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Edição nº 1 Novembro de 2013


A SIMULACRO quer fazer com que você, morador, visitante, amante de São Paulo, desperte, pare e reflita sobre o que há de bom, diferente ou até familiar na cidade, mas que, na maioria das vezes, passa despercebido, por causa da correia incessante dessa capital. Nesta edição, você fará um passeio através dos sentidos. A intenção é atingir seus receptores sensoriais com texturas, sensações de sabor e cheiro, experiências sonoras e visuais, para que você pense de uma forma diferente aquilo que sempre vê igual. A cada seção, você vai encontrar um medidor sensorial (uma etiqueta de cor indicando quais os sentidos mais usados em cada matéria). Para a visão, a cor amarela. Para a audição, a cor roxa. Para o paladar, laranja. Para o olfato, azul. Para o tato, rosa. Na capa, o nome da revista terá a cor do sentido mais usado na matéria principal.


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Os moradores de rua da cidade de São Paulo já são tão comuns que nem os notamos mais; quando percebemos, ficamos com medo, atravessamos a rua, seguramos a bolsa com mais força, desviamos o olhar e o nosso caminho. Pensando nisso, achamos que seria válido destacar que estes moradores de rua são pessoas, seres humanos como nós, que também têm uma história, sentimentos e um motivo para estarem ali. Para relatar isto, desenvolvemos esta matéria. Nossa colaboradora Sandra Fliess escreveu o poema para que sua visão fosse liberta deste preconceito. Logo em seguida, tem uma matéria sobre a tipografia desenvolvida por Nicolas Pereira, a Metrópoli, que foi inspirada na verticalização, ritmo e movimento da cidade São Paulo.


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Metrópoli é uma tipografi a criada por Nicolas Pereira. Ele diz que as formas agregadas aos caracteres da tipografia foram inspiradas na verticalização de São Paulo, no ritmo de vida agitado da grande cidade, no movimento intenso de pessoas indo e vindo pelas ruas, na diversidade, culturas, tribos, credos e classes econômicas.

Ela foi projetada para ser usada como Display, se adequando melhor a textos de corpo grande, títulos e chamadas (isto não significa que não possa ser utilizada em um texto corrido).


Tem alguma imagem que representaria a música dele? — Acho que o vermelho. Não sei o por quê, mas o vermelho representa a música dele. (Mateus — ouvinte)


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O paladar é detectado por estrutras chamadas papilas gustativas. As papilas se encontram exclusivamente na boca, tornando o paladar um sentido restrito a uma pequena área, o que não determina o quão potente ele pode ser. Ao longo de nossas vidas, o paladar muda. Durante a infância, podemos odiar um determinado gosto, mas ao envelhecermos, passamos a aceitar e até a gostar. Assim como o olfato, podemos ser transportados por décadas e quilômetros de distância apenas por sentir um gosto que já nos foi apresentado.

Hoje em dia com a correria, as pessoas não prestam atenção no que comem. Fastfood, comer correndo, lanches. Analisando a situação, nós questionamos se as pessoas, incluindo nós, prestávamos atenção e dávamos valor às coisas que tinhamos dentro de casa, na nossa família e entre amigos.

Nós levantamos diversos pontos interessantes, dentre eles pratos que ninguém mais conhecia. Então achamos que seria válido perguntar para outras pessoas quais pratos eram “típicos” de sua família e amigos; pratos que tivessem um sabor e uma história especiais. Recebemos algumas histórias e receitas de dar água na boca. Selecionamos as melhores, que estão ai em baixo, e uma que, analisando as receitas e as fotos, pensamos ser a mais apetitosa e nos aventuramos na cozinha. Ficou curioso? Então confira!


Edna conta que a receita é de Dalal, uma amiga da academia, e é feita a pedido das amigas. Ela afi rma que o prato tem sabor de festa, alegria, amizade e atenção para com as amigas. A receita é simples: basta misturar os temperos com a carne moída, untar uma forma com óleo, colocar a primeira camada de kibe e apertar para ficar bem compactado. Se quiser, pode rechear com requeijão ou mussarela (esse foi um detalhe que a Edna adicionou na receita da amiga). Depois de montar, faça as divisões dos pedaços com uma faca, aí é só regar com azeite e levar ao forno por aproximadamente uma hora.

Gabriela nos enviou uma receita de chimarrão característica do Sul, lugar de onde ela veio. Ela afi rma que fazer o chimarrão exige técnica; em alguns casos, passa de família para família e que na verdade é um ritual. O modo como ela faz é bem simples: colocar água quente na cuia, um pouco de erva, esperar um minutinho; colocar água até uns ¾ da cuia e colocar a erva até a boca, de cantinho. Depois põe a bomba, tampando o bico pra não entupir; e é só beber. Ela conta que a receita tem gosto de casa, da sua terra; já que nos fi ns de tarde, tomava com seus avós na varanda da casa esperando os outros integrantes da família chegarem do trabalho.

Helena nos enviou uma receita de Pudim de leite condensado. A receita é bem simples: primeiro faça um caramelo com açúcar e água e coloque no fundo da forma; o pudim fica 40 minutos no forno. Depois, bata no liquidificador o leite condensado, leite, ovos e coco ralado, e despeje tudo na forma (que já está com o caramelo). Ela conta que a primeira vez que fez a receita, foi por curiosidade, pois todos falavam do pudim. Foi um sucesso e todos da família adoram e pedem que ela faça em todas as reuniões de família. Ela afirma que o pudim tem gosto de alegria já que é feito sempre quando toda a família está reunida.


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“Este bolo de chocolate me deixou com a boca cheia d’água. Só de ver aquela cobertura de Nutella®… Ele tinha um gosto ótimo, me lembrou daqueles bolos feitos por vó. Os morangos. Não sou muito fã de morangos, mas faziam uma harmonia perfeita com o chocolate. Senti o gosto da felicidade. Deu pra imaginar o momento em que a receita foi criada. Como as melhores coisas que comemos, não pude deixar de lambuzar minha cara inteira, lógico que não foi proposital.”

“As cores são vermelho (o morango) bem fluorescente, e um caramelo (o bolo e o chocolate). O vermelho é gelado e tem uma textura espumosa, e o caramelo é quente e tem uma textura de lama, um pouquinho mais seca. Quando os sabores, texturas e cores se misturam, formam como se fosse um redemoinho com as cores não bem misturadas. É muito gostoso, e enche a boca de água.”

“O bolo estava com uma cara muito boa, os morangos bem vermelhos e o brilho da calda davam água na boca. Além da mistura do gosto dos chocolates bem docinho e dos morangos mais azedos, o bolo teve gosto de risadas, alegria e distração, por conta do momento. A mistura de sabores e risadas com certeza fez o bolo fi car ainda mais gostoso e com certeza será lembrado por esse momento.” “Comer o bolo de chocolate ® com Nutella e parar para prestar atenção em cada sensação foi uma experiência bem legal. Ao saborear cada pedaço, fui identificando coisas como a textura macia e um pouco úmida da massa, o cheiro de chocolate que invadiu a sala ao abrir o pote com o bolo, a cor vermelha do morango que estava delicioso e, além ® de tudo isso, o sabor da Nutella é um gosto maravilhoso que me traz boas recordações. É sempre bom comer algo gostoso com seus amigos e dar algumas risadas.”


Temperos

de fora do Brasil, que são atraídos pela qualidade, variedade, beleza, e, principalmente, pelo aroma e sabor dos alimentos que estão por toda parte.Localizado na Rua da Cantareira, 306, no bairro Parque Dom Pedro II, em um prédio grandioso construído na primeira metade do século XX, o mercado e´ um lugar onde se pode dar um agradável passeio em família sem pressa, ou mesmo fazer compras para aquele almoço especial de domingo.


No local, é possível encontrar flores e frutas do mundo inteiro, abrigando uma profusão de diferentes aromas e perfumes. Então, caso esteja interessado em um passeio que instigue seu olfato, vá ao Mercadão e não deixe de comer um sanduíche de mortadela ou um pastel de bacalhau que, são pedidas obrigatórias por lançarem seu aroma por todo o lugar.


Avó e neta brincando no parquinho

Observando a cidade e as pessoas que aqui habitam, percebemos que faltava sentir, perceber melhor o que há ao redor. Por isso fomos procurar lugares diferentes onde seria possível ter novas experiências sensoriais. Nessa busca encontramos o Parque da Água Branca que está localizando na Avenida Francisco Matarazzo, 455, próximo ao metrô Barra Funda.


Ao lado do Espaço de Leitura, encontramos a Trilha do Pau-Brasil com espécies preservadas da Mata Atlântica ao alcance do toque. Os majestosos pergolados ficam no caminho do parquinho que tem o chão coberto de areia, perfeito para andar, correr e brincar sem sapatos. Caminhando um pouco mais, encontramos a Casa do Caboclo e, ao lado, alguns bambuzais. Um pouco mais à frente, uma pequena hípica com alguns cavalos que ficam em suas baias. Tente passar a mão em um deles para sentir a textura dos pelos desse animal enorme. O local oferece grande variedade de atrações: cursos e oficinas, aulas de equitação, o Museu Geológico e uma feira de produtos orgânicos. O Parque da Água Branca traz várias oportunidades para aguçar o tato, não deixe de visitar. E se quiser começar agora mesmo, veja a página a seguir.


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| Tato — Simulacro


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Revista Simulacro