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"Estrutura tributária Seminário sobre a Desindustrialização realizado pela Federação das Indústrias levantou assuntos importantes e discutiu soluções para o rumo da indústria brasileira

Preocupados com o rumo que a indústria brasileira vem tomando nos últimos anos, a Federação da Indústria e Comércio (FIESC) realizou em março o Seminário sobre a Desindustrialização. O evento que ocorreu na sede da FIESC em Florianópolis contou com a participação de lideranças empresariais, políticas e educacionais, que puderam discutir e apresentar dados que esboçam o xos no mercado doméstico e na desindustrialização, bem como a estrutura industrial brasileira e de Santa Catarina. O ex-presidente do BNDES e exministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, levantou uma das questões mais imporbutária da indústria, com a economia aberta, vai destruir a indústria brasileira. “Posso falar isso de peito aberSão Paulo, com 350 funcionários, e vai fechar porque não tem condições de competir”, complementou o também palestrante. Referindo-se ao passado, o economista relata que a reforma tri-

butária era uma abstração. “Hoje é uma questão de sobrevivência. rante 25 anos. Só se resolveu quando de sobrevivência. Aí, a sociedade resolveu se mexer. Agora, é uma questão de sobrevivência da indústria a reforma tributária”, enfatizou, destacando que esse deve ser o foco central da cobrança das lideranças empresariais. Com a abertura comercial no início dos anos 1990, as condições de competitividade da economia brasileira foram piorando. “A indústria foi o setor que mais sofreu porque o segmento mais protegido da economia sempre foi a parte industrial”, relatou. Barros detalhou que ainda que a economia esteja aberta, a estrutura tributária segue a dos tempos da economia fechada. Quando o Brasil começou a concorrer com outros países, percebeu que os custos eram maiores. Ele citou a energia elétrica que chega a custar quatro vezes mais que nos países concorrentes. “Então não pode ter a estrutura tributária que nós temos em uma série de insumos da indústria”, disse ele.

A respeito da taxa de câmbio, o presidente da FIESC, Glauco José Côrte, alertou que produzir neste câmbio é mais uma gota num copo de água que já estava cheio. “Encheram o copo com carga tributária muito elevada, juros elevados, custos de logística exagerados que nós temos a nossa competitividade em relação aos nossos principais concorrentes que não têm os mesmos custos”, declarou. “Hoje, produzir no Brasil que encarecem a produção é a carga tributária cada vez mais elevada”, complementou. Para o economista e professor da UFSC, Silvio Ferraz Cário, desindustrialização é a perda de participação relativa da indústria na formação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. “Em nível nacional, há uma trajetória descendente dessa participação da indústria. No ano passado, o setor chegou em torno de 1958, quando era esse o percentual de participação. Nos anos 1980, o setor chegou a 38%. Há um processo

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