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SALVADOR 1/10/2010

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EDITOR-COORDENADOR: ADALBERTO MEIRELES / DOISMAIS@GRUPOATARDE.COM.BR

ADEUS CINEMA AMERICANO FICA SEM O CHARME DO ATOR TONY CURTIS (FOTO) E A AUDÁCIA E VIRULÊNCIA DO CINEASTA ARTHUR PENN 4E7

CINEMA TRAMPOLIM DO FORTE É RECEBIDO COM APLAUSOS NO FESTIVAL DO RIO 5

AFP

Javier Bardem é um brasileiro no filme, e Julia Roberts, uma mulher irônica, insegura, luminosa e sedutora François Duhamel / Divulgação

ESTREIA Na comédia romântica Comer Rezar Amar, personagem de Julia Roberts viaja pelo mundo em busca de si mesma

Viajar para se encontrar

VITOR PAMPLONA

Com seu sorriso de 32 dentes único no cinema e tão cruamente bela como não se via desde Erin Brockovitch (2000), Julia Roberts está de volta para fazer os homens sorrirem e as mulheres sonharem em Comer Rezar Amar (Eat Pray Love), filme baseado no best-seller da escritora Elizabeth Gilbert. Primeira grande produção em Hollywood de Ryan Murphy, diretor e roteirista das séries de TV Glee e Nip/Tuck, é uma comédia romântica típica, que custou dezenas de milhões de dólares e foi concebida para as bilheterias, mas há uma coisa interessante acontecendo com as heroínas no cinema americano. Em filmes como O Diabo Veste Prada (2006), Julie & Julia (2009) ou mesmo nos lamen-

Julia encarna Liz Gilbert, que precisa sair do estado de insatisfação que a fez desistir de um casamento táveis Sex and The City (2008 e 2010), a busca pelo altar cede espaço como elemento motivador da trama a uma necessidade crescente das mulheres se apaixonarem por elas mesmas. Se isso é reflexo da baixa auto-estima feminina, em um século cujo mal é a depressão, é uma hipótese de deixar as sociedades de psicologia com os

pelos em pé. Fato é que, em Comer Rezar Amar, Julia Roberts, que encarna Liz Gilbert, precisa sair do estado de insatisfação que a fez desistir de um casamento de oito anos com o acomodado Stephen (Billy Crudup) e de um namoro válvula de escape com o ator David (James Franco). Descontente, Liz embarca numa viagem pelo mundo em busca de si mesma. Como indica o título, a receita da felicidade é se dedicar ao prazer de comer (o que inclui participar de farras gastronômicas e jamais recusar um pedaço de pizza), buscar paz espiritual (não necessariamente por meio de uma religião) e, claro, se entregar ao amor – em Hollywood, velhos hábitos também são difíceis de largar. Cada “recomendação” corresponde a uma parte do filme e se passa em um

país: Itália, Índia e Indonésia, na ilha de Bali. Na jornada, Liz faz amigos como a sueca Sofi (Tuva Novotny), o bonachão Richard (Richard Harris) – cuja presença vale pela cena no terraço do templo hindu – e o brasileiro Felipe, interpretado pelo charme não barbeado em pessoa, Javier Bardem (embora como brasileiro ele mereça ser o expatriado do filme). Há quem possa reclamar dos estereótipos, sobretudo nas sequências italianas, mas grande parte da diversão de Comer Rezar Amar está neles. O restante fica na conta de Julia Roberts, cuja Liz é irônica, insegura, luminosa e sedutora. O problema é que, para uma personagem obcecada com o equilíbrio interior, há muita desigualdade entre os blocos. Na Itália a ação é vibrante e o timing

perfeito. Na Índia o encanto diminui. Em Bali o tédio bate na porta e o filme parece querer mudar de nome para Comer, Amar, Rezar para Acabar. Mas no geral o bom humor o redime. As intenções são modestas e a absolvição, imediata. Também,

para quem assiste, não há nada de errado em querer ser feliz. COMER REZAR AMAR / DE RYAN MURPHY / COM JULIA ROBERTS E JAVIER BARDEM / BARRA, CINEMARK, UCI AEROCLUBE, IGUATEMI, PARALELA, UNIBANCO GLAUBER ROCHA E SALA DE ARTE CINE VIVO / 12 ANOS

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Crítica do filme "Comer Rezar Amar", de 2010

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