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VID’ACADÉMICA Jornal Escolar | Nova série | N.º 1 – Especial | junho de 2015 | Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade

Fotografia de aluno da turma de técnico administrativo, nível IV, 3.º ano.

Estas são as janelas de onde se vê o mar e se ouve as ondas… As janelas de onde podes gritar as tuas palavras!

O que se escreve, vê, pensa na ESJEA?


| Vid’Académica, Jornal Escolar da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, Angra do Heroísmo |

Editorial | Suplemento Como escrevi no editorial do Vid’Académica, estamos de volta passado 3 anos! Este Suplemento ao número 1, o tal número especial, pretende dar a conhecer os vossos textos produzidos ao longo deste ano letivo, dentro e fora da sala de aula, estão neste suplemento, para toda a comunidade! Organizámos este bloco com os vossos textos, dando a conhecer quem são os alunos da nossa escola, o que sentem, o que pensam, em suma, o que escrevem! Muito obrigado pela vossa participação e interesse! Por fim, reitero os votos que já tinha feito no Jornal: bons exames, boas férias, boas leituras, boas Sanjoaninas, bom banho e cá te esperamos no próximo ano letivo como colaborador, isto é, com os teus textos, as tuas notícias, as tuas reportagens, enfim, TU neste jornal! Envia-os para o endereço de e-mail es.jea@azores.gov.pt e, no assunto, escreve “Jornal Vid’Académica”! Prof. Carlos Severino

Ficha técnica: Professores que colaboraram neste número (fotografias; textos), composto pelo Jornal e pelo Suplemento: Aida Silva, Ana Maria Bruno, Ana Cláudia Sousa, Ana Santos, Carlos Severino, Carlota Monjardino, Cristina Miranda, Cristina Saraiva, Emanuel Carvalho, Hermano Oliveira, Graça Coelho, Helena Medeiros, Helena Rocha, Inês Marcelino, Jorge Silva, Luís Oliveira, Manuel Costa, Marina Silva, Paula Ribeirinha, Paulo Matos, Pedro Silva, Simone Simões, Susana Machado, Sandra Monteiro, Tânia Fonseca.

Turmas com textos presentes no Suplemento: 7ºB, F, G, H, I; 9ºC; 10ºA, B, C, E, G, H, I; 11ºA, E; Português, Bloco I-Recorrente.

Ama como a estrada começa: https://demimatravesdemim.files.wordpress.com/2013/04/64189_598298340183251_651502523_n.jpg, Leonid Afrimevov: http://septimaletra.com/wp-content/uploads/2011/05/leonid-pintura-amor.jpg Horácio (Runway Pictures 882183 1): http://feelgrafix.com/data_images/out/14/882183-runway-pictures.jpg Memento Mori: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ae/StillLifeWithASkull.jpg Quem somos: http://fc07.deviantart.net/fs70/i/2013/314/5/8/self_portrait_by_adlovett-d6tp9ax.jpg (Aaron Lovett) e Otto Dix: http://uploads7.wikiart.org/images/otto-dix/small-self-portrait.jpg , George-Frederick Watts: http://uploads8.wikiart.org/images/george-frederickwatts/self-portrait-as-a-young-man-1834.jpg , Tarsila do Amaral: http://www.temmais.com/UpLoad/Blog/romildo/Editor/autoretrato_tarsila_do_amaral.jpg , Pablo Picasso: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/originals/10/2b/a5/102ba5b5a230c819b1efd401ca30f260.jpg, Alvarez: http://www.pintoresfamosos.cl/obras/retratos/alvarez.jpg Reescritas: http://cdn.luso-livros.net/wp-content/uploads/2012/08/amor3.jpg Trevo de quatro folhas: http://www.sorteonline.com.br/images/noticias/trevo_4.png Yearbook: http://abradshaw.ca/images/Yearbook/Yearbook%20in%20this%20together.jpg Retrato de menina: http://uploads7.wikiart.org/images/agnolo-bronzino/portrait-of-bia-de-medici-1542.jpg Outono: http://www.amantesdavida.com.br/wp-content/uploads/2014/03/outono1.jpg Mapa dos Açores: https://marafado.files.wordpress.com/2012/10/mapa-antigo-dos-ac3a7ores.jpg Kandinsky: http://1.bp.blogspot.com/-NYkgEG-5JLY/T5wfk-dAW9I/AAAAAAAAA8w/XMD4KlIbIP4/s1600/kandinsky1.jpg Meskis: https://c4.staticflickr.com/4/3384/3237520500_d64e6616d3_b.jpg, https://www.colourbox.com/preview/3636052-old-wooden-house-amongstwinter-snow.jpg, http://pixabay.com/static/uploads/photo/2014/01/31/15/12/dog-255517_640.jpg, http://pixabay.com/static/uploads/photo/2013/12/02/11/00/dog-222355_640.jpg Cavalheirismo http://fineartamerica.com/images-medium-5/the-judgement-of-paris-1639-oil-on-canvas-peter-paul-rubens.jpg Na aula de português: http://3.bp.blogspot.com/-rBfJJGZiIHU/UJgK3rlIn9I/AAAAAAAAS2s/czwgNZhHAhM/s1600/1204775336.jpg Magrite : https://losrelatosfantasticos.files.wordpress.com/2011/02/retrato-escrito-imagen-mujer-hermosa-belleza-fotografia-pinturaamor.jpg?w=414&h=261&crop=1 Dominique Amendola : http://www.livegalerie.com/img/oeuvre/200811/web/61492.jpg?v=1226158780

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Créditos de imagens retiradas da internet (suplemento):


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Índice Quem somos?

4

Eu

4

Sou um jovem alto e moreno

4

Ainda pouco vivi

5

Forte de barriga, de ombros asseado,

5

Baixa, de olhos pequenos,

6

Sou pessoa de vida alegre

6

Alta, de pele com um tom claro.

7

Sometimes I walk alone

7

Como compreender este idioma?

8

As folhas de tom laranja desprendiam-se.

8

Acrónimos

9

Ser ilha

13

As ilhas dos Açores

13

O pequeno monstrinho e o trevo com quatro folhas

13

Ama como…

14

Lembrei-me do nosso primeiro beijo, que se encaixou perfeitamente…

14

Catarina, Catarina

15

A verdadeira amizade

15

Amor

16

– Suponho que tivesses razão, as pessoas acabam sempre por se magoar umas às outras…

16

O amor

17

Há pessoas que têm um amigo

17

A cada minuto que passa

17

Reescritas de “Levad', amigo, que dormides as manhanas frias” e “Ledo o meu amigo foi caçar no monte” de Natália Correia 18 A morte do cavalheirismo pela mão da dama Outros e mais alguns…

20 21

A escola

21

Na aula de português,

22

Retrato de Menina

23

Meškis

24

Som

28

HORÁCIO SEM DOIS DEDOS DE TESTA

29

Yearbook

30

Parlamento jovem, um testemunho

31

Como estava inquieto o Amadeo!

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Até ao próximo ano! No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

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– Vai dormir que o teu mal é sono. – disse a minha avó, enquanto tomávamos o pequeno almoço. 22


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Quem somos?

Eu Eu, cabelo castanho e aleatório, o tenho. Olhos que já têm a luz e a escuridão deste mundo, e a sua razão. Nariz indiferente? Podemos passar à frente. Orelhas que escutam e que ouvem... E pronto, o resto da cara é o que convém. Igual a mim? Não, não... Pois não há tal e qual! Otto Dix, Autorretrato (pequeno), 1913

Paulo Rosa, 10ºE

Sou um jovem alto e moreno Extrovertido e muito pessimista Vivo a vida em pleno E no passado já fui um desportista.

No futuro gostaria de ser engenheiro Trabalhador e muito concorrido Com um grande poder financeiro E, acima de tudo, ter felicidade garantida. Alexandre, 10ºA G. Frederick Watts, Self-Portrait as a Young Man, 1834

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Eu vivo na ilha Terceira Numa casa grande e amarela Com as pessoas que mais gosto neste mundo, A minha família, que é muito tagarela.


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Ainda pouco vivi Ainda pouco vi Mas ainda sou jovem Muitas coisas se desenvolvem. Relembrando o que já passei, Já passaram por pior, eu sei; Mas já conheci o sofrimento, O sentimento de raiva e o arrependimento. Mas agora conheço o Amor, Melhor sentimento do mundo. Apesar de poder ser uma dor, É muito profundo. Agora, resta esperar Para ver o que o futuro vai reservar, Bom ou mau está por destinar.

Tarsila do Amaral, Autorretrato, 1923

Beatriz, 10ºA

Forte de barriga, de ombros asseado, Mãos de atleta e com cabeça de jeito, Moreno nos braços, cara e no peito, De olho grande, castanho esverdeado. Fui por pastos e matas ensinado, Herdei de Brianda seu grande feito, Pelo mundo mondando o defeito

Viu-me crescer La Mui Nobre e Leal, Sempre constante Angra do Heroísmo, Que do Luso Império foi capital. Eis Parreira, Homem de patriotismo, Fé e ciência, que marcha sobre o mal Da distância que me levará deste abismo! Aaron Lovett, Self Portrait

José Luís Parreira, 10ºA No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

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Que pela inveja é semeado!


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Baixa, de olhos pequenos, Cabelo castanho encaracolado; Com apenas quinze anos de idade, Apaixonada pela música e pelo mar. Fervorosa defensora da igualdade entre os cidadãos, De espírito livre e reivindicador. Personalidade firme, não influenciável, Temperamento pessimista, Para estar preparada para o pior E grande teimosia predominante. Tímida para os conhecidos, Louca para os amigos; Amiga leal e sincera, Que protege sempre quem ama. Na apologista de confusões, Mas, por vezes, de temperamento explosivo. Desconfiada por natureza, Ingenuidade ausente, Equilíbrio entre o cérebro e o coração. Pessoa sonhadora e ambiciosa.

Frida Kahlo, Autorretrato, 1926

Sou pessoa de vida alegre E a mim nada me deve faltar. No entanto, tudo peço, Com pouco, não sou pessoa de me contentar. A minha confiança não é má Porém nos outros não sou de me fiar: Os bons amigos são poucos. Conhecidos nem é possível contar. O meu físico pode não ser o melhor Mas a personalidade acaba por compensar. Pablo Picasso, Autorretrato

José Vasconcelos, 10ºA

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Ana Carolina, 10ºA


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Alta, de pele com um tom claro. Nariz estranho, de formato raro. Sorriso metálico e largo, voz calma, com um tom amargo. Olhos castanhos escuros e ao mesmo tempo tão puros. Longos cabelos encaracolados, Sempre um pouco despenteados. Reduzida em sonhos, exagerada em emoção, Umas vezes tão fria, outras vezes transborda paixão. Preguiçosa, pessoa que adora descansar De tanto sofrer, de tanto amar. Tímida, mas luta e persiste. Nada aventureira, mas nunca desiste. É esperançosa e um pouco iludida. Pobre criança, com infância perdida.

Mabel Alvarez, Autorretrato.

Sometimes I walk alone Sometimes I think I'm done Sometimes I take a ride Sometimes I just want to hide Sometimes I think I'm dead Sometimes I just wanna quit Sometimes, or a lot instead Because sometimes "a lot" fits Sometimes I hope for the best Sometimes it doesn't happen Sometimes I just need to rest For twenty four/seven

Sometimes I think Why does life start if it ends? Sometimes when I blink I see the reflection of a fraction a fraction of the one light and I fear my sights and all these thoughts inside my mind a mind that makes me want to be blind I've seen too much I've done too much I have way more than one scar and I can't go as far as this deluded man would like

Sometimes I hope for the worst Sometimes it's better Sometimes I need for happiness to burst I need strength to climb this ladder Gustavo Caria, 9ºC No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

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Carlota Ribeiro, 10ºH


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Como compreender este idioma? O que fala a língua da morte? Maldita boca cheia de voz e pranto Este silêncio que nos derruba forte Quem tem amor a esta vida! Oh gente! Não devia ter pressa para nascer Tudo nesta vida vamos aprendendo Não queremos aprender a morrer Depressa vamos tapar os ouvidos Fechar nossos olhos bem fechados A vaidosa morte vem aí, a tanger Já não vale a pena, estamos destinados Já sabemos a língua dos homens Sabemos até a língua dos sábios Um dia saberemos a língua da morte Quando ela oscular nossos lábios

Philippe de Champaigne, Memento Mori, Vanitas (c.1671)

Angélica Borges, Port., Bl.I, Rec. As folhas de tom laranja desprendiam-se.

As folhas de tom laranja desprendiam-se, violentamente, dos seus ramos à medida que o vento trespassava a madeira frágil das árvores. Também eu era uma folha solta. Uma folhinha laranja, acastanhada, com tons de verde seco. Uma folha que voava por aí, sem destino, sem rajada certa. “Ao Deus dará.” À mercê daquilo que a mãe natureza quisesse. Perdida. Da árvore que me segurava. Dos ramos que me alimentavam, fotossinteticamente, do amor. Folha que podia ter dado flor, ou fruto. Eu, que voei. Desprendi-me e comigo vieram as impossibilidades de ser o que queria ser. O que podia, ou até o que devia ser, segundo as leis da natureza. Era rebelde. Uma folha selvagem que apanhou boleia de um tornado, que na inocência de uma brisa

sentir-se perdida. Folha que já sentiu muito. Que sofreu muito. Que voou muito. Voar não é libertar. Liberdade é saber para onde se voa. Perdição é voar sem ter onde chegar. Essa folha seria eu, no que talvez fosse a árvore da minha vida. E o tormento do vento, das minhas emoções. Carina Goulart, 10ºH

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fresca viu a sua hipótese de ser livre. E estava enganada. Perdição não é liberdade. Livre não implica


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ACRÓNIMOS O que é a poesia? O que é um acrónimo? Cinco páginas de tentativas de definição e exemplos de alunos do 10º ano! Parte iluminada pelo horizonte, Onde palavras Esquadrinham Soltas e Inocentes, Através de cada página de um livro.

Pensava que o teu amor conseguiria Ostentar a minha frieza E a minha maneira de espezinhar o amor Sem dó nem piedade, a minha Intragável maneira de encarar que, quem Ama, deve sofrer.

Ana Rita, 10ºH

Joana Silva, 10ºH

Pormenor inexplicável, Observação natural, Esquecimento mútuo. Silêncio absurdo Importância literária Amor imperdoável.

Praia onde as palavras, em

Pobres almas que precisam de se exprimir Odeiam falar de si, então acabam por escrever. E quando a dificuldade é grande demais para sorrir, Só lhes resta a escrita, pois mais ninguém iria compreender Imersos nos seus pensamentos, acabam por se encontrar. A alma fica aliviada, mas não para de sangrar. Joana Dutra, 10ºH

Palavras que transmitem paz Ou faladas ou pensadas, Esquisitas para alguns Sentimentais para outros. Importantes para a nossa cultura e Ajuda-nos a adquirir conhecimento. Beatriz, 10ºH

Poder e conseguir é tão diferente como Observar e ver mesmo. Escrever alguma coisa sem o Sentir é o mesmo que Imaginar que se Ama alguém. Flávio Andrade, 10ºH

Esquadra de sentimentos. Serra nevada e Imensidão do deserto. A poesia é nua, aos olhos de um poeta. Cláudia, 10ºH

Praticar muito em Ordem de Esclarecer a forma como as coisas São transmitidas, de uma maneira legível ou Ilegível, para estarmos Aptos a decifrar o sentido oculto das palavras. Laura, 10ºH

Palavras que mudam modos de pensar Ou até de viver Enrugamos os olhos lendo pequenas frases, textos Sejam de felicidade ou tristeza. Invejamos as personagens, Admiramos quem as escreve. Diogo Aguiar, 10ºH

Paredes brancas nos cercam Olhares pesados nos temem. Esperança de talvez um dia isso mudar Sem que em todos estes problemas tenha de imaginar. Ideias vêm sem fim Ao passear com o mestre Joaquim. Hélder, 10ºH

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Vanessa, 10ºH

Ondas vão e vêm.


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Para algumas pessoas O poeta é desconhecido Estando a fazer coisas boas Sabendo que é parecido Indo de boca em boca Até ficar sem juízo. Joel, 10ºH

Praias da minha infância Ondas e marés cheias Estrelas e noites ao luar São memórias com importância Ilhas de Bruma, as primeiras, Aventuras para sempre relembrar.

Pássaros voam por cima dos sete mares, Os seus cantos Espalham-se pelo mundo. Saem das florestas e das cidades Içam as suas asas pelo mundo, Abraçando a humanidade que ainda existe. Filipa, 10ºB Por muitos cadernos de estudantes Observamos imensas qualidades Escondidas que deveriam Sair cá para fora. Inúmeras palavras e versos que exprimem Amor e compreensão. Miguel Maia, 10ºB

Margarida, 10ºH

Carlota, 10ºH

Palavras mudas Ofuscadas pela rapidez do pensamento, Escondendo segredos e significados, Sábias mas esquecidas Imóveis, raramente móveis As palavras mudas são as pérolas do poema. Madalena, 10ºB

Madalena, 10ºH

Palavras, sentimentos Oprimidos ou livres Estão sempre presentes Sentidos por todos Impressos nas nossas vidas Armando uma armadilha cruéis. Miguel Martins, 10ºB

Poetas, aqueles que movem o planeta, Os que usam palavras como a sua arma E poemas como o seu exército. São aqueles que fazem a diferença, são os Inocentes que lutam contra o poder. Aqueles que mudam o mundo.

Palavras misteriosas navegam em grandes Ondas de oceanos cheios de Emoções, sentimentos e Saudade Inteiras ou pela metade, Apresentam-se sempre repletas de sinceridade.

Francisco Silva, 10ºB

Laura, 10ºB

Procurando sentimentos

Pontes que unem, Outras que separam. Enfim, entre estas especulações, Será apenas uma forma Inocente e especial de Alcançar novas oportunidades? Liliana, 10ºB

Podem as palavras Ofuscarem-nos pela sua Elegância. Sentimo-las intensamente, mas Infelizmente, Apenas alguns de nós …

Obscuros e alegres Escrevendo cada um Soltando todos os passos da Imaginação, trazendo A vontade necessária para uma vida melhor. Carolina, 10ºB

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de

palavras

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Poesia, oh poesia! O que me foste fazer? Encantaste-me com as tuas Sentidas palavras e Inúmeros sentimentos que, dia Após dia, me fazem não te querer esquecer.


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Pensamento perdido e submerso Organizado docemente Em verso. Sincero, Intocável, Autêntico.

Duarte, 10ºB

Martim, 10ºB

Palavras que não foram escolhidas ao acaso Ossos que se arrepiam ao ouvi-las Estudo, determinação e persistência são precisos, pois Sem eles nada se concretizaria. Inspiro e expiro, numa tentativa para acalmar esta Ansiedade que tenho em escrever tudo o que sinto.

Pôr fim a coisas de que tanto gosto Obtenho assim a tristeza E muitos se orgulham de ver isto Sendo que estes não veem o mal disto. Iremos assim para o futuro Acabando com os nossos sonhos. André, 10ºB

Virgínia, 10ºB

Poetas são aqueles que nunca se submetem. Os que procuram o impossível E vão além da humanidade com a sua criatividade. São os heróis dos nossos dias, procurando o Imaginável, mas centrando-se na realidade. Aqueles que movem o universo. Francisco Mendes, 10ºB

Pálidas e transparentes, Omnipresentes e universais, Espelho de sentimentos São as palavras; Inimigas da ignorância Aprendizes do saber.

Bernardo, 10ºA

Poderosas palavras soltas

Problemas presentes na vida

Orquídeas erguidas

Ocultos e negros

Encantos em serras longínquas

Emergem do nada e fazem-nos

Sentimentos espontâneos

Sentir por vezes

Indescritíveis em sonhos Amadas palavras dolorosas.

Vasco, 10ºB

Pensamentos diversos Oscilam a minha mente Enquanto a Solidão das palavras Iluminam e Acendem as minhas ideias. Raquel, 10ºB

Palavras levam-nas o vento Ontem foram ditas, amanhã serão esquecidas, Especialmente as de luta São sempre as mais esquecidas, perdem-se no tempo! Imaginem o mundo a lutar com as palavras, Assim não nos matávamos a demonstrar a nossa revolta!

Incapazes de os Acompanhar e resolvê-los. João, 10ºA Partindo do princípio, Ódio, raiva e rancor Estão presentes nas pessoas. Sentimentos negativos de quem Inveja alguém; Ali estão eles.

Gonçalo Alves, 10ºA

Pensamentos esculpidos, Ocultas palavras Expressos em autêntica sintonia. Sonhos espelhados, Imagens da alma, Aglutinados todos em simples versos. Ana Carolina, 10ºA

Mariana, 10ºB No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

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Palavras ligadas a Ontem, hoje e amanhã. Esperança vivida Sobre a luz Interligada no mundo, Amanhecer caloroso nos braços do dia.


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Parte vital da nossa existência. Omnipotência e variedade, Expressando a nossa consciência. Sentimentos da alegria à saudade Incluída na nossa vivência. A poesia será para toda a eternidade.

Gonçalo Silveira, 10ºA

Gonçalo Rafael, 10ºA

Penso sempre em ti e no momento Onde nos conhecemos. Estarei sempre ao teu lado; Sem ti, a minha vida não tem sentido nenhum. Irei ver-te, preciso de ti Amo-te.

Palpitar no coração como Órgão de sinfonia. Está oculta e em Segredo, mas Intimamente gravada no Alto do pensamento.

Joana Leonardo, 10ºA

Pensamentos transpostos em palavras Ocultas, que Entrelaçam as ideias e os ideais da Sabedoria. Intenções suportadas por Amor, justiça e sofrimento. Lénia, 10ºA

Penetrando na alma do leitor Orgulhosas e determinadas Esmeram-se as palavras Sábias e corajosas. Irrigam a nossa mente de Amor e esperança. Rodrigo, 10ºA

Passei de carro ao pé do mar que estava Ondulante, mais do que outro dia qualquer. Encantado e cheio de segredos é o mar, Sempre com a sua cor azul, apresenta-se Irrequieto muitas vezes e calmo às vezes. Amado e odiado por muitas pessoas. Cristiana, 10ºA

Palavras são fogo que arde fortemente, Órbitas perfeitas e regulares, Equações do dia a dia São filhas da poesia Intensamente nos nossos corações Armas e até furacões.

Ana Patrícia, 10ºA

Porque as palavras são Omitidas pelo coração de todos nós, Esperança, amor, saudade e dor São sentimentos que nos podem causar, Imigram de boca em boca Amarradas eternamente por estes sentimentos. Cátia, 10ºA

Poderia dizer que não a conheço, O que é verdade. E aprecio o trabalho do poeta, a sua Sabedoria e conhecimento. Imaginação e criatividade. A rima reforça então toda a sua atividade. Joana Gonçalves, 10ºA Para que despertes o teu verdadeiro eu O caminho para o espírito deves abrir Esse atalho destruirá o véu que cobre a alma. Saberás nesse momento o que és realmente; Inocente ou culpado, a verdade surgirá e Através da reflexão descobrirás a tua identidade. Catarina, 10ºA

Paisagens maravilhosas, Olhamos, e logo Esquecemos os problemas. Serenar para Imediatamente sentirmos A alma limpa e pura. André, 10ºA

Felisberto, 10ºA No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

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Por todos os cantos do mundo Os poemas se vão construindo, Espantosos, misteriosos e tristes; Sempre com aquela mensagem escondida, Inspirando muitos que precisam de inspiração Amada por uns, odiada por outros.


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Ser ilha As ilhas dos Açores São as nove maravilhas Onde todos tem amores Entre estas ilhas Culturas muito especiais Pois esquecê-las jamais A gente faz cozido debaixo da terra E nos toiros há tanta ferra Vacas é o que não falta É cerrados que é um disparate Uma cantoria para animar a malta Isto aqui é melhor do que em Marte~ A nossa ave devia ser o milhafre Mas o que somos é açorianos Festas todos os anos É o melhor local para viver Marlene Lourenço, 7ºF

O pequeno monstrinho e o trevo com quatro folhas Era uma vez um pequenino monstrinho que ainda era muito novinho e que andava perdido num campo. Um dia, passeando pelo campo, olhou para o chão e viu um trevo de quatro folhas. Guardou-o no bolso e foi pensando pelo caminho que esse trevo o podia beira dum rio. Quando olhou para a água, viu o seu reflexo e já não era um monstrinho; era um pequeno humano. Depois de ser um monstrinho, passou a ser um humano lindo, charmoso, gordinho, com grandes bochechas e olhos esverdeados. A lenda dizia que se alguém encontrasse um trevo de quatro folhas, iria acontecer alguma coisa de bom. Hoje em dia, quem vai ao campo à procura de trevos de quatro folhas, pensa que os pode encontrar para lhe acontecer algo de bom, como aconteceu ao monstrinho. Diogo Ávila, 7ºB No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

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fazer ser um pequeno humano lindo e charmoso. Passado uma semana, o pequeno monstrinho acordou e foi à


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Ama como…

Lembrei-me do nosso primeiro beijo, que se encaixou perfeitamente… Fizeste-me feliz, fizeste-me muito bem, mesmo. Esforcei-me para ser quem tu esperavas que eu fosse. Fiz inúmeras coisas para te impressionar e tive as atitudes mais ridículas só para te ter por perto e não te perder Falaste-me sobre ti, permitiste que eu entrasse na tua vida, apresentaste-me aos teus pais, convidaste-me para dormir na tua casa, levaste-me a aproveitar as tuas tardes, permitiste que eu entrasse nas tuas manhãs e aproveitasse Leonid Afremov, O Beijo as semanas todas contigo e incontáveis horas ao teu lado. Levaste-me para uma vida que nunca mais esqueci. Trouxe-te para a minha vida, fiz morada na tua vida, acampei no teu peito, viajei para um lugar que não sei bem explicar, só sei que foi duro aceitar a viagem de volta! Saudades de quando me beijavas nas aulas, nas escadas, nos campos, na praça, na tua casa, no teu quarto e em todos os outros lugares onde estivemos juntos. Saudades que eu tenho de te abraçar, de olhar nos teus olhos… Saudades de quando me esperavas… É fácil fazer a amizade virar amor, difícil é fazer o amor voltar a ser amizade. A verdade é que não consegui evitar apaixonar-me por ti! Amo-te, sentido e verdadeiro… um dia saberás do que falo! Colete Rocha, 7ºB

Odeio como o mar me magoa sem falar.

Detesto como o mar enjoa.

Apaixono-me como as flores brotam.

Apaixono-me como a vida floresce.

Angélica Borges

Deseja como o mar brilha. Pedro Couto

Adora como o sol floresce.

Desgosta como as flores nos enjoam.

Sofre como as flores nascem.

Apaixona-te como os cadáveres falam.

Luís Silva

Nélio Pimentel

Recriações de “Ama como a estrada começa” de Cesariny pelos alunos do bloco I do Ensino Recorrente. Ouve o poema aqui.

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Marcos Carneiro


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Catarina, Catarina Calor meu, a tua razão é o Amor, o meu tão doce amor. Porque me Tentas desta maneira? Assim não consigo viver! Amar, amar não há outra maneira, a Razão é tão forte...Porque não me respondes? Será Impossível? Será possível seres tão cruel? Não me abandones agora, Amor meu, tão sereno e calmo. Calor meu, a tua razão é o Amor, o meu tão doce amor, porque me Tentas desta maneira? Assim não consigo viver! Amar, amar, não há outra maneira, a Razão é tão forte...Porque não me respondes? Será Impossível? Será possível seres tão cruel? Não me abandones agora, Amor meu, tão sereno e calmo.

Dominique Amendola, Lovers leaning against a bicycle (2008)

Catarina Seixas, 7º F

A verdadeira amizade Ser amigo é ser verdadeiro, é ser uma ventureiro. Navegar no rio da confiança, com muita esperança.

Ser amigo é ajudar, quando um amigo precisar, e nunca lhe falhar. Ser amigo é não dececionar, e estar lá nas horas boas mas também nas más. Maurício Borges, 7ºG

Trabalho do 8ºA (Prof. Susana Machado/Helena Medeiros) A talha em madeira foi trabalhada na oficina de carpintaria da escola. Fotografia da Prof. Susana Machado.

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Amizade não é traição, é ser puro de coração. É não mentir, mas sim sentir.


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Amor Sem amor não há vida. Se não se tiver amor no coração, não haverá sucessão. O amor é uma corrida. É difícil encontrar o amor, mas, quando encontramos, dura anos. O amor sente-se no coração. O amor é a nossa libertação. O amor é eterno. O amor não se vê, mas ele está por toda a parte. Diogo Lemos, 7ºG

R. Magritte, The Lovers (1928)

– Suponho que tivesses razão, as pessoas acabam sempre por se magoar umas às outras…

– Eu disse-te. Eu disse-te, tantas vezes… – Penso que nunca quis acreditar, pelo menos não queria acreditar que tu me pudesses magoar. Ou talvez soubesse que o irias fazer. Simplesmente não me importava mas nunca esperei que tu me magoasses tanto. – a sua ênfase no tu doeu tanto, doeu mais do que qualquer dedo trancado na porta do carro ou qualquer entorse. Expectativas são tão difíceis de suportar e são algo tão pesado em nós, eu sabia que iria magoá-lo e queria que ele soubesse o mesmo mas as suas expectativas sobre mim eram tão altas… e não podemos subir acima das nuvens sem ter uma grande queda. – Pela primeira vez, quis acreditar que valia a pena. Que não faria mal algum abrir-me com – Espero que saibas que eu me arrependo disto, mais do que tudo na vida. – É. Também eu. – não sei o que ardia mais. As lágrimas quentes nas minhas bochechas, tão quentes que pareciam ferver, a mágoa na voz dele ou a culpa dentro de mim. Suponho que tudo ardesse, cada um à sua maneira… as lágrimas ferviam a minha pele num nível superficial, a dor dele tornava o ar tão abafado que os meus pulmões pareciam estar secos e a culpa arranhava-me a garganta, arranhava tanto que já não tinha a certeza se a minha faringe estava intacta ou não. Ana Beatriz Sousa, 10ºI

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alguém e dar-lhes um pequeno espaço na minha vida.


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O amor Houve dias que pensei que já não devia amar-te mais, houve dias que pensei o porquê de não conseguir odiar-te, depois de tudo que me fizeste… Pergunto-me porquê? Amei-te com todas as minhas forças, daria o mundo para te ver sorrir e fizeste-me isto? Queria odiar-te mas fica difícil, porque sempre que tento fazer isso me vem à cabeça nós: eu, tu e os nossos momentos únicos. Fico a pensar como posso odiar-te mas amar-te ao mesmo tempo?! Odiar uma pessoa que me fez a pessoa mais feliz do mundo?! Como é que se desapaixona? Não sei nem quero saber sinceramente… Hoje aprendi que o que o amor dá, o amor tira. Por isso vamos aproveitar o que o amor nos deu… Cecília Gomes, 7ºF

As caminhadas que fazemos juntos Não podem revelar o que sentimos. E, se houver um mar que nos queira separar, Farei o meu melhor para o secar. Queremos um mundo onde não há inimigos, Onde todos saibam que a paz é só uma, E que ela não assenta numa luva. Recebemos a tarefa de mudar este mundo Tão escuro e tão cruel, Para que consigamos aproveitar o sabor do mel.

A cada minuto que passa Vejo-me aí Olho para o céu procuro por ti. Não apareces, sinto-me Perdida Sonho com o momento em que eu estarei aí, ao pé de ti A abraçar-te, consolar-te, a dar-te tudo o que posso Mas esse momento não chega, lembro-me das memórias E das vitórias que tivemos Relembro o teu sorriso que me lançava um feitiço Isto não é um adeus mas sim um até logo! Catarina Ribeirinha, 7ºH

Bruno Toste, 7ºG

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Há pessoas que têm um amigo Que nunca desejaram perder. Pois esta pessoa especial É talvez alguém que os outros não vão ter.


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Reescritas de “Levad', amigo, que dormides as manhanas frias” e “Ledo o meu amigo foi caçar no monte” de Natália Correia As histórias cruzam-se, intrincam-se umas nas outras… Eis aqui alguns exemplos! Para ler mais sobre a cantiga de amigo, vai aqui; para ler sobre Natália Correia, aqui. Eu já o tinha visto muitas vezes, nos bailes, nas ruas e no mercado. Mas era como se ele não me tivesse visto. Até que um dia eu fui falar com ele. Estávamos num baile e, como sempre, eu recusava qualquer convite que um homem me fizesse para dançar, pois esperava pelo momento em que ele visse que eu estava sozinha e me fizesse o convite. Parecia que esse momento iria demorar a chegar… Então tomei a iniciativa: – Boa noite! Isto pode parecer um pouco fora do comum, mas gostaria de dançar comigo? – Por que não?! Vamos! – respondeu, estendendo-me a mão e levando-me para a pista de dança. Dancei como já não dançava há muito tempo! A noite inteira! Rimo-nos, conversámos, conhecemo-nos melhor e, ao final da noite, já sentia uma forte ligação com ele, Diverti-me tanto! Essa noite acabou com um longo beijo e com a promessa de um encontro no dia a seguir, na fonte. Na fonte, estava eu à espera, usando um vestido e o cabelo amarrado. Estava uma brisa que fazia mexer as águas da fonte. Avistei-o a vir do monte, alegre, depois da caça. Quando chegou ao pé de mim, deume um beijo e uma brisa do vento mais forte levantou-me o vestido, soltou-me o cabelo e resto não digo… Nessa primavera, muitas noites passámos juntos e acordávamos de manhã, momento em que eu tinha nasciam e cresciam e em que as fontes corriam. Como eu me sentia bem! No outono, ele deixou de aparecer. Sem justificação para o desgosto que me tinha provocado, apercebi-me de que o amor que sentia por mim não passava de uma mentira, pois só queria saber de mim a nível físico. Que parva que fui! Toda a minha alegria desapareceu, tal como as aves que cantavam, como os ramos que caíam e as fontes que secaram. Há de passar esta dor. Outro homem há de aparecer. Hei de ter outra primavera. Beatriz Afonso, 10ºC No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

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de dizer para ele se ir embora, aquelas manhãs em que eu me sentia feliz, em que as aves cantavam, os ramos


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Vitória, 10ºG

O vento, calmo e sereno, movia as folhas das árvores que pareciam dançar à sua passagem. As flores sorriam-lhe, alegres, e acenavam-me. As aves passeavam cantando, anunciando a primavera. Estava eu a passear pela floresta quando o vi. Os seus belos cabelos loiros pareciam ouro quando iluminados pelo sol, os seus grandes olhos verdes, que pareciam grandes esmeraldas brilhantes e o seu sorriso fizeram com que me sentisse nervosa, tímida. Ele sorriu. Eu, envergonhada, respondi com um pequeno sorriso delicado. Aproximámo-nos. E depois? Depois, “Jovial o vento, levou-me o vestido, soltou-me o cabelo. E o resto não digo…” Apaixonei-me por ele. Sentia-me feliz! Mas tudo mudou. Ele parecia diferente. Foi então que percebi. Ele já não gostava de mim. Era manhã, estava frio, ele foi caçar no monte e à sua espera estava eu na fonte. Quando ele regressou, tudo acabou. A fonte secou, as folhas das árvores desapareceram, as aves já não cantavam e as flores murcharam. Passeio agora numa floresta escura, onde apenas relembro os bons momentos.

A primavera fazia-se sentir, condizendo com a cor dos meus dias, que jamais foram tão vivos, tão perfeitos. Era um conjunto de emoções que se baseavam na minha felicidade, que só as aves pareciam entender. Meu amigo, meu companheiro, razão da minha felicidade! Um misto de sentimentos nasciam e renasciam, ao mesmo tempo que a primavera ia florindo. Cada vez mais tinha a certeza de que aquela era a pessoa certa e o resto não digo… Porquê? Porque o que importa é que, naquele dia, dia que jamais sairá da minha mente, simplesmente, não estavas lá e que, por mais perfeito que tenha parecido, não valeu de nada, já que, para além de te ires embora, levaste tudo contigo. Levaste a minha primavera e deixaste-me um outono antecipado. E eu não estava preparada para essa mudança. Mataste a minha felicidade e deixaste uma amargura nos meus dias, principalmente, com a fuga das aves da primavera. Eu posso estar a sofrer, mas eu tenho esperança de que a minha primavera volte e com ela venha a alegria que me pertence. Até la, eu continuo a atrever-me a dizer: “Alegre eu ando”. Airton, 10ºG

Naquele dia, o meu amigo convidou-me para me encontrar com ele. Fiquei muito feliz pelo convite. Ele tinha ido caçar no monte e as aves disseram-me para esperar por ele na fonte. A brisa movia as águas suaves e, jovial, o vento levantoume o vestido, soltou-me o cabelo e o resto não digo... Quando ele chegou, fiquei mais contente, as águas suaves sossegaram e fomo-nos embora. Com o passar da noite, percebi que, afinal, ele não gostava de mim como eu gostava dele e que apenas me tinha usado por prazer. Ao amanhecer, mandei-o embora. Fiquei muito triste e zangada por ter pensado que ele me amava. Depois, as aves partiram, os ramos das árvores quebraram e as fontes secaram. Do nosso amor apenas se lembrariam fugazmente. Alegre eu ando…

Carlota Vieira, 10ºC No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

Beatriz Ferraz, 10ºC

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Numa noite em que nos encontrámos para sairmos juntos, ele veio até minha casa. Convidei-o para entrar. Ele, com ar ansioso, disse logo que sim. Estávamos a falar até que, de repente, ele passou a sua mão na minha perna, tão cuidadosamente como se eu fosse um cristal frágil. Entretanto, ele avançou, levantando o meu vestido, como o vento o faz. Ao tirar-me o vestido, o cabelo soltou-se e mais não digo... Na manhã seguinte, acordei, olhei para o lado e ele já não estava, como se eu estivesse a ter uma ilusão. Tentei contactá-lo e saber o porquê de ele me ter deixado sozinha. Senti-me usada, senti-me como a secagem das fontes, o corte dos ramos e a fuga das aves. O outono tinha chegado e, por consequência, a minha vida secou. Como as estações do ano mudam, a minha vida também vai mudar e irei encontrar outro amor.


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A morte do cavalheirismo pela mão da dama Há um vídeo que se tem tornado infame nestes últimos dias. Caso seja preciso relembrar, é um vídeo que envolve um rapaz a levar tareia. A parte do rapaz a levar pancadaria da bruta não é o que tem feito as pessoas inclinarem a cabeça em dúvida, o que faz isso é o facto de ser um grupo de raparigas a dar-lhe pancadaria por oito minutos enquanto ele simplesmente fica parado a levar. Toda a gente pergunta “porque é que ele não se defende?” mas a resposta é mais que óbvia; O código de cavalheirismo impede com que um homem toque numa mulher seja que circunstância for, e é nesse momento que sinto a necessidade de intervir. Quando surgiu o código de cavalheirismo moderno, no século XIX, as mulheres eram autênticas deusas, intocáveis pelo físico ou pela alma, eram seres deveras delicados como uma brisa de primavera. Esses atos de boa educação dos homens para com as mulheres eram formas de demonstrar respeito perante tão bela divindade, e as mulheres por ventura mantinham essa reputação sendo reservadas e delicadas. Hoje em dia, infelizmente, não é bem assim, a mulher regrediu para, em certos casos, ser tão bruta e selvagem como os homens e, no fundo, isso aniquila o propósito do cavalheirismo. Quando pensamos em deusas, não imaginamos Hera ou Afrodite a andarem por aí a esbofetear pessoas a torto e a direito, e é quando chegamos ao ponto em que devemos puxar as rédeas do cavalo e mudar imediatamente de caminho, porque o caminho atual está a levarnos para uma sociedade praticamente primitiva. O que se passa é que a boa educação perante seres outrora divinais está a ser massacrada pelos próprios, é como se fosse um suicídio educativo onde a única pessoa que sai afetada é a mulher. Agora, eu não estou a dizer que devemos parar de ser cavalheiros, mas, na sociedade de hoje em dia, talvez seja uma boa ideia ponderar a situação antes de agir e talvez possamos cortar as ervas daninhas e deixar as flores crescer.

P. P. Rubens, O Julgamento de Páris (c.1636) No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

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Tomás Neves, 11ºE


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Outros e mais alguns…

A escola Para esta escola vim estudar até ao décimo segundo ano. Mas agora vou-me empenhar para o sétimo ano passar. Aqui está o meu futuro, junto com os meus amigos. Preparamos um novo mundo, sempre juntos, sempre unidos. Eu muito estranhei, quando vim aqui parra. Mas já me habituei, só tenho é que estudar. Todos os dias venho à escola, para aprender coisas novas. Aprendo coisas muito lindas, coisas lindas, maravilhosas. Já a minha mãe por aqui passou, gostou muito de cá estar. Vou estudar até ao fim,

Já estou no terceiro período, depois de muito trabalhar. Só falta mais um pouco,

para depois descansar.

Trabalhos do 9ºF (Prof. Susana Machado/Helena Medeiros) Fotografias da Prof. Susana Machado.

Filipe Santos, 7ºG

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para muita alegria lhe dar.


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Na aula de português, sempre quis fazer um poema. Chegara o grande dia e não tinha um tema. Nesta aula, sou obrigado a portar-me bem. Pois, se não o fizer, estou tramado com a minha mãe. Até gosto desta aula, tirando a parte de copiar. Mas sei que a professora até é de confiar. Acho que a professora está a ficar farta de mim. Esta quadra agora foi, portanto, o meu fim.

– Vai dormir que o teu mal é sono. – disse a minha avó, enquanto tomávamos o pequeno almoço. Antes o meu mal fosse sono. Mas o meu mal é o sonho. Sonho que sabe que é sonho e só aparece como sonho para me relembrar que não passará de um sonho. Sonhos estes que não parecem reais pois a realidade nunca é tão boa. – Passa-me as torradas, avó. Enquanto ela me passa as torradas, passa o tempo, passa a vontade de comer, passa a vontade de querer, de esquecer, de querer voltar, voltar a sonhar. – Queres manteiga? Não quero manteiga, não quero torradas, não quero isto. É tão difícil perceber que o que eu quero é não perceber que tudo o que um dia poderia ser realidade não passa agora de um sonho? Mas porque é que não consigo parar de pensar nos meus sonhos? Talvez porque queira que eles se tornem na minha realidade. Talvez, só talvez. Sonhar. Maldita palavra, maldito sonho. Vou deixar de usar a palavra sonhar e usar a palavra iludir. Afinal, significam a mesma coisa. – Não, quero doce. Pode ser que com doce a vida fique mais doce como... como um sonho. Carlota Ribeiro, 10ºH

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João Carvalho, 7ºG


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Retrato de Menina Isabelle Meunier tinha oito anos e era a rapariga mais talentosa de toda a França. Ela era magra e robusta, a sua cara era oval, magra, com ar jovial mas séria ao mesmo tempo. Tinha os cabelos castanhos como chocolate negro, os seus olhos eram

castanhos

claros

e

as

suas

sobrancelhas eram arqueadas, finas e pequenas. Tinha um nariz pequeno e arrebitado como um botão e os seus lábios eram grossos e carnudos. As mãos

eram

pequenas

e

delicadas

como louça de chá.

Agnolo Bronzino, Bianca de Médici (1542)

Vestia sempre um vestido muito formal e elegante, repleto de bordados e folhos, em tons de azul, como a água pura da nascente e em tons de rosa, a cor das suas maçãs de rosto. Era uma menina muito trabalhadora, educada e correta para com os adultos que a rodeavam mas era muito solitária e séria, pois preferia passar a vida a ler, a ouvir música clássica, a tocar piano e violino

da escola. Era assim, Isabelle Meunier, a rapariga mais talentosa de toda a França que, por querer agradar aos mais velhos, não era feliz. Mariana Lima, 7ºI

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horas por dia, a costurar e a estudar poesia do a brincar com os colegas


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Meškis Hoje, acordaste às oito da manhã. Uma manhã de um típico sábado de inverno. Como já estás habituado a acordar a essa hora para a escola, não precisaste de despertador, mas se fosse segunda ainda estavas na cama e ainda ficavas a dormir até às quatro da tarde. Ao sair da cama sentes um arejo glacial. Diriges-te para o próximo quarto e reparas que a tua avó não está em casa. Como sabes que ela não está em casa só de olhar para dois quartos? Porque a casa só tem dois quartos e uma cozinha. Podias ir ver se ela está na cozinha, mas procuras saber que raio se passa para esta casa estar tanto fria. Olhas para a janela e lá está a tua resposta. A porcaria dos bêbados partiu a tua janela outra vez. O problema é saber quem, porque graças a Deus todas as pessoas ao teu redor são alcoólicas. Isto inclui a tua avozinha. Mas a tua avozinha até que é simpática quando não está bêbada. Talvez até seja simpática quando está, mas não se percebe muito do que ela diz. Tapas a janela partida com papel e jornais que tu e a tua avó costumam usar para ajudar a lareira incendiar, hoje terão de tentar acendê-la só com madeira. Agasalhas-te bem e sem comer sais de casa. É difícil arranjar bons amigos nesta vida, mas quando se arranja um, sabes que é para sempre. O teu é muito leal e está sempre à porta quando sais de casa. Pensas se ele não tem frio a andar por aí só com um vestido de pelo. Voltas para dentro da casa para procurar alguma coisa

cachecol branco, branco como a neve, que também cheira como a neve, até é frio como a neve... espera aí, isto é neve. Aparentemente este cachecol, que usaste ontem à noite, ainda tem gelo e neve colada a ele. Bates o cachecol contra uma parede até sair a neve toda. O cachecol é mesmo branco por isso foi um pouco difícil saber quando é que já tinhas conseguido tirar a neve e o gelo todo. Meškis, já com o cachecol enrolado nele, segue-te no teu caminho. Pensas no que vais fazer hoje. Ah! Que grande ideia que acabaste de ter. Que tal fazer o teu décimo terceiro boneco de neve?! Excelente! Belíssima ideia! Começas pela bola de neve maior: fazes uma No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

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para Meškis vestir. Encontras um


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bola de neve com as mãos, mete-la no chão e empurra-la correndo. Acabas de fazer a base. Estás um pouco cansado de correr e com as mãos geladas porque perdeste as tuas luvas ontem quando estavas a fazer o desafio de “quem consegue ficar com as mãos dentro da neve mais tempo sem luvas”. Ao menos ganhaste. Agora o tronco! Fazes o mesmo, só que a bola é um pouco mais pequena. Agora a parte difícil: meter a bola média em cima da bola grande. Metes-te de barriga por cima da bola média com as mãos debaixo dela. Estás basicamente a dar um abraço à bola. Agora, é só levantá-la. Começas a fazer força, levanta-la do chão e quando vais metê-la em cima da bola maior, tropeças e cais em cima dela quebrando as duas. Com as mãos no meio disto tudo, sabias que elas não se iam safar. Embora seja neve, podes-te magoar das maneiras mais estranhas. Tal como papel. Poderias dizer que ele é inofensivo, mas olha que cortes de papel doem bastante. Felizmente, só partiste um dedo. Na queda, ias tirando a mão mas ela ficou presa na vertical e o teu polegar direito foi completamente torcido para trás. Ouves Meškis a ganir. Olhas para o lado e vês Meškis com o nariz cheio de neve e uma bola de neve pequena à frente das suas patas. Pegas na bola de neve que Meškis rolou para ti e mete-la em cima das outras. O corpo não ficou lá muito bom, mas decides acabá-

boneco e o outro no lado direito. Para o nariz, usas outro galho mais pequeno, para os olhos usas pedrinhas e para os botões usas pedras. Está feito. Uma abominação de boneco de neve. Está horrível. Não consegues mexer o teu dedo e ele está a doer bastante, não tanto por causa da neve, mas dói na mesma. Decides procurar a tua avó, ela costuma saber o que fazer quando te magoas. Já ias bater na porta de uns vizinhos, quando vês a tua avó chegando da casa de outros vizinhos. Ao se aproximarem um pouco mais, reparas na garrafa de vodka que ela No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

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lo na mesma. O resto do boneco de neve é fácil. Só colocar um galho no lado esquerdo do


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esconde atrás das costas. Embora sejas muito contra o alcoolismo da tua avó, agora não é a altura certa para entrar numa discussão sobre isso. Explicas-lhe o que aconteceu e ela leva-te ao hospital. Por volta das cinco horas da tarde, estás já em casa e com o dedo cheio de fitas. Estes médicos hoje em dia são muito bons. Não sabes o que é que eles fizeram, mas sabes que já não dói e é isso que importa. Conseguir mexer o dedo também importa, mas pronto. A tua avó deu-te umas notícias bem boas agora. O teu outro melhor amigo faz anos hoje! Nem te lembravas disso. Ele vai fazer uma festa e convidou-te a ti e à tua avó para ir à festa. A festa começa às oito horas da tarde por isso ainda tens algum tempo para comer, prepararte e brincar um pouco. Comes uma sopa de leite com massa. É a tua sopa preferida! A tua avó fica a ver uns programas quaisquer em russo na televisão enquanto tenta acender a lareira. Acabas de comer e vais desenhar para o outro quarto. Infelizmente, não consegues desenhar muito bem por causa do dedo partido. Resolves que hoje, afinal, não precisas de desenhar personagens novas para o teu jogo. O teu jogo é genial. Ou pelo menos é isso que tu pensas. Em vez de brincares com bonecos de plástico que têm limitações no que podem fazer e o que são, desenhas o que queres em papel, recortas e brincas com eles como queres! Nem sequer percebes porque é que os bonecos de plástico existem quando podes fazer os teus próprios bonecos. O tempo passa rapidamente e já está na hora de ir para a casa do teu (outro) melhor amigo, Vičiukas. Ao saírem da casa, Meškis vem a correr da sua casinha para ver como estás. Ele ainda tem o cachecol em bom estado. Impressionante. Não estavas nada a espera disto. Meškis salta com as patas de frente e mete-as em cima da tua barriga virando a cabeça para o lado esquerdo para lamber a tua mão direita. Fazes festinhas na sua cabeça e dizes que está tudo bem. Os três dirigem-se para a casa

cinco minutos de andar e já estão lá. Tanta gente que esta festa tem! Na verdade não tem assim tantas pessoas, simplesmente parece que tem muitas mais porque a casa não é muito grande, tal como a tua. Encontras várias pessoas que conheces e vocês começam a brincar e a No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

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do Vičiukas. A casa não é muito longe,


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falar. O teu dedo é o centro das atenções por uns cinco minutos. Um tempo depois, o pessoal todo brinca como se tivesses uma mão de ferro. Os adultos estão num quarto e vocês noutro. E ainda bem. Os adultos só iam estragar a brincadeira e vocês só se sentiriam mais desconfortáveis. Que bela festa. Estás a divertir-te imenso! Vičiukas até tem um computador! Podem jogar jogos lindos naquilo! Ouves uma voz a dizer qualquer coisa sobre Meškis, mas ele há de esperar, que não é todos os dias que te consegues divertir assim tanto. Ouves gente aflita a correr pelas escadas acima e pelas escadas abaixo, pois estás no segundo andar. Entra alguém no quarto e diz que Meškis está a ladrar muito. Estranho, mas cães ladram, é a vida. Não pensas muito nisso, estás mais interessado agora no jogo que Vičiukas está a jogar. Depois de mais umas subidas e descidas nas escadas entram no quarto e dizem que tem outro cão ali. E então? Qual é o problema de haver mais cães neste mundo? A tua avó sendo mais receosa do que tu foi lá abaixo ver o que se passava. Uns minutos depois uma pessoa qualquer entra a correr para dentro do quarto, tão aflita que até parece que está a parir, e diz: “Tens de ir lá abaixo! JÁ!!!” Já não estás a gostar disto, por isso desces as escadas. Está de noite. Parou de nevar. O silêncio tem um ar sinistro. Vieste tarde demais. Vês um cachecol vermelho no chão e vês a tua avó de joelhos mais à frente. Ouve-la a murmurar enquanto chora. Perguntas o que se passou. Ela diz que não conseguiu. Não conseguiu salválo, tentou, mas não conseguiu. A tua avó levanta um braço, a sua mão flácida e a desfazer-se aponta para a muralha de um convento. Saltas a muralha e vês o corpo de Meškis desfeito em pedaços. E neste momento, apercebeste-te de tudo o que tinha acontecido naquela noite. Apercebeste-te de que a culpa foi toda tua. Se tivesses sido tão leal ao teu melhor amigo como ele te era fiel, nada disto tinha acontecido. Sabias que os eventos desta noite não sairiam nunca da tua cabeça. Sabias que não te conseguirias perdoar. Sabias a única solução.

vais ao encontro dele. Meškis é uma palavra Lituana que significa ursinho de peluche. Lê-se (pronúncia inglesa) Meshkiss. Vičiukas, nome próprio, lê-se (pronúncia inglesa) veechewcuss. Imagens selecionadas pelo autor. Karolis Vaitkevicius, 10ºE

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Foi a última vez que lhe foste infiel. Com um osso das costelas dele, espetas o teu coração e


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Som O mundo, desde o céu, lança o ruído seu. Lançando a sua desunha, O mundo entendeu. O som filou-se ao mundo, exprimiu a sua luz e escuridão, e divulgando estes significados: fulminou a humanidade. Dispersou-se pelas veias e raízes. Matando corpo, mas formando espírito. E assim para o mundo contribuiu, fazendo dos dias todas as suas vezes. Fazendo dos anos o que já foram, refletindo o tempo e os feitos, pulsando o quão belo qualquer coisa pode ser. Entender como as coisas podiam ser melhores. O renhir pela nossa vida é único. Nós somos sagrados! Diz para ti próprio: Não é possível morrer,

Martin Klimas, Miles Davis' “Pharaoh's Dance”

Mesmo que a luz esteja a desaparecer.

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Paulo Rosa, 10ºE

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HORÁCIO SEM DOIS DEDOS DE TESTA Rapaz aventureiro e meio subentendido no meio social em que passa despercebido, era, na verdade,

um

grande

vilão.

Acordava às catorze horas, ainda remeloso paciência

e

de com

facto

sem

as

suas

responsabilidades. Este jovem tal como todos os seres racionais, tinha seus deveres, suas tarefas padrão, visto que ainda vivia com seus pais. Malandro, escapava de casa assim como o gato foge do cão para se ir sentar na espanada e meter conversa com as garotas vizinhas. Horácio era, na verdade, um romântico e tempo era o que não lhe faltava, pois nem estudava nem trabalhava. Horácio sempre andou em busca da mulher ideal para si e chegou mesmo a ter várias, em simultâneo… Para ele, de facto, não seria grande dificuldade: de alta estatura, loiro e de olho azul que nem um ariano, era um jogo facilitado. Com seus dotes românticos e, por sua vez, traiçoeiros, chegou a ir mais além com duas amigas suas, a Josefina, de estrutura esguia, e a Carlota, mais baixa, de cintura acentuada. Destas nasceriam, literalmente, dois problemas. Horácio, jovem pai, teria agora responsabilidades de adulto, coisa que nem ele sabia o que era. Ele bem as tentou convencer a abortar e uma delas chegou mesmo a pensar no assunto, mas a Idalina, mãe da Josefina, de imediato refutou. Nove meses depois dá-se o duplo nascimento e Horácio, negligente, encontra-se num festival de música em Miami. Procedeu-se às chamadas e o voice-mail esgotou as mensagens… As duas mães prosseguiram as suas vidas, sem pai das crianças. O engraçado é que se do recém-nascido: o almoço de um, jantar do outro. Boatos dizem que ambas as barrigas pósparto tinham algo mais íntimo, mas disso nós não sabemos e boatos são boatos… Quanto a Horácio, nunca mais se soubera dele desde o tal festival de música pelo qual tanto ansiava e a que tinha ido. Há quem acredite que tenha malandrado para outro destino, outros que se suicidou… O certo é que fugiu às suas responsabilidades. Sérgio Leonardo, Português, Bloco I

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tornaram boas amigas e começaram a viver no mesmo apartamento, variando a alimentação


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Yearbook

Deparo-me sempre com dificuldades quando chega o momento das apresentações. Tal como a maior parte dos jovens, não me encaixo numa etiqueta mas sim numa compridíssima redação eternamente inacabada. Desde muito cedo fui estimulada para o mundo dos contos, para as variadíssimas ciências, todas as sete artes, várias influências religiosas e a minha vida sempre teve (e terá) a bênção de uma banda sonora contínua, graças aos meus pais, Maria José e Fernando, e à experiência do tempo (que ainda não possuo) que construiu nos meus irmãos mais velhos, Tiago e Sofia, brilhantes mentes independentes. Surpreendentemente, comecei a questionar o universo em que nadamos sem bússola como um cigarro beija o fumador. Hoje, percorro o sistema educativo. A estrada não tem tido muitos obstáculos e não me faltam amigos protetores e otimistas. As experiências que mais me marcaram foram o empreendedor, ambicioso e inédito projeto dos Milhafres que levou a turma ao velho Porto e, infelizmente, as divergências entre as minhas colegas e a minha pessoa, que dilaceraram uma

Deixo, por fim, uma mensagem ao leitor nostálgico – especificamente eu própria – que encontrou este livro de curso empoeirado num caixote de memórias: espero que estejas a viver o teu sonho de ser escritora, diplomata, cientista, atriz, ativista, jornalista e viajante ávida, mas, acima de tudo, almejo que tu que lês estas palavras sejas feliz e que ames e sejas amada. Matilde Pereira Rocha, 9ºC No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

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amizade até então julgada tão genuína.


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Parlamento jovem, um testemunho

4 anos de mandato!

Este foi o quarto ano consecutivo em que, com muito orgulho, participei na iniciativa “Parlamento dos Jovens”. Contudo, foi o primeiro ano no qual o nome da nossa escola não foi levado à fase nacional, apesar de todo o empenho dos alunos envolvidos. Mas o que é o «Parlamento dos Jovens»? É uma iniciativa institucional da Assembleia da República e tem como objetivo promover o debate democrático sobre temas da atualidade, obrigando-nos a refletir sobre possíveis soluções, que não sejam utópicas mas, sim, práticas, eficazes, exequíveis e capazes de resolver os problemas da sociedade para que a vida de todos seja melhor (por exemplo, já foram discutidos temas como: a crise económica, a crise demográfica e, este ano, o «Ensino Público e Privado - que desafios?»). O «Parlamento dos Jovens» estimulou, portanto, em mim, o gosto pela participação cívica e, até, política. E, pensando bem, serão os jovens de hoje, como tu e eu, que vão ser os cidadãos de amanhã. O futuro do país vai depender das nossas ideias. Isto implica que saibamos discutir opiniões, defendêlas, mas, também, saber ouvir as dos outros e aprender a respeitar as decisões da maioria. Participar no «Parlamento de Jovens» fez com que as minhas capacidades de expressão e argumentação aumentassem, o que dá muito jeito, até no nosso dia-a-dia, para conseguirmos expressar o que pensamos de forma percetível e fundamentada. Ao participar no «Parlamento dos Jovens», percebe-se, na prática, como os órgãos políticos funcionam e participa-se melhor na vida da nossa Escola, cidade ou até mesmo, país. E isto é a cidadania. Assim sendo, é importante participar. Fazer ouvir as nossas ideias, respeitando a diversidade de opiniões que se encontram pelo caminho. Que também têm a sua importância. Abremnos os horizontes e tornam-nos mais tolerantes.

passados. Não apenas pelas sessões em si, mas, também, pelo convívio. Memórias que serão para sempre recordadas. Que são, sinceramente, o que faz esta iniciativa valer, indubitavelmente, a pena! Aprendi muito para além dos temas de cada ano. Diverti-me imenso. Fica, então, a saudade e, ao mesmo tempo, a satisfação por ter participado neste grande projeto! Sem dúvida, uma experiência que recomendo vivamente a qualquer um! Marta Patrocínio, 11º A No va série | N.º Especial | maio de 2015 | | Nova série | N.º1 – Especial | junho de 2015 | Suplemento

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Em todas estas participações, os dias em que fomos ao parlamento foram sempre muito bem


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Como estava inquieto o Amadeo! O documentário A Velocidade da Inquietação de António José de Almeida é dedicado à vida e obra de Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), artista plástico do séc. XX, que expôs ao de grandes pintores, tendo sido, na verdade, o primeiro modernista português. O documentário conta com a participação de vários estudiosos e admiradores da obra do arista: Delfim Sardo, Raquel Henriques da Silva, Julião Sarmento, Helena de Freitas, entre outros. Amadeo nasceu em Manhufe, Amarante, revelando desde cedo grandes aptidões artísticas. Estreou-se na caricatura, mas, em 1916, com apenas dezoito anos partiu para Paris, onde frequentou o meio artístico, privando com personalidades de Modigliani, Picasso, etc. Contribuiu, sem dúvida, para os movimentos artísticos da época como o cubismo, abstracionismo, expressionismo ou futurismo. Amadeo foi um dos artistas que mais vendeu na primeira exposição modernista em Nova Iorque, em 1913. Após este sucesso, regressa a Portugal, onde é recebido com espanto e agressividade. Em 1918, no auge da sua carreira, com apenas trinta anos, morre. A sala onde os entrevistados foram filmados era sombria, sem grande presença de luz, o que dificultava a observação dos intervenientes, facto que era alterado quando se mostravam as obras de Amadeo, o que facilitava a observação das cores. A nível de som, este é coerente e percebe-se muito bem tudo o que é indicado. Através da utilização de música de época na banda sonora, o documentário torna-se entusiasmante pois, quando colocada no tempo certo, intensifica a ação, o que desperta uma certa curiosidade aos espetadores. A

meu

ver,

Amadeo

era

adorado

pelos

intervenientes do filme, que o elogiaram imenso. Por fim, o documentário foi bem concretizado, que Amadeo de Souza-Cardoso.

Amadeo Souza-Cardoso, Mucha (1915) CAM-FCG.

Podes ver o documentário aqui e podes ver a maior parte das obras do artista plástico Amadeo de Souza-Cardoso neste link, pesquisando o seu nome. Sofia Cunha, Samuel Lemos, 10ºE

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retrata bem o que se pretende: a vida e obra de


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Fotografia de Luana Beatriz.

Este espaço faz-se com a contribuição de alunos, professores, pais, funcionários… TODOS! Participe enviando os seus textos para es.jea@azores.gov.pt, com ‘Vid’Académica’ no assunto!

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Até ao próximo ano!

Jornal Escolar Vid'Académica | 01 | 06-2015 | Suplemento  

Jornal Escolar Vid'Académica da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, Angra do Heroísmo. N.º01, junho de 2015, composto por Jornal...

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