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Entrevista com Luiz Eduardo Soares Pรกgina 7

valencaemquestao@yahoo.com.br

II Ano


valencaemquestao@yahoo.com.br

editorial A REDE JOVEM Valenciana está a todo vapor. Desde janeiro organiza o II Festival de Inverno de Valença, que vai acontecer entre os dias 17 e 23 de julho. Nesta edição, demos destaque especial a este evento que representa a valorização da nossa cultura e um grande incentivo à participação popular nas decisões políticas de nossa cidade. Em parceria com o Sesc do Rio de Janeiro, conseguimos trazer para Valença atrações como o Projeto Integração pela Música, de Vassouras, e o projeto Italata, de Itaguaí, que tiveram oficinas de percussão do AfroReggae. Esses grupos hoje tornaram-se independentes e multiplicadores de cultura em suas cidades. Em breve, essas oficinas também vão acontecer em Valença, graças à parceria do Movimento Valença em Questão e o Sesc Rio. Além das oficinas de percussão, teremos também oficinas da Cia. Étnica de Dança, com Carmen Luz, uma das mais respeitadas dançarinas do país em se tratando de projetos sócio-culturais. E o que não poderia faltar em nosso Festival é a participação de artistas locais, como o Jongo do Quilombo São José, do distrito de Santa Isabel, apresentações de Folia de Reis e Capoeira, artesanato, dança e muita música com os cantores da cidade. E preocupados com o sensibilização social da população, o Festival vai exibir os documentários Até Quando?, do Observatório de Favelas, e Falcão – Meninos do Tráfico, da Central Única das Favelas, seguido de debate com especialistas. Um deles, Luiz Eduardo Soares, é o entrevistado desta edição do VQ, confiram na página 7. Resumindo pessoal, o II Festival de Inverno de Valença está imperdível. Confiram alguns destaques na página ao lado e a programação completa na página 4. Valença se encontra no seu Festival de Inverno, entre os dias 17 e 23 de julho, no Jardim de Cima, Theodorico Fonseca, Cine Glória e Catedral. Grande abraço e uma ótima leitura.

Par a Anunciar, Colabor ar ou P ar ticip ar ara Colaborar Par articip ticipar valencaemquestao@yahoo.com.br ou pelos telefones (21) 8187-7533 e (21) 9126-9910 Expediente

Edição, Reportagens, Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica: Vitor Monteiro de Castro. Colaboraram nesta Edição: Alexandre Lourenço, Bebeto, Breno Slade, Faber Paganoto Araújo, Fabiana Oliveira, Juninho, Letícia Serafim, Luiz Fernando Júnior, Maringoni, Rafael Monteiro, Rosilene Miliotti, Samir Resende, Silvio Fonseca Chicarino Júnior. Tiragem: 4.000 exemplares Impressão: Gráfica Rio Florense Os textos publicados podem ser reproduzidos se citado a fonte e autoria do material e integralmente. O Valença em Questão é uma publicação mensal sem fins lucrativos, distribuída gratuitamente no município de Valença, municípios vizinhos, Rio de Janeiro e através de correio eletrônico.

Onde encontr ar o VQ encontrar BANCA DO JARDIM DE CIMA REVISTARIA VAMOS LER ROGEGUT’S TOTAL LOCADORA FUNDAÇÃO DOM ANDRÉ ARCOVERDE

II Festival de Inverno de Valença

Iniciativa para valorizar a cultura popular e incentivar a inserção social ESTIMULAR O SENSO crítico e a participação coletiva, com valorização da cultura popular. Esta é a proposta do II Festival de Inverno de Valença, organizado pela Rede Jovem Valenciana. Com o tema Valença se encontra aqui, o evento que se inicia no dia 17 de julho e se estende até o domingo dia 23, conta com atrações de Arte, Artesanato, Cinema, Dança, Debates, Esportes, Gastronomia, Meio Ambiente, Música e Teatro. O II Festival de Inverno de Valença tem parceria com o Sesc Rio de Janeiro e apoio da Prefeitura Municipal de Valença. A iniciativa do Festival se esbarra com a de alguns jovens valencianos que saíram da cidade para estudar em cidades maiores, como Rio de Janeiro. Conhecendo realidades diferentes, perceberam que era importante a participação da sociedade nas decisões da cidade. E fora de Valença conheceram exemplos concretos, o que serviu como combustível para a atitude desses jovens. E estes jovens se uniram com professores, músicos, artistas, estudantes e quem mais se interessou pela idéia e formaram a Rede Jovem Valenciana. HISTÓRICO DO FESTIVAL Iniciado os trabalhos em dezembro de 2005 pelo Movimento Valença em Questão, o projeto do II Festival foi aberto à sociedade valenciana para que todos pudessem participar de sua confecção. “Essa parceria com a sociedade civil é que tornou possível a realização de um evento de tamanha qualidade e de importância reconhecida por parceiros de peso, como o Sesc e a Prefeitura Municipal”, afirma o diretor executivo do Movimento Valença em Questão e membro da Rede Jovem Valenciana Carlos Alberto, mais conhecido como Bebeto. Outro membro da organização, Breno Slade, reforça a necessidade dessa parceria com a população. Segundo ele, “é graças ao trabalho das pessoas que compõem as comissões e dedicam grande parte de seu tempo que se tornou realidade a realização do II Festival”. Em 2005, apenas 11 pessoas organizaram o I Festival de Inverno, que teve duração de 2 dias. Apesar de poucas pessoas participando diretamente, o evento atingiu às expectativas. “Ano passado pecamos na divulgação, mas quem participou das atividades elogiou muito”, lembra Bebeto. Hoje, cerca de 50 pessoas participam das comissões, divididas pelas atividades (Arte, Artesanato, Cinema, Dança, Debates, Esportes, Gastronomia, Meio Ambiente, Música e Teatro), “o que facilita o trabalho”, garante Breno. Confira na página ao lado as principais atrações do II Festival de Inverno de Valença, e na página 4, a programação completa. Nos encontramos no II Festival.

Crianças se divertindo durante o I Festival de Inverno, nos dias 22 e 23 de julho de 2005, nas apresentações teatrais

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Confira as principais atrações do II Festival PIM – PROGRAMA INTEGRAÇÃO PELA MÚSICA Idealizado pelo maestro Cláudio Pereira Moreira e em atividade desde o ano 2000, o PIM reúne crianças, adolescentes, professores, pais e amigos voluntários com o objetivo de utilizar a música como meio de integração familiar, proporcionando oportunidades para um futuro melhor. O conceito do Programa Integração pela Música é proporcionar o contato com a música e conseqüentemente melhorar a auto-estima, o rendimento escolar e a disciplina, além de abrir um leque de opções, ampliando suas trajetórias de vida. O PIM apresentará no Festival de Inverno um pouco do trabalho realizado pelo projeto. A Banda, o Coral, a Orquestra e a Banda de percussão PIMLata (projeto em parceria com o AfroReggae) do PIM se apresentarão na quinta-feira, dia 20 de julho a partir das 20 horas na Catedral de Nossa Senhora da Glória, abrindo o II Festival de Inverno de Valença. CIA. ÉTNICA DE DANÇA Criada em 1996 a partir de um projeto desenvolvido pela atriz e dançarina Carmen Luz, no Morro do Andaraí, no Rio de Janeiro, a Cia. Étnica de Dança é um dos mais bem sucedidos e prestigiados projetos sociais de cultura e arte do país. Por ela, já passaram cerca de 600 crianças e adolescentes. A Cia. Étnica de dança apresentará um espetáculo especialmente adaptado para o II Festival de Inverno. Ele vai acontecer ao ar livre, no sábado, dia 22 de julho às 19 horas, no Jardim de Cima.

LUIZ EDUARDO SOARES Antropólogo, cientista político e autor de livros como “Elite da Tropa” e “Cabeça de Porco”, atua na área de Segurança Pública. Soares vem ao Festival debater com a população sobre Violência e Juventude, além de participar do Café Literário oferecido pela Cia. do Livro, onde vai debater e autografar seus livros. Também é o entrevistado desta edição do VQ. O café literário com Luiz Eduardo Soares será sábado, dia 22 de julho, a partir das 10 horas da manhã na Cia. do Livro e o debate Violência e Juventude no Colégio Theodorico Fonseca, no mesmo dia, às 16 horas.

JOSÉ JOFFILY Umas das principais atrações do I Festival de Inverno, o cineasta José Joffily está de volta. Nascido em João Pessoa, Paraíba, em 1945, é diretor, produtor e roteirista e já realizou, entre outros longas e curtas, A Maldição do Sanpaku (1992), Quem matou Pixote? (1996), O Chamado de Deus (2000) e Dois Perdidos Numa Noite Suja (2002), este último exibido no I Festival de Inverno. Para o Festival de inverno deste ano, o cineasta escolheu exibir o documentário Vocação do Poder, rodado durante a campanha eleitoral de 2004. A exibição será no Cine Glória, no domingo dia 23 de julho, às 15 horas.

ANDERSON QUAK Coordenador Geral do Curso de Audiovisual da Central Única das Favelas – Cufa, participou das gravações do documentário Falcão – Meninos do Tráfico. Quak participa do debate sobre Violência e Juventude no sábado, com exibição dos documentários Até Quando?, do Observatório de Favelas e de Falcão – Meninos do Tráfico, da Cufa.

FILMES DO FESTIVAL VOCAÇÃO DO PODER, acompanha seis candidatos ao cargo de vereador do Rio de Janeiro durante a campanha política para as eleições municipais de 2004. Todo o processo eleitoral - das convenções partidárias, o trabalho nas ruas, a apuração dos votos até a reação dos eleitos e dos derrotados - é apresentado no documentário. São seis personagens com características diversas, que têm em comum apenas o fato de estarem concorrendo pela primeira vez. Exibição no Cine Glória domingo, dia 23 de julho às 15 horas. Entrada Franca. FALCÃO, MENINOS DO TRÁFICO. O raper MV Bill e Celso Athaide percorreram durante seis anos comunidades populares em todo o país. E registraram a rotina, dia e noite, de meninos e jovens envolvido no tráfico de drogas. Falcão, Meninos do Tráfico é o resultado desse trabalho. ATÉ QUANDO? O documentário narra as tragédias pessoais vividas por vítimas da guerra entre o tráfico e a polícia militar. Uma crítica feita por depoimentos de moradores de comunidades, familia de policiais e especialistas sobre o fracasso da atual política de segurança pública no combate às drogas. Exibição dos documentários no Colégio Theodorico Fonseca durante o debate Violência e Juventude, no sábado, dia 22 de julho às 16 horas

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DANTE GASTALDONI Fotógrafo e coordenador do Módulo de Fotografia da Escola Popular de Comunicação Crítica do Observatório de Favelas, que capacita jovens e propõe alternativas de comunicação e cultura do ponto de vista das comunidades populares, divergentes da visão quase sempre negativa e estereotipada apresentada pela mídia. Dante vem ao Festival para participar da Oficina de Fotografia junto com os alunos do Projeto Imagens do Povo e do debate sobre Violência e Juventude, no sábado à tarde.


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Programação do II Festival de Inverno

Programação sujeita a alterações

17/07 – Segunda-feira 20:00h – Colégio Estadual Theodorico Fonseca Abertura do Festival Gastronômico Jantar Dançante com Gil e Marcinho 20/07 – Quinta-feira 19:30h - Catedral de Nossa Senhora da Glória Abertura oficial do II Festival de Inverno de Valença 20:00h – Catedral de Nossa Senhora da Glória Projeto Integração pela Música Vassouras 21:30h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença Power Trio – Jazz - Valença 23:00h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença SD-14 – Banda de Pop-Rock Valença 21/07 – Sexta-feira 14:00h – Jardim de Cima Oficina de Teatro para crianças, jovens e adultos 14:00h – Jardim de Cima Abertura das Exposições sobre Valença 14:00h – Colégio Estadual Theodorico Fonseca Exposição de Monografias sobre a região do Médio Paraíba 15:00h – Colégio Theodorico Fonseca Debate com o Bibliotecário Eduardo de Castro sobre a Biblioteca. 15:00h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença Teatro de Fantoches – Rio de Janeiro 16:00h – Escadaria da Igreja de Nossa Senhora do Rosário – Jardim de Cima Coral dos Correios – Rio de Janeiro 17:00h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença Sarau de Poesia 18:00h – Jardim de Cima – Palco Léa Pentagna Happy Hour – Boca Kiusa 19:00h – Colégio Theodorico Fonseca Debate “Gente da sua idade mudando sua cidade” – políticas públicas de educação 20:00h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença Consciente Coletivo – Rock – Valença 20:00h – Jardim de Cima – Palco Lea Pentagna Marcos Prado e Vandré – Rock – Valença (a confirmar) 22:00h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença Ajuris IV – Rock – Valença

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22:00h – Jardim de Cima – Palco Lea Pentagna Julinho e Quincas Lopes – Forró Valença 24:00h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença Delta Mood – Blues – Valença 22/07 – Sábado 08:00h – Saída do Jardim de Cima Caminhada ecológica para a torre e Oficina de Fotografia 09:00h – Jardim de Cima Oficinas de capoeira para crianças, jovens e adultos 09:00h – Jardim de Cima Arte na Praça – oficinas de artes plásticas para crianças, jovens e adultos 10:00h – Jardim de Cima Roda de Capoeira 10:00 – Cia. Do Livro Café Literário com o atropólogo e cientista político, Luiz Eduardo Soares 11:00h – Jardim de Cima Roda de Samba – Grupo Sem Limites - Valença 13:00h – Colégio Estadual Theodorico Fonseca Oficinas de Break e Graffiti 14:00h – Jardim de Cima Grupo Italata – Percussão - Itaguaí 15:00h – Saída do Jardim de Cima Passeio Ciclístico 15:30h – Jardim de Cima Apresentação de Skate 16:00h – Colégio Estadual Theodorico Fonseca Debate “Violência e Juventude”: Dante Gastaldoni - Coordenador de fotografia da Espocc do Observatório de Favelas Luiz Eduardo Soares - Professor, Antropólogo e Cientista Político Anderson Quak - Coordenador do Curso de Audiovisual da Cufa Exibição dos documentários Até Quando? e Falcão - Meninos do Tráfico 17:00h – Jardim de Cima Apresentação de Folias de Reis 18:00h – Jardim de Cima Apresentação de jongo do Quilombo São José da Serra - Valença 18:00h – Jardim de Cima – Palco Léa Pentagna Jean, Ângelo e Douglas– Pop- Rock Valença 19:00h – Jardim de Cima Apresentação da Cia. Étnica de Dança - Rio de Janeiro 20:00h – Jardim de Cima – Palco Léa Pentagna Aríete – Rock - Valença

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20:30h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença Apresentações de Rap: Grupo Conseqüentes (Valença) e Jotaefe Crew (Juiz de Fora); Apresentações de Break: H2CP (Valença), GBCR (Rio de Janeiro), Jotaefe Crew (Juiz de Fora) e Atari Funkers (Rio de Janeiro). Apresentação de Grafiti: Ileso (Juiz de Fora). 22:00h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença Grupo Nova Era – Pagode - Valença 22:00h – Jardim de Cima – Palco Léa Pentagna Elemento Acústico – Pop-Rock Valença 24:00h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença Grupo Raízes do Samba – samba e chorinho do Rio de Janeiro 23/07 – Domingo 09:00h – Centro da Cidade Corrida de Bicicleta 10:00h – Jardim de Cima Grupo de Maculelê do Mestre Tota– Valença 11:00h – Jardim de Cima Bandas e Fanfarras da FAA / CSCJ / Theodorico / COMOT- Valença 14:00h – Jardim de Cima Quiz sobre Valença 15:00h – Cine Glória Cinema em debate – Márcio Blanco, José Joffily e o filme “Vocação do Poder” 15:00h – Jardim de Cima Oficinas de Judô para crianças, jovens e adultos 15:30h – Jardim de Cima Banda Progresso - Valença 16:30h – Jardim de Cima Escolas de Samba do Benfica Valença 17:30h – Jardim de Cima Grupo Afro Angola-Congo - Valença 18:30h – Jardim de Cima Coral Juvenil Léa Pentagna - Valença 19:30h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença Premiação do Festival Gastronômico 20:00h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença Balla 12 – Rock – Valença 21:30h – Encerramento 22:00h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença BebadoBlues – Blues - Rio de Janeiro 24:00h – Jardim de Cima – Palco Rosinha de Valença Jonas Monteiro e Banda – Pagode Valença

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Corte solidário

Sorriso nota 10 Luiz Fernando Júnior

EM PARCERIA COM Raquel Freire Studio, o Movimento Certeza O MOVIMENTO VALENÇA em Questão, em parceria com a Faculdade Futuro (MCF) deu início ao Projeto Corte Solidário. Em de de Odontolgoia de Valença iniciou o Projeto Sorriso Nota 10, sua primeira realização, dia 4 de junho no Ciep do bairro com doação de kits odontológicos contendo cada um, pasta, fio e escova dentais, estojo e toalha de rosto. São José das Palmeiras, foram Os kits foram doados pela Petrobrás – Peatendidas mais de 100 pessoas tróleo Brasileiro S/A – através do Departacom corte de cabelo gratuito e esmento de Tecnologia da Informação. cova das duas da tarde às sete da As entregas foram dia 26 de maio, no noite, segundo o representante do Ciep Municipalizado Professor Luciano GoMCF Juninho. mes Ribeiro, no Bairro de Fátima; e dia 9 Além do corte solidário, o evento de junho, na escola Maria Ielpo contou com uma programação com Capobianco. Durante a entrega, alunos do Hip Hop (com Conseqüentes - rap - e 1º período da Faculdade de Odontologia Hip Hop Cultura de Paz - break). Do atenderam a mais de 100 crianças nas eslado de fora, skatistas apresentavamcolas, entre 9 e 13 anos, com orientações se com manobras. No final do dia, ainMaxwell do grupo HIp Hop Cultura de Paz, dançando break sobre higiene bucal e prevenção da cárie. da teve Carreira voz e violão.

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NO ÚLTIMO DIA 28 ocorreu em Osório mais uma realização do projeto Cinema nos Bairros, que é desenvolvido pelo MVQ (Movimento Valença em Questão), onde este leva cinema e hip-hop aos bairros. No entanto, este teve um diferencial; porque houve também campeonatos de vôlei e futsal organizados pela Associação de Moradores de Osório e o grupo de jovens Anjos do Resgate. Todo o evento foi organizado em parceria com a comunidade de Osório. Ao passarmos por diversos bairros levando este projeto, pudemos perceber que está cada vez mais surgindo em Valença grupos que se organizam por causas específicas ou por ideais mais abrangentes, mas que têm todos como pano de fundo a construção de uma sociedade que não espera acontecer, pois prefere realizar os acontecimentos desejados. Moradores de Osório, durante o projeto cinema nos Bairros. O evento teve participação fundamental da comunidade Este evento em Osório demonstrou o quanto é real esta visão. Afinal, tanto a Associação de Moradores de Osório quanto o grupo de jovens lutar. É a era da parceria, da união de organizações com Anjos do Resgate se colocam como exemplos vivos desta objetivos específicos diferentes, mas que agindo em percepção que se teve durante este projeto. Cada organi- cooperatividade mútua tornam-se objetivos comuns. Porzação dentro do que lhe compete, busca concretizar a idéia que “juntos somos fortes!”. E Valença, apesar de todos os problemas que podem ser de democracia participativa, ou seja, se organizar em prol diagnosticados, parece tomar a dianteira deste processo. de seu bairro, da sua cidade ou do seu país, sem perder de Por isso, nós, valencianos, temos o dever de não se perder vista as responsabilidades que cabe aos seus governantes. nas nuvens da desesperança, pois, como bem diz O AmiSem dúvida é uma nova era que está surgindo, um momento histórico ao qual nós estamos abandonando a idéia go: “se acostumarmos a olhar somente para coisas ruins, de ter que ficar pedindo a este ou aquele governante (a dificilmente se conseguirá distinguir algo como bom, quando famosa política clientelista), para adotar a posição de abra- se olhar para ele”. çar suas responsabilidades com sua sociedade, formando Rafael Monteiro, estudante de Filosofia da UFRJ e valenciano parcerias e atingindo os objetivos pelos quais vale a pena faelmc@yahoo.com.br

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O Pró-jeto da nova era


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Quilombo São José LOCALIZADO NO DISTRITO de Santa Isabel do Rio Preto, a cerca de 55 Km da cidade de Valença, o Quilombo São José da Serra é um referencial pela preservação de tradições africanas. O passado e o presente misturam-se no cotidiano desses moradores que ainda utilizam o candeeiro, o ferro a brasa e o fogão a lenha. Por uma estrada de terra batida, tão antiga quanto os 150 anos da comunidade, pesquisadores, jornalistas e caravanas vindas de várias regiões do país, aventuram-se em busca de um contato mais íntimo com a cultura local ou até mesmo um conhecimento mais aprofundado das próprias raízes. No Quilombo São José da Serra celular não funciona, carteiro não passa e a única escola, construída nos fundos da capela, só ensina até a quarta-série do Ensino Fundamental. A própria energia elétrica só foi instalada a pouco mais de cinco anos. A história da área começa em meados do século XIX, quando negros bantos chegam como escravos na fazenda Santa Isabel, para trabalhar nas lavouras de café da região. Entre eles estavam os casais Tertuliano e Miquelina, e Pedro e Militana, avós de Manoel Seabra, 86 anos, atual patriarca da comunidade. “Meus avós foram trazidos como escravos para a fazenda Santa Isabel. Ali tinha uma pessoa que maltratava e batia muito nos negros. Como na época já existia a fazenda São José, eles acabaram fugindo para cá, trabalhando em troca de moradia. Meu pai dizia que tinham negros que eram forros, trabalhavam nos cafezais, mas não eram castigados. Aqui era tudo mata e vovó morava bem nesse terreiro, onde construíram a capela. Depois

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os filhos deles casaram e tiveram filhos”, revela. Muitos destes familiares permaneceram no local e constituem hoje a Comunidade Remanescente de Quilombo São José. Outros saíram à procura de melhores condições de vida. A pesquisadora do Projeto Raízzes, Marília Gonçalves, que procura valorizar a importância da influência da cultura africana na construção da sociedade brasileira, conta que alguns desses quilombolas migraram para diversas regiões do país, inclusive indo parar na Baixada Fluminense: “Com o fim da lavoura de café e a falta de serviço na região de Valença, alguns desses moradores mudaram-se do quilombo. Há registros de alguns deles, como o da irmã mais velha de Manoel Seabra, Vó Brandina. Ela mudou-se para Nova Iguaçu e trabalhou por algum tempo em plantações de laranja da Baixada”. ALEGRIAS E DIFICULDADES No Estado do Rio existem 14 comunidades remanescentes de quilombos, onde vivem cerca de 770 famílias. Embora São José da Serra tenha recebido o título quilombola há mais de seis anos, judicialmente ela ainda não possui o registro das terras. Um dos motivos é que o atual proprietário da fazenda alega que ali não há características de um sítio de escravos fugitivos, pois os negros que permaneceram no local, após a abolição da escravatura, fizeram isto por vontade própria e com o consentimento dos antigos proprietários. A demora da conquista da posse efetiva da terra tem prejudicado e colocado em risco a preservação da cultura local. “Isso dificulta muito o nosso dia-a-dia. Eu cresci na roça, junto com meus irmãos e nunca faltou alimento. Nós plantávamos de tudo, atualmente só podemos plantar nos quintais. Se fizermos uma roça além, vem o gado da fazenda e acaba com tudo. Aí a gente tem que sair da terra porque nem emprego eles oferecem, os trabalhadores da fazenda vêm todos de fora”, desabafa José Ricardo, 25 anos. A impossibilidade de continuar com a

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prática da agricultura de subsistência e a falta de emprego no local têm feito com que os jovens, progressivamente, saiam em busca de novas oportunidades. Diante disso, novas profissões vão surgindo e o quilombo revela talentos que vão desde eletricista autodidata ao corredor João Batista, 27 anos, que já ganhou diversas competições, ficando em segundo lugar numa maratona estadual. Mas atualmente, por falta de patrocínio, trabalha como pedreiro em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. DIA DE FESTA No dia 13 de maio é realizada uma grande festa em homenagem aos Pretos Velhos, considerados guias ou protetores, por seguidores da Umbanda, religião de matriz africana cultuada no Brasil. A comemoração é feita ao som de tambores de jongueiros vindos de várias comunidades do Rio, como Quissamã, Pinheiral, Barra do Piraí, Serrinha e Angra dos Reis. Além disso, inclui também feijoada e missa afro. À noite, o jongo do Quilombo São José, que é tido como um dos mais próximos ao que era praticado pelos escravos, é apresentado ao redor de uma grande fogueira. No decorrer da dança todos são abençoados por Mãe Teresinha, 63 anos, atual líder espiritual da comunidade. Segundo ela, estes rituais foram mantidos graças ao empenho de Mãe Zeferina, que morreu em 2003. Em vida, ela abriu o jongo para a participação das crianças, garantindo que a tradição não morresse com o passar dos anos. Seja de carro ou em caravanas das mais variadas regiões do Brasil, cerca de mil pessoas sobem a Serra da Beleza para conhecer o cotidiano do quilombo no dia 13 de maio. Nilton Brandão, 50 anos, participante fiel dos passeios, já foi três vezes à comunidade, mas a visita deste ano teve um diferencial. “Sempre tive vontade de trazer meus filhos aqui. Agora trouxe. É importante para eles saberem de onde viemos. Temos que valorizar nosso povo, nossas raízes. Quando cheguei aqui pela primeira vez foi uma emoção muito forte, tanto que chorei por uns vinte ou trinta minutos. Aqui, tudo me aproxima de minhas origens: a maneira do pessoal tratar, as vozes deles, você é tratado com humildade. Dá até para sentir a energia positiva vinda de nossos ancestrais”, relata. Texto e foto: Fabiana Oliveira, jornalista fabyoan@yahoo.com.br

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Luiz Eduardo

PROFESSOR DA UERJ e da Universidade mento, valorização, reconhecimento, a Cândido Mendes, ministrando as dissensação de pertencer a um grupo, de ciplinas de Antropologia e Ciência Poter uma oportunidade, de se auto valorilítica, Luiz Eduardo Soares lançou, rezar e de se realizar também como seres centemente o livro Elite da Tropa, que humanos. relata casos do Batalhão de Operações Isso requer muito trabalho no nível Especiais da Polícia Militar do Rio de municipal e apoio das polícias, que aí Janeiro. têm de reorientar o seu comportamenELITE DA TROPA to. As políticas têm que trabalhar de forO Elite da Tropa é um livro sobre o ma comunitária, respeitando a cidadaBope, com relatos e narrativas tratannia, valorizando também esses jovens, do das questões políticas de forma dialogando com eles. Se isso for feito muito clara, interessando a todos que dessa maneira, muito provavelmente a se preocupam com a violência. Durangente vai ter toda a chance de evitar te anos fiquei escrevendo sobre isso, que em Valença se reproduza a tragécom gráficos, indicadores, teses e pesdia do Rio de Janeiro. quisas para demonstrar algo para os VIOLÊNCIA TEM SOLUÇÃO? Na realidade, os governos do Rio de colegas ou para os que estão trabalhando na área e a coisa funcionava. Só que não saia dos Janeiro foram diferentes (sejam eles da chamada esquerda muros da universidade. Nós não conseguíamos atingir as ou da direita), mas a ausência de políticas reais de seguranpessoas, mobilizar a opinião pública. Você trabalha, acha que ça pública foi permanente. Em alguns governos houve um tem algumas opiniões que são importantes e não consegue esforço muito valioso de redução da violência policial, pofazer com que aquilo seja ouvido, dá uma sensação ruim. Aí rém ineficiente. Porque isso só não basta, isso é apenas parvocê percebe que o que importa agora – que já tenho algu- te do trabalho. Uma proposta alternativa de lições policiais de trabalho mas convicções bem fundamentadas – é chegar às pessoas. As pessoas têm que saber certas coisas e formar sua consci- preventivo de maneira articulada, isso só aconteceu a rigor ência a partir daquilo. A proposta é sensibilizar a opinião em 1999, no primeiro ano do governo Garotinho [ano que pública com essa linguagem mais humanizada com relatos. foi secretário de segurança pública]. Os resultados estão aí para serem avaliados, foram os melhores resultados, muito GOVERNO DO ESTADO E SEGURANÇA PÚBLICA Do governo atual não espero nenhuma atitude produtiva ruins, mas os menos maus. O resultado dos últimos 15 anos em relação à segurança pública. Tomara que eu esteja erra- estão aí para vermos, as iniciativas de qualificação dos polido, mas a julgar pelos últimos anos, não há razão que justi- ciais, convênios com as universidades, para que eles fossem fique nenhuma esperança, infelizmente. A orientação conti- à universidade e para que as universidades fossem até eles. nua sendo bélica, de guerra, de invasões nas favelas, nas A delegacia legal, áreas integradas à segurança, investimenquais morrem policiais, morrem inocentes das comunidades to na perícia, centro de referência contra homofobia, contra e morrem rapazes do tráfico, que no dia seguinte são subs- a violência doméstica, preservação do meio ambiente, tituídos, como vimos no documentário Falcão - Meninos do mutirões pela paz e todo um conjunto de iniciativas articulaTráfico: eles próprios dizem ser peças de reposição. Todo das com um tratamento diferente das comunidades, policiaprocesso se renova, se reinicia, e no entanto as mortes e o mento comunitário, o Grupo de Policiamento em Áreas Essofrimento vão se acumulando. Quer dizer, nós não avança- peciais original. mos em questão alguma, apenas recuamos. Por outro lado, Tudo isso produziu resultados: menos violência policial lea corrupção e a brutalidade policial, a desvalorização dos tal, controle da letalidade, controle relativo da corrupção e profissionais de polícia, tudo isso têm crescido muito na se- redução da criminalidade, mostrando que é possível sim comgurança pública. O centro penitenciário bater a violência, mas isso não teve conabandonado, as entidades sócio tinuidade. Foi o início de um trabalho educativas sem opção, é muito triste. Temos que oferecer logo desperdiçado, porque o Garotinho VALENÇA teve de redesenhar seu governo, mudar Para que cidades menores não che- aos jovens reconheci- as alianças, mudar todo o rumo, porque guem à situação crítica que se enconquis ser candidato à presidência. Com tram as grandes capitais brasileiras, é mento e valorização. isso rompeu com as esquerdas, foi se preciso desenhar políticas sociais bem unir ao setor dos conservadores mais orientadas, que vão por sua vez exigir tradicionais, e a política de segurança um diagnóstico local, com participação das comunidades lo- foi sacrificada. Então, a rigor, com essa exceção e com alcais. Em Valença, por exemplo, conhecendo a situação do guns breves períodos, sobretudo no trabalho do Hélio Luz, a local, será possível aplicar políticas sociais que se voltem so- política de segurança não funcionou. Nessas décadas, nós bretudo para os jovens vulneráveis, para oferecer-lhes alter- nunca tivemos uma política de segurança pública alternatinativas e despertar o seu futuro contra o tráfico armado. Evi- va. Então, a população nem pode dizer que opções diferentar que eles se armem e que se envolvam cada vez mais nes- tes foram testadas. Infelizmente, governos de direita e de sa vida é fundamental. Para que isso aconteça, temos que esquerda acabaram se substituindo, sem implantar nenhuoferecer a eles o que eles estão encontrando no tráfico que ma política de segurança democrática, cidadã e de forma são mais do que recursos materiais, mas sobretudo acolhi- sustentável.

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Por Alexandre Lourenço e Rosilene Miliotti


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REVISTA DO CINEMA B RASILEIRO. TVE REDE BRASIL. TODA SEGUNDA, ÀS 21:30H - H ORÁRIO ALTERNATIVO : SÁBADO , ÀS 18:30 H . A p r e s e n t a d o p o r J u l i a Lemmertz, o programa é um painel da produção cinematográfica nacional, com cobertura dos principais eventos e festivais, entrevistas e matérias sobre filmes em produção, projetos em andamento, making off, lançamentos e as novas tecnologias do nosso cinema. Com uma abordagem estética e conceitual, o programa destaca e promove o nosso cinema e seus realizadores, e em seu quinto ano de proCAFÉ LITERÁRIO LUIZ COM EDUARDO S OA RES, DIA 22 DE JULHO, ÀS 10H, NA CIA. DO LIVRO . Em Elite da Tropa, Luis Eduardo assina, em parceria com os policiais André B a t i s t a eRodrigo Pimentel, uma obra com relatos impressionates sobre o cotidiano dos policiais de elite. Na seqüência, um dos personagens segue numa trama envolvendo autoridades de segurança, traficantes, políticos e policiais - uma rede que tece alianças improváveis entre os vários atores deste cenário. Elite da Tropa é o primeiro livro, no Brasil, a mostrar este lado desconhecido do combate diário da polícia militar, nas grandes cidades, com o ponto de vista do policial, seus hábitos, medos e desafios.

Valença em Questão

dução comemora, num constante encontro de diretores, produtores, atores, atrizes e técnicos, o sucesso que muito tem contribuído para a divulgação e o resgate da memória do cinema brasileiro. O programa foi idealizado pelo diretor e produtor Marco Altberg, que em 1995 teve a idéia de chamar a atenção para a retomada do cinema brasileiro, comprovada em filmes como “Carlota Joaquina”, de Carla Camurati, e “O Quatrilho”, de Fábio Barreto. O programa conquistou o público e hoje é uma vitrine permanente das produções audiovisuais brasileiras.

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Página diversificada, com diversos links de entretenimento, informação, comentários, crônicas, entrevistas, humor, comportamento, galeria, reportagens, política, entre outros temas. Também disponibiliza música para ouvir enquanto usa o computador, com seleção de Xico Vargas. O sítio é formador por diversos articulistas, entre eles escritores e jornalistas como Artur Dapieve, VillasBôas Corrêa, Ricardo Kotscho, Tutty Vasques Zuenir Ventura

junho de 2006

ANTONIO CARLOS JOBIM - EM MINAS AO VIVO PIANO E VOZ. Show realizado no Palácio das Artes, em Belo Horizonte em 1981. Ainda tocado pela perda do poeta Vinicius de Moraes, Tom recriou de maneira emocionada algo essencial de seu cancioneiro e homenageou seus principais parceiros de vida e música. Só com o piano, Tom cantou, tocou e conversou, como se estivesse na sala de visitas de sua própria casa - ou na sala de qualquer um de nós. DVD VINÍCIUS. A vida, a obra, a família, os amigos, os amores de Vinicius de Moraes, autor de mais de 400 poesias e aproximadamente 400 letras de música. A essência criativa do artista e filósofo do cotidiano e as transformações do Rio de Janeiro, através de raras imagens de arquivo, entrevistas e interpretações de muitos de seus clássicos.

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