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Edição de 2018

UEMG FRUTAL

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Por que o brasileiro lê tão pouco? Estamos diariamente consumindo informações, mas não necessariamente lendo livros. Segundo pesquisa da Câmara Nacional de Livros em 2016, 77% dos entrevistados afirmaram que gostariam de ter lido mais.

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Movimento estudantil e os primeiros passos na política A universidade oferece para os estudantes inúmeros caminhos que podem se iniciar dentro dela e continuar pela vida toda. O movimento estudantil é um exemplo que acaba despertando o interesse dos jovens pela política.

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Apesar das dificuldades enfrentadas pelo esporte universitário, a luta para o incentivo ao esporte tem sido o lema dos estudantes da UEMG Frutal.

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Socorro! Minha maquiagem me causou alergia! As alergias com maquiagens são mais comuns do que imaginamos. A pele começa a coçar, ficar vermelha, às vezes os olhos ardem e a boca até incha ligeiramente.

A jornada importa mais que o destino

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Camping Barra do Monjolo: diversão, natureza e sossego Um lugar para relaxar e fugir da rotina. Faça um passeio diferente sem gastar muito.


EDITORIAL

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Nas primeiras aulas do curso de Comunicação Social, ainda em 2015, aprendemos os princípios do jornalismo. O compromisso com a verdade e a ética são algum deles. Mas nesta edição do Jornal O Foca, também trabalhamos pautados pela responsabilidade social do jornalista. A nossa missão vai além de noticiar os fatos, mas também incentivar os leitores à uma reflexão crítica a respeito de cada matéria. Para a IX Turma de Jornalismo, esta é uma pequena amostra do nosso produto final. Isso porque o talento de cada um vem sendo lapidado no decorrer destes quatro anos de graduação. Por isso, da reunião de pauta à diagramação, todas as etapas foram supervisionadas por nós mesmos, durante a disciplina Laboratório de Edição Jornalística, lecionada pela professora e pós-doutora, Marcela Paz. Não poderíamos deixar de citar também a parceria com a Agência Inova, que está sob a coordenação do Prof. Me.Carlos HenriqueSabinoCaldas, que nos auxiliou na criação do novo logo deste jornal laboratório. E com grande satisfação entregamos mais uma publicação deste jornal que já é tradição na UEMG Frutal. Aqui você vai encontrar de tudo um pouco. Em especial, uma matéria sobre a relação dos brasileiros com a leitura, que traz uma entrevista com um catador de lixo contando sobre a sua paixão pelos livros. Outras editorias como cultura, economia, esporte, lazer, meio ambiente, política, tecnologia e turismo, também fazem parte desta edição. Boa leitura!

EXPEDIENTE O Foca é um jornal laboratório do 7º semestre do curso de Jornalismo UEMG - Campus de Frutal Av. Professor Mário Palmerio, 1000 - Bairro Universitário – Frutal/MG | Fone: (34) 3423-2700 www.uemgfrutal.org.br

Reitor Prof. Dr. Dijon Moraes

Reportagem

Elivelton Trindade, Jessica Mussi, Letícia Ferreira, Lucas Maciel,

Vice-Reitor

Madelyne Boer, Thaiane Alcântara,

Prof. Dr. José Eustáquio de Brito

Valdivino Júnior, Vanessa Bosso, Vitor Boselli, Vitória Camargo

Diretor Prof. Dr. Allynson Takehiro Fujita

Projeto Gráfico, Diagramação e Edição de Imagem

Vice-Diretor

Vitória Camargo

Prof. Dr. Leandro Pinheiro Chefe de reportagem Coordenadores do Curso

Madelyne Boer

de Comunicação Social Prof. Dra. Priscila Kalinke

Editora chefe

Prof. Dr. Rodrigo Portari

Lyz Pucci

Professora Responsável pelo JORNAL LABORATÓRIO Prof. Dra. Marcela Paz TEMPLATE DISPONÍVEL EM: graphicex.com


MEIO AMBIENTE

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Perigo escondido Dados recentes mostram que o risco de infestação no município de Fronteira-MG é de 3,2 % -Por Letícia Ferreira

Fotos: Letícia Ferreira No outono, as chuvas raramente acontecem, mas até nessa estação menos úmida o Aedes aegypti ainda preocupa. Durante todo o ano é preciso manter a atenção contra o mosquito. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), em 2018, o estado registrou 20.064 casos prováveis de Dengue (entre suspeitos e comprovados), Febre Chikungunya contabilizou 7.434 casos prováveis, Zika foram totalizados 225 casos prováveis. Aspectos clínicos: Febre Chikungunya: febre alta de 39ºC a 40ºC, inchaço nas articulações e dores intensas, manchas vermelhas na pele e coceira intensa. Zika: febre leve ou até mesmo ausente, dores menos intensas nas articulações, olhos vermelhos e aversão a luz, manchas vermelhas na pele e coceiras intensas. “Os primeiros sinais foram as febres e a vermelhidão pelo corpo”. A estudante Carolayne Dutra, de 20 anos, conta que quando foi diagnosticada com dengue, ocorreram também calafrios e vômitos, atém dos sintomas já citados. Ela recorda que o tratamento durou, em média, duas semanas. Vitória Ribeiro, 18 anos, estudante, também teve o diagnóstico de dengue e as suas maiores queixas eram as fortes dores no corpo, fraqueza, dor de cabeça e a falta de apetite. O tratamento durou três semanas. Não houve a incidência da doença em ambos os casos. NoúltimoLevantamentoRápido de Índice para o mosquito mostrou que o município se encontra em um nível médio (3,2 %) de risco de infestação. Para que esse percentual diminua é preciso a aceitação e conscientização da população de que o problema realmente existe e que pode estar dentro de casa. Segundo o Agente de Combate a Epidemias (ACE), Jeremias de Oliveira, para que as inspeções aconteçam é preciso a presença do morador. O processo se inicia com a vistoria do quintal, procurando focos ou possíveis criadouros de mosquitos vetores.

Quando é necessário elimina-se o foco de recipiente móveis, nos casos de criadouros em local fixo, são aplicados larvicidas. Jeremias destaca que caso o agente ainda não tenha passado por alguma residência, a visita pode ser agendada. Quando o morador se encontra ausente, o ACE retorna outras vezes. Em caso de dificuldade, tentase conseguir o contato para agendar o horário da visita. De acordo a Coordenadora de Vigilância em Saúde, Wanessa Christina de Souza Neiras, no caso de o morador recusar a inspeção, o Setor de Vigilância em Saúde é informado para que seja emitida uma notificação, que se não atendida é passível de penalização por meio de multas, conforme consta na Lei Municipal 1.797 de 23 de março de 2018. O combate às epidemias no município de Fronteira – MG não é somente contra o mosquito da dengue, mas também contra os escorpiões. Segundo a SES-MG, entres os acidentes causados por animais peçonhentos, o escorpião é o tipo mais comum no estado, sendo que 63% desses incidentes acontecem na área urbana. Com base nos dados do órgão, Minas Gerais é o terceiro estado com maior número de registros de acidentes. Em Fronteira, o Setor de Vigilância em Saúde, disponibiliza cartilhas e folhetos com instruções sobre como evitar incidentes com escorpiões, eliminar os focos do mosquito Aedes aegypti e também contra o Triatoma infestans, mais conhecido como barbeiro, causador da doença de Chagas.

Para mais informações sobre o combate de zoonoses e endemias, basta procurar algum ACE, ou Setor de Vigilância em Saúde do município de Fronteira – MG. O atendimento também é realizado pelos telefones: (34) 3428-3329 / 3428-2815, e pelo e-mail: epidemiologia@fronteira.mg.gov.br.


TECNOLOGIA

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Evolução tecnológica e social: o conhecimento desenvolvido em meio acadêmico aplicado à sociedade Projeto realizado por professores e alunos do curso de Sistemas de Informação da UEMG cria tecnologias facilitadoras para a unidade e para Frutal.

-Por Madelyne Boer Fundado no final do ano de 2015 pelo então professor da UEMG Frutal, Daniel Bruno, o Núcleo de Prática de Sistemas de Informação (NUPSI), é um projeto universitário que cria programas tecnológicos voltados para a própria unidade e também para a cidade de Frutal/MG. Para aprender, criar, testar e ampliar conhecimentos profissionais e pessoais na área da tecnologia, o projeto conta com dez alunos do curso de Sistemas e mais quatro professores da área, que trocam experiências e pensam em inovações que facilitem demandas da unidade e da sociedade local. Por meio de um plano de trabalho criado pelos integrantes logo no primeiro encontro, os alunos desenvolvem softwares, criam sistemas e também soluções que poderão auxiliar em problemas enfrentado por alguma instituição. Para a comunidade acadêmica de Frutal, o NUPSI já concluiu projetos como: Patrimônio, Ficha Catalográfica, Controle TCC, Agenda e UEMG Eventos. Todos os projetos citados serviram para facilitar o sistema operado pela unidade por meio da tecnologia. O projeto é universitário, mas as funções sociais são grandes. Ultrapassando as barreiras acadêmicas, o NUPSI já desenvolveu programas que hoje são utilizados de maneira facilitadora por instituições de Frutal. Iniciado em dezembro de 2017 e concluído em fevereiro de 2018 o projeto de novo software criado para o Conselho Tutelar da cidade veio para complementar o que a instituição já realiza. Lá os funcionários precisam encontrar uma determinada informação ou ficha completa de algum indivíduo ou fato que ficam arquivados em várias gavetas. Dessa forma, o

Sala do do NUPSI localizada na Unidade UEMG Frutal Foto: Ivan José dos Reis filho

NUPSI desenvolveu um software que permite o cadastro do requerente ao abrir uma solicitação e, por meio do atendimento, é complementado todos os dados necessários que o atendido procura. Danilo Bernardes, aluno do último ano de Sistemas de Informação, é um dos integrantes do NUPSI. Ele relata como é fazer parte desse projeto: “Acredito que isso me deixa à frente de muitos. Conteúdos que meus colegas de sala estavam aprendendo, eu já tinha domínio a quase um ano, então me traz um sentimento de que estou mais preparado para atuar na profissão, bem como um sentimento triste por ver eles tão atrás, até mesmo sem condições melhores, por não poder dedicar tanto à faculdade”. O projeto, que é tão importante para o crescimento dos alunos, ainda necessita de maior atenção por parte da universidade. Para Danilo, a unidade precisa olhar para o projeto com uma percepção mais analítica e entender essa relevância: “Conseguimos nos reunir a aplicar o nosso conhecimento, mas é claro que queríamos mais. Atualmente estamos com o NUPSI cheio todas

“Tecnologia é qualquer coisa que não estava por aí quando você nasceu” - Alan Kay. as tardes, temos o ar condicionado que a faculdade disponibiliza, mas não tem como instalar pelo seu alto preço que teríamos que pagar. Também gostaríamos de uma biblioteca mais completa. Por exemplo, eu estou trabalhando em meu TCC e o material mais atual é de 2011. Existe vários pontos que nos deixam para trás, e continuamos em busca de parcerias para conseguir equipamentos e condições de trabalho melhores”, relata. Apesar das dificuldades que os integrantes encontram, o Nupsi continua desenvolvendo projetos de relevância social, bem como, praticando o que irão usar no mercado de trabalho. Vale salientar que o mundo tem se tornado cada vez mais tecnológico. Isso significa que as pessoas, as instituições e assim, as civilizações, necessitam da tecnologia de maneira favorável, por isso, o incentivo à essa prática

é primordial para essa constante evolução. “Cada vez mais fazemos uso e somos dependentes de tecnologia e para que toda essa tecnologia seja criada, temos um grande foco em nos profissionalizar com qualidade, buscando uma melhor prática no que já existe e aprendendo coisas novas que surgem a todo momento. É através desses projetos que conseguimos passar conhecimento para os menos experientes, se torna um estudo para os mais experientes, e logo atender uma demanda e resolver problemas de vários setores”, é o que Danilo conclui de todo esse cenário atual. O meio tecnológico necessita de incentivo, seja de instituições de ensino, seja da própria sociedade. A evolução não nasce sem pensamento crítico, prática e eficiências. Portanto, investir em tecnologia é uma forma de criar vantagens teóricas e sociais.


ECONOMIA

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Desigualdade aumenta e poder de compra dos brasileiros chega ao menor nível dos últimos anos Falta de investimento, precarização do trabalho, desemprego, alta carga tributária e interesses políticos explicam renda cada vez menor.

-Por Eliventon Trindade A Constituição Brasileira, promulgada em 1988, traz em seu capítulo segundo (Dos Direitos Sociais), no artigo 7º, parágrafo IV, a seguinte redação: ‘‘São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de suas famílias com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim’’. O salário mínimo vigente no país desde primeiro de janeiro de 2018 é de R$ 954,00 (novecentos e cinquenta e quatro reais). Conforme o artigo citado acima, esse valor deve ser necessário para suprir todas as necessidades do cidadão e sua família. Porém, os cálculos feitos em janeiro de 2018 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostrou que o salário mínimo no país deveria ser de R$ 3. 752, 65 (Três mil setecentos e cinquenta e dois reais e sessenta e cinco centavos). Ainda muito longe do ideal, a remuneração mínima para o brasileiro este ano ficou abaixo da inflação acumulada no ano passado, de 2,07%, o que significa dizer que perdemos o poder de compra e retornamos ao índice de 2015. A política de valorização do salário mínimo foi implementada nos governos Lula e Dilma devido às pressões sindicais que começaram a acontecer a partir de 2004. No ano de 2007, foi firmado uma política permanente de valorização do salário mínimo até 2023. Essa política tem como critérios o repasse da inflação do período entre as correções, o aumento real pela variação do PIB, além da antecipação da data-base de revisão - a cada ano - até ser fixada em janeiro, o que aconteceu em 2010. Com essa política houve um grande avanço na renda, como podemos verificar na tabela abaixo, porém, o aumento real ainda é

insatisfatório, levando-se em conta a inflação do período. Com o salário de 2018, o brasileiro comprometerá 43,54% da sua renda apenas para adquirir uma única cesta básica, avaliada em R$441,19. Em 2017, o salário mínimo comprava 2,1 cestas básicas. Muitas questões estão envolvidas no estabelecimento do salário mínimo e o poder de compra das pessoas. Questões tributárias, políticas e econômicas interferem diretamente nesse cálculo. A falta de um projeto de governo com uma política forte de valorização do trabalho e da renda é um dos fatores. A aprovação da reforma trabalhista feita pelo governo de Michel Temer em junho de 2017, além de não surtir efeito na retomada dos empregos - em dois anos, a taxa de desemprego saltou de 5% para 11,6% - fez com que a renda dos brasileiros diminuísse ainda mais. Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a

desigualdade aumentou no país. Um por cento da população mais rica do país concentra rendimentos 36,3 vezes superiores aos recebidos pela metade da população brasileira (R$ 734,00). Além do desemprego e da desigualdade, a carga tributária alta e injusta praticada pelo país colabora ainda mais para corroer o poder de compra dos cidadãos. Para o contador e especialista em finanças Milton Gonçalves, a melhor saída para acabar com a injustiça tributária do país seria a cobrança do Imposto Sobre Grandes Fortunas (IGF) e a manutenção da alíquota da tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF). Ainda segundo Milton, a alíquota como está, penaliza ainda mais a população mais pobre que, apesar de ter rendimentos baixos, tem que pagar o imposto enquanto muitos ricos não pagam nada sobre suas fortunas. Pela tabela vigente, quem recebe a partir de R$ 1.903,99 já deve recolher o IRPF. Segundo o

Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional), nos últimos 20 anos não houve correção da tabela do IR em quatro governos diferentes. No acumulado de 1996 a 2017, a defasagem foi de 88,40%. Se a defasagem fosse corrigida, estariam isentos do imposto trabalhadores que recebem até R$ 3.556,56. O montante permitido para as deduções também aumentaria. No caso do desconto por dependente, passaria de R$ 2.275,08 ao ano para R$ 4.286,28 ao ano, segundo o Sindifisco Nacional. O gráfico abaixo mostra as cidades com o melhor poder de compra entre seus habitantes. Cidades brasileiras ficam atrás de seus colegas latinoamericanos, mesmo sendo o Brasil a sexta economia mundial. Muitos são os fatores que contribuemparaoaumentooudecréscimo do poder de compra do trabalhador brasileiro. É preciso sobretudo uma política supragovernamental fortalecida que realmente garanta a manutenção da renda e do emprego, para que dados como estes melhorem.

Gráfico - O índice mede a quantidade de bens e serviços que os cidadãos das principais cidades do mundo conseguem adquirir com os seus respectivos salários. São levados em conta os valores de transporte, alimento, moradia, utilidades e restaurantes. Fonte: VEJA.COM.BR


SAÚDE

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Socorro! Minha maquiagem me causou alergia! Algumas dicas que ajudarão você a evitar as alergias com a maquiagem. -Por Valdivino Júnior

Foto: unplash.com

Ela está presente constantemente em nossa rotina, seja para trabalhar ou para sair, de dia ou de noite, estamos quase sempre usando a maquiagem. Não está somente entre as mulheres, mas entre os homens que estão cada vez mais preocupados com a própria estética. Realça as cores do rosto, faz um preenchimento aqui, ali, na sobrancelha, nos lábios e sempre de acordo com cada tonalidade, escondendo alguns detalhes indesejados podendo, inclusive, ter a função de hidratar a pele. A parte em que alguns podem se beneficiar com ela e se sentir mais charmosos e atraentes, todo mundo já conhece. O grande problema é quando a usamos de maneira errada ou sem saber se o produto vai reagir bem na nossa pele. Dessa forma, ela se torna uma “dor de cabeça”, podendo ser representada pelas alergias. As alergias com maquiagens são mais comuns do que imaginamos. A pele começa a coçar, ficar vermelha, às vezes os olhos ardem e a boca até incha ligeiramente. A alergia à make, segundo o médico clínico-geral

Clarckson Alves Ferreira, pode ser causada por vários componentes, como o óxido de ferro, responsável por dar cor ao produto, os conservantes, que como o próprio nome diz fazem os componentes químicos durarem mais tempo, ou até mesmo pelas fragrâncias que algumas maquiagens possuem. Para o médico, o problema não está no uso da make em si, mas no abuso dela, que pode causar também reações. Outro ponto que foi destacado pelo médico é que algumas pessoas possuem a pele mais sensível que outras e essas têm maiores chances de desenvolverem alergias. Maquiagens que também nunca foram usadas exigem maior cautela, porque segundo Dr. Clarckson, substâncias novas no organismo podem desenvolver reações indesejadas. Para ter certeza se a maquiagem poderá ou não ser usada por você, o médico indica que o usuário passe a maquiagem em alguma área pequena do corpo, como por exemplo no cotovelo e espere pelo menos doze horas para fazer o uso completo do produto. E na hora da venda?

Como as lojas aconselham e até mesmo reagem com quem adquiriu uma maquiagem e teve alergia? Alexsandra Souza Cortes, proprietária da loja de cosméticos Macbella em Frutal (MG) salienta que cada cliente possui um tipo de pele e qualquer um está sujeito a alergias. E quando ocorrem esses casos, a primeira recomendação é a suspensão do produto e em seguida a substituição deste por outro. As maquiagens mais vendidas em suas lojas são bases e batons. Em qualquer caso alérgico o médico Dr. Clarckson esclarece que se deve procurar um especialista imediatamente, no caso um dermatologista, tanto para que o profissional oriente o paciente sobre como utilizar um produto na pele sem ocasionar alergias quanto para os tratamentos alérgicos. Ele também deixa claro que as alergias são reações que ocorrem no corpo de maneira crônica. Se você possui alergia à algum tipo de produto, esse problema de saúde se repetirá. As alergias podem ser controladas e não sanadas. Outro fato é, tomar muito cuidado com as maquiagens “milagrosas”, aquelas

em que muitas vezes prometem um resultado antienvelhecimento. Para o médico essas makes podem conter substâncias ácidas na composição e podem também prejudicar a saúde. Na questão legal da compra e venda das maquiagens, quem informou os procedimentos a serem tomados foi Alexandre Brás, chefe do Procon em Frutal (MG). Alexandre lembra que caso um cliente compre a maquiagem e esta lhe cause alergia, o artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor diz que a pessoas têm o prazo de até 30 dias para reclamar ao vendedor e este deve fazer a troca o produto. Não havendo resposta do vendedor, o consumidor pode buscar os seus direitos através de um processo judicial que ele mesmo informa e auxilia através do Procon como proceder. A maquiagem está na rotina masculina e feminina, mas é preciso estar atento ao tipo de produto quando for adquirir e com seu uso. E mais importante, como o médico relembra, fazer um teste quanto às reações e em casos mais sérios procurar um dermatologista, porque nada mais bonito do que uma pele saudável.


CULTURA

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A trajetória radiofônica frutalense Do século passado até os dias atuais: a chegada e permanência do rádio na cultura de Frutal/MG.

-Por Jéssica Mussi

Fotos: Jessica Mussi

O rádio é um instrumento de comunicação cujo valor vai além do entretenimento e da informação. Seu papel é forte na concretização da cidadania e na participação dos ouvintes, que podem reivindicar e lutar por seus direitos nas diversas programações radiofônicas do diaa-dia. Esse meio de comunicação foi instaurado oficialmente no Brasil em 7 de setembro de 1922. Essa inauguração aconteceu nas comemorações do centenário da Independência do país, com a transmissão, à distância e sem fios, da fala do presidente Epitácio Pessoa. A primeira rádio brasileira foi fundada em 1922, chamada, Sociedade do Rio de Janeiro.

Em algumas cidades apesar do alcance de outros meios midiáticos, o rádio permanece muito forte na sociedade, como é o caso da cidade de Frutal, localizada no Triângulo Mineiro. A Rádio Frutal AM foi idealizada por José Buzolo, em 21 de abril de 1963, tendo esse nome fantasia seu nome jurídico Sociedade Rádio Frutal. Filho de italianos, o empreendedor nasceu em Uberaba e lá se formou em Ciências e Letras. Ao ser questionado sobre o que o fez criar a rádio, sua resposta era: “Aprende-se lendo, ouvindo, falando e ensina-se fazendo. Por isso, achei que Frutal merecia ter um conceito mais respeitoso”.

Abaixo, imagem da primeira mesa de som que pertenceu à rádio, e hoje está localizada no museu de Frutal:

Para fundar a rádio, Buzolo contou com sócios, entre eles o gerente de um banco e o dono de um cartório, no qual os nomes foram mantidos em sigilo pelo fundador. Os noticiários eram datilografados e mandados para a Polícia Federal de Uberaba que monitorava o controle da informação. O ápice da emissora ocorreu com o programa cultural “Desafio ao sabido”, em que havia a participação dos ouvintes numa espécie de gincana. O programa de auditório era apresentado por José Rui do Valle e Pierre Santezi, e durou do início dos anos 60 até 1973. No decorrer da apresentação, eram distribuídos prêmios doados por empresas patrocinadoras, para os ouvintes que ligavam na emissora e acertavam as perguntas. Antes da chegada do rádio, a comunidade frutalense era informada e, ao mesmo tempo, se divertia com o serviço de alto falante montado na praça matriz local, Doutor Alcides de Paula Gomes, pelo comerciante Antônio Rodrigues de Souza, dono de um bar onde hoje é o prédio da Caixa Econômica Federal. A cultura do rádio é ainda bem significativa em Frutal. Muitos materiais usados no passado pelas rádios se encontram na Casa da Cultura da própria cidade, que fica localizada na rua Senador Gomes da Silva, 26, no centro. Quem quiser conhecer um pouco mais sobre

essa história poderá ir ao Museu e conhecer os equipamentos que ali estão e a trajetória radiofônica em Frutal. É importante lembrar que o rádio não exige alfabetização do receptor e consegue cumprir com mais facilidade a função social da comunicação, que é atender aos interesses da sociedade em nível de circulação e pluralidade da informação sem excluir ou impedir alguém de receber e da capacidade de transmissão.


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POLÍTICA

Movimento estudantil: a universidade e os primeiros passos na política A universidade oferece para os estudantes inúmeros caminhos que podem se iniciar dentro dela e continuar pela vida toda. O movimento estudantil é um exemplo que acaba despertando o interesse dos jovens pela política.

-Por Vitória Camargo Fotos: Higna Vieira e Júlia Morais Ao ingressar em uma faculdade pública, os jovens podem se deparar com inúmeras questões problemáticas que acompanham as instituições. A falta de verbas e de estruturação prejudicam o andamento dos cursos. Muitas faculdades encontram dificuldades na compra de materiais e até na manutenção dos próprios prédios. Um jovem sonha em passar no vestibular e ingressar em uma universidade pública, mas muitas vezes o que encontra não está correspondendo ao que esperava. Um sentimento de luta acaba surgindo e faz com que o, agora universitário, queira lutar por mudanças e fazer da sua faculdade um lugar melhor para as pessoas que possam vir a entrar.

-O movimento estudantil brasileiro A história da luta universitária no Brasil tem início no século XVIII quando estudantes vinham de outros países para estudar em universidades brasileiras. Os jovens ficavam indignados e iniciavam protestos baseados em ideias iluministas. Como eram uma minoria entre os outros, o movimento era ilegítimo. Em 1937 foi criada a União Nacional dos Estudantes (UNE), que surgiu com o propósito de levantar as

pautas da luta dos estudantes e conseguir atenção do Governo. Nesse período, o país passava pelo Estado Novo do Governo Vargas e tinham uma relação de proximidade com os governantes. Mesmo com essa relação, o caminho da UNE até sua institucionalização não foi fácil. Os jovens precisavam levar a luta até todos os estados e conseguir mais força. Aos poucos foram surgindo os movimentos dentro de cada universidade, como os diretórios acadêmicos (DA), os diretórios centrais dos estudantes (DCE’s) e também os centros acadêmicos (CA’s). A força do movimento estudantil surgiu durante o Regime Militar, quando os jovens se uniram contra a repressão social e política que ocorria na época. Tiveram muito destaque nos protestos do “Diretas Já”.

-A luta estudantil e a política nacional O histórico do movimento estudantil já vem de uma base política significativa. O que se pode perceber é que participar de lutas que conectam educação e política durante a juventude pode despertar o interesse destes jovens para algo maior.

-A luta mineira No Estado de Minas Gerais a situação da educação superior pública passa por momentos turbulentos. Com a falta de recursos para suas universidades as instituições correm riscos de serem prejudicadas. Em duas faculdades mineiras percebe-se a força do movimento estudantil e suas lutas para tentar reverter a atual situação. Na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), de Frutal, os alunos relatam o constante descaso do Governo de Minas para com a faculdade. Os prédios estão inacabados, os professores mal recebem salário e a instituição não recebe dinheiro para se manter.

Na UEMG, assim como em diversas universidades do país, existem alguns grupos que lutam para tentar melhorar a questão da faculdade. Hígna Vieira é estudante de Direito na UEMG e integra o Diretório Acadêmico. Ela iniciou sua luta ainda em seu segundo ano de faculdade, em 2015, e ainda se mantém ligada às pautas da universidade. Hígna conta que sempre foi conectada com a política por causa de sua família, mas que passou a perceber a importância de olhar para a situação de outras pessoas além da sua depois que integrou o DA. “Aqui mesmo na UEMG/Frutal passei a ficar muito mais atenta aos estudantes que, para se sustentar precisam trabalhar. Pode parecer algo ínfimo, mas é fundamen-


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POLÍTICA UEMG e política interna: chapa eleita para reitoria fala sobre as eleições e os planos futuros para a universidade -Por Lavínia Rodriogues

Como foi para a chapa ter sido eleita? A nossa eleição demonstra que a comunidade acadêmica quer mudanças na UEMG e aposta em uma gestão mais participativa, que valorize as demandas recorrentes das unidades. A consolidação do sentido de pertencimento à universidade, a esperança de uma reitoria capaz de fazer uma articulação consistente entre as unidades da capital e do interior, com uma administração mais humana e eficiente, pautada no respeito às diferenças regionais, surgiram na campanha de nossa chapa com forte apelo, representando uma possibilidade de quebra da hegemonia, até então vigente na UEMG. No processo histórico de eleições na UEMG, desde 1998, as chapas eleitas traziam em sua composição candidato/s que estavam na gestão cessante da reitoria. Nossa chapa representa a ruptura desse ciclo, porque não estamos na gestão e, pela primeira vez, temos uma reitoria composta com uma professora de uma unidade da capital (Lavinia Rosa Rodrigues - Faculdade de Educação/BH), com um professor de uma unidade do interior (Thiago Torres Costa Pereira - Frutal). O que pretendem implantar na UEMG?

tal observar essas nuances para que as decisões tomadas, seja em Assembleias ou reuniões abertas possam abranger o maior número possível de estudantes”, afirma. Ela também ressalta que sempre procurava avaliar as situações gerais em sua atuação na presidência do Diretório. “No meu mandato como presidenta do Diretório sempre prezei por isso e marcava reuniões depois da aula do noturno justamente em razão dessas questões. Passei também a ter o olhar ampliado”. Em um âmbito um pouco mais amplo, pode-se colocar em comparativo as universidades federais. A Universidade Federal do Triangulo Mineiro (UFTM) também apresenta movimentos que sempre estão presentes em lutas com intuito de melhorar a situação da instituição. A estudante de Terapia Ocupacional da UFTM, Júlia Morais só teve contato com a militância dos estudantes ao ingressar na faculdade. Atualmente ela é integrante do Centro Acadêmico de Terapia Ocupacional, do movimento feminista e também do colegiado do curso. Júlia diz que resolveu se unir a estes movimentos por acreditar que a voz dos alunos deve ser ouvida para trazer mudanças. “Estar ligado a algum movimento estudantil permite a ampliação de muitos conhecimentos, bem como a construção de fatores que as salas de

aula e o sistema da academia não ofertam”, comenta Júlia a respeito de sua visão de mundo após sua participação em lutas na universidade. Ela afirma também que seu interesse por política aumentou depois de ter tido contato com as pautas estudantis. Mesmo já sendo integrada de assuntos políticos, ela passou a prestar mais atenção às situações de nível nacional. Quando questionada sobre a importância do movimento estudantil em sua vida, Hígna afirma que: “Os anos de Movimento Estudantil foram de aprendizado e fortalecimento de meus ideais. Compreendo que as nossas lutas vão além da sala de aula, nós lutamos por um projeto popular de universidade e, ouso ir mais longe, por um projeto de país.” Para Júlia, a causa vem de uma questão mais profunda que está ligada ao amor pela luta. “O movimento estudantil mudou minhas perspectivas, minha visão sobre mim e para com os outros, não se luta sem amor e o amor pela causa é gigantesco”. Hígna e Júlia mostram que há uma importância política ao integrar movimentos dentro da universidade. Seja essa importância desenvolver empatia com situações passadas por outras pessoas ou desenvolver interesse por assuntos políticos nacionais.

Entendemos que a UEMG que se construirá nos próximos anos deverá ter um forte caráter democrático e de aproximação entre as Unidades, com grande espírito de luta e de trabalho, pautados em ações coletivas e concretas de gestão acadêmica, sintonizadas com o projeto de desenvolvimento regional e nacional. Temos um plano de gestão no qual reafirmamos nossa convicção de trabalhar de forma coletiva, procurando meios de resistir e superar essa crise pela qual estamos passando, em âmbito estadual e nacional. Pretendemos orientar a gestão a partir de quatro bases: o desenvolvimento acadêmico; a inovação e tecnologia; a integração social; e a estrutura e gestão acadêmica. Para isso, algumas metas e ações propostas são: promover a transversalidade do ensino, pesquisa, extensão; implantar o Programa Reitoria Itinerante nas unidades da capital e do interior; criar de Secretaria de Assuntos Comunitários; criar a Secretaria das Unidades do Interior; criar o Comitê de Direitos Humanos; revitalizar as ações afirmativas na universidade; criar a Secretaria Geral de Graduação, de modo a articular secretarias das unidades acadêmicas. O maior desafio passa pela emergência em consolidar o Programa de Assistência Estudantil – PEAES, e, para isso, será necessário buscar junto ao Governo de Minas a ampliação dos recursos para bolsas. Para atendimento à assistência estudantil pretendemos, ainda, criar o Programa de Acompanhamento do Discente; implementar o Programa de Bolsa de Monitoria para disciplinas; implantar uma plataforma online de atendimento ao discente; criar estratégias para redução da evasão discente. Essas e outras metas motivam-nos a procurar alternativas que as viabilizem, tais como a constituição de uma base política de apoio à UEMG; a captação de recursos através de emendas parlamentares; a articulação com outras universidades públicas e outros setores; a busca de financiamento de projetos de pesquisa e extensão junto à agências de fomento; entre outras. Temos a compreensão de que a diminuição de recursos para a educação é também uma consequência da aplicação da política fiscal, que estabeleceu um teto de gastos para o setor público. Enfim, sabemos que é preciso olhar para frente, unir nossas forças, mostrar a importância da universidade, fazendo com que a sociedade defenda a UEMG, pois nessa empreitada “somos todxs UEMG”.


CAPA Por que o brasileiro lê tão pouco? Estamos diariamente consumindo informações, mas não necessariamente lendo livros. Segundo pesquisa da Câmara Nacional de Livros em 2016, 77% dos entrevistados afirmaram que gostariam de ter lido mais.

-Por Vanessa Bosso Fotos: Vanessa Bosso e unplash.com

É imprescindível os benefícios que a leitura pode trazer desde a infância à vida adulta. Ler engradece o vocabulário, enriquece a alma e a imaginação, além de auxiliar numa boa escrita e fala. Diante disso, é inevitável nos indagarmos: por que o brasileiro lê tão pouco? Dentre as possíveis respostas, podemos citar: falta de tempo, altos preços estipulados nos livros, falta de incentivo por parte das instituições educacionais e da própria família, entre outros. Na cidade de Frutal/MG, existe um Núcleo de Apoio e Incentivo à Leitura (NAIL), criado em janeiro de 2017 pela atual Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer. Em conversa com a coordenadora do Núcleo, Rute Machado salienta o objetivo do grupo que é fomentar a leitura nas escolas e também na comunidade local. “Além dos projetos de leitura como a Geladeiroteca, temos contação de histórias nas praças locais em certas ocasiões e também trabalhamos com as professoras que atuam nas bibliotecas das escolas com contação de histórias semanais às nossas crianças que, muitas vezes, carecem disso dentro de casa”, relata. Eventos promovidos pela Biblioteca Municipal Minerva Maluf de Souza em parceria com a Casa da Cultura também são recorrentes ao longo do ano, como por exemplo:

saraus, exposições de arte e mostras culturais. Segundo a coordenadora do NAIL, datas específicas são selecionadas a fim de promover eventos com a temática estabelecida. “Trabalhamos de um modo a levar literatura de uma forma diferenciada e prazerosa até as crianças, não é somente pegar o livro e ler, isso precisa ser preparado com entusiasmo, com magia. Para isso usamos fantoches, fazemos encenações, mostras de teatro com as próprias crianças fantasiadas para que, dessa forma, elas sejam protagonistas de suas histórias favoritas. Procuramos o maior número de variedades envoltas à leitura para que a literatura possa chegar ao interesse da criança. Isso aguça os sentidos delas, formando, sem dúvida, um adulto leitor”, explica Rute. A Geladeiroteca, uma biblioteca alternativa que conta com o apoio da comunidade para se manter abastecida de livros, foi instaurada em meados de junho de 2017 no Parque dos Lagos e é outro projeto paralelo ao NAIL. Porém, é frequentemente alvo de vandalismo e pessoas de má índole que demonstram a falta de interesse local com a proposta de incentivo à leitura. Indagada sobre o projeto, a jovem Myllena Freitas (18),

estudante da Escola Estadual Maestro Josino de Oliveira (EEMJO), diz conhecer a Geladeiroteca, porém afirma nunca a ter visitado. Em meio aos estudos para os vestibulares, acaba não tendo tempo nem para a leitura como forma de lazer. A estudante conta: “A última vez que peguei para ler um livro foi em janeiro desse ano, apesar de gostar de livros, utilizo mais plataformas online de leitura, como arquivos em PDF”.

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CAPA

HÁBITO DE LEITURA ALAVANCA VIDA DE CATADOR DE RECICLÁVEIS Nascido e criado em Montes Claros, no norte do estado de Minas Gerais, Vilson Rodrigues da Luz (36) vive atualmente no município de Frutal como catador resíduos sólidos em período integral. Ele conta que a vinda para o interior mineiro se deu devido às condições de emprego precárias que encontrava em sua terra natal e também pela vontade de reencontrar a irmã, moradora da pequena Conceição das Alagoas, situada próximo à sua atual moradia. Desde que começou na profissão, em meio a papeis e latas que costuma coletar, se deparou com livros em bom estado de conservação, algo que despertou seu interesse, até então adormecido, pela literatura. O catador conta que: “A leitura me proporcionou uma formação enquanto pessoa, enquanto intelectual pensante e me trouxe um vasto conhecimento cultural”. Tomou gosto pela leitura e lia todas as obras, de Lavoisier à Maquiavel, às vezes mais de uma vez, todas encontradas em meio ao seu trabalho como coletor de recicláveis. Ele afirma não ter uma obra favorita, mas deixa claro seu apego à obra “O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel. “No lixo, encontrei livros de Machado de Assis, como Dom Casmurro e Helena. Dentro da parte sociológica, li Marx. Na literatura brasileira, Capitães de Areia de Jorge Amado e Vidas Secas de Graciliano Ramos são algumas obras que me fascinam

e trazem uma notável reflexão social”, salienta. Mesmo vindo de uma classe social baixa e completando o Ensino Médio com quase 30 anos, ele reconhece a importância desses livros em sua vida: “O acesso à educação hoje ainda é muito limitado, caso eu não tivesse o acesso a esses livros que eu consegui através do meu trabalho, da reciclagem, a gama de informação que eu teria seria escassa”, argumenta. Questionado sobre os projetos de leitura do município de Frutal, o trabalhador parabeniza os envolvidos e lamenta pelos episódios de descaso com a Geladeiroteca, que, recentemente, teve que passar por uma reforma após ter sido destruída. “Todas as iniciativas que vem para fomentar e difundir a leitura e levam jovens e crianças a um mundo de educação são válidas. Eles (vândalos) desprezam o projeto por não possuírem uma visão cultural e ampla que os livros podem agregar em nossas vidas”, conclui. Atualmente, Vilson se encontra no primeiro período do curso de licenciatura em Química pela Universidade de Uberaba (Uniube). Graças à boa nota que conquistou no ENEM 2017, conseguiu bolsa de estudo integral pelo ProUni e sonha poder levar aos seus futuros alunos uma nova perspectiva de vida, sempre os incentivando aos estudos.

NOVAS PLATAFORMAS DE LEITURA Os novos formatos tecnológicos (computador, tablet, celular, notebook, kindle) possibilitaram um leque de alternativas para quem deseja ter acesso aos mais variados tipos de leitura. Mas, diante disso, mesmo com essa facilidade, por que ainda não temos uma população leitora considerável? Há quem diga que prefira o método tradicional, o bom e velho livro, capaz de ser foleado e deixado em uma simples cabeceira. Porém, estes mesmos reclamam dos juros altíssimos envoltos na compra em livrarias ou sebos. Não podemos esquecer que o Brasil ainda luta contra o analfabetismo que engloba gerações de famílias e muitos possuem a ideia de que ler é apenas um status intelectual banal. Ante o exposto, como podemos exigir um ensino de qualidade se não cultuamos o hábito de leitura? Eis uma simples reflexão oportuna a nossa sociedade atual.


ESPORTE

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A jornada importa mais que o destino Apesar das dificuldades enfrentadas pelo esporte universitário, a luta para o incentivo ao esporte tem sido o lema dos estudantes da UEMG Frutal.

-Por Lucas Maciel e Victor Boseli

A cada ano que passa, eventos esportivos que visam a participação dos universitários surgem em diversas regiões do país. Inegavelmente, o esporte universitário vem crescendo no Brasil. Na Universidade do Estado de Minas Gerais, unidade de Frutal, não é diferente. Apesar das dificuldades, a evolução é nítida. Como em todo lugar, o esporte interno ao ambiente universitário necessita de investimentos. A realidade da unidade UEMG Frutal, infelizmente, não proporciona estrutura adequada para a prática de esportes. Segundo as informações de domínio público, encontradas no Ministério Público de Minas Gerais, supostos danos aos cofres públicos por irregularidades no desenvolver do projeto Hidroex, foram encontrados pela Controladoria-Geral de Minas Gerais, desta forma impedindo a finalização de uma grande praça esportiva, obra que faz parte de um complexo que seria denominado Cidade das Águas, compondo o que era para ser um grande centro de pesquisas em recursos hídricos. Esse fato acabou limitando as possibilidades de promoção de atividades físicas e esportivas pelos alunos e participantes do meio acadêmico. Procurado para falar sobre o assunto, o diretor da unidade, Allynson Fujita, fez colocações sobre as informações que a diretoria tem posse. “As obras associadas à Vila Olímpica estavam previstas três

parcelas do MEC, cada parcela no valor de R$3.750.000 e a contrapartida do estado na casa de R$850.000 por parcela. O estado, que não tinha caixa até então, de uma forma tão surpreendente, fez o depósito da segunda parcela referente a R$ 850.000 (a primeira já havia sido paga), ou seja, neste momento nós teríamos condições de retomar as obras associados à Vila Olímpica. Porém, essas obras estão paralisadas há dois anos pelas auditorias feitas pelo Ministério Público e Controladoria Geral do Estado e uma série de outros órgãos. Hoje, o que nós precisamos é de um relatório preciso de quanto custaria para finalizar as obras. O DEER (Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem do estado) que foi incorporado ao DEOP (Departamento de Obras Públicas) está finalizando o edital de licitação para contratar uma empresa que consiga fazer o relatório preciso, não só das obras sociais da Vila Olímpica, mas de todo o complexo, que hoje nós denominamos complexo UEMG ou complexo multiuso de pesquisa. Desta forma, o que pode ocorrer que o tempo para finalização pode ser estendido Face a dificuldade financeira que o estado vem passando”, concluiu o diretor. A falta desse suporte faz com que os interessados e

organizadores do esporte encontrem dificuldades logísticas, além de físicas para as práticas das diversas modalidades que integram os jogos internos da unidade. Por exemplo, o maior órgão acadêmico para promoção esportiva é a Associação Atlética Acadêmica Eurípedes Iris Ferreira, que organiza todos os eventos que dizem respeito a esse seguimento, assim como a parte de entretenimento. Com a falta desse espaço físico, a atlética recorre a quadras do poder público, como o ginásio da cidade, colégios municipais e estaduais, além de clubes e espaços militares para fomentar o esporte. Situação que influencia diretamente no estímulo, regularidade e assiduidade nos treinos, afinal, o deslocamento e disponibilidade de horários acabam sendo os principais fatores contrários. A atual presidente da Atlética, Luane Marselhe, aluna do curso de direito, comentou sobre as dificuldades enfrentadas. “É triste e muitas vezes agoniante pensar nos obstáculos que enfrentamos. Muitos alunos trabalham durante o dia, não tem tempo de treinar. Outros moram muito longe e não tem veículo próprio ou alternativas de transporte. Os horários possíveis são cruéis, nas opções que dispomos. Com uma estrutura própria na universidade, poderíamos adaptar horários melhores, aproveitar e usufruir do espaço da universidade. Infelizmente a realidade é essa e faremos o possível para não deixar esses percalços atrapalhar essa crescente.” Dentro da unidade UEMG Frutal, hoje, existem sete equipes de alunos, divididos em três do curso de Direito, Red Bull, Mixirica e Esferas do Dragão, dois do curso de Administração, Feraska e Pobrema, uma no curso de Sistemas de Informação, o Barcelinux e o Ressaca, que engloba originalmente os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Cursos como Geografia, Tecnologia Sucroalcooleira e Tecnologia em Alimentos costumam recorrer as equipes de cursos que dispõem de

poucos atletas ou no time dos funcionários da instituição, o Evolução. Todos os times em questão disputam as competições internas à universidade. Os últimos três anos trouxeram mudanças significativas na forma de olhar o mundo esportivo dentro da universidade. O principal fator foi a inserção da Atlética Eurípedes Íris Ferreira na Copa Inter Atléticas em Uberaba (um dos maiores eventos esportivos universitário do país) no ano de 2016. Isso trouxe uma percepção diferente de como planejar as modalidades esportivas dentro da UEMG. “Entrei na UEMG Frutal em 2015. A impressão que tive do meu primeiro Intercursos (maior evento esportivo interno da unidade) foi de que todos os times eram formados por grupos de amigos que se reuniam apenas as vésperas, somente pra jogar. No ano seguinte, com a participação na CIA em Uberaba, vi que os times de cada curso começaram a se movimentar para se preparar mais. Não à toa que o Intercursos de 2015 quase não havia presença de torcida e do ano passado (2017) teve recorde de público na estreia. Ginásio lotado”, falou Marcus Vínícius, estudante do curso de Publicidade e Propaganda, além de representante do Ressaca e ex membro da Atlética. O crescimento esportivo fica ainda mais evidente quando olhamos para situações como a do time da comunicação, o já mencionado Ressaca Esporte Universitário. Alunos dos cursos de jornalismo e publicidade e propaganda resolveram colocar em prática os ensinamentos e poderes da comunicação em prol do desenvolvimento esportivo. O Ressaca, que tem suas principais cores o preto e amarelo, foi pioneiro em alguns pontos. Foi o primeiro time a ter um bandeirão próprio, além de caixa térmica, canecas, tirantes, entre outros assessórios comuns no meio universitário. Elementos antes


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só oferecidos pela Besouteria, a bateria composta por estudantes da UEMG Frutal. Até mesmo a atlética, confeccionou seu bandeirão próprio posteriormente. Além de ser a primeira equipe a disponibilizar esses bens, o Ressaca foi além, conquistando o maior patrocínio entre os times da UEMG. A Bebidas Poty, empresa conhecida por seus refrigerantes, em especial o guaraná Poty, localizada na cidade de Potirendaba, no estado de São Paulo, sentiu o poder na comunicação em suas redes sociais e a mobilização dos estudantes. Parceria fechada e sucesso na divulgação da marca. Questionado sobre a representatividade que esse patrocínio trouxe, Marcus comentou. “Dentro da Publicidade, a área que tenho maior domínio é administrar as mídias sociais. Quando assumi as do Ressaca, enxerguei ali nosso maior potencial para conseguir nossos materiais de jogo. Junto com um grupo de amigos, uni a projeção da marca que meu curso pode oferecer com o conteúdo informativo, esportivo e formal que o jornalismo acrescenta. Assim conseguimos alcançar nossas vitórias dentro e fora de quadra. Além de estimular outros seguimentos e equipes a seguir o nosso exemplo”. “Hoje, o Ressaca deixou de ser um time da Universidade para virar uma marca. Extrapolou os limites da UEMG. Realiza projetos sociais, representa a cidade de Planura na Copa Futsal Band Triângulo e vem usando o patrocínio com a Poty para ajudar nos eventos internos da universidade e projetos externos.” Citou Euberto Mello, atual vereador de Planura e ex aluno da UEMG Frutal. Times como o grande rival do Ressaca, o Mixirica Mecânica, representado pelo estudante de direito Heitor Bernardi, enxerga de forma favorável situações como a vivida pelo time da comunicação. “Sou rival, gosto de tirar sarro de forma saudável e rebater as brincadeiras, mas sei que posso extrair boas ações desenvolvidas por eles a meu favor e do Mixirica. Valorizo o que eles conquistaram, isso nos motiva a querer fazer

ESPORTE

melhor”, conclui. A dimensão do impacto que a Copa Inter Atléticas e parcerias como a fechada pelo Ressaca, influenciaram positivamente no cenário esportivo. Não só para quem promove, mas para os alunos que se sentem parte de um projeto de melhorias e para a comunidade que tem acesso a universidade e aos benefícios que ela pode trazer. Mostra que a força de uma instituição de ensino superior, também pode ser extraída do esporte. Que todo aprendizado absorvido dentro das salas de aula, pode ser aplicado no esporte para um benefício maior, assim como a contrapartida do esporte trazer benefícios na saúde do graduando, ajudando em um melhor desempenho acadêmico. Outro impacto foi na diretoria, que enxergou esse empenho em fazer o esporte crescer e colaborou, de alguma forma, como acrescenta o diretor Allynson. “Temos hoje em andamento um projeto estruturado pelo professor Marcelo Pessoa em colaboração com os bolsistas Camilla e o Fraietta, que são alunos do curso

de geografia e que iniciaram a prática do Karatê. Nós conseguimos recurso com a pró reitoria de extensão para apoiar esse projeto com o tatame”. Além do Karatê, práticas de Jiujitsu e os treinos das Besouleaders (Cheerleaders da unidade) acontecem nesta mesma sala. Allynson ainda complementa “Sou um incentivador nesse sentido. A prática de esportes pode melhorar o desempenho acadêmico de nossos estudantes. Seria importante que a gente pudesse ter um ambiente adequado para que isso pudesse ocorrer. As obras paradas limitam em quase cem por cento nossas ações nesse campo. A gente tá cobrando as autoridades para que a Vila

PRIMEIRA DIVISÃO É LOGO ALI!

Olímpica seja concluída. Queremos estruturar junto com atlética, que é uma organização dos Estudantes para essas práticas. Recentemente, verificamos materiais que não eram utilizados e doamos a Atlética, como petecas, rede de vôlei, bolas de futsal e vôlei, para melhorar a estrutura que já adquiriram”. A tarefa é árdua e o destino incerto. O que se pode aplicar são doses de esperança para que a vontade de mudar nunca desapareça. Enxergar as mínimas evoluções como grandes feitos. “Obstáculos não devem te impedir. Se você encontrar uma parede, não desista. Descubra como escalá-la.” – Michael Jordan, ex jogador de basquete.

A Associação Atlética Acadêmica Eurípedes Íiris Ferreira, teve um 2018 para lavar a alma na Copa Inter Atléticas(CIA), em Uberaba. Entre os dias 28 de abril e 1º de maio, ocorreu a edição 2018 da Copa Inter Atléticas, evento que acontece anualmente na cidade de Uberaba. O quarto ano de CIA, levou 72 Atléticas de 7 estados, além de aproximadamente 12 mil pessoas participantes. Todos esses números são para entender a grandiosidade do evento e a importância da AAAEIF estar entre as competidoras. Na CIA 2017, a atlética da UEMG Frutal participava pelo segundo ano consecutivo da Copa, vindo de um acesso a primeira divisão. Porém, as concorrentes na elite da CIA são fortes e muito bem preparadas, com estruturas esportivas superiores as encontradas na unidade frutalense. Superioridade essa, que foi determinante para o rebaixamento e a inevitável presença na segunda divisão de 2018.


TURISMO Camping Barra do Monjolo: diversão, natureza e sossego Um lugar para relaxar e fugir da rotina. Faça um passeio diferente sem gastar muito.

-Por Thaiane Alcântara Fotos: Junior Heitor Se a intenção é relaxar e tirar um final de semana para curtir a natureza, o camping Barra do Monjolo é o lugar ideal.Fica localizado às margens do Rio Grande, no município de Fronteira/MG e sua distância da cidade de Frutal é de 47 km. O lugar é composto por um cenário natural de belas paisagens além de possui bar, restaurante com um cardápio de peixes, deck, redes espalhadas pelo camping, aluguel de barcos, rapel e cachoeiras ao redor. A maioria dos seus visitantes são pessoas que estão em busca de se desconectar do mundo externo e se aproximarda natureza. A estudante da Universidade do Estado de Minas Gerais – Unidade Frutal, Victória Roma, conta o que a motiva sempre ir ao Monjolo: “O que me faz ir ao monjolo é o contato com a natureza. Em um dia de calor vamos para entrar na água, brincar na cachoeira. Não existem muitos lugares assim por aqui”. Ao redor do Rio Grande existem, sim, muitas maneiras de se divertir e aproveitar o rio, porém são condomínios e ranchos que mesmo que proporcionam momentos de relaxamento, a maioria deles é particular e não possui acesso ao público, diferente da Barra do Monjolo, que é acessível a todos. Para quem procura um programa mais “goodvibes”, ou seja, lugares que trazem boas sensações, a barra também é um camping, onde é possível acampar com conforto, tendo acesso a banheiro, chuveiro e ao restaurante. No entanto, também é possível que os campistas façam sua própria comida na fogueira, pois

mesmo com o bar à disposição, o camping não é vinculado ao restante do local. O bar fecha às 21h, portanto, a partir desse horário apenas o camping fica em funcionamento. O preço do camping é acessível a todo tipo de público, o custo fica a partir de 15 reais. Uma outra dica importante é que os turistas levem repelente para passar durante a noite para evitar picadas dos insetos presentes no local. Palloma Boaventura Leite, moradora de Frutal há 3 três anos, fala de sua aventura em acampar na Barra do Monjolo: “Fomos em um grupo grande, com várias pessoas da faculdade onde estudo e passamos o final de semana, foi muito gostoso, fomos no rio, dormimos em barracas e quando anoiteceu tocamos violão à luz da fogueira, eu adorei.Depois desse dia cheguei a acampar apenas mais uma vez, mas não desconsidero acampar mais algumas” O camping tem preços razoáveis para quem tem uma renda baixa, como é o caso da galera jovem e universitária.Trata-se de um passeio diferente que é acessível ao bolso, pois a região proporciona poucas opções. O camping Barra do Monjolo é uma ótima opção de lugar para passar uma tarde, um final de semana, almoçar, nadar e conhecer o Rio Grande, proporcionando memórias incríveis.

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O Foca - Jornal Universitário  

Jornal produzido pelos alunos do sétimo período de Jornalismo da UEMG Frutal

O Foca - Jornal Universitário  

Jornal produzido pelos alunos do sétimo período de Jornalismo da UEMG Frutal

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