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Ano 3 - Número 34 - Distribuição gratuita - MAIO 2005

Londrina Convention é referência nacional Página 28

Av.Maringá consolida perfil comercial

É SHOW! Londrishow vai movimentar a economia da Cidade durante um ano e também trabalhar a auto-estima do londrinense

Uma campanha que dure um ano, atinja empresas que jamais participaram de promoções desse porte e que distribua mais de R$ 500 mil em prêmios para consumidores, vendedores e até para empresários. Essa é a fórmula da Londrishow, campanha que a ACIL e a Prefeitura de Londrina colocaráo no ar no início de julho e que vem encantando o empresariado. A Londrishow terá também uma atuação muito importante: trabalhar pelo resgate da autoestima do londrinense. Páginas 4 a 7

Páginas 14 e 15

CD oferece “mapa” de oportunidades A cidade dos condomínios Empreendimentos se multiplicam, ganham novas fatias do mercado e mudam o perfil de regiões como a Zona Sul

Josoé de Carvalho

Páginas 8 a 12

Josoé de Carvalho

Páginas 22 a 23

A saúde do café O ciclo áureo da cafeicultura no Paraná está encerrado desde 1975, mas nem por isso o café pode ser considerado liquidado como atividade econômica no Brasil. Pelo contrário, a cafeicultura brasileira vem ganhando um novo perfil, baseado na qualidade da bebida, e conquistando novos nichos de mercado. Evento realizado em Londrina mostrou um painel do café no Paraná, no Brasil e no mundo.


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EDITORIAL

Dividindo para formar o bolo A ACIL está apostando na inversão do conceito de que se deve formar o bolo para depois dividi-lo e lança a maior campanha de sua história e da própria história de Londrina. Fiquem atentos, pois está entrando no ar a LONDRISHOW, uma campanha de elevação da autoestima, de valorização da Cidade, de melhoria nos relacionamentos, de premiações e, principalmente, para alavancar vendas de todos os setores de nosso município. Esta campanha de formato inédito em Londrina foi minuciosamente estudada e colocada em questionamento para um grande número de empresários. A aprovação de mais de 98% das pessoas, demonstrando ser uma campanha motivadora, altamente contagiante e com estrutura que permite a participação de todos os segmentos empresariais da Cidade e para todos os tamanhos de negócios. Nos preocupamos em montar uma estrutura que possibilitasse contemplar todos os segmentos, e não somente os tradicionalmente atingidos de confecções, calçados, móveis e eletrodomésticos. Este novo modelo possibilita e convida à participação qualquer segmento comercial e empresarial, desde restaurantes e hotéis até videolocadoras e auto-peças, passando por todas as regiões da Cidade. Os moldes desta campanha passam por grandes atrativos para o cliente, para o comerciário e para o comerciante, todos podendo ser contemplados e premiados com o dinheiro da ACIL. É uma campanha de um ano de duração. Contará

com sorteios semanais e com patrocinadores diversos. Já conta com o apoio da Prefeitura de Londrina como parceira e organizadora e do Sicoob como patrocinador, devendo ter outras adesões. Pretendemos com esta campanha iniciar uma nova fase nas relações comerciais na Cidade e fazer com que tudo aquilo que tanto encanta os visitantes e aqueles que aqui chegam para ficar, que sejam elementos constantes em nosso dia-a-dia. Não pretendemos esconder o que está errado ou o que não anda bem, mas sim procurar ajudar nas soluções destes problemas, sem ficarmos debruçados sobre eles lamentando e criticando. A ACIL está chamando para si as articulações no sentido de ser não só a promotora do desenvolvimento da cidade e das relações comerciais, mas também ser a promotora de uma nova fase de melhores relacionamentos e de melhoria consistente na qualidade de vida através de ações que auxiliem a quem, por dever, tenha que fazer a Cidade melhor. Estamos com ações concentradas em diversos focos de problemas para auxiliar e orientar nas soluções. A ACIL não é executora, nem tão somente crítica, mas autêntica representante da sociedade, para assim estarmos agindo como parceiros na busca de soluções para nossos problemas. Paralelamente, o LONDRISHOW irá alavancar certamente melhores dias para a cidade de Londrina. Venha, participe, somente assim todos ganharemos. Afinal NOSSA CIDADE É SHOW!

José Augusto Rapcham

n o v o s

ASSOCIADOS Out Dor = Comércio De Confecções Ltda - Me ................................................ Out Dor Confecções Rm Correia & Cia Ltda ............................................................................... Correia Informatica Ltda Vest Mania Ind. E Com. De Confecções Ltda ............................................................. Quirk Fashion Glaucia Fernandes E Cia Ltda ..................................................................... Nudy’ Anne Confecções M.C. Sastre Da Silveira .......................................................................................... Auriola Bijuterias Exxcel Rastreamento De Veiculos Ltda ................................ Exxcel Rastreamento De Veicuos Ltda Gomes Lima & Aires Ltda ........................................................................................ Ótica Benjamin Coml. De Revistas E Papéis Ciranda Ltda ............................................................. Papelaria Ciranda Revilon Revisora De Maq. Londrina Ltda ............................................................................. Revilon Franco Representações De Artigos Ópticos Ltda ................................................. Ótica Bandeirantes Emerson Leivinha Pozzebon .............................................................................................................. Lord Master Ferragens Ltda ........................................................................... Lord Master Ferragens

ERRATA - Na reportagem “Crack alimenta violência em Londrina”, publicada na edição anterior do Jornal da ACIL, saiu erroneamente a profissão de Selma Frossard Costa, assistente técnica voluntária do Ministério Evangélico Pró-Vida (Meprovi), comunidade terapêutica para usuários de drogas ilícitas e álcool. Ela é assistente social e não psicóloga.

FUNDADA EM 5 DE JUNHO DE 1937

RUA MINAS GERAIS, 297, 1º ANDAR, ED. PALÁCIO DO COMÉRCIO. LONDRINA – PR CEP 86010-905 TELEFONE (43) 3374-3000 FAX (43) 3374-3060 E-MAIL ACIL@ACIL.COM.BR.

Presidente José Augusto Rapcham

Diretor Comercial José Roberto Alves

Vice-Presidente Rubens Benedito Augusto

Segunda Diretora Comercial Silvana Martins Cavicchioli

Diretor-Secretário Milton Kazunobo Tamagi

Diretor Industrial Nivaldo Benvenho

Segunda Diretora-Secretária Juliana de Souza

Segundo Diretor Industrial Herson Rodrigues Figueiredo Junior

Diretor Tesoureiro Francisco Ontivero

Diretor de Serviços Bruno Veronesi

Segundo Diretor Tesoureiro Francisco Henrique Francovig

Segundo Diretor de Serviços Fernando Lopes Kireeff

Presidente do Conselho da Mulher Empresária Helenida Taufik Tauil da Costa Branco CONSELHO DELIBERATIVO George Hiraiwa, Eduardo Yoshimura Agita, Nestor Dias Correia, Brasílio Armando Fonseca, Leonardo Makoto Yoshii, Cristiane Yuri Toma SUPLENTES - Marcelo Massayuki Cassa, Nasser Hassan El Kadri, José Mario Tarozzo

O “Jornal da ACILé uma publicação da Associação Comercial e Industrial de Londrina. Distribuição gratuita. Correspondências para o “Jornal da ACIL”, incluindo reclamações e sugestões de reportagens, devem ser enviadas à sede da Associação ou pelo e-mail roberto@acil.com.br. Coordenação e edição Roberto Francisco Fotografia Josoé de Carvalho

Revisão Pedro Wagner Colaboradores Fábio Cavazotti Fernanda Bressan Fernanda Mazzini Kátia Baggio

Márcio Leijoto Vitor Ogawa Diagramação e tratamento de imagens Alessandro Camargo Impressão Jornal de Londrina


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QUALIDADE DE VIDA

Segurança, discurso e realidade Secretário de Segurança do Paraná se reúne com diretores da ACIL e afirma que ninguém mais poderá dormir de janela aberta Márcio Leijoto Especial para o Jornal da ACIL Qual a melhor forma de tirar o corpo fora de um problema no qual você deveria trazer as soluções? Jogando a responsabilidade para os outros. E, segundo o secretário de segurança do Paraná, Luiz Fernando Delazari, durante reunião no último dia 13, com a diretoria da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), a polícia “não resolve e nem tem como resolver” os problemas de “miséria, fome, desemprego” e tudo o mais que gera a violência, a insegurança, a criminalidade numa sociedade - situações sobre as quais a pasta de Delazari tem responsabilidades. Durante o encontro com o presidente da ACIL, José Augusto Rapcham, diretores da entidade, a deputada estadual Elza Correia e representantes das Polícias Civil e Militar, Delazari não falou sobre o combate ao crime organizado, sobre o fato de Londrina estar há tempos na rota do tráfico de drogas, não apresentou dados sobre o índice de criminalidade da Cidade, nem mostrou informações que colocassem a real situação da atuação das duas polícias que respondem a ele a Militar e a Civil. Delazari foi à reunião ouvir as reclamações que a entidade tem recebido muito freqüentemente dos empresários e comerciantes locais – aumento dos furtos, roubos, violência e a falta de uma presença eficaz da polícia. Rapcham aproveitou para cobrar uma atenção maior do governo à Cidade. “O aumento constatado da violência está levando a uma insegurança muito grande. Os comerciantes, os funcionários, a população estão sendo postos em perigo no diaa-dia”, disse o presidente da ACIL à imprensa. Porém, o secretário foi ao encontro, ocorrido na sede da ACIL, munido apenas de informações sobre uma suposta redução no número de homicídios em Londrina e das aquisições materiais das Polícias Civil e Militar. O resto foi o discurso político de sempre. “Não existe o paraíso em nenhum lugar. Nem aqui, nem em outra cidade do Brasil, nem no mundo. E não vai existir. Não vamos mais dormir de janela aberta, nem nunca poderemos mais deixar a chave na ignição do carro”, comentou. Os únicos números apresentados foram o de homicídios nos 133

primeiros dias dos três últimos anos, pois interessavam à sua defesa, já que o índice diminuía a cada ano (2003 - 92; 2004 - 62; e 2005 - 57). Entretanto, ele não se aprofundou nestes dados, caso contrário, se verificaria que, apesar da redução constatada, aumentou o número de execuções de adolescentes e que as mortes ficaram mais violentas, e na maior parte estão relacionadas ao tráfico de drogas, que mal foi citado na conversa. O secretário não se esqueceu de garantir que o município está entre as prioridades do Governo do Estado, ao lado de Curitiba e Região Metropolitana e Foz do Iguaçu, mesmo tendo a mídia divulgado as principais operações policiais do Estado sendo feitas nestas outras regiões. “Não existe bairrismo de minha parte”, disse, respondendo sobre um suposto privilégio dado a Curitiba por parte da Secretaria. “Mesmo porque sou de Colorado, morei em Paranavaí, Maringá, Londrina e morei menos em

Curitiba do que nas outras cidades em minha vida.” E prometeu para breve grandes operações em Londrina. Delazari preferiu seguir a cartilha que prega a exaltação dos investimentos do governo, afirmando que o governo estadual foi o que mais investiu em segurança “na história do Paraná”, que fez a maior contratação de policiais, maior aquisição de veículos, de equipamentos, de material e que “está

fazendo o máximo esforço para continuar investindo ainda mais”. Falou sobre a Patrulha Escolar, sobre o Projeto Povo, mas não disse nada sobre as prisões recentes de policiais envolvidos em crimes na Cidade e região. Preferiu afirmar: “Fizemos as maiores aquisições da história”. Segundo o secretário, em 2003, o Estado investiu R$ 25 milhões em segurança pública. Ano passado, o valor aumentou para R$ 45 milhões, que proporcionaram a contratação de policiais e compra de viaturas, entre outras melhorias. Para 2005, a previsão do orçamento é de R$ 75 milhões. Ressalvas foram feitas: “Não posso aumentar a fatia do bolo se não tiver como aumentar o bolo. Mas este governo tem um projeto para a segurança”, disse. Mas garantiu que há um projeto de segurança pública. Mesmo ressaltando que o objetivo da reunião não era afrontar o secretário, o presidente da ACIL cobrou com determinação maior eficácia do poder público e das polícias. Passou ao secretário a reclamação que tem ouvido

várias vezes dos associados de que muitas vezes o telefone 190 (da Polícia Militar) está ocupado quando eles precisam de socorro. Delazari disse que parte do serviço poderá ser terceirizada para agilizar o atendimento de emergências. A proposta foi feita pelos empresários presentes. O secretário ressaltou que a dificuldade é causada pelo mau uso que a população faz do telefone. “De 2.800 ligações recebidas por dia em Londrina, apenas 110 geram ocorrências. A grande maioria é trote ou pedido de informações”, disse o major Altivir Cieslak, subcomandante do 5º Batalhão da PM. Não faz muito tempo que se discutia um projeto para unificar os atendimentos feitos pelo 190 e 193 (Bombeiros, Siate), como solução para “agilizar e dinamizar” o socorro às vítimas.

Bratac está “tranqüilo”, diz delegado Durante o encontro, o delegado-chefe da Polícia Civil de Londrina, Jurandir Gonçalves André, chegou a dizer que o Jardim Nossa Senhora da Paz (Favela da Bratac) não sofre mais com a violência de dois, três anos atrás. “Naquela época, houve um aumento no número de homicídios, mas

após uma ação conjunta das polícias, zeramos este índice e o bairro está tranqüilo”, disse. Entretanto, do final do ano passado para cá, aconteceram ao menos cinco mortes relacionadas às gangues do bairro. Diversas entidades assistenciais, ONGs e órgãos públicos também afirmam

veladamente que não conseguem entrar no bairro para dar o mínimo de apoio aos moradores, que sofrem diariamente a pressão dos traficantes que controlam não só a favela mas boa parte das principais bocas de fumo da Cidade.


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Proposta inovadora da campanha encanta empresários. Promovida pela ACIL e Prefeitura, Londrishow vai movimentar Londrina por um ano e terá sistema de premiação inédito

É SHOW! O vale com o qual os sorteados receberão seus prêmios: “moeda” da campanha terá valor único de R$ 10,00. Abaixo, outdoor da campanha Katia Baggio Especial para o Jornal da ACIL

Londrina, que já foi o centro cafeeiro mundial e hoje ostenta o título de cidade prestadora de serviços e pólo universitário, pode ter, também, um comércio aquecido e promissor. A ACIL tem feito campanhas promocionais em datas específicas para dinamizar a economia local, porém, ainda assim, o fluxo de vendas é motivo de queixa dos empresários. Apesar de sentir os efeitos

Dr. John Mc Wenda em algumas de suas performances e em durante entrevista a Jô Soares: atração do lançamento, dia 7 de junho

das mudanças econômicas promovidas pelos governos federal e estadual, é consenso que Londrina tem um potencial comercial muito maior. Para trazer à tona esse potencial adormecido e ainda resgatar o amor que o londrinense tem pela Cidade, a ACIL buscou uma campanha promocional inédita, inclusive no processo de escolha da agência responsável pela campanha. Em janeiro, foram contatadas todas as agências de propaganda filiadas à ACIL e


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APP – Associação dos Profissionais de Propaganda de Londrina. As interessadas desenvolveram pré-projetos que foram avaliados por uma comissão de membros da entidade e a agência que apresentou a melhor proposta foi a paulista Dispert, que atua há nove anos em Londrina. Batizada de Londrishow e com marca já registrada, pela ACIL, a campanha é uma parceria entre a Associação e a Prefeitura e vai durar um ano e tem como principal característica a continuidade, pois se compõe de oito grandes promoções. A primeira será lançada em julho de 2005 e a última em junho de 2006. A abrangência é outro diferencial da campanha, que prevê mais de 500 mil reais em prêmios para consumidores, vendedores e até mesmo para os comerciantes. Será criado um fundo promocional, além da busca de parceiros para a realização das promoções da campanha. O custo total previsto é de R$ 3 milhões. “Buscamos mudar completamente a forma de promover o comércio varejista de Londrina, especialmente em época de férias e meses sem datas comemorativas. Acreditamos que a proposta da Dispert cumpre nosso anseio de aquecer o comércio, fidelizar clientes, motivar vendedores, enfim beneficiar de fato todo o setor”, analisa o presidente da ACIL, José Augusto Rapcham. A campanha prevê ações dinâmicas que envolvem todo o meio comercial local e incentivo ao associativismo como forma de fortalecer o comércio. A auto-estima do londrinense também vai ser estimulada, com a divulgação de mensagens que valorizem os pontos positivos da Cidade. O slogan da campanha é “Minha cidade é show”, com o tema “Londrina vai ser palco da maior promoção da sua história. Abram as cortinas e aplaudam em pé”. O diretor da Dispert, Mário Henrique Nerger, destaca a importância da união entre lojistas, comerciários e patrocinadores para o sucesso da Londrishow. “É uma campanha inédita em Londrina e por isso estamos indo até o público a que se destina, apresentando suas potencialidades e oportunidades. Explicamos a filosofia do projeto, inclusive no que diz respeito ao associativismo, porque acreditamos ser esse o caminho para que o setor se reestruture e vença os desafios que lhe são impostos”, acrescenta Nerger. Uma fase fundamental do processo é o envolvimento dos 12 mil comerciários locais, que vão ser cadastrados para a participação na campanha. A boa novidade é que os vendedores vão concorrer a prêmios, junto com seus clientes. O código personalizado, emitido no cadastramento, vai garantir o recebimento do prêmio, como será exposto adiante. Uma palestra especial para a categoria vai esclarecer o funcionamento da campanha, além de ratificar sua atuação junto ao consumidor como ponto decisivo para o aumento das vendas. Além da palestra, serão distribuídos informativos sobre técnicas de bom atendimento em formato de gibi. “Premiar os vendedores é valorizar sua participação e, certamente, um estímulo para a melhoria do atendimento aos clientes”, acredita Rapcham. Nerger ob

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Os prêmios

Reunião com empresários do setor de material de construção: adesão de 100%

Quais setores? Todos os setores do comércio podem participar da Londrishow. Em maio foram realizadas várias reuniões setoriais no auditório da ACIL, com representantes dos ramos de confecções, calçados, farmácias, auto-peças, gastro-nomia, móveis, materiais de construção, eletroeletrônicos, supermercados e outros para apresentação e esclarecimento da campanha. Além disso, um grupo de 31 promotoras está percorrendo todo o comércio distribuindo material explicativo e de reforço sobre a Londrishow. “Essa é uma campanha voltada para o comércio, mas é grande, tem vários desdobramentos e por esse motivo estamos informando o público-alvo o melhor possível, pois dele depende o sucesso do evento”, comenta Nerger.

Uma das peças publicitárias da campanha

Premiação O projeto da Londrishow prevê a sorte grande para 1.141 consumidores e consequentemente prêmios também para 1.141 vendedores. São cerca de R$ 526 mil em premiação até o final da campanha, em junho do ano que vem. Os comerciantes também vão concorrer a um carro e 24 home theaters durante esse período. Para os consumidores, os sorteios vão se realizar toda segunda-feira, no calçadão, em frente ao Banco do Brasil. Serão mais de 100 sorteios a cada semana. As datas dos sorteios já estão definidas, assim como o número de sorteios para cada semana e os valores a serem sorteados, até o final da Londrishow.

Em cada compra, o consumidor pode preencher um cupom, que será depositado na urna instalada na loja. Ele vai anotar dados para contato e o vendedor, seu número e o da loja. Em cada sorteio o consumidor ganhador poderá receber R$ 200,00, R$ 500,00 ou R$ 1.000,00. Esses valores serão distribuídos em forma de valecompra, cada um no valor de R$ 10,00. A idéia é que o consumidor volte para o comércio e compre novamente com a moeda da campanha, porém, como vai ter muitos vales de R$ 10,00, poderá distribuir esse dinheiro pelo comércio, nas lojas participantes da Londrishow. O processo difere de outras promoções nas quais o ganhador recebe um vale com valor fechado e só pode gastar naquele estabelecimento. “A proposta é que o dinheiro volte para o comércio de forma pulverizada, ou seja, todos ganham com o processo”, explica o diretor da Dispert. Para o comerciário que fez a venda ao consumidor sorteado, o prêmio correspondente será de R$ 90,00, R$ 150,00 e R$ 300,00. Ele tem a garantia de receber porque o valecompra terá um espaço para que ele coloque seu número de cadastro, feito no início da campanha. Todo o sistema foi enviado para Brasília, para ser autorizado pela GENAB – Gerência Nacional de Bingos e Loterias, ligada à Caixa Econômica Federal. O valecompra será impresso em papel especial e terá código de barras, para evitar falsificações. O comerciante vai receber o dinheiro da Londrishow do consumidor premiado e poderá trocá-lo por notas verdadeiras no Sicoob. Nesse sentido, a campanha prevê que boa parte do valor investido na campanha pelos comerciantes acabe voltando para eles. Através de parceria, o Inbrape – Instituto Brasileiro de Pesquisas, vai realizar oito consultas sobre o desempenho e a transparência da campanha, entre o público-alvo: comerciantes, comerciários, ganhadores, consumidores em geral e mídia. Outra parceria com os meios de comunicação garante a informação de todo o processo, assim como a divulgação dos ganhadores, toda semana. “Nos preocupamos em realizar uma grande campanha, com muita seriedade e responsabilidade”, destaca Rapcham.


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100% de adesão As perspectivas de sucesso da Londrishow são consideradas ótimas pela ACIL, tendo em vista a alta receptividade dos participantes dos encontros que aconteceram no auditório da ACIL. A entidade tem 900 associados lojistas (de um total de 1.400 filiados), mas pouco mais da metade, 560 lojistas, já garantiria o sucesso do projeto, que também está aberto para não-associados. Praticamente todos os empresários que foram às reuniões adotaram a idéia de imediato. Para Luiz Carlos Zandoná, proprietário do Pizza Club, a iniciativa é muito boa. “Podemos atrair ainda mais os consumidores da região. Tenho feito levantamentos e percebo que aos finais de semana recebo mais cheques de Rolândia, Arapongas e até Apucarana, Cornélio Procópio, Florestópolis e Jaguapitã. Isso significa que eles procuram a Cidade e com uma promoção forte poderão vir também durante a semana”, diz Zandoná. A empresária Milena Bianco, do Restaurante Dá Licença, destaca o fato da proposta envolver bastante gente e a possibilidade dos prêmios voltarem para o comércio. Já Sandra Dias, do Hotel Bourbon, afirma: “Toda iniciativa para a Cidade, especialmente da ACIL, é muito posi-

tiva e pode alavancar todos os setores e, afinal, quem não é visto não é lembrado”. O perfil democrático da Londrishow foi uma das características avaliadas como altamente positivas pelos empresários, já que lojistas de todos os segmentos estarão envolvidos, assim como seu consumidor. O fator sorte, e não o poder aquisitivo, será o determinante para a distribuição dos prêmios. O setor de materiais de construção também aderiu de imediato à Londrishow. A representante do Depósito São Marcos, Luciney de Oliveira Souza, disse que “a proposta motiva as pessoas a valorizarem a Cidade e a gastarem seu dinheiro aqui, além de mostrar o lado positivo de Londrina”. O empresário Pedro Garcia, do Depósito Maringá, classificou a campanha como “excelente”. Para Garcia, a Londrishow vai atingir o objetivo de fomentar o comércio. “Já sabia que a idéia era bem abrangente, mas não imaginei que estivesse tão organizada.” A mesma opinião tem seu companheiro de segmento, Osvaldo Lazarini, do Príncipe do Cal, para quem Londrina precisa de algo assim para se apagar a imagem

negativa que a Cidade tem tido ultimamente. “Temos problemas como qualquer outra cidade brasileira, mas nossos valores e potenciais também são grandes e precisamos destacá-los.” Simone Fulchini, do Depósito Colibri, acredita que a idéia pode dar bastante resultado tanto para o consumidor como para o empresário. “A campanha parece bem persuasiva e além disso vai mexer com o lado emocional do londrinense.” A reunião com as mulheres empresárias de Londrina teve grande participação e forte receptividade para a campanha. Elas se mostraram entusiasmadas com a dinâmica da Londrishow e adotaram a proposta.

As peças publicitárias Entre o material publicitário definido para colocar a campanha nas ruas estão outdoors, cartazes, adesivos de vitrine e cerca de 100 mil adesivos de carro com o slogan “Minha Cidade é Show”, 19 milhões de cupons de compra, urnas para depósito dos cupons, banners, displays e o próprio vale-compra, a moeda oficial da campanha. O material inclui jingles para rádio e TV, com letra de fácil memorização e melodia agradável. Um deles será específico para incentivar a compra aos sábados. Os cupons que o consumidor vai preencher vão trazer imagens de pontos turísticos de Londrina ou de instituições importantes para a Cidade, como universidades e centros de pesquisa, como forma de valorizar e divulgar esses ativos locais. Eventos culturais e de prestação de serviço, como campanhas de vacinação, também vão ilustrar os cupons. Cada empresa participante vai receber um kit com o selo de vitrine (adesivo) – identificando que ela participa da campanha – banners, displays e cartazes. Todas as peças vão conter a marca Londrishow.

Promocionais

Modelos de cupons da campanha. No alto à direita, cartaz da Londrishow

Durante todo o ano de duração da campanha,

serão produzidos 12 vídeos, de 30 segundos cada, para divulgação da promoção do mês, e também material para rádio. As campanhas começam em julho, quando será realizada a Liquida Londrina. Em agosto, a campanha para o Dia dos Pais, em outubro, Dia das Crianças; novembro e dezembro, Natal; janeiro e fevereiro de 2006, férias; março, 2º Liquida Show; maio, Dia das Mães; junho, Dia dos Namorados. Para cada campanha, a empresa participante receberá o material específico, por exemplo, cartazes para o Dia dos Pais, para o Natal e todas as peças produzidas para a promoção do mês.

Institucionais

As peças que vão sustentar a campanha durante um ano serão publicadas nos jornais impressos, todas com a marca Londrishow, onde haverá o espaço Show de Ofertas, com a divulgação do nome das empresas de cada setor e sua respectiva oferta do dia ou da semana. Serão distribuídos outdoors pela Cidade e as TVs vão apresentar vídeos com imagens de todos os setores participantes. Material para as rádios também será preparado. Nos dois últimos casos, os jingles institucionais e de sábado vão acompanhar o material.


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Custo

Lançamento

Com um custo previsto de R$ 3 milhões, a campanha está buscando R$ 2 milhões com patrocinadores/parceiros e R$ 1 milhão nas empresas locais. Instituições como Sercomtel já deram seu aval para a Londrishow. “A rápida adesão da idéia por empresas acostumadas a se envolver com grandes projetos nos dá a certeza de que estamos no caminho certo”, avalia Nerger, da Dispert. A ACIL abre a campanha para a participação por empresas associadas e também para as não-associadas, como forma de experiência e conhecimento mais próximo da entidade. Os não-sócios poderão aderir pagando os mesmos valores dos sócios, porém por um prazo limite de cinco meses. Depois, deverão se associar à ACIL para continuar pagando os mesmos valores; caso contrário, poderão migrar para um novo plano de pagamento da campanha. “Mas eu acredito que todos vão optar por se associar, pois o valor da mensalidade é baixo e os benefícios que a ACIL oferece para o associado, não só durante essa campanha, são importantes”, adianta o gerente geral da entidade, Wilson Battini. Os valores a serem pagos por mês foram identificados como estrelas. Se o empresário optar por uma estrela de cota, vai pagar R$ 90,00 mensais e terá direito a um kit da campanha com 1.500 cupons, dois adesivos de vitrine, uma urna, um banner, um display e 24 cartazes. Para duas estrelas, o valor é de R$ 120,00/mês e aumenta a quantidade de material a ser recebido. A cota máxima é de cinco estrelas, na qual o empresário paga R$ 300,00 mensais e recebe 7 mil cupons, seis adesivos de vitrine, duas urnas, cinco banners, 10 displays e 80 cartazes. “O empresário deve avaliar o tamanho da empresa e o volume de clientes antes de adotar a cota, mas podemos dar uma orientação, caso ele prefira”, sugere Nerger.

O lançamento oficial da campanha Londrishow acontece no dia sete de junho, no Iate Clube de Londrina. Os convites são gratuitos e só poderão ser retirados na ACIL, inclusive pelos nãoassociados. Quem participou das reuniões setoriais e fez a préadesão já tem seu convite garantido. Os participantes do evento vão concorrer a sorteios de equipamentos como palm top, DVD portátil, máquina fotográfica digital, gravador digital e um lap top. A grande atração da noite será o palestrante internacional Prof. Dr. John Mc Wenda, que vai fazer palestra com o tema “Marketing Mágico: Encantando o Cliente”.

Sandra Dias, do Hotel Bourbon: “Toda iniciativa para a Cidade é muito positiva e pode alavancar todos os setores”

Luiz Carlos Zandoná, proprietário do Pizza Club: “Podemos atrair mais consumidores da região”

Luciney de Oliveira Souza, do Depósito São Marcos: “Proposta motiva a valorização de Londrina”

O palestrante John Mc Wenda é consultor, formado em Marketing e Vendas pela Universidade de Harvard, onde obteve PhD. É especializado em vendas, promoção, atendimento, mudanças radicais e fidelização de clientes em mercados altamente competitivos e globalizados. O Dr. Wenda vai abordar temas como o foco do cliente; o poder da identidade no Marketing; ser criativo e pioneiro nas vendas; envolver, motivar e surpreender o cliente; encantando e fidelizando o cliente, entre outros.


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COMPORTAMENTO

Condomínios mudam a paisagem da Cidade Grande concentração destas construções em locais como a região Sul transforma um cenário que era rural até a década passada. Urbanistas, porém, são contrários a este conceito de moradia

Condomínios dominam a silhueta da Zona Sul, onde o modelo de moradia determinou os traçados das ruas e valorizou imóveis da região. Abaixo, condomínio concluído recentemente na Zona Norte

Terminada a década de 90, num curto espaço de tempo, em apenas cinco a seis anos, os condomínios horizontais tomaram conta de vez da região Sul de Londrina e agora começam a proliferar também por outras regiões da Cidade. Eles criam novas áreas de expansão urbana, uma vez que muitos se localizam nas regiões de limite entre a Cidade e a zona rural. Esse processo tem ocorrido de forma tão rápida que chega a mudar a paisagem urbana de Londrina. O que era, por exemplo, aquela grande gleba situada atrás do Shopping Catuaí há apenas cinco anos? Uma grande lavoura de trigo e soja. Hoje o local está tomado por máquinas e construções que não pa-

ram um minuto sequer. Ali, naquela descida, dos dois lados da Rodovia Mabio Palhano (que liga a Cidade ao distrito de São Luiz), estão situados hoje os loteamentos fechados mais valorizados da região. Mas não são só os consumidores de renda elevada que têm buscado esse tipo de alternativa. O conceito de se morar em casas cercadas por muro se alastrou rapidamente por todas as camadas sociais e hoje podem ser encontrados até condomínios populares de casas geminadas nos bairros periféricos. A idéia, que busca aliar a liberdade de se morar numa casa, à segurança que é oferecida como num condomínio de apartamentos, ga


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nha adeptos de todos os gostos e faixas de renda. Um rápido levantamento feito pelo Jornal da ACIL, uma vez que a Prefeitura não dispõe de dados exatos quanto ao número de condomínios horizontais existentes na Cidade, conseguiu relacionar 35 desses empreendimentos. Isso sem contar os condomínios de casas e sobrados populares do programa Poupalar, da Cohab local. “Lógico que esses números em nada se comparam aos mais de 1.000 condomínios verticais (prédios de apartamentos) existentes em Londrina, uma vez que a Cidade se verticalizou muito depressa na década de 80. Porém, é um dado que preocupa, porque os condomínios de casas ocupam grandes áreas urbanas e começam a delinear bairros completamente fechados, o que é negativo do ponto de vista urbanístico e social”, afirma o diretor de planejamento do Ippul – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina, Gilson Jacob Bergoc. Na Prefeitura, são dois os setores responsáveis por fiscalizar, registrar e aprovar a construção de condomínios horizontais: um é a Diretoria de Loteamentos, que se encarrega dos grandes loteamentos comercializados nas re-

9 7 giões ainda semi-rurais, como é o caso da maioria dos lançamentos de alto padrão da Zona Sul, como Alphaville, Sun Lake e os empreendimentos da incorporadora da Teixeira Hollzmann (Royal Golf, Royal Tennis, Royal Forest e Royal Park). O outro é a Diretoria de Aprovação de Projetos (DAP), responsável pela catalogação dos condomínios menores, lançados em áreas onde a planta urbana já está definida (onde as quadras já estão fracionadas e onde a rede viária já foi projetada para receber determinado fluxo de veículos). Como é um processo recente essa corrida aos condomínios horizontais, o chefe da Diretoria de Aprovação de Projetos, engenheiro Alexandre Andrade Addario, informa que o setor não dispõe de dados sobre o número dessas construções na Cidade. “Mesmo se você precisar do número total de condomínios verticais existentes nós não temos, porque os processos não estão arquivados em computador. O que possuímos é a documentação separada de cada imóvel”, justifica. Na Diretoria de Loteamentos também não há um mapeamento com o número exato, segundo informou o engenheiro Ossamu Kaminagakura, chefe do setor. Ele explica que há diferenças en-

Primeiro condomínio fechado de Londrina foi o Tucanos, na Avenida Harry Prochet. Surgimento desse tipo de empreendimento tem apenas 17 anos

tre loteamento e condomínio fechado. “O loteamento é o parcelamento de uma gleba que ainda não sofreu divisões para fins urbanos. Se tem lá um sítio ou um lote grande, geralmente na área de expansão urbana (além do perímetro urbano) que ainda não sofreu parcelamento e que ainda requer um planejamento das ruas, praças, galerias de água e esgoto. E isso quem aprova é a Prefeitura. Já no condomínio, esse parcelamento do solo já foi feito anteriormente e a Prefeitura já definiu o plano viário para esta região e como chegarão as redes de serviços públicos às residências”, afirma Ossamu. Segundo ele, os condomínios horizontais são recentes em Londrina. O primeiro que se tem conhecimento foi o Tucanos, na Avenida Harry Prochet, em 1987 ou 1988. De lá pra cá foram dezenas e todos, segundo Ossamu, se enquadraram nas exigências do atual Plano Diretor, datado de 1998. “Esses novos empreendimentos estão dentro da legislação. Quando foram aprovados os projetos, para receberem a autorização para murar todo o perímetro, as loteadoras tiveram de transferir para o município 35% da área total. Isso é necessário para se reservar espaço para ruas de acesso, praças e uma área institucional (para uma necessidade futura de creche, centro comunitário, etc.)”, explica Ossamu Kaminagakura.

Mercado E que conseqüências a multiplicação desses condomínios tem trazido ao setor imobiliário? “Somente fatores positivos”, garante o delegado

A idéia que busca aliar a liberdade de se morar numa casa à segurança oferecida como num condomínio de apartamentos ganha adeptos de todos os gostos e faixas de renda. regional do Secovi (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis) em Londrina, Rosalmir Moreira. Segundo ele, ao contrário do que se pensa, a migração de muitas famílias para os loteamentos fechados não tem desvalorizado os apartamentos de alto padrão da área central. “Isso não ocorre porque havia uma demanda reprimida por imóveis de alto padrão na Cidade. Durante toda a década de 90 as construções de prédios residenciais deram uma parada e quase não havia apartamentos para oferta. Hoje, com exceção da Gleba Palhano, que tem um conceito de prédios diferentes, com grande área verde no térreo, praticamente não há edifícios em construção em Londrina. Então, esses apartamentos que têm ficado vagos vêm sendo rapidamente adquiridos por outras famílias que estavam em busca de apartamentos maiores, de quatro quartos, por exemplo, e que antes não estavam à venda”, comenta Moreira. Com isso, a procura por casas de condomínio tem gerado inclusive um aquecimento do mercado, segundo ele. “Enquanto a construção de

apartamentos caiu 80% na década passada, de acordo com dados do Secovi de Curitiba, as famílias continuaram crescendo e mais pessoas continuaram vindo para Londrina. É uma coisa dinâmica. E não havia imóveis suficientes para esta camada social, que estava ou em apartamentos pequenos ou morando de aluguel.” O dirigente imobiliário também está certo de uma coisa: “Numa cidade há espaço para todos os gostos e sempre haverá aqueles que preferirão morar no Centro, devido à praticidade para se fazer as coisas sem ter que pegar o carro, como ir aos bancos, ao comércio, etc. E é melhor para quem tem filhos jovens ou adolescentes, que precisam freqüentar as escolas e ter acesso a outros serviços que só existem na área central. Mas também há os que preferem o contrário: a distância do Centro, algo que proporciona silêncio, sossego e maior qualidade de vida para os filhos pequenos. Isso só é possível em um condomínio afastado da Cidade”, compara Rosalmir Moreira.

ONDE ESTÃO OS CONDOMÍNIOS DE LONDRINA Como a Prefeitura não dispõe de um levantamento detalhado sobre o número e os nomes dos loteamentos fechados e condomínios horizontais situados em Londrina, o Jornal da ACIL buscou relacionar os mais conhecidos. No total, foram listados 35 empreendimentos, apenas de casas. Há também os de chácaras, com média de 200 unidades por condomínio, citados mais abaixo. Região Sul (alto padrão) – Belle Ville, Golden Ville, Tucanos, Pitanguá, Santana Residence, Alphaville, Sun Lake, Catuaí Residence, Bela Manhã, Village Premium, Morada Imperial, Acácia Imperial, Royal Golf, Royal Park, Royal Tennis, Royal Forest I e II (estes últimos todos da loteadora Teixeira Hollzmann).

Região Norte (padrão médio/ popular) – cinco condomínios de casas geminadas incorporados pela Construtora Curió, próximos ao Residencial das Américas; Moradas Strassberg (sobrados na região do Conjunto Maria Cecília).

Região Leste (médio padrão) – Gralha Azul, Aspen Park, Avenida do Café, Golden Park e Havana.

Região Sudeste (padrão médio/ popular) – Lagoa Dourada I e II (Jardim Piza)

Condomínios de chácaras (todos na Região Sul): Recanto do Santo Estância Bom Tempo Estância Cabral Estância Santa Paula

Região Oeste (médio padrão) – Residencial Bandeirantes, Portal dos Bandeirantes, Alto de Pinheiros, Residencial Bela Manhã, Village Pinheiros.


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Urbanistas vêem com preocupação grandes áreas fechadas

Técnicos do Ippul vêem com reservas a rápida expansão dos condomínios horizontais na Cidade. Na avaliação desses especialistas, esse tipo de complexo construtivo obstrui a liberdade de ir e vir das pessoas, cria grandes áreas muradas que podem se transformar em “guetos” e que futuramente poderão comprometer a malha viária e estrangular o trânsito em determinadas regiões. Foram ouvidos pela reportagem o presidente do Ippul, Luiz Figueira de Mello e o diretor de planejamento do órgão, Gilson Jacob Bergoc. Jornal da ACIL – Como vocês vêem a proliferação de condomínios fechados na região de Londrina? Gilson Bergoc – Acho que antes de mais nada a cidade deve ser construída para todos. A infra-estrutura que se faz numa cidade tem que ser pensada e implantada de maneira que todos possam usufruir dela e, com esse usufruto, possibilitar a melhoria da sua qualidade de vida na cidade. Luiz Mello – Quando você começa a criar áreas fechadas com populações com determinadas faixas de renda bem definidas, você começa a criar aquilo que sociólogos, geógrafos e economistas chamam de segregação espacial da população. Nós temos na história da humanidade já alguns momentos em que se segregou muito as populações, e as conseqüências foram dramáticas. Jornal da ACIL – Como no período medieval, por exemplo? Luiz Mello – Sim, é um caso, aqueles modelos de feudos... Mas temos um exemplo mais recente, que é a dicotomia entre o Morro da Rocinha e os condomínios de luxo (apartamentos) na região da orla do Rio, o pobre ao lado do rico, um ao lado do outro, situação em que se criam conflitos sociais com graves conseqüências. Jornal da ACIL – Os lançamentos nesse tipo de empreendimento na cidade de Londrina, no final da década de 80 ou 90, foram de forma organizada ou fugiu ao planejamento da cidade? Gilson – Isso não iniciou de forma planejada. É bom lembrar que Londrina lá pela década de 70 teve “um surto”, “uma febre”, de verticalização. O grande mote disso era que as pessoas teriam maior segurança morando em edifícios do que em residências. De algumas dezenas de prédios construídos no final da década de 60 para mais de 1.000 prédios que nós temos hoje espalhados pela cidade entre comerciais e residenciais, sendo a grande maioria residenciais. Quando você entra na década de 80, esse discurso se esvazia. Nada impede que um ladrão entre em um apartamento. Agora, quando começa, na década de 80, a se falar amplamente em qualidade de vida e na questão ambiental, o apartamento não é a solução pois ele restringe os movimentos das pessoas, suas possibilidades, condiciona-as e se vê essa nova forma de organização do espaço ? que se contrapõe ao apartamento e ao loteamento aberto ? é o loteamento fechado. E os dois grandes motes do loteamento fechado são a segurança e a

Empreendimento na Avenida Robert Kock, que conta também com outro condomínio destinado à classe média

qualidade de vida. Eu acredito que essas duas idéias estão colocadas de forma inadequada, elas ajudam no processo de venda desses empreendimentos, mas elas não resolvem e nunca resolverão esse tipo de problema. Jornal da ACIL – O que isso provoca de mudanças na paisagem urbana, considerando Londrina até 1990 e, agora, em 2005? Gilson – Em relação aos grandes loteamentos fechados, acho que o maior entrave e a questão é a mobilidade, é o do próprio sistema viário. Da forma que tem sido até então são loteamentos estanques e sem uma preocupação de integração com o resto da cidade. Ali na Zona Sul, imagina-se que quando tudo aquilo estiver ocupado, vamos ver um grande estrangulamento, então precisamos buscar soluções. Luiz Mello – Tem um agravamento também na forma como está sendo conduzido o processo, são grandes áreas

muradas, muros contra muros, sem nenhuma casa no meio, criando corredores vazios e que possibilitam efetivamente a violência e criam uma situação estéril na paisagem urbana. Jornal da ACIL – Isso do ponto de vista paisagístico, que é uma das preocupações da arquitetura? Luiz Mello – Não é só questão estética, pois a arquitetura tem a função social de humanização da cidade. Você pode criar internamente um ambiente harmonioso, agradável arquitetonicamente, mas externamente o resto da população não pode usufruir disso. E é a população que está financiando todo o sistema viário, pois quem faz a conservação desse sistema viário é o município. Nós estamos gastando energia, estamos distorcendo a premissa do Estatuto das Cidades (criado em 2001 por meio da Lei Federal nº 10.257/01) que determina a socialização de todos os equipamentos sociais, de todas as estruturas que uma cidade oferece. Da forma

“Tema será discutido na formulação do novo Plano Diretor, que precisará estar aprovado até junho de 2006” Luiz Mello

como está sendo conduzido esse processo, nós estamos seccionando, criando uma cidade à parte. O que é muito ruim sob vários aspectos: sociológicos, de segurança... Porque você cria uma situação em que essa região fica muito vulnerável a uma própria ação de invasões. Morando ali só pessoas ricas também pode se tornar um local propício a seqüestros e a várias ameaças à segurança, devido à forma que está sendo conduzido esse processo, separando esses loteamentos da cidade. Jornal da ACIL – É assim tão catastrófico? Luiz Mello – Sim porque do outro lado você tem algo, que não é o loteamento fechado, mas é uma caracterização de grande agressividade, que é a constituição de bairros miseráveis, que estão sendo feitos para atender às populações que invadem os fundos de vale, numa visão também de aglomeração deste grupo social num espaço só. Isso é muito ruim, porque estigmatiza ? quem mora naquele bairro são os ‘sem-terra’, por exemplo. Então, você cria as duas pontas antagônicas: numa mão você tem a pólvora e na outra, a palha. É uma situação muito ruim para a cidade do ponto de vista urbanístico e de desenvolvimento. Nós temos que, efetivamente, ter essa preocupação e isso será colocado em discussão para a formulação do novo Plano Diretor que estamos preparando e que precisará estar aprovado até junho de 2006. Queremos ampliar esse debate para que possamos buscar uma cidade que realmente seja justa, em que todos tenham acesso aos equipamentos sociais, que ela propicie o desenvolvimento dando qualidade de vida para toda a população, e não só para um segmento. Jornal da ACIL – O Plano Diretor de 1998 contemplou esse tipo de ocupação de grandes áreas muradas ou cercadas enquanto loteamentos? Ele disciplinou esse tipo de construção? Gilson – Ele criou legislações específicas que permitiram esse tipo de loteamento. Jornal da ACIL – O que diz o Estatuto das Cidades sobre isso e em que sentido o novo Plano Diretor irá disciplinar esse processo? Luiz Mello – Essa questão de pensar a cidade vem desde a criação de Londrina, quando tínhamos aqui uma grande mata. Primeiro ela foi desenvol


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vida para atender uma população pequena, o máximo que se pode imaginar que Londrina pudesse ter 30 mil habitantes. E para essa população era proposto traçado de ruas largas de 30 metros. Inclusive isso não foi obedecido – o máximo que conseguiram foram ruas de 24 metros de largura, pois os colonizadores da época também tinham uma visão imobiliarística, mercadológica, e havia uma pressão para se reduzir o que é de necessidade urbanística. Há uma tendência natural de se diminuir o cumprimento das exigências e não pensar para frente. O que temos atualmente é a prerrogativa de termos em Londrina 1 milhão de habitantes daqui a 25, 30 anos. Então, precisamos pensar em dar uma estrutura viária adequada para a nova fronteira urbana e que permita também estruturas melhores de apoio ao serviço público: praças e parques melhores. O cuidado com a qualidade de vida precisa ser planejado agora para se colher frutos no futuro. Precisamos pensar grande, não podemos ficar pensando em pequenas soluções para o aqui e agora, pois elas acabam comprometendo a qualidade de vida futura. Hoje, por exemplo, reclama-se muito da quantidade de semáforos que há no Centro da cidade, mas tem-se que pensar o seguinte: na época em que foi projetada era para ela ter 30 mil e não 300 mil habitantes, somente na região central. Nós temos que realmente planejar a cidade, a fim de resguardar uma qualidade de vida permanente. Enfim, pensar o seguinte: “Que Londrina nós queremos construir?” Jornal da ACIL – Falta visão a longo prazo? Gilson – Precisamos priorizar a idéia de que a cidade não é uma coisa que existe hoje e amanhã acaba. Uma vez feita uma rua, dotado um espaço de certa infraestrutura ou canalizações de água e esgoto, drenagem e outros elementos que são necessários, não se mudam as coisas de uma hora para outra. Se a cidade não se preparar de forma adequada, sempre precisará fazer remendos. E remendos, além de serem mais caros, também causam muitos problemas sociais. Por exemplo, para abrir uma via no meio de um bairro se gera vários problemas sociais. Se Londrina quiser se credenciar não apenas nacional, mas também internacionalmente, ela precisa pensar bem à frente. E o Estatuto das Cidades determina que ela precisa ser uma cidade sustentável e que o planejamento de seu desenvolvimento considere a distribuição espacial da população, além das atividades econômicas do município, não só na área urbana como rural. E procurar corrigir as distorções do crescimento urbano e seus efeitos negativos sobre o meio ambiente. Jornal da ACIL – Há coisas difíceis de

serem corrigidas, como o tráfego na área central... Gilson – Quando foi construída essa parte do sítio original de Londrina, nas ruas com a largura em que estão, os carros não passavam de 40 km/h. Hoje o carro que anda mais devagar é a 40 km/h. Esse é um grande problema. Nós temos um alto índice de acidentes no Centro porque as vias não foram dimensionadas para suportar o tipo de equipamento que passa hoje por elas. Como vai ser daqui a 50 anos, 100 anos? Não dá para passar uma borracha e começar tudo de novo. Ou mesmo desapropriar propriedades para alargar as ruas. O custo econômico e social é enorme. Outro problema que, com certeza, vai dar muita dor de cabeça à cidade como um todo é esse monte de construções que estão na área de recuo (muito próximas à calçada). Começou com uma coisinha assim: “vamos regularizar a situação de alguns botecos que querem colocar umas mesinhas para fora”. Hoje já temos carros que usam o recuo como estacionamento e é uma área que precisa ser reservada para eventuais ampliações da via e para permitir circulação de ar, evitar problemas térmicos e acústicos. Uma coisa que temos percebido ao longo da história de Londrina é o desrespeito ao próprio planejamento. Luiz Mello – Normatiza-se, como foi feito no último Plano Diretor e aos poucos ele vai sendo alterado, modificado, por razões até mesmo casuísticas muito pontuais e que causam transtornos muito grandes para a cidade, provocando uma situação de vulnerabilidade. Londrina é hoje vista como “tudo aqui se dá um jeitinho, tudo pode”. Isso é péssimo para o município, pois acaba perdendo investimentos, deixa de ter credibilidade para competir com uma cidade que tem um regramento e onde se cumpre a lei. A gente tem criado na história de Londrina situações que vêm prejudicar muito o seu próprio desenvolvimento. Quando se está falando de uso de solo você estabelece, por exemplo, uma região para ser industrial. Tem que se ter o cuidado para ela permanecer como região industrial, para que se possa estabelecer as vias de acesso adequadas para aquela região, a mobilidade de transporte, outros equipamentos, enfim, é toda uma análise contextual importante. E quando se interfere, ou seja, quando se deixa instalar lá construções residenciais no meio, isso é prejudicial, pois se cria um entrave ao desenvolvimento. Isso tem acontecido e precisa ser estancado. Não podemos permitir que o regramento, que é discutido com bases científicas, seja desrespeitado por atitudes

“Precisamos priorizar a idéia de que a cidade não é uma coisa que existe hoje e amanhã acaba” Gilson Bergoc

casuísticas e políticas que fogem ao interesse coletivo. Jornal da ACIL – Como está o processo do novo Plano Diretor? Ele precisa ser entregue até março do ano que vem para ser apreciado pela Câmara de Vereadores... Gilson – Em algumas reuniões técnicas, já estamos formatando o termo de referência, que vai possibilitar buscar recursos no Estado para elaborarmos esse Plano Diretor. Nesse termo de referência está prevista uma série de audiências públicas (no mínimo quatro, podendo chegar a cinco) e além delas haverá reuniões, debates, simpósios, seminários e workshops com as mais variadas formas de discussão com a comunidade, com as associações de moradores, as entidades de classe, como é o caso da ACIL, os sindicatos, etc. Afinal, o Plano Diretor tem que se basear em premissas técnicas, mas também em questões do desejo que as

pessoas materializam através de suas organizações. Jornal da ACIL – Por exemplo, os moradores e imobiliárias opinarem sobre o que é melhor para questões de moradia? Luiz Mello – Todos precisam colocar as suas necessidades. Nosso objetivo é não precisar dessas pequenas alterações. Nós temos que formatá-lo a fim de que ele (Plano Diretor) possibilite acomodar as diferentes necessidades, mas também que possibilite estruturar a cidade, mesmo que seja revisto a cada 10 anos, o que o próprio Estatuto determina que haja. Para isso, nós precisamos ter horizontes largos e destinar recursos para a organização desta cidade.

Condomínios zelam pelo meio ambiente, diz empreendedor Se por um lado há opositores do conceito de loteamentos fechados, para outros, este tipo de empreendimento representa um avanço para a Cidade em termos de cuidado com o meio ambiente, muda o cenário das construções de verticais para horizontais, e a concentração deles na Zona Sul também mudou o eixo de crescimento de Londrina, que nas décadas de 1980 e 1990 crescia em direção às regiões Oeste e Norte. Segundo o sócio-diretor da Teixeira Holzmann Negócios Imobiliários, Marcos Holzmann, após a criação do primeiro empreendimento da loteadora, o Royal Golf, em 1996, a Cidade passou a se expandir rapidamente em direção ao Sul, favorecida também por dois grandes centros de compras que já estavam instalados na região, o Shopping Catuaí e o Supermercado Carrefour. “Após o lançamento do [Royal] Golf surgiram, nos anos seguintes, vários condomínios de outras empresas. E como demos seqüência a outros três empreendimentos nossos no local, acabamos recebendo, em 2003, um prêmio da Associação Brasileira de Marketing e Negócios por termos direcionado o crescimento de Londrina para a região Sul, hoje a mais valorizada da Cidade”, diz o diretor. A Teixeira Holzmann é a maior loteadora local no ramo de condomínios, contando com cinco empreendimentos que, no total, somam mais de 1.200 lotes.

NÃO APENAS MUROS Segundo Marcos Holzmann, a empresa sempre se preocupou em oferecer mais do que apenas segurança. “A maioria dos condomínios tem apenas a área murada e um espaço de lazer para festas. Nós quisemos oferecer também salas de ginástica e vários outros equipamentos, mantivemos grandes áreas verdes e criamos lagos ecologicamente corretos que recebem a água da nossa rede pluvial (água das chuvas) para que ela não vá suja direto para o Ribeirão Cafezal, que é um manancial de abastecimento da Cidade”, explica o diretor. Essa preocupação ambiental, segundo ele, faz parte de uma soma de projetos que demandaram cinco anos de estudos nas áreas de biologia florestal, engenharia sanitária, estrutura de pontes e psicologia do consumidor. “Como as pessoas hoje querem espaço e qualidade de vida, mantivemos uma proporção grande de área comum. Para cada metro quadro de área privativa, cada condômino terá 1,7m2 de área comum, além de muito verde. Enquanto a média da área urbana de Londrina é de 20m2 de área verde por habitante, nos nossos empreendimentos ela é de no mínimo 200m2.

CUIDADO AMBIENTAL Como três loteamentos da empresa fazem fundos com o

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12 Ribeirão Cafezal (Royal Park, Tennis e Forest I e II), o cuidado com o manancial foi especial. “Ao invés de apenas 30 metros, como manda a lei, criamos uma faixa sanitária maior, de 100 metros de afastamento do Cafezal e entramos com um trabalho de recuperação da sua mata ciliar, com reflorestamento e plantio de mudas. Além da criação dos lagos que fazem um processo de “equilíbrio biológico” da água que vem da rede pluvial, os três novos loteamentos da empresa estão sendo dotados de tratamento natural do esgoto que é gerado dentro do próprio condomínio. “Buscamos uma solução alemã que é o sistema de ‘zona de raízes’, criado em 1957 e que aqui no Brasil só foi implantado a partir de 1995 em Santa Catarina”, conta Holzmann. O sistema funciona da seguinte forma: o esgoto que desce das casas passa por um tanque séptico com capacidade de 200m3 que retém as partículas sólidas. O líquido, que representa 99% do total, vai para uma grande área que é a zona de raiz. No local, que é impermeabilizado por baixo e conta com várias camadas de brita e palha de arroz, há plantas como espécies de juncos cujas raízes absorvem toda a matéria orgânica ali depositada. No final, a água sai limpa como a de um ribeirão comum. Esse conceito ambiental de “de-

Condomínio da Teixeira Holzmann na Zona Sul: projeto que abriu a corrida à construção de empreendimentos na região

senvolvimento sustentável”, juntado a outros dois fatores rendeu ao Royal Forest (fases I e II) outro prêmio para a loteadora em 2004. Também foi da Associação Brasileira de Marketing, mas na categoria produto. “Concor-

remos com produtos da Sadia, da Volkswagen e da Embraer. Ganhamos porque, além dessa preocupação ambiental, o Forest foi considerado o melhor condomínio do País para lotes de 300m2 a 360 m2. Com ele, conse-

guimos democratizar esse conceito de qualidade de vida, tornando-o acessível a uma faixa da população de renda média, já que são lotes na faixa de R$ 38 mil”, conclui Holzmann.


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MERCADOS

O desafio de exportar Em atividade há um ano, Caminho do Exportador centra esforços para ajudar pequenos empresários a vencer a barreira que os separa do mercado internacional Érika Pelegrino Especial para o Jornal da ACIL O Caminho do Exportador, criado há um ano, apontou para os pequenos e médios empresários de Londrina e região uma possibilidade antes cogitada apenas para os grandes: a exportação. Muitos se animaram em ampliar seus negócios ganhando mercados internacionais. No entanto, nem todos obtiveram sucesso num primeiro momento. Muitos desistiram e reforçaram as fileiras dos que acreditam que exportar é mesmo uma possibilidade apenas para os grandes. Em um ano de funcionamento o Caminho do Exportador, iniciativa de diversas entidades e empresas públicas e privadas, detectou que entre o acesso à informação e colocar o produto no contêiner para entrar no mercado externo, há um processo cujo desconhecimento de seus detalhes tem feito muitos pequenos empresários desistirem no meio do caminho. No Brasil, apenas 12% das micro, pequenas e médias empresas participam no mercado externo. Em países como Estados Unidos e Japão, a participação chega a 50%. Joel Franzim Júnior, representante do Sebrae no Caminho do Exportador, embora não tenha números precisos, afirma que em Londrina a situação não é diferente. Como auxiliar estes pequenos empresários para que viabilizem de fato a colocação de seus produtos em mercados externos? A missão do Caminho do Exportador é mostrar que não são apenas as grandes empresas que podem atuar no mercado internacional e que, no mundo dos negócios, as fronteiras literalmente deixaram de existir. Criar canal direto de comunicação entre o empresário que pretenda exportar e os vários setores prestadores de serviços de comércio exterior: órgãos federais, órgãos estaduais, câmaras de comércio e indústria, empresas de assessoria, despachantes, empresas de transportes internacionais, couriers, correios, empresas comerciais exportadoras, etc, faz parte desta missão. No entanto, já ficou claro, conforme explica Joel Franzim, que

Porto de Paranaguá: para muitos empresários da região, um caminho ainda não trilhado isto não tem sido suficiente. Se os empreendedores estão tendo organizacional da empresa, só acesso às informações, por que então é possível pensar em muitos desistem? Quais as conquistar outros mercados. Franzim afirma ainda que é dificuldades que estão sendo enfrentadas? Diante destas comum empresários pequenos questões surge uma nova e médios partirem para a expornecessidade: capacitar os tação sem uma tabela de preços empresários para a exportação. específicos para esta operação. Esta capacitação compreen- “Eles trabalham com o mesmo de orientar e acompanhá-los preço do produto para mercado passo a passo para que a interno”. Quando se dispõe a exporexportação se traduza em sucesso e não em prejuízos para o tar, o empresário deve primeiro pequeno e médio empresários. cuidar de quatro fatores “Percebemos em um ano de fundamentais: a organização funcionamento que apenas financeira da sua empresa; a disponibilizar a informação não organização mercadológica (veé suficiente”, explica Joel rificar se o produto é adequado para o mercado que ele quer Franzim. Segundo ele, as dificuldades atingir); pesquisar o mercado; enfrentadas por aqueles que conhecer os trâmites para a tentam a exportação são exportação. É o que Franzim chama de diversas. Muitos não sabem para “estar com a empresa na mão”. onde querem exportar, quando sabem, desconhecem este mercado, não adaptam o seu produto para colocá-lo no mercado escolhido. Um exemplo comum, segundo o representante do Sebrae no Caminho do Exportador: um empresário do ramo de camisetas quer exportar para a Bolívia. Ele simplesmente envia seu produto exatamente como é fabricado para o mercado interno. O que acontece: o biotipo do boliviano é diferente e ele perde a mercadoria. Franzim alerta que é preciso conhecer o mercado para onde se quer exportar e adequar seu produto. Outro fator fundamental é garantir a parte

Sem isto qualquer empreitada em mercado externo pode se transformar em fracasso. Para isto é preciso seguir um passo a passo da exportação: acesso à informação (o site Caminho do Exportador e as palestras já estão dando conta desta parte); o treinamento em si; a formação de grupos de empresários; a busca de informações direcionadas. A pesquisa de mercado, por exemplo, depende de um levantamento que tem um custo alto para o empresário. A formação de grupos de exportadores pequenos e médios é uma alternativa eficiente para ratear custos. Franzim afirma que para atender esta demanda, o Caminho do Exportador passará a partir de junho a montar grupos multissetoriais de 10 a 15 empresas. Assim, além do acesso básico à informação, já disponibilizado, os interessados em exportar receberão um acompanhamento mais específico. “O grupo será atendido por especialistas dentro das temáticas levantadas pelos integrantes”, explica.

Seminário mostra como exportar para Alemanha Londrina sedia, este mês, o seminário Destino Exportador Alemanha, que vai reunir empresários de toda a região para conhecer os potenciais espaços existentes atualmente para empresas brasileiras no mercado alemão. Esta é a primeira vez que o seminário, promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha em parceria com a ACIL - Associação Comercial e Industrial de Londrina, é realizado no interior do Paraná. A Alemanha é o segundo maior importador do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. No ano passado, os alemães importaram mais de US$ 629 bilhões. A Alemanha também é um país estratégico para a distribuição de todo o tipo de produto, por sua localização na Europa. Criados em 2003, os seminários são resultado de um projeto da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha para fomentar as exportações brasileiras. Já foram realizados em nove cidades brasileiras, com público de mais de 1.600 empresários. Como resultado desse trabalho, a Câmara BrasilAlemanha instalou um escritório em Frankfurt, no ano passado. O evento será realizado na ACIL, no dia 19 deste mês, com início às 13 horas.


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AVENIDA MARINGÁ

Quarentona esbanja vitalidade

Criada em 1964, avenida passou por duas ampliações e perdeu, em definitivo, o perfil residencial; hoje, é um eixo comercial em expansão

Fernanda Bressan Especial para o Jornal da ACIL Trânsito intenso, comércio em expansão, variedade gastronômica, movimento 24 horas por dia. A Avenida Maringá de hoje, situada na zona Oeste de Londrina, é um belo retrato do desenvolvimento da cidade. As transformações pelas quais ela passou foram tão intensas que fica até difícil recordar como era a rua algumas décadas atrás. Ao invés de lojas, restaurantes e padarias, casas de família formavam a via, que nasceu em 1964 pela Lei 880. Naquela época, ela englobava apenas o trecho entre a Avenida Tiradentes e Rua Goiás. O Brasil passava por um momento marcante em sua história, com o Golpe Militar e a deposição do então presidente João Goulart, popularmente chamado de Jango. De lá para cá, os brasileiros derrubaram a Ditadura, conquistaram o direito de eleger seus presidentes pelo voto direto e ganharam força para lutar pelos seus direitos, derrubando inclusive um presidente da República. A Maringá, apenas uma das infinitas vias desse País de milhões de habitantes, também buscava

seu espaço em Londrina. E ela cresceu em todos os sentidos. Em 1996, deixou de ser denominada rua para ganhar status de avenida. A extensão também aumentou. O último prolongamento foi em 2000, com a transposição do Lago Igapó II. Desde então, a avenida se tornou um dos principais acessos para a Avenida Madre Leônia Milito e Gleba Palhano, bairro de classe média alta. Essas mudanças atraíram vários comerciantes para o local. Os primeiros chegaram cedo. O restaurante Casarão virou ponto de referência e até hoje é citado para dar in-

Os consumidores locais são “motorizados”. Talvez esteja aí a razão para outra ausência: a dos vendedores ambulantes.

Acima, avenida em plena luz do dia: crescimento e diversificação comercial após a ampliação da via e a transposição do Lago Igapó. Ao lado, a avenida à noite: via ganhou impulso também com a ampliação das empresas de gastronomia e bares

problema: a violência. Para aumentar a segurança, a loja permanece com as portas trancadas, liberadas apenas para clientes por meio de um interfone. Se de um lado há veteranos no comércio da Maringá, do outro formações nas ruas. É comum ouvir as pessoas dizendo frases como: “Fica bem perto de onde era o antigo Casarão”. Mas se o restaurante fechou suas portas, outros pontos permaneceram firmes. Um exemplo é a Crokaju, há

24 anos na Maringá. Dona Odete Aoki Romero, proprietária da loja de aviamentos e materiais esportivos, recorda que na década de 1980 havia poucos comerciantes no local. Na visão dela, o crescimento trouxe um


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há inúmeras lojas abrindo suas portas. A grande tendência do momento são as lojas de móveis e decorações. Vizinhas umas às outras, elas oferecem uma infinidade de opções entre sofás, cortinas, colchões, armários para quartos e cozinhas. Maria Amélia Eggler Camargo, sóciaproprietária da Mônica Decorações, está satisfeita com o local. “Nosso público é direcionado e precisa de estacionamento. Antes tínhamos loja na Rua Sergipe, mas o espaço estava pequeno e havia essa dificuldade de os carros não terem onde parar”, comenta. Para ela, a transposição do Lago Igapó II pela Maringá aumentou o fluxo de veículos, trazendo mais clientes para a loja. “Há pessoas de outras cidades que passam aqui no fim de semana e anotam o telefone da loja para pegar informações depois”, afirma. Outra proprietária que comemora o movimento é Cristina Scarinci. Há um ano, ela montou a loja de roupas infantis Catavento na avenida e está satisfeita. “As pessoas que passam por aqui têm um poder aquisitivo maior, há dois colégios e os próprios moradores da região aproveitam para comprar por aqui.” Cristina acredita que a avenida ainda vai

15 crescer muito e pensa até em futuramente fechar a loja que fica em um shopping da Cidade para ficar apenas com a loja da Maringá. Diferente de todos os segmentos, a Point 700 completou 13 anos de avenida Maringá vendendo muitas bicicletas. Para o consultor de vendas Tuffy Abraão Júnior, o co-

mércio local melhorou muito nesse período. “O melhor investimento comercial hoje é a Avenida Maringá. Muitas empresas de móveis estão vindo para o local e ela é passagem para condomínios e bairros de luxo”, declara. Fora isso, ele lembra que há muitas famílias morando no entorno da avenida. Além desses produtos, dá para comprar pão, ração

Cristina Scarinci, da Catavento: certa de que a avenida ainda terá muito crescimento

Diversidade gastronômica movimenta a noite

Maria Amélia Eggler Camargo, da Mônica Decorações, diz que transposição do Igapó II atraiu clientes

Tuffy Abraão Júnior, da Point 700: “Melhor investimento comercial hoje é a Avenida Maringá”

para o cachorro, remédio, presentes, artigos de papelaria, uniforme escolar, carne e outros inúmeros itens na Maringá. Mas, apesar de toda essa oferta, há um fato curioso no comércio da avenida: a ausência de pedestres. Os consumidores locais são “motorizados”, sendo difícil encontrar pessoas caminhando pelas ruas à procura de um artigo qualquer. Talvez esteja aí a razão para outra ausência: a dos vendedores ambulantes. Com tantos carros transitando incessantemente, a via apresenta um comércio direcionado, não tendo espaço para a venda alternativa.

A maturidade trouxe o comércio noturno para a Avenida Maringá. Focado na gastronomia, ele é um dos mais ricos da Cidade, correndo atrás da Avenida Santos Dumond. Do pastel ao sushi, do sanduíche à comida espanhola, da pizza às iguarias chinesas. A variedade é tão grande que chega a confundir na hora de escolher onde sentar. Veterano no local, Vander Borelli atesta que a Maringá cresceu muito nesse ramo. Há 14 anos ele montou a pizzaria Boreluccio na esquina da avenida com a Castelo Branco e diz que no início pensou até em desistir. “Todos os carros viravam na rua onde ficava o Casarão. Parecia que a Maringá não vinha até aqui”, relata. Entretanto, a insistência valeu a pena. Hoje, a rotatória que liga as duas avenidas está recheada de opções gastronômicas. “A concorrência

aumentou, mas o público também cresceu”, conta Borelli. Cláudio Koyama, proprietário do restaurante Matsuri e Pastel do Roberto, também não tem queixas. Para ele, o fluxo de veículos da Maringá serve como meio de divulgação e ajuda a atrair novos clientes. Entretanto, Koyama diz que a segurança é um ponto fraco da avenida. Para diminuir os riscos, o restaurante fecha à meia-noite. Bares e karaokê ajudam a aumentar o movimento à noite. O trecho entre a Avenida Castelo Branco e a Avenida Humaitá começa a ganhar fôlego nesse segmento. Um restaurante chinês é a mais nova fachada da Maringá. Mas ainda há muitos terrenos vazios à procura de investidores. Sinal de que a avenida ainda tem espaço para crescer e surpreender.


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OURO QUE AINDA RELUZ

Bebida melhora aprendizado de crianças

Vida longa ao café! Simpósio realizado em Londrina mostra que o café resiste como cultura viável, ganha novos espaços no mercado e ainda dá a volta por cima do estigma de produto nocivo à saúde Acerta quem diz que o café tem um gosto amargo na memória dos norte-paranaenses, em especial dos londrinenses. O produto que alimentou o nascimento e o crescimento das cidades no eixo NorteNoroeste do Estado, e que fez a riqueza de muitos nas décadas de 1960 e 1970, passou à condição de vilão naquela dramática madrugada de inverno de 1975. A geada transformou o café de “ouro verde” a pai de todos os males: as plantações foram erradicadas e a economia da região se viu sem sua maior base. E nesse posto que a cafeicultura ainda parece repousar na cabeça dos londrinenses. Mas vale a pergunta: o café deixou de existir como atividade econômico. A resposta, negativa, foi reforçada pelo IV Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, realizado este mês em Londrina. O evento serviu também para mostrar o atual estágio da cafeicultura no Paraná e no Brasil, quais as tendências do mercado do produto e ainda estudos que revelam que o café faz bem à saúde, até das crianças.

Fernanda Mazzini Especial para o Jornal da ACIL

Há anos Londrina não é mais lembrada como a capital mundial do café. O “ouro verde” que movimentou toda a região nas décadas de 1960 e 1970 não tem mais tanto apelo econômico. As fortes geadas que atingiram o Paraná naquela época motivaram os agricultores a erradicar os cafezais o que, conseqüentemente, reduziu drasticamente a produção cafeeira paranaense. Além deste fator, o Paraná também assistiu a uma mudança no perfil do cafeicultor. Antes cultivado em grandes e pequenas propriedades e basicamente como monocultura, o

Paulo Franzine, do Deral: “Podemos conseguir uma boa produção com qualidade”

Gabriel Bartholo, gerente-geral da Embrapa Café: “Falta ainda marketing internacional”

que ocorre no Estado hoje é justamente o contrário. Atualmente a cafeicultura é dominada por pequenos produtores – cerca de 85% do café produzido no Paraná está em propriedades com menos de 50 hectares. A região Norte sentiu tanto o impacto das adversidades climáticas que chegou a perder o posto de maior produtor do Paraná. Atualmente, a

maior área plantada está na região de Jacarezinho, com 27 mil hectares; Londrina vem em segundo, com 20 mil hectares. Embalado com essa redução, o Estado, que já chegou a ser o maior produtor brasileiro, hoje ocupa a quarta posição com apenas 7% da produção nacional. Em primeiro está Minas Gerais, que produz 52% do café brasileiro, seguido pelo Espírito Santo (19%) e por São Paulo (9%). Na década de 60, a área plantada de café no Paraná era de 1 milhão de hectares, hoje a cultura atinge pouco mais de 10% deste espaço. Na safra 61/62, a maior colheita já registrada no Paraná, foram colhidos 21 milhões de sacas; neste ano a produção estadual deverá atingir apenas 2,5 mil sacas. No entanto, o emprego da tecnologia conseguiu aumentar a safra cafeeira em todo o País, mesmo com a redução da área plantada. Em 2000, o café ocupava 2,2 milhões de hectares, contra 2,7 milhões de hectares em 97. E mesmo com essa queda a produção aumentou em 10 milhões de sacas, atingindo os 33 milhões naquele ano. Isso ocorreu graças ao aumento da produtividade média dos cafezais, que saltou de 10

sacas por hectare para mais de 15 sacas. Entre os anos de 2000 e 2004 o Paraná perdeu 50 hectares de área plantada. A redução da área se deve, basicamente, à migração do agricultor para o plantio de soja. A cotação da oleaginosa é muito mais atrativa do que a do café, embora a cultura só seja rentável se plantada em grandes áreas devido aos altos custos de produção. O café também é uma cultura considerada de alto risco porque é muito sensível às variações climáticas. A partir deste quadro, a cafeicultura se transformou em uma atividade para pequenas áreas, onde predomina a agricultura familiar. Com os cafezais, os agricultores também cultivam uma horta, frutas, outros tipos de grãos ou até partem para a criação de frangos ou porcos. PRODUTIVIDADE – Mesmo com a redução da área plantada, a produção cafeeira do Paraná está estabilizada graças a um plano de revitalização da cafeicultura, implantado na década de 90. O objetivo do programa era aumentar a produtividade, reduzir os custos de produção e gerar estabilidade econômica para a atividade. Foram

pesquisados também as variedades da planta e os sistemas de plantio e, baseado neste estudo, foi introduzido o cultivo adensado. Os resultados são surpreendentes. Em 90, a produtividade registrada nos cafezais era de 7 sacas por hectare; hoje são 22 sacas por hectare. Passada essa fase, o objetivo agora é outro: provar que o café produzido no Paraná é de alta qualidade. “O mito de que o café paranaense era de má qualidade surgiu na década de 60 devido ao elevado volume de produção. Mas podemos conseguir uma boa produção com qualidade”, frisa o economista Paulo Franzine, responsável pelo setor de Café do Paraná do Departamento de Economia Rural

(Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento. O fato é que até 98, a qualidade do café paranaense não era conhecida. Por isso, começou a ser feito um monitoramento na plantação. Em 98, foi constatado que 36% da colheita era feita no pano; somente 30% dos produtores conheciam o tipo dos grãos e a bebida; e 14% dos produtores comercializavam suas safras beneficiadas. Em 2003 o panorama já era outro: a colheita no pano era feita por 59% dos cafeicultores; 60% conheciam o tipo e a bebida; e 62% dos cafeicultores vendem o produto beneficiado. Também já foi constatado que cerca de 87% do café produzido no Paraná é de qualidade “dura para melhor”, considerada de boa qualidade. O restante – 13% – seria “riada e rio”, de qualidade inferior. Na produção de um bom café um dos fatores mais determinantes é o clima. “O clima favorece muito a qualidade, e os cerrados mineiros tem um clima seco durante a colheita, o que impede a fermentação dos grãos”, explica Gabriel Bartholo, gerente-geral da Embrapa Café. Segundo ele, o café brasileiro tem acidez, sabor, aroma e doçura natural, mas falta um certo marketing internacional. Mas o governo já está investindo neste setor, através da participação em feiras internacionais especializadas. EMPREGOS – O cultivo do café é importante porque mantém os trabalhadores na zona rural, principalmente a mão-de-obra desqualificada. Em todo o País, cerca de 8 milhões de brasileiros estão direta ou indiretamente trabalhando com o café. No Paraná, são 70 mil empregos diretos e 220 mil indiretos. “O café, assim como o algodão, demandam muita mão-deobra, mas esses cultivos estão fadados a diminuir devido aos altos encargos das leis trabalhistas”, ressalta Franzine. Atualmente, a cultura é responsável por 4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Cultura emprega hoje cerca de 8 milhões de pessoas no Brasil. É como se toda a população de Goiás e Mato Grosso trabalhasse direta ou indiretamente com o café

Caiu por terra aquela velha história de que o café causa prejuízos à saúde. Pelo contrário, se não for tomado em excesso, a bebida traz inúmeros benefícios à saúde. Em adultos, o café atrasa a manifestação do diabetes, previne doenças c a r d i o v a s c u lares, a depressão, o envelhecimento precoce e os três tipos de câncer de maior incidência no Brasil: de cólon, reto e fígado. Para crianças, a bebida traz ainda um outro benefício: melhoria no aprendizado escolar. Os resultados são comprovados através de pesquisas realizadas pelo Conselho Científico da Federação Mundial de Cardiologia, Instituto do Coração de São Paulo e Universidade de São Paulo. Crianças de até 10 anos devem consumir diariamente três xícaras de café. No entanto, é recomendado que a bebida seja misturada ao leite. “O café é uma bebida estimulante, que aumenta a atenção do cérebro, por isso, ajuda no aprendizado escolar”, acrescenta o cardiologista Luiz Antônio Machado César, professor da USP e diretor clínico do departamento Coronário do Incor de São Paulo. O neurologista Darcy Roberto Lima, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, lembra ainda que o café é uma bebida natural, que não engorda. “Já os refrigerantes e as bebidas isotônicas são os maiores causadores da obesidade entre os jovens”, afirma. Por isso, já está em estudo um projeto de lei que deverá tornar obrigatório a inclusão do café na merenda escolar. “É uma bebida muito saudável”, acrescenta o neurologista. Comparando, dois litros de refrigerante de cola têm a mesma quantidade de cafeína em sua composição do que três xícaras de café. Ele afirma ainda que um estudo aprofundado do café pode levar ao desenvolvimento de uma planta ainda mais saudável. Através de pesquisas, os grãos poderiam ser enriquecidos ou fortificados com substâncias que o tornassem ainda mais saudável. Em sua composição, o café tem menos de 1% de cafeína. O restante é formado por antioxidantes naturais, vitamina B3, minerais, ácidos e um número de voláteis desconhecidos. No entanto, o professor acrescenta que o café não deve ser torrado em uma temperatura superior a 200ºC. “Acima desta temperatura, o grão forma outros compostos que não são interessantes à saúde, além de perder as substâncias mais saudáveis”, explica. CONSUMO – Para pessoas com mais de 20 anos de idade, é reco-

mendado o consumo de quatro xícaras de café por dia: uma durante o café da manhã, outra na metade da manhã, depois do almoço e no meio da tarde. “Se consumido em excesso o café pode causar insônia, taquicardia, além de dar azia”, informa o cardiologista Luiz Antônio Machado César. Idosos com mais de 60 anos devem reduzir a quantidade de café para duas xícaras diárias porque o fígado já não consegue manipular algumas substâncias componentes do café. “Não existe prova nenhuma de que o café faz mal ao coração. Pelo contrário, há provas de que o café contribui para a redução da incidência do diabetes entre adultos, dos riscos de infarto e de derrame”, salienta o cardiologista. No entanto, para comprovar os benefícios que o café traz à saúde, o Incor irá realizar duas pesquisas sobre o consumo da bebida. Uma terá enfoque farmacológico e outro epidemiológico. O primeiro estudo irá verificar as substâncias concentradas no sangue e no coração das pessoas que tomam café. Já foram selecionados cem voluntários (pessoas normais, pacientes com doenças coronárias e diabéticos) que primeiramente deverão ficar três semanas sem consumir a bebida. Em seguida, será realizada uma bateria de exames. Depois disso, os voluntários, divididos em grupos de 20, iniciam o consumo de café. Serão feitas pesquisas com café filtrado, sem filtro, descafeínado, solúvel e expresso. A partir daí, os resultados obtidos serão comparados para se conhecer as diferentes reações do organismo. Esse estudo teve início no começo deste ano. A pesquisa é patrocinada pela Abic e todos os participantes receberão gratuitamente o café do mesmo padrão, o do tipo arábica. Já a pesquisa epidemiológica, que terá início no próximo ano, vai observar 2,5 mil pessoas durante 10 anos. A metade delas será de pessoas que tomam café e a outra que não toma. Entre os que consomem a bebida, metade será de pessoas com problemas cardíacos e metade sem nenhuma doença. Neste período, serão feitos diversos exames em que serão comprovados os benefícios, ou malefícios, do café. (Fernanda Mazzini)


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Mercado em plena expansão Basicamente, as características do “café gourmet” são: aroma mais intenso e agradável, sabor mais fino e a permanência na boca do sabor da bebida por vários minutos. “O café de baixa qualidade deixa um gosto amargo na boca, ao contrário do de alta qualidade”, explica Herszkowicz. Mas consumir uma bebida de tamanha qualidade também pode causar uma certa indigestão. O seu preço chega a ser até três vezes maior do que o do café comum. “É um novo nicho de mercado, assim como os vinhos mais finos”, compara. E para quem estiver disposto a pagar o preço, há uma boa notícia. Atualmente, esse produto não é encontrado apenas em casas especializadas. “Os supermercados também estão investindo no mercado. Alguns supermercadistas estão investindo na melhoria da qualidade para oferecer aos seus clientes”, comenta o diretor-executivo da Abic. Segundo ele, já estão no mercado oito marcas novas. O “café gourmet” apresenta um grão selecionado, homogêneo na maturação e secagem. “O produtor deve ter boas práticas de colheita e secagem. Atualmente, entre 20% e 25% dos grãos colhidos no Brasil são de alta qualidade”, informa Herszkowicz. Já as indústrias devem estabelecer um controle mais preciso na torra e moagem. A embalagem também deve ser especial, à vácuo, onde a atmosfera é inerte. O oxigênio deve ser substituído pelo nitrogênio, uma vez que o ar natural favorece a oxidação do grão. Devido a essa melhoria na qualidade, atualmente o Brasil domina 40% do mercado mundial do grão cru. Em 99, esse índice era de 19%. “Podemos dizer que um terço de todas as xícaras de café tomadas no mundo

COMO PREPARAR O CAFÉ O preparo do café não exige muitos segredos. Uma dica importante é usar água filtrada e não deixá-la ferver. O ideal é que a temperatura da água esteja entre os 90ºC (quando começa a formação das bolhas). Isso é importante para que o sabor do café não seja alterado. Depois disso, é só jogar a água sobre o pó e deixar escorrer. Não se deve mexer com qualquer objeto. Vale lembrar que pessoas de até 20 anos e com mais de 60 anos devem tomar apenas três xícaras de café por dia. Já pessoas com idade entre 20 e 60 anos podem aumentar a quantidade para quatro xícaras por dia.

CURIOSIDADES O consumo do café só cresceu a partir do século 17, quando foi abençoado pelo papa Clemente VIII. Até então, os cristãos não tomavam a bebida porque, inicialmente, a bebida era consumida apenas pelos árabes.

são produzidas com café brasileiro. Os produtores conseguiram melhorar a qualidade do grão produzido aqui, mas ainda falta marketing do nosso café e o governo federal tem que ajudar nessa promoção”, avalia. A Abic já se adiantou e lançou o Programa de Qualidade do Café. Através de um selo, o consumidor pode identificar se o café que ele irá comprar tem boa qualidade. Para receber esse certificado, as indústrias devem utilizar grãos melhores e passam por uma auditoria da Abic que avalia o controle e o monitoramento da qualidade. Oitenta indústrias já conseguiram o selo da Abic, mas a estimativa é que durante este ano 200 marcas sejam certificadas. De acordo com informações da Abic, o Paraná conta com três indústrias que produzem o café considerado de alta qualidade. A Cia. Cacique de Café Solúvel, instalada em Londrina; a Iguaçu, localizada em Cornélio Procópio; e o Café Damasco, que fica na Região Metropolitana de Curitiba. “A Cacique é a maior indústria exportadora de café solúvel e a quinta maior em café torrado e moído”, acrescenta o diretorexecutivo da Abic. E durante o mês passado o mercado deu uma das maiores demonstrações de que acredita na qualidade do café cultivado no Brasil. A Abic lançou a 1ª Edição

Especial dos Melhores Cafés do Brasil, que é composta por um conjunto de cafés industrializados resultantes da aquisição por torrefadoras nacionais dos lotes de cafés finalistas do 1º Concurso Nacional Abic de Qualidade do Café, realizado em novembro. Na ocasião, foram realizados leilões dos grãos. As vendas por saca alcançaram os maiores preços já registrados no mercado mundial: U$ 3 mil a saca, enquanto no mercado a mesma quantidade é comercializada por U$ 120. “O mais importante é que esse café será oferecido ao consumidor brasileiro”, diz.

Em 1667, as inglesas formularam uma petição contra o consumo do café. Elas queriam proibir seus maridos de tomar a bebida. Como o café causa insônia se consumido em excesso, os homens costumavam voltar mais tarde para a casa. Os países localizados no Hemisfério Norte eram contrários à popularização do café porque a planta só pode ser cultivada em países de clima mais ameno, basicamente nas terras localizadas entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio. O café chegou ao Brasil no século 18, em sementes trazidas da América Central e das Guianas. No século 19 já era responsável pela principal atividade agrícola do país. O Brasil é o maior pesquisador de café do mundo. Os brasileiros já dominam o genoma funcional da planta e já conseguiram fazer a seqüência dos genes cafeeiros. Com as pesquisas, será possível produzir um café de maior qualidade, com sabor e aroma mais acentuados; grãos mais doces, com uniformidade de maturação e resistente a pragas. Em média, cada brasileiro consome anualmente 4,8 quilos de café. O café considerado de melhor qualidade mundial é o colombiano porque é suave e lavado em seu processo de industrialização.


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OURO QUE AINDA RELUZ

Em quatro dias, evento movimentou R$ 1 milhão Simpósio do Café é exemplo de como eventos desse perfil agitam a economia da Cidade Nos quatro dias em que foi realizado, o IV Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil deixou na Cidade cerca de R$ 1 milhão. E o mais importante é que esse dinheiro não fica concentrado em apenas um setor da economia. É dividido entre vários segmentos: como hotéis, restaurantes, serviços de segurança, transporte, higiene e limpeza, ambulatório, floricultura e presentes. O evento foi promovido pelo Iapar e Embrapa Café no Centro de Eventos de Londrina entre os dias 2 e 5 de maio. Para se chegar a esse montante é feita uma conta bastante simples. Segundo estimativas do Londrina Convention & Visitors Bureau, o turista de negócios costuma gastar, em média, cerca de R$ 220 por dia em hotel, alimentação, serviços de transporte, compras de souvenirs, lazer e diversão. Cerca de 600 pessoas participaram desse evento e, pelo menos, 80% deste total veio de Estados onde há produção cafeeira como Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. A maioria dos participantes foi formada por cafeicultores e estudantes de graduação e pós-graduação ligados a área de Agronomia. Além do gasto diário dos participantes, ainda foram investidos cerca de R$ 400 mil na realização do simpósio. Somente a empresa organizadora do evento não é de Londrina, mas para a execução dos demais serviços foram

Auditório montado no Centro de Exposições e Eventos: especialistas de todo o País participaram do Simpósio, que durou quatro dias

contratadas apenas empresas locais como o buffet que serviu a refeição no local, ambulatório, floricultura, equipe de seguranças e de limpeza, recepcionistas e a empresa que confeccionou o uniforme da organização. A maioria das empresas contratadas é associada ao Londrina Convention & Visitors Bureau. Segundo Luciana de Andrade Lima Santos, relações públicas da Embrapa Café, o único serviço que deixou a desejar foi o de táxi. A organização disponibilizou transporte gratuito para os participantes apenas em dois horários: no início da manhã e no final da tarde. Por isso, a intenção era firmar uma parceria com os taxistas para que alguns veículos permanecessem no local para atender mais rapidamente os participantes que neces-

sitassem do serviço, uma vez que o Centro de Eventos é afastado da região central da Cidade. “Mas não teve acordo, eles (taxistas) queriam que a gente fechasse um contrato e que a comissão organizadora pagasse um valor, o que ficou inviável. Diante do impasse, passamos a chamar um táxi mediante solicitação de algum participante. É lamentável que serviços importantes como o de táxi

deixem a desejar em Londrina”, afirmou Luciana. PROJETO DE LEI – Procurado pela reportagem, o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, disse que pretende convocar uma reunião para discutir o assunto com taxistas e representantes de entidades que incentivam o turismo na Cidade como a ACIL, Londrina Conven-

tion & Visitors Bureau, Abav e Codel. Essa reunião deverá ser realizada até o final deste mês. Campos disse ainda que a intenção é enviar à Câmara de Vereadores ainda neste mês um projeto de lei que torna obrigatória a reciclagem para os taxistas. Nesse treinamento, eles receberiam informações e orientações sobre limpeza, higiene, cortesia e organização, entre outros temas. Ele lembrou ainda que já recebeu do LC&VB uma cópia de uma lei de Curitiba, onde essa reciclagem é obrigatória desde a década de 70. A lei a ser implantada em Londrina seria nos mesmos moldes da curitibana e, a princípio, a Codel arcaria com parte dos custos do treinamento. Segundo o presidente da CMTU, a lei só não foi enviada ainda à Câmara porque a companhia esteve envolvida, no início deste mês, com o conserto do calçadão. (Fernanda Mazzini)


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ARTIGO Domingos Pellegrini Especial para o Jornal da ACIL

Lições da crise na Rádio Exerci a presidência da Camtar – Comunidade de Amigos, Trabalhadores e Apoiadores da Rádio Universidade, e entreguei o mandato saturado com tanta burocracia. No Brasil, a superburocracia é justificada como defesa contra os desonestos, na verdade apenas dificultando para os honestos e justificando a existência de tantos burocratas. Sugiro que, em entidades civis conveniadas com a UEL, a secretaria seja exercida por alguém da Procuradoria Jurídica: assim deverá ou diminuir a burocracia ou ser feita por quem ganha para isso. Ainda quando exercia a presidência, há mais de ano, soube extra-oficialmente que a Reitoria preparava reestruturação administrativa que subordinaria a Rádio, com perda de autonomia do seu jornalis-

mo. Opinei que a Camtar nada deveria fazer a respeito, respeitando a autonomia da UEL em fazer que reformas administrativas queira e arcando com suas conseqüências. Também opinei que os principais interessados em contraporse a isso seriam os jornalistas da Rádio e os cursos de Comunicação, com participação do Sindicato dos Jornalistas, mas parece que nenhuma articulação foi efetivada. Não sei se a proposta de criação da Coordenadoria de Comunicação, como alega a diretora exonerada da Rádio, foi mal discutida antes de ser encaminhada ao Conselho Universitário, sem participação democrática, como também não sei se foi mal avaliada pelo Conselho. O certo é que se, através de uma Coordenadoria, a Rei-

toria tinha alguma intenção de controlar o jornalismo da Rádio, seria ou é uma ingênua ilusão, pois o público da Rádio é majoritariamente de formadores de opinião, público crítico que logo perceberia e rejeitaria isso. O jornalismo da Rádio, se se colocar como chapa-branca, perderá credibilidade, por antítese reforçando toda denúncia ou desvelamento em contrário feito pela imprensa, que continuará livre de controle da Universidade e pluralista como é nossa sociedade. A ilusão petista de controle da imprensa já fracassou em nível federal, e sonhar o contrário seria ingenuidade totalitarista, com prejuízos de imagem política irreversíveis. O que se tira da pseudocrise, como a chamou a reitora, é que a Rei-

toria podia ter evitado esse desgaste se tivesse encaminhado a proposta depois de avaliação plural e intensa, bem como o Conselho podia evitar seu próprio desgaste se não votasse tão rapidamente proposta que mexe com assunto tão democraticamente simbólico, como bem sentiu e repercutiu a imprensa. Também fica como lição para os colaboradores da Rádio que sua melhor posição deveria ser a neutralidade em relação à proposta, no entanto defendendo a continuidade de seus programas, espaços de integração cultural com a sociedade e grande mérito da administração da Profa. Janete, e de que alguns abdicaram por emocional e ingênuo acesso de solidariedade. Para apoiar o comportamento emocional e politicamente desastroso da diretora, colocaram em risco o patrimônio cultural legado por ela, uma triste ironia. Salvou-se o comportamento dos jornalistas da Rádio, que fazem um jornalismo tão digno e diferenciado, e que tiveram a coragem e a serenidade de pedir reconsideração ao Conselho. Afinal, de que adiantaria ensinar isenção no Curso de Jornalismo e manter no ar um jornalismo atrelado? Para isso já tem a Reitoria sua assessoria de imprensa. Esperemos que o assunto seja democraticamente debatido, que o Conselho reconsidere, que nosso querido Baldy volte a fazer seus belos programas, que voltem também todos os colaboradores que se afastaram, inclusive a Janete, e que a Rádio – com a autonomia necessária para qualquer veículo de comunicação – continue a ser exemplo de integração cultural da Universidade com a sociedade, com jornalismo autônomo e responsável como tem sido. Domingos Pellegrini é escritor em Londrina e colaborador da Rádio Universidade FM

Conselho mantém mudança na Universidade FM Fernanda Bressan Especial para o Jornal da ACIL A expectativa de que a Rádio Universidade FM pudesse retomar sua condição de órgão de apoio da Universidade Estadual de Londrina (UEL) caiu por terra no dia 10 de maio durante a reunião do Conselho Universitário da instituição. Os conselheiros mantiveram a decisão do dia 18 de fevereiro que transformou a rádio de órgão de apoio para torná-la uma diretoria da Coordenadoria de Comunicação (COM), criada naquele mesmo dia. Dos 55 conselheiros, apenas seis votaram a favor do documento encaminhado por jornalistas da rádio que pedia a reconsideração da decisão tomada em fevereiro. Dessa forma, fica mantida a nova hierarquização da comunicação na Universidade, que deixou a rádio subordinada à Coordenadoria de Comunicação. Para a diretora da rádio, Maria Irene Pellegrino de Oliveira Souza, a atual estrutura será melhor para a emissora. Ela assumiu o posto em 5 de abril, ocupando o lugar de Janete El Haouli, exonerada do cargo pela reitora Lygia Lumina Puppato por não concordar com as mudanças estruturais propostas. Maria Irene contabiliza que desde a exoneração de Janete, sete colaboradores pediram desligamento da rádio, também por discordarem dos encaminhamentos feitos pelo Conselho Universitário. Ao todo, nove programas deixaram de ser veiculados e o espaço está sendo preenchido com música brasileira. Maria Irene destaca ter conversado com todos esses colaboradores pedindo que eles retomassem a exibição dos programas. Nenhum deles deu uma resposta final. O discurso de que nada vai mudar na rádio, enfatizado pela reitora durante esse período de mudanças, também foi reforçado pela nova diretora. Ela reafirma a tese de que para a rádio será muito melhor ter ligação com a Coordenadoria a ficar ligada diretamente à reitoria, como era enquanto órgão de apoio. “Nós teremos mais força”, garante. Para ela, institucionalizar a comunicação significa organizá-la e não fazer da rádio um veículo de divulgação da universidade, preocupação levantada por vários colaboradores da Universidade FM e também por Janete El Haouli. Uma Organização Civil de Interesse Público (Ocip) ajudava a rádio a buscar recursos junto à iniciativa privada. Denominada Comunidade de Amigos, Trabalhadores e Apoiadores da Rádio Universidade FM (Camtar), essa Ocip está com os trabalhos parados. Em assembléia realizada em 2 de abril, todos os membros da diretoria se declararam demissionários dos cargos. Na visão deles, a nova situação da rádio é perigosa e pode fazer do veículo uma ferramenta de assessoria de imprensa. Maria Irene diz que sempre é prejudicial perder apoios, mas garante que a UEL está suprindo essa carência. “Estamos aguardando um posicionamento deles”, diz. Uma nova assembléia deve definir os rumos da Camtar. Segundo o presidente da Ocip, o médico José Luis da Silveira Baldy, ainda não há data definida para a assembléia. Todos os membros da diretoria permanecem no cargo até a nova eleição.


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OPÇÃO

Compagás terá rede para atender indústrias e veículos em Londrina Presidente da companhia diz que intenção é abrir mercado e criar um novo hábito de consumo e, assim, preparar terreno para a instalação de um ramal do gasoduto Bolívia-Brasil Fábio Cavazotti Especial para o Jornal da ACIL A Companhia Paranaense de Gás (Compagás) deve investir R$ 3 milhões na implantação de uma rede de distribuição de gás natural para três indústrias de Londrina até o primeiro semestre de 2006. De acordo com o presidente da empresa, Rubico Camargo, a Companhia Cacique de Café Solúvel e a Cerâmica Eliane – localizadas próximas ao Parque de Exposições Ney Braga – já demonstraram interesse pelo negócio. Além do fornecimento para as indústrias, a Compagás pretende abrir um posto de abastecimento para veículos automotores movidos a gás. “A idéia é fazer uma pequena rede e uma planta nossa. Distribuiremos para dois ou três grandes consumidores e para um posto de combustíveis”, antecipa Camargo. O produto será adquirido junto a uma unidade da Petrobras em Paulínia (SP),

prevista para ser inaugurada até setembro. Com a tecnologia atual, o gás tem a temperatura baixada a 162o C negativos, na origem, o que permite que seu volume seja reduzido 600 vezes. O gás se transforma em líquido e pode ser transportado por caminhões. No local de distribuição, a Compagás vai instalar uma unidade de gaseificação, para que o gás natural possa ser distribuído no estado adequado para as indústrias. Com o sistema, a Compagás pretende abrir mercado e criar o hábito de consumo pelas indústrias, explica o presidente da

empresa. O projeto desta pequena rede tem por objetivo preparar o terreno para a instalação de um ramal do GasBol (Gasoduto Bolívia-Brasil), a- partir de Penápolis (SP). “Não tenha dúvida de que esse gasoduto vai sair, estamos trabalhando para que seja priorizado”, ressalta Camargo. Na última reunião do Codesul (Conselho de Desenvolvimento do Sul do País), no mês passado, os governadores do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul elaboraram um documento que foi entregue ao governo federal, solicitando

Gás será adquirido de uma unidade da Petrobras em Paulínia, prevista para ser inaugurada até setembro

agilização dos processos burocráticos do gasoduto. O projeto subscrito pelos governadores, com custo total de US$ 1,2 bi, atenderia o interior do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Sobre os estudos realizados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), há dois anos, que inviabilizaram a passagem do gasoduto pelo Norte do Paraná, sob o argumento de que a região não tinha demanda suficiente, o presidente da Compagás afirma que o projeto tem que ser visto de forma integral. “Não justificava se fosse colocado apenas para atender o Norte do Paraná, mas num plano integrado nacional, que inclui os outros estados, tem que sair necessariamente. Estamos falando dos maiores pólos consumidores de gás do Sul do Brasil”.


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NOVOS NEGÓCIOS

O mapa das oportunidades Pesquisas realizadas pelo Sebrae e lançadas no CD-Rom “Negócios em Londrina”, numa parceiria com a ACIL e a Codel, mostram o perfil e as necessidades dos consumidores em regiões estratégicas de Londrina. O resultado é um grande e rico apanhado de espaços a serem ocupados Vitor Ogawa Especial para o Jornal da ACIL

Enxergar oportunidades em localidades com dinâmica econômica menos acentuada que em outros pontos da Cidade e oferecer mecanismos de superação dessa realidade. Este foi o desafio que o SebraePr de Londrina enfrentou ao elaborar uma série de pesquisas sobre o perfil dos consumidores em determinadas regiões da cidade e seus respectivos hábitos. Segundo Joel Franzim Junior, consultor do Sebrae e um dos coordenadores do “Programa Bairros que Fazem”, em princípio havia um estudo pela opção de se trabalhar nos bairros de Londrina onde houvesse a maior concentração de empresas. Mas Franzim afirma que, conceitualmente, eles perceberam que seria mais interessante trabalhar num lugar onde houvesse menos empresas. “Como era um projeto piloto que estávamos fazendo, resolvemos apostar as fichas nessa idéia e não nos arrependemos porque as informações que a gente colheu desses bairros foram realmente muito boas.” O consultor explica que foi constatada a existência de “vazios econômicos” que poderiam ser aproveitados. A instituição apostou no desenvolvimento dessas

microrregiões, cuja tradição empreendedora era pequena, visando à transformação para o bem-estar dessas comunidades. Uma parcela desta iniciativa pode ser vista no CDRom “Negócios em Londrina”, disponível para os interessados na Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL). O trabalho em multimídia é fruto de parceria entre Sebrae, ACIL e Codel e contém, entre outras coisas, uma série de pesquisas sobre algumas microrregiões de Londrina. Nessas pesquisas é possível obter informações sobre consumo e oportunidades nos distritos e bairros de Londrina, pesquisa de carências nas regiões da Cidade, perfil do consumidor do centro da cidade, potencial de consumo por classe social e ramos de atividade. Numa delas pôde-se aferir, por exemplo, que 47,77% dos entrevistados na Vila Brasil gasta m entre R$ 200,00 e R$ 400,00 por mês em supermercado, sendo que 62,35% deles escolhem o mercado pela sua localização.

Joel Franzim Júnior, coordenador das pesquisas: objetivo é sensibilizar a população e fazer as informações chegarem até ela

Estudos revelam a existência de várias oportunidades de negócios em Londrina, muitas delas inovadoras, outras de melhoria

A localização também aparece como o fator mais importante para o segmento de padarias na Vila Brasil, citado por 50,67% dos entrevistados. A padaria também é a mais citada, por 27% das pessoas pesquisadas, como sendo o que eles mais sentem falta na região. Esta carência pode não ser apenas de estabelecimentos em si. O bairro pode até possuir uma padaria, mas ao apontar

esse item na pesquisa os consumidores podem estar insatisfeitos com o atendimento, preço, qualidade, localização, em suma, qualquer outro composto mercadológico. A Vila Brasil é um caso emblemático do perfil das regiões pesquisadas pelo Sebrae. Um número significativo dos entrevistados do bairro respondeu que não está empregado atualmente. Por sua vez, a Vila Casoni registrou quase 38% dos entrevistados como não possuidor de emprego. Na Vila Recreio, 39% dos entrevistados assinalaram esta opção e no Conjunto Vivi Xavier, 40,74% dos entrevistados estão desempregados. Na Vila Brasil esse número pula para 49%. São números muito superiores aos do índice de desemprego no País, que no ano passado fechou em 9,6%, menor nível de desemprego dos últimos três anos. Como a carência de um bairro pode se reverter em lucro para uma empresa?. Essa pergunta geralmente vem à tona quando se diz que os bairros menos desenvolvidos economicamente são ótimas oportunidades de negócio. Franzim afirma que as pesquisas divulgadas podem resultar em inúmeras conclusões diferentes, dependendo dos olhos de quem as analisa, ou seja, cada pessoa tem um filtro. Analisando tudo isso é possível dizer que existem várias oportunidades de negócios em Londrina, muitas delas inovadoras, outras de melhoria. Muitas atividades que existem atualmente nessas localidades pesquisadas já existiam, mas não atendiam às expectativas de seu


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público de forma satisfatória. Com essas pesquisas um campo muito grande se abre para que as empresas já instaladas melhorem seus serviços. “É a questão de sair do comodismo e buscar uma situação melhor para o cliente, melhorar o atendimento”, diz. Outro fator interessante é que muitas vezes existe disponibilidade de mão-deobra, mas as pessoas supõem erroneamente que aquilo não é viável para se tornar um negócio. Ou seja, existe conhecimento nas localidades, existe condição para se melhorar o que já existe e existem oportunidades novas também. Franzim afirma que o Sebrae quer sensibilizar a população e fazer com que a informação chegue a ela. O próprio CD-Rom divulgando a pesquisa foi uma forma de se fazer isso e o apoio da imprensa tem feito com que as pessoas atentem para a pesquisa. “O que a gente está querendo fazer esse ano é sensibilizar, estudar uma forma para que a informação chegue à pessoa que possa de fato fazer as mudanças necessárias para que o bairro melhore”, acrescenta. Mas é bom ressaltar que as pesquisas apresentadas no CD-Rom são mais genéricas e abrangentes, portanto o Sebrae recomenda a qualquer pessoa que venha a pensar em montar uma atividade ou até melhorar o que já existe que entre em contato com a instituição. Lá os consultores podem realizar uma análise de viabilidade econômica e financeira, sendo possível buscar informações mais refinadas sobre aquela atividade, sobre o negócio que a pessoa está pensando em implantar, para que ela possa minimizar o risco e evitar a realização de investimentos por impulso. Procurar o máximo de informações possíveis é o mínimo que o empreendedor deve fazer e, mesmo assim, quando se entra no negócio pode ser surpreendido por algum item que desconhecia. Para suprir isso, existem instituições que podem estar auxiliando a buscar informações e uma delas é o próprio Sebrae. Se as pessoas das comunidades pesquisadas quiserem que os consultores do Sebrae expliquem os dados colhidos na pesquisa é só

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Distritos criam novos negócios coletivos O Sebrae realizou pesquisas em todos os distritos de Londrina, com exceção da Warta, porque, segundo Franzim, é nítido que a Warta já apresenta uma dinâmica econômica um pouco mais acentuada do que os demais. Pode-se dizer que quatro deles apresentaram uma velocidade um pouco maior na implantação e no aproveitamento do levantamento que foi feito. Guaravera, por exemplo, continua com um grupo de lideranças comunitárias trabalhando em prol da comunidade. Lá foi implantada uma feira noturna que está funcionando desde dezembro do ano passado. São 12 barracas e cada uma delas é administrada por uma família. Numa localidade que possui 5 mil habitantes, a falta de empregos é bastante acentuada. Logo, a feira representa um incremento significativo de recursos girando dentro da comunidade. Inicialmente o grupo da comunidade se reunia quatro vezes por mês para discutir os dados da pesquisa. O estudo apontou que a maior necessidade em Guaravera era de um restaurante e, inicialmente, a discussão caminhou para esse lado. Mas montar um restaurante exige muito capital e o grupo não tinha esse dinheiro. A solução encontrada foi montar uma Feira da Lua, mais econômica e de fácil execução. O sucesso foi tanto que hoje existe até fila de interessados querendo entrar na feira, mas como o grupo inicial teme que a entrada de um novo membro possa prejudicar os negócios das barracas já existentes, colocou-se critérios para que não houvesse conflito. Foi estabelecida uma taxa de adesão ao grupo, de 40% do salário mínimo, e o interessado precisa comercializar algo que não esteja sendo oferecido pelos demais. Com essas medidas, o acesso de pessoas novas ficou mais restrito. O borracheiro Marcos Geraldo dos Santos,

Marcos Geraldo dos Santos, borracheiro e dono de barraca na Feira da Lua: nova fonte de renda

morador de Guaravera há 14 anos, trabalha em tempo integral em seu próprio negócio, mas sentia a necessidade de aumentar seus ganhos. Ele foi um dos fundadores do grupo e hoje possui uma barraca na Feira da Lua, na qual vende aquários, peixes ornamentais, frango, pizza e bebidas. O distrito de Guaravera, que era famoso pela Feira da Uva, se viu perdido depois que o cultivo da uva diminuiu e o grande evento da cidade morreu. O grupo de trabalho da comunidade imaginou que poderia criar uma feira que pudesse tomar o lugar da festa, embora a Festa da Uva tivesse uma dimensão muito maior. O grupo enfrentou o desafio e foi procurar as barracas na prefeitura. A Secretaria de Cultura emprestou as barracas com a condição de que os moradores de Guaravera pagassem 180 reais de frete para buscar e levar as barracas. O segundo passo foi pedir um apoio da vinícola para ajudar a confeccionar os cartazes. Conseguiram isso também. Hoje a Feira da Lua é

uma atração da região que mobiliza mais de 1,5 mil pessoas por fim-de-semana e cada barraca fatura em média R$ 200,00 a R$ 300,00 por fim-de-semana, o que representa muito para pessoas que até pouco tempo atrás sofriam para pagar as contas. Virou um ponto em que é possível comprar artesanato, flores, flores de plástico, vasos, guardanapos, roupas feitas de crochê, bordados, paliteiros feitos de latas de alumínio, mini-pizzas, salgadinhos, espetinho de carne frito ou assado na grelha, porção de carne, lingüiça ou mussarela, espeto de peixe (de carpa), yakissoba e também asa de frango recheada com presunto e mussarela. Dentre as atrações já existentes está a animação com som profissional executando diversos ritmos como o axé, sertanejo, forró e rock. Também é possível mandar um correio elegante, e para as crianças existe passeio a cavalo e brinquedos. O retorno tem sido tão bom que os integrantes da feira já estão estudando comprar a própria barraca.

As pessoas que aparecem para dançar, brincar e se divertir acabam por movimentar também os bares no entorno da feira. Isso fez com que o distrito se movimentasse e atraísse pessoas de outros lugares também. Inspirado no sucesso da Feira da Lua, Guaravera também está gerando mais dois grupos novos. São grupos de costureiras que possuem equipamentos, têm capacitação, mas que atualmente trabalham isoladas. Simone Yumi Toda possui uma loja de confecções em Guaravera com uma sócia e participou de duas reuniões em que foram ensinados controles financeiros e de estoque. Ela diz que esses controles ajudaram bastante a equilibrar as contas da empresa. Ela também mudou o seu atendimento, diversificou mais os produtos, mudou o foco de seu público-alvo que antes era voltado somente para os adolescentes e hoje está possui roupas infantis e de senhoras. Com tudo isso conseguiu atrair mais clientes e está satisfeita com o retorno obtido. Em Irerê, o trabalho baseado nas pesquisas está caminhando para uma implantação de uma feira, e no Espírito Santo existe um grupo, a Colônia Coroados. A comunidade toda do Espírito Santo criou um grupo de artesanato baseado no levantamento que foi feito. A forte influência da colônia nipônica possibilitou que eles produzissem móveis e artesanato em bambu. O grupo acabou de passar por uma capacitação e agora está se aperfeiçoando. Eles conseguiram, através desse trabalho, melhorar o trevo e a entrada do patrimônio, com identificação visual própria. Tudo isso graças à organização social desenvolvida em prol do turismo. (Vitor Ogawa)


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INTEGRAÇÃO

Arapongas apostou na movelaria.

E acertou

Proliferação de marcenarias, na década de 1960, levou o município a investir num parque industrial que viria a ser o embrião do pólo moveleiro que é hoje o maior do Estado e o segundo do País

Fábrica de móveis: eixo econômico de Arapongas

Fábio Cavazotti Especial para o Jornal da ACIL Predomínio da atividade rural foi o fator característico da economia de Arapongas no início de sua colonização. Fundada em 1935 pela Companhia de Terras Norte do Paraná, a exemplo da maior parte dos municípios do Norte do Paraná, Arapongas reproduziu o ciclo econômico regional até o início da década de 1960, quando começou a diversificar as

atividades produtivas. Os primeiros impulsos de industrialização se deram no setor de processamento dos produtos primários: empresas alimentícias e de couro, nas décadas de 1960 e 1970. O grande salto, no entanto, que se transformou na marca característica da economia de Arapongas, ocorreu com o surgimento da indústria moveleira. De acordo com o secretário de governo e futuro se

Indústria moveleira representou 64,75% do PIB do município em 2004 e responde por 8,7% do faturamento total do setor no País. Fábricas geram 7,5 mil empregos diretos


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cretário de Indústria e Comércio de Arapongas, Luiz Pontes, Arapongas é hoje o segundo maior pólo moveleiro do País e o primeiro do Paraná. O próximo passo do segmento para fortalecer sua posição deve ser o investimento para aumentar as vendas ao mercado externo. A diversificação dos modelos para produção de móveis direcionados à classe B também se apresenta como um dos objetivos do setor. Atualmente, o perfil dos compradores é composto predominantemente pelas classes C e D. “Temos informações de que 95% dos móveis produzidos em Arapongas são comercializados no mercado nacional, e apenas 5% para o mercado externo, notadamente para o Canadá, Europa, Ásia e África. Esse é um gargalo preocupante: precisamos conquistar o mercado externo”, diz o secretário. Em paralelo à industrialização, a atividade rural também se desenvolveu ao longo da história de Arapongas. Levantamento da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano (Sedu), indica que, além das indústrias de couro, alimentos e móveis, destacam-se em

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27 giu, empresarialmente, a partir dos anos 1960. Naquela década, a Prefeitura, percebendo a proliferação de marcenarias de fundo de quintal, criou o primeiro parque industrial e fez a doação de três terrenos para empreendedores locais. Desta forma, Arapongas levou à criação das primeiras indústrias de móveis. A atividade evoluiu e na década de 1970 os empresários criaram a Associação dos Moveleiros de Arapongas, entidade que nos anos 1980 se transformou no Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima). O Sindicato congrega hoje 60 associados no município e 145 no eixo LondrinaMaringá, sua base de atuação. A importância da indústria moveleira para a economia local pode ser medida em números: em 2004, R$ 812 milhões, o que representa 64,75% do Produto Interno Bruto (PIB); gera 7.500 empregos diretos. O setor também é responsável pela realização do maior evento econômico bianual do Norte do Estado, a Feira de Móveis do Paraná (Movelpar). O pólo moveleiro de Arapongas responde por 8,7% do faturamento total do

NÚMEROS DO MUNICÍPIO

População .................................................................................................... 85.415 PIB ............................................................................................... US$ 168,5 milhões PIB per capita .......................................................................................... US$ 2.453 População economicamente ativa ................................................ 35.209 hab.

COOP. DE ECO. E CRÉDITO MÚTUO DOS COM. DE CONF. DO NORTE DO PARANA - SICOOB NORTE CNPJ Nº 05.582.619/0001-75 PARANA

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS PROCEDIDAS EM 30/04/2005 BALANCETE PATRIMONIAL 30/04/2005 R$ ATIVO CIRCULANTE ........................................... 27.679.672,98 DISPONIBILIDADES ............................................. 12.297.619,51 TÍTULOS E VAL.MOBILIAR. ......................................... 41.267,48 Títulos de Renda Fixa ............................................................... Títulos de Renda Variável ........................................ 41.267,48 OPERAÇÕES DE CRÉDITO .................................. 15.005.901,29 Operações de Créd.Setor Priv. ....................... 15.203.119,03 (-)Prov. P/Operações de Crédito ......................... 197.217,74 OUTROS CRÉDITOS .................................................. 281.937,10 Rendas a Receber ................................................. 211.485,67 Diversos ...................................................................... 70.451,43 OUTROS VALORES E BENS ......................................... 52.947,60 Despesas Antecipadas ............................................ 52.947,60 PERMANENTE ........................................................ 1.225.670,32 INVESTIMENTOS ....................................................... 611.274,08 Ações e Cotas ........................................................ 611.274,08 IMOBILIZADO DE USO ............................................. 362.659,09 Instalações, Moveis e Equip. ................................. 170.984,04 Outras Imob. De Uso .............................................. 256.814,99 (-) depreciações Acum. .......................................... 65.139,94 DIFERIDO .................................................................. 251.737,15 Gastos de Org. Expansão ..................................... 311.645,11 (-)Amortizações Acum. ........................................... 59.907,96 COMPENSAÇÃO ................................................ 79.135.503,22 Custódia de Valore ............................................. 4.932.876,10 Controle ............................................................. 58.999.508,09 Classificação da cart. de Créditos ................. 15.203.119,03 TOTAL DO ATIVO .............................................. 108.040.846,52

DESCRIÇÃO

30/04/2005 R$ PASSIVO CIRCULANTE ................................... 21.384.686,72 DEPOSITOS ..................................................... 20.697.792,11 Depositos à vista .............................................. 4.975.813,39 Depositos à prazo .......................................... 15.721.978,72 RELAÇÕES INTERFINANCEIRAS ........................................... Cheques e outros papeis recebidos ................................. RELAÇÕES INTERDEPENDENCIAS ........................... 2.581,73 Recursos em Transito de terceiros ........................ 2.581,73 OUTRAS OBRIGAÇÕES ....................................... 684.312,88 Cobrança e Arrec.de Trib. E Assemelhados .......... 110,12 Sociais e Estatutárias ............................................ 69.480,48 Fiscais e Previdenciárias .................................... 207.866,79 Diversas ................................................................ 406.855,49 PATRIMÔNIO LÍQUIDO .................................... 7.520.656,58 Capital de Domic. No País ............................. 6.550.195,81 Reservas de Lucros ............................................. 341.791,60 Sobras ou Perdas Acum. No Período ............... 628.669,17 COMPENSAÇÃO ........................................... 79.135.503,22 Custódia de Valores ........................................ 4.932.876,10 Controle .......................................................... 58.999.508,09 Classificações de Cart. De Créditos ........... 15.203.119,03

TOTAL DO PASSIVO ..................................... 108.040.846,52

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO EM 30/04/2005

30/04/2005 R$ 10. RECEITAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 1.932.218,34 Operações de Crédito ..................................................................................................................................................... 1.930.490,19 Resultado de Operações com. Tít.e Valores Mobiliários. .................................................................................................... 1.728,15 15. DESPESAS DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA .......................................................................................................... (1.004.971,95) Operações de Captação no Mercado ......................................................................................................................... (872.535,41) Provisão para Operações de Crédito Líquid. Duvidosa ............................................................................................... (132.436,54) 20. RESULTADO BRUTO DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA (10-15) ................................................................................. 927.246,39 50. OUTRAS RECEITAS/DESPESAS OPERACIONAIS ........................................................................................................... (297.668,70) Receitas de Prestação de Serviços ................................................................................................................................... 159.487,05 Despesas de Pessoal .......................................................................................................................................................... (448.054,69) Outras Despesas Administrativas ..................................................................................................................................... (616.749,88) Despesas Tributárias ............................................................................................................................................................. (43.398,74) Outras Receitas Operacionais ........................................................................................................................................... 745.038,40 Outras Despesas Operacionais .......................................................................................................................................... (93.990,84) 60.RESULTADO OPERACIONAL (20+50) .............................................................................................................................. 629.577,69 65. RESULTADO NÃO OPERACIONAL ............................................................................................................................................. 1,98 75. RESULTADO ANT.TRIB. LUCRO E PART. (60+65) .............................................................................................................. 629.579,67 80. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ............................................................................................................... (910,50) 85. PARTICIP.ESTATURÁRIAS NO LUCRO ............................................................................................................................................... 90. SOBRAS OU PERDAS (75-80-85) ..................................................................................................................................... 628.669,17

Fonte: IBGE e Sedu

NOTAS EXPLICATIVAS - 30.04.2005 NOTA 01 - APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

Pólo Moveleiro de Arapongas Empresas ............................................................................................ 60 unidades Empregos diretos ............................................................................................ 7.430 Empregos indiretos ......................................................................................... 2.100 Participação no PIB municipal ................................................................. 64,75% Faturamento .................................................................................. R$ 812 milhões

a) Estão sendo apresentadas de acordo com a Legislação específica do Sistema Cooperativo e preceitos do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional - COSIF. NOTA 02 - OUTROS CRÉDITOS O saldo de R$-70.451,43- classificado no Ativo Circulante como Diversos, grupo Outros Créditos está assim composto: Conta Saldo Adiantamentos e Antecipações Salariais .................................................................. 7.242,27 Adiantamentos por conta Imobilizações ................................................................. 21.700,00 Títulos e Créditos a receber ........................................................................................... 9.936,14 Valores em Compensação ......................................................................................... 21.319,40 Adiantamentos p/pagamentos n/conta ................................................................. 10.253,62 TOTAL ........................................................................................................................... 70.451,43

Fonte: Sima/2004

NOTA 03 - PRINCIPAIS PRÁTICAS CONTÁBEIS

Arapongas as unidades da indústria química. O setor primário ainda ocupa espaço importante na economia local e responde por aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em US$ 168,5 milhões. “Nossos principais produtos são os grãos – principalmente soja e milho –, avicultura e suinocultura. Mas os dados econômicos estão defasados. O Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico) está realizando novos levantamentos.” Com 85.415 habitantes, sendo 3.638 na zona rural, Arapongas é o tema da quinta reportagem especial sobre os municípios norteparanaenses, parte de uma série iniciada em janeiro pelo Jornal da ACIL. Em pauta, o perfil econômico e a integração regional. Nas edições anteriores, foram abordados os municípios de Maringá, Paiçandu, Sarandi, Marialva, Mandaguari, Jandaia do Sul, Cambira, Apucarana. Nos próximos meses serão focados Rolândia, Cambé, Ibiporã e Londrina. O setor que funciona como carrochefe da economia de Arapongas sur-

setor de móveis no País, de acordo com dados do Sima. Para sediar a Movelpar, o empresariado de Arapongas se uniu para construir o Pavilhão Internacional Expoara, localizado às margens da BR376, a menos de 40 km de Londrina. A Movelpar/2005, que ocorreu em fevereiro, teve 180 expositores e 25 mil visitantes. Balanço oficial apurado após o evento indica que o faturamento chegou à casa de R$ 250 milhões. “A organização já iniciou os preparativos para a próxima feira, que acontece em 2007. Queremos que o evento supere todos os seus números, garantindo a superação e o sucesso mais uma vez”, disse o coordenador da Movelpar, Rubens Ortiz. Em 2007 a feira estará completando dez anos de existência. Além da Movelpar, o Pavilhão Expoara sedia a Feira Internacional da Qualidade em Máquinas, Matérias Primas e Assessórios para Indústria Moveleira (FIQ) e outros eventos de médio e grande portes.

a) Apuração do Resultado: As Receitas e Despesas são apropriadas mensalmente, pelo regime de competência. b) Operações Ativas e Passivas: As operações Ativas e Passivas com encargos pré e pós-fixados são registradas pelo valor principal, com acréscimo dos respectivos encargos incorridos inclusive atualização monetária observada a periodicidade da capitalização contratual. c) Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa: A provisão para créditos de liquidação duvidosa teve seu método de constituição modificado em função da Resolução 2682 de 21.12.1999, com efeitos a partir de 01.03.2000, sendo que cada devedor terá uma classificação específica em função do risco ou não, bem como em função do efeito atraso a partir de 15 dias, estando a carteira de empréstimos assim classificada em 30.04.2005: Classificações Operações Nível AA Operações Nível A Operações Nível B Operações Nível C Operações Nível D Operações Nível E Operações Nível F Operações Nível G Operações Nível H Totais

Normal 89.039,89 14.745.201,15 12.589,21 103.749,54 60.736,40 2.208,99 460,75 2.790,24 53.988,95 15.070.765,12

Vencida 1.564,64 12.458,78 19.919,33 28.081,06 23.054,21 326,65 745,18 46.204,06 132.353,91

Total 89.039,89 14.746.765,79 25.047,99 123.668,87 88.817,46 25.263,20 787,40 3.535,42 100.193,01 15.203.119,03

d) Efeitos Inflacionários: Não efetuada a Correção Monetária dos valores que compõem o Ativo Permanente e Patrimônio Líquido, em obediência a Lei 9249 de 26.12.95, art. 4º, a que veda a tal providência no âmbito das demonstrações financeiras. e) Investimentos: Estão demonstrados ao custo de aquisição, deduzido, conforme o caso, das provisões para Perdas. f) Imobilizado: Demonstrado pelo custo de aquisição. As depreciações são calculadas pelo método linear com base em taxas determinadas pelo prazo de vida útil estimado: *Instalações, móveis e equipamentos de uso *Sistema de transportes e equipamentos Proc. Dados *Bens imóveis sujeitos à depreciação

10% a . A 20% a . A 4% a . A

NOTAS 04 - OUTRAS OBRIGAÇÕES DIVERSAS O Saldo de R$-406.855,49- classificado no Passivo Circulante como Diversos, grupo Outras Obrigações está assim composto: Conta Saldo Cheques Administrativos .............................................................................................. 14.960,87 Fornecedores .................................................................................................................. 40.091,08 Provisão para pagamento de pessoal ..................................................................... 92.485,41 LUIZ BARÃO RAFAEL DE GIOVANI NETTO FRANCISCO ONTIVERO ANTONIO Outras Despesas Administrativas .............................................................................. 120.069,02 Diretor Vice-Presidente Diretor Presidente CONTADOR Crédores Diversos .......................................................................................................... 12.959,84 Cheques descontados ............................................................................................... 126.289,27 CPF. 486.511.508-06 CPF.115.577.969-04 CPF.408.585.539-53

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Modelo para o País LC&VB é referência brasileira de Convention estabelecido no interior; entidade é a maior do Paraná em número de associados Incentivar o turismo de eventos, trabalhar na captação de eventos e promover a Cidade em todo o Brasil. Trabalhando intensamente com essa filosofia, o Londrina Convention & Visitors Bureau (LC&VB) se tornou uma referência em todo o Brasil. Constantemente, a entidade local tem sido solicitada para auxiliar na estruturação de Conventions de outras cidades. Além disso, no final do ano passado, a Embratur e o próprio mercado de turismo declararam que o LC&VB é um dos Conventions modelo do interior do País. A “consultoria” já foi prestada para a fundação do Convention Bureau de Campo Grande (MS) e na elaboração do estatuto do Convention de Ponta Grossa. A introdução das rodadas de negócios – que liga empresasâncora e prestadores de serviços – também tem chamado a atenção. Conventions de todo o País têm consultado a entidade local sobre a realização e o planejamento dessas rodadas. Atualmente o LC&VB é o maior do Paraná em número de associados: são 92 ao todo. Nesse quesito, Londrina supera cidades tradicionalmente turísticas como Foz do Iguaçu e Curitiba. A meta agora é atingir 150 filiados até o final do próximo ano. “Isso mostra que os empresários locais e regionais apóiam nosso trabalho e estão se filiando por causa dos bons resultados alcançados”, avalia Maitê Ulhmann, diretora-executiva do LC&VB. Além de trabalhar para divulgar o potencial da Cidade, o LC&VB também mostra as qualidades regionais e, inclusive, já conta com associados de Cambé, Arapongas e Cornélio Procópio. Em abril, por iniciativa do Convention de Londrina, foi fundada a Federação dos Conventions do Paraná. A federação terá um assento no Conselho Estadual de Turismo e, com isso, poderá garantir mais democraticamente a distribuição de verbas também para o interior. Até então, os recursos eram destinados apenas para Curitiba e Foz do Iguaçu, cidades consideradas turísticas no Estado. Cinco municípios paranaenses têm Conventions estabelecidos (Curitiba, Foz do Iguaçu, Maringá, Londrina e Ponta Grossa) e todos fazem parte da federação. TURISMO CULTURAL – Teve início neste mês o trabalho de divulgação do turismo cultural na Cidade. “Londrina não tem atrativos naturais como cacho-

eiras ou praias, mas temos vários eventos culturais que podem atrair muitos visitantes”, diz Maitê. A partir dos vários eventos realizados em Londrina – Londrina Matsuri, Mostra de Decoração e Interiores, Filo, Festival de Dança e Londrina Jazz Festival –, foi montado um folder que mostra também as potencialidades da Cidade. O trabalho já foi apresentado em Curitiba neste mês e, em junho, será divulgado no Salão do Turismo, em São Paulo. “É um projeto pioneiro, que vai seguir continuamente”, afirma. Além disso, por incentivo do LC&VB

de equipamentos para encerrar seus serviços, mas o LC&VB acredita que essa decisão foi tomada aleatoriamente, sem a realização de um estudo de mercado. “Foi montada uma comitiva com entidades e fizemos uma reunião com os diretores da Varig, mostrando os dados de Londrina”, informa a diretora-executiva do Convention. Em parceria com a CMTU, Codel e Abav também está em estudo uma lei de qualificação para taxistas. O LC&VB, inclusive, já enviou à Companhia Municipal de Trânsito uma cópia da lei de Curitiba, onde essa reciclagem é obrigatória desde a década de 1970. “Estamos estudando a melhor maneira de tornar regular essa qualifiO LC&VB EM NÚMEROS cação. Afinal, os taxistas são o cartão de visitas da cidade”, argumenta Maitê. Número de associados: 92 O turismo de eventos pode injeArrecadação (abril): R$ 11.122,53 tar quase R$ 20 milhões na economia local até 2007. Os dados são Orçamentos gerados para sócios: + de 80 preliminares e envolvem a realização de 19 eventos. Atualmente, o Calendário de Eventos da Cidade: 208 (até 17/05/05) Londrina Convention & Visitors Bureau está realizando estudos para Eventos captados: 04 apresentar aos organizadores a candidatura de Londrina para sediar Eventos em prospecção: 19 esses eventos. Com todos estes evenEventos apoiados: 21 tos, a Cidade vai receber a visita de 67 mil pessoas. Todos esses números devem trazer ao comércio local um impacto superior a R$ OS NÚMEROS ATÉ MAIO... 1.270.000,00. A captação de eventos é bastante trabalhosa porque envolve estuEventos trabalhados entre captação e apoio: 19 (até junho 2006) dos, pesquisas e planejamento. Primeiramente, tem que ser feito um Número de visitantes: 67.150 pessoas trabalho de sensibilização dos promotores. Depois disso, é marcada Somatória dos orçamentos: R$ 7.150.000,00 uma assembléia para apresentação Previsão do gasto por visitante: R$ 12.726.000,00 da candidatura oficial da Cidade. Nesta ocasião, o LC&VB já apresenta Previsão de impacto no comércio: R$ 1.272.600,00 os realizadores locais, apoios, local de realização e ainda indica potenciais patrocinadores e os fomentadores de pesquisa. Também é apresentado o comitê foi ampliada a estrutura para o turismo de eventos da Cidade. O Centro de Eventos gestor local e sugerido um formato de Londrina construiu 4 novas salas e, para o evento, os temas que podem agora, tem capacidade para abrigar 2,7 ser discutidos em palestras, confemil pessoas. A entidade também auxiliou rências e debates, a programação e o Catuaí Shopping na elaboração de um até o seu orçamento. Ainda há uma business plan para a estruturação do argumentação das qualidades da Ciseu Centro de Eventos. Segundo a dade e região como localização geosuperintendência do shopping, o resul- gráfica privilegiada, estrutura de tado deste projeto deverá ser conhecido equipamentos e hotelaria adequada, Cidade barata com relação ao mix de até o final deste mês. O Convention também está serviços necessários para o evento, monitorando a Varig, uma vez que a presença de cinco universidades e empresa deixou de operar e Londrina no oito faculdades o que garante uma início deste mês. A empresa alegou falta boa concentração de público acadê-

mico, locais de demonstração de campo, entre outros itens. No final deste mês, o LC&VB apresentará uma candidatura em assembléia com os promotores do Zootec. Essa reunião será realizada em Campo Grande (MS). Esse evento, se captado, será realizado em 2007 e a previsão é que mais de mil pessoas participem. Em julho, há outra candidatura agendada com os promotores do XXXVI Conbea (Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola). O evento poderá ser realizado em julho de 2006 ou 2007 e teria como realizadores locais Embrapa Soja, Iapar e UEL. Neste caso, é esperada a participação de 1,2 mil pessoas. NÚMEROS – Desde 2003, o LC&VB está registrando um aumento em seu número de associados. Naquele ano eram 47; atualmente são 92. Ainda em 2003 foram realizados 168 eventos no total; para este ano já estão no calendário do órgão 208. “Até o final de 2006 esperamos contar com 150 associados. Pretendemos ainda mais intensificar o apoio e a captação de eventos para a cidade”, afirma Maitê Ulhmann, do LC&VB.


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CRÔNICA Jota Oliveira Especial para o Jornal da ACIL

Anúncios de jornal Algum marqueteiro ou publicitário deve saber a longevidade e o alcance de um anúncio de jornal. Eu não sei estimar isso e, como jornalista, tenho certa antipatia por anúncio, que muitas vezes aparece quando você fechou aquela bela página, com matéria importante, que acaba mutilada ou suprimida pelo aparecimento de um anúncio de última hora. Sei que a propaganda é indispensável para a sobrevivência de um jornal eclético, independente, mas é doloroso perder uma matéria que deu tanto trabalho, para um anúncio que já vem pronto da Agência de Publicidade. A “guerra” entre Redação e Comercial nunca vai acabar. É fenômeno mundial – do Pólo Norte às dunas do Saara, onde houver um jornalista, haverá um “contato” (vendedor de anúncios) e a ojeriza entre eles. Esta é coisa natural, como água e azeite, que não se misturam. Mas, admito, o diacho do anúncio é importante também até como distração... e cultura. Que o diga quem já sentou numa privada de posto de gasolina ou de um boteco de beira de estrada e viu, na sua frente, jornais velhos rasgados, para serem usados como papel nada higiênico. Ele se distrairá, vendo empresas, produtos e anúncios antigos, o que também é cultura, junto com informações que vai ter daquela época. No “sanitário” de um posto de combustíveis, no Bairro dos França, eu vi, há anos, em pedaços da Folha de Londrina, anúncios de imobiliárias que vendiam terras no Paraná e no Oeste e Norte do País, além de propagandas de outras grandes empresas que, nos anos 60, já tinham desaparecido. Outras desapareceram mais recentemente, porque fecharam ou porque foram absorvidas por empresas maiores. Lendo minha coleção de “Realidade”, uma das melhores revistas já feitas no Brasil, vi anúncios de carros, brilhando de novos e que não se vêem mais. Vi até anúncio dos famosos “biribas”, que formavam a maior frota de carros de aluguel de Londrina. Tinha ali muitas outras obras da indústria mundial e nacional. Não sei

quantos anos mais durará aquela coleção encadernada. Nela, assim como em “Seleções” e nos arquivos de jornais, meus filhos puderam saber o que acontecia no mundo, quando nasceram. Nos arquivos de jornais, souberam o que acontecia de mais importante em Londrina, no Paraná e no Brasil. Viram os modelos, agora há muito ultrapassados, de automóveis, geladeiras, fogões, roupas e aviões. Há equívocos históricos, que jornais e revistas cometem, como a matéria principal de uma grande revista que, em março de 64, publicou na primeira página: “O País que salvou a si mesmo”. O país era o Brasil...O ano, 1964. Bem, eu comecei falando na longevidade dos anúncios em jornais e revistas e acabei ampliando o assunto para as notícias. No tempo dos cafezais, predominantes no Norte do Paraná, encontravam-se pedaços de material impresso largados à sombra dos cafeeiros ou em outros lugares onde houvesse alguma privacidade. Eu ia para São Paulo, com a família e as crianças, que gritavam e brigavam no banco de trás do Fusca. Elas sentiram

sede. Uma mina jorrava na beira da estrada, acho que entre Bandeirantes e Santa Mariana, no lado esquerdo de quem segue no sentido de Ourinhos. Parei e, enquanto minha esposa tomava conta das crianças, subi um barranco, até um bosque, onde nascia a água, que descia, por uma tubulação de plástico, até a bica na beira da estrada. Ajeitei-me numa posição discreta, perto de uma árvore e, bem na minha frente, vi um pedaço da Folha de S. Paulo. Eu era correspondente e, pra minha surpresa, estava lá uma matéria minha, assinada, publicada há meses. Falava de uma escola-modelo do Norte Pioneiro, não me lembro mais onde, talvez Jacarezinho. Ou Santo Antônio da Platina. Li, satisfeito: afinal alguém lera aquela notícia. Deixei o recorte no mesmo lugar, para que o próximo usuário da moita também pudesse ler. Agora, mexendo em meus arquivos (de vez em quando é bom tirar a poeira dos arquivos), vejo de novo notícias antigas. Na primeira página da Folha de Londrina, edição de 10/9/79, a notícia de que morrera na véspera o sambista Nerino Silva. Ao lado, a foto de uma

Lembro-me de (outras) lojas famosas e anunciantes, daquela e de outras épocas: Móveis Cimo, Motosima, Casas Buri, Mayrinck Góes, Casas Fuganti, Mesbla, Lord, Lojas D’Andrea ...

mandioca de dois metros e meio, exposta numa livraria de Rolândia. Pena que, na época, as fotografias e os textos-legendas não eram assinados. Não dá pra saber quem fotografou e quem escreveu. Acima estava a foto de um seguidor do paranormal Uri Gueller. O imitador de Uri fazia um truque na Redação do jornal: rasgou em duas uma nota de 500 cruzeiros, pediu a um repórter para segurar a metade, fez um “passe” sobre a mão do repórter e, quando o jornalista abriu a mão, a nota estava inteira! Em quatro colunas do rodapé, lado direito, um anúncio de Casas Blanc, comunicando mudança de endereço, para a Rua Duque de Caxias, 582. Lembro-me de outras lojas famosas e anunciantes, daquela e de outras épocas: Móveis Cimo, Motosima, Casas Buri, Mayrinck Góes (uma loja vendia linha branca; outra, veículos Ford), Casas Fuganti, Mesbla, Lord – “A Loja”, como anunciava Aroldo Romano na televisão; Lojas D’Andrea; Franz, Hotel Bourbon, Hotel São Jorge, que fechou como Sahão Palace Hotel; Restaurante Lodi, Bar e Restaurante Caloni e dezenas de outros estabelecimentos grandes e pequenos. Então, lembrei-me de que desapareceram o Bar Líder, que durante mais de quarenta anos nunca fechou as portas; churrascarias Campo Grande e Gaúcha... Existia aqui, na esquina das ruas Duque de Caxias e Sergipe (ou seria mais embaixo?), a “Panela de Pressão”, de grandes carnavais; na Vila Nova, a Arol, o chamado “Clube dos Pretos”, que também promovia grandes bailes. O mais que falado Salão de Chá Fuganti, freqüentado principalmente pelos que os comunistas chamariam de burgueses. Mas os desaparecimentos que mais surpreenderam foram das lojas Fuganti e Hermes Macedo – esta um fenômeno nacional, que chegara a ser a maior rede de lojas de departamentos do País. Todos esses nomes estão ali, empoeirados, nos arquivos da cidade, em todos os jornais que já existiram e existem em Londrina. Devido à modernização dos sanitários - até dos postos de gasolina de beira de estrada e um dia, quem sabe?, das estações rodoviárias - você provavelmente não lerá este escrito em uma privada do interior do Paraná; nem sob um cafeeiro e muito menos num bosque na beira da estrada – porque, como as grandes lojas, hoje mortas, e antigos anúncios e notícias de jornal, cafeeiros e bosques poderão ser, em breve, apenas uma lembrança preservada em fotografias de museu. Mas o jornal, apesar da onda de webjornalismo, não desaparecerá. Até porque ninguém leva o computador para o banheiro de um posto de gasolina, para uma moita na beira da estrada. Ou será que leva?... Jota Oliveira é jornalista em Londrina


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ESPAÇO APP - ASSOCIAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE PROPAGANDA

Produtoras de vídeo terão que ter registro na Ancine Todos os vídeos veiculados em televisão e cinema, mesmo produções antigas, terão que ter registro da Ancine para irem ao ar. Pagamento de taxa será necessária caso o material seja veiculado em municípios com população superior a 1 milhão de habitantes Em 2001, o governo federal decidiu criar um órgão de fomento, regulação e fiscalização das indústrias cinematográfica e videofonográfica. Neste ano, através de Medida Provisória, nasceu a Ancine Agência Nacional do Cinema, uma agência independente, mas vinculada ao Ministério da Cultura desde 2003. Em princípio, a Ancine teria a finalidade de promover a autosustentabilidade da indústria cinematográfica e videofonográfica nacional nos vários elos da cadeia produtiva, garantindo a participação das obras de produção nacional em todos os segmentos do mercado interno. E ainda, apoiar a capacitação de recursos humanos e o desenvolvimento tecnológico do setor, zelando pelo respeito ao direito autoral sobre obras audiovisuais nacionais e estrangeiras. Em junho de 2002, a Ancine colocou em vigor as novas regras para a produção de filmes publicitários brasileiros e instituiu o Condecine – Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematrográfica Nacional (Condecine). De acordo com as novas determinações, passou a ser obrigatório o registro da produtora do filme na Ancine. O objetivo seria o de contribuir para o desenvolvimento da indústria cinematográfica e regulamentação da forma

de produção também de filmes publicitários brasileiros. Assim, a obra publicitária passou a ser considerada parte da indústria videofonográfica, estando sujeita a uma série de obrigações, entre elas o registro do título do vt comercial passou a ser necessário para sua veiculação. Sem ele, os veículos não poderão aceitar a divulgação do comercial.

TAXAS Segundo as regras, a veiculação dos vts em municípios com menos de 1 milhão de habitantes está isenta de taxas, assim como as obras de caráter beneficente, filantrópica e de propaganda política. Para veiculações em municípios que tenham mais de 1 milhão de moradores, o recolhimento deverá ser feito pela empresa produtora. A taxa, anual, deve ser recolhida para cada segmento de mercado em que a obra seja veiculada. Versões, adaptações, vinhetas e chamadas realizadas a partir da obra publicitária original devem ser consideradas de forma conjunta em um só título para o pagamento da Condecine. Todas as obras, mesmo as antigas, nacionais ou estrangeiras, deverão ser registradas na Ancine antes de serem exibidas, veiculadas ou comercializadas. Quem paga é a empresa produtora do comercial.

A Condecine terá validade de cinco anos para obras não publicitárias e de 12 meses para obras publicitárias, sempre por segmento de mercado a que se destinarem. O pagamento se faz através de Darf, na data do registro do título ou até o primeiro dia útil seguinte à sua solicitação. O não recolhimento impõe o pagamento de multa que varia de 2 mil a 2 milhões de reais. É bom lembrar que mesmo as obras publicitárias isentas do pagamento da Condecine, estão obrigadas a inserir na claquete o número do registro na Ancine. Para isso, o órgão exige o registro prévio de todas as empresas de produção, distribuição e exibição de obras cinematográficas e v i d e o f o n o g r á ficas nacionais ou estrangeiras. Os recursos arrecadados, segundo a Medida Provisória, serão direcionados ao custeio das atividades da Ancine, ao fomento do cinema e do audiovisual desenvolvidos pelo Ministério da Cultura e ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Cinema Nacional - Prodecine. Sem o registro da empresa, será impossível obter o registro da própria obra e efetuar o pagamento da Condecine. As obras videofonográficas publicitárias poderão ser exibidas a partir da solicitação do registro do título junto à Ancine, mas poderão ser

retiradas de exibição caso seja constando o não pagamento da Condecine ou o fornecimento de informações incorretas.

CLAQUETE O Certificado de Registro de Título de obra audiovisual publicitária brasileira e de obra publicitária brasileira filmada no exterior se equipara ao Certificado de Produto Brasileiro. Na forma do disposto na Instrução nº 5 da Ancine, é obrigatório que da claquete de identificação da obra publicitária constem as seguintes informações: (I) título; (II) versão; (III) duração em segundos; (IV) empresa produtora; (v) agência; (VI) anunciante; (VII) produto anunciado; (VIII) nome do diretor; (IX) número do registro do título por segmento de mercado; (X)

data de solicitação do registro (XI) qualificação da obra – brasileira, brasileira filmada no exterior, estrangeira adaptada ou estrangeira. Os veículos de comunicação que divulgarem cópia ou original de obra cinematográfica ou videofonográfica publicitária, sem que conste na claquete de identificação o número do respectivo registro do título, pagarão multa correspondente a três vezes o valor do contrato ou da veiculação. INFORMAÇÕES Através do site www.ancine.gov.br são disponibilizados dados estatísticos, boletos de recolhimento de taxas, formulários, editais, esclarecimentos pertinentes à legislação em vigor e notícias do setor.

Espaço APP-Londrina é uma publicação da Associação dos Profissionais de Propaganda – Capítulo Londrina em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Londrina. Sede: Rua Minas Gerais, 297, 2o andar – Edifício Palácio do Comércio – Tel.: (43) 3329-5999. Endereço eletrônico: applondrina@sercomtel.com.br Texto e edição: Claudia Romariz - CR Comunicação Editoração eletrônica: Jornal da ACIL APP-Londrina Presidente: Spartaco Puccia Filho Vice Presidente: Carlos Macarini Diretor Financeiro: Alessandro Cesário Diretor 1º Secretário: Maria Ângela Ferraz Diretor 2º Secretário: Victor Gouveia Diretor: Luiz Felipe de Souza Diretor: Carlos Galli, Flávio Lanaro, Wagner Rodrigues, Renato Bastos Jr, Claudia Romariz Márcio Ceneviva Conselho de Administração Presidente: Spartaco Puccia Filho 1º Vice-Presidente: Valduir Pagani 2º Vice-Presidente: Carlos Macarini Membros: 1 - Alessandro Cesário, 2 - Maria Ângela Ferraz, 3 - Paulo Pereira Nobre, 4 - Renata Manttovanni Conselho Fiscal - Titulares: 1 - Rafael Lamastra Jr, 2 - JB Faria, 3 - Nivaldo Benvenho Suplentes: 1 - Rosana Modelli Kühnlein, 2 - Airton Soares, 3 - Edevaldo Custódio de Oliveira


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P A I N E L

J U R Í D I C O

Ed Nogueira de Azevedo Jr. Especial para Jornal da ACIL

Da nova Lei das Falências Figura da concordata fica extinta e, em substituição, surgem as possibilidades de recuperação extrajudicial e judicial da empresa Um dos assuntos mais comentados no Direito atualmente é, sem dúvida, a nova Lei de Falências (Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005), que surge para substituir um sistema que vigorou por quase 60 anos, depois de 11 anos em trâmite perante as casas legislativas federais. O objetivo maior do legislador foi viabilizar a recuperação de empresas em dificuldade financeira, com a manutenção de empregos, redução dos juros bancários e maiores garantias aos credores. Neste espaço, analisaremos de forma simples as inovações mais relevantes que serão implantadas por esta nova lei e seus reflexos na atividade empresarial. Com a aprovação da nova lei fica extinta a figura da concordata e, em substituição, surgem as possibilidades de recuperação extrajudicial e judicial da empresa. No processo de recuperação extrajudicial, apenas os credores mais relevantes são chamados a renegociar seus créditos, de forma a permitir que a empresa se reestruture sem comprometimento das características, prazos e valores dos créditos pertencentes aos demais credores. O empresário em situação de insolvência deverá apresentar aos seus credores, excluídos os trabalhadores e o Fisco, uma proposta de recuperação, que, se aceita pela maioria dos credores em Assembléia Geral, será levada ao Judiciário apenas para homologação. Nesta ocasião, o juiz apreciará os eventuais pedidos de impugnação formulados por credores insatisfeitos com o acordo e caso não sejam acatados, o acordo será homologado, cabendo sua gestão às partes envolvidas. O Poder Judiciário somente voltará a se manifestar na hipótese de descumprimento do acordo homologado. Neste caso, as relações entre devedor e credores retornarão aos termos anteriores, podendo ser requerida a instalação de um processo de recuperação judicial ou mesmo a falência. Esta possibilidade representa um grande avanço e benefício para os empresários, visto que, conforme o artigo 2º, inciso III da Lei nº 7.661/1945, aquele que propusesse dilatar o prazo de pagamento de suas obrigações e pedisse remissão de seu débito poderia ter sua Falência declarada.

A recuperação judicial é tida, por alguns doutrinadores, como a principal alteração proposta pela nova lei em substituição à atual concordata, espécie de moratória solicitada pela empresa à Justiça até que seja regularizado o pagamento das dívidas. Isto porque, através deste processo, seria possível evitar a quebra de empresas consideradas viáveis, por meio de acordo entre estas e uma comissão formada pelos credores. Diferentemente da recuperação extrajudicial mencionada no item anterior, a recuperação judicial não tem início com uma tentativa direta de acordo entre devedor e credores. Nesse instituto, o devedor apresenta ao Judiciário um plano de recuperação, contendo um diagnóstico da situação financeira da empresa e sua proposta para a renegociação das dívidas, inclusive as trabalhistas e tributárias. A proposta será então submetida a uma Assembléia Geral de Credores, que poderá aprová-la ou rejeitá-la. Durante 180 dias ficam suspensas todas as execuções de créditos e, nesta fase, apenas o Fisco tem o direito de executá-las. Havendo acordo, o juiz homologará o plano de recuperação elaborado pela empresa; caso contrário, terá início o processo de falência. Durante esse período, a empresa não poderá aumentar gastos, despesas ou contratar empregados, exceto se houver concordância do juiz, ouvidos os credores. Para as micro e pequenas empresas, o projeto estabelece que, no procedimento de recuperação judicial, os débitos existentes serão pagos em 36 (trinta e seis) meses, sendo a primeira parcela paga em 180 (cento e oitenta) dias após a apresentação do pedido de recuperação. No processo de recuperação extrajudicial não existe nenhuma ordem legal de preferência para o recebimento dos

No processo de recuperação extrajudicial não existe nenhuma ordem legal de preferência para o recebimento dos créditos

créditos. O pagamento deverá ser feito conforme pactuado entre o devedor e seus credores. O pagamento dos credores responderá a uma nova ordem de prioridade, diversa da estabelecida pela Lei nº 7.661/ 1945, que concede prioridade ao pagamento dos créditos de natureza trabalhista e fiscal. O novo texto estabelece que os créditos com garantia real (dívidas bancárias) passam a ter prioridade no processo de falência, abaixo apenas dos créditos trabalhistas, estes limitados ao valor equivalente a 150 (cento e cinqüenta) salários mínimos. Com isto, os bancos, principais credores de garantia real, irão contar com a segurança de poder recuperar o valor do empréstimo antes que as dívidas com o Fisco sejam pagas. O governo acredita que este aumento de garantia irá refletir positivamente no risco dos empréstimos bancários e deverá causar a diminuição do spread bancário, considerado um dos mais altos do mundo. Além disso, para o pagamento das dívidas, o devedor poderá ter seus bens vendidos sem a necessidade de composição do quadro geral dos credores. A nova lei aumenta o prazo que era de 60 para 90 dias do período suspeito, tornando inoponíveis perante a massa liquidanda certos atos praticados pelo devedor que venham a prejudicar os credores, como a constituição de garantia real ou alienação de bem do ativo imobilizado. O objetivo desta dilação de prazo é reforçar a proteção aos credores, garantindo que o patrimônio global do devedor sirva como garantia de suas dívidas. Outra inovação do legislador é a possibilidade de venda antecipada de bens, cujo objetivo é evitar que os bens se deteriorem ou se desvalorizem ao longo do tempo, além de minimizar possíveis fraudes e desvios que ocorrem na fase de arrecadação da

falência. A venda antecipada de bens deverá respeitar a seguinte ordem de preferência: a) alienação do estabelecimento em bloco; b) alienação de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente; c) alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do devedor, caso tenha cessado a exploração do seu negócio, ou de todos eles; d) a alienação parcelada ou individual dos bens. Embora o legislador tenha eliminado os institutos da concordata preventiva, concordata suspensiva e da continuidade dos negócios do falido, a possibilidade de decretação continua a existir, mesmo com a inserção das possibilidades de recuperação extrajudicial e judicial da empresa. A falência poderá ser requerida: a) pelo próprio devedor; b) pelo credor; c) em decorrência de decisão que, por qualquer motivo, julgue improcedente o pedido de recuperação judicial; d) pela não-aprovação do plano de recuperação judicial; e) pela conversão de um processo de recuperação judicial em Falência, quando uma obrigação essencial do empresário for descumprida. Destaca-se que para requerer o pedido de Falência será exigido, no mínimo, crédito equivalente a 40 (quarenta) salários mínimos. Ed Nogueira de Azevedo Junior é advogado em Londrina e consultor jurídico da ACIL


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Jornal da Acil  

Jornal da Acil, edição de maio de 2005

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