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Revista gratuita trimestral, junho 2014

Débora Monteiro Jovem força do norte

Casamentos low-cost Dizer “sim” em tempo de crise

World of Discoveries Viajar pelos Descobrimentos


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Casa de Chá da Boa Nova A Câmara de Matosinhos espera que o novo restaurante do Chef Rui Paula, que abre em meados deste mês na casa desenhada pelo arquiteto Álvaro Siza Vieira, na Boa Nova, em Leça da Palmeira, junte a excelência da arquitetura à cozinha topo de gama. O presidente da autarquia, Guilherme Pinto, tem a ambição de, ainda durante este seu mandato, o restaurante da Casa de Chá da Boa Nova poder vir a ser distinguido com uma estrela Michelin. O valor das obras de reabilitação do edifício, mobiliário e zona envolvente, agora com uma lotação máxima de 40 pessoas, rondou o milhão de euros. O Chef Rui Paula, na cerimónia de assinatura do contrato de arrendamento, em março, admitiu querer um restaurante de excelência, com uma gastronomia que honrasse a arquitetura de Siza Vieira. “Vai ser um restaurante diferenciado, de excelência. Já é conhecido pela arquitetura, agora queremos que seja conhecido pela gastronomia. Queremos criar comida com memória. Este será um ateliê, um restaurante experimental”, adiantou o Chef. O contrato com Rui Paula surgiu na sequência da decisão da Câmara Municipal de Matosinhos, em novembro do ano passado, de ceder, em regime de comodato, a concessão da Casa de Chá da Boa Nova à Associação Casa da Arquitetura (ACA) por um período, renovável, de 20 anos. A Casa de Chá da Boa Nova, classificada como monumento nacional, é da autoria de um dos principais arquitetos da Escola do Porto, Siza Vieira, reconhecido nacional e internacionalmente e vencedor do prémio Pritzker. A principal renovação ocorreu na cozinha, que levou uma transformação completa e passou a estar aberta à visita dos clientes, durante as refeições. Para além da sala de refeições, o edifício continuará a contar com outra sala que funcionará como bar. José Aberto Magalhães Editor

REVISTA VIVA, JUNHO 2014


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S U M Á R I O

008 Débora Monteiro PERFIL

014 Casamentos low-cost DESTAQUE

020 Francesinhas À DESCOBERTA

026 Projetos emblemáticos CCDR-N

034 Defesa Animal UM DIA COM...

052 Orgulho Vintage FC PORTO

056 A “Ferreirinha” e o Palacete do Laranjal MÁQUINA DO TEMPO

080 Investigação científica PORTO

084 Estratégias de ação GAIA

088 Afirmar a cidade além-fronteiras MATOSINHOS


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Revista gratuita trimestral, junho 2014

ÍNDICE

FICHA TÉCNICA Propriedade de: ADVICE - Comunicação e Imagem Unipessoal, Lda. Sede de redação: Rua do Almada, 152 - 2.º - 4050-031 Porto NIPC: 504245732 Tel: 22 339 47 50 - Fax: 22 339 47 54 adviceporto@mail.telepac.pt adviceredaccao@mail.telepac.pt www.viva-porto.pt Diretor Eduardo Pinto Editor José Alberto Magalhães Redação Marta Almeida Carvalho Mariana Albuquerque Fotografia Virgínia Ferreira Paulo Próspero Marketing e Publicidade Eduardo João Pinto Célia Teixeira Produção Gráfica Diogo Oliveira Impressão, Acabamentos e Embalagem Multiponto, S.A. R.D. João IV, 691-700 4000-299 Porto Distribuição Mediapost

003 EDITORIAL 032 WORLD OF DISCOVERIES 040 EDP GÁS 044 ATUALIDADE 048 MEMÓRIAS 050 CIN 062 NOITE 070 PORTO CANAL 074 MÚSICA 076 PORTO D’ARTE 092 METROPOLIS – SANTO TIRSO 094 METROPOLIS – PARANHOS 096 HUMOR 098 CRÓNICA

Tiragem Global 140.000 exemplares Registado no ICS com o nº 124969 Membro da APCT Depósito Legal nº 250158/06 Direitos reservados

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DÉBO RA M O N T E I R O

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força Jovem

do

Norte Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Paulo Nunes

Fazer cinema, estrear-se na área do teatro e ser mãe são os principais desejos de Débora Monteiro, jovem atriz bem conhecida da televisão portuguesa pela ousadia e sensualidade dos papéis que interpretou em diferentes telenovelas. Para esta “mulher do norte”, de alma e coração, o sotaque portuense é uma parte da sua identidade, que não tenciona esconder, independentemente do sítio onde estiver.

C

om um gesto firme, descalça as havaianas, assume os saltos altos brancos e desafia a objetiva para um confronto que fica resolvido aos primeiros disparos. A segurança com que posiciona o rosto e a forma como direciona o olhar denunciam-lhe anos de experiência como manequim. “No fundo, só preciso mesmo de me entender com o fotógrafo e tudo é mais fácil”, notou, de sorriso rasgado. Ainda assim, quando o número de exigências é inversamente proporcional à margem de negociação... “está o caldo entornado”. “Tenho um feitio especial: se não gostar de alguma coisa, vou, de certeza, demonstrá-lo”, confessou a atriz Débora Monteiro, conhecida do grande público pelos diferentes papéis que interpretou em várias

telenovelas portuguesas. Natural de Vila Nova de Gaia, a jovem mudou-se para Lisboa pouco depois de completar a maioridade mas jura manter o caráter temperamental das mulheres do norte. É por isso que, agora com 30 anos, faz questão de respeitar a pronúncia da sua terra natal, afirmando-a com orgulho. “No início disseram-me para perder a pronúncia porque revelava o lado do povo. Então, nesse caso, vou juntar-me ao povo e continuar a falar normalmente porque a Débora é assim”, constatou, sem hesitações. Apesar de assumir uma personalidade forte, admite que, por vezes, explode “com muita facilidade”. “Gostava de conseguir dominar-me um pouco mais nessas situações. De resto, sou uma rapariga divertiREVISTA VIVA, JUNHO 2014


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da, genuína, que tem sonhos e vida poderia ser transformado, tenta alcançá-los”, sublinhou. logo aos 14 anos, graças a um ultimato feito pela irmã. AborDA MODA AO SONHO dada na rua por uma agência “INALCANÇÁVEL” DE de modelos, Soraia Monteiro foi convidada a realizar um curso CONQUISTAR A de manequim, desafio que se “CAIXA MÁGICA” Na verdade, Débora estava longe comprometeu a aceitar no caso de imaginar que o rumo da sua de poder ser acompanhada por

Débora. “Disseram-lhe que precisavam de me ver para perceber se realmente fazia sentido apostar em mim e, entretanto, aceitaram e tirámos as duas o curso”, contou a atriz. Apesar de terem começado a dar os primeiros passos no mundo da moda na mesma agência, o percurso das irmãs Monteiro acabou por se separar. “Ela ficou agenciada num sítio e eu noutro porque, na altura, já tinha algumas curvas e havia uma certa tendência para mulheres muito magras”, explicou. Nos anos seguintes, o bichinho da moda foi-se desenvolvendo, aperfeiçoando-se em cada campanha publicitária realizada. “Nunca tive problemas em fazer desfiles e sessões fotográficas. Divertia-me com o que fazia e, por isso, nunca tive preconceito ou vergonha desta profissão”, garantiu. Entre os trabalhos preferidos de Débora Monteiro estavam as publicidades que incluíam texto falado. “Na altura, achava-as o máximo porque a publicidade era bem paga e, se tivesse de falar, ganhava ainda mais”, frisou, bem disposta. No entanto, a escolha dos trabalhos era feita de forma criteriosa, mesmo contra a vontade das agências. “Só ia aos castings se achasse que valia mesmo a pena. Tinha de ir com a sensação de que ia ficar com o trabalho, se não nem saía de casa”, garantiu. Entretanto, a jovem decidiu mudar-se para a capital, com a “desculpa” de que iria fazer formação na área do desporto. “Como era manequim pensei: ‘bem, vou para Lisboa, onde há mais oportunidades, e, como os ginásios são caros,


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tiro um curso de instrutora de fitness e junto o útil ao agradável”, contou. Assim foi. No entanto, a insistência dos realizadores de publicidade acabou por abalar os objetivos da jovem modelo. “Perguntavam-me por que é que não enveredava pelo caminho de atriz e diziam-me que devia tentar. Aquilo ficou-me na cabeça, mas parecia-me algo impossível, inalcançável”, sublinhou. Contudo, o improvável acabou por acontecer e Débora conquistou um papel em “Tempo de Viver” –telenovela portuguesa, transmitida em 2006, na qual vestiu a pele de Helena, uma acompanhante de luxo que mantinha uma relação com um homem mais velho. Agora, à distância do tempo, é com saudade e boa disposição que a atriz recorda a sua estreia televisiva. “Coitadinha de mim! Eu tinha noção de que não estava a 100%, era uma miúda, não tinha as bases necessárias para trabalhar como atriz”, reconheceu, realçando que as palavras de incentivo dos realizadores foram fundamentais para que tivesse a certeza de que a sua carreira não terminaria ali. Dois anos depois, em 2008, participou na série juvenil “Morangos com Açúcar”, interpretando o papel de Bruna, “uma miúda tranquila e romântica” que geria um bar na praia, em Odeceixe. “Para mim foi uma experiência maravilhosa. Só fiz a série de verão, por isso, foram só três meses, mas diverti-me como nunca. Acabou por ser uma aprendizagem. Pensava que os atores vinham da série anterior de nariz empinado e foi precisa-

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mente o contrário”, reconheceu. (2012), Débora Monteiro viu-se de novo com uma tarefa de DESAFIAR OS elevada responsabilidade em mãos: a de testar os limites da LIMITES sua sensualidade no papel de DA SENSUALIDADE Em 2009, um novo desafio viria uma stripper. Para conseguir a marcar, para sempre, o percur- estar à altura das exigências so da atriz, que teve oportunida- de cada cena, a atriz teve aulas de de participar no filme “Duas de dança no varão, experiência Mulheres”, de João Mário Grilo, que acabou por mudar radicalcontracenando com Beatriz Ba- mente a forma como encarava tarda, Nicolau Breyner e Virgílio a profissão destas mulheres. Castelo, entre outros. “Estava “Surpreendeu-me sobretudo o muito nervosa por contracenar grande preconceito que ainda com a Beatriz, sobretudo porque existe em relação às strippers tinha vindo dos ‘Morangos com que, se formos ver, são pessoas Açúcar’ e, por isso, estava um com mais formação, mais cultas pouco catalogada quando che- e viajadas do que eu”, defendeu. guei à equipa de cinema. Depois, Apesar de se considerar uma nós as duas tivemos cenas mui- mulher sensual, reconhece que to ousadas, em que estávamos dar vida àquela personagem expostas fisicamente, e tivemos foi bastante difícil. “Mesmo já de descomplicar. Juntámo-nos e tendo trabalhado como manepensámos: ‘isto é um trabalho quim e já tendo estado mais de equipa, vamos defender-nos exposta fisicamente em capas uma à outra’”, contou a jovem, de revistas [foi capa da Maxmen admitindo que, hoje, quando em 2010, por exemplo], ter de vê o filme, tudo parece mais dançar à frente da equipa inteira simples. que, juntamente com figurantes, Para a telenovela “Dancin’Days” perfaz cerca de 50 pessoas, foi REVISTA VIVA, JUNHO 2014


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o mais complicado. De repente comecei a tremer e nem me conseguia equilibrar”, contou, entre gargalhadas. Mas antes disso, Débora teve “uma das melhores experiências” da sua vida no programa de televisão “Último a Sair” - sátira aos ‘reality shows’ na qual participou ao lado de, por exemplo, Bruno Nogueira, Rui Unas, Roberto Leal e Luciana Abreu. Apesar de se sentir intimidada por figuras já bem conhecidas da comédia, a atriz decidiu arriscar tudo e fazer o melhor uso possível da improvisação. Na altura dos castings, foi-lhes pedido que discutissem a propósito... de um pedaço de pão, situação que a jovem resolveu, de imediato, à boa moda portuense. “Usei algumas expressões que se utilizam no Porto porque há pessoas que

gostam muito de ficar com o ‘cu da regueifa’, que é a parte mais saborosa”, brincou. Certo é que a atriz convenceu a equipa e foi admitida no programa, durante o qual protagonizou uma das cenas mais apreciadas pelo público – a da “coreografia sexy do Unas”.

“GOSTAVA DE VOLTAR A VIVER NO PORTO SE PUDESSE CONTINUAR A FAZER O QUE GOSTO”

Admiradora dos genes do Porto – que são tão seus – a atriz confessa que gostaria de voltar a viver na sua cidade natal se não tivesse de interromper os projetos profissionais. “Neste momento, sinto que não conseguia regressar porque o meu dia a dia é aqui [em Lisboa].

Se conseguisse juntar os dois mundos seria maravilhoso”, reconheceu, com um brilho diferente no olhar. Da sua infância em Vila Nova de Gaia guarda as recordações de poder brincar na rua e o carinho do senhor Pinho, da mercearia lá da zona, que ainda hoje a trata por “filha”. “Sinto falta de andar na rua e cumprimentar os vizinhos, das comidas da minha mãe e do hábito de ir tomar café, à noite, com os amigos, que é algo que cá não fazemos, durante a semana”, enumerou. À mulher do norte reconhece um lado sincero, genuíno e, muitas vezes, impulsivo, capaz de magoar os que não estiverem habituados a semelhante temperamento. Mas uma das características que mais aprecia nos portuen-


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ses é o facto de serem despa- desenvolve todo o processo chados e de estarem sempre de construção das suas perprontos a arregaçar as mangas sonagens, inspirando-se não para lançar mãos à obra.Os só em conhecidos nomes do passeios pela Ribeira e pelo cinema, como Cate Blanchett Palácio de Cristal, as idas com e Meryl Streep, mas também a mãe ao Mercado do Bolhão e nas suas vivências, memórias e os momentos passados com a emoções. Vestir a pele de difeirmã no Solar do Vinho do Porto, rentes pessoas é, para a jovem, onde descobriu o Porto branco, a parte mais divertida do seu são lembranças que a deixam trabalho, que pode, contudo, feliz. “Ao lado do Bolhão existe ser bastante desgastante. “Às uma casinha de enchidos com vezes, no final das gravações, umas morcelas doces maravi- chego a casa e sinto-me comlhosas! Tínhamos de ir sempre pletamente exausta. Muitos lá!”, contou, reconhecendo que atores, sobretudo os mais a gastronomia é uma das suas velhos, dizem que é preciso perdições, razão pela qual tem saber ‘desligar’. Eu acho que o congelador repleto de alhei- ainda não sei e isso mexe coras de Mogadouro. migo para o bem e para o mal”, Apesar de se deslocar ao norte contou. Se, num dia, tem de sempre que pode, o dia a dia de gravar cenas mais emotivas, Débora Monteiro passa irreme- Débora sente necessidade de diavelmente por Lisboa, onde “preparar esse sofrimento” com

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alguma antecedência, numa espécie de “trabalho interior”. Outra dificuldade que associa à profissão é a instabilidade a que os atores estão sujeitos em Portugal. “Somos muitos para um país tão pequeno, temos poucos direitos e toda a gente pensa que somos ricos, esquecendo-se de que temos fases muito instáveis”, frisou. No entanto, mudar-se definitivamente para outro ponto do globo nunca fez parte dos planos da gaiense. “Temos um país maravilhoso em termos de gastronomia, paisagens e pessoas”, defendeu, referindo estar confiante de que a situação económica nacional vai melhorar. Os momentos de pausa são aproveitados para sessões de treino no ginásio, passeios com o namorado e idas ao cinema. Viajar é outra das paixões da atriz, que esteve, recentemente,de férias no Brasil. Com uma lista de prioridades bem definida, Débora sabe o que tem de fazer para alcançar a realização profissional e pessoal: voltar a fazer cinema, aventurar-se no teatro, que ainda a intimida, e, definitivamente, ser mãe. “Ando a ser egoísta porque coloco sempre o trabalho à frente do resto e quero muito ser mãe”, confessou, revelando já ter alguma experiência com miúdos, graças aos sobrinhos. Certo é que, nos próximos meses, o desejo da atriz terá de continuar em suspenso ou não fosse ela uma das caras da próxima telenovela da SIC, que ainda permanece no segredo dos deuses. REVISTA VIVA, JUNHO 2014


D E S T A Q U E

Dizer “sim!” em tempo de crise

Com criatividade e até boa disposição, é possível idealizar um casamento que seja simultaneamente especial e economicamente viável. Fugir às cerimónias realizadas ao fim de semana, restringir o número de convidados e apostar nas soluções “faça você mesmo” são alguns dos truques utilizados pelos noivos portugueses. De resto, a receita é simples: deixar que o amor fale mais alto.

Texto: Mariana Albuquerque | Marta Almeida Carvalho Fotos: Outlux

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s dados estatísticos não mentem: nos últimos anos, o número de casamentos celebrados em Portugal caiu para os 31.998 (número de 2013), quando, em 2003, se situava nos 53.735. Numa tendência inversa, a percentagem de casamentos não católicos tem vindo a crescer, dominando já 63,5% dos matrimónios realizados, de acordo com informações da Pordata (Base de Dados Portugal Contemporâneo). Num momento em que os casais fazem contas à vida, cortar e prescindir são as palavras de ordem dos que recusam abrir

mão do “dia mais feliz” das suas vidas. Neste caso, o primeiro passo dos noivos será decidir o tipo de casamento que pretendem celebrar, sendo que muitos deles resolvem ficar-se pela cerimónia civil, efetuada sob os princípios da legislação vigente no país. Casar pelo registo civil, na conservatória, tem um custo fixo de 120 euros, quantia que poderá duplicar nos matrimónios religiosos, já que não existe um critério fixo para a definição do valor pedido pelos padres na celebração destes “contratos”. De resto, a escolha dos locais para a festa, a decoração, a roupa dos noivos, a animação e as lembranças oferecidas aos

convidados tendem a obedecer às “exigência da carteira”, mais ou menos vazia. “Os casais já não estão tão presos aos preconceitos. Muitas vezes, já são eles a financiar o próprio casamento, o que também traz alguma legitimidade ou poder decisório para optarem por soluções mais irreverentes, casamentos mais simples, menos formais, nos quais o que realmente importa é revelarem um pouco da sua história”, explicou Sandra Gomes, fundadora da Outlux, empresa especializada na organização de casamentos económicos. Aliás, para a responsável – que abandonou uma carreira na área do Direito para se dedicar a ajudar


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as pessoas no momento de ‘dar o nó’ – “apenas uma minoria opta por não casar devido às condicionantes económicas”. Pelo contacto que tem tido com os noivos, Sandra Gomes considera que a crise económica despoletou uma “alteração de mentalidades, hábitos e comportamentos sociais” nos portugueses. “Os cidadãos, com mais enfoque talvez na classe média alta, começaram a estabelecer prioridades e a ter mais atenção ao consumismo”, notou, sublinhando a evidente afirmação da chamada “era low-cost”. A ideia da Outlux é, assim, a de “inverter um pouco as tendências e tornar acessível a mais pessoas soluções de casamento “chave na mão”, com um serviço personalizado de ‘event planning’ sem que isso fosse uma exorbitância em termos de custos”, esclareceu. Entre os packs disponibilizados pela empresa, o “Make it Simple” é o mais barato, sendo que, por cinco mil euros, inclui uma festa para 40 pessoas num espaço ao ar livre, conceção de convites, decoração, reportagem fotográfica com 500

fotografias, DJ, serviço de catering, bolo, alianças, serviços de estética prestados ao domicílio e vestido por medida. Mil e uma tarefas que absorvem os noivos durante longos meses e que, muitas vezes, acabam por alterar a perceção do casamento, que passa a ser um fator de preocupação constante.

CRESCENTE APOSTA NAS SOLUÇÕES DIY - “DO IT YOURSELF”

A restrição do número de convidados, a aposta em cerimónias mais intimistas, realizadas durante a semana, e a procura das chamadas soluções “DIY” (Do it Yourself), especialmente na parte dos convites e da decoração, são as principais alterações que se têm vindo a registar no planeamento dos matrimónios. Para Sandra, o que torna um casamento inesquecível “é o espírito que se vive nesse dia: tudo depende do mood dos noivos, se estão mais relaxados ou mais stressados, se

querem apenas aproveitar o seu dia ou se estão mais preocupados em agradar aos convidados”, frisou. A escolha de um espaço original, com o qual o casal se identifique – “que não precisa de ser caro, apenas diferente!” – e a referência, durante a cerimónia, a episódios da história dos noivos, são, para a responsável, pequenos pormenores que podem surpreender bastante os presentes. Depois, outra regra básica passa pelo estabelecimento de prioridades. “A verdade é que existem imensos detalhes que são hipervalorizados pelos noivos/ noivas e que, depois, na verdade, mais ninguém se apercebe”, acrescentou, defendendo que é necessário evitar canalizar esforços e custos para questões perfeitamente dispensáveis. E esta foi exatamente a filosofia utilizada por Isabel Monteiro e Pedro Silva, de 32 e 31 anos, respetivamente, no momento de idealizarem o seu “grande dia”. O REVISTA VIVA, JUNHO 2014


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casal, residente em Matosinhos, casou em junho de 2013, numa cerimónia em que o amor levou a melhor sobre o luxo. “Em tempos de crise há que fazer uma boa gestão do dinheiro”, garantiu a assistente de vendas, explicando que, mesmo assim, decidiu casar. “Poderíamos optar por viver juntos, sem casamento e sem festas, mas quisemos fazê-lo porque achamos que é um momento único na vida”, acrescentou. Pedro é vendedor de automóveis e seguiu a ideia da mulher. “Casámos de forma low-cost mas com direito a tudo o que, na nossa ideia, um casamento teria de ter”. Apesar de tudo, este não foi um casamento convencional. A cerimónia foi realizada num bar de praia, a uma quinta-feira à tarde, na presença de um juiz. O menu oscilou entre salgados, carnes grelhadas, cerveja e caipirinhas. A música, essa, soou através de uma aparelhagem e, ao início da noite, uns amigos do casal, que fazem parte de uma banda, juntaram-se à festa, garantindo a animação. “Só aqui já poupámos uns cobres”, garantiram. Os fotógrafos foram substituídos pelos convidados e pelos próprios noivos, que, depois, reuniram todo o material. Não distribuíram as tradicionais lembranças que são realizadas para o efeito, mas ofereceram um ‘pauzinho de canela’ com o seu nome. “Uma recordação aromática”, sublinharam. Isabel optou por um vestido a fazer lembrar os ambientes do Haiti. Substituiu o tradicional salto

alto pelas havaianas e colocou uma coroa de flores na cabeça, ao estilo hippie. “Nunca quis ser uma noiva tradicional, de branco”, revelou, salientando que se sentiu muito bem por poder vestir uma peça do dia a dia. Pedro, por sua vez, casou de fato “azul ciano”, sem a tradicional gravata, e calçou mocassins cinzentos. “Claro que os trajes que levamos também foram comprados e custaram dinheiro mas nada que se compare aos tradicionais vestido e fato dos noivos”, garantiram. As alianças foram feitas por um ourives de Gondomar, que lhes

conseguiu um preço simpático – 120 euros por ambas. Uma vizinha, cabeleireira, penteou a noiva “à borla” e o penteado do noivo, num look à década de 70, foi elaborado recorrendo a boas camadas de gel. “Os frascos ainda são baratos e acessíveis à nossa bolsa”, brincaram. Como queriam ter, sobretudo, um dia descontraído, na presença dos mais queridos, só contaram com 39 convidados, cujo traje foi muito informal. “Lançámos fogo de artifício e, ao final da tarde, ainda se deram mergulhos no mar. Não todos, mas alguns”, contaram. Para a


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lua-de-mel só partiram dois dias depois e sem destino. “Seguimos para o Norte e entrámos em Espanha. Passamos duas semanas a viajar sem destino, foi ótimo”, garantiram, felizes.

EVITAR OS DESPERDÍCIOS NUMA CERIMÓNIA MAIS LEVE “A TODOS OS NÍVEIS”

Segundo notou Sandra Gomes, os noivos tendem, igualmente, a diminuir o nível de exigência relativamente à quantidade de comida, “muitas vezes desperdiçada”. “Optam por soluções mais simples e o casamento torna-se menos pesado, a todos os níveis”, salientou. Quase casados de fresco, Tiago Coelho (32 anos) e Ana Miranda (de 31) deram o nó em abril deste ano, apostando numa cerimónia civil, à qual se seguiram aperitivos e um jantar em regime buffet. O consultor em gestão de projetos e a delegada comercial optaram por prescindir do jantar servido à mesa visto que, “tipicamente, as pessoas chegam sem fome à hora da refeição”, depois de duas horas

de aperitivos. “Há também a questão dos fumadores que, ao levantarem-se para ir fumar,

entre os pratos, estragam, de alguma forma, o ritmo do serviço do jantar. Assim, sendo buffet, permitimos que cada um andasse ao seu ritmo”, frisaram, referindo que, desta forma, conseguiram poupar dinheiro com a redução de funcionários. Em relação aos convidados, o casal chegou a um acordo: decidiu não convidar ninguém com quem não falasse há mais de um ano. As fotografias da cerimónia, essas, foram feitas por dois fotógrafos amigos e pelos restantes convidados, uma vez que Tiago e Ana se lembraram de comprar máquinas descartáREVISTA VIVA, JUNHO 2014


D E S T A Q U E

Celino Santos e Carla Vieira deram o “nó” em junho de 2013

veis para espalhar pelas mesas. Com estes pequenos truques, os jovens conseguiram conciliar informalidade e requinte, poupando nuns aspetos para poder investir noutros, como na decoração e em bons vinhos. Carla Vieira, de 29 anos, e Celino Santos, de 38, também recorreram a algumas estratégias destinadas a transformar o casamento (realizado em junho de 2013, em Bitarães, concelho de Paredes) num evento mais económico. Em primeiro lugar, os convites para a cerimónia foram efetuados pessoalmente e via sms. Depois, o modelo do vestido da noiva, escolhido por catálogo, com preço na Pronovias de 1750 euros, foi conseguido numa loja, em Penafiel, por mil euros. Celino, por sua vez, utilizou a sua farda profissional de agente da polícia, despendendo apenas 45 euros na compra dos sapatos. As alianças foram oferecidas ao casal por um amigo. No preço da boda, que custou 62,50 euros por pessoa – sendo mais barato

para as crianças – ficou incluído o aluguer da quinta, o catering, a decoração do salão e toda a montagem da cerimónia civil, o serviço dos funcionários, os arranjos florais, o bolo da noiva, o fogo de artifício e as bebidas.

Feitas as contas, o que interessa mesmo é que, com um maior ou menor investimento, os casais consigam celebrar a sua história de amor, em nome de um final feliz.


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À D E S C O B E R T A Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Jorge Branco

MÍSTICA PORTUENSE Entre duas fatias de pão juntaram-se diversos ingredientes como bife, fiambre, salsicha fresca, e linguiça, tudo coberto por muito queijo derretido e um molho envolto em segredos que fazem da francesinha um petisco quase que divino pelas bandas da Invicta. Eram assim as originais, criadas por Daniel Silva, um emigrante francês que iniciou uma tradição que já se tornou num verdadeiro ritual. Os portuenses gostam dela «à Leixões», preferencialmente acompanhada por cerveja.

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á-as de todos os tipos e com as mais diversas combinações: à sevilhana, com ovo, de carne assada, massa folhada, de leitão e até vegetarianas. A maneira de confecionar o molho varia de mão para mão o que resulta em inúmeros paladares: uns mais fortes, outros mais suaves, com derivações de sabores entre as ervas aromáticas e o marisco. A sua maior ou menor consistência e espessura também variam consoante as técnicas mas a tradição manda que seja sempre «à Leixões», isto é, bem picante. A francesinha constitui um dos mais poderosos legados da gastronomia portuense. Originariamente composta por seis ingredientes base - pão, fiambre, salsicha fresca, linguiça, fiambrino e queijo - regados por um molho muito especial, a francesinha rapidamente se tornou num sucesso gastronómico, transversal

a várias gerações, que ultrapassou as fronteiras da cidade e até do país. À semelhança do que acontece com outro dos ex-libris gastronómicos da cidade - as tripas - a francesinha também tem uma Irmandade e uma Confraria. Regaleira é o nome do local onde, originalmente, foi criada, na década de 1950, pelas mãos de Daniel David Silva, um emigrante regressado de França e da Bélgica. A ideia surgiu com base na tosta francesa denominada de croque-monsieur, à qual, depois de alguns ajustes, foi acrescentado um molho de cobertura, o “segredo” do pitéu. Era servida em pão biju, e ainda o é na Regaleira, apesar de se ter generalizado a forma quadrada do pão de forma. Augusto Marinho, um dos sócios do restaurante, era, em 1952, ajudante de Daniel Silva. «Mantemos tudo como então, a francesinha pode vir em pão biju e tem carne assada no recheio», garante. Ao contrário do


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Fotos: EV-Essência do Vinho

FRA N C E SI N H A S

que sucede, atualmente, com a maioria das francesinhas, a carne de vaca não entra na Regaleira, sendo que a única cedência face à modernização é a possibilidade de ser servida em pão de forma (as batatas são servidas às rodelas, ao contrário dos tradicionais palitos). Para além do lombo de porco, leva salsicha fresca, linguiça, fiambre e queijo. O molho, esse, tem uma receita «secreta» e é servido à Leixões, que, para quem não sabe, significa extremamente picante. A origem da designação é simples: era assim ‘forte’ que a equipa do Leixões da década de 50 gostava de o pedir na Regaleira, local de encontro regular dos seus atletas. Ainda hoje o lema prevalece num cartaz colocado à porta do restaurante: ‘Só você e eu sabemos aonde ela nasceu’. Depois da Regaleira, outros foram os locais que se destacaram pela confeção deste petisco, nomeadamente os restaurantes Mucaba,

em Gaia, e Bonanza, no Porto. A sanduíche era, inicialmente, usada como lanche ou ceia, não constituindo uma refeição principal mas antes um petisco. A partir da sua generalização, nos anos 70, foi introduzido um novo ingrediente o bife - e passou a ser apreciada ao almoço ou jantar, como prato principal.

“NÃO DISPENSO O BIFE DO LOMBO NAS MINHAS FRANCESINHAS”

Quem o garante é Fernando Cardoso, proprietário de um dos locais atualmente mais procurados para a degustação desta iguaria - o Francesinha Café, situado na Rua da Alegria - e que se mantém, há vários meses, no top dos rankings dos apreciadores. Aqui, todos os ingredientes são confecionadas na hora, sob grande rigor e cuidados. “Faço francesinhas há mais de 30 REVISTA VIVA, JUNHO 2014


À D E S C O B E R T A

Fernando Cardoso e a mulher, Maria de Lurdes, exibem “a sua” francesinha como a verdadeira “obra de arte”

anos, para mim elas não têm segredos”, refere. O segredo, esse, está mesmo no molho, que demora cerca de um dia a ser feito e que, aqui, está em constante ebulição. “Todos os ingredientes que entram na confeção do molho são naturais, não uso nada artificial, nem caldos. Aqui só entram produtos saudáveis e da máxima qualidade”, garante o chef, salientando o bife do lombo - que não dispensa - o queijo gouda, o fiambre Extra Perna e o mais puro azeite para grelhar bifes e enchidos. Depois de terminado, o molho é guardado, ainda fervente, em recipientes de vidro escaldados e devidamente selados em vácuo, preservando toda a frescura e qualidade, apesar de ali se manter por pouco tempo, já que as solicitações são muitas. “Chegamos a fazer entre 60 a 70 francesinhas por dia”, lembra. Fernando Cardoso admite ter tido relutância em introduzir alguns dos ingredientes que agora já fazem parte das francesinhas mas que não constam da fórmula original. “Resisti, por muitos anos, à

introdução do bife nas minhas francesinhas, já que este é um elemento que não faz parte do petisco original. Acabei por ceder mas, a fazê-lo, teria de ser com qualidade. Daí que só uso bife do lombo, e esse é um fator diferenciador da qualidade das nossas francesinhas”, explica.

RITUAL QUASE QUE ‘SAGRADO’

Desde o corte do pão, ao regar do molho, tudo é feito na hora e com muito carinho. Enquanto os enchidos grelham, as fatias de pão de forma recebem o queijo, o fiambre e o bacon, também grelhados. “Aqui, o cliente tem a certeza que nada é feito em série, sendo, cada francesinha, elaborada com o mesmo carinho e sob a mesma dose de atenção”, salienta, renegando veemente a escolha do ovo. “Tento sempre dissuadir quem vem provar as minhas francesinhas pela primeira vez de pedir com ovo. O molho desta iguaria é único no mundo e não deve ser ‘estragado’ com a mistura da gema”, garante o chef, salientando,


À D E S C O B E R T A

No Francesinha Café, o molho é confecionado exclusivamente com produtos naturais

ainda, que a francesinha deve ser degustada sem a batata frita, uma invenção também já mais moderna. “Há quem não dispense a batata frita como acompanhamento da francesinha mas os verdadeiros apreciadores comem-na simples”, refere, salientando, no entanto, que as que acompanham as ‘suas’ francesinhas são naturais, “descascadas e partidas à mão”, e nunca congeladas. “Isso seria um ‘sacrilégio’ ainda maior”, refere com humor. E para seguir à risca a tradição, nada acompanha tão bem esta iguaria como a cerveja. “Há muita gente que acompanha a francesinha com vinho. Eu não dispenso a cerveja”, garante.

SEGREDOS ‘A LA CARTE’

Rui Paula, conceituado chef, adora uma boa

francesinha, mas não como prato principal. “O ideal é à hora do lanche ou da ceia”, ilustra. Ao longo dos tempos, a receita original da francesinha foi sofrendo algumas derivações. Será que os portuenses estão recetivos a essas alterações na forma de a confecionar? O chef acha que sim mas que “é preciso saber fazê-las”. Fiel à receita tradicional, mesmo assim, acabou por introduzir algumas alterações no molho e na utilização do queijo, de forma a torná-la mais leve, uma vez que pode ser usada como entrada. “Criei um molho de lavagante e carne, sendo que o queijo que utilizo é o mozarela”. Para Rui Paula, os elementos essenciais numa boa francesinha, para além do molho, são “o queijo, a crocância do pão e um bom bife”. Ícone da gastronomia portuense, representa


25 Fotos: EV-Essência do Vinho

FRA N C E SI N H A S

SUGESTÕES ONDE COMER Porto

Café Aviz (Rua do Aviz, 27) Francesinha Café (Rua da Alegria, 946) Luso Caffé (Praça Carlos Alberto, 92) Scala (Avenida Fernão Magalhães, 1273) uma simbologia especial com cidade. “Nasceu no Porto e, cada vez mais, a cidade é conhecida pela francesinha. É, também, aqui que podemos comer a «melhor do mundo». Recentemente, classificada entre as 10 melhores sanduíches a nível mundial, a francesinha é muito mais do que isso, sendo já reconhecida como um verdadeiro “prato típico” portuense, ombreando com as tradicionais tripas ou com o bacalhau à Gomes de Sá. E porque não reunir ambos os epítetos? “Para mim a francesinha é tudo isto”, conclui. Uma coisa é certa: o petisco desperta a curiosidade de quem vem de fora, sejam turistas nacionais ou estrangeiros e há mesmo quem diga que «ir ao Porto e não comer uma francesinha é como ir a Roma e não ver o Papa».

Gaia

Monte Carlo (Rua da Bélgica, 2222 / 2226) Mucaba (Avenida Beira Mar, 1791) Tappas Café (Rua Dr António Granjo, 549 Candal (Rua 25 de Abril, 95 Madalena)

Gondomar

Onda Tropicália (Avenida General Humberto Delgado, 584) Casa Baião (Praça da Estação, nº 138) Restaurante Charco (Rua Nossa Senhora Amparo, 143)

Matosinhos

Francesinhas Al Forno (Rua Sarmento Pimentel, 378) Requinte (Rua do Godinho, 837) Ricardo 2 (Travessa Henrique Schreck, 254)

REVISTA VIVA, JUNHO 2014


CCDR-N

“ART ON CHAIRS” trouxe prémio europeu para a região norte

Depois de uma primeira edição experimental que lhe valeu a conquista da categoria “Crescimento Inteligente” dos Prémios Europeus RegioStars 2014, o projeto “Art on Chairs” 2014-15 já está em preparação, com passagens confirmadas em Pequim, Dubai, Milão, Londres e S. Paulo.

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Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Câmara Municipal de Paredes

“Art on Chairs”, lançado, em 2012, pela Câmara Municipal de Paredes e apoiado pelo “ON.2 – O Novo Norte” (Programa Operacional Regional do Norte), foi distinguido pela Comissão Europeia com o prémio RegioStars 2014. A atribuição daquele que é reconhecido como o “óscar dos projetos de desenvolvimento regional” resultou de uma candidatura da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N). Aliar a arte, o design, a criatividade e a cultura à promoção da indústria do mobiliário – setor de grande importância no desenvolvimento social, económico e cultural de Paredes e da própria região – é o grande objetivo da iniciativa, destacada na categoria “Crescimento Inteligente”. Assim, partindo da cadeira como objeto icónico do principal setor de atividade do concelho, o “Art on Chairs” materializou-se num conjunto de

ações de natureza artística e cultural. Projetos inéditos de designers nacionais e internacionais (‘International Design Competition’, ‘Duets’ e ‘Meo Chair’), cadeiras que promovem a história recente do design contemporâneo (‘Design Maciço’), peças de mobiliário resultantes de residências de designers na indústria local (‘More Design’, ‘More Industry’) e cadeiras reinterpretadas pela comunidade escolar, evocando as artes visuais do século XIX à atualidade (‘Cadeira Parade’), preencheram, ao longo de 66 dias, os três espaços expositivos da iniciativa – a Estação de Caminhos de Ferro, o Pavilhão Gimnodesportivo e a Casa da Cultura de Paredes – segundo afirmou o presidente da câmara do referido município, Celso Ferreira. “Uma ideia para o mundo numa cadeira” foi o tema central da primeira edição do projeto, que atraiu à cidade de Paredes 26.237 visitantes. “Mais do que uma mostra de objetos acabados, as exposições evidenciaram o percurso que conduziu às peças em exibição, transformando o ‘Art on Chairs’ num grande evento de criatividade contemporânea, de criação, produção e exibição”, frisou o autarca, acrescentando que o evento internacional, “transversal a uma multiplicidade de públicos”, foi acompanhado de “um programa educativo e


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Celso Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Paredes, e Emídio Gomes, presidente da CCDR-N

de envolvimento da comunidade, orientado para as famílias, para a comunidade escolar e para os visitantes que procuraram momentos de maior esclarecimento sobre a disciplina do Design”. No total, os eventos dinamizados contaram com a participação de mais de 65 mil pessoas. Conquistar o RegioStars 2014 foi, para a autarquia de Paredes, “um natural motivo de orgulho”, reconhecendo a forte aposta do concelho na indústria de mobiliário. “Mas o sucesso deve-se sobretudo aos empresários do município e, nomeadamente, às 35 empresas que se associaram a esta iniciativa. É por isso que este prémio pode funcionar como uma mola impulsionadora da nossa indústria local, porque vai reconhecer Paredes como um território que sabe fazer bem e que se pode afirmar em mercados internacionais pela qualidade, inovação e excelência dos seus produtos”, sublinhou Celso Ferreira. A par das empresas de mobiliário local, que assumiram a prototipagem das cerca de 150 peças em exposição, o “Art on Chairs” (comparticipado em 2,8 milhões de euros por fundos comunitários) beneficiou da participação de vários parceiros locais e nacionais, com destaque para as universidades do Porto e de Aveiro e a Escola

Superior de Artes e Design de Matosinhos. Segundo frisou o autarca local, com as sinergias criadas, foi possível marcar “um ponto de viragem num território que já era conhecido pela qualidade dos seus produtos e pela competência das suas empresas, mas que precisava de se reposicionar como um centro de excelência internacional no design de mobiliário”. O sucesso do evento internacional foi também destacado por Emídio Gomes, presidente da CCDR-N, entidade que gere o ON.2. Trata-se “de um magnífico exemplo da aplicação de fundos estruturais no apoio ao desenvolvimento regional e do recurso à inovação nas artes ditas tradicionais. É de projetos como este que a indústria nacional necessita para promover a sua internacionalização e expandir o valor da marca portuguesa”, apontou. Entretanto, os motores do “Art on Chairs” 201415 já estão em movimento. “As expectativas são muito elevadas porque a responsabilidade também é acrescida. Queremos elevar a fasquia nesta 2.ª edição, que terá um cunho bastante mais internacional, realizando-se em Paredes e Lisboa, entre novembro de 2014 e março de 2015, com passagens por Pequim, Dubai, Milão, Londres e S. Paulo”, adiantou Celso Ferreira. REVISTA VIVA, JUNHO 2014


CCDR-N

ON.2

encerra com projetos emblemáticos

Num momento em que o “ON.2 – O Novo Norte” (Programa Operacional Regional do Norte 2007-2013) está prestes a terminar, com a chegada do novo Quadro Estratégico Comum (QEC) – que enquadrará os apoios estruturais da União Europeia entre 2014 e 2020 – é tempo de fazer o balanço de mais um ciclo de fundos comunitários que agora se encerra. De acordo com os dados da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), autoridade de gestão do ON.2, este programa conta com a mais relevante dotação financeira global dos programas operacionais regionais – 2,7 mil milhões de euros – o que representa 12,5% do orçamento do QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional). Contempladas na lista de projetos aprovados mais recentemente estão algumas iniciativas emblemáticas, consideradas boas práticas na perseguição do objetivo de promoção do desenvolvimento socioeconómico e territorial sustentável da região norte. Conheça, de seguida, quatro exemplos representativos desses casos de sucesso. Texto: Mariana Albuquerque


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Fotos: António Sá, cedidas pela CIM-Alto Minho

“BIOLANDSCAPE” PROMOVE TURISMO SUSTENTÁVEL NO ALTO MINHO

Promovido pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho, num investimento global superior a 2,2 milhões de euros, e comparticipado em quase dois milhões por fundos europeus, o “Biolandscape – Alto Minho” é um dos projetos em destaque na área da gestão ativa dos espaços protegidos e classificados. Em parceria com os seus dez municípios (Arcos de Valdevez, Caminha, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira), a entidade pretende avançar com a criação da chamada Rede de Percursos Verdes do Alto Minho, beneficiando de um conjunto de áreas nucleares de conservação da natureza e da biodiversidade: paisagens protegidas, áreas protegidas de âmbito nacional e regional, sítios de importância comunitária e zonas de proteção especial. Em termos práticos, o “Biolandscape” prevê cinco tipos de ação: promoção do reforço, consolidação e valorização da rede de ecovias e ecopistas do Alto Minho; estruturação de orientações para a valorização económica sustentável da rede regional de percursos verdes; melhoramento das condições de visitação, interpretação e segurança das redes de percursos pedestres municipais com potencial de integração na rede regional de percursos verdes pedestres; beneficiação das condições de acolhimento dos visitantes dos espaços de excelência em educação e interpretação ambiental e ainda contribuição para a erradicação de invasoras lenhosas, para a conservação de espécies e habitats prioritários da Serra Amarela e para a melhoria do funcionamento hidrológico e ecológico das margens dos rios na bacia hidrográfica do Rio Lima. De acordo com Júlio Pereira, da CIM Alto Minho, a expectativa criada em torno da iniciativa “é elevada”, sobretudo pelo facto de o projeto permitir a certificação europeia de turismo sustentável – reconhecimento de excelência outorgado pela Federação Europeia de Parques Nacionais e Naturais da Europa. “Espera-se que este processo induza uma maior visibilidade e internacionalização do turismo sustentável no Alto Minho, conferindo à região maiores fluxos de turistas e visitantes, com impacto direto na economia e mercado de trabalho locais”, referiu o responsável, informando que o projeto deverá estar concluído no final do primeiro semestre de 2015.

Fotos: CEIIA

BASE TECNOLÓGICA DO CLUSTER AERONÁUTICO NACIONAL ABRE EM MATOSINHOS

Outra iniciativa em destaque é a construção de um edifício, em Matosinhos, que acolha a base tecnológica do cluster aeronáutico nacional. Promovida pelo CEIIA (Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel), a nova infraestrutura – que representa um investimento total de 17,7 milhões de euros, comparticipado em mais de 14 milhões pelo QREN – estará em pleno funcionamento no próximo mês de outubro, apta a dar resposta à concretização de novas encomendas por parte da indústria da aeronáutica e a potenciar a ligação do CEIIA ao sistema científico e tecnológico nacional. Atualmente a funcionar na Maia, o centro de inovação e engenharia apresenta uma área de quatro mil metros quadrados, tendo sido projetado para trabalhar para o setor automóvel. “As instalações de Matosinhos têm 14 mil metros quadrados e REVISTA VIVA, JUNHO 2014


CCDR-N

UNIDADE DE SAÚDE DE GELFA DE ATENÇÕES CENTRADAS NA CERTIFICAÇÃO

Localizada na freguesia de Âncora, concelho de Caminha, a nova Unidade de Saúde de Longa Duração e Manutenção de Gelfa também foi cofinanciada (em mais de 1,7 milhões de euros) pelo “ON.2 – O Novo Norte”. O equipamento foi inaugurado em setembro do ano passado – na sequência de um projeto promovido pelo Instituto S. João de Deus – para dar resposta a pessoas com doenças ou processos crónicos, de diferentes níveis de dependência, que necessitam de cuidados clínicos, de manutenção e de apoio psicossocial, em regime de internamento de longa duração. Contribuir para o bem-estar e a qualidade de vida dos cidadãos, proporcionando-lhes cuidados conducentes à estabilização clínica, à prevenção e ao retardamento da situação de dependência, é o grande objetivo do serviço, com especial impacto nos concelhos de Viana do Castelo, Caminha e Vila Nova de Cerveira. Segundo explicou o diretor da unidade, Luís Sousa Fernandes, no edifício onde se encontra instalado o projeto já esteve a funcionar um Sanatório para tratamento da tuberculose e, posteriormente, uma Unidade de Internamento do Departamento de Psiquiatria do Hospital Distrital de Viana do Castelo. Desta forma, nos últimos meses, a unidade de cuidados continuados de Gelfa realizou várias iniciativas destinadas a aproximar a população e os profissionais à nova “vida” do edifício. “Julgo que essa primeira batalha está ganha. Importa agora ganhar o reconhecimento dos nossos assistidos e de todos em geral”, reconheceu. De acordo com o responsável, o principal objetivo da entidade, contratualizada para acolher 40 utentes, é o de atingir, até 2015, a certificação dos seus serviços.

APOSTA NA CULTURA SOLIDÁRIA E DE COOPERAÇÃO

De realçar ainda o COOPJOVEM (Programa de Apoio ao Empreendedorismo), promovido pela Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES), num investimento total de 1,5 milhões de euros, quantia totalmente financiada por fundos europeus. Destinado a apoiar os jovens na criação de cooperativas, como forma de desenvolvimento de uma cultura solidária e de cooperação, o projeto destina-se a dois grupos: cidadãos dos 18 aos 30 anos que pretendam constituir uma nova cooperativa (de cinco e nove elementos) e pessoas dos 18 aos 40 anos que pretendam criar uma cooperativa agrícola ou uma nova secção em cooperativas agrícolas já existentes que tenham até 10 trabalhadores. Para se candidatarem aos apoios do programa (que integram bolsas, apoio técnico e acesso a crédito ao investimento), os interessados precisam apenas de ter uma ideia de projeto cooperativo com potencial de crescimento e que responda a uma necessidade dos seus membros.

CCDR-N/Furtacores

estão preparadas de raiz para responder às especificidades do trabalho em setores de alta-tecnologia, como o aeronáutico”, descreveu Helena Silva, diretora-geral do CEIIA. O equipamento foi, assim, concebido com uma configuração pensada para dar resposta ao processo de desenvolvimento aeronáutico, desde a fase de engenharia até ao fabrico, teste e certificação de aeroestruturas de grandes dimensões. “São dois edifícios preparados para acolher cerca de 250 engenheiros e respetivas áreas de suporte – o edifício 1 dedicado às áreas administrativas, de gestão e suporte, de sistemas informáticos e de realidade virtual; o edifício 2 composto por três grandes áreas, uma com salas de engenharia dedicadas a programas para clientes específicos, uma área para construção de provetes e protótipos e outra para testes estruturais”, explicou a responsável.


PALACETE DO LARAN JAL

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Viajar pela emoção dos Descobrimentos Situado no centro histórico do Porto, o Museu Interativo e Parque Temático “World of Discoveries” promete surpreender os visitantes, convidando-os a participar na frenética odisseia dos navegadores portugueses, que cruzaram oceanos à descoberta de um mundo novo.

É

“uma história de coragem, de viagens e descobertas por mares nunca dantes navegados”, que todos podem, agora, ver, ouvir e sentir. O “World of Discoveries”, Museu Interativo e Parque Temático da Mystic River, que detém a Douro Azul, já está de portas abertas, na Rua de Miragaia, em pleno centro histórico do Porto, a desafiar portuenses e turistas a participarem numa viagem pela epopeia dos Descobrimentos portugueses. “Esta é a aventura que mudou o mundo, viva-a como ninguém, com os seus próprios olhos”, convida o museu que, num ambiente alusivo à época quinhentista, promete surpreender os visitantes não só pelos conteúdos e pela interatividade do espaço, mas também pela tecnologia empregue no parque temático, o primeiro do género em todo o mundo. Assim, num local onde, em tempos, foram construídas três naus da armada de Vasco da Gama e, mais tarde, funcionaram as caves da Real Companhia Velha, há um novo mundo por descobrir, que foi desvendado por sangue luso nos séculos XV e XVI e que surge, agora, retratado em cenários construídos à escala real. “Pretende-se que a visita ao World of Discoveries seja um momento

de cultura e, sobretudo, de diversão, tanto para os adultos como também para os mais pequenos. A tecnologia multimédia de ponta, com globos 4D, fog screens, holograma do Infante D. Henrique e LCDs touchscreens, tornam este espaço único”, frisou Mário Ferreira, CEO da Mystic River.

DO PORTO PARA... O MUNDO

E eis que começa a aventura. No “World of Discoveries” há vinte grandes áreas temáticas


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OS SABORES DO SÃO JOÃO NO CORAÇÃO DE MIRAGAIA

A gastronomia é outro ponto alto da viagem proposta pelo “World of Discoveries”, através do restaurante “Mundo de Sabores”, que, não esquecendo as delícias da cozinha portuguesa, faz questão de não descartar as iguarias de África, da Índia, China, Japão e Brasil. E numa altura em que se aproxima a grande romaria do São João, o restaurante do museu convida os portuenses a celebrarem a festa popular num dos bairros mais típicos do Porto (Miragaia), onde poderão apreciar o fogo-de-artifício enquanto desfrutam de um menu especialmente pensado para a ocasião. Informações e reservas: info@worldofdiscoveries.com +351 220 439 770

permanentes que reconstroem todos os grandes momentos do século de ouro da história de Portugal. Os visitantes são, assim, convidados a apertar os cintos para alinharem numa viagem de emoções que começa no Porto, berço do Infante D. Henrique, a mais importante figura do início da era das descobertas, rumo ao sul, passando por Lisboa, de onde saiu a armada com destino à Índia. Segue-se a chegada a Ceuta, onde em 1414 se iniciou a epopeia

www.worldofdiscoveries.com www.facebook.com/WoDPorto

portuguesa dos Descobrimentos, e a passagem pelo famoso Cabo das Tormentas, ‘lar’ do monstro Adamastor, que abre alas a um túnel imersivo de nove metros. Neste trajeto histórico pela coragem lusa não faltam também incursões pelas Florestas Equatoriais, Índia, Timor, China, Macau, Japão e Brasil, onde texturas, odores, mitologia e história se fundem para garantir que, por um longo período de tempo, haja motivos para recordar, estudar e regressar. E antes da expedição propriamente dita, os mais curiosos podem até ver a evolução das caravelas utilizadas pelos portugueses nesta epopeia, bem como os instrumentos de navegação utilizados ao longo do tempo. Tudo isto nas diferentes salas temáticas do espaço, que funcionam como verdadeiras máquinas do tempo, transportando os visitantes para outra era, repleta de mitos e magia. Do que é que está à espera para alinhar nesta aventura? REVISTA VIVA, JUNHO 2014


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Não abandone… esterilize!

As associações Animais de Rua e Senhores Bichinhos são instituições com um cariz diferente da maioria das associações de defesa e proteção animal existentes. A primeira, sem querer enveredar pela recolha de animais errantes, aposta no método preventivo de esterilização de forma a controlar populações de animais, enquanto que a segunda, para além desta vertente e de ajudar donos com carências económicas a esterilizar e tratar os seus animais a preços simbólicos, tem também um abrigo. O crescente interesse pela temática da proteção animal, por parte da população, tem vindo a contribuir para o sucesso de ambas. Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: AdR/SB

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odos aqueles que queiram esterilizar um animal de rua, ou o seu próprio animal, contribuindo, assim, para o controlo das populações e qualidade de vida dos animais, bem como para a prevenção do abandono, podem fazê-lo, usufruindo de preços mais acessíveis. A associação Senhores Bichinhos dedica-se a esta atividade há mais de duas décadas, contribuindo para o controlo da proliferação de ninhadas indesejadas. O problema da sobrepopulação de animais de rua em Portugal é uma realidade que se tem vindo a intensificar em tempos de crise.

De acordo com Cristina Matos, responsável pela Senhores Bichinhos, que surgiu como grupo em 1993 e, oficialmente, como associação em 1996, foram efetuadas, até agora, mais de 23.500 esterilizações, “por norma de cães e gatos”, embora já tenham resolvido algumas situações “de coelhos e cobaias”. A Senhores Bichinhos foi pioneira neste tipo de programa, pois iniciou, há cerca de 20 anos, a “esterilização de cadelas nas praias de Gaia e de outros locais através deste tipo de intervenção”. Os animais eram levados para as clínicas e aí esterilizados a preços económicos e devolvidos ao local. “Também tivemos acesso às


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armadilhas utilizadas pelo Parque Biológico, que nos emprestaram para capturar os primeiros gatos assilvestrados”. A fundação da associação teve por base a esterilização massiva de animais, sendo que, ao mesmo tempo que iam esterilizando as cadelas de rua, iniciavam, também, o processo de levar animais com dono para que estes pudessem usufruir de preços de protocolo mais económicos. Aquando da fundação oficial, a associação contava já com mais de 152 animais esterilizados que se encontravam na rua e que, graças a este tipo de intervenção, foram adotados. O agrupamento tem diversas vertentes de atuação, nomeadamente a esterilização massiva de animais com e sem dono e a realização de sessões de sensibilização em escolas e outros locais públicos, bem como um abrigo para animais. “Proporcionamos apoio a quem queira esterilizar animais já que temos protocolos com clínicas veterinárias, quer ao nível da esterilização quer de socorro a animais acidentados, vacinas e tratamentos”, refere a responsável, salientando que este apoio “é dirigido a todos animais, quer tenham dono ou não”. “Atualmente há muitos animais cujos donos não têm capacidade financeira para os acudir ou fazer intervenções de caráter veterinário a preço normal de clínica”, lembra.

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há telefones disponíveis o que faz com que as pessoas que procuram algum tipo de apoio liguem para a associação. “Praticamente todas as semanas temos que acudir a animais acidentados, animais que iam ser entregues no canil municipal, pedidos para esterilização de animais a preços de protocolo de associação, entre outros. Graças

TELEFONES SEMPRE DISPONÍVEIS PARA ACUDIR A SITUAÇÕES URGENTES

As capturas nem sempre são fáceis e a associação conta com uma vasta equipa de voluntários que pode ser qualquer um de nós. “Temos muitos, geralmente distribuímos as tarefas por campanhas, abrigo, FAT (Famílias de Acolhimento Temporário) ou capturas. Nestas contamos sempre com grupos pequenos para não assustar os gatos ou cães”. Cristina Matos salienta que REVISTA VIVA, JUNHO 2014


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C O M Nunca abandone um animal. Esterilize-o com o apoio de associações que se dedicam ao controlo de colónias e que ajudam os donos com preços mais acessíveis. A associação Senhores Bichinhos tem telefones sempre disponíveis para casos de animais acidentados (www. senhoresbichinhos.net) Como ajudar? Custear esterilizações e tratamentos através do NIB: 0036 0046 99100176588 68 N.º solidário: 760 50 10 13 (0,60€ + IVA) Contribua para a esterilização de um animal de rua/colónias ou torne-se voluntário de capturas/FAT.

à nossa intervenção são milhares os que protegemos: quantos menos animais nascerem, menos problemas há no que toca a abandonos, acidentes, nascimentos constantes e proliferação de animais errantes”, refere. A associação tem tentado a elaboração de alguns protocolos com a Câmara de Gaia e juntas de freguesia que se encontram em fase de estudo. “Infelizmente a autarquia vem tardando a dar-nos apoio, mas continua a usufruir do nosso trabalho. O canil municipal tem cartões idênticos aos nossos autocolantes, onde fornecem informações sobre as esterilizações e os nossos contatos, sendo que recebemos imensas situações para resolvermos que nos são reencaminhadas pelos serviços camarários”, explica, salientando que se torna muito difícil trabalhar num dos maiores concelhos do país sem apoios. “Gaia é enorme e, infelizmente, não podemos abranger todo

o concelho. Neste momento temos em mãos diversas campanhas, manutenção do abrigo e a assistência a particulares com dificuldades económicas para a esterilização de animais a preços mais económicos”.


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ANIMAIS DE RUA

As associações de recolha e abrigo de animais, que são importantes e necessárias para a resolução do problema dos animais já existentes, não possuem recursos financeiros e humanos para combater as muitas centenas de milhar de cães e gatos que procriam continuamente no domínio público. Elas recolhem um número limitado de animais, nos quais investem a totalidade dos seus recursos, acabando contudo por não conseguir repercutir um impacto real na diminuição dos que deambulam pelas ruas e que vivem sem acesso a cuidados de saúde básicos, alimentação, abrigo ou conforto, vítimas de fome, doenças e maus-tratos, condenados a existências curtas e sem qualidade de vida. Neste sentido, e de forma a estabilizar a reprodução destes animais (cuja reprodução contínua irá gerar milhares de novos indivíduos) a Associação Animais de Rua (AAdR), uma associação de âmbito nacional, dedica-se ao controlo de colónias de gatos de rua: captura os elementos dessas colónias para os esterilizar, devolvendo-os ao seu meio ambiente, proporcionandolhes o acesso a alimentação e água, fator que acaba com a acumulação de restos de comida e autênticas lixeiras geradas pela população para alimentar os animais. “As pessoas não são contra

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os gatos mas sim contra esses focos de lixo que se geram pela falta de consciência das pessoas que usam de tudo para alimentar animais”, refere Maria Pinto Teixeira, presidente da associação. Criada para tentar minorar o sofrimento destes animais sem lar e evitar que outros nasçam nestas condições, o seu principal objetivo, para o qual canaliza todos os esforços e recursos, é a esterilização em massa dos animais de rua (ou que vivam com pessoas sem recursos económicos). “Entendemos que essa é a única forma ética e eficaz de controlar a população de animais sem lar, até porque a associação tem uma postura de no-kill (não à morte), opondo-se à política de captura e abate destes animais, seguida pela esmagadora maioria dos canis/ gatis portugueses”, garante.

MÉTODO DE NÍVEL MUNDIAL

O método usado, e que é seguido há mais de três décadas nos Estados Unidos, Inglaterra e outros países europeus, é designado por CED (Capturar-Esterilizar-Devolver) e consiste na captura organizada dos animais (através de equipamento especial - armadilhas, laços e redes), a sua esterilização, tratamento caso apresentem patologias, marcação com um pequeno corte na ponta da orelha esquerda (sinal internacional identificativo de animal esterilizado) e posterior libertação no território de origem, onde são monitorizados e alimentados diariamente. Os animais dóceis são colocados em FAT onde aguardam por uma adoção responsável. Atuando essencialmente através do seu website, a AAdR tem vindo a crescer a um ritmo impressionante desde finais de 2007, com cerca de 1.400.000 visitas contabilizadas neste período (perfaz uma média anual de cerca de 400 mil REVISTA VIVA, JUNHO 2014


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Diga não ao abandono, contribuindo para a esterilização de um maior número de animais domésticos ou errantes, com o apoio da AAdR no controlo de colónias. Como ajudar? Donativo para custear as esterilizações através do NIB: 0065 0921 00201240009 31 Linha solidária: 760 300 161 (0,60€ + IVA) Contribua para a esterilização de um animal de rua ou colónias ou torne-se voluntário de capturas / FAT. visitantes). Até à data, esterilizou mais de treze mil animais, contabilizados a partir de um contador na página inicial do website (www.animaisderua. org), que é alterado a cada nova esterilização. Para além do programa de esterilizações - o seu objetivo principal - foi ainda implementado um programa educativo em escolas de todo o país, através do qual procuram sensibilizar e educar as crianças e jovens para a problemática do abandono e maus-tratos aos animais, que tem tido um feedback bastante positivo por parte da sociedade em geral. A AAdR realiza também, em parceria com a WSPA (World Society for the Protection of Animals), da qual é membro, workshops e ações de formação destinadas a médicos veterinários e organizações de proteção animal que queiram iniciar-se no método CED. Com um trabalho útil e visionário, a sua atuação presta um autêntico serviço público, considerado muito importante pela grande maioria da população portuguesa.

PROTOCOLOS E VOLUNTARIADO

Apesar das dificuldades, a associação tem vindo a crescer, graças ao apoio da população que acredita no seu trabalho como método de controlo populacional dos animais de rua. Atualmente, tem núcleos a funcionar nas cidades do Porto, Lisboa, Lagos e Viseu, e protocolos de cooperação com várias autarquias. O número

de pessoas que contribui com o seu tempo livre para ajudar a associação em regime de voluntariado tem vindo a aumentar. Atualmente, a associação conta com a ajuda de mais de 100 voluntários a nível nacional, que ajudam nas capturas, participam nas campanhas de angariação de fundos e alimentos, transportam os animais para as clínicas veterinárias, e acolhem temporariamente os animais dóceis enquanto procuram famílias que os acolham definitivamente. Ambas as associação sobrevivem exclusivamente graças a donativos de pessoas que acreditam na importância do trabalho de esterilização de animais de rua como forma de combater o sofrimento dos animais abandonados. O número de animais sem lar não pára de crescer, e os recursos são limitados, por isso, qualquer ajuda é bem-vinda.


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EDP Gás Distribuição aposta no GNA Fotos: EDP Gás/ Rui Oliveira

Com o objetivo de demonstrar a polivalência, versatilidade, economia e as excelentes características ambientais do gás natural, a EDP Gás Distribuição está a apostar no gás natural auto (GNA). A mudança da frota de veículos a diesel para veículos a gás natural e a construção de uma estação de enchimento privativa constituíram o arranque desta estratégia.


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ara além das utilizações mais comuns nas nossas casas ou nos nossos negócios, o gás natural tem outras aplicações, nomeadamente no setor dos transportes, onde tem tido um forte desenvolvimento. Reconhecendo as vantagens económicas e ambientais da utilização de gás natural nos transportes, a EDP Gás Distribuição – concessionária da rede pública de distribuição de gás natural na região litoral norte – está a converter a frota de veículos a diesel para veículos a gás natural. Outro passo significativo foi a construção de um posto de enchimento privativo na sede, no Porto, capaz de abastecer toda a frota, atualmente composta

por 20 veículos, de três modelos: utilitários, carrinhas e familiares. O posto de enchimento de GNA tem capacidade para abastecer até 50 veículos, constituindo um excelente exemplo de uma unidade capaz de suportar as necessidades operacionais de uma PME, que representa a generalidade do tecido industrial português.

CRESCENTE IMPORTÂNCIA NO SETOR DOS TRANSPORTES

O gás natural tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante no setor dos transportes, nomeadamente no rodoviário e no marítimo. As características do gás natural – nomeadamente por ser uma fonte energética económica, flexível, polivalente e com excelentes características am-

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E D P

G Á S

bientais – têm permitido uma evolução significativa, constituindo uma aposta da União Europeia a dinamização deste tipo de soluções de mobilidade. De facto, a Europa tem vindo a incentivar projetos específicos para o transporte pesado, como o Blue Corridor, cujo objetivo é o de criar rotas logísticas com capacidade de utilização do gás natural. Para o nosso país, o desen-

volvimento do gás natural nos transportes proporciona uma maior diversificação da matriz energética. Para as empresas e para os particulares, representa a disponibilização de uma solução de mobilidade muito competitiva, aliando de um modo imbatível a economia e o ambiente, sendo assim uma solução altamente competitiva do ponto de vista da sustentabilidade.


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Vantagens da utilização do gás natural no setor dos transportes: • Economia » poupanças da ordem dos 30 a 40% face ao diesel; • Ecologia » os veículos a gás natural têm baixas emissões de substâncias tóxicas, quase emissões zero de partículas, reduzidas emissões de NOx (óxidos de azoto), especialmente o NO2 (dióxido de azoto) e uma forte redução (superior a 20%) de CO2 (dióxido de carbono) por km percorrido; • Conforto » redução de ruído de 4 dB (-50% da perceção de ruído face ao Diesel); • Segurança » o ponto de ignição é bastante mais alto que o dos outros combustíveis (620ºC quando comparado com os 300ºC da gasolina). Por outro lado, o gás natural é mais leve que o ar (ao contrário do GPL), pelo que o risco de incêndio e explosão é minimizado.

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A T U A L I D A D E

Novos talentos nacionais sempre de malas feitas Portuguese Fashion News percorre o país, mostrando a criatividade dos alunos das escolas de moda em conjunto com os mais inovadores tecidos fabricados pelas empresas portuguesas.

O

tema da primeira edição de 2014 do Concurso Novos Criadores do Portuguese Fashion News, Luxury, foi lançado no final do ano passado. Num olhar atento para as tendências internacionais impõem-se as tonalidades neutras e pastel – de minerais e giz; materiais híbridos com enfoque no futuro – de toque arenoso ou papel, compactos e esponjosos, fluídos e de toque molhado/ deslizante; um design subtil que valoriza o detalhe e uma produção em que o artesanal e o industrial se associam para concretizar um produto único. As formas inspiram-se no design de produto e na arquitetura, onde os volumes são generosos, mas admiravelmente proporcionados.


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A primeira “paragem” destas mini-coleções de luxo foi o Sheraton Hotel no Porto, um dos espaços cinco estrelas de excelência da cidade do Porto. De “malas” feitas, o Fórum dos Novos Talentos foi a montra perfeita enquadrada na magnífica decoração do Sheraton. Do Porto diretamente para Viseu, no Palácio do Gelo Shopping, as tendências dos alunos de moda foram apreciadas ao longo de um soberbo e esgotado desfile. De sublinhar que o projeto Porto Fashion Week visa, sobretudo, apoiar a subida na escala de valor da indústria da moda nacional, nomeadamente pela adoção de fatores de competitividade como a tecnologia, a inovação, o design e a moda.

Fotos: José Alfredo

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A T U A L I D A D E

MUUDA recebe mais uma dupla de sucesso Katty Xiomara desenha e a LONA trata de criar um produto de qualidade – é esta a fórmula que garante o sucesso da nova linha de carteiras, apresentada, recentemente, no portuense espaço Muuda.

A

parceria inédita entre artistas e marcas de qualidade é o grande segredo do Muuda, a concept store da Rua do Rosário. Assim, em pleno ambiente de festa, a linha de carteiras que junta a qualidade reconhecida da marca LONA e a criatividade da estilista Katty Xiomara ‘viu a luz do dia’, apresentando-se ao público através de uma coleção visualmente apelativa que reintrepreta a banda desenhada Snoopy. “Peanuts played by Katty Xiomara” é o nome da coleção, que encontrou na LONA o parceiro ideal. “Gostamos da marca, identificamo-nos com a sua estética e filosofia e isso é o mais importante quando se trata de encontrar um parceiro”, explicou Katty Xiomara. O lançamento da coleção – que foi animado por cocktails Porto Tónico, patrocinados pela Porto Cruz – contou com a presença da estilista e de alguns dos principais responsáveis da LONA. Esta parceria vai manter-se, pelo menos, pelos próximos três anos.


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Tempo extra para captar tendências pela cidade

O

prazo de entrega das imagens para o concurso de fotografia Fashion People – Captar tendências pela Cidade – que fará brilhar ainda mais a próxima edição da Porto Fashion Week – foi alargardo até ao dia 31 de julho. Os interessados terão, assim, mais tempo para enviar as fotografias que melhor espelhem a cidade do Porto e as suas gentes como ícones de moda. A organização do concurso convida fotógrafos amadores e profissionais a percorrerem as ruas portuenses e a explorarem pontos nunca antes vistos, de forma a fazerem o melhor retrato de uma cidade trendy, cada vez mais cosmopolita e assumidamente na moda. Bem atento a estes novos “olhares” estará um painel de jurados de relevo: Paula Mateus, diretora da Vogue Portugal, Ugo Camera, fotógrafo italiano com um currículo repleto de desfiles, revistas e campanhas de moda, Carlos Ramos, fotógrafo de moda com centenas

de campanhas e editoriais no seu portefólio, Katty Xiomara, estilista portuguesa com projeção nacional e internacional, António Cunha, diretor comercial da Orfama, a maior empresa de Fully Fashion da Europa, Paulo Vaz, diretor geral da ATP – Associação Têxtil de Portugal, e Alexandre Souto, responsável pelos Projetos Externos do Instituto Português de Fotografia (IPF). O autor da melhor fotografia na categoria “Amador” receberá um curso de fotografia digital do IPF e ainda uma máquina fotográfica digital. O vencedor da categoria “Profissional” ganhará, além de uma máquina fotográfica topo de gama, a hipótese de ser o fotógrafo contratado para fazer a cobertura de uma das feiras internacionais onde participe a Associação Seletiva Moda. O júri selecionará igualmente as 30 melhores fotografias (15 de cada uma das categorias), que ficarão em exposição ao longo de toda a Porto Fashion Week. REVISTA VIVA, JUNHO 2014


M E M Ó R I A S

O Mercado do Anjo Inaugurado em julho de 1839, para comemorar a entrada do exército liberal de D. Pedro no Porto, em 1833, o Mercado do Anjo situava-se na atual Praça de Lisboa, tendo aí funcionado até 1952. Texto: Marta Almeida Carvalho Foto: Paulo Próspero

Logo após a Guerra Civil de 1833, a Câmara do Porto decidiu erigir um mercado generalista, uma ideia que começou a ser desenhada logo em 1834, em homenagem à vitória do Liberalismo. O projeto, no entanto, só viria a ser concretizado cinco anos depois. A construção do Mercado do Anjo surgiu na sequência de um considerável aumento populacional, registado no Porto desde o início do século XIX. A cidade, que se caracterizava por um cariz fortemente comercial estava a transformar-se, também, num importante pólo industrial, onde se fixava um número cada vez mais elevado de pessoas que deixavam as terras do interior com o objetivo de aqui encontrar um meio de subsistência mais rentável. De acordo com Germano Silva, historiador da cidade, o “novo


C LÉ R I G OS

mercado não só proporcionaria maior facilidade no abastecimento de uma população em franco crescimento como possibilitaria um meio eficaz do controlo dos preços dos géneros alimentícios” que, devido à falta de mão de obra, com a fuga da gente dos campos para as cidades, rapidamente “se inflacionavam”.

PÓLO COMERCIAL DO SÉCULO XIX

O mercado foi, a pouco e pouco, integrando, num só espaço, os pequenos núcleos comerciais espalhados por várias zonas da cidade, como as vendedeiras de flores que até ali se fixavam no alto da rua dos Clérigos, as peixeiras que vendiam no Mercado do Peixe, na Cordoaria, os vendedores de frutas e hortaliças, que comercializavam no adro de S. Bento (hoje Praça de Almeida Garrett), as vendedeiras de frutas, pão, legumes e flores que, tradicionalmente, se juntavam na Praça da Batalha, à entrada da rua de Santo Ildefonso, ou no Largo do Correio (atual rua do Conde de Vizela)

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e as bancas de pão presentes na Praça do Pão (atual Guilherme Gomes Fernandes). Segundo Germano Silva, a escolha do local para a construção do mercado, o terreno do antigo Recolhimento do Anjo não foi feito ao acaso. “A Câmara, ao selecionar aquele local, procurou corresponder a uma antiga diretiva municipal” que sugeria que “os mercados públicos devem ser construídos em praças ou lugares desembaraçados em que se possam depositar as fazendas e se possam livremente vender sem incómodo dos vendedores e compradores…”. Depois de 113 anos a impulsionar o comércio local, o Mercado do Anjo foi desativado em 1952. Das suas memórias resta só a Arca do Anjo, uma estrutura que foi colocada no interior do mercado em 1893 para substituir o velhinho chafariz [do Anjo] que já existia no local aquando da inauguração do espaço. A Arca, essa, encontra-se agora instalada nos jardins da Quinta de Nova Sintra, onde funcionam os serviços da empresa municipal Águas do Porto. REVISTA VIVA, JUNHO 2014


D E C O R A Ç Ã O

CIN Nováqua HD

distinguida como Produto do Ano

A

tinta Nováqua HD, considerada um dos produtos-estrela da CIN, pelas suas características inovadoras, foi distinguida com o prémio Produto do Ano. Fruto da aposta da marca na inovação e no desenvolvimento de soluções de qualidade para o mercado de tintas e vernizes, Nováqua HD distingue-se pela sua elevada performance em exteriores. Desenvolvida de forma a ser resistente às mais adversas condições atmosféricas, condensações noturnas, fungos e algas, Nováqua HD transformou-se numa tinta insuperável, tal como comprovam os vários testes a que foi submetida. Fácil de aplicar, esta tinta lisa mate é 100% acrílica e indicada para a pintura de fachadas, apresentando uma elevada performance e durabilidade. HD significa “High Durability”, ou seja, “Alta Durabilidade”, numa promessa de elevada performance e duração do resultado. Nestas duas letras estão condensados anos de investigação e desenvolvimento, que permitiram colocar à disposição do mercado a máxima segurança na pintura de fachadas. De salientar ainda que Nováqua HD apresenta uma alargada gama de cores, estando disponível não só nas 165 tonalidades do Catálogo de Exteriores da CIN, mas em muitas outras. A seleção de cores de Exteriores CIN resulta de um rigoroso estudo de composição de corante e pigmentos, de forma a oferecer uma gama diversificada de tons e, em simultâneo, uma elevada resistência em exterior, dando resposta às mais exigentes solicitações de escolha por parte dos consumidores.


CIN

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REVISTA VIVA, MARÇO 2014


F C P O R T O

Orgulho

Vintage

Pelo terceiro ano consecutivo, o FC Porto está representado na Liga Fertibéria, competição internacional de futebol indoor disputada por antigas estrelas do futebol mundial. Reunir atletas que ajudaram a escrever a história do clube, com inúmeros títulos conquistados, levando bancadas ao delírio, é o grande objetivo do conceito Vintage, que poderá chegar a outras modalidades. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Direitos reservados FC Porto


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do futebol mundial. A sede de vitória que lhes corre no sangue é, hoje, tão intensa como a garra demonstrada noutros tempos, com o mesmo azul e branco ao peito. Aliás, muitos dos jogadores que compõem o plantel Vintage deste ano foram Campeões Europeus pelo FC Porto, como é o caso de João Pinto (que assume o comando técnico do conjunto), Fernando Gomes, Bandeirinha, Mário Silva, Pedro Emanuel, Pedro Mendes e Maniche. No currículo da equipa constam ainda outros títulos internacionais assegurados com a camisola portista: a Supertaça Europeia (conquistada por João Pinto, Fernando Gomes, Bandeirinha e Rui Barros, em 1987), a Taça Intercontinental (arrecadada, no mesmo ano, por João Pinto, Fernando Gomes e Rui Barros, e, em 2004, por Pedro Emanuel e Maniche) e a Taça UEFA (garantida por Mário Silva, Pedro Emanuel, Maniche, Paulinho Santos e Capucho, em 2003).

O

s mais velhos conhecemnos, de longa data, por terem testemunhado, nas bancadas ou em suas casas, os momentos de adrenalina protagonizados em pleno relvado. Os mais novos, que cresceram a ouvir histórias lendárias destes craques, não escondem o prazer de poderem assistir de perto aos lances de magia dos “mestres” azuis e brancos. Certo é que, em dia de jogo de “veteranos”, a lotação do pavilhão Dragão Caixa atinge os limites, num misto de emoções que transforma jogadores e adeptos numa só família: a azul e branca. A equipa em ação – conhecida como Vintage – junta antigas estrelas que fizeram parte da história do FC Porto e que aceitaram o desafio de representar o clube na Liga Fertibéria, uma competição internacional de futebol indoor disputada maioritariamente pela “velha guarda”

“RECORDAR MOMENTOS DOURADOS” E INSPIRAR OS MAIS JOVENS

A participação do FC Porto na prova internacional nasceu de um simples “ensaio”, durante o qual a fibra do clube não passou despercebida. “Tudo surgiu há mais de três anos, quando a organização convidou o FC Porto para entrar numa demonstração que ocorreu em Valência. A forma como encarámos os jogos terá sido convincente ao ponto de formalizarem um convite para que fossemos a primeira equipa não espanhola a entrar no campeonato”, contou Antero Henrique, CEO do clube. E eis que estavam lançadas as bases para que os “dragões” pudessem, uma vez mais, fazer o que tanto gostam: “vestir a camisola e dar tudo até ao último minuto”, tal como descreveu João Pinto, ainda hoje conhecido como o “Capitão de 87”. Apesar de a aventura portista na Liga Fertibéria só ter começado há três anos, esta é já uma prova com bastante tradição em Espanha. Ainda assim, interessa salientar que o FC Porto REVISTA VIVA, JUNHO 2014


F C P O R T O

João Pinto, treinador do FC Porto Vintage

Vintage “não se materializa apenas no futebol indoor”, dizendo respeito a um orgulho maior, aplicável a qualquer uma das modalidades. “Se surgir uma oportunidade semelhante, por exemplo, no andebol, cá estaremos para reunir um conjunto de atletas Vintage da modalidade. Claro que os representantes do futebol têm um impacto diferente, que advém também das conquistas internacionais, mas temos uma lista de Vintage muito abrangente e eclética”, adiantou Antero Henrique. De acordo com o responsável, para o caso concreto da Fertibéria, o desafio foi o de “reunir um lote de jogadores capaz de, antes de tudo, lutar pelo triunfo em todos os jogos, mas também que permitisse recordar momentos dourados e mostrar aos mais novos quem ajudou a escrever uma história com mais de 120 anos”. A forma profissional com que o clube se “agarrou” à prova conquistou, desde logo, a admiração da organização, que o encara como uma “mais-valia”, pelo facto de reunir atletas de várias gerações com dezenas de títulos na bagagem.

“A FORÇA DE VENCER CONTINUA A SER A MESMA”

Apesar de também estar inscrito na competição como jogador, João Pinto decidiu dedicar-se exclusivamente à função de treinador do FC Porto Vintage, tarefa que afirma encarar com orgulho e dedicação. O segredo das vitórias alcançadas reside, segundo explica, “no valor dos jogadores” do plantel. “São atletas que fizeram história e que, anos depois de terem deixado de jogar futebol, representam o clube com a mesma garra que tinham quando eram profissionais”, assegurou. “A mística que se associa ao FC Porto ainda é visível nestes jogos da Fertibéria”, acrescentou o técnico. E talvez seja esse um dos fatores que mais atrai os adeptos. “Diria que [a reação do público] não poderia ser melhor: os mais velhos recordam momentos de grande fulgor e os mais novos passam a perceber e a conhecer um pouco melhor alguns dos rostos mais perenes do FC Porto. Temos boas audiências no Porto Canal e muita gente no pavilhão, o que diz tudo sobre o potencial do conceito”, sublinhou o CEO azul e branco. O desempenho da equipa, esse, explica-se


Daniel Henriques

PLANTEL FUTEBOL INDOOR _ FERTIBÉRIA 2014

STAFF TÉCNICO TEAM MANAGER: ANTÓNIO MACHADINHO TREINADOR PRINCIPAL: JOÃO PINTO ENFERMEIRO: ALFREDO MARQUES TECNICO EQUIPAMENTOS: ÁLVARO FARIA MOTORISTA: RUI SANTOS

ATLETAS NOME

FERNANDO GOMES JOÃO PINTO

9 2

RUI BARROS

8

PAULINHO SANTOS NUNO CAPUCHO

20 21

FERNANDO BANDEIRINHA

6

BINO ( ALBINO MAÇÃES ) MÁRIO SILVA PEDRO EMANUEL PEDRO MENDES JOSÉ CARLOS

18 30 3 23 12

FERNANDO COUTO PEDRO BESSA MANICHE RUI CORREIA DANIEL CORREIA SILVINO

5 13 14 22 1 65

mais “no campo” do que com palavras. “É uma nos quartos-de-final (13-10) e foi eliminado nas equipa FC Porto e, como tal, tem características meias-finais, pelo Celta de Vigo (12-10), que muito próprias e que são inimitáveis. Ainda viria a sagrar-se campeão. Este ano, a equipa recentemente, com o Corunha, conseguimos uma Vintage superou a fase de grupos – derrotando recuperação fenomenal nos últimos minutos. o Valladolid (8-6) e o Deportivo da Corunha (7Não estamos a falar de jovens de 20 anos, mas 6) – e, depois de uma derrota com o Celta de António Machadinho Team Manager +351961381187 estamos a falar de ex-jogadores que sempre Vigo, por 7-8, qualificou-se no segundo lugar deixaram tudo em campo e, naturalmente, do grupo 1 para as meias-finais da competição, continuam a deixar”, reconheceu. Numa liga com aguardando o sorteio “puro” em que vai conhecer muitos golos, a adrenalina é um dos ingredientes o próximo adversário. assegurados. “Aquilo que mais nos move é a “Embora com mais dez ou 15 anos e mais emoção que estes jogos despertam até ao último alguns quilos, a força de vencer continua a minuto”, confirmou João Pinto. “Encaramos os ser a mesma. Claro que não jogamos com a treinos com tranquilidade, mas quando vestimos velocidade de outros tempos, mas o sentido a camisola do clube sabemos que teremos de de entreajuda do passado ainda é visível nos defendê-la da melhor forma possível e até ao nossos jogos”, sublinhou o treinador, realçando último momento. É essa postura que os jogadores que a meta a atingir é apenas uma: “vencer”. têm demonstrado ao longo destes três anos”, “Independentemente da idade, os jogadores acrescentou. sabem que, durante aqueles 60 minutos, têm Em 2012, quando se estrearam na prova, os de dar tudo”, acrescentou, reconhecendo que a azuis e brancos ultrapassaram a fase de grupos equipa está empenhada em mostrar ao público e foram afastados nos quartos-de-final pelo que “jogar no FC Porto é diferente de jogar noutro Atlético de Madrid (14-8). Em 2013, o FC Porto clube qualquer”. ultrapassou a fase de grupos, afastou o Barcelona REVISTA VIVA, JUNHO 2014


M Á Q U I N A

D O

T E M P O

A ‘FERREIRINHA’ EO PALACETE DO LARANJAL Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Arquivo Histórico Casa A.A.Ferreira

Estruturalmente ligada ao Vinho do Porto, D. Antónia Adelaide Ferreira, mais conhecida por ‘a Ferreirinha’, foi uma notável empresária do século XIX. O palacete do Laranjal, situado no largo com o mesmo nome (hoje da Trindade) foi construído em 1840, por iniciativa de António Bernardo Ferreira, seu primeiro marido. Após a sua morte, D. Antónia desfez-se de algumas das luxuosas casas, passando o palacete a integrar parte da herança que coube ao filho do casal, António Bernardo Ferreira III.

N

a génese da criação do Clube Portuense, está a Assembleia Portuense que funcionou num antigo palácio, no largo do Laranjal, agora da Trindade. Formada em maio de 1834, logo após o Cerco do Porto, na antiga praça ou Terreiro da Erva, depois chamado largo do Laranjal e, posteriormente, da Trindade, a Assembleia instalou-se na ala

ocidental do faustoso edifício, erguido na mesma praça, única ala então construída. O palácio foi, posteriormente, comprado por António Bernardo Ferreira, marido de D. Antónia, ao inglês Custódio Guerner, com a condição de serem acabadas as obras que se estavam a fazer na ala que albergava a Assembleia. Num artigo d’ O Tripeiro, o brigadeiro Nunes da Ponte conta-nos que, “concluído o corpo central,

correspondente ao salão nobre, foi este inaugurado com um sumptuoso baile e terminada a ala oriental do palácio, para ali se transferiu a Assembleia, fixando António Bernardo Ferreira a sua residência na ala ocidental”. O terreno para a construção do faustoso edifício, que já contava com uma ala onde func iona v a a A s s emb leia Portuense, foi adquirido por António Bernardo II, em 1840,


PALACETE DO LARAN JAL

situando-se no local onde mais tarde surgiria o colossal prédio que durante anos foi conhecido por “Palácio dos Correios”. António Bernardo Ferreira II, homem empreendedor e algo excêntrico, iniciou a construção

do palácio da Trindade que se destinava a residência própria, muito embora passasse nele longos períodos solitários, uma vez que D. Antónia não tinha grande aptidão para a vida na cidade, preferindo a

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do campo, nas suas quintas na Régua, nomeadamente na do Vesúvio. Pouco depois da morte do marido, em 1845, D. Antónia desfez-se de grande parte do seu património habitacional precisamente por não ter o mesmo deslumbramento do marido, relativamente à vida faustosa da cidade. D. Antónia trocou, então, outra casa sumptuosa – a Casa de Vilar - por uma mais pequena, na Rua do Almada e promoveu REVISTA VIVA, JUNHO 2014


M Á Q U I N A

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T E M P O

António Bernardo Ferreira, primeiro marido de D. Antónia

a venda em leilão do recheio e da propriedade do marido, adquirindo, ainda, uma casa mais modesta na Rua Bela da Princesa (parte superior da atual Rua de Santa Catarina). A Casa da Trindade viria a integrar os bens da herança que coube ao seu filho, António Bernardo Ferreira III, quando este exigiu que fosse dividida a parte que lhe cabia por morte de seu pai. Foi este palacete que habitou até morrer, em 1907, e no qual reuniu um espólio sumptuoso, composto por peças decorativas caríssimas, pratas, mobiliário e valiosas obras de arte cujo valor ascendia a 11.300$00 (perto de 62 euros), valor muito considerável para a época, que representou um significativo testemunho do Porto romântico oitocentista.

D. ANTÓNIA, RAINHA DO DOURO

É impossível falar dos vinhos do Porto e Douro sem falar de D. Antónia. Personagem

O pai da “Ferreirinha”, José Bernardo Ferreira

da vida duriense, conhecida carinhosamente por ‘a Ferreirinha’, nasceu na Régua em 1811. Mulher determinada e corajosa, construiu um enorme império durante o século XIX. D. Antónia Adelaide Ferreira (Godim, Peso da Régua, 4 de julho de 1811 — Godim, Peso da Régua, 26 de março de 1896) destacou-se como figura marcante da história da vinicultura pela sua grande dedicação ao cultivo e pelas notáveis inovações que introduziu no âmbito dos vinhos no Douro. Oriunda de uma abastada família, o seu pai, José Bernardo Ferreira, possuía

um grande número de vinhas. Aos 27 anos, por imposição do pai, casou-se com um primo – António Bernardo Ferreira, conhecido como o II de seu nome que, apesar de ser um homem empreendedor, era um bon vivant que gostava de viajar e de uma vida social e cultural intensa. O casal teve três filhos: António Bernardo (III), Maria Virgínia, que morreu precocemente aos cinco anos, e Maria da Assunção, mais tarde Condessa de Azambuja. D. Antónia perdeu o marido muito jovem, com 33 anos, tendo, a viuvez, despertado nela a sua verdadeira vocação


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M Á Q U I N A

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T E M P O

António Bernardo Ferreira, filho de D. Antónia

de empresária. Era uma pessoa que gostava de ajudar os mais pobres, que teve a coragem de desafiar homens poderosos, servindo de exemplo e orgulho das gentes durienses. Sabe-se que a Ferreirinha se preocupava com as famílias dos trabalhadores das suas terras e adegas. Apoiada pelo administrador José da Silva Torres, mais tarde seu segundo marido (1856), Antónia Adelaide Ferreira lutou contra a falta de apoios dos sucessivos governos, mais interessados em construir estradas e comprar vinhos espanhóis. Debateu-se contra as doenças da vinha, o oídio e a filoxera, tendo-se deslocado a Inglaterra para obter informação sobre os meios mais modernos e eficazes de combate a estas pestes, bem como dos processos mais sofisticados de produção do vinho. A Ferreirinha investiu em novas plantações em zonas

mais expostas à radiação solar, sem abandonar também as plantações de oliveiras, amendoeiras e cereais – a Quinta do Vesúvio, uma das suas muitas propriedades, era por ela percorrida e vigiada de perto - contratou colaboradores, construiu armazéns, comprou quintas importantes (Aciprestes, Porto, Mileu) e fundou outras, como o Monte Meão. Dedicou-se, ainda, a obras de benfeitoria tornando-

se figura de primeira grandeza no panorama vinhateiro, tão importante que o Duque de Saldanha (um dos homens mais poderosos da época) pretendia casar o seu filho com a filha da Ferreirinha, Maria d`Assunção. Após recusa de D. Antónia, o Duque, habituado a não ser contrariado, mandou raptar a menina de apenas 12 anos, alegadamente com a conivência do irmão, António Bernardo, que teria aberto passagem para que


PALACETE DO LARAN JAL

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Silva Torres, segundo marido de D. Antónia e administrador dos seus bens

os homens do Duque entrassem na propriedade. Ao saber da estratégia, D. Antónia foge com a filha para Espanha e depois para Inglaterra onde se refugia, na companhia de Silva Torres. Quando regressaram, Maria da Assunção vinha casada com o conde de Azambuja e D. Antónia com Silva Torres. Depois do excelente ano de 1868, quer na qualidade quer na quantidade, os viticultores não conseguiam vender o seu vinho. É então que D. Antónia compra enormes quantidades de vinho para ajudar os agricultores na luta contra os baixos preços praticados pela abundância. Dois anos mais tarde surge a praga do oídio que destrói quase a totalidade dos vinhedos, atirando os durienses para a miséria. Mulher com uma enorme capacidade de negociação, transacionou

A filha, Maria da Assunção, tornou-se Condessa de Azambuja por casamento

com os ingleses todo o seu vinho que permanecia nos armazéns, contribuindo, assim, para um enriquecimento da casa Ferreira. Em 1880 ficou novamente viúva, o que não a impossibilitou de continuar a obra de benfeitoria que havia começado, com os hospitais de Vila Real, Régua, Moncorvo e Lamego. D. Antónia é sem dúvida uma das maiores figuras na história da região do Douro e do Vinho do Porto. Faleceu

em 1896, aos 85 anos, na Casa das Nogueiras (Quinta das Nogueiras). O Douro perdeu a sua rainha. O grupo Sogrape, detentor da marca A.A.Ferreira entrega anualmente o “Prémio Dona Antónia”, destinado a distinguir as mulheres que mais se evidenciaram no mundo empresarial português.

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N O I T E

À DESCOBERTA DA NOITE PORTUENSE Eleita Melhor Destino Europeu de 2014, a cidade do Porto disponibiliza espaços de animação e diversão noturna que atraem pessoas de todas as idades. Se, durante o dia, algumas das principais artérias do centro histórico transmitem tranquilidade, convidando os transeuntes a desfrutarem de uma bebida fresca em alguma das suas esplanadas, à noite, ruas e ruelas inundam-se de pessoas, ávidas de experimentarem um convívio que, muitas vezes, se dá ali mesmo, em pleno passeio. Bares temáticos, com decorações inspiradas noutros pontos do mundo, clubes noturnos que desafiam a uns passinhos de dança e espaços que primam pela diversidade musical invadiram a zona envolvente da Torre dos Clérigos, na qual se destacam as conhecidas ruas Galeria de Paris e Cândido dos Reis. A Viva convida-o, de seguida, a conhecer alguns dos locais “sagrados” do roteiro de animação noturna da cidade Invicta. Fotos: Paulo Próspero e Daniel Henriques


P ORTO

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CAFÉ AU LAIT: O INCONTORNÁVEL PONTO DE ENCONTRO Instalado num edifício antigo da Rua Galeria de Paris, no número 46, o Café au Lait procura conjugar charme e ecletismo, num ambiente descontraído onde reina uma decoração contemporânea. Na entrada, sobre um pedaço de granito, “escorrem” as letras que dão corpo ao nome do bar, como se de chocolate quente a derreter se tratasse. Este é, desde logo, um dos fatores que surpreende os turistas que percorrem a zona dos Clérigos. Diretamente de vários locais do mundo para as cabines do Café au Lait, há poderosos “guisados” musicais, com sonoridade R’n’B, Soul, Funk, Jazz e eletrónica. Razões suficientes para transformar o espaço portuense num ponto de encontro para longos momentos de convívio entre amigos.

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N O I T E

FINS DE TARDE E NOITES... COM ALMA

E se é verdade que “quem tem alma não tem calma”, como escreveu Fernando Pessoa, a cidade do Porto conta com um local apropriado às mentes mais irrequietas. Localizado no número 75 da mesma rua – considerada um dos tesouros da movida noturna da baixa – o Alma é um espaço de paragem obrigatória, onde se contam histórias, pela noite dentro. Às quintas, sextas e sábados, a seleção musical é cuidadosamente feita por Dj’s selecionados. A extensa carta de bebidas, essa, é uma das mais-valias do bar, sobretudo se falarmos de caipirinhas, cocktails e mojitos de pêssego e gengibre. O ambiente é informal e a decoração contemporânea, com pormenores que marcam a diferença, como é o caso de um gigante osciloscópio que cria uma dinâmica única. De terça a quinta-feira, o Alma encerra às 2h00, sendo que, às sextas, sábados e vésperas de feriado, permanece de portas abertas até às 4h00. Com a chegada da estação quente, o espaço disponibiliza a sua esplanada também durante a tarde, entre terça-feira e sábado, convidando portuenses e turistas a desfrutarem de um bom vinho a copo, ao som de música jazz e contemporânea.

TONS QUENTES E RITMOS INDIE NO ERA UMA VEZ EM PARIS No número 106 da Rua Galeria de Paris conta-se uma história que começa por “Era uma vez”. Inspirado nos (loucos) anos 20 dos cabarets e da boémia da capital francesa, o Era Uma Vez Em Paris surge como uma agradável opção de fim de tarde, mas abre mais cedo, oferecendo pratos do dia, sandes e saladas. Numa decoração assente em tons quentes e vibrantes, encontram-se pormenores que recriam, desde logo, um ambiente tipicamente parisiense, com abat-jours românticos espalhados pela sala, candeeiros aveludados e ripinhas que pendem do teto. Quando o sol se esconde, a iluminação do espaço torna-se intimista e as melodias diurnas dão lugar aos ritmos notívagos.


P ORTO

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N O I T E

MAOMARIA: “WINE BAR” E “HAPPY BAR” NUM SÓ ESPAÇO

Aberto há pouco mais de dois anos – com um nome que resulta de uma fusão divertida entre Mao Tsé-Tung e a Virgem Maria – o Maomaria, localizado no número 84 da Cândido dos Reis, é

CLUBE 3C: O RESTAURANTE ONDE A MAGIA ACONTECE (À MEIA-NOITE)

No mesmo quarteirão, também na Rua Cândido dos Reis, perto dos Clérigos, há um café que é simultaneamente um clube, um restaurante que se transforma em bar por volta da meia-noite. No Clube 3C, localizado no número 18, há todo um conceito que gira em torno da ideia de renovação, reutilização e construção. Um andaime serve de cabine de Dj e um gigante contentor de mercadorias funciona como balcão. As mesas e as cadeiras, todas diferentes, foram compradas em leilões; as paredes exibem grandes fotografias de obras, num ambiente adequado a boas conversas entre amigos. O restaurante oferece uma cozinha mediterrânica e tradicional portuguesa, recriada pelo chef Paulo Marques, sendo mais acessível ao almoço e mais urbana e alternativa à noite.

um espaço que combina dois locais distintos: um específico para fazer a festa, onde se pode dançar descontraidamente, e outro mais voltado para o convívio – o wine bar. Os vinhos são, assim, a imagem de marca de um bar cuja decoração foi toda idealizada pelos proprietários.


N O I T E

QUINTAS-FEIRAS DE BAILE NO AUDITÓRIO CLUB

Também na Rua Cândido dos Reis, mas no número 131, portuenses e turistas encontram outra pista de dança, o Auditório Club. Situado no local onde antes funcionava um auditório do BES, o espaço procura chamar a atenção dos transeuntes para a pista, mas não esquece a artéria portuense onde se encontra. Por isso, estende o espírito de festa do bar até ao passeio, disponibilizando uma esplanada a quem quiser repousar os músculos depois da dança. Às quintas-feiras, não há como escapar ao “Baile da Baixa”, evento durante o qual se promete uma “noite especial”, com “bom ambiente, bebidas a preços atrativos e muita festa à mistura”.

PITCH CLUB: ANIMAÇÃO ATÉ AO NASCER DO SOL

Com uma aposta voltada para a música alternativa e eletrónica, através de atuações de Dj’s e bandas de renome, o Pitch Club, localizado na Rua Passos Manuel, faz lembrar um clube londrino. A decoração, inspirada nos anos 60, cria um confortável ambiente retro que não deixa ninguém indiferente. O espaço de animação noturna, que está dividido em dois pisos – no primeiro encontra-se o bar, com uma cabine de Dj, e, no inferior, uma ampla discoteca, aberta durante a madrugada – organiza festas temáticas com bastante regularidade.


P ORTO

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T V

Rumo ao

crescimento Preparar terreno para a transformação da estação televisiva num canal nacional – com uma programação verdadeiramente alternativa e assente em critérios de qualidade – é a grande ambição do Porto Canal, “marca do norte” que tem vindo a conquistar o dia a dia dos telespectadores. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Virgínia Ferreira


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percurso que, efetuado por uma equipa maioritariamente jovem e sem medo de arregaçar as mangas para ir à luta, apresenta um único sentido: o do crescimento. “A mantermos a qualidade, o ritmo e o rigor de orçamento que nos caracteriza, penso que, daqui a alguns anos, este será um canal nacional muito apelativo”, frisou Júlio Magalhães, diretor-geral do Porto Canal, reconhecendo

N

um momento em que já são bem visíveis os efeitos da revolução editorial e tecnológica operada nos últimos dois anos, o Porto Canal tem estratégias de futuro plenamente definidas. Rigor, credibilidade e diversidade são as palavras-chave de um

que, entre as suas principais ambições está a transmissão para todo o país, para os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), centro da Europa e América Latina. Ainda assim – admitiu o jornalista – há um longo caminho a percorrer na afirmação da estrutura, que já conseguiu conquistar

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um lugar de relevo no ADN do norte do país.

UM CANAL BEM PRESENTE NOS HÁBITOS DOS PORTUGUESES

A reestruturação da programação, o ‘novo rosto’ do canal – que lhe conferiu uma imagem mais dinâmica e ousada – e a diversificação dos conteúdos contribuíram em larga escala para o desenvolvimento da estação televisiva. Aliás, para Juca, “não restam dúvidas de que o Porto Canal é já uma referência do Porto e da região norte”. “É a única televisão em Portugal feita fora de Lisboa”, notou, salientando a sua aposta estratégica no setor generalista, com informação, entretenimento, programas culturais e a marca FC Porto. “O objetivo destes dois anos [de transformação] foi exatamente o de mostrar às pessoas que este é um canal que já entrou nos hábitos dos portugueses”, referiu. Continuar a trabalhar rumo ao aumento de audiências – não esquecendo, porém, que se trata de um canal por cabo – é a grande prioridade para os próximos tempos. “É uma maratona, não é propriamente uma corrida de 100 metros e, portanto, vamos demorar dois ou três anos a consolidar ainda mais a estação”, salvaguardou o responsável. A primeira grande alteração promovida “foi ao nível das instalações” e das tecnologias, com melhorias na régie, câmaras, iluminação e material informático. “Depois, tentámos REVISTA VIVA, JUNHO 2014


provar aos telespectadores que este é um canal com clube e não de clube. O Porto Canal não é como o Benfica TV, o Real Madrid TV ou o Barcelona TV. O FC Porto quis assim e bem, na minha opinião. Portanto, nestes últimos anos, tentámos fazer ver ao mercado e às pessoas que encontram aqui uma estação que projeta a marca FC Porto e que, ao mesmo tempo, traz informação, cultura, entretenimento e uma grande variedade de programas”, constatou. A partir de agora – acrescentou o diretor – a equipa ambiciona poder dar “passos maiores”, que vão estar dependentes “da decisão que aí vem de o FC Porto exercer a opção de compra do canal” e do crescimento da própria economia portuguesa.

PROGRAMAS COM ASSINATURA PORTO CANAL

O reforço do entretenimento e da presença azul e branca nos blocos desportivos é uma das evoluções registadas na grelha de programação. O

Daniel Henriques

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“Grandes Manhãs” foi alargado, realizando-se, agora, das 9h00 às 13h00, com apresentação de Ricardo Couto e Maria Cerqueira Gomes. “É um programa que nos traz muita audiência e que nos permitiu também ter um grande crescimento de telespectadores no Jornal das 13”, apontou o jornalista. Os próximos passos? Centrar atenções no fim de tarde e investir “o mais possível” no horário nobre. “Temos alguns

programas em ‘prime time’ que nos dão retorno, mas, como é óbvio, são nichos de mercado”, acrescentou. Entre as principais “marcas” do Porto Canal estão, segundo Júlio Magalhães, o programa semanal “45 Minutos à Porto”, o “Caminhos da História” (durante o qual, através de ruas, ruelas, monumentos, museus e igrejas, o historiador Joel Cleto fala da origem da história e das estórias e mitos que a rodeiam)


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e o “Mentes que brilham”. “Além disso, temos, agora, o ‘Magazine Fim de Semana’ e um espaço dedicado ao setor automóvel [o ‘Estação de Serviço’]”, referiu, sublinhando ainda a importância da aposta no cinema, nas noites de domingo, como alternativa “aos reality shows e programas de música” que marcam o panorama televisivo. Outra das grandes mais-valias do canal – frisou - “é a qualidade dos conteúdos do FC Porto”. “As transmissões televisivas dos jogos da equipa B, do andebol, do hóquei e do basquetebol trazem-nos muitos telespectadores e, sendo o FC Porto uma das maiores instituições do norte, obviamente que representa um elemento decisivo para a estação”, reiterou. Com o arranque do Mundial de Futebol, vai ser retomado, a partir do dia 12 de junho, o “Estádio de Emoções”, um programa diário, de 45 minutos, exclusivamente dedicado ao evento desportivo.

“JÁ CONQUISTÁMOS O ORGULHO DAS PESSOAS”

O ‘feedback’ do público em relação ao trabalho desenvolvido pelos profissionais do Porto Canal tem sido notório, segundo confirmou o responsável. “Vou ao Algarve e a Lisboa e há sempre quem me fale dos nossos programas. No norte, já somamos oito delegações e as pessoas dessas regiões sabem que é nesta estação que conseguem ver o que acontece nas suas terras. Os

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canais de Lisboa abandonaram completamente o país”, defendeu, reconhecendo que os nortenhos encaram com bastante orgulho os esforços de crescimento empreendidos pelo canal. Orgulho esse que é partilhado pelos profissionais que, todos os dias, vestem a camisola para levar a informação e a animação aos telespectadores. A grande prioridade passa, agora, por uma aposta em programas que façam com que mais pessoas se fixem à estação televisiva. “Temos muita gente a passar pelo Porto Canal, mas ainda não temos muita gente fixada”, reconheceu, com a certeza de que o futuro trará novidades a esse nível. Mas os principais desafios não se esgotam aqui. De acordo com o diretor-geral, ainda há um grande trabalho de sensibilização a fazer junto das maiores instituições do norte, para que possam realmente entender a importância de apoiar uma televisão produzida fora da capital. “Enquanto se achar que é preciso investir tudo em Lisboa para se estar perto do poder e ter retorno, o resto do país vai ser um deserto. E a televisão é o melhor meio para fazer essa mudança cultural”, sustentou, dando conta de que toda a equipa está apta a responder com eficácia ao “longo trabalho” que tem pela frente. REVISTA VIVA, JUNHO 2014


M Ú S I C A

, S O T R E C CON MENTOS, A LANÇ OSIDADES I R U C

“As 3 Marias” e Simone de Oliveira de mãos dadas em novo projeto musical Trata-se de “um encontro de quatro mulheres que pode vir a ser o início de algo mais”. É desta forma que a banda portuense de tango-fusão “As 3 Marias” descreve a nova aventura musical que iniciou, recentemente, ao lado de Simone de Oliveira. O projeto, intitulado “As 3 Marias com Simone de Oliveira”, já deu provas da sua raça no dia 31 de maio, no Casino da Figueira da Foz, e vai percorrer, em breve, várias cidades do país. Com Cristina Bacelar na voz e na guitarra, Fátima Santos no acordeão e Ianina Khmelik no violino, a banda, que assume um estilo muito próprio, decidiu ir ao encontro da conhecida cantora e apresentar-lhe o disco “Bipolar”, que acabou por conquistá-la. Foi então que as artistas desafiaram Simone a cantar o tema “Tango Maria”, que fala “dos labirintos que a vida percorre”. “Achámos que esta música podia ser contada e cantada pela Simone pela sua experiência de vida e, sobretudo, pela grande intérprete que ela é”, justificou Cristina Bacelar. Entretanto, ao longo dos últimos meses, as quatro mulheres foram estreitando a sua relação de amizade e avançaram também com uma versão da música “No teu poema”. Através de um trabalho descrito como “novo tango da Invicta”, a banda explora musicalmente “outros imaginários”, partindo do tango e passando pelo flamenco, bossa nova e boleros. “Dizemos sem pretensiosismo que a nossa música é uma oportunidade de sensações. (...) Num concerto nosso, a ‘viagem musical’ é a emotividade”, afirmou a porta-voz, convidando o público a apertar o cinto para alinhar nesta jornada.

Maria Gadú atua no Coliseu a 19 de junho A artista Maria Gadú está de regresso a Portugal para uma festa em dose dupla. Considerada um dos mais importantes nomes da música popular brasileira, a cantora e compositora vai atuar nos coliseus do Porto e de Lisboa nos dias 19 e 20 de junho, respetivamente. “Shimbalaiê”, o seu primeiro grande êxito, foi composto quando tinha apenas dez anos, revelando, desde logo, um contagiante poder musical. Entre 2009 e 2011, Maria Gadú editou quatro álbuns, com vendas superiores a meio milhão de exemplares. No ano passado, a cantora lançou o disco de duetos “Nós”, com alguns nomes consagrados da música popular brasileira, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Ana Carolina, novos artistas, entre os quais Jay Vaquer e Tiago Iorc, e músicos internacionais, como Eagle-Eye Cherry e Jesse Harris. O preço dos bilhetes para o concerto do Porto varia entre os 23 e os 55 euros.


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A verdade do samba chega ao Parque da Cidade em agosto pela voz de Seu Jorge No dia 8 de agosto, o Parque da Cidade vai receber o cantor, compositor, instrumentalista, produtor e ator Seu Jorge, que conquistou o público português durante uma tournée, realizada em 2013, com três espetáculos esgotados. “Músico dos pés à cabeça”, Jorge Mário da Silva encontra no samba o seu grande fundamento. “O samba é a nossa verdade, a nossa particularidade, é a nossa medalha de ouro, o nosso baluarte, estandarte brasileiro”, descreveu. Durante o concerto no Porto, Seu Jorge revisitará temas bem conhecidos do público, como “Burguesinha”, “Mariana”, “Mina do Condomínio”, “Amiga da Minha Mulher”, “A Doida” e “Carolina”, num alinhamento perfeito para as noites quentes de verão.

Serushiô: ritmo, melodias e guitarras ‘ao volante’ de “I’m not Lost” Depois de ter estado a representar Portugal na 32.ª edição do Canadian Music Week, em Toronto (considerado um dos principais eventos de entretenimento da América do Norte), a dupla Serushiô, formada por Sérgio Silva e José Vieira, acaba de lançar o seu terceiro trabalho, “I’m not Lost”. O rock com um forte travo a blues é a grande assinatura da banda, cujo nome mais não é do que a forma como os japoneses dizem Sérgio (em alusão ao vocalista do grupo). Com este novo disco, o convite endereçado às pessoas pela dupla portuense é apenas um: que não ofereçam resistência e embarquem na dança da vida. “Boogie Song”, receita tradicional tocada a blues e rock, “como que um desafio a permanecer estático enquanto o corpo serve de circuito a emoções extravasadas pela energia das guitarras”, e “Bluesman”, emancipação metafórica, “mitológica até”, de um duo “que parece ter encontrado o sentido da vida nos blues”, são dois dos temas da mais recente proposta musical.

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P O R T O

D ´ A R T E

O PORTO em cartaz

Nesta estação quente, a cidade do Porto promete convencer os cidadãos a saírem de casa para viver a cidade. Os motivos? Performances teatrais inspiradas em obras de reconhecidos dramaturgos, exposições de fotografia e concertos realizados bem no coração dos Aliados e eventos musicais realizados com a participação de rostos bem conhecidos do público. Texto: Mariana Albuquerque

Entre os dias 13 e 29 de junho, os Artistas Unidos vão acrescentar mais um capítulo à relação amorosa que têm vindo a cultivar com a obra do poeta e dramaturgo Harold Pinter, apresentando “O Regresso a Casa”. Com encenação de Jorge Silva Melo, a peça levará o público do Teatro Nacional São João a uma habitação modesta de um bairro do Norte de Londres. “Um espaço definido, protegido, mas de uma segurança que se revelará precária quando invadido por um homem que regressa para apresentar a mulher ao pai, ao tio e aos dois irmãos”, descreve o equipamento cultural portuense. As seis personagens vão, assim, transformar a casa “numa arena de duelos verbais, esgrimindo metáforas de predação sexual, numa implacável imersão nas desarmonias conjugais, na vulnerabilidade masculina e nas intimidades cruéis da vida familiar”. O espetáculo será apresentado de quarta-

Fotos: Jorge Gonçalves

TNSJ: ENTRE HAROLD PINTER E AS GENTES DO MINHO

feira a sábado às 21h30 e aos domingos às 16h00. De 17 a 20 de junho, o Mosteiro de São Bento da Vitória vai acolher a “Preview MAP/P”, numa espécie de antevisão da terceira edição da MAP/P – Mostra de Processos/ Portugal, que este ano se realiza, excecionalmente, no mês de setembro. Ao contrário do evento-mãe, que tem uma forte componente internacional, a Preview MAP/P é exclusivamente dedicada a criadores da região Norte de Portugal, que aqui têm a oportunidade de confrontar publicamente o seu trabalho “em progresso” junto de


EXPOSIÇÕES/ESPETÁCULOS

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AXA REVELA “O INSTANTE DECISIVO” DE HENRI CARTIER-BRESSON Situado no coração da Avenida dos Aliados, o edifício AXA já assumiu um lugar de destaque

Celeste Domingues

uma comunidade informal de artistas, críticos e espectadores, proporcionando um diálogo aberto sobre as potencialidades das propostas apresentadas. A iniciativa resulta de uma parceria entre a Produtora de Risco e a desNORTE, plataforma de reflexão e partilha de práticas artísticas que congrega vários agentes ligados à dança contemporânea na cidade do Porto. Já em julho, entre os dias 11 e 13, o TNSJ, o Teatro Carlos Alberto e o Mosteiro de São Bento da Vitória vão celebrar o décimo aniversário das Comédias do Minho, que vão apresentar, em estreia absoluta, cinco espetáculos assinados por vários dos seus criadores residentes. “Mapa/Terra/Lugar/Casa/ Corpo” será o mote da festa, que contará com a participação das gentes do Minho: mulheres de Paredes de Coura, atores amadores de Valença e Melgaço, bailarinos amadores de Vila Nova de Cerveira, jovens de Monção e seus familiares. “Um ciclo de caráter quase primordial no qual a chuva, o vento e a terra se cruzam com a festividade popular, em espetáculos multidisciplinares que, com o envolvimento da população do Vale do Minho, recriam a paisagem e a memória – corpo a corpo, lugar a lugar”, avança o TNSJ.

nas agendas culturais da cidade do Porto. Assim, em junho, o espaço receberá a exposição de fotografia “L’imaginaire d’ápres nature”, com trabalhos assinados por Henri Cartier-Bresson (HCB), considerado o maior fotógrafo do século XX. Com uma carreira de mais de 70 anos, o “pai do fotojornalismo”, que fundou a conhecida agência Magnum, utilizou a máquina fotográfica como um terceiro olho, impassível e neutro, para capturar os caprichos do comportamento humano. “O dispositivo fotográfico é o meu caderno de rascunhos, um instrumento de intuição e espontaneidade, o mestre do instante que, em termos visuais, pergunta e decide ao mesmo tempo”, afirmou HCB. Também em junho, o REVISTA VIVA,JUNHO 2014


P O R T O

D ´ A R T E

troca de ideias e a descoberta de novas e valiosas sinergias. Trata-se de um evento de exploração das fronteiras da

A CASA (DA MÚSICA) DO MÁRIO

Remix Ensemble e o seu Trio, na condição de se apresentar na dupla pele de compositor e intérprete. Em pouco mais de uma semana, os visitantes terão, assim, oportunidade de vê-lo em diferentes papéis: como solista inesperado num concerto de Bach; como líder de um dos seus trios de jazz e, finalmente, como programador, escolhendo alguns dos compositores com

os quais mais se identifica. O pianista propõe ainda para o dia 15 de julho, às 19h30, um concerto de um jovem solista da nova geração do jazz, Ricardo Toscano, já distinguido pelo Prémio Jovens Músicos. Mas antes disso, a 17 de junho, a Casa da Música brindará o público com a atuação de Cláudia Madur, uma das novas vozes do fado. A artista estreou-se em disco com “Fado

Fotos: NFangueiro

reabilitado equipamento cultural receberá uma exposição organizada no âmbito do “xCoAx”, um fórum para a

arte digital que contará com a participação de diversos cientistas da computação, profissionais de comunicação e teóricos. Para além da mostra no edifício AXA, o evento terá conferências na Biblioteca Municipal Almeida Garrett e performances no Mosteiro de São Bento da Vitória. E depois de uma interrupção durante o mês de agosto, em setembro, a animação estará de regresso à Avenida dos Aliados, com o espaço portuense a associar-se ao Optimus d’Bandada, através de uma programação própria que contará com concertos, dj’s, performances e ações interdisciplinares.

A grande novidade da programação de verão da Casa da Música (CdM) será a presença de um curador convidado. Assim, no mês de julho, o equipamento dará as boas-vindas ao ciclo “A Casa do Mário”, durante o qual Mário Laginha terá carta branca para programar concertos com a Orquestra Sinfónica, o


EXPOSIÇÕES/ESPETÁCULOS

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Sem Tempo”, em 2009, um álbum de fados tradicionais mas com poemas originais. Entretanto, alcançou o reconhecimento internacional com a integração do tema “Ó Gente da Minha Terra” na coletânea “Beginner’s Guide To Fado”, na sequência

do qual passou por Espanha, França, Alemanha, Dinamarca, Suíça, Turquia, Chipre e Estados Unidos. E como já é tradição, a 23 de junho, a CdM vai associar-se aos festejos de São João com um grande concerto. Este ano, pela primeira vez, será a Banda

Sinfónica Portuguesa a assumir as rédeas das celebrações, com uma atuação na Sala Suggia dirigida pelo seu maestro titular e diretor musical, Francisco Ferreira, onde se destaca a estreia mundial de uma obra do compositor portuense Telmo Marques.

DESTAQUES LITERÁRIOS

que, sendo verdadeira poesia, sejam também acessíveis. […] Não quis fazer um livro de ensino mas apenas mostrar o poema em si próprio, pois creio que só a arte é didática”, referiu Sophia, no posfácio da primeira edição. De realçar que o “Primeiro Livro de Poesia” integra a lista de obras das Metas Curriculares de Português para o 6.° ano e é recomendado no Plano Nacional de Leitura para leitura orientada na sala de aula. Em destaque está também “As miniaturas”, novo livro da

vencedora da mais recente edição do Prémio José Saramago – a escritora brasileira Andréa del Fuego. Trata-se de um romance poético e delicado “sobre a ténue fronteira que separa o sonho da realidade”. A obra chegará às livrarias no dia 4 de julho. Natural de São Paulo, Andréa é autora da trilogia de contos “Minto enquanto posso” (2004), “Nego tudo” (2005) e “Engano Seu” (2007). Escreveu também os juvenis “Sociedade da Caveira de Cristal” (2008) e “Quase Caio” (2008).

Lançado recentemente pela Porto Editora, o “Primeiro Livro de Poesia” junta uma seleção de poemas feita por Sophia de Mello Breyner Andresen a ilustrações de Júlio Resende. “Este livro não é uma antologia e muito menos uma antologia panorâmica. Constituído por obras de poetas de todos os países de língua oficial portuguesa, é um livro de iniciação, destinado à infância e à adolescência e onde procurei reunir poemas

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U N I V E R S I D A D E

Investigação científica em alta no Porto

A investigação científica dos vários departamentos de faculdades e institutos politécnicos do Porto tem apresentado excelentes resultados em diferentes áreas, nomeadamente na saúde e na exploração espacial. Posicionando-se ao nível do que de melhor se produz por todo o mundo, os investigadores portuenses têm sido objeto de grande reconhecimento interno e além-fronteiras. Eis, entre muitos, alguns exemplos.

PORTUGUESES INVENTAM FORMA DE DETETAR CANCRO DA MAMA SEM BIÓPSIA

O novo sistema ainda está em fase experimental, mas pretende ser semelhante ao mecanismo utilizado para medir a glicose em diabéticos. O Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) está a desenvolver um sistema simples e portátil de deteção do cancro da mama que poderá vir a ser utilizado em centros de saúde ou consultórios médicos, sem recurso a biópsia. “Só é preciso analisar o sangue, não é preciso biópsia, é um procedimento muito simples”, sustentou Hendrikus Nouws, professor adjunto do ISEP e investigador responsável pelo projeto. O sistema assenta num biossensor eletroquímico portátil que irá analisar uma pequena amostra de sangue do paciente e detetar a presença de substâncias (biomarcadores) associadas ao cancro da mama. Nesta primeira fase, os ensaios com os

biossensores foram feitos com amostras sintéticas, sendo a próxima fase a aplicação em amostras de doentes reais, para validação do sistema até ser possível a sua comercialização. Hendrikus Nouws alertou, porém, que o sistema do biossensor para deteção do cancro da mama ainda está numa “fase muito inicial” e que, sendo uma “área muito sensível”, faltam vários anos de testes e ensaios com amostras reais até ser validado pela própria comunidade médica.

INVESTIGADORES CRIAM TECNOLOGIA QUE PODE INTEGRAR MISSÕES ESPACIAIS EM 2018

Dois investigadores do Porto concluíram o primeiro protótipo laboratorial de uma variante de radar com radiação laser para aquisição de imagens 3D (LIDAR) que poderá integrar missões da Agência Espacial Europeia (ESA) em 2018.


CIÊNCIA

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LIDAR, desenvolvido pelos investigadores do INESC Porto, com o apoio da ESA, é a recolha de imagens 2D e 3D que servem para medições em comprimento de onda, algo que até agora era impossível ou muito dispendioso. Este avanço tecológico vai permitir identificar qual a melhor localização para a aterragem de sondas espaciais na Lua ou em Marte. O INESC TEC, laboratório associado coordenado pelo INESC Porto, é uma das poucas instituições do mundo a trabalhar na aplicação desta tecnologia à exploração espacial.

O LIDAR, previsto para integrar veículos espaciais em missões de exploração do sistema solar, foi desenvolvido por Filipe Magalhães e Francisco Araújo, investigadores do laboratório associado do Instituto de Engenharia de Sistemas de Computadores do Porto (INESC-TEC). Este projeto, financiado pela ESA, tem como principal vantagem a leveza de um equipamento que pode auxiliar na aterragem das sondas, na navegação dos robôs na superfície de planetas ou luas e até na recolha e transporte de amostras do solo de Marte para a Terra. Trata-se de uma descoberta muito importante porque, nas missões espaciais, cada quilograma a mais se traduz em milhares de euros de despesa em combustível e energia. O sistema permite que seja possível recolher imagens de alta resolução com uma câmara de apenas um detetor e com apenas um pixel, sem qualquer tipo de varrimento ou batimento, o que torna a tecnologia leve. Outra vantagem do

INOVAÇÃO NO DIAGNÓSTICO DA INFEÇÃO LIGADA AO CANCRO

Um grupo de investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), em parceria com a University of Southern Denmark (SDU), desenvolveu um novo método que permite diagnosticar infeções microbianas diretamente no corpo humano, através de uma técnica não invasiva, que não necessita de recorrer a biópsias ou amostras de sangue como acontece atualmente. O trabalho dos investigadores permitiu desenvolver um diagnóstico em tempo real, capaz de detetar sequências específicas de ácidos nucleicos de microrganismos patogénicos a 37 graus centígrados e em condições semelhantes às encontradas no interior do corpo humano. O primeiro método, publicado recentemente na revista PLoS ONE, centrou-se na deteção da “Helicobacter pylori”, uma REVISTA VIVA, JUNHO 2014


U N I V E R S I D A D E

bactéria existente no estômago humano que é um fator de risco para o desenvolvimento de úlceras de estômago e cancro gástrico. Este estudo reveste-se da maior importância, na opinião de Nuno Azevedo, investigador da FEUP, uma vez que poderá ter um profundo impacto na forma como os diagnósticos das infeções microbianas serão efetuados no futuro, e, com isso, revolucionar uma parte importante da medicina. A Biomode S.A., uma spin-off portuguesa da área dos diagnósticos, demonstrou já interesse em acompanhar esta linha de investigação com vista à sua possível comercialização.

CIENTISTAS PORTUENSES AVALIAM AMEAÇAS AOS PARTOS A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) está a realizar, em parceria com o Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) e o Centro Materno Infantil do Norte, um estudo sobre as alterações oxidativas no sangue materno associadas à ameaça de parto pré-termo, uma das principais causas de mortalidade e morbilidade neonatal. É definido como parto pré-termo aquele que se inicia antes de completadas as 37 semanas de gravidez, fenómeno que ocorre em cerca de cinco a dez por cento das gravidezes. As principais causas associadas a este problema são as doenças inflamatórias intra e extra-uterinas, alterações anatómicas do útero, anomalias no colo uterino, gravidez múltipla, entre outras. No entanto, em trinta por cento dos casos não há uma causa determinada. O stress oxidativo é uma condição biológica em que ocorre desequilíbrio entre a produção de espécies reativas de oxigénio e a sua desintoxicação através

de sistemas biológicos que as removam ou reparem os danos por elas causados. Este fenómeno é responsável pela oxidação e disfunção de moléculas importantes que foram relacionadas com o risco de pré-termo da gestação, bem como de restrição de crescimento uterino e descolamento de placenta. Assim sendo, a equipa de investigação propôs-se a estudar indicadores séricos do estado de oxidação, como por exemplo as substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico, a carbonilação de proteínas séricas e o teor de dismútase de superóxido. Para além de aprofundar os conhecimentos sobre o comportamento normal destes indicadores com o aumento da idade gestacional e no início do trabalho de parto espontâneo a termo, este estudo pretende testar a sua aplicabilidade como preditores de partos pré-termo.


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Estratégias de ação Apesar das dificuldades financeiras enfrentadas pelo município, a autarquia de Vila Nova de Gaia conseguiu, depois de um inverno especialmente problemático, assegurar a conquista da Bandeira Azul em todas as suas praias, permitindo que os muncípies desfrutem dos dias quentes de verão com toda a normalidade. Texto: Mariana Albuquerque Foto: Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia

BANDEIRA AZUL VOLTA A COLORIR AS PRAIAS DE GAIA

Depois de um inverno rigoroso que causou destruição ao longo de vários quilómetros de frente de mar, o município de Vila Nova de Gaia conseguiu reorganizar a orla costeira a tempo da abertura da época balnear, esforço que lhe valeu a conquista da Bandeira Azul em todas as suas praias. Conseguir ostentar o galardão, símbolo europeu de qualidade ambiental, na totalidade dos areais do concelho tem, para o presidente da autarquia, Eduardo Vítor Rodrigues, um sabor especial. “É um grande orgulho porque, apesar de já ter acontecido anteriormente, a verdade é que, este ano, foi uma tarefa muito complicada, uma vez que tivemos o pior inverno dos últimos 80 anos e um processo de destruição assustador na orla marítima”, referiu, frisando que os prejuízos ascenderam aos dois milhões e meio de euros. “Até em concelhos com grande histórico de atribuição de bandeiras azuis houve perdas. Se, em Gaia, isso não se verificou, foi pelo facto de o município ter assumido atempadamente a intervenção necessária e os seus custos”, acrescentou, lamentando que o governo só tenha dado luz verde aos concursos públicos para as obras na segunda semana de maio. Segundo informou o responsável, foi necessário fazer obras “de betão” na zona de ciclovia e de passeio, reconstruir cerca de 13 quilómetros de passadiço e fazer a regularização de algumas zonas de confluência com as ribeiras. “Também assumimos do nosso orçamento, sem qualquer comparticipação, a construção REVISTA VIVA, JUNHO 2014


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das acessibilidades de praia específicas para os cidadãos com mobilidade reduzida. Pendente para o concurso público fica outra parte das acessibilidades, nomeadamente em zonas que não são concessionadas, e todo o trabalho de reconstrução dos regeneradores dunares”, informou. Ainda assim, para Eduardo Vítor Rodrigues, é importante salientar que, apesar do “esforço brutal” que a autarquia teve de fazer, “num momento muito difícil do ponto de vista financeiro”, não se limitou à reconstrução, apostando também “num trabalho de redesenho” dos circuitos de praia, numa vertente preventiva. “A erosão está a reposicionar os equipamentos e, se não o fizessemos e voltássemos a ter um inverno idêntico, ficaria tudo na mesma. Mais do que um processo de reconstrução tem de haver um processo inteligente de reconstrução”, defendeu.

MARÉS VIVAS: FESTIVAL QUE LEVA O NOME DA REGIÃO ALÉM-FRONTEIRAS

E, por falar em verão, ultimam-se, neste momento, os pormenores de mais uma edição do Meo Marés Vivas, que animará a praia do Cabedelo entre os dias 17 e 19 de julho, tendo como padrinhos os Xutos e Pontapés. Numa altura em que assinala 35 anos de carreira, a banda de rock estará de regresso ao palco do festival – onde atuou em 2011 – juntando-se a Skrillex, The Prodigy, Portishead, James Arthur e Joss Stone, num cartaz que Eduardo Vítor Rodrigues descreve como “aliciante”. Para o autarca de Vila Nova de Gaia, a aposta nos portugueses é, este ano, incontornável devido ao simbolismo do grupo no panorama musical nacional. “Vai ser um grande momento para todos. Esperamos um festival de grande sucesso e, para já, o nível de vendas está a ser superior ao do ano passado”, confirmou, defendendo que o Marés Vivas é, hoje, uma das iniciativas de verão “mais importantes do país”, que já se emancipou do ponto de vista da sua área de influência, atraindo milhares de pessoas a cada edição. “Trata-se de um evento que já corporiza muito uma marca de Vila Nova de Gaia

e que, como é óbvio, terá o apoio da autarquia”, assegurou, garantindo tratar-se de uma ótima oportunidade para mostrar que a iniciativa está acima de qualquer câmara ou presidente de câmara. “Devemos ter a virtude de apoiar o que de bem estava a ser feito antes do meu mandato”, sustentou. O cenário “paradisíaco” da Praia do Cabedelo mantém-se como espaço oficial do evento, com capacidade para receber 25 mil festivaleiros por dia, número que a organização considera ser o “ideal”. No arranque do Marés Vivas, a 17 de julho, o palco pertencerá não só aos padrinhos do festival mas também aos britânicos The Prodigy, banda de techno-pop eletrónico, considerada uma das maiores referências do big beat, que apresentará ao público o seu novo álbum, “How to Steal a Jet Fighter”. No dia seguinte, Skrillex e James são outros nomes em destaque no cartaz, igualmente marcado pela estreia, em Portugal, de James Arthur, cantor e músico vencedor da nona temporada do programa Factor X do Reino Unido. A 19 de julho, o palco do Cabedelo receberá dois nomes bem conhecidos do universo musical: os britânicos Portishead e Joss Stone, cantora e compositora inglesa de soul e R&B.


D E F E SA A N I M A L

PASSO A PASSO RUMO A UMA “CIDADE EDUCADORA”

Apesar de ter tomado posse numa altura em que o ano letivo já havia começado, a educação foi, desde logo, um dos setores que Eduardo Vítor Rodrigues assumiu com especial cuidado. Assim, em dezembro do ano passado, a autarquia decidiu iniciar um projeto de campo de férias escolares destinado ao 1.º e 2.º ciclos, garantindo a abertura das escolas, a tempo inteiro, durante os períodos de pausa letiva. A iniciativa foi repetida na Páscoa e vai ser igualmente desenvolvida nas férias de verão. “A Câmara de Gaia deixou de abrir as escolas para fornecer refeições nas férias, mas passa a incluir essas refeições num pacote de respostas lúdicas e pedagógicas que idealizou”, referiu o presidente. “Sabemos que, hoje, é pouco frequente ver pais com 30 dias seguidos de férias e, portanto, é preciso encontrar uma solução para a ocupação dos tempos livres dos miúdos”, realçou. Também a pensar na interrupção letiva de verão, a autarquia decidiu manter a sua parceria com a Universidade Júnior, atribuindo 200 bolsas que representam o passaporte para uma semana de diversão pedagógica nas diversas iniciativas promovidas pela Universidade do Porto, a partir de julho. Além disso, o município firmou protocolos com diferentes instituições a fim de alargar as ações lúdicas disponibilizadas às crianças. Através do acordo assinado com a Universidade do Porto, por exemplo, todas as escolas de Gaia poderão aceder, gratuitamente, ao Observatório

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REORGANIZAR O MUNICÍPIO E INTENSIFICAR O DIÁLOGO COM OS CONCELHOS VIZINHOS Entre os principais desafios da autarquia está também a preparação, em termos de estabilização financeira, do “grande momento que aí vem” – o próximo Quadro Comunitário de Apoio. Além disso, segundo afirmou Vítor Rodrigues, há que continuar a trabalhar na reorganização do município, na reestruturação da rede viária, na construção de alguns equipamentos desportivos e socioeducativos e nas questões do emprego. E para que a região norte consiga, efetivamente, lutar pelos seus objetivos, o autarca considera fundamental que continue a haver diálogo entre os municípios, tal como tem acontecido no âmbito da Frente Atlântica. Entre as principais vitórias conquistadas pela estrutura estão, segundo referiu, o reforço da RTP no Monte da Virgem e a organização concertada do São João pelas cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia. “Tudo isto é muito importante para que a região consiga dar um sinal de maturidade”, concluiu. Astronómico do Monte da Virgem, num contacto mais direto e emocionante com as ciências. Adicionalmente, está a ser criado o Gabinete de Apoio à Educação Inclusiva, que acompanhará pais de crianças portadoras de algum tipo de deficiência, apoiando-os no encaminhamento institucional necessário à formação dos miúdos. REVISTA VIVA, JUNHO 2014


M E T R O P O L I S

Afirmar a cidade além-fronteiras Matosinhos vai candidatar-se a Cidade Criativa da Unesco, em 2015, e a Capital da Cultura do Eixo Atlântico, em 2016, aproveitando a “explosão” de iniciativas que o concelho está a viver. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Francisco Teixeira (CMM)


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um momento em que, segundo defendeu o presidente da autarquia de Matosinhos, o essencial do concelho “já está feito”, é tempo de estabelecer prioridades e consolidar as estratégias de futuro. Gerar uma “profunda alteração” da perceção que as pessoas têm em relação ao município é, assim, uma das metas assumidas por Guilherme Pinto, cujos principais trunfos serão o mar, a cultura e a criatividade. Aliás, a autarquia já anunciou até que pretende avançar com a candidatura de Matosinhos a Cidade Criativa da Unesco, em 2015, e a Capital da Cultura

do Eixo Atlântico, em 2016. Objetivos que acredita atingir através da combinação das mais-valias do território e das suas gentes. “Em Matosinhos, o mar representa pesca, gastronomia, investigação científica – através da Universidade do Porto – e orla costeira, onde se celebra o lazer. Mas o mar também é surf e nós temos excelentes condições para sermos um ponto de referência desta prática desportiva”, assegurou, acrescentando que, agora, o desafio será o de aliar esta perceção sobre o mar a outros dois aspetos: “à criatividade e à cultura”. Umas das “revoluções” em curso no concelho é a da chamada

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Quadra Marítima de Matosinhos, que será tranformada, em breve, num centro urbano dedicado ao design, numa parceria da autarquia com a ESAD (Escola Superior de Artes e Design). Esta incubadora de empresas e de projetos tem, para já, assegurado o acolhimento de 30 empresas, ligadas à arquitetura, joalharia, design gráfico, moda, produção têxtil, vídeo e multimédia. A criação de um espaço de arte e design multidisciplinar e sustentado, capaz de qualificar setorialmente e de reforçar, a nível regional, nacional e internacional, a notoriedade de Matosinhos, servirá de rampa de candidatura à Rede de Cidades Criativas da Unesco, que REVISTA VIVA, JUNHO 2014


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não contempla, no momento, qualquer localidade portuguesa.

CEIIA ASSINALA REGRESSO DAS ATIVIDADES PRODUTIVAS A MATOSINHOS

Além das obras no espaço Quadra e da recuperação da antiga Real Companhia Vinícola, que irá acolher um Núcleo Museológico de Arquitetura, o município tem “em mãos” um vasto leque de investimentos. “A cidade está a explodir de iniciativas”, sublinhou o autarca, mencionando a inauguração do Centro de Investigação Aeronáutica do CEIIA, prevista para o final de junho. De acordo com o autarca independente, esta obra marca o regresso a Matosinhos de atividades que não são exclusivamente comerciais

ou habitacionais. “Uma das acusações que se faz ao presidente da câmara anterior – e que eu acho que é a única com algum fundamento – é que houve uma aposta demasiado forte no imobiliário residencial, sendo que até se excluiu uma das melhores empresas que tínhamos, de produção de penicilina”, referiu. Assim, para o presidente da câmara, o CEIIA assumirá um papel fundamental na medida em que representará “o regresso de atividades produtivas intensas a Matosinhos”. “Se associarmos ao CEIIA uma empresa de produção de software para computadores, que vai abrir portas ainda este ano, estaremos a reinstalar atividade produtiva no coração da cidade”, realçou. Dividido em dois edifícios, o centro de in-

vestigação terá quatro áreas de atividade: engenharia e desenvolvimento, realidade virtual, unidade de testes e “workshop/ pilot plant”, desenvolvendo estudos aeronáuticos, nomeadamente na vertente de investigação, fabrico de protótipos, ensaios e experimentação. De referir que, numa primeira fase, o equipamento vai empregar 200 pessoas, de diversas nacionalidades, estimando-se que, mais tarde, o número possa chegar aos 350.

AUTARQUIA DISTINGUIDA COM PRÉMIO MUNDIAL

Entretanto, a Câmara de Matosinhos foi distinguida com o prémio Special Achievement in GIS (2014), graças ao Sistema de Gestão e Informação Ambien-


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tal dos Espaços Classificados do Concelho. Financiado pelo Programa Operacional Regional do Norte – Eixo Prioritário III (Valorização e Qualificação Ambiental), este sistema destina-se essencialmente à conservação e valorização dos espaços naturais, através de uma plataforma online na qual estão concentradas todas as informações ambientais de Matosinhos. “O prémio corresponde a uma apreciação relativamente aos investimentos que temos vindo a fazer no domínio da informática, da simplificação de procedimentos. É um esforço muito consagrado já desde a Loja do Munícipe e, agora, temos um sistema que nos permite monitorizar os vários indicadores ambientais ao longo da costa, na questão da poluição

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FRENTE ATLÂNTICA RECEBE EUROPEU DE VELA 2015

No calendário dos grandes eventos está ainda a realização, nos municípios de Matosinhos, Porto e Vila Nova de Gaia, do Europeu de Vela 2015, prova que terá um mínimo de 120 embarcações (classe 49er), tripuladas por dois velejadores. A candidatura apresentada pela Frente Atlântica do Porto foi escolhida, recentemente, em detrimento das propostas lançadas por outras cidades europeias. “Tenho uma grande expectativa em relação à Frente Atlântica porque há um conjunto de projetos importantes, ligados à cultura, desporto, turismo e outras apostas de futuro, que ganham com esta relação entre os três concelhos. Por isso, este é apenas um primeiro sinal daquilo que é possível fazer em conjunto”, notou Guilherme Pinto. O autarca frisou ainda que este evento internacional se enquadra perfeitamente nas ambições de promoção do turismo da região e de Portugal. A competição decorrerá em julho do próximo ano e será a última grande prova da modalidade antes dos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. atmosférica, para que possamos tomar medidas em tempo real”, esclareceu o autarca. O galardão será entregue em ju-

lho, na Califórnia, no decorrer da “2014 Esri International User Conference”. REVISTA VIVA, JUNHO 2014


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A força da tradição nas Festas de S. Bento Fotos: Câmara de Santo Tirso

É uma romaria que chama à cidade milhares de visitantes e devotos de todos os cantos do país. Santo Tirso prepara-se para dar as boas-vindas à edição de 2014 das Festas de S. Bento, a mais importante celebração do município, durante a qual o sagrado e o profano andam harmoniosamente de mãos dadas. Motivações e crenças à parte, ninguém aceita passar ao lado da romaria mais importante de Santo Tirso, que decorrerá, este ano, entre os dias 10 e 13 de julho. De um lado estão os devotos/ peregrinos, que privilegiam a dimensão religiosa do evento, cumprindo as suas promessas em honra de São Bento. Do outro, os romeiros propriamente ditos, que aproveitam para desfrutar das mais de três dezenas de atividades lúdicas que compõem o programa da romaria. Cerimónias religiosas, concertos diários, animações de rua, torneios desportivos, encontros de grupos folclóricos e bandas filarmónicas, corridas de carrinhos de rolamentos, exposições de colecionismo e, claro, as tradicionais sessões de fogo-de-artifício são algumas das imagens de marca da comemoração.

DESPERTAR O CONVÍVIO ENTRE DIFERENTES GERAÇÕES

Aproximar os cidadãos (tirsenses ou visitantes)

da realidade social do concelho, promovendo a interação entre todas as gerações, é, de acordo com a autarquia de Santo Tirso, um dos objetivos da programação das Festas de S. Bento, adequada a todos os gostos e feitios. Assim, no arranque das festividades, a 10 de julho, será possível visitar, no Mercado Municipal, a exposição de colecionismo “S. Bento”, que reunirá os mais diversos objetos, desde miniaturas de automóveis a raras moedas graciosamente guardadas pelo tempo. Nesse dia, às 20h30, uma arruada de bombos promete animar as principais artérias tirsenses. Depois, pelas 22h30, a Praça 25 de Abril tem encontro marcado com a música, acolhendo o primeiro dos quatro concertos da celebração. Já na sexta-feira, 11 de julho, feriado municipal em Santo Tirso, as estradas começam bem cedo a encher-se de milhares de devotos, que rumam ao Mosteiro de S. Bento para cumprir as suas


SA N TO T I RSO

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MILHARES DE PEREGRINOS VENERAM S. BENTO

promessas. A partir das 9h00, um grupo de Zés P’reiras animará o coração da cidade. À tarde, o Parque D. Maria II receberá um encontro de folclore, que juntará dois grupos nacionais e a banda de gaitas de Celanova (Espanha). Mas o dia não terminará sem mais destaques musicais e uma sessão de fogo-de-artifício, pelas 24h00. Agendada para sábado, 12 de julho, às 9h00, está a tradicional Caminhada de S. Bento, durante a qual os participantes podem admirar as belas paisagens do concelho. Da parte da tarde, pelas 15h00, arrancará, no centro da cidade, a edição de 2014 da Milha Urbana de Santo Tirso, importante evento desportivo do município. A pensar nos mais pequenos, à mesma hora, o Parque D. Maria II será transformado num animado ateliê de pinturas faciais e de modelagem de balões. Mais tarde, a partir das 22h00, as atenções voltam a centrar-se na Praça do Município, com mais atuações musicais e fogo lançado sobre o rio Ave. No domingo, último dia das festividades, a tarde estará reservada à Corrida de Carrinhos de Rolamentos, agendada para as 14h30, na Rua da Ponte Velha, num misto de adrenalina e criatividade. Depois de um momento musical da responsabilidade da Banda de Música da Trofa, a tradição volta a cumprir-se com a realização da muito apreciada Noite de Fados, no Largo Abade Pedrosa, junto ao mosteiro, a partir das 22h30, pela voz do grupo “Alma de Coimbra”.

No dia 11 de julho, feriado municipal em Santo Tirso, milhares de peregrinos dirigem-se à Igreja Matriz para venerar S. Bento, “o advogado das coisas ruins e dos males desconhecidos”. Na verdade, a devoção a S. Bento é milenar. Segundo dita a tradição, as promessas devem ser pagas com cravos brancos, ovos ou sal, uma vez que o santo ficou conhecido por curar verrugas (ou “cravos”) e prestar auxílio em partos difíceis. Assim, a partir das quatro horas da madrugada, e numa forte mobilização de fé, milhares de caminhantes enchem as estradas nacionais e municipais rumo ao Mosteiro de S. Bento, para participar na primeira (6h30) das cinco missas agendadas para o dia 11 de julho. As restantes são celebradas às 8h00, 10h00, 12h00 e 19h00.

REFORÇAR OS LAÇOS INTERNACIONAIS

Por altura das Festas de S. Bento, Santo Tirso aproveita para reforçar a cooperação internacional, intensificando a aproximação aos municípios europeus com os quais mantém acordos de geminação, designadamente GrossUmstadt (Alemanha), Clichy (França), Celanova (Espanha) e Saint-Péray (França). O executivo municipal, presidido por Joaquim Couto, faz, assim, questão de enviar convites aos seus congéneres para que marquem presença nas tradicionais celebrações. Estes acordos de geminação têm funcionado como importantes instrumentos de ação na promoção internacional de Santo Tirso, em áreas como a economia, a cultura ou o turismo. Criar uma cidadania europeia mais participativa, que contribua para melhorar a qualidade de vida das populações e preservar uma herança cultural comum, é a grande meta da autarquia tirsense. REVISTA VIVA, JUNHO 2014


M E T R O P O L I S

Festas de Nossa Senhora da Saúde vão avançar Uma intervenção desenvolvida, em setembro, pela Câmara Municipal do Porto no Jardim de Arca d´Água ameaçou a continuidade da realização das históricas Festas de Nossa Senhora da Saúde. Ainda assim, a junta de freguesia de Paranhos conseguiu fazer com que a tradição continue a ser cumprida. Texto: Mariana Albuquerque Fotos: JFParanhos

Após alguns meses de dúvida em relação à concretização de uma das maiores tradições de Paranhos, já é possível afirmar, com toda a certeza, que a edição de 2014 das Festas em honra de Nossa Senhora da Saúde vai mesmo avançar. O palco do evento, as tradicionais barraquinhas e os divertimentos – que tantas pessoas atraem, todos os anos – não ficarão localizados exatamente nos sítios onde os cidadãos estão habituados a encontrá-los, mas a verdade é que, em agosto, uma vez mais, o Jardim de Arca d´Água vai acolher a celebração, que começou a ser realizada em 1887, fazendo parte da história da cidade do Porto. A realização das Festas de Paranhos esteve, este ano, ameaçada devido a uma intervenção efetuada naquele jardim, pela Câmara do Porto, que acabou por privá-lo das condições necessárias ao acolhimento de determinados eventos, como as Festas da Freguesia e a Feira Rural à Moda Antiga.

Ao longo dos últimos cinco anos, o presidente da junta de freguesia de Paranhos, Alberto Machado, apelou à autarquia que promovesse uma intervenção naquele local, sobretudo ao nível da reparação do pavimento, reforço de iluminação, poda de árvores e colocação de alguns equipamentos para crianças, nomeadamente baloiços e escorregas. Ainda assim, segundo referiu o autarca, a câmara “não se mostrou disponível” para a dinamização das referidas obras, tendo, entretanto, apresentado um projeto “que nada tinha a ver com o que havia sido pedido”. Apesar dos argumentos apresentados pela junta de Paranhos, a intervenção acabou mesmo por avançar, diminuindo o espaço de circulação das pessoas e aumentando as zonas de jardim da simbólica praça portuense. De acordo com o presidente da junta, para além de retirarem espaço de circulação aos cidadãos, as obras não melhoraram o pavimento, “que se


PA RA N H OS

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OUTRORA FESTAS DA CIDADE

Realizadas a partir do ano de 1887, as Festas em honra de Nossa Senhora da Saúde eram de tal forma importantes que foram consideradas as Festas da Cidade, pintando de alegria toda a zona do Campo Lindo. Nessa altura, os festejos prolongavam-se durante oito dias, atraindo muitos forasteiros à freguesia, não só da cidade, mas de outras terras das redondezas. Entretanto, ao longo dos anos, a celebração foi perdendo visibilidade e acabou por ser realizada apenas quando havia comissão de festas ativa. No entanto, há mais de três décadas, a junta de Paranhos decidiu dar novo fôlego à tradição, juntando-se à organização das festas da freguesia que, hoje, fazem as delícias de miúdos e graúdos, incapazes de resistir ao delicioso aroma a farturas quentinhas.

mantém degradado” e “não reforçaram a débil iluminação do jardim”. Alberto Machado lamentou também os materiais usados na empreitada (cimento, cubos de granito e anéis de cimento), que foram misturados com o asfalto existente, “causando um impacto visual desagradável” a quem se passeia pelo jardim. “A estética conferida pelos canteiros de ângulos agudos fortes alterou as características românticas que davam alma a este espaço”, sublinhou. Por outro lado, a eliminação das cantoneiras em granito, que rodeavam e limitavam os jardins, permitiu que as águas pluviais deixassem de encontrar barreira. Assim, quando chove, escorrem livremente para a Rua do Amial, que inunda facilmente, causando constrangimentos mais frequentes a todos os moradores e transeuntes.

CELEBRAÇÃO ASSUME NOVOS MOLDES Mediante as alterações que o Jardim de Arca de Água sofreu na sequência da intervenção, Alberto Machado procurou sensibilizar o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, para a importância das festividades em risco. Reposicionar o evento noutro local era, desde logo, uma hipótese a descartar, uma vez que, para além de arruinar uma tradição celebrada, há anos, no Jardim de Arca de Água e no Largo

do Campo Lindo, nas imediações da Capela de Nossa Senhora da Saúde, iria também ter como consequência a oposição dos próprios feirantes, que optariam por não se deslocar a Paranhos, se a Festa alterasse a sua localização. O apelo da junta de freguesia acabou por ser acolhido positivamente pelo autarca, que deu luz verde às Festas em honra de Nossa Senhora da Saúde. As festividades vão, por isso, ser ajustadas, dentro do possível, ao jardim intervencionado, sendo que haverá ainda uma rua cortada ao trânsito, junto à Ordem dos Médicos, onde deverão ser colocados os equipamentos de diversão de maiores dimensões. O palco, que habitualmente era montado no meio do jardim, terá outro posicionamento, assim como as tradicionais barraquinhas. O desafio lançado aos cidadãos, esse, é simples: que consigam desfrutar, de igual forma, do espírito da festa, que vai iniciar agora uma nova etapa, fruto dos condicionalismos de espaço que lhe foram impostos. Quanto à junta de freguesia, Alberto Machado espera que “a câmara municipal possa reconsiderar e o jardim volte a ter a configuração que tinha antes da intervenção”. De resto, apesar dos contrangimentos, o autarca considera que “o importante é que as pessoas possam manter a ligação afetivo-cultural às Festas de Nossa Senhora da Saúde, em Paranhos”. REVISTA VIVA, JUNHO 2014


H U M O R

Carneiro

Touro

Gémeos

21/03 a 20/04

21/04 a 20/05

21/05 a 20/06

Ligue ao seu melhor amigo de uma cabine usando sotaque ucraniano, diga que tem frio e desligue. Coma beringelas com presunto e amendoins sem sal.

Leia “Os Lusíadas”, todas as Adote um cão peludo. Aprenda manhãs, com uma toalha na a dançar valsa e não use roupa cabeça. Descubra o nome da interior aos sábados. Cuidado vizinha de cima e ofereça-lhe uma com as alergias! libelinha em gaiola prateada.

Caranguejo

Leão

21/06 a 22/07

23/07 a 22/08

Virgem 23/08 a 22/09

Pinte a sala de verde, o quarto de laranja e a cozinha de azul. Use mais a batedeira e ouça funk brasileiro em rádio de pilhas.

Jogue ao berlinde com o seu amigo mais novo. Compre uma flor e ofereça-a ao empregado de mesa do café mais próximo. Evite vinho rosé em copo balão.

Lave o cabelo com óleo de fritar. Não escove os dentes durante uma semana. Coma cebolas e alho em pó. Emigre para o Camboja.

Balança

Escorpião

Sagitário

23/09 a 22/10

23/10 a 21/11

22/11 a 21/12

Respire dúzias de balões Decore a tabuada do 73. Agrafe todas Ande de metro com um vestido com hélio. Destrua todos os as folhas que tem em casa e coma de lantejoulas. Mande um comandos que tem em casa. Vá um quilo de feijão frade, todos os telegrama ao dentista. Pisque os mais vezes ao supermercado dias, durante três semanas. Não abra olhos muito rápido e bata palmas e compre pilhas. as janelas por causa do pó. devagar até ficar cansado.

Capricórnio

Aquário

22/12 a 19/01

20/01 a 18/02

Peixes 19/02 a 20/03

Aprenda todas as capitais dos países africanos. Inscreva-se na Força Aérea e esconda todos os talheres que tem em casa.

Salte de paraquedas. Rape o cabelo, mas só do seu lado direito. Use rímel e tatue um porco espinho no joelho.

Experimente comer uma lata de comida de gato pela palhinha. Ande descalço aos domingos e, pela sua saúde, não fume coentros.


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C R Ó N I C A

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Hugo Sousa

Comediante de stand up

Antes de mais, quero agradecer à revista Viva o convite para escrever uma crónica nesta prezada edição, embora fizesse mais sentido usá-la para pôr uma senhora sem roupa ao estilo dos pósteres dos anos 80, que os camionistas exibiam na sua cabine. Mas ok. Estes pósteres fizeram parte de uma geração. Lembro-me que, nessa altura, não era uma prática exclusiva dos camionistas. Era extensível a sapateiros. Durante os meus quatro anos da primária (sim, juro que acabei em 4 anos!) na escola 37, percorria a rua de Costa Cabral todos os dias e passava pela loja de um sapateiro. Ele tinha um póster de uma professora com uma saia curta, decote e um quadro de xisto com a tabuada dos 6. Eu, como andava na 4.ª classe (equivalente ao 4.º ano nos dias de hoje) e estava prestes a mudar para um mundo novo (o equivalente ao 5.º ano nos dias de hoje), lembro-me de olhar para o póster da professora e pensar: “O sapateiro das duas, uma… Ou não sabe a tabuada dos 6 ou ficou mesmo com saudades da professora da primária.” Cheguei a casa e contei ao meu pai. Ele perguntou se eu também não iria ter saudades se a pessoa que me dá aulas todos os dias usasse aquela saia e aquele decote. Eu, sinceramente, acho que não. Até porque tinha um professor. A rua de Costa Cabral foi a rua mais importante da minha infância. Para além de ser a rua da minha escola, era a rua do clube onde comecei a praticar desporto: o Académico Futebol Clube. A minha primeira investida foi no “desporto em patins” quando tinha 6 anos. Eu chamo-lhe “desporto em patins” porque o nome que lhe davam na altura era “patinagem” (equivalente a “rabichice” nos dias de hoje) . Eu perguntava: “Mas posso dizer que ando no hóquei?” E respondiam-me: “Não. Só podes dizer que andas no hóquei quando começares a jogar hóquei.” E isto não era muito confortável porque eu não tinha certezas de que aquilo me pudesse efetivamente levar ao hóquei. Isto porque o meu treinador da patinagem tinha os seus 20 anos e patinava muito bem. Dava piruetas no ar, rodava sobre si próprio, usava calças de licra muito justas, sabia fazer coreografias ao

som de musica clássica e andava muito com os cotovelos junto ao corpo. Meus amigos, isto é um facto: eu nunca o vi treinar com a equipa de hóquei!! Na altura pensava: “Se aquele patina assim e não chega à equipa, estou feito ao bife! Nunca vou chegar ao hóquei!” Mais tarde, aos 12 anos, na mesma instituição desportiva e a convite de um amigo da escola, entrei para o basquetebol. E aqui, devo confessar, senti-me em casa. Senti-me em casa porque quando estou em casa passo muito tempo sentado e era exatamente o que acontecia nos jogos. Hoje em dia, percebo a opção do treinador porque, com 12 anos, já media 1,76 e não era responsável pelos meus próprios movimentos. Pôr-me em campo era como soltar uma girafa assustada numa feira. Por um lado era bom porque os adversários fugiam de mim, por outro lado era mau porque os meus companheiros de equipa fugiam de mim. Para o caro leitor ter uma ideia do nível da minha descoordenação, uma vez, sem querer, com um movimento brusco, abri a cabeça a dois ao mesmo tempo. E estava no balneário. Mas com a ajuda do meu treinador da altura (grande Hóracio!) lá consegui evoluir e atingir um bom nível de competição no basquetebol. Na altura tinha o cabelo comprido e cheguei a ser capitão de equipa. Como usava uma fita, o meu treinador dizia que eu era o único capitão de equipa que ele conhecia que usava a braçadeira na cabeça. E eu orgulhava-me disso. Aliás, tinha muito estilo e muita gente me dava valor. Uma vez até pediram para tirar uma fotografia pelo facto de ser tão bonito. Foi o treinador da patinagem.


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