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EDITORIAL

Uma noite na boate brasiliense Escondida na toca do rato, a diversão brota em meio às peças e latarias. Pega a fila, compra um Halls, entra e se jogrem gatos e gatíssimas! Sensações mil! Parado no fundo do loud, pode-se ver divas, cavalheiros, velhotes cheios da grana, boys magia e piriguetes, todos em busca do futuro ex-affair. Ao comando de DJ´s mestres na arte do entretenimento pop de classe média, somos dominados por Vive La Fête, Rihanna, Black Eyed Peas e mais uma enxurrada de outros sons alucinantes, ou alucinadores, dependendo do quanto você tá colocado, bêbado ou cheirado. Mas espera! Nem comecei a noite e já tem gente me olhando torto. Mal do brasiliense...fazer carão talvez seja um tipo bizarro e desconhecido de orgasmo. Bem, prefiro mesmo é ficar pulando (literalmente) como um doidão ao pancadão do bate estaca. A festa tá mesmo muito boa! Gente fina, gente grossa, gente média. Gente arrumada. Gestos, caras, risadas e muitas bocas desejosas pelo hálito refrescante daquela balinha, como é mesmo o nome?...AH! Metidez! Tanta produção pra não ser amassado?! Fica em casa então meu, já que dentro de alguns minutos a inconfundí08 VCLive | Julho 2011

vel sinestesia estética, olfativa e sensorial da boate vai lhe causar algum transtorno. E por falar em transtorno, fique atento, pois a selva tá cheia de perigos e desafios. Conquistar um bom espaço pra dançar, tomar um drink sem alguém derrubá-lo ou chegar até o banheiro demonstra o quanto uma balada se parece com a selva do Congo. Dose única, dose dupla ou dose tripla? Sei lá, entorna e tira a camisa! Tô suado mesmo! E não é que tem gente sem noção em todo o lugar? Só porque estou como os gogo boys não convidei ninguém a passar a mão em mim. Deu vontade de mijar. Boa sorte. Talvez eu consiga pegar um miquitório vazio. Sim, porque os boxes mesmo estão todos ocupados com a galera do pó e do sexo escatológico. Não sei por que, mas tenho a sensação de que o batalhão da ína não sabe que está financiando diretamente o crime organizado e o tráfico de armas. Bom, depois não reclama se, tipo por ventura, levar uma bala na cabeça num assalto tumultuado. Mas fique contente! Ecstasamos aqui pra skankarar tudo! Leia Sempre Devagar, então. Pula, flerta, olha, olha, olha. TÁ OLHANDO O QUE MEU IRMÃO? Sim, porque briga pode

ser um adicional hiper grátis. Sentiu isso? Passa um e passam duas. Perfume X ou Y, tanto faz, pois gênero não se discute! Afinal, experimentar o novo é um papo muito antigo. E o que tem de novo pra se ouvir? Pra ser sincero, me sinto um imbecil coreografando e cantando músicas que só falam de amor, festas e de como “we are superstars!”. Alguém se lembra que vivemos num país com 11,6% de analfabetos? Ou que 2.6 bilhões de pessoas no mundo não têm água limpa pra beber? Ai! Que chatice! Pra que mobilizar a força jovem para causas sociais e políticas se somos bons mesmo em fazer flashmob on the floor e compras coletivas na internet?!? Cara, tô exausto. Acho que pagar e ir pra casa é a minha opção. Mas tem gente que já foi há muito tempo: bebeu tanto que o vômito e o vexame bancam a atração da saída. O corpo no chão amparado pelos brigadistas no fundo nem é o pior...é o desperdício da mercadoria antes mesmo do pagamento! Bem, até semana que vem. Mas eu tô com uma sensação sobre o mundo lá fora...reflexo da festa ou da sociedade...sei não, mas THIS PLACE ABOUT BLOW.

Revista VCLive #7 Setebelos  

Edição de julho da revista com matérias da Shakira em Brasília, Seletiva do Porão do Rock 2011, Expedição no Buraco das Araras.

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