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Fotos Getúlio Camargo

ESPECIAL

Ao lado do interprete Leonardo Gonçalves, Michael não fugiu da Sabatina

Michael W. Smith, o multitarefa Vinicius Cintra

Seja na música, na literatura ou no cinema, Michael W. Smith é um sucesso. Após cinco anos retorna ao Brasil para uma série de shows

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pós cinco anos, o cantor e pastor Michael W. Smith retornou ao Brasil para uma série de apresentações encerrando a turnê A New Hallelujah. O artista, que é referência na música gospel mundial, realizou no dia 26 de maio, na loja Made In Brazil em São Paulo uma coletiva de imprensa em que falou sobre música, cinema, família, drogas e juventude. Smith falou ainda da sensação de retornar ao país. “É muito prazeroso estar de volta ao Brasil. Lembro quando estive aqui em 2005. Nenhum outro lugar do mundo tem a energia deste povo”, destacou. Smith estava acompanhado de Valdo Romão Júnior e Ricardo Tarantello, ambos diretores da Gol-

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dLight, empresa promotora do evento. “A ideia da empresa Goldlight é de trazer ao decorrer do ano diversos cantores internacionais que o público tem aguardado há bastante tempo. A Goldlight quer profissionalizar o mercado de shows gospel com artistas renomados”, conta Valdo Romão Junior. Alexandre Medeiros, gerente comercial da Made in Brazil, loja de instrumentos e acessórios musicais, destacou Smith como referência mundial. “É muito importante para nós da Made agregar a marca, o nome dele ao nosso.” “O investimento financeiro para um evento deste porte é na média, três vezes maior em relação a um evento nacional. Isto só na parte técnica, sem contar com o cachê e despesas

internacionais como passagens, documentação, etc. A Goldlight, primou pela qualidade e vai manter o mesmo nível técnico para os próximos eventos internacionais que já estão sendo agendados”, conta César Moysés, produtor audiovisual do show de Michael W. Smith. Após cinco anos ele retornou para encerrar a turnê mundial de A New Hallelujah. O show em São Paulo aconteceu no Ginásio do Ibirapeura. Antes ele passou por Belo Horizonte, Aracajú e Rio de Janeiro, após um tour pela África. Com a tradução do cantor Leonardo Gonçalves, aproximadamente 100 pessoas entre fotógrafos, jornalistas, câmeras, músicos e líderes evangélicos participaram da coletiva


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de imprensa. Sabatinado, o cantor que também é conhecido por seu engajamento político, social e evangelístico, falou sobre música, casamento, drogas e até Copa do Mundo. Ele arrancou risadas e até elogio dos convidados. “Gosto tanto do Brasil que vou torcer pela seleção na Copa”, sentenciou. Na coletiva Smith esbanjou simpatia e não fugiu das perguntas dos jornalistas. Divertiu-se ao declarar que era um livro aberto, pronto para responder todas as questões. Com 22 discos, aos 10 anos de idade o cantor teve seu primeiro encontro verdadeiro com Deus. “Não porque meus amigos estavam fazendo a mesma coisa, mas sim porque aquilo era muito real para mim e foi incrível”, revelou. Como tocava piano desde os seis anos de idade, aos 15 anos sentiu o chamado para sua vida musical. “Aos 15 anos senti que alguma coisa mudou e Deus me disse que esse seria o meu destino. Isso foi com certeza, a coisa certa na minha vida, embora eu quisesse ser jogador de beisebol profissional. Sem ser arrogante, até que jogava razoavelmente bem”, lembrou Michael, que hoje diz gostar de futebol. Pela segunda vez no Brasil, Smith disse que as suas expectativas para os shows eram novas e que ele não poderia esperar nada, pois assim é uma maneira maravilhosa de se viver a vida, sem se decepcionar. “Tudo de maravilhoso que acontece é simplesmente a cereja do bolo, mas nunca vou esquecer o que aconteceu a cinco anos no Brasil. Estou extremamente empolgado de estar aqui no Brasil, porque vocês (brasileiros) respondem

de uma maneira como nenhum outro país por qual eu já estive. Literalmente é de tirar o fôlego, espero que adorem da mesma maneira”. Casado há 28 anos, pai de cinco filhos e avô de três netos, Smith disse que mesmo ausente e com muitos trabalhos é preciso cuidar da família, não se desligar da comunhão da igreja e criar um sistema que proteja o lar mesmo longe de casa. “Eu não viajo tanto quanto pensam, é claro que fico bastante tempo fora, mas quando estou em casa eu estou em casa. Eu sou muito envolvido na minha igreja, embora faça um mês que eu não vou lá devido aos shows. A minha esposa acredita em tudo o que eu faço e que isto é um chamado de Deus. Na verdade eu passo muito mais tempo com ela do que as pessoas pensam que eu passo. Ela viaja comigo de vez em quando, pela graça de Deus eu consigo uma jornada muito boa. É realmente muito interessante estar na estrada, em outros países. Nos Estados Unidos é sempre a mesma coisa a vida na estrada. Todo mundo pensa que é glamouroso o tempo inteiro, mas você precisa se cuidar, comer direito, fazer exercício físico e manter o seu estado espiritual no foco”. Smith terminou a coletiva falando sobre drogas, após falar da música evangélica e da relação com os cantores brasileiros que já regravaram alguns de seus hits. Após o encontro ele embarcou para Belo Horizonte (MG) onde participou do Festival Esperança, evento promovido pela Associação Billy Grahan em parceira com Conselho de Pastores. O show na cidade de São Paulo, no dia 3 de

junho teve uma parceria com a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (Adra) para arrecadar e doar agasalhos, que para Michael foi uma ideia maravilhosa, de alguma forma ajudar outras pessoas. “É maravilhoso que a igreja esteja fazendo isso, eu diria para as pessoas que vão receber as roupas que sejam abençoadas.”

ENTREVISTA: MICHAEL W. SMITH Qual a sua análise do estilo musical gospel atual e a não abordagem do evangelho nas letras em todo o mundo? Eu tenho algumas preocupações, no fundo no fundo tudo acaba sendo a respeito de qual é a sua motivação. Penso que se a sua motivação é ser estrela, virar uma celebridade, isso não vai te levar a lugar nenhum. Acredito que há algumas pessoas crentes que são chamadas para fazer música pop e outras são chamadas para indústria fonográfica de música cristã, então seja apenas fiel aquilo que Deus te dá e mantenha real e autêntico. Muitas igrejas promovem eventos de entretenimento ao seu público. Como você avalia a condição do Show Business na igreja? Eu não sou a favor do show business dentro da igreja. Creio que tem uma maneira de você ter um culto de adoração com som e iluminação, o problema é quando se torna entretenimento. Eu não quero ir para igreja para ser entretido, eu quero experimentar Deus, e com isso, todo movimento pode distrair a atenção do culto.

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Como lidar com a fama e o sucesso sendo evangélico? Qual o conselho para quem quer ter sucesso? Como foi essa relação no seu início de carreira? Diria simplesmente que não esqueça quem você é. Em qualquer momento que você se torna uma pessoa de sucesso pode subir a sua cabeça, isso pode e vai te destruir se você não tomar cuidado. O meu conselho é que coloque ao seu redor pessoas boas, que vão te lembrar constantemente de quem você é. Isso é um dom, um presente de Deus, e o retorno como resposta é você devolver pra Ele em forma de trabalho. No início da carreira subiu um pouco na cabeça, um pouco de orgulho na minha vida e gostaria de mudar isso. Ter sido humilde nos primeiros anos. Tem pretensão de gravar alguma canção brasileira? Qual o seu cantor brasileiro predileto? Estou realmente aberto para gravar alguma canção brasileira e com certeza vou ter alguns CDs para levar comigo quando eu voltar para os Estados Unidos. Talvez não esteja tão familiarizado com os cantores brasileiros, mas eu conheço um cantor que cantou no último disco inclusive, o Marcos Witt, que tem uma presença forte no Brasil. Estou aberto para grandes e boas ideias, especialmente se puder interagir com artistas brasileiros. Como deve ser a relação da igreja com a política? Precisamos de crentes na política, nos esportes e na economia,

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para causar impacto na cultura. Como deve ser o trabalho da igreja no trabalho com jovens sobre as drogas, já que esse é o grande problema mundial e o Brasil vem sofrendo uma epidemia com o consumo de crack? A droga é um problema mundial, a igreja tem que fazer um trabalho forte com a juventude, mas sem intimidar os jovens. Qual a importância das redes sociais e como você as utiliza? Eu nunca imaginei ser um twitteiro porque toma muito tempo, mas descobri uma maneira rápida de usá-lo. Acho que é importante para os fãs ao redor do mundo, porque eles gostam de saber o que você está fazendo e com isso eles podem ter acesso a vídeos e fotos. O que mais gosto nisso tudo é que eu consigo compartilhar alguns pensamentos que acho que são palavras encorajadoras para algumas pessoas ao redor do mundo. Você consegue enviar uma citação ou uma frase a respeito de Deus, do amor Dele por cada um de nós e o usuário começa a retwittar e imediatamente se espalha pelo mundo inteiro, é incrível, eu vou estar twittando depois dessa coletiva. Qual a música que marcou sua vida? Quais são as experiências com Deus que o inspiraram na composição de suas músicas? Todas as minhas músicas prediletas foram feitas muito rapidamente, músicas como ‘Agnus Dei’ ou ‘Friends’. Acho que a inspiração é divina, experimentando e compartilhando o sofrimento das pessoas e

também as alegrias de suas vidas. Eu adoro falar a respeito do Pai, do amor paterno de Deus por nós, de Sua graça e misericórdia. A gente precisa de mais canções desse tipo, porque, quando você vivencia isso a vida se torna realmente bela. Muitas pessoas ainda estão sendo muito performáticas, tentando viver de acordo com a lei. Quais as suas experiências mais fortes com Deus? Tive muitas experiências com Deus para quais não há palavra para descrevê-las, pode ser numa pequena igreja nos Estados Unidos, na Casa Branca com o presidente Bush ou em Goiânia há cinco anos quando toquei lá. Não há palavras de tão lindo que é. Qual o conselho para os evangélicos brasileiros? Sejam fieis ao chamado de Deus para sua vida, vá em frente! Algumas pessoas foram chamadas para ministrarem em escala menor, outras para nações, embora Deus não tenha nenhum sentimento diferente em relação aos dois grupos de pessoas. Faça o melhor que você possa fazer, com excelência. Tenha bons amigos ao seu redor, porque é um mundo difícil lá fora. Interessante é que as pessoas vivem me dizendo o quão maravilhoso eu sou e na mesma hora Deus diz para eu negar a mim mesmo, então eu consigo construir uma estrutura onde eu tenho pessoas próximas que protegem meu coração e me protegem, todos nós precisamos disso. Deus é a favor de nós.


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O SHOW FOI SHOW Para que a série de shows feitos por Michael W. Smith fosse de altíssima qualidade foram utilizados equipamentos que cantores internacionais como o Hillsong United usou em 2009. O responsável técnico foi o produtor César Moysés. A turnê A New Hallelujah de Michael W. Smith foi o primeiro show gospel a utilizar do sistema de sonorização K1 da L´acoustics, que atualmente é o mais avançado e chegou ao Brasil no final de 2009. Trazido pela Loudness é sistema de destaque no mercado. Equipamentos como mixers Digidesign D-show e Profile, backline foram cedidos pela Made in Brazil. Na iluminação foram usaados Macs 2000 head, wash e VL

3000, com console da Whole Hog. Já no vídeo, apesar de ser somente para imagem simultânea (que foi jogada nas telas laterais), foram utilizadas quatro câmeras Sony D55 broadcast em sistema full SDI da RBG. Outra novidade neste evento foi o Music Ticket. Utilizado pela primeira vez em um evento Gospel, o card de plástico contém um código para download no site da Sony. Foram disponibilizadas várias músicas, três de livre escolha para baixar em alta qualidade (para cada MusicTicket). Todos os ingressos deram direito a um card que pôde ser trocado em qualquer loja da Made in Brazil.

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MICHAEL SMITH FAZ TURNÊ PELO BRASIL