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M E M O R I A L

D E S C R I T I V O

VINICIUS SIMÕES BOTELHO Orientadora | Virgínia Pereira Cavalcante, Dr.a

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESIGN

M E M O R I A L

D E S C R I T I V O

VINICIUS SIMÕES BOTELHO Orientadora | Virgínia Pereira Cavalcante, Dr.a

Memorial como

descritivo

parte

dos

apresentado

requisitos

para

exame de qualificação ao Programa de Pós-Graduação em Design da Universidade

Federal

de

Pernambuco.

R E C I F E

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Sumário do Memorial Descritivo

Resumo ___________________________________ x Projeto de Pesquisa detalhado Introdução _______________________________ xx. Justificativa _____________________________________xx Objeto de Estudo e Objetivos da Pesquisa ____________ 17 Objetivo Geral _________________________ 17 Objetivos Específicos _____________________xx Objeto de Estudo ________________________xx Pergunta da Pesquisa_____________________xx Hipotese _______________________________xx Viabilidade do Projeto de Pesquisa ___________________xx Metodologia Geral ________________________________xx

Sumário Comentado_________________________ xx Capitilos Desenvolvidos Parte 01–Fundamentação Teórica ______________ xx 1.

Gestão* ______________________________ xx 1.1 Fundamentos da Gestão _______________________xx 1.1.2 Evolução Histórica das Teorias administrativas _xx 1.1.2 Conceitos ______________________________xx

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1.2 Cultura Organizacional e Ambientes Colaborativos ___xx 1.3 Gestão da Informação e Gestão do Conhecimentol __xx 1.4 Gestão de Projetos ___________________________xx

Parte 02 – Desenvolvimento da Pesquisa ________ xx 3.

Metodologia do Estudo de Caso ____________ xx

Cronograma de Atividades ____________________ xx Referências Bibliográficas ____________________ xx Bibliografia _______________________________ xx

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Resumo

O presente trabalho trata da relação interdisciplinar e da troca de informações técnicas entre o design e o setor produtivo no desenvolvimento novos produtos. Traz a visão de alguns autores que tratam dessa relação do design com outras disciplinas. Aponta algumas metodologias de desenvolvimento de produtos que sugerem essa troca de informações. Traz alguns modelos de gestão de projetos que trazem a questão da interdisciplinaridade em sua filosofia. Descreve o caso da Experiência da Companhia Industrial de Vidros em desenvolvimento de projetos de novos produtos, apontando em forma de diagrama como ocorreu o fluxo da informação técnica nesse projeto. E finaliza sugerindo e apontando diretrizes de um novo fluxo de como deve ocorrer as trocas de informações técnicas em desenvolvimento de novos produto.

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Introdução

No cenário atual, globalizado e altamente competitivo, as grandes empresas tem utilizado estratégias de negócio no sentido de obter retorno de seus investimentos, o que tem provocado a busca pela inovação de seus processos industriais. Esse movimento, embora com foco financeiro, tem suscitado outras questões que abordam a necessidade do equilíbrio entre os aspectos econômicos, sociais, políticos e ambientais do negócio. Para atender estas perspectivas estratégicas de inovação, as empresas precisam criar produtos e serviços de qualidade mundial a preços acessíveis que atendam as necessidades de seus consumidores. Entre os mercados emergentes, em todo o mundo, o Brasil é apontado como um dos países com maiores possibilidades de crescimento. Neste cenário, o grau de exigência e conscientização dos consumidores tem se elevado cada vez mais, as empresas são obrigadas a se reestruturarem e oferecer produtos e serviços com mais qualidade e responsabilidade, através de um posicionamento inovador. Neste sentido o design se insere como elemento estratégico, trabalhando a performance das empresas por meio de recursos, como qualidade, durabilidade, aparência e custos em conexão com produtos, ambientes, informação e identidades coorporativas (CAVALCANTI, 2006). Enquanto estratégia de negócio, o designer pode assumir o papel de mediador, ou mesmo, “tradutor” das necessidades e objetivos da empresa, interligando áreas do Marketing, Engenharia, Produção e Vendas, unindo aspectos do desenvolvimento sustentável (economia,

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sociedade e mercado), às necessidades reais e simbólicas do consumidor individual e social. Nesta perspectiva o designer vem conquistando mais espaço no meio industrial e, com isso, se depara com necessidade de manipular um número cada vez mais crescente de materiais e tecnologias. Diante da velocidade com que os recursos científicos e tecnológicos avançam pressupõe uma incessante adaptabilidade no desenvolvimento da inovação na lógica da interação entre o Design e a Engenharia (Kindlem,2006). Uma vez que, por hipótese, a lógica do pensamento do designer é diferente da lógica do pensamento do engenheiro, esta comunicação deve ser facilitada visando minimizar os riscos e custos inerentes de cada processo. No momento em que o designer passa a atuar interagindo com outras disciplinas, as trocas de informações começam ser mais constantes e relevantes. A eficiência nessa troca de informações pode implicar em menores custos de desenvolvimento, e aumentam as chances de sucesso do produto. A tendência atual de interdisciplinaridade1 do conhecimento é verificada em diversos setores industriais. A crescente exigência por novos produtos cada vez mais sofisticados e complexos, e os novos avanços tecnológicos promove a aproximação dos aspectos semióticos, estéticos, funcionais, ergonômicos e tecnológicos na busca crescente do aumento da qualidade, melhoria dos procedimentos e processos produtivos e, o aumento da satisfação do cliente. Ao falar sobre interdisciplinaridade, Gusdoff (1990) afirma que o prefixo “inter” indica um espaço comum, um fator de coesão entre saberes diferentes. Ele também afirma que na interdisciplinaridade os especialistas das diversas disciplinas devem estar animados de uma vontade comum, em que cada qual aceita esforçar-se fora do seu 1

Interdisciplinaridade x multidisciplinaridade: Ambos os conceitos tratam da relação entre disciplinas, porém enquanto a multidisciplinaridade se caracteriza pela justaposição de varias disciplinas, porém sem nenhuma cooperação entre elas, a interdisciplinaridade se caracteriza pelo Intercâmbio mútuo e integração recíproca entre várias ciências. Esta cooperação tem como resultado um enriquecimento recíproco.

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domínio próprio e da sua própria linguagem técnica para aventurar-se num domínio de que não é o proprietário exclusivo. Dentro desta perspectiva de trabalho integrado entre várias disciplinas e focando no que se diz respeito a desenvolvimento de produtos para a indústria, o design geralmente atua em conjunto com o marketing e a engenharia. Algumas metodologias de design ressaltam que essa aproximação entre design, marketing e engenharia é indispensável para o sucesso no desenvolvimento de produtos. Nesse sentido, Rossetto (2003) afirma que desenvolvimento de novos produtos envolve a participação de vários profissionais que atuam desde o surgimento da nova idéia ao seu lançamento no mercado. É uma atividade interdisciplinar que geralmente envolve engenharia, marketing, produção e design. E, por sua natureza, deve ser organizada de forma integrada. Já Baxter (1998) trata o desenvolvimento de produtos como uma atividade complexa que exige pesquisa, planejamento, controle e uso de métodos sistemáticos de projeto, o que requer uma abordagem interdisciplinar em marketing, engenharia e conhecimentos sobre estética. E que a atuação do Design, em multiplicação com outros campos do conhecimento científico, permitem a ampliação do raio de atuação para a concepção de novos produtos. A capacidade de usar métodos básicos em cada uma dessas três áreas – Marketing, Engenharia e Design, capacitará o designer a ter uma visão global sobre o processo de desenvolvimento de produtos (BAXTER, 2000). Porém o mesmo autor destaca que o desenvolvimento adequado das diversas fases do desenvolvimento de produtos não garantirá sozinho, o sucesso de um novo produto. O desenvolvimento de um novo produto está ligado à qualidade das relações humanas entre os diferentes atores do processo. Ainda na mesma linha de pensamento, Rossetto(2003) defende que o surgimento de um novo produto, exige a formação de uma equipe com pessoas de diferentes áreas que, naturalmente, possuem diferentes visões na forma de vê-lo. Isto, eventualmente, traz como conseqüência

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o aparecimento de conflitos provenientes da divergência de opiniões, pois cada pessoa da equipe tende a pensar conforme a conveniência do departamento em que trabalha. Este tipo de conflito pode ser uma barreira a empresa que resolva adotar o design como ferramenta estratégica. Essas divergências de opiniões são naturais e é conseqüência das diferenças de visões entre design, marketing e engenharia. Segundo kloter (1998) nas empresas, os profissionais de marketing são orientados para o negócio. Com conhecimento prático do mercado, buscam produtos com características de vendas que possam ser promovidas junto aos clientes. Na essência, o marketing trabalha com a satisfação das expectativas e necessidades dos consumidores através da oferta e troca de produtos. Já os profissionais de engenharia se preocupam mais em descobrir maneiras práticas para desenvolver novos produtos e novos processos de produção, buscando simplicidade na fabricação e facilidade de montagem. Segundo Kotler (1998), os engenheiros estão interessados em alcançar qualidade técnica, redução de custos e simplicidade de produção. E por fim o designer que se ocupa, na visão de Zaccai (1995), em traduzir os desejos do marketing e as possibilidades da engenharia em soluções únicas, funcionais, dotadas de um valor estético para cativar a imaginação do consumidor. Desta forma designer precisa se munir de informações para projetar nos produtos, que devem ser factíveis de produção, a imagem que a empresa quer passar para o consumidor. Nesse caso o marketing se responsabiliza em disponibilizar as informações referentes à imagem da empresa, e os engenheiros se responsabilizam por viabilizar tecnicamente o produto. Porém esta equação só funciona se estes atores se comunicarem e se integrarem de forma eficiente, evitando retrabalho, e conseqüentemente diminuindo o tempo de desenvolvimento e produtos. Percebe-se então que de fato as algumas metodologias de design pregam um trabalho integrado entre o designer e os outros atores do processo de desenvolvimento de produto em um ambiente colaborativo em que uma boa comunicação é decisiva para o bom andamento do processo. Porém como se deve ocorrer essa comunicação diante da

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diferenças de perfis dos profissionais e disciplinas envolvidas no processo de desenvolvimento de produtos? E se considerarmos apenas o que se refere à comunicação entre o design e a engenharia, seria possível estabelecer um modelo de fluxo da informação técnica entre design e engenharia durante o processo de desenvolvimento de produtos? Algumas das áreas relacionadas à gestão de projetos possuem alguns modelos que trazem ferramentas e orientações que se propõem auxiliar as relações de comunicação entre profissionais e disciplinas envolvidas no processo de desenvolvimento de produtos. Guimarães (2000) afirma que o gestor do desenvolvimento de um novo produto deve ser um profissional que faça a interface entre as várias partes que se ocupam do projeto, pertencentes ou não à empresa, sintetizando e facilitando o processo de comunicação entre as áreas envolvidas. Nesse sentido, algumas abordagens da gestão de projetos trazem algumas orientações e diretrizes que possibilitam uma melhor integração e uma interoperabilidade2 eficientes entre os atores envolvidos no processo de desenvolvimento de produtos. Dentre essas abordagens de gestão de projetos, destacam-se: A Engenharia simultânea, com seu paralelismo de atividades; e a Gestão de Design, com sua visão estratégica e integrada do negócio. Diante dessa temática, este trabalho se divide em duas partes principais, em que ambas mantêm o foco no universo do desenvolvimento de produtos. A primeira parte traz uma revisão bibliográfica com os principais conceitos de gestão e seus enfoques relacionados à ambientes colaborativos, gestão da informação, gestão do conhecimento e gestão de projetos. Em seguida são apresentados algumas metodologias de desenvolvimento de produtos e alguns modelos de gestão de projetos que tratam da relação entre as disciplinas e profissionais envolvidos em projetos de desenvolvimento de produtos.

2 Interoperabilidade: é a capacidade de dois ou mais sistemas ou entidades se comunicarem de forma clara e eficiente.

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A segunda etapa se inicia com um estudo de caso sobre experiência da CIV em desenvolvimento de produtos. Esse tipo de estudo dá a oportunidade de se observar na realidade como acontecem as relações funcionais e de comunicação, e como se configura o modelo de desenvolvimento de produtos na empresa. O estudo da experiência da empresa em desenvolvimento de produtos tem o objetivo de identificar como ocorre o fluxo da informação técnica entre o design e a engenharia. Na seqüência, esse fluxo da informação técnica verificado na empresa será analisado e criticado com base nas informações, conceitos e teorias estudados na primeira etapa. O confronto dessas informações resultara em diretrizes e orientações para a elaboração de um fluxo de informações técnicas entre o design e engenharia para desenvolvimento de produtos. O trabalho finaliza indicando algumas generalidades obtidas nesse estudo, e aponta algumas diretrizes e caminhos que poderão ser seguidos como continuidade ou desdobramento desse estudo.

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Justificativa

Esse trabalho foi motivado pela inquietação que surgiu a partir das dificuldades de comunicação entre o design e o setor de produção verificadas na prática projetual da equipe do Laboratório O Imaginário, vinculado ao Departamento de design da UFPE, que desde 2003 tem parceria com a Companhia Industrial de Vidro de Pernambuco – CIV para desenvolvimento de novos produtos. A metodologia utilizada pelo Laboratório O Imaginário no desenvolvimento de novos produtos para CIV contempla as etapas de pesquisa, análise, síntese e acompanhamento. Na fase de pesquisa são coletadas informações sobre as limitações técnicas projetuais; são realizadas pesquisas de mercado, como busca de similares de mercado e posicionamento de concorrentes, e pesquisas diretas com o consumidor em potencial desses produtos. A fase de análise se refere á do partido projetual com base na decodificação de todas as informações obtidas na etapa de pesquisa e nas informações do briefing fornecido pela empresa. Na fase de síntese e acompanhamento é realizada a seleção e o aprimoramento das alternativas escolhidas pela empresa para serem lançadas no mercado. Como, também o detalhamento técnico e o acompanhamento do projeto até sua inserção no mercado. A CIV possui um departamento de desenvolvimento de produtos, local no qual o setor de marketing, engenharia, equipes de design e vendas discutem questões técnicas, de concepção e de mercado que irão balizar o direcionamento de cada projeto. Porém é natural que existam problemas de comunicação entre as áreas envolvidas no projeto.

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Nesse sentido, podemos dizer que as experiências da empresa em desenvolvimento de produtos podem fornecer informações bastante úteis no que se refere ao fluxo de informações técnicas no processo de desenvolvimento de produtos. Por outro lado, observou-se também que há uma carência de publicações que tratam ou instruam o designer de como proceder e como se comunicar com o setor de produção para conseguir informações técnicas, que são primordiais para o bom andamento do processo de desenvolvimento de produtos. As metodologias de Design tratam essa problemática de forma muito superficial. De fato elas recomendam uma boa comunicação entre design e produção, porém não entram afundo nesse tema. Verificamos que essa abordagem de comunicação entre as diversas áreas em desenvolvimento de produtos é mais comum nas publicações que tratam de gestão, geralmente inseridas no contexto da engenharia de produção, nesse caso o tema é tratado de forma mais detalhada, porém o termo Design é raramente citado. Nesse sentido, é possível afirmar que tratar sobre como a informação técnica é trocada entre o design e o setor de produção é uma área ainda pouco explorada.

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Objeto de Estudo e Objetivos da Pesquisa

Objetivo Geral Desenvolver um modelo do fluxo da informação técnica (materiais e processos) entre o design e o setor produtivo, a partir da experiência da Companhia Industrial de Vidros - CIV em desenvolvimento de produtos.

Objetivos Específicos - Estudar os modelos de gestão de projetos, identificando o papel do designer a partir da troca informações com o setor de produção. - Montar o diagrama do fluxo das informações técnicas, entre o design e o setor produtivo, a partir da experiência da Companhia Industrial de Vidros - CIV em desenvolvimento de produtos. - Montar um diagrama do fluxo das informações técnicas genérico em desenvolvimento de produtos.

Objeto de Estudo O Fluxo de informação técnica e a CIV – Companhia Industrial de Vidros.

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Pergunta da Pesquisa

E possível estabelecer um modelo do fluxo da informação técnica entre design e engenharia durante o processo de desenvolvimento de produtos?

Hipótese

Ferramentas e orientações usadas em modelos de gestão de projetos podem auxiliar o designer na comunicação com o setor de produção (Engenharia).

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Viabilidade do Projeto de Pesquisa

A Companhia Industrial de Vidros de Pernambuco, em 2003, inicia uma parceria com o departamento de design da Universidade Federal de Pernambuco para desenvolvimento de novos produtos visando aprimoramento e inovação ampliando o portfólio da empresa na linha de utilitários de mesa. Atualmente a parceria continua e já foram realizados mais de 20 projetos, dentre os quais, alguns deles geraram desafios que serviram de estimulo ao aprendizado mútuo entre a equipe de design e a empresa. Estímulos que também permitiu à empresa deslumbrar novas possibilidades de uso de sua tecnologia. Essas novas possibilidades, devido à inserção do design na empresa, levaram-na a um novo direcionamento estratégico, buscando novos nichos de mercado, na tentativa de alcançar novos consumidores além da classe C e D. Outras parcerias também surgiram na empresa nesse período visando fortalecer o objetivo de ser referencia no mercado local e internacional de utilitários de mesa. Com essas parcerias a empresa passa a se relacionar com diversos escritórios de design em que cada projeto tem uma forma diferenciada de ser gerenciado, que varia dependendo do fornecedor e da complexibilidade do projeto. E essas formas de gerenciamento podem fornecer informações importantíssimas para o andamento desta pesquisa. Um dos fatores que determinam a viabilidade da pesquisa é o fato de existir uma unidade fabril da CIV na cidade do recife, estando esta bem acessível e ao alcance físico da pesquisa. Um outro facilitador em favor da pesquisa se verifica na facilidade de acesso as informações técnicas e gerenciais dentro da empresa. Isso acontece porque tanto a gerência quanto o corpo técnico da empresa

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estão em concordância com a pesquisa e com a utilização da informação, demonstrando interesse na troca de conhecimentos.

Também contribui em favor da pesquisa a minha experiência em desenvolvimento de produtos, como membro da equipe do Laboratório O Imaginário, atuando na parte mais técnica e com contato direto com a engenharia das empresas, principalmente a CIV.

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Metodologia Geral

Por se tratar de um estudo que tem por base o conhecimento científico, esta pesquisa caracteriza por ser um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. O objetivo fundamental de uma pesquisa é cobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos” (Gil, 1999, p.42). Esse conceito de pesquisa definido por GIL (1999) pode ser entendido como um conjunto de ações, propostas para encontrar a solução para um problema, que têm por base procedimentos racionais e sistemáticos. Portanto, esta pesquisa se estrutura a partir de elementos que permitem a coleta de dados são necessários para se atingir os objetivos. E se configura como uma pesquisa exploratória, que segundo GIL (1999) se caracteriza por proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; análise de exemplos que estimulem a compreensão. Assume, em geral, as formas de Pesquisas Bibliográficas e Estudos de Caso. Assim, utiliza-se a metodologia científica como auxilio à realização desse estudo, e partindo da recomendação de LAKATOS e MARCONI (1986), é de fundamental importância a escolha certa entre os métodos de abordagem e de procedimentos para conduzir as análises e exploração do problema, com o fim de alcançar de forma clara e eficiente os objetivos prescritos. Em relação ao método de abordagem, escolheu-se o método dialético. Pois este está fundamentado na dialética proposta por Hegel, na qual as

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contradições se transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. É um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade. Considera que os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social, político, econômico, etc. (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). Esta escolha se justifica por o objeto de estudo tratar das relações humanas [comunicação] entre os atores do processo de desenvolvimento de produtos inseridos num ambiente empresarial, configurando um cenário que por natureza é dinâmico e complexo. A própria teoria dos sistemas de Bertalanffy prevê que uma organização (empresa) é movida por elementos [partes] que possuem funções específicas ao mesmo tempo que compõem uma totalidade (MAXIMIANO, 2004). Sendo assim, o objeto de estudo não deve ser observado ou compreendido como parte de um sistema isolado. E, sim compreendido como sistemas que se relacionam entre si e com o ambiente no qual está inserido. Essa visão sistêmica pode ser comparada a visão que o método dialético tem como visão de mundo, segundo o que colocou Stalin, citado por LAKATOS e MARCONI (1986, p73), "que nenhum fenômeno da natureza pode ser compreendido isoladamente, para os fenômenos circundantes, porque qualquer fenômeno, não imposto em que o domínio da natureza pode ser convertido, qualquer fenômeno pode ser compreendido e explicado." Para se atingir os objetivos propostos são necessários a utilização de alguns métodos de procedimento em algumas etapas mais concretas desse trabalho. Gil (1999) expõe que esses métodos esclarecem acerca dos procedimentos técnicos a serem utilizados, proporcionam ao investigador meios adequados para garantir a objetividade e a precisão no estudo. Nesse caso os métodos mais adequados ao desenvolvimento deste trabalho foram: monográfico; funcionalista; e comparativo. A primeira etapa desta pesquisa traz uma revisão bibliográfica, trazendo os conceitos e teorias que são relevantes ao desenvolvimento do trabalho. A revisão bibliográfica segue com uma investigação acerca dos modelos de gestão de projetos que tem foco no desenvolvimento de

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novos produtos, e verifica, dentro de cada modelo encontrado, quais as recomendações e características do processo de troca de informação entre design e engenharia. Em seguida, se inicia a pesquisa de campo, que irá explorar e estudar a experiência em desenvolvimento de produtos na CIV. Nesta etapa o método de procedimento utilizado será o monográfico, pois segundo Gil (2007) “o método monográfico parte do princípio de que o estudo de caso pode ser considerado representativo em muitos outros”. Entendese que o estudo de caso pode ser caracterizado como um estudo profundo e exaustivo, permitindo conhecer ampla e detalhadamente a área selecionada. Ou seja, trata-se de um estudo aprofundado, qualitativo, no qual se procura reunir o maior número de informações, com variadas técnicas de coletas de dados, com o objetivo de apreender todas as variáveis da unidade analisada, e concluir, indutivamente, sobre as questões propostas. O método funcionalista será utilizado dentro ao estudar os modelos de desenvolvimento de produtos e o fluxo da informação técnica entre o design e a engenharia na CIV. Lakatos (2004) observa que, “este método é, a rigor, mais um método de interpretação do que de investigação”.

O uso desse método é importante porque se utiliza de

seu caráter interpretativo para observar, sob um ponto de vista funcional, as relações entre os grupos, setores, ou personagens importantes no processo de desenvolvimento de produtos na empresa. A etapa seguinte trata do cruzamento de informações entre o referencial teórico estudado na primeira etapa, e a realidade encontrada na pesquisa de campo. Neste momento se utiliza o método comparativo. Este é mais adequado, pois este, segundo Lakatos (1991), se desenvolve pela investigação de indivíduos, classes, fenômenos ou fatos, com vistas a ressaltar as diferenças e similaridades entre eles. O método comparativo tem como objetivo uma melhor compreensão do comportamento humano, e realiza comparações com a finalidade de verificar similitudes e explicar divergências. Para um melhor entendimento do andamento do trabalho, segue abaixo um quadro das etapas metodológicas, estabelecendo o link com a

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metodologia geral aqui apresentada e as atividades que serão desenvolvidas em cada uma delas.

Tabela 01 – Principais etapas metodológicas da pesquisa. Etapas metodológicas da pesquisa ETAPA

01

Revisão da literatura*

ATIVIDADES

DESCRIÇÃO | TÉCNICA

Delimitação das dimensões teóricas;

Pesquisa bibliográfica;

Identificação dos modelos de gestão de projetos de desenvolvimento de produtos. Verificar em cada modelo como deve ocorrer a troca informação entre design e produção. Visita à empresa CIV;

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Pesquisa de Campo** [método de procedimento monográfico e funcionalista]

Identificação da empresa; Exploração do modelo de desenvolvimento de produtos na empresa. Identificação do fluxo da informação técnica entre o design e a produção.

Pesquisa bibliográfica; Análise interpretativa do conteúdo;

Reunião; Coleta de documentos; Entrevistas e coleta de documentos; Análise das informações; Interpretação; Questionário ou entrevista;

03

Cruzamento dos dados*** [método de procedimento comparativo]

Analise do fluxo da informação técnica entre o design e a produção verificado no caso CIV. Confronto de idéias – referencial teórico x dados obtidos da realidade investigada.

Análise das informações; Interpretação;

Construção do fluxo da informação técnica genérico para o desenvolvimento de novos produtos.

04

Conclusão e desdobramentos futuros

Síntese de todos os resultados generalizáveis da pesquisa, e possíveis propostas de continuidade desse estudo.

* Etapa relacionada ao objetivo específico 01 ** Etapa relacionada ao objetivo específico 02

*** Etapa relacionada ao objetivo específico 03

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Sumário Comentado

Introdução Justificativa Objeto de Estudo e Objetivos da Pesquisa Objetivo Geral Objetivos Específicos Objeto de Estudo Pergunta da Pergunta Hipótese

Viabilidade do projeto de Pesquisa Metodologia Geral

A Introdução contextualiza o objeto de estudo a partir de um panorama geral acerca a temática e define os objetivos. Também discute a motivação e a relevância de estudar as relações entre o design e a engenharia no processo de desenvolvimento de produtos, utilizando como base a experiência da CIV – Companhia Industrial de Vidros em desenvolvimento de produtos.

Parte 01–Fundamentação Teórica A Primeira parte deste trabalho está baseada em uma revisão bibliográfica, que formará uma base teórica, resultando na formulação de critérios necessários ao entendimento do estudo de caso

1.

Gestão* 22


1.1 Fundamentos da Gestão 1.1.2 Evolução Histórica das Teorias administrativas 1.1.2 Conceitos

1.2 Cultura Organizacional e Ambientes Colaborativos 1.3 Gestão da Informação e Gestão do Conhecimento 1.4 Gestão de Projetos

O capítulo 1 trata dos conceitos inseridos no universo da gestão, focando nas áreas que se referem ao conhecimento e ao fluxo de informação nas organizações. Traz também os conceitos da gestão de projetos relacionados ao desenvolvimento de novos produtos. .

2.

Desenvolvimento de Novos Produtos

2.1 Design, Marketing e Engenharia 2.2 Metodologias de Design | interação com outras disciplinas 2.3 Modelos de gestçao de Desenvolvimento de Produtos 2.3.1 Engenharia Simultanea 2.3.2 Gestão de Design

O capitulo 2 apresenta a necessidade do design de interagir com outras disciplinas, principalmente o Marketing e a Engenharia. Traz as principais metodologias de desenvolvimento de produtos que tratam desta interação com outras disciplinas e finaliza como alguns exemplos de modelos de gestão de projetos que tem como premissa a interação e a troca de informação entre as disciplinas e/ou setores da indústria. .

Parte 02 – Desenvolvimento da Pesquisa 23


A segunda parte deste trabalho apresenta as etapas práticas da pesquisa. Inicia com a definição da metodologia do estudo de caso, segue com o estudo de caso da experiência da CIV em desenvolvimento de produtos. Traz um modelo do fluxo da informação técnica entre o design e a engenharia na empresa e finaliza com um confronto desse fluxo com as orientações estudadas na fundamentação teórica para formalizar um novo modelo de fluxo da informação técnica entre o design e a engenharia.

3.

Metodologia do Estudo de Caso

Este capítulo descreve o método de estudo de caso e as técnicas utilizadas na pesquisa de campo

4.

Estudo de Caso: O Desenvolvimenro de Produtos

na CIV* 4.1 A Empresa CIV 4.2 Desenvolvimento de Produtos na Empresa 4.2 Fluxo da informação técnica durante o desenvolvimento de produtos na empresa

O Capítulo 4 traz uma descrição da empresa, assim como a descrição do modelo de desenvolvimento de produtos adotado e finaliza com a elaboração de como acontece do fluxo da informação técnica entre o design e engenharia.

5.

Fluxo da informação técnica: críticas e sugestões

24


5.1 Análise do fluxo das informaçoes técnicas no desenvolvimento de produtos na empresa 5.2 Modelo de fluxo da informação técnica para projeto de novos produtos(diagrama comentado)

O capitulo 5 analisa o diagrama apresentado no capitulo 4 e sugere um novo diagrama mais genérico para desenvolvimento de novos produtos, incluindo as premissas dos modelos de gestão de projetos apresentadas no capitulo 2.

6.

Conclusões e desdobramentos futuros

Neste capítulo são apresentadas as conclusões gerais e específicas da pesquisa como compilação dos resultados finais do estudo.

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Parte 01 – Fundamentação Teórica

1. 1. Gestão. 1.1 Fundamentos da Gestão 1.1.2 Evolução histórica das teorias administrativas: Ao traçar um paralelo histórico entre a história da administração e a história do homem verifica-se que ambas se confundem. Desde que o homem começou explorar os recursos da natureza para suas necessidades cotidianas e diante das dificuldades hostis do meio ambiente, foi obrigado a contar com os membros de sua tribo para chegar ao sucesso. Isto exigia não só uma dose de coragem como também a organização de uma estratégia. Conforme MAXIMIANO ( 2000), por volta de 10000 a 8000 a. C. na Mesopotâmia e no Egito, agrupamentos humanos que desenvolviam atividades extrativistas faziam uma transição para atividades de cultivo agrícola e pastoreio, iniciando-se a “Revolução Agrícola”. Nesse período surgem as primeiras aldeias, marcando-se a mudança da economia de subsistência para a administração da produção rural e a divisão social do trabalho. Ainda, de acordo com mesmo autor, no período compreendido entre 3000 e 500 aC. , a “Revolução Agrícola” evoluiu para a “Revolução Urbana”, surgindo as cidades e os Estados, demandando a criação de práticas administrativas.

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CHIAVENATO (1983) faz referências às grandes construções realizadas na Antiguidade no Egito, na Mesopotâmia, na Assíria indicaram trabalhos de dirigentes capazes de planejar e orientar a execução de obras que ainda podemos observar. Também, através de papiros egípcios foi possível verificar a importância da organização e administração da burocracia pública no Antigo Egito. Portanto, a maioria dos autores admite que a história da administração de uma forma mais elaborada, inicia-se por volta do ano 5.000 a.C. na Suméria, ocasião em que procuravam ampliar ou melhorar a eficiência dos problemas práticos como a construção de grandes templos e barragens. Sem uma cuidadosa forma de administrar, seria impossível encontrar hoje belos monumentos da época. Porém, segundo CHIAVENATO (1983) administração enquanto ciência apenas surgiu com a Revolução Industrial, com a ênfase na tarefa e teve sua evolução em paralelo às transformações que o mundo sofria devido às grandes guerras mundiais, a primeira em 1939 e segunda em 1945, mudando o foco da organização até chegar ao enfoque na tecnologia. A tabela a seguir mostra a evolução histórica dos enfoques da administração.

Teorias Ênfase

Ano

Administrativas

Principais Enfoques

Nas Tarefas

1903

Administração Científica

Racionalização Trabalho (operacional).

Na Estrutura

1916

Teoria Clássica

Organização Formal. Princípios Gerais da Administração. Funções do Administrador.

Nas Pessoas

1932

Teoria das Relações Humanas

Organização Informal. Motivação, liderança, comunicações e dinâmica de grupo.

No Ambiente

1947

Teoria Estruturalista

Análise intra-organizacional e análise ambiental. Sistema Aberto.

Na

1972

Teoria da Contingência

Administração da Tecnologia

Tecnologia

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Tabela X: Evolução histórica dos enfoques da administração. Fonte: CHIAVENATO (2000). A segunda revolução industrial teve como principal marco o surgimento da energia elétrica e o uso dos combustíveis fósseis. Nesse momento há um novo surto de progresso que vem acompanhado da expansão do capitalismo financeiro, o que permite a criação e o funcionamento de grandes organizações empresariais. Surge então, segundo MARTINS (2004), uma nova idéia de produtividade que interfere na qualidade dos produtos. As populações das cidades crescem: as pessoas vêm do campo atraídas pelos empregos criados nas fábricas. Surgem novas cidades e a produção das indústrias acompanha este crescimento. A produção precisava ficar mais rápida e o custo, diminuir. Assim começam a aparecer os novos processos industriais. CHIAVENATO (1994*) traça um histórico dos modelos de administração de empresas que surgiram após a segunda revolução industrial, e afirma que o modelo clássico da teoria administrativa surgiu a partir de movimentos gerados por dois pioneiros dessa teoria: Taylor nos Estados Unidos e Fayol na França. Partindo da racionalização das tarefas, Taylor provocou o aparecimento da administração científica, que estabelecia princípios de organização racional do trabalho com aplicação específica nas fábricas. As propostas básicas de Taylor: planejamento, padronização, especialização, controle e remuneração, promoveram efeitos sociais e culturais da sua aplicação, pois representaram a total alienação das equipes de trabalho e da solidariedade grupal, fortes e vivazes no tempo da produção artesanal. Apesar das decorrências negativas para a massa trabalhadora, que as propostas de Taylor acarretaram, não se pode deixar de admitir que elas representaram um enorme avanço para o processo de produção em massa. Na Europa, Fayol preferiu partir da totalidade empresarial para as suas partes, estabelecendo princípios universais da administração para organização global das empresas. O modelo Clássico proposto por esses dois pioneiros era nitidamente prescritivo e normativo de modo a

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adaptar a organização aos princípios universais da administração que estabelecem a melhor maneira de fazer as coisas dentro das empresas. A racionalidade do modelo clássico reside no alcance da máxima eficiência possível com os recursos disponíveis. De 1900 a 1940, o modelo clássico reinou como único da administração de empresas. A partir de 1940, ainda segundo o histórico traçado por CHIAVENATTO (1994), surgiu nos Estados Unidos uma nova tendência na administração com os trabalhos de Elton George Mayo sobre a Teoria das Relações Humanas. Mais recentemente com o avanço de novas idéias surgiram a Teoria do Comportamento Organizacional, cujo foco se voltava exclusivamente nas pessoas como uma resposta aos processos mecânicos e aviltantes adotados anteriormente. Diante destes fatos, pressionados principalmente pelos sindicatos de trabalhadores, houve a necessidade de humanizar e democratizar a administração. Houveram valiosas contribuições no desenvolvimento das chamadas ciências humanas (psicologia e sociologia), tendo como pano de fundo as idéias da filosofia pragmática de John Dewey e da Psicologia Dinâmica de Kurt Lewin e as conclusões do Experimento de Hawthorne, já bastante estudado e discutido nas escolas de administração. Por volta de 1950 foi desenvolvida a Teoria Estruturalista, preocupada em integrar todas as teorias das diferentes escolas acima enumeradas, que teve início com a Teoria da Burocracia de Max Weber. Alguns sociólogos industriais traduziram as obras de Max Weber para a língua inglesa e perceberam sua enorme aplicação para a explicação das estruturas empresariais da época. Weber se ocupara em descrever minuciosamente o modelo burocrático de organização com todos os seus resultados previstos e imprevistos, que se aplicava tranqüilamente como modelo racional ideal para organização das grandes empresas da época. A racionalidade da burocracia reside na adequação dos meios - estrutura organizacional e pessoas - aos fins desejados. A previsibilidade dos resultados e a impessoalidade nas funções constituem a essência do modelo burocrático. As pessoas – com as suas diferenças individuais – devem se restringir totalmente à execução das tarefas do cargo. Aliás, para o modelo burocrático as constituem um mal necessário. Elas são importantes apenas como meio de produção, e não como portadoras de idéias e de criatividade. A abordagem burocrática na formatação as

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empresas atingiu seu auge no final da década de 1950. Com o movimento estruturalista ocorreu uma fase crítica e revisionista do modelo burocrático. Mas somente ao final dessa década é que surgiram os primeiros esboços de uma enorme revolução que se daria na teoria administrativa, com o aparecimento da teoria comportamental, da introdução da teoria de sistemas na administração, e, sobretudo com a teoria contingencial na organização das empresas. Ainda segundo CHIAVENATO (1994), a partir de 1970, com os trabalhos iniciais de Karl Ludwig von Bertalanffy quando se passou a abordar a empresa como um sistema aberto em contínua interação com o meio ambiente dando origem a Teoria da Contingência. Para essa teoria a empresa e sua administração são variáveis dependentes do que ocorre no ambiente externo, isto é, a medida que o meio ambiente muda, também ocorrem mudanças na empresa e na sua administração como conseqüência. A abordagem contingencial explica que existe uma relação funcional entre as condições do ambiente e as técnicas administrativas apropriadas para o alcance eficaz dos objetivos da organização.

1.12 Conceitos O Conceito de gestão é bastante amplo e a maioria dos autores o considera um sinônimo da administração ou do gerenciamento. Porém, FERREIRA (1997) trata no início de sua obra a temática “gestão ou administração?”, faz um paralelo desta problemática para outras línguas, quer seja a Francesa ou a Inglesa. Assume para o português a mesma postura que ele alega ser ponto comum para os outros idiomas, ou seja, não há uma clara definição entre os termos. Em sua análise, coloca gestão como mais apropriado para ação sobre o bem privado, e administração, o correto sobre o bem público. Neste contexto, DIAS, 2002 afirma que o termo Administração perdeu seu status, e cedeu parte de seu lugar para a Gestão. Porém, quando se questiona as pessoas sobre o que é um termo e o outro, surgem as

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dificuldades da delimitação de ambos. O que se vê é uma falta de concordância entre o que diferencia um do outro nesse questionamento. No dia-a-dia, o intercâmbio destas palavras é feito usualmente de forma indiscriminada. Portanto, neste trabalho os termos “gestão” e “administração” terão o mesmo entendimento. Na visão de CHIAVENATO (2000), gestão ou administração é a condução das atividades de forma racional de uma organização, sendo imprescindível para sua existência, sobrevivência e sucesso. Trata-se de um fenômeno universal no mundo moderno. Cada organização requer a tomada de decisões, a coordenação de múltiplas atividades, a condução de pessoas, a avaliação do desempenho dirigido a objetivos determinados, a obtenção e alocação de diferentes recursos. Já MAXIMILIANO (1995) trata a gestão ou administração como um processo decisório sobre os objetivos da organização e a utilização dos recursos no qual visa garantir a eficiência e a eficácia de um sistema. No qual se define eficácia como sendo o que determina o quanto uma organização realiza seus objetivos. Quanto mais alto o grau de realização dos objetivos, mais a organização é eficaz. E eficiência sendo o que determina o quanto uma organização usa corretamente seus recursos. Quanto mais alto o grau de produtividade na utilização de seus recursos, mais eficiente é a organização. Eficiência significa a realização de atividades ou tarefas de maneira certa e inteligente, com o mínimo de esforço e com máximo aproveitamento de recursos. Espera-se de um gestor atual, de todos os níveis, a tomada de decisões de forma rápida e fundamentada, com foco na obtenção de resultados, que seja eficaz, tenha alta probabilidade de sucesso, e que procure rentabilidade por meio de ações focadas no mercado e na otimização do uso dos ativos, que assuma responsabilidades com base nos objetivos da organização, desenvolva planos de ação, promova o trabalho em equipe e conduza colaboradores aos objetivos, a tomar decisões fundamentadas e conforme seu nível de responsabilidade e papel na organização. Em termos gerais, segundo CHIAVENATO (2000) a tarefa da administração no mundo moderno é fazer as coisas de forma eficiente e

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eficaz por meio das pessoas, com os melhores resultados. Além disso, considera-se que a organização do Trabalho dá-se na forma de Produção de bens ou Prestação de serviços. Sendo assim, o administrador deve ter as seguintes funções: Direção, Coordenação, Controle e Planejamento. Neste ambiente, a organização é constituída por pessoas, recursos físicos, materiais, financiamento e pelo lucro. Ela pode ser lucrativa ou não-lucrativa. De modo que uma organização pode ser entendida como uma combinação de esforços individuais que tem por finalidade realizar propósitos coletivos. Além de pessoas, as organizações utilizam outros recursos, como máquinas e equipamentos, dinheiro, tempo, espaço e conhecimentos. A administração é a condução racional das atividades de uma organização, uma vez que as organizações de certo porte precisam se estruturar melhor. Dentro de uma organização as funções da administração e da produção são divididas em níveis hierárquicos verticais, conforme figura 01.

Nivel Institucional

Alta Direção

Nivel Intermediário

Gerência

Nivel Operacional

Supervisão

Execução das operações

Figura 01: Níveis hierárquicos verticais da administração. piramide Fonte: CHIAVENATO (2000). Para KOTLER (2002), a gestão fixa metas, traça diagnósticos, mensura desempenhos e exerce ações corretivas. Aponta quatro tipos de

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controle: controle do plano anual, rentabilidade, de eficiência e estratégico, modelo que se aplica a todos os níveis da organização. A alta administração estabelece metas de vendas e lucro para o ano, que são transformadas em específicas para cada setor. Ao tratar do conceito de administração ou gestão em relação a suas tarefas, CHIAVENATO (2000) resume que a tarefa da administração é interpretar os objetivos propostos pela organização e transformar em ações organizacionais por meio de planejamento, organização, direção e controle de todos os esforços realizados em todas as áreas e em todos os níveis organizacionais, para alcançar os objetivos da forma mais adequada à situação. Funções Administrativas - Planejamento. - Organização. - Coordenação. - Controle. - Comando. - Motivação.

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Parte 02 – Desenvolvimento da pesquisa

3. 2. Metodologia do estudo de caso.

A classificação da pesquisa segundo a tipologia adotada por de Gil (1991), trata-se primordialmente de um estudo de caso individual, apresenta apenas uma unidade de pesquisa [CIV- Companhia Industrial de vidros]. Consiste em uma investigação empírica que busca analisar, com profundidade, fenômenos contemporâneos. De acordo com Yin (2005), “os estudo de casos representam a estratégia preferida quando o pesquisador tem pouco controle sobre os eventos e quando o foco se encontra em fenômeno contemporâneo inserido em algum contexto da vida real”. Ainda segundo YIN (2005), o método de estudo de caso é indicado para responder às perguntas "como" e "porque" que são questões explicativas, nos estudos que tratam de relações operacionais que ocorrem ao longo do tempo mais do que freqüências ou incidências e de eventos contemporâneos, em situações onde os comportamentos relevantes não podem ser manipulados. GIL (1999) observa que este método parte do princípio de que o estudo de um caso em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros, ou mesmo de todos os casos semelhantes. Nesse caso a unidade de estudo [CIV] é observada a partir de sua experiência em desenvolvimento de produtos, o que não obriga a pesquisa a se limitar de explorar apenas este evento. É preciso, acima

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de tudo, fazer uma observação vertical na empresa, investigando o ambiente organizacional e compreendendo a unidade de estudo como um conjunto de subsistemas interconectados em que suas relações são fundamentais á compreensão do problema. Assim, O desenvolvimento deste estudo pode ser dividido três fases principais. A primeira etapa da pesquisa se refere à adaptação de um modelo de analise a partir de uma compilação das características e orientações que se referem às trocas de informação técnica entre design e engenharia descritas na Engenharia Simultânea e na Gestão de Design. A escolha desses dois modelos se justifica por serem abordagens atuais que tratam da interdisciplinaridade na gestão do processo de desenvolvimento de produtos. A segunda etapa traz uma investigação direta sobre a unidade de estudo, caracterizando a pesquisa de campo. Nesse caso será observado o ambiente organizacional de uma forma geral e em seguida o enfoque será dado na experiência e no modelo de desenvolvimento de produtos adotado pela empresa. Nesse momento será elaborado um fluxo de como ocorre à troca de informações técnicas entre o design e o setor de engenharia da empresa. A terceira etapa da pesquisa trata de confrontar o modelo adaptado e o fluxo de informações técnicas da empresa. Identificando pontos positivos e negativos. Será elaborado um novo fluxo de informação técnica entre o design e a engenharia. Esse novo fluxo de informações técnicas não seria direcionado á empresa estudada, seria sim um fluxo “genérico”, aplicado ao desenvolvimento de produtos em geral, sofrendo apenas algumas adaptações para se adequar a cada caso quando for conveniente. A Figura x descreve de forma esquemática como vai ocorrer o andamento da pesquisa.

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figura X: Esquema de realização da pesquisa.

3.1 Modelo de Análise Adaptado. A fase de adaptação do modelo de análise a ser aplicado ao estudo de caso irá ainda se subdividir em dois procedimentos. O primeiro tem por objetivo fazer uma comparação entre o modelo proposto pela Engenharia Simultânea e um modelo de Gestão de Design que contemple a integração entre os participantes do processo de

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desenvolvimento de produtos. Ambos os modelos foram encontrados na bibliografia consultada. Essa comparação será realizada por meio de critérios definidos com base na estrutura dos próprios modelos, ou seja, serão identificados pontos de semelhança e divergência. Após a comparação inicial, o segundo procedimento pretende visualizar aspectos específicos de cada um dos modelos, de modo a verificar, dentre tais aspectos, aqueles que possuem maior afinidade com este estudo de caso. Essa fase ainda tem um caráter de triagem, tendo apenas o objetivo de seleção dos pontos em cada modelo que deverão ser foco do estudo. De ambos os modelos serão extraídas e compiladas as informações e recomendações que tratam da troca de informações entre os participantes do processo de desenvolvimento de produtos. Em seguida essas informações e recomendações serão adaptadas e reorganizadas de forma a se tornar aplicável ao objeto de estudo. A seguir serão apresentados o modelo da engenharia simultânea e o modelo de gestão de design que tratam da integração dos participantes do processo de desenvolvimento de produtos. Nesse primeiro momento será feita apenas uma apresentação rápida dos modelos, pois ainda não está concluída a base teórica que contém o estudo sobre a Engenharia simultânea e a Gestão de Design. Após esse estudo pronto será feita uma análise mais detalhada sobre os modelos apresentados. A| Modelo1: DIPAT – Desenvolvimento Integrado de Projeto de Alta Tecnologia – Engenharia simultânea. Os processos de desenvolvimento tradicionais têm como característica o caráter seqüencial das intervenções para cada um dos seus participantes. No entanto, os problemas de qualidade surgidos na fase de uso, o aumento das exigências dos consumidores, as pressões de custo e a necessidade de inovação, entre outros fatores, têm induzido a práticas diferenciadas de organização dos projetos. Nesse contexto de mudanças, a colaboração entre os agentes principais que geram os novos produtos mostra-se como alternativa válida,

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inspirando-se em modelos adotados pela indústria seriada, como o projeto simultâneo. O conceito de projeto simultâneo inclui a consideração antecipada e global das repercussões das decisões de projeto face à eficiência dos processos produtivos e à qualidade dos produtos gerados, levando em conta aspectos como viabilidade técnica, manutenção, montagem e sustentabilidade dos produtos (Fabrício; Melhado, 1999). Segundo Prasad (1997) A Engenharia Simultânea é uma abordagem sistemática para o desenvolvimento integrado de produtos que enfatiza o atendimento das expectativas dos clientes. Inclui valores de trabalho em equipe, tais como cooperação, confiança e compartilhamento, de forma que as decisões sejam tomadas, no início do processo, em grandes intervalos de trabalho paralelo incluindo todas as perspectivas do ciclo de vida, sincronizadas com pequenas modificações para produzir consenso. A Figura x mostra o DIPAT – Desenvolvimento Integrado de Projeto de Alta Tecnologia. Este modelo é uma adaptação do modelo Desenvolvimento Integrado de Produtos que vem da Engenharia Simultânea e que foi proposto por Andreasen (1987). O próprio autor ressalta que o IPD é um modelo de atividades relacionado simultaneamente com mercado , produto e processos produtivos. O modelo não é um planejamento de projeto, é um modelo para criar atitudes e conhecimentos que podem ser transformados num planejamento de projeto através de decisões que dependem de cada situação. A figura X representa as fases de desenvolvimento de um projeto de alta tecnologia, onde são abordados três eixos a serem desenvolvidos simultaneamente: estudos de mercado (no primeiro eixo horizontal), desenvolvimento do produto (no segundo eixo horizontal) e desenvolvimento dos processos produtivos (no terceiro eixo horizontal). O modelo é dividido em quatro fases operacionais, e outra conceitual - a fase 0 - onde a idéia do projeto é concebida.

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Figura X: DIPAT – Modelo de desenvolvimento integrado de produtos para empresa de alta tecnologia.(Fonte:Casarotto; Fávero; Castro, 2006)

B| Modelo2: Modelo de gestão de design Obs: estou hoje aqui no dec vendo com glenda...

3.2 Pesquisa de campo A pesquisa de campo será realizada em duas etapas. Primeiro será feita a identificação da empresa, considerando questões históricas e estruturais da empresa, assim como a observação do ambiente organizacional. Esta primeira etapa tem o objetivo de trazer um panorama geral do que é e como funciona a empresa. Para isto se utiliza o estudo de caso do tipo histórico-organizacional, que segundo TRIVIÑOS (1987), trata do estudo de caso cujo interesse recai sobre a vida de uma organização, a partir do conhecimento existente sobre ela.

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A segunda etapa da pesquisa de campo irá observar e investigar a experiência da empresa em desenvolvimento de produtos, extraindo informações que possibilitem o entendimento do modelo de desenvolvimento de produtos adotado pela empresa, como também a interoperabilidade entre os personagens envolvidos no processo. Para isto o estudo de caso utilizado é do tipo análise situacional, que segundo TRIVIÑOS (1987), trata do estudo de caso que se refere a fenômenos específicos em organizações, na qual o pesquisador busca conhecer percepções e circunstâncias peculiares a ele, com vistas a conhecer o como e o porquê do seu acontecimento. Para ambas as etapas da pesquisa de campo as técnicas usadas são de caráter qualitativo, pois assim permitem pesquisar situações complexas ou estritamente particulares. Não há uso de nenhum instrumento estatístico e possibilitam entendimento das particularidades do comportamento dos indivíduos mais a fundo. Para se atingir os objetivos da pesquisa de campo foram selecionadas algumas técnicas de coletas de dados. São elas: Coleta de documentos: A pesquisa documental tem por finalidade reunir e classificar documentos de todo gênero dos diferentes domínios da atividade humana sobre um determinado assunto (MARTINS, 2002). Segundo Yin (2003), “para os estudos de caso, o uso mais importante dos documentos é corroborar e valorizar as evidências oriundas de outras fontes”. Entrevistas semi-estruturadas: Trata-se de um método interrogativo de coleta de dados no qual participam dois personagens: o entrevistador e o entrevistado. Segundo Yin (2003), entrevistas são consideradas as fontes essenciais de informação para o estudo de caso. Yin (2003) recomenda para esse tipo de estudo que as entrevista sejam de forma semi-estruturada de tal forma que se pareça como uma “conversa guiada”. Observação direta: Segundo Moreira (2003), a observação direta se traduz em uma visita de campo ao local do estudo de caso, onde o pesquisador criará oportunidade para observações diretas. Essas observações servem de evidência em um estudo de caso e são

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frequentemente usadas no fornecimento de informações adicionais sobre o tópico que está sendo estudado. Para se aumentar a fidedignidade das observações, é preciso de um roteiro pré-definido para se evitar informações irrelevantes. Observação participante: é um modo especial de observação no qual o pesquisador não é meramente um observador passivo. Ele pode ter uma variedade de papéis dentro de uma situação em um estudo de caso e pode realmente participar dos eventos que estão sendo estudados. Yin (2001) informa que essa técnica tem sido usada freqüentemente em estudos antropológicos de diferentes grupos culturais ou sub-culturais, podendo ser usada em outras situações, tais como uma organização ou outro pequeno grupo.

Registros em arquivos: os registros podem ser usados em combinação com outras fontes de pesquisas na produção do estudo de caso. Yin (2003) identifica seis tipos de registro, são eles: registros de serviço, registros organizacionais, mapas, listas de nomes, dados oriundos de levantamentos, registros pessoais. A Tabela x, mostra como vai se configurar a coleta de dados na empresa. A primeira coluna indica a etapa da pesquisa de campo, a segunda mostra as informações que serão coletadas em casa etapa e a terceira coluna se referem às técnicas utilizadas para se conseguir cada informação. As informações não precisam ser necessariamente coletadas de modo linear, uma vez que, para atividade de coleta vai estar sujeita à disponibilidade da empresa. È importante mencionar que a empresa está de acordo com estudo e pretende colaborar fornecendo as informações necessárias e passíveis de divulgação. No caso de insuficiência de dados, se as informações forem de extrema relevância ao estudo, deve-se buscar essa informação através do cruzamento de outras informações, sem, no entanto, violar a segurança e privacidade da empresa.

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Etapa

Informação Histórico

Localização e Estrutura física

Primeira etapa Identificação da

Técnica utilizada Coleta de documentos e registros em arquivos Coleta de documentos e registros em arquivos

Organograma Hierárquico e

Coleta de documentos e

funcional

registros em arquivos Coleta de documentos,

empresa. Planejamento estratégico

registros em arquivos e entrevistas semi-estruturadas Coleta de documentos,

Departamentos e funções

registros em arquivos e entrevistas semi-estruturadas

Processo Produtivo

Entrevistas semi-estruturadas

Matéria Prima

Entrevistas semi-estruturadas

Tipos de produtos fabricados pela empresa

Segunda etapa Experiência da empresa em desenvolvimento de produtos.

Coleta de documentos, registros em arquivos e entrevistas semi-estruturadas

Envolvidos no processo de

Entrevistas semi-estruturadas e

desenvolvimento de produtos

observação participante

Identificação dos principais

Coleta de documentos,

projetos de design desenvolvido

registros em arquivos e

na empresa

entrevistas semi-estruturadas Coleta de documentos,

Fluxograma de desenvolvimento

registros em arquivos,

de produto na empresa.

entrevistas semi-estruturadas e observação direta

Identificação de como é gerenciada a informação técnica dentro da empresa

Entrevistas semi-estruturadas e observação direta

Relação de comunicação entre o

Entrevistas semi-estruturadas,

setor de engenharia e a equipe

observação participante e

de design.

observação direta

Tabela X: Pesquisa de campo: coleta de informações x técnica utilizada.

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Etapa de identificação da empresa: Histórico: Evolução histórica da empresa. Linha do tempo com os principais marcos da trajetória da empresa. Localização e Estrutura física: Quantidade, distribuição e localização das unidades produtivas, e uma descrição do status e porte da estrutura física. Organograma Hierárquico e funcional: – representam todas as decisões sobre a divisão do trabalho, responsabilidades e autoridade. Demonstram o fluxo da comunicação entre setores, chefes e subordinados. Maximiano (2004) afirma que a definição de responsabilidades é indissociável dos processos de gestão de pessoas. Planejamento estratégico: Informações referentes à missão, visão e ao processo gerencial que permite estabelecer a direção a ser seguida pela Organização, visando maior grau de interação com o ambiente. Para Gracioso (2005), o planejamento estratégico define-se normalmente pela alocação de recursos calculados para atingir determinados objetivos num ambiente competitivo e dinâmico. Departamentos e funções: Mapeamento dos departamentos existentes na empresa, e suas respectivas funções e relevância hierárquica.

Etapa da experiência da empresa em desenvolvimento de produtos: Processo Produtivo: Processo de transformação da matéria-prima em produto final, em que ela é manipulada por operadores e máquinas até transformar-se em produto. Conhecer o processo produtivo permite identificar as possíveis limitações projetuais em decorrência do maquinário utilizado ou do tipo de organização produtiva. Matéria Prima: É o todo e qualquer material que sirva de entrada para um sistema de produção. Para o estudo de caso em questão, a matéria

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prima representa parte dos recursos materiais da empresa e, através de sua manipulação transforma-se no produto responsável pelas vendas e conseqüentemente, pelo lucro da empresa. Tipos de produtos fabricados pela empresa: São os recursos materiais que resultam como saída de um sistema produtivo. Para o estudo de caso em questão, representa a todo o portfólio de produtos fabricado pela empresa classificado por tipologia. Envolvidos no processo de desenvolvimento de produtos: São as pessoas, departamentos, consultores e parceiros que participam ativamente do processo de desenvolvimento de produtos. Identificação dos principais projetos de design desenvolvido na empresa: Projetos de design mais representativos e que representam marcos no histórico de desenvolvimento de produtos na empresa. Fluxograma de desenvolvimento de produto na empresa: Representação esquemática do processo de desenvolvimento de produtos na empresa e traz, de forma esquemática, as fases do processo e como acontece a participação dos diversos envolvidos no processo de desenvolvimento de produtos. Identificação de como é gerenciada a informação técnica dentro da Empresa: Formas de documentação, arquivamento e disponibilização das informações técnicas relevantes ao processo de desenvolvimento de produtos. Ex: Desenhos técnicos, restrições técnicas, características dos materiais, relatórios de desempenho de produtos, etc. Relação de comunicação entre o setor de engenharia e a equipe de design: Como acontece e quais as ferramentas utilizadas para estabelecer a comunicação entre o setor de engenharia e a equipe de design. Ex: reuniões técnicas, e-mails, relatórios, etc.

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4. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

Documentos

Revisão Bibliográfica

Delimitação das dimensões teóricas

Pesquisa bibliográfica

Março a outubro de 2008

Definir o sumário

A partir das dimensões teóricas

Agrupamento de informações

Outubro de 2008

Escrever capítulos

Pesquisa bibliográfica, estudos dos modelos de gestão de projetos.

Coleta de informações teóricas

Outubro de 2008 a junho 2009

Exame de qualificação

Documento de qualificação

Elaborar documento Elaborar apresentação

Prazo para defesa: fevereiro a maio de 2009

Pesquisa exploratória

Junho de 2009

Fonte de renda da população

Entrevistas

Junho e julho de 2009

Produção artesanal da comunidade Recursos naturais utilizados na produção artesanal Influências culturais percebidas nos trabalhos realizados

Entrevistas e coleta de documento Entrevistas e coleta de documento Entrevistas e coleta de documento

Beneficiamento da semente da juçara

Entrevistas e coleta de documento

Agosto de 2009

Utilização da semente

Entrevistas e coleta de documento

Agosto de 2009

Etapa 04

Análise

Confronto de idéias – referencial teórico x dados obtidos da realidade investigada

Análise do conteúdo / cruzamento de dados

Setembro de 2009

Etapa 05

Elaboração das sugestões

Resultado do cruzamento de dados

Análise do conteúdo

Outubro de 2009

Etapa 06

Conclusão

Compilação final dos resultados da pesquisa

Interpretação e análise

Dezembro de 2009

Defesa da dissertação

Documento de dissertação

Finalizar documento Elaborar apresentação

Prazo para defesa: de janeiro a março de 2010.

Defesa

Etapa 03| Pesquisa de Campo [estudo de caso]

Etapa 01 Pesquisa Bibliográfica

Etapa/Fase

Visita à Comunidade do Maracanã

Identificação da comunidade

Exploração focada na semente da juçara

Atividades

Cronograma de atividades do Mestrado Data de execução

Junho e julho de 2009 Junho e julho de 2009 Junho e julho de 2009

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