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Valença em Questão Ano I

n.º 5

Valença, setembro de 2005

Conselho Municipal de Juventude Gestão Democrática e Participação Cidadã O processo democrático não termina com as eleições. Os mecanismos de participação devem ter continuidade na gestão da coisa pública, com interferência, avaliação e controle popular permanentes sobre tudo o que faz a administração. Página 4

Política não se discute Por que hoje, mesmo com essa tão aclamada crise política, pouco se discute sobre o tema em nosso país? Com a participação do jovem nas decisões políticas, um futuro mais próspero nos espera. Página 5

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Valença comemora 148 anos de história Página 2

Entrevista EM NOVEMBRO, VALENÇA vai sediar uma campanha em favor da vida: o cadastramento para doação de medula óssea. Para explicar melhor como funciona esse tipo de cadastro, o Valença em Questão conversou com Regina Lacerda, do HEMORIO. Ela contou como é simples o processo, tirou algumas dúvidas freqüentes e explicou o porque da necessidade de um grande número de pessoas dispostas a colaborar: “A média nacional de compatibilidade entre doadores e pacientes é de um em um milhão”. Página 7

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II Noite do Samba


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editorial O Valença em Questão vem evoluindo gradativamente. E isso é muito satisfatório. Cada vez mais vemos ele ter uma representatividade positiva na sociedade valenciana. Esta edição está especial, principalmente para os jovens de nossa cidade. Primeiro pela participação destes na formação do jornal. Segundo pela importância que ela representa. A partir de 29 de setembro (aniversário de Valença), o Movimento Valença em Questão estará recolhendo assinaturas para a criação do Conselho Municipal de Juventude (Comjuve). Na edição anterior, explicamos um pouco a função do Comjuve. E neste número voltamos a tratar do tema, agora com uma proposta já pronta. O que é preciso é mobilizar a população valenciana informando da importância que este conselho representa para todos, em especial para a juventude. Entre as suas atribuições, estão fiscalizar medidas governamentais e aumentar a participação popular na vida pública da cidade. Com sua implantação e participação efetiva dos jovens, podemos melhorar a qualidade de vida e dignidade humanas. A gestão e execução de políticas públicas são ações do Estado que não podem e não devem prescindir da participação popular. Estamos vivendo um momento em que as políticas públicas para a juventude estão se fortalecendo no Brasil, seja pela criação da Secretaria Nacional de Juventude, do Conselho Nacional de Juventude, e de programas federais como o PróJovem e Primeiro Emprego. Não somente no âmbito federal tivemos esse avanço. Diversas prefeituras já criaram conselhos municipais de juventude como estamos propondo. Trata-se de um momento de compreensão da necessidade da discussão específica sobre juventude, e nada mais justo que nós, jovens, façamos parte desta iniciativa. Importante particularidade do Conselho Municipal de Juventude em relação a outras iniciativas públicas que buscam dar representatividade à Ju-

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ventude, é que pretende elaborar um espaço de autonomia para a realização do debate crítico, intermediando ações das políticas públicas com a sociedade civil, além de impulsionar a organização consciente da Juventude. É preciso que à juventude sejam dadas condições para o seu desenvolvimento e à plena realização de suas potencialidades. Dessa forma, o Comjuve pode se constituir em um importante instrumento e espaço de atuação juvenil. Além do Comjuve, temos na edição uma entrevista com Regina Lacerda, do HEMORIO, explicando um pouco sobre a doação de medula óssea, sua importância e necessidade. Em novembro (dias 18 e 19), Valença vai realizar uma campanha de cadastramento de doadores de medula óssea no Banco de Dados do HEMORIO. Vale lembrar que entre os dias 28 e 30 de setembro, Valença vai estar comemorando seu 148º aniversário, com evento no Colégio Benjamin Guimarães e no Largo da Catedral. E já que falamos de Colégio, estão abertas as inscrições para um concurso de postais promovido pela Rede Internacional de Desenho, para crianças e adolescentes entre 5 e 15 anos de idade. É uma forma de incentivar o espírito criativo e valorizar nossa cidade. Boa leitura e até o próximo número Painel do Leitor Envie críticas, matérias, sugestões, comentários, eventos, reclamações, etc., para o correio eletrônico

valencaemquestao@yahoo.com.br, ou por carta para Rua Francisco Di Biasi, 26, Torres Homem, Valença-RJ, CEP 27.600-000. Para Anunciar ou Colaborar Entrar em contato pelo correio eletrônico

valencaemquestao@yahoo.com.br, com Assunto “Anúncio” ou “Colaborar”, ou ligar para o telefone (21) 9505-6656. Expediente Edição, Reportagens, Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica: Vitor Monteiro de Castro. Mat: 2003.1.02178-12. Essa publicação, do Movimento Valença em Questão, é um Projeto Experimental de Monografia da Faculdade de Comunicação Social Jornalismo, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Participaram desta Edição: Breno Slade Faria, Carlos Latuff (ilustração capa), Faber Paganoto Araújo, Marcela Piedade Monteiro, Samir Resende, Titi (ilustração p. 4 e 5). Tiragem: 1.200 exemplares Impressão: Gráfica PC Duboc Ltda. (24)2453-4222

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Valença em Questão


CRIATIVIDADE ÇA A NÇ ALEN VALE REDESCOBRINDO V EM JOGO V mais velha. Dia 29 de setembro comemora seus ALENÇA ESTÁ FICANDO

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148 anos de história. E a cada ano que passa, mais história tem para contar. Esse ano é especial, porque vem mostrar que a união entre entidades valencianas faz com que as coisas aconteçam. Entre os dias 28 e 30 de setembro, pela iniciativa da Rede Jovem Valenciana, do Colégio Estadual Coronel Benjamin Guimarães, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e do SESC-RJ, a Mostra Redescobrindo Valença vai realizar diversas atividades. A festividade vai ter a abertura na quarta-feira dia 28 de setembro, com a apresentação do grupo de Break (dança de rua) Hip Hop Cultura de Paz (H2CP) e depois a mostra Cultura Valenciana, no Colégio Benjamin Guimarães. Na quinta-feira 29, dia do aniversário de Valença, as atividades iniciam cedo. A partir das nove da manhã, no Largo da Catedral, os alunos das escolas municipais vão expor poesias, além de comércio de artesanato e produtos industriais do município. Ainda na parte da manhã, começa o Seminário sobre Cultura, Turismo e Meio Ambiente, que vai até as cinco da tarde, com intervalo para almoço no Benjamin Guimarães. O cardápio é feijão tropeiro, e o preço R$ 5,00. Na parte da tarde, a partir das três horas, os alunos dos Colégios da cidade vão demonstrar seus conhecimentos sobre a Valença no Quizz, um jogo de perguntas e respostas. O tema das perguntas é a história de nossa cidade e também questões atuais. à noite, teremos a Mesa Redon-

da Redescobrindo Valença – Cultura, Turismo e Meio Ambiente, seguida pela apresentação de grupos musicais de Valença no Largo da Catedral. Finalizando a festa de aniversário, na manhã do dia 30 de setembro, as exposições Cultura Valenciana e Produz Valença vão estar no Benjamin Guimarães. Também no Colégio, as sete da noite, terá a Mesa Redonda Valença que Queremos, com integrantes da Rede Jovem Valenciana, falando sobre as perspectivas para a cidade, principalmente relacionadas com a questão da juventude. Durante todo o evento, o SESCRJ vai expor a mostra Luzes sobre o Vale, dentro do Colégio Benjamin Guimarães.

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CRIE UM POSTAL digital e participe do concurso promovido pela Rede Internacional de Desenho, com sede na Colômbia. O objetivo é incentivar o uso das novas tecnologias de informação nas escolas e estimular que crianças entre 5 e 15 anos se familiarizem com a cultura digital. Os trabalhos devem ser enviados até o dia 4 de novembro. Vale tudo para desenvolver o trabalho: lápis, canetas, scanners, câmeras digitais, animações, áudios e vídeos. A única exigência fica por conta do tema: os postais digitais deverão promover os locais da cidade onde vivem as crianças. Por meio dos postais, os participantes promoverão o patrimônio de suas cidades, divulgando os pontos mais interessantes sob o ponto de vista da cultura, da ciência, da história, do entretenimento, da ecologia ou da religiosidade. A coordenação aceita inscrições individuais ou de grupos de uma mesma instituição educacional ou cultural, seja ela pública ou particular. O postal digital pode ser finalizado numa imagem (jpg, gif ou pnd); em um desenho escaneado ou realizado por meio de um programa gráfico; n u m a mensagem de áudio (mp3); n u m a animação (gif animado, flash) ou ainda num vídeo (formato para web). O concurso é dividido em quatro categorias: Infantil – 5 a 7 anos; Juvenil – 8 a 10 anos; Pré-adolescente – 11 a 12 anos; Adolescente – dos 13 aos 15 anos. Mais informações e inscrições:


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Gestão democrática e participação cidadã. Um futuro melhor como recompensa. NADA COMO UMA crisezinha política, como esta do mensalão, para nos convencer mais ainda que é chegada a hora da participação popular cidadã e da democracia direta como instrumentos fundamentais de resgate e fortalecimento da nossa representatividade política. Porém, se neste momento não encarnarmos um espírito transformador, realizando as mudanças necessárias para aproximar as decisões da sociedade para junto da imensa maioria da população, corremos sério risco de, mais uma vez, perder o Trem da História. A democracia, nos moldes que a conhecemos (aquela que de quatro em quatro anos inunda o horário eleitoral e delega um mandato para um parlamentar nos representar), está fadada ao fracasso. Estão aí os Jeffersons e Severinos da vida que não nos deixam mentir. Uma nova solução, científica e pragmática, para a crise de representatividade é tarefa inadiável na agenda para o progresso da Nação. E qual seria essa saída? Participação Popular Uma direção que devemos sempre tomar é aquela que aponta para consulta direta ao povo nas decisões mais relevantes da sociedade; ou seja, devemos escutar cada vez mais o contingente de brasileiros(as) se quisermos, de fato, construir um país justo, soberano, desenvolvido e auto-sustentado. Os referendos, plebiscitos, votações, consultas populares, entre outros, são ferramentas essenciais desta nova visão políticoadministrativa; e agora em Outubro, com o Referendo do Desarmamento, teremos chance providencial de começarmos a exercitar essa auspiciosa metodologia. Outro rumo que necessitamos seguir é o da democracia participativa. Fóruns privilegiados de participação cidadã, os Conselhos Municipais

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Gestores de Políticas Públicas têm se caracterizado como mecanismos de interlocução permanente entre Governo e Sociedade Organizada, auxiliando a administração no planejamento, orientação, fiscalização e julgamento nas questões relativas a sua área de atuação. A Rede Jovem Valenciana, teia de iniciativas e ação jovem com intuito de desenvolvimento sócio-econômico e cultural do município, junto com outras entidades representativas da juventude (Grêmios Estudantis, Diretórios Acadêmicos, Pastorais, Associação de Moradores, ONG´s, etc.) está tirando um calendário de reivindicações e mobilizações para apresentar ao poder público competente, um projeto de lei de iniciativa popular para criação do Conselho Municipal de Juventude. 3 mil Assinaturas Em Valença, segundo a Lei Orgânica do Município, no Art. 47, a iniciativa legislativa cabe, além dos vereadores e do Prefeito, ao eleitorado sob forma de moção articulada (abaixo-assinado) subscrita no mínimo por 5% (cinco por cento) do total do número de eleitores do Município. Hoje, segundo o IBGE, esse número de assinaturas estaria em torno de 3 mil eleitores, que planejamos coletar na cidade entre os dias 29 de Setembro (148º Aniversário do Município) e 30 de Outubro (Dia Nacional da Juventude). Lembramos que para firmarmos esse pacto social é necessário, na coleta de assinaturas, apenas o número do Título Eleitoral. A recompensa desse exercício será a instalação de um clima de confiança, que garanta o compromisso de todos os atores envolvidos com a solução pactuada. A incapacidade para demonstrar ou

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entender os limites de uma solução pode determinar o insucesso do pacto. Ao trazer para dentro do Governo, de forma organizada, as preocupações latentes da sociedade, o Conselho realimenta o debate no interior do Governo e deste com as bases que o elegeram. Essa sinalização de agenda, com a participação da Sociedade Civil, é a essência do fazer democrático. É por isto que, nas palavras de Norberto Bobbio, “a democracia é subversiva, no sentido mais radical da palavra, porque onde ela se instala, ela muda o conceito tradicional de poder”. Samir Resende G. Souza, sociólogo, professor da rede estadual de ensino (RJ) e membro da Rede Jovem Valenciana

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FAÇA UMA PESQUISA na sua casa, na sua escola ou no seu trabalho: pergunte quais os assuntos que não devem ser discutidos para evitar confusão. Aposto que os assuntos vencedores serão futebol, religião e política, com larga vantagem sobre os demais. Mas, contrariando os resultados, discute-se futebol no ônibus a caminho do trabalho, no intervalo entre as aulas, na mesa do bar. A religião, se não é discutida tão abertamente quanto o futebol, também não deixa de ser assunto de conversas em família ou debates acalorados na mídia. Se Paga o preço da confusão para defender-se um ponto de vista e tentar chegar a um denominador comum. E a política? Embora esteja na moda acompanhar os depoimentos em série proporcionados pela existência de três CPIs em andamento no Brasil, a verdade é que pouco se discute política no nosso país, especialmente entre os jovens. A maior parte daqueles que vem acompanhando de perto esta onda de denuncismos está mais preocupada em saber

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quem xingou quem ou qual o parlamentar mais ou menos bonito. É uma pena. Ganha-se muito quando se conta com uma população politizada e empenhada em debater propostas e avaliar ações do governo. No Brasil, 63% dos jovens que têm 16 ou 17 anos, e, portanto, a opção de participarem ou não das eleições, decidem não votar por não gostarem de política. Depois que completam 18 anos serão obrigados a votar, mas é triste pensar que possivelmente votarão por obrigação, pois o gosto pela política continuará não existindo. É possível que grande parte do descontentamento dos jovens com a política seja fruto do desconhecimento dela. A idéia de que somos passivos diante das decisões do governo é um exemplo disso. Não devemos ser passivos, mas ativos na política. Se temos interesses, se não concordamos com alguma decisão, se gostaríamos de sugerir propostas, temos que participar ativamente. Nosso país tem 65 milhões de jovens entre 14 e 24 anos. Não é aceitável que o governo considere os jovens apenas como público-alvo de alguma política pública isolada. Não adianta elaborar uma política sem que se pergunte aos jovens o que querem. É possível tratá-los como sujeitos dessa política, participantes ativos de seu desenho e implementação. É preciso entender os jovens enquanto parceiros e interlocutores do governo. Mas é preciso também, e fundamentalmente, que os jovens se interessem em participar da política. Pensando nesse universo gigantesco, o Governo Federal criou em agosto deste ano um espaço de interlocução entre o governo e a sociedade, representada fortemente pelos movimentos juvenis: o Comitê Nacional da Juventude, já noticiado na última edição do Valença em Questão. A juventude é o segmento da sociedade que

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mais cresceu nas últimas décadas e também o que mais vem sofrendo o agravamento de problemas sociais como a mortalidade juvenil. E é possível buscar melhorias para essa parcela considerável da população através da implementação de conselhos de juventude em âmbito municipal. A implantação de uma política municipal de juventude traz resultados que não se restringem a benefícios imediatos para os jovens, mas que podem ser absorvidos por toda a sociedade em longo prazo. Os resultados podem ser bastante significativos em termos de melhoria das condições de vida dos jovens, satisfazendo suas necessidades básicas, ampliando seu acesso à educação e à formação cultural básica, prevenindo situações de risco social e oferecendo-lhes condições para um ingresso satisfatório no mercado de trabalho. Sem dúvida isso se reflete na melhoria das condições sociais de toda a comunidade, por exemplo, através do aumento da capacidade do município de atrair investimentos em busca de mão-de-obra qualificada. É interessante para você, para Valença, para o Rio de Janeiro e para o país que, daqui a uma ou duas gerações, o resultado daquela pesquisa que propus no primeiro parágrafo seja diferente. Mas enquanto continuarmos na janela vendo a vida passar, a política não perderá seu lugar no pódio dos assuntos indiscutíveis. Faber Paganoto Araújo, geógrafo, professor do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro

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Política não se discute


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Diogo Nogueira em Valença VALENÇA PODE IR se preparando. No dia sete de outubro, às 10 da noite, o cantor Diogo Nogueira, junto com o Grupo Raízes do Samba, vai se apresentar na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), na II Noite do Samba na cidade. Para incrementar, o Grupo Nova Era, de Valença, vai ter participação especial. A Noite de Samba em Valença faz parte de um projeto cultural que visa a realização de noites festivas nas quais serão apresentados à população valenciana músicas legitimamente brasileiras e de caráter popular, com interpretações dos clássicos do samba e grande variedade de chorinhos, expressão maior da música instrumental nacional. Os proponentes desse projeto, Breno Slade Faria e Carlos Alberto Fernandes de Oliveira, vêm trabalhando para o fortalecimento da Cultura Brasileira, principalmente musical, em nossa cidade. Diogo Nogueira, hoje com 24 anos, estreou nos palcos aos doze, ao lado do pai João Nogueira, um dos maiores cantores e compositores do samba nacional. Sua formação musical começou cedo, acompanhando o pai nos pagodes, rodas de samba e desfiles do Bloco Clube do Samba. Diogo Nogueira, um craque com o microfone na mão e a bola no pé (jogou futebol profissionalmente, mas

contundiu-se seriamente), tem a competência de um profissional. Cantou com o pai no Pelourinho, em Salvador, em 1998, no dia nacional do samba, e participou do show tributo a João Nogueira, com Dudu Nobre, além da gravação do show ao vivo em homenagem a seu pai, ao lado de Zeca Pagodinho e Carlinhos Vergueiro. Em março de 2005 recebeu o troféu de cantor revelação do ano, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Ainda este ano ele deve lançar seu primeiro CD. Compra de mesas e ingressos para a II Noite do Samba na Opala Sport ou na AABB. GRUPO NOVA ERA O grupo valenciano Nova Era está lançando o seu primeiro CD. Formado por jovens valencianos, o grupo trás um repertório de samba e pagode. Com algumas músicas próprias e composições de Edgar do Cavaco e Douglas Lacerda (que também assina produção do CD), o grupo procura trazer de volta a verdadeira alegria do pagode na cidade. Para comprar Cd do grupo ou contatar para shows, falar com Atier Esteves no telefone (24) 2453-1596.

Equilíbrio Alimentar ALIMENTAR-SE É MUITO mais do que ingerir energia, vitaminas e sais minerais. O ato de comer proporciona prazer. Almoçar com a família, fazer um lanche com os amigos ou ter um jantar a luz de velas com a pessoa amada é super gostoso. E até mesmo um importante contrato de trabalho ou decisão política podem ser tomados numa mesa de jantar. As comemorações também vêm acompanhadas de comidas e bebidas. Então, por que nos últimos anos comer se tornou culpa? Devido ao modelo de um corpo perfeito e magérrimo, e pelo aumento das doenças cardiovasculares e dislipidemias (colesterol alto, triglicérides alto), o estilo de vida da população e seus hábitos alimentares mudaram de forma a contribuírem com o aumento

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das doenças que são influenciadas pela alimentação. O que fazer? O equilíbrio é sempre o melhor amigo. Aí vão algumas dicas para uma refeição saudável, sem culpas e que pode ser compartilhada com as pessoas especiais com muita alegria: • Procure fazer 5-6 refeições por dia, intercalando as grandes refeições (café da manhã, almoço e jantar) com uma fruta; • Beba bastante água, evitando os líquidos uma hora antes e uma após o almoço e jantar; • Prefira os sucos naturais; • Evite frituras, excesso de sal, de doces e alimentos industrializados; • Monte o seu prato de maneira bem colorida (sem esquecer a salada!), assim garantirá a ingestão de todos nutrientes necessários para a saúde.

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Marcela Piedade Monteiro, nutricionista, CRN 20001003300 4ª Região

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entrevistaentrevistaentrevistaentrevista COORDENADORA DE CAPTAÇÃO do HEMORIO, Regina Lacerda vive em busca de doadores de medula óssea. É uma luta que está chegando a Valença. Nos dias 18 e 19 de novembro, o HEMORIO vai cadastrar voluntários a doadores de medula óssea. Nessa entrevista ela explica um pouco como funciona o cadastramento e qual a importância do mesmo. MEDULA ÓSSEA. É um tecido líquido que temos dentro de nossos ossos, como o tutano do boi, aquela parte gelatinosa. Ela é a responsável pela renovação das nossas células do sangue. Por isso ela tem uma responsabilidade muito grande nas doenças do sangue, como leucemia. O transplante só é feito em último recurso, quando o paciente não responde ao t r a t a m e n t o 18 E 19 DE NOVEMBRO VALENÇA VAI convencional CADASTRAR DOADORES DE MEDULA ÓSSEA (quimioterapia). As doenças que levam à necessidade de transplante são as doenças hematológicas, do sangue. A responsabilidade da medula é renovar as nossas células do sangue, as hemáceas, os leucócitos e as plaquetas. INÍCIO DA CAMPANHA. Em 2001, com a novela Laços de Família (onde a personagem da Carolina Dickman teve leucemia) o governo federal, através do Ministério da Saúde, decretou que todos os Hemocentros capitais do Brasil assumissem esse cadastro de pessoas para doações de medula óssea, além de orientação e informação sobre o processo de doação de medula. Com isso, todos os Hemocentros criaram um Banco de dados chamado REDOME (Registro de Doadores de Medula Óssea). Dentro do Rio de Janeiro somente o HemoRio pode coletar. Por isso fazemos visitas a outras cidades. Quando uma pessoa nos procura de qualquer outro município, estando dentro das condições que possamos mobilizar nossa equipe, nós vamos. Quem pode doar deve estar entre 18 e 55 anos, não pode ter tido Hepatite B ou C e nem o vírus HIV. De resto, todos podem se inscrever. O grande problema é encontrar um doador compatível para um paciente. Hoje está em torno de 1 para 1 milhão. Por isso a necessidade do crescimento dessa banco de dados. Para doar existem duas formas: A primeira através de um processo cirúrgico. Você retira sua medula na bacia (não tem nada a ver com medula espinhal). O processo demora no máximo 90 minutos. A pessoa interna num dia e sai no outro. Em três ou quatro dias a pessoa já pode trabalhar normalmente; Outra forma é através de medicamento. Dias antes a pessoa toma um remédio para estimular as células mães do osso para a circulação sanguínea e coleta o material como se fosse uma doação de sangue. O paciente, nos dois casos, recebe a medula como se fosse uma transfusão de sangue. DOAÇÃO. Sendo necessário o transplante, o paciente se cadastra no Banco de dados dos pacientes.

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Conforme vai entrando pessoas nesse banco de dados, vamos fazendo cruzamentos com REDOME. Se houver alguma compatibilidade, o doador é chamado, feito todos os exames como se fosse para uma cirurgia. O doador não tem custo absolutamente nenhum. As despesas são assumidas pelo Ministério da Saúde, inclusive a hospedagem. O que precisamos é da solidariedade humana. Para o doador o risco é zero. Costumamos dizer que temos uma certa precaução quando é por processo cirúrgico por causa da própria anestesia, que é normal. Mas todos os exames clínicos são realizados, e mesmo o doador estando cadastrado e sendo compatível, ele só vai fazer a cirurgia se estiver apto em todos os sentidos. E todos os exames são feitos pelo Ministério da Saúde e pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), aqui no Rio de Janeiro. INICIATIVA. Nos temos que buscar doadores no Estado inteiro. Como só o Hemocentro capital, no caso o HEMORIO, pode realizar esse cadastro, nos vamos a outras cidades captar pessoas. Não conseguimos crescer muito se ficarmos apenas dentro do HEMORIO, por isso vamos a outras cidades e fazemos esse tipo de campanha. Não consigo, por exemplo, trazer 1500 pessoas de Valença para o Rio de Janeiro, mas se eu for lá, eu vou coletar. A própria cidade se mobiliza. Na campanha em Macaé, nos trouxemos 1982 amostras em dois dias. Depois fomos a Petrópolis e trouxemos 1500. Já fizemos cerca de 35 campanhas assim. No Brasil, a média de compatibilidade é de 1 para 1 milhão. Já no nível de Estados, a média é de 1 para 100 mil. Tanto é que os transplantes não param. Pessoas que se inscreveram no ano de 2001, 2002, estão sendo chamados. Nós já recebemos informações de que cerca de 12 pessoas já foram chamadas para atender pacientes no INCA. Já a probabilidade de irmãos do mesmo pai e da mesma mãe é de 25% de chances. DÚVIDAS. Todas as pessoas que tiverem dúvidas devem comparecer PRECISAMOS DA SOLIDARIEDADE no local do HUMANA cadastramento nos dias 18 e 19 de novembro, das nove da manhã às cinco da tarde. Eu estarei presente ministrando palestras e informações sobre qualquer dúvida que a população de Valença possa vir a ter. As pessoas que irão lá não são obrigadas a tirarem amostra. Eu quero que elas se dirijam ao evento para entender o que é e multiplicar para outros. Porque talvez ele não quer por receio, e nós temos que respeitar, mas que passe para outras pessoas. Para informações sobre o evento nos dias 18 e 19 de novembro, informações pelos telefones: Hemorio (21) 2242-6080 Ramal 2254. João Fontes: (24) 9914-6504 / 2453-3669 / 2453-1168.

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Regina Lacerda


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culturalculturalculturalculturalculturalcultural Site Um olhar atual www1.folha.uol.com.br/ folha/dimenstein/

Com um olhar diferenciado, priorizando fatos e personagens prejudiciais ou colaborativos na construção de comunidades que valorizem os direitos dos cidadãos, o site do jornalista Gilberto Dimenstein credita à educação a principal energia social. Este site é orientado pela idéia de que baixo capital humano (pouca educação) gera baixo capital social (frágeis redes de solidariedade entre os indivíduos) o que explica, em boa parte, por que ainda somos tão desiguais e tão violentos.

Rádio DEBATES POPULARES DA RÁDIO CULTURA AM (1570 KHZ), SEGUNDA, 9:30H- Programa apresentado por Jairo Santos, com temas pertinetes à realidade local, nacional e internacional. Participação de Samir Resende, Adauto Travaglia, Maurício Pereira, Pe. Paulo Augosto, além dos ouvintes que participam por telefone.

TV aberta

AFINANDO A LÍNGUA- TODOS OS DIAS, FUTURA, 16H - A partir da exibição comentada de videoclips musicais, com apoio de diferentes textos e entrevistas, o programa utiliza letras de músicas como ferramenta para abordar questões ligadas à língua portuguesa.

Publicação BRAVO! - mensal. R$ 11,50. Revista cultural, com análises aprofundadas das manifestações artísticas e culturais no Brasil e no mundo, além de textos analíticos e críticas sobre os temas da atualidade. Também com agenda de lançamentos e destaques de artes plásticas, teatro e dança, livros, música e filmes.

Música CD LUIZ MELODIA ACÚSTICO - INDIE RECORDS (1999) R$27,90. Alguns dos grandes sucessos do consagrado artista estão reunidos nesta belíssima compilação, como os clássicos “Pérola Negra”, “Estácio Holly, Estácio”, “Magrelinha” e “Codinome Beija-Flor” (sucesso na voz do saudoso Cazuza).

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INCIDENTE EM ANTARES, ÉRICO VERÍSSIMO. EDITORA GLOBO – Em tempos de crise política, para quem acredita que tudo é novidade, Érico Veríssimo lança um olhar objetivo sobre os problemas políticos, econômicos e sociais, exprimindo sua absoluta descrença nos “heróis” oficiais, nesta obra despojados do inútil brilho das comendas e reduzidos ao seu verdadeiro tamanho. Tudo começou na pré-história, mais exatamente no Pleistoceno. Nessa época, gliptodontes e megatérios habitavam as terras do município de Antares, que, um milhão de anos depois, serve de cenário para o dramático “incidente” de sexta-feira, 13 de dezembro de 1963. Irônico, destemido, franco, Incidente em Antares é um desabafo.

No romance, os personagens e localidades imaginários aparecem disfarçados sob nomes fictícios, ao passo que as pessoas e os lugares que na realidade existem ou existiram são designados pelos seus nomes verdadeiros. Incidente em Antares tem um caráter panorâmico, onde uma vasta galeria de personagens vivencia os problemas de nosso tempo num microcosmo criado com maestria pelo autor

História para refletir O FILME RETRATA a vida de Malcolm X, o líder negro norte-americano assassinado em 1965. Dirigido por Spike Lee, diretor que sempre trouxe a temática negra ao mundo de forma corajosa e inédita, tudo o que vemos e ouvimos comprovam o que deveríamos saber. As terríveis conseqüências da escravidão, o terror da Ku Klux Klan, o racismo e a falta de auto-estima dos negros, o caminho do crime como única solução e a falta de perspectivas estão corretamente expostas nas telas. São a introdução, o início de um caminho trilhado por Malcolm e repetido por Lee. Acompanhando os passos de Malcolm X durante sua vida bandida, conhecemos sua infância, descobrimos os motivos de sua prisão. O pai morto pela Ku Klux klan, o sonho de ser advogado negado, as sucessivas tentativas de alisar cabelo para ficar parecendo branco, a namorada loira e o fato de achar que seu nome era crioulo de tantas vezes que era chamado desta forma, nos mostram a formação de uma personalidade forte e sofrida. Denzel Washington, que já interpretou Rubin “Hurricane” Carter e Steve Biko, outros dois símbolos da luta negra, interpreta com amor e ódio o líder negro Malcolm X. Sua voz, cheia de rancor e desejo de mudança, nos mostra o homem e o mito. Através das lentes de Spike

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L e e ve m o s quão grande Malcolm foi. Malcolm X, uma superprodução se compararmos com seus filmes anteriores, mostra a maturidade e o respeito conquistados pelo diretor. Cenas memoráveis, reconstituição de época perfeita e atuações admiráveis se juntavam ao costumário senso de humor de Lee para brindar o mundo com o saber. Lee mostra o homem pautado pela tragédia e seus feitos heróicos. Predestinado a acordar o povo preto de seu trágico destino, Lee se iguala a Malcolm.

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