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editorial J O S É A. S I LV A

O país das trapalhadas Num país da Europa, em princípio civilizado e de primeiro mundo, um cidadão inglês demandou um bonito aeroporto e, porque precisava de se deslocar alugou um carro. Sem o saber meteu-se numa carga de trabalhos... É que o país em causa era Portugal e o aeroporto o de Sá Carneiro, na Área Metropolitana do Porto... O tempo até ajudou, uma viagem pelo Norte além de necessária pareceu-lhe apetecível, tudo aparentemente correu bem até que, quando os dias de trabalho e lazer acabaram e havia que regressar a casa, na hora de devolver a viatura tentou pagar as portagens electrónicas que na viagem tinha ativado, nas ex-SCUT. ”Que sim, que era fácil, era só ir a uma estação dos correios e já estava”, asseguraram-lhe. Que não, lamentaram nos correios, pois o quantitativo das portagens apenas estaria disponível para pagamento quarenta e oito horas depois da passagem nas ditas portagens, ou seja já o nosso amigo estaria de regresso a casa. Cumpridor, e algo temeroso de eventual penalização, pediu a amigos portugueses que fizessem o tal pagamento, decorridos os “obrigatórios” dois dias após ter passado nos pórticos das ex-SCUT. O problema é que, além do pagamento dos três dias de portagens, os correios portugueses exigiram-lhe que fossem igualmente liquidadas outras 20 passagens efectuadas pela mesma viatura em dias anteriores. O desfecho deste caso kafkiano está bem expresso no desabafo da “vitima” desta tragicomédia, em mail enviado à Câmara do Porto que o jornal Público transcreveu: “O Porto não é um lugar ideal para se visitar e muitos, simplesmente, não irão incomodarse a voltar!”. Outras vítimas destas trapalhadas foram os nossos vizinhos da Galiza que foram obrigados a alugar um dispositivo para circularem nas nossas ex-SCUT com a “estranha” particularidade de, inicialmente, não saberem e não terem onde os encontrar! Tarde, e a más horas, muitos dias depois, o Governo português lá foi emendando a mão e, com muitas hesitações foi multiplicando, cá e na Galiza, os pontos de venda do dito aparelho. Foi notória a contestação dos automobilistas espanhóis, que se viram confrontados com a obrigatoriedade de alugar o “chip” de matrícula, por 27 euros, e a carregá-lo com 50 ou 100 euros, consoante se tratasse de um ligeiro ou de um pesado.Texto: Sofia Ferreira Fotos:apeCMG A contestação subiu de tom quando foram informados que estes carregamentos nas eram válidos para três meses, perdendo os automobilistas estrangeiros os eventuais saldos que tivessem quando aquele período expirasse. Por causa de tudo isto associações empresariais da Galiza chegaram mesmo a apresentar uma queixa a Bruxelas, por discordarem deste sistema... Mas que grande propaganda para o turismo em Portugal, nomeadamente nas já tão sacrificadas terras do Norte... Estas trapalhadas “até se compreendem” se nos lembramos que o ministro que tutela o sector e um seu secretário de estado leram o mesmo discurso, na mesma cerimónia, intervalado de poucas horas... 2

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editorial J O S É A. S I LV A

O país das trapalhadas Num país da Europa, em princípio civilizado e de primeiro mundo, um cidadão inglês demandou um bonito aeroporto e, porque precisava de se deslocar alugou um carro. Sem o saber meteu-se numa carga de trabalhos... É que o país em causa era Portugal e o aeroporto o de Sá Carneiro, na Área Metropolitana do Porto... O tempo até ajudou, uma viagem pelo Norte além de necessária pareceu-lhe apetecível, tudo aparentemente correu bem até que, quando os dias de trabalho e lazer acabaram e havia que regressar a casa, na hora de devolver a viatura tentou pagar as portagens electrónicas que na viagem tinha ativado, nas ex-SCUT. ”Que sim, que era fácil, era só ir a uma estação dos correios e já estava”, asseguraram-lhe. Que não, lamentaram nos correios, pois o quantitativo das portagens apenas estaria disponível para pagamento quarenta e oito horas depois da passagem nas ditas portagens, ou seja já o nosso amigo estaria de regresso a casa. Cumpridor, e algo temeroso de eventual penalização, pediu a amigos portugueses que fizessem o tal pagamento, decorridos os “obrigatórios” dois dias após ter passado nos pórticos das ex-SCUT. O problema é que, além do pagamento dos três dias de portagens, os correios portugueses exigiram-lhe que fossem igualmente liquidadas outras 20 passagens efectuadas pela mesma viatura em dias anteriores. O desfecho deste caso kafkiano está bem expresso no desabafo da “vitima” desta tragicomédia, em mail enviado à Câmara do Porto que o jornal Público transcreveu: “O Porto não é um lugar ideal para se visitar e muitos, simplesmente, não irão incomodarse a voltar!”. Outras vítimas destas trapalhadas foram os nossos vizinhos da Galiza que foram obrigados a alugar um dispositivo para circularem nas nossas ex-SCUT com a “estranha” particularidade de, inicialmente, não saberem e não terem onde os encontrar! Tarde, e a más horas, muitos dias depois, o Governo português lá foi emendando a mão e, com muitas hesitações foi multiplicando, cá e na Galiza, os pontos de venda do dito aparelho. Foi notória a contestação dos automobilistas espanhóis, que se viram confrontados com a obrigatoriedade de alugar o “chip” de matrícula, por 27 euros, e a carregá-lo com 50 ou 100 euros, consoante se tratasse de um ligeiro ou de um pesado.Texto: Sofia Ferreira Fotos:apeCMG A contestação subiu de tom quando foram informados que estes carregamentos nas eram válidos para três meses, perdendo os automobilistas estrangeiros os eventuais saldos que tivessem quando aquele período expirasse. Por causa de tudo isto associações empresariais da Galiza chegaram mesmo a apresentar uma queixa a Bruxelas, por discordarem deste sistema... Mas que grande propaganda para o turismo em Portugal, nomeadamente nas já tão sacrificadas terras do Norte... Estas trapalhadas “até se compreendem” se nos lembramos que o ministro que tutela o sector e um seu secretário de estado leram o mesmo discurso, na mesma cerimónia, intervalado de poucas horas... 2

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sumário Editorial ............................................................................................... 3 Protagonista: Isabel Pires de Lima ..................................................... 6 Música: Mind da Gap ....................................................................... 12 Propriedade de: ADVICE – Comunicação e Imagem Unipessoal, Lda. Sede da redacção: Rua do Almada, 152 - 2.º – 4050-031 Porto NIPC: 504245732 Tel.: 22 339 47 50 – Fax: 22 339 47 54 adviceporto@mail.telepac.pt adviceredaccao@mail.telepac.pt www.viva-porto.pt

Reportagem: Circo ........................................................................... 16 Moda: Novas tendências de joalharia .............................................. 22 Publireportagem: Sotinco ................................................................ 26 Figura: Álvaro Parente ....................................................................... 30 Percursos: Sé ................................................................................... 34 Universidade: Um século de ensino e investigação .......................... 38 Galiza: Outono de sabores ............................................................... 42 Momentos: ...................................................................................... 48

Director Eduardo Pinto

Um dia com...: Corpo de intervenção (PSP) ................................... 56

Editor José A. Silva Redacção Marta Almeida Carvalho Mariana Albuquerque

Águas do Porto: Redução de custos vale prémio ........................... 62 Stockmarket: Stockmarket solidário .............................................. 64 Portuguese Fashion News: Salão náutico levou debate à alfandega . 65

Fotografia Virgínia Ferreira

Iniciativas: CIN ................................................................................ 66

Marketing e Publicidade Eduardo João Pinto Célia Teixeira

Memórias: Ponte Pensil .................................................................... 70 Televisão: Porto Canal ...................................................................... 74 Actualidade: Gastronomia nacional além-fronteiras ......................... 78

Reportagem

Outlet: .............................................................................................. 79

Circo

Saúde: Tratamentos caseiros gripe ................................................... 80 Porto Vivo, SRU: Reabilitação Urbana ............................................ 82 Através dos tempos: Obelisco da memória ................................... 86

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Música

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Mind da Gap

Produção Gráfica Ricardo Nogueira Pré-impressão Xis e Érre, Estúdio Gráfico, Lda. Impressão, Multiponto Acabamentos Rafael, Valente e Embalagem & Mota, S.A. R. D. João IV, 691-700 4000-299 Porto

Natal: ................................................................................................ 90 Famalicão: Ecopista liga Famalicão à Póvoa ................................ 92 Infogás: Aquecimento de ambiente ................................................ 98

Distribuição Mediapost

Portofólio: ...................................................................................... 102 Junta Metropolitana do Porto: Projectos polémicos .................. 104

Tiragem 140.000 global exemplares

Área Metropolitana do Porto

Revista trimestral gratuita

Porto: Política de proximidade ..................................................... 108

Registado no ICS com o n.º 124969 Membro da APCT

Gondomar: Apostar no futuro ......................................................... 114 Sugestões Culturais: ...................................................................... 118 Um dia Com...

Autarquias

Corpo de intervenção (PSP)

Campanhã: Escola Básica e Secundária do Cerco do Porto ............ 120

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Depósito Legal n.º 250158/06 Direitos reservados

Lordelo do Ouro: Zelar pelos cidadãos .......................................... 122 Nevogilde: Monumento de interesse público .................................. 124 Paranhos: Compromisso social ...................................................... 126 Passatempos. ................................................................................. 128 Crónica: Ribeira negra, agora sim! ................................................. 130 4

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Figura Álvaro Parente 5


isabel pires de lima

protagonista

“O humor é fundamental na vida e, sobretudo, na política”. É assim que Isabel Pires de Lima caracteriza a sua forma de viver. Natural de Braga, a exdeputada e ex-ministra da Cultura considera-se uma “portuense por convicção”. Adepta do bairrismo, que marca a diferença da estandardização, confessa sentir-se já mais portuense do que bracarense, sublinhando, com a boa disposição que a caracteriza, que até diz alguns “palavrões à boa moda do Porto”.

Portuense por convicção Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Ivo Pereira

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Professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e membro do conselho cultural do FC Porto, Isabel Pires de Lima destacou-se no papel de ministra da Cultura do anterior governo, onde geriu dossiês de vital importância para a vida cultural do país, nomeadamente o da Casa da Música e o do Museu-Colecção Berardo. Nasceu em Braga, onde viveu até aos 17 anos, altura em que se «transferiu» para o Porto para tirar o curso de Filologia Românica na FLUP. A integração não foi difícil e dos seus tempos de faculdade recorda as tertúlias nos cafés, os movimentos culturais e uma relação de grande proximidade dos

estudantes universitários com os professores. “Hoje sinto-me mais portuense do que bracarense”, confessa, destacando o carácter genuíno da cidade e dos seus habitantes. “Agrada-me o facto de o Porto ser uma grande cidade em termos de personalidade e pequena em espaço físico. Apesar da dimensão tem ainda um carácter muito humano”, sublinha. “Tem uma luz particularmente bonita, especialmente a névoa, que se enquadra na perfeição com o granito da arquitectura patrimonial”, refere, destacando igualmente o rio como um ex-libris. Tem um carinho especial por Serralves e pelo Centro Português de Fotografia – que considera um espaço fantástico 7


isabel pires de lima

protagonista por estar situado na antiga Cadeia da Relação - e agrada-lhe particularmente a Baixa e o centro histórico. “Gosto muito de ir às tasquinhas da zona histórica. São absolutamente maravilhosas”. Para a ex-ministra, o bairrismo ainda é uma virtude. “Numa altura em que a tendência é de estandardizar, o Porto mantém uma identidade distinta que se afirma pela diferença”. São as pessoas que dão vida à cidade e nos portuenses distingue características que lhes são inerentes. “Para além do seu léxico muito próprio, são acolhedores, abrem facilmente as portas de casa aos amigos, são sinceros, genuínos e bem-humorados”, diz, salientando que o humor é fundamental na vida. “A vida sem humor deve tornar-se muito chata”, refere, divertida, confessando que por vezes também lhe saem alguns palavrões à boa moda do Porto. “Ainda que seja uma cidade mais pequena, comparativamente a Lisboa, tendo piores empregos, piores salários e menos equipamentos, penso que temos melhor qualidade de vida. Estamos mais próximos da família e dos amigos”, sublinha. Adepta do exercício físico, gosta de fazer caminhadas à beira-rio e mar, ver exposições, cozinhar e conviver com os amigos. Das Letras à política A literatura e as artes visuais, sobretudo pintura e fotografia, são os domínios que mais aprecia. Licenciada em Filologia Românica, com o doutoramento em Literatura Portuguesa, na vertente do romance do século XIX, mais propriamente sobre Eça de Queirós, Isabel Pires de Lima soube, desde muito jovem, o que não queria seguir. “Medicina estava fora de questão e literaturas anglo-saxónicas também”, mas hesitou entre as românicas e as ciências sociais. “Hoje, a literatura faz parte da minha vida, é indissociável”, garante. Apesar de nunca ter sido uma militante acérrima – pertenceu ao Partido Comunista nos anos 70 e 80 e nunca esteve, nem está, filiada no PS - a política entrou muito cedo na sua vida. “Em minha casa sempre se falou abertamente de política e de religião mesmo nos tempos em que não se podia“. Os pais eram politizados, particularmente o pai, ateu e republicano convicto. “Frequentou a Universidade de Coimbra nos anos 40 e conviveu com diversas correntes de 8

contestação ideológica e cultural ao Estado Novo”. Com o 25 de Abril de 74, a intervenção política passou a fazer parte do quotidiano. “Para a minha geração, que viveu o 25 de Abril com 21 anos, era impensável declinarmos responsabilidades relativamente à vida política”, refere, sublinhando que

vê, com muita pena, elementos dessa geração demitirem-se, hoje, do exercício da cidadania e terem, tendencialmente, educado os filhos numa alienação relativamente ao conceito de «comunidade». Em 1974 entrou para a FLUP como assistente e a vida académica sempre a fez manter um contacto estreito com a política, tendo procurado estabelecer uma relação entre o trabalho e a vida da cidade. Foi desta circunstância, e do facto de ter sido deputada, que mais tarde surgiu o convite para integrar as listas de deputados. “Narciso Miranda era presidente da distrital do PS/Porto e perguntou-me se estaria disponível para uma conversa. Pensei que me iriam convidar para ser mandatária de qualquer coisa”, conta, admitindo que acabou por apanhar “um susto”. “Um convite para integrar as listas nunca me tinha passado pela cabeça”, admite. Declinou o convite mas, nos dias seguintes, o PS acabou por estabelecer um cerco à sua volta, ao que acedeu. Na sequência desta passagem de cinco anos pelo Parlamento, foi o próprio José Sócrates que a convidou para integrar o executivo, como independente, com a pasta da Cultura. “Foi uma surpresa ainda maior do que a primeira já que não tinha com ele nenhuma relação estreita. Por vezes falávamos 9


isabel pires de lima

protagonista

de poesia mas nada mais”, confessa. “Tive um momento de hesitação, o pânico só veio depois”, refere com humor. Desafio de cidadania Depois da hesitação resolveu aceitar aquilo que sentiu como um “desafio de cidadania”. Foi um dos elementos mais populares do governo, como as sondagens o demonstraram, e protagonista de algumas decisões que originaram momentos fulcrais no campo cultural. “O arranque da Fundação Casa da Música, o acordo para fixar a Colecção Berardo em Portugal e a constituição do Museu do Douro, que se arrastava há décadas, trouxeram a cultura para a ordem do dia”, salienta. O Plano de Reforma da Administração Central do Estado (PRACE) que foi posto em prática no seu ministério também serviu para lhe dar alguma visibilidade. “A reforma implicou incómodo em alguns sectores e, ao mexer com as corporações, os jornais interessam-se por nós”, refere, salientando que, geralmente, os ministros da Cultura não têm peso político, fruto da sua “insignificância orçamental”. Foi uma gestão difícil, sobretudo pelo orçamento reduzido de um ministério tão abrangente. “Orgulho-me da forma como o geri, embora as 10

verbas sempre tivessem obrigado a grandes contenções e sempre no fio-da-navalha”, sustenta. O desempenho de um cargo no poder autárquico jamais lhe passou pela cabeça mas “em política não se pode dizer nunca”. E, se pudesse, o que faria já pela cultura do Porto? “Abria um concurso público para a gestão do teatro Rivoli”, admite, salientando que não é o facto de ser gerido por uma entidade privada que a preocupa já que essa é uma opção camarária perfeitamente legítima. “O que não acho legítimo é entregá-lo a uma gestão que nos dá sempre mais do mesmo. Um teatro municipal não pode ser monolítico na oferta cultural”, garante. Q

Discurso directo Um lugar – Por to da Cruz (Madeira) Uma viagem de sonho – Deserto de Atacama (Chile) Um livro – O próximo Uma música – Variações Golderg (Bach) Um filme inesquecível – E La Nave Va (Federico Fellini) Um projecto inadiável – Publicar um livro Clube – FC Por to Uma figura – Eugénio de Andrade Porto – Granito 11


mdg

música

Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: MDG/AT

Míticos do hip-hop português

«Beats» à Mind Da Gap Os incontornáveis Mind Da Gap estão de volta ao panorama musical, com o seu quinto álbum de originais. «A Essência», um disco que faz estremecer a cena hip-hop, está recheado de saborosos beats e reúne uma série de temas “interventivos”. Os rappers Ace, Presto e Serial, para quem o coração bate ao ritmo do hip-hop, estão de volta com um registo que se assemelha a um «regresso às raízes». Um beat à Mind Da Gap. 12

Mestres consumados da rima e da batida, os Mind Da Gap são como o vinho do Douro: à medida que o tempo passa vão ganhando características próprias. É assim que definem os 17 anos de carreira da banda, uma das pioneiras da cena hip-hop nacional. O início não foi fácil já que sofreram “estranheza” por parte do público, dos media e das produtoras, numa altura em que o género não era popular no país. Mas

à medida que a popularidade do rap aumentava, principalmente nos Estados Unidos onde nasceu, as poucas bandas nacionais foram-se afirmando, novos projectos foram sendo criados e hoje o hip-hop já faz parte do universo musical português. Os Mind Da Gap transformaram-se numa banda mítica, sendo a única de grande dimensão originária do Porto. “O rap já esteve na moda mas muitas das pessoas que ade13


mdg

música

riram ao género dispersaram e agora está a voltar aos verdadeiros apreciadores”, sublinham os elementos da banda cujo nome surgiu de uma observação de um amigo para que tivessem cuidado com um degrau - «mind the gap». “Esta expressão é utilizada no metro de Londres e alerta para uma atenção ao espaço existente entre as carruagens e a plataforma de embarque”, explicam. Quatro álbuns depois surge «A Essência», um disco que reforça a maturidade da banda e que conta com a habitual mestria de Serial na produção e os «ataques» verbais dos MC’s Ace e Presto. “Este disco é mais parecido com o que fazíamos no início. É mais cru, as músicas são mais políticas, mais interventivas e daí a alusão à essência”, explicam. Este não foi um factor premeditado já que o processo de criação surgiu, como habitualmente, de uma certa espontaneidade e não de forma intencional. “Nada no nosso processo criativo é intencional, surgindo,

Discografia 1995 1996 1997 2000 2002 2006 2008 2010 14

– «Mind Da Gap» (EP) - «Flexogravity» (EP com Blind Zero) - «Sem Cerimónias» - «A Verdade» - «Suspeitos do Costume» - «Edição Ilimitada» – «Matéria Prima (1997-2007)» - «A Essência»

geralmente, com grande naturalidade e nunca nos preocupamos com o que é politicamente correcto ou incorrecto”, sublinham, reforçando um certo «free speach». O álbum reúne, no entanto, uma eclética selecção de temas que vão desde a simples diversão à mais pura introspecção. «Invictismo» “Não é difícil adaptar a língua portuguesa ao hiphop”, garantem os MC`s, salientando a inspiração que o Porto lhes dá nas suas criações. “O Porto é uma cidade musical e uma das que mais bandas produz”, garantem. «Invicta» é um tema já antigo que dedicaram à cidade e que gostam de tocar ao vivo. “Sentimos o Porto quando tocamos este tema mas dizemos às pessoas que não são de cá que o podem adaptar à sua própria cidade”. Dão muitos espectáculos ao vivo, um pouco por todo o país, mas têm um sonho: actuar no Estádio do Dragão. “Para nós é um local mítico, adorávamos tocar lá”. E nada melhor do que uma banda portuense para animar alguns momentos num estádio também ele tripeiro, à dimensão internacional. Com «A Essência» e um espírito próprio que os caracteriza, os MDG viram uma página na sua carreira e acrescentam outra na história do hip-hop em português. A tríade nuclear está de volta. Melhor é quase impossível. Q 15


circo

reportagem O circo é um lugar mágico que nos remete para a infância e que, geralmente, se associa à época de Natal. Constituído por artistas que percorrem o país na incessante procura de uma plateia, os mestres circenses fazem das arenas e dos auditórios as suas casas, partilham artes e juram não trocar por nada o estilo de vida que escolheram seguir. “Senhoras e senhores, meninos e meninas” ...bem-vindos às tendas da magia.

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Magia na arena

Texto: Mariana Albuquerque/Marta Almeida Carvalho Fotos: Chen/Trupilariante

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circo

reportagem

A caravana passa, solta-se uma voz a anunciar, em tom ritmado, a data e local do encontro e, ao som da música que nos remete para os trambolhões de uma figura de nariz vermelho, fica a certeza: o circo chegou. A magia do chapiteau mal amanhado, onde as pessoas são recebidas com tapete vermelho, torna-se maior no Natal, com números preparados especialmente para a época. Entre gargalhadas e diversas emoções, o circo é apreciado por adultos e crianças. E durante o ano, onde se escondem os ilusionistas, palhaços, domadores, cuspidores de fogo e trapezistas salta-pocinhas? A vida no circo é efémera. Os artistas chegam, montam a arena e quando o público já se está a habituar aos cartazes coloridos e ao barulho dos animais, tudo desaparece. Com a alegria e o esforço diário na bagagem, as trupes não desistem de procurar um território que as receba de braços abertos. Talvez lhes esteja no sangue ou seja apenas uma forma de estar na vida. A verdade é que os artistas de circo afirmam não trocar a sua profissão por qualquer outra. “Faço o que gosto e o melhor que sei”, afirma Miguel Chen, director do circo que adquiriu o nome da família. Criado em 1981, o Circo Chen tem capacidade para três mil pessoas “comodamente sentadas” e já é conhecido além-fronteiras. O número de artistas que o compõe varia ao longo do ano, oscilando entre os 20 e os 40 elementos. Filho de mãe portuguesa e de pai chi18

nês, Miguel Chen não tem dúvidas de que o sonho de qualquer artista é “criar um circo”. Com o mesmo amor pelas artes circenses, mas uma filosofia diferente de apresentação dos espectáculos surgiu, em 1997, a Trupilariante, companhia dedicada ao circo contemporâneo. No início, os 13 artistas apresentavam as suas performances em jardins públicos, actu-

ando, agora, em espaços variados, com uma programação definida que está a conquistar cada vez mais o público português. Vidas flutuantes De poucas palavras e muita acção, os Chen já não conseguem viver no mesmo sítio durante muito tem19


circo

reportagem gramação regular como a de uma companhia teatral, e que a sua itinerância está ligada às actuações que fazem por todo o país. Duelo ou complementaridade

po. “A itinerância faz parte da nossa vida e não saberíamos viver de outra forma”, confessou Miguel Chen. Há um momento de incerteza que afecta toda a companhia antes de cada espectáculo: aquele em que se aguarda a chegada do público. “Aqui morre-se” é a frase que ninguém quer ouvir, já que descreve as “más terras”, onde o público não é suficiente para gerar lucro. Entre malabarismos, gargalhadas e truques de magia existe um negócio que depende exclusivamente da bilheteira como única fonte de receitas. A alimentação dos animais e dos artistas, a luz, a água, o aluguer do terreno têm um custo diário que está dependente da afluência de público. Assim, o circo viaja para não morrer enquanto espera pela audiência. Não há, portanto, outro remédio: nesta área, o segredo é mesmo “a alma do negócio”. Além da preparação do espectáculo e dos ensaios, o dia-a-dia no Circo Chen fica também marcado pela procura de terras e pela arte de “negociar”. Em Portugal, ao contrário do que acontece noutros países europeus, as decisões relativas aos pontos de paragem das caravanas são tomadas em cima da hora, tendo em conta as dos circos rivais. Mas nem a itinerância nem a incerteza são consideradas problemas para a domadora Verónica Chen e para Flávio da Silva, que desperta gargalhadas há já uma década. O palhaço Flávio, que defende a 20

filosofia “Vive e deixa viver”, encara o seu desempenho no circo como “um estado de espírito” e não como uma profissão. A domadora trabalha diariamente com seis tigres, “como se de cães se tratasse”. Para ambos, abandonar a vida circense está fora de questão. Ainda que em diferentes moldes, a Trupilariante também lida com a itinerância, percorrendo, centenas de quilómetros para levar o espectáculo a outros públi-

A relação entre o circo tradicional e o contemporâneo pode ser matéria de discussão, mas, entre os artistas, a opinião é unânime: os dois estilos não se anulam, podendo até existir uma “agradável” combinação de géneros. “Essa sensação de duelo existiu quando o circo contemporâneo estava mal definido. Hoje, são dois conceitos adaptáveis. Há números de novo circo que podem perfeitamente ser apresentados numa arena”, explicou Bruno Henriques, artista da Trupilariante. “Por hábito trabalhamos em salas, mas, recentemente, estivemos numa arena e foi uma experiência fantástica”, acrescentou o “homem dos mil ofícios” que já esteve na pele de malabarista, acrobata, bailarino e actor. Para Carla Frade, o circo tradicional difere do contemporâneo na medida em que apresenta um esquema de espectáculo de “apresentadornúmero”. “Temos uma história e, dentro dela, apresentamos artes circenses”, explicou a artista. “Existe o ballet clássico e o contemporâneo. Trata-se de um retrato diferente da mesma dança e o mesmo acontece no circo: um não anula o outro. Felizmente há público para todos”. Um dos mais famosos em todo o mundo é o Cirque du Soleil, uma companhia canadiense de artes circences e entretenimento de rua, criada em 1984, cujos grandiosos espectáculos, sem animais, têm por finalidade exercitar a imaginação, incitar os sentidos e evocar as emoções. À conquista de aplausos e sorrisos

cos. “O nosso conceito de itinerância é diferente do circo tradicional porque não temos chapiteau”, afirmou Carla Frade, gestora artística da Trupilariante, salientando que actuam em auditórios, com uma pro-

Nas arenas ou nos auditórios, todos trabalham no sentido de conquistar aplausos. Poucos são os que prescindem de um espectáculo no chapiteau, mas é cada vez maior o número de fãs do novo circo. “As nossas actuações são uma alegria. Divertimo-nos imenso a fazer o espectáculo e começa a haver um público familiar que não existia em Portugal”, referiu Carla Frade. “O avô, o pai e o filho, todos vão gostar porque a actuação é pensada para as diversas faixas etárias”, acrescentou a artista. Para Bruno Henriques, o circo contemporâneo consegue até “criar imaginários mais

profundos”, pelo facto de partir de uma história e não de actuações isoladas. “No dia-a-dia, há pequenos gestos gratificantes”. São os sorrisos e os aplausos que dão aos artistas a sensação de dever cumprido. “O nosso trabalho é emocionalmente compensador mas complicado a nível financeiro. Apesar de não haver apoios governamentais, temos o privilégio de fazer o que gostamos”, salientou Carla Frade, que já encara a Trupilariante como uma família. “Passamos mais tempo com os colegas do que com a família e essa ligação é importante para um grupo como o nosso”, concordou Bruno Henriques. Se na trupe de circo contemporâneo há laços do coração, no Circo Chen, os laços são de sangue. A tradição de manter os familiares na arte circense é forte e não os há noutras profissões. Além do público familiar que se deixou conquistar pelo circo contemporâneo, Carla Frade referiu que a Trupilariante já tem um considerável número de seguidores que não gostam do circo tradicional devido à utilização de animais. Apesar da polémica gerada nos últimos anos, os grandes circos portugueses não estão de acordo com uma legislação que proíba a utilização ou a reprodução dos animais no circo, alegando que as espécies são tratadas com todas as condições. Nos ultimos anos, esta polémica tem ensombrado a magia do circo. A sensibilização do público, por parte de alguns movimentos que defendem a abolição do uso dos animais por ser “um atentado aos seus direitos”, tem gerado dicotomias relativamente à questão, havendo quem já prefira o circo contemporâneo por não ter animais. Q 21


joalharia

moda

Ouse combinar o frio dos dias com o calor das jóias de tons fortes. Os anos 40 e 50 são uma recente inspiração da joalharia, que está a apostar na diversificação das formas e dos materiais.

Os brilhos da alma Texto: Mariana Albuquerque Fotos: PortoJóia

A opinião dos especialistas é unânime: acorde, espreite o tempo, mas deixe que seja o seu estado de espírito a indicar-lhe a jóia a usar. Se prefere estar por dentro das tendências de moda em joalharia, deixe-se contagiar pelos anos 40 e 50. “São duas décadas bastante diferentes que, de certa forma, se complementam. À predominância da estética da máquina junta-se todo o glamour dos anos dourados, da couture hiper22

feminina de Dior”, explicou José Marques, docente da Escola Superior de Artes e Design (ESAD), em Matosinhos. Os materiais e acabamentos devem contrastar, registando-se a utilização de “madeira, coral e pedras semi-preciosas de grande dimensão”. As cores, essas, pedem-se fortes, “com predominância dos tons quentes para o Inverno, em contraste com bases cinzentas e frias da prata ou com o ouro de alto brilho”, salientou, à Viva, o professor. Sara Costa, recém-licenciada em joalharia na mesma instituição, aponta ainda para uma recente

aposta em tudo o que é orgânico. “A joalharia é como a moda, vai buscar tendências antigas. Estão a voltar a usar-se flores, folhas e todos os motivos orgânicos”, enumerou, acrescentando ser já difícil encontrar linhas geométricas. Joalharia artística, uma “forma de comunicar” Por outro lado, a joalharia artística “está sempre solta de tendências de moda”, como defende Ana Campos, coordenadora do curso de Joalharia

da ESAD. “Todo o material é bem vindo”, desde que contribua para acentuar a mensagem do autor. A joalharia de intervenção é também mencionada por Sara Costa como uma das vertentes mais apreciadas pela jovem. “Usamos a jóia para expressar uma vontade, abordar um tema. A ideia é criar algo a partir da jóia com o intuito de reflexão social”, referiu, acrescentando que é muito gratificante trabalhar um tema e ver como o público vai reagir. Também para José Marques, “uma jóia é mais do que um simples adorno”. “Ainda que discreta, tem o poder de anular tudo o resto à excepção do corpo 23


joalharia

moda

Noten, mencionado por Sara Costa, em que o artista serrou o capô de um Mercedes e fez pins, sob o lema “agora já toda a gente pode ter um Mercedes”. “Essa joalharia é uma forma de arte”, salientou a recém-licenciada. Joalharia contemporânea em risco

que a ostenta. Será, pois, muito fácil de adequar qualquer conjunto, de Inverno ou Verão, à jóia, se esta for escolhida de acordo com o ânimo de quem a usa”, assegurou o docente. O poder de uma jóia, vai, assim muito além do que pode parecer. Em declarações à Viva, Ana Campos ressalvou que uma das peças mais paradigmáticas é, na sua opinião, a pulseira “Gold makes you blind”, de Otto Kunzli. “Para invocar problemas graves que se passavam em rios ou minas de extracção de ouro, criou a pulseira em borracha opaca que cega o ouro contido, tornando-o invisível”, descreveu. Digno de registo é também o trabalho de Ted 24

À luz da Lei das Contrastarias, o futuro dos novos joalheiros poderá não ser risonho. A legislação não é actualizada há 30 anos, pelo que os diplomados não têm acesso à licença de responsabilidade e à marca das contrastarias portuguesas. Isto faz com que a joalharia contemporânea seja ilegítima no nosso país, uma vez que as peças não podem ser vendidas em ourivesarias por não estarem contrastadas. “Através de todas as associações do sector, tal como das escolas, têm sido muitas as tentativas de fazer ver ao Ministério das Finanças que há que rever esta situação”, notou Ana Campos, acrescentando que “o sector poderá abrir-se a novos mercados se a lei acompanhar os actuais modelos de ensino e introduzir novos núcleos de venda mais livre”. Se a pressão exercida pelas instituições não suscitar mudanças na legislação, “veremos os criativos emigrar ou apresentar o trabalho em países onde a lei difere”, concluiu a docente, receando a fuga dos artistas para o estrangeiro. Q 25


sotinco

O revestimento “ecológico”

Siga o conselho da Sotinco e aposte no Tincoterm, sistema de revestimento térmico que lhe permite poupar energia e mimar o ambiente da sua casa.

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sotinco

Poupança substancial no consumo de energia O sistema de revestimento térmico exterior Tincoterm, da Sotinco, surge, agora, como uma oportunidade para todos aqueles que pretendem construir ou remodelar as suas casas, procurando um elevado isolamento térmico e acústico. Este revestimento especial permite também resolver eventuais problemas de infiltrações de água e humidades. O Tincoterm tem sido largamente utilizado em todo o país, protegendo os edifícios e permitindo-lhes alcançar elevados padrões de conforto e qualidade, para além de uma substancial poupança de energia tanto no Inverno, em aquecimento, como no Verão, com a utilização do ar condicionado. Com o sistema Tincoterm poderá poupar até 30% na sua factura de energia. Na Europa, o sistema de revestimento da Sotinco é conhecido pela sigla ETICS (External Thermal Insulation Composite System), podendo ser aplicado tanto na construção nova, como na reabilitação de edifícios degradados. Sistema testado e aprovado Com o Tincoterm, os edifícios conseguem obter elevados índices de classificação relativamente 28

à certificação energética. O sistema, testado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), foi aprovado nos vários testes, cumprindo todas as normas e requisitos europeus para estes sistemas de revestimento térmico exterior.

Para além da economia na poupança de energia, o Tincoterm da Sotinco apresenta outra importante vantagem: a eliminação das pontes térmicas, diminuindo o risco de condensações no interior dos edifícios e evitando-se, assim, o aparecimento de manchas de fungos e bolores. O sistema surge, portanto, como uma excelente solução para os problemas estruturais de infiltração de água por fissuração das paredes. Qualidade e conforto O Tincoterm garante ainda uma melhoria substancial no isolamento acústico do interior das casas. Se os edifícios forem novos, permite a construção de paredes de menor espessura, a custos reduzidos.

O sistema de revestimento térmico da Sotinco possui vários tipos de acabamento e um catálogo com uma moderna paleta de cores que multiplicam as ofertas de soluções decorativas para o exterior da sua casa. Para mais informações, consulte o site www.sotinco.pt. Q 29


álvaro parente

figura Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: SLF

Dragão no asfalto 30

Começou cedo a carreira de piloto de Álvaro Parente que teve a sua primeira experiência de condução no karting, aos quatro anos. Aos sete entrou em competição e agora, com 26, passou já por todas as categorias que antecedem um sonho chamado Fórmula 1, nomeadamente a Fórmula Renault 3.5, GP2 e F3 britânica, onde se sagrou campeão. Portuense e dragão, o piloto do monolugar do FC Porto na Superleague Formula confessa ter orgulho em representar as cores do clube na prova em que, apesar de uma época atípica, com várias vitórias no entanto, terminou em 7º na geral.

Álvaro Parente nasceu no Porto e desde muito jovem que se apaixonou pelo desporto automóvel. A velocidade está-lhe “no sangue” já que descende de uma família de pilotos e, talvez por isso, se tenha interessado tão cedo pela condução e pela adrenalina que diz sentir ao volante. Aos 16 anos entrou no mundo dos fórmulas (monolugares) onde percorreu todas as categorias da modalidade até à mais próxima da F1, o grande objectivo da carreira do piloto. “Entrar na F1 é, para mim, um sonho e uma aspiração, foi sempre com essa finalidade que trabalhei e agora sinto que pode estar próximo”, refere Parente, salientando que se encontra, juntamente com a sua equipa de agenciamento, a Polarissports, numa sucessão de esforços para a concretização desse sonho. Sem nunca ter tido grandes heróis nesse domínio, admirou Ayrton Sena, pela boa performance na F1. Apesar de ser um aficcionado dos desportos motorizados, nunca entrou no mundo dos ralis mas revela alguma curiosidade. “Tive uma experiência num motorshow e até gostava de experimentar conduzir um carro numa prova”, confessa. No entanto, o que o verdadeiramente seduz são os monolugares, onde, este ano, teve diversas experiências em termos de circuitos de velocidade. “Experimentei carros de Gran Turismo (GT), onde competi durante a época em Espanha num Ferrari 430 e, a partir do mês de Abril representei o FC Porto na Superleague Formula”, conta. 31


álvaro parente

figura

Adrenalina ao volante do monolugar azul e branco Depois de outros pilotos terem conduzido o «dragaomóvel» nos últimos dois anos, Parente foi o escolhido para representar, esta época, o FC Porto na Fórmula Superleague, uma competição que reúne dois dos desportos mais populares, aliando a paixão do futebol à adrenalina das corridas de automóveis. A prova conta com um conjunto de monolugares que exibem as cores de clubes emblemáticos onde figuram nomes como AC Milan, Anderlecht, Olympiakos, Borussia Dortmund, Galatasaray, PSV Eindhoven ou Flamengo. O monolugar azul e branco, equipado com um motor V12 da Menard Competition Technologies e 750 ca-

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valos de potência, estreou-se em 2008, tendo o FC Porto sido o primeiro clube escolhido para representar Portugal, e um dos quatro pioneiros na competição, à qual se juntou, mais tarde o Sporting. Álvaro Parente, o primeiro piloto portuense e portista a representar o clube na prova, compete, assim, nos circuitos mundiais com outros emblemas de topo marcando a ambição portista em mais um desafio em que o clube participa. “É um orgulho representar as cores do meu clube. O facto de ter participado, desde o início, na prova, traduz o reconhecimento do seu prestígio a nível internacional”, refere, salientando ainda o apoio incondicional do seu clube. O FC Porto fechou a temporada da Superleague Formula com uma vitória, depois de Álvaro Parente ter sido o vencedor da segunda corrida da jornada espanhola de Navarra. O piloto azul e branco voltou a demonstrar a sua competência, uma vez que arrancou de 12º e conseguiu ultrapassar todos os que seguiam à sua frente. Apesar das vitórias, alguns imprevistos atiraram o «dragaomóvel» para o 7º lugar da classificação geral, com 490 pontos. “Tivemos uma série de avarias, ao longo da temporada, que nos fizeram desistir em algumas corridas e onde perdemos pontos”, refere o piloto, salientando que “foi uma época atípica”. Ainda assim as vitórias em Pequim e Navarra serviram para demonstrar, uma vez mais, toda a classe do piloto portuense. Q 33


percursos

Sé dos segredos

Casa n.º 5 da Rua de D. Hugo

Continue a caminhar pela Avenida Vímara Peres e, antes de chegar à Sé catedral, espreite a Rua de D. Hugo, onde no n.º 5 permanecem os vestígios duma casa-torre gótica. O edifício existiu junto à muralha primitiva, cujos restos se vêem na parte lateral. Hoje é a sede da Delegação do Norte da Associação dos Arquitectos Portugueses. Sé Portucalense

Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Virgínia Ferreira

“E a Sé velhinha parece que diz à Ponte D. Luís, que lindo é este Porto, cidade sempre leal, que dá nome a Portugal”. Siga os acordes da velha guitarra portuguesa e desvende os segredos históricos da zona da Sé. 34

Muralha Fernandina Sugerimos-lhe que inicie esta aventura na Ponte D. Luís I, lugar de excelência no vislumbramento do que há de mais pitoresco nas cidades do Porto e de Gaia. Na escarpa dos Guindais pode observar o que resta da Muralha Fernandina, cuja construção terminou em 1376. A ideia de construir uma muralha à volta da cidade surgiu em 1336 para oferecer aos

moradores garantias de protecção face à ameaça castelhana. Em nome do progressivo desenvolvimento urbano, a muralha viria a ser sacrificada a partir do século XVII. As pedras derrubadas foram aproveitadas na construção de edifícios públicos até que, no século XIX, a muralha foi demolida quase na totalidade, restando pequenos farrapos nas zonas da Sé e Ribeira.

Continuando o percurso surge o imponente edifício da catedral portuense. Construída no século XII, em estilo românico, apresenta, agora, uma miscelânea de estilos que a expressão artística ou as necessidades do culto foram concebendo ao longo dos vários séculos. Vale a pena visitar a capela do Santíssimo Sacramento, com o altar, o sacrário e o retábulo em prata 35


percursos cinzelada, obra que levou mais de cinquenta anos a terminar e que esteve em risco de ser levada pelas tropas francesas de Napoleão, em 1809. Casa do Cabido

uma torre de 22 metros, foi construído no século XV sobre um troço da cerca primitiva da cidade. No andar inferior funcionava a Casa da Audiência, onde era administrada a justiça e se atendiam os munícipes. Nesta casa realizaram-se as sessões camarárias até meados do século XVI, altura em que começou a ameaçar ruína. Os vereadores viram-se, assim, forçados a transferir as reuniões para uma casa na Rua das Flores. Largo Dr. Pedro Vitorino

Conheça também a Casa do Cabido (conjunto de cónegos que, entre outras funções, ajudam o prelado na governação da sua diocese), construída no século XVI, ao lado da catedral, por iniciativa de D. Frei Marcos de Lisboa. Séculos antes da construção do edifício, os cónegos viviam em comunidade com o bispo num pequeno paço. Após as reformas de D. Martinho Pires (11861189), os cónegos portuenses abandonaram a vida comunitária. A Casa do Cabido, “apoiada na Sé”, é, assim, um símbolo do poder da Igreja e das suas instituições.

Faça uma pausa nas curiosidades históricas e aprecie a cidade através do miradouro natural do Largo Dr. Pedro Vitorino. Fado Menor

Casa da Câmara

Prossiga até ao largo de S. Sebastião, onde se encontram as ruínas da Casa da Câmara. O edifício, com 36

Para terminar, desça as escadas do Colégio e saboreie polvo ou pataniscas de bacalhau ao som de alguns versos, no “Fado Menor”, restaurante que dedica as segundas-feiras aos acordes tradicionais portugueses. Reza o fado que “lindo é este Porto, velhinho e sempre novo, orgulhoso do seu povo, cidade sem ter rival, do amor é capital”. Q 37


centenário

universidade

rante a 1.ª República surgiram, entre 1915 e 1925, as faculdades de Engenharia, Letras e Farmácia. Crescimento da U.Porto

Um século de ensino e investigação A poucos dias do início das comemorações do centenário, a Universidade do Porto (U.Porto) é, actualmente, a maior instituição de ensino e investigação científica portuguesa. Constituída formalmente em 1911, logo após a implantação da República, conta, actualmente, com 14 faculdades e 61 unidades de investigação, distribuídas por três pólos universitários e frequentadas por cerca de 33 mil estudantes, professores e investigadores. 38

As raízes da U.Porto remontam a 1762, com a criação da Aula de Náutica por D. José I. Esta escola, bem como outras que lhe sucederam, nomeadamente a Aula de Debuxo e Desenho (que deu origem às faculdades de Arquitectura e de Belas Artes), a Academia Real da Marinha e Comércio, a Academia Politécnica e a Real Escola de Cirurgia – estiveram na origem daquela que é, actualmente, a maior universidade do país, dando resposta às necessidades de pessoal qualificado na área naval, comércio, indústria, medicina e artes. Se, numa fase inicial, a U.Porto surgiu alicerçada em duas faculdades - Ciências e Medicina – ao longo do século XX assistiu-se a uma diversificação de saberes e autonomização de escolas. Ainda du-

Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: U.Porto

22 de Março de 1911 é a data oficial da criação da Universidade do Porto. O seu crescimento foi, no entanto, contido durante o regime autoritário, nascido do movimento militar de 28 de Maio de 1926 – a Faculdade de Letras foi extinta em 1928, tendo sido restaurada em 1961, e a Faculdade de Economia só foi criada de raíz em 1953. Após a revolução de Abril de 1974, a U.Porto entrou em expansão. Às seis faculdades existentes juntaram-se mais oito: em 1975 o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e a Faculdade de Desporto; em 1977 a de Psicologia e a de Arquitectura em 1979; na década de 80 surge Medicina Dentária e nos anos 90 foram integradas as de Ciências da Nutrição, Belas Artes e Faculdade de Direito. Hoje, conta com catorze faculdades e uma escola de pós-graduação, a Escola de Gestão do Porto, criada em 1988 e cuja designação passou a EGP – University of Porto Business School a partir de 2008. Com mais de 700 programas de formação (de licenciaturas a doutoramentos, passando pela educação contínua), a U.Porto possui soluções de ensino para todos os públicos, sendo que são cerca de 30 mil os estudantes que frequentam os 273 cursos de licenciatura, mestrado integrado, mestrado e doutoramento. Todos os anos cerca de três mil estudantes estrangeiros escolhem a U.Porto para completar a sua formação superior e mais de 25 mil jovens do Ensino Básico e Secundário frequentam as actividades de divulgação científica da U.Porto, em eventos como a “Universidade Júnior” e a “Mostra de Ciência, Ensino e Inovação”. Para além disso, iniciativas como o Programa de Estudos Universitários para Seniores, a Universidade de Verão e os cerca de 400 cursos de formação contínua que organiza anualmente, têm aberto as portas da instituição a novos públicos. Investigação, desenvolvimento e cultura Com 61 unidades de investigação, a U.Porto é responsável por mais de um quinto dos artigos científicos portugueses indexados anualmente na ISI Web of Science, o que a torna no maior produtor de Ciência em Portugal. Quase metade das suas unidades de 39


the jills centenário

universidade

investigação foram classificadas com “Excelente” ou “Muito Bom” nas mais recentes avaliações independentes internacionais. A U.Porto tem-se afirmado ainda como um importante pólo de criação e divulgação cultural, inscrevendo o edifício da Reitoria no roteiro artístico da cidade através de uma extensa programação de exposições, performances e conferências, com entrada livre para a comunidade. Experiência formativa e construção do futuro Sendo a maior do país, a U.Porto é líder no ensino e na investigação científica a nível nacional e também a mais internacional das universidades portuguesas, encontrando-se entre as 200 melhores da Europa, segundo rankin-

gs internacionais. Fazendo da abertura à comunidade e ao tecido empresarial uma imagem de marca, a U.Porto é também um importante motor de desenvolvimento económico, social, cultural, e científico na região e no país, uma atitude que se projecta cada vez mais para o resto do mundo. A grande ambição passa por colocar a instituição entre as 100 melhores universidades europeias, já em 2011, e no “top 100” do mundo até 2020. Para esta missão, trabalha diariamente uma comunidade académica dinâmica, cosmopolita, exigente e criativa, que faz da união e da inovação duas das suas principais armas. Com orgulho no seu passado, mas profundamente comprometida com os desafios futuros, a U.Porto apresenta-se ao mundo, cem anos após a sua criação. Q

Programa de Comemoração do Centenário Destaques 27 de Janeiro: Inauguração da exposição “A Evolução de Darwin” - Casa Andresen (Jardim Botânico do Porto) 22 de Março: “Serenata Monumental” - Praça dos Leões Sessão Solene do Dia da Universidade - Salão Nobre da Reitoria 23 e 24 de Março: Congresso internacional “A Universidade do Porto e o Futuro”, Ao longo do ano, outros eventos vão ainda marcar a comemoração do Centenário da U.Porto como a Festa dos Antigos Estudantes da U.Porto; exposição de gravuras e desenhos que integram o património artístico da U.Porto; lançamento da edição revista de “Universidade do Porto: Raízes e Memórias da Instituição”, da autoria de Cândido dos Santos; publicação do primeiro livro das Actas do Senado da U.Porto; Corrida Universitária; Jogos do Centenário; 9ª Mostra de Ciências, Ensino e Inovação; 7ª Universidade Júnior; 3ª Gala do Desporto e o 4º IJUP – Encontro de Investigação Jovem da Universidade do Porto. O programa de eventos integrados nas comemorações do Centenário da U.Porto (em permanente actualização) poderá ser acompanhado em http://centenario.up.pt 40

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destinos

galiza O convite pode deixá-lo com a água na boca. Até meados de Dezembro, 117 casas de turismo rural da Galiza abrem as portas a uma aventura pelos mais arrojados sabores da região. Com ou sem companhia, alinhe no fimde-semana de sensações que o quarto Outono Gastronómico lhe pode proporcionar.

Outono de Sabores 42

Fotos: Turgalicia

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galiza

destinos É com mais de duzentas propostas gastronómicas de mil e um sabores que o turismo rural da Galiza assinala, até 15 de Dezembro, o quarto Outono Gastronómico, uma iniciativa organizada pela Turgalicia (Sociedade de Imagem e Promoção Turística da Galiza), em colaboração com as associações de turismo Agatur, Fegatur e Pazos da Galicia. Aliar as maravilhas do paladar às surpresas do conforto galego é o principal objectivo da iniciativa que já conquistou mais de cem casas rurais, com menus especialmente preparados para a ocasião. O projecto, destinado a mostrar ao público as potencialidades da gastronomia galega, mobilizou estabelecimentos distribuídos por toda a área geográfica da Galiza. Os duzentos menus, que assinalam este Outono de sabores, incluem entradas, primeiro e segundo pratos, sobremesas, cafés ou infusões e vinhos de todas as províncias, apresentando o custo de trinta euros por pessoa. Pacote Outono Gastronómico Há também a possibilidade de adquirir o Pacote Outono Gastronómico, que junta experiências de degustação e de observação dos segredos naturais existentes na paisagem galega. O pacote permite, assim, degustar o Menu Outono Gastronómico e pernoitar na casa de turismo rural escolhida, com os almoços do

dia seguinte incluídos na oferta. Neste caso, o preço é de 100 euros para duas pessoas num quarto duplo e de 60 euros para uma pessoa num quarto individual. Fim-de-semana de sensações O turismo rural da Galiza reúne ainda todos os ingredientes para um fim-de-semana repleto de sabo-

res. Esta oferta inclui dois Menus Outono Gastronómico por pessoa, alojamento, num dos estabelecimentos contemplados pelo programa, e almoços. Para duas pessoas em quarto duplo o preço é de 180 euros. O fim-de-semana para uma pessoa em quarto individual ficará por 120 euros. Descobrir as experiências escondidas Os 117 estabelecimentos de turismo rural que aderiram à campanha de promoção da gastronomia da Galiza têm também 120 prémios para oferecer aos visitantes. Existem 70 menus, 25 pacotes gastronómicos e 25 fins-de-semana para sortear em todas as casas turísticas.

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Os interessados têm a oportunidade de consultar previamente, na Internet, a composição dos menus e de avaliar, através de fotografias, as características das casas participantes, de modo a facilitar a escolha. As ofertas do Outono Gastronómico em Turismo Rural podem também ser reservadas directamente nos estabelecimentos turísticos que aderiram ao programa. Mais do que um conjunto de experiências de bemestar, o Outono Gastronómico representa uma oportunidade para desvendar a história e o património dos paços galegos, cuidadosamente preparados para recriar cenários passados, em viagem pela vida rural. A comunidade autónoma da Galiza conta já com 587 alojamentos de Turismo Rural: 169 na Corunha, 151 em Lugo, 85 em Ourense e 182 em Pontevedra. Q 45


destinos

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galiza

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momentos 1

Kiss me I’m famous 2

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1 – Fachada do Twin’s 2 – Inês Monteiro de Aguiar 3 – Rogério Souto, Pedro Couto, Lisa Santos, Ana Fiúza, Liliana Couto e António Gonçalves 4 – LJ Rafaela Santiago 5 – Mariana Ordaz e Nina Soares 6 – Staff Twin’s

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Fotos: Jorge Teixeira

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A “Kiss me I’m famous” foi mais uma das festas organizadas pelo Club Manager do Twin’s Foz. A decoração foi pensada ao pormenor, destacando-se a porta principal, que era uma boca gigante de lábios vermelhos. 49


momentos

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Aniversário de Rui Terra 6

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1 – Rui Terra, Dália Madruga e Bernardo Sousa 2 –Herman José e Batata Cerqueira Gomes 3 – Teresa e António Barraca 4 - Nuno Fontes , Raquel Cerqueira Gomes e Rui Terra 5 – Maria Augusta Osório de Castro e Carlos Lemos 6– Diogo Tan, Carlota Cerqueira Gomes, Herman José e Raquel Cerqueira Gomes 7 – Rui Terra e Paulo Sasetti

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V

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O Director de Hospitalidade do Twin’s Foz festejou o seu aniversário com uma festa original dedicada ao tema “Charlie e a Fábrica de Chocolate”. Os convidados vestiram-se a rigor e a decoração, a cargo de António Barraca, foi também preparada com especial cuidado. O chocolate foi, como não poderia deixar de ser, o ingrediente chave da festa, que contou com um show de Herman José. 51


momentos V

Desfile Water Flower

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8 – Paulo Samagaio, Márcia e Rodrigo Pinto Barros, Patricia D’Orey e Pedro Lima 9 – Susana Camelo e Herman José 10 – Rui Terra, Susana Jordão, Iva Lamarão e Miguel Domingues

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A Water Flower apresentou a nova colecção Outono/ Inverno no Twin’s Foz. O desfile contou com a presença de Sónia Brazão, Sílvia Rizzo, Samanta Castilho e Débora Montenegro, que assinalou, nesse dia, mais um aniversário.

1 – Pista ao rubro 2 – Catarina, João Paulo e Sandra Pinto de Sousa 3 – Diana Ferreira, Nuno Pinto e Cátia Fontes 4 – Manequins Water Flower

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momentos 5

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5 – Débora Montenegro, Sónia Brazão, Patrícia de Vasconcelos e amiga 6 – Sónia Brazão, Débora Montenegro, Samanta Castilho e Sílvia Rizzo 7 – Cláudia Teixeira e Bibi Barros 8 – Ricardo Valgode bem acompanhado 9 – Sandra e João Paul Pinto de Sousa com Isabel e Pôncio Monteiro

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corpo de intervenção

um dia com Coragem, dedicação, equipa. Assim se pode definir o Corpo de Intervenção, subunidade operacional da PSP que constitui uma força de reserva para intervir em acções de manutenção e reposição da ordem pública. Especial pelo empenho, dedicação, espírito de grupo, e muitas vezes de sacrifício, é uma das vertentes integradas na Unidade Especial de Polícia. «A Fortiori» (Por Maioria de Razão) é o lema que traduz a união e a eficácia dos «homens do choque», uma subunidade de «autênticos guerreiros».

Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira

«Choque» frontal 56

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corpo de intervenção Cinda Miranda

um dia com ao tráfico de estupefacientes, armas e criminalidade em geral, em estreita colaboração com as diversas forças da UEP, outra das funções do CI é a de assegurar a ordem pública em eventos desportivos que envolvam risco, onde está presente quer para o acompanhamento das claques, quer para garantir a segurança no perímetro dos estádios, antes e depois dos jogos. ”O futebol absorve uma grande parte da nossa actividade, uma vez que nosso raio de acção abrange o Norte do país, até Coimbra”. Guimarães, Braga, Porto, Leixões, Vila do Conde e Aveiro transformam-se em cenários complicados, quanto maior for a rivalidade entre clubes, daí que a presença do CI seja, quase sempre, solicitada para eventos desportivos. “Lidar com multidões não é fácil” refere o comandante, salientando a importância do autodomínio na conduta destes homens, altamente treinados quer a nível físico, quer psicológico, para lidar com situações de pressão. Equipas de interpelação criadas no CI Porto Os elementos do CI garantem a segurança dentro e fora dos estádios

Habituamo-nos à sua presença e a vê-los actuar em situações extremas ou, como vulgarmente se diz, quando as coisas «aquecem». O Corpo de Intervenção (CI) da PSP foi constituído em 1976, no pós-25 de Abril, como uma força de reserva cujo principal objectivo era o de “repor a ordem 58

pública, numa época de conflitos políticos, onde manifestações e contramanifestações eram frequentes”, explica José Vieira. De acordo com o comandante do CI na Força Destacada da Unidade Especial de Polícia (FDUEP) no Porto, esta unidade operacional só chegou à Invicta em 1998, devido a um aumento da criminalidade, sobretudo “nos bairros sociais”, onde foi colocado um pelotão para “manutenção da ordem pública”. A missão inicial foi-se alterando e a proximidade com os cidadãos modificou o conceito do CI, unicamente como polícia de choque. No entanto, e apesar da maior proximidade, a missão continua a ser a de manter e repor a ordem pública, actuando em situações de violência. Esta subunidade foi recentemente integrada na FDUEP juntamente com o Grupo Operacional Cinotécnico, o Corpo de Segurança Pessoal e Equipas de Inactivação de Explosivos e Segurança em Subsolo. Para além do patrulhamento, numa vertente de reforço às diversas esquadras da cidade, e das operações policiais de grande envergadura no âmbito do combate

Com o objectivo de diminuir os danos físicos provocados pela intervenção desta força, foram criadas, em 2003, as equipas de interpelação (EI) no CI Porto. Constituídas por cerca de cinco elementos por subgrupo, também denominados de «mãoslivres», estas pequenas «brigadas», cuja ideia par-

tiu de Alfredo Araújo e Paulo Raimundo, funcionam de forma eficaz na manietação e domínio de suspeitos e de elementos desordeiros, com um índice diminuto de danos físicos, recorrendo, para o efeito, a uma mistura de técnicas retiradas de um vasto leque de artes marciais, adaptando-as às necessidades do trabalho policial. “No sentido de transpor a ideia à prática, valemo-nos de conhecimentos que ambos possuímos da vida civil como praticantes de artes marciais, das quais retiramos diversos movimentos, adaptando-os à vertente tecnico-táctica”, explica Alfredo Araújo, chefe de equipa e um dos elementos das EI. A ideia, acolhida e incentivada pelas chefias, ganhou forma e foi administrado um curso de técnicas de interpelação aos elementos que quiseram participar, sendo que alguns foram indicados pelos próprios formadores mediante determinadas aptidões. Hoje as equipas de interpelação – que actuam de forma bem mais vincada no Porto, apesar de também serem usadas na capital funcionam com grande eficácia para os objectivos pretendidos sendo que a formação e os upgrades são contínuos. Para Jorge Branco, operacional que integra as EI desde a sua fundação, esta é uma vertente importante no trabalho policial uma vez que reduz ao mínimo os danos físicos. “A precisão de movimentos e o domínio técnico são factores mais que suficientes para o controlo eficaz de um indivíduo sem o uso excessivo da força física”, refere.

A eficácia das equipas de interpelação é assegurada pela vertente tecnico-táctica

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corpo de intervenção

um dia com

O CI é frequentemente solicitado para o acompanhamento de claques

Espírito de missão e vertente operacional Ao fim de uma década, o CI Porto conta com 170 homens, sendo que os quatro subgrupos que o compõem são constituídos, cada um, por três equipas com cerca de 12 elementos. Todos são operacionais mesmo os que desempenham dupla fun-

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ção. Para além de funcionar como um elo de ligação entre o comandante e os comandantes de subgrupo, Adriano Silva foi um elemento escolhido para a coordenação e planeamento de operações por já ter tido experiência em funções administrativas anteriormente, uma vez que os destacamentos não têm pessoal específico para o efeito. “Embora no dia-a-dia esteja mais afastado da vertente operacional, sou um elemento do meu subgrupo e vou integrá-lo sempre que as necessidades o justifiquem”, salienta. Fernando Rodrigues, agente operacional e de ligação do Comando, é uma espécie de braço direito, de apoio ao «homem-forte». Apesar do estreito vínculo com a chefia, o agente, que continua integrado num subgrupo, embora também um pouco afastado da operacionalidade do quotidiano, sente falta dos momentos com os companheiros com quem partilha anos de boa camaradagem. “Embora continue próximo dos colegas, sempre que o serviço o permite vou até junto da minha equipa para matar saudades”, refere, salientando o forte espírito de grupo entre os elementos. Nas equipas, cada um tem uma função e todos são importantes, sendo

que a confiança nos parceiros é fundamental para estes homens que passam muito do seu tempo juntos. Os operadores da Taser X26 são os únicos que, para manejá-la, podem sentir o efeito. Jorge Branco explica o funcionamento da arma. “A Taser emite descargas eléctricas de potência controlada, com vista à incapacitação instantânea e temporária do suspeito”. O dispositivo eléctrico imobilizante ou atordoante, dispara dois arpões, cuja descarga, caracterizada por círculo, pode atingir os 1200 volts. Eficaz com indivíduos isolados, pode também ser utilizada para provocar um choque directamente no corpo do suspeito, em caso de contacto com o agente, num método conhecido por drive stun. Deve existir sempre um pré-aviso de que vai ser disparada e, apesar de raramente ser usada em serviço operacional, o agente considera útil tê-la por perto devido à sua especificidade. “É uma arma imobilizadora, que pode ser útil em situações específicas”, refere, sublinhando que, apesar de não ter efeitos secundários e da imobilização ser momentânea (o ciclo dura poucos segundos), a sensação é desconfortável. Paulo Lisboa é operador de shotgun e de gás, duas vertentes que são sempre exercidas em simultâneo, pelo mesmo elemento, devido à polivalência da arma que usam actualmente: a Fabarm. “Para além de permitir o disparo normal de cartuchos antimotim e de gás, o cano da shotgun, permite a adaptação de um «copo» que serve para o lançamento de granadas de gás lacrimogéneo ou de

fumo” explica, salientando a sua utilidade. “Antigamente as granadas eram lançadas à mão. Agora, a Fabarm permite o seu lançamento para a distância específica calculada pelo atirador. O agente, que alerta para o facto de o uso do gás ser um dos últimos recursos a utilizar, considera o “treino contínuo” como um factor fundamental para a “eficácia no desempenho da função”. Q

Madrugada. Elementos do Corpo de Intervenção estão envolvidos numa operação policial com a Divisão de Investigação Criminal (DIC), com o objectivo de efectuar buscas a residências para apreensão de material furtado. Preparam-se as carrinhas, verifica-se o material e enfrenta-se a par tida para esta manobra como para todas as outras, com determinação. Sérgio Castro, comandante de Grupo Operacional, explica a génese destas «saídas». “Muito do trabalho operacional é realizado em colaboração com outras forças policiais que solicitam a nossa par ticipação no caso de haver necessidade de fazer entradas consideradas de risco”. E é essa a principal tarefa dos «homens do choque» neste tipo de operações – zelar pela segurança dos intervenientes, garantindo, acima de tudo, a dos colegas...A For tiori! 61


distinção

águas do porto

ciclo urbano da água: águas pluviais, ribeiras e praias. No caso das praias, a cidade do Porto obteve este ano sete Bandeiras Azuis. Nova cultura organizacional

Fotos: AP

Redução de custos vale prémio A empresa municipal Águas do Porto (AP) foi galardoada com o Prémio Boas Práticas no Sector Público, na categoria Redução de Custos Internos, pelo projecto “Porto sem Perdas, Gestão da Mudança rumo à Sustentabilidade”. Nesta iniciativa da Deloitte e do Diário Económico estavam a concurso 40 projectos, envolvendo entidades públicas de nível nacional e local, incluindo institutos, autarquias e empresas, seleccionados pelo júri entre 125 candidaturas. 62

A distinção agora obtida pela Águas do Porto (AP) vem reconhecer o trabalho que a empresa tem vindo a desenvolver nas diferentes fases do ciclo urbano da água, com destaque para o projecto “Porto sem Perdas”. Com este projecto, a empresa municipal conseguiu reduzir as perdas de água para metade em apenas oito meses. Passou-se de 54 000 m3 para 32 000 m3 por dia, entre Outubro de 2006 e Julho de 2007. A redução das perdas permite poupar 11 mil euros por dia, além dos benefícios ambientais. Os ganhos de eficiência obtidos permitiram, sem aumentos reais das tarifas cobradas aos consumidores, financiar a melhoria da rede de abastecimento de água, a ampliação da rede de saneamento e, ainda, o alargamento do âmbito de actividade da empresa à globalidade do

O êxito do projecto “Porto sem Perdas”, que arrancou em Outubro de 2006, só foi possível devido a uma nova cultura organizacional que se traduz numa liderança forte e na motivação dos trabalhadores. Uma nova era de transparência instalou-se na empresa, cortando radicalmente com a anterior estrutura, marcada pela complexidade e rigidez hierárquica, com vários níveis de decisão. Outro aspecto que contribuiu decisivamente para o aumento da satisfação dos clientes foi a capacidade de resposta aos problemas técnicos num prazo máximo de 24 horas, através da criação de uma equipa multidisciplinar que monitoriza a rede em tempo real, a partir de uma sala de comando. Poças Martins, o responsável da Águas do Porto, salienta que, num contexto em que “se fala mal dos serviços municipais”, esta distinção é ainda mais importante por ter sido obtida por uma empresa municipal na categoria de Redução de Custos Internos. Poças Martins dedica o Prémio ao presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, e aos 500 trabalhadores da Águas do Porto que se empenharam e trabalharam nesta possibilidade de “descriminação positiva para reduzir custos.” Q 63


portuguese fashion news

stockmarket

Salão Náutico levou debate à Alfândega vertente da prática de modalidades, pode funcionar como uma alavanca de negócios, nomeadamente de vestuário para desporto e lazer, mas também de merchadising. Diogo Cayolla, velejador e representante da empresa de cabos náuticos Cotesi; Margarida Nascimento, directora de negócio da Lightning Bolt; João Zamith, vice-presidente da Associação Intercéltica; Rui Azevedo, director-executivo da Associação Oceano 21 - Cluster do Conhecimento e da Economia do Mar; Manuel Serrão, da Associação Selectiva Moda e Fernando Merino, do Citeve, analisaram as oportunidades criadas pela náutica e a forma como estas podem ser potenciadas pelo sector têxtil. “Os têxteis são muito importantes nos assuntos do mar, no vestuário e produtos para náutica, como cabos, mas há também novas oportunidades, na segurança costeira, na utilização dos recursos marinhos, como algas, nos têxteis funcionais,

Stockmarket solidário De 10 a 12 de Dezembro, o Stockmarket está de regresso à Exponor, em Matosinhos, com a melhor solução para dezenas de lojas que precisam de escoar os seus stocks. Esta é, portanto, uma boa oportunidade para o público que quer comprar marcas de qualidade a preços reduzidos. Nesta décima sexta edição do Stockmarket na cidade do Porto, a novidade reside na apresentação da “Streetsurfing Rampage Tour”, em 625 metros quadrados “de pura diversão”. Os primeiros cinco visitantes que aceitarem o desafio de se vestirem de Dominatrix vão receber um vale de compras no valor de 25 euros. Enquanto passeiam e fazem compras, as famílias poderão deixar as crianças no playground “Nada Brinca”. 64

Os visitantes têm ainda à sua disposição um bengaleiro grátis, onde podem guardar as suas compras, para uma pausa no Lounge-Bar, ao som dos dj’s convidados. Mais uma vez, são várias as marcas de referência que vão estar disponíveis nas áreas de moda, joalharia, decoração, relojoaria, perfumaria, cosmética e livros, com descontos até 80%. Nesta edição, o Stockmarket vai apostar numa vertente solidária, apoiando três instituições: Raríssimas, Associação Porto Paralisia Cerebral e a Associação Protectora da Criança. O preço do bilhete varia entre dois e quatro euros. As pessoas com mobilidade reduzida, as crianças até aos onze anos e os maiores de 65 poderão entrar gratuitamente.Q

O Salão Náutico voltou a estar em destaque no Fórum Têxteis do Futuro, que decorreu nos dias 20 e 21 de Setembro, no Edifício da Alfândega do Porto. A iniciativa, destinada a promover o encontro do sector têxtil e do vestuário com o cluster do mar, materializou-se numa exposição colectiva das empresas portuguesas de têxteis para aplicações náuticas e pescas. O Salão permitiu o debate de ideias com novos criadores, empreendedores e entidades responsáveis por actividades de investigação que procuram no cluster da náutica novas oportunidades de negócio. Concretizou-se, assim, uma tertúlia para a discussão da forma como a Náutica, em particular na

ou até nos transportes marítimos”, afirmou Fernando Merino. Também Manuel Serrão sublinhou que “é preciso recordar que o têxtil não é apenas moda”, uma vez que “pode dar mais mundos ao mundo”. Q

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cin

iniciativas

Muro Av. de Ceuta / ETIC

Numa vertente de reabilitação urbana, estudantes de todo o país deram as mãos para conferir uma nova cor a quatro murais da cidade de Lisboa, no âmbito do projecto CIN RE-MAKE’10. Inspirados em oito textos inéditos do escritor José Luís Peixoto, alunos das universidades de arquitectura, belas artes e design atribuíram novas tonalidades à cidade, oferecendo-lhe uma lufada de criatividade, numa verdadeira Exposição Contemporânea de Cor. A edição de 2010 de CIN RE-MAKE está visível nas principais artérias e zonas cen-

CIN RE-MAKE’10 espalha cor pelas ruas As palavras do escritor José Luís Peixoto serviram de inspiração e o resultado está à vista nas ruas de Lisboa. O CIN RE-MAKE’10 desafiou estudantes do ensino superior, de norte a sul do país, a personalizarem quatro murais, transformados em obras de arte numa Exposição Contemporânea de Cor. 66

Muro Av. de Ceuta / RESTART

Muro Rua José Gomes Ferreira / IADE

Muro Rua José Gomes Ferreira / ESAD

trais de Lisboa – Via de Acesso à Ponte 25 de Abril, Rua da Imprensa à Estrela, Avenida de Ceuta e Rua José Gomes Ferreira - até Abril de 2011. A mostra integra trabalhos de alunos da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, Escola Técnica de Imagem e Comunicação (ETIC), Instituto de Criatividade, Artes e Novas Tecnologias (RESTART), Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing (IADE), Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Universidade Católica do Porto, Escola 67


cin

iniciativas Metallic Paint Copper Penny (ref. X003)

Muro Rua da Imprensa à Estrela / FAUTL

Muro Alcântara / UCP

Superior de Artes e Design (ESAD) e Escola Artística do Porto. A CIN pretende, com esta iniciativa, explorar as potencialidades da cor em todas as suas vertentes. Em 2008, o CIN RE-MAKE desafiou seis personalidades (José Adrião, Dino Alves, Pedro Sousa, Toni Grilo, Sofia Areal e Tiago Bettencourt), de seis áreas

de expressão artística, a transformarem seis eléctricos da Carris, o que se traduziu numa verdadeira aposta na arte em movimento. Em 2009, estudantes de arquitectura e design deram cor aos autocarros e metros das cidades de Lisboa e Porto, surpreendendo milhares de viajantes. Este ano, mais uma vez, as cores da Muro Av. de Ceuta / FBAUP

Tela Tassoglas + Metallic Paint Silver (ref. Z550)

Metallic Paint Champagne (ref. A638)

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Muro Alcântara / ESAP

CIN vão andar à solta pelas ruas da capital, numa iniciativa que resultou da parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa, o escritor José Luís Peixoto e as principais universidades portuguesas. Q 69


ponte pênsil

memórias Os pilares da Ponte Pênsil permanecem no lugar original

Texto: Marta Almeida Carvalho Foto: Centro Português de Fotografia

A Ponte Pênsil, originalmente denominada de D. Maria II, era uma ponte suspensa que ligava as duas margens do rio, entre Porto e Gaia. A sua construção foi iniciada em Maio de 1841, para comemorar o aniversário da coroação de D. Maria, tendo terminado cerca de dois anos depois do início das obras.

A sucessora da Ponte das Barcas 70

A Ponte Pênsil foi inaugurada em 1843, substituindo a célebre Ponte das Barcas que ligava Porto e Gaia. A nova infra-estrutura, com 150 metros de comprimento e seis de largura, viria assegurar um melhoramento no tráfego entre as duas margens do Douro e, num teste à sua resistência, suportou mais de 105 toneladas, constituídas por cerca de 100 pipas de água. Manteve-se em funcionamento durante cerca de 45 anos, tendo sido substituída em 1886 pela Ponte Luíz I, construída ao lado. Sobre esta uma curiosidade: foi inaugurada sem a presença do Rei D. Luís I e, por isso, a população do Porto decidiu, em resposta ao que considerou um acto desrespeitoso, retirar o “Dom” do respectivo nome. Logo a ponte chama-se “Luíz I” e não “D. Luíz I”, como erradamente é designada. Após a inauguração da Ponte Luís I, a ponte pênsil foi desmontada. Dela restam ainda os pila-

res e as ruínas da casa da guarda-militar que assegurava a ordem e o regulamento da ponte, bem como a cobrança de portagens para a sua travessia. Ponte das Barcas A Ponte das Barcas, projectada por Carlos Amarante e inaugurada a 15 de Agosto de 1806, era constituída por vinte barcas ligadas entre si por cabos de aço com possibilidade de abertura a meio para facultar a passagem ao tráfego fluvial. Em 1809, na sequência da investida militar liderada pelo marechal Soult, aquando da segunda invasão francesa, deu-se a célebre catástrofe da Ponte das Barcas que fez cerca de quatro mil mortos. Na ânsia de fugir às cargas de baioneta das tropas francesas, o excesso de multidão fez abalar a ponte e as pessoas caíram ao rio. A ponte foi reconstruída depois da tragédia e acabou por ser substituída definitivamente pela Ponte Pênsil em 1843. Q 71


mem贸rias

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ponte p锚nsil

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porto canal

televisão

Muito mais desporto

Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira/PC

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Uma das novas apostas, no âmbito desportivo, do Porto Canal passa pela transmissão dos jogos do Boavista, em directo do estádio Bessa XXI, na cidade do Porto. Para além de um reforço na oferta desportiva, o destaque vai também para «O Novo Norte», programa que distingue projectos de desenvolvimento para a região nortenha e «Clube de Cozinheiros», onde se pode aprender receitas rápidas e práticas. 75


porto canal

televisão

Futebol em directo A grande novidade da grelha de programação do Porto Canal é a transmissão, em directo do estádio do Bessa, dos jogos do Boavista FC. Devido à grande tradição que tem na cidade do Porto, o clube movimenta muitos adeptos fiéis, apesar de se encontrar a disputar o campeonato da II Liga. A transmissão dos jogos em casa possibilita, assim, uma maior visibilidade ao histórico clube da cidade do Porto. Q

Humberto Ferreira apresenta, semanalmente, dois programas desportivos no Porto Canal. «A Bola é Redonda», com a duração de 85 minutos, conta com um painel de convidados residente: Manuel Serrão como representante do FC Porto, Luís Cirilo defende as cores do Sporting de Braga e António Duarte as do Vitória de Guimarães a quem se junta ainda Paulo Ferreira do Amaral, pelo Sporting, e Raul Lopes pelo Benfica. Os cinco elementos, moderados pelo apresentador, analisam e comentam, semanalmente, a actualidade futebolística. Além da análise aos resumos da jornada, dão o seu parecer do que se passou durante o fimde-semana desportivo. O programa é transmitido às segundas-feiras, às 22h00 e repete no dia seguinte às 13h. Humberto é também o moderador de «Tribunal», um programa semanal, de 55 minutos, onde, juntamente com dois convidados, analisa os jogos de fim de semana e atende telefonemas dos telespectadores que fazem também a aná76

lise da jornada e, em directo, deixam opiniões sobre jogadores, treinadores, tácticas e estatísticas. O telespectador pode ainda participar enviando mensagens SMS. O programa é transmitido aos domingos, às 22h00 e repete segunda-feira às 02h30. Todas as quintas-feiras, pelas 23h00, no programa «A Jornada», Tiago Marques traz a estúdio dois convidados para debater e fazer a antevisão da jornada da semana. Neste espaço fala-se de golos, de momentos únicos do futebol, de novas apostas, e daquilo que se prevê para o futuro do campeonato. Os telespectadores podem intervir no programa através de chamadas telefónicas em directo. O apresentador também surge em directo, todos os sábados às 13h30, com «Lado B do Desporto», para desvendar o desporto para além do futebol. Entrevistas com desportistas e atletas de excelência de modalidades menos visíveis, que vão desde o andebol até ao tiro ao arco.

«Clube dos Cozinheiros» Este programa, apresentado por Sónia Balieiro numa co-produção com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), pretende destacar projectos inovadores de desenvolvimento regional de âmbito prioritário para a Região Norte. Inovação, criatividade, empreendedorismo, sustentabilidade e inclusão são alguns dos temas abrangidos. O programa exibe-se às terças-feiras, às 21h30h, e aos sábados às 11h30. Q

O Clube dos Cozinheiros é um programa semanal de culinária, com a duração de cerca de 25 minutos, que apresenta sugestões de pratos rápidos, confeccionados pelo conhecido e premiado chefe José António Alexandre. O programa é transmitido diariamente, de segunda a sexta-feira, às 12h30 e repete sábado e Domingo às 08h00. Q 77


Actualidade

Vila do Conde The Style Outlets Neste Natal, não é preciso exagerar nos gastos para obter um look fabuloso. A solução está em conhecer um pouco melhor o Vila do Conde The Style Outlets, onde é possível ficar rendido ao espaço e aos preços. É difícil resistir aos beges, castanhos e pretos nesta estação. Aqui ficam os conselhos de moda low-cost de Alexandra Ferreira. 1 – Bimba Y Lola PVP: 240,00 € Outlet: 59,00 € 2 – Ana Sousa PVP: 60,90 € Outlet: 43,50 € 3 – Pull & Bear PVP: 39,95 € Outlet: 17,00 € 4 – PROF PVP: 462,00 € Outlet: 235,00 € Total PVP: 802,85 € Outlet: 354,50 €

Gastronomia nacional além-fronteiras A cidade do Porto conta agora com uma nova entidade que pretende exportar o que há de melhor na gastronomia portuguesa. A Associação para a Promoção da Gastronomia e Vinhos, Produtos Regionais e Biodiversidade (AGAVI) foi recentemente oficializada, sob o olhar atento de algumas das mais importantes entidades nacionais como a Associação Empresarial de Portugal, a Associação Nacional de Jovens Empresários, a Associação de Empresas de Vinho do Porto e a Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT). A AGAVI apresenta já uma significativa lista de parceiros como a No Less, que organiza o Porto.Come, a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, as Edições do Gosto, a Associação Portuguesa de Profissionais de Cozinha, a Vinitur e a PA Leading. Prevê-se que, até ao final de 2010, possam ainda aderir outras entidades que têm demonstrado entusiasmo e abertura para 78

abraçar este projecto nacional de ambição internacional. O objectivo da AGAVI é servir de ponto de encontro entre as organizações públicas e privadas que trabalham nos sectores do Vinho, do Agroalimentar, na indústria e no Turismo. Além de articular as actividades desenvolvidas, pretende desenvolver uma ampla estratégia de promoção do melhor de Portugal nas referidas áreas. A AGAVI acredita que Portugal tem perdido oportunidades de internacionalizar aquilo que faz de melhor, sendo a gastronomia e os vinhos um bom exemplo da cultura e do saber lusitanos. Assim, a entidade propõe realizar, em 2011, um Congresso Internacional de Gastronomia e um Fórum Gastronómico e Vínico dedicado ao Mundo Português, que permita mostrar nacional e internacionalmente o nosso receituário e as diferentes representações que, ao longo da história, foi tendo em países de expressão portuguesa. A AGAVI já está, por isso, a criar parcerias a nível europeu, pretendendo, a curto prazo, apresentar um conceito piloto de globalização de um espaço de restauração e vinhos com a marca de Portugal. Q

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E como os homens estão cada vez mais preocupados com a sua imagem, encontramos também neste espaço, algumas sugestões a preços muito apelativos que podem aproveitar para este Inverno.

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1 – Salsa PVP: 64,80 € Outlet: 29,00 € 2 – Luigi Piazza PVP: 264,00 € Outlet: 145,60 € 3 – Dealer’s PVP: 51,90 € Outlet: 19,90 € 4 – Max PVP: 67,95 € Outlet: 47,55 € 5 – Gant PVP: 229,00 € Outlet: 137,40 € Total PVP: 677,65 € Outlet: 379,45 € 79


gripe

saúde e bem-estar

Chás de casca de cebola, tília ou folha de laranjeira, sumos de limão ou kiwi e gemadas de ovo podem também ser fundamentais para se ver livre das dores de cabeça, febre e fadiga generalizada, os sintomas mais comuns das gripes sazonais. Importa ainda referir que, no caso do congestionamento nasal, a inalação de vapores resultantes de infusões (de cebola ou folhas de eucalipto, por exemplo) é uma boa solução. Se, por outro lado, preferir apostar na prevenção, saiba que os agriões, o alho cru e a cebola podem ser importantes aliados.

Curar uma gripe sazonal sem ter que sair de casa pode, com alguma sorte, revelar-se uma tarefa simples. Chás, vegetais ou mesmo “cocktails” com pequenas quantidades de bebidas alcoólicas são apenas algumas das alternativas para quem quer acabar com os sintomas gripais sem ter que recorrer a medicamentos.

Cuidados essenciais Texto: Ana Tulha Fotos: Virgínia Ferreira

Entre os remédios caseiros mais comuns, destaque para o leite quente com mel, o chá de limão e o sumo de laranja, com ou sem o tradicional “bagacinho”. Mas desengane-se se acha que os “tratamentos domésticos” ficam por aqui.

Diga não à gripe com remédios caseiros

“Segredos caseiros”

Ainda que não sejam milagrosos, há pequenos “segredos caseiros” que ajudam, em muitos casos, a minorar os sintomas causados pela generalidade das gripes sazonais. “O que se sabe, pela prática, é que determinados «remédios» caseiros

“Vai para casa, avinha-te, abifa-te e abafa-te”, diz a sabedoria popular. Um aforismo que, na opinião de Amaral Bernardo, tem toda a razão de ser, na medida em que o descanso e o efeito analgésico e relaxante do álcool podem representar uma importante ajuda.

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aliviam a sintomatologia da gripe. Assim, os sintomas gripais podem ser tratados sem ser necessário recorrer aos medicamentos da farmácia”, explica o Professor Amaral Bernardo, médico do Hospital Geral de Santo António (HGSA).

O médico do HGSA salienta, no entanto, que nenhum remédio caseiro substitui a necessidade de ter determinados cuidados para tentar prevenir a difusão do vírus da gripe. Autocarros, centros comerciais e casas de espectáculo são locais a evitar por quem se encontra engripado, na medida em que os aglomerados favorecem o contágio. Outra regra de ouro passa por beber muita água, uma vez que a transpiração provocada pela subida da temperatura corporal favorece a desidratação. Q Dica: Quando as dores de cabeça são muito violentas, um bom truque consiste em colocar rodelas de batata crua à volta da cabeça, presas por um lenço. 81


porto vivo, sru A Porto Vivo, SRU organizou, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, o Seminário “Sustentabilidade das Operações de Reabilitação Urbana”, no âmbito do Programa de Acção para a Reabilitação Urbana do Morro da Sé_CH.1. A sessão de abertura oficial do Seminário teve inicio no dia 5 de Dezembro com uma visita guiada às obras em curso, à qual se seguiu a apresentação do livro “Plano de Gestão do Centro Histórico do Porto Património Mundial” e dos “Guias de Percursos” para crianças e adultos, elaborados no âmbito da acção de Comunicação e Promoção da candidatura Valorização e Gestão do Centro Histórico do Porto Património Mundial, pelo Professor Doutor Luís Valente de Oliveira, na Igreja de S. Lourenço (Igreja dos Grilos). Um concerto de órgão ibérico, pelo organista Tiago Ferreira, fechou a sessão. No dia 6 de Dezembro foi apresentado o “Guia de Termos de Referência para o Desempenho Energético-Ambiental” pela Directora Regional da Cultura do Norte, Paula Silva. Depois do ponto de situação do processo de Reabilitação Urbana da Baixa e do Centro Histórico do Porto, designadamente no Morro da Sé, ocorreram apresentações paralelas subordinadas aos temas “Adequabilidade das Soluções Projectuais – Salvaguardar com Inovação”; “Da Paisagem Urbana à Paisagem Metropolitana”; “Condições Regulamentares – Contributos ou Constrangimentos?” e “Ecologia Urbana: Representações e Pessoas…a propósito do Morro da Sé”. Antes da sessão de encerramento, realizou-se uma sessão plenária sobre “Sustentabilidade Económica das Operações de Reabilitação Urbana”. As apresentações estarão, em breve, disponíveis no site da Porto Vivo, SRU, em www.portovivosru.pt. Porto Vivo, SRU na 13.ª edição do Salão Imobiliário de Portugal

Sustentabilidade e Reabilitação Urbana 82

Na 13ª edição do Salão Imobiliário de Portugal, que decorreu em Outubro, em Lisboa, a Porto Vivo, SRU apresentou o projecto de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense e do seu Centro Histórico bem como os incentivos à Reabilitação Urbana. Em exposição estiveram ainda exemplos de edifícios e quarteirões já reabilitados ou ainda com obras

em curso bem como a exposição “Valorização e Gestão do Centro Histórico do Porto Património Mundial”. Esta exposição, que já passou por Vila Nova de Foz Côa, Guimarães e Vila Real, integra um conjunto de 24 painéis alusivos a vários temas, nomeadamente Porto Vivo, SRU; JESSICA; Quarteirão Mouzinho da Silveira/ Flores – Menção honrosa do Prémio IHRU 2009 – Reabilitação Integrada de Conjuntos Urbanos; Programa de Acção para a Reabilitação Urbana do Eixo Mouzinho/ Flores_CH.2; Programa de Acção para a Reabilitação Urbana do Morro da Sé_CH.1; Quarteirão das Cardosas; Unidade de Gestão de Área Urbana; Indústrias Criativas; Plano de Gestão do Centro Histórico do Porto e monitorização do mesmo; Sistema de Informação Geográfica GEOPORTO e Prémio GUBBIO 2009. A exposição poderá ser vista na Galeria de Exposições dos Paços do Concelho até Janeiro de 2011. Q 83


porto vivo, sru

Baixa Portuense Experience Novos produtos turísticos trazem sustentabilidade ao Centro Histórico No centro histórico surgiu o Oporto City Flats (OCF), dos irmãos Ricardo e Miguel Martins dos Santos um hotel personalizado e aconchegante, constituído por um conjunto de apartamentos reabilitados, cujo potencial turístico, aliado ao conforto de um bom hotel, apresenta-se como uma boa opção de alojamento para quem visita a cidade. O modelo de negócio mostrou-se interessante, gerando valor acrescentado ao mercado tradicional de arrendamento. De tal forma que neste momento, o OCF, já presta este serviço a apartamentos de outros proprietários.

Isto tornou-se possível graças ao novo regulamento do Alojamento Local que a Câmara Municipal do Porto, implementou, simplificando e permitindo o licenciamento para fins turísticos, de uma forma mais rápida, acessível e eficaz. O OCF está agora iniciar um investimento num segundo segmento de mercado, também ele emergente: Os hosteis. Estes dirigem-se a um público heterogéneo que procura viver experiências intensas e para quem o alojamento tem que ser económico, porém seguro, limpo e funcional. www.opor to-cityflats.com www.facebook.com/opor tocityflats 84

Rivoli Cinema Hostel O primeiro Hostel de Cinema em Portugal está situado no centro da cidade do Porto, na Praça D. João I, em frente ao Teatro Rivoli. Constituído por três pisos e um magnífico terraço com vista sobre a cidade, o edifício foi concebido pelo arquitecto Xavier Esteves, nos anos 30, o mesmo da Livraria Lello. Os 13 quartos - disponíveis em singles, duplos, triplos e quádruplos - podem ser escolhidos por filme ou realizador, sendo que o seu interior está decorado com objectos relativos a cada um deles. Do leque fazem parte nomes como Tim Burton, Tarantino, Ridley Scott, Almodovar, Jean-Pierre Jeunet, Godard, Manoel de Olivei-

ra, David Fincher, Emir Kusturica, Fernando Meirelles, Stanley Kubrick, Spielberg, Wong Kar-Wai entre outros. Este espaço singular, onde pode “dormir” com estrelas de cinema e apreciar, ao final da tarde o pôr-do-sol sobre a cidade, tem duas áreas lounge, com Internet gratuita, uma grande colecção de dvds, biblioteca, playstation e no verão uma pequena piscina. Recentemente foi galardoado com o Prémio de melhor Atmosfera/Ambiente no site do hostelbookers. Os preços variam entre os 17 e os 21 euros por pessoa. www.rivolicinemahostel.com 85


obelisco

através dos tempos

Desembarque do «Rei-Soldado» O obelisco marca a homenagem aos “Bravos do Mindelo”, exército que, em Julho de 1832, liderado por D. Pedro IV, o «Rei-Soldado», desembarcou na praia de Arnosa do Pampelido (hoje da Memória) para lutar contra os exércitos de D. Miguel e libertar o país de um feroz regime absolutista. Este foi o primeiro de uma série de episódios que constituíram o Cerco do Porto e que culminaram na libertação da cidade pelas tropas liberais.

Escudo de armas do Porto ornado com a coroa ducal e com a insígnia da Grã Cruz da Torre e Espada, por ordem de D. Pedro IV

Texto: Marta Almeida Carvalho Foto: Virgínia Ferreira

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São vários os acontecimentos históricos que tiveram a cidade do Porto como palco principal. A guerra civil entre absolutistas e liberais, na primeira metade de século XIX, teve episódios marcantes que se desenrolaram na Invicta e o Cerco do Porto foi o mais “emblemático”. No século XIX, o Liberalismo começou a ganhar forma em Portugal com uma série de movimentos e ideias liberais que circulavam desde as Invasões Francesas (1807-1811). O país encontrava-se sob o domínio inglês, com a família real exilada no Brasil, factor que fez com que a população se tornasse inquieta e exigisse o regresso de D. João VI a Portugal. Como este não regressou, surgiram movimentações, sobretudo por parte das classes mais esclarecidas (burguesia) e a divisão entre absolutistas e liberais levou, então, à Revolução de 1820 na sequência da qual surgiu a Constituição de 1822. O documento afigurou-se liberal demais para a época e, quatro anos depois, D. Pedro IV, tornado rei depois da morte do pai, outorgou a Carta Constitucional de 1826, que viria a impor maior moderação à Constituição. Cerca de um mês depois, abdicou da coroa portuguesa em favor da filha, D. Maria da Glória e nomeou o irmão, D. Miguel, como regente do trono. Depois de jurar a Carta Constitucional, D. Miguel dissolveu as câmaras parlamentares e declarou87


obelisco

através dos tempos

viria a ter preponderância na condução dos combates que duraram, de forma intensa, até Agosto de 1833, e foi protagonista de um episódio curioso: mandou cortar todas as árvores da cidade de forma a suprir a escassez de lenha. A retirada dos realistas

Pelas 12 horas de 8 de Julho de 1832, os liberais desembarcaram na praia de Pampelido, junto à povoação do Mindelo, sem enfrentar resistência das tropas do general Santa Marta

se rei absoluto de Portugal, impondo um feroz regime absolutista. Em plena guerra civil, e após uma sucessão de revoltas e levantamentos populares, fomentada por ambas as facções, as tropas de D. Pedro reuniram-se numa esquadra liberal que desembarcou na praia de Arnosa do Pampelido, em Matosinhos, em 8 de Julho de 1832. O Cerco do Porto Sem resistência por parte das tropas miguelistas, os liberais avançaram sobre a cidade, onde entraram na manhã de 9 de Julho. Se o primeiro erro do exército miguelista foi o de permitir a fácil ocupação da cidade pelos liberais, o segundo deuse com um bombardeamento que efectuou sobre ela levando mesmo os mais cépticos face ao Liberalismo, a cerrar fileiras em volta do «Rei-Soldado». O objectivo dos miguelistas era o de afastar a população mas aconteceu precisamente o contrário. Ao saber que havia perdido o domínio do Porto, D. Miguel mandou reforços e, no dia 13 de Julho, desencadeou um violento ataque à cidade, sem êxito. A partir de então a cidade do Porto ficou 88

cercada pelas tropas absolutistas e tornou-se o único baluarte de resistência liberal (o único reduto exterior era a Serra do Pilar). À medida que o cerco se ia acentuando, e que os ataques por parte dos absolutistas se intensificavam, era imperioso

D. Pedro IV e o Porto • No final do Cerco, D. Pedro IV, num acto de reconhecimento para com a cidade e as suas gentes, que se mantiveram sempre fiéis aos ideais liberais, atribuiu-lhe a Grã-Cruz da Torre e Espada, o epíteto de “Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Por to” e o título ducal, elementos que, a par tir de então, passaram a integrar o brasão da cidade. Com a atribuição do título ducal, decretou que o segundo filho ou filha dos reis de Portugal tivesse o título de Duque ou Duquesa do Porto. • Para demonstrar a sua admiração pelo Porto, que se reuniu em massa em torno do seu exército no combate ao regime absolutista, D. Pedro ordenou que, após a sua mor te, o seu coração fosse enviado para a cidade onde deveria ficar para sempre. O coração do «Rei-Soldado» encontra-se conservado na Igreja da Lapa.

fortificar a cidade, constituindo várias baterias, redutos e fortificações, instalados quer no interior, quer na cintura exterior da cidade. Em Setembro deu-se o reinício dos combates e os liberais tomaram o morro das Antas. Em Novembro a cidade sofreu um novo ataque miguelista que foi, uma vez mais, repelido. Em Janeiro de 1833 chegou à cidade o Marechal Saldanha que

Após vários meses de violentos combates, proliferavam, dentro da cidade cercada, as epidemias e a instabilidade. Soldados e população pegavam em armas para a defender. De forma a aliviar a pressão miguelista, foi projectado um ataque a Lisboa para desviar as atenções do Porto. Este ataque viria a desencadear-se no Algarve, de onde as tropas liberais partiram para entrar na capital em Julho de 1833. D. Pedro partiu então para Lisboa, deixando o marechal Saldanha encarregue da defesa da cidade. Com a notícia de que a capital havia sido tomada pelos liberais, os miguelistas começam a afrouxar os ataques e a retirar do Porto. Num último acto desesperado destruíram um armazém de vinho do Porto em Gaia, queimando cerca de 18 mil “pipas de vinho fino e 533 de aguardente, prejuízo calculado em 2 513 631$541 réis”. 23 de Agosto de 1833 é a data que marca o fim do Cerco do Porto que durou aproximadamente um ano. A guerra civil continuou e só em Maio de 1834, na Convenção de Évora-Monte, os marechais Saldanha e da Terceira receberam a rendição do marechal José António de Azevedo Lemos, pondo fim à guerra civil.Q

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curiosidades

natal A época natalícia é feita de um conjunto de tradições acumuladas ao longo de séculos, muitas delas de origem pagã que foram sendo adoptadas pelos cristãos. A Igreja tentou proibir alguns desses costumes mas sem sucesso. Texto: Marta Almeida Carvalho

A caminho do Natal São muitas as tradições aliadas a esta época do ano. Somando rituais pagãos e cristãos o resultado foi a grande festa celebrada um pouco por todo o mundo. A quadra, religiosa por natureza, transformou-se numa corrida consumista que foi alterando o significado do Natal ao longo dos tempos. As tradições da festa surgiram, fundamentalmente, na Idade Média. Sabia que: • Nos rituais pagãos, o pinheiro de Natal simbolizava poderes mágicos para quem enfeitasse a casa com verduras. A Igreja tentou banir este ritual das práticas cristãs, sem sucesso, sendo quase que obrigada a aceitá-lo. Para tal convencionou que representaria a Santíssima Trindade devido à sua forma triangular. • A figura do Pai-Natal resultou de uma mistura de S. Nicolau, um bispo originário da Ásia Menor há mais de oitocentos anos, e da figura pagã do Velho Inverno.

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• O hábito de trocar presentes na época natalícia resulta da lenda dos três reis magos que seguiram uma estrela luminosa até ao estábulo onde nasceu Jesus. Baltasar, Belchior e Gaspar transportavam ouro, incenso e mirra para oferecer ao Salvador como prova de humildade. Hoje, os presentes trocados são bem diferentes. • O primeiro exemplar de um presépio foi reproduzido em Roma, no século V. Representando a gruta onde terá nascido Jesus, foi divulgado por S. Francisco de Assis que, tomando por referência as descrições bíblicas do nascimento, reproduziu-as em miniaturas. • A missa do galo, embora associada ao nascimento de Cristo, não é um produto do cristianismo. O dia 25 de Dezembro tinha conotação religiosa por ser o dia do solstício de Inverno. Significava tempo de renovação, marcando o início da caminhada para a Primavera. Ceia de Natal A ceia de Natal é uma tradição e o ambiente festivo reúne a família nesta noite especial. À mesa não faltam as iguarias. Com as diferenças características que marcam cada zona podem-se encontrar o tradicional bacalhau (costume portuense), o perú, a aletria, o leite-creme, as filhoses, os pinhões, as nozes e, claro, as imprescindíveis rabanadas às quais se junta o bolo-rei. Para beber, o vinho fino e o champagne têm um lugar privilegiado na mesa da consoada. Depois da ceia, que pode ser antes ou depois da missa do galo (os portuenses realizam-na antes), o serão é de conversa e jogos com a família. Q 91


famalicão

descobrir

Fotos: CMF/Praça-Café

Ecopista liga Famalicão à Póvoa Líder na aposta em novos projectos e sabores, Famalicão continua a primar pelo dinamismo e pelo investimento no tecido social. A construção de uma ecopista, que ligará o município à Póvoa de Varzim, e o investimento no parque escolar continuam a marcar as prioridades de um concelho apaixonado pelas iguarias culturais. 92

Até 2014, as cidades de Vila Nova de Famalicão e Póvoa de Varzim vão estar ligadas por uma ecopista de 28 quilómetros. A autarquia famalicense é responsável pela construção de dez quilómetros do projecto, que vai atravessar as freguesias de Vila Nova de Famalicão, Brufe, Louro, Outiz, Cavalões e Gondifelos, ficando a Câmara da Póvoa com a tarefa de concretizar 18 quilómetros de pista, num investimento de 3,5 milhões de euros.

Além da via, o projecto inclui a “recuperação das antigas estações dos caminhos-de-ferro e iluminação, assim como os acessos a determinados pontos de interesse ao longo do percurso”. O projecto que agora está prestes a sair do papel representa um antigo desejo dos dois municípios, tratando-se de um percurso ao longo do qual é possível apreciar a natureza e praticar desporto. Por entre bosques e milheirais, aldeias típicas e quintas vinícolas, o trajecto oferece excelentes condi93


famalicão

descobrir Iguarias culturais no Praça-Café

ções para desfrutar da natureza da região, num ambiente de grande beleza e tranquilidade. Investimento de 40 milhões no parque escolar A Câmara Municipal e o Governo estão a investir 40 milhões de euros no parque escolar de Vila Nova de Famalicão. Trata-se de um volume financeiro sem precedentes que está a qualificar a rede de escolas públicas dos ensinos pré-escolar, básico e secundário do concelho. Na inauguração das obras de ampliação e modernização da Escola do 1.º ciclo de Agra Maior, o presidente da Junta de Vermoim, Xavier Forte, afirmou ter-se avançado “mais uma página do livro da educação do município”. Nesta freguesia, Armindo Costa, autarca famalicense, encerrou um ciclo de inaugurações escolares, que envolveram obras num montante de 1,6 milhões de euros, com as quais a Câmara Municipal assinalou a abertura do ano lectivo 2010-2011. “Estão em curso investimentos da Câmara Municipal e do Governo na ordem dos 40 milhões de euros, em escolas do ensino pré-escolar, do ensino básico e do ensino secundário”, lembrou o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Fama94

licão, referindo-se aos 16 milhões de euros investidos pela autarquia na construção de dois novos jardins-de-infância (Cruz e Fradelos), na ampliação e modernização do Centro Escolar de Delães e da Escola do 1º Ciclo de Agra Maior (Vermoim) e na construção de seis novos centros escolares (Antas, Famalicão, Joane, Louro, Ribeirão, Telhado) e aos 24 milhões de euros aplicados pelo Ministério da Educação na Escola Secundária Camilo Castelo Branco (11 milhões em obras de ampliação e modernização já realizadas) e na Escola Secundária D. Sancho I (13 milhões em obras que estão em curso). “Dentro de 10 anos, o concelho de Famalicão vai receber os juros destes investimentos, pois estará melhor preparado para enfrentar os desafios do futuro”, salientou Armindo Costa.

A transformar as refeições em momentos especiais de sabores diversos banhados em cultura está, desde Maio de 2009, o restaurante Praça-Café, localizado em Vila Nova de Famalicão, no empreendimento habitacional de Talvai. Com uma forte aposta em linhas modernas, o edifício utiliza o vidro como material dominante, servindo de espaço aos mais variados acontecimentos. “Desde a sua função primordial, que é de cafetaria e restauração”, realiza também “reuniões de empresas e festas infantis”, possuindo ainda a vertente de bar e discoteca, como explicou Cláudia Ribeiro, sócia-gerente e chef do Praça-Café, à Viva. De segunda a quinta-feira, entre as 12 e as 24 horas, e às sextas e sábados das 12 às 2 horas, o Praça-Café está de portas abertas, tendo capacidade para acolher 100 pessoas só no interior, onde existe uma esplanada “que proporciona aquecimento no Inverno” e funciona como zona de fumadores. A pensar nas pessoas com filhos de tenra idade, o restaurante apostou num jardim interior com plantas aromáticas, “que permite às famílias com crianças uma brincadeira em segurança”. E se a intenção é desenhar um cenário mais romântico ou acolhedor, os candeeiros em lâminas metálicas “que parecem estalactites” falam por si só, “criando várias graduações de luz, conforme os ambientes que se queiram criar”. Um dos objectivos do Praça-Café é a utilização do espaço para a realização de actividades culturais, ou não fosse um dos seus sócios o ex-director da Casa das Artes de Famalicão e do Theatro Circo de Braga, Paulo Brandão. “Temos um coreto exterior para concertos ou espectáculos; temos uma loja com produtos de quatro designers da nova geração – a Mulo – e temos animação musical todos os fins-de-semana, desde dj’s, bandas mais alternativas, música brasileira, jazz, fado, pop”, salientou a sócia-gerente. Aliar a tradição à inovação, “com a qualidade desejada”, é, assim, uma das bandeiras do restaurante. A estratégia de futuro passará pela aposta na programação cultural. “Neste momento, é importante a divulgação do restaurante e da loja de design, que abriu no quiosque do espaço, (…) e

apostar na animação musical, de diversos géneros, para abranger vários públicos. Por exemplo, na noite de ano novo, o Praça-Café, depois do jantar, vai transformar-se num espaço de dança e animação, com muitos convidados. Queremos, cada vez mais, tornar este sítio diferente dos que existem na cidade, talvez mais cosmopolita”, finalizou. Q

Especialidades da casa

De acordo com Cláudia Ribeiro, “o menu da casa foi criado a par tir de algumas ideias baseadas na dieta mediterrânica, par tindo de boas matérias-primas, com uma execução simples”. O Praça-Café convida, assim, a apreciar um menu de bifes com diversos molhos, acompanhados com batatas assadas no forno com alecrim, azeite, limão e sal, uma combinação “saudável e diferente”. Em declarações à Viva, a chef do restaurante destaca ainda a francesinha “Madeirense”, elaborada com bolo do caco – pão redondo e achatado feito com batata doce e alho – as pizzas com queijo ricota fresco, feito na casa, e, por fim, o conceito espanhol de tapas, “que, a pouco e pouco, tem cada vez mais adeptos e que passa por morcela crocante com abacaxi natural, tostas com recheios variados ou cogumelos frescos salteados”. E como os grandes segredos, por vezes, escondem os mais simples truques, Cláudia Ribeiro revelou à Viva que uma das mais-valias do restaurante está num ingrediente utilizado. “A brincar lhe digo que é o azeite. Tudo é feito com azeite”, constatou a sócia-gerente, mencionando também a impor tância da simpatia e do bom ambiente como factores de atracção. 95


descobrir

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infogás

gás natural

Aquecimento de ambiente O aquecimento de ambiente a Gás Natural é uma solução que oferece vários níveis de desempenho e uma redução significativa nos custos energéticos mensais. Ao mesmo tempo que garante a temperatura desejada, a emissão de calor direccionada e um funcionamento silencioso, apresenta-se como uma solução acessível e adaptável a todas as necessidades. 98

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gás natural

infogás

Aquecimento por pavimento radiante

mas tradicionais de aquecimento. Estão disponíveis no mercado dois tipos de sistemas de aquecimento radiante a Gás Natural - tubos e painéis radiantes. Os primeiros podem ser montados isoladamente ou em sistemas múltiplos, sendo esta a solução indicada para locais com áreas grandes. A solução de aquecimento através de painéis radiantes é indicada para o aquecimento de locais pouco estanques ou semiabertos e que não necessitem de extrair os gases de combustão.

Aquecimentos de interiores São vários os sistemas de aquecimento, a Gás Natural, pelos quais se pode optar. A solução mais comum é a do aquecimento central: através da utilização de uma caldeira de elevado rendimento, é aquecida a água que circula num circuito fechado, proporcionando, assim, um ambiente confortável, mantendo os espaços interiores à temperatura desejada e permitindo o controlo do período de funcionamento, através de uma simples programação da caldeira. A grande vantagem deste sistema está na economia. Mais económico do que qualquer outra forma de energia, reduz significativamente a despesa energética, uma vez que permite uma diminuição dos custos da potência eléctrica contratada, através da transferência de consumos. Por outro lado, o aquecimento radiante permite obter uma importante redução de custos no aquecimento de grandes espaços como moradias, oficinas, infra-estruturas desportivas, armazéns, naves industriais e 100

Climatização a Gás natural

grandes superfícies. Por ser direccionado, o sistema proporciona uma sensação de conforto, utilizando energia de baixo custo que permite obter até 50 por cento de economia comparativamente a siste-

O Gás Natural pode ser utilizado para a produção de calor e frio, respondendo a necessidades específicas de aquecimento, refrigeração ou mistas, através de equipamentos para a produção de frio e de águas quentes sanitárias como as Bombas de Calor com motor a gás e os Chillers de Absorção. Podendo ser utilizada em habitações, a climatização é, sobretudo dirigida a sectores de actividade especí-

ficos como hotéis, restaurantes, hospitais, escritórios, estabelecimentos de ensino, espaços comerciais e infra-estruturas desportivas. Aquecimento de exteriores Os aquecedores de exterior a Gás Natural proporcionam grande conforto térmico a estes espaços. Concebidos com materiais anti-corrosão, cobrem uma área circular entre os 2,5 e os 5 metros. Para potenciar o aquecimento de grandes áreas, devem ser colocados em grupo de forma a que o calor seja constante. São equipamentos seguros, flexíveis e de fácil utilização. Q 101


portofólio

Porto romântico e democrático Visto em substância própria e histórica, o Porto é romântico, franciscano e democrático. No cais, nas arcarias e ruelas da Ribeira e Miragaia, ou nas ásperas congostas (ruas estreitas) que trepam até à Sé e à Cordoaria, respira-se e palpa-se Idade Média. Jaime Cortesão 102

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amp Texto: Marta Almeida Carvalho

Projectos polémicos

A construção do CMIN estava projectadapara os terrenos da maternidade.

A construção do Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN) e a decisão do governo de portajar as SCUT são assuntos que têm estado na ordem do dia. Nas SCUT o Norte fala, uma vez mais, em discriminação, pela entrada em vigor do pagamento das portagens mais cedo do que no resto do país, enquanto a autarquia portuense acusa o governo de incumprimentos legais relativamente ao local escolhido para a construção do CMIN. No entanto, o diálogo prossegue e ambas as partes pretendem uma solução consensual e equilibrada. 104

Centro Materno-Infantil origina polémica A intenção de construir uma unidade de saúde vocacionada para o atendimento e assistência materno-infantil, no Porto, corresponde a uma ideia com mais de duas décadas, quando os serviços neonatais não conseguiam dar resposta eficiente

às solicitações. De acordo com alguns especialistas na área da saúde, a situação alterou-se ao longo dos últimos anos e, actualmente, já não existem carências que justifiquem a construção do Centro Materno-Infantil do Norte. Octávio Cunha, ex-director da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais e Pediátricos do Hospital de Santo António, defende que “todos os nascimentos deveriam acon105


amp falta de intenção do governo de proceder ao pagamento previsto. Mais recentemente, o processo conheceu novos contornos já que o Centro Hospitalar do Porto (CHP) apresentou um projecto para a construção do CMIN, de volta aos terrenos da Maternidade, que foi indeferido pelas direcções municipais do Urbanismo e da Via Pública. As principais razões para o «chumbo» prendem-se, segundo a autarquia, com a violação de um conjunto de regulamentos urbanísticos e a saturação viária da zona envolvente. Face a esta posição da câmara, o Ministério da Saúde entrou no processo, libertando o CHP da necessidade de licenciamento e reduzin-

do, assim, o papel da autarquia à simples emissão de um parecer prévio. Tendo o CHP mantido a generalidade das intenções, os serviços municipais «chumbaram», uma vez mais, o projecto mas a autarquia disponibilizou-se para ajudar a encontrar uma localização alternativa, onde a construção do CMIN fosse viável. Octávio Cunha também não concorda com a construção no local escolhido e propõe como solução provisória. O especialista admite que seria mais importante a “construção de raiz de um ambulatório e consulta externa do hospital pediátrico Maria Pia” uma vez que o encerramento desta unidade de saúde, por falta de condições, é “urgente”. Q

De Scut a autoestradas em 180 dias

O professor Octávio Cunha defende os nascimentos nos hospitais

tecer em unidades de saúde multidisciplinares” ou seja, nos hospitais. “É lá que temos todas as condições para fazer face a qualquer complicação que possa surgir”, garante, lembrando que a taxa de mortalidade nestas unidades de saúde é “quase nula”. Para Antas Guimarães, cirurgião-pediatra, a construção do CMIN também não faz sentido, uma vez que é um projecto que surgiu em determinada altura e cujo contexto se foi alterando. “À semelhança do que acontece na Europa, o que faz sentido é a integração dos hospitais pediátricos num hospital multidisciplinar”, refere, sublinhando que a unidade com mais condições para o efeito seria o hospital de S. João. “A Maternidade está obsoleta, o Maria Pia não tem condições físicas nem técnicas e não tem lógica os serviços pediátricos andarem espalhados por aí”, garante o médico. Inicialmente, o local escolhido para a construção do CMIN foi um terreno no interior da Maternidade Júlio Dinis que previu a demolição do Bairro de Parceria Antunes, tendo, as 153 famílias que lá moravam, sido realojadas pela autarquia portuen106

se. Entretanto, a ideia de construir o CMIN nos terrenos da Maternidade foi abandonada, tendo então sido escolhido, para o efeito, um terreno adjacente ao Hospital de S. João. Com esta decisão, o governo decidiu reconstruir o bairro que havia sido demolido e, numa lógica de novas preocupações urbanísticas, consentâneas com a política de habitação da Câmara Municipal do Porto (CM Porto), nasceu um bairro moderno com 52 habitações, no lugar das 130 existentes anteriormente. Nesta altura foi firmado um compromisso entre o governo e a câmara de que a tutela iria suportar a construção do novo bairro, através de quantias entregues em várias tranches, no sentido de ressarcir a autarquia de cerca de um milhão de euros despendido com o realojamento dos moradores. Mas o processo viria a conhecer nova inversão já que o então ministro da saúde, Correia de Campos, decidiu retomar a construção do CMIN nos terrenos da Maternidade, agora ainda mais reduzidos, tendo sido também, nesta altura, que a CM Porto interpôs um processo em tribunal devido à

Apesar de já estar em prática, a decisão do Governo de por tajar as estradas sem custos para o utilizador (Scut) revelou-se polémica devido ao alegado impacto negativo na economia das regiões, sobretudo do Nor te do país. Os concelhos que integram a Área Metropolitana do Por to falam em discriminação e consideram a medida de introdução de por tagens em três Scut como um “erro de gestão política” salientando a “desigualdade” de tratamento no território nacional. A cobrança de por tagens, introduzida em Outubro nas Scut Grande Por to, Costa de Prata e Nor te Litoral, originou uma posição conjunta dos autarcas nor tenhos, que exigem do governo igualdade de critérios, com base num estudo elaborado pelo Gabinete de Estudos da Câmara do Por to. O documento vem demonstrar que a região é prejudicada não só pelo facto do início de pagamento ter momentos diferentes entre regiões – Outubro de 2010, no Nor te, e Abril de 2011 nas outras quatro Scut – como também pelos critérios definidos para as isenções e descontos por quilómetro de via, para além do facto das receitas geradas por estas três estradas constituírem quase 70 por cento da receita total da cobrança de por tagens nas Scut. 107


porto

amp

Política

de proximidade

No âmbito da constante melhoria dos serviços disponibilizados aos cidadãos, a Câmara Municipal do Porto (CM Porto) criou um novo espaço, em plataforma digital, que permite uma maior interactividade entre o munícipe e a autarquia. Depois do arranque das obras na Praça de Lisboa e da apresentação do projecto para a requalificação do «Rosa Mota», projectos que irão dinamizar ainda mais a cidade, a Baixa veste-se, agora, de luz para receber a época natalícia. 108

Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Rui Meireles / CMP

Praça de Lisboa renovada As obras de reconversão da Praça de Lisboa, que arrancaram em Julho, decorrem a bom ritmo e, de acordo com Gonçalo Gonçalves, vereador do Urbanismo e Mobilidade da Câmara do Porto, a sua conclusão está prevista para o próximo Verão. O novo projecto, da autoria do arquitecto Pedro Balonas, pretende garantir um espaço multifacetado, onde irão coexistir áreas de restauração, cultura e lazer bem como o “Pólo Zero” da Federação Acadé-

mica do Porto. De acordo com o arquitecto, as características do espaço irão permitir a “fixação de formatos de negócio pioneiros” bem como a instalação de marcas institucionais que, habitualmente se costumam fixar em “espaços periféricos”. Este novo conceito irá, assim, permitir uma maior diversidade de oferta, complementando a que já existe, em toda a zona envolvente. Ao longo do tempo, e apesar da centralidade, o espaço foi-se degradando para renascer, agora, como um novo pólo de atracção no coração da Baixa portuense. 109


porto

amp

Requalificação do “Rosa Mota” potencia turismo de negócios Da autoria de Carlos Loureiro, arquitecto que originalmente o concebeu em 1952, foi já concluído o projecto de reabilitação do Pavilhão Rosa Mota no sentido de o transformar num equipamento moderno de grande interesse cultural, desportivo e turístico para região. O investimento, de cerca de 19 milhões de euros, comparticipado pelo QREN, irá dotá-lo de uma maior polivalência para a utilização multiusos. A reabilitação do equipamento, com uma forte aposta na requalificação estrutural, tem em vista potenciar o turismo de negócios através da criação de espaços para acolher congressos e eventos culturais, recreativos e desportivos, pela sua localização privilegiada e afirmação no plano nacional e internacional. As características arquitectónicas do edifício não irão ser adulteradas e o novo equipamento irá dispor de áreas de expansão em cave, um restaurante, uma sala para cerca de 1200 pessoas e diversas áreas técnicas. Devido à colocação de bancadas retrácteis e da possibilidade de remoção de cadeiras, o pavilhão poderá acolher eventos para grandes massas. A reestruturação terá ainda em conta a preservação dos emblemáticos jardins que rodeiam o edifício, cujo arranque das obras está previsto para o final do primeiro trimestre de 2011. Câmara do Porto inova com Balcão de Atendimento Virtual Integrado no plano de modernização dos serviços municipais e com o objectivo de melhorar a qualidade 110

do serviço junto dos munícipes, a Câmara do Porto criou um novo canal online para contacto com a autarquia: o Balcão de Atendimento Virtual (BAV), cujo acesso é feito através do site da autarquia: www.cmporto.pt. Acessível todos os dias durante 24 horas e centrado nas necessidades dos diversos utilizadores – cidadãos e empresas - integra diversos temas e áreas de carácter municipal, mas também da vertente de outros serviços públicos. A nova plataforma online constitui uma nova etapa no esforço que a Câmara do Porto tem vindo a desenvolver no sentido de dar resposta às exigências da sociedade actual, numa vertente de maior eficácia na interacção entre o munícipe e a autarquia. De acordo com Isabel Santos, directora do Gabinete do Munícipe, este é “um serviço de âmbito alargado, uma vez que ultrapassa a área geográfica do concelho do Porto e possibilita a consulta a qualquer cidadão”. A Câmara do Porto é a primeira no país a criar o Balcão de Atendimento Virtual, onde todos os assuntos podem ser tratados, inclusive pagamentos, sendo que o acesso é facilitado para quem possui o Cartão do Cidadão. “Esta nova plataforma está concebida de forma atractiva e em linguagem fácil, clara e acessível a todos”, garante, salientando ainda a informação estruturada de acordo com os interesses dos utilizadores. Para além da informação específica, o BAV disponibiliza, ainda, toda a legislação referente aos temas consultados, e dá dicas para outros mecanismos que possam ser úteis para os assuntos em questão. Em caso de dificuldade, o utilizador pode ainda entrar em contacto com um assistente que o ajudará na navegação”. Depois de feito o registo, 111


porto

amp Contadores regressivos nos semáforos A Câmara do Porto iniciou, em Setembro, a colocação de contadores regressivos luminosos em alguns semáforos espalhados pela cidade. De acordo com Gonçalo Gonçalves, os novos equipamentos contribuem para uma melhoria das condições de segurança

cada utilizador tem acesso à própria página, organizada a partir do perfil de “cliente” e do seu quadro de interesses predominantes, de acordo, por exemplo, com a sua actividade profissional e na qual ficará registado todo o seu “histórico” de consultas e assuntos tratados na Câmara, por via telefónica, online ou presencial. O novo serviço traduz-se como uma alternativa de optimização que permite interagir com a Câmara, a qualquer hora do dia ou da noite, independentemente da localização geográfica, bastando apenas ter ao alcance um simples computador. Actualizado diariamente, o BAV contou já, numa fase experimental, com 60 mil acessos.

dos peões uma vez que indicam a duração do tempo de atravessamento nas respectivas passadeiras. Para já, os novos equipamentos estão presentes em algumas travessias de peões na Avenida dos Aliados mas está previsto o alargamento deste sistema a outras zonas da cidade. “A implementação gradual de contadores será alargada aos locais cujo tráfego pedonal seja mais intenso”, refere o vereador. Q

Programação de natal 12 Dezembro Desfile de Pais-Natal - Av. Aliados 15 Dezembro Árvore de Natal (Homens T) Av. Aliados Árvore com 11 metros de altura, composta por miniaturas dos homens T pintadas por 100 artistas plásticas e outras centenas de pessoas de várias instituições da cidade. 17 Dezembro – 18h30 18 Dezembro – 21h00 Concertos de Natal “João Gil apresenta Carta Aberta ao Pai-Natal” Rivoli Teatro Municipal – Entrada livre Para além do repertório clássico de João Gil, o 112

concerto incluiu repertório de Natal a ser interpretado pelo grupo de Gospel “Shout” 26 Dezembro Corrida de S. Silvestre - Av. Aliados 31 Dezembro - 22h00 Concerto de Passagem de Ano e fogo de artifício Av. Aliados 1 Janeiro - 16h00 Concerto de Ano Novo - Câmara Municipal do Porto Entrada Livre Espectáculos infantis 2, 6 e 27 Dezembro Imperador e o Rouxinol - Coliseu do Porto 8 e 18 Dezembro Quarto dos brinquedos - Teatro Sá da Bandeira

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gondomar

amp Arroteia, S. Caetano 1, Seixo, Passal e Bela Vista 2. As obras de ampliação e beneficiação dos cinco estabelecimentos de ensino, que representou um investimento superior a quatro milhões de euros, veio beneficiar mais de mil alunos. Em curso está também a remodelação da Escola EB.2,3 de Rio Tinto (Monte da Burra) e já foram adjudicadas as obras de remodelação da Escola EB.2,3 de Gondomar no valor de 10 milhões de euros. As secundárias de Rio Tinto e de Gondomar estão integradas num plano de remodelação escolar por parte do Governo, cujo investimento ronda os 35 milhões de euros para ambos os estabelecimentos de ensino. Para além das obras, o destaque vai, também, para as seis mil refeições diárias servidas aos alunos bem como os diversos programas de desporto e educação física, música, inglês, informática, dança, teatro e outras actividades de enriquecimento curricular. A Câmara de Gondomar presta ainda relevantes apoios a nível de transportes escolares, aquisição de livros, apetrechamento das escolas e criação de bibliotecas escolares. De acordo com Fernando Paulo, vereador do Pelouro de Educação da autarquia, este “esforço ímpar na modernização do parque escolar traduzirá a aposta da Câmara num sector que sempre foi uma das apostas dos executivos liderados por Valentim Loureiro e que se aproxima, cada vez mais, dos princípios da autonomia local e da subsidiariedade”.

Apostar no Futuro

A aposta na educação é uma das prioridades da Câmara Municipal de Gondomar que vê, também, nas acessibilidades e infraestruturas, factores importantes para o desenvolvimento sustentado. A criação e renovação de escolas, o novo pólo tecnológico e a chegada do Metro vêm, ainda, contribuir para o crescimento do concelho. Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: CMG

Educação: uma prioridade São praticamente 65 milhões de euros que o concelho de Gondomar está a investir ao nível do sector da Educação, tratando-se de uma das mais relevantes apostas do Executivo liderado por Valentim Loureiro. No âmbito da Carta Educativa, a Câmara Municipal de Gondomar (CMG) tem prevista a criação de nove modernos Centros Escolares, cinco dos quais já se encontram em fase construção - Carvalhal e Mó (S. Pedro da Cova); Valbom; 114

Mais de um milhão de euros para o movimento associativo

Venda Nova; Boavista-Lourinha e S. Cosme – num investimento que ronda os 15 milhões de euros. Em vias de adjudicação está também o Centro Escolar de Baguim do Monte, orçado em cerca de dois milhões e meio de euros. Serão, ainda, ampliadas e beneficiadas duas dezenas de escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico (CEB) e no Plano de Actividades e Orçamento da Câmara para 2010 está definido um investimento que ronda os 20 milhões de euros – do qual resultarão 100 novas salas no 1.º CEB e 45 novas salas para a educação pré-escolar. Integrando um conjunto de cerimónias que decorreram nas comemorações do Centenário da República, a CMG inaugurou cinco novas escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico -

A Câmara de Gondomar aprovou os apoios anuais a atribuir ao movimento associativo. Cerca de um milhão de euros será distribuído nas áreas social, desportiva, cultural e recreativa. Apesar das restrições orçamentais que se verificam, Valentim Loureiro, presidente da autarquia, classificou como fundamental “não efectuar cortes nos apoios às associações, justificando a relevância que as coletividades assumem na promoção de actividades e, em paralelo, na sua “forte intervenção social”. O associativismo cultural e recreativo receberá quase 290 mil euros, área social cerca de 160 mil e para a desportiva seguem 600 mil euros. No entanto, refira-se, algumas das três centenas de candidaturas aprovadas são transversais, abrangendo áreas de intervenção bem distintas.

A autarquia não se restringe aos apoios monetários e, nos valores destinados às diversas áreas não estão quantificadas situações como as de utilização das estruturas desportivas, disponibilização de recursos humanos, cedência de transportes e pagamento de inscrições e seguros de atletas. Parque Tecnológico e de Negócios de Ourivesaria A primeira fase do Parque Tecnológico de Negócios de Ourivesaria, que até meados de 2012 irá nascer numa zona central de Gondomar, já arrancou. Seis milhões de euros é o valor estimado para o investimento - quatro milhões serão disponibilizados pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), enquanto o restante montante, cerca de dois milhões, será suportado pela Câmara de Gondomar. Este será, de acordo com Valentim Loureiro, um dos projectos mais marcantes do desenvolvimento económico do concelho. Para o autarca, o parque tem por finalidade “concentrar, dinamizar e modernizar a indústria de ourivesaria de Gondomar”. O futuro Parque Tecnológico, que irá ocupar cerca de nove hectares, está delineado em três fases: a primeira inclui a construção do edifício central, com um restaurante e parque de estacionamento, bem como os arruamentos envolventes; a segunda fase, engloba a construção dos edifícios destinados à Incubadora de Empresas, à Contrastaria e à instalação das primeiras unidades industriais. A terceira fase irá contemplar a construção de um equipamento tecnológico para o sector da ourivesaria. 115


gondomar

amp Metro - Linha Laranja em fase de testes O Metro chegou a Gondomar. A Linha Laranja (F) já está em fase de testes, verificando-se, ocasionalmente, a passagem de composições. Os testes à nova linha, entre o Estádio do Dragão e Fânzeres, vêm, assim, confirmar o arranque da operação comercial por altura do Ano Novo. Sete quilómetros de extensão, dez novas estações e um investimento de 135 milhões de euros, traduzem a chegada do Metro ao Concelho de Gondomar. Esta fase de testes decorrerá com os veículos vazios, servindo essencialmente para treino dos agentes de

condução e, também, para “acertos” finais. Numa fase posterior, a título gratuito, as composições poderão vir a transportar alguns “clientes”. No concelho decorrem apenas ligeiros trabalhos de inserção urbanística na envolvente do canal do Metro. A infraestrutura ferroviária – carril e catenária – já está concluída, bem como o túnel (de 950 metros de extensão) entre Contumil e Rio Tinto. Contumil, Nasoni, Nau Vitória, Levada, Rio Tinto, Campainha, Baguim, Carreira, Venda Nova e Fânzeres são as designações para as 10 estações da Linha F. Mais acessibilidades As novas acessibilidades que estão a ser finalizadas no concelho - ligação do IC29 à A43 e a nova ponte na freguesia de Medas - são os mais recentes trunfos em termos de rede viária para Gondomar. A conclusão das acessibilidades da A43, prevista para meados de 2011, e o novo lanço que fará a ligação 116

entre o final do IC29, na freguesia de S. Cosme, e Medas, junto à nova ponte sobre o Rio Douro, representam um investimento de 60 milhões de euros. A nova via, com uma extensão de 8,5 quilómetros, irá criar uma radial de acesso à Área Metropolitana do Porto, permitindo a ligação em perfil de autoestrada entre a CREP (A41 /IC24), o Porto e o IP1. Com o fecho desta circular, será concluída a malha viária de alta capacidade da Área Metropolitana, criando mais uma alternativa para o tráfego de longo curso que deixa, assim, de atravessar o Porto. Valentim Loureiro elogia as novas acessibilidades, bem como o impacto a nível local. “É uma obra necessária já que irá proporcionar uma melhoria nas acessibilidades e contribuir para o desenvolvimento do concelho”. Q

À semelhança de anos anteriores, e inserido no espírito de solidariedade que acompanha a época natalícia, a Câmara Municipal de Gondomar está a promover a iniciativa “Natal Solidário 2010” atribuindo cabazes de Natal às famílias carenciadas do município. O objectivo desta iniciativa é o de proporcionar um Natal mais feliz às famílias que vivem em situação de carência económica, dinamizando o comércio tradicional através do desconto de vales junto das mercearias aderentes. 117


sugestões culturais Coliseu do Porto Rua Passos Manuel, 137 – 4000-385 Porto Tel. 223394940 | Fax. 223394949 www.coliseudoporto.pt

10 Dezembro a 2 Janeiro | 21h Monumental Circo do Coliseu Este Natal, a magia do circo volta a invadir o Coliseu do Porto, que apresenta, de de 10 de Dezembro a 2 de Janeiro, “o maior espectáculo do mundo”. As travessuras dos palhaços Emílios prometem fazer as delícias do público, que também vai poder apreciar os majestosos elefantes da Irlanda. Das terras gélidas da Rússia chegará a artista Miss Irini, a abrir o espectáculo com uma demonstração das acrobacias do Hula-Hup. Uma grande oportunidade para saborear as aventuras dos trapezistas voadores, da contorcionista Belolla e dos ágeis felinos amestrados.

7 Fevereiro | 21h Concerto Skunk Anansie Liderados pela inconfundível voz de Skin, os Skunk Anansie estão de volta ao Coliseu do Porto para uma noite de puro rock. A banda britânica, formada em 1994, separou-se em 2001, mas voltou a querer pisar os palcos oito anos depois, deixando os fãs com água na boca. Após a actuação no Optimus Alive 2010, caracterizada por muitos como “impressionante”, os Skunk Anansie vão levar aos coliseus o novo álbum de estúdio, “Wonderlustre”. 118

Leitura “Sá Carneiro”, de Miguel Pinheiro “Sá Carneiro” é uma das recentes apostas da editora “Esfera dos Livros”, retratando o perfil do fundador e líder do PSD que morreu em Camarate, junto de Snu Abecassis, mulher por quem se apaixonou e por quem desafiou as leis da Igreja, da família, da sociedade e da política. Elogiado por uns, que nele viam “o rosto da esperança”, foi criticado por outros, na forma de fazer política. Após cinco anos de investigação, o jornalista Miguel Pinheiro traça a biografia completa, pessoal e política de Francisco Sá Carneiro, o advogado que durante onze meses foi primeiro-ministro de Portugal.

Jardim Botânico do Porto 1 Fevereiro a 17 Julho Exposição “A Evolução de Darwin” Produzida pela Fundação Calouste Gulbenkian para celebrar o bicentenário do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos da obra “A origem das Espécies”, a exposição “A Evolução de Darwin” estará em exibição na Casa Andresen até Julho de 2011. O objectivo da iniciativa, organizada pela Universidade do Porto em parceria com o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, é dar a conhecer a evolução da teoria do britânico, bem como as suas implicações nas ciências básicas e aplicadas. A exposição estará disponível de terça a sexta das 10 às 18 horas e aos fins-de-semana das 10 às 19 horas.

Música “Michael” – Michael Jackson Chega a Portugal em Dezembro o aguardado disco póstumo com temas inéditos de Michael Jackson. O single escolhido para apresentar o novo álbum, cuja capa é da autoria do pintor Kadir Nelson, chama-se “Breaking News”. De acordo com a página oficial do “Rei da Pop”, Michael nunca terá deixado de compor, servindo o disco para apresentar as últimas canções da sua autoria.

Cinema “As Viagens de Gulliver 3D” Estreia 27 de Janeiro de 2011 Imagine que, durante uma viagem de trabalho, é confrontado com a existência de seres humanos de tamanho misterioso. Este é o desafio enfrentado por Jack Black, que, na pele de um jornalista chamado Lemuel Gulliver, aceita fazer uma cobertura nas ilhas Bermudas, partindo de barco. Uma forte tempestade desvia Gulliver da rota pretendida, acabando o jornalista por ser arrastado para a ilha de Lilliput, habitada por um povo minúsculo. 119


campanhã

autarquias Depois das obras de requalificação e modernização, o novo equipamento escolar que integra as antigas escolas EB2 e Secundária do Cerco do Porto, é já considerado como um dos melhores do país em termos de infraestruturas.

Escola Básica e Secundária do Cerco do Porto

Moderna e funcional A Escola Básica e Secundária do Cerco do Porto, que integra as antigas EB2 e Secundária, foi transformada num moderno equipamento que serve cerca de 1120 alunos, desde o 2º ciclo do ensino básico ao secundário, passando pelo profissional, SEF, alfabetização de adultos e cursos EFA. A obra previu a recuperação completa dos antigos módulos e a construção de raiz de mais três, aumentando quer a capacidade quer a qualidade de ensino. “A escola está equipada com tudo que há de melhor em termos de infraestruturas e material, o que a torna numa das mais modernas e funcionais no âmbito do parque escolar”, refere Manuel António, director do Agrupamento de Escolas do Cerco, onde o estabelecimento de ensino está integrado. Computadores e quadro interactivos em todas as salas, laboratórios e oficinas equipados com as mais modernas tecnologias e materiais, um auditório, dois gimnodesportivos, um ginásio acoplado para ginás120

tica acrobática – já que esta escola sempre teve uma vincada componente desportiva - e dois campos de jogos fazem da nova escola um dos mais modernos estabelecimentos de ensino do país. As novas infraestruturas permitem a abertura da escola à comunidade e um intercâmbio de experiências. “Seria uma pena termos equipamentos tão bons como o auditório e os gimnodesportivos e não os abrirmos à comunidade”. Fora do horário das aulas são várias as colectividades que utilizam os pavilhões para treinos e o auditório também pode ser requisitado para a realização de diversos eventos. A EB2, contígua à antiga Secundária foi desactivada e integrada no novo espaço que passou então a denominar-se de Escola Básica e Secundária do Cerco do Porto. De acordo com o director do Agrupamento, a construção do novo equipamento vem, assim, “permitir a rentabilização de recursos financeiros e pedagógicos num só espaço”.

Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos Virgínia Ferreira

Breves Breves Breves Breves Breves Breves Breves Breves Breves Breves Breves Breves Parque escolar A cidade do Porto conta com mais um equipamento escolar de ensino integrado de 1º Ciclo e Jardim-deInfância. O novo Centro Educativo das Antas tem capacidade para 250 alunos e está equipado com diversas salas de aula e de actividades, espaços de apoio, refeitório, cozinha, biblioteca e polivalente, bem como espaços exteriores para recreio coberto e ao ar livre e campo de jogos. A escola EB1 de Noeda também sofreu obras de requalificação. Requalificação do Lagarteiro em andamento No âmbito do projecto «Bairros Críticos» já arrancaram as obras no bairro do Lagarteiro, cuja intervenção, nos 13 blocos habitacionais, ficará con-

cluída em 2013. Foi também aberto o concurso público para a construção de um gimnodesportivo e apresentado o plano para a construção de um equipamento da Obra Diocesana, sendo que os terrenos para a construção de ambos os equipamentos já estão destinados. Obras de saneamento provocam problemas de trânsito A empresa Águas do Porto está a efectuar uma intervenção a nível de saneamento básico na freguesia. “O esventramento de um elevado número de artérias está a provocar problemas de trânsito em toda a freguesia mas as obras são necessárias”, refere Fernando Amaral, presidente da Junta de Campanhã, salientando que são obras fundamentais para a melhoria da qualidade de vida de todos os habitantes. Q 121


lordelo do ouro

autarquias Em Lordelo, é tempo de consciencialização social. O bem-estar dos mais idosos e a segurança no Bairro Rainha D. Leonor estão a marcar a agenda da freguesia. A Viva quis ouvir a opinião dos moradores e foi ao complexo habitacional, onde a esperança e o descontentamento vivem lado a lado.

maior tranquilidade. “As casas estão feias por fora. Precisam de persianas, de telhas e as escadas também precisavam de ser trocadas. Mas não está tudo tão mal como as pessoas pensam”, garantiu a moradora, que vive no Rainha há 40 anos. Relativamente às obras efectuadas na parte do bairro que pertence à Foz, Rosa Pacheco explicou que “os T2 eram pequenos e o nosso presidente achou que era preciso alargá-los”. “Tenho lá uma filha a morar e as casas estão muito jeitosas”, garantiu a moradora, que acredita na realização das obras, num futuro próximo. “O presidente disse que é preciso ter calma porque agora não há dinheiro e eu confio nele”, assegurou. Teleassistência

Zelar pelos cidadãos A pensar na qualidade de vida dos cidadãos da freguesia, a Junta de Lordelo está a fazer um trabalho de sensibilização da Câmara Municipal do Porto para a necessidade de intervir no bairro Rainha D. Leonor, um dos mais antigos da cidade. Construído entre 1953 e 1955, o Rainha D. Leonor é composto por cinco blocos de habitação, onde a ferrugem é quase tanta como a roupa a secar ao sol. E é para as varandas, com “poucas condições de segurança”, que aponta Maria Cidália Costa, moradora do bairro há 18 anos. “Só vão fazer obras quando alguém cair lá de cima”, afirmou à Viva, acrescentando que a 122

autarquia ainda não efectuou qualquer tipo de intervenção para requalificar o complexo habitacional. “Vieram cá pintar uma vez, mas obras a sério ainda não vi”, lamentou. A reconfortante vista para o Douro contrasta, assim, com o interior das casas - são grandes as marcas de infiltrações nos tectos - e com o aspecto exterior dos edifícios, com falhas de cimento nas varandas e persianas que estão “por um fio”. “Como é que a chuva de Inverno não há-de entrar?”, questionou Maria Cidália Costa. “Os rapazes estão a dormir e a levar com a chuva”, acrescentou, irritada. A mo-

Texto: Mariana Albuquerque Fotos: Virgínia Ferreira

radora acredita que a melhor solução para o bairro seria a sua total reconstrução. “Mas, se não puderem reconstruir que façam, pelo menos, algumas obras para melhorar as condições”, apelou. “O que hão-de pensar as pessoas que virem o nosso bairro? Uma parte das escadas já caiu”, alertou Maria Costa, que, tal como os restantes moradores, recebeu, recentemente, uma carta da câmara a explicar que as obras de requalificação não poderiam ser feitas de imediato devido à falta de meios económicos. “Não acredito que as obras avancem”, afirmou. Já Rosa Pacheco encara a situação do bairro com

De olhos postos nos mais velhos, a Junta de Lordelo continua a disponibilizar a “teleassistência”, um serviço destinado a combater o isolamento e a exclusão dos idosos. “As pessoas isoladas ou com problemas de locomoção têm consigo um botão, no pulso ou ao peito, que, em caso de emergência ou de alguma necessidade, dispara um telefonema, [quando pressionado], para uma entidade que presta o seguimento necessário”, explicou à Viva a presidente da Junta, Gabriela Queiroz. “Ainda há espaço para quem quiser aderir à teleassistência. Se as pessoas não tiverem meios para isso, a Junta faz o pagamento da instalação e da própria utilização do serviço”, lembrou a presidente, acrescentando que “no fundo, só precisam de se deslocar [à Junta] e mostrar vontade de ter o serviço”. “Nós tratamos do resto”, assegurou. Q 123


nevogilde

autarquias Em Setembro, uma portaria publicada no Diário da República classificou a igreja e o adro de S. Miguel de Nevogilde como Monumento de Interesse Público. O edifício, um exemplar do barroco do século XVIII, e a área envolvente ficam, assim, integrados numa zona protegida.

Monumento de interesse público A Igreja de S. Miguel de Nevogilde, de cariz barroco, foi classificada como Monumento de Interesse Público (MIP). De pequenas dimensões, apresenta apenas uma nave e uma capela-mor. A sua construção remonta ao século XVIII, entre 1729 e 124

1737, embora a data de conclusão da capela-mor e sacristia seja mais adiantada – 1750. De acordo com José Manuel Tedim, especialista em arte e património, a torre só foi acrescentada mais de um século depois, em 1881. “A falta de espaço obri-

Texto: Marta Almeida Carvalho Foto: Virgínia Ferreira

gou a que a torre fosse construída atrás da igreja, uma particularidade deste edifício”. Nessa época, Nevogilde era um local com poucos habitantes, ligados essencialmente ao trabalho agrícola, que só no final do século XIX seria integrado no concelho

do Porto. O edifício, agora classificado como MIP destaca-se pela decoração da fachada que, apesar de simples, demonstra a exuberância do barroco joanino. A classificação da igreja fundamenta-se no valor artístico do seu património, onde se destacam os retábulos em talha dourada do altar-mor. “Esta é uma obra de grande valor do mestre Manuel da Costa Andrade, um dos grandes entalhadores do século XVIII”, refere José Manuel Tedim, salientando ainda o valor arquitectónico do edifício “devido à arte erudita do mestre-pedreiro Domingos da Costa”. Devido à sua nova condição de MIP, o monumento, bem como o seu adro, faz agora parte de uma «zona especial de protecção» delimitada por uma área envolvente. “Isto significa que as construções ficam impedidas naquele perímetro e que o património integrado pela área fica protegido”, refere o especialista. Ainda de acordo com a portaria publicada em Diário da República, para além da arquitectura, o valor urbanístico foi também tido em conta no processo de classificação devido ao seu papel de «referência ordenadora numa paisagem urbana que ainda mantém características de ruralidade e uma imagem pré-industrial». Q 125


paranhos

autarquias com a presença de Maria de Lurdes Ruivo, directora da escola, e do presidente da Junta, Alberto Machado. A renovação do edifício foi feita através de fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), no âmbito da operação “100 Escolas para os 100 Anos da República”. A câmara municipal aproveitou também para reformular o trânsito em redor da instituição. Toda a circulação automóvel originária da Rua Faria Guimarães foi, assim, transferida para a zona nascente da escola. A Rua do Covelo, que serve de morada à Escola Secundária Filipa de Vilhena, passou, desta forma, a ter apenas uma via de trânsito. Alunos e professores beneficiam, agora, de um largo passeio, em frente à porta da escola, e de mais lugares de estacionamento. “Procurou-se, com esta acção, diminuir o tráfego automóvel na porta da escola e assim evitar acidentes com as crianças”, salientou Alberto Machado.

EB 2,3 da Areosa e, por fim, um workshop de construção de Presépios, orientado por professores da freguesia, pelo Parque Infantil do Amial e pela Câmara Municipal do Porto. Estão ainda previstas as acções de sensibilização “Competências Parentais” e “Educação para a Justiça e o Direito”, desenvolvidas pela Associação Nacional de Jovens para a Acção Familiar e pela Faculdade de Direito, respectivamente.

Desenhar laços Texto: Mariana Albuquerque Fotos: JF Paranhos

Compromisso Social Sem cruzar os braços, Paranhos continua a investir nos cidadãos. A requalificação das instalações da Secundária Filipa de Vilhena, o estreitamento das relações “escola-família” e a homenagem aos combatentes do Ultramar marcaram a agenda da freguesia, muito voltada para a aposta no tecido social. 126

Com a educação e a segurança dos mais novos a ocuparem um lugar de destaque no rol de prioridades da freguesia, Paranhos continua a apostar numa política de dinamismo. Nesse sentido, foi com uma aparência renovada que a Escola Secundária Filipa de Vilhena reabriu as portas, no passado dia 5 de Outubro, após a conclusão de um conjunto de obras estruturais que modernizaram o estabelecimento de ensino. Integrada nas Comemorações dos 100 Anos da República, a cerimónia de reabertura oficial contou

Ainda no seguimento das acções da freguesia no sector da educação destaca-se o Entrelaçar, projecto experimental destinado a aproximar a escola e a família, através de um conjunto de actividades realizadas aos sábados de manhã, até Junho de 2011. O programa de acções é da responsabilidade do Pelouro da Educação da Junta de Paranhos, em parceria com várias entidades e associações da freguesia. O Entrelaçar começou a ser concretizado em Outubro, registando, até agora com sucesso, um conjunto de diversas actividades: uma sessão de cinema e um workshop de reutilização de materiais organizados pela Associação dos Amigos dos Animais do Porto; um curso de instrumentos musicais preparado pela Escola de Santa Cecília; um workshop de leitura e expressão dramática baseado na obra de Almeida Garrett organizado pela Escola

Homenagem aos combatentes do Ultramar Apesar da aposta nas pessoas que vão ser o futuro da freguesia, Paranhos não deixou de homenagear o passado, inaugurando, no feriado de 1 de Novembro, um monumento em memória dos Combatentes do Ultramar. Segundo o responsável pelo Pelouro do Ambiente da Junta de Paranhos, Adriano Nogueira, a iniciativa pretende “homenagear os paranhenses que pereceram nesta guerra”. De referir ainda a existência de um talhão reservado às crianças, que está a ser ajardinado. Q 127


passatempos

Sudoku Crítico

Perverso

Perverso

Crítico

Anedotas Espírito natalício Porque é que as árvores de Natal têm um anjinho em cima? Na véspera de Natal, o Pai Natal estava muito aflito porque ainda não tinha embrulhado as prendas todas, tinha uma rena coxa e outra constipada. Desesperado foi beber um copo, chega à adega e não havia nada. Voltou à cozinha para comer alguma coisa...tudo vazio. Para lhe alegrar a vida, a mulher avisou-o que a sogra ia passar o Natal com eles. No meio do desespero, tocam-lhe à porta. Com a pressa de abrir, tropeçou e amassou a cara toda, começando a sangrar. Abre a porta neste lindo estado e aparece-lhe um anjinho dizendo com uma voz angelical: - Olá Pai Natal! Boas Festas! Venho visitar-te nesta quadra tão feliz, cheia de paz e amor. Trago-te aqui esta árvore de natal. Onde é que queres que a meta?

- Avó, como se chama aquilo quando duas pessoas dormem no mesmo quarto e ficam uma em cima da outra? A avó assustou-se com a pergunta, pensou e achou que seria melhor dizer a verdade: - Bem Zézito, a isso chama-se uma relação sexual... Zézito voltou às brincadeiras e passados alguns instantes entrou em casa novamente todo esbaforido: - Avó, aquilo que eu te perguntei chama-se BELICHE.....e a mãe do Paulinho agora quer falar contigo!

As avós não sabem tudo O Zézito tinha 9 anos e foi passar uns dias a casa da avó. Brincava na rua com alguns coleguinhas quando foi a casa tirar uma dúvida:

Na padaria - Sr. Manuel, queria 99 pães! - 99? Porque não leva 100? - 100? Mas para que é que eu quero tanto pão?

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crónica e as cidades

Ribeira Negra, agora sim!

O painel que deu origem à magnífica obra de cerâmica “Ribeira Negra”, da autoria do mestre Júlio Resende, que está colocado junto ao túnel da ribeira, no Porto, conseguiu, ao que parece, definitivamente, um lugar digno. Trata-se do primeiro andar da Alfândega, edifício majestoso, que, por acaso, celebra 150 anos. Antes de mais, acho que é uma boa notícia para o Porto, principalmente para todos os que gostam dessa coisa chamada cultura e, particularmente, para os amantes das artes plásticas, poder observar o original em papel. “A Ribeira Negra” é, em boa verdade, uma excelente obra, considerada por muitos a obra prima de Júlio Resende, que foi doada há mais de duas déca-

das à cidade pelo pintor e que os responsáveis autárquicos tão mal trataram, ao longo do tempo. Ou, melhor, não trataram, deixaram-na estar encaixotada nos armazéns camarários durante muitos anos. Sei mesmo, porque conversei várias vezes com Júlio Resende, que, durante esse período, o mestre andava descontente, desiludido, triste mesmo, com a atitude da Câmara Municipal do Porto e até me disse, e está referenciado numa entrevista que concedeu ao Jornal de Notícias, que, “se fosse hoje (naquela altura), não tinha doado o painel à cidade”. Finalmente, e com a intervenção de diversas instituições, nomeadamente a Câmara do Porto, o painel original conseguiu um lugar digno, à altura da qualidade estética da obra, onde poderá ser visto e apreciado por todos os portuenses (e não só) que o desejem fazer. É evidente que o edifício da Alfândega poderá não ser o local ideal (óptimo seria, por exemplo, o Museu Soares dos Reis ou, até, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves), mas é, no entanto, e disso não tenho dúvidas, muito melhor do que estar, como esteve, durante vários anos, encaixotado num frio armazém camarário. “Ribeira Negra” está em exposição e ao dispor de todos, protagonizando, agora sim, o principal objectivo do pintor quando o doou à sua cidade. Cumpriu-se finalmente a vontade de um grande nome da nossa arte contemporânea e deu-se (até que enfim) a oportunidade ao público para se deliciar com uma obra desta natureza.

Agostinho Santos, jornalista e ar tista plástico, lança o tema de discussão neste espaço de debate. Natural de Vila Nova de Gaia, frequentou o Mestrado de Pintura na Faculdade de Belas-Ar tes da Universidade do Por to e o Doutoramento em Museologia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O ar tista conta já com 58 exposições individuais, em Por tugal, Espanha, Brasil e Índia e par ticipou em mais de 250 mostras colectivas no país e no estrangeiro. Se concorda, discorda ou quer comentar, passe por www.viva-por to.pt e deixe a sua opinião. Acompanhe o debate durante o trimestre e volte a par ticipar no fórum. Tantas vezes quantas quiser! 130

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Viva Porto - Dezembro de 2010