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tribuna portuguesa 2 a Quinzena de Fevereiro de 2018

Ano XXXVIII - No. 1264 Modesto, California | $2.00 / $45.00 Anual

tribuna portuguesa

CARNAVAL 201 California RNAVAL 2018 CARNAVAL 201

RNAVAL 2018

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Sugestões Fev 15 - Luso-American Education Foundation Scholarship Deadline Fev 25 - Aniversário do PAC de San José Mar 10 - Aniversário Tempos de Outrora, IES Mar 15 - Myron Cotta installed as new Bishop Mar. 16-17 - Conferência da Luso-America

Education Foundation, Tulare

Mar. 17 - David Garcia Apresentação de Novo CD, Portuguese Band of San José Mar 17 -

John Enos

NOSSO COWBOY DE S. JORGE

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EDITORIAL

15 de Fevereiro de 2018

PODEMOS SEMPRE SER OS MELHORES

WE CAN ALWAYS BE THE BEST

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oas notícias que nos chegaram do outro lado do Atlântico nestes últimos dias. A Seleção Nacional de Futsal venceu todas as partidas do EURO 2018 na Eslovénia para chegar à final e enfrentar a eterna rival Espanha. Espanha que tinha vencido contra a equipa lusa 4-2 na outra única final em que se defrontaram em 2010 na Hungria. Em 2014 e para o terceiro lugar, Portugal também perdeu com a Espanha por 8-4. Mas o dia 10 de Fevereiro de 2018 seria como o tal dia 10 de Julho de 2016. Portugal tinha o melhor do Mundo — Ricardinho — que logo marcou aos 59 segundos do encontro. Mas a Espanha deu reviravolta ao resultado ficando a vencer por 2-1 e prestes a vencer a sua oitava taça europeia. Mas Portugal não desistiu e a 1 minuto e 22 segundos do fim empatou por Bruno Coelho levando esta final para prolongamento. E tal como na Final de Paris de 2016 em Futebol, o melhor do mundo saiu lesionado e não jogou a segunda parte do prolongamento. Mas com 56.4 segundos até irmos a grandes penalidades, a Espanha travou Pedro Cary em falta. Bruno Coelho foi chamado a converter a penalidade da marca dos 10 metros. Com imensa calma, converteu em golo e foi o delírio entre os adeptos portugueses. Portugal é campeão europeu de futsal! Parabéns a toda a equipa, ao treinador o luso-canadiano Jorge Gomes Braz e sua equipa técnica. Ricardinho foi escolhido como o Jogador do Torneio e a taça veio mesmo para Portugal e já está colocada

junto à Taça do Europeu de Futebol de 2016. Como já falei nesta página, a minha tia Manuela Vale faleceu no Algarve em Novembro último. Mas Manuela Vale foi mais do que a irmã de minha mãe, mãe de cinco filhos, avó de quatro netos e bisavó de dois trisnetos. Manuela Vale criou comunidades artísticas por onde passou — desde Warren na Pennsylvania onde fundou o Azores Art Studio até Lagoa no Algarve para onde se mudou após 29 anos de vivência nos EUA entre a Pennsylvania e New York. Nos últimos 22 anos dedicou-se a ensinar as várias técnicas de pintura a estudantes adultos e muitos deles reformados estrangeiros que residem no Algarve. E foi na criação de um grupo de artes — Giracor — que se desenvolveu uma comunidade artística na cidade de Lagoa no Algarve. A influência de Manuela Vale nas pessoas que conhecia e na comunidade local não passaram despercebidas. Assim, a Câmara Municipal de Lagoa dedicou a galeria e sala de exposições na Escola de Artes Mestre Fernando Rodrigues com o nome Manuela Vale. Bem hajam os seus ex-alunos e outros artistas convidados que participaram numa exposição em sua honra e à edilidade lagoense por reconhecer o seu trabalho em prol das artes no dia em que celebraria os seus 75 anos.

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ood news has reached us from across the Atlantic in recent days. The Portuguese National Futsal Team won all the matches of EURO 2018 in Slovenia to reach the final and face its eternal rival Spain. Spain that had won against the Portuguese team 4-2 in the only other final they competed against each other in 2010 in Hungary. In 2014 and playing for third place, Portugal also lost to Spain by a 8-4 score. But the 10th of February, 2018 reminded us of that 10th of July, 2016. Portugal had the best of the World — Ricardinho — who quickly scored a goal 59 seconds into the final game. Spain turned around the score to push ahead 2-1 and was ready to claim its eighth Euro cup. Portugal did not give up and with 1 minute and 22 seconds left in regulation, Bruno Coelho scored to take this final into extra time. And just like in the 2016 UEFA Euro Cup in Paris, the best in the world was injured and did not play the second half of the extra time period. With the game tied and with 56.4 seconds before going into penalty kicks, Spain fouled Pedro Cary. Bruno Coelho was called to convert the penalty from the 10-meter mark. Reaching the ball with immense concentration, Bruno Coelho scored a goal and it was pandemonium among the Portuguese fans. Portugal was finally European Futsal Champions! Congratulations to the whole national team, to the Portuguese-Canadian coach Jorge Gomes Braz and his technical staff. Ricardinho was chosen as the Player

of the Tournament and the cup came to Portugal and is already placed next to the 2016 UEFA Euro Cup. As I have previously stated on this page, my aunt Manuela Vale passed away in the Algarve last November. But Manuela Vale was more than my mother’s sister, mother of five, grandmother of four and great-grandmother of two. Manuela Vale created artistic communities where she lived — from Warren, Pennsylvania where she founded the Azores Art Studio to Lagoa in the Algarve, Portugal where she moved after 29 years of living in Pennsylvania and New York. For the last 22 years, she dedicated herself to teaching various painting techniques to adult students and many of them retired foreigners residing in the Algarve. And it was in the creation of an arts group — Giracor — that an artistic community developed in the city of Lagoa in the Algarve. Manuela Vale’s influence on the people she met and on the local community did not go unnoticed. Thus, the City of Lagoa dedicated the municipal art gallery at the School of Arts Master Fernando Rodrigues with her name — Manuela Vale. Special recognition goes to her former students and other guest artists who participated in an exhibit in her honor and the Municipality of Lagoa for recognizing her dedication to the arts on the day she would have celebrated her 75th birthday. miguel ávila miguelavila@tribunaportuguesa.com

Crónicas do Perrexil

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ois dias deu para ver 18 Bailinhos, em 19 horas e meia de vivência comunitária. É assim o Carnaval numa terra grande como a California. De admirar o esforço que centenas de pessoas fazem para gozaram uma actividade de que gostam muito. Ir dançar a lugares que ficam a 7 horas e mais de condução, não é fácil, em especial quando temos bailinhos de crianças. Só quem vive aqui é que compreende o esforço que é feito por tanta boa gente. Outro dia um amigo nosso recordou-nos que, quando muitas vezes estavam encostados no Canto da Caixa Geral de Depósitos em plena Praça Velha e alguém aparecia de carro e convidava-os a ir à Praia da Vitória, eles diziam: “eh pá, isso é muito longe” (12 milhas mais ou menos). Outros tempos. Outras distâncias.

J.B. Castro Avila Hoje vai-se à Praia tomar café, tão curta é a distância. Ainda há muita gente que não compreende quão custoso é o Carnaval da California. Aluguer de Autocarros, aluguer de Hoteis, e ainda temos muita gente que não compreende porque razão não se deva “pagar/ajudar” este espectáculo. As desculpas às vezes são patéticas, quando nos dizem: “Na Terceira nunca se pagou porque é que havemos de pagar aqui”. Recordemos que a maior largura da Terceira são cerca de 19 milhas, distância que percorro muitas vezes para ir comprar papo-secos. Agora peçam a alguém em Angra do Heroísmo para ir comprar papo-secos aos Biscoitos e esperem pela resposta. Seria importante no futuro que todos nós pudessemos suportar o nosso lindo Carnaval.

Mais uma vez vimos aqui pedir para que as nossas organizações de festas telefonem ao PFSA (510-483-7676) e digam-lhes as datas dos seus eventos, para que a Lista das Festas possam ser publicadas quanto mais cedo melhor. Há muita gente em outros Estados que gostariam de saber, para decidirem as suas férias.

Esta carinha roubou o Carnaval a toda a gente. Mesmo quando não falava. Carnaval é isto: gestos, compreender o andamento da história e mesmo sem participar totalmente ser a heroína do mesmo.

Year XXXVIII, Number 1264 Feb 15th, 2018


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Patrocinadores

Plano Estratégico para a Comunidade Portuguesa da Califórnia A comunidade portuguesa da Califórnia, a maior comunidade de origem portuguesa nos Estados Unidos está neste momento a elaborar um plano estratégico para a mesma comunidade. É que com a metamorfose natural da comunidade e o estancamento da emigração há quatro décadas, existem profundas mudanças e daí a necessidade de uma reflexão profunda e da elaboração de um plano estratégico para a preservação e promoção do ensino da língua e cultura portuguesas, assim como outras estratégias que possam ser utilizadas como matrizes para a nossa comunidade e o nosso movimento associativo que queira pensar além da próxima festa. O plano estratégico está a ser elaborado com as vozes das várias comunidades, daí a realiza-

ção de várias reuniões e sessões de trabalho, que começaram no norte da Califórnia, continuarão no sul, San Diego, por exemplo, assim como no vale de San Joaquim. Depois, a 16 e 17 de março, durante o congresso da Luso-American Education Foundation, haverá um segmento de dois dias totalmente dedicado à preparação com um grupo de líderes, denominado PALT (Portuguese-American Leadership Team) das linhas gerais e especificas para o plano estratégico para a nossa comunidade. É um desafio para a nossa comunidade! Bem-haja à Luso-American Education Foundation pela audácia e a liderança neste sentido e bem hajam aos lideres comunitários que saíram da sua zona de conforto e concordaram

em dar o seu tempo e a sua experiência para a elaboração deste plano, que terá linhas orientadoras para as nossas comunidades além do dia de amanhã. As sessões são dirigidas por uma profissional em planos estratégicos, Francisca Sanchez que há muito conhece a nossa comunidade e o projeto é liderado por Diniz Borges e Duarte Silva em torno do quadragésimo-segundo congresso da LAEF que será nos dias 16 e 17 de março em Fresno e Tulare, no Centro da Califórnia.

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Comunidade

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PORTUGUESES NO FAROESTE

John Enos O Cowboy João Ignacio d’Oliveira ainda hoje é recordado, nas páginas dos jornais e arquivos do Estado de Washington, como o mais lendário criador de gado de toda a região do Big Bend. Nasceu em 1836 na ilha de São Jorge, nos Açores, e venceu na América como rancheiro, industrial de hotelaria e banqueiro. Mas a sua morte foi ainda mais fascinante, com as duas disputas legais em torno de uma colossal herança a apaixonarem a opinião pública do Noroeste dos Estados Unidos. Os vestígios desses 300 mil dólares - hoje um valor quase incalculável - dispersam-se por toda a ilha de São Jorge. John Enos, falecido em 1911, marca o início de uma série de reportagens dedicadas aos grandes pioneiros portugueses no Farwest. A 20 de Novembro de 1912, o Tribunal Superior de Spokane, sob a presidência do juiz H. L. Kennan, estalou num frenesim. O Spokesman Review do dia seguinte falaria longamente no ar feérico daquele português de porte “atlético, bigode negro e olhos brilhantes” que a si mesmo se investira na tradução dos depoimentos. Mas os populares olhavam sobretudo para cima, para a mulher baixinha e roliça sentada no banco das testemunhas - aquela mulher despachada e furiosa, de gestos decididos, que reclamava o estatuto de “ legítima herdeira”. Perguntaram-lhe: “E presentes, recebeu?”, ao que ela voltou a enfurecer-se: “Sim, brincos de diamantes, colares de ouro e outras coisas. Porquê? Isso quer dizer que eu não o amava?” O Wilbur Register percebeu então porque Maria de Sousa, aquela açoriana a caminho da meia-idade e já com dois filhos ilegítimos, conseguira conquistar John Enos, o homem “mais conhecido e proeminente de todo o Big Bend”. “É uma mulher extremamente inteligente”, escreveria o repórter no dia seguinte. Em 1963, num longo artigo publicado no Spokane Chronicle, Carol Pelo intitularia o julgamento de “Colorful 1913 Case” (o “Caso Colorido de 1913”). Foi um dos primeiros pontos altos da então curta tradição legal do Estado de Washington - o desenlace tragicómico para que sempre caminhara a história do “Portuguese Joe”, ainda hoje recordado como um dos maiores e mais prósperos cowboys do Noroeste americano. João Ignacio d’Oliveira nasceu a 28 de Fevereiro de 1838 na freguesia de Santo Antão, para lá dos nevoeiros intensos que assolam a ponta leste de ilha de São Jorge. Nada se sabe sobre a sua vida nos Açores ou de quando emigrou para a América. As razões, no entanto, podem adivinhar-se. Portugal viveu com entusiasmo o século XIX: leu Eça e Camilo, promoveu as expedicões africanas e abriu-se aos sindicatos, aboliu a pena de morte e cultivou uma das mais fascinantes dinastias do Ocidente - a Casa de Bragança. O mundo começava a globalizar-se, com modernos tratados de navegação, comércio, extradição e correio. Mesmo em São Jorge, uma ilha recôndita e de topografia difícil, havia sinais de progresso: a imprensa dispersava-se em mais de 40 jornais (hoje há dois), a população chegava aos 18 mil (hoje há dez mil), a industria do queijo ganhava pujança, as mulheres conquistavam o direito à escola. Mas, no essencial, a pobreza e as calamidades continuavam a dominar. Sucediam-se as inundações (1842), as enchentes (1856) e as crises alimentares (1846, 1847, 1857, 1859 e 1878). Emigrar para o Brasil era então a primeira solucão. A America apareceu a seguir. João Ignacio terá emigrado como baleeiro, como acontencia com tantos outros. Nos anos sessenta já se encontrava no rio Columbia, no extremo noroeste americano, a trabalhar num barco a vapor com o nome de John Enos - que resulta da evolução Ignacius-Ignacio-Inácio-Enos, explicam os etimólogos. É nessa altura que começa a comprar gado; em 1870 já está em Yakima, a oeste do rio, no seu primeiro rancho. Pouco depois atravessa as águas e estabelece-se em Cannaway Creek, no então Lincoln County, no interior da curva formada pelo Columbia imediatamente antes de se juntar ao Snake e rumar ao Pacífico - o chamado “Big Bend” (Terra da Grande Volta), uma planície “ondulante e desértica”, como explica William S. Lewis em The Story of Early Days in the Big Bend Country, de 1926. E é a partir daí, nas terras livres e semiáridas da exploração open-range, que construirá o seu império. Sentimentos contraditórios assaltam o americano que hoje recapitula esses tempos na história do seu país. O ouro foi descoberto em 1848, mas a Guerra da Secessão chegou com estrondo em 1861, generalizando o terror em

dezenas de Estados. Walt Whitman e Mark Twain dominavam o imaginário literário, mas os índios eram confinados a reservas a partir de 1867, espalhando o medo a outras tantas regiões. Ulisses S. Grant, general do exército e republicano radical, era então a maior referência: o grande vencedor das campanhas fratricidas da guerra civil e, mais tarde, Presidente da República. O seu rosto determinado e indecifrável era a imagem de um País. E se a guerra nunca chegou ao Estado de Washington, as disputas territoriais com os índios deixaram atrás de si um lastro de ódio em todo o Noroeste. É nessa altura que John Enos se faz notar pela primeira vez. Em 1877, sob o comando do mítico chefe Joseph, os Nez Perces iniciaram uma sangrenta disputa territorial em combate contra as politicas “pacifistas’ de Grant, de que resultara a criação de reservas. Assustados com a aproximacão dos índios, os brancos do Big Bend fugiram para o Sul, entregando-se à proteccão do Fort Walla Walla. Ao regressarem, semanas depois, quando os revoltosos se renderam às tropas do coronel Nelson A. Miles, constataram com surpresa que nada fora roubado ou destruído. E, trabalhando tranquilamente no seu rancho, lá estava John Enos. Trinta e cinco anos mais tarde esse facto assumiria especial protagonismo no segundo dos dois julgamentos realizados em torno da sua herança colossal. Mas naquela altura foi sobretudo um acto de coragem - o primeiro de muitos momentos heróicos que o elevariam à categoria de lenda. Em Land, As Far as the Eye Can See - Portuguese in the Old West, publicado em 2001 pela Arthur H. Clark, Donado Warrin conta a história de John Enos e de outros pioneiros portugueses no farweste americano. Com a colaboração de Geoffrey L. Gomes,é um trabalho inovador num campo desde sempre negligenciado por historiadores académicos e populares. Ao longo de quase 350 páginas de biografias, o professor emeritus da Universidade Estadual da California, em Hayward - hoje jubilado e director associado de um departamento da Universidade da California, em Berkeley -, cita centenas de fontes: livros, panfletos, artigos de revistas científicas, notícias de jornal, documentos oficiais, manuscritos, dissertações e entrevistas pessoais ou telefónicas. Numa escrita fluente e objectiva, o livro chega a Estados nunca antes considerados, entre os quais o Nevada, o Oregon, o Wyoming, o Arizona, o Idaho ou o Novo México. Mas é no recôndito Washington, que o autor, professor de Língua Portuguesa durante 30 anos, encontra uma das mais fascinantes figuras: um açoriano de personalidade sumptuosa, gerador de todo o tipo de mitos, ultrapassando as adversidades com vontade indómita - o supremo pioneiro, o maior de todos os “Portuguese Joe” do Oeste. Entroncado, com bigode abundante e fartas patilhas brancas, John Enos aparentava ser mais alto do que na verdade era. Os vizinhos, quase todos agricultores vindos da Alemanha, da Russia ou da Irlanda, olhavam de lado o seu rosto trigueiro e o ar carrancudo. Um empregado irlandês compôs uma canção para satirizá-lo: “O meu nome é John Enos Lavere/ Eu vim de Portugal/ Cinco e cinquenta anos, meus amigos/ Eu vivi sem uma mulher”. O seu rancho, dizia-se, estava assombrado. Enos, como contou Kenneth Kallenberger em Saga of Portegee Joe, produzia todos os rumores: envenenara três índios e enterrara-os junto a dois cowboys,enforcara um chinês, matara um jovem ladrão de cavalos, tinha cinco golpes na pistola, roubava cavalos e trazia-os para o rancho de noite, fugira da justiça no Leste, chicoteava os funcionários... Muitas mães repreendiam as crianças com a ameaça:”Se não te comportas bem, Portegee Joe vai apanhar-te”. Mas, nos relatos dos que o conheceram, Enos era o contrário: um homem afável e bondoso, embora irascível em certos momentos. Não sabia ler, falava um inglês misturado com português e apenas aprendeu a assinar o seu nome com idade avançada. - e só ele conseguia lê-lo. Um dia,

porém, quiz oferecer um anel de ouro a um homem que nunca mais viu na vida, insistindo:”Compra-o e diz-me quanto custou. Quanto mais caro for mais me agradará”. Ter negócios com ele era considerado um privilégio. Cozinhava a sua própria comida e convidava para a mesa todos os viajantes que passavam, apenas se irritando quando estes não gostavam do que lhes oferecia. “O sítio do Joe era sempre um lugar de abrigo para o fatigado e retardado viajante sem vintém. Ele era um tipo excepcional de rancheiro hospitaleiro” escreveu o Wilbur Register, após a sua morte. John Enos era um visionário para a época, e essa é outra das caracteristicas extraordinárias da sua história. No rancho de Cannaway Creek, criou um inovador sistema de rega, plantou um pomar, que proporcionava maçãs aos empregados, construíu um anexo sobre uma fonte para usar a água como refrigeração, escavou uma adega atrás de uma colina e semeou árvores altas alinhadas, para proteger tudo contra o vento. “Todos os seus projectos eram bem pensados” diz o escritor B.J.Lyons em Thrills and Spills of a Cowboy Rancher Os invernos desastrosos de 1880, 1881, 1890 e 1890 não o impediram de progredir. O grande terramoto de 1872 foi quase um fait-divers. Confrontado com a crise da economia, Enos chegou a ir a Chicago de comboio, com gado vivo na bagagem, para escoar o produto. Quando lhe faltou o dinheiro, pediu emprestado sem problemas. Improvisou sempre - e, a cada contrariedade, reergueu-se invariavelmente. Em 1888 já tinha terras (22 mil hectares) e gado (mais de mil cabeças) no valore de vinte mil dólares. Era então o segundo homem mais rico do Condado de Lincoln. Foi essa mesma visão estratégica que lhe permitiu, com o aproximar do novo século, antecipar-se ao desfecho inevitável da História: o fim da época gloriosa da criação de gado, substituída gradualmente pela agricultura. Com a chegada do caminho-de-ferro ao Big Bend, tornou-se óbvio para Enos que a exportação passaria a dominar a economia - e os produtos agrícolas (sobretudo o trigo), menos perecíveis, adequavam-se melhor às necessidades de transporte na forma final “colhida”. Então, o “Portuguese Joe” enceta aquilo que viria a construir uma mudança radical na sua actividade: a passagem de cowboy a industrial hoteleiro e, mais tarde banqueiro. Primeiro comprou alguns terrenos em Sprague, 35 milhas a sul de Cannaway Crek. Mais tarde uma série de propriedades em Spokane, capital do Condado, situada no Nordeste. Aos amigos, John Enos falava na reforma: ”Go Caforna, drink wine (“Ir para a California, beber vinho”, na oralidade deturpada do rancheiro). Em 1900, numa prova de cosmopolitismo inusitado para o contexto, João Ignacio d’Oliveira parte para França com um vizinho, para assistir à Feira Mundial de Paris. Ao regressar, está decidido: acabou a vida de cowboy. Em escassos cinco anos, tudo aconteceu. Em 1904 John Enos recebe em troca do rancho uma boa soma em dinheiro e o Lund’s Mechanics Hotel, em Spokane - passou a residir no Pacific Hotel da mesma cidade. Em 1907 torna-se accionista e Vice-Presidente do People’s Bank.


15 de Fevereiro de 2018 Em 1909 recebe da Chicago, Milwaukee & Puger Sound Railway a proposta de 130 mil dólares pelo hotel; vende a propriedade e compra todo o Alger Hotel e metade do luxuoso Empire Hotel, onde vai viver. B. J. Lyons contou mais tarde aos jornais o encontro que tivera com o “Português” na capital: “Dei com Joe pela ultima vez no hall do Pacific, em Spokane, poucos anos antes da sua morte. Ainda mostrava um agudo interesse pelos amigos da sua juventude pioneira, perguntando por eles”. No momento em que Enos chegara à cidade, o Wilbur Register sublinhara: “O nome do Portuguese Joe é bem conhecido por todos os antigos pioneiros, desde Yakima a Spokane e do rio Snake à fronteira. [A sua partida] Deixa muitos lamentos entre os criadores de gado, agricultores e caçadores”. Mas a maior mudança na vida de John Enos acontecera três anos antes: um casamento tardio e aparentemente desastroso com Mary Enos, a açoriana roliça e furiosa que mais tarde conquistaria os tribunias. Sozinho ou secretamente amancebado com uma índia, como mais tarde se sugeriu, João Ignacio viveu formalmente solteiro quase toda a vida. Dizia que não queria mulher porque, se a tivesse, teria de lhe comprar um vestido ou um chapéu de cada vez que fosse à cidade. Outras vezes brincava, como aconteceu ao receber um recenseador que planeava a construção de uma escola no Big Bend: Nunca tive mulher, se um dia quiser uma mulher, caso com uma vaca.” Quando falava a sério, dizia que, a casar-se, apenas o faria com uma portuguesa, pois as americanas faziam-lhe medo. E foi o que aconteceu. Em 1905, na primeira de várias viagens aos Açores, John Enes conheceu Maria de Sousa, uma mulher 30 anos mais nova - ele timha 69 - que, na noite da sua chegada, velava um falecido em casa do irmão do cowboy, Manuel Jacinto, em Santo Antão. No início do século XX, São Jorge era uma ilha menos exuberante mas também mais tranquila do que no século anterior - uma das principais avenidas das Velas chama-se 19 de Outubro porque só nesse dia chegou lá a noticia da implantação da Republica de 5 de Outubro de 1910. A América também mudara: os irmãos Wright tinham conseguido fazer voar o Flyer II, o USS Olympia C-6 contava quase dez anos e a referência emergente era agora o sofisticado Theodore Roosevelt. “Portuguese Joe” ter-se-á sentido velho, urgente de descendência. Então, tudo se precipitou. Em 1906, volta a São Jorge, compra uma casa, instala lá as irmãs (Justina, e Joaquina Narciza) e contrata Maria como empregada. Em 1907 regressa à ilha, deixa sair as irmãs do lar e convida a empregada a trazer a mãe (Maria Senhorinha), os irmãos (Albino e José) e os dois filhos ilegítimos (Manuel Inácio e Rosa). Em 1909 volta mais uma vez aos Açores, agarra na mulher e leva-a à Igreja Portuguesa de São João Baptista em New Befdord, onde se casam. Maria de Sousa passa a chamar-se Mary Enos. Terão sido dois anos de declínio pessoal. Regressado ao Estado de Washington, Enos, outrora gordo e imponente, vinha franzino, de cara barbeada, perfurmado e bem vestido, com capachinho negro no cimo da cabeça. O Spokane Daily Chronicle lamentou: “John Enos perdeu todas as suas características mais pitorescas”. Em Maio de 1911, sem filhos e alcoólico, ‘Portuguese Joe” aceita a pressão da mulher para nova viagem aos Açores, cai doente quatro dias depois da chegada e, a 30 de Maio, morre vomitando sangue. O jornal Republica da Vila da Calheta, limita-se a assinalar: “O sr. João Ignacio d’Oliveira, que tinha voltado da America na ultima viagem do vapor Funchal, faleceu na freguesia de Santo Antão. Possuía uma fortuna considerável.. No testamento, feito no mês anterior à viagem, Enos deixava dez mil dólares à Paróquia de Santo Antão, outros dez mil ao Asilo de Mendicidade das Velas, cinco mil à Associacão Cristã YMCA de Spokane, 500 dólares a cada irmã e apenas cinco dólares para cada um dos dois irmãos, Manuel Jacinto e Domingos Jacinto. Tudo o resto, avaliado em mais de 250 mil dólares, ficava para Mary Enos. A herança foi disputada em dois julgamentos distintos O primeiro, realizado em Novembro de 1912, resultou de uma acção interposta pelos irmãos de João Ignacio. Alegavam que Enos não estava capaz de elaborar qualquer testamento no mês anterior à morte, porque Mary o tratava mal física e psicológicamente, obrigando-o a beber álcool em excesso e tornando-o efeminado. Diziam também que Mary quis voltar à ilha para estar com o amante, José Martins. E concluíam que o irmão sempre lhes prometera ser generoso. Os advogados das duas partes, Fred Miller e W.S.Gilbert, deslocaram-se a São Jorge para recolher depoimentos. Em tribunal, as testemunhas dos disputantes defenderam que Enos queria um filho e por isso se dispusera aos desmandos da mulher. Que esta o pressionava constantemente (“Faz o testamento, faz o testamento, faz o testamento!”). E que José Martins, “homem dos sete ofícios de John Enos” em São Jorge, se tinha ausentado habilidosamente de Santo Antão nas vésperas da morte do cowboy, regressando apenas depois dela. Mary aparecia como uma

aventureira ambiciosa, casando apenas por dinheiro. Mas o advogado testamenteiro garantiu que Enos fora extremamente cauteloso na elaboração do documento, revendo cada artigo com pormenor, enquanto o médico Ricardo José Vera Cruz, que avaliara o cadáver de Enos, dizia que a morte resultara de uma normal hematémese, sem envenenamento. O júri, constituído por sete mulheres e cinco homens, decidiu pelos irmãos de Enos, mas em Janeiro o juiz decretou em favor de Mary. Entretanto, uma nova e surpreendente acção era interposta: Chisheetqua Sysic, filha do chefe Quêquetas, da tribo Nespelem, reclamava chamar-se Suzanne Enos, tendo recebido o nome americano de João Ignacio durante os 12 anos (1870-1882) em que tinham sido casados. Três filhos tinham nascido da relação, dos quais um ainda estava vivo. Na sala de audiências, o juiz J. Stanley Webster dirigiu o julgamento como uma peça de teatro. Membros das tribos Nespelem e Sanpoil, unidas sob as “profecias” do chefe Skolaskin, garantiam que Chisheetqua fora entregue a John Enos em troca de dois cavalos, a pedido do “Português”, e que este apenas escapara aos Nez Perce porque era, na verdade, um squawman - um branco casado com uma índia. Gesticulavam e falavam a língua indígena, traduzida por um intérprete. O julgamento tornou-se num recital sobre a história do Noroeste, contada na versão dos índios. Inúmeros pioneiros viajaram de outros estados (Oregon, Idaho, Montana, até British Columbia, no Canadá) para depor pelo celibato do cowboy. Várias pessoas garantiram que “Suzanne” já fora casada com outros homens - Charlie, Bill, Bob, o próprio Skolaskin. Outros sublinharam que “Portuguese Joe” era uma alcunha comum, sugerindo uma confusão de identidades. Os jornais estavam loucos. “Foi um dos mais singulares processos na história dos tribunais do Noroeste”, disse o Wilbur Register. Ao fim de três horas reunido, o júri deliberou que Suzanne era a legítima mulher de John Enos. O juiz, mais uma vez, anulou o conselho e decidiu em favor de Maria de Sousa. A 12 de Maio de 1914, o Supremo Tribunal ratificou ambas as sentenças. Mary Enos estava rica. A sua herança corresponderia, segundo o câmbio actual, acerca de três milhões de dólares (2,7 milhões de euros) - mas esse dinheiro significava muito mais em Portugal do que nos Estados Unidos, onde a correcção monetária foi sempre menor. Hoje, quem passeia pela Ilha de São Jorge cruza-se a cada momento com vestígios de João Ignácio d’Oliveira. A maioria deles, no entanto não leva o nome do cowboy, são casas e propriedades, memórias e benemerências de José Martins Paulo Cordeiro, o suposto amante de Mary Enos - e com quem, rumores ou denúncias, esta viria a casar mais tarde. Mas a família do novo casal elaborou um ópusculo desmentindo vários factos enumerados por Donald Warrin; o nome de Maria de Sousa está errado no livro (chama-se ali “Maria Senhorinha”, que era a mãe), José Martins não era um empregado de Enos mas um vizinho que trabalhava como caixeiro-viajante, e as datas da morte de que fala a biografai (1838-1911) são diferentes das do jazigo do rancheiro (1836-1911), no cemitério de Santo Antão. “Afinal, ela não ficou com a herança toda. No segundo julgamento, a preta ganhou”, garante Maria Elizária, neta de Maria de Sousa. “Isto foi assim; apareceu uma preta - ou índia, ou lá o que era - e disse que tinha um filho dele, que era o herdeiro. Ganhou e ficou com um dos hotéis Foi um hotel para cada uma”. Maria Elizária Cordeiro, 86 anos, solteira, filha de Manuel Inácio Cordeiro, o varão dos filhos ilegítimos de Maria de Sousa, vive hoje com a irmã Maria Cristina, viúva e um ano mais nova, numa bela casa forrada de azulejos e com pátio interior. - e cadeiras que rangem e tectos altos e molduras com fotografias e móveis ancestrais - no largo de Santo Antão, Vila das Velas. A terceira irmã que aparece na foto com a avó Maria de Sousa, no opúsculo publicado pela família, é Maria de São João, falecida há cinco anos. Juntas, as duas irmãs restantes vivem das memórias gloriosas da família: a inteligência da avó, os êxitos de José Martins como negociante (antes e depois do casamento), as muitas casas da família ( a Quinta da Boa Hora, a actual Residencial Neto, a actual Caixa Económica), o facto de a mãe (Maria Francisca, nora de Maria de Sousa) ter sido a primeira mulher a guiar automóveis em São Jorge, a mercearia e o cinema fundados pelo pai, os cruzamentos com descendentes de Gaspar da Silva (outro emigrante milionário), os mitos e as lendas familiares. “Éramos ricas para a época. Fomos até à quarta classe, andávamos bem vestidas, tínhamos sempre uma criada connosco...Mas a América passou uma crise (queda da Bolsa em 1929), os lawyers de lá aconselharam a vender o hotel e o dinheiro deixou de vir. Agora só saímos de casa para ir à missa, explica Maria Elizária. “A herança foi-se gastando...Hoje não se pode dizer que sejamos ricas. Tenho esta casa, mas vivo da reforma do meu marido. Nunca descemos. assim, de categoria. Mas vivemos das nossas pensões...E está bem bom” acrescenta Maria Cristina. Maria Elizária e Maria Cristina viveram durante 40

Comunidade

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anos com Mary Enos, era esta casada com José Martins Cordeiro, a quem as raparigas chamavam “padrinho”. Contestam com energia qualquer suspeita de assassínio de John Enos, garantem que a avó só muito mais tarde conheceu verdadeiramente o segundo marido e lamentam não ter feito mais perguntas, cedendo às convenções do respeito pelos mais velhos. O dinheiro da herança, esse, ia chegando da América em notas, sob a forma de proveitos da exploração do hotel. “A minha avó morreu em 1954 ou 1955. Foi-se apagando devagar. Mas era uma pessoa muito fechada. Em nova cozinhava e era muito activa, mas depois deu-lhe o reumatismo e foi-se amassando. Era a criada quem fazia tudo. Ela estava sempre sentada numa cadeirinha, em silêncio. Só falava quando falavam com ela”, recorda Elizária. “Nunca foi uma aristocrata. Sabia falar, vestia-se bem, mas era uma mulher do povo que tivera sorte. Também nunca a ouvimos falar inglês. Aliás, nunca falou dos tempos que passou na América ou sequer do casamento com John Enos.” E, então, os mitos voltam a desabar. Pelo menos um dos filhos ilegítimos de Maria de Sousa, concretamente Manuel Inácio - pai das duas irmãs -, seria rebento bastardo de uma filha do Duque da Agualva, da ilha Terceira. “Isto foi uma tia, Maria Candinha, que nos contou antes de falecer. Disse que não queria morrer com o segredo. Segundo ela, o nosso avô era filho de uma condessa da Terceira e veio para São Jorge numa cestinha. Nunca soubemos quem era exactamente...” Depois, a conversa deriva novamente para Mary Enos, a avó “inteligente”. “Quando ela voltou da América, após o julgamento, falou com o cônsul americano em São Miguel e ele até se quis casar com ela”, recorda Elizária, com orgulho. Na Vila das Velas, no extremo sudoeste da ilha de São Jorge - Santo Antão e o Topo ficam exactamente do lado oposto, a sudeste - não restam muitas mais memórias de John Enos. Os arquivos da Casa de Repouso João Inácio de Sousa citam o dia 1 de Setembro de 1912 como o da entrada dos dez mil dólares da herança e, numa recente edição do Abrigo, boletim oficial da instituição - antes chamada Asilo de Mendicidade -, o historiador João Gabriel Ávila conta que o dinheiro deixado por Enos foi trocado em Lisboa, por intermédio do comandante do vapor São Miguel, e mais tarde convertido em títulos de dívida pública. No lar, um enorme edifício no centro da Vila que alberga 80 idosos e oito sem-abrigo - dá ainda apoio a 130 domicílios - não há sequer uma fotografia do benemérito. O grande ícone da casa é João Inácio de Sousa, que em 1925 deixou uma herança dez vezes superior: cem mil dólares. “John Enos? Não sei quem seja”, admite Mark Marques, presidente da direcção. Em Santo Antão, onde João Ignacio d’Oliveira viveu os primeiros anos e mais tarde acabaria por morrer, as memórias são sobretudo físicas. O casebre em que Enos cresceu, as três casas de campo que construiu (uma delas sede da Junta de Freguesia), os vários prédios adquiridos mais tarde por José Martins Cordeiro, a mercearia em que este fazia um interface com uma loja de fazendas nas Velas, como caixeiro-viajante, antes do casamento com Mary - tudo caíu com o terramoto de 1980 e quase tudo foi reconstruído, com novos proprietários. Quanto ao resto, ainda há quem se lembre de ouvir falar num emigrante a que chamavam “João Rico”, como quem se refere a um “pato-bravo “mas já não sobra ninguém desse tempo. O padre Silvano Vasconcelos, sacerdote da paróquia a que Enos deixou dez mil dólares, também não sabe de nada: é jovem e está ns Freguesia há pouco tempo, e para além disso os sismos e a confiscação dos bens à Igreja, no início da República, levaram muitos arquivos à destruição. Mas no cemitério da freguesia, um ermo florido no meio dos pastos onde a maior parte dos defuntos chegou aos 90 anos, há uma lápide que fala. O nome João Ignacio está em inúmeras campas, só o apelido Silveira rivaliza com Oliveira ao longo dos ladrilhos, mas um único jazigo com pavilhão destaca-se na paisagem. Todo em mármore, com porta em arco, tem à frente a campa de José da Costa Leonardo, falecido em 1993 e pároco da freguesia durante meio século-é ali o lugar mais nobre do cemitério. Por cima há uma placa que diz “Jazigo de/João Ignacio d’Oliveira/Nasceu a 28 de Fevereiro de 1836/Faleceu a 30 de Maio de 1911/Este Jazigo foi erigido por sua esposa/Maria Enos”. Está tudo em maiúsculas, mas o nome de Mary é muito maior do que o do próprio morto. E só ela fica com o direito a usar o apelido americano para a posteridade.

by Joel Neto

in 28 de Fevereiro de 2004, na Revista Grande Reportagem


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Calor Cultural

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Rasgos d'Alma

Luciano Cardoso

lucianoac@comcast.net

ou um filho de fevereiro. Nasci na gema do inverno, lá ao norte da Ilha, com o tempo da banda do avesso. Descia dos lados do Pico Rachado um frio que, no castiço dizer de meu avô, era mesmo de rachar cornos. As nossas casas de então, por não disporem do aquecimento com que as de hoje nos confortam, pediam mais agasalho. Valeu-me minha mãe estar bem preparada com uma linda manta de retalhos alinhavada pelas prendadas mãos de minha avó. Coitadinha, já no fim da sua vida, mesmo com a vista a faltar-lhe devido a complicações diabéticas, nunca desistiu e acabou-a a custo. Morava connosco e queria o primeiro filho daquela sua derradeira filha muito bem aconchegado. Morreu antes de eu aprender a dizer-lhe o meu muito obrigado. Os fihotes dos fevereiros de há mais de meio século, na fogosa lha Lilás, mesmo com a invernia a castigar-lhes a pele fininha sobre os ossos tenrinhos, sabem que não podem limitar a sua gratidão aos papás ou vovós por todo o calor então recebido. Agradecem também à sua terra – a festeira Terceira – nesta fria altura do ano, a ferver em escaldante criatividade cultural. Desce dos palcos para as plateias onde as gentes não tem mãos a medir nos seus aplausos calorosos em louvor do Santo Entrudo. Desde muito pequenino que o Carnaval do meu torrão natal me caíu cá por dentro

como uma gostosa filhós. A gente mastiga, saboreia e deseja sempre mais. É assim a aprazível tradição carnavalesca da Ilha feita palco montado no coração do povo. De facto, não conhece rival na sua animada forma de teatro popular. Nestes dias de

que a vida, para muita boa gente e quando menos se espera, vira de airoso mar de rosas para amargo vale de lágrimas. Há almas demais, por aí, depenadas e desesperadas a cramarem a sua sorte. Queixas não faltam. Tristezas abundam. Miséria

abundante folia, por lá, a ilha rodopia de alegria. Por cá, as comunidades movimentam-se também com esse vivo entusiasmo, curtindo rimas e rábulas em troca dumas boas gargalhadas. Quando os Bailhinhos tem graça, a alma saudosa da gente imigrada, que se aglomera nos engalenados salões comunitários, não os substitui por nada. Nada como rir de vontade quando os gracejos são bem redigidos e o enredo melhor interpretado. Carnaval, acima de tudo, deve ser divertimento. Quando não o fôr, perde a piada. Há quem perca o juízo nestes dias em cata de assunto para rir. Não é para menos. Por-

é a dar-lhe com um pau. Mesmo na terra da abundância, não falta fome escondida a castigar malta lusa, sem eira nem beira, à mercê do deus-dará… Dá, de facto, muito que pensar mas… – … noutros dias, diz-nos o Carnaval. Nestes, de farra à farta – (tristezas não pagam dívidas) – o melhor mesmo é esquecer tudo e gozar com todos. A festa é do povo. Sempre foi. Nesta quadra de algazarra desmedida, ele faz-se poeta e destrava a língua. Mete-a em tudo o que acha graça. Apraz-lhe rir-se de si próprio mas muito mais de quem lhe pisa os calos ou trama a vida. Arma-se em ator do seu drama virado comédia divertida. Diverte-se, pula, dança, rima, canta e diz o que muito bem lhe apetece sem ter de pedir licença seja a quem for. Para quê…? Não receia a censura, venha ela donde vier. Sobretudo, se se atreve vir de cima para baixo, manhosa

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e malcriada, ataca-a logo sem quaisquer papas na língua e não lhe perdoa coisa alguma. Há quem se pique com certa linguagem porventura mais rude, atrevida ou até ofensiva que sobe ao palco nestes festivos dias. Tenha santa paciência quem não quer ouvir. Tape as orelhas ou fique em casa, porque nada nem ninguém escapa ao mordaz espírito de humor que zela por aí à espreita da tacada precisa no momento exato. Claro que não são só os políticos os fáceis bombos da festa a apanharem pela medida grossa ou por alma da caixa velha. Os alvos do escárnio e maldizer popular, nesta curta quadra de pândega infinda, não poupam vítimas. Arrede-se quem quiser. Salve-se quem puder. Mesmo que a palhaçada se exceda com uma pinguinha a mais, porque é Carnaval, não há que levar a mal. Levei há e trinta e tal anos a palco, com um grupo de amigos, um divertido bailhinho que nos fez dar a volta à ilha e saborear aplausos que jamais esquecerei. Na rua, as temperaturas faziam-nos bater o dente… até entrarmos nos salões. E tínhamos ensaiado precisamente para isso, para subirmos aos palcos e aquecermos as plateias. É assim na Terceira. Por mais que o inverno assuste e o frio ameace, nada como o salutar calor cultural daquele seu cativante Carnaval para entusiasmar e divertir multidões – gentes de todas as idades saboreando sorrisos abundantes em agradável ambiente de ótima disposição.


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Opinião

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Água Viva

Filomena Rocha

filomenarocha@sbcglobal.net

Vestuário e Doçuras do Carnaval

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arnaval, foi sempre o símbolo de máscaras e mascarilhas, algo que sempre me afligiu! E não só! Mas também. Por essa e por muitas outras razões, eu dou muito mais valor ao nosso modo de Açorianos, de vivermos o tempo carnavalesco. Talvez seja por isso que nos atrevemos a dizer, que o nosso Carnaval da Terceira é o melhor e o mais bonito do mundo. É claro que podemos cair no exagero, mas se analisarmos bem como se realiza, como se pre-dispõe e dispõe, e como se apresenta em cada palco, ou na rua, não importa o que lhe custe, desde que atinja o auge da beleza, da alegria do Povo da Ilha, na dimensão mais adequada que lhe for possível. Ao jeito tradicional, os homens ainda que, com fatos mais sóbrios, mais ou menos de brilhantes, chapéus de aba larga enfeitados de arminho e penas, mais leves que as penas da alma, marcham nas voltas do bailinho ao lado das senhoras que trajam vestidos de folhos e plissados, chapéus e sapatos a condizer, de cores mais ou menos exuberantes, conforme o assunto, numa harmonia que muito devem à Costureira experiente. É nesse aspecto, que eu penso que as costureiras da Ilha deviam ser alvo de homenagem, pela sua arte, seu muito trabalho e enorme paciência, em azáfama constante. Entrar num lugar, numa vila, ou cidade, em triunfo em cima de um carro descapotável ou alegórico todo decorado com penachos, e em fatos de banho em pleno Inverno e com todo o corpo à mostra, não tem para nós o mesmo impacto e significado de cultura. Poderá ser diferente, cativante à primeira vista, mas passado o instante da surpresa e curiosidade, não resta mais nada que o sonho de visitar o País do calor e praias de areias quentes, tão diferentes das nossas. Nas nossas Ilhas, tudo é mais simples, e

ainda que separadas pelo Mar, modernamente as tradições se vão passando, e se antes eram os graciosences os mais famosos em bailes de roda, agora, a música é outra, e com o tempo, ainda teremos grandes bailarinos e intérpretes das danças à moda da Terceira, até porque as duas Ilhas sempre se deram muito bem. Até no receber! Recordo muito bem algumas pessoas que conheci e se tornaram amigas da casa dos meus pais, que nos visitavam em forma de agradecimento, de lá terem ficado quando vinham ao médico, ao registo civil de Angra… E sempre falavam de receitas da sua ilha, trocando-as. Mas eram loucas, nesta altura do ano, pelas fihós e cuscurões da Terceira, as fatias-douradas, que outras pessoas chamavam de sopas-fritas e muitas outras iguarias e doces de arrepiar… Uma das melhores receitas, era a receita das belas filhós da freguesia do Raminho, de onde a minha saudosa e querida mãe, era natural. Eram enormes e davam imenso trabalho, e no final, nos pratos em cima da mesa, pareciam ter sido feitas de massa sovada. Era neste tempo que melhor sabiam estas iguarias, e ainda que todas deliciosas, nenhuma era tão boa para nós lá em casa, sobretudo para o meu pai, como as Fatias-douradas que a minha saudosa mãe fazia, dentro e fora do Carnaval!

Carnaval 2018 No Facebook publicou-se uma cópia de uma excelente entrevista ao historiador Carlos Enes pelo jornalista Helio Vieira do Diário Insular acerca do Carnaval e a certa altura encontrámos uma nota de opinião do João Mendonça, autor do Carnaval, que nos apraz registar nas páginas do Tribuna para conhecimento de muita gente: Há alguns anos vi um documentário televisivo interessante sobre coisas de carnaval pelo mundo e onde neste dito, o carnaval com maior semelhante ao nosso, estava em S. Tomé e Príncipe. O drama (enredo) comparava-se na totalidade aos nossos da Ilha Terceira. A evolução do nosso Carnaval fez-se (faz-se) anualmente. Sempre que outro ano chegou e trouxe o Carnaval consigo, o Carnaval terceirense alterou algumas das suas caracteristicas iniciais e assim sendo no seu trajecto. O surgimento do nosso Carnaval tradicional na década de 20 do Séc. XX, fixou-o com determina-

tantes de cidades e freguesias é também uma das razões para que mais tarde o Carnaval rural entre pela cidade adentro e seja bem aceite pelos angrenses. Há anos a cidade não via com bons olhos o Carnaval do povo do monte, que era considerado iletrado e de menor índole. O Carnaval era coisa de gente pobre. (...) Dancei na Praça Velha há alguns anos e os transeuntes passsavam no meio da dança sem se aperceberem que ali estava uma dança a actuar. Ah, e levei com um ovo da janela dum prédio da Rua da Sé, quando a minha dança metia uma “bucha” na boca na antiga taberna “O

das regras (não apontadas ou obrigatórias) mas que foram alterando nos anos seguintes. Falemos de evolução gradual e anual, mas a maior “evolução” deu-se dois anos após o 25 de Abril. Digo-vos: “Dois anos após” porque logo a seguir ao Dia da Revolução, o povo, fazedor de danças e bailinhos, sentia receio e incerteza em relacção à mudança para a liberdade de expressão que a Revolução tivesse trazido. Este foi sim, a maior razão porque os bailinhos são o que são actualmente. Vem depois as melhores condições económicas, as novas tecnologias, a televisão, melhor escolaridade, que dá origem a um maior número de actores (a que culpo pelo desaparecimento do “RATÃO”) e outros tocadores vindos do aparecimento das tunas, Conservatórios, escolas de música nas nossas Casas do Povo... (haveria tanto para dizer neste domínio) A ida dos rapazes e raparigas para o Liceu, a aproximação dos habi-

avião”. Mantive a certeza, pelo que presenciei, que a “cidade” não gostava das danças e bailinhos que a visitavam. Não gosta das coisas do povo do campo e do monte. Entretinham-se com as batalhas de àgua e aos bailes de mascarados que organizavam no interior de salões e clubes desportivos. (Só referir, que novamente a abertura da Rua de São João ao Carnaval de baile e farra, seja uma tentativa para trazer de volta o Carnaval da cidade do fim do séc. XIX e príncipio do Séc. XX. E que certamente não trará nada de positivo no futuro dos nossos bailinhos e danças) Mas... Histórias tenho eu às dúzias dos carnavais dos últimos cinquenta anos, porque embora tenha passado depressa, falta apenas 4 para completar 50 nestas coisas de Carnaval. E fico por aqui para não enfadar. Viva o Carnaval da Terceira.


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Memorandum

Antes de treinar músculos - educar cérebros

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1 – impecilhos à coexistência cívico-política amos apostar que o tempo vai sempre um passo à nossa frente, como aragem indiferente ao momento que passa. Atrevo-me a opinar que somos aspirantes incorrigíveis ao privilégio da eviternidade. Porventura, admirado com a presunção de ainda estar vivo, pouco mais resta que continuar estonteado pelas brumas do passado, apesar de amparado pelos modestos suspensórios do presente. Aceito o diagnóstico de fazer parte da população imigrante que alcançou as muralhas do ano 2018, porventura com a visão embaciada pelas asnidades “trumputinistas” da actualidade: a enfermidade politica da democracia norte-americana não é recente; aliás, nem sequer o diagnóstico e a terapêutica seriam temas originais… Como veterano imigrante açor-lusitano também sinto o cinzentismo étnico-político imposto pela ditadura silenciosa da pobreza. Cuidado: acabei de referir “ditadura da pobreza”, sem ampliar os ecos miserandos da actualidade – sim, os tais que separam povos, neutralizam inteligên-

cias, mas sempre abençoando despedidas. Ora, a generalidade imigrante sente como ninguém o suor-frio da espera por melhores dias. Para muitos, a aragem do progresso cultural parece retida na “sala-de-espera”, como que impedida de facilitar o acesso ao léxico psico-linguistico da ausência imigrante: mãe-aldeia; avó-pátria, bisavó-igreja, madrasta-fábrica… 2 – “Entre as brumas da memória” - esperar sem “(des)esperar” … Estamos ainda a bom tempo para conciliar o fervor do individualismo imigrante com as tarefas colectivas de emancipação comunitária. Bastaria fixar o olhar para além da muralha do interesse individual: ajudar as crianças a crescer, e os ‘puros’ de coração a singrar na vida; experimentar na prática, o bem-aventurado conceito “amor ao próximo” (de que nos fala o Evangelho cristão); aderir ao movimento político em prol da ‘acesso democrático à riqueza colectiva’ (conforme a ética socialista, herdada do Cristianismo …). Yes! “Não Temais” – insiste o Evangelho. Ou seja, ainda não é tarde para, cordialmente, convidar os briosos imigrantes de expressão lusíada a exercer a vigilância

João-Luís de Medeiros jlmedeiros@aol.com

democrática necessária numa comunidade como a nossa – quase sempre a levedar de medo inventados, aparentemente mais indiferente que dividida, não raro mais distraída que alienada… Enfim, uma Comunidade que se desejaria mais empenhada na solidariedade humana – através do Jornalismo, do sistema escolar, da administração pública, para que “ninguém seja excepcionalmente rico para comprar o seu semelhante, nem irremediavelmente pobre para leiloar a dignidade humana”.

ra”! Ademais, um governo não é “ultreia” de crentes, tal como a Assembleia Regional não é um “clube” de amigos! Uma das tarefas inadiáveis dos Partidos Políticos deveria ser, porventura, a seguinte: inaugurar jornadas pedagógicas anti-medo, para atenuar o demorado conflito entre cifrões & ética… (*) o autor continua a escrever de acordo com a antiga grafia.

3 – Sémen(teira) de Ideias Será que ainda existe o chão da dignidade humana para espalhar a sementeira da Bem-Comum? Desafortunadamente, temos poucos semeadores democráticos: consta que a maioria aprende bem cedo a arte de mastigar o pão-alheio. Porém, ainda não é tarde para acreditar na remissão humana. Na bandeja da humanidade política, não parece difícil vislumbrar a antiga (mas sempre remoçada) questão: será que a (r)evolução cívico-cultural precisa de mais fundos europeus…? Vamos arrumar a casa. Estar na Oposição não deve ser considerado “modo-de-vida”, porque é apenas “compasso de espe-

California Portuguese-American Coalition A participação da comunidade no mundo politico americano A direção da CPAC-California Portuguese-American Coalition acaba de realizar na cidade de Turlock na Universidade Estadual da Califórnia uma reunião que teve como objetivo dar as boas vindas a dois novos diretores e estabelecer as suas prioridades para os próximos 12 meses. Durante cerca de três horas os diretores presentes debateram alguns dos projetos que esta organização efetuará, incluindo a segunda cimeira de luso-eleitos e lideres comunitários marcada para os dias 13 e 14 de junho em Sacramento, precisamente quando está marcada a passagem por este estado do primeiro-ministro de Portugal António Costa. Na quinta-feira, 14 de junho, pelas 9 horas da manhã, no Capitólio em Sacramento haverá, como já é tradicional, a resolução do dedicada ao Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, numa cerimónia conjunta de ambas as Câmaras Legislativas da Califórnia. A CPAC continuará ainda com a sua missão de dar voz às nossas comunidades junto das instâncias públicas da Califórnia e apoiar a eleição de luso-eleitos para cargos municipais, regionais e estaduais, incluindo a publicação de pequenas biografias dos luso-eleitos neste estado. Os novos diretores são: Idlamiro DaRosa, cônsul honorário de Portugal e dinâmico líder em San Diego e Maria Hortência Silveira, dinâmica vice-presidente da Foster Farms e líder comunitária na zona de Turlock. A CPAC é presidida por Diniz Borges; com John Pedrozo, vice-presidente, Steven nascimento secretário e Elmano Costa tesoureiro. Estão ainda na direção outros elementos muito conhecidos na comunidade da Califórnia, nomeadamente Angela Simões da PALCUS e John Martins cônsul honorário de Portugal em Los Angeles. Após a reunião alguns dos diretores tiveram um almoço com o Mayor da cidade de Turlock, o luso-descendente Gary Soiseth; Maria João Lopes Cardoso, a Cônsul-Geral de Portugal em San Francisco e Eduina Azevo, presidente da Fundação Portuguesa para a Educação do Centro da Califórnia.


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Opinião

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Com o Prémio Camões revisito Manuel Alegre

Reflexos do Dia-a-Dia Diniz Borges

d.borges@comcast.net

“Nunca houve revolução política sem uma poética da revolução.” Manuel Alegre no momento que recebeu o Prémio Camões

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á lá vão uns séculos desde que Cícero foi citado como tendo dito que “uma casa sem livros é como um corpo sem alma.” Pois é, há vários anos que ando a viver com os livros, fazem parte do meu dia a dia. Acompanham-me nas horas mais solitárias, e diria mesmo, que quase que não sei viver sem eles. São cúmplices num mundo cada vez mais angustiado, mais barulhento, mais populista e, aqui nos Estados Unidos, sobretudo mais adverso à reflexão e ao pensamento. São tesouros que me ajudam a compreender esta complexa condição humana. E são os meus companheiros de viagem nos aviões, nas filas, nas horas de espera. São os meus fiéis amigos, que me têm ajudado nos momentos mais diversos, porque como disse algures Henry Ward Beecher: “um livro é uma quinta, um armazém, uma festa, um conselheiro, melhor — uma multiplicidade de conselheiros.” E há livros que nos marcam mais do que outros. Há livros que ficam para sempre dentro de nós. Há livros que saboreamos de palavra a palavra, há outros que queremos despachar, apesar de nunca ter ficado por o prefácio de um livro, como se gabou um dia, em conversa privada, um dos nossos pseudolíderes desta comunidade portuguesa na Califórnia. É que em todos há

mensagens que guardamos. E por vezes nem somos nós que os escolhemos, são eles, os livros, que nos escolhem. Acontece que, num momento mais doloroso, lá vem o livro certo fazer-nos companhia, porque, quer queiramos quer não, acabamos de fazer parte de tudo o que lemos e tudo o que lemos faz parte de nós. Isto a propósito de dois livros que acabo de revisitar do poeta, escritor, político e intelectual Manuel Alegre. Precisava, neste momento em que o poeta recebe o prémio Camões, reler alguns dos seus poemas e dos seus livros. Há muitos anos que sou um leitor de Manuel Alegre. Identifico-me com o seu grito à liberdade, à justiça, à paz, ao amor. Lembro-me do seu Canto Peninsular e desta estrofe maravilhosa: “Andei de terra em terra/ por esse mundo que de certo modo descobri./ E fui soldado contra a minha própria guerra/eu que fui pelo mundo e nunca saí daqui.” Tenho tentado ler tudo que este poeta, romancista e político invulgar tem escrito. Político tão invulgar, que ainda acredita num mundo melhor, sem as vicissitudes dum exacerbado capitalismo, que retira o humano à humanidade e do qual todos somos coadjutores e responsáveis, tal como nos relembrou quando recebeu o prémio: Nesta era da globalização e de um novo bezerro de ouro, em que o poder financeiro impõe a sua hegemonia sobre a política, a democracia, a cultura e os próprios Estados, a literatura e, em especial, a poesia, podem ser ainda um território de resistência contra o pensamento único e de defesa da liberdade de escolha de cada povo

Mas é dos seus livros que quero refletir, particularmente dos dois que revisitei recentemente e que li quase de um só fôlego: Rafael e O Homem do País Azul. O primeiro fala-nos directamente da luta

terminados a mantermos bem vivos esse: jesuitismo, fanatismo e beatismo. Daí que Manuel Alegre é um autor para se ler com paixão, porque ele apela ao mais íntimo de cada leitor, e as suas histórias são sempre

pela liberdade, do peso do exílio, dos sonhos pela justiça social, do idealismo dos revolucionários, particularmente dos anos sessenta. É um livro cheio de poesia, de coragem, de sonhos e de pesadelos. Rafael é a história dum homem e de todos os homens. É a história de um povo e de todos os povos. Rafael deveria ser leitura obrigatória para os alunos da escola secundária em Portugal, onde, infelizmente, se está a esquecer muito rapidamente os custos da revolução. Rafael precisava ser traduzido para a língua inglesa, para que os luso-descendentes no continente norte-americano soubessem o que custou a liberdade em Portugal e tomassem conhecimento da beleza das artes, particularmente da literatura portuguesa. O Homem do País Azul é um conjunto de narrativas tendo como pano de fundo, mais uma vez, a liberdade e o sentido de justiça, a tão cobiçada igualdade. Neste livro, como nos diz uma nota sobre o próprio, estamos perante a festa, o amor e a utopia. Não fosse Manuel Alegre um construtor de utopias! Em O Homem do País Azul aprende-se, ainda mais uma vez, sobre quem somos como povo e cultura, exemplificada nesta passagem crítica que nos coloca perante alguns dos pressupostos da nossa idiossincrasia: “Inútil lembrar-lhes o aviso de Antero contra o jesuíta, o fanático e o beato que trazemos dentro de nós, mesmo quando nos julgamos muito progressistas.” Que lição os lembrar que fomos inculcados com alguma presunção e muita água benta, e que mesmo dentro dos nossos intelectuais mais progressistas há várias doses de ortodoxíssimos que muitas vezes os impede de ir além, de serem mais audazes. E que lição para nós que vivemos no exterior, ainda intensamente ligados à memória dum tempo que já não é, e de-

narrativas que lutam contra o status quo e apelam a que cada homem e mulher reflicta neste princípio de Hegel “e a sua afirmação de que a liberdade começa na consciência de que cada homem é um ser único e insubstituível.” No meu pequeno santuário (para não fugir ao beato dentro de nós), que é a minha biblioteca/gabinete, guardo junto do meu computador, onde me sento quotidianamente, para corrigir exames, preparar lições, ler e escrever, o décimo soneto do Português Errante, de Manuel Alegre. É o hino que recito, com a certeza que nele encontrarei a força para viver e trabalhar dentro e fora das comunidades, nesta complexa sociedade a que pertenço, neste mundo e neste tempo que me foi dado para viver, para lutar, para sonhar: permitam-me partilhar o poema: Contra a usura e o juro contra a renda / contra um tempo de ter mais do que ser / contra a ordem fundada em compra e venda / contra a vida que mói até doer // contra a força que oprime – aí eu canto. / E onde amor se procura e não se encontra / onde a vida se mede a tanto e tanto / onde a mentira impera – aí sou contra. // E por isso incomodo e sou mal visto. / Que se o tempo é de grades eu resisto / e quando alguns se calam não me calo. // Eu sou o renitente o inconformado. Por isso me deitaram mau olhado / e por isso persisto e canto e falo. Para o bem e para o mau, identifico-me com este poema. Estou grato a Manuel Alegre pela sua escrita. Estou felicíssimo pela distinção que lhe foi dada. Mais do que justa esta entrega do Prémio Camões. O próximo prémio deveria ser o Nobel! Foto: ÁLVARO ISIDORO/GLOBALIMAGENS


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The First and Only Restaurant with a Michelin Star in San José

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Entrevista

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Caravelle World Travel visitar o mundo é o seu destino Desde quando é que a Caravelle World Travel começou a fazer excursões? A Caravelle Travel começou a fazer excursões desde 1991 e também oferece todos os outros serviços de uma agência de viagens tal como passagens individuais para Portugal e Açores e cruzeiros e outros passeios pelo mundo inteiro. Quais têm sido as mais populares, quer as de terra quer as dos cruzeiros? Temos tido muitas e não é fácil escolher, mas as nossas excursões aos Açores e Portugal Continental que fazemos todos os anos e temos tido muitos comentários de pessoas quer Portugueses ou Americanos que tem gostado muito e divulgam aos seus amigos. Os cruzeiros em si são sempre muito frequentados e depende do sítio que vamos, sendo o nosso Cruzeiro que fizemos para o Carnaval do Brasil um que fica na memória como talvez o que gostaram mais, por ser diferente e porque usámos o navio como Hotel nas noites de Carnaval. Também os cruzeiros que temos feito com o Chico tem sido de grande sucesso. Qual é a média de pessoas que vos acompanham quer nos cruzeiros quer nas excursões? Os cruzeiros eu diria em média umas 100 pessoas e as excursões de terra 25. Fala-nos um pouco sobre a vossa viagem aos Açores e a Portugal Continental em Junho e Julho deste ano. Esta excursão vem dar a conhecer as pessoas um bocadinho do que são os nossos Açores e Portugal Continental. Já fazemos este tipo de excursão há mais de 25 anos e o itinerário tem um toque especial do Pinheiro porque eu escolho tudo, desde Hotéis, restaurantes e excussões nos diversos sítios que vamos ver. Esta excursão tanto é boa para os nossos Portugueses que emigraram e que querem voltar às suas raízes com os seus filhos

já cá nascidos e que querem ir visitar a terra dos seus pais ou avós. Também agora com a nosso Alojamento Local, a Vivenda da Saudade Bed and Breakfast nós temos tido alguns clientes que lá tem ficado enquanto estão na Terceira. Da mesma maneira, diz-nos o que se pode esperar dos 15 dias do Grand European Tour em Outubro de 2018. Este tour vem a ser um cruzeiro que principia em Amsterdão e desce o rio Reno e Danubio acabando em Budapest e passando por 4 nações, incluindo Alemanha, Áustria, Hungria e Países Baixos. Este navio apenas leva um total de 200 passageiros fazendo com que seja muito calmo e acolhedor. Inclui 12 passeios a terra, vinho e cerveja, incluído durante o jantar e almoço a bordo. Que ensinamentos a Caravelle tem aprendido com os seus clientes? Como devem imaginar em mais de 25 anos de existência nós temos tido todo o tipo de cliente desde o mais exigente, ao que tudo estava bem para ele. Aprende-se como e o nosso dever de respeitar cada um e servir sempre o melhor que podemos. A lição maior e que foi o nosso moto para o resto da nossa existência como agência de viagens foi aprendida logo de inicio quando fizemos um passeio a Hawaii. Para contentar todos demos a escolher dois Hotéis com diferença de preço um do outro, sendo a diferença é que um ficava à beira mar e o outro duas quadras do mar. Toda as pessoas escolheram o mais barato menos um casal que escolheu o que ficava à a beira mar e era mais caro. Quando lá chegámos as pessoas cramaram que era longe do mar, etc. A partir desta excursão eu apenas escolho os lugares que sei que não vai haver reclamações, porque não são os mais caros mas também não são os mais baratos, mas com qualidade.

Chico Avila que nos leva 18 dias, principiando em Santiago, Chile, e passa por sítios no Chile, Peru, Costa Rica, Nicarágua e Méxi-

mar vem a ser em Junho e Julho a excursão aos Açores e Portugal Continental. Mais tarde informamos as outras.

mais valia para a nossa agência. O Chico tem sido uma pessoa muito fácil de trabalhar com ele e ele dá tudo e mais alguma coisa

co terminando em Los Angeles. Este vem a ser o nosso cruzeiro anual do Chico e com ele a dar o seu melhor nos palcos do cruzeiro exclusivamente para os clientes da Caravelle Travel que o acompanham. Também temos um cruzeiro que sai de Long Beach fazendo a costa do México em Abril por 7 dias.

Chico Avila tem-vos acompanhado em muitos dos vossos cruzeiros. A presença dele é sempre uma mais valia, não é?

para dar espetáculos maravilhosos a bordo e criar um grande convívio com todas as pessoas.

Além destas duas excursões em 2018 haverá outras este ano?

Que podemos esperar em 2019?

Em 2018 temos a excurção em Março de um cruzeiro com o

Em 2019 já estamos a preparar mas o único que posso confir-

A Caravelle Travel tem a honra de ser a Agencia de preferência para os Cruzeiros do Chico após o encerramento da agência com quem ele trabalhou por muitos anos. Para nós foi um prazer aceitar o convite do Chico para prepararmos os Cruzeiros dele e sem duvida que vem a ser uma

Vivenda da Saudade Bed and Breakfast


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Carnaval

15 de Fevereiro de 2018

Grupo Pais e Filhos de Hilmar

1. Pais e Filhos de Hilamr - Autor: Hélio Costa - A Vaquinha do Tio Tomás 2. Carnaval Sem Fronteiras - Autor: Hélio Costa - Ciryano de Bergerac 3. Sonhos Carnavalescos de Tulare - Autor: Hélio Costa - Os Bens da Tia Ricardina 4. Grupo de Carnaval na Nova Aliança - Crianças - Autor: Al Canudo - A SATA para a Terceira. 5. Grupo de Carnaval da Nova Aliança - Autor: Hélio Costa - A Comitiva dos Açores 6. Grupo de Carnaval dos Bravos de Hilmar - Autor: Hélio Costa - A Vida depois da Morte 7. Grupo Os Independentes de San José - Autor: Paul Melo - Haja Paciência. 8. Bailinho da Terceira Idade de Newark - Autor: Ricardo Martins - As Mulheres Modernas 9. Bailinho de Merced - Autor: José Ribeiro - Viagem na SATA aos Açores 10. Grupo Carnavalesco de Tulare - Senhoras - Autor: Joe E. Rocha - The Bachelor 11. Grupo Carnavalesco de Tulare - Homens - Autor: Joe E. Rocha - Quem será o culpado? 12. Grupo Rapazes do Chino - Autor: Hélio Costa - Foi praga concerteza 13. Grupo Nova Geração de Artesia - Autor: João A. Mendonça - O Feiticeiro de Oz 14. Grupo Hilmar em Festa Viva - Autor: João A. Mendonça - Bailinho tipo Revista 15. Grupo Os Rapazes Amigos da Tua Prima de Hilmar - Autor: Hélio Costa - A Vingança das Marionetas 16. Grupo Carnavalesco do Chino - Crianças - Autor: Hélio Costa - A Padaria da Avó 17. Grupo do Carnaval ao Céu - Newman - Autor: Ricardo Martins - Os Portugueses em Paris 18. Grupo de Carnaval Açoriano, Tulare - Autor: Hélio Costa - Santos.com

Grupo Sonhos Carnavalescos de Tulare

Grupo Carnaval sem Fronteiras


15 de Fevereiro de 2018

Grupo de Carnaval da Nova Aliança Grupo de Carnaval da Nova Aliança - Crianças

Grupo de Carnaval Os Bravos de Hilmar

Grupo Os Independentes de San José

Carnaval

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Carnaval

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Bailinho de Newark Bailinho de Merced

Grupo Carnavalesco de Tulare - Senhoras

Grupo Carnavalesco de Tulare - Homens


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Grupo Rapazes do Chino

Grupo Hilmar em Festa Viva

Carnaval

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Nova Geração de Artesia

Bailinho do Grupo Os Rapazes Amigos da Tua Prima, Hilmar


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Carnaval

15 de Fevereiro de 2018

Duas Irmãs - duas super vozes

Grupo Carnavalesco do Chino - Crianças

Grupo do Carnaval ao Céu, de Newman

Grupo do Carnaval Açoriano de Tulare

Fazer uma lista de actuações em diversos Salões da nossa Comunidade beneficia toda a gente. Ver 18 bailinhos em 2 dias, somando-se 9 horas e meia no primeiro dia e 10 horas no segundo, mostra bem o empenho em que a nossa Comunidade tem em ver e apreciar os esforços de tanta gente que se preparou durante meses para nos fazer rir e passarmos um bom bocado com amigos. Assim se faz Comunidade.

Carnaval é uma grande escola para a juventude - não só aprendem melhor português, como aprendem a cantar e a representar.


15 de Fevereiro de 2018

Carnaval

O Carnaval jรก mora aqui

CARNAVAL 2018 CARNAVAL 2018

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Comunidade

15 de Fevereiro de 2018

Foi bom voltar a Casa

Ao Sabor do Vento José Raposo

jmvraposo@gmail.com

I

r de férias, seja a onde for, traz-nos sempre uma alegria. Muitos dos nossos amigos ficaram surpreendidos por termos ido aos Açores no Inverno, mas minha mulher, Isilda, tinha saudades de um Inverno nas ilhas e dessa maneira era garantido que ninguém nos chamaria de mosca de verão. Houve, porém, um dia que São Pedro deve ter aberto as torneiras todas, ao ponto de minha mulher ter dito que queria chuva e vento, mas não era preciso tanto de uma vez. Passamos três semanas no Pico, em Santo Amaro e devo dizer que adorei. Fui à pesca quase todos os dias e nada como peixe fresco para uma refeição. Apanhei uma quantidade enorme de peixes, princi-

Confesso que nunca tinha estado metido no meio de tanta gente. Devido ao fogo de artifício a praça iluminava-e e podíamos ver os edifícios perfeitamente, tais como: o arco da rua Augusta e o D. José montado no seu cavalo, cuja pata direita é a esquerda... Lisboa, onde estivemos, está mais sorridente, mais garrida, as ruas limpas e é agradável ouvir os turistas a comentarem a boa maneira como são recebidos. As pessoas estão, finalmente a ficar mais cientes que têm que tomar conta da sua linda cidade. Os sogros de nosso filho que não conheciam nem os Açores nem em Lisboa, ficaram encantados com o cozido das

O senhor Sérgio, como bom percussionista que é, não resistiu à tentação de mostrar a sua habilidade. Na noite de passagem do ano, a sogra do nosso filho Dona Vani, resolveu fazer um jantar à Brasileira onde não faltou o couscous Paulista. Um sobrinho dela, o Anderson que vive em Caxias e é chef de pastelaria em Oeiras, presenteou-nos com um bolo rei e outras iguarias. Foi muito agradável, também, ter connosco a nossa amiga, Moçambicana, Ivone, que agora vive no Estoril. Nossas férias em Lisboa foram muitos mais agradáveis por termos a companhia de nosso filho, Michael e seu marido, Sérgio. Eles conhecem Lisboa como a palma das

palmente carapaus e uma moreia que resolveu fazer-se de morta e no outro dia pela manhã havia saltado da caixa onde eu a havia metido, no frigorífico, para um compartimento da porta do mesmo. Depois de 3 semanas no Pico, regressamos a São Miguel e dai fomos para Lisboa onde nos despedimos de 2017, com mais cerca de 300 mil pessoas, na Praça do Comércio.

Furnas, com as paisagens em volta da ilha e outros lugares, tais como a Poça da Dona Beija. Apreciaram todos os lugares onde estiveram e em Lisboa e arredores desfrutaram lindas vistas tanto do castelo de São Jorge como de outros pontos de interesse. Provaram os pastéis de Belém, pastéis de bacalhau com queijo da serra e não faltou um bom cafézinho.

sua mãos. Foram os nossos guias turísticos durante os 9 dias que lá passamos Aconselho que visitem Portugal. Foram nove semanas em cheio, mas foi bom voltar para casa.

A

OBSERVAÇÕES o ver um anúncio no FB sobre a ementa de um jantar português, algures na Califór nia, tive a infelicidade de corrigir uma palavra que não foi bem aceite pelo seu autor. Nunca foi minha intenção causar qualquer controvérsia, foi apenas uma advertência para que, da próxima vez, não seja repetido o mesmo erro. Compreendo que todos erramos, mas, também, concordo que se deve aceitar uma crítica, quando construtiva.

Se me acontecer o mesmo, agradeço a correção. Com respeito a escrever em português, alguém me informou que eu estava errada ao usar o acento agudo para o é, como por exemplo, é preciso. Que dever ser o acento grave è. Ora bem, não respondi a isto porque não valia a pena perder tempo. Afinal, o Bocage é que estava certo. Julgo que a maioria dos nossos leitores não ligam grande importância aos acentos, mas há palavras que, se não os têm, podem

causar embaraço. Costumo dizer que, leva-se o mesmo tempo a escrever uma palavra errada como uma certa. O dicionário é uma grande ajuda, pois tira todas as teimas. Falando no inquilino da Casa Branca, mais conhecido para os meus amigos do FB, como o tarado, aqui vai uma interessante observação.Uns amigos meus que, recentemente, passaram dois meses de férias nos Açores, não encontraram uma única pessoa que gostasse do trump e não compreendiam como ele tinha sido

Ao Cabo e ao Resto Margarida da Silva

santamarense49@yahoo.com eleito para dirigir este país. Infelizmente, o mesmo não se pode dizer de muitos açorianos na Califórnia que votaram por um indivíduo incompetente, mentiroso, racista, xenófilo e abusador sexual. Agora estamos a contar

os dias para que ele seja obrigado a deixar o poleiro. Talvez já esteve mais longe. Até lá, que Deus nos ajude!


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MIGUEL VALLE ÁVILA is a native of Angra Bachelor of Arts in Biological Sciences and a Master’s in Public Administration, both from San José State University, San

José, California. In his professional life, Miguel is the Head of Quality and Regulatory Compliance for two of Johnson & Johnson’s medical device companies.

He has served as the Assistant Editor for The Portuguese

Tribune and according to Brazilian author Lélia Nunes—

“[Miguel] has been a strong voice, alongside his father [José Ávila], in the dissemination of cultural programs and economic and social development of the Azorean communities emigrated in California.”

A church must be a vestibule to Heaven! —Msgr. Henrique Augusto Ribeiro, 1919

He is very active in California’s Portuguese community currently serving as the chairperson of the Five Wounds Portuguese National Parish Centennial Executive Committee. He

was a co-founder and former president of the Aristides de Sousa Mendes Foundation, former chairperson of the San José

State University Portuguese Studies Program Advisory Board,

and director of the non-profit publishing house, Portuguese Heritage Publications of California.

Miguel is the author of IV International Conference on the Holy Spirit Festas: A Photojournal (2010), chapter author of

Power of the Spirit: A Portuguese Journey of Building Faith and Churches in California (2012) and Holy Ghost Festas: A

PORTUGUESE HERITAGE PUBLICATIONS OF CALIFORNIA, INC.

Historic Perspective of the Portuguese in California (2002), all published by Portuguese Heritage Publications of California.

1914

daughters, Amélia Teresa and Sofia Isabel. He is a resident of

9 780982 639481

of

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california

“Finally the day has come of the always memorable blessing of the Church of the Five Wounds, in the city of San José, in the County of Santa Clara. Erected in the last days of the year 1914 by the illustrious Excellency Patrick Riordan, who answered the request by 318 Portuguese, heads of family in San José and surroundings, the Portuguese parish of Senhor Santo Cristo das Cinco Chagas [Five Wounds of Our Lord Jesus Christ] has progressed since that day until the current day. The land was bought in the most appropriate and convenient place for all and the signatory of these lines will always be grateful to the greatest Portuguese figure in California, whether in commerce as in industry, dear Mr. Manuel Teixeira de Freitas, of San Rafael, for the generous loan of a copious amount of money that facilitated the acquisition of such parcel. The chapel of the Holy Ghost was built as well as a small hall for the meetings and entertainment of the parishioners, and during more than four years in the small, but devout chapel, the Divine Mysteries were celebrated. The Portuguese attended all Sundays in great numbers to the Holy Sacrifice of the Mass, and in the days of more solemnity those who could not fit inside, stayed outside, next to the door and along the windows to better listen to the word of God. This was very encouraging and indeed comforting for the heart of this humble priest, who was trusted with the administration and spiritual direction of the parish… On October 1st, 1916, the cornerstone was solemnly blessed by His Excellency Archbishop Edward Hanna, the first fundamental stone of the new temple… What makes this temple more majestic is its genuinely Portuguese shape that makes us remember with saudade the grandeur and magnificence of our main Azorean churches…” —Monsignor Ribeiro’s prepared statement that was included in the dedication booklet, July 13, 1919.

A Vestibule to Heaven Five Wounds Portuguese National Parish Miguel Valle Ávila

ISBN 9780982639481

Miguel is married to Lúcia de Fátima Soares and has two

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2014

Miguel Valle Ávila

heritage collection

do Heroísmo, Terceira Island, Azores, Portugal. He holds a

San José, California.

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Opinião

C

15 de Fevereiro de 2018

As Toupeiras da Angelina

onta-me a minha parceira de vida coisas da sua família. Dos seus tempos de filha única durante nove anos, quando tinha a atenção desmedida da avó Angelina para lhe desenriçar as tranças, das viagens de férias para casa da outra avó, no Faial, do aprender a nadar no varadouro do Porto das Pipas, do pedinchar aos pescadores da Madeira pedaços de cana-de-açúcar que chupava,

descontraída, sentada na soleira da porta e até mesmo do correr nas ruas do Corpo Santo, a fugir do misterioso «Fifi das Flores»... Já não sei como, ontem, ao jantar, recordou-me estórias do tempo em que a família dela viveu na Terra Chã, a simpática freguesia tornada famosa pela pena de um dos melhores escritores açorianos da atualidade, o Joel Neto. Descreveu-me (mais uma vez!) muitas das peripécias da sua meninice naquele lugar. Falou-me das amigas com quem ia e vinha da escola, das correrias a esconderem-se, não do «Fifi» mas do «pretinho do Hospital», o senhor cozinheiro que era uma paz d’alma mas só por que tinha a cor da pele diferente dos outros homens, causava-lhes medos e sustos; das incursões furtivas aos pomares das redondezas onde, ela e as amigas mais aventureiras, se metiam a roubar laranjas e nêsperas. E arrepiou-se ao relembrar o descarado do galo que a perseguia, pelo quintal, aos nicos nos calcanhares, causador de fobias que ainda não se dissiparam. Passados que são mais de cinquenta anos, pensa a senhora minha dona que a razão da mudança e da vivencia na Terra-Chã terá tido origem na oportunidade do pai poder trabalhar o enorme reduto atrás da casa e assim usufruírem de produtos alimentares que ajudariam a atenuar as despesas de mercearia. Criavam um porco, tinham um curral bem povoado de frangas e galinhas poedeiras e apanhavam, em abundância, tomates, alfaces, couves e tudo o mais que a terra lhes dava. Para mais, nem precisa-

vam comprar leite. Não tinham vacas suas mas o proprietário da casa, o popular Ti José da Lata, quando tinha as suas no serrado ali ao lado, deixava-lhes uma canada do precioso líquido, ainda quentinho e a espumar, derramado da sua famosa lata. Admirava-se a Alice, menina e moça, por que seria que aquele homem cantava enquanto ordenhava as vacas... De todas estas recordações, uma que ela retém como mais engraçada era quando a mãe, no balcão da casa, gritava para o marido, quando ele saía para o trabalho: “Óh Renato, não te esqueças de comprar remédio para os caracóis!”. Remédio??? Os caracóis pareciam até muito saudáveis, consolavam-se a comer as viçosas couves, o que deixava a minha futura sogra, também Angelina de nome, desesperada e apoquentada. Faço avançar a Roda do Tempo. Longe da pacatez da Terra-Chã, a viverem mesmo na intercepção de duas das mais movimentadas ruas de uma cidade californiana, valia-lhes o facto de terem, atrás da casa, um pequeno quintal, restos de um possível pomar que ali terá existido. Ainda lá estava um armazém desativado e ... uma «casinha» que, felizmente, também já tinha passado à reforma. Renato tinha muito orgulho no seu quintalinho americano. “Vê só o tamanho destas favas! É cada vagem que mete medo. Foi o José Tomazinho que me deu as sementes.” Sem o benefício de adubos, parecia que aquela terra produzia milagres. Os tomates eram dos mais gostosos que já comi – “O meu primo «Cabeleira» é que me deu uns pezinhos” –, as couves, essas eram um assombro, com folhas largas e enrugadas, maiores que pratos de sopa. Áh, já me ia esquecendo de vos contar, o Renato até uma cabrinha criou, num curral que armou mesmo ao lado da garagem. Quando deu por isso que estava a gastar muito dinheiro em ração, vendeu a cabra a um mexicano, para desgosto das meninas netas, que gostavam de lhe fazer festinhas na testa. Ora bem, com o passar dos anos, as dores nos joelhos e o alargamento da barriga não permitiam ao Renato dedicar muita atenção à horta. Foi a santa da esposa que experimentou armar-se em camponesa e plantar uns pés de couve que uma amiga da igreja lhe dera. Contudo, um mistério começou a acontecer: quando a Angelina chegava junto ao rego para botar uma pinguinha de água, notava que, todos os dias, havia menos plantas nas covetas. Parecia que desapareciam pela terra abaixo! “São as malditas das «gôfas» que me andam a comer as couvinhas!”, descobriu a santa senhora. Era verdade, a pequena horta tinha sido invadida por umas famílias de toupeiras. Angelina, que no seu antigo quintal na Terra-Chã nunca vira semelhante animal, resolveu dar cabo de-

"Crónicas de Hoje e de Sempre" João Bendito

joaobendito@yahoo.com

las o mais depressa possível. O primeiro passo foi pedir ao marido que fosse à loja comprar um saco de veneno. A coisa não resultou, cada vez havia mais buracos na terra, o veneno devia ser igual ao remédio dos caracóis de antigamente. Desesperada, decidiu seguir o conselho de uma amiga: “Bota-se água pelos buracos abaixo, elas morrem afogadas”, recomendou a Maria Nóia. Parece que ainda a estou a ver, de bata estampada, sapatos velhos no pés, a cabeça coberta com um lenço vermelho amarrado na nuca. Armada com um pau pontiagudo numa mão e a mangueira na outra, aquilo é que era despejar aguaceira em tudo o que fosse buraco. O pau seria para enxotar algum dos noctívagos roedores, se é que algum se aventurasse a pôr a cabeça fora da terra. Pobre Angelina, perdeu a batalha. Convenceu-se que mais prático era deixar as toupeiras comerem o que restava da sua plantação e não gastar mais dinheiro em água ou em venenos. Ficou o quintal ao aban-

dono, as forças já eram poucas e as couves, no Safeway, não eram assim tão caras... Hoje, aqui perto de casa, vi uma toupeira, de papo para o ar, dentes arreganhados, sem vida. Lembrei-me da santa da Angelina. De certeza que anda, lá no Céu, de mangueira na mão, a dar cabo delas. E não me admirava nada se, no celestial serrado, ela encontrasse o Ti José da Lata, a cantar «A Favorita»: ... Eu já fui alegre e cantei Alegre e cantei, agora estou desta sorte Já fui o retrato da vida, Retrato da vida, agora serei da morte

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Manuel Cabral 15 de Fevereiro de 2018

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Falecimento

Eduarda M Fernandes Eduarda M Fernandes, age 89, of Riverbank, California passed away on Saturday, February 3, 2018. Eduarda was born January 26, 1929 in Ribeira Seca, São Miguel, Açores to Augusto Almeida and Almerinda Sousa. Eduarda is survived by: son Jose Fernandes and his wife Maria of Riverbank; son Dinis S Fernandes and his wife Elvira of Riverbank; son Victor Fernandes of Riverbank; son John Fernandes and his wife Judith of New Jersey; son Paulo Fernandes and his wife Manuela of Atwater; daughter Maria Conceição Festa and her husband Gilberto of New Jersey; and daughter Fatima Pacheco and her husband Andres of New Jersey. Mrs. Fernandes also leaves behind fifteen grandchildren, twenty great-grandchildren, and three great-great-grandchildren to honor her memory. Eduarda was preceded in death by: her husband Dinis D Fernandes on April 17, 2016; son Luis Fernandes in 1997; her parents Augusto Almeida and Almerinda Sousa; two brothers; and one sister. She was a dedicated parishioner of St. Francis of Rome Catholic Church in Riverbank, California. A visitation for Mrs. Eduarda Fernandes was held from 4:00 PM to 7:00 PM on Thursday, February 8, 2018 at St. Frances of Rome Catholic Church: 2827 Topeka Street, Riverbank, California. A rosary will be offered following the visitation at 7:00 PM. A funeral mass occured on at 10:00 AM on Friday, February 9, 2018 at St. Frances of Rome Catholic Church. Mrs. Fernandes was laid to rest at St. John’s Catholic Cemetery: 17871 Carrolton Road, Escalon, California. Services under the direction of Whitehurst-Norton-Dias Funeral Service (FD504) in Turlock, California. Tribuna Portuguesa envia sentidas condolências a toda a família. (Courtesy of Whitehurst-Norton-Dias)


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Tauromaquia

15 de Fevereiro de 2018

Monumento ao Forcado

Quarto Tércio José Avila

josebavila@gmail.com

AJUDAR A FESTA BRAVA

José João Dutra, artista terceirense, está a trabalhar no Monumento ao Forcado, que irá ser inaugurado em Junho de 2018 durante as Sanjoaninas. A escultura será instalada em frente à Monumental Praça de Toiros da Ilha Terceira. Para arcar com estas despesas está aberto uma angariação de fundos na Terceira e agora aqui na California, para todos aque-

les que queiram ajudar financeiramente esta obra de homenagem aos nossos forcados. Num comunicado da Comissão de Obras pode-se ler o seguinte: “Desde que a Câmara Municipal garantiu o seu apoio ao Projeto (...em 50% do valor orçamentado!), a Comissão de Obras começou logo a trabalhar - a estudar e a delinear estratégias,

a promover contactos junto de entidades oficiais e de privados, para num espaço de tempo relativamente curto, viabilizar o início da construção, para obter pelo menos uma garantia parcial dos apoios necessários - monetários e materiais!...” Agora cabe a nós, aficionados da California e não só, poder dar uma ajuda. No cheque deve-se mencionar “MONUMENTO AO FORCADO” e ser enviado para 190 First St, Gilroy, CA 95020.

Depois juntar-se-ão todos os cheques e enviam-se para a Terceira com um relatório, segundo nos disse Al Pinheiro, que está a ajudar a Comissão de Obras. Vamos a isso. Vamos contribuir pois somos todos aficionados da Festa Brava na California

PortugueseHAmericans in the California Political World

jimmy dutra

City Council of Watsonville California Jimmy Dutra, 38, was born and raised in Watsonville, where he attended Salesian Sisters, E.A. Hall Middle School and graduated Watsonville High School in 1993. He then, attended Santa Clara University, where he earned his bachelor’s degree in Political Science in 1997. While at Santa Clara University Dutra was chosen among thousands of applicants to be a White House Intern for President Bill Clinton. While at the White House Dutra worked in the Office of Presidential Personnel, as well as the First Lady’s office (Hillary Clinton). He was also elected to be the head intern representing the entire intern staff. After graduating from Santa Clara, Dutra worked on some high-profile campaigns including a California Gubernatorial campaign and former Vice-Presidential Candidate Geraldine Ferraro’s NY Senate race. He currently has been working with his family’s business, Dutra Farms and operates Jimmy’s Pumpkins which is located on East Lake Avenue next to St. Francis High.

He is currently on the City Council of Watsonville and running for Supervisor for Santa Cruz County.

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Published as a public Service to our community with the collaboration of CPAC-California Portuguese-American Coalition, whose mission is to unite Portuguese-American elected officials and civic leaders to facilitate stronger collaboration in the advancement of the interests of the Portuguese-American community in California. CPAC is funded thanks to a partnership with FLAD and community support.

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Tribuna Escolar

Tribuna

Escolar

15 15 de de Fevereiro Fevereirode de2018 2018

TULARE UNION HIGH SCHOOL

Diniz Borges

d.borges@comcast.net

Nota de Abertura:

Liduino Borba oferece livro aos alunos

O

Os nossos alunos de Português V, trabalhando em grupo e apresentam-nos esta página com informações sobre as nossas aulas e a nossa escola. Na realidade só entendo aulas como aulas vivas, em que há criatividade e ligação com o mundo que nos rodeia e um contacto constante com a cultura que faz parte da língua que se aprende. Uma palavra de gratidão à Dança de Espada das Lajes pelo investimento que fez num passo importante da sua presença na Califórnia, a ida a um auditório com mais de 900 alunos dos quais apenas 200 compreendiam algum português. A isto chama-se interculturalidade. A isto chama-se cisão. As comunidades e a sua ligação aos Açores só podem ter futuro se formos além da saudade.

autor e editor terceirense Liduíno Borba ofereceu-nos um exemplar do livro que escreveu sobre o touro das mulheres. Agradecemos ao Sr. Borba ter tido a gentileza de nos oferecer o livro. Estamos entusiasmados porque vamos aprender mais sobre a tradição das touradas à corda na ilha Terceira. Muito Obrigado.

Dança de Espada das Lajes na nossa escola

C

omo alunos ficamos muito contentes que a dança de espada das Lajes, ilha Terceira esteve na nossa escola. No nosso auditório da escola Tulare Union tivemos mais de 900 alunos que estudam português, espanhol, teatro, música e educação física. Também tivemos alunos de português das escolas Tulare Western e Mission Oak. Os alunos gostaram muito. A diretora da nossa escola, Dra. Michelle Nunley disse ao canal 49, programa Os Portugueses no vale, que filmou a dança, que esta foi uma rica experiencia para todos os alunos. Ela disse, que apesar de não perceber português conseguiu entender o que se passava e achou o vestuário e a coreografia muito bonita. Os professores das aulas que levaram os alunos também gostaram muito da experiência.

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Diniz Borges

Professor na Tulare Union Diretor do Departamento de Línguas Estrangeiras dade de ver algumas modas do folclore açoriano que nós apresentamos para eles e também dançaram folclore connosco. Esta foi uma experiencia enriquecedora não só para eles, mas também para nós. É muito importante ter oportunidade de visitar outros países e outras escolas, como alguns de nós fizemos o ano passado quando visitamos escolas em Angra do Heroísmo, cidade irmã de Tulare.

Português 4/5 continuam a promover a nossa cultura com o folclore

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nossa aula de português 4 e 5 continua a aprender e a promover o nosso folclore. Este ano nós já aprendemos 12 modas e vamos aprender mais três. Nós esperamos ainda fazer mais apresentações em escolas americanas e também em acontecimentos da comunidade portuguesa. Podem entrar em contacto com o nosso professor para verem a possibilidade de irmos à vossa associação ou escola.

Alunos da Polónia na Nossa Escola

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urante 4 dias 13 alunos e 2 professores vindos da Polónia estiveram na nossa escola Tulare Union. Os alunos fizeram apresentações sobre a Polónia, desde a história do seu país até à vida em família. Também tiveram oportunidade de frequentar aulas connosco os alunos desta escola, muitos de nós alunos dos cursos de português. Eles também estiveram nas nossas aulas de português. No último dia das suas apresentações tiveram oportuni-

Aulas em que todos participam

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s nossas aulas de português na escola Tulare Union têm uma história de quase 50 anos. Um dos objetivos das nossas aulas é ter todos os alunos a participarem nas mesmas. Temos muitas atividades nas nossas aulas que são de duas horas cada. Ana nossa escola os nossos alunos são74% de origem hispânica e muitos falam espanhol fluentemente, portanto estes alunos têm oportunidade de aprenderem outra língua e ficam trilingues. As aulas estão sempre em movimento. Durante mais de 20 anos temos tido o professor Diniz Borges, que vai reformar-se este ano. Vamos falar disso no futuro.


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Cultura

15 de Fevereiro de 2018

PAGINA DE ARTES E LETRAS DO TRIBUNA PORTUGUESA

Apenas Duas Palavras Diniz Borges

d.borges@comcast.net

Da literatura e de uma viva vivida

uando me olhas com ternura, quando te digo uma só palavra e ouço a tua tentativa de me dizeres algo, sei que estás comigo e sei que estás em mim. A tua doença devora o teu corpo, mas regressas sempre à tua cama aqui em casa. A tua amiga “AP” faz-te um carinho e aperta a tua mão, e tu não queres nunca deixar que ela se vá, que te abandone. Saboreavas, quando ainda te era possível, as tuas comidas com gosto, e quando te levam à sala

Portugal a uma denominada troika, que eles, os europeus, sem qualquer vergonha na cara, haviam adotado de uma expressão perfeitamente russa. Depois vejo-te numa outra foto em Nova Iorque comigo, com a mulher de João de Melo, carinhosamente chamada de Tita. Nada em nós morreu, amor, viverá tudo para sempre enquanto tu estiveres aí e eu aqui. Não, eles não sabem nada da tua doença. Sei eu e as mulheres que estão a teu lado todos os dias. Sabemos que tens uma vida, e agimos como tal. Em tudo. Não falas connosco, mas falamos sempre contigo. Escondo as minhas lágrimas porque sei que te comoveriam ainda mais. Quando dormes serenamente, eu fecho o meus olhos e tento dormir um pouco. Acordo e beijo-te outra vez. Depois apetece-me dizer aos arrogantes e cheios de si que encontro todos os dias aqui e ali: façam o favor de visitar as urgências no

principal dos nossos livros, vemos o sorriso em ti, como olhas as flores na tua varanda e reages com a alegria que sobressai da tua cara e conforto das tuas companhias. Por vezes dormes serenamente, outras em grande agitação, nunca sei se de dores ou sonhos. Sei isto: quando nos aproximamos ficas calma. Muitas vezes as tuas cuidadoras dizem-me que estás de olhos abertos e só dormes quando te dou o beijo da noite e do amor. Depois volto à nossa sala cheia de estantes com as tuas fotos e livros, olho serenamente, por vezes falo contigo, sempre como se estivesses a meu lado, e eu mandar-te piadas políticas – a literatura que fizeste é outra questão e falarei dela em linhas mais à frente. Não foste só uma distinta Professora Associada na Universidade dos Açores, especializada, uma das primeiras entre todos em Portugal, em literatura norte-americana, com o teu Moby Dick: A Ilha E O Mar – Metáforas Do Carácter Do Povo Americano. Foste uma colaboradora política que ajudou a fundar e depois dirigiste com mão segura e consciência aberta o então Instituto de Acção Social nos Açores, para quem os mais pobres e vulneráveis foram a tua missão durante cinco anos. Adoro ver a tua foto num Congresso do PSD, aos microfones, cheia de vida e de garra, de convicções, nas quais obviamente acreditavas e sobre as quais agias diariamente. Passo por ti nessas imagens, e só digo que vocês, laranjinhas, arranjaram muito bem, particularmente quando certo líder chamou a

hospital para vermos o quanto não valemos. Quando um desses tristes me diz que a tua “não é uma vida”, eu respondo quase sempre de modo indelicado: Não, a Adelaide tem uma vida, é a vida que tem, e a nossa obrigação é zelar por ela. Quando te internam por uns dias, o teu quarto vazio é a minha dor e a minha saudade. Sem a tua presença a nossa casa fica vazia, sem sentido, nem rumo, sem o mínimo significado. Vivemos anos intensos, cheios de vida, de risos e choros. Não tenho saudades de nada –sem ti. Nem sequer de sair da ilha, já vi todos os museus que queria ver, todas as catedrais que foram erguidas por escravos em toda a Europa, todas as ruas que as classes dominantes ordenavam, todos os hotéis da classe média e todas as suas lojas. De universidades, nem falar, muito menos dos seus pedantes e falsos sabedores. Só tenho saudades tuas. Ter saudades de quem está ao nosso lado, e a olhar-me, é a maior crueldade de sempre. Releio os teus livros, a tua prosa crítica fulminante, a tua poesia, ficção e ensaio. Tenho saudades de quando me davas um texto para ler antes de o publicares, e tenho ainda mais saudades de quando eu estava a escrever, e caladamente te colocavas atrás de mim sem eu dar por isso, e depois tocavas no me ombro e dizias: Vamberto, isso é violento, não és tu, a tua alma não é essa. Eu respondia só que escrevia o que queria e entendia. Voltavas ao teu espaço de trabalho, eu relia, e sabia que tinhas razão. Mudava logo certas palavras e apreciações

Na pulsação do espaço/e no espasmo do silêncio/a sobreposição dos sentidos!/No fundo…/um espírito intacto,/comovido. Adelaide Freitas, De Emigração Tecido

Vamberto Freitas

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menos agradáveis. Hoje volto a reler, e só vejo sabedoria, elegância e generosidade da tua parte. Muitos escreveram sobre a tua obra, aqui nos Açores, no Continente, e em vários outros países, especialmente nos Estado Unidos e no Brasil. A tua tese, uma vez mais, aborda sem medos ou complexos o mais canónico de todos os romances canónicos norte-americanos. Nunca me falavas disso, mas eu não esqueço. A tua prosa continua a ser a maior referência minha. Quando se ama a escritora que eras não posso nunca esquecer, não posso nunca de deixar aprender contigo. “O mar -- escreves nessas páginas -- já não é, como nos tempos clássicos, um perigo assombrado, violento, aterrorizador… À maneira do período anglo-saxónico, um símbolo natural da vida espiritual. Não representa, como em Shakespeare, o sofrimento; nem é sagrado, nem protector: de força impessoal, através da qual o homem media a sua coragem ou medo, institui-se como situação real a ser apreendida no medonho e no belo que reúne, impondo-se como objecto estético a ser fruído. O seu perigo, movimento e força excitam, a sua solidão e profundeza abissais inspiram respeito, a sua beleza faz pasmar de encanto aqueles que a contemplam”. Isto é de uma escritora a falar do mar como se fosse rodeado de ilhas como a nossa, onde é em terra que paira o terror e não nas águas profundas à nossa volta. Depois da tortura bela que foi a escrita da tua prosa doutoral, sentiste o resto, a necessidade da poetização do teu passado e presente. Estava para vir a tua poesia e prosa ainda mais maravilhosa, emotiva, razão e coração sem os protocolos da academia. Veio a poesia De Emigração Tecido, João de Melo e a Literatura Açoriana, Viagem Ao Centro do Mundo, Regresso a Casa: Uma Proposta de Intervenção Social, em que, ainda no Governo Regional dos Açores, advogavas que os velhos e doentes deveriam ficar em casa a cuidado dos seus e o com o apoio sem favores do Estado, e depois o romance (para nós profético) Sorriso Por Dentro Da Noite. “Na força expressiva – escrever Ana Marques Gastão no Diário de Notícias – do seu verbo, na fluidez da frase, na discreta modulação do ritmo, na clareza da narrativa conseguida sem grande artifício, no esboçar das personagens, umas psicologicamente mais densas, outras menos, Adelaide Freitas dá-nos um romance que, na ductilidade que oferece, uma história de sangue e ternura no movimento e vida interiores”. Não haverá escritor que não desejasse estas palavras, e forma apenas algumas entre outras de nomes como Álamo Oliveira, Diniz Borges, Luiz António de Assis Brasil, Onésimo Teotónio Almeida e Fernanda Rodrigues Garcia. Por fim, os teus ensaios de Nas Duas Margens: da Literatura Norte-Americana e Açoriana. Quero que saibas que nada disto será esquecido, nem por mim nem sequer pelos menos atentos, pois a minha voz nunca se calará, a todo o custo e contra toda a ignorância ou desmemória, entre os que muito te devem e que deveriam respeitar o teu contributo ao bem-estar da sociedade açoriana, e ainda mais à nossa literatura. Cruzas os teus, nossos, dois mundos como poucos o fizeram, pelo menos neste lado

Duas Palavras Aqui estou duas vezes por mês com umas breves notas sobre os textos que a Maré Cheia publica. São pensamentos breves, notas necessárias ou desnecessárias, consoante os leitores, mas sempre com a intenção de vos convidar para a leitura dos textos e dar-vos a conhecer algo sobre os autores. Muitas vezes com algumas pinceladas pessoais porque felizmente conheço quase todos os intervenientes desta página. O texto de hoje é mesmo um texto especial. O meu amigo e critico literário Vamberto Freitas oferece-nos um ensaio que é mais do que uma critica literária, é um texto repleto de ternura e amor. Como alguns leitores saberão Adelaide Freitas é uma das vozes mais importantes da literatura açoriana, foi uma das vozes mais importantes na política açoriana, marcou a politica pela positiva, particularmente nos campos da assistência e justiça socais. Leiam, com atenção, este texto do Vamberto sobre a Adelaide. É um dos mais belos textos que jamais tenha lido sobre a vida e as causas que duas pessoas inteligentes e dedicadas abraçaram como projeto de vida. Tenho saudades das minhas longas conversas com a Adelaide, quando visitava a Califórnia com o Vamberto, mas tenho a felicidade de através das novas tecnologias dialogar com frequência com o Vamberto que apesar da distância, no tempo e na geografia, é o meu amigo de sempre. É que num mundo cada vez mais virado para o economicismo e a ganância, onde as pessoas vendem, como se diz popularmente na minha terra: a alma ao diabo por mais meia dúzia de dólares no seu salário mensal, o que nos salvam são as verdadeiras amizades, a literatura e a poesia. Manuel Alegre, ainda há poucos dias o disse, melhor que ninguém: “Nesta era da globalização e de um novo bezerro de ouro, em que o poder financeiro impõe a sua hegemonia sobre a política, a democracia, a cultura e os próprios Estados, a literatura e, em especial, a poesia, podem ser ainda um território de resistência contra o pensamento único e de defesa da liberdade de escolha de cada povo.” Abraços diniz

do Atlântico. Portugal e a América não eram para ti meras abstrações e muito menos as chamadas “comunidades imaginárias”. Foram o teu território, vivido e sofrido diariamente, em directo ou ao longe. Foi, sempre, a tua Viagem ao Centro do Mundo. Como já escrevi tanta vez, se és o meu passado e presente, eu serei sempre a tua memória. Resides permanentemente em mim. A tua obra literária e a tua dedicação, mesmo partidária, mas nunca dogmática, aos Açores e ao seu povo é a maior das minhas heranças. Como tenho a certeza que são também parte da história do país de onde nos foi dado nascer, assim como ao país no outro lado do mar onde hoje residem, vivem e morrem alguns dos nossos mais queridos familiares, amigos e colegas. __ Foto de Adelaide Freitas no princípio dos anos 90, durante uma intervenção sua num congresso do PSD/Açores, aqui em Ponta Delgada.


15 de Fevereiro de 2018

Desporto

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Liga 2017-2018

Campeonato - Porto segue isolado

Jogos Olimpicos de Inverno

abola.pt

A comitiva portuguesa foi esta sexta-feira a 82.ª a entrar na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno PyeongChang 2018, marcada pelo desfile unificado das duas Coreias. No final da passagem das 91 comitivas, chegou o momento mais aguardado da cerimónia de abertura, com as delegações da Coreia do Sul e da Coreia do Norte a desfilarem em conjunto, sob uma bandeira branca com o mapa da península coreana desenhado a azul. Tal como havia acontecido aquando da entrada do presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e do presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, a irmã mais nova de Kim Jong-un, líder norte-coreano, cumprimentou os responsáveis sul-coreanos presentes no Estádio Olímpico de PyeongChang. Kim Yo-jung é o primeiro membro da dinastia Kim a visitar a Coreia do Sul. Esta foi a quarta vez que as duas Coreias desfilaram em conjunto em Jogos Olímpicos, depois de já o terem feito nas edições de Verão de 2000 e 2004 e de Inverno de 2006. Além de terem desfilado em conjunto, as Coreias vão ainda ter uma equipa conjunta no torneio feminino de hóquei no gelo. De forma simbólica, os discursos inaugurais dos responsáveis da Coreia do Sul e do COI foram feitos com a comitiva coreana por trás. A comitiva portuguesa, liderada por Kequyen Lam, um dos dois atletas lusos em prova -juntamente com Arthur Hanse --, foi a 82.ª a entrar no Estádio Olímpico. Destaque também para o desfile da comitiva russa, que entrou sob bandeira neutra, depois de o país ter sido proibido de participar devido a um caso de doping sistemático apoiado pelo governo. Lusa

Nova Fábrica da COFACO no Pico Governo dos Açores já analisou candidatura para nova unidade fabril de laboração de atum no Pico O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia frisou hoje, na Madalena, que a candidatura apresentada para a construção de uma nova unidade fabril no Pico, na área da transformação de atum, foi analisada “num tempo recorde”. “A responsabilidade agora está do lado da empresa, que terá de responder às questões que foram colocadas”, afirmou Gui Menezes, em declarações aos jornalistas no final de uma audição na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa, acrescentando que, “se tudo correr bem, no final deste mês talvez possamos ter a candidatura aprovada, como estava definido”. O Secretário Regional referia-se à candidatura a apoios comunitários apresentada pela empresa PDM, Transformação e Comércio de Pescado, Lda., para a construção de uma nova fábrica no mesmo local da atual unidade fabril da Cofaco. Gui Menezes adiantou que foram enviadas à empresa na segunda-feira “duas questões a que terá de responder em 10 dias” para que o projeto seja aprovado. “É necessário agora que a empresa aumente o capital social em cerca de 1,1 milhões de euros”, na medida em que tem de suportar com capitais próprios 15% do valor total do investimento, disse o Secretário Regional, sendo que esta é uma exigência da regulamentação dos apoios do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das

Pescas. O projeto da nova unidade fabril, a construir no mesmo local da atual fábrica, contempla um investimento elegível de 6,7 milhões de euros, sendo que contará com o apoio público na ordem dos 65%, nomeadamente de cerca de 1,1 milhões de euros por via do orçamento regional e cerca de 3,3 milhões de fundos comunitários. Durante a audição, o Secretário Regional sublinhou que o Governo dos Açores envidou esforços para que a unidade fabril da Cofaco do Pico “não deixasse de laborar sem que a empresa apresentasse antes uma candidatura a apoios comunitários para o projeto de uma nova fábrica”. Gui Menezes criticou ainda o “aproveitamento político” dos partidos da oposição durante o processo laboral da Cofaco do Pico, referindo que, “infelizmente, nestes processos, a administração é muito atacada por fazer e por dizer ou por não fazer e por não dizer”. “Lamento profundamente que algumas forças políticas se tenham aproveitado dos trabalhadores da Cofaco para atingirem o Governo Regional e para tentarem colocar no Executivo açoriano o ónus do que quer que fosse”, disse.“Neste processo, e fosse com que promotor fosse, sempre atuámos dentro da legalidade e a nossa primeira preocupação foram os trabalhadores e a economia do Pico”, frisou Gui Menezes. GaCS/GM


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Agradecimento Venho agradecer a Santo António uma graça que recebi e que prometi publicar no Jornal, para que todas as pessoas que estão aflitas não deixem de recorrer a Santo António, que Ele nunca

nos abandona.

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