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newsletter N.º 23 | Novembro 2011

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opinião

As Lições de Inovação de Steve Jobs – e como aprender com elas Bastou Steve Jobs mudar um detalhe “vender o seu peixe”. O lema da Apple, na sua forma de vestir muito espartana “pense diferente” (“think different”), para que o burburinho se alastrasse à foi criado por ele para tentar incutir velocidade de um rastilho de pólvora. nas pessoas comuns as suas lições no Os ténis-jeans-blusa-preta de sempre campo da inovação. O termo significa transformou-se à época da apresenta“uma nova maneira de fazer algo que ção do iCloud: a camisola de gola alta resulta em uma mudança positiva”, nem passara a ser um suéter, igualmente que esse algo diferente seja uma nova preto. É possível que muitos dos Appleviagem ou contratar uma pessoa com Alexis Gonçalves aficionados não saibam diferenciar ideias diferentes das suas. Professor-adjunto no John F. uma peça da outra, mas a apresentação O que fez Steve Jobs ser diferente de Welch College of Business Sacred Heart University, fez com que a procura pelo modelo outros inovadores igualmente brilhanFairfield, CT, USA fabricado pela Von Rosen, em seu motes? A diferença é simples: Steve Jobs Autor do livro “Innovation Hardwired” mento adotado por Jobs, suplantasse conseguia articular as suas ideias meo número de suéteres disponíveis para lhor que a maioria dos inovadores. Isso venda. é crucial. Você pode ter a melhor ideia do mundo, Se Steve Jobs mostrou-se influente num campo em mas se você não consegue comunicar seu ponto de que nem de longe ele era uma sumidade, que se assivista, essa ideia não interessa. milem seus ensinamentos em feitos menos comezinhos. Sem dúvida nenhuma Steve Jobs também era (Continua na página seguinte) um notável comunicador e sabia muito bem como

Índice Opinião............................................1 Editorial............................................2 Redes sociais..................................3 Opinião............................................6 Notícias............................................7 Agenda de eventos......................7 Financiar a inovação....................8

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Editorial

As Lições de Inovação de Steve Jobs – e como aprender com elas (Continuação da página anterior)

Steve Jobs é descrito por muitos como uma pessoa com incríveis habilidades de comunicação. Porém, ele seria considerado um grande inovador, mesmo que não fosse um bom comunicador. Mas será que os seus produtos teriam capturado nossa imaginação se ele não pudesse “vender” tão bem quanto o fez? Talvez não. Steve Jobs tinha uma visão de como as pessoas queriam usar computadores. Em 1976, ele sabia que para que os computadores fossem adotados por pessoas comuns, eles precisariam ser muitíssimo mais fáceis de usar. Lembre-se que o Mac foi o primeiro computador pessoal de sucesso com uma interface gráfica, mouse e fontes bonitas. Steve Jobs deu-nos produtos simples e elegantes como o iPod, iPhone, iPad e os Macs. Todas essas são inovações. Além disso, não vamos esquecer que Steve Jobs inovou na distribuição com a Apple Store. Como um inovador, ele já entrou para a história. Mas tão importante quanto isso foi o fato de ele vender os seus produtos por meio de uma mensagem eficaz dos benefícios por detrás desses produtos. Por exemplo: quando todos especulavam que a Apple iria lançar um tablet antes do lançamento oficial do iPad, muitos especialistas mostravam-se céticos. Eles perguntavam-se: “por que precisamos de um terceiro dispositivo, um intermediário entre o notebook e o smartphone?” Até ao final de uma apresentação de 90 minutos sobre o iPad, já havia muito poucos críticos.

… Suas inovações podem não levar um produto revolucionário como o iPAD, mas se isso resultar numa mudança positiva – nem que seja apenas para a sua carreira – isso já será uma inovação. Eu acredito que qualquer um se pode tornar uma pessoa inovadora. Inovação significa simplesmente “uma nova maneira de fazer algo que resulta em uma mudança positiva.” Suas inovações podem não levar a um produto revolucionário como o iPad, mas se isso resultar numa mudança positiva – nem que seja apenas para a sua carreira –, isso já será uma inovação. Ao estudar os princípios que guiam as pessoas como Steve Jobs, podemos mover os nossos negócios e vidas para a frente. O lema da Apple, “Think different” (“Pense diferente”), não é apenas uma frase publicitária, mas também uma lição que pode ser aprendida. Para as pessoas comuns, esse pode ser um conceito um

pouco vago mas tem por base o seguinte principio: “Pense diferente sobre... como você pensa.” Steve Jobs acreditava que a criatividade e a inovação eram alcançados interligando as coisas. Ele acreditava que um amplo conjunto de experiências levanos a tomar decisões que outras pessoas podem ter deixado passar. Isso significa aproveitar a oportunidade para viajar, assistir a conferências, contratar pessoas com diferentes formações e habilidades ou ter aulas sobre assuntos que podem não ter relação direta com seu trabalho atual, mas pelos quais que você está apaixonado. O “Pense diferente” pode ser descrito também como uma frase de auto-ajuda. Steve Jobs deu-nos um dos discursos mais inspiradores na história contemporânea quando se dirigiu aos alunos da Universidade de Stanford em 2005. Ele disse: “Seu tempo é limitado. Portanto, não o desperdicem vivendo a vida de alguém. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir seu coração e intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente se quer tornar.” Acho isso incrivelmente inspirador. Adulação à parte, ainda que Steve Jobs tivesse sido um grande inovador, sempre existem aspectos a melhorar. Eu pessoalmente, gostaria que ele tivesse sido um pouco mais aberto na maneira como ele lidava com os desafios – tanto profissional como social. Ele era muito reservado. Steve Jobs era considerado um dos CEOs mais reclusos do planeta. Todos nós poderíamos aprender muito com ele, mas ele não gostava de falar. Ele estava cercado por um círculo pequeno de pessoas, e ele não era uma figura pública sob qualquer aspecto. De qualquer forma, ele deixou-nos um linda herança na forma de Macs, iPods, iPhones, iPads, Pixar e as Apple Stores, mais também na forma de inspirar e liderar com inovação.

Na actual situação económica é importante que os empreendedores tenham à sua disposição instrumentos financeiros que lhes permitam apoiar as suas ideias e projectos. Nesta fase onde se apela ao empreendedorismo e inovação, mas ao mesmo tempo com a dificuldade real no acesso ao crédito pelas empresas existentes, perguntamos nós como é que quem pretende tornar real uma ideia ou negócio, consegue o respectivo financiamento? Pelo que temos visto, parece-nos que os empreendedores têm a sua missão dificultada, contrariando também aquilo que frequentemente ouvimos que nos períodos difíceis ou de crise é que surgem as grandes oportunidades, mas só para quem tem os recursos financeiros. Eventualmente até concordamos com esta afirmação, mas ainda não acredito que esse seja o ponto de viragem para o crescimento económico que necessitamos, porventura ainda estaremos a falar de negócios especulativos e não de negócios que contribuam para a retoma da nossa economia. Recebemos dinheiro para destruímos as nossas indústrias tradicionais, onde tínhamos ou podíamos ter algum papel importante a desempenhar se as tivéssemos reconvertido e preparado para outros desafios, agora os mesmos que patrocinaram esse desmantelamento, dizem-nos que o caminho é exportar mais e melhor, mas com que industrias é que iremos retomar esse desiderato? Uma grande parte das novas indústrias que foram criadas nos últimos anos, foram fortemente subsidiadas, o que nos leva a pensar que na actual situação de mercado (com escassez de recursos financeiros) para algumas a sobrevivência pode estar comprometida, e talvez seja tempo de apontar os chamados “casos de sucesso” pelos nomes e analisar o porquê dos insucessos, se foram uma mera injecção de dinheiro ou estavam conscientes da valia do projecto em si mesmo. Parece-nos que a solução dos últimos anos é “atirar” dinheiro ao problema, mas como infelizmente estamos a assistir numa escala bem mais apreciável com a Grécia, “atirar” dinheiro ao problema não chegou e acreditamos que todo o sistema seja ele de apoios ou incentivos tem de ser repensado, começando mesmo pelo mais básico ou seja, no apoio à produção. A Europa tem de voltar ser uma produtora industrial e não tenhamos ilusões quanto às alta tecnologias e indústrias de ponta, pois de momento temos necessidade de resolver o problema da escassez de emprego, pois este será o caminho para resolver uma grande parte do problema das populações. Vamos inovar e empreender Jorge Oliveira Teixeira jorgeteixeira@vidaeconomica.pt


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A REVOLUÇÃO “SoLoMo” E OS “INTERPUTERS” Recentemente, o bem-sucedido investidor e pensador John Doerr cunhou o termo Solomos funny (em Inglês a palavra que corresponde a essa sigla significa lombo) para se referir à encruzilhada que ocorreu naturalmente para hibridizar tecnologia de rede social (So) com informação contextual local (Lo) do usuário capturado através de uma multiplicidade de sensores e sistemas de posicionamento e de computação móvel (Mo). Solomo é uma forma abreviada que se referefe a uma dada circunstância tecnológica social apaixonante: podemos falar com muitas pessoas apoiando-nos em tecnologias que facilitem a informação automaticamente sobre onde estamos, como nos sentimos ou para onde vamos. É o começo de uma nova era de redes de comunicação sociais estão no seu centro. Esta revolução começou a distinguir-se da realidade em 2007, o dia em que SteveJobs apresentou o seu novo iPhone. Jobs, que irrompeu de uma industria que se encontrava a salvo as empresas de sotware, e ele enganou-se naquele dia, que perante uma audiencia repleta quando afirmou, “Hoje a Apple reinventa o telefone”. Se olharmos para o que aconteceu desde então, a frase é injusta com Jobs e categoria de produto onde acreditava que estava a entrar com a sua empresa. A verdade é que oiPhone, mais do que qualquer outro smartphone anterior, redefiniu a categoria de produto smartphone, levando a Apple e concorrentes que foram capazes de entender a revolução que estava a acotecer, como o Google, para um nicho de mercado que parece infinito. Se a Apple é agora capaz de renovar a sua oferta de tablet iPad em menos de um ano é porque devem-se a duas circunstancias muito claras: - Todos os dispositivos eletrónicos de interação humana estão convergindo para uma nova categoria de dispositivos. Os autores chamam a esta nova categoria de interputers . - Os consumidores estão a demonstrar uma capacidade inédita de absoção destas inovações sem precedentes através dos interputers, fazendo com que esta indústria seja a que mais cresce de momento. O acrónimo interputer representa a hibridização do computador com a revolução da Internet móvel. Embora os computadores já possuam ligação à Internet há muito tempo, é agora que a dita conexão onipresente tem de mostrar todo o seu potencial quando os sis-

temas de intercomunicaçao social começam a interagir. Jobs estava errado em 2007: a Apple não reiventou o telefone (ou smartphone, para ser preciso), estava a criar uma nova categoria de interputers e no vértice do que Doerr apelidou de SoLoMo, ao introduzir no iPhone uma variedade de sensores que permitissem conhecer o contexto local (Lo), utilizando todas as tecnologias conhecidas para oferecer o iPhone da banda larga onde quer que estivesse (Mo) e, claro, reviver o antigo conceito das alicações cliente/servidor devolvendo todo o protagonismo computacinal no terminal do cliente, com as aplicações móveis para as redes sociais em primeiro lugar (So). Para verificar se o interputers não uma simples extensão do conceito de smartphone,basta dizer que hoje podemos usar um terminal como iPad, iPhone ou qualquer outro semelhante baseado no sistema operativo do Google Android para funções tao distintas do vulgar telefone como: medição; mapas e guias, inclinómetro, monitor EEG, ECG, magnetômetro, bússola videoconferência terminal, leitor de livros eletrónicos, editor de texto, monitor de telemetria em tempo real, tradutor de cartazes e textos; localizador de ofertas comerciais nas proximidades; (. vídeos, músicas, filmes, revistas digitais, etc), plataforma de acesso a todos os tipos de conteúdos multimedia pode também competir com consolas de vídeo jogos pela disponibilidade de milhares de títulos, oferecendo mais potencialidades graças à realidade aumentada, comando à distancia universal paa contolar electrodomésticos, chave electrónica para controlar a entrada em hoteis ou a própria abertura e ligação de automóveis, possibilidade de usar com terminal de pagamento electrónico e que verá potenciada estas funções num futuro não muito distante com a incorporação da tecnología NFC, e claro, também pode ser usado como telefone.

Figura 1. WordLens, uma das aplicações mais recentes para um interputer, tradutor visual em tempo real

O impressionante sucesso do iPhone, iPad, Android ou dos terminais BlackBerry baseados no sistema operativo RIM fica bem claros curvas apresentadas no gráfico seguine, que nos mostram uma comparação entre a taxa de difusão dessas tecnologias no mercado em comparação com outras revoluções anteriores, como o iPod da própria Apple. Expostas com uma origem comum, as vendas impressionantes do iPod no Incio do século XXI agora, parecemnos tímidas ou quase ridículas, em comparação com o crescimento exponencial na procura dora o iPhone e a loucura coletiva que significou a chegada do iPad.

Figura 2. Comparativo entre o número de unidades vendidas de iPod,iPhone e iPad nos tres primeiros trimestres desde o seu lançamento

Para um observador externo é esmagador, como em apenas três anos com o lançamento de um único produto por parte de um outsider desta indústria (Apple era considerada apenas como uma empresa de tecnologia da informação e não de telecomunicações,) conseguiu derrubar o líder (Nokia ) e ganhar todos os beneficios da industria que invadiu. Talvez ainda mais impressionante do que essa debacle, foi o acto de ter sido conseguida com um único modelo de gama alta e preço, tornando omissa a ampla gama dos seus concorrentes (Nokia, Motorola, RIM, HTC, Sony Ericsson, etc.) que continuavam a desenhar. Em 2007, cinco grandes empresas da industria de telecomunicações ganharam cerca de 14 mil milhões antes de juros e impostos. Três anos depois estes concorrentes repartiram apenas 8.000 milhões de dólares, o mesmo que a Apple ganhou com um só terminal e uma quota de mercado de 3%.

(Continua na página seguinte)


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A REVOLUÇÃO “SoLoMo” E OS “INTERPUTERS” (Continuação da página anterior)

Figura 3. Evolução dos resulados na industria dos telefones móveis

Além da intrusão da Apple e da Google na indústria de sistemas de telecomunicações também deve ser desacado que estas invasões interindustriais sao e vão ser uma constante. O iPod marcou a chegada da Apple à industria dos conteudos musicais, de Mao dada com a ABC, a que perence também o

grupo Disney e a sua antiga empresa Pixar. O tablet iPade os seus concorrentes, estão agora a fazer uma incursão no mundo da imprensa e do libro, transformando os hábitos de con-

sumo, promovendo assim o desaparecimento do papel como suporte físico destes consumiveis e dos direitos de autor, tal como os entendemos agora.

Autores Álvaro Gómez Vieites é Doutorado em Economia pela UNED (Prémio de Mérito no Doutoramento), Licenciado em Administração e Direcção de Empresas pela UNED, Engenheiro de Telecomunicações pela Universidade de Vigo (Prémio extraordinário de fim de curso) e Engenheiro de Informática de Gestão pela UNED. A sua formação foi complementada com os programas de Pós-graduação Executive MBA e Curso em Business Administration da Escuela de Negócios Caixanova. Atualmente é professor colaborador desta entidade e de outras Escolas de Negócios, actividade que exerce paralelamente a projetos de consultoria e trabalhos de investigação na área dos sistemas de informação, segurança informática, e-adminsitração e comércio eletrónico. e-mail: agomezvieites@gmail.com LinkedIn: http://es.linkedin.com/in/alvarogomezvieites/es Facebook:http://www.facebook.com/alvaro.gomez.vieites Twitter: @agomezvieites

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Carlos Otero Barros é Licenciado em Ciências Físicas pela Universidade Autónoma de Madrid, Executive Master in Business Adminsitration (MBA) pela Escuela de Negocios Caixanova. Actualmente está à frente da Colímera Consultores SL onde desenvolve uma intensa atividade na área da consultoria estratégica e tecnológica quer para empresas privadas quer para a Administração pública. Anteriormente foi Business Development Manager na Sun Microsystems Ibérica SA e diretor da empresa de software Fractal Info Ingenieros SL.

e-mail: carlos.otero@colimera.com LinkedIn: http://es.linkedin.com/in/carlosoterobarros Facebook: http://www.facebook.com/carlos.otero.barros Twitter: @kenkeirades

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O efeito Porter Quando nos anos 90 o Professor de Harvard Michael Porter elaborou o célebre Relatório, encomendado pelo Governo Português de então, o diagnóstico sobre o que fazer e as áreas estratégicas de actuação foi muito claro – ou se reinventava por completo o Modelo Económico ou então a Economia Portuguesa tenderia a morrer com o tempo. Quase vinte anos depois, o balanço é conhecido – Défice Estrutural Elevado, Desemprego incontrolado, um Tecido empresarial envelhecido. Como há 20 anos torna-se claro que a Competitividade Portuguesa é o grande desafio nos próximos tempos! Por isso, a palavra de ordem é simples – é a Competitividade, estúpido! Falta em Portugal um sentido de entendimento colectivo de que a aposta nos Factores Dinâmicos de Competitividade, numa lógica territorialmente equilibrada e com opções estratégicas claramente as-

francisco jaime quesado Especialista em Estratégia, Inovação e Competitividade

sumidas é o único caminho possível para o futuro. Falta por isso em Portugal uma verdadeira Rede Integrada para a Competitividade capaz de produzir efeitos sistémicos ao nível do funcionamento das organizações empresariais. O “novo paradigma” da Economia Portuguesa radica nesse sentido na capacidade de os resultados potenciados pela inovação e conhecimento serem capazes de induzir novas formas de integração social e territorial capazes de susten-

tar um equilíbrio global do sistema nacional. Uma breve radiografia à matriz sectorial da economia portuguesa demonstra de forma inequívoca as alterações contextuais produzidas ao longo destes últimos vinte anos, com impactos directos na própria organazação da sociedade. Para além do desenvolvimento duma “nova economia de serviços”, de âmbito eminentemente local e com impacto reduzido em matéria de criação de valor sustentado, é de referir também o fenómeno de progressiva desindustrialização, entretanto acentuado nos anos mais recentes e o ténue desenvolvimento de “novos clusters” associados às dinâmicas da Inovação e Desenvolvimento. Trata-se duma evolução manifestamente assimétrica, com efeitos negativos em matéria de renovação dos indicadores activos de “capital estratégico”. O relatório Porter punha de forma

clara a tónica em duas grandes áreas de intervenção sistémica – profunda renovação organizativa e estrutural dos sectores (sobretudo) industriais e aposta integrada na utilização da Inovação como factor de alavancagem de criação de valor de mercado. A mobilização activa dos “actores económicos” numa lógica de pacto estratégico operativo permanente era uma condição central no sucesso desta nova abordagem, sob pena de intervenções isoladas não conseguirem produzir de facto os efeitos desejados. Passado todo este tempo, a leitura dos resultados não é nada abonatória – excluindo os muito conhecidos e divulgados casos de reconversão interna e sectorial conseguida com algum sucesso, na maior parte dos sectores industriais clássicos não foi feita a renovação necessária e os fechos de empresas e perda de quota efectiva de alguns mercados é o resultado mais do que evidente. PUB

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newsletter N.º 23 | Novembro 2011 notícias/artigos

agenda de eventos

Novembro 2011

NOVO MICRO DISPOSITIVO ELETRÓNICO PARA PREVENIR AS ÚLCERAS DE PRESSÃO

A Tomorrow Options, um spin-off INESC TEC/FEUP, acaba de lançar o MovinSense, um dispositivo microeletrónico que vai auxiliar as equipas de enfermagem a prevenir o aparecimento das úlceras de pressão em pacientes privados de movimentos. Monitorizar 10 pacientes acamados através do Movinsense exige cerca de 30% do investimento necessário para comprar 10 colchões com sensores de pressão, que são atualmente os dispositivos mais comuns para prevenir as úlceras de pressão. Pequeno, leve e simples. Estas são as três características chave do MovinSense, um dispositivo microeletrónico da Tomorrow Options, spin-off INESC TEC (Tecnologia e Ciência)/FEUP que é colocado no peito do paciente acamado e privado da capacidade de se movimentar sozinho.

START UP – CONCURSO REGIONAL DE IDEIAS DE EMPREENDEDORISMO Este concurso destina-se a seleccionar ideias empreendedoras, dos vários sectores de actividade, que demonstrem ter aplicabilidade empresarial, em torno da qual se possa perspectivar a criação de novas empresas nomeadamente de base tecnológica e susceptíveis de fazer parte no futuro, das Incubadoras de Empresas da RIERC - Rede de Incubação e Empreendedorismo da Região Centro. Pretende-se desta forma, fomentar o empreendedorismo e criar condições para boas ideias Ler mais

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Scientific Conference / Symposium on: Innovation, Philosophy, Scientific Realism and Methodology in Green Economics Oxford, Reino Unido Dezembro 2011

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Ler mais

SERVICE INNOVATION POLICY – OLD HABITS DIE HARD?

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ICERI2011 (4th International Conference of Education Research and Innovation) Madrid, Espanha

A Formação de uma Nova Cultura de Pesquisa e de Inovação na Europa: Relatório Redefine Questões de Género em Ciência e Inovação

Enquanto o setor de serviços está para ficar, os EstadosMembros da UE só muito recentemente começaram a reconhecer e a utilizar o seu potencial de forma mais dedicada para estimular a inovação. Um novo estudo INNO-Grips apoia esta abordagem e enfatiza que a remoção de barreiras à inovação de serviços é muito mais importante do que criar mecanismos de apoio adicional para as empresas de serviços. Segundo o estudo, a maneira mais conveniente para incentivar a inovação nos serviços é remover (ou pelo menos reduzir) as barreiras identificadas para a inovação nos serviços, bem como a formulação de políticas relacionadas, e para criar condições de enquadramento ideal para a inovação, ao invés de introduzir medidas de apoio directo às empresas ou outros programas específicos para a inovação nos serviços

O genSET publicará brevemente os resultados da consulta pública sobre o futuro do Género e da Inovação na Europa. Consulta pública decorrerá durante o European Gender Summit, nos dias 8-9 de Novembro de 2011, em Bruxelas. A consulta complementa o Livro Verde “From Challenges to Opportunities: Toward a Common Strategic Framework for EU Research and Innovation Funding”,expandindo-se sobre a questão do reforço do papel das mulheres e a sua contribuição para uma melhor compreensão de como a Europa pode aumentar a sua investigação e inovação abordando questões de género, a consulta contém 14 questões referentes as três dimensões-chave desse debate: (1) culturas de Pesquisa e qualidade científica, (2) Inovação e criatividade (3) a mudança estrutural e a responsabilidade social.

Ver pdf

Esteja atento à disponibilização do estudo

International Conference on Networks, Learning and Entrepreneurship Waterford Irlanda Fevereiro2012

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1st International Conference on Innovation and Entrepreneurship in Health Oklahoma City Oklahoma Abril 2012

19/20

International Conference on Innovation through Knowledge Transfer 2012, Menzies Carlton Hotel Bournemouth, Reino Unido


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newsletter N.º 23 | Novembro 2011 Financiar a inovação

INOVAÇÃO – Início de um Sucesso!

A Inovação resulta de várias situações, tais como: querer ir mais além, procurar anteciparse às necessidades e tendências do mercado, desconforto, inconformismo, etc. Mas, é necessário que as pessoas estejam atentas e tenham uma postura e atitude pró-activa para encontrar o caminho certo, o caminho da oportunidade, o caminho da diferença, o caminho do progresso. Apesar de eficientes, as coisas levam tempo. Não é de um dia para o outro que se altera a mentalidade de um povo, de uma região, dos líderes, etc., e se obtêm resultados excelentes. O processo de identificar uma ideia inovadora não é de um dia para o outro. Pelo contrário, é lento e moroso em que é necessário questionar frequentemente, até se chegar à conclusão de que vale a pena assumir o risco de levar por diante a ideia, ou seja, passar da teoria à prática Em tempos idos, em algumas passagens de nível, havia um sinal com a seguinte indicação: Pare, Escute e Olhe. • Pare para pensar, para reflectir, para delinear uma estratégia, etc;

• Escute o que seus colaboradores, clientes, fornecedores, consultores, amigos, etc., têm para lhe dizer, para lhe expor. Não tema a crítica, pelo contrário, incentive-a; • Olhe em redor do mercado em que a sua empresa actua. Analise o que os seus concorrentes fazem bem e menos bem. Estude as fraquezas dos seus concorrentes. Ao proceder deste modo está a despertar interesse, criar empatia, criar oportunidades de crescimento e desenvolvimento. Após conjugar e medir os prós e contras de tudo o que estas três premissas têm para lhe dizer, transmitir e ensinar então, avance com a ideia que, em sua opinião, vai-lhe permitir dar um salto qualitativo e quantitativo que não se restringirá apenas à sua empresa, mas também, ao mercado. É frequente depararmos com “campanhas” e

projectos de Inovação que, ao mais pequeno deslize, problema ou contratempo, se revelam pouco sólidos e incapazes de trazer algo realmente novo e diferente. Ainda que as razões para o insucesso possam ser várias há, contudo, uma que é bastante frequente, e que é a de não fazer devida e condignamente o “trabalho de casa”, isto é, de não ter havido o cuidado de preparar o terreno antes da execução. Tudo isto seria mais facilmente ultrapassável se tivesse Parado, Escutado e Olhado. Resumindo, para que a Inovação se torne o verdadeiro Inicio do Sucesso, não se esqueça de, antes, dar os passos necessários e indispensáveis que conduzam ao êxito. Luís Archer – Consultor luismariaarcher@iol.pt

Ficha técnica:

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Coordenador: Jorge Oliveira Teixeira Colaboraram neste número: Alexis Gonçalves, Álvaro Gomez Vieites, Carlos Otero, Jaime Quesado, Luís Archer e Praveen Gupta Paginação: José Barbosa Contacto: jorgeteixeira@vidaeconomica.pt

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