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Tribuna Portuguesa 1 a Quinzena de Dezembro de 2016 | Ano XXXVII - No. 1237 Modesto, California | $2.00 / $45.00 Anual

QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA • WWW.PORTUGUESETRIBUNE.COM

World Premiere p. 13

25ºAniversario da Fundação Portuguesa de Educação do Vale Central

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25ºGala Palcus Leadership Awards

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Sugestões

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Dez 2 - Noite de Fados no MPPA - Modesto Dez 3 - Gala dos 40 Anos dos Forcados e Apresentação do Livro em Stevinson Dez 3 - Festa de Natal no PAC - San José Dez 10 - Festa de Natal na POSSO Dez 31 - Passagem do Ano no PAC com os SOMBRAS

a Famíilria e i V 2 016

Família Vieira Festa E.S.

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Editorial

1 de Dezembro de 2016

E todos sobreviveram o Jantar de Ação de Graças And all survived Thanksgiving dinner!

O

evento mais estressante do ano não foi a eleição presidencial nos EUA. Não é o nascimento de Jesus no Natal ou o seu significado comercial. Ou que Portugal tinha chegado à final do Euro 2016 e enfrentaria a França para uma possível repetição da derrota da final de 2004. Na verdade, o evento mais estressante do ano foi ter que sentar em frente a um familiar que votou não apenas num candidato de um partido político diferente — o que tinha acontecido em eleições anteriores —, mas talvez o candidato mais incompetente que esta república já viu. O stress de ter que ouvir como os imigrantes ilegais devem ser deportados quando a família estava a comemorar o Dia de Ação de Graças, um feriado que honra a chegada de imigrantes ilegais, os peregrinos, à América do Norte. O stress de ouvir que a discriminação contra mulheres, muçulmanos, grupos étnicos, LGBTQ é um novo “normal”, esquecendo que nossa própria comunidade luso-americana foi muito discriminada neste país no início e meados do século XX, onde “Portagee” é uma injúria étnica e mesmo sendo comparado a um português era considerado um insulto nesse

tempo. E tudo isso enquanto se ouve os acordes do “Ai Mouraria”, um fado famoso do bairro mouro/muçulmano de Lisboa com os seus “pregões tradicionais”, onde “deixei a presa a minha alma por ter passado mesmo ao meu lado certo fadista de cor morena”. O stress de qualquer coisa que desencadeasse uma discussão política que levaria a um holocausto nuclear familiar e deixarem-se de falar durante uma década ou mais. No entanto, quando a campainha tocou, a família foi saudada com amabilidade. As discussões mútuas sobre como o Benfica permitiu 3 golos no segundo tempo, mas ainda espera uma qualificação para a próxima fase da UEFA Champions League ou como o Sporting ainda tem a hipótese de passar para a Liga Europa depois de outro bom jogo contra o Real Madrid ou como o FC Porto está em declínio. E a refeição veio e uma bênção foi dita. E o vinho foi servido. E se havia mesmo alguma tentativa em começar uma discussão sobre política, alguém apenas pedia para passarem o molho ou o pão acabadinho de sair do forno. E assim todos sobreviveram o jantar de Ação de Graças de 2016!

T

he most stressful event of the year was not the US presidential election. It is not even the birth of Jesus on Christmas or its commercial meaning. Or that Portugal had made it to the final of Euro 2016 and would face France for a potential repeat of the 2004 final loss. Actually, the most stressful event of the year was the ordeal of having to sit across a family member who voted for not just a candidate from a different political party — that had happened in previous elections —, but for potentially the most unqualified candidate this republic has ever seen. The stress of having to hear how illegal immigrants should be deported when the family was in the midst of celebrating Thanksgiving, a holiday that honors the arrival of illegal immigrants, the Pilgrims, to North America. The stress of hearing that discrimination against women, muslims, ethnic groups, LGBTQ is a new “normal” while forgetting that our own Portuguese-American community was greatly discriminated in this country in the early to mid-twentieth century where Portagee is an ethnic slur and even being compared to a Portuguese was meant as an insult. And all this while listening to “Ai

Desafios aos homens de hoje!

T

al como aconteceu na era Reagan, os mercados não se assustaram com a vitória de Trump. Alguns mercados até estão a bater recordes nunca vistos. Isto quer dizer o quê? Não seria justo que numa altura em que a economia americana está em sentido positivo, a vitória de um ou outro candidato viesse penalizar empresas, pequenos investidores e fundos de reforma. Bem bom que houve bom senso nos agentes financeiros. Oxalá se mantenha assim e que a nova presidência possa manter e mesmo melhorar quer a economia quer a relação entre governo e as necessidades deste grande País. Não nos esqueçamos que temos 3700 pontes a cair de podre, não nos esqueçamos que tem de haver uma melhor simplificação do Obamacare, não nos esqueçamos dos pobres nesta terra que todos nós pensamos ser rica, e não nos esqueçamos das miseráveis estradas citadinas que temos. Vai ser preciso muita coragem, porque estamos há muito tempo à espera de todas estas coisas, que se vão adiando de ano para ano. Nem Obama durante 8 anos as conseguiu resolver. Ainda estamos a tentar descobrir o paradeiro de $2 biliões de dinheiro vivo que foi enviado de avião para o Iraque e que ninguém sabe onde está. É esse nosso dinheiro que faz falta. O tempo voa e o dinheiro deve ter voado. Responsabilidades?

Por necessidades editoriais, temos muitas vezes de “percorrer” os livros que a nossa editora - Portuguese Heritage Publications of California“ tem produzido com os escritos de tanta boa gente. Compreendemos que nem toda a gente tem o gosto de ler, tem o gosto de ter, tem o gosto de mexer em livros, mas se criarmos incentivos para os ter e ler, talvez pudessemos inverter essa situação. Podíamos talvez copiar o modelo usado pelo Instituto Açoriano de Cultura, que através de uma subscrição anual, nos dá o direito de receber todas as suas obras. Não sei se fará muito sentido esta ideia, aqui na California, mas talvez pudessemos tentá-ta, nem que seja por uns tempos. Nós pagamos 35 euros anuais ao Instituto e recebemos pelo correio todas as suas publicações. Não preciso andar à procura dos livros. Os livros procuram-nos. É um processo simples. Pode ser que resulte na California. Mais uma vez e pela 25ª, realizou-se a Gala de Entrega de Bolsas de Estudo da Fundação Portuguesa de Educação do Vale Central. Foi uma noite bonita. Lançamos aqui um desafio à Fundação - que o objectivo para 2017 seja de $100,000 dólares de donativos e que o mínimo de uma Bolsa de Estudo seja $2000.00. É preciso mudarmos o paradigma para podermos realmente responder aos custos elevados da educação.

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P.O. Box 579866 Modesto, CA 95357-5866 Phone/Fax: 209-576-1951

OWNED AND PUBLISHED by The Tagus Group L.L.C. José Ávila PUBLISHER Miguel Ávila DIRECTOR Roberto Ávila ART DIRECTOR CONTRIBUTORS: Eduardo Mayone Dias, Ferreira Moreno, Onésimo T. Almeida, José Brites, Diniz Borges, Luciano Cardoso, José Raposo, Margarida Silva, Mercês Coelho, Edmundo Macedo, João Luís de Medeiros, Caetano Valadão Serpa, Manuel Calado, Maria das Dores Beirão, Henrique Dedalo, Egídio Almeida, José Duarte da Silveira, Goretti Silveira, Rufino Vargas, Elen de Moraes, Paul Mello, Victor Rui Dores, João Bendito, Serafim Cunha, Carlos Reis, Jim Verner, Carlos Alberto Alves, Joel Neto, Monica Soares, Sergio Pereira, Judite Teixeira, Tony Goulart, Lelia Nunes, Nelson Ponta-Garça, Miguel Canto e Castro, Ze Duarte, Lucia Soares. CORRESPONDENTS: Fernando Dutra (Artesia), Filomena Rocha (San José)

Mouraria,” a famous Fado from Lisbon’s Moorish/Muslim neighborhood with its “traditional religious cries” where “I left my soul… for a dark-skinned Fado singer.” The stress of anything that would trigger a political discussion that would lead to a family’s equivalent of nuclear holocaust and not being able to speak for the next decade or longer. However, when the doorbell rang, the family was greeted with pleasantries. Mutual discussions on how Benfica allowed for 3 goals in the second half, but still hopeful for a qualification for the next phase of the UEFA Champions League or how Sporting still has a chance to move to the UEFA Europa League after another good game versus Real Madrid or how FC Porto is on the decline. And the meal came and a blessing was said. And wine was served. And if there was even a hint of political argument, someone just passed the gravy or the freshly baked bread. And this way, we all survived the 2016 Thanksgiving dinner!

miguel ávila miguelavila@tribunaportuguesa.com

Crónicas do Perrexil J.B. Castro Avila

É preciso encontrar o modus vivendu de como saber vender a ideia a uma comunidade tão boa como a nossa, que durante todos estes anos tem suportado todas as nossas festas. A Festa da Educação precisa a mesma atenção de quem pede e de quem dá. A ver vamos se este desafio pode ser cumprido. Quem gosta de apreciar certos fenómenos que nos rodeiam nesta vida, é de ficar pasmados ao verificar o tamanho do nosso Governo Regional dos Açores. Numa Região de apenas 240 mil pessoas é de pasmar como se chegou a essa necessidade. Se compararmos esta região de tanta pouca gente, com pequenos Países da Europa que têm milhões de habitantes ficamos perplexos em tentar compreender qual a necessidade desta enormidade governativa. Além do Governo ainda temos 19 Câmaras Municipais e montes de juntas de freguesia. Há Vilas em Portugal com mais habitantes. E por favor não me venham com a desculpa de sermos 9 Ilhas. Essa desculpa já tem barbas. E já agora não nos esqueçamos que quem desenhou este “monstro” foram os partidos e eles sabiam os benefícios que poderiam tirar. E tiram, claro. Só um cego é que não vê, mas pelo menos sente. Quem terá a coragem de um dia mudar tudo isso, que não faz sentido?

YEAR XXXVI, Number 1237 Dec 1st, 2016

The Portuguese Tribune was founded by John P. Brum in July of 1979. The Portuguese Tribune (ISSN 0199-6746) is published bi-weekly, except on the first week of January, for $45.00 a year, by The Tagus Group L.L.C., 1975 Emory St., San José, CA 95126. USPS: 525-930 Periodical Postage Rate paid at San José, CA. Postmaster: Send address changes to: The Portuguese Tribune, P.O. Box 579866, Modesto, CA 95357-5866. A Redacção reserva-se o direito de omitir ou não publicar parcial ou integralmente os textos recebidos, sempre que os mesmos sejam considerados falaciosos ou atentem contra a integridade de outrém, à luz da Lei de Imprensa. Opiniões expressas em artigos assinados são da responsabilidade dos respectivos autores. Artigos designados “Informação Comercial” são da responsabilidade das firmas referidas.


1 de Dezembro de 2016

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Comunidade

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2016 Leadership Awards

25º Gala de Aniversário Ver reportagem na página 27 Fotos de Henrique Mano

Caesar - Deanna Paço, Ana Paula Santos e Fernando Rosa

José Morais, Josefina Morais, Fernando Rosa, Domingos e Isabel Fezas Vital, José Luís Carneiro e David Simas

Natalie Jardim Matinho

Dinis Borges

Bolsas de Estudo para Jacqueline Rodrigues e e Manuel Geraldo, Natalie Matinho e Nancy Alyssa Pinho Rodrigues

Katherine Soares e Angela Simões

Florentino Gregório e John Bento

David Simasl,

Marie Frawley e David Simas

Bolsa de Estudo para Alyssa Pinho

Deanna e Caesar de Paço, de Palm Costa, Florida,

Ana Ventura Miranda, Vasco Rato e Denise Costa

Casais Almeida e Paço


Comunidade

1 de Dezembro de 2016

Katherine Soares e António Amaral

Manuel Geraldo e Nancyy Rodrigues

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Fernando Rosa e Ana Paula Santos

António Morais, Fernando Rosa, José Luís Carneiro, Fezas Vital e David Simas

Dinis Borges e Odete Amarelo

Zulmira Morais e o filho premiados na Gala

Nivéria e Diniz Borges

Onésimo Almeida, Maria Joã Avila, Lino Amaral e Nuno Carreiro

Manuel Geraldo II e Manuel Geraldo

Manuel Geraldo

José Luís Carneiro

Fezas Vital, Embaixador de Portugal em Washington DC

Florentino Gregório

Premiados da PALCUS com Fernando. G. Rosa


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Opinião

1 de Dezembro de 2016

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Ciclo temido

Rasgos d'Alma

Luciano Cardoso

E

stou a entrar no meu sexagéssimo dezembro a superfície da Terra. A conta é redonda e convida-me a olhar lá para trás. Se bem que os últimos trinta e nove já levam selo do solo californiano, foram os primeiros vinte e um que me carimbaram a vida a valer. Os dezembros ilhéus dos meus tempos de menino e moço fizeram-me um rapaz sadio e o homem rijo que ainda sou. Ou me gabo de ser. Fui criado no meio rural ao norte da Ilha Lilás. Nos meus Biscoitos de outras eras, os invernos não perdoavam. Enraivecidos em feios temporais, eles rugiam do mar por terra dentro fazendo-nos bater o queixo, rilhar o dente e agasalhar bem a pele contra a frieza nos ossos. Porque era mesmo um frio de rachar. “Com o nosso inverno não se brinca”, costumava avisar meu avô, nesses dezembros de então. E lá tinha a sua razão. Quando cheguei à California há trinta e oito novembros atrás que me apercebi da diferença. Não há comparação possível entre a metereológica pacatez do Pacífico e a fúria atmosférica do Atlântico mal dezembro nos bate à porta. Aqui, o rigor do inverno bem que ameaça mas nunca morde como lá no espaço ilhéu. É raro o californiano capaz de imigrar para os nossos Açores nesta época do ano. Tem que ser um tipo muito corajoso, ou então meio maluco, como o meu aventureiro sobrinho. O Pedro Jorge parte neste dia 4. E vai precisamente para a linda capital do norte terceirense, os Biscoitos, onde o inverno não perdoa. “Estás doido, rapaz?” ... “Não estou, não senhor.” Tanto não está que vai para ficar. Fiquei surpreendido mas não desagradado. Percebo o teor da

lucianoac@comcast.net sua decisão. Escutou a voz do coração. Tinha um tenro coraçãozinho de onze meses apenas quando acompanhou a família decidida a deixar para trás a buliçosa Área da Baía e ir fixar residência no tranquilo berço natal do pai, esses nossos irresistíveis Biscoitos. Enfeitiçam seja lá quem for. Californiano de nascimento, o Pedro depressa se tornou biscoitense por opção.

Crescer naquele “cantinho do céu”, como também gostava de dizer meu avô, deixa-nos com o bico doce e a alma melada. Quando lá nascemos, ou lá moramos, ficamos apaixonados daquele mimoso torrão para a vida inteira. Bafejada pela Natureza que ali a plantou, a freguesia cativa e, no caso do Pedro, perfumou-lhe a vida praticamente desde tenro menino até se tornar homenzinho. Já

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quando éramos miúdos franzinos, de calção curto e pé descalço pisando a bagacina espalhada na estrada, mesmo apesar das muitas carências, confesso que não havia lugar melhor. Quem é do meu tempo e ainda lá mora, confirma-o sem pestanejar. E o resto da malta amiga imigrada por esse mundo fora também não me deixa mentir. De facto, o sítio inspira. E o Pedro teve a sorte de lá crescer já no desabrochar do corrente milénio com a vantagem clara das básicas condições de vida serem agora muito, mas muito melhor do que eram. A abundância no conforto e nas oportunidades do hoje em dia claro que não se comparam. A insularidade deixou de ser o reles castigo que foi e as distâncias também já não são o martírio que eram. Encurteceram a olhos vistos. Só é pena certos pesadelos, como o desemprego, por exemplo, teimarem em alongar-se demais em prejuízo dos jovens de agora. Senti esse flagelo na pele no reboliço dos anos setenta. O Pedro veio a senti-lo de igual modo, quarenta anos depois. E toca a embarcar. A diferença foi eu ter aqui aterrado no outono com dezembro a sorrir-me natalício e acolhedor, à moda americana. O meu sobrinho, por seu lado, chegou cá no passado janeiro para trabalhar como

um moiro longas horas durante todos estes meses até que este dezembro também lhe sorriu mas... lá dos Biscoitos. “O Natal está à porta, Pedro.” A família e os amigos acenam-lhe à distância. A camaradagem e o convívio segredam-lhe em surdina: “O que é que fazes aí a moirejar como um doido, longe de quem verdadeiramente te quer bem?” O raciocínio deu-lhe uma volta e o coração apenas duas. Não foram precisas mais. “Já marquei a passagem, tio. Vou-me embora no dia 4. Nada contra a América. Antes pelo contrário, só tenho a agradecer esta oportunidade de fazer bom dinheiro em pouco tempo. Sei que lá não é assim. Só que nesta fase da minha vida, sinto que o dinheiro não é tudo. Há coisas muito importantes que cá não tenho nem posso ter. Estão lá. E dinheiro algum jamais me poderá comprá-las.” Pedro Jorge Cardoso que, até há coisa de um ano, defendia com galhardia as redes do Sport Club Lusitânia, em futsal, está entusiasmadíssimo em retomar a atividade desportiva que tanta falta lhe faz. Garanto que se mantém um ‘keeper’ seguro de ideias, pendular nas decisões. Sabe bem o que quer. Prepara-se para passar o seu vigéssimo terceiro dezembro nos nossos pitorescos Biscoitos. Não posso passar que não gabe a coragem do meu sobrinho, ao desejar-lhe boa viagem e boa sorte com os meus votos de Boas Festas.


1 de Dezembro de 2016

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Opinião

1 de Dezembro de 2016

Água Viva

Memórias Judy Avila

Filomena Rocha

filomenarocha@sbcglobal.net

Pela esperança, Contra o Cancro!

E

ste ano 2016, está fugindo a galope! Penso que nenhum outro se apressou tanto e de um modo que não deixe grandes saudades para muita gente... Cada qual tem seus motivos de achar que foi saudoso ou não, e ou que fez certa falta. Eu creio que para muitos, foi um martírio! Martírio, sobretudo se houve doença, se houve morte nas famílias, bem como outras desgraças, como a dolorosa dor da prisão, desastres fatais, que tantas vezes acontecem. Parece-me todavia que de entre tantas, venha o diabo e escolha, a que mais incomoda, perturba e destrói, é a doença do Câncer. Já ninguém pode ouvir, de todos os lados, de todas as raças, incluíndo os animais, que fu-

lano ou fulana morreu de “doença prolongada”, e todos já sabemos que foi de cancro. Podemos mesmo dizer que se trata de uma epidemia séria! De quanto em vez, lemos e ouvimos nas notícias que finalmente foi descoberta uma vacina, um producto, um fruto para a cura do malvado que nos rouba a confiança, a alegria de viver e conviver, por mais esperançosa que uma pessoa seja e faça tudo por seguir uma vida normal, e finalmente nos rouba as pessoas que amamos. São já muitas as organizações, as instituições de ajuda. São milhares e milhões de pessoas que ao redor do uma causa, procuram destruir o que teima acabar desde há muitas décadas com as vidas de tanta boa gente! Poderá parecer ingénua a forma como vos falo, como abordo este temeroso assunto, mas na realidade, não é só pela doença, mas também pelas vidas de crianças, de jovens, de adultos, e mesmo velhos sem pressa de partir. Eu era bem pequenina, talvez ainda sem a idade do entendimento, e recordo tão bem como se falava da doença do cancro. Inclusivamente de ter perdido a titia Elvira, irmã da minha mãe. Como eu gostaria que ela tivesse vivido muitos anos, pela sua alegria, as suas gargalhadas frescas e cristalinas, a sua voz límpida e enorme quando cantava. A minha mãe costumava dizer que eu era como ela, para rir e cantar. Eu queria até que ela fosse a minha madrinha, mas ela já era madrinha da minha irmã, que tem o seu mesmo nome. Um dia, a titia Elvira ficou muito

doente, e teve que ir para Lisboa. Naquela altura ainda era a única opção. Dizia-se que depois da operação tinha de “levar calores”. Eu só via a tristeza no rosto da minha mãe, que incansàvelmente rezava pelas melhoras e regresso da sua querida irmã. Meses depois, não sei quantos, o regresso fez-se, mas não tenho ideia por quanto tempo durou com vida a minha saudosa tia Elvira, que como eu adorava flores, plantas... Como aquelas lindas avencas de folha miudinha e muito verde, caindo dos floreiros altos... Como eu gostaria que se tivesse prolongado a sua vida de pessoa boa, alegre e bem disposta! Descanse em Paz... O mesmo dirão outras pessoas, sobre os membros das suas Famílias, truncados do seu lado, do seu convívio, tristemente e sem volta de cura, não importa em que idade. Em qualquer lugar do nosso planeta, a pergunta mais comum da humanidade é: Para quando um alívio de cura; para quando, finalmente, será a morte do Cancro? E não o contrário! Tanto cientista, tanta experiência feita, tanta alquimia, tanto dinheiro adquirido e gasto, antes e depois, em productos, que não conseguem atingir o bem que todos desejamos, para as nossas Famílias e Amizades. Este ano finda e outro se assoma, e os meus votos, em nome de todas as pessoas que têm sofrido e morrido de cancro, é que o Novo Ano traga a Boa Nova da cura da mais cruel doença que nos tem atados em laços cor-de-rosa, não se tornem em negros laços de luto e de tristeza. Que assim seja!!! Felicidades e Festas Muito Felizes!!!

judyravila@gmail.com

The love of dancing

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ttending an amazing performance, being completely overjoyed, and going back for a voyage in time, is what happened to me on Saturday, September 17, at the Portuguese F.D.E.S. hall grounds. It all started when one of our members brought up at one of the meetings that the Portuguese Folklore Festival Groups were looking for a venue to hold their annual presentation. They were hoping Monterey would accommodate them, as they expected around 350 people to attend. We agreed to their proposals and the entertainment was

free for all. There were eleven groups from various parts of California—Chino, Turlock, Artesia, Hilmar, Fremont, San Jose, and more. The presentation started at 2 pm sharp and it continued on until past 6 pm. Each group had something different that separated them from the others. Women’s costumes included bright red wool decorated skirts, linen blouses of various styles, bandanas, some aprons, and galochas (wooden shoes). The men also dressed in costume: wool pants, vests, hats, suits, and sandals, according to the era. Folklore dancing is a very old tradition of the Portuguese culture. It goes back two to three hundred years, especially in Portugal. It was also popular in the islands of Madeira and Azores, but at some point it had phased out. In the middle of the 20th century, when I was growing up back in the Azores,

on the island of São Jorge we didn’t hear much about the “Folclórico.” At least I had never learned how to dance it. We grew up learning how to do other dances such as the “chamirrita” and “bailes de roda,”which are like square dances. Dancing was our most popular type of entertainment. Any special occasion could turn into a dance. As my husband and I sat there watching these people dance with their hearts and with their souls, I drifted back in time and I am young again, back in the 60s. We had been married for about a year and gotten acquainted with a large family that had recently arrived on the peninsula from São Jorge. They were quite talented; most of them could sing, dance, and play instruments. Soon they approached us to ask if we would like to be in a dancing group with them, as they needed at least eight couples. We agreed, and for the next two years or so we would practice almost every weekend. Soon the word got out about our dancing group, and we were invited to perform around the peninsula at different events. One time we got a call from Hanford, CA to dance for a radio club fund raiser. We all drove in a caravan three and half hours just to go dancing. We were treated like royalty and had a great time. By this time we all had become great friends and always looked forward to getting together. After a while we all went on with our lives, did some traveling, and started our families, but always enjoyed a night of dancing. In our Portuguese culture dancing is for everyone, whether you are young, middle aged, or older: it is a family affair. I would like to THANK all of dancers on behalf of the Monterey Portuguese community, for being such great entertainers—for sharing your talent, your hard work, and your wonderful dancing hearts and souls so graciously, just for the love of dancing.

LIMA FAMILY DENTISTRY Filipe S. Lima DDS

Creating Beautiful Smiles

Filipe S. Lima, DDS

1600 Colorado Ave Ste 1, Turlock, CA 95382 Phone: (209) 634-9069 • Fax: (209) 634-1856

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Filipe S. Lima Médico Dentista


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1 de Dezembro de 2016

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Filarmónica Portuguesa de Tulare tem nova Direcção A nova direcção da Filarmónia Portuguesa de Tulare é constituída pelos seguintes elementos: Direcção: Presidente - Manuel Corria III Vice Presidente - Paaul Borges Secretária - Sandra Fagundes Tesoureira - Adelaide Costa

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Opinião

1 de Dezembro de 2016

Bem-vindos à Era de Donald J. Trump

Reflexos do Dia-a-Dia Diniz Borges

d.borges@comcast.net Uma grande sensação! Um abalo sísmico no mundo politico. Um histórico fait accompli. Descrição da televisão estatal Russa à eleição de Donald Trump.

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América votou e pela segunda vez em 16 anos, e a quinta vez na história americana, a presidência foi ganha por quem não ganhou o voto popular. O sistema estadunidense, com o colégio eleitoral, permite que assim aconteça. Daí que, com os delegados de três estados, que no passado têm ido para o Partido Democrático, nomeadamente, Pensilvânia, Wisconsin e Michigan, Donald J. Trump, apesar de ter perdido o voto popular por quase dois milhões de votos, será o próximo inquilino da Casa Branca. Mais, com o controlo que o Partido Republicano tem nas duas Câmaras Legislativas, haverá, pela primeira vez em vários anos, um único partido no poder em Washington. As eleições apenas acontecerem há escassas semanas e os conservadores já estão muito à vontade na cidade que dizem detestar. Este ato eleitoral resume-se ao que um dos nossos mais conceituados escritores americanos, Gore Vidal um dia escreveu: “as palavras são usadas para mascarar e não para iluminar. As palavras são usadas para confundir, a fim de que no momento eleitoral o povo vote, solenemente, contra os seus próprios interesses.” Como referi, apesar de Hillary Clinton ter ganho o voto popular por quase 2 milhões (a contagem continua, mas está em quase 1,8 milhões) de votos Donald J. Trump será o quadragésimo-quinto presidente dos Estados Unidos da América. O processo do colégio eleitoral (completamente ultrapassado), foi inventado pelos fundadores da nação por duas razões: a primeira para criar um certo distanciamento entre o poder popular e as elites de então e a segunda para dar voz política aos estados mais pequenos. Os Pais da Nação (founding fathers) tinham um grande receio do voto direto, conceito que hoje é praticado em todas as democracias modernas. Por irónico que pareça, particularmente neste ato eleitoral, os fundadores deste grande país tinham como aludiu Alexander Hamilton nos famosos “Federalist Papers” um grande pavor de que um tirano, sem experiência e perfil pudesse manipular a

opinião publica americana e chegar à presidência. Daí que, em 240 anos de história, tivemos, com a recente eleição cinco vezes em que o presidente não foi escolhido pela maioria do povo votante. Em 1824, tinha a jovem democracia menos de 50 anos, quando John Quincy Adams que perdeu o voto popular por 38 mil votos, mas não conseguiu os 131 necessários no colégio eleitoral, nem o seu rival Andrew Jackson, a eleição aconteceu na Câmara dos Representantes que escolheu Adams. Cerca de meio século mais tarde, em 1876 Rutherford B. Hayes, apesar de ter perdido o voto popular por 250 mil votos, ganhou o colégio eleitoral por um voto. Poucos anos mais tarde, em 1888 Benjamim Harrison, que perdeu o voto popular por 90 mil votos ganhou o colégio eleitoral com 233 votos contra 168 de Grover Cleveland. Desde

esse longínquo ano, e durante o século XX, todos os presidentes americanos foram eleitos com maiorias em voto popular e colégio eleitoral, até que em 2000, George W. Bush tornou-se o quadragésimo-terceiro presidente americano apesar de ter perdido o voto popular por 540 mil votos. Uma década e meia mais tarde, o cenário volta a repetir-se, e desta feita com uma diferença de quase dois milhões de votos. O colégio eleitoral, um processo completamente arcaico, terá que ser repensado e possivelmente abolido. É que tal como

escreveu Gene Green: “o colégio eleitoral apenas fazia sentido quando os sistemas de comunicação eram pobres, o índice de literacia era elevado e os eleitores não tinham oportunidade de conhecerem figuras públicas de outros estados.” Depois de uma das mais negativas campanhas politicas da era moderna americana, o magnata de Nova Iorque, antigo membro do Partido Democrático, contribuinte para as campanhas presidenciais de vários candidatos do centro-esquerda, incluindo a de Bill Clinton e a senatorial de Hillary Clinton, pai de quatro filhos, casado três vezes, declarador de bancarrota seis vezes, possuidor de linguagem misoginista, provocadora e xenófoba, é o presidente eleito e gerirá os destinos deste país durante, pelo menos quatro anos. Em janeiro deste ano, com 73 anos de idade, será, no ato de tomada de posse, o presidente mais idoso da história americana. Controverso, utilizador de uma linguagem sexista, provocadora, ultranacionalista e nativista, que vai contra o espírito de um país de emigrantes, dando asas aos movimentos mais retrógrados, como ainda recentemente se viu numa reportagem da revista The Atlantic sobre os neofascistas, queremos, como me disse um amigo nas redes sociais: que este seja o primeiro presidente que não cumpra as suas promessas eleitorais. Se as cumprir, a América não será igual a si própria e o mundo será mesmo muito diferente. É que em vez de caminharmos para uma sociedade mais aberta e um mundo mais coeso, mais justo, mais educado, mais desimpedido das diferenças e mais tolerante, estaremos, certamente, a caminhar em sentido contrário e retrocedamos em muitos dos pequenos progressos alcançados nos últimos oito anos. Temo muito que os próximos quatro anos sejam uma apologia à ignorância e à ganância. Se é certo que umas escassas 48 horas após as eleições, o presidente-eleito tenha começado o processo de se distanciar de algumas das suas promessas mais sagradas, como o muro com o México era apenas uma metáfora; processar a Hillary Clinton, foi uma chantagem para colher votos das forças mais sexistas e dos menos elucidados; deportar todos os clandesti-

nos, agora (e ainda bem) serão apenas os criminosos, algo que o Presidente Obama tem feito mais aceleradamente do que qualquer outro chefe de estado americano; acabar com o Obamacare, já o disse (e ainda bem) que apenas o vai modificar (algo que o próprio Presidente Obama já o sugeriu repetidamente) e a promessa que todos os conservadores e pseudoconservadores como Donald J. Trump confecionam desde Ronald Reagan e que nunca é cumprida, mas que é sempre cegamente seguida por eleitores que não fazem o seu trabalho de casa: renovar Washington. Basta ver o desfile televisivo de políticos e ex-políticos, sedentos de poder, a prestarem vassalagem ao presidente-eleito nas suas propriedades ostentosas, para verificar que foi ainda mais uma vez, uma geringonça de banha de cobra para os americanos escorregarem. E como escorregaram! Apesar deste distanciamento, há que recordar o velho provérbio bíblico: diz-me com quem andas e dir-te-ei quem tu és. Na realidade as primeiras três escolhas do presidente-eleito para o seu governo são, no mínimo, preocupantes. Jeff Sessions, senador do estado de Alabama, nomeado para Procurador-Geral da Republica, há 30 anos foi rejeitado por um Senado Republicano para um cargo de juiz federal por ter sido considerado racista. Steven Bannon, principal assessor politico, dirigiu um serviço noticioso da ultradireita e é antissemita. Mike Pompeo, congressista do antiquado estado de Kansas, perseguiu Hillary Clinton no Congresso e tem tido um discurso extramente inflamatório contra a comunidade islâmica nos Estados Unidos. Aguardaremos não só os outros membros da administração, mas acima de tudo as cerca de 4 mil nomeações para cargos de chefia nas múltiplas agências federais, assim como para s Supremo Tribunal de Justiça e para cargos de juízes federais em todo o país. Já que muitos desses cargos estão desocupados porque o Senado tem, sistematicamente, obstruído as nomeações do Presidente Obama. A procissão apenas saiu da igreja. Há um longo caminho a percorrer. Veremos quantos andores cairão. A certeza é que estaremos num mundo politico incerto. A certeza é que o populismo exacerbado, cimentado na vilificação e no insulto gratuito ganhou. Como escreveu o jornal espanhol, El Periódico: que Deus perdoe à América.

$30,000 dólares para a Madeira Numa iniciativa de Abilio Sousa e amigos realizou-se no Salão de Newark Pavillion um jantar de angariação de fundos para os sinistrados dos incêndios na Madeira. Apurou-se um lucro de $30,000 dólares. Assim de faz comunidade. Bem haja a nossa sempre generosa comunidade.


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Temas de Agropecuária Egídio Almeida

eialmeida@yahoo.com

Agricultura e Agropecuária estão a braços com um certo problema

Q

uen vai ordenhar as vacas do Tio Samuel? Quando a poeira política baixar, e todos os grupos possíveis e imaginários assarem a sua sardinha, vai chegar a hora de ordenhar as vacas, apanhar os tomates e batata doce, etc, etc, etc. Chegará a hora de resolver o já muito aleijado sistema de imigração que os nossos governantes obsecados em que o outro lado perca a batalha, não tiveram ainda coragem de trabalhar juntos para resolver os problemas públicos. O resultado é uma mão de obra agrícola que está piorando cada dia que passa. Por enquanto as vacas e a lavoura continuam o seu dia-a-dia, mas longe vão os dias em que o excesso de mão de obra era visível. Os agricultores não têm certezas se os seus frutos, nozes, e vegetais podem ser colhidos a tempo até porque a janelas das colheitas estão abertas por tempo limitado. Novas e sofisticadas máquinas jã não são opção, ou um caso de conveniencia, mas sim um caso de sobrevicência. E quanto mais apertado ficar o círculo político em Washington mais implicações futuras no respeitante à crise, ficando mais assustador para todos os produtores, de produtos agricolas. A frustração chegou já ao ponto de preocupação para certos grupos, com a falta de capital para fazer chegar a mensagem da mão de obra imigrante e vice versa, para Washington D.C. o melhor que puderem. A pergunta é a mesma - está ou não a voz da agricultura a ser ouvida em Washington D.C.? Nos meses em que “American Dairy Coalition” (ADC) atraíu mais membros para as suas fileiras, ativos na produção ou simplesmente simpatizantes ou suporte dentro e fora da industria e que tem estado visíveis dentro e fora da industria de laticínios, que tem estado visíveis durante importantes lobbying visits. A caminhada é íngreme por vezes difícil e sem fim à vista. Houve uma Reunião de Trabalho com cerca de 100 produtores de leite de vários pontos dos Estados Unidos cujo objetivo era manifestar a preocupação de “quem vai ordenhar as nossas vacas”, mas além disso o objetivo principal era afinal a grande preocupação da agricultura para reunir os interessados na agricultura e industrias associadas para trabalharem juntos na resolução deste problema. Estavam presentes lobbyist,, especialistas em Farm Labor a “think tank strategist, a business

development leader” e outros produtores de leite, todos com a mesma mensajem a corrente mão de obra agrícola que esta ficando menos acessível cada dia. A corrente postura federal quanto à mão de obra imigrante há já muito que está esburacada como algumas das nossas estradas rurais e não só. John Pagel, um produtor de leite de Wisconsin chamou a atenção de que este não é um problema exclusivo da agropecuária ou apenas ordenhadores de vacas, mas vai muito mais longe. Quem vai fazer os muitos trabalhos manuais que requerem forca física? Como se vão aumentar negócios? Nem todos nós vamos inventar máquinas, computadores e telefones. Adivinha-se que uma sanduíche de telefone não vai saber bem, nem mesmo com Ketchup de Tomate. Faz-nos falta uma força de trabalho sólida e responsável, não faz diferença se na agricultura ou uma ou outra qualquer industria, ligada à Agricultura. Os nossos governantes terão que iniciar programas para salvaguardar as industrias que só por si próprias não têm capacidade de resolver os problemas de mão de obra que estão fora da sua jurisdição. Um produtor de leite de Pennsylvania, introduziu comentários relacionados com o fenómeno da imigração que, segundo a Historia, muito bem serviram a sua causa na procura de melhor vida, e ao mesmo tempo contribuindo para a economia nacional americana. Nessa reunião os participantes decidiram propor a ”State Run Agricultural Visa Program” para eliminar o corrente Federal H-2A para mão de obra sazonal cuja versão não esta direcionada à producao de leite. Versões semelhantes estão já a ser usadas com successo no Canadá e Australia, ideias semelhantes em Estados Americanos incluindo California e Arizona, New Mexico, Colorado, Utah, Oklahoma e Kansas. O corrente sistema está tão “catastrophically broken” que está causando problema a muitas outras industrias. State-run visas são um projecto ”under construction” e na sua corrente forma cada Estado da União poderá criar até 2,500 por cada ano e por três anos como mão de obra imigrante, com mais 125.000 divididas de acordo com aa população estadual. A California por exemplo vai criar 17.000 vagas.

Opinião

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Tauromaquia

1 de Dezembro de 2016

Reflexões Taurinas

Quarto Tércio

Joaquim Avila

José Avila

bravoi3@sbcglobal.net

josebavila@gmail.com

Reflectir sobre a Feira de Thornton de 1997 a 2016

J

á há muito tempo que não escrevo para este jornal sobre tauromaquia, mas decidi fazê-lo novamente para partilhar com todos os aficionados o grande desapontamento que sinto últimamente com a Feira Taurina de Thornton, pelo facto de não contratarem matadores para o tão apreciado toureio a pé. Gosto imenso, e até sinto verdadeiro orgulho pelo toureio a cavalo e pelo que a Festa de Thornton e muitas outras

organizações têm feito para o desenvolver, mas contudo isso não deixo de estar verdadeiramente desapontado pela falta de matadores nesta tão importante feira. Sei precisamente que o toureio a cavalo é o mais apreciado mas sempre houve, e deveria continuar a haver, lugar para os dois tipos de toureio. Esta Feira tem sido durante muitos anos o acontecimento taurino mais importante de cada época. Foi implantada em Outubro de 1997 na mais bonita Praça de Touros da Califórnia, batizada por Praça de São João, como uma homenagem à antiga Praça de Touros de São João em Angra do Heroísmo. Por muitos e muito anos tem-nos trazido dos melhores cavaleiros de Portugal e muitos matadores portugueses, mexicanos e espanhóis. No primeiro ano da sua implementação contrataram o matador Mexicano Rafael Ortega que teve um grande sucesso. No ano

seguinte, em Outubro de 1998 toureou António de Portugal e Mário Miguel pela primeira vez a pé. Mário Miguel já tinha toureado vários vezes como cavaleiro mas nesta feira toureou no Sábado a cavalo, e a pé na Segunda-Feira como amador. Em 1999 acontece um duo com Mário Miguel a cavalo e pela primeira vez em Thornton o grande matador Português Vítor Mendes na corrida do Sábado. Na segunda corrida estiveram os matadores Martin Quintano e Mário

Miguel como novilheiro. A 14 de Outubro de 2000, apresentou-se em praça, pela primeira vez nesta feira, matador Alfredo Gutierrez com Patrícia Pellen e Ana Batista, as duas também pela primeira vez nesta feira. No dia 16, Alfredo Gutierrez toureia novamente, mas desta vez com Oscar San Roman que tinha tido nesse mesmo ano um grande sucesso na Terceira e na Graciosa. Em 2001 pela primeira vez o matador Espanhol José Ignácio Ramos pisa a arena da praça de São João, aonde acabou por tourear por vários anos devido ao sucesso e grande entrega que este matador sempre demonstrou em cada touro que saía pela porta dos sustos. Mais tarde, em 2005 Mário Miguel volta novamente como novilheiro na primeira corrida da feira e Fernando Ochoa na segunda corrida. A 14 de Outubro de 2006, Luís

Vital Procuna toureia pela primeira vez nesta feira na corrida do Sábado e novamente na Segunda-Feira com o matador Alfredo Rios “El Conde”. Sendo esta segunda corrida só com um cavaleiro e dois matadores como Thornton costumava fazer na praça antiga e muitas outras organizações o faziam na Califórnia, Açores e Portugal Continental. Lembro-me muito bem a corrida de Nossa Senhora de Thornton em Outubro de 1993 aonde tourearam os matadores portugueses Ricardo Chibanga e Manuel Moreno. No ano de 2007 temos novamente dois espadas em praça nas duas corrida. O matador José Luís Gonçalves e o novilheiro Nuno Casquinha. Em Outubro de 2008 José Ignácio Ramos volta novamente a Thornton na primeira corrida. Repete na segunda corrida mas desta vez com o matador Mexicano Israel Tellez que se apresenta pela primeira e ultima vez nesta feira. José Ignácio Ramos volta novamente em 2009 para tourear no Sábado com dois cavaleiros e na Segunda-Feira com o matador Espanhol Sanchez Vara, também pela primeira vez em Thornton. No dia 16 de Outubro de 2010 pela primeira vez acontece nesta feira a primeira corrida à Portuguesa com Rui Salvador, Paulo Ferreira e Filipe Gonçalves. Na segunda corrida a 18 de Outubro aparece José Luís Gonçalves que se despede desta praça e da Califórnia como matador de touros. Nas corridas do ano seguinte de 2011 Sanchez Vara toureia as duas corridas. Em 2012 na primeira corrida volta a ser toda a cavalo. Luís Vital Procuna estaria anunciado para tourear na segunda corrida mas devido à chuva a corrida foi cancelada. Novamente em 2013 a primeira corrida é à Portuguesa e a segunda com o matador António Garcia. Em 2014 acontece pela primeira as duas corridas serem à Portuguesa deixando uma quantidade de aficionados totalmente surpreendidos e desapontados. No ano seguinte de 2015, a feira é montada por uma nova orga-

Já só faltam seis dias para se realizar algo de diferente e de único na nossa Festa Brava. Comemorar 40 Anos de um Grupo de Forcados e ao mesmo tempo apresentar um Livro desses 40 Anos de valentia, de muitos sustos, de galhardia, de companheirismo, de sofrimento, de recordações, é algo que todos nós aficionados nos devemos orgulhar. Estes jovens, os românticos da festa, como se costuma dizer, os mais mal pagos, são mesmo assim. São crianças grandes que gostam do que gostam e o resto são cantigas. São eles que muitas das vezes enchem praças aqui, na Terceira e em Portugal Continental. São muitas vezes abusados por empresários sem escrúpulos, que lhes atiram toiros monstruosos, sem casta, só mesmo para partir. Muitas pegas são um autêntico circo romano, porque certa máfia taurina assim os obriga. E porquê? Porque estes jovens gostam do que fazem, fazem-no por aficion e muitas vezes perdem a cabeca pela sua excessiva aficion. Parabéns ao Grupo de Forcados de Turlock, parabéns ao Líduino Borba por ter compilhado uma história digna de ser contada, parabéns a todos que contribuiram para a feitura do livro e parabéns a todos aqueles que ajudaram financeiramente este belo livro sobre a nossa Festa.

nização e acontece que tivemos mais uma vez uma corrida toda a cavalo no Sábado. Na Segunda-Feira apresentou-se em praça o antigo matador de touros do México, Enrique Garza que acabou por ser colhido no seu segundo touro durante o tércio das bandarilhas. Salvou-nos a noite o bandarilheiro Português Daniel Nunes que toureou o touro ferrado com o numero 236 da ganadaria Manuel Costa. Este ano de 2016, a mesma organização optou por montar as duas corridas precisamente com o mesmo cartel com Luís Rouxinol, Tiago Carreiras e o cavaleiro praticante Luís Rouxinol Jr. A única diferença entre as duas corridas foram com os grupos de forcados - Aposento de Turlock, Amadores do Ramo Grande Amadores e Luso-Americanos de Turlock na primeira corrida e os do Aposento de Turlock, Amadores do Ramo Grande e Amadores de Merced na segunda corrida. Como podem verificar, a começar no ano de 2010, os cartéis começam a mudar mais para

o toureio a cavalo e a aparecer cada vez menos matadores. O maior problema ainda é que este desinteresse pelo toureio a pé das organizações não acontece só na feira de Thornton, mas sim na grande maioria das corridas por toda a Califórnia. Todos nós temos orgulho de dizer que as corridas da Califórnia foram implementadas por emigrantes terceirenses, que trouxeram esta bela tradição no seu coração ao deixarem as suas terras natalícias. Se realmente as corridas da Califórnia são uma tradição nossa, então devemos deixar essa tradição intacta, montando corridas com o toureio a cavalo e toureio a pé como era a tradição e como fizeram os nossos ganadeiros pioneiros durante muitos anos nas nossas praças californianas. Penso que nos compete a todos nós aficionados zelarmos pelas nossas tradições porque se assim não o fizermos, então a bela arte de Montes morrerá e um bocado da nossa tradição que emigrou connosco também morrerá. A bem da festa brava.


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Comunidade

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World Premiere “Portuguese in New England“ mostra dez gerações de emigrantes nos EUA

E

streou este fim de semana o segundo documentário da saga “Portuguese In.” São quatro episódios bilingues que mostram dez gerações de emigrantes portugueses na Nova Inglaterra, a região dos Estados Unidos que cobre os estados do Connecticut, Maine, Massachusetts, New Hampshire, Rhode Island e Vermont. O documentário “Portuguese in New England” estreou este fim de semana no Massachussets e Rhode Island, em dois eventos completamente esgotados. “As estreias foram fantásticas, tivemos casas cheias”, conta ao DN Nélson Ponta-Garça, o mentor e realizador do projeto—uma co-produção da sua empresa NPG Multimedia e da RTP. Aliás, o mestre de cerimónias das duas apresentações e moderador dos painéis de debate foi Álvaro Costa, apresentador da RTP. O primeiro evento aconteceu em Massachussets, no New Bedford Whaling Museum. Foi uma estreia em parceria com o consulado de Portugal em New Bedford, que contou com a presença de “altas individualidades da justiça e da comunidade”, frisa o realizador. Há um dado que explica a relevância da estreia nesta região: cerca de 60% da população de New Bedford tem ascendência portuguesa. O segundo evento foi organizado em Rhode Island, no salão português Amigos da Terceira. Teve a presença da governadora do Estado de Rhode Island, Gina Raimondo, que aproveitou para apresentar a nova chefe de polícia: Ann Assumpico é a primeira mulher a desempenhar o cargo e tem ascendência portuguesa. Depois da Califórnia, Massachusetts e Rhode Island são os Estados com maior população portuguesa dos Estados Unidos. O documentário custou 65 mil euros e foi financiado pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), Governo dos Açores, Secretaria de Estado das Comunidades, Luso-American Financial, rádio-televisão WJFD de New Bedford, U-Mass Dartmouth e líderes e empresários locais. A estreia na televisão portuguesa acontecerá ainda este ano e irá passar pela RTP1, RTP Açores e RTP Internacional. Mas a produtora está também a negociar para transmitir a série nos Estados Unidos: “Há interesse e conversações com a Netflix e com a PBS”, revela Nelson Ponta-Garça.

Para já, quem quiser assistir ao documentário pode comprar o DVD na loja online Amazon, por $25, aceder ao site PortugueseIn.com ou esperar que chegue ao Vimeo para streaming. É narrado em português e inglês, com as respetivas legendas, e sucede ao “Portuguese in California”, que Nélson Ponta-Garça realizou em 2014. Entretanto, o projeto transformou-se em algo mais ambicioso. “O Portuguese In é uma saga que irá ter continuidade noutras zonas geográficas onde os portugueses residem nos Estados Unidos”, revela o responsável Nelson Ponta-Garça. “A prioridade na produção será Hawaii, Flórida e eventualmente Washington.” O objetivo a longo prazo é realizar um documentário global sobre os portugueses na América, um projeto que já tem patrocínio executivo da FLAD. Depois, diz Ponta-Garça, talvez se pense em fazer documentários sobre a diáspora noutros países, havendo já interesse em Macau e no Canadá. “Portuguese in New England” is here! 2 Years after “Portuguese in California” premiered in all continents, the world will see the history of 10 Generations! One of the most vibrant Portuguese American Communities Worldwide featured in an unprecedented Documentary! Order Now on Amazon www.portuguesein.com

—Rita Guerra


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Comunidade

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25 Aniversario da Fundação

Portuguesa de Educação do Vale Central

A Portuguese Education Foundation of Central California celebrou os seus 25 Anos com um Banquete onde se entregaram 33 Bolsas de Estudo e se distinguiram o Cidadão do Ano, o Estudante e a Educadora do Ano, respectivamente a Comissão de Obras da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Hilmar, Jason Melo e Albertina Costa. A hora social começou às seis horas, tendo-se aberto a sessão por cerca das 7:30, cantando-se erradamente o Hino Americano em primeiro lugar. O Hino Americano só é cantado em primeiro lugar sómente se o Presidente estiver presente no evento. É importante não haver mais enganos desses na nossa Comunidade. Já aconteceu o mesmo no dia de Portugal em San José. Que hão-de pensar os nossos convidados americanos? Seguiu-se o jantar. O Mestre de Cerimónias foi António Borba que contou a história da Fundaçõa e reconheceu todos os seus Fundadores. Seguiu-se a entrega das Bolsas de Estudo e os Re-

conhecimentos das Associações que tem sempre apoiado a Fundação, acabando com as Distinções anuais, como já foi referido. Está de parabéns a Fundação, mas aproveita-se a ocasião para a todos convidar a lerem na página 2 certas reflexões sobre o futuro da mesma. Os bolsistas deste ano foram os seguintes: Jared Alamo, Danilo Azevedo-Cabral, Haylee Bettencourt, Devin Brasil, Martin Coleman, Justine Costa, Roberto Couto, Dominique Germann, Savana Lourenço, Avery Martin, Mason Miguel, Makenzie Neves, Juliana Rocha, Veronica Santos, Carla Silveira, Lucia Silveira, Justin Teran, Brandon Almeida, Delmar Azevedo-Cabral, Liliana Borges, Rachel Coelho, Nicolaus Coleman, Kevin Costa, Clement Farias, Gabriella Germann, Kira Machado, Devon Medeiros, Serra Miguel, Emily Rising, Daniel Santos, Megan Silva, Elizabeth Silveira, Steve Soares. Parabéns a todos os estudantes, e não se esqueçam da Fundação no futuro.

Forcados Luso-Americanos quiseram oferecer um donativo à Fundação

Eduina Azevedo, Presidente da Fundação dando as boas vindas

Alguns elementos da Comissão Directiva

António Borna, MC da Gala

Entrega das Bolsas de Estudo


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Comunidade

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25 Aniversario da Fundação

Portuguesa de Educação do Vale Central

Mesa Directiva de 2016: Eduina Azevedo, Presidente Eileen Faria, Vice-Presidente Michelle Machado, Secretária (Inglês) Elmano Costa, Secretário (Português). Luís de Oliveira, Tesoureiro Directores: Cecília Areias Isabel Cabral-Johnson Manuel Lima Sergio Pereira Alisha Pratt John Sai Maria H. Silveira Emília Simões Paulo Soares Fátima Valenzuela


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Comunidade

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25 Aniversario da Fundação Portug

Alber e Ode

Bolsistas do Ano

Isabe Ano J

Tal como outras organizações, também os Forcados Amadores Luso-Americanos quiseram oferecer um donativo para B. de Estudo

Organizações que deram donativos à Fundação

Mari

Michelle Machado apresentando os Cidadãos do Ano

António Borba

Alber Azeve

Carlos Rocha

Cidadãos do Ano

Manu sempr


Comunidade

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guesa de Educação do Vale Central

rtina Costa - Educadora do Ano: Jason Melo - Estudante do Ano; Arlene Vieira, Carlos Rocha, Clint Wood, Ana Cabral elta Cardoso - Cidadãos do Ano.

el Cabral-Johnson apresentado o Estudante do Jason Melo

Jason Melo e Eduina Azevedo, Presidente da Fundaçnao

ia Borba apresentando a Educadora do Ano

Arlene Vieira

rtina Costa, Educadora do Ano com Eduina edo

Diniz Borges leu uma mensagem enviada por Nuno Mathias, Cônsul em San Francsico impedido de estar presente

uel de Sousa, Pároco da Assunção, re presente e bem disposto

Albertina Costa

Gary Soiseth, Mayor de Turlock

Jason Melo e Família

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English Section

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Ideafix SERVING THE PORTUGUESE-AMERICAN COMMUNITIES SINCE 1979

Miguel Valle Ávila

miguelavila@ tribunaportuguesa.com

Portuguese-American Leader & Comedian Who is Taylor Amarante? I am the son of Azorean immigrants from the island of São Jorge, Acores. My Mother was born in a Rosais while my father was born a few miles east of Rosais in Beira (Velas). I was born and raised in the city of Santa Clara, CA. It’s located in the heart of Silicon Valley and is home to a very large Portuguese Community. As for myself, I am currently the Manager of Group Sales and Special Events for the San José Earthquakes professional soccer team, co-founder of Fecha A Luz Productions and the Young Portuguese Americans (YPA) and also an aspiring stand-up comedian. I like to stay busy! How did you get involved in the San Jose Earthquakes? I started working for the San Jose Earthquakes in 2013, I had previously worked with them on some fundraising events that my brother and I were hosting in the community and after a number of those, discussions started regarding taking a potential full time gig with the organization. I was super excited to come aboard and be a part of the journey to build a brand new stadium here in San José. It’s been an amazing experience watching this organization grow and being a part of it all has been a blessing.

How did the idea come up for the Portuguese Heritage Nights? Back in 2011, my brother Jason and I were talking about the local Portuguese community and its many events, traditions and successes but also about the hurdles we could see coming in the future with keeping the PortugueseAmerican youth involved and connected to their Portuguese roots. It was at that time that we formed Fecha A Luz Productions,

a Portuguese Event and Entertainment group aimed at promoting & fundraising for the Portuguese Community. Through this organization we came up with a plan to host cultural showcases and celebrations at more mainstream events (like concerts, comedy shows, sports matches) because we felt the younger population would be more interested in attending events like these and we could still make them rich with Portuguese culture and heritage. After an extremely successful inaugural Portuguese Heritage Night event in 2012 (with the San José Earthquakes), the Portuguese Heritage Night events really caught on across all major professional sports leagues. In fact last year in California alone the San José Earthquakes, San

Portuguese Heritage Night series began. We cannot take all of the credit however, there are other very dedicated, very prideful groups in our community that have taken the lead on setting these events up with some of the different teams. It’s a group effort and it’s definitely working out very well! How did you get involved in comedy? Growing up I was a typically loud and noisy Portuguese kid, always trying to be the life of the party. As they say, the youngest child always tries their hardest to be the center of attention and I was definitely that kid. When I got to junior high school I realized that making people laugh was something I loved to do and it came quite naturally to me. I took some drama and theater classes at that point and really enjoyed it. By the time I got to high school though I turned my focus to sports and so some of the theater and drama ideas took the back seat. I realized after I graduated that maybe it wasn’t theater/drama I enjoyed most but the comedic aspect of it all. It took me years to finally get the courage to pursue it but thanks to some awesome training at the San Francisco Comedy College, I finally did and I fell in love. Making a room full of people laugh is one of the hardest things I’ve ever tried to do, but once I did it for the first time, I knew I’d keep coming back for more! Once I finished those classes and competed in a

es? My last show was at the end of November in Chowchilla, CA and now I am taking the month of December off to spend it with my family and my two brand new nieces for the holidays. I have a handful of Portuguese-American shows already booked in 2017 in places like Turlock, Santa Clara and San José and I am currently working on a deal to potentially join the Portuguese Kids for their tour of the Azores in July! Stay tuned for more date announcements! What are your professional goals? That is a loaded questions. I have both professional goals in business and I have professional goals in entertainment. As far as business is concerned I would love to continue working for the San José Earthquakes, helping to grow our franchise and fan base by spearheading its involvement with our local ethnic communities. I’m blessed to work in professional soccer, I’m a huge fan of the game. What message would you like to leave for young Portuguese-Californians? I would like to leave them with a positive message of motivation and inspiration. If we want our Portuguese community to continue to exist and continue to thrive, it is up to us to make sure that it does. Our parents, our grandparents, our great grandparents, they’ve done their jobs, they built this community and made it what is is today. It’s up to us now to carry the

Francisco Giants, Oakland A’s, San José Sharks, LA Galaxy, LA Dodgers and San Diego Padres all hosted Portuguese Heritage Nights at their stadiums for their luso-communities to enjoy. It’s been an awesome ride and its so great to see all of these teams supporting our community. How much has been donated so far to Portuguese non-profits? We estimate that approximately $20,000 has been donated to Portuguese Non-Profits since the

couple of comedy tournaments, the Portuguese Kids gave me the opportunity to open for them here in the Bay Area and the rest is history. I’ve done over 25 shows with them now all over the state of California (and the East Coast) and it’s been an incredible ride. I owe them a lot for giving me the opportunities that they’ve given me. What are your upcoming performanc-

torch. We are a super talented generation of Portuguese-Americans and we have the tools to do some amazing things. We need to come together and keep our community strong, our children will thank us! Taylor on Social Media: www.facebook.com/tayloramarantecomedy twitter.com/TjAmarante

Taylor Amarante at the 2016 San José Earthquakes’ Portuguese Heritage Night: with club president Dave Kaval and with POSSO and YPA representatives. Photos by Miguel Ávila.


uma casa to open in SF

English Section

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Chef Telmo Faria’s

connection to my food, that is my goal.

Chef Telmo Faria, was born in the Bay Area, California to Portuguese immigrant parents, who moved back to the island of Faial

for the TMI restaurant group (Tacolicious, Mosto, Chino) in San Francisco. Uma Casa is a new restaurant in San Francisco. It’s the brainchild of Telmo Faria, a seasoned executive chef with an impressive track record and genuine following. It’s opening up in the heart of a prime neighborhood, in a location that’s been rock steady for restaurants for over 45 years. It will be bringing new and innovative cuisine to a market that loves unique and interesting food. Most importantly, the menu has been meticulously fine-tuned via numerous pop-ups & special events, and the food and drink will be exquisite. The cuisine of Portugal is near and dear to chef Telmo’s heart. Coming from a large Portuguese family & having spent his formidable years growing up in the Azores, Uma Casa is the mani-

in the Azores when he was only a year old. Chef Telmo’s first restaurant experience came when his father opened “Adega Santa” in Horta, Faial. It was there that his love of cooking and hospitality was forged. He recalls daily shopping trips with his father to the small seasonal stalls of the local outdoor market, purchasing fresh fish directly from fishermen at the city’s docks, and visiting butchers selling local, sustainably raised meats. Eventually returning to California, Chef Telmo enrolled at the California Culinary Academy in San Francisco. He has since spent the last decade honing his craft and refining his skills in the kitchens of LaSalette Restaurant (Sonoma, CA), Montrio Bistro (Monterey, CA), and most recently as the Executive Chef/Partner

festation of a lifelong dream. food to be a part of San FrancisUma Casa will be a special place co’s culinary landscape. where Bay Area residents and Uma Casa is located in the heart guests can experience not just his of Noe Valley. In a space that has culinary creativity, but also his continuously and successfully culture. housed restaurant concepts over As some of the earliest European the past 45 years, 1550 Church explorers, Portuguese expeditions to lands such as India, China, Japan, North Africa and Brazil have influenced and shaped the nation’s cuisine as we know it today. With a balance of Mediterranean and exotic flavors, Portuguese food delivers a unique and tasty dining experience. Contrary to what you might think, the Bay Area has a robust Portuguese populaNora Furst, beverage director and partner

What message do you want to leave for the readers of The Portuguese Tribune?

Our goal is to be open by December 16th.

Since my time at LaSalette almost 12 years ago, I’ve always had positive words and reactions from our community. Those are the things that help inspire or motivate me when things are hard, I know that I have a whole community behind me cheering me on. Also, if anyone would like any information on how they can support us in reaching our goal, they can contact me at telmo@umacasarestaurant.com.

What have been the challenges in creating a Portuguese restaurant in San Francisco?

About UMA CASA

When will UMA CASA open in San Francisco?

One of the biggest challenges has been people’s lack of familiarity with Portugal and Portuguese food, including potential investors who didn’t feel comfortable investing in a type of cuisine they didn’t know. Additionally, the genral climate for restaurant openings in SF has been tough, from funding, to finding a location, to permits, staffing, etc.

tion. Immigration from Portugal peaked in the first years of the past century and then again in a second wave in the 1960s and 1970s. Today, over 150,000 people of Portuguese descent reside in the Bay Area, giving Uma Casa a favorable base. More importantly, San Francisco consistently ranks as one of the top culinary cities in the country. From fine dining, to food trucks, to food tech, people have come to expect interesting innovations from Bay Area enterprises. It’s time for Portuguese

Chef Telmo Faria

What is your vision for UMA CASA? I want UMA CASA to embody the spirit of a Portuguese home and it’s sense of hospitality. Delicious, high quality food, in a comfortable space, at an affordable price. What are your long-term plans as an executive chef and restaurateur? I hope to create a restaurant group that operates quality concepts, sustainably and provides opportunities for key members to grow professionally as well. Personally, my goal is to continue to promote Portuguese food and culture. How do you want to be known as a chef? I’d like to be known for creating food and experiences that make people happy and help them connect to someone or some place. If I can create a positive emotional

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Street is synonymous with Noe Valley neighborhood dining. As an accessible and centralized neighborhood, Noe Valley is a prime location for this enterprise. Inspired by the vibrancy, colors and coastal appeal of Portugal, Uma Casa looks to create a light, airy, and comfortable space with a subtle tip of the cap to the maritime heritage of both Portugal and San Francisco. As with Uma Casa’s food and service, the space will offer a casual refinement without fuss or pretentiousness. Patterns of blue & white tile will be a signature accent. Warm wood tones will beg to be touched. Lighting will be crisp and invigorating. A raw bar on ice will greet patrons as they enter. Creating a space that strikes a chord of familiarity with those who have experienced Portugal firsthand— while simultaneously capturing the imaginations of those looking for an introduction to its culture. Since making the commitment in the Spring of last year to open his own restaurant, Telmo and his team have worked earnestly and tirelessly to sow the seeds of Uma Casa and establish its concept and identity. Dozens of successful Uma Casa pop-up dinners and events have allowed him to fine tune the concept , generate press, and create a strong presence in the San Francisco dining scene. Additionally, several events at —and in conjunction with— the Portuguese consulate of San Francisco have helped forge further ties with the local Portuguese community. With years of positive press and multiple accolades to his name, chef Telmo Faria is a force in the Bay Area culinary landscape. *** Website: www.umacasarestaurant. com Social Media: www.facebook.com/umacasarestaurant twitter.com/UmaCasaSF Rewards/Incentives: www.kickstarter.com/projects/1810281843/uma-casa-portuguese-restaurant


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Comunidade Escolar

1 de Dezembro de 2016

Tribuna As minhas vivências com a festa brava

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que é ser pastor? Ser pastor é trabalhar com os toiros bravos correndo riscos de se magoar. O pastor é aquele que segura a corda e controla o toiro e amarrando o toiro. Por vezes também não temos sorte e levamos uma marrada. Mas tudo isto faz parte da festa brava. É uma coisa que eu faço desde dos 5 anos de idade e que já vem no sangue de minha família. O meu bisavô tinha toiros e meu avô sempre andou a corda da ganadaria de José Albino Fernandes, na ilha Terceira. Foi ele que motivou o meu pai a ir a corda. Como o meu pai ainda hoje adora esta tradição, passou-a para mim e daí que hoje, ele e eu fazemos parte da festa brava aqui na califórnia. Tenho um sobrinho que tem 7 anos e já vai no mesmo caminho. Uma garantia para que este gosto em ser pastor continue comigo, que estou no décimo ano da escola secundárias Tulare Union e depois com o meu sobrinho. Nós amamos a festa brava. É uma tradição na nossa família. Ser pastor faz parte de quem somos. Viva a festa brava! —João Meneses

Levantar pesos— nos jogos olímpicos e aqui em Tulare

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uatro Americanos competiram no levantamento de pesos nas olimpianas no rio de Janeiro; Morghan King, Jenny Arthur, Sarah Robles e Kendrick Farris. Morghan King bateu um recorde nacional e conseguiu o sexto lugar. Jenny Arthur também bateu um recorde nacional na outra classe de peso e conseguiu o sexto lugar. Sarah Robles obteve uma medalha (bronze), ela é a primeira Americana em 16 anos a fazer isso. Tristemente, Kendrick Farris não saiu muito bem. Esta foi provavelmente sua última olimpíada.

Eu tenho estado envolvido no levantamento de pesos e gosto de o fazer. Em fevereiro vou competir numa competição a nível nacional. Recentemente, o jornal de Tulare, fez uma reportagem sobre a nutrição e a ginástica, durante o mês dedicado aos diabetes e eu fui

TULARE UNION HIGH SCHOOL

entrevista e fiz parte da notícia. Gosto de desportos e têm-me ajudado na minha vida. Fiz parte dos Police Exploreres e também dos Young Marines. Estou em Português, no último ano e faço parte do grupo que baila folclore na escola e na comunidade. —Brandon Croxton

Desportos e a nossa herança na minha escola

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qui na nossa escola Tulare Union High School, orgulhamo-nos de muitas coisas. Uma delas é a nossa participação em desportos. Temos jovens com muito talento e boas equipas técnicas. Nós sempre nos esforçamos para fazermos o nosso melhor, e estamos sempre no topo dos nossos respetivos desportos. Este ano a nossa equipa de futebol

classificou-se muito bem e ganhámos o grande jogo do sino, uma rivalidade contra a escola Tulare Western. Temos equipas em muitas modalidades, desde o futebol americano ao beisebol. Eu gosto dos dois, mas o meu preferido é o beisebol. Jogo em equipas das escolas há vários anos e tento sempre o meu melhor. Gostava de um dia jogar numa equipa profissional. Também tenho muito orgulho na minha herança portuguesa. Falar em português e saber mais sobre a nossa cultura é importante para mim. —Greg Soares

Escolas de Tulare no Dia Português na CSUS-Turlock

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om a coordenação de Joseph Dias, aluno universitário e presidente do clube português da CSUS, do professor de português daquela universidade Dr. Renato Alvim e o apoio da Fundação para a Educação de Turlock, presidida pela Professora Eduina Azevedo, aconteceu naquela universidade, no dia 9 de novembro, o Dia Português. Os nossos alunos de Tulare participaram com a ida de dois autocarros e cerca de 90 alunos e três professores. Tivemos o apoio da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e foi um dia bem passado. Tivemos apresentações, assim como visitámos o campus desta universidade que tem cursos de língua portuguesa e é mais uma oportunidade para os nossos alunos poderem tirar um curso depois dos seus estudos secundários. —Alunos de Português V-Honors

Diniz Borges

d.borges@comcast.net

SOPAS—A as-

sociação de jovens luso-descendentes em Tulare A Associação estudantil SOPAS é uma extensão das aulas de língua e cultura portuguesas nas escolas secundárias de Tulare. A associação tem múltiplas atividades durante o ano letivo, incluindo participação em atividades escolares, visita a universidades, eventos culturais com a comunidade e festivais culturais para os jovens. A associação está persente em vários acontecimentos da comunidade auxiliando no serviço de jantares para o nosso movimento associativo, como o Clube Cabrillo, o TDES e a paróquia de anto Aloísio. Com reuniões duas vezes por mês em cada uma das três escolas secundárias a associação SOPAS termina sempre o ano escolar com a grande gala de entrega de prémios a elementos da comunidade, o MVPA. A associação tem como presidentes: Derrick Nunes na escola Tulare Union, Jason DoCanto na escola Tulare Western e Nickole Leal na escola Mission Oak.

Nota de Abertura:

Aqui estamos com a nossa terceira edição do Tribuna Escolar, projeto dos alunos de Português V-Honors das escolas secundárias de Tulare. Para além de três pequenos textos de três dos nossos alunos, queremos deixarvos com algumas fotos da nossa recente presença em Angra durante as comemorações do cinquentenário das cidades irmãs. Escusado será escrever que o Memorando de Entendimento entre as escolas de Angra e Tulare foi o momento mais marcante. Também partilhamos algumas das fotos dos nossos jovens em eventos comunitários e destacamos o dia português que ocorreu recentemente na Universidade Estadual da Califórnia de Stanislaus em Turlock e a presença de 3 ex-alunas dos nossos cursos, como premiadas com bolsas de estudo da Portuguese Cultural Foundation of Central Califórnia. Assim, se faz comunidade.

Diniz Borges

Professor na Tulare Union Diretor do Departamento de Línguas Estrangeiras


Opinião

1 de Dezembro de 2016

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que se passou, nesta América, não foi um caso único. Tem acontecido em outros países onde os povos estão fartos das promessas dos políticos, sejam eles das esquerdas ou das direitas. Uma vez que outra aparece alguém, sem experiência alguma política, que nos discursos da sua campanha fala da maneira que o povo quer ouvir. Foi isso o que aconteceu com o Trump, agora presidente eleito desta grande América. Ele, falou mal das mulheres, dos latinos, dos muçulmanos, dos afro-americanos, etc., etc., etc. Só não falou mal de si. Os republicanos souberam aproveitar todas as fraquesas dos democratas. Conseguiram remover o azul celeste, democrático, do Burro, utilizado por Andrew Jackson, desde 1828, como simbolo do partido e pintá-lo todo de vermelho. Eu sempre disse que o Trump não era o problema, mas sim todas as outras pessoas que pensam como ele. Muitos hão que têm as mesmas ideias e que não votaram pela

God Bless America

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Ao Sabor do Vento José Raposo

jmvraposo@gmail.com Hillary só por pensarem que ela, como mulher, não tem capacidade para governar este país. Esta nação tem problemas sereíssimos e, na minha opinião, não vai ser o Trump que os vai resolver. Não se compreende como é que um veterano está no canto de uma rua a pedir esmola e nós estamos a sustentar guerras em outras partes do mundo. Não se compreende como é que uma escola tem que fazer festas para angariar fundos para comprar materiais escolares e o governo gasta milhões em máquinas de guerra. Não se compreende como é que os Estados Unidos deu 3 biliões de dólares a Andorra, em 2007, pensando que era uma nação muito pobre da África, situada entre o Congo e outro país seu vizinho. O que é isto? Ignorância ou estupidez natural? Não se compreende como é que os políticos e pessoas com outras profissões têm reformas fabulosas e seguros médicos para o resto da vida enquanto outros não têm dinheiro para comprar medicamentos. Não se compreende o alto custo de tratamento dos doentes e a exploração das companhias farmaceuticas ao cobrarem quantias exorbitantes por medicamentos, fabricados nesta terra e que

são comprados noutros países por menos da metade do preço. Não se compreende como é que um estudante acaba o seu curso com dívidas que chegam a 200 mil dólares ou mais e em outros países mais pobres tal curso é grátis. Esta campanha eleitoral e o resultado final da eleição pode ser que venha abrir os olhos a muita gente. Donald Trump atacou democratas e republicanos. Provou que: ou foi mais inteligente ou os outros são mais tolos do que nós pensávamos. Os democratas começaram a cantar vitória e esqueceram que até à lavagem dos cestos é vindima. Eu não votei pelo Trump, nem nunca votaria por uma pessoa como ele que ultrapassou todos os limities da (in) decência pela maneira indelicada como ele falou. Acredito que muits das acusações que lhe foram feitas sejam verdade e sei lá, é provável, também, que algumas tenham sido exageradas. Embora a Hillary tenha ganhe o voto popular, perdeu nos votos do electoral college e são os membros desse grupo que escolhem o presidente. É uma maneira muito difícil de compreender para escolher um presidente dum país que se diz democrático e que quer impingir a

outros países do mundo a sua forma democrática. Os fundadores do electoral college devem ter tido as suas razões para o terem formado, mas francamente eu penso que hoje em dia isso não faz sentido. Quando na Africa do Sul a América quis impor o sistema de um voto uma pessoa, aqui, em solo americano, usa um sistema arcaico e que hoje em dia não deveria ter razão para existir. Eu respeitarei o cargo de presidente dos estados unidos e a posição que o Sr. Donald Trump ocupará, mas enquando ele continuar a falar da forma que fala e continuar a desrespeitar as pessoas, não poderei de forma algum ter respeito por um indivíduo de tão baixo nível. Ele ganhou e soube ganhar, porque falou a linguagem da maioria do povo que pensa como ele e está cansado de políticos que tudo prometem e nada fazem. Esperemos que ele escolha uma administração que resolva os problemas que este país tem e que não crie problemas novos, mas eu penso que estamos mesmo na altura certa de dizer: GOD BLESS AMERICA.

As Eleições nos Estados Unidos da América

Alexandre J Pacheco (Sacerdote)

o dia seguinte após as Eleições neste País que se deram no 8 de Novembro, ouvi na Rádio Católica a triste história duma rapariga preta de 12 anos talvez adoptada e que vivia com os seus avós. Escutando o resultado das Eleições, começou a dançar e a gritar com alegria porque o seu candidado que ela sonhava na vida vencera as eleições como Presidente desta Nação dos Estados Unidos da América. Os seus avós naturalmente do partido oposto, muito zangados, furiosos e revoltados, mandaram-na embora da sua casa e não sabemos até hoje o seu paradeiro. Sem dúvida essa moça teve de sofrer as consequências de quem está ao lado de Deus e a favor da verdade. A razão da sua escolha para este presidente era contra os abortos que se dão lugar neste País em milhões e milhões de vidas destruidas; contra o planned parentood; contra o cloning; contra a eutanásia que tira a vida dos velhinhos já avançados na idade, tira a vida dos que são incapacitados de viver e os que sofrem com uma doença sem cura. Os Bispos de América já têm pronunciado sobre todos esses males que não podiam ser negociados de forma alguma e agora após as eleições já manifestam a sua alegria. Esta moça apenas de 12 anos era uma testemunha fiel ainda à custa da sua vida, à voz de Deus na Sagrada Escritura e dos ensinamentos da Igreja que fortemente defendem a santidade da vida humana. E vejamos: No Livro do profeta Ezequiel, Capitulo 47: 1-2;8-9.22 fala do Templo do Senhor. Este Templo é o sinal visível da presença de Deus no meio do seu Povo. No Evangelho de João 2: 13-22 Jesus fala que o seu Corpo, em outras palavras, a Sua Igreja que somos nós, é o novo Templo de Deus, um Santuário onde Ele vive. E por esta razão é Sagrado e deve ser respeitado e não deshonrado. São Paulo na sua carta aos Coríntios Capítulo 3: 9-11, 16-17 baseando nisto diz “não sabeis que sois Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o Templo de Deus, Deus destruí-

politically correct, mas qualifica os que são escolhidos”. Segundo São Paulo 1Cor 27: “Mas Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e Deus escolheu o que é fraco no mundo, para confundir o que é forte.” E Maria Nossa Mãe foi um grande exemplo disso. Ela canta o seu Magnificat: “a minha proclama a grandeza do Senhor…porque olhou para a humilhação da sua serva…Ele dispersa os soberbos de coração, derruba do trono os poderosos e eleva os humildes…”

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-lo-á! E que o Templo de Deus é santo, e esse Templo sois vós. ”E quem são estes vós?: como já dissemos acima, são os bebés até ao nono mês no seio materno, são os nossos velhinhos e doentinhos, são os incapacitados de viver, são os que sofrem de uma doença sem cura; somos igualmente cada um de nós. E por isso ninguém tem o direito de liquidar esta vida que Deus nos dá. No Capitulo 1 de Jeremias diz ele: Antes de te formar no ventre da tua mãe, Eu te conhecí; antes que fosse dado à luz, eu te consagrei..”No profeta Isaías 49: Eu ainda estava no ventre materno; Javé chamou-me quando eu ainda estava nas entranhas de minha mãe…” No dia da Eleição muitos católicos e ainda os protestantes estavam em oração rezando ao Nosso Pai dos céus e rezando o Terço a Maria Nossa Mãe, que nos desse um Líder a esta Nação que pudesse respeitar as leis e os mandamnetos de Deus. A filha do famoso pregador Evangelista Bill Graham fazia o mesmo. E Deus Pai e Nossa Mãe atenderam às suas preces. Pois diz a Sagrada Escritura na carta de São Paulo “se alguém destrói o Templo de Deus, Deus destruí-lo-á.” Deus Pai quis destruir o grande Satanás, o grande Diabo e seus partidários, para não tirar a vida dos inocentes, ainda dos bebés ao nono mês da sua vida no seio materno. A rapariga dos seus 12 anos mandada embora de casa pelos seus avós pagou o preço da sua escolha à voz de Deus; ela seguiu o exemplo de Jesus que foi igualmente rejeitado e morto na cuz; o exemplo de São Paulo prisioneiro por causa do Evangelho, e dos vários santos e santas; o exemplo de Santa Madre Teresa apenas canonizada e dizia: é triste e é pobreza do espírito que o Bebé tem de ser abortado para eu poder viver melhor. Os que pensam e agem desta maneira, é curioso que vivem neste mundo. Essa rapariga de 12 anos entendeu tudo isto e quis dar a sua vida pelos seus irmãos e irmãs aceitando para ser rejeitada, expulsa da casa, pelos seus avós. “Se alguém vem ter comigo e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discipulo, diz Jesus no seu evangelho Lc 14:26.

Na verdade os caminhos de Deus não são os nossos caminhos. São Paulo escutando esta voz de Jesus, está disposto a perder tudo, a sua vida, o seu bem estar para ganhar Cristo e seus irmãozinhos no seio materno. E este deve ser o lema de nós e de todos que se declaram como Cristãos. On Sunday November 20th é a Festa do Cristo Rei. Esta Festa foi precisamente estabelecida por Papa Pio XI no ano 1925 para que os Estados Civis reconhecessem a Soberania de Cristo como Rei das nossas almas. Foi também estabelecida no tempo em que o Mundo dava largas ao materialismo e sensualismo da sua vida. O mundo tornava-se mais e mais ateu esquecendo que temos uma outra vida após esta vida terrena. E que estaremos à sua presença no juizo final para dar contas de forma como nós seguimos os Seus ensinamentos e os da sua Igreja. Maria Nossa Mãe foi na mesma epóca que apareceu às três criancinhas pedindo que rezassemos o Terço e pedindo pela penitência e conversão da Europa e do mundo inteiro. Mas o Satanás não se descansa. Está mais alerto que nunca para fomentar violências, revoluçõess, criar uma situação caótica, para destruir a paz neste País. Temos de estar com mãos unidas esquecendo o passado, esquecendo as nossas diferenças sempre lembrando que os caminhos de Deus não são os nossos caminhos. Dizia o Presidente Kennedy: “Não pergunteis o que eu posso fazer pela Nação mas antes o que vós podeis fazer por Ela.” Em Segundo lugar: São Paulo na sua carta aos Coríntios 2: 1-3 diz: “Antes de tudo, recomendo que façais pedidos, orações, súplicas e acções de graças em favor de todos os homens, pelos reis e por todos os que tem autoridade, a fim de que levemos uma vida calma e serena, com toda a piedade e dignidade. Isso é agrádavel diante de Deus Nosso Salvador. Ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.” Portanto, pedir todos os dias pelas Autoridades Civis. Para terminar: Dizia Madre Teresa, agora Santa: “Deus não pensa como nós pensamos. Deus não escolhe os que são qualificados aos olhos dos homens, ou os que são

Vamos pedir que Deus Pai com as nossas orações ilumine todas as Autoridades Civis para que sigam os verdadeiros caminhos de Deus. Bem amigos, tenhamos fé em Deus. Esta Nacção foi fundada em Deus e nós confiamos. In God we trust. E assim seja. Rezemos: Deus de todas as nações, Pai da família humana, Nós damos-lhe agradecimentos para a liberdade que nós exercitamos E as muitas bênçãos da democracia que desfrutamos Nestes Estados Unidos da América. Pedimos sua proteção e orientação Para todos os que se dedicam ao bem comum, Trabalhando pela justiça e paz em casa e em todo o mundo. Levantamos todos os nossos líderes e servidores públicos devidamente eleitos, Aqueles que nos servirão como presidente, como legisladores e juízes, Aqueles nas forças armadas e aplicação da lei. Cura-nos das nossas diferenças e une-nos, ó Senhor, Com um objetivo comum, dedicação e compromisso para alcançar a liberdade e justiça nos próximos anos para todas as pessoas, E especialmente aqueles que são mais vulneráveis em nosso meio. Amen.


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Opinião

1 de Dezembro de 2016

Recenseamento Mundial do ADN dos Portugueses (2) conclusão da edição anterior

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sto traz-me então aos testes que podemos realizar. Os dois testes mais importantes são aqueles que testam a linhagem paterna (o cromossoma Y) e a linhagem materna (ADN mitocondrial). Podemos pôr os resultados Y-DNA a melhor uso, mas não devemos negligenciar o mtDNA, mesmo quando é muito menos útil ligar famílias. Neste momento, os Açoreanos realizaram muito poucos testes, comparado com o Reino Unido. Uma vez que os Americanos são o grupo mais entusiasta no que toca aos testes de ADN, e como a maioria tem raízes no Reino Unido, eu estimo que, para cada pessoa com antepassados Açoreanos que tenha realizado o teste, haja 50 pessoas cujos resultados os conduz ao Reino Unido. E Portugal continental está muito pior do que dos Açores. Mas isto não pode continuar, pois temos uma história relativamente curta, com apenas 500 anos, em comparação com Portugal continental e a Península Ibérica como um todo. Assim que descobrirmos tudo o que pudermos sobre as pessoas que povoaram as ilhas, devemos aprender qual é o nosso elo de ligação ao continente e, mais para trás, a antiga Ibéria, para obtermos um cenário dos nossos antepassados o mais completo possível. Quem deve realizar o teste? Este é um factor importante a considerar. Pelo menos um homem por família. Neste caso será um teste Y-DNA para a linhagem paterna. E para a linhagem materna, pode ser qualquer homem ou mulher na família, mas apenas uma pessoa. Não faz sentido dois irmãos que têm a mesma mãe realizarem o teste de mtDNA. E, do mesmo modo, normalmente não há grande vantagem de ter dois irmãos testar a linhagem Y-DNA porque os resultados geralmente são idênticos - não sempre, mas, provavelmente, a maior parte das vezes. Por isso, se existirem algumas raparigas e alguns rapazes, além de uma mãe e um pai na família que possam realizar o teste, testem primeiro o pai e a mãe. Assim vai cobrir a linhagem paterna e a linhagem materna de todos os filhos. Mas o pai tem uma linhagem materna diferente, e se ele não tiver irmãos vivos, também ele deve realizar o teste da linhagem materna (mtDNA). Mas se ele tiver um irmão ou uma irmã, qualquer um deles pode fazer o mesmo teste. Apenas certifique-se de que apenas uma pessoa faz o teste para a mesma linhagem materna. Se uma avó ainda for viva, não há necessidade de testar a filha ou as crianças das filhas. A avó pode realizar o teste da linhagem materna para representar todos os seus descendentes da linhagem materna. Se não conseguir encontrar um tio para testar linhagem paterna da sua mãe, procure o filho do

seu tio e teste-o. De qualquer das maneiras, ele irá representar a mesma linhagem paterna uma vez que que a sua mãe não pode fazer o teste do cromossoma Y. Se a sua mãe tinha apenas irmãs, torna-se mais difícil. Terá que procurar irmãos do seu avô materno. Se ele tinha um irmão e se esse irmão tinha um filho, teste o filho. Se esse filho faleceu, mas tinha um filho, este será o seu primo em segundo grau e você pode testá-lo para a linhagem paterna da sua mãe. À medida que for procurando pessoas que possam realizar o teste ADN para as quatro linhagens paternas dos seus quatro avós, vai-se

posteriormente. Quero deixar claro que eu não recebo qualquer benefício financeiro desta empresa de testes. Faço isto pura e simplesmente pela informação genealógica que podemos recolher, e pelo meu entusiasmo em ligar as famílias dos Açores e de Portugal continental. O próprio teste é enviado por correio para qualquer parte do mundo. Para um endereço nos EUA, leva apenas cerca de 10 dias para o receber. Para outros países, pode demorar um mês, mas às vezes é mais rápido. Dentro da embalagem estão dois frascos pequenos e duas escovas minúsculas semelhantes a uma mini es-

aperceber do quão difícil é, por vezes, encontrar alguém ainda vivo para fazer o teste. Está assim a testemunhar o triste facto de que outra linhagem da família se extinguiu. Os testes são realizados numa empresa em Houston, Texas, chamada Família Tree DNA. O seu site é www.familytreedna. com O teste Y-DNA chama-se Y-12 ou Y111, com diversos níveis entre eles. O Y-12 é o teste mais básico possível. O Y-111 é o mais aprofundado. O objectivo é que todos façam, no mínimo, o teste Y67, sendo o Y111 o melhor. Mas se o dinheiro for escasso comecem, pelo menos, com o Y-37. O upgrade para os níveis Y67 e Y111 pode ser feito mais tarde. Mas antes de encomendar o teste, por favor contacte-me, pois posso responder às suas perguntas e aconselhá-lho para se certificar que escolheu as pessoas certas para testar, e que não está a desperdiçar dinheiro com a duplicação de testes (pode ser confuso no início), além de poder poupar dinheiro com os descontos associados à adesão de um projecto de ADN. Para a linhagem materna, o melhor teste, e também o mais útil, chama-se Sequência Completa do genoma Mitocondrial (Full Mitochondrial Sequence - FMS), mas se o dinheiro for escasso, existe uma opção menos dispendiosa e que pode ser atualizada

cova de dentes. Você vai esfregar o interior de cada bochecha com estas escovas e colocá-las nos frascos. Tente esfregar com força suficiente de forma às escovas ficarem com um tom rosado, o que indica que recolheu mais ADN do sangue. Mas não se preocupe muito com isso, basta esfregar e está feito. Para os EUA, os portes de volta ao laboratório já estão pagos. Para outros países, deve pagar os portes nos correios, e no formulário de alfândega pode indicar que está a enviar “cotonetes.” Indicar que é um teste de ADN causar entraves na alfândega. O laboratório demora cerca de uma semana para receber os testes enviados a partir de endereços dos EUA, e 3 a 4 semanas no caso dos restantes países. Uma vez recebido pelo laboratório, e caso me permita monitorizar o progresso do seu teste, este será associado a um lote para processamento de testes realizado às Quartas-Feiras. E poderá demorar cerca de 3 a 8 semanas para obter os resultados. O teste da linhagem materna é o que normalmente demora mais tempo. Assim que os resultados estiverem prontos, terei muito gosto em interpretá-los para quem quiser. Você pode corresponder a outras pessoas, com a indicação se a ligação familiar é próxima ou muito remota - até

Doug da Rocha Holmes Terceira@dholmes.com

mesmo milhares de anos atrás. E pode mesmo não ter ainda qualquer correspondespondência. Nesta fase inicial, temos muitas pessoas que não correspondem a ninguém. Isto prende-se pelo facto de haver muito pouca gente testada. É uma questão de números. Quanto mais gente realizar o teste, mais hipóteses de correspondência haverá. No caso de um teste Y-DNA, pode encontrar uma correspondência muito próxima com outro homem num espaço de apenas 200 anos, ou mais distante de há 400 anos atrás. E pode até ser uma correspondência com alguém anterior ao povoamento dos Açores. Você pode não corresponder a mais nenhum Português, mas pode corresponder a alguém que viva no Peru ou no México e o vosso antepassado em comum poderá ter nascido há 1.000 ou 2.000 anos atrás. Esperemos que obtenha correspondências em todos esses níveis próximas e remotas. É útil ter um pouco de cada, e eu ensinarei o porquê assim que os seus resultados estiverem prontos. Tenho a esperança de eventualmente ter milhares de pessoas dos Açores dispostas a realizar o teste, para que desta forma tenhamos uma pessoa a representar as primeiras famílias que povoaram as ilhas o máximo possível. O passo seguinte é descobrir de que zonas de Portugal continental vieram essas famílias. Nós sabemos pelos livros de História que Santa Maria foi a primeira a ser povoada, seguida de São Miguel, e depois das restantes. Seremos então capazes de fazer essa mesma leitura através dos testes de ADN? Imaginemos que temos um Camacho do Pico e que corresponde a alguém da Madeira, onde o apelido Camacho também é encontrada em larga escala. Uma interpretação possível é de que a família Camacho no Pico poderá ter tido origem na Madeira. E se encontrássemos uma correspondência com alguém no continente e ainda poderíamos interpretar como tendo vindo da área do Porto, em seguida, para a Madeira e, finalmente, para o Pico. Isto é apenas especulação, mas os testes de ADN proporcionam-nos a possibilidade de descobrir. Há cada vez mais pessoas a juntar-se e a realizar o teste de ADN. Na Califórnia, temos um pedagogo bastante conhecido em Tulare chamado Diniz Borges, com raízes na Terceira. Joe da Rosa,

um empresário conhecido em San Diego, e toda a sua família já o fez. Igor Espínola de França, de São Miguel, e que é um ávido genealogista da ilha do Pico tem um teste em andamento. Larry Valim e a sua esposa, de Sacramento, fizeram os testes de ADN. O pai de Angela Simões, com a PALCUS (Portuguese American Leadership Council of the United States), e Anthony Barcelos, autor Açoreano, ambos realizaram o teste. O historiador Ermelindo Ávila e o seu filho Rui Pedro Ávila, ambos famosos no Pico, encomendaram um kit de teste. Existe uma outra celebridade que não quis ser identificada, mas que reconheceu o valor do teste de ADN. E muitos outros seguirão em breve estas pegadas. Se se lembra de se sentar ao colo do seu avô enquanto ele recordava as suas aventuras de quando era jovem, ou de ouvir as histórias da sua mãe, mas hoje lamenta por não ter prestado mais atenção na altura, e agora tem a sua própria família e quer certificar-se de que transmite a história da sua família da melhor maneira possível, tem agora a oportunidade de garantir que uma parte muito importante de si não se perde. A história da linhagem da sua família nos últimos milhares de anos está no seu ADN. Cada linhagem da família é importante. Alguns podem não se preocupar com essas linhagens, mas poderão fazê-lo como um favor para alguém em quem confiam, e em prol dos seus descendentes. Por isso, fale com os seus parentes, ligue e converse com os seus primos. Faça parte desta maravilhosa descoberta das nossas raízes e preserve para todos os nossos futuros descendentes um pedaço da nossa história. A história do nosso povo está a ser re-escrita com cada nova pessoa testada. Cada pessoa é uma história da sua herança ancestral. Não permita que a sua história se perca. Os meus testes ajudam-no e os seus testes ajudam-me a mim. Precisamos uns dos outros e todos nós ganhamos. Precisamos de um recenseamento total do ADN do nosso povo.


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Desporto

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LIGA 2016-2017

Porto travado em Belém

Benfica soma e segue

in abola.pt Com um Benfica avassalador, um Sporting em crescimento e um Porto a distanciar-se negativamente, a pergunta da semana é: Será que o Porto já disse adeus ao Campeonado estando a 7 pontos do Benfica? Dentro de duas semanas teremos um clássico de Lisboa entre os dois rivais. Conforme o desfecho desse jogo poderemos estar em presença da confirmação do Benfica como guia super isolado do campeonato ou assistir-se-á à possibilidade do Sporting ainda poder sonhar com outros vôos. O Porto que tem uma bela equipa, não tem demonstrado capacidade de finalização que os leve a ganhar jogos e o treinador já começou a ver lenços brancos no fim dos jogos, o que não é um bom sinal. No respeitante à Europa, esperemos que as equipas portuguesas possam prosseguir no bom caminho, o que não é fácil.

The First and Only Restaurant with a Michelin Star in San José

Executive Chef, David Costa Pastry Chef, Jessica Carreira

Accepting Reservations for Dinner

1614 Alum Rock Ave. San José, CA 408.926.9075 | www.adegarest.com


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Opinião

1 de Dezembro de 2016

O Vaticano e as Cinzas

S

ou um admirador do Papa Francisco pelas suas decisões, procedimentos e ideias novas que tão necessárias são nos tempos atuais, para evitar que os católicos se afastem da sua religião e da sua igreja e, em vez disso, se aproximem mais crentes e simpatizantes da religião da qual o Papa Francisco é o representante máximo neste nosso planeta. Fiquei desiludido com uma determinação papal relativamente às cinzas dos defuntos que devem ser depositadas e mantidas em lugares sagrados, proíbindo a dispersão das mesmas na natureza ou outros locais. Continuei desiludido pela determinação de que as novas práticas de sepultura e cremação foram consideradas em “desacordo com a fé da igreja” e podem levar as autoridades eclesiásticas negar a realização de um funeral. A cremação é aceita pela igreja católica,mas proíbe que as cinzas sejam espalhadas em qualquer lugar, ou divididas entre familiares, por locais da natureza como no ar, terra ou mar, mas sim no cemitério ou igreja, que discordo. Concordo sim com a não transformação das cinzas em recordações comemorativas, em peças de joalharia ou em outros artigos. Religiosamente, mantendo-me católico, per-

Uma Vez por Outra Carlos A. Reis

reis0816@yahoo.com di grande parte da minha fé de outrora e, segundo a minha pretenção final já expressa em documento legal, pretendo ser cremado, mas quanto às cinzas a minha intenção é diferente e é contra a determinação do Papa Francisco. Claro que esta determinação do Papa resultou, para já, de uma divisão entre muitos católicos com protestos pacíficos mas outros abusadores e insensatos, como aconteceu recentemente na Ópera Metropolitana de New York que foram lançadas cinzas sobre a orquestra que atuava e que suspendeu o espetáculo, como protesto da decisão papal quanto ao destino a dar às cinzas. Tomei conhecimento que o Papa Francisco não aceita que as mulheres sejam ordenadas porque, na sua opinião, o papel de sacerdote é ùnicamente para homens, baseando-se que Jesus Cristo só aceitou homens como apóstolos. Confirmando o documento de João Paulo II que acredita que essa rejeição será para sempre, que no parecer do Papa Francisco, fecha a porta à ordenação de mulheres. Confesso que não aceito a justificação do Papa e estou esperançado que um dia, no futuro, as mulheres terão a igualdade religiosa dos homens e que elas serão bem capazes de desempenhar a sua missão e poderá ser um meio para acabar com tantos maus padres

(homens) que não merecem o colarinho, que já bem poucos usam. Assim como estou também esperançado que a lei do celibato seja revogada. VISITA DO SECRETÁRIO DAS COMUNIDADES O Secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, que esteve de visita aos Estados Unidos e Canadá, prometeu reforçar a rede consular nos dois referidos países, aumentando poderes aos dois consulados honorários na Califórnia, um na cidade de Artesia e o outro na cidade de Tulare, e a nomeação de um novo Cônsul Honorário para a cidade de San Diego, contratando cinco novos funcionários, não justificando quantos serão destinados ao consulado de San Francisco (?), para melhorar o serviço de atendimento que não é o desejável e é muito deficiente, neste momento. San José voltou a ser esquecido e não venham com justificações e desculpas inaceitáveis... Referindo-me ao reforço dos poderes para os consulados honorários, já existentes na Califórnia, espero bem que isso aconteça, porque dantes (não há muito tempo) esses poderes nunca existiram, nem muito nem tão-pouco. Segundo parece, pretende-se que os consu-

lados honorários passem a ter poderes de notariado, se para reconhecer assinaturas como acontece com os notários públicos licenciados pelo Estado da Califórnia e registados no Consulado de San Francisco, se para reconhecer assinaturas ou outros documentos de cidadãos portugueses, evitando-se os serviços dos notários acima referidos. Quanto ao recenseamento eleitoral não é novidade porque um Cônsul, em anos anteriores, tomou a iniciativa de mencionar e decidir mesas de voto em eleições anteriores, nas cidades de San José, Tulare e outras(?), mas como a iniciativa não produziu o efeito desejado, por falta de votantes, acabou por desisitir-se da ideia. Espero que a partir de agora tudo seja diferente e que as mesas de voto sejam mais procuradas pelos cidadãos portugueses, registados para tal obrigação, se assim o entenderem. A ideia para que uma escola secundária de Tulare seja o primeiro estabelecimento de ensino oficial, onde será ensinado o português, na Califórnia, é muito louvável e desejada. Pelo menos, é de toda a justiça realçar as pretensões do governante, que nos visitou, esperançado que algo de novo e positivo acon-

teça porque os governos e os governantes portugueses têm andado muito adormecidos...


Opinião

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Memorandum

Memórias do

Coliseu Micaelense

João-Luís de Medeiros jlmedeiros@aol.com

(e das “colisões” pré-democráticas)

N

esta edição, a intenção do signatário do “memorandum” é a de empalidecer a algazarra trumpista que continua a poluir a democracia norte-americana. Vamos continuar a celebrar a alegria da reconciliação étnica encetada em meados do século XVII pelos peregrinos da europa ocidental em busca do “novo-mundo”. – Viva oThanksgiving Day! Vamos recordar algumas das ‘colisões’ alusivas à algazarra açórica pré-democrática acontecida na II metade do século XX. Fazemos parte da geração que foi parcialmente “espremida” pelo círculo fechado do truísmo insular. Apesar disso, naquele tempo, a honorabilidade cívica tinha cara de gente, e os contratos eram geralmente selados com a palavra de honra da lealdade, apenas com um simples aperto de mão... Continua viva nas rugas da memória insular a silhueta dos edifícios que fazem parte da fisionomia tradicional das comunidades insulares. Eis um exemplo: embora não seja uma peça arquitectónica de recorte original, o Coliseu Micaelense (antes conhecido por Coliseu Avenida) continua ainda a fazer parte integrante do imaginário colectivo da minha geração ... Nos alvores da década de 50, a rapaziada mais afoita oriunda de São Roque já se aventu-

rava viajar em direcção a Ponta Delgada; para alguns (como foi o nosso caso) a coragem só dava para chegar até às imediações do antigo campo de futebol marquês Jácome Correia. Ora, face à frequente circunstância de nos faltar as “patacas” necessárias para adquirir o acesso aos desafios preferidos, a alternativa mais sensata era a de “subir” até ao adro da igreja da “Mãe de Deus” para dali vislumbrar a parcela nortenha do rectângulo onde decorria o desafio … Continuar a aventura até ao fim da cidade, em direcção da antiga ‘mata da doca’ (ou chegar perto do Coliseu Micaelense), era odisseia que dava ‘corda’ à inveja dos mais tímidos da freguesia – os tais “menines” que não ousavam caminhar para além da canada do Santíssimo, no limite oeste da nossa freguesia. Naquele tempo, para assistir às matinées do Coliseu, o bilhete de acesso à ‘bancada geral’ custava ‘escudo e meio’. Em meados da década de 50, a rapaziada já disponha da escolha de dezenas de filmes estrangeiros e outros portugueses. Recordo a tarde em que cheguei à bilheteira do Coliseu com mais dois companheiros e cinco ‘patacas’ na algibeira, para aquirir o bilhete-de-entrada para ver dois filmes: “Prisioneiro de Zenda” e “Regresso do Inferno”. Na época, ‘cinco patacas’ davam para três

modestos bilhetes da ‘geral’. Nos dias de grande afluência de espectadores tornava-se complicado garantir uma boa posição no anfiteatro da ‘geral ’. Por vezes, éramos incomodados pela habitual brutalidade dos espertalhões que empurravam os mais novinhos para as periferias da ‘geral’ assegurando, assim, o espaço de manobra que lhes permitisse a desejada proximidade às “sopeiras-solteironas”. Quando a lotação do coliseu ‘estava à cunha’, o convívio tornava-se complicado, e não raro quizilento, com os’sopapos’ da geral a competir com a ‘porrada’ no écran… Para os filmes famosos, era raro conseguir lugar melhor do que o espaço em saldo perto das ilhargas do palco. Ora, naquela posição assaz incómoda, os actores preferidos da época apareciam como que deformados pela perspectiva. Por outro lado, nas conversas amistosas entre adolescentes dizia-se (à boca-pequena) que os filmes interpretados pelas actrizes Sophia Loren, Gina Lollobrigida, Marilyn Monroe ficavam mais saborosos quando vistos com as mãos nas algibeiras...! Com a rapidez possivel, tenciono agora oferecer algumas notas dispersas àcerca do Coliseu (e das tais “colisões” pré-democráticas) da nossa juventude. Como atrás salientei, o nosso Coliseu era considerado “ponto de encontro” da rapaziada do meu tempo. Era ali que flutuavam os momentos de ilusão para as crises de crescimento da nossa geração... ademais no seio duma

sociedade alienada pelo boato maldoso de que “a pobreza era filha de Deus”… Se a minha geração foi discriminada pela atonia cultural da época, a culpa não foi do Coliseu. Nem seria justo responsabilizar o Coliseu Micaelense quando em Janeiro de 1976 (durante o maior Comício Socialista porventura realizado nos Açores ) serviu de palco inocente para um dos mais bizarros (cobardes) incidentes bombistas do período dito revolucionário: estamos a referir a época (já lá vão 40 anos) em que o signatário também vivia acariciado pela bem-vinda corrente-de-ar-fresco da utopia abrilista, pelo que não é difícil compreender o facto de ter participado no painel dos oradores convidados, co-presidido por Mário Soares, Jaime Gama, Medeiros Ferreira, Angelino Páscoa, Xico Macedo, e outros... Adiante: logo após a compreensível confusão inicial provocada pela explosão bombista supracitada (e dado que decidira permanecer no palco até ao momento da saída colectiva) recordo uma das frases que Mário Soares teve a serenidade de afirmar através dum megafone improvisado: “– Camaradas! Perante este incidente, vamos dizer que a FLA acaba de assinar a própria certidão de óbito”... Texto redigido de harmonia com a antiga grafia.


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Cultura

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PAGINA DE ARTES E LETRAS DO TRIBUNA PORTUGUESA

Apenas Duas Palavras Diniz Borges

Hortênsias sem visto

N

Onésimo Almeida

o correio electrónico arriba-me uma mensagem do Alentejo com anexo. O amigo Olegário avisava que me remetia imagens das hortênsias do seu jardim. Tirara-as o olho esteta doutro (comum) amigo, Artur Goulart. Dois jorgenses entusiasmados com uma transplantação da flora açoriana para o Alentejo profundo. No Maine, porém, o meu acesso à Internet tem limitações e não é qualquer anexoque consigo abrir neste portátil. Três dias depois, uma insistência. Queria ter a certeza de que eu recebera as fotos em condições. Captei urgência na partilha do prazer e fui então à biblioteca de Boothbay Harbor, a vila aqui próximo, meu pneu de socorro para leitura de documentos muito vagarosos de descarregar. Bela, a foto. Exuberantes as hortênsias, de uma matiz pouco comum nos Açores, um lilás mais arroxeado, laivos de cor-de-vinho, mas irrepreensivelmente hidrângea no traço. E, no viço, bem diferente da criptoméria que uma vez o João de Melo, pesaroso, também me mostrou ao vivo, por ele transplantada de S. Miguel para a sua vivenda de fim-de-semana, em Mafra. A pobre, raquítica de saudade talvez, definhava a olhos vistos, apesar dos múltiplos cuidados enfermáticos do João que ainda hoje não conseguiu o segredo de a fazer desabrochar. Nos últimos anos tenho vindo a notar uma proliferação de hortênsias na Nova Inglaterra e palpito que sejam de proveniência açoriana. Não as observo apenas nos subúrbios tradicionalmente portugueses de Westport, Somerset, Swansea ou Bristol, mas por todo o sudeste da região. Em Little Compton, por exemplo, deparo com elas inexplicável mas sistematicamente num azul intenso e puro. Mas ele há-as em profusão salpicando de azul e branco o lençol imenso de verde destas paragens. Decididamente não as via há três décadas quando aqui arribei. Começaram pelas casas portuguesas – as açorianas, obviamente – no afã de reproduzirem o mundo que atrás deixaram. Passeio-me pelos bairros da região e identifico facilmente as casas portuguesas pelo traçado dos jardins e pelas flores, que são quanto possível uma réplica fiel dos portugueses, bem mais lado quente do arco-íris do que os americanos. Os autoctones privilegiam a relva, de preferência em terreno ondulado, se há espaço, e manchas assimétricas de arbustos e flores de cores em manchas, contrastantes ou apenas condizentes.O traçado do jardim português é mais geométrico, prefere o higiénico cimento junto à casa, os canteiros circundados de tijolo pintado de branco ou vermelho e muito simétricos, desenhados a esquadria. As flores garridas: sécias, dálias, palmas, malmequeres, rosas, cravos e as hortênsias, of course. A culminar o enquadramento, uma latada com frequência desdobrada em garagem. Ah! E a Nossa Senhora de Fátima numa capelinha, costume herdado suponho que dos italo-americanos, mas hoje aqui marca indubitavelmente portuguesa. De repente, o azul e branco da hortênsia caíram, ao que parece, no goto da estética de jardinagem iankee. E como muitos imigrantes portugueses trabalham em companhias de jardinagem que cuidam da manutenção do landscaping em abastadas residências, foram aos poucos introduzindo as estacas, porque os novelões – como são conhecidas nos Açores - pegam sem grande esforço. Se fincarmos as estacas em Outubro, na lua-não-me-lembro-qual,

como um dia me tentou ensinar o meu tio Luís Carvalho, ao oferecer-me os exemplares que agora também tenho lá em casa, em Junho elas desabrocharão em festa. Há vinte anos, o jardineiro de Mrs. Brown, descendente dos magnates enriquecidos no China trade, os mesmos que deram o nome à Universidade de Brown, orgulhava-se-me de ter embelezado o imenso jardim da mansão da senhora em Newport que, a seu cuidado, fazia inveja à high life importante que por lá circulava. Nunca enxergaram a maravilha das nossas estradas dos Açores no Verão! – ufanava-se com os pontos de superioridade que sobre os ricaços a memória lhe concedia. Toda a gente queria hortênsias para a sua mansão. E sabe como é que as trouxe das ilhas? Escondidas nas pernas das calças para não m’as sacarem na alfândega em Boston! Num dos primeiros simpósios sobre a euforia dos quinhentos anos da expansão marítima portuguesa, na Columbia University, em New York, quando a caravana lusitana enfrentou pela primeira vez em cheio o multiculturalismo e sentiu dever passar a falar em ‘encontros de culturas’ em vez

de ‘descobrimentos’, lembro-me do impacto provocado pela comunicação de Alfred Crosby, autor de um livro pelos nossos então desconhecido - Ecological Imperialism. Não lembrava ao diabo esse aparente exagero do politicamente correcto, nessa altura já em pleno vigor nos Estados Unidos. O certo é que o investigador traçou as rotas da globalização das plantas e acompanhantes pragas e micróbios transportados de um ponto para o outro do planeta nas naus das descobertas e das rotas comerciais. Se algumas foram constituir gloriosa tradição, como o chá britânico, outras tiveram efeitos perniciosos. Benéficos frutos dessas trocas globais recebi eu na minha infância e adolescência, que no quintal usufruia de araçás, goiabas, anonas e maracujás vindos do Brasil e a bela rosa japoneira (só mais tarde percebi que rosas do Japão e camélias eram a mesma flor), que não tinha espinhos e por isso me tornavam a vida fácil no arranjo dos canteiros que regularmente fazia por ordem expressa da minha mãe. Alfred Crosby havia de ter uma gorda mina se se pusesse a investigar em Boston o contrabando vegetal que regularmente por lá entra escapulindo-se aos olhares espias dos funcionários. Eu próprio já contei numa outra crónica a minha aventura – afinal depois legalizada - de conseguir que me deixassem entrar com esterelícias e orquídeas trazidas

d.borges@comcast.net

Duas Palavras: Esta edição da primeira quinzena de Dezembro da Maré Cheia traz-nos um belo texto do escritor Onésimo Almeida. É um texto sobre as nossas hortências, e não só. Um texto para se ler e saborear. Um texto como só o Onésimo sabe escrever.

da Madeira. Quando uma vez leccionei um curso de Verão na University of Massachusetts, Abraços em Boston, uma aluna lusodiniz -americana apercebeu-se do meu vício de ouvir e contar histórias e começou no que prometia ser uma barrigada delas que resolvi aceitar em troca de um convite para almoço. Trabalhava na alfândega em Boston e arquivava experiências deliciosas com gente de todo o mundo, mas para um compatriota contaria sobretudo com gente nossa em cena. Não consegui comer. Nos intervalos do meu riso só dava tempo de retomar o fôlego que se me esvaía nas gargalhadas. Tanto que imaginei logo nela uma convidada ideal para o meu programa de televisão. O que julguei constituiria um êxito redundou, porém, num mísero fracasso. Nunca em vinte e tantos anos do programa recebi tanto protesto. Os tomates e ovos podres devem ter atingido a minha imagem, mas felizmente apenas nos televisores em casa do furioso público. Sei de há muito que uma graça tem piada quando é a propósito de outrem, que o riso à nossa custa não tem mesmo pilhéria nenhuma. Não me apercebera todavia do quanto de investimento psicológico pessoal - e má-consciência? - os meus patrícios tinham nas suas transacções contrabandísticas que eu julgara inocentes e até recebera com riso cândido na conversa da TV. Obviamente que as histórias viviam da capacidade histriónica e mimética da moça. Em si, não grangeiam mais do que um esboço de sorriso. E recontadas por escrito muito menos. Por isso nem deveria sequer tentar. Além do mais, por ser derivação demasiada, embora eu não resista a levantar o véu sobre algumas. De entre as muitas histórias reais que me contou, reproduzo esta: De uma vez, notou que um portuguesíssimo compatriota coxeava. Desconfiada, tentou indagar. Que não era nada, um mau jeito numa perna. Mas ela viu, a espreitar no fundo das calças, provavelmente tentando desesperadamente sorver um pouco de ar, o que se revelou ser um pé de vinha. De outra vez, um déjà vu – eram agora estacas de hortênsias. Como se de propósito, a New York Times Magazine de ontem trazia um artigo-profile sobre Max Kennedy, filho do trágico Robert, a propósito da sua desistência da vida política após o descalabro de um desatinado discurso eleitoral. Max fala da carga pesada nos seus ombros do nome e imagem do pai. Quer regressar à família e à serenidade privada. Uma foto dele com quatro filhos, quase todos ainda a mudar de dentes, na sua casa de Hyannisport, no Cape Cod, revela ao fundo um enfiamento de belas hortênsias azuis e brancas. E, ontem à noite, depois de umas horas no enlevo da Camden Library, deambulei com a Leonor pelas ruas e inevitavelmente aterrámos em mais uma livraria. A capa de um vistoso livro-album, sobre jardins, Gardens Maine Style, fresquinho da impressora, é de uma dessas vivendas que por este Maine fora casam a simplicidade com a elegância. Essa porém, enlevava-se em tufos de sedutoras hortênsias. Dentro, explicava-se que essa flor, ainda rara no Maine, foi plantada em 1995 pelos donos da casa, uns tais Susan Weinz e Daniel Krajack, que pela experiência aprenderam que essas belezas se dão até trinta milhas da costa, mas não mais.

Porque não viram, claro, a fotografia das do meu amigo Olegário enviada do interior do Alentejo. Por tudo isso, se algum telespectador que se tenha revisto nesse famigerado programa de televisão de há anos ler esta crónica, perdoe-me pelas alminhas do purgatório. Não sou anti-imperialista ecológico e bendigo quem ao longo destas décadas aldrabou os funcionários do aeroporto de Boston com uns pezinhos da bela hortênsia açórica. E, já agora, aspas-aspas e bençãos também para o meu velhinho amigo, senhor… (não me atrevo obviamente à indiscrição de lhe revelar o nome) que, milagrosa e malabaristicamente, ludibriou o inspector de alfândega (se calhar mesmo a minha ex-aluna) com uma disfarçada caixinha de garrafas de angelica made in Pico. De que eu provo e aprovo sempre que consigo uns minutos para um salto a casa dele. PS - 1 – Não sei se é coincidência, mas três dias depois de escrever esta crónica, no pequeno supermercado de New Harbour, na península de Pemaquid, achei mais hortênsias em realce na capa de uma revista. Desta vez, um garboso vaso delas na capa da revista Martha Stewart Living (número de Agosto de 2001), com um longo artigo no interior sobre “Designing with hydrangeas”, de Daniel J. Hinkley, ilustrado com fotografias do jardim da própria Martha (directora da revista) onde as hortênsias se espalham em harmoniosa profusão e bem conseguida policromia. O texto entra em distinções botânicas e o seu ajustamento a diferentes tipos de solos do tipo: “o nível de pH de um solo (a medida de acidez ou alcalinidade) pode influenciar a cor e tom das hidrângeas. Solos ácidos (pH 0 a 7) tendem a apronfundar os tons azuis, enquanto os ambientes alcalinos (pH 7 a 14) acentuam os cor-de-rosa e vermelhos.” E por aí fora com mais pormenores como este, quase no final, a propósito de algumas espécies que só desabrocham em caules novos e por isso necessitam de ser podadas no Inverno: “Estas incluem a Hydrangea paniculata (USDA Zonas 4 a 8) e as variedades H. arborescens (Zonas 4 a 9) como a popular ‘Annabelle’. Outras hidrângeas, incluindo a maioria das H. macrophylla, só floresem no segundo ano”. Se calhar, lá se vai a minha teoria da origem açoriana. Mas a mansão de Martha Stewart é em East Hampton, Long Island, nada longe de Rhode Island e Massachusetts. De qualquer modo, é a cientifização da ruralíssima, silvestre e quase espontânea bela hortênsia dos Açores e, tornada agora capa da Martha Stewart, uma instituição americana e padrão de gosto nacionalmente reconhecido, o fim da identidade açoriana da hidrângea, a sua globalização total. (Ó minha gente dos Açores, ao menos guardem as lapas e as cracas!) Boothbay Harbor, Maine. Julho/2001 PS – 2 - Depois da escrita deste texto, passei a estar mais atento e fui coleccionando o que hoje é um vasto dossier de imagens de hortênsias em publicações nos EUA e notas sobre exemplos variados que por todo o lado vou encontrando, muitas vezes registanndo em fotos. Providence, Rhode Island 1 de Março de 2013


Opinião

1 de Dezembro de 2016

Sótão

Uma Visita ao

A

portinha ficava no alto do teto do corredor, uns dois metros ao lado da claraboia. Para lá chegar era preciso ir ao quintal e trazer a tosca escada feita com dois raquíticos troncos de criptoméria, unidos com meia dúzia de enodoados degraus. Desviava-se um pouco para o lado a pesada arca de madeira revestida com pele de vaca (vinda do Brasil, identificada no topo com

mitério, dentro de algum sarcófago milenário. As garrafas, disse-nos a Mãe, foram remetidas para aquele depósito quando o Pai se viu confrontado, na sua Loja, com uma estúpida e desnecessária lei que exigia novos impostos sobre licores velhos. Preferiu esconde-las, retira-las das prateleiras e enterra-las no pó do sótão. Não as venderia, seriam aber-

o JMB desenhado a pregos amarelados, de cabeça grande) e, com cuidado, começava-se a aventura. Lá dentro, as teias de aranha espreguiçavam-se de tirante para tirante, de barrote para barrote. Havia que caminhar com cuidado, apertar bem os olhos para conseguir, no meio da escuridão, ver onde se punha os pés e evitar as caganitas dos murganhos. O pó, adormecido por anos de sossego, enervava-se e subia no ar, deixava lastro nas narinas e irritava os pulmões. A tosse ainda fazia levantar mais pó. A rouquidão, apertada entre os dedos da mão em concha sobre a boca, era o único ruído perceptível. Memórias silenciosas são mais valiosas do que as sonoras, não dizem asneiras nem voluntariam opiniões. Se não fosse a presença ali, a um canto, de umas dúzias de garrafas de bebidas finas, poderia imaginar que estava num ce-

tas, uma a uma, nas noites da Consoada ou noutras festas familiares. “Por alma dos nossos”, como ele gostava tanto de dizer. O sótão recolhia as recordações dos “nossos”. Não eram todas as memórias, muitas delas estavam espalhadas pelas paredes da casa, emolduradas em caixilhos de verniz negro. Outras – os santinhos, as pequenas peças de porcelana ou cristal – enfeitavam o oratório ou sentavam-se, a ver passar a vida da casa, nos naperons de renda e frioleira. O que se arrumava no sótão eram os grande quadros com fotografias de entes descoloridos e já quase desconhecidos, aqueles que só o Pai ou a Mãe é que eram capazes de recordar os nomes e os parentescos. A tonalidade sépia das suas faces, o negro dos vestuários e dos bigodes retorcidos não lhe davam nenhum ar de vida. Coitados, nem mesmo a intensidade das meninas-dos-olhos, a olhar-me

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“Crónicas de Hoje e de Sempre” João Bendito joaobendito@yahoo.com

de cara a cara, conseguia trazê-los à realidade. Estavam ali, mortos e sepultados, encostados às grandes latas redondas de folha da Flandres cheias de flores secas e fitas já incolores que lhes haviam decorado as verdadeiras sepulturas. Retirados do Cemitério de Cima para darem lugar a outros mortos e a outras flores, descansavam no sótão, só iluminados por alguma nesga de difusa luz que conseguia furar por entre as tábuas do forro. Mais nada de importante havia naquele sótão. Talvez uma cadeira já esburacada pelo caruncho ou coxa de uma perna, algum candeeiro com lantejoulas verdes ou uma saca de serapilheira com roupas velhas. Nada que não pudesse ter ido para outro lugar não fora a queda da Mãe para guardar tudo. “Um dia pode ser preciso”. Sou um pouco assim, como a minha Mãe. Guardo tudo, nunca me desfaço de nada. Porque, como ela dizia, pode vir a ser preciso ou também para manter amarrada a ligação ao passado. As cordas das memórias precisam de quem as mantenha bem desenriçadas, de preferência sem nós. Tenho ferramentas que já não uso há anos. Há por aqui tralhas e utensílios ultrapassados e que já nem sei para que servem; máquinas, aparelhos electrónicos disto e daquilo que possivelmente nem funcionam. Mas guardo também coisas que nem por sonhos penso desfazer-me delas: livros aos montes, revistas quantas queira, toneladas de fotografias em álbuns e em caixas. E outras coisas mais, recordações de lugares e de pessoas, ofertas de familiares ou de amigos, tolices que só para mim têm algum significado. Farto-me de ouvir pela cara fora que “metade disto tudo podia andar para o lixo que não fazia falta nenhuma”. Eu ignoro os avisos. Ontem subi ao sótão, não ao da casa da Miragaia mas ao da minha casa actual. São muito diferentes um do outro. Neste não há tanto pó, é muito mais amplo, com iluminação elétrica e arejamento adequado. Posso andar à vontade sem perigo de bater com a cabeça no teto e de me embrulhar nos tubos do sistema de aquecimento.

E, felizmente, não tem sujidade de murganhos nem teias de aranha... por enquanto! Fui em cata de uma caixa onde, há talvez trinta anos, guardei – estão a ver a minha mania? – uma quantidade de bonecas e outros animais empalhados que serviram de companhia ao crescimento das minhas filhas. Com o passar do tempo, elas foram-se dedicando a outros interesses (e a outros “bonecos”) e esta palhaçada toda foi-se acumulando na garagem. Quando os empacotei e levei para o sótão, ouvi outra vez a mesma reza, “Áquêle! Não sejas tolo, elas nunca mais se lembram desses macacos!”. Foi uma vitória para mim quando ontem a Carla me perguntou se eu sabia onde poderia estar um boneco, um Curious George que até dormia com ela quando tinha a idade que a filha tem agora. Queria mostrar à Olívia o seu amigo de meninice. O abrir da caixa trouxe-me um aperto à garganta. Desta vez não foi por causa do pó, as caixas estavam hermeticamente fechadas. Ao ver aqueles bonecos revi muitas imagens de momentos passados com as minhas filhas, os passeios com os carrinhos de bonecas, as tendas feitas com um lençol por cima de duas cadeiras, o brincar às casinhas e a hora do adormecer com a leitura de um livro de contos, sempre com o olhar vidrado de um destes bonecos a vigiar por de baixo do cobertor.. Quase todos são figuras e animaizinhos sem importância, comprados a tuta-e-meia nas lojas de brinquedos. Mas uns poucos deixaram marca – dois foram feitos por minha Mãe para oferecer às netas americanas – e mantiveram amarrada a tal corda das recordações. Fico feliz por os ter guardado. O único problema é que o Curious George que a Carla gostava de rever, não estava entre os sobreviventes. Tal pena, resta-nos apenas a recordação dele. Quem sabe, poderá ter ficado esquecido noutra casa onde vivemos antes. No sótão, de certeza...

Gala da PALCUS Realizou-se em Virgina, na Morais Vineyards and Winery, a Gala Comemorativa dos 25 Anos da PALCUS - Portuguese American Leadership Council of the United States, fundada em 1991. Fernando Rosa, Chairman da PALCUS abriu a sessão, agradecendo a presença de José Luís Carneiro, Secretário de Estado das Comunidades, bem como a de Domingos Fezas Vital, Embaixador de Portugal em Washington DC e de Vasco Rato, Presidente da FLAD. Também se referiu com agradecimentos a todos aqueles que, de uma maneira ou outra, ajudaram na realização deste evento e congratulou todos os recipientes das Distinções que iriam ser entregues mais tarde. Uma especial referência ao jornal Luso Americano presente no evento, bem como à RTPi e Lunaer, por cobrirem o importante acontecimento. Margareth de Jesus cantou os Hinos de Portugal e da América. O jantar foi servido pelo Columbus Grill. A mestra de cerimónias foi Angela Costa Simões, muita conhecida na California, onde vive. É Secretária da PALCUS. Angela Simões apresentou alguns convidados ao evento, como Vasco Rato, Presidente da FLAD; Hugo Palma, Cônsul em Washington; Caesar de Paço, Cônsul Honorário em Palm

Costa, Florida, Maria João Avila, antiga Deputada à Assembleia da República pelo Círculo Fora da Europa e ainda outras mais individualidades. De seguida, o Embixador de Portugal apresentou José Luís Carneio, Secretário das Comunidades que falou sobre Portugal, sobre as novas ideias de renovação dos Consulados e da desejada cada vez maior participação dos portugueses da diáspora em Portugal, não só no campo politico mas também como investidores. Foram depois entregues Bolsas de Estudo a diversos estudantes por Marc Filipe Rosa (1st Vice President – Wealth Management Merrill Lynch): 1)Graduate Division: a) Gary John Resendes, University of California-Berkeley, MSW Program in Community Mental Health; b) Jacqueline Andrea Ochoa Rodrigues, University of California-Long Beach, MA Program in Education 2)Undergraduate Division: A) Celina Caetano, University of Connecticut, Molecular and Cellular Biology. B) Alyssa Pinho, University of St. Joseph, Nutrition and Dietetics. C) Patrick Norris, South Oregon University,

Theatre Arts Seguiu-se a entrega de LEADERSHIP AWARDS: 1) Leadership in National Service – David Simas (Washington DC) Presenter: Marie Fraley, Vice Chair / Managing Director from Rhode Island 2) Leadership in Community Service Award Natalie Matinho ( New Jersey): Presenter : Cindy Marques Russo, Attorney Esq. Director from New Jersey. 3) Leadership in Education - Diniz Borges (California) - Prof. Presenter : Odete Amarelo, Ph.D. Director from Massachusetts. 4) Leadership in Public Service – Nancy Rodrigues, Secretary (Virginia) Presenter: Manuel Geraldo, Attorney, Director representing Maryland 5) Leadership in Scholarship - António Cirurgião (Connecticut). Presenter: Onésimo Almeida, Ph.D, Director from Rhode Island (Cirurgião absent due to illness)

6) Leadership in Philanthropy - Antonio Amaral (Florida). Presenter: John Bento. Director from California 7) Founders Award - Florentino Gregorio Presenter: Katherine Soares, Director from New York 8) Founders Award - Manuel Geraldo Presenter: Manuel Geraldo II, Atty, Director from Washington DC 9) Founders Award (posthumous) - Abel Morais. Presenter: Fernando Rosa, Chairman of the Board of Directors and Director from Connecticut Palavras finais de Fernando Rosa: “As we close the ceremonies, again on behalf of the board of PALCUS thanks for joining and supporting your national organization. Again thanks to José João Morais for the kind hospitality. The silent auction will continue and to close the evening there will be music with the DJ Carlos Fonseca. Muito Obrigado”.


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Entrevista

1 de Dezembro de 2016

José C. Rodrigues

Preparar o futuro da biblioteca J.A.freitas The Library was founded in 1964 and is located at 1120 E. 14th Street, San Leandro, CA, 94577. The library collection consists of over 12,000 works dealing with the Portuguese throughout the world. It holds a vast number of books on the Azores and a fairly complete sample of periodicals published by the Portuguese in California, some dating to the late 1880’s. The library contains many historical materials on Portuguese from all over the world. We provide our community with various magazines, periodicals, albums, videos, micro films, etc. Most of the collection circulates for periods of two weeks each and books can be requested from anywhere in California through interlibrary loan services provided by a network of public and academic libraries throughout California We invite you to visit our library and discover a wealth of fascinating materials about Portuguese history, culture and the Portuguese immigrant experience. You can search for books online at (insert link) . The library is open Monday-Friday from 9 a.m. – 4:30 p.m. Bring a California ID to check out up to 4 books for a two-week period. In PFSA - webpage Agora que estão dados os primeiros passos para que a Bibiloteca J.A. Freitas possa ter uma maior visibilidade na Comunidade

portuguesa da California e não só, o Tribuna resolver inquirir àcerca do andamento desse processo, falando com o José do Couto Rodrigues, um dos elementos da Comissão que trabalha no projecto. Sabemos que existe um grupo de pessoas, convidadas pela PFSA, que estão a tentar definir qual o papel da Biblioteca e a sua melhor relação com futuros leitores. Fala-nos sobre esse processo e dos envolvidos? A J.A. Freitas Library é um dos tesouros da comunidade portuguesa da California, mas agora que não há nova emigração, e consequentemente o número de pessoas que leêm e falam o português vai diminuindo, aliado ao facto que a nossa juventude prefere acesso via digital, creio que chegou a altura de recalibrar a missão, o conteúdo e acessibilidade desta importantíssima instituição comunitária. Para além dos 12 mil volumes, em inglês e em português, a J.A.Freitas contém ainda um museu, recheado com valiosos documentos referentes à história desta sociedade fraternal, a mais completa coleção

dos jornais portugueses publicados na Califórnia até aos nossos dias e um arquivo com centenas de documentos e fotografias que testemunham a história da nossa comunidade ao longo de mais de um século. Para avaliar todo este espólio histórico, foi contituída uma comissão de dedicados voluntários composta pelas seguintes membros da nossa comunidade: José Luis da Silva, Professor de Apoio ao Ensino do Português na Califórnia, Protocolo Instituto Camões/ LAEF Maria Alsheikh, Portuguese Historical Museum Carol Marie da Silva, bibliotecária aposentada, San Jose Public Library Goretti Silveira, professora/diretora escolar aposentada Joann Malta, professora/diretora escolar aposentada/Vice-presidente LAEF Isolete Grácio, membro do Fraternal Board da PFSA

John Salvador, CEO da PFSA José Rodrigues, membro fundador de Portuguese Heritage Publications of California Daniel Mello, professor de Inglês, Kerman High School/YPA Em que nível é que estão no vosso estudo e quais têm sido as dificuldades? A comissão tem dedicado muito do seu tempo e energia à avaliação da enorme quantidade de documentos que dizem respeito à história da nossa comunidade. Para além da identificação de centenas de documentos e fotografias, há ainda a tarefa de os organizar de modo a que possam ser accessíveis a todos que queiram utilizar o novo website da PFSA www.myPFSA. Org. Com este novo website os interessados podem ter acesso ao catálogo completo dos livros naquela biblioteca, todos os jornais já digitalizados e, em pouco tempo, todo o espólio do importante arquivo histórico e cópias dos jornais portugueses até aos nossos dias. Com este enorme leque de materiais acessíveis via website os interessados passarão a ter acesso a toda a história da nossa comuniade.

Quais são as facilidades para os leitores, quer os que visitam a Biblioteca, quer aqueles que querem usar outras capacidades oferecidas. A Biblioteca está aberta todos os dias úteis durante as horas de expediente da PFSA. As pessoas que o desejaram podem ali pedir emprestado os livros desta biblioteca,. Esse pedido poderá também ser feito através do novo website da PFSA. Se preferirem, podem também pedir o empréstimo dos livros por intermédio da biblioteca pública onde os leitores residem (Sistema de Interlibrary Loan). O livro pedido, logo que não seja de circulação restrita, será enviado, sem custo para o leitor, para a biblioteca pública onde o leitor fez o pedido. O leitor terá 30 dias para ler o livro e depois devolvê-lo à biblioteca pública de onde será então devolvido à J.A. Freitas. Com o novo website www.myPFSA.org, os interesados podem consultar a coleção de todos os jornais já digitalizados e, em pouco tempo, quando todo o material estiver digitalizado, todos os jornais portugueses publicados na California até aos nossos dias, bem como os documentos e fotografias do arquivo histórico. A partir de Janeiro de 2017, membros da comissão, conscientes da enorme importância desta instituição, publicarão um calendário com os dias e horas em que estes membros estarão na Biblioteca e disponíveis a ajudarem quem esteja interessado em consultar todo o material ali depositado bem como para receber as visitas de estudo dos alunos das escolas ou membros das associações portuguesas. Existe alguma data definida para a implementação de todas essas mudanças?

O novo website www.myPFSA.org já está em funcionamento. A comissão estuda agora a melhor maneira de digitalizar os últimos 40 anos dos jornais portugueses, agora em microfiche, mas estamos esperançados que todo este material será acessível via internet antes do fim do próximo ano. No que respeita ao arquivo histórico, há que digitalizar e identificar todo o material selecionado e depois organizá-lo de uma forma lógica e fácil para todos aqueles que estejam interessados em conhecerem melhor a nossa comunidade. A terminar, diga-nos porque razão devemo-nos entusiasmar com estas boas notícias sobre a Biblioteca J.A.Freitas. Eu não conheço outra instituição portuguesa nesta costa dos Estados Unidos com uma coleção de 12 mil volumes sobre os portugueses em todo o mundo, um arquivo completa da todos os jornais portugueses publicados na Califórnia e ainda centenas de documentos e fotografias que documentam os mais importantes acontecimentos comunitários e os seus liders. Para a nossa segunda e terceira geração, que tèm demonstrado enorme interesse em conhecer mais e melhor a nossa comunidade, eu não conheço outra instituição onde poderão encontrar todo este material e agora via internet. O que necessitamos agora é dar a conhecer a toda esta juventude que estes materiais estão ao seu dispor 24 horas por dia, 7 dias por semana.


Comunidade

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Festa do Espírito Santo da Família Vieira Já vai no oitavo ano esta Festa do Espírito Santo, que começou numa brincadeira de oferta de duas vacas. Este ano teve a comparência de um pouco mais de mil pessoas, que depois da Missa celebrada pelos sacerdotes amigos, Alexandre Pacheco e Ivo Rocha, seguiu-se uma pequena coroação até à tenda onde foram servi-

das a sopa e o cozido. As bandas foram a do Espírito Santo, que só se forma neste dia, a Banda Lira Açorianos de Livingston e a União Portuguesa de Santa Clara. Depois do almoço e até à noite houve actuações de dois grupos folclóricos bem como de artitsas locais e um vindo da Costa Leste - Vitor Santos. Até houve

cantoria com Alberto Sousa e Vitor Santos antes de acabar a festa. Para o ano a Família Vieira - Manuel e Laurinda Vieira, Filhos e Netos, repetirá a Festa para gáudio dos seus amigos. De referir a presença de Vacco Pernes e esposa, vindos da Terceira, bem como de Nuno Duarte Carreiro e esposa, vindos

da Costa Leste. A Cidade de Livingston fez-se representar pelo Mayor e outros oficias da Cidade e Condado. Também Jim Costa, recentemenet re-eleito para o Congresso, marcou presença, como tem acontecido quase todos os anos.

Lira Açoriana de Livingston

Manuel e Laurinda Vieira

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Espí r i t o Sa o

Fe

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Alexandre Pacheco e Ivo Rocha - celebrantes da missa

Durante a Missa da festa

União Portuguesa de Santa Clara

Família Vieira 2 016

Família Vieira mais jovem


30

Comunidade

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Fes

Es

p í r i t o San t

o

ta

Netos e filhos de Laurinda e Manuel E. Vieira

a Famíilria Vie

Maria Garcia, Laurinda e Manuel Vieira, Ivo Rocha

2 016

Família Vieira

Banda do Espírito Santa - só toca nesta festa

Manuel Cabral

Zé d’Adega e Zé Duarte


Comunidade

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Festa do Espírito Santo da Família Vieira

Manuel E. Vieira, Nuno Carreiro e esposa, e Zeto Carvalho

Alberto Sousa e Vitor Santos

Es

p í r i t o San t

o

Osvaldo Palhinha, o habitual MC

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Chico Avila

André Santos

Isalino dos Santos

Fes

Tocadores amigos

a Famíilria Vie 2 016

Grupo Folclórico Tempos de Outrora

Vitor Santos


32

Ultima Pรกgina

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