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ENTREVISTA - DANIEL DIAS Por Robson Morais e Vinicius Cintra Repórteres

Menino

de Ouro Recordista mundial de natação paralímpica, Daniel Dias conta como chegou ao lugar mais alto nos pódios da vida.

U

m dos maiores nomes do esporte brasileiro, o nadador paralímpico Daniel Dias concedeu uma entrevista exclusiva à revista BemViver. Nascido em Campinas, o atleta mora e treina em Bragança Paulista desde que iniciou na natação, em 2004. Estes quase dez anos dentro das piscinas mostraram um profissional fora do comum, não pela condição física, mas sim pela capacidade de transformá-la no combustível que o torna imbatível a cada busca pelo pódio. Vítima de uma má formação congênita, Daniel Dias nasceu com 37 semanas, menos de dois quilos e 40 centímetros de comprimento. Sem parte dos dois braços e da perna direita, seu sonho quando criança era jogar futebol. Mais tarde, ao ver o nadador Clodoaldo Silva, outro grande nome do esporte paraolímpico, medalha de ouro nos jogos de Atenas, encontrou a oportunidade de

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ingressar no esporte que o tornaria recordista mundial. Três medalhas de ouro e duas de prata no campeonato mundial de natação disputado na África do Sul em 2006, oito medalhas de ouro nos jogos parapanamericanos do Rio de Janeiro em 2007, quatro medalhas de ouro, quatro de prata e uma de bronze nos jogos paraolímpicos de Pequim (China) e o seu feito mais histórico: onze medalhas de ouro, nas onze provas que disputou, nos jogos parapanamericanos de Guadalajara (México) em 2011. É muito? Não para Daniel, que já fez as malas e viaja em junho para a Espanha, onde se prepara para disputar os jogos de Londres (Inglaterra), que acontecem em agosto deste ano. “No futuro sonho em ser o maior medalhista olímpico do país e formar uma família fora das piscinas” é o que diz. No que depender da torcida aqui no Brasil, é questão de tempo para que o sonho se torne realidade.


ENTREVISTA - DANIEL DIAS

REVISTA BEMVIVER: O QUE SERIA OU PRETENDESSE SER CASO NÃO FOSSE NADADOR? Daniel Dias: Não me imagino sem a natação, mas eu tinha o sonho de fazer engenharia mecatrônica e jogar futebol. Tanta coisa aconteceu, e hoje só o que posso dizer é que sou apaixonado pelo que faço. RBV: ESTE SONHO DE FUTEBOL FOI INTERROMPIDO PELAS VÁRIAS VEZES EM QUE SUA PRÓTESE QUEBROU. COMO LIDAR COM A DEFICIÊNCIA QUANDO SE É UMA CRIANÇA? DD: Foi um processo de adaptação bem difícil porque ficavam me tocando e eu não me sentia bem. Meus pais eram quem conversavam comigo. Eu sabia que podia mostrar que, mesmo sem braços, eu podia escrever e

aprender como qualquer um. Minhas próteses da perna quebravam toda vez que eu jogava futebol, mas mesmo assim sempre me diverti muito. No fim, minha infância foi fantástica. RBV: NA ADOLESCÊNCIA, COMO A NATAÇÃO TE BENEFICIOU? DD: Como eu disse, já era uma pessoa muito alegre. Mas a natação me ajudou a lidar ainda mais com a minha deficiência e ver que não há limites na minha vida, eu posso realizar meus sonhos e ir em busca de cada um deles, como representar o Brasil. E consegui isso. O esporte me ajudou a melhorar minha autoestima e ver que eu sou capaz e, independente do resultado, eu estou ali pra me divertir. Este esporte tem a capacidade de mostrar que dentro da piscina somos todos iguais. RBV: HOUVE MOMENTOS DE ANGÚSTIA EM SUA VIDA? LEMBRA-SE DE ALGO OU SITUAÇÃO QUE ENTRISTECEU? DD: Por muitas vezes cheguei chorando em casa quando era mais novo. Minha sorte foi ter meus pais ali do meu lado, conversando comigo. Hoje em dia o que me entristece é um misto de coisas, mas procuro não pensar em nenhuma delas. A falsidade de alguns

é que ainda incomoda. Muitas vem com aquele papo de parabéns, mas te olham como um coitado. Eu prefiro que seja sincero, prefiro que realmente me valorizem como ser humano a cada conquista. RBV: FALANDO EM CONQUISTAS, O QUE É E COMO FOI RECEBER O PRÊMIO LAUREUS? DD: Este prêmio é considerado o Oscar do esporte, tive a honra de ser o quarto brasileiro a ganhar, após minha boa atuação nos jogos de Pequim. Receber a mesma homenagem que um Pelé ou um Ronaldo Fenômeno recebeu é tudo aquilo com o que sonha alguém que vive pelo esporte, como eu. RBV: QUAIS AS EXPECTATIVAS PARA OS JOGOS DE LONDRES 2012? DD: Estou treinando pra Londres 2012. Estou pré-convocado e em junho há o treinamento de altitude na Espanha, e 15 dias após o término dos jogos olímpicos começam os paraolímpicos. Quando eu cair na piscina vou dar o meu melhor e fazer o que sei fazer, que é nadar. A medalha é consequência. Visite o site oficial do nadador: danieldias.esp.br

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MENINO DE OURO