Issuu on Google+

-

Chora Bananeira

Noel Rosa -

- Educação

-

Criminalização

Criminalização -

Educação

Ano III, nº 23 Valença, maio/junho de 2007

Chora Bananeira

Noel Rosa Retirantes / 1944 – MASP-SP

Cândido Portinari - Retirantes, Série

Chora Bananeira

Noel Rosa

-

-

-

-

Criminalização

Educação

Criminalização -

Noel Rosa -

Chora Bananeira

-

Educação

Colabore com o Valença em Questão Veja mais no Editorial - p. 02


Editorial

Há algumas edições, vimos batendo na tecla da educação. Não porque achamos que ela, por si só, resolva os problemas de nossa cidade. Mas na educação vemos um dos caminhos a ser percorrido para essa melhoria. Através de um ensino de qualidade (e não tradicional) é possível formarmos jovens conscientes de seu papel social e político. Reforçando essa análise,o professor Paulo Roberto nos brinda com um artigo sobre a educação pública em nossa cidade e estado. Além dele, entrevistamos a atual secretária de Educação, Regina Magalhães, que pela conversa, nos dá um horizonte promissor (mas infelizmente ainda longe do ideal). Para os amantes da música, apresentamos uma homenagem a Noel Rosa, uma contribuição de Breno, um apaixonado pelo samba brasileiro. Nosso companheiro Bebeto continua mostrando caminhos de desenvolvimento sustentável que já existem em nossa cidade. Nesta edição, que sai atrasada e por isso bimensal (maio e junho) não pudemos deixar de falar da criminalização dos movimentos sociais, com destaque para um acontecimento no dia 23 de maio, quando militantes do MST foram presos em Barra do Piraí por ordem do juiz da 2ª Vara Criminal de Valença, Cláudio Gonçalves. Estranhamente, dos 21 presos, 19 foram soltos horas depois, sem serem indiciados. Na última edição tratamos das ocupações das casas populares no bairro da Varginha. A maioria das casas foi desocupada para continuação das obras, ficando um total de 23 casas ocupadas (com uma média de mais de três famílias por casa), enquanto as obras não terminam. Os Sem-Teto então devem construir casas de lonas provisórias até o término dasobras. Mas o término das obras não resolve o problema, já que o número de famílias desabrigadas é maior que o número de domicílios. Para propor alternativas de políticas públicas de habitação, a Assembléia Popular vai realizar um fórum para discutir o problema, com data ainda indefinada. Aos amigos do VQ Para mantermos essa publicação por mais de dois anos, um grupo (pequeno) de pessoascontribui para atingirmos o valor necessário para impressão. Se você é parceiro da idéia do jornal, faça parte desse grupo e contribua com a iniciativa. Independente do valor da contribuição, que pode ser anônima, o leitor passa a receber a publicação impressa no endereço que desejar. É só enviar um e-mail para nós falando o valor do depósito (para controle) e o endereço para entrega. BANCO ITAÚ - C/C 607 13-5/500, AGÊNCIA 0380.

Onde encontrar o VQ: Miriam Lajes Roge Guts Banca do Jardim de Cima Revistaria Vamos Ler Total Locadora Hollywood Vídeo Locadora www.valencavirtual.com.br Fundação Dom André Arcoverde SEPE-RJ

Leitor em Questão Varginha I Por que eles não utilizam as fábricas que não estão sendo utilizadas para abrigar essas famílias? Eu trabalho para a prefeitura de uma das cidades daqui de Atlanta, nos USA e eles têm casas que são dadas pelo governo para pessoas que não podem alugar. A única coisa que os moradores são responsáveis seria alimentação e as contas domésticas (água, luz e telefone). Pelo menos utilizaríamos os espaços que não estão sendo usados de nenhuma maneira, para ajudar a população... Nem todas as pessoas têm recursos financeiros para ter uma casa e ao mesmo tempo pagar as contas domiciliares, e se o governo tem a estrutura, por que não ajudar as pessoas que ajudaram a colocar eles na posição que eles se encontram no momento? As mesmas pessoas que eles usaram para conseguir as posições políticas serão as mesmas que eles precisarão um dia para descer... Noemi Rodegheri Hays Licenses and Permit Analyst Rockdale County Department of Public Services & Engineering Varginha II É uma covardia mesmo. Não é nem questão política, é questão humanitária. Mas por que não reurbanizar com casas decentes pra essas pessoas? Na Inglaterra, e em outros países que deram certo, a importância dada às Assembléias Populares faz com que o cenário político reflita com muito mais fidelidade os anseios da população, permitindo sociedades muito mais decentes e igualitárias (ainda que capitalistas). Parabenizo a Assembléia Popular de Valença pela ação! Como disse, independente de liberal, comunista, capitalista, o que vale é o ser humano, e como ele enxerga o outro. É triste mesmo. Resta-nos desejar boa sorte aos valencianos - e brasileiros - menos afortunados! Amanda Rabelo Varginha III Achei interessante a matéria sobre a ocupação das casas populares na Varginha. Mas apenas atento para um detalhe. Quando o professor Samir escreve que o prefeito Fábio Vieira tem um

Expediente

“trabalho reconhecido, notadamente na área de saúde”, lanço aqui minha dúvida. Que trabalho é esse? Antes dele entrar na prefeitura? Só se for... J.C.R.C. – advogado e contador Legal Acho muito legal essa atitude de vocês da Rede Jovem Valenciana de divulgar tudo o que acontece em nossa cidade! William Santos Francisco Parabéns I Parabéns pela publicação, está linda, fantástica, clara, enfim perfeita.... Parabéns mesmo. Abraço. Bhella Santos, presidente do Vale do Café Convention Visitours Bureau Parabéns II Caros Amigos, Parabéns pelo aniversário!!! Grande abraço Elvio Divani Agresssão ao Meio Ambiente Vimos por meio desta informar que na cidade de Valença/RJ, mais precisamente na localidade de Alberto Furtado, as margens do Rio Preto, estão sendo instaladas várias balsas de garimpo, disfarçadas de “bombas de areia”, onde já se estão tirando uma boa quantidade de ouro, atividade esta proibida por lei, pois ninguém possui alvará de lavra deste metal. Entre Alberto Furtado e Barreado já se encontram cinco balsas agindo ilegalmente. Vale lembrar que o Rio Preto, que faz divisa do RJ e MG, é um dos pouco rios que ainda não estão poluídos, o que vem a ficar em evidencia de que pode ele ser poluído pelo mercúrio, o que já aconteceu nos anos 90 onde na mesma região houve a atuação da Polícia Federal, polícia ambiental de Minas Gerais, e ambientalistas para finalizar a pratica desta atividade no mesmo trecho do Rio Preto. Ficamos aguardando notícias para uma rápida e urgente ação envolvendo o Estado de Minas Gerais, que tem uma política ambiental bem desenvolvida. Henrique Souza - Associação de Defesa do Meio Ambiente do Médio Paraíba

Para anunciar, colaborar ou participar: valencaemquestao@yahoo.com.br ou pelo telefone (21) 8187-7533

Projeto Gráfico: Thiago Xisto

Impressão: Gráfica Rioflorense

Editoração Eletrônica: Carolina Lara Jornalista Responsável e Editor: Vitor Monteiro de

Os textos publicados podem ser reproduzidos se citado a fonte e autoria do material e

Castro Colaboraram nesta Edição: Bebeto, Breno Slade

integralmente. O Valença em Questão é uma publicação mensal sem fins lucrativos,

Faria, Letícia Serafim, Paulo Roberto Figueira, Rafael Monteiro e Samir Resende.

distribuída gratuitamente no município de Valença, municípios vizinhos, Rio de Janeiro

Tiragem: 2.000 exemplares

e através de correio eletrônico.

valencaemquestao@yahoo.com.br

Luiz Fernando Júnior

valencaemquestao@yahoo.com.br

Ano III, nº 23 Valença, maio/junho de 2007

2


Ano III, nº 23 Valença, maio/junho de 2007

3

Com que Roupa? – 70 anos sem Noel Rosa No ultimo dia 4 de maio completou-se 70 anos da morte de um dos mais importantes compositores da MPB, Noel Rosa. Nada mais justo que uma homenagem. O Poeta da Vila, como era conhecido, viveu no Rio de Janeiro no início do século passado. O humor, o lirismo e o cotidiano carioca compõem grande parte de sua obra, que surpreende pela sua atualidade. Viveu pouco e deixou uma das maiores e melhores obras de nossa música. Autor de clássicos como Quando o Samba Acabou, Feitio de Oração, Palpite Infeliz e Feitiço da Vila, entre vários outros, Noel era adepto da vida boêmia regada a noitadas de música, mulheres e bebida. Morreu com pouco mais de 27 anos devido à tuberculose, deixando 259 músicas em sua grande parte magistral. Começou a carreira de compositor aos 18 anos quando tocava violão acompanhando o repertório nordestino do grupo “Bando de Tangarás”, mas logo mudou para o recém-nascido samba carioca, música que o consagrou. Para esta homenagem escolhi a história de uma música de Noel que reflete bem o estilo seu e mostra a atualidade de seus temas. Certo dia, no ano de 1929, o tio de Noel, Eduardo, o encontrou dedilhando o violão e cantando uma cantiga na qual se surpreendeu pela originalidade. – Que música é essa, Noel? – É um samba que acabo de fazer. É sobre o Brasil. O Brasil de tanga. Noel explicou ao tio que seus versos mostravam, ainda que metaforicamente, um país tomado pela miséria e pela fome, maltrapilho, desnudado pela penúria, de tanga. E cantou uta ar minha cond Agora vou mud ta, Eu vou pra lu me aprumar. o er qu eu is Po uta com a força br Vou tratar você ilitar, reab Pra poder me não está sopa da vi sa Pois es a? com que roup : to E eu pergun a eu vou Com que roup nvidou? e você me co qu ba m Pro sa a eu vou Com que roup nvidou? e você me co qu ba m Pro sa

gueiro, o ando mais fa Agora eu já nã Pois o dinheiro ganhar. Não é fácil de ceiro o um cara trapa nd se Mesmo eu star ga a pr m ne r te Não consigo vento em popa Eu já corri de m que roupa? Mas agora co um sapo pulando como Eu hoje estou capo Pra ver se es de urubu. a ag pr sa es D rto de farrapo be co u Já esto ando nu. fic E vou acabar u estopa ro vi já o rn Meu te upa. s com que ro ai m i E eu nem se

O samba se chamava Com que Roupa? e Noel trazia o que de melhor sabia fazer. Interessante o humor com que trata da crise econômica. O Brasil de tanga se transforma numa sucessão de piadas. Enquanto se ri delas, pensa-se na nas tristezas que ocultam. “Com que roupa?” no sentido de “com que dinheiro?” ou “como?”. E mais uma vez nos surpreendemos com a atualidade do tema que pode ser usado nos nossos dias como se o samba houvesse sido composto há poucos anos, ou até poucos dias. Noel foi então apresentar Com que Roupa? para o maestro Homero Dornellas (responsável por passar as composições do Bando de Tanguarás para a pauta pra que pudessem ser publicadas) que, logo ao escutar o primeiro verso, disse: - Essa música não pode ser publicada. Noel indagou. Porquê? O maestro explicou. – Porque isso não é samba. É o Hino Nacional Brasileiro. Os homens da censura não vão deixar. Além de proibir podem até te prender. Não é permitido fazer brincadeiras com o Hino Nacional. Realmente o primeiro verso da música (“Agora vou mudar minha conduta..”) era idêntico ao primeiro do Hino Nacional Brasileiro (“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas...”). Analisando toda a música, repara-se que não somente o primeiro verso, mas toda ela, sílaba por sílaba, nota por nota, cabe perfeitamente na música de Francisco Manuel da Silva com alterações na linha melódica. Somente a genialidade de Noel para retratar o Brasil de tanga em um samba tão semelhante ao Hino Nacional. O maestro Homero fez uma pequena mudança na melodia do primeiro verso e Com que Roupa? finalmente pôde ser editado e se transformou em um dos sambas mais tocados até os dias de hoje. Para quem quiser conhecer mais a obra de Noel Rosa, veja a dica de CD desta edição, na página 8. Salve Noel! Breno Slade Faria Estudante de Hotelaria brenoslade@yahoo.com.br

valencaemquestao@yahoo.com.br


valencaemquestao@yahoo.com.br

4

Ano III, nº 23 Valença, maio/junho de 2007

Investir no profissional da educação é a resposta O Ministério da Educação divulgou no final de abril um novo índice com o objetivo de avaliar a qualidade do ensino brasileiro e estabelecer comparações de desempenho entre os estados e os municípios. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) inclui fatores como rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e médias de desempenho dos alunos. No índice, os valores podem variar de 0 a 10 e se aplicam a três categorias: redes de ensino referentes à 1ª e 2ª fases do ensino fundamental e referentes ao ensino médio. É preciso, antes de tudo, observar que ranqueamentos talvez não sejam a melhor forma de apontar deficiências na educação. A adoção de critérios quantitativos para comparar estados ou municípios, segundo muitos especialistas, não apenas estimula uma postura competitiva (quando deveria haver mais cooperação entre todos) como pode levar a uma percepção equivocada - as realidades são muito diferentes e o critério comparativo nem sempre é capaz de dar conta dos verdadeiros dilemas e desafios da educação em cada contexto. Contudo, já que os ranqueamentos existem, é importante verificar o que eles sugerem (mesmo que devamos ter o cuidado de relativizar os resultados). Comparativamente a outros estados, o Estado do Rio de Janeiro teve desempenho sofrível. Para o ensino médio na rede pública, o Rio ocupou apenas o 15° lugar (nota 2,8, contra nota 3,5 de Santa Catarina, que ficou com a primeira posição). Para o ensino fundamental de 5ª à 8ª série na rede pública, o Rio ocupou o 13° lugar (nota 3,2, contra nota 4,1 de Santa Catarina). Valença também não teve destaque se comparada a outros municípios do Estado – não aparece nem entre os 20 primeiros e, em alguns casos, tem resultados muito inferiores aos de alguns vizinhos (por exemplo: na 1ª fase do ensino funda-

mental, Valença recebeu nota 3,8, contra 4,7 de Volta Redonda). Por que o Estado do Rio (com o segundo maior Produto Interno Bruto do país) e o município de Valença (historicamente orgulhoso de seu ensino público, que formou tantas gerações) não aparecem com destaque nas listas? Perguntando de outro modo: que variáveis estiveram presentes nas políticas educacionais desenvolvidas tanto no Estado do Rio quanto no nosso município nos últimos anos – e que talvez ajudem a explicar os resultados? É óbvio que a resposta inclui numerosas causas, mas uma em especial chama a atenção porque aconteceu igualmente no Estado e em Valença: arrocho salarial dos professores e demais profissionais da educação. No Estado, além dos baixos salários, o desrespeito aos direitos dos aposentados (impedindo uma visão de longo prazo na carreira e estimulando a saída de profissionais da rede), a falta de profissionais em quantidade suficiente para atender à demanda, programas absolutamente equivocados (como o Nova Escola), entre outros fatores, foram claramente responsáveis pelo declínio da qualidade de ensino. No município, um dos piores pisos salariais de todo o Estado, mais de uma década sem aumento real nos vencimentos dos profissionais de educação e inexistência, até recentemente, de um plano de cargos e salários criaram um coquetel explosivo.

A constatação de que não existe nenhum programa educacional capaz de funcionar sem a oferta de condições de trabalho dignas para os profissionais não deveria nem precisar de repetição, dada a obviedade da assertiva. Infelizmente, ano após ano, a valorização dos profissionais apareceu mais nos discursos do que em ações concretas. Todo governo afirma dar prioridade à educação, mas, sem que haja real comprometimento orçamentário com o setor como um todo (e especificamente com a recuperação salarial dos profissionais), nenhuma solução é possível. Recentemente, algumas notícias representaram relativo alento para o setor. O governo federal anunciou também em abril o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que estipula um piso salarial nacional de R$ 850 para professores. A Câmara de Vereadores de Valença aprovou, finalmente, o plano de cargos e salários dos profissionais do município. Em ambos os casos, resultados que são fruto de longas lutas dos profissionais e de suas instituições representativas. Melhor que nada, podemos dizer. “Não basta!”, afirmava sobre o PDE o senador Cristóvam Buarque em artigo publicado n´O Globo de 28 de abril. Tendo, nessa questão, a concordar com o senador. Tais medidas, mesmo que possam ser vistas como avanços, nem de longe resolvem o problema educacional. Ou a educação passa a ser vista como absoluta prioridade – o que implica aumentar ainda mais os recursos a ela destinados – ou o país, o Estado do Rio e Valença continuarão sob grave risco. Temos que lutar para que a prioridade na educação sempre presente nos discursos dos governantes se manifeste com outras ações concretas, ou estaremos condenados a escrever a cada ano mais e mais artigos tentando explicar por que o desempenho de nosso estado ou nosso município deixaram a desejar em avaliações como o Ideb. O futuro depende disso. Paulo Roberto Figueira Leal Doutor em Ciência Política e Jornalista pabeto.figueira@uol.com.br valencaemquestao@yahoo.com.br


4

Ano III, nº 23 Valença, maio/junho de 2007

Chora bananeira, bananeira chora...

5

As bananeiras dos arredores da Serra da Concórdia têm produzido muito mais do que frutas. As fibras, provenientes do tronco da planta, significam, para três espaços populares, a manutenção do homem no campo, desenvolvimento auto-sustentável e a perspectiva de uma nova fonte de renda com a produção de artesanato

Em 1993, Roberto Lamego, com a colaboração de amigos, criou o Santuário de Vida Silvestre da Serra da Concórdia, uma das pouquíssimas áreas particulares de proteção ambiental do Estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de mostrar aos visitantes a biodiversidade da Mata Atlântica e para que conhecessem a importância da mata para o equilíbrio ecológico e climático. Já em 1997, a ONG valenciana SALVEASERRA – a qual faz parte – ajudou a fundar o CETAR (Centro Educacional de Tecnologia Agroflorestal Regional) que difunde tecnologias de uso racional e eficiente no manejo da terra. No sistema agroflorestal, madeiras, fruteiras e palmeiras são cultivadas ao mesmo tempo com culturas agríco-

las e/ou com animais, proporcionando a recuperação do ambiente e da fertilidade dos solos, aumentando sua produtividade, mantendo o homem no campo e gerando renda para os moradores destes espaços. Como o próprio Roberto diz, os problemas sociais, econômicos e ambientais existentes em nossa região exigem soluções inovadoras, e que para muitos são conflitantes: a conservação e recuperação do meio ambiente; e a produção econômica nestes ambientes preservados. É para provar isso que o CETAR realiza cursos gratuitos sobre artesanato e utilização dos recursos naturais, e, dentre eles, destaco o curso de artesanato das fibras de bananeira. A atividade São Francisco, Quirino e Juparanã são os três espaços que circundam a Serra da Concórdia e que o CETAR vem trabalhando para a produção de artesanato da fibra da bananeira. O processo – que é simples, barato e ecológico – gera excelentes produtos, renda e consciência ambiental para o povo local. O curso é gratuito e tem duração de cinco dias. No primeiro se aprende a retirar as sete diferentes fibras da bananeira e a tingilas (ou não) com corante. Após esta etapa,

as fibras ficam três dias secando ao sol. No quinto dia, os artesãos trabalham estas fibras para gerar diferentes produtos, como vistos na foto. O custo é baixíssimo, os produtos possuem alto valor agregado e podem ser encontrados na Casa do Artesão, no centro da cidade. Para maiores informações, entre em contato pelo número (24) 2452-4864 ou pelo email santuariodaconcordia@uol.com.br. E Roberto Lamego avisa: a água de Valença está acabando! Vamos mostrar isto aqui no VQ. Vamos juntos!

Bebeto Estudante de Engenharia de Produção cafo83@yahoo.com.br

Criminalização dos Movimentos Sociais No dia 23 de maio, policiais militares prenderam 21 pessoas em Barra do Piraí/RJ ligadas a movimentos sociais, sendo 19 do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). As prisões ocorreram durante as mobilizações da Jornada Nacional Nem Um Direito a Menos!, movimento contra as “reformas” liberais da legislação trabalhista e previdenciária (como o fim da aposentadoria especial e o aumento do tempo de contribuição), e em defesa de uma reforma agrária anti-latifundiária. A Jornada Nacional contou com a participação de uma parcela significativa da sociedade organizada, dentre sindicatos, associações, movimentos populares e estudantil. A maioria das prisões foi efetuada dentro do acampamento Maria Crioula, que fica às margens da BR-393, e aconteceu momentos após 60 trabalhadores sem terra terem desocupado a rodovia, na altura do distrito de Dorândia, em Barra do Piraí. A rodovia permaneceu bloqueada por cerca de uma hora e, segundo a direção do MST, foi desocupada após um acordo com a Polícia Militar. Após deixar o bloqueio, parte dos manifestantes rumou para nova mobilização em frente à sede do INSS e parte se dirigiu de volta ao acampamento. Francisco (Chico) Lima - advogado e membro da Rede Nacional de Advogados Populares - e Luciana Miranda - pedagoga e coordenadora do MST - foram presos enquanto caminhavam em direção ao Maria Crioula. O grupo que se dirigiu ao acampamento foi surpreendido pela presença de um ônibus da PM dentro do local. Os policiais reviraram as barracas, destruindo algumas, e apreenderam instrumentos usados pelos trabalhadores na lavoura, como ancinhos, facões e foices. As prisões foram ordenadas pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Valença, Cláudio Gonçalves. De acordo com matéria veiculada no

valencaemquestao@yahoo.com.br

jornal O Globo, o juiz, que se apresentou como testemunha, ao tentar negociar a liberação para a passagem de seu carro foi xingado pelos manifestantes. Chico, Luciana e 17 militantes do MST foram levados à 88ª Delegacia de Barra do Piraí. De lá, foram transferidos para a Delegacia da Polícia Federal de Volta Redonda. Os membros do MST permaneceram detidos das 13h de quarta-feira (23) até às 10h de quinta, ficando incomunicáveis até a madrugada do dia 24, quando os advogados tentaram entrar com hábeas corpus, que foi julgado improcedente. A Polícia Militar alegou que as prisões foram motivadas pela manifestação realizada pelo MST. No entanto, elas ocorreram quando a manifestação já havia terminado e o fluxo de veículos restituído. Os policiais usaram bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes que caminhavam pelo acostamento, enquanto deixavam o local do ato. Dos 19 militantes do MST, 17 foram liberados sem serem indiciados. A soltura dos trabalhadores rurais só foi decidida após a Rede Nacional de Advogados Populares ter apresentado pedido de hábeas corpus na Justiça Federal - com base nas ilegalidades cometidas durante a prisão e na ausência de justificativa ou acusação formal - e após a intervenção de alguns parlamentares ligados ao MST. No entanto, Chico Lima e Luciana Miranda foram acusados de dano qualificado, desacato à autoridade, resistência à prisão e corrupção de menores e responderão ao inquérito em liberdade. Segundo nota divulgada pelos manifestantes, a prisão dos sem terra “é mais uma mostra da criminalização dos movimentos sociais promovida pelas polícias e o Poder Judiciário”.


valencaemquestao@yahoo.com.br

6

Ano III, nº 23 Valença, maio/junho de 2007

Regina Magalhães “Um povo sem memória é um povo sem história”. Maria Regina Magalhães, atual secretária Municipal de Educação de Valença, nasceu na

Fazenda Cachoeira do Funil, em Rio das Flores. Já aos seis meses de idade se mudou para São José das Três Ilhas e depois veio definitivamente para Valença. Foi professora de Português, militante do SEPE e do PDT, vereadora e Secretária de Educação no Governo Álvaro Cabral.

Minha vida de estudante começou aqui, na minha casa. Minha mãe é que alfabetizou a mim e aos meus irmãos. Ela fazia muito esforço para trabalhar, porque meu pai era um daqueles machistas que achavam que mulher era objeto de cama e mesa. Estudo era pra homem. Mas foi na persistência e no trabalho da minha mãe, fazendo doce pra fora, que a gente conseguiu estudar. Na época, a lei que regia a educação era bem diferente. No final do ano, a partir da 2ª série, fazíamos uma prova final vinda de Niterói, para que pudéssemos passar de ano. Foi assim que ingressei na escola aos oito anos. Daí fui vendo as escolas nascerem. A vantagem de ser mais velho é ver as coisas acontecerem. Estudava aqui no Benjamin Guimarães, que na época se chamava Casimiro de Abreu. Depois foi criado o José Fonseca, onde funcionava o Theodorico, o único a ter ginásio em Valença. E para se ingressar no ginásio (5ª a 8ª séries) tínhamos de fazer uma prova, um vestibular praticamente. Uma coisa que não havia, e é um tanto boa e um tanto assistencialista, era a distribuição de material escolar. Cada um se virava como podia. Concluí o Ginásio e consegui uma bolsa de estudo federal para fazer o Curso Normal no Sagrado Coração de Jesus. Esta bolsa se extinguiu com a fundação do Instituto de Educação. Em 1966 fiz concurso para o Estado e comecei a trabalhar na Fazenda da Harmonia, onde hoje é a Escola Municipal Major Deodoro Duboc. Em 1967 ingressei na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Valença e sou da 2ª turma graduada. Valença foi a primeira da região a ter faculdade, que era no antigo Casarão. Eu e meus colegas não fomos formados para sermos transformadores, mas sim para sermos pessoas que iam reproduzir o que estava nos livros. Muito mais tarde é que nós fomos acordar. E quem primeiro despertou isto em mim foi o Concílio Vaticano II, muito mais do que a educação. Aqui a gente tinha pessoas destacadas na luta contra a ditadura, e uma delas é o Ney

Fernandes, que foi preso. A primeira grande movimentação foi feita na antiga FERP, em 1966-68, no seminário que lá havia e cujo reitor era Dom Waldyr Calheiros, que punha fogo nesta discussão da ditadura muito mais que os estudantes daqui. Por aqui nós começamos a ter eco lá pros anos de 75. Eu tive muito contato com pessoas exiladas. Depois passei a ter muito contato com o pessoal do PDT, a partir do Brizola. Quem militou na educação militou pelo PDT. Minha história de educação como pessoa começa mesmo nessas lutas do PDT, primeiramente na disputa do PDT com o PMDB de Miro Teixeira [Brizola fundou o PDT em 1980 e foi à luta para enfrentar as eleições de 1982, as primeiras diretas ao governo do estado desde o golpe de 1964. Entrou como azarão na disputa pelo governo do Rio enfrentando o favorito Miro Teixeira. Brizola brilhou na campanha, conseguiu reverter o quadro adverso das pesquisas e assustou os militares então no poder, em especial a parcela alocada na chamada “comunidade de informações” – leia-se Serviço Nacional de Informações (SNI), suas ramificações nas forças armadas e demais patrocinadores dos porões do regime]. A revolução da educação do grupo de Brizola, principalmente por causa do Darcy Ribeiro, mobilizou o professorado. A gente foi se adequando a outro tipo de música, acompanhou um pouco o Tropicalismo, a história do Chico Buarque. Usei muito no 2º grau as músicas para o pessoal compreender o contexto. O Chico Buarque partindo dos pequenos progressos e mostrando como eles iriam desfazer toda a mobilização popular, como a televisão. Frei Betto mostrando a cara e questionando a situação. E em Valença surgiu o grupo da Dilma e da Aparecida Santos, do Ney Fernandes e outros, e depois o SEPE, já em 78, que fez uma luta muito questionadora e nós professores até com um pouco de receio, pois era a primeira vez que fazíamos greve. Foi o primeiro grande momento do SEPE, com o Godofredo, hoje prefeito de Niterói. Fui escolhida e convidada, nesta época, a ser diretora do Theodorico. Sempre pautei minha vida

pelos desafios. Fui reeleita diretora e em 1983-84 surgiu a greve dos professores contra o Leonel Brizola, uma greve que encheu o Maracanãzinho. Foi nascendo dentro da gente uma vontade de questionar, como em épocas do Moreira Franco onde ficamos sentados no chão da concha acústica da Uerj e levamos bomba da polícia. Outra hora sentamos na porta do Palácio Guanabara e eu era diretora do Theodorico nessa época. No Theodorico fazíamos reunião e ficávamos todos em greve. Aconteça o que acontecer estamos todos em greve! Eu digo que há um momento em que as pressões são necessárias. Por isto que já entrei na Secretaria de Educação e disse aos professores dizendo que não era adversária, mas parceira. No momento em que eu não puder ser parceira dos professores, eu não vejo razão para ficar. Era mais fácil ser secretária no governo do Álvaro porque não havia a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ela determina o coeficiente máximo que você pode gastar com funcionário: 40% com gastos em geral e 60% com o pessoal. Pra minha surpresa dos 60% ainda saem 7% para a reserva do Legislativo e os 53% é para o povo. No Governo do Álvaro era mais fácil porque se ele quisesse dar 80% para o funcionalismo e 20% para despesas, ele podia. Hoje não, o prefeito é mais atrelado a estas situações. A Lei de Responsabilidade Fiscal esqueceu do social, como disse a candidata à Prefeitura de Volta Redonda, pelo PSTU, e comungo perfeitamente. Ela deveria melhorar a vida do funcionário público, mas ela deu um engessamento. Porém, com boa vontade e um certo temor, é possível sim você se atrever a ir mais longe e a fazer as folhas de impacto. Neste aspecto, não estou sendo defensora, mas o Fábio [Vieira] viu que era possível dar o pontapé inicial para melhorar a educação, dando condições ao professor e ao funcionário da educação de ter um Plano de Carreira. Não é uma melhoria muito alta no salário, mesmo porque o nosso piso salarial é muito baixo, mas é um avanço. Nós tivemos no governo do Álvaro um aumento do piso de 100%. Na época fizemos um regimento em

valencaemquestao@yahoo.com.br


4

Ano III, nº 23 Valença, maio/junho de 2007

acordo com o SEPE, estabelecendo que todas as vezes que o funcionário municipal tivesse aumento, o professor teria aumento na mesma proporção. O piso ficou então de dois salários mínimos por um tempo, mas como não havia Plano de Carreira, isto não se manteve. Depois foi havendo uma defasagem e hoje o professor tem como piso um salário mínimo e um abono de R$ 30,00, e os que trabalhavam na educação infantil um abono de R$ 100,00, dado no governo Fernando Graça. O Fábio está muito contente com o Plano de Carreira e quero apostar que ele irá cumpri-lo. Quando o Fábio veio me convidar para ser secretária de Educação e eu via o quanto teria que lutar por estas demandas, disse de bate-pronto que de forma alguma queria o cargo. Era uma angústia. Ao mesmo tempo em que fiquei feliz, fiquei angustiada de não conseguir cumprir as responsabilidades destas questões da educação em Valença. Estamos tentando realizar um concurso público de forma isenta, sem concurso de título, realizada pela CETRO, empresa que realizou diversos concursos em cidades de São Paulo. Nomeamos uma comissão para acompanhar o concurso, com o presidente do Conselho Municipal de Educação, o Waldir Nascimento representando o SEPE, a Calmon representando o Conselho Tutelar, o pastor Luiz André da Igreja Presbiteriana, a Aparecida Camões representando a Igreja Católica, quer dizer, um grupo bem amplo para fiscalizar o concurso. Não tomarei ciência da prova, será uma prova que medirá conhecimento, mas não será uma prova pavorosa. O objetivo é que uma pessoa que tenha uma história de estudo tenha condições de fazer uma excelente prova. Para este ano não queremos “pernadas” como houve no concurso de 1998 com a professora Ivone Galdino, que era negra, e concorria à vaga de orientadora pedagógica. Era a 2ª da lista e entraram quatro pessoas que estavam classificadas depois dela. As vagas são para Guarda Municipal, Agente I e Magistério. Eu saí da Secretaria e o Álvaro pediu muito a mim que fosse candidata à vereadora. Fui candidata por um partido que fosse da coligaç��o dele, que era do PFL. Mas o partido que me via mais enquadrado era o PPS, do Roberto Freire. Mas ele queria que eu fosse para o PFL. Eu disse que não iria de jeito nenhum. As pessoas diziam que eu não ganharia a eleição por este partido. Fui a terceira vereadora mais votada e não entrei. Senti muito pesar porque passei a não ter

mais voz. Não tinha voz na Secretaria e poderia ter tido voz na Câmara. Até cheguei a me perguntar se não devia ter entrado no PFL para ter tido voz nesta questão do concurso de 1999. Estavam dispensados de fazer o concurso pela prefeitura os contratados pela prefeitura quem estivesse entrado na PMV antes de 05/10/1983, porque era exatamen-

7 cargo. O Fábio trabalha com essa dificuldade. O poder é muito solitário. Há sempre aquele grupo que fica ladeando. Não é por ser secretária do governo dele, mas vejo o esforço que ele está fazendo para fazer o melhor possível. Tudo que apresentam e dizem que é bom, ele raciocina e se compromete a fazer. Cabe a nós secretários começarmos a perceber nossa importância para colaborar com iniciativas como a do Mestre Tota com crianças e jovens. Valença podia ser a cidade de Salvador do Sudeste, com o candomblé, caxambu, jongo, capoeira, com a cultura afrodescendente. Nossa história é muito triste. Fomos o maior centro escravista do Brasil. Fizemos uma parceria com a Universidade Castelo Branco para capacitação em cultura Afro para professores da rede pública. Não houve desrespeito à FAA porque não iria cobrir esse curso. O Libório está nos ajudando com a capacitação de professores e alunos; temos também uma parceria com o Roberto Lamego para trabalhar com o meio ambiente; e agora com o Kareca e Wilson Fort que farão um livro. Não nos interessa separar a Secretaria de Educação da Secretaria de Cultura e Turismo, temos que juntar forças para dar a Valença uma história bonita. Precisamos sair dessa cultura só de eventos, são importantes,mas não podemos ter somente essa cultura. A educação em Valença não é nota 10. Nada pode existir que seja nota 10, mas a cada instante estamos lutando para que seja melhor. Este ano estamos trabalhando com a proposta de terminarmos de escrever o Plano Municipal de Educação. Nossa proposta não é ser o centro de tudo, o centro são as unidades escolares. Das escolas é que sai tudo. Um dos próximos passos que vamos dar, junto com o SEPE, é realizar eleições diretas para diretores nas escolas. Já falei inclusive com o prefeito. Outra ação é que estamos comprando 110 computadores e 11 impressoras para fazer inclusão digital. O CIEP de Chacrinha já tem esse projeto. Vamos fazer inclusive na rodoviária, com uns 15 computadores de atendimento para estudantes do ensino púbico. Só vamos ser solidários quando não vivermos solitários. O melhor trabalho que podemos fazer é em comunidade. Qual o melhor lugar para se estudar? O bairro do próprio aluno. Lá ele pensa no seu bairro. Há vereadores que usam os estudantes como massa de manobra na questão dos ônibus. Todos têm o direito de ir e vir, mas temos que pensar também, dentro do que entendo, que onde colhi frutos foi no convívio com minha comunidade. A prefeitura deveria investir recursos nesses espaços para que atendam com qualidade esses jovens.

Um dos próximos passos que vamos dar é realizar eleições diretas para diretores nas escolas te cinco anos antes da Constituição de 1988. Estas pessoas de 83 a 88 é que constituem o Buraco Negro. E no meio desse buraco ficaram pessoas que prestaram serviços imensos ao município, mas que não passaram na prova. Entrei na Câmara em 2001 e cheguei a pagar do meu bolso a Andréia para me ajudar na questão das leis e lutei muito com o Luiz Antônio pela isonomia entre funcionários e professores. E o Luiz Antônio poderia ter feito pelos professores, havia tempo hábil pra isso, ele tinha que ter colocado os professores no Buraco Negro. O concurso ainda estava fresco. Sem saber se eu ia perder ou ganhar a briga, disse que nunca mais seria candidata a vereador. Caso se precise substituir um professor no município, imediatamente podemos fazer isto pela proximidade física. No Estado não é assim. Por que o ensino do Estado e os colégios foram ficando com este déficit? Porque eles são prejudicados pela falta de professores. Quantas vezes você vê um aluno sem Química, Física, o ano inteiro? As escolas particulares estão muito acima das escolas públicas. Cada vez mais o Estado se afasta do seu compromisso com a educação, embasado juridicamente para isto pela Lei 9.394, não fazendo mais concurso para professor de 1ª a 4ª. O Instituto de Educação está passando por isso, não há professores para estas séries. A educação infantil, creche, até a 4ª série, que será 5ª série com a reforma, cabe ao município, mas o Estado ainda mantém turmas nestes períodos. Secretário é para isto, estar atento a estes assuntos e resolver. Eu vejo Valença como um município muito viciado. Proust diz que se cada um cuidasse da calçada de sua casa, a cidade sempre seria bonita. E nós caímos nesse vício de achar que a PMV tem que dar conta de tudo, de livro, de caderno, de transporte. Quando há pessoas que se apresentam para ajudar, muitas já estão de olho em algum

No momento em que eu não puder ser parceira dos professores, eu não vejo razão para ficar

valencaemquestao@yahoo.com.br


valencaemquestao@yahoo.com.br

Ano III, nº 23 Valença, maio/junho de 2007

8

Filme • O Rap do Pequeno príncipe contra as almas sebosas O documentário de Paulo Caldas e Marcelo Luna conta a história do matador Hélio José Muniz, o Helinho, e do músico Garnizé, componente da banda de rap Faces do Subúrbio, militante político e líder comunitário, ambos de Camaragibe, no Grande Recife, uma das periferias mais pobres e violentas do País. Os dois reagem de forma oposta à condição de filhos de uma guerra social silenciosa, que é travada diariamente nos subúrbios das grandes cidades brasileiras.

Disco ez osa pela Primeira V • Noel R Vez Rosa Foi lançado, pelo selo Velas (www.velas.com), uma coleção chamada “Noel Rosa pela Primeira Vez”. São 14 CDs e 229 músicas com as gravações originais de Noel. É o maior acervo já publicado do Poeta da Vila. Veja mais sobre o compositor na página 3.

Livro • Cem anos de Solidão Este clássico da literatura latino americana percorre a trajetória dos descendentes de José Arcadio Buendía, fundador do longínquo e irreal povoado de Macondo. Tendo a família Buendia como linha condutora, Gabriel Garcia Marques conta uma história fantástica com revoluções, fantasmas, incesto, corrupção e loucura.

Notas

Emprego A Agência Estadual de Trabalho e Renda está disponibilizando vagas para diversas áreas. Os interessados devem se cadastrar na Rua Nilo Peçanha, nº 971, Centro, de segunda à sexta-feira, das 8:30h às 16:30h. Música e Informática O Centro Municipal de Referência da Terceira Idade está ministrando aulas de informática e música. O Centro Municipal de Referência fica na Praça Paulo de Frontin, s/nº e funciona de segunda à sexta-feira, das 8:00 às 17:00 horas.

Rosinha de Valença O Ministério do Turismo contemplou o Rosinha de Valença com uma verba 300 mil, com contrapartida da PMV 60 mil, segundo nota da Assessoria de nicação da PMV.

Teatro de R$ de R$ Comu-

FAA é bi-campeã! Aconteceu de 4 a 6 de maio o Circuito Interpraia de Faculdades. A FAA enviou uma delegação do Direito que ficou em 3º lugar

geral entre faculdades de todo o Brasil, e uma de Medicina, que foi bi-campeã geral. 4º lugar em Parati-RJ A companhia de dança Haurélio´s Company ficou em 4º lugar dentre 14 concorrentes na categoria estilo livre. É o primeiro festival da turma em menos de dois anos de existência. Tomara que as oficinas da Cia. Étnica de Dança tenham ajudado nesta conquista. André Corrêa e Hugo Leal Matéria do jornal O Dia de 02/06 publicou notícia sobre denúncia de improbidade administrativa. Os deputados denunciados pelo Ministério Público são André Corrêa (PPS) – estadual – e Hugo Leal (PSC) – federal. Os deputados vão responder por supostas irregularidades cometidas quando André Corrêa foi secretário de Meio Ambiente do governo de Anthony Garotinho, e Hugo Leal presidiu o Detran no governo Rosinha. Se condenados, os deputados podem ter que pagar multas, devolver recursos aos cofres públicos e perder seus direitos políticos. Na matéria dO Dia, André Corrêa negou qualquer irregularidade no convênio. Ainda segun-

do a notícia, o parlamentar atacou os promotores e disse que vai processar os promotores por perdas e danos, além de alegar que não foi convocado para apresentar defesa ao MP. Vamos acompanhar o desenrolar do processo. Dia das Mães No último dia 11 saiu o resultado do 1º Concurso de Poesias da Fafiva, com o tema “O dia das mães”. A primeira colocada foi a aluna do 1º período de Matemática Andréia Gomes de Freitas, o segundo lugar ficou para o aluno Gustavo do Vale Gomes do 3º período de Letras e a terceira colocação foi para Thiago do 1º período de História. O Júri foi composto por professores do curso de Letras. Doação de livros e computadores O Esquadrão Tenente Amaro doou livros para o Diretório Acadêmico da Fafiva, que estão criando a Biblioteca FAZ+DALUJA. Os livros estão sendo recuperados e em breve estarão disponíveis. A doação foi feita pelo subtenente Gerson Romano no dia 22 de maio. O DA também recebeu a doação de dois computadores, feita pelo aluno do 3º período de História Daniel Silvares Guimarães.

valencaemquestao@yahoo.com.br


VQ_23