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seja bem vindo!


A primeira vez que ouvi a palavra “entropia” foi no meu filme favorito, Kill Bill, numa cena muito peculiar e auto-explicativa e não, não darei spoilers. Ao procurar sua definição, percebi que ela se encaixava muito na minha personalidade. Segundo o site Toda Matéria, “Entropia é a medida do grau de desordem de um sistema. É uma grandeza física que está relacionada com a Segunda Lei da Termodinâmica e que tende a aumentar naturalmente no Universo. A ‘desordem’ não deve ser compreendida como ‘bagunça’ e sim como a forma de organização das moléculas no sistema. O conceito de entropia às vezes é aplicado em outras áreas de conhecimento com esse sentido de desordem, que mais se aproxima do senso comum.”


entropia

entropia


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Sou glit ter e cin zas Sou água fer vendo por causa do fogo Sou pena voando por causa da tempestade Sou loucura correndo pelo chão da razão Sou lágrima que contorna o sorriso Sou azul e rosa Sou tantas coisas que as vezes não me sinto nada


Olho para dentro de mim e vejo duas pessoas: uma corajosa, sem papas na língua, sexy e até um pouco vulgar com uma necessidade latente de ser vista, de ser amada, de ser provocada e também de provocar. A outra, fechada e retraída, é melancólica, cheia de temores, ressabiada, com cicatrizes e bagagens que a prendem no escuro. Essas duas personas lutam entre si para ver quem vai tomar posse das situações e no final, acabo não sendo as duas. Ou nenhuma.


Minha libido é tenaz, rígida e feroz: amo sair do conforto, mas me sentindo confortável o suficiente pra isso. Não espero amores que não vem, barzinhos que nunca saem dos dois riscos, palavras que encham o peito de ilusões ou carícias que provocam arrepio de 3 segundos. Eu mesmo me toco, eu mesmo me beijo, eu mesmo me consolo e eu mesmo me trinco, tantas vezes a ponto de tontear. E cair. E levantar. E correr. E cair... num ciclo vicioso.


Aprendi a ser muralha feita de plantas trepadeiras, a me enroscar entre meus galhos e me fazer resistente. Aprendi a olhar pra mim como olho para Adônis. Aprendi a guardar as lágrimas pra pintar meus quadros com aquarela. Aprendi a brigar com minha própria mente quando ela diz aquilo que eu não preciso ouvir e a me calar diante ao que, de fato, preciso. Se me quebro, me refaço. Se me atingem, logo multiplico. Canso, deito, respiro, durmo... e acordo pronto pra outra. Mais um dia. Mais uma hora. Mais um grito. Até eu me refugiar em meus próprios galhos de novo e me fazer muralha novamente.


Essa é minha entropia. Ou pela menos minha tentativa de resumir pra vocês, em palavras e imagens. Mande esse zine pros seus amigos, pra conhecidos ou até mesmo para desconhecidos, caso tenha se identificado. Quem sabe eles também não possam se identificar? Lembrando que sou artista independente e qualquer curtida, compartilhamento ou demonstração de afeto ajuda demais e funciona como combustível pra eu continuar aqui: vivo e criando.


XO XO


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@visualgabe ZINES nº1 - ENTROPIA  

Primeiro volume da série de Zines criada por mim, Gabe Moreira. A série tem como objetivo ser uma jornada de expressão e de experimentação p...

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