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VINICIUS BRESSAN

ARRANHA-CÉUS A corrida pelo topo do mundo

Trabalho final de graduação apresentado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito à obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo

ORIENTADOR: Prof. Dr. Alessandro José Castroviejo Ribeiro Orientador de Projeto: Prof. Esp. Guilherme Lemke Motta

São Paulo 2016


VINICIUS BRESSAN ARRANHA-CÉUS A corrida pelo topo do mundo Trabalho final de graduação apresentado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito à obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo

Aprovado em 12/12/2016 BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Alessandro José Castroviejo Ribeiro Universidade Presbiteriana Mackenzie

Profa. Dra. Vera Lúcia Domschke Universidade Presbiteriana Mackenzie

Profa. Dra. Eneida de Almeida Universidade São Judas Tadeu


RESUMO As construções altas sempre estiveram cercadas de simbolismos. Das grandes pirâmides do Egito aos campanários das igrejas o homem sempre buscou ao céu como forma de aproximar-se dos Deuses, até que a invenção do elevador mudou completamente a forma que nos relacionamos com a altura. Os primeiros arranha-céus surgiram em Chicago e redefiniram o aproveitamento e valorização da terra. Mas foi em Nova York que a corrida que pelo topo mais alto do mundo tomou proporções épicas, seja para representar os Estados Unidos como nova potência econômica ou apenas para satisfazer ao ego dos arquitetos e empresários, os edifícios Chrysler e o Empire State levaram essas estruturas ao limite e definiram pra sempre os arranha-céus como ícones de poder político e econômico. Quase um século depois as tecnologias e estruturas empregadas nessas construções foram aperfeiçoadas e o simbolismo nelas contido deslocou a disputa pelo título de mais alto do mundo para o oriente, onde países em desenvolvimento da Ásia e do Oriente Médio agora lideram o ranking com construções extraordinárias.

Palavras chave: Arranha-céu; supertorres; edifícios mais altos do mundo; simbolismo nas grandes construções;


AGRADECIMENTOS Agradeço aos amigos que tornaram a árdua trajetória da faculdade e as noites de projeto mais divertidas. Sem o apoio e amizade de vocês não seria possível.


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INTRODUÇÃO

19 21 25 32 40 47

A INVENÇÃO AMERICANA A revolução do elevador O desenvolvimento do aço As reflexões sobre o arranha-céu e a quebra da bolsa O estilo internacional e a fachada de vidro Pré-fabricados

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MEGATORRES A migração para a Ásia O 11 de setembro Dubai: a arquitetura do fantástico no século XXI O futuro do arranha-céu

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CONCLUSÃO O Brasil alheio à disputa

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ENSAIO Supertorre no Vale do Anhangabaú

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REFERÊNCIAS


“O desejo de alcançar aos céus corre profundamente em nosso espírito humano” César Pelli

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INTRODUÇÃO

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Desde os primórdios o homem desafia a natureza e tenta alcançar o céu com suas construções. A Torre de Babel, descrita em um capítulo da bíblia (Gênesis 11:1), é a primeira grande construção que se tem conhecimento da era do Antigo Egito. Segundo o livro a torre teria sido construída por descendentes de Noé após o dilúvio, na região da Mesopotâmia entre os rios Tigre e Eufrates, através do método construtivo comumente utilizado pelos Egípcios, tijolos e betume. O livro não faz qualquer associação religiosa à torre, portanto não é possível justificar sua construção ou uso apesar de normalmente ser associada a um zigurate, antigo templo babilônico. Sua altura é matéria de especulação entre os historiadores, no Livro dos Jubileus ela é descrita com cerca de 2.484 metros de altura mas acredita que ela deva ter chegado no máximo aos 200

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Torre de Babel


metros. Ainda segundo a bíblia Jeová, o Deus hebraico, teria ficado irritado com a construção em direção ao céu, morada de Deus, e ordenado sua destruição e dispersão do povo que ali vivia. Ainda no Antigo Egito as pirâmides eram construídas para abrigar os restos mortais dos Faraós que haviam governado a civilização junto de diversos itens que ele precisasse para executar suas funções de rei dos mortos. As pirâmides deveriam proteger o rei em sua transformação e ascensão para a vida após a morte. A pirâmide de Quéops, em Gizé, é a mais antiga das maravilhas do mundo antigo e uma das mais bem conservadas. Acredita-se que sua construção exigiu mais de cinco décadas de trabalho em um esquema que até hoje é rodeado de mistérios, construída em pedra a pirâmide alcançou a surpreendente marca de 146 metros de altura cerca de 2.500 anos antes de Cristo. Nos séculos que se seguiram, durante o período Clássico, nenhuma grande construção almejava impressionar pela altura. Foi apenas durante a idade Média que o homem voltou a buscar aos céus através das torres e campanários de igrejas. A tendência de igrejas cada vez mais altas tinha como objetivo deslumbrar fieis e a promessa de leva-los cada vez mais próximos de Deus. As igrejas foram as construções mais altas, e impressionantes, do mundo durante as idades Média e Moderna e só foram superadas pelos arranha-céus durante a Idade Contemporânea. As construções altas, sejam elas templos, necrópoles, 15


igrejas ou arranha-céus sempre estiveram acompanhadas de grandes simbolismos. Desafiar a natureza com essas edificações sempre envolveu projetos ousados e grande capacidade logística seja no transporte de pedras na região da Mesopotâmia, a quebra do mármore em Pisa ou a fabricação e laminação do aço nos Estados Unidos. Cada qual com seu propósito esses edifícios podem provar que não há limite para a capacidade do homem e que é parte de sua essência tentar superar os limites, seja para provar-se perante a Deus ou aos próprios homens.  

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Catedral de Ulm, igreja mais alta do mundo 17


A INVENÇÃO AMERICANA


20 Chicago por volta de 1850


A REVOLUÇÃO DO ELEVADOR Até 1854 a única maneira de se chegar de um andar ao outro era através de escadas. Chicago já era na época a capital do “arranha-céu”, que até então não passava de cinco andares. A cidade era dividida pelo rio Michigan, de um lado as fábricas, residências e fazendas e de outro, beirando o lago e o pátio de manobra dos trens, o centro comercial da cidade. A área central era uma retícula de nove quarteirões por nove. O espaço já era pequeno para comportar o crescimento da cidade, havia uma grande demanda por espaços de escritórios principalmente por firmas de advocacia. A solução era edificar para cima, porém não era conveniente passar dos cinco andares, isso porque para qualquer estabelecimento comercial não era possível passar do segundo pavimento, ninguém subiria até os andares mais altos, e ninguém gostava de morar nesses andares e ter que subir e descer tantos lances de escadas todos os dias. A solução dos problemas, o elevador, já havia sido inventado séculos antes, em Roma onde escravos puxavam através de cordas uma caixa que levava os reis de um andar ao outro. A invenção foi aperfeiçoada ao longo do tempo até que máquinas à vapor fossem capazes de levantar o peso através dos andares. Os elevadores, no entanto, ainda não eram utilizados comercialmente pois, a qualquer momento, a corda poderia arrebentar. Era por isso que as construções altas se delimitavam a chaminés de indústrias e torres de Igrejas. Foi durante a Exposição Mundial de 1854, em Nova York, 21


que Elisha Otis apresentou a invenção que revolucionou o mundo do Arranha-céu. Em uma apresentação dramática ao público Otis subiu em uma plataforma de madeira que foi içada cerca de 5 metros do solo. Ao atingir sua altura Otis ordenou que o ajudante cortasse o único cabo que segurava o elevador. Hesitante, o ajudante cortou a corda e a plataforma praticamente não se moveu. Sob os aplausos da plateia, Otis que até então era um ajudante de limpeza de uma fábrica, havia apresentado o primeiro elevador seguro do mundo. O mecanismo desenvolvido era simples, porém genial. O elevador era içado normalmente por um cabo mas corria entre dois trilhos dentados. Caso o cabo se rompesse uma barra antes flexionada relaxava, alargando-se e prendendo a estrutura no trilho dentado. Desde então o elevador evoluiu muito, de máquinas à vapor e pistões hidráulicos hoje as máquinas são elétricas, atingem velocidades de até 60km/h, têm freios de alto desempenho e ímãs para segurá-los em uma eventual queda. A grande revolução do elevador, no entanto, não está somente em seu mecanismo. Ao resolver o problema do deslocamento vertical houve uma inversão no preço dos andares. Mais próximo do sol e do vento os andares superiores se tornaram imediatamente mais caros e valorizados. “O mecanismo de Otis resgata os inúmeros andares que vinham flutuando no ar rarefeito da especulação e lhes revela a superioridade num paradoxo metropolitano: quanto maior a distância da Terra, 22


Elisha Otis em sua apresentação do elevador e o mecanismo patenteado por ele

Equitable Life Building, Arthur Gilman e Edward H. Kendall, 1870

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maior a comunicação com o que resta de natureza (isto é, luz e ar). ” (Koolhas pg. 106) Rapidamente os elevadores começaram a ser utilizados ao redor do mundo. O primeiro edifício a utilizar o sistema foi a sede da companhia de seguros Equitable Life em Nova York. Visionado pelo empresário Henry Baldwin Hyde e projetado pelos arquitetos Arthur Gilman e Edward H. Kendall, o edifício tinha 40 metros de altura distribuídos em 7 andares. Inaugurado em maio de 1870 os andares mais altos eram alugados por Henry por preços altíssimos, ele foi o primeiro magnata a lucrar com a altura. “Manhattan não tem escolha, a não ser s extrusão da própria retícula rumo ao alto; apenas o arranhacéu oferece aos negócios os amplos espaços de um faroeste criado pelo homem, uma fronteira no céu. ” (Koolhas, pg. 111) Ironicamente, o edifício divulgado como totalmente à prova de fogo foi destruído por um incêndio em 1912, apenas 42 anos depois de sua inauguração. O Equitable Life, no entanto, abriu caminho para a supervalorização da terra em Nova York que, diferentemente de Chicago, ainda não havia criado leis que delimitassem a altura dos edifícios. A retícula da cidade havia se tornado agora um gigante terreno virgem que poderia ser multiplicado quantas vezes fizesse a vontade dos magnatas. Havia apenas um problema, quanto mais alto o edifício, mais largas deveriam ser as paredes de pedra a fim de suportar o peso dos andares, tornando construções muito altas inviáveis. 24


O DESENVOLVIMENTO DO AÇO Há uma discordância sobre qual teria sido o primeiro arranhacéu do mundo. Alguns defendem que tenha sido o Equitable (1870) já que fora o primeiro a ter um elevador de passageiros, outros defendem que tenha sido o Chicago Home Insurance Building pois este foi o primeiro a contar com uma estrutura metálica. Inaugurado em 1884 o edifício projetado por William Le Baron Jenney foi o primeiro com vigas de aço em sua estrutura. Pode-se notar, porém, que as paredes externas do edifício ainda são de pedra maciça. Além disso as vigas do interior foram soldadas ao invés de rebitadas como as estruturas de aço que se consagraram logo depois. Depois do Home Insurance começaram a despontar no centro de Chicago, no chamado Loop, diversos edifícios que empregavam a novidade estrutural de fachadas parcialmente não portantes. Parte desses edifícios já foram demolidos e a outra parte, em sua grande maioria, encontramse na Rua LaSalle onde as fachadas romperam-se definitivamente do estilo Chicago Home Insurance Building, William Le Baron Jenney, 1884

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caixote a fim de melhorar a iluminação dos escritórios. Em 1893 a construção de pedra atingiu seu ápice no edifício Monadnock que com 130 metros se tornou o mais alto, e último, arranha-céu de paredes maciças do mundo. A espessura das paredes não só ocupava uma área enorme dentro do edifício como seu peso fazia com que o edifício afundasse no solo esponjoso de Chicago.

Planta do edifício Monadnock

Extremamente criticado por suas características pesadas e sem ornamentos a fachada de cores escuras apresenta as tradicionais janelas de sacada da cidade. Um dos arquitetos, John W. Root, confessou que “as pesadas linhas curvas de um pilone egípcio tinham penetrado na sua mente como base para tal projeto, e que esse seria todo lançado sem um único ornamento” (Curtis, Pg. 46.). Assim, Root havia dado mais um passo em direção ao arranha-céu moderno, sem ornamentos e sem qualquer semelhança com o clássico. Mas foi apenas em 1895 que o arranha-céu se libertou totalmente da pedra e das paredes autoportantes e começou a ganhar altura com o advento da indústria do aço. O edifício Reliance em Chicago foi o primeiro do mundo a ter uma estrutura totalmente em aço, assim como o esqueleto do Palácio de Cristal, liberando espaço interno e extinguindo as fachadas de pedras. 26


À esquerda o Edifício Monadnock, John W. Root, 1891 e à direita o Reliance Building, Burnham & Root, 1895

Neste edifício novamente os arquitetos do escritório Burnham & Root, o mais moderno da época, inovaram e deram mais um passo em direção ao arranha-céu moderno. A estrutura comumente conhecida hoje de pórticos metálicos presos por rebites liberou espaço para janelas maiores, as janelas em sacadas agora eram livres para pairar sobre a cidade trazendo ventilação e luz para dentro das unidades. “A imagem do conjunto era de uma gaiola aparentemente sem peso, pairando sobre uma base sombreada com uma fina laje coroando a composição. Como ocorre em geral, o projeto se baseava em considerações práticas, como a obtenção de iluminação máxima, e o aumento da área de 27


escritórios era obtida com lajes em balanço.” (Curtis, Pg. 46.) Além do escritório de Burnham & Root, Sullivan também admirava e projetava edifícios de escritório que ficavam cada vez mais altos. Foi um dos primeiros a propor uma mudança na ornamentação, acreditava que os edifícios deviam ser “graciosos em sua nudez” mas que as “formas fortes, atléticas e simples” deveriam ficar meio ocultas por “uma roupagem de imagens poéticas” (Cohen, Pg. 57) propondo uma ornamentação natural das fachadas. “O prédio deve ser alto, alto em cada uma de suas polegadas. Nele devem estar presentes a força e o poder da altitude, nele devem estar presentes a glória e o orgulho da exaltação. ” (Sullivan, 1896) Em 1892 é aprovado em Chicago o primeiro código de edificações limitando não só a altura dos edifícios à 45,7 metros como obrigando que todas as quatro fachadas fossem

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Loja de departamentos Schlesinger e Mayer, Sullivan, 1904


iguais. Foi só depois da virada do século, depois da depressão de 1890, que os primeiros edifícios começar a pipocar sob as regras da nova lei. Sullivan projetou nessa época uma série de novos edifícios e consagrou seu estilo na loja de departamentos Schlesinger e Mayer, inaugurada em 1904. Estabeleceu um novo equilíbrio entre a modulação da fachada e as janelas largas e retangulares. A loja foi o primeiro de seus projetos a ficar conhecido como Jewel Box devido sua ornamentação das fachadas. “A feição repetitiva das janelas retilíneas contrasta com a explosão floral do anteparo de ferro fundido que protege o vestíbulo de entrada localizado em sua quina. ” (Cohen, Pg. 56) Enquanto isso em Nova York, onde não havia sido adotado um código de altura, a competição pelo maior edifício era incessante. Os primeiros edifícios, da década de 1970, foram construídos para grandes lojas e sedes de jornais. Mas foi após a virada do século que a competição começou a tomar grandes proporções. O Flatiron Building foi o primeiro da cidade a ter uma estrutura totalmente metálica. Devido a forma triangular do terreno o arquiteto Daniel H. Burnham, do escritório de Chicago, propôs a extrusão total da área do terreno em 22 andares, o que faria paredes de maciças de pedra inviáveis para a construção. “O prédio é coroado por uma cornija que evoca o capitel de uma coluna, justamente o que contestava Sullivan.” (Cohen, Pg. 67). 29


O Flatiron foi aclamado mundialmente pela sua forma icônica. Logo, impulsionados pelo aço, os arranha-céus começaram a ficar cada vez mais altos. No Singer Building, de 181 metros de altura e inaugurado em 1908, Ernest Flagg criou uma estrutura vertical imponente para a sede da empresa Singer. O mesmo foi ultrapassado rapidamente pela torre da Metropolitan Life Insurance (1909) de 213 metros que fazia referência explicita ao campanário de San Marco em Veneza. Pouco depois, em 1913, o Woolworth Building foi inaugurado com 241 metros de altura e se tornou um dos mais icônicos edifícios da cidade de Nova York. Devido ao seu refinamento, tanto do interior de seu esplendoroso saguão de arcos dourados de entrada, quanto da fachada neogótica, o edifício ficou conhecido como a catedral do comércio de Nova York. Em 1915 a cidade começa a se preocupar com a altura dos arranha-céus. Foi no ano em que foi concluído o Equitable Building, uma extrusão quase que completa do terreno de 5 mil metros quadrados em 164 metros de altura tapando completamente o sol e vento na rua e nos edifícios do entorno. “Toda a área de Wall Street está a caminho de uma saturação grotesca de extrusão total, na qual, ‘ao final, o único espaço não ocupado por enormes edifícios em Downtown seria o das ruas’. Não há nenhum manifesto, nenhum debate arquitetônico, nenhuma doutrina, nenhuma lei, nenhum planejamento, nenhuma ideologia, nenhuma teoria; há – apenas – o arranha-céu”. (Koolhas, pg. 113) 30


Flatiron Building, Daniel H. Burnham, 1902

Woolworth Building, Cass Gilber, 1913

Equitable Building, Ernest Graham, 1915 31


AS REFLEXÕES SOBRE O ARRANHA-CÉU E A QUEBRA DA BOLSA Em 1916 é criada em Nova York a primeira lei do zoneamento com foco nos arranha-céus. A lei, que introduziu os setbacks, se baseia no edifício Woolworth e permite que o terreno possa ser multiplicado até certa altura, depois disso o edifício deve escalonar a partir de um ângulo traçado com o leito carroçável. Isso faz com que apenas 25% da área do terreno possa ser multiplicada sem limites. A regra a partir de agora é adquirir terrenos maiores a fim de tornar os 25% da torre o mais lucrativo possível. Segundo Koolhaas a lei do zoneamento de 1916 não criou apenas regras para cidade, mudou Nova York para sempre definindo seu skyline único até os dias de hoje. A partir de então todo arranha-céu ali construído vai afinar-se em direção ao céu até que suas lajes virem apenas agulhas e antenas. Após a criação da lei surge, então, um novo tipo de teórico, o teórico do arranha-céu. Por anos esses arquitetos e projetistas se voltaram para as pranchetas e estudaram as mais variadas possibilidades de desenhos que existiam para o edifício dentro dos limites dos setbacks. Dentre eles destaca-se o arquiteto e projetista Hugh Ferris. Os esboços de Ferris são como invólucros sob os quais outros arquitetos começam seus trabalhos. Se no começo os desenhos de Ferris desagradara a maior parte dos arquitetos da cidade hoje percebe-se que eles definiram o futuro dos arranha-céus Nova Yorkinos. Em 1929, Ferris publicou a 32


Acima esquema da lei dos setbacks e abaixo as interpretaçþes de Ferris

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A festa

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Empire State Building, Shreve, Lamb and Harmon, 1931 e Chrysler Building, William Van Alen, 1930, durante a construção


conclusão de seus trabalhos em um livro que analisava os primeiros arranha-céus após a criação da lei, continha seus esboços e anunciava sua megavila – o futuro que enxergava para as metrópoles. Havia uma nova áurea em Nova York, o homem podia construir cada vez mais alto com as novas tecnologias empregadas ao aço. Teóricos como Ferris, Corbett, e Le Corbusier divagavam sobre o futuro das metrópoles em conceitos dignos de ficção científica. Durante anos esses arquitetos e projetistas acreditaram que o boom dos grandes arranha-céus duraria para sempre enquanto jantares e bailes eram promovidos para celebrar os novos senhores da terra de Manhattan e seus projetos. Em Nova York Delirante, Koolhaas relata a noite em que os arquitetos vestiram-se de prata e foram para o grande baile que entraria para a história no antigo Hotel Astor, na Broadway. O salão escuro era iluminado apenas por pequenas luzes penduradas no teto que juntas recriavam o skyline noturno da cidade. Garçons serviam bebidas “futuristas” enquanto a orquestra tocava com a companhia de rebitadeiras, marretas, britadeiras, apitos e buzinas. O encontro não era apenas um baile, era um congresso sobre o arranha-céu com a presença dos principais arquitetos do momento. O ponto alto da noite foi quando os arquitetos subiram ao palco vestidos de seus arranha-céus para apresentarem o balé: “O Skyline de Nova York”. No centro do balé está William Van Alen com sua fantasia de edifício Chrysler, desenhada por 35


ele mesmo, era a única diferente das demais que mostravam as mesmas características básicas de um edifício. Seu edifício é aclamado até hoje como a obra prima do Art Déco. Com 77 andares e 319 metros de altura o projeto mudou algumas vezes durante a construção. O coroamento do edifício foi projetado para garantir o título de mais alto do mundo e representar os ornamentos utilizados pela Chrysler no capô de seus carros e, assim como a antena construída dentro do próprio edifício, é feito de um aço inoxidável projetado especialmente para esse uso. O triunfo de William, no entanto, durou apenas aquela noite. Ausentes do palco, e do baile, os arquitetos do escritório Shreve, Lamb and Harmon, comandado por William F. Lamb, não foram convidados, mas podiam contar a vitória. Já brilhava nos céus da cidade de Nova York o Empire State Building, o maior arranha-céu do mundo. Com 102 andares o edifício atingiu em 1931 a impressionante marca de 381 metros de altura e manteve-se como o mais alto durante quase 40 anos. A briga entre os arquitetos fez com que a altura de ambos os edifícios permanecesse em segredo durante toda a construção. Para acelerar as obras do Chrysler a montagem das vigas, pilares e janelas aconteciam no solo e depois eram carregadas até o seu andar final, esse foi o primeiro ensaio de um edifício pré-fabricado e, por isso, ficou pronto meses antes que seu rival. Os arquitetos do Empire State, no entanto, tiraram vantagem disso e adicionaram um “chapéu” ao edifício no final de sua construção garantindo a ele o título de mais 36


alto do mundo durante 41 anos. Se a última década entrara para a história como os anos dourados dos arranha-céus o futuro destes já não parecia tão promissor. Pouco antes da entrega do Empire State Building a Bolsa de Nova York sofria sua primeira e maior quebra de todos os tempos. A inauguração do Chrysler e do Empire State foi marcada por desinteresse e andares vazios. O Empire State ficou vazio até a década de 50, ganhou o apelido de “Empty State Building” e só começou a ser ocupado depois que foi totalmente vendido para a Real State Firm de Nova York por apenas 51 milhões de dólares. O futuro de Nova York e dos arranha-céus nesse momento era totalmente incerto, haviam dezenas de edifícios comerciais vazios e o número só aumentava conforme as construções avançavam e mais edifício eram inaugurados. Arquitetos e empreendedores se tornaram por um tempo menos comerciais e mais idealistas, a corrida pelo topo mais alto foi deixada de lado enquanto buscavam propostas originais para os projetos a fim de atrair investidores. Raymond Hood era um desses arquitetos. Ele já havia executado diversos projetos bem-sucedidos e agora estava no meio do O edifício Chrysler à frente e o Empire State ao fundo

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maior desafio de sua carreira. O único projeto que lhe restara depois da quebra da bolsa era um dos maiores já realizados em Nova York, o Rockefeller Center era uma incorporação de 250 milhões de dólares que ocuparia todo um quarteirão da reticula. Dentre as diretrizes do projeto havia um paradoxo. “O conjunto deve combinar o máximo de congestão com o máximo de luz e espaço” e “Qualquer planejamento [...] deveria se basear num ‘centro comercial o mais belo possível em consonância com o máximo rendimento a ser gerado’”. (Koolhas, pg. 207) Diversos projetos foram apresentados pelo arquiteto ao financiador do projeto, John D. Rockefeller Jr. antes de ser aprovado. O próprio arquiteto confessou que dado o porte do projeto as vezes não tinha certeza do que estava propondo e que aquele poderia ser o fim de sua carreira. O projeto final é, segundo Hood, uma “cidade jardim nas alturas”. É composto de uma lâmina central e quatro torres verticais menores sobre um embasamento coberto de jardins. As lâminas representam tudo o que Manhatanismo propunha em uma perfeita execução do Art Déco. Já os jardins se contrapunham com a ideologia da metrópole Nova Yorkina. Eram o anti-urbano em uma tentativa de incorporar no projeto o modernismo Europeu. O projeto resolvia todos os paradoxos e se tornava a realização perfeita do Manhatanismo. “O centro é a apoteose do ‘cisma vertical’: Rockefeller Center = Beaux-Arts + Dreamland + o futuro eletrônico + ‘passado reconstruído’ + ‘o futuro europeu’, ‘o 38


máximo de congestão’ combinado com o ‘máximo de luz e espaço, ‘o mais belo possível em consonância com o máximo de rendimento a ser gerado’”. (Koolhas, pg. 235)

Rockefeller Center, Raymond Hood, 1939

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O ESTILO INTERNACIONAL E A FACHADA DE VIDRO Os anos seguintes foram marcados por críticas de arquitetos Europeus ao arranha-céu. Nenhum deles se opôs tão fortemente aos edifícios de Nova York como Le Corbusier, que abominava a criação americana e acreditava que eles haviam sido um erro na história das metrópoles. Enquanto condenava o caminho que a cidade havia seguido ele aproveitava para defender seus ideais de metrópole e apresentava seu projeto da “cidade radiosa”. Assim como aconteceu com outros arquitetos estrangeiros, a ideia de uma metrópole horizontal de Le Corbusier foi rechaçada pelas autoridades e arquitetos locais. Não demoraria, no entanto, para que os ideias modernos de Corbusier se encontrassem com a invenção americana. Terminado em 1932 o edifício PSFS (Philadelphia Savings Fund Society) pode ser considerado o primeiro arranha-céu no Estilo Internacional, seja por seu conceito espacial, estrutural ou sua articulação urbana. O edifício era composto de um embasamento que combinava acesso ao metrô, lojas e sobrelojas. Sobre o embasamento um edifício que realçava as linhas verticais através da estrutura. Os andares eram bem iluminados pelas grandes janelas em fita e tinham a planta livre. 40

PSFS Building, William Lescaze e George Howe, 1932


Mas foi Mies van der Rohe que ditou o passo dos arranhacéus modernos. O conjunto de Lake Shore Drive, também conhecido como as torres gêmeas de Chicago, definiu o futuro das torres de aço. As duas torres sobre pilotis e de forma retangular se contrapõem em um terreno triangular criando constante tensão entre elas. A uniformidade da planta reflete na estrutura aparente do edifício onde pilares e vigas enquadram as grandes janelas de vidro. Deve-se apontar, no entanto, que o edifício está cheio de “artificialidades” que incomodava os arquitetos modernistas mais puristas. A estrutura retangular era formada de um grid de quatro pilares no lado menor e seis no maior criando grandes espaços livres no interior. Para acentuar a verticalidade e evidenciar o grid utilizado no projeto Mies adicionou na fachada três pilares menores entre cada um dos maiores, sem nenhuma importância estrutural. Além disso, a estrutura metálica do

Lake Shore Drive, Mies van der Rohe, 1949 e Ddtalhe dos seus pilares revestidos e vigas decorativas

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edifício teve que ser revestida com concreto à prova de fogo a fim de obedecer às rígidas leis da cidade. Mies, no entanto, não abriu mão da estrutura de aço aparente e revestiu os pilares com placas de aço polido e no exterior de cada um deles colocou vigas em formato I que acentuam ainda mais a verticalidade e ordem da estrutura do edifício. A chegada de Mies a Chicago e sua enorme influência tornou realidade o sonho da torre de cristal europeia em solo americano. Mas foi em Nova York que o arquiteto atingiu a perfeição da sua versão do arranha-céu. Em um terreno regular de frente para a Park Avenue, próximo da Grand Central Station e do Rockefeller Center, Mies projetou um edifício comercial monumental de 157 metros de altura. O Seagram Building está disposto de frente à avenida, mas com um recuo grandioso de 30 metros criando uma praça aberta pouco comum nos projetos da cidade onde dois espelhos d’água quebram a esterilidade do granito criando espaços de permanência. A estrutura segue com as soluções adotadas nos edifícios de Lake Shore Drive em Chicago, sobre pilotis o edifício retangular também teve sua estrutura metálica recoberta de concreto e revestida em aço. Nos andares superiores entre os pilares foram adicionados outros pilares sem valor estrutural e em todos eles a viga em I voltou a aparecer com o mesmo intuito de realçar as linhas verticais da torre. No interior também foram utilizados materiais luxuosos como o mármore travertino, mármore verde e bronze cor de ferrugem. 42


Seagram Building, Mies van der Rohe, 1958

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O projeto da torre de cristal de Mies era sublime, mas não demorou para que os arquitetos percebessem que era limitado. “Mesmo com toda a sensibilidade em relação ao terreno, o Edifício Seagram oferecia uma linguagem urbana limitada e levou o tema da repetição quase aos seus limites: edifícios maiores necessitam de uma hierarquia formal intermediária que raramente lhes era conferida” (Curtis, pg. 409) Outras variações da caixa de vidro foram propostas, é o caso da Lever House da firma de arquitetos SOM (Skidmore, Owings, and Merrill), logo à frente do Seagram. Em contraste percebese que este edifício é quase sem peso pois sua estrutura foi levemente recuada e se esconde sobre os vidros de coloração verde claro, em oposição à coloração escura adotada no Seagram. Os montantes das janelas de vidro também foram reduzidos o máximo possível criando a sensação de uma caixa de vidro totalmente hermética, o que só foi possível com a dependência total do ar-condicionado. A Lever House também parece se inspirar mais em edifícios anteriores como o PSFS e repousa sobre um pódio criando um pátio no térreo e um terraço no topo. A sede da ONU em Nova York também deriva das torres de cristal e talvez seja a maior representação do arranha-céu moderno. Após a segunda guerra mundial, quando os Estados Unidos ofereceram Nova York para sediar a organização, diversos terrenos ao redor de toda a cidade, e não só a ilha de Manhattan, foram estudados. Montou-se uma comissão 44


internacional para assessorar o arquiteto Wallace K. Harrison no projeto incluindo Le Corbusier, representando a França, e o Brasileiro Oscar Niemeyer. O terreno escolhido à beira do rio East foi doado por Rockefeller juntamente com um escritório em seu edifício para a realização do projeto. Le Corbusier tomou esta oportunidade como a chance de realizar seus projetos em Manhattan e transformou as reuniões em um processo traumático para a equipe. “Agora frenético para que o projeto finalmente constitua o início tão postergado de uma Manhattan radiosa, ele monopoliza todas as discussões. Embora oficialmente seja apenas consultor, logo fica claro que espera se tornar o único arquiteto do projeto, baseando-se na força de suas teorias urbanistas.” (Koolhas, 312) Para Koolhaas, Le Corbusier nunca entendeu que as teorias eram apenas decorativas nas metáforas fundadoras de Manhattan. E como sua única metáfora era a de antiManhattan, dificilmente ele conseguiria pregar seus ideais na cidade. O projeto final é um conjunto de quatro prismas, sendo o maior deles a torre de escritórios retangular projetada por Oscar Niemeyer. Mais uma vez a caixa de vidro foi utilizada pelos modernistas, desta vez os dois lados menores, no entanto, foram totalmente fechados e revestidos de mármore enquanto as outras duas se abrem através de vidros azuis transparentes que refletem as águas do rio. Embora o edifício 45


As variações da caixa de vidro, à direita a Lever House, S.O.M., 1951 e abaixo a Sede da ONU e o edifício de escritórios projetado por Oscar Niemeyer, 1952

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de escritórios seja menos importante que os edifícios que abrigam as assembleias e a biblioteca, ele se tornou símbolo do projeto e de toda a Organização. Dezenas de outros edifícios foram construídos em toda Manhattan sob a perspectiva modernista Europeia. Os arquitetos resolveram os problemas estruturais e de iluminação e ventilação até que se pudesse esconder totalmente pilares e vigas sob as grandes janelas de vidro. A torre de cristal substituiu as pesadas torres em estilo Art Decó de Nova York e mudou o futuro dos arranha-céus para sempre, mas toda a existência dos edifícios regulares dependia da não replicação e constante modificação de seus preceitos. PRÉ-FABRICADOS Entre o término da construção do Empire State em 1931 e meados da década de 1960 os arquitetos transformaram as cidades de Nova York e Chicago em laboratórios para seus projetos experimentais e o edifício em estilo Art Déco permaneceu com o título de mais alto do mundo. Mas no final da década de 1950 já se percebia que as alturas estavam aumentando conforme os terrenos em áreas centrais ficavam mais escassos e caros e as megacorporações americanas cresciam e tentavam demostrar o seu poder. “Corporações americanas precisavam demonstrar o seu poder, sua eficiência, sua crença na tecnologia avançada, sua preocupação com o estilo; as criações minimalistas arrojadas das firmas supracitadas foram capazes de fornecer o imaginário correto. ” (Curtis, pg. 558) 47


A exigência de alturas cada vez maiores levou as estruturas convencionais em aço ao limite e vigas intermediárias, pilares e treliças não eram mais coerentes ao tamanho dos edifícios e foram gradualmente modificadas. O primeiro arranha-céu a exibir uma nova forma foi o John Hancock Center, de 1970, em Chicago com 344 metros de altura. Projetado pela firma S.O.M. o conceito estrutural foi concebido pelo engenheiro Fazlur Khan e apresentava perfis de aço tubulares contraventados na diagonal originando um edifício de formato cônico que resolvia os problemas estruturais e resistia às forças do vento. A silhueta dramática do edifício e a arrojada articulação da estrutura sobre um painel secundário de pisos e vidraças fizeram do edifício ícone e revolucionaram a estrutura dos arranhacéus.

John Hancock Center, S.O.M., 1970 48


Mais tarde, em 1969, o escritório seria contratado para construir novamente o maior edifício de Chicago. Encomendado pela cadeia de lojas de departamento Sears a torre precisaria de aproximadamente 280.000m² de área para escritórios a fim de acomodar os funcionários e estar preparada para o crescimento projetado pela companhia. Assim como no Hancock Center, Fazlur Khan ficou encarregado da estrutura e propusera novamente o sistema de perfis metálicos tubulares em um core central e na fachada do edifício, conferindo estabilidade à torre. Como a Sears pretendia alugar os espaços ainda não utilizados pela empresa para pequenos escritórios ela precisava de andares grandes para seus escritórios bem como andares pequenos com maior área de janelas e menor área de laje a fim de atrair investidores, e com menor área em cada andar o edifício se tornaria mais alto que o permitido pela legislação da cidade. O desenho final do escritório se constitui então de uma base quadrada de 69 metros de aresta dividida em 9 quadrados menores. Conforme o edifício ganha altura uma série de setbacks é realizada resultando no formato icônico do edifício. A estrutura também está separada nesses quadrados e é continua do chão até o topo, isso significa que cada uma das 9 partes do edifício funciona como um edifício separado. A torre foi pintada de preto e, junto do John Hancock Center, tornou-se ícone do skyline de Chicago. Em 1973, com 108 andares, atingiu sua marca final de 442 metros, tornou-se o maior edifício do mundo e só foi superado 25 anos depois. Isso não significa, no entanto, que tenha sido um projeto bem49


sucedido. A Sears nunca cresceu como previsto e alguns anos depois começou a perder espaço no mercado para concorrentes, também falhou em conseguir alugar o restante da torre para outras empresas. Em 1980, com a grande oferta de espaço de escritórios, a taxa de vacância da cidade cresceu vertiginosamente e o edifício ficou quase que completamente vazio. Em 1994 a empresa vendeu a torre para um grupo de investidores e pouco depois mudou seus escritórios. De lá para cá foi vendida mais de uma vez e recentemente teve seu nome alterado para Willis Tower, nome da empresa Inglesa de seguros que aluga a maior parte do edifício. Sears/Willis Tower, S.O.M., 1970 e seu esquema engenhoso de setbacks

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Enquanto isso, em Nova York, a prefeitura tentava revitalizar áreas de Manhattan que ficaram fora dos investimentos e crescimento econômico de Midtown Manhattan nos últimos anos. Já fazia parte dos planos da cidade construir um centro internacional de negócios e essa era a oportunidade perfeita para recuperar a esquecida área de Lower Manhattan. David Rockefeller sugeriu à autoridade portuária da cidade que se construísse o complexo na beira do rio Hudson, próximo ao túnel do PATH, sistema de metrô que liga a ilha à New Jersey. Os estudos para o World Trade Center foram apresentados e a cidade aprovou a remoção das famílias que moravam e tinham seus comércios instalados ali. Cerca de 164 edifícios foram removidos e centenas de metros de cabos e tubulações foram remanejados para abrir espaço para o projeto. Em 1962 foi anunciada a escolha do arquiteto Minoru Yamasaki, do escritório Emery Roth & Sons, para conduzir o projeto. A construção começou em março de 1966 com a escavação do terreno. Como a área era parte de um aterro sobre o rio Hudson uma parede de concreto foi construída em volta de todo o terreno e foi necessário cavar cerca de 30 metros para se chegar até a rocha. A terra retirada foi utilizada para aterrar outra parte do rio onde posteriormente foi construído outro complexo de edifícios. O sistema construtivo utilizado era o mesmo que fora introduzido no Hancock Center, um core central de tubos metálicos e concreto carregava cerca de 70% do peso estrutural enquanto uma parede externa, também de tubos metálicos, carregava o restante. Essa estrutura externa foi 51


coberta de chapas metálicas polidas, estava disposta sobre outros pilares em forma de árvore e era a responsável por conferir à fachada do edifício sua aparência única. A diferença do edifício de Chicago está no contraventamento que no caso das torres gêmeas era realizado pelo próprio core central. A estrutura economizava espaço e deixava livre o interior do edifício para os escritórios. Dentro do core ficavam os elevadores, cada torre tinha 99 deles que eram distribuídos em expressos, que dividiam a torre em três seções, e locais que atendiam apenas essas seções. A grande inovação do World Trade Center foi a pré-fabricação da estrutura. Os perfis utilizados no core interior, as vigas, as peças que compunham a parede exterior e o piso dos pavimentos eram todos produzidos em fábricas ao redor de Manhattan e chegavam por meio de barcos pelo rio Hudson. As peças eram únicas e pela primeira vez fora utilizado um sistema computadorizado para gerir a fabricação, transporte e içamento das peças. Foi a primeira vez que um guindaste do tipo canguru foi utilizado nos Estados Unidos. A pré-fabricação permitiu que a torre fosse construída em tempo recorde e em menos de quatro anos após o início das escavações a torre 1 foi completada, desbancando o Empire State Building e tornando-se o maior arranha-céu da cidade com 110 andares e 417 metros de altura. O complexo, que incluía outros 5 edifícios menores, foi oficialmente inaugurado em abril de 1973. Por dia trabalhavam no complexo 50.000 pessoas e outras 200.000 passavam pelo local, seja para negócios, visitas ou manutenção dos edifícios. 52


Acima o World Trade Center logo apĂłs sua conclusĂŁo, Minoru Yamasaki, 1973 e ao lado detalhe do esquema estrutural externo

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O complexo era tão grande que tinha sua própria estação de metrô e código postal e podia ser visto a quilômetros de distância. O World Trade Center redefiniu o skyline da cidade e toda a sua dinâmica originando a reocupação de Lower Manhattan que desbancou pela primeira vez a área de Midtown, detentor de praticamente todos os edifícios importantes da cidade até então, e tornou-se centro financeiro e foco do desenvolvimento imobiliário até o início da década de XXI quando fora destruído. As torres também foram responsáveis pela consolidação da cidade como coração financeiro mundial e cidade internacional de negócios, título que até então era disputado com cidades Europeias como Londres e Paris e até mesmo a americana Chicago, provando a influência dos arranha-céus.

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Empire State Building e o World Trade Center em 2000


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MEGATORRES


A MIGRAÇÃO PARA A ÁSIA Na década de 1970 a República da China começava a abrir sua economia e o Japão continuava a crescer vertiginosamente estabelecendo-se como uma das principais economias globais. Já se percebia a potencialidade, não só desses países, mas de toda a Ásia, de crescimento econômico. Enquanto o Japão já se industrializava e modernizava seus produtos de exportação outros países da Ásia tinham reservas gigantescas de recursos naturais praticamente intocados. Como principal exportador de petróleo e outros commodities a Federação da Malásia era a economia que mais crescia em todo o continente, seu PIB crescia cerca de 6,5% ao ano e também já mostrava sinais de industrialização. Por volta de 1990 o país era a terceira maior economia da Ásia e a 28˚ maior do mundo, enquanto a maior parte do PIB ainda vinha das exportações de petróleo o país criava incentivos para atrair negócios e empresas ocidentais de tecnologia. Em 1972 a holding que controla a gigante do petróleo Petronas decidiu construir uma nova sede para a empresa junto de um centro de negócios internacional para abrigar as empresas ocidentais que pretendiam se instalar no país. O governo malasiano autorizou a construção de um arranhacéu na cidade de Kuala Lampur, capital do país, desde que a construção fosse concluída em 6 anos. O arquiteto Argentino César Pelli foi escolhido para projetar as torres gêmeas e dois consórcios diferentes foram designados para construir uma torre cada a fim de completar a obra dentro do prazo. 58


Cada torre tem uma altura total de 452 metros e apenas 85 andares, isso porque os edifícios seguem os padrões arquitetônicos do país com pés-direitos maiores. Têm um formato cilíndrico recortado e escalonado mais a adição de um bustle nos primeiros andares, as duas torres são conectadas por uma passarela no 41˚ andar. Sua estrutura é um misto de perfis metálicos no exterior e concreto armado no core e nos pilares do interior pois era muito caro importar metal dos Estados Unidos, assim os pilares e vigas são mais largos e o peso total da estrutura ficou cerca de 4 vezes maior por conta do concreto. Apesar dos problemas enfrentados pelas construtoras para realizar o projeto o empreendimento teve um resultado positivo não só para os donos como para todo o país. Logo que ficou

Petronas Twin Towers, César Pelli, 1998

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pronto em 1998 uma das torres fora totalmente ocupada pela Petronas e a outra por empresas como Microsoft, Huawei, Bloomberg, Boing, Reuters, entre muitas outras multinacionais que se instalaram pela primeira vez no país. As torres se tornaram símbolo da cidade e do poder econômico do país, que se tornou foco de investimentos na Ásia durante quase uma década. Foram os primeiros arranha-céus fora dos Estados Unidos a liderar o ranking de mais altos do mundo, título que nunca mais retornou ao país americano. Quando concluídas já se sabia que um novo edifício, também na Ásia, as superaria. O Tapei 101 World Financial Center era um projeto de 1997 encomendado pela prefeitura de Taipei, em Taiwan, para servir como âncora do desenvolvimento de um novo centro de negócios na cidade. Até 2001, quando as obras começaram, não se sabia ao certo qual altura o edifício chegaria. A proposta inicial era um de edifício de 66 andares, mas o governo federal interferiu para que ele se tornasse o mais alto do mundo. A firma de arquitetos Taiwaneses contratada, C.Y. Lee & Partners, projetou então um edifício de 101 andares simbolizando o novo tempo. Assim como a quantidade de andares a forma do edifício e sua implantação foram totalmente baseadas na cultura do país e nos princípios do Feng shui. É composto de 8 platôs com 8 andares cada sobre um embasamento também em formato trapezoidal, mais um pináculo. Fora projetado para suportar terremotos de 8 graus na escala Richter e ciclones típicos da região. Para isso os engenheiros envolveram toda a estrutura metálica em 60


Taipei 101, C.Y. Lee & Partners, 2004

Pêndulo utilizado para estabilizar a torre em caso de terremotos

concreto super-resistente e instalaram um pêndulo metálico maciço de 660 toneladas nos últimos andares do edifício a fim de estabilizar a estrutura durante uma catástrofe. A torre atingiu sua altura máxima de 509 metros em dezembro de 2004 tornando-se a maior do mundo e mais uma vez, ícone de todo um país. Novamente um arranha-céu foi usado como forma de atrair investimentos e demonstrar o poderio econômico. A diferença deste caso para o da Malásia é que a economia do país ainda era parcialmente fechada, o edifício foi piloto na instalação de empresas multinacionais, impulsionou 61


a economia do país e tornou-se peça chave na abertura do comércio que o colocaria entre os Tigres Asiáticos. Na década de 1990 e início do século XXI outras centenas de edifícios foram construídos por toda a Ásia com o mesmo objetivo, simbolizar a abertura da economia e poderio desses países e atrair investimentos do Ocidente. Através desses casos ficou comprovado que quanto mais alto o edifício, como no caso daqueles construídos em Hong Kong e Tóquio, mais atratividade e influência sobre a economia eles tinham. Surgia então uma tendência para o novo século. 

Skyline de Hong kong no início do século

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O 11 DE SETEMBRO No dia 11 de setembro de 2001 a forma como enxergamos os arranha-céus foi alterada para sempre. Até o ataque temiase que terremotos, incêndios e outros desastres naturais pudessem colocar a vida dos que moram e trabalham em edifícios altos em perigo. A forma como os ataques acontecerem e os 102 minutos que se sucederam até o colapso das torres era inimaginável até para roteiristas de cinema. As torres foram projetadas para resistir à impactos de aviões e incêndios de grande escala, mas não aos dois. Os pilares não conseguiram suportar o alto peso dos andares superiores e após serem danificados pelo fogo por mais de uma hora, a torre caiu. Naquele momento o mundo mudou para sempre. Se a imagem dos aviões chocando contra as torres já era aterrorizante, dois edifícios de 110 andares desabando por completo e cobrindo toda a parte sul da ilha de Manhattan em uma névoa tóxica e densa abalaria todas as facetas do mundo. Durante semanas as bolsas de Nova York permaneceram fechadas, temia-se que o mercado sofreria uma queda pior que a das torres. Nos meses que se seguiram, enquanto o fogo remanescente da queda ainda queimava, os Americanos se viram presos em seu próprio país. A aviação virou um caos no planeta inteiro, novas regras de imigração tornaram praticamente impossível para os Árabes conseguir um visto para os Estados Unidos e Europa. 63


Mas até onde essas políticas poderiam evitar um novo ataque nessas proporções? Os Americanos se perguntavam a mesma coisa e muitos aproveitaram para deixar os arranha-céus e os grandes centros urbanos em busca de uma vida teoricamente mais segura no interior. Edifícios inteiros foram esvaziados, o mercado global entrou em recessão e os Estados Unidos declarou guerra no Iraque. Se até então a genialidade dos arquitetos e engenheiros se concentrava em encontrar maneiras de tornar as estruturas mais fortes e mais leves a fim de aumentar a altura dos edifícios agora também era necessário pensar em como torná-las mais seguras. Os edifícios, como símbolos de poder econômico, se tornaram os alvos perfeitos para ataques. Foram anos até que o planeta começasse a se recuperar do trauma. O primeiro arranha-céu projetado depois dos ataques só ficou pronto em 2007, em Dubai. Nova York demorou 14 anos para construir um arranha-céu maior do que os já existentes. O ONE WTC faz parte do projeto do novo World Trade Center e por diversas vezes teve seu projeto cancelado. A nova torre tem uma superestrutura com uma base rígida de concreto que lembra um bunker e promete ser totalmente segura, só conseguiu superar as antigas torres gêmeas porque seu topo conta com um coroamento decorativo de 125 metros e ainda assim continua com dezenas de andares vazios. Os outros edifícios do complexo também sofrem com falta de interesse, mudanças constantes de projeto e ainda, 15 anos depois, estão em obras.  64


11 de Setembro de 2001

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O memorial do 11 de Setembro e a nova torre ao fundo


DUBAI: A ARQUITETURA DO FANTÁSTICO NO SÉCULO XXI Ainda no começo do século Dubai era desconhecida pelo mundo. Sua economia, assim como no resto dos Emirados Árabes Unidos, se baseava na exportação do petróleo desde a descoberta de uma das maiores reservas do planeta na década de 1960. Os sheiks dos EAU sempre mantiveram uma boa relação com o ocidente, foram base do exército americano na guerra do golfo e apesar de não ter uma economia totalmente aberta eram o mais próximo disso no Oriente Médio. Haviam dezenas de firmas procurando um território para sediar seus negócios na região, mas as leis orientais dificultavam para que as empresas se instalassem nesses países. No início do século a cidade de Dubai era um punhado de edifícios que sediavam empresas nacionais de petróleo ou hotéis luxuosos e centenas de casas à beira de uma estrada, mas ficava em uma posição geográfica excelente além de ser uma área de interesse militar. O governo havia traçado planos para diversificar a economia e sob orientação americana Dubai criou uma zona de livre comércio em uma área de 110 acres que fora doada pela cidade. O Dubai Internacional Financial Center, que fora projetado por um escritório de São Francisco, era uma cidade dentro de outra, assim como no Vaticano a zona tinha sua própria administração e leis civis e comerciais. Em 2002 quando fora inaugurado empresas americanas e europeias começaram a instalar seus escritórios na área. A demanda foi tão alta que em menos de um ano um projeto de expansão foi apresentado, desta vez com mais áreas de 67


Dubai na dĂŠcada de 1990

Dubai Internacional Financial Center, ACDF Architects, 2002

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escritórios, hotéis internacionais e residências. Logo outros empreendimentos começaram a ser construídos em volta da zona como é o caso da Media Village e Internet Village, ambas idealizadas por sheiks árabes, projetadas por escritórios americanos e com o mesmo fim: atrair investidores ocidentais. A ocidentalização da cidade estava cada vez mais presente nos negócios e na arquitetura, duas réplicas do edifício Chrysler foram construídas no meio do deserto e logo foram alcançadas pela crescente mancha urbana. Da mesma forma que o eixo da rodovia Sheikh Zayed começava a ser tomado por edifícios de escritório a costa do golfo era cenário de empreendimentos colossais voltados para o turismo. Ao lado do já famoso hotel 7 estrelas Burj Al Arab foram projetadas quatro ilhas artificiais, a Palm Jumeirah, Palm Jebel Ali, Palm Deira e a The World Islands. Juntas as ilhas utilizaram mais de 2 bilhões de toneladas de rocha e areia e serão ocupadas por condomínios horizontais, hotéis, centros comerciais e parques de diversões. Assim como os projetos de Dubai lembram a Arquitetura do Fantástico de Coney Island no início do século XX o centro da cidade remete ao rebuliço dos primeiros arranha-céus de Manhattan. À poucos quilômetros do centro financeiro internacional um projeto de 2002 pretendia colocar Dubai entre as capitais financeiras do mundo e, mais uma vez, o arranha-céu foi utilizado para simbolizar o desenvolvimento econômico do país. Com 828 metros de altura o Burj Khalifa (antes Burj Dubai) tornou-se em 2009 o maior edifício do mundo superando o antecessor, o Taipei 101, em 380 metros. A opulência do projeto 69


não está apenas em sua altura, ele faz parte de um complexo chamado Downtown Dubai de 2 quilômetros quadrados que também inclui o maior shopping do mundo, a maior fonte, um dos maiores hotéis do mundo e centenas de residências de luxo em estilo Árabe. A forma de um trevo de três pontas escalonado garantiu estabilidade à estrutura que sofre o impacto das fortíssimas rajadas de ventos do golfo. A estrutura é uma junção de vigas de aço importadas dos Estados Unidos e concreto e na fachada foram utilizados vidros projetados especialmente para o edifício com proteção insular para garantir o conforto térmico no interior. Além de lajes de escritório o prédio também abriga um hotel Armani, restaurantes e o mais alto deck de observação do mundo de onde é possível enxergar a cidade vizinha, Abu Dhabi e até outros países do Oriente Médio. O edifício é tão alto que foi necessário rever os critérios de altura dos arranha-céus. O CTBUH (Council on Tall Buildings and Urban Habitat), órgão responsável pelas definições de arranha-céus adotava apenas o termo supertall para edifícios maiores de 300 metros, com a conclusão do Burj Khalifa foi criado um novo termo para edifícios maiores de 600 metros: megatall.

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A Palm Jumeirah e o skyline de Dubai ao fundo


Burj Khalifa, S.O.M., 2010

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O FUTURO DO ARRANHA-CÉU O século XXI já se tornou a era dos arranha-céus. Desde o início do século mais de 75 supertorres foram construídas ao redor no mundo, até então haviam apenas 25, a maioria nos Estados Unidos. Em 2015 foram concluídas 15 novas supertorres e esse número está aumentando exponencialmente. Desde a conclusão do Burj Khalifa em 2009 já existem outras 3 megatorres concluídas, 3 em construção e mais 8 em fase de projeto, todas na Ásia e no Oriente Médio. O deslocamento desses edifícios do Ocidente para o Oriente também acompanhou uma mudança de tipologia. Dos dez maiores edifícios da cidade de Nova York até o início do século XXI apenas um era de uso misto. Hoje dos dez maiores edifícios do mundo, incluindo os que estão em construção, apenas um não é híbrido. A terra cara e limitada é a origem dessa transformação. “Nós estamos verticalizando para ordenar todos e rituais e atividades da nossa vida diária. Vivendo em um andar, comprando em outro, exercitando, buscando o ar livre e comparecendo a festas em outros. É renovador. ” (Johnson, 2008) Em Nova York enquanto são construídas poucas torres

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Diagrama do futuro skyline de NY. Os edifícios em construção estão destacados em amarelo


totalmente comerciais, como no caso do novo World Trade Center ou no projeto de recuperação de Hudson Yards, dezenas de supertorres residenciais mudam o skyline icônico da cidade. Escritórios de arquitetura famosos como Perkins+Will, SHoP, Rafael Viñoly e Portzamparc foram chamados para projetar algumas dessas torres. Todas estão implantadas em terrenos pequenos e recortados resultantes da demolição de outros edifícios, sendo assim, a única solução para tornar os projetos economicamente viáveis foi a altura. O projeto de Viñoly é um dos mais icônicos. A torre de 426 metros de altura será a segunda mais alta da cidade quando concluída. O edifício é uma extrusão completa da base quadrada, a estrutura fica no exterior da planta dividindo a fachada em 6 janelas quadradas em cada lado do andar. A fachada resultou em apartamentos luxuosos com janelas do chão ao teto que dão visão privilegiada para todos os lados da cidade. O valor do apartamento da cobertura, pavimento mais alto de toda a cidade, chegou aos exorbitantes 95 milhões de dólares.

432 Park Avenue, Rafael Viñoly, 2015

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Já os projetos das torres comerciais da cidade fazem parte de planos de revitalização de bairros inteiros. Assim como as torres gêmeas o novo complexo do World Trade Center visa levar os escritórios novamente à Lower Manhattan após o êxodo causado pelo atentado. Das 5 torres do complexo três estão prontas e duas estão em fase final de construção, Santiago Calatrava, Norman Foster, BIG, SOM e Richard Rogers foram alguns dos arquitetos que participaram do projeto. O novo World Trade Center, no entanto, não é o maior projeto imobiliário da cidade. O complexo de Hudson Yards foi projetado sobre os trilhos do pátio de trens de uma linha que liga Nova York à New Jersey. Ao todo são 16 edifícios sendo que 7 são supertorres. A maior delas, projetada pelo escritório Kohn Pedersen Fox, terá 395 metros de altura. Mas enquanto as torres de Nova York continuam na faixa de 300 a 500 metros, a China e o Oriente Médio investem em edifícios mais altos, ousados e tecnológicos. Em Shangai fora inaugurada em 2014 uma megatorre de 632 metros. Projetada pelo escritório Gensler a torre tem um formato cônico simples, mas é envolvida por uma segunda fachada de vidro em espiral que possibilitou o uso de vidros transparentes em ambas as fachadas. A China também anunciou em 2013 que construiria o maior edifício do mundo em apenas 90 dias. A torre teria 838 metros de altura e suas partes seriam totalmente pré-fabricadas em 120 dias. Antes da construção um teste em menor escala foi realizado e os projetistas conseguiram construir um edifício 74


Acima os prĂŠdios do novo complexo do WTC e abaixo o Hudson Yards, K.P.F. (Torres Norte e C), 2016

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Os edifĂ­cios mais altos do mundo em 2020

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Shanghai Tower, Gensler, 2014


de 37 andares em apenas 12 dias. O projeto foi posteriormente abandonado por não ter conseguido as aprovações de segurança necessárias mas mostra que esses edifícios estão sendo levados ao limite. Atualmente a maior torre em construção no mundo deve atingir a incrível marca de 1 quilômetro de altura até 2020. A Jeddah Tower fica na cidade de Jeddah na Arábia Saudita, foi projetada pela firma de Chicago Adrian Smith + Gordon Gill e vai abrigar áreas para escritórios, hotel e apartamentos de luxo. A planta do edifício, assim como no Burj Khalifa, foi projetada a partir de um trevo de três pontas, e se escalona até atingir sua marca de 1km. A megatorre está em construção no meio do deserto em uma área que deve se tornar o novo centro financeiro internacional da Árabia Saudita, assim como em Dubai espera-se que a torre atraia o olhar dos investidores para o país. Quando concluída, porém, a torre de Jeddah já vai ter data para ser destronada, o Iraque, vizinho da Árabia Saudita, já anunciou o projeto de uma torre de 1.152 metros de altura.

Jeddah Tower, Adrian Smith + Gordon Gill, sem previsão de conclusão

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A década de 2020 abrirá a era dos megatalls. Há planos para novas megatorres em Dubai, China Jakarta e Coréia do Sul e até países que nunca construíram uma supertorre, como a Índia, Indonésia e Vietnam, já sinalizaram que vão entrar na disputa pelo edifício mais alto do mundo. O CTBUH já estuda a criação de uma nova denominação para as torres com mais de mil metros de altura enquanto arquitetos e engenheiros estudam maneiras de torná-las concebíveis. Assim como as estruturas se tornam cada vez mais resistentes a vontade do homem de demostrar o seu poder não para de crescer, a corrida pelo topo do mundo acirra-se e apenas o céu parece ser o limite para o arranha-céu.

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CONCLUSÃO

O BRASIL ALHEIO À DISPUTA


Os edifícios altos sempre estiveram carregados de simbolismos e significados. Se durante a idade Média e Moderna essas construções estiveram ligadas à religião foi a partir da invenção do elevador que os arranha-céus como conhecemos hoje tomaram forma e mudaram o futuro das cidades para sempre. A princípio esses edifícios desempenhavam a função de multiplicar o uso do solo aumentado as margens de lucro sobre ele. Com o passar do tempo e o aprimoramento das técnicas construtivas os arranha-céus se tornaram símbolos de poder econômico e político além de ícones de cidades e países inteiros. Os primeiros grandes edifícios a ultrapassar a marca dos 300 metros de altura, ou como definido pelo CTBUH, a receber o título de supertorre (que seria criado apenas no início do século XXI), foram o Chrysler e o Empire State Building. Construídos em meados da década de 1920 o financiamento dessas obras só foi possível pois os Estados Unidos aproveitavam de um período de prosperidade pós-primeira guerra. O país ainda se aproveitava do período para se afirmar como maior potência mundial, da indústria automobilística aos bens de consumo os empresários Americanos, com a ajuda do governo, investiam para se modernizar e retratar o país como a nação do futuro. Foi nessa condição que os primeiros grandes arranha-céus do mundo foram construídos e são em condições parecidas que quase todos eles são. Países como China, Taiwan, Indonésia e Singapura crescem em um ritmo acelerado em tempos que 84


Shanghai em 1990 e em 2010

a economia mundial parece estar enfraquecida. Enquanto a União Européia e os Estados Unidos lidam com problemas internos os países Asiáticos vivem tempos prósperos e tentam destacar sua capacidade e poderio econômico a nível global. Shanghai e Kuala Lampur são os maiores exemplos Asiáticos do simbolismo do Arranha-Céu. Assim como Dubai 85


essas cidades eram pequenas e insignificantes quando a economia desses países começou a despontar. Através de investimentos privados e públicos essas cidades passaram por reurbanizações que visavam atrair os olhos de investidores internacionais e os arranha-céus puderam representar a nova imagem de poder econômico e modernização que elas queriam transmitir para o Ocidente. De pequenas cidades em países subdesenvolvidos essas cidades se tornaram potências econômicas e capitais financeiras. Obviamente que os arranha-céus não são sozinhos a causa dessa transformação, mas com certeza são a representação. E enquanto as cidades Asiáticas, Norte Americanas e do Oriente Médio se verticalizam incessávelmente, seja pela falta de espaço, demonstração de poder ou ambos, e as cidades Europeias desprezam os arranha-céus como forma de proteger suas cidades e conceitos urbanísticos, as cidades Sul-americanas ainda não se manifestaram de forma significativa na construção desses edifícios. A cidade de Santiago, no Chile, é a única a possuir uma supertorre, o Costanera Center, projetado por César Pelli, foi inaugurado em 2012 e com exatos 300 metros de altura se tornou o primeiro e único edifício da América Latina a figurar na lista dos maiores do mundo. O Brasil já chegou a fazer parte da corrida muitos anos atrás, o Martinelli, inaugurado em 1929 com 130 metros de altura na cidade de São Paulo foi projetado pelo arquiteto Húngaro Vilmos W. Fillinger e se tornou o primeiro grande edifício da América do Sul. Anos depois, em 1947, o Edifício Altino 86


Costanera Center, César Pelli, 2012

Arantes foi inaugurado com 161 metros de altura. Projetado por Plínio Botelho do Amaral o edifício sede do Banespa foi durante anos o maior arranha-céu fora dos Estados Unidos e a maior construção em concreto armado do mundo. Esses edifícios foram construídos em uma época que o Brasil, com auxílio de capital estrangeiro, se industrializava rapidamente e procurava demostrar seu desenvolvimento econômico. O edifício foi superado posteriormente pelos edifícios Itália, inaugurado em 1965 e pelo Mirante do Vale, de 1960, que é até hoje o mais alto edifício do Brasil com apenas 169 metros. As leis instauradas impossibilitaram a evolução da verticalização e hoje ela é tomada por edifícios baixos ao redor de eixos a perder de vista. 87


A cidade, que é capital financeira do país e principal polo de negócios de toda a América Latina, ficou em segundo lugar, depois apenas de Nova York, no ranking bi-anual da revista FDI das “Cidades do Futuro” 2013/14. Tudo na cidade é superlativo, com 12 milhões de habitantes (IBGE 2016) faz parte de uma das maiores e mais densas metrópoles do planeta e é responsável por 10,7% do PIB Brasileiro. Juntas, as cidades que fazem parte da região Metropolitana de São Paulo têm um PIB de 613 Bilhões de reais, o que equivale a 40,5% do PIB nacional. Todos os dados de São Paulo podem provar que ela é uma cidade global que cresce em um ritmo tão acelerado quantos as cidades Asiáticas. Seus negócios representam tantos bilhões na economia mundial quanto cidades Chinesas e Americanas e é sede de multinacionais que figuram entre as maiores do mundo e, mesmo com toda a potência econômica, a cidade não ocupa sequer uma posição no ranking de maiores edifícios do mundo. A cidade não tem um skyline definido, não tem edifícios icônicos e hoje é representada por uma ponte estaiada projetada para ser muito maior que o necessário. São Paulo precisa de um arranha-céu que simbolize seu poder econômico e a coloque de volte na corrida pelo topo do mundo.

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Os edifícios Altino Arantes, Plínio Botelho do Amaral, 1947 e Martinelli, Vilmos W. Fillinger, 1929 na década de 1950


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ENSAIO

SUPERTORRE NO VALE DO ANHANGABAÚ


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São Paulo busca por um ícone que a coloque de vez na relação de cidades contemporâneas. Na década de 2010 vimos uma proliferação das supertorres ao redor do mundo e a próxima década deverá abrir a era das megatorres. Esse projeto, no entanto, não tem a ambição de colocar São Paulo no topo da lista dos maiores arranha-céus do mundo, mas sim de criar um edifício ícone para o skyline, que o defina e crie uma identidade para a cidade que hoje é apenas um mar de prédios cor bege. A supertorre no vale do Anhangabaú vai estar logo ao lado do atual edifício mais alto da cidade, o Mirante do Vale. Como forma de contrapor ainda mais essas duas construções o projeto vai ter exatamente o dobro do tamanho do seu antecessor, 340 metros de altura até o pináculo.

O skyline de São Paulo – imensidão de edifícios baixos


Terreno escolhido e os principais eixos de mobilidade

ÁREA DE IMPLANTAÇÃO A escolha do centro antigo da cidade, especificamente o Vale do Anhangabaú, como terreno para o edifício se deu por três motivos principais: a tradição do Vale na verticalização, a proximidade com os principais eixos de circulação leste-oeste e norte-sul e a demanda por salas comercias que continua sendo a mais alta da cidade. O Vale do Anhangabaú foi cenário da construção dos primeiros arranha-céus da cidade e é até hoje localidade dos maiores edifícios da capital. Os edifícios Sampaio Moreira, Martinelli e Altino Arantes foram, nesta ordem, os mais altos no Brasil quando construídos e chegaram a ser os maiores arranhacéus fora dos Estados Unidos. Em 1960 também foi iniciada a construção do edifício Mirante do Vale que com 170 metros de altura ainda é, depois de 50 anos, o mais alto da cidade e o


segundo maior do país. A construção de edifícios comerciais deslocou-se para os eixos da Paulista e posteriormente Faria Lima-Berrini a partir da década de 1990 mas esses centros nunca superaram a altura que os edifícios do Vale atingiram e acabaram se tornando um grande eixo de edifícios baixos que se alastra em direção à áreas cada vez mais afastadas do centro. O terreno escolhido fica na avenida Prestes Maia, principal eixo rodoviário Norte-Sul da cidade, e que também conecta o centro histórico aos centros comerciais da Paulista, Faria Lima, Berrini e Marginal Pinheiros. A área também fica no cruzamento dos principais eixos de transporte público da cidade. O edifício fica ao lado da estação São Bento do metrô, da linha Norte-Sul 1-azul, que por sua vez fica entre as estações da Luz e da Sé, convergência das linhas LesteOeste 7, 10, 11 e 12 da CPTM e 2-vermelha do metrô. Todos os dias milhares de pessoas chegam até o centro, ponto de confluência da maioria dessas linhas, e fazem baldeação nas estações da Sé e da Luz para chegarem aos seus trabalhos. Assim, a conexão com os principais eixos de mobilidade, principalmente os de transporte público sobre trilhos foi fundamental para a escolha da área. O ponto escolhido está próximo de todos os eixos e evita baldeações, minimizando o impacto sobre as linhas e evitando a necessidade do uso de veículos particulares para acessar o edifício. Justamente por toda a oferta de transporte público o centro ainda é a área com maior oferta de salas comerciais da cidade. De acordo com o índice FipeZap, mesmo com a saída


das grandes empresas para os eixos da Paulista e Faria LimaBerrini, a área tem a menor taxa de vacância de toda a cidade e uma alta procura por espaços rentáveis. As construtoras retornaram a investir em novos empreendimentos comerciais no centro nos últimos anos, mas a escassez de terrenos e o alto valor da terra diminui os lucros e inviabiliza projetos menores. A área do projeto é atualmente ocupada por estacionamentos e sobrados, alguns deles abandonados, que contrastam bastante com o entorno, principalmente da rua Florência de Abreu, toda ocupada por lojas e escritórios. Apenas um prédio de gabarito mais alto teria que ser demolido para abrir espaço para o terreno de 12.060m², um edifício garagem, viabilizando financeiramente o projeto.

Implantação


Além de estar conectado com os eixos de mobilidade da cidade o projeto também visa ser um conector para as áreas adjacentes. O edifício tem acessos pelos dois lados da Avenida Prestes Maia, através de um projeto de requalificação da passarela já existente, pela praça do Largo do São Bento e pelas ruas Florência de Abreu e 25 de março através de galerias comerciais subterrâneas. Assim, o projeto consegue recuperar a conexão do fundo do Vale com a cota mais alta do Largo e, através das passarelas e galerias subterrâneas, o pedestre pode chegar protegido de chuvas e do sol nos centros comerciais da Florêncio, da 25 de março e estar a apenas a um quarteirão de distância do Mercado Municipal. Nas convergências desses caminhos ficam duas praças onde toda a circulação vertical é realizada. A primeira delas, a praça aberta, fica logo ao sul do edifício na Prestes Maia. Além

Diagrama de fluxos


de uma passarela coberta que liga o edifício ao Largo do São Bento a praça também tem espaços para bares e restaurantes, o que significa que será ocupada mesmo fora dos horários comerciais. À frente desses fica um grande bosque, cerca de 35% do terreno, que foi destinado à plantação de árvores que diminuem a pressão dos ventos e calor excessivo causados pelo edifício, além de reduzir a escala do edifício para o pedestre. No fundo desta praça fica o muro do São Bento, patrimônio tombado da cidade que hoje fica aos fundos de um estacionamento, e uma escadaria ao ar livre conectando a praça diretamente ao Largo. A outra praça de circulação fica entre dois edifícios tombados da rua Florêncio de Abreu na cota da 25 de março, cerca de 12 metros abaixo da calçada. Sua cobertura com desenho icônico de metal e vidro foi baseada nas grandes praças do PATH em Toronto onde os pedestres que caminham pelo subsolo são direcionados à olhar para cima e ter um relance da cidade, do sol e da luz e do clima afora. Esta praça foi desenhada também para ser o ponto de encontro e porta de entrada para quem chega ao edifício via transporte público. No centro das praças e das passarelas, local onde todas convergem, fica a torre. Um grande lobby de vidro com pé direito de 12 metros de altura recepciona os visitantes e trabalhadores de forma emblemática. Por dia calcula-se que poderiam passar cerca de 80 mil pessoas por este lobby em direção à torre dentre trabalhadores e visitantes. No núcleo, separados apenas por uma catraca, ficam os 33 elevadores responsáveis pela circulação vertical de todas essas pessoas.


Planta pavimento tĂŠrreo


Corte da Passarela

Corte Urbano A-A


Existem apenas três andares de subsolo no edifício. O primeiro serve, principalmente, como ligação à rua 25 de Março com um espaço reservado para lojas. O segundo e o terceiro guardam a área técnica, caixas d’água e estacionamento. Devido à proximidade com o metrô o edifício conta apenas com 510 vagas de garagem, isso são 7 vagas por andar do edifício ou uma vaga a cada 400 metros de área de escritórios.

Planta do nível 25 de Março


Planta do nível 25 de Março


Corte B-B


Acima, os elevadores separam o edifício em três partes sobrepostas separadas por um andar técnico e 10 elevadores atendem cada uma delas. Conforme o edifício ganha altura os elevadores que não atendem à próxima seção param no andar técnico e deixam de existir nos andares acima. Assim essa área do núcleo pode ser utilizada como área de escritório e o edifício escalona-se resultando em lajes com dimensões ocupáveis praticamente idênticas em todos os andares de aproximadamente 3.000m². Ao todo o edifício possui uma área rentável de 219.000 m² distribuídas em 73 andares. Nos últimos andares do edifício, o 74˚ e o 75˚, ficam o restaurante e o mirante. Da altura de 296 metros do mirante os visitantes poderão enxergar o mar de prédios da cidade, os limites da região metropolitana e até a costa do Oceano Atlântico.

Diagrama comparativo entre o projeto e os edifícios mais altos do mundo e de São Paulo

BURJ KHALIFA

ONE WTC

TAIPEI 101

SWFC

MIRANTE ITÁLIA ALTINO DO VALE ARANTES


Planta 1ยบ ao 15ยบ pavimento

Planta 17ยบ ao 32ยบ pavimento


Planta 34ยบ ao 49ยบ pavimento

Planta 51ยบ ao 63ยบ pavimento


Planta restaurante

Planta restaurante


Externamente o edifício é vedado por grandes janelas de vidro totalmente transparentes. Nas fachadas onde o sol incide com maior força uma segunda fachada composta de um vidro fosco e brises foi adicionada. Essa segunda pele também é a responsável por simular uma falsa inclinação do edifício e sua forma representa um rasgo na fachada revelando a vidraça transparente atrás. No topo do edifício a fachada transcende as brises revelando os vidros transparentes em uma abertura composta de uma estrutura metálica.O pináculo se inclina em direção ao topo revelando uma forma de diamante que aponta para o Marco Zero de São Paulo, a Catedral da Sé e, do seu topo, irrompe a antena que atinge os 340 metros de altura.

Detalhe fachada sul/leste

Detalhe fachada norte/sul


FICHA TÉCNICA ÁREA DO TERRENO: 12.060 m² ÁREA CONSTRUÍDA: 210.855 m² ÁREA RENTÁVEL: 147.195 m² ANDARES OCUPÁVEIS: 65 ALTURA ATÉ O PINÁCULO: 340 METROS POPULAÇÃO ESTIMADA/DIA: 80.000 PESSOAS C.A: 17 T.O: 51%

Elevações


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REFERÊNCIAS


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IMAGENS INTRODUÇÃO Figura 1 - Torre de Babel http://cleofas.com.br/ Figura 2 - Catedral de Ulm http://www.reidsguides.com/ A INVENÇÃO AMERICANA Figura 3 – Chicago https://chicagology.com/ Figura 4 – Elisha Otis http://hybridtechcar.com/ Figura 5 - Equitable Life Building http://stevenwarran-backstage. blogspot.com.br/ Figura 6 – Home Insurance Building http://www.chicagoarchitecture.info/ Figura 7 – Planta do edifício Monadnock https://commons.wikimedia.org/ Figura 8 – Monadnock Building https://en.wikipedia.org/ Figura 9 – Loja Schlesinger & Mayer https://chicagology.com/ Figura 10 – Flatiron Building https://bikramyoganyc.com/ Figura 11 - Woolworth Building http://www.nyc-architecture.com/ Figura 12 - Equitable Building http://nucius.org/ Figura 13 – Lei dos setbacks http://www.spur.org/ Figura 14 – Esboços de Ferris http://www.designfuturedallas.com/ 118

Figura 15 – A festa http://architectureandurbanism. blogspot.com.br/ Figura 16 – Empire State Building http://mashable.com/ Figura 17 – Chrysler Building http://assets.nydailynews.com/ Figura 18 – Empire State e Chrysler Building http://blog.al.com/ Figura 19 – Rockefeller Center artdeco.org/ Figura 20 – PSFS Building https://www.studyblue.com/ Figura 21 – Lake Shore Drive http://www.metalocus.es/ Figura 22 – Detalhe Lake Shore Drive https://skylinearchitecture.files. wordpress.com/ Figura 23 – Seagram Building http://news.getty.edu/ Figura 24 – Lever House http://www.whitneycox.com/ Figura 25 – Sede da ONU http://www.ebc.com.br/ Figura 26 – John Hancock Center https://commons.wikimedia.org/ Figura 27 – Detalhe Willis Tower http://khan.princeton.edu/ Figura 28 – Willis Tower http://www.pondrobinson.com/ Figura 29 – World Trade Center www.nydailynews.com/


Figura 30 – Detalhe World Trade Center http://www.world-memorial.org/

Figura 46 – Hudson Yards http://newyorkyimby.com//

Figura 31 – Empire State e World Trade Center https://estouindoparanovayork.com/

Figura 47 – Edifícios mais altos de 2020 http://www.ctbuh.org/

MEGATORRES

Figura 48 – Shanghai Tower http://du.gensler.com/

Figura 32 – Petronas Twin Towers https://commons.wikimedia.org/ Figura 33 – Taipei 101 https://commons.wikimedia.org/ Figura 34 – Pêndulo estabilizador Taipei 101 https://commons.wikimedia.org/ Figura 35 – Skyline de Hong Kong https://www.flickr.com/ Figura 36 – 11 de Setembro http://nypost.com/ Figura 37 – Memorial 11 de Setembro www.911memorial.org/ Figura 39 – Dubai 1990 https://commons.wikimedia.org/ Figura 40 – DIFC https://www.difc.ae/

Figura 49 - Jeddah Tower http://static2.businessinsider.com/ CONCLUSÃO Figura 50 – Shanghai 1990 e 2010 http://gawker.com/ Figura 51 – Costanera Center pcparch.com/ Figura 52 – São Paulo 1950 www.saopauloantiga.com.br/ ENSAIO Figura 53 –Projeto Autoria própria Figura 54 – Skyline de São Paulo http://publicitantes.com.br/ Figura 55 à 75 – Projeto Autoria própria

Figura 41 – Dubai http://www.qantas.com/ Figura 42 – Burj Khalifa http://travelinnate.com/ Figura 43 – Diagrama de NY http://www.nationalgeographic.com/ Figura 44 – 432 Park Avenue 432parkavenue.com/ Figura 45 – Novo World Trade Center http://libeskind.com/

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Trabalho final de graduação apresentado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie


Arranha-Céus: a corrida pelo topo do mundo