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Hiperactividade A Vida a 100 à hora! Mais que uma inquietação, uma perturbação...

Área de Projecto 2009/2010


Ficha técnica Ana Matos Filipa Nascimento Inês Sim Sim Marta Zegre 12º1 Sob a orientação da Professora Maria José Barata 2


Hiperactividade A Vida a 100 à hora! Mais que uma inquietação, uma perturbação...

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Agradecimentos 

Professora Maria José Barata

Professora Dra. Ana Rodrigues da Faculdade de Motricidade Humana

Dr. Renato Paiva do CAP

Dra. Susana Pina da Faculdade de Motricidade Humana

Professora Graça Campos

Entidades:

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Índice Introdução

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O que é a PHDA

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Quais as causas?

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Quem sofre desta perturbação?

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Quais os comportamentos que os hiperactivos adoptam?

18

Como diagnosticar este transtorno?

22

 

Teste de Conners Perguntas-chave de um diagnóstico

23 24

Que factores pioram o prognóstico?

27

Quais os tratamentos e terapias?

28

Ser pai ou mãe de um hiperactivo

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A Hiperactividade e a escola

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Dificuldades de aprendizagem

35

Aspectos positivos

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· · · · · · · · · ·

Défice de atenção Automonitorização inadequada Dificuldade em manter o esforço Memória Memória a curto prazo Memória de trabalho Controlo Executivo Leitura e Ortografia Matemática Linguagem oral

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36 36 37 37 38 38 39 39 40 41


Índice Intervenção da escola   

Como integrar um hiperactivo no meio escolar? Como distinguir um aluno hiperactivo de um aluno irrequieto? Métodos e estratégias de ensino para focalizar e manter a atenção. · Na apresentação de tarefas · Na avaliação

43 43 45 46 50 51

Conclusão

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Referências bibliográficas

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Anexos

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· Inquérito · Resultados dos inquéritos · Análise dos resultados

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60 61 63


Introdução O nosso objectivo crucial neste prospecto é fornecer informação à comunidade escolar sobre a PHDA e sobre o modo como as crianças com esta perturbação podem e devem ser ajudadas na escola, para que haja uma melhor compreensão por parte de todos sobre este tema tão pouco abordado. Para além disso, pretende-se definir a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA), mostrando de maneira clara e abrangente o comportamento hiperactivo adoptado por estas pessoas e a sua trajectória ao longo da vida. É importante ter a consciência de que a Hiperactividade é uma doença; ter preconceitos, esperar que o crescimento ou amadurecimento resolvam o problema não é uma maneira correcta de se proceder. O essencial é o reconhecimento da doença e a busca de soluções. Actualmente muitas pesquisas estão a ser elaboradas, visando uma melhoria de vida para os hiperactivos e a tendência é cada vez mais para se avançar nesta área, ultrapassando barreiras, tornando a vida dessas pessoas e familiares mais agradável.

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O que é a PHDA? A Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção é uma perturbação do desenvolvimento com três grandes características: o défice de atenção, o excesso de actividade motora e a impulsividade. Esta perturbação interfere com a capacidade do indivíduo regular o nível de actividade (hiperactividade), inibir comportamentos (impulsividade) e prestar atenção às tarefas. Estas alterações do comportamento são inapropriadas para o nível de desenvolvimento geral do indivíduo. É uma perturbação crónica que afecta frequentemente a capacidade da criança para operar com sucesso nos campos académico, comportamental e/ou social. À criança com PHDA não faltam as aptidões ou capacidades, mas esta não sabe o que fazer. Tem dificuldade em demonstrar ou seguir instruções de forma consistente. Quando se trata do desempenho das tarefas, é muito frustrante e difícil para pais e professores, porque num dado dia ou momento a criança é capaz de realizar o trabalho e no dia seguinte já não é.

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Ser pai ou mãe de uma criança com PHDA, é uma tarefa desgastante, inquietante e promotora de conflitos diários. Para os pais, o filho de aparência absolutamente normal, constitui sempre uma incógnita face aos comportamentos que apresenta. Estes são constantemente confrontados com uma série de questões às quais não é possível responder, tais como: Porque é que o meu filho não segue as instruções que lhe são dadas? Porque é que não cumpre as regras e não segue os pedidos que lhe são feitos? Porque não consegue organizar-se de forma autónoma e parece não ouvir o que se lhe diz dezenas de vezes e durante anos? Muitos pais alimentam a ideia de que tudo passará com o tempo, mas na maior parte das vezes, o tempo confirma os seus piores receios e a realidade vai revelando um agravar da situação.

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Quais as causas? De acordo com o Dr. Nuno Lobo Antunes, a dopamina é um neurotransmissor presente no corpo humano que induz adrenalina, estimulando o Sistema Nervoso Central. Este neurotransmissor é responsável por controlar os nossos impulsos, antecipar e prever as consequências dos nossos actos, determinar o que é mais importante e porque ordem devemos realizar as nossas tarefas. Os lobos pré-frontais organizam o dia e permitem-nos tomar decisões acertadas e racionais. Na PHDA os lobos frontais, sobretudo a zona mais anterior, têm dificuldade em focar-se por tempo prolongado numa tarefa, em organizar o tempo e as actividades e em controlar os impulsos. Assim, nos indivíduos que sofrem da PHDA, os seus lobos pré-frontais têm baixos níveis de dopamina, o que impossibilita que possam ser utilizados. A actividade do lobo pré-frontal, em pessoas que sofram de PHDA, leva a dificuldades em prever o futuro e em inibir o que se deseja agora. Crê-se que os maiores responsáveis pelo problema sejam os genes. Os factores genéticos parecem, no entanto, influenciar de forma distinta rapazes e raparigas. (Nuno Lobo Antunes, Mal-entendidos, 2009)

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É difícil, na maioria dos casos, determinar uma etiologia precisa, já que também não é detectável nenhum dano cerebral, como acontece noutras perturbações mentais. Existem alguns estudos que indicam que este tipo de perturbação apresenta maior incidência nos rapazes que nas raparigas. A questão que estas investigações colocam prende-se com a determinação dos factores responsáveis por estas diferenças. Assim, estas teorias explicativas, baseadas umas em factores genéticos e outras em factores neuroquímicos não apresentaram resultados que permitam chegar a explicações absolutamente conclusivas.

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As características da PHDA podem também resultar da interacção de outros factores, como por exemplo: Factores genéticos: Estudos revelam que as características bioquímicas, que influenciam o aparecimento de sintomas de PHDA, são transmitidas de pais para filhos. Não há uma clara relação entre a vida familiar e a Hiperactividade, pois nem todas as crianças de famílias instáveis ou disfuncionais têm esta perturbação e nem todas as crianças com PHDA provêm de famílias disfuncionais. Factores pré-natais: O uso de álcool e drogas durante a gravidez ou complicações intra-uterinas, e pré-natais, como traumatismos crânioencefálicos e anoxia, são também considerados responsáveis por mudanças estruturais e funcionais do cérebro. Factores alimentares: Consta que alguns açúcares, corantes e conservantes têm uma relação com a PHDA, apesar de ainda não estar cientificamente comprovado que estes sejam uma causa para o aparecimento desta perturbação. No entanto, observou-se, por exemplo, que quando crianças com hiperactividade consumiam muito açúcar aumentava o seu nível de agitação, embora uma dieta sem açúcar não diminuísse os sintomas da hiperactividade.

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Factores biológicos1: Foi detectado que as pessoas com hiperactividade têm áreas do cérebro menos activas em comparação com as pessoas que não têm este distúrbio, o que leva à suspeita de uma possível disfunção do lóbulo frontal e das estruturas diencéfalo-mesenfálicas. Porém, do ponto de vista biológico, sabe-se que as razões fundamentais que originam esta disfunção cerebral são fruto de um défice ao nível do desenvolvimento de circuitos cerebrais responsáveis pela manutenção da atenção por tempo prolongado em tarefas de natureza monótona e pela inibição comportamental. Desta forma, é natural que os indivíduos com PHDA apresentem dificuldades em autocontrolar-se, em resistir à frustração, em adiar a gratificação e em focalizar e manter a atenção numa só tarefa.

In http://www.psicologia.com.pt/ artigos/textos/TL0041.pdf 1

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Quem sofre desta perturbação? Todas as faixas etárias podem sofrer desta perturbação, no entanto os casos mais comuns são em crianças e em adolescentes, pois à medida que estas vão crescendo vão atenuando os seus comportamentos. Como já foi dito anteriormente, pensa-se que esta perturbação tenha uma condição hereditária e vários foram os estudos que levaram a esta hipótese. Por exemplo, conforme encontrámos na Brochura do CADin, Stevenson (1994, cit. por Barkley, 1998) refere, numa revisão da literatura sobre estudos com gémeos, que é possível verificar a existência de PHDA em cerca de 80% dos pares de gémeos. Estudos familiares têm verificado também que, num grande número de famílias, a existência de uma criança com PHDA, revela a existência de um familiar próximo com o mesmo problema não identificado na infância.

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A hiperactividade do tipo predominantemente desatento (sem agitação motora pronunciada) é mais frequente em raparigas. A ausência de hiperactividade, propriamente dita, leva a que estas sejam diagnosticadas 4 anos mais tarde que os rapazes. O sexo masculino tende a ter uma maior incidência para o problema. A ocorrência de PHDA no adulto é cerca de metade da incidência em crianças e jovens. A PHDA associa-se a outros problemas. Menos de 1/3 das crianças com PHDA sofrem esta perturbação no “estado puro”, isto é, sem que outras perturbações lhe estejam associadas.

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Quais os comportamentos que os hiperactivos adoptam? A criança pode ter dificuldades em:

Défice de atenção e concentração

- seleccionar informações - iniciar actividades - manter a atenção até ao final de uma tarefa - prestar atenção a dois estímulos em simultâneo Estas crianças têm dificuldade em:

Impulsividade

- reflectir antes de agir - prever as consequências das suas acções - planificar actividades - seguir normas estabelecidas Estas crianças podem manifestar um nível excessivo de movimento

Hiperactividade

corporal (actividade quase permanente e incontrolada sem finalidade

concreta).

As

dificuldades

podem ser mais evidentes nas situações em que se requer maior tranquilidade. 18


- baixa tolerância à frustração - baixa auto-estima - dificuldades em seguir normas - desmotivação escolar - rendimento escolar oscilante - dificuldades em respeitar a sua vez, precipitação nas respostas - podem ser pouco populares entre os seus companheiros - fazem barulhos ou sons

Outras características apresentadas:

desadequados - são imprevisíveis e distraídos - parece que não escutam quando se fala com elas - perdem ou esquecem o material escolar - têm os deveres pouco cuidados - podem ser lentas a copiar a informação - têm dificuldades em adaptarse às mudanças - reagem de forma desproporcionada quando provocadas - podem ser facilmente exploradas pelos outros

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Desatenção – Têm muita dificuldade em manterem-se atentos e concentrados, não conseguem dar atenção a detalhes, distraem-se facilmente, parecem estar sempre a sonhar acordados ou de “cabeça no ar”, são desorganizados,

perdem

tudo,

o

desempenho é muito irregular (dias bons e dias maus), evitam tarefas que requerem esforço mental c o n tí n uo,

fr e q ue n te s

esquecimentos

na

vida

quotidiana.

Hiperactividade – Mexem as mãos ou os pés ou contorcem-se na cadeira, estão sempre em movimento, falam demais. Não são capazes de estar sentados durante muito tempo, levantam-se várias vezes à refeição, não aguentam uma aula inteira sentados, levantam-se, correm, interferem e implicam com os outros; respondem de forma atabalhoada às questões; interrompem os outros, têm dificuldade em esperar numa fila ou em aguardar a sua vez nos jogos; fazem ruídos com os objectos que têm nas mãos ou simplesmente com a boca.

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Impulsividade - Têm enorme dificuldade em inibir ou parar uma resposta, seja esta um comentário ou um comportamento. Assim sendo, falam, comentam, respondem e agem sem pensar primeiro nas consequências, tornandose, por vezes, inconvenientes e desagradáveis. Esta característica prejudica o desempenho escolar e dificulta o aguardar pela vez que lhes compete. Devido também à Impulsividade estes correm para o meio da rua sem olhar, o que faz com que fiquem mais vulneráveis aos acidentes de viação.

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Como diagnosticar este transtorno? A PHDA não tem um marcador biológico, um parâmetro facilmente mensurável, que nos permita afirmar com segurança a presença da disfunção. O comportamento da criança pode ser distinto em casa, na sala de aula ou no próprio gabinete médico, pelo que a análise do comportamento deverá ser feita com base nos diferentes espaços que esta possa percorrer. A Hiperactividade é uma perturbação com características próprias do desenvolvimento da criança e, como tal, deve ser avaliada com critério e por profissionais habilitados. Sem o devido diagnóstico pode ser confundida com doenças mais graves, como a esquizofrenia, ou simplesmente não passar de “mau comportamento”.

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Teste de Conners Conners desenvolveu um questionário conduzido por um conjunto de comportamentos, graduados numa escala, e que permite obter um perfil comportamental da criança. Os resultados são expressos em valores numéricos e comparados com os obtidos por um conjunto de crianças sem PHDA. Além de ajudar no diagnóstico, os questionários podem ser úteis na avaliação da intervenção terapêutica. Porém, podem existir resultados discrepantes entre os vários informadores. A suspeita de PHDA numa criança deve ser despistada por uma avaliação de um médico experiente em perturbações emocionais que avalie a criança de uma forma global, inquirindo a qualidade das suas relações familiares, amizades, hábitos, hobbies, medos e atitudes.

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Perguntas-chave de um diagnóstico: 1. Tem ou não esta criança maior dificuldade que outras da mesma idade em concentrar-se em tarefas que exigem esforço mental? R: É necessário saber qual é a capacidade de atenção expectável para cada etapa do desenvolvimento. A avaliação da capacidade de atenção deve-se fazer quando a criança se encontra envolvida em tarefas que requerem esforço mental. Os professores deverão ter uma amostra significativa de crianças para saber se alguma delas foge da norma.

2. Definida a presença de uma dificuldade em manter a atenção, a questão seguinte prende-se com as circunstâncias em que esta surge. R: As implicações do Défice de Atenção verificam-se nas rotinas de todos os dias. Os filhos não são autónomos, não se organizam no tempo, não se conseguem responsabilizar por despir/vestir, tomar banho, comer, organizar a mochila, entre outras. Como resultado os pais substituemnos em praticamente tudo e as crianças tornam-se muito dependentes.

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3. Socialmente também são crianças com dificuldades em jogos de grupo, principalmente se implicam um planeamento com regras para cumprir (facilmente as esquecem). A dificuldade de atenção prejudica a criança de forma clara? R: Os resultados escolares de uma criança com PHDA poderão ser razoáveis, mas no entanto inferiores aos do potencial revelado pelo aluno. Ou então, existe um enorme consumo de energia, por parte dos pais e da criança, que interfere com a oportunidade de desfrutar tempos de lazer, para realizar trabalhos de casa ou estudar.

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4. Porque razão o diagnóstico se baseia na interpretação de relatos e observações, e não se pode apoiar exclusivamente em valores estatísticos obtidos através de questionários? R: A criança deve ser avaliada no seu contexto familiar e escolar, desmontada e compreendida a sua rede de ligações emocionais, hábitos ou idiossincrasias emocionais. O diagnóstico da PHDA assenta na revelação do quotidiano íntimo da criança e sua família, na análise dos comportamentos na aula e no recreio, e pela observação do comportamento no gabinete de consulta (gestos, movimentos e olhares – códigos que apuram a dificuldade de atenção). (Nuno Lobo Antunes, Mal-entendidos, 2009)

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Que factores pioram o prognóstico? A PHDA, se não for identificada correctamente e consequentemente não der origem a uma intervenção atempada, pode originar outras perturbações e desadaptações, por vezes mais graves que a hiperactividade em si mesma. Esta perturbação não surge na vida de uma criança em consequência de uma situação traumática (como um divórcio ou morte de um familiar próximo). Pode, porém acontecer, que as características que já estavam presentes no comportamento, se agravem e se tornem mais disruptivas nessas alturas. Esquematicamente, os factores que pioram o prognóstico podem ser: 

Diagnóstico tardio;

Fracasso escolar (a auto-estima tem um papel importante numa boa evolução da perturbação);

Educação demasiado permissiva ou excessivamente rígida (deve-se tentar encontrar um meio termo);

Ambiente familiar marcado pelo stress e/ou hostilidade/violência;

Problemas de saúde ou atrasos no desenvolvimento;

Problemas familiares (alcoolismo, patologias psiquiátricas, etc.). 27


Quais os tratamentos e terapias? A intervenção pressupõe dois planos: a intervenção ao nível dos sintomas próprios da perturbação e, ao nível da desadaptação secundária existente em cada caso. Na maioria das situações, a PHDA provoca um ciclo vicioso de relações interpessoais e de insucesso em diferentes planos. Actuar ao nível dos sintomas, pode ser o primeiro passo para que outras situações se possam resolver. Esta actuação pressupõe, em muitos casos, uma intervenção farmacológica, à base de psicoestimulantes, que actuam ao nível do Sistema Nervoso Central, melhorando as capacidades de atenção e diminuindo a impulsividade do indivíduo.

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No entanto, uma intervenção exclusivamente farmacológica não é suficiente. A Hiperactividade resulta de inúmeras dificuldades e, a actuação ao nível dos sintomas, não promove nem desenvolve as competências que cada criança necessita adquirir no seu percurso de vida. Como tal, é de afirmar que a intervenção na PHDA deve ser Multimodal1. A

monitorização

dos

comportamentos

da

criança

(evolução, diferenças ao longo do dia, surgimento de reacções inesperadas) é um valioso instrumento para aferir os resultados da intervenção terapêutica e deve ser comunicada aos pais e/ou médico assistente da criança.

1

Uma abordagem Multimodal inclui uma combinação de Programas de Modifica-

ção Cognitivocomportamental (mudanças de comportamento na escola e em casa) e uma intervenção farmacológica.

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Ser pai ou mãe de um hiperactivo Na família, a PHDA representa um desafio diário. As situações de conflito são mais frequentes e mais intensas do que noutras famílias com crianças da mesma idade, o que gera, nos pais uma angústia e sentimentos de culpa. A angústia de não conseguir gerir as situações vem quase sempre acompanhada de um grande sentimento de incompetência parental, potencializado pelas situações sociais vividas entre os amigos e com a sua própria família. Não é raro que, as famílias com crianças hiperactivas, se isolem e desistam de realizar um conjunto de actividades. Acabam por se fechar em si mesmas e aumentar as suas dificuldades.

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O desgosto, por não conseguirem que os filhos se comportem como as outras crianças, conduz frequentemente a uma grande tensão familiar que se reflecte na relação conjugal e na relação de fraternidade. Os sentimentos generalizados de incompetência arrastam, frequentemente, uma necessidade de culpabilizar o outro pelo “mau comportamento” da criança hiperactiva que, por sua vez, sente essa acusação dirigida a si mesma. Este sentimento gera mais comportamentos disruptivos, potencializando o ciclo vicioso que se instala nas relações familiares. É frequente assistirmos a estilos parentais muito punitivos, sabendo que a punição é o caminho errado para aliviar a tensão. Um dos passos mais importantes para quebrar este ciclo consiste no facto dos pais poderem perceber o que é a Hiperactividade, em que consiste, e como é que as suas características provocam desadaptação na vida da criança. Para tal, a informação é muito importante, bem como a realização de reuniões formativas.

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Como posso eu ajudar o meu/minha filho/a? É a pergunta mais frequente e que a maioria dos pais faz. Existem várias estratégias que podem contribuir para uma boa comunicação com a criança. Encontrámos numa brochura informativa do CADin as seguintes estratégias para os pais:

Seja proactivo – isto é, é preferível que antecipe a situação, evitando que aconteça, do que reagir a ela. Para orientar a criança, ajude-a a encontrar soluções alternativas e a rever os erros cometidos, mantendo a calma e a tranquilidade.

Ponha as coisas mais importantes em primeiro lugar – há situações que podem ser ignoradas. Não reaja a todas da mesma forma, ignorando aquelas que não interferem significativamente com a vida familiar e com a saúde e segurança de todos.

Tente compreender a situação do seu filho antes de querer ser compreendido – se tentar, em primeiro lugar, entender a situação do seu filho, aumenta a probabilidade de ser correspondido, pois está a actuar como modelo.

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Promova a cumplicidade entre pai e mãe e entre pais e filhos – se existir uma cumplicidade entre os pais, é mais provável que a acção desejada seja alcançada com sucesso.

Utilize com frequência o reforço positivo – reforce de forma imediata o bom comportamento e as capacidades do seu filho. Não deixe para depois o jogo prometido ou a ida a um sítio especial. Escolha algo que possa dar de imediato e aposte em conceder-lhe um tempo especial entre si e ele, sem interferências.

Se tiver de utilizar uma punição – não grite nem se exalte. Explique porque é que está a actuar desta forma, mantendo a calma ao falar e agir. Não puna a criança numa situação de “conflito aberto” ou numa “birra”. Nestes casos retire a criança da situação e espere que se acalme. Relembramos que não se deve exaltar. Quando a criança estivar calma explique-lhe o porquê da punição (não física, mas sim retirada de privilégios).

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Ajude o seu filho a organizar-se – crie rotinas para o seu filho e procure que a criança participe nas rotinas familiares, mas não se esqueça, que as tarefas devem estar adequadas às suas capacidades e que deve tentar dar a informação de forma clara e concisa de forma a facilitar a assimilação por parte da criança.

Ajude o seu filho com as amizades – organize situações lúdicas de desafio e aventura, fora de casa, e aproveite as situações para modelar as relações entre ele e os amigos e para o ajudar a organizar-se e adequar o ser comportamento.

Mantenha sempre a calma – ou pelo menos tente e treine, pois manter uma atitude firme mas tranquila é essencial para lidar com o seu filho.

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A Hiperactividade e a escola Dificuldades de aprendizagem Muitas crianças com PHDA apresentam dificuldades a nível da leitura, ortografia, escrita, matemática e linguagem (com uma incidência que varia entre os 35 e os 50%). Estas crianças têm um rendimento académico que pode ser muito inferior às suas capacidades intelectuais devido aos seus problemas de atenção, memória e escasso controlo dos impulsos.

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Défice de atenção O défice de atenção é a principal causa da existência de um rendimento escolar aquém das possibilidades da criança. O défice de atenção implica uma dificuldade em seleccionar os estímulos de forma adequada. Quando a informação chega a estas crianças, elas fixam-se em detalhes mínimos e não são capazes de apreender a ideia principal. Assim, quando respondem a uma pergunta, podem fazê-lo pela tangente e, nos seus trabalhos, distribuem mal o tempo.

Automonitorização inadequada

(ausência de

controlo de qualidade) Estas crianças cometem erros pelo facto de concluírem e entregarem os trabalhos de forma precipitada. Quando lêem em voz alta, enganam-se nas palavras porque não comprovam se a palavra faz sentido naquela frase antes de a dizer. Isto deve-se à falta de atenção, mas também à sua impulsividade.

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Dificuldade em manter o esforço Estas crianças têm muita dificuldade em manter a atenção em actividades que não lhes geram interesse. Aborrecemse, desconcentram-se nos deveres, enquanto um jogo de vídeo é capaz de captar a sua atenção durante horas. Esta falta de perseverança afecta de forma significativa o rendimento nos primeiros anos de escolaridade. Estas crianças cansam-se facilmente em trabalhos que exigem a sua concentração e é natural que evitem essas tarefas.

Memória É difícil separar os problemas de atenção dos problemas de memória. Se não somos capazes de estar atentos a uma informação, dificilmente conseguimos apreendê-la, integrá-la e armazená-la. Normalmente estas crianças têm uma boa memória a longo prazo mas a sua memória a curto prazo e a memória de trabalho deixam muito a desejar. Recordam-se do que aconteceu há um ano, mas têm muita dificuldade em reproduzir o que se lhes acabou de explicar.

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Memória a curto prazo A maioria destas crianças tem muita dificuldade em recordar instruções e em reter informação sequencial.

Memória de trabalho Refere-se à capacidade de reter vários tipos de informação ao mesmo tempo. Se não somos capazes de representar mentalmente vários números, não podemos fazer cálculos mentais. Se queremos compreender o que lemos, temos que ser capazes de recordar as palavras do princípio de um parágrafo quando chegamos ao fim. Na linguagem, a memória de trabalho ajuda-nos a combinar palavras mentalmente para conseguir o máximo de impacto ao utilizá-las oralmente ou por escrito.

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Controlo Executivo A capacidade de reflectir e planear antes de actuar está afectada nestas crianças o que lhes causa problemas em estabelecer prioridades, planificar, organizar o tempo, antecipar consequências, aprender com a experiência e sintonizar socialmente.

Leitura e Ortografia 

problemas com a fonética das palavras;

problemas na leitura visual – reconhecer palavras; pela forma;

problemas de compreensão da leitura;

impulsividade, escassa automonitorização, problemas de compreensão motivados pela fraca memória de trabalho.

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Matemática Os problemas de cálculo mental são quase universais nas crianças com PHDA e muitas delas têm também dificuldades específicas na área da matemática. Não têm dificuldades em reproduzir os números de memória e podem contar por correspondência (ex: utilizando os dedos) mas quando se lhes retira esse suporte começam os problemas. Muitas crianças têm também uma discalculia – custa -lhes entender o tamanho relativo das figuras, aprender tabuadas, recordar sequências de algarismos, entender o significado dos sinais e compreender conceitos matemáticos avançados.

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Linguagem oral Estas crianças costumam ter uma forma particular de expressar-se e muitos problemas na aprendizagem da leitura correspondem a dificuldades que têm na hora de descodificar a linguagem no cérebro. Os problemas de falta de atenção, memória de trabalho e controlo executivo são a causa da maioria das dificuldades a nível da expressão oral. As crianças respondem sem terem escutado a pergunta, interrompem as conversas dos outros e são muito desorganizadas. O seu discurso pode carecer de uma linha narrativa clara, podendo saltar de um assunto para outro. Com os seus problemas de selectividade, são capazes de se perder em pormenores irrelevantes e podem não saber dar uma ideia de conjunto ao seu discurso. Os seus relatos costumam ser muito interrompidos por hesitações que podem ocultar a dificuldade real em encontrar uma palavra adequada. Quando se lhes colocam perguntas abertas, podem responder “não sei” ou “não me lembro” para não terem que se esforçar a organizar o discurso. Muitas vezes têm dificuldade em adaptar o discurso ao interlocutor – falta de habilidades pragmáticas da linguagem.

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Aspectos positivos Para além das características e comportamentos típicos dos alunos com Hiperactividade, também devemos realçar alguns factores positivos que, por vezes, lhes estão associados, tais como: 

Ingenuidade;

Criatividade;

Espontaneidade;

Grandes reservas de energia

Sensibilidade relativamente às necessidades dos outros;

Receptividade e disposição para perdoar;

Disposição para correr riscos;

Intuição;

Curiosidade;

Imaginação;

Abordagens inovadoras;

Gestão de recursos;

Empatia;

Bondade;

Capacidade de observação;

Muitas ideias.

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Intervenção da escola Como integrar um hiperactivo no meio escolar? O estilo de aprendizagem de uma criança com PHDA é muito diferente do estilo de uma criança sem PHDA. São crianças menos reflexivas, com tendência a prestar atenção a muitos estímulos em simultâneo e com maior dificuldade em processar estímulos verbais. São crianças que “aprendem fazendo”, por tentativa e erro e que se movem para “obter algo”. Necessitam, com frequência, de pistas orientadoras para a realização das tarefas. A sua aprendizagem escolar melhora se as tarefas forem curtas e estimulantes e se forem sistematicamente forçadas positivamente pelas suas conquistas. Para se ter sucesso, deve-se encarar a situação como um todo, um sistema em desequilíbrio, que necessita de ser reorganizado e estruturado. É importante que se equacione todos os elementos desse sistema (criança, escola, professor, recursos, colegas, família, etc.) e as interacções que entre eles estabelecem.

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Para intervir na escola é necessário modificar os contextos e práticas, as atitudes, crenças, entre muitos outros. O professor é uma peça chave no desenvolvimento destas crianças e só a estreita colaboração entre a escola e a família permite uma intervenção adequada. Na escola, o hiperactivo deve ser acompanhado por uma equipa multidisciplinar, mas na ausência desta, o professor terá de implementar um conjunto de estratégias e técnicas pedagógicas para ajudar a criança com PHDA a responder melhor à aprendizagem.

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Como distinguir um aluno hiperactivo de um aluno irrequieto? Antes de passarmos às estratégias para professores, devemos esclarecer esta diferença. Nem todas as crianças com dificuldades em manter a atenção, irrequietas e impulsivas têm uma PHDA. Pode existir outra perturbação que origine tais sintomas ou pode ser que a criança seja, apenas, mais desatenta, irrequieta e/ou impulsiva do que as outras da sua idade. Importa acima de tudo saber se essas características estão a causar sofrimento e desadaptação na sua vida e nos contextos familiar, escolar e social. Deve-se encaminhar a criança ao Gabinete de Educação Especial da escola onde poderão contactar especialistas e diagnosticar, ou não, a criança com hiperactividade.

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Métodos e estratégias de ensino para focalizar e manter a atenção:

Diminuir os factores de distractibilidade – a sala de estudo ou de aula deve estar isenta de factores de alheamento como televisores, telemóveis ou brinquedos. Os principais factores de desatenção na sala de aula são os próprios colegas, pelo que a procura do melhor lugar para sentar a criança com PHDA é crucial.

Facilite a atenção – criar uma aula viva e interessante. Material visual atraente, sublinhados, instruções curtas e dadas uma de cada vez (reforçadas com o contacto visual para o professor assegurar que o contacto foi ouvido). Utilização de um sinal convencionado para chamar a atenção (toque no ombro ou na carteira).

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Desloque-se pela sala para manter a visibilidade

Ajude na organização do trabalho – ajude na criação de métodos e hábitos de estudo do aluno, de forma a facilitarem a sua organização do trabalho.

Deve ser dado tempo suficiente ao estudante com Hiperactividade para copiar as indicações do quadro para o caderno, uma vez que se trata de um aluno mais lento que os colegas.

As expectativas e objectivos terão de ser claros.

Calendários bem visíveis no local de trabalho com inscrição das datas de testes e apresentações de trabalhos.

Utilização de instrumentos simples que emitam sinais sonoros para poder regular o ritmo de trabalho ou de estudo.

Estimular o estudante a realizar resumos dos aspectos mais importantes e sublinhar as palavraschave.

Informar os pais de imediato quando os trabalhos não são realizados.

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Diminuir a frustração – O elogio e o reforço positivo são fundamentais. Se a criança estiver com dificuldades em se manter tranquila durante um longo período de tempo, escolha-a quando é necessário fazer um recado ou uma pequena tarefa como recolher enunciados.

Os alunos com PHDA deverão ser inscritos nas aulas de manhã, altura do dia em que lhes será mais fácil manter a atenção.

Os métodos de avaliação devem ser ajustados às crianças com PHDA sendo as provas orais o melhor método de avaliar uma criança hiperactiva.

Avisar/alertar o aluno se este “saltou” uma pergunta ou se cometeu um erro por evidente falta de atenção.

Os pais são a autoridade – a criança deverá compreender que qualquer acto que pratica tem consequências

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Deve-se incentivar a criança com prémios e recompensas -

Para reforçar os comportamentos

positivos, os professores podem encontrar formas de compensar os alunos. Esses prémios podem ser conquistados sempre que o aluno atinja um patamar de “pontos”/”estrelas” previamente definidos pelo professor. Os pais da criança devem ser informados acerca dessas conquistas. Esses pontos podem ser conquistados individualmente ou em grupo. (por exemplo, apagar o quadro, fechar a porta à chave, fazer recados, etc.).

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Na apresentação de tarefas: 

Utilize a instrução verbal em combinação efectiva com suporte visual;

Não dê instruções muito compridas e com informação pouco pertinente; seja claro nos seus pedidos;

Providencie que a instrução seja dada de forma directa à criança em causa;

A instrução deve ter em conta a experiência anterior da criança sobre o assunto ou tarefa e o professor deve certificar-se de que a criança compreendeu o pedido;

Utilize meios dinâmicos e estimulantes para apresentar as tarefas às crianças. A investigação tem demonstrado que ao aumentar o grau de estimulação nas tarefas, bem como implicar a novidade nos materiais e métodos utilizados, melhora a capacidade de resposta da criança com PHDA. Assim, utilize o trabalho de grupo, as cantilenas, a resposta em coro, o diálogo, a actividade motora, a cor e a forma alterada, para estimular a focar a atenção.

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Na avaliação: 

A criança com PHDA beneficia se a sua avaliação for essencialmente verbal, ou através de trabalhos de natureza vária.

Na realização dos testes necessita de mais tempo e de um ambiente calmo e longe de factores distractores.

As perguntas de um teste também deverão ter algumas adaptações como: não existirem perguntas encadeadas, cuja resposta depende de uma anterior; não existirem perguntas com muita informação contextual; nas perguntas de escolha múltipla ter muito cuidado com a forma como as alternativas são dadas (não existirem alternativas com pequenas nuances).

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Quando existem perguntas de escolha múltipla, o professor deve acautelar que a impulsividade pode provocar erros de resposta.

Durante a realização de testes tente perceber se a criança está a ler as perguntas até ao fim e de forma correcta.

Evite testes fotocopiados frente e verso e se assim for, chame a atenção da criança para o facto.

Utilize cópias a preto e branco, saliente informação pertinente nas perguntas, utilize os testes como guia de estudo.

Adapte materiais de apoio ao estudo 

A maioria dos materiais de apoio ao estudo contém muita informação, o que dificulta a atenção da criança com PHDA.

Lembre-se que estas crianças têm muita dificuldade em resumir textos e em tirar as informações mais importantes da leitura dos mesmos.

Não use materiais com muita informação.

Sintetize o máximo possível a informação nuclear e acompanhe com ilustrações ou desenhos apelativos.

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Conclusão A experiência escolar pode constituir um verdadeiro desafio para uma criança com PHDA. A sua impulsividade impede-a de responder de forma reflexiva e conduz frequentemente ao erro, as dificuldades de memória de curto prazo dificultam a retenção de informação, as dificuldades de planeamento e organização interferem com a escrita, em especial, quando há tempo limitado para tal. A grande maioria das crianças é identificada quando começa a existir uma dificuldade em acompanhar as exigências escolares próprias para a sua idade e se começam a repetir os insucessos e falhanços. Outras razões de identificação são os comportamentos disruptivos, frequentes na sala de aula, ou as dificuldades de relacionamento com os pares. Para lidar com estas crianças deve-se conhecer a perturbação. Saber distinguir quando se trata de mau comportamento ou da perturbação. Estas crianças não fixam a sua atenção e portanto torna-se difícil chamá-las à razão para algo que fizeram mal. Não cumprem regras, pois não as decoram e isso dificulta a sua aprendizagem. Não são crianças intelectualmente inferiores às outras, simplesmente não conseguem expressar a sua inteligência. 54


Com este trabalho, pretendemos ajudar a comunidade escolar, e até os pais, a lidar e a perceber estas crianças, pois,

“mais que uma inquietação, elas têm uma perturbação.”

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Referências bibliográficas 

Antunes, N. L. (2009). Mal-Entendidos. Verso da Kapa.

Associação Portuguesa da Criança Hiperactiva. (s.d.). Obtido de http://www.apdch.net/.

Desordem por Défice de Atenção com Hiperactividade. (s.d.). Obtido de http://ddah.planetaclix.pt.

Documentos facultados pelo Gabinete de Educação Especial e Apoio Educativo.

Hiperactiva, A. P. (s.d.). Pertubação de Hiperactividade com Défice de Atenção - um guia para professores.

Hiperactividade, G. d. (Abril de 2010). Inquéritos a professores e sua análise.

Pina, D. S. (Maio de 2010). Entrevista com uma Psicoterapeuta e mãe de uma criança hiperactiva. (G. d. Hiperactividade, Entrevistador)

Rodrigues, A. N. (Abril de 2005). Hiperactividade e Défice de Atenção - Compreender e Intervir na Escola e na Família. Cascais: CADin.

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Anexos

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INQUÉRITO DESTINADO A PROFESSORES

Este inquérito tem como objectivo a realização de um trabalho sobre Hiperactividade – “Vida a 100 à hora!”, no âmbito de Área de Projecto do 12º1. Sexo: F □

M

□ Menos de 30 □ Entre os 30 e os 50

Idade:

□ Mais de 50 Disciplinas leccionadas: ___________________________________________________ Há quantos anos lecciona?

□ 1 a 10 anos □ 11 a 20 anos □ Mais de 20 anos

Anos de escolaridade que lecciona:

□ 7º ano

8º ano Cursos Profissionais

□ 9º ano

□ 10º ano

□ 11ºano

□ 12ºano

□ Ensino Nocturno

1. Sabe o que é um hiperactivo?

□ Sim

□ Não

2. Percebe como deve reagir correctamente com um/a aluno/a hiperactivo?

□ Sim

□ Não

□ Com dificuldade

3. Seleccione as opções que remetem para sintomas de Hiperactividade:

□ Não cumpre as regras. □ Trabalha isolado/a. □ Não consegue manter a atenção durante muito tempo. □ Não consegue permanecer sossegado/a. □ Má educação persistente.

4. Que medidas se devem adoptar, numa sala de aula, com um/a aluno/a hiperactivo?

□ Agir normalmente com o/a aluno/a. □ Manter o aluno/a isolado/a dos colegas para bom funcionamento da aula. □ Reforçar de forma positiva o esforço do/a aluno/a. □ Ser persistente com o/a aluno/a. □ Utilizar sanções disciplinares por mau comportamento e distúrbio. □ Utilizar métodos de ensino alternativos e estimulantes (cores, animações, diminuição dos estímulos externos).

5. Os alunos hiperactivos devem ter avaliações (critérios, instrumentos,…) especiais em relação aos colegas?

Sim Não Porquê? ___________________________________________________________________________________________ Muito obrigada pela sua colaboração! Grupo 2 Ana Sofia Matos Filipa Nascimento Inês Sim Sim Marta Zegre

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Resultados dos Inquéritos 1. Sabe o que é um hiperactivo?

2. Percebe como deve reagir correctamente com um/a aluno/a hiperactivo?

3. Seleccione as opções que remetem para sintomas de Hiperactividade:

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4. Que medidas se devem adoptar, numa sala de aula, com um/a aluno/a hiperactivo?

5. Os alunos hiperactivos devem ter avaliações (critérios, instrumentos,…) especiais em relação aos colegas?

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Análise dos Resultados No âmbito do projecto “Hiperactividade – Vida a 100 à hora!”, do grupo 2, do 12º1, foram elaborados inquéritos dirigidos a professores. Foi recolhida aleatoriamente uma amostra de 37 professores, sendo 26 do sexo feminino e 11 do sexo masculino. Depois de recolhidos os inquéritos, estes foram analisados e pudemos retirar algumas conclusões: Todos os inquiridos sabem o que é um hiperactivo e no entanto, a maioria tem dificuldade em perceber como se deve reagir correctamente com alunos que sofram desta perturbação. Mostraram também reconhecer os sintomas de Hiperactividade, não contrariando as respostas da questão anterior.

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É de salientar que a maioria dos professores escolheu opções correctas acerca de como lidar com um hiperactivo numa sala de aula. Agir normalmente com o aluno, reforçá-lo de forma positiva, a persistência e a utilização de métodos de ensino alternativos e estimulantes são as medidas a tomar pela grande maioria. Ainda assim, há uma pequena percentagem que indica que ainda se acha que se devem aplicar sanções disciplinares por mau comportamento ou isolar o aluno para um bom funcionamento da aula. Há grande ambiguidade em relação à questão das avaliações especiais para hiperactivos. hiperactivos Metade dos inquiridos é a favor de serem feitas avaliações, serem utilizados critérios e instrumentos de avaliações diferentes para hiperactivos e a outra metade é contra.

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A minha filha antes de ser diagnosticada com hiperactividade, tinha, de facto, características muito específicas que eu penso que estão presentes na maioria das crianças com hiperactividade, tais como: o facto de não dormir, a agitação que formava uma desarrumação total da casa, e que fazia com que não houvesse nada que estivesse no devido lugar, pois isso não era possível. Esta agitação, não é igual em todas as crianças, no caso da minha filha eram tiques. Ela tinha muitos tiques, ela não conseguia estar sentada, tinha sempre a perna de baixo do rabo, depois tirava-a e depois ficava de joelhos. Ela não saltava nem se pendurava nos candeeiros. Não era isso, mas tinha tiques muito pequeninos. Chuchava tudo. Destruía os lápis e as canetas. Até podia ser o objecto mais rijo, que ela conseguia danificá-lo com a boca. Fazia muitos gestos. Eram pequenos tiques que mostravam bem a ansiedade e o mal-estar dela. Eu na altura não pensei que fosse uma PHDA, pensava apenas que era uma menina mais mexida e que tinha dificuldade na arrumação e no cumprimento das regras. Nunca pensei que pudesse ser hiperactividade, até ela ter entrado para a escola. Dra. Susana Pina Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta e mãe da Marta, uma menina hiperactiva.

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Brochura PHDA Vida a 100 à hora!  

um dos produtos finais.