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Nu da Arte Conceitual

E

sta imagem do fotógrafo Alysson Maria é símbolo de uma possível crítica dessa corrente que há muito cria conflitos em nossa maneira de apreender o que é arte.

Encontramos­nos diante de uma possível faca de dois gumes: estaria o fotógrafo percorrendo por caminhos nebulosos (no melhor estilo Blow Up) inserindo e se inserindo numa escola já tão reverenciada ou simplesmente estaria apunhalando de frente e sem temor aquilo que já legitima automaticamente só por receber o sobrenome de Arte Conceitual?

Sentamos, cruzamos nossas pernas e o

que é fruído? O livro de cabeceira da arte produzida

atualmente

é

um

manual

escrito em um idioma que confundiria qualquer "Rei Nu" e toda a sua corte

Supérfluo seria deslocar a cabeça de um lado para o outro com a conseqüência natural do folhear para uma próxima imagem. No entanto, ao ousarmos um afunilamento por sobre os poros e pixels desta fotografia, perceberíamos então reflexão a respeito de uma crise vivida por todos os produtores de imagem: valeria à pena moldar os caminhos da produção para se inserir num contexto?

Às vezes o que parece claro é que o Conceitual é característica inerente à Arte contemporânea e se es­ quivar disso é estar passível de pouco reconhecimento.

Estaria o livro, ou, simplesmente a Arte Conceitual em si, obstruindo a contemplação da naturalidade da beleza feminina e por que não dizer, da própria natureza fotográfica?

Seria um prenúncio do destino da Arte Conceitual como justamente a área mais clara do livro (sua capa) indica com a fotografia de um homem que se enterra? Ou estaria a imagem apenas revelando o livro e não moralizando a nudez? Os cabelos com todo o seu peso parecem não querer identificar… O que com­ plementaria a idéia de obstrução. Ao mesmo tempo, há algo de curioso na pose da modelo, pois a posição de sua cabeça em conjunção com o restante do corpo nos faria crer que ela nos deu as costas, fugindo dessa discussão entre o conceito e a obra. A modelo desejava apenas contribuir com a nudez clássica e agora não sabe como fugir de toda esta confusão. Ou melhor, há algo em sua pose que nos remete à si­ tuação biológica da qual ninguém escapa e o livro serviria apenas como ferramenta para auxiliar no que é iminente.... o quadrado preto sobre

fundo branco

remete à

O Fato é que a Arte Conceitual veio para fortalecer o universo fotográfico que hoje em dia está muito bem ressarcido, obrigado. E é da natureza desta vertente questionar o entorno e a si mesma para não passarmos adiante o que necessita ser fincado e muito menos legitimar o que de tanta grandeza diminui a gênese criativa de autores que não buscam a complexidade da vida. Apenas estes querem nos lembrar que fotografar é viver emoções. Compartilhá­las seria de extrema utilidade tanto para quem produz quanto para quem as recebe.

abstração

...

...vejamos como isso se aplica à Arte Conceitual

!


Educação Liberal Algumas explicações

Pretendo, com essa segunda exposição sobre Educação Liberal, esclarecer certos pontos que, quer pelo espaço reduzido no periódico, quer pela incapacidade deste que vos fala, não foram suficientemente entendidos e suscitaram dúvidas.

A

ntes de mais nada, devo dizer que, quando

Por Seminarista Vladimir Francisco Isso prova que podemos sim conciliar o ensino que recebemos nas

contrapus o modelo da Educação Liberal com o

escolas e universidades (quase sempre úteis somente para conse­

isso propugnando uma extinção do último, tam­

Liberal, sendo autodidatas como o foram os maiores de nosso país

modelo educacional vigente, não estava com pouco considerando­o inútil ou desnecessário.

Evidentemente, qualquer sociedade saudável necessita de técnicos e a minha crítica endereçou­se à predominância, nos tempos corren­ tes, de uma visão que se atém unicamente ao conhecimento especí­ fico, à tecnicidade, às ciências aplicadas, em detrimento da esfera do pensamento puro (em que se encontra a filosofia, por exemplo), que

é o que subterraneamente conduz o mundo. Se fiz uma defesa vee­ mente da liberal education foi, portanto, porque há um predomínio absoluto do ensino técnico (mesmo nas universidades, através da

educação­para­o­mercado­de­trabalho) e uma carência total de um ensino que reconheça a integralidade do ser humano. Tive, portanto, a intenção de equilibrar um pouco a balança de nossa formação.

Sendo pragmático e realista, no Brasil de nossos dias não temos qualquer prognóstico quanto a um futuro melhor sob o ponto de vis­ ta que defendo. Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, não

temos entidades de ensino superior que definam sua grade curricu­ lar de acordo com a educação clássica e, afora uns poucos excên­

tricos, não há defesa visível desse modelo entre os educadores locais ­ em parte por certa covardia e comodismo, verdade seja dita,

de alguns educadores, que, por razões de auto­preservação e cor­ porativismo, preferem deixar as coisas do jeito que estão, quando muito se movimentando apenas para conseguir aumentos salariais.

Resta­nos, pois, conseguir apoio daqueles que sempre estarão co­

nosco: nós mesmos. E na verdade, embora estejamos acostumados a ouvir tanto sobre um suposto direito à educação, esta está mais para um dever do que para um direito, pois por mais que o aluno se­ ja colocado no melhor dos ambientes, com acesso aos melhores li­ vros e professores, nada será se não tiver o impulso interior de

buscar o conhecimento. Enquanto isso, temos o exemplo (quase) arquetípico de Machado de Assis, nosso grande escritor e fundador da ABL (Academia Brasileira de Letras), o mulato que andava des­ calço no Morro do Livramento e, por aventura própria, era versado em latim, inglês e francês (e no final da vida estudava grego).

guirmos nossa posição no mercado de trabalho) com a Educação (e aqui cabe lembrar que a primeira universidade que tivemos aqui, a Universidade Federal do Amazonas, surgiu apenas em 1909).

Não há, a priori, uma situação de escolha fatal entre os dois mode­ los de ensino que eu cá menciono (“ou um ou outro”), mesmo por­ que eles têm origens, métodos e finalidades flagrantemente diversos, como espero ter explicado. Um trata da vida (dita) prática, o outro da vida pensada. Matéria e espírito.

Foi­me sugerido também um aparente pedantismo de minha parte

no texto anterior, especialmente na escolha de certas palavras es­ trangeiras ou pouco utilizadas no vernáculo. Quanto a essas ques­ tões de estilo, somente posso me desculpar dos leitores e fazer um esforço para evitar estrangeirismo ao máximos (que, acredi­ tem, é o que tento sempre, mesmo porque sou o perfeito oposto

de um poliglota) e, quando não for possível, colocar entre parênte­ ses o significado da expressão em português, como de hábito.

Finalmente, meu primeiro texto no ImaginandoImagens passou uma compreensível impressão de demagogia quando critiquei, no

primeiro parágrafo, a visão de ensino daqueles que estão incum­ bidos de cuidar ou zelar pela educação. Houve essa impressão

por eu não ter citado exemplos que confirmassem minha afirma­ ção. É pena que o espaço seja breve, mas prometo futuramente mencionar matérias e que tais que subscrevam o que disse.

"Sendo pragmático e realista, no Brasil de nossos dias não temos qualquer prognóstico quanto a um futuro melhor sob o ponto de vista que defendo."


editor responsรกvel: vinicius meireles supervisรฃo grรกfica: isaac filho


por VInicius Meireles

(re) leitura


projeto gráfico texto e fotos por vinicius meireles

conceito

sm (lat conceptu) 1 evolução da abstração.

2 abolimento da técnica. 3 abolimento da representação. 4 arte como manual de ins­ truções. 5 vazio na arte contemporânea. 6 niilismo que isola o indivíduo da sociedade. 7 legitimação suspeita.

af

on

te

Imaginando Imagens nº2  

imaginando imagens

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