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UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES VINICIUS SILVESTRE ARAÚJO DE MATOS

REURBANIZAÇÃO DA ORLA DE BOIÇUCANGA – SÃO SEBASTIÃO – SP

Mogi das Cruzes, SP 2019


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UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES VINICIUS SILVESTRE ARAÚJO DE MATOS

REURBANIZAÇÃO DA ORLA DE BOIÇUCANGA – SÃO SEBASTIÃO – SP

Trabalho de Conclusão de Curso I apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Mogi das Cruzes como parte dos requisitos para conclusão do curso. Prof.º Orientador: Celso Ledo Martins

Mogi das Cruzes, SP 2019


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RESUMO O presente trabalho aborda a questão da reurbanização da Orla da Praia de Boiçucanga, localizada no município de São Sebastião, litoral Norte de São Paulo, e também a implantação do novo edifício das Oficinas Culturais. Os problemas urbanos referentes à via principal da orla, calçamento, segurança de pedestres, revitalização de espaços públicos, iluminação, mobiliário urbano, setorização e fluxo receberão propostas projetuais urbanísticas e, no caso das Oficinas Culturais, a resolução arquitetônica do edifício, de modo que proporcione a prática do lazer e da educação para os moradores locais.

Palavras-chave: Reurbanização. Revitalização. Setorização. Orla. Oficinas Culturais.


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LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Centro Urbano. Figura 2 - Industrialização no Brasil. Figura 3 - Caos na urbanização. Figura 4 - Favela brasileira. Figura 5 - Rio Eufrates. Figura 6 - Grécia Antiga. Figura 7 - Roma. Figura 8 - Feudalismo. Figura 9 - Revolução Industrial. Figura 10 - Cidades Atuais. Figura 11 - Período Neolítico. Figura 12 - Sociedade da Antiguidade. Figura 13 - A cidade durante Revolução Industrial. Figura 14 - Megalópole. Figura 15 - Organograma Urbanístico. Figura 16 - Organograma Arquitetônico. Figura 17 - Fluxograma Urbanístico. Figura 18 - Fluxograma Arquitetônico. Figura 19 - Travessia para pedestres na Orla Moacyr Scliar. Figura 20 - Arquibancadas de concreto. Figura 21 - Postes de iluminação. Figura 22 - Vista aérea da Orla Moacyr Scliar. Figura 23 - Curvas da Orla Moacyr Scliar. Figura 24 - Ilustração de setores. Figura 25 - Implantação da Orla Moacyr Scliar. Figura 26 - Corte Esquemático. Figura 27 - Vista da Orla Conde. Figura 28 - Boulevard Olímpico. Figura 29 - Deck da Orla Conde. Figura 30 - Horizonte na Orla Conde. Figura 31 - Bancos da Orla Conde. Figura 32 - Armazém da Utopia, Orla Conde. Figura 33 - Vista elevada da Orla Conde. Figura 34 - Mobiliário urbano da Orla Conde. Figura 35 - VLT. Figura 36 - Paisagem sem poluição. Figura 37 - Implantação Orla Conde. Figura 38 - Corte Longitudinal - 1 Orla Conde. Figura 39 - Corte Transversal Orla Conde. Figura 40 - Corte Longitudinal - 2 Orla Conde. Figura 41 - Corte Orla Conde. Figura 42 - Praça do Migrante. Figura 43 - Estrutura contemplativa em Praça do Migrante. Figura 44 - Vista aérea da Praça do Migrante. Figura 45 - Contato com a natureza na Praça do Migrante. Figura 46 - Vista aérea dos espaços contemplativos na Praça do Migrante. Figura 47 - Bancos cobertos na Praça do Migrante. Figura 48 - Vista aérea da via ao lado da Praça do Migrante. Figura 49 - Assentos com cobertura.

7 8 10 10 11 11 12 12 13 13 14 14 15 15 16 17 17 18 22 22 22 22 23 23 23 24 25 26 26 26 26 26 27 27 27 27 28 28 28 28 29 30 30 31 31 31 31 32 32


5 Figura 50 - Corte do mirante na Praça do Migrante. Figura 51 - Mirante na Praça do Migrante. Figura 52 - Orla de Itararé, São Vicente - SP. Figura 53 - Edifícios em Itararé, São Vicente - SP. Figura 54 - Quiosques e estacionamento em Itararé, São Vicente - SP. Figura 55 - Praça de eventos em Itararé, São Vicente - SP. Figura 56 - Comprovante fotográfico - São Vicente - SP. Figura 57 - Orla da Praia de Santos - SP. Figura 58 - Quiosques de Santos - SP. Figura 59 - Quiosques com estacionamento em Santos - SP. Figura 60 - Detalhe dos quiosques em Santos - SP. Figura 61 - Edifícios em Santos - SP. Figura 62 - Sanitários públicos em Santos - SP. Figura 63 - Ciclovia em Santos - SP. Figura 64 - Corpo de Bombeiros em Santos - SP. Figura 65 - Parada de ônibus em Santos - SP. Figura 66 - Rua da praia de Santos - SP. Figura 67 - Praça em Santos - SP. Figura 68 - Concha acústica em Santos - SP. Figura 69 - Espaço coberto na orla de Santos - SP. Figura 70 - Comprovante fotográfico em Santos - SP. Figura 71 - Orla da praia de Pitangueiras, Guarujá - SP. Figura 72 - Quiosque em Pitangueiras, Guarujá - SP. Figura 73 - Posto de Salvamento em Pitangueiras, Guarujá - SP. Figura 74 - Calçamento da praia de Pitangueiras, Guarujá - SP. Figura 75 - Rua da praia de Pitangueiras, Guarujá - SP. Figura 76 - Ponto turístico em Pitangueiras, Guarujá - SP. Figura 77 - Edifícios em Pitangueiras, Guarujá - SP. Figura 78 - Comprovante fotográfico em Pitangueiras, Guarujá - SP. Figura 79 - Mapa territorial do Brasil. Figura 80 - Mapa territorial do Estado de São Paulo. Figura 81 - Mapa territorial do município de São Sebastião. Figura 82 - Vista de Satélite da Orla da Praia de Boiçucanga. Figura 83 - Via principal de Boiçucanga. Figura 84 - Comércio de Boiçucanga. Figura 85 - Edifício comercial em Boiçucanga. Figura 86 - Vagas ao longo da via em Boiçucanga. Figura 87 - Acostamento na via de Boiçucanga. Figura 88 - Calçadas de Boiçucanga. Figura 89 - Pousadas e hotéis frente ao mar em Boiçucanga. Figura 90 - Praça Pôr do Sol em Boiçucanga. Figura 91 - Vegetação na via principal de Boiçucanga. Figura 92 - Comprovante fotográfico em Boiçucanga. Figura 93 - Esquina do terreno das Oficinas Culturais - 1. Figura 94 - Esquina do terreno das Oficinas Culturais - 2. Figura 95 - Área interna do terreno. Figura 96 - Entrada para a praia em frente ao terreno. Figura 97 - Organograma da Orla de Boiçucanga. Figura 98 - Organograma das Oficinas Culturais de Boiçucanga. Figura 99 - Fluxograma da Orla de Boiçucanga.

32 32 34 34 34 34 34 35 35 36 36 36 36 36 36 37 37 37 37 37 37 38 38 38 38 39 39 39 39 40 40 40 41 42 42 43 43 43 43 43 43 44 44 44 44 45 45 48 48 49


6 Figura 100 - Fluxograma das Oficinas Culturais de Boiçucanga. Figura 101 - Estudo 1 - da Orla de Boiçucanga. Figura 102 - Estudo 2 - da Orla de Boiçucanga. Figura 103 - Estudo 3 - da Orla de Boiçucanga. Figura 104 - Estudo 4 – Volumetria Oficinas Culturais. Figura 105 - Estudo 5 – Setorização Oficinas Culturais. Figura 106 -Estudo do Urbanismo da Orla de Boiçucanga. Figura 107 - Estudo do Urbanismo na região das Oficinas Culturais.

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LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Agenciamento Urbanístico. Tabela 2 - Agenciamento Arquitetônico. Tabela 3 - Análise de Swot 1. Tabela 4 - Análise de Swot 2. Tabela 5 - Análise de Swot 3. Tabela 6 - Agenciamento da Orla. Tabela 7 - Agenciamento das Oficinas Culturais. Tabela 8 - Programa de necessidades Orla de Boiçucanga.

18 19 24 29 33 47 47 54


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SUMÁRIO INTRODUÇÃO

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1.

REVISÃO HISTÓRICA SOBRE O TEMA

10

2.

REVISÃO HISTÓRICA DA TIPOLOGIA

16

3.

ORGANIZAÇÃO, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO GENÉRICO SOBRE O

TEMA

19

4.

LEGISLAÇÕES

22

4.1.

LEGISLAÇÃO FEDERAL

22

4.2.

LEGISLAÇÃO ESTADUAL

23

4.3.

LEGISLAÇÃO MUNICIPAL

24

5.

ESTUDOS DE CASOS

24

6.

VISITAS TÉCNICAS

36

7.

LOCAL DE INTERVENÇÃO

42

8.

ESQUEMAS ESTRUTURANTES

48

9.

PROPOSTA PROJETUAL

58

CONSIDERAÇÕES FINAIS

60

REFERÊNCIAS

61


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INTRODUÇÃO De acordo com Ribeiro (2017), reurbanização significa criar novos planos e obras que sejam necessários para que uma região se desenvolva urbanisticamente. Portanto, em municípios que possuem bairros, vilas, trechos e orlas abandonados ou degradados por ação do homem ou da natureza, é necessária uma intervenção urbanística que vise a reintegração daqueles ao contexto urbano, com o intuito de torna-los utilizáveis e frequentáveis novamente. Junto ao processo de reurbanização, põe-se como outro ponto fundamental o do impedimento de novos avanços imobiliários em áreas de proteção ambiental, especificamente nas litorâneas. Desta forma, evitam-se os riscos à fauna e a flora local. Ainda, com a correta setorização, baseada no Plano Diretor, sendo organizada através de estudos sobre a importância do Bairro de Boiçucanga para o município de São Sebastião e seu papel para o mesmo, é possível diminuir problemas referentes à perturbação, segurança e trânsito de veículos e pedestres. Alguns dos principais problemas urbanos encontrados nas orlas são relacionados à: equipamentos urbanos sem ergonomia, função ou uso correto de materiais para sua construção; pouca ou nenhuma iluminação em praças, vielas, calçadas e demais vias onde passam pedestres; desníveis topográficos que dificultem ou impeçam o acesso de pessoas com mobilidade reduzida; risco de acidentes próximos às ruas e avenidas principais, em vista de calçadas sem as devidas dimensões; entre outros. Alguns possíveis motivos para a causa dos problemas anteriormente citados, podem ter relação com ideias sem o devido planejamento urbano, como podem acontecer dentro da administração pública ou até mesmo por parte das construções particulares irregulares. A desorganização financeira dos municípios também podem afetar a qualidade urbana, em vista de possíveis investimentos voltados apenas para a valorização de centros e bairros mais frequentados, deixando em segundo plano as regiões de menor interesse turístico. Ainda, o desvio de conformidade com leis e normas podem ser causas para o impedimento de acesso de pessoas portadoras de necessidades especiais à locais públicos, por exemplo. O objetivo do estudo é encontrar soluções para os problemas urbanísticos e viabilizá-las para serem postas no projeto urbano final. É de conhecimento comum a importância do Bairro de Boiçucanga para os munícipes e até mesmo turistas, pois possui alguns equipamentos urbanos importantes e indispensáveis. Se não fosse por isso, apenas no Centro da cidade (à trinta e sete quilômetros de distância) eles poderiam ser encontrados, como é o caso do cartório, agências bancárias, terminal rodoviário e alguns edifícios da administração pública. Portanto, sendo esse bairro fundamental para quem visita ou mora longe do Centro, é importante que ele


10 funcione bem e não sofra com congestionamentos, falta de segurança, irregularidades urbanísticas em relação à invasões ou construções irregulares, e ausência de locais para prática de esportes, lazer e preservação cultural. Para isso, intervenções ao longo da orla devem ser tomadas: setorização da faixa da orla de acordo com o Plano Diretor Municipal e devidas adequações; aumento das calçadas para segurança e conforto de pedestres; revitalização da Praça Pôr do Sol; criação de faixa de pedestres; estacionamento para veículos automotores em pontos estratégicos; entre outras menores intervenções. Assim, permite-se que a orla flua de maneira mais agradável e segura em qualquer época do ano. Para estudos de casos, foram pesquisados: Orla Moacyr Scliar, em Porto Alegre, RS; Orla Prefeito Luiz Paulo Conde - Boulevard Olímpico, no Rio de Janeiro, RJ; e Praça do Migrante, em Veracruz, México Para visitas técnicas, os locais visitados foram: Santos, SP; Guarujá, SP; e São Vicente, SP. A metodologia utilizada neste trabalho foi através de pesquisas com base eletrônica e por meio de livros disponíveis na biblioteca da universidade. Além disso, também foram feitas visitas em locais que possuem relação ao tema com a finalidade de obtenção de dados.

1.

REVISÃO HISTÓRICA SOBRE O TEMA Segundo Pinhal (2009), “Urbanismo é: técnica de organizar as cidades com o objetivo de

criar condições satisfatórias de vida nos centros urbanos”. Portanto, para que o urbanismo seja planejado de forma adequada, é necessário entender o elo existente entre a cidade e as pessoas. Informar-se sobre os interesses da sociedade é fundamental para que nada seja construído em vão ou que coisas importantes simplesmente deixem de existir no espaço urbano.

Figura 1. Centro Urbano. Fonte: https://www.arcoweb.com.br/noticias/noticias/caupropoe-politica-nacional-de-recuperacao-doscentros-urbanos. Marcos Santos, 2018.


11 É através da reurbanização que retoma-se o equilíbrio do meio urbano que, em algum momento de desenvolvimento, tenha sido perdido. Também é assim que o desenho e a paisagem urbana passam a ser integrados novamente. Bellei (2001) apresenta a definição de urbanização: é quando a população passa a ser maioria urbana em relação à rural, e que isso acarreta no desenvolvimento das cidades. Para que uma cidade seja considerada urbanizada, é preciso que sua população urbana seja maior que 50%. Gobbi (2015) explica que no Brasil a urbanização deu-se no século XX em decorrência da industrialização que ocorreu naquela época, fazendo os trabalhadores saírem do campo para habitar as grandes cidades.

Figura 2. Industrialização no Brasil. Fonte: https://www.todamateria.com.br/industrializacaono-brasil/.

Até a década de 1940 a população brasileira era majoritariamente rural. Porém, a partir de 1950, com a industrialização ascendida por Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, ocorreu o aumento da urbanização no território brasileiro. Devido a criação de uma grande movimentação do mercado nacional, famílias de todo o país deslocaram-se para a região Sudeste, pois nela haviam melhores e maiores condições de infraestrutura para que pudessem surgir diversas industrias. Em 1940, apenas 31,24% da população brasileira vivia em zonas urbanas. Já em 2010 esse número aumentou para 84,36% (IBGE, 2010). Ainda de acordo com Gobbi (2015), apenas em 1970 em diante que a maioria dos brasileiros passaram a morar nas zonas urbanas, visto que nesse momento já havia um maior número de emprego e de fatores que contribuíam para melhor qualidade de vida, como transporte, educação e saúde.


12 “Atualmente, mais de 80% da população brasileira vive em áreas urbanas, o que equivale aos níveis de urbanização dos países desenvolvidos.” (Ibidem, 2015). De acordo com Bellei (2001), o desenvolvimento brasileiro para a urbanização surgiu paralelamente aos ciclos econômicos, em ordem de: pau-brasil, cana-de-açúcar, ouro e café. Foi ao longo do litoral que surgiram os primeiros momentos de regiões urbanas no Brasil. Devido ao mercado do ouro que a urbanização chegou às regiões do interior. Mundialmente falando, assim como no Brasil, a urbanização ocorreu em virtude da atração das pessoas para as grandes cidades industrializadas. O processo de Urbanização iniciou-se com o surgimento das cidades. Na Antiguidade, as cidades eram pouco povoadas, uma vez que a população concentravase nas áreas rurais, vivendo da agricultura, do extrativismo e demais atividades primárias. Já na Idade Média, com o desenvolvimento do comércio e da indústria, aumentou a concentração urbana e surgiram os primeiros problemas sociais, como a falta de saneamento básico, saúde e moradia. Todavia, o crescimento acentuado e desordenado dos núcleos urbanos só ocorreu após o advento da Revolução Industrial no século XIX, quando diversas massas humanas convergiram para as cidades atrás de emprego e de melhores condições de vida. Porém, este aumento significativo de população transformou as cidades num verdadeiro caos, já que não havia moradias suficientes, tampouco infraestrutura de saneamento básico e higiene, o que causou um aumento desordenado na mortalidade. Ainda, os empregos existentes nas fábricas eram insuficientes frente a demanda, aumentando ainda mais os níveis de pobreza e de miséria. (Ibidem, 2001)

Porém, mesmo que a urbanização seja um processo benéfico em alguns pontos, pode também ter efeitos negativos: A urbanização nos países desenvolvidos ocorreu com a Revolução Industrial, enquanto que nos países subdesenvolvidos, o fenômeno é bastante recente, já que os fatores que conduzem ao inchaço das cidades decorre normalmente do êxodo rural, por causa da má condição de vida no campo e da liberação de mão-de-obra em razão da mecanização da lavoura ou das inovações da pecuária. De outro lado, além da urbanização trazer desenvolvimento e progresso, ela causa enormes problemas. Provoca a desorganização social, com carência de habitação, de estradas, de saneamento básico e de desemprego. Modifica a utilização do solo e transforma a paisagem urbana. [...]Todavia, como o desenvolvimento industrial dos países subdesenvolvidos só ocorreu no século XX, os problemas atinentes a urbanização só estão aparecendo agora. É o caso da falta de saneamento básico, de infraestrutura viária (ruas e transporte coletivo), de geração de empregos e de novas habitações. (Ibidem, 2001)


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Figura 3. Caos na urbanização. Fonte: https://alunosonline.uol.com.br/geografia/problemas urbanos-.html

A urbanização é um processo que possui duas faces: a positiva, que faz jus à todos os benefícios relacionados à qualidade de vida e desenvolvimento humano, e a negativa, que traz toda a realidade ligada à miséria e descaso com os menos favorecidos. Por isso Bellei (2001) fala sobre urbanificação, que é processo que tem como objetivo reverter os problemas causados pela urbanização. Isso ocorre através do planejamento de novas áreas urbanas. “[...] urbanificação é uma forma importante de ordenação urbanística do solo, a fim de propiciar o desenvolvimento urbano equilibrado por meio do beneficiamento do solo bruto ou do rebeneficiamento do solo já urbanizado.” Há um fenômeno chamado “macrocefalia urbana” que, segundo o site Só Geografia (2007), significa “[...] resultado da grande concentração das atividades econômicas, principalmente de serviços [...]”, ou seja, quando há muitas famílias morando em um só lugar ocasionando um crescimento urbano desordenado, como é o caso das favelas brasileiras. A consequência é o surgimento da violência urbana, que envolve sequestros, assaltos e roubos.

Figura 4. Favela brasileira. Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/01/politica/1 433185554_574794.html. Eduardo Knapp. 2015.


14 Portanto, é necessário reaver os planos urbanos dos municípios de forma específica para cada caso, e não apenas propor intervenções, mas de fato realiza-las antes que o processo desordenado prossiga sem impedimento. Primeiras civilizações: Por volta do ano de 2500 a.C., as primeiras cidades surgiram na beira de grandes e importantes rios pelo mundo todo. Exemplo disso, é o caso do rio Eufrates que, assim como em outras regiões pelo mundo (Rio Tigre, na Mesopotâmia e Rio Nilo, no Antigo Egito), abrigou a maior parte da civilização antiga às beiras de suas águas. Isso aconteceu devido ao fato de que a terra era mais fértil e a proximidade ao rio facilitava a irrigação da agricultura, portanto, um bom lugar para viver (Henrique, 2012). Posteriormente, outras cidades com o mesmo contexto surgiram, como “[...] Mênfis e Tebas, no vale do Nilo (Egito); Mohenjodaro, no vale do Indo (centro-norte da Índia); Pequim e Hang-chou, no vale do rio Amarelo (China).” (Educação Uol, 2019).

Figura [ 5. Rio Eufrates. Fonte: https://www.todoestudo.com.br/geografia/rioeufrates.

Na Grécia Antiga, as dimensões das cidades já eram consideravelmente grandes, chegando a ter cerca de 250 mil pessoas habitando o lugar.

Figura 6. Grécia Antiga. Fonte: https://www.historiaresumos.com/atenas/. 2016


15 Durante o século I d.C., Roma, que foi a capital do Império Romano, abrigou por volta de 1 milhão de habitantes.

Figura 7. Roma. Fonte: https://www.infoescola.com/historia/imperioromano/

A Idade Média surgiu após o fim do Império Romano no Ocidente. É caracterizado pelo feudalismo ocorrido na Europa e pela Igreja Católica sendo grande influenciadora da época. Nesse período houve o retrocesso urbano, onde as pessoas saíram das cidades de volta para a zona rural, dando início aos feudos medievais. (Silva, 2017).

Figura 8. Feudalismo. Fonte: http://www.historialivre.com/medieval/salafeudalis mo.htm. 2015.

Contudo, foi durante a Revolução Industrial que as pessoas voltaram a ocupar os centros urbanos, motivadas por ofertas de emprego nas crescentes industrias e melhor qualidade de vida. (Educação Uol, 2019).


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Figura 9. Revolução Industrial. Fonte: https://www.infoescola.com/historia/revolucaoindustrial/. 2016.

Nos tempos atuais, ainda em consequência da industrialização, o urbanização mundial é crescente, porém sendo mais forte em países desenvolvidos. Já os que estão em desenvolvimento, há certa variação entre países que se assemelham aos desenvolvidos e outros que não possuem mais que 40% de sua população vivendo em cidades. (Ibidem, 2019).

Figura 10. Cidades Atuais. Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/principaiscidades-brasil.htm

2.

REVISÃO HISTÓRICA DA TIPOLOGIA Brumes (2001, p.48) explica que as primeiras aldeias surgiram no Período Neolítico,

quando o homem passou a ter uma noção melhor de sobrevivência, o que envolvia o entendimento sobre como melhor se alimentar, proteger e reproduzir.


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Figura 11. Período Neolítico. Fonte: https://m.megacurioso.com.br/historia-egeografia/102210-o-periodo-neolitico-e-osurgimento-das-cidades-mais-antigas-do-mundo.htm

Durante a Antiguidade e a na Idade Média, (Ibidem, p. 50), afirma que, primeiramente, na antiguidade, o local onde estavam as cidades eram determinados de acordo com as condições naturais, ou seja, estavam próximas ao rios. Dessa forma, desenvolveram a capacidade de entender e controlar os períodos de cheias dos rios. Essa fase ocorreu ao longo dos Rios Amarelo, Tigre e Eufrates.

Figura 12. Sociedade da Antiguidade. Fonte: https://rl.art.br/arquivos/3670347.pdf?1344577767

Ainda, na Idade Média, diferentemente da época anteriormente citada, onde (Ibidem, p. 52) “a sociedade era extremamente concentrada em pequenos espaços e em lugares de produção e de trocas em que se misturavam o artesanato e o comércio, todos alimentados por uma economia monetária”, a cidade inverte as relações, dessa forma os senhores tinham base no campo e ali pretendiam suas expansões. Brumes (2001, p. 52), através de Le Goff (1988),


18 conclui que “seriam as cidades da Idade Média muito mais parecidas com as cidades Modernas, de que as primeiras com as cidades da Antiguidade.” Segundo Tales Pinto (2019), durante a Revolução Industrial, houve um “[...] impulso à urbanização de vastos espaços territoriais, levando à necessidade de criar políticas de planejamento e urbanização, visando sanar problemas habitacionais, sanitários e de deslocamento [...].”

Figura 13. A cidade durante Revolução Industrial. Fonte: https://annanerd.com.br/revolucao-industrial/

Segundo o site EducaBras (2018), foi durante a época supracitada que o desenvolvimento urbano foi tido graças à concentração de mão de obra nas fábricas nas cidades. Ainda, disserta que o capitalismo fez com que as cidades passassem a ser o centro das atividades econômicas e culturais, envolvendo portos, comércios, industrias e administrações políticas. Todavia, (Ibidem, 2019) conclui que “o capitalismo contemporâneo ampliou o fenômeno urbano. Se antes, havia cidades, atualmente há megalópoles, onde a conurbação criou uma sofisticada rede de fluxo de capitais, informações, mercadorias e serviços.”

Figura 14. Megalópole. Fonte: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/me galopoles.htm


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3.

ORGANIZAÇÃO,

ESTRUTURA

E

FUNCIONAMENTO

GENÉRICO SOBRE O TEMA Organograma urbanístico: os municípios que possuem vias principais atendendo as suas possíveis orlas devem, em todo caso, dispor de bom funcionamento e fluxo tanto de veículos, como de pedestres, isso com segurança. Podem também apresentar postos de atendimento ao público, sejam de informações turísticas ou até mesmo bases do Corpo de Bombeiros ou policiais. Os sanitários públicos são indispensáveis, de modo a evitar que quem esteja na praia faça suas necessidades fisiológicas em locais indevidos.

Figura 15. Organograma Urbanístico. Fonte: Do autor, 2019.

Organograma arquitetônico: nas Oficinas Culturais, o hall de entrada, juntamente com a recepção exerce a função principal de receber de forma positiva através dos funcionários e de um ambiente convidativo. Logo após, as salas de aula, de reunião e administração possuem importância determinante para o funcionamento e organização do edifício. Playground, na área externa atende o público infantil durante os momentos em que seus responsáveis possam estar em aula e reuniões ou até mesmo junto à seus filhos. O refeitório e a lanchonete servem para aqueles que queiram fazer suas refeições trazidas de suas casas ou para quem optar por comprar lanches e sucos no local. Os banheiros, o depósito de materiais de limpeza e o estacionamento complementam a faixa de menor importância prática e visual, porém, evidentemente, são locais indispensáveis para o edifício.


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Figura 16. Organograma Arquitetônico. Fonte: Do autor, 2019.

Fluxograma urbanístico: o que as orlas possuem em comum, são as áreas voltadas para o lazer do público. Isto envolve a prática de esportes em quadras, pistas de skates, atletismo e academia ao ar livre. Também é interessante possuir comércio de alimentos, como os quiosques, para que haja fluxo de pessoas no local, de forma a não deixar que apenas determinado público permaneça no mesmo local. Os pontos de informações e serviços são indispensáveis, portanto comumente estão a oferecer segurança e informação aos usuários.

Figura 17. Fluxograma Urbanístico. Fonte: Do autor, 2019.

Fluxograma arquitetônico: de modo geral, as oficinas culturais podem dispor de um espaço primário para recepção dos frequentadores, seguido das próprias salas de aula, onde ocorrem as oficinas. Posterior à isso, aparecem as salas administrativas e as de reunião, que também podem atender o público local, durante reuniões das associações dos moradores do bairro, por


21 exemplo. O fluxo, por fim, tende a chegar nos banheiros, primeiramente pelos usuários e, depois disso, chega ao espaço de depósito de materiais de limpeza e vestiários dos funcionários. O usuário, na área externa pode seguir tanto para o estacionamento, quanto para o playground e demais ambientes destinados ao lazer.

Figura 18. Fluxograma Arquitetônico. Fonte: Do autor, 2019.

Agenciamento urbanístico: agenciamento voltado para a parte urbana de orlas.

Setor de Serviço Posto de Informações Turísticas Base do Corpo de Bombeiros Base policial

Setor de Cultura

Setor de Lazer

Concha acústica

Praças Jardins Quiosques

Anfiteatro Banheiros públicos

Setor de Comércio

Esculturas e intervenções artísticas

Setor de Esportes Pista de corrida e caminhada Pista de Skate Academia ao ar livre

Tabela 1. Agenciamento Urbanístico. Fonte: Do autor, 2019.

Agenciamento arquitetônico: tabela referente ao agenciamento de edifícios de oficinas culturais.


22 Setor de Serviço

Setor Social

Salas de Aula Salas de Reunião

Hall de entrada Lanchonete

Setor de Lazer

Playground

Recepção Banheiros e Fraldário

Refeitório

Setor de Funcionários Depósito de Materiais de Limpeza

Setor Administrativo

Refeitório de funcionários

Sala Administrativa

Brinquedoteca Vestiário

Estacionamento Tabela 2. Agenciamento Arquitetônico. Fonte: Do autor, 2019.

As orlas funcionam de maneira a integrar a natureza ao meio urbano. Isto acontece através, principalmente, do paisagismo e o desenho urbano. Até mesmo as vagas de estacionamento podem direcionar o fluxo dos usuários e aumentar o interesse em determinadas áreas da orla. O mobiliário urbano normalmente é feito de materiais que resistem à oxidação em decorrência da maresia que vem do oceano. Portanto, o uso de madeira e plástico é comum. De modo geral, as orlas de praias apresentam caminhos e pistas, de caminhada ou ciclismo, que levam o usuário a percorrer toda a extensão urbana da praia, e isso ocorre de forma despretensiosa, ou seja, antes que a pessoa perceba, já percorreu muitos metros enquanto contemplava a paisagem local. Então, este é um método de atração que satisfaz o usuário. Utilizar a natureza e o paisagismo à favor da integração é fundamental nas orlas, para que assim sejam efetivamente frequentadas. Ressalta-se a importância de não haver regiões mais afastadas e com falta de iluminação, para que isso não gere locais de possíveis práticas criminosas que acarretem na falta de segurança. A iluminação no período noturno é indispensável, mais uma vez para que a orla não torne-se, à noite, um local perigoso e que venha a deixar de ser frequentado.

4.

LEGISLAÇÕES

4.1.

LEGISLAÇÃO FEDERAL ABNT NBR 9050:2004 1 Objetivo 1.1 Esta Norma estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade.


23 4.2.

LEGISLAÇÃO ESTADUAL POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO - CORPO DE BOMBEIROS:

INSTRUÇÃO TÉCNICA Nº 08/2019 SEGURANÇA ESTRUTURAL CONTRA INCÊNDIO: 1 objetivo 1.1 estabelecer as condições a serem atendidas pelos elementos estruturais e de compartimentação que integram as edificações, quanto aos tempos requeridos de resistência ao fogo (TRRF) [...]

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO - CORPO DE BOMBEIROS: INSTRUÇÃO TÉCNICA Nº 09/2019 COMPARTIMENTAÇÃO HORIZONTAL E COMPARTIMENTAÇÃO VERTICAL: 1 objetivo 1.1 estabelecer os parâmetros de emprego e dimensionamento da compartimentação horizontal e da compartimentação vertical nas edificações e áreas de risco, de modo a impedir a propagação do incêndio para outros ambientes situados no mesmo pavimento ou entre pavimentos.

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO - CORPO DE BOMBEIROS: INSTRUÇÃO TÉCNICA Nº 10/2019 CONTROLE DE MATERIAIS DE ACABAMENTO E DE REVESTIMENTO: 1 objetivo 1.1 estabelecer as condições a serem atendidas pelos materiais de acabamento e de revestimento empregados nas edificações, para que, na ocorrência de incêndio, restrinjam a propagação de fogo e o desenvolvimento de fumaça, atendendo ao previsto no regulamento de segurança contra incêndio das edificações e áreas de risco do Estado de São Paulo.

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO - CORPO DE BOMBEIROS: INSTRUÇÃO TÉCNICA Nº. 11/2019 SAÍDAS DE EMERGÊNCIA: 1 objetivo 1.1 estabelecer os requisitos mínimos necessários para o dimensionamento das saídas de emergência, para que sua população possa abandonar a edificação, em caso de incêndio ou pânico, completamente protegida em sua integridade física e permitir o acesso de guarnições de bombeiros para o combate ao fogo ou retirada de pessoas, atendendo ao previsto no regulamento de segurança contra incêndio e áreas de risco.

LEI Nº 10.083, DE 23 DE SETEMBRO DE 1998: DISPÕE SOBRE O CÓDIGO SANITÁRIO DO ESTADO DE SÃO PAULO:


24 “Artigo 2º - os princípios expressos neste código disporão sobre proteção, promoção e preservação da saúde, no que se refere às atividades de interesse à saúde e meio ambiente, nele incluído o do trabalho [...]”

4.3.

LEGISLAÇÃO MUNICIPAL PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO SEBASTIÃO - LEI N.º 561/87 (COM ALTERAÇÃO) - ESTABELECE NORMAS PARA O USO E OCUPAÇÃO DO SOLO DA COSTA SUL: ARTIGO 1º - Todo parcelamento de terreno, inclusive o decorrente de divisão amigável ou judicial, sua ocupação e desmatamento, a construção, a modificação, a reforma, a ampliação e a utilização edifícios que possa ocorrer na Costa Sul do Município de São Sebastião, são regulados pela presente Lei, observadas, no que couberem, as disposições da legislação federal e estadual pertinentes, e o Código de Obras deste Município.

5.

ESTUDOS DE CASOS Para o desenvolvimento do trabalho foram realizados três estudos de caso, sendo eles:

Orla Moacyr Scliar, em Porto Alegre, RS; Orla Prefeito Luiz Paulo Conde - Boulevard Olímpico, no Rio de Janeiro, RJ; e Praça do Migrante, em Veracruz, México.

ORLA MOACYR SCLIAR: Ficha técnica: Nome: Orla Moacyr Scliar Localização: Porto Alegre, Rio Grande do Sul – Brasil Data de conclusão da obra: 2018 Área total: 1,3 km de extensão / 2.647,05 m² de área construída Responsável: Jaime Lerner – Arquitetos Associados

Segundo o site ARCOweb, a Orla Moacyr Scliar é uma das quatro partes do Parque Urbano da Orla do Lago Guaíba, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Foi inaugurada no dia 29 de Junho de 2018. O projeto que possui com 1,3 quilômetros de extensão e que teve seu valor de R$ 71 milhões é de Jamie Lerner, arquiteto e urbanista reconhecido mundialmente. O obra possui mirantes, quadras esportivas, restaurante (com aluguel do mensal por volta de R$ 10,5 mil), bares (com alugueis que variam entre R$ 7,1 mil e R$ 7,8 mil por mês), ciclovia, passeio público e, ainda, ancoradouros para barcos destinados à passeios turísticos.


25 Para chamar à atenção do reconhecido cartão-postal da cidade, o pôr do sol do Guaíba, foram feitas duas grandes passarelas que levam os pedestres para dentro da área do lago, proporcionando o contato ainda maior com a natureza. Ainda, os decks de madeira e as arquibancadas de concreto com curvas suaves em seus desenhos, respeitando e se integrando com a topografia original, entregam a sensação de leveza perante as águas tranquilas do lago. Para este projeto os arquitetos escolheram usar materiais como vidro, madeira, concreto e aço. Segundo o memorial do escritório, especialmente o concreto foi idealizado para representar, através de curvas, o movimento das águas, que se desenvolve ao longo do terreno. A iluminação é feita por 47 postes e pelo piso que possui pontos de fibra ótica. A segurança do local é monitorada por 39 câmeras e uma base da Guarda Municipal.

Figura 19. Travessia para pedestres na Orla Moacyr Scliar. Fonte: https://www.arcoweb.com.br/noticias/noticias/o rla-moacyr-scliar-e-inaugurada-em-portoalegre-rs

Figura 21. Postes de iluminação. Fonte: https://www.arcoweb.com.br/noticias/noticias/orlamoacyr-scliar-e-inaugurada-em-porto-alegre-rs

Figura 20. Arquibancadas de concreto. Fonte: https://www.arcoweb.com.br/noticias/noticias/o rla-moacyr-scliar-e-inaugurada-em-portoalegre-rs

Figura 22. Vista aérea da Orla Moacyr Scliar. Fonte: https://www.arcoweb.com.br/noticias/noticias/or la-moacyr-scliar-e-inaugurada-em-porto-alegrers


26

Figura 23. Curvas da Orla Moacyr Scliar. Fonte: https://www.arcoweb.com.br/noticias/noticias/orlamoacyr-scliar-e-inaugurada-em-porto-alegre-rs

As seguintes imagens mostram como foi feita a distribuição dos setores da Orla Moacyr Scliar. Em suas extremidades encontram-se o restaurante, quiosques e bares, enquanto na região central é voltada para a contemplação e lazer.

Figura 24. Ilustração de setores. Fonte: https://portoimagem.wordpress.com/category/orla/orla-moacyrscliar/

Figura 25. Implantação da Orla Moacyr Scliar. Fonte: https://portoimagem.wordpress.com/category/orla/orlamoacyr-scliar/


27 Através do seguinte corte, é possível observar a topografia local que foi respeitada e aplicada em função do projeto. Na parte mais íngreme, foram postas as arquibancadas de concreto e na parte mais plana é onde fora implantado a grama e o deck de madeira com o objetivo de criar um espaço para contemplação.

Figura 26. Corte Esquemático. Fonte: https://portoimagem.wordpress.com/category/orla/orla-moacyrscliar/

Análise de Swot: Aspectos Positivos Integração com o entorno Áreas de contemplação Espaços amplos Uso da topografia já existente

Aspectos Negativos Poucos bancos Ausência de lixeiras Sanitários distantes

Ameaças Áreas grandes sem uso Ausência de atrativos

Oportunidades Criação de bases de segurança (policia) Criação de espaços esportivos (quadras)

públicos Ausência de bases de segurança Madeira usada no deck

Tabela 3. Análise de Swot 1. Fonte: Do autor, 2019.

Análise crítica: Buscando resgatar o interesse da população, o projeto da orla Moacyr traz de volta algo simples que havia sido perdido, o simples prazer de estar em um local público para sentar-se e poder contemplar a natureza com outras pessoas. O desenho da orla é simples como deve ser, assim dando ênfase especialmente à paisagem. A ciclovia implantada tenta fazer com que as pessoas que utilizam a praça possam chegar lá através de veículos não motorizados. Ainda, vale ressaltar o cuidado em não isolar a paisagem, ou seja, a vista é livre, não há muros ou grades


28 que atrapalhem a visão de quem contempla ou então que passem a sensação de isolamento e insegurança para quem está na praça.

ORLA PREFEITO LUIZ PAULO CONDE - BOULEVARD OLÍMPICO Ficha técnica: Nome: Orla Prefeito Luiz Paulo Conde – Boulevard Olímpico Localização: Rio de Janeiro, RJ – Brasil Data de conclusão da obra: 2016 Área total: 252.000 m² Responsável: B+ABR Backheuser e Riera Arquitetura

O site ArchDaily Brasil (2017) apresenta uma descrição enviada pela própria equipe do projeto “Orla Conde”, onde diz que “o projeto “Orla Conde” integra o processo de transformação e requalificação urbana da região portuária e da área central da Cidade do Rio de Janeiro, que acontece a partir da Operação Urbana Porto Maravilha.”. Portanto, este é um projeto que visa resgatar uma área sem uso. O antigo elevado rodoviário, que havia sido construído na década de 1960 ocasionou no desligamento urbanístico daquela área com a Baía de Guanabara. Porém, com a demolição iniciada em 2014 e o decorrer do projeto, o intuito é que os novos usuários possam encontrar espaço desconhecidos até antes dessa intervenção. A chamada “Orla Conde” estabelece a importância da relação do pedestre com a cidade sem que os veículos automotores venham a atrapalhar. Os meios de transporte preferíveis e indicados por este projeto são bicicletas, o Veículo Leve sobre Trilhos, e outros meios de transporte que poluem menos.

Figura 27. Vista da Orla Conde. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbanizaca o-da-orla-prefeito-luiz-paulo-conde-boulevardolimpico-b-plus-abr-backheuser-e-rieraarquitetura?ad_medium=gallery. Porto Novo.


29

Figura 28. Boulevard Olímpico. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbanizacao-da-orlaprefeito-luiz-paulo-conde-boulevard-olimpico-b-plus-abrbackheuser-e-riera-arquitetura?ad_medium=gallery. Miguel As. 2017

Figura 29. Deck da Orla Conde. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbaniz acao-da-orla-prefeito-luiz-paulo-condeboulevard-olimpico-b-plus-abr-backheuser-eriera-arquitetura?ad_medium=gallery. Ignasi Riera.

Figura 31. Bancos da Orla Conde. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbaniza cao-da-orla-prefeito-luiz-paulo-conde-boulevardolimpico-b-plus-abr-backheuser-e-rieraarquitetura?ad_medium=gallery. André Sanches.

Figura 30. Horizonte na Orla Conde. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbanizacao -da-orla-prefeito-luiz-paulo-conde-boulevardolimpico-b-plus-abr-backheuser-e-rieraarquitetura?ad_medium=gallery. Miguel As.

Figura 32. Armazém da Utopia, Orla Conde. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbaniza cao-da-orla-prefeito-luiz-paulo-conde-boulevardolimpico-b-plus-abr-backheuser-e-rieraarquitetura?ad_medium=gallery. Francis Figueiredo.


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Figura 33. Vista elevada da Orla Conde. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbanizacaoda-orla-prefeito-luiz-paulo-conde-boulevard-olimpicob-plus-abr-backheuser-e-rieraarquitetura?ad_medium=gallery. André Sanches.

Figura 35. VLT. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbanizaca o-da-orla-prefeito-luiz-paulo-conde-boulevardolimpico-b-plus-abr-backheuser-e-rieraarquitetura?ad_medium=gallery. Porto Novo.

Figura 34. Mobiliário urbano da Orla Conde. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbaniz acao-da-orla-prefeito-luiz-paulo-condeboulevard-olimpico-b-plus-abr-backheuser-eriera-arquitetura?ad_medium=gallery. Ignasi Riera.

Figura 36. Paisagem sem poluição. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/ur banizacao-da-orla-prefeito-luiz-pauloconde-boulevard-olimpico-b-plus-abrbackheuser-e-rieraarquitetura?ad_medium=gallery.


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Figura 37. Implantação Orla Conde. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbanizacao-da-orla-prefeito-luiz-pauloconde-boulevard-olimpico-b-plus-abr-backheuser-e-rieraarquitetura?ad_medium=gallery.

Figura 38. Corte Longitudinal 1 Orla Conde. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbanizacao-da-orla-prefeito-luiz-paulo-condeboulevard-olimpico-b-plus-abr-backheuser-e-riera-arquitetura?ad_medium=gallery.

Figura 39. Corte Transversal Orla Conde. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbanizacao-da-orla-prefeito-luiz-paulo-condeboulevard-olimpico-b-plus-abr-backheuser-e-riera-arquitetura?ad_medium=gallery.

Figura 40. Corte Longitudinal 2 Orla Conde. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbanizacao-da-orla-prefeito-luiz-paulo-condeboulevard-olimpico-b-plus-abr-backheuser-e-riera-arquitetura?ad_medium=gallery.


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Figura 41. Corte Orla Conde. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbanizacao-da-orla-prefeito-luiz-paulo-condeboulevard-olimpico-b-plus-abr-backheuser-e-riera-arquitetura?ad_medium=gallery.

Análise de Swot: Aspectos Positivos Aspectos Negativos Integração com o Algumas áreas entorno afastadas e sem atrativo Áreas de contemplação Espaços amplos Mobiliário urbano criativo Poucos desníveis Muita vegetação Bebedouros Lixeiras Anúncios informativos

Ameaças Vegetação atrapalhando o fluxo

Oportunidades Área de eventos

Ausência de proteção Concha acústica ou contra quedas no mar anfiteatro Áreas isoladas

Tabela 4. Análise de Swot 2. Fonte: Do autor, 2019.

Análise crítica: A Orla do Conde possui muitos espaço abertos e amplos, o que proporciona a sensação de liberdade. Há espaço para contemplação, relaxamento, lazer, encontros e demais atividades de socialização, porém não ficou evidente algum espaço voltado para atividades culturais voltadas aos usuários, como concha acústica ou anfiteatro. Ainda, mesmo que possua muito espaço aberto, existem algumas áreas que, observando as imagens foi possível ver que estão isoladas dos demais pontos de interesse e fluxo de pessoas, o que pode acarretar em espaço para marginalização, uso de drogas e demais fatores que preocupam a segurança dos visitantes.


33 PRAÇA DO MIGRANTE Ficha técnica: Nome: Praça do Migrante Localização: Veracruz, México Data de conclusão da obra: 2019 Área total: 6300 m² Responsável: Escritório Taller DIEZ 05

De acordo com a equipe responsável pelo projeto, através de descrição enviada para o site ArchDaily (2019), “A Praça do Migrante é um parque urbano desenvolvido em uma superfície de aproximadamente um hectare, e que tem o objetivo de incitar o percurso do usuário através de diversos espaços de texturas, vegetação, descanso, sombra e observação.” Ainda, apresenta que o projeto foi conceituado com base na “teoria das bordas”, quando há natureza envolvendo dois ambientes “[...] provocando uma espécie de espaço descontínuo, intersticial, um "tecido" entre dois elementos, uma ‘experiência de sentir o litoral’”. (Ibidem, 2019).

Figura 42. Praça do Migrante. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/919357/pracado-migrante-taller-diez05?ad_source=search&ad_medium=search_resul t_all. Luis Gordoa. 2019.

Figura 43. Estrutura contemplativa em Praça do Migrante. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/919357/pracado-migrante-taller-diez05?ad_source=search&ad_medium=search_result _all. Luis Gordoa. 2019.


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Figura 44. Vista aérea da Praça do Migrante. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/919357/praca-do-migrantetaller-diez05?ad_source=search&ad_medium=search_result_all. Luis Gordoa. 2019.

Figura 45. Contato com a natureza na Praça do Migrante. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br /919357/praca-do-migrantetaller-diez05?ad_source=search&ad_medi um=search_result_all. Luis Gordoa. 2019.

Figura 46. Vista aérea dos espaços contemplativos na Praça do Migrante. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/919357/praca-domigrante-taller-diez05?ad_source=search&ad_medium=search_result_all. Luis Gordoa. 2019.

Figura 47. Bancos cobertos na Praça do Migrante. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/919357/pracado-migrante-taller-diez05?ad_source=search&ad_medium=search_resul t_all. Luis Gordoa. 2019.


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Figura 48. Vista aérea da via ao lado da Praça do Migrante. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/919357/pracado-migrante-taller-diez05?ad_source=search&ad_medium=search_resul t_all. Luis Gordoa. 2019.

Figura 49. Assentos com cobertura. Fonte: https://www.archdai ly.com.br/br/91935 7/praca-domigrante-tallerdiez05?ad_source=searc h&ad_medium=sea rch_result_all. Luis Gordoa. 2019.

Figura 50. Corte do mirante na Praça do Migrante. https://www.archdaily.com.br/br/919357/praca-do-migrante-taller-diez05?ad_source=search&ad_medium=search_result_all. Luis Gordoa. 2019.

Figura 51. Mirante na Praça do Migrante. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/919357/pracado-migrante-taller-diez05?ad_source=search&ad_medium=search_resul t_all. Luis Gordoa. 2019.

Fonte:


36 Aspectos Positivos Aspectos Negativos Integração com o Poucos bancos entorno

Ameaças Oportunidades O mar invade a beira Explorar a vegetação da praça para criar mais sombras Áreas de Não possui sanitários Ausência de proteção Criação de áreas de contemplação nas áreas de refúgio contemplação Espaços amplos Pouca vegetação Estruturas para sombreamento Poucos desníveis Uso da topografia já existente Design único da paginação de piso Design atraente do mobiliário urbano Sem pontos isolados ou sem iluminação Parada de ônibus Tabela 5. Análise de Swot 3. Fonte: Do autor, 2019.

Análise crítica: A praça do Migrante possui grande clareza em relação à sua forma. Apesar de possuir poucos bancos, poucas sombras e nenhum local para refúgio, a praça traz a sensação de liberdade e integração. A via que passa ao lado possui boa sinalização e um canteiro central com vegetação. É espaçosa e plana, consequentemente evitando dificuldade de locomoção para pessoas com mobilidade reduzida. A praça possui um design de mobiliário único e inovador, bem como os cubos construídos na beira, logo acima das pedras e do mar. Portanto, promove o paisagismo, design, urbanismo e arquitetura de forma sutil e harmoniosa.

6.

VISITAS TÉCNICAS Orla de Itararé: a primeira visita foi realizada em São Vicente, São Paulo. Mais

especificamente na orla da praia de Itararé. A orla possui suficientes vagas de estacionamento para veículos. Apesar do desgaste urbano, possui sinalização em locais adequados. O outro lado da rua que passa pela orla é comporto por grandes edifícios predominantemente residenciais. Quiosques e praças de eventos são itens urbanos fixos.


37

Figura 52. Orla de Itararé, São Vicente - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 53. Edifícios em Itararé, São Vicente - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 54. Quiosques e estacionamento em Itararé, São Vicente - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 55. Praça de eventos em Itararé, São Vicente - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 56. Comprovante fotográfico - São Vicente - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Orla de Santos: Santos, cidade localizada no Litoral de São Paulo foi local da segunda visita. A orla de Santos é extensa e considerada excelente para a terceira idade, pois apresenta o mínimo desnível possível ao longo de toda sua extensão. Os quiosques são fixos e perto à eles ficam os sanitários públicos que, inclusive, possuem fraldário.


38 Os pontos de quiosques e sanitários são padronizados e se repetem a determinada distância de um para o outro, sempre oferecendo vagas de estacionamento logo em frente à eles. Mais uma vez, o outro lado da via que passa pela orla, é composto predominantemente por grandes edifícios residenciais e alguns estabelecimentos, como restaurantes, lanchonetes, e até mesmo escolas e museus. A ciclovia está em bom estado, possuindo boa sinalização e indo de uma extremidade à outra da orla. Em determinados momentos da extensão da orla, é possível encontrar bases do Corpo de Bombeiros. A orla dispõe de diversos pontos turísticos, como a concha acústica, praças, grandes jardins, museu e alguns outros pontos de encontro cobertos. As vias possuem faixas suficientes para os veículos. As vagas de estacionamento são presente em toda a extensão da orla. Ainda, diversas paradas de ônibus com a faixa de parada para os mesmos, de forma que não prejudicam o fluxo dos demais veículos. O calçamento encontra-se preservado e as calçadas são largas, o que significa segurança e conforto para os usuários. A iluminação durante a noite é suficiente, o que possibilita a continuidade do funcionamento dos quiosques e demais comerciantes ambulantes mesmo no período noturno. Finalmente, as ruas, os jardins e a praia são limpas, a vegetação preservada e presente a todo momento, o que inclusive traz a sensação de proteção contra a vida urbana, que está logo ao lado.

Figura 57. Orla da Praia de Santos - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 58. Quiosques de Santos - SP. Fonte: Do autor, 2019.


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Figura 59. Quiosques com estacionamento em Santos - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 60. Detalhe dos quiosques em Santos SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 61. Edifícios em Santos - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 62. Sanitários públicos em Santos - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 63. Ciclovia em Santos - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 64. Corpo de Bombeiros em Santos - SP. Fonte: Do autor, 2019.


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Figura 65. Parada de ônibus em Santos - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 66. Rua da praia de Santos - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 67. Praça em Santos - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 68. Concha acústica em Santos - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 69. Espaço coberto na orla de Santos SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 70. Comprovante fotográfico em Santos - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Orla de Pitangueiras: a terceira visita foi na orla da praia de Pitangueiras, no Guarujá, São Paulo. Apesar de possuir uma faixa de praia bem menor que as anteriores, esta também possui pontos importante para a comodidade e segurança dos frequentadores, como é o caso


41 dos quiosques fixos e uma base de Salva Vidas. Semelhantemente às outras, as calçadas são largas e apresentam boa conservação, sem buracos ou demais fatores de risco. O outro lado da via é composto, mais uma vez, por grandes edifícios residenciais, condomínios, restaurantes, hotéis e mercados. A rua é mais estreita e não há ciclovia, porém há espaço suficiente na calçada para o deslocamento com bicicletas. A vegetação nativa ainda está presente dos dois lados da via, garantindo boas sombras. Possui menos pontos de interesse turístico, porém é uma orla limpa e organizada, apesar de passar a sensação de aperto em meio aos prédios e carros estacionados ao longo da via.

Figura 71. Orla da praia de Pitangueiras, Guarujá - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 72. Quiosque em Pitangueiras, Guarujá - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 73. Posto de Salvamento em Pitangueiras, Guarujá - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 74. Calçamento da praia de Pitangueiras, Guarujá - SP. Fonte: Do autor, 2019.


42

Figura 75. Rua da praia de Pitangueiras, Guarujá - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 77. Edifícios Pitangueiras, Guarujá Fonte: Do autor, 2019.

7.

em SP.

Figura 76. Ponto turístico em Pitangueiras, Guarujá - SP. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 78. Comprovante fotográfico em Pitangueiras, Guarujá - SP. Fonte: Do autor, 2019.

LOCAL DE INTERVENÇÃO A área de intervenção está localizada no Bairro de Boiçucanga, no município de São

Sebastião, Litoral Norte do Estado de São Paulo, Brasil.


43

Figura 79. Mapa territorial do Brasil. Fonte: https://www.todamateria.com.br/mapa-do-brasil/

Figura 80. Mapa territorial do Estado de São Paulo. Fonte: https://www.todamateria.com.br/mapa-do-brasil/

O Estado de São Paulo está localizado na Região Sudeste do Brasil, esta que é a mais desenvolvida e populosa do país. Sua população é de cerca de quarenta e cinco milhões de habitantes, possui 645 municípios, sua economia é baseada em indústrias, turismo, serviços, pecuária e agricultura. No Estado, é possível encontrar os climas Tropical de Altitude e Tropical Atlântico.

7 81. Mapa territorial do município de São Figura Sebastião. Fonte: https://www.researchgate.net/figure/Figura-4-Mapade-localizacao-dos-geossitios-em-SaoSebastiao_fig14_310234230 São Sebastião foi ocupada por portugueses durante a vinda de Américo Vespúcio em 1502, sendo assim a cidade mais antiga do Litoral Norte Paulista. Todo o desenvolvimento de São Sebastião deu-se pelos índios nativos, os portugueses e seus escravos que,


44 consequentemente, marcaram os costumes, cultura e formas construtivas da região. (São Sebastião, 2014) O centro histórico de São Sebastião está localizado no centro da cidade, onde há os principais pontos comerciais, de saúde, de lazer e que também está próximo à travessia de balsa para Ilhabela. Na Costa Sul do município, encontram-se as praias mais conhecidas, como é o caso de Maresias, famosa por sua culinária, festas e a prática do surfe. Outras praias bastante visitadas são Calhetas, Toque Toque Grande, Toque Toque Pequeno, Santiago, Baleia e Barra do Sahy, indicadas para famílias com crianças ou idosos.

Figura 82. Vista de Satélite da Orla da Praia de Boiçucanga. Fonte: https://www.google.com.br/maps/search/orla+de+boiçucanga/@-23.7838043,45.6295215,602m/data=!3m1!1e3. Google Maps. 2019.

O bairro de Boiçucanga, localizado na Costa Sul de São Sebastião, tornou-se um ponto estratégico para os comerciantes, pois está longe do Centro da Cidade, passando a ser a melhor opção para quem mora ou está de passagem por esta região. O bairro possui Unidade de Pronto Atendimento – UPA, pousadas, restaurantes, adegas, cartório, comércio de pequenas lojas e um pequeno shopping com supermercado, farmácia, caixa 24 horas e outras lojas de alimentação e vestuário. Por estar em uma cidade litorânea, o clima predominante em Boiçucanga é o tropical atlântico, mais precisamente o tropical úmido, tendo como principal característica as temperaturas elevadas, assim como a alta umidade do ar. Os ventos predominantes são oriundos do Sul. Em Boiçucanga ocorre a desorganização urbana. Não é clara a separação entre o que é destinado à cultura, lazer, comércio, residência e hospedagem, e isso dificulta o desenvolvimento financeiro e a relação de cada um entre eles. O equilíbrio de todos os setores


45 existentes e que ainda poderão existir, é delicado, pois sempre haverá, simultaneamente, os interesses de desenvolvimento e de preservação. O novo invade o antigo, imprudentemente, em todo o litoral sebastianense. Há muito tempo que o caiçara passou a vender sua terra e perder seu espaço para pessoas com dinheiro e ambição. Porém, o que para o primeiro parecia ser interessante no começo, passou a preocupalo, visto que, em meio à poucas vantagens, sempre haverá a possibilidade de que esses novos investidores imobiliários não se atentem à questões ambientais e nem desistam de construir, mesmo que isto custe à saúde ambiental. Também pode não haver, em alguns casos, concordância com a legislação, seja do Plano Diretor, normas e leis ambientais e, inclusive, normas de acessibilidade. A orla da praia possui, atualmente, uma pista de skate e um grande espaço vazio que é utilizado para eventos públicos, além de um pequeno playground. No resto de sua extensão, podem-se encontrar residências, pousadas, hotéis, restaurantes e comércio. Nas imagens seguintes é possível observar que via principal, Av. Walkir Vergani (Figura 83), possui vários tipos de edificações ao longo de sua extensão, por exemplo: posto de gasolina, shopping (Figura 84, com pintura amarela e branca), restaurantes (Figura 84, lado esquerdo, em rosa), lanchonetes, Unidade de Pronto Atendimento, Hotéis, Hostels e Pousadas (Figura 89, com grades na cor preta), além de residências particulares (Figura 83, muro de pedras) e demais edificações de serviços e escritórios (Figura 85). Ressalta-se, negativamente, as calçadas estreitas e irregulares (Figura 88). Bem como as placas de sinalização de trânsito, postes de energia e iluminação, e árvores que estão no meio dessas calçadas, o que impossibilita a mobilidade de pessoas portadoras de necessidades especiais. O congestionamento é por conta de haver apenas duas faixas neste trecho urbano, sendo que há, no máximo, acostamento para os veículos. Há poucas vagas de estacionamento.

Figura 83. Via principal de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 84. Comércio de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.


46

Figura 85. Edifício comercial em Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 86. Vagas ao longo da via em Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 87. Acostamento na via de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 88. Calçadas de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 89. Pousadas e hotéis frente ao mar em Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 90. Praça Pôr do Sol em Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.


47

Figura 91. Vegetação na via principal de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 92. Comprovante fotográfico em Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

O terreno escolhido para a implantação das Oficinas Culturais está situado exatamente na Av. Walkir Vergani. É um terreno grande, porém o projeto ocupará uma área pequena.

Figura 93. Esquina do terreno das Oficinas Culturais - 1. Fonte: Do autor, 2019.

Figura 94. Esquina do terreno das Oficinas Culturais - 2. Fonte: Do autor, 2019.

Na Figura 93 é possível observar o muro (com grafite e pichações) que cerca o terreno escolhido para as Oficinas Culturais. Já na Figura 94, vê-se a ponta da outra esquina com alguns carros estacionados e, do outro lado da via, um muro branco com desenhos que cerca a entrada da praia. O local possui algumas árvores (Figura 95) e está em frente à uma faixa de pedestres (Figura 96).


48

Figura 95. Área interna do terreno. Fonte: Do autor, 2019.

8.

Figura 96. Entrada para a praia em frente ao terreno. Fonte: Do autor, 2019.

ESQUEMAS ESTRUTURANTES Perfil do cliente: A orla atende um público diversificado, variando entre crianças, jovens, adultos e idosos.

Configura-se público externo aquele composto pelos supracitados, ou seja, moradores e turistas que desfrutem da orla como um todo, seja para lazer, serviços ou moradia. Já o público interno é composto por funcionários e trabalhadores públicos, que cuidem da manutenção da orla e seus jardins, praças, mobiliário, calçamento, etc. No caso do edifício das oficinas culturais, o público externo é composto por alunos e visitantes e, no caso do público interno, por funcionários, como recepcionistas, professores, profissionais de limpeza e manutenção, coordenadores e guardas patrimoniais. De modo geral, na orla, a idade do público varia de crianças até pessoas de terceira idade, bem como o sexo, a escolaridade e atividades profissionais, porém entende-se que os hábitos dos frequentadores sejam entendidos como de pessoas que buscam lazer, contemplação e práticas esportivas. Para as oficinas, pessoas de idade infantil até idades mais avançadas poderão ser frequentadores, independentemente de sexo, mas com certa relevância de pessoas em momento escolar, seja ensino fundamental ou médio. Por isso, o horário preferencial de utilização das oficinas varia entre período da manhã e tarde, dependendo do período em que os frequentadores estiverem em suas aulas regulares nas escolas. As atividades na orla poderão ser tanto isoladas, como em grupo, dependendo do interesse de cada frequentador em qual atividade praticar e seus objetivos no momento em que estiver no local. Normalmente as atividades provocarão ruídos e serão, predominantemente em espaço aberto, seja no período diurno ou noturno.


49 Já nas oficinas, as atividades realizadas nas salas poderão ser, de acordo com o professor e o curso, feitas em grupo ou individualmente. Os ruídos derivarão apenas das aulas em que sejam utilizados instrumentos musicais, voz ou aparelhos sonoros eletrônicos. Todas as atividades, no respectivo edifício, serão em local coberto, de dia ou de noite. Tanto para a orla, quanto para o edifício das oficinas culturais, os meios de transporte mais utilizados são: bicicleta, ônibus, carro ou motocicleta própria, e até mesmo a pé.

Conceito: Os conceitos definidos para o projeto da orla são de integração, pertencimento e, ao mesmo tempo, liberdade. Isto, pois para o morador de Boiçucanga a orla representa seu principal ponto de interesse, seja para práticas esportivas, lazer, contemplação e encontros informais. Portanto, busca-se integrar a orla, definitivamente, à rotina do morador local, fazer com que ele sinta-se privilegiado por morar ali, seja pela beleza natural ou pelos serviços oferecidos à suas necessidades como cidadão. Ainda, que perceba que a orla proporciona a liberdade, para que todo e qualquer frequentador possa usufruí-la sem qualquer tipo de impedimento físico ou emocional. No caso das oficinas culturais, a arquitetura busca a socialização, união e respeito dos frequentadores para com eles mesmos. Desta forma, refletem-se os valores do povo caiçara e daqueles que vieram de outras regiões e acabaram por adaptarem-se ao ritmo de vida local.

Partido arquitetônico: As formas de contemplar os conceitos da orla serão baseadas em alguns elementos de partido arquitetônico. Para a sensação de integração será necessária a utilização de vegetação nativa para que o frequentador identifique-se em sua história, pois fato é que cada pessoa que mora na praia, acaba por criar memórias afetivas à certo tipo de vegetação que tenha feito parte de seus primeiros anos de vida, adolescência ou quaisquer outros momentos marcantes. Assim, a vegetação cria um espaço amigável e familiar, fazendo com que a orla se integre ao bairro novamente. O conceito de pertencimento é atendido pelos espaços abertos e descobertos, porém preenchidos com mobiliário urbano adequado, serviços de atendimento úteis e demais fatores que transmitam a sensação de aconchego, tranquilidade ou bem-estar para o frequentador. Já a liberdade é trabalhada através dos espaços abertos e sem nenhum tipo de poluição visual que atrapalhe a contemplação da vista para o oceano e para o horizonte. Os partidos arquitetônicos que atendem os conceitos escolhidos para as oficinas culturais são: espaços abertos cobertos para a socialização; e cores primárias como azul e amarelo e suas


50 tonalidades para que transmita a sensação de união e respeito para os alunos frequentadores. O objetivo é que a edificação possa se tornar um lar para as aptidões de cada indivíduo, de modo que ele sinta-se em casa para exercer suas habilidades, dons e talentos esquecidos ou que estão por serem descobertos.

Agenciamento: Agenciamento da orla: Lazer Praça

Esportes Pista de skate

Contemplação Serviços Deck de madeira Base policial

Espaço de eventos Deck para contemplação

Pista de caminhada Quadra de vôlei e futebol Pódio para premiações

Jardim

Cultura Oficinas Culturais Base de salva-vidas Monumento

Escultura/ estátua

Banheiros públicos Exposições e fraldários artísticas

Mobiliário urbano

Quiosques

Tabela 6. Agenciamento da Orla. Fonte: Do autor, 2019.

Agenciamento das Oficinas Culturais: Setor de Serviço Salas de aula

Salas reunião Recepção

Setor Social Hall entrada

de Playground

de Lanchonete Refeitório

Setor de Lazer

Brinquedoteca

Setor de Setor Funcionários Administrativo Depósito de Salas Materiais de Administrativas Limpeza Refeitório para funcionários Vestiários para funcionários

Banheiros Estacionamento Tabela 7. Agenciamento das Oficinas Culturais. Fonte: Do autor, 2019.

Organograma: Organograma urbanístico: A Av. Walkir Vergani é a via principal que percorre toda a orla, de um extremo ao outro. Esta avenida é um trecho da Rodovia Rio-Santos, possui pontos de comércio diversificado, como bares, restaurantes, lanchonetes, hotéis, hostels, pousadas, mercados, adegas, padaria, shopping, posto de gasolina, etc. possui também cartório e Unidade de Pronto Atendimento. Portanto é a via de maior importância do bairro. Através dessa avenida,


51 temos acesso ao terreno das novas Oficinas Cultuarais, bem como um longo passeio público que nos leva à Praça Pôr do Sol.

Figura 97. Organograma da Orla de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

Organograma arquitetônico: o organograma das Oficinas Culturais enfatiza a parte de entrada como principal e fundamental, pois prevê uma recepção respeitosa e atenciosa ao usuário. Posteriormente, as salas de aula, reunião e da administração, como pontos de funcionamento constante no edifício. A parte de alimentação para os usuários e de lazer vem em seguida e os demais ambientes, voltados para os funcionários ou que sejam ambientes externos sem fluxo continuo de pessoas, aparecem como de menor relevância arquitetônica, porém sendo indispensáveis para o funcionamento geral.

Figura 98. Organograma das Oficinas Culturais de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.


52 Fluxograma: Fluxograma da orla de Boiçucanga:

Figura 99. Fluxograma da Orla de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

Fluxograma das Oficinas Culturais:

Figura 100. Fluxograma das Oficinas Culturais de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

Zoneamento e Setorização: O primeiro estudo trata da orla de Boiçucanga por inteira, destacando locais em que estão implantados restaurante, condomínio, pousada, hotel, hostel, shopping, UPA, praça e demais localidades, como a da praça Pôr do Sol, local para lazer, esportes e o que é destinado para as novas oficinas culturais.


53

Figura 101. Estudo 1 - da Orla de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

O segundo estudo, referente à área de intervenção, serviu para destacar, de forma mais específica que o anterior, pontos de interesse e de importância ao longo de um determinado trecho da orla que possui maior fluxo de pessoas e veículos.

Figura 102. Estudo 2 - da Orla de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.


54 No momento de desenvolvimento do terceiro estudo, que diz respeito ao zoneamento ideal proposto, foram designados setores para que haja uma melhor separação dos interesses públicos ou privados, de modo que não venha a impactar, de forma negativa, no bem estar dos demais setores. Portanto, especificou-se: Setor 1: Preservação – primeiro setor, da ponta esquerda para a direita da orla, onde encontram-se costa rochosa marítima e vegetação nativa; Setor 2: Eventos, esportes e turismo – setor que está voltado para o lado da praia e que já possui a Praça Pôr do Sol, sendo um local de lazer e contemplação, bem como pista de skate, e também, como proposta projetual, quiosques, quadras poliesportivas, centro de informações turísticas, base policial ou do corpo de bombeiros; Setor 3: Restaurantes e comércio – onde melhor seriam localizadas lojas de roupas, decoração, artesanato, utensílios, itens de praia em geral, etc e também restaurantes e lanchonetes, por estarem ao lado do setor de eventos e turismo, assim podendo servir melhor àqueles que procuram por um lugar que possua venda de alimentos e disponha de área para lazer e contemplação; Setor 4: Serviços – setor destinado à UPA – Unidade de Pronto Atendimento -, posto de combustível, edifícios públicos e a proposta de uma Associação de Hotéis e Pousadas; Setor 5: Lazer, cultura e educação – atenderia o novo edifício das Oficinas Culturais e uma área, no lado da praia, para esportes em quadras de areia; Setor 6: este, localizado na extremidade direita da orla, sendo proposto para abrigar a área de moradia, da Associação dos Pescadores (o que é uma nova proposta para organizar e regulamentar a pesca local), e também novos Ranchos de Pesca que auxiliem e dignifiquem o trabalho dos pescadores.


55

Figura 103. Estudo 3 - da Orla de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

No quarto estudo, fora abordada a volumetria do edifício das Oficinas Culturais, onde tentou-se resolver algumas questões como a da incidência dos raios solares ao final da tarde, que costuma ser forte, podendo incomodar. Também, sobre a possibilidade de ser térreo, expandindo sua forma, ou de dois pavimentos, podendo aumentar sua volumetria vertical à custo da horizontal.


56

Figura 104. Estudo 4 – Volumetria Oficinas Culturais. Fonte: Do autor, 2019.

A setorização do edifício da Oficinas ocorreu de modo a deixar as salas de aula isoladas dos ruídos oriundos da avenida principal e também para que não haja distração durante as aulas com o que acontece do lado de fora. Ainda, as salas estão voltadas para a face Leste, o que permite boa iluminação pela manhã e assim economizando energia. A lanchonete e o refeitório foram postos de maneira que haja uma vista do entardecer, sendo assim convidativo para um café da tarde e leitura de livros. O hall de entrada e a recepção ficam logo da face voltada para a praia, enquanto outros ambientes como banheiros, depósito de materiais de limpeza e vestiário estão na face Oeste. Na face Leste, encontram-se as salas administrativas e de reunião, bem como brinquedoteca e playground, este que faz interligação com a área externa.


57

Figura 105. Estudo 5 – Setorização Oficinas Culturais. Fonte: Do autor, 2019.

Programa de Necessidades: Programa de necessidades da orla da praia de Boiçucanga: Setor

Lazer

Esportes

Ambiente

Área mínima

Área total

Praça

12 mil m²

15 mil m²

Espaço de eventos

1000m²

2000m²

Deck para contempla ção

400m²

450m²

Jardim

600m²

700m²

Pista de Skate

1000m²

1200m²

Mobiliário Bancos, postes de iluminação, lixeiras, bebedouros, ponto de ônibus, bicicletário, mesas com bancos, estrutura de sombreamento Postes de iluminação, bancos e lixeiras, ponto de ônibus, bicicletário. Deck de madeira plástica, bancos, postes de iluminação e lixeiras Bancos, lixeiras, bebedouros, postes de iluminação Lixeiras, postes de iluminação, bicicletário, rampas e corrimãos para prática esportiva

Iluminaç ão

Ventilaç ão

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural


58

Serviços

Pista de caminhada

1300m²

2000m²

Quadra de vôlei e futebol

400m²

450m²

Pódio para premiações

3m²

4m²

160m²

200m²

200m²

300m²

170m²

220m²

Base policial Base de salva-vidas Banheiros públicos e fraldários Quiosques

60m²

70m²

Oficinas culturais

1100m²

2000m²

Espaço para exposições

250m²

250m²

Cultura

Pista de caminhada, bicicletário, postes de iluminação, bancos e lixeiras Traves de gol, rede de vôlei, bancos, lixeiras, bicicletário, postes de iluminação Pódio com colocações de 1º à 3º colocado Postes de iluminação Postes de iluminação Lixeiras Bancos, lixeiras, postes de iluminação e bebedouro Lixeiras, bancos, postes de iluminação, bicicletário Postes de iluminação, bancos, lixeiras, cobertura para sombreamento

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Natural

Tabela 8. Programa de necessidades Orla de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

9.

PROPOSTA PROJETUAL Como principais propostas urbanística e arquitetônica, foi abordada a questão da revisão

dos espaços ao longo da orla em relação à Av. Walkir Vergani, bem como novos mobiliários urbanos e criação de ciclovia e ciclo faixa em outros trechos. Também, a criação do novo edifício das Oficinas Culturais que está situado à beira da avenida anteriormente citada. No primeiro croqui é possível observar ideias fundamentais para o melhor funcionamento da orla, como o aumento das calçadas, criação de faixas para parada de ônibus, novas faixas de pedestres em locais estratégicos e ciclovia ao longo da orla e da avenida.


59

Figura 106. Estudo do Urbanismo da Orla de Boiçucanga. Fonte: Do autor, 2019.

Já no segundo croqui, são ressaltadas questões relacionadas à criação de ciclo faixa de mão única em cada lado da avenida Walkir Vergani, aumento das calçadas e substituição dos muros de concreto por grades, de forma que interfira minimamente na paisagem da praia.

Figura 107. Estudo do Urbanismo na região das Oficinas Culturais. Fonte: Do autor, 2019.


60

CONSIDERAÇÕES FINAIS Para os problemas urbanísticos apresentados, as soluções envolvem: criação de novas faixas de pedestres para maior segurança e comodidade; criação de ciclovias ou ciclo faixas (à depender do trecho) para estimular o uso de meios de transporte não poluentes; aumento das calçadas com os devidos recuos das construções ao longo da orla; criação de novos desenhos de mobiliário urbano para serem implantados na avenida e na Praça Pôr do Sol; revitalização da Praça Pôr do Sol, com o intuito de resgatar o espaço de lazer, eventos, contemplação e práticas esportivas; criação de base de Corpo de Bombeiros ou Salva-vidas, para segurança dos frequentadores da praia de Boiçucanga; criação de banheiros públicos e fraldários e demais adequações. Para a resolução arquitetônica, fora idealizado a criação do novo edifício das antigas Oficinas Culturais que, antigamente, eram situadas na Praça Pôr do Sol. Este novo edifício recebe salas de aula, salas de reunião, salas administrativas, refeitório, lanchonete, playground, brinquedoteca e estacionamento. Com isto, os moradores locais terão acesso à cultura e educação através dos cursos que lá poderão ser lecionados. A orla da praia de Boiçucanga possui grande potencial turístico e de proporcionar qualidade de vida aos usuários, porém todas as modificações são necessárias para que funcione de forma correta e evite novos avanços indevidos em direção à zona da praia.


61

REFERÊNCIAS ARCHDAILY. Praça do Migrante / Taller DIEZ 05. ArchDaily. 2019. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/919357/praca-do-migrante-taller-diez05?ad_source=search&ad_medium=search_result_all>. Acesso em: 14 out. 2019. ARCHDAILY. Urbanização da Orla Prefeito Luiz Paulo Conde - Boulevard Olímpico. ArchDaily. 2017. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/806633/urbanizacao-daorla-prefeito-luiz-paulo-conde-boulevard-olimpico-b-plus-abr-backheuser-e-rieraarquitetura?ad_medium=gallery>. Acesso em: 16 out. 2019. BELLEI, Maria. Processo de Urbanização. DireitoNet. Nov. 2001. Disponível em: <https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/496/Processo-de-urbanizacao>. Acesso em: 10 out. 2019. BRASIL. ABNT NBR 9050. Norma Brasileira. Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2004. Disponível em: <http://www.turismo.gov.br/sites/default/turismo/o_ministerio/publicacoes/downloads_public acoes/NBR9050.pdf>. Acesso em: 16 out. 2019. BRUMES, Karla Rosário. Cidades: (re) definindo seus papéis ao longo da história. Caminhos de Geografia. p. 48 e 52, mar. 2001. Disponível em: <http://www.seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/view/15260/8561>. Acesso em: 23 out. 2019. EDUCABRAS. História das Cidades – Evolução das Cidades. EducaBras. 2018. Disponível em: <https://www.educabras.com/ensino_medio/materia/geografia/urbanizacao/aulas/historia_das _cidades_evolucao_das_cidades>. Acesso em: 9 out. 2019. EDUCAÇÃO UOL. Cidades - História e problemas da urbanização. Educação Uol. 2019. Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/cidades-historia-eproblemas-da-urbanizacao.htm>. Acesso em: 13 out. 2019. GOBBI, Leonardo Delfim. Urbanização Brasileira. Educação Globo. 2015. Disponível em: <http://educacao.globo.com/geografia/assunto/urbanizacao/urbanizacao-brasileira.html>. Acesso em: 9 out. 2019. HENRIQUE, Jonas. Como surgiram as primeiras cidades?. Jonas Henrique Lima. Jul. 2011. Disponível em: <https://jonashenriquelima.wordpress.com/2011/07/06/como_surgiram_as_primeiras_cidades />. Acesso em: 10 out. 2019. IBGE. Taxa de Urbanização. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: <https://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?vcodigo=POP122>. Acesso em: 10 out. 2019. PINHAL, Paulo. O que é urbanismo?. Colégio de Arquitetos. Fev. 2009. Disponível em: <http://www.colegiodearquitetos.com.br/dicionario/2009/02/o-que-e-urbanismo/>. Acesso em: 9 out. 2019.


62 PINTO, Tales dos Santos. Evolução das cidades. Brasil Escola. Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/historia/evolucao-das-cidades.htm>. Acesso em: 9 out. 2019. RIBEIRO, Débora. Significado de reurbanização. Dicio, Dicionário Online de Português. Abril 2017. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/reurbanizacao/>. Acesso em 23 out. 2019. SÃO PAULO (Estado). INSTRUÇÃO TÉCNICA Nº 10/2019 Controle de materiais de acabamento e de revestimento. Disponível em: <http://www.ccb.policiamilitar.sp.gov.br/dsci_publicacoes2/_lib/file/doc/IT-10-2019.pdf>. Acesso em: 16 out. 2019. SÃO PAULO (Estado). INSTRUÇÃO TÉCNICA Nº. 11/2019 Saídas de emergência. Disponível em: <http://www.ccb.policiamilitar.sp.gov.br/dsci_publicacoes2/_lib/file/doc/IT11-2019.pdf>. Acesso em: 16 out. 2019. SÃO PAULO (Estado). INSTRUÇÃO TÉCNICA Nº 08/2019. Segurança estrutural contra incêndio. Disponível em: <http://www.ccb.policiamilitar.sp.gov.br/dsci_publicacoes2/_lib/file/doc/IT-08-2019.pdf>. Acesso em: 16 out. 2019. SÃO PAULO (Estado). INSTRUÇÃO TÉCNICA Nº 09/2019 Compartimentação horizontal e compartimentação vertical. Disponível em: <http://www.ccb.policiamilitar.sp.gov.br/dsci_publicacoes2/_lib/file/doc/IT-09-2019.pdf>. Acesso em: 16 out. 2019. SÃO SEBASTIAO. História da cidade de São Sebastião – SP. São Sebastião. 2014. Disponível em: <https://www.saosebastiao.tur.br/historia.html>. Acesso em: 15 out. 2019 SILVA, Daniel Neves. Cidade Medieval. História do Mundo. 2017. Disponível em: <https://www.historiadomundo.com.br/idade-media/cidade-medieval.htm>. Acesso em: 13 out. 2019. SIMON, Gilberto. Obras de Revitalização da orla começam nesta terça-feira. Porto Imagem, Porto Alegre, Rio Grande do Sul. 05 de Outubro de 2015. Disponível em: <https://portoimagem.wordpress.com/2015/10/05/obras-de-revitalizacao-da-orla-comecamnesta-terca-feira/>. Último acesso em: 03 de abril de 2019. SIMON, Gilberto. Orla: aprovado estudo da primeira etapa de revitalização. Porto Imagem, Porto Alegre, Rio Grande do Sul. 20 de Março de 2012. Disponível em: <https://portoimagem.wordpress.com/2012/03/20/orla-aprovado-estudo-da-primeira-etapa-derevitalizacao/>. Último acesso em: 03 de abril de 2019. SIMON, Gilberto. Um show de imagens: veja as obras do Parque da Orla. Porto Imagem, Porto Alegre, Rio Grande do Sul. 19 de Setembro de 2017. Disponível em: <https://portoimagem.wordpress.com/2017/09/19/um-show-de-imagens-veja-as-obras-doparque-da-orla/comment-page-2/>. Último acesso em: 03 de abril de 2019.


63 SÓ GEOGRAFIA. Urbanização. Só Geografia. 2007. Disponível em: <https://www.sogeografia.com.br/Conteudos/GeografiaHumana/Urbanizacao/urbanizacao.ph p>. Acesso em: 10 out. 2019.

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