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MOVIMENTO

Ano I

n.º 9

Valença, janeiro de 2006

Redescobrindo nossa identidade

Em julho de 2005, o Movimento Valença em Questão e a Rede Jovem Valenciana realizaram o Em 2006, além da continuidade do Festival, diversos outros projetos serão implantados. Leia a retrospectiva do ano de 2005 para o Movimento Valença em Questão, no texto de Carlos Alberto.

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Valença em Questão,

em 2006 mais juntos com Valença

Carlinhos Muller

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I Festival de Inverno na cidade.


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editorial

PRIMEIRA EDIÇÃO DE 2006. Nesta nova etapa, decidimos que o leitor deve ter mais espaço para se pronunciar. Para isto, inauguramos a seção “...em Questão”, aberta às cartas e emails que recebemos do público. A participação dos leitores está presente também no envio de matérias, sugestões de pautas e reportagens. Nesta edição, a estudante do Colégio Benjamin Guimarães, Clayre Montes, realizou uma entrevista com o ciclista Maury Vivas; Sanger Nogueira escreveu um texto sobre utopia; Samir Resende enviou uma matéria desejando sorte ao novo prefeito e o Bebeto discorreu uma breve retrospectiva das realizações do Movimento Valença em Questão em 2005. Agora é ler! E que em 2006 possamos, juntos, continuar essa caminhada de melhoria da qualidade de vida dos valencianos.

...em Questão Carta aberta aos pais

Não é segredo para ninguém a crescente queda de qualidade que vitimou o sistema de ensino brasileiro nos últimos anos. Apesar disso, também não constitui nenhum mistério a qualidade do ensino oferecida neste município pelas escolas estaduais, estabelecimentos pelos quais passaram ilustres valencianos. São escolas que, anualmente, formam centenas de alunos nos níveis fundamental e médio. Não raro, muitos destes ingressam nas universidades federais, aprovados em seus concorridíssimos vestibulares, em virtude obviamente de seus próprios esforços, mas acima de tudo, por terem adquirido ao longo de sua vida escolar uma sólida base de conhecimentos. Ou seja, apesar de todos os contratempos, ainda temos o privilégio de ter uma educação pública de razoável qualidade em Valença. Pois bem. Há alguns anos, no governo Anthony Garotinho, foi instituído o chamado Programa Nova Escola, que visa premiar (com gratificações aos professores e funcionários) as escolas que apresentarem melhor desempenho de modo geral. O programa Nova Escola pode até ter boas intenções, porém foi implantado de maneira arbitrária e contraditória, bem típico dos regimes ditatoriais e autoritários, pois foi elaborado por profissionais fora das realidades em que a Educação do Estado do Rio de Janeiro está inserida. Além da total desagregação que este malfadado programa trouxe à classe dos profissionais da educação, também serviu como um “cala-boca” às antigas reivindicações da categoria como reajuste salarial e plano de carreira. Não bastasse tudo isso, em recente publicação no jornal O Dia, foi veiculada a matéria “Nova Escola: 48 mil em risco”, sobre o “ranqueamento” dos estabelecimentos de ensino, no quesito reprovação, entre os quais figuravam colégios de Valença figuravam. Esta “ameaça” veio à tona antes que fossem realizados os conselhos de classe do quarto bimestre, baseada nas notas enviadas à Secretaria Estadual de Educação nos bimestres anteriores. E chamo de “ameaça” porque para garantir as gratificações, os professores deveriam, no último bimestre, enviar notas em que os alunos garantissem a aprovação. Em suma, a reprovação acarretará perda de pontuação da escola, e conseqüente diminuição na gratificação salarial dos professores. Ou seja, estamos sendo escancaradamente pressionados a “empurrar” alunos (sob a ameaça de termos nosso salário reduzido) para o bem das estatísticas da educação no Estado do Rio de Janeiro, já que, politicamente falando, ludibriar a população é prática usual em nosso país.

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É importante ressaltar que, no ano de 2005, nenhuma escola alcançou o nível máximo. E que, contraditoriamente, quando o Governo do Estado do Rio de Janeiro estabelece que nenhuma escola alcançou grau máximo, este mesmo Governo está na realidade atestando a sua ineficiência e fracasso na administração e gestão escolar através de sua política segregacional e autoritária. Nós, profissionais da educação da rede estadual em Valença, consideramos justo esclarecer a população sobre este lamentável episódio e afirmamos que, cientes de nosso compromisso para com a formação de cidadãos preparados e críticos, não cederemos às pressões e continuaremos realizando nosso trabalho tendo em vista sempre o que for melhor para os nossos alunos, ainda que tenhamos que pagar caro por isso. Professores da rede estadual de ensino de Valença

Contestadores

Obrigado pela citação do “Contestadores”. Nos meus dois livros anteriores, “Dias de Cachorro louco”, de crônicas, e “Outros tempos”, de crônicas e memórias, minha Valença natal é citação constante. Como merece. Abs Edney Silvestre

MST

Queria parabenizar e agradecer pela matéria, ficou ótima. Um abraço e até breve. Luciana Miranda

Tá bom, mas tá faltando

Brilhante iniciativa, parabéns, continuem firme. Ficou faltando uma notinha sobre a festança de Natal proporcionada pela Câmara de Veradores (boca livre na Tenda dos Sabores, noite de 14/12), com o dinheiro público; e sobre o abandono dos bairros Santa Luzia, Dona Angelina e N.Sra. da Glória, entre outros (mato, sujeira, ausência de limpeza urbana, gado solto pelas ruas, pouca iluminação, entulho, etc), além dos buracos em todas as ruas da cidade, principalmente na entrada da cidade, o que envergonha a todos os Valencianos e causa repulsa e má impressão aos visitantes. Ary Brandão Entre em contato com o Valença em Questão: pelo e-mail valencaemquestao@yahoo.com.br, por carta para Rua Francisco Di Biasi, 26, Torres Homem, Valença-RJ, CEP 27.600-000 ou pelo telefone (21) 8187-7533.

Expediente

Edição, Reportagens, Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica: Vitor Monteiro de Castro. Mat: 2003.1.02178-12. Essa publicação, do Movimento Valença em Questão, é um Projeto Experimental de Monografia da Faculdade de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Colaboraram nesta Edição: Carlos Alberto Oliveira (Bebeto), Clayre Montes, Faber Paganoto Araújo, Gustavo Fort, Edgar do Cavaco, Samir Resende, Sanger Nogueira, Rafael Monteiro e Carlinhos Muller (charge). Tiragem: 2.000 exemplares Impressão: Editora Valença / Gráfica Vilaço Os textos publicados podem ser reproduzidos se citado a fonte e autoria do material. O Valença em Questão é uma publicação mensal sem fins lucrativos.

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ESTÃO ABERTAS ATÉ o dia 15 de fevereiro as inscrições para o concurso Idéias Originais para Jogos Eletrônicos – Jogos Br. Promovida pelo Ministério da Cultura, a seleção está sendo organizada pela Associação Cultural de Educação e Cinema (Educine) e Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames). Embora o concurso seja voltado preferencialmente para os estudantes, qualquer um pode participar. Para se inscrever, basta acessar o site do concurso, preencher a ficha de inscrição e descrever seu projeto, que deverá contar com os seguintes elementos: título, resumo, apresentação da idéia central, descrição do ambiente, do cenário ou campo de jogo e dos personagens, a mecânica e finalmente a progressão do jogo (como o jogador participa e interage). Mais informações no site: www.jogosbr.org.br

ESTAMOS ACOMPANHANDO a baixa produtividade causada pelas sessões extraordinárias da Câmara em Brasília. Os deputados e senadores receberam R$ 25 mil, mas alguns deles preferiram repassá-los a instituições filantrópicas ou mesmo de volta ao tesouro nacional. Entre as bancadas da Câmara, o PSol é o partido que tem maior adesão na devolução da grana: 85% dos deputados do partido não aceitaram os dois salários. Em segundo lugar estão o PV e o PDT, com 25%. O PT registrou adesão de 23%. O PTB, 19%. O PPS, 18%. O PSDB, 11%. O PMDB, 9%. Adesão de quase 7% no PSB, 5% no PL e menos de 2% no PP e PFL. Em todo o Congresso, até agora, apenas 12% dos deputados e 6% dos senadores abriram mão dos salários adicionais. Para ver a lista completa dos nomes basta acessar o site do Jornal da Globo: www.globo.com/ jornaldaglobo. Vamos ficar de olho!

MOÇÃO DE APLAUSOS

FÓRUM DE JUVENTUDES DIA 12 DE dezembro membros do Movimento Valença em Questão marcaram presença no Seminário sobre o Plano Nacional de Juventude, na Uerj. A idéia do seminário foi discutir sobre o Plano Nacional de Juventude apresentado pelo governo federal. Com grupos de trabalho sobre os diversos tópicos do Plano, algumas alterações foram propostas. Agora, nos próximos encontros deve-se discutir essas alterações e fortalecer a idéia do Encontro de Galeras, que são assembléias organizadas nos diversos municípios do estado para se incluir as bandeiras levantadas em cada estado no Plano Nacional de Juventude. Valença irá sediar um Encontro de Galeras em abril próximo, organizado pela Frente Popular de Polítcas Públicas para Juventude.

AULA DE MÚSICA A SECRETARIA DE Cultura e Turismo de Valença está investindo na formação musical das nossas crianças. Já foram iniciadas aulas de violão para as que estão matriculadas na rede municpal de ensino, ministradas pelo músico Tiê, da Banda Nova Era. Outra iniciativa voltada para a música em Valença é a criação do Naipe de Sopro Municipal, que conta com instrumentos de sopro como trompete e saxofone.

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18 E 19 de novembro. Campanha de cadastramento para doadores de medual óssea em Valença. Uma iniciativa de solidariedade que se iniciou ainda em agosto, quando um amigo de João Fontes precisou de um transplante de medula e infelizmente não houve tempo e doadores compatíveis. Mesmo após o falecimento do parceiro, João continuou a campanha para aumentar o número de cadastros para doadores de medula óssea. Através de sua iniciativa, e com apoio incondicional do Valença em Questão, a camapanha foi um sucesso, superando as expectativas do Hemorio e atingindo 1860 cadastros. Reconhecendo essa atitude nobre de um cidadão valenciano,o vereador Marinho concedeu, no dia 21 de novembro, uma Moção de Aplausos aos organizadores da campanha - João Fontes, Thiago Xisto, Cláudia Periard e Carolina Lara Resende Couto, Rosa Andrade e Regina Lacerda, do Hemorio e ao integrantes do Movimento Valença em Questão - “pelo brilhantismo e sucesso atingidos pela campanha, resultado do trabalho de conscientização da sociedade para uma causa nobre, como a de partilhar vidas” - nas palavras do vereador. DIAS

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EM BUSCA DE NOVOS GAMES

SESSÕES EXTRAORDINÁRIAS


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Olhar para trás e enxergar o futuro NESSE INÍCIO DE 2006, olhamos para 2005 e ficamos muito felizes em ver como foi um ano maravilhoso para nós do Movimento Valença em Questão. Primeiramente por nos “lançarmos ao mar” do terceiro setor tão bem em abril, com a primeira edição do Valença em Questão. Este foi o marco zero deste movimento que já vinha desde outubro de 2004 realizando reuniões, discussões e procurando interagir com a sociedade, sem querer fazer por Valença, mas sim com os valencianos. A partir de 23 de abril tudo começou a mudar. Começava a crescer em nós um espírito aventureiro, empreendedor e acima de tudo entusiasta. Nunca imaginaríamos que Valença tinha tanto para oferecer, apesar de suas carências e problemas político-econômicos. Com conversas e articulações em diversas áreas como turismo, educação e cultura, o que mais nos motivava era a vontade que todos tinham em agir, em mudar o atual quadro, de sentar a pua como gosto de dizer. Deste mesmo jeito de não saber como agir, é que encontramos nossos amigos jovens. Não é questão de alienação nem falta de vontade que deixam estes cidadãos desestimulados com nossa Princesinha da Serra. A falta de políticas públicas para estas diferentes juventudes é que desanima-os, e a baixa-estima trazida impede que façam de seu lugar algo melhor para si e para os outros. Mas quando há união, tudo pode mudar. Realizamos junto com outros grupos e parceiros da cidade, o I Festival de Inverno de Valença, algo que me marcará para sempre. Em um mês de organização, conseguimos trazer atrações que pensávamos impossíveis: a Orquestra Popular da Escola de Música Villa-Lobos, o cineasta José Joffily e seu filme “Dois perdidos numa noite suja”, entre outras grandes atrações. Porém, o mais marcante foi

a vontade que este grupo de amigos teve nesta correria maluca para fechar tudo a tempo. Ainda tínhamos nossos pais preocupados se tudo iria dar certo e se não levaríamos um cano danado por causa do dinheiro e compromissos adquiridos. Mas tudo correu bem, o comércio se mostrou receptivo e realizamos diversas parcerias para este projeto que, sem dúvida, veio para ficar. Assim foi no aniversário de Valença, com um Quiz entre os colégios da cidade; na Semana Mundo Unido, com 10 dias de eventos e com a juventude de outras cidades gritando por políticas públicas; no I Fórum de Políticas Públicas para Juventude de Valença e nas reuniões da Frente Popular; e na Campanha Sou Doador, em parceria com nosso mais novo membro João Fontes, que superou as expectativas do Hemorio, recebendo Moção de Aplausos na Câmara de Valença e reconhecimento do Hemorio. Ou seja, 2005 foi um ano que mostrou a força que a juventude tem quando se organiza e trabalha junto com toda a sociedade. Só posso esperar que em 2006 façamos cada vez mais e melhor, com mais jovens, parceiros, ânimo e muita garra para transformar nosso município não só em um pólo de desenvolvimento econômico, mas também em uma Valença com participação popular na construção de uma polis, ou seja, um lugar de muitos. Somos jovens, mas nem por isto utilizamos esta bandeira como pretexto de que podemos fazer algo sozinhos e do nosso jeito. Como o próprio nome Movimento Valença em Questão diz, é uma ação valenciana, que está aberta a todos para ampliar as discussões sobre a nossa cidade. Fica aqui meu agradecimento a todos os nossos parceiros e em especial a meus inesquecíveis amigos do Movimento Valença em Questão, que acreditam que juntos somos fortes!

Cinema nos bairros A partir de 21 janeiro de 2006, a Frente Popular por Políticas Públicas para Juventude de Valença exibe gratuitamente filmes pela cidade. O projeto Cinema nos bairros busca incentivar o acesso das comunidades locais à cultura e promover o início da campanha Agora é Grêmio, que vai fomentar a criação e fortalecimento dos Grêmios Estudantis e Diretórios Acadêmicos da FAA. As exibições ocorrerão entre os dias 21 de janeiro e sete de abril de 2006, sempre aos sábados, às oito da noite, em locais públicos, nos seguintes bairros: Getúlio Vargas, Osório, Biquinha, Monte D´Ouro, Passagem, Água Fria, Chacrinha, Dudu Lopes, Santa Cruz, São Francisco e Centro. Em parceria com a Total Locadora e Secretarias Municipais de Educação e Esportes, a Frente Popular vai exibir filmes de interesse jovem e falar um pouco sobre a importância da representação juvenil dos grêmios estudantis e dos diretórios acadêmicos no contexto das políticas públicas de juventude, contribuindo para uma primeira transformação positiva da nossa realidade. A campanha Agora é Grêmio inicia suas visitas às instituições de ensino em março, onde haverá distribuição de cartilhas explicativas sobre como criar um grêmio estudantil. A divulgação dos resultados das eleições estudantis será no último dia de exibição do Cinema nos Bairros. Após a eleição e fortalecimento dos grêmios e diretórios acadêmicos, a Frente Popular por Políticas Públicas inicia a construção do projeto da Semana Municipal de Juventudes. A Semana de Juventudes de Valença já consta no calendário do Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro, onde membros do Movimento Valença em Questão estiveram presentes. Nessa Semana, além de eventos culturais, também serão realizadas grupos de trabalho sobre o Plano Nacional de Juventude, afim de enviar um documento ao governo federal com alterações em alguns itens do Plano. Então galera, a dica para começar bem 2006 é esta: Cinema para todo mundo ver e poder falar sobre políticas públicas para juventude. E como muito bem disse o nosso grande amigo Samir: “A gente faz discussão e faz festa” Textos de Bebeto, Diretor Executivo do Movimento Valença em Questão caoliveira@technip.com

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ANO NOVO. VIDA nova! Quis o destino que em Valença este dito ficasse ainda mais evidente, no plano político, com o recente falecimento do prefeito Fernando Graça, em pleno exercício do mandato. Não cabe, em momentos dolorosos como estes, avaliar as idiossincrasias do ex-prefeito, mas sim ressaltar os feitos de homem público, cidadão valenciano e pai de família que ilustre figura nos legou. E, como o ciclo da vida continua, venho - dentro das minhas limitações - na tentativa fraterna e cidadã de colaborar com essa árdua caminhada que a nova administração tem a percorrer. Para tal, elencamos três frentes que o chefe do Poder Executivo pode atuar como um verdadeiro estadista. A primeira seria tomar as rédeas de um realinhamento políticopartidário no município. Acompanhamos, estarrecidos, a confusão que tomou conta do espectro ideológico-partidário brasileiro nestes momentos de crise. Partidos que até pouco tempo atrás defendiam a ditadura e/ou chafurdavam na lama de misérias alheias e corrupções esquecidas, agora posam de senhores da razão e arautos da moralidade; ao mesmo tempo em que velhos defensores da coisa pública se embananam em prepotentes auto-sustentações éticas. Ao nível do município, caberia ao atual prefeito, além de esclarecer que tipos de partidos ou coligações o sustentam, assumir as posições defendidas por estes em debate amplo com a sociedade. Agindo assim, estará contribuindo para amenizar um pouco o atual processo de “demonização” das instituições partidárias. Esta primeira ação serviria como um sinal claro, um esclarecimento ético, para a seguinte missão: o estabelecimento de um pacto com a sociedade, que passe por cima das diferenças econômicas, sociais, políticas e ideológicas, para o resgate e desenvolvimento sustentável de Valença. E a chave que abre esta porta é, sem dúvida alguma, a da Democracia Participativa. Se uma lição pode-se tirar desta crise política é que o modelo de representação calçado em mandatos de políticos desligados da sociedade e dos eleitores está fadado ao fracasso. É papel do Poder Executivo servir de ponte de ligação e sustentação de uma ampla aliança entre patrões, empregados, políticos, estudantes, profissionais liberais, religiosos e demais atores sociais que acreditam que um Outro Mundo (ou País,

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Cidade, Bairro...) é Possível. As experiências vitoriosas dos Conselhos Municipais e do Orçamento Participativo estão em todas as partes e só com coragem política para estabelecê-las por aqui. A terceira ação, uma sinalização coerente desta nova abordagem política, seria tratar à temática da Juventude, como uma questão prioritária de Estado. Os governos municipais não enxergam os problemas da juventude de maneira global. Diante dos problemas enfrentados pelos jovens, costumam oferecer soluções localizadas, sem políticas que assumam um caráter integrador de ações de vários setores da prefeitura. Desta maneira, lutamos por um plano de política municipal de juventude e propomos a criação de uma Secretaria Municipal de Juventude, diretamente ligada à Secretaria de Governo, que teria fundamental papel nesta visão integral sobre as juventudes. A implantação de uma política municipal de juventude traz resultados que não se restringem a benefícios imediatos apenas para os jovens. Na verdade, os benefícios produzidos podem ser absorvidos por toda a sociedade e seu impacto se estende a longo prazo; por exemplo, com o aumento da capacidade do município de atrair investimentos em busca de uma mão-de-obra qualificada. Também podem ser obtidos resultados de natureza política, não menos expressivos. A melhoria das condições de vida dos jovens, sua maior escolarização e acesso à cultura tende a produzir um impacto significativo na prática da cidadania. A adoção de uma política municipal de juventude desenhada e implementada com a participação dos jovens, através de Fóruns ou Conselhos, fortalece ainda mais estes resultados. Samir Resende G. Souza, sociólogo, professor da rede estadual de ensino e membro da Rede Jovem Valenciana

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Bom descanso, Seu Fernando. Boa Sorte, Dr. Fábio.


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Orgulho, imagem e turismo A CIDADE DO Rio de Janeiro já viveu dias melhores. De uns tempos para cá a imagem que vem sendo divulgada através dos telejornais não é das mais simpáticas. Acabamos por nos acostumar com notícias que denunciam o aumento do número de assaltos, os confrontos entre policiais e traficantes, o fechamento de vias expressas devido à troca de tiros que põem em risco as vidas dos motoristas e as disputas por pontos de venda de drogas. Mas as perdas da dita Cidade Maravilhosa não se limitam à rendição do poder público frente às organizações criminosas. Enquanto foi capital federal o Rio disputava com São Paulo, em pé de igualdade, e talvez até com alguma vantagem, a condição de coração econômico do país. Nas últimas décadas, no entanto, é notável o esvaziamento do centro da cidade do Rio de Janeiro. Prédios inteiros abandonados refletem a migração de inúmeras empresas e sedes bancárias para São Paulo, que se afirma a cada ano como o principal centro financeiro do país. Costumo dizer que no dia em que a Globo e a Petrobras se mudarem também, todos os cariocas deverão fazer suas malas e pegar o primeiro avião para Sampa. Parece contraditório então pensar que o Rio seja o principal destino turístico do Brasil, tendo sido visitado em 2004

por 38,6% de todos os estrangeiros que chegaram ao país naquele ano. Parece, mas não é. Além de explorar cada vez mais seus atrativos naturais e culturais por meio de investimentos públicos e da

iniciativa privada, o que consegue fazer do Rio uma cidade ainda fascinante é a imagem positiva que seus moradores conseguem transmitir ao dizerem com orgulho que são cariocas e que não trocam sua cidade por nenhuma outra. Valença, assim como o Rio, também já teve dias melhores. Foi destaque durante o século XVIII na produção do café. Com a abolição da escravatura sua economia foi gravemente afetada,

mas a chegada de imigrantes fez com que a cidade se reerguesse por meio da atividade industrial. A reestruturação da economia brasileira nos anos 90 levou a cidade mais uma vez à decadência. Atualmente Valença é conhecida regionalmente como sendo uma espécie de cidade universitária. E apenas regionalmente. Valença, no entanto, pode ser muito mais do que isso. O que falta é um efetivo investimento em estrutura de recepção de visitantes e uma ampla e constante divulgação dos atrativos históricos e naturais a fim de explorar adequadamente o imenso potencial turístico que o município possui. E falta também a você, valenciano, divulgar positivamente sua cidade. A propaganda boca a boca ainda é das mais eficazes. E o melhor: é de graça! Valença tem inúmeras cachoeiras e belíssimas matas (o eco-turismo está em alta!), está recheada de antigas fazendas de café e fica a poucas horas do Rio de Janeiro, podendo se tornar um destino natural para aqueles que chegam pelo aeroporto carioca. Vontade política, organização da sociedade civil e orgulho: é só o que falta para Valença despontar efetivamente como pólo turístico regional. Faber Paganoto Araújo, geógrafo, professor do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro faberpaganoto@gmail.com

Entre a realidade e a utopia

MUITAS VEZES QUANDO conversamos numa mesa de bar, um conceito muito utilizado e também muito conhecido: a chamada Utopia. Quem na sua adolescência já não foi chamado de utópico? No entanto, a sociedade moderna compartilha o conceito de utopia que aparece sempre associado como um idealismo sem nenhum referencial. Em nossa realidade de indivíduos, com o passar do tempo, vamos deixando de ter essa percepção de sonhar com a mudança. Então estamos em uma encruzilhada: ou ficamos parados, para sempre, esperando a ajuda cair do céu; ou começamos a pensar na utopia no momento em que nos olhamos e desejamos nos tornar pessoas melhores. Mais precisamente: como podemos nos tornar pessoas melhores? Qual é o caminho? De que maneira a utopia pode deixar de ser uma idéia e se tornar uma prática? Na minha modesta

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opinião, só podemos nos tornar melhores se colocarmos em “nossa cabeça” que ao olharmos nossas vidas apenas sob a visão individual - “primeiro cuido de mim, depois dos outros”- estaremos criando um calabouço bem pior do que as cadeias, já que a nossa consciência sempre mostrará as imperfeições das pessoas. Desta maneira, nunca conseguiremos adquirir a tolerância, e logo, não possibilitaremos o amor, já que as pessoas serão tão insuportáveis que tudo se tornará lixo. Portanto caro leitor, envie sua sugestão de utopia para nossa publicação, já que “Amanhã vai ser outro dia” como diria Chico Buarque. Temos que manter, por mais difícil que seja, o OTIMISMO DA VONTADE! Sanger Amaral Alves Nogueira, estudante de história na Uerj sanger_nogueira@yahoo.com .br

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Pedala Valença!!!

Entrevista: Maury Vivas

Por Clayre Montes, estudante do Colégio Estadual Coronel Benjamin Guimarães.

QUAIS AS VIAGENS MAIS MARCANTES?

A equipe com parceiros em Juiz de Fora

As viagens a Aparecida do Norte foram as mais longas e mais tranqüilas. O percurso mais cansativo foi a volta ValençaVassouras-Mendes-Paulo de Frontin-Sacra Família-VassourasValença. COMO É O TREINAMENTO? Treinamos nos fins de semana por estradas entre Valença x Pentagna, Valença x Rio Preto e Valença x Vassouras. EQUIPAMENTOS As nossas bicicletas são comuns – GTS, Caloi, Sundown, Raleigth. Todas foram adaptadas para percursos de longa distância com equipamentos de qualidade como suspensões e computadores que marcam distância e velocidade. Além disso, é importante fazer sempre a manutenção da bicicleta, para evitar problemas nos pneus, na caixa de marcha, nos freios e nas correntes. Os equipamentos de segurança pessoal também são indispensáveis. Luvas, capacete, roupas e tênis adequados são itens básicos para a prática do esporte. Durante as viagens sempre levamos equipamentos extras como câmaras de ar, bombas, cabos de aço e sapatas para freio. Também levamos um kit de primeiros socorros e uma máquina fotográfica. DICAS Uma boa alimentação à base de cereais, carboidratos, frutas e muita água. Uma bicicleta com boa manutenção e, claro, um bom condicionamento físico. E uma das coisas mais importantes é que o praticante do cicloturismo não deve se preocupar com tempo ou distância. POR QUE PRATICAR O CICLOTURISMO? O motivo de gostar desse esporte é que ele é “bom, bonito e barato”. Faz um bem enorme para a saúde, conhecemos pessoas e lugares diferentes e tornamos a nossa região mais conhecida. QUAIS OS PLANOS PARA 2006? Para 2006, após reiniciarmos os treinamentos, pretendemos ir um pouco mais longe como chegar a Taubaté e talvez visitar a cidade de São Paulo. Para finalizar, cito uma frase que acho que se encaixa no perfil dos cicloturistas: “A felicidade acontece nos pequenos prazeres que a vida oferece”. Da esquerda pra direita: Jorge Antônio, Maury, Jorge Luiz e Maurício, em Aparecida do Norte (SP)

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CICLOTURISTA DESDE 1997, Maury Vivas mostra que não é preciso ter 18 aninhos pra ter disposição. Com 62 anos, já fez viagens de bicicleta para Aparecida do Norte, em São Paulo e para Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Além de pedalar bastante nessas viagens, Maury também divulga o município de Valença através de folderes nas cidades que passa. O cicloturismo é uma modalidade onde os ciclistas aproveitam a prática do esporte para conhecer novos lugares e pessoas. Em 2004, Maury formou uma dupla com Maurício, e no mesmo ano juntaram-se a eles mais dois ciclistas: Jorge Luiz e Jorge Antônio. QUANDO COMEÇOU A PRATICAR O CICLOTURISMO? Comecei em 1997 e pedalei sozinho até 2003. Nesse período fiz várias viagens por cidades vizinhas como Vassouras, Petrópolis, Juiz de Fora, Rio Preto e Volta Redonda. Em junho de 2002 fui sozinho até Aparecida do Norte. Esta viagem durou quatro dias e considero minha maior experiência. COMO SE FORMOU A EQUIPE ATUAL? Em 2004, após um período de férias forçadas por conta de uma cirurgia, retomei os treinos e convidei um amigo. Formamos uma dupla: Maury e Mauricio. Em julho juntaramse a nós os colegas Jorge Antônio e Jorge Luiz. No momento a equipe conta com quatro integrantes: Maury Vivas (62 anos), Maurício (52), Jorge Luiz (41) e Jorge Antônio (26). A EQUIPE JÁ FEZ MUITAS VIAGENS JUNTOS? Durante o ano de 2004 fizemos muitas viagens pela região, passando também pelas estradas de fazendas - que são muitas. Entre agosto e outubro fomos a Bom Jesus do Matozinho (MG), Piraí e Seropédica, Conservatória, Serra da Beleza e Santa Rita de Jacutinga. Já em Abril de 2005, fomos juntos à Aparecida do Norte (SP) passando pelas cidades de Cachoeira Paulista, Canoas, Lorena e Guaratinguetá, todas já no estado de São Paulo. Esta Viagem durou cinco dias, já que fazíamos paradas para alimentação e descanso. No último dia 15 de Novembro fomos a Juiz de Fora, passando por Rio Preto, Santa Bárbara do Monteverde, BR 040 e Belmiro Braga (todas em Minas Gerais). Foram quase 12 horas pedalando e 204 km percorridos.


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qualéaboaqualéaboaqualéaboaqualéaboaqualéab Memória da Juventude O PODER JOVEM. A RTHUR P OERNER . E DITORA B OOKLINK P UBLICAÇÕES ( INFORMAÇÕES PELO TEL : 21-2265 0748) Publicado em 1968, em plena ditadura militar, este livro é fruto de vivência pessoal e de uma ampla pesquisa em arquivos, jornais, folhetos e revistas. Narra a história da participação política dos estudantes brasileiros em defesa da democracia e do papel fundamental e decisivo desempenhado pelo movimento estudantil ao longo da história do país, desde a abolição da escravatura, o advento da república e nas lutas revolucionárias em vários momentos do século XX, principalmente contra a ditadura militar de 1964. Os fatos históricos revelam que o papel político dos estudantes não é coisa do passado: está presente até os dias atuais do governo Lula, como mostra a quinta edição, revisada e atualizada pelo autor, que em muito contribui para a recuperação da memória da juventude brasileira para todas as gerações. O livro foi escrito após o assassinato do secundarista Edson Luís de Lima Souto, e foi um dos primeiros a ser oficialmente proibidos depois do Ato Inconstitucional número 5 (AI-5). Uma edição clandestina foi impressa pelos estudantes na gráfica da PUC de São Paulo, em 1977. A terceira edição só pôde sair em 1979, com a abertura política.

Curtas em Debate CURTA BRASIL. TVE. S ÁBADOS À MEIA NOITE. O programa é dedicado à exibição de filmes brasileiros nos formatos de curta e média-metragem. Por meio de entrevistas, o programa abre espaço para realizadores e personalidades da cultura brasileira e discute os aspectos ligados à linguagem e à produção cinematográficas. O programa é exibido sábado, à meia noite e é apresentado por Ivana Bentes.

Escuta aí... VANESSA DA MATA. ESSA BONECA TEM MANUAL. Com seu segundo disco, Vanessa da Mata demonstra que seu trabalho tem qualidade. Com um timbre de Gal Costa; a personalidade de Adriana Calcanhoto ou Ana Carolina na composição; o suíngue e o talento revisionista de Marisa Monte; o físico, o gestual e o axé de Clara Nunes; e o domínio de palco de Cássia Eller, sua música contagia.

www.ondajovem.com.br

Onda Jovem é um projeto de comunicação social lançado em março de 2005 e que se desdobra em duas versões: uma revista impressa e o site. Em ambos os formatos, o enfoque é o segmento juventude, na perspectiva de quem lida com o jovem – educadores, profissionais de diversos setores sociais, especialistas e estudiosos - e do próprio jovem que deseja influir no modo como é percebido pela sociedade. Na internet, ONDA JOVEM amplia a oferta de informação ao leitor, atualizando e renovando seus conteúdos. Além de fornecer notícias sobre o universo juvenil e do terceiro setor, reserva espaços especiais para os professores/educadores e para os jovens.

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Hotel Ruanda Em 1994 um conflito político em Ruanda levou à morte de quase um milhão de pessoas em apenas cem dias. Sem apoio dos demais países, os ruandenses tiveram que buscar saídas em seu próprio cotidiano para sobreviver. Uma delas foi oferecida por Paul Rusesabagina (Don Cheadle), que era gerente do hotel Milles Collines, localizado na capital do país. Contando apenas com sua coragem, Paul abrigou no hotel mais de 1200 pessoas durante o conflito. Recebeu 3 indicações ao Oscar. O filme Hotel Ruanda pode ser alugado na locadora Total Vídeo.

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M OVIMENTO Em julho de 2005, o Movimento Valença em Questão e a Rede Jovem Valenciana realizaram o I Festival de Inverno na cidade. Em 2006,...

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