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Ano III, nº 26, Valença, 2007

FAA 40 anos. E agora?

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Ano III, nº 26, Valença, 2007

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Editorial

Leitor em Questão

Chegamos a esta edição com dois sentimentos opostos. O primeiro é a tristeza de ver nossa Faculdade de Direi-

Cartas

to (e toda FAA), outrora motivo de orgulho para toda sociedade, ter obtido um resultado pífio no exame da Ordem dos

Blog do VQ I

Advogados do Brasil (OAB). Na primeira fase, dos 96 inscritos, apenas quatro passaram para a segunda fase. É discu-

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Vimos por meio desta parabenizar a iniciativa de vocês e desejar que nunca, em tempo algum, deve-se desistir dos objetivos traçados, pois com os obstáculos é que temos a oportunidade de crescer e achar as saídas que às vezes não enxergamos com clareza, mas com muita atenção descobrimos ser mais fácil que imaginávamos. Muito sucesso a toda Rede Jovem, pois vocês sabem fazer a diferença, sempre!

tível – e deixamos aberto o espaço para escreverem sobre o assunto – a legalidade e importância desse exame para a classe jurídica. Porém, diante desses resultados, não podemos fechar os olhos à conjuntura em que o Centro de Ensino Superior de Valença se encontra e que justifica muitos dos

Henrique Luth Associação de Defesa do Meio Ambiente do Médio Paraíba – AMA

resultados negativos que recebeu ao longo dos últimos anos. E, por isso, nada melhor do que os próprios alunos explicita-

Blog do VQ II

rem suas visões e anseios. Convidamos a presidente do Diretório de Filosofia Marcelle de Souza Sales, e o diretor de

Olá VQ, Gostaríamos de parabenizar vocês pelo Blog do Jornal VQ...adoramos tudo nele...com certeza iremos visitar o Blog de vocês sempre!!! Também gostaríamos de fazer um convite a vocês: visitem o Jornalzinho OnLine de nosso FC...lá vocês irão encontrar tudo sobre o nosso FC e sobre o grupo RBD!!! O link do Jornalzinho OnLine de nosso FC é este: www.faclubeeternamenterbd.gigafoto.com.br Aguardamos uma visita de vocês!!! Um grande abraço...

comunicação do DCE Danilo Neves Vieira Serafim, para abordarem os problemas que a Fundação passa e quais as alternativas para que possamos democratizá-la e melhorar sua qualidade de ensino e de representatividade para a sociedade. Além deles, nosso professor de Sociologia e membro da Rede Jovem, Samir Resende, colabora com um interessante artigo sobre o médico Patch Adams e sua “relação” com a situação da FAA. Finalmente, o segundo sentimento que nos tomou (e

Presidentes do Fã-Clube Eternamente RBD – RJ

toma) conta foi a alegria pela possibilidade dos valencianos participarem mais ativamente da gestão cultural de seu mu-

Blog do VQ III Todos nós devemos aproveitar esse imenso espaço que nos foi aberto. Chegou o momento da experimentação, de colocar em prática nossos planos e objetivos. Tolo é aquele que não faz nada por só poder fazer um pouco. Essa nova etapa da vida cultural deve ser escrita por todos nós que pensamos e fazemos cultura em Valença. Já não há espaço para quem não tem alteridade. Arregacemos nossas mangas a LUTA se INICIA.

nicípio. Tomou posse na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo o companheiro Libório Costa, produtor cultural formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e um grande pesquisador da cultura popular valenciana. Sabemos de todos os problemas da atual gestão do prefeito Fábio Vieira

Wilson Fort [sobre a posse de Libório como secretário de Cultura e Turismo]

e somos contra muitos de seus posicionamentos e métodos de governar. Contudo, é válido ressaltar que o convite feito ao Libório é uma chama de esperança na gestão cultural em Valença. O novo secretário tem reconhecida luta pela parti-

Aborto e VQ Bem, quero parabenizar esse excelente jornal que abrange assuntos diversificados e sem discriminação. O VQ mostra e prova que está aberto para a voz valenciana de todas as idades e sem nenhum preconceito! Isso nos encoraja a expor nossas opiniões e a refletir sobre questões que acontecem em nossa sociedade valenciana. Quero parabenizar também o Rafael que expôs sua opinião sobre a tão polêmica questão da Legalização do Aborto. Ele conseguiu expor sua opinião com uma linguagem simples e sempre respeitando a opinião contrária à dele (que no caso, é a Legalização do Aborto!). Sou contra a Legalização do Aborto. Tirar a vida de alguém é crime!!! Um feto tem sentimentos. Não é um(a) boneco(a) que a gente pode brincar de ficar grávida e depois enjoar e jogar ele fora!!! Fico indignada com esse assunto!!! Um forte abraço...

cipação comunitária nas decisões e planejamentos das pastas de um governo, assim como nós! Uma dica: veja a entrevista com ele no VQ 24. Estamos juntos a esta proposta coletiva e convidamos a todos para este despertar da democracia participativa, exigindo e participando de fóruns de discussão e criação de conselhos municipais; da construção de projetos coletivos entre sociedade civil e poder público; do cumprimento do plano diretor participativo. E, para finalizar esta edição, entrevista com Mimil e Gas-pa, do grupo de rap carioca O Levante, e integrantes do Coletivo Luta Armada. Boa leitura e até a próxima edição. Ah, e não deixe de visitar o Blog do VQ (www.blogdovq.blogspot.com), com atualizações diárias.

Nathália Vieira Campos, 21 anos, aluna de Medicina Veterinária – FFAA AA

Onde encontrar o VQ: Revistaria Vamos Ler, Banca do Jardim de Cima, Miriam Lajes, Hollywood Vídeo Locadora, www.valencavirtual.com.br, SEPE-RJ, FAA

Endereço para correspondência: Rua Coronel João Rufino, 11, sala 702, Edifício Panorama. Valença-RJ, CEP 27600-000. Contatos: valencaemquestao@yahoo.com.br ou (21) 8187 7533

Projeto Gráfico: Thiago Xisto Editoração Eletrônica: Carolina Lara Jornalista Responsável: Vitor Monteiro de Castro

Luiz Fernando Júnior

Expediente

Conselho Editorial: Bebeto, Letícia Serafim, Vitor Monteiro de Castro Colaboraram nesta edição: Danilo Neves Vieira Serafim, Fábio Caffé, Marcelle de Souza Sales, Marianna Araujo, Samir Resende, Talitha Ferraz Tiragem: 2000 exemplares Impressão: Gráfica Rioflorense

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O bonito é aquele que faz bonito, rapá! Quem assistiu ao Programa Roda Viva, com doutor Alegria Patch Adams, teve uma experiência magnífica, uma verdadeira aula sobre como levar uma vida alegre e correta num mundo que cada dia mais se afunda na lama e na crocodilagem. Como a maioria do povo valenciano não recebe o sinal da TVE/RJ – por motivos escrotos que nós estamos carecas de saber (eu mais do que vocês!) – mais do que nunca vale ressaltar o revigorante relato que o médico estadunidense nos deu naquela noite de segunda-feira (5/ 11/07). Hunter “Patch” Adams até os 40 anos foi um porra-louca sem precedentes (e o é até hoje!), que de repente resolve se internar num hospital psiquiátrico, onde descobriu que queria ser médico. Dois anos depois estava estudando na Virginia Medical University e, embora seu rendimento acadêmico fosse excelente, quase é expulso da faculdade por suas posições “pouco ortodoxas” em relação à Medicina. Tendo como princípios “Alegria, Humor, Amor, Cooperatividade e Criatividade”, ainda em sua época de faculdade iniciou um projeto para tratar os pacientes de forma mais humana, sem os preceitos de “distância profissional” instituído, sendo ele o exemplo vivo de que uma relação mais próxima com o paciente é capaz de fazer a diferença, e que o papel do médico não é simplesmente evitar a morte e sim proporcionar uma melhor qualidade de vida ao paciente, tratando a maior das doenças: a indiferença. Mas o que mais me atraiu na entrevista foi quando perguntado se sua aparência (ele tem mais de 70 anos, cabelo e bigodes compridos, usa um garfo pendurado na orelha e se veste e comporta como um pinel) não assustava àqueles menos afeitos à sua heterodoxia. O doutor Alegria respondeu: “não me julgue pela minha aparência e nem pelas minhas roupas, me visto assim justamente para chamar a atenção para aquilo que faço. Julgue-me pelo meu proceder... Bonito é aquele que faz bonito!”. Como a proposta do VQ desse mês é debater a FAA, que tem feito feio em algumas situações (fechamento de cursos, no-

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tas baixas em avaliações estatais, perda de professores...), é justo que lutemos para devolver beleza e excelência ao nosso único centro universitário. É lógico que eu não estou desmerecendo o trabalho daqueles profissionais que ainda lutam para soerguer a FAA, e nem tenho a pretensão de apresentar uma panacéia, mas uma certeza eu tenho: a FAA só vai se tornar autônoma e sustentável novamente se a sociedade se sentir parte dela e parar de vê-la com indiferença e descomprometimento. E como chegar a isto? Bom, se eu falar em “democratizar o acesso à universidade”, muita gente vai dizer “lá vem ele com o discurso caduco da esquerda – maldito comunista!”. Então vou abordar a mesma coi-

sa, mas por ótica diferente: será que a maioria da sociedade valenciana tem condições de pagar por uma faculdade a média de R$ 500,00 mensais, durante quatro ou mais anos? É lógico também que a FAA não tem como resolver este problema social sozinha, mas há de se pensar, em estreita parceria com os poderes públicos, uma solução para lá, num momento em que todos os municípios vizinhos têm hoje algum centro universitário. Poderia falar também sobre o notório problema do aparelhamento político e do carreirismo que alguns cavaram na FAA; mas, daí viriam aqueles de novo falar: “não disse, olhe a influência trotskista da IV Internacional no sectarismo deste escriba comedor de

criancinha!”. Então, vou amaciar: será que se permitirmos à comunidade acadêmica (professores, funcionários e alunos) a escolha direta dos gestores e diretores das unidades, estes não teriam mais compromisso com todos e menos com os poucos que solapam aquela Instituição? O povo só vai achar a FAA “bonita” se ela fizer bonito em relação ao interesse coletivo e não ao enriquecimento e ao privilégio de alguns. Mas, muita coisa já tem sido feita. Recentemente, os estudantes organizados reergueram a sua entidade central (DCE) e outros diretórios ainda resistem (DALUJA) ao modelo de sociedade do “pensamento único”. Os professores que lá trabalham – em sua grande maioria – também cumprem seus deveres com dignidade e não se furtam ao papel crítico que a atual situação da Fundação nos cobra. E quanto aos dirigentes e agentes políticos? Estes deveriam ter mais coragem e propor soluções de fato eficientes. Não devemos ter medo de ousar: se a FAA dá prejuízo, que se ponha a Instituição à venda para um centro universitário de maior competência (agora eu embolei a cabeça dos meus detratores classistas, hein?) – A Universidade de Vassouras está logo ali do lado, crescendo que é uma beleza! Mas bonito mesmo seria se iniciássemos uma campanha em toda Valença para comprarmos a FAA e entregá-la ao seu povo. Já pensaram? Uma campanha de arrecadação (já nos tiram tanto em impostos mesmo!) e depois de conseguido o dinheiro, a gente tornava a FAA uma Universidade Pública! Olha que beleza! Pois é, bonito é quem faz bonito. OBS.: Atualmente Patch Adams toca a Fundação que criou e que já atendeu de graça mais de 15.000 pessoas sem seguro, nem recursos formais nos EUA, e hoje em dia possui uma lista de cerca de 1.000 médicos que se ofereceram a largar seus consultórios e se juntar à causa de Patch. Samir Resende Souza Professor de sociologia e dirigente do SEPE/RJ samirresende@yahoo.com.br


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40 anos da F AA FAA AA.. E agora? Os quarenta anos da Fundação Dom André Arcoverde - FAA - nos levam à seguinte reflexão, ilustrada pelos dizeres de Oliveira Viana: “Em nosso país, os partidos políticos não disputam o poder para realizar suas idéias. O poder é disputado pelos proventos que concedem aos políticos e a seus clãs. Há os proventos morais, que sempre dão à posse a autoridade; mas há

Temos sucessivos mandatos na FAA onde não há representação dos interesses da população também os proventos materiais, que essa posse também dá. Entre nós a política é, antes de tudo, um meio de vida, vive-se da política como se vive da lavoura, do comércio, da indústria, e todos acham infinitamente mais chique viver do Estado do que de outra coisa”. O processo político-administrativo da FAA se enquadra exatamente nessa questão. Temos sucessivos mandatos, onde não há representação dos interesses da população, além de conselheiros que defendem a manutenção provinciana do processo eleitoral do Conselho Fundacional, que se limitam a eleger aquele que mais benefícios lhes oferecer. Não é concebível que, em pleno século 21, a eleição seja através do voto aberto, e que, com tantas deficiências, o presidente seja eleito novamente e por aclamação por mais quatro anos. Precisamos antes de tudo de um processo eleitoral coerente, de uma nova consciência estudantil - porque é válido dizer que os alunos não participam ativamente da vida acadêmica como deveriam -, da revisão das grades curriculares, além de melhorias nas instalações que não oferecem conforto nenhum aos alunos e não servem de cartão de visita. Isso tudo e mais outras medidas que deveriam ser encaradas como urgentes. Recentemente foi criado um setor voltado para a propaganda, com um profissional para esse fim. Porém, é preciso deixar bem claro que antes de vender a imagem,

Professores muitas vezes ficam impedidos de exercer seu trabalho como gostariam

são necessárias muitas mudanças, inclusive na mentalidade estudantil, que em sua maioria tem uma avaliação negativa em relação à instituição. O corpo docente também necessita de mais autonomia para trabalhar, visto que temos ótimos

Precisamos de um processo eleitoral coerente e de uma nova consciência estudantil professores, mas que muitas vezes ficam impedidos de exercer seu trabalho como gostariam. Portanto, caros amigos da Rede Jovem que nos convidaram a expor as necessidades da FAA, somente com a formação de uma nova consciência valenciana que reconheça a Fundação como uma das principais - se não a principal - mantenedora econômica, cultural e social de nosso município, e que se predisponha a cobrar da administração não só um ensino de qualidade, mas também investimentos concretos, com novas parcerias, desvinculadas de alianças políticas que nada acrescentam à instituição, é que poderemos transformar a realidade de Valença. É com esse intuito que resolvemos escrever e, para esse fim, que nós, futuros agentes educadores, estamos voltados. Marcelle de Souza Sales Presidente do Diretório Acadêmico de Filosofia e Letras da FAA marcelledesouza@hotmail.com

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Onde Está o Direito? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ?

Em Valença já tivemos uma das faculdades de Direito mais respeitadas do Rio de Janeiro. Faculdade que exportou grandes figuras, onde nomes importantes na área jurídica já lecionaram, e que já foi reconhecida como centro de excelência de formação de bacharéis em Direito. No entanto, vivemos um momento histórico negativo da nossa vida acadêmica e da nossa Faculdade de Direito. Obtivemos resultados vergonhosos no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENAD) e no exame da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, colocando a FDV como uma das piores faculdades relacionadas pelo Ministério da Educação.

Cabe a nós a apresentação de projetos e de mobilização para resgatar a FDV As razões desses resultados são anos e anos de atraso e conservadorismo da direção da Fundação Dom andré Arcoverde - FAA - e da Faculdade de Direito de Valença - FDV, pois os cargos de direção da FDV são meramente políticos, o compromisso daqueles que dirigem a faculdade é apenas com quem os indica, deixando os acadêmicos em segundo plano e à mercê da vida profissional que virão a enfrentar fora da academia. Dentro desse quadro triste e desanimador perguntamos: Qual a solução? Minha impressão é que a solução só pode ser criada pelos únicos e reais interessados em elevar o nome da faculdade: nós, os alunos, e sociedade valenciana. Afinal, se dependermos da capacidade de gestão de nossos atuais “manda-chuvas“, cada vez mais estaremos próximos da destruição da FDV. E escrevo isso sem exageros. Ainda é tempo para que o movimento estudantil se estruture em Valença e combata com muita vontade os desmandos da direção da FAA e da FDV. A verdadeira força só virá do movimento estudantil forte, estruturado pela legi-

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Obtivemos resultados vergonhosos no ENAD e no exame da OAB timação não só dos acadêmicos, mas também pela sociedade valenciana e pelos movimentos sociais. Cabe a nós traçarmos uma jornada de lutas para que consigamos reerguer a FDV, com a apresentação de projetos e com mobilização para construirmos atos para tentarmos resgatar aquela velha faculdade de direito que um dia nossa cidade já teve. Isso também em parceria com a sociedade valenciana, que tem papel protagonista em lutar por sua faculdade que outrora já deu muito orgulho e alegria para Valença.

Devemos lutar por mudanças radicais na estrutura da faculdade e de toda a FAA Portanto, devemos nos comprometer única e exclusivamente com a FAA e a FDV e nos mostrarmos favoráveis a um novo modelo de faculdade, já que este está fadado ao fracasso e não atende às demandas necessárias para a vida da FDV. Não podemos mais aceitar as mudanças superficiais com que tentam nos ludibriar. Devemos sim lutar por mudanças radicais na estrutura da faculdade e de toda a FAA. E quanto à pergunta do título, não sei bem a resposta, sei apenas onde ele não está. Danilo Neves Vieira Serafim – estudante de direito e secretário de comunicação do Diretório Central dos Estudantes da FFAA AA danilo.serafim@hotmail.com


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Gas-P A e Mimil - Coletivo Hip Hop LLUT UT A Gas-PA UTA Por Marianna Araújo

Não é a toa que a logo do movimento é o desenho de um personagem segurando um livro. O LUTARMADA acredita que socialização da informação é a principal arma para se alcançar a revolução. Nesta entrevista, GasPA e Mimil, membro e fundador do movimento, contam como surgiu o LUTARMADA, falam da importância do engajamento político e social associado à arte, fazem críticas a grande mídia, se indignam com a violência policial e, claro, falam de Hip Hop.

Gas-PA - Tinha uma galera aqui no Morro da Lagartixa que se reunia todos os domingos na casa de um parceiro, para beber cerveja e escutar rap. Eu tenho uma formação no hip-hop lá da virada de 1989, quando o hiphop era majoritariamente combativo. Como vejo este forte teor político no hip-hop, propus à galera que a gente continuasse se reunindo. Mas a cerveja e o rap viriam depois de um filme que refletisse a nossa realidade ou a realidade de um povo parecido com o nosso, gerando debates sobre nosso cotidiano. A galera gostou da idéia e começamos a fazer isso. Na verdade, eu já propus com segundas intenções. Sempre sonhei com uma organização de hip-hop como foi o movimento punk nos anos 1970 e 1980, para que a gente pudesse intervir na comunidade da gente.

Dois filmes foram determinantes para a formação do LUTARMADA. O primeiro foi o Black Panters, com a reflexão sobre a possibilidade de intervenção de um grupo de jovens na sociedade. Fala da organização que nasceu da rebeldia de dois jovens e virou o partido de esquerda de maior expressão dos EUA, tudo com um corte racial muito forte. Depois foi o Lamarca. Nesse filme há uma fala do Lamarca, voltando do Canal do Suez, quando toma consciência de classe, onde há uma viatura militar vindo logo atrás de um pau de arara. Na cena, ele começa a reparar naquele povo, um monte de bóia fria indo trabalhar e diz: “o milagre brasileiro ainda não chegou aqui, a gente precisa arrumar um jeito de ajudar nosso povo a enxergar as condições miseráveis em que vive”. Isso não é muito diferente da realidade da nossa vizinhança. Nosso povo está tão habituado a viver nessas condições, que parece não saber o que é viver com mais dignidade. No debate, chegamos à conclusão de que é possível fazer as pessoas enxergarem um mundo além de exploração, competição, violência e indignidade. Então, a fala do Lamarca foi muito importante. A partir disso, propus que a gente se organizasse, com um objetivo além da música. Falei: “beleza, a gente tem esse intuito de chamar o povo pra reagir, mas só com a música não dá”. Olha só quantas armas a classe dominante tem contra a gente: a televisão, a revista, a música, a escola, a igre-

Crédito-Marcelo Salles

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ja, o exército, a polícia. Temos que transpor a barreira da arte e atuar em outras frentes. E daí ficou LUTARMADA. Isso faz três anos e devíamos ser umas 15 pessoas. Hoje, nós contamos com mais gente. Fizemos uma carta de princípios, que chamamos de bilhete de princípios, porque é muito pequenininho. Não queríamos colocar ninguém em camisa de força. O ponto principal é a constante busca e a socialização da informação. Mas, como socializar essa informação? Começamos a organizar palestras aqui na comunidade e outras atividades artísticas para provocar debates. O que fazíamos com os filmes apenas entre nós, passamos a fazer para comunidade. Por exemplo, há um evento anual, o “Hiphop ao trabalho”, no qual a gente junta as quatro artes do hip-hop, esporte de ação, basquete, trançagem (sic) de cabelo. A partir disso discutimos a relação de trabalho nos nossos dias. Não podemos perder de vista que somos um grupo cultural, mas somos

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LUT ARMADA UTARMADA diferentes por conta de um compromisso com a revolução. Partir para a ação, pra gente, significa isso.

Mimil - Conheci o LUTARMADA no “Hip-hop ao trabalho”. Lá, vi o Gas-PA cantando e depois fui apresentado a ele pelo Flávio, um amigo meu, também fundador do LUTARMADA. Gas-PA me perguntou se eu gostava de ler e me emprestou o livro Capitalismo para principiantes. Li o livro, gostei e peguei outros com ele, quando me perguntou se eu queria entrar no LUTARMADA. Antes eu ouvia todo tipo de música e quando ouvi rap pela primeira vez falei: “essa música é que é boa”. Conheci o hip-hop e estou começando a grafitar. Minha formação política começou por causa do coletivo. O primeiro livro político que eu li foi o que Gas-PA me emprestou.

Gas-PA- Comecei a prestar mais atenção no rap, porque mexia mais comigo. Eu andava de bike e rap é uma música comum entre os que praticam o esporte. Em 1991, o Public Enemy, referência no rap mundial, fez um show em São Paulo. Eu nunca tinha saído do Rio. Fui para São Paulo e fiquei impressionado como o hip-hop já tinha uma força, como o movimento era grande por lá e fazia parte do cotidiano das pessoas. Soube que existia todo um universo em torno do movimento que eu desconhecia.

Comecei a pesquisar, vi que era aquilo que eu queria e hoje o hip-hop é responsável pela minha consciência. Costumo dizer que eu sou preto desde 1991. Antes eu era qualquer coisa. Pretos eram meus amigos mais escuros do que eu, vítimas de um monte de piadas minhas. Comecei a questionar o porquê daqueles caras, que eram como eu, falarem tantas coisas desconhecidas para mim e o porquê do discurso deles ser tão articulado. O que é chamado de funk no Rio de Janeiro só é predominante aqui. Em outras regiões do Brasil, a grande mídia faz um esforço tremendo para que ele faça sucesso. Em São Paulo, por exemplo, o hip-hop é muito forte e o funk quase não tem espaço. E o rap comercial, que está na grande mídia, tem muito peso, é o que mais toca em todo lugar. Todo movimento sério sofre deformações da mídia. O MST, por exemplo, é a mesma coisa. Desmoralizar esses movimentos é importante para deixá-los mais fracos.

anos, se você se enquadra nessa descrição, fique ligado irmão porque eles estão a sua intenção”. Mimil - A polícia está muito violenta hoje em dia e isso é visto como natural. Lembro da última operação na Favela da Coréia, onde morreram 12 pessoas. Uma repórter entrevistou o comandante da operação e perguntou se ele achou que a operação foi bem sucedida. Ele disse que não podia chamá-la de bem sucedida, já que foram perdidas duas vidas. Aí a repórter perguntou: “Mas não morreram 12?”. Ele respondeu: “É, morreram 12, mas dez eram bandidos. Perdemos um policial e uma criança”. Quer dizer, bandido não é ser humano. Eles investem maciçamente para que o resto da população aceite essa violência, seja sentindo medo, seja achando bom. Esse filme Tropa de Elite é um exemplo. Eu conheço gente aqui no morro que acha o filme maneiro, porque acha bonito ver o BOPE matando os bandidos, mas não lembra o que acontece quando eles vêm aqui. A porta da minha casa está lá quebrada, a gente só encosta, porque a policia entrou um dia aqui e colocou a porta no chão, sem mais nem menos.

Sobre violência policial nas comunidades Gas-Pa canta: “Sexo masculino, descendente africano, jovem, entre 15 e 21

crédito: Fábio Caffé-Imagens do Povo-Viva Favela

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Notas

Festa Parabéns às diretoras do Instituto de Educação Cida e Inês pela festa realizada dia 26 de outubro na Escola, com presença maciça dos professores.

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Filme <<< FILME A Caminho de Guantánamo Parte documentário, parte dramatização, o filme narra a terrível história de três muçulmanos britânicos que foram capturados por militares estadunidenses e colocados em cativeiro por dois anos, sem qualquer acusação, na prisão militar dos EUA da baía de Guantánamo, em Cuba.

Amor Eterno O Fã Clube Eternamente RBD comemorou seu primeiro aniversário no dia 27 de outubro na lanchonete Roge Guts. Segundo o grupo, essa foto (abaixo), dos integrantes cortando o bolo, significa que estão “cumprindo a promessa de amar eternamente RBD”.

MÚSICA Temeremos mais a miséria do que a morte - O Levante O CD do grupo de rap O Levante (entrevistado desta edição) está à venda na Livraria Kitabu (Rua Joaquim Silva 17, Lapa), na Universo Music (Mercado Popular Uruguaiana, Quadra D, 478, em frente à Rua da Alfândega) e Plano B (Rua Francisco Muratóri, 24, Lapa, próximo à ocupação Carlos Marighella). Quem está fora do Rio de Janeiro pode solicitar o CD pelo correio eletrônico: lutarmada@yahoo.com.br.. Nova Geração Depois da Yasmin, filha de Lucilene Vieira e Samir Resende, mais uma princesa reluz em Valença. É a Lavínia, filhinha de Luciana Miranda e Chico Lima. É Valença ficando mais bonita.

Livro <<< LIVRO Enciclopédia Latinoamericana – Boitempo Editorial Publicada pela Boitempo Editorial, a obra recebeu prêmio de melhor livro de não-ficção do ano. Com cerca de 1400 páginas e quase mil verbetes, a Enciclopédia procura resgatar a América Latina em sua dimensão histórica e cultural cultural.

Viva a leitura! No dia 8 de dezembro a Associação de Moradores e Amigos do Bairro de São Francisco – Amambasf -, inaugura a Biblioteca Comunitária Nabor e José Pinheiro Fernandes. Debate Na semana dos 40 anos da FAA, organizado pelo Diretório Central dos Estudantes da Fundação Dom André Arcoverde, dia 23 de novembro houve debate sobre a Criminalização da Pobreza. Confraternização No dia 25 de novembro aconteceu o Encontro de Ex-alunos do Colégio Sagrado Coração de Jesus. Os ex-alunos de todos os tempos participaram de uma Missa seguida de um almoço de confraternização no Valença Grill. Consciência Negra Para celebrar o dia da Consciência Negra, 20 de novembro, houve exposição de fotos e palestra sobre o tema no Pavilhão Leoni, em Valença. O distrito de Conservatória comemorou a data, com o I Encontro da Cultura Negra, sob o tema “Inclusão, Igualdade e Geração de Renda, nos dias 11, 16, 17 e 18 de novembro. Cultura Japonesa O núcleo de Cultura Japonesa de Valença realizou no dia 25 de novembro, nas dependências do ITERP, o 1º Valença Anime Dojo, e na semana seguinte, de 26 de novembro a dois de dezembro, a 1ª Semana de Cultura Japonesa, com a presença do Cônsul Japonês do Rio de Janeiro.

<<< Disco

<<< Internet

INTERNET www.ombusdamndocapeta.blogspot.com O blog amigo do VQ traz textos, reflexões, poesias, protestos... A gente se identifica, a gente assina embaixo. Segue uma amostra:

Confesso <<< Declaro que o excesso de trabalho está minando minha potencialidade natural de vagabundear

Vagabundeio ira numa expressão case de resistência Resisto

numa inércia ressaqueada Não quero mudar o mundo nem alterar paradigmas muito menos dar exemplo quero só isso mesmo: ficar quietinho

e encontrar tempo pra escrever besteira Rodrigo Bodão valencaemquestao@yahoo.com.br

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AAAAAno III, nº 26, Valença, 2007 crédito: arte sobre foto do site www.faa.edu.br

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