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PELOUROS Toda a Informação

referente às actividades realizadas e futuras Pág. 12-15

FESTA DAS LATAS 2010 PÁG. 10-11

UNIVERSIDADE

OPINIÃO

CIÊNCIA

João Gabriel Silva Eleito Novo Reitor da UC Pág. 4

O Novo Acordo Ortográfico Pág. 17

2010 - O Ano da Astronomia Pág. 3


E D I T O R I A L NUNO LOPES

A

Aluno de Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica Presidente do NEDF/AAC

Como se diria na

sificar os temas abordados pelo jornal

gíria portuguesa, pare-

do NEDF/AAC, dando também a cada

2011. passados.

ce o “fim do mundo”

pelouro um pequeno espaço para di-

e enquanto vivemos constantemen-

vulgação, informações e exposição de

Estado: Revolta no Magrebe, crise

te preocupados com o nosso umbigo,

algumas actividades já desenvolvidas.

económica portuguesa, constante es-

o planeta revira-se em mil acções e

Temas como a Festa das Latas, a elei-

peculação sobre a entrada do FMI em

acontecimentos que mudam o dia-a-

ção do novo Reitor da UC, Astronomia,

Portugal, reeleição do actual Presiden-

-dia de milhões e milhões de pessoas.

o programa de mobilidade ERASMUS

te da República, mudança de treina-

Apesar de serem assuntos com os

e o novo acordo ortográfico são alguns

dor na Académica-OAF, novo Reitor

quais somos confrontados todos os dias

dos temas abordados neste Anti-Maté-

da Universidade de Coimbra, toma-

e que já tanto ouvimos falar, é impor-

ria, que julgamos ter tanto de diversifi-

da de posse dos novos corpos geren-

tante saber qual a visão e opinião dos

cado como de pertinente. É ainda pos-

tes da DG/AAC, eclipse parcial do sol

alunos do departamento (e não só!)

sível termos um visão de como foi o 20

(com pelo menos mais cinco eclipses

sobre estes. Numa versão totalmen-

de Fevereiro na ilha da Madeira (uma

previstos para o resto do ano) e an-

te remodelada do Anti-Matéria (novo

tecipação da data do fim do mundo.

design incluído) pretendemos diver-

no Dois

de meses

FICHA TÉCNICA Redactores: Nuno Lopes, Hugo Ferreira, Luís Rodrigues, João Lima, Hugo Moreira, Marco Costa, David Bento, Ernesto Costa, André Miraldo, Gabriel Campos, João

2

Anastácio, Ana Cortez, Ana Margarida, Cristiana Francisco, Pedro Vaz, Danilo Jesus, Leonel Gomes, João Borba, Rui Venâncio.

vez que fez um ano desde que se abateu sobre a região, uma grande catástrofe) bem como as actividades desenvolvidas por duas grandes estruturas sediadas no Dep. Física, jeKnowledge e o Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho. As artes assumem como sempre um papel determinante, estando incluídas as habituais crónicas cine-

Grafismo e Paginação: Vítor Hugo Alves. Produção: Pelouro da Informática/Divulgação do NEDF/AAC - Vítor Hugo Alves, Rui Venâncio, João Borba. Revisão: João Borba, Sara Barbosa, Nuno Lopes, Rui Venâncio, Vítor Hugo Alves.

matográficas e musicais, acrescendo ainda uma pequena volta pelo mundo televisivo e dos videojogos. Diversos temas concatenados num simples jornal de 24 páginas e que esperamos que assuma um papel re-

Propriedade: NEDF/AAC

levante na comunidade do Departa-

Email: divulgacao_informatica@nedf.org, geral@nedf.org

mento em que “vivemos”. É impor-

Site: www.nedf.org

tante ter espírito critico e visionário

Sede: Rua Larga, Departamento de Física, Sala B13, 3004-516 Coimbra

e assim esperamos que na próxima edição esteja incluído o teu artigo!

N. L. jornal Anti-Matétia

MARÇO 2011


C I Ê N C I A HUGO FERREIRA

Aluno de Licenciatura em Física

S

e 2009 foi celebrado como o ano internacional da astronomia, foi em 2010 que se sucederam as descobertas mais estranhas e mais fascinantes da sua história. Neste artigo faz-se referência a algumas das descobertas que desafiam as teorias mais aceites da astronomia. Neste ano, obs er varam-s e objectos e sistemas solares que não deveriam sequer exis-

2010 - O ANO DA ASTRONOMIA

tir, pelo menos segundo as nossas teorias, e que estão a forçar-nos a reescrever os livros de astronomia. É exemplo disso a estrela R136a1. O nome pode não ser sugestivo, mas esta estrela é massiva, estimando-se que tinha 320 massas solares quando nasceu e é 10 milhões de vezes mais brilhante que o sol. A sua massa é, na verdade, o dobro da massa máxima de uma estrela estável estimada pela teoria. Com tal massa, e seguindo a teoria, a estrela deveria ter colapsado num buraco negro antes de iniciar reacções nucleares. Por muito grande e brilhante que seja, a sua vida vai ser curta na ordem dos 2 milhões de anos (por comparação o sol irá viver um total de apro x i ma-

damente 10 mil milhões de anos). Mas se as estrelas surpreenderam, o que resta da sua morte também. Uma estrela de neutrões foi encontrada a 3000 anos-luz da Terra e a sua massa desafia as teorias sobre o colapso de estrelas de grande massa, uma vez que com uma massa que é o dobro da do sol, deveria ter-se tornado um buraco negro. Uma outra estrela de neutrões, mais conhecida como magnetar (estrela com um dos campos magnéticos mais fortes em todo o universo) está situada no exame aberto Westerlund 1 a 16.000 anos-luz e nasceu da explosão de supernova de uma estrela de 40 massas solares que, segundo as teorias deveria ter originado um buraco negro. Como este objecto se formou? A verdade é que hoje a ciência não tem qualquer explicação para como estes objectos magnéticos surgem nos céus. Estas e outras descobertas que se estão a fazer, mostram o quão pouco sabemos sobre a formação, vida e morte das estrelas, abrindo es3 paço para novas investigações que nos permita conhecer cada vez melhor os astros que iluminam os céus. H.F.

MARÇO 2011

jornal Anti-Matétia


N O T Í C I A S J OÃ O GA B RI EL E SI LVA ELEI TO REI TOR PELO CON SELHO GERAL DA UN IVERSIDADE DE C OIM BRA ao CG. É este que lhe Representante dos estudantes de 1º e 2º ciclo no Conselho Geral da UC aprovará as grandes dentes de começar, queria cisões universitárias. É este agradecer ao Presidente do Núcleo de Estudantes o “parceiro” que aumenta a do Departamento de Físi- exigência e a qualidade da universitária. ca a oportunidade de es- governação crever umas breves linhas Um órgão de supervisão sobre a eleição do Reitor. muito útil à UC. O Reitor No passado dia 14 de Feve- Seabra Santos ainda trabareiro, o Conselho Geral (CG) lhou dois anos com o CG, da Universidade de Coimbra mas não tinha sido eleito teve a oportunidade de eleger por ele. Assim, haverá uma o Reitor pela primeira vez. mudança de relação que será Esta competência, anterior- benéfica para a Universidade. Havia inicialmente quamente atribuída à Assembleia da Universidade (órgão tro candidatos, entre eles, extinto com o RJIES - Regi- dois estrangeiros. Entretanme Júridico das Instituições to, apenas os dois candidatos de Ensino Superior) passou a “da casa” chegaram ao fim. A Prof. Cristina Robalo fazer parte do elenco de competências do novo órgão cria- Cordeiro (Vice-Reitora) e o do pelo RJIES – o Conselho Prof. João Gabriel e Silva (DiGeral (órgão composto por rector da FCTUC) eram dois 35 membros: 18 professores, candidatos de grande quali10 elementos externos, 5 es- dade e visibilidade. Os 5 representantes dos tudantes e 2 funcionários). estuEste considerando é im-

LUÍS RODRIGUES

A

4 portante

porque opera uma grande transformação política no seio da Universidade. É uma alteração de paradigma, com vantagens e desvantagens, tendo o peso dos estudantes diminuído mas nem por isso deixou de poder ser decisivo (prova disso são as eleições anteriores dos Directores das Faculdades e esta eleição reitoral). Uma grande transformação porque o novo Reitor deverá “prestar contas”

jornal Anti-Matétia

MARÇO 2011

dantes trabalharam em conjunto com os candidatos no sentido de os programas de acção serem os mais favoráveis possíveis aos estudantes. Assim aconteceu. Todavia, na hora de decidir eu e os meus colegas não chegámos a um consenso sobre quem seria melhor para os estudantes e assim, cada um votou naquele que achava melhor. O Conselho Geral elegeu por voto secreto o Prof. João Gabriel e Silva com 18 votos (maioria absoluta) para o cargo de Reitor. A Prof. Cristina Robalo Cordeiro teve 16 votos e registou-se ainda um voto em branco. Esta divisão revela apenas que eram os dois bons candidatos e não vale a pena especular sobre quem votou em quem – daí a virtude do voto secreto. Apenas os estudantes revelaram o seu sentido de voto o que só em si constitui uma atitude de irreverência. Mas, estou certo que agora eleito o Reitor, todos nós iremos trabalhar com ele na prossecução dos fins da UC. O Prof. Doutor João Gabriel e Silva apresenta um programa de acção que no global se pode circunscrever num conceito – Qualidade. É um programa ambicioso mas realista. De um modo geral quer fazer mais com menos recursos e colocar a Universida-

de como motor do país e em especial como uma referência no espaço europeu. Quer ser o líder que “coloca desafios” à comunidade. Aquele que defende a acção social dos estudantes e que procura ser justo com todos. Aquele que terá a AAC e os representantes estudantis nos órgãos como parceiros essenciais, numa política activa que faça todos sentirem-se envolvidos na conquista de melhores condições infra-estruturais, pedagógicas, científicas e culturais. Conhece muito bem a Universidade e como tal, tem um rumo bastante claro a dar-lhe. Não receia tomar decisões importantes e preocupa-se constantemente em melhorar e conseguir o “impossível”. Tenho a certeza que terá uma equipa à altura do desafio e a nossa responsabilidade (estudantes) é grande, na medida em que temos a oportunidade de operar a mudança nas salas de aula. Ele trará um novo ciclo à UC. Para mim foi um desafio votar nele. Agora, não faltem à chamada e na hora da união vamos “sonhar” um pouco e sentir o que é ser UC. L. R.


N O T Í C I A S CONCURSO “ARRISCA COIMBRA”

ENGENHEIROS BIOMÉDICOS RECONHECIDOS

N

a edição 2010 do Concurso de ideias de negócio “Arrisca Coim-

bra”, organizado pela Divisão de Inovação e Transferências do Saber (DITS) da Universidade de Coimbra, a ideia de negócio apresentada pela Exa4Life foi distinguida com dois dos principais prémios: o prémio Igualdade respeitante à melhor ideia de negócio

A ideia de negócio vencedora consiste num sistema de administração transdérmica de fármacos de forma indolor e não invasiva. Este projecto transporta características de interface com o utilizador simplistas e é de cariz portá-

A solução apresentada é fruto da con-

til para fazer frente ao indicador social

jugação da engenharia electrónica com

atribuído pela Secretaria de Estado

com previsões estatísticas de continui-

a engenharia biomédica culminando no

da Igualdade e Ministério da Ciência,

dade - o envelhecimento da população

desenvolvimento de um produto inova-

Tecnologia e Ensino Superior e; o pré-

-, bem como intenções de suprimir os

dor. Esta solução já se encontra pronta a

mio InovCapital destinado ao projec-

recursos físicos e humanos solicitados

ser colocada no mercado, uma vez que já

to vencedor desta edição para consti-

aquando de uma terapêutica numa Enti-

passou pelo processo de certificação por

tuição do Capital Social da empresa.

dade de prestação de serviços de saúde.

um organismo notificado – SGS-UK.

promovida por elementos femininos,

MARÇO 2011

jornal Anti-Matétia

5


En

t r e i

e n

Eng. Bi

o m é d i c a

, E AGORA?

JOÃO LIMA

Está também ligada à produção de bio-

para a investigação, embora não seja este

Aluno Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

materiais, à engenharia de tecidos, pró-

o único caminho que pode ser seguido.

HUGO MOREIRA

teses, o que é um ramo bastante atractivo

Fazem-se principalmente investigações

Aluno Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

para vários estudantes do nosso curso.

em ciência básica, mas com uma com-

M

uitos são aqueles que todos os anos “caem” neste curso de pára-

-quedas sem saber aquilo que no futuro os espera. Outros têm uma ideia completamente diferente daquilo que é realmente o curso, e não é no primeiro ano que conseguem perceber a realidade da engenharia biomédica. É aqui que os mais velhos podem intervir e aclarar as perspectivas confusas dos mais novos. Afinal o que podes fazer como engenheiro biomédico? Se estás virado para a medicina em concreto, ou seja, cuidar dos doentes e de quem mais precisa, esquece. Não estás aqui a fazer nada….

ponente maior sobre a função cerebral • Informática Clínica e Bioinfor-

e os seus mecanismos (alterações no

mática - Se gostas de programação e

cérebro, disfunções na retina, células

o computador é o teu mundo, talvez

tumorais, etc). Há também a possibi-

te sintas bem no desenvolvimento de

lidade de trabalhar em empresas que

software de análise dos sistemas bioló-

desenvolvam este tipo de actividades.

gicos, ou na criação de novos modelos informáticos associados à área da me-

Como podes ver, há diferenças em

dicina, biologia, etc. Actualmente, é

todas as áreas de mestrado, mas no fun-

das áreas do nosso curso que tem mais

do acabam por estar interligadas, tendo

saída profissional, porque é muito di-

como objectivo um ponto comum: atin-

versificada e podes realizar variadíssi-

gir níveis cada vez mais altos de qualida-

mas tarefas (gestão hospitalar, teleme-

de de vida e bem-estar do ser humano.

dicina, etc), sendo um bioinformático.

Sendo este curso uma engenharia,

• Imagem e radiação – Esta área

Se por outro lado, gostas de tecnolo-

possibilita-te, entre outros, caminhar

gia, e queres ter um papel activo nessa

no campo de processamento da imagem

vertente aplicada à medicina ou à ci-

médica, ou então na produção de radio-

ência, aí sim, estás no bom caminho!

fármacos, muito utilizados nos últimos

Como já deves ter

6 conhecimento,

no

instância, do ramo médico e hospitalar, ou noutros ramos que destes divergem. Ao longo do curso vais poder obter mais informação e muito mais concreta, de Vais encontrar disciplinas de gestão e aprender novos

4 áreas de mestrado

conceitos que te poderão

em que podes fazer tua

trabalhar em consultadoria, em primeira

acordo com as tuas dúvidas.

nosso curso existem

a

podes também ganhar capacidades para

ajudar a valorizar o espíri-

especializa-

to

ção, e na nossa opi-

empreendedor.

Acima

de tudo, tenta ser criativo

nião, é nessa altura

e pró-activo, porque isso é

que te começas a

um dos parâmetros que de-

deparar com as ver-

finem o teu percurso acadé-

dadeiras

aplicações

da

engenharia

tempos no tratamento de tumores, por

mico. Nos dias de hoje, isso é bastante

exemplo. Através da radioactividade é

importante porque permite sobretudo

possível traduzir em imagens o diag-

que definas metas que te poderão le-

lho futuro. As áreas de mestrado são:

nóstico de variadas patologias. Assim

var a um grande sucesso profissional.

• Instrumentação Biomédica e Bio-

comprova-se a relação que pode ser

Estás na Universidade, por isso apro-

materiais - Nesta vertente da biomédica

explorada entre a radiação e a imagem.

veita ao máximo para te valorizares e fa-

biomédica. Até lá, vais ganhando bases e ferramentas para o teu traba-

poderás trabalhar no desenvolvimento

zeres mais e melhor a cada dia que passa.

de instrumentos de auxílio no diagnósti-

•Neurociências – As especializações

co médico, ou de tratamento de doenças.

neste ramo são muito direccionadas

jornal Anti-Matétia

MARÇO 2011

J. L. & H. M.


E RA S M U S MARCO COSTA

Aluno Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

A

menos de 12.500 metros de altitude, do meu lado esquerdo, já se avistava algo em ferro, de forma pontiaguda – a Torre Eiffel. Nem imaginam a minha cara de parvo a sorrir que nem um doido e no meu pensamento a planear-se toda uma agenda de um estudante em ERAMUS. Devem calcular mais ou menos o que me passou pela cabeça. Mas enganam-se, porque mais que um estudante ERASMUS, estava em Paris! Cidade onde há quase tudo e gente de todo o mundo. Museus, monumentos, lojas, palácios, bairros populares, ruas, avenidas, boulevards, cafés e livrarias, tudo é para se visitar, até cemitérios planeei na agenda. E claro, algumas festas! É tudo tão belo e há tanto para ver, que se chega a hora do fim deste pequeno semestre e há ainda mais para ver. Para começar bem a minha estadia e viver a cultura francesa, à francesa, nada melhor que uma greve nos transportes! Ideal para se integrar no espírito desta peculiar cultura. Sendo assim tive que deixar para o dia seguinte as papeladas, visto ser impossível deslocar-me na cidade. Uma das coisas que também constatei quando cheguei à cidade luz foi a multiplicidade cultural: houve até um dia, em que ia na rua, errante, até dar conta que nem francês se falava e que havia variados tons de pele a passear (isto não é racismo, é uma constatação). A primeira coisa que tive que ir ver de perto foi a torre Eiffel e constatar a sua grandiosidade. Ainda me lembro do que o meu colega de casa, italiano, disse quando chegámos perto da torre: “ma che bello!!!” (não esquecendo o pormenor das mãos). De facto, é fantástico como um monte de ferros juntamente com luzes a piscar se pode tornar arte e ser tão majestoso. Desde a presença dos romanos, até ao século XXI, todo tipo de arte pode ser apreciada nesta cidade. Do Louvre ao Arco de Triunfo, de Notre-Dame à l’Arche de la Défense, de Saint-Germain-des-Prés a Montmartre, do rio Sena às Galerias Lafayette tudo é tão admirável, que podemos passar horas e horas a olhar, boquiabertos, sem dizer nada, apenas contemplando. Além de turista, um dos objectivos desta experiência é conhecer outras

culturas, integrar-se nelas e vivê-las ao máximo, como se fossem nossas. Sendo assim, para adoptar o estilo de vida parisiense, comecei por todos os dias comer baguette e ao fim das refeições um bocadinho de fromage. Todos os dias de manhã, antes de entrar no metro, apanhava um jornal de distribuição gratuita (Metro ou DirectMatin) e ler durante a viagem até à faculdade. Isso foi algo que contrastou bastante com os utilizadores dos transportes públicos em Portugal. Mesmo com 300 pessoas numa carruagem do metro, onde normalmente cabem menos de 100, havia sempre alguém com um livro ou um jornal aberto. Dei por mim a fazer o mesmo, e a correr nas condutas do metro, mesmo que não quisesse, senão era “atropelado” pelas pessoas. Disse-me uma vez um homem que “em Paris se vive a 200 à hora” e é bem verdade. Mas o auge deste estilo de vida aconteceu quando houve outra paralisação quase geral dos transportes públicos e havia manifestações em todos os lados da cidade. Parecia quase Maio de 68: palavras de ordem, panfletos, (fogo de artifício), gritos, milhares de pessoas na rua a recusar a reforma aos 67, entre outras coisas. Até aí tudo bem. O problema foi quando quisemos voltar para casa. Entrar no metro não foi fácil! Tivemos que ver passar sete comboios para poder enfim entrar numa carruagem. Mesmo não querendo, havia sempre alguém para empurrar. E quando pensámos que não cabia mais gente, ainda entrava uma dezena de pessoas. Fiquei a saber quão o corpo humano pode ser comprimido. Mais incrível ainda é a animação musical que vai no metro: desde guitarristas e acordeonistas nas carruagens até cantores, dançarinos e orquestras inteiras nas condutas, temos uma formidável variedade musical à disposição dos nossos ouvidos. Já devem estar a pensar: “então e as festas?”. As grandes festas a que estamos tão habituados em Coimbra, não foram assim muitas. Problema: dinheiro! A

BOM VOYAGE MARCO!

Boémia em Paris é extremamente cara. Então optávamos por fazer umas soirées em casa uns dos outros, entre amigos. Esse é outro objectivo do ERASMUS, o de conhecer novas pessoas, diversificar as nossas amizades com pessoas de diferentes países. Por incrível que pareça, sendo Paris uma das cidades que recebe mais estudantes estrangeiros no mundo, conheci mais franceses do que pessoas de outras nacionalidades. Conheci também alguns portugueses, sobretudo estudantes de Lisboa. Para além do estudantes, tive o prazer de conhecer também uma actriz de teatro, residente em Paris. Finalmente, tenho que vos falar do principal objectivo da experiência ERASMUS, pelo qual efectuamos este programa de intercâmbio. Em Paris, o conceito de se ser estudante de uma faculdade, é a de um estudante livre e responsável pelos seus estudos. Quero com isto dizer que o estudante não tem um professor atrás dele a orientá-lo. O estudante é que deve procurar saber e ser curioso. Pois, quando chega a hora dos exames, ele é que tem de assegurar o seu sucesso. Quanto às aulas, são iguais em todo lado. Tudo depende das qualidades pedagógicas dos professores. Bem, mas quando chega o fim do semestre, começa-se a sentir uma certa nostalgia, não querendo ir embora. Por outro lado, não via a hora de voltar a ver a minha família e também Coimbra e todos os meus amigos, dos quais já tinha muitas saudades. Foi um grande paradoxo, mas mostrou-se de fácil resolução. Sei que não vos contei tudo. Muita coisa fica por dizer desta experiência, pois o espaço que me foi reservado neste jornal, para contar a minha história, começa a escassear, mas também por outras coisas que não me lembro agora. Só sei que adorei e como diria a Edith Piaf: Non, rien de rien/Non je ne regrette rien.

M.C

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jornal Anti-Matétia

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CC V RC INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: DESEJOS, PROMESSAS E REALIDADES

Ernesto Costa, do Departamento de Engenharia Informática, da Universidade de Coimbra, na sexta-feira, 25 de Fevereiro, apresentou uma palestra no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, no Departamento de Física.

ERNESTO COSTA

Departamento de Engenharia Informática

D

esde sempre o Homem foi um construtor de artefactos, procurando através deles superar as suas limitações e amplificar as suas capacidades. Quando, em meados do século passado, surgiu esse objecto novo que designamos por computador, muitos foram os que viram finalmente a possibilidade do Homem se superar naquilo que mais o distingue dos outros seres vivos: a inteligência. Foi em Agosto de 1956 que 10 investigadores se juntaram, pela primeira vez, para discutir a possibilidade da existência de máquinas inteligentes, de uma Inteligência Artificial (IA). Hoje, 55 anos depois do seu aparecimento, que balanço podemos fazer? Nesta palestra, destinada a uma público genérico, pretende-se confrontar os desejos e as promessas, com 8 a realidade. Começando pela interrogação filosófica sobre a possibilidade de uma IA. Dar-se-á conta que, afinal, não existe uma IA mas sim várias, e que a história deste novo domínio interdisciplinar, onde se cruzam

jornal Anti-Matétia

MARÇO 2011

as áreas da computação, da cognição, das neurociências e da biologia, é um pouco a história do confronto entre várias localizações num espaço multidimensional (simbólicas, conexionistas, de inspiração biológica), umas mais fundamentalistas, outras mais dialogantes e propondo soluções híbridas. No meio da pluralidade de opções ilustradas em exemplos simples, é mostrado o denominador comum, centrado no conceito de agente. Através de exemplos do nosso quotidiano, de como hoje convivemos (dependemos?), de soluções inteligentes para a nossa sobrevivência, levantar-se-ão questões, de modo breve, acerca dos caminhos dos diferentes futuros possíveis, na certeza de que a melhor maneira de prever o futuro é construí-lo. E.C.

BIOGRAFIA DE

ERNESTO COSTA

E

rnesto Costa é membro do Departamento de Engenharia Informática, da

Universidade de Coimbra. É co-fundador do Centro de Informática e Sistemas da UC (CISUC) e fundador do Grupo de Inteligência Artificial, que presidiu até 2003, ano em que fundou o grupo de Sistemas Complexos e Evolutivos, integrado no CISUC. Actualmente faz investigação em computação de inspiração biológica, tendo recebido vários prémios internacionais nesta nova área e organizado diversos eventos internacionais. Com larga produção científica, já granjeou prémios para as suas publicações: recebendo em 2009 EvoStar Award for Outstanding Contributions to the Field of Evolutionary Computation. O seu livro Inteligência Artificial, em co-autoria com Anabela Simões, já mereceu uma segunda edição em 2008.


jeKnowledge

objectivo aplicar o conhecimento adquirido no Ensino Superior em projectos vários no mercado de trabalho. Aluno Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica A jeKnowledge ambiciona, portanto, ser uma referência jeKnowledge é a Júnior Empresa da Faculdade de na formação de novos talentos nas áreas de Engenharia Ciências e Tecnologias da Universidade de Coim- e Gestão. bra. Contextualizando, uma júnior empresa é um orgaEstá sediada no Departamento de Física, mais precinismo empresarial sem fins lucrativos, gerida integral- samente na sala B3, tendo sido criada em Junho de 2008. D.B. mente por estudantes universitários e que tem como

DAVID BENTO

A

jeniAL Open Day

E

stá a cargo da jeKnowledge e da JEEFEUC, a outra Júnior Empresa de Coimbra e provenientes da FEUC, a organização do jeniAL’11 (Junior Enterprise National Integration Atittude Leadership). Como o próprio nome diz, trata-se de um congresso nacional de Júnior Empresas e que vai reunir, nos dias 15, 16 e 17 de Abril, e em Viseu, todos os jovens universitários portugueses que pertencem ao movimento. Contudo, uma das grandes novidades da edição deste ano passa por criar valor para a Região de Viseu, que apresenta um menor índice de discussão de temáticas relacionadas com o meio académico. Para isso vão ser levadas a cabo algumas iniciativas, como o jeniAL ideas, concurso de ideias de negócio destinado exclusivamente para estudantes das Universidades de Viseu e ainda o je-

niAL Open Day, no sábado, dia 16 de

CEO da YDreams, ou o André Ra-

Abril à tarde.

banea, CEO da Torke, e reconhecido

Este último consistirá em variadas

pelas suas cativantes apresentações.

talks e painéis de discussão, que incidirão em temas como Ensino Su-

Os bilhetes têm um custo de €

perior, Criatividade e Empreendedo-

7,50 e estão a ser vendidos em qual-

rismo. Esta plataforma será aberta ao

quer posto dos CTT – Correios de

público em geral, e conta já com ora-

Portugal, ou ainda através da sua

dores como o bastonário da Ordem

bilheteira online.

dos Advogados, Doutor Marinho D.B.

Pinto, o Professor António Câmara,

MARÇO 2011

jornal Anti-Matétia

9


F es t a

da s

10

jornal Anti-MatĂŠtia

MARÇO 2011

Latas


Co

ANDRÉ MIRALDO

Aluno Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

E

assim, do nada, dei por mim no Departamento de Física. Apesar de Engenharia Biomédica não ter sido a minha primeira opção, percebi que entrei num departamento com valores e camaradagem muito diferentes do que estava à espera e, para mais, num curso que me surpreendeu totalmente e me fez redefinir objectivos e perceber o que realmente queria. De cedo se fizeram amizades fortes e foi fácil perceber que a aventura universitária que ia viver não seria, de todo, solitária. No meio de aulas, praxes, convívios e festa, chegou a famosa semana da Latada. Como sou conimbricense, o nome não era estranho e a ideia de Latada resumia-se às noites do parque e a toda a ideia de folia que transborda no cortejo. No entanto, o que vivi como estudante universitário foi uma experiência completamente diferente do que esperava, a começar pelo momento que inaugura a Latada em si, a serenata da Latada. Com efeito, foi

i m b r a

2010

um momento emotivo e tudo o que sucedeu a este evento foi uma semana inesquecível e única na qual vivi um ambiente de união. As noites no queimódromo conseguiram superar as minhas espectativas. Depois jantares com o departamento, caloiros ou amigos, o convívio ao pé da única barraca que tinha pessoas em cima desde o início da noite, era espectacular. A reunião de todo o departamento era uma festa e em poucos se via tal espírito. Apesar de toda a festa da noite, o momento mais marcante de toda a festa das latas é, sem dúvida, o cortejo. Aquela 3ª-feira provou que o verdadeiro significado da latada não pode ser encontrado tendo um bilhete geral todo rasgado, mas sim confiando no que os padrinhos trouxeram para os seus caloiros desfilarem até ao momento do Baptismo no Mondego, onde se juntam oficialmente a uma nova família. 11 Família esta que não acaba com a balada da despedida no último dia da Latada, pois para o ano estaremos nós a tornar a Latada numa experiência que gera confiança e união entre uma nova leva de caloiros que há-de chegar. A.P.

MARÇO 2011

jornal Anti-Matétia


CULTURA GABRIEL CAMPOS

Aluno Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

M

seis dias serão desenvolvidos enu- visitar o site do evento (http://www. meras actividades, dirigidas não só

uc.pt/cultura/xiiisemanacultural).

Paralelamente à Semana Cultural arço sinónimo de mês da cul- à comunidade universitária como tura em Coimbra. Pela 13ª vez, a todos os interessados. Os espaços da UC é neste mês que também se entre os dias 1 e 6 do mês, terá lucelebra o 25º aniversário da RUC. onde decorrerão as actividades e gar na cidade a Semana Cultural da eventos serão muitos, e estarão espa- A mais antiga rádio escola do país terá na primeira semana do mês UC, edição esta que terá como tema lhados por toda a cidade. Para conuma programação especial, haven“Reinventar a Cidade”. Ao longo dos sultar toda a programação podem do mesmo algumas emissões

PROGRAMA CULTURAL COIMBRA

em directo da praça D. Dinis. Para o dia 4, está marcado o Concerto RUC25 e que traz pela primeira vez a Portugal a banda sueca The Radio Dept, o espectáculo está marcado para as 21h30 e será realizado no TAGV. Nesta

página

podem

ser

visto alguns dos vários espectáculos

que

vão

aconte-

cer durante o mês de Março.

12

Para quem diz que em Coimbra não existe cultura, aqui fica uma pequena amostra! G. C.

jornal Anti-Matétia

MARÇO 2011


S

JOÃO ANASTÁCIO

Aluno Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

O desafio era aliciante: propus-me a organizar a primeira Liga de Futebol do Departamento de Física - queria algo diferente, nunca feito até então.

morável para todo o departamento.

TORNEIO FUTEBOL 7

tecimento – dia 16 de Março, no

Jornada após jornada, tudo se tor- Campo de Santa Cruz, realizarnou mais sério e a sede de vencer foi -se-á uma febrada acompanhan-

explodindo em cada jogador, defen- do a grande final e a cerimónia dendo com garra a sua equipa, na de entrega de prémios, à qual está

tentativa de conseguir os tão cobiça- todo o departamento convidado! Com a grande adesão que teve, vi- dos quatro primeiros lugares. A fer- Não pensem que me esqueci das -me responsável por criar um evento vura da liga foi deveras enorme, que meninas! O confronto decisique funcionasse bem e que conse- trespassou as quatro linhas do campo vo do torneio feminino terá lugar nesse mesmo dia, com entreguisse encantar todos os participan- e contagiou todo um departamento. ga do prémio à equipa vencedora. tes, fazendo deste um torneio me- Há que glorificar este grande aconA liga de futebol do NEDF trouxe o espírito da competição e da união ao

R

O

DESPORTO

rubro! Não se tratando apenas de um encontro desportivo entre estudantes, esta iniciativa ultrapassou todas

U

as expectativas no departamento de física promovendo o companheirismo e a amizade num ambiente de puro fair-play e desportivismo. A nossa liga honra, acima de tudo,

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o símbolo da nossa instituição e o espírito académico que perseverou em todos os participantes e apoiantes deste grande evento.

P

E

L

J.A.

PEDAGOGIA

N

o corrente ano lectivo, muitas têm sido as alterações no atendimento CRISTIANA FRANCISCO Aluna de Licenciatuara em Física aos alunos por parte dos Serviços Académicos da FCTUC. Numa perspectiva de o melhorar, este atendimento é agora feito em conjunto com todas as outras faculdades, diariamente (das 9h30 às 16h) no Palácio dos Grilos. Para além deste, existe também atendimento telefónico, por Skype e por e-mail (mais informações em http://www.uc.pt/academicos/atendimento). No diz respeito a prazos relativos a este semestre, deverão tomar atenção a: - Desistência da matrícula/inscrição: até 9 de Março (o pedido tem de ser formalizado junto do Serviço de Gestão Académica). - Alteração de matrícula/inscrição: poderá ser feita até 15 dias úteis após o início do período lectivo de cada semestre, depois disso, só poderá ser feita mediante o pagamento de taxas. Estas e outras informações em http://www.uc.pt/academicos. Qualquer duvida, reclamação ou sugestão que poderão ter, enviem para pedagogia@nedf.org. C.F. MARÇO 2011

jornal Anti-Matétia

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INTERVENÇÃO CÍVICA ANA CORTEZ

Aluna Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

É

com enorme prazer e alegria que o NEDF/ AAC (Núcleo de Estudantes do Departamento de Física) assume a responsabilidade total no projecto “Aprender a Brincar”, já vosso conhecido. Assim, gostaríamos de contar novamente com a vossa colaboração neste grande projecto que visa acompanhar o internamento de crianças no Hospital Pediátrico de Coimbra. O objectivo é brincar com elas e cativar o seu interesse pelas mais diversas eras da ciência, nomeadamente da Física. Conforme devem estar recordados dos anos anteriores, não é necessário que a nossa formação académica seja na área da Física ou da Engenharia. É necessário sim o empenho e a força de vontade, independentemente da nossa área, já que as brincadeiras e experiências a realizar são, de facto, muito simples e do conhecimento geral da maioria. Lembrem-se que não há maior recompensa e satisfação do que ver um sorriso no rosto de uma criança quando partilhamos um pouco do nosso tempo com elas. Contamos com a tua colaboração nova-

PROJECTO ‘APREN

mente neste projecto. A partir deste ano o Hospital Pediátrico terá novas instalações, como todos devem saber, num novo e completo edifício onde teremos melhores áreas de trabalho.

O U T R A S R E C O L H A S D O D E PA R TA M E N T O D E F Í S I C A

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ANA CORTEZ

Aluna Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

ANA MARTINS

Aluna Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

O

Pelouro da Intervenção Cívica não pára as suas iniciativas. Para além

da equipa de voluntariados do projecto Aprender a Brincar no Hospital Pediátrico de Coimbra e da recolha das Tampinhas no BIF, o nosso Pelouro chama a vossa atenção para a recolha de roupas,

do nosso Departamento! Lá encontra-se

No final do ano, as recolhas serão

um recipiente apropriado para o efeito.

doadas à associação FAS –Farol de Ac-

Se também tens material escolar, como

ção Social -(Espinho) esta é uma equi-

livros, cadernos novos ou canetas e mar-

pa de voluntários que promove mis-

cadores, também podes trazê-los para o

sões em países desfavorecidos e com

Departamento de Física! Há muitos meninos e meninas que ficarão muito felizes! O mesmo se passa com brinquedos! Actualmente, são objectos bastante caros e cada vez mais famílias têm dificuldades em garanti-los aos seus filhos. Os brinquedos não são apenas

necessidades deste tipo de bens, como São Tomé e Príncipe e Moçambique, bem como no nosso país trabalhando com crianças com necessidades educativas especiais, sem abrigo e idosos, da qual faz parte uma das coordena-

brinquedos e material escolar a decorrer.

uma forma de passar o tempo, mas sim

doras deste projecto do NEDF/AAC.

Se tens roupa em casa que já não te

um meio de estimulação e desenvolvi-

Pedimos que não deixem de colaborar

serve ou não usas e achas que poderia

mento das capacidades cognitivas dos

com esta causa, juntos conseguiremos fa-

ser utilizada por pessoas que dela neces-

mais novos! Contribui com os brin-

zer algo de bom por quem mais precisa!

sitam, podes depositá-la na secretaria

quedos que certamente já não usas ;)!

A.C. & A.M.

jornal Anti-Matétia

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INTERVENÇÃO CÍVICA O Pelouro da Intervenção Cívica NEDF-AAC estará sempre pronto a esclarecer qualquer dúvida ou esclarecimento. Podem também entrar em contacto com as coordenadoras do pelouro e responsáveis pelo projecto: Ana Cortez e Ana

R

O

S

NDER A BRINCAR’

Margarida Martins. Pedimos ainda para reencaminharem e falarem deste projecto a todas as pessoas que conhecem e acham que estariam interessadas em colaborar connosco. A vossa resposta é fundamental, por isso respondam logo que possam para intervencao.civica@nedf. org com o vosso nome, e-mail e curso. No início do próximo semestre (Fevereiro 2011), gostávamos de fazer a já habitual sessão de esclarecimento com o Sr. Enfermeiro Nelas para que o projecto se iniciasse logo de seguida. Obrigada pela atenção. Contamos contigo e...

U

...Já Fizeste Sorrir QUEM Mais Precisa?

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E

L

O

A.C.

RECOLHA DE TAMPAS ANA CORTEZ

Aluna Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

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á todos ouvimos falar do “milagre” da recolha das tampinhas. De facto, têm sido muitas as empresas aliadas a esta iniciativa, que se responsabilizam e comprometem no pagamento de equipamento médico e reabilitação a muitas pessoas, com especial atenção para as cadeiras de rodas. As empresas interessadas são na maioria empresas ligadas à reciclagem de materiais plásticos, e em particular dos que são feitas as tampinhas de muitas embalagens e garrafas do nosso quotidiano, desde as tampinhas das garrafas de água ou sumo, às tampinhas das embalagens de detergentes ou iogurtes. No âmbito de promover esta iniciati-

va junto da comunidade do nosso Departamento, o pelouro da Intervenção Cívica do NEDF-AAC tem promovido a recolha de tampinhas no BIF. Assim, pedimos a preciosa colaboração de todos no sentido de depositarem tampinhas no recipiente apropriado disponível nesse espaço. Uma outra ideia desta iniciativa é incentivar a todos os interessados que façam essa mesma recolha nas suas casas e de seguida depositem a sua recolha no nosso recipiente. Assim estaremos a ajudar o Meio Ambiente e alguém que precise do equipamento/tratamento que as estas empresas garantem em troco de muitas toneladas de tampinhas para reciclagem! Pensem nesta iniciativa como forma de garantirmos um desenvol-

vimento sustentável da nossa sociedade! Onde todos ajudam, nada custa! O NEDF-AAC conta com a vossa colaboração ;)! A.C.

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jornal Anti-Matétia

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OPINIÃO U M A C O R D O AT U A L estranho ao coração as palavras escritas

“novas” estão a tentar mudar os meus.

sem c’s e p’s que sempre fizeram parte

Antes de adotar ou rejeitar este novo

dos nossos livros e das nossas canetas.

tipo de arquitetura linguística é impor-

ecentemente entrou em vigor o novo acordo ortográfico da lín-

Muitas pessoas dizem até que nunca mu-

tante reconhecer a existência de vanta-

darão a sua forma de escrita porque não

gens na aplicação destas novas regras.

gua Portuguesa que visa uniformizar a

concordam com as novas formas orto-

A aproximação da oralidade à escrita e

forma de escrita no mundo que são os

gráficas nem se reveem num acordo ao

a pequena percentagem de palavras al-

países lusófonos. A partir do dia 1 de

qual chamam de Português “abrasileira-

teradas (1,6 % em Portugal) reflete que

janeiro de 2010, e até 2015 (Portugal)

do”. Na verdade, este acordo ortográfico

no fim de contas as mudanças no nosso

ou 2014 (Brasil) decorre um período de

tenta resolver algo que não parecia ser

quotidiano não são tantas como parece

adaptação em que ambas as grafias são

um problema até à data, os diferentes ti-

ao início. Não sou adepto destas altera-

permitidas. Após esta data passar-se-á a

pos de escrita que coexistiam na língua

ções impostas por senhores com fato e

escrever os meses do ano com letras mi-

Portuguesa. Mesmo escrevendo em Por-

gravata a uma coisa que é de um povo

núsculas e coisas como “O filme de ação

tuguês Africano ou Brasileiro não pare-

e de uma cultura, a qual foi construída

era ótimo”. As mudanças na forma de es-

cia existir uma incompreensão entre os

durante centenas de anos com avanços

crita não se verificam apenas no Portu-

intervenientes. Por outro lado, este tipo

e recuos até chegar aquilo que conhe-

guês Europeu, também o Português do

de acordo limita a evolução natural da

cemos hoje. As mudanças deviam ser

Brasil e Africano sofrem pequenas alte-

língua de forma independente, impedin-

sempre para melhorar algo que não está

rações. O mítico acento circunflexo tão

do que cada país divirja e altere as suas

perfeito. Sendo impossível atingir a per-

característico da pronúncia Brasileira e

próprias palavras e expressões. A acres-

feição no que quer que seja, concordo

das pesquisas no Google também está

centar a tudo isto, agora são necessárias

que as mutações são sinónimo de vida

novas formas de lecionar e substituir os

e que devem fazer parte da evolução,

manuais que se tornaram obsoletos. São

mas apenas quando são para melhorar.

estes os argumentos que os céticos utili-

Já não falta muito para terminar o pe-

zam para dizer não ao novo acordo orto-

ríodo de adaptação e para se começar a

gráfico e, não sendo eu especialista nem

assinalar “Marcou o livre directo” e “Es-

intolerante, partilho de algumas delas.

tava em óptimas condições” como erros

Os meus argumentos vestem mais

ortográficos numa qualquer escola pri-

a pele de sentimentais do que racio-

mária. As crianças confusas com o que

nais porque é dos sentimentos que me

aprender, confusas com o que viver nes-

sirvo na altura de escrever. É de cruzar

te período de adaptação sem saber o que

palavras e reconhece-las apenas pelas

está certo ou errado. Por agora a minha

suas formas mesmo sem ver o que as

decisão quanto às novas regras está toma-

rodeia. Ser capaz de identificar univo-

da, como aprendi é como vou escrever.

camente o seu sentido sem ter que pen-

Se notaste palavras estranhas nes-

sar duas vezes naquilo que estou a ver,

te texto é porque ele foi escrito ao

porque ultimamente avisto palavras que

abrigo do novo acordo ortográfico. A

não conheço, demoro a associar e as-

mim também me custa vê-lo assim.

PEDRO VAZ

Aluno de Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

R

prestes a desaparecer. Alterações corretas? Sim, ou talvez não? A verdade é que existem mais de 190 milhões de Brasileiros e algumas alterações parecem inevitáveis no sentido de aproximar e uniformizar a língua entre dois países irmãos. É extraordinária a revolução que a queda de pequenas consoantes parece exercer no sentido total de algumas palavras, retirando quase a sua essência e personalidade. Parece estranho à vista e

socio com estranheza. O ser Humano P. V.

é um animal de vícios e estas palavras MARÇO 2011

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O MUNDO LÁ FORA... DANILO JESUS

Aluno Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

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o dia 20 de Fevereiro de 2010 encontrava-me em Coimbra e acompanhei todas as noticias pela TV uma vez que a Madeira estava incontactável. Para melhor percebermos o que se passou nesse dia pedi a um meu amigo e vizinho, Carlos Silva, que relatasse o seu 20 de Fevereiro.

fui até a rua intrigado pela aflição da minha mãe. Dou a volta a casa e deparei-me com algo que não era possível. Não posso dizer que vivo bem numa encosta mas tenho duas grandes montanhas a por detrás da casa. Simplesmente não queria acreditar que o pequeno ribeiro ao lado da casa da minha vizinha tinha-se tornado numa grande ribeira. Havia lama, pedras e água por todo lado. A casa da minha tia, que situa-se entre a minha casa e o

18 “Acordei com um grande estrondo, parecia que o céu nos tinha caído em cima. Olhei para o despertador e estava desligado, provavelmente faltou a luz com a trovoada, pelo menos foi o que eu pensei. Virei-me e adormeci, não sei por quanto tempo porque o tempo voa quando durmo, mas deve ter sido bem pouco porque logo a seguir a minha mãe entrou-me pelo quarto a gritar. Saltei da cama alertado sem ainda saber porquê e apesar de, pela manhã ser um pouco lento a perceber as coisas, percebi que, entre a gritaria das palavras, tinha acontecido uma derrocada! Mais um “poio” que caiu, pensei eu. Chovia intensamente mas mesmo assim jornal Anti-Matétia

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ribeiro estava parcialmente destruída. Temi pior, temi que a septuagenária tivesse sido apanhada por aquela onda de lama que deslizou da montanha. Afinal e para meu alivio, ela não estava em casa, tinha saído minutos antes com medo do caudal do inocente ribeiro. Ainda confuso por todos aqueles sentimentos que me devastavam, lembrei-me dos outros vizinhos que vivem um pouco mais acima, onde vive um casal idoso. Desatei a correr e quando lá cheguei deparei-me com a casa toda inundada, a derrocada tinha arrastado toneladas de lama para cima da casa. Custava-me a acreditar, mas o ribeiro simplesmente passava por dentro da casa. Continuava a cho-

ver intensamente e o barulho das pedras que eram arrastadas violentamente pela água era cada vez mais insuportável. Tentei abrir a porta de entrada mas estava presa por tanta lama. Aflito por pensar que tivesse alguém em perigo de vida, entrei por uma das janelas partidas pelas pedras da derrocada. Basicamente, tinha saltado para dentro de um grande lamaçal. Em segundos, fiquei enterrado até a cintura. Sinceramente temia encontrar algum corpo mutilado entre a lama. Desesperadamente gritava pelo nome das pessoas na esperança de ouvir algo. Experimentava agora sentimentos que não desejo a ninguém. Lutando para mover-me na lama tentei ir a todos os quartos mas não consegui encontrar ninguém. Foi então que lembrei-me do piso superior onde têm um pequeno quarto. Subi as escadas tentando desviar-me do entulho e das pedras que violentamente arrastadas pela água me cortavam os pés. Ao chegar ao andar de cima encontrei-os. Estavam repletos de água e lama. A senhora mais idosa estava desfeita em lágrimas e o seu marido tinha um duro golpe na perna. Sem mais demoras, e temendo pela saúde do idoso, tratei de os levar para a minha casa, onde com a ajuda de outras pessoas paramos a hemorragia. Ainda hoje tenho a imagem da senhora idosa ao lado do marido desfeita em lágrimas como se fosse a última vez que iam estar juntos. Mais tarde juntei-me às pessoas que andavam na estrada a tentar socorrer os que tinham sido atingidos, tentando colocar os casais idosos e as crianças em segurança. A ribeira já tinha destruído todas as pontes. Foi aí que me apercebi o quão frágeis são as obras do Homem perante a fúria da Natureza.


MADEIRA... UM ANO DEPOIS. Enquanto houve luz do dia tentamos pôr em segurança a população e impedimos que alguns carros fossem arrastados pelas águas. Outros não tiveram a mesma sorte. A ribeira que passa na minha zona é apenas um das 3 grandes afluentes para a grande Ribeira Brava. Por isso mesmo custava-me imaginar o que é que passava nas zonas mais baixas ao longo do vale. Passamos uma noite todos juntos sem água potável e à luz das velas. Como não era possível realizar chamadas telefónicas, coloquei a mala às costas e parti rumo à Ribeira Brava. Ao descer ao vale apercebi-me que a ribeira tinha destruído tudo o que tinha encontrado. A terra onde nasci e cresci tinha mudado, estava completamente destruída. Pelo caminho encontrei mais de 20 casas destruídas e um número incontável de carros completamente desfeitos. Para passar em certos locais só mesmo por entre a lama, e confesso que me senti aflito em locais onde cheguei a ter lama até ao pescoço. No entanto, tinha um certo receio por existirem cabos de alta tensão por toda o lado e sabia o perigo que isso representava. Pelo caminho e após percorrer 10 Km encontrei o que mais temia. Era possível ver um cadáver esmagado dentro de um carro. E após mais uns metros lá estava outro, e mais outro. Há coisas que pensamos que só acontecem nos filmes ou nos sonhos, e neste caso estava a acontecer comigo. “ O dia 20 de Fevereiro de 2010 provocou segundo a imprensa e as entidades regionais 43 mortos, 70 feridos, 600 desalojados, prejuízos na ordem dos 1080 milhões de euros e ainda existem 6 pessoas desa-

parecidas no dia de hoje. Segundo a população e pessoas que estiveram no campus mortuário onde eram identificados os corpos, o número de mortos atingiu um número com 3 dígitos. No entanto percebe-se a publicação de outros números perante a imprensa para evitar o estado de catástrofe que, consequentemente prejudicaria a principal fonte de lucro da Madeira, o turismo. Realmente só mesmo quem viveu aqueles momentos de angústia para descrever o que se passou. Confesso que quando lá voltei na Páscoa, e apesar de já ter visto as imagens do rasto de destruição, fiquei pasmado com o que se tinha passado. No entanto, e como residente da Serra de Água não posso deixar de destacar o facto de as primeiras noticias da imprensa nacional sobre a freguesia só surgirem 3 dias depois da catástrofe, bem como a necessidade da população ter que percorrer um percurso total de 20 Km para comprar alimentos no Modelo e Pingo Doce. Só ao final da primeira se-

mana e através da ajuda do exército começaram a chegar os primeiros alimentos. Além disso, é triste ver que as entidades competentes demoraram imenso tempo a agir nas zonas rurais e não tinham um plano concreto de intervenção. Ao contrário do Funchal que em menos de um mês estava totalmente recuperado, a Serra de Água ainda hoje está em obras. Passado um ano é possível ver que ainda existem casas parcialmente destruídas e em risco de desabarem. Atrevo-me a dizer que a Serra de Água é hoje um postal do 20 de Fevereiro de 2010 para os altos dirigentes governamentais e para a comunicação social. É com alegria que vi que nos momentos mais difíceis as pessoas esqueceram as suas divergências e ajudaram-se mutuamente. Só é pena precisarmos destes momentos difíceis para vermos o que de melhor há nas pessoas. D.J.

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CINEMA E TV SALA DE CINEMA ANA CORTEZ

Aluna Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

LEONEL GOMES

nham Carter. A história retrata a renúncia ao trono do Rei Eduardo VIII, após a morte de seu pai, Rei Jorge V. Nesta situação, o príncipe mais novo, Princípe Albert – Duque de York, viu-se obrigado a assumir a governação da coroa britânica. Contudo, o desempenho do novo monarca nem sempre foi a melhor. O Duque de York sofria de gaguez, fazendo-se sentir incapaz de encarar o seu novo papel. Na tentativa de resolver ou minimizar o problema do seu marido, Elizabeth farta de todos os tratamentos experimentais dos médicos da coroa, decide recorrer a um excêntrico Fonoaudiólo-

Aluno Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

O 20

Discurso do Rei é um filme britânico de 2010. Realizado por Tom Hooper, este filme conta com uma interessante equipa de actores, entre eles Colin Firth, Geoffrey Rush e Helena Bo-

FILME: O Discurso do Rei go (Geoffrey Rush no papel de Lionel Logue). O início da relação entre o terapeuta e o futuro Rei não foi a melhor, mas ao reconhecer a sua fraqueza e a necessidade de superar o seu problema como forma de unir um país quase em guerra, o Rei cedeu às exigências do tratamento proposto e conseguiu curar o seu problema, discursando com enorme sucesso no momento da sua tomada de posse. O filme traz uma mensagem bastante interessante protagonizada pela interpretação dos próprios actores e também pela música e focagem das expressões/emoções das personagens em pontos chave do filme. É de facto um drama bastante intenso e que envolve o espectador na história, fazendo-nos questionar e pensar que não são apenas os cidadãos comuns que enfrentam problemas de carác-

ter social, mas também as personalidades das mais altas sociedades, onde se existem grandes intrigas, segredos e maus tratos. Por outro lado, podemos também concluir que muitos dos nossos problemas pessoais têm solução , desde que a força de vontade e a dedicação estejam presentes, por mais ridículo que isso possa parecer. Um outro ponto de vista pode ser considerado. A perspectiva histórica do filme é obviamente um enriquecimento cultural para qualquer espectador. Tenho a certeza que, assim como eu própria, muitos espectadores até à visualização deste drama, não conheciam este marco histórico na monarquia Britânica, onde um Rei abdicou do trono por amor. A.C. & L.G.

S É R I E T E L E V I S I VA

CALIFORNICATION: The People VS. Hank JOÃO BORBA

Aluno Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

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uma altura em que o formato da típica série televisiva começa a sofrer algum desgaste, tanto pela falta de novas ideias ou repetição de outras anteriores, Californication é uma das séries mais aclamadas da actualidade. Esta série gira em torno de Hank Moody (David Duchovny, “X-Files”), um escritor talentoso e que vagueia entre o sucesso e insucesso na profissão, e que procura além de inspiração para novos trabalhos, o restabelecimento a sua relação complicada mas emocional com Karen (Natascha McElhone), e com a

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qual tem uma filha a entrar na puberdade. Contudo, Hank Moody tem como grande inimigo nesta missão ninguém a não ser ele mesmo. Hank é uma amostra genuína do típico cliché de sexo, drogas, e rock’n’roll. Hank revela-se, ao longo dos episódios, uma pessoa instável a nível emocional, habilidoso na arte de seduzir mulheres e relativamente alcoólico. E embora consciente dos danos que isso lhe causa, não consegue abdicar desses pequenos prazeres. Embora por vezes pesada em termos de conteúdo, Californication está inteligentemente bem escrito. Repleto de personagens memoráveis (esperem até conhecerem Marcy Runkle, mulher do

agente de Hank, Charlie Runkle) e sucedida em juntar com mestria momentos dramáticos, cómicos, imprevisíveis e inesquecíveis, Californication também mostra, em muitas partes, o lado cru e real de um ser humano que procura manter-se de pé quando tudo à sua volta, incluído a sua pessoa, parece estar a desabar. J.B.


MÚSICA RADIOHEAD – THE KING OF LIMBS JOÃO BORBA

Aluno Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

M

ais uma vez, e como já vem sendo hábito, os Radiohead surpreenderam o panorama musical com o anúncio de um novo álbum pouco antes do lançamento deste, sem que algo o fizesse prever. O novo trabalho chama-se The King Of Limbs, e já foi lançado no formato MP3. Quando se fala de um novo lançamento não só da banda, mas da marca Radiohead, é difícil ficar indiferente. Donos de um currículo com cerca de 20 anos, e peritos em variar entre as mais diversas sonoridades sem perder o selo de qualidade associado, The King Of Limbs vem também dar essa esperada sequência temporal a um dos melhores álbuns da última década (In Rainbows). A expectativa não podia ser menos do que alta quanto a The King Of Limbs. Mas para quem está à espera de um sucessor físico de In Rainbows, esqueçam esse desejo. The King Of Limbs mete as guitarras a um canto, e volta a elevar o nível de complexidade. Traz como influência o álbum a solo do Thow Yorke, “The Eraser”, um pouco do Kid A, e a atitude pseudo - esquizofrénica do Thom Yorke de volta. O álbum começa a pecar por ser curto. São 37 minutos, com apenas 8 músicas. Mas apesar de serem 37 minutos de boa qualidade musical, onde destaco a Lotus Flower (que já conta com um videoclip corrosivo e com sabor a cogumelos mágicos), a Give Up The

Ghost e a Separator, o resultado final não corresponde ao desejado. Apesar de ser um álbum relativamente consistente, em que se nota que cada música

está no sítio certo, dá o aspecto de ser apenas e só um álbum experimental, uma espécie de álbum piloto de um próximo futuro. Certamente que a palavra experimental está sempre associada aos Radiohead, mas a grande complicação está em experimentar, ser sucedido e ainda conseguir que o álbum seja capaz de entrar na alma e dar o mote para um próximo projecto. The King Of Limbs conse-

gue, de certo modo, passar no teste. Mas se calhar, ou pelas expectativas demasiado elevadas, ou pelo facto de se pensar que os Radiohead não conseguem fazer um álbum menos bom, acaba por desiludir um pouco. No entanto, é um bom álbum, e que vai satisfazer os fãs da banda durante um bom bocado. Pode dizer-se, de certa forma, que os Radiohead em vez de seguirem um atalho, voltaram um pouco atrás e foram pelo caminho mais comprido. Não é um passo atrás, mas um passo ao lado, e que não deixa de abrir novas perspectivas. Resta saber se é o melhor caminho. 7/10 PS: Há um rumor em voga na comunidade Online dos Radiohead que diz que o álbum não acaba na Separator. Parece que existem mais algumas músicas, não se sabe se serão lançadas como parte dois do álbum, como músicas bónus ou apenas como B-Sides. E para ajudar ao rumor, só o nome da última faixa Separator é esclarecedor, bem como parte da letra: “If you think this is over/then you’re wrong”. Já se sabe que os Radiohead gostam destas coisas… J.B.

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FA LTA A Q U I O T E U ARTIGO?

Gostavas de escrever para o Anti-Matéria? Envia Já o teu artigo.

Este aparecerá na próxima edição do Jornal Anti-Matéria...

CONTACTOS:

geral@nedf.org divulgacao_informatica@nedf.org MARÇO 2011

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JOGOS A A LT E R N AT I VA “ B A R ATA ” D O C S … RUI VENÂNCIO

Aluno Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica

mos desbloqueamos as mais variadas de 3 segundos e podemos continuar coisas para podermos equipar o nosso

a jogar. Para quem gosta de CS não

personagem, desde armas, granadas, é preciso se preocuparem pois tamomo todos sabemos o mais famoso FPS online do mundo é protecções, etc… Ao contrário do CS bém existe o modo “Elimination o Counter-Strike, no entanto ve- em que se compram os itens ao início Pro” que funciona do mesmo modo. nho dar-vos a conhecer uma boa de cada ronda, aqui temos que com-

C

alternativa ao CS e mais impor- pra-los para um determinado tempo

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Para quem quer (e pode) se não

tante é “free”. Essa alternativa é…

(1 dia, 7 dias, 30 dias ou 90 dias). quiser esperar até alcançar um certo

Esta alternativa é um pouco dife-

“rank” para poder comprar uma de-

rente do CS, mas não deixa de ser

Existem neste jogo vários mo- terminada arma e/ou acessório pode

boa. Neste jogo o principal objectivo

dos de jogo, sendo o mais jogado o carregar a sua conta com dinheiro,

é ganhar experiência, dinheiro (GPs)

“Elimination”. Neste modo quando

e subir de “rank”, à medida que subi-

que no jogo é identificado como (NX)

somos abatidos renascemos ao fim e aí podem comprar o que quiserem. Este jogo no meu ponto de vista tem três pontos negativos, apenas se pode jogar se tivermos ligados à internet, de vez em quando tem algum lag nos seus servidores e os cheaters (este último tem fácil resolução pois podem ser kickados da sala). R.V.

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Origami - MACACO

Palavras Cruzadas Edição n.º8 Anti-Matéria

SUDOKU

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DIFERENÇAS descobre as diferenças existentes entre as 2 imagens

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Jornal Anti-Matéria Edição n.º8