Issuu on Google+

Ano II

n.º 15

Valença, julho/agosto de 2006

Parabéns Valença! o II Festival de Inverno de Valença reúne jovens de todas as idades ao redor do Jardim de Cima com atrações diversificadas.

Páginas 4 e 5

Oficinas do AfroReggae e Cia. Étnica de Dança Página 3

Entrevista com Rodrigo Arroz Página 7

valencaemquestao@yahoo.com.br

A.F. Rodrigues


valencaemquestao@yahoo.com.br

valencaemquestao@yahoo.com.br

editorial O FESTIVAL PASSOU, mas ainda nos restam boas lembranças desses dias de julho. Algumas dividimos com vocês, nosso leitores, mostrando algumas fotos das diversas atividades que ocorreram. Mas apenas uma pequena mostra por falta de espaço em nossa publicação. Estamos aprontando um DVD de fotografias para apresentar depois às pessoas que participaram do Festival de Valença. Também notícia positiva é a parceria com o Sesc Rio de Janeiro, que apoiou o Festival, e agora apóia as oficinas de percussão com o AfroReggae e de dança com a Cia. Étnica. Uma notícia não tão boa, mas que não chega a ser um problema é que nossa publicação, no mês do Festival, não foi publicada, por falta de tempo do grupo produzi-la. Então, esta edição vale por dois meses, julho e agosto. Mas a partir de setembro voltamos mensalmente, como nos meses anteriores. Para essa edição alguns membros foram à sede do Flamengo, no Rio, conversar com Rodrigo Arroz, zagueiro do time rubro-negro e valenciano. E temos o prazer de apresentar as fotos dos jovens do Projeto Imagens do Povo, do Observatório de Favelas, Adriano Rodrigues e Sadraque Santos, que percorram o Festival com suas câmeras retratando o dia-a-dia do Festival. Aproveitando o clima de harmonia, vamos fazer de nossa Valença uma cidade mais feliz e mais justa, propondo medidas e alternativas para nosso desenvolvimento. Uma das nossas propostas é colaborar com a publicação Valença em Questão, enviando artigos, reportagens, textos, fotos, charges, desenhos, cartas, para difundirmos cada vez mais a nossa cultura a mais pessoas. Como escutei diversas vezes do nosso amigo Bebeto, juntos somos fortes! Um grande abraço, boa leitura a todos e nos encontramos novamente em setembro.

Para Anunciar, Colaborar ou Participar valencaemquestao@yahoo.com.br ou pelo telefone (21) 8187-7533 Expediente Edição, Reportagens, Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica: Vitor Monteiro de Castro. Colaboraram nesta Edição: A. F. Rodrigues, Bebeto, Breno Slade, Faber Paganoto Araújo, Gustavo Fort, Letícia Serafim, Luiz Fernando Júnior, Rafael Monteiro, Robson Sales, Sadraque Santos, Samir Resende. Tiragem: 2.000 exemplares Impressão: Gráfica Rio Florense Os textos publicados podem ser reproduzidos se citado a fonte e autoria do material e integralmente. O Valença em Questão é uma publicação mensal sem fins lucrativos, distribuída gratuitamente no município de Valença, municípios vizinhos, Rio de Janeiro e através de correio eletrônico.

Onde encontrar o VQ BANCA DO JARDIM DE CIMA TOTAL LOCADORA ROGEGUT’S FUNDAÇÃO DOM ANDRÉ ARCOVERDE REVISTARIA VAMOS LER MIRIAM LAJES

Leitor em Questão... PARABÉNS... OLÁ! MENINOS parabéns!!!! Foi muito bom o Festival , os pontos positivos superaram os negativos. Continuem !!!!!! Juntos somos mais FORTES!!!! Estamos aí! PARABÉNS! Neldalia Silva Fort Bastos APOIO... PREZADOS AMIGOS, nós da AMA-Médio Paraíba parabenizamos toda a Equipe da Rede Jovem pelo desempenho e determinação na realização do II Festival, que ao nosso ver foi um sucesso, confirmando-se assim no calendário anual de nosso Município> E prova mais uma vez que quando se tem projeto é possível realizar qualquer tarefa, mesmo aquela que se parece mais difícil. Estaremos sempre apoiando eventos deste porte e com pessoas habilitadas para tal. Forte abraço a todos. Luciano Ribeiro - Presidente, Henrique Luth – Tesoureiro INCÊNDIO... PARABENIZO TODOS os membros da Rede Jovem Valenciana que tanto se dedicaram para o II Festival de Inverno. Foi um verdadeiro sucesso, há muito não se via em nossa cidade um evento tão organizado e apreciado pela sociedade valenciana. Espero que continuem em busca de uma Valença melhor, que entenda e valorize o jovem, a cultura e a diversão sadia, e que através desse grupo nossa cidade possa conscientizar-se das necessidades inerentes ao nosso município. Que a garra e o dinamismo de vocês continuem nos incendiando... Juliana Serafim, diretora do Benjamin Guimarães ACRÉSCIMO... ENVIAMOS ESTE E-MAIL para parabenizar todos vocês da Rede Jovem Valenciana que organizaram o Festival de Inverno de Valença. Ficou realmente muito bom, com eventos diversos para todas as idades e culturas, do jongo ao rock. Com certeza só veio a acrescentar para a nossa cidade e poderá contribuir mais e mais a cada ano, tornando Valença muito melhor para todos!!!! Espero contar com este Festival por muitos e muitos anos. Um abraço Telmo Junior e Fernanda LAMENTO E SATISFAÇÃO GOSTARIA DE PRIMEIRO agradecer ao Grupo Valença em Questão pelo Festival de Inverno de Valença e principalmente a presença nele do sociólogo Luiz Eduardo Soares. Estive no debate (que além do Luiz Eduardo teve presença de Dante Gastaldoni, do Observatório de Favelas, e de Anderson Quak, da Central Única das Favelas) e foi um momento de conscientização e reflexão sobre questões de violência na juventude, da valorização dos jovens de comunidades populares e de alternativas para amenizar a situação de risco em que estes estão expostos, além de desmistificar as favelas como um espaço só de ausências e carências. Mas o que me motiva a escrever esta carta é, na verdade, a surpresa que tive ao perceber que na sala do Colégio Theodorico Fonseca, onde foi realizado o debate, encontravam-se cerca de 50 pessoas e muito poucos professores, escassos representantes políticos, nenhum ou quase nenhum representante dos jornais valencianos. Lamento muito pensar que o discurso deste sociólogo brilhante e de seus pares na mesa não seja reproduzido nas salas de aula e jornais da cidade, ou que as palavras proferidas ali não toquem ou motivem nossos representantes políticos, uma vez que não estavam ali para ouvilas. Fico satisfeita com a presença dos felizardos 50 presentes e espero realmente que numa outra oportunidade não haja cadeiras vazias no auditório. Letícia Serafim NECESSIDADE MIL PARABÉNS PELA organização! Invejável é a abrangência cultural. Que nossos valencianos e as estruturas culturais da nossa cidade possam relamente dar valor a esta magnífica iniciativa. O povo merece e tem necessidade. Obrigado. Pe. Pedro Diniz

2

julho/agosto de 2006

Valença em Questão


Encontro Percussão e dança de Grêmios em Valença MULTIPLICADORES As oficinas de dança funcionam no mesmo sentido. A professora Carmem Luz, com extenso currículo de dançarina, trabalha na cidade do Rio de Janeiro e em diversas cidades do interior do estado oferecendo este tipo de oficina. Uma mostra do que podemos esperar foi apresentado no II Festival de Inverno. A Cia. Étnica se apresentou na noite de sábado, dia 22 de julho, no Coreto do Jardim de Cima. O mais interessante e importante dessas oficinas é seu caráter multiplicador. Os jovens que formarem a banda valenciana de percussão estão comprometidos a continuar as oficinas para outros garotos após os quatro meses de formação. Em relação à dança o propósito é o mesmo. A pessoas que tiverem oficinas com a Cia. Étnica de Dança tornam-se multiplicadores das oficinas para novas turmas. As oficinas de percussão acontecem aos finais de semana no Clube do Benfina, e as de dança no Colégio Estadual José Fonseca. Lembramos ainda que todas as oficinas são gratuitas para os participantes e estão abertas ao público que queiram assistir.

Rodrigo Nonato de Jesus Barbosa, presidente do Grêmio do José Fonseca

Valença em Questão

julho/agosto de 2006

3

valencaemquestao@yahoo.com.br

e n a m cv a lo @ q u te so m cy a h o b .r.

Luiz Fernando Júnior

SÁBADO DIA 19 de agosto acontece o 1º Encontro de Gremistas de Valença. Iniciando as 9 da manhã, o encontro é no Colégio Estadual José Fonseca, no Centro de Valença. Os assuntos tratados são referentes às atribuições dos estudantes e das unidades gremistas das escolas e colégios. O Grêmio Estudantil Professora Maria Lucia Machado Pinheiro do Colégio José Fonseca, comprometido com as propostas e atuações democráticas que busquem uma convivência dinâmica e prazerosa entre os diversos segmentos da nossa escola, pretende com o encontro trocar experiências e compartilhar com outras entidades educacionais atitudes e idéias para contribuir com o crescimento e integração da comunidade. Acrescentamos ainda que o Grêmio Estudantil é uma entidade autônoma dentro da escola, criada pela Lei Federal nº. 7.398/85, composto por alunos que formam chapas e são eleitos pelos votos dos estudantes. A Lei diz que os conselhos da escola deverão providenciar a divulgação da Lei entre os professores para que não pairem duvidas quanto o direito dos alunos de organizar ou construir o Grêmio Estudantil. Nossa proposta também é discutir se as Escolas estão cumprindo esse papel. Além dos debates, também escolheremos a escola ou colégio que sediará o 2º Encontro de Gremistas de Valença. Também na nosa cidade será realizado o 1º Encontro Regional de Gremistas, agendado para dezembro de 2006. Esse primeiro encontro serve de experiência para a movilização estudantil da cidade.

U TILIZAR - SE da cultura para crescimento pessoal e profissional sempre foi um dos objetivos do Movimento Valença em Questão. Partindo deste princípio, iniciaram-se sábado dia 12 de agosto, em plena Festa da Glória, as oficinas de percussão para jovens de Valença com o aulas dos jovens do Grupo Cultural AfroReggae. E sábado dia 19, começam as oficinas com a Cia. Étnica de Dança. As oficinas fazem parte do Projeto Tempo Livre, idealizado pelo Sesc Rio de Janeiro. A proposta das oficinas de percussão é criar uma banda de Valença que tenha condições de se apresentar em qualquer local do Brasil e do mundo, com características do AfroReggae, já mundialmente conhecido, mas principalmente com adicionais da cultura local, aproveitando os conhecimentos dos nossos jovens. Os jovens da oficina de percussão foram selecionados porque já haviam participado da primeira oficina, ocorrida em 2005. Na época, a falta de equipamentos não deixou que elas continuassem. Agora, os equipamentos foram emprestados pelo Sesc e os alunos estão animados.


valencaemquestao@yahoo.com.br

valencaemquestao@yahoo.com.br

E que venha o III Festival...

Este texto foi enviado por e-mail pelo Bebeto, um dia depois do término do II Festival de Inverno de Valença, dia 24 de julho de 2006.

DE SIMPLES CONHECIDOS a melhores amigos; de mais um bando de jovens revolucionários a loucos racionalmente pacionais; de voluntários a empreendedores do terceiro setor; de amadores com vontade a grupo organizado e buscando se organizar ainda mais. Mais um salto foi dado. Desta vez, a força que nos impulsionou veio não só do nosso esforço, mas da crença de muitos outros que acreditaram no nosso trabalho e principalmente na nossa maneira de pensar. Era engraçado. Barraqueiros, autoridades, colaboradores e conhecidos nos apresentavam a outras pessoas como “um dos organizadores do evento” ou então como “um dos membros da Rede Jovem”. Sabiam que havia muito mais gente do lado. A filosofia da organização social entrou no subconsciente das pessoas e se refletia a todo momento nas atitudes e percepções de todos os que se sentiram envolvidos por aquele clima nunca dantes vivido em Valença. Maravilhoso abrir o evento com um grupo de jovens que, da situação de risco social que viviam em Vassouras, hoje apresentam suas habilidades com música clássica, percussão e coral, enchendo os olhos deles mesmos e da platéia, com alegria e emoção. Bonito ver a criançada assistindo ao teatro de fantoches, observada por dezenas de adultos maravilhados com a fantasia do teatro. Muitos naquele momento viraram crianças novamente. Emocionante ver bandas se revelando no palco como o Power Trio e a Balla 12 e outras se despedindo, como a SD 14. E melhor

4

A. F. Rodrigues

Delta Mood, no palco do Jardim de Cima

ainda ver bandas como o Delta Mood e Nova Era fazendo um show para entrar na história, principalmente na minha. Maneiro demais ver, no final dos shows, os músicos se abraçando e parabenizando uns aos outros pela qualidade da apresentação. Ver os donos de restaurantes na praça felizes por verem seus pratos e estabelecimentos sendo promovidos e reconhecidos é bom demais. Melhor ainda é ter visto a empolgação da comissão de Gastronomia, que já está com um novo projeto. Nunca irei me esquecer daquele encerramento. Fael, nosso anjo como disse o Samir, mandando sua mensagem de revolta e paz. Samir, com seus discurso implacável, emocionando a todos nós. E aquele palco cheio, cheio de gente que batalhou muito, sem receber nada em dinheiro, mas que vivenciou e colaborou para uma experiência única na vida. Era bom demais estar chorando ali e abraçando todo mundo! Foram 52 atraSadraque Santos ções, que com certeza marcaram história. Principalmente para nós, que ficamos dias sem dormir para que tudo desse certo e saísse da Apresentação do PIM Lata, de melhor forma Vassouras, na Catedral possível. Acho

julho/agosto de 2006

que nós é que mais curtimos o Festival e nos deliciávamos em ver aquele lindo Jardim cheio de gente, das mais diversas origens étnicas, classes sociais, bairros e culturas. No último momento, ouvi uma frase de um amigo que ficou na minha cabeça: “parabéns a vocês por terem dado alegria a tantas pessoas, em tantos dias”. Que pena que acabou o Festival. Que bom poder ter vocês como amigos e companheiros A. F. Rodrigues

Apresentação do Quilombo São José da Serra, no Jardim de Cima

nesta loucura que é o Movimento Valença em Questão e a Rede Jovem Valenciana. Que bom que o trabalho está apenas começando e poderemos fazer muito mais! Não estamos fazendo nada mais que nossa obrigação como cidadãos. Nossa missão é justamente mostrar este compromisso a todos os valencianos. Um grande beijo no coração de cada um e parabéns Valença!

Valença em Questão


Sadraque Santos A. F. Rodrigues

Raízes do Samba, na noite de sábado no Jardim de Cima

Apresentação da Orquestra do Projeto Integração pela Música (PIM), de Vassouras

Galera em frente ao Palco 2 Sadraque Santos

Apresentação de judô, no Coreto do Jardim de Cima Detalhe durante apresentação do Delta Mood, na noite de sexta-feira

Sadraque Santos Apresentação da Cia. Étnica de Dança, no Coreto do Jardim de Cima

A. F. Rodrigues

Valença em Questão

julho/agosto de 2006

5

valencaemquestao@yahoo.com.br

A. F. Rodrigues


va l e n c a e m q u e s t a o @ ya h o o.com.br

valencaemquestao@yahoo.com.br

Estão matando a cidadania

HÁ MAIS OU menos um ano escrevi aqui minha primeira participação no Valença em Questão. Estava tenso: texto de estréia, muita expectativa - precisava de um tema quente. Em qualquer outro momento talvez eu precisasse refletir bastante para não escrever sobre qualquer coisa sem muita importância, mas a conjuntura política nacional não me deixava dúvidas: a fedentina do Congresso estava na boca do povo. No mês seguinte voltei a tratar do assunto - desta vez incomodado por não saber o que falar diante de um aluno que, intrigado, indagou em quem deveria votar nas próximas eleições se, apesar de a esperança ter vencido o medo, ela havia sido corrompida pelo poder. Passado um ano continuo sem saber o que dizer - mas não foi pra resolver esta dúvida que voltei a falar disso. Estamos em ano eleitoral e estou convencido de que não há outro momento em que se fale tanto sobre cidadania. Somos convocados a ir às urnas exercer nosso papel de cidadão. A princípio nada haveria de mal nisso se não fosse por uma coisa: me parece que os políticos, a mídia e cada um de nós confundimos ser cidadão com ser eleitor. Tiramos nossos títulos de eleitor, assistimos ao horário eleitoral, nos dirigimos a uma sessão eleitoral e elegemos nossos representantes. Pronto! Voltamos para casa felizes e cidadãos. Se no caminho de volta para casa eu jogar papel no chão por preguiça de me dirigir até a lixeira serei considerado porco. Se resolver me sentar num banco para ler um livro e for interrompido por um grupo ouvindo música em decibéis mais elevados que os suportados pelo ouvido humano os chamarei de baderneiros. Se tento atravessar a rua e preciso desviar de um carro que avançou o sinal vermelho pensarei que há muita gente apressada nesse mundo. E todos continuarão cidadãos porque votaram. Não há erro maior que este. Somos cidadãos porque desde o momento em que nascemos dentro de uma dada

6

sociedade somos convidados a participar de um contrato social que estabelece algumas regras chamadas direitos. Mas aprendemos também que o nosso direito termina quando invade o direito do outro. Regras parecem chatas, mas sem elas viver seria uma guerra. E é por isso que devemos exercer nossos direitos, respeitar os dos outros e zelar pelo de todos. Quando ignoramos as regras do contrato social contribuímos para a redução da cidadania. Outro dia conversei com uma pessoa a qual admiro muito e ela me relatou uma situação cotidiana, mas carregada de simbolismo. Enquanto ele aguardava o ônibus num ponto lotado de outras pessoas uma senhora se preparava para atravessar a rua na faixa de pedestres. Assim que colocou o pé no asfalto foi atropelada por um ciclista que ignorou que as regras do trânsito também valem para veículos não motorizados. Pelo impacto os dois foram ao chão: o ciclista e a senhora. Mas para a surpresa de todos, ele xingou a senhora com os nomes mais baixos que você possa imaginar, levantou-se cheio de razão e

julho/agosto de 2006

seguiu seu caminho, deixando a vítima no chão. Ninguém se moveu. Ninguém lembrou ao ciclista que seu direito de andar de bicicleta termina no momento em que o direito do pedestre de atravessar a rua começa. Ninguém lembrou ao ciclista que ele deveria ter exercido sua parte no contrato social, que ele deveria ser cidadão. Não foi cidadão o ciclista, não foram cidadãos os observadores. Arrisco-me a afirmar que nada fizeram por medo. Hoje em dia não se sabe mais que atitude as pessoas terão ao serem lembradas dos limites dos seus direitos. Mas sabemos muito bem que, no caso de uma atitude violenta, não haverá coerção, não haverá punição, porque as instituições que deveriam colaborar na preservação da sociedade de direito não têm feito também o seu papel. A violência e a ausência da proteção pública - que também faz parte do contrato - estão matando a cidadania. Faber Paganoto Araújo, geógrafo, professor do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro faberpaganoto@gmail.com

Valença em Questão


entrevistaentrevistaentrevistaentrevistaentrevista Por Bebeto, Breno Slade e Robson Sales

Rodrigo Arroz

Valença em Questão

julho/agosto de 2006

7

valencaemquestao@yahoo.com.br

Arquivo pessoal

EM ENTREVISTA REALIZADA na sede do Clube de Regatas Flamengo, essa categoria e lá fiquei durante dois anos, depois passei mais na Gávea, Rio de Janeiro, Rodrigo Arroz, valenciano e zaguei- três anos no juniores. Tive que lutar muito durante esses cinco ro do Flamengo, contou sua trajetória de vida, seus planos anos de categoria de base pra conseguir chegar ao profissional para o futuro e deu um alô para os joe hoje estou na minha segunda temporavens e políticos de nossa cidade. Nascida, completando meu sétimo ano aqui no do e criado em Valença, no bairro São O estudo é importante Flamengo com o título mais recente de José das Palmeiras, Rodrigo tem 22 anos campeão da Copa do Brasil. para chegar onde e estudou boa parte da vida no Colégio Primeiro Título Estadual Theodorico Fonseca. Começou O título da Copa do Brasil foi muito queremos a trabalhar aos 12 anos com seu tio na importante, não só pra mim, mas pro Fábrica de Rendas: “Estudava pela maFlamengo principalmente, e vai ficar marnhã, trabalhava a tarde na Fábrica de Rendas e ainda arruma- cado para sempre. Há algumas semanas atrás estava passanva um tempinho pra jogar futebol a noite nos Coroados com o do um filme na minha cabeça de quando tudo começou, lá no Zola e Fabrício, no “Craque do Futuro””, lembra Rodrigo. início, com o sonho de um dia chegar a ser, pelo menos, um Apoio Familiar juvenil; depois o sonho de chegar no juniores e se um dia Minha vida foi um pouco difícil, muita luta pra chegar até chegaria ao profissional; e hoje ter a oportunidade de ser aqui. O apoio familiar foi muito importante, tanto de meu campeão pelo Flamengo, no Maracanã, contra o arqui-rival. pai como da minha mãe que, apesar de serem separados há Vai entrar para história mesmo, estou muito feliz com esse 12 anos, sempre me apoiaram. Principalmente minha mãe, momento que estou vivendo. que me deu muito apoio psicológico quando precisei sair de Futuro e Seleção casa com 14 anos e vir para uma cidade grande como o Rio Penso em fazer história no Flamengo, assim como o Rogéde Janeiro, morando sozinho. Mas o telefone ajudou a nos rio Ceni está fazendo no São Paulo. O Flamengo é um time deixar mais próximos, me deixando mais tranqüilo para que que não tenho palavras para explicar o tamanho que é, sua conseguisse dar continuidade a minha carreira aqui no grandeza e a paixão que desperta em cada pessoa e em Flamengo. cada torcedor. ConstruDificuldades e Reindo uma boa história compensa aqui no clube, conquisPra chegar no Flamengo tando títulos, a seleção precisei passar por uma vai chegar naturalmenpeneira de 4500 molete. Eu tenho muita fé ques, que durou cerca de em Deus que vou ser seis semanas, mais ou convocado, ainda estou menos, em que eu tinha novo, tenho muita coique vir e voltar de Valença sa pra mostrar. com meu pai, gastando Valença muito dinheiro com gasoEspero que os lina e passando por um governantes e pessoas sufoco danado. Mas hoje, públicas de Valença graças a Deus, a recomdêem mais oportunipensa vem em poder dar dades de emprego e o conforto para meus falazer aos jovens. Gosmiliares. to muito de Valença, Carreira minha família toda Essa peneira foi muito mora lá, e fico muito difícil, havia muitos garotriste quando vou tos e todos viam no futevisitá-los e vejo certas bol a esperança de toda a coisas que não deverifamília, mas infelizmente, am acontecer. Deixo não há lugar pra todos em aqui um alô para os um só clube. Nesse dia eu garotos de Valença: fui iluminado, minha escontinuem estudando, trela brilhou, fui aprovado procurando fazer o e encaminhado para a melhor e ajudando o Gávea, onde realizei os tespróximo, pois assim tes com a equipe juvenil do vocês conseguirão Flamengo. Fui integrado a chegar onde sonham.


valencaemquestao@yahoo.com.br

valencaemquestao@yahoo.com.br

qualéaboaqualéaboaqualéaboaqualéaboaqualéaboa Protesto Antologia Excelências perfil.transparencia.org.br

THE EDUKATORS Três jovens idealistas realizam protestos pacíficos, invadindo a casa de pessoas ricas para trocar os móveis de lugar e deixar mensagens de protestos. Numa de suas ações um deles esquece um celular, o que faz com que tenham que retornar ao local no dia seguinte. Porém o que eles não contavam era em encontrar presente o dono da casa.

A ONG TRANSPARÊNCIA Brasil realizou uma pesquisa sobre políticos dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, com informações a respeitos dos candidatos à Câmara de Deputados nas eleições de 2006. A intenção é propiciar ao eleitor uma decisão mais informada sobre seu voto para deputado federal. Os outros estados da federação serão incluídos gradualmente. Além de deputados que pretendem ser reeleitos estão incluídos também ex-ministros, ex-governadores, ex-senadores, ex-prefeitos de capitais que buscam um mandato na Câmara.

Poetas do Sertão

Atividade

CORDEL DO FOGO ENO Cordel do Fogo Encantado nasceu sob forma de um espetáculo cênico-musical montado em Arcoverde, terra natal do grupo, em Recife (PE). Eles misturam a tradição musical do sertão,o samba de coco, o reisado, a embolada, a música dos cantadores e a poesia popular de nomes como Chico Pedrosa, Manoel Filó, Manoel Chadu, Inácio da Catingueira e Zé da Luz.

A Ç Ã O . S Á B A D O S 7:30 H G L O B O . REAPRESENTAÇÃO DOMINGO, 7H, E QUINTAFEIRA, 0:30H, CANAL FUTURA. O programa ,mostra a iniciativa de pessoas que não ficam paradas à espera de soluções. São pessoas, a maior parte anônimas, que emprestam sua experiência profissional e que doa seu tempo na certeza de que esta pode ser a única oportunidade na vida de milhares de brasileiros. Arte, cidadania, educação, geração de renda e voluntariado são os temas trabalhados.

CANTADO.

8

julho/agosto de 2006

O PASQUIM ANTOLOGIA 19691971Foi o maior fenômeno editorial da imprensa brasileira. O Cruzeiro e Veja tin h a m atrás de si duas sólidas empresas jornalísticas; O Pasquim, só um punhado de porras-loucas. Assumidamente nanico, panfletário e abusado (“um folião no velório”, “livre como um táxi”, “equilibrado como um pingente”, “sempre em alta graças ao seu baixo nível”- era com slogans desse teor que ele chegava às bancas todas as semanas). Nasceu sob a suspeita de que duraria pouco tempo, menos até que os oito números que, alguns anos antes, conseguira sobreviver a revista de humor Pif-Paf, criada por Millôr Fernandes e de certo modo o embrião do Pasquim (que logo perdeu o artigo definido). Quando o jornal estourou, quem mais se surpreendeu com aquele imprevisto foram os seus próprios redatores e cartunistas. Mas já que os deuses, contrariando os militares, pareciam estar do lado deles, o jeito foi relaxar e aproveitar o sucesso até a última gota de uísque e o último rabo-de-saia.

Valença em Questão


VQ_15