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Porcelanato: Milena Nandi l Criciúma Quando se fala em revestimento cerâmico produzido no Sul de Santa Catarina, logo vem à mente o porcelanato. Com o revestimento, empresas da região ingressaram no mercado de produtos de alto valor agregado e destinados a uma camada da população com poder aquisitivo maior. A Unesc, em parceria com o Senai de Criciúma, trouxe o doutor e pesquisador do Instituto de Ciências e Tecnologia dos Materiais Cerâmicos, de Faenza, na Itália, e membro do quadro editorial de veículos de comunicação internacionais da área cerâmica, Michele Dondi, para falar sobre o produto, duma de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM), realizado em março na universidade. Segundo Dondi, que abordou o tema “Microestrutura e evolução de fase du-

rante a sinterização do porcelanato: efeito sobre o desempenho técnico”, ele é o produto de maior conteúdo tecnológico no setor de revestimentos cerâmicos. O pesquisador explica que o porcelanato é um produto compacto, quase sem porosidade, que tem propriedades mecânicas, tribológicas e funcionais excelentes, além de características estéticas excepcionais. “Não há nada similar no setor da construção. Para alcançar todas estas propriedades é necessário dispor de maquinário e know how que representam o top da tecnologia cerâmica”, analisou. Ele comentou que no Brasil a produção do porcelanato é concentrada basicamente na cidade de Criciúma, o que dá à indústria de Santa Catarina a liderança tecnológica no setor cerâmico brasileiro. Dondi disse ainda que o porcelanato tem grande importância, seja do ponto de vista econômico, seja como “produto de ponta” da indústria cerâ-

mica para atrair o interesse dos projetistas e dos arquitetos em relação a outros materiais de construção. “A indústria cerâmica italiana, que produz essencialmente porcelanato, consegue vender este produto a preços mais altos e ainda tem a liderança no mercado global das exportações”, comentou o pesquisador. “Os produtos de Santa Catarina são vistos como de alta qualidade, provavelmente os mais próximos às características do porcelanato italiano e europeu”, complementou.

A tendência é inovar Conforme o pesquisador italiano, no mundo, a fabricação de revestimentos cerâmicos já superou os 10 bilhões de metros quadrados e segue aumentando a uma taxa de 300 milhões de metros quadrados por ano. “O porcelanato é sem dúvida o produto que está ganhando mais quotas de mercado”, comentou.

O setor cerâmico é um dos que mais emprega tecnologia em seus produtos. Segundo Dondi, no Brasil, mesmo que a tecnologia ainda não seja a mesma que a dos maiores produtores mundiais, ela chegou antes que em outros países. “O Brasil tem produtos de qualidade e mais próximos dos feitos na Europa”.

Em se tratando de inovação no setor, a maior novidade dos últimos anos, conforme o pesquisador, foi a introdução da decoração digital. Ele explica que a técnica está se espalhando rapidamente em todo o mundo e abrindo novas possibilidades ao design de revestimentos cerâmicos.

Concorrência interna e externa Os chineses são concorrentes dos brasileiros em muitos setores. E no cerâmico, também fazem as empresas tria cerâmica da China possui a mesma tecnologia que a brasileira e europeia, e por isso, pode fazer produtos de qualidade como qualquer outro país. No entanto, o foco dos chineses ainda tem sido produtos baratos, onde, segundo o pesquisador italiano, o fator preponderante é o preço, o que

pode ter trazido prejuízos à qualidade dos produtos. E o que fazer para vencer a concorrência externa? A resposta de Dondi é: empresas mais fortes – se unindo em forma de redes para conseguir competir. “Parece que o principal parceiro da China é o brasileiro, que está brigando entre si. Em Santa Catarina, por exemplo, as empresas devem fazer um esforço conjunto, pois todos estão no mesmo barco”, comentou.

Já no caso do Brasil, o polo cerâmico de Santa Gertrudes – que há anos se destacava pela produção de produtos mais baratos, e que não fazia concorrência direta ao porcelanato do Sul catarinense – vem crescendo. “Santa Gertrudes é um fenômeno tecnológico. Produz revestimentos com rapidez, custo baixo e de qualidade. As cerâmicas de lá não param e já mou.

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