Page 21

MEU CABOCLO TUPINAMBÁ

A minha história ela vem de Itaituba aonde eu nasci. Tem um avô que faleceu esse ano que era Sacaca. E daí minha mãe trouxe também um pouco de conhecimento com ele. Quando eu completei meia idade... Meu pai, maranhense do Codó, hoje minha parte da família dele mora em Santa Luzia... Então eu tinha visões. Criancinha, desde criança, eu tinha visão e mamãe dizia: – Para com isso menino, tu não é isso... E eu tinha visão, e a visão que eu tinha era os índios, fazendo aquele círculo, aquela roda de fogo no meio. E, um certo dia, minha mãe se deixou do meu pai. E, já com meu padrasto, saiu pra assistir um filme. Um filme do Bruce Lee, aquela época ainda existia, antigo, né? Faltava energia em Itaiutuba e minha mãe deixou a vela

acesa. E o que aconteceu? A casa pegou fogo! Arrodiou de fogo e eu no meio, junto com meu irmão. Eu na rede e meu irmão na cama, e o fogo arrodiado. Aí tinha uma visão, como se fosse ao vivo, materializado de um Exu, de um Exu Capa Preta. Porque hoje eu sei o que é, antes eu não sabia. E ele disse pra mim, fez o sinal: – Pula! Em cima do fogo. E pega o teu irmão. Desci da rede e pulei. Não aconteceu nada eu não me queimei. Com pijama, porque, naquela época, existia o Banana de Pijama, e eu era o B1 e o meu irmão era o B2. Aí eu meti a mão no fogo lá e puxei o meu irmão. Só que tinha um detalhe, o quarto que eu peguei tava trancado também. E agora? E eu era muito católico, coroinha de igreja também, mamãe sempre ia pra igreja, eu cantava no coral da igreja. E eu vi uma luz, um

cavaleiro, todo montado, e ele disse pra mim: – Vai até aquela janela que ela vai se abrir. E as janelas tudo fechada, tudo fechadinha mesmo, não tinha como eu consegui abrir, era alto. E eu pequeno, tinha sete anos de idade. E, quando eu cheguei próximo da porta, acontece da porta se abrir. E eu saí correndo, desembalado na carreira, e cheguei lá com a minha mãe: – A casa tá pegando fogo. – E como é que tu saiu lá de dentro, que tava arrodeado de fogo lá? Quando os vizinhos chegaram lá, só já tava só o pó. Tinha acabado tudo, se transformado em cinza. E a mamãe disse: – Esse menino só pode ter alguma coisa! E eu: – Não, mamãe, eu tenho é Deus no meu coração, eu não tenho essas coisas não. Meu avô que faz as pajelanças dele lá, quem cura as pessoas é ele, eu não tenho nada disso não. – Mas teu pai,

17

Histórias de Pai Westerley de Ogum Terreiro de São Jorge

ORIXÁS CABOCLOS E ENCANTADOS  

Livreto de histórias resultado do projeto "Laroyê!: a magia dos orixás dos terreiros às escolas" realizado por Lorena Anastácio e Vinícius D...

ORIXÁS CABOCLOS E ENCANTADOS  

Livreto de histórias resultado do projeto "Laroyê!: a magia dos orixás dos terreiros às escolas" realizado por Lorena Anastácio e Vinícius D...

Advertisement