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DESTAQUES MINUTOS QUE VALEM OURO A psicóloga do ECB dirige-se aos pais Página 4

CONTOS MÁGICOS Festival Internacional Página 6

externatobenedita.net

CIENCIA EN ACCIÓN 8 - CONCURSO INTERNACIONAL

ECB ALCANÇA PRIMEIRO LUGAR

OS NOSSOS TALENTOS 1ª Gala de Talentos do ECB Página 7

As professoras Patrícia Azinhaga e Paula Castelhano, que entre os dias 19 e 21 de Outubro estiveram em Espanha a representar a escola na final do concurso “Ciencia en Acción 8”, voltaram a Portugal com um 1º prémio, tendo apresentado em Saragoza um modelo analógico a que chamaram “Dinâmica de um Rio” e que simulava um caudal fluvial. Com este trabalho, as duas professoras

ganharam o 1º prémio na modalidade de Laboratório de Biologia e Geologia, no valor pecuniário de 1500 euros. «Esta vitória», afirmam as duas professoras, «é a prova de que se podem ensinar conceitos complexos com muita simplicidade. Este é um trabalho que pode ser feito por qualquer professor, em qualquer estabelecimento de ensino, com recurso a materiais de fácil acesso. Outra das suas vantagens é que pode ser apresentado, com a mesma eficácia, a alunos de diferentes níveis etários». Depois de uma experiência que reconhecem ter sido muito interessante, Patrícia Azinhaga e Paula Castelhano consideram este prémio «um incentivo para continuar a trabalhar em formas de ensino alternativas que consigam estimular, até nos alunos mais desinteressados, o gosto pela Ciência». Professora Patrícia Azinhaga

INTERNET SEGURA Prevenir, acompanhar Página 8

TGV População de Alcobaça protesta Página 9

ENTREVISTA A ARMANDO BALTAZAR «Os Beneditenses são progressistas…» Página 11

ALTA ENTRE VISTAS Univ. Coimbra: Património da Humanidade?

Viagem até ao fim do mundo

Página 12

GAMBUZINOS REGRESSAM AOS PALCOS! “Com o nascimento do herói – aqui baptizado Hans – começa a peça.” Uma peça marcada por uma constante e iminente luta – a luta do amor – capaz de nos prender ao palco durante cerca de duas horas. Com um cenário caracterizado pela pouca presença de elementos figurativos, e acolhendo muitas entradas e saídas de personagens, a peça retrata um amor e um casamento proibidos. Hans (Carlos Boita) é impedido, pelo rei, de casar com a princesa Solveig (Inês Grosa). Não conformado com tal imposição, aceita o desafio do rei e, durante sete anos, entra numa viagem “ao fim do mundo”. Acompanhado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, incumbido da oculta missão de assassinar o herói, Hans tinha como missão trazer os três cabelos de ouro do diabo para, em troca, ter a sua amada. Um objectivo alcançado… Todos os actores apresentaram uma prestação notável em palco. Tó Zé Rocha, que encarnava o Diabo, merece um especial destaque da nossa parte, pois conseguiu mostrar ao público, no final da peça, que afinal os diabos também podem ter

corações moles!... Mas nada melhor do que ver, para melhor entender… Mais uma vez os nossos parabéns a todo o elenco e, claro, não esquecendo todas as pessoas que nesta peça estão envolvidas, mesmo não dando cara no palco! O seu trabalho não é esquecido! Vejam… Vale a pena! André Perre, Cristiana Morais, João André e Susana Roxo, 11º B

PORQUE ENSINO XADREZ? «O xadrez para mim é uma filosofia de vida…» Página 18

TOQUE DE SAÍDA Trianual - Dezembro de 2007 Ano 3 - Número 6 - 1,00 € Director Alfredo Lopes Chefe de Redacção Soledade Santos Externato Cooperativo da Benedita Rua do Externato Cooperativo Apartado 197 2476-901 Benedita ecb.jornal@gmail.com


ANO 3 - Nº 6

TOQUE DE SAÍDA

EDITORIAL

SUMÁRIO

A ESCOLA, HOJE Vivemos hoje num espaço global em que o avanço científico e tecnológico obrigou a uma redefinição do homem e da sua circunstância. A globalização e o desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação definiram um novo contexto mundial e colocaram novos desafios aos Estados, às empresas e aos indivíduos. O conhecimento tornou-se a principal riqueza que pode levar à competitividade e aos desafios de um mundo em mudança. Em Março de 2002, o Conselho da Europa, reunido em Lisboa, definiu uma estratégia para os países da União Europeia, considerando o emprego, as reformas económicas e a coesão social como elementos fundamentais de uma economia baseada no conhecimento. Com a Estratégia de Lisboa, a UE propôs-se desenvolver mecanismos que tornem a sociedade europeia mais competitiva e mais dinâmica, com a finalidade de criar um desenvolvimento sustentável, de criar mais e melhor emprego e de desenvolver maior coesão social. Uma das medidas consagradas centrouse na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos em termos de educação, lançando novos desafios à escola. A progressiva democratização do ensino conduziu à sua massificação, e a educação tornou-se um valor universal. Mas a diversidade económica, social e cultural que caracteriza a escola a partir da segunda metade do século XX, não se revê nos currículos fechados e centralizadores, expressão de concepções ideológicas redutoras e unificadoras. Os currículos eram os instrumentos de que a escola dispunha para perpetuar um paradigma de transmissão de saberes. Mas, num mundo em constante mudança, tornam-se objecto de discussão. A escola não pode ser uma instituição que “subsiste em si mesma”, fechada ao mundo. Para além do conhecimento teórico e científico, o conhecimento “vivido”, adquirido nas vivências do aluno, torna-se igualmente importante e fundamental, e os currículos tornam-se dinâmicos, perdendo o seu carácter fechado. Como parte integrante da sociedade, os sistemas de ensino e a escola devem encontrar resposta para os problemas que se lhes colocam. A sua missão é garantir que as crianças e os jovens desenvolvam competências-chave e motivá-los para uma aprendizagem que não se confina à escola, mas que deverá ocorrer ao longo da vida. Numa sociedade competitiva, são mais aptos os mais competentes, isto é, os que têm maior capacidade de se adaptar a novas situações e de dar respostas eficazes e inovadoras. Por isso, a escola deve ser um espaço de formação para o exercício da cidadania, aberta à comunidade e ao mundo. Para além da aquisição de competências científicas e tecnológicas, a escola deve motivar os jovens para experiências estéticas, quer como participantes, quer como espectadores; deve propiciar condições para o seu desenvolvimento cívico, incentivandoos a colaborar em projectos ligados à co2

Escola viva munidade; deve fomentar o intercâmbio e a troca de experiências científicas e culturais com outras escolas, dentro e fora do país. A escola do século XXI deve ser uma escola aberta e exigente, preocupada em motivar os seus alunos para o desenvolvimento de novas competências, para a formação contínua, para a aquisição de novos conhecimentos e para o exercício da cidadania. De certa forma, retomamos hoje o conceito grego da Paideia – a educação como formação do homem concreto, do cidadão, enquadrado no seu tempo e participante activo na polis. As exigências civilizacionais são outras, a comunidade já não é apenas a cidade, mas o mundo. Porém, tal como no passado, ao formular e definir estratégias que respondam eficazmente às mudanças, a escola, enquanto espaço da educação, continua no centro de todas as discussões e tomadas de decisão. Implementar estes objectivos é a difícil tarefa que se nos coloca. A nossa escola, confrontada com a sua realidade, ao longo de quarenta anos de existência tem procurado responder aos desafios. Consciente de que deve educar e formar para um mundo em mudança e para uma sociedade cada vez mais competitiva, o ECB, no seu Projecto Educativo, estabeleceu como missão contribuir para o crescimento do aluno, orientando-o para que descubra, aprenda, crie, receba, partilhe, faça, aprenda a ser e a intervir com autonomia, flexibilidade, responsabilidade, solidariedade e sentido crítico, no mundo de que faz parte.

Mais um ano lectivo

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Acontecendo

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Minutos que valem ouro

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Uma escola transparente

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Recolha de alimentos

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Projecto Viver a Escola

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Encontros de Educação Especial

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Cursos Profissionais

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Quem foi Isac Newton?

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1º Gala de Talentos ECB

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Ano Vieirino

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Memorial no Convento

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A Pirâmide

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Notícias da Física e da Química

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Olhar Circundante Baía de S. Martinho do Porto mais limpa

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TGV - População de Alcobaça rejeita traçados

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Entrevista a Armando Baltazar

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A probreza tem um rosto de mulher

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Terrorismo e ética

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Tomboco - Angola

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Arte e Cultura Festival Intenacional de Contos Mágicos em 2007 Sugestão de Leitura – Combateremos a Sombra

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Sugestão de Leitura – O Silêncio dos Livros

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Exposição Alta Entre Vistas

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Alta Entre Vistas - Reflexão

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Sugestão de Leitura – A Rapariga das Laranjas

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Do pensamento crítico à crítica do pensamento

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Crítica literária – O Monte dos Vendavais

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2007 - Centenário de Hergé

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A Noite Estrelada, de Van Gogh

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A Direcção Pedagógica do Externato Cooperativo da Benedita

Ciência, Tecnologia e Ambiente

Director do Jornal: Alfredo Lopes Redacção: Deolinda Castelhano Luísa Couto Soledade Santos (Chefe de redacção) Teresa Agostinho Marketing e vendas: Maria José Jorge Composição gráfica: Nuno Rosa Paulo Valentim Samuel Branco Equipa de Reportagem: Acácio Castelhano Ana Duarte Clara Peralta Fátima Feliciano Graça Silva José Cavadas Laura Boavida Maria de Lurdes Goulão Miguel Fonseca Sérgio Teixeira Valter Boita

Navegar na Internet de forma segura

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Projecto Casas-Ninho

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Observatório da Natureza

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O Lugar da Memória Casamento na antiga Igreja Paroquial

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A Praça, o ABCD e a Água

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Recriar o Mundo Meu Pé de Laranja Lima

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Trilhos de emoções

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A Escola é Fixe

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Sol metáfora da vida

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À maneira dos trovadores medievais

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Gostava que a poesia fosse fácil

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Mente Sã em Corpo São Porque ensino xadrez?

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Academia de xadrez

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Enigmas

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Saúde, nutrição, exercício físico e envelhecimento

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Projecto Viver+

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Notícias de Educação Física

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Culinária - Brindeiras doces dos Santos

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Impressão: Relgráfica, Lda Tiragem: 500 exemplares Preço avulso: 1,00 € ESCOLA VIVA


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TOQUE DE SAÍDA

MAIS UM ANO LECTIVO… ACONTECENDO Teatro, promovido pelas professoras de Português: no auditório do CCGS, “Auto da Barca do Inferno”, a 10 de Dezembro, para o 9º Ano; 18 de Maio, “Falar Verdade a Mentir”, para o 8º Ano; “Frei Luís de Sousa”, para o 11º Ano, no 2º Período. O 12º Ano assistirá em Gaia à peça “Felizmente Há Luar!”, pelo Teatro Experimental do Porto. Olimpíadas de Matemática: 1ª Eliminatória, 14 de Novembro; 2ª Eliminatória, 9 de Janeiro; Final, 13 a 16 de Março na Escola Secundária José Falcão, em Coimbra. IV Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos: dia 29 de Fevereiro, na Universidade do Minho. Os alunos devem informar-se atempadamente junto dos respectivos professores de Matemática.

No presente ano lectivo matricularam-se no ECB 1235 alunos no ensino diurno, distribuídos por 53 turmas do Ensino Básico e Secundário, e 69 alunos no Ensino Nocturno. À semelhança dos anos anteriores, iniciámos as actividades recebendo os novos alunos e os seus encarregados de educação no auditório do Centro Cultural Gonçalves Sapinho. Esta sessão de boas-vindas foi presidida pelo director pedagógico, Dr. Alfredo Lopes, e contou com a presença da directora do 3.º Ciclo, da coordenadora de ano e dos directores de turma do 7.º Ano. O director, depois de saudar os presentes e de lhes desejar um bom ano de trabalho, apelou aos alunos para o cumprimento das regras de funcionamento do Externato e para a desejada cultura de excelência alicerçada no empenho e na colaboração de todos. Finda a sessão, o director reuniu apenas com os pais e encarregados de educação, dando-lhes a conhecer as linhas orientadoras do Projecto Educativo, enquanto os directores de turma acompanharam os seus alunos numa visita guiada às instalações da escola, depois da qual reuniram com as respectivas turmas, a quem prestaram todos os esclarecimentos acerca da escola e do novo ciclo de ensino que iniciam. Os outros anos de escolaridade foram também recebidos pelos seus directores de turma, segundo calendário previamente divulgado. Nos dias 24, 26, 31 de Outubro e 2 de Novembro, tiveram lugar os Conselhos de Turma Intercalares. A maioria destas reuniões decorreu sem prejuízo de aulas e, quando tal não foi possível, os alunos tiveram à sua disposição um conjunto diversificado de actividades planeadas pelo clube “Viver a Escola”. As reuniões intercalares visam essencialmente um melhor conhecimento dos alunos a nível sócio-afectivo e académico, com vista à detecção de potencialidades e de dificuldades, ESCOLA VIVA

para que os conselhos de turma possam gizar e adequar estratégias que respondam às situações diagnosticadas. É nestes conselhos de turma que se delineia o Projecto Curricular de Turma, que se planificam os apoios, os projectos, as visitas de estudo, em suma, as actividades que a turma deve concretizar ao longo do ano, numa perspectiva integrada e multidisciplinar. Nestas reuniões são indicados os alunos que disporão de apoio: tutorias, apoio pedagógico acrescido, Gabinete de Dificuldades Específicas de Aprendizagem, “Aprender a Aprender”. Este ano foi ainda introduzido o desdobramento de um bloco de 90 minutos a Língua Portuguesa e Matemática no 9º Ano, bem como a criação, nas mesmas disciplinas, de pares pedagógicos no 7º Ano. O Quadro de Mérito mantém-se em funcionamento como forma de reconhecer o merecimento e o empenho dos alunos, e de divulgar na comunidade comportamentos de excelência que sirvam de incentivo. Implementando o seu Plano Tecnológico, o ECB continua a investir na aquisição de equipamento, como computadores portáteis e quadros interactivos; no alargamento da ligação à Internet; no desenvolvimento da plataforma Moodle; e na formação em TIC de professores e pessoal não docente. Damos também continuidade ao processo, iniciado no ano anterior, de avaliação do ECB através do método CAF (ferramenta de gestão da qualidade inspirada no Modelo de Excelência da União Europeia): concluído o diagnóstico do desempenho da nossa escola e definidas as medidas de melhoria prioritárias, avançamos este ano para a sua execução, num esforço que congrega todos os docentes e todo o pessoal não docente do ECB. A equipa da Escola Viva

A 15 de Novembro, em parceria com a Fundação do Gil (que presta apoio a crianças em situação de doença prolongada), sessão de esclarecimento acerca da missão da fundação, promovida pelos alunos de EMRC do 12º Ano. Corta-mato, a 21 de Novembro, organizado pelo grupo de Educação Física, e aberto à participação de todos os alunos. A 28 de Novembro, conferência intitulada “Os Perigos da Internet”, por um inspector da PJ de Coimbra, destinada a sensibilizar os jovens para a utilização segura da Internet. Também em Novembro, visita dos alunos de Artes a Madrid, ao Centro de Arte Reina Sofia, onde se expõe uma mostra do trabalho da pintora Paula Rego. Duas horas na cozinha: o clube Saberes e Sabores realiza em cada mês actividades culinárias com grupos de alunos. Dinamizadas pelos professores de EMRC e pelo Projecto Crescer, a comemoração do S. Martinho e a celebração do Natal, em colaboração com alunos e encarregados de educação. Sob orientação dos professores de Educação Visual, os alunos do 3º Ciclo elaboram as decorações de Natal que embelezam a nossa escola nesta quadra. O “Projecto Crescer” desenvolve ao longo do ano sessões para pais e alunos, orientadas para as relações interpessoais, a segurança, saúde e bemestar, sexualidade, consumo, educação ambiental… O I Festival de Xadrez do ECB decorre ao longo do ano lectivo, incluindo actividades diversas destinadas a promover o convívio entre xadrezistas e a divulgação da modalidade.

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ANO 3 - Nº 6

TOQUE DE SAÍDA

MINUTOS QUE VALEM OURO Apresentar sugestões para um decorrer de ano lectivo sem, ou com o mínimo de sobressaltos, é uma tarefa quase impossível, dado o elevado número de factores que nele intervêm. Mas o acompanhamento que os pais darão aos seus filhos será com certeza um poderoso determinante para o sucesso escolar. Pretendemos, com este primeiro artigo destinado ao tema, pedir aos pais que reflictam sobre o acompanhamento que prestam aos filhos em idade escolar e que procurem aumentar a sua participação nas actividades da escola. Com calma e boa vontade, vão descobrir minutos que valem ouro.

tam directamente o seu filho, muito mais do que pensa – se não gosta de uma disciplina, seja cuidadoso e, acima de tudo, discreto nas suas opiniões.

• Reserve um período específico do seu tempo, todas as semanas, para estar com o seu filho. Durante este tempo, dê-lhe total atenção e afecto.

• Os pais podem determinar regras, como: “Nada de TV até que a tarefa esteja concluída”: Durante a realização do TPC, desligue o rádio e a TV; ajude o seu filho a planear a gestão do tempo; enquanto ele estiver a fazer as tarefas escolares, aproveite para fazer também alguma coisa (pode ler e trabalhar com ele) e, quando a tarefa estiver concluída, podem conversar sobre o que acabaram de fazer; ensine-o a fazer as tarefas mais difíceis primeiro e a deixar as mais fáceis para quando já estiver cansado; faça o que é mais necessário em primeiro lugar.

• Use o tempo do trajecto até à escola para conversar com o seu filho. • O hábito da leitura não é espontâneo, precisa de ser cultivado: Tente quebrar as regras da hora de ir para a cama: uma vez por semana, nos fins-de-semana – deixe que o seu filho saiba que pode ficar acordado até à hora que quiser, desde que fique a ler na cama; ajude-o a começar a sua própria biblioteca; encoraje-o a trocar livros com os amigos; dê-lhe livros de presente; deixe que o seu filho o veja a ler; crie em casa um horário de leitura; durante esse horário, todos, na família, se sentam para um tempo de leitura, livre de interrupções. • O melhor remédio ainda é a prevenção. É seu dever saber o que ele anda a fazer: Tente dar uma vista de olhos ao material de estudo e coloque-lhe questões para ele estudar, simulando testes; fale com a escola “durante os tempos de tranquilidade”, antes que os problemas surjam; seja cuidadoso, pois as suas atitudes em relação à escola afec-

• O acto de ajudar nos TPC cria no seu filho uma sensação de confiança: Proponha-lhe uma aposta contra-relógio; estipule um tempo e mostre-lhe quanto tempo levou a executar a tarefa; mas seja flexível, permita-lhe um tempo extra; não serão necessários prémios, há uma grande satisfação em conseguir realizar o trabalho no tempo previsto; reserve um local regular para o seu filho fazer o TPC.

• Verifique o TPC do seu filho todos os dias e elogie os bons trabalhos. O seu interesse vai motivá-lo. Resumindo, tudo simples e óbvio. Mas pode marcar a diferença. Um ano lectivo cheio de sucesso para todas as famílias! Margarida Ferreira, Psicóloga do ECB

UMA ESCOLA TRANSPARENTE “A edição deste Anuário era inadiável, quer para instrução das gerações futuras, quer para dar a conhecer à Comunidade Educativa a excelência da qualidade das nossas instalações, dos nossos eventos, do nosso desempenho, do nosso ensino, dos nossos alunos… é por eles que nós existimos.” São estas as últimas linhas do Prefácio, assinado pelo Dr. Alfredo Lopes, Director Pedagógico do ECB, que abre o Anuário 2006/2007 da nossa Escola. Respondendo a um desafio lançado no início do ano transacto, um grupo de professores, em estreita colaboração com toda a comunidade escolar, deu à estampa um livro de vivências, não para mostrar como somos, mas para evidenciar como as circunstâncias nos obrigam a ser: as novas respostas aos problemas actuais, as novas exigências ao nível do processo de ensinoaprendizagem, as novas realidades sócioculturais, não esquecendo o papel de valorização da escola enquanto entidade de formação pessoal. Nas suas coloridas e ricas páginas, encontram-se a Escola e os seus órgãos de gestão, o pessoal docente e não docente, as actividades, os clubes, os projectos e os alunos, porque também aqui os últimos são os primeiros. Num contexto em que pairam no ar sinais de desvalorização social da escola e dos professores, esta edição pretende mostrar a escola tal e qual como a vivemos no dia a dia: transparente. E de que outra maneira podíamos fazer, se é assim que a entendemos? Professor Ricardo Miguel

RECOLHA DE ALIMENTOS A

Sorriso Amigo continua a levar a efeito a campanha de recolha de alimentos destinada a amenizar o sofrimento de muitas famílias na época de Natal. Aproveitamos para agradecer a todos aqueles que tornaram possível esta iniciativa: alunos, comerciantes e comunidade em geral, lembrando que são “todas estas pequenas gotas que enchem o oceano”. A todos vós, o nosso muito obrigado e votos de um solidário e santo Natal.

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Associação

PROJECTO VIVER A ESCOLA

O Externato Cooperativo da Benedita tem oferecido aos alunos do Ensino Básico, no final do ano lectivo, um conjunto de actividades que decorrem na “Semana Cultural”e que têm tido um número considerável de participantes nos ateliers

dinamizados por alguns professores da escola. No presente ano lectivo, inicia-se o projecto Viver a Escola, coordenado pela professora Helena Rodrigues em colaboração com as professoras Lina Afonso e Luísa Couto, que visa dinamizar actividades culturais, lúdicas e desportivas nos momentos em que, por força de reuniões de avaliação, ocorrem interrupções de actividades lectivas. Assim, nos dias 2 de Novembro, 14 de Dezembro, 1 de Fevereiro, 14 de Março, e na semana de 9 a 13 de Junho, os

alunos dos ensinos básico e secundário poderão participar nas diversas actividades que serão divulgadas em locais visíveis no espaço da escola e também na página do Externato. Os objectivos que presidiram à criação deste projecto enquadram-se no Projecto Educativo da Escola e têm em vista o desenvolvimento biopsicossocial dos alunos, a criação de hábitos de frequência de actividades culturais e desportivas, a melhoria do ambiente educativo e o reforço da ligação com a comunidade.

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ANO 3 - Nº 6

TOQUE DE SAÍDA

ENCONTROS DE EDUCAÇÃO ESPECIAL

Primeiro Encontro No passado dia 5 de Setembro, no auditório do Centro Cultural Gonçalves Sapinho (CCGS), decorreu a Jornada de Educação Especial intitulada “Consola vs Escola, da Perplexidade à Intervenção”, cuja organização esteve a cargo do Gabinete de Dificuldades Específicas de Aprendizagem do Externato Cooperativo da Benedita. O evento teve um duplo objectivo: sensibilizar o público-alvo (educadores, professores e encarregados de educação) para a importância da contemplação das Dificuldades de Aprendizagem em casa e na escola; e partilhar conhecimentos sobre temáticas específicas: dislexia, hiperactividade, memória, consciência fonológica, competência comunicativa… O público (cerca de 140 pessoas) pôde assistir a seis comunicações, três de manhã e três à tarde, de teor teórico-prático. A começar, o Doutor Vítor Cruz, da Faculdade de Motricidade Humana, brindou os presentes com conhecimentos relativos à dislexia enquanto perturbação do desenvolvimento da

linguagem com origem em alterações biológicas, realçando a componente neurobiológica. De seguida, a Doutora Fátima Trindade, técnica do Centro de Intervenção da Malveira, reforçou a importância de uma actuação consistente a nível psicopedagógico. A última comunicação da manhã, a cargo da Psicóloga do ECB, teve como tema central a importância da avaliação psicológica para o estudo das capacidades intelectuais, do funcionamento emocional e afectivo e das componentes interpessoais e motivacionais. À tarde, a pediatra da consulta de desenvolvimento do Hospital de Stº André, em Leiria, Dr.ª Arlete Crisóstomo, esclareceu os presentes acerca dos objectivos daquele tipo de consulta: a avaliação global da criança do ponto de vista holístico, ou seja, através de um diagnóstico médico e de uma avaliação das capacidades, potencialidades e dificuldades da criança, perspectivar uma intervenção e melhorar as competências. Posteriormente, foi possível ouvir os conselhos extremamente úteis da Mestre Inês Silva, professora de Português do ECB, que deu ênfase à urgência do colmatar as dificuldades de escrita dos alunos, sendo ou não disléxicos. Na sua perspectiva, poder-se-á trabalhar o código “fixo” da ortografia de forma metódica, com estratégias adequadas, contrariando a ideia de que os alunos apreendem o desenho da imagem gráfica de uma palavra pela leitura. A última comunicação, da responsabilidade da Mestre Paula Cristina Ferreira, professora de Português e Francês do ECB, realçou a necessidade de prevenção das dificuldades, apresentando a importância do treino estruturado e planificado da consciência fonológica, no ensino pré-escolar, enquanto desenvolvimento da expressão oral e incremento da competência emergente da leitura e da escrita.

CURSOS PROFISSIONAIS O Externato Cooperativo da Benedita tem este ano lectivo em funcionamento dois Cursos Profissionais. Abriram duas Turmas do Curso Profissional de Comunicação, Marketing, Relações Públicas e Publicidade, e uma outra do Curso Profissional de Informática de Gestão. Os Cursos têm uma estrutura modular e incluem a realização de uma Prova de Aptidão Profissional e um alargado período de Formação em Contexto de Trabalho (Estágio), de molde a poderem proporcionar aos alunos o 12º ano de escolaridade e uma certificação profissional de nível III. Trata-se de um novo paradigma de ensino que substitui os Cursos Tecnológicos, agora em extinção, que prepararam gerações de jovens que têm constituído uma parte muito considerável e qualificada do tecido técnico e económico de toda a região. Este é um desafio pedagógico acrescido que vai exigir novos modelos organizacionais e a colaboração empenhada de toda a comunidade escolar, desde logo os alunos e suas famílias, pois que se pretende que os estudantes adquiram não só uma sólida formação técnica, mas também relacional e social, terminando o Ensino Secundário com as capacidades necessárias para uma boa integração no mercado de trabalho.

Um longo dia de trabalhos… informação pertinente veiculada… interesse manifestado… e por isso mesmo profícuo. Os verdadeiros beneficiados serão, indubitavelmente, os alunos que usufruirão das estratégias pedagógicas adequadas às suas capacidades de aprendizagem.

Segundo Encontro No dia 17 de Outubro, o Gabinete DEA-LE encerrou o ciclo de encontros de Educação Especial previsto para o início do ano lectivo 2007/2008. Após as aulas da manhã, cerca de 140 professores da região puderam participar numa Acção de Formação sobre o novo Plano Educativo Individual que passará a denominar-se Programa Educativo Individual, após a publicação da nova legislação relativa aos alunos com Necessidades Educativas Individuais. Esta palestra esteve a cargo da Dr.ª Filomena Pereira, do Gabinete de Educação Especial, do Ministério da Educação. Pretendeu o Gabinete DEA-LE, com esta acção, que educadores e pais pudessem obter informação directamente do Ministério da Educação sobre o novo instrumento de trabalho e acerca da CIF (Classificação Internacional para a Funcionalidade) que é um documento extremamente complexo, exigindo uma equipa multidisciplinar com o objectivo não só de caracterizar as inabilidades dos jovens, mas também as suas competências e funcionalidades. Pretende-se que a tríade, forte e coesa, – aluno com NEE, Família e Escola – lute afincadamente pelo sucesso do aluno de hoje, futuro cidadão activo de amanhã. Professora Paula Cristina Ferreira

Quem foi

ISAAC NEWTON

Físico e matemático inglês, nasceu em Lincolnshire, em 1642, e morreu em Middlesex, em 1727. Newton é conhecido pela formulação das três leis do movimento, consideradas os princípios da Física moderna, de onde resultou a formulação da lei da gravitação. Os trabalhos realizados sobre a teoria da gravitação foram expostos na obra “Philosophiae Naturalis Principia Mathematica”, publicada em 1687, onde Newton mostra que a lei da gravitação é universal. Como matemático, inventou o cálculo infinitesimal e descobriu o teorema do binómio. Em 1668 completou o seu primeiro telescópio de refracção, com que observou os satélites de Júpiter. A partir de 1672, passou a fazer parte da Royal Society, onde apresentou a sua teoria intitulada Nova Teoria sobre a Luz e a Cor, na qual enuncia que a luz branca é composta por muitas cores, tendo chegado a este resultado através de um prisma óptico. Todas as suas investigações sobre a luz e a cor foram reunidas na obra “Óptica”.

A Directora de Ciclo dos Cursos Profissionais

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TOQUE DE SAÍDA

Benedita e Arredores!

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CONTOS MÁGICOS EM 2007

Este evento, iniciado no primeiro dia de Setembro, terminará efectivamente com a edição de um calendário para 2008 (com ilustração/texto e CD rom) que publicitará os premiados no concurso Lendas sem Fronteiras. Trata-se de uma parceria entre a Terra Mágica das Lendas, a cooperativa cultural da Benedita promotora do Festival, e a Biblioteca Municipal de Alcobaça. No Simpósio inaugural LENDAS, IDENTIDADES E TURISMO CULTURAL, moderado por Pedro Penteado e presidido pelo presidente da CMA, José Gonçalves Sapinho, também membro dos corpos sociais da Terra Mágica, colaboraram os seguintes especialistas: Fernanda Frazão (Lendas), J. Sirgado (Turismo Cultural), Adriano Monteiro (D. Fuas Roupinho) e Cristina Taquelim (contadora de histórias). E a arte de contar histórias ficou ainda demonstrada pelos conhecidos mestres A. Fontinha, A. Castanheira, J. Craveiro; e a sua animação através dos grupos Macapi de Almada e as Contrabandistas de Oeiras (em Leiria), ora dirigida mais a crianças, ora a adultos. A prata da casa brilhou com as intervenções de Henriqueta Beato de Oliveira, Dulce Silva, Áurea Mata e pela associada da Terra Mágica, Vanda Marques, com “O amor de Pedro e Inês, contado aos pequenotes”. A transmissão destas “mágicas” teve palco em Turquel, numa oficina de um dia com vinte participantes, orientada por Liliana Lima. Todas as grandes e pequenas salas de espectáculos receberam peças de teatro de profissionais e amadores, regionais e da Galiza. De Lugo chegou-nos a história lendária da famosa Maria Peres, a Balteira, pelo grupo Achádego que actuou no Teatro Chaby Pinheiro e no Centro Cultural Gonçalves Sapinho. Esta participação foi um intercâmbio com Os Gambuzinos que levaram à cena,

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na cidade da Muralha, património da Humanidade, a adaptação de “Os três cabelos de oiro do diabo”, um conto dos Irmãos Grimm, adaptado e encenado, para este Festival Internacional de Contos Mágicos, com o título “Viagem até ao fim do mundo”. O repertório atrás descrito encadeou-se de 1 a 9 de Setembro nos concelhos de Alcobaça e da Nazaré, nos rostos iluminados de diversos especialistas, contadores de contos, actores, bailarinos e bonecos de luva e de fios. “A Dama de Pé de Cabra”, “Duetos de Amor – Missa Crioula”, “A culpa foi de Inês”, “O canto do cisne”, “Confusão de Maria Balteira”, “A lenda de D. Fuas Roupinho” e “Viagem até ao fim do mundo”, estiveram a cargo de Antónia Terrinha, CêDêCê, S.A. Marionetas, O Nariz, Achádego, Teatro em Curso e Os Gambuzinos, respectivamente. Grande parte do apoio financeiro angariado aplicouse na produção de dois espectáculos maravilhosos e muito diferentes: a peça “Viagem até ao fim do mundo”, encenada pelo actor berlinense L. Hollburg, na Benedita, e “D. Fuas Roupinho”, no Sítio-Nazaré. Foi um trabalho generoso e magnífico de cerca de três dezenas de jovens estudantes e trabalhadores na Benedita, e de alguns profissionais de Lisboa e de Leiria que, durante os meses de Julho e Agosto, de boa vontade trocaram as férias pelo trabalho cultural. Estiveram apoiados por um grupo também excelente de técnicos e responsáveis que asseguraram o guardaroupa, a iluminação, o som e a publicidade. Houve composição de música original e uma enorme boa vontade, em ofertas de privados e cedências de pessoas individuais, para suprir falhas de materiais e adereços necessários. Apesar da questionada data do Festival exigir um esforço redobrado, movimentando quase meia centena de pessoas, conseguiuse cumprir um calendário rigoroso desde o

final de um ano lectivo, sempre esgotante! Fazer a tradução do texto alemão, discutirse o mesmo, a sua cenografia e dramaturgia com o autor e encenador, providenciar actores e ensaiar, respeitando o planeamento dos horários para ensaios ... Mas as pessoas satisfizeram a proposta do encenador, nada fácil em termos de exigências técnicas e de cenografia. A encenação tira partido exaustivamente do espaço físico da sala do Centro Cultural, intensificando uma interacção bem doseada entre aproximações e distanciações com o público, que se podem verificar em risadas saudáveis das crianças mais pequenas em certos momentos e dos adultos noutros. Este facto desafia ainda mais os actores quando têm de representar fora desse espaço. Isso já aconteceu no Cineteatro de Alcobaça e em Lugo onde o repto foi total, mas com boa vontade sempre se consegue. A frescura dos actores, as cores do guarda-roupa, a beleza da representação dos animais em cena, sobretudo do incansável cavalo, as subtilezas do vilão, enfim, um conto tradicional num contexto multicultural deixa-nos a pensar nas dificuldades que há por resolver neste mundo e mostra-nos que o herói, lutando pela sua princesa, conseguiu ajudar ao mesmo tempo todos os que no percurso dessa caminhada se lhe depararam. O “D. Fuas Roupinho”, espectáculo de rua, concebido e desenhado por A. Terrinha, que simultaneamente encerrou o Festival e as festas de Nossa Senhora da Nazaré, proporcionou uma noite inesquecível às quase setecentas pessoas que encheram o Largo em frente da basílica e da capela da memória, no Sítio. Foi daí que ‘apareceu’ Nossa Senhora. As velas que cada um tinha recebido acenderam-se repentinamente como que por milagre! Ouviram-se cânticos e uma procissão, tal círio renascido, recolocou os seus olhares ao local inicial, ao cimo da escadaria, onde em vez do relator da lenda está agora a Virgem sob um céu estrelado de Setembro. Aí a comoção abateu-se sobre os presentes quando, após os aplausos, A. Terrinha, dedicou o seu trabalho à sua mãe que, do cimo, em qualquer estrelinha, a podia estar a ver, e à sua filha, também uma das crianças ‘actrizes’ que fazia nesse dia cinco anos. Todos os que colaboraram neste evento estão de parabéns e a todos eles dirijo estas linhas, incluindo a imprensa que nos ajudou, pedindo desculpa de não os nomear, pois o espaço não chegaria. Contudo, há que mencionar, no mínimo, três pessoas: professora Dalila Sousa, professor J. Saramago e Dr. Alfredo Lopes, Director do Externato Cooperativo da Benedita. Bem-hajam! Professora Lúcia Serralheiro Presidente do Conselho Executivo da EB2 da Benedita

ARTE E CULTURA


ANO 3 - Nº 6

TOQUE DE SAÍDA

Os nossos talentos!

1ª GALA TALENTOS ECB No dia 30 de Junho, pelas 22h15m, teve início aquela que viria a ser uma noite diferente para todos. A noite em que muitos de nós descobriram que, para além de alunos, existem talentos escondidos aqui bem perto de nós. A 1ª Gala Talentos ECB começou com Dimitri Scoropad que, ao piano, surpreendeu todos os que assistiram, perplexos, a tamanho virtuosismo. Da música para as artes visuais, a Ângela Santos mostrou a sua forma de sentir o desenho, a pintura e a fotografia. E é a vez da Patrícia Felizardo aparecer, descendo de um baloiço para mostrar que sabe dançar, que gosta de dançar e que a dança irá estar sempre ligada à sua vida. Quando surgiu na tela o 20 a Matemática do Pedro Rodrigues, toda a plateia aplaudiu. Ele gosta do desafio que as disciplinas da área das Ciências lhe proporcionam, gosta de estudar para alcançar objectivos, e nos tempos livres é ao xadrez que se dedica. “Assim como o teatro não desapareceu com o cinema, os livros também não hão-de desaparecer com a Internet” – foi assim que a Margarida Costa, a nossa escritora, mostrou a paixão pelos livros e pela escrita. Ela não compreende como é que para alguns dos seus colegas e amigos ler um livro é tão aborrecido... Mas a plateia estremece, acaba de subir ao palco o rapaz que gosta de fazer rir os outros. Paulo Batista, com um sotaque muito british, pôs o público ao rubro com a sua “Universidade de Carvalhal”. A empatia com o público provou que este senhor nasceu para o palco. E sobre rodas continuou o es-

pectáculo, desta vez com o Diogo Rafael, de Turquel, o nosso internacional que joga hóquei em patins desde que “nasceu”. Joga no Benfica e sonha vir a representar o Barcelona e a nossa Selecção Nacional. Começam a ouvir-se umas batidas, chamam-lhe beatbox, mas aqui a caixa é outra, é bem natural, sem o auxílio de

Os 12 Finalitas: Diogo Rafael, Daniel Lopes, Flávia Grilo, Pedro Henriques, Ângela Santos, Margarida Costa, Patrícia Felizardo, Patrícia Silva, Dimitri Scoropad, Paulo Batista. Em baixo: Miguel Luís e Fábio Santos

qualquer caixa de ritmos – o Daniel Lopes compõe uma música de forma surpreendente. Consegue ainda mostrar um pouco mais da cultura hiphop, com uma coreografia de breakdance. O seu sonho é participar na BCOne. A timidez da Patrícia Silva desaparece quando lemos os seus poemas, é aí que ela consegue mostrar o que sente naquele dia, àquela hora. Como ela diz, “há dias em que as palavras encaixam na perfeição”. Um dos seus

ANO VIEIRINO Em 2008, quando se cumprem 400 anos sobre o nascimento do Padre António Vieira, a Universidade Católica de Lisboa, a Universidade de Lisboa e a Companhia de Jesus promovem o Ano Vieirano, em memória e celebração desta figura ímpar da nossa cultura. A iniciativa incluirá acções de divulgação da vida, da obra e do pensamento de Vieira, «imperador da língua portuguesa», como lhe chamou Fernando Pessoa, e homem de todos os tempos. As instituições organizadoras convidam escolas e outros organismos a juntarem-se a esta celebração. Mais informações em: http://www.anovieirino.com

ESCOLA VIVA

sonhos era poder editar um livro. Com a guitarra sempre às costas, o Miguel Luís mostra-nos como esse instrumento pode ser explorado, e conquista, com a sua capacidade de improviso, o público presente. As palmas ouviam-se compassadas com a música original que compôs para este espectáculo. Outras músicas virão,

mas para bebés, como ele tanto deseja. Ao som de Hakuna Matata do conhecido filme “Rei Leão”, ficámos a conhecer o trabalho da Flávia Grilo, amante da banda desenhada. O preciosismo dos seus desenhos a lápis de cor (material preferido) não deixou ninguém indiferente. As palmas ouviam-se à medida que caricaturas (outra paixão) apareciam. Um Hamlet em banda desenhada vem a caminho, é o grande projecto do momento

desta aluna que, quando não está a estudar, é a desenhar que se sente bem. Foi ao Fábio Santos, aluno do ESUC, que coube a responsabilidade de terminar a apresentação dos doze finalistas. O Fábio sonha ser coreógrafo e diz que a dança é o seu oxigénio. Com uma apresentação bem trabalhada em termos coreográficos (grande preocupação no estudo dos passos, luzes e da música), conseguiu cativar o público, e a votação que se seguiu assim o comprovou. Durante o processo de votação, os finalistas subiram ao palco e tiveram uma surpresa, a banda The Gift, de Alcobaça, tinha-lhes deixado uma mensagem especial de esperança e persistência para a concretização dos seus sonhos. Após a recolha dos talentos (denominação dada na Antiguidade ao dinheiro), que neste espectáculo tinham a forma de pedras decorativas, estavam encontrados os vencedores da 1ª Gala Talentos ECB: 1º lugar, Fábio Santos; 2º lugar, Miguel Luís; e em 3º lugar, Flávia Grilo. Foram entregues bolsas a todos os participantes. A Comissão de Talentos agradece a colaboração do Grupo de Educação Física, ao Clube Corel, aos alunos Carla Serralheiro e João Prisciliano pela apresentação do espectáculo, ao Júri convidado e ao incansável Sr. Baltazar, entre muitos que nos apoiaram e permitiram que este projecto se pudesse concretizar. Até 2009! Professora Rita Pedrosa

MEMORIAL NO CONVENTO Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez um homem que há 25 anos resolveu contar a história. Era uma vez um Palácio que abriu as portas para ouvir contar tudo aquilo… Assim se pode ler no folheto que divulgou as comemorações, em 17 de Novembro, na mesma semana em que o escritor completa 85 anos, da 1ª edição do romance de José Saramago, “Memorial do Convento”, comemorações que reuniram, além de um público fascinado pelos imponentes edifícios – o literário e o arquitectónico – historiadores, arquitectos, musicólogos, literatos. E também actores do Teatro Nacional D. Maria II, numa excelente recriação e encenação do romance.

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TOQUE DE SAÍDA

NAVEGAR NA INTERNET DE FORMA SEGURA A Internet, classificada por muitos como a invenção mais importante da última década, é um fenómeno indissociável da denominada “Sociedade do Conhecimento”. As práticas mais comuns do nosso quotidiano, como por exemplo ir ao supermercado ou ao café, visitar um museu, consultar a conta bancária, etc., estão agora à distância de um click nos hipermercados on-line, ciber-cafés, lojas virtuais, homebanking, etc. O desenvolvimento “supersónico” destas novas tecnologias traz consigo alguns problemas – a elevada variedade de serviços disponíveis on-line é extremamente cómoda para o utilizador, mas também uma oportunidade apetecível para indivíduos mal intencionados: aproveitamento económico, acções terroristas, alteração e remoção de dados, roubo de identidade, abuso de menores, pornografia in-

fantil... Merece ainda atenção a percentagem da população que, pouco habituada a lidar com as tecnologias modernas, se torna um potencial alvo de ciber-crimes. Por todo o mundo têm surgido acções de sensibilização para alertar sobre os muitos perigos que a Rede esconde. Em Portugal surgiu, em 2006, um projecto denominado “Internet Segura” (www.internetsegura.pt) que pretende envolver pais, alunos, professores e toda a sociedade civil na promoção de competências que permitam uma utilização mais consciente da Internet. As duas grandes linhas de acção deste projecto são, por um lado, a formação de cidadãos e de profissionais na utilização segura da Internet; por outro, a denúncia de actividades ilícitas levadas a cabo no ciberespaço, através da criação de uma linha operacional de atendimento a conteúdos ilegais.

PROJECTO CASAS-NINHO

A linha www.linhaalerta.internetsegura.pt tem como objectivo a luta contra conteúdos ilegítimos, recebendo denúncias anónimas que, caso se justifique, encaminha directamente para as entidades judiciais. A escola desempenha um papel fulcral na formação e sensibilização das crianças e dos jovens. Aos pais cabe garantir o devido acompanhamento no modo como os seus filhos utilizam a Internet. Ao longo do presente ano lectivo, será desenvolvido no ECB um conjunto de actividades de sensibilização para a importância da navegação segura na Internet, bem como a divulgação de mecanismos e soluções para a alcançar. Professor Alexandre Lourenço

OBSERVATÓRIO DA NATUREZA Defesa da Fauna portuguesa

No âmbito da comemoração do Dia Mundial do Animal, realizou-se, a 9 de Outubro de 2007, uma acção de sensibilização sobre a implementação de Casas-Ninho na escola, para promover a criação de habitat para nove espécies de aves selvagens: o Chapim Azul (Parus caeruleus), o Pardal dos Telhados (Passer domesticus), o Pica-Pau Malhado Grande (Dendrocopus major), a Carriça (Troglodytidae), a Trepadeira-Comum (Certhia brachydactylas), o Chapim-Carvoeiro (Parus ater), o Rabirruivo-Preto (Phoenicurus ochuros), o Pardal-Montês (Passer montanus) e o Chapim-Real (Parus major). Devido às alterações climáticas que já se fazem sentir no nosso país, muitas outras aves, alóctones, podem instalar-se aqui, competindo com as nossas aves autóctones pelo alimento e pelo habitat, podendo assim conduzir à sua mitigação e até mesmo à extinção. As aves em estudo são insectívoras, tendo um papel crucial no controlo natural de pragas cuja incidência é maior com o aumento da temperatura. Estas aves são também consideradas bons bio-indicadores, pois preferem habitar em locais com baixo índice de poluição, e por isso é URGENTE a sua PRESERVAÇÃO! 8

Esta acção, participada pelos alunos do 10º B e do 12º B, foi desenvolvida pela Dr.ª Sofia Quaresma, Bióloga da Câmara Municipal de Alcobaça. A nossa escola é uma das 5 Eco-Escolas da região que acolhem as Casas-Ninho, construídas com madeiras reutilizadas, para a preservação destas nove espécies de aves selvagens. Ao ECB foram entregues quatro ninhos repartidos por estas duas turmas que os irão colocar em locais estudados a priori para obter melhores resultados. Os dados finais serão arquivados em dossiers onde constarão informações sobre a caracterização das espécies, a sua forma de vida e outros dados considerados relevantes para o estudo. A escola que construir o melhor dossier receberá guias de campo para a identificação de aves, assim como mais Casas-Ninho.

O ECB é uma das 5 eco-escolas da nossa região que acolhe casas-ninho construídas com madeiras reutilizadas para a preservação de nove espécies de aves selvagens.

ECB recebe Galardão Eco-Escolas No dia 19 de Outubro de 2007, a Associação Bandeira Azul da Europa, ABAE, em parceria com a secção Portuguesa da Fundação para a Educação ambiental, FEE, promoveu a cerimónia de entrega do Galardão Eco-Escolas “Bandeira Verdes 2007”, num encontro nacional em Pombal. O Externato Cooperativo da Benedita recebeu a bandeira verde, símbolo do reconhecimento da metodologia do programa aplicada com sucesso na nossa escola e da existência de um empenhado trabalho na área da educação ambiental e educação para a sustentabilidade.

Os alunos do 10ºB e do 12ºB (Programa Eco-Escolas)

Anfíbio encontrado no ECB Alunos do 10º B surpreendidos por uma Rã Verde (Rana perezi). Esta espécie de anfíbio é a que existe em maior abundância em Portugal, mas a sua existência encontra-se ameaçada pela crescente procura do famoso petisco “perninhas de rã”, embora se trate de uma espécie protegida, que não pode ser capturada da Natureza. As manchas que esta rã apresenta no corpo são como as nossas impressões digitais, não há duas com o mesmo padrão de pintas. Possuem membranas interdigitais para uma natação eficaz e não têm orelhas, mas têm tímpanos, situados atrás dos olhos. Alunos do 10º B

CIÊNCIA, TECNOLOGIA E AMBIENTE


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TOQUE DE SAÍDA

BAÍA DE S. MARTINHO DO PORTO MAIS LIMPA!

Nas zonas urbanas que possuem tratamento de esgotos, os efluentes são encaminhados para uma ou várias Estações de Tratamento de Águas Residuais. Estas unidades permitem retirar alguns poluentes às águas residuais, industriais ou domésticas, através de tratamentos que visam melhorar a qualidade dos efluentes antes de serem lançados no meio ambiente. A ETAR de S. Martinho do Porto, inserida no Sistema de Saneamento de S. Martinho do Porto, serve parte dos municípios de Alcobaça (freguesias de Alfeizerão, Benedita, Cela, Évora, S. Martinho do Porto, Turquel, Vimeiro) e de Caldas da Rainha (freguesia de Salir do Porto). Esta unidade,

inaugurada no dia 29 de Março, faz parte do Projecto de Despoluição da Baía de S. Martinho do Porto, disponibilizando a toda a população abrangida pela Bacia Hidrográfica do rio de Tornada (Baía de S. Martinho) um serviço de drenagem e tratamento das águas residuais urbanas. Consegue-se, assim, um aumento na melhoria da qualidade da água balnear na Baía de S. Martinho. As águas residuais afluem à nova ETAR através de um emissário (o emissário da ribeira de Alfeizeirão), sendo depois submetidas a tratamento apropriado. Após tratamento, as águas são descarregadas em mar aberto, através do emissário final e dum exutor submarino. Os efluentes que chegam à ETAR são sujeitos a dois níveis de purificação: tratamento primário e tratamento secundário. Pode ainda ser feito um tratamento terciário ou avançado, sendo este último muito pouco utilizado, uma vez que é muito dispendioso. O tratamento primário é um processo mecânico, durante o

qual se filtram sólidos de grandes dimensões (paus, pedras, trapos, etc.) e é decantada grande parte da matéria sólida, removendo cerca de 60% desta matéria em suspensão e 30% dos resíduos orgânicos oxidáveis das águas residuais. O tratamento secundário é um processo biológico, no qual bactérias aeróbias removem até 90% da matéria orgânica oxidável – também designados resíduos biodegradáveis. Para este processo são usados tanques de lamas activadas. Nestes, as águas são bombeadas para um tanque aerificado de grandes dimensões, no qual são misturadas, durante várias horas, com lamas contendo bactérias decompositoras. De seguida são conduzidas a um decantador onde ocorre a sedimentação e, consequentemente, uma separação de fases. Os sólidos acumulam-se no fundo e o efluente clarificado à superfície. Após decantação secundária, o efluente é sujeito a uma desinfecção por radiações ultra-violeta. Assim é removida a sua componente microbiológica, possibilitando a reutilização para fins diversos, tais como lavagens e rega. O excedente é descarregado no mar.

A combinação destes dois tratamentos remove quase toda a matéria sólida em suspensão e a maioria da matéria orgânica oxidável, bem como muitos metais tóxicos e alguns químicos orgânicos sintéticos degradáveis. Porém, substâncias orgânicas não degradáveis, como alguns pesticidas, não são removidas. Durante todo o processo são produzidas grandes quantidades de lamas que, após tratamento adequado, apresentam características apropriadas para valorização agrícola. De forma a evitar a libertação de odores, esta instalação encontra-se dotada de uma unidade de Tratamento de Gases. Foi dado um grande passo, mas o impacto do homem no seu meio ambiente é inevitável! É, acima de tudo, urgente que as pessoas tomem consciência de que estamos a usar demasiados recursos, a criar demasiada poluição e a causar a destruição de outras espécies, sendo importante investir em soluções cada vez mais eficientes para minimizar os efeitos produzidos na natureza. Professor Sérgio Teixeira

TGV

POPULAÇÃO DE ALCOBAÇA REJEITA POSSÍVEIS TRAÇADOS

No dia 27 de Setembro, no Salão Nobre da Casa da Vila da Benedita, foi promovida pela Junta de Freguesia da Benedita, à qual se associou a Junta de Freguesia de Turquel e a Câmara Municipal de Alcobaça, uma sessão de esclarecimento acerca dos possíveis traçados do TGV. Esta sessão pretendia dar resposta aos pedidos de esclarecimento da população que se mostrou indignada face à indisponibilidade da Rede Ferroviária de Alta Velocidade, SA (RAVE). Defendendo a passagem do TGV a Este da Serra dos Candeeiros, os OLHAR CIRCUNDANTE

autarcas apelaram a uma participação activa das populações na fase de consulta pública que terminou no dia 9 de Outubro. Dias após esta sessão, foi fundado na Benedita o Movimento Anti-TGV, o qual veio a expandirse para outras freguesias do concelho. Este movimento tem como objectivo mostrar o descontentamento da população face ao troço de ligação entre Alenquer (Ota) e Pombal que tem como traçados possíveis: atravessar a vila da Benedita, passando por duas das suas principais artérias, ao mesmo tempo que ameaça uma das maiores urbanizações da freguesia; ou mais próximo da Serra dos Candeeiros, o que inviabiliza a construção da futura Área de Localização Empresarial da Benedita. No dia 4 de Outubro, às 19h30m, cerca de cem automóveis identificados com cartazes onde se lia “TGV por aqui NÃO” saíram do

Largo da Venda das Raparigas, na Benedita, passando em marcha lenta, pelo IC2, em direcção à Moita do Poço, de onde seguiram por estradas secundárias até Alcobaça, para assistirem à sessão extraordinária da Assembleia Municipal. A iniciativa partiu do Movimento Anti-TGV. À chegada a Alcobaça, cerca de duas horas mais tarde, os manifestantes dirigiram-se ao Auditório da Biblioteca Municipal, onde decorria a sessão cujos trabalhos foram suspensos devido aos protestos dos munícipes que pretendiam, no exterior, ouvir o que se passava no interior da sala. Assim, os trabalhos foram transferidos para o Cine-Teatro, onde recomeçaram por volta das 23 horas. Cerca de três horas mais tarde, a sessão extraordinária chegou ao fim com a aprovação, por 32 votos a favor e 4 abstenções, de uma moção apresentada pelo líder da bancada social-democrata, Pedro

Guerra, rejeitando os traçados do TGV actualmente em discussão e exigindo à RAVE explicações para a anulação, em 2004, dos estudos do Lote C2, que passaria a Este da Serra dos Candeeiros. É de salientar que as alternativas propostas têm um impacto em oito das dezoito freguesias do Concelho de Alcobaça: Benedita, Turquel, Évora de Alcobaça, Pataias, Alpedriz, Prazeres de Aljubarrota, São Vicente de Aljubarrota e Cós. A passagem do TGV causará a destruição de 1427 edifícios, de 5 áreas de património natural, de 4 zonas de património cultural, sem falar do impacto a nível económico. No dia 9 de Outubro, as contas eram claras. Se em Turquel foram entregues 886 queixas contra o comboio de alta velocidade, na freguesia da Benedita os descontentes são 1873. Marina Rosário, 12º E

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TOQUE DE SAÍDA

CASAMENTO NA ANTIGA IGREJA PAROQUIAL Corria o ano de 1952 quando na Benedita teve lugar o primeiro casamento onde a noiva estava vestida de branco .... Actualmente, quando pensamos numa noiva, imaginamo-la sempre vestida de branco, e até achamos estranho se assim não é. Mas se pensarmos como era a Benedita há cinquenta e muitos anos atrás, bastante rural e conservadora, e segundo pessoas mais velhas, as noivas iam normalmente vestidas de bege ou cinzento. Também o fato de noiva não era o vestido que hoje conhecemos, mas sim um saia e casaco bastante simples, ou até uma roupa que apenas se diferenciava da do diaa-dia por ser um pouco mais cuidada. Corria o ano de 1952 quando na Benedita teve lugar o primeiro casamento onde a noiva estava vestida de branco e, pasme-se, ia acompanhada por quatro damas de honor. Este casamento causou grande expectativa na terra porque, para além da diferença na roupa da noiva, esta vinha

de Lisboa, e esse facto espevitou a curiosidade da aldeia e levou muitos curiosos a deslocarem-se até à Igreja. Também é interessante repararmos no bonito pórtico da velha Igreja Paroquial a cuja demolição, infelizmente, os beneditenses da altura não tiveram a perspicácia ou a coragem para se oporem, e a Benedita acabou por perder o único monumento herdado dos Monges de Cister. A fotografia que apresentamos foi gentilmente cedida pelo casal a que nos referimos e que vemos na fotografia: o Sr. Armando Baltazar e esposa, a Sra. D. Arlete Baltazar. Professora Maria José Jorge

A PRAÇA, O ABCD E A ÁGUA Fernando Maurício publicou três novos cadernos culturais sobre a freguesia da Benedita, cujos títulos são: “A Praça/Mercado e a Feira dos 6”, “45º Aniversário da Associação Beneditense de Cultura e Desporto” e “A Água”. No primeiro caderno, refere as alterações da praça/mercado do Largo Pe. José António, ao Largo do Poço Novo (1951), à Praça Damasceno Campos (1954) e até ao espaço coberto para que se mudou a partir de 1985, com registos fotográficos e documentais muito interessantes. Recolhe também documentação acerca da feira mensal e da taberna de Diamantino Lucas, aberta em 1964, no antigo terreiro da feira, para servir os feirantes e clientes da feira. Particularmente interessante, para mim, é o registo da linha de horizonte na foto do estacionamento no dia de feira (pág. 15): a escola primária, o Salão Paroquial, o Externato e a silhueta da Igreja Paroquial. Os edifícios mudaram, as árvores cresceram, o espaço aberto da Serradinha fechou-se. As peripécias desportivas de que há registo na freguesia são o assunto do caderno nº 6: da União Desportiva Beneditense e da Associação Desportiva e Recreativa Beneditense até ao 45º aniversário do ABCD. Fernando Maurício beneficia aliás de uma posição privilegiada para falar sobre desporto na freguesia, pois acompanhou a evolução do ABCD, quer como atleta (1967 a 1972), quer como dirigente desportivo. Refere os momentos importantes da história desportiva local, como a primeira presença no campeonato Distrital da 1ª Divisão da A.F.L., a inauguração do arrelvamento do Parque de Jogos da Fonte da Senhora, o jogo contra o Sporting em 1999, as maiores vitórias e derrotas na 1ª e 2ª divisão distrital e na 2ª e 3ª divisão nacional. Retrata, neste caderno, os 10

seus actores, desde a geração de desportistas de 1948 – Zito, Ramiro, José Patrício, António Mateus, Cartaxo, Benedito, José Figueiredo, Necas, José Inácio, António Marques e Olímpio – em acção no Campo da Feira, com balizas de madeira. Na fotografia da inauguração do Campo da Feira podem ver-se outros dois desportistas e dinamizadores desportivos de sempre desta freguesia, Manuel Mateus Ferreira e António F. Marques, ambos falecidos neste Outono. O presidente da Direcção do ABCD era, ao tempo, João Vinagre. O último caderno do trio agora publicado ocupa-se de outro assunto vital: a água. Há mais de duas décadas que nas torneiras da freguesia corre água de Chaqueda, antecedidas por dezasseis anos de abastecimento com águas da Fonte da Senhora, puxadas por uma bomba para o centro da freguesia. Os tempos de escassez, do cântaro para o abastecimento dos que não tinham poço ou cisterna de aproveitamento de águas pluviais, devem parecer remotos e estranhos aos mais novos… Há poucos meses, na Fonte Mariana, o regressar de cântaro cheio à cabeça – antiquíssimo registo do elo fundamental da ligação das águas à sustentação da vida – foi revivido pelas mulheres dos Moinhos Novos, como neste caderno se regista. Além de fotografias de poços, fontes, cisternas e lagoas da freguesia, a localização dos reservatórios de água da freguesia, ainda fornece dados interessantes sobre o consumo de água no concelho de Alcobaça em 2004. Fernando Maurício permite-nos vislumbrar a luz, as cores, os locais ou as ocasiões que nalgumas memórias brilham… e isso é inestimável.

SUGESTÃO DE LEITURA

COMBATEREMOS A SOMBRA No romance Combateremos a Sombra, Lídia Jorge constrói um tecido narrativo a partir das narrativas que os pacientes de Osvaldo Campos, a personagem principal, lhe vão contando no seu gabinete de psicanalista. Este auto-intitulado decifrador de histórias vai ser confrontado com uma realidade que o ultrapassa, arrastando-o para a teia que se vai progressivamente construindo. À semelhança de romances anteriores, a autora apresenta-nos, a par da realidade, um universo marcadamente onírico, no qual mergulhamos com prazer porque ao leitor é concedido um lugar privilegiado de observação da acção, que nos surpreende ao virar de cada página. Combateremos a Sombra Lídia Jorge Dom Quixote

Professora Luísa Rocha

Professora Ana Luísa Quitério

O LUGAR DA MEMÓRIA


ANO 3 - Nº 6

TOQUE DE SAÍDA

ENTREVISTA A ARMANDO BALTAZAR

“OS BENEDITENSES SÃO PROGRESSISTAS POR NATUREZA.” Armando Ferreira Baltazar nasceu em 1928 na freguesia da Benedita e desde sempre esteve ligado à Indústria de Alfaiataria. Actualmente “vai-se entretendo” por amor à profissão. Foi um dos doze fundadores do Externato Cooperativo da Benedita, tendo sido Presidente da Mesa entre 1965-1968. Dos doze membros que faziam parte da 1ª Direcção, apenas cinco estão vivos. Foi o 1º presidente dos Bombeiros Voluntários da Benedita.

Sabemos que fez parte da fundação do Externato. Lembra-se como surgiu a ideia de criar uma escola secundária na Benedita? Lembro-me perfeitamente. Como tinha “casa aberta”, contactava todos os dias com muitas pessoas e fui-me apercebendo de que havia famílias que manifestavam desejo de que os seus filhos continuassem os estudos para além da primária. Mas só quem tinha bons recursos económicos é que punha os filhos a estudar fora da Benedita, e muita gente não podia suportar as despesas. Então fomos conversando uns com os outros e o primeiro passo foi conseguir um espaço, que veio a ser uma fábrica desactivada, situada junto à actual Santa Casa da Misericórdia. E pronto, foi o início. Em 1964 inicia-se o primeiro ano lectivo, com 16 alunos matriculados, e ao fim de um ano já tínhamos uma direcção, digamos, oficializada, e pronta a trabalhar para que se pudessem melhorar as condições. Não esqueço as ajudas que tivemos de pessoas da freguesia. O Sr. Manuel Ferreira Ramalho, construtor civil, ofereceu-se para dirigir as obras que iam ser feitas, sem remuneração. Foi uma grande ajuda na altura. Aliás, sem a ajuda da população, teria sido ainda mais difícil. Que sente quando vê agora uma escola organizada, apetrechada e com boas instalações, e a compara com a do passado? É com muito orgulho que olho para o Externato e sinto que desde a sua fundação tem vindo sempre a crescer, a modernizar-se, enfim, a seguir um percurso de sucesso. Como pioneiro, não deixo de me sentir imensamente feliz por ter dado o meu contributo para o seu aparecimento. Os tempos de antigamente eram muito difíceis e foi com muito espírito de sacrifício e perseverança que se conseguiu pôr a escola a funcionar, como já disse. Houve sobretudo muita força de vontade. No fundo acaba por elogiar a população da Benedita em geral. Como define o espírito beneditense? Os beneditenses são progressistas por natureza. Investem sem medo e são óptimos colaboradores. Fui Regedor da Junta de Freguesia durante 20 anos e apercebi-me claramente disso. Pareceme que o sucesso vem daí, do empenho e da dedicação a uma causa. Tomei parte na criação do ABCD, Associação Desportiva e Cultural da Benedita, e ainda estou ligado a ela, e encontrei sempre pessoas que se disponibilizavam

a colaborar. Também fui um dos fundadores dos Bombeiros Voluntários e sempre senti muitas pessoas prontas a voluntarizar-se, nomeadamente jovens. A juventude adere às iniciativas e, sem a sua força empreendedora, seria muito complicado ter-se hoje o que se tem. A fanfarra é um exemplo disso mesmo. Os beneditenses são, sobretudo, uns grandes lutadores. Fale-nos um pouco da sua profissão. Parece estar em vias de extinção… Sem dúvida, em extinção. Os jovens actualmente saem mais tarde das escolas e têm outras ambições, não se sentem atraídos pela profissão. A vida é diferente, mais consumista, e o pronto-a-vestir tornou-se mais prático e adaptado às novas formas de vida. Por outro lado, a industrialização propagou-se e a confecção artesanal decresceu, as grandes superfícies ganharam terreno e este tipo de actividade não tem grandes motivos para continuar. Embora haja ainda muita gente que gosta de roupa feita à mão, por medida. Por isso mesmo vou-me mantendo activo. Estabeleci-me em 1952, cheguei a ter 13 pessoas a trabalhar comigo, a clientela era bastante e tínhamos sempre que fazer. Três anos mais tarde chega a electricidade à Benedita e a partir daí a terra começou a desenvolver-se muito. Havia pessoas que migravam para trabalhar nas fábricas que foram surgindo rapidamente e por aqui se iam fixando. Actualmente está ligado a alguma instituição da vila? Mantenho-me ligado aos Bombeiros e ao ABCD, apoiando na medida do possível, e vou-me entretendo com o ofício que aprendi e que ainda hoje me dá gosto exercer.

O Toque de Saída agradece a disponibilidade do Sr. Armando Baltazar, fazendo votos para que continue a apoiar as instituições da terra, facilitando e permitindo o progresso da vila mais industrializada do concelho de Alcobaça. Bem-haja!

SUGESTÃO DE LEITURA

O SILÊNCIO DOS LIVROS George Steiner mantém a par de uma carreira brilhante de professor universitário a publicação de ensaios, de crítica literária, de obras de ficção e colaborações regulares em jornais como o New Yorker e o The Guardian. No ensaio O Silêncio dos Livros seguido de Esse Vício Ainda Impune, de Michael Crépu, Steiner apresenta-nos o seu olhar sobre o “livro” e a vulnerabilidade do mesmo que, segundo ele, não se verifica só no nosso tempo, por esse ser um factor inerente ao próprio livro desde o seu início. Além disso, desafia-nos a olhar o convívio com os livros como um factor de desumanização e de afastamento da realidade. O ensaio de George Steiner é uma interessante visão do livro e da cultura livresca, num tempo em que este está cada vez mais ameaçado pelas novas formas de leitura. O Silêncio dos Livros

Entrevista feita pela professora Clara Peralta

George Steiner Gradiva

Professora Luísa Rocha

OLHAR CIRCUNDANTE

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TOQUE DE SAÍDA

EXPOSIÇÃO ALTA ENTRE VISTAS Em Portugal, existem treze bens classificados pela UNESCO como Património da Humanidade – entre eles, o Mosteiro de Alcobaça; por todo o mundo, distribuídos por três continentes e quinze países, há outros vinte e um monumentos ou cidades de origem portuguesa que também fazem parte desta lista de bens notáveis e únicos que constituem a memória viva das civilizações. A Universidade de Coimbra quer juntar a Alta Universitária a este conjunto. Os critérios da UNESCO (Organização da Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) são extremamente rigorosos. Cada país só pode submeter uma candidatura de cada vez, duas em situações especiais, sendo necessário provar que se mantêm as características históricas que lhe dão notabilidade, que se trata de valor genuíno e não artificialmente elaborado para a candidatura, que mantém, juntamente com o papel histórico, a sua total capacidade de servir o tempo presente e, sob pena de exclusão a qualquer momento, que se assume o compromisso de conservar esse lugar ou construção para usufruto das gerações futuras. A Universidade de Coimbra, a sua Torre com a cabra, a Biblioteca Joanina, a Capela Manuelina, toda a Rua da Sofia, a mitologia construída à volta dos amores de Pedro e Inês, as capas e batinas, o fado e as baladas de Coimbra, o Mondego, as antigas igrejas e praças, os poetas (Camões, Torga, Manuel Alegre, José Afonso, Adriano…), a vida estudantil e a Queima das Fitas, enfim, toda a mística de Coimbra e da sua Universidade simbolizam a juventude e os sonhos de incontáveis gerações de portugueses, são símbolos

de Portugal no Mundo, de conhecimento e de progresso. Representa também a antiguidade de um país de longo percurso histórico, aonde se mantêm vestígios visigóticos, romanos, árabes. A própria Universidade, uma das mais antigas da Europa, alberga edifícios de muitos períodos, que se foram substituindo, alterando, soterrando, reconstruindo. Cidade histórica, nela repousam os dois primeiros Reis de

Portugal, ao mesmo tempo que na segunda metade do século vinte os seus estudantes arriscaram vidas e carreiras na luta contra o fascismo. Coimbra faz parte do Património de Portugal e do Mundo. Material e emocionalmente. Só falta o reconhecimento e integração na lista da UNESCO. O Externato da Benedita aliou-se a esta candidatura ao trazer a Exposição Alta Entre Vistas, que divulga a candidatura e os traba-

lhos preparatórios já executados e a executar. A Exposição integra também conferências acerca da candidatura, mas que vão muito para além dela. As três conferências realizadas (tendo com oradores, por ordem cronológica, o Arq. Nuno Ribeiro Lopes, o Prof. Doutor Mendes da Silva, o Arq. Victor Mestre e o Arq. Gonçalo Byrne) constituíram verdadeiras aulas para todos, professores, alunos e visitantes. Especialmente para os alunos das Artes e das Humanidades, foram momentos notáveis de compreensão dos fenómenos da Arquitectura, da conservação e valorização do Património e do Desenvolvimento Sustentável. Possibilitaram a análise crítica de um caso prático de gestão integrada de um conjunto monumental que se mantém apoiado em três vértices: a necessidade e a capacidade de responder a uma utilização diária por uma alargada comunidade de estudantes, a preservação do valor monumental e a visita diária de muitas centenas de turistas. Por último, uma referência à comunidade escolar do Externato. Muitos alunos e professores tiraram o máximo proveito da exposição que foi visitada por toda a escola, ao contrário das escolas vizinhas que não se sentiram mobilizadas para a visitar, desperdiçando assim uma oportunidade cultural muito rara nesta zona do país e que nós teríamos tido muito prazer em partilhar. Professora Maria da Conceição Raimundo

ALTA ENTRE VISTAS - REFLEXÃO Frequentemente, a imagem mais generalizada de um centro urbano relaciona-se com o seu sítio original. No estudo actual de uma aglomeração urbana, é difícil avaliar qual a relação que existe entre o sítio e as funções que desempenha ou desempenhou. Por vezes, as funções que estiveram na base da escolha do sítio já deixaram de existir ou perderam muito do seu significado. É aqui que enquadro a cidade de Coimbra, e vejo este conjunto de prestigiados arquitectos como mediadores entre a transformação do corpo social do núcleo da Universidade de Coimbra e a ordenação da sua imagem. Sobre o modo dessa mediação, cabenos aplaudir e reflectir… foi o que fiz. Para a larga maioria das disciplinas humanísticas, o “habitar” está essencialmente relaciona12

do com a procura de um abrigo. Contudo, utilizamos o termo a partir da obra do filósofo Martin Heidegger (1889-1976). “Habitação quer então dizer algo mais do que um refúgio: implica que os espaços onde a vida se desenvolve sejam lugares no verdadeiro sentido da palavra”. E esses lugares implicam precisamente a procura de um significado, atribuindo qualidades quer ao interior, quer ao exterior. Ou seja, criando também o espaço que está lá fora. É esta relação que se vai assumir como central à própria história da cidade, traduzida na dualidade casa-rua. A casa é indissociável da cidade enquanto fenómeno civilizacional. É aí que se contrapõem o colectivo e o privado, a sociedade e o indivíduo. É inegável que a habitação constrói a cidade ao longo dos séculos e define as várias identi-

dades que a estruturam. Instala-se o dilema: Para que serve a arquitectura do passado? Como intervir projectualmente nestes lugares? O arquitecto pode e deve trabalhar a possibilidade de relançar a tradição. Este é para mim o mais atraente desafio que o estudo da arquitectura apresenta, e foi este o sentimento que eu encontrei nestas palestras pela voz destes arquitectos. É aqui que recai a minha reflexão, não só como arquitecta, mas também como professora… Temos de falar mais em experimentar e não em rentabilizar, em inventar e não em calcular, em provocar e não em acomodar. Poderão vocês perguntar – mas isso não significa andar contra a corrente? É esta a minha função enquanto professora: fazer com que os alunos acreditem que a realidade no mundo da arqui-

tectura se condiciona também à construção do sonho e do desejo. O futuro da arquitectura medese pela capacidade de transgredir os mistérios da concepção. Assim, conceber é libertar os domínios da imaginação gerida e fortalecida no conhecimento, na memória, na tradição. A circunstância é também o ponto de partida do processo do desenho. O tema, o programa e o lugar determinam a geometria dos elementos arquitectónicos… Alta Entre Vistas é a prova disso. Estamos perante uma candidatura a Património Mundial da Unesco, em que a cidade de Coimbra é protagonista, não só pelas expectativas criadas, como pelas diferenças futuras que estes projectos concretizam. Boa sorte, Coimbra! Professora Fernanda Baptista

ARTE E CULTURA


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TOQUE DE SAÍDA

Teatro no ECB

MEU PÉ DE LARANJA LIMA

O grupo de teatro Os Gambuzinos adaptou aos palcos o romance Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro Vasconcelos, escritor brasileiro do século XX, fazendo-me relembrar o pequeno Zezé, o Portuga, o Marangatiba, Glória, e árvores com nomes. Ao ver a peça muitos anos após ter lido o livro, a história ganhou mais vida. Bem como personagens que nunca existiram. Serão pura ficção? Shakespeare disse: “O mundo é um palco” – no teatro não estaremos a reencontrar-nos com o mundo, a ouvir e ver algo que alguém acha importante dizer-nos? O deslumbramento começou pelo cenário. Tão simples quanto belo, laranja e branco. E continuou: começada a peça, deparamo-nos com um interessante jogo de identidades: são actrizes a representar o papel de rapazes (Zezé, Totoca e o menino da bicicleta). Ainda há não muito tempo – algo como 400

anos, durante o Renascimento – às mulheres era interdito representar, pelo que tinham de ser homens a dar voz ao timbre feminino. A história é-nos contada pelo diálogo entre as personagens que vão surgindo com as subtis mudanças de cena. Mas só quando Zezé descobre um amigo e confidente – um pequeno pé de laranja lima, uma árvore – encontrando finalmente alguém do seu tamanho, começamos a conhecer realmente esta criança de cinco anos que gosta de dizer que tem quase seis. Mas uma árvore?! É alguém que o ouve, que cresce com ele e com as coisas que lhe vão acontecendo, porque Zezé lhe conta tudo. A visão do mundo que a Laranja Lima tem é a visão das coisas que Zezé lhe dá a conhecer com as suas palavras. E dá a conhecer ao espectador. A nós. A qualidade da peça vai crescendo, tal como a capacidade de despertar emoções no espectador, à medida que nos apercebemos da pobreza em que Zezé vive – uma pobreza que é de bens materiais, mas ainda mais do que isso, de ternura e afecto. A história vai ficando mais comovente à medida que nos vamos identificando cada vez mais com Zezé, com a forma como ele desejaria que o mundo fosse, com o seu brilho de criança e, apesar de todas as traquinices e pequenas maldades, a sua honestidade e verdade. Os Gambuzinos conseguiram transmitir a mistura de tristeza e humor que o romance contém (como a vida). Por vezes o público riu

A RAPARIGA DAS LARANJAS O que será que eu faria se encontrasse uma carta para mim, do meu pai já falecido? Provavelmente ficaria como Georg, perplexo. Pois bem, quando Georg descobriu a carta do pai, leu-a atentamente. Na carta, o pai fazia-lhe perguntas às quais Georg iria tentar responder: «O que é um ser humano, Georg? Quanto vale um ser humano? Somos apenas poeira que se espalha em remoinho pelos quatro ventos?». Entabula-se assim um diálogo entre o pai, precocemente falecido, e o filho. O pai conta-lhe também uma história muito interessante, revelando-lhe o quanto ele e a mãe de Georg tinham batalhado para conseguir ficar juntos, os encontros e desencontros, as alegrias e as desavenças. A Rapariga das Laranjas, de Jostein Gaarder (Editorial Presença, 2003), é um livro cuja leitura recomendo, um livro que nos envolve de tal maneira que só conseguimos parar de ler quando realmente o acabamos. Gaarder, JOSTEIN, A Rapariga das Laranjas, Editorial Presença, 1.ª edição

Maria do Rosário Ferreira, 11º D

RECRIAR O MUNDO

quando a situação era séria, e por vezes comoveu-se quando poderia rir: «Eu não presto para nada. Sou muito ruim. Por isso é o diabo que nasce pra mim no dia do Natal e eu não ganho nada.» O som e o jogo de luzes foram utilizados com mestria. O diálogo surgiu por vezes iluminado no meio da escuridão e da atenção do público. Também houve música. Foi conseguida a proeza de tornar um romance para crianças de 6 anos (idade da leitura) numa peça de teatro para gente a partir dos 3 (eu vi pelo menos uma, um menino que estava com atenção). Meu Pé de Laranja Lima vai-nos arrebatando. Zezé partilha a riqueza proporcionada pela sua imaginação, desejos e vontade de ser, com o primeiro amigo: cavalga em liberdade pelas pradarias, saindo dos limites do seu bairro com uma árvore. Depois descobre um outro amigo, mais real. Zezé descobre a ternura para logo a perder. Com isto todos ficamos a saber melhor qual o valor desta. O Zezé, para mim, é um menino que encontro de vez em quando na rua e me conta uma pequena parte de si. Poderá a adaptação ao teatro de um romance escrito há 40 anos atrás contribuir para a sua leitura? Para o valor da palavra e do diálogo? Para tornar as personagens mais reais? A vida mais real? Façamos o nosso papel. Actuemos. Luís Lucas, ex-aluno do ECB

TRILHOS DE EMOÇÕES Caíram sobre mim pedaços de mágoa envolvidos em nevoeiro transparente. Essa transparência era devido à falta de cor, à falta de razões para tais caminhos que apareceram inesperadamente. Tentei segui-los, mas senti que aquelas não eram as minhas estradas, então senti-me sem caminho. O melhor seria sentar-me, fechar os olhos e esperar por um sinal… Não tinha vontade nem de ficar parada, nem de mexer, simplesmente não percebia a razão dos caminhos que me foram apresentados. Depois de balançar sem tombar para lado nenhum, apercebi-me de que tinha de conjugar o verbo “agir”. E foi então que agi, meti a mão no bolso do casaco e tirei um lenço de papel, enxuguei as lágrimas de desespero, respirei fundo, tão fundo que senti, perfeitamente, o ar a entrar nos pulmões… Apercebi-me de que sozinha tombava e precisava de alguém que me incentivasse a atravessar a corda sem cair.

De repente, surgiu aquela força vinda do nada, surgiram aqueles abraços cheios de conforto e ternura que aconchegaram a alma e reforçaram a energia. Estou agora sentada, não porque não tenha estrada, mas porque as estradas que tenho são aquelas que tanto desejei, então sento-me, serena, numa vida desejada. Num ápice tudo pode voltar… Mas será por isso que vou deixar de sorrir, só porque me podem apresentar caminhos pelos quais não optei? Faço perguntas, vezes sem conta, sobre o que me rodeia e não percebo. Muitas das respostas que procuramos são como as estrelas, sabemos que existem, sabemos que são importantes, mas não lhes conseguimos chegar! Cada estrada é um sentimento, uma emoção… Apresenta-nos trilhos, são trilhos de emoções… Lea Fonseca, 10.º E

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TOQUE DE SAÍDA

DO PENSAMENTO CRÍTICO À CRÍTICA DO PENSAMENTO

Inevitavelmente, todos nós pensamos, embora o façamos de um modo esparso, espontâneo e acrítico. Este modo de pensar consiste numa recusa em analisar de forma cuidadosa e imparcial muitas das ideias que aceitamos. Assim, tomamos por verdadeiras determinadas ideias, sem sabermos se de facto o são. A esta recusa de avaliar criticamente as ideias, os especialistas chamam pensamento egocêntrico, o qual se baseia nos seguintes princípios: algo é considerado certo porque sempre o foi (sociocentrismo inato); algo é considerado verdadeiro porque eu acredito que seja verdadeiro (egocentrismo inato); uma ideia é verdadeira porque eu quero que seja verdadeira; uma ideia é verdadeira porque me convém acreditar que o seja (egoísmo inato); finalmente, ainda que não tenha justificação para acreditar na verdade de uma ideia, faço-o porque assim o tenho feito (auto-validação inata). Este modo de usar o pensamento reflectir-se-á nas atitu-

des dos indivíduos, comprometendo a vivência social e a abertura mental; por outro lado, torna-se visível a aceitação dogmática de padrões de pensamento que são tomados por verdadeiros sem qualquer prova racional, encontrando-se, assim, legitimada a imposição destas ideias a todos os indivíduos. Este modo de pensar contrasta com o objecto da nossa reflexão, o pensamento crítico. Sócrates, no século V a.C., considerava-se um parteiro da consciência, pois tinha por função, não dar à luz a consciência do seu interlocutor, mas auxiliá-lo nesse processo que visa examinar criticamente as ideias, isto é, verificar racional e imparcialmente se são verdadeiras ou falsas. O resultado deste processo seria a constituição de um novo pensar. No século XX, o filósofo inglês Bertrand Russell defendia a noção de higiene mental, entendida enquanto capacidade para esclarecer e fundamentar as nossas crenças mais básicas, que influiriam no nosso comportamento. Actualmente, tem proliferado pelas universidades a preparação dos estudantes no pensamento crítico. Recentemente, um dos cursos de engenharia oferecidos pela Universidade Nova de Lisboa inaugurou, entre nós, a cadeira de Pensamento Crítico. Também os programas das disciplinas do ensino secundário apontam como finalidade a aquisição de um pensamento crítico e

autónomo. Mas a verdade é que muitos alunos terminam o ensino secundário sem terem experimentado o pensamento crítico. Até se pode julgar, do ponto de vista do professor, que se criaram condições para a aquisição dessas competências, seja através das estratégias implementadas, seja pela formulação de questões sujeitas a avaliação. No entanto, o pensamento crítico adquire-se pelo exercício e pelo trabalho socrático do professor, ao auxiliar a irrupção de uma nova consciência. Ou seja, o professor deve dar o exemplo de como se pensa criticamente, de modo a que os alunos possam orientar-se por um modelo, em vez de se julgar, em linguagem construtivista, que o aluno descobre por si mesmo os padrões de um pensamento autónomo e crítico. De facto, a leitura construtivista, a meu ver, não se enquadra neste modo de aprender. Afinal, o que é o pensamento crítico? Trata-se de um modo de usar o pensamento sobre qualquer tema ou problema, em que o pensador testa a qualidade do seu pensamento e revela um conjunto de destrezas, tais como: 1) questionar a informação trabalhada; 2) esclarecer os conceitos utilizados; 3) ser claro e preciso; 4) apresentar ideias relevantes; 5) avaliar as inferências realizadas; 6) avaliar a implicação das ideias defendidas; 7) defender uma posição; 8) analisar diferentes pontos de vista; em suma, pensar

criticamente e criticar o pensamento. Criticar o pensamento é o resultado do pensamento crítico, que se avalia nas virtudes intelectuais que o aluno apresenta – autonomia, humildade, empatia, imparcialidade, confiança na razão, perseverança, curiosidade. Repare-se que o pensamento crítico não é apenas apanágio dos filósofos, mas o modo de usar o pensamento sobre qualquer tema ou problema. De facto, filosofar é pensar de um modo crítico sobre determinados problemas específicos da Filosofia, mas isso não invalida que este modo de pensar seja usado pelas várias áreas do saber. A um cientista também se pede um pensamento auto-analisado e descentrado, tal como aos demais profissionais. Com a implementação do Plano de Bolonha nas universidades, o sucesso dos alunos dependerá da sua capacidade de usar autónoma e criticamente o pensamento. O sucesso da assimilação destas capacidades está causalmente ligado à sua exercitação. Ainda que, ao nível teórico, estas capacidades sejam analisadas e exercitadas na disciplina de Filosofia, a proficiência do seu uso dependerá da aplicação deste modo de pensar nas restantes áreas do saber.

momento em que Heathcliff conta as suas intenções em relação às sepulturas: «Induzi o coveiro (…) a remover a terra de cima do caixão dela, e abri-o. Naquele momento pensei que iria ficar lá: quando lhe vi o rosto… era ainda o seu… foi difícil ao homem arredar-me dali. (pág. 221); e ao momento em que Heathcliff admite a sua loucura: «Sabes que a sua morte me deixou como louco. Sempre, de uma alvorada a outra, implorei que a sua alma me visitasse. (…) No dia em que foi enterrada caiu imensa neve. À noite, fui ao cemitério. (…) Estando só, e consciente de que duas jardas de terra solta eram a única barreira que nos separava, (…) Tirei uma pá do telheiro das ferramentas e comecei a retirar a terra. A pá bateu no caixão. Trabalhei depois com as mãos. A madeira principiou a estalar junto dos parafusos e eu estava já prestes a atingir o meu objectivo quando me pareceu ouvir um suspiro como

de alguém à beira da cova, inclinado sobre mim.» (pág. 222, capítulo XXIX). Apesar do ambiente assustador e triste durante a maior parte do livro, apreciei bastante o final, porque penso que o amor de Heathcliff e Catherine ficou resolvido por Cathy e Hareton. A geração seguinte não cometeu os mesmos erros que a anterior e foi feliz. Na minha opinião, o livro está escrito numa linguagem clara e não muito complicada e a narração torna a história emocionante, pois a acção vai-se desenrolando sempre de forma inesperada.

Professor Valter Boita

O MONTE DOS VENDAVAIS O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë, é um livro romântico. Apesar de não apreciar algumas características do Romantismo, confesso que este livro me surpreendeu e que gostei bastante da sua leitura. É uma história de amor levada ao extremo, em que a resolução dos conflitos e a felicidade são encontradas pela geração seguinte. Heathcliff e Catherine, os protagonistas, apesar de se amarem, não conseguem consumar o seu amor e a maior parte da história é regida pelo desejo de vingança de Heathcliff. A minha personagem favorita é justamente Heathcliff. De início, 14

senti pena pela sua condição de órfão e pela maneira como foi tratado. Mas, com o avançar da narrativa, pude perceber que era cruel e sedento de vingança. Aliás, o seu desejo de vingança tornou-se tão forte que não se importou de arruinar a vida de personagens que nada tinham que ver com as suas mágoas, revelando não ter escrúpulos. No entanto, o ambiente de mistério criado em volta desta personagem fascinou-me! No fundo, as únicas personagens por quem o implacável Heathcliff nutria afecto eram Catherine, por quem sentia uma paixão avassaladora, e Hareton que, por estranho que pareça, idolatrava Heathcliff. O final de Heathcliff é assustador: termina louco, implorando pelo fantasma de Catherine, No entanto, consegue aquilo que sempre desejou, repousar junto de Catherine. As passagens da narrativa de que mais gostei correspondem ao

BRONTË, EMILY, O Monte dos Vendavais, Publicações Europa-América Marina Rosário, 12º E

ARTE E CULTURA


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TOQUE DE SAÍDA

SOL METÁFORA DA VIDA

A ESCOLA É FIXE!

Beatriz Serrazina, 10F

À MANEIRA DOS TROVADORES MEDIEVAIS Ondas do mar, Queirais vós andar! Viestes para me ver e morrestes no amanhecer! Liberta o meu ser! Ondas marinhas, Trazei as andorinhas! Vida que quereis ter E sonhastes no amanhecer! Liberta o meu ser! Queirais vós andar, Num dia à beira-mar! Viestes para me ver E morrestes no amanhecer! Liberta o meu ser! Trazei as andorinhas E levai saudades minhas! Vida que quereis ter E sonhastes no amanhecer! Liberta o meu ser!

Joana Matias, 10.º E

Ó águas do Sado, Levastes o meu amado. Quando volta para mim? Ó águas do rio, Levastes o meu amigo. Quando volta para mim? Levastes o meu amado, Ai, o quanto tenho chorado! Quando volta para mim? Levastes o meu amigo. Estará ele em perigo? Quando volta para mim? Ai, o quanto tenho chorado Neste mar alvoroçado! Quando volta para mim? Estará ele em perigo? Diz-me, ó sol, meu porto de abrigo! Quando volta para mim?

Joana Dinis, 10.º E

GOSTAVA QUE A POESIA FOSSE FÁCIL Gostava que a poesia fosse fácil Gostava de ter um tema, de o desenvolver De fazer sonetos em verso decassilábico a rimar abba abba cde cde Gostava que me ocorressem frases bonitas e figuras de estilo metáfora, hipérbole, antítese Gostava de falar de amor e de natureza, amizade e flores Mas é difícil quando já não se sente nada quando já não existem cores ou música De todo não sei o que escrever ou o que dizer quando não existe mundo lá fora Marta Santos, 11º A

RECRIAR O MUNDO

Olho para o inspirador Tejo, Penso em mim e no que desejo! As Tágides levaram-me o amigo, Rio que tens meu amado, Traz-mo de volta para o meu lado. Olho para o inspirador rio, Penso em ti e no que confio! As Tágides levaram-me o amigo, Rio que tens meu amado, Traz-mo de volta para o meu lado. Penso em mim e no que desejo, Como eu queria dar-te um beijo! As Tágides levaram-me o amigo, Rio que tens meu amado, Traz-mo de volta para o meu lado. Penso em ti e no que confio, Ó meu amado, ó meu amigo! As Tágides levaram-me o amigo, Rio que tens meu amado, Traz-mo de volta para o meu lado. Como eu queria dar-te um beijo! Ó meu amado, meu pescador! As Tágides levaram-me o amigo, Rio que tens meu amado, Traz-mo de volta para o meu lado. Ó meu amado, ó meu amigo! Água do rio trá-lo contigo! As Tágides levaram-me o amigo, Rio que tens meu amado, Traz-mo de volta para o meu lado. Lea Fonseca, 10.º E

QUADRO DE MÉRITO Os nomes dos alunos que em 2007 se destacaram pelo seu desempenho e aproveitamento constam do Quadro de Mérito que pode ser consultado no web site da nossa escola. A estes alunos, o Toque de Saída apresenta congratulações.

O Sol acompanhou o nascimento da Terra há muitos milhões de anos e é ele a nossa principal fonte de luz, assim como uma fonte de aquecimento, possibilitando por isso a existência de vida na Terra, tendo sido adorado como um deus no Antigo Egipto: aquele que organizou o mundo e que o susteve. As plantas necessitam da luz solar para realizar a fotossíntese, e possibilitam lindas paisagens e magníficos espaços verdes, assim como são essenciais para a vida humana, pois enviam oxigénio para o meio ambiente. Os animais precisam da luz solar para sobreviver, e a diversidade e as características das espécies são espectaculares e magníficas. O Sol permite o desenvolvimento da vida humana e é útil para a produção de energia eléctrica, tão necessária ao Homem, sendo uma fonte renovável que não polui e não se esgota. Contudo, devido aos nossos comportamentos, o Sol tornou-se uma das maiores ameaças para a Terra, pois os seus raios ultravioleta são enviados para a Terra, e a quantidade retida pelos gases de estufa é cada vez maior, devido à poluição. Isto leva ao aquecimento global que acarreta diversos problemas, como o aumento de temperatura terrestre, o degelo, a destruição de habitats, a desertificação… Revelando e contagiando o céu com toda a sua beleza, o Sol proporciona-nos magníficas paisagens, desde o nascer ao pôr-do-sol, às fascinantes fases da Lua que estimulam os artistas a transpor tais belezas para as mais diversas artes. Parceiro das mais belas viagens a praias e locais tropicais deste mundo, o Sol convida-non ao prazer, quer seja o descanso ou a prática de desporto nas maravilhas naturais da Terra. Metáfora da vida, metáfora em si mesmo. Assim como a Terra gira à volta do Sol, a sua fonte de luz, nós também devemos seguir em torno dos nossos sonhos, procurando a nossa fonte de luz e de vida. Cumprido o sonho, basta viver em torno da nossa órbita. Perante tal grandeza, inspiro-me com a luz que ele irradia e que nos proporciona a vida. Não pares de brilhar, não apagues a tua luz, velho companheiro cintilante João Luís Santos, 11º C

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TOQUE DE SAÍDA

A POBREZA TEM UM ROSTO DE MULHER

Termina o ano 2007 que o Parlamento e o Conselho Europeus decretaram como Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos. Daí ter ido repescar um artigo que escrevi em 2003 para a revista Vértice, da Editorial Caminho e que, pela sua actualidade, aqui publico em versão condensada. Este artigo teve por base um trabalho de investigação realiza do sob orientação do Prof. Dr. Herculano Cachinho, na Faculdade de Letras de Lisboa, intitulado “A feminização da pobreza”. Simone de Beauvoir, no seu livro O Segundo Sexo, cita Poulaine de Ia Barre: «Tudo o que é escrito pelos homens sobre as mulheres deve ser suspeito porque eles são ao mesmo tempo juiz e parte». Mesmo assim, arrisco. Em que sentido deve ser entendido o conceito de feminização da pobreza? Este con ceito refere-se não ao aumento da pro porção de mulheres entre os pobres, pois o sexo feminino sempre esteve sobre-representado na população pobre, mas ao facto de na actualidade a transformação dos modelos familiares e das relações laborais serem uma agravante à precariedade dos recursos pessoais das mulheres,

quer do ponto de vista material, quer em ter mos de privação cultural. Há maior incidência da pobreza no sexo feminino; a pobreza feminina tem maior visibilidade e há uma maior consciência da mesma, em especial por parte das próprias mulheres. Os factores demográficos e biológicos, como o envelhecimento e o estado de saúde, contribuem fortemente para o agravamento deste flagelo, mas é a alteração da estrutura familiar, onde as mulheres surgem como um grupo de risco, tendo em conta o aumento dos divór cios e das famílias monoparentais, uma das suas principais causas. Generalizados os processos de industrialização e urbanização nas sociedades ocidentais, surgiu um novo modelo de família, sobre tudo após os anos 60: pessoas isoladas, famílias monoparentais, casais sem filhos, uniões de facto, etc. As mulheres com encargos familiares não partilhados revelam-se extremamente vulneráveis a processos bruscos de empobrecimento. Kaufmann, em obra publicada em 1990, afirmava que «A monoparentalidade é, em certos casos, o próprio exemplo de uma nova modalidade de entrada na pobreza a partir de factores familiares». Isto poderá decorrer de dificuldades de adaptação a uma nova situação na qual se verifica em simultâneo a insuficiência de recursos sociais e de capacidades pessoais que permitam um ajustamento não precarizante à nova realidade. Acresce a perda de solidariedade familiar, em certos casos. O baixo nível de rendimentos das famílias monoparentais ligase a uma série de factores: há um único produtor de rendimentos que é, na maioria dos casos, uma mulher, logo, dispõe de um salário

geralmente baixo; e as exigências do cuidado das crianças limi tam as hipóteses de trabalho da mulher. Ora, para ter o mesmo nível de vida, uma família monoparental precisaria de maior rendimento per capita do que uma família biparental, na medida em que do divórcio resulta geralmente a constituição de dois lares. O facto de as famílias monoparentais femininas, titulares do rendimento mínimo, serem 21%, enquanto as monoparentais masculinas serem 1%, concorre para o aumento da fe minização da pobreza. A reestruturação económica e a recomposição do mercado de emprego são também factores de grande influência numa possível situação de pobreza, essencialmente devido ao aumento do desemprego e ao facto de os salários serem reduzidos. As mulheres são normalmente os principais alvos desta realidade, na medida em que, muitas das vezes, os seus salários são entendidos como sendo complementares e secundários em relação ao do cônju ge, pois o salário deste constitui o suporte principal do rendimento familiar. Perante esta realidade e com um eventual divórcio, a mulher fica numa situação extremamente complicada, com um rendimen to insuficiente para uma digna sobrevivência da família. Dados específicos relativos às mulheres confirmam que em Portugal há profundas desigualdades de género que se agravam com o retrocesso nas políticas económicas e sociais. O facto de o maior número de desempregados serem mulheres, as discriminações salariais a que estão sujeitas, a maior precariedade no emprego que atinge o sexo feminino, bem como o facto de serem mulheres o maior número de beneficiárias do Rendi mento Mí-

nimo Garantido, são factores que indicam e podem tor nar-se explicativos da maior incidência deste fenómeno no sexo fe minino. Também o acesso das mulheres à protecção social é decorrente do exercício de uma actividade profissional. Sabendo que a atribu ição das prestações está correlacionada com as condições da activi dade profissional das mulheres, e perante as suas limitações de inte gração e participação no mercado de trabalho, os seus efeitos vão repercutir-se indirectamente no acesso desigual à protecção so cial. Aliás, um dos problemas fundamentais das mulheres activas reside no facto de usufruírem de uma deficiente protecção social devido ao tipo de actividade profissional que desempenham ou desempenha ram: serviços pouco qualificados, trabalho a tempo parcial como forma de subemprego e outros empregos atípicos a que cor respondem as mais baixas remunerações. Assim, os baixos salários das mulheres determinam um baixo nível de protecção social ao longo da sua vida: nos valores dos subsídios de desemprego, de doença, de maternidade e também no das pensões e das reformas. A pobreza tem um rosto de mulher e os factores enunciados concorrem para o aumento da pobreza entre as mulheres. No entanto, a pobreza não é uma questão genética nem uma fatalidade, mas sim um fenómeno construído económica, cultural e socialmente. Lutar pela erradicação da pobreza é um desafio que se coloca a todos neste novo milénio. Que ninguém se demita de dar o seu contributo.

do na prática a simpatia de que é feita a luta por bens essenciais e condições de vida mais dignas. A solução passaria pela sua complementaridade. Lois Pojman defende que os problemas actuais não têm fronteiras, por isso a solução, a ser possível, seria global. Um determinado estado não tem direito ético aos recursos naturais, visto a sua pertença ser aleatória e depender da sorte. Propõe a criação de leis internacionalmente eficazes que combatam o terrorismo e promovam a paz. Tal implicaria um governo mundial, compatível com os nacionalismos que teriam de ser moderados e as riquezas básicas redistribuídas. A dignidade humana e o imperativo moral cosmopolita seriam a base da cidadania planetária, apoiada

nos direitos humanos fundamentais. Estas ideias não são isentas de dificuldades: os terroristas também seriam dignos de compaixão? Que tipo de instituição asseguraria o governo mundial? E a ser criada, o fantasma da corrupção e do totalitarismo não assombraria tal instituição? Talvez não haja soluções…, parte da solução talvez passe pela educação: a compaixão crítica é serena, aprende-se, e a cidadania planetária cultiva-se, faz parte do trabalho de cada um de nós, para que as crianças e os jovens continuem a sonhar e nos presenteiem com os seus sorrisos.

Professor Ricardo Miguel

TERRORISMO E ÉTICA Setembro…, o regresso às aulas, mas também um mês de más memórias. A recordação de um dos mais trágicos problemas do nosso tempo: o terrorismo. Entendido como «uso da violência contra inocentes para fins políticos e militares», apresenta diversas faces que, como a mítica Hidra, parecem não ter fim. Não podemos deixar de nos preocupar com este monstro do nosso tempo que, ampliado pelas novas tecnologias, ganha dimensão global. Este problema de ética prática, também objecto de estudo em filosofia social e política, é analisado por Martha Nussbaum e Lois Pojman, dois filósofos americanos contemporâneos. Martha Nussbaum, especialista em filosofia das emoções, propõe 16

o sentimento de compaixão como complemento da dignidade humana, característica fundamental da natureza humana tal como era entendida por Kant. Este sentimento aplica-se não só aos humanos, mas a todos os sencientes (seres com capacidade de sentir dor ou prazer). Considera que a simpatia e a compaixão, só por si, não são suficientes, pois estes sentimentos são muito instáveis; quando ligamos a TV ou folheamos o jornal, ficamos chocados e indignados, mas depressa esquecemos e voltamos ao nosso relativo conforto quotidiano. Por outro lado, o respeito pela dignidade humana como razão suficiente para o respeito moral, não só deixa de lado outros seres sencientes, como é impessoal e pode levar ao conservadorismo, tolhen-

Professora Graça Silva

OLHAR CIRCUNDANTE


ANO 3 - Nº 6

TOQUE DE SAÍDA

TOMBOCO - ANGOLA

Tomboco, uma província angolana caracterizada pela extrema pobreza, não possui água (andam perto de 4 km para trazer água à cabeça); a luz vem de pequenos geradores ou velas; as acessibilidades são uma autêntica adversidade (para percorrer 80 km são necessárias 5 horas), ainda mais quando as estradas são constituídas por pó. As casas não têm mais que uma ou duas divisões, a cozinha é na rua, e no chão andam ratazanas o que faz com que os focos de doença aumentem. A vida da população é bastante difícil: com um solo bastante seco, infértil e a dependência da agricultura, vivem do que produzem, o que não é muito. Contudo, estes mesmos campos de cultivo estão cheios de minas deixadas pela guerra. No entanto, existe algo de invulgar nesta população: antes de iniciarem o dia de trabalho, vão à missa, pedindo a Deus que lhes dê

força para mais um dia. A extrema pobreza traz também uma alimentação incompleta. Maioritariamente, a população só tem uma refeição por dia, normalmente constituída por farinha de mandioca e água. Nestas pessoas, pode observar-se que, embora muito sofredoras, não tendo nada, dão a maior importância à mais pequena coisa, ao invés da nossa sociedade fútil e consumista. Nota-se que a riqueza está em cada pessoa, na sua simplicidade, no modo de enfrentar a vida com um sorriso. «A recepção do nosso trabalho por parte das populações é das melhores possíveis» diz-me uma voluntária. Ao chegar às comunidades, as pessoas olham para os voluntários com curiosidade, por verem tantas pessoas de raça branca, mas desde logo se estabelece uma empatia. Abrindo os seus corações, recebem estes missionários com danças e cânticos, dando o melhor que têm, às vezes

abdicando de uma peça de fruta e sempre sorridentes… Estes missionários abandonam os seus trabalhos, fazem férias de outra forma, deixam as famílias, dando tudo o que têm. A mesma voluntária leiga explica o porquê desta decisão. «Eu decidi entregar-me à missão porque já era um sonho de pequena, um sonho que sempre tive, ir em missão voluntária para África, estar com crianças maltratadas e abandonadas. Participo nestes voluntariados porque sinto uma paixão pelos outros, sejam pobres ou ricos, crianças ou idosos». Para este esforço, para que seja possível realizar este sonho, é preciso muita determinação e motivação. Ao longo da conversa, admiro esta voluntária pelo ser humano que tem dentro de si. Interrogo-a sobre o que a motiva, ela responde-me da seguinte forma: «Não nos podemos esquecer que Alguém nos ama e sempre disse: temos de amar-nos uns aos outros… Considero-me um ser humano com coração, disponível para amar e ajudar quem precisa, seja rico ou pobre. Este povo mostra o seu amor de uma forma extraordinária, a simplicidade e a humildade de uma forma tão sincera, são os outros que me cativam para continuar a ser leiga…». (Esta reportagem foi elaborada com a ajuda de Gabriela - leiga missionária do Grupo Diálogos, associado à Congregação do Verbo Divino. Sem a sua ajuda nada disto seria possível, recebeu-me em sua casa como se fosse um membro da família. Agradeço-lhe por isso. Agradeço também ao jornal por dar estas oportunidades aos alunos.) Ricardo Paulo, 10º H

A PIRÂMIDE Em Portugal temos uma pirâmide que se encontra invertida. Invertida porque coloca no topo a eliminação dos resíduos e não a sua valorização.

Quando pensamos em Resíduos, o nosso primeiro pensamento devia ser a Redução, porque isso implica fazermos planeamento do que realmente nos é essencial. Seguidamente, e em termos de valorização dos resíduos, devíamos pensar na Reutilização, o que não pressupõe qualquer tipo de modificação ou alteração dos materiais. E somente depois devíamos pensar na Reciclagem que, ao contrário do processo anterior, implica um manuseamento do resíduo para ser (re)utilizado no mesmo fim, ou em fins diferentes. Incluída no processo de reciclagem, a compostagem e a diOLHAR CIRCUNDANTE

gestão anaeróbia (processo que envolve a degradação biológica da matéria orgânica em condições de ausência de oxigénio) são consideradas reciclagem porque são processos quase naturais de degradação dos resíduos. Claro que não são totalmente naturais, pois o homem cria as condições para o processo decorrer, mas, no fim, teremos a tal fracção de composto que pode voltar ao solo e, neste caso, fechar o ciclo. Em termos de hierarquia, podemos dizer que temos uma pirâmide. Na base está a redução, depois a reutilização e, no topo, a reciclagem. Em Portugal temos uma pirâmide que se encontra invertida. Invertida porque coloca no topo a eliminação dos resíduos e não a sua valorização. Nós estamos exactamente a privilegiar a eliminação, uma vez que os desperdícios são colocados no solo, em aterros sanitários, já que nos-

so país a deposição em aterro é o destino principal dos resíduos; de seguida temos a reciclagem e, bem lá no fundo, a reutilização. Entre nós, a reciclagem começa a ganhar alguma expressão. Já existem algumas centrais de triagem, às quais, de forma tímida, algumas pessoas vão aderindo, através dos Ecopontos. Contudo, representam uma percentagem muito pequena da população. Esta falta de hábitos ecológicos tem a ver com questões culturais e com falta de motivação, pois a reciclagem só tem sentido se a separação se realizar na fonte. As pessoas olham para os resíduos como um mal de que têm de se livrar. Ora temos de os encarar, não como um desperdício ao qual atribuímos um valor negativo, mas como uma fonte de matériaprima que podemos valorizar ou reciclar. No âmbito do processo de autoavaliação da escola (C.A.F.),

uma das equipas responsáveis pela implementação de medidas de melhoria tem por objectivo promover no seio da comunidade escolar acções que visam a redução e a reciclagem de desperdícios. Trata-se de uma equipa multidisciplinar, constituída por professores que pretendem intervir activamente neste processo de redução de consumos e na reciclagem. Intervir como? Quando? Esta acção desenvolverse-á durante o ano lectivo de 2007/2008, através de actividades de promoção e de sensibilização para as boas práticas. Tendo como alvo toda a comunidade escolar, a premissa assenta na máxima: agir localmente, mas pensar globalmente, para que as boas práticas realizadas dentro da comunidade escolar possam ser adoptadas nas casas de cada um… Professora Ana Duarte (membro da equipa de melhoria 3)

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TOQUE DE SAÍDA

ANO 3 - Nº 6

PORQUE ENSINO XADREZ?

O Xadrez para mim é uma filosofia de vida, um jogo, uma ciência, uma arte! Spassky, ex Campeão do Mundo que perdeu o título para o americano Bobby Fischer em 1972, em plena Guerra Fria, definiu o xadrez da seguinte forma: «O xadrez é como a vida». E ele mostra coerência na sua afirmação. Repare-se que o jogo de xadrez tem três fases: a abertura, o meiojogo e o final. Na vida temos a infância, a meia-idade e a velhice. No xadrez, se tivermos uma boa abertura, se sairmos bem e com vantagem, teremos um meio-jogo consistente e um final seguro, ganhando facilmente a partida. Na vida, se tivermos uma boa infância, temos estrutura para aguentar uma boa meia-idade e, provavelmente, uma velhice estável. Por tudo isto, defendo que a criança deve ser iniciada no xadrez desde tenra idade, 6 ou 7 anos, para que aprenda a pensar. E, sem se aperceber, entrará no raciocínio matemático, na aprendizagem do Português, no desenho, nas línguas estrangeiras (os livros sobre xadrez são sobretudo em espanhol e em inglês), na informática (com a Internet é possível buscar informação, jogar on-line, acompanhar ao segundo as partidas que estão a decorrer, verificar que torneios estão a realizar-se ou se realizaram). Também há material de treino on-line, desde a iniciação até ao alto nível (ver em www. chessbase.com). Quando começo a dar os primeiros treinos a crianças do 1º ciclo, solicito-lhes que tragam um caderno quadriculado, lápis, borracha e régua. Para quê? Para desenharem os diagramas (tabuleiros) e aí colocarem as posições estudadas. Assim, aplicam técnicas de desenho. Depois visualizam no espaço, mentalmente, os movimentos a efectuar e as suas variantes, repetidas vezes, desenvolvendo a memória visual. Têm de conhecer bem o tabuleiro, saber a localização das várias casas, por exemplo: a casa “a1” é uma casa preta do lado das brancas onde está situada uma das Torres no início do jogo. Outro exemplo: saber (sem ver o tabuleiro) todas as coordenadas da diagonal maior preta “ a1 a h8”. É possível treinar a mente para este tipo de desafios. As competições escolares e federadas são muito importantes porque implicam jogar com relógio. Têm por isso de aprender a

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ENIGMAS

gerir o tempo, pois se ultrapassarem um determinado tempo perdem a partida. Treinamse assim para ser metódicos, ter regras, respeitar o adversário. As competições são também importantes porque abrem os horizontes nas relações humanas e permitem fazer novas amizades. As competições internacionais fomentam além disso a aprendizagem de línguas estrangeiras. Nas competições em ritmo clássico, onde uma partida poderá demorar 4 horas, é preciso ter uma grande preparação física para manter um nível elevado de concentração. Uma falha de concentração pode ditar a derrota ou mesmo o empate quando a vitória é o que se procura. Neste ritmo de jogo, existem registos dos lances efectuados, logo, é possível reproduzir toda a partida que poderá ser analisada para identificar os erros cometidos e evitar que se repitam. Um jogador que cometa muitos erros, por exemplo na abertura, não sabe jogar os primeiros lances, que são teóricos. Terá de investigar em livros, na Internet ou nas bases de dados de partidas, a abertura que jogou, verificar onde cometeu o erro e apreender os planos estratégicos da abertura em causa. Entramos assim no campo da investigação e aplicação do método científico. Na análise das suas próprias partidas, os jogadores têm de justificar – a si próprios e ao treinador – os lances que fizeram. E têm de saber eliminar o erro da partida e aprender a recuperar, no jogo tal como vida! Dar a volta por cima! Percebem agora porque é que eu ensino xadrez? Para formar os Homens de amanhã, com princípios éticos e competitivos.

1.

Os Hóspedes

Num hotel para gatos e cães, 10% dos cães julgam que são gatos e 10% dos gatos julgam que são cães. Após cuidadosas observações, conclui-se que 20% de todos os hóspedes pensam que são gatos e que os restantes 80% pensam que são cães. Se no hotel estão hospedados 10 gatos, quantos cães estão hospedados no hotel? 2.

A toalha da Alice

A Alice queria uma toalha rectangular, mas só tinha uma redonda (circular). Então dobrou-a em 4 partes iguais e cortou-a da forma indicada a tracejado na figura. Qual a medida da área do tecido desperdiçado?

SOLUÇÕES - TOQUE DE SAÍDA Nº5 Sou uma palavra de 6 letras. Resposta: Escola Quem namora com quem? Resposta: A Inês namora com o João e dança com o Luís. A Carla namora com o Tiago e dança com o Bruno. A Helena namora com o Luís e dança com o Tiago. A Mónica namora com o Bruno e dança com o João. Os ovos Resposta: 7 ovos O Xico comprou esta barra de chocolate.

Professor José Cavadas

ACADEMIA XADREZ

Qual destas 3 casas é maior? As que têm escala uma 1/1000 e 1/500 são iguais e maiores que a que tem uma escala 1/250.

“A” CAMPEÃ DISTRITAL DE LEIRIA EM RITMO SEMI RÁPIDO No passado dia 9 Setembro realizou-se o Campeonato Distrital Equipas em ritmo semi-rápido, com a presença de 6 equipas. O sistema utilizado foi o de Todos contra Todos, no ritmo de 20 minutos por jogador e por partida. A Equipa “A” da Academia Xadrez da Benedita (Iskren Dzambazov, Pedro Rodrigues, Jorge Bastos e Mariana Silva) é a nova Campeã Distrital 2006/07.

Problema dos interruptores Acendemos o interruptor nº 1 e deixámo-lo ligado alguns minutos. Passado esse tempo, desligámos esse interruptor e ligámos o interruptor nº 2. De imediato entrámos na sala e tocámos na lâmpada. Se a lâmpada estiver apagada e quente, é porque o interruptor correcto é o nº 1. Se estiver acesa, o interruptor correcto é o nº2. Se estiver apagada e fria, o interruptor correcto é o nº 3. Problema do sapateiro O comerciante perdeu o valor dos sapatos mais 10€ que deu de troco mais 50€ que teve de entregar ao vizinho, ou seja, perdeu 100€.

Professor José Cavadas

MENTE SÃ EM CORPO SÃO


ANO 3 - Nº 6

TOQUE DE SAÍDA

SAÚDE, NUTRIÇÃO, EXERCÍCIO FÍSICO E ENVELHECIMENTO

CULINÁRIA BRINDEIRAS DOCES DOS SANTOS

Como todos sabemos, nada se pode fazer para evitar o envelhecimento humano, no entanto está provado que um estilo de vida saudável pode atrasá-lo, bem como evitar que seja acompanhado por doenças degenerativas como a arterosclerose, o reumatismo, as cataratas, o cancro e outras, cuja incidência costuma aumentar na terceira idade.

tura química. O resultado é a degeneração das células, o envelhecimento precoce e a doença (incluindo o cancro). De onde surgem estes radicais livres? - do nosso próprio organismo, como resultado da actividade metabólica; - da contaminação exterior (fumo do tabaco, as drogas em geral, muitos medicamentos, etc.)

Causas do envelhecimento 1º O relógio biológico – encontra-se em cada uma das células do organismo. Chegada uma determinada idade, desencadeia-se o envelhecimento e a morte, por muito saudáveis que tenham sido e continuem a ser a alimentação e o estilo de vida. 2º Os radicais livres – são moléculas dotadas de acção pró-oxidante. Recentes investigações mostram que os radicais livres atacam as células, produzindo danos na sua estru-

Como Atrasar mento

o

Envelheci-

Nada podemos fazer para controlar o “relógio biológico” das nossas células. No entanto, existem pelo menos quatro formas eficazes de lutar contra os radicais livres, a outra causa importante de envelhecimento precoce: 1 – Favorecer os processos depurativos: através deles eliminam-se os radicais livres forma-

PROJECTO VIVER + Este projecto surge pela necessidade de, cada vez mais, ter de ser a escola a fomentar boas práticas nos nossos jovens, relativamente ao exercício físico, à alimentação e à saúde em geral. O aumento do urbanismo nas sociedades industrializadas conduz, frequente e facilmente, a estilos de vida pouco saudáveis: sedentarismo e “fast-food”. A obesidade daí resultante constitui já uma das grandes epidemias do séc. XXI, epidemia que os serviços de saúde terão de enfrentar. É neste momento a doença nutricional prevalente a nível mundial, atravessando todas as raças, etnias e grupos sociais. Assim, este projecto procura dispensar orientação, acompanhamento e informação aos alunos que revelem problemas de saúde, como por exemplo obesidade infantil, anorexia e bulimia que muitas vezes derivam de uma ausência de actividade física e de uma alimentação equiliMENTE SÃ EM CORPO SÃO

dos pela actividade do próprio organismo ou provenientes de contaminação exterior. Para tal, devemos aumentar a produção de urina consumindo mais água, fruta e hortaliças, bem como favorecer os processos de desintoxicação hepática através das frutas e das hortaliças. 2 – Evitar a contaminação por substâncias químicas e por drogas e, tanto quanto possível, aumentar o consumo de produtos cultivados biologicamente. 3 – Consumir antioxidantes, que se encontram em abundância na fruta, nas verduras e nas hortaliças frescas.

Ingredientes: 2 kg de farinha 1 kg de açúcar 100 g de manteiga 50 g de fermento de padeiro 1 colher de sopa de bicarbonato 1 fio de azeite 1 pitada de sal 1 pouco de canela em pó 1 pouco de erva doce Raspa de limão q.b. Preparação:

4 – A actividade física que nos faz suar, promovendo desta forma a saída de radicais livres do organismo através da transpiração.

Derrete-se o fermento de padeiro e o sal em água morna (pouca). Mistura-se a farinha juntamente com os outros ingredientes e amassa-se bem. Se for necessário acrescenta-se um pouco de água. Deixa-se descansar a massa até levedar. Tendem-se pequenas bolas de massa que vão a cozer em forno previamente aquecido.

Professor Miguel Fonseca

Professora Isabel Neto

NOTÍCIAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

brada. Viver+ procura orientar estes alunos para uma prática autónoma e saudável de actividade física, bem como para hábitos alimentares saudáveis e adequados. Assim, colocámos à disposição dos alunos, professores e funcionários da escola um gabinete onde se podem dirigir para esclarecer dúvidas relacionadas com alimentação e prática de exercício físico. O gabinete atende à 3ª feira, das 15 às 16 horas. Integram este projecto os professores Isabel Paixão, Luísa Fonseca, Miguel Fonseca e Pilar Peres. Professor Miguel Fonseca

Após um ano de intervalo, o grupo de Educação Física irá novamente realizar a Noite Estapafúrdia, no dia 15 de Março de 2008. Os treinos decorrem à 5ª feira, das 17:30 às 18:30, nas modalidades de Ginástica Solo, Aparelhos e de Dança. Este ano, no âmbito do Desporto Escolar estão disponíveis para os alunos as modalidades de Voleibol e de Multiactividades, sob a responsabilidade, respectivamente, da professora Estela Santana e do

professor Tobias Marquês. Está também a funcionar o clube dos pré-requisitos que tem como objectivo preparar os alunos que pretendam ingressar em cursos ou carreiras em que sejam exigidas provas físicas (Força Aérea, Marinha, Exército…). Este clube está sob a responsabilidade do professor João Simões. Como vem sendo hábito, realizou-se no dia 21 de Novembro de 2007 o corta-mato escolar que foi organizado pelos alunos 11º ano do Curso Tecnológico de Desporto, com o apoio do 12º ano do mesmo curso, bem como do Grupo de Educação Física.

NOTÍCIAS DA FÍSICA E DA QUÍMICA O grupo de Física e Química tem promovido ao longo dos últimos anos actividades que envolvem a comunidade educativa local e as outras escolas da Benedita. O “Clube Arquimedes”, destinado principalmente aos jovens do 3º ciclo; os “Laboratórios Abertos”; o Projecto SmartBoard, em cooperação com as escolas locais do ensino pré-escolar, 1º ciclo e 2º ciclo; bem como o projecto “Ciência de Palmo e Meio”, do programa Ciência Viva, para alunos do 1º ciclo, em colaboração com o Agrupamento de Escolas da Benedita, são alguns dos projectos que têm continuidade este ano, dinamizados pelos professores do grupo de Física e Química. 19


TOQUE DE SAÍDA

2007 - Centenário de Hergé «TINTIN SOU EU»

A 22 de Maio de 1907, nasceu em Bruxelas o criador de Tintim cuja criação, em 1929, estabeleceu uma forte ligação entre Hergé, o desenhador, e o jovem repórter aventureiro, a personagem: «Tintim sou eu.», disse Hergé. Tintim é até hoje a mais famosa personagem da banda desenhada europeia. Já no ano de 1930, Hergé tinha criado as Aventuras de Quim e Filipe, publicadas em Portugal, aventuras essas que reflectem a Bruxelas dos anos 30. Em 1935, desenhou Joana, João e o macaco Simão, série de ficção científica também editada em Portugal. As aventuras de Tintim a cores foram editadas em Portugal no jornal O Papagaio, em 1936. Hergé morre aos 76 anos, deixando expresso que ninguém poderia continuar a sua obra. A Bélgica comemora o centenário do nascimento de Hergé, assinalando-o com a colocação da primeira pedra do futuro Museu Hergé, em Louvain-la-Neuve, cidade onde o cartoonista faleceu. Em Portugal, a Editorial Verbo e o Festival de Banda Desenhada de Almada assinalam este centenário com uma exposição em parceria com a Fundação Hergé. E, para 2009, está planeada uma exposição retrospectiva, a mesma que o Centro Georges Pompidou acolheu até ao passado mês de Fevereiro. Professora Maria de Lurdes Goulão

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“A NOITE ESTRELADA”

A Noite Estrelada, 1889, Van Gogh

A Noite Estrelada, pintada em 1889, ano em que o artista esteve internado na clínica de Saint-Rémy, vítima de depressão, é uma das obras mais célebres de Vincent Van Gogh. Nesta tela, o pintor retrata uma estranha paisagem nocturna. Mas o que estará por detrás deste quadro? O que esconderão as curvas e abstracções que dão forma ao céu, que contrastam com os traços rectos e lineares que evidenciam a aldeia num segundo plano? Penso que este quadro é uma espécie de retrato da alma do pintor. Esta composição mostra um universo sombrio e atormentado que só Van Gogh podia vislumbrar: o seu próprio mundo interior. No céu é evidente a magnitude da(quela) noite, como se fosse diferente de todas as noites, única, absoluta . Como se o céu se enchesse de estrelas monumentais que cintilam, de forma tão extraordinária, que atravessam a noite com os seus raios de luz. Como se a lua brilhasse tão intensamente que iluminasse o horizonte e o vento como nunca o tivera feito.

Neste quadro é visível a superioridade do céu, ao qual o pintor dá excessivo destaque, projectando-o para primeiro plano. É notória também a escolha e distribuição das cores, como o branco, vários tons de azul e o amarelo, provocatoriamente presente em formas ampliadas de astros que bailam ao sabor do vento. Mais perto do espectador, uma árvore lança os seus ramos sombrios para o alto, como uma labareda ondulante que contrasta com os tons da aldeia, ao fundo, quieta e serena, alheia ao fantasmagórico bailado das estrelas e da lua. A Noite Estrelada é um auto-retrato. Olhando a paisagem, o pintor reviu-se nela. O tema deste quadro não é uma paisagem nocturna de Saint-Rémy, mas a metáfora de uma paisagem interior, da alma de Van Gogh. Beatriz Severes Lopes, 11º E

ARTE E CULTURA


Toque de Saída Nº6