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TRÂNSITO QUEM É VOCÊ ATRÁS DO VOLANTE?


EDITORIAL Prioridades Esta edição da Vilas Magazine começa a circular após o resultado das eleições, e a cidade já conhece quem vai ocupar a prefeitura e os 17 assentos da Câmara Municipal pelos próximos quatro anos. Em função de prazos industriais, a edição foi fechada antes do dia 2 de outubro, pelo que não traz a cobertura do pleito. Conforme já é tradicional, a Vilas Magazine trará um retrato completo da votação na edição de novembro. Aguardem. À altura em que este editorial é redigido, nenhuma surpresa maior é aguardada nos resultados eleitorais. Sejam quem forem os vencedores, os desafios são os mesmos, tal como a probabilidade de que o governante de plantão os vença. Não há soluções milagrosas, especialmente em tempos de contenção de gastos públicos nas esferas estadual e federal. O grande investimento público a fazer, há muito aguardado, continuará a ser o Sistema de Esgotamento Sanitário (SES), que não é responsabilidade da prefeitura. Muita desinformação a esse respeito foi veiculada durante a campanha. Não se percebeu que algum dos candidatos tenha explicado ou assumido que a construção do SES é uma obra da Embasa, autarquia do governo estadual e que depende de verbas, muito provavelmente, federais. Verbas que simplesmente não existem. São recursos que sequer passarão pelos cofres do município se um dia vierem a existir. Muito se falou durante a campanha também da recuperação dos rios que cortam Lauro de Freitas – outro tema que ganha cada vez maior relevância para o eleitorado – como se fosse uma questão de vontade política. Neste caso, não é sequer uma questão de contar com recursos financeiros. Recuperar os cursos d’água depende primeiro do Sistema de Esgotamento Sanitário e depois de garantir 100% das ligações domiciliares à rede de esgoto. Essa etapa fica por conta de cada um e nem toda a população terá disponibilidade financeira – ou disposição cívica – para cumprir a lei que obriga a fazer as ligações. Quando não houver mais ninguém em Lauro de Freitas lançando esgoto in natura nos rios da cidade será necessário resolver o mesmo problema ao longo do curso dos rios e seus afluentes em municípios vizinhos e mais distantes. Só então se poderá falar em recuperar os cursos d’água. Até lá, qualquer plano de estímulo ao turismo, por exemplo, é mero exercício de retórica. Prefeitos e vereadores são agentes políticos que calibram suas ações em função de múltiplos interesses estratégicos e nada garante que venham a exercer efetiva influência nos governos estadual e federal para que o SES de Lauro de Freitas seja prioridade. Entretanto, se nada mais fizerem pelos próximos quatro anos, que viabilizem pelo menos esse objetivo. Carlos Accioli Ramos Diretor-editor

Caos O caos nosso de cada dia está consolidado no trânsito das nossas ruas, a que ninguém escapa. O crescimento acelerado e desordenado da cidade nos legou um espaço urbano inóspito. A conclusão da Via Metropolitana, que tende a desviar da cidade o tráfego entre Salvador e o litoral norte, poderá trazer algum alívio. Entretanto, se os responsáveis pela gestão do espaço urbano continuarem a exercitar uma “engenharia de trânsito” como a atual, não haverá vias metropolitanas capazes de minorar o problema. O município tem de priorizar a qualidade de vida na cidade, freando suposto desenvolvimento econômico que tudo sacrifica em nome de plantar mais um supermercado na Estrada do Coco.

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cena da cidade

Mande sua foto registrando algum flagrante inusitado da cidade, com breve descrição, para redacao@vilasmagazine.com.br

Alheio ao vai e vem das pessoas, casal de rolinhas namora aproveitando a manhã de primavera

www.vilasmagazine.com.br Publicação mensal de propriedade da EDITAR - Editora Accioli Ramos Ltda. Rua Praia do Quebra Coco, 33. Vilas do Atlântico. Lauro de Freitas. Bahia. CEP 42700-000. Tels.: 0xx71/3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377. Diretor-Editor: Carlos Accioli Ramos (accioliramos@vilasmagazine.com.br) Dire­to­ra: Tânia Ga­zi­neo Accioli Ramos Gerente de Negócios: Álvaro Accioli Ramos (alvaro@vilasmagazine.com.br) Assistentes: Leandra da Cruz Almeida e Vanessa dos Santos e Silva Contatos: comercial@vilasmagazine.com.br Gerente de Produção: Thiago Accioli Ramos. Assistente: Bruno Bizarri Adm./Financeiro: Miriã Morais Gazineo (financeiro@vilasmagazine.com.br) Assistente: Leda Beatriz Gazineo (comercial@vilasmagazine.com.br) Distribuição: Álvaro Cézar Gazineo (responsável) Tratamento de imagens e CTP: Diego Machado Redação: Rogério Borges (coordenador) Colaboradores: Jaime Ferreira (articulista), Thiara Reges (repórter freelancer) PARA ANUNCIAR: comercial@vilasmagazine.com.br Tels.: 0xx71 3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377 CONTATO COM A REDAÇÃO: redacao@vilasmagazine.com.br Tiragem desta edição: 32 MIL EXEMPLARES Im­pressa na Gráfica Log & Print (Vinhedo/SP).

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Revista mensal de serviços e facilidades, distribuída gra­tuitamente em todos os domicílios de Vilas do Atlântico e condomínios residenciais de Lauro de Freitas, Es­trada do Coco e região (Busca Vida, Abran­tes, Ja­uá, Ja­cuí­pe, Gua­ra­juba, Stella Maris, Pra­ia do Flamengo e parte de Itapuã). Disponível também em pontos de distribuição criteriosamente selecionados na região. As opiniões expressas nos artigos publicados são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, as da Edi­ tora. É proibida a reprodução total ou parcial de matérias, gráficos e fotos publi­cadas nesta edição, por qualquer me­io, sem autorização expressa, por escrito da Editora, de acordo com o que dispõe a Lei Nº 9.610, de 19/2/1998, sobre Di­reitos Autorais. A revista Vilas Magazine não tem qualquer responsabilidade pelos serviços e produtos das empresas anunciados em suas edições, nem assegura que promessas divulgadas como publicidade serão cumpridas. Cabe ao leitor avaliar e buscar informações sobre os produtos e serviços anunciados, que estão sujeitos às normas do mercado, do Código de Defesa do Consumidor e do CO­NAR – Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária. A revista não se enquadra no conceito de fornecedor, nos termos do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor e não pode ser responsabilizada pelos produtos e serviços oferecidos pelos anunciantes, pela impossibilidade de se deduzir qualquer ilegalidade no ato da leitura de um anúncio. No entanto, com o objetivo de zelar pela integridade e cre­di­bilidade das mensagens publicitárias publicadas em suas edições, a Editora se reserva o direito de recusar ou suspender a vei­culação de anúncios que se mostrem enganosos ou abusivos, por constrangimentos causados ao consumidor ou empresas. A revista Vilas Magazine u­ti­liza conteúdo edi­to­ri­al fornecido pela Agência Fo­lhapress (SP). Os títulos Vilas Ma­­gazine e Boa Dica – Facilidades e Serviços, constantes desta edição, são marcas regis­tradas no INPI, de propriedade da EDITAR – Editora Accioli Ramos Ltda.


REGISTROS & NOTAS

Surfistas locais participam do Clean Up The World As comemorações do Clean Up The World 2016, na sua 14ª edição anual, contaram com a participação da Associação Praia do Surf (APS) e da Associação de Surf da Praia de Ipitanga (ASPI). A caminhada ecológica pela faixa costeira de Vilas do Atlântico até a praia de Ipitanga teve coleta de detritos e resíduos sólidos. A ação, realizada dia 25 de setembro, visou conscientizar as pessoas sobre a importância da limpeza das praias como meio de obter qualidade de vida e preservar a fauna marinha. O evento mobiliza mais de 35 milhões de pessoas em todo o mundo para a causa ambiental e as mudanças de atitude. No Brasil, o Clean Up the World é celebrado como o Dia Mundial da Limpeza em Rios e Praias, ocorrendo, sobretudo, com o fim da primavera.

Região ganha novo espaço gastronômico O casal de empresários Nilson Nóbrega e Ana Célia Freitas (foto), há pouco mais de dois anos, implantou em Lauro de Freitas a fábrica de alimentos Lebens. E agora, mesmo em um cenário de crise econômica, lançam a loja de fábrica, em Buraquinho, espaço de conveniência de alimentos gestada por Ana Célia, que quer combinar no local, praticidade e comodidade, desde o pãozinho do café da manhã, o churrasco no almoço, os lanches com tortas, doces e salgados, a pizzaria e bufê de massas, além de refeições congeladas, com mais de 140 opções e a praticidade do delivery (restrito a alguns produtos). A loja também disponibiliza salgados congelados e combos para eventos. “A praticidade, comodidade e principalmente o sabor dos nossos produtos, são os principais objetivos para fornecer o conforto de um ambiente familiar e encontros com amigos. Os investimentos justificam o nosso compromisso e identidade com Lauro de Freitas e nossos clientes”, diz Ana Célia.

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REGISTROS & NOTAS

Café com arte De 18 a 31 deste mês, a Saint Michel Café Confeitaria reforça a sua agenda cultural, com a exposição Silêncios, mostra de trabalhos da artista Lucy Berebguer (a esq., a tela Sons do Silêncio), utilizando acrílico sobre tela. Exposta no charmoso mezanino da cafeteria em estilo parisiense, os visitantes podem ainda saborear os produtos da casa. No dia 28, a cafeteria dá início a segunda temporada do Café Filosófico, com palestras gratuitas sobre psicologia, filosofia, história, economia dentre outros temas.

PROFISSIONAIS DA BELEZA As profissionais Lídia Salles, Iara Lemos e Juliana Dumêt escolheram Lauro de Freitas para inaugurar a primeira filial da SanLazzaro, clínica especializada em dermatologia, cirúrgica e estética. Integrantes da Sociedade Brasileira de Dermatologia, as profissionais estendem para a região a expertise de 12 anos de atuação da matriz da clínica, em Salvador.

LBV lança campanha de solidariedade

Galeria Acbeu abre inscrições para pauta 2017 A Galeria Acbeu está com inscrições abertas para sua pauta de 2017, até 21 de outubro. Artistas visuais interessados em expor no espaço devem enviar propostas formato de portfólio. Importante ressaltar que as obras devem ser inéditas em Salvador e que pelo menos 50% da produção já esteja concluída no momento da inscrição. A galeria disponibilizará seis pautas para exposições individuais e coletivas, com duração de três a quatro semanas. As fichas de inscrição, o regulamento e demais informações estão disponíveis no site www.acbeubahia.org.br e na Galeria, que fica Av. Sete de Setembro, 1883, Corredor da Vitória. Criada em 1975, a Galeria Acbeu tem se notabilizado por ser um espaço democrático para a arte em geral, dando oportunidade para a exposição de trabalhos de artistas emergentes ou já estabelecidos no meio artístico, de qualquer nacionalidade, naturalidade ou tendência artística, concentrandose, preferencialmente, na divulgação de trabalhos de arte contemporânea. 6 | Vilas Magazine | Outubro de 2016

A Legião da Boa Vontade (LBV) está promovendo a campanha Diga Sim! uma iniciativa de mobilização social e emergencial que visa entregar alimentos a famílias que vivem em extrema pobreza e sofrem com a seca, enchentes ou frio em dezenas de municípios brasileiros. Famílias que enfrentam a estiagem nas regiões Nordeste (Ceará, Bahia, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte) e Norte (Acre, Amapá e Rondônia), serão beneficiadas com cestas de alimentos, com itens básicos e de acordo com os costumes de cada região. A ação vem se somar ao trabalho que a Legião da Boa Vontade realiza em suas unidades socioeducacionais. A campanha vai até o dia 30 de outubro, informa Tatiane Oliveira, do Relacionamento Institucional da instituição. Mais informações sobre a campanha pelos tels.: (71) 3234-9300 / 99258-4685 ou e-mail tosilva@lbv.org.br


Vilas sedia etapa Nordeste de CrossFit

Dalton Queiroga, reuniu a família (na foto com a esposa Beth e a filha Priscila), chamou amigos mais chegados e foi celebrar idade nova, em setembro, curtindo a tarde de chorinho que o Sr. Rafful, em Vilas do Atlântico, oferece todos os sábados aos clientes.

Acontece dias 22 e 23 de outubro, no Vilas Tênis Clube, o Wknd Wars etapa Nordeste, reunindo aproximadamente 300 atletas da modalidade CrossFit, esporte que surgiu nos Estados Unidos na década de 2000 e ganha adeptos em todo o mundo, contando hoje com mais de 13 mil academias afiliadas. No Brasil o esporte chegou em 2009 com apenas uma academia em São Paulo. Hoje são mais de 600 academias em território nacional, pelo menos 15 em Salvador. Baseado na mistura de movimentos de levantamento de peso e ginástica olímpica com corridas e saltos, o CrossFit busca desenvolver e testar o condicionamento físico global do atleta. Neste esporte não é o atleta mais forte ou o mais resistente quem ganha. Vence sempre o atleta mais completo, capaz de ter um bom desempenho em uma série de provas que testam todas as capacidades físicas do ser humano. O Wknd Wars acontece junto com mais uma edição da Feira Tropical.

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cidade

Comércio ilegal de animais em via pública é alvo de ação na entrada de Vilas do Atlântico Venda de animais em via pública é ilegal. Em Salvador a lei é cumprida

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Rede de Mobilização pela Causa Animal - Remca, realizou em 18 de setembro, na entrada principal de Vilas do Atlântico, mais uma ção objetivando inibir a prática ilegal da venda de animais em via pública, conforme disposto em lei municipal. Todos os finais de semana comerciantes insistem em vender filhotes de cães em Vilas do Atlântico, os quais permanecem expostos a intempéries, volume elevado de sons, como buzinas e carros de som e passando de mão em mão, sem sequer terem ainda completado o

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protocolo de vacinas. “Tais ‘comerciantes’ são, em sua grande maioria, oriundos de bairros de Salvador, fugindo da aplicação da lei, que lá funciona, que proíbe a prática”, esclarece Graça Paixão, presidente da entidade.. O comércio de animais em via pública no município de Lauro de Freitas é ilegal, fundamentado na lei 1618/16, art. 7º, XIV: “Art. 7º. Para os efeitos desta Lei entende-se por maus-tratos contra animais toda e qualquer ação decorrente de imprudência, imperícia ou ato voluntário

e intencional, que atente contra sua saúde e necessidades naturais, físicas e mentais, conforme estabelecido nos incisos abaixo: (...) XIV – comercializar animais em via pública em qualquer hipótese.” A Lei de Proteção Animal de Lauro de Freitas é fundamentada na Lei 9.605/98, Lei Ambiental e na Constituição Federal, art. 225. Fundamentada nesse direito, a Remca vem desenvolvendo ações em pet shops, em via pública e junto a gestão municipal, de modo a disseminar o teor da lei, garantir seu cumprimento e, consequentemente, os direitos dos animais. “Durante a ação, realizamos abordagens aos infratores, que, apesar de terem ciência da lei, insistem em praticar o ato ilegal, mas foram informados que na reicidência, os animais que estiverem sendo comercializados, serão apreendidos, conforme prevê a lei restritivas de direito além de reparação dos danos causados, declarou Ludmila Costa, vice-presidente da Remca.


Comércio irregular em Lauro de Freitas é fruto de demanda e fiscalização deficiente da prefeitura

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maioria das pessoas faz compras no comércio informal – ou clandestino, dependendo do ponto de vista de cada um – ou adquire produtos falsificados com alguma frequência. Trata-se de fato estatístico, mas é fácil chegar a essa conclusão sem maiores estudos: basta observar a presença de vendedores ambulantes, em graus variados de sofisticação, nas esquinas da cidade, com destaque para Vilas do Atlântico. Se há oferta desses produtos é porque há demanda. Esse era, inclusive, o argumento habitual da prefeitura de Lauro de Freitas, anos atrás, ao responder, adotando viés político, as acusações de que não havia combate à desordem do comércio informal ou à venda de artigos falsificados.

A atual gestão municipal deixou de apontar o dedo aos consumidores para tentar justificar a inação do Poder Público – e passou a fiscalizar os clandestinos. Mas as ações são esparsas e descontinuadas, resultando em coisa alguma. Qualquer comerciante regularmente instalado, que pagou pelo ponto comercial e todos os meses paga os seus impostos, sabe que sim, a maioria dos consumidores eventualmente compra produtos clandestinos ou falsificados. Uma pesquisa do Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia afirmado a mesma coisa no ano passado. A pesquisa entrevistou 15.414 pessoas em 727 municípios brasileiros. Nada menos que 75% dos participan-

tes admitiram que compravam de ambulantes ou lojas informais. E cerca de 71% informaram que adquiriam produtos piratas ou imitações de marcas famosas, seja sempre, às vezes ou raramente. Os que nunca compraram no comércio informal eram 24% e os que nunca adquiriram falsificações, 28%. Uma minoria, portanto. u

“Loja” vende carros. Mais à frente, funcionam uma “lanchonete” e uma “boutique”

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cidade

Vilas do Atlântico sedia diversificado mercado a céu aberto. Vende-se de tudo na rua: comida, carros, bebidas, animais, roupa. Uma competição ilegal com o comércio legalmente estabelecido, graças a ineficácia do poder público

Entre os que adquiriam produtos de ambulantes ou estabelecimentos informais, 13% compravam sempre, 37% às vezes e 25% raramente. Já entre os consumidores que compravam produtos piratas ou imitações de marcas famosas, seja no comércio formal ou informal, 13% compravam sempre, 34% às vezes e 24% raramente. O economista Renato da Fonseca, gerente de Pesquisa e Competitividade da CNI, admitia que o percentual de consumidores que recorre ao mercado informal é elevado. Parte do motivo seriam os preços

mais baixos, mas em Vilas do Atlântico isso nem sempre é verdade. A comodidade de comprar no meio da rua, às vezes sem sair do carro, pode contar mais. Principalmente no caso dos produtos piratas, Fonseca acredita que a maioria dos consumidores não percebe as consequências negativas do ato. O apelo é à consciência cívica coletiva – logo inócuo: ao copiar os produtos originais, o mercado pirata diminui a capacidade de a economia ser criativa, crescer e gerar empregos. Além disso, lembra o economista, o mercado informal não paga impostos, praticando uma concorrência desleal. São argumentos que poderão significar alguma coisa para os que nunca compraram no comércio informal (24%) ou para os que nunca adquiriram falsificações (28%). Mesmo assim, essa minoria poderá ter outras razões para preferir as marcas originais ou gostar de frequentar lojas com ar condicionado. A CNI lembrava ainda que o consumidor do mercado informal ou pirata ainda

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Vendedor ambulante em Vilas do Atlântico: combinação de demanda e falta de fiscalização desorganiza ambiente urbano e economia por cima desestimula o trabalho formal, reduzindo também os ganhos dos trabalhadores. Em tempos de desemprego em alta, contudo, o argumento parece insuficiente. Hoje o comércio clandestino também é estimulado pela falta de empregos no comércio regular. Por outro lado, os irregulares sequestram clientela dos formais, fragilizando mais a oferta de empregos. O processo conduz à informalização crescente da economia. Quem estende o braço na rua para vender uma pizza caseira está em busca de gerar renda para si e para a sua família. Trata-se, também, de um problema social. Já veículos casualmente estacionados na rua atrás do posto de combustível dentro de Vilas do Atlântico, com avisos de “vendese”, oferecendo até brindes para os clientes, não parecem ser caso de subsistência familiar. O problema não é tão simples. Embora a grande maioria dos consumidores prefira ignorar os fatos, há uma lista deles a aconselhar a compra no comércio regular. Por exemplo: é ilusória a vantagem de pagar menos por um produto porque a compra informal não tem garantias. O consumidor assume todos os riscos, começando pela qualidade. Não há como trocar, não há Código de Defesa do Consumidor a que recorrer. Um brinquedo, por exemplo, pode soltar tinta, ter peças pequenas que se desprendem facilmente. E uma pizza ca-


seira vendida no meio-fio não passou por controles sanitários oficiais – o que não quer dizer que eles funcionem para a formalidade, mas neste caso ao menos se poderá responsabilizar alguém. Fonseca lembra também que algumas vezes o consumidor que adquire o produto pirata não tem outra opção. “Ou compra um produto de baixa qualidade ou fica sem”, define. Mais uma vez, a demanda justifica a oferta. O problema é que nem tudo a economia justifica. Sem algum tipo de ordenamento a desordem transforma-se em norma. Em vez das lojas e restaurantes do comércio formal, em pouco tempo teríamos apenas bancas de ambulantes e foodtrucks estacionados nos meios-fios. Como ninguém pagaria impostos, não haveria nem fiscalização da qualidade, nem serviços públicos.

Reunião no Riverside Hotel, às margens do Joanes: grupo permanente

Rio Limpo pede abertura de comportas na barragem do Joanes

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Oscip Rio Limpo lançou em setembro o objetivo de recuperar um “fluxo mínimo de água bruta” na calha do rio Joanes a jusante da barragem do Jambeiro – onde hoje não corre

nada porque a prioridade é a captação no reservatório para o abastecimento de Salvador e Lauro de Freitas. A água que chega a Buraquinho pela calha do Joanes é, na verdade, apenas u

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cidade

a água poluída do rio Ipitanga, um dos seus afluentes. Como as comportas da barragem estão seladas, ela só verte água quando chove em excesso, transbordando o reservatório – e causando alagamentos nessas ocasiões. Numa apaixonada “carta ao rio Joanes”, os participantes de uma reunião no Riverside Hotel – incluindo a própria gerente geral Rosângela Schindler – contam que estiveram “refletindo e contemplando as belezas naturais do seu corpo”. Poeticamente redigida, a carta prossegue prometendo o fim do lançamento de esgoto no rio e a recuperação do fluxo de água. Mas a discussão da Rio Limpo era mais objetiva e menos romântica. Para Caio Marques, comandante da Oscip, a devolução do fluxo de água tem de ser uma prioridade. Já para Júlio Mota, superintendente de assuntos regulatórios da Embasa, que participou da reunião, abrir as comportas da represa Joanes I, no Jambeiro, é matéria para muita verificação, já que o abastecimento de água à população é prioridade. Dar vazão ao reservatório é possível, mas poderia colocar em risco o abastecimento. De acordo com Mota, há técnicos na Embasa que defendem o fim da captação de água naquela barragem devido aos custos do tratamento. Além disso, com a recente conclusão do esgotamento sanitário de Camaçari – porque, ao contrário de Lauro de Freitas, o município vizinho já tem esgotamento sanitário – o volume

As comportas da barragem do Joanes, seladas há muitos anos: rio seco

de água que chega à represa será drasticamente reduzido ao longo dos próximos anos. A engenharia da empresa busca uma alternativa para minimizar esse efeito. Plano inexistente O grupo pretende reunir-se periodicamente para tratar do tema. Uma das primeiras missões será descobrir que o Plano Municipal de Saneamento Básico de Lauro de Freitas ainda não saiu da

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14 de novembro a participação da sua empresa na edição especial de dezembro. Tels.:3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377 comercial@vilasmagazine.com.br 12 | Vilas Magazine | Outubro de 2016

estaca zero. A nova secretária de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Lauro de Freitas, Ana Carolina André Rabelo, não encontrou nada nas pastas – e o Ministério Público também já perguntou pelo plano, que é obrigatório. No cargo há um mês, Rabelo substitui a indicação política anterior, que o período eleitoral transformou em oposição. O Sistema de Esgotamento Sanitário (SES) de Lauro de Freitas, que continua sem verba à vista para conclusão da obra, foi assunto de destaque na reunião. A obra é de responsabilidade da Embasa, autarquia do governo do Estado e conta com verbas federais – nada tendo a ver com o município. Concluído o duto da Paralela que levará o esgotamento ao emissário submarino da Boca do Rio, vão sobrar cerca de R$ 40 milhões para dar funcionalidade ao que for possível, dentre o que já existe em tubulação instalada. Para a maior parte da cidade ainda será necessário buscar mais recursos financeiros. Em tempos de ajuste econômico e corte de investimentos públicos, a percepção é de que a verba apenas não virá.


Prefeitura remove ruínas do Terminal Turístico

Espaço à margem do Joanes foi abandonado há anos pela prefeitura

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área do Terminal Turístico de Portão, abandonada há anos pela prefeitura, está sendo limpa, com a remoção das ruínas que tomavam conta do espaço. De acordo com o secretário de Cultura André Siqueira, a medida visa “a requalificação do Terminal Turístico Mãe Mirinha de Portão”. Apesar de estar a três meses do fim da atual gestão, Siqueira planeja implantar “um novo conceito na gestão”, com a “participação direta de munícipes nas novas ações”. Uma das propostas foi batizada “Portão Verão”, que pretende trazer apresentações de artistas locais e realizar atividades voltadas para a preservação do rio Joanes.

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cidade

Estudantes de Lauro de Freitas disputam Jogos Escolares da Juventude na Paraíba Roberto Marcelo

Estudantes atletas da Bahia nos Jogos Escolares da Juventude: Lauro de Freitas presente

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endo como inspiração os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, estudantes atletas de Lauro de Freitas e outros municípios da Bahia estiveram em João Pessoa, na Paraíba, onde ocuparam quadras, pista de atletismo, tatames, piscinas e outros espaços esportivos em disputa por medalhas dos Jogos Escolares da Juventude, na faixa etária de 12 a 14 anos, pelos jogos individuais, entre 20 e 29 de setembro. Coube ao maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima acender a pira dos jogos, repetindo o gesto da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio. A competição reuniu estudantes atletas de todos os estados e do Distrito Federal. As disputas aconteceram em 13 modalidades individuais. Os Jogos Escolares da Juventude são o maior evento estudantil esportivo do Brasil. A competição, de abrangência nacional, reúne milhares de alunos-atletas de instituições de ensino públicas e privadas de todo o país e é tida como referência internacional. Consideradas as fases seletivas, os números chegam a mais de dois milhões de atletas e cerca de quatro mil cidades participantes. Na edição de 12 a 14 anos são disputadas competições de atletismo, badminton, ciclismo, ginástica rítmica, judô, luta olímpica, natação, tênis de mesa, xadrez, basquete, futsal, handebol e vôlei. Além das competições, os jovens atletas tem a sua disposição uma ampla gama de eventos paralelos às competições. O programa sócio educativo e cultural abrange diversas atividades extras com o intuito de aproximar os jovens de todo o país aos Valores Olímpicos e ao exemplo positivo da prática esportiva. Na etapa dos jogos individuais a Bahia levou 64 atletas de 12 a 14 anos de escolas públicas e privadas da capital e do interior. Deste total, 25 são de Lauro de Freitas e outras cidades do interior. Eles disputaram medalhas nas modalidades de atletismo, ciclismo, ginástica rítmica, judô, luta olímpica, natação, tênis de mesa, xadrez e badminton, que pela primeira vez teve representação da Bahia. 14 | Vilas Magazine | Outubro de 2016

Vereador pede encerramento de atividades de atacadista

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ma nova grande superfície comercial autorizada pela prefeitura a funcionar na Estrada do Coco mudou o trânsito da cidade desde que abriu as portas, em setembro. O novo nó está localizado no sentido Salvador, logo após a avenida Fortaleza, na entrada para Itinga, no acesso para o Assaí Atacadista. A principal via da cidade, que nunca foi exemplo de bom fluxo de tráfego, simplesmente passou a travar o dia inteiro (foto), todos os dias, com reflexos em todos os bairros. As críticas à “engenharia de trânsito” que permitiu a abertura de uma grande superfície sem um acesso que não interfira no fluxo da Estrada do Coco foram o assunto do mês em Lauro de Freitas, irritando toda a comunidade. Providências mesmo quem tomou foi o vereador Lula Maciel (PT), que entrou com ação na Promotoria contra a prefeitura, “buscando soluções imediatas para o transtorno que milhares de pessoas precisam passar diariamente com a instalação do supermercado”. O vereador pede o fechamento do mercado até que haja respostas e a solução do problema seja aplicada. Ele questiona a realização de um estudo de tráfego. Para Lula Maciel, “é notório o impacto negativo da grande retenção de veículos ao redor do centro atacadista e a inevitável forma que afeta o fluxo do trânsito”.

A Estrada do Coco, principal via de acesso de Lauro de Freitas, ficou travada enquanto duraram as promoções de inauguração do supermercado. Durante uma semana, sair e entrar na cidade se tornou muito pior que o dia a dia dos moradores


Atleta de 85 anos, bate cinco ‘babas’ toda semana

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uem passa aos sábados pelo clube da Caixa, na Estrada do Coco, e prestar atenção para as partidas de futebol que acontecem ali semanalmente, dá para perceber um atleta de 85 anos no campo do baba. É Dilson Gesteira Ferreira, divorciado, cinco filhas, que joga futebol desde adolescente. Começou no campo do Pau Miúdo, na Baixa de Quintas e chegou a treinar no Bahia, mas o pai não gostava que ele jogasse futebol e acabou não seguindo carreira. O atleta faz parte do Grupo Garra há quase 30 anos, “praticamente fundador”, diz ele, quando o grupo jogava no campo da Polícia Militar, na Pituba. De lá o

grupo mudou-se para o clube da Caixa, 20 anos atrás. Trabalhou na Petrobras e depois na Souza Cruz, onde começou a fumar “porque o cigarro era de graça”, mas parou logo em seguida porque sentiu que estava se prejudicando. O preparo físico não vem apenas de hábitos saudáveis. Ele faz esteira na academia do condomínio onde mora, em Itapuã, e caminha regularmente. Aos sábados, Dilson joga cinco babas de 30 ou 20 minutos cada um e não foge de divididas em campo. Aos 82 anos sofreu um acidente na Estrada do Coco e fraturou a tíbia. “O médico elogiou a estrutura óssea”, diz ele. Meses depois já estava de volta ao baba. Ele lembra, feliz, das 150 pessoas que compareceram ao seu aniversário de 80 anos, festejado também no clube da Caixa. “Gosto de fazer amizades, fujo de problemas, brigas”, conta Dilson. Além do baba aos sábados, ele gosta mesmo é de

Dilson em campo, em um dos sagrados babas de todos os sábados viajar. Já esteve na Itália, visitando uma filha que mora lá.

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cultura

Lauro de Freitas recebe releitura de Arena Conta Zumbi Chico Nelson

Cena de uma das primeiras montagens Arena Conta Zumbi

A canção enganjada no teatro A música da peça foi composta por Edu Lobo dentro de uma tessitura (conjunto de notas que podem ser emitidas por uma voz ou um instrumento) que favorece o canto coletivo, consequentemente a assimilação da letra. O trecho abaixo da música “Zambi no Açoite, de Edu Lobo exemplifica o trabalho do compositor: herdeiro de Zambi, mas apresentam-se também fundidos numa só entidade que congrega seu povo para a resistência, desde a formação do Quilombo, até sua destruição total, lutando e morrendo pela liberdade. É Zambi no açoite, ei, ei é Zambi É Zambi, tui, tui, tui, tui é Zambi É Zambi na noite, ei, ei, é Zambi É Zambi, tui, tui, tui, tui, é Zambi Vem filho meu, meu capitão Ganga Zumba, liberdade, liberdade, Ganga Zumba, vem meu irmão. É Zambi morrendo, ei, ei, é Zambi É Zambi, tui, tui, tui, tui, é Zambi Ganga Zumba, ei, ei, ei, vem aí Ganga Zumba, tui, tui, tui, é Zambi.

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Projeto Vidas em Cena e Luide Prins Araujo de Oliveira Bispo trazem ao palco do Cine Teatro de Lauro de Freitas, nos dias 29 e 30, às 19h, uma releitura do clássico Arena Conta Zumbi. O grupo de teatro Junto e Misturado faz uma releitura do espetáculo criado por Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri em 1965, que coloca em discussão a luta dos quilombolas de Palmares. A montagem original tinha Dina Sfat no elenco e trilha sonora de Edu Lobo e Ruy Guerra. Boal integrou o coletivo de artistas do Arena com o objetivo de colocar em cena a luta dos quilombolas de Palmares. Com precárias condições de palco, a peça é permeada por música e encenada 16 | Vilas Magazine | Outubro de 2016

Maria Aparecida Peppe.

por atores do projeto Vidas em Cena, coordenado pelo professor e ator Luide Prins. A intenção de Augusto Boal era fazer uma crítica aguda à relação entre as classes dominantes e seus empregados, um tema que permanece atual. Diante da escassez de recursos materiais, Boal cria o sistema coringa, em que qualquer ator pode desempenhar o papel de qualquer personagem. Os atores se revezam para dar o enfoque de todo o palco e da história sempre que necessário. A cenografia e direção é de Luide prins, com direção musical de João Felipe. O elenco conta com Eli de Assis, Samir Souza, Rian Santos, Herbert Nascimento, Camila Ribeiro, Yan Luz, Evelyn Couto,

Lívia Lopes, Luiza luz, Cauã Barbosa, Douglas Telles, Lorrana Oliveira, Marry Lins, Maiane Rocha, Camila Santos, Fernanda Nascimento, Raissa Souza, Marcio Victor, Natalie Souza, Laíse Carvalho, Leticia Quitiliano, Joelma Pinheiro, Guilherme Andrade, Leandro de Jesus e Joatan dos Santos. A fotografia é de Amilton Amparo, iluminação de Telma Gualberto, produção de Amilton Amparo e assistência de produção de Bruna Batista e Giulia Huoya. A trilha sonora fica por conta de João Felipe e Deni Anderson. A programação do Cine Teatro de Lauro de Freitas pode ser conferida em http:// ctlaurodefreitas.wordpress.com


geral

Martagão inaugura UTI pediátrica e anuncia novo show de Ivete com as Voluntárias

O Hospital Martagão Gesteira, em Salvador, inaugurou uma nova Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica em setembro. Denominada Ivete Sangalo, a unidade possui 10 leitos e vai ampliar em 40% a oferta de cirurgias cardíacas, neurológicas e oncológicas do hospital. Os recursos foram provenientes do show beneficente da cantora Ivete Sangalo e da Orquestra Juvenil da Bahia, principal formação do programa Neojiba,

A cantora Ivete Sangalo se emocionou na inauguração da UTI pediátrica que leva seu nome e celebrou com a pri­ mei­ra-dama do Estado e presidente das Voluntárias Sociais da Bahia, Aline Peixoto realizado pelas Voluntárias Sociais da Bahia (VSBA), juntamente com a Iessi, em dezembro do ano passado. A cantora participou da inauguração

ao lado da primeira-dama do Estado e presidente das Voluntárias, Aline Peixoto. Na oprotunidade, a cantora lançou o novo show beneficente que fará em prol do hospital, dias 3 e 4 de novembro, no Teatro Castro Alves. Intitulado “Ivete canta o amor”, o show tera mais uma vez, a Orquestra Juvenil, regida pelo maestro Helder Passinho Jr, dividindo o palco com a cantora. Toda a renda será revertida para a continuidade das obras no Martagão Gesteira. Os ingressos custam de R$ 200 a R$ 1 mil (valores de inteira) e estão sendo vendidos nas bilheterias do Teatro Castro Alves, nos SACs dos shoppings Barra e Bela Vista e no site da Ingresso Rápido. Localizado no bairro do Tororó, o Hospital Martagão Gesteira é responsável por 22 mil atendimentos mensais, sendo 1,5 mil gerais na oncologia pediátrica, incluindo exames, atendimento ambulatorial, internamentos, cirurgias e quimioterapias. Para manter a complexa estrutura e a excelência dos serviços prestados, a unidade precisa do apoio da sociedade (pessoas físicas e jurídicas).

PGR sustenta que pulverização aérea contra Aedes é inconstitucional

saúde pública pela presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chincungunha e da zica. A ação proposta por Janot volta-se contra o trecho da legislação que afirma ser fundamental a pulverização de produtos químicos para conter os mosquitos. Segundo Janot, além de ser duvidosa a efetividade da medida, ela traz impactos negativos como contaminação do meio ambiente e intoxicação da população, podendo causar dores de cabeça, náuseas, dificuldades respiratórias e aler­gias na pele. Após a dispersão química, as substâncias acabam atingindo residências, escolas, creches, hospitais, clubes, feiras, comércio de rua e ambientes naturais, meios aquáticos, como lagos, lagoas e centrais de fornecimento de água para o consumo humano. Outro ponto abordado pelo procurador-geral na ação é a questão da

finalidade, alertando que a medida não contribui efetivamente para o combate ao mosquito, que possui hábitos domiciliares, ao abrigo das pulverizações. “Não se admite previsão legal de medidas vãs do poder público, em respeito à carência de recursos materiais e humanos, e ao dinheiro recolhido compulsoriamente dos contribuintes”, complementa. O PGR argumenta que não há certeza quanto à eficácia nem quanto à segurança da medida. “Pelo contrário, os estudos existentes indicam em sentido oposto, pela ineficácia e periculosidade da dispersão de produtos químicos por aeronaves. É incompatível com a ordem constitucional previsão legal que admita medida cujos efeitos positivos à saúde e ao meio ambiente não foram comprovados, mas que, bem ao contrário, a maior parte da informação disponível sugere que seja ineficiente e danosa”, sustenta.

A pulverização de substâncias químicas por aeronaves para conter doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti é inconstitucional por ofender a preservação do meio ambiente, além de trazer riscos à saúde humana. O posicionamento é do procuradorgeral da República, Rodrigo Janot, na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5.592, enviada ao Supremo Tribunal Federal. Por haver perigo de danos imediatos aos ecossistemas e risco de intoxicação humana, ele pede concessão de medida cautelar. A Lei 13.301/2016 dispõe sobre a adoção de medidas de vigilância em saúde diante de situações de iminente perigo à

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seus direitos

Orientações para quem precisa devolver imóvel comprado na planta

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pós um boom no mercado imobiliário ocorrido nos últimos anos, o que se observa neste momento é que ocorreu uma forte retração, ocorrendo até devolução de imóveis por motivos financeiros. O problema é que a tendência é só aumentar esse número, já que são muitos os motivos que levam à devolução do bem e, quando isso ocorre, se estabelece o pânico por parte de quem acreditou no sonho de comprar uma casa ou apartamento, já que se entende que perderá um grande montante de valor investido. É importante lembrar que, quem vive dificuldades por não ter condições de pagar as prestações do imóvel que comprou na planta deve conhecer seus direitos, caso queria romper o contrato e devolver o imóvel, que inclusive, ainda não recebeu. Isso diminuirá em muito as perdas financeiras. O termo técnico para rescindir o contrato e pedir de volta os valores pagos é “distrato contratual”, e em geral, todos os contratos podem ser distratados. O advogado Gilberto Bento Jr, experimentado na vivência e acompanhamento de dezenas de distratos, relaciona os direitos de quem quer devolver imóvel na planta. n Seus direitos no distrato para devolução de imóvel comprado na planta O distrato deve ser tentado sempre de forma amigável. Só se necessário, você pode solicitar o distrato judicialmente, quando houver recusa no recebimento da sua intenção de romper o contrato. Ao desistir da compra você não pode perder todo o dinheiro que pagou. A construtora recebe o imóvel de volta, e deve devolver no mínimo 75% do que foi pago pelo comprador, caso a culpa do distrato seja do proprietário, por não conseguir uma linha de crédito para financiamento, por exemplo. n As construtoras não podem reter todo o valor pago Existem casos de tentativas de se reter todo o valor pago à construtora. Isso não deve ser nem mesmo considerado. O valor que ficará com a construtora levará em conta apenas valores como a multa de rescisão e despesas administrativas. Assim, se a empresa quiser reter mais do que 25% do valor pago, o proprietário deve recorrer à Justiça. É fundamental que se busque um especialista nessas situa-

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ções e não se deixe ser pressionado, pois, em vários casos vão falar que essa busca por ressarcimento de valores é improvável e poderão forçar que existe um consenso que não será o melhor para o lado do comprador. Assim, a recomendação é não assinar nenhum acordo. n Distrato deve ser solicitado O primeiro passo ao perceber que não terá fôlego financeiro para arcar com o compromisso do imóvel na planta é pedir o distrato, para não precisar continuar pagando as prestações e economizar no orçamento mensal. O distrato para extinguir as obrigações estabelecidas em um contrato anterior deve ser solicitado até a entrega das chaves. Após isso, o comprador toma posse do imóvel e não é mais possível devolver o bem à construtora. A construtora deve devolver o valor em uma única parcela. n Quando a culpa é da construtora Existem situações em que o cancelamento do contrato pode ser atribuído por culpa da construtora, é uma denúncia contratual por responsabilidade, quando a construtora não respeita as cláusulas, por exemplo quando atrasa a entrega do imóvel, nestes casos a devolução deve ser de 100% do valor total pago. Temos que lembrar que a devolução dos valores deve ser corrigida monetariamente, ou seja, o valor deverá ser atualizado. Enfim, situações essas, com certeza são motivos para preocupações, contudo é imprescindível que quem adquiriu um imóvel na planta e que tenha que devolver mantenha a calma nessa hora, buscando uma assessoria adequada, qualquer ação de desespero poderá resultar em pesado prejuízo financeiro.


Direitos da gestante e do recém-nascido junto aos planos de saúde

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gravidez é um momento cercado de muita alegria e expectativa pelos futuros pais. Porém, com tantas novidades, a época é também de muitas preocupações, que vão desde as mais simples, como a decoração do quarto e escolha do nome do pequeno, até questões mais complicadas, como o plano de saúde. Segundo Marcelo Alves, especialista em planos de saúde e seguros, para garantir a cobertura das despesas com exames, acompanhamento pré-natal e do parto, sem precisar utilizar a rede pública, o plano contratado deve abranger a cobertura ambulatorial e hospitalar com obstetrícia. “Essas avaliações podem evitar problemas de saúde para a mãe e a criança ou até que os mesmos sejam descobertos e tratados precocemente. Caso a futura mãe já tenha um plano de saúde que não abarque a obstetrícia, minha orientação é verificar a possibilidade de migrar para tal opção”, afirma o profissional. Além dos procedimentos citados, o executivo destaca que essa cobertura ainda garante atendimento ao bebê durante os primeiros 30 dias de vida. Esse direito é assegurado ao recémnascido no plano como dependente, isento do cumprimento de carência, desde que a inscrição ocorra no prazo máximo de até 30 dias após nascimento. Atenção para carência De acordo com Alves, os casais devem ter em mente que o prazo de carência previsto em lei para cobertura do parto é de até 300 dias, a partir da contratação. Portanto, antes disso, o convênio não é obrigado a garantir a cobertura do parto. “A exceção fica por conta de situação de urgência ou emergência. Por exemplo, se o parto precisar ser realizado de forma antecipada por conta de alguma complicação da gestação que coloque em risco a gestante e/ ou o bebê, o convênio é obrigado a garantir a cobertura integral”. Outros procedimentos Marcelo ainda pontua que para consultas, exames, interna-

ções e cirurgias, o prazo de carência é de até 180 dias e para os casos de urgência e emergência o prazo máximo é de 24 horas. “Lembrando que esses prazos citados, inclusive em relação ao parto, correspondem aos períodos máximos estipulados pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), portanto, os mesmos podem ser reduzidos pelas operadoras, com o intuito de tornar o plano mais atrativo para o cliente.” Ingresso do recém-nascido no plano Para que a inscrição do recém-nascido seja isenta do cumprimento de carência, o titular do plano deve ter cumprido o período de carência de 180 dias. “Caso o titular ainda esteja em carência, o bebê ainda terá direito de assistência e inscrição, porém deverá observar o prazo restante para o cumprimento da mesma”, informa o especialista. Pontos importantes Por fim, para Alves, a escolha do tipo de acomodação em caso de internação, do tipo de contratação, que pode ser individual/familiar, empresarial ou coletivo por adesão, e a avaliação de possibilidade de adotar a coparticipação, mecanismo no qual o cliente assume o pagamento de uma parte do valor da consulta ou do procedimento a ser realizado, são outros pontos que devem ser observado para os futuros pais que estão em vias de contratar ou, até mesmo, de trocar de plano de saúde. Outubro de 2016 | Vilas Magazine | 19


comportamento

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Estudos definem perfis de motoristas; estressados correm mais riscos

ra de propósito, ele me ultrapassava e freava bruscamente. Depois da terceira vez que fez isso, consegui fechá-lo e desci do carro”, conta a advogada Léa Carta, 38. Ela foi até o outro veículo, bateu no vidro até o motorista baixar o vidro e o puxou pelo colarinho. O episódio, motivado por uma briga por espaço no trânsito, ocorreu há sete anos. Carta, que tem 1,58 m de altura, buzinou quando o veículo invadiu sua faixa. O outro condutor devolveu a “ofensa” com a sequência de fechadas. Depois

de insultos de ambos os lados, seguiram seus caminhos. Naquele momento, a advogada agiu como justiceira. Esse é um dos sete perfis de motoristas definidos em 2015 pela LSE (London School of Economics and Political Science). O estudo teve o apoio da Goodyear. Quem age de forma intempestiva no trânsito se expõe a riscos maiores do que um bate-boca no meio da rua. “Um estudo feito em 2011 pela AAA Foundation [instituição norte-americana] Adriano Vizoni / Folhapress

A advogada Léa Carta

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mostrou que cerca de 1.200 acidentes ocorrem anualmente nos EUA devido à fúria sobre rodas, considerada um distúrbio mental pela psicologia. Desses, 300 deixaram mortos ou feridos em estado grave”, diz Idaura Lobo Dias, especialista em trânsito da Perkons. A empresa atua na fiscalização eletrônica de vias. Desde o episódio de sete anos atrás, Carta vem tentando mudar. “Ainda fico muito irritada com a falta de educação de alguns motoristas, mas tento me controlar. Preciso internalizar algumas coisas para sobreviver”, diz a advogada. Seu modo de encarar o trânsito é oposto ao de motoristas “filósofos”, como o consultor de empresas Wagner Bacha, 45. “Não vale a pena se aborrecer, só atrasa mais a viagem. Não considero que uma fechada seja uma ofensa, o outro motorista nem me conhece. Se tenta mostrar força, só me passa insegurança”, diz o consultor. Bacha afirma ser calmo e buscar transmitir seu modo de vida para o trânsito. Porém, é comum que pessoas mudem de comportamento ao assumir a direção. “A maioria dos indivíduos agressivos no trânsito é portador de transtorno explosivo intermitente [TEI]. O ambiente encontrado no tráfego é desencadeador desse comportamento”, diz Idaura Lobo Dias, da Perkons. De acordo com Chris Tennant, responsável pelo estudo da LSE, “criamos personalidades ao volante das quais não gostamos, tipos de motoristas que representam as diferentes formas como lidamos com frustrações e sentimentos fortes”. O especialista afirma ainda que existe a possibilidade de um mesmo condutor manifestar diferentes características de personalidade enquanto dirige.


A PESSOA ATRÁS DO VOLANTE Conheça os sete perfis de motoristas

ESCAPISTA Seu carro é o refúgio onde ouve música alta com os vidros fechados. Evita qualquer tipo de relação com o estresse do trânsito que o cerca, e a distração pode colocá-lo em situação de risco

CONCORRENTE Precisa chegar à frente de todos os demais motorista e se irrita com a “lerdeza” dos outros. É o motorista que ‘costura’ no trânsito e não tem pudores ao furar a fila no pedágio.

JUSTICEIRO Quer punir os outros que, segundo sua opinião, se comportam mal, vai atrás de quem fechou seu carro, discute no trânsito e só sossega após transmitir uma lição de moral

PROFESSOR Conhecedor das regras do trânsito, faz questão de apontar o que outros motoristas fizeram de errado (troca de faixa sem dar sinal, por exemplo) e espera ter seu “esforço” reconhecido.

SABE-TUDO Ninguém dirige melhor do que ele, todos os outros condutores são incompetentes. É o mal-humorado que grita ordens como “fica na sua faixa”, geralmente seguidas de um palavrão

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FILÓSOFO Aceita os erros de outros condutores sem perder a calma, tentando explicar racionalmente o porquê das atitudes imprudentes. Consegue controlar as emoções enquanto dirige

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CUCA FRESCA Se maus motoristas estão fazendo barberagem ao redor, ele tenta ignorar e segue adiante, ou apenas libera passagem para se livrar de possíveis problemas no trânsito

FONTE LSE (London of School Economics and Political Science) e Goodyear

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comportamento

O PREÇO DA FÚRIA Quanto custam (em dinheiro e pontos na carteira) algumas das multas ligadas ao comportamento agressivo no trânsito n Ultrapassar pelo acostamento ou pela contramão sem visibilidade suficiente: Infração gravíssima. Multa de R$ 957,70 com abertura de processo que pode levar à perda da habilitação. n Ultrapassar pela direita e deixar de dar passagem pela esquerda quando solicitado: Infração média Multa de R$ 87,13 e quatro pontos na carteira n Ultrapassagem perigosa (entre veículos que estão transitando em sentido opostos, em via de mão dupla): Infração gravíssima Multa de R$ 1.915,40 com abertura de processo que pode levar à perda da habilitação n Não guardar a distância de 1,5 metro de ciclistas: Infração média Multa de R$ 87,13 e quatro pontos na carteira n Deixar de dar preferência ao pedestre quando ele iniciar a travessia de uma rua: Infração grave Multa de R$ 127,69 e cinco pontos na carteira

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Para Fábio de Cristo, doutor em psicologia do trânsito, mudanças na forma como se aprende a dirigir ajudariam a melhorar o convívio nas ruas. “O desafio da educação para o trânsito na formação do condutor nos próximos anos é centrar-se nas consequências e nos riscos advindos do não cumprimento das normas em vez de focar apenas sua memorização”, diz o especialista, que é também administrador do Portal de Psicologia do Trânsito (portalpsitran.com.br). CALMA NO TRÂNSITO Nos anos 1970, ter um rádio toca-fitas no carro era um dos maiores luxos. Hoje, mais de 90% dos veículos que saem das lojas trazem ao menos ar-condicionado e direção hidráulica. São itens fundamentais para reduzir o estresse a bordo, mas há detalhes que nem sempre são percebidos. “A função das fabricantes é fazer com o que o cliente sinta aconchego ao estar dentro do automóvel, sensação que traz tranquilidade. Temos modelos com luz ambiente pensada para diminuir o estresse, em tons de azul”, diz Adília Afonso, supervisora de design da Ford para América do Sul. Carros de luxo podem ser equipados com massageadores nos bancos. No Volkswagen Passat (a partir de R$ 158,2 mil), o item é vendido em um pacote de opcionais que custa R$ 5.160. Para quem fica preso no tráfego, um dos melhores antídotos para o estresse é o câmbio automático. Ao evitar o movimento de acionar a embreagem e o câmbio, o motorista se cansa – e se irrita – menos. Entretanto, nada conseguirá controlar o estresse caso o motorista não saiba o que está fazendo. “Muitos aprendem a dirigir de forma precária. O aprendizado deve ser realizado por etapas. O aluno tem que se desenvolver por meio de exercícios individuais, treinar técnicas de curvas, adquirir noção

PARA MANTER O CONTROLE ENQUANTO DIRIGE POSIÇÃO CORRETA Acomode-se corretamente no assento do motorista. Sentado, estique os braços e veja se consegue tocar os punhos no alto do volante sem tirar as costas do banco. As pernas devem estar levemente flexionadas. MOVIMENTE-SE Quando estiver parado no trânsito, movimente devagar a cabeça para trás e para a frente. Em seguida, mexa os ombros em círculos. PEGUE LEVE Certifique-se de que as mãos estão relaxadas no volante. Segurálo com muita força prejudica a circulação sanguínea. TIRE O PESO Contraia os glúteos para liberar a tensão da coluna vertebral. Muitos motoristas que sofrem de ansiedade ao volante, instintivamente, ficam tensos nas nádegas e na região lombar. PARE E ESCUTE Vibrações e ruídos fora do normal no carro contribuem para a irritação do motorista; se o veículo apresentar anormalidades como essas, é hora de levá-lo à oficina.

de espaço e saber controlar pedais”, diz Sérgio Carlos dos Santos, diretor do Centro de Formação de Condutores e da empresa Dirigindo Bem. Eduardo Sodré / Folhapress.


Avaliação psicológica de motoristas pode se tornar permanente

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livre circulação de automóveis conduzidos por pessoas precariamente treinadas ou psicologicamente despreparadas é um dos problemas mais frequentemente observados no trânsito de Lauro de Freitas. É comum, por exemplo, que motoristas forcem a entrada na via de circulação simplesmente avançando sobre a pista, como se o tráfego da rua é que devesse parar para dar prioridade a quem quer entrar. O correto é aguardar até que a via esteja desimpedida para então ganhar a pista. Ao forçar a entrada na via, o motorista trava o trânsito e piora uma situação que já era ruim. Em vez de aguardar ele mesmo, ainda que por minutos, obriga dezenas de outros a parar. Como nada conseguirá controlar o estresse de um motorista não sabe o que está fazendo, essas pequenas situações diárias tendem a causar grandes problemas de trânsito. Muita gente considera normal e correto entrar na via de circulação pela pista oposta em que estava estacionado o carro, engrenando a marcha à ré em plena contramão. A manobra trava o trânsito nas duas pistas apenas para dar comodidade a um motorista. Parar em fila dupla interrompendo o tráfego sem a menor cerimônia é outra prática comum em Lauro de Freitas e Salvador. Há pessoas que simplesmente ignoram a existência de outros veículos na via. São comportamentos que podem estar ligados ao treinamento precário, mas também ao despreparo psicológico para conduzir um automóvel. Mudanças A exigência de avaliação psicológica permanente para todos motoristas, tanto na primeira habilitação como nas renovações, consta de uma das propostas de

No Código de Trânsito Brasileiro, não diz um mínimo de teor alcoólico para haver multa de trânsito, com isso, se for acima de zero será considerado uma infração de trânsito. No Artigo 165 do CTB, está descrita as penalidades para esta infração. Porém são dois casos encontrados: uma de apenas infração de trânsito e outra de crime. Art. 165 do CTB, é de R$1915,30 o valor da multa e mais o recolhimento da habilitação e a suspensão do direito de dirigir por 12 meses, além de ter o veículo retido até apresentar condutor habilitado. A penalidade por crime é bem mais severa e se configura quando aparece acima de seis decigramas de álcool no sangue, ou 0,3 miligramas de álcool por litro de ar alveolar, Artigo 306 Código de Trânsito Brasileiro. alteração do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) em tramitação no Senado. A legislação atual prevê a avaliação psicológica só para o condutor que exerce atividade remunerada com o veículo. Os demais são submetidos a essa avaliação somente na primeira habilitação. Pelo projeto do senadotr Davi Alcolumbre (DEM-AP), todos os motoristas, estejam ou não no exercício de atividade remunerada, serão submetidos ao exame psicológico para a primeira habilitação e demais renovações. “Precisamos ter a garantia de que o cidadão está apto para dirigir”, defende. O senador argumenta que, na primeira avaliação, o candidato vem desprovido da carga emocional acumulada do estresse “que acompanhará sua trajetória a partir de então”. Ele lembra que há muitas doenças psicológicas, como a depressão, que podem comprometer a direção de um veículo. Código antigo O Código de Trânsito Brasileiro completou em 2016, 18 anos de vigência. Saudado à época do lançamento como

uma legislação ampla e moderna, o código define conceitos, regras de sinalização, papel dos entes públicos, previsão de multas e muitos outros assuntos relacionados ao trânsito – como a obrigatoriedade do cinto de segurança, uma das principais mudanças determinadas pelo CTB. Para o pesquisador em transporte e meio ambiente Carlos Penna Brescianini, o texto ainda pode ser considerado atual. Com especialização e mestrado na área, Brescianini lembra que o CTB reconhece que as ruas são para todos: pedestres, ciclistas e automóveis. Entretanto, pondera, não temos a execução de políticas que permitam ao Brasil tornar-se um país de alta mobilidade. “A questão é que a visão do governo tem sido de pensar no transporte público como exclusivamente rodoviário”, lamenta. Ele cita como exemplo a falta de calçadas, apesar de o código prever a existência delas. Na prática, diz o pesquisador, o pedestre é ignorado. Outro exemplo da falta de execução política é a estrutura para os ciclistas. O código prevê “promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas”. Mas “os u Outubro de 2016 | Vilas Magazine | 23


cidade

ciclistas são incentivados a usar as ruas disputando o espaço com os automóveis. Isso é gravíssimo”, alerta. Brescianini explica que a orientação de dirigir a 1,5 metro de distância de um ciclista parece correta, mas não é. Ele lembra que as faixas de rolamento têm entre 2,5 e 3,3 metros de largura. Os veículos têm, em média, de 2 a 3 metros de largura. Assim, questiona, “como permitir um ciclista e um veículo dividirem a mesma faixa, mantendo 1,5 metro de separação? ” Ao longo dos anos, o código vem sofrendo alterações. Uma delas foi a Lei Seca, que inseriu na legislação medidas para inibir o consumo de bebida alcoólica pelos motoristas. Outra mudança, feita em 2009, exigiu que os carros novos tenham airbag frontal para condutor e passageiro do banco dianteiro. A exigência foi incorporada de forma progressiva, até que em 2014 todos os carros zero quilômetro passaram a sair de fábrica com os airbags frontais. Alteração promovida no ano passado liberou de licenciamento e emplacamento as máquinas agrícolas e os veículos usados para puxar essas máquinas. Presidente da ONG Trânsito Amigo, Fernando Diniz aponta a proibição de falar ao celular e o uso de cadeirinhas para crianças como evoluções importantes no código. Ele lamenta, no entanto, o fato de muitos pais negligenciarem a compra da cadeirinha certificada pelo Inmetro.

Faixa de pedestre e ciclovia segregada são exemplos positivos

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pesar do alto número de acidentes e mortes, é possível encontrar bons exemplos no trânsito do país. Um deles é o respeito à faixa de pedestre em Brasília. Isso é resultado de uma grande campanha para que o motorista respeitasse a faixa de pedestre lançada pelo senador

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Ação do Rotaract Club Lauro de Freitas, em 2013 chamou atenção para o respeito à faixa de pedestres Cristovam Buarque (PPS-DF) quando foi governador do Distrito Federal, entre 1995 e 1998. Segundo Buarque, o número de leitos para traumatizados era insuficiente no início do seu governo. Com a campanha por um trânsito mais seguro e mais humano, porém, os hospitais começaram a registrar sobra de leitos para traumatizados. “Eu gostaria que tivesse isso no Brasil inteiro”, diz Cristovam Buarque – “as cidades que fazem isso têm uma autoestima muito grande”. O senador destaca que “Brasília tem orgulho de ter respeito à faixa de pedestre”, sublinhando que a qualidade do trânsito passa pela educação, pelo transporte público e pela redução do número de carros na rua. Para o pesquisador Carlos Penna Bres-

cianini, outro bom exemplo de política de transporte é a construção de ciclovias segregadas – mais seguras em razão da pista separada dos demais veículos – ainda raras nas cidades brasileiras. Brasília e Campo Grande são exemplos de cidades que já têm ciclovias segregadas. Brescianini concorda com Cristovam Buarque na tese de que não se deve mais incentivar o uso de automóvel particular. Há mais de 75 milhões de automóveis para 202 milhões de brasileiros. “É praticamente um automóvel para cada três cidadãos”, observa. “As pessoas têm direito a comprar e usar automóveis, mas o governo tem de ofertar transporte rápido, barato, limpo e seguro para toda a população”, completa.

Mais equipamento de segurança também está em discussão

os motoclicistas representaram 29% das mortes no trânsito. A inclusão da câmera de marcha a ré como equipamento obrigatório a partir de 2020, para todos os veículos zero quilômetro, é mais uma proposta em discussão. A instalação desses dispositivos, de acordo com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), visaria evitar atropelamentos causados por manobra de veículos em marcha a ré – acidentes que acometem principalmente crianças, idosos e pessoas com deficiência. Um dado agravante neste tipo de acidente é que em vários casos as vítimas são atropeladas por membros da própria família, “com consequências absolutamente devastadoras para a vida dos envolvidos”.

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utras propostas de alteração do Código de Trânsito Brasileiro são mais voltadas para a tecnologia de segurança. Duas delas tornam obrigatório o sistema antitravamento de rodas (ABS) para todos os tipos de veículos. Pela legislação atual, as motocicletas, por exemplo, não são obrigadas a ter esse equipamento. Levantamento do Instituto Avante Brasil mostra que em 2013


Violência no trânsito continua sem solução de mortes no trânsito da Europa. A pesquisadora registra ainda que a média de crescimento anual de mortes no trânsito brasileiro para este período é de 2,57%. Com base nesses números, pondera, é possível dizer que o Brasil chega a registrar 119 mortes no trânsito por dia e 5 mortes por hora.

Trânsito travado em rotatórias de Vilas do Atlântico: cada um pensa apenas em si mesmo. Muitos motoristas desconhecem a preferência

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Instituto Avante Brasil divulgou, há dois anos, um estudo que aponta o Brasil como o 4º país do mundo em número absoluto de mortes no trânsito. China, Índia e Nigéria ocupam os primeiros lugares do ranking. Na China, em 2010, foram registrados quase 276 mil óbitos no trânsito. O Brasil registrou 43 mil mortes. Dos dez primeiros países na pesquisa, nove não estão no grupo de países mais desenvolvidos. A exceção é os Estados Unidos, país que tem a maior frota de veículos do mundo: mais de 250 milhões de veículos, quase quatro vezes mais que a frota brasileira. Os Estados Unidos apresentam, no entanto, o menor número de mortes por 100 mil pessoas do grupo (11,4, contra 22 do Brasil). O instituto divulgou no ano passado um estudo com base em informações do Datasus e do Eurostat, organização que produz dados estatísticos para a União Europeia. O estudo compara a evolução da incidência de mortes em acidentes de trânsito no Brasil (de 2000 a 2013) e na União Europeia (de 2000 a 2014). Em 2000, o Brasil registrava 171 mortes em acidente de trânsito por 1 milhão de habitantes. Na União Europeia, esse número foi de 117. Em 2013, o índice

do Brasil subiu para 210, enquanto na Europa baixou para 51, em 2014. Ao contrário do que vem acontecendo na Europa, que obteve uma queda na taxa de mortes no trânsito nos últimos anos, o Brasil teve um aumento. Para a coordenadora da pesquisa, Flávia Mestriner Botelho, o número europeu pode ser o resultado da adoção de políticas de prevenção. Vias e carros mais seguros, políticas de conscientização e limites ao tráfego e à velocidade são medidas que poderiam explicar a queda

Perfil das vítimas O Instituto Avante Brasil também pesquisou o perfil das vítimas de acidentes entre 2004 e 2013. As faixas de idade que mais apresentaram crescimento foram a de adultos entre 40 e 59 anos (aumento de quase 40%, passando de 8,5 mil mortes em 2004 para quase 12 mil em 2013) e a de idosos com mais de 60 anos (com aumento de 50%, passando de 4,3 mil mortes para 6,5 mil, entre 2004 e 2013). Os idosos foram as principais vítimas das mortes de pedestres no trânsito em 2013, representando 32% das mortes. Entre os ciclistas, a faixa etária mais vitimada foi a de adultos entre 30 e 49 anos. Quase a metade das mortes (48%) em decorrência de acidentes com motocicletas são de jovens entre 15 a 29 anos. Já os adultos entre 30 e 49 anos são as principais vítimas dos acidentes que resultam em morte nos automóveis, representando 36% do total.

Código de Trânsito explica que tem a preferência na rotatória o veículo que já estiver em circulação nela

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comportamento

Psiquiatra sensação da internet e chefe do estudo mais longo já feito sobre envelhecimento, Robert Waldinger diz que para ser feliz o importante é não fumar, beber só de vez em quando e ter laços afetivos fortes com os amigos e com a família

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COMO SER FELIZ?

segredo da felicidade não é a ignorância, tampouco a redução das expectativas. Riqueza e fama, obsessões dos mais jovens, também não garantem nada. A chave para uma vida longa e feliz, revelam pesquisadores de Harvard, nos Estados Unidos, é a força dos relacionamentos – com o parceiro, principalmente, mas também com a família e os amigos. Atual diretor do estudo que descobriu a “fórmula mágica”, o psiquiatra Robert Waldinger se tornou uma celebridade disputada em todo o mundo. Na internet, uma palestra que ele proferiu sobre o tema já teve mais de 10 milhões de visualizações. Em entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo, por telefone, o psiquiatra afirma que os resultados foram além do esperado. “Não me surpreende saber que relações fortes não só tornam as pessoas mais felizes, mas também as tornam mais saudáveis”, diz. Com base em dados coletados durante quase oito décadas, os pesquisadores observaram que a manutenção de relacionamentos significativos é o principal fator de influência para o bem-estar e a saúde, capaz de reduzir o risco de doenças crônicas e mentais e a perda de memória. E relacionamento forte não é sinônimo de mar de rosas – as relações podem, sim, ter seus altos e baixos. “O importante é que as pessoas sintam que podem contar com o outro nos momentos difíceis”, diz Waldinger. No campo profissional, vale a mesma regra. 26 | Vilas Magazine | Outubro de 2016

Aqueles que procuram novas amizades depois da aposentadoria são mais felizes e saudáveis do que os que largam o trabalho e, com ele, os laços sociais. A pesquisa, que gerou centenas de artigos científicos e alguns livros, começou com 268 alunos de Harvard, em Boston, em 1938. “O objetivo inicial era acompanhar jovens homens saudáveis para saber quais fatores eram mais importantes em seu desenvolvimento”, afirma Waldinger. Na mesma época, um professor da universidade começou um estudo com homens dos bairros mais pobres da cidade. Mais tarde, 466 desses jovens – que vieram de lares problemáticos, mas não caíram na delinquência – passaram a ser avaliados junto com os universitários. Os participantes preenchem a cada dois anos um questionário com perguntas sobre saúde física e mental, trabalho, relações amorosas, amizades e filhos. Com o tempo, foram incluídas questões sobre o impacto físico e emocional do envelhecimento. As perguntas também foram mudando ao longo dos anos, para incorporar novas descobertas da ciência. “Aprendemos que a solidão afeta não só o bem-estar emocional mas também a saúde física, algo que desconhecíamos em 1938 ou na década de 1950”, explica. Em um intervalo maior, a cada cinco anos, são coletados exames médicos dos participantes, que hoje incluem até amostras de DNA. Por fim, a cada dez anos é realizada uma entrevista presencial. O estudo também apontou os grandes vilões


Cigarro Para envelhecer bem fisicamente, a atitude única mais importante é não fumar. Já o álcool deve ser consumido com moderação, porque o abuso da substância é a primeira causa de divórcio e está relacionado à depressão. O uso crescente das mídias eletrônicas também é visto com preocupação. Assim como nas décadas de 1950 e 60, quando a difusão da TV afastou milhões de pessoas de atividades comunitárias e as jogou no sofá, o tempo diante das telas de celulares e tablets vem reduzindo o contato interpessoal e ajudando a formar uma visão distorcida – e ameaçadora – do mundo. “Na TV, grande parte da programação é sobre crimes e desastres naturais, o que dá a impressão de que o mundo todo está constantemente engolfado em chamas e todo mundo matando todo mundo. Isso faz com que as pessoas se sintam amedrontadas e estressadas”, alerta. Desde 2003, quando assumiu a pesquisa, Waldinger abriu o leque para incluir algumas mulheres e filhos dos participantes originais – as “crianças” estão hoje na casa dos 60 anos. “A impressão que temos é que as mulheres dão mais atenção às relações. São elas que fazem os homens se comprometerem com a pesquisa. Esperamos saber mais ao estudar a próxima geração”, diz. Agora, o estudo segue com os 20 participantes originais do estudo de Harvard que continuam vivos, com idade média de 96 anos, e 80 homens uma década mais jovens do outro grupo. E por que justamente esses chegaram até aqui? “Não sabemos com certeza o que permitiu que esses homens em especial estejam vivos. Muitos fatores contribuem, inclusive uma dose de sorte. Vemos que pessoas que cuidam de si, não fumam, não abusam de álcool, fazem exercícios regularmente e sofrem menos estresse, além de ter relações felizes, vivem mais tempo, em média”, conclui o psiquiatra. Rachel Botelho / Folhapress.

Tirar filho do pedestal pode aliviar culpa da maternidade

U

m século depois de cunhar a expressão “Sua majestade, o bebê”, Freud, se estivesse vivo, teria de atualizá-la para os novos tempos. O bebê ou a criança não é mais somente o rei da casa – foi elevado à categoria de um ser que tudo pode e que, ao nascer, transforma a mulher em outra pessoa, sem direitos nem vontades, mas cheia de culpa: a mãe. “Os Filhos da Mãe” (Editora Leya, 224 págs.), novo livro da psicanalista e pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Psicanálise e Educação da USP Marcia Neder (foto), aborda as raízes e consequências da “infantolatria” que existe no Ocidente e a culpa na maternidade, que vem a reboque. Aponta também caminhos para libertar as mulheres das expectativas irreais sobre o papel de mãe, como uma formação que inclua os homens na criação dos filhos e a abertura para se falar sobre o lado B da maternidade, seu tédio e suas dores. Leia a seguir, os principais trechos da entrevista. O subtítulo do seu novo livro é “Como viver a maternidade sem culpa

Essa modinha de parto sem anestesia, de deixar a vida de lado para cuidar da criança são coisas brasileiras. O que eu escuto de criticas às mães que “largam” o filho na creche para ir à praia... As mulheres dizem: ‘Para que ela teve filho?’

Fabio Teixeira / Folhapress

de uma vida saudável e feliz. Nesse ponto, no entanto, não há muitas surpresas.

e sem o mito da perfeição”. Isso é possível em uma sociedade que cobra da mulher dedicação total aos filhos sem prejuízo a outros aspectos da vida? Marcia Neder - É possível, mas é um processo pessoal e doloroso. Meu filho tem 28 anos e desde pequeno eu cobrei dele que lavasse a louça, colocasse a mesa, tivesse responsabilidades próprias. O homem tem que receber a formação para que se sinta incluído nos cuidados com os filhos. A geração que tem 30 anos hoje já tem noção de que o homem vai ter que assumir sua parcela, o que leva muitos a não quererem ser pais. E é importante permitir que se fale sobre o tédio e a dor que pertencem à maternidade. O movimento feminista defende há décadas o direito da mulher sobre seu corpo e suas escolhas, inclusive a de não amamentar. Há um retrocesso com as pressões e obrigações que recaem sobre as mães? A militância deslumbrada que quer que o bebê fique colado no corpo da mãe e durma na cama dos pais é a mesma da Liga da Amamentação, que começou no pós-guerra com mulheres que se reuniam em Chicago para se ajudar com a amamentação e que se transformou em doutrinação. Não pode colocar o filho na creche porque é uma u Outubro de 2016 | Vilas Magazine | 27


comportamento

u violência, a mãe é obrigada a amamentar por anos... Os preceitos da Liga se ampliaram para esse tipo de exigência, e a adesão foi tão grande que pegou até na França, onde o feminismo é muito vivo. A “infantolatria” não é um fenômeno brasileiro? Não, ela é comum no Ocidente. Cito o filme “As Pontes de Madison” e séries americanas que mostram o filho no centro da vida familiar. Mas essa modinha de parto sem anestesia, de deixar a vida de lado para cuidar da criança são coisas muito brasileiras. O que eu escuto de criticas às mães que “largam” o filho na creche para ir à praia... As mulheres dizem: “Para que ela teve filho?” A continuação desse pensamento é: “se não foi para olhar para o filho 24 horas por dia”. A posição central dos filhos na vida familiar afeta seus membros de forma diferente. Quem é o mais prejudicado? Todos. O pai é o que menos percebe, mas perde o vínculo afetivo, é reduzido à função de provedor. A mãe desaparece como mulher e como pessoa, e o crescimento do filho é doloroso para ela porque implica em separação. A cada desejo de independência, sente uma culpa e recua na autonomia psíquica. E o casal, que lugar resta para ele nessa configuração? Nenhum, daí o alto índice de separações. O marido perde o lugar. Surge o ciúme por estar fora do casal formado por mãe e filho e a inveja de não ter esse vínculo que é promovido pela cultura. Recentemente, uma mulher escreveu em uma rede social que detestava o papel de mãe e teve o perfil bloqueado. Por que é difícil ouvir essa queixa? Idealizamos a maternidade a tal ponto que não se pode dizer que ela é sufocante, que tem horas que enche. Para todo mundo ela tem momentos insuportáveis, mas somos proibidos de falar sobre isso. Você diz que especialistas contribuem para a idealização do vínculo da criança com a mãe. De que forma? Fico enlouquecida quando leio gente dizendo que é preciso se agachar para falar com o filho ou que é proibido gritar. É gente que vive em outro planeta ou que não é mãe. Na década de 1950, os homens voltaram da guerra e precisavam dos empregos que as mulheres haviam ocupado, então arrumaram para elas a função de responsável pela criança. Esse discurso teve apoio de médicos e psicanalistas. Eles diziam que não havia nada mais importante para a criança do que a mãe. Existe diferença entre as funções materna e paterna? Não. O que há é uma diferença entre ser adulto e criança. O bebê precisa de um adulto, não de um pai e uma mãe. Ser mãe é mais fácil ou mais difícil hoje do que há 30 anos? É mais difícil se olharmos as exigências, mas você pode não se deixar dominar por elas. Você não é uma criminosa nem será excomungada se quiser ficar de perna para o ar. E é mais fácil porque há possibilidade de escrever que a mãe não precisa ser perfeita porque a perfeição não existe e esse é um ideal massacrante. Rachel Botelho / Folhapress.

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CASAR ENGORDA ? Em geral, sim. Um no­vo estudo mostra que solteiros são mais magros, mas há quem aproveite o casamento para ema­grecer em dupla ou dar bom exemplo aos filhos

Q

ue o casamento faz bem à saúde já se sabe: a ciência aponta que viver com um parceiro reduz o risco de doenças cardiovasculares e respiratórias, melhora a qualidade de vida e reduz o estresse. Mas, quando se trata de manter o corpo em forma, são os solteiros que ganham – ainda que a alimentação deles não seja das melhores... Um novo estudo, publicado no “Journal of Family Issues”, concluiu que, em geral, solteiros e divorciados são mais magros do que pessoas casadas. A pesquisa se baseou em dados de entrevistas realizadas com norte-americanos ao longo de duas décadas, a partir de 1979. A hipótese do pesquisador Jay D. TeaRogério Pezzutto e Carol Gomes aproveitaram o nascimento da filha para adotar hábitos mais saudáveis


Mário Tucillo trocou as festas da vida de solteiro por programas que envolvem comida no casamento Karime Xavier / Folhapress

chman, professor de sociologia na Western Washington University, é que as pessoas descompromissadas têm um incentivo importante: o mercado da paquera. Especialistas atestam que o desejo de encontrar alguém para chamar de seu é, sim, um dos motivos que levam muitos recém-divorciados e solteiros ao consultório. Além disso, enquanto os solteiros costumam ter tempo para a atividade física e encaram o jantar como mais uma refeição do dia, depois do casamento é comum deixar a malhação de lado para ficar em casa com o marido ou a mulher, afirma Cintia Cercato, presidente do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. “O jantar também muda, porque é a refeição que eles fazem juntos. Passa a ser a melhor hora do dia, que o casal tenta prolongar repetindo a comida, bebendo um vinho.” Foi exatamente o que aconteceu com André Giglio, 35, de Salvador, que ganhou 10 kg nos três primeiros anos de casamento. O administrador, que no tempo de solteiro não tomava café da manhã e à noite comia no máximo um sanduíche leve, aumentou a participação na cozinha depois de se casar com a administradora Priscila Giglio, 35. “As refeições que na época de namoro eram restritas ao fim de semana, como

o risoto acompanhado de um vinho, se tornaram um hábito de todo dia”, conta. Priscila também ganhou peso, e aponta o dedo para a má alimentação do marido. A “transmissibilidade” dos maus hábitos pode parecer desculpa, mas estudos demonstram que é mais fácil ser influenciado por maus hábitos do que por bons. O chef de cozinha Mário Tucillo, 33, também reclama das “más influências”. No caso dele, os “culpados” pelo ganho de peso são os amigos. “Antes ia mais a festas. Depois de casar, a maioria dos encontros com os amigos envolve comida”, diz ele. Já a coordenadora operacional Débora Ramos, 29, não precisou nem dividir o teto para ganhar peso. Quando começou danilo verpa / Folhapress

a namorar, trocou as pistas de dança pelo sofá e o arroz e feijão da avó por lanches rápidos. “Ficávamos vendo filme em casa e comendo muita besteira.” Com o casamento, ganhou mais 7 kg. Depois da separação, Débora emagreceu. “Troquei o fast food por salada, iogurte e frutas, coisas fáceis, mas saudáveis. Queria estar bonita para paquerar”, conta. Mas dá para ser casado e usar isso a favor da boa forma e da vida saudável. A chegada dos filhos, por exemplo, pode ser um momento de virada na alimentação do casal, como conta o engenheiro Rogério Pezzutto, 44. Ele aproveitou o nascimento da filha, hoje com oito anos, para dar mais atenção às refeições. “Queria dar a ela o exemplo”, conta. Os casados que desejam retomar a boa forma não devem perder a esperança, mas aproveitar a companhia para reverter a situação juntos. “Se um faz dieta, e o outro não, é um problema. Sempre o que quer emagrecer acaba seguindo o que não quer”, diz Ana Maria Pita Lottenberg, coordenadora do curso de pós-graduação em nutrição do hospital Albert Einstein. A enfermeira Marcela Marrach, 27, que mora há pouco mais de um ano com Stephano Mendes, 28, que o diga. Depois de ficar muito mal-humorada com a dieta que ele fez para uma competição, os dois combinaram de fechar a boca há dois meses para curtir as férias em forma. “A gente queria estar bem um para o outro, e fazer a dieta juntos foi muito melhor do que quando só ele queria emagrecer”, comemora. Morar sozinho, no entanto, não garante nada. Outro estudo recente, publicado na revista “Nutrition Reviews”, avaliou 41 pesquisas para descobrir as diferenças na alimentação de adultos que vivem sozinhos e que moram com uma ou mais pessoas e concluiu que quem mora só costuma ter uma alimentação menos variada. Os homens solitários são ainda mais inclinados aos maus hábitos que as mulheres, segundo a pesquisa. Rachel Botelho / Folhapress.

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turismo

Nos tempos do barão Casarões que movimentaram a economia brasileira no século 19 se remodelam para oferecer roteiros com apresentações temáticas e estrutura de hotel aos turistas do século 21 Na região que engloba 15 cidades do RJ, antigas fazendas de café têm sua estrutura melhorada para recontar a turistas parte da história do Brasil

Varanda da fazenda Alliança, em Barra do Piraí.

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cena, ocorrida ainda nos anos 1990, espantou a dona da fazenda, Núbia Vergara Caffarelli: um grupo de 40 senhoras percorria os cômodos do casarão bisbilhotando os espelhos, as

penteadeiras, os altares e as porcelanas. Próxima do centro de Vassouras (RJ), a fazenda Cachoeira Grande era a residência de campo da família de Núbia e não ficava aberta para visitas – daí seu susto.


Divulgação

Wellington Santiago / Divulgação

O tour improvisado, obra de sua tia de 80 anos, Magdalena, despertou-as para o valor histórico do lugar e o potencial de um novo negócio. Magdalena, então, começou a organizar, como fizera com aquelas senhoras, cômodo a cômodo, pequenas excursões pela fazenda. Quase 15 anos depois, as visitas se tornaram oficiais. Incluem pães de queijo, doces e café. “É gratificante compartilhar um pouco da nossa história. Devo isso à minha tia”, diz Núbia, hoje responsável por conduzir as visitas ao lado do marido e do filho. Assim como a família Caffarelli, outros proprietários começaram a se interessar

Mesa de café na fazenda Florença, em Conservatória pela empreitada de receber visitantes nas fazendas – a maioria, dos tempos em que o café, plantado na parte fluminense do vale do rio Paraíba, era o motor da balança de exportação do Império no Brasil (de 1822 a 1889). Estava criada, então, a denominação turística do Vale do Café, que engloba hoje 15 municípios da região no Rio. No final de 2015, o grupo implantou melhorias na estrutura de visitação. Uma espécie de esquema de plantão faz dez propriedades se revezarem para garantir que em qualquer dia da semana haja pelo menos um casarão histórico aberto a visitas (programação em valedocaferio. wordpress.com). Outra iniciativa são tours com apresentações teatrais e refeições especiais (leia texto na pág. ao lado). passado e presente Hoje, o lugar que é conhecido por Vale do Café quase já não produz o fruto. A combinação da exaustão do solo com o fim da escravidão no país (as fazendas tinham mão de obra quase totalmente formada por escravos) fez com que a produção entrasse em crise e não se recuperasse. O acervo histórico, no entanto, impressiona os visitantes. Na Cachoeira Grande, por exemplo, há objetos como um lustre que pertenceu ao palácio Schönbrunn, em Viena (Áustria), e outros móveis dos séculos 18, 19 e 20 garimpados em leilões e antiquários. A construção de 1825, que tinha 18 quartos e 65 janelas, pertenceu ao barão de Vassouras, Francisco José Teixeira

Leite, na época em que o café movia o vale do Paraíba, em meados do século 19. A fazenda do Paraízo, em Rio das Flores, é mantida pela mesma família há cem anos. O casarão de dois andares foi um dos primeiros a ter iluminação a gás no país e abre a visita aos turistas com a vista de uma grande escada de madeira e pinturas imitando mármore nas paredes. Quase tudo é original da época em que o casarão abrigava a família de Domingos Custódio Guimarães, o visconde do Rio Preto, que foi dono de 1 milhão de pés de café em nove fazendas. Construída entre 1845 e 1853, a casa tem 58 cômodos e 99 janelas. Ostenta lustres de cristal, mobiliário francês, estátuas de bronze... A fazenda também mantém preservado o engenho de beneficiamento de café. Algumas propriedades investiram numa estrutura de hotel para atrair mais turistas. Nelas, os arredores da sede histórica receberam atrativos como piscinas, quadras de tênis e brinquedotecas. É o que acontece na Florença, em Conservatória, que foi cenário para a novela “A Escrava Isaura” (1976). Construída em 1852, expõe uma coleção de itens como um berço em estilo barroco revestido de ouro do século 19 e um costureiro (peça em que eram guardados acessórios para bordado) inglês vitoriano. Com um casarão de 1836 tombado, a fazenda União, em Rio das Flores, manteve sua estrutura, instalou spa e sauna e promove atividades como arvorismo, cavalgadas, pesca e passeio de charrete. Marília Miragaia / Folhapress.

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turismo

Turista é transportado ao passado com saraus dos novos roteiros

“O

ra veja você, sinhazinha, é aqui no chafariz da praça que se sabe das fugas e alforrias dos escravos”, diz, para puxar conversa, uma mulher de saia rodada, badulaques e leque na praça da matriz, em Vassouras. Quase sem perceber, o turista ri dos gracejos, entretido pelas histórias da época do Império contadas por Andreia Alves da Silva, turismóloga conhecida como Pit, que encarna uma escrava alforriada em frente à igreja de Nossa Senhora da Conceição todo sábado pela manhã. A encenação, organizada pela Prefeitura de Vassouras, é uma estratégia para atrair visitantes – usada por outros restaurantes, hotéis e pontos turísticos do Vale do Café. Relembrar o passado com perfor-

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mances é a intenção do projeto Tour da Experiência - Caminhos do Brasil Imperial, iniciativa de 18 estabelecimentos de Barra do Piraí, Piraí, Rio das Flores, Valença e Vassouras. Lançado no final do ano passado, o projeto oferece cinco passeios para explorar a região, com roteiros que mesclam visita a fazendas, apresentações, saraus e refeições. O tour na fazenda do Paraízo e um almoço na fazenda União, por exemplo, são parte do roteiro das Flores, que engloba uma peculiar oficina com resgate de bordados usados na época do Império. Na atividade, até quem não tem muita habilidade pode levar para casa um tecido desenhado a próprio punho com ajuda das instrutoras da Florart, associação de

Hall da fazenda do Paraízo, em Rio das Flores


Jean Tavares / Divulgação

artesãos em Rio das Flores. Outro itinerário combina um café colonial feito no forno a lenha na pousada Brisa do Vale, no distrito de Ipiabas, com sarau histórico que se passa no fim da tarde na fazenda Florença, em Valença. Nele, o guia e historiador Adriano Novaes, especializado no período cafeeiro fluminense, faz o que chama de “trabalho de dramatização” – vestido de terno e cartola, com bigodes pontiagudos bem penteados. Ao lado de outros atores (outro historiador entre eles), conduz apresentações que contam histórias de figuras como dom Pedro 2º e a princesa Isabel. Duas agências da região, a Bomtempo (bomtempo-turismo.com.br) e a Receptivo Vale do Café (silmarexcursoes.com), oferecem pacotes dos tours, com agendamento das atividades e transporte. Mas também é possível fazer as reservas individualmente.

De sotaque caipira, mesa resgata menu oferecido a imperatriz

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cozinha caipira, feita no forno a lenha e marcada por milho e carnes de galinha e porco, é a mais comum às mesas do Vale do Café.

Entre louças e cristais, quitutes como pão de queijo, broa de fubá e requeijão são servidos depois da visita à fazenda Santa Eufrásia. Da cozinha da União saem pastel de angu, panqueca de taioba, polenta. Mas, por causa da proximidade com a capital, as fazendas sofriam forte influência da corte no auge dos barões do café: em visita à Cachoeira Grande em 1884, a princesa Isabel foi recebida com um menu regado a vinhos prestigiados, como Château Lafitte e Château d’Yquem. A fazenda Florença reproduz a atmosfera com o Jantar da Imperatriz (preço e condições sob reserva), refeição com 15 etapas – entre elas o “porc croustillant au Duc de Caxias”, porco envolto em massa folhada. O mesmo se dá no Chá com a Eufrásia, no Mara Palace Hotel, que homenageia Eufrásia Teixeira Leite, filha de fazendeiros que viveu entre o Brasil e a França. O evento serve rabanadas com brioche e foie com especiarias enquanto se conta a história da pioneira na emancipação feminina. Marília Miragaia / Folhapress. Jean Tavares / Divulgação

Quitutes servidos em tour na Paraízo

Marília Miragaia / Folhapress.

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vida saudável

Cólicas em bebês são comuns até o 3º mês de vida

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cólica é uma contração na musculatura da barriga do bebê recémnascido que pode ser provocada tanto pela alimentação da mãe como a da criança. Mas os especialistas acreditam que a origem da dor está no fato de o intestino do recém-nascido ainda não estar totalmente desenvolvido para digerir o alimento e eliminar os gases. “Como o sistema gastrointestinal não está totalmente amadurecido, é muito comum o recém-nascido sentir cólicas a partir da segunda semana e até o terceiro mês . Em alguns casos, a dor pode continuar até o seis meses”, diz a pediatra Fabíola Peixoto. A alimentação da mãe pode contribuir com as cólicas. Por isso, apesar de não ter nenhuma comprovação científica, a Fabiana sugere que as mães evitem comer alimentos que provoquem gases,

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como feijão, brócolis, batata, enquanto estiverem amamentando. Também não devem ser consumidos em excesso são café, chocolate, doces e gordura. As cólicas também acontecem no caso de bebês alimentados com leite de vaca. Identificar a dor é uma das primeiras ações para ajudar o bebê. O pediatra e neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum, da Sociedade Brasileira de Pediatria, lembra que a cólica começa entre meia hora até uma hora e meia após a amamentação. “E, quando chora, o bebê estica e contrai as perninhas”, afirmou. Esse comportamento é uma forma do bebê tentar aliviar a dor. Para aliviar a dor, o pediatra recomenda massagem na barriga, em círculos e de cima para baixo, com óleo de amêndoas, e esticando e contraindo as perninhas do

bebê em cima da barriga. Se não melhorar, o médico sugere que as mães façam compressa com bolsa de água morna ou deembanho. “Se não resolver, deve procurar um médico para prescrever uma medicação”, afirma o pediatra. Choro é meio de a criança se comunicar O choro é a primeira forma de comunicação do bebê recém-nascido. Por isso, as mães e os pais devem ficar atentos para tentar identificar o choro de cólica. A pediatra Fabíola Peixoto lembra que algumas acusas devem ser levadas em consideração antes de atribuir o choro às cólicas. Isso porque, diz ela, o bebê também chora quando sente fome ou vai fazer xixi ou cocô. Regiane Soares / Folhapress.


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vida saudável

Cigarro, falta de exercícios e obesidade causam trombose Casos mais graves podem terminar com a amputação dos membros, se não houver tratamento

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edentarismo, cigarro, obesidade e diabetes são algumas das causas da trombose, obstrução de uma veia ou de uma artéria que impede a circulação do sangue. A doença pode provocar até mesmo a amputação de membros, caso não seja tratada de forma correta. A prevenção é a melhor forma de se


ver livre da trombose, caso a doença não esteja associada a uma predisposição familiar. “Evitar ou reduzir [o risco de ter] é possível a partir de tratamentos de doenças pré existentes, realização de exames preventivos e mudança de estilo de vida”, afirma o médico cirurgião vascular Lucmen Abed Ghazzaoui. Ficar sentado por muito tempo durante viagens de avião é algo que também pode facilitar o surgimento da doença, por isso é importante levantar e caminhar a cada três horas, por exemplo. “Trabalhar por longos períodos sentado ou em pé também atrapalha a circulação. Por isso, além de levantar para dar uma caminhada, vale ir a um médico e perguntar se você está apto para usar meias elásticas”, afirma o profissional. O médico afirma que, além do risco de amputação, existe também a possibilidade de um trombose levar à embolia pulmonar, que é bastante agressiva, com dor torácica (no peito) e dispneia (falta de ar). A trombose também é preocupante no período da gestação, quando pode surgir na região da placenta. “Isso vai levar a um dano muito sério, que é a diminuição do fluxo de sangue, de oxigênio e nutrientes ao bebê, podendo até a levar ao óbito intraútero [morte antes do nascimento]”, afirma o ginecologista e obstetra Domingos Mantelli. Caso a doença surja no meio da gravidez, o uso de anticoagulantes é indicado. Tabaco e pílula são bomba-relógio O médico diz que o uso de cigarro e pílula anticoncepcional são uma “bombarelógio” para trombose. “O anticoncepcional, por ser composto de hormônios como estrogênio e progesterona, contribui não somente para a formação de coágulos, mas também para que paredes das veias fiquem dilatadas. Já o cigarro contém substâncias que são pró-coagulantes.” William Cardoso / Folhapress.

Parar de fumar de uma vez só é mais eficiente, diz pesquisa

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uem para de fumar de uma vez, ao invés de reduzir gradualmente o cigarro, tem mais chance de sucesso em largar o vício. É isso o que concluiu uma pesquisa realizada na Universidade de Oxford, na Inglaterra. Segundo a pesquisa, o grupo que parou de fumar de uma vez teve 25% mais chance de obter sucesso. O fumante que tem depressão, ansiedade ou outros transtornos psiquiátricos deve tratar as doenças e seus sintomas para depois iniciar o acompanhamento para deixar de fumar. “A pessoa só pode pensar em parar de fumar se estiver estável emocionalmente”, diz a cardiologista Jaqueline Scholz. Ela recomenda que se procure um psiquiatra ou um psicólogo para tratar a causa dos transtornos. Regiane Soares / Folhapress.

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moda & beleza

Fotos: Rivaldo Gomes / Folhapress

A força do traçado duplo Com um delineador preto e um colorido, é possível fazer um olho marcante e chique; veja dicas para acertar, quando tentar em casa

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ara quem gosta de olhos bem marcantes, o delineado duplo sempre foi uma aposta. Depois de alguns anos em desuso, ele volta a agradar até as mais básicas. “O melhor é brincar com as possibilidades. Então, para acompanhar o traçado preto, podemos optar por um delineador dourado ou prateado, que são mais sóbrios e chiques, ou por um colorido, que também está na moda”, diz o maquiador Jonas Oliver. Para que o traçado fique bem evidente, Oliver dá outras dicas: “Opte por uma sombra marrom apenas para marcar o côncavo,e por uma neutra para as pálpebras”, diz. Para que o delineado dure bastante, ele indica também passar um fixador de sombra antes de começar a maquiagem dos olhos A modelo Luana Ribeiro exibe olhos com delineado duplo; acima, os traços feitos pelo maquiador Jonas Oliver

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A maquiadora Tuani Cezario explica que cada mulher pode desenvolver a própria técnica na hora de usar o delineador, mas revela que, para ela, o melhor é “sempre iniciar o traçado a partir do canto interno do olho”. Além disso, pode facilitar fazer pequenos tracinhos, um pedacinho de cada vez, e não um traço contínuo, pois a chance de esse risco sair torto é muito maior. A espessura do traçado é importante. Segundo os profissionais, o ideal é que

ele não seja muito grosso,mas que fique perceptível, ou seja, também não muito fino. Para quem tem dúvidas na hora de delinear o canto externo do olho, Oliver indica: “Quando for estender o traçado para além do olho, mire a ponta da sobrancelha. Assim, você tem uma linha guia para seguir, e o risco fica mais harmonioso.” Julia Couto / Folhapress.


Escova não é tudo igual Na hora de escolher qual escova usar, leve em conta qual o seu tipo de cabelo para conquistar fios mais saudáveis

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omprar uma nova escova de cabelo seria uma tarefa fácil se não fosse a grande variedade de formatos e tipos de cerdas disponíveis no mercado. Segundo os especialistas, escolher a escova que melhor combina com o tipo de cabelo e com a finalidade desejada desembaraçar, pentear ou modelar – faz toda a diferença no resultado final. “Utilizar uma escova que não é para o seu tipo de cabelo pode contribuir, por exemplo, para a quebra dos fios. Então, se seu cabelo é sensível, as com cerdas de náilon ou de aço não são indicadas, pois são dura se tornam o cabelo quebradiço”, explica o cabeleireiro Douglas Moura. O “hairstylist” Paulo Neto afirma que, além da escova, a forma de pentear o cabelo também faz diferença na saúde dos fios. “Iniciar a escovação pela raiz não é uma boa opção, pois os fios certamente vão se romper. É preciso realizar o processo sem pressa e começando sempre pelas

pontas. “Outra alternativa é iniciar pelo comprimento do fio, seguindo então para as pontas e, por fim, para a raiz. Colocar muita pressão na escova na hora de pentear também é maléfico, afirma a visagista e terapeuta capilar Thais Magalhães. “Os fios devem ser penteados com cuidado e delicadeza. Quando colocamos muita força para desembaraçá-los, corremos o risco de fragilizálos ou de criar microfissuras, podendo facilitar o aparecimento das pontas duplas.” Para quem gosta de modelar o cabelo em casa com secador, as escovas redondas com o corpo vazado e com a estrutura de metal são as que dão os melhores resultados. “O formato delas permite que o calor do secador seja transferido para o cabelo também por meio da escova”, afirma Moura. Cabelos cacheados No caso das mulheres com cabelos cacheados, escovas com cerdas muito próximas umas das outras tendem a alisar os fios e desmontar os cachos. “Para cabelos afro, o pente de dentes largos é o ideal, pois desembaraça sem desfazer o formato natural” afirma o “hairstylist” Wanderley Nunes. Apesar da opção dos pentes, algumas mulheres preferem deixar de lado as escovas e apenas modelar os cachos com a mão. É o caso da atendente de telemarketing Jaqueline Mendes, 34 anos. “Logo depois de lavar o cabelo, eu aplico um creme para definição dos cachos. Seco o cabelo utilizando as mãos e nunca torço a toalha na cabeça, para não deixar os fios embaraçados. Acho esta forma mais prática”, explica Segundo o“hairstylist” João Franco, para evitar que o cabelo cacheado fique embaraçado, faça movimentos leves na hora de lavar e secar os fios. “Recomendo

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que, na hora de soltar os cachos após o banho, o cabelo esteja úmido, sem muito excesso de água. Indico também que a mulher use um finalizador para manter o desenho dos cachos”, encerra o especialista. Julia Couto / Folhapress.

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Jaime de Moura Ferreira Ad­mi­nistrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, ambientalista, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@atarde.com.br

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or que algumas organizações amargam o fracasso? Por que resultados de instituições não atingem o esperado? Por que pessoas, que têm o poder nas mãos, acabam no ostracismo? A resposta decorrente é a falta de líder. Aliás, em um mundo com 7,3 bilhões de pessoas, a quantidade notória de líderes é insignificante. Esses questionamentos podem ser aplicados a todas as organizações, não importando seus segmentos: político, empresarial, social, cultural, religioso e representativo da sociedade. Tudo começa pelos gestores que não sabem distinguir o significado de poder e de liderança. O poder é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade; a liderança é “a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum” (James C. Hunter, O Monge e o Executivo). Cito alguns líderes que se destacaram pela sua influência: Jesus Cristo, Madre Tereza de Calcutá, João Paulo 2º, Gandhi, Abraham Lincoln, Martin Luther King, Nelson Mandela. O papel do líder é complexo e extremamente exigente. Inspira e cria novos seguidores; é carismático; provoca seus liderados a darem o melhor de si; motiva; enfrenta riscos; transforma grupos em equipe; busca a segurança para a equipe; orienta, treina e desenvolve seus liderados. Inicialmente, o líder analisa o ambiente externo e interno, onde atuará. Buscará criar positividade ao ambiente de sua atuação. Procurará resolver os problemas existentes, com

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O LÍDER elevado planejamento organizacional, destacando-se o operacional, administrativo e o financeiro. Reconhece a diferença entre obstáculo e desafio. Na sua atuação, a principal atitude é dar o exemplo, não com palavras, mas com ações. Para tanto, reconhece a influência que possui e mostra conhecer bastante da organização; escolhe e forma sua equipe; investe em relacionamentos; oferece sua empatia e intuição; procura inovar sempre; e define objetivos e metas claros e faz com que toda a equipe acompanhe os resultados. Dessa forma, fazer acontecer se torna o oxigênio da organização, que envolve a todos seus liderados. Com o aproveitamento dos talentos da equipe, desafia-os a pensar, luta contra expectativas negativas de alguns, e se transforma em um grande mestre, gerando amor e afeição dos comandados. Faz, permanentemente, perguntas e ouve conselhos; não destaca qualquer tipo de segregação, quer seja religiosa, de raça ou posição social, na equipe. Busca o servir, antes de mandar; aplica, sistematicamente, a regra de ouro (faça aos outros o que gostaria que lhe fizessem); recompensa os bons desempenhos e, assim, constrói a confiança, tão necessária. Porém, a confiança requer tempo para ser construída. Sem dúvidas, os liderados gostam de participar e executar as tarefas da organização, desde que sejam exequíveis e justas pois, assim, se constrói relacionamentos saudáveis, evitando-se que a cabeça dos liderados entre em rebelião. O líder deve mostrar suas realizações

e se sentir feliz com elas, tendo consciência que a qualidade dos serviços promove a moral dos liderados, pois sua execução pertence a eles. Ser líder depende do caráter da pessoa. Ele deve ser espiritualizado, não importando a religião. Identifica o poder que possui e é sua a palavra final. Deve olhar as pessoas de frente, colocar, sempre, a sinceridade em suas atitudes e ações, evitar que o relacionamento seja corroído pelo poder e satisfazer as necessidades legítimas dos liderados, dos superiores, fornecedores e clientes. O líder tem que ser flexível e, também, deve ter a alegria, pois sua ação dependerá da maneira de viver. A liderança exige firmeza, muito trabalho, capacidade de transformar colapso em sucesso, exercer influência sobre outros, reconhecer o saber coletivo, tratar as pessoas com respeito, evitar que alguns dos seus comportamentos se transformem em hábitos. Cabe ao líder distinguir tarefas de relações, definindo capacidade técnica de relacionamento e buscando e mantendo a confiança, pois, sem esta, não existe o bom relacionamento. Lembrar que as pessoas não devem ser gerenciadas e sim lideradas. Embora a maioria das pessoas ache que com o poder se resolve tudo, os voluntários não aceitam o poder e sim a liderança. É evidente que, em algumas situações, há a necessidade de se usar o poder. O líder deve identificar esse momento. Por fim, lembrar que existe a autoridade superior, possuidor de incalculável energia e inteligência, chamada Deus, que comanda todos os seres humanos.

Vilas Magazine | Ed 213 | Outubro de 2016 | 32 mil exemplares  

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