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Descubra os Vinhos do Alentejo ÚNICOS POR NATUREZA


Textos de Rui Falcão / Fotografias de Nuno Luis (capa, contra capa, pág. 7, 9, 10, 23, 29, 34 e 35), Tiago Caravana (todas as fotos de castas), Pedro Moreira (pág. 11, 20 e 21, 32, 34) / Desenho gráfico de Duas Folhas / Agradecimentos – Casa do Azeite, Essência do Vinho / Propriedade: CVRA - Comissão Vitivinícola Regional Alentejana


A Região dos Vinhos do

ALENTEJO Há algo de profundamente retemperador e libertador na paisagem alentejana, no espaço sem fim, na imensidão das planícies ondulantes, no céu amplo e de um azul imaculado, na linha de horizonte infinito. A paisagem discorre suave por entre a vinha e os campos de cereais, pintada ora de um verde intenso no final do Inverno, ora cor de palha no final da Primavera, ora ocre no calor dos meses de Verão.

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HISTÓRIA concisa

Existe uma associação directa entre o Alentejo e o vinho que se traduz na presença milenar da vinha por estas paragens, uma presença ininterrupta ao longo do tempo que proporcionou uma história rica, extensa e mal conhecida. Uma história complicada e prolongada que alternou sucessivamente entre períodos de bonança e tempestade, entre a pujança e o declínio, onde aos largos períodos de incertezas se seguiram ciclos iluministas e vanguardistas. Os testemunhos do passado são evidentes nos indícios arqueológicos presentes um pouco por todo o Alentejo, evidências materiais da presença ininterrupta da cultura do vinho e da vinha na paisagem alentejana. Não se sabe com exactidão quando e quem terá introduzido a cultura da vinha no Alentejo, mas sabe-se que quando os romanos aportaram ao sul de Portugal, ao território que é hoje o Alentejo, a cultura do vinho e da vinha já faziam parte da rotina das populações locais. Presume-se que os primeiros a domesticar a vinha e a introduzir os princípios da vinificação no Alentejo tenham sido os tartessos, civilização herdeira da impressionante cultura megalítica andaluza, logo seguidos pelos fenícios, civilização sustentada no comércio marítimo. Com o passar do tempo os gregos, cuja presença é bem evidente nas centenas de ânforas catalogadas nos achados arqueológicos do sul de Portugal, sucederam aos fenícios na exploração dos vinhos alentejanos, elevando a cultura da vinha no Alentejo aos seus primeiros dois séculos de história. A existência e perseverança de uma cultura da vinha desde os tempos da antiguidade clássica, permite presumir que as primeiras variedades introduzidas em Portugal terão sido introduzidas no Alentejo, a partir das variedades mediterrânicas. Mas foram os romanos que generalizaram a cultura do vinho e da vinha no Alentejo. A influência romana foi tão decisiva para o desenvolvimento da viticultura alentejana que ainda hoje, mais de 2.000 anos passados, as marcas da civilização continuam a estar patentes nas tarefas do dia-a-dia. Uma influência que pode ser observada através do uso de algumas ferramentas agrícolas, como o Podão, mas sobretudo na técnica de fermentação em talhas de barro, prática que a civilização romana difundiu por todos os seus territórios, mas que só o Alentejo conservou de forma ininterrupta. Talhas de barro usadas para a fermentação de mostos e posterior armazenagem de vinho que ainda hoje são prática corrente, parte integrante da afirmação cultural do Alentejo. Talhas de barro de volumes variados, chegando por vezes ao extremo de suportar mais de 2.000 litros de mosto, com pesos próximos da tonelada e uma altura de quase dois metros. Talhas de barro que por serem porosas obrigavam a uma impermeabilização com pês, uma resina natural de pinheiro. No início do século VIII, com a invasão muçulmana e subsequente islamização da Península Ibérica, a vinha foi sendo gradualmente abandonada. A longa reconquista da Península Ibérica, iniciada de Norte para Sul, com escaramuças permanentes entre cristãos e muçulmanos, manteve a cultura da vinha quase ausente dos territórios mais a sul. Foi só após a fundação do reino lusitano, com a consagração do poder real e das novas ordens religiosas, que a cultura do vinho regressou em força ao Alentejo. Poucos séculos mais tarde, no século XVI, a vinha florescia como nunca no Alentejo,

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materializada nos famosos vinhos de Évora, nos vinhos de Peramanca, bem como nos brancos de Beja e nos palhetes do Alvito, Viana e Vila de Frades. Durante o século XVII os vinhos do Alentejo, a par da Beira e da Estremadura, eram os vinhos de maior fama e prestígio em Portugal. Até que a crise provocada pela guerra da independência veio prejudicar os vinhos do Alentejo. Mas foi a criação pelo Marquês de Pombal da Real Companhia Geral de Agricultura dos Vinhos do Douro, instituída em defesa dos vinhos do Douro que obrigou ao arranque coercivo de vinhas em muitas regiões, Alentejo incluído, que promoveu a segunda grande crise do vinho alentejano, mergulhando o vinho alentejano nas trevas. Uma crise prolongada que só foi inteiramente debelada em pleno século XIX, através da campanha de desbravamento da charneca e fixação à terra de novas gerações de agricultores. Foi então que nasceu uma nova época dourada para o vinho alentejano. O entusiasmo despertou quando se soube que um vinho branco da Vidigueira, da Quinta das Relíquias, apresentado pelo Conde da Ribeira Brava, ganhou a grande medalha de honra na Exposição de Berlim de 1888, a maior distinção do certame,

tendo sido igualmente apreciados e valorizados os vinhos de Évora, Borba, Redondo e Reguengos. Poucos anos mais tarde, em 1895, nasceu a primeira Adega Social de Portugal, em Viana do Alentejo. Um período de glória que viria a terminar abruptamente com a praga da filoxera, com a primeira das duas grandes guerras mundiais, com as crises económicas sucessivas, e com a campanha cerealífera do estado novo que destinou o Alentejo para a cultura de trigo e outros cereais, segundo o grande propósito de transformar a região no “celeiro de Portugal”. A vinha foi desterrada para os terrenos marginais em redor de montes, obrigada a desaparecer enquanto empreendimento empresarial. No final da década de quarenta, sob o patrocínio da Junta Nacional do Vinho, a viticultura alentejana ganhou a primeira oportunidade de recobro, ainda que de forma hesitante. Associando várias instituições ligadas ao sector e tirando proveito das sinergias criadas, o Alentejo estabeleceu um espírito de cooperação e entreajuda entre os diversos agentes, característica que ainda hoje continua a ser uma das imagens de marca dos vinhos alentejanos. Com a criação do PROVA (Projecto de Viticultura do Alentejo), em 1977, foram criadas condições técnicas para a implementação de um estatuto de qualidade no Alentejo, enquanto a ATEVA (Associação Técnica dos Viticultores do Alentejo), fundada em 1983, foi criada para promover a cultura da vinha nas diferentes regiões do Alentejo. Em 1988 regulamentaram-se as primeiras denominações de origem alentejanas, tendo sido aprovada em 1989 a criação da CVRA (Comissão Vitivinícola Regional Alentejana) que garante a certificação e regulamentação dos vinhos alentejanos.

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* DENOMINAÇÃO DE ORIGEM CONTROLADA

DOC

Alentejo (1) Borba (2) Évora (3) Granja-Amareleja (4) Moura (5) Portalegre (6) Redondo (7) Reguengos (8) Vidigueira O perfil dos sobreiros e azinheiras marca a linha do horizonte, traços de identidade da região que ocupa mais de um terço da área do território continental. A planície característica do Alentejo e a correspondente falta de barreiras orográficas impedem a condensação da humidade vinda do mar, negando uma influência atlântica mais marcada ao Alentejo. Mas são precisamente os poucos acidentes orográficos da paisagem alentejana que regulam e individualizam as diferentes sub-regiões, proporcionando condições singulares para a cultura da vinha em toda a região. Em comum, os vinhos alentejanos oferecem um prazer sem fim, com vinhos cheios e de forte exuberância aromática, redondos e suaves, com uma capacidade única para serem bebidos cedo, sabendo envelhecer com distinção.

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EUROPA

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VINHO REGIONAL ALENTEJANO

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As 8 sub-regiões do DOC Alentejo

1 - BORBA Borba é a segunda maior sub-região do Alentejo, estendendo-se entre o eixo que une Estremoz a Terrugem, alargando-se a Orada, Vila Viçosa, Rio de Moinhos e Alandroal, terras pontuadas por depósitos colossais de mármore que marcam de forma indelével a viticultura e o carácter dos vinhos da sub-região. As manchas alargadas de solos de xisto vermelho, distribuídas de forma heterogénea pelas terras pobres e austeras de Borba, são a principal alternativa ao mármore. Borba possui um microclima especial que lhe assegura índices de pluviosidade levemente superiores à média, bem como níveis de insolação ligeiramente inferiores à média alentejana, proporcionando vinhos especialmente frescos e elegantes.

Os solos são pobres, forrados a barro e xisto, proporcionando rendimentos muito baixos, condicionados pela falta de água, pelo baixo índice de matéria orgânica e pela superficialidade da cobertura vegetal. É uma zona de extremos que dá origem a vinhos de carácter vincado. Os Verões muito quentes e secos implicam maturações precoces, acomodando vinhos quentes e suaves, de grau alcoólico elevado. A casta Moreto, uma das variedades mais características da sub-região, adaptou-se especialmente bem a esta sub-região. 4 - MOURA O clima revela uma forte influência continental, com fortes amplitudes térmicas que causam Invernos frios e rigorosos e Verões tórridos, secos e prolongados. Os solos são muito pobres, onde o barro e o calcário dominam a paisagem, com solos pouco profundos, duros e inclementes para a vinha mas com boa capacidade de retenção de água. A casta Castelão domina a paisagem, mostrando uma adaptação perfeita aos rigores de um clima tão extremado. Os vinhos de Moura apresentam um perfil quente e macio, com graduações alcoólicas consequentes.

2 - ÉVORA No final do século XIX, Évora era uma das regiões de maior prestígio nacional, tendo sido reconhecida como uma das sub-regiões mais vistosas e admiradas do Alentejo, berço de muitos dos vinhos mais cobiçados da região. Foi preciso esperar até ao final da década de oitenta do século passado para assistir ao renascimento de Évora, capital do Alentejo central. A paisagem é dominada pelos solos pardos mediterrânicos, numa paisagem quente e seca que é berço de alguns dos vinhos mais prestigiados do Alentejo.

5 - PORTALEGRE Portalegre é a sub-região que mais se diferencia pela originalidade e condição. Em Portalegre quase tudo é original, desde os solos às vinhas, da altitude à idade média das vinhas. Dispostas maioritariamente nos contrafortes da Serra de S. Mamede, em fragas cujos picos chegam a transpor os mil metros de altitude, as vinhas beneficiam do clima moderado

3 - GRANJA-AMARELEJA Alonga-se com a fronteira espanhola, disposta em redor da vila de Mourão. É aqui que subsiste um dos climas mais áridos e inclementes de Portugal.

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pela altitude, mais fresco e húmido que o habitual, proporcionando vinhos frescos e elegantes. Os solos de origem predominantemente granítica convivem, nas cotas mais baixas, com pequenas manchas de xisto. Nas vinhas da serra a propriedade encontra-se muito fragmentada, dividida em inúmeras vinhas velhas, com idades que chegam a ultrapassar os setenta anos. A casta Grand Noir tem feito parte do encepamento tradicional de Portalegre.

a paisagem. Os solos xistosos e o clima profundamente continental, com Invernos frios e Verões quentes, condicionam a viticultura, oferecendo vinhos encorpados e poderosos, com boa capacidade de envelhecimento. Apesar da dimensão, Reguengos é uma das sub-regiões onde a propriedade se encontra mais fragmentada, onde a área média de vinha é das mais reduzidas para as referências tradicionais alentejanas. Na sub-região de Reguengos subsistem algumas das vinhas mais velhas do Alentejo.

6 - REDONDO A Serra da Ossa, um das maiores serras do Alentejo, eleva-se a cerca de 600 metros de altitude, dominando e delimitando a sub-região do Redondo, protegendo a vinha a Norte e Nascente, proporcionando Invernos frios e secos compensados por Verões quentes e ensolarados. Os solos, apesar de heterogéneos, privilegiam os afloramentos graníticos e xistosos, dispostos em encostas suaves com predominância na exposição a Sul. É uma das sub-regiões mais consistentes graças à protecção que a Serra da Ossa proporciona.

8 - VIDIGUEIRA A falha da Vidigueira que marca a divisória entre o Alto e o Baixo Alentejo, determina a razão de ser da Vidigueira, a sub-região alentejana situada mais a Sul. As escarpas da falha, de orientação Este-Oeste, condicionam o clima da Vidigueira convertendo-a, apesar da localização tão a Sul, numa das sub-regiões de clima mais suave do Alentejo. Os solos são pouco produtivos, predominantemente de origem granítica e xistosa. A Vidigueira alberga a Tinta Grossa, uma das variedades mais misteriosas do Alentejo que alguns apontam como heterónimo para a casta Tinta Barroca. Apesar da localização tão a Sul, a Vidigueira foi durante anos palco privilegiado para os vinhos brancos alentejanos, graças ao clima temperado da sub-região.

7 - REGUENGOS É a maior das sub-regiões do Alentejo, assente em terrenos pobres e pedregosos, repleta de afloramentos rochosos que marcam de forma dramática

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* INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

VINHO

Regional Alentejano O território alentejano encontra-se administrativamente dividido em três distritos, Beja, Évora e Portalegre que, juntos, preenchem as fronteiras naturais do Vinho Regional Alentejano. Apesar de existirem diferenças regionais vincadas, apesar da multiplicidade de castas nos encepamentos, apesar da heterogeneidade de solos que caracterizam o Alentejo, com afloramentos dispersos de barros, xisto, granito, calhau rolado, calcários e argilas, existem traços comuns nos vinhos da grande planície alentejana. Entre outros a fruta farta e sedutora, a suavidade dos vinhos, o corpo cheio e entroncado, e, sobretudo, a consistência tradicional alentejana que se mantém colheita após colheita. Vinho Regional Alentejano que, por estar sujeito a regras mais liberais e conceder maior autonomia na escolha das castas, com a presença de algumas variedades não tradicionais em comunhão com as castas tradicionais alentejanas, acolheu, para além dos produtores cujas vinhas se situam fora das oito sub-regiões com direito a denominação de origem, um conjunto elevado de produtores clássicos. Condições que justificam o dinamismo invejável, a consistência e a qualidade ímpar a que os Vinhos Regionais Alentejanos nos habituaram.

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A vinha e as Castas

A videira é uma planta trepadeira com um ciclo de vida relativamente longo. Cada variedade natural, cada casta, apresenta folhagem própria, com cachos distintos no tamanho e na forma, oferecendo sabores diferenciados que dão origem a mostos únicos e, necessariamente, a vinhos com perfis, sabores e aromas distintos. Embora os vinhos raramente cheirem ou saibam exclusivamente a uvas, as castas de que cada vinho é feito, em versão de uma só casta ou em lote, constituem a principal influência no estilo e carácter de cada vinho. Existem mais de 4.000 variedades de uvas catalogadas em todo o mundo. Portugal apresenta-se como o segundo país do mundo com maior número de castas indígenas, variedades únicas e exclusivas, inexistentes em qualquer outra parte do mundo. No Alentejo, para além das muitas castas autóctones que imprimem um forte carácter regional, variedades perfeitamente adaptadas à geografia e às condicionantes da paisagem alentejana, primam outras variedades forâneas de introdução relativamente recente, castas de valor reconhecido que reforçam a liderança vitivinícola do Alentejo.

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CASTAS Tintas ALFROCHEIRO A sua fraca variabilidade genética sugere uma casta recente ou de introdução recente em Portugal. Não se lhe conhece parentesco estrangeiro ou origens nacionais, apesar de em tempos ter sido conhecida pela designação “Tinta Francesa de Viseu”. Encontrou o seu território natural no Dão, embora se assista a uma crescente popularidade da casta a sul, numa migração natural para as paragens alentejanas. É uma casta fértil e fecunda, produzindo vinhos ricos em cor, com um equilíbrio notável entre álcool, taninos e acidez. E é essa incrível capacidade para reter uma acidez natural elevada, aliada à riqueza em açúcares, que a tornam tão atraente no Alentejo. Rica em matéria corante, a casta é frequentemente qualificada como Alfrocheiro Preto. Infelizmente é também uma variedade atreita a doenças, sobretudo oídio, podridão cinzenta e escariose, o que poderá ajudar a explicar a relativa baixa popularidade. Aromaticamente sobressaem os aromas de bagas silvestres, com destaque particular para a amora e o morango selvagem maduro. Dá corpo a vinhos de taninos firmes mas delicados, finos e estruturantes. É um apoio fundamental e decisivo nos vinhos de lote.

colectivo alentejano que hoje é assumida como tal. Na verdade é uma variedade apátrida, nascida do cruzamento entre as castas Petit Bouschet e Grenache. É uma das raras variedades tintureiras, proporcionando vinhos intensos e carregados de cor, característica que deu origem a uma das sinonímias não oficiais pela qual é conhecida - “Tinta de Escrever”. Em Portugal o seu poiso natural sempre foi o Alentejo. Entre os seus múltiplos atributos, surgem descritivos como estrutura, firmeza, taninos… e muita cor. Só raramente é engarrafada sozinha, reforçando a ideia de casta rústica e estruturante, que pode dar origem a vinhos voluntariosos e extraordinários. Perfeita nos vinhos de lote, acrescenta cor, vigor e volume, como tantos vinhos alentejanos o podem comprovar. Entre os seus descritivos aromáticos principais constam os frutos silvestres, cacau, azeitona e notas vegetais. É, seguramente, a casta estrangeira mais portuguesa de Portugal.

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ARAGONEZ É a casta ibérica por excelência, uma das poucas a ser plantada e valorizada nos dois lados da fronteira. Na Rioja, o berço mais provável da variedade, é conhecida pelo nome Tempranillo. Em Portugal, para além do nome Aragonez, é igualmente conhecida pelas designações Tinta Roriz no Dão e Douro, e Abundante na Estremadura. Poucas variedades serão tão expressivas e directas na designação como a casta Aragonez. Na Rioja, (3)

ALICANTE BOUSCHET Apesar de formalmente não poder ser considerada uma casta portuguesa, a Alicante Bouschet está tão enraizada no património (2)

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tendência para vinhos de acidez relativamente baixa, agradece a companhia de outras castas alentejanas, sendo regularmente lotada com as variedades Trincadeira e Alicante Bouschet.

alcunharam-na como Tempranillo por ser uma casta temporã (temprana), que amadurece cedo, antes das chuvas outonais de Setembro, escapando às primeiras chuvas do equinócio. Na Estremadura deram-lhe o nome de Abundante por ser uma variedade muito produtiva, vigorosa e proveitosa. É uma casta de ciclo curto, de abrolhamento tardio, o que a protege das geadas primaveris. Em climas quentes e secos e em solos arenosos ou argilo-calcáreos dá corpo a vinhos que combinam de forma feliz elegância e vigor, fruta e especiarias, num registo alegre mas profundo. Por revelar

CABERNET SAUVIGNON Conhecida como a mais internacional de todas as castas francesas, com presença assegurada em todos os países vinícolas, o Cabernet Sauvignon conseguiu encontrar um espaço e um estilo especiais no Alentejo, naquela que é uma das raras regiões nacionais onde a variedade consegue amadurecer com plenitude. (4)

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CASTAS Tintas

SYRAH A Syrah é a variedade estrangeira que melhor se adaptou aos vários climas alentejanos, ajustando-se facilmente aos calores de Verão, às infindáveis horas de insolação e à severidade das temperaturas estivais. Nos solos quentes e pobres do Alentejo, a casta Syrah presta-se a uma aproximação típica do novo mundo, por vezes consagrando vinhos enormes na dimensão e entrega, frutados, apimentados, de corpo avantajado e robusto, por vezes poderosos e quentes, usualmente especiados. Vinhos temporões na maturação, abordáveis desde muito cedo, macios e convidativos, por vezes com elevado potencial de guarda. Raramente é vista sozinha, participando minoritariamente nos lotes de muitos dos vinhos mais emblemáticos do Alentejo.

A casta Cabernet Sauvignon é aquilo que se pode citar como uma variedade melhorante, de cor carregada e pele grossa, capaz de apimentar os lotes, dando corpo e consistência a vinhos bem compostos e perfumados, frutados e especiados. No Alentejo raramente é engarrafada sozinha, estando presente em lotes de vinhos regionais alentejanos como casta estruturante, embora quase sempre em minoria. Apreciada pela sua versatilidade, resistência e aprumo, consegue produzir vinhos que envelhecem com garbo e segurança.

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CASTELÃO Também conhecido como Periquita, o Castelão é igualmente popular sob os nomes João Santarém, Trincadeira (ou Trincadeiro) e Tinta Merousa, no Douro. Apesar das afinidades fonéticas a casta Castelão não tem qualquer relação de parentesco com a casta Castelão Nacional, igualmente conhecida como Camarate. Durante décadas foi a casta tinta mais plantada em Portugal, e também no Alentejo, recomendada na quase totalidade das oito sub-regiões alentejanas. No entanto encontra-se hoje em franca regressão, sendo regularmente preterida nas novas plantações e arrancada ou re-enxertada nas poucas vinhas velhas onde subsiste. Em vinhas maduras e de baixa produtividade, devidamente controladas, o Castelão pode dar azo a vinhos estruturados, frutados, com uma ênfase especial na groselha, ameixa em calda, frutos silvestres e notas de caça. A acidez costuma ser assertiva, com taninos proeminentes, proporcionando um carácter rústico e por vezes agressivo, de que o Castelão nem sempre consegue descolar. Os bons vinhos prometem capacidade de envelhecimento. (5)

TOURIGA NACIONAL Casta do norte de Portugal que floresceu durante gerações nas regiões do Dão e Douro, até à invasão da filoxera. Num ápice passou de casta principal a casta maldita por produzir pouco e desavinhar com frequência. Os ensaios de recuperação e selecção dos melhores clones da Touriga Nacional voltaram a elevá-la ao estatuto de estrela incontestável da viticultura nacional. Hoje é a variedade nacional mais elogiada, dentro e fora de fronteiras, tendo conquistando o seu espaço em todo o território nacional. Dão e Douro reclamam para si a paternidade da casta Touriga Nacional, que assume igualmente as sinonímias Preto Mortágua, Mortágua, Tourigo Antigo e Tourigo. A película grossa ajuda a obter cores densas e profundas, mas é a profundidade dos aromas primários que mais identifica e valoriza a casta. Por vezes surge floral, por vezes frutada, por vezes citrina, mas sempre intensa e explosiva. (7)

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Funciona melhor em lote que sozinha, aportando uma riqueza aromática inconfundível.

O cacho compacto é suscetível à podridão, preferindo solos mais pobres e climas secos e quentes. A Trincadeira é uma das variedades melhor adaptadas à secura do Alentejo. Dá corpo a vinhos aromáticos e frutados, tendencialmente florais, por vezes com apontamentos vegetais quando a maturação é deficiente. Entre as suas distintivas e conveniências conta-se a elevada acidez natural, característica desejada nas terras quentes do Alentejo. A Trincadeira surge tradicionalmente associada à casta Aragonez, formando um dos lotes mais complementares e felizes do Alentejo. Apesar de difícil e temperamental, é uma casta indispensável no Alentejo.

TRINCADEIRA A Trincadeira adota diversos nomes ao longo do território continental, podendo ser conhecida como Trincadeira Preta, Tinta Amarela, Espadeiro, Crato Preto, Preto Martinho, Mortágua e Rabo de Ovelha Tinto. É uma variedade algo temperamental, de amores e ódios, encontrando-se especialmente adaptada às regiões mais quentes do país. Por ser muito vigorosa necessita de refreio e cuidados no controle da produção. Apesar de irregulares e imprevisíveis os rendimentos são tendencialmente elevados. (8)

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CASTAS Brancas ANTÃO VAZ A Antão Vaz é uma casta alentejana, expressando-se com maior primor na Vidigueira e Évora, sendo uma variedade reputada como especialmente complexa e aromática, afirmando-se como uma das estrelas do Alentejo. É uma variedade consensual e querida por viticultores e enólogos, o ex-libris das castas brancas alentejanas. A Antão Vaz encontra-se particularmente bem adaptada ao clima quente e soalheiro da grande planície, manifestando uma especial resistência à seca e às doenças da vinha. É uma casta produtiva, consistente e fiável, amadurecendo de forma homogénea. Dá corpo a vinhos perfumados, estruturados, firmes e encorpados, embora em condições adversas de calor extremo se lhe reconheça alguma falta de acidez. Por isso é tantas vezes lotada com as castas Roupeiro e Arinto, garantes de uma acidez natural mais aguçada. Se vindimada cedo dá origem a vinhos vibrantes na acidez, exóticos no aroma e firmes na boca. Quando vindimada mais tarde, numa fase mais madura, pode atingir graus alcoólicos elevados, aliado a aromas perfumados, o que a transforma numa candidata exemplar para o estágio em barricas de madeira nova. Engarrafada em extreme, a Antão Vaz exibe aromas arrebatados de fruta tropical madura, casca de tangerina e discretas sugestões minerais.

ARINTO Graças à sua versatilidade a casta Arinto está hoje espalhada por todo o território nacional, assumindo diferentes sinonímias ao longo do país, com nomes tão díspares quanto Pedernã, Pé de Perdiz Branco, Chapeludo, Cerceal, Azal Espanhol, Azal Galego e Branco Espanhol. Dá azo a vinhos tensos e vibrantes, de elevada acidez natural e perfil mineral, vinhos frescos e com bom potencial de guarda. A acidez inflexível é seu cartão-de-visita, o que lhe concedeu o título de casta melhorante no Alentejo. No Alentejo a sua presença é determinante pelo acréscimo de frescura e acidez aos brancos da região. Embora aromaticamente discreta, sem qualquer tipo de pretensões de exuberância ou intensidade, privilegia os aromas de maçã verde, lima e limão, acompanhados por um carácter vegetal e uma mineralidade que pode chegar a ser pungente. Sob circunstâncias muito particulares pode adquirir um carácter tropical, recordado o exotismo do maracujá. As macerações e fermentações prolongadas a baixa temperatura assentam-lhe bem, tal como a fermentação em madeira.

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FERNÃO PIRES A Fernão Pires continua a ser a casta branca mais plantada em Portugal. Ocupa uma mancha regular e uniforme ao longo de todo o país, ganhando progressivamente espaço e dimensão (3)

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eloquentes no encanto perfumado. Por vezes os vinhos resultantes têm propensão para oxidar precocemente, com uma acidez baixa, dando origem a vinhos relativamente planos e pesados. Os vinhos de Fernão Pires devem ser consumidos tendencialmente enquanto jovens, enquanto apresentam notas fortes de lima, limão, erva limão, tília, manjerico, rosa, tangerina e laranjeira.

no Alentejo. É uma casta simultaneamente amada e malquerida, sem reunir consenso entre enólogos e viticultores, dividida entre os seus partidários que lhe enaltecem a tipicidade e vitalidade aromáticas, e os seus detractores que lhe apontam alguma simplicidade no palato. Porém, por ser generosa na produção, versátil, precoce na maturação e aromaticamente rica, a Fernão Pires continua a florescer e a marcar a paisagem dos vinhos brancos. A versatilidade extrema permite ser engarrafada sozinha ou em lote, era espumantizada ou ser aplicada a vinhos de colheita tardia. Os vinhos da casta Fernão Pires apresentam-se por regra, exuberantes nos aromas,

GOUVEIO Apesar de nortenha, a casta Gouveio encontra-se disseminada por todo o território continental. Durante anos foi confundida com a casta Verdelho, de aparência próxima, sinonímia que perdurou durante décadas. Desde o início (4)

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CASTAS Brancas

deste século a casta foi forçada a adoptar o nome Gouveio para evitar a confusão com o verdadeiro Verdelho, o Verdelho da Madeira. Para além do nome Gouveio a casta adopta ainda os nomes Gouveio Estimado, Gouveio Real, Gouveio Roxo (rosada) e Gouveio Preto (tinta). A presença de mutações rosadas e tintas indicia uma forte instabilidade e variabilidade genética. É uma casta produtiva, relativamente temporã, mediana nos rendimentos, sensível ao oídio e às chuvas tardias. Por ser uma casta naturalmente rica em ácidos, proporcionando vinhos frescos e vivos, a sua propagação ao Alentejo tem sido frutuosa e célere. Por regra dá origem a vinhos de graduação alcoólica rica e acidez firme, cremosos e encorpados, de aromas frescos e citrinos com notas de maçã, pêssego e anis. Habitualmente elegantes e glicéricos, os vinhos apresentam um elevado potencial de envelhecimento.

variabilidade genética que apresenta sugira ser uma casta antiga em terras lusas. A sua distribuição geográfica é peculiar, alongando-se numa faixa estreita ao longo do interior, junto à fronteira com Espanha. As sinonímias abundam incluindo nomes tão diversos com Síria, Alvadourão, Crato Branco, Malvasia Grossa, Códega, Alva e Dona Branca. Mas é sob o nome por que é conhecida no Alentejo, Roupeiro, que a casta é tradicionalmente identificada, continuando a ser a casta branca mais plantada no Alentejo. Nos anos 80 foi considerada como a casta branca mais representativa do Alentejo, a mais promissora e relevante para a região, recomendada para quase todas as sub-regiões. Por produzir muito, mas, também, pelos aromas primários entusiasmantes, pelas notas perfumadas e sedutoras de frutos citrinos, com muita laranja e limão, sugestões de pêssego, melão, loureiro e flores silvestres. No entanto há quem a reprove por perder a exuberância aromática inicial, volvendo-se neutra após alguns meses em garrafa.

ROUPEIRO É uma casta de extremos. Sabe-se pouco sobre as suas origens, embora a enorme (5)

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CASTAS TINTAS

A FOLHA

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1. Alfrocheiro 2. Alicante Bouschet 3. Aragonez 4. Cabernet Sauvignon 5. Castel達o 6. Syrah 7. Touriga Nacional 8. Trincadeira

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CASTAS BRANCAS A FOLHA

1. Ant達o Vaz 2. Arinto 3. Fern達o Pires 4. Gouveio 5. Roupeiro (1)

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VITICULTURA por estação

PRIMAVERA As vinhas começam a abrolhar depois de uma longa pausa de hibernação, ganhando vida para uma nova promessa de colheita. É tempo para lavrar e arejar as entrelinhas, para conduzir os novos rebentos nos arames, para sofrer com as primeiras promessas de geada. Na adega mantém-se o ciclo de administração e gestão dos vinhos em stock, mantendo as barricas atestadas e analisadas, finalizando engarrafamentos, definindo balizas e decidindo lotes.

OUTONO Tempo de vindima, de controlos de maturação, de rezas para que o tempo mude… ou não mude. Nas vinhas corta-se a uva, manualmente ou com vindimadoras mecânicas, e na adega ninguém dorme com a azáfama de receber muitos quilos de uva num curto espaço de tempo. As prensas entram em acção, as primeiras fermentações enchem a adega de aromas e mosquitos, a gestão das cubas transforma-se num puzzle de difícil resolução, e durante mais de um mês ninguém pára na adega.

VERÃO O tempo quente permitiu a floração, na estação em que a vinha se expande num ciclo apressado e em que os tratamentos à vinha ocupam grande parte do tempo e dos recursos disponíveis. A meio do Verão dá-se o pintor, quando as uvas começam a ganhar cor, definindo as primeiras indicações de uma data provável de vindima. Na adega chegou o tempo para despachar os engarrafamentos pendentes, para limpezas, para inventários e para a encomenda do necessário para a vindima que se aproxima.

INVERNO O Inverno é tempo de dormência para a videira, tempo de repouso para recuperar forças depois de um longo ciclo de produção. É tempo de poda, uma das operações mais importantes e cansativas do ano agrícola, tempo para condicionar a condução da vinha para o próximo ciclo. Na adega é tempo de manutenção dos vinhos guardados nas barricas, de atenção aos detalhes, tempo para efectuar trasfegas e passagens a limpo, bem como tempo para engarrafamentos.

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Contributo da

BIODIVERSIDADE para o equilíbrio da vinha

A preocupação com a biodiversidade e a sustentabilidade das práticas ambientais na vinha é parte integrante da cultura do vinho no Alentejo. Por beneficiar de um clima ameno e ensolarado, suavizado por noites frescas, por brisas secas e uma exposição solar excepcional, as vinhas alentejanas raramente necessitam de utilizar produtos de síntese agressivos, permitindo a coexistência de uma fauna e flora diversificadas. A paisagem é típica da floresta mediterrânica, com uma cobertura vegetal de sequeiro que surge pontuada pela omnipresença de sobreiros e azinheiras, complementando uma diversidade notável na vinha. Longe de se prender a uma casta ou a um clone, as vinhas do Alentejo variam de sub-região para sub-região, implantadas numa cultura de sequeiro que em algumas regiões necessita do apoio da rega para poder sobreviver nos primeiros anos. As condições climatéricas favoráveis e uma consciência ambiental elevada garantem que um elevado número de explorações tenha convertido a sua produção nos sistemas de protecção integrada e produção integrada, assistindo-se hoje a um fenómeno mais recente da certificação da produção em regime de agricultura orgânica, ao mesmo tempo que se vislumbram os primeiros movimentos no sentido de uma agricultura assente nos princípios da biodinâmica, protegendo os ecossistemas da região para as próximas gerações.

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ENOTURISMO As rotas do vinho têm sido a face mais visível da prática do enoturismo em Portugal, estando especialmente bem representadas no Alentejo. As rotas propostas, integram um total de 66 adegas inscritas que variam na oferta de serviços aos visitantes, desde uma simples visita às vinhas e à adega, até à marcação de provas de degustação, ao serviço de refeições ou mesmo à proposta de dormidas, com hotéis rurais que mostram o charme e a tranquilidade da paisagem alentejana. Os percursos debruçam-se sobre paisagens e realidades diferentes, cobrindo a rica diversidade do Alentejo vinícola. No distrito de Portalegre centram-se nos produtores e paisagem do norte alentejano, abraçando a paisagem austera da Serra de São Mamede, a elevação mais alta a sul do rio Tejo. No distrito de Évora, que inclui a cidade património da humanidade, os percursos percorrem as sub-regiões de Borba, Évora, Redondo e Reguengos, no coração do Alentejo vinhateiro. A sul, assente nos produtores do distrito de Beja, segue o seu percurso pelas sub-regiões da Granja-Amareleja, Moura e Vidigueira, dando a conhecer um Alentejo profundo e tranquilo.

Em todos eles poderá encontrar povoações carregadas de História, casas caiadas e uma sensação de paz e equilíbrio que sai ainda reforçada no momento de pausa em que as refeições são acompanhadas com o Vinho Alentejano.

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A gastronomia alentejana, uma das mais ricas e originais do país, estabelece a sua identidade no isolamento e pobreza da região, circunstâncias que sujeitaram ao uso criativo dos poucos recursos naturais disponíveis.

GASTRONOMIA Alentejana

Por isso a gastronomia alentejana está assente maioritariamente no uso directo e sazonal dos produtos da terra, incluindo na cozinha algumas espécies vegetais espontâneas como os espargos, as beldroegas, a hortelã da ribeira, o poejo e os coentros, a que se juntam o alho, os orégãos, o tomate, o grão-de-bico e os cereais. Cereais que estão na origem de uma das bases fundamentais da dieta alentejana, o pão, que em dueto com o azeite constituem a base das sopas alentejanas, imagem de marca da gastronomia popular da região. Para uma dieta alentejana completa não poderia faltar o borrego, indispensável em muitos dos pratos mais emblemáticos do Alentejo, bem como os rebanhos de ovelhas que se alimentam das pastagens naturais, de onde se extrai o leite com que se fabricam alguns dos queijos mais marcantes de Portugal, como os queijos de Serpa, Nisa e Évora. Mas é o porco de raça alentejana que mais facilmente se identifica com o Alentejo e a sua gastronomia, liberto em regime de pastoreio livre onde se alimenta de bolotas de azinho e

sobro que transmitem um sabor e consistência inigualáveis à carne. Sejam as plumas, os secretos, a carne de alguidar ou os produtos do fumeiro, os chouriços, paios, paiolas ou o famoso presunto pata negra. A lista de produtos DOP, com direito a Denominação de Origem Protegida não tem fim, alargando-se desde as ameixas de Elvas, aos azeites de Moura e do Alentejo Interior e Norte, as azeitonas de Elvas e Campo Maior, o borrego do Nordeste e Baixo Alentejo, o cabrito, chibo e cabra do Alentejo, a cacholeira branca de Portalegre, a carne alentejana, o porco alentejano, a castanha de Marvão Portalegre, a cereja de São Julião e um número quase infinito de outros produtos certificados com Denominação de Origem e Indicação Geográfica. Os doces conventuais e populares para rematar a refeição, com nomes tão fidalgos como bolo real do Convento do Paraíso de Évora, sopa real, manjar celeste ou a doçaria do Convento de Santa Clara, a par de nomes mais comuns como bolo podre, toucinho rançoso ou encharcada.

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VINHOS DO

ALENTEJO FACTOS E NÚMEROS Número de agentes económicos: Na maioria são negócios familiares com gestão directa dos seus membros. (263 produtores + 97 comerciantes)*

360 Área total de vinha: Aumentou significativamente nos últimos 25 anos, mas a cultura de vinho deixou vestigios arqueológicos que remontam há mais de 2.000 anos.

20.670

hectares

Área total de vinha aprovada para DOC Alentejo:

11.763

hectares

Área restante de vinha para Regional Alentejano (IG):

6.233

hectares

Produção média por hectare no Alentejo:

7.625

kg/ha

*Agentes Económicos que compram Vinho a produtores e engarrafam com o seu próprio rótulo.

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ÁREA DE VINHA APROVADA PARA PRODUÇÃO DE VINHO DOC ALENTEJO POR SUB-REGIÃO: Região

DOC Alentejo (Branco)

DOC Alentejo (Tinto)

IG Alentejano Borba

819,91

2.682,08

Évora

204,89

1.000,78

Granja-Amareleja

35,31

374,90

Moura

51,67

285,85

Portalegre

134,39

683,14

Redondo

411,95

1.563,33

Reguengos

710,70

3.165,88

Vidigueira

967,78

1.344,59

3.336,60

11.100,55

Total Total PDO and Total PGI

IG Alentejano (Branco)

IG Alentejano (Tinto)

1.445,64

4.787,53

1.445,64

4.787,53

14.437,15

6.233,17

Total

20.670,68

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PRODUÇÃO DE VINHOS DOC ALENTEJO E DE REGIONAL ALENTEJANO (EM LITROS) DOC Alentejo

Regional DOC Regional Alentejano Alentejo Alentejano (IG) - Espumante - Espumante

DOC Alentejo - Vinho Licoroso

Regional Alentejano - Vinho Licoroso

Total Produzido

2004 38.252.033

42.526.723

80.778.756

2005 33.505.515

34.256.003

20.500

48.600

67.830.618

2006 37.802.148

56.707.221

45.500

13.900

94.568.769

2007 36.435.392

55.856.448

39.500

51.550

92.382.890

2008 37.861.011

39.245.557

22.200

45.757

77.174.525

2009 35.525.912

44.212.360

47.250

32.500

79.818.022

2010 44.582.278

72.560.239

95.165

62.090

117.299.772

2011 41.246.330

54.871.843

55.215

14.500

29.820

96.217.708

2012 39.405.390

49.710.040

58.260

36.067

33.040

2.000

89.244.797

2013 46.161.523

59.467.426

80.085

34.814

43.235

5.800

105.792.883

2014 55.318.380

62.491.460

67.095

71.623

36.880

1.250

117.986.688

Em 2014 a produção do Alentejo foi de:

78,90% Tinto 19,70% Branco 1,40% Rosé Produção total de vinhos em Portugal (2014)

O Alentejo representou 23,5% da produção nacional de vinho certificado.

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Utilização das Castas nos Lotes de

VINHOS DO ALENTEJO PRODUTOS VÍNICOS AUTORIZADOS E CERTIFICADOS COMO DOC ALENTEJO E REGIONAL ALENTEJANO: • Vinho – branco, tinto e rosé; • Vinho Espumante – branco, tinto e rosé; • Vinho licoroso; • Aguardente bagaceira; • Aguardente vínica 1. DOC Alentejo – Rendimento máximo autorizado por Hectare: 8.500 Kg para vinho tinto – 10.000 Kg para vinho branco. Castas obrigatórias na elaboração de produtos vitivinícolas DOC Alentejo que devem representar isoladamente ou em conjunto, um mínimo de 75% do lote final: CASTAS TINTAS

CASTAS BRANCAS

Alfrocheiro

Castelão

Antão Vaz

Rabo-de-ovelha

Alicante Bouschet

Syrah

Arinto

Síria (Roupeiro)

Aragonez

Touriga Nacional

Fernão Pires

Tamarez

Cabernet Sauvignon

Trincadeira

Manteúdo

Trincadeira-das-Pratas

Perrum

Castas que podem ser utilizadas na elaboração de produtos vitivinícolas DOC Alentejo que devem representar isoladamente ou em conjunto, até um máximo de 25% do lote final. CASTAS TINTAS

CASTAS BRANCAS

Baga

Merlot

Tinta Barroca

Alicante Branco

Larião

Roussanne

Caladoc

Moreto

Tinta Caiada

Alvarinho

Malvasia Fina

Sauvignon

Carignan

Nero-d’Avola

Tinta Carvalha

Bical

Malvasia Rei (Assario) Sémillon

Cinsaut

Petit Verdot

Tinta Grossa

Chardonnay

Marsanne

Sercial

Corropio

Petite-Syrah

Tinta Miúda

Chasselas

Moscatel Graúdo

Tália

Grand Noir

Pinot Noir

Tinto Cão

Diagalves

Mourisco Branco

Verdelho

Grenache

Sangiovese

Touriga Franca

Encruzado

Petit-Manseng

Vermentino

Manteúdo Preto

Tannat

Zinfandel

Gewurztraminer

Pinot Gris

Viognier

Gouveio

Riesling

Viosinho

2. Vinho Regional Alentejano - Rendimento máximo autorizado por Hectare: 15.000 Kg para vinho tinto e branco. Vinho Regional Alentejano: Todas as castas autorizadas para elaboração de DOC Alentejo, podem ser utilizadas em qualquer percentagem na produção de Vinho Regional Alentejano.

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COMERCIALIZAÇÃO E EXPORTAÇÃO PRINCIPAIS MERCADOS DE EXPORTAÇÃO FORA DA UNIÃO EUROPEIA - 2014 (MILHARES DE LITROS)

ANGOLA 4.676

BRASIL 3.004

EUA 1.727

CHINA* 904

CANADÁ 720

SUÍÇA 653

OUTROS 1.400

*Inc. Macau e Hong Kong

MERCADO NACIONAL (Fonte ACNielsen, período de Janeiro a Dezembro 2014)

· Quota de Mercado em volume: 44,7% · Quota de Mercado em valor: 45,4% · O Alentejo é a região líder no mercado nacional, na categoria de vinhos engarrafados de qualidade com classificação DOC e IG. EXPORTAÇÕES PARA FORA DA UE · Em 2014 as exportações de Vinhos do Alentejo para fora da União Europeia representou cerca de 14% da produção total. · Os principais mercados de exportação são Angola, Brasil, EUA, Canadá, Suíça e China.

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A GARANTIA DA ORIGEM A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVR Alentejana) é um organismo de direito privado e utilidade pública que certifica produtos vínicos desde 1989. Está acreditada na norma NP EN 45011:2001, pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC) desde 2010 como organismo de certificação de produtos vínicos. Todos os produtores da região que pretendem utilizar a Denominação de Origem (DOC Alentejo) ou a Indicação Geográfica (Regional Alentejano) têm que  proceder à certificação de produtos vínicos na CVR Alentejana, podendo fazê-lo nas seguintes categorias de produto: vinho branco, tinto, e rosado ou rosé; vinho licoroso; vinho espumante de qualidade branco, tinto, e rosado ou rosé; aguardente bagaceira; aguardente vínica. O processo de certificação efetuado pela CVR Alentejana obedece a um esquema de certificação de acordo com o Guide I.S.O IEC_Guide 67_2004, que estabelece o cumprimento das seguintes etapas para todos os vinhos certificados da região:

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Processo de Certificação de um

VINHO NO ALENTEJO 1) Cadastro das vinhas Inclui a geo-referenciação da parcela da vinha, o número de pés de vinha e as castas constantes dessa mesma parcela. Com esta verificação técnica in loco é elaborado um registo informático.

2) A  nálise Fisico-Química e Sensorial Logo que o vinho se encontra finalizado e o produtor constitui os lotes, cada lote é objecto de uma avaliação fisico-química e sensorial. Trata-se de um processo de análises fisico-químicas efectuadas a 6 parâmetros que atestam características importantes dos vinhos (o Título Alcoométrico Volúmico Adquirido a 20oC, o Título Alcoométrico Volúmico Total, o Dióxido de Enxofre Total, os Açucares Totais (Glúcose + Frutose), a Acidez Total (em ácido tartárico) e a Acidez Volátil (em ácido acético). Estes testes são efectuados pelo Laboratório de Análises Fisico-Quimicas da CVR Alentejana que se encontra acreditado na NP EN ISO/IEC 17025:2005 pelo IPAC e aprovado pelo ILAC - MRA (International Laboratory Acreditation Cooperation). Paralelamente a este processo é realizada uma prova de análise sensorial pelo Painel da Câmara de Provadores da CVR Alentejana ao mesmo lote de vinho. Este Painel da Câmara de Provadores da CVRA encontra-se também acreditado na NP EN ISO/IEC 17025:2005 pelo IPAC. Só mediante a aprovação em ambos os processos (análise físico-química e aprovação do lote pela câmara de provadores) é

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que a CVR Alentejana considera que o vinho cumpre os requisitos para ser comercializado com o selo de garantia DOC Alentejo ou Regional Alentejano.

3) Rotulagem No sentido de garantir a boa informação ao consumidor e o cumprimento da legislação nacional e comunitária é também aprovado pela CVR Alentejana o conteúdo descrito na rotulagem dos produtos. Deste modo, o cadastro das vinhas, a análise físico-química, a prova sensorial do lote e a aprovação da rotulagem são as etapas obrigatóriamente necessárias para garantir o processo de rastreabilidade do vinho até à sua comercialização.

Os vinhos certificados têm que seguir todos os procedimentos acima mencionados e que cumprir as legislações e regulamentos definidos e monitorizados pela CVR Alentejana. Com o bom cumprimento destas regras é atribuída a cada garrafa de vinho certificado um selo de garantia numerado que é colocado no contra-rótulo e que garante a qualidade e a origem do vinho vendido aos consumidores em Portugal e nos mercados de exportação.

SELOS DE GARANTIA

Denominação de Origem Controlada Alentejo.

Vinho Regional Alentejano.


COMISSÃO VITIVINÍCOLA REGIONAL ALENTEJANA Rua Fernanda Seno n.º 12 Apartado 498 7006-806 Évora - Portugal T: (+351) 266 748 870 F:(+351) 266 748 879 www.vinhosdoalentejo.pt cvralentejo@vinhosdoalentejo.pt Coordenadas GPS: 38,56287, -7,90934 ou N38º 33' 46'' W7º 54' 33'' ROTA DOS VINHOS DO ALENTEJO Praça Joaquim António de Aguiar, nº 20-21 Apartado 2146 7001-901 Évora - Portugal T: (+351) 266 746 498 ou 266 746 609 F: (+351) 266 746 602 rota@vinhosdoalentejo.pt Coordenadas GPS: 38.573277 -7.912734 ou N38º 34' 23'' W7º 54' 45''

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