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Para a História de S. Paio de Oleiros: origens do topónimo Anthero Monteiro* Propomo-nos, neste trabalho, dar conta, a partir de documentos, da evolução e formas do topónimo associado à actual freguesia e vila de S. Paio de Oleiros do concelho de Santa Maria da Feira. Iremos recuar no tempo até à primeira menção documental de algo que terá dado origem a esta povoação, ainda antes da formação da nossa nacionalidade. Oitenta e cinco anos mais tarde, nas vésperas do tratado de Zamora, já o topónimo surgirá, noutro documento, com a forma actual, ainda que desprovido do nome do orago. Esse – S. Paio - acrescentarse-á, ao abrir o século XIII, sob uma das suas formas do étimo latino, dando conta da primeira igreja local e acompanhando daí em diante a designação da paróquia. Aproveitaremos, então, para conhecer a biografia desse santo, o que consideramos indispensável para resolver algumas confusões e contradições que se mantêm, como veremos, mesmo entre os oleirenses, acerca do seu padroeiro. Dado que Oleiros é designação toponímica de outras localidades (vila e município do distrito de Castelo Branco, freguesia do concelho de Vila Verde, outra freguesia do concelho de Guimarães, município galego da Corunha, etc.), daí tendo

resultado, durante muitos anos, grandes inconvenientes, sobretudo a nível postal, para a freguesia, ver-se-á também que o problema acabou por ser resolvido com a adoção, para seu nome civil oficial, da mesma designação da paróquia. Entretanto e embora pareça evidente que a génese deste topónimo é sustentada, em todos os homónimos citados, por um passado patrimonial de alguma forma relacionado com o fabrico artesanal de objetos em barro (o que pode não ser exatamente assim, a acreditar em Pinho Leal1, pelo menos no que toca à vila da Beira Baixa), tentaremos ainda verificar se terá sido, de facto, a olaria a justificar o topónimo da vila feirense.

1 Para este autor, o topónimo Oleiros, no caso da vila beirã, terá advindo da existência naquela terra de inúmeros “olleiros”, palavra castelhana e portuguesa antiga, na qual se molham os “ll”, pronunciando-se “olheiros”, o que significa “olhos” ou “nascentes de água. Não é hipótese que nos mereça suficiente credibilidade para defender no caso de S. Paio de Oleiros, muito embora, segundo afiançam os mais idosos, não faltassem olhos de água em vários locais da freguesia, como, por exemplo, no lugar do Fial ou na Gaiteira, existindo até um microtopónimo, documentado com data de 1680, relacionado com uma leira local designada por Olhos Grandes.

* Escritor e poeta natural de S. Paio de Oleiros. É autor, de múltiplas obras poéticas, didácticas e ensaísticas. A última que publicou intitula-se Sete Vezes Sete Nuvens, Porto, Egoíste, 2010. Organizador de várias tertúlias poéticas, coordena a “Onda Poética”, de Espinho, e as “Quartas Mal-ditas,” do Clube Literário do Porto.

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