Page 1

Valença em Questão Ano II

n.º 21

Valença, março de 2007

Estas duas palavras norteiam esta edição do VQ. A primeira porque estamos abordando sistematicamente o desenvolvimento sustentável, e acreditamos seriamente que essa é uma solução para a geração de emprego e renda em nosso município, além de beneficiar o meio ambiente. E perseverança porque temos um exemplo claro no nosso entrevistado de alguém que luta cotidianamente contra o vício do alcoolismo. “A sociedade encara o alcoolismo como falta de vergonha na cara, como vagabundagem. Poucos acreditam que é uma doença incurável, progressiva e, às vezes, fatal”

Anderson Rosa, entrevistado dessa edição

valencaemquestao@yahoo.com.br valencaemquestao@yahoo.com.br

Bira Carvalho / Imagens do Povo

Sustentabilidade e Perseverança


N ÃO APENAS EM Valença, a comunicação não é reconhecida como fundamental para o desenvolvimento da cidade. Essa visão se dá por diversos motivos. Um deles é justamente a falta de informação – e outras vezes, o excesso delas. Se você não recebe a informação adequada, ou se recebe uma quantidade muito grande a ponto de não conseguir assimilar as informações recebidas, podemos dizer que você é uma pessoa mal informada. E ser mal informado é algo muito simples e comum de acontecer. Para evitar esse tipo de situação, precisamos estar atentos 24 horas de nosso dia em todas as mensagens que recebemos, sejam elas via rádio, internet, televisão, jornais impressos, outdoors, cartazes, faixas, etc. Temos que nos atentar primeiro em pensar quais os objetivos de determinado veículo ou produto. É comum escutarmos que os meios de comunicação jornalísticos são imparciais, que defendem os direitos da maioria da população. Isso é balela! Todo veículo, incluindo o VQ, tem objetivos claros de influenciar na maneira de pensar sobre determinados temas. Nós é que temos que deixar de ser passivos na recepção deinformações. O VQ tem um posicionamento claro em relação a isso. Nós somos parciais sim, e buscamos representar os que não têm, comumente, voz na mídia para se expressarem. A entrevista dessa edição é algo que representa bem essa nossa postura. Anderson já foi dependente de álcool e hoje, além de trabalhar, procura ajudar pessoas que o procuram a largar o vício da bebida. E é uma pessoa, que apesar de sua história de vida, de suas derrotas e vitórias, não merece nenhum destaque no jornalismo tradicional. Além da entrevista com Anderson, Bebeto cintinua sua saga de textos sobre desenvolvimento sustentável. Temos ainda um texto sobre a influência da mídia, em especial a televisão e uma proposta de como podemos alterar essa realidade. Temos também uma contribuição de um estudante, morador da Baixada Fluminense, sobre as discussões acerca da redução da maioridade penal. O Valença em Questão surge nessa perspectiva, de ser um meio de informação que combata uma visão estigmatizante, limitada e preconceituosa da mídia tradicional. Com isso, temos uma publicação mensal que pode (e deve) ser utilizada da forma que nos convier, sem regras ou tradicionalismos. O VQ é um espaço de experimentação e de utilização da comunidade como um todo. É um espaço aberto à diversidade. E você é nosso convidado a participar dele. Em abril próximo, completamos dois anos de publicação, com a promessa de permancer por muitos outros. E com novidades em nosso visual nessa edição de aniversário.Forte abraço e boa leitura.

Par a Anunciar, Colabor ar ou P ar ticip ar ara Colaborar Par articip ticipar valencaemquestao@yahoo.com.br ou pelo telefone (21) 8187-7533 Expediente Projeto Gráfico, Editoração Eletrônica, Edição e Reportagens: Vitor Monteiro de Castro Colaboraram nesta Edição: Bebeto, Bira Carvalho, Jorge Alberto, Letícia Serafim, Maringoni, Rafael Monteiro, Sadraque Santos.

Tiragem: 2.000 exemplares / Impressão: Gráfica Rio Florense Os textos publicados podem ser reproduzidos se citado a fonte e autoria do material e integralmente. O Valença em Questão é uma publicação mensal sem fins lucrativos, distribuída gratuitamente no município de Valença, municípios vizinhos, Rio de Janeiro e através de correio eletrônico.

Onde encontr ar o VQ encontrar BANCA DO JARDIM DE CIMA TOTAL LOCADORA ROGEGUT’S FUNDAÇÃO DOM ANDRÉ ARCOVERDE MIRIAM LAJES REVISTARIA VAMOS LER HOLLYWOOD VIDEOLOCADORA WWW.VALENCAVIRTUAL.COM.BR

2

LAMENTÁVEL! Foi lamentável Sr. Assessor de Esporte e Lazer Bebeto Dias! Decidimos, eu e minha cunhada sair no Bloco da Terceira Idade em Valença porque entendemos ser um projeto de inclusão. Fomos até a concentração levando nossa sogra e mãe, residente em Valença, a fim de conseguirmos três camisetas. Não tinha mais. Entendemos também este fato por já ser o último desfile. Já íamos nos retirando quando fomos informadas pelos simpáticos componentes do bloco que bastava ter camisas da mesma cor para desfilar no mesmo. Voltamos em casa, pegamos três camisas com a cor do bloco e, antes de entrar no grupo, fomos pedir autorização ao Sr. Bebeto Dias, pois entendemos que não seria certo fazermos diferente. Depois de devidamente autorizadas, caímos na folia. Qual não foi a nossa surpresa quando fomos abordadas pelos componentes da Associação dos Blocos pedindo que nos retirássemos, já na metade do desfile. Ao argumentarmos, fomos agredidas com palavras fortes e ameaçadas de sermos retiradas por seguranças. Voltamos a falar com o Sr. Bebeto, que para o nosso espanto, não assumiu o seu ato. Que feio Sr. Bebeto! A sua atitude provocou constrangimento e humilhação! Vamos ter mais autonomia e firmeza nas nossas decisões! Olhe a responsabilidade que seu cargo exige. Coisas piores poderão ocorrer. O que aconteceria se nos recusássemos a sair, entendendo que estávamos no nosso direito? Seríamos arrastadas para fora do bloco? Enquanto no Bloco da Terceira Idade três senhoras foram impedidas de desfilar sem a camiseta, no Bloco do Bar da Galinha havia uma linda jovem na mesma situação, mas que brincava sem ser abordada pelos representantes da Associação de Blocos. Se liga Dona Marlene! Ruthe Barros Moradora do Rio de Janeiro PAC E SUSTENTABILIDADE Saudações valencianas. Sobre o texto “Falta um “s” ao PAC e a Valença” [VQ 20]. Sou estudante de Ciências Econômicas na FAA. Dia 15/02 foi realizado um debate sobre o PAC e por coincidência, no dia anterior o debate havia sido sobre desenvolvimento sustentável. Como todo debate, não existiu conclusão definitiva sobre o assunto, mas todos concordaram que o PAC assemelha-se mais a uma manobra política do que a uma iniciativa de crescimento econômico, e que o desenvolvimento sustentável é impossível no atual contexto mundial. Que os dois são necessários não existem dúvidas. O problema fica por conta da operacionalidade e viabilidade dos projetos propostos para alcançar tais objetivos. Até agora, 90% do orçamento previsto pelo PAC está sem destino e o desenvolvimento sustentável não produz lucros para o empresariado. Sejamos realistas - e conseqüentemente cruéis: vivemos numa sociedade capitalista, ou seja, queremos lucro e prazer imediatos. Não sabemos coordenar nossas ações e nos concentrarmos em projetos sustentáveis de longo prazo. Esse é um cenário mundial. [...] Por essa visão e por diversos outros motivos, só posso concluir que o maior problema brasileiro é a Cultura da sociedade. E é isso que precisa ser transformado. Atitudes como a da Rede Jovem Valenciana só se farão ouvir por quem possui determinado nível de instrução, que permita a utilização do senso crítico que é a base para o desenvolvimento da sociedade. Pode ser um adolescente de 15 anos que está no ensino médio e pode ser um adulto que não sabe ler ou escrever. A escola é a base, por atingir a massa e poder, a médio e longo prazo, provocar uma revolução completa na sociedade brasileira. [...] Precisamos deixar de ser o país só do futebol e do carnaval, e começarmos a nos destacar como uma nação que caminha para o desenvolvimento pleno. Entenda-se também que o C do PAC significa apenas crescimento, e que o próprio PAC é um plano de crescimento e não de desenvolvimento. Portanto, não esperemos que o dinheiro referente ao PAC seja utilizado na melhoria de hospitais e escolas. Isso não acontecerá. [...] Além disso, mais de 50% do orçamento do PAC depende do investidor privado. E que investidor corre o risco de aplicar seu dinheiro sem garantia de retorno, ou de lucro, ou de reposição do valor aplicado? Conclusão: o PAC não pode ser operacionalizado sem a iniciativa privada, e esta por sua vez, visa o lucro. Este lucro é imediatista e contraditório aos princípios de Desenvolvimento Sustentável. Clayre da S. Montes Aluna do 3o período em Ciências Econômicas na FACEV

março de 2007

Valença em Questão

Luiz Fernando Júnior

valencaemquestao@yahoo.com.br

editorial

Leitor em Questão


A Hipocrisia da Redução da Maioridade Penal

março de 2007

Jorge Alberto Estudante de Direito e morador de São João de Meriti

3

valencaemquestao@yahoo.com.br

Valença em Questão

PREOCUPAÇÃO DA MÍDIA Além disso, é preocupante ver a manipulação dos critérios para determinar a idade ideal de diminuição. Projetos na Câmara prevêem até para 14 anos de idade a responsabilidade penal. Como é possível tratarmos uma criança que ainda tem pouco discernimento e experiência de vida da mesma forma que um adulto que já praticou inúmeros crimes e foi preso várias vezes? E mesmo que a idade seja de 16 anos, onde está a vantagem de colocar tais pessoas nesse sistema carcerário? Os meios de comunicação deveriam se preocupar em provocar o debate sobre a efetiva execução do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). No entanto, o tratamento dado a menores infratores, com exceção às questões legais, se manifesta na prática muito pouco diferente do modelo prisional comum. Ocorre um total abandono do que é garantido no ECA, principalmente no que tange os direitos humanos e no caráter sócio-educativo que deveria ser o pilar de sustentação deste sistema. Precisamos garantir que não sejam dadas mais punições, mas que sejam criadas mais oportunidades de conhecer, escolher, se arrepender e começar de novo. Enfim, de viver. Porque somente desta forma poderemos combater de verdade as violências que sofremos cotidianamente. Vivam e deixem viver!

Ilustração: Maringoni / Agência Carta Maior

Dentre as principais pautas do país atualmente estão os projetos de leis que determinam a diminuição da maioridade penal, o que permitiria que uma faixa maior de jovens pudessem ser presos. Vários setores da mídia têm dado muita visibilidade a esta questão como a solução para a violência praticada por estes adolescentes, o que é uma enorme falácia. Nossa realidade mostra todos os dias que leis combativas não inibem a criminalidade. O principal argumento de defesa da diminuição penal é pelo efeito demonstrativo, ou seja, partir da prerrogativa de que o jovem terá consciência de que poderá ser preso e assim não cometerá delitos. Isto é uma furada enorme! Prenderemos cada vez mais pessoas e o número de criminosos só aumentará. Numa sociedade onde impera a impunidade, medidas como essa só servem para mascarar os problemas reais e reprimir ainda mais os pobres. O debate que deveríamos fazer, e que tem sido tendenciosamente negligenciado, é a respeito da função das cadeias. Precisamos discutir se o modelo que acreditamos ser capaz de acabar com a criminalidade é o sustentado pela repressão violenta, como temos hoje, ou o que prioriza medidas sócio-educativas que possibilitem novas formas de ver e encarar a vida. FALTA DE INFRA-ESTRUTURA E SUPERLOTAÇÃO O sistema carcerário brasileiro é caracterizado eminentemente pelas lacunas deixadas pelo poder público. Os presos, na sua maioria, não têm opções de ocupação. E como várias vovós diziam “mente vazia é oficina do diabo”. O espaço que deveria ser ocupado por estudos, trabalhos, cursos, esportes etc., não é viabilizado pelo sistema, deixando os presos restritos a eles mesmos. Com isso, surgem dentro destes espaços verdadeiras escolas de formação para o crime. Os que entram com bagagem, ensinam e comandam; enquanto os que entram por crimes menores se capacitam criminalmente. Ao saírem, ou mesmo lá dentro, colocam em prática seus novos conhecimentos e oxigenam vigorosamente o crime organizado. Há ainda dois problemas que atingem maciçamente grandes parcelas das carceragens brasileiras: a falta de infra-estrutura e a superlotação. Ambas proporcionam aos detentos uma condição de vida sub-humana. À luz destas questões, fica claro que o sistema prisional brasileiro não funciona. O que nos leva automaticamente a concluir que colocar mais pessoas na cadeia só ajudará a piorar a situação do país, principalmente quando falamos em jovens mais vulneráveis socialmente.


valencaemquestao@yahoo.com.br

Passa, passa o sabãozinho Dia 22 de março é o Dia Mundial da Água. Um presente para o meio ambiente é a produção de sabão a partir do óleo de cozinha usado, que ainda pode gerar emprego e renda para Valença A DEGRADAÇÃO DO meio ambiente é uma das principais questões ao futuro do planeta. O Brasil, com quase 25% de toda água doce da Terra, desperdiça-a absurdamente e joga muito lixo nos rios. As empresas lançam seus resíduos tóxicos, o saneamento básico inexistente provoca o esgoto in natura, as prefeituras constroem aterros sanitários que contaminam as águas subterrâneas (lençóis freáticos), e os cidadãos descartam sofás, pneus e até a sogra se der. E um dos principais poluidores dos rios, acredite, é o óleo de cozinha despejado no ralo da sua pia. Além de entupir os encanamentos e fazer com que produtos altamente tóxicos sejam usados para sua

remoção, o óleo impede a oxigenação e entrada de luz na água, provocando a morte da fauna e flora aquáticas e dificultando seu tratamento para consumo humano. Para resolver este problema, Valença já tem um grande exemplo. O Mário, do Bar da Galinha, recicla o óleo que utiliza na fritura de alimentos para a confecção de detergente e sabão em pasta. Tudo de uma maneira muito simples. De lavar o chão do bar até o uso em suas próprias roupas na máquina de lavar, Mário garante que o sabão é ótimo até para suas mãos, que ficam macias e hidratadas. Vamos então às receitas:

Detergente 03 litros de água 03 litros de óleo de fritura usado e coado 03 litros de álcool combustível (automóvel) 500 gramas de soda cáustica Preparo: Misturar a água com o óleo numa panela e levar à fervura. Despejar num balde, mexer por 40 minutos, esperar esfriar e está pronto. Custo: R$ 8,00 - Soda cáustica = R$ 5,00/Kg = R$ 2,50/500g - Álcool combustível = R$ 2,00/L = R$ 6,00/3L - Óleo reutilizado, gás de cozinha e água = ínfimo Rendimento: aproximadamente 8 litros Uso: louça e piso

Sabão em pasta 41 litros de água 05 litros de óleo de fritura usado e coado 02 litros de álcool combustível 01 quilograma de soda cáustica Preparo: 1o dia: dissolver a soda cáustica em 01 litro de água fervida e despejar num balde que tenha um volume para suportar 50 litros. Adicionar o óleo de fritura usado. Acrescentar o álcool combustível e 10 litros de água à temperatura ambiente. Mexer 10 minutos e deixar repousar. 2o ao 4o dia: adicionar 10 litros de água por dia ao balde, mexer 10 minutos e deixar repousar. No 4o dia, depois de ter adicionado os 10 litros e ter mexido, deixar repousar de 02 a 04 dias. Custo: R$ 9,00 - Soda cáustica = R$ 5,00/Kg - Álcool combustível = R$ 2,00/L = R$ 4,00/2L - Óleo reutilizado, gás de cozinha e água = ínfimo Rendimento: aproximadamente 45litros Uso: louça, piso e basta um copo e meio de sabão (300mL) para lavar roupas na máquina.

Que tal juntar umas pessoas, criar uma cooperativa e percorrer casas, bares e restaurantes do município recolhendo o óleo de cozinha usado para fazer estes sabões? Os custos são muito baixos e bons lucros podem ser obtidos. E o mais importante: o meio ambiente agradece, há distribuição de renda e desenvolvimento sustentável. Existem diversas outras receitas que podem ser encontradas na internet. E caso você não queira fazer sabão, coloque o óleo usado numa garrafa plástica, tampe e jogue no lixo comum. Assim você estará diminuindo o impacto ambiental. Até a próxima e vamos limpar Valença! OBS.: A produção pode ser mantida para fazer mais ou menos sabão, de acordo com a quantidade de óleo usado disponível. Muito cuidado ao manusear a soda cáustica, por ser um produto altamente perigoso. Use luvas de borracha grossa, calça, sapatos, avental por cima da camisa, e óculos. Não permita que crianças mexam nos produtos e nem façam o processo.

Fotos Letícia Serafim

Bebeto Estudante de Engenharia de Produção cafo83@yahoo.com.br

Bebeto conversando com Mário (à esquerda) e Mário, com um pote de sabão pastoso

4

março de 2007

Valença em Questão


A Reinvenção da

Sociedade

A partir do século XX, o mundo se deparou com uma nova realidade, uma nova ordem mundial, o fenômeno da globalização. Assistese ao advento de uma sociedade global em que a ordem é consumir. Neste sentido, para que possa, além de manter a ordem vigente estabelecida, alcançar maiores índices de audiência, a mídia, por diversas vezes, recorre a elementos afinados com a lógica sensacionalista, do espetacular, do grotesco, Ratão Diniz / Imagens do Povo do violento. Nesse contexto, a televisão destaca-se, cada vez mais, entre as principais indústrias culturais. Muito mais do que uma mistura de cinema e rádio, ela contribui, sensivelmente, para o crescimento da economia dos países e para a formação cultural dos cidadãos. Além de transmitir informação e entretenimento, como, por exemplo, nos telejornais e telenovelas, a televisão age como uma espécie de agente relaxante, que faz esquecer os afazeres da vida moderna. Amparada pelas novas tecnologias, a televisão rompe fronteiras, fazendo com que imagens semelhantes cheguem aos lares de qualquer canto do planeta ao mesmo tempo. Assim, ocupa, cada vez mais, um lugar de Sadraque Santos/ Imagens do Povo destaque numa cultura mediada eletronicamente, contribuindo, e muito, para a formação da sociabilidade contemporânea. Por isso mesmo, deve arcar com o compromisso de oferecer qualidade às pessoas, seja na informação ou no entretenimento. Porém, a cultura da mídia, assim como os discursos políticos, ajuda a estabelecer hegemonia de determinados grupos e projetos políticos. Os textos culturais populares naturalizam essas posições e, assim, ajudam a mobilizar consentimentos e posições políticas hegemônicas. Numa cultura da imagem dos meios de comunicação de massa, são as representações que ajudam a constituir a visão de mundo do indivíduo, consumando estilos e modos de discursos e idéias. Portanto, a televisão – como principal meio da cultura da mídia – faz parte de um sistema de dominação que serve para aumentar a opressão ao legitimar

Valença em Questão

forças e instituições que reprimem e oprimem. Os produtos da cultura da mídia não são entretenimentos inocentes, mas têm cunho perfeitamente ideológicos e vinculamse à retórica, a lutas, a programas e ações políticas. REDEFINIÇÃO DA ESCOLA Através da imagem, a cultura da mídia traduz uma ampla dependência entre comunicação e cultura. Através desta inter-relação, divulga determinados padrões, normas e regras, julga o que é bom e o que é ruim, o que é certo e o que é errado; ajuda a formar identidades, fornece símbolos, mitos e estereótipos através de representações que modelam uma visão de mundo de acordo com a ideologia vigente. Além da TV, que se tornou o centro da vida cultural, podemos incluir as novas tecnologias

Sadraque Santos/ Imagens do Povo

da comunicação como mais um meio de difusão da cultura da mídia. Nessa perspectiva, a utopia da comunicação como um espaço democrático, horizontal, de compartilhamento, está comprometida pelos valores que a globalização escolheu para representá-la. Uma sugestão é redefinir a escola, para que esta seja capaz de abarcar a revolução informacional – utilizando todo o aparato hipermídia – e comportar outros atores sociais para a tarefa da educação, em seus vários momentos – a utilização da mídia e neotecnologias da comunicação no ensino, a educomunicação para a crítica dos mídia e a produção de veículos de comunicação democráticos – como jornais experimentais, programas de rádio nas escolas, blogs, sites, etc. Com esse ativismo contemporâneo, onde os movimentos sociais se unem, sem apagar diferenças, surge um novo ator sociopolítico, mostrando a possibilidade de uma nova participação política, de uma cidadania global. Essa resistência está ligada a uma participação no conjunto das estruturas sociais e à formação de aparatos cooperativos de produção e comunidade. Há muito, a cultura da mídia foi englobada pelo mercado. Porém, Ratão Diniz / Imagens do Povo é preciso fazer uma leitura crítica da mídia, avaliando seus efeitos e resistindo à sua manipulação, para que a informação seja tratada como um direito humano fundamental, seja democratizada e não tratada como simples mercadoria. Neste sentido, o esclarecimento ancorado por uma leitura crítica da mídia e a conseqüente participação efetiva da sociedade civil nas tomadas de decisões do Estado, podem impulsionar um verdadeiro exercício da cidadania. Uma reinvenção da sociedade passa pelo acesso de todos aos bens e mensagens; pelo direito de receber informações verdadeiras sobre os produtos e também pela participação democrática da sociedade civil em todos os setores que têm direito, sejam eles jurídicos, sociais, políticos, midiáticos e de consumo.

Arte sobre foto de Sadraque Santos / Imagens do Povo

março de 2007

Vitor Monteiro de Castro, jornalista

5

valencaemquestao@yahoo.com.br

Uma reinvenção da sociedade passa pelo acesso de todos aos bens e mensagens; pelo direito de receber informações sobre os produtos e também pela participação democrática nas decisões da sociedade


Anderson Rosa

Participaram da entrevista: Bebeto, Letícia Serafim, Rafael Monteiro e Vitor Castro Fotos: Letícia Serafim

Anderson Rosa da Silva, de 31 anos de idade, não tem vergonha do seu passado. E mais do que isso, espera que sua história de derrotas e conquistas possa servir para ajudar outras pessoas a superar dificuldades. Anderson nasceu em Resende, morou três anos em Dom Cavati/MG, um ano em Brasília e está há quase 14 em Valença. Trabalhador desde os 16 anos, começou na lanternagem e pintura de carros, passou por perfurador de poços em Brasília, e atualmente é servente de pedreiro na construção do pavilhão da Igreja de Pentagna. Morou na rua por quatro anos. Hoje tem uma casa no bairro Santa Cruz onde diz morar ele e Deus, e em 31 de julho completa sete anos longe do alcoolismo. Está no Ensino Médio do José Fonseca e pretende ser Técnico em Enfermagem. EM MINAS COMECEI A DESENVOLVER A DOENÇA DO ALCOOLISMO AOS 17 ANOS, bebendo “socialmente”. Fui para Brasília morar com minha mãe, mas ainda não era alcoólatra. E, antes de chegar a Valença, cheguei a experimentar outras drogas, como cocaína uma vez, maconha com mais intensidade, mas não de forma dependente. Um dia parei e vi que não tinha condições financeiras de comprar a maconha, como os amigos faziam. Falei comigo mesmo: “não tenho dinheiro nem para comer, se não é o meu patrão eu fico perdido! Então vou ficar mesmo na bebida”. E continuei a usar o álcool, com um pouco mais de freqüência. O orgulho, a prepotência e a auto-negação não permitiram reconhecer que eu aos 20 anos já era alcoólatra. Comecei com a cerveja, que é mais light, e a situação foi complicando, e cheguei na cachaça. Cheguei a tomar álcool puro, destes de cozinha. Meu tio me expulsou da casa dele e com isso eu fui dormir na rua. Foi um passo a mais para minha doença. Aos 19 anos me chamou pra morar com ele de novo, no Benfica. Aos 21 anos, ao sair pra trabalhar de manhã, já tinha ansiedade por beber. Não estava ainda no estágio de delirius tremens [desordens no sono, episódios de alucinações e uma variedade de desconfortos físicos], mas cheguei a um estágio em que não curava mais o fogo da bebida, ia trabalhar de fogo. Como eu trabalhava com maçarico, meu patrão disse pra eu ter cuidado pra eu não explodir a oficina, porque de longe cheirava a álcool. EM BRASÍLIA FOI A PRIMEIRA VEZ QUE EU EXPERIMENTEI ÁLCOOL DE COZINHA, quando eu perfurava poço. Estava desempregado. Apareceu um rapaz na vida da minha mãe, eles começaram a namorar e ele me chamou pra furar poço. Na hora falei, vamos. Ele já tinha dependência no álcool e eu estava desenvolvendo, mas já tinha aquela aflição por beber constantemente. Um dia ele inventou de tomar álcool puro com KiSuco e água. Ele desceu pra furar o poço e eu fiquei em cima, com a garrafa perto de mim. Por ser um bebedor meio descontrolado, eu comecei a beber enquanto ele estava lá embaixo. Quase matei ele. Fui pegar uma lata cheia de terra e ela escorregou dos meus dedos, indo de volta na direção dele. Tive que segurar a manivela com meus braços e senti deslocar as duas clavículas. Segurando aquele peso, perguntei se estava tudo bem. Ele disse que sim. A profundidade era muito grande. Ele disse que quando levantou a mão pra se defender, a lata parou numa distância de quatro dedos da cabeça dele. Era uma lata de 20L, cheia de terra, numa altura de aproximadamente 12 metros. Seria fatal. E aí eu falei pra ele sair de lá antes que acontecesse algo pior, porque eu já estava doidão. A SEGUNDA VEZ QUE TOMEI ÁLCOOL DE COZINHA FOI AQUI NA CASA DO MEU TIO. Misturei com arnica, que ele usava pra passar em machucados. Um dia ele saiu pra beber e me deixou em casa tomando conta dos meus primos. Não achei justo e então bebi o álcool com arnica. Ele brigou comigo. Mas, ele saiu outra vez, e desta vez lembrei que ele ia brigar e misturei com café. Mas não me dava a sensação que estava procurando. Foi então que decidi beber o álcool puro. É como se você chegasse numa churrasqueira, pegasse aquela brasa viva e jogasse dentro da boca. Parece que está queimando tudo por dentro. Quando chega no estômago, parece que você está assando por dentro. E nesse meio tempo voltei a dormir na rua, passei alguns períodos de aprendizado e

6

maus períodos. Em menos de seis meses, no Hospital Psiquiátrico de Valença, tive mais de 30 internações, sem contar em outras cidades. Pra sociedade o alcoolismo é tratado como falta de vergonha na cara, vagabundagem. Poucos acreditam que é uma doença incurável, progressiva e às vezes fatal. TIVE UM DELÍRIO DE ALUCINAÇÕES E FUI INTERNADO aqui. A médica, doutora Marilu, já tinha falado que ia me mandar pro Hospital Psiquiátrico de Quatis. E eu disse que pra Quatis não ia. Devido a ficar vários dias da semana internado ali, o doutor Rodrigo, na época estagiário, às 7h me chamou pra fazer um exame de sangue. Eu estava péssimo fisicamente, emocionalmente e psicologicamente, mas disse a ele que sim. Por volta das 11h, chega ele no Pronto Socorro extremamente irritado com meu estado de saúde, justamente por gostar de mim. Ele dizia que eu ia morrer, até com alguns palavrões, e eu levava na brincadeira. Ele insistia que eu devia parar de beber. Então perguntei o porquê de tanta preocupação com a minha vida, se eu estava com cirrose. Eu dizia que afinal todos vão morrer, mas ele disse que eu ia morrer pré-maturamente, que eu estava procurando a morte. Eu estava a um passo de ficar com cirrose. E ele disse que a partir daquele momento eu tinha seis meses de vida. Foi então que ele deu ordens expressas a todos do hospital para que me deixassem entrar a hora que eu quisesse pra almoçar, jantar e dormir. E dos seis meses que ele me deu, ainda bebi quatro. E quando completou os seis meses os alimentos já não desciam mais, sempre vomitava. E dentro desses quatro meses a cachaça também já não descia mais, por mais que eu tentasse e procurasse ficar de fogo. Os meus colegas de copo me diziam que de cara limpa, eu não tinha condição de conversar com ninguém. Realmente, porque ficava muito tímido e não conseguia falar. Quando eu bebia, conversava com qualquer um. A bebida proporciona várias coisas. Alguns viram macaco e fazem palhaçada, outros leão e ficam agressivos e assim vai. Se você quer chorar, o álcool vai fazer você chorar; se quer desabafar, com certeza irá. Com a bebida já fui de encarar homem com faca. E há pessoas que bebem e quando vêem que não estão legais, viram o copo e dizem chega. Isso no AA [Alcoólicos Anônimos] é chamado de um dom. E há pessoas que não têm esse dom, que é o meu caso. NUM CERTO MOMENTO PAREI E PERGUNTEI: “MEUS DEUS, POR QUE ESTOU NESSA PODERIA TER UMA CASA, UMA FAMÍLIA, UMA VIDA A VIVER. E NÃO TENHO NADA DISSO”. Por causa do álcool? Não, eu criei em mim a dependência. Aprendi isso no AA. Lá entrei num processo de renascimento. Dia 31 de julho de 2007 faz sete anos que parei de beber. O AA foi uma mãe que me colocou em seus braços, como um recém-nascido. Ele me ajudou a caminhar sozinho. Até então eu vivia dependendo das pessoas. Procurei o AA duas vezes: a primeira fui um dia só; na segunda, na AADEC, fiquei 9 meses, 29 dias e algumas horas. Mas eu achava que não funcionava. Foi quando os médicos chegaram e falaram que eu ia morrer, que eu tinha que tomar alguma atitude. O AA disse que eu tinha que parar de ver as pessoas a minha volta e pensar em mim. O AA não te dá casa, não te dá comida, mas te dá condições de você se estabelecer na vida, com a sociedade, e conviver com as pessoas. Eu com 2 anos, 4 meses e 28 dias sem beber ainda sonhava que estava de fogo. Vinham pequenas vontades, acordava assustado, com ressaca, com a boca fervendo e mal-estar. Fui pro AA de novo e uma semana depois entrei na Igreja Evangélica, que me ajudou, mas hoje não freqüento mais. E conversando com meu padrinho, que é uma pessoa que você se identifica e escolhe dentro do AA para te acompanhar, disse a ele que VIDA?

março de 2007

Valença em Questão

Fotos Letícia Serafim

valencaemquestao@yahoo.com.br

entrevistaentrevistaentrevistaentrevistaentrevista


ATÉ

HOJE EU BEBO UMA CERVEJINHA.

QUANDO A VONTADE VEM, VOU LÁ, E TOMO só pra sentir o gosto e ir embora. Se eu saio com um colega e ele pede uma cerveja normal, eu peço uma sem álcool. Se ele pede outra, eu peço um refrigerante. Isso acontece raramente. Eu não tenho medo de voltar a beber, por isso eu me policio 24h por dia. Teve gente de querer me obrigar a beber a força, mas eu não queria e ia embora dali. Tudo que eu tenho hoje – minha casa, trabalho, vida – foi por ter parado de beber. Agradeço em primeiro lugar a Deus, depois a Dona Eneida, Dona Rita e Pe. Medoro. Não sou mais excluído pela sociedade.

DUAS CERVEJAS SEM ÁLCOOL,

ASSIM QUE EU VIM PRA VALENÇA, ACHAVA QUE TINHA QUE BEBER PRA CHEGAR NUMA Hoje em dia eu tenho certa dificuldade pra isso. A quantidade de moças e rapazes, crianças ao meu ver, desenvolvendo um alcoolismo numa forma incontrolada é assustador. Conheço uma garota de 13 anos que bebe, fuma e cheira. Diz-se que o álcool é a prostituta das outras drogas. Se você bebe uma coisa e ficou um pouquinho alegre, você topa qualquer parada. Até se o cara falar que o estrume de vaca é maconha, você vai fumar aquilo. Dependendo da quantidade de álcool no corpo, você vai achar que é maconha. As pessoas vão muito pela cabeça dos outros e pensam: se fulano pode, eu também posso. Isso também porque não têm uma estrutura familiar. A propaganda de cerveja usa isso, afinal só tem gente bonita e feliz, e se eles podem eu também posso.

MOÇA.

QUANDO

AA, UMA PESSOA ACREDITOU EM MIM E ME DEU UM exercendo minha profissão de lanterneiro e pintor de carros. Mas ainda as pessoas desacreditavam em mim, como meu expatrão que não me queria de volta. Procurei a Pastoral do Povo de Rua e lá me ajudaram muito. Comecei a me desintoxicar, bem devagar, e comecei a conquistar minhas coisas. Estava no estado de desespero, sem beber, desempregado, com o aluguel vencendo, quando o pessoal da Pastoral foi pedir ao Pe. Medoro para arranjar um emprego pra mim. Daí fui trabalhar seis meses na casa da Dona Ana Ávila e depois o Padre Medoro me chamou pra trabalhar na Igreja de Pentagna, onde estou até hoje e onde a Dona Ana é nossa chefe. AINDA ESTAVA NO

EMPREGO NA OFICINA DELE,

AS PESSOAS ACABAM ACHANDO QUE VOCÊ ESTÁ MALUCO QUANDO VÊEM OS DELIRIUS TREMENS ou então você conta o que passou. Você vê uma sombra ali, mas não existe de fato. A maioria das pessoas não lembra das alucinações, mas eu lembro de quase todas. Nas minhas alucinações eu sempre tinha a presença de cobras, fantasmas e pessoas querendo me matar. Eu fui alcoólatra de beber cachaça de encruzilhada e cemitério, e minhas alucinações tinham a ver com espíritos, coisas do mau. Eu via o diabo e suas entidades na minha

Valença em Questão

frente. No meu primeiro delírio eu busquei a morte. Me via todo cortado, de separar os pedaços. Conforme eu respirava o corpo se abria. E eu tentava esvaziar o meu pulmão pra ter uma parada cardíaca porque não agüentava de tanto sofrer. Quando eu tinha umas pequenas alucinações, eu ia no Pronto Socorro do Hospital Geral, tomava umas injeções e melhorava, antes de nascer o Pronto Socorro Psiquiátrico. Um dia eu consertei a corrente da moto de um cara, ele achou que deveria me pagar uma cachaça em forma de agradecimento. Estava há cinco dias sem beber. Uma dose foi suficiente pra ver dois corpos mortos no quarto onde eu dormia. No dia seguinte os caras estavam lá no quarto, vivos, eram meus companheiros de quarto. E então eles perceberam que eu não podia ficar ali. Até o dia em que eu vi uma cobra no chão do quarto, ela vinha, me mordia no peito, sentia sugar meu sangue. Então eu dei uma martelada no chão tentando matar a cobra. Era o pé do meu companheiro. Decepei metade do dedão dele. Por isso as pessoas pensam que isso é loucura, até com certa razão. PARTICULARMENTE

EU ACHO QUE O ALCOOLISMO NÃO DEVE SER TRATADO NOS

HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS .

Mas eu acho que os hospitais psiquiátricos deveriam ter um acompanhamento maior junto aos alcoólatras, porque o que tem é muito pouco. O governo não atua nessa forma. A folha de pagamento há uns oito anos para um viciado em álcool ou em maconha ou em cocaína, era de um salário mínimo por paciente. Ou seja, era muito fácil pegar um viciado e dizer que era doente mental. Uma vez quando eu fui internado no hospital psiquiátrico de Vassouras, o Cananéia, quando eu acordei, olhei, pensei e perguntei: onde é que eu estou? E uma pessoa me disse que eu estava no Cananéia. E aí veio na minha cabeça o que as pessoas falavam aqui fora, que Cananéia é lugar de maluco, doente mental etc. Mas à medida que fui desintoxicando, os enfermeiros falavam que não era pra eu estar ali, que ali era lugar somente para doentes mentais. Fiquei sabendo que eu cheguei lá porque as pessoas pensaram que eu ia morrer. Daí me lembrei que nos 2 primeiros dias internado, eu fiquei em pé, parado na porta da enfermaria, sapateando. Foi uma crise de delirius tremens que me levou ao Cananéia. EXISTE O QUE CHAMAMOS DE DEPENDÊNCIA ÚNICA E DEPENDÊNCIA CRUZADA. O cara pode ser viciado só em álcool ou então viciado em álcool e cocaína, álcool e maconha, maconha e cocaína. O que acontece normalmente é que o álcool é a porta para você usar as outras drogas. Por isso é chamada de prostituta das drogas. Mas quando o filho do doutor usa maconha, ele é respeitado por aquilo dali. Mas se um pobre usa maconha, é chamado de traficante, ladrão, vagabundo. O álcool dentro da sociedade é respeitado para aqueles que não são pobres. Droga é droga. Álcool é droga, como maconha e cocaína.

QUANDO DESENVOLVI A DEPENDÊNCIA DO ÁLCOOL, FUI PRA CLÍNICA E COMECEI A Agora consegui chegar ao 1º ano do ensino médio, no José Fonseca, estudando à noite. Estou com dificuldades de conciliar o horário do trabalho em Pentagna com o estudo aqui em Valença. Mas eu quero terminar o ensino médio, ser Técnico em Enfermagem para poder ajudar aqueles que necessitam, como um dia eu precisei, tratar o ser humano como deve ser tratado; constituir uma família e ter um emprego que dê condições de me sustentar. ESTUDAR.

março de 2007

7

valencaemquestao@yahoo.com.br

o AA e os médicos daqui achavam que eu era um caso perdido. Mas meu padrinho confiou em mim, deu seu telefone e disse que quando eu sentisse que não estava dando mais pra agüentar, que ligasse pra ele a qualquer hora que ele iria me encontrar. E isso foi fundamental, porque tinha alguém que realmente acreditava em mim, apesar de ter pessoas dentro do AA que diziam que eu voltaria a beber. A pessoa quando entra pro AA, normalmente se sente sozinha, deprimida, angustiada, em completo estado de solidão. E o padrinho é um pequeno alicerce, uma bengala, onde você se apóia de vez em quando. Outra coisa muito importante que o AA ensina é que ele não vive de promoção, mas de atração. As pessoas a nossa volta têm que se sentir atraídas por nós para pedirem ajuda. Se você quer beber, o problema é seu. Mas se você quer parar, aí o problema já é meu. O trabalho do Valença em Questão também coloca vocês como amigos do AA.


valencaemquestao@yahoo.com.br

NOTAS Seminário Juventude No dia 10 de abril, CIESPI e o Departamento de Serviço Social da PUC-Rio realizam o Seminário Internacional Juventude e Participação Cidadã, na PUC-Rio. O evento inicia às 14 horas e contará com a presença de pesquisadores internacionais, especialistas brasileiros e jovens que atuaram nos projetos. Ao final do Seminário será lançado o livro “A Revolução de Cada Dia”. A pesquisa envolveu adolescentes e jovens adultos entre 15 e 27 anos de idade, tendo como foco suas narrativas a respeito dos seus processos de participação. O aprofundamento sobre as histórias de vida foi realizado de forma colaborativa, utilizando escritos dos próprios jovens, visando o desenvolvimento de uma etnografia da participação. As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas pelo e-mail seminario.ciespi@ gmail.com até o dia 3 de abril. Na mensagem incluir os seguintes dados: nome, telefone, endereço e instituição. Para a programação completa acessar o site: www.ciespi.org. br

PROCON-Valença

Dia da Poesia

O PROCON-Valença, que funciona na Faculdade de Direito da FAA, atende o público de 9h às 12h e de 14h às 17h. Qualquer dúvida em relação aos direitos do consumidor e/ou reclamações sobre produtos ou serviços, os consumidores devem procurar o PROCON.

A Casa Léa Pentagna realiza o evento Invasão da Poesia, a partir das 9h do dia 30 de março. Alunos das escolas de Valença vão recitar peosias no centro da cidade, “invadindo” o comércio local.

30 anos do BG

Casamento Coletivo

No mês de abril, o Bar da Galinha comemora 30 anos de atividades em nossa cidade. Desde 1977 à frente do BG, Mário (além de fazer sabão com óleo usado - ver página 4) promete uma comemoração à altura. Resta-nos aguardar.

Dia 27 de maio Valença realiza o casamento coletivo. O objetivo é democratizar o acesso ao casamento. Nesse caso, os noivos não terão custo. As inscrições podem ser feitas até o dia dois de abril, no Teatro Municipal Rosinha de Valença, de segunda a sextafeira, das 10h às 16h e os interessados devem apresentar cópias dos seguintes documentos: segunda via da certidão de nascimento atualizada, carteira de identidade ou de trabalho, CPF, comprovante de residência (original e cópia), comprovante de renda, título de eleitor e telefone para contato. Mais informações com a Assessoria de Promoção, na Prefeitura.

UVE Dia 8 de março entidades juvenis reuniram-se para constituir a União Valenciana de Estudantes. No encontro foi deliberado a formalização de um estatuto e o lançamento de um manifesto que será realizado dia 18 de março na sede do Comanva.

Biblioteca Cristã A Igreja Presbiteriana de Valença oferece ao público em geral (não precisa freqüentar a igreja) quase quatro mil livros religiosos e didáticos, além de vídeos. Para se cadastrar, é necessário levar comprovante de residência e pagar uma mensalidade de R$2,00. Os empréstimos são de até 30 dias. A biblioteca funciona na rua Dr. Figueiredo, 181, no Centro, às terças e sextas-feiras (das 15h às 18h), sábados (10:30h às 13h) e domingos (das 8:30h às 10h). Mais informações podem ser obtidas com a bibliotecária Francisca Ribeiro, nos telefones (24) 2453-4658 e 9902-1413.

Evangelho de Jesus Cristo

Cartola (1976) Responsável pelo nome e pelas cores verde e rosa da Estação Primeira de Mangueira, Cartola dispensa apresentações. Este CD clássico traz as músicas de maior sucesso do mestre como “O Mundo é um Moinho”, “As Rosas não Falam” e “Ensaboa”. Se você for comprar apenas um disco de samba em sua vida, compre este.

O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO, JOSÉ SARAMAGO Publicado em 1991, o livro tornou-se um dos mais polêmicos da carreira do escritor. Por causa dele, Saramago foi duramente criticado e até considerado sacrílego. O livro nos transporta a uma nova versão para a história de Jesus na Terra. Uma história absolutamente humanizada, com um Cristo cheio de imperfeições e vícios nada divinos, porém, independentemente das crenças religiosas “ O Evangelho” traz dezenas de passagens memoráveis, literariamente incríveis e instigantes.

Cinema, Aspirinas e Urubus Em 1942, no sertão do Brasil, encontram-se o alemão Johann, que fugiu da guerra, aceitando um emprego para vender a mais nova droga milagrosa, a aspirina; e o sertanejo Ranulfo, mais um dos muitos agricultores fugindo da seca nordestina. Os dois se juntam na missão de apresentar um filme sobre o novo remédio nas menores vilas e povoados do interior do Brasil, onde a experiência com o cinema é inédita para a maioria da população. A viagem é também uma oportunidade de troca entre duas experiências de vida muito diferentes.

8

março de 2007

Valença em Questão

VQ_21  

Ano II n.º 21 Valença, março de 2007 valencaemquestao@yahoo.com.br valencaemquestao@yahoo.com.br Anderson Rosa, entrevistado dessa edição Bi...