de Cristo – um dos temas mais glosados pelos compositores ao longo do tempo – e em que se comemoram os 200 anos do nascimento de Verdi, considerado o maior compositor nacionalista de Itália, a CdM não poderia deixar de incluir na programação o seu Requiem. Assim, a 22 de março, o palco da Sala Suggia vai acolher um elenco internacional de cantores verdianos que dão corpo ao “Requiem


ESPETÁCULOS/ EVENTOS

de Verdi”, sob a direção de Michail Jurovski. Considerada uma obra de “teatralidade ímpar” no repertório da música sacra, a Missa de Mortos de Verdi combina religiosidade e drama, fazendo jus à tradição do canto italiano. No dia seguinte, a partir das 22:00 horas, o compositor e pianista Ludovico Einaudi promete combinar o clássico com o contemporâneo, trazendo na bagagem da sua digressão europeia o recente disco do novo projeto Ludovico Einaudi Ensemble. A capacidade de traduzir em notas a calma e a contemplação é uma das características atribuídas ao autor, responsável por diversas bandas sonoras do cinema italiano. No final do mês, a dia 30, Giorgio Battistelli apresentará, em estreia nacional, o espetáculo de teatro musical “Experimentum Mundi”, que já teve mais de 400 representações em todo o mundo. A obra é normalmente representada com o mesmo núcleo de artesãos italianos que participaram na sua estreia, sendo que a performance em território luso integrará artesãos locais recrutados nos centros de emprego. Abril será o mês da “Música & Revolução”, com a evocação de músicos que protagonizaram momentos de ruturas estéticas da arte dos sons ou que, de alguma forma, estiveram associados às grandes

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revoluções políticas. Assim, agendado para o dia 25 de abril está um “concerto desconcertante” que revisita a música de Luigi Nono. Os ideais revolucionários vão, portanto, chegar à Digitópia através da reprodução de três peças daquele que é considerado “um dos maiores compositores do século XX, para quem a música foi um instrumento de militância política”. Segue-se o momento de “Consagração da Primavera”, com a celebração dos valores da juventude, que levarão à CdM as “Novas Vozes do Brasil” – Verónica Ferriant e Anelis Assumpção, no fim de semana de 3 a 5 de maio. No dia 17 do mesmo mês, a partir das 21:00 horas, o público poderá assistir a um momento alto de homenagem à pianista portuense Helena Sá e Costa, como forma de celebração do centenário do seu nascimento. O maestro Christoph Köning vai, então, juntar-se a três jovens pianistas para a interpretação do mítico “Concerto para 4 pianos” de Bach, obra com a qual a ativista da vida musical da cidade protagonizou um dos momentos mais emblemáticos da sua carreira. No dia exato do aniversário da pianista, a 26 de maio, o pianista Grigori Sokolov dedicar-lhe-á a “Sonata Hammerklavier”, considerada por muitos intérpretes a mais difícil obra de Beethoven.

Alberto Carneiro Museu de Serralves, 2013 Fotografia de Filipe Braga

Serralves: o último olhar de João Fernandes A australiana Suzanne Cotter já assumiu a direção do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, mas a programação de 2013 ainda reflete a ação do seu antecessor João Fernandes. Nos primeiros meses do ano, o equipamento cultural vai apresentar a obra de dois artistas portugueses. No dia 15 de março, em coprodução com a Fundação Carmona e Costa, de Lisboa, será apresentada uma exposição, em tom de retrospetiva, dos desenhos do pintor Jorge Martins. A obra do artista tem explorado “uma constante redefinição dos caminhos que articulam a abstração com a figuração, numa pesquisa sobre conceitos e realidades como a REVISTA VIVA, MARÇO 2013


P O R T O

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estrutura, o padrão, a figura e a luz”. Dias depois, a 22 de março, os novos trabalhos de Alberto Carneiro vão ocupar várias salas do museu. O escultor e artista plástico, de São Mamede do Coronado, é considerado o pioneiro da arte concetual em Portugal, desenvolvendo, nas suas esculturas e instalações, uma relação entre a arte e a natureza. Paralelamente às duas exposições, serão apresentadas as aquisições mais recentes Jorge Martins Light in its full force, 1975 Óleo sobre tela Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto

TNSJ: em memória da “insubstituível” atriz Fernanda Alves Pelos palcos teatrais da Invicta, as surpresas da agenda cultural para os próximos tempos não são menos variadas. A 21 e a 23 de março, o Teatro Carlos Alberto receberá a “Morte de Judas”, espetáculo assinado pelo dramaturgo assumidamente católico Paul Claudel, que imaginou o discurso post mortem do discípulo. Durante a peça, de Dinarte Branco, Luís Miguel Cintra e Cristina Reis, Judas procura, assim, “repor a verdade”, resgatando a sua condição moral, num momento “a que o mal não costuma ter direito”.

do espólio de Serralves e trabalhos referentes à primeira década do século XXI. Aliás, tal como mencionou Suzanne Cotter, tornar a coleção do museu “mais visível” será um dos principais focos da instituição nos próximos tempos. A 28 de junho, a fundação apresentará a obra de Alexandre Estrela, que tem explorado a relação entre a escultura e a imagem projetada, conferindo aos seus trabalhos de vídeo uma “estranha materialidade”. Jorge Martins A substância do tempo, 2010 Óleo sobre tela 200 x 200 cm


ESPETÁCULOS/ EVENTOS

No mesmo mês, de 15 a 24, o Teatro Nacional São João (TNSJ) aplaude o regresso do Teatro da Cornucópia com “Os Desastres do Amor ou Fortuna Palace”, espetáculo adotado e adaptado de Marivaux. Com encenação de Luís Miguel Cintra, a performance abarca “Félicie”, peça curta onde uma viúva bem disposta procura a felicidade e acaba por descobrir a impossibilidade do amor, conjugando-a com um diálogo entre o Amor e a Verdade, com um texto sobre a corrupção e o poder do dinheiro e ainda com outra peça na qual os velhos deuses do Olimpo se entregam a uma argumentação sobre o Amor. E como “recordar é viver”, a recitadora, encenadora e atriz Fernanda Alves, falecida em 2000, será homenageada, entre os dias 22 e 27 de março, no Mosteiro de São Bento da Vitória, com “Fernanda – Quem Falará de Nós, os Últimos?”. Numa interpretação de Joana Carvalho e Fernando Mora Ramos, a artista, considerada uma referência da área do teatro, regressará, assim, ao palco da vida, de sexta a quarta-feira, a partir das 21:30. Agendada para o Dia Mundial do Teatro (27 de março) está também a inauguração da exposição “Fernanda Alves”, com instalação de Nuno Carinhas. Até ao dia 21 de abril, o Salão Nobre do TNSJ mos-

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trará ao público “figurinos, adereços, fotografias de cena, registos áudio e vídeo de recitais, peças e filmes iluminados pela inconfundível presença” da atriz, descrita como uma “planta que continua a florescer depois de ter sido arrancada”. A mostra estará disponível de quarta-feira a sábado entre as 14:00 e as 20:00 horas e aos domingos das 14:00 às 15:00.

Coliseu: entre vozes do Brasil e o poder da “Resistência” E depois do sucesso cinematográfico de “Balas e Bolinhos”, a quadrilha “mais hilariante” do cinema português – Tone, Rato, Culatra e Bino – subirá ao palco do Coliseu do Porto nos dias 15 e 16 de março, às 21:30. Numa versão intitulada “Mesmo à frente do teu focinho”, o espetáculo inclui não só as cenas mais divertidas dos três filmes como outras passagens inéditas, com música e convidados especiais à mistura. Os bilhetes custam entre 16 e 25 euros. No dia 6 de abril, o palco do Coliseu pertencerá a Daniela Mercury, que estará de regresso a Portugal para apresentar a sua visão da música, “que navega entre os ritmos regionais da Bahia e a cultura AfroREVISTA VIVA, MARÇO 2013


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Brasileira, sem esquecer a importante influência da tradição latina e europeia”. Duas décadas depois da sua estreia discográfica, a artista ocupa um lugar de destaque a nível internacional, levando a tradição cultural das suas origens aos palcos mundiais. O espetáculo – que contará com êxitos como “Rapunzel”, “Nobre Vagabundo” e “Canto da Cidade” – custará entre 15 e 30 euros. Ainda em ritmo brasileiro, a sala de espetáculos portuense receberá, às 22:00 horas do dia 24 de abril, um concerto de Marisa Monte. Seis anos depois da sua última atuação em solo luso, a artista estará de regresso para apresentar o mais recente disco “O Que Você Quer Saber De Verdade”, prometendo uma performance na qual a música se funde com as artes plásticas. O preço dos bilhetes varia entre os 20 e os 60 euros. A 26 e 27 de abril, o supergrupo Resistência vai assinalar os 20 anos do lançamento do projeto, que marcou a música portuguesa do início da década de 1990, com dois concertos. A banda – que reunirá em palco os elementos da formação original: Fernando Cunha, Miguel Ângelo, Pedro Ayres de Magalhães, Tim, Fernando Júdice, Alexandre Frazão, José Salgueiro, Rui Luís Pereira e Olavo Bilac – estará acompanhada por dois convidados especiais: Mário Delgado e Pedro Jóia. Durante a atuação, os artistas prometem recriar o alinhamento do mítico concerto do Armazém 22, não esquecendo os temas de tributo a Zeca Afonso e António Variações. Os ingressos para as atuações custam entre 27 e 32 euros.


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Porto Aumenta Visibilidade Externa

Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Rui Meireles

Numa altura em que prossegue o crescimento exponencial do Turismo e o aumento sustentado do número de visitantes, a Câmara do Porto continua a fomentar a sua visibilidade internacional através, nomeadamente, duma forte aposta no investimento urbano, não obstante o Estado continuar a não cumprir com a dívida de 2,57 milhões de euros que tem para com a cidade, há cerca de dois anos.

Turismo continua a crescer O ano de 2012 voltou a demonstrar resultados bastante positivos no setor do turismo na cidade. A estratégia municipal tem dado frutos e, desde 2002 que segue uma trajetória ascendente. Os 600 mil visitantes que procuraram apoio junto dos postos de turismo entre 2002/2005, deram lugar a 708.814 turistas, entre 2006/2009. Para o período 2010/2012 já se contabilizaram 695.804 turistas, prevendo-se que o triénio de 2010/2013 totalize os 982.000. Assim, desde 2002, os postos de turismo municipais prestaram serviço a 2.285.573 turistas. De acordo com estudos realizados, cada turista gasta, em média, 500 euros por dia no Porto, e a tendência do aumento da procura turística nestas estruturas municipais tem vindo, igualmente, a ser acompanhada pelo aumento da procura turística registada no alojamento da cidade. O movimento global no Aeroporto Francisco Sá Carneiro registou, em 2011, um aumento de 13,7% relativamente a 2010, tendo, já em 2012, encerrado a época de verão com mais um recorde mensal: 511.053 passageiros. O incremento das companhias aéreas low cost e de novas rotas turísticas, utilizadas


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sobretudo para lazer, têm contribuído para a consolidação do aeroporto como uma das principais portas de entrada de quem viaja para o Porto e o Norte de Portugal. Em 2013, a Ryanair tem já previstas duas novas rotas: Porto/Dortmund e Porto/Amesterdão.

Uma década com 100 novas ruas Entre 2002 e 2012, o tecido urbano do Porto sofreu diversas intervenções de onde resultaram cerca de cem novas ruas, avenidas, rotundas e espaços públicos que contribuíram para uma melhoria da circulação automóvel. A mobilidade registou ganhos significativos com a abertura de novas artérias e acessibilidades, como a Rotunda e Alameda de Cartes e também da Avenida 25 de Abril, como elemento de ligação entre as praças das Flores e da Corujeira. Ao mesmo tempo que se firmaram como catalisadoras do desenvolvimento daquela que tem sido uma das zonas mais esquecidas da cidade – a Oriental - estas infraestruturas contribuíram para atenuar o efeito barreira da VCI e do caminho-de-ferro. A abertura da rede viária estruturante do Bairro de S. João de Deus, a construção do parque de estacionamento subterrâneo no Castelo do Queijo, a abertura do Túnel de Ceuta e a conclusão das acessibilidades às Antas e ao Bessa, incluindo o Nó de Francos e o Viaduto das Andresas, são exemplos igualmente ilustrativos.

Portuenses vão pagar menos IMI em 2013 Face à decisão do Governo em proceder à reavaliação dos imóveis, o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) vai, previsivelmente, sofrer um agravamento em 2013 o que faz com que, em muitos casos e devido à grave situação financeira em que muitas autarquias se encontram, seja aplicada a taxa máxima do imposto. Não é, no entanto, o caso da Câmara do Porto, que não irá aplicar a taxa máxima, mantendo a intermédia, e prometendo, ainda, realizar todos os esforços no sentido de o reduzir ainda mais no próximo ano. De acordo com Rui Rio, o esforço para baixar o IMI só será possível pelo facto de a autarquia não se encontrar, ao contrário de muitas outras, numa REVISTA VIVA, MARÇO 2013


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situação de sufoco financeiro, nomeadamente ao nível do endividamento. “Há câmaras que estão completamente endividadas e não têm outro remédio. Pediram ajuda e, por isso, terão de cobrar

Porto, cidade de estudo

Para além da recomendação internacional, feita pelo New York Times, de que deveria ser uma cidade com visita “obrigatória” em 2013, e de ter sido apelidada de “cidade na Moda” pelo El País, o Porto foi, internamente, distinguido como o melhor município para estudar, na edição de 2012 dos Prémios de Reconhecimento à Educação. O projeto, que recebeu o primeiro prémio na categoria, é promovido pelo pelouro do Conhecimento e Coesão Social, e denomina-se de PortoEduca, contemplando um conjunto de atividades que garantem o prolongamento do horário de funcionamento das escolas e que respondem, com qualidade, às necessidades atuais das famílias. As atividades realizadas concretizam o conceito de “escola a tempo inteiro” com qualidade (atividades de enriquecimento curricular - AEC´s - e atividades de componente de apoio à família - CAF).

a taxa máxima. Nós não estamos assim e, como tal, podemos aliviar os nossos munícipes e pô-los a pagar menos. A minha ideia é a de conseguir, para o ano, baixar ainda mais o IMI”, referiu.


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Baixa do Porto: Governo não paga o que deve há quase dois anos No final de 2012, o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), ainda não tinha desbloqueado junto da Porto Vivo, SRU a verba referente a 2010 e a 2011 que, no total, ascende a 2 milhões e 570 mil de euros. A situação, que se tem vindo a arrastar desde há dois anos, tem sido objeto de diversos contatos e negociações conduzidas pessoalmente por Rui Rio, na qualidade de presidente da Câmara Municipal do Porto, detentora de 40% do capital da empresa, cujo acionista maioritário é o Estado (60%). De acordo com Ana Paula Delgado, administradora executiva da Porto Vivo, SRU, a não reposição dos prejuízos, por parte de um dos acionistas, “põe em causa a sustentação da estrutura da empresa e, consequentemente, o cumprimento dos seus objetivos e da sua missão”, implicado, ainda, a necessidade do recurso a financiamento bancário” e, consequentemente, um acréscimo dos custos. O IHRU assumiu, em março, a dívida de 2,4 milhões de euros, comprometendo-se a pagá-la até ao final de abril, no âmbito da aprovação do orçamento de Estado retificativo, o que não aconteceu. Já quase no final do primeiro trimestre de 2013, o Governo continua sem pagar a dívida, um impasse que já levou à saída de Rui Moreira da presidência do Conselho de Administração da SRU. “Tanto quanto sabemos a questão da dívida do Estado à SRU está exatamente nos mesmos termos em que se encontrava no final de 2012, permanecendo também por resolver as questões relativas ao

contrato programa e à nomeação do Conselho de Administração”, referiu Ana Paula Delgado, que afirma que a empresa não recebeu, até à data, o valor proporcional da quota do IHRU na reposição de prejuízos de 2010, que deveria ter recebido em 2011, nem o valor correspondente referente aos prejuízos de 2011, que deveria ter recebido em 2012, tendo, assim, que recorrer ao financiamento bancário para suprir necessidades imediatas, “estimando-se um encargo médio diário de cerca de 330 euros” em juros. Rui Rio tem desenvolvido diversos contactos com responsáveis governamentais, no sentido de desbloquear a situação, e a autarquia repôs as suas quotas referentes ao exercício de 2010 (843 mil euros) e de 2011, no montante de 869 mil euros. O incumprimento está também a afetar compromissos firmados entre o IHRU e a Câmara com vista à reabilitação dos bairros sociais abrangidos pelo programa PROHABITA. No Bairro do Lagarteiro, faltam reabilitar cinco dos 13 blocos que o constituem e, apesar dos constrangimentos financeiros, o bloco 9 poderá ter a respetiva empreitada iniciada, ainda, durante os primeiros meses de 2013. Relativamente aos outros aglomerados abrangidos pelo referido programa, recorde-se que em Aldoar faltam reabilitar dois dos 16 blocos, em Contumil, falta um dos 6 blocos, em S. Roque da Lameira faltam ainda reabilitar três dos 21 blocos e, em Santa Luzia, iria ser dado início a uma segunda fase. As obras de requalificação das moradias de Rainha D. Leonor e da reabilitação interior dos fogos devolutos em diversos bairros de habitação social continuam a efetuar-se, exclusivamente, com recurso a capitais próprios.


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SRU

Porto Vivo,SRU

prossegue reabilitação urbana Fotos: Alexandre Soares

Morro da Sé

O Programa de Reabilitação Urbana do Morro da Sé, continua em implementação. Para além do Programa de Ação comparticipado pelo QREN, que em parte das suas Operações está já concluído, está agora em força no terreno o Programa de Realojamento Definitivo, uma intervenção de valor superior a seis milhões de euros, financiada pelo Banco Europeu de Investimento. O programa, que consta de 10 operações com 15 projetos a realizarem-se em 32 edifícios, atinge uma área bruta construída de mais de 8.000 metros quadrados, e produzirá 83 fogos e 20 espaços para instalação de atividades comerciais. Estão já em obra quatro das operações – A, B, E1 e F – estando outras três em adjudicação, através de concurso público – E2, G e H – e duas em ultimação na fase de projeto – C e D. O projeto da operação I, que decorre de uma parceria com um privado, proprietário de edifícios contíguos ao da Porto Vivo, SRU, e cujo projeto assentou, num primeiro momento, num concurso público de ideias, ‘Desafios Urbanos’, lançado pelo portal Espaço de Arquitetura, já se encontra em execução. Após o verão de 2013, serão ocupados os primeiros fogos, onde serão instaladas famílias do Morro da Sé, deslocalizadas temporariamente por os edifícios que habitavam terem sido integrados nos processos de criação de uma Residência de Estudantes e de uma Unidade de Alojamento Turístico, sendo estas as duas operações que se encontram com maior atraso no arranque devido a negociações, ainda em curso, com a Comissão Europeia.


PORTO VIVO

Eixo Mouzinho/Flores

Continua a decorrer a operação de referência da Parceria para a Regeneração Urbana do Eixo Mouzinho/Flores, que visa a Requalificação do Espaço Público, um investimento que ultrapassa os 7,5 ME e que abrange uma área de cerca de 35.000 metros quadrados, que se estende dos Lóios ao Infante. É um território cuja origem mais estruturada remonta aos séculos XIV e XV e onde o século XIX trouxe laivos de modernização que se espelharam na abertura da Rua de Mouzinho da Silveira, com o encanamento do Rio da Vila por questões de salubridade e de acautelamento da saúde pública, da Rua de Ferreira Borges sobre os terrenos do Convento de S. Domingos, bem como na edificação do Palácio da Bolsa, Mercado Ferreira Borges, Instituto do Vinho do Douro e do Porto, Edifício Douro, Estação de

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S. Bento e Palácio das Cardosas, substituindo estes novos edifícios os conventos que daí desapareceram – S. Francisco, S. Domingos, Santa Maria da Consolação ou Santo Elói (dos Lóios) e S. Bento da Avé Maria. Território central da vida da cidade ainda no início do século XX, transforma-se e moderniza-se de novo hoje, no âmbito do processo de reabilitação urbana da Baixa Portuense. Surge aqui um novo espaço público, com maior conforto, e capaz de aumentar a atração de visitantes, compradores e novos residentes. Um espaço público onde o peão vai ter privilégio sobre o automóvel, onde os materiais de revestimento acompanham a nobreza do local e onde as infraestruturas respondem aos anseios do século XXI. REVISTA VIVA, MARÇO 2013


Á G U A S

D O

P O R T O

Concluída a 3.ª fase do arranjo urbanístico da Ribeira da Granja

Valorização dos recursos hídricos Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: AP

A Águas do Porto concluiu, em fevereiro, a terceira fase de reabilitação da maior linha de água que cruza a cidade do Porto. Esta intervenção compreendeu a requalificação do leito e margens dos troços de Requesende, Ramalde do Meio e do Bairro de Pinheiro Torres, ampliando o circuito pedonal/ciclável ao longo da ribeira, cuja extensão total contínua é agora de 1,1 quilómetros..


RIBEIRAS

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Águas do Porto completou mais uma etapa do processo de reabilitação da Ribeira da Granja com a conclusão das intervenções nos troços de Requesende, Ramalde do Meio e do Bairro de Pinheiro Torres. A empresa municipal dá, assim, continuidade aos trabalhos realizados no troço do Viso, em 2009/2010, e no espaço envolvente da Quinta do Rio, imediatamente a montante do Viso, em 2011. No troço de Requesende e Ramalde do Meio, a intervenção agora concluída consistiu na regularização do leito e margens, de modo a melhorar as condições de drenagem desta linha de água. Realizaram-se também trabalhos de limpeza seletiva, de remoção de infestantes e de resíduos, de estabilização das margens, plantação de espécies autótones e de extensão do caminho pedonal/ciclável. Quanto ao troço junto ao Bairro de Pinheiro Torres, os trabalhos concretizados pela Águas do Porto incluíram a reabilitação de um muro

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antigo de pedra, a estabilização do talude, a construção de novos muros de suporte em pedra e a plantação de espécies autótones. Foi também criado um caminho pedonal ao longo da linha de água que permite a ligação entre a Rua de Dom João Mascarenhas e a Rua Dr. Nuno Pinheiro Torres. A empresa pretende agora avançar para a 4ª fase de reabilitação da Ribeira da Granja, entre o troço da Quinta do Rio e a Estrada da Circunvalação, tendo já efetuado um primeiro contacto com os proprietários, uma vez que a maior parte dos terrenos pertence ao domínio privado. O objetivo é, assim, o de fechar um circuito pedonal/ciclável ao longo desta linha de água, permitindo a interligação entre diversos pontos de atração da população, nomeadamente a estações de metro, Escola do Viso, zonas habitacionais (Viso, Requesende e Prelada), Hospital da Prelada e ao município de Matosinhos (Estrada da Circunvalação), entre outros, onde os portuenses poderão tirar partido de um amplo espaço de lazer. REVISTA VIVA, MARÇO 2013


M E M Ó R I A S

A tradição não dispensa um passeio, um lanche e mesmo as compras de Natal na rua de Santa Catarina, a artéria mais comercial da cidade do Porto. Começou por ter a designação de Rua Nova de Santa Catarina, em homenagem a Catarina de Alexandria, e o seu troço mais recente já se chamou de Rua Bela da Princesa.

Rua de escritores e poetas Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira

A rua de Santa Catarina, com 1.482 metros, atravessa as freguesias de Santo Ildefonso e Bonfim, sendo a artéria mais comercial da baixa do Porto. Milhares de pessoas passam, diariamente, por esta rua, que apresenta um frenesi constante ao longo do dia. Conta-nos a História que, em 1662, existia, em Fradelos, uma quinta onde se encontrava uma capela da invocação de Catarina de Alexandria, ligada por um caminho à Porta de Cima de Vila da Muralha Fernandina. Em 1748, num documento da Misericórdia, este caminho aparecia já identificado como Rua Nova de Santa Catarina, com o seu alinhamento corrigido em 1771. Em 1784, por iniciativa de João de Almada e Melo, a rua foi prolongada até à Alameda da Aguardente, hoje Praça do Marquês de Pombal.


SA N TA CATA R I N A

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A este prolongamento se deu o nome de Rua Bela da Princesa. Na primeira metade do século XIX, grande parte dos terrenos a poente da rua, nomeadamente onde mais tarde foi erguido o Grande Hotel do Porto, eram quintas e terrenos lavradios pertencentes à empresária D. Antónia Adelaide Ferreira, conhecida como a ‘Ferreirinha’ do vinho do Porto. Em 1896, Aurélio da Paz dos Reis realizou, nesta rua, aquele que é considerado o primeiro filme do cinema português, a ‘Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança’. Entre os pontos de interesse desta artéria encontramse as fachadas Arte Nova da Livraria Latina, da antiga Ourivesaria Reis & Filhos e das Galerias Palladium, construídas em 1914 para albergar os Armazéns Nascimento; o Café Majestic, inaugurado em 1921 e local de reunião da fina-flor da intelectualidade portuense, sendo hoje um dos principais pontos turísticos da rua reconhecido como local de interesse público; o Salão de Chá Império, um histórico que abriu portas em 1944; o Grande Hotel do Porto, inaugurado em 1880, e um dos de maior prestígio da cidade, (Eça de Queirós era hóspede frequente, Teresa Cristina, a última imperatriz do Brasil lá faleceu em 1889, e serviu de prisão ao primeiro-ministro Afonso Costa, em dezembro de 1917, aquando do golpe de estado de Sidónio Pais). A Capela de Santa Catarina, ou das Almas, construída nos inícios do século XVIII é um dos ex-libris desta rua que, com os seus casarões estreitos e as fachadas de azulejos, viu nascer e morrer alguns ilustres escritores e poetas portugueses. No n.º 206, nasceu o escritor Arnaldo Gama, em 1828, e no 469, o poeta António Nobre, em 1867. No 2.º andar do n.º 630 (que, na época, era o n.º 458) viveu Camilo Castelo Branco que aí celebrou casamento com Ana Plácido, a 9 de março de 1888. No n.º 1018 viveu o poeta Guerra Junqueiro (1850-1923) durante longas temporadas do final da sua vida. REVISTA VIVA, MARÇO 2013


S, A D N A B S A V O N , S E D CURIOSIDACONCERTOS

M Ú S I C A

“BLUR” no Optimus Primavera Sound 2013

Festival realiza-se, no Porto, de 30 de maio a 1 de junho. Blur foi o primeiro nome confirmado para as duas edições do Primavera Sound 2013, Porto (31 de maio) e Barcelona (24 de maio). Os concertos marcam o regresso exclusivo da banda inglesa à Península Ibérica, encabeçando a extensa lista de artistas que atuam nos palcos do Primavera Sound, em ambas as cidades. Preços: passe geral Optimus Primavera Sound Porto: 110€ | passe geral combinado Optimus Primavera Sound Porto 2013 + Primavera Sound Barcelona: 235€

Blind Zero: sétimo disco a 20 de março Os portuenses Blind Zero marcam o regresso aos álbuns e aos concertos com o novíssimo “Kill Drama”, o sétimo disco da originais da banda de Miguel Guedes, Vasco Espinheira, Pedro Guedes e Nuxo Espinheira, que sucede a «Luna Park» (2010). O primeiro single, “I See Desire”, rodou intensamente nas rádios, nos últimos meses, e na primeira semana em que esteve disponível para venda online, foi o terceiro single mais descarregado em Portugal, levantando o véu para o novo trabalho de uma das bandas portuguesas de culto que está de volta aos discos e aos concertos. A um ano de cumprir duas décadas de carreira, a expectativa é grande e os Blind Zero preparam-se, também, para o regresso à estrada, numa digressão para apresentar o novo trabalho, ao qual se juntaram Bruno Macedo, na guitarra, e Miguel Macedo nos teclados.


NOTAS MUSICAIS

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Vampire Weekend na primavera O novo disco dos Vampire Weekend vai chegar ao mercado a 6 de maio. Em declarações à revista Q, o vocalista Ezra Koenig definou o terceiro álbum da banda como “mais negro” e “orgânico”, apresentando-o como o final de uma trilogia: “parece mesmo o terceiro capítulo de um disco”. Ezra Koenig admitiu que a banda demorou três anos a gravar o sucessor de «Contra» por não querer lançar um disco com o qual não estivesse completamente satisfeita.

«Ouvi dizer» que os «Ornatos» voltaram Depois de uma década de interregno, a banda mítica do Porto voltou com a mesma pujança, tendo esgotado seis Coliseus de seguida, um fator impressionante, já que se trata de uma banda que esteve ausente do panorama da indústria musical por mais de uma década. Os Ornatos Violeta, inativos durante tanto tempo, conseguiram, de repente e sem nenhum disco novo, levar milhares de pessoas aos concertos nos Coliseus do Porto e de Lisboa.

«Marés Vivas» já mexe

Alguns pela primeira vez no Porto, outros nem por isso. O festival Marés Vivas 2013, que este ano se realiza de 18 e 20 de julho, na Praia do Cabedelo, em Gaia, irá trazer ao palco principal, bandas de culto que prometem concertos memoráveis, cheios de energia e puro rock. Para já contabilizam-se os nomes de James Morrison, The Smashing Pumpkins e 30 Seconds to Mars mas outros irão juntar-se ao programa, ainda em aberto. O bilhete diário pode ser adquirido por 30 euros e o passe de 3 dias por 50. 18 de julho: The Smashing Pumpkins | 19 de julho: James Morrison | 20 de julho: 30 Seconds to Mars. REVISTA VIVA, MARÇO 2013


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Aposta na valorização Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Francisco Teixeira (CMM)

“Agir” continua a ser a palavra de ordem do executivo municipal de Matosinhos. Para além de investir mais de um milhão de euros na ADEIMA – que luta contra a exclusão social – a autarquia continua empenhada na construção de infraestruturas que coloquem o concelho numa posição de destaque na Área Metropolitana do Porto.

ADEIMA, a “arma” estratégica de combate aos problemas sociais Numa fase em que as famílias portuguesas enfrentam cada vez mais dificuldades, a Câmara Municipal de Matosinhos anunciou que vai investir mais de um milhão de euros na Associação para o Desenvolvimento Integrado de Matosinhos (ADEIMA), entidade que promove, há já 20 anos, a integração das pessoas mais desfavorecidas do concelho. De acordo com o presidente da autarquia local, Guilherme Pinto, a instituição funciona como uma espécie de “arma para fazer face aos flagelos sociais”. “É a associação na qual temos ancorados alguns dos nossos projetos mais emblemáticos. Temos lá alojado, por exemplo, o EPIS, iniciativa de combate à exclusão e ao abandono e insucesso escolar que até foi começada pelo Presidente da República”, salientou, em declarações à Viva. A

associação sem fins lucrativos, criada em 1992, está envolvida na deteção precoce das dificuldades de aprendizagem dos mais novos, através de uma equipa que atua junto dos miúdos de quatro e cinco anos e que procura “minimizar as deficiências que alguns deles revelam, desde cedo”, de forma a que, no futuro, consigam obter um bom aproveitamento escolar. Além disso, a ADEIMA trabalha ainda com os desempregados de longa duração, ex-toxicodependentes e ex-alcoólicos, procurando inseri-los no mercado de trabalho. Os jovens dos bairros mais carenciados de Matosinhos integram também a lista de prioridades da associação, apoiada pela autarquia em mais de metade do seu orçamento. “A instituição foi criada pelo meu antecessor num momento em que o concelho não tinha no terreno nenhuma entidade a fazer este tipo de trabalho”, realçou Guilherme Pinto, salientando a importância da ação que a ADEIMA está a ter sobretudo nas zonas


M ATOS I N H OS

de maior carência. O balanço, é, assim, bastante positivo, com um saldo de 66 mil jovens e mais de 16 mil famílias já apoiadas. “É um trabalho que se vai fazendo todos os dias com muita paixão”, assegurou o autarca. O investimento de mais de um milhão de euros na associação surge numa altura em que a taxa de desemprego tem vindo a aumentar, em todo o país, “de uma forma assustadora”. Assim sendo, o principal objetivo da autarquia de Matosinhos passa pela criação “de condições para que as pessoas possam ser apoiadas nas suas necessidades básicas”. “Tentamos, através de voluntariado, manter os cidadãos ativos porque, embora possa parecer injusto que os desempregados façam um trabalho não remunerado, temos a perceção de que a sua ocupação é essencial para manter a autoestima e a integração na comunidade”, notou.

“Liderança ambiental em várias áreas” E como uma das estratégias da autarquia para a criação de emprego consiste na construção de novos equipamentos e na atração de investimentos, a câmara de Matosinhos tem, neste momento, quase 1700 milhões de euros de investimentos em curso, que deverão chegar aos dois mil milhões. “São projetos variados nos setores em que a autarquia sempre apostou para o futuro, desde o Mar, com o investimento na logística das plataformas e no terminal de cruzeiros, ao Pólo do Mar da Universidade do Porto, à Escola de Gestão do Porto e à indústria”, enumerou o também presidente do Fórum

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Europeu para a Segurança Urbana. Para além da aposta na área social, o ambiente é também, segundo Guilherme Pinto, um dos setores no qual Matosinhos continua a dar cartas, nomeadamente ao nível do tratamento dos resíduos sólidos, do saneamento básico, da requalificação da orla costeira e da criação de amplas zonas verdes e de lazer. O trabalho desenvolvido pela Lipor (Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto) é, de acordo com Joana Felício, responsável do pelouro do Ambiente da autarquia, “um exemplo a nível europeu”. “Desde que integramos a Lipor, estando, aliás, na sua fundação, assumimos uma nova política na gestão de resíduos”, contou a vereadora, esclarecendo que, com a proibição dos aterros pela legislação comunitária, surgiu a oportunidade de se criar uma central de valorização energética, através da associação de vários municípios do Grande Porto. Em meados dos anos 90, no momento em que se começou a difundir a necessidade de enviar para tratamento apenas o que não é suscetível de ser reciclado, Matosinhos adequou a sua estratégia às novas metas. “A Lipor deu aos municípios a possibilidade de criarem redes de ecopontos localizados nas proximidades das habitações e foi o que fizemos”, notou, salientando ainda a forte aposta no incremento da reciclagem. “Elaborámos, há oito anos, um Plano Estratégico para a Área dos Resíduos Sólidos, ou seja, analisámos, de acordo com as zonas habitacionais, qual o tipo de recolha que seria mais adequado”, explicou. Para Joana Felício, apesar de, com a diminuição do orçamento, não ter sido possível apostar na REVISTA VIVA, MARÇO 2013


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contentorização subterrânea em todo o concelho, o sistema de contentorização à superfície “tem funcionado muito bem”. Aliás, realçou a vereadora, Matosinhos é o segundo concelho do Grande Porto (atrás da Maia) que mais recicla. “Isso deve-se muito ao trabalho de educação ambiental que fazemos nas escolas. Começamos a ensinar aos mais pequeninos o que é reciclagem e quais os materiais que devem ser retirados da fileira dos indiferenciados”, referiu, sublinhando que o trabalho de consciencialização ambiental é feito pela autarquia em colaboração com as equipas de eco-conselheiros da Lipor. Em março, Matosinhos vai também tornar-se o primeiro concelho da Área Metropolitana do Porto (AMP) com 100% de cobertura de saneamento básico, num total de 25 milhões de euros de investimento, direcionado sobretudo para a construção de novas redes. “Era um dos nossos objetivos mais ambiciosos”, garantiu a vereadora do Ambiente, acrescentando que foram também renovadas algumas redes de saneamento que se encontravam obsoletas.

Transformação de toda a orla marítima Para que visitantes e moradores pudessem tirar partido das praias de Matosinhos, a autarquia traçou, logo em 2005, um “masterplan” para toda a orla marítima. “Estudámos as condições necessárias para que todas as praias ficassem bem equipadas. E assim foi: fizemos primeiro um grande plano de requalificação da orla costeira e depois percebemos que o QREN [Quadro de Referência Estratégica Nacional] apresentava uma vertente de valorização ambiental que poderíamos aproveitar”, referiu Joana Felício. “Assim, aquilo que seria um conjunto de obras realizadas de forma faseada foi, na verdade, feito quase de forma massiva”, acrescentou. Numa primeira candidatura, com um financiamento de 12 milhões de euros, a autarquia construiu oito parques de estacionamento, tratou paisagisticamente e recuperou todas as linhas de águas que desaguavam nas praias e criou o passadiço, elemento fixador das dunas e de atração de pessoas à praia. “A nossa ideia foi a


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determinados locais e ainda a implementação de medidas de salvaguarda e proteção costeira. De acordo com a responsável, “é com orgulho” que a autarquia tem comprovado “o sucesso” de todo o investimento realizado na orla marítima. “É de referir que conseguimos não só captar fundos europeus como executá-los sem mandar nada para trás. Tivemos uma excelente taxa de execução”, assegurou, com agrado.

Espaços de lazer que integram hortas sociais de mudar o conceito de sazonalidade e trazer visitantes à praia durante todo o ano”, explicou a vereadora. Além disso, a câmara de Matosinhos estabeleceu também uma colaboração com a Escola Superior de Arte e Design (ESAD) para o tratamento da área da sinalética. “A zona da orla costeira é extremamente agreste do ponto de vista dos ventos e da salinidade. Qualquer placa de metal que colocássemos ficava destruída de um ano para o outro. Por isso, a escola estudou um material que conseguisse subsistir com bom aspeto, sem ficar enferrujado”, sustentou. Entretanto, através de outra candidatura – com um financiamento de nove milhões de euros – a autarquia concentrou-se no eixo viário da marginal, havendo, neste momento, uma outra, no valor de dois milhões e duzentos mil, através da qual estão a ser feitas algumas pequenas obras em falta, nomeadamente a colocação de passadiço e a integração paisagística de

Ainda no âmbito do QREN, a câmara de Matosinhos está a apostar na criação de três grandes zonas verdes: o Parque das Austrálias, o de Picotos e o de S. Brás, em Santa Cruz do Bispo, que deverão estar concluídos no final do ano, num investimento de quatro milhões e duzentos mil euros. O equipamento do grande “pulmão verde” do Monte S. Brás integrará um Centro de Interpretação Ambiental com capacidade para a realização de diversas atividades educativas. Os três espaços vão ser organizados de forma a dar resposta ao crescente número de pedidos de hortas sociais que chegam à autarquia. “O Parque das Austrálias teve sempre pequenos agricultores e naturalmente que, a essas pessoas, vai ser dada preferência na atribuição das hortas”, salvaguardou Joana Felício, defendendo que, além de irem ao encontro das necessidades expressas pelos cidadãos, os espaços verdes vão funcionar como áreas de grande potencial de atração de visitantes.


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Aposta no ambiente O investimento que tem vindo a ser realizado, por parte da autarquia de Vila Nova de Gaia, no município, tem-se pautado pelo equilíbrio entre as diversas áreas de gestão. Ecologia, alargamento dos espaços verdes do concelho e novas infraestruturas, são apontadas como as principais linhas dinamizadoras do primeiro trimestre de 2013.

Fotos: CMG


GAIA

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Parque da Lavandeira Pulmão verde em meio urbano Situado em zona urbana – Oliveira do Douro – o Parque da Lavandeira é muito mais que um simples espaço verde. Com 11 hectares, possibilita ao visitante percursos pedestres, zonas de merendas, parques infantis e jardins temáticos. O Parque é ideal para caminhadas ou “jogging”, possuindo trilhos específicos de manutenção física. Fica situado junto ao Centro Escolar Manuel António Pina, a inaugurar brevemente. O município quer, agora, recuperar a estufa, os jardins românticos e o lago do parque, num investimento de cerca de 400 mil euros. A medida insere-se num projeto global de dotação de uma grande mancha de parques verdes em zona urbana, como é exemplo a apresentação do recente projeto do Parque da Ponte D. Maria Pia. Complementa-se também com o projeto “Encostas do Douro”, de requalificação da zona ribeirinha entre a Ponte Luiz I e Lever, à semelhança do que aconteceu na orla marítima. “É importante salvaguardar e proteger todo o valor paisagístico e histórico junto ao Rio Douro, pois trata-se de um património estratégico para toda a Área Metropolitana do Porto”, salientou Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Gaia, durante uma visita ao Parque da Lavandeira.

REVISTA VIVA, MARÇO 2013


A U T A R Q U I A S

Parque Botânico do Castelo - valorização do interior do concelho

Uma velha quinta em ruínas, recuperada, transformou-se num belo parque botânico e arqueológico. Trata-se de um espaço verde de recreio e lazer e área de importância arqueológica. Contíguo ao Clube Náutico de Crestuma, caracteriza-o uma disposição verticalizada, produzindo nos visitantes uma sensação peculiar, já que assenta em socalcos. Quanto mais o visitante sobe, mais a paisagem sobre o rio Douro, que corre em baixo, é valorizada. As espécies que ali se encontram são basicamente freixos, sobreiros e, entre muitas outras, diversas espécies de carvalhos autótones. À sombra dos medronheiros, há também endemismos portugueses, como é o caso de uma planta chamada pelos cientistas como Omphalodes nitida. Este parque incluirá no futuro “um centro de interpretação da flora, arqueologia e geomorfologia, a instalar na Casa da Eira”, estrutura que já existia no topo deste espaço verde.

Reserva Natural Local do Estuário do Douro

Na Reserva Natural do Estuário do Douro pode observar o modo de vida das diferentes espécies que “frequentam” este local, em Canidelo. Destaque para as aves – garças, andorinhasdo-mar, gaivotas e alvéolas-amarelas e também para as espécies de rio. O visitante tem ao seu dispor um miradouro, ideal para uma observação com binóculos e guia de aves. Nos primeiros domingos e segundos sábados de cada mês, de manhã, as observações podem ser feitas com a ajuda de técnicos especializados. A Reserva está aberta todos os dias, e a entrada é gratuita.

PROJETOS FUTUROS Parque D. Maria Pia

Luís Filipe Menezes já oficializou o início do processo de construção do Parque Ponte Maria Pia, plantando, simbolicamente, a sua primeira árvore, um azevinho.”Este parque é muito interessante, pois está situado numa zona urbana e de transição de freguesias”, adiantou, referindo o prolongamento até à Ponte Luís I para, a posteriori, através de um circuito ciclo-pedonal e outro para veículos elétricos, fazer a ligação entre a Alfândega do Porto e a Praia da Granja. O parque registará um desenvolvimento de duas fases: na primeira, cobre o espaço até ao viaduto do antigo canal ferroviário Porto/Lisboa, definitivamente desativado, estendendo-se, num outro momento, até à Ponte Maria Pia. Este novo espaço verde da cidade, que deverá abrir ao público durante 2013, será um parque simples, de passeio e de lazer, mas importante, numa zona de elevada densidade populacional.


GAIA

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Parque das Devesas

Com cerca de dois hectares, este parque, que possui uma vegetação muito interessante, nomeadamente uma coleção notável de camélias, deverá abrir ao público ainda durante 2013.

Futuro do planeta nas mãos de Gaia

Parque do Vale de S. Paio

Com cerca de cinco hectares, este espaço, vizinho da Reserva Natural Local do Estuário do Douro, irá complementá-la. O espaço no Vale de S. Paio será um parque de lazer nos moldes do existente na Lavandeira com percursos e locais de estadia. Em princípio será reabilitada uma antiga mina de água, outrora utilizada para fins agrícolas, quando uma parte deste terreno era cultivada. Prevê-se que, entre outros motivos de interesse, o parque venha a ter um lago, de maneira a que as centenas de espécies que anualmente passam pelo Cabedelo possam utilizá-lo. O lago irá nascer no fundo da encosta, a poucos passos do areal.

O “Green Sheik” – membro da família real dos Emirados Árabes Unidos – esteve em Gaia como participante da conferência “Um Novo Património para uma Nova Economia”, que reuniu especialistas ambientais de todo o mundo durante dois dias no Parque Biológico. A iniciativa esteve inserida no projeto “Condomínio da Terra”. Na ocasião ficou decidida a apresentação de uma candidatura do Património Intangível da Humanidade à UNESCO, englobando os sistemas climáticos e oceânicos. De acordo com Mercês Ferreira, vereadora do Ambiente, com a candidatura “pretende-se melhorar a sustentabilidade do planeta e gerar oportunidades diferentes em economia que possam promover um novo paradigma de desenvolvimento do mundo”. A ideia da candidatura nasceu em 2009 em Gaia, numa outra iniciativa promovida pelo “Condomínio da Terra”. A proposta recolheu aplausos por parte do “Green Sheik”, que salientou “que o Condomínio da Terra pode ter um impacto real, não só na Europa mas a nível global”. Trata-se de uma plataforma em que diferentes setores da sociedade – cientistas, engenheiros e advogados – trabalham em conjunto para lançar ações a serem implementadas no futuro. “Estou muito honrado por estar nesta maravilhosa cidade de Gaia, e poder fazer parte deste processo que pode fazer a diferença para salvar o planeta”, concluiu. REVISTA VIVA, MARÇO 2013


AMP

Fazer floresta Parceiros no projeto “Futuro – 100.000 árvores”, a Área Metropolitana do Porto, em conjunto com a Católica Porto e a Quercus, está empenhada na plantação exaustiva de floresta nativa, com espécies autótones, no sentido de reflorestar áreas degradadas dos diversos concelhos da sua esfera administrativa. A iniciativa partiu das entidades que integram o Centro Regional de Excelência em Educação para o Desenvolvimento Sustentável (cre.porto).

M

arta Pinto, da Escola de Biotecnologia da Católica Porto, foi recentemente, premiada pela elaboração deste projeto, no âmbito de um concurso da Fundação Yves Rocher, que pretende distinguir mulheres empreendedoras. Preocupada com o ambiente, a Fundação distinguiu o projeto “Futuro – 100.000 árvores”, lançado no âmbito do Ano Internacional da Floresta, que pretende reflorestar mais de 100 hectares que integram a área metropolitana do Porto até 2015. “Devido ao sucesso da iniciativa, o projeto poderá continuar e, quem sabe, chegarmos às 200 ou 500 mil árvores?”, refere Marta Pinto. Até ao momento foram já plantadas cerca de 20 mil árvores, uma vez que as plantações só podem ser efetuadas entre outubro e março. Serão privilegiadas espécies autótones como “carvalhos, sobreiros, amieiros, castanheiros, freixos, loureiros, medronheiros, ulmeiros e pinheiros-mansos,

Ramón Ruiz

Texto: Marta Almeida Carvalho


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Conceição Almeida

Ricardo Amadeu

sabugueiros, amieiros e pilriteiros, entre outras. “Uma das grandes dificuldades prende-se com as espécies invasoras que são muitas em Portugal”, refere Marta Pinto, salientando o trabalho de fundo, quer de técnicos quer de voluntários, na limpeza dos espaços, até que fiquem prontos para plantar. “Depois de plantados, há que fazer a sua manutenção, o que requer um grande esforço”, acrescenta.

Áreas reconvertidas em treze concelhos Diversas entidades, entre as quais a Área Metropolitana do Porto (AMP), a Católica Porto e a Quercus, unidas pelo Centro Regional de Excelência em Educação para o Desenvolvimento Sustentável da Área Metropolitana do Porto (cre. porto), em colaboração com outras parcerias, lideram o projeto que pretende a criação de bosques autótones em toda a região. Arouca,

Os «Embaixadores da Floresta» são cidadãos ou entidades que desempenham um papel ativo na proteção e promoção dos bosques autótones da Área Metropolitana do Porto.

Gondomar, Maia, Matosinhos, Oliveira de Azeméis, Porto, Póvoa de Varzim, Santo Tirso, São João da Madeira, Trofa, Vale de Cambra, Valongo e Vila do Conde são os treze municípios que participam nesta iniciativa, uma vez que os seus grandes objetivos passam pela a reflorestação, com espécies espontâneas da região, de cerca de 100 hectares de área ardida, livre ou que necessite de ser reconvertida. As áreas, na sua maioria de gestão pública mas que, em alguns casos, pertencem a privados, estão a ser alvo de uma gestão continuada com a colaboração das autarquias, das associações florestais e da própria Autoridade Florestal Nacional (AFN).

20 mil toneladas de dióxido de carbono capturadas O cre.porto é uma rede regional que integra entidades públicas e privadas que atuam na área da educação dos cidadãos para um futuro REVISTA VIVA, MARÇO 2013


sustentável, dinamizada pela Área Metropolitana do Porto e pela Universidade Católica. Criar bosques mistos, com espécies autótones, no território apresenta-se como uma prioridade fundamental no sentido de incrementar a biodiversidade, proteção dos solos, recursos hídricos, prevenção do efeito de incêndios e, consequentemente, para a melhoria da qualidade de vida, uma vez que os bosques têm um importante papel na captação do dióxido de carbono, resultante da combustão das energias fósseis e acelerador de alterações climáticas. Neste sentido, as 100 mil árvores irão contribuir para o sequestro de cerca de 20 mil toneladas de dióxido de carbono ao longo dos próximos 40 anos, uma das qualidades “invisíveis” da floresta, a que se juntam a regulação do clima e da água, controlo da erosão e retenção de sedimentos, formação do solo, reciclagem de nutrientes, produção de matérias-primas e proteção dos recursos genéticos e da biodiversidade. Susana Castanheira, da AMP, não tem dúvidas de que este é um projeto ambicioso e empreendedor, alicerçado em respostas educativas muito positivas. “Temos tido a colaboração intensiva de diversas escolas dos municípios que integram o

Marta Pinto

AMP

Próximas atividades 16 de março 2013 | Plantação | Viveiros da Granja | Arouca | 10h00-17h00 23 de março | Eliminação de infestantes | Serra de Santa Justa | Valongo | 09h30-13h00 13 de abril 2013 | Manutenção | Monte Padrão | Santo Tirso | 09h30-13h00

cre.porto, bem como uma excelente articulação entre os pelouros do Ambiente e da Educação das autarquias participantes”, assegura.


C A R T A Z Literatura

“Porto Sentido”, de Valéria Wiendl e Pedro Camelo De uma assumida paixão pela fotografia e pela cidade Invicta nasceu a obra “Porto Sentido”, de Valéria Wiendl e Pedro Camelo, que retrata “o que significa morar, trabalhar e vivenciar a cidade”, num confirmado desafio ao lado emocional do leitor. “Chegámos à conclusão de que queríamos um Porto das pessoas. Ora este conceito ‘obrigou-nos’ a ver a cidade como cenário, onde as vivências se enquadram”, explicaram os autores, em declarações à Viva. O passo seguinte consistiu na procura de alguns dos “responsáveis” pela edificação do Porto para a reunião de diferentes testemunhos, numa pesquisa que acabou por incluir 51 profissionais das áreas de arquitetura e engenharia que vivem e trabalham na cidade mas que guardam experiências que ultrapassam os seus aspetos meramente físicos. Assim sendo, o “Porto Sentido” acaba por combinar a “poesia” das imagens com a técnica e a memória afetiva dos arquitetos e engenheiros que percorrem diariamente a cidade. “O livro pretende estabelecer uma forte relação afetiva com o leitor, uma vez que as pontes entre o passado e o presente que temos nos diversos testemunhos lhe permitem identificar-se com os mesmos. Pretendemos igualmente, através das nossas fotografias, capturar a cidade, particularmente os espaços referidos nos textos, de uma forma diferente, não tradicional, fugindo do postal”, sublinharam.

“Escândalos da Monarquia Portuguesa”, de Ricardo Raimundo Em “Escândalos da Monarquia Portuguesa”, Ricardo Raimundo debruça-se nos episódios caricatos e novelescos que escapam às páginas dos livros de História, apresentando aos leitores uma seleção de acontecimentos suscetível de arrancar expressões de admiração. “Num país onde existem ministros que se licenciam em dois dias; outros que obtêm a licenciatura num domingo; médicos que exercem há mais de vinte anos sem autorização para tal e deputados apanhados a conduzir com excesso de álcool, mas nada lhes acontece (…) não faltam episódios inspiradores. No entanto, ainda não podem ser considerados como história para poderem ser analisados, daí que tenha decidido olhar para a nossa história de 900 anos e ver se esta tendência para atos escandalosos era recente, fruto da nossa democracia e dos nossos tempos, ou pelo contrário, algo que está entranhado no ADN luso e nos acompanhou, acompanha e há-de acompanhar”, explicou à Viva o escritor, que reside no Porto. Assim, partindo da análise de “um conjunto de crónicas dos reis de Portugal, correspondência trocada entre alguns dos principais agentes históricos, diários de personagens históricas, documentação avulsa e, a partir do momento em que foi possível, através da consulta de publicações periódicas”, Ricardo Raimundo conseguiu escolher 56 histórias dignas de registo, quer pela sua importância, quer pelo nível de escândalo que provocaram. Entre os mais curiosos para o autor estão, por exemplo, as relações homossexuais de D. Pedro I e a necessidade excessiva que D. Maria Pia tinha de… fazer compras, defendendo até que “quem quer rainhas paga-as”. “Conhecido pelo seu intenso amor por Inês de Castro que quase o levou à loucura, poucos imaginariam que D. Pedro I seria capaz de voltar a ter relacionamentos, quanto mais com um homem. É verdade. Quem nos conta a história é Fernão Lopes, o cronista que escreveu a vida deste rei. O amado era Afonso Madeira, um escudeiro. Diz-nos ele que nutria uma amizade muito forte por ele, tão forte que a prudência aconselhava a que tal não se escrevesse”, explicou Ricardo Raimundo. De resto, milagres inventados “à pressão” para o bem do país, confrontos familiares que resultaram em morte e assassinatos descarados como o de D. Diogo, pelas mãos do rei D. João II, seu cunhado, são mais alguns dos ingredientes assegurados na obra “Escândalos da Monarquia Portuguesa”, que envolveu seis meses de investigação. De acordo com o autor, a reação imediata das pessoas à obra é, muitas vezes, a da comparação com a atualidade. “Afinal nada mudou. Continua tudo na mesma. Tal como ontem, os nossos governantes continuam a envolver-se em escândalos de diversa índole”, referem os leitores, assumindo a curiosidade em relação aos episódios caricatos vividos no tempo da Monarquia.


103 Cinema

“Ferrugem e Osso” Estreia 14 de março

Realizado por Jacques Audiard, o filme “Ferrugem e Osso” retrata a vida de Ali que, passando a ter a responsabilidade de tomar conta de Sam, seu filho de cinco anos, que mal conhece, encontra refúgio na casa de uma irmã, em Antibes, no Sul de França. Entretanto, depois de uma luta numa discoteca, Ali acaba por conhecer Stéphanie, que o leva a casa, deixandolhe o número de telefone. Tudo os separa. Para o pai de Sam, a treinadora de orcas é uma verdadeira princesa. Contudo, quando se voltam a encontrar, Stéphanie está diferente: presa a uma cadeira de rodas e sem ilusões. Ainda assim, com a ajuda de Sam e sem qualquer sentimento de piedade, a treinadora vai voltar a viver.

“O Grande Gatsby” Estreia 16 de maio

Em maio, “O Grande Gatsby” vai chegar às salas de cinema portuguesas para contar a história de Jay Gatsby (interpretado por Leonardo DiCaprio), um milionário que organizava festas luxuosas para pessoas da alta sociedade de Nova York. A verdade é que a intenção do jovem é apenas uma: a de atrair um antigo amor, Daisy Buchanan (Carey Mulligan). Ainda assim, o único que conhece as verdadeiras motivações de Jay é Nick Carraway (Tobey Maguire), narrador da história e primo de Daisy.

Música

“Razão de Ser” - Ala dos Namorados A Ala dos Namorados, composta por Manuel Paulo e Nuno Guerreiro, prepara-se para voltar aos discos. “Razão de Ser”, que deverá chegar às lojas ainda no primeiro trimestre do ano, revisita temas editados ao longo dos 20 anos de carreira em formato dueto. Entre os convidados estão António Zambujo e Pacman.

Catacombe de regresso com edição em cassete e novo tema Depois de grandes nomes do post-rock como God is an Astronaut, Jakob e PG.Lost, a banda Catacombe associa-se também à Bylec-Tum e à moda das cassetes para uma reedição especial do disco “Memoirs” e com um tema inédito - Jardim da Sereia. Esta edição terá também formato CD Digipack. Para ter acesso ao pack especial de T-shirt + CD Digipack + cassete + postal entre em contacto com a banda através de catacombe.band@gmail.com.

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F R E G U E S I A S

Um ano difícil

Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: JFC

Apontando o ano de 2013 como “extremamente difícil para todos os autarcas”, nomeadamente devido aos cortes orçamentais de oito por cento efetuados pela Câmara do Porto às freguesias do concelho, Fernando Amaral, presidente da junta de Campanhã mostra-se preocupado com a falta de capacidade para “acudir aos inúmeros problemas de índole social”, que são o “grande estigma da freguesia”. A junta irá inaugurar brevemente, em S. Pedro de Azevedo, uma sala de convívio destinada aos idosos da área. O espaço será dotado de excelentes condições de conforto e acessibilidade, ficando a sua gestão entregue a técnicos de gerontologia. “É uma infraestrutura de extrema importância numa zona que tem sido desprotegida ao longo dos anos”, referiu o autarca, que realçou, ainda, o tratamento dado às ruas da localidade. “Depois de muito pressionar a Câmara, devido ao mau estado em que se encontrava a rede viária de Azevedo, a Águas do Porto, na sequência das obras para a colocação do saneamento, resolveu proceder à pavimentação dos eixos mais importantes, nomeadamente das ruas da Senhora da Hora, Outeiro do Tine, Meiral e Freixo, beneficiando toda a zona circundante”, salientou, acrescentando que, em troca da colocação dos estaleiros da obra num terreno cedido pela junta, o empreiteiro se disponibilizou a proceder ao arranjo dos passeios. “Era também um pedido que já tínhamos feito, há muito, junto da Câmara, que nunca se mostrou disponível”, afirmou. Fernando Amaral salientou ainda a realização de um evento ligado ao atletismo, promovido pelo Espaço Animar e organizado pela Bom Porto, no pavilhão multiusos situado junto ao Bairro do Lagarteiro. “É bom de ver que o equipamento tem visibilidade junto das entidades e agentes desportivos”, referiu, salientando a proximidade desta infraestrutura ao Parque Oriental, um espaço que tem, também, de ser dinamizado. O autarca garantiu, ainda, a firmeza na intenção de


CA M PA N H Ã

continuar a lutar, junto da STCP, pela manutenção e criação de novos trajetos, nomeadamente na ligação entre Azevedo e a Escola EB 2 3 do Cerco do Porto. Fernando Amaral destacou, também, a ação denominada “Semear para alimentar”, que se realizou, em janeiro, na Quinta da Mitra. Promovido pela Associação Movimento Terra Solta, o evento contou com um vasto programa marcado pela plantação de diversos géneros, nomeadamente árvores de fruto, ervas aromáticas e hortícolas, sopa para todos, surpresas culinárias, oficinas de reciclagem e muita música.

Clube de Cicloturismo de Campanhã – Desporto e Lazer O Clube de Cicloturismo de Campanhã (CCC) foi institucionalmente criado em 2008 e, para além da participação nas diversas provas organizadas pela Federação Portuguesa de Ciclismo, é a entidade organizadora da “Volta a Campanhã em Bicicleta”, uma prova que se realiza anualmente a 8 de setembro, dia da padroeira da freguesia. Constituído por nove atletas, que garantem a participação no calendário das provas, o clube não tem, atualmente, capacidade para receber mais inscrições uma vez

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que falta um espaço que possam usar como sede. Jorge Delmar, presidente da direção, lamenta não poder contar com mais atletas jovens. “Se tivéssemos um espaço nosso poderíamos aceitar mais crianças, promover ações de formação e desenvolver-lhes a paixão pelo ciclismo”, refere, garantindo que é um desporto “muito completo”. Com aproximadamente três dezenas de associados, o CCC promove, ainda, diversas provas, fora do calendário oficial da Federação, nomeadamente passeios à Serra do Marão, Gerês e Ponte de Lima. No entanto, a sua prova rainha é a “Volta a Campanhã”, uma iniciativa onde percorrem, em média, 50 quilómetros, e que conta sempre com muitos participantes vindos de todo o país. “Habitualmente temos cerca de 200 participantes, com idades a partir dos 13 anos”, refere Joaquim Baldaia, vice-presidente do clube. O CCC vive da quotização dos associados, dos apoios com material que têm por parte de alguns «patrocinadores» e da junta de freguesia, bem como da boa vontade dos atletas e dirigentes. REVISTA VIVA, MARÇO 2013


F R E G U E S I A S

Tempo de ação Texto: Mariana Albuquerque Foto: Virgínia Ferreira

Além de colocar em marcha algumas propostas dos cidadãos que foram inseridas no Plano de Atividades e Orçamento para 2013, a junta de freguesia de Lordelo do Ouro pretende, nos próximos meses, ultimar o programa de comemorações dos 50 anos da Ponte da Arrábida. Terminado um ciclo durante o qual os cidadãos foram desafiados a apresentar projetos passíveis de serem incluídos no Plano de Atividades e Orçamento para 2013, a junta de freguesia de Lordelo está, agora, na fase inicial da sua implementação. As ideias avançadas pelos habitantes e coletividades locais foram recebidas “de braços abertos” e sujeitas a um processo de seleção que resultou na escolha final de cinco propostas. (ver tabela) Assim sendo, tal como afirmou a presidente da junta de Lordelo, Gabriela Queiroz, o Plano de Atividades deste ano “bebeu muito daquilo que foi o processo de consulta alargada à população”, numa tentativa de dar mais um passo rumo à

construção de uma comunidade socialmente ativa e participativa. “Não podemos deixar de reconhecer que houve interesse manifestado quer pela população quer pelas associações e coletividades da freguesia e que foi com bastante regozijo que nos chegaram sugestões das mais diversas índoles e dos mais variados ramos de intervenção e atividade”, referiu, em declarações à Viva. Os projetos escolhidos pela junta de freguesia, tendo em conta a “pertinência” das ideias apresentadas e o orçamento disponível, foram, portanto, acolhidos no Plano de Atividades, a desenvolver ao longo do ano.

Os 20 anos do Grupo Folclórico de Lordelo do Ouro Num momento em que se assinalam as duas décadas de vida do Grupo Folclórico de Lordelo do Ouro, a junta não quis também deixar de realçar o percurso efetuado pela entidade, “muito acarinhada na freguesia”. “É uma instituição que, de algum modo, tem uma acentuada responsabilidade na parte mais ligada às tradições e ao folclore, com especial impacto na participação da freguesia nas rusgas da cidade e na organização do Festival de Folclore de Lordelo do Ouro”, sublinhou Gabriela


LO R D E LO D O O U R O

ENTIDADE

DESCRIÇÃO

Vitabalance-med

Balança da Saúde – Concessão e desenvolvimento de um novo conceito de saúde, com especial enfoque no combate à obesidade, através de trabalho de informação e prevenção desenvolvido junto de escolas

Catarina Llobet Moura - *

Hortelã – criação de uma Horta Comunitária e Desenvolvimento Social

Sotaques

Organização de tertúlias poéticas em locais e instituições da freguesia

Social Merge - *

Criação de um Gabinete de Proximidade para Acompanhamento de Idosos isolados na Freguesia

Núcleo de Defesa do meio Ambiente de Lordelo do Ouro - *

Criação de hortas comunitárias; Arranjo de Limpeza da Fonte da Raia; Reconhecimento do Plátano da Rua Ciriaco Cardoso como árvore de interesse público.

Clube Fluvial Portuense - * Clube Infante de Sagres

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Projeto “ ONDE TODOS NADAM” Criação De Raízes Aquáticas Deteção de talentos Apoio à 3ª.Idade Solicita apoio ao Plano de Atividades da instituição

Associação de Moradores do Bairro Nuno Pinheiro Torres

Projectarte da Escola Leonardo Coimbra

José Augusto Moura Alves Meira - *

Problemas rodoviários na Rua de Tanger, Jorge Reinel e Avenida Marechal Gomes da Costa

(A JFL vai procurar desenvolver ao longo deste ano vertentes relacionadas com as propostas assinaladas com *)

Queiroz. “Pelo percurso da coletividade, pelo seu impacto na freguesia, pelo papel de repositório das tradições e pelos anos que celebra, a junta não poderia deixar de manifestar publicamente o seu apreço e referir o apoio que, dentro das possibilidades, tencionamos continuar a dar”, acrescentou.

Ponte da Arrábida: meio século a ligar as margens do Douro Com a proximidade do aniversário dos 50 anos da inauguração da Ponte da Arrábida, que se assinala a 22 de junho, as juntas de freguesia de Lordelo e Massarelos estão a desenhar um programa destinado a assinalar a efeméride. “Apesar de, geograficamente, a ponte estar inserida em Massarelos, é incontornável o seu peso em Lordelo, não só em termos de impacto

visual, mas também em termos históricos, uma vez que existe na freguesia a chamada zona da Arrábida, que cresceu inclusivamente na altura da construção da ponte”, explicou Gabriela Queiroz, destacando que a parceria funciona como uma preparação para a futura fusão das duas freguesias. “Estamos a delinear a programação em conjunto por razões óbvias: em primeiro lugar porque a Ponte da Arrábida está situada em Massarelos e depois porque faz todo o sentido começarmos a potenciar sinergias e a preparar, de uma forma suave, a sucessão da nova freguesia”, realçou. Gabriela Queiroz aproveitou ainda para informar os cidadãos de que as juntas estão disponíveis para acolher todo o tipo de elementos ligados à ponte – fotografias, vídeos e contributos históricos sobre a época – que possam ser úteis ao desenvolvimento das ações de comemoração. REVISTA VIVA, MARÇO 2013


F R E G U E S I A S

Legado

para o futuro

A

Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira

identidade do espaço territorial da freguesia de Nevogilde será, a curto prazo, diluída devido à fusão com as freguesias de Aldoar e Foz do Douro. Na sequência desta agregação, o presidente da junta, João Luís Rozeira, propôs ao executivo da au-

tarquia a elaboração de um pequeno livro sobre a toponímia local. “Na minha qualidade de cidadão eleito, com responsabilidades diretas na autarquia, não podia deixar de propor ao executivo da junta um breve apontamento sobre a nossa toponímia”, refere o autarca, salientando que este servirá para “memória futura”. “Com este documento vamos poder recordar o espaço que faz parte do nosso território desde novembro de 1895, deixando de pertencer ao Julgado de Bouças, altura em que fomos integrados na cidade do Porto”, lembra.


N EVO G I L D E

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O reagrupamento das freguesias, consolidado pela lei 22/2012 de 30 de maio, está já definido, determinando a cessação da de Nevogilde. No sentido de fornecer um legado sobre o seu espaço territorial, a junta de freguesia promoveu o lançamento de uma publicação que visa eternizar a área geográfica que “outrora” foi denominada de Nevogilde.

“Todas as ruas têm o seu sentido” O manual, da autoria de Alexandra Vidal, foi publicado no passado mês de dezembro e representa uma viagem pelas ruas da freguesia, com todos os apontamentos toponímicos de cada uma delas, acompanhados por curiosidades e histórias diretamente ligadas às artérias que cruzam a área geográfica de Nevogilde. A obra é gratuita e está disponível na sede da junta para todos os habitantes da freguesia. REVISTA VIVA, MARÇO 2013


F R E G U E S I A S

No combate ao desemprego No topo da lista de prioridades da junta de freguesia de Paranhos está o aumento da competitividade das empresas locais e a luta contra o desemprego. Neste sentido, a junta de Paranhos vai promover uma série de atividades de formação dirigidas às Pequenas e Médias Empresas, aos desempregados que pretendem concretizar projetos de negócio inovadores e aos cidadãos interessados em desenvolver aptidões em áreas como a eletricidade e a geriatria.

Texto: Mariana Albuquerque Fotos: JF Paranhos | Virgínia Ferreira


PARANHOS

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Pode seguir as atividades da junta de freguesia em: www.jfparanhos-porto.t www.facebook.com/ JFParanhos www.facebook.com/ casaculturadeparanhos www.facebook.com/ unidade.empresarial. paranhos Pode ainda subscrever a newsletter através do site da junta ou enviando um email para o Gabinete de Comunicação e Imagem – gci@jfparanhos.pt

Aumentar a competitividade das PME Nos próximos meses, a junta de freguesia de Paranhos vai intensificar a aposta na área do emprego, proporcionando à população um conjunto de ações de formação vocacionadas para diferentes níveis de qualificação. As Pequenas e Médias Empresas (PME) locais, por exemplo, vão ter a oportunidade de participar numa sessão de esclarecimento destinada não só ao cumprimento dos requisitos legais de formação, mas também à otimização das ferramentas de trabalho que poderão ser utilizadas pelos trabalhadores. A intenção será, portanto, a de melhorar o desempenho dos empresários, de acordo com a sua área de negócio. Em declarações à Viva, o presidente da junta de freguesia de Paranhos, Alberto Machado, garantiu que a autarquia está consciente da importância das PME como motores de crescimento das regiões, pelo que decidiu apresentar-lhes soluções no sentido de poderem “alcançar níveis de maior competitividade e adequação face às novas exigências do mercado”. Assim sendo, a junta de freguesia celebrou uma parceria com a

ADEACE (Associação para o Desenvolvimento dos Estudos Aplicados às Ciências Empresariais) para disponibilizar a todas as empresas o Programa de Formação PME, em coordenação com a Associação Empresarial Portuguesa (AEP).

Incentivar o empreendedorismo Os jovens desempregados também vão poder adquirir ferramentas, aptidões e competências que lhes permitam criar o seu próprio negócio. Em parceria com o IEFP - Centro de Emprego do Porto, a junta de freguesia vai desenvolver formações destinadas a fomentar o autoemprego. “Os desempregados que vêm à junta de Paranhos para efetuar a apresentação quinzenal obrigatória vão ser convidadas a integrar uma formação em empreendedorismo. No final, os cidadãos que tiverem, efetivamente, uma ideia de negócio e que a quiserem implementar, vão poder fazê-lo gratuitamente na unidade empresarial de Paranhos, durante um período de dois anos”, salientou Alberto Machado.

Formação em diversas áreas A pensar nos cidadãos com o 6.º, 9.º e 12.º anos e no âmbito da medida “Vida Ativa”, a junta de Paranhos vai também dinamizar ações de formação noutras áreas, nomeadamente no setor da Eletricidade e Energia, com os módulos Instalações de aparelhos de aquecimento e Eletricistas de Instalações. Haverá ainda uma formação na área da Construção Civil e da Canalização, vocacionada para a montagem de esquentadores e termoacumuladores, e outra na de Geriatria, sobre a saúde da pessoa idosa e sobre prevenção de primeiros socorros. “Vamos ainda fazer formações em inglês e espanhol comercial, tudo isto vocacionado para desempregados”, acrescentou Alberto Machado. REVISTA VIVA, MARÇO 2013


H U M O R

Distração

- Era um estúpido quando me casei contigo! - Eu sei querido, mas eu estava tão apaixonada que nem notei!

Apressada

Uma senhora entra numa drogaria da província. - Queria uma ratoeira, se faz favor. Mas depressa. Tenho de apanhar o comboio. - Assim tão grande não temos.

Anjo

Dois amigos conversavam: -A minha mulher é um anjo! - Tens sorte, a minha ainda está viva!

Notícias

O marido despede-se da esposa. - Querida, enquanto eu estiver em viagem, como queres que te mande noticias? Por telefone, telegrama, fax? - Por transferência bancária.

Presente

Na loja, o cliente aconselha-se com a empregada: - Quero comprar um presente para a minha namorada, mas não sei o que hei-de comprar. - Tenho umas lindas meias de nylon. Quer vê-las? - Sim, claro... Mas primeiro vamos tratar do presente...

Amigos

- A minha mulher fugiu com o meu melhor amigo. - Ah sim? Com quem? - Não sei! Só sei que agora ele é o meu melhor amigo!

Demodé

Numa sapataria, uma senhora esteve uma tarde toda para escolher uns sapatos e, no final, diz ao empregado: - Estes sapatos são tão antigos…. - Claro, estavam na moda quando a senhora começou a experimentá-los!

ODIE, SERÁ QUE PODES AFASTAR-TE UM POUCO?


PA RA N H OS


C R Ó N I C A

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EU SOU DO PORTO? Maria José Azevedo jornalista

A simples pergunta – qual é a tua terra, ou, de onde és? - provoca-me sempre algum embaraço. E, no entanto, a resposta parece simples – é-se da terra onde se nasceu. E assim sendo, a minha resposta seria Angola, onde nasci e onde vivi mais de vinte anos, e onde fiz amigos para a vida. É o meu porto de partida, terra que me fez preterir o curso de primeira escolha por outro, para poder voltar para lá, consumida pelas saudades. E assim nasce o meu embaraço, porque a nossa terra é, também, aquela que nos recebeu bem, que nos tratou como seu natural, que nos acolheu em momento de dificuldades – e aí teria de responder Açores, para onde fui depois do adeus a Angola, nos idos de 75. É também a terra dos meus avós maternos e, talvez por isso, lá sinto-me em casa, sempre que ali regresso, e onde reencontro amigos que ganhei para a vida, durante os dez anos que lá vivi. Daí que eu me considere, para mim com toda a justiça, também açoriana. Os Açores foram, para mim, o meu porto de abrigo. E assim se mantém o embaraço, porque eu gosto de dizer que sou do Porto, porque é isso que sinto – foi a terra que escolhi para viver e aqui fixar raízes, já lá vão quase trinta anos – tenho com o Porto, se não uma união de direito, uma união de facto – desde logo porque essa ligação resulta de uma escolha, não foi obra do destino. Aqui ganhei uma família, criei uma filha, fiz amigos para a vida - por isso, é o meu porto de chegada. Quando aqui cheguei, estranhei – o cinzento do granito, as ruas estreitas, o frio e a chuva quase permanente no Inverno, o desconforto de uma paisagem que me era estranha, criada que fui em grandes espaços, e horizontes a perder de vista. Depois, entranhei – desde logo a espontaneidade e a generosidade de quem cá vive, que, para mim, é o melhor que o Porto tem. Há lá exercício mais revigorante do que passear pela baixa da cidade, sentir o conforto da multidão apressada, ser confrontada aqui e ali com um palavrão que escapa, em português vernáculo e à moda do Porto, alternando com as expressões de carinho em que são especialistas as mulheres do Bolhão, ali onde se confundem os

cheiros com as cores, num espaço belíssimo que urge conservar. E a comida, senhores, mistura de aromas que acompanham a substância, sejam as tripas ou as francesinhas, boas em qualquer lado, os filetes do Aleixo ou da Casa Nanda, as bifanas da Conga ou o pica no chão do Buraco. E temos o Porto dos ingleses, que aqui deixaram marca que se mantém. E a zona ocidental, das avenidas largas, dos restaurantes da moda, e das vivendas que trazem memórias de outros tempos. E a zona oriental, mais pobre, à espera da sua oportunidade. E uns e outros, todos juntos no S. João, essa festa única no mundo, onde todos os mundos se encontram. Como se encontraram e continuam a misturar no Coliseu, escola de muitas gerações, que souberam lutar por ele, quando foi necessário! E a água, do rio e do mar, que nos separa e nos une. E a música do Porto sentido, do piano do Burmester que se ouve na Casa da Música, das vozes e das danças do Rancho Folclórico do Porto que ecoam no empedrado irregular das ruas estreitas da Zona Histórica, a enquadrar as estórias da história da cidade, na voz do Germano Silva. E o outro Porto, o da bola, que tantas alegrias dá, e que tem levado o outro Porto, a cidade, a ser conhecida além fronteiras. Como o fazem os nossos arquitectos, os nossos investigadores, os nossos poetas, os nossos escritores. É este Porto, e o outro que ficou por dizer, que eu amo, que eu escolhi para viver e que não troco por nenhum outro sítio no mundo. E, se às vezes é bom sair, muito melhor é voltar a casa. Por isso, quando me perguntam de onde sou, a resposta é imediata e dada com orgulho: sou do Porto! *Este texto não foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico


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Viva! março 2013  

Revista VIVA!, edição março 2013

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